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Esportes Histórias de futebol

Didi, o maestro de 1958

O cara que fez Pelé e Garrincha brilharem, apenas com passes e cobranças de faltas. Jairo Camilo Jr

Até surgir o garoto PELÉ, ele foi o maior jogador de todo o Brasil senão do mundo disputando palmo a palmo o titulo com Di Stéfano, por toda a década de 50, Valdir Pereira nascido em 08/10/1929 e que ficou mundialmente conhecido como "Didi" foi o quarto grande nome a surgir como o grande craque no futebol brasileiro assumindo o manto de Zizinho, mas por pouco o mundo não foi privado deste artista da bola pois por muita sorte ele não amputou a perna aos 14 anos quando levou um pontapé no joelho direito, com medo de ser proibido de continuar nas peladas ele escondeu o ferimento e a lesão desenvolveu-se em uma perigosa infecção que o colocou durante meses em uma cadeira de rodas, dois anos depois estava no Americano de Campos iniciando a carreira mas ficou pouco e no mesmo ano foi para o Lençoense de São Paulo, no ano seguinte voltou ao Rio de Janeiro para atuar no Madureira e de lá foi para Fluminense onde atuou por quase dez anos vencendo seu Globoesporte.com

Jogador Didi, na copa de 1958

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PONTO FINAL | 26.10.2012

primeiro carioca, mas foi quando passou a jogar no Botafogo que Didi iniciou sua coleção de títulos em duas passagens (56 a 58 e depois em 61 e 62) venceu três cariocas e dois mundiais pela seleção Brasileira, o dinheiro graúdo oferecido pelos espanhóis o levou à três anos no Real Madrid na época o todo poderoso do futebol mundial pois o Santos de Pelé e Cia. ainda não havia despontado para o mundo, onde não se deu bem em um time onde Dí Stéfano e Puskas davam as cartas, contudo essa que foi a maior decepção de sua vida não lhe levou à depressão, voltou ao Botafogo venceu mais dois títulos e na copa do mundo de 62 enfrentou a Espanha de seus desafetos de Real Madrid e ajudou o Brasil a desclassifica-la..., pessoas que o viram jogar muitas vezes dizem que ele era tão completo quanto e em muitos quesitos superior a PELÉ e só não é o maior do mundo por uma questão de mídia já que atuou em uma época em que não havia televisão e por não ser um artilheiro como ele tanto que em quase vinte anos de carreira sequer se encontra entre os 50 maiores artilheiros do país e pela seleção fez apenas 21 gols em 74 jogos, contudo sua elegância em campo, seu dribles dissimulados e passes precisos somados à altivez com que seu corpo mulato conduzia a bola levou-o como os franceses Kopa e Fontaine, os húngaros Czibor e Puskas, o argentino Dí Stéfano, mas o bicampeonato mundial da seleção brasileira em 1958/62 é impensável de ser considerado sem a figura de Didi, sua soberania e comando sobre os demais jogadores eram fundamentais para a coesão da equipe, pra se ter uma idéia em 1958 assim que a Suécia abriu o placar e o

estádio lotado sorriu pelo provável título Didi foi até o fundo do gol, recolheu a bola e atravessou o campo com ela embaixo do braço pedindo calma a todos os companheiros, quatro minutos de pois o Brasil empatava o jogo e abria caminho para o título e Didi era eleito o melhor jogador daquela copa, fato que se repetiu em 1962 quando já veterano, vindo de uma passagens frustrada na Espanha mas de dois títulos cariocas ele liderou a equipe ao bicampeonato, com certeza sua conduta firme foi grande influência para o garoto e futuro rei do futebol Pelé na época com apenas 17 anos, sendo assim nada mais justo que Didi seja realmente o príncipe do futebol brasileiro pois poucos tiveram no trato com a bola tanta nobreza

O inventor da Folha seca “O Príncipe Etíope”, inventou uma forma de bater faltas que foi chamada de “folha-seca” pois batia na bola de uma forma que ela subia em uma velocidade e repentinamente descia em outra superior enganando o goleiro. Sua arte e maestria em campo foram únicas e há outro detalhe, Didi reinou em uma época onde haviam muitos rivais pelos campos do mundo, como: Di Stéfano e Puskas. Teve uma carreira impressionante, sendo campeão mundial duas vezes com a seleção brasileira e tendo vários titulos com os maiores clubes da época.


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Waldir pereira, o Didi, faleceu em 2001 com 72 anos, foi velado na sede do Botafogo, seu clube de coração

Apelidos viram piadas para suécos Em plena copa, a imprensa suéca dava apelidos engraçados aos jogadores brasileiros.

Reuters

Jairo Camilo Jr

Nove dos 22 jogadores brasileiros convocados para a Copa de 58 eram conhecidos por apelidos, não por seus nomes ou sobrenomes. Entre eles, a maioria dos grandes nomes da equipe, como Pelé, Garrincha e Didi. Eram tantos que causou estranheza aos suecos. Tanto que a imprensa local passou a fazer graça com os nomes dos brasileiros, talvez cansada dos próprios erros na hora de escrever sobre alguns dos principais craques do torneio. Dida, titular do ataque nas duas primeiras partidas, virou Dido. Garrincha surpreendeu o mundo após sua estréia contra a União Soviética. Mas passou quase toda a Copa com apenas um R no nome: Garincha, ou às vezes Garincho. Antes da estréia contra a Áustria, um colunista do jornal sueco Aftonbladet brincou: "Treino do Brasil no Rimnervallen. Um repórter pergunta a outro: ‘Tem a escalação do Bra-

Jornal chama craque brasileiro de Garincha, ao invés de Garrincha

sil?’. - Sim, tenho. Dudu é o goleiro. Dada e Dadu, os zagueiros. No meio estão Dodô, Dudi e Duda. E na frente, Didi, Dida, Dadi, Deda e Dade. - Tem certeza de que isso está certo? - Sim, eu falei com o treinador. - Ah... É que eu pensei que o Dedu estaria no time”. Dos tais 11 jogadores, ape-

nas Didi e Dida eram reais. No jornal sueco, o time foi armado no esquema WM, e não no 4-2-4 do Brasil, considerado revolucionário após o Mundial. O único que não teve problemas com seu nome/apelido foi Pelé. Na Suécia, Pelle é um nome muito comum e pronunciado da mesma maneira que Pelé sem acento. Por isso, o craque de 17 anos passou a ser chamado de “Svarta Pelle”, ou o “Pelle Negro” 26.10.2012 | PONTO FINAL

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Especial Didi, copa 58  

esse cara surpreendeu muito e trouxe a classe e qualidade a vida

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