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ISSN 1982-9469

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AGOSTO 2019 N.130

CASO SÉRIO

CEOs de sucesso falam de uma paixão mal correspondida: a arquitetura

DE VOLTA AO GAME

Depois de se tornar bilionário com a venda da Niely para a L’Oréal, o carioca DANIEL DE JESUS volta a empreender – e justamente no setor que domina como poucos: o de produtos para cabelos

NA TEORIA E NA PRÁTICA

O ex-ministro da Educação

RENATO JANINE RIBEIRO

tenta desvendar os novos rumos do país

COMO UMA ONDA

O barquinho sempre vai e a tardinha nunca deixa de cair para o cantor e compositor MARCOS VALLE

O FEIJÃO E O SONHO

Equipamentos e apps para satisfazer um hobby que jamais sai de moda: a jardinagem

E MAIS

A natureza impressionante de Torres del Paine, no Chile; iates para os mais sofisticados verões e as preferências de FERNANDA FEITOSA, a criadora da SP-Arte


A P R E S E N TA :

VALORIZAMOS COMPORTAMENTOS E PRODUTOS QUE ATRAVESSAM O TEMPO, E SE MANTÊM ATUAIS: OS NOVOS CLÁSSICOS. A FOXTON VESTE E INSPIRA O HOMEM CONTEMPORÂNEO.

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46

40

SUMÁRIO EDITORIAL COLUNA DA JOYCE DE VOLTA ÀS RAÍZES

Depois de conquistar seu bilhão com a venda da Niely para L’Oréal, Daniel de Jesus retorna à indústria da beleza 26

ALMOÇO DE PODER O ex-ministro da Educação Renato

Janine Ribeiro desenha os rumos do Brasil 34

SÓ A PRANCHETA SALVA

Profissão dos sonhos: CEOs do mercado confessam paixão pela arquitetura 40

NATUREZA EXIBIDA

A exuberância chilena em um dos trekkings mais belos do mundo, no Parque Nacional Torres del Paine

PODER VIAJA MOTOR SOB MEDIDA

O dia a dia e as predileções de Fernanda Feitosa, da SP-Arte

MENINO DO MUNDO

O golden boy Marcos Valle retoma sua cultuada fase boogie 46

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52

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HIGH-TECH CULTURA INC. DOWNLOAD ESTANTE POLE POSITION CARTAS ÚLTIMA PÁGINA

DANIEL DE JESUS POR MAURÍCIO NAHAS

NA REDE: /Poder.JoycePascowitch @revistapoder @revista_poder

FOTOS MAURÍCIO NAHAS; PAULO VIEIRA; DIVULGAÇÃO

4 10 14


Arquitetura por Aflalo & Gasperini

Um novo ícone no Itaim.

Interiores por Gui Mattos

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Informações:

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PODER EDITORIAL

A

ideia de exercer uma carreira para a qual a pessoa se diz vocacionada tem um sabor meio démodé. Com a ênfase cada vez maior na inteligência emocional e nas capacidades multidisciplinares, não se fala muito mais em, por exemplo, teste vocacional. O carioca Daniel de Jesus não precisou passar por um desses para se tornar o que se tornou: um empresário bilionário. Vendedor de picolés no trem de subúrbio no começo da vida, ele se vocacionou na raça, com as dificuldades que viveu no Rio. Daniel fez da sua Niely empresa líder em produtos para cabelo e teve celebridades como Anitta e Richard Gere como garotos-propaganda. Em 2015, vendeu sua empresa para a L’Oréal, faturou seu bilhão e comprou participações em negócios diversos como a Taco Bell, com Carlos Wizard, e a rede de ensino Eleva, de Jorge Paulo Lemann, além de um monte de imóveis. Mais do que vocação, dá para dizer que Daniel tem uma obsessão, e, após cumprir quarentena na L’Oréal, está de volta ao setor que o fez conhecido. É difícil determinar quais são as qualidades necessárias para o sucesso, mas CEOs brasileiros falam, em reportagem especial, o que teriam sido caso não avançassem na carreira executiva. Sem spoiler: arquitetos. Já o exministro da Educação, professor e filósofo Renato Janine Ribeiro, não fosse o notável intelectual e pensador dos rumos brasileiros que é, talvez pudesse também se arriscar na astrologia, que domina como poucos. Ainda por aqui estão Marcos Valle, eterno muso da bossa nova, sempre citado (ou sampleado) por músicos como Jay-Z e Kanye West, e Fernanda Feitosa, fundadora da SP-Arte, a mais bem-sucedida feira de arte do Brasil. Segura que tem mais: em High-Tech elegemos equipamentos e apps para quem gosta de plantar; em Cultura conferimos a montagem de Bia Lessa para Macunaíma, ícone do modernismo brasileiro, e em Viagem fomos a uma incrível região do extremo sul do Chile, o parque Torres del Paine, onde a natureza dá as cartas. Saravá! Boa leitura que a viagem está só começando...

G L A M U RA M A . C O M


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VIAGEM ESPACIAL

O círculo mais próximo a JAIR BOLSONARO está radiante com a possibilidade de o presidente nomear o filho EDUARDO como embaixador nos Estados Unidos. A pauta, no entanto, não é diplomática. Longe disso. Embora não digam, os conselheiros do presidente avaliam que quanto mais longe os herdeiros estiverem, melhor. À boca pequena, torcem ainda para que o presidente ofereça cargos internacionais também para Flávio e Carlos. A influência política dos filhos é uma das principais críticas a Jair Bolsonaro e compartilhada também por seus assessores.

SOB PRESSÃO

CHAPÉU DE PALHA

A rede de resorts de luxo Six Senses se prepara para colocar os pés no Brasil. Na areia, é claro. O destino é a Baía Formosa, na praia da Pipa, Rio Grande do Norte. O sócio será um grande empresário polonês, que investe em vários setores. Além do resort, o enorme terreno de 5 hectares terá uma vila com casas de alto padrão à beiramar, spa, atividades esportivas, campo de polo e um centro de proteção de tartarugas.

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É bem verdade que os hackers de Araraquara e a torrente de informações sobre a má conduta dos operadores da Lava Jato só ficaram conhecidos recentemente, mas a última pesquisa CEO Outlook, que a consultoria KPMG faz regularmente, traz informações curiosas – para dizer o mínimo – sobre as preocupações de 50 CEOs brasileiros. Ainda que segundo os entrevistados segurança cibernética seja a principal ameaça às empresas que lideram, com 22%, esse percentual caiu à metade em relação a 2018. Ganharam espaço na lista questões regulatórias, danos à reputação e a guerra comercial ChinaEUA. Os CEOs ainda deixaram claro que vivem sob pressão: a principal missão a que se dedicam é entregar resultados no curto prazo.


MADE

Com a chama olímpica flamejando, Tóquio já rufa os tambores para a Olimpíada do ano que vem... em ritmo de samba! Sim, é dessa maneira que toca a marcha em algumas das ações para promover os Jogos 2020. Em uma delas, na Tokyo Disneyland, brasileiros têm se surpreendido com a cadência e o ritmo dos anfitriões e do mascote Miraitowa. Homenagens desse tipo se espalham pela cidade, ressaltando a conexão entre a Rio-2016 e Tóquio-2020...

IN

ÁREA NOBRE

Destino favorito de uma turma de poderosos, a praia de Comporta, hype em Portugal, vai ganhar em breve dois novos frequentadores assíduos. Léo Figueiredo (ex-Hedging-Griffo e CEO do Instituto Quintessa, aceleradora de negócios de impacto) e Luiz Osvaldo Pastore (produtor rural e empresário do setor de importação) compraram grandes lotes rurais por lá. Serão vizinhos do milionário português Luís Horta e Costa. Detalhe: tanto Horta e Costa quanto Figueiredo têm duas das casas mais sofisticadas de Trancoso.

...Nos últimos anos o Japão tem acompanhado uma onda migratória diferente. Se anteriormente os dekasseguis, como são chamadas as pessoas que deixam sua terra natal para trabalhar em outra região ou país, vinham basicamente dos vizinhos asiáticos e do Brasil, hoje já se vê imigrantes europeus e, veja só, americanos...

JAPAN

FOTOS ANTONIO CRUZ/AGÊNCIA BRASIL; PAOLA DE ORTE/AGÊNCIA BRASIL; FREEPIK; JOYCE PASCOWITCH; ALI KARAKAS; REPRODUÇÃO; DIVULGAÇÃO

...Com custo de vida mais baixo, segurança e receptividade com estrangeiros, o Japão oferece curiosidades como lojas de iPhone e iPad “usados” (explica-se: o japonês troca de celular a cada lançamento). É possível comprar um iPhone 8 na faixa de US$ 300, o que tem criado um embaraço alfandegário no Brasil: é bem difícil distinguir um aparelho “usado” do Japão de um novo.

JOIA RARA

Nessa onda de revitalização dos prédios históricos de Lisboa, a pérola do momento é a antiga sede do Diário de Notícias, um edifício de linhas art déco na elegante avenida Liberdade, projetado pelo arquiteto Pardal Monteiro. E é justamente lá que FLÁVIO ROCHA está de olho num apartamento de cobertura. A grande atração desse andar é uma sala na qual o escritor José Saramago trabalhava nos anos 1970. PODER JOYCE PASCOWITCH 11


Mais vale errar se arrebentando do que poupar-se para nada DARCY RIBEIRO

3 PERGUNTAS PARA... KATE RAWORTH, economista britânica, autora do livro Economia Donut: Uma Alternativa ao Crescimento a Qualquer Custo, em que expressa teoria econômica que leva em conta os recursos finitos do planeta COMO EXPLICAR A TEORIA DONUT PARA QUEM NÃO É ECONOMISTA?

Na verdade, são os economistas que acham difícil entendê-la. O donut é uma forma para se pensar o bem-estar no século 21. O objetivo é não deixar ninguém no meio, no buraco. Todo mundo precisa estar dentro, mas não podemos extrapolar o teto do donut. Colocamos tanta pressão no planeta que começamos a exaurir seus recursos. Então, sumariamente, a ideia é garantir as necessidades de todos num cenário de equilíbrio com os recursos do planeta. COMO ESSAS IDEIAS SÃO RECEBIDAS, JÁ QUE NÃO SE APROXIMAM DAS TEORIAS CLÁSSICAS?

Com frequência, sou convidada para palestrar em universidades de vários

países, em departamentos de sustentabilidade, business, arquitetura e urbanismo, menos nos departamentos de economia. Não querem abrir a porta. Quando fui mãe, vi que não tinha mais tempo a perder e foquei em trabalhar com quem pratica a economia real deste século. ACREDITA QUE A MUDANÇA PODE COMEÇAR PELO INDIVÍDUO?

Eu acredito que as mudanças sempre têm início na pessoa, que pode ser um CEO, um empreendedor, um líder estudantil, talvez um político. Em primeiro lugar, é preciso ter uma visão clara do mundo que você quer criar, e, resolvido isso, no caso dos políticos, que tratem de ganhar as próximas eleições. O problema em geral é sempre reagir negativamente ao que se constrói, o que gera perda de energia, e aí acabamos por não criar

nada novo. Acredito que as pessoas gostaram do meu livro por estarem procurando maneiras de se articular em torno daquilo que acreditam. No caso do aquecimento global, quando [Donald] Trump diz que vai tirar os Estados Unidos do Acordo do Clima, ele cria um ‘climão’ na Califórnia, indispõe-se com o prefeito de Nova York, e aí as grandes empresas e as populações podem se conscientizar. Se Trump jamais será uma referência no que diz respeito a mudanças climáticas, surgem a partir dessa figura governadores e prefeitos extraordinários. É assim: líderes surgem quando aqueles que deveriam liderar falham.

12 PODER JOYCE PASCOWITCH

FOTOS REPRODUÇÃO; DIVULGAÇÃO

PASSARELA

Ter ex-alunos como os chefs Rodrigo Oliveira, do Mocotó, Luiz Filipe Souza, do Evvai, e a sommelière Gabriela Monteleone, do D.O.M, não é pouca coisa. Não foi portanto à toa que ROSA MORAES, diretora de hospitalidade, comunicação e impacto social da Laureate International Universities, ganhou o apelido de “dama da gastronomia” no Brasil. Ela abriu o primeiro curso superior da área, em agosto de 1999, na Universidade Anhembi Morumbi – adquirida depois, em 2005, pelo grupo Laureate. Motivo suficiente para celebrar as duas décadas da profissionalização da gastronomia por aqui. Pelas redes sociais, todos os ex-alunos estão sendo convidados para vestirem seus dolmãs e voltarem às cozinhas high-tech na Mooca, onde fica a escola. Em setembro, durante a Semana da Gastronomia, em vez de convidar chefs renomados mundialmente, Rosa vai trazer ex-alunos que ficaram famosos para palestrar nas escolas da rede.


EM AGOSTO, A MULHER E O HOMEM DE PODER VÃO... ACOMPANHAR o US Open, o

quarto e último dos Grand Slams do tênis – a partir do dia 26, em Flushing Meadows, no Queens, Nova York

COMEÇAR a planejar uma viagem diferente para o Réveillon – ser criativo só faz bem

o diretor francês Georges Gachot desembarca no Rio e refaz os passos do jornalista alemão Marc Fischer para encontrar o pai da bossa nova

HOSPEDAR-SE na

recém-reformada suíte Belle Étoile, no hotel Le Meurice, com vista 360 graus de Paris – e, claro, aproveitar o bar, um dos mais charmosos da cidade

PROVAR as delícias do

Ryo, restaurante no Itaim que reabre após reforma com apenas oito lugares no balcão, nos moldes do que fazem os melhores sushimen do Japão

SEGUIR o Instagram da Nasa (@

nasa) e se encantar pelo universo VISITAR a exposição individual de

Stephan Doitschinoff na Janaina Torres Galeria – Estaremos Aqui para Sempre fica em cartaz até 5 de outubro CURTIR o Jazz Middelheim, um dos festivais contínuos mais antigos da Europa. A partir de 15 de agosto, em Antuérpia, Bélgica, com destaque para o quarteto de David Murray

ASSISTIR a Dois Papas, novo filme de Fernando Meirelles que estreia no Festival de Toronto – com Anthony Hopkins como o papa Bento 16 e Jonathan Pryce como o cardeal Bergoglio, que se tornaria o sucessor, o atual papa Francisco SINTONIZAR a TV Carol Sandler,

FOTOS DIVULGAÇÃO; DIVULGAÇÃO NETFLIX; REPRODUÇÃO

a nova plataforma do Finanças Femininas – o primeiro site a falar de dinheiro só para mulheres

CONHECER o Teatro Unimed,

que abre as cortinas no dia 22 de agosto no edifício Santos-Augusta, em São Paulo, com o musical Lazarus, de David Bowie, com direção de Felipe Hirsch

DESCONECTAR com o monge tibetano Yongey Mingyur Rinpoche, que chega ao Brasil para workshops e o lançamento do livro Apaixonado pelo Mundo: A Jornada de um Monge pelos Bardos do Viver e do Morrer

BAIXAR um dos aplicativos para meditação e mindfulness e começar a praticar já – boas opções são o Sattva, o 5 Minutos e o popular Headspace GARANTIR ingressos para as

apresentações de Almir Sater em São Paulo – no Teatro Bradesco, em novembro

REVER o documentário Onde Está

Você, João Gilberto? (2018), no qual

com reportagem de aline vessoni, dado abreu e fábio dutra PODER JOYCE PASCOWITCH 13


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SALÃO

DE VOLTA ÀS RAÍZES

Depois de vender por R$ 1 bilhão a Niely para a L’Oréal e entrar em negócios variados como os de fastfood e educação, o carioca Daniel de Jesus torna a empreender no front onde ele mais se sente em casa, a indústria de beleza por paulo vieira fotos maurício nahas

uando é convidado a contar a história da Niely, a empresa de cosméticos que fundou na Baixada Fluminense nos anos 1980 e que vendeu à L’Oréal por R$ 1 bilhão em 2015, o carioca Daniel de Jesus, de 60 anos, volta década e meia no tempo, para uma época em que ainda não sabia o que iria fazer na vida. Lá estava ele, “franzino”, com 12 ou 13 anos, em 1971 ou 1972, mocozado no trem que cruzava o subúrbio carioca em direção à mata, nas lonjuras de Paracambi, escondendo-se dos fiscais do rapa para não ter seus picolés apreendidos. Possuir inteligência emocional devia ser um imperativo nessa época em que ele estudava pela manhã e vendia sorvete nos vagões à tarde para ajudar o pai ascensorista e a mãe do lar. Diga-se logo que nesta história a expressão “inteligência emocional”, desconhecida naquela década, é um anacronismo. Melhor traduzi-la por “em rio que tem piranha, jacaré nada de costas”. O arranque do discurso de Jesus é de prender a respiração, mas a narrativa que daí segue entra em ritmo constante, sem clímax nem anticlímax, sem grandes PODER JOYCE PASCOWITCH 15


jogadas administrativas ou estratagemas complexos, como se a sequência de fatos que desemboca no primeiro bilhão fosse perfeitamente comum, prevista e fácil de ser vivida pelo mais ordinário dos mortais. A estatística, contudo, não confirma a hipótese de que empresários que viveram sérios perrengues em seus tenros anos necessariamente se tornam milionários, que dizer bilionários, na maturidade. Casos como o de Daniel de Jesus, no Brasil, e o de Larry Ellison, o fundador da empresa de tecnologia Oracle e hoje a sétima fortuna do mundo segundo a revista Forbes, nos Estados Unidos, são exceções meritosas. A narração monocórdia do empresário pode derivar de modéstia, de sua origem humilde ou até mesmo da ausência de um ghost writer em sua equipe, mas a verdade é que o tempo de Jesus para falar da própria vida está mais curto. Os dias andam muito corridos, já que setembro marca a volta do empresário ao velho ringue, o mesmo que ele abandonou ao vender a Niely, então com 2.200 funcionários e R$ 540 milhões de faturamento anual, para a transnacional L’Oréal. Com a futura marca, cujo nome preferiu não confirmar à reportagem, Jesus, químico de formação, entra outra vez no setor que conhece tão bem, o de tinturas e tratamentos capilares. De novo, visando as classes C, D e E – o “povão”, como diz. “Prefiro atender 100 pedidos de R$ 1 mil do que um de R$ 100 mil”, diz. “Se dez pararem de comprar, 90 continuam comigo. Já no caso do cara dos 100 mil, se ele para, eu tenho de fechar a fábrica”, disse ele a PODER, repetindo um velho mantra que costuma entoar. Passado um período de quarentena obrigatória desde que deixou o conselho da L’Oréal, ele agora está livre para navegar novamente nas águas que o fizeram bilionário. E pretende fazer tudo parecido, não só na paleta de produtos disponíveis ao consumidor – serão na partida 56 itens para cabelo, 25 deles tinturas –, como na estratégia de vendas e marketing: visitas pessoais aos pontos de venda e a contratação de atrizes do primeiro time televisivo para as campanhas de seus cremes e tinturas. Há algumas novidades na estratégia. Como as cervejas artesanais “ciganas”, Jesus não terá agora fábrica própria: vai aproveitar a ociosidade de parceiros e produzir em chão alheio – neste caso, a fábrica carioca da italiana Alfaparf, em Campo Grande, pertinho da

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‘‘Não vendi a Niely pelo dinheiro. A empresa cresceu muito, eu não tinha estrutura interna para suportar o peso. Era para ter trocado algumas pessoas” avenida Brasil. O e-commerce também passa a ganhar relevo, assim como os investimentos em publicidade digital. “É importante preservar as práticas vencedoras do passado em distribuição, que eram muito fortes no engajamento de equipes e clientes, mas atrelando agora ferramentas de inteligência comercial, novas plataformas e sistemas digitais”, conta. O que está certo é que a iluminar o novo caminho segue a velha confiança do empresário naquilo que julga ter de melhor, o conhecimento de seu mercado consumidor – assim como as particularidades de cada praça desse mercado. É com essas armas e um investimento declarado de R$ 200 milhões que Jesus pretende conquistar em cinco anos 10% do segmento de beleza. Mesmo que para isso ele tenha de roubar participação de seus grandes concorrentes, dentre eles a outra vez rival L’Oréal, dona da Niely, e as gigantes Unilever e P&G. Uma tarefa que não muitos encarariam. O Brasil é o quarto maior mercado mundial de beleza e cuidados pessoais, segundo a consultoria Euromonitor, mas mesmo com os movimentos cada vez mais vorazes da Natura e d’O Boticário, seus principais players, há espaço para mais gente – somos apenas o 53º do mundo em consumo per capita. Assim, não é difícil entender o porquê do regresso de Jesus à ribalta. Mas, e quanto à saída? “Não vendi a Niely pelo dinheiro. A empresa cresceu muito, eu não tinha estrutura interna para suportar o peso. Era para ter trocado algumas pessoas, não troquei.”


FOTOS REPRODUÇÃO; DIVULGAÇÃO

Jesus no CEO Summit, encontro da Endeavor, loja da Taco Bell, negócio de que participa junto com Carlos Wizard, e Oba Hortifruti, rede alavancada por fundo que tem o empresário como investidor

CHURRASCO Um sujeito não se torna bilionário da noite para o dia, assim como não costuma ouvir propostas para ingressar em novos negócios apenas na segunda-feira imediatamente posterior ao churrasco de despedida. Essas conversas e flertes se estenderam por algum tempo, e, se teve de ignorar convites para entrar em segmentos com os quais afirma não ter qualquer afinidade, como o agrobusiness, investiu com gosto em outros. Jesus tem participações em empresas como a rede de fast-food Taco Bell (22% da operação brasileira, em sociedade com a família de Carlos Wizard) e é investidor de fundos que controlam a Eleva (organização de ensino de Jorge Paulo Lemann) e o Oba Hortifruti. Também possui lote considerável de imóveis no Rio de Janeiro, que são geridos por sua holding Milano. Jesus admite ter cometido erros, quem sabe por não querer se indispor com antigos colaboradores, questão crítica para o empresário, mas para seu hoje

parceiro na Taco Bell, Charles Martins, “não poderia haver sócio melhor”. Filho de Carlos Wizard e cofundador da holding Sforza, que gerencia os muitos negócios de sua família, Charles não economiza nos elogios ao carioca. “Ele agrega muito, é daqueles que não perdem tempo com picuinha, olha a floresta, não a árvore. E como é um sócio capitalizado, não toma decisões de negócio emocionais, mas sim racionais. Ele não tem apegos”, disse a PODER. Segundo Charles, Jesus deu sugestões certeiras para otimizar a expansão da Taco Bell no Rio, indicando os melhores endereços para as unidades. Além disso, outra dica dada por Jesus, a eliminação de uma pimenta que era servida ao consumidor, impactou positivamente a rentabilidade geral: se levar à mesa um trio de pimentas de ardências variadas era uma marca característica, quase uma assinatura da rede nos Estados Unidos, no Brasil tratava-se de luxo desnecessário. Essa sintonia fina de Jesus com o consumidor é o PODER JOYCE PASCOWITCH 17


atributo mais habitualmente associado ao empresário pelos comentadores especializados. Ele não discorda. “Meu grande MBA sempre foi a rua, o ponto de venda. Tudo acontece lá. No escritório não acontece nada, no máximo chegam duplicatas para pagar”, diz. De fato, nos tempos da Niely, era comum vê-lo pegar seu jatinho Phenom 100 da Embraer e passar diversos dias em verdadeiras romarias pelo Nordeste, visitando clientes e revendedores de vários estados. E se não houvesse pista de pouso perto de seu destino, alugava um carro e rodava a distância que fosse preciso. Tamanho esforço acabava sendo compensado com recepções festivas e grandes almoços. Num desses, ele conta, teve de comer uma carne de sol “raiz”, daquelas que ficam expostas ao sol, justificando sobejamente o nome. “Rapaz, era um mosqueiro…” ESCOLA O ano em que Jesus teve atuação mais destacada na L’Oréal, logo após a venda da Niely, não lhe serviu de grande escola, a não ser que se leve em conta o que diz ter aprendido a não fazer, como revelou a PODER. Para ele, as decisões da matriz acabavam não levando em conta as particularidades nacionais, quanto mais as de cada praça dentro de um mesmo país. “Vem um gringo aqui e confunde Curitiba com Recife”, diz.

ORÁCULO

Ao vender a Niely para a L’Oréal, Daniel de Jesus se tornou VP da transnacional, para onde também levou sua filha e braço direito, Danielle. Mas mesmo que tivessem migrado para o segmento de cereais maltados, é de se supor que pai e filha mantivessem estreito relacionamento com a área de beleza – Jesus é uma espécie de oráculo do segmento. O empresário esteve em março em Bolonha, na Itália, na Cosmoprof, a grande feira mundial de negócios do setor, mas não identificou um “next big thing” para 2019. “Temos apostas. São feitas inúmeras pesquisas para chegarmos ao ingrediente, receita ou ativo que vire um must have no mercado”, diz. Conta ter visto em Bolonha a babosa (aloe vera) “bombando”. Mas é um componente déjà-vu. “Já tem forte apelo com as mulheres, como o coco.” Para revistas especializadas, grandes tendências são a assunção cada vez maior dos cabelos grisalhos pelas mulheres mais maduras, os cabelos retos (“straight”) para as mais jovens, o grande volume para todas e, boa notícia para Jesus, uma forte onda de pintura de cabelos fora dos salões, dentro de casa.

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Curiosamente, a crítica ao centralismo decisório ele não leva a cabo no próprio quintal. Jesus costuma se envolver em diversas instâncias de seus negócios. Nos primórdios, foi ele mesmo o responsável por desenhar o logotipo da Niely, curvando as letras N e Y para que emulassem os movimentos do cabelo. Mais tarde, já nos anos 2000, não esperou ouvir aspones para tomar decisões arrojadas, que talvez ninguém mesmo tivesse coragem de lhe soprar aos ouvidos, como empenhar R$ 4,5 milhões para promover sua tintura Cor&Ton no Big Brother de 2007 – o produto seguiria patrocinando o programa da Globo por mais sete verões. E quanto a ter um consagrado ator internacional como Richard Gere (não por acaso o protagonista do filme Uma Linda Mulher) estrelando um comercial de sua linha de tratamento Gold Orquídea? Ideia dele, claro. RIQUEZA Embora possua o perfil típico dos empresários self made man e tenha passado seu nome à prole – a primogênita se chama Danielle (daí o Niely da empresa) e os filhos, João Daniel e Daniel Pedro – , Jesus costuma dizer em palestras que “ninguém faz nada sozinho”. “Quem pensa assim não vai a lugar nenhum”, disse em 2016 no CEO Summit, encontro de líderes empresariais promovido pela Endeavor, e que pode ser visto no YouTube. Não é apenas questão de “ter pessoas boas à sua volta, e apoiá-las”, como sublinhou na ocasião, mas jamais esquecer dos velhos companheiros. “Gere e distribua riqueza, não fique [com o dinheiro] pra você sozinho”, clama. O empresário diz que sistematicamente ajuda ex-funcionários. Um caso que gosta de contar é o de ter feito a editoração e depois publicado dois livros, com tiragem de 2 mil exemplares cada, a pedido de um antigo colaborador com pendores literários. Em resposta ao repórter da PODER, exemplificou seu conceito de distribuição de riqueza. “Se você passa na frente da garagem de alguém com tempo de casa e vê que ele está com um carro que já tem uns cinco anos ou mais [de uso], pergunta lá quanto custa o novo, vai e paga a diferença.” O exemplo parece bastante aleatório, tem mais cara de histórias meramente ilustrativas e não coincide com a cartilha empresarial ortodoxa. De qualquer forma, pelo sim pelo não, de Jesus é sempre bom não descrer. n


‘‘Meu grande MBA sempre foi a rua, o ponto de venda. No escritório não acontece nada, no máximo chegam duplicatas”

PODER JOYCE PASCOWITCH 19


Que tal passar uma semana acelerando o novo Edge ST? Foi esse o convite da Ford Brasil a um grupo de cinco poderosos que tiveram a oportunidade de testar – e aprovar – o motor 2.7 V6 Biturbo EcoBoost do SUV mais completo da categoria e primeiro carro no Brasil a ostentar a grife Sport Technologies, que combina alta tecnologia e 335 cv de potência. Primeira convidada para o teste drive, a empresária Alessandra Campiglia elogiou o SUV e ressaltou a alta performance do modelo. “Tem potência, é muito confortável, espaçoso e com todos aqueles luxos que a gente gosta: tecnologia e velocidade. Peguei estrada com ele e responde muito rápido.” De fato: no famoso teste de zero a 100 km/h, o Edge ST marcou menos de sete segundos. Apresentado no Salão do Automóvel de São Paulo de 2018, o modelo chegou em abril às concessionárias brasileiras e desde então vem ganhando o asfalto. O modelo é o primeiro no país a oferecer o Ford Co-Pilot 360, pacote de tecnologias de auxílio ao motorista que inclui assistente de frenagem com detecção de pe-

MARCELO APOVIAN

‘‘O Edge ST entrega alto desempenho e emoção, proporcionando grande prazer ao dirigir” Marcelo Apovian

FOTOS PAULO FREITAS; FERNANDO TORRES; SIDNEI RODRIGUES

TESTADO, COBIÇADO E APROVADO


‘‘O carro tem excelente dirigibilidade. O mais interessante PODER é o controle de INDICA velocidade e sistema de permanência em faixa” Sônia Hess

SÔNIA HESS

ALESSANDRA CAMPIGLIA

‘‘Tem potência, é muito confortável, espaçoso e com todos aqueles luxos que a gente gosta: tecnologia e velocidade” Alessandra Campiglia


‘‘Seguro, confortável e com potência e dirigibilidade de um carro superesportivo” destres, piloto automático adaptativo com Stop & Go, sensor de ponto cego com alerta de tráfego cruzado, sistema de permanência em faixa, câmeras de visão traseira e dianteira com 180 graus e faróis altos automáticos. “Adorei a experiência. O carro tem LEONARDO MARIGO excelente dirigibilidade. O que achei mais interessante foi o controle de velocidade e o sistema de permanência em faixa. Quando ele está sob comando, não ultrapassa a velocidade preestabelecida e nem fica sobre a faixa. É um supercarro”, conta a empresária Sônia Hess. Além do motor potente e do porte impressionante, os convidados da Ford desfrutaram dos diferenciais externos e internos do utilitário esportivo, como o sistema automático de abertura e fechamento de porta-malas – com a chave em mãos, basta passar o pé por baixo do para-choque traseiro para destravar o bagageiro. E mais: todos os assentos dispõem de sistema de aquecimento – os dianteiros ainda contam com refrigeração para conforto extra em qualquer estação – e o sistema de áudio fica a cargo do Premium Sound System by Bang & Olufsen, referência global em áudio de alto padrão, com 12 alto-falantes. “Uma experiência incrível”, resumiu Leonardo Marigo, sócio do Grupo Evvai, que destacou o tamanho do porta-malas como diferencial na categoria. “Carro seguro, confortável e com potência e dirigibilidade de um superesportivo”, completou. A opinião foi compartilhada pelo atleta Marcelo Apovian, que reforça a versatilidade do veículo. ‘‘O Edge ST entrega alto desempenho e emoção, proporcionando grande prazer ao dirigir”, finaliza.

MARCEL RIVKIND

‘‘O carro é espetacular. Anda muito bem, é ergonômico, com design imponente. É um carro que eu teria com certeza” Marcel Rivkind

FOTOS PAULO FREITAS; FERNANDO TORRES; SIDNEI RODRIGUES

Leonardo Marigo


FOTO PAULO FREITAS

A VIDA COMO ELA É “Por que as pessoas se incomodam com a sexualidade alheia?” Um dos maiores especialistas em direito de família, o advogado RODRIGO DA CUNHA PEREIRA é defensor da revolução pelo pensamento. Unindo a prática jurídica à psicanálise, ele criou a Clínica do Direito – com o objetivo de tratar de forma humanizada questões familiares – e tem sido o artífice ou participado de várias inovações nos tribunais, entre elas a tese do abandono afetivo, segundo a qual um filho pode processar um pai por ausência de cuidados e afeto, ou das famílias coparentais, quando não há sexualidade no relacionamento dos genitores. O casamento homoafetivo também é uma de suas bandeiras. “O direito é um instrumento ideológico, de inclusão ou exclusão de pessoas no laço social, e precisa estar em sintonia com os novos formatos de família”, explica, lembrando que, até 1988, filhos fora do casamento eram considerados ilegítimos. “Hoje não pode haver famílias ilegítimas.” Presidente do Instituto Brasileiro de Direito de Família (IBDFAM), o advogado explica que, embora o país seja um dos mais avançados no tema, muito ainda precisa ser conquistado, como o reconhecimento das famílias simultâneas. “Se tem quem goste de viver com duas mulheres, dois homens, uma mulher e um homem, o que o Estado tem a ver com isso?” Para nós, nada. +RODRIGODACUNHA.ADV.BR


ESPELHO

NEGÓCIO FECHADO

A burocracia é um problema conhecido do brasileiro. Uma espécie de doença dos órgãos administrativos que faz estragos sobre os negócios. Poucos países possuem leis tão complexas ao mercado quanto o nosso, o que acaba por afastar investidores e emperra significativamente o crescimento econômico. Para o advogado RENATO OCHMAN, um dos maiores especialistas em fusões e aquisições e em temas relacionados ao direito societário e ao mercado de capitais, a burocracia rouba tempo, energia, dinheiro e competitividade do empresário. “Mudou-se recentemente a legislação para facilitar a abertura de empresas [atualmente em três dias], mas nada referente à autorização. Então, não adianta”, dispara. O que dizer então para um estrangeiro que pretende depositar bilhões no país? Como justificar o emaranhado complexo do sistema tributário brasileiro? “É realmente difícil. São impostos municipais, estaduais, federais. É praticamente imposto sobre imposto”, explica Ochman, defensor de uma carga tributária mais simples e expert em elucidar o modelo labiríntico para o investidor internacional. Com toda a experiência e conhecimento do mercado, o advogado e autor dos livros Vivendo a Negociação e Atos Societários Relevantes – A Companhia e os Investidores, transformou o Ochman Real Amadeo Advogados Associados no que chama de “butique de negócios”, auxiliando clientes a encontrar soluções criativas para seus problemas e organizar estrategicamente suas necessidades empresariais de forma legal, prática, objetiva e eficiente. “O Brasil não tem um padrão de cultura negocial e o que fazemos é traduzir essas idiossincrasias.” Decifrando esse ambiente econômico, Ochman diz estar otimista, ou melhor, “realista” com o cenário atual e avalia uma boa janela de oportunidades para quem pretende investir no país. “Quem está na cozinha, como eu, percebe que o movimento é grande. Pode-se dizer que o otimismo é uma realidade”, garante Renato Ochman e seus mais de 30 anos de mercado. Sendo assim: negócio fechado. n

FOTO DIVULGAÇÃO

por dado abreu

PODER JOYCE PASCOWITCH 25


26 PODER JOYCE PASCOWITCH


QUADRO-NEGRO

RENATO JANINE RIBEIRO Em 2015, o professor Renato Janine Ribeiro assumiu o Ministério da Educação apoiado por seus pares e com a missão de viabilizar o lema do governo Dilma Rousseff: “Brasil, Pátria Educadora”. Seis meses depois e impossibilitado de colocar em prática a sentença, deixou o cargo ceifado pelo jogo político. O cargo, porém não a tarefa que lhe foi passada

POR FÁBIO DUTRA E DADO ABREU FOTOS ROBERTO SETTON

-O

senhor, que conhece a astrologia e fala muito bem sobre o assunto... – balbucia o repórter, logo interrompido. – Não entendo nada, viu? Não sei nem identificar aqueles símbolos lá. – Mas sabe pelo menos o seu signo? – insiste o entrevistador. – Sagitário, com ascendente em Áries e a lua em Leão, o que indica um perfil muito de fogo. O diálogo algo anedótico ocorre em meio a uma longa conversa, bem densa, em que o professor Renato Janine Ribeiro – da Universidade de São Paulo, ex-ministro da Educação no governo Dilma Rousseff, estudioso da ética PODER JOYCE PASCOWITCH 27


ses em 2015. Tarefa, aliás, pra lá de inglória: chegou ao ministério após a queda do antecessor Cid Gomes – que caiu após chamar publicamente o então presidente da Câmara, Eduardo Cunha, de “achacador” –, numa pasta que começava a ter recursos cortados e num período em que o impeachment já era uma possibilidade no horizonte. Quando saiu da cadeira para dar lugar a Aloizio Mercadante, o bloco do “Fora, Dilma!” já batia suas panelas mais forte do que o volume dos gritos de “Não vai ter golpe!” de quem tentava sustentar a mandatária no gabinete. Sobre o tempo dessa grande tentativa de adequar todos os anseios, seus e de tantos, de evolução real da educação pública em um país ainda por erigir seus melhores dias num orçamento cada vez menor, Janine Ribeiro lançou, em 2018, A Pátria Educadora em Colapso (ed. Três Estrelas), seu relato do convívio próximo com a fauna brasiliense e toda sorte de interesses, legítimos ou não, que pressionam o Poder Executivo. Vinho português e bacalhau devidamente alocados na mesa numa agradável sexta-feira de inverno que deixou bastan-

somos signatários (mormente os ambientais) por questões ideológicas. Por um lado, “imagine se alguém plantaria café sem saber o que a ciência descobriu sobre o assunto” – alegoria que serve para o descaso do governo com a sociologia e os dados que produz para embasar decisões do Executivo –, e, por outro, “daqui a pouco não vamos poder vender mogno para o Canadá, por exemplo, porque não teremos os certificados de que a procedência é o plantio e não o desmatamento”. E reitera: “Podemos chegar ao cúmulo de abrir mão de US$ 13 bilhões em exportações para o Irã porque o presidente prefere o Trump na briga entre os dois países estrangeiros”. O tapa é forte, mas a luva é de pelica. Aos 69 anos, Renato Janine Ribeiro não levanta a voz. É generoso com os interlocutores e ouve atentamente as perguntas, quaisquer que sejam, às quais responde com ilustrações simples de entender, tal qual as metáforas sobre futebol e economia doméstica que políticos bons de gogó fazem largo uso em palanque quando o tema é espinhoso e a audiência, leiga. Vê com crítica e certo distanciamento de observador mesmo o governo ao qual serviu por seis me-

te iluminada a varanda do La Tambouille, em São Paulo, e ele está pronto para explicar pacientemente a geleia geral brasileira, ponto a ponto, a quem quer que esteja ávido por aprender com quem confirmou em Brasília a máxima de que “na prática, a teoria é outra”, mas não se abateu ou se deixou ser envilecido por isso.

28 PODER JOYCE PASCOWITCH

ALFABETIZAÇÃO “O governo perdeu a chance de nomear Mozart Neves Ramos [educador e diretor do Instituto Ayrton Senna], uma pessoa de enorme consenso em favor da educação básica pública que se formou no Brasil desde o governo Itamar Franco. Um conservador, como o governo procura, mas profundamente comprometido. É o primeiro governo sem uma pauta de educação para além da negação do que se chama ideologia de gênero e escola sem partido. Atacam Paulo Freire e indicaram duas pessoas para o cargo que não têm plano para educação básica. Não quer educação politizada, está bom, mas alfabetiza as crianças tecnicamente, pelo menos. Em 2015, o MEC notou dois erros que

ILUSTRAÇÕES ISTOCKPHOTO.COM

e maior especialista brasileiro em Thomas Hobbes (aquele do “o homem é o lobo do homem” que aprendemos na escola quando passamos a descobrir que as relações civilizadas não são exatamente naturais, mas fruto de um contrato social), entre outros não poucos títulos e predicados intelectuais dignos de nota – traça um panorama da política e da sociedade brasileiras. Por ora, contudo, fiquemos um pouquinho mais no reino das constelações: o Brasil, afinal, está vivendo um Mercúrio retrógrado ou algum outro acidente ferroviário em seu mapa? O professor ri, refuta os termos astrológicos para pensar nessa questão, mas conclui em tom grave que “o Brasil está num risco muito grande de autodestruição”. Seja pelo abandono sistemático de uma série de conquistas para as políticas públicas – como a uniformização dos dados estatísticos que as norteiam e o abandono de investimentos em empresas de pesquisa como a Embrapa e a Embrapii, que correm o risco de desaparecer –, seja pelo descaso do governo com alguns parceiros comerciais e alguns acordos internacionais de que


“É um governo sem uma pauta de educação para além da negação do que se chama ideologia de gênero”

precisam ser corrigidos e nada está sendo feito: o governo federal tentou ir direto aos municípios sem passar pelos estados, o que não funcionou num país com 5.570 cidades; e as universidades que substituíram os cursos normais na formação dos educadores focaram muito em desigualdade e ensinaram pouco as técnicas de alfabetização. É uma questão que eu daria no início, de forma motivacional, com alguém tipo Mario Sergio Cortella explicando a importância, e depois ensinaria as técnicas. É o que se faria em saúde – num curso sobre malária seria tocado no tema da relação da doença com a pobreza em uma aula e nos meses seguintes os alunos aprenderiam os tratamentos. O João Batista Oliveira, do Instituto Alfa e Beto, é conservador e alfabetiza muito bem. Seu trabalho poderia ser aproveitado, por exemplo.”

PRIVATIZAÇÕES “No caso da Embraer, por exemplo, parece que ela foi privatizada “estando grávida”, vaca com bezerro dentro. Tinha algo que estava para avançar e que alteraria muito o valor, então acabou sendo mais barato do que deveria e o controle passou para o estrangeiro. [O pipeline de entregas de aeronaves de até 150 passageiros da Embraer é maior que o da Boeing e da Airbus, e a recente proibição do uso das aeronaves Boeing 737 Max na maioria dos países ocidentais instalou a crise na empresa que adquiriu a montadora brasileira de aviões]. No caso da educação – e por consequência desse raciocínio, da previdência e da saúde –, há uma preocupação latente que precisa ser dita: não podemos introduzir um elemento de insegurança para os vulneráveis da sociedade. O Future-se ou o regime de capitalização da previdência precisam levar em conta que eventualmente as bolsas de valores quebram. E se o mePODER JOYCE PASCOWITCH 29


“O PT se acostumou a um processo de autoinfantilização” nino está no quarto ano, ele precisa estudar, não pode faltar recurso porque o mercado oscilou; o mesmo com o idoso, que não pode ficar sem aposentadoria ou ter seus rendimentos variando com os índices das ações para sobreviver; ou com o doente, que não pode ficar sem remédio no hospital porque o mercado vai mal. Tem segmentos que você tem que ter garantia, não pode ter risco. A educação é um deles.”

LULA E PT “Nomear a Dilma não foi o maior erro do Lula, como está convencionado dizer. O maior erro foi ele ter escolhido candidatos dos principais cargos em 2010, 2012 e 2014. O custo foi alto porque o PT se acostumou a um processo de autoinfantilização. Pensaram: existe um gênio e ele escolhe o melhor para nós e pronto. Passaram 41 anos e ele é o único nome para o partido. No ano passado, mesmo que estivesse visível que ele não seria autorizado a concorrer, ele se lançou. Isso custou, inclusive, caro porque o Sérgio Moro mandou prendê-lo por isso. Sem a candidatura é provável que ele estivesse solto.” CIRO GOMES E FHC “O Ciro e o Fernando Henrique fizeram uma coisa não republicana. Na França – justamente para onde o Ciro foi descansar após o primeiro turno das eleições e onde o FHC deu aulas – o apoio no segundo turno de todos os partidos democratas contra um candidato de extrema-direita é inegociável. Não há discussão, seja 30 PODER JOYCE PASCOWITCH

um candidato de esquerda ou de direita, não há espaço para impor condições, tem que apoiar, como fizeram com o Emmanuel Macron contra a Marine Le Pen. É incondicional. Se Ciro e FHC fizeram por razões pessoais, mostram que não têm maturidade republicana.”

GESTÃO PÚBLICA “Quando diretor do Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), morei na Academia de Tênis em Brasília (tradicional complexo que é um misto de clube e condomínio habitacional), do senhor José Farani, meu amigo, que acabou morrendo entristecido porque havia acusações criminais contra ele. A filha dele, Maria Nazareth, aliás, é a diplomata que está na ONU, em Genebra, e tem dito todo tipo de absurdo contra os direitos humanos. Pois na Academia sempre ocorriam conferências nacionais sobre temas diversos. A cada medida pública o governo definia o tema, organizava o evento e a sociedade mandava seus representantes. O Plano Nacional de Educação (PNE) foi elaborado assim.” JAIR BOLSONARO “Lembro de uma anedota sobre o Jânio Quadros em que ele vai ao psiquiatra para saber se havia perdido a razão. O profissional diz que ele pode ficar tranquilo, está com a saúde mental perfeita, e que loucos estavam os 6 milhões de eleitores dele. Creio que o problema do Bolsonaro não é exatamente ele, mas a quantidade de pessoas que apoiam algumas de suas pautas mais radicais e violentas.” n


PODER INDICA

Martinhal Chiado Family Suites

Martinhal Cascais Family Hotel

Martinhal Sagres Beach Family Martinhal Sagres Beach Family

ALTO PADRÃO

Martinhal Quinta Family Golf Resort

FOTOS DIVULGAÇÃO

EM FAMÍLIA

Se você busca novas experiências hoteleiras, o Elegant Group, de Portugal, possui a solução. Detentor da premiada marca MARTINHAL – vencedora do World Travel Awards Portugal’s Leading Family Resort 2019 – o grupo apresenta opções de hotéis e resorts para a família em Sagres e Quinta do Lago na região litorânea de Algarve; em Cascais, conhecida como a “riviera portuguesa”; e no emblemático bairro de Chiado na icônica Lisboa. Além disso, o grupo acaba de lançar o Martinhal Residences, um novo empreendimento com apartamentos, residenciais e turísticos, no Parque das Nações. Idealizados para receber famílias, os hotéis e resorts Martinhal possuem inúmeras atividades para crianças em áreas como o Raposinhos Kids Club, destinado aos pequenos de 2 a 5 anos de idade; o Fox Club, de 6 a 9 anos; e o Blue Room, uma sala de entretenimento para adolescentes. O que o conceito propõe de diferente é a garantia de que os pais também consigam aproveitar as férias, seja nos campos de golfe, em

atividades aquáticas, relaxando nos spas ou mesmo desfrutando da alta gastronomia em um jantar romântico. A novidade é que, em breve, todo esse conceito também estará reunido no Martinhal Residences. Serão 14 andares contemplados por estúdios a partir de 38 m2 até apartamentos de 196 m2 e quatro dormitórios equipados com mobiliário e eletrodomésticos de alto padrão. Do 1º ao 4º andar os imóveis serão vendidos sob a opção de investimento, a partir do 5º andar serão destinados a um proprietário que deseja morar no apartamento ou apenas usá-lo por certos períodos – 35% das unidades já foram vendidas. Projetado pelo arquiteto Eduardo Capinha Lopes, o Martinhal Residences tem data de entrega para o início de 2022. +MARTINHAL.COM/PT


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FOTOS POR CISSA SANNOMIYA


PILOTIS

SÓ A PRANCHETA

SALVA CEOs revelam em pesquisa interesse inusitado pela arquitetura, carreira que tem desafios análogos aos do mundo corporativo, mas sem as pressões do curto prazo que perseguem os empresários por paulo vieira

ILUSTRAÇÃO VECTORPOCKET/FREEPIK

S

e não fizesse a carreira executiva que o levou a se tornar presidente da operação brasileira da gigante do agronegócio Cargill, o engenheiro Luiz Pretti gostaria de ter sido arquiteto. Da mesma forma, o também engenheiro João Paulo Ferreira, presidente da Natura, talvez abraçasse a arquitetura caso não houvesse avançado tantas casas no mundo corporativo. Outro engenheiro (pois é), Eduardo Musa, ex-fundador da empresa de mobilidade Yellow e hoje tocando uma family office, tem igualmente certo afeto pelas pranchetas. Estes e outros líderes empresariais brasileiros de diversos setores que se destacaram na edição deste ano da premiação Executivo de

Valor, do influente jornal Valor Econômico, revelam um inusitado pendor pela arquitetura, muito mais do que por qualquer outra carreira. O que justifica o amor, quem sabe o fetiche, desses CEOs pela arquitetura? Para Pretti, da Cargill, “é uma profissão muito interessante, que tem o lado lógico com a matemática e o desenho, mas tem um lado de inteligência emocional, de entender o projeto e as necessidades do cliente, de interagir com a natureza”. A declaração de amor de Pretti é tardia. Em sua juventude, na hora de escolher a carreira acadêmica, a opção estava fora de pauta, já que seu pai o queria engenheiro, médico ou advogado. Eduardo Musa, que sempre “deu pitacos” nos projetos arquitetônicos de suas residências, vê paralelos na rotina do arquiteto com o mundo corporativo. “O problema do CEO é projetar, planejar, fazer acontecer. Na arquitetura também é assim, com a possível diferença de que o resultado é bastante visível.

No dia a dia do CEO há muitas incertezas, novidades, existe pressão por resultados de curto prazo. Já ao projetar uma casa, o arquiteto não pode pensar no curto prazo, a construção tem de durar”, disse Musa a PODER de Los Angeles, onde passa férias. Visto por esse ângulo, é pertinente ver no arquiteto uma figura talhada para a carreira executiva – embora sejam poucos os que de fato chegaram lá, caso de Marcelo Willer, que durante muito tempo foi CEO da construtora e incorporadora Alphaville, com grandes projetos urbanísticos em todas as regiões do país. O profissional, afinal, precisa conjugar vários interesses, raramente convergentes, e, a partir disso, executar. Para Alexandre Mirandez, arquiteto formado pela FAU-USP e hoje diretor de operações da construtora Athié Wohnrath, em seu dia a dia o arquiteto “tem o papel central na tomada de decisões”, conciliando visões de engenheiros de áreas como eletricidade, hidráulica e acústica. “É o cara que apresenta as premissas a ser confirmadas e detalhadas depois por especialistas”, diz. “O arquiteto compatibiliza essas múltiplas visões.” Mirandez foi protagonista na execução do Allianz Parque, o estádio do Palmeiras, quando ainda trabalhava para a Edo Rocha Arquitetura, e hoje, na principal obra que pilota para a Athié, responde pelo projeto da nova sede do centenário Colégio São Luís, PODER JOYCE PASCOWITCH 35


“O arquiteto tem papel central na tomada de decisões. Apresenta as premissas a serem depois confirmadas e detalhadas por especialistas” Alexandre Mirandez, diretor de operações da Athié Wohnrath

no Ibirapuera, em São Paulo, em terreno de 15 mil metros quadrados com o dobro disso de área construída. Mirandez concorda com Eduardo Musa ao ver no CEO alguém que sofre “pressão por resultado”, que vive sob uma “métrica muito dura” e “precisa ser pragmático”. Por isso acredita que o executivo poderia encontrar na arquitetura uma válvula de escape. “É uma disciplina que está no campo da criatividade, que dá espaço para coisas mais emocionais, ainda que tenha um grande compromisso com a realidade”, diz.

36 PODER JOYCE PASCOWITCH

Professor da FAU-USP, ex-vereador e ex-secretário de Cultura da cidade de São Paulo na gestão Fernando Haddad, o arquiteto Nabil Bonduki externa visão muito parecida. “Das profissões ditas criativas, a arquitetura é aquela mais vinculada à produção concreta. Tem esse charme da criatividade, mexe com arte, com as ciências humanas, mas também com as ciências exatas”, diz. “É multidisciplinar, e talvez tenha essa mensagem de ser uma atividade leve, especialmente para quem tem o dia a dia massacrante, como os CEOs.”

O arquiteto Alexandre Mirandez

ENTUSIASMO

Pretti, da Cargill, é verdadeiro entusiasta da arquitetura. Tem uma lista de profissionais que admira que


FOTOS REPRODUÇÃO; DIVULGAÇÃO

vai de Oscar Niemeyer ao baiano David Bastos, que “lê bem a natureza e as necessidades do cliente”; e de Isay Weinfeld (“fora de série”) a Paulo Lisboa, passando pelo decorador Dado Castello Branco. Para ele, as competências próprias da arquitetura seriam “perfeito” contraponto à vida executiva. “Ao procurar entender os movimentos, a dinâmica e as tendências da sociedade, o arquiteto leva seu trabalho muito próximo ao [campo] da arte. Como CEO preciso focar mais na entrega dos resultados. Na arquitetura, há o lado mais humano e a realização de escutar o cliente dizer que [tal projeto] era exatamente aquilo que ele queria.” Musa divide seus ídolos da arquitetura em dois grupos. Há os “à frente do tempo”, como o catalão Antoni Gaudí e o americano Frank Lloyd Wright, e os brasileiros inovadores como Gui Mattos, Marcos Tomanik e os sócios Paulo e Bernardo Jacobsen, pai e filho que uniram forças num mesmo escritório. Para o ex-fundador da Yellow, a assinatura do bom arquiteto é a “integração da obra ao ambiente e o uso racional de recursos”. Trata-se de bula distante de uma certa arquitetura monumentalista que vigeu no modernismo com Niemeyer e se mantém em voga com Ruy Ohtake e Santiago Calatrava, nomes facilmente lembrados quando se pensa na profissão. A arquitetura é, afinal, um balaio em que cabe gente de perfis muito diferentes. Com efeito, há nas faculdades de arquitetura uma quantidade variadíssima de cadeiras, como geometria descritiva, cálculo e cinema. Não deve ser por acaso que muitos estudantes que passaram pela mais famosa faculdade de arquitetura do Brasil, a FAU-USP, tenham virado fotógrafos, cineastas, artistas plásticos, jornalistas e até mesmo compositores do primeiríssimo time da MPB – ainda que, para isso, Chico Buarque tivesse de abandonar seu curso pela metade. n

CONSUMO POR ANA ELISA MEYER

JULIE CHRISTIE E TERENCE STAMP

O romance foi breve, mas ferveu ainda mais os fervidos anos 1960. De um lado, Julie Christie, eternizada no filme Doutor Jivago (1965), no qual cativou o mundo com sua beleza e talento. Do outro, o cheio de estilo e também talentoso Terence Stamp, que estrelou alguns dos filmes mais memoráveis da década. Já famosos quando se conheceram, os atores britânicos atuaram juntos em Longe Deste Insensato Mundo (1967), do diretor John Schlesinger. Atualmente, Julie, 79 anos, e Terence, 81, são bons amigos.

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ESPELHO

Após anos de recessão, alguns setores da indústria brasileira acreditavam que com as eleições de 2018 também chegaria a tão esperada recuperação econômica. De acordo com a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), o balancete do primeiro semestre de 2019 foi positivo, com um crescimento de 12,1% nas vendas e 2,8% na produção, em comparação com o mesmo período do ano passado. No entanto, as boas-novas não se estenderam ao setor de luxo, conforme explica o CEO da Audi do Brasil JOHANNES ROSCHECK. “O mercado premium ainda está no mesmo nível do ano passado. Tínhamos boas perspectivas, quando o novo governo trazia a esperança de que as mudanças dos sistemas tributário e previdenciário aconteceriam rapidamente.” Para Roscheck, o mercado de luxo funciona com leis próprias e o que atinge o setor é a falta de confiança no futuro, por causa da demora das reformas. O cenário fica ainda mais complexo para as montadoras no Brasil que encaram outras mudanças importantes – para além da estagnação – e que para o executivo fazem disso um “momento decisivo”. Uma delas é o acordo firmado em junho entre Mercosul e União Europeia que, em linhas gerais, promete reduzir gradualmente tarifas de importação. Outro ponto é a Rota 2030, que determina os novos parâmetros de desenvolvimento da indústria automotiva no país para a próxima década. “Pela primeira vez o Brasil tem um planejamento a longo prazo para a indústria automotiva. Trata-se de premissas superimportantes como eficiência energética e segurança, que já são adotados em outros mercados”, explica. Apesar de não ser um “caminho fácil”, dado o alto investimento por parte da indústria, para Roscheck a Rota 2030 garante aquilo que os executivos chamam de previsibilidade e que não mudam de governo em governo. n

por aline vessoni 38 PODER JOYCE PASCOWITCH

FOTO JOÃO LEOCI

LIGUEM OS MOTORES


PODER INDICA

MESA FARTA

FOTOS DIVULGAÇÃO

E PÉ NA TÁBUA Já se disse que São Paulo é a maior cidade italiana fora da Itália, e, sardinhas puxadas para a brasa da Bota à parte, há muita razão nisso. Basta olhar a cena febril dos restaurantes paulistanos da especialidade, a das famosas cantinas e trattorias, para concordar. Uma das grandes novidades nesse ecossistema é o ETTO, que o empresário Paulo Pomelli e o chef Allan Trigo fazem brilhar no Jardim Paulista. Em seu segundo aniversário, agora em agosto, Trigo segue a levar à mesa pratos generosos e de qualidade, que valeram ao Etto o prêmio de “melhor trattoria” na última eleição do guia Comer e Beber da revista Veja São Paulo. Um dos toques de distinção da casa é a charcutaria do norte da Itália, que aparece em pratos como o Ovo no Purgatório, dois ovos caipiras pochê sobre massa com ragu de linguiça e funghi; e na pancetta fora de série do tradicionalíssimo spaghetti à carbonara. Outra característica marcante do Etto é o preço, bem mais acessível para o consumidor do que o praticado por casas similares. Pomelli divide seus dias entre São Paulo, Miami e Milão, e nesta última aproveita para ficar a par do que acontece de melhor na gastronomia europeia. Na Itália, com o filho, também disputou a famosa corrida automobilística Mille Miglia, a bordo de um Jaguar XK 120 ano 1952. No Brasil, disputa a Porsche Carrera Cup. O empresário é louco por carros e motos, tem uma notável coleção e leva essa paixão para a internet: o canal do YouTube Pomelli na Garagem. +ETTORESTAURANTE.COM.BR


Terno, camisa e gravata Ricardo Almeida


ENSAIO

MENINO DO MUNDO

Representante maior da segunda geração da bossa nova, o cantor, compositor e arranjador Marcos Valle não costuma dizer ‘no meu tempo’. Para esse jovem carioca de 75 anos, reverenciar o passado sem tirar o olho do futuro é sinal de transformação. Prova é seu novo álbum, com o sugestivo título Sempre por dado abreu fotos maurício nahas styling cuca ellias (od mgt)

E

m uma tardinha no fim dos anos 1990, Marcos Valle recebeu um telefonema da amiga e parceira musical Joyce Moreno. De Londres, ela relatava entusiasmada ao golden boy da bossa nova que as pistas de dança da Europa ferviam com o boogie do amigo. O funk suado “Estrelar” (1983), uma ode à malhação (“tem que correr / tem que suar / tem que malhar...”), e o disco Samba ‘68 estavam no set do DJ e produtor Gilles Peterson, que serviu para apresentar Marcos Valle a uma nova geração de seguidores. Depois dele, gente graúda resolveu fuçar a fundo a discografia do brasileiro para além da universalmente carioca “Samba de Verão” – incluindo aí os astros rappers Jay-Z e Kanye West, que samplearam “Ele e Ela” e “Bodas de Sangue”; Pusha T, Capital Cities e Loyle Carner também aderiram à onda. Foi a apoteose de um lado pop com o qual o cantor e compositor volta agora a flertar, jovial aos 75 anos como se pode ver neste ensaio de PODER, com o álbum Sempre, seu primeiro de músicas inéditas em nove anos. “Eu vinha me pedindo um disco desse tipo, com mais groove. Queria revisitar um pouco as coisas que fiz nos anos 1970, 1980. E, por uma agradável coincidência, a gravadora que lança meus discos lá fora [a inglesa Far Out] teve a mesma ideia. Então, bingo!”, lembra Valle. Entre as canções de Sempre, a única que não é de sua autoria é “Aviso aos Navegantes”, hit de Lulu Santos.


Terno, camisa e gravata Ricardo Almeida, relรณgio Cartier. Na pรกg. seguinte, costume e camisa Bottega Veneta, sapato Sapataria Cometa


No álbum, ele dialoga com o passado com a consciência de que o tempo não para. “Sempre reflete minha maneira de ver a vida”, conta, sobre a escolha do título. “Nunca tive aquela coisa do ‘no meu tempo’, eu vivo o presente. Em uma faixa eu canto: ‘faço, refaço / digo, redigo / penso, repenso’. Ou seja, eu posso mudar, devo, e estou sempre evoluindo e me transformando.” Na noite anterior em que posou simpático e descontraído para as lentes do fotógrafo Maurício Nahas, Marcos Valle lotou duas noites de shows no teatro do Sesc Pompeia, em São Paulo, quando apresentou na íntegra o álbum Previsão do Tempo, de 1973, relançado recentemente em vinil pela coleção Clássicos em Vinil, da Polysom, e um dos mais celebrados pelo seu público. “Nem Paletó, Nem Gravata” e “Mentira” – faixa sampleada pelo Planet Hemp – estão nesse disco. “É interessante que meu público é extremamente variado, vai de 8 a 80. Da bossa ao jazz, do soul ao rock. Acaba sendo um reflexo da misturada toda que foi a minha carreira.” Por variado, entenda realmente variado! Ou apresentar-se no Cazaquistão soa trivial? “Fui achando que seria algo discreto, sem entender muito bem. Tem certeza que vocês querem ver o meu show?! Cheguei e tinham mil pessoas de pé cantando as músicas. Não sei por que, só sei que é assim”, sorri. Com mais de cinco décadas de carreira, Marcos Valle começou nos anos 1960 como um dos compositores da chamada segunda geração da bossa. Logo no segundo álbum, O Compositor e o Cantor (1965), emplacou a mundialmente famosa “Samba de Verão” – uma parceria com o irmão Paulo Sérgio Valle. A canção entrou no Guinness Book como a única faixa a ocupar o Top 40 da Billboard com três versões diferentes ao mesmo tempo, ganhou uma centena de releituras e tornou-se um hino carioca. Não há quem não fantasie com as areias do Rio nos primeiros versos: “Você viu só que amor / Nunca vi coisa assim / E passou, nem parou / Mas olhou só pra mim...”. “Foi daí que veio a coisa do ‘Menino do Rio’, que não me incomoda. Eu amo o Rio, é minha cidade, mas hoje ela é muito diferente, afetada pelo medo e pela desigualdade social cada vez maior. Torço muito para que isso mude, pelos meus filhos. Sou otimista e tenho esperança de que o Rio vai se recuperar”, diz. Se no passado Marcos Valle passou longas temporadas no exterior, como fez em 1965 a convite de Sérgio Mendes ou depois, entre 1975 e 1980, o projeto agora é outro. Ele garante que segue no Rio e com o Rio. Sempre. n


Costume Boss, malha Diesel


“Sempre reflete minha maneira de ver a vida. Nunca tive aquela coisa do ‘no meu tempo’, eu vivo o presente”

As marcas deste ensaio estão disponíveis nos shoppings Iguatemi SP, JK Iguatemi e Higienópolis Beleza: Alê Fagundes (Capa MGT) Arte: David Nefussi Produção executiva: Ana Elisa Meyer Produção de moda: Jaqueline Cimadon Assistentes de fotografia: Bruno Guimarães e Debora Freitas


VIAGEM

NATUREZA

EXIBIDA

Mais famoso trekking da Patagônia, o Parque Nacional Torres del Paine, no extremo sul do Chile, tem montanhas, glaciares, florestas, vales e vistas abusadamente espetaculares. E é possível se aventurar por todo o cenário sem abrir mão do conforto e da boa vida, endêmicos nessa região do país por conta de hotéis que se integram perfeitamente à paisagem texto e fotos paulo vieira* 46 PODER JOYCE PASCOWITCH


A cadeia de montanhas com as Torres del Paine , o lago Sarmiento e o hotel Tierra Patagonia, no Chile

Os guana co comuníss s, “lhama patagôn imos no p ica”, arque PODER JOYCE PASCOWITCH 47


As famosas Torres del Paine, que dão nome ao parque chileno e que se erguem a 2.500 metros de altitude

U

m velho slogan publicitário inspirado num poema de Drummond diz ser Minas “palavra abissal”. Pode-se invocar a definição também para a Patagônia. Mas, se para o poeta mineiro, “as montanhas escondem”, na vastidão patagônica elas talvez revelem. Não há uma, mas uma miríade de Patagônias, todas elas com a marca da natureza. Destino mais famoso da região e um dos trekkings mais conhecidos do mundo, o Parque Nacional Torres del Paine, onde o Chile quase vira Polo Sul, é um playground natural. As torres irmãs de granito que dão nome ao lugar, guarnecidas por um lago cristalino, são a meta de um dia inteiro de caminhada – mas o parque oferece circuitos que podem tomar uma semana e meia de marcha, com pernoite em refúgios. Glaciares que desprendem blocos de gelo impressionantemente azuis, florestas, vales e vistas espetaculares esperam o visitante, além dos muitos guanacos – sorte de lhama patagônica – que ali vivem soltos, e pumas, felinos bem mais difíceis de encontrar (o que não deixa de ser uma vantagem). Uma das grandes opções de hospedagem é o hotel Tierra Patagonia, com projeto arquitetônico que se integra ao entorno sem perder o conforto jamais e que ostenta o time de guias com know-how máximo da região – peça para ser conduzido pelo Markito Ojeda. O lugar já é exuberante e estupendo por si só, mas o visitante ainda pode fazer uma dobradinha com o famoso glaciar Perito Moreno, em El Calafate, na Argentina, a apenas 250 quilômetros dali. n

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Um chu rra um dest sco patagônico, ino delic o iosamen pção para te outdoo r

FOTOS DIVULGAÇÃO

Um dos muitos blocos de gelo que se desprendem no glaciar Grey, dentro do Parque Nacional Torres del Paine, e, no sentido horário, uma das piscinas aquecidas do Tierra Patagonia, com vista para o lago Sarmiento, uma das corredeiras do rio Asencio, um dos primeiros a aparecer na caminhada de dia inteiro em busca das três torres irmãs que fazem a fama do parque chileno e o living do hotel

*O repórter Paulo Vieira viajou a convite do Tierra Patagonia Hotel & Spa

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PODER VIAJA POR ADRIANA NAZARIAN

EXPEDIÇÃO Não foi à toa que Angelina Jolie se apaixonou pelo cenário do Omaanda, na Namíbia, e foi uma das responsáveis por transformá-lo em um lodge que é exemplo de conservação da fauna e da flora locais. Integrante do grupo Zannier, o hotel fica em uma reserva natural de 9 mil hectares próximo à capital. São dez cabanas luxuosas, spa, bar e piscina infinita com vista para a savana. Além dos safáris diários, os programas são desenvolvidos sob medida. Em tempo: o grupo hoteleiro também tem o Sonop, um hotel em pleno deserto, no extremo sul do país. +ZANNIERHOTELS.COM/OMAANDA

CLÁSSICO EM REVISTA

Fundado em 1766, o Lapérouse é um dos restaurantes mais lendários de Paris. Basta dizer que Jean Cocteau, Roland Garros, Proust, Serge Gainsbourg e Baudelaire eram alguns de seus frequentadores. Agora, a instituição da Rive Gauche está de cara nova graças a Benjamin Patou, empresário à frente de várias casas da noite parisiense. O décor manteve intacto ícones como os espelhos venezianos, mas ganhou novidades como as toalhas de mesa by Cordelia de Castellane, diretora criativa da Maison Dior. No cardápio comandado por Jean-Pierre Vigato, clássicos da cozinha francesa acompanhados de uma vasta seleção de vinhos – famosa, a adega local tem mais de 7 mil garrafas da Borgonha. +DALENHOTEL.NO

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ANCESTRAL

Uma igreja batista de 1903, no bairro de Holborn, é o cenário do novo hotel sensação de Londres. Para começar, o L’oscar é obra do francês Jacques Garcia, hoteleiro com nomes como NoMad NY e La Mamounia no currículo. Em Holborn manteve intacto alguns elementos históricos, mas acrescentou toda sua personalidade com muito veludo, desenhos psicodélicos e lustres suntuosos. No lugar da antiga capela está o restaurante Baptist Grill, que agora funciona sob comando de Tony Fleming com um cardápio focado em ingredientes locais. Com um bar cheio de bossa e um delicioso chá da tarde, o espaço já virou um dos favoritos entre os locais. O L’oscar fica pertinho de Theatreland, do Soho e de West End. +LOSCAR.COM

CHAMARIZ

FOTOS DIVULGAÇÃO; BRUNA GUERRA

ESTILO DE VIDA

Mal abriu e o hotel Quinta da Comporta já está roubando a cena em Comporta, Portugal. Para começar, vale dizer que um de seus fundadores é o renomado arquiteto e apaixonado pelo destino Miguel Câncio Martins. Sustentável, o charmoso projeto é inspirado na essência do destino: os quartos são releituras de cabanas de pescadores, há forte presença de materiais usados por artesãos locais, o spa tem como base de seus tratamentos o arroz e o restaurante utiliza ingredientes colhidos na horta biodinâmica. A localização também é especial: em frente a um campo de arroz e pertíssimo da praia do Pego, a mais bacana da região. Em tempo: o Quinta da Comporta fica em Carvalhal, que aos poucos ganha butiques e lojinhas megacool – a Pau-Brasil de Lisboa tem pop-up store com Stelinha Batochio e Helena Lunardelli no comando.

O The Whitby é o novo hotel para se prestar atenção em Nova York. Além da localização privilegiada – fica entre o MoMA e o Central Park –, a novidade é obra de Kit Kemp, hoteleira inglesa especialista em criar ambientes cheios de bossa, cor e aconchego. São 86 quartos com janelões de vidro – alguns incluem terraço –, academia e o delicioso restaurante The Orangery. E como não poderia deixar de ser quando se trata de uma firma britânica, o local serve um chá da tarde todos os dias que promete virar tradição entre os new yorkers. +FIRMDALEHOTELS.COM

+QUINTADACOMPORTA.COM

THIAGO VASCONCELOS CEO DA PIER 1 CRUISE EXPERTS

“ Sempre tive o hábito de fazer cruzeiros, e semanas atrás embarquei em um fluvial pelos rios Reno e Moselle que me impressionou. Saindo de Amsterdã, segui por Dusseldorf e Colônia até chegar a Klobenz, na Alemanha, palco de diversas batalhas desde as guerras napoleônicas. Vale pegar a gôndola que passa sobre o rio e leva até a fortaleza Ehrenbrestein: a vista é espetacular. O rio Moselle é bem diferente do Reno. Tem águas mais calmas, onde é possível nadar, fazer ski ou wakeboard. Conheci as charmosas cidades de Cochem e Bernkastel. Essa região é muito famosa pela produção dos vinhos riesling e, durante o percurso, passa-se por diversas vinícolas às margens do rio. O destino final desse cruzeiro é Trier, ainda na Alemanha, de onde segui para Luxemburgo. Trier tem um marcante contraste entre sua rica história com a sofisticação de um dos principais centros bancários da Europa.” PODER JOYCE PASCOWITCH 51


MOTOR

Relaxar em alto mar com luxo, conforto e sofisticação mudou de patamar. Projetados com a elegância dos clássicos e a tecnologia dos esportivos, estes superiates – verdadeiras mansões flutuantes – são as joias mais cobiçadas do Mediterrâneo neste verão por aline vessoni

S501 HYBRID TANKOA

Desenhado por Francesco Paszkowski, o novo iate da Tankoa, o S501, vai ser apresentado mundialmente na Monaco Yacht Show de 2019, em setembro. Entre as principais novidades em relação ao predecessor, o Vertige, primeiro da marca com 50 metros de comprimento, estão o pacote de propulsão híbrida e o heliponto. Ainda dispõe de cinco bikes elétricas para os passageiros explorarem com conforto e correção ambiental as paradas. TANKOA.IT

FOTOS DIVULGAÇÃO

BELO HORIZONTE


O’PTASIA

Diz-se no futebol que o diabo está nos detalhes, mas aqui é o luxo que ocupa esse lugar. O notável conforto da marca é servido sem prejuízo da funcionalidade desta embarcação de 85 metros de comprimento. A motorização garante potência e autonomia a uma velocidade máxima de 18 nós, suficientes para o deleite de 12 passageiros (em 11 cabines). Tripulação estipulada de até 28 pessoas. GOLDENYACHTS.GR

80 SUNREEF POWER

Um iate para longos cruzeiros com o máximo de conforto. Com quase 24 metros de comprimento e capacidade para receber até 12 convidados, sua grande garagem comporta inúmeros brinquedos aquáticos e jet skis. O flybridge ainda oferece espaço suficiente para uma jacuzzi, um bar e diversas poltronas. SUNREEF-YACHTS.COM

SAMURAI ALIA YACHT

A nova embarcação da Alia, com 60 metros de comprimento e que também faz sua estreia na Monaco Yacht Show de 2019, tem design exterior criado nas pranchetas do conceituado escritório Omega Architects. Para manter coerência na qualidade, o interior é da grife Redman Whiteley Dixon, voltada para as embarcações high end. ALIAYACHTS.COM

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SOB MEDIDA POR FERNANDA GRILO QUAL A CAPITAL DA ARTE?

O mundo das artes se divide em duas capitais, NY e Londres. A MELHOR HORA DO DIA?

Quando estou com meus filhos. MOMENTO DE MAU HUMOR:

Embarque em aeroporto. A PRIMEIRA COISA QUE FAZ QUANDO CHEGA AO TRABALHO?

Agradeço por fazer o que gosto rodeada de pessoas maravilhosas. PECADO GASTRONÔMICO:

Ainda coloco açúcar no café … ESCRITOR:

Machado de Assis. FRASE PREFERIDA? “A imaginação é mais importante que o conhecimento”, de Albert Einstein. ÍDOLO:

Meu marido. VÍCIO:

Ser impaciente. QUALIDADE E DEFEITO?

SER BEM-SUCEDIDO É?

Poder fazer o que se gosta. ONDE E QUANDO É MAIS FELIZ?

Quando estou com meu marido e filhos. UM MEDO?

Perder o otimismo.

FERNANDA FEITOSA Diretora e fundadora da SP-Arte, comanda também a SP-Foto, que este mês chega à sua 13ª edição. É membro de vários comitês de museus e instituições culturais, incluindo a Pinacoteca do Estado de São Paulo, o Museu Lasar Segall e o Comitê LatinoAmericano de Aquisições da Fundação Tate Gallery, em Londres

UMA PESSOA QUE TE INSPIRA? TRÊS GALERIAS/MUSEUS NO MUNDO PARA CONHECER JÁ?

Meus filhos me inspiram a ser melhor.

Fundação Beyeler em Basel, um projeto de Renzo Piano, os Chichu Art Museum e Lee Ufan Museum, que ficam na ilha de Naoshima, no Japão, e a Punta della Dogana, em Veneza – esses três projetos de Tadao Ando.

Minha casa.

FAZER E VIVER DE ARTE NO BRASIL É?

O MUNDO ESTÁ CHATO?

Um desafio.

O mundo é incrível, o problema é que está cheio de gente chata.

QUAL ARTISTA TODO MUNDO DEVE CONHECER?

ARTISTAS BRASILEIROS PARA FICAR DE OLHO?

Os artistas brasileiros!

Difícil citar apenas um… tem muitos.

LUGAR PREFERIDO NO MUNDO? COM O QUE SE PREOCUPA?

Em perder a curiosidade. O QUE FARIA SE FICASSE INVISÍVEL POR UM MINUTO?

Um minuto é muito pouco tempo.

DESEJO PARA O FUTURO

Viver sabiamente.

FOTOS JÉSSICA MANGABA/DIVULGAÇÃO; PAULO FREITAS; FREEPIK; REPRODUÇÃO; DIVULGAÇÃO

Simplicidade. Defeitos eu não fico procurando, mas devo ter muitos!


LIVRO:

Orlando, de Virginia Woolf. QUAL SUA OBRA DE ARTE PREFERIDA?

MÚSICA QUE MARCOU SUA VIDA:

Noite Estrelada, de Vincent van Gogh, 1889. Porque foi pintada no amanhecer, meu horário do dia preferido.

“We Are the Champions”, do Queen. Embalava meus treinos de natação.

O QUE SEMPRE FALTA NA SUA CASA?

FILME: NÃO PODE FALTAR NO CAFÉ DA MANHÃ?

Doze Homens e uma Sentença (1957), dirigido por Sidney Lumet.

Pão com manteiga e jornal.

Sobremesa.

MANIA:

Arrumar armário o tempo todo.

UM SONHO DE INFÂNCIA?

Conhecer o mundo.

PEÇA DE ROUPA FAVORITA?

Sapato.

MESTRE DE TODOS OS TEMPOS?

Vincent van Gogh e Alfredo Volpi.

A GRANDE OBRA DE ARTE DA SUA VIDA…

Ter montado a SP-Arte.

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HIGH-TECH POR FERNANDA BOTTONI

JARDIM ELÉTRICO Plantar, colher e regar podem ser tarefas bem mais fáceis. Selecionamos alguns aplicativos e produtos super techs para você virar expert com o pé na terra

BRINNO GARDENWATCHCAM Quer ver como suas plantas estão crescendo – ou como as pragas podem estar a fazer estrago? É possível configurar esta câmera digital de 1,3 megapixel para tirar fotos em intervalos de um minuto a cada 24 horas. Basta colocar o aparelho no lugar certo para descobrir como tudo acontece nos mínimos detalhes. BRINNO.COM PREÇO: R$ 867

PICTURE THIS PLANT IDENTIFIER

Quer saber que planta é essa? Tire uma foto e o Picture This faz o trabalho para você em segundos, utilizando inteligência artificial. O app promete descrição detalhada de mais de 10 mil espécies com 95% de precisão. Até hoje, 27 milhões de plantas já foram identificadas e cadastradas. DISPONÍVEL PARA IOS E ANDROID PREÇO: GRATUITO

IROBOT TERRA T7 ROBOT MOWER

A iRobot, que já criou uma série de aspiradores de pó inteligentes, promete lançar ainda este ano um robô cortador de grama que também deve dar conta do recado sem precisar do esforço humano. O aparelho mapeia e aprende os meandros do seu jardim por meio da tecnologia Imprint Smart Mapping, evita obstáculos de forma inteligente e corta linhas retas e eficazmente. E ainda dá para personalizar o corte pelo smartphone, com o aplicativo iRobot Home, que permite escolher a programação e a altura da grama. É esperar para ver. IROBOT.COM PREÇO: NÃO DISPONÍVEL

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NETATMO SMART HOME WEATHER STATION

Esta espécie de estação meteorológica pessoal pode monitorar seu ambiente interno ou externo para indicar a concentração de CO2 e fornecer o relatório local do índice de qualidade do ar em tempo real. As informações vão direto para seu smartphone para que você possa monitorar seu jardim – e a saúde das pessoas que são importantes para você, é claro. NETATMO.COM PREÇO: R$ 843

GARDEN PLAN PRO

Este app pode ser boa pedida para quem precisa de ajuda para planejar a plantação de alimentos orgânicos. O Garden Plan Pro combina conhecimento especializado com ferramentas fáceis de usar. Traz dados sobre crescimento de mais de 190 plantas, ajuda a criar o melhor layout para o seu espaço, dá dicas sobre as melhores datas de plantio e colheita, entre várias outras funcionalidades.

DISPONÍVEL PARA IOS PREÇO: R$ 30

CANON EOS REBEL T100

* PREÇOS PESQUISADOS EM JULHO, SUJEITOS A ALTERAÇÕES; FOTOS DIVULGAÇÃO

HOLGER MARQUARDT,

diretor de marketing e vendas de automóveis da Mercedes-Benz para América Latina e Caribe “O OneNote é excelente para gerenciar projetos. Por ter layout parecido com o de um notebook, me permite criar pastas que facilitam. A possibilidade de inserir imagens e listas agrega muito quando preciso criar projetos complexos. Com uma rotina intensa de viagens pela América Latina, ter essa funcionalidade na tela do celular otimiza meu tempo e me dá liberdade para trabalhar em qualquer lugar, principalmente pelo compartilhamento entre dispositivos que a ferramenta oferece.”

Um bom modo de acompanhar o desenvolvimento das plantas é por meio de fotos e vídeos. Leve e poderosa, a EOS Rebel T100 grava tudo em full-HD e captura imagens impressionantes, com desfoque de fundo natural, mesmo sob luz delicada, e com um sensor de 18 megapixels. A transmissão do conteúdo da câmera pode ser feita também para o celular via wi-fi. Disponível nas lojas Fast Shop dos shoppings Iguatemi, JK e Pátio Higienópolis. FASTSHOP.COM.BR PREÇO: R$ 1.695,33

FARMBOT

Já imaginou ter um robô que executa tarefas como semear, adubar e irrigar a terra de forma automática, sem a intervenção do homem? Este é o FarmBot, uma espécie de ponte rolante que pode ser utilizada em hortas caseiras (3 m x 1,5 m) ou em cultivos mais profissionais, como no caso de estufas. Não é necessário ser agricultor para operar o equipamento e tudo é realizado através de um aplicativo. FARM.BOT/ PREÇO: A PARTIR DE R$ 5.500

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CULTURA INC. POR LUÍS COSTA

DE MACUNAÍMA A RIOBALDO Entre o palco e o set, Bia Lessa dirige espetáculo que propõe leitura original de Macunaíma e finaliza filme baseado na aplaudida montagem de Grande Sertão: Veredas

O

herói sem nenhum caráter teima recebeu o convite para dirigir a em renascer. Macunaíma fica no peça, Bia pensou numa chave de Sesc Vila Mariana até o dia 15 de interpretação diferente. Duas coisas interessaram a diretora agosto e chega ao Rio no começo de setembro. Com direção de Bia Lessa na revisitação do clássico. A primeira e montagem da companhia Barca dos era a ideia do ser humano como Corações Partidos, o espetáculo teatral algo em mutação constante, feito o reúne referências que vão de Marcel personagem de Mário. “Nisso eu acho Duchamp a Haroldo de Campos, de que o brasileiro tem uma inteligência extraordinária”, diz. “Como ele Lygia Clark a Caetano Veloso. vive diante de muitas dificuldades, Clássico de Mário de Andrade a criatividade que tem para lançado em 1928, Macunaíma, sobreviver nesse universo é ícone do modernismo tão deslumbrante que faz brasileiro, já foi lido como com que seja de alguma o grande arquétipo da forma um artista.” brasilidade pelo cinema A outra chave do novo de Joaquim Pedro espetáculo surge através de Andrade, em 1969, da clássica e famosa frase e também na famosa Bia Lessa: no teatro e que Macunaíma diz logo montagem de Antunes breve no cinema depois de nascer: “Ai, que Filho em 1978. Quando

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preguiça!”. “O ócio também é uma coisa extraordinária. É uma função criativa, necessária, e a ideia do trabalho ininterrupto é uma ideia calcada em um capitalismo selvagem que mais nos acachapa do que constrói”, afirma a diretora, que conta se identificar com uma definição dada a Mário de Andrade, a de ser o maior pessimista e otimista que existe. “Macunaíma é um espetáculo completamente pessimista e otimista, no sentido de que ele é uma profusão imensa de vida”, diz. Ano passado, Bia havia levado outro clássico ao teatro, com a adaptação de Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa. O espetáculo agora deu origem a um filme, Travessia, previsto para este semestre. Bia conta que, na montagem da peça, havia usado a linguagem do cinema como narrativa. Quando se deu conta, pensou: como seria inverter e levar o teatro ao cinema? “Filmamos em estúdio, com todos os artifícios que o cinema pode dar e, ao mesmo tempo, fizemos locações não realistas. É como se a gente pudesse inverter a questão, mas é completamente cinema.”


PODER É SÍSIFO MODERNO O mito grego de Sísifo é tema de espetáculo escrito por Gregório Duvivier (que também atua) e Vinicius Calderoni (que também dirige). O texto conecta a mitologia ao caótico mundo hiperconectado e ao Brasil dos memes. Sísifo é o famoso personagem da mitologia grega condenado a eternamente empurrar uma pedra até o topo de uma montanha e, de lá, rolar com ela morro abaixo. A peça vai até 9 de setembro no Teatro Prudential, no Rio. O MUSEU VIVE Às vésperas de completar um ano do incêndio que destruiu suas instalações e acervo, o Museu Nacional, no Rio, exibe até dezembro a exposição Quando Nem Tudo Era Gelo – Novas Descobertas no Continente Antártico. A mostra apresenta descobertas de expedições realizadas entre 2015 e 2018 pelo projeto Paleoantar, vinculado ao Programa Antártico Brasileiro. A exposição acontece no Centro Cultural Museu Casa da Moeda do Brasil.

CINEMA FOTOS PAULO FREITAS; SILVANA MARQUES/DIVULGAÇÃO; MARCELO VITTORINO/DIVULGAÇÃO; DIVULGAÇÃO

País partido

Selecionado para o Festival de Gramado, novo longa de Iberê Carvalho traça perfil de uma sociedade imersa na violência alimentada pelo ódio nas redes

Paulo Miklos (esq.) em O Homem Cordial

De um meigo drama familiar (O Último Cine Drive-In, 2014), Iberê Carvalho mergulha na violência. O Homem Cordial, selecionado para o 47º Festival de Cinema de Gramado, que acontece este mês, narra a história de um roqueiro que é alvo de perseguição

impulsionada pelas redes sociais. O argumento veio de um vídeo que viralizou em 2015: acusado de ter roubado uma senhora, um garoto de 10 anos escapa por pouco de ser linchado, no Rio. “O que me chamou a atenção foi perceber como havia uma excitação

nas pessoas que o cercavam”, lembra Iberê. “Me perguntei o que eu faria se estivesse ali. Foi daí que surgiu a premissa para o argumento do filme.” No longa, Aurélio (Paulo Miklos) é alvejado por latas no palco de um festival de rock. Nos camarins, sabese que os ataques deviam-se a uma postagem que circulava nas redes. Depois, a personagem embarca numa jornada de brutalidade em São Paulo. Roqueiro, 60 anos, espírito jovial, carismático, de olhar agressivo e com talento de prender o espectador. “Paulo Miklos tem tudo isso”, diz Iberê, que classifica o ex-titã de workaholic. “Das 27 diárias de filmagem, esteve em 25. E nas folgas ainda cumpria sua agenda de shows, com viagens e tudo mais.” O título do longa remete ao conceito criado por Sérgio Buarque de Holanda em Raízes do Brasil (1936). “Sérgio acreditava que com o processo de urbanização, o homem cordial iria desaparecer. Posso dizer que o filme é um thriller que traça um perfil bem pouco cordial de nós brasileiros.” PODER JOYCE PASCOWITCH 59


CONSUMO

DOWNLOAD

DANIEL GALERA

Escritor, 40 anos, recebeu o Prêmio Machado de Assis pelo romance Cordilheira (Cia. das Letras). Seus livros e contos foram adaptados para cinema, teatro e HQ. No exterior, os direitos de sua obra vendidos para Inglaterra, EUA, França, Itália, Argentina, Portugal, Romênia e Holanda

ÓCULOS Persol para Óticas Carol R$ 1.280 oticascarol.com.br SAIA Tommy Hilfiger preço sob consulta br.tommy.com

POR ALINE VESSONI Apple Music: Serviço mantido pela Apple. As músicas podem ser ouvidas via streaming ou, depois de salvas, em dispositivo para acesso off-line

ABAJUR La Lampe R$ 5.100 lalampe. com.br

KIT NÉCESSAIRE E CARTEIRA Jeep R$ 280 jeepgear.com.br

A primeira coisa que você faz ao acordar é pegar o celular? Antes eu troco a fralda da minha filha ou passo um café. Mas é uma das primeiras coisas, difícil evitar. Checo mensagens de WhatsApp, notícias no Twitter e vejo a capa da Folha de S.Paulo. Deixo o celular carregando na sala para não usar antes de dormir ou logo depois de acordar. Twitter é a única rede social que usa? Sim. Para mim funciona como um canal de comunicação com meus leitores e como uma espécie de feed de notícias, opiniões e artigos. Saí do Facebook em 2012, quando o ambiente já me parecia envenenado. O Instagram é mais simpático, mas também me cansou. Existe uma manipulação da carência e da vaidade nessas redes, para fins de publicidade e coleta de dados, que para mim se tornou indigesta. Em algum momento o efeito dos algoritmos sobre meu ego se tornou evidente demais para que eu consiga desfrutar das redes sem experimentar uma ansiedade crescente. Usa algum aplicativo para meditar? Aplicativo e meditação são mutuamente exclusivos. Para ler, prefere livro físico ou digital? Prefiro papel, mas uso o Kobo, em que baixei o app Pocket, para ler artigos e ensaios.

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Qual é a pessoa para quem você mais liga? Meus pais e minha esposa. Gosto de ligar às vezes para amigos sem ter assunto também. É como encontrar a pessoa na rua quando se está andando em direções opostas. Rende boas conversas. Prefere ligar ou mandar mensagem? O que eu prefiro mesmo é o e-mail. WhatsApp ou Telegram? WhatsApp. Mas o odeio com todas as forças, pois vampiriza o tempo livre no qual poderia estar a sós com meus pensamentos. O imediatismo do WhatsApp tornou toda comunicação e compromisso provisórios. A solidão se tornou um estado de vulnerabilidade máxima ao acesso alheio, é um paradoxo opressor para quem preza a introspecção. Volta e meia tenho fantasias de abandonar o WhatsApp. Ouve muita música no celular? Uso o Apple Music. Para trabalhar, tenho uma playlist de ambient, blues antigos, música clássica minimalista. Andando a pé ou de ônibus, escuto folk rock, noise, doom metal. Quando você está desconectado? Praticamente nunca. Só dormindo, me exercitando, no avião e nas cada vez mais raras ocasiões em que desconecto tudo para me concentrar no trabalho.

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Twitter: Com mais de 500 milhões de usuários, o microblog permite enviar e receber atualizações em textos de até 280 caracteres, conhecidos como tuítes


CABECEIRA

MACBETH – WILLIAM SHAKESPEARE

É como as demais grandes tragédias de Shakespeare (Hamlet, Rei Lear, Otelo), capaz, nos momentos cruciais, de dizer coisas verdadeiras e terríveis sobre a vida. Longe de serem depressivos, os diálogos de suas páginas acabam por se mostrar sublimes, pois sua beleza e profundidade nos elevam acima da tragédia.

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ESTANTE

Na pré-adolescência, quando ANTONIO CICERO leu Guerra e Paz, de Tolstói, sentiu vontade de ser escritor. Depois veio a paixão por I-Juca Pirama, da fase indianista de Gonçalves Dias, e o voraz e jovem leitor passou a achar que seria poeta. “Comecei a escrever coisas que considerava poemas”, conta Cicero, que, longe da idade de escolher uma profissão, já prenunciava uma carreira no mundo das letras. Com efeito, em 2018 passou a ocupar a cadeira 27 na Academia Brasileira de Letras. De escritor a filósofo, passando pelas observações argutas de crítico literário, ele afirma que vê mais importância na arte de “escrever poesia”. Talvez pelo fato de que, assim, torna-se ente do poema. Traduzindo, enquanto para exercer a filosofia, a crítica e o ensaísmo ele precisa servir-se unicamente da razão, na poesia está também em jogo uma libertação dos grilhões do intelecto. Como diz o ditado, o fruto nunca cai muito longe da árvore. “Meu pai era um intelectual e tinha uma biblioteca grande, que explorei”, diz. Lembra-se de ter ganhado dele, assim que aprendeu a ler, a coleção de obras infantis de Monteiro Lobato e o Tesouro da Juventude, famosa enciclopédia infantojuvenil publicada pela primeira vez na década de 1920. Os dados haviam sido lançados. Outra artista também se formava na família Correia Lima, a cantora e compositora Marina Lima. A parceria entre os irmãos teve início quando Marina ainda estudava música e decidiu musicar o poema Alma Caiada. Depois disso, Cicero começou a oferecer letras para a irmã. “É bom produzir ao lado de uma pessoa com quem se tem muita intimidade”, diz. POR ALINE VESSONI

A MONTANHA MÁGICA - THOMAS MANN

OS DOZE TRABALHOS DE HÉRCULES MONTEIRO LOBATO

Cito-o porque se trata do livro que me fez interessar pela cultura grega, pela qual sou até hoje apaixonado.

Foi este livro o responsável pelo meu interesse definitivo pela filosofia. Nele há as admiráveis discussões de dois de seus personagens. Um deles, Settembrini, era um humanista que queria expandir as luzes do Renascimento e da Ilustração; o outro, Naphta, um defensor do retorno à Inquisição da Idade das Trevas.

EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO MARCEL PROUST

É uma obra que fala de todos os assuntos com perspicácia e sutileza incomparáveis.

A REPÚBLICA – PLATÃO

Foi o primeiro livro de filosofia que me capturou – pela inteligência e pela beleza das discussões que contém.

CRÍTICA DA RAZÃO PURA IMMANUEL KANT

Este livro precisava ser citado por ser o mais profundo e, a meu ver, verdadeiro livro de filosofia que já li.

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POLE POSITION por josé rubens d’elia

“Sabedoria é subir ao mais alto de si”

A

frase do escritor sergipano Gilberto Amado, usada aqui como epígrafe, me inspirou a fazer uma rápida viagem pelos mais de 30 anos em que tenho o privilégio de treinar campeões de vários esportes. Ao longo desse tempo, sempre persegui a evolução constante e me preocupei em entender o lado humano dos atletas. Procurei, por outro lado, traduzir de alguma forma e inserir o significado da frase de Gilberto Amado no DNA dos atletas: “Subir, diariamente, ao mais alto de si”. Após anos de estudos e pesquisas, cheguei a um programa psicofísico que integra corpo e mente,

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adequado a quem diariamente trilha o caminho de sua própria evolução. Durante um bom tempo, o treinamento contemplava apenas a preparação física. Os estados emocional e sensorial entravam de forma automática, e os resultados eram compatíveis com esse padrão fixo e restritivo. Ao criar um programa de estímulos psicofísicos, e aplicá-lo a campeões do automobilismo, iatismo, ciclismo, hipismo e outros esportes, como também a grandes executivos do mercado corporativo, as respostas do equilíbrio sensorial e emocional evidenciaram o quanto foram vitais para o sucesso conquistado. No meu rico aprendizado, uma ótima conclusão foi a descoberta de que o exímio conhecimento na

modalidade específica não é a chave do sucesso desses campeões. Todos contam com o suporte de grandes técnicos, eles próprios são peritos no que fazem. O trabalho de imersão faz a diferença no resultado, porque os fortalece em direção ao grande propósito que têm no esporte e na vida. E é o propósito que faz a diferença. Há muita literatura e definições sobre propósito. Cito uma delas, simples e ao mesmo tempo forte. “Propósito é a essência do que você é porque você faz o que faz.” Quando o programa de treinamento está alinhado com o propósito, ele cria significado, faz sentido e, a partir daí, cada um dá, naturalmente, o melhor de si. Este é um quesito que faço questão de aprimorar. Além de ajudar o atleta a buscar o resultado no esporte, o propósito maior é possibilitar que ele se sinta realizado em tudo o que faz. Trazer à tona no programa de treinamento a consciência do propósito agrega valor ao dia a dia do atleta e faz com que ele viva um processo de evolução permanente. n José Rubens D’Elia é fisiologista e treinador de pilotos, atletas, empresários e executivos. É diretor da Pilotech – Clínica de Performance de Pilotos, em São Paulo

ILUSTRAÇÃO ISTOCKPHOTO.COM; FOTO ARQUIVO PESSOAL

TREINO COM PROPÓSITO


CARTAS cartas@glamurama.com

AMYR A MIL

@joaosantos: Linda foto, @mauricionahas2 é foda! (PODER 129) Que delícia de texto e de fotos (PODER 129). Dá para viajar com Amyr Klink através de suas histórias, mas, imagina na vida real? Seria incrível! Quero! Luana Marquez, Curitiba (PR)

O SONHO DO ALUGUEL PRÓPRIO

Há tempos vinha pensando que a QuintoAndar (PODER 129) renderia uma boa capa na revista. Fizeram um negócio que não existia no Brasil, uma verdadeira revolução no mercado imobiliário. Estão de parabéns! Cynthia Peres, Rio de Janeiro (RJ)

FOTO MAURÍCIO NAHAS

QUEM QUER (MUITO, MAS MUITO) DINHEIRO?

Sou adepto desse mantra dos bilionários (PODER 129), afinal não dá para chegar a lugar algum sem dedicação. Mas acho que o seleto grupo de pouco mais de 2 mil pessoas na Terra, desses que possuem mais de US$ 1 bilhão, não comporta mais ninguém, mesmo os dedicados. Roberto Agra, São Paulo (SP)

/poder.joycepascowitch

A PROVA DOS NOVE

O best-seller Seja Mais Feliz é muito bom (PODER 129). Acho que essa disciplina sobre felicidade, da Universidade Harvard, deveria ser obrigatória em todas as escolas. Assim teríamos profissionais mais assertivos e satisfeitos. Vânia Mota, São Paulo (SP)

@revistapoder

AGENDA PODER

BOTTEGA VENETA + bottegaveneta.com CARTIER + cartier.com BOSS + hugoboss.com RICARDO ALMEIDA + ricardoalmeida.com.br SAPATARIA COMETA + sapatariacometa.com.br

@revistapoder

O conteúdo da PODER na versão digital está disponível no SITE +joycepascowitch.com

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A ideia de um Brasil sofisticado, elegante e vanguardista, se existe, ficou um pouco mais turvada com a morte de João Gilberto. O maior intérprete do país, que transformava em mantras hipnóticos clássicos de Dorival Caymmi, Janet de Almeida e Lobão, o homem que criou com seu violão a batida da bossa nova e com a voz reduziu à essência mínima e necessária o cantar, fez na música o que os modernistas talvez não tenham feito completamente na literatura, quando implodiram o parnasianismo. O alcance da revolução de João não se circunscreveu ao Brasil. Encerrado há anos num pequeno apartamento na zona sul do Rio, onde fez seu bunker particular, seguiu a tocar, tocar e tocar. Era, de alguma forma, uma manifestação própria de decoro – algo que ele certamente não encontraria fora dali.

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FOTO HULTON ARCHIVE/GETTY IMAGES

MEMÓRIA


É com muito orgulho que o Grupo Glamurama apresenta seu caçulinha, o berinjela.com, onde selecionamos produtos de várias marcas pra lá de especiais – e, viva!, para comprar na hora. Com esmero, tentamos separar o joio do trigo, e elegemos o que cremos ser a cara de nossas leitoras. E vamos além do estilo: aqui só entra o que é feito de forma ética e sustentável. Clique e fique à vontade!


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REVISTA PODER JOYCE PASCOWITCH 130  

Capa da nossa edição do mês, o empresário carioca Daniel de Jesus, que vendeu a Niely para a L’Oréal por R$ 1 bilhão em 2015, volta a empree...

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