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ANO I - Nº 1 Dezembro/2009

Grande Reportagem

- PROJETO EXPERIMENTAL – TRABALHO DE CONCLUSÃO DO CURSO DE COMUNICAÇÃO

SOCIAL – HABILITAÇÃO EM JORNALISMO – FUNORTE (FACULDADES INTEGRADAS DO NORTE DE MINAS)

FÁBIO MARÇAL

ÁGUA LIMPA BEM INDISPENSÁVEL À VIDA NO MUNICÍPIO DE MONTES CLAROS FÁBIO MARÇAL

ue a Água Limpa é um bem indispensável à vida em qualquer parte do planeta ninguém pode negar. O que dizer então dos municípios que estão no polígono da seca? Com essa temática, o acadêmico Airton Ruas, do curso de comunicação social – jornalismo, das Faculdades Integradas do Norte de Minas (Funorte) faz um diagnóstico da situação hídrica de Montes Claros, no norte de Minas Gerais, onde o desenvolvimento urbano dos últimos 20 anos convive com o drama da população rural que no período da estiagem não tem o que beber. Para isso, a reportagem conversou com pessoas que precisam superar as adversidades trazidas pela seca. Na comunidade de Planalto Rural, zona rural de Montes Claros, os moradores encontraram uma alternativa para garantir a sobrevivência da lavoura nos meses de março até outubro. Representantes dos governos municipal, estadual e entidades do terceiro, no entanto, afirmam que a seca não está superada. Eles fazem um panorama dos desafios que precisam ser vencidos para garantir o acesso ao precioso líquido.

O Interlagos é o principal espelho d’ água da área urbana de Montes Claros. No entanto, as suas águas servem apenas para manter o equilíbrio do ambiente. O abastecimento da cidade é feito com as águas dos rios: Juramento, Pai João, Pacuí, dos Porcos e Rebentão dos Ferros


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02 Dezembro/2009

SOCIAL – HABILITAÇÃO EM JORNALISMO – FUNORTE (FACULDADES INTEGRADAS DO NORTE DE MINAS)

Montes Claros, cidade-pólo do norte de Minas e, historicamente, ponto de parada para muitos imigrantes

FÁBIO MARÇAL

MONTES CLAROS: Do desbravamento no século XVI aos

o século XVI, uma expedição desbravadora do Brasil, ainda colônia, chefiada por Bruzza Spinola chegou, pela primeira vez, na região que o bandeirante denominou Montes Claros. No entanto, a fazenda de Montes Claros só foi fundada, através de um alvará de sesmaria datado de 12 de Abril de 1707, concedido a Antônio Gonçalves Figueira. No ano de 1768, a fazenda foi vendida para o Alferes José Lopes de Carvalho, que construiu uma nova sede e uma capela dando origem ao pequeno Arraial das Formigas. O alferes morreu em 1776. Nesse período a economia era baseada em pequenas lavouras, criação de gado e no comércio. Os produtos comercializados eram basicamente as trocas de gado, couro a mercadores, na sua maioria, baianos que transi-

tavam pela região. Em 13 de outubro de 1831, o arraial foi elevado à Vila de Montes Claros de Formigas e conseguiu sua emancipação política e administrativa. Coube ao coronel José Pinheiro Neto, o desafio de ser primeiro presidente da Vila. Em 26 de julho de 1844, foi proposta a mudança do nome, para apenas Vila de Montes Claros. A justificativa foi o desvio de várias correspondências, que acontecia por ter na mesma província duas vilas com o nome de Formigas. Uma próxima à capital e a outra no norte do estado. E, finalmente, em 1857 nasceu a cidade de Montes Claros. Isso é o que nos conta a revista Montes Claros hoje 80, que narra também o progresso alcançado pela cidade até o ano de sua publicação. A administração do prefeito Antônio Lafetá Rebelo, as principais obras das oito secretarias, as funções desempenhadas

PROJETO EXPERIMENTAL – TRABALHO DE CONCLUSÃO DO CURSO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL – HABILITAÇÃO EM JORNALISMO – FUNORTE (FACULDADES INTEGRADAS DO NORTE DE MINAS) COORDENADOR DO CURSO: Prof. Elpidio Rodrigues da Rocha Neto. ORIENTADOR: Prof. Tiago Nunes Severino. ACADÊMICO: Airton Ruas de Souza. REDAÇÃO: Airton Ruas de Souza. FOTOGRAFIAS: Fábio Marçal, Airton Ruas, Alessandra Marques, Rogeriano Cardoso, Dione Afonso e Internet. EDIÇÃO: Tiago Nunes Severino / Novembro/ 2009. REVISÃO: Airton Ruas e Tiago Severino. DIAGRAMAÇÃO: Cléber Caldeira.

CONTATOS: (38) 8404-5162, jornalistaairtonruas@gmail.com

pela procuradoria, a câmara formada por 15 vereadores, os destaques da economia com o núcleo industrial, a pecuária e a educação com a implantação das universidades. Ao avançar no tempo, em 1991, conforme dados do Atlas de Desenvolvimento Humano, a população total do município era de 250.062 habitantes. Desse total, 227.759 residia na cidade e 22.303 na zona rural. Já em 2000 aumentou para 306.947, sendo 289.183 na cidade e apenas 17.764 no campo. O que significa crescimento da população urbana em detrimento da rural. A tendência é que a diferença seja ainda maior no próximo levantamento de dados que está previsto para o ano de 2.010. Portanto, hoje, 29 anos depois da publicação da revista Montes Claros hoje 80, pode-se observar que a cidade cresceu, mudou e alcançou também grande desenvolvimento. Principalmente nos âmbitos industriais, no setor de comércio e serviços. Algumas das indústrias instaladas na cidade usam tecnologias de última geração e exportam seus produtos até mesmo para os Estados Unidos e a Europa. O comércio atacadista têm sido um dos ramos que mais recebeu investimen-


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tos nos últimos anos. E, finalmente, o setor de serviços, no qual o principal destaque é a educação, que conta na cidade com uma universidade estadual, Núcleo de Ciências Agrárias da Universidade Federal de Minas Gerais e 11 faculdades particulares. Aliás, esse setor é responsável por parte da população flutuante de Montes Claros, já que trazem todos os dias, aproximadamente cinco mil estudantes de cidades vizinhas, como indica um levantamento feito pela Universidade de Montes

Claros (Unimontes). No entanto, o desenvolvimento trouxe os problemas dos grandes centros urbanos, como aumento da violência, dos problemas sociais, complicações no trânsito, desemprego, poluição sonora, visual e, principalmente dos rios, que são os desafios para os governantes e preocupações da sociedade. Em Montes Claros, o pior desagravo cometido contra os rios está no centro urbano do município, onde todos os cursos de água recebem esgoto sem nenhuma forma

de tratamento. A preocupação cresce ainda mais, porque alguns dos rios que passam por Montes Claros seguem ou marcam os limites com outros municípios. Os principais são Riachão (que limita com Coração de Jesus), Rio Pacuí (com São João da Lagoa), São Lamberto (corta o município próximo ao limite com Claros dos Poções), Rio Suçuapara (que marca a divisa com o município de São João da Ponte) e Rio Verde Grande (faz divisa com os municípios de Bocaiúva, Glaucilân-

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dia, Juramento, Francisco Sá e Capitão Enéas). Aliás, este último recebe, através dos afluentes, toda a carga de esgoto do perímetro de Montes Claros. Aspecto deve começar mudar em 2010 com a inauguração da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE). Existem também vários riachos que contribuem com as suas águas para a formação da rede hidrográfica de Montes Claros. No entanto, a maioria deles seca no período da estiagem – que nos últimos tempos, tem sido do mês de maio até outubro.

HISTÓRIA E DESAFIOS problemas sociais e ambientais do século XXI A SITUAÇÃO DOS RIOS DE MONTES CLAROS SECRETÁRIO COLOCA A CULPA DA POLUIÇÃO DOS RIOS NA COPASA E DIZ QUE PERFURAÇÃO DE POÇOS ARTESIANOS É ALTERNATIVA ERRADA NO COMBATE À SECA FÁBIO MARÇAL

O Vieiras é o principal rio que passa pela cidade. Mesmo assim, recebe todo o esgoto de Montes Claros

ontes Claros, sexta-feira, 23 de outubro de 2009, 9 horas, na Secretaria Municipal de Meio Ambiente. Enquanto o secretário não desocupa para a entrevista, o telefone chama, Cleide, a telefonista, atende. Do outro lado da ligação alguém pede para falar com Ramon. Cleide disse que ele saiu, acredita que foi para o parque. “O senhor quer saber informações sobre o Rio Pacuí”, pergunta a telefonista, que pede para o homem aguardar um instante enquanto conversa com um dos técnicos na outra linha. Três minutos depois, ela retorna à mesma ligação e diz que o técnico sugeriu que ele procurasse João Balaio. “Por que será que vocês sempre pedem para falar com João Balaio?”, diz o homem do outro lado da linha. Ele revela sua identidade: “Eu

sou João Balaio”. Cleide sorriu e comentou a respeito dos pedidos de informações, situações engraçadas que acontecem ao telefone e despediu-se de João Balaio. Nisso o secretário Aramis Mameluque desocupou, e pediu que chamasse para entrar ao gabinete. A Secretaria estava movimentada, um pedia uma informação outro pedia outra. Entre essa efervescência, gravador ligado, é feita a pergunta: Os rios que passam pela cidade estão poluídos. O que o senhor pensa a esse respeito? Grande parte da poluição está ligada à Copasa, responsável pelo abastecimento de água e saneamento na cidade. Até então, o esgoto era jogado diretamente nos rios que passam pela cidade e em seguida chegavam ao rio


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04 Dezembro/2009

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Verde Grande. A tendência é que a situação mude agora com a inauguração da estação de tratamento de esgoto que está prevista para janeiro de 2010.

Na zona rural com o assoreamento de alguns rios tem sido freqüente a perfuração de poços artesianos. Como o secretário avalia essa situação? É uma alternativa ambientalmente errada. No entanto, muitas vezes é a única para o abastecimento de água nas comunidades. É errada porque ao perfurar um poço é um canal direto da superfície com o lençol freático. Se a pessoa que usa não tiver cuidado corre o risco de contaminar todo o lençol. Qual o impacto causado pela perfuração indiscriminada de poços artesianos para o meio ambiente? Geralmente os rios para se manterem perenes fazem um contato direto com o lençol freático, principalmente nos perío-

POPULAÇÃO CONSOME MAIS ÁGUA DO QUE O RIO OFERECE FONTE: INTERNET / CBH VERDE GRANDE

E quanto aos rios que passam pela zona rural do município? De uma maneira geral percebe-se que seguem a mesma tendência de contaminação presente na cidade. No entanto, ainda existem várias áreas preservadas, mais especificamente as nascentes. Como exemplo a do rio São Lamberto e a do próprio rio Vieiras. Nesse aspecto é preciso destacar o trabalho de educação ambiental promovido pela secretaria que estimula a preservação das nascentes e orienta os agricultores sobre a disposição de lixo e a destinação correta das embalagens de agrotóxicos.

Rio Verde – Estudo aponta que Montes Claros é o maior poluidor do Rio Verde Grande, que passa em 35 municípios e desagua no São Francisco

dos de estiagem para manter os volumes de água. Já no período chuvoso, o rio abastece os lençóis. Com a retirada das águas diretamente do lençol há a conseqüente diminuição dos níveis e a interferência no ciclo natural. Por isso é necessário a regularização dos poços junto ao Instituto de Gestão das Águas (Igam) que vai liberar a quantidade de água que pode ser retirada. Essa liberação é feita através outorgas. De acordo com a Copasa, a despoluição dos rios que atravessam a cidade deve começar ainda este ano com a inauguração da Estação de Tratamento de Esgotos (ETE). A princípio, o percentual tratado será de 20% e deve alcançar 80% até o final de 2010.

Um estudo da empresa Ecoplan, contratada pela Agência Nacional das Águas, para avaliar a situação da bacia do Verde Grande apontou a existência de uma escassez hídrica. Ou seja, o uso de água é menor do que a oferta. O dado foi apresentado na reunião do dia 29 de outubro, que discutiu a formatação do Plano de Recursos Hídricos da Bacia. O estudo mostrou também que há uma má qualidade acentuada da água, devido o despejo sem controle de esgoto doméstico. Existem também problemas com a carga difusa e a operação dos reservatórios da bacia. Além de questões de caráter ambiental como uso indevido de mata ciliar e de áreas de conservação. Questões que também precisam ser solucionadas. A elaboração do plano da bacia vai levar em consideração o saneamento, a gestão de recursos hídricos, maior fiscalização, uso mais eficiente da água, rever a regularização que já tem para estudar se precisa fazer mais ou não. Também há ações para educação ambiental, a conscientização das pessoas, para mudanças de hábitos, de

práticas, para que use racionalmente, desperdice menos, gere menos lixo. “Os órgãos de extensão rural fazem isso no meio rural, mas é preciso intesnificar esse trabalho. Sobretudo no que refere-se ao uso mais eficiente, às mudanças de práticas. Ainda se usa técnicas que evapora muita água. Quando poderiam usar outras, como gotejamento e micro-aspersão” afirmou Sidinei Agra técnico da Ecoplan, empresa responsável pela pesquisa.

Bacia do Verde Grande A bacia do rio Verde Grande abrange o norte de Minas Gerais e sudoeste do Estado da Bahia, ocupando uma superfície aproximada de 31.000 km2, dos quais cerca de 87% pertencem a Minas. Ela abrange vinte e seis municípios mineiros e oito baianos, tendo como principal polo regional a cidade de Montes Claros, com população urbana de 288.534 habitantes, segundo dados preliminares do Censo 2000. O rio Verde Grande que dá nome à bacia, tem suas nascentes no município de Montes Claros e a foz a 557 km no rio São Francisco.

AIRTON RUAS

UM GRITO DE SOCORRO

“A história do crescimento da cidade tem haver com a destruição dos rios que passam por ela”, diz ambientalista

Lugares sem a exploração humana se tornam cada vez mais raros

ibeirinho de nascimento, corpo e alma. João Alves do Carmo fez da vida uma defesa pelo meio ambiente. Um brado em defesa dos rios. Com 60 anos, ele tem uma série de títulos geógrafo, especialista em recursos hídricos, mas nada lhe traz mais orgulho do que ser

o fundador da organização não-governamental que leva a sua causa, Grito dos Rios. Ele nasceu há 40 metros de um rio, o Tábuas. “Até hoje esse rio é tudo na minha vida. Mas hoje você olha para ele e vê mais esquistossomose do que água”, conta o ambientalista que ainda faz uma denúncia.

“De uns dez anos para cá, a Copasa construiu uma estação de tratamento de esgoto em Nova Esperança que não funciona, não é operacionalizada. Tudo cai em um canal e vai diretamente para a nascente do rio Tábuas”, relata. Segundo a Prefeitura de Montes Claros, a população de Nova Espe-


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Água limpa para Olhos D’ Água Falta de escoamento nas ruas provoca inundações em Montes Claros

AIRTON RUAS

rança tem aproximadamente 3000 pessoas. O número é maior do que Glaucilândia, no norte do Estado, que tem 2700 habitantes. De acordo com a ONG Grito dos Rios, da população de Nova Esperança, 70% têm esgoto em casa ligado à rede coletora. O sistema leva o material para a ETE que não está em funcionamento. O que significa que toneladas de efluentes vão parar no rio todos os dias. A conseqüência é o risco de contágio dos moradores e dos animais que consomem a água. O descaso do poder público e a vulnerabilidade da população por causa da poluição dos rios foi o fator impulsionador para a criação da ONG. Um dos méritos da entidade é ter reavivado a discussão sobre a importância de instalar a estação de tratamento de esgoto em Montes Claros. “O Grito dos Rios pegou a questão do Rio Vieira, que tem 70 anos que o esgoto da cidade é jogado nele. A história do crescimento da cidade tem haver com a destruição dos rios que passam por ela”, diz João. Ele também lança um alerta: “os lençóis freáticos da região correm o risco de já estar contaminados”. Um estudo para o plano de bacia do rio Verde Grande detectou isso. Os dados obtidos mostraram o alto nível de

poluição do rio. A maior preocupação é com a produção de alimentos que estende o risco de contaminação para pessoas de outras regiões que têm acesso a esses produtos. O presidente da ONG diz que a situação ainda demorará para ser resolvida. Dentro da cidade, as ligações clandestinas e a cultura do descarte irregular de lixo são os principais motivos. Depois de 52 minutos gravados de entrevista, e vários ensinamentos sobre meio ambiente, pergunto: “E quanto ao apelido João Balaio?” Ele sorri e diz: “Pode usar tranquilamente. Até o presidente da Agência Nacional das Águas me chama assim”.

Deficiência noTratamento Quanto à situação da estação de esgoto de Nova Esperança, o supervisor de produção e manutenção da Copasa, Soter Magno do Carmo reconhece a deficiência no tratamento e argumenta que a empresa herdou da prefeitura. “Esse foi um sistema construído sem nenhuma técnica, sem nenhuma condição, e a Copasa, de certa forma está sofrendo com aquilo lá. Já tem um projeto de reformular aquela estação de tratamento para ter melhor a eficiência no tratamento. Ela não está dentro dos padrões da empresa e não dá conta de tratar todo o esgoto do distrito”, concluiu Soter.

Até parece frase de efeito ou mesmo redundância. Mas esse é o nome de uma das 12 comunidades rurais do município de Montes Claros que receberam sistemas de abastecimento no primeiro semestre de 2009. O que mais chama atenção é que olhos d’ água, no linguajar do sertanejo, é o lugar onde a água nasce. Automaticamente, se pressupõe: água limpa, abundante e permanente. No entanto, não é isso que acontece na comunidade que fica a 25 quilometros de Montes Claros. Lá 30 famílias dependem da água captada no subsolo por meio de um poço tubular para sobreviver. Dificuldade que era ainda maior até o início deste ano quando a comunidade recebeu o sistema de abastecimento de água do programa Minas sem Fome. De acordo com dona Maria de Fátima Alves Ferreira, que há dois anos está à frente da presidência da Associação de Pequenos Produtores Rurais de Olhos d’ Água, a principal reclamação dos moradores quando assumiu o posto era a falta de regularidade no acesso à água. “Os canos de distribuição eram finos e de péssima qualidade. Quando o sol esquentava, eles achatavam e impedia a passagem da água. Assim, principalmente as pessoas que moram nas partes mais altas das comunidades ficavam sem água.” Hoje as famílias de Olhos d’ Água têm o precioso líquido bem pertinho, na torneira das suas casas, em quantidade e qualidade apropriadas para o consumo humano. No entanto, a presidente não esconde sua preocupação

AIRTON RUAS

Comunidade com nome de nascente é abastecida através de água de poço artesiano

Doze comunidades rurais receberam abastecimento de água no município de Montes Claros em 2009

com a situação da comunidade de Capoeira Velha que é assistida pela associação que representa. “Lá, 18 famílias não tinham nada, nem cano, nem caixa d’ Água. Agora, eles já têm. Mas ainda falta o principal, que é o poço artesiano para que eles tenham acesso à água limpa. A Codevasf fala que até o final do ano vai perfurar o poço. Mas não sei se realmente vai sair.” Dona Maria de Fátima reconhece, “o rio que passa por aqui nunca secou, mas diminui muito as águas no período de estiagem. Mas o problema é que no período chuvoso o rio recebe as enxurradas, que trazem consigo todos os dejetos depositados sobre o solo, inclusive restos de agrotóxicos usados nas lavouras de pimentão, chuchu e vargem”. O sistema de abastecimento recebido pela comunidade é composto por bomba submersa e tubos de 80 milímetros. Já, a comunidade de Capoeira Velha, que é assistida aqui pela associação, foi beneficiada com uma caixa d’água de 20 mil Litros, os tubos para distribuição, um clorador, hidrômetros. Maria de Fátima afirma também que 30 famílias foram atendidas na comunidade de Olhos d’ Água e mais 18 em Capoeira Velha. Ao todo foram investidos R$ 18.571,44 reais nas duas comunidades.


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06 Dezembro/2009

data é 18 de outubro do ano de 2009, às 14h30 do horário brasileiro* de verão na comunidade de Planalto Rural a 21 km de Montes Claros. Aqui, quatro irmãos adotaram uma técnica de irrigação que vêm conquistando outros adeptos na região. Trata-se da irrigação por cotonete. Angela Maria Dias, popular Branca, única irmã mulher é quem me conduz para conhecer a lavoura, os rios que passam pela propriedade, a nascente e as bacias de captação. Aos poucos, os detalhes que levaram a família a adotar as técnicas vão surgindo. Ela passa embaixo das latadas de chuchu, reclama da demora na observação do sistema de irrigação e da pausa para as fotografias. Em frente à casa do irmão Marcelo, uma a caixa d’ água de 100 mil litros serve de reservatório para a irrigação dos seis hectares de plantações cultivadas pelos quatro irmãos. Reivam Terezinho Dias Rocha, o Tita, acabou de chegar da feira no Bairro Major Prates, região sul de Montes Claros, onde todos os domingos ele leva verduras e legumes para comercializar. Provavelmente está cansado, já que no dia anterior trabalhou até tarde na colheita e carregamento da pick up, e acordou antes das 5 horas para não perder o melhor ponto para montar a banca. A área cultivada pelos quatro irmãos soma seis hectares, 15 de pastagens e matas ciliares. Nesse espaço eles plantam: chuchu, maxixe, quiabo, caxi, feijão-vargem e folhagens (alface, couve, agrião, cebolinha e coento). De acordo com Tita, somente ele colhe uma média de cinco mil quilos das variedades por semana na safra e dois mil e quinhentos na entre safra. Isso gera uma renda de aproximadamente R$ 1200 brutos por semana. Tita é enfático e afirma que trabalha mais pelo prazer de trabalhar do que pela renda que tira da produção. Perguntado sobre o que estaria fazendo se não trabalhando com a horta, diz que não consegue imaginar. Ângela mostra uma pequena nascente protegida pelas ações de recuperação

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CONVIVÊNCIA PACÍFICA COM A NATUREZA IRRIGAÇÃO SUSTENTÁVEL E TÉCNICAS DE PRESERVAÇÃO AMBIENTAL NO PLANALTO RURAL AIRTON RUAS

AIRTON RUAS

Sistema de irrigação da propriedade garante a produção da lavoura

As barragens, a nascente e as erosões Branca convida para conhecer os recursos hídricos da fazenda. O primeiro ponto é o rio que nasce na propriedade. Depois de descer aproximadamente 100 metros por um terreno íngreme e arenoso, chegamos aos escombros da primeira de uma série de três barragens. Em seguida, as outras duas barragens, há 40 e 80 metros respectivamente da primeira. Ao observá-las é possível perceber que elas cederam em virtude do terreno arenoso que não resistiu ao peso da água acumulada. Branca segue por entre a vegetação nativa, e logo após mostra as nascentes do rio, vários “olhos d’ água” espalhados. Em seguida mostra uma bacia de Captação (popularmente conhecida como barraginha) construída a 50 metros do local, logo acima, outra. A construção das bacias tem como objetivo reter a enxurrada e os sedimentos trazidos por elas, e assim, evitar a formação de erosões, principalmente em áreas de solo arenoso, como o Planalto Rural. Técnica que se tivesse começado a ser usada na propriedade há 20 anos, provavelmente teria evitado a formação de uma vossoroca de aproximadamente 15 metros de profundidade. De acordo com Branca, no local já caíram e morreram vários animais. Sistema de Irrigação por cotonete baixo custo e praticidade Para as adversidades do período de estiagem, há quatro anos, o grupo de quatro irmãos montou o sistema de irrigação sustentável na propriedade. O motor puxa

água do rio há um quilometro, joga na caixa de 100 mil litros e de lá é feita a distribuição, por gravidade diretamente para irrigação por cotonete. A rede principal é feita com a tubulação de 50 milímetros . É instalados mini-registros em uma mangueira fina apropriada, que passa próximo às covas das plantas. Próximo de cada cova é instalado um cotonete com a ponta queimada e com um pequeno corte lateral para dár vazão à água. Cada 100 covas levam em média 20 minutos para ser irrigada. Pelo sistema convencional o tempo para irrigação do mesmo número de plantas é de no mínimo duas horas, e o consumo de água cinco vezes mais. Outra vantagem do sistema é que, com um medidor noturno, o motor é ligado entre 18h da tarde e 6h da manhã. Isso assegura o direito aos benefícios da tarifa verde, em que os consumidores só pagam 30% da energia consumida. Segundo Tita, para a implantação do sistema foi indispensável o apoio que receberam de algumas instituições: a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) com a elaboração do projeto; o Banco do Brasil com a liberação de financiamento e o Serviço Brasileiro de Apóio às Micro e Pequenas Empresas que ministrou curso de como gerenciar um empreendimento rural. São 19h35, Tita deve estar na igreja às 20h, para louvar e agradecer ao criador por mais uma semana de trabalho. *A justificativa para a criação do horário brasileiro de verão é justamente economizar energia elétrica e conseqüentemente água.


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A construção de bacias para captação de água das chuvas se tornou uma técnica eficaz para conter as erosões e o assoreamento dos rios

AIRTON RUAS

PROGRAMAS DE CONVIVÊNCIA COM A SECA POÇOS ARTESIANOS E BACIAS DE CAPTAÇÃO SÃO DUAS DAS PRINCIPAIS TÉCNICAS érgio de Oliveira Azevedo. A maioria dos moradores das comunidades rurais do norte de minas que sofrem com os efeitos da seca conhecem bem este nome. Seja das palestras com temas relacionados ao meio ambiente, ou da coordenação de ações de recuperação de nascentes de rios ou distribuição de projetos de abastecimento de água. Lá está ele, o ”doutor” Sérgio da Emater (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural) pronto para orientar e propor ações de melhorias no meio rural. E é ele quem responde as perguntas a seguir. Quais as ações do projeto de sub-bacias no município de Montes Claros? O projeto foi executado no município, em parceria com a Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (Codevasf) em 2006. Atualmente estão sendo firmados novos convênios para complementação dos projetos de sub-bacias. Liberaram 12 municípios em Março, mais 12 em Outubro e serão liberados mais em 2010. Nesse caso o município de Montes Claros não está entre os contemplados no momento.

Nos 24 municípios contemplados, em que consistem as ações a serem implantadas? Construção de terraços, bacias de captação de águas pluviais, proteção de nascentes, de vegetação ciliar, através do cercamento das nascentes, da educação ambiental, com cursos, palestras e campanhas educativas. Bacias de captação das águas pluviais são as barraginhas? Qual a diferença? É a mesma coisa. Na Emater não usamos o termo barraginhas por que subentende - se barragem no leito de rios. E não é isso. São barramentos construídos, sobretudo, às margens de estradas para captar as águas das chuvas e sedimentos e evitar o as-

soreamento dos rios. Os recursos para construção dessas bacias provêm de onde? O projeto é financiado com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) de revitalização do Rio São Francisco e recursos do Ministério do Meio Ambiente. No município de Montes Claros, projetos foram financiados com outras fontes, como a Fundação Banco do Brasil e recursos próprios do município. Foram feitas bacias de captação também através dos termos de ajustamento de conduta que o Ministério Público tem aplicado a algumas empresas que tem um passivo ambiental. As pessoas reclamam das secas nos últimos anos. Ao comparar índices pluviométricos, praticamente não houve alteração nesse sentido em relação a 30 ou 40 anos. Como se explica esse fator? Estamos numa região do semi-árido. Todo ano realmente vai ter a seca, ou mais acentuada ou não. Geralmente aqui na região as chuvas começavam no mês de setembro e iam até fevereiro. Com a degradação ambiental estão sendo concentrando praticamente entre novembro e fevereiro, apenas quatro meses. Além do mais, as últimas estatísticas apontam que a cada dois anos temos uma seca grave. A mais recente foi em 2007, quanOs maiores índices pluviométricos do último ano foram registrados nos meses de Novembro (319mm), Dezembro (395,1mm), Janeiro (299,4mm) e Fevereiro (136,2mm) Fonte: Relatório Agroclimatológico / Emater-MG

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do tivemos perdas nas lavouras e morreu grande quantidade de gado. Esse ano ao que tudo indica, teremos 30% de chuvas a mais do que os outros. E com relação às cisternas ecológicas distribuídas pela Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec), o que o senhor pensa a respeito? O objetivo é levar água para todas as famílias. Temos muitas comunidades que tem água para consumir, mas muitas vezes não chega a todas as famílias. Então as cisternas vêm suprir essa necessidade de água limpa, para o consumo humano durante um ano inteiro. E quanto à perfuração de poços artesianos para abastecimento de água das comunidades rurais? O ideal é que consiga levar água através dos poços. Porque elas terão uma água de melhor qualidade, tratada e com mais constância para que a família não fique dependendo somente da água da chuva. Então o ideal é que toda comunidade seja abastecida por poço ou por um sistema de captação direta dos rios. Mas como muitos dos rios secam no período de estiagem, a perfuração de poços é a melhor alternativa. E quanto à questão do desperdício de água no meio rural? De uma forma geral temos percebido a necessidade, primeiro de levar uma educação ambiental para aquela família que está consumindo muita água. Ela tem que estar consciente de que se usar muita vai faltar para alguém. A instalação de hidrômetros tem ajudado muito nesse controle. Até mesmo, porque quem usa mais também paga mais. Então a pessoa já fica mais receosa. Para finalizar, como o senhor sintetiza a situação da situação hídrica no município de Montes Claros? Montes Claros é um município privilegiado nesse aspecto, pois possui condições de realizar atividades agropecuárias, abastecimento de água e inclusive, em relação a chuvas. A média é de 1200 milímetros por ano, já alguns municípios, como Janaúba, que tem médias em torno de 400, 500 milímetros.


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08 Dezembro/2009

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Santa Rosa de Lima é um dos distritos a ser atendidos pela Copasa. Cobrança pelo uso da água pode começar em 2010

DIONE AFONSO

PREFEITURA QUER TRANSFERIR A ADMINISTRAÇÃO DOS POÇOS INSTALADOS EM DISTRITOS PARA A COPASA “Mas o seu horário não é como o de mineiro. Mineiro chega na hora. Você chegou dez minutos antes do agendado”, diz Roberto Amaral, secretário municipal de Agropecuário. O início da entrevista foi assim com um diálogo bem informal. Cafezinho na mesa e fala pausada, lembra até aquela prosa de tempos antigos em que o importante era ouvir com calma, sem pressa. Cessão do abastecimento de água nos distritos para a Copasa “Na verdade são dois caminhos que estamos procurando seguir, já com o total reconhecimento e recomendação do prefeito. O primeiro caminho diz respeito a uma cessão da administração dos poços artesianos, da distribuição de água e do atendimento às comunidades que hoje são distritos, com um número expressivo de moradores, à Copasa”. “Nós cederíamos através de documento, que já tem cobertura de ordem legal e já foi aprovado pela câmara, a distribuição e abastecimento de água nos distritos que são abastecidos por poços tubulares à Copasa. Os distritos são Aparecida do Mundo Novo, São Pedro das Garças, Santa Rosa de Lima, Vila Nova de Minas, São João da Vereda, Canto do Engenho, Ermidinha e Miralta. “O processo, em curso, está sendo conduzido pela Copasa, no sentido de comunicar através reuniões e audiências às comunidades, com total apoio logístico da secretaria. O exemplo que nós já temos e que é extremamente signifi-

cativo é o distrito de Nova Esperança que já há algum tempo a empresa presta o serviço à comunidade. As pessoas estão tendo o precioso líquido a disposição e queremos levar também para os outros distritos. Esperamos que até o fim do ano, concluiremos toda a coleta de dados e que até o início de 2010 seja celebrado o contrato entre a prefeitura e a estatal”. Custos e investimentos “Ainda não sei precisar os valores da negociação, já que o processo ainda está em curso. Mas posso garantir que vai gerar um bônus para a prefeitura e um ônus para a Copasa. O termo se dá através de um contrato de longo prazo. “As tarifas de consumo aplicadas aos consumidores seriam diferenciadas das praticadas na cidade de Montes Claros. A empresa ao fixar as taxas ela levará em consideração o poder aquisitivo das populações locais”. Foi feita a tentativa de entrevistar alguns dos moradores do distrito de Ermidinha para falar sobre as expectativas para a mudança do fornecimento de água, que ficará a cargo da estatal. Mas ninguém quis comentar sobre o assunto. No entanto, o que se percebe é que a comunidade está receosa com a mudança. A principal preocupação é o tratamento do esgoto a ser produzido. Logo depois, vem a cobrança das taxas de água. Os rios do município “Ainda não temos um acompanhamen-

to da situação dos rios do município. É intenção nossa contratar uma empresa especializada para levantamento desses dados. Mas hoje, ainda não somos detentores dessas informações das fontes de água natural. Faz-se uma ressalva ao rio Verde Grande, que existe um comitê de bacia constituído, do qual nós temos representantes e temos informações dessa bacia. “Faz parte da nossa programação para 2010 verificar, estudar e analisar os rios perenes e sub -perenes que passam pelo município para que possamos fazer barramentos. Ou seja, construir barragens. A nossa intenção é a um só tempo, evitar as enchentes, como as que já ocorreram esse ano, e também a regularização do rio. A água acumulada no período chuvoso será distribuída, ao longo do período de estiagem tornando os rios perenes. E dessa forma busca se dotar o município de mais essa fonte de recursos hídricos para continuação. “Essas barragens seriam utilizadas para fins múltiplos: evitar as enchentes, regularização dos rios, utilização dessa água para consumo humano, criação de peixes e o lazer”. Comunidades rurais menores “Existe ainda um segundo caminho, que está sendo estudado para as outras comunidades onde é a prefeitura que administra os poços tubulares. São comunidades menores, com menos moradores. “Todas elas dotadas de associações extremamente eficazes, capacitadas, haja vista, que recebem também recur-

sos de outros órgãos, outros níveis de governo e executam os projetos e prestam conta com sucesso. A intenção é de firmar um convênio que a prefeitura repasse as operações dos poços às comunidades e repasse os recursos financeiros para que seja feita a operacionalização do poço. “Os recursos seriam repassados para a associação e ela passaria a administrar esses valores. E se bem administrados, a associação se tornaria cada vez mais independente. Da mesma forma que nada impede que essas cobrem pelo uso da água. Ou seja, famílias que usam a água para consumo humano pagam menos, outras que utilizam para a criação de animais, pagam mais. Com essas medidas é possível capitalizar as associações. Dar uma missão para elas administrar”. Após 30 minutos de conversa foi possível notar as preocupações da secretaria municipal de agropecuária e abastecimento para com a situação hídrica no âmbito das comunidades rurais e conhecer algumas das medidas a serem tomadas para regularizar o uso da água.

Tratamento da água “A Copasa é uma empresa que tem por excelência o abastecimento de água e saneamento básico. A água mesmo sendo de origem subterrânea o que já a torna bastante pura, passará por todo o tratamento visando à total qualidade para o consumo humano”. De acordo com o supervisor de produção e manutenção da Copasa, Soter Magno do Carmo, o processo da concessão do abastecimento à empresa depende mais é da prefeitura. “É de interesse da Copasa fazer esse trabalho junto a comunidade. Mas depende também da própria comunidade, por que se ela não quiser, nós não podemos entrar. Já tivemos em alguns distritos como Santa Rosa, Miralta, Ermidinha todos eles que tem problema de abastecimento, a maioria querem que a Copasa acampe o sistema para coletar e distribuir a água, pois tem problemas tanto na quantidade quanto na qualidade da água” afirmou Soter. Ao ser perguntado sobre a coleta e tratamento do esgoto nessas comunidades, o supervisor enfatizou: “Nesse caso estamos falando apenas do abastecimento de água. O esgoto ficaria para uma segunda etapa, já que hoje não pode coletar o esgoto e jogar em nenhum corpo de água sem tratar. Então como as pessoas hoje nesses locais têm as fossas, permanecerá assim, concluiu Sóter.


Jornal Meio Ambiente  

Grande reportagem sobre a necessidade de água limpa em Montes Claros e região Norte de Minas

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