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IM PER MA NÊN CI AS


JÁFIA QUARESMA PINTO

IMPERMANÊNCIAS: Ensaios de Microplanejamento e Práticas Urbanas Criativas aos Interstícios Urbanos nos bairros Boa Vista I e Boa Vista II, Vila Velha -ES.

Monografia apresentada à Universidade Vila Velha, como pré-requisito do Programa de Graduação em Arquitetura e Urbanismo, para obtenção do título de bacharel.

ORIENTADOR: __________________________________________ Profº. Ms. Alexandre Ricardo Nicolau PINTO, Jáfia Quaresma Título do Trabalho: Impermanências: ensaios de microplanejamento e práticas urbanas criativas aos interstícios urbanos nos bairros Boa Vista I e Boa Vista II, Vila Velha –Es. Jáfia Quaresma Pinto – 2018 Trabalho de Conclusão de Curso (graduação) – Universidade de Vila Velha Curso de Arquitetura e Urbanismo Orientação: Alexandre Ricardo Nicolau 2º Membro: Giovanilton André Carretta Ferreira Membro externo: Anna Cláudia Peyneau E-mail: jafiaq@gmail.com

Universidade Vila Velha

2º MEMBRO: __________________________________________

Prof º. Dr. Giovanilton André Carretta Ferreira Universidade Vila Velha

3º MEMBRO: __________________________________________ Profª. Ms. Anna Claúdia Peyneau Faculdade Multivix


Agradecimentos

Primeiramente a Deus por me possibilitar, em meio a vários empecilhos, realizar este trabalho. Por todos os momentos

se

fazer

presente

em

minha

vida,

perseverando em mim e, por isso, me fazendo acreditar

que era capaz. Se isso já não bastasse, me apresentou pessoas que caminharam comigo esse percurso, me impulsionando ainda mais a cruzar à linha de chegada. A Lucas, pela incansável paciência e motivação nos dias em que pensei que nada disso daria certo, aos finais de semana e feriados sem a minha companhia, seu apoio e compreensão foram indispensáveis. À minha família e amigos, que me auxiliaram de todas as formas possíveis, que apostaram e esperaram de mim nada além do meu melhor. Ao meu orientador Alexandre Nicolau, que embarcou comigo nesse barquinho sem medo de afundar e que com o tempo só o tornou mais estruturado e preparado para os obstáculos. Sua criatividade e ensinamentos fizeram de mim positiva e confiante. Agradeço e dedico, portanto, a todos que estiveram juntos comigo nessa conquista!


“Muita gente pequena, em lugares pequenos, fazendo coisas pequenas, podem mudar o mundo�. Eduardo Galeano


1

ESTRUTURA P.11

1.1 PROBLEMÁTICA...........................................P.13 1.2 OBJETIVO GERAL .........................................P.17

PROPOSTA

1.3 OBJETIVOS ESPECÍFICOS..............................P.17 1.4 MÉTODO......................................................P.19

O DESAFIO DOS MICROESPAÇOS P.22

2

2.1 O QUE SÃO E QUEM PLANEJA O

MICROPLANEJAMENTO E AS PRÁTICAS URBANAS CRIATIVAS?........................................................P.23 2.2 COMO PLANEJAR AS PEQUENAS

P.73

4.1 E COMO TORNAR PERMANENTE O QUE NÃO

É?........................................................................P.75 2.2 OS INTERTÍCIOS............................................P.83

5

CONSIDERAÇÕES FINAIS P.136

ESCALAS?...........................................................P.36

3

REFERÊNCIAS P. 139

LUGAR P.47

4 6

3.1 INSERÇÃO....................................................P.48 3.2 MEMÓRIA....................................................P.49 3.3 ANÁLISES DAS ÁREAS DE ESTUDO...............P.59

sumário


A

PRESENTAÇÃO

Ensaios de microplanejamento e práticas urbanas criativas aplicados aos interstícios urbanos públicos, semi-públicos e privados dos bairros Boa Vista I e Boa Vista II.

7


MICROPLANEJAMENTO URBANO Planejamento das pequenas escalas conectando o morador aos espaços do seu cotidiano. PRÁTICAS URBANAS CRIATIVAS Conjunto de ações criativas aliadas ao microplanejamento frisando iniciativas bottom-up (debaixo para cima) no arranjo da paisagem urbana de interferência social, ambiental e econômica. INTERSTÍCIOS URBANOS Espaços corrompidos e ociosos dentro das cidades.

8


9


As condições de planejamento urbano disponíveis

nos instrumentos urbanísticos tendem por uma abrangência tratar mais precisamente do planejamento das macroescalas, o que, por vezes, resulta negativamente no desenvolvimento dos pequenos espaços. Este processo, colabora para desarticulação entre o plano e o desenho urbano, consentindo com a inapropriação dos vazios urbanos dispostos pelas cidades.

Essa conformação histórica dos bairros contribuiu para que os espaços intersticiais positivos surgissem, ademais, se tratando de locais que, na atual conjuntura, revelam escassez de áreas de convívio social, o que corrobora para utilização dos respectivos espaços.

R E S U M O

O microplanejamento se relaciona com o planejar a pequena escala, tendo uma conexão direta entre o morador da comunidade e os espaços do seu cotidiano, enquanto que, as práticas urbanas criativas surgem aliadas ao microplanejamento, complementando as intervenções com soluções criativas de cunho social, ambiental e econômico.

Em conjunto, os dois conceitos ditos anteriormente foram aplicados aos interstícios urbanos, públicos, semi-públicos e privados dos bairros Boa Vista I e Boa Vista II, localizados no município de Vila Velha ES, que se originaram, principalmente, de lacunas do processo dos planos habitacionais do governo.

Deste modo, as aplicações do microplanejamento e práticas urbanas criativas aos interstícios urbanos se apresentam como estratégias de intervenções que, além de promover a vida social dos espaços subutilizados, criam um conjunto comunitário de ações de: interação, participação, análise e apresentação de soluções produtivas para o bem comum do meio urbano.

Palavras-chaves: Microplanejamento, Práticas Urbanas Criativas, Interstícios Urbanos, Intervenções.

resumo 10


1

ESTRUTURA

11


12


1

.

1

contorna,

científico da realidade física, social, econômica, política

brevemente, o processo de origem dos instrumentos

e administrativa da cidade e suas regiões, organiza um

que norteiam o planejamento urbano no Brasil com o

grupo

intuito de compreender a desarticulação entre

socioeconômico, socioespacial e de infraestrutura

planejamento geral (plano) e o desenho urbano

essenciais para o município estabelecidas a curto, mas

(projeto).

com o objetivo de alcance em longo prazo, aprovadas

A

problemática

desta

pesquisa

de

proposições

para

o

desenvolvimento

P R O B L E M ÁT I C A por lei. Ou seja, um conjunto de conceitos e normas que

Em meio a todos os processos percorridos para se

orientam as ações que interferem no espaço urbano,

estabelecer e mesmo sem a decretação da lei federal

(BRASIL, 2002).

(projeto de lei no 5.788/90) que originou o Estatuto da Cidade (BRASIL, 2002), o Plano Diretor se inseriu e

pode ser definido, de acordo com Villaça (1999), como o planejamento que, com base num diagnóstico

problemática 13


Lamentavelmente, este processo não veio associado à

denominada Estatuto da Cidade que engloba um

políticas públicas eficientes para comportar a

grupo de ideais no qual está exposto um projeto

demanda dos novos habitantes, ocasionando um

público de planejamento e gestão urbana (BRASIL,

desequilíbrio de cunho social, econômico e ambiental,

2002). Neste sentido, o Estatuto age como “caixa de

como: habitações precárias, propagação da pobreza e

ferramentas” (BRASIL, 2002) para as políticas urbanas

segregação

locais, à medida

socioespacial.

Impulsionados

pela

que os municípios

têm a

situação, ao decorrer do tempo, se fez presente lutas

responsabilidade

e reivindicações com o intuito de elaborar novas

instrumentos deste, com o propósito de introduzir

concepções

normas

de

desenvolvimento

que

visassem

que

de

adotar

assegurem,

de

as

diretrizes

forma

plena,

e

o

consolidar a economia, valorizar os potenciais

desenvolvimento econômico, social e ambiental,

existentes, efetivar a integração social, preservar os

afirmando o direito à cidade de forma equiparada

recursos naturais e melhorar a qualidade de vida

para todos.

(SILVA e PASSOS, 2006).

Dentro das circunstâncias ditas anteriormente, surge, desse modo, a lei nº 10.257 de 10 de julho de 2001

problemática 14


PERTINÊNCIA.

MICRO + PLANEJAMENTO

Mesmo que a política pública na atualidade não seja

A capacidade de subtrair e potencializar o que foi gerado

tão efetiva no que se refere ao planejamento urbano,

pelo contexto urbano, contribuindo para integração e

os desdobramentos desse contexto, plano geral,

reorganização dos espaços dentro das cidades (ROSA,

podem seguir diversas proporções de alcance local,

2011, BRAGANÇA, 2005).

regional

e/ou

até

mundial.

Devido

a

essa

abrangência, a realidade urbana se insere em

variadas escalas,

uma delas é a microescala que

VANTAGENS.

consiste nos processos relacionados a rotina de vida

Interação, participação, análise e apresentação de ideias

nas comunidades, como: vizinhança; qualidade dos

para o bem comum do meio urbano e social.

espaços públicos de uso comum; às relações afetivas

que entrelaçam as pessoas, lugares e os aspectos culturais individuais (BRAGANÇA, 2005).

problemática 15


CONJUNTO DE SOLUÇÕES.

APLICAÇÃO.

Se aliar o microplanejamento a outras ferramentas,

De acordo com Bragança (2005), a base legal existente

como as práticas urbanas criativas, tem-se maior

cria oportunidades reais para proposta de concepção de

eficácia. Pois ao incentivá-las simultaneamente

um microplanejamento. É possível identificar tentativas

haverá o resgate das interações sociais nos

de articulação entre os planos que incluem participação

microespaços e, a afirmação do sentimento de

popular, por exemplo, que é essencial para esse tipo de

pertencimento para com o local. Para que esta

planejamento, porém não asseguram, de fato, sua

afeição

o

aplicação. A autora aponta dois aspectos que induzem ao

planejamento forneça base para que ocorra dentro

erro: nenhum instrumento é de todo adequado em si,

do direcionamento de uma política participativa, de

pois estão ligados a finalidade e ao método pelo qual é

forma clara e direta, estreitando o relacionamento

aplicado, além do indispensável controle social sobre a

entre cidade e cidadão, espaço e morador.

prática, necessário para efetivação das propostas de

seja

despertada,

é

preciso

que

microplanejamento.

problemática 16


Deste modo, o presente trabalho pretendeu aliar os conceitos de microplanejamento e pråticas urbanas criativas com os vazios urbanos identificados na poligonal de estudo, de forma a apresentar estratÊgias que visam promover a vida urbana dos espaços subutilizados nas cidades, por conseguinte, nos bairros.

1.2 OBJETIVOS

17


1.3 OBJETIVO GERAL Elaborar

conjunto

de

1.4 OBJETIVOS ESPECÍFICOS intervenções

urbanas

- Expor uma lógica dos fundamentos trazidos acerca dos

fundamentadas no microplanejamento, aliadas com

espaços urbanos;

as práticas urbanas criativas aplicando-as aos

- Compreender e analisar a identidade de Boa Vista I e

interstícios dispostos nos bairros de Boa Vista I e Boa

Boa Vista II;

Vista II, Vila Velha –ES, visando estimular a

- Desenvolver diagnóstico urbano dos bairros;

participação

- Identificar e estudar a relação dos espaços intersticiais

coletiva

no

processo

desenvolvimento e efetivação das propostas.

de

dispostos na área de estudo; - Propor intervenções urbanas de requalificação dos espaços que visam incentivar a interação, apropriação social, cultural, ambiental e econômica.

objetivos 18


1.5

MÉTODO

método 19


A primeira etapa da pesquisa se baseou numa

Dito isso, além de norteadores do estudo, os autores

revisão bibliográfica que permitiu a conceituação

mencionados trouxeram questões relevantes para o

teórica acerca dos temas: planejamento, desenho

trabalho como a obra Microplanejamento e Práticas

urbano, historiografia das áreas de estudo,

Urbanas Criativas (ROSA, 2011), que apresentou uma

microplanejamento e práticas urbanas criativas e

análise de micro práticas em prol da qualidade de vida

interstícios urbanos.

urbana inserindo várias iniciativas de intervenções focadas em pessoas e comunidades, enquanto que,

A contextualização dos conteúdos estruturam a

Pizarro (2012) trouxe em sua tese, entre outros

pesquisa abordando as variadas temáticas, acima

conceitos,

citadas, como forma de aplicação para o produto.

oportunidades latentes que podem ser definidos como

Os principais autores trazidos foram: (LYNCH,

um conjunto de espaços abertos da cidade, designados

1960, CULLEN, 1983, DEL RIO, 1999, BRAGANÇA,

em “vazios” oriundos ou não das áreas de interação das

2005, SERPA, 2007, GUERREIRO, 2008, PADUA,

edificações, sendo eles públicos, semi-públicos ou

2010, ROSA, 2011, SALGADO e SALGADO, 2012,

privados.

o

de

interstícios

urbanos

como

PIZARRO, 2014).

método 20


Para desenvolver o diagnóstico urbano foram

foram essenciais incursões em campo com a

pesquisados, além da historiografia, dados como:

finalidade de visualizar, com outro olhar, aspectos

morfologia urbana, uso e ocupação do solo e

únicos de Boa Vista I e II. Todas as individualidades

disposições

foram

foram registradas por meio de fotografias, tiradas

analisados os contextos de: dinamismo das vias

pela autora, apresentadas no corpo do trabalho para

comerciais, arborização, espaços públicos de uso

evidenciar

comum, pontos de insegurança e acúmulo de lixo,

Complementando a análise visual e perceptiva,

pontos iluminados, apropriação voluntária dos

diagramas

espaços, comércios informais, entre outras vocações.

perspectivas bi e tridimensionais corroboraram para

Essas informações, quando necessárias, resultaram

a reprodução do produto gráfico correspondente do

em mapas e esquemas, a fim de ampliar o

conjunto de intervenções.

das

residências.

Também

as

percepções

metodológicos,

sobre

os

mapas

locais.

sínteses,

entendimento das diversas configurações do estudo.

Em seguida, um conjunto de interpretações acerca das características dos espaços intersticiais dos bairros foram reunidas e analisadas, a intenção foi

compreender

as

relações

arquitetônicas

e

urbanísticas desses com as adjacências. Para isso, método 21


2 DESAFIOS DOS MICROESPAÇOS

22


2.1

O QUE SÃO QUEM E

PLANEJA O MICROPLANEJAMENTO E AS PRÁTICAS URBANAS CRIATIVAS? As ações referentes ao surgimento das pequenas

Assim, se faz necessário trazer fundamentos teóricos

escalas no cotidiano das pessoas estão somente

de ações que expõem meios e soluções de conduzir

presentes, por vezes, por serem apropriações

as pequenas escalas dentro dos bairros, por uma

espontâneas do espaço público podendo remeter a

perspectiva mais eficaz, coerente, participativa e

representações

diversa.

que

vão

de

encontro

ao

planejamento e controle urbano (FONTES, 2013).

desafios dos microespaços 23


O autor Marcos L. Rosa (2011) em seu livro induz

Baseado nisso, o autor produz uma série de ensaios, que

pequenas intervenções urbanas por meio do

oferece uma possível visão do que se pode denominar

microplanejamento e práticas urbanas criativas, cujo

de microplanejamento e práticas urbanas criativas.

propósito se define em:

Ações culturais, sociais e econômicas foram realizadas e retratadas por meio de ensaios atuantes na microescala, ‘[...]

projeto

público

de

que

interesse

tem

como

objetivo

produzir

conhecimento

revelar,

documentar

e

dividir.

Pretende-se rede,

organizar

revelar

organização

formas

uma de

com base nas atividades sociais e apropriações comunitárias, frisando iniciativas debaixo para cima no arranjo da paisagem urbana. As intervenções podem ser aplicadas em diferentes cidades do mundo, em alguns casos, necessário reajustá-las ao objetivo específico da localidade.

espaciais

inovadoras e disseminar essa informação aos agentes e às partes

envolvidas

no

pensamento e na construção da cidade” (ROSA, p. 14, 2011). desafios dos microespaços 24


O microparcelamento, de acordo com Bragança (2005),

trazidos autores que auxiliam no entendimento dos

é também definido a partir de fatores como tempo,

espaços e suas relações com os transeuntes e

lugar e os contextos sociais que estão inseridos. É

responde sobre quem, na atual conjuntura, planeja

resultado de uma conexão direta entre plano (proposta)

as microescalas.

e gestão compreendido como o conjunto que enfrenta as eventualidades que surgem na implantação dos

Vicente Del Rio (1999) dita que é um equívoco pensar

projetos. A proposta de

possibilita

no fim do planejamento e no início do desenho

participação e envolvimento dos agentes sociais no

urbano. O desenho urbano se apresenta como uma

momento em que os posiciona como influenciadores

dimensão que deve sempre intercalar o processo de

diretos na elaboração dos seus espaços, deixando o

planejamento, desde a elaboração dos objetivos

caminho livre para que as micronarrativas se revelem

gerais, até a execução de suas estratégias e

cada vez mais.

recomendações específicas.

intervenção,

Portanto, respondeu-se assim, a primeira pergunta feita nesse capítulo com base nos autores Marcos L. Rosa (2011) e Luciana S. Bragança (2005). Na sequência, são

desafios dos microespaços 25


A inquietação deve existir sempre, por meio da

Dentro da lógica exposta, o Plano Diretor foi criado a

administração das cidades, havendo dinamismo

partir de instruções fundamentais para o exercício da

entre plano, projeto e suas variações.

sua função, tais como:

Correlacionando ao autor supracitado, o início do desenvolvimento do Plano Diretor no Brasil seguiu o inverso dos fundamentos de Vicente Del Rio, uma vez que, o planejamento e o desenho urbano, em

“[...] I – As ações e medidas para assegurar o cumprimento das funções sociais da cidade e da propriedade

dado momento, estiveram desarticulados entre si,

urbana;

pois o Plano foi criado num período em que as

II – Os objetivos, temas prioritários e

cidades brasileiras já abrigavam suas demandas e

estratégias para o desenvolvimento da

problemáticas

(SILVA

cidade e para a reorganização territorial

contrapartida,

as

constantemente,

e

PASSOS,

legislações

ao

longo

2006).

presentes

das

A

estão

décadas,

do município;

se

renovando para melhor atender as demandas dos municípios.

desafios dos microespaços 26


III – Os instrumentos da política

individualidades presentes nos municípios, que

urbana previstos pelo Estatuto da

apesar

Cidade que serão utilizados para

planejamento e o desenvolvimento das atividades

concretizar

os

objetivos

estratégias

estabelecidas

e pelo

plano diretor, e; IV

O

sistema

acompanhamento

e

de

da

existência

de

instrumentos,

pouco interagem com a microescala e as respostas obtidas pela lei podem não ser convenientes às demandas existentes.

controle e

A autora Bragança (2005) aborda a dificuldade

implementação do plano diretor

legislativa municipal em atender as demandas das

(SILVA e PASSOS, p.14, 2002).”

pequenas escalas:

visando

a

execução

Sobre as orientações vale destacar a generalização do macro entre as frases, ora por funções sociais de alcance

à

cidade,

ora

por

estratégias

de

desenvolvimento voltadas também para a cidade, no geral.

As

o

citações

apresentadas,

englobaram

objetividade para o conjunto e não para as pequenas

desafios dos microespaços 27


“[...] uma política pública municipal

direito à cidade sustentável podendo ser entendido

está

ao

como: um desenvolvimento social justo; que tenha

contexto regional e a sua inserção na

equilíbrio em relação ao ambiente e que seja

macroeconomia. Decisões tomadas

economicamente viável; aponta que a qualidade de

fortemente

apenas

no

vinculada

âmbito

municipal

dificilmente têm a capacidade de mudar estruturalmente um contexto desfavorável. A principal objeção genérica a qualquer hipótese de microplanejamento é o fato de que pedaços de cidade não representam a cidade inteira (BRAGANÇA, p. 70, 2005)”.

vida deve atender as presentes e futuras gerações prevalecendo a inclusão social e restringindo as desigualdades sociais, garantindo espaços livres de convívio social. Em suma, as funções ditas expõem, com clareza, princípios projetuais desejáveis no planejamento das pequenas escalas e isto tem respaldo legal, uma vez

que, está escrito no instrumento de plano norteador Identificar as competências locais em que a microescala

do município.

pode ser explorada também é fundamental. Se relacionar as funções gerais do Plano Diretor Municipal de Vila Velha, se destaca o quinto artigo que oferta o

desafios dos microespaços 28


No artigo sexto elenca que a função social da cidade

cidades, por conseguinte dos bairros. Mas qual é a

corresponde à garantia para todos de, em destaque:

relação dos espaços públicos com as microescalas?

“II - Espaços coletivos de suporte à vida na cidade, com áreas para

Primeiro as dimensões e localizações porque têm

atender as necessidades da

um menor alcance, o que quer dizer que, não

população com equipamentos

abrange toda a cidade, atende somente pequenas

urbanos

porções, tais como: bairros, praças, vazios, casas,

mobilidade,

e

comunitários, acessibilidade,

transporte e serviços públicos”. (Texto Consolidado da Lei nº 4.575/2007, PDM, p. 8, 2007).

ruas, calçadas, entre outros. E, por vezes, será o

local que se tornará produto das ações de intervenção já que possui respaldo legislativo, estipulado no Plano Diretor.

Fica assim sendo perceptível, nos dois artigos, à preocupação de garantia dos espaços públicos de convívio coletivo como indispensáveis dentro das

desafios dos microespaços 29


Com a finalidade de abreviar a distância entre a

escala macro e micro, são discutidos os pontos perceptuais que Kevin Lynch (1963) levantou em seu livro: A Imagem da Cidade. A obra destaca

CAMINHOS:

São os canais em que o

observador transita, podendo ser ruas, calçadas, becos, entre outros.

como a cidade é percebida pelas pessoas e quais

são as partes constituintes dessa percepção. Na pesquisa, o autor conclui que a compreensão de cidade pode ser associada a cinco elementos: caminhos, limites, bairros, pontos nodais e marcos.

LIMITES:

São os elementos lineares que se

constituem em duas áreas distintas configurando uma descontinuidade. Essa percepção fica em evidência visualmente,

além

também

da

interrupção

e

impermeabilidade da circulação.

BAIRROS:

Bairros são definidos por serem

elementos relativamente parecidos em relação às cidades ou que possuam em comum algumas Figura 1: os cinco elementos, Lynch. Fonte: urbanidades, editado pela autora, 2018.

características que os diferenciam do restante do tecido urbano.

desafios dos microespaços 30


Ponto Nodal:

São locais estratégicos de

conexões dentro da cidade, podendo ser: esquinas, praças, bairros, entre outros.

Gordon Cullen (1983), em seu livro Paisagem Urbana, explica as paisagens urbanas de forma direta como o conjunto de espaços, edifícios e ruas que compõem as cidades definindo três aspectos

Marco:

relevantes para o arranjo dos espaços: visão serial; São elementos singulares que tenham

algo único ou memorável, tais como: edificações,

local e conteúdo, todavia será tratada com mais ênfase a imagem serial.

esculturas, monumentos, etc.

Com a aplicação dessas teorias às propostas de intervenção, seria factível restituir os espaços

subutilizados e incentivar apropriações de uma forma mais persuasiva. Pois compreender as percepções humanas, em relação às cidades, é fundamental para propor o novo sem grandes erros, uma vez que, essas ações estariam diretamente relacionadas ao usuário e espaço projetado. desafio dos microespaços 31


A percepção de Visão Serial é formada pela interpretação pessoal do indivíduo em correlação ao ambiente que está cruzando, podendo ser ruas,

calçadas, quadras, sob qualquer ponto de vista, conforme figura 2. O modo que Cullen compreende as paisagens urbanas auxilia no desenvolvimento do arranjo dos elementos

integrantes ao conceito de visão serial, entendendo que, os transeuntes são estimulados visualmente pelo que

veem,

podendo

se

relacionar

até

emocionalmente com o local, tendo um olhar de emoção para a paisagem e ambos autores (LYNCH, 1960) e (CULLEN, 1983) retratam o sentimento. A partir dessa percepção é possível identificar alguns sinais

de

apropriações,

urbanidades,

hábitos

marcantes de cada local produzidos naturalmente

Figura 2: Visão Serial por Gordon Cullen. desafios dos microespaços 32

Fonte: Speaking and Writing for Archteture Students, 2018.


pelos

moradores

e

tirar

partido

desses,

potencializando-os e incentivando a prática coletiva.

Em seu livro Serpa (2007) entende que os moradores são os reais agentes de transformação dos bairros. “[...] Eles articulam-se em “rede”, não há uma rede única, mas redes sobrepostas, conforme o tema que esteja enfocando”. (SERPA, 2007 p. 151 apud VILASSANTE, 1996).

Rede, entre suas inúmeras colocações, tem como significado o conjunto de pessoas que trabalham conectadas em busca de um objetivo comum (DE HOLANDA, 2010), podendo se dividir em alguns

gêneros: redes formais/associativas, que são as de maior alcance visual, como por exemplo, associação de moradores, igrejas, entre outros, sendo que, Figura 3: A favela mais colorida da cidade. Fonte: Joana Gontijo, Lugar Certo, 2018. desafios dos microespaços 33


na maioria das vezes, têm algum porta-voz à frente

Portanto, o autor retrata o papel do morador

das iniciativas e das formas de interação. A outra

enquanto transformador da cultura e identidade do

qualificação

informais/submersas

bairro, haja vista que, suas ações em conjunto (redes

representadas por grupos de jovens, idosos, etc.

formais ou informais ou em rede do cotidiano)

(SERPA, 2007).

intercedem diretamente no bairro.

Outro termo usado por Serpa, (2007 p. 153) apud

Em conjunto os assuntos evidenciados, até então,

Keller, (1979) é da “rede do cotidiano” que são as

introduzem

relações interpessoais com a vizinhança dentro do

planejamento das microescalas. A relevância em se

bairro.

pensar primeiramente, a cidade fragmentada em

Essa aproximação é instruída principalmente pelas

determinados trechos como local único, faz-se

classes sociais, por consequência, nos bairros mais

entender que somente uma legislação abrangente

populares, pois as oportunidades são menores, as

pode não comportar, com eficiência, toda a demanda

condições de insegurança e receio são maiores e

singular de um bairro, por exemplo. Em resumo, é

juntas desencadeiam isolamentos que fortalecem e se

preciso ter uma visão mais articulada à pequena escala

tornam essenciais para o surgimento de um

e buscar a compreensão de que são espaços distintos

relacionamento mais familiar.

e com necessidades divergentes entre si.

são

as

redes

fundamentos

importantes

para

desafios dos microespaços 34

o


Outra reflexão necessária é do autor Serpa de assumir que o morador é o principal agente transformador. Essa afirmação garante-se por duas razões: o morador é quem percebe mais rapidamente a necessidade local por estar inserido no contexto e por, também, querer mudar aquela realidade que vivencia cotidianamente,

impulsionado,

talvez,

por

um

sentimento

transformador, resolvendo agir por si mesmo.

Sabido do importante cargo do morador nas ações que interferem no seu dia-a-dia, percebe-se a necessidade de incluí-lo como formador de opinião/decisão, colaborador na construção e manutenção das ideias de intervenções, além da apropriação e uso do espaço interferido.

desafios dos microespaços 35


2.2

COMO PLANEJAR AS MICROESCALAS?

Segundo Fontes (2013 p. 132) apud Delgado (2008, p.192) o espaço público, enquanto local para todos, não deve ser compreendido como produto de posse, mas sim como objeto de apropriação. Essa apropriação tem como sentido tornar o local pessoal, reconhecendo como próprio e adequado para tal função.

Com efeito, correlacionando à teoria, apresenta-se Pizarro (2014) que em sua tese define os interstícios urbanos como

espaços resultantes de uma arquitetura e, portanto, são nesses vazios que, com as mais diversas características, abrigam potenciais.

36


“São definidos como o conjunto dos

tal nas cidades brasileiras, por não

espaços abertos da cidade, isto é,

caracterizarem espaços de convivência

todos os "vazios", delimitados e

urbana (espaços públicos e semi-públicos

conformados por interfaces verticais

como ruas, calçadas, galerias, miolos de

ou e horizontais, restando sempre,

quadra); e os espaços abertos que não

todavia,

de

são livres, mas sim privados (jardins de

contato com o meio exterior. Podem

casas e condomínios, quintais, varandas,

ser

terraços, coberturas)”. (PIZARRO, p. 45,

uma

públicos,

interface

livre,

semi-públicos

ou

privados. Tipificando e exemplificando, os

interstícios

são:

os

2014).

espaços

convencionalmente classificados como livres

(espaços

públicos

e

semi-

públicos como parques, praças, largos

e térreos livres); os espaços que, apesar de livres em sua essência, não são vistos e apropriados como tal nas cidades

brasileiras,

por

não

caracterizarem e apropriados como

desafios dos microespaços 37


Em vista disso, os interstícios urbanos estão

Como forma de explicar com mais clareza a definição

presentes em toda cidade, tanto na cidade dita

de interstícios, é aqui também citada a Maria Rosália

formal e na informal. O principal papel a exercer é o

Guerreiro (2008), que em seu artigo aborda os

de rede fornecedora de infraestrutura, a esses locais,

interstícios urbanos e o conceito de espaço urbano

abrigando atividades coletivas para que integrem a

exterior.

população cada vez mais ao meio inserido (PIZARRO,

“[...]em

2014).

usamos o conceito de interstício para designar

arquitectura,

o

espaço

por

não

analogia,

edificado

resultante da disposição e agregação dos edifícios. Em linguagem arquitectónica estes espaços designam-se por negativos ou vazios, por contraponto ao espaço edificado,

positivo

ou

(GUERREIRO, p. 2 2008).

Figura 4: Interstícios Urbanos, Cidade Informal x Cidade Formal. Fonte: Eduardo Pizarro, 2018.

desafios dos microespaços 38

cheio”


A autora ainda denuncia a relevância da arquitetura

Enquanto que Rosa (2011), com objetivo de tratar a

enquanto objeto de desenho e que, em dado

problemática da cidade com outro olhar, voltado a

momento, o espaço intersticial consequente da

escala local, invisível até então, através de um

organização dos edifícios, é desconsiderado e não

método

recebe a devida importância, isto é, logo o espaço

pequenas escalas e análise de desenhos em

público que coletivamente deveria ser o mais

camadas.

sugeriu

estratégias

urbanas

para as

valorizado na cidade. E, evidenciando a deficiência na percepção do interstício enquanto objeto eficiente para comportar microplanejamento.

O local de intervenção é escolhido, pelo autor, e nomeado de campo de ação seguindo uma estrutura-padrão de características, que são trazidas por meio de símbolos, como por exemplo: uso misto,

Como solução, Guerreiro (2008) apresentou um caso de aplicação do conceito de espaço exterior positivo aos interstícios, que prima pela coletividade e continuidade dos espaços e das pessoas nesses locais.

rio, vielas, terrenos vazios, etc. A partir disso, a leitura aplicada ao projeto é dividida em três partes: potencialidade local; articulação e oportunidades. A potencialidade local aborda o potencial que abriga

São estipuladas hierarquias, ou seja, dando mais evidência ao que, de fato, é pertinente como os espaços verdes e o distanciamento dos automóveis.

desafios dos microespaços 39


nos campos dos quais os projetos vão ser inseridos.

exemplo (figura 5), a reativação e apropriação das ruas

Articulação é a forma com qual os objetos estão

fixadas, a partir de agora, como espaço público

organizados, a maneira com que eles se articulam e

decorrentes das intervenções, delimitando acesso de

de que forma a inserção desses estão relacionadas

veículos motorizados particulares em determinados

ao local. É nesse momento que se analisa o

trechos ou períodos do dia. A criação de edifícios-

contexto; a possibilidade; as ações; ferramentas e

garagem dispostos estrategicamente para liberar os

táticas de projetos ideais para o campo escolhido.

percursos gerando espaços para atividades como feiras

Por fim, a oportunidade que indica como as novas

livres, campinho de futebol para crianças, expressões

ferramentas inseridas se associam aos campos

artísticas urbanas, entre outras.

específicos. Desta forma, o autor citado insere então, por meio desses métodos, ensaios de micropráticas formulados por ele e autores convidados.

Levando em consideração a estrutura projetual de Rosa, Pizarro (2014) sugeriu uma série de

estratégias de ocupação dos espaços como, por desafios dos microespaços 40


Figura 5: Estratégia 4. Fonte: Eduardo Pizarro, 2014. desafios dos microespaços 41


Eduardo

Pizarro

e

a

comunidade de Paraisópolis QUEM ARTICULA?

ESTRATÉGIA “4”

QUEM USA? QUAL RESULTADO?

A PRIORIDADE É TRANSPORTE COLETIVO E OS NÃO MOTORIZADOS; A PRIORIDADE É TER ESPAÇOS URBANOS DE QUALIDADE E PERMANÊNCIA DE PESSOAS;

Todos

A PRIORIDADE É TER ESPAÇOS DE USO RECREATIVO E EXPRESSÕES ARTÍSTICAS; A PRIORIDADE É TER QUALIDADE AMBIENTAL.

Esquema 1: Estratégia 4. Fonte: Eduardo Pizarro, resumida pela autora, 2018.

desafios dos microespaços 42


Ainda como estratégia, Pizarro propôs reativar todos os espaços potenciais existentes no bairro como: becos, vielas, escadarias, varandas e lajes, que são os

interstícios urbanos característicos de Paraisópolis. Denominada por ele, a estratégia “5” é um conjunto de intervenções na micro e mesoescala. Segundo o autor, mesoescala é a escala intermediária de

articulação entre micro e macro. E, com a finalidade de, através do uso compartilhado do espaço urbano, promover usos comerciais e pequenos equipamentos públicos e comunitários, tais como: biblioteca, hortas, centros de reciclagem, bicicletário, entre outros.

Outrossim,

atividades

simples

como

alterações nas fachadas, armazenamento da água da chuva e sua reutilização, bicicletário, ações que contribuem para a sustentabilidade do meio e

valorização da arquitetura existente.

desafios dos microespaços 43


Eduardo

Pizarro

e

a

comunidade de Paraisópolis QUEM ARTICULA?

ESTRATÉGIA “5”

QUEM USA? QUAL RESULTADO?

A PRIORIDADE É APROVEITAR TODOS OS ESPAÇOS: BECOS, VIELAS,

ESCADARIAS, CALÇADAS... ETC; A PRIORIDADE É PROMOVER PEQUENOS EQUIPAMENTOS PÚBLICOS DESTINADAS AO BEM-ESTAR COMUNITÁRIO;

Todos

A PRIORIDADE É PREOCUPAÇÃO SUSTENTÁVEL DO MEIO URBANO INSERIDO; A PRIORIDADE É POTENCIALIZAR O QUE JÁ TEM.

Esquema 2: Estratégia 5. Fonte: Eduardo Pizarro, resumida pela autora, 2018.

desafios dos microespaços 44


O intrigante também entre as estratégias, no caso das

consequência da boa relação com a vizinhança,

apresentadas, é a correlação com os conceitos

além de minimizar as interferências externas

trazidos anteriormente. Pizarro (2014), uniu à solução

trazidas pelo fluxo intenso de veículos, a alta

apresentada as percepções pessoais de quem

movimentação,

percorre o local; alcances visuais e descobertas a

estabelecimentos comerciais, que prejudicam no

partir da relação

pedestre; a

relacionamento interpessoal das pessoas que

caminhabilidade; apropriações, participação coletiva,

residem próximas umas das outras, o percurso

entre outros. O conjunto projetual proposto pelo o

escolar das crianças ou até mesmo as brincadeiras

autor indica as conexões entre os diversos autores já

nas praças. Desta forma, são denominadas UAM

mencionados nessa pesquisa.

porções, por sua maioria, residenciais servidas por

da escala

do

oriunda

dos

grandes

ruas com tráfego apenas de veículos que se Salgado e Salgado (2011) definiram o conceito de unidade ambiental de moradia (UAM) como também “ilha de tranquilidade”. Esse termo se refere a uma

deslocam ao seu interior, conformando uma ilha em relação ao movimento de passagem externo a ela.

porção territorial na vizinhança da moradia que, pelas suas configurações, é possível ser percorrido a pé, em

desafios dos microespaços 45


e

ter a possibilidade de realizar um controle presente

SALGADO, 2011), apontaram soluções de projeto em

da situação. Logo, pensar em proposições mutáveis

decorrência das vivências interpessoais dos moradores,

sendo flexíveis e adaptáveis, é uma boa opção. Mas, a

visando atingir pontos importantes para mitigar o

contrapartida, é intrigante e natural que aconteça um

distanciamento entre os vizinhos, além das influências

outro processo de apropriação e ressignificação aos

no cotidiano urbano, devido à compactação das

espaços e equipamentos urbanos promovidos pelos

atividades.

principais usuários.

Os

autores

citados

anteriormente

(SALGADO

Outro importante ponto a ser levantado sobre a questão de planejar as pequenas escalas é de: como efetivar o uso das futuras estratégias implantadas aos espaços abertos ou de um equipamento urbano? Vai

ser possível mantê-lo? Aquele espaço, de fato, é necessário e adequado? Pizarro (2014), constatou que o projeto de intervenção em assentamentos informais podem não alcançar o resultado que se espera, por não

desafios dos microespaços 46


3. LUGAR

Figura 6: O começo. Fonte: IJSN, conteúdo digital, 2018.

47


3.1

INSERÇÃO

Os bairros Boa Vista I e Boa Vista II estão localizados

na Região Metropolitana

da

Grande Vitória, no município de Vila Velha. De acordo com divisão da Prefeitura Municipal, pertencem à Região Administrativa I e, Figura 7: Localização. Fonte: Produzido pela autora, 2018.

segundo o (IBGE, 2010), juntos comportam 6.658 mil habitantes. lugar 48


É possível dizer que a formação dos bairros Boa Vista I e Boa Vista II se deu, principalmente, em torno de

dois programas habitacionais: COHAB-ES e o PROFILURB.

Antes de iniciar a explicação sobre os programas habitacionais, é necessário dizer que anterior às

3.2

MEMÓRIA

urbanizações, os bairros eram conhecidos como campos

de

“fazendinha”.

pastagens,

denominados

de

E,

o

de

todo

processo

desenvolvimento fornecido aos bairros teve como principal objetivo abrigar os trabalhadores de baixa renda, oriundos da ascensão industrial da capital (GURGEL, 2010).

lugar 49


Contextualizando de forma breve os programas, a

Assim sendo, entre os anos de 1975 a 1979 iniciaram

Companhia Habitacional do Estado do Espírito Santo

as urbanizações nos bairros Boa Vista I e II. Em Boa

(COHAB-ES) é um órgão de administração indireta,

Vista I, local que se observa uma malha mais

vinculado à Secretária de Estado do bem-estar

ortogonal, foi composta por residências que

Social, agente fomentado pelo Banco Nacional da

evoluíram ao longo dos anos a partir do Programa de

Habitação (BHN), para o “mercado popular”,

Financiamento de Lotes Urbanizados (PROFILURB),

população

autoridades

enquanto que, em Boa Vista II se desenvolveu a

depreenderam que havia a necessidade de oferecer

partir dos blocos habitacionais multifamiliares,

mais

uma

de

baixa

As

além

da

contendo trinta e seis prédios com trinta e dois

Financeiro

de

apartamentos cada um, realizados pela Companhia

Habitação, àquelas pessoas marginalizadas dos

Habitacional do Estado do Espírito Santo, (COHAB-

programas habitacionais das Cohabs, (AZEVEDO,

ES).

existente,

alternativa

renda.

dentro

do

habitacional, Sistema

2011), criando então mais um plano habitacional o Programa de Financiamento de Lotes Urbanizados (PROFILURB). O produto entregue continha apenas

um lote com um banheiro, um tanque e luz para que os moradores pudessem, à sua maneira, construir as residências. lugar 50


1970

.

Figura 8: Boa Vista I e II, 1970. Fonte: Veracidade, editado pela autora, 2018.

lugar 51


1978

Figura 9: Boa Vista I e II, 1978. Fonte: Veracidade, editado pela autora, 2018.

lugar 52


1988

Figura 10: Boa Vista I e II, 1988. Fonte: Veracidade, editado pela autora, 2018.

lugar 53


2008

Figura 10: Boa Vista I e II, 2008. Fonte: Veracidade, editado pela autora, 2018.

lugar 54


2012

Figura 11: Boa Vista I e II, 2012. Fonte: Veracidade, editado pela autora, 2018.

memรณria 55


As figuras apresentadas demonstram, ao decorrer dos anos, a ocupação dos bairros Boa Vista I e Boa Vista II. A partir delas, é possível observar o desenvolvimento urbano

dos

territórios,

como

por

exemplo:

adensamento, sistema viário e visualizar a diversificação do traçado entre os dois bairros. Além disso, uma pauta relevante pode ser ressaltada nesse mesmo momento: a rápida expansão das áreas de estudo que mesmo tendo um planejamento e desenho urbano pré-

estabelecidos, necessitam de uma revisão direcionadas a um microplanejamento.

lugar 56


Figura 12: Morfologia Urbana. lugar 57

Fonte: Produzido pela autora, 2018.


O atual cenário morfológico, conforme mostra

suas formas coesas e diversas tão relevantes quanto

figura 12, está diretamente ligado à conformação

os edifícios adjacentes. (GUERREIRO, 2008 p. 3, apud,

dos bairros, uma vez que, os planos habitacionais

ALEXANDER 1997, p. 518).

inseridos em cada um deles contribuíram para as distribuições arquitetônicas e urbanas, tais quais: localização e posição das edificações; suas formas; dimensões, os espaços resultantes entre si e traçado urbano.

Diante disso, a morfologia urbana retrata que a evolução histórica e o contexto atual foram e são elementos fundamentais de análise para um

entendimento maior sobre os espaços intersticiais, visto que, a formação criou gatilhos que, hoje, estão

A

compreensão

desse

contexto

auxilia

na

interpretação do construído e não construído,

presentes em determinados momentos dos bairros e viraram objeto de estudo desse trabalho.

como no caso de Boa Vista I: as edificações estão

dispostas de tal maneira que, na sua maioria, se designam em espaços residuais negativos, espaços que não se aproveitam, principalmente por serem pequenos

demais,

impossibilitando

qualquer

ocupação. Entretanto, a definição mais aplicada ao bairro de Boa Vista II é dos espaços intersticiais positivos, espaços aproveitáveis, que possuem

lugar 58


3.3

ANÁLISES DAS ÁREAS

DE ESTUDO

59


lugar 60


lugar 61


Ao andar pelos bairros, evidencia-se que as tipologias

os conjuntos habitacionais de cinco pavimentos são

construtivas existentes se assemelham com à sensação

maioria, todos buscam colorir os prédios com cores

visual tipológica de bairros periféricos, por sua maioria

quentes, um meio encontrado pelos moradores de

sendo edificações evolutivas, inacabadas e de usos

representar suas identidades e, por conseguinte, criar

diferentes.

a identidade do bairro.

Os dois bairros apresentam arquiteturas consolidadas, mas possuem características divergentes entre si, conforme figura 13. Boa Vista I, é composta por edificações de dois a três pavimentos, em maior número, com pequenas exceções entre um e quatro pavimentos, situadas uma ao lado da outra, por vezes, sem os essenciais recuos. Há predominância de uso comercial no térreo (figura 14), principalmente às margens das vias dinâmicas, e de uso residencial unifamiliar nos demais

pavimentos, não necessariamente ocupado pela família proprietária da edificação. Em Boa Vista II,

lugar 62


Figura 13: Pavimentos. lugar 63

Fonte: Produzido pela autora, 2018.


Figura 14: Uso do Solo. lugar 64

Fonte: Produzido pela autora, 2018.


Uma importante individualidade dos bairros é a chamada “rede de cotidiano” (SERPA, 2011) a forma de interação entre os moradores que, de alguma forma, dispõem de relações mais próximas e de convívio pessoal mais presente, se comparado a outros lugares. As pessoas se conhecem bem, se falam e interagem mais umas com as outras e isso ocorre num processo

“circular”: a interação inicia na infância e prospera na fase adulta, assim sucessivamente. Os becos e vielas estreitos, quase sem calçadas, são os locais escolhidos para as brincadeiras das

crianças, à medida que, os adultos permanecem até mais tarde em suas portas conversando com os vizinhos mais próximos.

lugar 65


lugar 66


lugar 67


Levando em consideração alguns pontos de Lynch,

estreitos com espaço apenas para um carro passar por

Salgado e Salgado, Cullen, Serpa e Pizarro,

vez, enquanto que as duas principais ruas, dispostas

referenciais precisos e necessários, juntamente com

uma em cada lado do bairro, são mais largas e

levantamentos realizados nos bairros, surge como

concentram os eixos dinâmicos com mais comércios e

resultado o mapa, figura 15, uma síntese de

pontos de ônibus. Em Boa Vista II, não há caminhos

questões importantes para embasar o produto final.

formais

que

multifamiliares, Iniciando a análise, todos os caminhos com saídas

cruzem

as

entretanto

quadras alguns

dos

edifícios

caminhos

manifestam de acordo com a necessidade do morador.

foram representados e, a partir disso, tornou mais evidente as diferenças entre os dois bairros que se

deu,

precisamente,

devido

ao

processo

se

de

conformação. Em Boa Vista I, os caminhos aparecem mais regulares, com mais ritmo, com conexões horizontais e verticais que facilitam a circulação

entre as quadras. As ruas não possuem tamanhos padronizados, as de menor fluxo, os becos, são mais

lugar 68


SÍNTESE Ilhas de Tranquilidade

Trabalho informal

Vegetação existente

Ponto nodal

Lixo

Interstícios

Caminhos Pouca iluminação

Locais perigosos

Figura 15: Síntese - análise dos bairros e referenciais. Fonte: Produzido pela autora, 2018.

lugar 69


O visível limite entre os bairros é pelo caráter

das passagens mais moderadas de veículos, por

tipológico, uma vez que possui uma diferenciação

serem mais estreitos, pela localização mais central

significativa nos pavimentos, formas das edificações

dentro do bairro, uma vez que os eixos dinâmicos

e, também por Boa Vista II está localizada numa

estão dispostos nas extremidades e pelo uso das

área, topograficamente, mais elevada que Boa Vista

edificações que, por maioria, é residencial com

I, criando uma barreira visual sútil entre os dois

pequenos comércios no térreo. Com esses fatores

locais.

em conjunto paralelamente às imediações entre as casas, consequentemente o contato entre as pessoas

O ponto nodal é o campo de futebol, a principal área denominada de lazer que, de fato, é utilizada com frequência. São realizados jogos entre bairros vizinhos aos finais de semana, atraindo várias pessoas ao local, tanto moradores quanto visitantes.

E a partir disso, foram surgindo oportunidades de trabalho, devido ao fluxo de pessoas. A “ilha de tranquilidade” e “rede de cotidiano”

é mais comum. Todavia, as condições mencionadas também contribuem para aspectos negativos. A falta

de uma iluminação mais abrangente, torna os becos mais propícios a ações ilícitas como à venda de drogas, levando ao local pessoas que não fazem parte do convívio dos moradores, o que gera certa

insegurança

em

consequência

dos

possíveis

confrontos com os policiais.

acontecem, principalmente, nos becos em virtude lugar 70


E por fim, a inserção dos interstícios públicos, semi-

À vista disso, a seguir, no esquema 3, considera-se a

públicos e privados escolhidos para aplicação das

reunião dos dados levantados com discursos acerca: das

intervenções

problemáticas, das potencialidades e dos referenciais

de

microplanejamento

e

práticas

urbanas criativas. São espaços com potenciais e

teóricos aplicáveis.

problemáticas semelhantes a quaisquer microespaços distribuídos

em

outros

bairros,

apesar

das

particularidades, por isso cria-se uma possibilidade de aplicação dos ensaios em diversos locais, não somente

em Boa Vista I e II. Esse diagnóstico geral é essencial para conhecimento dos bairros, contudo o objetivo, em seguida, é de

focar

análise

à

microescala.

Entretanto,

é

imprescindível o entendimento da macroescala dos bairros, pois a partir dela são descobertos pontos fundamentais para construir as ações projetuais.

lugar 71


ESTRATÉGIAS

Socioeconômico

POTENCIALIDADES

PROBLEMÁTICA Escassez de áreas de convívio coletivo;

Disponibilidades de inúmeros espaços

Conjunto

Baixa permeabilidade do solo;

urbanos para propor intervenções;

projeto e suas variações (DEL RIO,

Concentração de usos gerando pouca

Traçado regular (Boa vista I);

1999);

diversidade de atividades;

Disponibilidade de participação dos

Interferência

Quadras de grande extensão (Boa Vista II);

moradores nas propostas e realizações;

percepções dos transeuntes (LYNCH,

Tendência

Boa relação com a escala humana;

1960) e (CULLEN, 1983);

ao

adensamento

vertical

(sobradinhos);

Estrutura

Ausência

comerciais principais;

de afastamentos (frontal e

nos

eixos

(ROSA,

2011)

e

Apropriação produtiva dos espaços

Localização privilegiada, próximo de vias

subutilizados

coletoras e do terminal rodoviário de

(PIZARRO, 2014);

Vila Velha;

Identificação/criação de bolsões mais

Os bairros dispõem de quase todas as

sossegados para afirmar os conceitos

atividades necessárias sem ter que

de “Ilhas de tranquilidade” (SALGADO

buscar no entorno imediato, exceto:

e SALGADO, 2011).

(canteiros);

Escassa arborização; Muitos animais abandonados;

de

2007),

transporte público;

Falta de planejamento paisagístico

malha

diversas

Participação coletiva dos moradores (SERPA,

da

mais

plano,

Algumas áreas são alagáveis;

de drogas e pouca iluminação;

estruturação

larga

nas

entre

Boa

Locais fragilizados – pontos de venda

Urbano Ambiental

viária

dinâmico

laterais);

Pontos viciosos de lixo;

Ambiental econômico

REFERENCIAIS TEÓRICOS

(ROSA,

2011)

feira semanal (Soteco), posto de saúde (coqueiral de Itaparica e Glória) e

Ausência de ciclovias;

supermercado (Soteco ou Coqueiral de

Calçadas irregulares e deterioradas;

Itaparica);

Ruas estreitas (becos);

Infraestrutura urbana razoavelmente

Precariedade dos pontos de ônibus;

eficiente;

Esquema 3: Tabela síntese Fonte: Produzido pela autora, 2018.

(PIZARRO, 2014);

Muitas instituições de ensino.

lugar 72

e


4.

PROPOSTA

73


Evidenciando e aproveitando os fatores mais

competentes que os bairros possuem para propor um projeto de intervenção eficaz, a

Figura 16: Diagrama intencional.

abordagem se baseia em três frentes: o

Fonte: Produzido pela autora, 2018.

microplanejamento aos interstícios urbanos com intervenções que criam permanências voltadas para a qualidade do meio urbano, social e ambiental. proposta 74


4.1

E como tornar permanente o que nĂŁo ĂŠ?

75


METODOLOGIA Após análise geral de Boa Vista I e Boa Vista II, os

características

interstícios urbanos escolhidos, campos de ações,

intervenções.

visando

um

conjunto

de

são apresentados e também analisados. São criados elementos auxiliadores que vão seguir Em seguida, metodologicamente, a proposta se

um padrão estrutural aplicável a cada microespaço.

apresenta por meio de um copilado das principais

COMPREENSÃO GERAL DO LUGAR

DEMARCAÇÃO DOS INTERSTÍCIOS

proposta 76


POTENCIALIDADE

ESTRATÉGIAS

É a procura pelo potencial

São um conjunto de métodos

existente em cada interstício.

presentes na ação de reeditar e reprogramar as realidades.

CONEXÕES

OPORTUNIDADES

Conexões entre um ou mais

São

objetos

inseridas na microescala.

que

vão

desdobramentos

originar para

as

ações

projetuais

as

futuras ações.

proposta 77


E S T R AT É G I A S

Socioeconômica

Ambiental econômica

Urbana ambiental Proposta 78


A estratégia socioeconômica se divide em três

As oportunidades financeiras se desenvolverão como

momentos: as pessoas no contexto social, coletivo; a

possibilidades sugeridas de melhoria e inovação, que

valorização da habitação/edificação e as oportunidades

trarão atitudes que vão influenciar

financeiras que surgem a partir das propostas.

econômicas, como: alteração de usos; local de apoio a

nas questões

um estabelecimento comercial; reformas, entre outras. Nas

relações

sociais

cotidianas

vão

ocorrer

interferências que proporcionarão um relacionamento ainda mais íntimo dos moradores, identificação com o

Essa estratégia tem como objetivo unir as pessoas

local e o despertar do sentimento de pertencimento,

e criar melhores condições tanto social quanto

cuidado para com o bairro.

econômica.

Como um movimento de resposta, a valorização da edificação pode ocorrer, num cenário futuro, pela motivação de mudança da atual conjuntura, uma vez que, tudo ao redor se modifica e, pelas transformações

que vão se revelar com as implantações das ações de intervenção, onde aquele local será palco.

SOCIOECONÔMICA proposta 79


A tática ambiental econômica se desdobra também em

vegetações e de incluir atitudes mais sustentáveis nas

três situações: pessoas, dentro do conceito de

atividades de rotina da vida dos moradores e visitantes.

integração

social,

assim

como

a

estratégia

socioeconômica; na ambientalidade, no sentido de

Essa estratégia tem como objetivo unir as pessoas

relacionar mais com ideias ambientais e sustentáveis e

e criar melhores condições tanto ambiental

pela criação de oportunidades com impacto financeiro.

quanto econômica.

O que difere essa das demais estratégias é somente a questão ambiental. Boa Vista I e II são bairros que não possuem uma vasta arborização e tão pouco cuidado paisagístico, são locais de muita construção e poucas áreas permeáveis.

Portanto,

esse

pensamento

se

insere

com

a

necessidade de modificar as circunstâncias existentes e inserir práticas que explorem, principalmente: a relevância de cultivar mais árvores e outros tipos de

A M B I E N TA L E C O N Ô M I C A proposta 80


Em três distribuições se apresenta a terceira e última

As atuações no âmbito ambiental e social serão propostas

estratégia, com foco nos temas já mencionados

com o mesmo caráter ideológico das estratégias anteriores.

anteriormente visando: a interação dos moradores; ideais relacionados ao meio ambiente e urbano.

O

método

urbano

preferencialmente,

às

ambiental relações

está

Essa estratégia tem como objetivo unir as pessoas e

voltado,

urbanísticas

que

criar melhores condições para o meio urbano e ambiental.

compõem às cidades. Apesar das táticas serem distintas, em alguns pontos elas se complementam e estão ligadas umas com as outras, mesmo que indiretamente.

Diante disso, a relevância desse método é o pensar em ações que vão interceder pelas urbanidades que se

encontram

nos

microespaços,

priorizando

a

caminhabilidade e os meios de locomoção não motorizados, por exemplo.

U R B A N A A M B I E N TA L proposta 81


O P O RT U N I DA D ES Com base no embasamento teórico, dos pontos avaliados in loco, das interpretações acerca dos bairros, além das características de cada campo de ação, são concebidas oportunidades de intervenções urbanas para

Boa Vista I e Boa Vista II, por meio de apropriações dos interstícios com base em efetivas ações sociais, urbanas, ambientais e econômicas.

É válido destacar que as propostas demonstradas não tencionam ser impostas aos moradores, devem partir de um diálogo relacionado com a realidade presente estabelecendo sugestões ao oposto de deveres e normas. Deste modo, as preposições são alternativas que devem variar de acordo com a particularidade de cada local, não devendo ser aplicada de maneira padronizada.

proposta 82


4.2

OS INTERSTÍCIOS

Apesar dos bairros disporem de diversos vazios

subutilizados, são escolhidos apenas cinco principais interstícios para aplicação das oportunidades. Cada um possui vocação potencial para sua rearticulação na microescala.

Figura 17: Interstícios. Fonte: Produzido pela autora, 2018.

proposta 83


1. CENÁRIO ATUAL

proposta 84


1. INTERSTÍCIO PRIVADO

POTENCIALIDADE: Ponto de encontro estratégico; CONEXÕES: Valorização dos comércios, encontro de pessoas; ESTRATÉGIA: Socioeconômica.

proposta 85


1. ESPAÇO DE ENCONTROS + COLETIVIDADE - INDIVIDUALIDADE

+ INTERESSE - ABANDONO

+ PERMANÊNCIA - AUSÊNCIA

proposta 86


ESPAÇO DE ENCONTROS Por se localizar próximo a dois pontos comerciais, sendo um local de considerável movimento, o interstício privado 1, Espaço de Encontros, tem como objetivo potencializar o que, na atualidade, está ocioso, despretensioso, tornando-se um lugar de encontros, permanências e comunicação. A maioria dos equipamentos utilizados para a construção do espaço são reaproveitáveis, como: bancos de pallets, prateleira de grade de bebida e

mesa de carretel. A praticidade na produção do espaço

e

do

mobiliário

é

fundamental,

principalmente, para instigar a participação coletiva da comunidade, tanto na elaboração quanto na preservação do ambiente.

proposta 87


ESPAÇO DE ENCONTROS

proposta 88


ESPAÇO DE ENCONTROS A colaboração dos moradores é essencial em todos os momentos: mão-de-obra; manutenção e utilização.

Além disso, outros fatores influenciam na eficiência do espaço: as ligações culturais, a flexibilidade do ambiente em se adequar no que o morador necessita e a identificação pessoal que cada um desenvolve em relação ao Espaço de Encontros. Por que a estratégia aplicada é a socioeconômica? Une pessoas: por ser um local de conversa, leitura, arte urbana e diversão; Oferece melhores condições sociais: mais interação, mais doação (livros) e mais conhecimento; Propicia melhores condições econômicas: divulgação por meio

do quadro de promoções, vagas de

trabalhos, dicas, entre outros.

proposta 89


ESPAÇO DE ENCONTROS

proposta 90


ESPAÇO DE ENCONTROS

proposta 91


2. CENÁRIO ATUAL

proposta 92


2. INTERSTÍCIO PÚBLICO

POTENCIALIDADE: Grande área livre, ponto estratégico; CONEXÕES: Escola primária, campo de futebol, centro comunitário; ESTRATÉGIA: Socioeconômica e ambiental econômica. proposta 93


2. ESPAÇO DE CONHECIMENTO + APRENDIZADO - DESPERDÍCIO

+ INTEGRAÇÃO - DESCASO

+ URBANIDADE - SEGREGAÇÃO

proposta 94


ESPAÇO DE CONHECIMENTO O interstício público 2, Espaço de Conhecimento, se encontra no “coração” dos bairros, ao lado do campo de futebol, local de maior movimento, além de estar próximo também a uma escola primária e ao centro comunitário de Boa Vista I. A intenção da proposta é incrementar um instrumento que se aproprie do lugar desassistido, transformando-o num local referência de integração, de bem-estar e convívio.

Com bancos que se integram ao espaço, de fácil produção, feitos de pallets, semelhantes a um deck de níveis diferentes, contendo caixotes que

armazenam livros arrecadados, se encontra a Bibliodeck, mobiliário de variadas funções, servindo para a leitura de livros e até arquibancada dos jogos de futebol que ocorrem no campo. proposta 95


ESPAÇO DE CONHECIMENTO

proposta 96


ESPAÇO DE CONHECIMENTO Por que a estratégia aplicada é a socioeconômica e a ambiental econômica?

Une pessoas: por ser um local de convívio, lazer e

aprendizado; Oferece

melhores

condições

sociais:

mais

apropriação do espaço, mais integração com a escola e o campo, mais doação (livros);

Fornece melhores condições econômicas: pode proporcionar

novas

atividades

comerciais e

influenciar nas habitações do entorno; Proporciona melhores condições ambientais: aproveitamento da permeabilidade do solo com mais vegetação e mobiliário composto de madeira reutilizada.

proposta 97


ESPAÇO DE CONHECIMENTO

proposta 98


ESPAÇO DE CONHECIMENTO

proposta 99


ESPAÇO DE CONHECIMENTO

proposta 100


ESPAÇO DE CONHECIMENTO

proposta 101


3. CENÁRIO ATUAL

proposta 102


3. INTERSTÍCIO SEMI - PÚBLICO

POTENCIALIDADE: Espaço de vivência para um prédio sem área de lazer; CONEXÕES: União dos moradores; ESTRATÉGIA: Socioeconômica e ambiental econômica. proposta 103


3. ESPAÇO PARA COMPARTILHAR + INTEGRAÇÃO - DESUNIÃO

+ PERMANÊNCIA - DESENCONTROS

+ SOLIEDARIEDADE - INDIVIDUALIDADE proposta 104


ESPAÇO PARA COMPARTILHAR O Espaço para Compartilhar, interstício semipúblico 3, é o resultado da forma de algumas edificações dos conjuntos habitacionais de Boa Vista II, que por decisão projetual não foi murada tendo quase nenhuma função, na atual conjuntura, além de abrigar veículos. O propósito dessa intervenção é de estreitar os laços entre os moradores por meio da vivência, solidariedade e assumindo uma posição de área de lazer, conforme é visto nos condomínios de edificações multifamiliares mais estruturados.

O mobiliário pensado compreende-se por horta comunitária, cesto para colocar a colheita dos produtos ou doação de roupas, entre outros, bancos que também são balanços e equipamentos de parque infantil, sendo todos produzidos por material reutilizado. proposta 105


ESPAÇO PARA COMPARTILHAR

proposta 106


ESPAÇO PARA COMPARTILHAR Por que a estratégia aplicada é a socioeconômica e a ambiental econômica?

Une pessoas: por ser um local de convivência, doação (roupas, alimentos) e participação coletiva com as mesmas finalidades; Oferece

melhores

ocupação

do

condições

espaço,

sociais:

mais

integração

mais da

arquitetura com o espaço urbano; Fornece melhores condições econômicas: pode proporcionar novas atividades comerciais; Proporciona melhores condições ambientais: aproveitamento

da

permeabilidade

do

solo

potencializando-a com a inserção de mais vegetação,

além

de

implantar

mobiliários

ecológicos.

proposta 107


4. CENÁRIO ATUAL

proposta 108


proposta 109


4. COMO É LÁ?

proposta 110


4. INTERSTÍCIO PÚBLICO

POTENCIALIDADE: Ponto de encontro estratégico;

CONEXÕES: Escola fundamental, valorização dos comércios e lazer. ESTRATÉGIA: Socioeconômica e ambiental econômica. proposta 111


4. ESPAÇO PARA TODOS + PERMANÊNCIA - DESCASO

+ PESSOAS - CARROS

+ POSSIBILIDADES - PROBLEMAS

proposta 112


ESPAÇO PARA TODOS Por se localizar próximo a uma escola de ensino fundamental e por já existir atividades comerciais de apoio à escola, o interstício público 3, Espaço para todos, tem como finalidade fomentar as atividades comerciais presentes e, integrado às essas atuações, conectar as pessoas ao local com espaços de vivência, esporte e lazer. Assim como todas as intervenções, é imprescindível que

os

equipamentos

utilizados

sejam

reaproveitáveis e/ou de fácil produção. Desta forma, são sugeridos bancos feitos de pneus, outros bancos e estruturas diferenciadas feitos de madeira

mais econômica ou reciclada com acabamento em tinta, balizadores que, inibem a presença de carros, barraquinhas mais idealizadas, coloridas e mais bem tratadas, podendo até expandir de acordo com os

cenários futuros. proposta 113


ESPAÇO PARA TODOS

proposta 114


ESPAÇO PARA TODOS O Espaço para todos são dois ambientes divididos por

Por que a estratégia aplicada é a socioeconômica e a

uma superfície livre disponível para uma feira de

ambiental econômica?

porte pequeno, conduzida pelos moradores, porém não fixa, podendo migrar para outros pontos classificados como potenciais pela comunidade. De um lado, a valorização comercial pode ocorrer, uma

vez que o interstício comporta mais infraestrutura, criando uma espécie de praça de alimentação com um espaço disponível para pequenas apresentações ou atividades comunitárias dos bairros. Do outro lado,

uma área de lazer, com mobiliários divertidos e coloridos.

Une pessoas: por ser um local de convívio e lazer;

Oferece

melhores

condições

sociais:

mais

apropriação dos espaços, integração com a escola, mais doação (brinquedos) e participação coletiva; Fornece melhores condições econômicas: melhoria nas atividades comerciais existentes e a possibilidade de novas oportunidades; Proporciona

melhores

condições

ambientais:

aumento da permeabilidade do solo, mais vegetação, mais reaproveitamento.

proposta 115


ESPAÇO PARA TODOS

proposta 116


ESPAÇO PARA TODOS

proposta 117


ESPAÇO PARA TODOS

proposta 118


ESPAÇO PARA TODOS

proposta 119


ESPAÇO PARA TODOS

proposta 120


ESPAÇO PARA TODOS

proposta 121


5. CENÁRIO ATUAL

Proposta 122


5. INTERSTÍCIO PÚBLICO

PONTECIALIDADE: Parte fundamental do bairro; CONEXÕES: Interação de moradores, comércio;

ESTRATÉGIA: Ambiental econômica e urbana ambiental. proposta 123


5. ESPAÇO PARA DESCOBRIR + UNIÃO - DESENCONTROS

+ MOBILIDADE SUSTENTÁVEL - CARROS

+ SEGURANÇA - VIOLÊNCIA

proposta 124


ESPAÇO PARA DESCOBRIR Boa Vista I dispõe de várias ruas estreitas similares ao interstício público 5, Espaço para Descobrir, contudo o que o torna único é a centralidade que possui, devido a localização, e por ser um trecho vital do bairro, que comporta boas relações entre os moradores e por possuir pequenos comércios. O intuito

dessa

intervenção

é

desenvolver

a

comercialização, as ligações pessoais, não só da rua como de todo os bairros e incentivar os percursos a

pé ou por meio de veículos não motorizados. Além das pinturas coloridas que indicam as conexões, figuradas, entre vizinhos, há também uma ciclovia estreitando ainda mais o trecho ao acesso de carros, possibilitando mais liberdade ao caminhar e recreações infantis, mais possibilidades comerciais, mais vegetação, mais iluminação e mais permanência. proposta 125


ESPAÇO PARA DESCOBRIR

proposta 126


ESPAÇO PARA DESCOBRIR Por que a estratégia aplicada é a ambiental econômica e a urbana ambiental?

Une pessoas: por ser um local de participação, proximidade e descobertas; Oferece melhores condições sociais: espaço menos

ocioso e mais colaborador, ações culturais mais consolidadas; Fornece melhores condições econômicas: abertura para novas oportunidades e fortalecimento das existentes. Proporciona melhores condições ambientais: mais vegetações, incluindo hortas comunitárias e jardins verticais; Propicia

melhores

condições

urbanas:

mais

caminhabilidade, mais iluminação, mais pessoas e mais permanência. proposta 127


ESPAÇO PARA DESCOBRIR

proposta 128


ESPAÇO PARA DESCOBRIR

proposta 129


ESPAÇO PARA DESCOBRIR

proposta 130


ESPAÇO PARA DESCOBRIR

proposta 131


ESPAÇO PARA DESCOBRIR

proposta 132


ESPAÇO PARA DESCOBRIR

proposta 133


ESPAÇO PARA DESCOBRIR

proposta 134


ESPAÇO PARA DESCOBRIR

proposta 135


7. CONSIDERAÇÕES

FINAIS

136


A desarticulação entre o plano (planejamento geral) e

Os resultados mostram, primeiro, que a origem do

projeto (desenho urbano), juntamente com a

planejamento e desenho urbano de um bairro

ausência de políticas e interesses setoriais voltados

assumem

para as microescalas, distanciam as hipóteses de

intersticiais que neles abrigam. E que, uma vez

inclusão, com eficiência, dos microespaços dentro do

materializados, pelo desenho das edificações ou o

contexto urbano geral das cidades. Apesar do

próprio desenho urbano, não há como excluir sua

desvinculo presente, são grandes as oportunidades

existência a não ser apropriando-se dela.

fortes

influências

sobre

os

espaços

projetuais voltadas ao microplanejamento.

Segundo

ponto,

muito

potencial,

muitas

A partir da análise das pequenas escalas, se torna

possibilidades que se tornam limitadas pela falta de

ainda mais visível as reais necessidades que, de fato,

interesse e desconhecimento das possíveis alternativas

a comunidade precisa. Enquanto que num diagnóstico

a serem aplicadas aos locais. E algo peculiar nos bairros,

macro, é grande a probabilidade de alguma questão

é a escassa área designada e estruturada como espaços

passar despercebida. Algo que, se considerado num

livres de uso comum, ou seja, encontra-se inúmeros

estudo inverso (micro para macro) a interferência é

ambientes competentes para intervenções urbanas

mais positiva e abrangente nas decisões gerais de

numa comunidade que demanda por esses espaços.

projeto.

considerações finais 137


E o terceiro ponto, a importância de resgatar e

As premissas apresentadas devem iniciar de uma

reafirmar as relações interpessoais dos moradores e

vontade maior de transformar as atuais conjunturas,

transeuntes. Conectar as pessoas aos bairros por meio

que

de boas lembranças, relações de pertencimento e

comunitária

identificação,

por

permanecer lacunas, os personagens podem se

despertam sentimentos de prazer e satisfação por estar

modificar, outras condições podem influenciar e com

ou somente por passar naquele ambiente. Idealizar,

isso novos desdobramentos se manifestarem, contudo,

contribuir com a ocupação dos espaços, não apenas

os fatores não anulam a eficiência e necessidade de

como usuário, mas também como agente criador,

(re)construir os microespaços com micro práticas

transformador.

efetivas.

ações

sensoriais

responsáveis

a

princípio, é

somente

factível

com

fazê-las.

a

colaboração

Ainda

devem

Diante dos desafios, a pesquisa determina como objetivo proposições metodológicas de intervenções urbanas que reinventam, ressignificam e reanimam os interstícios urbanos de Boa Vista I e Boa Vista II,

constituídas

pelas

vertentes

sociais,

urbanas

e

ambientais.

considerações finais 138


6. REFERÊNCIAS

139


AZEVEDO, S., and ANDRADE, LAG. A trajetória recente da política de habitação popular. In: Habitação e poder: da Fundação da Casa Popular ao Banco Nacional Habitação [online]. Rio de Janeiro: Centro Edelstein de Pesquisas Sociais, 2011, pp. 69-96. ISBN: 978-85-7982-055-7. Availa http://books.scielo.org/id/xnfq4/pdf/azevedo-978857982055708.pdf DE HOLANDA, Aurélio Buarque. Dicionário Aurélio. 8 ed. Brasil: Positivo, 2010. BRAGANÇA, Luciana Souza. Do Planejamento da Circulação ao Microplanejamento Integrado. Disponível em: < http://www.mom.arq.ufmg.br/mom/01_dissertacoes/braganca.p df>. Acesso em: 30 de Maio de 2018. BRASIL. Estatuto da Cidade: guia para implementação pelos municípios e cidadãos. 2 ed. Brasília: Câmara dos Deputados, Coordenação de Publicações, 2002. CULLEN, Gordon. Paisagem Urbana. São Paulo: Martins Fontes, 1983. DEL RIO, Vicente. Introdução ao Desenho Urbano e no Planejamento. São Paulo: Pini, 1990. FONTES, Adriana Sansão. Intervenções Temporária, Marcas Permanentes Apropriações, Arte e Festa na Cidade Contemporânea. Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2013. GUERREIRO, Maria Rosália. Interstícios Urbanos e o Conceito do Espaço Exterior Positivo. Disponível em: < https://journals.openedition.org/sociologico/218 >. Acesso em: 09 de Maio de 2018.

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TCC arqurbuvv Impermanências  

2018-02 - Jáfia Quaresma Pinto

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