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Jornal da Agência Experimental

Junho de 2012, Ano II, número 3 Agência Experimental em Comunicação e Cultura (FACOM/UFBA) jae.agenciaexperimental@gmail.com

ilustração: Nívia Silva

O encanto das quadrilhas juninas: do interior a capital, a tradição é mantida

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Comuna

Beiru: economia solidária reconfigura o comércio local Página 4

PERFIL

Amor pelo que faz: é o que define Paulo da Silva e o basquete Página 6

Politiquês

Aurora da Rua: o recomeço Página 3

FUBÁ

Parceria com Scielo beneficia estudantes Página 7 foto: Jordana Feitosa


território livre Editorial

Essa terceira edição do JáÉ! O Jornal da Agência Experimental foi pensado para agradar aos olhos dos leitores, tanto no universo das letras como das imagens. A fim de torná-lo um canal de comunicação mais leve e descontraído, trouxemos matérias que falam da tradição junina das quadrilhas, posições políticas e humanitárias que viabilizaram o surgimento do jornal Aurora da Rua, como nasceu o projeto Economia Solidária no Beiru/Tancredo Neves e a parceria EDUFBA/Scielo que ampliará o acesso ao mundo do conhecimento, além do perfil uma figura ímpar do Calabar. Com ilustrações de Matheus Ferreira, Adaílton Nunes, Nívia Silva, Ulisses Júnior e Thiago Cerqueira, além de notas de lazer em Salvador do mês de Junho a Setembro, esse JáÉ! convida-os a fazerem bom proveito da sopa de letras!

Insônia (Poesia)

Por Valdíria Souza (Atriz e estudante de Prod. Cultural)

Meu bairro é uma bênção, mas... A maior dificuldade que temos enPor Maag Gonçalves. (moradora do bairro de Valéria)

O bairro de Valéria teve sua origem a partir do desmatamento de três fazendas existentes na área onde hoje está localizado o bairro, pertencentes às famílias tradicionais: Schindller, Temporal e Omaque, dando origem a loteamentos e invasões. A origem do nome “Valéria” é em homenagem a uma das filhas dos fazendeiros. Conhecido pelo Derba, o bairro conta com grandes escolas, supermercados, farmácias, empresas e indústrias. Carente de saneamento básico em quase sua totalidade, o bairro vinha carregando esse “fardo” ao longo de sua história, acrescido das deficiências nas áreas: educacional, saúde e transporte. Porém, desde 2011 está sendo implantada a rede de esgoto no bairro, sendo esta uma conquista da Associação de Moradores Nova Valéria, presidida pelo Sr. João de Jesus Santana e sua equipe “Os valentes do social”. Com o apoio da Embasa e a empresa Franco Araújo.

frentado nesse momento é com relação à educação, pois as Escolas Municipais são em espaços alugados pela Prefeitura (prédios próprios, só dois). Como todo ano a demanda aumenta e as escolas não são construídas, as crianças passam por uma série de transtornos e o ano letivo acaba ficando comprometido. Os Colégios Estaduais também não estão atendendo a demanda de alunos, pois há a necessidade de reformar para aumentar o número de salas. Quanto ao transporte coletivo, a quantidade de ônibus circulando para atender a população é insuficiente. A segurança Pública nem se fala, pois a atuação da Polícia Militar na comunidade tem sido fraca e os vândalos têm feito o querem na maioria das vezes, principalmente com som de carros. A SUCOM está sendo sempre notificada, mas nenhuma providência tem sido tomada e o cidadão de bem acaba sendo refém.

O medo do escuro me apavora E no silêncio da noite Não coloco os pés no chão Presa aos medos Fico presa na cama E enquanto não durmo Entre um cochilo e outro Acuada como bicho No canto protegido da cabeceira Tento não ver O que meu pensamento quer mostrar Sombras e imagens Insistentemente povoam minha mente A luz acesa me acalma E quando o dia amanhece... durmo... E não vejo a vida passar Ilustração: Thiago Cerqueira

Expediente Tiragem - 1000 Editor: Lucas Josué Dias

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Ilustrações: Thiago Cerqueira, Matheus Ferreira, Nívia Silva, Adaílton Nunes e Ulisses Júnior Impressão: EDUFBA Produzida pela Agência Experimental (AECC) FACOM/UFBA


politiquês Um jornal acolhedor por: Raquel Muniz As pessoas em situação de rua são vistas negativamente pela sociedade e - sendo assim - não têm oportunidade de desenvolver o seu ponto de vista sobre o mundo. O jornal Aurora da Rua mudou a história de várias destas pessoas, mas não servindo como um cobertor nas horas frias ao relento foi dando ouvido e voz aos moradores de rua que o Aurora nasceu - no mês de março de 2007 quando Salvador completava 458 anos. Os vendedores saem pelas ruas - uniformizados pelo Aurora - com boné, bolsa, colete e crachá. Eles são, exclusivamente, pessoas em situação de rua, que além de encontrar no jornal força e apoio para serem reintegradas à vida social, também são ajudadas com o dinheiro da venda dos exemplares. R$ 1,00 é o preço do periódico, R$ 0,75 é o valor que fica com cada vendedor e o restante é destinado para manter a publicação do veículo. No entanto, as pessoas de rua também colaboram constantemente produzindo textos, poesias e outros meios para a construção do conteúdo jornalístico, sendo orientadas com oficinas de texto e de arte guiadas por voluntários e jornalistas. Cleide Fernanda de Oliveira, 38, é uma das vendedoras e colaboradoras do Aurora. Ela morou nas ruas por aproximadamente três anos e agora reside na Comunidade Trindade (onde ficam os moradores de rua cooperadores do jornal). “Eu acredito que o Jornal Aurora da Rua pode mudar a minha vida. Ele será o meio para realizar os meus sonhos”, disse Cleide. O “recheio” do jornal tem um formato muito dinâmico usado para narrar histórias surpreendentes de pessoas de rua. Entretanto, também há notícias dos acontecimentos ocorridos nas ruas e nos locais onde vive esse povo que não tem tamanha visibilidade nos grandes veículos de Salvador. O contexto do Aurora da Rua é dividido nos seguintes editoriais: Matéria de Capa, Código de Conduta, Diversos de Rua, Cartas de Rua, Aurora e a Turminha da Rua, Deus na Rua, Arte Rua, Brilho da Aurora e Aurora Notícias. Veja a poesia, criada por um morador de rua, em hom-

enagem ao jornal:

Aurora da Rua

Irmão Henrique, peregrino da Trindade

Nestas noites das noites da rua, eu canto a aurora... Nestas noites escuras sem lua, eu canto a aurora... Um sorriso de dor, a ternura... Aurora da Rua... Aurora da Rua...

Aurora da Rua...

Papelão, cobertor, nas calçadas, eu canto a aurora... Nas marquises, viadutos e praças, eu canto a aurora... Acolhida, partilha abraçadas... Aurora da Rua... Nenhum lar, ninguém mais a seu lado, eu canto a aurora... Humilhado, vencido, pisado, eu canto a aurora... Encurvado enfim levantado... Aurora da Rua... Aurora da Rua... Aurora da Rua... Nas prisões e nas garras das drogas, eu canto a aurora... Adicção, dependências e morte, eu canto a aurora... Nesta luta, herói, tu és sóbrio... Aurora da Rua... Na violência sem lei e sem dor, eu canto a aurora... Violentada... Queimado... Pavor! eu canto a aurora... Na ternura, partilha da dor... Aurora da Rua... Aurora da Rua... Aurora da Rua... Uma luz, no escuro, cintila... Aurora da Rua... Uma fé, nesta noite, ilumina... Aurora da Rua... O Amor, como sol, ressuscita... Aurora da Rua... Todas as capas das edições do Aurora e outras informações mais podem ser visualizadas no site www. auroradarua.org.br.

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comuna O Beiru e o Moinho: parceria que está dando certo por: Jordana Feitosa

O Moinho Solidário é um projeto que surgiu a partir da iniciativa da Associação de Desenvolvimento Sócio-Educativa e Cultural da Bahia (ADESC) com o objetivo de fortalecer a economia local e incentivar jovens em situação de vulnerabilidade social a ter uma renda. Todavia, para tornar essa ideia possível, a Associação buscou parceria com a Secretaria Nacional de Economia Solidária (SENAES) e o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), e juntos implantaram esse projeto a partir dos mapeamentos realizados pelo Programa Nacional de Cidadania com Segurança (PRONACE) da Secretaria da Justiça. As cidades contempladas pelo projeto foram Camaçari, Lauro de Freitas, Simões Filho e Salvador. O objetivo geral é conseguir alcançar 60 empreendimentos, sendo 40 fortalecidos e 20 fomentados nessas quatro cidades. Em Salvador, acontece no bairro de Beiru/Tancredo Neves com o empenho de seis agentes¹ que moram na

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comunidade e/ou entorno. O objetivo é inserir a economia solidária como alternativa em contraposição à criminalidade e violência. Têm entre 18 a 26 anos, são meninos e meninas, assalariados e trabalham no período de 09h as 17h; também recebem capacitação das Assessorias do projeto nas áreas de Gestão, Comercialização, Psicologia, Comunicação e Finanças Solidárias através de parceria com assessores formados na área. Efetivado desde maio de 2011, o Moinho Solidário, inicialmente, visava atender 200 jovens e suas famílias, além de fortalecer 15 empreendimentos do bairro e fomentar mais 05. De acordo com os agentes, eles já conseguiram fortalecer 10 empreendimentos locais e começaram a buscar parcerias para o fomento de outros através de parcerias com associações de moradores, escolas e o Centro de Integração Familiar (CEIFAR) do bairro. Com o trabalho intenso de divulga-

ção do projeto fizeram mapeamento de 60 casas e diagnóstico, durante um mês; após essa etapa, os agentes prestaram assessoria quanto às dificuldades desses lugares nas áreas de: gestão, legalização, comercialização, elaboração de projetos e na organização interna. Na segunda parte do projeto, iniciada em maio de 2012, o foco passa para os espaços a serem fomentados buscando jovens que já estejam encaminhados em alguma das áreas de atividade a fim de potencializá-los para que revitalizem os grupos já existentes, não impedindo que outros também participem. ¹Agentes: Alana Santos, Sandro Andrade, Carla Jamile, Jéssica dos Santos, Daniela Cerqueira e Elen Silva.

Ilustração por: Ulisses Júnior


comuna Como manda a tradição por: Pedrita Maria

Assim que passa o carnaval já se pensa logo no São João, uma das festas mais tradicionais por todo o Brasil. Mas para seguir essa tradição ao pé da letra há um longo processo de preparação. Uma das maiores tradições dessa festa é a quadrilha junina. A quadrilha teve sua origem numa dança das áreas rurais da Inglaterra dos séculos XIII e XIV chamada “country dance” e foi introduzida no Brasil, mais precisamente no Rio de Janeiro, possivelmente em 1820, por membros da elite imperial. Durante o Império, a quadrilha era a dança preferida para abrir os bailes da Corte. No sertão do Nordeste encontrou um colorido especial, associando-se à música, aos fogos de artifícios e à comida da Região. As quadrilhas ganharam tamanha visibilidade como tradição junina que acontece concursos em todas as regiões nordestinas e se tornou até profissão. Em Sal-

vador, além dessas quadrilhas tradicionais que participam de concursos, os bairros populares resgatam essa brincadeira séria como forma de manter o São João da capital e alegrar essa época que é comemorada em grande parte nos interiores da Bahia a fora. A quadrilha junina do km 17, localizada em Itapuã leva com essa dança a única forma de entretenimento para esse bairro no mês de Junho. Essa quadrilha surgiu a partir de um grupo de jovens que sentiram a necessidade de ter uma diversão na época junina. Eles apresentam na rua do bairro na véspera do São João com dois grupos, os dos adultos onde o nome é escolhido anualmente a partir do tema e o grupo das crianças chamado de Os Ingundados. A preparação envolve a criação de um tema, formação da equipe organizadora, distribuição de tarefas, seleção dos casais e enfim, elaborar

a coreografia e ensaiar muito até o dia da apresentação. Tudo isso é para ser feito em quatro á três meses antes do São João, porém as dificuldades aparecem ao longo do semestre. “Uma das maiores dificuldades no trabalho é reunir os interessados em participar da brincadeira (séria)”, diz Paulo Matos, um dos responsáveis pela quadrilha do km 17. Mesmo com os inconvenientes que aparecem, o responsável e toda sua equipe se satisfazem com o simples ato de trazer para a comunidade a alegria da festa junina. Entre as dificuldades estão também à falta de recursos econômicos. A captação do dinheiro é feita com os próprios integrantes para a confecção do vestuário e decoração da rua. Sem um produtor cultural, o bairro todo se dispõe na organização dessa festa. Por se o único evento durante o São João, a comunidade já espera pela apresentação como uma forma de interação na comunidade além de ver um pouquinho dessa tradição que não acontece somente nos interiores da Bahia.

Ilustração por: Adaílton Nunes

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perfil “Uma bola na mão e um bom coração” por: Jordana Feitosa O nome dele é Paulo Henrique Pereira da Silva, tem 35 anos, morador do Calabar desde que nasceu, e tem uma bela história de vida que serve de inspiração para muita gente. Tudo começou aos 14 anos de idade, quando trabalhava de boleiro no antigo Clube Espanhol e recebeu o convite do professor Zé Carlos para jogar basquete; depois disso, nunca mais parou. Poderia passar despercebido, mas alguns anos depois o destino passa a desenhar outro roteiro em sua vida. Quando em 1995, a quadra de esportes do bairro foi reformada, Paulo teve a ideia de convidar alguns meninos, que ficavam de bobeira brincando na quadra, a aprender o basquete de verdade a fim de ofertar a esses uma oportunidade de não se envolver na criminalidade. Na primeira semana tinham cinco, depois de um mês já tinham 30 e não conseguia dizer não para algo muito maior que começava a florescer. Todavia, mesmo encontrando resistência de outros moradores que utilizavam a quadra, assim como de outros espaços que treinava, nunca desistiu e três anos depois voltou para a comunidade, reformou tabelas e aros com dinheiro do próprio bolso e voltaram a atuar no local. Depois de 17 anos nessa situação, tirando dinheiro do próprio bolso para idas aos treinos, viagens, torneios e campeonatos, nesse ano de 2012, Paulo conseguiu fechar parceria com o Esporte Clube Vitória. Até então, só havia parceria com a Faculdade 2 de julho com o espaço e algumas bolsas de estudo para jogadores do projeto e a UFBA também. E quem pensa que é só chegar e treinar, não é bem assim, precisa estar bem na escola tanto com as notas como no comportamento para poderem jogar. Atualmente, Paulo é o treinador de 120 jogadores, entre meninos e meninas (20 meninas atualmente) a partir de 07 anos até 22 anos dentro do Grupo Comunitário de Basquete do Calabar e Alto das Pombas (GCBCAP). Com uma semana de treinos bem intensa, ainda é árbitro nacional, atuando em jogos dentro e fora da cidade e estado. Ufa! Haja fôlego, amor ao basquete – apesar de sua renda mensal de menos de um salário mínimo - e a crença de que o diferencial dessa iniciativa para a comunidade é a oportunidade dos jovens não entrarem na zona de criminalidade. Fotos: Jordana Feitosa

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fubá Parceria Scielo e Edufba por: Émille Cerqueira Desde 1992 a Editora da Universidade Federal da Bahia – EDUFBA – atua na UFBA com o intuito de auxiliar a difusão da produção científica da Universidade e fornecer acesso para alunos, professores e demais interessados. A editora passou a ser uma das redes associadas ao portal Scielo, neste ano que comemora 20 anos de experiência. A EDUFBA já contabiliza mais de 600 títulos publicados de temas diversos, possui três livrarias próprias, onde vende livros de sua publicação, de mais outras 60 instituições e de algumas editoras privadas de todo o Brasil. Com o objetivo de ampliar o auxílio para integrantes da Instituição e sociedade, a EDUFBA iniciou uma parceria com o Portal Scielo onde reunirá livros para download gratuito para todos que acessarem o seguinte endereço ele-

trônico: books.scielo.org. “Eu acho a parceria muito bacana, porque facilita o acesso da comunidade acadêmica a materiais científicos. Até para os estudantes de escolas, ou outros lugares que não seja uma universidade, facilita bastante, porque às vezes o estudante não tem condições de comprar um livro e você podendo lê-lo por um site gratuito é muito bom.” diz a estudante Ellayne Souza do 9º semestre de nutrição da UFBA. Para obter a leitura de algum livro da EDUFBA no portal da Scielo é muito fácil. Basta acessar o endereço eletrônico citado acima, do lado esquerdo da página clicar no slogan da EDUFBA e depois selecionar na página que irá se abrir quais os livros que deseja baixar. Os livros também podem ser lidos online em formato PDF de maneira legível em

computadores e leitores de ebooks, tablets e smartphones. No site, já se encontram disponíveis 200 títulos das mais diferentes áreas do conhecimento, porém alguns possuem acesso somente comercial. O portal é liderado e financiado por um consórcio entre editoras da UNESP (Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho), da FIOCRUZ (Fundação Oswaldo Cruz) e da UFBA (Universidade Federal da Bahia) com uma cooperação técnica da BIREME/OPAS/OMS e da Fundação de Apoio à Universidade Federal de São Paulo.

notas Agenciação – 5 anos da Agência Experimental! - Laurence Oliveira A Agência Experimental de comunicação e cultura, como instância da faculdade de comunicação, vem, desde 2007, produzindo grandes realizações junto às comunidades, dentro e fora do ambiente universitário. Ao longo de sua trajetória, já promoveu cursos de capacitação, mapeamento de manifestações populares e comunitárias, desenvolveu e se empenhou em diversos outros projetos, cujos resultados sempre culminaram em aprendizado e interação com as comunidades e movimentos sociais. Este ano a Agência completa 5 anos e não podemos deixar esta data passar em branco. Para festejar o aniversário em grande estilo, o Agenciação, projeto que leva cultura popular para dentro da universidade, será comemorativo! O evento acontecerá em setembro, mês da primavera, de renovação, inicio de mais um ciclo.

AECC no Intercom Nordeste - Lara Perl Nada mais justo que comemorar o aniversário com reconhecimento pelo trabalho. O JáÉ! (Jornal da Agência Experimental) e o Observatório Universitário da Cultura Popular, dois grandes projetos da instância, foram submetidos à Expocom (Exposição de Pesquisa Experimental em Comunicação) do Intercom Nordeste, um dos mais importantes congressos de comunicação do país. A carta de aceite chegou não só para os projetos da AECC, mas todos os produtos (e seus respectivos artigos) submetidos pelos estudantes de graduação da Faculdade de Comunicação da Ufba, o que representa uma grande conquista para a instituição. O evento ocorre nos dias 14, 15 e 16 de junho, em Recife.

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notas VI Festival das Artes Caldeirão Cultural 2012 - Émile Conceição

Peça teatral: Ópera do Malandro - Flávio Lima O musical, de autoria do músico, escritor e cantor Chico Buarque de Holanda é ambientada em um bordel, o musical conta a história de um malandro carioca, Max - Ídolo dos bordéis, tentando sobreviver nos anos 40, final da ditadura de Getúlio Vargas. A temática retrata a malandragem brasileira no submundo da cidade do Rio de Janeiro, com todos os ingredientes capazes de nos transportar àquela época, com a chegada das meias de nylon e dos produtos norte-americanos, que entravam clandestinamente. O cenário é a Lapa das prostitutas e da boêmia, e o período da Segunda Guerra assolando o mundo e mandando seus ecos para o Brasil. Quando? No mês de Junho Aonde? No SESC - Casa do Comércio. Horário? 18:30 ou às 20:00

Entre os dias 06/06 e 17/06 acontecerá no Centro Cultural Plataforma e na Praça São Brás (Plataforma) a sexta edição do Caldeirão Cultural. O Caldeirão é um festival de cultura popular organizado por grupos e entidades culturais do Subúrbio Ferroviário de Salvador. Este ano o evento conta com a colaboração da Agência Experimental em Comunicação e Cultura (grupo voluntário de extensão da Faculdade de Comunicação/UFBA) nas produções administrativa, artística e na assessoria de comunicação. O principal objetivo do Caldeirão Cultural é estreitar os laços entre o Centro Cultural Plataforma e a comunidade do subúrbio, fazer com que os moradores do bairro passem a frequentar mais este espaço cultural que é deles. Para isso serão oferecidos durante o evento oficinas, exposições, exibição de filmes, apresentações de dança, teatro, música, artes circenses, ações de incentivo a leitura e bate-papos culturais de forma gratuita ou com preços entre R$ 2 e R$ 4. Para este ano duas novidades farão parte do Caldeirão, um dia da programação em homenagem ao “Centenário de Jorge Amado” e o novo subprojeto, o “Por dentro da casa” que consiste em abrir as portas do Centro Cultural Plataforma para estudantes, a comunidade e todos os interessados em conhecer a dinâmica comercial e cultural do espaço. O projeto visa facilitar, aos grupos culturais, o entendimento dos procedimentos burocráticos das produções e, acima de tudo, aproximar a comunidade suburbana do centro.

Ilustração: Thiago Cerqueira

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Ilustração: Matheus Ferreira

JáÉ - 3ª edição  

Jornal da Agência Experimental em Comunicação e Cultura/ UFBA