Page 1

PERSONA this life is real


com grande dedicação e satisfação que apresentamos a

segunda edição da revista Persona. Planejada e produzida pelos acadêmicos da sétima fase do ano de 2019 do curso de Design de Moda UNESC|SENAI de Criciúma|SC. Nesta edição buscamos trazer para os editorias de moda, os aspectos da tecnologia e suas influências. Novas formas de editorias foram as propostas também desta edição, que tanto nos encheu de orgulho. As reportagens estão repletas de conteúdo sobre o universo de Moda dentro da nossa instituição. Os projetos como Enmoda, Beblue, Eu que fiz, entre outros, ganharam destaque. Assim como, reportagens com grandes profissionais como Flavia Desgranges Van Der Linden, Lucas Panchera, Josué Delfino, Betina Ghiel e outros.

Ao leitor

É

Com a intenção de romper tabus impostos pela sociedade, esta edição traz consigo uma visão jovial e inovadora com matérias que vão além das roupas. Voltadas especialmente para estudantes, docentes e todos os interessados pelo mundo da moda e seu comportamento, que buscam destacar as grandezas desse universo na era digital e despertar os prazeres dos leitores de revista de moda. É com imenso carinho que apresentamos a segunda edição da revista Persona.

Camila e Tainara

Boa leitura!


Quem fez

3

Projetos do Curso

6

Vida Real x Vida Virtual Gordofobia

14

18

Mercado da Moda e Áreas afins Corte a Laser

28

A Ciência dos Tecidos Moda e Tecnologia

31 33

38

Guarda - Roupa Cápsula Visual Merchandising Southern Soul Flat Lay

48

49

Flat Lay Roadie

53

45 47

34

SUMÁRIO

A Fotografia inovada com Iphone Nosedive

20


Quem fez EDIÇÃO

Alun@s da 7a fase do Curso Superior de Tecnologia em Design de Moda. Estes são os responsáveis pela criação e desenvolvimento de toda a revista e seus conteúdos, tanto em textos quanto imagens, sob orientação da professora Jadsnara Lunardi Brognara. Esperamos que vocês curtam!

Camila Mattos Goulart

Tainara Joaquim Salvaro

DIAGRAMAÇÃO Janie Andrade

Bruna Colonetti

Ana Paiva

Cheyenne Gonçalves

MÍDIAS SOCIAIS Laura Fontanella

Aline Aguiar

Amanda Zanette

Franciele Rebelo 3


EDITORIAL Érica Panchera

Cleonir Ferrarezi

Carolina Azevedo

Mayara Ugioni Nart

Helena Bitencourt

Larissa E. Tristão

Ana Carolina Silveira

Laiara Ketulyn Fontana

Thaís da Silva

Tatiéli Dasgotin

Jeissi de Oliveira

Daniela Back

Gabriele Bernardo

Viviane A. Casagrande 4


REPORTAGEM Daniela A. Carvalho

Clara Mann Boaroli

Danielle Matos

Mabel Vecchietti

Katieli S Dal Toé Larissa Porto Natalino

Larissa Gomes Kamer

Patrick Candiotto

PATROCÍNIO Caroline Junkes

Fernanda Geronimo

Carolina de Souza

Kemellen Pereira

Ligiane Junkes

Thaís Gonçalves

5


FASHION E VOCÊ PROJETOS DO CURSO KATIELI DAL TOÉ & Patrick Candiotto Katieli DalBYToé & PATRICK CANDIOTTO

6


design exp O projeto Design Experimental é o primeiro trabalho que o acadêmicx terá contato com o objetivo de promover a aprendizagem de forma dinâmica e interdisciplinar, facilitando o contato do acadêmico com a pesquisa, criação e execução de artigos do vestuário, considerando os fatores estéticos, ergonômicos, criativos e produtivos. No ano de 2019 os acadêmicxs criaram acessórios de moda com o tema Idade Média.

con.cei.to O

projeto Conceito é realizado pelos alunos da 2ª fase com o objetivo de apresentar temas sociais que são discutidos dentro da moda através de uma máxima representação conceitual feita por meio de bonecos. A moda conceito permite ao aluno ultrapassar qualquer fronteira que limite sua criatividade. O tema abordado no trabalho do ano passado foi corpo ruptura, nesse conceito a ideia de corpo perfeito ligado a moda é deixada de lado, o que interessa são os corpos reais, representados de forma exagerada, surreal ou até mesmo transformado. Nos projetos apresentados foram abordados assuntos como procedimentos estéticos, abuso sexual, feminismo, identidade de gênero dentre outros. 7


‘eu que fiz’ O projeto interdisciplinar ‘Eu que Fiz’ é realizado no terceiro semestre do Curso Superior de Tecnologia em Design de Moda do SENAI/UNESC pela 3ª fase, que apresenta um desfile de peças reconstruídas, usadas pelos próprios criadores. O projeto tem como objetivo criar a partir de temas livres, três modelos sustentáveis. O critério do projeto é usar peças que foram em algum momento descartadas para uso, buscadas pelos integrantes em seus acervos pessoais ou em brechós. Estimulando assim a criatividade e colocando em prática o Upcycling. Isso inclui uma extensa pesquisa, desenvolvimento do projeto, definição de cores, criação das peças e acabamento do modelo.

cápsula N

a quarta fase são realizados dois projetos principais que são a coleção cápsula e o editorial fotográfico. A coleção cápsula tem objetivo de proporcionar aos alunos uma experiência real da moda dentro da indústria, por isso é feita em parceria com alguma empresa local, no ano passado a escolhida foi a Rock City, marca de segmento skate, para quem os alunos apresentaram novas propostas de coleções com base nas tendências do WGSN. As peças escolhidas pela própria marca e pelos professores são confeccionadas e apresentadas através de editoriais. 8


comunic.ação

No editorial fotográfico Comunic.AÇÃO, os alunos desenvolveram as habilidades em produção de moda, o projeto é realizado inteiramente pelos alunos, desde a escolha do tema e preparação do cenário até a preparação da modelo, cabelo, maquiagem e posicionamento. Também são as próprias alunas que fotografam e modelam. A temática escolhida para o projeto do ano passado foi Tecnologia e Emoções, a partir disso algumas alunas trabalharam a evolução e relação de algumas tecnologias como videogames, televisão, celular e internet com fases da vida como a infância, já outras preferiram uma estética mais minimalista focando nas emoções.

be blue O BeBlue é um projeto interdisciplinar da 5ª fase, com foco na área do jeanswear onde os alunos fazem uma coleção, apresentada em desfiles e editoriais. Nesse projeto o SENAI trouxe em 2018 a colaboração com a empresa Santista Têxtil, que forneceu uma vasta gama de tecidos que foram escolhidos por cada grupo de alunos, e da Stone Wash, que forneceu os serviços de lavação e outros tipos de superfície do jeans, como rasgos, puídos e até cortes a laser. Os temas foram escolhidos pelos grupos de acordo com as tendências apresentadas pelo WGSN no ano passado (2018), dentre esses pudemos presenciar desde desfiles quebrando os padrões de gênero e de beleza até desfiles trazendo maior foco no luxo e glamour. 9


enmoda O

projeto Enmoda é realizado pela 6ª fase

em forma de desfile profissional e é o projeto mais aguardado pelas acadêmicas e pelos acadêmicos! Através do tema escolhido pelo próprio acadêmicx, precisam criar uma coleção de moda com 3 looks conceituais (selecionados por uma banca de docentes) o acadêmico ficará responsável por escolha de tema, desenvolvimento da pesquisa, criação da coleção e desenvolvimento das modelagens, confecção até a peça pronta, para assim então entrar na passarela, o aluno também irá vivenciar a correria no backstage e terá o prestígio de ser aplaudido após o desfile. O projeto é autoral e desenvolvido em parceria com as empresas de moda de Criciúma e região, grandes marcas apoiam o evento.

O Enmoda capacita o academicx para o mercado de trabalho, fazendo com que ele estimule sua criatividade, proatividade e muito conhecimento técnico. No evento Enmoda também é exposto todos os principais projetos realizados ao decorrer do ano pelos acadêmicos de outras fases. O Enmoda é considerado o maior evento de moda do sul do estado, o Enmoda é um evento da instituição de ensino SENAI\UNESC.

10


11


persona A

revista Persona é um projeto que foi realizado

pela primeira vez no ano passado pelas alunas da 7ª fase. A revista é voltada para alunos, professores e todos que sejam interessados ela área da moda e tem o intuito de trazer informações sobre o curso de moda e os projetos presente no mesmo, além de mostrar o caminho que alguns alunos traçaram depois da faculdade e trazer discussões sobre temas atuais dentro da moda, através das reportagens e dos editoriais. A primeira revista Persona teve a desconstrução como tema principal, o assunto foi apresentado através de um editorial feito com o ex-aluno Adevair caracterizado de Hanna Trent, sua persona drag queen. Outro editorial marcante foi o Arte na roupa, no qual o artista Hitalo Rocha foi fotografado durante seu processo de criação, realizando pinturas em uma jaqueta.

fashion revolution F

ashion Revolution é uma campanha de

conscientização no mundo da moda que ocorre durante uma semana, com o objetivo de fazer as pessoas pararem para pensar de onde suas roupas vem e questionar as grandes marcas sobre as origens das peças. O SENAI acolheu a campanha e durante a semana do dia 22 ao dia 28 de abril de 2019, a instituição preparou algumas atividades para os alunos e professores. Começando no dia 22 e no dia 23, foram feitas as fotos para a campanha “Quem fez minhas roupas?”, onde alunos e professores da instituição são convidados para mostrar suas etiquetas e questionar as marcas. No dia seguinte ocorreu um bate papo sobre Fashion Revolution e Denim Day. Os dois últimos dias da campanha foram reservados para o (RE)Bazar, que ocorreu um dia no Senai e o outro na UNESC, dando a oportunidade para as pessoas trocarem suas peças antigas ou que não usam mais por outras peças. 12


O

fashion tour Fashion tour é uma viagem de pesquisa de moda

anual da faculdade SENAI\UNESC, com o objetivo de treinar o olhar dos académicxs de moda para a caça de tendências em um ambiente repleto de informações. A viagem tem um cronograma incrível onde os academicxs conheceram shoppings, museus, feiras, casas de estilistas consagrados, lojas e brechós. Segundo a professora docente Camila Dal Pont Mandelli a viagem é perfeita para os alunos conhecerem o processo de pesquisa de tendências que geralmente as empresas de moda fazem, mencionou também que a viagem tem o intuito de criar uma relação artística em museus e feiras para aplicar na moda sem precisar seguir as empresas antecipadoras de comportamento. A viagem também conta com muita diversão nas noites mais badaladas da cidade de São Paulo, onde encontra-se os melhores e mais criativos bares e casa noturna da cidade. Os alunos têm as noites livres para se divertir nas noites da grande metrópole, restaurantes, bares\pubs e casas noturnas são uma ótima opção. A viagem é imperdível para aqueles que buscam conhecer e aprimorar sua capacidade de previsão de tendências. A viagem de pesquisa é parcelada mensalmente para que todos possam ir!

SENAI brasil fashion O

projeto SENAI Brasil Fashion é um projeto de

Educação Profissional, dedicado ao aprimoramento técnico de alunos do Senai e Senai CETIQT, nos processos de criação, produção e comunicação de Moda. O objetivo é promover a educação profissional e potencializar a transformação e a inovação, que são possibilitadas por um modelo de ensino e aprendizagem diferenciado. É um grande evento para mostrar novos talentos e trabalhar ao lado de grandes estilistas como Ronaldo Fraga, Alexandre Herchcovitch, Lino Villaventura e Lenny Niemeyer. A dupla selecionada irá vivenciar um percurso de coaching, criar, desenvolver e apresentar uma minicoleção. 13


REAL

VIRTUAL

Vida

14


15


O editorial VIDA REAL x VIDA VIRTUAL tem como propósito demonstrar a diversidade existente na beleza de cada mulher, assim transmitindo a ideia que sim, todas as mulheres e suas particularidades podem consumir e desfrutar destes produtos. Portanto, não se prenda e nem se compare aos padrões impostos. Seja feliz e se ame exatamente como você é!

16


PERMITA-SE

É REVOLUCIONÁRIO

VIVIANE CASAGRANDE

17

@sucessomodaintima


VOCÊ JÁ OUVIU FALAR DE Gordofobia LARISSA KAMER

Primeiro é importante ressaltar que gordofobia e pressão estética são assuntos extremamente diferentes, bom, gordofobia se trata do preconceito a pessoas gordas, o motivo desse prejulgamento é basicamente voltado a um padrão de beleza imposto pela sociedade, o qual o corpo ideal seria apenas o magro. Por outro lado, a pressão estética são pessoas magras que sofrem esse julgamento de “corpo perfeito”. Segundo dados do IBGE, considerando o IMC, o número de obesos aumentou de 12 a 19% nos últimos 10 anos, pode ser considerado muita gente, mas, mesmo assim, construímos o nosso mundo de forma a exclui-los. Assentos e catracas que corpos maiores não cabem, dificultamos até mesmo a acessibilidade no mercado de trabalho, muitas vezes fazendo um pré-julgamento achando que pessoas gordas são preguiçosas, o que está absolutamente errado, o que muda de uma pessoa magra para uma gorda? De que forma isso vai interferir no mercado de trabalho? São Essa parcela de pessoas não se vê representada em esses detalhes que não prestamos atenção. No mundo da moda isso se torna muito mais complicado, comprar uma blusa acaba se tornando um desafio sem tamanho, a grande maioria das lojas trabalham apenas com numerações que vão do 34 ao 42 e que muitas vezes não se encaixam na maioria dos corpos.

mídias sociais, quando algum influenciador se manifesta nas redes acaba recebendo palavras de ódio todos os dias, por pessoas intolerantes e preconceituosas. Devemos parar de rotular pessoas com padrões, gordo é uma característica física como as outras, baixas, altas, magras, morenas, loiras, são inúmeras características, mas nenhuma delas parecem incomodar tanto quando ‘’gorda’’ que em algumas situações soa como xingamento 18


Por fim com o depoimento de Bernardo no canal do YouTube Bernardo Fala, ele diz o que acha sobre a gordofobia: ‘’Gordofobia é ter nojo de pessoas gordas, horror, ódio, pena. É olhar para uma pessoa gorda e sentir pena, achar que ela é burra, relaxada, preguiçosa é achar que é melhor que alguém só porque é magro”. Em meio do processo de fotografia da nossa modelo Jessica Possamai, ela relatou que sofreu muitos preconceitos devido a gordofobia, mas com o passar do tempo acabou se habituando a se olhar no espelho e se amar. Ela explicou em poucas palavras os motivos pelo qual a gordofobia afetou a sua vida. É sobre aprender de alguma forma se gostar, de saber que peso ideal não existe, afinal o que é peso ideal? Saber calar-se e entender ninguém é privilegiado. Lembre-se quando não souber o que falar, não fala, muitas vezes se sentir ruim ou culpada, por comer e beber, e muitas vezes violar o seu corpo, mal tratá-lo, se perguntando o porquê você tem que ser assim. É sobre muitas vezes você escutar besteiras do tipo “ você tem que se cuidar se não seu marido vai te trocar por outra ”, e dê repente você começar a questionar, ao ponto de não querer mais viver, não e não é por falta de me cuidar. Quando não souber o que me falar cale se.”

19


MERCADO DA MODA e areas afins O mercado da moda é bastante extenso e oferece diferentes oportunidades para os profissionais exercerem seus talentos. É possível observar hoje no mercado de trabalho, quantos profissionais de diferentes áreas que trabalham juntos por um mesmo resultado. Para isso é importante que todas as funções tenham conhecimento de todo processo para concretização do produto, visando sempre o melhor processo de fabricação e usufruindo das melhores tecnologias. A seguir o relato de alguns profissionais da área de Estamparia, Marketing, Fotografia e Modelagem.

ESTAMPARIA Jaqueline Miranda Fernandes, 29 anos, é Designer de Superfícies da empresa La Moda. Detentora das marcas Lança Perfume, MYFT e ENNA. Com formação em Design Gráfico – Faculdade SATC, Curso de Coloração Instituto Rio Moda e Curso de Estamparia – Instituto Rio Moda, a designer atua à 9 anos na área, sendo responsável por estampas bem marcantes das marcas. Jaqueline acredita que para um designer ter uma carreira sucessora na área da moda, ele precisa se manter sempre atualizado referente à técnicas de estamparia, à softwares de desenvolvimento de estampas, tendências, desfiles, entender dos processos de confecção e estamparia, ter uma boa relação interpessoal no ambiente de trabalho, estar aberto à críticas e opiniões e sempre observar os detalhes. Com sua experiência no mercado ela pressupõe que a moda atual vive um cenário de grandes tecnologias, sustentabilidade e mídias sociais. Segundo ela, hoje a moda está mais aberta, as peças não são mais “ultrapassadas”, o legal é ser original. O futuro da moda será cada vez mais SER do que TER, as pessoas vão vivenciar muito mais os momentos, a família, o estar em casa, as roupas precisarão ter mais sentido, ser utilizadas em mais ocasiões. Uma das suas principais inspirações é o designer Gabriel Oliveira e a designer Clau Cicala. As marcas Lança Perfume, Versace, Balmain, Fendi, Miu Miu, Nastigal e Farm estão na lista das marca que mais admiram. 20


Um dos momentos mais marcantes da sua carreira foi: O Prêmio Vera Olivo, onde ganhou 14 destes, entre eles estampas mais vendidas e designer desejo do estilo:

Bright Tower em Londres, quando foi na sua primeira viagem de conceito e temática pela Lança Perfume na coleção Inverno 19, que hoje está nas lojas. Estiveram na Inglaterra, Escócia e País de Gales.

Pantones foi um curso no Rio com o designer Gabriel Oliveira que é o diretor de arte da Farm:

Essa estampa feita por ela que virou conceito e foi para a campanha da marca Lança Perfume:

Daniela Carvalho

21


R

FOTOGRAFIA

enata Cechinel, 29 anos, é formada em fotografia e atua como Fotógrafa de

Moda. Desde 2008 com produção e figurino (inicialmente assistenciando), de 2012 a 2016 como fotógrafa informal e formalmente desde 2016. Para ela um dos requisitos necessários para a carreira de fotógrafa é ser curiosa(o), observadora(o), persistente, criativa(o) e incansável. Ela relata que nos últimos 10 anos viu muita coisa acontecendo. Desde quando começou como assistente de figurino e produção em 2008 até hoje como fotógrafa, viu marcas que investiam alto em campanhas e atualmente trabalhando com menos de 1/3 desses orçamentos. Ressalta que o mercado mudou, existem muitos fotógrafos atuando no mercado. O acesso ao crédito, o aumento da qualidade de vida no Brasil fez com que o país experimentasse um consumo muito maior com relação a tecnologia. Pontos positivos segundo ela? Maior índice de pessoas com curso superior, com especialização, com carreiras empresariais e autônomas. Pontos negativos? Maior concorrência, preços cada vez mais baixos com relação às prestações de serviço. Renata diz que hoje, é preciso ser um profissional “especial”, mostrar o quanto você tem diferencial, mas levando em consideração o quanto a internet e a imagem dela influencia o mercado e os prestadores de serviço, nos tornamos um exército de resultados iguais. Sobre esses resultados entregues hoje, mais do que a própria qualidade do produto e do material publicitário, o que conta é a mensagem, a tendência de comportamento, o lifestyle e a agilidade que é entregue para mídias impressas e especialmente online, para um consumo ainda mais ágil e efêmero. O futuro? Acredita que com o avanço da tecnologia, vai extinguir muitos serviços na área e vai abrir portas para outros mais. Um exemplo muito simples: A 10 anos atrás era inimaginável que empresas precisariam contratar profissionais só para gerar conteúdo digital. Em outras áreas como publicidade de produtos, acredito que a fotografia será totalmente substituída por 3D. Quanto às pessoas que inspiram Renata, a mesma destaca que as pessoas que a inspiram trabalham duro, não dependem de familiares, conquistam de verdade, sem usar herança e influência parental. Em relação às marcas, ela admira a identidade visual do mercado de luxo, clássicos como Chanel, Armani, Versace, Prada, etc. Todavia hoje em dia admira muito mais quem consegue criar seu próprio negócio, com muita criatividade, bom gosto e responsabilidade. 22


@ re

acechine l na t

Renata gosta muito de um projeto autoral que realizou em 2017 chamado Erva Venenosa, ele mostra um lado B do seu estilo, algo que as pessoas talvez nem imaginam que tenha a ver com a sua personalidade, porĂŠm, ela gosta pela arte e mĂşsica. Uma identidade muito mais punk, urbana, underground e pesada. Abaixo segue imagens do projeto:

Daniela Carvalho 23


MARKETING Priscilla da Silva de Souza, 40 anos, é Supervisora de Marketing da marca Innocenti Jeans. Graduada em Jornalismo e pósgraduada em Marketing e Comunicação Publicitária ela atua à 8 anos em Assessoria de Imprensa Parlamentar e 10 anos em Fashion Marketing. Ela acredita que ser proativo, intenso, extrovertido, apaixonado por moda e amante dos desafios que o marketing proporciona são alguns dos requisitos para a carreira na área. Nem sempre a pessoa que tem a melhor formação é o melhor profissional, mas sempre a pessoa que tem muito interesse e que se joga de cabeça no desafio, se destaca na vida profissional. Priscilla relata que o mercado de moda está cada vez mais competitivo, porém cada vez mais fácil de entender. A moda, e quando fala em moda fala em pessoas e poder de compra, está cada vez mais direcionada para um universo que busca qualidade e não quantidade. Pessoas preocupadas com a sustentabilidade. Em um mundo onde o poder de consumo chegou no limite de produção, a sustentabilidade é a palavra da vez. Nunca esteve tão na moda a compra consciente e a necessidade de produtos de qualidade ou o “reuse’”. As marcas com propósito de serem diferentes, fazer diferente, pensar fora da caixa, estão muito em alta. Priscilla ressalta que, vai sobreviver no mercado da moda quem estiver ligado que o menos é mais e que o poder de compra do futuro é totalmente voltado a qualidade, novas tecnologias e produtos sustentáveis. Roberto Justus para ela é a pessoa que mais à inspira como um líder. Ela pensa que para você se tornar um líder você deve se inspirar em líderes, mas hoje vem acompanhando o trabalho de Caio Carneiro, autor do livro SEJA FODA. Caio é influenciador, empreendedor, palestrante e Network MKT Pro. Uma grande inspiração por se tratar de um jovem que resolveu ser intenso e deu certo. Sugar Bird e Sérgio K são as marcas que mais admira.

24


Abaixo segue imagens do trabalho desenvolvido por Priscilla:

25


MODELAGEM Daniela Carvalho

Greice Kelly Scheffer, 32 anos, é empresária, proprietária da empresa Madame Scheffer, modelista e estilista. Com formação em Técnico em Confecção do Vestuário, Superior em Tecnologia em Moda e Estilo, Pós-graduada em Moda e Gestão em Marketing. A empresária atuou 10 anos como modelista em várias empresas de confecção, nos últimos 3 anos trabalhou também confeccionando vestidos de festa e noiva. A 6 anos administra seu ateliê (Madame Scheffer), onde além de desenhar, ela modela e costura os vestidos de noiva, pois pra ela não basta criar, é preciso participar de todas as etapas. Ela tem uma outra paixão que é ser professora, nesse último ano está atuando como professora de modelagem no Senai de Criciúma. Greice acredita que para ser um modelista, tem que ter um raciocínio lógico, se especializar na área e claro, gostar muito de modelagem. Para a etapa de criação e confecção de vestido de noiva, além de se especializar em modelagem, tem que estar sempre ligado nas tendências, gostar muito do mundo de casamento e ter muita paciência. Ela destaca sobre o mercado da moda que devido ao acesso fácil às redes sociais, as pessoas se atualizam mais rápido e a moda tem que acompanhar essa evolução. Uma opinião pessoal da entrevistada é que o mercado do futuro são as empresas atacadistas, pois elas acompanham essa rapidez que o mundo está hoje, lançando quase que semanalmente minicoleções para o consumidor cada dia mais atendo as novidades. Muitas pessoas à inspiram, mas ela diz não tem uma em especial, mas um conjunto de pessoas notórias que estão ao seu lado em seu caminho que as inspiram e a fazem ir sempre em frente. Admira as marcas como, Oscar de La Renta, Sandro Barros, Elie Saab, Emanuelle Junqueira e Zuhair Murad.

26


27


CORTE A LASER A indústria da moda caminha a passos largos rumo à tecnologia, sendo este um fator que determina no crescimento de várias empresas. Pois, em alguns casos as máquinas podem funcionar muito mais rápido e com melhor precisão do que o trabalho manual. Exemplo disso, podemos falar sobre o corte a laser dentro das empresas desse setor, que contribui muito na qualidade no corte das peças. A Stone Wash Lavanderia, é uma empresa que trabalha neste setor. Por isso, conversamos com Josué Delfino o responsável pela comunicação da empresa para entender melhor este processo e aqui segue uma entrevista com algumas dúvidas a respeito dessa inovação.

O que é o laser? “O laser é a abreviação em inglês de Light Amplification by Stimulated Emission of Radiation que significa Amplificação da Luz por Emissão Estimulada de Radiação. Esse feixe de luz é tão denso que derrete e faz o material evaporar‚ possibilitando não apenas o corte complexo de peças de diversos materiais como também a gravação através da regulagem de energia e profundidade. Tais regulagens são feitas via software, havendo inúmeras possibilidades de aplicação, que no nosso caso aplicamos no Jeans, resultando nos mais variados efeitos. Efeitos estes como: bigodes, puídos, used, cortes e estampas no Jeans. Isto em uma lavanderia de customização em Jeans, tal como a Stone Wash Lavanderia.”

O que é o corte a laser? “O corte a laser é uma das tecnologias que possibilitaram o desenvolvimento de peças complexas com um custo muito baixo em relação as outras alternativas de corte. As principais vantagens do corte a laser são, em primeiro lugar a precisão e a capacidade de realizar cortes complexos antes feitos através de mais de um processo e inclusive com auxílio de trabalho manual. Hoje, com a capacidade de corte e controle programado via Software é possível acelerar o processo e diminuir os custos. Sendo uma tecnologia que permite o máximo de aproveitamento da peça‚ diminuindo o desperdício e ajudando o meio ambiente por consumir menos matéria prima.” 28


Qual a contribuição do corte a laser? “É possível entender que o corte a laser possibilita o avanço de diversas áreas por permitir de uma forma muito mais eficiente, a confecção de peças complexas que antes eram produzidas de forma muito mais demorada e por vezes até com serviço manual aumentando as chances de erro. Contribui, e muito para o fator ‘qualidade’.” 29


Como funciona o processo de produção dos produtos?

“Nosso processo de produção varia para artigo (tecido) e também para a maneira de trabalho de cada cliente. Recebemos uma peça piloto bruta que será lavada no setor de desenvolvimento. É lá que ela será criada de acordo com o que o (a) estilista solicitar. Depois de aprovada, a peça piloto será usada para produção de mostruários e em seguida, para lavagem em grande quantidade. A utilização do laser garante rapidez e precisão, pois antes, todo trabalho de bigodes e puídos eram manuais. O que acarretava em mais demora para ficarem prontas, sendo que também as peças nem sempre ficavam iguais a piloto. Com o laser o resultado final fica perfeito!”

Sabendo que existem vários tipos de corte a laser, qual o adequado para a indústria têxtil? “Lasers de CO2 (gás laser)” O laser de CO2 são lasers de gás, que são baseados em uma mistura gasosa de dióxido de carbono, o qual é estimulado electricamente. Com um comprimento de onda de10,6 micrómetros, são principalmente adequadas para trabalhar em materiais não metálicos e na maior parte dos plásticos. Lasers de CO2 têm uma relativa alta eficiência e possuem uma boa qualidade do eixo. Eles são, portanto, os tipos de lasers mais utilizados. Adequado para os seguintes materiais: madeira, acrílico, vidro, papel, têxteis, plásticos, chapas e películas, couro e pedra.”

Larissa Porto Natalino 30


ocê já deve ter ouvido falar naquelas peças que não sujam

Imagine você, que acabou dormindo um pouquinho a mais, acorda atrasado e mal lhe sobra tempo para um cafézinho durante a manhã. Imagine ainda que nessa correria você pega seu café, e sem querer, derruba em sua camisa. Se for um tecido normal, vai lhe custar ainda mais tempo que você não tem. Mas, e se for um tecido que utiliza algum dos benefícios nanotecnologia? A sua camisa estará intacta e você não precisará se atrasar ainda mais com a troca de sua roupa. Porém, a pergunta é:

O que é essa nanotecnologia? Conversamos a respeito do tema com a empresa Nanovetores Tecnologia S.A, e a Dra. Betina Ghiel que nos explica um pouco o que é essa inovação.

Nanotecnnologia é a ciência que estuda os materiais

nanométricos. O nanômetro (nm) é uma unidade de medida e corresponde a 10-9 m ou seja, a décima parte do metro, algo invisível aos nossos olhos e por isto a nanotecnologia é também chamada como a ciência do invisível.” Ou seja, a nanotecnologia atua no desenvolvimento de materiais, contribuindo para diversas áreas, como a medicina, eletrônica, ciência da computação e engenharia dos materiais, na qual está inclusa a área da moda, na produção de tecidos. E como essa ciência contribui na produção de materiais? Podemos dizer que a nanotecnologia contribui muito na elaboração de estruturas estáveis, melhores que na sua forma normal, porque os elementos se comportam de maneira diferente em nanoescala, e é possível que se tenha um maior conhecimento do produto quando ele está inserido a essa ciência.

Larissa Porto Natalino

né? Mas, como assim, roupas que não sujam?

A ciencia dos tecidos

V

31


A nanotecnologia é uma ciência multidisciplinar e encontramos aplicações

dela nos diferentes segmentos industriais. Para a tecnologia da informação, o exemplo dos smartphones é muito interessante pois eles só se tornaram menores e mais potentes graças a nanotecnologia. Na construção civil temos materiais mais resistentes e finos. Para a área de saúde, os ganhos são enormes como aumento de desempenho e performance, aumento de eficácia dos produtos cosméticos e farmacêuticos, redução de efeitos adversos. Na área da moda a grande vantagem da nanotecnologia é a funcionalização de tecidos permitindo que os mesmos passem a entregar diferentes benefícios as peças de vestuário. As roupas passam a ser grandes aliados do consumidor, pois deixam de ter apenas atributos de moda para ter funcionalidade de cosméticos por exemplo. Nesta área temos vários ativos que podem por exemplo, hidratar a pele, repelir insetos, ajudar na redução do aspecto da celulite, gerar refrescância durante uma atividade física, enfim promover saúde e bem-estar.” -Explica a Dra. Betina. Podemos citar as roupas dos bombeiros, que estão aptas a grandes quantidades de calor graças a essa ciência. O tecido nanotecnológico das roupas desses profissionais, permite que eles consigam trabalhar em lugares mais quentes por mais tempo, como é no caso de combate à incêndios. Se você achou que essa ciência parece bastante complexa, você tem toda a razão, porém na indústria da moda, os nanoativos são líquidos que podem ser facilmente aplicados nos diferentes processos de produção da indústria têxtil. Perguntamos à Dra. Betina também, quais os tipos de nanotecnologia.

O

s nanomateriais são classificados em lábeis (que são os biodegradáveis) e

os persistentes – que não se degradam. A Nanovetores trabalha apenas com sistemas biodegradáveis, fabricados com tecnologia limpa sem uso de solventes orgânicos, num processo sustentável. Por isto nossos ativos são seguros para os consumidores e para a natureza.”

Bem, como vimos aqui, a nanotecnologia é uma inovação e tanto para as mais variadas indústrias. E por ser um sinônimo de alto desempenho e eficácia, a ciência está cada vez mais presente em todos os segmentos e na moda não é diferente. 32


Moda e Tecnologia

Equipe: Carolina Azevedo Mayara Ugioni Nart TatiĂŠli Dasgotin

Modelo: Larissa Porto Natalino

33


A FOTOGRAFIA INOVADA COM IPHONE

Tecnologia Como se percebe atualmente, a tecnologia vem tomando conta do mundo em que vivemos. Cada vez que o tempo passa, uma nova ideia surge ou uma nova função adicionada a alguma coisa. Alguém sempre estará um passo à nossa frente, inovando, criando, desenvolvendo e mostrando para o mundo que podemos ter sempre mais. E nesta matéria falaremos sobre um projeto muito interessante que foi descoberto por um acaso e vem seu ganhando espaço com muita criatividade.

Fotografia Digital Podemos voltar ao ano de 1957, que foi o período em que a primeira fotografia digital foi tirada e reproduzida em um computador. Ela funcionava quase como um scanner, com base nos relatos de IPF (2017) em que a pessoa se posicionava em frente ao equipamento, copiando a imagem e transferindo a um computador. Em 1975 um engenheiro chamado Steve Sasson, o qual trabalhava na Kodak, criou a primeira máquina fotográfica digital, utilizando um sensor Fairchild CCD e uma objetiva de uma câmera de filmar da Kodak. Após esta invenção tecnológica, as inovações se iniciaram a partir deste protótipo, alcançando cada vez mais o desejo das pessoas, criando câmeras e lentes diferentes, mais aprimoradas, com mais nitidez e aí por diante. Conforme os anos foram se passando, a tecnologia foi sendo melhorada com o tempo, consequentemente, surgindo centenas de equipamentos fotográficos super avançados, incentivando e alimentando cada vez mais a fotografia profissional.

34


A inovacao Voltando um pouco ao início desta matéria, foi comentado que por meio de um acaso, uma necessidade, a fotografia profissional largou das mãos a câmera fotográfica digital. Conforme Vieira (2018) uma mulher, chamada Marcela Velozo, que afirma ter sido apaixonada por fotografia a vida toda, estava ajudando sua irmã com sua loja em um dia de fotos. Porém ao acaso, a fotógrafa acabou não aparecendo nesse dia e asolução de Marcela foi fotografar com o seu próprio celular. Foi então ali, que surgiu a ideia de montar um projeto de fotografia profissional com equipamento caseiro, um Iphone 7 Plus, criando suas fotos e editando todas no mesmo lugar. Marcela afirma que para uma foto ficar perfeita alguns requisitos são básicos. “O mais importante para um bom resultado é a iluminação, desde estudar e saber usá-la. Não precisa ter equipamentos de iluminação artificial. Em todas as fotos, eu uso só a luz do sol. O segredo é esse!” Marcela então, inspirou outras pessoas a iniciarem esse mesmo projeto, incluindo o nosso entrevistado, Lucas Panchera. Que observando toda essa inovação sendo aplicada, percebeu que o equipamento principal estava em suas próprias mãos.

Entrevista com Lucas Panchera Ao decorrer da conversa, que foi feita virtualmente. Lucas afirma que seu gosto pela fotografia surgiu desde muito novo, com câmeras caseiras ele tirava fotos da sua irmã, a qual é modelo profissional e sempre gostou muito disso. Lucas ressalta que, atualmente trabalha profissionalmente com isso, ele diz: “É meio que um hobbie que se tornou um trabalho, felizmente (e surpreendentemente) tive muita aceitação na região, algo que não esperava pelo fato de serem fotos feitas no iPhone.” O seu estilo fotográfico cabe em conceitual, sensual, fashion e lifestyle, sem preferências para trabalhar com homens e mulheres, porém quem mais o procura, é o público feminino. Como já havia visto os trabalhos da Marcela com o seu iPhone, ele nos conta como e quando resolveu adaptar para a vida dele esse projeto. 35


“Foi no verão, estava na praia de férias e comecei a fotografar minha irmã e deu super certo o resultado. Depois disso algumas pessoas me chamaram para fazer ensaios e eu fui aprimorando cada vez mais o meu trabalho (e ainda sigo aprimorando).” O celular que Lucas usa para fazer suas fotos, é um iPhone 7 Plus e ele nos conta, como ele faz para que suas fotos precisem do mínimo possível de edições. Incluindo melhoria de resolução e qualidade de imagem:

“Costumo fotografar sempre com luz. Amo a luz natural, a luz do fim de tarde mesmo, fica incrível nas fotos. Então isso acaba me ajudando bastante na hora da edição, só tenho dificuldades com resolução quando o ambiente é muito escuro e com quase nada de iluminação, ou em dias chuvosos, por exemplo.” No meio da conversa, procurei saber se pelos conhecimentos dele, ele teria alguma dica para passar baseado na sua experiência para outras pessoas. E a resposta dele foi que por mais simples e fácil que pareça fotografar com um Iphone, a pessoa deve ir atrás de suas habilidades, mesmo fotografando com uma câmera digital profissional. “Para criar fotos que possam ser consideradas profissionais, é importante estar ligado nos detalhes como a luz do ambiente (se entra luz natural, se vai precisar de luz artificial). A composição e o enquadramento da foto também são muito importantes. Conferir se a lente está limpa antes dos ensaios ajuda ainda mais na nitidez e na qualidade das fotos feitas com iPhone e, mais uma vez, invista em luz, ela é muito importante, seja artificial ou natural.” No fim da nossa conversa, Lucas deixa uma mensagem sobre o que pensa dessa técnica e o que pretende passar ao outros através da sua fotografia.

36


Instagram: @pancheraphoto

No início eu tive muito receio de entrar nesse mundo da fotografia

com um iPhone, hoje em dia as pessoas são muito críticas, principalmente quem trabalha no ramo da fotografia e é natural ter medo de ser criticado por não ter uma câmera ou por estar fotografando com um iPhone. Mas acredito fortemente que temos que lutar pelos nossos ideais, por mais difícil que possa parecer o início, se você é uma pessoa criativa, que acredita no seu talento e na força dele, você deve encarar. Tive sorte de, antes de entrar nesse meio, ter recebido muitos elogios de fotos feitas por mim, antes mesmo de decidir fotografar de forma profissional. Foi isso que me fez seguir adiante e, cada vez que eu entrego um ensaio para uma cliente e vejo a alegria nos olhos dela, me faz ver que eu estou seguindo o caminho certo. É incrível poder transmitir a beleza de alguém através da fotografia. Então a minha mensagem é para que lutem pelos seus desejos, eles podem parecer complicados as vezes, mas acredite na sua força para alcançá-los. Você tem ela aí, em algum lugar dentro de você.”

Clara Mann Boaroli 37


Nosedive

BLACK MIRROR

I

magine viver em um mundo onde a sua reputação fosse feita através de pontos somados, feitos por avaliação de outras pessoas sobre você. E esses pontos fossem utilizados para pagar aluguel, filas preferenciais e outros privilégios que hoje só podem ser adquiridos através do dinheiro. Então quanto mais pontos você possui, mais fácil é o seu acesso a alta sociedade. O mundo cor-de-rosa, onde as pessoas são artificialmente gentis com as outras. Proposta esta que o editorial de moda Nosedive se inspirou, com base no terceiro episódio da primeira temporada da série Black Mirror. 38


H I

Y

A

N

39


40


41

back to the future


42


A

E

43


equipe

FotĂłgrafo: Lucas Panchera

@pancheraphoto

Modelos: Aghata Benedet Nicolete Emmanuel Goulart Larissa Porto Natalino Marcio Monteiro da Silva

Maquiadora: Ritiane Peres Marcas: Belle Cosi @belle.cosi Di Piero Uomo @dipierouomo

Editoras: Cleonir Ferrarezi Daniela Back Érica Panchera 44


Tenha um guarda roupa capsula -

Danielle Matos

Sou suspeita para falar, pois meu guarda roupa é lotado de roupas, mas devo usar sempre as mesmas 30 peças durante o mês. Lembrando que este é um número de peças considerado ótimo para um armário cápsula. Pensando em facilitar sua vida na hora de se vestir com estilo de forma prática, segue essas dicas especiais para ter um armário cápsula.

1- Você pode selecionar suas peças favoritas em um dia de folga. 2- Use um tempinho para fotografar como gosta de usá-las. 3- Divirta-se misturando as peças de maneira que você nunca pensou que poderia usar.

Mesma saia e dois looks

4- A internet será sua aliada na hora de fazer mix de peças e estampas com o que você já tem.

45


Modelo: Larissa Porto Natalino

Mesma salopete e três looks

inspiram muito na hora de escolher o que vestir. Mesmo com várias opções no armário, sempre temos as preferidas não é mesmo? Então se você não tem coragem de abrir mão do seu guarda-roupa recheado, que tal aprender a usar de forma diferente as preferidas?!?

Mesma calça e dois looks

Estas imagens me

46


Visual Merchandising Pensando em criar uma marca ou abrir uma loja? Quais valores você defende e quer transmitir? Qual imagem quer passar? Qual público quer atingir?

Hoje em dia está cada vez mais difícil criar uma diferenciação em relação a sua loja ou marca, a loja em si tem se tornado uma oportunidade para criar esta diferenciação e o visual merchandising tem sido uma ferramenta valiosa para conquista e permanência de clientes no seu ponto de venda.

O que é visual merchandising? Segundo Blessa (2001, p. 22) Visual Merchandising é a “Técnica de trabalhar o ambiente do ponto-de-venda criando identidade e personificando decorativamente todos os equipamentos que circundam os produtos. O merchandising visual usa o design, a arquitetura e a decoração para aclimatar, motivar e induzir os consumidores à compra” Assim sua função é: criar uma imagem que colabore com o aumento das vendas. Fidelizar o cliente através de uma experiência de compra extraordinária, única. Segundo o Expert no assunto Max Daguano, o Visual Merchandising está inserido no ambiente de loja, são todos os locais que o cliente tem acesso com algum dos cinco sentidos: a visão, o olfato, o paladar, a audição e o tato. Todos esses lugares têm uma obrigatoriedade de se preocupar com Visual Merchandising, pois ali o cliente tem acesso. Pode ser dividido em dois grandes grupos: Store design: todos os equipamentos da loja, vitrine, porta, manequins, iluminação, sons entre outros detalhes visíveis, é tudo aquilo que serve para expor o que o cliente leva para casa. Visual Merchandising: A forma como os produtos são expostos. Diz-se que "uma imagem vale mais que 1000 palavras" isto é a base do Visual Merchandising. Cerca de oitenta por cento das nossas primeiras impressões sobre algo, se dão pela visão. Por esses motivos é indispensável o cuidado estético na exposição e no ambiente como um todo, passando assim imagem positiva para o consumidor. 47


@roadie.co

SOUTHERN SOUL

48


Mabel Vecchietti

viu muitas fotos neste estilo nas redes. Trata-se de uma técnica fotográfica, onde os objetos que compõem a imagem são organizados em uma superfície plana e registrados do alto, valorizando tanto a composição quanto os detalhes de cada peça. A fotografia permite uma visão uniforme e organizada de todos os elementos que a compõem. O termo surgiu em 1987 quando Frank Gehry, um faxineiro de uma fábrica de móveis, organizava todos os dias as ferramentas e peças que encontrava jogadas pelo local em uma mesa com fundo neutro em ângulos de 90 graus. Logo seu modelo seu modelo de organização ficou conhecido e ganhou o nome “knollin”, fazendo alusão à Knoll, marca de cadeiras que era produzida no local. Em 2009, esse método knolling começou a ganhar fama quando o escultor Tom Sachs o adotou como forma de arte. A partir daí o knolling foi se flexibilizando e gerando as fotografias que hoje conhecemos como Flat Lay. Uma maneira prática para entender o design de Flat Lay é analisar o perfil Cool Flat Lays (@coolflatlay) da queridíssima Flavia Desgranges Van der Linden, ela é a maior referência do assunto na nossa opinião. E caso você esteja se perguntando se ela é brasileria.... Sim! Ela é brasileira!!! E sim! Ela é de Criciúma!!! Conversamos com a super Flavia e está ai o resultado.

LUZ, CÂMERA E AÇÃO!

Você pode até não conhecer este termo, mas provavelmente já

49


O que a motivou a trabalhar com fotografia em estilo Flat Lay? ‘‘Há alguns anos comecei a fotografar flat lays para o instagram do meu blog, o @fashioncoolture. Ainda sem saber que esse era um estilo de fotografia. A princípio fotografava algumas peças que recebia das marcas, looks, tudo no chão e com o celular mesmo. Comecei a gostar bastante de montar essas produções e então resolvi criar um instagram só para me dedicar a esse conteúdo, pois comecei a perceber que era uma outra oportunidade de trabalhar online com fotografia, sem precisar me expor tanto.’’

Quando percebeu sua vocação? ‘‘Desde 2010 trabalho com fotografia online, a princípio com os looks do dia, mas sempre com um lado mais artístico, uma preocupação com a composição da foto como um todo, a escolha dos cenários na rua, harmonia de cores. O meu foco primário era a fotografia, e não a moda em si. Então foi uma evolução natural da fotografia de street style para a fotografia de flat lays. E as questões de harmonia e composição vieram através dessa experiência com os looks.’’

Quanto tempo leva uma produção? Descreva seu processo de criação. É absolutamente variável. Em alguns casos, consigo fazer até 6 flat lays por dia, mas em outros me dedico a apenas um. O meu método de trabalho é lento, não tenho interesse em produzir em quantidade, mas sim qualidade. Então não trabalho por diárias, e sim conforme a quantidade de produções. Em alguns casos o cliente me passa um briefing, orientação de cores que serão usadas em outras campanhas da marca, ou temas e datas específicas. Em outros, consigo produzir conforme as peças me inspiram, busco elementos que vejo afinidade, e trabalho muito com harmonia de cores, é o principal elemento que norteia minhas composições. Em todos os casos, sempre friso para os clientes a necessidade de aprovação das peças principais a serem trabalhadas por mim. Nem todo tipo de peça funciona bem nesse estilo de fotografia. Além disso, preciso garantir a harmonia e o resultado das fotos e a seleção das peças é primordial. 50


O que o Flat Lay significa para você? Hoje é o meu trabalho principal e a minha forma de expressão. Gosto muito das possibilidades que o flat lay me dá de explorar outras áreas além da moda.

Suas produções na grande maioria exploram a área de moda. De onde surgiu esta preferência? Como mencionei anteriormente eu trabalhava com moda no meu blog desde 2010, então muitos dos meus contatos são da área, clientes que migraram dos looks para os flat lays. Além disso, grande parte do meu acervo é de peças de moda, e isso acaba refletindo naturalmente nas composições.

Como é o seu trabalho? Trabalha sozinha? Atualmente trabalho sozinha, mas tenho o apoio do meu namorado, que também trabalhava comigo no blog. Nos flat lays sou responsável pela produção e fotografia. Basicamente trabalho com fotografia de produto, mas de uma forma mais criativa e interessante. Algumas vezes produzo em cima de briefings dos clientes, em outras tenho total autonomia.

Você já trabalhou com várias marcas importantes. Poderia apontar uma da qual amou trabalhar? O meu primeiro trabalho com flat lays foi para a Gap, na época ainda nem tinha o @coolflatlay e eles viram potencial nas minhas fotos, então tenho muito orgulho dessa parceria. Outra marca que foi uma honra trabalhar foi a joalheria Pandora, fizemos trabalhos para o escritório no Brasil e na Dinamarca no formato flat lay. 51


Qual sua fonte de inspiração? Basicamente o instagram e o pinterest. Em ambas as redes encontro muita inspiração, aprendo e compartilho o meu trabalho.

Como fazer um flat lay em casa? Bom, eu faço todos os meus flat lays em casa. Não tem mistério, fotografo com luz natural, próximo à janela, uso fundos neutros, mas comecei fotografando em cima de um móvel branco. Então não existem limitações, e sim muita prática.

Que dicas você daria para quem esta começando? Praticar, muito e sempre. Nesses anos de produção acho que consegui aprimorar muitas coisas, estabelecer alguns estilos de produção, testar novos fundos. Tudo isso veio com a prática. Comece com o que você tem, as minhas primeiras fotos foram com o celular. Até hoje uso luz natural. Os fundos podem ser alguma superfície lisa que você tenha em casa. E todo e qualquer objeto pode ser inspiração para um flat lay. Flores, livros, xícaras, vários objetos que já temos em casa.

52


53


F P

equipe

otografa: Helena de Bitencourt Teixeira

rodutoras: Ana Caroline Silveira Gabriele Bernardo da Conceição Helena de Bitencourt Teixeira Laiara Ketulyn Fontana Larissa Espindola Tristão

M E

arca: Roadie.co @roadie.co

ditora: Helena de Bitencourt Teixeira

54



Millions discover their favorite reads on issuu every month.

Give your content the digital home it deserves. Get it to any device in seconds.