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Campanha polĂ­tica

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Fundação Cultural Tancredo Neves, o primeiro Centro de convenções do Pará.


TEMPO DO TRABALHO

Escola Agrotécnica Profissionalizante, igual a tantas outras que entreguei por todo o Pará.

Inaugurei quatro escolas profissionalizantes, sem contar a desapropriação do Seminário do Santíssimo Redentor, em Marituba, que foi transformado na Escola Agrotécnica Juscelino Kubitschek, abandonada nos governos que me seguiram apenas para apagar a memória do meu tempo. Enfim, é hora de fazermos uma leitura desse novo cenário e nos prepararmos para uma revolução educacional que privilegie os setores econômico e social. E isso é uma responsabilidade também do setor privado, que deve ser um forte aliado do governo na formação da sociedade futura na qual as escolas têm que ser dotadas com estruturas compatíveis ao século em que vivemos.

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Em Belém, na campanha de Tancredo Neves à Presidência da República.

Presidente Tancredo Neves, uma das maiores lideranças políticas do Brasil.

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TEMPO DO TRABALHO

No dia 15 de janeiro, o Brasil comemorou 25 anos do fim da ditadura que tomou conta do país por mais de 20 anos. Em 1985, Tancredo Neves, do PMDB, venceu no Colégio Eleitoral do Congresso Nacional por 480 votos contra 180 de Paulo Maluf, candidato do Governo Militar. Apesar de decidida apenas por senadores e deputados, a eleição indireta de Tancredo obteve apoio popular em todo o país. Era a Nova República que chegava com a abertura democrática. Em seu discurso da vitória, Tancredo Neves reafirmou seu compromisso com a democracia e enfatizou que aquela seria a última eleição indireta do país. Lamentavelmente, em razão de grave enfermidade, ele faleceu e não tomou posse. O vice José Sarney assumiu o cargo de Presidente. Há um trecho do discurso da vitória de Tancredo que eu gosto de lembrar: “Enquanto houver nesse país um só homem sem trabalho, sem pão, sem teto e sem letras, toda prosperidade será falsa”. É um ensinamento para quem pretende exercer a política. Tancredo Neves, Ulysses Guimarães, os companheiros do PMDB e de 53


outros partidos, como também a sociedade civil, por meio dos sindicatos, entidades, movimentos estudantis e a Igreja lutaram bravamente para tirar o Brasil da escuridão. Isso era uma atividade perigosa, temerária. A oposição ao governo ditatorial era punida de forma violenta. Quem era oposição corria o risco de ser cassado, exilado, torturado e até executado. Foi nesse cenário e pela justa causa de livrar o Brasil da ditadura que eu iniciei minha vida pública, em 1966, como oposição ao governo militar, fazendo parte do grupo dos “autênticos” do MDB. Ainda hoje, 25 anos depois, guardo na memória momentos decisivos da História. Belém foi a segunda cidade a assumir a campanha das Diretas Já. Quando a emenda Dante de Oliveira – que pregava a eleição direta para presidente da República – foi derrotada no Congresso, o governador de São Paulo, Franco Montoro, reuniu os governadores do MDB, e Leonel Brizola, do PDT, no Palácio dos Bandeirantes, para decidir que a oposição iria participar da eleição no Colégio Eleitoral. O nome de Tancredo foi consenso entre nós, e eu – com muita honra – fui escolhido como porta-voz dos governadores para fazer o anúncio público dessa participação. O Pará fez uma grande campanha para eleger Tancredo. Foi como uma onda que começou em Goiânia, veio para Belém e se espalhou por todos os estados brasileiros, tal como a campanha das Diretas Já. 54


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Hoje temos a democracia consolidada. Vamos escolher neste ano, em eleições livres, governantes para o país e estados, além de deputados e senadores. E o presidente Lula, em janeiro de 2011, passará a faixa presidencial ao seu sucessor ou sucessora. Parece simples, mas esses acontecimentos cotidianos são frutos de muita luta e determinação política, das quais me orgulho de ter participado – fui o primeiro governador do Pará, eleito depois do golpe militar – e de ter tido a oportunidade de conviver com homens especiais como Tancredo Neves, Ulysses Guimarães e tantos outros de igual valor patriótico. Faz 25 anos que o Brasil entrou na era democrática. Para a história é um tempo breve. Para quem – como eu – viveu como oposição àquele triste, perverso e lamentável episódio de governo militar, foi um longo período de resistência. A Nova República é uma vitória popular que deve ser lembrada sempre para que os mais jovens saibam o que foi ser oposição à ditadura militar – que calou a imprensa e até o Poder Judiciário, impedindo a concessão de habeas corpus contra seus atos hediondos e desumanos – e saibam também que o povo brasileiro lutou e venceu um monstro que nunca deveria ter existido.

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Construção de casas populares pela COHAB. Nos meus governos, servidores públicos e a população mais pobre tiveram acesso a financiamentos para compra da casa própria.

Desapropriação de terras: mais de 40 mil títulos entregues.

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O maior desejo de consumo que aparece em qualquer pesquisa no Brasil é o da compra da casa própria. Isso aqui no Pará pode ser constatado durante o Círio de Nazaré, onde – todo ano – centenas de promesseiros carregam miniaturas de casas e assim agradecem pela difícil conquista. Ao governar o Estado, sabia que esse item era considerado um milagre que muitos esperavam alcançar: ter sua residência própria. Não viver de favor na casa de parente, ou então ter que pagar aluguel sempre tão alto, tão pesado no orçamento doméstico. Naquela época, o Pará apresentava novos projetos de desenvolvimento e apontava para um futuro melhor e, assim, as migrações se tornaram frequentes, com gente à procura de emprego, de ocupação. As invasões, então, se proliferaram, principalmente próximo das áreas de expansão. Minha experiência como governador – que tinha apoio de uma equipe técnica de alto padrão, já àquela altura preocupada com a responsabilidade social – me levou a enfrentar o desafio de promover a regularização fundiária, a infraestrutura e a construção de novos equi57


pamentos para habitações populares, como os tijolos cerâmicos intertravados e lajotas produzidas pela Cohab para baratear o custo da obra. Isso mudou a paisagem urbana dos lugares chamados “áreas de invasão”. O enfrentamento desse desafio proporcionou a desapropriação de dezenas de áreas; 40 mil lotes urbanos e rurais tiveram suas posses legitimadas pelo Iterpa, além da construção de quase 8 mil unidades habitacionais pela COHAB, mesmo em época de plena recessão nacional. Tenho muito orgulho disso, porque vi o rosto de cada homem ou cada mulher que recebia seu título de terra ou a sua casa própria. Há poucos dias tive o prazer de estar presente nas comemorações do 66º aniversário de Ananindeua, onde o prefeito fez a entrega de 1.500 títulos de terra, justamente em áreas onde eu, como governador, desapropriei. Depois de tantos anos, sem incentivos a uma política habitacional para a população, o presidente Lula, em boa hora, lançou, com o apoio do PMDB, o programa Minha Casa, Minha Vida. No Pará, inicialmente, há uma previsão de construção de unidades habitacionais em Belém, Marituba, Santa Bárbara, Santa Isabel, Ananindeua e Castanhal. Para 2010, o desejo do Governo Federal é chegar a um milhão de casas construídas em todo o país. Muitos podem não acreditar nesse sonho. Particularmente, eu acredito que o povo pode tudo. Se o governo mantiver as fontes de financiamentos acessíveis e os juros menores, 58


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será um grande passo para que milhões de paraenses conquistem o direito elementar de ter a sua moradia. Entretanto, os agentes públicos não devem se esquecer de que o sonho da casa própria está atrelado a requisitos básicos na vida do cidadão, que são o ordenamento urbanístico, meios de transportes de qualidade, serviços de água, esgotamento sanitário, coleta de lixo regular, acesso à educação, segurança, saúde e lazer.

Dia de entrega de casas na Cidade Nova.

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Projeto Belém 2000, o maior programa de tratamento e distribuição de água realizado no Pará, que até hoje abastece Belém e parte da área metropolitana.

Planejamento e captação de recursos financeiros para o Projeto da Macrodrenagem de Belém. Consegui o financiamento junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) em favor de milhares de famílias.

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Em Copenhague, na Dinamarca, aproximadamente 40 mil pessoas de 192 países participam da COP 15 promovida pela ONU. Nesse encontro, serão discutidas ideias para conter o processo de aquecimento global. A última década foi a mais quente de todos os tempos, desde que o homem passou a medir a temperatura. Isso tudo vale para depois de 2012, quando se encerra o período de outro acordo parecido: o Protocolo de Kyoto. A minha preocupação é com a Amazônia, tema obrigatório nos debates, porque seus rios possuem 20% de toda a água doce da Terra, e o desmatamento das florestas é um dos fatores da elevação climática. É uma discussão moderna, charmosa e até vi na tevê, por esses dias, brasileiros chamarem de Coperrraguen a capital da Dinamarca. É moda. O mundo inteiro espera que nós, amazônidas, vivamos na mais absoluta pobreza, sem interagir com o meio ambiente ou dele nem sequer tirar o sustento, pois eventos extremos são previstos num quadro pra lá de apocalíptico caso haja mais intervenção do homem na natureza. Será que os países ricos, cujas populações usufruem comodamente os benefícios da mo61


dernidade (podem beber água puríssima das torneiras de seus banheiros), se lembram de que por aqui água potável é coisa rara? Será que governantes do chamado primeiro mundo imaginam que Santarém, por exemplo, banhada por toda a beleza do rio Tapajós, não tem água tratada na maioria das residências, porque os investimentos em captação e tratamento de água são altíssimos? Será que o preço de deixar uma árvore em pé é ver nossos filhos sem nenhuma perspectiva de futuro? À mercê de todo tipo de doença causada pela pobreza extrema? Espero que em Copenhague seja discutida a paisagem humana. Em 1982, depois de percorrer o Pará de ponta a ponta, vi que as riquezas da Amazônia estavam muito distantes da sua população. Água potável era um luxo de poucos. O Projeto Belém 2000 solucionou a questão de captação e aumento de distribuição de água na Região Metropolitana, e a Cosanpa teve sua capacidade de investimentos comprometida com a implantação dos microssistemas de abastecimento de água na maioria dos municípios. Em muitas noites daqueles tempos, cheguei a pensar que aquele refrão “de dia falta água e de noite falta luz” não fizesse mais parte da vida dos paraenses. Hoje, no ano de 2009, falta água diariamente em muitas ruas dos subúrbios de Belém, e aí voltou o velho refrão: “lata d’água na cabeça”, porque é assim que a população se protege. Enche as bacias e baldes de água durante as poucas horas que esse precioso bem aparece nas torneiras 62


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das casas para garantir a roupa lavada, o banho tomado e suas refeições. Esse é o cenário de quem tem uma das maiores riquezas, mas não pode dela usufruí-la, em razão das charmosas retóricas, ou simples pavulagem dos rotewweillers, que não passam de vira-latas, quando gritam e bradam sobre a preservação da Amazônia, como se isso não representasse nada na vida dos homens daqui. A Amazônia é um depositário estratégico para controlar a aceleração da crise climática, que eleva a temperatura da terra em 2 graus a cada década, e o Brasil tem que se impor e afirmar que, em razão da voracidade poluidora dos países mais ricos, que aumentam a cada dia sua capacidade industrial, tem que pagar pelos sacrifícios de quem resguardou a maior floresta e a maior rede de água doce do mundo.

Alter do Chão, a mais bela praia brasileira, onde construí a rodovia – a partir de Santarém – e levei a energia e o abastecimento de água.

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Pró-Confecção, um dos programas de assistência à comunidade. A geração de emprego foi sempre o maior programa de assistência social.

Valorização da Segurança Pública, com a Academia de formação de oficiais da Polícia Militar, Bombeiros Militares e Academia de Polícia Civil.

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O Brasil e o mundo acompanham o enfrentamento das forças de segurança contra o crime organizado no Rio de Janeiro, onde os traficantes de drogas, descaradamente e por meio de ações criminosas, “protestam” contra a instalação de unidades pacificadoras nos morros. Assistimos pela televisão a cenas inacreditáveis, como a fuga de um morro para outro de mais de 300 bandidos. Parecia filme de bang-bang, mas ali a realidade superou a ficção. Como chegamos a esse ponto? Eu digo que o crime se instala pela ausência do poder público e pela desorganização que isso causa na comunidade. Quando a população está bem assistida nas áreas fundamentais como saúde, educação, segurança pública, lazer e possibilidade de trabalho e renda, fica muito difícil o estabelecimento e o crescimento desses grupos criminosos. Nos aglomerados periféricos nos quais impera a miséria, os heróis das crianças, adolescentes e jovens são os bandidos, porque eles têm mais poder aquisitivo. São eles que “ajudam” a população na hora da festa. São eles que pagam as bebidas, que ajudam a resolver os 65


pequenos problemas com o dinheiro do tráfico, com o produto do crime. São eles, os bandidos, que se tornam os heróis e se apresentam como pessoas de sucesso. Então, eu digo que essas ações da segurança pública têm que ser acompanhadas paralelamente e de forma firme, pelo poder público, pelo governo. As ações imediatas devem cobrir, por exemplo, a merenda escolar que deve ter padrões irrepreensíveis; a presença de uma estrutura de saúde que seja eficaz; a execução de projetos de lazer com a construção de praças com brinquedos e quadras de esportes; apoio às associações de bairros e a abertura das escolas nos finais de semana para que a comunidade use como espaço de discussão, interação e lazer. Os programas assistenciais chamados de Bolsas, que o governo acredita ter proporcionado ascensão social de muitas famílias pobres (me perdoem os técnicos, mas eu acho que há um exagero na propaganda), melhoraram o poder aquisitivo das populações mais pobres, tanto da zona urbana quanto da zona rural, é fato. Mas falta o essencial ao desenvolvimento dos bolsões de miséria. Faltam programas permanentes. Faltam investimentos na área social. Isso dá certo. Nos meus governos, os programas pró-confecção, pró-oleiro e pró-moveleiro instalados nas zonas de risco, geravam milhares de empregos. As roupas dos hospitais, das polícias, corpo de bombeiros; as carteiras e mesas escolares assim como os tijolos e telhas eram fabricados nessas micro e pequenas 66


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empresas, situadas nos bairros pobres e eram absorvidas pelo Estado. Esses projetos simples, tiraram muitas famílias da miséria e foi o começo para muitos jovens que hoje têm uma profissão. Estudaram, especializaram-se e hoje têm uma vida digna, de sucesso. Ouço todos os dias testemunhos disso. Graças a Deus o Pará ainda não chegou aos níveis de violência do Rio, mas já se anuncia algo bem parecido: já existe bairro em Belém que está perto de ser um novo Complexo do Alemão, onde o táxi não pode entrar sem permissão dos chefões, dos que se acham donos das ruas. A questão é tão séria que não se esgota na segurança pública. Ficar só nisso é apenas aguardar a retomada dos territórios hoje ocupados pela polícia, seja por esses próprios bandidos ou por novos grupos que se formarão. Nós devemos meditar sobre isso. Não se pode enfrentar um desafio desses só com a Polícia, isso é mais ou menos como enxugar gelo. Nesse mundo de violência em que nós vivemos, e numa sociedade que tem um convite diário e permanente ao consumo, estado e população devem lutar por valores que possam colaborar para se buscar um convívio mais justo, mais harmônico e com menos desníveis sociais.

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Desde muito jovem lutei contra as injustiรงas. O povo me concedeu a honra de ser seu porta-voz.

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Poucas coisas são tão repugnantes quanto a hipocrisia, principalmente a que vem ou está disfarçada entre os hoje conhecidos grupos ou indivíduos bipolares. A hipocrisia é um verme, um parasita social, cujo hospedeiro é a sociedade. Se não for tratada derruba, aniquila e mata até a mais avançada e saudável população, porque seus principais alvos são a democracia, o direito e a justiça. O Brasil – ou a sociedade brasileira – nesses tempos em que pensamos viver o “estado democrático” está quieto, calado, seja porque somos abençoados com a paciência divina, seja porque desejamos a paz e já travamos todas as lutas possíveis (das quais participei com muito orgulho) há pouco mais de duas décadas contra uma ditadura militar ferrenha. Há ainda a questão das instituições, entidades que tiveram relevante papel na luta desigual entre o povo e os militares, mas que hoje se acomodaram com a generosa distribuição de verbas públicas feita pelo governo. Não há, portanto, ambiente ou clima melhor para a proliferação da hipocrisia. Todos sabem o momento que estou vivendo. Todos têm assistido, ao vivo, à minha injusta crucificação 69


política motivada pela vaidade própria dos hipócritas. Fui candidato ao Senado Federal, porque o TRE do Pará aceitou meu registro. Minha caminhada eleitoral foi acompanhada por uma campanha odiosa e invejosa de um grupo que quer o poder absoluto no Pará – há muito tempo – sem conseguir. O povo nunca deu autoridade a essa gente, nem quando quis a presidência de um seleto clube social de Belém. Pobres deles, pois têm inveja do que não tenho, nem posso dar a eles. O poder e a liderança que o povo do meu Pará me concede há mais de quatro décadas são espontâneos. É do povo o poder. É ele quem escolhe seus líderes. A única ajuda que ainda posso reservar a esse triste grupo é emprestar meu nome para que venda jornal. Se não fosse a campanha quase diária feita com meu nome já estaria à falência. A campanha insidiosa contra mim não deu certo. O povo me elegeu senador. Ninguém pode me tirar isso. Nenhum tribunal, nenhuma toga pode arrancar ou destruir meus votos, pois eles vieram de honrados cidadãos. São meus e a história registrará isso eternamente . Isto é insuportável aos hipócritas e aos meus inimigos, tanto que minha eleição foi cassada por tribunal dividido ao meio que proclamou um bisônio e ridículo empate, no qual a lei foi analisada como alguma coisa metafísica ou sofismática, numa decisão impensável em qualquer sociedade, desde a mais tribal até a mais evoluída. Com isso, a eleição tornou-se nula, haja vista a lei que regula

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Com Domingos Juvenil em campanha para o Senado Federal nas eleições de 2010.

o pleito. Mas nada disso foi considerado. Os tribunais tornaram-se cegos pelos holofotes da mídia e por outros interesses. Eu lamento. Lamento que os tribunais joguem no lixo o direito e os votos que fazem a democracia; os votos que garantem o estado democrático; o voto que derruba os hipócritas e os fariseus sem apoio popular. O voto soberano, limpo, que representa a vontade do povo. 71


O voto que havia nos livrado dos famigerados biônicos, inventados pela ditadura militar. Lamento que o TRE do Pará, ofuscado pelo falso brilho de outras togas nacionais, não tenha visto a perda que impingiu não só a mim, mas a todos os paraenses. Não viu, não quis saber que Paulo Maluf, Pedro Henry, Anthony Garotinho e até Waldemar da Costa Neto e alguns outros menos votados, que renunciaram em plena CPI do escândalo do mensalão, acabam de se transformar em fichas limpas para assumir seus mandatos com a solidariedade dos falsos moralistas de plantão que ocupam assentos nos nossos tribunais. Lamento a decisão do TRE, mas se enganam os que pensam que desistirei da luta. Digo com certeza: estou mais forte. Vou defender os quase 1 milhão e oitocentos mil votos que o povo do Pará me concedeu. Vou lutar pelo Pará até o último dia da minha vida. Uma importante figura da ditadura militar um dia disse, para justificar seus atos: “às favas com os escrúpulos”. Eu digo, para proteger o Pará: às favas com os hipócritas, particularmente os amorais que têm a origem genética familiar no crime, na contravenção e na extorsão de quase todos os governos que – no Pará – se entregaram às suas chantagens.

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Em recente conversa com o governador eleito Simão Jatene, ele me revelou que a recuperação do projeto do Parque do Utinga será uma de suas prioridades. Fiquei contente em saber que uma obra que inaugurei em 29 de março de 1994 terá continuidade e será entregue ao público da forma melhor do que imaginamos, haja vista os avanços do conhecimento científico sobre o meio ambiente e também porque hoje é mais ampla a rede de discussão sobre a preservação da natureza. No Parque do Utinga está a primeira APA (Área de Proteção Ambiental) do Pará, criada por mim no final do meu segundo mandato como governador. Esse projeto recebeu rasgados elogios da Promotoria do Estado de São Paulo, e eu cheguei a inaugurar várias obras dentro do Parque, como dois quilômetros de trilhas abertas que permitiram acesso à área, pedalinho nos lagos, construção da primeira etapa da sede da Secretaria do Meio Ambiente, o pórtico principal e o centro de visitação pública, além da reforma e ampliação do Clube da Lagoa do Utinga. 73


É no parque ambiental – com cerca de 1800 hectares – que estão os Lagos Bolonha e Água Preta, responsáveis pelo abastecimento de água de grande parte da população residente na Região Metropolitana de Belém. Ou seja, eu criei por meio do decreto estadual 1552/93, numa área de extensa biodiversidade e rara beleza, um local para proporcionar a educação ambiental, o turismo ou o ecoturismo, e o lazer da população, não só de Belém mas do Pará inteiro. A minha intenção era que Belém Inaugurei o Parque do Utinga em março de 1994.

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contasse com mais um instrumento de lazer, barato e educativo, porque tinha também o objetivo de promover educação sobre a proteção dos Lagos que àquela altura estavam ameaçados pela degradação e pelas invasões. Claro que a minha preocupação era primeiramente ter o cuidado com a população que lá residia e que está até hoje. Assim, o projeto previa a remoção discutida e consentida das famílias para um lugar apropriado, a recuperação imediata das áreas que já estavam degradadas,

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o controle sanitário da área e a construção da muralha de proteção das águas pluviais. Havia até um conselho gestor para o projeto formado por entidades científicas, estaduais e também organizações não governamentais ligadas ao meio ambiente. Confesso que não tenho ido ao Parque do Utinga, um lugar que me traz boas recordações – foi a última inauguração em que meu pai esteve comigo, e também porque o lugar é muito tranquilo, bonito, aprazível e que todos devem visitar – mas aqui e acolá escuto alguma coisa sobre o assunto, leio os estudos que acadêmicos fazem sobre o parque, sobre as invasões e os insistentes questionamentos do papel do Estado no assunto. Até há pouco tempo soube que havia um Batalhão de Polícia Florestal sediado no parque e isso me tranquilizou um pouco. Mas, sei que o projeto não foi concluído, que foi abandonado por muito tempo. Assim, fiquei emocionado em saber do compromisso do novo governador em dar continuidade imediata a uma obra que todos merecemos. Então, tenho certeza de que o Pará vai começar 2011 com esse compromisso social. Fica aqui a minha alegria e a minha torcida.

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Nesses dias, assisti a uma entrevista com o jornalista Malcolm Gladwell, autor de O Ponto da Virada, um livro que conta a história de como Nova Iorque superou seus índices de criminalidade, violência e abandono para se tornar uma metrópole moderna, limpa, segura e eficiente nos serviços prestados à população. Para minha surpresa, o jornalista revelou que não somente houve grandes investimentos em segurança. A mudança aconteceu com uma sucessão de ações por parte da população e também do poder público. O maior investimento foi na conscientização de que todos devem fazer a sua parte. Hoje Nova Iorque continua sendo a mais famosa cidade dos EUA e também a mais visitada, pois está livre da violência alarmante. Todos os que passam por lá falam da experiência de andar nas ruas com liberdade, admirar os pontos turísticos, ou mesmo fazer compras sem o risco iminente de sofrer um assalto. Belém, a minha e a sua querida Belém, a capital do Pará, a cidade mais importante da Região Norte e da Amazônia, incomparável em homenagens recebidas por escritores, poetas e músicos, vive hoje seus piores dias. 77


Nunca esteve pior. É lamentável o estado de abandono e desamor em que se encontra Belém, e todos somos responsáveis por isso. A violência em Belém – em qualquer lugar, não só na periferia – nunca atingiu patamares tão altos. Os noticiários estampam horrores todos os dias. Sem cuidados com a saúde, assistimos – quase insensíveis de tão comum que o fato se tornou – a cidadãos morrerem depois de perambular por vários hospitais e não conseguir leitos, ou mesmo morrerem nas ruas sem atendimento. O lixo virou caso de calamidade, de perigo exposto em todos os cantos. Existem ruas em Belém que sempre, depois de alguma chuva, ficam alagadas por dias, por falta de drenagem de seus canais, o que leva à proliferação de mosquitos, vírus, bactérias e ao aparecimento de tantas doenças. As nossas belas praças estão abandonadas, seus laguinhos sujos, sem flores, nem gramado. A questão do trânsito está insuportável, infernal em algumas horas do dia, quando tudo fica estrangulado. Os congestionamentos transformam a vida das pessoas num verdadeiro inferno, principalmente daquelas que dependem de transporte coletivo, sem conforto, apinhadas e às vezes penduradas nas portas abertas dos ônibus. Para completar, podem ser vistas, em quase todas as esquinas, pequenas multidões à espera de ônibus, sob sol inclemente ou chuva forte. E eu fico a imaginar qual o estado dessas pessoas quando chegam ao trabalho e, pior, qual é o nível de estresse que elas levam 78


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para casa no final do dia. Isso se chama qualidade de vida. O centro da cidade, uma das mais belas áreas de Belém, é hoje um amontoado de ferro numa desordem crescente. A beleza da orla marítima – a Baía de Guajará e os rios que circundam Belém – está quase toda prejudicada por construções absurdas que ao longo do tempo taparam a nossa visão. Eu acredito que Belém chegou ao tal ponto da virada. É preciso que todos nós estejamos comprometidos em cuidar de Belém. Fazer de Belém a extensão da nossa casa. Um lugar de paz, seguro, ordenado. É preciso que essa discussão sobre as mudanças em Belém se espalhe por toda parte, seja nas escolas, nos clubes, na imprensa, seja até nas filas de ônibus ou dentro dos coletivos. Belém precisa do nosso amor, do nosso comprometimento. A nossa cidade não pode depender só da Prefeitura, do Governo do Estado, da Câmara Municipal e dos demais órgãos do poder público. É hora de cada um fazer o que tem que ser feito e aí eu me atrevo a parafrasear Antoine de Saint-Exupéry e dizer que nós somos responsáveis por tudo aquilo que amamos. Pequenas ações podem fazer grandes diferenças se forem feitas por muitos. Hábitos ruins como o de jogar lixo no chão ou colocar móveis velhos nas ruas devem ser abolidos. É preciso haver mais gentileza, solidariedade e respeito. Vamos abrir o debate porque tudo tem solução e o ponto da virada de Belém está na conscientização política, conjunta da população. Nós não podemos achar que Belém é um caso perdido. 79


Nós vamos defender e livrar Belém do caos, sob pena de nos tornarmos insensíveis. Sob pena de não respeitarmos o nosso amor por Belém. O Rio de Janeiro, que já foi eleita a mais linda cidade do mundo por pilotos internacionais, vive dias de confronto, de guerra, mas finalmente todos os segmentos, principalmente a população, entenderam que é preciso lutar pela paz.

A cidade de Belém precisa do empenho de todos.

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As eclusas de Tucuruí finalmente estão prontas depois de mais de duas décadas da inauguração da Hidrelétrica e de uma luta obstinada de muitos paraenses. Por volta de 1960, a Hidrelétrica de Tucuruí e suas eclusas estavam na pauta das importantes discussões para o desenvolvimento da Amazônia e do país. A grande usina, a maior em potência e 100% brasileira, foi inaugurada pelo presidente Figueiredo em 22 de novembro de 1984, quando eu era governador do Pará pela primeira vez. De forma contraditória, quase toda energia fabricada aqui ia para outros Estados. Apenas Belém e Barcarena contavam com a energia de Tucuruí. A partir do meu primeiro governo, quando criei, por meio da Celpa, o maior programa de energia elétrica do Pará é que a quase totalidade dos municípios passou a contar com a energia firme de Tucuruí, o que possibilitou a integração do sul do Pará e a realização de muitas obras de infraestrutura. O problema é que a hidrelétrica e as eclusas tiveram um cronograma de execução desigual, pois a hidrelétrica era considerada uma obra de energia e, portanto, de responsabilidade da Eletronorte. Já as eclusas – executadas pela mesma construtora – estavam sob o co81


Dediquei muito tempo de minha vida como parlamentar na luta pelas Eclusas de TucuruĂ­, hoje uma realidade.

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mando do Ministério dos Transportes. A Hidrelétrica andou e as eclusas ficaram para trás. Então, havia duplicidade de competência, e eu passei a travar uma batalha – não sozinho, obviamente – para que o Ministério dos Transportes transferisse para a Eletronorte a responsabilidade da construção também das eclusas, que são um detalhe muito importante da hidrelétrica, pois sem elas a navegabilidade (as eclusas são uma espécie de elevadores de água) e o desenvolvimento da região estariam comprometidos. Tenho orgulho de estar incluído entre os muitos cidadãos que lutaram pela sua construção. Eu participei, liderei uma verdadeira batalha que foi a retirada da competência do Ministério dos Transportes. Foram muitos anos de luta para, depois de passar pelos governos dos Presidentes Itamar e FHC, finalmente o Pará obter sucesso já no governo do Presidente Lula. E conseguimos mais: alocar no orçamento da União e da Eletronorte recursos para a construção das eclusas. Foi uma luta árdua, quase diária, que a maioria da população desconhece, porque tudo que vem para o Pará parece que é mais sofrido, mais difícil. As eclusas não vieram sem luta. Nada foi gratuito. Se não houvesse a ação de muitos paraenses e de parlamentares entre os quais estou incluído, certamente hoje estaríamos lamentando as perdas e um futuro incerto, pois as eclusas significam não só o resgate de uma dívida do governo federal para com o povo do Pará e da Amazônia, mas também fazem parte de um grande projeto de valorização dos rios brasileiros, chamado de Hidrovia Araguaia-Tocantins que vem sendo 83


discutido desde o século XVIII, quando o Marquês de Pombal era ministro de Negócios Estrangeiros e já visualizava as potencialidades da região amazônica. Há 60 anos, o Banco Mundial financiou o Programa de Desenvolvimento do Araguaia-Tocantins – o Prodiat – mostrando a importância da hidrovia como fator de desenvolvimento para as regiões Central e Norte do país e que seria uma via de escoamento de 2.200 km. Durante meu segundo mandato como governador, levei ao presidente Fernando Collor de Melo um projeto que ampliava os estudos da Hidrovia do Araguaia-Tocantins, já contando com uma proposta intermodal que integrava a Bacia do Prata – pelo rios Paraná ou Paraguai – e faria ligação com o MERCOSUL – por um um trecho rodoviário – passando pelas regiões Central e Norte para finalmente chegar à foz do rio Amazonas, o que proporcionaria a integração brasileira com os mercados norte-americano, europeu e o resto do mundo. O coordenador foi o professor Nelson Ribeiro, um dos maiores estudiosos do assunto. Usei muito tempo da tribuna parlamentar na luta por esse sonho das eclusas que finalmente se realiza agora. E espero a recompensa da luta de muitos de nós, que é a construção da Hidrovia Araguaia-Tocantins. Não será fácil, mas sei que já existem verbas para suas primeiras obras. Então que as eclusas tragam as boas novas para o nosso querido Pará e que resgate o débito do Governo Federal de desobstruir ou “destamponar” o Rio Tocantins.

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O Pará pode perder para o vizinho estado do Maranhão a implantação da Segunda Esquadra da Marinha, um empreendimento de mais de R$ 30 bilhões que envolve empregos, infraestrutura e desenvolvimento. Essa perda significa muito mais que o capital envolvido. O Pará perde prestígio e destaque no cenário socioeconômico e político do Brasil. Também estará comprometida a proteção do continente amazônico, vital para a soberania nacional e tema de maior importância na comunidade internacional. A Marinha está presente no território paraense, desde 1728, para combater as incursões piratas, a presença estrangeira e o tráfico nas fronteiras. Não é à toa: a região abriga a maior bacia hidrográfica do mundo, com uma extensão de 7,3 milhões de km2. Os séculos se passaram e a Marinha Brasileira tem registrado todo tipo de operação a favor da nossa população. Estrategicamente, por estar próxima aos limites dos três países da América do Sul (Guiana Francesa, Suriname e Guiana) Belém é sede, desde sua criação, do IV Distrito Naval. Entretanto, o governo brasileiro, por meio do 85


Ministério da Defesa, vai retirar do Pará o seu legítimo direito de sediar a Segunda Esquadra. E não sou eu quem diz isso. Estudos técnicos realizados pelo curso de Engenharia Naval da Universidade Federal do Pará dão conta de que o município de Chaves, no extremo norte de Marajó, ou a Ilha de Tijoca, no Município de Curuçá são locais que abrigam toda viabilidade necessária. Estudos preliminares da Marinha do Brasil apontam, como possível local da Base Naval, o sítio da Ponta da Espera, na Ilha do Medo, na baía de São Marcos, em São Luís do Maranhão. Não há decisão final ainda. Mas esse estudo preliminar parece apressadamente político. O próprio governo brasileiro fala da importância da presença da Marinha na região. Essa proximidade com a foz do Amazonas aponta, logicamente, ou para o Pará ou para o vizinho estado do Amapá. Não se sabe como, de repente, entraram na disputa Maranhão, Ceará e até Pernambuco. Hoje, também não se sabe por que o Maranhão tem como certa a implantação da Esquadra. Os estudos da UFPA mostram claramente que, tendo-se como referência a calha norte, o município de Chaves dista apenas 87 quilômetros, contra 853 quilômetros da Ilha do Medo, em São Luís. Há outros fatores alegados, como restrição de acesso marítimo, todos derrubados nos estudos da Universidade Federal do Pará. Mas o quesito que confere à Ilha do Medo um peso decisivo é a infraestrutura disponível em São Luís. Ora, dizem

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os especialistas da nossa universidade, defender a Amazônia é também desenvolvê-la, principalmente hoje, quando nossos rios estão infestados dos chamados “ratos d’água”, que assaltam e matam trabalhadores e empresários que tiram seu sustento do transporte marítimo – o único meio de locomoção de uma população historicamente largada à própria sorte de doenças e misérias, apesar de estar assentada na mais rica floresta tropical do planeta. Hoje, mais do que nunca, a proteção da Marinha da forma mais próxima possível é indispensável. Não defendo o Pará por ciúme ou bairrismo. Defendo a presença mais próxima da Marinha na proteção da nossa biodiversidade. Defendo para que sejam afastados o contrabando e a exploração miserável de nossas riquezas. Defendo por ser o caboclo do Pará o maior guardião das nossas reservas. Portanto, é justa a nossa causa. É justo que o montante de investimentos seja desdobrado em desenvolvimento de muitos setores como a habitação, turismo, segurança, saúde, educação, emprego e renda, pois, segundo informações correntes, a nova Base Naval vai necessitar de uma série de empreendimentos de apoio, como infraestrutura industrial, tecnológica, energia e mão de obra qualificada, além de mobilizar cerca de 3 mil militares e possibilitar a chegada de quase 15 mil pessoas.

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Por sorte, há um movimento de entidades e pessoas pela escolha de Belém. Durante minha última conversa com o presidente Lula – no dia 19 de outubro passado, que teve como testemunha o ministro das Relações Institucionais Alexandre Padilha – lavrei meu protesto e registrei a ele toda a minha preocupação em relação ao assunto e pedi que, antes de deixar a Presidência, desse uma chance ao Pará, que tantas perdas tem acumulado nessa última década. Ainda nem acordamos do pesadelo que foi perder a oportunidade de sediar a Copa do Mundo, quando a escolha, inexplicavelmente, ficou com o estado do Amazonas. Os prejuízos são eternos. A autoestima e o orgulho dos paraense foram feridos. A Marinha Brasileira deve fazer – sem medo – sua escolha pela proteção da Amazônia. Se sair de Belém, nossas fronteiras e nossas riquezas estarão prejudicadas. Posso garantir que tanto o município de Chaves, quanto o de Curuçá estão prontos para receber a Segunda Esquadra.

Condecoração pela Marinha Brasileira.

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Ainda muito jovem acompanhei a cassação de mandatos e suspensão de direitos políticos de tantos democratas, inclusive de meu pai, Laércio Barbalho, atingidos pelos Atos Institucionais da ditadura militar, principalmente o mais odiento, o famigerado AI5. Precocemente eu havia me envolvido na política estudantil e posteriormente na partidária como fundador do MDB, o maior dos instrumentos de combate à ditadura. Meu pai jamais deixou de combater as ditaduras e se afastou da defesa dos princípios que balizam a liberdade e a democracia. Igual a ele lutei junto com os grupos mais aguerridos da oposição, mesmo com a ameaça permanente de ser mais uma vítima dos verdugos de plantão. Não me intimidei nos cargos parlamentares que ocupei e como primeiro Governador do Pará, eleito pelo voto direto em 1982, liderei aqui e junto com companheiros no Brasil, a campanha por eleições diretas, as “Diretas Já”, posteriormente a campanha de Tancredo Neves à Presidência da República e sob a liderança do inesquecível democrata Ulysses Guimarães, 89


a campanha da Constituinte. Graças à luta incessante do povo brasileiro e dos democratas, abrigados no MDB, chegamos ao estágio atual da democracia brasileira, que tornou possível que um torneiro mecânico, líder sindical, fosse eleito e reeleito Presidente da República, com o nosso apoio. Nada do que até hoje está escrito sobre aqueles tempos, de 1964 até 1982, traduz rigorosamente a dura realidade da época: o manto negro da ditadura suprimia direitos e liberdades, torturava e matava sem piedade. Cidadãos honrados eram carimbados de comunistas, subversivos e corruptos e suas fichas eram sujas em todos os arquivos daquilo que um dia se chamou governo. Eu, que me bati contra aquilo, achei que nos dias de hoje tais atrocidades não mais deveriam ser objeto de preocupação, até que presenciei o ritual do meu “julgamento” no Supremo Tribunal Federal. Agindo por encomenda, um dedo-duro aproveitouse da Emenda Popular – que visava tornar inelegíveis os condenados judicialmente e não incluía a inelegibilidade pela renúncia – e na escuridão acrescentou a condição com o intuito de alcançar desafetos políticos de quem lhe fez a encomenda. Ao ver aquela transmissão ao vivo na televisão brasileira, deparei-me com uma fogueira de vaidades, onde se incinerava um mandato de senador que eu consegui com um milhão e oitocentos mil votos do povo paraense. 90


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Com dr. Ulysses Guimarães, em campanha do PMDB.

Minha vida pública dedicada ao Pará e ao Brasil.

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A nação, paralisada, assistiu, ao vivo, ao Supremo Tribunal Federal, guardião da Constituição, não ter veredito sobre o meu caso: empatou e empacou na convicção dogmática de cada um dos seus membros e, no empate, decidiu que se mantinha a decisão do Tribunal Superior Eleitoral que me tornara inelegível. O presidente da Suprema Corte, estarrecido ante a solução encontrada, foi digno de pena por parte da opinião pública ao confessar que o caminho encontrado era artificial e contrário aos seus princípios e aos interesses da sociedade. Fez-nos lembrar Pôncio Pilatos no mais famoso julgamento da história: lavou as mãos. O ministro presidente, para ser fiel aos seus princípios, poderia ter lançado mão do seu voto de qualidade já no julgamento anterior. Teria ele assim aplicado a milenar tradição universal do direito: na dúvida o réu deve ser o beneficiado. Como ao meu pai não alquebrou, esta cassação não me abala e nem me tira de uma luta que ainda não terminou. Tenho obrigação moral, política e afetuosa com o povo do Pará e com os um milhão e oitocentos mil paraenses que votaram em mim (a emenda popular que originou a lei da ficha limpa teve 1, 3 milhão de assinaturas em todo o Brasil). Devo lembrar ao povo do Pará – tenho recebido solidariedade até de quem não votou em mim – que o nosso Estado foi, mais uma vez, duramente atingido e nós não vamos nos calar e fazer de conta que nada temos 92


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com isto: nenhum dos ministros do STF que votou pela minha cassação se importou com a vontade dos paraenses. O que isso vem representar ao nosso Estado? Eu sou o primeiro político paraense cassado depois de ser eleito com 1,8 milhão de votos em plena era democrática. Fui cassado – não há outra expressão – por um empate. Não fui sequer cassado pela maioria do STF. Isso fere de morte a Constituição Federal. Amanhã pode ser criada uma lei, falsamente amparada no “apoio popular” (as ditaduras adoram isso), e dizer que o prazo de prescrição fiscal não mais é de cinco anos e sim de dez e que a nova lei retroage aos dez anos passados: como ficará o contribuinte que, com base na lei anterior, já incinerou os seus recibos dos cinco anos passados? Terá que pagar novamente se o fisco lhe bater à porta cobrando o que ele já quitara e não mais pode comprovar? E este é apenas um dos inúmeros exemplos do que pode ocorrer quando se elimina um dos pilares do direito que é a irretroatividade das leis. O mesmo raciocínio valeria para a imprensa e para todos – já se começam a votar leis que restringem o exercício da informação. É o circo de horrores ao qual se referiu o ministro Gilmar Mendes no seu voto. Como cidadão me reconforta a coragem histórica dos ministros que se posicionaram de acordo com princípios fundamentais da Constituição. Mas, há coisas piores. Há a inveja de um grupo que faz campanha diária contra mim. Que disse, todos os dias, 93


ao povo do Pará para não votar em mim: e o povo votou. Este mesmo grupo, frustrado com a minha votação, agora mente – são uma família de mentirosos, cuja dupla origem genética está no crime – ao afirmar que estou inelegível por oito anos. MENTIRA: o prazo para que eu possa me candidatar novamente, caso eu não vença no STF, onde ainda luto, é 31 de janeiro de 2011. Daqui a exatos três meses poderei ser candidato. O PMDB vai pedir ao Tribunal Regional Eleitoral do Pará a realização de novas eleições. O STF e o TSE devem isto ao Pará. Não aceitaremos senadores biônicos. Eu estou pronto. Seguirei ao lado do povo. Como diz a música de Ivan Lins, que muito aprecio: “desesperar jamais!”, muito menos “entregar o jogo no primeiro tempo!”. Tenho a obrigação de prestar contas, de como estou e como me sinto ao povo do Pará, que me elegeu apesar de toda a calúnia, destilada ao longo do tempo e que me consagrou mais uma vez nas urnas. É pelo Pará que continuo na luta. É do julgamento do povo do meu Estado que vem o meu conforto e alegria maior. Este julgamento ninguém e nem tribunal algum conseguirá cassar. Sou muito querido, muito votado e o eleito do povo do Pará. O resto é irrelevante. Continuarei minha luta junto aos tribunais, porque acredito na prevalência dos bons. Acredito na aplicação do direito e no respeito à Constituição Federal. Com a proteção de Deus, eu e o povo do Pará seremos vitoriosos em mais esta caminhada. 94


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As urnas são o maior teste e o principal julgamento que um político pode enfrentar. Saio destas eleições com uma aprovação legítima e inquestionável, apesar da feroz campanha que enfrentei, tão perversa que qualquer outro não resistiria, já que informavam que votar em mim seria voto nulo. Sou um vitorioso, graças ao apoio do povo do Pará. Há anos, venho sendo perseguido por acusações infundadas que se arrastam até hoje sem nenhuma comprovação. Nunca fui condenado em qualquer instância, seja administrativa ou judicial. A minha renúncia ao mandato de Senador em 2001 teve motivação unicamente política, por causa da disputa com o então senador Antônio Carlos Magalhães, quando fui eleito Presidente do Senado Federal, sem a existência de lei que estabelecesse qualquer impedimento ou ilegalidade. E foi uma renúncia amparada pela ordem constitucional vigente. Depois disso, em 2002 fui eleito, proporcionalmente, o deputado federal mais votado do Brasil. Em 2006, fui o deputado federal mais votado do Pará. Sempre amparado pela legislação eleitoral e pela 95


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Constituição Brasileira, sem impugnação de qualquer origem. Agora, três eleições depois da renúncia, como compreender que não poderia ser eleito e diplomado para o cargo que o povo me elegeu? A lei da Ficha Limpa é benéfica para o país, mas sua aplicação deve respeitar a Constituição Federal, sob pena de colocarmos em risco toda a segurança jurídica do país, abrindo um grave precedente jurídico, hoje no Direito eleitoral, amanhã em outros campos do Direito. Quero lembrar que o projeto original, de iniciativa popular, não incluía a cláusula da renúncia ao mandato como causa de inelegibilidade. Esta cláusula foi inserida no projeto pelo Congresso, como um passageiro clandestino que pega o bonde andando, unicamente com o objetivo de atingir a candidatura do ex-governador de Brasília Joaquim Roriz. Portanto, nada tem a ver com a vontade popular. Por tudo isso, estou confiante que o Supremo Tribunal Federal não permitirá nenhuma violência política e jurídica contra mim. A vontade do povo do Pará é soberana, legítima e não poderá ser ignorada em plena democracia. “Acredito no respeito à vontade popular e nas garantias da Constituição Federal.”

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Construí a Escola Mário Barbosa – referência de ensino público - e por meio de convênio sua administração foi repassada para a Universidade Federal Rural da Amazônia, a Ufra.

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Os maiores desafios do Brasil estão nas políticas educacionais. Em todos os níveis e setores. No caso do Pará, como se não bastasse a realidade perversa que enfrentam crianças e jovens, principalmente os mais pobres, estatísticas oficiais divulgadas esta semana mostram que os paraenses tiveram, entre 2005 e 2009, o pior crescimento de vagas para crianças, de 0 a 3 anos, em creches. Ou seja, entre todos os estados brasileiros, o Pará levou a pior no período: cresceu apenas 1,32%, perdeu para o Amazonas que cresceu 38,28; Tocantins, com 28,29 e até para o vizinho Amapá, que cresceu 16,34%. A questão creche é básica, fundamental. Atinge em cheio a sociedade, porque deixa de atender à família, principalmente e como sempre, à mais pobre. As mulheres hoje estão em posição igual à dos homens, em qualquer setor da vida econômica e têm papel demais importante na ciranda social. Se, por exemplo, uma trabalhadora doméstica faltar ao trabalho, ou mesmo não trabalhar por falta de acesso à creche isso gera o efeito dominó em todo o resto da produtividade econômica e social. No rastro disso estão as famílias com menor renda, estão as faltas ou atrasos em lojas, hos99


pitais e fábricas; estão as piores condições de pobreza. Isso em uma família pobre de padrões normais, com pai e mãe presentes. Se imaginarmos milhares de mulheres que criam seus filhos sozinhas, sem a ajuda de seus companheiros, o efeito é mais grave. Creche é obra urgente, de primeira necessidade. Já enfrentei esse problema sério de falta de vagas e contei com a ajuda de um paraense comprometido com as causas populares e com elevado grau de espiritualidade chamado Mário Barbosa que dispensou uma secretaria no governo de São Paulo para dirigir aqui a Fundação do Bem-Estar Social, a Fbesp, à época em que fui governador. Em Belém as creches eram muito poucas – até chamadas de creches-vitrine – e não havia recursos para novas construções. Mário elaborou um projeto simples que deu tão certo que foi implantado em todos os bairros periféricos: o governo reformava, adaptava centros comunitários, ou mesmo residências maiores com instalações sanitárias, cozinhas, parquinho, enfim, o que fosse possível, e uma mãe-crecheira era eleita, aprovada pela comunidade para comandar o lugar, onde outras mães-crecheiras, merendeiras e educadoras também trabalhavam. Eram treinadas e recebiam salários para cuidar das crianças do bairro. Uma ação simples para resolver vários problemas, o primeiro deles é que havia pouco recurso investido, então dava para fazer em várias casas de um mesmo bairro, dependendo da demanda. Depois, solucionava a questão do apadrinhamento, no qual a mãe pobre só conseguia vaga se conhecesse alguém com 100


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influência no governo. Outro ponto fundamental para as mães é que elas não precisavam tomar ônibus com um filho no colo e outro na mão, deixar nas creches, depois tomar outro ônibus e ir para o trabalho e fazer tudo de novo na hora de voltar. A mãe deixava o filho na creche mais próxima de sua casa e ia direto para o trabalho. Ou seja, havia economia de dinheiro e menos cansaço. Muitas famílias lembram até hoje e eu, como gratidão, inaugurei uma escola-referência, em convênio com a Universidade Federal Rural da Amazônia, com o nome do doutor Mário Barbosa. Hoje a realidade é outra, o governo é outro, mas o problema é o mesmo. As soluções viáveis, os projetos que podem minimizar o sofrimento da população devem ser procurados e implantados o mais breve. O que não pode é a sociedade fechar os olhos ou perder a sensibilidade ao ver o problema e nem acreditar apenas no que dizem os slogans. O governo anterior se intitulava de um “governo que cuidava das pessoas” e os fatos e as estatísticas nos mostram que a situação é bem diferente. Toda vez que o Pará aparece em qualquer pesquisa, estamos sempre em situação desconfortável, no patamar do que é sofrível. No rabo da fila. Se o Pará perseguir uma meta, em 5 anos, de se estabelecer pelo menos na média brasileira, na qual os Estados obtiveram desempenho de 34%, quanto ao crescimento do número de vagas em creches, já será um grande avanço e isso não é nenhum bicho de sete cabeças. 101


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Carta de recomendação da dra. Marília Crespo, ex-Procuradora Geral do Ministério Público do Estado do Pará.


Carta-renĂşncia ao mandato de deputado federal.

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Discurso de renúncia à presidência do Senado Federal.

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Nasceu em Belém, Pará, a 27 de outubro de 1944. Tem quatro filhos (Jader Filho, Helder, Giovana e Daniel). É o segundo de seis filhos de Laércio e Joanelle Barbalho. Estudou no Instituto São Geraldo Magela (Belém-PA), Suíço Brasileiro (Belém), Colégio Moderno (Belém), Colégio São Francisco de Assis (Rio de Janeiro), Paty de Alferes (Vassouras, RJ) e Colégio Nossa Senhora do Carmo (Belém, PA). Estudou o Clássico no colégio Estadual Paes de Carvalho (1963, Belém), no qual iniciou sua vida pública, ao ser eleito vice-presidente e logo depois assumir a presidência do Centro Cívico Honorato Filgueiras. Em 1967, ingressa na Faculdade de Direito da Universidade Federal do Pará e atua no Movimento Estudantil, um dos maiores instrumentos contra a ditadura militar instalada no Brasil em março de 1964. É eleito, em 1966, Vereador de Belém pelo então Movimento Democrático Brasileiro. Formou-se em 1971 e foi o orador de sua turma, quando já exercia o mandato de Deputado Estadual (1971/1975). De 1975 a 1983 foi Deputado Federal, também pelo MDB. Em 1982 foi eleito governador do Pará (1983/1987). Em 1987 é nomeado ministro da Reforma e do Desenvolvimento Agrário. Em 1988 assume o Ministério da Previdência Social. Em 1990 foi eleito, pela segunda vez, Governador do Pará (1991/1994). Em 1994 foi eleito Senador da República. Foi presidente do Senado e do Congresso Nacional. Entre 2003 e 2007, 2007 e 2011 foi eleito Deputado Federal com a maior votação no Pará. Em 2010 foi eleito Senador da República. Belém, Pará, março de 2011


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M E M Ó R IA Ano de 2010 2011 Ano 00 -- Nº N o 01 01 -- Belém, Belém, Pará, Pará, Março julho de

N iem eyer apresenta projeto da C abanagem a Jader Jader e prefeitos do Pará fazem reunião em B rasília

Fim do sofrim ento: inaugurada a Ponte de O uteiro

O P alácio Lauro S odré é restaurado e agora abriga o M useu do E stado

E ncontro de governadores na R io 92

B elém na cam panha de Tancredo para a Presidência da República


A ProvĂ­ncia do ParĂĄ, 10 de janeiro de 1984


A ProvĂ­ncia do ParĂĄ, 14 de janeiro de 1984


A ProvĂ­ncia do ParĂĄ, 18 de janeiro de 1984


A ProvĂ­ncia do ParĂĄ, 4 de fevereiro de 1984


A ProvĂ­ncia do ParĂĄ, 4 de fevereiro de 1984


A ProvĂ­ncia do ParĂĄ, 16 de fevereiro de 1984


A Província do Pará, 13 de março de 1984


A ProvĂ­ncia do ParĂĄ, 19 de fevereiro de 1984


A ProvĂ­ncia do ParĂĄ, 21 de fevereiro de 1984


A Província do Pará, 2 de março de 1984


A Província do Pará, 17 de março de 1984


Diรกrio do Parรก, 17 de marรงo de 1984


A Província do Pará, 19 de março de 1984


O Liberal, 31 de agosto de 1985


A Província do Pará, 11 de outubro de 1986


Diรกrio do Parรก, 11 de outubro de 1986


A Província do Pará, 12 de outubro de 1986


A Província do Pará, 28 de outubro de 1986


Diรกrio do Parรก, 25 de novembro de 1987


Diรกrio do Parรก, 25 de novembro de 1987


Diรกrio do Parรก, 13 de outubro de 1989


Diรกrio do Parรก, 13 de outubro de 1989


A ProvĂ­ncia do ParĂĄ, 25 de novembro de 1989


A ProvĂ­ncia do ParĂĄ, 18 de novembro de 1989


Diรกrio do Parรก, 26 de novembro de 1989


Diรกrio do Parรก, 26 de novembro de 1989


A ProvĂ­ncia do ParĂĄ, 27 de novembro de 1989


Diรกrio do Parรก, 27 de novembro de 1989


Diรกrio do Parรก, 8 de dezembro de 1989


A ProvĂ­ncia do ParĂĄ, 9 de dezembro de 1989


Diรกrio do Parรก, 10 de dezembro de 1989


Diรกrio do Parรก, 25 de fevereiro de 1989


Diรกrio do Parรก, 29 de janeiro de 1990


Diรกrio do Parรก, 23 de janeiro de 1990


Diรกrio do Parรก, 29 de janeiro de 1990


Diรกrio do Parรก, 3 de fevereiro de 1990


Diรกrio do Parรก, 4 de fevereiro de 1990


Diรกrio do Parรก, 5 de fevereiro de 1990


Diรกrio do Parรก, 6 de fevereiro de 1990


A Província do Pará, 14 de março de 1991


Diรกrio do Parรก, 10 de fevereiro de 1994


Diรกrio do Parรก, 10 de fevereiro de 1994


Diรกrio do Parรก, 27 de fevereiro de 1994


Diรกrio do Parรก, 27 de fevereiro de 1994


Diรกrio do Parรก, 20 de marรงo de 1994


Diรกrio do Parรก, 25 de marรงo de 1994


Diรกrio do Parรก, 29 de marรงo de 1994


Diรกrio do Parรก, 30 de marรงo de 1994


Diรกrio do Parรก, 30 de marรงo de 1994


Diรกrio do Parรก, 30 de marรงo de 1994


Diรกrio do Parรก, 31 de marรงo de 1994


Diรกrio do Parรก, 31 de marรงo de 1994


Diรกrio do Parรก, 1 de fevereiro de 1995


Diรกrio do Parรก, 10 de agosto de 1995


Diรกrio do Parรก, 27 de agosto de 1995


A ProvĂ­ncia do ParĂĄ, 24 de abril de 1996


Diรกrio do Parรก, 9 de agosto de 1996


Diรกrio do Parรก, 18 de abril de 1997


Diรกrio do Parรก, 10 de agosto de 1997


Diรกrio do Parรก, 21 de janeiro de 1999


Diรกrio do Parรก, 24 de janeiro de 1999


Diรกrio do Parรก, 16 de marรงode 1999


Diรกrio do Parรก, 30 de agosto de 1999


Diรกrio do Parรก, 30 de agosto de 1999


Diรกrio do Parรก, 10 de setembro de 1999


Diรกrio do Parรก, 14 de setembro de 1999


Diรกrio do Parรก, 24 de setembro de 1999


Diรกrio do Parรก, 7 de janeiro de 2000


Diรกrio do Parรก, 7 de janeiro de 2007


Diรกrio do Parรก, 31 de agosto de 2007


Diรกrio do Parรก, 27 de setembro de 2010


Diรกrio do Parรก, 28 de setembro de 2010


Diรกrio do Parรก, 1 de fevereiro de 2011


Diรกrio do Parรก, 1 de fevereiro de 2011


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FOTOGRAFIAS 217


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Oscar Niemeyer, o arquiteto do Monumento da Cabanagem em Belém, construído em meu primeiro governo.

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Instituí a primeira reserva extrativista do país, a “Alto Juruá”, no Estado do Acre.

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Reuniรฃo do Ministro da Reforma Agrรกria Jader Barbalho com o ambientalista Chico Mendes. Junho/1988 - Palรกcio Rio Branco/AC.

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Homenagem em Outeiro, nas festas de inauguração da Ponte.

Viagem à Transamazônica: conhecimento dos problemas para investir nas soluções.

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TEMPO DO TRABALHO

Escola Estadual Irmã Dulce, em Parauapebas, construída em meu governo.

Festa em campanha pelo interior do Pará

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Dom Helder Câmara, símbolo da resistência à didatura militar e da dedicação e luta em favor dos brasileiros mais pobres.

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TEMPO DO TRABALHO

Minha m達e, Joanelle Barbalho.

Helder, Daniel, Jader Filho, Giovanna e Michelle.

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Meu pai, jornalista Laércio Barbalho, fundador do Jornal Diário do Pará.

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Visita à escola pública.

Visita aos garimpeiros de Serra Pelada, Marabá.

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TEMPO DO TRABALHO

Inauguração da Estação de Energia em Alter do Chão, Santarém.

Campanha política.

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Ponte sobre o rio Maricuru, em Monte Alegre, uma das obras rodoviárias na PA254 que ligam os municípios da margem esquerda do rio Amazonas, no Pará.

A primeira ponte para veículos na UFPA, sobre o Igarapé do Tucunduba. Uma reivindicação dos estudantes para urbanizar e dar mias segurança à circulação no Campus.

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TEMPO DO TRABALHO

Estádio Colosso do Tapajós, em Santarém, também chamado de Barbalhão.

Museu da Eletricidade no prédio da antiga Celpa - Centrais Elétricas do Pará/Belém.

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Ao lado do Presidente Figueiredo, na inaguração da Ferrovia Carajás.

Infraestrutura na Transamazônica.

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TEMPO DO TRABALHO

Fiz a reforma e ampliação do Colégio Paes de Carvalho.

Colégio Santa Maria de Belém transformado, no meu governo, em escola pública de referência.

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Marujada em Bragança na festa de São Benedito.

Prédio da Funtelpa, na Av. Almirante Barroso, construído em meu governo.

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TEMPO DO TRABALHO

Escola Estadual Ulysses Guimarães, referência do ensino público construída em meu governo em convênio com a Celpa.

Criei o Museu do Estado no Palácio Lauro Sodre, antiga sede do governo.

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Tempo do Trabalho - Jader Barbalho  

Livro Jader Barbalho - Tempo do Trabalho. Esta é a segunda edição de Tempo do Trabalho, já que a primeira fez parte de minha campanha eleito...