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A Nova Grande Onda ANO 2 / Nº 1 / ABRIL DE 2021

GBC

BRASIL

G REE N BUI L D I N G C O U N C IL

ANUÁRIO 2020/21 Certificações LEED, GBC Brasil Casa & Condomínio e GBC Zero Energy


PRINCÍPIO S SU S T EN TÁV EIS E SOL UÇÕE S PREDIAIS MIT SUBISHI EL EC T RIC. É A S SIM QUE SE CON S T RÓI UM ÍCONE DE DE SIGN E SU S T EN TA BILIDA DE COMO A JA PA N HOU SE S ÃO PAUL O. Desde a sua inauguração, a Japan House São Paulo é um ícone de design e propósito. Agora, com a conquista da certificação máxima LEED PLATINUM em 2020, ela também se tornou um marco em construção e operação sustentável no Brasil e no mundo. Isso graças à união de boas práticas sustentáveis e todos os benefícios dos produtos Mitsubishi Electric. Por exemplo, o Sistema de Automação Predial da Mitsubishi Electric gera maior economia de energia por meio do controle de iluminação e climatização. Os inversores e controladores lógicos programáveis gerenciam a performance energética em todo o edifício. Já o sistema de ar-condicionado de alta eficiência garante qualidade de ar superior, com operação silenciosa, proporcionando mais conforto e bem-estar para todos os visitantes. Como você pode ver, juntos nós ajudamos a construir um edifício mais eficiente. VISITE O NOSSO SITE PARA SABER MAIS HTTP://WWW.JUNTOSCONSTRUIMOSMELHOR.COM/

Foto: Estevam Romera 4 GBC BRASIL

- ANUÁRIO 2020/21

© 2020 Mitsubishi Electric Brasil, Inc. All rights reserved.


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REFERÊNCIA NA EXECUÇÃO DE OBRAS SUSTENTÁVEIS Com expertise em empreendimentos que atendem os mais modernos critérios de sustentabilidade e responsabilidade socioambiental, somos referência no segmento de obras com certificação LEED.

Imagem da nova sede da cooperativa de crédito Sicredi União, em Maringá (PR) - Certificação Leed Platinum.

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A Nova Grande Onda ANO 2 / Nº 1 / ABRIL DE 2021

GBC

BRASIL

G R EE N BUI L D I N G C O U N C IL

ANUÁRIO 2020/21 Certificações LEED, GBC Casa & Condomínio e GBC Zero Energy


LAGUNA. CADA VEZ MAIS SUSTENTÁVEL, CADA VEZ MAIS INCONFUNDÍVEL.

ALMÁA Cabral

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IGUAÇU 2820

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Somos a empresa do setor com maior número de projetos sustentáveis certificados ou em processo de certificação na região Sul do país.

IGUAÇU 2820 - Certificação LEED Gold LLUM Batel - 1° residencial do Brasil Pré Certificado LEED Gold Certificação conquistada em Janeiro de 2020 ROC Batel - Em processo de certificação GBC Condomínio Ouro ALMÁA Cabral - Em processo de certificação GBC Condomínio Platina MAI Terraces - Em processo de certificação GBC Condomínio Platina

41 3259 1801 construtoralaguna.com.br


A Nova Grande Onda É com muita satisfação que lançamos mais uma edição do Anuário GBC Brasil, celebrando juntamente com as principais lideranças da construção, as conquistas, que brilhantemente ousam a elevar, continuamente, os patamares de consolidação e expansão do movimento nacional de green building. A nível mundial, o Brasil vem assumindo destaque e protagonismo cada vez maior, sendo um grato motivo de orgulho a todos nós. Atribuímos o sucesso do nosso movimento, à força da nossa comunidade. Digo, a comunidade expressiva de empresas membros do GBC, a representatividade do nosso Conselho de Administração, aos milhares de profissionais voluntários e as diversas associações parceiras. Não à toa que, com toda essa estrutura, enfrentamos qualquer crise e turbulência econômica com o pé firme no acelerador, dando rápidas respostas ao mercado, em respeito à relevância e à urgência do propósito que defendemos. Mesmo durante os últimos anos de estagnação da construção civil, ora por desafios econômicos, ora por desafios políticos e agora por desafios humanitários, nós continuamos a registrar novos projetos buscando a certificação green building. Em 2019, nós crescemos 45% comparado ao ano anterior e no primeiro semestre de 2020, mesmo em meio à pandemia, já havíamos registrado muito mais projetos novos do que no primeiro semestre de 2019.

Felipe Faria CEO – Chief Executive Officer Green Building Council Brasil Board of Director Member


Nossa comunidade é forte e guiada por propósito, sendo essa a explicação sobre capacidade de fazermos muito com pouco. No GBC temos a plena convicção que tudo é realizável, basta estarmos 100% empenhados atrás das metas estabelecidas. Em 2019, nosso Conselho de Administração provocou uma revisão de planejamento estratégico tendo como mote um crescimento exponencial dos nossos números em 5 e 10 anos. Resumidamente e de forma macro, uma forte agenda de discussão sobre desempenho, aumentar nossa influência e colaboração junto a políticas públicas de fomento e construir um canal direto de comunicação entre o movimento e a sociedade civil, de modo a tornar os benefícios dos green buildings mais conhecidos serão objetivos norteadores das iniciativas e atividades em desenvolvimento e em planejamento. Essas iniciativas encontrarão nesses objetivos, oportunidades e desafios nas dimensões que atualmente moldam a construção civil no mundo, a saber: digitalização favorecendo a conectividade de pessoas, dados e tecnologias; disrupção de comportamento e preferências sociais; riscos e consequências atreladas às mudanças globais. No GBC esse novo olhar estratégico iniciou há alguns anos, mesmo antes da pandemia, a prática de eventos online já havia sido implementada. Estabelecemos o uso dessa modalidade como forma de atingir o público de todo Brasil, sendo que em 2019 a nossa Conferência Internacional Greenbuilding Brasil teve mais de 50 sessões técnicas online e atingimos o público de 7 mil participantes. Seguindo essa premissa, em março de 2020, como forma de estimular que profissionais permanecessem seguros e motivados em casa, liberamos o acesso à nossa plataforma online de educação que conta com 4 cursos e mais de 100 sessões técnicas. Participaram 4 mil profissionais em 20 dias. Em 2019, por meio de todas as nossas mídias orgânicas, o GBC impactou mais de 5 milhões de pessoas, centenas de matérias online, três entrevistas especiais em rádios, mais de 10 matérias em jornais e cinco telejornais, incluindo SPTV, BAHIATV e Boa Noite Paraná, todos da Rede Globo. Uma outra característica interessante da nossa forma de atuar é sempre evidenciar o caráter de ganho econômico atrelado à sustentabilidade, consolidando o fato dos empreendimentos, soluções e serviços green building serem as melhores opções de negócio. E à medida que consolidamos o fato de sermos o melhor modelo de negócio, podemos explicar o quanto são diversificadas as tipologias de edificações que buscam a certificação, uma vez que temos prédios corporativos, públicos, shopping centers, escolas, hotéis, estádios, laboratórios, indústrias, logística, bairros, museus, lojas, restaurantes. Também estamos interiorizando o movimento, não ficando mais restrito às capitais. Edifícios verdes, conforto, saúde e bem-estar, prédios inteligentes, todos esses conceitos estão no guarda-chuva do Green Building Council Brasil, suas ferramentas de certificações, LEED, GBC CASA&CONDOMÍNIO e ZERO ENERGY, bem como nossas atividades. Somos a porta de entrada à inovação e à tecnologia. Por fim, finalizo enaltecendo todos os nossos profissionais e empresas, responsáveis pelo sucesso das realizações e avanços apresentados pela nossa indústria nacional da construção sustentável.

Felipe Faria CEO – Chief Executive Officer Green Building Council Brasil Board of Director Member World Green Building Council


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Conteúdo A Nova Grande Onda

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Apresentação de Raul Penteado

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Mercado LEED Avanços do mercado LEED no Brasil Mercado das certificações cresce em todas as tipologias

20 22

Bairros e Cidades Sustentáveis Vidas melhores dependem de edifícios, cidades e comunidades melhores Empreendimentos brasileiros com novo conceito Novas ferramentas para gerenciamento de portfólios Benchmarks de desempenho energético De olho na performance Desempenho em destaque

26 30 34 36 38 40

Uso eficiente da Água

44

Setor Hospitalar Espaços de bem-estar A voz do especialista

50 54

Programa Zero Energy Edifícios públicos autossuficientes

58

Setor Residencial Quando presente e futuro se encontram É preciso mudar o paradigma

62 69

Economia Circular Planeta em vertigem Declaração Ambiental do Produto

72 76

21 anos de COMASP

78

GBC Brasil Certificações LEED 2019

85

GBC Brasil Certificações LEED 2020

131

GBC Brasil Certificações Casa & Condomínio

155

GBC Brasil Certificações Zero Energy

163

Os Projetos que buscam a certificação LEED são analisados por 9 dimensões. Todas possuem pré-requisitos e créditos que a medida que atendidos, garantem pontos à edificação. Os níveis são: Certified, Silver, Gold e Platinum. Categorias da versão 3 (2009): LEED NC (New Construction), LEED CS (Core and Shell), LEED HC (Healthcare), LEED for Schools, LEED for Retail, LEED EBOM (Existing buildings operation and maintenance), LEED CI (Commercial Interiors), LEED ND (Neighborhood). Categorias da versão 4 (versão atual): LEED BD+C: New Construction; Core and Shell; Schools; Retail; Healthcare; Data Centers; Hospitality; Warehouses and Distribution Centers. LEED O+M: Existing Buildings; Data Centers; Hospitality; Warehouses and Distribution Centers; Schools; Retail. LEED ID+C: Commercial Interiors; Retail; Hospitality. LEED ND: LEED ND: Plan; LEED ND: Built Project.


ANO 2 / Nº 1 / ABRIL DE 2021

CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO Presidente GBC Brasil Raul Penteado Presidente, RSMF Empreendimentos Vice-Presidente GBC Brasil José Moulin Netto CEO, NEXTA

MEMBROS DO CONSELHO Adriano Sartori Vice-Presidente, CBRE Angelo Derenze Diretor Geral, Shopping D&D Carlos Betancourt Presidente, Bresco Celina Antunes CEO América do Sul, Cushman&Wakefield Ednelson Ivantes Diretor Executivo, Plaenge Industrial Guilherme Bertani CEO, DOCOL Paulo Mancio Senior Vice-Presidente, Accorhotels Paulo Perez Diretor, Saint Gobain Robert Harley Presidente, JHSF Malls Roberto Aflalo Sócio-Diretor, Aflalo/Gasperine Virginia Sodré Sócia-Diretora, Inifinitytech

CRÉDITOS FOTOGRÁFICOS: Estevam Romera Estúdio 071 Gerson Lima Iran Oliveira Marcelo Donadussi Nando Fischer Rogério Albuquerque Samuel Allard

As imagens e textos que não estão creditados são de divulgação das empresas, que assumem a responsabilidade sobre os respectivos copyrights. As matérias de autoria de colaboradores e anunciantes não refletem, necessariamente, a opinião da Editora. Todos os esforços foram feitos para reconhecer os direitos autorais das imagens publicadas neste publicação. A editora agradece qualquer informação relativa a autoria, titularidade e/ou outros dados, se comprometendo a incluí-los em edições futuras.

CEO Green Building Council Brasil Felipe Faria

DIRETOR EXECUTIVO Jacques Rutman jacques@jjcarol.com.br

PROJETO GRÁFICO Jackie Carol REDAÇÃO Nanci Corbioli - MTb 21838/SP REVISÃO Alessandra Angelo RESPONSÁVEIS DO GBC Enzo Tessitore e Maíra Macedo Capa: Jackie Carol Crédito da imagem: Newbi1 - Dreamstime.com

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GBC BRASIL - ANUÁRIO 2020/21

J.J.Carol Editora Tel +55 (11) 3871-1888 jacques@jjcarol.com.br www.jjcarol.com.br


Com muita satisfação, celebramos expressivos resultados como a quinta posição no ranking de 180 países, em que a certificação LEED se faz presente, ou os mais de 50 milhões de m2 que estão buscando as certificações do GBC Brasil. No segmento residencial, onde começamos a reforçar presença, o valor total de vendas das unidades familiares em edificações registradas ou certificadas GBC CASA & CONDOMÍNIO somam R$4 bilhões. Disseminamos as informações, práticas e casos de sucesso de construções sustentáveis a milhões de brasileiros.

Raul Penteado, Presidente Green Building Council Brasil

Estamos falando de edificações que alinham desenvolvimento econômico com a redução média de 25% em energia, 40% a 60% de água, desviam mais de 80% dos resíduos de aterros sanitários, melhora de 8% a 11% da produtividade de funcionário em nossos escritórios, e impactam positivamente na saúde e bem-estar das pessoas, seja no trabalho ou em suas casas. Um dos principais desafios do GBC Brasil é a característica de ser uma entidade multidisciplinar e multisetorial. Desafio que também nos traz uma oportunidade única de se valer do poder da colaboração, conhecimento e dedicação de cada profissional e empresa associada como forma de garantir a multiplicação dos nossos resultados. As nossas iniciativas estão bem posicionadas, buscando incentivos financeiros ou direcionando investimento a práticas e empreendimentos green building, contribuição e destaque à inovação, intenso Programa de Educação, certificação de empreendimentos, comunicação constante acerca dos benefícios do nosso movimento aos diversos públicos, fomento a políticas públicas e colaboração. Contribuímos positivamente a diversos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, bem como conduzimos a transformação do mercado com base nos princípios do North Star Goals, mudanças climáticas, saúde e bem-estar, e economia circular. Contudo, há total alinhamento com as expectativas dos principais fundos de pensão e investidores do mercado imobiliário, em suas decisões acerca das opções mais prósperas a serem priorizadas no que tange novos investimentos.

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Hoje, juntamente com os demais conselheiros e a equipe executiva, e seguro do apoio de cada empresa-membro, comemoraremos a cada dia nossos avanços conjuntos. Trabalharemos pautas importantes à nossa economia e sociedade, além de altamente relevantes às necessidades discutidas no mundo e que beneficiam a coletividade. Os recentes anos estão sendo desafiadores do ponto de vista econômico e político, e em particular 2020, em que vivenciamos uma pandemia cruel em todos os sentidos e com efeitos colaterais diversos, inclusive ultrapassando questões sanitárias ou de saúde pública, passando a influenciar nossos negócios, nossas prioridades e preferências de consumo. Diante toda essa circunstância, não há como negar a conclusão de que as pessoas, e por que não, nossas empresas, passam a absorver uma visão mais holística e humana como base para tomada de decisões e definições estratégicas. Dito isto, com muita satisfação vejo que as atividades do GBC Brasil e os números de projetos seguem aumentando como um indicativo que o processo de construção coletiva que estamos conjuntamente liderando está alinhado e até mesmo antecipou as condicionantes de uma nova construção civil. Finalizo destacando o conceito de conforto, saúde e bem-estar, que já discutíamos nos escritórios e residências e que ganham mais força após os acontecimentos recentes. Vejo uma enorme oportunidade de evidenciarmos esse benefício atrelado às edificações green buildings como forma de pavimentar um canal de comunicação entre o nosso movimento e a sociedade civil. A forte rede colaborativa que construímos para viabilizar a transformação de mercado esperada necessita da participação da iniciativa privada, associações, setor público, academia e sociedade civil. Reforçaremos todos os elos dessa corrente. Nosso planeta não pode esperar. Precisamos agir rápido na inovação de sistemas construtivos, incluindo materiais e processos, e com o apoio valioso de regulamentações e certificações, vamos juntos, acelerar a construção do Brasil que queremos.

Raul Penteado Presidente Green Building Council Brasil

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GBC BRASIL - ANUÁRIO 2020/21


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MERCADO LEED

Avanços do mercado LEED no Brasil O Brasil mantém sua posição de protagonismo dentro do cenário mundial, com resultados promissores em 2021, mesmo com a pandemia do novo coronavírus. Há mais de 20 anos, o LEED vem disponibilizando em todo o mundo parâmetros para projetar, construir e manter edifícios sustentáveis de alto desempenho. No Brasil, a primeira certificação foi concedida a uma agência bancária em 2007. Ao longo dos anos seguintes, o LEED se consolidou no país, com grande volume de construções de diferentes tipologias certificadas, apesar das crises nos campos da política e da economia – em 2015 o Brasil assumiu a quinta posição entre os países com mais certificações LEED no mundo. O ano de 2020 mostrou-se particularmente desafiador, obrigando empresas, poder público e sociedade a refletirem melhor sobre a forma como vivemos e conduzimos nossos negócios. O impacto da pandemia será sentido nos próximos anos, na economia, nas pessoas e em nosso modo de vida. Dentro do universo dos Greenbuildings, as discussões se intensificaram e a forma como projetamos, construímos e operamos nossas edificações nunca foi tão salutar. Pautas como Cidades Inteligentes, Performance, Saúde & Bem-Estar, Resiliência e Equidade ganharam não apenas relevância, como praticamente se mostraram obrigatórias. A nova visão do USGBC e do GBCI baseia-se no conceito de “Pessoas saudáveis em lugares saudáveis, resultam em uma economia saudável”. Toda a nossa estratégia e oferta de soluções está alinhada com esta visão. Não precisamos escolher entre sustentabilidade, saúde pública e economia saudável, o futuro exigirá que essas frentes caminhem juntas.

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GBC BRASIL - ANUÁRIO 2020/21

Várias mudanças já Sandrino Beltrane foram feitas e apresentaHead de Desenvolvimento de das aos mercados por Negócios no Brasil pelo GBCI Inc. meio dos Town Halls. Dentre inúmeros exemplos, podemos citar as atualizações do LEED v4.1, novos créditos-piloto que foram criados, mudanças nos processos de revisão do GBCI, novas funcionalidades do ARC, etc. No conceito da escala urbana, temos o crescimento do programa LEED for Cities & Communities, que auxilia líderes locais, planejadores e desenvolvedores a criarem comunidades e cidades mais inteligentes, por meio de planos específicos para sistemas naturais, energia, água, resíduos, transportes e muitos outros fatores que afetam diretamente a qualidade de vida. Ao longo deste anuário temos um artigo específico sobre o tema, além da apresentação de dois cases icônicos implantados no norte e no sul do país – a Vila Americana, em Belterra, no Pará, e a Cidade dos Lagos, em Guarapuava, no Paraná. No âmbito das edificações existentes, temos a plataforma de desempenho ARC e todas as suas novas funcionalidades. ARC é uma plataforma de tecnologia que permite às equipes supervisionar a sustentabilidade de edifícios, comunidades e cidades, via coleta de dados, gerenciamento de informações, avaliação, medição e melhoria contínua de performance. ARC promove, além de performance e benefícios operacionais – saúde, bem-estar e melhorada qualidade


de vida. Ao longo deste anuário, vocês encontrarão artigos específicos que tratam das funcionalidades da plataforma, além de cases brasileiros de sucesso. O Brasil, como não poderia deixar de ser, mantém sua posição de protagonismo dentro do cenário mundial, com resultados promissores este ano, mesmo com a pandemia do novo coronavírus - o que ratifica os Greenbuildings como a melhor opção de negócio, mesmo durante a crise! Nós nos mantivemos entre os cinco países do mundo com maior quantidade de projetos LEED (fora dos EUA), superando a marca de 1.500. Em 2020, até o fechamento deste artigo, o Brasil tinha 86 novos projetos registrados, com destaques para o setor varejista (60%) e segmento logístico, além da manutenção do protagonismo dos End-users.

Com relação à plataforma de desempenho ARC, consolidamos de vez a nossa liderança, ultrapassando os 700 projetos ativos na plataforma (500 deles somente em 2020, mesmo durante a pandemia do coronavírus). O Brasil é o segundo país do mundo em número de projetos ativos, atrás somente dos EUA, o que evidencia o amadurecimento do setor frente à necessidade de se operar edifícios de forma sustentável e eficiente – performance é o futuro dos Greenbuildings! Números incontestáveis, portfólio de soluções alinhado com as tendências internacionais, base sólida de clientes e parceiros, membros atuantes, liderança técnica e de mercado – ingredientes que mantêm o Brasil como um dos mercados mais atrativos do mundo para se investir em Greenbuilding! Sandrino Beltrane Head de Desenvolvimento de Negócios no Brasil pelo GBCI Inc.


MERCADO LEED

Mercado das certificações cresce em todas as tipologias Museu da Língua Portuguesa e Grupo Madero são exemplos de como a certificação avança entre clientes públicos e privados.

Em dezembro de 2015, um incêndio destruiu o museu, comprometendo dois andares e a estrutura do telhado. Essencialmente digital, o acervo foi recuperado por meio de backups. Pouco mais de um mês depois, em janeiro do ano seguinte, o Governo do Estado de São Paulo, a Fundação Roberto Marinho e a IDBrasil, organização responsável pela gestão do museu, assinaram o convênio que viabilizou a recuperação do prédio e também do Museu da Língua Portuguesa. O acordo já previa incorporar os padrões de sustentabilidade para atualizar a edificação.

Em todo o mundo, as certificações LEED avançam entre as mais diferentes tipologias, como prédios de escritórios e residenciais, hotéis e aeroportos, escolas e hospitais, shopping centers, restaurantes e também museus. No Brasil, o icônico Museu da Língua Portuguesa (MLP), museu público e um dos primeiros do mundo dedicado a um idioma, está na reta final do processo de certificação. Inaugurado em 2006, o MLP tem projeto dos arquitetos Paulo Mendes da Rocha (que nesse mesmo ano conquistou Pritzker, prêmio internacional considerado o Oscar da arquitetura) e Pedro Mendes da Rocha. O museu ocupa parte do prédio da histórica Estação da Luz, na região central de São Paulo, edificação tombada pelo patrimônio do Estado em 1982.

Os projetos e obras desenvolvidos visavam ao LEED v4 BD+C NC em nível Silver. A consultoria de sustentabilidade está a cargo do Centro de Tecnologia das Edificações (CTE) e o estudo de Avaliação de Ciclo de Vida (ACV), para verificar reduções de impactos ambientais desde a etapa de reconstrução do museu, ficou sob o comando da Fundação Espaço Eco (FEE). O objetivo desse estudo é auxiliar a revisão dos projetos, de modo a atualizar as normas e legislações que sofreram ajustes e aprimoramentos desde a inauguração do museu e incorporar os requisitos de sustentabilidade, fazendo da construção um edifício verde. Pedro Mendes da Rocha, um dos autores da proposta original do museu, responde agora pela concepção do novo projeto, que foi desenvolvido pelo escritório paulistano Metrópole Arquitetura, sob a coordenação das arquitetas Ana Paula Pontes e Anna Helena Villela.

Ana Mello

Estação da Luz em foto tirada logo após a conclusão das obras de recuperação do prédio e do Museu da Língua Portuguesa, no final de 2019. A estação fica de frente para o Parque Jardim da Luz.

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GBC BRASIL - ANUÁRIO 2020/21

De acordo com Guilherme Vilares, consultor de obras sustentáveis do CTE, esse projeto teve como grande destaque o processo da restauração, planejado para que tudo fosse feito de forma organizada e ambientalmente correta. “Esse é um grande diferencial no mercado de obras. Tinha uma equipe só para restaurar a madeira no canteiro.


Ana Mello

A ala que não foi queimada também teve sua pintura restaurada para que fosse possível encontrar as cores mais antigas usadas”, detalha. Segundo Luis Leal, consultor de sustentabilidade do CTE, o projeto reaproveita ao máximo os materiais do edifício antigo. “Parte da madeira dos telhados pôde ser reutilizada em esquadrias e portas. As madeiras novas são da região amazônica e têm o selo FSC, o que garantiu o crédito de origem de matériasprimas”, explica. De acordo com informações fornecidas pela Fundação Roberto Marinho, o MLP consumia em 2015 mais de 600 mil litros de água e aproximadamente 900 mil kWh de energia elétrica. O projeto buscou formas de reduzir esses números e as principais modificações abrangem os sistemas de ar-condicionado e de iluminação, bem mais eficientes que os anteriores. “O ar-condicionado traz mais conforto e garantia de maior renovação de ar. A iluminação agora conta com sensores e sistema de automação. Nas áreas antigas, onde não pode haver intervenção maior,

foram utilizados sensores de luminosidade e de ocupação e interruptores sem fio. O sistema de incêndio foi revisado e ganhou rede de sprinkler”, comenta Leal. Os novos metais sanitários são mais econômicos e possuem restritores de vazão, arejadores e fechamento automático. “Não havia espaço para estação de reúso e seria uma intervenção muito grande. Parte da instalação é muito antiga e na área não atingida pelo fogo ela foi reutilizada”, completa Vilares.

Com projeto do arquiteto britânico Charles Henry Driver, o prédio atual da Estação da Luz tem influências inglesas e neoclássicas. Ele foi construído pela São Paulo Railway entre 1895 e 1901.

As obras foram concluídas em dezembro de 2019 e a reinauguração prevista para junho de 2020 foi adiada devido à pandemia. Mais detalhes sobre a reforma e fotos internas serão divulgados somente após a reabertura do MLP.

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Grupo tem 39 restaurantes certificados Entre os clientes privados com mais certificações LEED, o destaque no Brasil fica para o Grupo Madero. Dos mais de 200 restaurantes das marcas Madero e Jeronimo espalhadas pelo país, 39 têm certificados LEED (5 em nível Gold, 20 Silver e 14 Certified), além de outros 50 em processo de certificação. Da construção dos restaurantes à Cozinha Central do Grupo, em Ponta Grossa, PR, são vários os exemplos de ações sustentáveis em conformidade com a certificação LEED, a começar pelo sistema de destinação de refugos de obras. Hoje, em média, 90% dos resíduos de obras do Grupo Madero são destinados ao reúso ou reciclagem. Já a Cozinha Central é equipada com uma Estação de Tratamento de Efluentes, responsável pelo tratamento da água utilizada que é devolvida à natureza 100% pura e tratada. Essa água é tão limpa que serve como lar para os peixes mantidos no lago na parte externa da Cozinha Central. A partir de suas diretrizes e práticas sustentáveis, o Grupo Madero consegue reduzir em média 35% o consumo de água nos restaurantes Madero Steak House e em 14% o de energia elétrica.

A produção de hortifrútis orgânicos da Fazenda Madero é totalmente absorvida pelos restaurantes Madero e Jeronimo. Imagem: Divulgação

A consultoria de sustentabilidade está a cargo da Forte Desenvolvimento Sustentável, que atua em todas as etapas do processo de certificação. “São realizadas ações que englobam desde a assessoria ao desenvolvimento dos projetos seguindo as premissas do LEED, simulações energéticas, acompanhamento da obra e comissionamento dos sistemas. Sempre integrando os principais players envolvidos e garantindo a excelência em atendimento às metas de cada projeto. Como Consultoria em Sustentabilidade, buscamos sempre trazer as melhores soluções para nossos clientes, de forma que os projetos sejam referências inovadoras em resultados”, afirma Eduardo Mattos, Gerente de Sustentabilidade da Forte. Toda a produção de hortifrútis orgânicos da Fazenda Madero, iniciada em janeiro de 2018, é hoje 100% absorvida pelos restaurantes Madero e Jeronimo. O Grupo Madero também continua apoiando outros produtores de orgânicos, para complementar o fornecimento de alface, tomate, brócolis, couve-flor, morango, cenoura, limão, salsinha, cebolinha e alho, para as receitas dos pratos na Cozinha Central. Localizada em Palmeira, PR, a Fazenda Madero contou com investimentos que ultrapassam R$ 6,5 milhões em infraestrutura, estufas, câmaras refrigeradas, captação de água e irrigação de alta tecnologia, rendendolhe a certificação do selo Orgânico Brasil, conferido pelo Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar), que garante ao consumidor alimentos dentro dos preceitos e normas nacionais de produção orgânica.

Madero Steak House no Shopping Aricanduva, em São Paulo.

Gerson Lima

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GBC BRASIL - ANUÁRIO 2020/21


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DESEMPENHO NAS EDIFICAÇÕES

Vidas melhores dependem de edifícios, cidades e comunidades melhores O LEED for Cities e o LEED for Communities foram desenvolvidos para ajudar líderes a medir o impacto e melhorar o patamar de sustentabilidade desses empreendimentos

Hoboken, Franklin, Atlantic Beach, Santa Fé, Orlando, entre outras. Também já foram certificadas as comunidades de Arlington County, San Diego County, Golden Triangle Business Improvement District em Washington D.C., Aeroporto Internacional de Atlanta, Stuyvesant Town, Peter Cooper Village em Nova York e Songdo International Business District, entre outras .

Por mais de duas décadas, o LEED forneceu uma estrutura para projetar, construir e manter edifícios sustentáveis de alto desempenho. Como resultado, milhões de pessoas em 178 países estão vivendo, trabalhando e aprendendo em edifícios com certificação LEED. Isso mudou fundamentalmente a maneira como pensamos sobre edifícios e transformou a indústria da construção civil. Agora, o LEED também está revolucionando nossas comunidades e cidades.

Edifício por edifício, rua por rua, bairro por bairro - e agora cidade por cidade -, os espaços com certificação LEED estão transformando vidas. Com a recente certificação LEED Platinum, o Golden Triangle Business Improvement District em Washington, D.C., tornou-se um exemplo das muitas maneiras que o LEED pode ser usado para apoiar pessoas, empresas e bairros.

O USGBC vem expandindo sua visão para impactar cidades e comunidades. Reconhecendo que não havia uma maneira consistente de medir desempenho e sustentabilidade, introduzimos dois novos programas de certificação em dezembro de 2016, o LEED for Cities e o LEED for Communities. Formalmente conhecidos como LEED para Cidades e Comunidades, eles foram pensados para ajudar líderes a medir o impacto do empreendimento, melhorar a sustentabilidade e a desenvolver planos para energia limpa, água, lixo, transporte e muitos outros fatores que contribuem para a qualidade de vida.

Edifícios melhores Localizada em um edifício LEED Gold no centro do Distrito de Colúmbia, onde fica Washignton D.C., a sede do USGBC é um dos três espaços com certificação LEED dentro do edifício. Em 2010, o escritório do USGBC se tornou o primeiro a certificar sob o sistema de classificação LEED 2009 ID+C (Interior Design & Construction).

O objetivo é transformar a maneira como as cidades e comunidades são operadas para melhorar o padrão de vida das pessoas e incentivar a melhoria contínua. Afinal, melhores prédios - e melhores cidades e comunidades - são iguais a vidas melhores.

Sua equipe de facilities continua a manter o mais alto nível de desempenho para os funcionários do USGBC, monitorando energia, resíduos, água, transporte e experiência humana na plataforma de desempenho Arc (https://arcskoru.com). Como resultado de seu compromisso com a melhoria contínua, o espaço foi recertificado LEED Platinum em junho de 2019, já sob o LEED v4.1.

Hoje já são 110 cidades e comunidades no mundo certificadas sob o LEED for Cities and Communities. A lista inclui as cidades de Chicago, Washington, D.C., Lancaster, San Jose, Savona, Phoenix, Seattle, Atlanta,

Faça um tour virtual pelo endereço https://www. usgbc.org/articles/take-peek-inside-managementusgbc-headquarters e veja as várias maneiras com que o espaço apoia as pessoas e o planeta.

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Sede do USGBC em Washington, D.C.

Comunidades melhores O USGBC faz parte do Golden Triangle Business Improvement District (GTBID), que em 2019 alcançou o LEED Platinum sob o LEED for Communities. Como a primeira melhoria em um distrito de negócios com certificação LEED do mundo, o GTBID usa o LEED para demonstrar como está criando um ambiente limpo, seguro e vibrante para mais de 89 mil pessoas. Por meio de parcerias e iniciativas estratégicas, os visitantes experimentam: •

Mais de 63 edifícios certificados pelo LEED, representando 42% da área total construída do GTBID, o que ressalta o valor dos projetos sustentáveis para o bem-estar das pessoas e o benefício da eficiência energética para proprietários e investidores.

Mais de 400 bicicletários, bem como ciclovias protegidas, para ajudar a incentivar o transporte alternativo e seguro pelo bairro.

Seis jardins de chuva - com mais dez previstos para o final de novembro de 2020 - que capturam e filtram milhões de litros de escoamento de águas pluviais anualmente e fornecem refúgio e local de descanso para polinizadores e pessoas.

Corredores mais ecológicos e uma cobertura de árvores expandida que exigiam a conversão de mais de 1.000 metros quadrados de asfalto e concreto em espaço verde, adicionando 400 metros quadrados adicionais à área.

Parque Duke Ellington no Golden Triangle District.

Cidades melhores Nas palavras da prefeita Muriel Bowser, do Distrito de Colúmbia, “é do melhor interesse da segurança, economia e futuro de Washington, D.C., levar a sustentabilidade e a resiliência a sério”. O distrito tornou-se LEED Platinum e foi o primeiro com certificação LEED do mundo (2017). Ele abriga mais de 1620 edifícios com certificação LEED e foi o primeiro distrito de aprimoramento de negócios com certificação LEED. Ano após ano, o distrito registra mais metros quadrados de espaço com certificação LEED por pessoa do que qualquer outra localidade dos Estados Unidos. O LEED for Cities serve como uma ferramenta valiosa para o distrito, pois trabalha em direção às metas descritas em seu Plano D.C. Sustentável, ajudando a cidade a acompanhar o progresso e os resultados para reduzir as emissões de gases de efeito estufa, apoiar a inovação de energia limpa e focar na prosperidade e habitabilidade inclusivas em todas as oito áreas.

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Washington, D.C., cidade LEED Platinum

Toda certificação LEED apoia a visão do USGBC de edifícios e comunidades que regeneram e sustentam a saúde e a vitalidade de toda a vida dentro de uma geração. Nos últimos 25 anos, o LEED se concentrou em criar a estrutura que explica o que significa ser um edifício verde - definindo esse padrão para a nossa primeira geração. Agora, ao olharmos para a próxima geração, devemos considerar como as decisões que tomamos hoje afetarão o desempenho de amanhã. A próxima fase do nosso trabalho deve integrar perfeitamente edifícios nas comunidades para garantir um futuro sustentável para todos nós. O foco nos resultados gerados pelos nossos esforços de sustentabilidade nos incentivará a elevar os padrões para que possamos melhorar verdadeiramente a saúde dos cidadãos, proporcionar crescimento econômico e tomar as decisões corretas para o nosso planeta, nossos recursos e nossos semelhantes.

Simplificando, devemos pensar além dos próprios edifícios. O Green Building Council (GBC) oferece as certificações LEED for Cities e LEED for Communities, ferramentas que ajudam a planejar e a ponderar o desempenho de cidades, bairros e loteamentos, sistemas naturais, energia, água, resíduos, transporte e outros fatores que contribuem para a qualidade de vida. Os programas de certificação revolucionam a forma como as cidades e comunidades são planejadas, desenvolvidas e operadas para melhorar sua sustentabilidade geral e qualidade de vida. A estrutura LEED engloba indicadores e estratégias de desempenho social, econômico e ambiental com um meio claro e baseado em dados de benchmarking e comunicação do progresso. O programa está alinhado com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas e é influenciado por nosso envolvimento com centenas de cidades e comunidades em todo o mundo. Vatsal Bhatt Vice-presidente de Communities do U.S. Green Building Council (USGBC)

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DESEMPENHO NAS EDIFICAÇÕES

Empreendimentos brasileiros com novo conceito O bairro Cidade dos Lagos, em Guarapuava, no Paraná, e a Vila Americana, em Belterra, no Pará, estão localizados em extremos opostos do país e têm em comum o objetivo de conquistar as certificações LEED for Cities e LEED for Communities, ferramentas que ajudam gestores e líderes locais a desenvolver planos responsáveis, sustentáveis e específicos para a infraestrutura urbana de cidades, bairros ou grandes loteamentos. Começam a surgir no Brasil os primeiros projetos urbanos que buscam as certificações LEED for Cities e LEED for Communities. No sul do país, a cidade de Guarapuava está se desenvolvendo e se expandindo com o bairro inteligente Cidade dos Lagos, o primeiro empreendimento brasileiro registrado para obter a cerificação LEED for Communities em nível Gold. A Cidade dos Lagos é um caso especial em que um empreendimento ajuda a impulsionar o desenvolvimento de uma cidade com cerca de 200 mil habitantes. O loteamento tem cerca de 3 milhões de metros quadrados e está situado entre as rodovias PR466 e BR-277. Sua implantação teve início em 2010 e hoje ele conta com prédios comerciais e residenciais, um shopping center, instituições de ensino, hospitais e centros médicos especializados, centro de tecnologia e inovação e centro de eventos, entre outros projetos. Desde o início o empreendimento foi pensado para que seus moradores ficassem perto de tudo. “O objetivo sempre foi fazer um bairro em que as pessoas pudessem morar, estudar, trabalhar, andar a pé, de bicicleta, ter qualidade de vida”, afirma Vilso Dubena, diretor da Cidade dos Lagos. “Daqui a 100 ou 200 anos não haverá problemas de alagamento. Temos tubulações de águas pluviais superdimensionadas e já organizamos lagos de contenção para que quando

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o empreendimento estiver 70% habitado e coberto de asfalto não venha a sofrer com enchentes de colapso”, completa o diretor. No total o empreendimento possui 43,5 hectares de área verde preservada e nenhuma porção desse espaço foi impactada pela implantação das vias. Existem áreas de preservação permanente ao redor do bairro, além de uma nascente totalmente preservada e áreas destinadas ao turismo local, com trilhas e cachoeiras. “Plantamos várias espécies de frutas silvestres na região para os animais e para as pessoas”, destaca Dubena. Quando o empreendimento ainda estava na prancheta, a Cidade dos Lagos não encontrou um loteador ou incorporador que fizesse o loteamento no modelo desejado pela empresa. “Queríamos primeiro resolver as questões ambientais. Temos grande área de preservação, nossos recuos são o dobro do que a prefeitura exige, as calçadas são mais largas. Fizemos doações para áreas públicas como faculdades e hospitais e o que sobrou é o que está sendo loteado. Os empreendimentos obrigatoriamente devem ter carregador para carro elétrico, bicicleta elétrica. Isso já está organizado, já faz parte do nosso plano diretor. Guarapuava tem 200 anos e por aqui existem cidades mais novas e mais desenvolvidas. Quisemos dar um norte, uma arrancada para Guarapuava. A qualidade de vida depende da qualidade do emprego, que por sua vez depende de projetos bem estruturados e com atrativos para os investidores. Para isso, tínhamos que desenvolver algo que realmente chamasse atenção, que se tornasse uma referência”, conta Dubena.

Planejamento urbano De acordo com Eduardo Mattos, sócio-gerente de sustentabilidade da Forte Desenvolvimento Sustentável, consultoria que está conduzindo o processo de certificação, as principais estratégias do Cidade dos Lagos estão diretamente ligadas ao planejamento do desenvolvimento urbano


para os próximos anos. São adotadas medidas para descentralização de recursos, incentivando a caminhada ou uso de transportes não poluentes. Todas as ruas têm ciclovia ou ciclofaixa, área para pedestres e acessibilidade. “A taxa de área verde por habitante é bem elevada e as estimativas de emissões de gases do efeito estufa são muito baixas, o que ajudou muito o empreendimento com relação à pontuação no LEED. O investimento e planejamento em infraestrutura capaz de suportar o público projetado é o grande diferencial para esse projeto se tornar um case mundial de desenvolvimento urbano”, afirma Mattos.

Vista geral do bairro inteligente Cidade dos Lagos, em Guarapuava, PR.

A iluminação pública é eficiente e possui direcionamento dos feixes de luz de forma a não atrapalhar a fauna noturna e a não ultrapassar os limites do bairro. O plano de resiliência elaborado engloba todos os principais riscos associados a intempéries, com destaque na probabilidade de ocorrência de enchentes praticamente nula, devido ao sistema bem projetado de drenagem com lagos de acumulação de águas pluviais. De acordo com Mattos, o empreendimento é planejado para que se promovam os chamados centros compactos e completos, com facilidade de acesso a recursos comunitários, como hospitais, mercados, bancos e farmácias, em diferentes localizações do bairro. O transporte público já foi planejado conforme parametrização internacional do número mínimo de viagens, de forma a integrar também o bairro todo ao município. Além disso, existe planejamento para instalação futura de estações de carregamento elétrico, conforme o aumento da demanda.

Maquete mostra a dimensão do empreendimento que tem cerca de 3 milhões de m2.

“A disponibilidade hídrica é planejada de forma integrada por meio de um balanço hídrico, reduzindo os riscos de escassez no futuro. A qualidade da água é ainda acompanhada por meio dos relatórios periódicos da concessionária local”, detalha Mattos. Embora ainda não exista sistema de energia renovável planejado no empreendimento, estão em andamento alguns estudos de viabilidade para sua implantação. O sistema público de iluminação e bombas é baseado em equipamentos de alta eficiência, reduzindo o consumo energético do bairro.

Calçadas largas, acessibilidade e espaços para esporte e lazer.

Quanto às políticas para resíduos e reciclagem, existem planos para a execução de estações de coleta seletiva em locais estratégicos, fomentando a separação de resíduos por meio da colaboração de todos os usuários.

Paradas de ônibus equipadas com painéis solares e tomadas de uso público.


Civilização florestal No outro extremo do país, a mais de 3 mil km de distância de Guarapuava, está Belterra (PA), cidade entre os rios Tapajós e Amazonas, fundada em 1934 por Henry Ford em plena floresta amazônica durante o ciclo da borracha. A área foi cedida pelo governo brasileiro à companhia Ford para a exploração do látex das seringueiras para uso em sua indústria de automóveis. A cidade implantada na época estava dividida em três vilas. A principal delas era a Vila Americana, onde ficavam as pessoas mais importantes, como médicos e pesquisadores. As construções tinham como referência a arquitetura dos Estados Unidos e algumas delas hoje são tombadas pelo patrimônio histórico. As pragas nos seringais e a borracha sintética levaram ao fim do ciclo de exploração do látex na região amazônica e em 1945 os norte-americanos deixaram Belterra. A cidade tem hoje cerca de 18 mil habitantes e é a 16ª maior do país em área. Ela fica nas imediações de Santarém, integrando uma região de grande potencial turístico que abrange o Lago Verde, praia conhecida como Caribe Amazônico, e vários outros locais convidativos como Caranazal, Ilha do Amor e Ponta do Cururu. A região vem recebendo investimentos em ações para estimular o desenvolvimento social por meio do turismo como vocação estratégica. Segundo João Marcello Gomes Pinto, sócio-fundador da Sustentech, empresa que faz a consultoria de certificação e estudos relacionados à sustentabilidade para o projeto Belterra, um dos atrativos locais é precisamente a Vila Americana com suas construções tombadas. A ideia de criar ali a primeira civilização florestal do mundo moderno, levando educação empreendedora e inspiração para seus habitantes, surgiu quando o Instituto Butantan (IB), de São Paulo, escolheu o antigo hospital da Vila Americana para sediar o Museu de Ciências da Amazônia, o Muca - o prédio está em reforma e dentro de alguns meses o novo equipamento será inaugurado. A Oscip Ama Brasil, que atua na preservação do patrimônio histórico, artístico e ambiental do país, foi convidada para trabalhar na proposta do museu. Ao

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chegar na vila, seus representantes identificaram uma série de prédios históricos tombados que poderiam ganhar novo uso. Assim nasceu a ideia de um projeto maior, voltado para a população local e também para turistas. A ideia era combinar riquezas naturais com sustentabilidade, buscando mostrar os valores da Amazônia e desenvolver uma economia que mantenha a floresta de pé. “Além do museu, estão previstos passeios para conhecer as árvores usadas para medicamentos, as comunidades ao longo do Rio Tapajós e suas economias baseadas na castanha do Pará e no guaraná. O projeto também deve ser um estímulo ao empreendedorismo, uma ponte entre as comunidades e o mercado comprador e, principalmente, apresentar alternativas para que os produtores locais não coloquem fogo na mata para dar lugar a gado ou soja. É mais viável economicamente deixar a floresta de pé e aproveitar os recursos que ela oferece do que dar lugar a gado, garimpo ou monoculturas”, explica Gomes Pinto. A primeira fase do projeto deve levar três anos para ser implantada e prevê, além do museu, centro gastronômico, hotel e escola abraçando o núcleo da cidade e funcionando em edificações existentes. O projeto é do arquiteto Arthur Casas. “Todos os empreendimentos serão certificados, mas ainda não registramos nenhum. Estamos justamente na fase de diagnósticos para definir qual será certificação de cada edificação e da vizinhança como um todo”, explica Gomes Pinto. As estratégias de certificação estão em desenvolvimento. Já é dado como certo que o empreendimento contará com uma fazenda solar, com os painéis instalados no chão. Haverá um contrato para lançar essa energia na rede da concessionária e abater o valor correspondente do preço da energia usada nos prédios. Haverá também uma estação para tratamento de esgoto que usa nanotecnologia com ozônio, dispensando produtos químicos. Essa água poderá ser utilizada na irrigação e nas descargas dos sanitários. Deverá ser criada uma cadeia de triagem e reciclagem de resíduos e está previsto o uso de veículos elétricos (tuk tuk) e bicicletas para circulação no núcleo da cidade. O mobiliário desenvolvido por Arthur Casas será produzido exclusivamente com madeira regional obtida de forma sustentável. Imagens: Divulgação/Cidade dos Lagos e Divulgação/Belterra


As fachadas de vidro levam luz natural para o interior do shopping center.

Uso de pavimento intertravado para reduzir a impermeabilização do solo e a cor clara para ameninzar o efeito ilha de calor.

O lago Verde, em Alter do Chão, é um dos atrativos turísticos na região de Belterra. A praia em plena floresta é conhecida como Caribe Amazônico.

O Centro Administrativo de Belterra, cidade fundada em 1934 por Henry Ford. As construções seguem o modelo norte-americano e algumas são tombadas pelo patrimônio histórico.

Proposta arquitetônica para a vila administrativa.

Perspectiva do Museu de Ciências da Amazônia. Ele ocupará o prédio do antigo hospital e já está na fase final de obras.

Perspectiva Centro de Cultura Alimentar Tapajônica. O prédio já está em obras de revitalização.

O projeto Belterra e as instituições envolvidas.


DESEMPENHO NAS EDIFICAÇÕES

Novas ferramentas para gerenciamento de portfólios A Plataforma Arc ajuda qualquer espaço ou edifício a gerenciar seu desempenho nas áreas de energia, água, resíduos, transporte e experiência humana. Os portfólios estão sendo usados para conduzir análise da certificação LEED, organizar grupos de projetos para certificação LEED e consolidar informações sobre instalações em geografias e unidades de negócios, fornecendo uma visão transversal. Este trabalho complementa e alavanca os sistemas empresariais de informação existentes, como o Energy Star Portfolio Manager, Measurabl ou Wattics. Hoje, o portfólio médio do Arc contém aproximadamente 40 stakeholders, com alguns contendo mais de mil projetos. Esta tendência motivou a equipe Arc a desenvolver novas ferramentas para criar e gerenciar portfólios. O Arc lançou o primeiro conjunto de novos recursos de portfólio: • Crie portfólios com mais rapidez. Todos os usuários têm novas ferramentas para filtrar e selecionar vários projetos com base em atributos como localização, status de certificação e muito mais. • Entenda e priorize o desempenho de todo o portfólio. Todos os usuários têm uma nova interface de usuário de portfólio, incluindo uma

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nova guia Desempenho. Este é o novo local para pontuações de projetos. Mais ferramentas e recursos serão disponibilizados em breve! • Suporte para reentrada. Os usuários do Arc Essentials também encontrarão um novo painel de reentrada em nível de portfólio. Isso acumulará as pontuações e subpontuações de abrangência do Arc em vários projetos. • Prepare-se para o LEED. Os usuários do Arc Essentials também encontrarão uma seção nova e expandida de preparação para o LEED no relatório de projeto personalizado. Isso inclui cinco categorias e todas as métricas de desempenho da interface de usuário do Arc antigo. Este é apenas o começo de nossa implementação de novas ferramentas em nível de portfólio. Ainda neste ano lançaremos mais recursos de portfólios para todos os usuários, além de recursos mais avançados para assinantes do Arc Essentials. Chris Pyke Senior Vice-President Arc Skoru Inc.


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PROJETO À OPERAÇÃO

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DESEMPENHO NAS EDIFICAÇÕES

Benchmarks de desempenho energético O Conselho Brasileiro de Construção Sustentável (CBCS) vem atuando no desenvolvimento de benchmarks de energia para edificações, ferramentas que permitem aos usuários avaliar o desempenho de consumo de prédios em comparação com o mercado O CBCS começou a desenvolver equações de benchmarks em 2013, pois sempre houve a demanda por conhecimento de consumos de energia de referência para os edifícios brasileiros, conta a engenheira civil Clarice Degani, coordenadora executiva do CBCS. “Entendemos que o estudo deveria ser feito por tipologia, identificando os fatores com maior influência no consumo energético de cada edificação”, afirma. Segundo Clarice, a iniciativa contou com o apoio de parceiros para o fornecimento de dados e para financiar o trabalho dos desenvolvedores. A Eletrobras teve papel relevante desde o início, juntamente com o Banco do Brasil, Banco Santander e Caixa Econômica Federal (para o benchmarking das Agências Bancárias), com a Embaixada Britânica em Brasília (para o benchmarking de Edifícios Corporativos) e com o PNUD, Projeto 3E e Ministério do Meio Ambiente (para o benchmarking dos Edifícios Administrativos Públicos). Em 2018 foi firmado um novo convênio do CBCS com a Eletrobras que refina a metodologia de desenvolvimento dos benchmarks e acrescenta equações para mais 14 tipologias. Os benchmarks de consumo energético do CBCS são construídos sobre bases de dados exclusivamente brasileiras - dados de consumo energético, dados climáticos regionais e características físicas e de ocupação típicas de cada tipologia. Estas informações auxiliam na modelagem de arquétipos de cada

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Clarice Degani Coordenadora Executiva Conselho Brasileiro de Construção Sustentável (CBCS)

tipologia que são usados nas centenas de simulações termo energéticas que identificam a sensibilidade de diversas variáveis no consumo de energia da edificação. Da compreensão do peso de cada variável relevante, a equação de benchmark é capaz de calcular o consumo energético esperado para cada edifício, cujos dados sejam inseridos nesta equação, explica Clarice. “A equação também é testada a partir de dados de auditorias energéticas realizadas em edifícios existentes, comparando todas as suas características e os consumos efetivamente medidos. Assim, são múltiplos fatores que compõem a referência de consumo, edifício a edifício, conforme sua localização e condições de uso e operação”, completa.


Desde 2013, o CBCS aperfeiçoou sua metodologia de benchmarking e segue buscando parceiros para ampliar o banco de dados e refinar continuamente os benchmarks. O grande objetivo é disponibilizar a todos não apenas uma referência média de consumo típico do mercado, mas sim traçar metas de eficiência energética, indicando os consumos mais eficientes para cada tipologia. Atualmente, o CBCS dispõe de benchmarks de agências bancárias, edifícios corporativos e edifícios administrativos públicos, mas até o final de 2020 a previsão foi a de refinar o benchmark das agências bancárias e acrescentar à plataforma Desempenho Energético Operacional (DEO) as tipologias Hotel de grande porte e resort, Hotel de médio porte, hotel de pequeno porte e pousada; Shopping center; Supermercado; Comércio de varejo e de grande porte; Comércio de pequeno porte; Restaurante e preparação de alimentos; Escola de ensino infantil; Escola de ensino fundamental e médio; Universidade e instituição de ensino técnico; Hospital; Posto de saúde e assistência social; Data center e CPD. O uso das equações de benchmarks, disponibilizadas na plataforma DEO do CBCS, aponta a eficiência ou ineficiência de cada edificação que tenha seus dados inseridos e o consumo típico calculado

para efeito comparativo. Serve, portanto, para selecionar os edifícios mais críticos do ponto de vista de necessidade de intervenções. “Geralmente os proprietários de diversos empreendimentos fazem as análises dos edifícios críticos comparando fatores como consumo anual ou consumo por metro quadrado ou consumo por metro quadrado condicionado. No uso dos benchmarks outras variáveis entram na análise. No entanto, para a melhoria do desempenho energético das edificações por meio do uso de benchmarks é preciso ainda avançar no desenvolvimento de uma plataforma que viabilize a alimentação contínua deste banco de dados, identificando não apenas os consumos típicos, mas aqueles mais eficientes a partir das melhores práticas, os quais servirão como meta de desempenho”, encerra.

Imagens: Divulgação/CBCS

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De olho na performance Roberto Aflalo é um dos titulares do escritório aflalo/gasperini arquitetos, de São Paulo, um dos mais importantes do país, reconhecido por forte atuação no segmento corporativo. Atualmente com 35 arquitetos, o escritório é responsável pelo projeto de dezenas de empreendimentos emblemáticos, entre eles, Edifício Augusta, FL Corporate, WTorre e Rochaverá, em São Paulo. É também o escritório brasileiro de arquitetura que mais desenvolveu projetos certificados pelo LEED – até hoje são 32, sendo 25 em nível Gold, quatro em nível Platinum e três em nível Silver. O escritório opera em todo o território nacional, principalmente em São Paulo e no Rio de Janeiro, tendo também participado de projetos no exterior. Desde 2009, todos os projetos desenvolvidos no escritório estão na plataforma BIM (Building Information Modeling) e possuem certificação de qualidade pela Norma ISO 9001. GBC – Qual a importância das variáveis tecnologia, projeto & operação para a construção de edifícios sustentáveis e com desempenho acima da média do mercado? RA – A tecnologia vem para ampliar o desempenho energético e do conforto ambiental de um bom projeto arquitetônico que apresenta fundamentos como boa implantação, aberturas generosas para iluminação e ventilação natural e presença de vegetação, entre outros. Os sistemas de controle dos elementos naturais em uma edificação, que são estáticos, são considerados soluções arquitetônicas passivas. Já os elementos que podem ser alterados, buscando melhores resultados ao longo do dia, da semana e das estações do ano, como temperatura externa/insolação, movimentação, ocupação, são consideradas soluções ativas. Aqui entra a operação, que tem potencial para otimizar estes processos. Quanto mais ajustada , melhor o desempenho e, portanto, melhor a resposta ao investimento. GBC – O preço das tecnologias que visam a redução dos custos operacionais ainda é um fator limitante para sua adoção? Para que tipos de empreendimentos a implantação dessas tecnologias é considerada prioridade? RA – O desempenho energético é algo bastante simples de ser mensurado. E pode ser fator decisivo no estudo de viabilidade de um empreendimento ao longo do

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tempo. O desempenho de um edifício hoje é medido também pelo seu custo operacional. Um prédio “barato” pode ser um péssimo negócio ao longo do tempo se o seu desempenho for pífio. O custo operacional pode corroer o valor do aluguel e o desconforto ambiental não atrair usuários. Nesse ponto Arquiteto Roberto Aflalo entram as simulações para definir qual a melhor relação custo-benefício para cada empreendimento. Edifícios comerciais, pelo seu alto consumo energético, tendem a ter melhores respostas à aplicação de tecnologias. Já os residenciais se beneficiam muito de um bom projeto arquitetônico e soluções para redução de consumo de água, aquecimento solar, iluminação e ventilação natural. GBC – Como equalizar a lacuna entre o conforto desejado pelos usuários, o baixo consumo de insumos previstos na simulação e também os melhores resultados para os investidores e proprietários? RA – Buscando equilibrar as variáveis apresentadas na simulação aos interesses dos usuários e investidores. GBC – Existem empreendimentos certificados que apresentam consumo de energia médio acima do previsto nas simulações realizadas para certificação. Por que isso acontece? O problema é operacional, de projeto ou abrange várias causas? RA – Acredito que abrange várias causas. Edifícios de único proprietário ou usuário tendem a ter melhor desempenho pois as decisões operacionais são aplicadas sem polêmicas. Já em edifícios com múltiplos usuários as decisões tendem a ser mais “democráticas”, pois muitas vezes podem desagradar alguns. Nesses casos podem comprometer parte do desempenho esperado. GBC – E quanto à operação do edifício? RA – Em uma antiga palestra proferida por um integrante do Foster Associates [escritório global de arquitetura fundado por Norman Fostes e sediado em Londres] sobre seus projetos e desempenho, foram citados dois edifícios corporativos, projetados e construídos em décadas diferentes, e com desempenhos muito diferentes. O Commerzbank Frankfurt, de 1997, e o Swiss Re, em Londres, 2004.


O primeiro apresentava a curva de desempenho muito próxima da simulação. O segundo, comparativamente, deixava muito a desejar, apesar de ser mais moderno e ter inovações tecnológicas. A resposta estava no empenho da operação de cada um dos edifícios.

Edifício. Eldorado B Tower, por exemplo, o fluxo de pessoas no pavimento térreo em horários de pico pode ser enorme. Neste caso previmos uma ampla separação de saídas e entradas visando minimizar o congestionamento.

GBC – Os operadores prediais conhecem e sabem operar a alta tecnologia embarcada nos edifícios? O mercado dispõe de profissionais qualificados a lidar com essa tecnologia mais avançada?

GBC – O escritório tem informações sobre o atual desempenho de algum dos empreendimentos projetados por vocês? RA – Não temos estas informações destes edifícios. Infelizmente este ainda é um ponto a se aprimorar na certificação. As simulações nos dizem bastante a respeito do desempenho futuro dos edifícios, mas os dados pós-utilização nos dariam maior credibilidade aos números obtidos nas simulações. Temos muito pouca informação sobre o desempenho real dos edifícios certificados. Esta informação seria preciosa para ajustar e direcionar o desenvolvimento dos sistemas implantados e retroalimentar as simulações. Cada país tem o seu próprio clima e sua própria cultura. São alguns fatores que impedem que um único sistema de avaliação de desempenho seja a resposta a estas questões. É necessária uma personalização da leitura dos dados obtidos, quando coletados, para se comparar de fato os resultados.

RA – Não saberia responder esta questão com exatidão. Acredito que com a proliferação de certificação e da implantação crescente de novas tecnologias nos edifícios, abrem-se também oportunidades de colocação para profissionais com um pouco de especialização na área. Em alguns casos o engenheiro que trabalhou na obra de implantação do edifício e dessas tecnologias passa a operar o edifício dada a sua familiaridade com o sistema. GBC – O desempenho nem sempre depende total ou parcialmente da tecnologia. O próprio projeto arquitetônico pode favorecer o fluxo, melhorar condições de segurança e garantir espaços mais confortáveis e funcionais. Até onde o projeto pode ajudar nesse aspecto?

GBC – E quanto à plataforma ARC?

RA – A presença de alguns fundamentos de projeto garantem um desempenho maior. Cada tipologia demanda soluções próprias. No caso do

RA – Podemos estar próximos de poder contar com estes dados por meio da plataforma ARC, que aos poucos começa a ser utilizada e ajustada à nossa realidade.

Daniel Ducci

Ana Mello

Empreendimentos corporativos projetados por aflalo/gasperini arquitetos e construídos em São Paulo.

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DESEMPENHO NAS EDIFICAÇÕES

Desempenho em destaque A Japan House São Paulo e a sede do Sebrae Ceará, em Fortaleza, são dois empreendimentos que utilizam a Plataforma ARC como apoio de gestão

de Covid-19, somos relembrados dos recursos da natureza e das consequências de nossas atividades para o meio ambiente e para a comunidade”, afirma.

Lançada em 2017 pelo governo japonês, a Japan House São Paulo é um centro de difusão de cultura, valores e costumes do Japão contemporâneo, promovidos por meio de exposições, seminários, workshops e atividades que trazem ao Brasil os mais relevantes criadores e empreendedores nipônicos da atualidade.

Entre os recursos sustentáveis da edificação estão torneiras e acionadores de descargas com timers, sistema de otimização do fluxo de água, luminárias de alta eficiência com lâmpadas LED dimerizáveis, sistema de irrigação automático por gotejamento e sensores de presença nos banheiros. O destaque fica para os vasos sanitários japoneses da marca Toto e do tipo dual flush, que utilizam 3,0 litros e 4,8 litros por acionamento.

O centro de cultura está localizado no início da Avenida Paulista, perto da praça Osvaldo Cruz. Quem circula por ali é impactado pela fachada de 11 metros de altura e 36 metros de largura feita com cedro japonês de mais de 70 anos de idade. Esse painel escultural de madeira pesa mais de seis toneladas e envolve um edifício que passou por obras de retrofit. A proposta é assinada pelo arquiteto japonês Kengo Kuma, autor do projeto do novo estádio Olímpico de Tóquio, e pelo escritório paulistano FGMF Arquitetos. A edificação já recebeu mais de dois milhões de visitantes e em abril de 2020 conquistou a certificação LEED EB O&M na categoria Platinum.

O consumo de energia é otimizado pelo sistema BMS, da Mitsubishi Eletric, que responde pela automação dos sistemas e controla iluminação e ar-condicionado. Segundo Erika Emi Koga, da área de Desenvolvimento de Negócios da empresa, a Mitsubishi Eletric também forneceu o sistema de ar-condicionado, secadores de mãos, medidores de energia e elevadores – na época ela ainda comercializava elevadores.

Segundo Eric Klug, presidente da Japan House São Paulo, “o tema da sustentabilidade deve ter máxima relevância em todos os setores da sociedade. Quando afetados por um fenômeno como a pandemia

O projeto minucioso, o sistema BMS, o ar-condicionado e a operação formaram um contexto que responde pelo alto desempenho energético da edificação. Segundo Beatriz Sturm, consultora de projetos da CTE, o prédio é 37% mais eficiente que a média global da mesma tipologia. “A certificação é feita

Imagens da Japan House São Paulo. O projeto é de autoria do arquiteto japonês Kengo Kuma e do escritório paulistano FGMF Arquitetos.

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Estevam Romera

Estevam Romera

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Estevam Romera

dos ambientes para que o visitante tenha uma experiência memorável, o que se refletiu na pesquisa de conforto ambiental. “Realizada com 345 usuários da Japan House, ela teve um resultado muito alto, muito fora da curva, porque ninguém reclamou de nada”, conta Beatriz. “O índice de satisfação foi de 98,8% e não houve nenhum registro de desconforto. Dentre os elogios, os participantes ressaltaram a qualidade do ar, limpeza, iluminação natural, privacidade, acústica e conforto térmico”, encerra Klug. com base na performance, mensurada na Plataforma ARC. No caso da Japan House os dados inseridos foram rateados porque há um edifício anexo compartilhado”, detalha. De acordo com Beatriz, outro saldo positivo foi registrado na categoria Experiência Humana da plataforma ARC, que considera também a qualidade interna do ar, teste de concentração de CO2 e de concentração de COVs. A Japan House obteve resultado 56% mais eficiente que a média global da mesma tipologia. Para atingir esse índice, Klug explica que o projeto conciliou soluções técnicas com o princípio japonês do Omotenashi, que cuida de cada detalhe comportamental, físico e visual Equipamento de ar-condicionado Mitsubishi Eletric instalado na Japan House. Imagem: Divulgação/Mitsubishi Eletric

Sebrae Ceará O processo de retrofit iniciado em 2012, e concluído dois anos depois, garantiu à sede do Sebrae-CE a certificação LEED NC Silver. A equipe responsável pela gestão operacional do edifício deu continuidade às melhorias de performance e intervenções, aperfeiçoando seus processos e mapeando oportunidades de aprimoramento da manutenção e operação do prédio. “Foram realizados desde apontamentos de auditorias internas em eficiência hídrica, com regulação de vazões conforme as necessidades de cada ponto, otimização do sistema de irrigação, redução de perdas de água no sistema, eficiência energética, com o aprimoramento da programação de ativação da iluminação, planejamento de uso de energia e ações de sensibilização dos usuários do edifício”, explica Carlos Viana Freire Júnior, articulador de marketing e comunicação do Sebrae/CE. Dessa forma, em outubro de 2019, o edifício recebeu a certificação LEED Platinum. De acordo com Welington Ribeiro, analista técnico Sebrae CE, O prédio se tornou uma referência de sustentabilidade em Fortaleza. “Recebemos visitas guiadas para mostrar as soluções adotadas no retrofit, destacando aquelas que são facilmente replicáveis. Os visitantes podem ver tudo e contamos com um intérprete de Libras para atender aos deficientes auditivos, porque o Sebrae/CE se preocupa com a redução de desigualdades e com inclusão de deficientes”, afirma.

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Entre as intervenções realizadas está a instalação de uma fachada ventilada para funcionar como isolante térmico. A cortina de vidro é complementada por estruturação de um bolsão de ar com duas camadas de vidro, para reduzir a insolação na fachada leste. Na face oeste foram instalados brises para proteção do envoltório. Todos os vidros usados são eficientes. Outra medida foi a abertura de um poço profundo para substituir a água potável antes usada no sistema de ar-condicionado. De acordo com Amália Uchôa, assistente da unidade de gestão operacional do Sebrae-CE, o projeto priorizou a iluminação natural do prédio, complementada com luminárias LED. A limpeza verde foi fortalecida em todo o edifício, com produtos biodegradáveis, melhorando a qualidade do ar e consequentemente a qualidade de vida de colaboradores e visitantes. Foram instaladas duas usinas fotovoltaicas no edifício. A menor destinase ao caráter educativo, como um showroom. “A intenção é permitir que visitantes e empresários curiosos e interessados em implementar em sua empresa a cogeração de energia, possam conhecer os elementos que compõem o sistema e ver como ele funciona”, completa Amália. A segunda usina, soma 200 placas fotovoltaicas instaladas. Juntas, elas têm capacidade de geração de 83 MGWatts de energia por ano, o que equivale a todo o consumo do prédio com iluminação, equivalente a 12% do consumo total do edifício. A usina fotovoltaica não teve seu resultado considerado na primeira certificação e seus benefícios só foram levados em conta no processo de recertificação. A Plataforma ARC ajudou nos processos de melhoria a partir de tomada de decisão mais assertiva, de uma gestão vista mais ágil e sistêmica. “Quando iniciamos o processo de certificação LEED Silver, trabalhávamos com planilhas próprias, sem integração, o que nos ajudava, porém com limitações. No processo de upgrade para o LEED Platinum já contávamos com o ARC, que se apresenta como um ambiente integrado de apoio à gestão, possibilitando um olhar sistêmico dos indicadores de desempenho. Desde agosto ela está ainda melhor, mais detalhada e com mais dados”, afirma Viana. Na recertificação, as reduções de demanda de água e energia tomaram por referência o consumo do próprio prédio antes das intervenções. Inicialmente foi obtida diminuição de consumo de água em

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23%, mas a cada auditoria e análise realizados, os resultados melhoravam mais. Com a implantação do poço profundo para substituir a água do arcondicionado, hoje a economia é de cerca de 30%. No caso da energia elétrica, a redução inicial foi de 28% e com a implantação da usina fotovoltaica, esse índice a 37%.

Sede do Sebrae-CE, em Fortaleza. Imagens: Divulgação/ Sebrae-CE


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USO EFICIENTE DA ÁGUA

Gilberto Marques

Uso eficiente da água Sabendo usar não vai faltar A gestão da água é hoje um dos principais desafios a serem enfrentados pelo poder público e pelas empresas do segmento da construção civil. A diferença entre a demanda e a disponibilidade de recursos hídricos faz da conservação da água uma necessidade urgente com a qual todos os países precisam se preocupar. No Brasil, país de dimensões continentais, a situação não é diferente. As regiões sudeste e nordeste concentram mais de 70% do PIB industrial e 71% da população brasileira, porém, juntas dispõem de apenas 9% da água doce do país. A abundância de recursos hídricos é registrada somente na região norte, habitada por menos de 7% da população. A escassez de água no nordeste é uma realidade velha conhecida do brasileiro, mas no sudeste a questão só entrou em evidência na década de 2000, com racionamento e rodízios de água na Região

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Metropolitana de São Paulo. Em 2014, auge da crise, o sistema de reservatórios que servem a Grande São Paulo beirou o colapso e atingiu os menores volumes de armazenamento de toda sua história. Só então o governo paulista iniciou as obras de transposição para captação de água, o que garantiu algum fôlego extra ao sistema, mas não levou em conta aspectos como eficiência e gestão da demanda. De acordo com o engenheiro civil e mestre em edificações Osvaldo Oliveira, especialista no uso eficiente da água e consultor institucional Tigre-ADS, trazer a água de cada vez mais longe é uma solução convencional e muitas vezes praticada, mas não necessariamente a melhor. “O custo é muito elevado, tem que bombear, é complicado, e ainda tem o ônus de tirar essa água de outras comunidades. Antes de buscar fontes mais distantes é necessário investir na eficiência, no combate aos desperdícios, em produtos mais eficientes. Isso aumenta a vida útil do sistema instalado”, detalha.


Como exemplo positivo dessa situação, Oliveira cita Nova York, cidade que fugiu do convencional ao enfrentar sua crise de abastecimento e de qualidade da água. Entre as ações tomadas pela prefeitura estão a compra de terras ao redor de mananciais e o investimento em benfeitorias nas propriedades vizinhas a fim de evitar a contaminação dos cursos d’água. Essa medida tornou desnecessária a construção de uma estação de filtragem que custaria dez bilhões de dólares, segundo reportagem de 28 de novembro de 2014 apresentada no Jornal Nacional, da Rede Globo. Outra decisão importante da prefeitura foi a de recortar as ruas da maior metrópole do mundo para substituir a antiga tubulação metálica, com vários pontos de vazamento, por tubos plásticos como os de polietileno, material que resiste ao contato com o solo e com a água e tem longa vida útil, estimada entre 50 e 100 anos. “Junto às campanhas de redução do consumo e programas de incentivo para a troca de produtos hidráulicos por outros mais modernos e eficientes, isso permitiu que o sistema existente atendesse à demanda da população por mais um período de 20 anos e por 1/10 do custo de ir buscar água em fontes mais distantes. No Brasil, ainda não houve essa mudança de visão do poder público mas a sociedade civil pode cobrar e mostrar que há outros caminhos”, destaca o especialista.

Chuveiros no alvo As certificações de sustentabilidade chegaram ao país a partir dos anos 2000 e se aliaram às normas técnicas, novas ou revisadas, para oferecer parâmetros que ajudam os profissionais a desenvolver projetos que visam à conservação de água. A tecnologia também contribuiu, disponibilizando produtos mais eficientes. Antigamente, o volume das descargas era de 12 litros, depois caiu para 6 litros e a seguir veio o dual flush. As atenções agora estão focadas nos chuveiros, em especial para os prédios onde há aquecimento a gás e pressão de água elevada. “Nos Estados Unidos nenhum chuveiro pode ter vazão superior a 9 litros por minuto, mas aqui não temos essa limitação. Um chuveiro elétrico em uma casa com baixa pressão vai consumir no máximo 4 litros por minuto, mas em um prédio esse valor pode ser multiplicado por dez. Existem chuveiros de grandes marcas estrangeiras que aliam conforto e baixa vazão, mas eles exigem alta pressão na rede, a partir de 14 metros por coluna de água (mca) e, portanto, podem não funcionar bem nas nossas instalações”, explica Oliveira – no Brasil, os projetos estabelecem pressão entre 2 mca e 40 mca,

enquanto em outros países essa faixa é deslocada para cima, de 14 mca a 56 mca. “A pressão mais baixa no Brasil tem por objetivo reduzir perdas por vazamentos, o que é um equívoco, pois um prédio não deveria ser projetado imaginando-se a presença de vazamentos. A pressão mais elevada é vantajosa porque garante a sensação de conforto ao mesmo tempo em que reduz o volume de água,” completa. Essas questões sempre esbarram no aspecto financeiro. Em regiões em que a água é mais cara, é mais provável que uma edificação com grande fluxo de pessoas encontre na tecnologia os meios para reduzir o consumo e a conta de água. Um bom exemplo são as descargas a vácuo, encontradas em shopping centers, aeroportos ou grandes edificações comerciais e industriais. “A bacia sanitária é importada e cara, e a central de vácuo também tem custo elevado, o que é um impeditivo para os projetos menores, mas nos grandes compensa”, afirma Oliveira. Nas edificações em que o consumo é menor e a tarifa não é tão elevada, o entrave costuma ser o custo da tecnologia. Nesses casos, o caminho mais viável é o das campanhas de conscientização para mudar os hábitos dos usuários e evitar desperdícios e ainda dar preferência a soluções mais eficientes, como chuveiros com redutores de vazão, torneiras com mecanismo de ¼ de volta, descargas do tipo dual flush e o uso de máquinas de lavar roupas e louças com opções de níveis de água para atender a diferentes demandas.

Medição para economizar Medir é condição essencial para controle e gestão do consumo de água. Quanto mais medidores, mais fácil fica avaliar o perfil de consumo e encontrar os pontos em que é possível economizar. A medição também permite a comparação do desempenho de uma edificação com outras da mesma tipologia, estabelecendo indicadores de consumo.

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De acordo com Oliveira, a proposta da medição individualizada no Brasil surgiu na década de 1970, com os edifícios de habitação popular. A ideia não avançou porque os custos de instalação e de operação eram altos e não havia tecnologia de medição remota por unidade. O assunto voltou à baila entre o final da década de 1990 e o início da de 2000, com a crise hídrica. Entre 2004 e 2005 foram entregues os primeiros empreendimentos com medidores individualizados. Hoje esse item já é entendido como necessidade de projeto, embora ainda existam questões mal resolvidas, como o medidor no interior da unidade. Em 2016 foi aprovada a Lei federal nº13.312, que determina o uso de medidores individualizados em todas as edificações entregues a partir de 2021.

Soluções urbanas Existem soluções que podem ser adotadas na implantação de um grande empreendimento ou de bairros e cidades planejadas. Oliveira conta que na Alemanha é comum encontrar unidades distritais para aquecimento da água, que é distribuída por uma determinada região por meio de uma rede paralela à de água potável. “É possível ter uma rede paralela dessas para água de chuva ou de reúso para o abastecimento de descargas, por exemplo. Tudo depende de calcular o custo para ver se compensa”, pondera Oliveira. Isso seria interessante pela qualidade da água, uma vez que o poder público poderia exercer maior controle na gestão de demandas das fontes alternativas, o que nem sempre é possível em nível residencial.

conjunto de tubos de 1 metro ou 1,5 metro de diâmetro que são enfileirados, formando uma rede para a captação de água de chuva. Esses tubos podem ser feitos com polietileno reciclado e têm uma expectativa de vida útil de no mínimo 50 anos. Junto desse sistema é instalada uma unidade de qualidade de água, com filtragem para remoção de detritos, para permitir que ela seja utilizada em irrigação ou lavagem de pisos.

Apropriação da água Os recursos hídricos são bens cada vez mais escassos, especialmente quando consideramos sua disponibilidade em termos de quantidade e qualidade. Segundo dados de Givíziez, G.H.N. e Oliveira, E.L. Demanda Futura por Moradias, demografia, habitação e mercado, FIESP 2016, as regiões nordeste e sudeste são as que concentram a maior parcela da população (71,5%) e do PIB Industrial (70,8%). No entanto, juntas, elas detêm apenas 9,3% da água doce disponível no país, o que torna essencial gerenciar seu uso de maneira mais eficiente. A construção civil tem um papel relevante no desenvolvimento urbano das cidades, trazendo grande impacto na gestão dos recursos hídricos pois carrega a responsabilidade sobre o uso desses recursos em todo os seus processos, desde a concepção do projeto, passando pela seleção e aquisição de materiais e pela metodologia

A Tigre-ADS oferece uma solução que ajuda a reduzir enchentes e deve ser instalada abaixo do pavimento de grandes áreas, como pátios de estacionamento, por exemplo. Trata-se de reservatórios subterrâneos na forma de um

construtiva, até o uso da edificação ao longo de sua vida útil”, afirma Virginia Sodré, sócia e diretora executiva da InfinityTech Engenharia e Meio Ambiente. A consciência sobre a importância desse papel motivou o lançamento do Guia Metodológico de Cálculo de Pegada Hídrica em Edificações, uma iniciativa do SindusCon-SP com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e a Caixa Econômica Federal, sob a consultoria técnica da Infinitytech.

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Lançado no final de 2019, o guia oferece métricas claras e padronizadas que permitem calcular a quantidade de água (m3/m2 de área construída) apropriada pela construção civil, viabilizando avaliações comparativas e incentivando medidas para conservação da água. “Trata-se de uma ferramenta que permite medir e fazer o benchmarking da apropriação do consumo de água por toda a cadeia do processo construtivo até os usos da água durante a vida útil da edificação. É um trabalho completo, que pode ser usado internacionalmente”, destaca Virgínia. O guia está disponível para download gratuito em https:// sindusconsp.com.br/wp-content/uploads/2019/11/ final_guia_pegada_hidrica.pdf.

Segundo Virginia, são três tipos básicos de pegada hídrica que podem ser aplicados às diferentes atividades econômicas – a azul, a verde e a cinza. A pegada hídrica azul (PHazul) pode ser calculada como a água proveniente de uma bacia hidrográfica (superficial ou subterrânea), evaporada, incorporada a um produto ou retirada e devolvida a outro corpo hídrico. Relevante para agricultura, indústria e uso doméstico. A PHazul refere-se à água perdida em determinado processo, geralmente por evaporação ou incorporação ao produto. PHazul = água evaporada + água incorporada + vazão de retorno perdida.

O que é pegada hídrica?

O guia metodológico utilizou-se desses conceitos e das adaptações necessárias para calcular a pegada hídrica de uma edificação, ou seja, o volume de água apropriado por metro quadrado de área construída. A contabilização da pegada hídrica considera todas as fases da obra, começando pelo consumo direto dos serviços em canteiro desde a etapa de movimentação de terra até o acabamento final, passando pela pegada hídrica indireta oriunda dos produtos, materiais e insumos utilizados na construção, incluindo até a pegada hídrica direta, estimada dos usuários ao longo da vida útil da edificação.

Na definição do professor holandês Arjen Hoekstra, criador do conceito, a pegada hídrica é “um indicador do uso de água que considera não apenas o seu uso direto por um consumidor ou produtor, mas, também, seu uso indireto”, podendo ser considerada como um “indicador abrangente da apropriação de recursos hídricos”. Para dar um exemplo simples, são necessários 15.500 litros de água para irrigar o pasto e hidratar o gado a fim de produzir um quilo de carne bovina.

Há também a pegada hídrica verde (PHverde), que é a água precipitada, armazenada no solo, evaporada, transpirada ou incorporada pelas plantas. É relevante para produtos agrícolas, horticultura e florestais ou para a irrigação. Por fim, a pegada hídrica cinza (PHcinza), definida como a quantidade de água doce necessária para assimilar poluentes e atender aos parâmetros de qualidade da água.

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Embora ainda existam poucos estudos no mercado, e mais pesquisas e informações sejam necessárias por parte dos fabricantes, os estudos existentes evidenciam que o concreto e o aço são os produtos mais relevantes da pegada hídrica indireta na construção, podendo chegar a quase 87% do total da edificação. “O aço e o concreto utilizados são os materiais de pegada mais representativa. Por isso é interessante entendermos que todos temos nossas responsabilidade na gestão dos recursos hídricos, que os materiais que adquiro e utilizo são representativos na minha pegada hídrica. Dessa forma, posso solicitar que os fabricantes que também estão produzindo em região com escassez hídrica, modifiquem a sua forma de produzir para se apropriar menos dos recursos hídricos. O objetivo é trazer a consciência e a responsabilidade para toda a cadeia”, diz Virginia.

Movimentos na indústria O tema pegada hídrica já não é novidade em algumas empresas brasileiras. Por iniciativa do Consulado da Suíça (Consud), desde fevereiro de 2019 está sendo desenvolvido na América do Sul um estudo que envolve empresas de vários países da região. Do Brasil, participam a Votorantim (cimento), a Klabin (papel) e a CBA (alumínio). A Fundação Getúlio Vargas responde pela gestão e pela assessoria técnica às empresas. Segundo Angelo Zerbini, consultor de meio ambiente da Votorantim, o estudo na empresa está focado na produção de concreto, o que depende da análise de dados do cimento também. Ainda em andamento, a avaliação já aponta o alto consumo de energia elétrica e o uso de combustíveis fósseis como os vilões da pegada hídrica do concreto. “A Votorantim trabalha com o coprocessamento de resíduos, o que está ajudando a reduzir nossa pegada hídrica”, explica Zerbini. Essa tecnologia é reconhecida mundialmente como a destinação adequada e ambientalmente correta de diferentes tipos de resíduos, não utilizados na reciclagem, com reaproveitamento energético nos fornos da indústria de cimentos. Esses resíduos e biomassas substituem o coque de petróleo, que é um combustível fóssil. A empresa também está focada em garantir que a origem da energia elétrica consumida seja solar ou eólica, que são as mais sustentáveis possíveis, bem como em assegurar o gerenciamento do consumo hídrico nas plantas e implantar melhorias de eficiência de processo de forma geral. Os planos ainda são de

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longo prazo mas preveem a associação da Votorantim a parques eólicos ou solares, empresas geradoras de energia de baixo impacto, a fim de ter uma redução bastante significativa de sua pegada hídrica.

Projetos mais eficientes Outros agentes do setor da construção civil também podem se valer do Guia Metodológico de Cálculo de Pegada Hídrica em Edificações e contribuir para a redução da pegada hídrica. O projeto da edificação já deve ser pensado para ser sustentável e aplicar as normas sobre o uso eficiente da água (ler boxe Saldo positivo). Nas fases de especificação e de orçamento é possível fazer a gestão da pegada hídrica e dar preferência a materiais que necessitam de menos água para sua produção e a equipamentos hidráulicos com restrição de vazão. “O guia traz o benchmarking internacional do consumo de água para esses produtos. É um trabalho completo que pode ser usado internacionalmente”, afirma Virginia. Também pode-se ajudar a reduzir a pegada hídrica da edificação por meio da gestão da obra, preferindo sempre os procedimentos de menor consumo. É possível estabelecer gestão por pavimento ou por etapa e criar os próprios indicadores de consumo, de modo a ter referências para as próximas obras. Para o futuro, Virgínia prevê para as edificações uma etiquetagem de consumo de água, nos mesmos moldes da Procel Edifica. A ideia é criar uma plataforma benchmarking em parceria com o Sinduscon-SP e a partir daí já será possível desenvolver essa classificação.

O perigo vive na água A Legionella pneumophila é uma bactéria que vive e se prolifera com facilidade em qualquer lugar onde tenha água. Ela pode ser encontrada em rios, piscinas, poços, caixas d’água, tubulações, chuveiros e nas torres de refrigeração do arcondicionado, por exemplo. “Testes de laboratório indicam que essa bactéria está presente em mais de 35%


A ABNT NBR 16824:2020 especifica os métodos para gerenciamento de risco e práticas para a prevenção de legionelose, doença associada aos sistemas prediais coletivos de água em edificações industriais, comerciais, de serviços, públicos e residenciais. das amostras examinadas e cabe aos gestores dos empreendimentos a responsabilidade pela saúde das pessoas que trabalham, moram ou frequentam essas edificações”, afirma o engenheiro químico Marcos Bensoussan, perito em segurança da água e editor responsável pelo livro Legionella na visão de especialistas, publicado pela Setri Consultoria de Sustentabilidade. O livro está disponível para download gratuito em http://legionellaespecialistas.com.br/. De acordo com Bensoussan, a aspiração de micropartículas de água contaminada, na forma de spray ou aerossol, pode causar a Doença dos Legionários, ou legionelose, que é uma forma de pneumonia atípica, provocada por qualquer variedade de bactéria do gênero Legionella. Os sintomas incluem tosse, falta de ar, febre elevada, dores musculares e dores de cabeça, e até náuseas, vômitos e diarreia. Ela pode ser fatal em alguns casos e possui taxa de mortalidade superior à da Covid-19. Embora não existam dados oficiais, estima-se que ocorram no Brasil algo entre três mil e cinco mil óbitos por ano causados por essa pneumonia. A bactéria também é responsável pela Febre Pontiac, uma forma mais leve da legionelose e com sintomas semelhantes, mas sem a pneumonia. Da mesma forma, o contágio se dá pela inalação de gotículas em spray ou aerossol (de chuveiros, saunas, névoa, umidificadores, torres de refrigeração do ar-condicionado ou fontes decorativas) e ainda pela aspiração acidental de água. Algumas vezes as pessoas expostas à bactéria não apresentam sintomas e na maioria dos casos a Febre Pontiac é confundida com uma gripe ou resfriado forte.

Como prevenir Um grupo multidisciplinar levou seis anos para construir a norma ABNT NBR 16824:2020, que especifica os métodos para gerenciamento de risco e práticas de prevenção. “Nesse período o conhecimento sobre o tema foi aprofundado e o

resultado é que a norma brasileira é uma das mais atualizadas dos mundo”, detalha Bensoussan, que participou da elaboração da nova regulamentação. “O ponto principal da norma é a avaliação de risco de contaminação do sistema hidráulico de um empreendimento. A avaliação é realizada por um especialista, que fará também um plano técnico para mitigação do risco. A norma traz uma metodologia conhecida mundialmente para essa finalidade. O especialista diz em que pontos será necessário testar e como seguir a norma. Só fazer análise não é suficiente, porque a água muda o tempo todo. Uma amostra livre não quer dizer que a água não esteja contaminada.”, finaliza.

SALDO POSITIVO Novas regulamentações permitem potencializar os resultados obtidos pela melhor gestão e correta escolha das tecnologias. Segundo Lilian Sarrouf, coordenadora técnica do Comitê de Meio Ambiente do Sinduscon-SP (Comasp) e gestora do CB-002 – Construção Civil da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), o ano de 2019 deixou saldo positivo no aumento da eficiência no uso da água no Brasil. Foram publicadas a ABNT NBR 16782:2019 - Conservação de água em edificações - Requisitos, procedimentos e diretrizes e a ABNT NBR 16783:2019 - Uso de fontes alternativas de água não potável em Edificações. Além disso, foi revisada a ABNT NBR 15527:2019 - Água de chuva: aproveitamento de coberturas em áreas urbanas para fins não potáveis - Requisitos. O mercado entrou em 2020 já com essa nova regulamentação técnica e da revisão da norma de água de chuva. Normas existentes relacionadas a sistemas prediais e que passam por revisão estão se alinhando aos conceitos das normatizações de 2019. “Para empreendedores e projetistas, que já trabalham com edifícios sustentáveis, a regulamentação permitirá potencializar os resultados pela melhor gestão e correta escolha das tecnologias, encerra Lilian”.

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SETOR HOSPITALAR

Espaços de bem-estar O LEED HealthCare ajuda a tornar as edificações hospitalares mais seguras e eficientes e contribui para que os ambientes sejam muito mais saudáveis “As certificações são a confirmação das práticas sustentáveis e ainda tèm muito para se desenvolver no país”, afirma Eleonora Zioni, diretora-executiva da Asclépio Consultoria e arquiteta especializada em arquitetura para saúde. Segundo o Cadastro Nacional de Estabelecimento de Saúde (CNES), do Ministério da Saúde, existem hoje no Brasil cerca de 280 mil estabelecimentos de saúde públicos ou privados. Desse total, 6.500 são hospitais, a grande maioria com até 100 leitos e que trabalham em regimes ambulatoriais ou de internação em diversas especialidades e complexidades. Os demais estabelecimentos, a grande maioria, são clínicas, consultórios médicos e odontológicos, postos de saúde, enfermarias e laboratórios.

Segundo Eleonora, esse mercado é um importante ator econômico, responsável por uma movimentação de aproximadamente 580 bilhões de reais por ano e faz parte do Sistema Único de Saúde (SUS) e da rede suplementar. “O LEED é a única certificação que tem uma modalidade específica Eleonora Zioni, arquiteta para a saúde, a LEED especializada em HealthCare, com normas arquitetura para saúde e padrões de desempenho e diretora executiva da com a finalidade de certificar Asclépio Consultoria, de São Paulo. o empreendimento e sua operação. Ela se aplica a todos esses 280 mil estabelecimentos de saúde”, destaca. LEED Healthcare é o protocolo de certificação LEED mais exigente e adequado para estabelecimentos de saúde, pois contém itens específicos para incentivar a saúde de todos os usuários. “Ela exige a integração do projetos de arquitetura e engenharias desde o início do processo, requer condições rigorosas de acesso à luz natural para o bem-estar dos usuários, assim como restrições aos contaminantes nos materiais, tintas, mobiliários e equipamentos médicos são pré-requisitos para a certificação que não existem em outra modalidades”, completa Eleonora. A arquiteta lembra que existem também ações de sustentabilidade como a Rede Global de Hospitais Verdes e Saudáveis e o Projeto Hospitais Saudáveis, do qual O Hospital Israelita Brasileiro Albert Einstein obteve certificação LEED Healthcare em 2009.

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serviços assistenciais aos pacientes e fazer bem para a saúde das pessoas que trabalham ali e dos visitantes, ao mesmo tempo em que consegue trazer redução de custos fixos com água, energia, resíduos e ainda cuidar das mudanças climáticas globais, minimizando as emissões de carbono, por exemplo”, define Eleonora. Conforme ela define, o hospital é o edifício mais complexo que existe, pois funciona como seis em um. “Sempre comento que o hospital é a união de edifício de escritórios shopping-center, hotel, indústria e escola. Tudo isso exige também muito treinamento e conscientização dos profissionais da equipe multiprofissional de saúde para conseguir atingir todas as metas sustentáveis acordadas”, explica. A arquiteta destaca que um hospital funciona 24 horas por dia, 365 dias por ano, e que apesar de precisar se manter sempre atualizado, não pode parar. As técnicas da arquitetura hospitalar sustentável tornam a execução das obras mais segura e eficiente quando comparada aos métodos tradicionais brasileiros.

participam mais de 200 hospitais brasileiros. “Portanto temos ainda 6.300 potenciais hospitais no Brasil para adotarem a LEED Healthcare em seus projetos, reformas, operação e manutenção”, contabiliza.

Cobertura do bloco E do Hospital Israelita Albert Einstein, onde foi criada uma área externa de convívio. Imagens: Divulgação.

Hospitais sustentáveis A infraestrutura hospitalar no Brasil precisa ser ampliada e adequada às novas tecnologias. A complexidade dos projetos para construção, reforma, ampliação ou constantes adequações dos estabelecimentos para a saúde constitui um grande desafio para os profissionais envolvidos. Entender a saúde e a vida humana como foco do negócio, compreender como funciona o hospital, quais são suas demandas, como mitigar os riscos constantes de contaminação, a necessidade de atualizações tecnológicas contínuas e a importância de oferecer espaços que proporcionem bem-estar e autonomia ao paciente são parte essencial do processo, que também deve incorporar as técnicas da arquitetura hospitalar sustentável. “Um hospital sustentável é um equipamento social que consegue ter ambientes saudáveis, prestar

Também as equipes de operação e manutenção precisam atuar tendo em mente que o objetivo de um hospital é cuidar da saúde e da vida humana. A operação hospitalar sustentável se preocupa com a qualidade ambiental interna como um todo, desde os produtos de limpeza até a ventilação e renovação do ar para que não prejudique a saúde de todos, inclusive dos profissionais que estão trabalhando. “As pessoas que frequentam o hospital não serão incomodadas com uma obra de manutenção ou ampliação que se preocupa com vários componentes, como o cheiro de tinta que faz mal para a saúde ao liberar compostos orgânicos voláteis (COV)”, exemplifica. Eleonora atuou no processo de certificação LEED Healthcare do Hospital Israelita Brasileiro Albert Einstein, em 2009. “Participei do projeto, construção e certificação, tendo sido o maior hospital certificado LEED nível Gold em 2009 com 70 mil m2. Na época eu trabalhava em uma empresa multinacional, a Kahn, e fui a sétima profissional certificada LEED no Brasil”, conta. Além da LEED e da Hospitais Saudáveis, o Einstein possui certificações como ISO 14001 e a ISO 50.001, na área ambiental, e outras específicas de serviços de saúde, como o Selo do Idoso; a JCI de qualidade e segurança para paciente, colaborador e ambiente; a Planetree para cuidados centrados na pessoa; e certificações da Associação Internacional de Pesquisa Clínica e a Magnet, acreditação de Enfermagem de Excelência.

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Espaços humanizados Para o Dr. Paulo de Tarso Ricieri de Lima, médico do corpo clínico do Hospital Albert Einstein e coordenador do curso de pós-graduação em saúde integrativa e bem-estar da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein, a cura não é necessariamente a ausência da doença, mas sim, a percepção do paciente em relação ao seu bemestar, autonomia e autocuidado, o que pode ser determinado por uma arquitetura consciente. “Vemos hoje muitas pessoas com doenças crônicas, como o câncer. Esses pacientes vão passar muito tempo no hospital, internados ou em atendimento ambulatorial. Daí a importância da qualidade do ambiente para o paciente sentir acolhimento e bem-estar”, explica o Dr. Lima. O mesmo raciocínio pode ser aplicado na concepção das alas infantis. “A pediatria não pode ser uma Disneylândia fake. O ideal é que o ambiente convide a criança a continuar criança e ofereça autonomia de acordo com sua faixa etária e com o momento que está vivendo”. Outra fronteira a ser ultrapassada vai além dos selos de certificação. “Bem-estar se equivale à autonomia associada ao autocuidado. É importante que o edifício favoreça autonomia e não traga mais limitações ao paciente”, alerta o médico. Segundo o Dr. Lima, uma questão atualmente discutida em algumas instituições hospitalares, como o Albert Einstein, é sobre como levar a natureza para dentro da edificação, seja por meio de fotos ou filmes. O importante é que isso seja feito de um modo perceptível, não somente simbólico, como acontece quando se coloca madeira no revestimento de uma parede ou uma cascata decorativa na área de estar. “É importante o paciente ter a percepção do verde, do calor, isso faz com que ele queira viver mais, queira ir para um lugar agradável, como a praça ou um sítio”.

Dr. Paulo de Tarso Ricieri de Lima, médico do corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein e coordenador do curso de pósgraduação em saúde integrativa e bemestar da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein. Imagem: Divulgação.

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Lições da pandemia Passamos 90% de nossa vida em espaços construídos e a pandemia evidenciou a necessidade dos serviços de saúde, a falta de leitos de UTI e de atendimento em diversos hospitais. Evidenciou também que os ambientes precisam ser seguros e saudáveis, uma vez que oferecem riscos à saúde, sejam biológicos, químicos, físicos, de acidente ou ergonômicos. “É necessário um arquiteto especializado para fazer projetos integrados e colaborativos com atuação significativa da arquitetura hospitalar como apoio aos serviços assistenciais de saúde embasados pelo planejamento estratégico e gestão”, entende Eleonora Zioni, diretora executiva da Asclépio Consultoria e arquiteta especializada em arquitetura para saúde. Ela destaca que a pandemia do covid-19 acelerou a digitalização, a telemedicina e o autocuidado com a saúde. Trouxe também dois pontos positivos: a valorização da vida e a confiança na ciência. “Todos os esforços que estão sendo feitos são para valorizar a vida humana em equilíbrio com os outros seres vivos e o ambiente, mas precisamos entender cientificamente e confiar nas evidências da ciência. Por que ainda existe quem não confie nas mudanças climáticas e no colapso ambiental?”, questiona. Para a arquiteta, o caminho é seguir os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU e diminuir o aquecimento global. “Infelizmente não desempenhamos nada bem até 2020. Os edifícios junto da indústria e dos transportes são os três maiores poluentes e emissores de gases de efeito estufa que agravam o problema. Nossa vida depende do equilíbrio com a natureza. É necessário repensarmos todas as formas de viver e praticar ações para um melhor equilíbrio social, econômico e ambiental”, afirma.


                       

 

   





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SETOR HOSPITALAR

A voz do especialista Um dos maiores mestres do país em edifícios hospitalares, o arquiteto Siegbert Zanettini fala sobre sustentabilidade, projetos e desafios para o futuro. Formado pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP em 1959, Siegbert Zanettini comemora mais de 60 anos de carreira, período em que desenvolveu mais de 1.200 projetos. Com forte atuação nos campos do desenvolvimento de novas tecnologias e uso de sistemas construtivos em madeira e aço, é também um dos maiores especialistas brasileiros em projetos para estabelecimentos para a saúde. Membro Honorário do GBC Brasil, Zanettini concorreu com profissionais de outros 90 países e em 2012 conquistou o prêmio mundial do World Green Building Council como o principal arquiteto do movimento de construções sustentáveis no mundo. O reconhecimento foi dado ao conjunto de sua obra, com destaque para o Cenpes, da Petrobras, que é apontado como o maior e mais complexo centro de pesquisa do país, com 270 laboratórios personalizados. Localizado na Ilha do Fundão, Rio de Janeiro, o Cenpes tem entre seus diferenciais o fato de dispensar o ar-condicionado. “Só tem o equipamento nos laboratórios em que o controle de temperatura é necessário. Nos demais espaços ele funciona pela orientação solar e pela ventilação natural que atravessa todo o conjunto. Para conseguir esse resultado, fiz com o Departamento de Tecnologia da FAU estudos da média de temperatura ao longo dos últimos 50 anos”, relembra. A nova cobertura do acesso principal do Hospital Israelita Albert Einstein é um paraboloide hiperbólico de aço e vidro que protege o embarque e desembarque nos automóveis, não esconde o prédio e permite a passagem de luz natural.

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GBC – Quais os principais desafios de hoje para o arquiteto considerando as principais dificuldades e oportunidades? SZ – Depois de 60 anos de carreira digo que o importante Arquiteto Siegbert é a formação de cultura no Zanettini, titular do escritório Zanettini sentido mais amplo possível. Arquitetura: “A Cada vez mais as influências pandemia nos traz para não são específicas da nossa realidade, nos diz que o sistema é profissão. O ser humano é um equivocado e deve ser ser holístico, sistêmico. Formar mudado agora”. o homem para o futuro é dar a ele essa visão que vai servir para tudo na vida. Temos que estudar tudo junto para termos uma visão mais completa. Quando fiz minha tese de doutoramento entrevistei pessoas de todos os campos do conhecimento para saber o que cada um considerava em sua área como o mais importante para a vida. GBC – Qual foi seu primeiro projeto sustentável? SZ – Em 1974 construí a primeira casa sustentável do país. Naquela época a sustentabilidade era chamada de ecoeficência, arquitetura bioclimática. Fiz um sítio em Atibaia, SP, com a construção totalmente integrada à natureza porque não tem dentro e fora. Orientação solar, ventilação e paisagismo são os instrumentais importantes para resolver a arquitetura. Tem que incorporar a questão do meio ambiente de forma estrutural.


GBC – Na sua opinião, quais serão os efeitos colaterais da pandemia de COVID-19 que afetarão diretamente a construção civil e a arquitetura? SZ – O Covid-19, assim como fez a gripe espanhola em 1917, atinge o mundo como um todo e nos obriga a repensar todas as questões que nos envolvem, como alimentação ou prática de esportes. Na questão da vida urbana, em que a mobilidade é fundamental, se o carro já foi benefício, hoje é tragédia. É irracional precisar de uma tonelada e meia para transportar 80 quilos. Um patinete faz a mesma coisa. A circulação é ruim, a rua deixou de ser lugar de passagem e tem milhares de mortes por ano. O céu em São Paulo é cinza, poluído, o clima é alterado, tóxico. Temos que repensar todo esse sistema de mobilidade. Precisamos de transporte limpo, sem poluentes e sem acidentes também. A energia fóssil é um sistema falido, não tem mais sentido, e permanece por enquanto em razão de grandes interesses, mas está fadada a sumir em 20 ou 30 anos. GBC – Quais outras questões deveríamos repensar? SZ – A pandemia nos traz para nossa realidade, nos diz que o sistema é equivocado e deve ser mudado agora. Destruir matas, conspurcar o solo, vilipendiar a água e não receber o sol pleno, os ventos como eles são. Se a arquitetura não entende isso, ela está apenas empilhando coisas. Deveríamos ter lixo zero, porque não tem sentido caminhões passarem de noite para recolher toneladas de lixo. Temos que fazer compostagem, reutilizar os elementos, mas são sabemos. Aço de boa qualidade é feito com aço reciclado. Poderíamos ter uma indústria limpa, capaz de recompor o que tiramos da natureza e destinar corretamente seus resíduos. A ideia é repensar cada questão da vida humana sob o ponto de vista

holístico, tudo deve ser disciplinado tendo como ponto central o ser humano. Nossa organização urbana atual é toda econômica, uma sociedade de consumo, não tem planejamento. GBC - O senhor também é reconhecido como um grande mestre da arquitetura hospitalar. O senhor tem um gosto especial por esse segmento? SZ – Os edifícios que tratam da saúde e da educação são sempre muito importantes. No caso dos hospitais, o prédio precisa ser dinâmico, durável, ter soluções construtivas e tecnológicas que deem facilidade de manutenção para sistemas complexos. Tem que ter fácil acesso e ser de fácil reestruturação. Sem isso, dura pouco e um hospital precisa durar 50 anos. As pessoas sem saúde precisam de mais qualidade espacial, com boa orientação solar e boa ventilação. O ar-condicionado fica só para onde precisa. Se o ambiente é saudável e agradável, a recuperação é melhor e mais rápida. Tem que organizar e encontrar a solução equilibrada para o todo. Não vale se preocupar só com o paciente, tem o lugar para o médico, para a enfermagem e os espaços de descanso, de alimentação, de produção. Eu não quero ser operado pelo médico que dormiu no carro. Tem também a questão da sustentabilidade, com todas as especificidades do ambiente hospitalar. GBC – O foco está no ser humano. SZ – Hospital tem grande complexidade arquitetônica, estrutural e muitos sistemas instalados, mas o principal é o ser humano, o paciente e quem trabalha lá. Um

Novo átrio do Hospital Israelita Albert Einstein é um espaço de recepção e encontro que antes não existia. Imagens: Divulgação.

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é tratado e o outro trata por horas seguidas e muitas vezes isso acontece em condições muito desfavoráveis, sem lugar para descanso. Tem que pensar em todos que vivem ali, inclusive o visitante, o auxiliar, o carregador, o técnico das instalações. Para todos é necessária correta iluminação noturna e diurna, o mesmo vale para ventilação, cuidados de higiene. O setor de imagens tem importância enorme porque a tecnologia veio para ajudar e novos equipamentos aprimoram diagnóstico e tratamento, trazem benefícios para os pacientes e tratamentos cada vez mais específicos. Também é importante dizer que verticalizar dificulta, empilhar nem sempre funciona. Se tem espaço para horizontalizar é muito melhor. GBC – O senhor desenvolveu o projeto de retrofit do Hospital Albert Einstein, em São Paulo. O que o senhor gostaria de dizer sobre esse trabalho? SZ – O prédio original foi projetado por Rino Levi e depois vieram outros blocos, feitos em várias épocas por diferentes arquitetos. Esses blocos foram juntados, mas a junção não foi integrada, foi como encostar um prédio no outro. O que eu fiz foi tentar integrar o novo ao existente. Quando fui convidado a participar da concorrência para o retrofit, pensei em como dar um caminho para o todo mas sem tumultuar a rotina do hospital, sem fazer barulho e trabalhar sem espaço para canteiro. A solução veio com a estrutura metálica pré-fabricada em um sistema programado de produção e montagem. O canteiro virou espaço de montagem. As obras ainda não foram concluídas, está faltando o prédio original. GBC – Quais as principais mudanças? SZ – O novo átrio é um lugar de recepção e encontro que não existia. Antes havia o pé-direito de seis andares e não era possível manter a cobertura existente nem colocar um andaime porque o espaço estava ocupado por restaurantes. Fizemos uma nova cobertura que leva luz natural para o átrio e os quartos voltados para dentro agora têm ventilação e iluminação naturais. Mudou também o acesso principal, que antes não oferecia cobertura para descer do carro e agora tem espaço para vários carros ao mesmo tempo. Essa cobertura é um paraboloide hiperbólico de aço e vidro que não esconde o prédio e permite entrar luz natural. Agora é de fato uma entrada principal porque resolve trânsito, cobertura, acesso e paisagismo, organiza tudo ao mesmo tempo.

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GBC BRASIL - ANUÁRIO 2020/21

GBC – O senhor desenvolveu também o projeto do Hospital Mater Dei, de Salvador. O que ele tem de diferente? SZ – Com inauguração prevista para fevereiro de 2021, o Mater Dei será o maior hospital de Salvador, com 70 mil m2. Ele ocupa a esquina com duas avenidas principais em diferentes cotas e fachada em arco. Todos os quartos dos sete pavimentos desfrutam de vista para o mar, ótima insolação e ventilação sul. A obra emprega estrutura metálica com sapatas apoiadas na rocha e painéis industrializados em fechamentos, forros, divisórias internas e pisos, além de lajes steel deck. Então tudo é feito na metade do tempo e a obra é limpa, não cria pó nem barulho. O que vai para a obra é consumido e montado, resíduo zero.

Com 70 mil m2 de área construída, o Hospital Mater Dei será inaugurado em fevereiro de 2021 e será o maior de Salvador. Todos os quartos têm vista para o mar, ótima insolação e ventilação sul. A obra emprega estrutura metálica e fechamentos industrializados. Imagens: Divulgação.


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PROGRAMA ZERO ENERGY

Edifícios públicos autossuficientes Programa do Governo do Estado do Paraná, em associação com Green Building Council Brasil e outros parceiros, está transformando 212 prédios públicos em edificações autossuficientes em energia. Investimentos passam de 40 milhões de reais O Governo do Estado do Paraná, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Obras Públicas, o Serviço Social Autônomo do Paranacidade, a Agência Fomento do Paraná e o Green Building Council Brasil, juntamente do Instituto Purunã para o município de Balsa Nova, assinaram em setembro de 2019 o Memorando de Entendimento para cooperação, fomento e execução de ações para a instauração e implementação do Programa Zero Energy no estado do Paraná. O programa já está em andamento e 212 prédios públicos em sete cidades paranaenses estão sendo transformadas em edificações autossuficientes em energia. Os edifícios passarão a combinar eficiência energética com otimização da gestão do consumo e geração de energia on site, além de prever também ocupantes engajados e conscientes. O objetivo é que 100% da energia elétrica consumida durante 12 meses corridos em cada prédio seja gerada na própria edificação. O Zero Energy está inserido no Governo do Estado do Paraná e atende expectativas tanto da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, aprovada na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas em setembro de 2015, como da Nova Agenda Urbana, resultante da Conferência das Nações Unidas sobre Habitação e Desenvolvimento Urbano Sustentável (Habitat III) e aprovada na Assembleia Geral da ONU em dezembro de 2016. O projeto ainda é destaque no Programa Global Advancing Net Zero Buildings do World Green Building Council e demais fóruns de discussões do conceito de edificações autossuficientes em energia.

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GBC BRASIL - ANUÁRIO 2020/21

Cidade de Maringá no Paraná. Imagem: Assessoria de Comunicação/PMM.

Durante a realização do COP Paris, em 2015, foi dada atenção especial ao papel das edificações no combate a mudanças climáticas, com base em um levantamento que concluiu que a implantação de edificações autossuficientes em energia, nos novos projetos até 2030 e em todas as edificações até 2050, será o suficiente para reduzir as 84 GTon de CO2 e, consequentemente, atingir a meta das Nações Unidas de reduzir o aquecimento global em apenas 1,5 ºC. Para o Brasil, trata-se de projeto icônico e de suma importância estratégia. Segundo o Balanço Energético Nacional, 51% de toda energia elétrica produzida é consumida nas edificações públicas, residenciais e comerciais. De acordo com o Plano Decenal de Expansão Energética (EPE), se o PIB brasileiro crescer na média de 2,9% até 2027, o país aumentará em 43% a demanda por energia elétrica, o que evidencia a necessidade de investir em eficiência energética e geração de energia distribuída. O estudo Potencial de Empregos Gerados na Área de Eficiência Energética no Brasil de 2018 até 2030, promovido pela Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Energética do Ministério de Minas e Energia, antecipa que para o Brasil cumprir a sua meta de eficiência energética de 10% até 2030, será necessária a criação de cinco novos empregos na área de eficiência energética. Ou seja, avançar nessa agenda significa mais empregos e com capacitação técnica.


Responsabilidade dos participantes Cabe à Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Obras Públicas e ao Serviço Social Autônomo do Paranacidade a responsabilidade de indicar os municípios interessados em aderir ao Projeto Zero Energy, sendo que os recursos seriam na Chamada Pública PEE COPEL ano 2019 – Eficiência Energética no Uso Final. Também foi previsto financiamento com a formalização de Termo de Adesão e Compromisso, que vincula direitos e deveres dos municípios para que cada edificação alcance a autossuficiência comprovada pela certificação ZERO ENERGY e pelos relatórios de Medição e Verificação exigidas pela PEE COPEL ano 2019. Outra atribuição dos dois órgãos é selecionar juntamente dos municípios as edificações que participarão do projeto. Eles também devem apoiar os municípios visando compatibilizar as exigências das entidades de financiamento, as características socioeconômicas à sua envergadura financeira, propiciando condições para operações de financiamento aos que possuam capacidade de pagamento comprovada. A eles ainda cabe acompanhar e monitorar a implementação do projeto em todas as suas fases – elaboração, licitação, contratação e execução. A Agência Fomento do Paraná tem o compromisso de disponibilizar até 30 milhões de reais para os municípios que venham a aderir ao Projeto ZERO ENERGY, na modalidade de financiamento de ações de infraestrutura urbana e que será aportado como contrapartida municipal junto à Chamada Pública PEE COPEL ano 2019 – Eficiência Energética no Uso Final. Suas atribuições incluem contratar, após autorização formal, junto aos municípios aptos, a respectiva operação de crédito que possibilite a integralização de recursos financeiros para a implantação do projeto, bem como liberar os respectivos pagamentos para a conta do município vinculado ao projeto quando informado o “de acordo” por parte deste e do Paranacidade. O Green Building Council Brasil tem a visão de transformar a indústria da construção civil e a cultura da sociedade em direção à sustentabilidade, utilizando as forças de mercado para construir e operar edificações e comunidades de forma integrada, alinhando desenvolvimento econômico com mitigação de impactos socioambientais negativos, redução do uso de recursos naturais e melhora da qualidade de vida e bem-estar. Sua responsabilidade no acordo é a de desenvolver e doar aos municípios paranaenses os projetos para o Zero Energy para tornar as edificações escolhidas em prédios autossuficientes

em energia com a adoção de medidas de eficiência energética e da geração local de energia renovável. Para cada edificação será dimensionado um sistema de gestão local de energia renovável por meio de painéis fotovoltaicos capazes de gerar energia igual ou superior a 100% do consumo de energia atual. As medidas de eficiência energética deverão contemplar oportunidades relacionadas ao conceito e configuração, dimensionamento, especificação de equipamentos e a sequência de operação dos sistemas de iluminação e ar-condicionado. Os projetos deverão seguir as diretrizes da Chamada Pública PEE COPEL ano 2019, incluindo os critérios para avaliação econômica e concluídos a tempo de serem inscritos nesta Chamada. Também tem a responsabilidade de buscar patrocínios para o custeio da elaboração dos projetos. O Instituto Purunã promove a transformação social para o desenvolvimento sustentável do turismo. No projeto Zero Energy sua missão é fomentar o engajamento do município de Balsa Nova para ingresso no projeto, além de apoiar todos os parceiros nos demais municípios. É o principal patrocinador para a elaboração dos projetos de eficiência energética e geração de energia renovável. A Petinelli Consultoria Ambiental, empresa de engenharia reconhecida internacionalmente por seus projetos certificados LEED Platinum, detém mais de 80% dos projetos que buscam a certificação GBC ZERO ENERGY. Tem notória competência técnica por sua capacidade de viabilizar financeiramente a transformação de edificações novas ou existentes, em autossuficientes em energia. No escopo do programa, a Petinelli Consultoria Ambiental figura como autora dos projetos e patrocinadora, por meio da prestação de serviços na elaboração dos projetos. Deve realizar visitas e vistorias de edificações e seus equipamentos para a elaboração de um projeto por município; desenvolver o diagnóstico energético para submissão e aprovação dos entes integrantes da administração direta e indireta do Estado do Paraná. A ela cabe obedecer a todas as especificações técnicas relativas aos serviços desenvolvidos, sendo que todos os projetos seguirão a correta identificação de Responsabilidade Técnica (ARTs). Outras responsabilidades previstas são a participação em reuniões técnicas com os parceiros, descrição detalhada de cada projeto, incluindo valor do investimento, reduções no consumo, análise de viabilidade econômica, estratégia de medição e verificação e plano de treinamento, e ainda desenvolver os Projetos seguindo as regras definidas na Chama Pública PEE COPEL 2019.

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Por meio do Termo de Adesão e Compromisso, as prefeituras dos municípios de Maringá, São José dos Pinhais, Foz do Iguaçu, Paranavaí, Fazenda Rio Grande, Cascavel e Balsa Nova assumem uma série de deveres para a fiel realização do projeto: participação na identificação das edificações públicas passíveis de participarem do processo de readequação energética e geração de energia renovável; recebimento dos projetos doados pelo Green Building Council Brasil; inscrição na Chamada Pública PEE COPEL 2019; contratação do financiamento ou apresentação de recursos para apresentação da contrapartida financeira; seguir fielmente os quesitos técnicos descritos no projeto para a elaboração do edital de licitação para a contratação e execução das obras; e colaborar na comunicação e divulgação dos projetos após sua conclusão.

Resultado O diretório traz todos os resultados detalhados por cidade. A elaboração dos projetos de diagnóstico, eficiência e geração renovável levou quatro meses para serem realizados e envolveu mais de 20 engenheiros. Foram auditados mais de 111 mil equipamentos entre luminárias, ares-condicionados e eletrodomésticos, entre outros. Os projetos compreendem troca da iluminação e do ar-condicionado, sistema de gestão de energia e a geração de energia por sistema fotovoltaico. A tabela a seguir mostra o número de edificações que serão readequadas energeticamente e quais conseguirão o status de Zero Energy.

Compliance Considerando a importância de massificar a divulgação do projeto e estimular novas lideranças no assunto, garantindo o efeito multiplicador das ações com foco em sustentabilidade, o Green Building Council Brasil, busca estabelecer máxima transparência e esclarece alguns pontos importantes no processo de criação e implementação do Projeto. Escolha da Empresa Petinelli Consultoria - Além dos quesitos de ordem técnica e experiência comprovada em projetos de PEE, inclusive alcançando as primeiras colocações nas Chamadas Públicas, a Petinelli aceitou assumir o risco financeiro do custeio da elaboração dos projetos na ausência de patrocinadores ao projeto, bem como participou da construção das parcerias. Recursos públicos - O Green Building Council Brasil não receberá recursos públicos como pagamento de serviços de qualquer natureza. A Petinelli Consultoria também não receberá recursos públicos como pagamento de serviços de qualquer natureza. Certo que não tem como os recursos da Chamada Pública PEE COPEL 2019 retornarem ao final do processo para pagamento dos sete projetos de autoria da Petinelli Consultoria e entregues pelo Green Building Council Brasil às Prefeituras. Serviços contratados na fase de execução das obras de readequação energética e geração de energia renovável - Segundo a lei de licitação pública, a autora do projeto está automaticamente impedida de participar da licitação de execução de obra, bem como prestar qualquer tipo de serviço nesta fase. O site gbczeroenergy.org.br foi criado para disponibilizar explicações e divulgar os resultados do projeto, além de coibir qualquer atitude que porventura tente desvirtuar as nobres intenções e ações na criação e implementação deste projeto.

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GBC BRASIL - ANUÁRIO 2020/21

Ao todo, serão investidos R$ 41.773.132,41 para execução de todos os projetos, sendo que R$ 25.525.355,51 foram captados para as prefeituras por meio da Chamada Pública PEE COPEL 2019, e R$ 16.247.776,90 são recursos contratados junto à Agência Fomento Paraná. A economia anual com as despesas municipais com energia será de R$ 5.966.381,50. Assim, o tempo de retorno do investimento será de 2,72 anos. Considerando o prazo de carência do contrato de financiamento podemos afirmar que o fluxo de caixa será positivo já no primeiro ano de produção de energia renovável. O projeto ajuda as prefeituras municipais a comprovarem protagonismo em relação aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, inserem seus municípios no epicentro das discussões de edificações autossuficientes em energia, reduz o custo anual e aumenta a capacidade de investimento dos municípios, além de propiciar que mais de 100 mil pessoas irão trabalhar e estudar em uma edificação Zero Energy.


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SETOR RESIDENCIAL

Quando presente e futuro se encontram As certificações GBC Brasil CASA e GBC Condomínio oferecem as ferramentas usadas por empreendedores de várias localidades do país para atrair clientes preocupados com sustentabilidade e bom desempenho Encontrar formas de reduzir o consumo de água e energia, reaproveitar materiais e garantir facilidade de acesso são temas que despertam a atenção do consumidor mais consciente, em especial daqueles que pretendem comprar uma casa ou apartamento e valorizam economia, qualidade e bem-estar. A Certificação GBC Brasil CASA & Condomínio reúne diretrizes que ajudam a projetar, construir e operar as edificações residenciais com alto desempenho e em acordo com práticas sustentáveis em suas diversas categorias – Implantação; Uso Eficiente da Água; Energia e Atmosfera; Materiais e Recursos; Qualidade Ambiental Interna; Inovação e Projeto e Créditos Regionais. Essas demandas chegam aos empreendedores e aos escritórios de projeto, que buscam desenvolver produtos imobiliários capazes de conquistar esse cliente mais atento e obter a certificação - desde seu lançamento no Brasil, em 2014, 92 projetos estão em processo de certificação e 22 já foram certificados. “O vocabulário da sustentabilidade está se difundindo na sociedade. Alguns clientes já sugerem a geração de energia limpa com a inclusão de painéis fotovoltaicos no projeto”, comenta Márcio Kogan, titular do Studio MK27, um dos principais escritórios brasileiros da atualidade, em especial no segmento residencial de altíssimo padrão e com projetos também no exterior. “Quando essa iniciativa não parte do cliente, sempre apresentamos e discutimos as vantagens, inclusive financeiras”, completa. Ele destaca que uma atitude importante anterior à preocupação com a geração de energia é projetar para que haja uma menor necessidade de consumo, tanto para iluminação quanto para climatização.

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Kogan foi um dos primeiros a abraçar o movimento green buildings no Brasil e vem Arquiteto Márcio Kogan contribuindo para a evolução desse mercado. Atualmente, o Studio MK27 soma oito projetos registrados ou certificados no GBC CASA & Condomínio. Os arquitetos de sua equipe, os principais fornecedores e parceiros foram treinados para conhecer a fundo os pré-requisitos, créditos e normas técnicas utilizadas para nortear responsabilidade social, ambiental e alto desempenho técnico nas edificações. “É preciso ter bons parceiros que nos ajudem a fazer estimativas, compreender e transmitir conceitos e, para isso, nos mantemos sempre próximos de profissionais que se dedicam a desenvolver e propor soluções mais sustentáveis. Um time de consultores e projetistas envolvido e dando suporte ao desenvolvimento do projeto desde o início é muito importante, não apenas

Projetos do Studio MK 27 registrados ou já certificados Empreendimento

Localização

Status

Ecovila Catuçaba

São Luiz do Paraitinga, SP

Certificado GBC CASA Platina

Casa Plana

Porto Feliz, SP

Certificado GBC CASA Ouro

Casa 3M

São Paulo, SP

Em processo de certificação GBC CASA

Casa Azul

Guarujá, SP

Em processo de certificação GBC CASA

Casa Vista

Aquirás, CE

Em processo de certificação GBC CASA

Casa FBV

Porto Feliz, SP

Em processo de certificação GBC CASA

Condomínio Artur Ramos

São Paulo, SP

Em processo de certificação GBC Condomínio

Edifício Pierino/Caconde, da Stan + Sumauma

São Paulo, SP

Em processo de certificação GBC Condomínio


Fernando Guerra

para o projeto em questão, mas também para o aprimoramento do próprio pensamento e da cultura projetual”, afirma o arquiteto. Para Kogan, o GBC CASA & Condomínio pode ser um importante aliado por ser um guia para a adoção de práticas mais sustentáveis. “Atualmente estamos desenvolvendo mais dois projetos de prédios e uma residência e buscamos soluções equilibradas e baseadas no tripé ambiental, social e econômico. Um aspecto importante que tentamos contemplar nos prédios, por exemplo, é o da flexibilidade espacial, projetando espaços que possam ser utilizados de diferentes maneiras, tornando o edifício adaptável ao que ainda desconhecemos do futuro”, afirma.

Ecovila Catuçaba. Projeto do Studio MK27 Marcio Kogan (autor); Lair Reis (coautor); Carlos Costa, Diana Radomysler, Flavia Maritan, Laura Guedes, Mariana Simas e Oswaldo Pessano.

Fernando Guerra

Casa Plana. Projeto do Studio MK27 Marcio Kogan (autor); Lair Reis (coautor); Diana Radomysler (interiores); Carlos Costa, Carolina Castroviejo, Laura Guedes, Mariana Simas, Oswaldo Pessano, Raquel Reznicek; Renato Périgo e Ricardo Ariza Miyabara (equipe de projeto).

Render/Miguel Muralha

Casa Azul. Projeto do Studio MK27 – Marcio Kogan (autor); Samanta Cafardo (coautora).

A Casa Catuçaba, projeto-piloto dos chalés de uma ecovila sustentável em São Luiz do Paraitinga, SP, é um dos empreendimentos do Studio MK 27 já com a certificação GBC CASA em nível Platina. Ela está localizada em região não servida por rede elétrica. Para cada chalé foi previsto um sistema com placas fotovoltaicas e miniturbina eólica, capazes de gerar 15 kw/h que são armazenados em baterias para atender equipamentos básicos. Há também painéis solares para fornecer água quente para cozinha e banheiros. Como também não há rede de água e esgoto, a água utilizada vem de nascentes e do sistema de captação de águas pluviais, que conta com reservatório sob a construção. A água usada passa por estação de tratamento de esgoto antes de ser devolvida à natureza. Certificada com a GBC CASA em nível Ouro, a Casa Plana é marcada pela horizontalidade, característica explorada nos projetos do Studio MK27. Ela se acomoda a favor das curvas de nível e na cota mais alta do terreno, respeitando a topografia e reduzindo as movimentações de terra. Sua cobertura é um extenso telhado verde, sem forro, ora recortado por janelas zenitais, ora por placas solares que atendem a 80% da demanda de água quente. Sua cobertura tem sistema para captação da água chuva, que é encaminhada para a cisterna sob a piscina. O reservatório também recebe a água da drenagem do terreno e serve ao sistema de irrigação das áreas verdes. Internamente a casa é marcada por luz e ventilação naturais; 100% da madeira de painéis, portas e mobiliário embutido tem selo FSC.

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Projetos certificados ou registrados no GBC CASA & Condomínio Pinhais Park Hyuri Guedes

Em termos de custos, o maior impacto ficou deve-se à utilização da tecnologia woodframe. “Ainda que essa opção tenha representado um custo por metro quadrado construído um pouco superior, a velocidade de execução e os diferenciais na performance térmica e acústica tornaram a equação adequada. Foi um facilitador”, diz Lage.

Ícaro Imagens: Divulgação

Localizado em Pinhais, PR, o empreendimento Pinhais Park, da Valor Real Empreendimentos Imobiliários, é o primeiro do programa Minha Casa Minha Vida a obter o certificado GBC Condomínio em nível Ouro.

Nem só os projetos do segmento de alto padrão fazem crescer as certificações de sustentabilidade no Brasil. Localizado em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, o Pinhais Park é o primeiro empreendimento do programa Minha Casa Minha Vida a obter o certificado GBC Condomínio, em nível Ouro. “Certificamos o empreendimento porque temos a sustentabilidade como um dos pilares da nossa empresa. Ela faz parte de nosso planejamento estratégico e dos nossos valores”, afirma Antonio Lage, CEO da Valor Real Empreendimentos Imobiliários. A certificação demandou auditorias desde a fase de análise e avaliação de projetos até a análise definitiva, após a conclusão da obra. Nessa etapa, todos os processos e procedimentos da execução do empreendimento passaram por pente fino. Projetado para alcançar a certificação em nível Prata, ele obteve o selo Ouro, superando as expectativas. “Não houve muitas dificuldades pois grande parte dos procedimentos e processos adotados já são utilizados na empresa”, diz Lage. Um dos impactos positivos para a região é a preservação de áreas de proteção ambiental que fazem parte do condomínio. Para os moradores, os principais diferenciais ficam em razão do aproveitamento da água de chuva, para reduzir o consumo de água potável, de sistemas automatizados que visam à economia de energia e de um projeto que usa a orientação solar e a circulação dos ventos para levar mais conforto termoacústico aos interiores.

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GBC BRASIL - ANUÁRIO 2020/21

De Curitiba, o condomínio Ícaro conquistou a certificação GBC Condomínio em nível Ouro. O empreendimento é da AG7 Realty.

Ícaro - Jardins do Graciosa é um condomínio residencial localizado em Curitiba. Com projeto arquitetônico assinado por Arthur Casas, ele é composto por três torres que seguem o conceito de casas suspensas e oferecem plantas personalizadas com áreas entre 315 m2 e 840 m2. O Ícaro conquistou a certificação GBC Condomínio em nível Ouro. O empreendimento da incorporadora AG7 Realty recebeu Desempenho Exemplar devido à excelência na implementação do Plano de Gerenciamento das Águas Pluviais para proteção dos corpos hídricos. O projeto utilizou estratégias baseadas nas chamadas Best Management Practices (BMP) para projetar sistemas de tratamento naturais e mecânicos integrados, como cobertura verde, pavimentos permeáveis, filtros para reúso de água, sistema drenoflex e caixa de contenção de barro e óleo. Segundo Jéssica Custódio, coordenadora de incorporação da AG7, desde a fase de projeto já havia a preocupação de que o empreendimento fosse sustentável e gerasse o menor impacto ambiental negativo. “A ideia era manter o comportamento do lote construído o mais próximo possível do natural daquele local, contribuindo para evitar inundações e alagamentos no meio urbano. Foram priorizadas soluções para garantir a infiltração das águas pluviais no solo e o reúso de água em irrigação e limpeza”, afirma.


O Ícaro também recebeu um ponto adicional por Desempenho Exemplar no Gerenciamento de Resíduos da Construção, realizando a destinação de resíduos perigosos para aterros sanitários classe 1 autorizados por órgão competente. Além disso, teve 93,38% dos resíduos desviados de aterros com aplicação na própria obra ou em empreendimentos que integram a cadeia formal de valoração dos resíduos. “A construção civil é responsável por mais da metade de todos os resíduos gerados em Curitiba. É fundamental realizar a gestão adequada desses resíduos ao longo da obra. Para o município, isso pode garantir o prolongamento da vida útil dos aterros sanitários, uma vez que não recebem volumes com resíduos que podem ser reutilizados ou reciclados. A destinação adequada dos resíduos contaminados também é essencial porque evita a contaminação do solo e de corpos hídricos”, completa Jéssica. O projeto também contemplou acessibilidade universal – 100% das áreas comuns possuem acessibilidade e 100% das unidades residenciais garantem os raios mínimos de circulação e aberturas mínimas de portas para Portadores de Necessidades Especiais, permitindo fácil adequação.

Alameda Jardins

Empreendimento da Tishman Speyer, o Alameda Jardins é um projeto de arquitetura contemporânea e atemporal composto por torre comercial, que busca certificação LEED, e outra residencial, que deve receber a Certificação GBC Condomínio. Os prédios estão a 50 metros da estação de metrô Oscar Freire, na região dos Jardins, em São Paulo. A previsão de entrega é para o quatro trimestre de 2021. Buscando exclusividade e sofisticação, a torre residencial reúne arte, design e tecnologia como diferenciais. Com projeto arquitetônico de aflalo/ gasperini, o empreendimento teve os principais projetos desenvolvidos em BIM (Building Information Modeling). “Essa foi uma premissa do projeto, que começou em 2017. Alguns dos projetistas nem tinham o Revit e precisaram buscar profissionais para fazer a modelagem”, conta Steve Nazario, diretor de engenharia da Tishman Speyer. “Uma das características da torre residencial é ter parte da envoltória em sistema de fachada ventilada, formando um colchão de ar entre as duas superfícies, o que melhora o desempenho térmico e acústico no interior das unidades”, explica a gerente de projeto da Tishman Speyer Denise Dias Rubez.

Imagens: Divulgação

O empreendimento preserva grande área permeável e usa o paisagismo e a pintura com tintas especiais para reflexão da luz solar a fim de reduzir o efeito ilha de calor. Ele conta com sistema de captação de água da chuva com retardo e estação e tratamento de água cinza, o que permite utilizar esta água na lavagem das áreas comuns e no sistema de irrigação automatizado dos jardins do térreo e também dos apartamentos. Outras características que contribuem para a pontuação no GBC Condomínio é a medição setorizada de água e a preparação da torre para medidores individualizados, com projeto elaborado em acordo como programa ProAcqua, da Sabesp. A vantagem é que nesse sistema as contas são separadas para cada unidade. O projeto especificou o uso de louças e metais sanitários Kohler importados, com vazões abaixo de nove litros de água por minuto. Painéis solares com sistema fechado garantem água quente sem desperdício.

Empreendimento da Tishman Speyer, o paulistano Alameda Jardins leva a assinatura de Aflalo/Gasperini e teve a maioria de seus projetos desenvolvidos em BIM.

O Alameda Jardins também apresentará luminárias eficientes com lâmpadas LED, medição setorizada em áreas críticas, comissionamento dos sistemas, além de acessibilidade total nas áreas comuns. Seus diferenciais ainda incluem carregadores para carros elétricos nos quatro subsolos e elevadores com antecipação de chamada.

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Myrá Imagens: Divulgação

e iluminação LED; uso de dispositivos hidráulicos e bacias com menor consumo de água; reúso de água de chuva para irrigação dos jardins; paisagismo com espécies nativas da região, que demandam menos regas; materiais da fachada capazes de reduzir a temperatura interna das unidades para diminuir o uso do ar-condicionado. Na garagem, a exaustão mecânica será controlada por sensor de monóxido de carbono, o que evita danos à saúde das pessoas e ajuda a conservar energia, uma vez que os ventiladores não precisarão funcionar ininterruptamente. “Queremos ser reconhecidos por liderança, inovação, gestão ambiental e responsabilidade social no mercado”, finaliza Ingrid.

Almáa e Mai Terraces Imagens: Divulgação

Myrá e o maior residencial de luxo da MPD Engenharia e Incorporação. O edifício recebeu o selo da fase projeto da Certificação GBC Condomínio.

Imagens: Divulgação

Myrá é o maior residencial de luxo da MPD Engenharia e Incorporação e recebeu o selo da fase projeto da Certificação GBC Condomínio em março de 2020. O edifício de 26 pavimentos, três subsolos e 50 unidades com áreas de 313 m2 e 410 m2 deve ter suas obras concluídas em abril de 2021. O empreendimento foi implantado no centro de Alpahaville, em Barueri, na Região Metropolitana de São Paulo, uma área desenvolvida, com boa infraestrutura e facilidade de acesso à capital e ao interior paulista. O projeto prioriza exclusividade e valoriza as práticas de sustentabilidade, assim como outros empreendimentos da empresa. Os apartamentos são como residências suspensas, que contam com plantas inteligentes e oferecem vista única da cidade. Segundo Ingrid Ribeiro, gerente de projetos da MPD, foram realizadas simulações térmicas, lumínicas e acústicas baseadas nas normas técnicas e em todas os resultados foram satisfatórios. As estratégias adotadas no processo de certificação focaram soluções mais eficientes, como áreas comuns equipadas com ar-condicionado com selo Procel A

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Edifícios Almáa (ao alto) e Mai Terraces (acima) são dois dos quatro novos empreendimentos da Incorporadora Laguna registrados no GBC Condomínio, visando à certificação em nível Platina.

A Incorporadora Laguna, de Curitiba, é a empresa com mais projetos sustentáveis certificados ou em processo de certificação no sul do Brasil. Há anos ela já vem certificando seus empreendimentos comerciais e institucionais e recentemente passou a buscar a


certificação GBC Condomínio para seus projetos residenciais e hoje tem quatro edifícios já registrados. “Ser a empresa que mais conquistou certificações nunca foi nosso objetivo. Para nós, o importante é entregar empreendimentos com sustentabilidade, eficiência energética e conforto para os clientes. A consequência foi essa quantidade de certificações, o que nos deixa bem felizes”, afirma André Marin, diretor de incorporação da Laguna. A empresa também anunciou recentemente que incluiu a certificação WELL, da International Well Building Institute, como uma chancela adicional à sua preocupação com o conforto e saúde dos ocupantes e moradores dos seus empreendimentos.

Assim como outros edifícios da Laguna, também será realizada a simulação energética de todos os ambientes das novas torres, a fim de entender como cada um se comporta ao longo do ano com relação à temperatura. Com essa informação é possível dimensionar esquadrias mais adequadas e reduzir o uso do sistema de ar-condicionado.

Alive Bueno Imagens: Divulgação

Segundo o diretor, o impacto das certificações da Laguna sobre o mercado deve vir a longo prazo. “Não é só a Laguna que ganha. Os clientes também recebem um empreendimento com qualidade, preocupado com o meio ambiente. As certificações, no primeiro momento, não são compreendidas com facilidade, mas com o passar do tempo os clientes e o mercado começam a perceber os diferenciais. Entendo que muito em breve os clientes passarão a exigir, ou no mínimo, esperar que os empreendimentos sejam sustentáveis e com qualidade certificada”.

pela energia gerada no próprio empreendimento. “É uma tendência e temos acompanhado as montadoras que preveem 50% da frota elétrica a partir de 2025. Reforçando que o imóvel é um bem durável, nos antecipamos e há mais de cinco anos oferecemos as tomadas de carro elétrico em nossos empreendimentos”, destaca.

O Almáa Cabral e o MAI Terraces são dois dos quatro projetos registrados, visam à certificação GBC Condomínio em nível Platina e seguem o conceito de casas suspensas, modelo que a Laguna já usou em projetos anteriores, como o Llum, que foi o primeiro empreendimento do Brasil com pré-certificação LEED Core & Shell nível Gold. “A ideia é oferecer o conforto da casa com a segurança e praticidade de um apartamento. Trouxemos essas características para os nossos edifícios, com terraços descobertos, unidades que permitem fazer um jardim e esquadrias piso-teto que favorecem a vista para a cidade”, explica. Os dois empreendimentos contam com excelente localização – o Almáa fica de frente para campo de golfe do Graciosa Country Club e deve ser entregue no segundo semestre de 2021; o MAI Terraces terá vista privilegiada para o Parque Barigui e sua previsão de entrega é o segundo semestre de 2022. Ambos terão três metros de pé-direito livre, sistema de captação de água de chuva para reúso, painéis fotovoltaicos para geração de energia com capacidade para abastecer no mínimo 30% da área comum. No Almáa, todas as vagas de garagem terão tomadas para carro elétrico que serão abastecidas

O Alive Bueno, de Goiânia, é um empreendimento da Rodrigues da Cunha Construtora e Incorporadora. A torre de 42 pavimentos foi registrada para obter a Certificação GBC Condomínio.

Situado em Goiânia, o Alive Bueno é um empreendimento da Rodrigues da Cunha Construtora e Incorporadora. A torre de 42 pavimentos e linhas contemporâneas tem entrega prevista para julho de 2023. Seus diferenciais incluem um carro 100% elétrico e bicicleta disponíveis para compartilhamento entre os moradores. Segundo o profissional LEED AP Rafael Ribeiro Sabetzki, da Consultoria Petinelli, o Alive Bueno terá

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Empreendimento da GT Building, o Denmark é um condomínio residencial com duas torres de seis pavimentos-tipo separadas por boulevard central com espaço pet, fonte, áreas de estar de apoio para as dependências comuns cobertas, playground e paisagismo. Ele terá 12,6 mil de área construída e deve ser concluído em 2022.

32 mil m² de área construída, 35 pavimentos-tipo com seis apartamentos por andar destinados a um público de padrão médio-alto. O empreendimento está sendo implantado no Setor Bueno, região urbanizada e desenvolvida de Goiânia, com acesso a serviços e transporte público. O uso eficiente da água se dará por meio de reúso de águas cinzas para fins de limpeza, manutenção e lavagem de carros. Também são previstos louças e metais sanitários eficientes com vazão controlada para reduzir o consumo sem prejudicar o conforto.

Localizado no bairro Cabral, em Curitiba, o Denmark tem como conceito e inspiração o estilo de vida Hygge dinamarquês, que visa única e exclusivamente a felicidade.

Na categoria Energia e Atmosfera o prédio se destacará por itens como sistema de geração de energia fotovoltaica com potencial para atender a até 65% da demanda, sistemas prediais automatizados, climatização central VRF e infraestrutura para arcondicionado do tipo Split Inverter em todas as unidades, vidros de controle solar nas fachadas, aquecedor de água a gás, iluminação LED e eletrodomésticos com selo Procel A nas áreas comuns.

Segundo a arquiteta Mariane Scandelari, da GT Building, o empreendimento localiza-se em região previamente desenvolvida, próximo a recursos comunitários, transporte público e praças. O paisagismo utilizará espécies nativas, que demandam menos regas. Também está prevista uma horta com sistema de irrigação inteligente. Registrado para obter a certificação GBC Condomínio, o empreendimento adotará fontes alternativas de água para abastecimento das áreas comuns e medição setorizada do consumo. O uso de louças e metais de vazão restrita completam as soluções para diminuir o consumo de água.

Para garantir a Qualidade Ambiental Interna estão previstos proteção contra poluentes das garagens, com isolamento do hall em todos os pavimentos de garagem, sensores de gases tóxicos e exaustores em cozinhas, priorização de iluminação e ventilação naturais nos apartamentos e janelas de PVC nos dormitórios, para garantir maior conforto acústico.

Estão previstos iluminação externa com sensor de presença, vidro laminado nas salas, infraestrutura para ar-condicionado inverter e DCV nas garagens, além de outras ações para melhorar o desempenho energético.

O projeto inclui plano para gestão eficiente de resíduos da construção e prioriza fornecedores e profissionais membros do GBC Brasil. Está previsto o uso de madeira com selo FSC, produtos certificados e materiais regionais para fortalecer o mercado local.

Denmark Imagens: Divulgação

Da GT Building, o Denmark é um residencial com duas torres separadas por boulevard central. O empreendimento de Curitiba foi registrado para obter a certificação GBC Condomínio.

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GBC BRASIL - ANUÁRIO 2020/21

O canteiro de obras foi pensado para garantir a melhor gestão dos resíduos gerados durante a obra. Entre os materiais a serem utilizados, a preferência fica para os certificados, de menor impacto ambiental e com menor emissão de COVs. Serão instalados capachos permanentes nas entradas para funcionar como barreira física para a contenção de pó e sujeira. Além de contratação de profissionais membros do GBC Brasil, será feita explanação da importância da sustentabilidade ao condomínio, orientando sobre sua operação de modo a dar continuidade às boas práticas adotadas pela incorporadora. Todo o desenvolvimento está sendo realizado por meio de reuniões de compatibilização e alinhamento. Também há a previsão de promover a conscientização e educação pública por meio da divulgação em revistas, sites e afins.


Átman Cabral Imagens: Divulgação

Átman Cabral é um empreendimento de alto padrão da MDGP Incorporações implantando no bairro Cabral, em Curitiba. O edifício está registrado para obter a certificação GBC Condomínio.

Átman é a palavra do milenar idioma sânscrito que representa a essência de cada indivíduo, seu melhor estado de espírito. Essa foi a inspiração para o Átman Cabral, empreendimento de alto padrão da MDGP Incorporações implantado no bairro Cabral, em Curitiba. A entrega está prevista para agosto de 2022. Com projeto arquitetônico do escritório Triptyque Architecture, de São Paulo, o empreendimento obteve a certificação GBC Condomínio para a fase projeto e também o selo Procel em nível A. São duas torres residenciais com 12 apartamentos cada. As plantas variam de 209 m2 a 490 m2 em três tipologias. A área total é de 10,3 mil m2. A sustentabilidade é premissa dos projetos da MGDP. Para esse empreendimento foram previstos vários diferenciais, como painéis fotovoltaicos para geração de energia; princípios de eficiência térmica e energética para desenvolvimento de projetos de todas as instalações; varandas e jardins contornando o apartamento como se fosse uma casa; brises em madeiras ecológicas de alta resistência que protegem e dão privacidade na fachada; portas-janelas do piso ao teto em todas as suítes, salas e cozinha, privilegiando a iluminação natural; esquadrias com tratamento acústico e vidros de controle solar; manta acústica no piso das áreas íntimas e sociais; piso aquecido nos banheiros; infraestrutura para ar-condicionado; uma vaga para carro elétrico por apartamento; tomadas USB na cabeceira dos quartos; irrigação automatizada das floreiras, elevadores sociais com senha e biometria, bicicletário, entre outros.

Sua localização é estratégica, em região de usos diversos e recursos comunitários, além de características excelentes de transporte público. A obra vem sendo executada com rigorosos cuidados de gestão ambiental, reduzindo a geração de resíduos. Para a economia de água estão previstos sistema de captação da água da chuva para uso na irrigação automática do paisagismo, além de metais e louças de vazão restrita. Grandes aberturas de ventilação e iluminação natural, vidros de alta tecnologia, utilização de iluminação artificial eficiente e bombas de alto rendimento vão contribuir para reduzir o consumo de energia. A qualidade do ar será monitorada por meio de sensores de monóxido de carbono em áreas com combustão. A ventilação natural está presente em todos os cômodos das unidades, incluindo as áreas molhadas.

É preciso mudar o paradigma Os estudos de desempenho acústico já são práticas mais recorrentes no mercado residencial brasileiro, no entanto, as simulações de desempenho térmico e de luz natural ainda são vistas como simples demonstração de atendimento à norma A CA2 é uma empresa multidisciplinar de consultoria e projetos nas áreas de conforto ambiental, acústica, luminotécnica e sustentabilidade em edificações que atua junto aos arquitetos, incorporadores, construtores e proprietários na concepção de edifícios de alto desempenho. A empresa vem realizando simulações de desempenho térmico, acústico e luminoso nas edificações, seguindo a norma de desempenho (ABNT NBR 15.575:2013) ou indo além e simulando com foco no conforto. A empresa é responsável pela consultoria de dois novos edifícios residenciais que serão construídos em São Paulo e foram registrados no GBC Condomínio. Para ambos foram realizados estudos de insolação e análise de implantação para a definição de estratégias bioclimáticas mais eficazes. A consultoria também está estudando soluções para envoltória de forma a atender a requisitos de eficiência térmica e lumínica

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além dos mínimos preconizados pela Norma de Desempenho e etiqueta Procel Edifica. Além disso, as obras empregarão materiais certificados de acordo com a norma ISO 4024 - Rotulagem Ambiental do Tipo I. As áreas comuns estão sendo projetadas com 100% de acessibilidade e todas as unidades serão adaptáveis, conforme a ABNT NBR 9050.

vai compreender que fazer simulação não é só aprender a mexer num software. O simulador precisa ter um profundo conhecimento multidisciplinar de projetos, além de conhecer muito bem os conceitos da física de edificações e trocas de calor pela envoltória”, alerta.

para empreendimentos residenciais, de 2013, é que essa prática chegou à realidade dos projetos. De acordo com Nudel, os estudos de desempenho acústico já são mais recorrentes e as incorporadoras têm focado no atendimento a essas exigências muito em função de reclamações passadas de seus clientes.

A pressão do mercado por produtos mais sustentáveis também deve se intensificar nos próximos anos. Nudel destaca que a Geração Y, ou os Millenials, que têm hoje entre 25 e 40 anos, representam uma parcela importante do mercado e já estão mais atentos às questões de sustentabilidade. “Uma pesquisa da Nielsen de 2018 revelou que há uma lacuna enorme entre gerações em se tratando de potencial de compra de produtos sustentáveis. Os Millenials são duas vezes mais propensos do que os Baby Boomers (seus pais) a mudarem seus hábitos para reduzir seu impacto ambiental (75% x 34%). Eles também são mais propensos a pagar mais por produtos contendo componentes ou ingredientes mais sustentáveis ou de baixo impacto ambiental (90% x 61%) ou produtos que praticam responsabilidade social (80% x 48%). O próximo mercado consumidor, a Geração Z, formada hoje por pessoas com idade entre 14 e 24 anos, tende a ser ainda mais exigente ainda em se tratando de práticas sustentáveis”.

Para Nudel, também é necessário demonstrar para incorporadoras e construtoras que sustentabilidade é bom para os negócios por meio da gestão de Mercado das simulações marcas, com foco na sustentabilidade real de Segundo o arquiteto Marcelo Nudel, sócio-diretor empreendimentos, independentemente e além dos da empresa, as simulações termodinâmicas (para sistemas de certificação. “Não seria excelente para desempenho térmico) e as de luz natural são práticas os negócios se uma empresa oferecesse um produto antigas e consolidadas em muitos países desenvolvidos. imobiliário que, devido a estratégias sustentáveis, “Trabalhei na Austrália entre 2006 e 2012 e naquela economizasse o dinheiro dos moradores e usuários época as simulações já eram comuns por lá e também durante décadas ou pela nos Estados Unidos, vida toda? Acredito que Reino Unido, Singapura no médio e longo prazo ou na União Europeia. isso contribuiria para Não apenas em razão de a construção de uma códigos de edificações marca verdadeiramente que exigiam simulações, sustentável e para mas também porque a fidelização de o mercado já percebia clientes. Acredito que que elas são importantes esse seja o caminho ferramentas para tomada para construtoras e de decisão em projetos, e incorporadoras. Mas isso não meros instrumentos não se faz com um ou para se produzir um laudo dois empreendimentos de atendimento”, afirma. Simulação luminotécnica em empreendimento com consultoria da certificados. Isso se CA 2. Fonte: Marcelo Nudel constrói ao longo de No Brasil, somente com décadas”, explica. a norma de desempenho

“No entanto, as simulações de desempenho térmico e de luz natural ainda são vistas como um misto de simples demonstração de atendimento à norma e uma ferramenta para informar pequenos ajustes de projeto, não sendo usadas para se aprimorar o desempenho de edifícios”, explica. Uma eventual criação de normas de desempenho térmico e de luz natural para outras tipologias no país, deve mudar esse cenário. “Temos ainda que formar mais e melhores simuladores no país. Hoje são poucos, a maioria está concentrada em São Paulo e boa parte apresenta deficiências técnicas sérias. O mercado ainda

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Consultoria para o desenvolvimento de empreendimentos sustentáveis de alta performance em projetos de pequeno, médio e grande porte. PROJETO

Consultoria de conforto térmico e lumínico para mais de

350 empreendimentos

Eficiência Energética para mais de

300 projetos

CONSTRUÇÃO

USO E OPERAÇÃO

Mais de

Mais de

m2 de consultoria de sustentabilidade

com experiência multidiciplinar para o seu projeto

12,5 milhões

Mais de

300 projetos certificados

140 consultores Mais de

450 canteiros com soluções de redução de custo e impacto de obra

Certificações:

Inspirar mudanças positivas na construção e na sociedade.

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ECONOMIA CIRCULAR

Planeta em vertigem O atual modelo econômico linear, baseado no extrair, produzir e descartar, é insustentável diante da crescente escassez de recursos e do aumento da população do planeta. A alternativa está na economia circular, que visa dar maior vida útil aos produtos e reduzir o volume de lixo. Nosso atual modelo econômico está promovendo o esgotamento acelerado dos recursos naturais do planeta. Segundo dados da organização não governamental WWF (sigla em inglês para Fundo Mundial para a Natureza), desde julho de 2019 a humanidade passou a consumir mais recursos do que o planeta é capaz de regenerar. A cada ano são consumidos 20% a mais de recursos em relação ao total regenerado e esse número só cresce. O motivo está no atual padrão de consumo da economia linear, com seu constante extrair, produzir e descartar. Projeções da Organização das Nações Unidas (ONU) indicam que já em 2030 será necessária a capacidade de dois planetas Terra para dar conta da demanda da humanidade por recursos naturais. O assunto é sério e vem despertando a atenção de governos, empresas, meio acadêmico e entidades da sociedade civil, como a Fundação Ellen MacArthur, que desde 2010 atua com esses agentes nas Américas do Norte e Latina, Europa e Ásia com a finalidade de acelerar a transição rumo a uma economia circular, alternativa que vem ganhando cada vez mais adeptos. A economia circular busca redefinir a noção de crescimento, beneficiando a sociedade como um todo. Esse caminho passa necessariamente pela eliminação de resíduos e de poluição desde o princípio, por manter produtos e materiais em uso e pela regeneração dos sistemas naturais. Apoiada por uma transição para fontes de energia renovável, o modelo circular constrói capital econômico, natural e social. O professor Weber Antônio Neves do Amaral, docente e pesquisador do Departamento de Ciências

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Florestais da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, situada em Piracicaba, SP, tem entre suas experiências profissionais, a condução de empresas e projetos em direção à inovação circular e ao empreendedorismo. Ele explica que a economia circular tem o propósito de dar maior vida útil aos produtos e está baseada em três grandes pilares. O primeiro é o desenho para a circularidade, afirma o professor. “É necessário pensar no projeto antes de executar para que seja possível incorporar os princípios desde o começo. Ele exige mudança na mentalidade da concepção de produtos, reduzindo o uso de substâncias tóxicas e aumentando a utilização de materiais recicláveis e remanufaturáveis”. O segundo pilar está na geração de novos modelos de negócios para apresentar ao mercado produtos e serviços de forma diferente “Não precisamos de mais produtos, podemos compartilhar o carro, o prédio e qualquer outro ativo sem a necessidade de comprar. É possível, por exemplo, ter uma máquina de lavar roupas em casa sem comprá-la. Ela teria um sensor que registraria quantas vezes foi usada no mês, definindo o valor mensal a ser pago”, explica o professor. O terceiro princípio é o dos ciclos reversos. “É melhor trocar a corrente da bicicleta do que mandá-la para reciclagem. A ideia é manter um produto em uso pelo maior tempo possível. Antigamente, os vasilhames retornáveis para bebidas tinham ciclo de vida de três ou quatro anos. Hoje, os de plástico têm um único ciclo de vida e a reciclagem do plástico é cara”, detalha. O professor também cita a questão das roupas e do varejo da moda. “É possível mandar consertar uma roupa para que ela tenha vida útil mais longa e o próprio varejista pode fazer esse restauro. As fibras com que são fabricadas podem ser mais duráveis. Sabemos que a mistura de algodão com poliéster não é reutilizável, logo, a roupa que usa essa fibra vai contra o primeiro pilar. O varejo precisa pensar em matérias-primas sustentáveis e o consumidor precisa ter a consciência de cuidar melhor da roupa. Menos moda e mais durabilidade. É necessário repensar com quais valores queremos estar alinhados”.


Imagem: Fundação Ellen MacArthur

Segundo o professor, vários atores que são lideranças em seus segmentos, como por exemplo, a moda ou a construção civil, são os que estão empurrando para frente a agenda da economia circular. “Eles já identificaram que a sobrevivência depende de repensar seus negócios. O consumidor também tem cada vez mais a consciência de que é parte desse processo”, afirma. Fazendo uma analogia, o professor compara a economia circular a um sanduíche. “Não dá para comer as camadas separadamente. Ela vai ganhar escala em várias cadeias de valor quando o sistema como um todo estiver mais integrado. Com tecnologia é possível fazer uma construção mais limpa e com menos resíduos. As políticas públicas devem olhar para essas coisas com outros olhos. Precisa ter soluções, integrar. Uma empresa precisa reduzir o consumo de energia, mas não tem benefício, porque não há um mercado de pegada de carbono” finaliza.

Documentário brasileiro “Um presente à prova de futuro” é um documentário brasileiro que investiga os princípios da economia circular, que já é diretriz econômica na Europa. Produzido por Sylvio Rocha e dirigido por Eduardo Rajabally, o longa-metragem foi gravado no Brasil e na Holanda, país

onde nasceu esse conceito, e apresenta uma investigação bem-humorada sobre o futuro do planeta. Sylvio Rocha, administrador de empresas que virou cineasta, conta que foi tocado pelo tema e passou a buscar mais informações em fóruns, debates, entrevistas até que surgiu a ideia do documentário. Nessa fase, passou a procurar patrocinadores, empresas que já estivessem vislumbrando essas mudanças. “Não tinha nada ainda, nem nome do filme nem diretor. Quando consegui o aporte é que comecei a montar equipe, desenvolver o roteiro e desenhar a possibilidade de ir aos Países Baixos”, conta.

Uma das peças de divulgação.

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Imagem: Divulgação

dos produtos menos impactantes, sendo 100% do algodão certificado; suprir 75% do consumo corporativo de energia com fontes renováveis de baixo impacto; reduzir em 20% as emissões de CO2; e ter toda a cadeia nacional e internacional de fornecedores com certificação socioambiental. A companhia também aparece em destaque no Índice de Transparência da Moda Brasil (ITMB) 2020, representada pela Renner e pela Youcom. As duas marcas dividem a terceira colocação do ranking, ambas com a pontuação de 59%. Dentre as 40 varejistas avaliadas, a pontuação média foi de 21%.

Documentário foi gravado no Brasil e na Holanda, país onde nasceu o conceito da economia circular.

Com narração de Lenine, o filme acompanha uma família holandesa para mostrar como esse ideário inovador já faz parte do dia a dia das pessoas e chama atenção para o consumo desenfreado que cria milhões de toneladas de lixo. A produção ainda visitou designers e empreendedores para observar como novos processos estão revolucionando costumes e podem ajudar a construir uma nova maneira de ver e pensar o mundo. Um dos pontos de destaque do filme é um edifício contemporâneo e tecnológico que emprega materiais de demolição, reaproveitando até os vidros de outras construções. Os elevadores instalados pertencem à ThyssenKrupp, que não vendeu os equipamentos, mas sim, o serviço de deslocamento entre os andares. O documentário deve ter continuidade. A equipe está trabalhando no desdobramento e com a possibilidade de mostrar como esse conceito vem se desenvolvendo em Portugal. “Tem assunto e dá para detalhar bem”, antecipa Rocha.

Elaborado pelo movimento Fashion Revolution, o ITMB leva em conta mais de 200 indicadores relacionados a práticas sociais e ambientais, cobrindo tópicos como reciclagem, circularidade, emissões de GEE (gases de efeito estufa), condições trabalhistas e direitos humanos, entre outros quesitos. Em julho de 2020, chegou às lojas da marca Renner uma nova edição da coleção Re Jeans, com peças produzidas com muita informação de moda, fio reciclado e menor consumo de água – a redução média é de 44% em comparação com uma peça convencional. Em outubro foi inaugurada a unidade do shopping Village Mall, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro. A nova loja traz uma série de atributos sustentáveis, como uso de materiais naturais e recicláveis, ilhas dos caixas com nova estética e mais ergonomia e uniformes dos colaboradores confeccionados com algodão certificado BCI ou em processos produtivos com menor consumo de água. A empresa deve anunciar novidades para 2021 dentro do conceito de circularidade no ponto de venda. Imagem: Marcos Gouveia

Em tempos de pandemia, o filme estreou no cinedrive in Villa Open Air, no Shopping Villa Lobos, em São Paulo, em setembro de 2020. Em seguida, o filme deveria estrear na Globo News e ser disponibilizado no acervo da GloboPlay.

Circularidade no varejo Entre os patrocinadores do documentário está a Lojas Renner S.A, que vem avançado continuamente com sua estratégia de sustentabilidade. Ela abrange todas as áreas do negócio, desde o planejamento das lojas até o desenvolvimento das coleções. A companhia assumiu compromissos públicos para 2021: ter 80%

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Loja Renner recém-inaugurada no shopping Village Mall, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro.


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Declaração Ambiental do Produto

GBC – Como o tema EPD vem se desenvolvendo no mercado brasileiro?

Para falar sobre o mercado brasileiro de Declaração Ambiental do Produto (EPD na sigla em inglês), convidamos Cintia Cespedes, gerente de projetos da UL Environment & Sustainability, com dez anos de experiência nas áreas de meio ambiente e sustentabilidade, atuando em Programas de Certificação, Projetos de Baixo Carbono, Economia Circular, Gestão de Resíduos, Avaliação do Ciclo de Vida, Declaração Ambiental de Produto e projetos de Sustentabilidade Corporativa. Atualmente, ela é responsável por gerenciar o portfólio de serviços da divisão de Meio Ambiente e Sustentabilidade da UL na América Latina e também representante da empresa em fóruns externos e grupos de trabalho relacionados ao Meio Ambiente e Sustentabilidade, com contribuição técnica e participação ativa nos grupos de trabalho de Rotulagem Ambiental e Economia Circular da Rede Empresarial Brasileira para Avaliação do Ciclo de Vida, além de membro do grupos de trabalho sobre Materiais e Qualidade do Ar Interior no Greenbuilding Council Brasil. GBC – Qual a finalidade das Declarações Ambientais de Produto (EPD)? CC – Elas têm o propósito de demonstrar de forma clara e transparente os impactos ambientais relacionados ao produto em cada etapa do seu ciclo de vida. Por meio dessa demonstração, os fabricantes permitem que os compradores ou especificadores estejam aptos a decidir pela compra de um ou outro. Por isso é tão importante que os produtos sejam avaliados seguindo uma mesma regra, uma mesma metodologia, um mesmo critério.

CC – O LEED foi um dos primeiros impulsionadores de EPD no mercado brasileiro, principalmente após a versão 4.1, que trouxe um peso maior para os EPDs. À medida que alguns fabricantes começaram a se movimentar para desenvolver seus EPDs, Cíntia Cespedes, gerente de outras empresas, como por projetos da UL Environment exemplo, consultorias de & Sustainability sustentabilidade, também passaram a se especializar mais no tema e atualmente já é bem mais fácil encontrar empresas e profissionais dedicados ao desenvolvimento regional. Inclusive aqui no Brasil foi desenvolvida a Rede Empresarial Brasileira de Avaliação do Ciclo de Vida, que apesar de ter o foco principal em Avaliação do Ciclo de Vida (ACV), acaba trazendo muitas discussões sobre EPDs de um modo geral e contribuindo para que o mercado brasileiro esteja cada vez mais preparado para esta crescente demanda. GBC – A demanda para a EPD já é significativa? CC – No Brasil eu não considero muito significativa. A demanda é muito restrita ao setor da construção civil, e ainda assim, são poucas empresas que possuem EPDs registrados, como por exemplo ArcelorMittal, Votoratim ou SaintGobain. GBC – Quais os desafios a serem vencidos para alavancar esta prática? Quais as dificuldades do mercado e como elas estão sendo superadas? CC – Os principais desafios são a falta de um banco de dados nacional e o custo para a realização da Avaliação de Ciclo de Vida (ACV). É possível trabalhar com dados

ETAPAS DO CICLO DE VIDA

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GBC BRASIL - ANUÁRIO 2020/21


de bancos internacionais, porém algumas empresas sentem que a avaliação de impacto do seu produto pode ser prejudicada ao utilizar um dado genérico. Por exemplo, a matriz energética brasileira possui impacto menor se comparada a matrizes europeias. A Rede ACV tem contribuído para superar esses desafios por meio de grupos de trabalho para desenvolvimento e análise de banco de dados e parcerias com instituições para que os dados brasileiros sejam incluídos nos bancos mais utilizados, como o Ecoinvent. GBC – A EPD tem que ser certificada? CC – Sim, a EPD precisa ser certificada por uma terceira parte qualificada para que os dados sejam checados antes de o relatório ser publicado. Durante o processo de EPD diversos dados e normas são utilizados, o objetivo final é que o fabricante demonstre de forma transparente quais são os impactos ambientais do seu produto. O especificador, comprador, etc. pode utilizar uma EPD para decidir uma compra ou mesmo para comparar produtos de uma mesma categoria. Para que ele tenha confiança no processo de decisão é necessário que uma terceira parte tenha validado esse processo, que na prática acaba sendo verificar se todos os dados utilizados estão corretos e foram desenvolvidos conforme as normas aplicáveis. A palavra-chave para a necessidade da certificação é Transparência. GBC – Quem faz essa certificação no Brasil? CC – No Brasil existem dois Operadores de Programa de EPD, como são denominadas as instituições responsáveis pela certificação: a UL Environment e a Fundação Vanzolini. GBC – Quais são as Normas que disciplinam o tema? Cite aspectos relevantes dessas normas para exemplificar. CC – Tem a ISO 14025 – Rotulagem Ambiental do Tipo III, que serve como base para os programas de rotulagem

ambiental tipo III. Quem utiliza essa norma são os Operadores de Programa, para estabelecer as regras internas e segui-las de forma imparcial, sabendo que os demais estão fazendo da mesma forma. Tem também a ISO 14044 – Avaliação do Ciclo de Vida, que vai servir de base para a elaboração da Regra de Categoria de Produtos (RCP) e do estudo de ACV. Quem utiliza essa norma é o Painel responsável pela elaboração das RCPs e, posteriormente, a equipe responsável pelo estudo de ACV. Essas duas normas são as principais bases para todo o processo de desenvolvimento de EPDs, entretanto em cada RCP poderá haver referências de outras normas específicas de cada segmento. GBC – Você poderia citar exemplos de legislações que foram determinantes para tornar a cultura de seus países mais desenvolvida em termos de Ciclo de Vida e EPD? CC – Na América do Norte e na Ásia o LEED é o principal impulsionador. Já na Europa existem o European Green Deal e o Environmental Footprinting Initiative, estabelecidos pela Comissão Europeia para fomentar o desenvolvimento de programas com foco em medir o desempenho ambiental dos produtos ao longo do ciclo de vida. As principais metodologias/programas desenvolvidas são Pegada Ambiental do Produto (PEF, na sigla em inglês) e a Pegada Ambiental da Organização (OEF, na sigla em inglês). A Comissão Europeia recomenda a utilização destes métodos aos estadosmembros, empresas, organizações privadas, etc. GBC – Do ponto de vista de ganhos econômicos, quais argumentos comuns são considerados pelas indústrias que aderiram à prática de EPD? CC – Fornecer poder de compra, tomada de decisão e benchmarking de informações ambientais. E internamente, abrir a possibilidade de monitorar os dados do produto e aplicar os resultados para melhorar o desempenho ambiental.

ETAPAS DO PROCESSO DE EPD

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21 ANOS DE COMASP

Duas décadas de história Comitê de Meio Ambiente do Sinduscon-SP completou 21 anos de atuação. O Comitê de Meio Ambiente do SindusConSP (Comasp) foi criado em 1999 em decorrência da necessidade dos associados se aprofundarem em temas como o licenciamento ambiental, o que envolvia também a questão das áreas contaminadas. Naquela época já tinha início a discussão sobre os resíduos da construção civil e seu impacto sobre o meio ambiente. “O Comasp foi criado porque surgiram essas demandas. O presidente era o Artur Quaresma Filho e o primeiro a assumir a coordenação do comitê foi o Francisco Antunes de Vasconcellos Neto. Atualmente, o coordenador do Comasp

Foto de evento do Comasp em 2002. Ao centro, com a palavra, Artur Quaresma Filho, então presidente do SindusConSP, e à sua esquerda, Francisco Antunes Vasconcellos Neto, o primeiro coordenador do Comitê de Meio Ambiente.

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é Fabio Villas Bôas”, conta Lilian Sarrouf, atual coordenadora técnica do Comasp e gestora do CB002 – Construção Civil da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Desde o início a ideia era inserir as questões de sustentabilidade nas discussões do setor. “O Comasp sempre foi muito provocativo na escolha dos assuntos e esses debates ajudam os associados a fazer leituras sobre temas que afetam diretamente os interesses das empresas conveniadas. A sustentabilidade é uma questão de competividade e as empresas podem avançar por esse caminho. Este foi o entendimento do SindusConSP desde o início”, diz a coordenadora técnica. As grandes realizações do comitê sempre tiveram por objetivo capacitar as empresas a lidar com temáticas abrangentes e relevantes para o setor, tais como


conservação da água, eficiência energética, certificações, mudanças climáticas. “Fizemos muitos treinamentos, lançamos várias publicações e participamos de importantes fóruns que abordaram questões relativas a políticas públicas relacionadas à sustentabilidade e à cadeia produtiva da construção. O destaque fica com a participação do comitê como representante do setor na elaboração do regulamento de eficiência energética do Procel Edifica. Entre as realizações mais recentes do Comasp estão o desenvolvimento de metodologias para medição de pegada hídrica e do gás do efeito estufa e a produção do Guia Interativo Eficiência Energética em Edificações, em parceria com a Agência de Cooperação Brasil-Alemanha (GIZ). “Logo vamos lançar uma calculadora, a CECarbon, desenvolvida também em parceria com a GIZ, que permite ao usuário saber a energia embutida e a emissão de carbono de uma obra”, afirma. A ideia é produzir ferramentas (aplicativos) que facilitem o acesso do usuário a esses cálculos. O Comasp assinou convênio com a Eletrobras e em 2021 deve iniciar os trabalhos para a elaboração de normas técnicas voltadas à eficiência energética das edificações. Este trabalho não deve entrar em conflito com o Procel, que é obrigatório somente para os edifícios da esfera federal do governo.

O Guia Metodológico de Cálculo de Pegada Hídrica em Edificações está disponível para download gratuito em https://sindusconsp.com.br/ wp-content/uploads/2019/11/ final_guia_pegada_hidrica.pdf

Da mesma forma que a conservação de água, as normas serão de adesão voluntária, mas quem quiser segui-las vai encontrar os parâmetros para ter segurança e fazer da maneira certa, sem equívocos. “É uma forma de poder comparar empreendimentos, criar uma regra, isso é uma ferramenta para o cliente, que passará a ter indicadores de referência”, conclui.

O Guia Interativo de Eficiência Energética em Edificações está disponível para download gratuito em https://www.guiaenergiaedificacoes. com.br/wp-content/themes/ sinduscon/pdfs/guia-de-eficienciaenergetica.pdf

Calculadora CECarbon permite ao usuário saber a energia embutida e a emissão de carbono de uma obra.

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GBC BRASIL Certificações LEED 2019


LOJAS RENNER Programa de rede varejista ajuda na conquista de certificação LEED Duas unidades das Lojas Renner, uma em São Paulo e outra em Fortaleza, conquistaram a certificação LEED 2009 Retail: Commercial Interiors em 2019. A loja paulistana ocupa um edifício próprio de mais de 4 mil m2 situado na Rua Domingos de Morais, no bairro de Vila Mariana. Ela é dividida em cinco pavimentos por onde foi distribuído o programa, composto por salões de venda, estoque, subsolo com estacionamento, áreas técnicas, áreas de depósito, sanitários, vestiários e instalações para suporte aos funcionários. Já a unidade cearense é a âncora de roupas e acessórios do Shopping RioMar Presidente Kennedy, na Avenida Sargento Hermínio Sampaio. Ela está dividida em dois pavimentos, soma mais de 3,1 mil m2 e repete o programa da

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rede, com exceção do estacionamento próprio. O centro de compras foi o escolhido para receber a nova Lojas Renner por ter conquistado a certificação AQUA-HQE, de alto desempenho ambiental. Ambas as lojas estão localizadas em regiões bem desenvolvidas, com boa oferta de transporte público e serviços básicos nas imediações, além de apresentarem ótima densidade média de ocupação das áreas ao redor. Os recursos para a redução do consumo de água potável e energia são semelhantes nos dois empreendimentos, como a adoção de torneiras de lavatório com acionamento manual, fechamento automático e vazão de 1,8 l/ minuto e a automação dos sistemas de iluminação e ar-condicionado, com desligamento automático fora do horário de operação.


Espaço sustentável O Shopping RioMar Presidente Kennedy foi escolhido para receber a nova loja Renner de Fortaleza por já ter uma certificação de alto desempenho ambiental. Na unidade de São Paulo, 53% da área externa pavimentada têm piso permeável e índice de refletância solar igual ou superior a 29. A cobertura tem acabamento com tinta branca de índice de refletância solar igual ou superior a 78. Eficiência no uso de água Apesar das semelhanças, os projetos têm suas particularidades. Em Fortaleza, onde a redução de consumo frente ao baseline LEED é de 62,38%, as válvulas dos mictórios consomem 0,8 l/ciclo e os vasos Evac, com esgoto a vácuo, utilizam 1,2 l/ ciclo. Em São Paulo, o sistema de captação de água de chuva e dispositivos economizadores permitem economia de 72% em comparação com o baseline LEED.

frente ao baseline LEED em áreas internas; na loja de São Paulo esse índice ficou em 23,7%. Na unidade cearense, 90,01% da carga dos equipamentos instalados têm o selo Energy Star. Materiais e recursos Durante a construção da loja paulistana, 79,89% dos resíduos foram desviados de aterros e seguiram para reciclagem; no Ceará esse índice foi de 76,70%. Dos materiais utilizados em São Paulo, 59,09% apresentam conteúdo reciclado incorporado e 70% das madeiras têm o selo FSC. Ambas as lojas têm áreas para coleta e armazenamento de materiais para reciclagem.

Qualidade ambiental interna Os projetos não visaram somente a economia, mas também o conforto dos usuários. Em São Paulo, um sistema de brises com coeficiente de abertura de 19,5% em boa parte das fachadas Energia e atmosfera envidraçadas reduziu o ganho A iluminação de ambas as lojas é de carga térmica do edifício. Em de baixo consumo de energia. Na Fortaleza, o conforto térmico tem unidade de Fortaleza, o projeto por destaque a velocidade do ar alcançou 54,13% de redução da na altura dos ocupantes, que não densidade de potência de instalação passa de 2 m/s.

Projeto: Lojas Renner RioMar Presidente Kennedy e Lojas Renner Domingos de Morais Cliente/proprietário: Lojas Renner Localização: Fortaleza, CE e São Paulo, SP Área construída: 3.160,46 m2 (Fortaleza) 4.017,72 m2 (São Paulo) Construtora: Seng (Fortaleza); Dias Righi (São Paulo) Arquitetura: APM Engenharia (ambas as lojas) Consultoria: Sustentech Data da certificação: 9 de dezembro de 2019 (Fortaleza) 18 de março de 2019 (São Paulo) Sistema e nível da certificação: LEED-NC v2009 nível Gold (Fortaleza) LEED-NC v2009 nível Silver (São Paulo)

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FÁBRICA DE COOKIE PREMIERPET Respeito ao meio ambiente norteia operações da fábrica Um novo edifício integra o complexo industrial de quase 700 mil m2 da PremieRpet, localizado em Dourado, SP. A empresa é especializada em nutrição de alta qualidade para cães e gatos e investe pesadamente em tecnologia, infraestrutura e inovação, o que lhe garante uma das mais modernas plantas de pet food da América Latina. Desde sua fundação, a PremieRpet atuou com foco na sustentabilidade de suas operações e com o novo empreendimento elevou ainda mais esse compromisso. A nova unidade de negócio é específica para a produção de cookies e foi projetada seguindo parâmetros de sustentabilidade visando à certificação LEED ao final do processo. A empresa desenvolveu políticas para a operação e manutenção do edifício. Para Cássio Toledo, diretor Industrial da PremieRpet, “cada vez mais a sociedade valoriza e reconhece os esforços nesse sentido,

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mas a motivação inicial da empresa vem do compromisso e do respeito ao meio ambiente que sempre a nortearam”, destaca. O complexo já utilizava energia térmica gerada em caldeiras movidas a cavaco de madeira, derivado de eucaliptos cultivados na própria fazenda, fechando o ciclo de carbono, com emissão zero. A energia elétrica, por contrato com a fornecedora, também já era proveniente de fontes 100% renováveis, de pequenas centrais hidrelétricas e eólicas. Entre os investimentos realizados está a construção de duas lagoas para a coleta de água da chuva, gerenciando seu escoamento. O processo industrial não gera efluentes e a pouca água usada na limpeza das linhas é tratada em estação própria, o que promove o controle da quantidade e qualidade da água devolvida ao meio ambiente.


Espaço sustentável O complexo oferece serviço de transporte coletivo para funcionários, bicicletário e estacionamento com vagas preferenciais para veículos de baixa emissão e elétricos. Duas lagoas de infiltração fazem a gestão de águas pluviais retendo o escoamento superficial do terreno e do telhado. Na cobertura, telhas de alto índice de reflexão solar reduzem o efeito de ilha de calor. Eficiência no uso de água A água da chuva captada nas lagoas e na cobertura do novo prédio é tratada para atender às descargas sanitárias. O paisagismo dispensa irrigação. Nos banheiros foram adotados dispositivos economizadores, como mictório seco e controladores de vazão. Com estas medidas, a redução do consumo de água potável chega a 42%. Energia e atmosfera Simulações computacionais de acordo com a ASHRAE 90.1-2007 indicam redução no custo anual de energia de 40% em comparação ao modelo de referência.

Entre as medidas que permitiram esse resultado estão geração de 23% de energia renovável por meio de painéis fotovoltaicos, comissionamento dos sistemas e o uso de luminárias de alta eficiência e lâmpadas LED. Materiais e recursos O plano de gestão de resíduos durante a obra garantiu que 89% do material descartado fossem encaminhados para reciclagem. Em termos de custos, 76% do total gasto com materiais referemse a produtos que empregam matérias-primas com origem regional. O projeto conta com depósito de resíduos recicláveis. Qualidade ambiental interna O projeto especificou o uso de produtos com baixa emissão de compostos orgânicos. Durante a obra, materiais foram protegidos contra porosidade e particulados. Iluminação natural, linha de visão e acesso a paisagens em grande parte das áreas ocupadas, incluindo o setor de produção, compõem um diferencial qualitativo para fábricas.

Projeto: Fábrica de Cookie ll Cliente/proprietário: PremieRpet Localização: Dourado, SP Área construída: 4.760 m² Construtora: Codex Engenharia Consultoria: CTE- Centro de Tecnologia de Edificações Data da certificação: 29 de julho de 2019 Sistema e nível da certificação: LEED-NC v2009 nível Gold

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SEDE ADMINISTRATIVA PIRACANJUBA Projeto promove bem-estar e reduz o impacto no entorno Produzir com qualidade sem prejudicar o meio ambiente é uma das premissas da Laticínios Bela Vista. A empresa sempre adotou sistemas de proteção ambiental, primeiro por imposição legal, mas depois por compreender que pode contribuir efetivamente para uma mudança cultural, que visa cuidar do meio ambiente e torná-lo perene para gerações futuras. “A estratégia sustentável vai além da edificação, já que estimula os colaboradores a pensarem no meio ambiente e nas suas ações em prol da sustentabilidade”, afirma Marcos Helou, superintendente da Piracanjuba,. Em 2015, com o projeto de implantar sua sede administrativa, a empresa optou por uma construção que de fato adotasse todos os parâmetros da sustentabilidade. Foram três anos, desde a concepção do projeto

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até a entrega do prédio, com o objetivo de proporcionar as melhores condições de trabalho para os colaboradores. O empreendimento foi concebido para reduzir ao máximo sua pegada ambiental. Para tanto, foi construído um sistema integrado de gestão de água, que prevê o tratamento de águas cinzas, a coleta e aproveitamento de águas pluviais e condensada e a infiltração forçada de água no terreno para reabastecimento do lençol freático, além do uso de dispositivos sanitários eficientes. A mesma lógica foi adotada para os sistemas consumidores de energia, para os quais foram adotadas tecnologias de máxima redução de consumo, recuperadores de calor, sistema de automação integrado, para posterior compensação por placas fotovoltaicas. É um prédio pensado para garantir melhor bem-estar e conforto para seus ocupantes e o menos impacto para o entorno.


Espaço sustentável O projeto mantém a situação original de escoamento de água do terreno, evitando sobrecarga no sistema de drenagem pública. Poços para infiltração forçada com capacidade para 47,9 m³ permitem que esse excedente retorne aos lençóis freáticos. A iluminação externa foi planejada para minimizar a poluição luminosa. Subsolo com mais de 90% das vagas de estacionamento reduz o efeito ilha de calor. Mobilidade urbana Há pontos de ônibus no entorno do empreendimento, o que motiva o uso do transporte coletivo. No primeiro subsolo foi implantado um bicicletário com 32 vagas para uso de funcionários e visitantes. Dessas vagas, seis possuem sistema de recarga para bicicletas elétricas. Há vagas preferenciais para veículos de baixa emissão e baixo consumo e carpool. Eficiência no uso de água As estratégias para a redução do consumo de água potável incluem dispositivos sanitários eficientes e sistemas para tratamento e reúso

de águas cinzas, a coleta e aproveitamento de águas pluviais e condensada para aproveitamento em bacias sanitárias e na irrigação das áreas verdes. Energia e atmosfera O empreendimento adota diversas tecnologias economizadoras que juntas respondem pela redução de 50% no consumo de energia. Entre elas, placas fotovoltaicas que garantem geração de energia renovável equivalente a 33,7% do consumo anual, placas solares para aquecimento de água, lâmpadas 100% LED, sensores de presença e ar-condicionado com sistema VRF. Qualidade ambiental interna A envoltória com vidros de fator solar 33 e o isolamento da cobertura reduzem a incidência de calor nas áreas internas. Filtros F7 em todas as tomadas de ar externo, capachos nos acessos ao edifício, uso de materiais com baixa ou zero emissão de compostos orgânicos voláteis e renovação de ar 30% acima da ASHRAE 62.1-2007 respondem pela boa qualidade do ar.

Projeto: Sede Administrativa Piracanjuba ll Cliente/proprietário: Laticínios Bela Vista Ltda. – Piracanjuba Localização: Goiânia, GO Área construída: 8615 m² Construtora: Laticínios Bela Vista Ltda. – Piracanjuba Incorporadora e gerenciamento: Laticínios Bela Vista Ltda. – Piracanjuba Arquitetura: Arqplus Arquitetura Consultoria: CTE- Centro de Tecnologia de Edificações Data da certificação: 10 de julho de 2019 Sistema e nível da certificação: LEED-NC v2009 nível Platinum

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CRESOL BASER Edifício conquista LEED Platinum e mostra o potencial fora das capitais Com 25 anos de atuação, a Cresol é uma instituição financeira cooperativa que possui mais de 220 mil cooperados e agências em 11 estados no Brasil. Sua finalidade é trabalhar para o desenvolvimento econômico e social de seus cooperados, oferecendo soluções personalizadas. Sua sede nacional, localizada em Francisco Beltrão / PR, se destaca por ser um dos edifícios mais sustentáveis no Paraná. A edificação foi a primeira da região sudoeste do estado a conquistar a certificação LEED em nível Platinum, o que demonstra o potencial de inovação fora das capitais. Inaugurada em 2018, a sede é um edifício horizontalizado de sete pavimentos, com mais de 5,3 mil m2 de área construída, e que se diferencia por sua linguagem arquitetônica elegante e contemporânea e pela sustentabilidade.

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Entre os recursos da edificação estão painéis fotovoltaicos para produção de energia no local e o sistema de água de reúso. “Desde quando pensamos o projeto da nova sede da Cresol queríamos que fosse algo voltado à sustentabilidade, que está na nossa essência, mas também que contribuísse para o meio ambiente e proporcionasse conforto aos nossos colaboradores”, destacou Adriano Michelon, superintendente da Cresol, por ocasião da inauguração do prédio. A Cresol inova não somente ao utilizar energia renovável em sua nova sede. Buscar validação internacional para a aplicação eficiente dos recursos de seus cooperados em uma edificação que minimiza o impacto ambiental, causado pela sua construção, reflete seus valores e lidera a comunidade na busca da sustentabilidade e comprometimento com as metas globais.


Espaço sustentável O edifício está localizado em uma região de boa densidade demográfica, com fácil acesso a serviços e ao transporte público. Ele oferece bicicletário com vestiário e vagas para veículos de baixa emissão de carbono. O estacionamento coberto reduz o efeito ilha de calor e o controle da poluição luminosa contribui para a melhor qualidade de vida de seus ocupantes. Eficiência no uso de água Com sistema hidráulico e louças e metais sanitários eficientes, estratégias para o aproveitamento inteligente da água de reúso na lavagem do piso e um paisagismo projetado para dispensar irrigação permanente, foi possível atingir impactantes 68% de redução do consumo de água potável neste empreendimento. Energia e atmosfera O edifício contou com a instalação de painéis fotovoltaicos para produção de energia no local, proporcionando economia de 38% dos custos totais do consumo. Com a

otimização do sistema de refrigeração, a sede da Cresol alcançou redução de 64% de consumo de energia. Brises protegem as fachadas contra a incidência direta do sol. Materiais e recursos A gestão apropriada dos resíduos gerados pela construção do prédio permitiu que o material descartado fosse desviado de aterros e seguisse para reciclagem ou reutilização. Dos materiais aplicados na obra, 21% têm conteúdo reciclado e 34% têm origem regional. Os materiais de acabamento usados apresentam baixos níveis de emissão COVs. Qualidade ambiental interna O ambiente interno foi projetado para oferecer conforto e bemestar aos ocupantes. Os espaços contam com luz e ventilação naturais e sistemas de controle para iluminação artificial e temperatura ambiente. Outro diferencial é o sistema mecânico capaz de elevar a taxa de ventilação em 30% acima do padrão internacional da ASRHAE.

Projeto: Cresol Baser Francisco Beltrão Cliente/proprietário: Cresol Localização: Francisco Beltrão, PR Área construída: 5333 m² Construtora: Sudoeste Arquitetura e decoração: Kempa + Nishii Arquitetura & Design Consultoria, simulação e comissionamento: Petinelli Data da certificação: 31 de outubro de 2019 Sistema e nível da certificação: LEED-NC v2009 nível Platinum

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GR HORTOLÂNDIA – EDIFÍCIO ADMINISTRATIVO, GALPÃO 100 E 200 Localização privilegiada é ponto de partida de empreendimento sustentável O GR Hortolândia é um condomínio logísticoindustrial que conta com edifício administrativo, docas, recepção, vestiários, estacionamento e dois grandes galpões (Galpão 100 e Galpão 200). Eles são divididos em 22 módulos para locação com áreas a partir de 1.633 m2 e cada módulo oferece pé-direito livre de 12 metros e mezanino para escritório. Hortolândia, a apenas 110 km da capital paulista, está próxima de grandes polos industriais e centros universitários, do município de Campinas e ainda tem fácil acesso às rodovias Anhanguera, dos Bandeirantes e Dom Pedro I. Além disso, o empreendimento conta com mais de dez serviços básicos no seu entorno, em um raio de 800 metros. Essa localização bastante privilegiada foi responsável pela escolha do local para implantação do condomínio.

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A equipe desenvolveu um Plano de Controle de Erosão e Sedimentação e também o Plano da Qualidade do Ar interno durante a Construção e suas respectivas ações durante o período de obras. Toda a superfície de piso externo foi executada com blocos de concreto intertravado cinza claro, tonalidade de baixo índice de refletância solar, a fim de reduzir o efeito de ilhas de calor e amenizar as temperaturas no entorno e nas áreas internas. Ambos os galpões contam com medição individualizada de energia e preparação de medição para cada módulo de locação. Foram adotados sistema de ar-condicionado de alta eficiência no edifício administrativo e ventilação natural nos galpões, automação dos sistemas de iluminação e ar-condicionado, com desligamento automático na ausência de ocupantes, Iluminação de baixo consumo de energia e motores elétricos de alta eficiência.


Espaço sustentável O empreendimento disponibiliza 5,81% das vagas de estacionamento para veículos eficientes e com baixa emissão de gases do efeito estufa. Oferece também bicicletários para 6,65% desse grupo e vestiários com chuveiros para 25% da população de pico. Mais de 10 serviços básicos são encontrados em um raio de 800 metros do condomínio. Eficiência no uso de água Com dispositivos economizadores de água como torneiras de fechamento automático com vazão de 1,8 l/minuto, válvulas de mictório de fechamento automático temporizado, caixas de descarga dual flux e chuveiros com redutor de pressão e vazão de 8 l/minuto, foi possível reduzir em 32% o consumo de água potável no edifício administrativo e nos dois galpões. Energia e atmosfera As estratégias para redução de custo anual de energia trouxeram economia de 38,17% no Galpão 100, de 38,69% no Galpão 200 e de

14,8% no edifício administrativo. Os galpões possuem medição individualizada de energia e estão preparados para a medição de cada módulo de locação separadamente. Materiais e recursos Durante as obras, 94,77% dos resíduos da construção foram destinados à reciclagem. No empreendimento, 70% da madeira têm o selo FSC, 10,09% dos materiais utilizados apresentam conteúdo reciclado incorporado e 28,02% têm origem regional. O condomínio dispõe de áreas para coleta e armazenamento de materiais para reciclagem. Qualidade ambiental interna Os galpões possuem sistema de ventilação natural e o edifício administrativo conta com sistema de ar-condicionado e ventilação mecânica com vazão 30% superior ao mínimo requerido pela ASHRAE 90.1-2007. O controle de temperatura é feito diretamente por termostato, embora tenha programação padrão para garantir temperatura de conforto térmico nos ambientes (24 ºC).

Projeto: GR Hortolândia – Edifício Administrativo, Galpão 100 e 200 Cliente/proprietário: GR Properties Localização: Hortlândia, SP Área construída: 35.903 m² (área total) 662 m² (edifício administrativo) 18.658 m² (Galpão 100) 10.665 m² (Galpão 200) Construtora: Ralc Incorporadora: GR Properties Arquitetura: MV Escritório de Projetos Consultoria: Sustentech Data da certificação: 5 de fevereiro de 2019 Sistema e nível da certificação: LEED-CS v2009 nível Certified (edifício administrativo) LEED-CS v2009 nível Silver (galpões)

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GRANDE UFFICIALLE EVARISTO COMOLATTI Projeto visa conforto e baixos custos operacionais Com projeto arquitetônico assinado pelo escritório paulistano Botti Rubin, o Grande Ufficialle Evaristo Comolatti é um empreendimento da incorporadora Stan, implantado em um terreno de mais de 3 mil m2 na Avenida Paulista esquina com a Rua da Consolação. As duas vias estão entre as mais movimentadas e importantes da capital paulista e fazem parte de uma área urbana densamente ocupada, com diversas opções de serviços e infraestrutura de lazer e transportes. A localização foi uma escolha estratégica a fim de facilitar a locomoção e acesso dos usuários ao edifício, além de priorizar a construção em zonas previamente desenvolvidas. Com 11 pavimentos e mais quatro níveis de subsolos com vagas para automóveis e bicicletas, a torre foi implantada sobre estruturas metroviárias, mas sem interferir com elas, o que

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significou um projeto de alta complexidade e um grande desafio de engenharia para as equipes envolvidas. O empreendimento conquistou o 24º Prêmio Master Imobiliário na categoria Profissional – Soluções Tecnológicas. O edifício corporativo de padrão Triple A e lajes de 933,61 m² de área útil também se destaca pela fachada imponente que emprega vidros curvos instalados a partir de um sistema unitizado que une todos os componentes da fachada em um único módulo, de forma a assegurar maior velocidade e segurança durante o processo de construção. Com o intuito de obter a certificação LEED for Core and Shell nível Silver, o projeto seguiu diretrizes que visam um edifício de alta qualidade, confortável para os usuários e com baixos custos de operação.


Espaço sustentável No entorno do empreendimento existem mais de dez serviços essenciais que podem ser acessados em rápidos trajetos a pé. O edifício é vizinho de estações do metrô das linhas 2-Verde e 4-Amarela e de pontos de ônibus que atendem a diversas linhas. Na cobertura, telhado verde e revestimento com alto índice de refletância solar reduzem a absorção de calor. Eficiência no uso de água A fim de reduzir em 33% o consumo de água foram especificados louças e metais de baixo consumo para todos os sanitários e vestiários do prédio. O paisagismo que ocupa o grande espaço livre no térreo é marcado por espécies nativas ou adaptadas, que demandam poucas regas ou mesmo dispensam a irrigação. Energia e atmosfera Simulações com o software Energyplus, em acordo com a metodologia da ASHRAE 90.1:2007, revelam que as estratégias para redução do

consumo de energia implicam economia, em custo, de 16%. Entre os recursos usados estão iluminação de alta eficiência com lâmpadas LED, fachada com vidros de baixo fator solar e contratação de serviço de comissionamento dos sistemas. Materiais e recursos Dos resíduos gerados na obra, 82% foram desviados de aterros e encaminhados para reciclagem. A especificação priorizou o uso de materiais extraídos e fabricados regionalmente – 68% deles tinham origem a menos de 800 km do canteiro. Em termos de custos, 81,9% correspondem a materiais com conteúdo reciclado. Qualidade ambiental interna O projeto de ar-condicionado e ventilação do edifício foi dimensionado para insuflar ar de acordo com a norma ASHRAE 62.1:2007. Também foram previstos filtros em todas as tomadas de ar externo e retornos do edifício. É proibido fumar em áreas internas e próximas de entradas, janelas e tomadas de ar.

Projeto: Grande Ufficialle Evaristo Comolatti Cliente/proprietário: Stan Desenvolvimento Imobiliário Localização: São Paulo, SP Área construída: 19.261 m² Construtora: RFM Construtora Incorporadora: Stan Desenvolvimento Imobiliário Arquitetura: Botti Rubin Consultoria: CTE- Centro de Tecnologia de Edificações Data da certificação: 3 de maio de 2019 Sistema e nível da certificação: LEED-CS v2009 nível Silver

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EDIFÍCIO AUGUSTA/JARDINS Praça interna estabelece relação humanizada com o entorno O Augusta/Jardins é um dos mais novos edifícios comerciais dos Jardins, região paulistana bastante desenvolvida, servida por transporte público e pelas mais variadas opções de serviços e lazer, além de grande quantidade de lojas, incluindo as da vizinha Rua Oscar Freire, endereço certo para quem procura as grifes da moda. Com projeto de aflalo/gasperini, um dos mais atuantes escritórios de arquitetura do país, a torre caracteriza-se pela rica volumetria de suas faces externas, contrapondo harmoniosamente o vertical ao horizontal e estabelecendo um novo marco arquitetônico na região. O fechamento é dado por vidros de controle solar, que permitem elevada passagem de luz natural e baixa transmissão de calor para as áreas internas.

Um dos destaques do empreendimento é a ampla praça interna com paisagismo elegante, espelho d’água, deque e pérgola. Esses elementos integram a recepção do edifício à loja que ocupa parte do embasamento e ao prédio-garagem coberto por vegetação, ao fundo, formando um recanto de tranquilidade no coração da metrópole. A torre de padrão AAA foi projetada em acordo com os parâmetros de sustentabilidade da certificação LEED em nível Gold e possui sistemas de alta eficiência que visam mitigar seu impacto ambiental e garantir redução dos custos operacionais, mas sem esquecer do conforto e do bem-estar de seus ocupantes. O edifício é servido por seis elevadores, sistemas inteligentes de automação e três grupos geradores com capacidade para atender a 100% da demanda funcional.


Espaço sustentável Grandes panos de vidro separam o lobby da rua e da praça interna, compondo um espaço visualmente integrado e cheio de luz natural. A região é servida por linhas de ônibus e metrô e está próxima da ciclovia da avenida Paulista. O empreendimento conta com bicicletário, vestiários para ciclistas e vagas para veículos com baixa emissão de poluentes. Eficiência no uso de água Além de aliviar as galerias pluviais do entorno, o sistema de captação e armazenamento de água da chuva atende às demandas do espelho d’água, da irrigação dos jardins e da lavagem dos pisos, reduzindo o consumo de água. Energia e atmosfera Para as fachadas foram especificados vidros de alta eficiência que permitem máximo aproveitamento da luz natural e baixa transmissão de calor, o que reduz o uso da iluminação artificial e do arcondicionado. O uso dos

sistemas elétricos e dos elevadores é otimizado pela automação inteligente a fim de reduzir o consumo de energia. Materiais e recursos Os departamentos de especificação e compras envolvidos no projeto e na obra deram preferência à madeira certificada e materiais com baixos níveis de emissão de COVs. Os resíduos gerados no canteiro eram triados e armazenados em locais específicos até que fossem encaminhados para reciclagem ou para descarte adequado. Qualidade ambiental interna Um dos diferenciais do empreendimento é o sistema automático que regula a intensidade da iluminação artificial nos andares em acordo com a disponibilidade de luz natural. Para garantir mais conforto ambiental, o projeto determinou grande capacidade de ventilação e de troca do ar interno. O ar-condicionado conta com sistema VRF.

Projeto: Edifício Augusta/Jardins ll Cliente/proprietário: Grupo Avelino Corrêa Localização: São Paulo, SP Área construída: 20.532 m² Construtora: Barbara Engenharia e Construtora Incorporadora: Grupo Avelino Corrêa Arquitetura: aflalo/gasperini arquitetos Consultoria: ENE Consultores Data da certificação: 15 de novembro de 2019 Sistema e nível da certificação: LEED-CS v2009 nível Gold

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EDIFÍCIO JBZ Novo referencial de sustentabilidade no polo corporativo de Porto Alegre O edifício João Benjamin Zaffari (JBZ) desfruta do status de condomínio corporativo de alto padrão mais sustentável e eficiente da capital gaúcha. Implantado no cruzamento da Avenida Carlos Gomes e com a Rua Anita Garibaldi, ele tem 21 mil m² de área construída e foi o primeiro da cidade a fazer o uso de energia renovável para redução dos custos condominiais. A singularidade e inteligência adotadas no projeto proporcionaram a obtenção da certificação LEED CS 2009 Platinum com 92 pontos, uma das pontuações mais altas já registradas no Brasil. Primeiro edifício certificado da Belmondo Empreendimentos, o JBZ tem 15 pavimentos, 60 salas comerciais e foi desenvolvido visando benefícios estruturais e ambientais, com base em design, materiais e tecnologias pensados para o

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longo prazo com a finalidade de aumentar sua eficiência operacional e vida útil. A intenção é que o prédio continue sendo uma referência de sustentabilidade nas próximas décadas. Entre seus diferenciais estão os painéis fotovoltaicos na cobertura, que atendem às demandas de energia das áreas comuns, elevadores com sistema de regeneração de energia e fachadas com vidros de controle solar capazes de reter até 60% do calor. Outro ponto de destaque é a taxa de renovação do ar do edifício, 30% acima da norma padrão. Por se encontrar em região com boa densidade demográfica, o JBZ oferece fácil acesso a serviços e ao sistema de transporte coletivo. Além disso, possui bicicletário, vestiários e vagas preferenciais para veículos de baixa emissão, o que incentiva o uso de meios alternativos de transporte.


Espaço sustentável No projeto foram previstas estratégias para minimizar os impactos da edificação no entorno, como o estacionamento coberto que reduz efeitos de ilha de calor. Também foram atendidos os requisitos para diminuir os efeitos de poluição luminosa. O edifício está localizado em região adensada, com oferta de transporte e serviços. Eficiência no uso de água A eficiência no uso da água foi alcançada por meio de soluções simples, como a instalação de metais sanitários e descargas de alta performance, garantindo redução de 38% no consumo de água potável. A captação de água da chuva atende ao sistema de irrigação dos jardins. Energia e atmosfera Os painéis fotovoltaicos na cobertura produzem energia para consumo nas áreas comuns do prédio. Medidas de otimização, como automação da iluminação, permitiram a redução de 35%

no consumo total de energia na edificação. Os vidros de controle solar barram até 60% do calor, o que reduz a necessidade de ar-condicionado. Materiais e recursos Quase 80% dos resíduos produzidos durante a construção do edifício foi desviado dos aterros sanitários e destinados à reciclagem. O projeto ganhou pontos por utilizar madeira certificada, materiais provenientes da reciclagem e produtos de origem regional, extraídos e produzidos em um raio de até 800 km do canteiro. Qualidade ambiental interna O edifício tem uma taxa de renovação do ar 30% acima da norma-padrão e controle de temperatura para os ocupantes. As equipes de especificação e compras selecionaram materiais de baixa emissão de compostos orgânicos voláteis, protegendo a saúde de operários e ocupantes do prédio.

Projeto: Edifício JBZ Cliente/proprietário: Belmondo Empreendimentos Localização: Porto Alegre, RS Área construída: 21.000 m² Construtora: Tecplan Engenharia Incorporadora: Belmondo Empreendimentos Arquitetura: Monserrat Arquitetos Associados Consultoria, simulação e comissionamento: Petinelli Data da certificação: 21 de junho de 2019 Sistema e nível da certificação: LEED-CS v2009 nível Platinum

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BBC - BARIGUI BUSINESS CENTER Edifício corporativo foi projetado para ser um dos mais eficientes de Curitiba Situado nos arredores do Parque Barigui, em Curitiba, o Barigui Business Center (BBC) é um empreendimento projetado com foco na sustentabilidade e conquistou a certificação LEED BD+C 2009 em nível Platinum em 2019. Ele ocupa uma das esquinas mais valorizadas de uma região que apresenta alta densidade demográfica e conta com grande oferta de transporte coletivo e fácil acesso ao centro da cidade. Rodeado por restaurantes, bancos e vários outros estabelecimentos comerciais e de serviços, o prédio também está próximo de um shopping center, de um terminal de ônibus e do próprio parque Barigui, um dos maiores da capital paranaense. Essa localização privilegiada proporciona mais conveniências e qualidade de vida a seus ocupantes. O escritório curitibano Bacoccini Arquitetura assina o projeto que explora ao máximo a vista

para o parque e aproveita a cobertura com um telhado verde que reduz os efeitos de ilha de calor. Com 16 pavimentos e escritórios com áreas que variam de 281 a 602 m2, o prédio apresenta lajes maiores e operacionalmente mais eficientes, o que contribui significativamente para diminuir os custos condominiais e de manutenção. A estratégia aplicada para a redução da conta de água combina o uso de fontes de água não potável para limpeza e irrigação e dispositivos de descarga de alta eficiência. Juntos, esses recursos permitem até 40% de economia. O consumo de energia elétrica teve redução de quase 35% em relação ao baseline graças ao projeto que combina sistema Green-e para iluminação, ar-condicionado de elevada eficiência e painéis fotovoltaicos que geram 1% do consumo total.


Espaço sustentável Além da localização privilegiada em região que conta com grande oferta de comércio, serviços e transporte coletivo, o edifício dispõe de bicicletário e vagas para veículos de baixa emissão de poluentes. A arquitetura oferece vista para o parque Barigui e usa o telhado verde da cobertura para reduzir os efeitos de ilha de calor. Eficiência no uso de água A estratégia aplicada para a redução do consumo de água potável permite até 40% de economia. Esse resultado foi viabilizado pela combinação de fontes de água não potável para atender irrigação e lavagem de pisos e por metais e louças eficientes, todos com baixa vazão de água e fechamento automático. Energia e atmosfera Com os planos adotados para economia de energia foi possível uma redução de quase 35% no consumo. O projeto atende o sistema Green-e para a iluminação e emprega sistema de ar-condicionado eficiente. Os

painéis fotovoltaicos permitem a geração de energia renovável capaz de atender 1% do consumo total do edifício. Materiais e recursos O gerenciamento de resíduos encaminhou para a reciclagem 98% do material descartado durante as obras. A especificação deu preferência a produtos com conteúdo regional extraídos e manufaturados dentro de um raio de 800 km da obra (21%), a itens de madeira com selo FSC (63%) e a materiais que incorporam conteúdo reciclado em sua produção (11%). Qualidade ambiental interna O BBC oferece máxima qualidade do ar nos espaços condicionados. Além do cuidado com a aplicação de materiais de baixa emissão de compostos orgânicos voláteis, causadores de vários tipos de doenças e alergias respiratórias, foram instalados equipamentos com taxa de renovação de ar 30% superior ao estabelecido pela norma ASHRAE.

Projeto: BBC - Barigui Business Center Localização: Curitiba, PR Área construída: 15.400 m² Construtora: Teich Incorporadora: Invescon Arquitetura: Bacoccini Arquitetura Consultoria, simulação e comissionamento: Petinelli Data da certificação: 19 de julho de 2019 Sistema e nível da certificação: LEED-CS v2009 nível Platinum

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EDIFÍCIO PARTEC GREEN Projeto focou na redução de impacto do empreendimento O edifício Partec Green representa a segunda ampliação do Parque Tecnológico São Leopoldo – Tecnosinos e acrescenta mais de 13 mil m² de área comercial ao parque implantando há mais de 20 anos na cidade de São Leopoldo, RS, com a missão de fomentar novas economias na área da tecnologia e auxiliar no desenvolvimento sustentável da região.

e baixo impacto ambiental desde sua concepção e foi desenvolvido em conjunto com os projetos complementares a fim de reduzir o impacto de sua implantação e da posterior operação do empreendimento. Cada fachada teve o tratamento apropriado conforme a sua orientação, o que permite controlar a incidência solar sem a necessidade de estruturas extras e dispendiosas.

Assim como a área em que está inserido, o Partec Green é um empreendimento voltado para a tecnologia e sustentabilidade e foi um dos primeiros do Rio Grande do Sul a conquistar o selo LEED – a certificação obtida é a LEED Core & Shell 2009 em nível Platinum. O edifício apresenta excelente desempenho no tocante à redução do consumo de água e energia e à minimização de emissão de CO², contribuindo para as metas globais da Agenda 2030.

Todas as estratégias adotadas no empreendimento se mostraram extremamente eficientes, permitindo redução de custos de operação e comprometimento com o consumo racional de recursos naturais. Medidas simples como políticas de compras de lâmpadas eficientes ou monitoramento dos sistemas colaboram para a operação eficiente do empreendimento. A responsabilidade socioambiental dos empreendedores transformam o mercado, não só localmente, mas de todo o estado do Rio Grande do Sul.

O projeto arquitetônico elaborado pela Cubo Verde considerou os aspectos de sustentabilidade


Espaço sustentável O Partec Green situa-se em região com fácil acesso ao transporte coletivo e conta com opções de incentivo a transportes alternativos. O projeto adotou telhado verde na cobertura para reduzir efeito de ilha de calor e estratégias para redução da poluição luminosa. Durante as obras, foram tomadas medidas para prevenção da poluição. Eficiência no uso de água Entre as medidas economizadoras estão a instalação de torneiras eficientes de autocontrole e captação de água das chuvas para uso nas descargas e também no paisagismo, que só emprega espécies locais e requer pouca irrigação. Com essas estratégias foi possível alcançar uma economia de até 75% no consumo de água potável. Energia e atmosfera A otimização dos sistemas de iluminação, HVAC e da envoltória, a especificação de equipamentos eficientes e o dimensionamento e instalação de sistema fotovoltaico

no local possibilitaram redução de até 30% do consumo de energia para a operação do empreendimento. Nas fachadas foram usados vidros de alta performance. Materiais e recursos A seleção sistemática dos resíduos da obra permitiu encaminhar para reciclagem 90% do material descartado. Foram especificados materiais com conteúdo reciclado, madeiras com selo FSC e produtos de origem regional, extraídos ou produzidos em um raio de 800 km do canteiro e materiais de baixa emissão de COVs. Qualidade ambiental interna Foram tomadas precauções para que poluentes e contaminantes não chegassem ao sistema de condicionamento de ar em instalação. As tomadas de ar externo promovem a constante renovação nas áreas internas. O empreendimento oferece ampla vista para o entorno arborizado, o que também contribui para a qualidade ambiental.

Projeto: Edifício Partec Green Cliente/proprietário: Grupo Herval Localização: São Leopoldo, RS Área construída: 11.164 m² Construtora: H Lar Construções Incorporadora: Grupo Herval Arquitetura: Cubo Verde Arquitetura Sustentável Consultoria, simulação e comissionamento: Petinelli Data da certificação: 22 de julho de 2019 Sistema e nível da certificação: LEED-CS v2009 nível Platinum

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FARIA LIMA 3500 Tripla certificação reitera compromisso com a sustentabilidade Com uma fachada inteiramente de vidro e na forma de um trapézio invertido, o edifício Faria Lima 3500 (FL 3500), encontra-se no principal centro financeiro da capital paulista e é considerado um dos mais modernos e arrojados edifícios da cidade, sendo exemplo de um projeto que uniu design ousado, engenharia e sustentabilidade. O empreendimento construído pela Tishman Speyer, com projeto da KOM Arquitetura e suporte da Moed de Armas & Shannon Architects, tem cerca de 25 mil m² distribuídos em cinco pavimentos. Inaugurado em 2012, o FL 3500 foi classificado como Triple A e adota soluções tecnológicas que fazem jus ao título de um dos melhores e mais inteligentes edifícios paulistanos. O edifício abriga instalações do Itaú Unibanco, que mantém em agências, prédios administrativos e centros tecnológicos ações de ecoeficiência com

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objetivo de garantir que suas operações sejam as mais sustentáveis possíveis, tanto em edifícios novos como antigos. Desde 2009 o banco investe em sistemas para monitoramento de emissões de seus prédios e operações. O edifício administrativo do polo Tatuapé e a sede principal possuem certificação ISO 14001 desde 2011 e 2017, respectivamente, totalizando 47% dos funcionários em empreendimentos com gestão ambiental certificada, o que evidencia a determinação em garantir eficiência energética, gestão de resíduos e de recursos hídricos. Dentro desse contexto, diversas outras edificações do banco já foram certificadas, entre elas, o FL3500 que obteve tripla certificação LEED nível Gold – LEED O+M (Operação e Manutenção), LEED BC+C (Projeto e Construção de Edifícios) e LEED ID+C (Design e Construção de Interiores), alcançando o nível Platinum na recertificação LEED O+M em 2019.


Espaço sustentável O projeto, certificado LEED CS v2 nível Gold, em 2014, e posteriormente LEED CI v3, em 2015, foi desenvolvido para suprir demandas de mobilidade urbana. Na atualização, a estrutura foi ampliada de 35 para 96 vagas no bicicletário e ganhou outras facilidades como lockers e vestiários, além de carregadores elétricos. Eficiência no uso de água Como um dos empreendimentos mais inovadores da época, o sistema hidráulico do FL 3500 emprega água não potável no abastecimento das bacias, mictórios e do sistema de irrigação. O monitoramento disponibiliza dados para a avaliação periódica da eficiência dos sistemas. Checklists para manutenção dos metais hidrossanitários são aplicados semestralmente. Energia e atmosfera As características da fachada otimizam o consumo do sistema de ar-condicionado e causam mínimo prejuízo ao entorno por incômodos de ofuscamento. A busca constante por melhorias

no funcionamento dos sistemas reduziu o consumo de energia por metro quadrado em 11,4% nos últimos três anos. Os custos foram reduzidos 20,4% em 2019 em relação a 2018. Materiais e recursos O gerenciamento de resíduos, com análise mensal de dados, induziu ações que implicaram redução de geração de resíduos recicláveis por ocupante, de 36% em 2018 e 106% em 2019, comparado ao ano de 2017. Ações de engajamento junto a fornecedores permitiram substituir caixas de papelão por caixas retornáveis, revertendo a receita do processo de reciclagem para ações sociais. Qualidade ambiental interna Durante o processo de certificação LEED EB O&M, o edifício demonstrou-se 21% mais eficiente que a média internacional registrada na plataforma ARC, na categoria Experiência Humana. O resultado comprova o alto grau de satisfação dos usuários com relação às instalações, assim como o atendimento às concentrações limites de dióxido de carbono e de compostos orgânicos voláteis totais.

Projeto: FL3500 Cliente/proprietário: Itaú/Brookfield Localização: São Paulo, SP Área construída: 45.895 m² Construtora: Hochtief Arquitetura: KOM Arquitetura Consultoria: CTE- Centro de Tecnologia de Edificações Data da certificação: 19 de fevereiro de 2019 Sistema e nível da certificação: LEED v4 O+M: EB nível Platinum

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EDIFÍCIO COMENDADOR YERCHANIK KISSAJIKIAN Empreendimento passa de nível de certificação Gold para Platinum Construído no início dos anos 2000 na avenida Paulista, em São Paulo, o Edifício Comendador Yerchanik Kissajikian, ou simplesmente Edifício CYK, foi projetado pelo então escritório Kogan, Villar & Associados, atualmente denominado KV&A Arquitetura e Interiores. O prédio logo se tornou um marco referencial na região devido à angulação de suas faces, inclinadas de modo a criar uma fachada com desenho em vértice e reentrância na área central. Em abril de 2019, o CYK alcançou um feito inédito para o mercado de Real Estate. Ele teve seu nível de certificação sustentável de operação predial (LEED v4 O&M: EB) elevado de Gold, conquistado em 2014, para Platinum, somando 90 pontos dentre os 100 possíveis. A pontuação é a maior do LEED v4 O&M: EB já registrada no Brasil.

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“Esse resultado reforça nosso comprometimento com a constante atualização sobre o tema sustentabilidade, buscando melhoria constante de tecnologia e processos operacionais. A eficiência dos sistemas existentes, a otimização das práticas operacionais implantadas e o engajamento das equipes de facilities na busca de inovação e tecnologias que possam agregar na experiência dos usuários do empreendimento, com certeza mostramse como um diferencial no mercado”, destaca Ivan Nolla, gerente predial da CBRE, responsável pela gestão condominial e operacional do edifício. A avaliação do conforto e bem-estar dos ocupantes do empreendimento resultou em um índice de satisfação de 93%, considerado 18% acima da média dos edifícios comerciais monitorados pelo CTE. Entre os diferenciais, destacam-se a limpeza dos ambientes e a qualidade do ar interno.


Espaço sustentável Devido à localização, 71% da população do edifício usam o transporte público como forma de deslocamento entre suas casas e o local de trabalho, o que torna o empreendimento 13% mais eficiente que a média internacional dos edifícios comerciais monitorados pela plataforma ARC. O CYK conta com bicicletário, vestiário e carregadores para veículos elétricos. Eficiência no uso de água Com foco na otimização do consumo de água e melhoria da performance, as características dos metais hidrossanitários instalados foram avaliadas. Também foi verificada a existência de falhas de funcionamento e de vazamentos nos sistemas consumidores. Ações preventivas e corretivas foram implementadas nos procedimentos existentes. Energia e atmosfera O CYK enquadra-se como 16% mais eficiente que a média global de edifícios eficientes inseridos na plataforma ARC. Visando manter o edifício dentro de altos padrões

de mercado, a equipe de facilities monitora o consumo de energia, implementa melhorias e avalia a adoção de novas tecnologias para incrementar a infraestrutura e a operação. Materiais e recursos Com eficiência acima da média global nas cinco categorias avaliadas, o gerenciamento de resíduos destaca-se pela eficiência 23% superior aos demais edifícios comerciais monitorados no mercado internacional pela plataforma ARC. A gerenciadora de resíduos foi substituída por outra, capaz de fornecer dados concretos e detalhados sobre a geração mensal. Qualidade ambiental interna A análise das concentrações de Dióxido de Carbono (CO2) e Composto Orgânico Volátil Total (TVOC) nos espaços ocupados mostrou concentrações de 9% e 54%. O resultado fica abaixo da média do Portfólio CTE, refletindo a efetividade da renovação de ar externo nos ambientes e a correta manutenção dos filtros.

Projeto: Edifício CYK - Comendador Yerchanik Kissajikian Cliente/proprietário: AK Realty Localização: São Paulo, SP Área construída: 42.692,95 m² Construtora: Hochtief do Brasil Incorporadora: AK Realty Arquitetura: Spillis Candela DMJM-Coral Gables (USA) / KVA Arquitetura Consultoria: CTE- Centro de Tecnologia de Edificações Administração predial: CBRE Data da certificação: 4 de abril de 2019 Sistema e nível da certificação: LEED v4 O+M: EB nível Platinum

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PÁTIO VICTOR MALZONI Consciência ambiental para transformar pessoas e espaços Localizado no nº 3.477 da Avenida Brigadeiro Faria Lima, o Pátio Victor Malzoni se tornou um verdadeiro símbolo não apenas da região da Nova Faria Lima, conhecida pela presença de modernos edifícios corporativos, mas de toda a cidade de São Paulo. O prédio oferece áreas de convivência para o público externo e interno e tem uma das maiores lajes da América Latina, com até 5 mil m². Com projeto de Botti Rubin Arquitetos, o edifício foi construído em um terreno de 20 mil m2 e possui uma arquitetura única, que combina a modernidade de vidros semirrefletivos com as paredes de taipa de pilão restauradas da Casa Bandeirista do Itaim, datada do século 18 e tombada na década de 1980. No nível térreo, um grande vão livre de 30 metros de altura e

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mais de 40 metros de largura emoldura e destaca a construção histórica, mais uma característica única ao Pátio. Além de sua eficiência energética e hídrica, o condomínio conta também com um projeto sustentável que nasceu em outubro de 2015 com o objetivo de otimizar a operação predial, minimizar os impactos ambientais e transformar espaços e pessoas. O projeto investe no desenvolvimento de ações de gentileza urbana, mobilidade, consumo consciente e práticas de integração dos ocupantes e humanização dos espaços. Com a difícil missão de sair dos padrões convencionais, a equipe atuou de forma integrada e transformou o condomínio em um polo de inovação e transformação de ideias. Hoje o Pátio Victor Malzoni é um prédio referência em práticas verdes, de convívio e acolhimento.


Espaço sustentável O edifício oferece estrutura completa para os ciclistas, com dois bicicletários e mais de 718 bicicletas cadastradas, vestiários feminino e masculino, guardavolumes, toalhas e sabonetes para quem quiser tomar banho no local e valet gratuito para os visitantes que usam a bicicleta. Além disso, há vagas dedicadas a carros elétricos e híbridos. Eficiência no uso de água Para a gestão da água foi implantado um sistema que inclui tratamento das águas pluvial, condensada, cinza e negra, garantindo economia de cerca de 60% de água potável. O sistema utiliza processo aeróbio que não gera odores e membranas de alta eficiência de filtragem. O monitoramento on-line impede o fornecimento de água fora dos padrões. Energia e atmosfera Diversas estratégias, tais como elevadores com frenagem regenerativa, vidros de controle solar e persianas automatizadas nas fachadas, aproveitamento de luz natural e uso de lâmpadas LED, reduzem o

consumo de energia elétrica. Uma usina termoelétrica, com dois geradores a gás e dois a diesel, garante, praticamente, autossuficiência energética para o prédio. Materiais e recursos Além de promover a reciclagem do maior volume possível de resíduos, o plano sustentável abrange regras de descarte e a implantação de Ecoponto para que os usuários possam descartar resíduos recicláveis de suas casas. A inovação levou à produção tecnológica de adubo e à criação da primeira horta subterrânea da América Latina. Qualidade ambiental interna O condomínio realiza periodicamente testes de qualidade do ar. Entre os parâmetros analisados para atendimento da certificação LEED EB O&M encontram-se o dióxido de carbono e os compostos orgânicos voláteis totais. Termostatos controlados pelos usuários permitem a regulagem da temperatura nas áreas privativas.

Projeto: Condomínio Pátio Victor Malzoni Cliente/proprietário: Condomínio Pátio Victor Malzoni Localização: São Paulo, SP Área construída: 167.694,00 m² Construtora: Brookfield Incorporações Incorporadora: Brookfield Incorporações Arquitetura: Botti Rubin Arquitetos Consultoria: CTE- Centro de Tecnologia de Edificações Data da Certificação: 22 de maio de 2019 Sistema e nível da certificação: LEED v4 O+M: EB nível Platinum

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ELDORADO BUSINESS TOWER Edifício é o primeiro a receber dupla certificação LEED em nível Platinum O Eldorado Business Tower é um empreendimento corporativo padrão Triple A, comparável aos mais modernos e eficientes edifícios do mundo. Ele oferece mais de 59 mil m² de área para locação e é ocupado por grandes corporações que buscam em imóveis certificados segurança, infraestrutura tecnológica, disponibilidade de soluções, eficiência operacional e o porto seguro necessário ao desenvolvimento de seus negócios.

Desde sua concepção, o arranha-céu de 32 andares projetado por aflalo/gasperini e inaugurado em 2007 vem se destacando por incorporar princípios de sustentabilidade e responsabilidade ambiental. Ele foi o primeiro a obter dupla certificação LEED em nível Platinum na América Latina pelo GBC Brasil – a primeira foi em 2009, quando obteve o LEED CS, e 10 anos depois conquistou a certificação na modalidade EB O&M, referente à manutenção e operação predial.

Localizado na região de maior disponibilidade de modais de transportes sustentáveis da capital paulista, o empreendimento está integrado à estação Hebraica-Rebouças da CPTM e ao Shopping Eldorado, oferecendo facilidade de acesso a uma ampla rede de serviços e opções de lazer e alimentação para as mais de sete mil pessoas que por lá circulam diariamente.

Segundo Fernando Sinicatto, gerente regional da CBRE, empresa responsável pela gestão condominial e operacional, “a obtenção da certificação para o Eldorado Business Tower foi gratificante pois, além do trabalho de toda equipe de gestão predial, houve o engajamento dos proprietários, usuários e fornecedores do edifício visando à adequação da operação para atendimento aos requisitos da certificação e práticas sustentáveis”.

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Espaço sustentável A proximidade com a estação de trem propicia maior aderência ao uso de transporte público, de baixa emissão de CO2. O empreendimento é integrado a um shopping center e conta com bicicletário com 100 vagas, atualmente em expansão. Em breve serão disponibilizados aos condôminos carregadores para veículos elétricos. Eficiência no uso de água O edifício conta com sistemas de captação e tratamento de água de reúso para limpeza das áreas comuns e irrigação do paisagismo. As unidades empregam metais hidrossanitários eficientes e o monitoramento do consumo é setorizado. Os procedimentos de manutenção preventiva incluem checklists para verificação do correto funcionamento dos sistemas. Energia e atmosfera O ar-condicionado VRF em uso possibilita menor consumo energético e hídrico em comparação com outros disponíveis no mercado. O sistema propicia a medição do

consumo por locatário, evitando o rateio por fração ideal. As persianas automatizadas nos escritórios otimizam o consumo de ar-condicionado e permitem melhor aproveitamento da iluminação natural. Materiais e recursos O empreendimento mantém uma central de resíduos para coleta seletiva, espaço que inclui até composteiras para descarte de resíduos orgânicos. As ações de gerenciamento resultaram em uma geração de resíduos por ocupante 40% mais eficiente que a média do Portfólio CTE de edifícios de tipologia similar. Qualidade ambiental interna Conforme legislações vigentes, o condomínio realiza semestralmente a análise das concentrações de dióxido de carbono (CO2), nos espaços mecanicamente ventilados. Durante o processo de certificação LEED EB O&M, a concentração de TVOC (Compostos Orgânicos Voláteis Totais) também foi monitorada.

Projeto: Eldorado Business Tower Cliente/proprietário: Brookfield Property Group, Banco BTG Pactual, Rebouças Ouro Branco Participações e Serviços, Participações VHF, EBTJ Serviços de Consultoria e Investimentos, 2055 Participações SPE e YKK do Brasil Ltda. Localização: São Paulo, SP Área construída: 128.645 m² Construtora: Gafisa Arquitetura: aflalo/gasperini Consultoria: CTE- Centro de Tecnologia de Edificações Data da certificação: 29 de maio de 2019 Sistema e nível da certificação: LEED v4 O+M: EB nível Platinum

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EZ TOWERS Empresa defende os pilares da sustentabilidade Localizado na cidade de São Paulo, o complexo EZ Towers é composto pelas torres A e B, ambas com 150 metros de altura, um edifício-garagem e áreas externas que podem ser compartilhadas pelos seus frequentadores. Primeiro do Brasil concebido pelo uruguaio Carlos Ott, arquiteto radicado no Canadá e com projetos em diversos países, o empreendimento oferece alto padrão técnico e sustentável, além de ser um referencial arquitetônico na região da Avenida Chucri Zaidan, uma área em pleno desenvolvimento, repleta de opções de serviços e servida por boa infraestrutura, incluindo diferentes modais de transporte, o que faz com que 64% dos ocupantes do prédio optem pelo transporte público. A Torre B, que passou pelo processo de certificação LEED EB O&M, pertence à FII BTG Pactual Prime Offices I, empresa que tradicionalmente

investe em empreendimentos voltados para a sustentabilidade. O objetivo é buscar as variadas certificações para diferenciar seus empreendimentos dos demais nas localidades em que atua e atender o segmento das grandes multinacionais, no qual a cultura do sustentável já está enraizada. No entanto, essa escolha é motivada não somente por aspectos comerciais, mas, principalmente, porque a empresa acredita nos pilares da sustentabilidade e em seus reflexos positivos no dia a dia de suas operações. Dentro do contexto do benchmarking, a empresa está sempre aberta a inovações tecnológicas e à introdução de procedimentos sustentáveis, o que faz dela uma referência empresarial em seu segmento, propiciando retorno financeiro a seus investidores e garantindo investimentos cada vez mais seguros.


Espaço sustentável O processo de certificação LEED EB O&M da torre B garantiu a implementação e revisão dos procedimentos operacionais e a periodicidade das atividades de limpeza e manutenção das áreas externas. Com a pintura refletiva da cobertura do edifício, foi assegurado um índice de refletância solar de no mínimo 78, reduzindo o efeito ilha de calor. Eficiência no uso de água Entre as medidas de conservação de água, destaque para a instalação de metais eficientes nas áreas privativas, garantindo eficiência 30% superior ao baseline da certificação. Os hidrômetros instalados, interligados ao sistema de automação predial, monitoram o consumo por uso final, acelerando a identificação de deficiências. Energia e atmosfera O alto desempenho energético do empreendimento previsto no projeto original foi comprovado durante a certificação LEED EB O&M, processo no qual a torre B obteve 92 pontos, de um total

de 100 possíveis na plataforma Energy Star Portfólio Manager. O medidor do consumo de energia elétrica também faz o monitoramento por uso final. Materiais e recursos A torre B apresenta depósitos intermediários de resíduos nos andares, a fim de facilitar a gestão de resíduos dos locatários. A central localizada no andar térreo permite a correta triagem, evitando a contaminação e comprometimento do potencial de reciclagem. O gerenciamento dos resíduos é feito por empresa terceira por meio de emissão de relatórios. Qualidade ambiental interna Nas áreas externas é proibido fumar perto de portas, tomadas de ar externo ou janelas, evitando que a fumaça chegue aos interiores. As tomadas de ar externo, afastadas das fontes de poluição e exaustores de ar, evitam maus odores e a contaminação dos espaços. O projeto privilegia a iluminação natural e a vista para o exterior.

Projeto: EZ Towers - Torre B Cliente/proprietário: FII BTG Pactual Prime Offices I Localização: São Paulo, SP Área construída: 57.847 m² Construtora: EZTEC Arquitetura: Carlos Ott Consultoria: CTE- Centro de Tecnologia de Edificações Administração predial: CBRE Data da certificação: 7 de agosto de 2019 Sistema e nível da certificação: LEED-O+M: EB v2009 nível Platinum

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EDIFÍCIO JATOBÁ GREEN BUILDING Redução do impacto ambiental ao longo de toda vida útil do edifício Situado em uma travessa da Avenida Engenheiro Luís Carlos Berrini, uma das principais vias arteriais de São Paulo, o Edifício Jatobá Green Building é um empreendimento que foi desenvolvido visando à redução de impactos ambientais ao longo de toda sua vida útil e, por esse motivo, o projeto e a execução levaram à certificação LEED BD+C (Liderança em Energia e Design Ambiental) e à recente conquista da certificação LEED EB O&M - Operação e Manutenção. Respeitando todas as questões socioambientais, desde sua concepção, o Edifício Jatobá alia a alta tecnologia de um edifício comercial de alto padrão e a preservação do meio ambiente. Ele conta com tratamento de águas pluviais, diminuição do impacto de efluentes lançados e fachadas desenvolvidas em acordo com estudo de insolação, o que otimiza os sistemas de ar-condicionado e iluminação, reduzindo significativamente o consumo de energia elétrica.

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O empreendimento desenvolvido conjuntamente por Engeform e Bratke Collet prioriza também o bem-estar de seus ocupantes. Com arquitetura de aflalo/gasperini, ele foi desenhado de forma que a vista do usuário contemple o horizonte, sem que os prédios vizinhos interfiram na paisagem. Com linguagem vanguardista e design inovador, o Jatobá apresenta andares de 1.698 m² de vão livre e toda a infraestrutura que um edifício Triple A pode oferecer. “Considerar a sustentabilidade como premissa, desde a fase de concepção do projeto, gera ganhos durante todo o ciclo de vida do empreendimento, reduzindo seus impactos ambientais e tornando sua operação mais eficiente”, encerra Andréa Mara Pirani, gestora executiva de desenvolvimento imobiliário da Engeform DI.


Espaço sustentável Os pisos do térreo são permeáveis a fim de promover a infiltração da água de chuva no lençol freático. Como resultado, o edifício contribui para a redução de alagamentos e enchentes provocados pelo assoreamento de corpos hídricos e entupimento de sistema de coleta de águas pluviais. Telhado verde e estacionamento 100% coberto reduzem o efeito ilha de calor no entorno. Mobilidade urbana Graças à localização em área com boa oferta de transporte coletivo (trem e ônibus), a pesquisa sobre os meios de transporte utilizados pelos ocupantes do prédio aponta para resultados 8% e 6% mais eficientes que a média do mercado internacional e nacional, respectivamente, dos edifícios monitorados pela plataforma ARC. Eficiência no uso de água Diversas estratégias permitem reduzir o consumo de água potável, entre elas, o uso de dispositivos economizadores nos sanitários, paisagismo com

espécies com baixa demanda de água e sistema de captação de água da chuva para uso na lavagem das áreas comuns, na irrigação das áreas verdes e no espelho d’água. Energia e atmosfera As tecnologias instaladas e as revisões das práticas operacionais garantiram durante a certificação LEED EB O&M uma performance 11% e 3% superior à média do mercado internacional e nacional, respectivamente, quando comparado a edifícios de tipologia similar monitorados pela plataforma ARC. Desde 2017 o edifício adquire energia de fontes renováveis do Mercado Livre. Qualidade ambiental interna O edifício emprega sistema central de condicionamento de ar de alta eficiência, composto pelo sistema VRV - Daikin. A mais recente pesquisa entre usuários resultou em uma taxa de satisfação de 94,8% com a qualidade do ambiente, refletindo a preocupação do condomínio com a saúde e o bem-estar dos ocupantes.

Projeto: Edifício Jatobá ll Clientes/proprietários: Engeform DI e Bratke Collet Localização: São Paulo, SP Área construída: 14.255m² Construtoras: Engeform e Bratke Collet Incorporadoras: Engeform e Bratke Collet Arquitetura: aflalo/gasperini Consultoria: CTE- Centro de Tecnologia de Edificações Data da certificação: 13 de setembro de 2019 Sistema e nível da certificação: LEED v4 O+M: EB nível Platinum

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L’ORÉAL BRASIL R&I CENTER A sustentabilidade compartilhada com todos Com proposta arquitetônica desenvolvida por Perkins & Will + RAF, o novo centro de Pesquisa & Inovação L’Oréal está alinhado com o compromisso de responsabilidade ambiental e social global da empresa (“Sharing Beauty with All”). Sua concepção foi totalmente baseada em premissas de sustentabilidade. A fachada principal com inclinação negativa permite o aproveitamento da luz natural que entra pela face de vidro, mas sem ganho térmico significativo para os ambientes internos próximos às janelas. Esse fator permite que haja redução da quantidade de luminárias no interior. A iluminação existente é 100% LED. Com cerca de 1200 painéis solares na cobertura, o prédio responde pela geração de cerca de 15% da energia elétrica que consome. O restante da energia é garantida por meio de uma parceria entre a L’Oréal e a Engie Brasil

para o fornecimento de energia limpa, oriunda de geração eólica. Juntas, essas iniciativas contribuem para um menor impacto no consumo energético e emissão de CO2 indireto na atividade do prédio. Outro diferencial está na gestão de água e efluentes que conta com um sistema de jardins filtrantes, desenvolvido e operado em parceria com a Phytorestore. Os efluentes domésticos, das atividades internas de laboratório e as águas pluviais são tratados internamente e se transformam em água de reúso. Esse sistema faz o tratamento de maneira natural, sem adição de compostos químicos, e emprega espécies específicas da flora regional e brasileira que também formam um elemento paisagístico à parte. A água de reúso é utilizada nas bacias sanitárias, na irrigação dos jardins e na tubulação de incêndio, o que reduz o consumo de água potável em cerca de 40%.


Espaço sustentável O desenho baseado nos traços da paisagem regional e o elemento paisagístico conferido pelos jardins filtrantes, com uma lagoa na última etapa de tratamento, conferem leveza à presença do empreendimento e atraem cada vez mais a biodiversidade para o ambiente onde está instalado, onde há uma convivência harmônica. Mobilidade urbana O Centro de Pesquisa & Inovação da L’Oréal Brasil oferece serviço de transporte fretado, com diferentes trajetos, a seus colaboradores. O uso de veículos novos e a lógica de incentivo à mobilidade coletiva contribuem para a menor emissão de CO2 vinculada à operação de transporte e deslocamento de seus colaboradores. Eficiência no uso de água O conjunto de utilidades do prédio e seus equipamentos estão conectados ao sistema de automação, o que permite verificar nível de tanques, funcionamento de bombas e medidores com indicação de consumos por áreas,

prevenindo e identificando mais rapidamente vazamentos ou falhas de operação. As torneiras são acionadas por sensor de presença. Energia e atmosfera O desenho da fachada otimiza o aproveitamento da luz natural e evita o ganho térmico pela insolação, reduzindo a necessidade de iluminação artificial durante o dia. Uma área de 2.400 m2 na cobertura recebeu 1.200 painéis fotovoltaicos que produzem cerca de 15% da energia elétrica consumida. O restante da energia é proveniente de geração eólica fornecida pela Engie. Inovação e Processos A L´Oréal mede a pegada ambiental de cada novo produto ou relançamento por meio de uma ferramenta própria chamada SPOT, desenvolvida com especialistas em avaliações de ciclo de vida. Ela é usada para comprovar que cada produto novo ou renovação implica menor impacto ambiental ao longo do seu ciclo de vida ou tenha impacto social positivo.

Projeto: L’Oréal Brasil R&I Center Cliente/proprietário: L’Oréal Brasil Pesquisa & Inovação Localização: Rio de Janeiro Área construída: 16.235m² Construtora: Afonso França Arquitetura: Perkins & Will e RAF Consultoria: CTE- Centro de Tecnologia de Edificações Data da certificação: 9 de dezembro de 2019 Sistema e nível da certificação: LEED v4 O+M: EB nível Platinum

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SEDE COMERCIAL DO GRUPO RB Mudanças visam integrar a sustentabilidade aos negócios do grupo Para o Grupo RB, empresa global de bens de consumo, o desenvolvimento de projetos considerando os referenciais de sustentabilidade mais modernos, como a certificação LEED, impactam dentro e fora de seu mercado de atuação, uma vez que ambientes sustentáveis beneficiam a produtividade dos colaboradores, melhoram e a qualidade de produtos e geram um ambiente de trabalho saudável e convidativo. O grupo tem por premissa garantir que a sustentabilidade seja integrada aos vários estágios de seu negócio, desde o fornecimento de matérias-primas e fabricação de produtos até o uso de suas marcas. “Buscamos a certificação de interiores para a nossa nova sede comercial, na Avenida Juscelino Kubitschek, em São Paulo, que obteve o LEED ID+C v4 em nível Gold. Também conduzimos ações de sustentabilidade

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nos prédios localizados na rodovia Raposo Tavares e em Embu”, explica Fernando Canal, Gerente de Facilities do grupo. As iniciativas abrangeram a implementação de lava-louças de alta eficiência, aquisição de canecas para visitantes do escritório administrativo e utilização de água de reúso na irrigação automatizada do paisagismo na unidade fabril. Também no escritório da Raposo Tavares, destaque para a substituição de luminárias de vapor metálico com consumo de 400W pelo modelo de luminária LED de 60W, gerando redução de mais de 85% no consumo de energia. “Um dos nossos objetivos é minimizar os impactos que nossas operações têm sobre o meio ambiente. As mudanças que fizemos em nossas instalações são mais uma oportunidade que encontramos para avançar em nossos esforços sustentáveis”, conclui Fernando Canal.


Espaço sustentável Com base em estudo elaborado pela consultoria CBRE, o São Paulo Corporate Towers, na Avenida Juscelino Kubitschek, foi selecionado dentre vários outros empreendimentos para receber a nova sede comercial do Grupo RB. A escolha levou em conta localização das moradias dos funcionários, critérios de segurança, proximidade de serviços nas redondezas e facilidade de acesso. Eficiência no uso de água Com a contratação da consultoria de sustentabilidade CTE, foi realizado um balanço hídrico que constatou que a oferta de água não potável no empreendimento supre 100% da demanda de bacias sanitárias e mictórios. Essa característica, associada a metais eficientes, resulta em uma redução global de mais de 74% no consumo de água potável. Energia e atmosfera Dentre os edifícios certificados no Brasil, o São Paulo Corporate Towers é considerado um dos mais eficientes, detentor da certificação LEED BD+Cv3 nível Platinum, obtida apenas com

a otimização dos sistemas. Essa eficiência é revertida em benefícios para o Grupo RB, que comprovou redução acima de 13% no consumo de energia comparativamente ao baseline. Materiais e recursos A continuidade foi a base para a seleção de materiais para esse projeto pensado para durar mais de 10 anos. A maior parte das instalações que correm pelo forro ficam expostas, permitindo fácil visualização e manutenção. Os carpetes possuem alto conteúdo de material reciclável e integram o programa ReEntry, da Interface, que garante a reciclagem do produto ao final de sua vida útil. Inovação e Processos A empresa aplicou o conceito de amor à vida ao design do escritório, como plantas nas áreas abertas, formas orgânicas nos mobiliários e desenhos de piso e forro, uso de carpete que imita musgo e madeira natural como material de revestimento. O propósito é garantir mais elementos naturais no espaço a fim de melhorar o bem-estar e a produtividade dos funcionários.

Projeto: Sede comercial do Grupo RB Cliente/proprietário: Grupo RB Comercial Localização: São Paulo, SP Área construída: 3.500 m² Construtora: AW Construtora Arquitetura de interiores: Athié | Wohnrath Consultoria: CTE- Centro de Tecnologia de Edificações Data da certificação: 4 de abril de 2019 Sistema e nível da certificação: LEED v4 ID+C: CI nível Gold

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C6 BANK Comprometimento com o desenvolvimento sustentável O novo banco digital C6 Bank ocupa um edifício de quase 8 mil m2 na Avenida Nove de Julho, na região dos Jardins, área paulistana com escassez de terrenos disponíveis para o mercado imobiliário. O prédio de linhas arquitetônicas imponentes, originalmente projetado por aflalo/gasperini, passou por reformas internas para atender às demandas do novo cliente. A arquitetura de interiores foi desenvolvida pelo braço brasileiro do estúdio global Perkins & Will, enquanto as obras e o gerenciamento ficaram a cargo de Athié Wohnrath. O prédio explora o potencial de sua grande área frontal e contribui diretamente para a qualificação urbana do entorno, consolidandose como referência para empreendimentos futuros. Entre seus diferenciais destacam-se lobby amplo, horta urbana, paisagismo que inclui

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árvores frutíferas, iluminação automatizada, reaproveitamento da água de chuva captada na cobertura, controle de vazão de água em todas as saídas, ar-condicionado com sistema inverter, carregador para veículos elétricos, coleta seletiva de todos os resíduos e amplas áreas de lazer no térreo e na cobertura. Comprometido com o desenvolvimento sustentável, o C6 Bank estabeleceu como prioridade de projeto a adoção de parâmetros que levassem em conta o impacto social e ambiental da intervenção. Faz parte da cultura do banco a preocupação com a redução do consumo de água e energia, a diminuição da geração de resíduos por meio de campanhas internas contínuas voltadas à sua equipe, além de incentivo a práticas sustentáveis e a estilos de vida em harmonia com a natureza.


Espaço sustentável Localizado em região com boa oferta de transporte coletivo, o prédio possui área para carga e descarga e para o embarque e desembarque de pessoas. Bicicletários no térreo e no primeiro subsolo incentivam o uso da bicicleta. A reforma de áreas comuns e da cobertura abriu mais espaço para o paisagismo, reduzindo as ilhas de calor. Eficiência no uso de água O projeto adota dispositivos economizadores em todas as saídas de água, o que resultou em redução de 33% no consumo. Manutenção periódica das instalações, limpeza a seco para os carpetes e paisagismo com espécies nativas ou adaptadas contribuem diretamente para o uso racional da água, sem desperdícios. Energia e atmosfera Para alcançar economia de 16,3% no consumo de energia, foram adotados arcondicionado de alta eficiência com sistema inverter da Daikin, iluminação 100% em LED com

média de 7,5W/m² e sistema de controle Dali com sensores de presença e dimerização em função da luz natural. A UPS com 96,5% de eficiência supera requisitos do Energy Star. Materiais e recursos A especificação selecionou materiais recicláveis e tintas, adesivos, selantes, revestimentos e acabamentos de piso com baixa emissão de COVs. Após triagem, mais de 80% dos resíduos da obra foram encaminhados para reciclagem. O C6 investe em copos e xícaras retornáveis e incentiva o uso de meios digitais para reduzir o consumo de papel. Qualidade ambiental interna O sistema de ar-condicionado com gás refrigerante R410 promove renovação de ar superior ao exigido pela ASHRAE 62.1-2010, especialmente nos ambientes de permanência prolongada. Cada ambiente possui seu termostato para o controle individual da temperatura. Sensores de CO2 monitoram a qualidade do ar nas áreas densamente ocupadas.

Projeto: C6 Bank Cliente/proprietário: C6 Bank Localização: São Paulo, SP Área construída: 6.685,03 m² (área privativa) Construtora: Athié | Wohnrath Arquitetura: aflalo/gasperini, Perkins and Will (interiores) Gerenciamento: Athié | Wohnrath Consultoria: CTE- Centro de Tecnologia de Edificações Data da certificação: 1 de novembro de 2019 Sistema e nível da certificação: LEED v4 ID+C: CI nível Gold

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CHANEL BOUTIQUE IGUATEMI Sustentabilidade é item essencial em loja de grife francesa renomada Um dos endereços da grife Chanel no Brasil é o shopping center Iguatemi São Paulo, situado na Avenida Brigadeiro Faria Lima, um dos principais centros financeiros da capital paulista e uma região da cidade com grande concentração de residências e apartamentos de alto padrão. A butique de 561 m² oferece roupas e acessórios da marca centenária que é uma das mais valiosas da França. Inspirado no charme requintado da grife, o projeto desenvolvido por McDonalds Architects e Adriana da Riva – Arquitetura e Interiores definiu uma personalidade contemporânea e elegante para a loja, mas sem esquecer da sustentabilidade, contemplada com a adoção dos parâmetros da certificação LEED. Por estar em um shopping center, a loja é vizinha de diversos outros estabelecimentos comerciais e de serviços e conta ainda com

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várias outras opções de serviços básicos no entorno imediato do centro de compras. Além disso, a localização garantiu ao empreendimento performance exemplar do referencial LEED em relação a acesso a transporte público (1.886 viagens/dia durante a semana e 1.059 viagens/ dia durante o final de semana). Foi desenvolvido e implementado um detalhado Plano de Qualidade do Ar Interno durante a fase de construção e também a avaliação da qualidade do ar interno no empreendimento. Para esta última ação adotou-se o procedimento de Flush-Out durante a ocupação. O empreendimento tem áreas para coleta e armazenamento de materiais para reciclagem, como papel, papelão, vidro, plástico e metal. Durante as obras, mais de 80% dos resíduos foram desviados de aterros e encaminhados para reciclagem.


Mobilidade urbana Com fácil acesso ao metrô e à rede de trens da CPTM, a região é servida por ciclovia e diversas linhas de ônibus, com 1886 viagens/dia durante a semana e 1059 viagens/ dia nos finais de semana. Isso garantiu ao empreendimento performance exemplar do referencial LEED em relação a acesso a transporte público. Eficiência no uso de água Foram adotadas torneiras de baixa vazão e fechamento automático; válvulas de mictório de acionamento manual e fechamento automático temporizado de baixa vazão e caixas de descarga com válvulas dual flush que consomem seis ou três litros de água por ciclo. A redução de consumo de água potável foi de 45,78% frente ao baseline LEED. Energia e atmosfera Medição automatizada dos grandes grupos de consumo de energia, sistema de arcondicionado de alta eficiência e desligamento automático dos sistemas de iluminação e arcondicionado na ausência de ocupantes são algumas das

estratégias que reduzem o consumo de energia. Da carga de equipamentos do empreendimento, 98,08% tem Selo Energy Star. Qualidade ambiental interna Todos os cuidados foram tomados durante a fase de construção para evitar a presença de particulados e COVs não só durante a obra como também durante a ocupação. O sistema de condicionamento de ar dispensa o CFC. O sistema de ventilação mecânica tem vazão 30% superior ao mínimo requerido pela ASHRAE e possui monitoramento de dióxido de carbono. Inovação e Processos O empreendimento conquistou os pontos de Inovação LEED com os seguintes itens: Política de Limpeza Verde; Programa de Educação Ambiental; Programa de compra de lâmpadas respeitando limites máximos de mercúrio; e Estratégias Avançadas da Qualidade do Ar Interno, além da Performance Exemplar em Acesso a Transporte Público.

Projeto: Chanel Boutique Iguatemi Cliente/proprietário: Europrestigio Distr.Com.Artigos de Luxo Localização: São Paulo, SP Área construída: 561 m² Construtora: Saeng Arquitetura: McDonald Architects e Adriana Da Riva - Arquitetura e Interiores Consultoria: Sustentech Data da certificação: 20 de abril de 2019 Sistema e nível da certificação: LEED v4 ID+C: Retail nível Silver

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CONSTRUINDO UM FUTURO SUSTENTÁVEL Administração Condominial Facility Management Consultoria Condominial

Acesse: www.kpexgp.com.br


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GBC BRASIL Certificações LEED 2020

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MADERO CONTAINER AEROTOWN Rede de restaurantes investe em projeto de sustentabilidade Dono de mais de 190 restaurantes no Brasil, incluindo as marcas Madero, Jeronimo Burger e Restaurante Durski, o Grupo Madero se orgulha de ser a empresa da América do Sul com o maior número de certificados LEED – 22 casas das marcas Madero e Jeronimo já conquistaram o selo de sustentabilidade da edificação e outras 46 estão em processo de certificação. Considerando apenas os projetos do grupo com estrutura de contêiner, são oito empreendimentos certificados entre 2019 e 2020 nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná. Esse resultado é uma consequência das ações de preservação e cuidado com o meio ambiente que o grupo realiza em diferentes frentes para a construção de seus restaurantes pelo Brasil. Com a unidade Madero Container Aerotown, cuja estrutura foi projetada 75% em contêiner,

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não foi diferente. Localizado na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro, o projeto buscou as condições mais sustentáveis de implantação para que o empreendimento apresente características como alta permeabilidade no terreno, reservatórios de contenção de cheias e aproveitamento de água de chuva – um sistema de filtragem permite sua utilização em fins não nobres, como irrigação, descargas de bacias sanitárias e limpeza geral. A proximidade de acesso ao transporte público favorece a locomoção de usuários e funcionários. A metodologia construtiva respondeu pela redução significativa de resíduos gerados durante a obra. O projeto de interiores da KRD Arquitetura repete o conceito das outras unidades da rede, caracterizadas pela forte presença de madeira e tijolos aparentes. A luminotécnica é do Studio Regina Bruni.


Espaço sustentável Ao longo da obra, foram implementados controles de poluição e gestão ambiental no canteiro, de forma a prevenir a poluição do entorno. O empreendimento situa-se na Avenida Ayrton Senna, uma localização desenvolvida, que oferece várias opções de comércios e serviços, além de fácil acesso ao transporte público. Eficiência no uso de água As medidas de redução do consumo de água potável no empreendimento incluem a especificação de metais e louças com vazão restrita e implantação de sistema de captação para utilização de água da chuva em descargas de bacias sanitárias, irrigação e limpeza geral. A economia alcançada é de aproximadamente 75%. Energia e atmosfera As estratégias utilizadas para alcançar eficiência energética resultaram em economia de 10% no consumo de energia elétrica. Entre elas, destaque

para a aquisição de equipamentos eficientes, adoção de sistema de automação para evitar desperdícios e o isolamento termoacústico das paredes, o que reduz o consumo do ar-condicionado. Materiais e recursos A metodologia construtiva, com estrutura de contêiner, implicou redução significativa no volume de resíduos da obra. Segregados em baias, os materiais descartados foram desviados de aterros e encaminhados para reciclagem. A especificação priorizou o uso de tintas com baixos índices de compostos orgânicos voláteis. Qualidade ambiental interna A qualidade ambiental no Madero Container Aerotown é garantida por uma combinação de recursos, como uso de vidros eficientes, sistema de ar-condicionado automatizado, isolamento termoacústico das paredes externas, iluminação natural nas áreas dos clientes e monitoração dos níveis de CO2 no salão.

Projeto: Madero Container Aerotown Cliente/proprietário: Grupo Madero Localização: Rio de Janeiro, RJ Área construída: 252 m² Construção e gerenciamento: Ability Incorporadora: Grupo Madero Arquitetura, paisagismo e decoração: KRD Arquitetura Consultoria, simulação e comissionamento: Forte Desenvolvimento Sustentável Data da certificação: 11 de março de 2020 Sistema e nível da certificação: LEED v4 BD+C: NC nível Silver

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SENAI ISI ELETROQUÍMICA Instalação projetada visando eficiência e qualidade de vida O Sistema S da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (FIEP), entre eles Senai, Sesc, Sesi, Senac e Sebrae, atua como stakeholder da indústria e da responsabilidade ambiental e se posiciona já há alguns anos na busca da sustentabilidade e eficiência em seu parque construído. Localizado em Curitiba, o SENAI ISI Eletroquímica é um excelente exemplo. A edificação conta com infraestrutura de laboratórios e de recursos humanos altamente capacitados, realiza pesquisas voltadas para a indústria, desenvolvendo projetos de alto impacto. Nada mais natural que transformar o próprio edifício em laboratório de boas práticas construtivas e inovação, provocando também impacto positivo na sociedade organizada.

o prédio possui envoltória eficiente que garante luz natural para salas e circulações principais. Iluminação dimerizada e automatizada por sensores de presença tornam o uso de energia mais eficiente em todos os espaços. Para oferecer conforto aos ocupantes da edificação, foram especificados paredes e pisos acústicos, esquadrias de vidros com atenuação solar e cobertura com telhas termoacústicas. Outros elementos de destaque ficam por conta do eficiente sistema de coleta e reúso da água da chuva e da geração de energia solar por meio placas fotovoltaicas. Também houve preocupação com a acessibilidade e sistemas de combate a incêndios.

São várias características que fazem do edifício uma construção sustentável. Além de sistemas de climatização e renovação de ar inteligentes,

O projeto incluiu plano de gerenciamento dos materiais descartados na obra e central de resíduos para sua operação.

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Espaço sustentável O SENAI ISI Eletroquímica está localizado em região com fácil acesso a serviços e transporte público. Além disso, incentiva o uso de bicicleta e oferece vagas preferenciais para veículos de baixa emissão. Obteve expressivos 13 dos 16 pontos possíveis nesse quesito. Foram tomadas medidas para prevenção dos efeitos ilha de calor e poluição luminosa. Eficiência no uso de água Metais sanitários eficientes e paisagismo que dispensa irrigação são algumas das estratégias que permitiram a redução de 76,55% no consumo de água. Como inovação, a água da chuva e do sistema de resfriamento atende a todos os vasos sanitários. Na operação, a medição avançada e a submedição das principais origens de consumo permitem a gestão eficiente. Energia e atmosfera A envoltória leva iluminação natural às salas e também às principais circulações, constituindo o principal sistema a contribuir para a redução de consumo de energia. Sistemas

inteligentes de iluminação e arcondicionado proporcionam o uso mais eficiente da energia e garantem redução de consumo superior a 20%. Qualidade ambiental interna O prédio possui sistema de climatização e renovação de ar eficientes, vidros e esquadrias de alta performance e iluminação automatizada. Para paredes e pisos foram especificados materiais que proporcionam conforto acústico aos ocupantes. Vistas de qualidade para o exterior garantem mais bemestar aos usuários. Inovação e Processos O ISI Eletroquímica é uma instalação projetada para um funcionamento eficiente com qualidade de vida para os ocupantes graças ao comprometimento da equipe interna de arquitetura do Senai. O resultado de um processo de certificação só se torna um sucesso se houver liderança institucional, com comprometimento da equipe interna e capacitação técnica dos projetistas e construtores.

Projeto: Senai ISI Eletroquímica Cliente/proprietário: Senai Localização: Curitiba, PR Área construída: 11.068 m² Construtora: RAC Engenharia Arquitetura: Sasis arquitetura e consultoria Consultoria, simulação e comissionamento: Petinelli Data da certificação: 17 de março de 2020 Sistema e nível da certificação: LEED v4 BD+C: NC nível Gold

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EDIFÍCIO ENGENHEIRO JORGE SALOMÃO Retrofit resgata ícone da arquitetura moderna em São Paulo Projetado em 1963 por Rino Levi, um dos grandes expoentes da arquitetura moderna brasileira, o Edifício Engenheiro Jorge Salomão faz parte da história da arquitetura paulista. Ele está situado na Alameda Santos, atrás do Conjunto Nacional, a apenas uma quadra da Avenida Paulista, um dos centros financeiros de São Paulo. O prédio foi idealizado para sediar a empresa Plásticos Plavinil e Indústrias Químicas Eletro Cloro e denominado inicialmente Edifício Plavinil-Elclor. Em 1998, o engenheiro Jorge Salomão adquiriu o imóvel e o locou para o Grupo Ibope, que ali permaneceu até 2017. Nesses quase 19 anos, ele foi conhecido como Edifício Paulo de Tarso Montenegro, em homenagem ao fundador do grupo. Com a saída do Ibope, os proprietários enfrentaram o dilema de manter a edificação como estava, e alugá-la por um valor muito baixo, ou investir em um retrofit para alcançar

os altos padrões prediais da atualidade e conseguir o melhor valor de locação. A opção foi pela modernização, com foco em infraestrutura, tecnologia e eficiência energética. Também foi incluída no projeto a releitura de alguns dos elementos típicos do edifício, como os brises que resgatam a função dos cobogós originais da fachada, removidos durante uma reforma. Após dois anos de obras, os proprietários se orgulham de mostrar o prédio totalmente renovado e em acordo com os parâmetros de sustentabilidade. “A certificação LEED deixou de ser um diferencial e passou a ser primordial para edifícios novos e retrofitados”, afirma Ivi Salomão. Para Vitor Salomão foi um grande desafio certificar um prédio da década de 60. “Estamos muito felizes com essa conquista e demos a esse prédio um novo nome para seguir um novo capítulo: Edifício Engenheiro Jorge Salomão”.


Espaço sustentável Para proteger o entorno, foram adotadas medidas para controle de erosão, sedimentação e poluição na fase de obras, bem como para reduzir os efeitos de ilha de calor tanto na cobertura como nas áreas não cobertas. Com o novo projeto paisagístico, as árvores e demais plantas existentes foram transplantadas no sítio dos proprietários. Eficiência no uso de água A economia de água é assegurada por louças e metais sanitários eficientes e pelo reservatório de água de chuva com clorador que serve aos vasos sanitários dos subsolos e do térreo. O novo paisagismo externo emprega espécies nativas ou adaptadas ao clima, dispensando irrigação. O consumo de água potável é 37,7% menor que o baseline. Energia e atmosfera O projeto combinou soluções como fachada ventilada, vidros low-e, sistema de HVAC eficiente, lâmpadas LED, motores de alto rendimento e o atendimento

integral da norma ASHRAE 90.12010 para garantir eficiência energética ao edifício. Essas estratégias permitiram reduzir o consumo de energia em 23,4%. Materiais e recursos Dos resíduos da obra, 89,7% seguiram para reutilização ou reciclagem. Toda a estrutura do edifício e parte das paredes internas foram reaproveitadas. O concreto armado demolido foi incorporado como rachão no enchimento de lajes do subsolo. O forro de gesso preexistente foi colocado por trás das paredes de drywall, diminuindo o volume de detritos e aumentando o conforto termoacústico. Qualidade ambiental interna Sistema de ar-condicionado automatizado, vidros eficientes, sombreamento por brises e fachada ventilada são recursos que ajudam a promover conforto térmico nas áreas internas. O projeto tira partido da boa iluminação natural e segue a norma ISO 8995 no que se refere à qualidade da iluminação artificial.

Projeto: Edifício Eng. Jorge Salomão Cliente/proprietário: Simel Adm. e Participações Ltda. Localização: São Paulo, SP Área construída: 12.329,71 m² Construtora: Easy Arquitetura: Ávilaverde Arquitetura e Arte Consultoria e simulação: StraubJunqueira Comissionamento: Lacoma Solutions Data da certificação: 22 de setembro de 2020 Sistema e nível da certificação: LEED v4 BD+C: CS nível Silver

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EDIFÍCIO LLUM Luxo e sustentabilidade unidos em padrão internacional A luminosidade que brilha é a marca registrada do Edifício Llum (luz em catalão), cuja fachada em pele de vidro requadrada pelo elemento escultural metálico remete à lapidação de um diamante que reflete luz. O empreendimento adota o conceito de residências suspensas, que conjuga o aconchego das casas com as comodidades e a segurança dos apartamentos. Ele é o primeiro edifício residencial a receber a certificação LEED Gold no Brasil, demonstrando que é possível unir o luxo e sustentabilidade em padrão internacional. O edifício é também um marco no portfólio de projetos da construtora Laguna, que adotou as certificações como padrão de qualidade em seus empreendimentos. Implantado no Batel, bairro nobre de Curitiba, o empreendimento diferencia-se logo à primeira vista por sua arquitetura contemporânea

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com fachada de vidros de alta performance, proporcionando excelente iluminação natural nos ambientes, sem prejudicar o conforto térmico. Seus diferenciais incluem ainda painéis fotovoltaicos para produzir energia e atender parte do consumo das áreas comuns do condomínio e infraestrutura para automação do sistema elétrico nos apartamentos. O edifício de 20 pavimentos é ocupado por 15 unidades com diferentes distribuições e metragens – são 10 com 385 m2 em três opções de plantas e mais cinco unidades dúplex com áreas que variam de 504 m2 a 616 m2. As estratégias de redução de consumo adotadas possibilitam às residências suspensas gastar 15% menos de energia e 20% menos de água que o modelo de referência, provando que conforto e economia podem caminhar juntos.


Espaço sustentável O Llum oferece vagas de estacionamento destinadas a veículos de baixa emissão, carregadores para carros elétricos e bicicletário favorecendo a mobilidade de forma inovadora aos moradores. Sua localização privilegiada garante fácil acesso a comércio e serviços e incentiva o uso de transportes alternativos. Eficiência no uso de água A utilização de metais e louças eficientes combinados com um sistema de aquecimento inteligente da água nas residências permitem maior economia. Já o paisagismo que depende de irrigação utiliza em torno de 90% de água coletada da chuva, colaborando para a redução de 30% do uso total de água potável no edifício. Energia e atmosfera A fachada em pele de vidro de alta performance propicia máximo aproveitamento da luz natural. Os apartamentos possuem infraestrutura para automação do sistema elétrico.

Com a instalação dos painéis fotovoltaicos é possível produzir energia para atender parte do consumo nas áreas comuns do condomínio. Qualidade ambiental interna Os apartamentos contam com infraestrutura para arcondicionado, aspiração central e automação do sistema elétrico. Os vidros duplos e esquadrias são de alta performance, garantindo conforto térmico e acústico. Houve a priorização no uso de materiais de acabamentos com baixa emissão de compostos orgânicos voláteis. Inovação e Processos O LLUM é um exemplo de residência inteligente, pois seu sistema de automação incorporado facilita o dia a dia dos ocupantes e colabora com a economia de energia. Ele ainda utiliza sistemas construtivos que otimizam a operação na manutenção dos sistemas, permitindo sua renovação tecnológica e diminuindo a geração de resíduos.

Projeto: LLUM Cliente/proprietário: Laguna Localização: Curitiba, PR Área construída: 8.636 m² Construtora e incorporadora: Laguna Arquitetura: Baggio & Schiavon Consultoria, simulação e comissionamento: Petinelli Data da certificação: 16 de janeiro de 2020 Sistema e nível da certificação: LEED-CS v2009 nível Gold

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AUXILIADORA PREDIAL SEDE PETRÓPOLIS Retrofit dos sistemas evidencia responsabilidade ambiental da empresa A Auxiliadora Predial é a empresa com a maior estrutura de gestão condominial e negócios imobiliários do Brasil. Ela está presente nos estados do Rio Grande do Sul e São Paulo e elegeu sua agência Petrópolis, em Porto Alegre, para receber a certificação LEED v4.1 O+M para edifícios existentes. A certificação em nível Gold da Operação e Manutenção da sede da empresa após o retrofit de seus sistemas traz em si um exemplo de responsabilidade ambiental da empresa, capaz de promover mudança cultural e o conhecimento compartilhado adquirido com os condomínios administrados e todos os seus clientes. A eficiência energética foi o principal objetivo do retrofit. Com a substituição das luminárias por modelos mais eficientes, lâmpadas comuns por LED e a adoção de sistema de automação com sensores de presença foi possível obter 31

pontos dos 35 possíveis nesse quesito, refletindo o excelente desempenho alcançado. A fachada do prédio conta com vidros duplos, o que garante isolamento térmico e acústico. A qualidade do ar no ambiente interno é garantida por meio do uso de filtros que promovem a renovação constante do ar, com sistema automatizado. Simultaneamente são adotadas estratégias simples, como proibição do fumo, não utilização de CFC nos equipamentos de HVAC e sensores de CO2 automatizados, que também são decisivos para a qualidade do ar nos interiores. Edifícios preexistentes apresentam certas restrições para a adição de sistemas que visam melhorias. Entre as modificações possíveis, foi realizada a troca dos antigos vasos sanitários pouco eficientes para o sistema dual flush, viabilizando a redução de consumo de água potável.


Espaço sustentável O edifício está localizado em uma via coletora de Porto Alegre, foi implantado de frente para uma estação de ônibus e conta com ótimo acesso a diversos serviços. Na avaliação, o prédio obteve 12 pontos dos 14 possíveis nesse quesito devido a benefícios relacionados à mobilidade urbana e à diminuição de CO2. Eficiência no uso de água Mesmo com as restrições que uma edificação preexistente impõe a reformas e melhorias, foi possível substituir todos os vasos sanitários antigos e pouco eficientes para o sistema dual flush, viabilizando a redução de consumo de água potável. Energia e atmosfera A eficiência energética é o grande destaque do retrofit. A substituição das antigas luminárias por modelos mais eficientes e das lâmpadas comuns por LEDs e o novo sistema de automação com sensores de presença foram

fatores que permitiram alcançar 31 pontos dentre os 35 possíveis refletindo o excelente desempenho do prédio. Materiais e recursos As políticas relacionadas a compras e manutenção proporcionam uma excelente mudança de cultura em toda a organização e no seu relacionamento com sua cadeia de fornecedores de materiais e serviços. Em se tratando de uma administradora de imóveis esse impacto é amplificado. Foram adotadas medidas para a redução do volume de resíduos gerado. Qualidade ambiental interna Estratégias simples aplicadas simultaneamente, como colocação de tapetes, proibição do fumo, não utilização de CFC nos equipamentos de HVAC e sensores de CO2 automatizados se mostraram sinérgicas e eficientes para um ganho excepcional para a qualidade do ar interior sem contaminantes para seus usuários.

Projeto: Auxiliadora Predial Sede Petrópolis Cliente/proprietário: Auxiliadora Predial Localização: Porto Alegre, RS Área construída: 1.610 m² Consultoria, simulação e walk-through: Petinelli Data da certificação: 14 de janeiro de 2020 Sistema e nível da certificação: LEED v4.1 O+M: EB nível Gold

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JAPAN HOUSE SÃO PAULO A tradição lado a lado com a sustentabilidade e o futuro A Japan House São Paulo (JHSP), primeira unidade da iniciativa global do governo japonês para difusão da genuína cultura japonesa, abriu as portas para o público em maio de 2017, na Avenida Paulista, 52. O espaço tem como missão apresentar o Japão contemporâneo, oferecendo aos visitantes uma tradução do Japão do século 21, sem esquecer suas raízes e tradições, combinando arte, tecnologia e negócios, como forma de reforçar a ponte entre os dois países. O centro cultural promove, em seus três andares, exposições, seminários, workshops e atividades que trazem ao Brasil os mais relevantes criadores e empreendedores japoneses da atualidade. A instituição já recebeu mais de dois milhões de visitantes. Com projeto do consagrado arquiteto japonês Kengo Kuma, em parceria com o escritório paulistano FGMF Arquitetos, a sede brasileira

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possui um espaço privilegiado de 2.500 m², preenchido com exposições e eventos que se alteram com frequência, além de lojas, café, restaurante, espaço multimídia e salas de seminários. “O cuidado com a sustentabilidade, meioambiente, uso consciente dos recursos, e consequentemente, com as pessoas, reflete muito algumas filosofias onipresentes na cultura nipônica. Por isso, a certificação LEED EB O&M é extremamente simbólica para nós, como uma instituição do governo japonês que tem como objetivo apresentar o Japão contemporâneo”, afirma Eric Klug, presidente da JHSP. “Importante mencionar a inestimável parceria com a Unidade de Sustentabilidade do Centro de Tecnologia de Edificações (CTE) e com a Mitsubishi Electric do Brasil, que foram fundamentais para esta conquista”, finaliza Klug.


Espaço sustentável Pesquisa de transporte realizada junto aos usuários, com 345 respondentes, revelou que 62,45% dos entrevistados utilizam transporte público para deslocamento até o local e que 8,3% se deslocam a pé ou de bicicleta. Comparado ao uso de automóveis, estes dados representam redução de 84% na emissão de carbono equivalente, atrelado ao uso de transporte. Eficiência no uso de água O sistema de automação da Mitsubishi Electric monitora o consumo dos hidrômetros. O registro diário do dispêndio permite a rápida identificação de vazamentos. As bacias sanitárias Toto Washlet dual flush com vazão de 3 e 4,8 litros por acionamento consomem 13,11% menos água que os modelos dual flush de 3 e 6 litros. Energia e atmosfera A auditoria de energia, conforme recomendações da Ashrae, identificou pontos de melhoria da performance. As tecnologias instaladas e as revisões das práticas operacionais garantiram

desempenho de 20,4% e 8% superior à média do mercado internacional e nacional, respectivamente, quando comparado a edifícios de similar tipologia, monitorados pela plataforma ARC. Materiais e recursos De acordo com dados da plataforma ARC, utilizada para monitoramento dos indicadores, a geração de resíduos por ocupante e a taxa (%) de desvio dos resíduos de aterros sanitários classificam o edifício como 15% mais eficiente do que a média nacional e 27% mais eficiente do que a média internacional dos edifícios de tipologia similar. Qualidade ambiental interna Pesquisa de conforto junto a 345 usuários mostrou que a taxa de satisfação é de 98,8%; não houve nenhum registro de desconforto. Refletindo a preocupação da instituição com a saúde e bem-estar dos ocupantes, foram elogiados itens como qualidade do ar, limpeza, iluminação natural, privacidade, acústica e conforto térmico.

Projeto: Japan House São Paulo Cliente/proprietário: Japan House São Paulo Localização: São Paulo, SP Área construída: 2.500 m² Construtora: Toda Arquitetura: Kengo Kuma e FGMF Arquitetos Consultoria: CTE- Centro de Tecnologia de Edificações Data da certificação: 1 de abril de 2020 Sistema e nível da certificação: LEED v4.1 O+M: EB nível Platinum

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JERONIMO BURGER Projeto garante economia significativa de água e energia A Jeronimo Burger é uma rede de hamburguerias do Grupo Madero, também proprietário das marcas Madero e Durski. O grupo tem mais de 190 restaurantes pelo Brasil e considerando apenas os projetos de interiores, já são 26 empreendimentos certificados entre 2018 e 2020, em 12 estados brasileiros.

Devido à localização no interior de um shopping center, o que impede o controle sobre operações de construção e a adoção de algumas soluções ou tecnologias não previstas na edificação, os empreendedores desenvolveram o projeto visando à certificação para interiores LEED ID+C.

Uma das casas já certificadas é a unidade Jeronimo Burger do Shopping Parque da Cidade, situado na marginal do Rio Pinheiros, no bairro da Chácara Santo Antônio, nas adjacências do Morumbi, zona sul de São Paulo.

As propostas de arquitetura, paisagismo e decoração ficaram a cargo do escritório curitibano KRD Arquitetura, cuja titular, a arquiteta Kethlen Ribas Durski, é esposa do chef Junior Durski, proprietário das marcas. A luminotécnica é assinada pelo Studio Regina Bruni.

A região é predominantemente residencial, porém, suas principais vias são o endereço de edifícios corporativos e centros de compras, incluindo um hipermercado. Sua infraestrutura inclui boa oferta de transporte coletivo e um parque público com 35 mil m2 de área verde.

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Os projetos e a especificação de equipamentos visam reduzir o consumo de água e energia elétrica e garantiram economia de 70% e 15%, respectivamente.


Espaço sustentável A Chácara Santo Antonio é um bairro paulistano próximo ao Morumbi e predominantemente residencial, mas caracterizado pela presença de centros comerciais e elegantes edifícios corporativos em suas vias principais, além do parque Severo Gomes, com 35 mil m² de área verde. A região é atendida pelos trens da CPTM e por diversas linhas de ônibus. Eficiência no uso de água Para alcançar a economia de quase 70% no consumo de água potável, o projeto estabeleceu o uso de metais e louças de vazão restrita, bem como descargas sanitárias a vácuo, que funcionam por aspiração. Eficaz, esse sistema reduz o consumo de água em até 90% e gera menor volume de esgoto, evitando sobrecargas na infraestrutura do shopping center. Energia e atmosfera O empreendimento obteve economia de aproximadamente 15% no consumo de energia elétrica em comparação com o

baseline. Esse resultado foi possível devido à especificação de equipamentos eficientes, sistemas de climatização com retorno e de automação, a fim de evitar desperdícios. Materiais e recursos A geração de resíduos na obra foi bastante reduzida. A correta separação dos detritos no canteiro permitiu que os materiais reutilizáveis e recicláveis fossem desviados de aterros sanitários. O projeto deu prioridade a produtos com baixos índices de compostos orgânicos voláteis. Qualidade ambiental interna A qualidade ambiental no interior do Jeronimo do Shopping Parque da Cidade é resultado de uma combinação estratégica de recursos, tais como sistema de arcondicionado automatizado, utilização de vedações isolantes para proporcionar conforto acústico e iluminação artificial eficiente e com controle de intensidade.

Projeto: Jeronimo Parque da Cidade Cliente/proprietário: Grupo Madero Localização: São Paulo, SP Área construída: 484 m² Construção e gerenciamento: Ability Incorporação e administração predial: Grupo Madero Arquitetura, paisagismo e decoração: KRD Arquitetura Consultoria, simulação e comissionamento: Forte Desenvolvimento Sustentável Data da certificação: 17 de abril de 2020 Sistema e nível da certificação: LEED v4 ID+C: CI nível Gold

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SALÃO CÉLIO FARIA INSTITUTO Certificação de sustentabilidade é diferencial para instituto de beleza O Salão Célio Faria Instituto é referência em beleza na capital mineira. O sucesso da unidade localizada em Lourdes levou o empresário e hairstylist Célio Faria a expandir o negócio com uma nova unidade no bairro de Vila da Serra, em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A cidade faz divisa com a zona mais rica da capital e conquista moradores de alto poder aquisitivo com condomínios de luxo e a promessa de mais segurança e qualidade de vida. A nova unidade foi instalada em uma das lojas no térreo do Concordia Corporate Tower, ícone arquitetônico na região inaugurado em 2018. O edifício de 44 pavimentos é o mais alto com estrutura metálica no país e tem o certificado LEED v3 C&S em nível Gold. Ao decidir comprar a loja, o empresário entendeu que ela também deveria ter a certificação de sustentabilidade.

Assinado por Morence Arquitetura + Design, o projeto de arquitetura de interiores vai além da estética e busca eficiência com o objetivo de reduzir o consumo de água e energia, promover a gestão correta dos resíduos e a melhora na qualidade do ar interno. Como resultado, a unidade conquistou o LEED v4 ID+C CI Gold. As estratégias para diminuir o consumo de água e energia garantiram economia de 35,4% e de 24,7%, respectivamente. Quase 84% dos resíduos gerados em obra foram encaminhados para reutilização ou reciclagem. Para o conforto térmico foram adotados recursos como automação do sistema de ar-condicionado, vidros eficientes e sombreamento da fachada. Ao permitir que os ocupantes regulem a temperatura de cada ambiente individualmente, o projeto atendeu ao crédito de conforto térmico do LEED.


Espaço sustentável O salão está localizado no bairro de Vila da Serra, uma região desenvolvida e valorizada, servida por boa infraestrutura de transporte público e com variada oferta de estabelecimento comerciais e de serviços, tais como hotéis, restaurantes, hospitais, faculdades, escolas, supermercados e shopping centers. Eficiência no uso de água Para alcançar a economia de água potável de 35,41% foram adotadas estratégias como instalação de dispositivos economizadores nos sanitários e vestiários (torneiras, descargas e mictórios) e também nos chuveiros de cabeleireiro, que são dotados de dispositivos de redução da vazão de água para otimização do consumo. Energia e atmosfera Um conjunto de medidas permitiu aumentar a eficiência energética e reduzir o consumo de energia em 24,7% do empreendimento. Entre os recursos utilizados estão vidros

low-e, sistema de HVAC eficiente, lâmpadas LED, motores de alto rendimento, além do atendimento integral da norma ASHRAE 90.1-2010. Materiais e recursos O projeto reaproveitou toda a estrutura da loja e parte das paredes internas. Seguindo a legislação para resíduos sólidos e adotando os procedimentos adequados para triagem, foi possível reutilizar ou reciclar a maior parte dos materiais descartados, totalizando 83,97% de resíduos da obra desviados de aterros. Qualidade ambiental interna Mais de 95% da área do salão atende aos requisitos mínimos para a iluminação natural do LEED, o que garantiu a pontuação máxima da certificação. O projeto segue a norma ISO 8995 para a qualidade da iluminação artificial. Além disso, as fachadas de vidro também proporcionam amplas vistas externas para clientes e funcionários.

Projeto: Salão Célio Faria Instituto Cliente/proprietário: Célio Faria Instituto Localização: Nova Lima, MG Área construída: 182 m² Construtora: R. Fulgêncio Engenharia Arquitetura: Morence Arquitetura + Design Consultoria e simulação: StraubJunqueira Comissionamento: Lacoma Solutions Data da certificação: 3 de novembro de 2020 Sistema e nível da certificação: LEED v4 ID+C: CI nível Gold

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VIVO SHOPPING VILLA-LOBOS Projeto de retrofit dá alto desempenho a loja em shopping center A loja Vivo localizada no Shopping Villa-Lobos, em São Paulo, é a primeira do segmento de telecom a conquistar a Certificação LEED no nível Platinum no Brasil. A unidade passou por obras de retrofit e os resultados bastante positivos garantiram alto desempenho. A redução no consumo de energia elétrica ficou em 28% em comparação com uma loja típica, o que garantiu todos os pontos de otimização do desempenho energético da certificação LEED. O esforço para alcançar esse percentual devese ao projeto e às estratégias adotadas, como a correta especificação do sistema luminotécnico, desde equipamentos e lâmpadas, como o uso de dimers e sensores, que trouxeram redução de consumo, segurança e conforto a clientes e colaboradores.

As medidas de eficiência e otimização da iluminação, equipamentos e refletâncias das superfícies colaboraram para a redução do tamanho do sistema de ar-condicionado em 35%. Por não ser possível a instalação in loco de sistemas de geração de energia, foram adquiridos certificados de energia renovável correspondentes a 100% do consumo da loja, reduzindo seu impacto ambiental. A submedição de todos os consumos energéticos da loja permite o gerenciamento eficiente. O shopping center já utiliza estratégias para economia de água potável, como por exemplo, restritores de vazão em torneiras e mictórios secos. O equipamento de ar-condicionado da loja Vivo Villa-Lobos emprega o sistema de água gelada para climatização e seu processo de recuperação de energia requer menos uso do sistema de arcondicionado, o que reduz o consumo de água.


Espaço sustentável Vizinho de um parque com mais de 730 mil m2 de área verde, o shopping center está localizado em área densamente desenvolvida, com diversos usos e serviços disponíveis. A região é servida por linhas de ônibus, trem e metrô, o que facilita o acesso e ajuda a sustentar a qualidade de vida no dia a dia de funcionários e visitantes da loja. Eficiência no uso de água O shopping center já adota medidas para redução do consumo de água potável e usa recursos economizadores nos sanitários. O ar-condicionado da loja Vivo do Shopping Villa-Lobos utiliza o sistema de água gelada para climatização e seu processo de recuperação de energia requer menos uso do ar-condicionado, o que reduz o consumo de água. Energia e atmosfera As estratégias utilizadas pela Vivo permitiram redução 28% do consumo de energia para operação da loja. O principal elemento na garantia desse resultado é o sistema de

iluminação, que emprega lâmpadas LED, dimmers e sensores, o que contribui para reduzir o tamanho do sistema de ar-condicionado em 35%. Materiais e recursos Foram mantidas mais de 50% das áreas de superfícies de piso, parede e portas, o que reduziu a extração de materiais da natureza e o volume de resíduos da obra. A loja tem lixeiras seletivas, eliminou os copos plásticos, usa mobiliário de madeira com selo FSC e implantou a Venda Sustentável, que substitui a impressão de contratos por versões digitais. Qualidade ambiental interna O monitoramento do nível de contaminantes dos materiais associado à filtragem e à renovação do ar 30% acima dos níveis recomendados pela ASHRAE reduz a probabilidade de ocorrência de doenças respiratórias e de transmissão de vírus e bactérias. Cada ambiente possui seu termostato para o controle de temperatura.

Projeto: Vivo Shopping Villa-Lobos Cliente/proprietário: Vivo Localização: São Paulo, SP Área construída: 185 m² Construtora: Cassar Engenharia Arquitetura: Vivo Consultoria, simulação e comissionamento: Petinelli Data da certificação: 7 de abril de 2020 Sistema e nível da certificação: LEED v4 ID+C: Retail nível Platinum

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Com seu ousado compromisso com edifícios mais saudáveis, eficientes e verdes para todos, os membros do GBC Brasil estão criando um legado duradouro para as gerações futuras e para o nosso planeta. 152

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GBC BRASIL Certificações CASA & CONDOMÍNIO

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RESIDÊNCIA ML Sistema de geração de energia supre todo o consumo da casa Concebida para ser referência em sustentabilidade, a Residência ML foi projetada visando alcançar o melhor desempenho em termos de eficiência térmica, energética e lumínica. O projeto seguiu os parâmetros do GBC Brasil Casa e alcançou o nível Platina, com 84 pontos, a maior pontuação já registrada por essa certificação no país. A casa, localizada em Curitiba, tem quase 300 m² de área construída e é distribuída em três pavimentos, com garagem, áreas sociais e ala íntima com três suítes. A autossuficiência energética é assegurada por painéis fotovoltaicos e por um micro gerador eólico, conjunto que oferece energia renovável e atende a 100% da demanda. Para a economia de água potável, a casa emprega sistema de captação de água da chuva para uso em bacias sanitárias, irrigação e torneiras externas.

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Curitiba é a capital mais fria do Brasil e a temperatura média durante o verão fica em torno de 21 ºC, embora possa chegar a 30 ºC nos dias mais quentes. Janelas com grandes aberturas e disposição cruzada e a tipologia de vidros e materiais empregados na envoltória dispensam o ar-condicionado para resfriar os ambientes, embora a casa possua a infraestrutura necessária instalada. Há também um sistema de aquecimento por biomassa que não emite gases nem fumaça para dentro dos ambientes. A tecnologia foi dimensionada de acordo com o volume de ar a ser aquecido e com a carga térmica simulada. A eficiência é complementada por portas e esquadrias com vedação totalmente hermética. Como vantagem adicional, o sistema combate a umidade da casa, problema comum nas construções curitibanas.


Espaço sustentável O projeto priorizou as superfícies claras nos interiores e nas áreas externas a fim de refletir a luz e reduzir o efeito de ilha de calor. Durante as obras, foram adotados recursos de controle de poluição e implantado um sistema de armazenamento de águas pluviais. Nas proximidades da casa há oferta de recursos comunitários. Eficiência no uso de água A economia de água é de aproximadamente 80%. Esse resultado foi alcançado pela combinação de louças e metais sanitários de vazão restrita e sistema de captação de água de chuva para atender fins não nobres, como descarga para bacias sanitárias, irrigação automatizada das áreas verdes e limpeza de pisos. Energia e atmosfera A Residência ML foi projetada para operar de modo sustentável e conta com placas fotovoltaicas e turbina eólica no telhado que geram 100% da energia necessária.

A eficiência energética é devida à ventilação cruzada, iluminação natural, queima de biomassa para aquecimento, iluminação artificial eficiente e bombas de alto rendimento. Materiais e recursos Foram priorizadas tintas com baixos índices de compostos orgânicos voláteis e materiais com Declaração ambiental de Tipo III e Certificado ABNT Qualidade Ambiental. O uso de materiais com resíduos contaminantes foi vetado. A maior parte dos detritos da obra foi desviada de aterros e encaminhada reciclagem. Qualidade ambiental interna O conforto interno decorre de uma estratégica associação de recursos, tais como farta iluminação natural, ventilação cruzada, vidros de alta eficiência, esquadrias com alto índice de redução sonora, manta acústica nos contrapisos, lareira com combustão interna em câmara fechada e sensores de monóxido de carbono.

Projeto: Residência ML Cliente/proprietário: Matheus Forte Localização: Curitiba, PR Área construída: 284,35 m² Construtora: Paulo Construções Arquitetura: Eloi Bastos Consultoria, simulação e comissionamento: Forte Desenvolvimento Sustentável Data da certificação: 3 de maio de 2020 Sistema e nível da certificação: GBC CASA nível Platina

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EDIFÍCIO ÍCARO – JARDINS DO GRACIOSA Empreendimento explora ao máximo luz e ventilação naturais O Edifício Ícaro – Jardins do Graciosa obteve em 2018 a pré-certificação GBC Condomínio Projeto. Um ano depois, a confirmação do desempenho previsto garantiu ao empreendimento a certificação GBC Condomínio em nível Ouro. Atualmente o empreendimento passa por um levantamento de retorno econômico. Com arquitetura de Arthur Casas, o condomínio residencial de luxo é composto por três torres que seguem o conceito de casas suspensas e têm como um de seus grandes diferenciais as plantas personalizadas com áreas que variam de 315 m2 a 840 m2. As unidades exploram amplamente a iluminação e a ventilação naturais dos ambientes e buscam integração com a natureza tanto nos espaços privativos como nas áreas comuns. Este empreendimento sustentável não é o primeiro da AG7 Realty, incorporadora do condomínio. “A sustentabilidade é um dos

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valores de nossa companhia, está presente no nosso dia a dia. Entendemos a profundidade desta missão, nossa responsabilidade e o impacto que as atitudes que tomamos hoje terão nos próximos anos”, destaca Alfredo Gulin Neto, CEO da AG7. Entre as inovações do empreendimento está a geração da energia por meio de placas fotovoltaicas no telhado das torres ainda na etapa de construção, o que reduziu o consumo na obra e promoveu economia um ano antes da entrega. O Jardins do Graciosa conta com bicicletário equipado com ferramentas e bombas para encher pneus, estações de carregamento de carros elétricos na garagem e está próximo de um terminal de ônibus urbano, condições que estimulam o uso do transporte coletivo e de veículos alternativos.


Espaço sustentável O condomínio apresenta áreas comuns abertas, grande capacidade de armazenamento de água de chuva para reúso, alta permeabilidade no solo e passou por diversos controles de ruído e fumaça ao longo da obra. Sua localização, próxima de um terminal de ônibus, facilita o acesso a moradores, visitantes e funcionários. Eficiência no uso de água O empreendimento alcança economia de água de quase 30% em comparação ao baseline. Esse resultado é garantido por metais e louças com vazão restrita, infraestrutura para captação e utilização de água da chuva, direcionada para o sistema automatizado de irrigação do paisagismo e para a limpeza das áreas comuns. Energia e atmosfera Grandes aberturas de ventilação e iluminação natural, paredes de concreto moldado in loco com colchão de ar, geração de energia por meio de placas fotovoltaicas nos telhados das três torres,

iluminação artificial eficiente e bombas de alto rendimento são algumas das estratégias que ajudam a reduzir o consumo de energia em 34,8%. Materiais e recursos A obra empregou tintas com baixos índices de COVs e materiais com Declaração Ambiental de Tipo III e Certificado ABNT Qualidade Ambiental. Foi vetado o uso de materiais com resíduos contaminantes. A geração de detritos no canteiro foi reduzida e os descartes foram encaminhados para reciclagem ou reutilização. Qualidade ambiental interna Vidros eficientes e equipamentos de ar-condicionado dotados de controle individual somam-se a paredes de concreto moldado in loco com colchão de ar para promover conforto térmico. Mantas acústicas no contrapiso e esquadrias com alto índice de redução sonora respondem pelo conforto acústico. As grandes aberturas promovem o desempenho lumínico máximo sem causar ofuscamento.

Projeto: Edifício Ícaro – Jardins do Graciosa Cliente/proprietário: AG7 Realty Localização: Curitiba, PR Área construída: 16.207,98 m² Construtora: EBR Engenharia Incorporadora: AG7 Realty Arquitetura: Arthur Casas Consultoria, simulação e comissionamento: Forte Desenvolvimento Sustentável Data da certificação: 21 de outubro de 2019 Sistema e nível da certificação: GBC CONDOMÍNIO nível Ouro

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HIGIENE E ECONOMIA DE ÁGUA PARA TODOS OS AMBIENTES

DOCOLMATIC A tecnologia de fechamento automático presente na família de produtos DocolMatic reinventou o mercado de metais há mais de 25 anos, trazendo atributos como saúde, segurança e economia de água, fundamentais para ambientes com fluxo intenso de pessoas.

Sensores de aproximação ou presença Revestimento que evita a proliferação de bactérias Modelos antivandalismo Opções com acionamento por pedal / chão


GBC BRASIL Certificações ZERO ENERGY


CAMISAS POLO SALVADOR Autossuficiência em energia viável aos edifícios de pequeno porte A indústria Camisas Polo Salvador surgiu no bairro do Uruguai, na Cidade Baixa, em Salvador. O polo fabril é altamente especializado, com equipe técnica capacitada e capacidade instalada de produção de 2.000 peças diárias. “A sustentabilidade é o pilar mais importante da Camisas Polo Salvador e, por isso, a visibilidade no mercado enquanto ‘Empresa Verde’ é fundamental. Mostrando como a organização funciona e vem em crescimento gradativo a partir das práticas socioambientais implantadas, atesta-se, que é possível progredir sendo aliado do meio ambiente, fato que influencia outras empresas a seguir o mesmo curso (...)”, reforça Hari Hartmann, diretor da empresa. A indústria recebeu a primeira certificação GBC Brasil Zero Energy da região Nordeste, com apoio da consultoria Green Edifica, comprovando ser um edifício com o consumo autossuficiente energeticamente por uma combinação de alta

eficiência energética e geração de energia por fontes renováveis. A edificação possui 104 placas fotovoltaicas instaladas em sua cobertura e gerou mais de 100% do seu consumo energético dos últimos 24 meses. Com a autossuficiência energética, a empresa conseguiu neutralizar a emissão de gases de efeito estufa gerando créditos para a produção anual de uma das suas linhas, a 100% algodão, certificada pela ABNT como a primeira camisa polo Carbono Zero do Brasil.

Projeto: Camisas Polo Salvador Cliente/proprietário: Polo Salvador Localização: Salvador,-BA Geração/consumo anual: 17.057 kWh / 15.722 kWh Tecnologia do sistema fotovoltaico: Geração fotovoltaica on site, on-grid Instalação: Renovasol Consultoria: Green Edifica Consultoria Data da certificação: 16 de julho de 2019 Sistema da certificação: GBC Zero Energy


ORQUIDARIA ROSITA Projeto corresponde à reputação ecológica de Curitiba “Foi uma grande responsabilidade para o nosso escritório transformar o antigo sonho de uma cliente muito especial em realidade e poder dividir sua paixão pelas orquídeas com a cidade onde nasceu”, diz o arquiteto Jayme Bernardo, titular do escritório responsável pelo projeto da Orquidaria Rosita. Cercada por jardins do renomado paisagista mineiro Luiz Carlos Orsini, a mega-floricultura nasceu com a proposta plural de abrigar uma grande coleção de orquídeas raras e um charmoso café, além de se diferenciar por seu projeto altamente eficiente, com baixo consumo de energia e água, fazendo jus à reputação ecológica de Curitiba. Com a adoção de um sistema com 24 placas fotovoltaicas que atendem a 100% da demanda e a ajuda de simulações energéticas, foi possível economizar de maneira significativa o uso de climatização artificial, o que garantiu

ao empreendimento o selo Zero Energy, motivo de orgulho para os profissionais envolvidos e para a cliente. Localizado no bairro de São Lourenço, o conjunto também conta com máximo aproveitamento da luz natural e sistema de captação e armazenamento de água da chuva, que direcionada para irrigação e limpeza, proporciona economia de cerca de 25% no consumo de água potável.

Projeto: Orquidaria Rosita Cliente/proprietário: Rosita Beltrão Rischbieter Localização: Curitiba, PR Geração/consumo anual: 9.600 kWh / 9.041 kWh Tecnologia do sistema: Módulos fotovoltaicos policristalinos e inversores CC/AA Instalação: ABR Energias Consultoria, simulação e comissionamento: Forte Desenvolvimento Sustentável Data da pré-certificação: 25 de março de 2020 Sistema da certificação: GBC Zero Energy

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GBC BRASIL Demais certificações CASA & CONDOMÍNIO e ZERO ENERGY 2019 - 2020 Projeto

Localização

Sistema e Nível de Certificação

Certificação

Casa Plana Casa Bee (Pedro Novis) RP Golf Eco House Projeto Alameda Braga Edifício Villa Di Tondo Myrá Alphaville

Porto Feliz, SP Campo Grande, MS São José do Rio Preto, SP Bragança Paulista,SP Bento Gonçalves, RS Barueri, SP

GBC CASA nível Ouro GBC CASA nível Prata GBC CASA nível Prata GBC CASA nível Projeto GBC CONDOMÍNIO nível Projeto GBC CONDOMÍNIO nível Projeto

2019 2019 2019 2019 2019 2019

Casa 01 Casa Tânia Trajano Pinhais Park

Criciúma, SC Campinas, SP Pinhais, PR

2020 2020 2020

Loft Alameda Formosa

Santana de Parnaíba, SP

GBC CASA nível Platina GBC CASA nível Ouro GBC CONDOMÍNIO nível Ouro ZERO ENERGY nível Certificado

2019


O NO Ã Ç A IP IC T R A P UA GARANTA JÁ S 2021/22 IL S A R B C B G ANUÁRIO

Melhores práticas, novas tecnologias, cases de sucesso e inovações da construção sustentável no Brasil O Anuário GBC Brasil 2021/22 traz um panorama completo dos empreendimentos que atingem as pontuações necessárias para obtenção das certificações LEED, GBC Casa & Condomínio, e GBC Zero Energy nas suas diversas classificações e níveis. A publicação apresenta as melhores práticas, novas tecnologias, cases de sucesso, inovações e auxilia na criação de uma forte rede de networking, visando acelerar o crescimento do movimento de construções sustentáveis do país.

O Anuário é uma publicação oficial do Green Building Council Brasil e sua distribuição alcançará importantes profissionais e contratantes do nosso banco de dados e do GBC Brasil. Será distribuído em eventos importantes realizados ou apoiados pelo GBC ao longo do ano, e vendido através de livrarias a nível nacional. Para mais informações, entre em contato pelo telefone 11 3871-1888 ou pelo e-mail jacques@jjcarol.com.br.

www,jjcarol.com.br | (11) 3871.1888


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LABORATÓRIO MAIS SUSTENTÁVEL DO BRASIL

Centro de Pesquisa e Inovação da L’Oréal recebe o certificado Leed Platinum, que consagra uma nova forma de trabalhar e operar, levando em conta a experiência humana

O Centro de Pesquisa & Inovação da L’Oréal Brasil foi certificado com o Leed Platinum, a mais alta classificação na certificação internacional de Liderança em Energia e Design Ambiental, que considera a área de Operação e Manutenção e tem entre seus principais requisitos a experiência humana, sendo o mais sustentável do Brasil pelo segundo ano consecutivo. Para

NÚMEROS CENTRO DE PESQUISA & INOVAÇÃO DA L’ORÉAL BRASIL/ LEED PLATINUM

prédio no Rio de Janeiro a ter essa conquista

Laboratório de Pesquisa no Brasil

da L’Oréal no mundo

obter esse certificado, o empreendimento é avaliado em seis categorias: Matriz Energética; Eficiência no uso da água; Gestão de resíduos; Transporte (tipo de transporte e emissões); Experiência humana (qualidade do ar e satisfação com o ambiente); e Configuração do prédio (lay-out, dimensões, regime de


Sustentabilidade certificada para seu projeto corporativo ou residencial Produtos criados para economizar água e contribuir com o planeta Há 65 anos, a Docol, uma das líderes do mercado de metais sanitários no Brasil e no exterior, oferece soluções baseadas em inovação, design e sustentabilidade. Em um portfólio de quase dois mil produtos, apresenta metais e louças sanitárias com economizadores de água, peças assinadas e soluções completas para ambientes como cozinha, banheiro, lavandeira e áreas externas, além de atender segmentos específicos como o da construção civil e o hospitalar, com tecnologias próprias. Dentre as várias linhas da Docol, destacam-se os produtos para certificação LEED®, os quais são amplamente empregados em obras corporativas e residenciais, fazendo parte da rotina de milhares de usuários. Os produtos economizadores para certificação LEED® já saem da fábrica da Docol, em Joinville/SC, equipados com arejadores e/ou restritores de vazão de alta eficiência, o que garante vazão constante e a economia de água comprovada. Desde 1993, quando a certificação LEED® foi criada nos EUA com o intuito de promover e fomentar as práticas de construções sustentáveis, a Docol já possuía uma linha de produtos economizados, a linha DocolMatic. E a adequação às exigências das normas do Green Building Council Brasil para oferecer produtos ainda mais eficientes na economia de água foi uma iniciativa alinhada ao DNA Docol, que alavancou o pilar de sustentabilidade da marca. Com a ampliação do portfólio dos produtos LEED, que agora além do corporativo, atendem também o residencial, a Docol está cada vez mais presente em diferentes obras no Brasil, como na nova Agência da Cooperativa Sicredi Evolução, em João Pessoa/PB. O projeto foi executado em tempo recorde de oito meses, tendo como essência de sua estrutura a montagem de 22 containers em 700 m² de área. Foi o primeiro edifício a receber a certificação LEED® em João Pessoa, atingindo nível Gold®, além de ser a primeira agência bancária em containers da América Latina.

Cooperativa Sicredi Evolução, em João Pessoa/PB.

O reaproveitamento da água da chuva para utilização nas bacias sanitárias e a escolha dos produtos de certificação LEED®, como os economizadores Docol, garantiram economia de água de 72%, contribuindo para o alto desempenho da edificação. Os produtos Docol como o misturador monocomando para cozinha Monet LEED, com uma vazão de 8 l/min, e a torneira de mesa para lavatório Pressmatic Alfa LEED, com uma vazão de 1,85 l/min, foram utilizados na obra e contribuíram para o nível máximo desta certificação. A economia de energia, a gestão de resíduos, a parede verde e o teto jardim são outros pontos destacados da obra, que contou com a Consultoria LEED da empresa Ares Eficiência Energética e Sustentabilidade. Já o Centro Comercial Iran Oliveira – CCIO, localizado em Belo Horizonte/MG, conta com práticas sustentáveis, visando menor impacto ambiental na sua construção e também na operação e manutenção. O foco na eficiência energética e na redução do consumo de água gera custos 176

GBC BRASIL - ANUÁRIO 2020/21


menores ao condomínio. A obra tem um total de mais de 2.000 m² de área construída em 5 pavimentos. A Consultoria de sustentabilidade e certificação LEED® ficou por conta da Verdi Arquitetura e Sustentabilidade e o projeto arquitetônico foi assinado pela Farkasvolgyi Arquitetura. Uma das torneiras Docol utilizadas foi a Pressmatic LEED de lavatório, que além de econômica, garante ótima funcionalidade em cubas embutidas ou semi-embutidas. Os arejadores da linha Pressmatic LEED têm como principal função misturar o ar e a água. Essa mistura mantém o conforto ao lavar as mãos e garante até 70% de economia de água durante o uso. Centro Comercial Iran Oliveira – CCIO, em Belo Horizonte/MG.

Curiosidades

Estar presente em grandes obras faz parte da história da Docol, já são mais de 9 mil em todo o país. Em 2014, a marca forneceu metais sanitários para 11 dos 12 estádios da Copa do Mundo no Brasil. Dois anos depois, a Docol também forneceu cerca de 10 mil itens, entre torneiras, chuveiros, acabamentos de válvulas de descarga, entre outros, para as Olimpíadas do Rio de Janeiro. Ainda no Rio, a marca também está presente no Parque Madureira, no Museu do Amanhã, no aeroporto Galeão e em mais de 100 das escolas entregues pelo projeto Fábrica de Escolas do Amanhã. Em 2020, a Docol doou 4 mil torneiras da linha Pressmatic para as ações de combate ao Coronavírus, dentre elas estão instituições de saúde como o Centro de Triagem da maternidade Darcy Vargas, a ala nova do Hospital São José e o centro de triagem Covid-19, todos em Joinville/SC, além do Hospital das Clínicas, de Porto Alegre/RS e o Hospital de Campanha de Belo Horizonte/MG. Tecnologia como diferencial As torneiras da linha Pressmatic estão entre as principais escolhas para compor espaços abertos ao públicos, pois a durabilidade desses metais é superior às normas nacionais e entregam economia de água de até 70%. Acabamentos para válvula de descarga com tecnologia Salvágua reforçam a opção por produtos sustentáveis. Já a linha Benefit, desenvolvida para proporcionar conforto e usabilidade para PNE (Portadores de Necessidades Especiais), atende às regulamentações de acessibilidade (NBR 9050). Em ambientes públicos, duas linhas são amplamente utilizadas: a linha Antivandalismo, que contempla chuveiros, torneiras e acabamentos para válvulas de descarga; e a linha de torneiras e válvulas com Ciclo Fixo, pois demonstram preocupação com a segurança e com a economia de água. Sobre a Docol A Docol é uma empresa brasileira que há mais de 65 anos entrega a seus clientes soluções baseadas em inovação, design e sustentabilidade. Seus produtos, que colecionam prêmios ao redor do mundo, incentivam o uso consciente da água e são exportados para mais de 40 países - a empresa é uma das líderes do segmento no Brasil e a maior exportadora de metais sanitários da América Latina. Em 2019, a Docol adquiriu o controle operacional da Mekal, empresa líder no segmento de cubas e bancadas de aço inoxidável e também passou a atuar no segmento de louças sanitárias, oferecendo ao mercado produtos de altíssima qualidade. 177


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França & Schwebel Ltda Principais atividades: • Projeto, gerenciamento, consultoria de estruturas e coberturas metálicas. • Projetos de arquitetura com ênfase em estruturas metálicas. • Dealer da MARKO Sistemas Metálicos (Sistema ROLL-ON) desde 1996, com mais de 450 obras concluídas em todo o Brasil.

Hall 3 Montagens e Serviços Ltda Principais atividades:

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• Execução de obras de estruturas e coberturas metálicas roll-on em todo o Brasil. • Execução de obras de impermeabilização pelo sistema PIR + TPO em todo o Brasil. • Execução de impermeabilização utilizandose o sistema PIR + TPO (com garantias que podem ir de 10 a 25 anos) para quaisquer tipos de obras (novas e retrofit’s). Residências de alto padrão, coberturas convencionais, coberturas pré-fabricadas metálicas, usos industriais, comerciais, pavilhões de exposições, centros de distribuição, etc. • Retrofit completo na cobertura sem parar Asunción - Paraguai a produção, sem devassar a cobertura com adição de isolamento térmico (PIR) e membrana (TPO) proporcionando conforto térmico e estanqueidade de 100%. • Colocação de domus zenitais para iluminação natural, com economia significativa de energia elétrica. • Instalação de linha de vida com fornecimento de projeto e execução dentro das normas da ABNT. • Instalação e/ou reforma do SPDA - sistema de proteção de descargas atmosféricas. • Fechamento divisório de módulos em galpões logísticos.

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