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magazine literatura que pulsa! Ano 1 - N0 1

ISSN 2506-5296 Genebra, Suíça - Setembro 2017


VEIA magazine - Edição 01 - Agosto/2017

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DIRETO NA VEIA

VEIA magazine - Edição 01 - Agosto/2017

Alô pessoas!

dicas de leitura, de exposições, cursos e várias outras atividades culturais. Nesta edição trazemos, além dos textos literários de diversos autores nos seus mais variados estilos, matéria sobre as Galerias Lafayette (Haussmann) em Paris que, por mais incrível que pareça, deixou há muito tempo de ser apenas uma grande loja para ser um dos monumentos mais visitados de Paris! Você também poderá ler sobre a Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI), o órgão das Nações Unidas sediado em Genebra e que zela pela proteção dos direitos intelectuais, aqui incluindo os direitos autorais e industriais. Di Cavalcanti, um dos maiores artistas plásticos brasileiros de todos os tempos, completaria 120 anos e a Pinacoteca (São Paulo) está com uma bela exposição a ser conferida, sem dúvida. Flora Purim, Dalton Trevisan, Cora Coralina, Clevane Pessoa... Personalidades da cultura de um Brasil que hoje questionamos. E questionamos não somente culturalmente, mas econômica e politicamente. Um Brasil que a cada dia que passa parece se afundar em más decisões. E não, não é preciso morar no Brasil para entender isto. Nós, os milhares de brasileiros que estamos fora do Brasil há décadas ou meses, também nos sentimos no direito de opinar, já que nosso corpo trabalha duro para sobreviver aqui no exterior, mas nossa alma jamais deixará de ser brasileira. Apesar das críticas, nós, os exilados por opção, sempre teremos o que dizer. E diremos, já que nunca deixaremos de ser brasileiros e que nossa opinião, tão importante quanto qualquer outra, deverá somar-se às demais para que mais possa ser feito por nosso país.

Hoje me acordei num mundo um pouco mais vazio. Já havia constatado que o mês de agosto tem este mau hábito de sair levando embora as pessoas da minha vida, mas hoje parece que o pensamento apenas se tornou mais forte. Foi-se para outro plano a minha querida amiga Norália de Mello Castro, escritora talentosa, pessoa de personalidade marcante e de grande sensibilidade. Meu coração abriu-se e dele retirou mais um pedacinho para que Norália pudesse apanhá-lo na sua despedia e assim levar consigo. Dei-me um momento de silêncio em homenagem a esta pessoa que tanto representou para mim e então pus-me a dar continuidade a esta nova revista que criei. Porque lembrei-me de todas as vezes que a amiga me deu forças, me ergueu das tristezas e me permitiu ser uma pessoa melhor. Norália, esta edição eu dedico a você! Se você está conhecendo agora a VEIA Magazine, seja muito bem-vinda (o)! Este é o número 1, mas você também poderá ler a edição Zero, publicada em junho, quando iniciou a publicação. Meu desejo, com a VEIA Magazine, é trazer para você um espaço onde o seu talento possa ser divulgado com qualidade através deste vasto universo virtual. Textos literários, artes plásticas e artes gráficas, artesanato, teatro, música, enfim, a cultura que você produz, aqui sempre encontrará um lugar de expressão diferenciado. O espaço da revista se completa com um blog moderno onde os textos também serão publicados, tanto quanto

Jacqueline Aisenman Editora Chefe VEIA Magazine

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corre na veia... • Galerias Lafayette, Um dos Monumentos de Paris • Pessoa Especial: Clevane Pessoa • Sugestão de Leitura: Sobrevivente • Marilu F Queiroz • Os Gaúchos e sua Raiz Ibérica • Marly Rondan • Valdeck Almeida de Jesus • Exposições na Suíça • Alexandra Magalhães Zeiner • Emanuel Medeiros Vieira • Jardin Anglais, Genève • Vagner Xavier • Cora Coralina • Ana Clara Farto Agapito • Lu Toledo • Genebra, Capital da Paz • Sugestão de Leitura: O Essencial do Livro dos Livros • Antonio Cabral Filho • Jeferson Barbosa da Silva, Poeta Garoeiro

• Jania Souza • Direitos dos Animais • Dalton Trevisan • Germano Machado • Pinacoteca: 120 Anos de Di Cavalcanti • O Artista Di Cavalcanti • Blenda Bortolini • Jacob B. Goldemberg • Flora Purim • Tania Diniz • Maria (Nilza) de Campos Lepre • Sentimentos Confiscados por Cesar S. Farias • Jacqueline Aisenman • OMPI - Organização Mundial da Propriedade Intelectual • Vinni Corrêa • Eventos Literários • Jornal Sem Fronteiras • Pyxis Literaria • Saudades Para Sempre: Norália de Mello Castro


V EI A Magazine Com toda certeza, todos podem e devem escrever. Escrever é um importante meio de comunicação e a escrita é uma deliciosa maneira de se expressar, além de ser um grande fator revelador de talentos!

trabalho de divulgação midiática. Acredite, você será visto! Inscrições abertas permanentemente para anúncios no blog (veja no blog as condições de participação para a edição de novembro! Coloque a sua literatura na VEIA do mundo literário! Venha! veia@bluewin.ch

Os assuntos diferem e, mesmo quando são os mesmos - ou quando se assemelham, tocam gêneros diferentes. E mais: se os gêneros forem iguais, o fundamental será diferente: você! Você é único e o seu jeito de contar, de poetar, de romancear… O seu jeito é incomparável, é especial e isto porque é você! Cada pessoa imprime seu estilo naquilo que escreve, movendo a literatura adiante e não permitindo que ela morra. Quantas histórias de detetives você já leu? Muitas! Pois pode apostar que Sherlock Holmes e Hercule Poirot, por exemplo, são maravilhosamente diferentes e os crimes desvendados por eles nos livros não são somente distintos, mas trazem um « algo » especial que prende o leitor do início ao fim da trama. Quantos poemas de amor você já leu? De quantos poetas diferentes? Muitos, provavelmente! Mas, mesmo havendo milhares de poemas de amor nas mais variadas línguas faladas e escritas pelo mundo, você sabe que seus poemas de amor não se parecem com nenhum outro. E é assim porque todos nos expressamos distintamente. Seu estilo é você, sua assinatura, a impressão digital do seu talento. Mas, neste mar literário profundo e quase infindável, é praticamente impossível saber o nome de todos os autores, principalmente os que vão surgindo e nem tem apoio midiático ou da própria editora. Por isto mesmo você precisa de espaço para divulgar seu talento e divulgar suas obras. Você precisa fazer por si mesmo, por sua obra, mostrando ao mundo suas habilidades excepcionais! Numa era em que todos leem cada vez mais em seus computadores, tablets e smartphones, a digital VEIA magazine propõe a você um espaço exclusivo aqui na revista e também no blog. E você pode ter certeza que conosco terá visibilidade, pois somos profissionais e realmente divulgamos o que fazemos. Nossa experiência vem de anos de um excelente

A CULTURA ESTÁ NA NOSSA VEIA! LITERATURA ARTES PLÁSTICAS MÚSICA DANÇA HISTÓRIA! VENHA! veia@bluewin.ch


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GALERIAS LAFAYETTE, UM DOS MONUMENTOS DE PARIS A Galeria Lafayette Haussmann é uma grande loja de departamentos parisiense situada no Boulevard Haussmann. Numa área de 70.000 m2 o grande magazine é um recorde em todos os sentidos. Em 2009, por exemplo, recebeu 25 milhões de visitantes, ou seja, 100.000 clientes cotidianos.

vard Haussmann e o número 15 da rua Chaussée d’Antin foram também adquiridos. Percebe-se, desde o início, que os primeiros anos da recente empresa foram totalmente mobilizados por uma “estratégia de pedra”, ou seja, na aquisição dos imóveis das cercanias, unificando uma arquitetura que aos poucos ia se adaptando ao que era preciso para engrandecer o comércio. Em 1907 uma grande parte estava feita, mas a conclusão do imóvel foi realizada em 1912.

Tudo começou quando, em 1893, Théophile Bader e Alphonse Kahn, provenientes da região da Alsácia, resolveram criar uma pequena mercearia em Paris, na esquina entre as ruas La Fayette La Chaussée d’Antin. Foi a partir desta localização, onde dizem que o tráfego “se move ao longo dos raios” que o nome Galeries Lafayette surgiu. O local logo foi percebido como ideal ao beneficiar bairros importantes e grandes avenidas. No ano de 1896, o comércio indo cada vez melhor, adquiriram o edifício 1 da rua La Fayette inteiro e em 1903 os prédios número 38, 40 e 42 do Boule6


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“Um bazar de luxo” Com a área total de vendas dobrada, as inovações se expandem e foram então criados um salão de chá, um salão de leitura e um salão para fumantes. Paris vê nascer uma nova modalidade de “shopping”: comprar torna-se também um lazer!

A inauguração deu-se em outubro de 1912 e era realmente uma construção excepcional. O sonho de Théophile Bader, um dos proprietários, era realizar um “bazar de luxo” e a luz dourada cintilando a partir da cúpula realizou o sonho.

No topo do edifício, a partir do terraço, uma vista panorâmica de Paris...

Os principais artistas da Escola de Nancy participaram da decoração do imóvel que foi inscrito como monumento dentro do Paris Art Nouveau.

No topo do edifício, a partir do terraço, uma vista panorâmica de Paris espera os clientes, sem falar nos eventos excepcionais que são organizados para entretenimento. O célebre aviador Jules Védrine, em 1919 sobrevoa Paris à baixa altitude, para o furor da clientela das Galerias Lafayette. Com isto ele torna-se também o primeiro criminoso da história aérea, ao ter que pagar uma multa à cidade por este voo inconsequente!

A monumental rampa da escadaria foi inspirada na Ópera de Paris.... A monumental rampa da escadaria foi inspirada na Ópera de Paris e é assinada Louis Majorelle. A cúpula, que está a 43 metros de altura, tornou-se o maior símbolo das Galeries Lafayette. O mestre Jacques Gruber criou os vitrais em estilo neo-bizantino.

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“O mais barato de Paris”

As belas vitrines desempenham um papel muito importante na “dramatização” do espaço dedicado ao varejo a despertar os desejos mais consumistas. E isto não mudou de um século para outro.

Desde o início, as Galeries Lafayette mostram sua vocação: a moda e a novidade.

Segundo monumento mais visitado de Paris!

A fim de se destacar de seus concorrentes, Théophile Bader decidiu colocar ao alcance de todos os bolsos as roupas e acessórios mais procurados. E é desta forma que ele cria e/ou adquire unidades de produção que fabricam exclusivamente para sua empresa, a qual passa a vender sua própria marca.

Acreditemos, a grande loja Haussmann é o segundo monumento parisiense mais visitado depois da Torre Eiffel, ultrapassando mesmo o tão conhecido Arco do Triunfo.

... Ele passa a frequentar a Ópera acompanhado de uma desenhista...

Ponto nobre da cidade, o local é uma escala considerada privilegiada das personalidades mundiais.

Ópera de Paris

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Sabendo também que na moda os “desejos são rapisão sucesso total: Chanel, Dior, Yves Saint Laurent, damente substituídos por outros desejos” e ele então Louis Vuitton, Cartier, Hermés, Bulgari, Gucci, Burencontra uma maneira sagaz de manter-se atualizado. berry, Fendi, Prada, Boss, Versace, Dolce & Gabana, Calvin Klein e todas mais que você possa imaginar. Frequentando a Ópera, ele passa a ir às apresentações acompanhando de uma desenhista. Esta última, Para visitar: de forma super discreta, copia as roupas elegantes realizadas por grandes costureiros e, a partir daí, eles Grand Magasin Haussmann (Galeries Lafayette) realizam rapidamente suas adaptações. 40, Boulevard Haussmann Foi uma espécie de início da democratização da 9éme arrondissement - Paris moda com sucesso. Burguesas ou operárias, todas Metrô: Chaussée d’Antin - La Fayette et Havre vão às Galeries Lafayette. Caumartin. Jovens ou senhoras, todas frequentam a loja de sucesso. Hoje em dia o grande magazine é sinônimo não somente de luxo, mas de popularidade. Visitantes do mundo todo chegam diariamente para visitar, comprar e fazer parte do universo das Galerias Lafayette de Paris.

Site: http://haussmann.galerieslafayette.com/ Fontes (Textos e imagens): http://haussmann.galerieslafayette.com/

Empreendimento de sucesso...

https://fr.wikipedia.org/wiki/Galeries_Lafayette_Haussmann

Exemplo de empreendimento de sucesso, a loja abriga as mais famosas marcas da atualidade, assim como marcas que marcaram gerações e hoje ainda

Google Imagens

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Infância Perdida, Infância Roubada Clevane Pessoa -Não sei se perdida ou roubada, por certo não pela própria vontade a infância está diluída num País de meia idade vivendo em novo milênio... Uns nas ruas, sem ter para onde voltar, outros cola a cheirar, tantos trombadinhas a roubar pertences alheios, sem ter quem lhes direcione a vida... No sinais, a vender balas, chicletes, frutas E se não venderem o encomendado, cada um é surrado, humilhado e pode ir deitar sem comer... Nas carvoarias, nas cozinhas, em vez de soltar pipas, Pular as amarelinhas, Jogar bola e brincar de pique, Trabalham além de seus limites, Exaustos, queimados,cobrados... Alguns são filhos de putas, Outros são filhos de santas, Muitos sofrem pela sedução, Das drogas, do sexo precoce... Abuso, estupro, prostituição, Gravidez, aborto:meninas mulheres fazem mil erros para ganhar o suficiente Para o leite, para o pão... Muitas jogadas fora Quais cães sarnentos... Quantas crianças alugadas, vendidas, desaparecidas... Ao ver animaizinhos enjaulados para serem vendidos,nos dias de hoje, o que parece muito natural, pois todos se esquecem que é livre, o animal não posso deixar de perguntar: daqui a quantos anos, crianças enjauladas para um livre comércio parecerão aos nossos olhos então já acostumados, algo muito natural?...

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PESSOA ESPECIAL

“Brincando de Representar”, de esquetes teatrais para crianças, de Virgilene Araújo e Rogério Salgado. Ilustrava em “Estalo, a Revista”. Ilustrou todos os poemas de Rogério Salgado, para o espetáculo “Completa Ceia”, com exposição no Centro Cultural Belo Horizonte e para cidades mineiras (Intinerarte).

CLEVANE PESSOA

Criou a arte para as transparência de sua palestra “O ser Humano, a alimentação e o papel feminino desde o início dos tempos”, para a abertura do Congresso da Faculdade de Nutrição em Barbacena, MG. Pelo MUNAP-Museu Nacional da Poesia, fez a exposição Graal Feminino Plural, em banneres, na Galeria da Árvore no PMARG, que depois seguiu pelos Centros Culturais da Prefeitura da capital mineira e foi apresentada no renomado Festival Internacional de Cultura e Gastronomia da histórica cidade de Tiradentes, em Minas Gerais, em ano de homenagem às mulheres. É Acadêmica da Academia Feminina Mineira de Letras, da ALACIB, da AILA, ATRN, Acad. PréAndina de Letras, Artes e Heráldica, entre outras. Recebeu o Grande Colar de Mérito, da Câmara Municipal de Vereadores de BH, com patronato de Oscar Niemeyer, sendo então, a única poetisa entre os agraciados.

Desenha e escreve desde a infância. Aos doze anos, entrou para a SBAAP(Sociedade de Belas artes Antonio Parreiras, em Juiz de Fora), onde foi aluna do presidente, Clério P. de Souza , o artista “Pimpinela’, que a inicia em sombra e luz, entre outras modalidades. Logo liberta-se das aulas formais e passa a pintar a óleo, como autodidata. Em Juiz de Fora-MG: participou da exposição de Artes do CSA, com o desenho a pastel Cristo em arco-íris. Lecionou Artes para militares na ASES. Pintou o painel do PEP-Plano Especial de Pediatria, do antigo INAMPS. Dirigia e ilustrava o jornal interno dos funcionários do ex-INAMPS. Na sua página literária na Gazeta Comercial, ilustrava poemas seus ou de outrem. No Festival de Artes de Bicas, foi Menção Honrosa com o desenho Pequeno Mundo do Irmão caçula - com Síndrome de Down. Em São Luiz, MA, fez vários livros artesanais a bico de pena, em pano. Em Belo Horizonte, participou de várias exposições no Hospital Júlia Kubitscheck, quando coordenava a Casa da Criança e do Adolescente e foi Diretora de RH. Ilustrou seu livro ‘Asas de Água”(Plurarts, Editora), e outros, quais “Mulheres de Sal, Água e Afins”,de contos (Editora Urbana-RJ) o “Lírios sem delírios “(Editora ABrace-Uruguai) e o livro 11


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SUGESTÃO DE LEITURA resultados, ama conhecer-se para ser melhor, “combater o bom combate”. Afeita à meditação, à mitologia, à real significação de outras culturas, mostra-se empática, receptiva em causas sociais e pessoais. Refugiados tocam o coração dessa brasileira radicada em Augsburg, onde cria seu filho, a quem busca despertar a empatia básica, cultural e humanitária. Saiu cedo de seu Estado natal – o Ceará- e do Brasil, tornou-se uma cornucópia de valores da diversidade humana e busca sobretudo a harmonia de uma aproximação pacifista, apresentando-se como Embaixadora Universal da Paz, vem realizando, em Augsburg, encontros no Dia Internacional da Mulher . O primeiro, aconteceu em 2014, histórico , pois a ele compareceu o Embaixador no Brasil, pela primeira vez, o Senhor Cônsul Geral de Munique, Sr. Antonio Carlos Coelho da Rocha. Dele ao Prefeito da cidade , Dr. Kurt Gribl, pessoas de diversas entidades, em especial as mulheres que cultivam o “idioma de raiz “, no caso, o Português, vivendo no Exterior e educando a prole para que as novas gerações não se esqueçam das origens. Seu amor pelo Brasil é demonstrado nas histórias de Literatura para crianças, quando escolhe para protagonistas e personagens, animais da fauna brasileira, indígenas. Muitos refletem partes de sua própria história, por exemplo, sua formação em Biologia Marinha, quando estagiou em Fernando de Noronha e tinha um foco em golfinhos. A Amazônia a encanta e tudo é matéria para a elaboração de seus enredos . Um de seus prazeres é ter alunos de Língua Portuguesa. Mantém trabalhos voluntários, por exemplo, em bibliotecas e vem organizando eventos culturais- tais quais exposições de fotografia - e vem sendo convidada para vários países, onde costuma comparecer e integrar-se ao esperado, à cultura geral, inclusive na qualidade de Embaixadora Universal da Paz, pelo CUAP (Cercle Ambassadeurs Universelles de La Paix). Vários de nós, autores e artistas brasileiros, somos incluídos, de maneira direta ou indireta, em seus eventos- ou mesmo publicações, como foi o caso de um livreto de orações, “Preces pela Mãe Terra”, para o qual convidou mais quatro autores do Brasil, a enviarem , em forma poética, versos que conscientizam educadores-pais e professores- e as crianças e adolescentes –à necessidade de cuidarem do Planeta onde vivem. Como conta em entrevista , a maior de

SOBREVIVENTE Autora: Alexandra Magalhães Zeiner Arte e abertura: Clevane Pessoa Qual as cortinas se abrem num, palco, para mostrar um ballet, aciono observações pertinentes, sobre as palavras – balerinas de Alexandra Magalhães Zeiner neste seu primeiro livro de Poesia. Depois de publicar seus livros para crianças – que na verdade agradam também a adultos, em especial a pais e educadores – a Poesia entrou em sua vida , qual um chamamento natural, a fazer eco com sua natural sensibilidade e maneira de transmitir o que pensa . Ela sempre se dizia “aprendiz” , em especial depois de ver um vídeo em que a grande Clarice Lispector não tem pudor e denominar-se uma . Na verdade, a Poesia estava latente nessa alma intensa de conteúdos encadeados e confesso que a incentivei a continuar. Talvez, aprendiz de si mesma! Em face de chamadas da Rede Brasileira de Escritoras – REBRA – através da qual nos aproximamos, e outros projetos, como o Adote o Autor e o Varal do Brasil - para antologias, a autora participou com poemas e, é evidente, não pode parar mais. É bem verdade que ela viaja dentro de si mesma e pode mesmo contemplar seu self, a luz e a criatividade que dela emanam. Se tudo no universo desperta-lhe uma curiosidade pulsátil e rica em 12


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sua fontes de inspiração, é a natureza, que ela não distingue dos humanos, percebendo antes um grande entrelace entre a Terra e seus variados habitantes. E como também é bibliófila, desde a infância, fascinada por livros , bibliotecas, acabou tornando-se escritora. Toda essa efervescência de temperamento, a faz escrever visceralmente, alinhavando, modelando ,costurando, das vivências, às emoções, pessoais ou de outrem: “(...) somente a essência conhece as verdades que podem libertar”(...) Liberdade não apenas de expressão, mas também de escolhas, é algo que a caracteriza , sendo tenaz e querendo eficiência, pois seu senso crítico é apurado . E mesmo assim, exerce perdão e generosidade, com esforço pessoal e consciência .Seus ciclos, comparados frequentemente, aos da lua, segundo conta em um poema, as aproximam da essência feminina:

estreia. E adoro saber que o título foi inspirado no desenho usado na capa. Uma alegria de madrinha, que esparge os melhores votos de sucessos duradouros. E ela seguirá, libertária, a cumprir seu fado, inexoravelmente, a seguir impulsos ,recriar o espaço em seu entorno, enluarada, sem que se possa detê-la, pois, como diz a velha canção, “como manter um raio de lua na mão?” Clevane Pessoa de Araújo Lopes

“quando voltou ,estava nova depois crescente e cheia!” Na verdade, trata-se uma sagitariana lunar, respeitando as fases desse satélite deiade de todos os tempos. É sagaz, curiosa, sabe “dar a volta por cima”. Ou por baixo, se adentrar pelas cavernas vivenciais cheias de mistérios. E afirma, com energia e gosto, que nesta dimensão em que vive, a Terra, é onde se faz cumprir “resiliente, mutante, feminina”: dos (...)

“(...)cumpro contratos sagra-

Sem dúvida fará sempre o que estiver a seu alcance- e nem sempre estão, mas faz acontecer, inclusive “aniquilando miragens” que possam afastá-la dessa rota a que denomina “trajetória sagrada”. Acima das águas e das terras, sobrevivendo. Trata-se de um livro em Poesia, resultante de sua própria filosofia de vida: gratidão e perdão, paz e fraternidade estão qual fitas em passamanaria, colorindo essa alma em busca de seus próprios que-fazeres, sem olvidar os dos demais- e amarrando-os com fios de ouro, prata, cheirando a mirra, num ofertório de lutas e alegrias. Livro para reler, redescobrir, redescobrir-se enquanto leitor, às descobertas e sinalizações da autora. Livro primevo, de primícias e redescobertas. Com a simplicidades dos” lírios do campo e das aves do céu”, que todavia perfumam e encantam a sensibilidade do leitor. Junto aos versos, meus desenhos, uma honra que sejam parte dessa

DIVULGUE O SEU TALENTO CONOSCO! veia@bluewin.ch

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Marilu F Queiroz Mestre em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, SP. Se dedica à pesquisa da técnica da aquarela, participou de diversas exposições coletivas nacionais, internacionais e individuais. Como escritora tem textos em antologias, livro de contos, didático, dissertação sobre arte e revistas no Brasil, França e Suíça. Contato: malublue@gmail.com 14


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HUMANIDADE O que acontece com a humanidade? Contenção, deterioração, falta de amor... O certo é que impera a maldade, A não qualidade de vida, dissabor. O que acontece com a humanidade? Prevenção, falta de atenção, muita dor... O errado é imperativo, não há caridade, Atitudes que trazem muito rancor. O que acontece com a humanidade? Falta de ensino, incentivo nem valor... Carente de atenção, estrutura, integridade, Que trazem para a sociedade só amargor. O que acontece com a humanidade? Empobrecida de valores morais é inferior... Sem amor familiar nem solidariedade, esmaece toda a estrutura perde o fulgor. O que acontece com a humanidade? Corrupção, violação, não se pune o infrator... Politicagem, bandidagem é contra a dignidade, Castigada, desrespeitada pelo transgressor. Então o que será da humanidade? Tão carente, oprimida, já tão sem valor... mudanças urgentes e vitais na sociedade, podem reverter esse quadro assustador!

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OS GAÚCHOS E SUA RAÍZ IBÉRICA MARTIM CÉSAR E MARCO AURÉLIO VASCONCELLOS apresentam um disco histórico

Por Juarez Fonseca

gem nos primeiros povoadores? - pergunta Martim.

Um dos mais premiados compositores/intérpretes dos festivais nativistas e o principal letrista gaúcho dos anos 2000 unem novamente suas forças e gerações em um arrojado projeto poético-musical: o álbum Doze Cantos Ibéricos & Uma Canção Brasileira, que está sendo lançado hoje ( 02/06) no Teatro do Sesc.

Depois de mergulhar nos livros e deles extrair lugares, paisagens, personagens, lendas e aventuras da dimensão das grandes navegações, ele imprimiu-os nas letras que Marco Aurélio musicou. - Nunca fui fã do fado, até que em certo momento, antes deste trabalho, me dei conta de que minhas composições nativas tinham algo de fado - conta Marco. - Como explicar isso? Atavismo, talvez. E, agora, as melodias iam brotando ao natural, também não sei explicar...

Marco Aurélio Vasconcellos e Martim César inauguraram a parceria em 2011 com Já se Vieram!, disco dedicado ao universo das carreiras de cavalos no interior do Estado. Desta vez vão bem mais longe, mas sem sair do lugar. Escritor e pesquisador de grande erudição sobre a história deste pedaço do mundo formado pelo Rio Grande do Sul, o Uruguai e parte da Argentina, Martim teve a ideia de resumir em música a formação cultural dos habitantes da região no que ela tem de mais remoto, as raízes ibéricas.

Com tudo pronto, em 2014 os parceiros viajaram para Portugal e Espanha em busca da cor local para depurar o que haviam feito. Andaram pelo Alentejo, o Algarve, Coimbra, Lisboa da Mouraria e Alfama, o Porto, os rios Mondego, Tejo e Ebro, a Galícia, Santiago e seus caminhos, Astúrias, Catalunha, o País Basco, Andaluzia, Sonharam com Cabral, Dom Pedro e Inês de Castro, Colombo, El Cid, Cervantes, singraram o imenso mar - o encarte do CD, com 28 páginas recheadas de fotos da viagem, inclui muita informação extra e citações de Camões, Eça, Saramago, Antonio Machado, Florbela Espanca. Mas não se pense que as canções sejam mero registro históri-

- Quantos sabem que as receitas de doces que fazem a fama de cidades como Pelotas são açorianas? Que as alpargatas e boinas que muitos gaúchos usam, bem como a tecnologia de construção de mangueiras e pontes de pedra, são de origem basca? Que muitas canções e danças que integram nossa cultura têm ori16


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co - o que já seria interessante. Nada disso. Elas têm Caminha, contando ao rei que permanecerá no Brasil vida própria, são moldadas com o olhar, a inspiração, para “dar início à mestiçagem”. Aliás, deve ser paa sensibilidade e o amor de hoje. Martim se supera. rente dele o brilhante Marcello Caminha, referência de violonista na música gaúcha, produtor e arranjador do álbum, que chamou para ajudá-lo o não menos Elias Barboza (bandolim) e Marcelo Caminha filho (baixo, percussão). Uma obra tão significativa, histórica mesmo, merece todos os créditos: produção executiva de Elis Vasconcellos e Martim César, fotos de Elis e Regina Lopes d’Azevedo, projeto gráfico (impecável) da Nativo Design, técnico de gravação Érlon Péricles, masterização do mestre Marcos Abreu. Parabéns! Ouça: https://youtu.be/LfbT27BVRWg

MELANCOLIA PORTUGUESA, DRAMATISMO ESPANHOL A música de abertura do álbum, Sobre os Telhados de Lisboa, termina assim: “A nave-mestra deixa o cais/ Com esse olhar de nunca mais/ Que Portugal gravou em mim/ Devo partir, içar as velas/ Rumar ao porto de outras eras/ singrar o azul do mar sem fim”. Alguns títulos: Velhas Casas de Coimbra, Onde o Vento faz a Curva, España, Cuando Te Nombro, Céus de Castilla y León, Antes de Ser Marinheiro, O Fado se Faz ao Mar. A melancolia portuguesa e o dramatismo espanhol, unidos no Novo Mundo, fazem a essência do trabalho, que se encerra com o humor de Notícias da Terra Brasílis, gaiata versão da carta de Pero Vaz de

Fotos: Do autor e do blog http://confrariadospoetasdejaguarao.blogspot.com/

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lar de Caxias do Sul, com a canção ACALANTO e recebeu de Luiz Coronel uma letra para musicar para a participar da II Califórnia da Canção de Uruguaiana. Era GAUDÊNCIO 7 LUAS, que obteve o 2º lugar naquele importante evento nativista, ampliando essa parceria com Luiz Coronel. Nas 4ª e 5ª edições da Califórnia da Canção, Marco Aurélio concorreu com diversas canções e CORDAS DE ESPINHO recebeu o 1º lugar na Linha de Manifestação Rio-grandense. Em 1985 recebeu o troféu de COMPOSITOR MAIS PREMIADO DA CALIFÓRNIA desde a sua criação em 1971. De lá para cá não parou mais. Teve três discos lançados com o grupo Os Posteiros e tem mais quatro discos solo gravados, INVERNANDO RECUERDOS; VELHAS ANDANÇAS; DA MESMA RAIZ e JÁ SE VIERAM, que deu origem à parceria com o poeta Martim Cesar. m.vas@uol.com.br

Em seu livro Jangada de Pedra Saramago escreveu que a península Ibérica teria se largado ao mar. Nós imaginamos que Portugal pensou em vir para o Brasil. Saramago nos diz: Um dia que já la vai, D. João o Segundo, nosso rei, perfeito de cognome e a meu ver humorista perfeito, deu a certo fidalgo uma ilha imaginária, diga-me você se sabe doutro país onde pudesse ter acontecido uma história como esta. E o fidalgo, que fez o fidalgo, foi-se ao mar à procura dela, gostaria bem que me dissessem como se pode encontrar uma ilha imaginária. A tanto não chega a minha ciência, mas esta outra ilha, a ibérica, que era península e deixou de o ser, vejo-a eu como se, com humor igual, tivesse decidido meter-se ao mar à procura dos homens imaginários. (Texto do CD Doze Cantos Ibéricos & uma canção brasileira)

Martim César – Autor de 6 livros de poesia e contos. Vencedor por duas vezes do prêmio Rua dos Cataventos da Sociedade Mario Quintana de Poesia; Vencedor de mais de 30 festivais de músicas do RS e de mais de 10 festivais nacionais. Possui algo em torno de 70 premiações paralelas, incluindo melhor poesia, melhor letra e melhor tema social em diversos festivais gaúchos e nacionais. Indicado ao prêmio Açorianos 2010, como melhor letrista do RS. Coautor de 10 trabalhos discográficos ‘Caminhos de Si’; ‘Maria Conceição canta Martim César e Paulo Timm’; ‘Canções de a(r)mar e desa(r)mar (MPB)’; ‘Da mesma raiz’ (indicado ao açorianos de 2010) ‘Já se vieram’; ‘Memorial de Campo’; ‘Paisagem interior’, (com três indicações no Açorianos 2015), ‘Náufragos Urbanos’ (Indicado a melhor álbum de MPB do RS, pelo Açorianos 2015), os atuais ‘Caminhos de Si, o tempo’, ‘Canciones que nacen del camino’ e ‘Doze Cantos Ibéricos e uma canção brasileira’. Além de 2 livros em fase de publicação: Terra que sangras no rio (contos) e Cimarrones – Três séculos ‘gaúchos’ (Poema épico). martices@bol.com.br

Sobre os artistas: Marco Aurélio Vasconcellos - Como intérprete, Vasconcellos transita pelo nativismo, pela música popular gaúcha e brasileira e pela música hispano-americana, possuindo vasto repertório de tangos e boleros. Em 1972, participou da 1ª Vindima da Música Popu-

Visite!

Contato: joalso37@gmail.com

http://poetadasaguasdoces.blogspot.com/

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SEREIA Mergulho todos os dias num mar profundo; um mar de sonhos, os meus sonhos mais secretos. Azul, pleno de emoções, assim é o meu mundo! Apenas sonhos... tento torná-los concretos. Mergulho, muitas vezes, num mar de esperanças. Eu, sereia, conheço os teus mais loucos sonhos. Meu Tritão, só quero amor, não faça cobranças! Desafio o mar, todos seus monstros estranhos. Mergulho, enfrentando tempestades, perigos. Jogo fora meus medos, guardo só lembranças; minhas paixões, meus amores, meus bons amigos. Mergulho num mar de lágrimas, tão profundo! Com saudades, sufoco os sonhos mais antigos. Tritão, volte, traga alegria pro meu mundo!

Marly Rondan

Contato: marlyrondan@gmail.com

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Pomba Preta da Paz Chega de luz no fim do túnel; É tempo de enegrecer, escurecer, todos os túneis, ruas, praças; tudo virar noite, trevas, sombras... É tempo de ocupar esquinas, labirintos da Terra, as profundezas abissais, empretecer cada canto, cada recanto;

Valdeck Almeida de Jesus É escritor, poeta, jornalista, ativista cultural e mecenas do Prêmio Galinha Pulando de Literatura desde 2005. Autor de mais de 20 livros, coautor de 150 antologias, tem textos publicados em inglês, português, italiano, alemão, holandês, francês e espanhol. Membro-fundador da União Baiana de Escritores – UBESC e do Fala Escritor (2009), participa de academias de letras e associações de artistas da palavra. Frequentador do Sarau da Onça, Sarau do Gheto, Sarau da Paz, Sarau do JACA, Sarau da Raça, Sarau Urbano e outros, todos na periferia de Salvador-BA, o poeta se alimenta desse caldeirão de palavras e rimas, troca experiências e dá sua contribuição à cena literária baiana.

É hora de ocupar o que é de direito, repartir a renda nacional, estar em todos os continentes, rios, riachos e afluentes... É tempo de reciclar, passar tudo pelo Buraco Negro, filtrar o mundo e o universo, fazer outra prosa e outro verso... A coisa tem que ficar preta e quanto mais preta, melhor; se empretecer, vai melhorar... Mentes e consciências o Câmbio Negro vai cambiar e a cor negra vai imperar... Será um novo mundo, com Magia Negra e todos terão orgulho de ser mais uma Ovelha Negra participar do Mercado Negro e entrar na Lista Negra pois tudo vai enegrecer...

Contato: poeta.baiano@gmail.com

É hora de substituir a Pomba Branca pela verdadeira Pomba Preta da Paz...

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EXPOSIÇÕES: SUÍÇA BASILEIA Chagall, les années charnières A retrospectiva irá de 1911, quando o artista se lançou em Paris, até 1919 quando ele se vê preso no turbilhão da Revolução Russa. (16 de Setembro a 21 de janeiro de www.kunstmuseumbasel.ch)

COIRA Not Vital - Univers Privat

Aos 68 anos, o artista Dapple será homenageado pela Bündner Kunstmuseum. Escultor e pintor, sua notoriedade aumenta a cada dia. Ele é, desde 30 de Março, o novo senhor de Tarasp fortaleza medieval comprada por 7,6 milhões do Príncipe Philipp de Hesse. (9 09.09. - 19.11.2017) http://www.buendner-kunstmuseum.ch

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MARTIGNY CÉZANNE Após as exposições de Hodler, Monet e Munch, a Fundação Giannada traz Paul Cézanne. (de 16 junho - 19 novembro, www.gianadda.ch)

GENEBRA MASAMICHI YOSHIKAWA Esculturas em porcelana. (16.09 a 15.10.2017 http://fondation-baur.ch/fr/home)

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Imagem by Caique Portraits

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Ser brasileira Ser Brasileira é ser mulher forte sonhadora amadora e guerreira cruzando fronteiras mergulhando na solidão do ato da criação ser Brasileira é abraçar uma estranha dentro de si desbravadora Amazona do novo e velho mundo conhecendo o preconceito que escraviza o planeta ser Brasileira é ter herança poderosa do amor entre as raças índia, negra e branca representante especial da liberdade multicultural ser Brasileira é transformar sentimentos, buscando a paz que nos traz esperança cor das nossas matas Nossa Pátria, Mãe Gentil agora e sempre Brasil

Alexandra Magalhães Zeiner é mãe, escritora infantil bilíngue, com mestrado em biologia marinha.

Trabalhou em projetos ambientais na Áustria, Brasil, Canadá, Croácia e Holanda. Ela usa a forma de contar histórias como instrumento mais apropriado para ganhar o interesse e atenção de crianças e jovens. Para seus livros infantis, Alexandra inspira-se em mitos e lendas dos povos e índios brasileiros. Idealizadora do Projeto Adote Um Autor. Contato: cbinnovationliteratur@gmail.com 25


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ao próximo– nada retórico, absolutamente vivenciado. Não adianta que apenas nossas ideias sejam justas e boas. É fundamental que sejamos justos e bons. Como o senhor sempre foi.

ALFREDO, MEU PAI! Para o meu Alfredo, no dia em que lembramos os 39 anos de sua morte (24 de maio de 1892-22 de julho de 1978)

Nunca vi um homem (papai) e uma mulher (mamãe) lutarem com tanta dignidade, obstinação, pertinácia, estoicismo, mesmo nos momentos difíceis, quando papai precisou vender a casa, a querida mamãe indo para outro lugar (com outros familiares), deixando suas amigas, suas plantas tão amadas, e lembro-me que ela carregava dois vasos de flores que estavam no varandão de nossa casa. Antúrio? Samambaia?

EMANUEL MEDEIROS VIEIRA “Você é seu corpo/Sua voz seu osso/Você é seu cheiro/E o cheiro do outro/O prazer do beijo/Você e o gozo/O que vai morrer/Quando o corpo morra/ Mas é também aquela/Alegria ‘verso , melodia’/Que intangível, adeja/Acima do que/a morte beija.” (Ferreira Gullar – “Isto E Aquilo”) Breve a vida. Quando morreste, eu tinha 33 anos e escrevi um texto com o título acima.

Na casa chegavam quase todos os dias o “Curvina”, o cego Antônio, com a sua bacia de moedinhas, seus andrajos, o Chico Barriga D’Água. E outros que meus irmãos e irmãs poderão identificar.

Algum recorte está nas minhas pastas “candangas”. O senhor foi um homem nascido no final do século XIX (24 de maio de 1892 – mesmo dia do seu neto Lucas, meu filho (filho do amor) –24 de maio de 2003).

Eu morria de medo da Barca-Quatro, furiosa, jogando pedras em que a chamava pela alcunha, e contam que uma das pedras passou pela janela e caiu no berço onde eu , bebê, estava deitado. .. Tinha uns três meses? Hoje: 72 anos.

“Encantou-se” em 22 de julho de 1978 – mesmo dia de aniversário do seu neto, o querido Luciano – 22 de julho de 1964.

Então: a “Indesejadas das Gentes”, andou me seguindo desde cedo, mas a vida foi sendo maior. Vai chegar a hora, meu pai. Não te preocupa, mas teu filho andou pegando um câncer (que o poeta Jayme Ovalle chamou de a “tristeza das células”).

Meu pai: o senhor foi o melhor homem que eu conheci. Católico fervoroso, de uma autenticidade raríssima: sempre generoso,sempre compassivo com os mais humildes, Combatia os exploradores do Homem, brilhante e culto professor e Inspetor Escolar. Em toda a sua vida, a Fé e o Amor estavam acima de tudo!

Alfredo e Nenen: intercedam junto ao Pai, à Maria e a São Miguel Arcanjo– intercedam por todos nós, habitantes de um país e um mundo complicados, difíceis, carentes de utopias. Não era só um prato de comida que papai e mamãe sempre ofereciam. Eram cobertores, roupas, camisas, calças, vestidos, tudo, charque, leite ninho, café, feijão, arroz etc.

Não deixou bens – coisas fugazes, passageiras, “madeiras” da cobiça que o cupim rói e o tempo faz desaparecer.

Era a palavra amiga, evangelizadora – e a ternura. Ah, minha mãe, como lembro dos seus “bolinhos de chuva”, de suas tainhas, fritadas ou assadas no fogão de lenha, de suas balas enfeitadas, das deliciosas cocadas que Nenen, a mãe, fazia.

Mas deixou para todos os seus 17 filhos (sim, 17 – alguns já lhe fazem companhia).

Legou esse bem maior que carregamos em cada dia de nossas vidas: o sentimento de justiça, de solidariedade, de respeito ao próximo, de honra (Outros preferem Nenê. Ela não gostava do seu (sem formalismo) – não a honra fácil dos protonome cartorário: Cidolina.) colos –, tão apreciada pelos medíocres e vaidosos –, mas de fundo e total respeito ao outro, de amor 26


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Quanto tudo, pecuniariamente, ficou mais difícil (parecia que tudo caía sobre as nossas cabeças, papai perseguido por seres perversos e invejosos ( que devem ter morrido sem a solidariedade de si mesmos – usando a expressão de Mário de Andrade) .

E, naquele sábado, começo da tarde, pelas 13h30, de 22 de julho de 1978, alguém colocou o X no seu retrato. Era a sua hora. Não posso esquecer: o senhor era da Ordem Terceira de São Francisco e ajudava a carregar o andor em muitas procissões.

Ele foi, sem exagero, um humanista em tempo integral.

Poderia ter escrito algo com mais “encantamento”. É verdade.

Os cestos de balas e as cocadas, preparados – ficavam belamente coloridos e ajudavam no modesto orçamento doméstico.

Sei como o senhor sentiu a morte da sua “patroa”. Mas queria dar um exemplo para os filhos – não chorar na presença deles.

Mas eu escrevi acima: não deixou bens materiais. Deixou um legado incomparável com a matéria finita, algo que não se mede em moedas – o senhor era do campo do SER, não do TER.

Contemplou-a através de um vidro (na época, falava-se em “sala de recuperação”, não de UTI). Lembro-me de um lençol branco. De um balão de oxigênio. E de um cheiro de menta, álcool, suor, morfina. Era 29 de março de 1968. Mas depois, um irmão viu o “velho” Alfredo chorando em um banheiro do hospital de Porto Alegre. Até, meu pai! Vamos lutando – é da humana lida lutar –, fortalecidos pela tua incansável batalha prévia. Sustos não faltaram. ”Ao longo do tempo/morri muitas vezes: vida/mata mais que a morte”. (Olga Savary) Alfredo: meu pai! Alfredo: meu amigo – amigo dos seus filhos, dos seus netos, dos seus amigos. Esse homem que formou gerações.

Sim: eu fiquei com um boné que era dele. Mamãe era a mulher “prática” – um carvalho. E o senhor, como os seus filhos, um intelectual. Alguns queriam mudar o mundo. Papai escrevia, deixou livros evocativos e elos. Ele sempre lembrava – com orgulho – da conferência de Rui Barbosa , na qual esteve presente, em Petrópolis, RJ. Havia um quadro do “liceu” (como se dizia na época), com o retrato dos seus companheiros. E toda vez que morria um do grupo, o senhor colocava um X na testa do falecido. E foram ficando poucos – muito poucos.

Seu nome era Alfredo Xavier Vieira.

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JARDIN ANGLAIS GENÈVE Em Genebra, no centro da cidade, encontra-se o Jardin Anglais (Jardim Inglês), um belíssimo parque público situado à beira do Lago Léman. As obras foram iniciadas em 1854 quando os cidadãos genebrinos votaram favoravelmente para que se realizasse um aprimoramento naquele local, ocupado então por um velho atracadouro ainda de madeira. O Jardin Anglais localiza-se numa grande extensão de parque ao longo da “rive gauche” é(lateral esquerda) do lago Léman e nele encontram-se diversos monumentos, entre eles o famoso Relógio Florido, inaugurado em 1869. O Relógio é um dos pontos turísticos mais conhecidos de Genebra e um dos mais visitados também. Frequentemente a decoração de flores é modificada e novas criações coloridas dão vida ao jardim. Mesmo durante o inverno a ornamentação colorida do Relógio Florido é trocada continuamente, alegrando o parque e (pasmem!) sempre funcionando com precisão! Em 1857 Genebra comprou em Paris uma fonte que foi instalada no Jardim. No entanto, achando-a pequena demais, os administradores a transferiram para o Jardin des Alpes e substituíram pela atual, uma grande fonte datada de 1862. O Monumento Nacional, uma estátua de duas mulheres, que também faz parte do Jardim, foi inaugurado em 1869 e celebra a união de Genebra à Suíça fato ocorrido no ano de 1814.

No Jardin Anglais há um restaurante (La Potinière) e um espaço dedicado à música, além de um romântico coreto e bustos de várias personalidades. Todo este espaço ganha ainda mais vida durante o verão, quando as tradicionais Festas de Genebra celebram o aniversário da cidade. Em meio há muita música, a festa culmina com um espetáculo de fogos de artifício de aproximadamente uma hora e que é considerado um dos mais belos da Europa.

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AVENUE Bem que poderia existir uma Avenida com o teu nome Na cidade... Mas pode ter certeza Que no meu coração já existe Quem imaginaria que aquela Garota que usava boné Virado para trás e jogava bola Nas ruas fosse se tornar a mulher Mais linda da cidade que eu nasci! Seu sorriso é mais lindo Que qualquer dia de sol aqui em Floripa Você disse sim e então Quando a gente tomar uma cerveja Aí em nossa cidade Vai ser o dia mais lindo e feliz Da minha vida Talvez eu esteja infectado Pelo vírus da paixão Se você quiser entro Nas aulas de Trance Pra aprender essas músicas eletrônicas Das festas que você frequenta Aí na região Se o problema for grana Vou ali fazer um estágio com Os milionários de Jurerê Internacional Quero apenas agradecer a Deus Pela sua existência Esse seu sorriso Avenida Agradecer esse seu jeito meigo Que me levou à lona No primeiro Round!

Vagner Xavier É escritor e poeta natural de Londrina-PR radicado em Florianópolis-SC. Autor de três livros de poemas: Mais uma noite (2012), editora Multifoco RJ; Agridoce (2013), Protexto e Águas Caladas (2015) pela editora paulista Penalux. Coleciona prêmios nacionais e internacionais ao longo de sua carreira. Contato: vagnertiago@yahoo.com.br 31


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CORA CORALINA editora Goiana. Mas o interesse do grande público é despertado graças aos elogios do poeta Carlos Drummond de Andrade, em 1980. Cora Coralina recebeu o título de Doutor Honoris Causa da UFG e foi eleita com o “Prêmio Juca Pato” da União Brasileira dos Escritores, como intelectual do ano de 1983. Cora Coralina faleceu em Goiânia, no dia 10 de abril de 1985. Reprodução da biografia publicada no site: https://www.ebiografia.com/

Cora Coralina (1889-1985) foi uma poetisa e contista brasileira, responsável por belos poemas. Foi elogiada por Carlos Drummond de Andrade. Cora Coralina (1889-1985) nasceu na cidade de Goiás, no dia 20 de agosto de 1889. Seu nome de batismo era Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas. Tornou-se doceira, ofício que exerceu até os últimos dias de sua vida. Famosos eram os seus doces de abóbora e figo.

Mulher da vida

Cora Coralina já escrevia poemas em 1903 e chegou a publicá-los no jornal de poemas femininos “A Rosa”, em 1908. Em 1910, foi publicado o seu conto “Tragédia na Roça” no “Anuário Histórico e Geográfico do Estado de Goiás”, usando o pseudônimo de Cora Coralina. Em 1911, Fugiu com o advogado divorciado Cantídio Tolentino Bretas, com quem teve seis filhos.

Mulher da Vida, Minha irmã. De todos os tempos. De todos os povos. De todas as latitudes. Ela vem do fundo imemorial das idades e carrega a carga pesada dos mais torpes sinônimos, apelidos e ápodos: Mulher da zona, Mulher da rua, Mulher perdida, Mulher à toa. Mulher da vida, Minha irmã.

Foi convidada a participar da Semana de Arte Moderna, mas é impedida pelo seu marido. Já em São Paulo, em 1934, trabalhou como vendedora de livros na editora José Olímpio, onde lançou seu primeiro livro, em 1965, quando tinha 76 anos, “O Poema dos Becos de Goiás e Estórias Mais”. Em 1976, é lançado o livro “Meu Livro de Cordel” pela 33


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fazendo uma nova rachadura, agora em seu rosto. O menino estendeu suas mãos sempre a olhar para ela, e reteve nas suas, as mãos endurecidas dela.

A velha

Quando os dedos da velha se moveram para entrelaçar os dedos do menino, novas rachaduras surgiram, fazendo a pele enrugada rachar ainda mais. Quase que se podia ver cor através das rachaduras que iam se abrindo.

Era uma velha, muito, muito velha. Tinha os sonhos todos enrugados, tinha as motivações flácidas e os desejos sem qualquer força de movimento ou vitalidade, tinha a pele em casca, e o coração em pedra. De tão velha, quase que deixava de ser presença para ser apenas uma sombra.

O menino sorrindo-lhe e sem dizer palavra, transformava-se aos olhos da velha num menino cada vez mais novo, numa criança cada vez mais pequenina e ia sorrindo-lhe mais à medida que se ia aproximando.

Movia-se entre os dias com a teimosia dos velhos, embora tivesse a sabedoria dos velhos endurecida e desgastada.

A pele dele era como a pele de um bebê, e a maciez tão grande sob a casca tão dura da velha era como ácido a derreter e despedaçar a casca que havia na velha.

Olhava à sua volta com olhar observador, única parte em si que ainda emitia algum brilho, ainda que longínquo.

Então o menino a abraçou forte e apertado. Não disse palavra alguma, não pediu licença, não demonstrou medo nem insegurança, apenas demonstrava que precisava daquele abraço. A velha tentou retribuir o abraço, e fez um esforço enorme para mover os braços endurecidos e velhos e colocá-los à volta do menino.

Vivia com gosto porém sem vontade, e quando apareceu um menino nos dias dela, foi sem relutância que o deixou aparecer, como era sem relutância que passava de um para outro dia. Pouco a pouco começou a surpreender-se com o menino, como ele conseguia dia após dia parecer ainda mais menino e mais criança, mesmo sendo de certa forma, mais velho que ela. Olhava-se as vezes no fim do dia ao espelho, e passava cada vez mais tempo a observar os sonhos enrugados, as motivações flácidas e sem vida, os desejos enrijecidos.

Naquele abraço silencioso e duradouro, o calor fez derreter cada pequenina ruga da velha, cada músculo de sonho flácido voltando a ganhar tenacidade, e a velha conseguiu sorrir sem a casca que antes lhe cobria o rosto. Depois de instantes, olhou para o chão, para a sombra dos dois, e só o que viu foi a sombra de duas crianças a brincar.

Os dias corriam, e cada vez mais a velha passava mais tempo a observar-se ao espelho, ganhando estranheza cada vez maior ao olhar suas marcas de velhice.

Ana Clara Farto Agapito

Quando num momento inesperado o menino pegou em sua mão, a casca que ali havia na pele da velha rachou, provocando nela um choque de surpresa e dor. Deixou de sentir a mão do menino, e ficou parada a observar sua própria mão, endurecida, enrugada, crespa e cascuda com uma pequena rachadura a percorrer-lhe da palma até os dedos.

Nasceu no Brasil em abril de 1979, graduou-se em Biologia e Meio Ambiente. Possui um livro em fase de publicação e escreveu colunas periódicas para um jornal no Brasil até mudar-se para Portugal onde reside atualmente. É estudante de psicanálise e temas sobre a natureza humana que utiliza para escrever de forma independente como Agape - Desassossego. É também artista voluntária de teatro da companhia Al Teatro (Silves). Contato: aagpt9@gmail.com

Olhou para o menino e viu que este lhe sorria. Ela tentou sorrir-lhe de volta, e a boca enrugada de lábios finos e dentes gastos, rasgou-se num sorriso, 35


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VEIA magazine

Edição N0 2!

ISSN 2504-5296

Data final para avaliação de textos e publicidades: 05 de outubro

A temporada está aberta! Já estamos recebendo textos para avaliação e inscrições para a edição n0 2 que estará disponível gratuitamente a partir do final do mês de outubro nas principais plataformas de leituras digitais.

Data final para inscrição: 10 de outubro Data da edição: 30 de outubro

Os textos recebidos serão lidos atentamente e após consideração de nosso Conselho Editorial será enviada uma resposta por e-mail com o valor por página ocupada (em caso de texto) ou valor da divulgação pessoal (livro, evento, biografia, entrevista) ou ainda publicidade.

Contato e condições de participação: https://veiamagazine.com/comoparticipar/condicoes-de-participacao/ Deseja receber um e-mail quando a próxima edição estiver disponível? Aqui: veia@bluewin.ch

Os valores gerais encontram-se na seção Condições de participação no blog para publicação na Veia magazine e no próprio blog. Lembrando que a ilustração utilizada no texto, fornecida pela Revista, não é cobrada e nem o espaço ocupado por ela será cobrado. Todo material escrito deverá ser enviado em formato Word com letra (fonte) Times New Roman 12 e a (s) foto (s) do autor e/ou de capa (s) de livro (s) ou ainda foto de evento, deverá (ão) vir em formato JPEG ou PNG em alta resolução (excelente qualidade). E-mail para envio de textos, propostas de anúncios, colunas e divulgações: veia@bluewin.ch 36


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“Sou desejo e apatia/ Fantasia e afl ição / Sou ternura, desapego/ Abertura, sou prisão”. Esse é um trecho de “Antítese”, uma das canções de Lu Toledo que compõe seu primeiro CD “Risco”, que será lançando em setembro no Teatro de Bolso do Sesc Palladium. Lu Toledo, que assumiu de vez sua porção cantora, está se lançando aos palcos e espaços da música, com o diferencial de ser a compositora da maioria das canções que interpreta nesse disco. Suas letras são inspiradas em suas poesias e visões, abarcando um universo feminino e intimista. O show é guiado pela voz suave e, ao mesmo tempo, forte da cantora, em um trabalho formado por canções próprias e releituras da MPB, além de composições de parceiros e amigos como Jamil Guerra,

Mestre Jonas, Lobbo e David Torrico (da Espanha). Além disso, ele traz elementos rítmicos do flamenco, em belos arranjos feitos por Alair Borges e de gêneros variados da música brasileira. Risco (2014) O CD Risco foi gravado, mixado e masterizado no Audio Track Studio entre agosto de 2010 e julho de 2011 com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Betim, MG. A produção musical e os arranjos são de Alair Borges. O Projeto gráfico é de Júlio Abreu e Leonora Weissmann da Jiló Design. O CD é composto por doze faixas, sendo sete canções autorais de Lu Toledo e cinco interpretações. 37


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GENEBRA, CAPITAL DA PAZ

A cidade de Genebra localiza-se na parte oeste do Lago Léman e é a segunda cidade mais povoada da Suíça, sendo Zurique a mais populosa.

teral, com aproximadamente duas mil e quinhentas conferências e reuniões internacionais anuais. São mais de duzentos e cinco mil delegados do mundo inteiro que participam ativamente de decisões que influenciarão o futuro de muitos países.

Em Genebra concentram-se organizações internacionais e mais de cem missões diplomáticas que asseguram a cooperação multilateral mundial. A cidade é a maior promotora dos valores humanistas e universais do mundo, abrigando em seu seio grandes acordos realizados durante os tempos de guerra e paz.

Acrescenta-se o fato de que Genebra recebe anualmente visitas oficiais de aproximadamente quatro mil chefes de estado, dirigentes e ministros de estado. São mais de trinta mil funcionários internacionais assegurando o bom funcionamento das organizações.

De Genebra diz-se “cidade internacional”, fazendo-se referência ao conjunto das OI (organizações internacionais) e missões permanentes (representações dos países junto às organizações). Este conjunto faz de Genebra o mais reconhecido polo de competência para relações internacionais nas mais diversas áreas, desde o desarmamento e direitos humanos, até trabalho, comércio, saúde, pesquisa científica e, sobretudo, a paz.

Genebra, cosmopolita, tem suas ruas coloridas e alegres pelas mais distintas tradições vestimentárias dos tantos países que compõem as OI e missões diplomáticas. Aqui o Inglês é tão falado como o Francês (língua oficial do cantão). As culturas, múltiplas, refletem-se na gastronomia, na educação, nos hábitos dos moradores e até mesmo no lazer. Genebra é o resultado de centenas de vozes diferentes unidas por um mesmo objetivo: a Paz!

Na cidade acontecem diariamente encontros que reúnem representantes e personalidades políticas de países em busca de resoluções para problemas internos e de relações internacionais. Genebra, assim como Nova York, é centro mundial da diplomacia multila-

Mais sobre Genebra: http://www.ville-geneve.ch 38


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JACOB B. GOLDEMBERG

SUGESTÃO DE LEITURA

Porto Alegre > Rio/ Casado/ filhos 2/ netos 4/ ARQUITETO Admirações: Da Vinci, David (Michelangelo), Vitória de Samotrácia, Le Corbusier, Pirandello, Jacques Tati, Woody Allen, O baile (Cinema), Israel. Livros: Arquitetura, Espaço-Vida / Arquitetura, escritos / O Essencial do Livro dos Livros / Contocrônicas, umas tantas.

O Essencial do Livro dos Livros

Contato: jbgoldemberg@globo.com

O Essencial do Livro dos Livros é para quem: nunca leu a Bíblia; já tentou ler e desistiu; no cree en brujas, pero que las hay, las hay; diz que leu mas não leu de verdade e gostaria de ter lido; não entendeu; entendeu logo, ou acha que; voyeurs do bem; discípulos de São Tomé. Versa sobre crenças, sem crer: assim é se lhe parece, Pirandello já dizia; a versão é mais importante que o fato, há muito dizem os mineiros... Mais vale uma imagem do que nenhuma. Recomenda-se: deixar a vaidade de lado e pegar os óculos a não leitura, se não tiver espírito forte e mente aberta a compra de exemplares individuais, caso contrário, o casal pode ter que discutir a relação relaxar e gozar, no bom sentido no ótimo atrapalha a leitura. Adquira o livro!

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Ebook www.amazon.com.br PESQUISA: B007GPFKZC

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Poeta Virtual Vida é como definimos este espaço entre o nosso nascimento e agora. Mas poderia ter outro nome, ou vários, como passagem, estada... e muitos outros, sei lá, quem sabe... enquanto tudo ocorre intempestivamente à nossa margem, nessa caminhada, por um caminho indelével que não grava nossos rastros, mas que capta nossas emoções, como ondas elétricas nos ares, até pegar em nossas mãos e seguir junto em silêncio, sem sabermos nada um do outro. Isso lembra aquela brincadeira do Amigo Oculto ao fim do ano em que apontamos os eleitos com detalhes imprecisos, lhes cobrimos de mistérios só pra dar-lhes um presente. Eis a vida dos poetas, seres transfigurados em anjos, a servir amor em altas doses, felizes com a felicidade alheia.

Antonio Cabral Filho Mineiro de Frei Inocêncio radicado no Rio de Janeiro, técnico em contabilidade, agente publicitário, poeta, contista, cronista, antologista, promotor do Concurso Antologias 100, destinado a promover a trova - Antologia Brasil Literário. Contato: letrastaquarenses@yahoo.com.br 40


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DUAS LÁGRIMAS Do nada saberás que cairão Minhas duas lágrimas derradeiras Que à distância te estremecerão: Uma, a nossas penetrações inteiras, Outra, por tua muda traição...

JEFERSON BARBOSA DA SILVA, O POETA GAROEIRO Desde janeiro de 2011 manteve o Blog do Garoeiro com atualização diária a caminho do objetivo de postar 2000 poemas de sua autoria. Com a sua interdição, em 23 de janeiro de 2017, reiniciou e deu continuidade ao projeto, agora, por em novo endereço. Todo dia, uma nova poesia! Reblog do Poeta Garoeiro: reblogdopoetagaroeiro.blogspot.com.br Contato: jefdagaroa@gmail.com 43


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Reminiscências De volta à copa da terna e lendária mangueira não resisti ao toque embaraçoso das recordações dos antigos filmes de Carlito com pipocas doces e o leve roçar de coxas no escuro da sala de projeções. Minha companhia, hoje, é um aperto sufocante no pálido coração de homem ainda criança ao deparar-se com a nostalgia de gargalhadas infantis espumas de açúcar a tanger o tranquilo passeio da tarde quando o balanço, improvisado com um pedaço de aroeira tremulava e rasgava num voo, o ar para aplausos festivos da irrequieta gurizada. Com óculos de aro na ponta do nariz antes empinado minha avó contava deliciosas e inacreditáveis fábulas à sombra da árvore amiga a carpir a brisa. Meus irmãos, meus primos e meus amigos vizinhos caricatura de um bando alegre de passarinhos a bicar suculentos e magníficos frutos. Pedrinho, antecipadamente, escolheu a profissão de anjo e minha avó foi niná-lo com seu baú de estrelas restando-me o abraço inconsolável ao velho tronco companheiro. Pois é, minha querida e frondosa mangueira as crianças cresceram e foram-se além mar. Em busca de novos sonhos e fantásticas aventuras. Seu lar, agora, valioso terreno, desperta a cobiça à especulação imobiliária, harpia dos novos tempos modernos. Em breve, um elegante espigão ocupará teu espaço mausoléu das tuas e das minhas tristes e alegres lembranças apagando, enfim, a história dos teus restos mortais que carinhosamente foram abrigo e deram alimento a tantos mortais.

Jania Souza, Natal, RN, Brasil www.janiasouzaspvarncultural.blogspot.com Contato: janiasouza@uol.com.br

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PROTEGER OS ANIMAIS É UM DEVER PARA AQUELES QUE SABEM O QUE É HUMANIDADE! 46


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DIREITOS DOS ANIMAIS A Declaração Universal dos Direitos Animais foi proclamada pela UNESCO, Órgão da ONU, em 27/01/78, há 38 anos, em Bruxelas. É uma proposta para diploma legal internacional e objetiva criar motivações e fatos para que os Países, Estados e Municípios, em todo o planeta, criem formas de proteger os animais, tantas vezes maltratados, abandonados ou sacrificados. O Preâmbulo da Declaração: Expõe as motivações que levaram à sua adoção – sobretudo a prática continuada de crimes contra os animais. O extermínio de animais seria considerado genocídio e, portanto, objeto de interesse dos organismos internacionais e nacionais de proteção. Os Artigos propostos: Em seus 14 artigos a proposta de Declaração prescreve, principalmente, que: 1. Todos os animais são sujeitos de direitos e estes devem ser preservados; 2. O conhecimento e ações do homem devem estar a serviço dos direitos animais; 3. Os animais não podem sofrer maus-tratos; 4. Animais destinados ao convívio e serviço do homem devem receber tratamentos dignos; 5. Experimentações científicas em animais devem ser coibidas e substituídas; 6. A morte de um animal sem necessidade é biocídio; de vários de uma mesma espécie, genocídio; 7. Animais destinados a morte devem sê-lo sem sofrer ansiedade e nem dor; 8. Os organismos de proteção e de salvaguarda dos animais devem estar representados a nível governamental; 9. Os direitos animais devem ser defendidos pela lei como os direitos do homem.

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DALTON TREVISAN VEIA magazine - Edição 01 - Agosto/2017

de produção literária. Recebeu pela obra, o Prêmio Jabuti de Câmara Brasileira do Livro. Em seguida publicou “Cemitério dos Elefantes” (1964), “O Vampiro de Curitiba” (1965), “A Morte na Praça” (1965) e “Desastres do Amor” (1968). Nesse mesmo ano recebeu o maior prêmio literário do Brasil, no I Concurso Nacional de Contos, promovido pelo Estado do Paraná. Dedicado exclusivamente ao conto, só teve um romance publicado “A Polaquinha” (1985). Em 1996 recebeu o Prêmio Ministério da Cultura de Literatura, pelo conjunto de sua obra. Em 2003 dividiu com Bernardo de Carvalho o I Prêmio Portugal Telecom de Literatura Brasileira, com o livro “Pico na Veia”. Dalton Trevisan foi o vencedor da 24ª edição do Prêmio Camões de 2012. Anunciado no dia 21 de maio. Foi eleito por unanimidade pelo júri, pelo conjunto da obra. O Prêmio Camões é uma das maiores honrarias para autores da língua portuguesa. É uma parceria entre os governos do Brasil e de Portugal, e a cada ano acontece em um dos dois países.

Foto de Julio Covello

Dalton Trevisan (1925) é um escritor brasileiro. Recebeu o Prêmio Camões de 2012, pelo conjunto da obra. É considerado o maior contista brasileiro contemporâneo. A publicação do seu livro “O Vampiro de Curitiba” (1965) lhe valeu o apelido, por causa de seu temperamento recluso.

Publicou também “A Guerra Conjugal” (1970), “Crimes da Paixão” (1978), “Ah, É” (1994), “O Maníaco do Olho Verde” (2008), “Violetas e Pavões” (2009), “Desgracida” (2010), “O Anão e a Nifesta” (2011), entre outras.

Dalton Jérson Trevisan (1925) nasceu em Curitiba, Paraná, no dia 14 de junho de 1925. Formou-se em Direito pela Faculdade de Direito do Paraná. Exerceu a advocacia durante sete anos, mas abandonou a atividade para trabalhar na fábrica de cerâmicas da família. Estreou na literatura com a novela “Sonata ao Luar” (1945). Em 1946, liderou em Curitiba o grupo literário que publicava a revista literária “Joaquim”, tornando-se porta voz de vários escritores. Publicou na revista seu segundo livro “Sete Anos de Pastor” (1946).

Reprodução do site: E biografia (https://www.ebiografia.com/) Encontre aqui biografias de personalidades do Brasil e do Mundo.

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Ao longo de alguns anos produziu textos sem publicá-los. Em 1950 passou seis meses na Europa. A partir de 1954, publicava seus contos em forma de folhetos, à moda da literatura de cordel, onde registrava o cotidiano notadamente situado na metrópole curitibana. Publicou “Guia Histórico de Curitiba” e “Crônicas da Província de Curitiba” . Dalton Trevisan ganhou repercussão nacional a partir de 1959, com a publicação de “Novelas Nada Exemplares” (1959), que reunia quase duas décadas

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APELO DO INCONSCIENTE No sono, o inconsciente, em apelo, compelia: Não durma! produza, antes, Poesia... Inconsciente-consciente quero respeitar o que dentro subiu a me encontrar...

Aquilo vinha da profundidade: era pura imponderabilidade como impelir a repelir a quietação, a hibernação, o estar-parado sem refletir?... O que me transmitiu de dentro a voz entre o sono e o sonho? Que exercesse o exercício de pensar, escrever, poetizar, sem enferrujar, sem relaxar... Compreendi: Não mais inútil, mas lúcido consigo-comigo e inconsútil... (Germano Machado 22:40h de 23-11-81 depois de relembrar o sono do domingo-segunda, 22-23/11/81)

Germano Dias Machado (Salvador, 28 de maio de 1926) é escritor e

jornalista brasileiro. Filho de José Dias Machado e Maria da Glória Gouveia Machado, formou-se na primeira turma de jornalismo da Universidade Federal da Bahia, fundador e presidente o Circulo de Estudo Pensamento e Ação (CEPA),[4] entidade com mais de 65 anos de existência.

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No subúrbio da modernidade – Di Cavalcanti 120 anos

“Esse engajamento reforça o desejo de transformar o movimento moderno em uma espécie de projeto nacional”, completa Ribeiro. A Pinacoteca prepara um catálogo que reunirá três ensaios inéditos escritos pelos autores José Augusto Ribeiro, curador da mostra, Rafael Cardoso, historiador da arte e do design e Ana Belluzzo, professora e crítica de arte. O livro trará ainda reproduções das obras apresentadas, uma ampla cronologia ilustrada e um compilado de textos já publicados sobre a trajetória do artista. A exposição tem patrocínio de Banco Bradesco, Sabesp, Ultra, Escritório Mattos Filho e Alexandre Birman.

Pinacoteca De 02 de setembro de 2017 a 22 de janeiro de 2018 Sob a curadoria de José Augusto Ribeiro. Segundo o pesquisador, a exposição pretende investigar como o artista desenvolve e tenta fixar uma ideia de “arte moderna e brasileira”, além de chamar a atenção para a condição e o sentimento de atraso do Brasil em relação à modernidade europeia no começo do século XX.

“No subúrbio da modernidade – Di Cavalcanti 120 anos” permanece em cartaz até 22 de janeiro de 2018, no primeiro andar da Pina Luz – Praça da Luz, 02. A visitação é aberta de quarta a segunda-feira, das 10h00 às 17h30 – com permanência até às 18h00 – os ingressos custam R$ 6 (inteira) e R$ 3 (meia). Crianças com menos de 10 anos e adultos com mais de 60 não pagam. Aos sábados, a entrada é gratuita para todos os visitantes. A Pina Luz fica próxima à estação Luz da CPTM.

“Ao mesmo tempo, o título se refere aos lugares que o artista costumava figurar nas suas pinturas e desenhos: os bordeis, os bares, a zona portuária, o mangue, os morros cariocas, as rodas de samba e as festas populares – lugares e situações que, na obra do Di, são representados como espaços de prazer e descanso”, explica Ribeiro.

http://pinacoteca.org.br

Além da atuação pública de Di Cavalcanti como pintor, a mostra destacará também aspectos menos conhecidos de sua trajetória, como as ilustrações e charges para revistas, livros e até mesmo capas de discos. Também será abordada sua condição de mobilizador cultural e correligionário do Partido Comunista do Brasil (PCB). 50


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O ARTISTA

DI CAVALCANTI

Principais obras de Di Cavalcanti

Emiliano Augusto Cavalcanti de Albuquerque e Melo, mais conhecido como Di Cavalcanti, foi um importante pintor, caricaturista e ilustrador brasileiro nascido na cidade do Rio de Janeiro no dia 6 de setembro de 1897 e falecido na mesma cidade em 26 de outubro de 1976.

- Pierrete - 1922 - Pierrot - 1924 - Samba - 1925 - Samba - 1928 - Mangue - 1929 - Cinco moças de Guaratinguetá - 1930 - Mulheres com frutas - 1932 - Família na praia - 1935 - Vênus - 1938 - Ciganos - 1940 - Mulheres protestando - 1941 - Arlequins - 1943 - Gafieira - 1944 - Colonos - 1945 - Abigail - 1947 - Aldeia de Pescadores - 1950 - Nu e figuras - 1950 - Retrato de Beryl - 1955 - Tempos Modernos - 1961 - Tempestade - 1962 - Duas Mulatas - 1962 - Músicos - 1963 - Ivette - 1963 - Rio de Janeiro Noturno - 1963 - Mulatas e pombas - 1966 - Baile Popular - 1972

De acordo com o site Brasil Escola: “... Foi um dos mais típicos pintores brasileiros pela temática popular, que inclui o carnaval carioca, mulatas sensuais, paisagens suburbanas e naturezas-mortas com frutas tropicais. Iniciou sua atividade artística como desenhista (1914) fazendo ilustrações, charges e caricaturas. Teve seu trabalho publicado pela primeira vez em uma revista (1914), mas realmente iniciou a carreira publicando charges políticas na revista Fon-Fon (1916), no mesmo ano em que expôs no Salão dos Humoristas uma série de ilustrações sobre a Balada do cárcere de Reading, de Oscar Wilde. Começou a pintar (1917) sob influência do art nouveau. Realizou sua primeira mostra individual (1917), como desenhista; era então na opinião de Mário de Andrade, o menestrel dos tons velados, e utilizava como meio de expressão predileto o pastel, evocando figuras femininas de angelitude então em voga.”

Fontes: http://www.suapesquisa.com http://brasilescola.uol.com.br/

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O sol é uma estrela Ontem, eu contemplei o pôr do sol entre as montanhas na Suíça. Uma sensação maravilhosa de paz e encantamento. Acho que vemos muitas coisas ruins no mundo e nos esquecemos de admirar coisas fantásticas como essas. Fiquei pensando no deitar do sol. O descansar da poderosa estrela do universo. O sol descansa para contemplar as estrelas e a lua no céu. Ele permite que as pequenas estrelas possam brilhar também. A grandeza do sol está em sua generosidade com os pequenos astros, porque até na escuridão há participação do sol. A natureza nos ensina que no universo, entre milhares de milhões de astros, não há motivos para concorrências. Todos brilham! A luz do sol é que menos conta nesse momento. Ele sabe que será sempre sol, com sua importância e brilho próprio. O sol se retira para, na noite escura, revelar a beleza das pequenas luzes e mostrar a importância de cada uma. Umas grandes, outras menores. Os pequenos pontos brilhantes no escuro já guiaram as grandes embarcações e até grandes sábios e reis. A noite e o dia têm sua importância. Um revela a beleza do outro. Diferenças que trazem suas marcas. São as pequenas estrelas que fazem o espetáculo da noite e o seu maior astro, a lua, mesmo distante da Terra enfeita a nossa noite escura e inspira os apaixonados. Mas ela não tem luz própria, porque a luz da lua nada mais é que o reflexo da grandeza da generosidade do sol. Porque até na escuridão há o toque do sol. Ele descansa, mas deixa a sua luz acessa.

Blenda Bortolini ... nasceu em Belo Horizonte / MG. Vive em Genebra, na Suíça. Estudou Filosofia. Escreveu vários livros, entre eles: A Sementinha, O Espinhento. A Cigarra desafinada. Organizadora da Antologia Salmos Modernos. Recebeu Menção Honrosa III Prêmio da Varal do Brasil em Genebra em 2015. Recebeu o Prêmio “Escritor Destaque 2015, em Portugal. E o 3º lugar do I Concurso Cultive em parceria com a ALALS. Contato: blendaebortolini@hotmail.com 52


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CRÔNICA ARITMÉTICA, EM PROSA E CANTO, NOS CONFORMES DE NELSON E LUPICÍNIO, AMBOS RODRIGUES Aos 7, Laurinha, a mãe, o deixou; a ele e a Alfredo, seu pai; por Rodrigão, alegre e leal companheiro. Aos 14, desilusão e depressão: a vida deixou Alfredo, que deixou-lhe nada. Dna. Laura e o Dr. Rodrigo, insigne advogado, apareceram e o deixaram; nada havia porque ficarem. Aos 21, enfim Laura: fixação desde os 14. Véu e grinalda. Aos 28, Laura deixou-o por Alfredão, amigo de todas as horas; nem sequer uma palavra. A vida o traiu; cachaça,veneno. Deixou-a. Somando +1 escrito +1 samba-canção, Total: sucesso.

JACOB B. GOLDEMBERG Jacob é gaúcho de Porto Alegre. É casado, tem dois filhos e quatro netos. Arquiteto, sabe como ninguém colocar em obra seus excelentes contos e crônicas. Tem diversos livros publicados. Contato: jbgoldemberg@gmail.com 53


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FLORA PURIM

A cantora brasileira Flora Purim nasceu no Rio de Janeiro em 6 de março de 1942 e começou sua carreira nos anos 1960 cantando com o Quarteto Novo com Hermeto Paschoal e Airto Moreira. Cantora muito conhecida no exterior, Flora já gravou com as estrelas do jazz Thelonious Monk, Dizzie Guillespie, Chick Corea e Guil Evans e já foi vencedora de dois prêmios Grammy em 1992. Mudou-se para os Estados Unidos aos 22 anos e cantou em clubes em troca de comida. Aos poucos foi ganhando notoriedade. Com décadas de sucesso internacional, Flora vive até hoje nos EUA. A discografia de Flora é impressionante e pode ser verificada aqui: http://dicionariompb.com.br/flora-purim/discografia “Se eu tiver a oportunidade de expor meu trabalho para o público brasileiro, tenho certeza que vou ter tanta aceitação quanto no resto do mundo”. Ouça: https://www.youtube.com/watch?v=IzFihryhqbM https://www.youtube.com/watch?v=JAojmZ9I2z0

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Por Tania Diniz 1. Andava em nuvens! Um anjo torto arrastava asa pra ela. O coração, ex-morto, vela. 2. (versão 2) Lábios beija-flor nos meus Trigo, pelos sobre mim. Mãos, libélulas azuis. 3. Um dia suspirou de amor e da garganta lhe escorreu doce seda lilás, que aliás, doía um pouco. 4. O amor fez o ninho em cuidados em carinho. E traz à luz, preciosas gemas, uma ninhada de poemas!

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(divulgação de autor, livro, evento cultural, etc.) está descrito no blog da revista. 06. Os textos literários e/ou publicitários só serão publicados mediante a aceitação do conteúdo pelo Conselho Editorial da revista e do recebimento do comprovante de pagamento que deverá (ão) ser enviado (s) por e-mail para veia@bluewin.ch 07. Textos que não se encaixem nos critérios de nossa publicação não serão divulgados nas páginas da VEIA magazine. O direito de expressão de um autor encontrará voz desde que o mesmo não faça uso de palavras de baixo calão, termos pornográficos, racistas e/ outros incitadores de ódio. Textos que falem de política serão aceitos desde que não sejam partidários e/ou difamatórios.

AVALIAÇÃO E INSCRIÇÕES As inscrições estão abertas para a próxima edição da VEIA magazine

08. VEIA se permite o direito de negar a publicação de um texto ou de uma publicidade sem precisar fornecer explicações.

Os textos recebidos serão lidos e após consideração de nosso Conselho Editorial será enviado e-mail resposta já com a estimativa do valor por página ocupada (em caso de texto) ou valor da divulgação pessoal (livro, evento, biografia, entrevista) ou ainda publicidade empresarial.

09. As ilustrações para os textos serão fornecidas pela redação da revista gratuitamente e não poderão ser trocadas. Se o autor fizer questão de ter ilustração própria, deverá pagar a equivalência em página publicada conforme o tamanho da ilustração e textos desejados

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03. Em teoria, todos os gêneros poderão ser aceitos (Poemas, Contos, Crônicas, Artigos assinados, pensamentos, aforismos e etc).

Edição número 2:

04. O valor pago pela publicação de texto é feito por página. Não haverá cobrança por meia página, portanto, uma linha a mais num texto poderá equivaler a uma nova página. (Todos os valores estão disponíveis no blog da VEIA magazine!

5 de outubro :Envio de textos para avaliação 10 de outubro: Inscrição 30 de outubro: Revista online

05. O valor pago pela publicação de publicidade 57


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Antenas

elétricos de uso cotidiano, tais como, rádio, televisão, celular, controle remoto, etc. E o que fazem tais dispositivos no alto dos edifícios, postes, telhados das casas, ou mesmo em seus interiores? Como funcionam? Terão algo em comum com aqueles totens da antiguidade que chamamos hoje de para-raios? Milhares de livros de física e engenharia não param de chegar às livrarias reais e virtuais tratando de tantos modos a interessante história da vida das antenas, contando os passos de sua presença em nossas vidas, especialmente, no período recente do século XIX para a frente. Assunto empolgante e complexo, na medida em que junta boa dose de difíceis descobertas teóricas e práticas de pesquisadores memoráveis, como James Clerk Maxwell, por exemplo, com os avanços extraordinários das chamadas “TI”, tecnologias da informação.

Jeferson Barbosa da Silva, o Poeta Garoeiro Conceito de “antena” – palavra latina, vinda do grego – como expressão de algo ereto, pontiagudo, misterioso, é tão velho quanto a Humanidade. Desde sempre durante a tempestade observaram os homens, por exemplo, essa estranha preferência (só muito, muito mais tarde fisicamente explicada) que os raios têm por pedras, árvores, mastros elevados e pontudos. Há quase três milênios, o grande poeta grego, Homero, não por acaso, colocava Zeus, o deus soberano, segundo o seu relato na Ilíada, “repousando no alto de um tronco de carvalho”, no Santuário de Dodona.

Essencialmente, no entanto, antenas servem para a comunicação, elas são componentes de um processo comunicativo.

Pensar em antenas, observá-las longamente para descobrir e compreender seus poderes é anseio que sempre fez parte da história dos Por isso se comportam como transmissores que irradiam informação pelo ar ou pelo espaço, e receptores povos em demanda da civilização. que conseguem captar o sinal, realizando a comunicação de acordo com a intenção originária. Mesmo umas maravilhosas antenas orbitais que as ciências espaciais plantam em satélites que ficam girando ao redor da Terra, são belezas que funcionam sob esse mesmo padrão de recepção/transmissão. As três principais características das antenas são o cálculo dos seus parâmetros, o desenho de seus elementos e a sintonia de todo o sistema.

Civilização que hoje inunda a vida das cidades com a mais diversificada parafernália de antenas de todos os tipos, tamanhos e aplicações. Os agroglifos de Santa Catarina, inclusive, são estudados como sendo grandes enigmáticas antenas. O telefone celular que até há alguns anos ainda trazia uma antena externa de abrir e fechar e traz agora embutidas suas minúsculas antenas – uma para voz, outra para imagem, etc. – brevemente ganhará a mais nova maravilha da extensa história das antenas, a antena de multibandas dinâmicas, simplesmente, revolucionária! O radiotelescópio de Arecibo, Porto Rico, com 305 metros de diâmetro, a partir de agora deixou de ser a maior antena do mundo, porque acaba de entrar em operação na província de Guizhou, China, uma antena com 500 metros de diâmetro, com destinação dentre outras, de captar informação de civilizações extraterrestres.

Tudo pode ter sido bem feito na tecnologia de sua construção, mas sem uma sintonia casada perfeita, antenas não funcionam. E essa sublime exigência é o que tanto me empolga e me faz cada vez mais antenado no tema. Porque de todas as adversidades que a gente é obrigado a viver, as mais dolorosas são as separações causadas por algumas malditas dessintonias, como não podem admitir as antenas!

E o que fazem tais dispositivos no alto dos edifícios?

Talvez, porque sendo as duas partes separadas de um circuito aberto, busquem a comunicação perfeita... Comunicação que é meu sonho, capaz de realizar a sintonia casada dos dois comunicadores, considerados polos da mesma unidade, seres que o mundo separa, mas que podem voltar a se unir por amor... Por que não?

Mas sobre as antenas o que predomina nas leituras e referências que nos permeiam a vida hoje em dia, são alguns de seus detalhes enquanto partes das telecomunicações, enquanto dispositivos de sistemas 59


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É fácil viver

É saber encontrar a luz, mesmo quando a escuridão imperar. Enfim é ter a capacidade de amar. Somente o amor consegue unir pessoas, acabar com guerras, apaziguar ânimos exaltados, enfim fazer transformações em tudo que toca. Agora eu proponho, vamos viver, vamos amar, mas amar muito e de verdade. Somente amando poderemos transformar o mundo no qual vivemos.

Viver é muito fácil. É só deixar os dias correrem normalmente sem intervir no rumo que irão tomar. Saber viver, entretanto, é uma arte. É um dom destinado a poucas pessoas. Da mesma forma que alguns nascem com o dom da musica, do canto, artes gráficas, esculturas, oratória, escrita e outros mais, este também é um presente de Deus. Saber viver, não é saber acumular riquezas, nem bens matérias. Não é possuir aquele carrão importado, e ter várias casas de veraneio. Não é poder viajar facilmente mundo a fora sem se preocupar com a falta de dinheiro, nem morar em casa que mais parecem palácios. Saber viver é ter o dom de retirar de cada dia, ensinamentos que enriquecerão o nosso espírito, e nos tornarão mais sábios com o passar do tempo. É encontrar a beleza, mesmo nos dias mais nublados.

Maria (Nilza) de Campos Lepre Nascida em Tabatinga (SP), cursou a Escola de Belas Artes e estudou Italiano. Casou-se e teve três filhos. Autora de diversos livros, entre eles: O Diário de Uma Pescadora, Ecos do Passado, A Choupana Encantada e A Menina e o Camundongo. Contato: m.nilza@terra.com.br

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ÓCIOS DO OFÍCIO Antonio Cabral Filho Vida de poeta não é fácil; construir o poema, verso a verso com ou sem jarda, é como navegar no mar de Ulisses, cuja maré sempre nos apronta novas surpresas e o ineficaz instrumento do vate no labor perene com a peça nunca concede a imagem explícita na busca do metro exato e nos larga no ponto final sem duvidar da palavra, prontos a fechar o poema como quem fecha para balanço (por motivos de força maior reabrirei segunda - feira) ou como quem esmurra o ubre da vaca para que ela solte o leite e guiar a pena linha a fora sem deixar que o poema encalhe nas figuras de retórica, como se a palavra fosse rosa e desabrochasse em flor sem as carícias do sol.

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te misturados. Esse formato tão peculiar, convida os navegantes à uma degustação pausada, despreocupada e sem maiores compromissos com prazos de entrega. Tal liberdade de estilo, própria de uma autora vacinada contra toda espécie de convencionalismos intelectuais, sopra-nos uma suave brisa, que transporta as nossas atenções para o que realmente importa: Entender as raízes dos nossos sentimentos. (Mesmo que isso seja praticamente impossível) A intuição feminina à flor da pele dessa catarinense de Laguna, lapidada pelo divino dom da maternidade, confere-lhe uma autoridade ímpar nas coisas da vida, presenteando o leitor com impressões pessoais algumas vezes provocantes. Somos amorosamente estimulados, a cada texto, à revermos as nossas próprias verdades intocáveis, que permanecem preguiçosamente repousadas naquele compartimento interno chamado entendimento. Jacqueline, sem a pretensão de impor dogmas existenciais, convida-nos à uma pausa na insana correria do dia a dia, através de pequenas histórias e reflexões intimistas, mas de fácil assimilação. É esse, segundo penso, o principal compromisso que devem assumir os apologistas da democratização da escrita, simplificando toda excessiva frescura que afaste novos leitores.

Sentimentos confiscados

No livro, em doses condensadas, encontramos crônica, romance, comédia e drama, numa insofismável demonstração das múltiplas ramificações criativas da escritora, que parece de fato não se importar em fazer parte exclusiva desse ou daquele gênero literário. São os seus sentimentos, e nada mais, quem ditam-lhes a próxima trilha a seguir e a maneira de se expressar perante as próximas páginas ainda em branco. De Jacqueline, com efeito, podemos esperar com grata expectativa, o inesperado.

Todo escritor vai percebendo, ao longo da sua carreira literária, a cada novo livro, detalhes que antes não considerara atentamente na estruturação física da obra. Começo a minha primeira resenha do ano, admirando-me perante a singeleza e expressividade que uma capa é capaz de imprimir à um desabafo escrito. Tal qual o príncipe que abandonou tudo para contemplar a própria alma refletida na pequena piscina de um oásis, retratado no filme “Bab’Aziz”, do diretor tunisiano Nacer Khemir, a moça da capa parece efetivamente enxergar na clareza e transparência do mar um videotape da própria vida.

Tomo a liberdade de colocar “Sentimentos confiscados” na categoria das obras destinadas a serem lidas e relidas. Chegamos à última página com a sensação de termos mergulhado fundo nas recordações pessoais de uma amiga, passando a admirá-la e conhecê-la melhor. Intimidade, transmitida com tamanha fluidez, poucos conseguem fazê-lo. É coração na ponta da caneta.

E é isso o que Jacqueline Aisenman faz magistralmente em seu décimo livro, “Sentimentos confiscados”, que tem por um lado, a despreocupação de um diário adolescente e por outro a autenticidade histórica do experimentalismo poético. A obra vem a ser um apanhado de textos curtos e minicontos sem quase nenhuma ligação entre si, aleatoriamente ordenados, casualmente aproximados, deliciosamen-

Cesar Soares Farias, escritor

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A ESTRADA QUE LEVA AO FIM

espelho. Nossas idas e vindas não significam mais coisa alguma. Todas as viagens transportadas para o limbo junto com lembranças tensas diante de uma realidade opressora.

Lá fora as pessoas caminham com guarda-chuvas. Elas estão lá, as pessoas, cinzas como o dia. Iguais.

Jacqueline Aisenman E o começo foi o fim. O fim do começo que toda estrada conhece. Não importa o quanto eu tenha me divertido na juventude e nem importa o quanto tenha aprendido com os prazeres e desprazeres da vida. Pouco importa também tudo o que foi visto, utilizado, sentido, provado, conquistado, sido, realizado…. Que importância dar a velhas fotografias que só mostram sorrisos de outrora por coisas que não pesam nada na balança impiedosa do viver? Um dia a gente chega lá: no começo da estrada que leva ao fim. Quando a gente se olha e finalmente vê o que nunca quis ver, ou seja, que o tempo passou para a gente também. Passou e deixou marcas. E toda poeira que se costumava jogar para baixo do tapete começa a circular no ar, mostrando que não, a gente nunca estará livre de pagar à vida o pedágio de sua estrada, seja ela longa ou curta; seja ela bela ou não. Quando olhamos o reflexo no vidro da janela e ele nos diz mais sobre nós mesmos do que o próprio

Não se diferenciam nem mesmo pelas roupas ou pelo horário de trabalho. A manhã as recebe nas ruas e lhes entrega aos escritórios, usinas, meios de transportes e tantos outros locais onde permanecerão oficiando como boas formigas trabalhadeiras até o dia acabar. A noite já se pronunciando receberá as pessoas de volta e as levará até suas respectivas casas, onde beijarão seus pares, prepararão os jantares, olharão as atualidades, se espantarão mais uma vez com as horas, já tão tardias, e finalmente dormirão sem mais. Sem sonhos com exceção daqueles que oferecem a redenção através de prêmios absurdamente milionários e distantes. Todas elas, as formigas, são úteis. E a vida ama tudo o que é útil, concreto. A vida não imita a arte: a vida detesta a arte! Enquanto eu passava pelos caminhos dançando na chuva e rindo do mundo, tal qual a cigarra das fábulas, todas as formigas se estabeleciam concretamente 66


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na vida. Todas elas que me olham e sonham em ter e ser agora no fim da estrada, um mínimo do que fui a vida inteira. E eu, solidária e solitária, recém-saída de uma rota de incessantes perigos em meio à minha vida de falésias e montanhas, onde nunca houve uma estrada sequer que tivesse um quilômetro igual…. Eu, sem entender direito como, de repente mudei de estrada. Saí das curvas sinuosas e incertas e segui o cruzamento que levava à estrada principal, esta que evitei até este momento.

pudor) imaginar que a vida de um inseto que cantou sob sol e chuva possa ser comparada à vida dos demais que se faziam úteis diante da vida. Não há piedade ou perdão para cigarras em plena reconversão. Já que estou aqui, seguirei. Mesmo se eu desejasse retornar seria tarde demais. Se eu olhar bem, o cruzamento que me trouxe aqui nem existe mais. Minha velha estrada fundiu-se com o horizonte, perdeu-se no espaço, morreu no infinito. Sobrou dela apenas o que trouxe dentro de mim. E dentro de mim algo que se parece com uma bomba-relógio se prepara para explodir o que restar. Meu corpo adoeceu, meus sonhos se esmoreceram, meus passos ficaram pesados. Sim, eu envelheci. Todos os que vejo passar diante de mim afirmam ter amadurecido. Dizem estar prontos. Prontos para a caminhada final. Eu, eu envelheci Pedaços da minha felicidade caem enquanto caminho. Em breve não haverá mais nenhum vestígio dela dentro de mim. Tentando querer as mesmas coisas que os outros, perdi também tudo o que havia conquistado, descobrindo que a dor do vazio é algo bem maior quando não se tem mais para onde ir além da estrada que leva ao fim. Resta-me a lágrima que enxugo disfarçadamente, entre um sorriso e outro, enquanto afirmo minha alegria em finalmente estar caminhando pela estrada que leva ao fim.

Olho as formigas maravilhada! Elas têm moradas em seus formigueiros! Elas seguem o movimento da folia coletiva e dançam conforme a música! Inconformista que sempre fui, espantam-me agora tais movimentos e tal comportamento. Mas é um espanto triste, pois nesta nova vida o que quero é ser como são estas criaturas bem adaptadas que sabem contar em números o tempo e calcular dele as etapas da estrada. Ao invés de nelas plantar flores como fiz eu, elas plantam sementes de batatas, verdejam o pasto e dão de comer aos bois que eu acariciava a cada passagem. Parada, estupefata ainda, compreendo que a estrada que agora tomei, esta estrada dos comuns, onde todos se encontram um dia ou outro, é simplesmente a estrada que leva ao fim. Quando se pensa na casa, no chão, na hora de parar, de descansar, de partir. A estrada dos comuns, ela leva ao fim. Engraçado, a outra também levava. Mas não se percebia…. Nela percorri tanto tempo que agora parece que tenho que andar acelerando; tenho que correr o tempo todo para alcançar o que nem sei ainda o que é.

ESCREVER SOMENTE NÃO BASTA...

Há horas marcadas, horário para tudo e comparações insanas. O alto preço do viver, já elevado ao máximo, parece aumentar a cada momento um pouco mais.

É PRECISO DIVULGAR!

Há um desgaste constante em tentar conseguir ter o que eu nunca quis. Para pertencer é preciso ser igual. Para ser igual é preciso ter igual. A estrada que leva ao fim não tem fotos felizes para recordação. Apenas as cobranças dos próximos que não perdoam e nunca perdoarão o fato de não termos sido formigas desde o início. Cigarras precisam ser punidas por ter ousado a felicidade. Pouco importa os sofrimentos, as feridas, as cicatrizes escondidas sob o manto da alegria. O sofrimento de uma cigarra jamais poderá ser nivelado ao de uma formiga. E será um crime, uma grande falta de educação (ou de

VENHA CONOSCO, VENHA PARA A VEIA MAGAZINE! veia@bluewin.ch

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VEIA magazine - EdiçãoEM 01 - Agosto/2017 ORGANIZAÇÕES GENEBRA

OMPI

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA PROPRIEDADE INTELECTUAL várias outras organizações internacionais. O prédio principal da organização fica de frente para a Praça, sendo que outros edifícios completam o campus da OMPI. Criada em 1967, a Organização Mundial da Propriedade Intelectual é dirigida atualmente pelo australiano Francis Gurry. No final de setembro a organização tem sua Assembleia Anual onde os 189 estados membros se reúnem para aprovar a orientação e as atividades estratégicas para o ano seguinte. Entre as atividades da OMPI está ajudar os governos, empresas e a sociedade civil a ter as melhores vantagens que a propriedade intelectual possa oferecer. Como proposta da organização, a OMPI propõe um quadro de discussões que permite estabelecer regras internacionais equilibradas sobre propriedade intelectual num mundo em constante mutação. Serviços mundiais de proteção intelectual são propostos em todos os países, assim como a resolução de disputas sobre o assunto. A OMPI possui uma infraestrutura técnica que permite religar os sistemas de propriedade intelectual e, desta forma, compartilhar os conhecimentos. A OMPI, que é a organização responsável por todas as questões que envolvem a propriedade intelectual, é uma organização das Nações Unidas financeiramente autônoma e que possui 189 estados (países) membros. “ Nossa missão consiste em promover a elaboração de um sistema internacional de proteção intelectual equilibrado e que favorize a inovação e a criatividade no interesse de todos. A missão, os órgãos diretores e os procedimentos da OMPI estão descritos na Convenção da OMPI que foi instituída em 1967.” A sede da OMPI fica em Genebra, localizada na Praça das Nações, bairro central da cidade que abriga a seda da ONU e de

Francis Gurry, Diretor-Geral 68


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Os programas de cooperação e reforço de atividades internacional, assim como uma fonte de referências mundial, permitem aos países a utilização da propriedade intelectual para o desenvolvimento econômico, social e cultura. O Brasil é membro da OMPI desde 1975 e a OMPI possui no país o INPI (Instituto Nacional de Propriedade Intelectual), criado em 2009 como apoio direto às atividades da organização. O diretor do escritório brasileiro é José Graça Aranha. Direitos autorais no Brasil: Ministério da Cultura: http://www.cultura.gov.br Ed. Parque Cidade Corporate SCS Qd 09 10º andar Brasília direito.autoral@cultura.gov.br Marcos.Souza@cultura.gov.br Rua São Bento 1 CEP 20090-010 Rio de Janeiro, RJ

Escritório para a propriedade intelectual: Instituto Nacional da Propriedade Intelectual (INPI)

presidente@inpi.gov.br cgai@inpi.gov.br

http://www.inpi.gov.br

José Graça Aranha Organização Mundial da Propriedade Intelectual OMPI Organisation Mondiale de la Propriété Intellectuelle 34, chemin des Colombettes CH-1211 Genève 20, Suisse http://www.wipo.int 69


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Sem Rodeios A menina foi à tourada E impressionou-se com o bovídeo peniano Diante de toda a gadaria Pareceu manso e inofensivo o bichano Então montou ela naquela corcova Alisando o duro couro Empinada a anca rebolava fogosa Empolgava e dominava o Deus Touro Ela trepada e ele bufando Na faena O bicho agitou agitou agitou Ela cambaleava no meio da arena Debatia-se em espasmos Na lide da tourada Já que touro alvo A prenda fora derrubada

Vinni Corrêa ... é poeta, pós-graduando em Psicanálise e Ciências Humanas, pós-graduado em Marketing e Comunicação Empresarial, graduado em Comunicação Social (ênfase em Jornalismo). Escreve no blog http://blogvinnicorrea.blogspot.com.br/ Contato: vinnicorrea.mcls@gmail.com

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EVENTOS LITERÁRIOS

https://www.facebook.com/FeiradoLivrodeCaxiasdoSul/

ESTE ESPAÇO É PARA O SEU EVENTO! Divulgue-se! veia@bluewin.ch 72


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http://www.buchmesse.de

De 31 de agosto a 10 de setembro http://www.bienaldolivro.com.br/ 73


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http://www.feiradolivro-poa.com.br/

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SEJA CRIATIVO, USE A SUA IMAGINAÇÃO E NÃO COPIE O TRABALHO DE OUTROS!

Texto e arte de Renata Massa http://www.renatamassa.com/

SUAS IDEIAS VALEM A PENA, NÃO USE AS IDEIAS DOS OUTROS COMO SE FOSSEM SUAS!

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apenas como ornamento para a morada do Homem e distração para os seus olhos. A Estrela da Manhã, a Via Láctea, as Plêiades, todas elas são casas para o Homem, tanto quanto é a Terra. Cada vez que elas enviam um raio nos seus olhos, elas o erguem até elas. Cada vez ele que passa sob elas, ela os atrai para si. Todas as coisas são incorporadas ao Homem, e o Homem é por sua vez é a elas incorporado. O Universo é um corpo apenas. A menor partícula é parte do Universo e você é parte de tudo. E tanto quanto você morre continuamente quando vive, você vive continuamente quando morto; Se não neste corpo, numa outra forma de corpo. Mas você continua a viver num corpo até dissolver-se em Deus; Ou seja, até que você superar todas as mudanças. Micaster: Devemos voltar a esta Terra durante esta jornada de mudanças? MIRDAD: A lei do tempo é a repetição. (…)

A VOZ DE UM LIVRO E A VOZ DE MIKHAIL NAIMY

O LIVRO DE MIRDAD (Extrato) AONDE VAMOS DEPOIS QUE MORREMOS? ARREPENDIMENTO

Tradução livre de Jacqueline Aisenman de trecho da página 97 do livro The Book of Mirdad, do escritor Mikhail Naimy, Watkins Publishing, London, 2002.

Micaster: Mestre, para onde vamos depois que morremos? MIRDAD: Onde você está agora Micaster? Micaster: No Aerie. MIRDAD: Você acha que este Aerie é grande o suficiente para lhe conter? Acha que é a única casa do Homem desta Terra? Os seus corpos, ainda que circunscritos no Tempo e no Espaço, são extraídos de tudo no Tempo e no Espaço. Muitos de vocês que vêm do Sol vivem no Sol. Tantos de vocês vindos da Terra, vivem na Terra. E assim se passa em todas as outras esferas e espaços que nem são ainda retraçáveis. Aqueles que são insensatos gostam de pensar tão somente que a única morada do Homem é a Terra e que a miríade de corpos flutuando pelo espaço é

Abri as páginas deste livro pela primeira vez em 2003 e foi uma leitura que me fez um bem imenso. Cada página um mergulho profundo. Com poesia e amor o autor nos faz realizar uma viagem sem retorno. Sim, você não volta igual depois de ler este livro. Algo muda para sempre no coração da gente. Escolhi este trecho, pois ele me toca particularmente neste momento em que estou finalizando meu décimo terceiro livro intitulado « Um dia eu vou cansar de morrer ». Reler O Livro de Mirdad é um presente da vida! Leia mais sobre o escritor libanês e outros autores: https://pyxisliteraria.com/ 76


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O Jornal Sem Fronteiras, da “Rede Mídia de Comunicação Sem Fronteiras”, foi idealizado pela escritora e jornalista Dyandreia Portugal, para atender às necessidades do mundo cultural, por ser um veículo de comunicação exclusivo para os amantes das Artes e da Literatura. O Jornal Sem Fronteiras possui tiragem bimestral, de forma impressa e online. É totalmente colorido e em formato Standard. Está presente nas principais capitais do País, através dos seus colunistas, Galerias de Artes, Museus, Bibliotecas, Associações, Academias, Eventos Culturais etc. E no exterior, em inúmeros eventos culturais de brasileiros residentes no exterior (Feiras literárias, exposições de artes, lançamentos literários etc). Apesar de estar sediado na Região dos Lagos, por conta de um escritório de apoio na cidade do Rio de Janeiro, o Jornal Sem Fronteiras, consegue estar presente nas Principais cidades por conta de uma logística de entrega por transportadora e malas diretas (impresso) para mais de 1.000 (mil) assinantes.

Cabo Frio, São Pedro D´Aldeia, Araruama, Iguaba Grande, Maricá), Norte Fluminense (Macaé, Rio das Ostras, Campos dos Goytacazes) e Região Serrana (Friburgo, Petrópolis e Teresópolis), São Paulo (Capital e Grande São Paulo), Minas Gerais e Espírito Santo; Na Região Sul: Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná; Na Região Nordeste: Bahia, Paraíba, Ceará, Rio Grande do Norte e Maranhão; Na Região Centro-Oeste: Goiás e Brasília-DF; Na Região Norte, através do projeto “Caravana de Lendas do Tocantins”, da idealizadora e escritora Irma Galhardo, que distribui o jornal para 30 cidades. Obs.: E eventualmente no exterior em eventos, entidades culturais e Embaixadas. Locais: Galerias de Artes, Livrarias, Museus, Academias de Letras e Artes, Centros Culturais, Associações Culturais, Fundações, Saraus, Lançamentos Literários, Eventos Culturais, Salões de Artes Plásticas, etc.

ABRANGÊNCIA DA DISTRIBUIÇÃO Na Região Sudeste: Rio de Janeiro: Capital, Niterói, São Gonçalo, Região dos Lagos(Arraial do Cabo,

Além da versão impressa, o jornal possui versão virtual e é enviado para uma mala direta (mail list) de 20 mil endereços. Todos os anúncios e informes publicitários estarão sujeitos à aprovação e aceitação por parte da jornalista responsável ou o Conselho Editorial. Para publicidade de órgãos Governamentais deverá ser verificado a política de veiculação do Jornal, onde apenas são aceitos publicidades institucionais ou informe publicitário, sujeito a aprovação do Conselho Editorial. As matérias/informações devem ser enviadas até, no máximo, no começo do mês que anteceder o mês da entrega dos exemplares. Mais Informações: contato@redesemfronteiras.com.br http://www.redesemfronteiras.com.br/

Dyandreia Portugal 77


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SAUDADES PARA SEMPRE

NORÁLIA DE MELLO CASTRO Vivenciou e sofreu na revolução de 64. Acompanhou todo o movimento de Woodstock, a revolução feminina dos anos 60, o grito dos jovens franceses de 68. Vivenciou e curtiu muito toda a década de 60. Fez vários cursos complementares e/ou de extensão, relacionados ao social, história, filosofia e artes. Fez cerâmica artística, bordados, tricôs, patchwork. Nunca ficou apenas no teórico; necessitava, para seu equilíbrio profissional, fazer trabalhos paralelos. No inverno, era fatal, pegava nos tricôs, coisa que aprendeu aos 5 anos de idade. Conservou sua paixão por livros, despertada pelas idas assíduas à biblioteca paterna. Conservou também sua paixão pelos filmes, tendo frequentado cinemas desde a mais terna idade. E continuou garatujando seus papéis, o que era e é uma compulsão: uma necessidade enorme de escrever. Sua dedicação à Literatura, como trabalho real do fazer literário, só veio a acontecer em 2009, quando se descobriu no Dicionário de Escritoras Brasileiras, de Nelly Novais, e ela se perguntou: “Como estar citada ali desde 2001 e nem sabia? Afinal o que fizera de sua literatura, tendo tanta coisa escrita? Se escrevia tanto, se lia tanto, alguma coisa teria a mostrar…”

Norália de Mello Castro nasceu em Belo Horizonte, Minas Gerais, filha de Noraldino de Mello Castro, advogado, líder, jornalista e escritor espírita, e de Magnólia Amaral de Mello Castro, prendas domésticas e ativista espírita, que esteve, por anos, à frente do Grupo beneficente das Samaritanas.

Entrou para a Rebra e passou a se dedicar realmente à Literatura. Agora, precisava continuar a escrever, pois escrever é uma necessidade visceral, compulsória mesmo. Pela Editora Scortecci, com selo Rebra, publicou, em 2010, o livro de crônicas e contos – Passos na Eternidade, premiado em 1986, no concurso Gralha Azul de Curitiba, que lhe deu uma viagem à Espanha/Portugal. Publicou também Apenas Viva, escrito em 2010.

Iniciou seus estudos na escola primária da Casa d’Itália, cujo prédio foi atacado durante a II Guerra Mundial, por revolta de brasileiros contra o Eixo, o que provocou o fechamento da escola. Sua alfabetização foi completada por professores particulares, até ser novamente matriculada em escola pública. Da Casa d’Itália, resultou um despertar para as artes e carregou também, por toda a vida, o hábito de rabiscar: desenhos, letras e escritos. Ao fim da II Guerra, mudou-se com a família para um excelente bairro, onde viveu até a maturidade . Estudou em escolas católicas e se formou na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, em Ciências Sociais, tendo se aposentado no exercício desta profissão. Paralelamente às diversas ações de sua vida, escreveu. Somente na década de 80 arriscou em concursos literários e teve êxito, chegando a publicar seu primeiro livro A Rede do Pescador, prêmio Clube do Livro de São Paulo.

Em 2011, conheceu o Varal do Brasil e passou a mandar poesias e prosa para esta revista online, baseada em Genebra. Participou de várias antologias, inclusive Varal Antológico 2, que traria a editora Jacqueline Aisenman ao Brasil. Entusiasmada, Norália articulou junto da Prefeitura de Brumadinho, onde mora atualmente, para que ali acontecesse o lançamento desta antologia. Teve apoio substancial da Prefeitura para a realização deste evento, que foi muito significativo para o Município, que recebeu um número expressivo de escritores e poetas. Em 78


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2011, foi agraciada com prêmios literários pela Aca“Nós da Poesia”, da AMEL-2012, com a poesia demia Brasileira de Médicos Escritores – Abrames – Teimosia. RJ, com 1º lugar, com o conto Síndrome de Proteus e 2º Lugar com a poesia Teimosia. Em 2012, publicou “Varal antológico 2” – da editora Varal do Brasilo romance Realidade e Sonhos, pela Editora Catitu, Genebra., 2012, com o conto Os reflexos. de Belo Horizonte. “Letras de Babel”, ABRACE- Uruguai,2012, com Para todo este trabalho literário tinha na sua filha, poesias. Daniela, a maior incentivadora e cooperadora, até mesmo inspiradora. “Mil poemas para Miguel Hernandes de España”, Chile- 2012, selecionada com poesias. E Norália deseja continuar as sandices de seus escritos por muito tempo. “Mil poemas para Pablo Neruda”, Chile-2011, com poema a Neruda. BIBLIOGRAFIA “Ler para Crer”, Oficina das Letras-SP, 2012, com o conto O mistério do relicário” “Farol Literário”, da Literarte 2012, selecionada com o conto Na ventania.

Nascimento Publicações:

Bicos salpicam. Piupius explodem, Amarelinhos cantam.

“A Rede do Pescador”, contos, 1988, prêmio do Clube do Livro de São Paulo. “Passos na eternidade e outros contos”, l988, prêmio do I Concurso Gralha Azul, de Curitiba – PR.

Falatório

“Apenas viva”- crônicas e contos, 2010.

Diálogos ouço. Personagens rondam. Na casa , silêncio.

“ Realidade e sonhos” – romance ,2012. Antologias: “Novos Contistas Mineiros”, l988, com o conto “O tédio”. “Show de talentos em prosa e verso”, 2010 com o conto Apenas passe.

Recado tardio Que me vejas, que me creias Devaneios tidos.

IV antologia de poetas lusófonos, 2011 – Portugal

O baile

“Le grand show dês écrivaines brésiliennes”, Rebra 2011. “Revista LUZES “ Ituiutaba- 1987, concurso, com o conto O Tédio..

Ela dança. Ele dança. Piruetas sucedem: Silêncio das lembranças

“O indiscutível talento das escritoras brasileiras”, Rebra – 2011, com o conto Dardanelos. 79


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de confessar a única verdade: pessoas não mudam… elas se ocultam por trás das experiências das dores e das vivências… pessoas não mudam mudanças não existem o que existe é a andança o que existe

PESSOAS MUDAM

são os esconderijos onde se abrigam

Jacqueline Aisenman

as pessoas que sabem (porque elas sempre sabem) mas fingem que não não sabem que nunca irão mudar!

pelas circunstâncias conveniências pela ciência das ânsias… mudam as pessoas pela vontade ou pela obrigatoriedade de se manter vivo… os cortes e as feridas da vida… cabeça quente esfriada pelo cansaço dos tombos biombos que escondem os verdadeiros desejos o ensejo de nunca mudar… 80


EXPEDIENTE

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reproduzidos em quaisquer mídias, desde que sejam preservados os nomes de seus respectivos autores, que seja citada a fonte e não seja para utilização com fins lucrativos. Fica eleito o Foro da Cidade de Genebra (Suíça) para dirimir qualquer disputa jurídica a respeito desta edição e de qualquer outra edição da VEIA magazine. VEIA magazine não possui vínculos empregatícios com nenhuma pessoa física e/ou jurídica e não tem representantes da revista ou da marca.

VEIA magazine

© Os direitos da revista pertencem aos membros da família Bulos Aisenman. © Cada autor é detentor de todos os direitos sobre o texto de sua autoria publicado na VEIA magazine. © As ilustrações de capa são adquiridas em sites especializados. As ilustrações interiores são provenientes de sites de imagens com licença livre. © Fotos dos autores e de suas obras e/ou eventos, tanto quanto fotos com objetivo publicitário, são de responsabilidade daquele que as envia para publicação.

Literatura que pulsa! ISSN 2504-5296

Genebra/Suíça - Setembro-Outubro / 2017 Ano I – Edição n0 1 VEIA é uma revista literária fundada em 2017. Publicação bimestral eletrônica e com distribuição gratuita através de e-mail, blogs e redes sociais. Diretora Proprietária: Jacqueline Aisenman Edição e diagramação: Lázaro e Jacqueline Os textos chegam supostamente revisados. VEIA magazine realiza uma revisão final. Colaboradores diversos com textos literários, artigos, colunas e divulgação de livros e eventos culturais.

Os contatos devem ser feitos diretamente conosco através do e-mail: veia@bluewin.ch Os textos literários e/ou para colunas assinadas foram enviados por seus autores ou por representantes dos mesmos e a responsabilidade pelos mesmos é exclusiva de seus autores. O conteúdo dos textos publicados não reflete necessariamente a opinião da VEIA magazine que se exime de toda responsabilidade quanto a seus conteúdos. Para participar da revista refira-se por favor à página Como Participar/Condições de Participação no blog da VEIA magazine aqui: https://veiamagazine.com/ Se você deseja ser informado das próximas edições da VEIA magazine, envie um e-mail para

Conselho Editorial Jacqueline Fundadora Responsável pela Edição e Revisão Geral Paulo Roberto Vice-diretor Responsável pelo Setor Financeiro Sabrina Yarah Responsável RH, Responsável de Marketing, Auxiliar do Setor Financeiro Lázaro Daniel Analista e Editor, Responsável pela editoração, Responsável pela seleção de conteúdos literários

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Imagem da capa: © Dmytro Sandratskyi by Fotolia Imagem 4ª capa: © Fotoworkshop4You A distribuição da revista é eletrônica e gratuita. Os textos aqui publicados podem ser 81


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Defender os animais torna vocĂŞ mais humano! Respeite os animais, defenda-os!

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“Se a gente cresce com os golpes duros da vida, também podemos crescer com os toques suaves na alma.” Cora Coralina 83


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VEIA Magazine número 1 Literatura que pulsa! Um espaço descontraído para seu viver cultural

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