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VEIA Magazine - Edição 0 - Junho de 2017

MAGAZINE

literatura que pulsa! Ano I - Edição 0

ISSN 2504-5296

Genebra, Suíça - Junho de 2017

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CORRE NA VEIA...

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Rita de Oliveira Medeiros Adenilza Almeida Lira Alberto Marques de Medeiros Neto Alexandra Magalhães Zeiner Ana Rosenrot Jacob Goldembert Blenda Bortolini Dinorá Couto Cançado Katilene Alves de Brito Ly Sabas Ivane Laurete Perotti Flávia Assaife José Hilton Rosa Jania Souza Jacqueline Aisenman Eliana Antunes Maciel Hebe C. Boa-Viagem A. Costa Roselis Batistar Ivonita Di Concilio César Soares Farias Danilo Oian Gilberto Nogueira de Oliveira Sonia Cintra Yara Darin Walnélia Corrêa Pederneiras Marilu F. Queiróz

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Sandra Nascimento Izabella Pavesi Paula Alves Norália de Mello Castro Marina Gentili Isabel C. S. Vargas José Carlos Paiva Bruno Varenka de Fátima Araújo Marilina Baccarat de Almeida Leão Valdeck Almeida de Jesus Morphine Epiphany Marcelo Escritor de Oliveira Souza Cláudio Hermínio Maria Nilza de Campos Lepre Luiz Carlos Amorim Valquiria Imperiano Maria Aparecida Felicori (Vó Fia) José Alberto de Souza VOCÊ!

CORRE NA VEIA...


DIR ETO NA VEI A

VEIA Magazine - Edição 0 - Junho de 2017

Alô pessoas! Tenho neste último ano passado por experiências profundas e estou voltando de longe, de tão longe que eu mesma cheguei a pensar ser impossível estar aqui, novamente, escrevendo entre amigos. Quando anunciei este novo projeto há poucos dias recebi, por conta disto, alguns sorrisos, gargalhadas divertidas, olhares de espanto, cumprimentos e palavras receosas. Me chamaram de doida, corajosa, fênix, desassossegada e até me disseram coisas do gênero: Amém, voltou!, Não acredito que está voltando!, Que maravilha!! Vai descansar mulher!, De novo?? Pois é, estas reações que chegaram até mim através da família, amigos e conhecidos, confesso que antes eu as tive todas dentro de minha cabeça enquanto, numa rapidez singular, criava todos os elementos visando este recomeço. Com alguns novos propósitos sim, mas guardando certas ideias preexistentes que servirão de estrada para as inovações ao longo do percurso. Ideias pioneiras plantadas pelo Varal do Brasil e que hoje fazem escola. O que é maravilhoso, afinal, quanto mais cultura sendo divulgada, melhor para todos nós. E unidos, porque união é tudo! Obviamente continuo na VEIA literária, mas com diversificações, num espaço onde quero que voz seja dada a todos. Despretensiosamente, desejo que vocês se sintam confortáveis tanto para escrever quanto para ler o que a VEIA trouxer em suas páginas. Quero um espaço onde a opinião de cada um possa ser lida e onde o direito de ter escrito uma opinião possa ser respeitado. Não estou aqui dizendo que não seremos corretos e que não respeitaremos os direitos de todos. Mas afirmo que o excesso (com ênfase na palavra “excesso”) do que é conhecido como “politicamente correto” não será a regra absoluta, pois preferência será dada à expressão da “sinceridade correta”. Nesta sinceridade incluindo o direito fundamental de poder se expresar sem que cada assunto vire polêmica ou motivo de agressão. Num segundo passo decisivo, quero fazer desta revista um trabalho em tempo integral. Quem já me conhecia sabe que a versatilidade sempre me permitiu estar nos últimos anos em muitas frentes ao mesmo tempo: editando livros, realizando eventos, revistas e outras atividades literárias correlatas. Além de realizar traduções para empresas e órgãos internacionais. Mas agora trabalharei com a VEIA sem me dividir! O blog da revista será bastante ativo e lá também publicaremos textos literários, artigos e etc., enviados por vocês. Desta forma o período de dois meses entre uma e outra edição será preenchido agradavelmente e muito mais espaço estará disponível para divulgação de toda cultura. O blog está sendo colocado no ar poucos, mas vocês já podem encontrar lá informações adicionais sobre como participar da VEIA nº 1 que será colocada online no final do mês de agosto. Visitem o blog e saibam tudo! Passem bons momentos ! Saudações amigas, Jacqueline Aisenman Editora-Chefe da VEIA magazine

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VEIA magazine?

Nossa experiência vem de anos de um excelente trabalho de divulgação midiática. Acredite, você será visto!Inscrições abertas permanentemente para anúncios aqui no blog (veja nas condições de participação para a revista para a edição de agosto!

A QUE VEIO?

Coloque a sua literatura na VEIA do mundo literário! Venha! veia@bluewin.ch

Com todo direito, todos podem e devem escrever. É um importante meio de comunicação e a escrita é uma deliciosa maneira de se expressar, além de ser um grande fator de revelação de talentos! Os assuntos diferem e, mesmo quando são os mesmos ou quando se assemelham, tocam gêneros diferentes. E mais: se os gêneros forem iguais, o fundamental será diferente: você! Você é único e o seu jeito de contar, de poetar, de romancear… O seu jeito é incomparável, é especial e isto porque é você! Cada pessoa imprime seu estilo naquilo que escreve, movendo a literatura adiante e não permitindo que ela morra.Quantas histórias de detetives você já leu? Muitas! Pois pode apostar que Sherlock Holmes e Hercule Poirot, por exemplo, são maravilhosamente diferentes e os crimes desvendados por eles nos livros são não somente distintos, mas trazem um « algo » especial que prende o leitor do início ao fim da trama. Quantos poemas de amor você já leu? De quantos poetas diferentes? Muitos, provavelmente! Mas, mesmo havendo milhares de poemas de amor nas mais variadas línguas faladas e escritas pelo mundo, você sabe que seus poemas de amor não se parecem com nenhum outro. E é assim porque todos nos expressamos distintamente.

A CULTURA ESTÁ NA NOSSA VEIA!

Seu estilo é você, sua assinatura, a impressão digital do seu talento.Mas, neste mar literário profundo e quase infindável, é praticamente impossível saber o nome de todos os autores, principalmente os que vão surgindo e nem tem apoio midiático ou da própria editora. Por isto mesmo você precisa de espaço para divulgar seu talento e divulgar suas obras. Você precisa fazer por si mesmo, por sua obra, mostrando ao mundo suas habilidades excepcionais!

LITERATURA ARTES PLÁSTICAS MÚSICA DANÇA HISTÓRIA!

Numa era em que todos leem cada vez mais em seus computadores, tablets e smartphones, a digital VEIA magazine propõe a você um espaço exclusivo aqui no blog e também na revista. E você pode ter certeza que conosco terá visibilidade, pois somos profissionais e realmente divulgamos o que fazemos.

VENHA! veia@bluewin.ch 5


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FAIRE LE MUR? Os 100 anos do Monumento aos Reformadores Desejando ser lembrada por um monumento que se relacionasse com a Reforma, Genebra, em 1908, lançou uma competição internacional. Entre os tantos projetos o projeto dos arquitetos Laverriere, Monod, Dubois e Taillens teve aceitação unânime. A escultura, originalmente proposta por Reymond, finalmente foi confiada a Bouchard e Landowski e é composta de uma surpreendente página da história do calvinismo. Mais de 125 peças foram organizadas na Maison Tavel por ocasião desta exposição e retraçam a gênese da construção do Monumento Internacional dos Reformadores, mais comumente conhecido como “Reformation Wall”. Os projetos que foram rejeitados, as esculturas recomeçadas, imagens “desviadas”, assim como também planos e vistas artísticas ou técnicas, refletem a história de uma obra cuja notoriedade estabeleceu-se desde sua conclusão em 1917. A exposição permanece até 29 de outubro. Le Monument international de la Réformation a 100 ans! Maison Tavel: Rue du Puits--Saint-Pierre 6 1204 Genève Horário: 11 às 18 horas (Fechado na Segunda-feira) * Fonte: Ville de Genève 6


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CONHECIMENTO É CHAVE PARA PROGREDIR. VOCÊ É PROFESSOR DE ARTES, LITERATURA, MÚSICA? MUSEU DE ARTE DE SÃO PAULO

VOCÊ PROMOVE EVENTOS, CURSOS PARTICULARES OU EM GRUPOS?

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DIVULGUE CONOSCO!

MIGUEL RIO BRANCO NADA LEVAREI COMIGO QUANDO MORRER

O MASP apresenta, a partir de 29 de junho, Miguel Rio Branco: Nada levarei qundo morrer, segunda exposição de Miguel Rio Branco (Las Palmas, Espanha, 1946) no Museu, quase 40 anos após sua primeira individual, Negativo Sujo, em 1978. Até 10 de outubro, a mostra exibe uma seleçäo de 61 fotografias da famosa série Maciel, realizada no bairro homônimo, na região do Pelourinho, em Salvador, que o artista frequentou durante seis meses, em 1979. O título da mostra origina-se da sentença «Nada levarei qundo morrer, aqueles que mim deve cobrarei no inferno», que ocupa o centro da composição de uma das obras. Escrita em vermelho, a frase contém lapsos de português e está em uma parede interna, amarelada e desgastada, e cuja palavra inferno quase desaparece em meio a manchas escuras. Essa é a fotografia que abre a mostra e dá o tom da seleção dos demais trabalhos expostos na sala: são cenas de ambientes públicos e privados, como prostíbulos, bares, calçadas e quartos, de personagens que vivem e convivem em uma área estigmatizada e marginalizada pela prostituição, pobreza e criminalidade. Ao longo de toda a mostra, existe um embaralhamento entre os limites do público e do privado. Miguel Rio Branco: Nada levarei qundo morrer tem curadoria de Adriano Pedrosa, diretor artístico, Rodrigo Moura, curadora djunto de arte brasileira, e assistência de Tomás Toledo, curador. A expografia é da METRO Arquitetos Associados.

veia@bluewin.ch

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DE MÃE ELES ME CHAMAM

De mãe eles me chamam De mulher “ele” me chama De filhas eles me chamaram De irmã me chamaram e chamam De amiga, ocasionalmente sou chamada. Quando me chamam de “Doutora” pagam para obter algo que não posso, Nem com muito esforço, alcançar: JUSTIÇA De quem me chamava amiga, sinto tanta falta que já nem ligo mais. Tentei ser a irmã que quiseram, Mas pouco adiantou. Sendo filha, fui um alguém que amou odiando, Porque todo amor dispensado jamais compensa o desgosto e a solidadão da perda. Ser apenas “mulher” eu nunca consigo, Porque não sei nem por onde começa, Nem quando termina esta palavra imensa Imersa em tantos conceitos. Hoje, Sou apenas a mãe que consegui ser, mas não a que queria ter!

RITA DE OLIVEIRA MEDEIROS Rita é administradora e adovgada, mas antes de qualquer coisa, é uma filha do Universo pelo qual jura e conspira. Escreve para respirar melhor. Contato: oliveira.rita18@gmail.com


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PEQUENA PRINCESA Imagem by Leandro de Carvalho Porto

Menina Mariana soterrada na lama seus pais acham que deveria estar na cama Menina Mariana teu país te chama por que você ainda não levanta, vai perder a hora da escola! Menina Mariana não deixe soterrar assim tua infância levanta, levanta a hora passa e seca a lama

MAESTRIA No começo, era o sonho. Em uma parte do caminho, os obstáculos. De repente, a vitória... O começar foi natural... Muitos obstáculos novamente...

Menina Mariana esta com muita sede esta com frio perdeu o cobertor, porém os abraços de todos envolvem teu corpo!

Imagem by Rogério Alves -TV Senado

Num instante os primeiros passos, As letras e os fonemas se achegavam. A primeira palavra se encontrou com a primeira frase. Muitos sonhos se avolumaram. Muitas frases, muitos textos. No fim, já eram os meios para se voltar ao começo... No começo, era o sonho. No meio, veio uma verdade. No fim, o verbo se fez profissão. E a profissão, satisfação... _______________________________ ADENILZA ALMEIDA LIRA

ALBERTO MARQUES DE MEDEIROS NETO

Contato: adalmeidalira@hotmail.com

Gaúcho de Porto Alegre, graduado em Biblioteconomia, deságua seus poemas no Blog Poético Quase Incompreensível. Contato: marquesnto@yahoo.com.br

Adenilda é paulista, professora da EMEF Antenor Nascentes. Veio através da revista Varal do Brasil, na qual inscreveu alguns de seus alunos. 9


ALEXANDRA MAGALHÃES ZEINER Escritora residente na Europa, defende o meio-ambiente e os direitos das mulheres. Contato: bilingual.amz@gmail.com

GUERREIRAS DE SANGUE Hoje choro lágrimas de sangue Tão vermelhas como meus dias de lua Rio latente escorrendo pela minha base Semelhante ao de todas minhas irmãs, Algumas transformadas guerreiras, unidas pela raҫa, Outras, prisioneiras, de tantos lugares sombrios, Escravizadas por sistemas patriarcais, Manipuladas por seres sedentos de poder e glória, Falsos comandantes de egos gigantes, Seguidores de planos que desintegram e destroem, Sugando, dissecando...Até quando viverão assim? Onde encontrar coragem para a luta tão desigual? Como vencer os vampiros mesquinhos? Que prometem prazer e a fidelidade eterna... Somente a ignorância mata, castra e escraviza! É chegada a hora, aqui e agora, de um despertar coletivo, A escuta do chamado, um pedido, o pranto da Terra Brados doloridos, ecoando nos quatro cantos do mundo, Pungentes, silenciosos, emitidos permanentemente... Quando unirmos pela forҫa da palavra, mantra infinito, Mergulharemos em uma espiral vibrante, Da Terra fertilizada pelo nosso sangue, Assim renasceremos vencedoras, Transformadas em guerreiras de sangue!


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reunindo lavadeiras, modelos de ateliê, burguesas e nobres, e assim evidenciando ou questionando seu papel social. O terceiro núcleo da exposição é dedicado a retratos masculinos. Ao contrário do que ocorre nas representações femininas, conhecemos os nomes de todos os homens nas pinturas de Toulouse-Lautrec incluídas na exposição, um sintoma eloquente da discriminação entre homens e mulheres e do papel que cada um exerce na sociedade, na história e na cultura visual. Finalmente, o quarto e o quinto núcleos trazem representações da vida noturna, com seus cabarés, bares, restaurantes e casas de espetáculo que proliferaram em Paris depois que a cidade começou a ser iluminada pela uz elétrica Aqui vemos diversos personagens, como os trabalhadores que à noite frequentavam o Moulin de Ia Galette e tentavam esquecer a dura jornada de trabalho, a célebre dançarina Jane Avril (1868-1943) ou o debochado dono de cabaré Aristide Bruant (1851-1925), imortalizados em grandes cartazes que anunciavam seus espetáculos e que acabaram por marcar profundamente a paisagem urbana. Toulouse-Lautrec Em Vermelho apresenta também uma seleção de 50 documentos, entre cartas, bilhetes, telegramas e fotografias do artista e de seu círculo, que constituem uma memória viva daquela época. Num contexto mais amplo das histórias da sexualidade e das representações de gênero, a exposição de Toulouse-Lautrec dialoga com as mostras de Teresinha Soares, Wanda Pimentel, Miguel Rio Branco e Tracey Moffatt. Num segundo momento, se relacionará com as de Pedro Correia de Araújo em agosto, Guerrilla Girls em setembro e, em outubro, com a coletiva Histórias da sexualidade.

MUSEU DE ARTE DE SÃO PAULO MASP 30.06 A 01.10 TOULOUSE-LAUTREC EM VERMELHO Henri de Toulouse-Lautrec (1864-1901) foi um dos artistas europeus mais importantes da virada do século 19 para o século 20, momento decisivo para a arte moderna e palco para as transformações políticas, econômicas e sociais que até hoje marcam a vida nas cidades. O MASP apresenta a mais ampla exposição dedicada ao artista no Brasil, abarcando toda a sua produção, desde os primeiros anos, na década de 1880, até o fim de sua vida, e reunindo 75 obras e 50 documentos. Toulouse-Lautrec Em Vermelho faz alusão ao salão de entrada de uma luxuosa maison dose parisiense que o artista frequentou nos anos 1890 e onde criou uma relação de amizade com as mulheres que ali trabalhavam. Extrapolando os interiores do salão vermelho, a exposição traz uma profusão de personagens — burgueses, boêmios, trabalhadores, dançarinas e artistas que conviviam em Paris e que fizeram parte do círculo afetivo e artístico de Toulouse-Lautrec. Toulouse-Lautrec Em Vermelho se divide em cinco núcleos. O primeiro deles apresenta o mundo das maison closes, «casas fechadas», em francês — e revela o carinho e a simpatia do pintor em relação às mulheres retratadas. As três obras centrais são apresentadas num painel vermelho, evocando o famoso salão de entrada da maison La Fleur Blanche [A Flor Branca], em Paris. O segundo núcleo da exposição reúne outras representações de mulheres — algo a que ToulouseLautrec dedicou especial atenção —,

http://masp.art br

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CONFISSÃO CALADA Me deixou sem forças para lutar, perdida, só, exposta ao ar... num campo violado de sonhos, sem saber o que esperar… As chances se esvaem, como o sangue que de mim escorre, e nas lágrimas quentes que caem, meu corpo seca, a alma morre… Minha memória jamais irá se curar… sempre estarei com você naquele campo; solidão, medo, dor a me atormentar… A inocência despedaçada, violência sem sentido, esperanças roubadas, mente confusa, asas aleijadas… A face do ódio desmascarada, me obriga a ficar eternamente calada, presa na lembrança, a guerra perdida, mergulhada na vergonha; E eternamente CULPADA!!!

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ANA ROSENROT De Jacareí (SP), Ana é cineasta, escritora e pesquisadora de cinema. É também a criadora e responsável pela revista LiteraLivre. Contato: anarosenrot@yahoo.com.br

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FIVE O’CLOCK TEA Ao porteiro, chamou-lhe a atenção a figura mal ajambrada, paletó de veludo, calça social e camisa florida para fora das calças, cabelos desgrenhados, óculos de aros grossos, sobraçando vários pacotes. Perguntou pela Editora Sherlock, deixando cair dois. Pegou-os. O chefe da Portaria, com um sorriso desdenhoso: — Quinto andar, quinhentos e quatro Impaciente, esperou o elevador e quase não deixou que as pessoas saíssem, na ânsia de adentrar. EDITORA SHERLOCK – Livros Policiais, indicava a placa, meio que desgastada pelo tempo. Tocou a campainha. Dona Ágata lhe abriu a porta. — Senhor Gomes! — Já lhe vai atender, pois. Entre. Ele entrou, e sentou-se. Dona Ágata fechou a porta atrás de si e sumiu por trás de outra; não demorou, reapareceu e disse: — Faça o favor — deu-lhe passagem, fechou a porta e sentou-se no seu lugar. Passado algum tempo, percebeu, por ouvidos aguçados, acostumados a perscrutar – afinal, tantos anos em ambiente lítero-policial – que discutiam. Discórdia, ruídos. Batidas na mesa. ”A coisa está quente! “– concluiu. Ele saiu agitado, resmungando alguns palavrões; nem obrigado, tchau, qualquer palavra; bateu a porta com violência — mais um gênio incompreendido. Ela, já nem se dava ao trabalho de ter pena. Era apenas mais um. Às cinco em ponto, o ritual britânico; elementar, minha cara Ágata. Desde o primeiro dia. Muita classe. Duas batidas na porta, com licença... e UM GRITO! De gelar a espinha, puro Hitchcock. Sobre a mesa, de bruços, a cabeça aberta em meio a um mar de sangue, estava o Sr. Gomes! Deixou cair a bandeja sobre o tapete, – até porque o resto já lá estava desde que gritara, – e desceu correndo pela escada, indo direto ao porteiro; sim, ele o vira sair, mais estranho do que quando entrara. — Chame a polícia! — que demorou um pouco mais do que nos policiais cinematográficos, mas chegou. Da viatura saltaram o Delegado, o Investigador e o Perito. O exame da cena do crime foi rápido. E conclusivo: a vítima, o editor Sherlock Gomes, pardo, cabelos brancos, cearense, sessenta e oito anos,

estatura mediana. A arma do crime, o troféu de Melhor Livro Policial do Ano, do Sindicato dos Editores, base de mármore com placa de metal. O motivo, sabe-se lá qual – esses artistas são uns malucos mesmo. A averiguar. O assassino, segundo as testemunhas, era um escritor desconhecido. Ainda. – Pronto, vamos para a delegacia, abrir o inquérito; manda vir o rabecão. Perspicaz, o delegado recolheu um dos pacotes espalhados sobre a mesa. Quem sabe estaria ali a pista sem solução de continuidade? Mesmo rasgado e ensanguentado, dava para ler o primeiro parágrafo: “Ao porteiro, chamou-lhe a atenção a figura mal ajambrada, paletó de veludo, calça social e camisa florida para fora das calças...”

JACOB GOLDEMBERG Jacob é gaúcho de Porto Alegre. É casado, tem dois filhos e quatro netos. Arquiteto, sabe como ninguém colocar em obra seus excelentes contos e crônicas. Tem diversos livros publicados. Contato: jbgoldemberg@gmail.com

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A vitrine Estava muito frio em Genebra. Ainda tinha a neve da noite anterior. Mas a frieza era além das estações. O inverno não era a única atração turística da cidade. Os grandes Magazines também têm a preferência dos turistas. Naquela manhã de segunda-feira, fria e cinzenta, tivemos de enfrentar o desafio de sair da nossa casa quentinha para um compromisso. Caminhando pelas ruas frias, olhei para uma vitrine, procurando uma promoção ou um saldo das grandes lojas e, para a minha surpresa, encontrei uma mulher seminua à espera de clientes. Foi uma imagem chocante para uma criança de 7 anos, que não compreendia o que faria uma mulher tão linda se passar por um saldo. Ali, podia-se escolher a “mulher ideal” pela cor, tamanho, peso, nacionalidade. O produto do prazer tinha garantia e poderia ser personalizado. Por poucos instantes, nossos olha-

vitrine? Ela não sente frio? Eu respondi: - Sim, eu a vi!! O que ela quer, minha filha, é exatamente isso: Que alguém a veja além da vitrine, além de suas roupas, além do seu belo corpo, além da maquiagem. O que ela deseja é que alguém realmente a encontre. Ela sente um frio terrível, pois o lugar que ela se meteu é mais absurdamente frio do que aquelas montanhas do Salève e do Montblanc. Continuamos o nosso caminho e aquele olhar à procura de um pouco de alento não saiu da minha cabeça. Pensei em como eu poderia dar voz àquele olhar. Fiquei pensando em como há mulheres presas dentro de uma vitrine como essa, ou em prisões domiciliares, no mundo inteiro, à espera de alguém que as encontre. Mulheres, que mesmo não estando em vitrines, nem em baixas temperaturas, nem res se cruzaram, mas ela desviou de em pontos de ônibus, nem na esnós o seu olhar perdido. Ela voltou curidão da noite, mas estão presas dentro de suas casas, esperando a me olhar, só que, dessa vez, seu que seus companheiros as vejam. olhar não estava como antes. Ela Existem muitas mulheres “invisípercebeu que eu não tinha o olhar veis” pelo mundo e existem aquemaldoso, nem tampouco cheio de las da vitrine. luxúria que esperava encontrar em seus clientes. Mas de alguém sensi- O meu olhar também tinha uma mensagem e espero que aquela bilizada com aquela situação. jovem tenha entendido. Imagino quantos pensamentos Existe um paradoxo na liberdade... devem ter passado na cabeça da o risco. Um risco que vale a pena jovem quando nos viu. Naquele viver. Para a nossa cela ou para a olhar perdido, tinha uma mistura nossa liberdade, temos as chaves, e de sentimentos e de mensagens. elas são idênticas. Naquele olhar perdido, talvez tentasse achar as lembranças. No olhar perdido, havia um pedido de BLENDA BORTOLINI socorro. No olhar perdido, talvez tivesse o desejo de ter uma família Blenda é escritora, mineira e vive tradicional. Fiquei sensibilizada com a família em Genebra. Seu com aquele olhar doído, sofrido e estilo literário preferido são as sem esperança. histórias infantis, mas aventura-se Minha filha, sem entender o que com sucesso por vários gêneros. fazia uma linda jovem, seminua em um frio suíço, em uma segundaContato: -feira, com uma maquiagem forte, dentro de uma vitrine, fez-me uma pergunta bem interessante: blendaebortolini@hotmail.com - Mamãe, você viu aquela moça na 15


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ESPERANÇAS RENOVADAS Gritos ecoam mas nem todos os ouvem somente os que fazem parte de certas histórias tristes salpicadas de lágrimas... São páginas vivenciadas que retratam certas notícias e o sangue até jorra de algumas... Um basta mesmo à violência é o grito unânime de quem luta sempre grito que inunda os corações com uma agonia mesclada a uma tênue esperança que vai se firmando e incorporando as vozes onde páginas de sangue são e serão substituídas por esperanças renovadas.

MARCAS DA ALMA São muitas as dores femininas Não somente as dores de ordem natural Mas também as dores psíquicas Causadas pelo sistema etc coisa e tal. Dores e marcas da violência Violência que não se resume Em socos e mutilações Mas se estende na verbalização humilhante Marcas deixadas por seus pais Filhos, irmãos e companheiros Vidas interrompidas Vidas perdidas Violência doméstica repudiada Combatida pela lei brasileira Lei Maria da Penha A Mulher denuncia seus algozes Violência moral, física, sexual Fruto de outra terrível violência Preconceito, discriminação Sua raiz, sua essência Preconceito de uma cultura machista patriarcalismo social e religioso patrimônio das mentes doentias gerando profundas marcas na alma.

DINORÁ COUTO CANÇADO

KATILENE ALVES DE BRITO

Dinorá é escritora, mora em Brasília (DF) e é uma trabalhadora incansável em favor dos deficientes visuais, muitos dos quais enviaram textos para a revista Varal do Brasil e ora estão aqui na VEIA. Contato:

A poeta é de Taguatinga (DF) e é membro do Grupo de Deficientes Visuais do qual se ocupa a escritora Dinorá Couto Cançado. Contato:

bibliobraille@gmail.com

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LY SABAS Carioca, Ly gosta de dizer que tem tudo de Aquário e muito de Dragão e agora que já não é mais professora, brinca de ser poeta e escritora, sem estilo ou didática, movida apenas pela paixão. Contato: lysabas@terra.com.br

INTEIRA Teria sido preferível que você tivesse ido embora. Seria tão fácil, bastaria bater a porta e jogar a chave no fosso do elevador. Essa dor persistente já não existiria, teria definhado em horas de solidão, em lembranças rasgadas, em destroços irreconhecíveis. Esse cobrar não regurgitaria, teria sido expelido no instante do bater da porta. Mas não foi você quem fez a mala; e trancafiou nela mágoa e incompreensão. Nem foi você que em cada cômodo catou um pedaço procurando não deixar em nenhum espaço sombra sequer da desilusão. Fui eu quem bateu a porta e jogou a chave e entrou no carro abarrotado. Sabendo que viveria minha história; Agora, profundamente, inteira. Imagem by Nata Zotova

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NA PALMA DA MÃO - não se ausculta o coração da alma humana, mas se reconhece a sua natureza “Doer, dói sempre. Só não dói depois de morto. Porque a vida toda é uma dor.” Rachel de Queiroz Adormecido, o tempo não cobra razão. No banco estreito, o ancião espera entender a passagem que se abre: lenta, preguiçosa. Quase tardio, o olhar sobre a rua encontra um espelho. Sem moldura, craquelado, lembra a pele que recobre a vida fugidia: vem e vai sobre trilhos de acontecimentos. O reflexo não se dá a conhecer. Vaga na dormência do tempo e na profusão das expectativas enterradas a esmo: aqui, ali, acolá... velas apagam a si mesmas enquanto o

homem espera entender a quantidade do que é, por si só, imaterial. Por que dorme o tempo? Em que balanço encontrara colo e melodia? Adormecido, parece deixar a passagem abrir-se legitimamente vagarosa. Na lentidão, o poder de projetar no espelho os olhares para longe de si. Quem via o que fora não via o que era: olhava para frente ou para trás, ilusão de longo alcance. Quem desejava fazia-se estar entre os bulbos das dálias em promessa de flor. Flor escamosa, perfeita imagem para os olhos grudados no espelho difuso. “Falam que o tempo apaga tudo. Tempo não apaga, tempo adormece...” (Rachel de Queiroz). E então, o ancião ri de sua estulta vontade: mergulhar no espelho e colher a dália final. Aquela que se transformara no conjunto de pétalas em penca colorida como se estufada pela natureza caprichosa. Essa mesma! Divina e terrena flor que nascera 18

sem dar trabalho. Colheria a dama robusta e a envolveria no papel da existência. Um convite para o baile na pista do tempo indolente. Quebrantado tempo que se deixa acreditar em fresca siesta: cochilo programado no calor da vida a pino. Um parêntese indispensável às dobradiças que comandam os sonhos por sobre as pernas de pau. Siesta do temporis... cochilo lírico! “Cada coisa tem sua hora e cada hora o seu cuidado.” (Rachel de Queiroz). Do espelho craquelado, uma pétala espia curiosa. Deseja estender-se até olhos que a admiram. A rua permanece vazia e o tempo não dá sinal de intromissão: espaço perfeito para o devir mesclado em natural fantasia. Primeiro, o leve perfume: contato de delicada comunicação. Segundo, o roçar da brisa que balança a saudade e a pétala mais nova, pequeno tecido colorido entre o miolo esbranquiçado e a massa distinta das outras


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peças da corola. Dália crescida. Dália madura para a travessia sem volta. “... quem pode manter, num espelho, uma imagem que fugiu?” (Rachel de Queiroz). Terceiro, o toque do insustentável cortejo: definitiva parceria! Assim, mais do que a tempo, o tempo sanou a vontade de restabelecer a ordem da dor, desordem da flor. O homem se deixara ficar no banco para um próximo descanso. Descanso? Quem disse que saudade não dói? Uma pétala entre o vão do espelho e o vão da vida deixou-se ficar para manter o tempo em seu devido lugar: intocável e submisso tempo de nascer e adormecer.

FLOR DESPEDAÇADA Flor despedaçada Por quem ama é maltratada Dura realidade Dia a dia enfrentada Sexo desrespeitado Direito alicerçado Sobre o próprio corpo Pelo amor aprisionado Marcas pelo corpo Espinhos encravados Cicatrizes de uma vida Pela dor escravizada

IVANE LAURETE PEROTTI Gaúcha, especialista em Língua Portuguesa com múltiplas formações, professora, palestrante e terapeuta.

A violência qualquer Não deveria existir Praticada contra a mulher É uma covardia a se extinguir

Contato: ivaneperotti@hotmail.com

FLÁVIA ASSAIFE Carioca talentosa, Flávia escreve para adultos e crianças, tendo viajado pelo mundo levando suas histórias em diversos eventos culturais. Contato: flaassaife@gmail.com

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Floresta, um templo Mãe que te quero feliz Sem dor e sem choro Apenas sorrisos e amor faz alegria Longe te trouxe para bem perto Brotou paixão nos corações Aproxima os homens com amor de mãe Um lugar que suprime lágrimas Todos os dias se faz mãe Sua beleza cura como ervas Forte e sábia como toda mãe Ser floresta é plantar amor Enfeitar a alma, curar toda tristeza Templo escondido no seio da natureza Um esplendor de paixão e beleza Escondido na sombra de todo prazer Buscando sozinho o seu prazer Pedindo seu Deus para a vida preservar Raízes esquecidas sem compaixão Lugares escondidos dos olhos Com a saudade dentro de ti Enxergar aquilo que o momento esconde Chegar ao lugar celeste da humildade O sol te levanta com o amanhecer O cheiro da brisa verde fortalece O horizonte dá o prazer Descansa com a paisagem que renasce Canta o canto das aves Chega sem avisar sua companhia Vida que se renova colorida Seu dia é manso, sem prazo para terminar Avisando que a esperança não pode faltar No rio o peixe pescar Do mel das abelhas a vida adoçar A tosse do filho, com o mesmo mel vai curar Com ela todo homem deve enamorar Juntos, boa vida também querem levar

JOSÉ HILTON ROSA Autor de vários livros de poemas, José Hilton é um escritor pleno de sensibilidade e passa as mais profundas emoções aos leitores através de suas linhas. Contato: joiltonrosa@yahoo.com.br


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MARIANA

(aos poetas José de Castro e Sérgio Beija Flor) Verdes e suculentos eram teus campos atravessavas vales, subias montanhas. Berço de fartura e prosperidade nas Minas alimentavas com os frutos da terra fértil e as oferendas do rio Doce na forma de pesca. Cidade histórica graciosamente florindo em festa a contar os feitos do passado e o sucesso do presente. Entre o cimento e as pedras a construir o progresso. No relato poético do Brasil Colonial entre sinos e igrejas. Teus filhos tranquilos iam e viam na calmaria da confiança de que o tempo e a natureza garantiam os momentos de estudo, de brincadeiras, de trabalho, de lazer. Tudo estava como sempre estivera antes de antigamente.

Em segundos, Mariana foi coberta, soterrada, por um mar de lama. Quem estava dentro de casa e não conseguiu fugir foi arrastado e sepultado com casas, prédios, automóveis plantas, animais, solo, rio, sonhos, trabalho, vida. A lama continuou seu caminho de destruição e contaminação matando os peixes, sustento dos ribeirinhos do rio Doce roubando a água potável da boca dos habitantes do vale. Bento Rodrigues, Paracatu de Baixo, Mariana, desertos de lama... Quão terrível é o desastre ambiental para qualquer humano!

JANIA SOUZA De Natal, Rio Grande do Norte, a poetisa-mor Jania Souza leva sua poesia para o mundo. Contato: www.janiasouzaspvarncultural.blogspot.com 23

Imagem: Reprodução TV Senado

Contudo, Mariana encontrava-se no caminho de uma represa e a fatalidade da incompetência acabou em destruição. Um estrondo foi o grito de rebelião do acúmulo de detritos restos, expurgos da exploração mineral da grande empresa.


VEIAS! nelas corre o sangue seiva solene da vida... pulsam pulsam pulsam numa velejada em mar bravio numa cavalgada em égua no cio... as veias trancadas em si mesmas odeiam ver entrar sentir entrar calar ao sentir e ver entrar o líquido imundo e químico... este não lhe beija os lábios roucos faz do seu santo sangue apenas a voz dos loucos.


VEIAS Pulsando de dentro pra fora ditam a hora: é tempo tempo de florescer... cai a chuva sobre ela que deixa, doce, cair a semente... a paixão efêmera dará em breve lugar ao amor eterno: serão raízes.

JACQUELINE AISENMAN Catarinense da cidade de Laguna, é escritora, tem doze livros publicados e é apaixonada pela Língua Portuguesa. Contato: coracional@gmail.com


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ONTEM E HOJE A DIFERENÇA MARCA PRESENÇA ...

em seus andares e determinadas jornadas providenciais… E essa fase encerrou-se em período de tempo bastante inferior ao das fases anteriores: a “viúva solidária”, sofrendo de limitações gerais de saúde, teve, consequentemente, seus movimentos limitados e, por conseguinte, seus deslocamentos prejudicados…

Ontem- menina serelepe, saltitante e feliz, segurava as mãos dos pais, gesto que lhe causava uma dupla satisfação, por carrear um também duplo sentido de proteção: segurança e afetividade…

Nessa fase, a mais longa de todas (as anteriores), não teve o benefício do “amparo solitário”, ou seja, o braço de alguém que - desinteressada e solidariamente – a amparasse… Esse amparo já estava sendo “terceirizado”…

Já adentrando a juventude, desde o final da adolescência, a afetividade dominava o gesto: segurava a mão do parzinho afetivo - ou este segurava a sua mãozinha... E assim seu «andar de mãozinha” superava o duplo prazer da fase infantil.

E a menininha de ONTEM, que crescera e amadurecera oferecendo o seu braço ao amparo amoroso e/ ou solidário, HOJE depende do “braço mercenário” de uma acompanhante/ cuidadora…E o auge dessa sua atual situação se deu em crucial ocasião em que penosamente se apoiava no braço da acompanhante para acessar uma clínica localizada ao topo de uma escadaria muito semelhante à da Catedral em que se casara – e que, embora esta fosse significativamente menos longa,- evocava o escrachante contraste com a longa escadaria que acessara no dia feliz do seu casamento…

E também assim se manteve até o advento da adultez jovem. Sucedeu-se a fase seguinte – que assinalava o advento da adultez média, marcada por compomissos como formaturas e outras solenidades que comportavam “dar o braço” em menção de apoio formal, sendo que os casamentos constituiam a maioria dessas solenidades.

No entanto, ainda que houvesse tentado emitir um “gesto de desabafo” ao pressionar levemente o braço da acompanhante - e balbuciar um som quase inaudível- esta simplesmente fingiu não haver percebido o seu gesto.. E praticamente a “arrastava” degraus acima… Decepcionada – mas resignada –, a ex-noiva feliz conjecturava sobre as diferentes situações: ONTEM X HOJE…Quanta diferença…

Geralmente era convidada para o papel madrinha, e assim essa fase parecia ser a mais extensa até que lhe surgiu o chamado «par perfeito»... Estilo formal e conservador, somente dispensava o «andar de braço» em situações reconhecidamente informais, como um pique-nique entre suas famílias. Por aí. ( E daí o compromisso firmado com garbo, para o qual subira airosamente a longa escadaria da charmosa Catedral Metropolitana da Capital do Estado em que residia)… E essa fase, embora com variantes, ou residuais da fase anterior, perdurou por longo tempo, ou seja, enquanto o seu marido viveu...

ELIANE ANTUNES MACIEL

Uma vez viúva, seus passeios “de braço” guardavam características peculiares, confome o(a) acompanhante ou acompanhado(a): um sobrinho ou sobrinha afoito(a) ou apressado(a), uma parenta com dificuldade de locomoção, um(a) doente a quem socorria, ou uma “dama do passado” que primava pela formalidade em seus passeios… Enfim, sempre era ela, a viúva solidária, que amparava solícita as pessoas que nela se apoiavam

Excelente poeta, contista e cronista, atualizada e de palavra firme, Eliane é aquela escritora que ultrapassa os seus próprios limites para nos entregar a verdade. Contato: eloisa.maciel@gmail.com 27


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não fica indiferente a essas novas abordagens, mas precisava de tempo para assimilá-las. Ao retornar ao Brasil encontra escritores brasileiros seguidores do dadaísmo. Osvald de Andrade, por exemplo, com seu Movimento Antropófago. Nesta década e na próxima o poeta passa por momentos difíceis com o falecimento de seus familiares. Doente, empobrecido, vivendo do pequeno rendimento da herança que seu pai lhe deixara, foi morar na Rua Curvelo, bairro boêmio e de prostituição no Rio de Janeiro. Estreita a amizade com Ribeiro Couto e Mário de Andrade.Em 1917 lança, as suas expensas, seu primeiro livro, Cinza das Horas. Nele seus poemas são rimados, metrificados seguindo as normas do parnasianismo e do simbolismo. Em 1919 e 1924 publica, respectivamente, Carnaval e Ritmo dissoluto. Nestes aparecem certas liberdades formais que indicam o prenúncio do seu alinhamento com o modernismo. Nos anos 30 a doença lhe dá certa trégua e a situação econômica lhe permite sair da rua Curvelo pois fora nomeado Inspetor do Ensino Secundário, Publica, como sempre, às suas expensas, Libertinagem revelando-se modernista embora 1/3 de seus poemas ainda sejam rimados e metrificados. Neste livro mantêm sua tendência intimista e pessoal, mas revela-se irreverente com as normas do passado (Poética), irônico, saudoso da infância... Chega assim aos 50 anos! Nessa ocasião, de autoria dos principais escritores brasileiros, é publicado o livro Homenagem a Manuel Bandeira com seus poemas, acompanhados de estudos críticos e comentários. A partir daí sua produção literária é intensa, No final da década é nomeado Professor de Literatura do Colégio Pedro II e Membro do Conselho Consultivo do Departamento Histórico e Artístico Nacional . Em 1937 recebe Prêmio da Sociedade Felipe de Oliveira pelo conjunto de sua obra. Dois fatos importantes na década de 40: é nomeado professor de Literatura Hispano-americana da Faculdade Nacional de Filosofia e eleito para a Academia Brasileira de Letras. Em 1944, “pela primeira vez na minha vida recebi de uma casa editora proposta de edição dos meus versos.” Os convites passaram a ser constantes e as edições se esgotavam rapidamente. Em 46 recebe o Prêmio do Instituto Brasileiro de Educação e Cultura. Aos 70 anos aposentou-se e visitou s Europa, Exerceu muitas atividades. Além de poeta, crítico literário e de artes, conferencista, jornalista, cronista, tradutor, professor ... teve a gloria de seus versos serem musicados por Villa Lobo, Guarnieri, Mignoni e tantos outros.

MANUEL BANDEIRA 1886 – 1968

Manuel Bandeira nasceu no Recife. Passou sua infância e adolescência entre sua cidade natal e Petrópolis.No seu livro Itinerário de Pasárgada ( leitura obrigatória para quem quiser conhecê-lo melhor) conta a riqueza desse período. O gosto pela poesia lhe foi dado pelo pai que, mais tarde, “jeitosamente o induziu a estudar arquitetura.” Gostava também de desenho e música. Em 1903, para cursar Arquitetura na Politécnica, mudou-se para São Paulo Como gostava de poesias pensava em criá-las como passatempo. Um fato novo, arrasador, mudou essa expectativa. Estava tuberculoso, mal de difícil cura no começo do século passado. Abandonou a faculdade e procurou climas propícios na esperança de curar-se. Para outros poetas que tiveram essa doença ela foi apenas um acidente mas para Manuel Bandeira ela foi histórica e mudou sua vida. Preocupava-se pensando que a morte poderia surpreendê-lo a qualquer momento Ler, escrever e cotejar os mais diferentes poetas era o que lhe restava fazer. Passou a colaborar em diversos jornais do Rio, São Paulo e Minas. Em 1913 viaja para Suíça e interna-se no Sanatório de Clavadel na esperança de curar-se. Lá encontrou escritores com idéias novas pois a Europa passava por profundas mudanças e a discordância política redundou na 1ª. Guerra m\ Mundial. Havia um profundo descontentamento dando origem a movimentos que visavam romper com as tradições literárias e artísticas. Pregavam versos livres, sem metrificação, sem rima onde as palavras, em liberdade, pudessem ser espontâneas dando asas a imaginação. Tudo seria visto como arte o que abriria espaço para muitos temas. “Façamos corajosamente o feio na literatura’ era bem diferente do que Olavo Bilac dizia na sua Profissão de fé, a Arte pela Arte. Manuel Bandeira 28


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MORIBUNDO EM TERRITÓRIO GLOBALIZADO

Para comemorar seus 80 anos a Editora José Olimpio realizou uma festa com cerca de mil convidados. No mesmo ano recebe, das mãos do Presidente da República, A Ordem do Mérito Nacional. Em 1968, “a indesejada dama branca” veio buscá-lo depois de uma parada cardíaca e não de tuberculose. Certamente, como dissera em Consoada, ela encontrou “a casa limpa, a mesa posta, com cada coisa em seu lugar.” Foi sepultado no Mausoléu da Academia Brasileira de Letras, no Cemitério São João Batista, Rio de Janeiro. OBRAS: POESIAS; Cinza das Horas (1917); Carnaval (1919); Ritmo Dissoluto (1924); Libertinagem (1930); Estrela da Manhã (1936); Poesias completas (incluindo Lira dos Cinquent’anos, (1940); Pesias Completas ( incluindo Belo, Belo,1948); Mafuá de Malungo(1948); Opus 10 (1952; Itinerário de Pasárgada (1954); Estrela da Tarde (1960), Estrada da Vida Inteira (1965).

Da vida tiras o cinza do céu E o caramujo do mato Que esturricava de sede; Cedes à tempestades A vivos de vorazes discursols A dilúvios de promessas A benesses que não vêm... Da vida te apoquentas com os sem abrigo Que por involução do coletivo Transformam-se em hordes de mendigos Que gritam por banana, Por ossos fervidos em água No ralo consolo de um ovo Nos olhos invisíveis do povo A lacrimejar inutilmente. Da vida tiras essa umidade No mofo das esperas mais frias No suor sob um sol sem culpas Pois sua dosagem é alheia.

PARA SABER MAIS:

•AMZALAK, Jose Luiz – Literatura – FUVEST 2002 - Navegar Editora,São Paulo-2001; •BANDEIRA, Manuel - Itinerário de Pasárgada – Global . São Paulo-2012 •BANDEIRA, Manuel –Testamento de Pasárgada – Editora Nova Fronteira- Rio de Janeiro-1980; •MAIA, Neide –A Liberdade de expressão na obra de Manuel Bandeira – Scortecci- São Paulo- 2012

Da vida tiras a paisagem e o canto Indiferentes ao pranto dos solidários; Tiras os mercenários do amor E os viveiros nas praias... E sem a pastoral sinfonia Sem a poesia de míopes versos faceiros Com teu dar sem receber mais-valia Convidas à batalha de cada dia Para que valha a pena A agitada paixão do amanhã A serena brandura da calma.

HEBE C. BOA-VIAGEM A. COSTA Hebe é advogada, biógrafa, escritora que retrata, com força e fidelidade, personalidades das mais diversas épocas. Contista e cronista também, Hebe é autora de vários livros.

ROSELIS BATISTAR Professora em Universidades na França, México e Rússia, Roselis é uma poeta que lida com as palavras com vigor e extrema sensibilidade. Tem vários livros publicados e escreve em Português, Francês, Espanhol e Russo. Contato: roselis.batistar@gmail.com

Contato: hebejose1952@gmail.com

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Imagem by Leroy Skadstad

SOBRE TRISTEZA

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Existe uma crença muito antiga de que, na noite de São João deve-se “dar uma surra de facão” nos troncos de algumas árvores frutíferas, para que deem frutas mais rápido. Curiosamente, a ‘simpatia’ parece que funciona. Porém, o motivo desse resultado não é, como o povo pensa, um milagre do santo casamenteiro, mas a natureza alertando a árvore de uma “possível” derrubada e provocando a perpetuação daquela espécie. Foi constatado há muito tempo, por pesquisadores, que algumas espécies de roedores – ratos, principalmente – ao sentirem uma ameaça de extinção aumentam as reproduções de filhotes chegando a provocar pestes. Como aconteceu em meados do Século XIV, na Europa, com a pandemia da Peste Negra provocada pelas pulgas e mordidas dos ratos contaminados. Deixemos as árvores e os ratos com seus temores e façamos uma análise fria sobre nosso mundo atual.

ÁFRICA

O continente africano é palco de uma série de conflitos,

consequência da intervenção colonialista, principalmente no fim do século XIX e início do século XX. Esse processo de intervenção interferiu diretamente nas condições políticas, econômicas e sociais da população africana. Outro fator agravante para o surgimento desses conflitos na África se refere ao baixo nível socioeconômico de muitos países e à instalação de governos ditatoriais. Durante a Guerra Fria, que envolveu os Estados Unidos e a União Soviética, ocorreu o financiamento de armamentos para os países africanos, fornecendo aparato técnico e financeiro para os distintos grupos de guerrilheiros (Google).

BRASIL

Enfrentamos atualmente um quadro genocida de combates entre polícia e criminosos, traficantes disputando territórios e outros confrontos. Essa situação se avoluma assustadoramente, mas, aparentemente, os brasileiros nem se dão conta de que, no teor guerra estamos nos emparelhando com o Haiti e com a África. Pode-se constatar que, tanto lá como aqui, o número de bebês aumenta a cada ano, numa

provável confirmação da teoria sobre as árvores e os ratos, que citei no início. O receio atávico do extermínio da espécie em foco. A quantidade de crianças que nascem é impressionante. O resultado dessa densidade demográfica cai sempre no abandono das pobres crianças – lá como cá - pois em lugar de “Einsteins, Da Vincis”e outros gênios, esses frutos já nascem contaminados e raramente escapam de um final predestinado. No Brasil, crianças de dez e onze anos roubam, matam e.… são mortas. Seus pais? Já foram menores criados da mesma maneira: sem freios ou bons exemplos e devem estar bêbados ou drogados em algum canto da cidade. Quem sabe dizer qual será o destino dos pequeninos africanos e brasileirinhos que são ‘dados à luz’ cada vez com mais frequência, como se fossem filhotes de ratazanas em vias de extinção? É ou não uma grande tristeza esse estado de abandono e irresponsabilidade?...

IVONITA DI CONCILIO Ivonita é artista completa: cantora, poeta, escritora, criadora e promotora de eventos culturais. Contato: 31

idiconcilio@gmail.com


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Meu querido tambo químicos para adentrarmos no reino animal, veremos que da mesma forma, algumas espécies repelem ou incompatibilizam-se com outros seres e/ou ambientes. É o caso do peixe, que não nasceu para a grama ou para o chão de saibro. Por outro lado, o bom ditado já diz: “Gato escaldado tem medo de água fria” e dificilmente veremos o felino jogando-se por vontade própria num banho de rio. Arthur, conforme constatado e comprovado de fato, não nascera para o trabalho. Fugia dele como o diabo da cruz. Duas semanas antes de Kleiva colocá-lo contra a parede, insistindo com aquela página dos classificados aberta diante dele, escutou ela um intrigante diálogo. Naquele dia, ao final da tarde, receberam em casa a visita de Diogo, o vizinho e cumpadre que batizara Úrsula, a nenê do casal. Tomaram chimarrão, falaram sobre a última rodada do Gauchão e já no portão, quando a sós ficaram os dois varões, houve uma proposta do visitante, pedreiro “de mão cheia” e sempre bem requisitado para obras.

CASEIROS PARA TAMBO DE LEITE EM VIAMÃO * Ordenha automática/ resfriador canalizado, 200 litros/dia – 15 vacas. ELA: Ordenhar manhã (05:30/07:30h) e tarde(16:30/18:30h), limpeza sala leite/ordenha, comida aos cachorros e limpeza casa principal. Sal: R$ 400,00 ELE: Trato, pastagens, trator e limpeza estábulo. Sal: R$ 600,00 Obs: Boa casa com horta/galinhas, semi-mobiliada, água, luz e cesta básica. Interessados contatar com Sr. Enilson 436-2432 ou 8248-5104 Ele relutou bastante antes de ligar. Foram necessárias varias conversas entre os dois para que, enfim, vencido pelo cansaço e sem mais argumentos para se agarrar, Arthur tomasse a iniciativa. Arthur tinha qualidades e talentos incontestáveis, granjeando através deles muitas amizades. A sua conversação era agradável, com bom senso de humor. Apesar dos quase quarenta anos, era um mulato com dentes bem polidos, olhar vivaz e pele saudável. Combinava simpatia com beleza, e isso naturalmente abria-lhe algumas portas. Havia algo nele, contudo, que andava esgotando a paciência da sua mulher. Kleiva custara a perceber uma triste mas estampada realidade: O rapaz não gostava de trabalhar. O gelo, todos sabem, não foi feito para o contato com o fogo, pois derrete-se e perde a sua forma característica. A água, por sua vez, não nasceu para o óleo, pois se colocarmos ambos num copo eles sequer se misturam. Se deixarmos de lado os estados físicos da matéria e o mundo dos elementos

-- Ólha, to precisando di servente pra erguê umas parede lá na Dona Eloá. Ela qué qui faça um quarto nos fundo pru guri dela. Fiquei di passá lá amanhã cedo pra dá um orçamento pra velha. Di tarde, si fizé tempo bom, já começo o serviço... Tá a fim di encará essa? -- Bah cara... É qui eu ajudo a Kleiva a cuidá da guriazinha aqui em casa... agora fica ruim pra mim... Ela ouviu tudo em silêncio, imóvel, atrás da cortina na janela e guardou pra si a revelação. Na gíria, diria-se que naquele exato instante, após tão forte sacudida, a ficha finalmente caiu. A situação financeira deles era preocupante e muito pouco promissora. Viviam de ranchos ofertados pela sogra de Kleiva e ás vezes por sua própria mãe, que trazia compras ás escondidas do marido, homem duro, que não admitia “sustentar vagabundo”. Pra piorar, Arthur andava jurado de morte por 32


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traficantes e alertado pra si o olhar da polícia. As ofertas de trabalho, isso ela não ignorava, estavam escassas. Haviam vagas, mas só para pessoas qualificadas com cursos e, principalmente, com experiência na função. Trabalhar num tambo, porém, parecia ser a chance de ouro para os dois, que não tinham assim tanto estudo.

dos peões para fazê-lo prosseguir. Arthur é hoje um convicto trabalhador do tambo, parece resignado à sorte que teve ao lado da companheira e não come mais carne de gado. Kleiva, por sua vez, pôde enfim agradecer e pagar as promessas à sua Nossa Senhora das Causas Impossíveis. Seu homem finalmente enveredou pela trilha do esforço e do suor para ganhar o pão. Úrsula mora com eles no chalé de madeira cedido pelo Sr. Enilson, adaptando-se com bastante rapidez à vida no campo.

Além disso, sairiam daquela vila onde o clima começava a ficar nebuloso. A luz no fim do túnel havia brilhado de fato naquele anúncio. Acabaram caindo nas graças do tal Enilson, proprietário daquele rebanho leiteiro, residente na zona rural do município de Viamão, à 10 km de Porto Alegre. Deixaram a pequena Úrsula com a mãe de Arthur e partiram para aquela guinada em suas vidas. O tambo abastecia armazéns e casas das redondezas, dispondo de vasta freguesia e credibilidade. O rapaz em sua primeira semana no emprego até que demonstrou algum empenho. Contudo, como de costume, começou a achar desgastante aquela rotina de acordar cedo em pleno inverno gaúcho. Seu Enilson, que simpatizara bastante com ele, ofereceu-lhe um remanejamento de função. Foi transferido para um abatedouro do fazendeiro, distante 2 km dali, onde lavaria sangue do chão e recolheria tripas, chifres, pêlos e tudo que não era aproveitado pelo açougue. O novo horário da pegada, às 10:00 h da manhã, de imediato lhe agradou. Dava para descansar um pouco mais na cama. Observando, certa vez, a linha de produção e abate da firma, deparou-se com um fato curioso que fez-lhe pensar com seriedade. O abatedouro executava o chamado “abate humanitário”, onde os animais são respeitados e vivem com dignidade todos os seus dias. Certa ocasião, resolveu o rapaz assistir passo a passo, como os bois e vacas eram tratados nos momentos finais de vida. Sentou-se confortavelmente num banquinho, bem perto do corredor final ou mangueira, por onde dois bois acabavam de passar, espetados pela lança do carneador. O da frente, marrom de patas brancas, pêlo lustroso e ralo, foi golpeado na cabeça por uma barra de ferro. Emitiu um longo mugido de dor. Apanhou ainda outras vezes, sempre na região do crânio, e por fim dobrou os joelhos, tombando pesadamente ao chão. O de trás, branco da raça zebu, brecou à 10m da linha de abate com um olhar assombrado. Parecia nitidamente perceber o que lhe aguardava logo à frente, sendo necessários vários gritos e algumas leves espetadas humanitárias

PROTEÇÃO DOS ANIMAIS? NÓS DIVULGAMOS GRATUITAMENTE A SUA CAUSA! veia@bluewin.ch

CÉSAR SOARES FARIAS Cesar Soares Farias, nascido na cidade litorânea de Rio Grande, no extremo sul do estado gaúcho. Cronista e contista com dois livros publicados, as coletâneas de contos “Utopias Papareias (2007)” e “O Grande Pajé (2012)”, lançados de forma independente. Participou de varias antologias com seus poemas e historias curtas. Mantém o blog experienciatitude.blogspot Contato: cesinhapoa@gmail.com

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Somos um país «cordial», como disse o manipulador Somos um país de paz, de filhos sem pais e sem mães Temos a Lei Kandir que entrega nossas riquezas de bandeja a estrangeiros E nem recebemos espelhos e bugigangas em troca Não há terrorismo no Brasil Não há, também, tsunami, terremoto, furacão... Não há terrorismo no Brasil Somente assassinatos de 80% da juventude negra e favelada Não há terrorismo no Brasil Somente genocídio de índios, sem-terras, quilombolas e ciganos Não há terrorismo no Brasil Somente se queima índios, mendigos e moradores de rua Não há terrorismo no Brasil Somente helicópteros lotados de cocaína, maconha e falta de vergonha Não há terrorismo no Brasil Somente incêndios criminosos de matas, favelas, becos e vielas Não há terrorismo no Brasil Somente uma cultura do estupro que envergonha nossa nação Não há terrorismo no Brasil Somente aborto clandestino que vitima nossas mulheres Não há terrorismo no Brasil Somente crimes de ódio contra gays, lésbicas, travestis e transsexuais Não há terrorismo no Brasil Somente concentração da renda nas mãos dos herdeiros da nação Não há terrorismo no Brasil Somente terras devolutas, latifúndios improdutivos e exploração de trabalhadores Não há terrorismo no Brasil Somente desrespeitos aos mais básicos direitos humanos universais Não há terrorismo no Brasil Somente fome, indústria da seca, doenças endémicas e desrespeito ao meio ambiente Não há terrorismo no Brasil Somente entregamos nossas riquezas a quem quiser, a preço de banana Não há terrorismo no Brasil Somente leis que criminalizam a luta social e amordaçam a quem disser o contrário... Somente «iluminados» que matam milhões de fome, que tiram a esperança e o sonho de milhões, que excluem milhões e milhões do debate, e refazem a «lei» para que seus crimes não sejam julgados... Mas Terrorismo no Brasil não há!

VALDECK ALMEIDA DE JESUS Escritor, poeta, jornalista, ativista cultural e mecenas do Prêmio Galinha Pulando de Literatura desde 2005. Autor de mais de 20 livros, coautor de 150 antologias, tem textos publicados em inglês, português, italiano, alemão, holandês, francês e espanhol. Membro-fundador da União Baiana de Escritoress – UBESC e do Fala Escritor (2009), participa de academias de letras e associações de artistas da palavra. Frequentador do Sarau da Onça, Sarau do Gheto, Sarau da Paz, Sarau do JACA, Sarau da Raça, Sarau Urbano e outros, todos na periferia de Salvador-BA, o poeta se alimenta desse caldeirão de palavras e rimas, troca experiências e dá sua contribuição à cena literária baiana. CONTATO: poeta.baiano@gmail.com 35


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Arte by Danilo Oian

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SINFONIA DA DESTRUIÇÃO A EPIDEMIA NASCE NAS PERIFERIAS, ONDE A CARNIFICINA É GENERALIZADA, O SUICÍDIO, UMA ROTINA, E ABUTRES USAM FARDAS. ESPREITA O DESATENTO, TIRA O TETO, PÕE NO VENTO, SENTENÇA SEM JULGAMENTO, CONDENAÇÃO DECLARADA. MORRA LOGO VICIADO! LEVA TEU CHEIRO NEFASTO, DENTES QUEBRADOS, SERÁS ESQUECIDO E AMALDIÇOADO.

DANILO OIAN O artista Danilo mescla-se ao poeta e o resultado não poderia ser mais brilhante.

NEM O DIABO LEMBRA DO TRATO, PAGOU BARATO Á REVELIA DE DEUS, NÃO FICOU NENHUM LEGADO, SÓ UM CACHIMBO E CINZAS DE CIGARRO.

Contato:

NO VELORIO VAZIO, TALVEZ UM GEMIDO, DAQUELA QUE SOFRE, E MORRE COM O FILHO.

daniloyan@hotmail.com

A DROGA É COVARDE, MAS NÃO AGE SOZINHA, TEM COSTAS LARGAS, E MUITA PROPINA. OLHE PARA O LADO, SOMOS SOPRO DO MESMO BARRO, TAMBÉM CULPADOS, PELO DESPREZO DESSAS VIDAS. AUTORIDADES, TRAFICANTES E OMISSOS, PODEM MODIFICAR TEU JAZIGO, PORÉM NADA JUSTIFICARÁ, A COVARDE HERANÇA DOS TEUS FILHOS.

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NAVIOS DE ESCRAVOS SÉCULO XXI

Os canais marítimos São testemunhas oculares Dos porões sem oxigênio Dos corpos jogados ao mar Magros e desidratados. Seus cadáveres são encontrados Em praias próximas. Mas ninguém dá importância. -Deixa que os peixes os comem.

Um velho barco com 700 almas Parte de um país africano Que foi destruído pelos europeus, Em direção à Europa. Ao chegarem, perguntam: Podemos ficar? A resposta é uma bomba E o resultado é a morte de todos.

Embarcam na mesma ideia No canal da Sicília. É sofrimento ou morte. Só têm essas duas opções.

O oxigênio é coisa rara Para os pobres africanos Que vem entulhados e enlatados. E os que ficaram, enlutados. Homens, mulheres e crianças Em busca de vã esperança.

Lampedusa! Símbolo de tragédias. Alguns levam os filhos. Fogem do desespero E entram em outro pior. Fogem de seu país Fugindo de sua história. Em direção ao mundo (civilizado?) Que um dia lhes colonizou Roubando todos os seus bens.

19.000 já morreram E a Europa não viu. Mas o Mediterrâneo é testemunha Das atrocidades cometidas Para a extinção dos negros.

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E o Mar Mediterrâneo É o caminho mais curto Em direção às suas tragédias. Vocês não compreendem Que os europeus só lhe querem Como mão-de-obra escrava?

SONIA CINTRA Sonia é poeta, professora de Literatura Luso-Brasileira. Doutora em Letras Clássicas Vernáculas e Pesquisadora na USP.

Vocês não compreendem Que os nazistas europeus Só querem seu subsolo?

Contato:

Vocês não compreendem Que a ONU, OEA e OTAN São organizações criminosas?

sonia.cintra@terra.com.br

Vocês não compreendem Que para os europeus Quanto menos negros, melhor? É verdade. A fome e o desespero Os impede de pensar.

SINFONIA A música do universo embala todas as folhas que caem

GILBERTO NOGUEIRA DE OLIVEIRA Baiano de Nazaré, escritor de ficção, peças de teatro e poesias, Gilberto retrata com vigor a realidade que seus olhos veem. Contato: gilbertosombra@hotmail.com

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Veia magazine. Lembrando que a ilustração utilizada no texto, fornecida pela Revista, não é cobrada e nem o espaço ocupado por ela será cobrado. Todo material escrito deverá ser enviado em formato Word com letra (fonte) Times New Roman 12 e a (s) foto (s) do autor e/ou de capa (s) de livro (s) ou ainda foto de evento, deverá (ão) vir em formato JPEG ou PNG em alta resolução (excelente qualidade). E-mail para envio de textos, propostas de anúncios, colunas e divulgações: veia@bluewin.ch

VEIA magazine

Edição N0 1!

ISSN 2504-5296

Data final para avaliação de textos e publicidades: 05 de agosto

A temporada está aberta! Já estamos recebendo textos para avaliação e inscrições para a edição n0 1 que estará disponível gratuitamente a partir do final do mês de agosto nas principais plataformas de leituras digitais.

Data final para inscrição: 10 de agosto Data da edição: 25 de agosto.

Os textos recebidos serão lidos atentamente e após consideração de nosso Conselho Editorial será enviada uma resposta por e-mail com o valor por página ocupada (em caso de texto) ou valor da divulgação pessoal (livro, evento, biografia, entrevista) ou ainda publicidade empresarial.

Contato e condições de participação: https://veiamagazine.com/comoparticipar/condicoes-de-participacao/ Deseja receber um e-mail quando a próxima edição estiver disponível?

Os valores gerais encontram-se na seção Condições de participação no blogue e publicação na

Aqui: veia@bluewin.ch

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UNIVERSO Esse Universo tão imenso, me causa espanto! Planeta amado tenho medo, você fragmentar-se, nesse espaço a girar, em outra dimensão, eu me desintegrar. Temor que tenho de muito longe, de onde eu estiver, nunca mais, meu amor rever. E na saudade eu buscá-lo, sem saber onde encontrar esse imensurável amor, no seu perdido infinito.

YARA DARIN Yara Darin nasceu em Marília (SP). Empresária, poeta e escritora, formou-se pela FMU e pela Escola Panamericana de Arte e Design. Escreve nos blogues Família em dia e Amanhecer…onde tudo recomeça! Participa de saraus e recitais. Tem contos e poesias publicados nas antologias Varal Antológico 2 e 4. Contato: darinyara@gmail.com

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WALNÉLIA CORRÊA PEDERNEIRAS Walnélia é poeta que escreve com a alma. A alma doce que burila o corpo e o religa ao Universo através da Yoga, filosofia e postura de vida da qual é Professora em Florianópolis. Contato: walnelia@gmail.com

Arte-final Hoje és meu verso,liberdade! Mesmo sem querer,a rima vem seguida da palavra saudade... Sopro ao vento todas as letras misturo o alfabeto percebo luz nas cores... Quanta sincronicidade!!! Bolhas de sabão meu poema em desconstrução!

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Li outro dia uma expressão que achei bem interessante, infelizmente não lembro onde: “Concurso de tragédias”. E é bem isto que muita gente anda utilizando, fazendo com que quando alguém expressa uma tristeza por algo que ocorreu, sinta-se também obrigado a expressar uma tristeza pelo resto das tragédias do mundo. Pois bem. O mundo está um caos. A violência humana, o terrorismo, a corrupção, a revolta da natureza pelas ações do homem…. Tudo está contribuindo para que nosso planeta esteja cada vez mais caótico. Então, ao invés de ficar cobrando dos outros uma empatia que deve ser natural, por gentileza, ore. Ore muito pela paz, ore pelo bom discernimento humano, pela bondade, pelo amor. Faça as boas ações que estiverem ao seu alcance e pare de cobrar do alheio aquilo que nem você mesmo poderia fazer porque este tipo de cobrança é hipocrisia. E por último, deixe as tristezas das pessoas se manifestarem como elas podem e são. Cada um é um. Todos não são o seu reflexo, você não é o centro do universo. E, se já não desconfiava, tenha certeza: o mundo existiria sem você ou sua opinião. Sejamos solidários, mas não sejamos ostentatórios de sentimentos e ações. Se cada um fizer o que pode, der seu pequeno passo, doar seu gesto ou palavra (mesmo no mais profundo silêncio ou segredo), o mundo poderá ficar melhor um dia. Isto é amor. O resto não é não. O resto não passa de empáfia de gente que ainda pensa ser o motivo pelo qual o universo existe.

SOBRE AS TRAGÉDIAS E AS REAÇÕES QUE TEMOS Quando acontece uma tragédia num lugar ficamos todos chocados. Quando acontecem várias, em vários locais, ficamos ainda mais. Nos últimos tempos tem acontecido tantas, mas tantas tragédias que está difícil imaginar um mundo sem dor e sem violência. Porém uma coisa é ter empatia com o sofrimento alheio, se solidarizar com os atingidos pelos eventos trágicos, estejam eles acontecendo onde estiverem. Outra coisa é passar a exigir de todos que tenham a mesma empatia e que exprimam de forma “visível” sua solidariedade. O amor não é um sentimento “visível” a olho nu. E boas ações não são feitas para serem contadas por aí. A gente ama e não precisa gritar que ama. A gente faz o que pode para ajudar o outro, mas não há necessidade de ficar anunciando seus bem feitos e, menos ainda, de exigir que os outros façam o mesmo. Atos terroristas, desastres ambientais, sordidez política, desgraças sociais... Não passamos um dia sem ouvir falar que algo aconteceu. O suficiente para que, admirados, nos perguntemos se esta não seria a reta final para o fim do mundo. Mas isto não justifica a necessidade doentia quecertas pessoas têm de «panfletear» suas dores e tomar como objetivo de vida que seus «vizinhos» de redes sociais e de vida real façam exatamente a mesma coisa. 44


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NOITE DE HORROR NO PLAY CENTER

Sinto o sangue pulsar nas veias, bombeando violentamente o coração, indo até as têmporas, martelando-me o cérebro. O ar impregnado de gás carbônico entra nos pulmões lá ficando estagnado. Agosto, sexta-feira, noite alta. A cabeça dói, os olhos Ando mais rápido. Ruídos de folhas secas e passos ardem provocando um desconforto geral. O telefone por todos os lados. Passos cada vez mais próximos, toca. Amigos me convidam para a noite de horror nítidos. Fico ofegante tão grande é a falta de ar. do Play Center. Indecisa, abro a janela, noite calma, Medo? Não consigo definir. Ouço uma respiração brisa leve, céu infestado de estrelas. Sim, eu vou. forte. Tento correr, minhas pernas pesam feito chumChegamos. Play Center todo apagado, iluminado bo, deixando marcas fundas no chão. Apavorada apenas pela luz da lua, clima propício para uma tento gritar, mas consigo emitir apenas um estranho verdadeira noite de horror. Gritos e risadas ecoam grunhido. Ahrrr! no ar. Começamos nossa aventura pelo lado direito Minha língua amortece, a saliva se torna espessa. do parque onde monstros pulam à nossa frente com Desesperada, levo as mãos ao rosto e sinto pelos por risadas metálicas e faces horripilantes. toda a face e na boca enormes presas. Meu corpo dói Ríamos e gritávamos ao mesmo tempo. Divertido? e se contorce. Tudo muito estranho, muito esquisito. Não sei descrever. Uma sensação estranha percorre O meu medo era tanto, que não conseguia sequer meu corpo, junto com dor de cabeça e ardência nos raciocinar. olhos. Medo? Talvez. Aquilo tudo era preparado O que é isso? A lua reaparece, depressa olho as como num teatro, desde o cenário até o clima que minhas mãos - peludas com grandes unhas curvadas a natureza teimava em nos oferecer. Com todo esse para baixo - garras. Oh! Não! Grito! Um grito longo, aparato interagíamos diretamente, com as mais diagudo, sofrido. Uivo!!! versas reações. Era um misto de susto, medo, surpresa, perturbação e entusiasmo. MARILU F. QUEIRÓZ Imersa em meus pensamentos não percebi que ficara sozinha. Ouvia sons ao longe. As risadas e gritos Publicitária, aquarelista e escritora. Mestre pareciam distantes. A noite estava mais escura, a lua em Educação, Arte e História da Cultura, pela se escondera atrás da nuvem, fazendo sombras pelos Universidade Mackenzie, Brasil. cantos, formando imagens. Ouço passos, estremeço. Ainda menina iniciou seus primeiros escritos. Ando mais rápido, as pernas bambeiam, tremem, Incentivada pelo pai, um artista por natureza, quase não conseguem sustentar o meu corpo. Com prosseguiu na trilha de seus dois amores: a esaudição redobrada, posso ouvir todos os ruídos. crita e a aquarela, sem jamais conseguir optar Tenho a sensação de que alguém me segue. Meu copor qualquer uma delas. ração bate num ritmo descompassado. A respiração fica entrecortada, parece que me falta o ar. Contato: Meu corpo todo se esquenta. O suor brota, momalublue@gmail.com lhando-me os cabelos e escorre pelo rosto e nuca, descendo pelas costas num arrepio estranho, gelado. 45


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Carrossel de Ausentes Ontem, enquanto eu dormia, os anjos vieram e varreram a minha rua. Juntaram dores, culpas, desgostos e o abandono. Eu não sabia que anjos limpavam ruas, mas quando um zunido me acordou, olhei pela janela e vi aquelas criaturinhas depositando sentimentos em sacos vermelhos, amarelos, azuis, verdes e cinzas. E como estava suja a pobre rua! Por certo, reciclam energias nos universos paralelos – pensei. Então, começou a amanhecer e eles foram desaparecendo. Fluíram no espaço... Levaram pacotes de angústias. Deixaram um jeito de silêncio, a leveza da brisa, um aroma de paz. Depois o sol iluminou o dia e deu comando aos carros, ao comércio, ao barulho e a tanta gente. A gente que não acredita em anjos, tão pouco em culpas, se elas existem. A gente que passa apressada e sequer imagina boas energias envolvendo o ar de uma rua, igual a tantas ruas. Caminhos de vilas, favelas, cidades, desertos e histórias. Substâncias... Provenientes de uma Natureza que não cessa e segue alimentando rios... Oceanos... Florestas... Sim, há águas nascentes deslizando a Terra Ainda! Terra banhada que desenha quintais, Derrama mar e germina vida.

SANDRA NASCIMENTO Cineasta, pesquisadora, escritora, Sandra absorve da vida a arte e recicla suas dores em filmes e letras. Contato: sandra.nascimento@ymail.com 46


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O CLAMOR DOS VENTOS Ventos assobiantes clamam: Sensatez! Vibram os oceanos em ondas assustadoras! Vibra a Terra expelindo lavas de seus vulcões ativos! O que dizer disso tudo!?... Dessas torrentes apavorantes, Das entranhas da Terra enfurecidas!?... As veias do Planeta estremecem, Despencam lamuriosos os glaciares No fundo do oceano do Polo Sul. Lamacentas tormentas encharcam o solo, E devoram casas, encostas e muralhas. Que tempo de excessos!... Excessos de consumo, de descuidos, De enlatados e de comidas processadas. Excessos de quereres, de cobiça, De desvarios, de gula e ambição. Rufem os tambores!... A civilização perdeu-se! Guaranis, Tupis, Povos Celtas, Sioux e tribos do Saara, Conclamem os chefes das Nações! Essa ausência das generosas partilhas, Essa ambição desmedida adoeceu a sociedade, Essa ganância feroz não sacia nossa sede, Pois, pipas de aço não alimentam bebês! Protejamos nossas matas, nossos mares, Desastres não rimam com serenidade, Salvemos a Mãe Terra! Salvemos nosso Lar!

IZABELLA PAVESI Catarinense, a poetisa traz no coração a arte que lhe sai à flor da pele quando escreve. Contato: belzinhapavesi@gmail.com 47


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RENTE À ALMA Quando em dado momento se é feliz, está-se feliz e torna-se ausente. Tudo é sorriso e alegria e distração e pulos e festa e o detalhe da observação escapa. Escapa num conhecido que se torna invisível por que a felicidade nos ofusca o momento. Escapa numa borboleta que voa e nos acena, ignorada por nós, os felizes demais e distraídos para a poder ver e lhe retribuir o afeto. Quando se está feliz é fácil ser ausente por que achamos que a felicidade é toda uma presença que nos basta, por que distraídos, tolos, néscios ignorantes! Ter participado no Varal foi um momento de felicidade em que nos distraímos da possibilidade do seu fecho. Assim aplaudimos todo o trabalho, agradecemos todo o apoio e generosidade mesmo que por breves segundos tenhamos sentido um calafrio no estômago na despedida, tenhamos roído as unhas até doer o sabugo. Até lembrar e deixar de ser distraído.

José Saramago, Os Poemas Possíveis, 2ª edição, Editorial Caminho, Lisboa, 1982.

PAULA ALVES

Imagem de Saramago: Eu Sem Fronteiras

A PAULA, A PORTUGAL Obrigada Varal!

Todo sentimento seria pouco para expressar a dor diante da tragédia vivida por teu belo país nestes dias quentes que ora passam pelos lados de cá. Desejo expressar aqui publicamente meu carinho pela poeta Paula, pelo ser humano que tive o prazer de conhecer pessoalmente e a todos os portugueses que aprendi a apreciar nestes anos todos de Europa. No passado, o Português era para mim o pai de grandes amigos, nascido em vossas terras e que habitava galhardamente as minhas. Valente, guerreiro, artista, aquele Português! Hoje o vejo em cada um dos portugueses que cruzo, seja aqui na Suíça, seja aí em Portugal! Percebo que era não só a pessoa, mas o povo que era a bondade que ele representava. Possa o Universo sempre lhes fortificar e aplacar as dores que ora os curvam. Jacqueline

Até ao Sabugo Dão outros, em verso, outras razões, Quem sabe se mais úteis, mais urgentes. Deste, cá, não mudou a natureza, Suspensa entre duas negações. Agora, inventar a arte e maneira De juntar o acaso e a certeza, Leve nisso, ou não leve, a vida inteira. Assim como quem rói as unhas rentes.

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MAR PORTUGUÊS De Fernando Pessoa Ó mar salgado, quanto do teu sal São lágrimas de Portugal! Por te cruzarmos, quantas mães choraram, Quantos filhos em vão rezaram! Quantas noivas ficaram por casar Para que fosses nosso, ó mar! Valeu a pena? Tudo vale a pena Se a alma não é pequena. Quem quer passar além do Bojador Tem que passar além da dor. Deus ao mar o perigo e o abismo deu,

Imagem: Reprodução

Mas nele é que espelhou o céu.

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NORÁLIA DE MELLO CASTRO

um tipo de laise muito bem aceito. Assim, tirando as Filipinas dos mapas e dos atlas ou de textos de leitura pude ao vivo conhecer sutilezas desse povo e tê-lo guardado para sempre dentro dos meus conhecimentos.

Norália é poeta e escritora mineira de coração pertencendo ao mundo, o qual ela retrata com maestria em cada um dos seus escritos.

LEMBRANÇAS E REFLEXÕES Viajar é uma das maiores preciosidades da vida. É quando a gente tem chance de ampliar nossos voos no conhecimento e abraçar outras gentes. Foi consequência de uma viagem que Mindanao passou a fazer parte de meus conhecimentos. Como estudiosa do social, os fatos sociais e históricos não me passavam despercebidos, me alargando para os acontecimentos mundiais, além de minha cidade ou de minha casa.

Mindanao chegou há muito tempo, através de um artigo de jornal, quando eu li: Muçulmanos atacam igreja de cristãos em Mindanao e fazem uma chacina matando mulheres, crianças e homens. Me assustei diante dessa notícia. Mindanao é a segunda maior ilha do arquipélago filipino. Eu passara a pouco tempo pelas Filipinas e visualizara seu povo: gente simples, risonha, alegre que gosta de cantar e dançar e até de lutas marciais violentas. Se cobre com vestimentas muito coloridas. É um povo de riso fácil, pelo menos assim senti como gringa, ao receber tantos sorrisos pela rua. Vaguei pelas ruas e comércios de Manila, a capital, e me encantei pelo povo filipino que, naquela época, estava sob o domínio do ditador Ferdinando Marcos e sua vaidosa esposa Imelda. Me encantei com os bordados famosos das Filipinas em toalhas para banquetes, ricamente trabalhadas. O que ainda me chamou a atenção foi um tecido feito por eles com folhas de bananeira permitindo ricas camisas masculinas bordadas, rico tecido para vestidos de gala, 50

Não conheci Mindanao ao vivo, mas quando a notícia me chegou através dos jornais da minha cidade me sensibilizei mais uma vez com o povo filipino: Muçulmanos matam cristãos.

Filipinas era considerado um país cristão e, novamente, se vê atacada por muçulmanos. Parece que essa luta religiosa persiste até hoje. Esta maneira de sentir em relação a algum país ou cidade diferentes que tenha conhecido sempre me atingiu. As viagens permitem essa integração de sentimentos com a realidade fora dos papéis escritos, apenas sobre este ou aquele povo e me faz sentir-me sempre ligada a aqueles que passaram a fazer parte de minha sensibilidade também. Nada mais fabuloso do que chegar ao famoso Taj Mahal, tão decantado e difundido como uma das belezas do mundo, do que ao vivo estar ali para sentir seu cheiro, sua consistência, sua terra, seu ar. É voar além do tempo e se mesclar mais e mais na magia de viver no planeta Terra, tão cheio de diferenças e tão cheio de belezas. Quando Mindanao me chegou através dos jornais, me abriu os olhos para outras realidades de guerra que aconteciam no mundo. As Filipinas foram ponto estratégico vital para a Segunda Guerra Mundial. Tanto o povo sofreu como ajudou a adquirir paz terminando o segundo maior conflito mundial. Vi-la restos de canhões e apetrechos de guerra, bem como os jeepneys sendo usados como meio de transporte, um meio de transporte precário mas sem deixar as nuances do colorido, de bandeiras e panos usados por este povo. Através da notícia de Mindanao um alerta maior sobre o que se passava no mundo se fixou em meus conhecimentos, na década de setenta: havia confrontos entre grupos religiosos ou de classe em várias partes do mundo se digladiando. A paz mundial fora decretada, mas as guerras continuavam em vários pontos do planeta. Não se falava em terrorismo, como hoje nós usamos. Falava-se de ataques de grupos de religiões diferentes, ataques de grupos de classes, mas não de terrorismo, como o que se verificou na chacina de Mindanao.


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A bomba de Hiroshima não foi considerada...

inimigos estão apostos para se confrontarem, tem até banda marcial tocando. Napoleão de um lado e seus inimigos do outro. Sim, respondi para minha amiga, é mais bonito o espetáculo dessa guerra, de corpo a corpo, mas não se esqueça, que o vencedor sairá do campo de batalha e atingirá as aldeias, depredando tudo e roubando tudo, pois se julga no direito de ter. Mas, pelo menos, existe o campo de batalha concreto, não o terror da bomba de Hiroshima, e nem o terror como presenciamos hoje, em que nós não sabemos onde está nosso inimigo, nem como. E o medo se alastra. Não me conformo de ter conhecimento, que um velho padre foi estupidamente degolado dentro de uma igreja por um ser humano muçulmano. Terrível animalidade vivenciamos no mundo atual. Infelizmente, o mundo sempre avançou em progresso através de guerras e mais guerras. E acredito que infelizmente continuará assim por muitas dezenas de anos, a paz está longe de ser alcançada. Como cidadã mundial só posso trabalhar ao redor de minha família e de meus amigos para uma abertura pela bandeira branca da paz, com bons sentimentos e bons pensamentos.

A bomba de Hiroshima não foi considerada, e nem é considerada um ato terrorista, porque os inimigos se atacavam, os inimigos eram conhecidos entre si, mas não deixou de ser um grande Terror para a humanidade. Sequelas que trazemos até hoje. Não se pode esquecer dos efeitos nefastos da Inquisição, instaurada do século XVI ao XVIII para a humanidade que durou séculos feita pela igreja católica para o domínio de seu poder, ensinando ao mundo torturas e terrorismos.

Hoje, ao digitalizar textos antigos, Mindanao volta a mim como parte de um conto escrito em 1974, quando eu o usei como um dos personagens. Transcrevo parte deste conto: “- Não é absurdo, Doutor? Cristãos matam muçulmanos. Muçulmanos matam cristãos. A época das cruzadas perpetua-se na matança de hoje. Aí está. O Sr. Não se escandaliza com essa selvageria? Não: para o Sr. Tudo se reduz aos instintos de sobrevivência: da fêmea e do macho. - Imagine Doutor, os homens, as mulheres e as crianças: mortos por metralhadoras traiçoeiras. Paralisados. Terão tido uma possibilidade de defesa? ... O incompreensível precede a razão. - Se não do incompreensível, pelo menos do inaceitável. Ou do que não se quer aceitar: ninguém quer o silêncio. Principalmente quando ele se faz com metralhadoras traiçoeiras. À merda. Tudo. O silencio continua.” “-As rajadas traiçoeiras, Lea, são apenas reflexos impulsionadores para que alertas, possamos enxergar o aqui. A animalização é inerente: Mindanao pode provar-nos a eficácia da ação.” Fato é que a animalização do mundo ainda continua em guerras. E hoje o terrorismo cresceu tanto quanto a população mundial. O terrorismo se sofisticou, estamos vivenciando uma guerra das mais desumanas, por toda a parte, sem saber onde está ou não o nosso inimigo. O silêncio da bondade continua coberto. Ainda lá atrás, fui com uma amiga escritora ver um filme de histórias verdadeiras sobre as guerras de Napoleão. Lá pelas tantas, minha amiga me disse: esta guerra como se apresenta no filme é a melhor delas, é o corpo a corpo, sem atingir diretamente a população. Veja lá no campo de batalha os

Brumadinho, 29 de julho de 2016

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O SANGUE QUE DESCIA PELA LADEIRA Apareceu um serviço para realizar e a pessoa não podia comparecer no escritório. Era uma idosa, seu marido estava com problemas de saúde, inclusive só conseguia se locomover através de uma cadeira de rodas. Diante do problema decidi ir a casa dela, o que não significava sacrifício, muito ao contrário. Era um jeito de sair da rotina. O endereço foi fácil de localizar, estacionei o carro em frente ao imóvel. A casinha antiga, recuada, no pé de uma ladeira, tinha um jardim belíssimo, repleto de roseiras. Era primavera, o jardim estava convidativo para a contemplação. Desci do carro, apertei a campainha umas três vezes. De repente escutei alguns passos. Era Dna Leonor vindo ao meu encontro. Cumprimentamo-nos, a segui para o interior de sua casa. Assim que cheguei ela ofereceu-me um cafezinho, aceitei. E então provoquei um diálogo, no sentido de entender o serviço que iria realizar. Dna. Leonor estava agitada, começou a falar da vida dela, da família, de repente as lágrimas começaram a despencar de seus olhos. Fiquei preocupada, indaguei o motivo, então ela passou a contar o que acontecera com seu filho, há poucos dias.

guiu, aos soluços, dizendo para mim que aquele sangue que descia em frente a sua casa, justamente quando varria o local, sem saber...(silencio!) Sem saber constatou que era de seu filho. Fora assassinado covardemente, há poucos metros de sua casa, no alto da ladeira, de madrugada. Naquela manhã alguém estava limpando o local da tragédia. O sangue que descia da ladeira era dele, seu único filho. Nunca imaginaria isto, disse ela.

E assim eu soube um pouco do que é sofrimento. Tudo começou em um sábado pela manhã. Dna Leonor estava varrendo a calçada de sua casa, Todas as manhãs fazia questão de deixar tudo limpo. De repente ela observou que do alto descia água avermelhada, pelo cantinho da rua, tocando os paralelepípedos. Achou estranho, observou e adentrou para sua casa.

Passei horas com Dona Leonor, escutando cada palavra com atenção e indignação. Fiz o serviço para ela, recebi. Nunca mais a vi, mas nunca a esqueci, tampouco esqueci a cena descrita por ela. Quanta violência, quanto sangue derramado, quantas vidas perdidas covardemente! Como mãe sofre.

Continuou a fazer suas tarefas matinais, como sempre, inclusive o café. Todas as manhãs uma de suas filhas e um filho faziam questão de tomar cafezinho com ela. Já passara uns trinta minutos que os aguardava e nada de chegarem. Mãe tem suas intuições, não estava gostando do atraso, pois eram pontuais. Algo estava estranho naquela manhã, seu coração dizia algo. Continuava a fazer coisas, e nada de chegarem.

MARINA GENTILE Marina é paulista, escritora ligada profundamente às artes. Tem a força das palavras dentro de si e utiliza-as nos diversos gêneros que escreve. Contato: dagazema@gmail.com

Eu estava atenta a cada palavra de Dna Leonor, a qual ficou silenciosa por alguns segundos. Prosse52


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A vida mudou quando descobriram a enfermidade da esposa. Foi um choque inesperado. Mas, como eram confiantes na providência divina não arrefeceram os ânimos e começaram a procurar novos diagnósticos, novas esperanças a fim de curá-la. Infelizmente não obtiveram sucesso. Era uma doença rara da qual os pesquisadores não sabiam a cura, nem sequer a origem e tratamento. Durante três anos foi uma verdadeira via crucis procurando o que pudesse amenizar a dor dos familiares e o sofrimento físico e emocional dela. Apesar de tudo, ela seguia o curso de seu martírio. Os médicos experimentavam medicação, faziam exames dos tipos mais recentes e adiantados e nada de ser descoberto o diagnóstico da enfermidade. Até que o tempo inexorável cumpriu sua tarefa e Dora faleceu. Após o choque começaram as pessoas a perguntarem sobre o funeral, local, horário, etc. Foi neste momento que todos, inclusive os filhos tiveram a maior surpresa e prova de abnegação, despojamento, doação em prol de toda a humanidade. Ela havia confidenciado ao esposo o seu desejo ao qual ele prometera cumprir mesmo com sofrimento, mas misturando este sentimento ao imenso amor e, agora, imenso orgulho que nutria pela decisão tomada. Não haveria funeral. Ela doara seu corpo para a universidade para ser fonte de pesquisa e estudo para descobrir a enfermidade que era portadora. Entregara-se por amor e em confiança naqueles que ela sabia o que faziam. Ela também sabia.

CRISTO CONTEMPORÂNEO “Pai perdoe, eles não sabem o que fazem”

Jesus Cristo

Meu conto, não sei se, caberá enquadrá-lo na ficção fantástica, mas, certamente, tratará de uma situação fantástica. Envolve atualidade, realidade, atitude inédita e confiança, a mesma que Jesus teve em seu Pai. Entregou-se para salvar a humanidade. A minha protagonista, também, entregou-se em doação, pela humanidade, mas ao contrário dos algozes de Jesus, sabendo e confiando que “eles sabem o que fazem”. Josué era um pai de família comum, trabalhador, casado, dedicado aos familiares, esposa e filhos. Cada um a seu modo era feliz vivendo em uma família unida, pacata, religiosa e trabalhando em suas respectivas atividades que lhes proporcionava além do suprimento das necessidades, muita satisfação pessoal e profissional porque faziam o que gostavam.

ISABEL C. S. VARGAS Formada em Direito, Jornalista, Professora, Especialista em Linguagens. a scritora gaúcha Isabel Vargas participou durante anos da revista Varal do Brasil enriquecendo as páginas da publicação com sua riqueza de estilo. Contato: icsvargas@gmail.com

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FOCAS ADESTRADAS... Bela e corajosa matéria no The Washington Post; de agora a pouco: “Pulitzer wanted for reporter who broke story on Nazi Germany’s surrender” por Manuel Roig-Franzia. Linhas da entusiasmada revelação – pelo jornalista Ed Kennedy – ao mundo aliado da rendição alemã no fim da Segunda Guerra em 1945, indicando um justo Pulitzer póstumo. Com refinado bom humor revela inclusive a amizade boêmia mantida por Kennedy com Ernest Hemingway. Assim um jornalismo poético... Fato inédito é a riqueza de detalhes, inclusive denunciados em seu Livro – “Ed Kennedy’s War: V-E Day, Censorship, & the Associated Press.” – publicado recentemente, em articulação de sua igual intrépida sucessora Julia, filha que nunca o deixou, tampouco após a vil demissão pela Associated Press; quando divorciado foi recomeçar humildemente seguindo para o oeste dos EUA. Mantendo permanente contato e passando sempre suas férias junto ao pai...Ed revela-nos que militares norte-americanos embarcaram a ele e outros dezesseis jornalistas correspondentes de guerra, num avião C-47 em Paris, e somente em voo revelaram o destino Reims, onde testemunhariam a assinatura da rendição incondicional germânica. Diz também tratarem aos dezessete ali como focas adestradas, classificadas assim por sua notória irritação ao clima de censura e severo controle ali estabelecido, em ordenarem silêncio dos repórteres até que a notícia tivesse autorizada sua divulgação. Onde imaginou em primeiro momento razões de segurança, descobrindo logo a seguir tratar-se de acordo político que visava prestigiar Stalin aguardando cerimônia oficial, onde teria seus créditos parciais nítidos – afinal os russos não desembarcaram na Normandia (Operação Overlord), tampouco venceram Monte Castelo e Cassino; mormente fincaram o martelo e a foice permissivamente na sede nazista, o que deu ao mundo duas Alemanhas e um muro (Tordesilhas contemporâneo) – na vitória aliada... Face ao acinte, que entre outros desdobramentos permitia que gente continuasse digladiando-se matando e morrendo; corre para o quarto do Hotel Scribe; após ouvir o relato da rendição por um locutor tedesco via rádio, encontrando um telefone militar “sem censura”, meio onde relatou o fim da guerra à sucursal da AP britânica. Assinando seu igual fim, tendo suas credenciais revogadas e sua condenação ao ostracismo. Assim procuram 54 influentes jornalistas corrigir o erro épico – provando que Ed “deu certo”, bendito por Kim Komenich – pretérito de calarem as Focas, dando início a Guerra Fria... Que o Papa João Paulo II e Gorbachev conseguiram vencer!

JOSÉ CARLOS PAIVA BRUNO O escritor carioca é formado em Direito da Tecnologia. Contato: josebrunorj@hotmail.com 54


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PLANETA TERRA O verão anunciava a terra seca, sem às floradas pelos campos, serras, cidades . O sertão feito queimada sem plantação. A cidade não janta se não planta no sertão. Muitas contestações, uns homens na terra vão dosando tudo na foice. O calor atinge no silêncio da noite, permanecendo escaldante durante todo o dia. A terra tem toda beleza e inspiração para todos, na pauta dos meus braços, peço que os homens adubem a terra que é fértil, não esqueçam de adornarem com plantas e árvores às grandes selvas de pedras, para que os seus jardins e pomares sejam abundantes. Não esqueçam o oceano, com suas ondas salgadas em sinfonias, armazena uma gama de peixes e espécies raras, é um outro mundo, que faz parte da terra, não a poluição. Sublime ideal, quem vive para servir, amar a terra mãe.

VARENKA DE FÁTIMA ARAÚJO Varenka é artista plástica e Professora de Artes Plásticas. Escritora, poeta, expressa sua sensibilidade através das cores e palavras. Contato: venkadefatima@hotmail.com 55


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EM CADA DIA DA VIDA Em cada dia de nossas vidas, quando abrimos os jornais, ou ligamos a televisão, temos uma nova e triste comiseração... Já sentimos, no passado, a triste percepção de ter¬mos a notícia de que o próprio pai matou a filha, jo¬gando-a pela janela... Neste mundo conturbado, fico pensando: Com a ajuda da madrasta da menina, ele fez isso, com o maior sangue frio. São sentimentos, que, em cada dia da vida, vivemos ou revivemos emoções, que podem ser um drama... Como se sentiria a mãe dessa menina, ao revi¬ver essa emoção, pela qual ela passou? Acho que ninguém pode responder, a não ser quem já viveu essa dor, a mágoa dolorida, que ela sentiu, ao saber que o próprio pai matou a filha e, ainda, a jogou pela janela... Nada justifica a atitude criminosa desse monstro. Os verbos, que podemos citar, são horríveis: empurrar, sufocar, jogar e matar... Agora vem a justiça dizer: – Todos são inocentes até que se prove o contrário, mas existem casos, que são claros como água cristalina...

Infelizmente, uma série de observações e bre¬chas, que encurtam o tempo de prisão. Na cadeia se convertem, oram e pedem perdão, o porquê? São culpados e sabem disso e, em julgamento próprio, se absolvem... Tristes emoções, que vemos em cada dia de nossas vidas, momentos, que, mesmo sem saber da dor, nos vemos aterrorizados com acontecimentos para os quais falta explicação, pois, definir esse ser humano é humanamente impossível, não existe uma palavra, que venha definir o ato em si...

Uma linda menina foi assassinada, brutalmente, pelas mãos do homem, que ela chamava de papai, que o abraçava e em quem, inocentemente, confiava... A vida é para ser vivida, sentir o calor do sol, a brisa, que vem do mar, onde essa menina, certamen¬te, andou, algumas vezes... Jamais imaginou, que seu sangue seria derramado pelo próprio pai, magoando o coração da mãe... Andando pelas areias da praia, quem sabe, construindo castelos de areia, que ela imaginava, que jamais iria ser destruído, pelo 56

próprio pai... Procurava por conchas e pedaços de coral, quem sabe, e muitas vezes, na companhia do pai e da madrasta... Perdida em suas brincadeiras, ela sor-ria sozinha, ao encontrar conchas e pequenas Marias farinhas, que brincavam de entrar e sair dos buracos pequeninos, na areia. As marcas de seus delicados pés marcavam o caminho e a onda, vez por outra, alcançava uma pegada e as apagava, até que seu pró¬prio pai as apagou de uma vez... Envolta, em suas brincadeiras, nem imaginava, a maldade, que havia atrás daquela pessoa, que ela chamava de papai... Ela, apenas, sorria, sozinha, ao brincar de construir castelos, pular as ondas... Os lan¬ches, que eram levados e podia saborear, tudo, para ela, era alegria. Mas, os anos passaram velozes e a menina, ago¬ra, já havia completado sete anos. Não imaginava que, naqueles dias, seus olhos entristeceriam, com o sofrimento, que iria sofrer. Não idealizava que a sua grande viagem estava próxima... Ela sempre via a vida e seu colorido. Por ve¬zes, avistava o mar esverdeado e, por outras, azul, mas, nesse dia, tudo ficou escuro para ela. O céu não era mais cor


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de rosa, como ela sempre pintava em seus desenhos, dando-lhe, também, um tom de azul, sempre coloria o céu da cor, que sentia em seu sen¬tir.

mos de morte, ela pode ser branca e ter um vapor de luz brilhante. Ela é a visita menos querida... Entretanto, depende de quem ela veio buscar, pode vir escura, em som¬bra, fria, pode nos guiar por pântanos e desertos sem sol, mas, quentes e abafados. Horrífica seria um bom nome para dar a ela. Quando a viagem é de uma me¬nina, ela vem travestida de fada...

Nesse dia, em seus desenhos, o céu não mais foi pintado de azul e, algumas vezes, de rosa. Nesse dia, o céu, de seus desenhos, foi pintado de preto, pelas emoções, que sentimos e todos sentiram...

E o cenário será de tristeza e seu choro será embalado nos braços de um anjo, que enxugará suas pequenas lágrimas e, assim, adormecerá até que a saudade seja abrandada...

Cada dia, em sua vida, tinha um sentido e nunca havia imaginado a dor, que, nesse dia, sentiria... No dia de sua viagem, como era uma menina alegre, levantou-se feliz, dançou, cantou como se es¬tivesse se despedindo da vida. Estava alegre, porque iria passear com o papai... Mal sabia ela que não mais veria o nascer do sol... Sua partida foi muito triste e, até hoje, ainda essa emoção de tristeza habita os nossos corações... A morte é inevitável, mas, o sofrimento é op¬cional e o pai provocou esse sofrimento. A vida é para ser sentida, sentir o calor do sol, a brisa morna, que o vento, por vezes, traz, em outras vezes, a brisa é fria, acompanhada de dor, de sofri¬mento, aquele sofrimento, que parece ser derramado em baldes de sangue sobre nós, e assim o foi, derramado na cabeça daquela mãe, que, talvez, sofra até hoje. As emoções, em cada dia da vida, enxerga¬mos como flores e seus cheiros, cada uma com sua fragrância... Em outros dias, enxergamos com flores murchas, sem perfumes, com o céu pintado de cinza e a tristeza descendo como se fosse um véu em bru¬mas, encobrindo o nosso ser. Temos que sentir a vida e o perfume, que ela tem. Escrever sobre a vida é mágico e vivê-la, sentin¬do essas desgraças, é complicado... Essa bela menina ouviu a música da vida e, ao mesmo tempo, o silêncio de sua longa viagem...O coração da mãe pulsou, bateu descompassa¬damente, explodindo em dor, tal como os trovões em dias de chuva. A angústia, que essa mãe sentiu, podemos comparar com o mar, quando bate nas pe¬dras requisitando seu espaço.

MARILINA BACCARAT DE ALMEIDA LEÃO Paulista da gema, musicista e escritora, autora de diversos livros, Marilina é membro de diversas academias de letras e culturais e recebeu durante sua carreira muitos prêmios literários.

Assim... a mãe queria um espaço de conforto em seu coração...Ela gostaria de ter a vida de sua filha, cercada de todo o viver, tentou de tudo, até perder o fôlego...

Contato: marilinaleao@gmail.com

Poderíamos chamar essa emoção de ausência, partida, dor, brisa fria, calafrio, contudo, chama57


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FILHOS DA ESPERANÇA Quando os primeiros raios de sol iluminavam as palmeiras da aldeia onde nasci, nuvens de ararajubas pousavam sobre as copas das árvores anunciando um novo dia. Foi nesse contexto que vivi com a minha família, que era constituída pelos meus pais e dois irmãos. Sempre escutei dos meus ancestrais que a grande floresta corria perigo e o perigo já sobrevoava as nossas cabeças. Não demorou muito, a floresta foi invadida por máquinas jamais vistas pelos nossos olhos. Vi que as máquinas emitiam sons estrondosos e, por onde passavam, deixavam rastros de destruição e semeavam a morte. Diante de minhas limitações, dúvidas e medos, me curvei próximo ao grande rio e clamei por Tupã. - Pai, onde estás que não vem aliviar o nosso tormento? Hoje, a terra já não nos pertence mais, a mata já não nos oferece alimentos nem abrigo e nossos rios desaguaram em fendas lamacentas. Quantas tribos terão que ser dizimadas para que venha ao nosso socorro? De repente uma luz viva se fez presente, fechei os olhos e meu corpo se projetou sobre a imensa claridade onde pude ouvir, pausadamente, uma voz branda: - Filho, seria tão bom se todos os homens pudessem aprender uns com os outros e reconhecessem o verdadeiro sentido da vida, mas a existência muitas vezes é como o Sol e a Lua : cheia de desencontros. Muitas vezes ofereci a minha morada em sinal de paz e me disseram não, mas a esperança é como uma criança prestes a desvendar o mundo. Depois de ouvir as respostas às minhas indagações, senti os meus pés sobre a terra e percebi que o dia já havia terminado. As estrelas brilhavam com bastante intensidade, convidando-me à reflexão. Talvez a felicidade e a paz estejam em nossas escolhas, que nos desafiam a sermos protagonistas de nossas próprias histórias.

Marcelo Escritor de Oliveira Souza Ecritor baiano, Marcelo é promotor de eventos e concursos literários. Contato: marceloosouzasom@hotmail.com

DESTRUIDORA DE MULTIDÃO No caminho da felicidade Bebida é droga consumida Também tem outras em injeção... Num mundo preto e branco Com a tinta sem coloração... Procurando o êxtase da tranquilidade Põe-se a desejar o pernicioso Que invade sua “habitação” E não tem coragem dizer não! Tumultua a família inteira Choro, desespero e ingratidão A porcaria do “bem estar” Termina em mais confusão.

CLÁUDIO DE ALMEIDA HERMÍNIO

A vida vira indignação Todos com medo da repercussão Onde um jovem promissor Perdeu a vida na perseguição De uma pedra que destrói multidão.

Mineiro, escritor publicado, Cláudio Hermínio é Professor. Contato: caherminio@yahoo.com.br

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O BRILHO DAS ESTRELAS Em um tempo bem distante, meu marido e eu, deitados na rede pendurada na área da frente de nosso pesqueiro as margens do rio Paraná, estávamos admirando as estrelas. Como ali não havia chegado à eletricidade, não havia nada para ofuscar o brilho delas. Ao balanço da rede conversávamos sobre a beleza daquele lugar que parecia perdido no tempo. Ali o céu era mais lindo, o brilho das constelações parecia ganhar intensidade. Divisávamos sem nenhum esforço o nosso famoso “Cruzeiro do Sul”. Ficávamos assim, somente na contemplação, quase todas as noites após um dia estafante de pescaria. Conversa vai conversa vem e ele levantou uma questão: - Como seria possível que nós aqui na terra enxergássemos o brilho de estrelas, que há muitos e muitos anos, já se encontravam extintas, mortas. Esta pergunta na ocasião ficou sem resposta. Na volta procuramos saber as explicações cientificas, mas bem no fundo de minha alma não me convenceram. Hoje, depois de passado tantos anos, eu encontrei a resposta. O brilho delas perdurou, porque ele é o resultado de tudo que ela foi enquanto vivia. É a sua essência, na realidade a sua alma. Sei que é uma resposta que não se baseia em estudos científicos, mas dentro de mim é assim que penso e quero que seja. Assim também cada um de nós é um pequeno planeta que um dia também será extinto, mas, compete a cada pessoa através de seus atos fazer com que sua luz continue a ser admirada por pessoas que por aqui ficarem. Ainda consigo divisar o brilho de cada pessoa que me foi querida, mesmo tendo partido há muitos anos. Dentro de mim nunca morrerão. Só deixarão de brilhar quando eu também me for.

MARIA (NILZA) DE CAMPOS LEPRE Escritora, com diversos livros publicados, Maria Nilza é uma escritora versátil que se adapta com facilidade aos temas e estilos, muito apreciada no meio literário. Contato: m.nilza@terra.com.br

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dos mais importantes tradutores de Shakespeare. Falava várias línguas, publicou cerca de trinta livros, de contos, de poesia, de ensaios, etc. Mas além de toda a cultura, além do intelectual, além do cultor da palavra, estava o homem, carismático, gentil, doce, que sabia do valor da vida, da amizade, da humanidade. Muito triste a ausência de Júlio. Incomensurável a lacuna que aquele ser iluminado deixa nas vidas de todos os seus amigos, que não eram poucos. Ainda bem que a obra, monumental obra-prima dele, é imortal. E ele continuará vivo em sua literatura e em nossos corações.

TRIBUTO A JÚLIO DE QUEIROZ, ESCRITOR MAIÚSCULO No mês de julho comemoramos o Dia do Escritor, no dia 25. E não dá pra pensar em escritores, sem lembrar do grande amigo e grande intelectual, grande homem, grande ser humano Júlio de Queiroz. O superlativo escritor nascido no Espírito Santo, mas catarinense por adoção, talvez o mais importante aqui da nossa Santa e bela, nos deixou. O céu o reivindicou para si. O mês de maio deste ano de 2016 acabou triste, muito triste. Nosso grande amigo Júlio de Queiroz, um dos maiores escritores dos últimos tempos, foi tornar o andar de cima mais culto, mais alegre e cheio de poesia. O mês de julho, quando comemoramos o dia do escritor, já não o encontrou entre nós. Aquela alma generosa, aquela criatura doce, um dos homens mais cultos, mais inteligentes e mais sinceros, não nos receberá mais com aquele sorriso cativante, que nos abraçava e nos acarinhava. As literaturas catarinense e brasileira ficam mais pobres sem a serenidade e o talento, sem o carisma e a aguçada visão de mundo e da vida, de Júlio. A sua acolhida, a sua amizade verdadeira, o carinho que não tinha vergonha de externar, farão muita falta. Nossas reuniões das quinta-feiras, que aconteciam há tanto tempo, não têm mais razão de ser, porque Júlio não estará mais lá. Não é, Jairo, não é Rita, não é, Sérgio? Bebíamos do manancial de cultura e sabedoria daquele ser humano especial, único. Usufruíamos da amizade da uma criatura grandiosa, mas humilde, de uma simplicidade a toda prova. Júlio era escritor – talvez o maior contista e o maior poeta dessa nossa terra, era filósofo e tradutor, um

LUIZ CARLOS AMORIM Escritor, editor e revisor – Fundador e presidente do Grupo Literário A ILHA, completando 36 anos de literatura neste ano. Cadeira 19 da Academia Sulbrasileira de Letras. Contato: http://luizcarlosamorim.blogspot.com.br http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br/

Imagens: Reprodução de Ndonline e Homo Literatus 60


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Os gringos alugaram uma casa na beira da praia Formosa, em Cabedelo. Minha prima carregou-me de contrapeso, ela sabia que eu era doida por praia. Coloquei meu biquíni de bolinha branca, era um duas peças lançado pela a defunta Leila Diniz que revolucionou o Brasil com a sua audácia. Senti-me pelada perto deles, elas usavam um biquíni que mais parecia uma tenda de circo, sentei-me e não levantei, nem para ir brincar com as ondas. Até o momento que os gringos decidiram trocarem, ali mesmo, na praia, suas roupas molhadas pelas secas. Os homens baixaram os calções mostrando as bundas brancas e os “biruncais” rosados; as mulheres tiraram os sutiãs e as calçolas tão naturalmente como se estivessem em um quarto fechado. Foi um tal de bunda branca, peito de fora, piru balançando e perereca galega.

Fiquei gelada e morri de medo que um “Paraíba tarado” atacasse a gringaiada e os estuprasse, ali, sem piedade. Olhei o céu para não ver o striptease e pedir proteção a Jesus, muda e vermelha de vergonha. Naquela época eu era cheia de pudores, hoje não sei não, creio que atacaria a gringaiada como uma paraibana normal... Enfim, os gringos colocaram as roupas sem serem estuprados, nem aprisionados por desacato ao pudor. As camisas de manga longas não tinham nada a ver com o pudor e compreendi melhor o por quê das tais das mangas compridas bem depois, quando melhorei de vida e comecei a usar filtro solar, e proteger-me do sol usando camisetas de mangas compridas...

OS GRINGOS Quando vi o holandês, pensei bem lentamente, “que sorte a minha prima tem sorte de noivar com um holandês” e ainda por cima lindo e parecido com Jesus! Minha nossa! Eu tinha 12 anos, creio, e fiquei pensando em casamento, em Jesus e na Holanda. Imaginando minha prima dando um beijo na boca de Jesus, isso era realmente o máximo do máximo. Foi durante essa passagem que tomei contato com os gringos e vi um casaco de frio.

Texto do livro O rosa e o Azul

Henri apareceu na sala da minha tia com um casaco enrolado no braço. Era inverno em Campina Grande, fazia 25°.

VALQUIRIA IMPERIANO

Todos estávamos agasalhados e tiritando de frio, o holandês estava transpirando como uma chaleira fervendo. Depois daquela tarde o casaco sumiu no armário.

Valquiria é escritora e responsável de associação Cultive em Genebra que promove a divulgação cultural e eventos de apoio a causas sociais no Brasil.

Chegou o verão e o noivo da minha prima continuava a usar camisa xadrez de algodão de manga longa. Eu não entendia o por quê de tal manga naquele calorão. Acreditava que eram pudicos até o dia em que fui à praia com minha prima.

Contato: vaguim@yahoo.fr

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NOSSO PLANETA Em tempos mais antigos, ninguém se preocupava com a situação do nosso planeta, porque a terra era fértil, as águas eram cristalinas e limpas, o ar era puro e toda essa beleza era coberta por um lindo céu azul. O tempo foi passando, a população aumentando e as mudanças começaram a acontecer, mas não eram boas mudanças, porque os agricultores passaram a usar agrotóxicos para aumentar a produtividade da terra e esses venenos escorriam para as águas e a contaminação atingiu os peixes, mas o povo precisava de carne de todas as espécies e surgiram as granjas com suas galinhas brancas, de carne mole e sem sabor e o gado passou a receber hormônios e ração porque os pastos já não eram suficientes. As máquinas movidas a derivados de petróleo se encarregaram de envenenar o ar e aí ficou tudo contaminado e o povo, que era sadio e longevo, foi adoecendo com novas doenças que diminuíram o tempo de vida das pessoas. Hoje ninguém tem expectativa de uma vida longa, as pessoas morrem jovens e de doenças que não existiam em tempos já passados. A vida no planeta que era simples, se tornou uma correria exaustiva atrás não de ser, mas sim de ter e com isso se completou o quadro devastador de contaminação, doenças como o câncer e muitas mais e ninguém está seguro em parte alguma, porque temos guerras, terrorismo e tudo de ruim que se possa imaginar. O ser humano está destruindo nosso planeta com sua ganância, causando a devastação das florestas, assoreamento dos rios e com isso a natureza mudou e as estações se misturaram, já não se sabe se é primavera, verão, outono ou inverno, porque chove em época de estiagem, esfria em tempo de calor e as altas temperaturas já atingem até as geleiras da Antártica. Se os homens não mudarem de atitude, nosso agonizante planeta estará chegando ao fim, muito antes do esperado.

MARIA APARECIDA FELICORI {VÓ FIA} Natural de Nepomuceno, Minas Gerais, Vó Fia encanta com suas histórias que trazem o folclore, as memórias de uma terra e todo um humor característico. Contista, também escreve crônicas e poemas. Contato: vofianep@gmail.com

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HOMENAGEM DE JOSÉ ALBERTO DE SOUZA AO VARAL DO BRASIL Quando decidimos encerrar as atividades do Varal do Brasil em junho de 2016 após sete anos de atividades initerruptas, recebemos do escritor gaúcho José Alberto de Souza a seguinte mensagem e seu anexo. Seguem ambos. Caros amigos: Após receber o Comunicado Importante da nossa «mecenas» Jacqueline Bulos Aisenman, resolvi efetuar um rastreamento de todos autores publicados nas 42 revistas eletrônicas e 21 edições especiais lançadas até aquele momento que imaginava ultrapassar mais de 1000 privilegiados com a honra de figurar no Varal do Brasil. Um mil e cento e dois (1102) foi o resultado a que cheguei neste levantamento, o que corresponde a um crescimento geométrico médio anual de 60% no período de 2010 a 2016, a partir de um núcleo de 60 colaboradores mais antigos revelados nas edições iniciais de nºs. 0 e 1, conforme se pode verificar na relação constante do arquivo que estou enviando em anexo. Devo dizer que me «escandalizei» com o desempenho dessa «mulher orquestra» apresentado na presente amostra que só de leve compreende uma entre tantas atividades dispendidas em prol de vários escritores da língua lusófona, notável e meritório sob todos aspectos apenas atingido por uma abnegada incentivadora da sua LITERATURA SEM FRESCURAS! ALELUIA! ALELUIA! José Alberto de Souza http://wwlivros.com.br/ovelhochateau/ (segue a lista nas próximas páginas)

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1. A. M. Narciso 2. Abilio Pacheco 3. Adão Wons 4. Adela Figueroa Panise 5. Adele 6. Adenilza Almeida Lira 7. Adina Worcman 8. Adriana Freitas 9. Adriana Padilha 10. Adriana Sherner 11. Adriana V. Aguiar 12. Afonso Martini 13. Agamenon Troyan 14. Agata 15. Aglaé Torres 16. Aguinaldo Loyo Bechelli 17. Ailton Sales 18. Alba Helena Corrêa 19. Alberto Araújo 20. Alberto Carmo 21. Alcéa Romano 22. Alcilene Magalhães 23. Aldo Moraes 24. Aldo Nora 25. Alessa B 26. Alessandra Neves 27. Alessandro Borges de Moura 28. Alex Feitosa 29. Alex Marchi 30. Alex Monteiro 31. Alexandra Magalhães Zeiner 32. Alice Luconi Nassif 33. Alma Lusitana 34. Almandrade 35. Ambrosina Coradi 36. Amandu Poeta Português 37. Amarilis Pazini Aires 38. Amélia M. Raposo da Luz 39. Amelita Soares 40. Amilcar Neves 41. Amilton Maciel Monteiro 42. Ana Anaissi 43. Ana Beatriz Cabral 44. Ana Cristina C. Siqueira 45. Ana Denise Souza 46. Ana Esther (Balbão Pithan) 47. Ana Flores 48. Ana Heloísa Maux 49. Ana Lucas 50. Ana Lúcia Silva

51. Ana Luiza Almeida Ferro 52. Ana Maria Bastos Milioli 53. Ana Maria Felix Garjan 54. Ana Maria Gazzaneo 55. Ana Maria Rosa Moreira 56. Ana Mariah 57. Ana Mohan 58. Ana Peres Batista 59. Ana Polessi 60. Ana Rosenrot 61. Anabel Sampaio 62. Anair Weirich 63. Anamaria Kovaks 64. Anaximandro Amorim 65. Anchieta Antunes 66. Andante 67. Andrade Jorge 68. André L. A. Soares 69. André Luís Aquino 70. André Luís Mansur 71. André Marques 72. André Valério Sales 73. André Victtor 74. Andréa Gabriela Prodea 75. Andréa Mascarenhas 76. Andréa Pimentel Beer 77. Andreia Costa 78. Andreia Pinheiro Orechowski 79. Ane Braga 80. Anette Apec Barbosa 81. Ângela Costa 82. Ângela Delgado 83. Ângela Guerra 84. Ângela Mota 85. Ângela Ramalho 86. Ângela Togeiro 87. Ângela Xavier 88. Angélica Villela Santos 89. Ângelo Colese 90. Ângelo Faleiro 91. Anita Aepli 92. Anna Back 93. Anna Leão 94. Anna Ribeiro 95. Anne Smaen 96. Antonia Aleixo Fernandes 97. Antônio Boavida Pinheiro 98. Antônio Cabral Filho 99. Antônio Carlos Dayrell 100. Antônio Ferreira Lima 101. Antônio Fidélis 102. Antônio L. Sobrinho 65

103. Antônio Marcos Bandeira 104. Antônio Miguel Cestari 105. Antônio Miotto 106. Antônio Vendramini Neto 107. Antônio Zau “Makaveli” 108. Aprysio Nogueira 109. Ara Mitta 110. Ariana Tomasini 111. Arisson Tavares 112. Arlene Batista 113. Arlete Trentini dos Santos 114. Arlinda Damasceno 115. Assenção Pessoa 116. Atanazio Lameira 117. Audelina de Jesus Macieira 118. Avelina Rosana R. C. Oliveira 119. Basilina Divina Pereira 120. Belmiro Braga 121. Benette Bacellar 122. Benevides Barbosa Júnior 123. Benilda Caldeira Rocha 124. Bernadete Schtaz Costa 125. Bertolina Maffei 126. Bete França Jufer 127. Beti Rozen 128. Beto Acioli 129. Betty Silberstein 130. Bianca Galdino 131. Bilá Bernardes 132. Billy de Matos 133. Blenda Bortolini 134. Brasilmar N. Araújo 135. Bremda Marques Pena 136. Cadu Lima Santos 137. Camila Gomes 138. Camila Mossi de Quadros 139. Camila Thomazini 140. Carla de Sá Morais 141. Carla Renata Jorge Neves 142. Carlo Montanari 143. Carlos Alberto Barreto 144. Carlos Alberto Omena 145. Carlos Alberto C. de Souza 146. Carlos Batista 147. Carlos Bayma 148. Carlos Brunno S. Barbosa 149. Carlos Conrado 150. Carlos D 151. Carlos Damião 152. Carlos Dias


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153. Carlos Eduardo Bonfá 154. Carlos Henrique 155. Carlos Lúcio Gontijo 156. Carlos Nogueira 157. Carlos R. Pina de Carvalho 158. Carlos Roberto de Souza 159. Carlos Silva 160. Carlos Vazconcelos 161. Carmen Di Moraes 162. Carmen Lúcia Hussein 163. Carmo Vasconcelos 164. Carolina Ramos 165. Caroline Baptista Axelsson 166. Caroline Brito 167. Caroline Freitas 168. Carvalho de Azevedo 169. Casinho 170. Cassiane Santos 171. Ceiça Esch 172. Celeste Farias Dias 173. Célia Bernardo 174. Célia Labanca 175. Célia V. Azevedo 176. Ceres Marylise Rebouças 177. César Soares Farias 178. Chaja Freida Finkelstain 179. Christina Hernandes 180. Cibele Santos 181. Cida Moreira 182. Cida Sepúlveda 183. Cilene Penteado 184. Cintia Medeiros 185. Ciraiane Aguiar 186. Ciro José Tavares 187. Clara Machado 188. Clara Sznifer 189. Clarice da Costa 190. Clarice Villac 191. Claudete Terezinha da Mata 192. Cláudia Banegas 193. Cláudia Carvalho 194. Cláudia Gonçalves 195. Cláudia Lemos de Moraes 196. Cláudia Moreira 197. Cláudio Costa 198. Cláudio de Almeida Hermínio 199. Cléa Paixão 200. Cleber Rego 201. Cleber Souza

202. Cléo Reis 203. Clevane Pessoa de A. Lopes 204. Cris Luna 205. Cristiane Stancovik 206. Cristiane Vieira de Farias 207. Cristiano Sousa 208. Cristina Cacossi 209. Cristina F. Pinto Bayley 210. Cristina Maria Matos 211. Cristina Mascarenhas Silva 212. Cristina Davet 213. Daisy Buazar 214. Dalila Lubiana 215. Dalva Agne Lynch 216. Daniel C. B. Ciarlini 217. Daniel Cravo Silveira 218. Daniel de Culla 219. Daniele Fernanda Eckstein 220. Danielli Morelli 221. Danielli Okamura 222. Danielli Rodrigues 223. Danilo Augusto de A. Fraga 224. Danilo Oyan 225. Danny Marks 226. Darcy Berbert 227. Darlene Lidi 228. Dê Barrense 229. Deanna Ribeiro 230. Débora Moreno 231. Débora Novaes de Castro 232. Débora Villela Petrin 233. Décio de Moura Mallmith 234. Deidimar Alves Brissi 235. Deise Formentin 236. Deivison Lamonica Barreto 237. Delaine Brasil 238. Delmar Maia Gonçalves 239. Denise Braga 240. Denis Lenzi 241. Denise Barros 242. Denise Parma 243. Denise Reis 244. Deodora Fraga 245. Deth Haak 246. Deusa D’África 247. Devi Dasi 248. Deyse Zaritcha Ferreira 249. Dhiogo José Caetano 250. Dias Campos 66

251. Diego Braz 252. Diego Mendes Sousa 253. Dieine Carolina Silva 254. Dilercy Adler 255. Dilma Schmitz Leite 256. Dimytrius 257. Dina Pavesi 258. Dinorá Couto Cançado 259. Diulinda Garcia M. Silva 260. Diva Mendes 261. Do Carmo 262. Domingos A. R. Nuvolari 263. Domitilla Borges Beltrame 264. Dora Duarte 265. Doroty de Brito Steil 266. Douglas Silva 267. Dú Karmona 268. Ducarmo Souza 269. Dulce Auriemo 270. Dulce Couto 271. Dulce de Oliveira Claudino 272. Dulce Rodrigues 273. Dúlcio Ulysséa Júnior 274. Dulenari 275. Eber Josué 276. Eber S. Chaves 277. Eder Roberto Dias 278. Ediane Passos de Souza 279. Edilson Leão 280. Edna Barbosa de Souza 281. Edna Pidner 282. Ednaldo Muniz 283. Edson José dos Santos 284. Eduardo Benetti 285. Elaine Fernandes dos Santos 286. Elaine Rocha de Oliveira 287. Elaine Tavares 288. Elena Lamego 289. Elena Mattos 290. Elenite Araújo 291. Eliana Machado 292. Eliana Maria 293. Eliana Reinaldo 294. Eliana Wissmann 295. Eliane Accioly 296. Eliane Andrade 297. Eliane Fernandes 298. Eliane Ganem 299. Elinalva Oliveira 300. Elisa Alderani 301. Elise Schiffer


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302. Eliseu Ramos dos Santos 303. Elizabeth Mendonça Fontes 304. Eloisa Antunes Maciel 305. Eloisa Menezes Pereira 306. Eloisa Porazza 307. Elton Sipião 308. Elvis Silva Magalhães 309. Elza Galdino 310. Emanuel Kjellin Guerreiro 311. Emanuel Medeiros Vieira 312. Emérita Andrade Ramos 313. Emerson Alcalde de Jesus 314. Eneida Souza 315. Érica Gonçalves 316. Ester Costa 317. Esther Rogessi 318. Estrela Radiante 319. Eurico de Andrade 320. Eurípedes Rodrigues Costa 321. Eva Astrid Leutenegger 322. Eva P. Bueno 323. Evalda de A. Silva Costa 324. Evandro Raiz Ribeiro 325. Evandro Valentim de Melo 326. Evanise Gonçalves Bossle 327. Evelyn Cieszinski 328. Fabiana de Almeida 329. Fabiane Ribeiro 330. Fábio Benini 331. Fábio Kerouac 332. Fábio Ramos dos Santos 333. Fábio Renato Villela 334. Fábio Siqueira do Amaral 335. Fabrício Couto Martins 336. Fani 337. Fátima de O. Friaça Pereira 338. Fátima Diógenes 339. Fátima Ribeiro Soares 340. Fátima Silva 341. Fátima Venutti 342. Fátima Vivas 343. Felipe Cattapan 344. Felipe Luiz Proiete de Souza 345. Fernanda Bondan Nocolodi 346. Fernanda Fava Bordan 347. Fernanda Figueiredo Ferraz 348. Fernanda Moraes Lima

349. Fernando Abritta 350. Fernando Matos 351. Fernando Schiavinato 352. Fernando Soares 353. Fernando Sorrentino 354. Filipe Marinheiro 355. Flauzineide Moura Machado 356. Flávia Assaife (Flor) 357. Flávio Goulart Barreto 358. Flávio Machado 359. Flávio Rodrigues 360. Flor da Esperança 361. Francisco Chagas Araujo 362. Francisco de Paula 363. Francisco Gregory Júnior 364. Francisco Ferreira 365. Francisco R. G. X. Neto 366. Francisco Saulo C. Oliveira 367. Francy Wagner 368. Freire & Silva 369. Gabriel Andrade 370. Gabriel Bicalho 371. Gabriel Joerke 372. Gaiô (Maria A. Gaiofatto) 373. Galdy Galdino 374. Garoeiro 375. Geni Pires Camargo Prado 376. George dos Santos Pacheco 377. Georgina Caçador 378. Geraldine Medeiros 379. Geraldo Pereira Lopes 380. Geraldo Sant’Anna 381. Geraldo Trombin 382. Germano Dias Machado 383. Geyme Lechner Mannes 384. Gilberto Nogueira Oliveira 385. Gilda Brasileiro 386. Gilda Freitas 387. Gilda Pereira de Souza 388. Gildo Pereira de Oliveira 389. Gilma Limongi Batista 390. Gilmar Carlos Milezzi 391. Gilson Silva de Lima 392. Giordana Bonifácio 393. Giovanni Silveira 394. Girlene Monteiro Porto 395. Gisele Shruver 396. Gisele Wolkoff 397. Gladis Deble 398. Gladston Salles 67

399. Gladys Gimenez 400. Gleice Benedito Henrique 401. Glória Salles 402. Gonzaga Medeiros 403. Graça Campos 404. Graciela Warizaka 405. Graziella Tognetti 406. Greciany C. Cordeiro 407. Greice Munhoz 408. Guacira Maciel 409. Guilherme H. Cavalcante 410. Gustavo Henrique Bella 411. Gustavo Polycarpo 412. Hazel de São Francisco 413. Hebe Boa-Viagem A. Costa 414. Hegel Fontes 415. Heitor Luiz Murat 416. Heitor M. Quintella 417. Helena Barbagelata 418. Helena Akiko Kuno 419. Helena Scanferla 420. Helena Walderez Scanferla 421. Helenice Maria Reis Rocha 422. Hélio Cervelin 423. Helio Sena 424. Heloisa Crespo 425. Henriette Effenberger 426. Hernandes Leão 427. Hideraldo Montenegro 428. Hilda Flores 429. Hilda Mendonça 430. Hildebrando Ribeiro 431. Hilton Leal 432. Hipólito Ferro 433. Hugo Dalmon 434. Hugo Federico Alazraqui 435. Hugo Pontes 436. Humberto Pinho da Silva 437. Iara Pasini 438. Icléia Ruckhaber Schwarzer 439. Ieda Cunha Cavalheiro 440. Ignez Freitas 441. Igor Buys 442. Igor Medeiros de Oliveira 443. Ildérica 444. Ina Melo 445. Inês Carmelita Lohn 446. Infeto 447. Iolanda Martha Beltrame


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448. Ione Jaeger 449. Irene Zwetsch 450. Irineu Baroni 451. Iris Albuquerque 452. Iris Berlinck 453. Iris Sampaio 454. Ironi Lírio Gonçalves 455. Isa Colli 456. Isabel C. Albuquerque 457. Isabel Cristina Silva Vargas 458. Isabela Gomes 459. Isabella Pavesi 460. Isadora Cristiana A. da Silva 461. Isis Berlinck Renault 462. Isis Dias Vieira 463. Ismael Pinheiro da Silva 464. Ismael S. Cândido 465. Istela M. Gotegipe Lima 466. Ivan Santana Braga 467. Ivane Laurete Perotti 468. Ivanise Mantovani 469. Ivone Vebber 470. Ivonita Di Concilio 471. Izabel Hesne Marum 472. Izabella Pavesi 473. Izabelle Valladares 474. J. Gastão Machado 475. J. C. Hesse 476. J. H. Schlengmann 477. Jaak Bosmans 478. Jackmichel 479. Jaci Santana 480. Jacob B. Goldemberg 481. Jacqueline Bulos Aisenman 482. Jaime Correia 483. Jan Bitencourt 484. Jana Lauxen 485. Jandyra Abranches 486. Jandira Torreiro 487. Jane Vieira Gariba 488. Janete Gutierres 489. Janete Rocha 490. Jani Brasil 491. Jania Souza 492. Janice França 493. Jaqueline Campos 494. Jardel Elias 495. Jeanne Barbosa Paganucci 496. Jenário de Fátima 497. Jeremias Francis Torres

498. Jerônymo Artur 499. Jô Mendonça Alcoforado 500. Jô Ramos 501. Joana Puglia 502. Joana Rolim 503. João Alberto Faria e Araújo 504. João Anilto dos Anjos 505. João Batista Bezerra Souza 506. João Dutra 507. João Felinto Neto 508. João Freire Filho 509. João Roberto Gullino 510. Joarez de Oliveira Pretto 511. Joel de Arruda 512. Jorge Furtado 513. Jorge Kashio 514. Jorge Luís Martins 515. Josane Mary B. Anorim 516. Josane Peer 517. José Alberto de Souza 518. José Cabinda Dala 519. José Carlos Cavalcanti Leite 520. José Carlos Paiva Bruno 521. José Carlos Sibila 522. José Fernando Pachelli 523. José Freitag 524. José Genário Machado 525. José Gentil Leme 526. José Hilton Rosa 527. José Ignacio R. Marinho 528. José Luiz da Luz 529. José Luiz Pires 530. José M. Machado de Araújo 531. José Nedel 532. José Paulo Siuves 533. José Pereira da Silva 534. José Roberto Abib 535. José Solha 536. José Tavares de Lima 537. José Valdir de Oliveira 538. José Wilton Magalhães Porto 539. Joseli Pereira Alves Rosa 540. Josselene Marques 541. Josué de Brito 542. Joyce Cavalcante 543. Ju Virginiana 544. Juan Barreto 545. Juca Cavalcante 68

546. Julia Antuerpen 547. Julia Cruz 548. Julia Fernandes Heimann 549. Julia Oliveira Godoy 550. Julia Rego 551. Juliana Aguiar 552. Juliana Andreotti 553. Juliano Secolo 554. Juliano Sotti 555. Julieta Falavina 556. Julio César Bridon Santos 557. Júlio Cesar Vicente 558. Júnior Schwarzer Schmitt 559. Jussára C. Godinho 560. Jussara Peteck 561. Juvenal Payaya 562. Kaefe Conrado 563. Kaique Barros Moraes 564. Kaique Machadinho 565. Kamilla Soares 566. Karine Alves Ribeiro 567. Karline Batista 568. Kátia Regina Guedes Felsky 569. Katilene Alves de Brito 570. Kaz Martinelli 571. Kely de Miranda 572. Kleber Nunes 573. Krisiane de Paula 574. LSM 575. L. Midas 576. Lange Pinheiro 577. Lariel Frota 578. Larissa Loretti 579. Laudecy Ferreira 580. Laura Ramos 581. Lavoisier Menezes (in mem) 582. Lázaro Bulos Aisenman 583. Leandro Martins de Jesus 584. Leda Montanari Leme (Céu) 585. Leila de Barros 586. Lelo Néspoli 587. Leni Andrade 588. Leni André 589. Lênia Aguiar 590. Lenir Córdova 591. Lenival Nunes de Andrade 592. Leny Mel 593. Leomária Mendes Sobrinho 594. Leonardo Augusto Afonso


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595. Leonardo Boff 596. Leonardo Henke 597. Leônia Oliveira 598. Leônidas Grego 599. Leonilda Yvonneti Spina 600. Leonilde Maria S. M. Fontes 601. Lepota L. Cosmo 602. Levindo Último 603. Lilian Maial 604. Lina Maciera 605. Lionizia Goya 606. Liria Porto 607. Lixa Palosa 608. Liz Rabelo 609. Lóla Garcia 610. Lóla Prata 611. Loraine V. 612. Lorena Moraes 613. Loreni Fernandes Gutierrez 614. Lorêny Portugal 615. Lourdes Hofstetter 616. Lourdes Leite 617. Lourdes Limeira 618. Lu Peçanha 619. Lu Toledo 620. Lucas Túlio Pereira 621. Lúcia Aeberhardt 622. Lúcia Amélia Brulhardt 623. Lúcia Barcellos 624. Lúcia Helena dos Santos 625. Lúcia Laborda 626. Luciana Brito 627. Luciana Tannus 628. Luciane Mari Deschamps 629. Luciano Petroceli 630. Luciano Rocha 631. Lucilene Araújo Peres 632. Lucelita Maria Alves 633. Lucy Nakamura 634. Ludmila Rodrigues 635. Luiz Alberto Machado 636. Luiz Alberto dos Santos 637. Luiz Antônio Cardoso 638. Luiz Carlos Amorim 639. Luiz de Miranda 640. Luiz Eduardo Gunther 641. Luiz Flávio Nascimento 642. Luiz Manoel F. Maia 643. Luiz Otávio Oliani 644. Luiza Foz 645. Luli Coutinho

646. Lunna Frank 647. Luzia 648. Luzinete da Silva T. Soares 649. Ly Sabas 650. Lya Gram 651. Lyrs Cabral Buoso 652. M. C. Jachnkee 653. MS 654. Maddal 655. Madhu Maretiore 656. Magda Regadas Resende 657. Magno de Oliveira 658. Maíra Cortez Galhardo 659. Maira Delboni 660. Malú Freitas 661. Maluf F. Queiroz 662. Mano Kleber 663. Manoel Menendez Manolo 664. Manuela Matos 665. Mara de Freitas Hermann 666. Marcela Cerqueira de Souza 667. Marcello Ribeiro 668. Marcelo Benini 669. Marcelo Cândido Madeira 670. Marcelo Csettkey 671. Marcelo de Oliveira Souza 672. Marcelo Lino 673. Marcelo Martins de Martins 674. Marcelo Moraes Caetano 675. Márcia Agrau 676. Márcia David 677. Márcia Etelli Coelho 678. Márcia Gomes 679. Márcia Lima 680. Márcia Magalhães 681. Márcia Maranhão De Conti 682. Marcia Maria Ribeiro Brabo 683. Márcia Pedroso 684. Márcia Regina de A. Duarte 685. Márcia R. Pontes 686. Márcia Sbardelotto 687. Márcia Tigani 688. Márcio Freitas 689. Márcio José Rodrigues 690. Márcio Maia 691. Marco Di Silvani 692. Marco Lisboa 69

693. Marco Miranda 694. Marco Rosa 695. Marcos Costa Filho 696. Marcos Mairton Silva 697. Marcos Rogério de Oliveira 698. Marcos Toledo 699. Marcos Torres 700. Maria Abadia Silva 701. Maria Alice Lima Ferreira 702. Maria Alice R. de Souza 703. Maria Ângela M. da Silva 704. Maria Angelita Heinz 705. Maria Araújo 706. Maria Aurélia Minervino 707. Maria Bernadete Jufer 708. Maria Carvalho Leite 709. Maria Cecília de O. Castro 710. Maria Cestari 711. Maria Cristina Alves Dias 712. Maria Cristina Cacossi 713. Maria Cristina Silva Ramos 714. Maria da Conceição Barros 715. Maria da Glória 716. Maria Dalva Leite 717. Maria de Fátima B. Michels 718. Maria de Fátima Joaquim 719. Maria de Fátima Soares 720. Maria Delboni 721. Maria Esther Tourinho 722. Maria Emília Algebaile 723. Maria Emilia Genovesi 724. Maria Eugenia 725. Maria Fernanda Reis Esteve 726. Maria Goreti O. Ulbricht 727. Maria Heloísa Fernandes 728. Maria João Saraiva 729. Maria José Vital Justiniano 730. Maria Lagranha 731. Maria Laudecy F. Carvalho 732. Maria Lindgren 733. Maria Lúcia de G. Pereira 734. Maria Lúcia Mendes 735. Maria Luiza Bonini 736. Maria Luiza Falcão 737. Maria Luiza Fronteira 738. Maria Luiza V. Ramos


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739. Maria Moreira 740. Maria (Nilza) Campos Lepre 741. Maria Perpétua F. Brasileiro 742. Maria Salete Costa Moreira 743. Maria Socorro de Sousa 744. Maria Soler 745. Maria Zulema Cebrián 746. Mariana Gentile 747. Mariana Salomão Carrara 748. Mariane Eggert Figueiredo 749. Mariane Lobo 750. Mariela Mei 751. Marilene Sampaio (Bary) 752. Marília Floor Kosby 753. Marilina B.de Almeida Leão 754. Marilu F. Queiroz 755. Marina Cervini Lentini 756. Marina Farias (Flor Morena) 757. Marina Fernanda S. Farias 758. Marina Gentile 759. Marina Medeiros 760. Marina Valente 761. Marines Kleckz 762. Mário F. C. de Souza Santos 763. Mario Feijó 764. Mário Felipe C. de S. Santos 765. Mário Osny Rosa 766. Mário Ramos 767. Mario Rezende 768. Marisa Almeida 769. Marisa Gonçalves Santos 770. Mariuza Helena 771. Marlene B. Cerviglieri 772. Marli Ribeiro de Freitas 773. Marluce Alves F. Portugaels 774. Marly Rondan Pinto 775. Marta E. S. de Carvalho 776. Marta T. Pezzini 777. Mary Braga 778. Marzo Deutsch 779. Matheus Paz 780. Maurício Antônio V. Duarte 781. Maurício Lima 782. Maurício dos Santos

783. Mauro Demarchi 784. Mauro G. Maciel 785. Mayara Diniz 786. Merari Tavares 787. Merli Dinis 788. Michele Franzini Zanin 789. Miguel Garcia Alves 790. Miguel Vieira da Silva 791. Miriam de Salles Oliveira 792. Mirian Menezes de Oliveira 793. Monica Christi 794. Monica Serra Silveira 795. Morgana Gazel 796. Morphine Epiphany 797. Mota Júnior 798. Myrthes Neusali S. Morais 799. Namibiano Ferreira 800. Nana Abud 801. Nato Matos 802. Nef Magaña 803. Neida Rocha 804. Nelci Back Oliveira 805. Nélida Nunes Cardoso 806. Nelsi Emília 807. Nelson Dias Costa 808. Neri França Fornari Bocchesi 809. Nesli Emília Torres Stocker 810. Net 7 Mares 811. Neuza Arnold-Cortez 812. Neyde Bohon 813. Nice Arruda 814. Nilda Dias Tavares 815. Nilda Lima 816. Nilvado Alves dos Santos 817. Nilza Amaral Souza 818. Nina de Lima 819. Noeme Rocha da Silva 820. Norália de Mello Castro 821. Norberto de Moraes Alves 822. Norberto Heinz 823. Núbia Strasbach 824. Nydia Iaggi Martins 825. Odenir Ferro 826. Odete Bin 827. Odibar J. Leão 828. Odyla Paiva 829. Olavo Bilac 830. Olga Hosken 831. Oliveira Caruso 832. Oná Silva 70

833. Osiel Ferreira Vieira 834. Osiris (Duarte) Roriz 835. Oswaldo Antônio Begiato 836. Otacílio Monteiro 837. Pablo Mateus 838. Paola Rhoden 839. Pato do Lago 840. Patrícia Lara 841. Paul Law 842. Paula Alves 843. Paula Barrozo 844. Pauline Herbach 845. Paulo Gontran 846. Paulo José Pires 847. Paulo Roberto C.de Oliveira 848. Paulo Roberto Bulos Remor 849. Paulo Siuves 850. Pedro Arossa 851. Pedro Diniz Araújo Franco 852. Pedro Du Bois 853. Pedro Haussmann 854. Perla de Castro 855. Perpétua Amorim 856. Pinheiro Neto 857. Plinio Camilo 858. Priscila Ferraz 859. Públio José 860. Rafael Zen 861. Rafiki Zen 862. Rai D’Lavor 863. Railda Masson Cardozo 864. Raimundo Antônio 865. Raimundo Cândido Teixeira 866. Raphael Alberti 867. Raphael Miguel 868. Raphael Reys 869. Raquel Gesqui Malagoli 870. Raquel Moysés 871. Raquel Naveira 872. Raquel Rocha 873. Raquel Sá 874. Raquel Simbalista 875. Raul Longo 876. Raul Pederneiras 877. Rebecca Jordão 878. Regina Araujo 879. Regina Costa 880. Regina Damázio 881. Regina Mércia Sene Soares


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882. Regina Nadaes Marques 883. Regina Pessoa Santos 884. Regina Ramos dos Santos 885. Regiana Tavares 886. Rejane Costa Barros 887. Rejane Machado 888. Renata Aparecida Gomes 889. Renata Carone Sborgia 890. Renata Dal-Bó 891. Renata Gomes de Farias 892. Renata Iacovino 893. Renato Alvarenga 894. Rene Zemekhol 895. Ricardo Belíssimo 896. Ricardo Brugni da Cruz 897. Ricardo Reis 898. Ricardo Santos de Almeida 899. Rino Montebeller 900. Rita de C. Amorim Andrade 901. Rita de Cássia S. dos Santos 902. Rita de Oliveira Medeiros 903. Rita Elisa Seda 904. Rita Pea 905. Rita Saraiva 906. Rita Velosa 907. Ro Furquim 908. Ro Mierling 909. Rob Lima 910. Roberta Brummer Munhoz 911. Roberto Armorizzi 912. Roberto Ferrari 913. Roberto Gulino 914. Roberto Saturnino Braga 915. Robervânio Luciano 916. Robine Gomes 917. Robinson Silva Alves 918. Robson Luís Silva Costa 919. Rodrigo Fernandes Pereira 920. Rodrigo Pereira dos Santos 921. Rogério Abreu 922. Rogério Alvarenga 923. Rogério Araújo (Rofa) 924. Romualdo Vicente Ramos 925. Ronie Von Rosa Martins 926. Ronnie Leite 927. Rosa Izabel Spagnuelo 928. Rosalie Gallo 929. Rosalinda Pessoa Mildner 930. Rosalino de Carvalho

931. 932. 933. 934. 935. 936. 937. 938. 939. 940. 941. 942. 943. 944. 945. 946. 947. 948. 949. 950. 951. 952. 953. 954. 955. 956. 957. 958. 959. 960. 961. 962. 963. 964. 965. 966. 967. 968. 969. 970. 971. 972. 973. 974. 975. 976. 977. 978. 979. 980. 981. 982. 983.

Rosana Bonharoli Rosana S. M. Koerner Rosane A. J. Lapate Rosane Magaly Martins Rosane Salles Silva Souza Rosane Zanini Rosangela T; Calza Rose Rocha Roselene Fagundes Roselis Batistar Rossana Aicardi Caprio Rossandro Laurindo Rovana Chaves Rozelene Furtado de Lima Rubens Jardim Rui Martins Rui Pedro Pinheiro Rute Miranda Safira Estefanes Samantha Fernandes Samantha Verdan Samuel Saint Sandra Berg Sandra Couto Sandra Helena Q. Silva Sandra L. Stabile Sandra M. Ferrari Radich Sandra Nascimento Sandra Rosenfeld Sandra Santos Sandra Veroneze Sandro Jamir Eerzinger Sarah Venturim Lasso Saskia Brigio Sebastiana Sanches Segestes Tocantins Selma Antunes Selmo Vasconcellos Semini Kwsta Sérgio Almeida Sérgio Eduardo Del Corso Sérgio Gibim Ortega Sérgio L. Alves Martins Sheila Ferreira Kuno Sid Summers Sidineia Muniz Sidirley de Jesus Barreto Sildecy Alves Martins Silmara Oliveira Silvana Brugni da Cruz Silvana Pinheiro Silvia Araújo Motta Silvia Rita Souza 71

984. Silvio Parise 985. Simone Pessoa 986. Solange Taranto 987. Sonia Alcalde 988. Sonia Macedo de Oliveira 989. Sonia Maria de A. Cintra 990. Sonia Medeiros Imamura 991. Sonia Nogueira 992. Sonia Regina R. Rodrigues 993. Soninha Porto 994. Sonya Prazeres 995. Stela Victório Faustino 996. Stella Maris Rosselet 997. Sueli Nassar 998. Sueli Oliveira Vasconcelos 999. Sueli Rodrigues 1000. Suely Traver 1001. Susana Martins 1002. Susana Zilli de Mello 1003. Suzana Villaça 1004. Suzete Carvalho 1005. Suziley Silva 1006. Suzy Bezerra Oliveira 1007. Tais Parolini 1008. Taís Sigrist 1009. Tamara Ramos 1010. Tania B. Barros Cavadini 1011. Tania Diniz 1012. Tania Souza 1013. Tavinho Paes 1014. Tchello D’Barros 1015. Teodora Ramos Urcino 1016. Teodoro Balaven 1017. Teresa Cristina C. de Sousa 1018. Teresa Dalva Rodel 1019. Tereza Drumond 1020. Teresinka Pereira 1021. Terezinha Ramos de Ávila 1022. Terezinha Guimarães 1023. Terezinha Manczak 1024. Terezinka Pereira 1025. Tetê Crispim 1026. Thereza Toscano 1027. Therezinha D. Brisolla 1028. Therezinha Ramos de Ávila 1029. Thiago Maerki 1030. Thiago Santhiago 1031. Tiago André 1032. Tiago Gonçalves 1033. Tino Portes 1034. Totonha Lobo


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1035. Tulia Lopes 1036. Ulisses Freitas 1037. Ulisses Tavares 1038. União Brasileira Trovadores 1039. Urda Alice Klueger 1040. Vagner Xavier 1041. Val Beauchamp 1042. Valdeck de Almeida Jesus 1043. Valentina 1044. Valéria Nogueira Eik 1045. Valéria R. Florenzano 1046. Valmir Jordão 1047. Valnice Costa 1048. Valquíria Gesqui Malagoli 1049. Valquíria Imperiano 1050. Valter Bitencourt Júnior 1051. Vanda L. da Costa Salles 1052. Vanessa Clasen 1053. Vanessa Laís Roberti 1054. Vânia Lopez 1055. Vanyr Carlla 1056. Varenka de Fátima Araújo 1057. Vavá Ribeiro 1058. Vera Lúcia Erthal 1059. Vera Lúcia da Fonseca 1060. Vera Lúcia Passos 1061. Vera Ribeiro 1062. Vera Salbego 1063. Vera de Souza Oliveira 1064. Verônica dos Santos Silva 1065. Vicência Maria F. Jaguaribe 1066. Vicente de Pércia 1067. Victor Manoel G. Vilena 1068. Victoria Adum 1069. Vinicious Leal M. da Silva 1070. Vitor Deischmann 1071. Vitório Pereira dos Santos 1072. Vitório Pereira da Silva 1073. Vivaldo Terres 1074. Vivi Viana 1075. Vivian Moraes Bragagnolo 1076. Viviane Lucena 1077. Viviane Schiller Balau 1078. Vladimir Inokov 1079. Vó Fia (Maria A. Felicori) 1080. Volpone de Souza 1081. Vovó Gildete 1082. W. J. Solha 1083. Wadad Naief Kattar 1084. Waldo Luís Viana 1085. Walnélia Corrêa Pederneiras 1086. Wanderlei Francisco 1087. Weber Rocha Regis

1088. 1089. 1090. 1091. 1092. 1093. 1094. 1095. 1096. 1097. 1098. 1099. 1100. 1101. 1102.

Welington Mariano da Silva Wenceslau Gonçalves Weslley Almeida Wilian Lando Czeikoski Wilson Caritta Wilson de Oliveira Jasa Wilton Porto Yanni Mara Tugores Tajada Yara Darin (Sun) Ynah de S. Nascimento Zaura Leyne Zélia Guardiano Zezé Barcelos Zia Stuhaug Zuleide de Jesus Coral

A estes todos juntaram-se ainda os participantes das 6 antologias e das 4 edições do Salão Internacional do Livro e da Imprensa de Genebra onde mais de 60 autores estiveram presentes durante 4 anos de participação. Obrigada José Alberto, obrigada a todos. Não esqueço cada um de vocês!

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“Quebrem as correntes dos seus pensamentos e quebrarão as correntes do corpo.” “Tem alguma ideia de por quantas vidas tivemos que passar até chegarmos a ter a primeira intuição de que há na vida algo mais do que comer, ou lutar, ou ter uma posição importante dentro do bando?” Richard Bach (in Fernando Capelo Gaivota - Título original Jonathan Livingston Seagull)


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VEIA magazine. Junho de 2017. Edição 0. Caderno Literário - Genebra - Suíça.

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