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Editorial: Esta é a terceira edição do zine “Letra Estranha”. Sem mais. *** EU SOU INDECENTE! Mantenha o pudor e o "bom comportamento". – Não fale palavrões! – Não use roupa curta! – Não perca a castidade! – Seja pura! Querem que eu seja uma moça decente. Acontece que eu prefiro ser indecente! A "decência" hipócrita dessa sociedade só serviu para transformar nosso mundo no caos que é hoje. Dispenso-a. "Bons costumes" é um termo que precisa ser repensado, pessoalmente eu já o repensei e o superei. O que é um bom costume heim? É esse pudor machista imposto historicamente pela religião e reafirmado na sociedade? Não vejo sentido logicamente aceitável. Aliás vejo, é mais da falsa moralidade religiosa e machista que acha que tem o direito de castrar minha liberdade. Devo declinar do convite, mas não sinto muito. Eu já me emancipei e galguei minhas ideias a outro nível de consciência acima desse falso puritanismo. Eu sou sem vergonha, sem vergonha de ser o que eu quiser ser. O que eu não sou é sem caráter, e muito menos, sem senso crítico. Essa "vergonha" que tanto se cobra nunca serviram nem para tanto a defende. Minha "honra" transcende esses conceitos vazios. Que não me digam que boca suja está em "como se fala", pois está sim em "o que se comunica", sujeira é a merda, o lixo que vive saindo de "certas" bocas. Não quero ser decente. Quero ser ética, justa, solidária com os animais e com as outras pessoas, quero ter limpa a consciência. No mais, "tô mandando se arrombar" [para variar, já que 'se foder' eu já mando demais]. Jacilene Silva. ***

"Ignorância e preconceito são irmãos siameses. Informe-se, liberte-se!" Jacilene Silva ***


UM MURO ME FALOU...

bem assim. Até concordo que a hospitalidade do povo brasileiro, em regra, se mostra das melhores, quando se trata de estrangeiros europeus ou norteamericanos. Tem gente que tem como se xenofobia fosse um mal que afeta principalmente americanos babacas do partido republicano e nós estivéssemos imunes a isso, então podemos meter o pau nesse tipo de FDP? Parece que não. Acontece que é fácil ser hospitaleiro com gente que sai dos seus ricos a belos países para dar o ar de sua graça por aqui. O que eu não vejo, mas não vejo mesmo, é essa mesma hospitalidade, receptividade calorosa, com imigrantes de outros países que, como o nosso, não são ricos, que vêm ao Brasil com o sonho de melhorar de vida encontrando oportunidades em nosso país.

Local: Av. Conde da Boa Vista, Recife/PE. Créditos fotográficos: Poesia Muda Fotografias.

É assim, "um super abraço e boas vindas para o cara que veio da Suíça" e "e um sai pra lá para o cara de veio, por exemplo, da Colômbia". Imigrantes da Colômbia, Venezuela, Bolívia, Somália, Etiópia e outros países não ricos, sofrem duramente com a xenofobia por parte de muitos dos "receptivos" brasileiros. Brasileiro é xenofóbico entre si, é fato histórico ainda arraigado na cultura do Brasil – e uma vergonha – a tal "briga entre as regiões", onde quem se acha em lugar "mais privilegiado" quer expulsar quem migra de um suposto lugar "menos privilegiado". Quer dizer, brasileiro não é receptivo nem hospitaleiro entre si, que dirá com os de fora.

*** ENQUANTO ISSO NAS ENTOCAS DO PODER OPÚBLICO DO RECIFE... No mês de junho, Recife ganhou sua própria versão do fundamentalista religioso Marco Feliciano, pois a missionária Michele Collins, que já se posicionou contra os cartórios do Brasil celebrarem casamento civil entre pessoas do mesmo sexo e defendeu a submissão da mulher, assumiu Comissão de Direitos Humanos da Câmara do Recife.

Foi um comentário estupidamente xenofóbico que acabei escutando pelos corredores de um dos centros da UFPE que me deixou indignada com essa situação. Não vou fazer aqui um texto descendo o cacete em gente xenofóbica – não dessa vez – mas questiono e duvido muito que exista mesmo o tal "brasileiro hospitaleiro", pois é fácil ser um bom anfitrião com quem você, de alguma forma, considera "em melhor situação do que você", quero ver é ser tão bom assim com quem você acredita estar "precisando de sua ajuda".

"Posso sair daqui para me organizar. Posso sair daqui para desorganizar... Que eu me organizando posso desorganizar." (Da Lama ao Caos)

Jacilene Silva. ► Curta: facebook.com/LetraEstranha

*** ► Blogs: O MITO DO BRASILEIRO HOSPITALEIRO A "fama" que ouvimos no que diz respeito ao Brasil é "O Brasil é um país de pessoas receptivas com estrangeiros, calorosas, hospitaleiras". Não sei se é

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Letra estranha zine III ed  

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