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JORNAL DA APRS Nº 12 | Outubro de 2020

Aprs Viva

Durante a Pandemia

Média de

43 atividades

5 cursos 32 webinars 4 rodas de conversa 1 simpósio 1 workshop

7.822 inscrições 72 dias de atividades

12 atividades por mês

71 novos Associados 4.500 seguidores no Instagram 7.000 curtidas no Facebook


Expediente do Jornal – JA

JORNAL DA APRS

Esta é uma publicação da Associação de Psiquiatria do Rio Grande do Sul Av. Ipiranga, 5311/ 202 CEP 90610-001 | Porto Alegre | RS | Brasil Telefones (51) 3024.4846 | 98193.7387 www.aprs.org.br – aprs@aprs.org.br facebook – aprs.psiquiatria

DIRETORIA Gestão 2019/2021 PRESIDENTE

Flávio Shansis VICE-PRESIDENTE

Fernando Mulhemberg Schneider DIRETORA CIENTÍFICA

Andrea Poyastro Pinheiro DIRETOR CIENTÍFICO ADJUNTO

Lucio Cardon

DIRETOR FINANCEIRO

Lucas Spanemberg DIRETOR DE DIVULGAÇÃO

Rafael Mondrzak

DIRETORA DE EXERCÍCIO PROFISSIONAL

Berenice Rheinheimer DIRETORA DE NORMAS

Andréia Sandri

CONSELHO FISCAL – TITULARES

Fernando Lejderman Laís Knijnik Lizete Pessini Pezzi

CONSELHO FISCAL – SUPLENTES

Alba Tereza do Prado Prolla Ana Lucia Duarte Baron Tiago Crestana CONSELHO EDITORIAL DO JORNAL 12ª edição | Outubro 2020 EDITOR

Fabio Brodacz CORPO EDITORIAL

Júlia Goi Pedro Victor Santos DIRETOR DE DIVULGAÇÃO

Rafael Mondrzak

PROJETO GRÁFICO E EDITORAÇÃO

Marta Castilhos

SECRETARIA DA APRS Coordenadora administrativo-financeira

Ana Paula Sarmento Cruz administrativo@aprs.org.br Secretária sênior

Sandra Maria Schmaedecke – RP 1464 aprs@aprs.org.br Auxiliar de Secretariado

Nataniele Oliveira do Nascimento atendimento@aprs.org.br Os artigos assinados são de inteira responsabilidade dos signatários e não representam necessariamente a opinião institucional.

EDITORIAL

Fabio Brodacz* Elias Canetti dizia que quem de fato soubesse o que liga os seres humanos entre si poderia salvá-los da morte. Em um ano em que ela chegou tão próximo de nós, essa edição dedica-se a mostrar o que há de mais pulsante em nossa instituição. Perdemos três queridos colegas e amigos na psiquiatria gaúcha. O que poderia ser mais vivo e perene se não chamar a falar os que tão próximo estiveram deles? Se não fosse por textos, talvez fosse uma conversa informal, em que estaríamos nós ao redor da Laís Knijnik, da Norma Escosteguy, do Cláudio Eizirik e do Ruggero Levy pedindo: nos contem e nos lembrem quem foram Ieda Portella, Rogério Aguiar e Romualdo Romanovsky. Precisamos muito saber e lembrar deles porque necessitamos seguir vivos. A APRS demanda muito de tudo o que de melhor nos deixaram nossos amigos e que vamos acessar (por enquanto) por meio dessas três belas homenagens. É assim que a Associação segue semeando vida e colhendo vivências, como certamente gostariam muito de testemunhar a Ieda, o Rogério e o Romualdo: em seis meses de isolamento social, tivemos 7.822 inscrições, entre sócios e não sócios, para os diversos encontros virtuais oferecidos pela APRS, inicialmente pelo Instagram e depois pela plataforma Zoom. De 25 de março a 18 de setembro, foram 32 atividades de departamentos, núcleos e diretoria, cinco cursos, quatro rodas de conversa, um simpósio e um workshop. A média mensal superou 1300 inscrições. São quarenta e três pessoas inscrevendo-se a cada dia (ou uma a cada 35 minutos) para alguma das atividades que a diretoria científica e seus departamentos replanejaram ou criaram especialmente para os tempos virtuais. Devido à pandemia, o JA unificou as duas edições de 2020 em uma única versão on-line, que contempla tudo o que foi realizado pela nossa APRS durante esse ano até o presente momento. Podemos acompanhar uma síntese desses momentos, em relatos da diretoria e dos funcionários. A ideia que propusemos foi: o que foi necessário fazer para manter viva a instituição? Também podemos encontrar boas matérias a partir dos eixos temáticos que já encontrávamos nas edições anteriores, com o trabalho musical de Vauto Mendes em Psiquiatras fazendo Arte; a seção Psiquiatria Preventiva, que elegeu a atividade física como tema trazendo o texto de Felipe Scuch; e a atualização com alguns breves drops de artigos e um em destaque especial, comentado por Anna Martha Fontanari em Drops Vitaminado. O Atendimento Solidário, importante ação social gestada pela SPPA em parceria com a APRS, e que ganhou adesão de diversas instituições, tem seu histórico e desenvolvimento contado por José Carlos Calich. E essa edição ainda abre um novo espaço: em Coração de Estudante, teremos a cada número do jornal um universitário nos trazendo alguma livre reflexão. Marcelo Zimerman Bizzi, estudante do oitavo semestre de medicina da PUC, inaugura o espaço com um alerta sobre os perigos da difusão de terapias express. Esse canal de ligação da APRS com seu associado abraça a dupla missão de manter-se vivo e de revelar a vida que pulsa nesse 2020 desafiador para todos nós. Fiquemos todos bem! *Editor


A APRS E A PANDEMIA

APRS Viva

Q

Flávio Milman Shansis

uem diria que, quando assumimos a atual gestão da APRS (2019-2021), iríamos nos defrontar, no meio do nosso mandato, com a maior pandemia desde a Gripe Espanhola. Quando as notícias surgiram sobre a COVID-19 em janeiro desse ano, todos ainda estávamos incertos sobre como chegaria a nova doença em nosso país. E assim, passamos o verão. Já havíamos planejado e lançado a arte da Aula Inaugural de 2020 que seria realizada pelo nosso sócio, Professor Giovanni Salum da UFRGS. A partir de meados de março, tivemos que suspender a Aula Inaugural pois os fatos se aceleraram. Quando percebemos, ao final do próprio mês de março, muitos de nós já estávamos em nossas casas, trabalhando de forma remota e cumprindo o distanciamento físico e o isolamento social. A procura por máscaras, álcool em gel, a leitura de notícias preocupantes, o fechamento de espaços públicos e, aos poucos, a paralização de uma série de atividades, fez com que a vida de todos nós mudasse por completo. Um cenário de filme passava a fazer parte da nossa realidade cotidiana.

ritmo de atividades científicas que tanto tem caracterizado a APRS nesses últimos anos. Foi, nesse momento, que se tomou a decisão de virtualizar por completo a APRS. Essa virtualização fez a APRS renascer. Estávamos de novo juntos e ao lado dos nossos sócios, ainda que de forma remota. Erramos, acertamos e aprendemos a manejar, nesse “novo normal”, uma Entidade associativa pujante. Voltamos a realizar – e até aumentamos – todas as nossas atividades científicas tradicionais, criamos lives e webinares e nos voltamos, através do APRS Voluntariado, a ajudar os que mais necessitam nesse momento. Nos preocupamos com a difícil realidade financeira que atingiu a todos nós – em última análise, prestadores de serviço – e decidimos, mesmo com o inevitável prejuízo que isso acarretaria, reduzir a mensalidade dos sócios durante quase todo este ano. Mas, e acima de qualquer decisão, o que nos motivou foi transmitir uma mensagem clara aos nossos associados: a vida está difícil, o mundo bastante incerto, mas nossa APRS segue viva. Temos certeza de que a nossa missão de transmitir estabilidade e continuidade foi cumprida.

Nós da Diretoria da APRS – imersos nesse novo momento planetário – e ainda buscando entender o que passava, submergimos em um certo congelamento. A nova e dura realidade nos paralisou. Havíamos planejado uma série de atividades presenciais para todo o primeiro semestre, como cursos, mesas redondas, workshops e palestras, e iniciávamos a falar do Congresso Gaúcho de Psiquiatria em Bento Gonçalves para 2021. A primeira atitude, e que não titubeamos, foi a de participar ativamente, através do chamamento para nossos sócios se voluntariarem, do “Atendimento Solidário em Saúde Mental no RS”, ao lado de várias entidades da área psi de nosso estado. A resposta dos sócios foi imediata. Ainda assim, a sensação era de uma importante estranheza. Precisávamos cada um de nós – em nossos consultórios e ambulatórios agora virtuais, em nossos hospitais com todos os EPFs, em nossos lares – nos adaptarmos a tantas e tamanhas mudanças. Só então, passado um tempo, que durou cerca de um mês, a Diretoria da APRS conseguiu realizar a sua primeira reunião para pensar em como agiria a partir daquele momento.

O resultado foi fenomenal. Nas páginas do nosso JA cada sócio poderá ver o crescimento em quantidade e qualidade de nossas atividades científicas ao longo desse 2020. Poderá, ainda, observar que houve crescimento no número de sócios e que, apesar das perdas financeiras decididas pela Diretoria, nossas contas seguem saudáveis. Terminaremos esse terrível ano de 2020 maiores e melhores do que começamos. E só existe uma resposta para justificar esse fato: a confiança que os sócios depositam continuadamente em nossa instituição. Somos uma Associação Científica séria, com uma Revista indexada no Web of Science, uma Federada direta da World Psychiatric Association (WPA), com mais de mil sócios em um estado com cerca de 1300 psiquiatras, que realiza entre três a quatro atividades científicas semanais e que está financeiramente saudável. Isso já não seria pouco em tempos normais. Seguir crescendo, mantendo sua tradição científica em um ritmo acelerado, ao lado dos sócios compreendendo as dificuldades atuais, preocupada com grupos vulneráveis, participando de ações solidárias, se tornando virtualizada e conquistando, por isso, visibilidade nacional e internacional, em pleno ano dessa aterrorizante pandemia, é muito. Somos muitos. A APRS está mais viva do que nunca.

Foi, então, que a crise nos transformou. A partir de um emocionante espírito de equipe, Diretoria e funcionárias fizeram um “pacto” de retomar com toda a energia o

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UM ANO DIFERENTE, VARIOS DESAFIOS

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vice presidência, na configuração atual da diretoria, agrega a função que anteriormente era exercida pela diretoria administrativa. Isto implica em acompanhar o trabalho da secretaria, seus processos e dificuldades, no intuito de buscar soluções para problemas que eventualmente ocorram. A combinação que fizemos no inicio da gestão foi a de realizarmos reuniões periódicas, com frequência mensal a princípio, para conversarmos sobre o andamento dos trabalhos, e adiantarmos algumas pautas que poderiam ser resolvidas fora das reuniões de diretoria, bem como direcionar a algum dos diretores ou à diretoria como um todo os tópicos que necessitavam maior atenção. De uma forma geral, a secretaria vinha funcionando em “voo de cruzeiro” até o início da pandemia, quando várias modificações se impuseram às rotinas do trabalho. O fechamento da AMRIGS obrigou nossas secretárias a partir para home office, com todas dificuldades de adaptação envolvidas: equipamentos diferentes, arquivos disponíveis apenas na nossa sede, além da natural apreensão de todas com sua saúde e de familiares. À medida que foram desenvolvidas as alternativas tecnológicas para a retomada das atividades científicas a pleno vapor, houve um novo desafio, de capacitação para uso das ferramentas e aumento das atribuições envolvidas. Nossas reuniões passaram a virtuais também, e lentamente buscamos a otimização dos trabalhos, redistribuindo as responsabilidades. Aos poucos, e enquanto não retomamos a “normalidade” de nosso funcionamento, percebemos a retomada da estabilidade no funcionamento da secretaria – grupo fundamental para a nossa associação.

Fernando Mulhemberg Schneider VICE-PRESIDENTE

DESAFIOS DA DIRETORIA FINANCEIRA DA APRS EM TEMPOS DE PANDEMIA

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erenciar e tomar decisões sobre uma área sensível à vida de todos, como a financeira, costuma não ser tarefa fácil. Ela torna-se mais desafiadora quando as decisões dizem respeito a uma coletividade e quando a mesma depara-se com um cenário tão complexo como no contexto da pandemia da COVID-19. Além das óbvias consequências sobre a saúde, estamos vivendo a maior crise econômica global das últimas décadas. Esse é o cenário em que a Diretoria financeira da APRS está trabalhando, com decisões que demandam um equilíbrio entre considerar a repercussões da vida financeira dos associados e manter sustentável a nossa entidade. Dessa forma, juntamente com a secretaria e a Diretoria da APRS, decidimos que seria fundamental um reestudo das finanças e uma adequação à realidade. A primeira ação foi relativa a proposição de um desconto excepcional de 25% nas mensalidades de todos os associados, implementado nas cobranças a partir de junho de 2020. Contudo, a estrutura e as ações da APRS não são viáveis apenas com as contribuições dos associações e ficam mais deficitárias com um desconto como este. Isso fez com que esta diretoria propusesse investimentos e direcionamento de esforços para que compensássemos as ações suspensas (cursos, eventos e encontros) por meio de uma transformação digital. Assim, a APRS contratou a plataforma Zoom, viabilizando um dos períodos mais produtivos em termos de eventos e cursos que nossa APRS já teve, com aumento substancial nas receitas. Seguimos lendo a realidade e nos adaptando a ela, e os próximos passos serão a revisão do valor das mensalidades, possivelmente situando elas num patamar de alguns anos atrás. Várias outras ações, como a ampliação do número de associados, o aumento de escala de participantes dos eventos online e a nacionalização e internacionalização de nosso protagonismo, irão possibilitar uma inédita redução do valor médio das mensalidades em relação aos valores do início de 2020. A Diretoria financeira da APRS cumpre assim seu papel de manter a entidade sustentável, estruturada, com capacidade de investimento, sem perder o olhar na realidade financeira dos associados e no equilíbrio entre estas dimensões.

Lucas Spanemberg DIRETOR TESOUREIRO


UM ANO MUITO DIFERENTE

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ogo na retomada das atividades de 2020, uma espécie de onda gigante envolveu a todos nós, nossas famílias, amigos, pacientes, colegas. Telefonemas, trocas de mensagens, expectativas e mudanças de planos em poucos minutos, tudo foi acontencendo de forma vertiginosa, decisões que precisavam ser tomadas e o cancelamento das atividades científicas iniciais. O risco de nos paralisarmos estava `a espreita. Como reorganizaríamos nossa agenda de atividades científicas, espinha dorsal desta associação, durante a pandemia? De forma um tanto intuitiva e, na onda dos acontencimentos, migramos para as lives no instagram, tentando digerir (metáfora bioniana) o momento, realizar trocas, compartilhar experiências. O que todos estavam fazendo? Como se sentiam? De que forma passaram a atender seus pacientes e quais dificuldades estavam enfrentando? O que estava acontecendo no mundo pandêmico? E a nossa angústia de morte, o que fazer com ela? As lives no instagram foram uma espécie de via catártica, pois permitiam a troca e interação em tempo real. Optamos também por fazê-las abertas `a comunidade, para nos integrarmos ainda mais com todos. E o número de participante nos mostrou que estávamos na direção certa. A cada semana, pensávamos o que abordar: Os Psiquiatras Frente a Covid – cuidando de si e seus pacientes; Sou Residente nestes Tempos de Pandemia, A Saúde Mental dos Profissionais da Linha de Frente, O Contágio Emocional da Covid 19, O mundo em tempo de pandemia sob a Ótica da Psicanálise, O Inimigo Morando em Casa: A Violência Doméstica, Quando o virus é o vilão: as crianças, seu mundo e a pandemia, Pandemia: Que Droga é Essa?; Ler, Escrever e Elaborar: Literatura e Saúde Mental na Pandemia, Telepsiquiatria: Uma Mudança de Paradigma no Cuidado em Saúde Mental, Espiritualidade e Psiquismo: Nossos Recursos em Tempos Difíceis; enfim, inúmeros temas com uma profícua troca entre todos. Improvável poder descrever aqui a imensa disponibilidade e o desejo de todos os associados em contribuir nestas atividades. Como diretora científica, sinto um enorme prazer no contato com os colegas e na sempre afetuosa acolhida que recebo quando propomos uma ideia e trabalhamos para transformá-la em um evento científico. E a ótima notícia veio no final de maio, quando a diretoria da APRS, sempre atenta ao momento desafiador, adquiriu a assinatura da platforma zoom. Agora poderíamos retomar nossa agenda científica planejada desde o final de 2019. Seguimos com as atividades e abordamos a Pandemia Financeira: O impacto das perdas em cada um de nós, Filosofia e Saúde Mental em Tempos de Sofrimento e Luto, Vidas Negras Importam? Diálogos sobre o Racismo Cotidiano.

ajustado ao novo formato, mantivemos as atividades abertas – Meu Coração Bate Feliz: Música e Emoção em Tempos de Pandemia, e criamos a Roda de Conversa para falar de filmes, música, literatura e arte. A psiquiatria é uma ciência que conversa com tantas outras e sempre procuramos, nestas atividades, convidar pessoas de diversas áreas para que nosso debate se enriquecesse, pois precisamos nos mantermos atentos à tendência das instituições a uma certa endogamia. Debatemos o filme Destacamento Blood, a literatura de Amos Oz e a importância da arte em nossas vidas e mentes. Meu entusiamo é tanto que me custa muito não poder citar todas as demais atividades científicas que já realizamos até aqui, cursos, debates, encontros, simpósios, parceria com o CELG em dois momentos, a interdisciplinaridade com as demais áreas humanas e científicas. Nossa agenda está repleta e com qualidade. Ser a atual diretora científica APRS entrou por meus poros, de forma visceral, não há como não viver intensamente cada minuto desta tarefa que levo tão a sério. Prosseguimos trabalhando com muita dedicação. Planejamos mais. As ideias brotam espontaneamente e queremos colocar todas em prática dentro do possível. Estamos organizando as demais atividades deste semestre e pensamos os projetos para 2021, ainda com um Congresso a organizar, já oficialmente agendado para ….em Bento Gonçalves. Estranho os dias em que me dou conta que não falei com o Flávio, começo a achar que está faltando algo, como assim, nada hoje?? E agora, com alegria, o Lúcio Cardon veio somar em nossos esforços como diretor científico adjunto. Como dizem os americanos: The more the merrier! Viver a APRS em 2020 tem sido contagiante, esse contágio é do bem e muito me enriquece. Estamos em plena pandemia científica! Esta foi a transformação que conseguimos realizar, em equipe, com toda diretoria, convivência fraterna com nossas funcionárias e nossos mui queridos e estimados sócios. Estamos gratos. O atual momento é de muita preocupação, de luto social, e de incertezas pelo que vamos enfrentar nos próximos tempos. Estar saudável em nossa vida associativa representa um oásis emocional neste momento traumático em que estamos vivendo. Que possamos seguir trilhando este caminho, com mentes em expansão e corações abertos, em união, cultivando a diversidade e pluralidade dentro de nós e da nossa APRS.

Andrea Poyastro Pinheiro DIRETORA CIENTÍFICA

Com nosso calendário científico a pleno vapor, após todos os núcleos e departamentos terem rapidamente se

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DESAFIO DE MANTER A APRS VIVA

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o final de 2019 tive a honra de ser convidado a assumir a diretoria financeira adjunta da APRS, com a finalidade de auxiliar na tesouraria e na obtenção de recursos para a associação. A APRS é uma entidade auto-suficiente e apresenta uma saúde financeira estável, graças a seus sócios. Em 2020, entretanto, fomos surpreendidos pela pandemia do COVID-19 e, com ela, surgiu a necessidade de não sobrecarregar financeiramente os sócios ao mesmo tempo em que se tentava manter esse equilíbrio financeiro. Em um momento tão difícil, pensamos que era função da associação abraçar os seus associados e, como uma mãe ou pai, não deixar nenhum filho desamparado. Encabeçado pelo diretor financeiro Lucas Spanemberg, entramos em um consenso para reduzir o valor das mensalidades, em uma tentativa de minimizar para os sócios os danos econômicos da pandemia. A consequente redução das receitas com as mensalidades foi compensada, entretanto, pela maior participação dos sócios nas diversas atividades propostas pela APRS. Parece que o desejo de aprender, de se reunir e de participar das atividades, mesmo que virtualmente, tomou conta da associação. Dentro deste contexto, a importância da agenda científica, sob liderança da incansável colega Andrea Poyastro, tornou-se ainda mais evidente. Com a agenda financeira estável e um aumento da demanda científica, recebi com prazer a tarefa de dar suporte a esta diretoria. Em assembleia extraordinária foi aprovada a substituição do cargo de diretor adjunto financeiro para o cargo de diretor científico adjunto no estatuto da APRS. Desde então, novas atividades e parcerias já vem sendo desenvolvidas, inclusive com a criação de um ciclo de palestras em conjunto com a AMRIGS. Com novo cargo, mas com a mesma vontade de ajudar, terei o desafio de manter ou até mesmo ampliar a extensa grade de eventos que a associação disponibiliza aos sócios. Em tempos de pandemia, desejamos proporcionar ainda mais conteúdo e união a todos.

Lucio Cardon DIRETOR ADJUNTO FINANCEIRO/CIENTÍFICO

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A DIGITALIZAÇÃO DA APRS

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ntre tantos desafios, o ano de 2020 nos digitalizou. Acelerou modernizações. Fez -se necessário estarmos amplamente conectados e mantermos nossas atividades funcionais sem o contato físico. Desde Março, foram incontáveis eventos, lives, webinars e atividades científicas de alto impacto que, com tanto carinho, acreditamos termos inundado a casa (o celular) de cada associado com conhecimento, lucidez e parceria. Essa é a função humana da divulgação: estarmos ligados a qualquer custo, atentos à ciência e sermos lembrados entre aqueles com quem dividimos semelhanças. Deixem espaço mental e digital para a APRS, pois em tempos de isolamento, daremos nosso melhor para estarmos com cada associado!

Rafael Mondrzak DIRETOR DE DIVULGAÇÃO


DIRETORIA DO EXERCÍCIO PROFISSIONAL

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este momento ímpar que estamos vivendo, a necessária adaptação que ocorreu em todos os setores da sociedade também se fez presente na APRS: lives, assembleias à distância, trabalho voluntário e atendimento solidário. São exemplos de atividades que passaram a ser realizadas nesta realidade da pandemia. Assim como em nossas vidas particulares, houve uma preocupação inicial de como seria esta adaptação na vida associativa? Qual o impacto no exercício profissional daqueles que a APRS representa? Como amparar o sócio neste momento em que o mundo virou de pernas pro ar? No nosso upside down particular, o susto inicial foi substituído por uma agradável surpresa. Foram 71 novas associações neste período, resultando na totalidade de 1037 sócios da APRS na data de hoje. No mundo pós pandemia foi possível descobrir outras maneiras de nos aproximarmos, ampliando a excelência de nosso estado e de nossos colegas para além do imaginado. Em nossas atividades científicas tivemos a participação de colegas e estudantes de fora de Porto Alegre, e até do país. Sócios que moram nos Estados Unidos, bem como os sócios do interior do RS, e ainda não sócios de países de língua portuguesa na África, puderam igualmente participar nossas atividades. Um perfeito exemplo das novas fronteiras que a APRS tem alcançado.

Berenice Rheinheimer DIRETORA DO EXERCÍCIO PROFISSIONAL

A DIRETORIA DE NORMAS E O ANO DE 2020

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esse ano, atípico e desafiador, toda a nossa Diretoria, toda a estrutura de APRS, precisou se reinventar, e na Diretoria de Normas isso não poderia ser diferente. Passado o impacto, o susto inicial com o inusitado que vinha tomando, literalmente, conta do mundo, a alternativa que encontramos foi nos adaptarmos aos novos tempos, que, mal sabíamos todos nós, se estenderiam como estamos vendo. Nesse período, foram realizadas duas Assembleias Gerais Extraordinárias, de forma virtual, em que, visando adequar nosso Estatuto à atual realidade da nossa Associação, foram discutidos critérios e categorias do nosso quadro associativo. No dia 29/06, data da primeira Assembleia, forma discutidos, principalmente, os critérios para os Associados chamados Residente e Cursista, e tudo que diz respeito a essa categoria. A segunda Assembleia do ano, realizada no dia 24/08, versou sobre a normatização da categoria dos Associados Correspondentes. Nesta ocasião, os associados presentes tomaram decisões importantíssimas para o futuro da APRS. Nesta Assembleia foi aprovada a possibilidade de que acadêmicos de Medicina, residentes de psiquiatria e psiquiatras de outros estados do Brasil e de outros países podem ser associados da APRS, desde que cumpram as normas estatutárias vigentes. Decisão essa que coloca nossa Associação no mapa das instituições abrangentes, inclusivas e democráticas. Um orgulho imenso ter feiro parte deste momento! Ainda sobre a Diretoria de Normas, também é importante, e extremamente gratificante, registrar a criação do Grupo de Voluntariado da APRS, que surgiu da constatação de que a nossa Associação, que tanto vem se desenvolvendo cientificamente, precisava cuidar desse aspecto importantíssimo da vida, que tanto bem faz à nossa saúde mental, porque, definitivamente, fazer o bem, faz bem! Ao nosso projeto, já se juntaram alguns parceiros (AGAFAPE, AVESOL, PONTO ONLINE E ROTARY), algumas ações já foram feitas: live com a AGAFAPE e campanha de ajuda ao CAPS do HCPA e parceria com a Pré Jornada Solidária do CELG, e outras tantas ainda virão.

Andréia Sandri DIRETORA DE NORMAS


Os bastidores da APRS Ana Paula, Marta, Nataniele e Sandra Desde o dia 18 de março deste ano, a secretria da Aprs está dividida. Cada uma trabalhando de sua casa e desde então se adaptando a estes novos tempos. O que no principio parecia ser um grande problema acabou se tornando um desafio que conseguimos enfrentar com muito êxito. Os primeiros dias foram os mais difíceis, ter que se adaptar e adaptar nossas casas para está nova realidade trouxe alguns problemas e improvisos. Nossas atividades continuam as mesmas, e o fato de não estarmos mais na mesma sala e não termos toda a estrutura da Aprs em um mesmo lugar criou algumas dificuldades, mas nada que não se consiga contornar. E conseguimos! Criamos vários grupos de WhatsApp, cada um para um assunto diferente e assim podemos ficar sempre conectadas. Essa pandemia, e consequentemente o posicionamento da APRS trouxe uma visibilidade para nossa instituição além das fronteiras do nosso Estado e podemos dizer que do país também. Muitas pessoas que não tinham conhecimento da APRS tem entrado em contato para se associar e isso nos deixa muito felizes. O alcance e a quantidade das atividades ficou infinitamente maior, e consequentemente nosso trabalho também se expandiu. Se antes tínhamos nosso horário, das 14 as 22 de segunda a quinta e das 14 às 20 na sexta, bem definidos, agora isso já não é mais realidade. O trabalho da divulgação também aumentou muito, com essa quantidade de atividades, temos que estar sempre atualizando nossas redes sociais. A procura por elas também cresceu, em março tínhamos menos de 1.000 seguidores no Instagram e hoje temos 4.498. O interesse pelo FacebooK também aumentou, 6.809 pessoas já curtiram nossa página. Todo esse esforço valeu muito a pena, estamos vendo um crescimento muito grande na procura e no interesse pela APRS. E isso superou as dificuldades iniciais. Hoje estamos adaptadas e conseguimos implementar um fluxo de trabalho que dê conta da nova realidade.


Maior evento de Ligas de Psiquiatria já realizado no Brasil reúne 2.420 inscritos Alessandra Tomazeli

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I Simpósio Interligas de Psiquiatria do Rio Grande do Sul, ocorrido de forma online nos dias 11, 12 e 13 de Agosto de 2020, foi um evento promovido pelo Núcleo Acadêmico da APRS em parceria com 18 ligas de psiquiatria do estado. Com um público de aproximadamente 2500 pessoas, o Simpósio contou com a presença de estudantes de diversos cursos – entre eles: Medicina, Psicologia, Fisioterapia, Ciências Sociais, Enfermagem, entre outros – e com inúmeros profissionais da saúde. Todos os dias, o evento iniciou às 19 horas e terminou por volta das 22 horas, tendo um total de 10 horas de duração. As palestras conquistaram o público com a abordagem de inúmeros temas dentro da área da Psiquiatria: a primeira palestra, no dia 11, teve como assunto “Razões para escolher a psiquiatria como especialidade médica e Transtornos do Humor”, a qual foi ministrada pelo Presidente da APRS, Dr. Flávio Shansis; em seguida, no mesmo dia, o Dr. Luis Souza Motta trouxe à luz do debate o assunto “Síndromes cerebrais orgânicas com manifestações psiquiátricas agudas em um setting de emergência”, e o responsável por conduzir o debate foi o acadêmico Vicente Hauli; abrindo o segundo dia de evento, o Dr. Ives Passos Cavalcante trouxe o tema “Novas tecnologias na abordagem dos transtornos psiquiátricos: inteligência artificial e plataformas digitais”, acompanhado de debate conduzido pelo acadêmico Augusto Muller Fiedler; seguido pela Dra. Carolina Blaya Dreher, a qual fechou a noite abordando a “Terapia cognitivo-comportamental para os transtornos de ansiedade”, juntamente com a presença da estudante Carolina Navajas; por fim, no terceiro e último dia, o Dr. Vitor Crestani Calegaro trouxe para o evento um tema bastante relevante: “Resiliência em desastres: o que aprendemos com o incêndio da Boate Kiss”; e para completar esse time de grande prestígio, a Dra. Lisieux Telles ministrou uma aula sobre “Psiquiatria forense: uma visão ampliada do assunto”, ambos conduzidos

pela acadêmica Alessandra Tomazeli. A transmissão do evento foi feita através do canal APRS Psiquiatria no YouTube e, atualmente, já conta com quase 4 mil visualizações, tendo em vista que as aulas ficaram disponíveis na plataforma para quem tiver interesse em assistir. O sucesso do evento se deve, em grande parte, à dedicação e ao empenho dos acadêmicos para que tudo saísse de acordo com o planejado. Foram reunidos aproximadamente 40 estudantes de Medicina de todo o estado para a equipe de organização, sendo esta disposta entre as 18 ligas acadêmicas seguintes: LISAM-HCPF (UFFS, IMED E UPF), LAPSIQUE-UPF, LIPSAM (UFGRS/UFCSPA), LAPSIQ (FURG), LACASMN (UNIPAMPA), LACERM (UNISINOS), LAPS (UCS), LAP (UNISC), LAPSI (UNIVATES), LAPSIQUE (UFN), LIGA DE PSIQUIATRIA (ULBRA), LAPSI (UCPEL), LANPS (IMED), LASMEPI (URI), LIGA DO CÉREBRO (PUCRS), LACEM (FEEVALE), LAPSIQ (UFSM). O sucesso do evento também foi garantido pelo público: todos os estados do Brasil se fizeram presentes, em maior ou menor quantidade, sendo o Rio Grande do Sul (conforme esperado) o ganhador em audiência. Os responsáveis pelo evento foram os integrantes do Núcleo Acadêmico da APRS, Vicente Hauli (UPF – cargo: Coordenador) e Alessandra Tomazeli (UFFS/PF – cargo: vice-coordenadora), os quais contaram com todo o apoio técnico da APRS e com o auxílio de outros acadêmicos integrantes das ligas supracitadas. Conforme uma pesquisa de satisfação realizada após o evento, o público elogiou de forma exponencial o I Simpósio Interligas de Psiquiatria e 99,3% dos participantes responderam que participariam de novas atividades promovidas pelo Núcleo Acadêmico. Tendo em vista estes dados, pretende-se continuar desenvolvendo atividades em conjunto com as ligas e conquistar cada vez mais acadêmicos para a área da Psiquiatria, mantendo sempre o padrão de qualidade tradicional demonstrado pela Associação de Psiquiatria do Rio Grande do Sul. 9


109 inscritos

179 inscritos

72 dias de atividades 350 inscritos

129 inscritos

179 inscritos

109 126 inscritos

49 inscritos

159 inscritos

242 inscritos

105 inscritos

195 inscritos

195 inscritos

195 inscritos

127 inscritos

184 inscritos

125 inscritos

43 inscritos

35 inscritos

195 inscritos

145 inscritos

2420 inscritos

67 inscritos

67 inscritos

180 inscritos

155 inscritos

127 inscritos

52 inscritos

64 inscritos

159 inscritos

67 inscritos

108 inscritos

69 inscritos


143 inscritos

421 inscritos

75 inscritos

195 inscritos

142 inscritos

113 inscritos

132 inscritos

157 inscritos

46 inscritos

127 inscritos

Webinar Zoom/APRS

24/06 Quarta-feira / 21h

ZOOM

INSCREVA-SE

Edu Martins foto: Nilton Santolin

Meu coração bate feliz quando te ouve:

AGORA NO

música e emoção nos tempos de pandemia 2019 2020 2021

Músico

Músico, contrabaixista, compositor, arranjador e produtor musical.

Fernando Cordella Músico

Coordenação

Diretor artístico e maestro titular da Sociedade Bach Porto Alegre e da Orquestra Sinfônica de Carazinho.

Raul Hartke Psiquiatra

Médico, psiquiatra, Associado efetivo da Associação de Psiquiatria do Rio Grande do Sul, psicanalista, membro efetivo e analista didata da Sociedade Psicanalítica de Porto Alegre.

Inscreva-se antecipadamente para assistir:

https://zoom.us/webinar/register/WN_FpF03-JzQwyv0IX8A2BIjw

Após a inscrição, você receberá um e-mail de confirmação contendo informações sobre como entrar na reunião. / Atividade aberta e gratuita.

174 inscritos

127 inscritos

102 inscritos

195 inscritos

52 inscritos

67 inscritos

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7.822 inscrições


Atendimento Solidário

em Saúde Mental para o RS: Covid-19

E

Dr. José Calich

m meados de março, quando iniciaram os primeiros casos da pandemia do COVID-19 no Brasil, surgiram as recomendações de isolamento social e interrupção dos serviços não essenciais no país. A par da situação, que ocorria em diferentes países da Europa e nos Estados Unidos, naquele momento trágica, conjecturamos, na Diretoria da SPPA, a respeito das diversas situações de vulnerabilidade a que estaríamos todos expostos. Exposição ao desconhecido ameaçador; incerteza quanto ao futuro; medo do contágio; solidão dos que estavam isolados individualmente, principalmente aqueles que estavam contagiados, hospitalizados e solitários, com a angústia de perder a vida e as várias angústias a que estariam submetidos os profissionais de saúde da “linha de frente”. A partir destas reflexões, imaginamos que tipo de auxílio poderíamos dar a essas pessoas e que tipo de recursos utilizaríamos. Durante essa reflexão ocorreu-nos convidar outras instituições psicanalíticas, psicoterápicas e psiquiátricas para fazer frente a todas essas problemáticas que se antecipavam. Convidamos a SBPdePA, a APRS, a ABRP, o IEPP, o CEAPIA, o ITIPOA, o ESIPP, o Depto de Psiquiatria da UFRGS e da PUC (que se fizeram re12

presentar pelo CELG e pelo CENESPI, respectivamente), o CEPdePOA e a Clínica Horizontes, que prontamente aceitaram a proposta. Nascia então o Atendimento Solidário em Saúde Mental para o RS. Fizemos diversas reuniões para planejarmos o tipo de atendimento possível, seus objetivos, e suas limitações e antes de iniciarmos sua divulgação e início dos trabalhos, confeccionamos protocolos de atendimento que incluíam desde sua duração, técnica recomendada, número de atendimentos indicado, possibilidades de encaminhamentos de pessoas necessitadas para assistências mais prolongadas ou específicas e uma extensa bibliografia disponível aos colegas que receberiam aqueles inscritos no programa. Para preservar os colegas, sugerimos que os atendimentos fossem feitos por ligações telefônicas onde não se pode identificar a proveniência e obtivemos instruções de como realizá-lo. Combinamos que os atendimentos deveriam ser no mesmo dia das solicitações (exceto os finais de semana) e planejamos que haveria em cada instituição reuniões com os colegas voluntários para orientações e discussão de situações específicas. Conversamos com funcionários das instituições que centralizariam o recebimento das pessoas necessitadas. Desenvolvemos uma fi-


Conseguimos reunir, naquele momento, ao redor de 800 profissionais voluntários. Iniciamos a divulgação do programa utilizando a mídia social das instituições parceiras, entrevistas em rádio e televisão, matérias escritas para jornais da cidade. A procura iniciou contundente, 221 solicitações nos primeiros seis dias. As maiores causas de procura foram a angústia de estar confinado e o medo do futuro. Havia uma demanda de pessoas que queriam esclarecer dúvidas quanto ao isolamento e um grupo de pessoas com tratamentos psiquiátricos em andamento que viram no ‘pronto acolhimento’ uma solução para suas angústias e para a demora em conseguirem atendimentos. Fazíamos reuniões semanais e diversas conversas telefônicas para acertarmos detalhes do programa. À medida que fomos conhecendo melhor as solicitações estabelecemos quatro grupos prioritários, além da continuidade ao acolhimento ao público em geral: idosos, principalmente os isolados solitariamente, pacientes com diagnóstico de COVID (principalmente, os hospitalizados), grupos familiares com questões ligadas à pandemia com crianças e adolescentes e os profissionais da saúde envolvidos no atendimento direto de pessoas contaminadas. Com o passar do tempo, as solicitações de atendimento foram se reduzindo em função de vários fatores. A lenta ascensão da ‘curva’ em Porto Alegre, a eficiência dos serviços médicos locais, a grave retração da economia e a atitude de governantes estimulando o negacionismo reforçou a ilusão de que a doença não era grave e que não necessitava dos difíceis cuidados recomendados. Até o dia de hoje tivemos ao redor de 1.300 solicitações de atendimento, com muitas flutuações na intensidade da demanda. Levantamos a possibilidade que, ainda que nossa cultura local favoreça a receptividade a um acolhimento psicológico, a decisão de solicitar ajuda para algo que está sendo tão negado pode ser mais difícil e despertar mais resistências. A experiência tem sido enriquecedora sob vários vértices. Cabe destacar a integração entre as instituições em nome de um espírito solidário.

Entidades Participantes

cha de inscrição a ser preenchida online, para facilitar a obtenção de dados para o atendimento e como fonte de pesquisas subsequentes (que surgiram ao longo do programa).

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Associados da APRS:

Amigos que deixam Saudades “Dizem que antes de um rio entrar no mar, ele treme de medo. Olha para trás, para toda jornada que percorreu, para os cumes, as montanhas, para o longo caminho sinuoso que trilhou através de florestas e povoados e vê à sua frente um oceano tão vasto, que entrar nele nada mais é do que desaparecer para sempre. Mas não há outra maneira. O rio não pode voltar. Ninguém pode voltar. Voltar é impossível na existência. O rio precisa aceitar sua natureza e entrar no oceano. Somente ao entrar no oceano o medo irá se diluir, porque apenas então o rio saberá que não se trata de desaparecer no oceano, mas de se tornar o oceano.1” Khalil Gilbran 1 Mensagem enviada por Ieda aos amigos, em janeiro/2020

Ieda,

uma trajetória

Laís Knijnik*

Minha trajetória na APRS foi de muita participação, tanto em atividades como em diretorias. Conheci a colega Ieda quando a APRS ainda se chamava Sociedade de Psiquiatria. Não a encontrava nos eventos da Psiquiatria Infantil, mas sua presença, habitualmente discreta, se sobressaía na defesa de seus projetos. E foram alguns, trazidos para as diferentes Diretorias e imediatamente aprovados pela sua seriedade e organização já estruturada. Foi coordenadora do Departamento da Infância e Adolescência e, após, durante a gestão 2006-2007, ocupou cargo de Diretora Científica, a meu convite. Iniciou-se ali uma parceria muito eficiente e cheia de cumplicidade afetuosa. Manteve a agenda científica da gestão com muitas atividades diversificadas nos departamentos, com os Ciclos e com uma mini-Jornada dentro do Congresso Brasileiro de Psiquiatria que foi realizado com muito sucesso em Porto Alegre naquele período. A APRS ganhou consistência com a criatividade, disponibilidade e eficiência que caracterizavam a Ieda e sentirei falta de suas observações sagazes, lúcidas e sensatas. *Ex-Presidente da APRS, Membro titular do atual Conselho Fiscal da APRS.


Ieda Bischoff Portella Norma Utinguassu Escosteguy*

Quem conviveu

com a Psiquiatra Infantil Ieda Portella, não a esquecerá.

Sua integridade pessoal e profissional foi inconteste: rigorosa e sensível, responsável e empática, disciplinada e criativa: contradições que sempre a mantiveram atenta – e comprometida. Era parceira, tanto para discussões – políticas ou diagnósticas - quanto para a descoberta de belezas da natureza ou dos mistérios do Universo. Nossa querida Ieda “tornou-se oceano“ no alvorecer deste ano inimaginável (07.02.2020). Levou com ela sua “morte amiga”, como escreveu Thiago de Mello, que a acompanhava de poesia. E nos deixou com sua ausência. Nossa aproximação ocorreu com a minha surpresa (e admiração), nos anos 90, quando a ouvi descrever os princípios que nortearam a criação do CAAP – Centro de Atendimento Ambiento Psicopedagógico (Centro de cuidados especializados para o desenvolvimento da criança Eu vira, no exterior, muita coisa e muito trabalho, que me estimulara (até hoje!) ao estudo e ao entendimento; mas Ieda construíra, a partir de sua própria experiência, uma instituição de atendimento, em tudo semelhante à USIS (Unité des Soins Intensifs du Soir), criada por René Diatkine, no Centro Alfred Binet, onde eu havia estagiado, por 3 anos. Ieda havia somado sua vivência clínica, com Salvador Celia, e sua prática no Instituto Leo Kanner, formando uma equipe integrada, coesa e amiga, que se preparou, durante 3 anos para desenvolver as bases do trabalho que se realizou no CAAP, por cerca de 8 anos (até 1998). Desde então, acompanhei sua trajetória, da qual destaco a Coordenação do Departamento de Infância e Adolescência da APRS de 2001 a 2002, e a Presidência do CEAPIA, no período de 2004 a 2005. Em 30 de novembro de 2001, realizou, na Assembleia Legislativa, o Fórum sobre Direitos da Criança e do Adolescente, com o tema: O estatuto é para todos? A promoção conjunta da Associação de Psiquiatria do RS – APRS, com a Sociedade Psicanalítica de Porto Alegre – SPPA e o Ministério Público de Rio Grande do Sul – MP testemunha sua visão integradora. Deve-se destacar ainda a organização do Setor de Proteção do Ceapia: iniciado no Hospital Presidente Vargas, o embrião do Setor de Proteção transferiu-se para o Ceapia, onde Ieda conseguiu reunir um grupo de estudos qualificado, que incluía Justiça e Saúde. Trabalhou para mudar a lei de violência sexual – que deveria migrar de crime contra os costumes para crime contra a pessoa. Sua atividade profissional sempre se destacou pelo compromisso e seriedade de seus temas, enquanto seu contato pessoal nunca perdeu a simplicidade que a fazia lembrar, com um sorriso, da Restinga Seca de sua infância (“onde nasceu Iberê Camargo”). Nossa parceria fecundou uma bela amizade, que permanecerá como uma lembrança sempre renovada, de um encontro que não ocorreu só comigo: as pessoas que conviveram com a dra. Ieda (colegas, amigos, pacientes) puderam compartilhar sua qualidade humana. O legado de sua especial e “memorável” sensibilidade vale a pena de ser lembrado – pelos amigos, que conviveram com ela – e pelos que apenas saberão/lerão esta notícia – de que ela não esteve entre nós em vão! Deixa duas filhas: e sua netinha há de lembrar da avó que queria transmitir para ela essa capacidade de fazer: tanto o gosto dos biscoitos de Natal, quanto a delicada complexidade dos origamis. *Médica Psiquiatra pela UFRGS, especialista em Psiquiatria Infantil pela Universidade Paris XIII, associada da jubilada da APRS.

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Meu amigo

Rogério

Cláudio Laks Eizirik*

Rogério Wolf de Aguiar foi um médico, psiquiatra, professor de muitas gerações de alunos e residentes, com uma capacidade natural de liderança que o levou a ser um grande Presidente da APRS, da ABP e do CREMERS.

Conheci o Rogério quando entrei na Faculdade de Medicina da UFRGS, em 1964, e ele era vice-presidente do Centro Acadêmico Sarmento Leite, encarregado dos calouros. Em pouco tempo, ficamos amigos. Sempre foi muito agradável conviver com o Rogério, apesar de certa reserva inicial , que se desvanecia com quem gostava , revelando uma pessoa afetuosa, culta, com grande consciência social e agudo senso de humor. Depois de fazer residência em Medicina Interna, decidiu-se pela Psiquiatria, e aí compartilhamos a residência e o curso de especialização, no Centro Psiquiátrico Melanie Klein, com a Ivete Enk, sua primeira esposa e mãe de seus filhos Marcelo e Cláudia, e muitos outros colegas. Em seguida, abrimos nosso consultório conjunto de psiquiatria e psicoterapia, no “Palácio da Neurose”, o Edifício Annes Dias, em frente à Santa Casa. Alguns anos depois, fez concurso para o Instituto Psiquiátrico Forense, e depois para o Departamento de Psiquiatria da UFRGS, ao qual dedicou muitas décadas de sua vida. Um grupo de professores assumiu papel de liderança na remodelação do Departamento e do ensino da Psiquiatria, sua transferência, junto com o CELG, para o Hospital de Clínicas, a criação de seus Serviços de Psiquiatria e de Psiquiatria da Infância e Adolescência e a real integração da Psiquiatria com as demais áreas da Medicina. O Sérgio Machado, o Sidnei Schestatsky, o Paulo Soares, o Rogério e eu constituíamos o quinteto central desse movimento, enfrentando juntos uma situação complexa e desafiadora, e forjando uma duradoura amizade. Também nos acompanhavam o Aristides Cordioli, o Fernando Gomes, a Maria Lucrécia Zavaschi e o Cláudio Osório. Aglutinador, capaz de administrar conflitos, ocupar cargos e depois abrir espaço para os demais, generoso com seu conhecimento e experiência, leal, capaz de analisar situações complexas ou casos clínicos difíceis, assim era o nosso amigo. Compartilhamos muitas iniciativas, como a criação do CEPOA-CELG, o Curso de Supervisão em Psicoterapia Analítica, e a edição, junto com o Sidnei, do Compêndio mais utilizado no Brasil sobre Psicoterapia de Orientação Analítica. Rogério foi um querido amigo-irmão ao longo da vida, em todas as horas, as certas e as incertas. Acompanhei de perto sua intensa dedicação, seu profundo amor por todas as causas que abraçava, e das quais me falava com o ardor dos apaixonados, mas mais ainda de sua querida esposa Janaína e de seus filhos e netos. Apesar da dor de sua ausência, Rogério Aguiar deixa um legado humano e profissional que estimula e inspira em direção ao futuro.

*Professor Emérito de Psiquiatria da UFRGS, Analista Didata da SPPA, Ex Presidente da IPA, Associado Jubilado APRS.


Romualdo, muito obrigado por tudo! Ruggero Levy*

Gerações inteiras de psicanalistas, psiquiatras e psicólogos têm muito a

agradecer ao Romualdo. Foram décadas de dedicação ao ensino da psiquiatria, da psicanálise e de empenho ao aprimoramento das instituições psicanalíticas. Sim, Romualdo foi Presidente não só da SPPA, mas também da antiga Associação Brasileira de Psicanálise (ABP), precursora da FEBRAPSI. Presidiu o Congresso Brasileiro de Psicanálise em Canela em 1987, com discussões inesquecíveis para os que estiveram presentes e convidados estrangeiros do calibre de Harold Blum. Contribuiu intensamente na FEPAL, Federação Latino-americana de Psicanálise, sendo seu Diretor Científico na Gestão de 1998-2000, tendo como Presidente, Cláudio Eizirik. Na IPA, Associação Psicanalítica Internacional, dedicou-se a diversas atividades, notadamente como Sponsor (patrocinador) de novos Grupos de Estudos e Sociedades Psicanalíticas na América Latina. Ajudou a construir sociedades psicanalíticas novas no México, na Colômbia e na Argentina. Ou seja, semeou psicanálise não só nos nossos pagos, mas em toda a América Latina sendo merecedor de profundos sentimentos de gratidão em todo nosso continente. Sempre com uma vitalidade impressionante, uma energia e uma disposição ao trabalho que deixavam os jovens constrangidos de se sentirem cansados, Romualdo se jogava de corpo e alma no ensino, na transmissão da psi–álise, no estudo e na pesquisa dos conceitos psicanalíticos. Dava a impressão que não sentia a ação da passagem do tempo, tamanha a sua disposição ao trabalho, de modo a marcar presença ativa nas reuniões científicas da SPPA e particularmente nas reuniões da Comissão de Ensino do Instituto de Psicanálise da SPPA, onde, aliás, deixou contribuições marcantes. Ajudou de modo decisivo na organização do funcionamento do Instituto e na manutenção dos altos standards da formação psicanalítica em nosso meio. Teve inúmeros artigos publicados em revistas científicas regionais, nacionais e internacionais, assim como diversos grupos de estudos. Estudou profundamente Mate-Blanco e Karl Popper, entre outros diversos autores. Até agora me referi apenas às contribuições de Romualdo ao aprimoramento científico, de nossas instituições e de colegas que com ele estudaram. Mas a importância de Romualdo Romanowski em nosso meio foi muito além disso. Romualdo tratou, analisou, inúmeros pacientes psicanalistas e não psicanalistas, deixando marcas profundas na vida de muitas pessoas. E seus supervisionandos? Foram realmente inúmeros colegas que tiveram o privilégio de supervisionar com ele, sempre num clima afetivo, acolhedor, temperado com um humor fácil que denotava uma velocidade de raciocínio admirável. E quem estudou ou supervisionou com ele certamente se lembrará da quantidade de vezes que ele fazia questão de frisar que em psicanálise não se tratava de pensar se era uma coisa ou outra, mas sim uma coisa e outra. Bom, em relação a ser ou ou e, posso dizer tranquilamente que Romualdo não vivia como se fosse a psicanálise ou a sua família. Sempre nos deixou claro que seu amor, sua dedicação e sua vibração eram com a psicanálise e com sua família. Transparecia a todo momento sua parceria com sua companheira de uma vida inteira, sua esposa, Tylinha, seu amor e entusiasmo com seus filhos e sua paixão pelos netos. Aliás, o testemunho inesquecível de sua neta, Laura, realizado por ela na cerimônia de sepultamento (e disponível para leitura em sppa.org.br/noticias/homenagem-romualdo-romanowski), atesta o amor de sua família por ele. Por tudo isso, Romualdo se constituiu num exemplo de amor à vida, à sua família, à psicanálise, a todos nós. Fica a nossa gratidão e a certeza que ele segue presente em cada um de nós. * Psiquiatra, Psicanalista, Membro Efetivo e Analista Didata da SPPA, Associado Efetivo da APRS.

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PSIQUIATRAS FAZENDO ARTE

Amanhã vai ser outro dia

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Vauto Mendes Filho*

ui criado numa família que sempre gostou muito de música. Obras de Beatles, Pink Floyd, Belchior e Chico Buarque são companheiras desde a época que minha memória permite recordar. Comecei a tocar violão em torno dos 15 anos de idade por influência direta de meu irmão mais velho e por querer aprender as músicas que eu curtia ao final dos anos 90. Não sei como medir a importância que essa decisão teve na vida daquele menino tímido e calado.

Foto: @olhosencantados

Desde então, devo muito do que sou à minha história com a música, inclusive dentro da minha profissão. Na entrevista de ingresso a um projeto de extensão da faculdade, no qual dei meus primeiros passos na Psiquiatria, falei que tinha vontade de fazer um grupo de música com os pacientes do projeto - pessoas que haviam tentado suicídio recentemente. Depois de aprovado, colegas confidenciaram que esse desejo fez a diferença na seleção, mesmo que essa atividade nunca tenha acontecido de fato. Hoje coordeno um grupo semanal no qual ensaio e me apresento junto com os pacientes do CAPS AD III Passo a Passo, do Grupo Hospitalar Conceição. O Tocante é um dos grupos mais queridos pelos usuários e me dá uma oportunidade de interagir com eles de uma maneira que o consultório não permite. Para falar sobre um momento em especial, no início de 2020 preparamos uma surpresa para uma mulher que frequentava o grupo religiosamente. Ela tratava um tumor maligno e o Tocante foi visitá-la em casa às vésperas de uma intervenção cirúrgica, da qual a usuária não se recuperou. A despedida dos amigos e de toda a (grande) família foi marcada por muita alegria, carinho e samba.

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Mas é nas relações íntimas que a música me dá mais. Pra mim sempre fez mais sentido tocar junto. E eu sempre tive com quem tocar. Os ensaios e shows com as bandas que tive em Fortaleza e Porto Alegre, incontáveis rodas de violão no condomínio, em cartões-postais alencarinos, nas praças de Viçosa do Ceará, debaixo daquelas mangueiras da Faculdade de Medicina, em salões de festas gaúchos, na beira da Praia do Rosa. Escrever me faz lembrar de cada amigo, olhar, sorriso, história. Tocar junto é reverberar sentimento, é afeto em estado puro, é similar à psicoterapia quando ela faz um sentido impossível de expressar somente em palavras, é quando o famoso flow acontece. Esses momentos foram colocados em suspensão em 2020. A pandemia pelo Covid-19 os tornou arriscados. Não houve mais show mensal da Bad Luck Johnny no Malvadeza Pub. A Jornada do Celg, durante a qual costuma ter show da Psicomotores, foi adiada. O Tocante não pode acontecer para evitar aglomerações. Não sei quando será possível voltar a ter esses momentos. Parece que uma parte grande da vida foi tirada. Além disso, ser trabalhador público de um governo negacionista é uma função para a qual é impossível se preparar. Está escancarado que vivemos num país em que a vida das pessoas tem pouco valor, comparada a outros interesses. Como amante incondicional da vida, creio que se posicionar é parte fundamental desse enfrentamento e não posso deixar a oportunidade passar. Belchior em ‘Alucinação’ prega um contato radical com a realidade e fala que amar e mudar as coisas lhe interessa mais. É justamente como penso que a Psiquiatria deve auxiliar a humanidade diante de tantos desafios: amar o próximo e nos levar a um caminho mais fraterno. Enquanto espero poder tocar com as pessoas que amo, a música segue como eterna companheira e conselheira. Amanhã vai ser outro dia.

* Músico Prático pela Ordem dos Músicos do Brasil. Médico pela Universidade Federal do Ceará. Residência em Psiquiatria no HCPA. Especialista em Psicoterapia de Orientação Analítica pelo CELG. Doutor em Psiquiatria e Ciências do Comportamento pela UFRGS. Médico Psiquiatra contratado do Grupo Hospitalar Conceição.


Atividade física e psiquiatria

Temos que nos mexer! Felipe Barreto Schuch*

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esde a Grécia antiga sabemos da importância do movimento na manutenção da saúde física e mental do homem. Hipócrates, que viveu há mais de 300 anos antes de Cristo, já dizia: “caminhar é o melhor remédio para o homem”. Esse conhecimento é constantemente revisitado em diversos estudos que utilizam os métodos e as técnicas científicas mais modernas na tentativa de quantificar e compreender, da maneira mais precisa possível, o que os gregos do período clássico já diziam. Com modernas meta-análises, sabemos hoje que pessoas mais ativas têm aproximadamente 22% e 29% menos risco de desenvolver sintomas e transtornos de depressão e ansiedade, respectivamente. Já aqueles que gastam 8 horas por dia ou mais em comportamentos sedentários, como ficar sentado, deitado ou reclinado (contabilizando apenas o tempo em que estamos acordados) tem 10% e 33% mais risco de desenvolver depressão e ansiedade, respectivamente. Os benefícios do exercício não se limitam a diminuição do risco de desenvolvimento de transtornos mentais e se estendem a diminuição do risco de doenças físicas, em especial de doenças cardiometabólicas, naqueles que já tem algum transtorno mental. Esse benefício é de extrema importância na psiquiatria visto que pessoas com transtornos mentais tem sua expectativa de vida reduzida em aproximadamente 20 anos quando comparadas a população em geral. Isso quando excluímos do cálculo as vidas abreviadas por suicídio, ou seja, quando contabilizamos apenas as mortes nas quais, em sua grande maioria, estão associadas a fatores potencialmente preveníveis, o que inclui a atividade física e o sedentarismo. Por exemplo, pessoas com transtornos mentais tem 50% menos chances de atingir as recomendações de saúde pública atividade física e gastam até 4 horas a mais, em média, em comportamento sedentário do que a população em geral. Apesar das estatísticas novas, tais informações já são conhecidas. No entanto, aproximadamente 41% dos profissionais que atuam em centros de atenção psicossocial na região metropolitana de Porto Alegre nunca recomendam ou prescrevem exercício físico para seus pacientes. É claro que o curto espaço de tempo nos atendimentos e a falta de conhecimento sobre “o que e como” recomendar são barreiras para a prescrição de atividade física, porém, eu gostaria de compartilhar alguns princípios para serem adotados na hora de auxiliar os seus pacientes, a si mesmos, ou a familiares e amigos a serem mais ativos:

* Graduado em Educação Física, e Mestre e Doutor em Psiquiatria pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

“Enquanto menos tempo sentado, deitado ou reclinado, melhor”: O comportamento sedentário é um fator de risco independente para doenças mentais e físicas. Ou seja, é importante fazer alguma atividade mais intensa, mas é também importante diminuir o tempo sentado ao longo do dia; “Fazer alguma coisa é melhor do que não fazer nada”: Muitas vezes nos atemos a ideia de que se a atividade física não durar pelo menos 30 minutos não haverá benefício nenhum. No entanto, estudos recentes, mostram que para a melhora de alguns desfechos em saúde, como o humor, mesmo sessões breves de 1015 minutos podem já ter algum efeito. Tal recomendação é de suma importância em pessoas com transtornos mentais pois 30 minutos de atividade física pode ser uma meta muito distante, e consequentemente, desencorajadora para pessoas com baixa condição física ou com comorbidades clínicas; “Fazer mais é melhor do que fazer alguma coisa”: Sessões breves são capazes de promover melhoras na saúde física e mental, mas sessões mais longas (entre 30-90 minutos) estão ligados a maiores benefícios para a saúde mental. “A relação afetiva com o exercício é importante”: Muitas vezes, ao falar sobre exercício, é feita a associação com dor, sofrimento, esforço, desprazer e outros afetos negativos. No entanto, a motivação autônoma é o melhor preditor de adesão ao longo prazo em programas de exercício então, buscar avaliar qual a melhor modalidade, horário, tempo e intensidade para uma resposta afetiva positiva em cada indivíduo é a chave para o sucesso. 19


CORAÇÃO DE ESTUDANTE

TERAPIA EXPRESS Marcelo Zimerman Bizzi

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empos malucos que vivemos: assertiva provavelmente unânime entre todos, o que é extremamente raro nessa dicotomia que tem um pouco de mundo. Diante disso e da realidade virtual, sobretudo através do Instagram, houve o nascimento de um fenômeno: a “terapia express”. Tal evento consiste na apropriação dos mais variados temas - que vão de problemas triviais do cotidiano até os problemas mais profundos de cada um, incluindo doenças crônicas, como depressão e bipolaridade - por profissionais leigos, como um contingente de coaches, influencers e escritores de livros de autoajuda. Através de frases de efeitos, esses nichos, frequentemente, dão a impressão de que basta um incentivo e tcham: o “mindset” muda. Uma resolução líquida em um tempo líquido em um meio líquido para um problema nada líquido. Aliás, mais sólido que nunca. A grande ameaça dessas áreas que se autointitulam benfeitoras é que estão bem intencionadas (muitas vezes); que, de fato, apresentam conteúdos simples, mas válidos (muitas vezes); que ajudam algumas pessoas em situações específicas (muitas vezes). O grande “mas”, por sua vez, é que se tem o conhecimento, dentro da psiquiatria e da psicanálise, de que para solucionar os seus problemas, ou chegar perto disso, deve-se percorrer um caminho longo e árduo de autoconhecimento. Para que pegar essa rota se o Waze mostra um caminho bem mais curto, um atalho sedutor, que no mapa eletrônico apenas se discerne por ser uma linha azul mais curta? Olhando através da tela não se percebe a estrada de chão batido, os buracos, os perigos de passar por uma região desconhecida, uma região que não te leva ao destino de forma segura, comprovadamente. Olhando através da tela, não se percebe o quão efêmero e prejudicial é achar que uma colocação possa abraçar todos os seus problemas em forma de solução. 20

Marcelo Zimerman Bizzi Estudante da Escola de Medicina PUCRS do oitavo semestre, diretor da liga de semiologia e integrante da liga de psiquiatria.

O que na verdade deveria ser um grande auxílio para a terapia de fato, para a busca de ajuda, tem roubado seu espaço. Isso passa despercebido, em inúmeras ocasiões, porque essas mensagens positivas, essas páginas, esses bons samaritanos, parecem mais oásis em meio ao egocentrismo das redes sociais. Como acadêmico de medicina, entusiasta da psiquiatria e psicanálise, sinto que a nova geração de profissionais da saúde, sobretudo, deve se atentar a isso e, não só impedir a propagação de uma medicina express, na que se incluem todas as especialidades, como evitar se utilizar de um artifício leigo para conquistar pacientes leigos. Isso é um desserviço à humanidade; é mais tóxico do que parece e deve ser combatido por especialistas.


Dia Estadual do Médico Psiquiatra no Estado do Rio Grande do Sul Fernando Lejderman1

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Governador do Estado do Rio Grande do Sul (RS), Eduardo Leite, sancionou o Projeto de Lei que instituiu o “Dia Estadual do Médico Psiquiatra no Estado do Rio Grande do Sul”, a ser comemorado, anualmente, no dia 25 de abril. A cerimônia desse ato governamental aconteceu no dia 26 de junho, no Salão Alberto Pasqualini do Palácio Piratini, em Porto Alegre, e contou com a presença do Presidente da Associação de Psiquiatria do Rio Grande do Sul (APRS), Flavio Shansis. A importância da instituição do Dia Estadual do Médico Psiquiatra, para o campo da psiquiatria, é uma conquista que merece ser celebrada e comemorada como mais uma evolução significativa no sentido da necessidade urgente de qualificação da assistência médica psiquiátrica e da saúde mental dos pacientes do nosso Estado. O reconhecimento da atividade do médico psiquiatra traz consigo um poderoso simbolismo para a diminuição do estigma das doenças mentais. Apesar dos esclarecimentos e avanços recentes - na disseminação dos conhecimentos científicos relacionados à psiquiatria -, proporcionados pelas modernas tecnologias da informação, ainda permanece entranhado em muitos segmentos da população um universo repleto de preconceitos e ideias ultrapassadas quando o assunto é psiquiatria e doença mental.

oficias nos próximos anos, no dia 25 de abril, em parceria com o Governo do Estado do RS e o Poder Legislativo, com o objetivo expresso de promoção da saúde da população e prevenção dos transtornos mentais é uma notícia positiva em meio a um ano tão complexo, como o ano de 2020, quando fomos atingidos pela realidade da pandemia do Covid-19. O dia 25 de abril é uma data para ingressar, definitivamente, na agenda oficial da APRS com a qualidade científica que a caracteriza como uma das instituições psiquiátricas de maior prestigio do Estado do RS.

A possibilidade (prevista na Lei) da realização de eventos 1 Ex-Presidente da Associação de Psiquiatria do Rio Grande do Sul (APRS). 2 O Projeto de lei é de autoria da ex-deputada e atual Secretária do Trabalho e Assistência Social, Regina Becker, e do deputado estadual, Dirceu Franciscon. 21


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Psychiatry Research 290 (2020) 113101

Contents lists available at ScienceDirect

Psychiatry Research journal homepage: www.elsevier.com/locate/psychres

A traumatic life experience in childhood increases the risk of a psychiatric disorder in the offspring ⁎

Raphaël ARDITTIa,b,c, , Yann LE STRATa,b,c a

AP-HP, Department of Psychiatry, Louis Mourier Hospital, Colombes, France b INSERM U894, Centre for Psychiatry and Neurosciences, 102-108 rue de la Santé, 75014, Paris, France c Univ Paris Diderot, Sorbonne Paris Cite, Faculty of Medicine, Paris, France

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A R T I C LE I N FO A B S T R A C T Eventos de vida traumáticos na infância são importantes fatores de risco para vários transtornos psiKeywords: A traumatic life experience in childhood is a fundamental risk factor of numerous psychiatric disorders. Psychological trauma quiátricos. Recentemente, estudos tentam asmental consequências para mental nos filhos das Recently, studies avaliar try to evaluate the health consequences on victims’ offspring,a butsaúde few psychiatric Familial risk disorders were examined, and whether these results apply to the general population remains unknown. Risk factors Incomo this study, we use the acontece National Epidemiologic Survey on Alcohol and Related Conditions, a large revítimas, mas não se sabe bem ao certo ainda isso na população em geral. Este artigo pretendeu Childhood maltreatment presentative sample of American population, in order to estimate the impact on the offspring of a traumatic Child abuse experience in parents. Besides, we use a well-known risk factor for offspring's psychiatric disorder: a familial estimar o impacto de uma experiencia traumática nosdisorder, pais sobre seus baseado no estudo transversal history of a psychiatric in order to compare and assess filhos. the importance Foi of parental traumatism as a risk factor for the offspring. da Pesquisa Epidemiológica Nacional para Álcool e that Condições Relacionadas-III (NESARC-III). A amostra NEOur results show the five psychiatric disorders studied, alcohol use disorder, substance use disorder, mood disorder, antisocial personality disorder and anxiety disorder, are more prevalent in the offspring, when at least one parent report a traumatic life event in his own childhood. Moreover, the magnitude of this risk factor is SARC-III representa a população civil adulta não institucionalizada dos Estados Unidos. Este possível fator de close to the magnitude of having a parental history of psychiatric disorder. risco para o desenvolvimento de transtornos mentais nos filhos foi comparado a história familiar de transtornos psiquiátricos como modelo conhecido de fator de risco bem estabelecido para os desfechos. Os resultados 1. Introduction may have an impact on the psychological well-being of the descendant. Some authors report a higher rate of mental disorders in the offspring of mostraram que os cinco transtornos psiquiátricos estudados (transtorno por uso de álcool, transtorno por uso High occurrence and wide-reaching consequences make psycholoadults who experienced a trauma, including autism (Roberts et al., gical trauma a public health issue. More than 6 out of ten men and half 2013), depression or post-traumatic stress disorder (Yehuda et al., de substâncias, transtorno de humor, transtorno de personalidade antisocial e transtorno de ansiedade) são of women report at least one traumatic event during their lifetime 2001), but few psychiatric disorders were examined, and whether these (Kessler et al., 1995). In other samples, the prevalence of traumatic results apply to a representative sample of the general population remais prevalentes na prole, pelo um dos um evento traumático em sua própria infânevents may quando be even higher, the Detroitmenos Area Survey suggesting a pre- pais mains relata unknown. valence of 92.2% in men and 87.1% in women (Breslau, 2009). Furthermore, given that both a traumatic event history and a family cia. Além disso, a magnitude fator de have risco é comparável à história familiar de transtorno psiquiátrico. Early traumas,desse occurring during childhood, been associated history of a psychiatric disorder increase the risk of developing a psy-

with a large number of physical and psychiatric consequences. chiatric condition (Dean et al., 2010), it makes it harder to disentangle Childhood maltreatment appears as a risk factor of several physical the impact of a childhood traumatic event in a parent and that of a conditions during adulthood, like peptic ulcer, arthritic disorders, carmental disorder in the development of a psychiatric condition in the diac disease, diabetes or autoimmune disorders (Goodwin and offspring. Stein, 2004). We therefore used the National Epidemiologic Survey on Alcohol Evolution and Human Behavior 41 (2020) 210–217 Childhood maltreatment is also a risk factor of numerous psychiatric and Related Conditions-III (NESARC-III) to assess the prevalence of disorders, including psychotic disorders (Kelleher et al., 2013), eating psychiatric disorders according to the presence of a traumatic event in disorders (Molendijk et al., 2017), bipolar disorder Contents (Sugaya lists et al., their parental history. We also evaluated the family history of psyavailable at ScienceDirect 2012), personality disorders (Afifi et al. 2011a; Bierer et al., 2003), chiatric disorders, in order to compare those two risk factors (parental alcohol use disorder (Fetzner et al., 2011), or anxiety and depressive trauma and parental history of mental disorder). We hypothesized that disorders (Hovens et al., 2010). having a parental history of trauma would be associated with higher It has been hypothesized that a traumatic event history in a parent prevalence of psychiatric disorder in the offspring. We also

Evolution and Human Behavior

journal homepage: www.elsevier.com/locate/ens ⁎

Corresponding author. E-mail address: raphael.arditti@gmail.com (R. ARDITTI).

https://doi.org/10.1016/j.psychres.2020.113101 Received 11 December 2019; Received in revised form 11 May 2020; Accepted 12 May 2020 Available online 23 May 2020 0165-1781/ © 2020 Elsevier B.V. All rights reserved.

Helping behavior is non-zero-sum: Helper and recipient autobiographical accounts of help ⁎

Michael R. Enta, , Hallgeir Sjåstadb, William von Hippelc, Roy F. Baumeisterd a

Towson University, United States b Centre for Applied Research at NHH, Norwegian School of Economics, Norway c The University of Queensland, Australia d Florida State University, United States, and The University of Queensland, Australia

A R T I C LE I N FO A B S T R A C T No contexto dos atendimentos solidários em saúde mental realizados por muitos de nossos sócios In three studies (n = 427), participants wrote and answered questions about autobiographical episodes involKeywords: nesse períodoReciprocity da pandemia por COVID-19, escolhemos este artigo como uma forma de embasar e ving helping behavior from the perspective of the helper vs. the recipient. Both helpers and recipients reported Autobiographical narratives that the benefits of help outweighed the costs (i.e., the help was non-zero-sum). Helpers underestimated the degreeajudamos to which recipients felt indebted as a result of O receiving help. Recipients displayed a patternsolidário, of language exemplificar oIndebtedness que sentimos quando alguém. comportamento tão comum em use indicative of self-focus to a greater extent than helpers. These effects were found whether helpers and recipients reflected on the same helping episode (Study 1) or different episodes (Studies 2 and 3). People who períodos adaptativos entre os seres humanos, faz bem para os dois polos da equação. E o que se ganha em recalled helping strangers reported that the benefits outweighed the costs to a greater extent than those who recalled helping friends or family members (Study 3), largely because the costs were greater when helping ajudar é bem maior do que se perde. É o que esse compilado de três estudos em que os participantes friendsmostra and family. (427 indivíduos, tanto entre quem forneceu ajuda como entre quem a recebeu) escreveram e responderam perguntas sobre episódios autobiográficos envolvendo comportamento deprecondition ajuda. 1. Introduction zero-sum interactions are a necessary for mutually beneficial, reciprocal relationships. sharing of food, money, or otherajuda resources may seem like a Os relatos foram de queTheos benefícios da superaram os custos (ou seja, a ajuda era de soma diferente de zero-sum interaction; a dollar given is a dollar received (i.e., one party's 1.1. Estimating the costs and benefits of help gain is equal to theuma losses of the other party). Yet even simple truthajuda de subestimar o efeito positivo que seus atos exerzero). As conclusões apontam tendência dethisquem is not so simple. If I share with you when I have enough money or food Helping behavior is common among humans and contributes to and you are without, your gain outweighs my loss due to the decreasing diverse adaptive problems ranging from the provision of food to cem sobre quem recebe ajuda. Além de indicarem que ossolving benefícios em ajudar pessoas desconhecidas é ainda marginal utility of each subsequent dollar or morsel. This effect is protection from predators (Baumeister, 2005). People can increase their evident in the reciprocity of vampire bats, who regurgitate blood they inclusive fitness by helping genetic relatives (Burnstein, Crandall, & maior do que ajudar amigos ou familiares. Resultados bem interessantes que a APRS experimenta na prática! have recently eaten for a hungry bat with whom they have a reciprocal Kitayama, 1994). Of particular relevance to the present investigation,

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relationship (Carter & Wilkinson, 2015, 2016). In such cases the regurgitating bat is slightly more food stressed, but the receiving bat has been saved from starvation – hence the benefit to the recipient outweighs the cost to the helper. Similarly, when you stop to give someone directions, one minute of your time can save hours of theirs, as the value of the information received is greater than the cost of providing it. “Non-zero-sum” describes an interaction in which one party's gain does not correspond to equal losses incurred by the other party (Wright,

helping nonrelatives can also aid one's fitness via reciprocity (Trivers, 1971). Relying on the principle of conditional cooperation, people can mutually benefit from entering into exchange relationships (Apicella, Marlowe, Fowler, & Cristakis, 2012; Rand & Nowak, 2013). The key, however, is that for such relationships to be mutually beneficial, individual acts of helping must typically be non-zero-sum (Cole & Teboul, 2004; Cosmides & Tooby, 1989; Trivers, 1971). Otherwise, helping would simply involve the shifting of assets with no net gain.


Molecular Psychiatry https://doi.org/10.1038/s41380-019-0474-5

REVIEW ARTICLE

Peripheral cytokine levels and response to antidepressant treatment in depression: a systematic review and meta-analysis Jia Jia Liu1,2 Ya Bin Wei3,4,5 Rebecca Strawbridge6 Yanping Bao 2 Suhua Chang1 Le Shi1 Jianyu Que1 Bharathi S. Gadad7,8 Madhukar H. Trivedi 8 John R. Kelsoe 5,9,10 Lin Lu1,2,11 ●

Received: 17 January 2019 / Revised: 22 June 2019 / Accepted: 3 July 2019 © The Author(s), under exclusive licence to Springer Nature Limited 2019

O Transtorno Depressivo Maior (TDM) é uma patologia psiquiátrica com uma grande variação na resAbstract posta ao tratamento entre pacientes adultos. Tendo em vista o papel desempenhado pelas citocinas na Predicting antidepressant treatment response has been a clinical challenge for major depressive disorder (MDD). The inflammation hypothesis of depression suggests that cytokines inflamatória, play a key role in the pathophysiology of MDD and de 2019 pesquisou fisiopatologia deste transtorno, segundo a hipótese esta metanálise alterations in peripheral cytokine levels are associated with antidepressant treatment outcome. Present meta-analysis aimed to examine the association betweenconsultados baseline peripheral cytokine and the response to antidepressant treatment(1132), and to 7408 trabalhos e incluiu 44 estudos. Foram os levels bancos de dados PubMed Embase (5046) evaluate whether changes of cytokine levels were associated with the response to antidepressant treatment in patients with e Web of Science (1230), MDD. do Human-based início até outubro de 2018, para estudos realizados com humanos adultos com studies published in any language in peer-reviewed journals were systematically searched from the PubMed, Embase and Web of Science databases, from inception up to October 2018. The search terms included cytokine, TDM diagnosticados a partir de escalas depressão validadas. Osortermos de reporting pesquisa depressive disorder and de antidepressant and their synonyms. Case–control case–case studies on levelsforam of IL-1β, citocina, transtorno IL-2, IL-4, IL-5, IL-6, IL-8, IL-10, IL-12, CRP, TNF-α, IFN-γ, GM-CSF, MIP-1α, and Eotaxin-1 in patients with MDD depressivo, antidepressivos e sinônimos. Os 44 estudos eram de caso-controle ou caso-caso relatando os níveis based on validated depression scales both before and after antidepressant treatment were included. Of 7408 identified records, 44 studies met inclusion. Standardized mean differences in each cytokine were evaluated, and random-effects metade IL-1β, IL-2, IL-4, IL-5, IL-6, IL-8, IL-10, IL-12, CRP, TNF-α, IFN-γ, GM-CSF, MIP-1α e Eotaxin-1 em pacientes analyses were performed. MDD patients who responded to antidepressant treatment had lower baseline IL-8 levels than the nonresponders (Hedge’s com g = −0.28; 95%CI, −0.43 to −0.13; Pacientes P = 0.0003; FDRque = 0.004). Antidepressant treatment com TDM antes e depois do tratamento antidepressivos. responderam ao tratamento antidesignificantly decreased levels of TNF-α (Hedge’s g = 0.60; 95%CI, 0.26–0.94; P = 0.0006; FDR = 0.004) only in pressivo tiveram níveis basais de IL-8 mais baixos do que os não respondedores (g Hedge = −0,28; IC de 95%, responders, and responders showed significantly more decreased TNF-α levels compared with nonresponders (P = 0.046). These findings suggested that alterations in peripheral cytokine levels were associated with antidepressant treatment −0,43 a −0,13; P = 0,0003; FDR = 0,004). O tratamento antidepressivo diminuiu os níveis de outcomes in MDD. Further investigations are warranted to elucidate sources of heterogeneity and examinesignificativamente the potentiality of inflammatory cytokines as novel predictive markers for the pharmacological treatment of MDD. TNF-α (Hedge’s g = 0,60; using IC 95%, 0,26-0,94; P = 0,0006; FDR = 0,004) apenas em respondedores. Pacientes que responderam ao tratamento mostraram níveis significativamente mais reduzidos de TNF-α em comparação selective serotonin reuptake inhibitors (SSRIs) and sercom os não respondedoresIntroduction (P = 0,046). Esses achados sugeriram que alterações nos níveis periféricos de citociotonin and norepinephrine reuptake inhibitors (SNRIs), are Major depressive disorder (MDD) is the mostcom prevalent the most commonly used pharmacological treatments for nas foram associadas aos resultados do tratamento antidepressivos em pacientes adultos com TDM. psychiatric disorder with an estimated life-time prevalence MDD, however only ~30% of the patients achieve remis1234567890();,:

1234567890();,:

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of 10–20% [1]. Second-generation antidepressants, e.g.,

sion with the first prescribed antidepressant [2]. A challenge in treating MDD is the heterogeneity among patient response. The monoaminergic theory has been the dominant These authors contributed equally: Jia Jia Liu, Ya Bin Wei hypothesis of MDD, and most antidepressants are conSupplementary information The online version of this article (https:// sidered to primarily modulate monoaminergic neuroPsychiatry Research xxx (xxxx) xxxx doi.org/10.1038/s41380-019-0474-5) contains supplementary transmission. However, emerging evidence has suggested material, which is available to authorized users. that aberrant inflammatory processes are involved in the Contents lists available at ScienceDirect development of MDD and also in mediating the response to * John R. Kelsoe jkelsoe@ucsd.edu antidepressant treatment [3, 4]. Cytokines are the key Psychiatry Research * Lin Lu messengers between immune cells, mediating the initiation linlu@bjmu.edu.cn and cascade of inflammatory response and can have both journal homepage: pro- and anti-inflammatory properties [4, 5]. The cytokine Extended author information available on the last page ofwww.elsevier.com/locate/psychres the article

Effect of probiotics on depressive symptoms: A meta-analysis of human studies Kah Kheng Goha, Yen-Wenn Liub,c, Po-Hsiu Kuod,e, Yu-Chu Ella Chungd, Mong-Liang Lua,f, ⁎ Chun-Hsin Chena,f, a

Department of Psychiatry, Wan Fang Hospital, Taipei Medical University, Taipei, Taiwan Institute of Biochemistry and Molecular Biology, National Yang-Ming University, Taipei, Taiwan Microbiome Research Center, National Yang-Ming University, Taipei, Taiwan Institute of Epidemiology and Preventive Medicine, College of Public Health, National Taiwan University, Taipei, Taiwan e Department of Public Health, College of Public Health, National Taiwan University, Taipei, Taiwan f Department of Psychiatry, School of Medicine, College of Medicine, Taipei Medical University, Taipei, Taiwan b c

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Probióticos são micro-organismos vivos que exercem um efeito benéfico para a saúde global quando ARTICL E INF O AB S TR A C T ingeridos na quantidade e maneira adequadas. A microbiota intestinal pode influenciar no funcioKeywords: Accumulating data show that probiotics may be beneficial in reducing depressive symptoms. We conducted an Depressive symptoms updated meta-analysis and evaluated the effects of probiotics onde depressive symptoms. A systematic of six namento cerebral e no comportamento incluindo sintomas humor. Estasearchmetanálise propõe-se a Major depressive disorder databases was performed, and the results were reported according to Preferred Reporting Items for Systematic Meta-analysis Reviews and Meta-analyses, with the priori-defined protocol registered at PROSPERO (CRD42018107426). In Microbes dos probióticos nos sintomas depressivos. Os autores pesquisaram 2135 estudos, confirmar os benefícios total, 19 double-blind, randomized, placebo-controlled trials with a total of 1901 participants were included in Probiotics the qualitative synthesis. Participants treated with probiotics showed significantly greater improvement in detendo incluído 19 ensaios clínicos duplo-cegos, randomizados e controlados placebo publicados entre pressive symptoms than those receiving placebo. The clinical population was stratified by por clinical diagnosis into those with major depressive disorder (MDD) and those with other clinical conditions. The beneficial effect of probiotics on foram depressive symptoms was significant in patients with MDD, but not in those with other clinical 2010 e 2018. Os bancos de dados consultados PubMed, Embase, Web of Science, Medlilne, Proquest conditions and in the general population. In addition, multiple strains of probiotics were more effective in depressive symptoms. In conclusion, altering the gut–brain axis with probiotics may be an approach to e Cochrane. A metanálise foi conduzida dereducing acordo com as exigências da PRISMA (Preferred Reporting Items improve depression severity. It is essential to verify the efficacy of specific combinations or strains of probiotics for depressive symptoms by conducting studies with a larger sample size in the future. for Systematic Reviews and Meta-analyses), por dois pesquisadores independentes. Os participantes tratados com probióticos mostraram melhora significativamente maior nos sintomas depressivos do que aqueles 1. Introduction Probiotics are defined as live organisms that exert a health benefit when ingestedpor in an adequate amount (Food and Agriculture Organization com transtorno deque receberam placebo. A população clínica foi estratificada diagnóstico (pacientes Depression is a common mental disorder that may lead to marked and World Health Organization Expert Consultation, 2001). Accumulating disabilities com in affected outras patients and has become a leading cause of datacomo indicate that fibromialgia, the gut microbiota can influence brain function anddo intestino irritável, pressivo maior e aqueles condições clínicas síndrome global burden of disease (DALYs and Hale Collaborators, 2016). Current behavior, including mood symptoms (Cryan and Dinan, 2012; treatment includes whose mechan- de Forsythe al., 2016; Rogers et al., nos 2016). Therefore, consumptiondepressivos of cardiopatia, diabetes,pharmacological entre outras) . Oantidepressants, efeito benéfico osetprobióticos sintomas foram sigisms are based on modulating monoamine neurotransmitters. A recent probiotics to alter composition of gut microbiota may be a novel way to meta-analysis of randomized clinical trials showed that antidepressants treat patients with depression. nificativos em pacientes com TDM, mas não naqueles comAnimal outras condições de vida e na população em geral. are more effective in relieving depressive symptoms than placebo studies showed that consumption of probiotics may alter (Cipriani et al., 2018). However, progressively increasing dropout rates brain functions and reduce anxiety or depression-like behaviors Concluiu-se que alterar o eixo intestino-cérebro com probióticos pode ser para melhorar a and decreasing remission rates across each study phase in the Se(Desbonnet et al., 2010; Liang et al., 2015;uma Liu et al., abordagem 2016b). For exquenced Treatment Alternatives to Relieve Depression (STAR*D) study, ample, Liu et al. found that administration of Lactobacillus plantarum gravidade da depressão. Vale ressaltar que existemmayvárias combinações ouof cepas de probióticos which reflected real-world practice, suggest that antidepressants PS128 could reduce immobility time inespecíficas the forced swimming model not show optimal results in the real world (Pigott et al., 2010). It is depression in mice with early life stress (Liu et al., 2016b). The latest e é importante verificar que podem ser benéficas sintomas essentialas to find alternatives to antidepressants to help patients with para meta-analysis showed that depressivos. consumption of probiotics can improve

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depression.

mood symptoms in patients with mild to moderate depression, but no

Corresponding author at: Department of Psychiatry, Wan Fang Hospital, Taipei Medical University, #111, Section 3, Xing-Long Road, Taipei 11696, Taiwan E-mail address: chunhsin57@gmail.com (C.-H. Chen).

https://doi.org/10.1016/j.psychres.2019.112568 Received 3 June 2019; Received in revised form 15 September 2019; Accepted 15 September 2019 0165-1781/ © 2019 Published by Elsevier B.V.

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Anna Martha Vaitses Fontanari* Publicada em março de 2020 na JAMA Psychiatry (IP 17,7), revisão sistemática e metanálise avaliou a taxa de mortalidade por suicídio entre médicas e médicos em comparação com, respectivamente, mulheres e homens da população em geral (Duarte et al., 2020). Os autores limitaram a metanálise aos nove estudos de melhor qualidade que, apesar de abranger 32 anos e oito países diferentes, resultaram em uma amostra total de 547 suicídios de médicos e 162 suicídios de médicas. Em meio a estudos heterogêneos com resultados controversos, constatou-se que médicas apresentam taxa superior de mortalidade por suicídio em comparação a mulheres da população em geral (1,46; IC95% 1,02-1,91), diferentemente de médicos, cuja taxa de mortalidade por suicídio é inferior a homens da população em geral (0,67; IC95% 0,55-0,79). Esse não é um resultado surpreendente: metanálise de 2004 mostrou elevada taxa de mortalidade por suicídio entre médicas (2,27; IC95% 1,90-2,73) e médicos (1,41; IC95% 1,21-1,65) comparado à população em geral (Schernhammer & Colditz, 2004). Pode-se, então, afirmar com certa segurança que médicas cometem mais suicídios do que a população em geral, mas também do que seus colegas de profissão. Por quê? Atenção compulsiva aos detalhes, senso de dever e responsabilidade exagerados e desejo de agradar a todos são qualidades apreciadas no local de trabalho (Bressler, 1976; Carr, 2008) que aumentam sintomas de estresse e de depressão (McManus et al., 2004). Mulheres exibem maiores taxas de depressão e severidade da sintomatologia depressiva quando comparado a homens da população em geral (Sloan & Sandt, 2006). Contudo, diferentemente da população em geral, em que mulheres buscam tratamento mais frequentemente do que homens (Schrijvers et al., 2012), estima-se que médicas evitem procurar ajuda (Pospos et al., 2019). Talvez por pressão auto-imposta para superar estereótipos e preconceitos, provando-se especialmente fortes, dignas e autossuficientes. Sabe-se que, na população em geral, mulheres tentam suicídio mais frequentemente do que homens (Bebbington et al., 2009). É possível que, portadoras de conhecimento e meios suficientemente letais, médicas concretizem as tentativas com maior frequência. De fato, a taxa de tentativa-concretização do suicídio é mais próxima entre médicas e médicos do que entre mulheres e homens da população em geral (Hawton et al., 2001; Schernhammer & Colditz, 2004). Resta-nos, então, o questionamento: por que mulheres? Chamou-me atenção que, apesar do estudo em questão propor-se a avaliar diferenças de taxa de mortalidade por suicídio entre mulheres e homens, médicas e médicos, não se abordou qualquer questão de gênero. A opção por invisibilizar diferenças de gênero, determinantes para elevadas taxas de suicídio encontradas na metanálise, explicita o contexto em que essas mulheres, médicas, suicidam-se. Alguns autores sugerem que mulheres enfrentam dificuldades ao integrar-se ao meio médico, que costumava ser predominantemente masculino, mantendo status inferior na profissão (Dutheil et al., 2019; Hawton et al., 2001; Kehrer, 1976; Pospos et al., 2019). Entre essas “dificuldades” enfrentadas por médicas em seu ambiente de trabalho, destaca-se o assédio sexual. Assédio sexual compreende coerção sexual, atenção sexual indesejada e assédio baseado em gênero. Coerção sexual engloba subornos ou ameaças que tornam as condições de emprego da vítima contingentes a sua cooperação sexual, como oferecer uma promoção em troca de favores sexuais. Atenção sexual indesejada envolve expressões de interesse romântico ou sexual não correspondidas e ofensivas para o destinatário (por exemplo, toques indesejados). Por fim, assédio baseado em gênero envolve uma ampla gama de comportamentos verbais e não-verbais de cunho insultuoso, hostil e degradante direcionado a mulheres, como relato de histórias ou distribuição de imagens que diminuem mulheres em geral (Leskinen et al., 2011). Experiências de assédio sexual foram associadas a maior frequência de tentativas de suicídio entre médicas (Frank et al., 1998). Relatório recente, dos Estados Unidos, evidenciou que estudantes mulheres de medicina possuíam 220% mais chances do que as estudantes de humanas de sofrer assédio sexual por professores e funcionários (Fairchild et al., 2018). Nessa linha, estudo norte-americano, englobando 2.723 estudantes de medicina, ratificou as taxas alarmantes de assédio sexual: 82,5% das mulheres e 65,1% dos homens entrevistados revelou ter experienciado, pelo menos, uma situação de assédio sexual de colegas e professores, enquanto que 64,4% das mulheres e 44,1% dos homens reportou, pelo menos, uma experiência de assédio sexual causada por pacientes ou familiares de pacientes (Vargas et al., 2020). Destacou-se múltiplas características da profissão médica que justificam o risco aumentado de assédio sexual: domínio histórico masculino, posições hierárquicas fortemente estabelecidas e cultura de tolerância a maus-tratos (Fairchild et al., 2018). Diferentemente da discussão do artigo em questão, suicídio entre médicas e médicos transcende taxas de mortalidade padronizadas, trata-se, em última análise, de uma tragédia para a comunidade (Gold & Schwenk, 2020). Enquanto que o gênero é um fator predisponente/ não modificável do suicídio, repercussões rotineiras de carregar o status de mulher no meio médico, como ser vítima de assédio sexual, são fatores precipitantes de suicídio com potencial de modificação. Lamentável, portanto, que se tenha perdido oportunidade de trazer à tona tais questões em publicação internacional de alto impacto. * Biomédica, Doutora em Ciências do Comportamento e Psiquiatria pela UFRGS, Residente de Psiquiatria do Hospital São Pedro.

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COMITÊ DE PREVENÇÃO SUICÍDIO

Precisamos Falar sobre Suicídio Mês de Prevenção ao Suicídio - APRS

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Fernando Godoy Neves

este ano adverso com a pandemia da COVID-19, o Comitê de Prevenção de Suicídio da APRS centra suas atividades científicas aos associados e à população em prevenção e saúde mental no mês de setembro. A associada Graziela Smaniotto Rodrigues participará de atividade em parceria com a AMRIGS direcionada à comunidade com enfoque em doença mental e prevenção. Em parceria com a AMRIGS, ocorrerá atividade para a comunidade com enfoque em suicidalidade, pandemia e prevenção com Jader Piccin. Aos associados, ocorrerá atividade com Pedro Pan abordando a temática transdiagnóstica e suicídio

Atividade conjunta APRS AMRIGS

Pedro Pan

Humberto Correa

Jader Piccin

Estadiamento clínico como suporte ao diagnóstico psiquiátrico e ao manejo de pacientes em risco de suicídio

Suicídio em médicos

Suicidalidade em tempos de pandemia: o desafio da prevenção

UNIFESP

UFMG

HCPA

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A APRS cresce + Efetivos Aline Vollrath Bento Camila Genz Kistemacher Cristian Migliorini Greice Schleder Brkanitch Luciane Klein Mariana da Rocha Vargas Marlise Taborda Lopes Almeida Muriel Iandra Kubiak

+ Aspirantes Dhayse Clara Rodrigues dos Santos Simone Peccin Vivana Petersen

+ Residentes Ana Paula Feier André Sardi de Andrade Anna Martha Vaitses Fontanari Bárbara Ferreira Althoff Bruna Antunes Bonotto Bruna Danieli Menin Bruna Pasquali Cinthia de Oliveira Bernardo Cristine Weidmosch Pedro Daiana Eltz Martins Daniela Medeiros Calil Fernanda Golambieski M. da Silveira Gabriela Leal Rodrigues Gabriela Manfron Pellissari Giancarlos Brum Fornari Giovanni Michele Rech Gisely Baddal Nedeiros Borges Igor Dourado Pereira Ingrid Wallau Jean Carlo Cristofoli Flamia João Paulo Schreiner Corrêa João Pedro Gonçalves Pacheco 26

José Henrique Monteiro Neto Júlia Medeiros Cehrke Juliana Rigue da Silva Katiane Luiza Oliboni Laura Vargas Fleith Leilane Machado Camapum Liz Bittencourt Oliveira Lizandra Oliveira Rosado Lucas Dellazari Luiz Gustavo Mendes Coimbra Maria Letícia Artimonte Martin Romero Meller Patrícia Coelho Stumpf Paula Rambo Kochhann Rafael Azevedo Furlanetto Rafaela Bega Peixe Regina Manfroi de Souza Regis Franceschini Renata Kestering Santi Rodrigo Pereira Pio Sheila Schultz de Barros Thiago Henrique Roza Vanessa Nascimento de Abreu Vinícius Capodifoglio

+ Acadêmicos Alessandra Tomazeli Augusto Muller Fiedler Carolina Conte Simon Gabriele Winter Santana Jeovana Ceresa João Otávio Cazaubon Soares Martinez Júlio César Bisognin Lopez Lara Helena Zórtea Leonardo Futuro Luiza Gabriela Costa Natália Kerber, Taiane Marini Brandelli Talita Cristina Favero Tiago Cadore da Motta


Trends in Psychiatry and Psychotherapy

+ Jubilados Aldo Luiz Coelho Borges Duarte Angela Fleck Wirth Carmen Copetti de Almeida Cassio Castelarin Edison Seganfredo Pacheco Fernando Egidio Batista Oliveira Geraldo Rosito Heloisa Helena Poester Fetter José Samuel Sahagoff Laís Knijnik Laís Legg da Silveira Rodrigues Luiz Carlos Illafont Coronel Luiz Osvaldo Viola Coelho Paulo Seganfredo Renato Trachtenberg Roberto Gomes Rogério Frajndlich Sandra Regina Adams Solange Seidl Gomes Sonia Elisabete Soares Kunzler

A

revista científica Trends in Psychiatry and Psychotherapy foi fundada em 1979 com o nome de Revista de Psiquiatria do Rio Grande do Sul. Através do esforço de vários editores, recentemente, ela vem avançando internacionalmente. Em 2009, o nome da revista é modificado para o atual e, em 2015, ela foi indexada no Pubmed, ganhando visibilidade fora do Brasil. Em 2019, a revista foi indexada na Web of Science, vencendo os 24 critérios de qualidade para entrar nas “Emerging Sources”, que faz parte da coleção principal dessa plataforma. A revista é formada por dois editores chefes, dez editores associados e um editor gerente. O corpo editorial é formado por pesquisadores de diferentes áreas relacionadas à saúde mental de instituições nacionais e internacionais de destaque. Ives Cavalcante Passos e Rochele Paz Fonseca

Editores da Trends in Psychiatry and Psychotherapy

Acesso ao periódico

Trends in Psychiatry and Psychotherapy https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_issues&pid=2237-6089&lng=en&nrm=iso

Instruções para submissão: https://www.scielo.br/revistas/trends/iinstruc.htm

Theobaldo Oliveira Thomaz Vitor Jakobson 27


We are advertising a Congress to be held jointly by the Rio Grande do Sul Psychiatry Association (APRS) and Centro de estudos em estresse oxidativo - Laboratรณrio 32 - Biochemistry Department of the Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Our priority is the dissemination of applied scientific and clinical knowledge of the microbiome and its interactions with nutritional and behavioral aspects. The event will feature prominent researchers and professionals in the field, consisting of synchronous activities (lectures, round tables and presentations of oral works) and asynchronous activities (tutorials / lectures on demand and poster gallery). You will have the opportunity to learn from renowned experts, interact and share experiences online, with the possibility of sending your abstract for oral presentation or poster. Certificates will be awarded to participants.

Registration deadline: November 27th Limited audience! Registration type

Rate

Regular member. . . . . . . . . . . R$ 100 APRS associate. . . . . . . . . . . . R$ 50 Graduate student* . . . . . . . . . R$ 50 Undergraduate student** . . . . R$ 30

www.ceeoufrgs.com

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