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Sardoal é a capital do piano Pág. 23 REPORTAGEM

Um ano de Luna Hotel Turismo Pág. 8

/ JORNAL DE ABRANTES

CICLISMO

/ Abrantes / Constância / Mação / Sardoal / Vila Nova da Barquinha / Vila de Rei

Vila de Rei acolhe Grande Prémio de Portugal Nacional 2

/ Diretora Joana Margarida Carvalho JULHO 2018 / Edição nº 5569 Mensal / ANO 117

/ DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

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Móveis . Colchões . Sofás VÁRIAS PROMOÇÕES E BONS PREÇOS Pág. 24

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Ao lado da SAPEC, em frente às bombas combustíveis BP

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Um concelho, uma identidade

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NESTA EDIÇÃO JULHO DE 2018 EDIÇÃO Nº 44 www.estajornal.ipt.pt Gratuito · Periocidade Trimestral DIRETORA: HÁLIA COSTA SANTOS DIRETORA ADJUNTA: RAQUEL BOTELHO

Médio Tejo

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Aposta na profissionalização de jovens com oferta de trinta cursos diferentes em oito concelhos

FOTOGRAFIA HÁLIA COSTA SANTOS

O sucesso que mora na rádio, no blogue, na passerelle, no jogo ou na escola Na área da música, das viagens, da moda, do póker ou do associativismo, os jovens continuam a mostrar que os seus sonhos podem fazer a diferença. O sucesso resulta de uma inspiração, de um gosto, de um desafio, de uma necessidade ou até de um acaso. Aproveitando as oportunidades ou procurando novos caminhos, cinco jovens contam o seu percurso que pode ser visto como F p. 2, 3 e 8 uma inspiração. D FOTOGRAFIA DR

Carlos Bernardo, autor do blog“O Meu Escritório é Lá Fora”, faz o que mais gosta: viajar, criar e contar histórias.

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D F p. 2

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s dados estatísticos mostram que os cursos tecnológicos e profissionais têm menores taxas de retenção e de desistência do que os cursos científico-humanísticos gerais. Na região do Médio Tejo, tal como em todo o país, o número PUB

de estudantes reflete a descida da taxa de natalidade no passado recente, mas os cursos profissionais têm uma quebra menor do que os restantes. A formação profissionalizante em áreas como a restauração, a proteção civil, as artes e as

tecnologias, entre outras, atraem jovens que sabem que, depois destas formações, podem continuar para o ensino superior. Mas antes disso, têm a garantia de uma formação profissionalizante, com estágio F p. 3 a 6 integrado.

FOTOGRAFIA ZETÍLIA SEBASTIÃO

João Tavares, com o título de Instagram Star, é modelo e professor de passarela, mas começou por ser técnico de Hotelaria e Restauração.

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CULTURAL


REGIÃO / Abrantes

Abrantes celebra 102 anos evocando a cultura Abrantes assinalou no dia 14 de junho 102 anos de existência. O tema da Cultura foi o escolhido pelo Município para assinalar o Dia da Cidade. E foi na Galeria quARTel da Arte Contemporânea de Abrantes, coleção Figueiredo Ribeiro, que se procedeu à assinatura de um protocolo com a Fundação Serralves, à entrega do Prémio de Museu do Ano, recentemente atribuído ao Museu Metalúrgica Duarte Ferreira, de Tramagal, e à homenagem aos colaboradores do Município que celebram 25 anos de serviço e também àqueles que se aposentaram. Maria do Céu Albuquerque, presidente da Câmara Municipal, na presença do secretário de Estado das Autarquias, Carlos Miguel, agradeceu à Fundação de Serralves e explicou que Abrantes, enquanto Câmara Fundadora “passará a ter um conjunto de “benefícios”, regulados por um plano bianual de atividades que contemplará exposições anuais, visitas guiadas, programas pedagógicos e estágios, consultadoria nas áreas da arte contemporânea, da sensibilização ambiental e conservação de espaços públicos verdes, ações de formação para técnicos de jardinagem, entre outras iniciativas exclusivas e de utilização dos espaços

/ Assinatura do Protocolo. Ana Pinho, presidente da Fundação Serralves, lembrou que em 2017 a Fundação apresentou 25 exposições de Serralves”. De seguida, agradeceu à Associação Portuguesa de Museologia, “pelo prestígio que nos honra, que nos responsabiliza e nos desafia com o Prémio de Museu do Ano, recentemente atribuído ao Museu Metalúrgica Duarte Ferreira”. E por último, a edil endereçou os seus agradecimentos aos autarcas presentes, aos representantes das mais diversas entidades e aos co-

laboradores do Município. Maria do Céu Albuquerque falou de Cultura e disse que “a definição de uma estratégia de investimento cultural, científica e desportiva é a melhor aposta para um desenvolvimento harmonioso dos cidadãos, para a melhoria da sua qualidade de vida e para a criação de uma verdadeira dinâmica social”. O secretário de Estado das Autarquias Locais, Carlos Miguel, fez

referência a um pacote de 600 milhões de euros a acrescer para os Municípios, sendo para a região Centro, na qual Abrantes está integrada, “mais de 230 milhões de euros” para a educação, em concreto para os centros escolares, para a saúde, nomeadamente para os centros de saúde e para a cultura, sobretudo para a recuperação do património. “É nestas apostas que estamos

todos comungados, com interesses comuns e a trabalhar com vista no futuro”, disse Carlos Miguel, tendo elogiado a escolha do tema da Cultura para assinalar o Dia da Cidade de Abrantes. “A cultura tem cada vez mais peso naquilo que é a vida das pessoas. E numa altura como a nossa, em que todo e qualquer presidente de câmara procura ter um território que cative mais pessoas, um território que seja mais visível, onde se vai à procura daquilo que é diferente (…) aquilo que diferencia mesmo um território é a cultura”, reforçou o governante. As cerimónias iniciaram na praça Raimundo Soares, com o hastear da Bandeira nos Paços do Concelho com Maria do Céu Albuquerque, presidente da Câmara Municipal, António Mor, presidente da Assembleia Municipal e Carlos Miguel, secretário de Estado das Autarquias Locais. O Hino Nacional ouviu-se em uníssono pelos coros do Orfeão de Abrantes e da SAT – Sociedade Artística Tramagalense, acompanhados pelas Bandas Filarmónicas do concelho: Rio de Moinhos, Rossio ao Sul do Tejo, Alvega e Mouriscas. Joana Margarida Carvalho

S. João Baptista de La Salle dá nome a praceta Foi inaugurada no dia 17 de junho, a Praceta S. João Baptista de La Salle, patrono universal dos Professores, na Rua General Humberto Delgado, frente à Escola Dr. Manuel Fernandes. Uma intervenção no espaço público realizada pela Câmara de Abrantes, indo ao encontro de uma aspiração da Associação de Antigos Alunos do La Salle. Junto à placa que agora perpetua uma referência desta cidade, foi colocada uma coroa de flores, em homenagem aos fundadores, antigos professores, alunos e funcionários. Usaram da palavra, o Irmão Provincial da Península Ibérica, Esteban de Vega e a Presidente da Câmara Municipal de Abrantes. Esteban de Vega lembrou os fundadores e também a personagem incontornável do Irmão Luciano Paciente, que dirigiu e institucionalizou o colégio de Abrantes, tornando-o como o melhor do país. “É um momento único para a família Lassalista e para a marca que este colégio e seu corpo docente e discente fez pela cidade, pela região

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/ Maria do Céu Albuquerque e Esteban de Veja na inauguração da nova Praceta da cidade e pelo país. Desde o ano de 1959 até 1975, dois mil alunos, oriundos de todos os territórios de Portugal, sentiram-se abrantinos durante alguns anos e assim permanecem, e vão permanecer”, disse o Irmão Provincial da Península Ibérica. O espírito Lassalista e os valores

JORNAL DE ABRANTES / julho 2018

aprendidos também foram lembrado pelo Irmão Esteban perante as várias dezenas de antigos alunos e professores presentes que se deslocaram a Abrantes “vindos de África, Ásia, Europa e, naturalmente de Espanha e Portugal”. “Trazem na bagagem a amizade construída no

seu percurso escolar e um sentido profundo do espírito lassalista de tolerância, de empreendimento social, de defesa de uma educação inclusiva e de espiritualidade”. “Valeu a pena!”, acrescentou, pois “os valores de La Salle aqui aprendidos, são do passado, do pre-

sente e do futuro e serão fecundos para as nossas sociedades”. O perpetuar da memória e dos valores incutidos nos anos vividos no La Salle também foram evocados pela presidente da Câmara Municipal de Abrantes. Maria do Céu Albuquerque falou da aposta que, na altura foi feita na educação, e na homenagem que faltava fazer ao La Salle. Maria do Céu Albuquerque salientou o compromisso da autarquia em continuar a apostar na educação e na formação, honrando o legado desta e de outras escolas que continuam a ser uma referência em Abrantes. “À semelhança do que acontecia há 70 anos atrás, é esta a perspetiva de que temos que continuar a fazer aposta na educação e na formação”, disse. Maria do Céu Albuquerque referiu-se ao facto de antigos alunos e professores do La Salle se sentirem abrantinos e lembrou as palavras de Marcelo Rebelo de Sousa que apelidou as gentes de Abrantes como “forças da natureza”.


REGIÃO / Abrantes

EPDRA divulga oferta formativa sob o lema “Qualificar…É Crescer!” Qualificar…. É crescer! É este o lema da EPDRA, Escola Profissional de Desenvolvimento Rural de Abrantes, com sede na Herdade da Murteira, Mouriscas para o próximo ano letivo. O estabelecimento de ensino já divulgou os cursos profissionais que estarão disponíveis e que vão desde as áreas da Agropecuária, Gestão Equina, Ambiental e Rural e Cozinha e Pastelaria. Para além dos cursos profissionais, a EPDRA disponibiliza Cursos de Educação/Formação, tipo 2 de Operador Agrícola e Padeiro e Pasteleiro. João Quinas, diretor da Escola, começou por explicar que a oferta formativa não oscila muito do ano letivo 2017/2018, porque na verdade os cursos dependem da aprovação da tutela. “As escolas profissionais acabam por ver uma limitação na sua oferta porque só estamos autorizados a abrir as ofertas formativas que tivemos nos anos anteriores”.

Em jeito de exemplo, João Quinas focou a área florestal como sendo uma área prioritária para a escola, mas que não recolheu a aprovação por parte do Ministério da Educação. “Este ano, tentamos pôr uma formação na área da floresta, sendo que até tivemos formação nessa área, contudo, o índice de

relevância que ficou definido para o curso é muito baixo. Portanto, infelizmente estamos sempre muito limitados aquilo que é o nosso histórico”. Segundo João Quinas, os cursos profissionais da EPDRA “têm tido boas saídas profissionais”. “Nós temos feito alguns estudos

acerca da empregabilidade destes cursos e, quer o curso de Gestão Equina, quer o curso de Agropecuária, têm níveis de empregabilidades bastante elevados, ou seja, são cursos cuja a empregabilidade se situa entre os 80%. Quando terminam, cerca de 80% dos alunos ingressam no mercado de trabalho”, salientou

o diretor. Por sua vez, ao nível da área do Turismo, há menos empregabilidade. Explica João Quinas que muitos dos jovens, após a passagem pela EPDRA, procuram a formação superior e depois não têm saídas profissionais. Contudo, João Quinas lembrou que “a área do Turismo está em franca expansão, sendo um dos setores que mais cresceu em Portugal e juntamente com o Turismo está a área da Restauração”. O curso de Restauração tem também muito boa aceitação no mercado de trabalho. “É um curso que temos há pouco tempo, mas é um facto que os alunos quando terminam são rapidamente solicitados”, garantiu. Para além da oferta formativa, a EPDRA conta com Subsídios de Alojamento e alimentação; Bolsas de profissionalização e Estágios Internacionais. Joana Margarida Carvalho

Entidades instituem parceria para funcionamento de cursos profissionais Foi assinado no dia 7 de junho, na Escola Octávio Duarte Ferreira, um protocolo entre a Câmara de Abrantes, a Junta de Freguesia de Tramagal, o Agrupamento de Escolas nº 2 de Abrantes e as empresas Mitsubishi Fuso Truck Europe e Futrimetal, empresa do Grupo Diorama. O protocolo institui a relação de cooperação entre as 5 entidades de forma a assegurar o funcionamento dos cursos profissionais Técnico de Soldadura e Técnico de Manutenção Industrial de Metalurgia e Metalomecânica (nível IV), em articulação com o tecido empresarial, permitindo aos futuros alunos o contacto com a realidade e a futura profissão, logo a partir do 1º ano. Os dois cursos serão lecionados na Escola Básica e Secundária Octávio Duarte Ferreira, já a partir do próximo ano-letivo. Como fator de inovação, os alunos vão usufruir de formação em contexto de trabalho nas empresas instaladas no Tramagal, Mitsubishi Fuso Truck Europe e Futrimetal. Na cerimónia, Joaquim Dias Amaro, presidente da Futrimetal, salientou que o momento marcava um “dia importante para o

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/ Victor Hugo Cardoso, presidente da JF de Tramagal, Celeste Simão, vereadora da CMA, Alcino Herminio, diretor do Agrupamento nº2, Jorge Rosa e Joaquim Dias Amaro Tramagal e para a Escola Básica e Secundária Octávio Duarte Ferreira”, mas também para si, pois, perante os presentes, referiu que a assinatura do protocolo era um desejo seu e de Jorge Rosa, CEO da Mitsubishi Fuso. Jorge Rosa fez referência ao fac-

JORNAL DE ABRANTES / julho 2018

to da Mitsubishi Fuso ter estado desde “a primeira hora com esta ideia [o ensino profissional] e estará enquanto a comunidade quiser e a escola nos quiser”, afirmou o CEO, tendo vincado que a empresa “tudo fará para que este projeto seja um sucesso”.

Recorde-se que a Câmara Municipal de Abrantes aprovou a assinatura do protocolo para o desenvolvimento no contexto laboral de cursos profissionais de Técnico de Soldadura e Técnico de Manutenção Industrial de Metalurgia e Metalomecânica, a funcionar no

próximo ano letivo na Escola Octávio Duarte Ferreira, em Tramagal, na reunião de câmara, do dia 29 de maio. Na ocasião, Celeste Simão, vereadora da CMA, explicou que o projeto surgiu “tendo em conta as necessidades do tecido empresarial, aquilo que os jovens vão procurando no ensino profissional, como uma oportunidade e tendo em conta todo o trajeto que temos vindo a percorrer, avançou-se com este projeto uma vez que também temos um complexo industrial na zona de Tramagal”, justificou a vereadora, dando conta que as empresas daquele complexo têm tido dificuldade em encontrar mão de obra especializada. Celeste Simão referiu ao JA que a Escola Básica e Secundária Octávio Duarte Ferreira “oferece” condições para a receção dos cursos profissionais, pois já tem algum “equipamento que dá resposta” aos mesmos. A vereadora considerou ainda que este poderá ser o início “de um projeto muito bom, assim os alunos apareçam”. Joana Margarida Carvalho


REGIÃO / Abrantes

Armindo Silveira, vereador do Bloco de Esquerda na Câmara Municipal de Abrantes, voltou a mostrar-se preocupado acerca dos atos de vandalismo que têm ocorrido no primeiro piso do Centro de Associações Desportivas, sediado no edifício da Rodoviária do Tejo. Após ter denunciado a situação publicamente nas redes sociais, na reunião de Câmara, no dia 19 de maio, o vereador bloquista voltou a manifestar a sua preocupação junto do executivo camarário, tendo referido “que não se pode estar à espera de um plano para aquela área. Não se pode ficar à espera, tem de se intervir”, vincou. Armindo Silveira recomendou ainda “pequenas intervenções”, levadas a cabo pelos serviços municipais, que permitam a melhoria do espaço, considerando que “não basta” [a cidade] “receber prémios, é preciso olhar para os seus espaços”. Manuel Jorge Valamatos, vereador na Câmara Municipal de Abrantes (PS), começou por confirmar que “sistematicamente” as infraestruturas que estão no Centro de Associações Desporti-

vas, “sobretudo as sanitárias, são vandalizadas”. “Temos assistido ali, com uma enorme frequência, a atos de vandalismo, onde destroem as instalações sanitárias, mas também a outros tipos de situações, inclusivamente a alguns assaltos”, contou o vereador, dando conta que a “PSP sabe destes acontecimentos” e tem ajudado a Câmara, com “ações dissuasoras”. Segundo o responsável, a Câmara quer fechar o primeiro piso da-

quele edifício e realizar um acesso que permita a passagem e a ligação entre o parque de estacionamento e a rodoviária. “Temos que rapidamente sectorizar o primeiro andar só para as associações. E temos de fazer um acesso do parque de estacionamento ao centro coordenador dos transportes no piso zero”, referiu o vereador, dando conta que “a Rodoviária do Tejo tem uma sala de espera para os seus utilizadores, casas de banho e todas as condições de receção dos seus clientes, para aqueles que chegam ou partem de Abrantes. Portanto, o que temos de fazer rapidamente é fechar a parte de cima à utilização do público em geral”. Manuel Jorge Valamatos reconhece que os atos de vandalismo são “fáceis de acontecer”, pois o espaço está constantemente aberto. Contudo, garantiu que “a Câmara está envolvida num processo de reestruturação do espaço envolvente ao centro coordenador de transportes no sentido de melhorar aquilo que houver para melhorar”. Joana Margarida Carvalho

Valnor e Município lançam campanhas ambientais de solidariedade social Sob o tema “Separar é Cuidar do Ambiente”, foram lançadas, no dia 7 de junho, duas campanhas de solidariedade social intituladas “A sua Ajuda é Fundamental” e “Ajude-nos a ajudar – os bombeiros merecem”, numa parceria entre a Valnor e a Câmara Municipal de Abrantes e que vai prolongar-se até ao final do ano. Manuel Jorge Valamatos, vereador e presidente dos Serviços Municipalizados de Abrantes, alertou para o aumento da quantidade de lixo e da questão de os custos estarem afetos à fatura da água. Agora, há uma nova proposta que inclui IPSS’s (Instituições Privadas de Solidariedade Social) e também os Bombeiros Voluntários de Abrantes. Manuel Jorge Valamatos explicou também o que podem os munícipes fazer e de como as instituições e os Bombeiros podem participar para ajudar, “sendo polos de receção de cartão, plástico ou vidro. Depois temos a especificidade dos Bombeiros serem a entidade que vai receber pilhas”. Nuno André Heitor, administrador da Valnor, falou da necessidade de explicar a pertinência da reciclagem, pois “há muitos resíduos que, colocados no contentor, acabam por

ir parar a aterro”. O administrador da Valnor explicou as duas campanhas em curso e de como Bombeiros e IPSS’s podem contribuir para mais e melhor reciclagem, sendo depois recompensados por isso. “Uma das campanhas é focada nas pilhas e o que propusemos aos Bombeiros é que sejam eles a fazer essa separação. Nós não temos interesse em receber as pilhas juntamente com os resíduos normais porque isso vai contaminar o composto” que a Valnor produz em Avis e que deixa de poder ser utilizado na agricultura. Paralelamente à campanha “Ajude-nos a ajudar – os bombeiros merecem”, “nós também temos recebido muitos pedidos de apoio por parte de instituições e pensámos numa forma de podermos colaborar e sermos parceiros”. Foi desta intenção que nasceu a campanha “A sua Ajuda é Fundamental”. O formato é idêntico mas, nesta parceria com as IPSS’s, trata-se de “uma campanha de troca de recicláveis por um valor monetário. O que propomos é que as instituições interessadas se possam inscrever e por cada tonelada de material que é separado, convertemos em valor monetário”. Patrícia Seixas PUBLICIDADE

Vereador alerta para degradação do Centro de Associações Desportivas

julho 2018 / JORNAL DE ABRANTES

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REGIÃO / Abrantes

/ Inaugurado a 2 de junho de 2017 pelo primeiro-ministro António Costa

/ Tânia Evaristo, a diretora geral

Um ano de Luna Hotel Turismo em Abrantes: “Está a superar as expetativas” Reabriu com pompa e circunstância e mostrou à cidade a sua nova cara. No dia 2 de junho de 2017, o primeiro-ministro António Costa inaugurava oficialmente o Luna Hotel Turismo. Passado um ano, fomos saber como está a atividade da unidade hoteleira pela qual Abrantes tanto ansiou. Tânia Evaristo é a diretora geral e está em Abrantes há três meses. “Está a superar as expetativas para este primeiro ano de laboração e o Grupo Luna está muito satisfeito com o investimento que fez em Abrantes”, começou por nos dizer a diretora, que acrescentou estar a ter “bastante procura, quer a nível corporativo, grupos e mesmo famílias”. O balanço é, portanto, “muito positivo e o feedback tem sido muito bom. As pessoas gostam do hotel, do nosso serviço e continuamos a crescer”. Maioritariamente, “o nosso mercado é corporativo, ou seja, pessoas que vêm a trabalho para esta região e que ficam aqui connosco. Os nossos maiores picos de ocupação são de segunda a sexta, mas já começa a existir alguma procura de clientes ao fim-de-semana, muitos deles motivados por eventos como casamentos, batizados ou outras festas”. O Hotel Turismo de Abrantes abriu em 1954 e o Grupo Luna, na remodelação, fez questão de manter as caraterísticas da época, especial-

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mente no que respeita à decoração e “resultou muito bem”. “A ideia do Grupo foi renovar com o conceito de Boutique Hotel e está muito bem conseguido, com uns lustres lindíssimos, mobiliário enquadrado com a motivação que se pretende para a decoração do Hotel”. Tânia Evaristo conta que, “quem conheceu o antigo Hotel Turismo, é inevitável que faça uma associação e dizem que está clássico mas está bonito”. Os que chegam pela primeira vez, “a maioria gosta da decoração”. Mas há quem faça perguntas e “não perceba porque é que as casas de banho não são maiores. Aí temos que explicar que recuperámos um hotel de 1954 e tivemos algumas limitações em relação ao espaço que pudemos utilizar”.

Bar e restaurante abertos ao público

Uma das grandes apostas do Luna Hotel Turismo é na gastronomia tradicional da região “e mantem-se”. A carta gastronómica do Luna Hotel Turismo apresenta pratos como “sável com açorda de ovas, javali, borrego… uma carta muito rica em termos das influências desta região mas também com um toque da cozinha nacional e um bocadinho do toque da nossa chef Paula Jurado, que com todo o seu amor e paixão à cozinha, que transforma o que apresentamos”. Mas esta área vai sofrer algu-

JORNAL DE ABRANTES / julho 2018

mas alterações. A carta vai ser alterada já no início deste mês de julho. No entanto, explica Tânia Evaristo, “vamos manter aqueles pratos que são as colunas vertebrais e que têm sido os grandes sucessos da nossa procura mas vamos introduzir novidades com alguns pratos mais internacionais. Até porque temos muitos clientes estrangeiros que nos pedem uma massa ou um arroz e vamos ter que adicionar”. Para os mais distraídos ou que ainda não foram conhecer o Luna Hotel Turismo, a diretora convida à visita do Restaurante Panorama para que “as pessoas conheçam este nome”. “Não é só o restaurante do Hotel, é um restaurante que tem a sua identidade, a sua oferta e a sua imagem” próprias. Esta procura do restaurante tem estado a correr muito bem, “principalmente ao domingo. Já se criou quase que uma rotina de clientes habituais que vêm ao domingo para o nosso buffet e tem sido um sucesso”. Principalmente quando a carta apresenta o “prato rei: o cabrito assado”. Já no que concerne ao bar, parece que os abrantinos ainda não se aperceberam que há um novo espaço na cidade do qual podem desfrutar. “O que noto desde que cá estou, há três meses, é que as pessoas têm a perceção que o bar do Hotel é só para hóspedes. Quando digo a algumas pessoas para aparecerem

e trazerem os amigos, percebo que muitas delas ficam surpresas. Mas o bar está aberto ao público e pronto para receber todos”. Contudo, há quem tenha “descoberto” o espaço e o aproveite para ver os jogos do Mundial de futebol pois o bar do Hotel tem um écran gigante, ideal para não perder pitada do que está a acontecer na Rússia. O Hotel de Abrantes está aberto ao público há um ano e Tânia Evaristo já consegue perceber que era algo de que se sentia necessidade. “Muitas pessoas ligadas ao mercado empresarial nos dizem que antes tinham que ficar noutras cidades da região porque não existia aqui próximo nada com qualidade ou em que sentissem a confiança para desenvolverem os seus eventos, como reuniões de trabalho, formações, reuniões de quadros… e até mesmo de clientes locais pois temos tido muita procura para batizados e receções de casamentos”, avança a diretora.

As piscinas e o novo pavilhão de eventos

Outra das grandes recuperações levadas a cabo pelo Luna Hotel aconteceu no espaço exterior, nomeadamente nas piscinas. “A piscina está terminada e o bar da piscina também já está a funcionar”. Tânia Evaristo acrescenta que este “foi um equipamento que foi adquirido pelo Grupo para fazer

parte do Hotel e pelo qual todos os abrantinos têm um carinho muito especial pois já sei que faz parte da história de todos”. Quanto à dúvida se voltaria a abrir ao público, a diretora esclarece “que é exclusivo para clientes”. Até ao final do ano, o Luna Hotel Turismo terá mais uma oferta para a comunidade. Vai entrar em construção o pavilhão de eventos, na plataforma junto à piscina, “pois neste momento temos a limitação do restaurante ser demasiado pequeno para grandes eventos. Estima-se que irá ter capacidade, em banquete, até 200 pessoas e servirá para dar resposta a alguns pedidos que, neste momento, somos obrigados a recusar”. A classificação de 4 estrelas, atribuída já este ano pelo Turismo de Portugal, “foi o confirmar da aposta feita pelo Grupo” e “acrescenta muita responsabilidade pois a exigência do cliente é maior”. À pergunta “daqui a um ano, onde vê o Luna Hotel Turismo?”, Tânia Evaristo afirma sem reservas que estará “numa escala ascendente, com capacidade de fazer eventos ainda mais memoráveis e com o mesmo nível de serviço ou ainda superior ao que já apresentamos. Existem sempre margens para melhorias e vejo o crescimento a continuar”. Patrícia Seixas


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REPORTAGEM /

Passageiros do Abusa são maioritariamente idosos “Deus queira que nunca acabe” Todos os dias do ano

/ Jorge Bento motorista do ABUSA

/ Antónia Machado

/ Os passageiros apreciam o transporte “Abusa” é o nome dado ao serviço de transporte urbano implantado no Centro Histórico de Abrantes. Surgiu em março de 2014. O veículo não possui paragens nem trajeto definido. A rota é repetida a cada meia hora, mas pode demorar mais dependendo do trânsito, das pausas dos motoristas e das necessidades dos passageiros. A maioria dos passageiros são idosos. Alguns têm dificuldades em andar longos percursos. Manuela Leitão é passageira frequente: “Eu uso o Abusa praticamente todos os dias, para mim é tudo.” O miniautocarro branco com tons azuis tem capacidade para transportar 25 passageiros. Para além de 15 lugares sentados e de poder levar mais nove passageiros em pé, este transporte público abrantino é adaptado para passageiros de mobilidade reduzida, através de rampa de acesso, podendo transportar uma pessoa em

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cadeira de rodas. Jorge Bento é um dos quatro motoristas que conduz o Abusa. Explica que a utilização é muito fácil, depende apenas da aquisição de bilhete: “O Abusa é para quem quiser utilizar. Qualquer pessoa, sempre que quiser, pode utilizar o Abusa.” A compra do bilhete pode ser feita no Gabinete Mais Rua, da Câmara Municipal, mas no próprio autocarro também se pode adquirir, junto do motorista. No autocarro o bilhete inteiro tem o custo de 60 cêntimos e meio bilhete é a metade do preço. Os bilhetes pré-comprados no gabinete são 20 cêntimos ou 2 euros (se quiser optar pela compra de um bloco de 10 bilhetes), que é válido apenas para os residentes do centro histórico, pessoas com idade superior a 65 anos, com carência económica, portadores de deficiência e estudantes. Para os outros passageiros, o bloco que dá direito a dez viagens

JORNAL DE ABRANTES / julho 2018

/ Manuela Leitão custa 4 euros. Este tipo de transporte tem algumas particularidades. O ambiente entre motoristas e passageiros é já de alguma proximidade. Alguns dos passageiros são mesmo amigos de infância, o que faz com que as caras, os sorrisos e os olhares sejam os de sempre. A cumplicidade e a intimidade entre eles fazem parte das viagens. O entra e sai é contínuo, o motorista fica feliz com a agitação e a interação que paira no ar. Sem falar das conversas paralelas entre o motorista e os passageiros, que é contagiante. “A gente conhece todos e todos eles são espetaculares. Os nossos ‘chauferes’ são maravilhosos, não pergunte qual deles é melhor, porque são todos muito bons” - diz a simpática passageira Maria Ribeiro. Relembra, juntamente com sua amiga Antónia Machado, o dia da inauguração do Abusa: “Antes era mais pequeno.”

Apesar de um dos objetivos deste transporte residir na rapidez, a calma reina. O motorista Jorge Bento explica: “Às vezes demoramos mais por causa da idade das pessoas, visto que 90% das pessoas que usam o Abusa são já idosas. Há pessoas que para entrar precisam de uma ajuda, e para descer também. Por isso, não temos horários fixos.” Para uma boa circulação e um ambiente descontraído, Bento explica que “é necessário o respeito mútuo”. Para Maria do Carmo, o pequeno transporte “tinha que fazer uma volta maior, e além da cidade”. Já Maria Ribeiro acha tudo muito bom, “facilita muito, porque não temos carro. Eu uso o Abusa uma vez por dia. Uso às vezes para ir aos convívios. Compensa muito. Deus queira que nunca acabe.” Antónia Machado acrescenta: “o Abusa é maravilhoso”.

“Contribuir para facilitar a mobilidade, criar maior interligação com a rede urbana existente, melhorar a interligação com os parques de estacionamento e conferir aos cidadãos um modo de transporte rápido, económico, seguro e cómodo” foram os objetivos definidos pela Câmara Municipal de Abrantes para criar o Abusa. Margarida Ferreira, a responsável pelo Gabinete Espaço Mais Rua de Abrantes, explica que o Abusa se insere numa estratégia de “procura de uma melhoria contínua das condições que o município pode oferecer aos seus munícipes, da qualidade social, estimular o uso de transporte coletivo em vez de um determinado transporte individual”. O pequeno meio de transporte público para em qualquer lugar e hora, desde que o passageiro faça sinal e este se encontre no seu horário de funcionamento. Aos dias úteis, entre as 8h00 até às 20h00, e aos fins de semana e feriados (incluindo o Natal e outros dias festivos) entre as 9h00 e as 15h00. O trajeto tem início na Avenida dos Defensores de Chaves, percorre as ruelas pré-definidas pela Câmara, como o centro histórico, de modo a passar pelos locais onde é esperado haver mais utilizadores: o Hospital, a Biblioteca, a Esplanada, o Largo 1º de Maio, o Castelo, a Câmara Municipal de Abrantes, as Finanças, o Tribunal, a Unidade de Saúde Familiar, a Zona de Comércio Tradicional, a Ferraria, o Cineteatro São Pedro, a Sant’Ana, a Rotunda da Liberdade, a Av. 25 de Abril, a Rua de Angola, o Chafariz, a Praça Barão da Batalha, o Jardim da República, os Quinchosos, sendo alargado aos fins de semana e feriados, ao Cemitério de Santa Catarina e ao Parque Urbano de S. Lourenço. Texto e fotos de Zetília Sebastião Aluna de Comunicação Social da ESTA


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JULHO DE 2018 EDIÇÃO Nº 44 www.estajornal.ipt.pt Gratuito · Periocidade Trimestral DIRETORA: HÁLIA COSTA SANTOS DIRETORA ADJUNTA: RAQUEL BOTELHO

Médio Tejo

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Aposta na profissionalização de jovens com oferta de trinta cursos diferentes em oito concelhos

FOTOGRAFIA HÁLIA COSTA SANTOS

O sucesso que mora na rádio, no blogue, na passerelle, no jogo ou na escola Na área da música, das viagens, da moda, do póker ou do associativismo, os jovens continuam a mostrar que os seus sonhos podem fazer a diferença. O sucesso resulta de uma inspiração, de um gosto, de um desafio, de uma necessidade ou até de um acaso. Aproveitando as oportunidades ou procurando novos caminhos, cinco jovens contam o seu percurso que pode ser visto como F p. 2, 3 e 8 uma inspiração. D FOTOGRAFIA DR

Carlos Bernardo, autor do blog“O Meu Escritório é Lá Fora”, faz o que mais gosta: viajar, criar e contar histórias.

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s dados estatísticos mostram que os cursos tecnológicos e profissionais têm menores taxas de retenção e de desistência do que os cursos científico-humanísticos gerais. Na região do Médio Tejo, tal como em todo o país, o número PUB

de estudantes reflete a descida da taxa de natalidade no passado recente, mas os cursos profissionais têm uma quebra menor do que os restantes. A formação profissionalizante em áreas como a restauração, a proteção civil, as artes e as

tecnologias, entre outras, atraem jovens que sabem que, depois destas formações, podem continuar para o ensino superior. Mas antes disso, têm a garantia de uma formação profissionalizante, com estágio F p. 3 a 6 integrado.

FOTOGRAFIA ZETÍLIA SEBASTIÃO

João Tavares, com o título de Instagram Star, é modelo e professor de passarela, mas começou por ser técnico de Hotelaria e Restauração.


Carreiras 02

João Cláudio Mendes Tavares, de 20 anos, 1,88m de altura, foi o modelo que representou Portugal na final mundial do concurso Elite Model Look 2016. Ganhou o título de Instagram Star. O modelo e professor de passarela começoupor ser técnico de Hotelaria e Restauração. Foi no estágio, numa Pousada, que foi “descoberto”. É natural de Cabo-Verde, de onde veio em 2010. Apesar de ainda sentir que os jovens com peles mais claras possam ter mais oportunidades, reconhece: “há sempre pessoas que nos apoiam, arranjam-nos trabalhos e não olham para o nosso tom”. ZETÍLIA SEBASTIÃO ESTA D COMUNICAÇÃO SOCIAL

O que achas que te caracteriza como modelo e te diferencia dos outros? Individualmente acho que é ser eu mesmo. Quando estou a trabalhar tento ser o mais profissional possível, mas tento ser sempre eu. Mesmo que tenha de estar no papel de outra pessoa. Há sempre uma coisa minha lá. Faço dentro daquilo que me pedem, sendo eu mesmo. E acho que isso acaba por ser bom, outros acabam por gostar. Também acho que o meu tom de pele, o meu sorriso e, essencialmente, o meu cabelo, ajudam imenso. Normalmente os negros têm cabelos pretos, mas o meu cabelo e os pelos são castanhos e no verão tornam-se mais claros. Estava nos teus planos vir a ser modelo? Não. No início eu não gostava, mas agora não vivo sem a moda. Quando e como te tornaste membro da Elite Model? Há cinco anos estava com uma altura acima do normal. As pessoas diziam-me que devia tentar, mas como era uma área que não me chamava a atenção não dei muita importância. Isso foi até à altura em que comecei a estagiar em Hotelaria no Algarve, na Pousada Palácio de Estói. Enquanto eu servia, apercebi-me que, no grupo, havia uma senhora francesa a apontar o telemóvel na minha direção. Fingi não perceber, porque não sabia se ela estava só a mexer no telemóvel ou a tirar fotos e gravar. No final do jantar a senhora pediu para me chamarem. Disse-me que já tinha tirado fotos e gravado alguns vídeos. E que iria tentar fazer um book em França. Eu estava meio à toa, nem sabia do que falavam. A partir daquele momento muita gente começou a incomodar-me dizendo “vai, vai.” Então eu decidi tentar. Através da internet inscrevi-me no site da Elite Model e depois de uma semana chamaram-me para ir à agência. Fui fazer um casting e fiquei à espera do resultado durante duas ou três semanas, até pensei que não me chamassem mais. Quando me chamaram, disseram-me que tinha a possibilidade de participar num concurso. Eu não sabia nada, ainda não estava enquadrado no assunto. Aceitei participar no concurso Elite Model Look 2016. Quando lá cheguei perguntei-me a mim mesmo: o que estou aqui a fazer? Porque eu estava perdido, não sabia nada. E os meus colegas eram

arranjam-nos trabalhos não olham para o nosso tom de pele. O preconceito tem vindo a diminuir. Em 2010, quando eu cheguei, havia pais que incentivavam os filhos a não aceitar os negros. Hoje em dia, já podemos ver muita mistura. A mentalidade mudou bastante. E o racismo passou a ser mútuo. Eu acho que a raça negra ainda está muito presa ao colonialismo. E isso acaba por agravar a situação. Mas o que os nossos antepassados sofreram, foram os nossos antepassados, não fomos nós. O que mudou na tua vida, depois de teres participado em várias etapas da Elite Model representaando Portugal internacionalmente? Como foi a experiência e a sensação de estar entre os 62 finalistas oriundos de 36 países?

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L “À espera

de resposta de castings, João Tavares ensina jovens a desfilar”

todos bonitões e garanhões. Como natural de Cabo Verde, o que sentiste quando soubeste que ganhaste a Elite Model Look e que irias representar Portugal na final mundial? Antes do concurso desfilamos muitas vezes. Já cansados só esperávamos o resultado. O primeiro nome a ser chamado foi o meu. Fiquei sem reação. Lembro-me que, na altura, me ques-

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“O preconceito tem vindo a diminuir”

tionei-me sobre porque não poderia representar Cabo Verde, uma vez que sou de lá. E eu adoro Cabo Verde, meu país de coração. Mas depois percebi que a minha vida está a ser feita aqui. Estando a representar Portugal, não estou a deixar de lado o meu país. Já sentiste que não iria resultar devido ao tom da sua pele? Já alguém foi preconceituoso contigo? Óbvio que sim. Muitos acham que não, mas é complicado para as New faces (novatos) conseguirem trabalhar tanto como pessoas de pele mais clara. Aqui em Portugal ainda está um bocadinho complicado trabalharmos diretamente. É óbvio que há sempre pessoas que nos apoiam,

Tudo mudou. Algumas pessoas passaram a olhar para mim de forma diferente. Até dizem que não devo lidar com certas pessoas nem andar de fato de treino porque sou famoso. Embora já tivesse trabalhado com o público em Hotelaria, eu não estava habituado. Se no nacional já foram as pessoas que foram, no internacional tínhamos cerca de 3000 pessoas a assistir. Quando eu entrei para desfilar ouvi aquele barulho e fiquei tímido. Nós não podemos olhar diretamente para o público, apesar de sabermos que ele está lá. O barulho e a visão periférica que temos é estonteante. Qualquer rapaz no teu lugar sentir-se-ia o máximo. Tens fotos com o Goucha, Cristina, Ana Sofia, entre outras caras portuguesas conhecidas a nível nacional. Já te sentes enquadrado no meio ou nem por isso? De um certo modo sim. Porque percebe-se que temos que nos integrar de alguma maneira para trabalharmos nessa área. Tanto a Cristina como o Goucha são muito boa gente. Pelo menos pelo pouco que eu conheci. Quais são os teus projetos atuais e futuros? Neste momento sou professor de passarela de meninos entre os dois e os 12 anos. Eles têm-me surpreendido bastante. Estou à espera de respostas de alguns castings que eu fiz. Atualmente estou a trabalhar com a modelo e atriz Sofia Aparício, uma das atrizes de referência em Portugal. O meu sonho pode ter nunca ter sido modelo, mas sempre quis ser ator. g

ESTA JORNAL

Não há sorte, nem azar: há póker D

“Não vivo sem a moda”

JULHO 2018

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VITÓRIA SIMÕES ESTA D COMUNICAÇÃO SOCIAL

Cartas na mesa. Hora do jogo! Francisco Lopes é jogador de póker há cinco anos. Com 24 anos ganhou 47 mil euros no torneio da World Poker Tour (WPT), em Vilamoura, e um passe para o torneio de Berlim. Francisco viu o póker na televisão, interessou-se e começou a estudar as regras do jogo. Comprou livros e leu tudo o que encontrou na internet. Isto, no final do 12º ano. No final do ano já levantava 200 e 300 euros no jogo. De lá para cá, não parou mais. O rapaz do Pego, Abrantes, que começou com torneios de 50 cên- L “A matemática é importante” timos, hoje joga em salas em Londres, Barcelona, Marbella e na relação com o ambiente e a tensão. que é chamada de “Vila do Póker”, na “Os jogadores de póker não gostam República Checa. de casino, há muito barulho e menos Acompanhado pela namorada, concentração”, diz. Contudo, dá a Bárbara, que também joga casual- dica de que os jogos ao vivo valem mente, Francisco conta como é o mais a pena quando se aposta alto. estilo de vida nesta profissão. “Nor- “São mais fáceis e ganha-se mais malmente acordo às horas que as dinheiro”. pessoas normais estão a almoçar, Quando questionado sobre a dinâmimas é porque jogo durante a noite.” ca numa equipa de póker, afirma que Explica que isto acontece porque não tem a ver com a representação normalmente os jogos são feitos no num jogo ao vivo ou online. “Cada horário pós-laboral. Também afirma um joga por si”, esclarecendo no que que o jogo é muito mais complexo consiste a formação de uma equipa: do que se imagina. “Toda a gente são pessoas que jogam juntas, evoacha que é um jogo de sorte e azar”, luem umas com as outras. E commas “quem joga tem sempre que pleta que “isto, às vezes, envolve dar estar a explicar que não é”. uma percentagem dos lucros a quem O ponto preferido da profissão é a joga melhor e ensina”. flexibilidade de horário. Mas o joga- Aprendizagem é a palavra-chave sodor afirma que nem tudo é só jogos e bre a importância da equipa, é o que vitórias. Depos dos jogos revê as mãos, pensa Francisco. Sobre a sua partiestuda as estatísticas cipação no WPT no e, mais uma vez, reaCasino de Vilamoura, firma a importância da o jogador mostra-se dedicação. “O estudo é realista e tranquilo. fundamental, a mate- “Os jogadores de “Tomei as decisões mática é importante.” tomaria num póker não gostam que O póker pode ser jotorneio qualquer, gado por qualquer de casino, há muito tento sempre jogar pessoa. Basta jogar. barulho e menos da mesma maneira.” Mas nem todos o Assume que não conconcentração” seguiu pensar nada aguentam. Para além dos estudos necessáno momento, mesmo rios - e da matemátitendo a consciência ca que é sempre vando valor do prémio. A tajosa - é preciso que justificação para tana chama da paixão ta tranquilidade num esteja alta, porque, às vezes, como torneio de tanta magnitude vem pelas referiu Francisco, é… chato. palavras de Bárbara: “Para um jogaSendo uma profissão como outra dor perder um torneio de 100 euros qualquer, há dias bons e dias maus. ou de 5.000 é igual. É a sensação de “Muitos dias vai-se trabalhar e no perder, é sempre um vazio.” final tem-se menos dinheiro do que Com vitórias ou derrotas, o dia acaantes”, por isto é preciso que haja ba igual: Francisco, em frente a dois uma boa gestão do dinheiro. “Pode- ecrãs de computador. Num deles, mos estar há dois meses sem perder joga. No outro, vê as suas estatísticas, ou há dois meses sem ganhar nada”. refaz mãos, pede opiniões de coleE o sucesso não é para todos: “Só em gas. Porque, citando a frase que tem torno dos 2% dos jogadores é que como pano de fundo num dos ecrãs, ganham mesmo muito dinheiro.” o jogador sabe bem que “o trabalho Francisco explica como decorrem os duro bate o talento quando o talento jogos, assegurando que “ao vivo as não trabalha duro”. O póker é talento pessoas jogam pior” e que isto tem e não há sorte nem azar. Há póker. g

“ ”


Academia WWW.ESTAJORNAL.IPT.PT

Jovem estudante no Algarve dedica o seu tempo a um estilo de música que conta micro-histórias da vida

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O Hip Hop num programa de rádio D RAFAEL SILVA ESTA D COMUNICAÇÃO SOCIAL

O Hip Hop, em Portugal, nasceu no princípio da década de 90. Mostrou, desde logo, que a língua portuguesa seria a sua matéria-prima e isso acabou por marcar a história da música portuguesa. Já que nas décadas seguintes os rappers portugueses demonstraram que era possível importar linguagens musicais diferentes, fazendo uma apropriação local, através da utilização do português e das nossas referências culturais. Graças a isso, foi possível construir um grande património musical, que fala sobre a realidade em que vivemos. A vida nos bairros periféricos do Porto e Lisboa, o racismo, a escola, a criminalidade, a política, a crise, os costumes, a religião, o amor, a sexualidade… Estes e entre muitos outros temas são abordados no Hip Hop, através de micro-histórias que, no fundo, contam a situação do nosso país nos últimos anos. Nos dias de hoje, o Hip Hop é um dos estilos de música mais ouvido no mundo e o favorito de muitos jovens. Uma das razões reside no facto deste estilo de música abordar situações do nosso quotidiano, com linguagem corrente. Partindo desta ideia de eliminação de quaisquer fronteiras que possam existir entre artistas e públicos, qualquer pessoa pode fazer música.

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L “Tudo começou no âmbito de uma disciplina” Carlos Almeida, estudante de Comunicação na Universidade do Algarve (UALG), tem um programa sobre este tipo de música. Começa por explicar: “Nem todos têm a capacidade para cantar, nem têm formação musical, ou até podem nem saber tocar qualquer instrumento. O que é certo é que todo o aspirante a rapper pode contar a sua história, falar sobre o que o rodeia e espalhar

a sua mensagem. É este o poder do Hip Hop e é um dos principais motivos pelos quais se espalhou pelo mundo muito rapidamente”. “Nos últimos anos houve um progresso gradual, no que diz respeito à produção musical, começaram a aparecer mais produtores e artistas e isso acabou por ser percetível. Todo este processo deve-se ao momento musical atual, não só no Hip Hop,

mas como também noutros estilos de música.” A maior parte dos artistas utiliza a internet enquanto ferramenta do seu dia a dia, não só para a divulgação do seu trabalho, mas também para se aproximarem do público. É assim que Carlos Almeida vê o panomara atual do Hip Hop à escala mundial. Aos 20 anos, no seu tempo livre, dá voz ao “Rapresentação”, um programa de rádio que é transmitido na Rua FM (estação de rádio da UALG). O programa é dedicado exclusivamente ao Hip Hop e é transmitido aos sábados pelas 21h. Também está disponível em formato online na página da Rua FM. Em cada edição, Carlos dedica o programa a um rapper português, ou internacional, e faz uma seleção de músicas desse artista. Quando é possível, entrevista os artistas selecionados. Até agora podemos encontrar grandes nomes do mundo do Hip Hop, como por exemplo Eminem, Sam the Kid, J. Cole, Slow J, Mike El Nite, Joey Bada$$, Fuse e Bispo. “Tudo começou no âmbito de uma disciplina de rádio. Foi-nos proposta a hipótese de trabalhar na rádio da universidade e isso despertou-me o interesse”, conta. O projeto em si começou a ser delineado em julho de 2017, embora apenas tenha ido para “o ar” em outubro desse mesmo ano. Com 24 edições realizadas,

Associação de Estudantes da ESTA preparada para receber novos alunos e para inovar

RAFAEL SILVA ESTA D COMUNICAÇÃO SOCIAL

Rúben Marques, aos 20 anos, assume a presidência da Assembleia Geral da Associação de Estudantes da ESTA. Em poucos meses à frente desta estrutura, já conseguiu que os últimos eventos equilibrassem as contas. Aponta a proximidade entre alunos e docentes como uma das vantagens desta Escola e valoriza o trabalho de equipa. O que é que te levou a aceitar o cargo que se desempenhas na Associação de Estudantes (AE)? A necessidade de ter uma Associação de Estudantes mais dinâmica e capaz, visto que nos últimos anos o nome da Associação tem vindo a ser posto em causa. Que critérios foram usados para constituir a equipa?

Um grupo sólido, trabalhador e com espírito de equipa. Dentro de uma Associação de Estudantes não pode haver pessoas que queiram delinear um caminho sozinhas, é necessário a interação de todos os membros. O facto de ser lista única condiciona a legitimidade das ações da AE? Não, o facto de ser lista única impõe ainda mais uma necessidade de desenvolver tudo conforme as regras, que no caso da Associação se denominam de estatutos. Como é que se relacionam com a direção da ESTA? É uma relação simples e direta, ou seja, conseguimos estabelecer o contacto necessário para a resolução de qualquer necessidade que surja. De forma resumida, qual é o plano de ação? Visto que estamos no final de ano lectivo, os projectos mais significativos já se realizaram. Entre mãos temos

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“Renascer das cinzas e mostrar que tem um potencial enorme”

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L “As vantagens são a proximidade entre alunos e professores” apenas mais dois projetos que consideramos inovadores, sendo eles um torneio desportivo entre escolas e uma receção aos novos caloiros. Há conhecimento de estes dois projetos já terem sido realizados, porém não nos moldes que nos propomos a desenvolver. No passado, houve situações complicadas ao nível financeiro. Como esperas contornar as dificuldades? É sabido que, no passado, houve complicações a nível monetário. Porém,

quando a lista entrou em vigor, a situação já tinha sido saldada e havia algum dinheiro em caixa. De momento podemos dizer que a Associação de Estudantes está num bom caminho e conseguiu recuperar algum fundo de maneio com os últimos eventos organizados. O facto de a ESTA pertencer a um politécnico, e de estar localizada num meio pequeno, é visto pelos alunos como positivo ou negativo? Tem as suas vantagens e desvanta-

o trabalho deste jovem que respira Hip Hop tem dado muitos frutos e recebido um feedback positivo da parte dos seus ouvintes. “Às vezes identificam-me nos instastories quando ouvem o programa, outros até já me disseram que era uma ideia criativa, que nunca tinham visto uma ideia assim tão engraçada e interessante.” O jovem realça que tem sido uma experiência bastante proveitosa, uma vez que tem aprendido bastante, quer na área da rádio, quer enquanto jornalista. “Eu não tinha experiência nenhuma quando comecei o programa, em todos os níveis, quer a fazer entrevistas, quer a falar na rádio.” Recentemente, o “Rapresentação” também passou a ser transmitido na Hip Hop Rádio, após ter sido lançada a primeira edição, na Rua FM, quando um dos donos da Hip Hop Rádio, em tom de brincadeira, lhe disse: “Epá, isso era fixe teres começado aqui!” Em 2016 Carlos reparou num tweet da Hip Hop Rádio dizendo que estavam a precisar de locutores e decidiu a aproveitar a oportunidade. Fez os castings e acabou por ser selecionado. Carlos já tem ideias para novos projetos mas, neste momento, a universidade, a família e amigos, a Rua FM e a Hip Hop Rádio consomem todo o seu tempo. Quando estiver de férias da universidade conseguirá concretizá-los. g

gens. As vantagens são a proximidade entre alunos e professores e todo o ambiente familiar que se sente na ESTA. O aspeto negativo é o pouco renome da Escola. Quais é que são os aspetos que os estudantes da ESTA mais valorizam? Sem dúvida o aspeto anteriormente referido, a proximidade entre os professores e alunos. É sentido por grande parte dos alunos da nossa Escola uma enorme gratificação sempre que contactam de uma maneira mais pessoal com um professor e este está inteiramente disponível para responder. O que é que faz falta, na perspetiva dos estudantes, para que o seu percurso académico na ESTA possa ser melhor? Talvez mais tradição académica. É notado por parte de alunos mais velhos, e comentado com alunos mais novos, que a tradição se perde a cada ano que passa. Quando falo em tradição refiro-me não só as “tradicionais praxes académicas”, mas sim ao espírito de convivência e interação entre as várias gerações de alunos da ESTA. Com a abertura de novos Cursos Superiores Profissionais (Ctesp) achas que a AE está preparada para receber mais alunos? Está, sem sombra de dúvida, preparada para receber. E caso continue com o rumo que vai, a AE da nossa Escola irá renascer das cinzas e mostrar que tem um potencial enorme, apenas precisa das pessoas certas para o fazer. g


ESPECIAL / Mação

CM de Mação

Feira Mostra envolve todo o Concelho

O Município de Mação organiza a 25ª Feira Mostra do Concelho entre os dias 27 de junho e 1 de julho, onde empresas e entidades do concelho se vão dar a conhecer, “sem perder de vista a preservação da nossa história, das nossas memórias e das nossas riquezas”. Durante o certame, serão distinguidas as empresas do concelho que foram agraciadas pelo IAPMEI com os prémios PME Líder e PME Excelência, numa cerimónia a ter lugar na sexta-feira, pelas 19:30. Para a Feira Mostra há algumas novidades de caráter desportivo e cultural, dinamizadas pelas associações do concelho, bem como os espaços de restauração na Feira. Destaque para a parede de escalada que vai estar junto ao Parque de Insufláveis, a Color Run, Passeio Pedestre “Rota do Sagrado”, Torneio de Sueca, Encontro de Cães de Parar com largada de perdizes, canoagem, Torneio de Malha, Zumba, Trail das Zagaias, Passeio de Motorizadas Clássicas e Passeio de Cicloturismo. Relativamente aos espaços de restauração, também eles dinamizados pelas associações, este ano serão sete. A todos foi solicitada a integração na ementa de pratos da Carta Gastronómica do concelho “À Mesa em Mação”. Durante a Feira Mostra irá ainda ser feita uma apresentação do Gabinete Empreendedor de Mação e uma visita ao Centro de Negócios com a assinatura dos contratos com as empresas que já lá estão instaladas. Esta iniciativa terá lugar no domingo, dia 1 de julho. No anfiteatro José Costa, a 20ª Feira do Livro vai decorrer como habitualmente durante os cinco dias de Feira Mostra e serão apresentadas duas publicações de escritores da região. No domingo, dia 1 de julho, pelas 18 horas, terá lugar a apresentação do livro “Respira Natureza em Mação”, de GADY Rui Santos e, pelas 19:30, é a vez de Elsa Ribeiro Gonçalves apresentar o livro “Singularidades de uma Mulher de 40”. No sábado, pelas 21H30, destaque para o “À Conversa Com… Carlos Bernardo”, autor do blog “O meu escritório é lá fora” e que “dará uma imagem diferente do concelho e da vila de Mação”. A animação musical, para além dos cabeças de cartaz, conta com o envolvimento de muitos grupos do concelho que também terão lugar no palco da Feira Mostra de Mação. Marcarão presença nesta edição o Grupo de Cantares da Serra da Associação Recreativa e Cultural da Serra, Musical Amendoense, Grupo de Cantares do Grupo Cultural “Os Maçaenses”, Conservatório de Mação – FirMação e uma novidade da Filarmónica que aposta, para além da Banda, em novos grupos e fará a apresentação da FUNFarra da Filarmónica União Maçaense (SFUM). Como cabeças de cartaz, o palco principal irá acolher na quarta-feira, 27 de junho, a banda Som da Frente – Tributo aos Xutos. Na quinta-feira, 28, são os Kwantta a subir ao palco. Já na sexta-feira, destaque para o projeto Jorge Palma e Orquestra Filarmónica 12 de abril mais seis elementos da banda da SFUM. Ao todo, estarão em palco mais de 70 elementos. No sábado é a vez dos UHF e a Feira Mostra encerra no domingo com o concerto de Carlão.

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ESPECIAL / 25ª Feira Mostra de Mação

Obras avançam para projetar o Concelho

Jardim Municipal está concluído

Feira Mostra com cartaz musical para vários públicos

Cineteatro Municipal vai entrar em obra Em Mação, não há quem fique indiferente aos 65 anos do Cineteatro ou do “Cinema” como a maioria da população lhe chama. A construção do edifício, inaugurado nos anos 50, impulsionou o desenvolvimento local. Com um programa dedicado à sétima arte, alargado ainda a produções de teatro, o Cineteatro de Mação atraía públicos de toda a região. Projeto dos anos 50 do século passado, foi posteriormente sujeito a obras de adaptação nos anos 80. O edifício mantém atualmente as linhas mestras e memórias da sua traça primitiva. Atualmente, a Câmara Municipal pretende levar a efeito obras naquele equipamento que visem requalificar o espaço e que reúnam

todas as condições de conforto e segurança nas várias atividades culturais que a Autarquia e os agentes culturais querem promover no concelho. Vasco Estrela, presidente da Câmara Municipal, explicou que o Município pretende “criar ali outras condições para que o Cineteatro tenha mais condições ao nível da comodidade das pessoas, respeitando as normas vigentes, sem descaracterizar o edifício”. Segundo avançou o autarca, para além de uma nova climatização, uma alteração no palco, no mobiliário, nos pavimentos, paredes e tetos, etc, vai ser substituída a cobertura do edifício ainda em fibrocimento.

O jardim municipal de Mação, conhecido como Jardim dos Peixinhos, um espaço com décadas de histórias e memórias, sofreu obras de requalificação que já estão concluídas. “A obra está concluída. Não fizemos a inauguração, mas iremos fazer uma atividade com maior significado pela altura dos Caminhos da Água, em julho. Dia 20 de agosto, Dia do Emigrante, que habitualmente é evocado em Mação, iremos voltar àquele jardim”, afirmou Vasco Estrela. O autarca explicou que a obra se tratou “de uma requalificação

Núcleo Museológico de Ortiga para preservar a tradição do rio

O Núcleo Museológico de Ortiga está prestes a entrar em obra, num investimento de cerca de 200 mil euros. O objetivo do Município é tornar a antiga escola primária da freguesia num polo Museológico das Artes da Pesca Tradicional no rio Tejo e abrir o novo equipamento em abril do próximo ano. Para Vasco Estrela é uma “obra importante para Ortiga e para o concelho de Mação”, pois é um espaço que está “intimamente ligado com as tradições da localidade”.

“Estamos a falar de um tema [o Tejo] que esteve na ordem do dia pelas piores razões e este é um incentivo contrário. É falar do Tejo pela positiva, perpetuando a memória daquelas gentes a quem o rio e a pesca diz muito”, referiu o autarca, dando conta que “é um equipamento que vai enriquecer a freguesia e o concelho”. No âmbito da intervenção, a Câmara vai manter a estrutura do edificado principal, criando no seu interior uma zona de receção e duas salas principais, sendo uma

destinada à exposição permanente e uma segunda às atividades relacionadas com a temática do Núcleo Museológico. A Autarquia vai ainda requalificar o exterior, criando uma extensão coberta para albergar um barco picareto e uma infraestrutura sanitária de apoio, bem como alargar o espaço de logradouro a Norte para criar um espaço de anfiteatro que possa abrir o renovado equipamento à comunidade de Ortiga.

do espaço que estava degradado. Não correspondia às necessidades do mundo atual e nem às obrigações ao nível da acessibilidade e da segurança”. A obra, que representou um investimento de 130 mil euros, procurou substituir os equipamentos e mobiliários existentes por modelos, tipologias e estruturas mais atrativas e contemporâneas que fomentem a utilização do local, como também criar percursos pedonais acessíveis a pessoas com mobilidade condicionada e garantir condições de segurança para os utentes.

Centro de Atividades Ocupacionais e Lar Residencial tem projeto aprovado A Câmara Municipal quer avançar com a construção de um Centro de Atividades Ocupacionais e um Lar Residencial, no antigo quartel dos bombeiros. Questionado sobre o ponto de situação do projeto anunciado há cerca de um ano, Vasco Estrela avançou que “o projeto já foi aprovado pela Segurança Social. Estão a ser elaboradas as especialidades para avançarmos com a obra para concurso público. Portanto, prevejo que até ao final do verão possamos avançar com o projeto”. A unidade, que surge em parceria com o Centro de Recuperação e Integração de Abrantes (CRIA), disponibiliza 20 vagas enquanto o Lar Residencial conta com 30 camas, num investimento de cerca de 500 mil euros. Para a reabilitação do edifício do antigo quartel, no largo dos Bombeiros, a Câmara de Mação já tem parte deste financiamento aprovado no âmbito do PARU. Joana Margarida Carvalho e CM de Mação

Mação está em festa de 27 de junho a 1 de julho com a 25.ª Feira Mostra. E como não há festa sem música, o certame conta com um programa de animação que inclui vários estilos musicais, abrangendo diferentes públicos. A abrir o Palco Principal da Feira Mostra, na quarta-feira, dia 27, vão estar os Som da Frente Tributo a Xutos & Pontapés, que atuam às 23:00. Do alinhamento farão parte os grandes êxitos da banda portuguesa, como “Minha Casinha”, “À Minha Maneira”, “Circo de Feras”, “Ai Se Ele Cai”, entre muitos outros. De Abrantes chegam os Kwantta, banda que animará o certame no dia 28, às 23:00, e que promete um concerto cheio de alegria e frescura, numa fusão de ritmos que passa pelo pop, rock, reggae e folk. O terceiro dia da Feira Mostra, 29 de junho, conta com a animação de Jorge Palma a quem se junta em palco a Orquestra Filarmónica 12 de Abril e alguns elementos da Banda da Sociedade Filarmónica União Maçaense, num espetáculo que se prevê único e original. Manuel António Ribeiro (voz), António Côrte-Real (guitarra), Cebola (baixo), Ivan Cristiano (bateria) e Nuno Oliveira são os elementos dos UHF que sobem ao palco da Feira Mostra no dia 30, às 23:30. A encerrar o evento, no dia 1 de julho, estará Carlão, músico que ficou conhecido por ter sido vocalista dos Da Weasel. Depois de integrar os projetos Algodão e 5-30, o músico lançou-se numa carreira a solo, tendo lançado em 2018 o seu segundo disco de originais, do qual se destaca os temas “Agulha no Palheiro”, “Viver pra Sempre” e “Contigo”. A Feira Mostra conta ainda com um palco destinado a grupos locais e DJ´s, como é o caso do Conservatório de Música FIRMAÇÃO, dia 27; Banda da Sociedade Filarmónica União Maçaense e DJ Street, dia 28; Grupo de Cantares da Serra e DJ Rasilmar, dia 29; Grupo Musical Amendoense, DJ Muamba e DJ Dhalvs, dia 30; e Grupo de Cantares “Os Maçaenses”, dia 1 de julho.

/ Carlão

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ESPECIAL / 25ª Feira Mostra de Mação

Área Social continua a ser prioridade para Mação Câmara comparticipa medicamentos

CM de Mação

Uma das aéreas prioritárias da Câmara Municipal de Mação é a área Social, foi neste sentido que o Município criou o Clube Sénior. O Clube, que conta com vários técnicos especializados, pretende combater a solidão e ocupar os tempos livres da população mais idosa do Concelho. Para Vasco Estrela, presidente da Câmara Municipal de Mação, é uma resposta “interessante” que o Município presta, inserida no Gabinete de Apoio à Pessoa Idosa. “As atividades do Clube são levadas a vários pontos do concelho onde se promovem um conjunto de atividades lúdicas, desportivas e recreativas para os mais idosos. E tem como objetivo estimular um pouco de atividade junto dos mais velhos”, salientou o autarca. Os dois grandes projetos do Clube Sénior são a prática de exercício físico e o projeto Recordar e Cantar. Semanalmente, há aulas de ginástica nos grupos do Clube, gratuitas, com uma professora do Município que se desloca a várias localidades. Por sua vez, o Projeto Recordar e Cantar procura a recuperação de cantigas antigas, tradicionais, ensaios e uma apresentação anual dos trabalhos desenvolvidos nos vários grupos. O Clube Sénior tem cerca de duas

/ Clube Sénior junta cerca de duas centenas de idosos centenas de inscritos e abrange o Concelho com 14 grupos formados que funcionam em Amêndoa, Aldeia de Eiras, Chão de Lopes, Chão de Codes, Mação (Castelo, Pereiro, Caratão e Mação), Rosmaninhal, Ortiga, Penhascoso, Queixoperra/ Serra, Envendos, São José das Matas, Cardigos, Chaveira e Carvoeiro.

As atividades são desenvolvidas nas sedes de freguesia, mas para aqueles que vivem nas aldeias mais próximas, o Município garante transporte gratuito. O Clube Sénior funciona todo o ano, exceto em agosto. Além das atividades semanais ou mensais há alguns momentos ao longo do ano

que reúnem os munícipes que pertencem ao Clube. No Dia do Idoso apresentam o trabalho desenvolvido no Projeto Recordar e Cantar. Já no Dia da Mulher são realizados ateliers sobre vários temas. E no verão há um passeio para todos que este ano se realizará em julho e tem como destino Fátima e Nazaré.

O Município e a Associação Dignitude, no âmbito do Programa abem: Rede Solidária do Medicamento, assinaram um protocolo com vista à comparticipação das despesas com medicamentos dos munícipes maçaenses Informa a Autarquia de Mação que com este protocolo, os beneficiários poderão usufruir de comparticipação que abrange exclusivamente os medicamentos, quando prescritos em receita e comparticipados pelo Serviço Nacional de Saúde, sendo que é conferido ao beneficiário o direito a um apoio adicional ao atribuído pelo SNS, em 50% na parte que cabe ao utente. A Câmara de Mação disponibiliza uma verba anual de 8.000 euros para o efeito. O presidente da Câmara Municipal relembra que este protocolo “decorre também daquilo que foi o nosso compromisso eleitoral de ter políticas mais efetivas nesta matéria”. Atualmente, o Município está a receber candidaturas ao apoio e está em fase de avaliação das mesmas.

O Concelho de Mação tem centenas de fontes. São peças importantes do património histórico, cultural e social, que ocuparam no passado um papel primordial na vida das populações. Neste sentido, a Câmara Municipal tem vindo a desenvolver um projeto de recuperação das fontes e fontanários do Concelho. António Louro, vice-presidente da Câmara, avançou ao JA “que mais de meia centena de fontanários já foram recuperados pelo concelho. Temos 122 aldeias, há muitas localidades com 2 e 3 fontanários e no global devem ser cerca de 300”. Para justificar esta ação da Câmara Municipal, António Louro lembrou que “os fontanários são um ponto que as populações valorizam bastante. É um local de

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encontro das pessoas da aldeia, que tem sempre muitas histórias e memórias e é o primeiro marco das autarquias no território”. “Ao longo dos anos, estes espaços foram deixando de ter a sua função inicial, onde eram um ponto de abastecimento de água”. Hoje em dia, “passaram a ser um sítio de memórias, mas não deixaram de ser um ponto importante a preservar porque têm esse aspeto cultural para as populações”, salientou o vice-presidente. No Concelho de Mação ainda existe alguma tradição de ir buscar água à fonte. São exemplo disso várias fontes como a da Ladeira de Envendos, a Mina do Ti Guilherme (Parque de Merendas do Brejo), fonte do Pereiro, fonte entre Chão de Codes e Chão de Lopes, fonte

JORNAL DE ABRANTES / julho 2018

em Queixoperra, fonte em Penhascoso, fonte à entrada de Cardigos, fonte de Monte Penedo, fonte de Chaveira, etc. Atualmente, a esmagadora maioria das fontes encontra-se ligada ao sistema de abastecimento público de água. No entanto, especialmente fora dos aglomerados urbanos, existem fontes ainda abastecidas pelas nascentes e minas, sendo que algumas delas, dadas as características das suas águas, são fortemente procuradas pelas populações. António Louro conta que “muitas das fontes são construções arquitetónicas interessantes “e, portanto, o Município tem procedido ao abastecimento dos equipamentos que já não tem água, como também à “pintura e restauro das

CM de Mação

Fontanários de Mação - Os testemunhos da história e do tempo

infraestruturas em si”. Outras fontes levaram mesmo “um pequeno enriquecimento com alguns detalhes novos”. “São intervenções que temos vindo a fazer paulatinamente e que ainda vão levar algum tempo a terminar. É muito enriquecedor para nós, porque sentimos a valorização que as pessoas dão a estas

pequenas intervenções”, reforçou o autarca maçaense. António Louro avançou ainda ao JA que o Município está a proceder à recuperação de alguns fornos comunitários. Uma recuperação já aconteceu em Amêndoa e uma outra em São José das Matas e que esta também “é outra forma de dignificar o espaço público”.


Sociedade Viajens 08

JULHO 2018

“Eu acredito que nós somos do tamanho das nossas memórias” D

FOTOGRAFIA DR

Carlos Bernardo, 33 anos, é de Abrantes e diz ser um sonhador profissional. Autor do blog“O Meu Escritório é Lá Fora”, plataforma que lhe permite fazer o que mais gosta: viajar, criar e contar histórias. Diz ser muito ligado à família e à sua terra. Vai, vai muitas vezes, mas volta sempre a casa. Futuro pai da Alice. Tem imensos planos para o futuro e diz que é do tamanho das suas memórias e das histórias que tem para contar.

“Tinha um enorme pavor em ser infeliz e sabia que não só iria ser infeliz como não iria ser um bom engenheiro”

RITA VALAMATOS REIS ESTA D COMUNICAÇÃO SOCIAL

Quando desististe de Engenharia Civil, querias muito encontrar-te a ti próprio, fazer outras coisas e, acima de tudo, não ser infeliz. Neste momento da tua vida já te encontraste, já encontraste essa felicidade e a vida que idealizaste? Essa pergunta é sempre muito complicada e eu diria mesmo impossível de responder. Eu desde que me conheço, desde que nasci, sempre fui um sonhador e uma espécie de criativo. Embora, talvez por falta de maturidade, não sei, quando tinha 18 anos não percebia que essa era uma valência que eu tinha. Que essa era a maior arma que eu tinha, digamos assim, ser criador e criar. Nessa altura escolhi o caminho tradicional. Quando fiz 18 anos tive de escolher o que queria ser, tinha de ir para a universidade mas não tinha essa resposta. E entrei para Engenharia Civil como poderia ter entrado para outra coisa qualquer. Com o desenrolar do curso fui percebendo que não era aquilo que eu queria ser. Estava sempre a sonhar, sempre a pensar em criar algo diferente e tinha um enorme pavor em ser infeliz e sabia que não só iria ser infeliz como não iria ser um bom engenheiro. E isso é uma coisa que eu não suportava. Depois acabei por tomar a melhor e a mais difícil decisão de todas, e hoje em dia levanto os braços ao céu por tê-la tomado, que foi ter fugido dali. E é assim que O Meu Escritório Lá Fora surge, porque eu não queria ter um escritório lá dentro, aborrecido. E mais do que um blog trata-se de um projeto de criação e neste momento estou mesmo muito feliz com aquilo que faço e isso é o mais importante. Agora se vou ser blogger para a vida toda? Muito provavelmente não. Quais foram as melhores coisas que o Escritório te trouxe e como é ter esta oportunidade como forma de vida? O Escritório segue muito emaranhado com a minha vida. O Meu Escritório Lá Fora primeiro que tudo é uma plataforma que me permite criar, é uma plataforma utópica mas bastante real ao mesmo tempo, que me

Os prémios, mais do que uma taça para ter numa estante, são uma consagração e um reconhecimento. Ainda para mais, sendo o meu percurso meio torto, acaba por ser um reconhecimento, tanto para mim como para as pessoas que me rodeiam. Falavas há pouco sobre a importância das pessoas. Quando viajas atribuis mais valor ao fator paisagístico, à natureza, à arquitectura dos locais, ou dás mais importância às pessoas com quem te vais cruzando? Sim dou. Eu penso que há 20 anos, na altura dos meus pais, as pessoas saírem de casa, irem viajar a qualquer lado e ficarem num hotel, era uma coisa extraordinária, era uma experiência. E hoje em dia essa parte do conforto é quase obrigatório, digamos assim. Imagina que alguém visitava o Rossio: eu acredito que a melhor forma de conhecer este local é viver como alguém daqui, nem que seja só por um bocadinho. E é isso

L “Abrantes é um sítio com um potencial fantástico”

“Eu agora na Índia fiz amigos para a vida e acho que isso é absolutamente incrível, apesar de serem tão diferentes”

permite ser aquilo que eu quero ser, partilhando as minhas ideias e depois transformá-las em algo real. E poder viajar, claro. De todos os sítios para onde vais, sentes que voltas sempre uma pessoa diferente? Sim, um bocadinho. A minha forma de trabalhar é basicamente a contar histórias. O meu blog de viagens não é um blog tradicional, de dicas, ou

para onde é mais barato viajar. Escrevo histórias. E muitas dessas histórias são sobre pessoas. Acho que a melhor forma de conhecermos um território é através das pessoas que vivem lá. Muito mais do que tirar uma fotografia bonita a um lugar muito bonito. São contactos, são vivências, e todas essas conversas com pessoas transformam-me sempre um bocadinho, não só a mim mas a todas as pessoas que vivem essas experiências. Começaste este projeto com uma mochila às costas e uma bicicleta. Ainda é o teu meio de transporte ideal ou agora preferes outras formas? Esse na altura resultou muito bem e adorava fazê-lo, mas agora já não. Continuo a andar de bicicleta, mas muito, muito menos do que na altura. Mas talvez qualquer dia me proponha a voltar a fazer uma aventura de bicicleta. Tens recebido vários prémios nacionais e até internacionais. De que forma esse reconhecimento é importante para ti?

que torna cada local único. E cada vez há mais pessoas a procurarem essa forma de viajar. Já conheceste pessoas de Norte a Sul de Portugal, em Marrocos, na Índia e em Espanha. Na tua opinião, o que pensas que une e separa essas pessoas? Eu acho que, curiosamente, independentemente das diferentes culturas, dos diferentes climas e latitudes, as pessoas são, no fundo, muito iguais. Quando estive na Índia e aconteceu-me o mesmo em Marrocos, na Irlanda, em Inglaterra, em Itália, em França, em todos os lugares, essa coisa da conexão, é tudo muito de coração. Eu agora na Índia fiz amigos para a vida e acho que isso é absolutamente incrível, apesar de serem tão diferentes, desde a andarem em elefantes até poderem casar com quatro mulheres. Mas lá está, de uma forma ou de outra, têm parecenças comigo e eu penso que se nós vivêssemos todos os dias ao lado uns dos outros, provavelmente seríamos melhores amigos. Muitas vezes, essas barreiras culturais somos nós que as criamos, mas na verdade não é bem assim. Qual o sítio que ainda não visitaste mas onde queres muito ir? Eu não tenho assim nenhum destino de sonho. Aliás, eu acredito que posso ter uma experiência melhor numa aldeia em Mértola, onde agora estou a trabalhar e sítio que adoro, do que a fazer por exemplo, uma roadtrip pelos Estados Unidos. Acredito muito que é possível fazer uma viagem aleatória, sem escolher o local nem a hora. Mas um dos sítios onde quero ir é à Patagónia, toda aquela

ESTA JORNAL

zona da América do Sul e também fazer um Transiberiano, ou seja, ir de Moscovo a Pequim, de comboio, atravessando a Mongólia e por aí. São duas viagens que me fascinam e talvez ainda as vá fazer um dia. Como abrantino e pessoa que já conheceu diversas cidades, o que pensas de Abrantes? Abrantes é um sítio com um potencial gigantesco. Eu sei que sou muito suspeito e podem-me acusar disso, com alguma dose de razão porque também é impossível para mim não falar de Abrantes e não falar com o coração. Mas Abrantes tem muito potencial, sobretudo a nível cultural e mesmo no território, ou seja, nos diversos pontos de norte a sul convergem diferentes culturas. As pessoas no norte comem de uma maneira diferente, a paisagem é diferente, falam de uma maneira diferente. No sul existe uma forte influência do Alentejo e também do próprio Ribatejo e isso fascina-me, assim como a lezíria do centro. E depois temos uma cidade completamente central, em que estamos a uma hora e meia de Espanha, de Lisboa, de Évora, de Coimbra, da neve, do mar. Isto é um ponto muito interessante, em termos de recursos turísticos, assim como outras particularidades que Abrantes tem. Mas esta questão do turismo é uma questão recente, ou seja, surgiu agora um grande boom em Portugal e nós temos um país excelente em termos turísticos. E Abrantes tem um problema ao nível onde as pessoas podem ficar, de agências, empresas, animação turística, hotéis de outros estilos. Basta ver que o nosso hotel reabriu nem há um ano, e não havia esse sítio para as pessoas dormirem e isso é fundamental. Mas a todos os níveis, restauração, hotelaria, pessoas mais formadas, mais capacitadas nessa parte do acolhimento. Penso que passa um pouco por aí. Hoje em dia as redes sociais são excelentes plataformas de contacto e de partilha, e tu estás muito presente no Facebook e no Instagram. Já pensaste em criar também conteúdos para o Youtube, por exemplo vlogs de viagens? Sim claro, o youtube vai ser também um dos meus próximos passos. Só que eu hoje em dia, com a expressão da minha marca e com o impacto que ela já tem, não me posso sujeitar a fazer uma coisa mais ou menos. Portanto, sim o youtube é uma realidade e vai existir em breve um canal de youtube do Meu Escritório É Lá Fora. Com a parte de vlog, com conversas sobre viagens, com histórias em vídeo e isto vai acontecer muito em breve. E se pudesses descrever a tua vida neste momento, numa palavra ou expressão? Eu tenho algumas máximas e se tivesse de escolher uma palavra para me descrever seria sonhador, penso que é o que melhor me define. Mas eu tenho uma máxima que é: nós somos do tamanho das nossas memórias ou das nossas histórias. Esta frase a mim diz-me muito, no meu enriquecimento, nas minhas histórias. E é tudo muito melhor quando é partilhado, estar rodeado da minha família e dos meus amigos é o que torna isto tão incrível e que faz tudo valer a pena. g

FICHA TÉCNICA | DIRETORA: Hália Costa Santos DIRETORA ADJUNTA: Raquel Botelho REDATORES: Rafael Silva, Rita Valamatos Reis, Vitória Simões, Zetília Sebastião INFOGRAFIA Ana Ferreira, André Freitas, Ariana Almeida, Cláudia Miranda, Cristiana Martins, David Miranda, Inês Beja, Maria Timóteo, Marta Furtado, Patrícia Ferreira, Tatiana Esteves PROJETO GRÁFICO: José Gregório Luís PAGINAÇÃO: João Pereira | TIRAGEM: 15000 exemplares IMPRESSOR:Unipress Centro Gráfico, Lda PROPRIETÁRIO: Instituto Politécnico de Tomar MORADA: Estrada da Serra, 2300-313 Tomar EDITOR: Licenciatura em Comunicação Social da Escola Superior de Tecnologia de Abrantes SEDE DA REDAÇÃO: Rua 17 de Agosto de 1808, 220-370 Abrantes


REGIÃO / Vila de Rei

“Grande Prémio de Portugal – Nacional 2: Uma prova para levar ao mundo o melhor país do mundo” O Salão Nobre do edifício dos Paços do Concelho de Vila de Rei recebeu a 5 de junho, o lançamento do projeto “Grande Prémio de Portugal – Nacional 2”. Uma prova de ciclismo que vai ligar as cidades de Chaves a Faro, contando com as melhores equipas nacionais e da Europa. A iniciativa contou com a presença da Secretária de Estado do Turismo, Ana Mendes Godinho, que caraterizou a Estrada Nacional 2 como “uma inspiração permanente” e uma mostra de como “é tão fácil transformar o impossível em possível e pôr 35 municípios e eliminar fronteiras e barreiras de concelhos”. Ana Mendes Godinho, destacou que “este é um projeto inspirador para abrir o mapa de Portugal e possibilitar uma enorme diversidade de experiências. Mostra-nos a união e a dinâmica de 35 municípios e de um território com pessoas cheias de vontade de fazer acontecer”. A Secretária de Estado do Turismo afirmou ainda que a EN2 tem tudo para ser a melhor estrada do mundo e que se está a fazer história para as gerações vindouras. Paulo Costa, diretor geral da Global Sport e grande impulsionador desta prova, falou de um projeto sentimental mas, acima de tudo, “é um projeto estratégico,

/ A Secretária de Estado do Turismo afirmou ainda que a EN2 tem tudo para ser a melhor estrada do mundo e que se está a fazer história para as gerações vindouras. bem delineado e bem construído” num país que, como disse, “tem duas velocidades”. “Um país que tem o melhor do mundo, na economia, na indústria, no turismo, na gastronomia, na história, na capacidade de fazer

acontecer e na capacidade de acreditar… mas é também um país que, infelizmente, tem o pior que uma sociedade moderna pode ter, que é uma desertificação galopante e aterradora para quem cá vive. No entanto, o país está vivo”, acrescen-

tou Paulo Costa. Filipe Pais, em representação do Secretário de Estado da Juventude e do Desporto, referiu-se à prova como “um ovo de Colombo”, visto ser “uma ideia tão boa, como é que ninguém a teve antes?” É um proje-

to que “tem sustento e que vai viver durante muitos anos pois tem uma lógica que é absolutamente única no nosso país”. E foi um presidente da Associação de Municípios da Rota da Estrada Nacional 2 bastante entusiasmado que falou do evento mas que, acima de tudo, traçou um objetivo para a Associação: “criar riqueza para todos aqueles que vivem ao longo da EN2 e torna-los nos portugueses mais felizes do nosso país”, referindo-se aos 752 mil habitantes da EN2. O presidente da Associação relembrou que a EN2 “é única na Europa com estas características” e que “é a única no mundo” porque tem, ao longo do seu percurso “seis Patrimónios da Humanidade reconhecidos pela UNESCO, é a única no mundo que tem a água termal no seu início, que atravessa os principais rios do país e acaba no mar. E é, de longe, a maior agenda cultural do mundo, se juntarmos os eventos culturais dos 35 municípios”. Quanto à prova de ciclismo propriamente dita, irá realizar-se de 18 a 22 de julho e tem como Diretor Desportivo um dos ciclistas mais conhecidos e acarinhados pelo público português, Cândido Barbosa. Patrícia Seixas

Assembleia Municipal aprova ORU de Fundada. Sessão dá a conhecer carências dos bombeiros A Assembleia Municipal de Vila de Rei aprovou no dia 11 de junho, por unanimidade, a Operação de Reabilitação Urbana (ORU) da Fundada. A sessão, que decorreu no Quartel dos Bombeiros Voluntários de Vila de Rei, contou com a presença das arquitetas da Modo Arquitetos, Ana Barral e Ana Gomes, que procederam à apresentação do ponto submetido à votação dos deputados presentes. Ana Barral explicou que a ORU dispõe de vários objetivos quando é desenvolvida dentro de uma ARU, Área de Reabilitação Urbana. Entre os vários objetivos, a arquiteta disse que a ORU “promove a reabilitação do edificado pelos privados; incentiva a atração e fixação de população jovem; cativa o investimento; dinamiza o espaço público

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e incentiva a atividade económica” do concelho. Ana Barral avançou que os beneficiários dispõem de vários incentivos dentro da ARU como a “isenção de IMI; a Isenção do IMT; a redução ou a isenção de taxas municipais; - de 30% de IRS máximo 500 euros; mais valias de IRS tributadas a 5%; - 17% de IVA da mão de obra e materiais e os rendimentos prediais tributados a 5%”. Por último, a arquiteta referiu que a ORU é destinada a todos os proprietários de imóveis dentro do perímetro da ARU e aos investidores que queiram adquirir imóveis para reabilitar. Após o esclarecimento de algumas dúvidas colocadas pelos deputados, o ponto é aprovado por unanimidade. No final da sessão, Ricardo Aires, presidente da Câ-

JORNAL DE ABRANTES / julho 2018

mara, considerou que se tinha dado mais um passo no desenvolvimento de uma parte da freguesia da Fundada. “Neste momento, este é mais um instrumento que as pessoas e as empresas da freguesia da Fundada, neste caso da Silveira e do Foto, têm, porque com esta aprovação, ainda por cima por unanimidade, vamos dar benefícios às pessoas para que possam investir nas suas casas ou nas suas empresas”, considerou o presidente. O autarca recordou que o concelho já dispõe de duas ORU, uma em Vila de Rei e agora a de Fundada e que a próxima irá ser levada a feito em Milreu, sendo que já tem a ARU aprovada. A sessão da Assembleia Municipal terminou com uma apresentação sobre a cooperação dos Bom-

beiros Voluntários de Vila de Rei, levada a cabo por Sérgio Francisco, adjunto de comando e também presidente da Junta de Freguesia de Vila de Rei. Após a apresentação, os presentes ficaram a conhecer as valências, mas também as carências dos bombeiros voluntários vilarregenses, que se prendem sobretudo com a escassez de recursos humanos. O comandante da cooperação, João Serras, avançou que os 46 elementos são escassos para a quantidade de serviços diários que são assumidos pelos bombeiros. Já o presidente da Associação Humanitária, Emídio Mora, pediu mais apoio ao Município. Em resposta, Ricardo Aires fez referência a todos os apoios prestados, nomeadamente o apoio anual de cerca de 112 mil euros, a com-

participação para a aquisição de novas viaturas e ainda deu como exemplo os gastos inscritos na rubrica da Proteção Civil, de cerca de 42 mil euros, no trabalho de limpeza e silvicultura. À margem da reunião e em declarações ao JA, o autarca afirmou que “não é possível [ao Município] apoiar mais do que aquilo que já apoiamos”. Ricardo Aires recomendou aos bombeiros locais que se façam ouvir junto da Autoridade Nacional que no entendimento do autarca “tem de dar mais apoio aos bombeiros voluntários de Vila de Rei e a todos os bombeiros voluntários”. Joana Margarida Carvalho


REGIÃO / Vila Nova da barquinha

Município assina protocolo com o IPT e avança com Centro de Estudos Politécnicos O Município de Vila Nova da Barquinha assinou no dia 12 de junho um protocolo de parceria com o IPT – Instituto Politécnico de Tomar para a constituição de um Centro de Estudos Politécnicos. O momento foi formalizado, ao início da tarde na Galeria do Parque, com a presença de Eugénio de Almeida, presidente do IPT e Fernando Freire, presidente da Câmara Municipal. Na ocasião, Eugénio de Almeida referiu que o protocolo firmado “é um culminar de um conjunto de atividades” que têm sido desenvolvidas ao longo dos anos entre o IPT e a Câmara de VN da Barquinha. “Esta é uma parceria que se iniciou há muitos anos, com o Centro de Interpretação de Arqueologia do Ribatejo Norte, que foi dos primeiros a instalar aqui na Barquinha e

/ Fernando Freire e Eugénio de Almeida

“Sebastianismo Revisitado” de Sam Abercromby na Galeria do Parque

Centro de Estudos era mais um passo no âmbito do que tinha sido iniciado com o IPT há muitos anos atrás. E considerou que o novo Centro de Estudos vai ser mais uma oportunidade “e vai criar novas competências” artísticas para os munícipes da região. O novo Centro de Estudos Politécnicos, deverá entrar em funcionamento no próximo ano letivo, com Cursos Técnicos Superiores Profissionais (CTeSP), e pós-graduações nos domínios do património, arqueologia, artes e fotografia, entre outras. As aulas vão ter lugar no Centro de Estudos de Arte Contemporânea e também no Centro de Interpretação de Arqueologia do Alto Ribatejo onde já está a funcionar um subgrupo em ninho de empresas onde estão vários artistas.

Município e rotários criam bolsa de estudo

/ Fernando Freire e Mário Simões, do Rotary Clube do Entroncamento O Município de Vila Nova da Barquinha e a Fundação Rotária Portuguesa celebraram no dia 14 de junho, nos Paços do Concelho, um protocolo para criação de uma Bolsa de Estudo do ensino superior. Segundo informa o Município, a bolsa terá duração de um ano e poderá ser renovada até conclusão do curso. Destina-se a estudantes carenciados com residência no con-

celho de Vila Nova da Barquinha, que deverão candidatar-se conforme regulamento a disponibilizar no site do Município. O documento foi assinado pelo Presidente da Câmara, Fernando Freire, e por Mário Simões, do Rotary Clube do Entroncamento, na presença de Sérgio Pinto e da Vereadora do Pelouro da Educação, Marina Honório.

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A Galeria do Parque, em Vila Nova da Barquinha, tem patente ao público a exposição “Sebastianismo Revisitado” de Sam Abercromby até 16 de setembro de 2018. Sam Abercromby é um australiano radicado em Portugal há várias décadas. Nasceu a 10 de junho (Dia de Portugal). Amante da nossa cultura, depois de uma dissertação pelo convento de Cristo e pelos Templários, apresenta-nos agora uma obra de pintura dedicada ao Rei mais enigmático da história de Portugal - D. Sebastião. Na exposição, Sam revisita o mítico soberano que desapareceu na batalha de Alcácer Quibir, no norte de África, e que um dia, numa manhã de nevoeiro, regressará para salvar o país de todos os seus problemas.

depois com o projeto do Centro de Estudos de Arte Contemporânea (CEAC). Curiosamente, a Barquinha foi-nos oferecendo competências, valências e o gosto pela arte contemporânea”, salientou o presidente. Eugénio de Almeida congratulou-se com o momento, dando conta que era com muita “satisfação” que mais uma vez o IPT se associava à Câmara Municipal barquinhense para “construir um novo projeto” e para conferir a possibilidade do IPT vir a ter cursos técnicos profissionais nas áreas das artes “e cursos de pós-graduação, respondendo às necessidades das pessoas da Barquinha, mas também dos concelhos limítrofes”. Por sua vez, Fernando Freire também considerou que o protocolo para a constituição de um novo

julho 2018 / JORNAL DE ABRANTES

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DESPORTO /

Rui Alexandre Horta Vieira, nasceu há 28 anos em Lisboa, na freguesia de Santa Maria de Belém, tendose mudado para o Tramagal aos 5 anos, terra onde a sua família tem raízes. Aos 6 anos iniciou a prática desportiva na modalidade de basquetebol, mas, 2 anos depois, descobriu que o futebol era a sua paixão. Com 17 anos inicia a seu percurso de treinador de futebol, seguindo-se a ida para a Escola Superior de Desporto de Rio Maior onde se licencia em Treino Desportivo e, posteriormente, fez o Mestrado em Treino Desportivo na vertente de Alto Rendimento.

Normalmente chega-se à carreira de treinador depois de um percurso como jogador. Porquê dar este passo tão cedo e como começou essa aventura?

O meu percurso enquanto jogador foi curto. Joguei até aos juniores e ainda com idade de júnior comecei a treinar. Desde muito cedo que quis ser treinador, jogava nas camadas jovens e questionava-me muitas vezes sobre tudo o que se estava a fazer e sentia necessidade de saber mais sobre o jogo e o treino. Quando estava nos juvenis tive um problema de saúde. Fui aconselhado a deixar de jogar futebol, recomendação que não cumpri e mantive-me mais dois anos a jogar, mas chegou a um ponto onde me sentia frágil após os jogos e, depois de um problema com um treinador da formação, chegou o momento de deixar. Comecei num acaso este processo de treinador. Estava a passar por um treino das camadas jovens do Tramagal Sport União e não estava nenhum treinador presente, foi então que me pediram para dar aquele treino e começa aí este percurso enquanto treinador.

Estando ligado à formação de jovens como treinador, como vês o futebol de formação no nosso distrito?

O futebol de formação está longe de ser bom no nosso distrito, mas é um mal que não se cons-

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Desporto em Abrantes

“É assustadora a forma como alguns agentes desportivos falam para as crianças e para os árbitros”

tata apenas aqui em Santarém. Ao longo destes anos passei por vários locais e apercebi-me que é um mal generalizado. O primeiro problema do futebol de formação começa na definição de objetivos, que está desenquadrada com as verdadeiras necessidades da formação. O elitismo e a “campionite” invadiram as mentalidades dos dirigentes e treinadores da formação que procuram formar equipas para vencer o campeonato de sub-10 e de sub-15 e não se preocupam em formar um jogador para, na idade sénior, ter uma cultura desportiva adequada e um conhecimento e domínio do jogo que permitam desempenhar as suas funções no jogo com uma performance elevada. Em Abrantes, tenho assistido a alguns jogos e é assustadora a forma como alguns agentes desportivos falam para as crianças e para os árbitros, por exemplo. O segundo maior problema tem a ver com a dificuldade em recrutar pessoas com conhecimento para trabalhar no futebol de formação. Ser treinador exige um desgaste muito grande (se o trabalho for feito corretamente), mas esse desgaste hoje em dia é cobrado a troco de umas sandes e uns talões de gasóleo, o que leva um afastamento das pessoas formadas deste trabalho. Consequentemente, muitos clubes acabam por recrutar pessoas para repre-

JORNAL DE ABRANTES / julho 2018

“O trabalho que desenvolvemos elevou a expectativas e hoje existem pessoas tristes por não termos subido de divisão”

sentar a função de treinadores que, na maioria das vezes, não têm competência para desempenhar as funções de treinador. Os melhores treinadores deveriam estar na base, que é onde são precisos mais conhecimentos para não cometer erros que podem comprometer o crescimento de uma criança/ jogador.

O que falhou para que o objetivo da subida do Tramagal não fosse atingido?

O objetivo nunca foi a subida. O objetivo desde o início do ano, que foi alcançar o quinto lugar, foi definido pela direção do clube. No momento em que chegámos à segunda fase, é normal que tenhamos o sonho de subir e não vale a pena ir à fase de apuramento de campeão se não for para ficar nos primeiros lugares. Antes de iniciarmos esta fase, eu apontei alguns aspetos de melhoria que seriam necessários para disputar esta fase da melhor forma e, apesar do aviso,

estes não passaram de pedidos. O não cumprimento desses pedidos condicionou a equipa e o trabalho da mesma. Esta fase ficou marcada por acontecimentos estranhos, tivemos muitas expulsões, sete lesões e isso condicionou a prestação da equipa, mas mesmo assim acabo esta fase com o sentimento de dever cumprido e orgulho no trabalho feito, pois mesmo com todos os constrangimentos que tivemos, fomos uma equipa séria e praticámos o nosso futebol em todos os campos do distrito. No início do ano, se o Tramagal Sport União ficasse em quinto lugar, todas as pessoas achariam que a época tinha sido boa, mas o trabalho que desenvolvemos elevou a expectativas e hoje existem pessoas tristes por não termos subido de divisão e isso mostra claramente o

que aconteceu durante esta época.

Quais são os objetivos para o futuro?

Nunca escondi que quero ser treinador profissional. Sei que é muito complicado e que nem todos os que querem chegam lá, mas darei sempre o meu melhor, seja qual for o contexto onde estiver a trabalhar, tentando um dia chegar ao leque dos melhores. Em setembro de 2018 iniciar-se-á um novo projeto de formação da minha autoria, vou abrir uma escola de futebol no Tramagal e este é um projeto que quero ver crescer nos próximos anos. Carlos Serrano

Entrevista completa em www.jornaldebrantes.pt

Núcleo Sportinguista sagra-se campeão distrital de juvenis O Núcleo Sportinguista de Alferrarede ( NSA ) sagrou-se Campeão Distrital de Juvenis da II Divisão da Associação Futebol de Santarém Com a sua década e meia de futebol este foi o seu primeiro título conquistado por uma equipa de futebol. Foi no dia 27 maio

de 2018 que os adeptos do NSA vibraram com a conquista obtida na derradeira ronda no Complexo Desportivo do Bonito, Entroncamento perante o CADE. O título inédito alcançado pelo NSA é o merecido reconhecimento da valia desta equipa.


ISABEL LUZEIRO

Médica Neurologista/Neurofisiologista Especialista nos Hospitais de Universidade de Coimbra

Consulta de Neurologia, Dor, Patologia do Sono, Electroencefalograma (EEG) e Exames do Sono Centro Médico e Enfermagem de Abrantes Largo S. João n.º 1 - 2200 - 350 ABRANTES Tel.: 241 371 690

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Jornal de Abrantes julho 2018  

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