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Jornal de Abrantes e Antena Livre têm nova gestão

/ JORNAL DE ABRANTES / Abrantes / Constância / Mação / Sardoal / Vila Nova da Barquinha / Vila de Rei / Diretora Joana Margarida Carvalho SETEMBRO 2018 / Edição nº 5571 Mensal / ANO 117

/ DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

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NESTA EDIÇÃO

EDUCAÇÃO

ESTA aposta em áreas inovadoras, como E-Sports e Jogos Digitais

ENTREVISTA

Padre Carlos de Almeida em conversa com JA: “A grande renúncia foi ter tido tempo para mim” Pág 4

MÓVEIS

MOVÍRIS

Móveis . Colchões . Sofás VÁRIAS PROMOÇÕES E BONS PREÇOS 241 377 494 ALFERRAREDE

Ao lado da SAPEC, em frente às bombas combustíveis BP

Paulo Sousa

Sardoal é festa… e ninguém fica de fora!

Ala dos Namorados

Media ON

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ENTREVISTA /

“Penso que a igreja de massas nunca mais existirá” Padre Carlos de Almeida, 48 anos, natural de Alvito da Beira, concelho de Proença a Nova, conta ao JA como iniciou a sua vida dedicada a Deus. Falou de novos desafios e projetos, entre os quais a requalificação do adro da igreja de Rio de Moinhos, que já está em obra Porque é que decidiu ir para o Seminário?

Eu sou de uma aldeia do concelho de Proença a Nova, que se chama Alvito da Beira. Entrei no Seminário com 12 anos, muito novo, e pelo facto de ter entrado no seminário as pessoas pensam logo que era para ser padre, mas com 12 anos ninguém tem a opção de querer ser padre de uma forma muito clarificada. É preciso então referir que entrei no seminário por vários motivos. O primeiro motivo, foi pelo facto de o meu pai ser muito amigo do padre Sequeira Rosa, pároco da altura. A segunda razão, prendia-se com o facto de vivermos numa aldeia extremamente isolada da escola, do ciclo e da escola secundária e seria difícil estudar. O facto de sair dali e ter um espaço onde estar e poder estudar foi importante e foi uma das opções que os meus pais tomaram e que influenciaram, consequentemente, a minha entrada no seminário.

Como foi a passagem pelo Seminário?

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Quanto à igreja, antes de mais, é preciso legalizá-la, porque não está. A igreja tem uma caderneta, mas não está inscrita. Finalizado esse processo burocrático, estamos a pensar num projeto para a igreja matriz. A igreja precisa da requalificação do telhado, das paredes interiores e exteriores, a requalificação de retábulos, a fixação da policromia e a limpeza da mesma. Não tenho noção do investimento, estamos numa fase de levamento das carências.

mento foi no meu 2º ano do curso de Filosofia, onde pensei em estar ao serviço de uma instituição e de uma comunidade de uma forma diferente. Foi naquele momento que surgiu a devoção de uma forma mais forte. Não de uma forma muito clara, mas através de retiros, de caminhadas e de um discernimento espiritual, com o diretor espiritual, que fui descobrindo que esta podia ser uma opção de vida para mim.

O Papa é um revolucionário ou é a comunicação social que o torna assim?

Como foi a reação da família?

A minha mãe é uma pessoa humilde, de uma fé clarificada e aceitou bem. Sentiu que a minha opção era uma bênção e uma graça de Deus. Nós somos três irmãos. O meu irmão e a minha irmã escolheram outras opções de vida. Contudo, a minha mão aceitou de uma forma calma e pacífica. O meu pai também aceitou de uma forma pacífica, mas pelo meu feitio, às vezes colocava algumas reticências e questões, mas também aceitou.

“A grande renúncia foi ter tido tempo para mim”

“Se não houver tempo para a espiritualidade, é impossível ser padre”

Foi uma decisão difícil?

Não é uma decisão fácil, mas como não é fácil outras opções de vida. É claro que as opções e decisões que temos de tomar passam sempre por um processo de discernimento e renúncia porque não podemos ter tudo na vida. Se optamos por uma coisa, por um caminho, temos de renunciar a outro caminho, porque os dois caminhos paralelos nem sempre são fáceis, nem sempre são possíveis. Ao optar pela vocação sacerdotal tive de fazer algum tipo de renuncias. E a grande renúncia foi ter tido tempo para mim. Nunca perdendo a dimensão da minha liberdade, mas foi muito difícil en-

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Tive dois anos no Seminário de Alcains, mais seis anos no Seminário de Portalegre. Em Alcains, fiz o 1º e 2º anos antigos, portanto 5º e 6º anos da altura e em Portalegre fiz os restantes anos até ao 12º ano. Em 1991, no 12º ano, foi quando surgiu a opção de ser padre de uma forma muito concreta. Surgiram as questões e as interrogações todas associadas. O papel dos padres ao longo de toda a minha vida ajudaram-me a descobrir os caminhos da felicidade, da razão de ser, de estar e da vida. E foi naquele caminhar que fui percebendo umas coisas. Contudo, não foi naquela altura o grande momento. O grande mo-

Com o apoio da Junta de Freguesia, estamos a avançar com a requalificação e arranjos paisagísticos e de mobilidade do adro da igreja.

JORNAL DE ABRANTES / setembro 2018

contrar tempo para mim.

A vida de padre é hoje uma vida muito ocupada, ainda há tempo para a espiritualidade?

Se não houver tempo para a espiritualidade, é impossível ser padre. Esse tempo tem de ser encontrado, tem de se organizar muito bem o tempo, o dia, a semana, o mês e o ano. Eu sou padre há 21 anos e estas coisas nem sempre são iguais. Quando fui ordenado padre, em 1997, fui trabalhar numa equipa. Estava responsável por um setor da pastoral da comunidade

de São Miguel, em Castelo Branco. Eramos três, mais dois sacerdotes que estavam connosco e eu estava responsável pela catequese. Hoje, tenho uma vida completamente diferente. Tenho quatro paróquias, Sardoal, Rio de Moinhos, Alferrarede e Valhascos. Aquilo que se faz numa comunidade, faz-se nas quatro. Claro que nem todas as paróquias têm a mesma dinâmica, os mesmos desafios pastorais. Neste momento, ainda todas têm catequese, mas não é possível ter uma organização conjunta das quatro, ainda assim vou conseguindo ter uma folga (risos).

A freguesia de Rio de Moinhos foi a paróquia que lhe foi entregue. Que objetivos tem?

Quando cheguei, o que fiz foi observar. Depois, foi organizar o conselho económico da paróquia, o grupo de pessoas que está responsável pela gestão dos bens materiais, imateriais e imóveis da paróquia de Rio de Moinhos, sendo que nas localidades de Amoreira e Pucariça ainda estou a iniciar esse trabalho.

Penso que o evangelho que o Papa anuncia, que ele encarna, é que é revolucionário. O Papa Francisco provoca e desafia as várias realidades das sociedades de hoje, seja ao nível da pobreza, do desporto, ou dentro da própria igreja, para que as pessoas também se aproximem e possam ter uma experiência feliz da vida.

Quais sãos os desafios que se impõem à religião Católica?

Penso que a igreja de massas nunca mais existirá. A igreja das multidões e das massas nunca mais existirá. Existirão pequenas comunidades que vivem a palavra de Deus com uma intensidade forte e intensa. E, portanto, dessa forma intensa da palavra de Deus estaremos sempre próximos do mundo porque vamos influenciando as pessoas e o meio ambiente onde estamos integrados. Não será uma influência tão grande como no passado, mas há sempre influência, porque na verdade também é o próprio Deus que influencia. Joana Margarida Carvalho


REGIÃO / Abrantes

CCAM “é um banco muito diferente dos outros” Foi no dia 1 de agosto de 1988, pelas 10 horas, que a vila de Tramagal viu ser inaugurada a Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Tramagal (CCAM) e aberta ao público a agência de Tramagal. A CCAM do Ribatejo Norte e Tramagal assinalou assim estes 30 anos de história da Agência de Tramagal na quarta-feira, dia 1 de agosto, e convidou a população local a participar no convívio que teve lugar no Largo dos Combatentes da Grande Guerra, em Tramagal. Na cerimónia, Arnaldo Santos, presidente do Conselho de Administração da Caixa de Crédito Agrícola de Tramagal, deu os parabéns a todos os que fundaram a agência e a todos os que a mantêm até aos dias de hoje e frisou que este é um banco muito diferente dos outros. “Há 30 anos, o slogan era «Somos um banco igual aos outros». Isto significava que prestávamos todos os serviços que a banca pode prestar. Mas hoje dizemos e afirmamos: Somos um banco muito diferente dos outros. Este é um banco dos tramagalenses e dos abrantinos. É vosso”. Arnaldo Santos disse depois que “o desafio que temos hoje é alimentar esta instituição que criámos para servir os tramagalenses, os

/ Arnaldo Santos: “O desafio que temos hoje é alimentar esta instituição que criámos para servir os abrantinos” abrantinos e os concelhos limítrofes. E como é que a alimentamos? É usá-la”. Em declarações à comunicação social, Arnaldo Santos fez depois um balanço muito positivo destes 30 anos de existência da Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Tramagal e revelou que o objetivo é continuar a crescer na região “pois somos um banco de proximidade

onde conhecemos as pessoas pelo nome e sabemos as suas necessidades”. Quanto aos desafios que a CCAM tem para um futuro próximo “é crescer. Nós queremos crescer no concelho de Abrantes”. No entanto, esse crescimento não significa a abertura de novas agências. Arnaldo Santos explicou que o objetivo “é fazer crescer aquelas que temos”.

Praias fluviais de Aldeia do Mato e Fontes concorrem a Praia Fluvial do Ano As praias fluviais de Aldeia do Mato e de Fontes, no concelho de Abrantes, estão a concorrer ao Galardão de Praia Fluvial do Ano. “Na votação, estão todas as praias fluviais do país classificadas pela Agência Portuguesa no Ambiente, assim como uma das seleções das melhores zonas balneares não classificadas de Portugal e que estão identificadas com a designação NC”, informou Maria do Céu Albuquerque. A autarca explicou depois que se trata de “um reconhecimento nacional para podermos ter aqui no nosso concelho uma praia fluvial designada, que é Aldeia do Mato, e uma não designada, porque efetivamente ainda não pode ser considerada uma praia designada, que é o espaço que foi qualificado e melhorado” em Fontes. O objetivo, segundo a presidente, é “poder ser mais tarde” considerada uma praia fluvial

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designada, “depois do processo administrativo ter decorrido”. Em Fontes “as infraestruturas que estão criadas são as necessárias e as suficientes para podermos ter a designação de praia fluvial mas há todo um procedimento administrativo que é necessário preparar, nomeadamente com um conjunto de análises à qualidade da água que têm que cumprir um calendário no sentido de atestar aquela qualidade que todos nós sabemos que é de excelência”. Quanto ao concurso, “pretendemos com este galardão de melhor espaço fluvial, seja praia designada ou não, poder ter essa distinção para podermos continuar a promover turisticamente este grande ativo que temos que é a albufeira do Castelo de Bode”. A votação ocorre online até 30 de outubro em http://www. praiasfluviais.pt/votacao/

JORNAL DE ABRANTES / setembro 2018

Octávio Oliveira é membro do Conselho de Administração da Caixa de Crédito Agrícola de Tramagal e também um dos seus fundadores. Falou do surgimento da agência numa altura em que não havia banco em Tramagal e por isso, a data é para festejar. “30 anos é um dia de festa, de reconhecimento deste trabalho feito, de saudação a estas pessoas e ao mérito que tiveram de nos fazer chegar aqui”, referindo-se aos fundadores. Maria do Céu Albuquerque, presidente da Câmara Municipal de Abrantes, esteve presente na cerimónia de aniversário e falou da importância do surgimento da agência quer para Tramagal, quer para o concelho. “É o desenvolvimento local que está aqui em causa, é uma política de proximidade por esta instituição bancária, é uma política de incentivo a atividades de caráter mais tradicional e que estimula a nossa economia local”, disse a presidente que lembrou “o trabalho notável do engº Luís Bairrão até ao último dia da sua vida na manutenção e nas melhores condições para que esta instituição seja a referência que ao longo de 30 anos foi sendo construída”. Patrícia Seixas

Única Escola Básica da zona norte encerra portas A Escola Básica de Carvalhal (EB1), única escola de primeiro ciclo na zona norte do concelho de Abrantes, já não vai abrir portas no próximo ano letivo 2018-2019. O anúncio foi proferido na reunião de Câmara Municipal de Abrantes, onde foi aprovado por unanimidade o encerramento da referida escola e a garantia de transporte a um aluno que se chegou a matricular em Carvalhal e que agora irá ingressar na Escola Maria Lucília Moita, em Abrantes. Celeste Simão, vereadora com o pelouro da Educação, referiu que ao longo dos anos os alunos têm vindo a diminuir em Carvalhal, mas o Agrupamento de Escolas nº1 e a Câmara Municipal foram “tentando aguentar a escola que era a única no norte do concelho, que foi requalificada e que tinha todas as condições ao nível do refeitório, da biblioteca, das salas de aula”, etc. “Neste momento, já só estavam 4 alunos do primeiro ciclo e são alunos que não são somente de Car valhal que, apesar de serem poucos, vêm de Maxial, Fontes e de outros locais, mas a tentativa de manter a escola era sobretudo pelo facto de não fazer estes alunos acordarem demasiado cedo e manter a única escola da zona norte do concelho”, fez notar a vereadora. Celeste Simão adiantou que dois dos alunos que frequentavam a escola de Carvalhal irão ingressar na Escola de Sardoal e os restantes dois virão para a Escola Maria Lucília Moita, em Abrantes. A Câmara Municipal irá garantir transporte ao aluno que ainda se matriculou em Carvalhal. Naquela localidade, o Jardim de Infância, com 11 alunos, irá manter-se. O fecho da EB1 de Carvalhal junta-se ao encerramento da EB1 e Jardim de Infância (JI) de Concavada e ao JI de Arreciadas.


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REGIÃO / Mação

O sistema MacFire, ferramenta informática criada em Mação para monitorizar o desenvolvimento dos incêndios em tempo real, está a ser implementado em todo o distrito de Santarém. “No fundo é pegar naquilo que é uma experiência positiva, que foi desenvolvida na Câmara de Mação, alargar aos outros municípios e adaptar uma nova versão desta aplicação que permite interligar com os sistemas operacionais que estão disponíveis nos municípios, nas comunidades intermunicipais e no comando distrital, nomeadamente no que diz respeito à georreferenciação”, explicou Maria do Céu Albuquerque, que preside à Câmara Municipal de Abrantes e à Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo. O MacFire (Mac de Mação, Fire de fogo), sistema desenvolvido por técnicos informáticos de Mação em 2004 e por especialistas de uma empresa do ramo das novas tecnologias, permite levar a informação existente sobre a zona de combate a incêndios rurais para o Posto de Comando móvel existente em cada sinistro. Na base do sistema está a cartografia militar, mas também as cartas de risco de incêndio e os hortofotomapas (fotos aéreas retificadas no solo).

CM de Mação

Sistema MacFire alargado de Mação a todo o distrito de Santarém

A novidade introduzida por António Louro, vice-presidente e responsável pela Proteção Civil em Mação, foi integrar esta informação e sobrepor os mapas, permitindo visualizá-los todos ao mesmo tempo. A tudo isto, junta-se a tecnologia GPS, dando a localização exata das viaturas no terreno, bem como a posição das frentes de fogo e o valor rigoroso da área atingida, o que permite prever a sua provável evolução, além de fazer o histórico de cada sinistro, para

avaliação futura. O sistema, em que a autarquia de Mação investiu cerca de 125 mil euro em 2004, está instalado no que parece ser uma vulgar carrinha, tendo no seu interior seis monitores encaixados nas paredes que transmitem informação em tempo real da situação no terreno, com informações vitais para a tomada momentânea da decisão, como seja o posicionamento dos bombeiros, onde anda o fogo e em que dimensões, onde é prioritário

intervir, os melhores acessos e os pontos de água mais próximos. A situação no terreno é acompanhada a par e passo, ficando ainda disponíveis informações importantes sobre a localização, características e operacionalidade de todas as infraestruturas florestais relevantes no combate aos incêndios, como tanques, charcas e estradões, além do registo histórico de cada sinistro, que permitirá análises futuras do comportamento do fogo Lusa em cada momento.

Entrada do Museu de Arte Pré-Histórica vai ser remodelada A Câmara Municipal de Mação vai proceder à remodelação do piso zero do Museu de Arte Pré-Histórica e do Sagrado no Vale do Tejo, num investimento de cerca de 200 mil euros. O projeto de arquitetura foi no dia 23 de julho aprovado, por unanimidade, na reunião do executivo camarário. No final de sessão, Vasco Estrela, presidente da Câmara Municipal, disse que a remodelação daquele espaço surge devido a um conjunto de problemas estruturais, nomeadamente ao nível das acessibilidades para pessoas com dificuldade de mobilidade e devido à presença de humidades uma vez que o edifício está contiguo às piscinas municipais e aos sanitários públicos. O presidente avançou que a Câmara quer tonar aquele espaço

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num local de acolhimento a exposições temporárias, sobretudo, ligadas à temática da arte rupestre e da pré-história, com um sistema de áudio e vídeo, de modo a tonar o espaço “mais atrativo”. O Município vai ainda intervir ao longo de toda a fachada do edifício, por forma a torná-lo “mais atrativo e para que se possa perceber melhor que aquele é um espaço que vale a pena visitar”. O Município vai candidatar a obra a fundos comunitários, mas caso a mesma não seja contemplada, Vasco Estrela já garantiu que a empreitada avançará com investimento municipal, dentro de 5/6 meses. “Já algum tempo que estávamos a pensar nesta intervenção e agora estão reunidas as condições para o fazer”, finalizou.

JORNAL DE ABRANTES / setembro 2018

Câmara Municipal volta a atribuir 18 Bolsas de Estudo A Câmara Municipal de Mação aprovou no dia 22 de agosto, na reunião do executivo camarário, a atribuição de 18 Bolsas de Estudo, aos estudantes do ensino superior residentes no concelho. O valor de cada bolsa é de 150 euros mensais, pelo período de 10 meses, o que totaliza 1500 euros anuais. “Com esta deliberação, iniciamos o período de candidaturas às Bolsas de Estudo e estabelecemos o limite de 18 bolsas para os estudantes universitários do concelho de Mação”, disse Vasco Estrela, presidente da Câmara Municipal de Mação. À margem da reunião de Câmara, o autarca fez um balanço positivo da atribuição das bolsas, que se realiza desde 2004. “Para muitos alunos foi essencial este apoio da Câmara de Mação. Nós somos eleitos para isto mesmo. E a meu ver os Municípios devem de ter cada vez mais estas preocupações”, considerou. “O meu único lamento, no meio de tudo isto, é que a esmagadora maioria destes alunos não sejam aproveitados para estar no nosso concelho ou até na região. É um problema que temos (…) mas fica o consolo que tornámos estes jovens mais felizes”, fez notar o presidente. Para a candidatura às 18 Bolsas de Estudo, os alunos terão de estar inscritos no Ensino Superior, serem residentes e recenseados no concelho de Mação. É avaliada a condição financeira de cada agregado familiar, a distância que o aluno se encontra do local de ensino, o aproveitamento do aluno, sendo que a renovação das bolsas acontece até que concluam os seus cursos sem reprovações, entre outros requisitos. O boletim de candidatura e regulamento já estão disponíveis junto dos serviços camarários.


Sardoal é festa de 21 a 23 de setembro Sardoal recebe os seus festejos anuais de 21 a 23 de setembro. São três dias em que a Câmara Municipal, em estreita colaboração com o tecido associativo e empresarial, se unem para receber os diversos visitantes que afluem à Vila Jardim. Tal como nos anos anteriores, será o centro histórico da vila a acolher o evento que tem um cartaz musical para todos os gostos. Os animados Melech Mechaya abrem o certame a 21 de setembro, data de inauguração e abertura da festa. Já os Ala dos Namorados vão fazer as delícias dos festeiros com as músicas bem conhecidas do grande público na noite do dia 22 de setembro, dia do concelho. Por sua vez, o fado vai-se fazer ouvir na noite de 23 de setembro pelas vozes de Teresa Tapadas, António Pinto Basto, Maria Ana Bobone, Rodrigo da Costa Félix e Mafalda Arnauth, com o projeto Fadoando. A Mostra de Saberes e Sabores, o Festival Hípico, as exposições e o programa cultural, lúdico e recreativo voltam a marcar este evento que encerra os festejos de verão. Aproveite e desfrute!

Melech Mechaya

Fadoando

Paulo Sousa

Ala dos Namorados


ESPECIAL / Sardoal / Festas do Concelho

“Um momento onde quem nos visita se sente sardoalense” Miguel Borges, presidente da Câmara Municipal, em entrevista ao Jornal de Abrantes, afirma que as Festas do Concelho são um projeto consolidado. O autarca destaca o envolvimento dos sardoalenses no evento, referindo que o grande objetivo é que quem vem ao Sardoal se sinta em casa.

Mais um ano, mais uma edição. Há novidades para a edição 2018 ou falamos de um projeto consolidado? É um programa consolidado. É um programa no seguimento do trabalho dos anos anteriores. Nós comemoramos o dia do concelho, fazemos estas festas que já têm muitos anos, mas a nossa programação em termos de atividades culturais, em termos desportivos, não se esgota nestes três dias de festa. O que queremos é que durante um ano, o Sardoal tenha muita atividade, animação, cultura, arte, e que não se fixe somente nos três dias de festa do concelho. No entanto, é durante estes dias que os sardoalenses se reencontram, ou seja, as pessoas que estão fora vêm à terra. Os nossos amigos vêm visitar-nos e são momentos de partilhas e reencontros. Um momento onde quem nos visita se sente sardoalense. A configuração da festa vai-se manter? Como acontece o envolvimento da comunidade local? Vamos ter alguns espaços onde a festa se vai centrar. Vamos ter o largo do Pelourinho com o palco principal das festas, tal como tem acontecido. Já a Mostra de Saberes e Sabores regressa na totalidade para a Praça Nova sendo que durante uns anos centrámos alguns stands na rua da Câmara, mas assim esta avenida acaba por ficar mais arejada e, por outro lado, concentramos os artesãos, o que facilita quem visita. Em termos de segurança também se torna mais fácil, sendo que falamos de um só espaço e não de dois. Por último, vamos ter o espaço onde continua a animação pela noite dentro por trás da Câmara Municipal, para além dos espaços que são dinamizados pelas associações locais. Há mais expositores envolvidos? E de fora? Vão estar connosco cerca de 30 expositores. Damos sempre prioridade aos expositores locais, mas também temos outros expositores

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de outros locais do país. A título de exemplo, a queijaria de Ródão, que é presença assídua e outros que fazem sempre questão de marcar a sua presença. Esta é uma excelente oportunidade para mostrarmos o que de bom temos, fazemos e o que de bom comemos. Considera que o retorno económico nestes dias é significativo? Julgo que sim uma vez que o investimento feito pelos expositores é reduzido. Eles usufruem do espaço e não lhes é cobrado nada, mas é claro que têm as suas despesas, mas se repetem a sua vinda cá há vários anos é porque têm gosto e o trabalho que desenvolvem é do agrado dos sardoalenses. Como surge a opção por este cartaz musical? Por duas razões: porque é uma opção com qualidade e com um custo controlado. Temos conseguido ter um bom programa, que nem sempre é do agrado de todos mas que julgamos ser um programa diversificado, que abrange várias idades. Os Melech Mechaya é um grupo jovem, muito dinâmico, muito bem-disposto, que contagia os jovens e os menos jovens. Ala dos Namorados fazem 25 anos de carreira e quinze dias antes fazem um grande espetáculo nos Coliseus, comemorandos os anos de carreira. E, por último, o Fadoando que é um grande conjunto de nomes do fado que terminam as nossas festas com uma noite de evocação ao fado como temos feito nos últimos anos. Há sobretudo a preocupação de trazer artistas com qualidade. Artistas que não defraudem o público e que são profissionais e que acrescentem algo a quem os ouve. Felizmente, nestes últimos anos temos conseguido trazer qualidade a valores acessíveis e referir que nem sempre o cachet é sinónimo de qualidade. O Festival Hípico é obrigatório nestas festas?

JORNAL DE ABRANTES / setembro 2018

“É durante estes dias que os sardoalenses se reencontram”

“Esta é uma excelente oportunidade para mostrarmos o que de bom temos, fazemos e o que de bom comemos”

“Era impensável termos as nossas festas sem o envolvimento das nossas coletividades”

Nós não imaginamos estas festas sem o Festival Hípico, nem o festival se imagina fora das festas do concelho. O festival tem sido um sucesso durante estes anos e vamos continuar a apostar neste evento com a promoção da Associação da Presa. O que se espera ao nível de exposições? Vamos ter uma exposição de escultura e cerâmica de Armando Correia. Um trabalho que vai ser feito muito à volta de Gil Vicente e, portanto, vai estar patente no Centro Cultural. Depois, no espaço Cá da Terra, vamos ter uma exposição sobre a Filarmónica União Sardoalense. Recentemente, houve uma exposição sobre os Getas desta vez optámos pela filarmónica para dar a conhecer a sua história. E a comunidade envolve-se cada vez mais no certame? Era impensável termos as nossas festas sem o envolvimento das nossas coletividades. Desde o folclore, com o Rancho Folclórico “os Resineiros”, desde o Grupo Despor-

tivo “Os Lagartos” que fazem o torneio amizade, desde a Filarmónica que assume um importante papel nas arruadas e no hastear da bandeira, os Gestas. Desta vez, voltam a participar com teatro, às associações que asseguram as tasquinhas - todos, sem dúvida, assumem um papel muito importante. Sem eles era impossível termos o sucesso que temos tido. Que imagem se pretende passar ao turista? Quais são os objetivos destes festejos? A imagem de muita alegria onde as pessoas se sintam bem, onde podem apreciar boas exposições, boas músicas e deliciarem-se com aquilo que nós sabemos fazer. Que seja um espaço de alegria, que proporcione um sentimento de felicidade nas pessoas que estão em casa. Que saiam daqui felizes, isso é que é fundamental! Qual é o investimento alocado para esta edição? Serão 50 mil euros. Joana Margarida Carvalho


SETEMBRO DE 2018 EDIÇÃO Nº 45 www.estajornal.ipt.pt Gratuito · Periocidade Trimestral DIRETORA: HÁLIA COSTA SANTOS DIRETORA ADJUNTA: RAQUEL BOTELHO

Novo edifício da Santa Casa da Misericórdia de Abrantes vai ter 16 apartamentos com vista para o Tejo

Depois do asilo, uma vida com futuro

Um dia com caçadores de Estremoz

Caminham até Fátima movidos pela Fé

Aluna da ESTA conversou, na Alemanha, com ex-asilados angolanos. São estórias de cinco pessoas, de idades diferentes, e das suas famílias. Depois de meses ou anos sem imaginar o futuro, depois de passarem por diferentes tipos de alojamento, depois de enfrentarem várias dificuldades como o desconhecimento da língua, agora as vidas organizam-se, com estudo, trabalho e novas relações. F p. 4 e 5

Alberto Margarido, provedor da Santa Casa da Misericórdia de Abrantes, diz que a prioridade desta instituição é criar as melhores condições possíveis. Os 105 utentes dependem dos cuidados de profissionais que cuidados de profissionais que o o provedor quer ver felizes. Antes de terminar o seu mandato, quer contratar mais 12 pessoas. F p. 2

Caçam por desporto e dizem que estimam todos os animais. Desfrutam da Natureza e da companhia dos amigos. Preparam o produto da caça com receitas como arroz de pombo. Aconselham a prática desta atividade, contestada pelos defensores dos animais. Defendem a caça como forma de equilibrar os ecossistemas e para ajudar a proteger a agricultura. São caçadores de Estremoz. F p. 6

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Só num dia, são 16 horas a andar. Mas há mais dois dias pela frente, para se cumprir a promessa de chegar a Fátima ou simplesmente por Fé. São quilómetros de estrada, às vezes com frio, às vezes com chuva. Quase sempre com dores musculares e bolhas nos pés, mas sempre com o apoio de quem os acompanha e de quem os recebe para pernoitar. São peF p. 7 regrinos de Aveiro.


Sociedade 02

SETEMBRO 2018

Entrevista ao Provedor da Santa Casa da Misericórdia, Alberto Margarido

“Temos a necessidade de ter mais pessoas a tratar dos nossos utentes” D

FOTOGRAFIA ARQUIVO

VITÓRIA SIMÕES ESTA D COMUNICAÇÃO SOCIAL

A

lberto Margarido é provedor da Santa Casa de Abrantes desde 2012 e é ele quem fala sobre a atual situação da instituição, explicando o funcionamento da casa e os objetivos para o futuro. Para além de uma aposta recente em recursos humanos especializados, há novos projetos como a construção de 16 apartamentos com vista para o Tejo para aumentar a capacidade do lar. Atualmente a Santa Casa tem 105 utentes e uma lista de espera de cerca de 50 pessoas. A instituição presta serviço domiciliário a 43 pessoas e ainda gere um lar com jovens indicadas pelo Tribunal de Menores. Alberto Margarido sente a responsabilidade do cargo, mas não perde a esperança: em entrevista concedida em abril diz que se vive “conforme Deus queira”. Antes de concluir a sua missão como provedor ainda quer criar mais 12 postos de trabalho e ter “funcionários felizes”, apesar de reconhecer a dificuldade do trabalho que desenvolvem com baixas remunerações. Qual é a prioridade da Santa Casa nesse momento? A prioridade tem sido, e vai continuar a ser, criar as melhores condições possíveis para os nossos utentes. São pessoas com muita debilidade física, nomeadamente na locomoção. Estamos a tentar cortar algumas barreiras que existem para que possamos instalar nos quartos camas com sistemas elétricos, que possam posicionadas da maneira adequada para cada pessoa. Quais têm sido os projetos que a Santa Casa tem desenvolvido? Temos apostado nos Recursos Humanos e contratado pessoas com outros níveis de escolaridade, nomeadamente da área social. Por exemplo, temos aqui uma gerontóloga, que fez aqui estágio e depois ficou; temos uma nutricionista, que não tínhamos; temos uma equipa de fisioterapia que foi se formando aos poucos e agora tem duas pessoas. Na parte da animação temos duas pessoas. De alguma forma, prolongamos e melhoramos o bem-estar, quer pessoal, quer psíquico dos utentes que temos. Para isso também temos um ginásio. Há obras previstas? Há constantemente. Há dois anos renovámos todos os pisos dos edifícios, tanto o edifício principal como o lateral, a que nós chamamos “a extensão”. Em termos de infraestruturas pesadas, já está aprovado fazermos um edifício na parte traseira da Misericórdia, com vista para o Rio Tejo. Serão 16 apartamentos de tipologia T1em que os utentes irão pagar um pouco mais para terem melhores condições. A obra servirá também para arma-

L “Já está

aprovado fazermos um edifício na parte traseira da Misericórdia, com vista para o Rio Tejo”

zenarmos algumas coisas e ampliarmos o espaço de estacionamento, que atualmente é pequeno e de difícil acesso. Muitas vezes vêm aqui ambulâncias e é uma dificuldade porque a manobra é terrível. Relativamente às receitas. Como são adquiridas? Mais ou menos sabemos com rigor qual vai ser a receita. Temos a da Segurança Social e o dinheiro que vem do Estado, que são 105 euros por pessoa. Este é fixo, mas o valor que vem das famílias é que, às vezes, pode alterar, pois as pessoas pagam uma percentagem sobre a sua reforma. Como na nossa zona grande parte das reformas ainda são das Casas do Povo, de pessoas que descontaram pouco, agora as reformas obviamente são pequenas. Temos que fazer alguma “ginástica”. Eles vão dando alguma coisa e vamos sobrevivendo, conforme Deus queira. Já houve alguma quebra orçamental este ano? Estão sempre a surgir coisas novas. Há sempre alterações e a necessidade de rever e priorizar as coisas. Por exemplo, agora vai ser entregue um carro novo. O carro que temos começou a ter problemas e a despesa a ser muito grande. Esta troca não era algo previsto para já, mas foi necessária. Quais são os critérios para dar prioridades? É uma questão de caso a caso. Na mobilidade, por exemplo, estamos agora com o apoio da Câmara a fazer um passeio no centro da rua com placas em granito lisas para que as pessoas em cadeiras de rodas possam ir até a estrada. Por vezes trocamos o equipamento de cozinha, que é caro. Por exemplo, um

equipamento que, de repente, avaria ou queima, normalmente não tem reparação e tem de ser substituído. Outra valência da Santa Casa é o Lar da Infância e Juventude. Como é que as jovens que lá vivem chegam aos cuidados da Misericórdia? As jovens são colocadas pelo Tribunal de Menores. Os casos são identificados e submetidos a tribunal. Há muitas que são vítimas de abandono. Em muitos casos, as raparigas que vêm para aqui já passaram por uma, duas, três instituições. Temos uma rapariga do Algarve e outra da Covilhã, temos gente que já correu uma série de instituições, por dificuldades e por haver um momento em que elas entram em choque com a direção da própria resposta social. Qual é a situação do Lar neste momento? Nós já chegámos a ter 26 jovens e agora temos protocolo para 18, dos 13 aos 18 anos, que é o período mais difícil para as jovens. Algumas dessas jovens são abandonadas pelos pais, são vítimas de alterações que existem em termos de famílias, desestruturadas. Muita gente, os próprios pais, eram e continuam a ser toxicodependentes. Elas têm uma dificuldade muito grande para se relacionarem. Elas têm mostrado algum progresso no processo de integração? Os progressos são ténues, mas temos casos de sucesso. Como é feito o acompanhamento da vida escolar delas? A instituição tem uma monitora que ajuda com a escola. Depois, há também uma psicóloga e uma assistente social. Há projetos a serem desenvolvidos para contribuírem na formação?

ESTA JORNAL

Sim, temos patrocinado, quer por via nossa, quer por outras vias, o objetivo de nunca perderem a escola. Muitas daquelas jovens têm problemas cognitivos, uma escolaridade muito baixa e são as que frequentam cursos especiais. Temos algumas que estão a fazer esses cursos e estão aqui, por exemplo, na lavandaria ou na cozinha para terem mais algum conhecimento e poderem ter um diploma melhor e procurarem empregos. Não é fácil, mas temos casos de sucesso. Que projetos ainda pretende desenvolver antes de acabar o seu mandato? Para além do novo edifício, criar mais cerca de 12 postos de trabalho, 10 a tempo inteiro e mais dois a meio tempo. E se conseguirmos fazer isto estamos a falar de 1,3 milhões de euros, mais IVA, que é muita coisa, mas temos hipóteses de conseguir financiamentos. Como gostaria de ver a Santa Casa quando acabar o seu mandato? Gostaria de vê-la com funcionários felizes, o que é difícil. É um trabalho duro, de 24 horas. O que acha que teria que ser feito para mudar isto e fazer os funcionários mais felizes? Acho que a parte psicológica é muito importante, portanto dar mais apoio neste aspeto. Também dar atenção à formação profissional fora da instituição. Temos uma parceria com outras duas Misericórdias, no Entroncamento e em Torres Novas. Esta junção deu-se pelo facto de que seria mais fácil para ter mais candidatos. Qual é o maior obstáculo para um funcionamento ideal da Santa Casa, atualmente? Longe de mim dizer que os funcionários estão bem pagos, muito pelo contrário, não estão. É uma vida muito dura lidar com utentes institucionalizados. A pessoa tem que dar banho na cama, fazer a higiene diária, dar a alimentação à boca. Nós temos a necessidade de ter mais pessoas a tratar dos nossos utentes. Se fossem pessoas com alguma autonomia, nós poderíamos, por exemplo, dispensar meia dúzia de funcionários. Agora, a autonomia é cada vez menor e, em termos normais, se o utente a tem, precisamos de uma funcionária por duas horas, nestes casos de limitações, precisamos de quatro ou cinco funcionárias mais. Portanto, é preciso mais apoio… Da parte da Segurança Social, o apoio, embora exista, é constituído por verbas pequenas. Este ano, o aumento sobre o apoio financeiro que nos dão foi de 2,2%. Mas também houve o aumento do salário mínimo, e acabou por ser maior do que a percentagem daquilo que nos é dado. Os utentes são reformados, têm a sua percentagem de pagamento, mas não podemos pedir mais porque não têm. E a lei também não concede. O que podemos pedir é o máximo de 85% da reforma, que já não dá para os custos da pessoa, quanto mais para pagar funcionários. Qual é o balanço que faz da atividade da Santa Casa desde que é provedor? Já estivemos pior. Estamos numa situação financeira muito debilitada, muito mesmo. Tivemos que fazer, pelo menos em 2013, uma reorganização e relocação de pessoas de um lado para o outro, não necessariamente em funções relacionadas diretamente com os utentes, mas em trabalhos de secretaria, por exemplo. Os tempos mudaram, as tecnologias são uma constante em nossas vidas e há determinados setores que não justificam ter pessoas. Aproveitamos casos em que havia pessoas com problemas de saúde ou outras questões quaisquer e fizemos essa alteração. A situação melhorou.g


Sociedade

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D FOTOGRAFIA ELSA CUSTÓDIO

L O convívio e as diferentes formas de passar o tempo aumentam a auto-estima.

Numa aldeia de Amarante é o centro de convívio que devolve a vida aos mais velhos

“A gente vive sozinha não convive com ninguém, quando se apanha esta liberdade é uma alegria enorme”

ELSA CUSTÓDIO ESTA D COMUNICAÇÃO SOCIAL

Vivem na terra onde cresceram. Nessa altura não faltava gente. Agora sobra espaço e o tempo custa mais a passar. Em Vila Chã do Marão, uma aldeia no concelho de Amarante, muitos são os idosos que vivem sozinhos e isolados. Ana Cardoso é animadora social no Centro de Convívio de Vila Chã do Marão. Acompanha desde a sua fundação em 2007 a vida dos 26 utentes inscritos. Aqui trabalha-se a boa forma física, estimula-se a mente, mantêm-se vivas as tradições, cultiva-se a arte e combate-se o isolamento. “No fundo, é uma necessidade que se está a colmatar” - afirma Ana Cardoso. As aulas semanais de desporto foram, no início, um grande desafio. Quando esta atividade foi proposta, a primeira reação foi dizer: “Eu já trabalhei muito, já fiz muito esforço.” Mas, com o tempo, as coisas foram mudando. Através do desporto e do jogo boccia, os utentes do Centro já participaram num en-

contro e em torneios dentro e fora da instituição. Emília Correia tem 79 anos e vive sozinha há 26. Trabalhou sempre na agricultura e nunca foi à escola. Durante 20 anos fez a peregrinação a Fátima a pé, só parou aos 77 anos quando “foi atropelada”. Acorda às seis da manhã para ir para as piscinas, mas antes ainda tem de fazer uma caminhada de uma hora. “Sair lá de cima do Picoto para vir apanhar o transporte cá baixo às sete e vinte da manhã”, conta Emília Correia. No atelier de leitura e escrita, Emília aprendeu a escrever o próprio nome. A primeira coisa que fez foi “ir ao registo civil alterar o Bilhete de Identidade”, confidencia Ana Cardoso. Assim, o documento já podia ter a sua assinatura. Coisa pouca para quem sempre o teve, muita coisa para quem só o teve com quase oito décadas de vida. Espalhadas pela parede da instituição estão memórias. Fotografias dos magustos, das festas e das peças de teatro. Em cima do palco, Emília Correia já viveu muitas vidas. É com emoção que recorda duas peças onde participou. Voltou a ser criança

na peça de teatro “A lição do Tonecas”. “Foi muito lindo”, diz Emília Correia. Numa outra peça de teatro que retrata o nascimento de Jesus Cristo, Emília Correia ajudou Maria a dar à luz. Numa tarde de sábado, Emília Correia borda com flores e borboletas um cobertor. O bordado está atrasado. “Às vezes venho dias e dias a jogar só às cartas”, revela Emília Correia. Bordar já foi mais simples, os olhos já não veem como antes. “É um bocadinho difícil porque eu vejo muito mal, às vezes estou aqui a corrigir os erros”, confessa Emília Correia. Na mesa ao lado decorre o jogo da sueca. José Sousa tem sorte no jogo. “Às vezes há aqui grandes discussões por causa das cartas”, conta Ana Cardoso. José Sousa “foi dos primeiros”, está ligado à instituição há 20 anos, não tem qualquer suporte familiar. Também não sabe ler e aprendeu a jogar às cartas no centro de convívio. Hoje tem lugar marcado na mesa da sueca. Glória Morais é “parceira” de sueca de José Sousa, nesta jogada não tem

trunfos, vai assistindo. Aos 76 anos, Glória Morais vive sozinha, trabalhou no campo e cozeu sapatos. É no centro de convívio que combate a solidão: “Gosto de vir porque convivo com outras pessoas e em casa estou sozinha.” Entre o teatro, os bordados e, por vezes, as cartas, Emília Correia está a aprender a tocar cavaquinho e, no final do dia tem ensaio para as marchas populares. “A gente vive em casa sozinha não convive com ninguém, quando se apanha esta liberdade é uma alegria enorme”, conta Emília Correia. Para Joana Flores, educadora social no centro de convívio há um ano, é notório o aumento na autoestima dos utentes. De acordo com os dados da Operação Censos Sénior 2017, o número de idosos que vivem sozinhos em Portugal está a aumentar, dos 45 516 idosos identificados, 28 279 vivem sozinhos. Todos os dias saem da instituição carrinhas que vão distribuir refeições às pessoas identificadas pela instituição em parceria com a Segurança Social. José Sousa tem 62

anos e vive sozinho em Vila Chã do Marão. Trabalhou numa padaria na Livração, quando ficou doente teve de abandonar o emprego. O serviço de apoio domiciliário é feito por técnicas da instituição que, além de fornecerem a comida, duas refeições diárias, também asseguram a higiene pessoal e habitacional. Para a animadora social Ana Cardoso, este centro de convívio é fundamental uma vez que pretende “quebrar o isolamento em que estas pessoas vivem, muitas vivem sozinhas e em sítios também isolados e, no fundo, estarem a conviver com outras pessoas, pessoas da sua infância que estão separadas geograficamente e que poucas possibilidades têm de se encontrar. Encontram-se aqui, é um espaço de encontro.” O mais difícil de compreender, para Ana Cardoso, é a morte de algum dos seus utentes. “ A parte mais difícil para mim é sentir que perdi alguma coisa”. No entanto, desenvolvem-se estratégias para lidar com esta situação: “Tentamos não criar aquela coisa de nostalgia, é sempre recordá-los como quando eles estavam cá, com vida, com alegria.” g

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Sociedade Asilados na Alemanha 04

SETEMBRO 2018

ESTA JORNAL

“O asilo é complicado, nem todo mundo tem a chance de ficar” O asilo de Dortmund, na Alemanha, pertence à AfricanTide Union, associação não governamental que surgiu em 2010. Apesar do nome, a associação visa ajudar migrantes e refugiados de todo o mundo. Tem como lema: “quem melhor para ajudar migrantes e refugiados do que outros migrantes ou refugiados?” Para além do asilo, a AfricanTide proporciona aulas de Alemão a refugiados e migrantes, tem duas creches e um canal de televisão, a MyTideTV. Na Alemanha é relativamente simples encontrar asilados que falam Português, vindos de Angola.

D ZETÍLIA SEBASTIÃO ESTA D COMUNICAÇÃO SOCIAL

FOTOGRAFIA ZETÍLIA SEBASTIÃO

Até

se chegar ao asilo de Dortmund, há muito que percorrer, mas encontrá-lo não foi difícil, embora este estivesse praticamente situado “no meio da floresta”. Por fora, o edifício meio acastanhado aparenta ser moderno e de grande dimensão. Tem várias janelas e duas portas de entrada. A porta principal é guardada por dois seguranças, que verificam quem sai e quem entra. Na receção pedem o documento que me permite entrar para conhecer este espaço e o seu funcionamento. Tudo tem um princípio. “Para se receber asilo, há um procedimento. Os asilados têm que ir a uma cidade pedir asilo e depois esperarem se ficam ou não”, explica Azita Sangione, responsável pelo asilo. “Quando o pedido é aceite, dão-lhes casa com água, luz, alimentação e dinheiro mensalmente. Porque o objetivo é acolher e ajudar os asilados para que eles não se metam nas drogas, criminalidade, prostituição ou escravatura.” Por questões relacionadas com a privacidade e a segurança dos asilados em Dortmund, não foi possível falar com os que vivem lá. Como também não foi possível verificar e tirar fotografias nos compartimentos do edifício. Na Alemanha há imensos casos de asilados que falam Português. Angola é o país de origem de muitos deles. Numa conversa com Emanuel Teca, de 28 anos, natural de Angola, percebe-se que cada pessoa tem uma estória que passa pela procura de uma vida melhor e que frequentemente envolve problemas com documentos. Emanuel vem de uma família mestiça, deixou de ser asilado há seis meses, pelo facto de a sua mãe ser portuguesa, embora viva em Angola desde os seus 15 anos. O rapaz de cabelos meio cacheados conta como é a vida nos asilos. Emanuel confessa que depois de receber o cartão de cidadão a sua vida não mudou muito porque ainda não tem uma vida estável. A luta por um mundo onde se possa viver sem fugir continua. “Vim para a Alemanha para estar com o meu irmão, que vive cá, e para prosseguir os meus estudos. Saí de Angola em 2013, primeiro estive em Portugal. Depois vim para cá. Quando cá cheguei, o meu irmão e o amigo dele levaram-me

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L 1 - Ilda Cabede

2 - Antónia Macueria 3 - Azita Sangio, responsável pelo asilo de Dortmund

a passear para conhecer melhor o país e as condições que este poderia me oferecer. Nesse passeio, fomos abordados pela polícia, que pediu os nossos documentos. Nós demos, sem reparar que o meu visto tinha caducado um ou dois dias antes. A polícia levou-me, tive de ficar na prisão por um dia. No dia seguinte conversaram comigo e fui encaminhado para um centro de asilo. As condições do asilo dependem do centro onde estás inserido. Há centros para crianças e para adultos. Alguns são bons, outros nem por isso. Por acaso, onde eu estive era um centro bom. Era de adultos, mas

preocupavam-se connosco, tínhamos boas condições. Tínhamos um cartão de saúde e uma senhora que fazia a limpeza, que por acaso vivia lá e era paga mensalmente. As pessoas querem sair do asilo porque quem sai do asilo continua a ter o apoio do Estado. Mudam-se as condições, a tua vida deixa de ser controlada e limitada, logo há mais vantagens fora do asilo. A maneira mais fácil para sair do asilo é a escola. Quando és aplicado, a escola acompanha os teus resultados e fornece-os ao centro. Depois eles veem como podem ajudar-te mais. Eu tinha aulas de uma hora, mas

uma vez por semana, o que dificultava o meu rumo. Os centros localizados em cidades fornecem melhores escolas aos asilados e progresso na língua é melhor. Aqui, adquire-se documento alemão através de doenças, casamento com alguém que tenha documento e uma vida estável, ou por gravidez.” Ilda Cabede nasceu em Angola, embora tenha pais congoleses. Atualmente encontra-se com 20 anos, está há na Alemanha dois anos, juntamente com outras cinco pessoas, membros de sua família. Já tem uma filha com documentos alemães. Apesar dos primeiros tempos terem

sido difíceis, não perdeu a esperança. Estudou, encontrou um companheiro e sonha em ser cuidadora de idosos. “Fomos bem recebidos. Embora no centro em Meschede fossemos muito dependentes. Não podíamos comprar a nossa própria alimentação. A vida do centro foi muito difícil para mim, porque eu estava grávida. O quarto onde dormíamos tinha cerca de 40 pessoas. Estivemos no centro cerca de oito meses. Agora estou muito bem! Somos seis pessoas numa casa de dois quartos, cozinha, sala e casa de banho. Por isso, sinto-me bem melhor do que antes. A minha filha está com um ano e meio. Conseguiu o documento alemão e eu estou a terminar o 9º ano. No futuro, eu espero ter a profissão de cuidar dos idosos. Como Deus é grande também consegui um noivo aqui na Alemanha. Um rapaz que veio connosco de Angola, foi transferido para o centro de uma outra cidade. Ele na altura estava prestes a casar com uma rapariga que o dececionou muito. E quando se encontrou comigo viu que sou uma boa rapariga e eu também o achei um bom rapaz. Ficámos juntos! A minha vida mudou totalmente!” Aos 41 anos de idade, Antónia Macueria é mãe de três filhos. Está há dois anos na Alemanha. Em pouco meses no país, adquiriu a casa onde vive com o marido e seus filhos. O futuro continua a ser uma incógnita, mas diz que está tudo bem. “Saí de Angola, devido aos problemas políticos. Graças a Deus fui bem recebida, não tive nenhum problema com o asilo. E o processo até agora está a correr bem. Até agora senti-me no asilo, mas fora do centro. A diferença de estar num centro e de estar na minha casa é a possibilidade de os meus filhos frequentarem a escola. Devido às mudanças constantes de centro, não tínhamos uma morada fixa, por isso não podiam estudar em escolas normais como qualquer criança devia. Tinham aulas tipo explicações. No asilo, nunca me faltou nada para suprir as nossas necessidades básicas. Sempre houve água, luz, alimentação, diversão para as crianças e assistência médica. Embora não houvesse televisão, tínhamos internet de vez em quando. Nesse momento, eu não posso falar o que o futuro me reserva, mas vejo uma abertura. Não penso sair do asilo, até aqui está tudo bem. Sem medo de errar, a Alemanha tem mais a oferecer do que Angola.” g


Sociedade Asilados na Alemanha

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Maria Laurinda e António Correia, uma história de asilados que se cruza na Alemanha

“Estou aqui, tenho uma família e um bom emprego” D

FOTOGRAFIA ZETÍLIA SEBASTIÃO

ZETÍLIA SEBASTIÃO ESTA D COMUNICAÇÃO SOCIAL

Residente há 16 anos na Alemanha, Maria Laurinda Sampaio Jaime, de 38 anos, saiu de Angola para Portugal, e de Portugal para a Alemanha, na busca de melhores condições de vida para a sua filha Miriam (que na altura tinha dois anos de idade). Teve problemas com documentos. Viveu em asilos. O nascimento do segundo filho, já na Alemanha, permitiu-lhe ficar neste país. Maria Laurinda tem sete filhos, dos quais dois são de António Correia, o seu noivo. Dos seus olhos escorre água salgada. As lembranças ainda a torturam. De baixa estatura, rechonchuda, engana os olhos de quem a vê. Os seus olhos pequenos com tom amendoado e os seus lábios sorridentes realçam as suas emoções. “A minha história é muito longa, para quem em Angola não teve nada, chegar na Alemanha e pedir asilo, e o asilo é confirmado, é uma maravilha. Porque as condições que eu tenho nunca poderia imaginar que teria no meu país. Por isso, estou grata. Agradeço a Deus por me ter dado a oportunidade de estar cá na Alemanha. O asilo é complicado, porque nem todo mundo tem a chance de ficar. Em 2002, saí de Angola com o objetivo de viver na Alemanha. Fiquei grávida aos 20 anos, comecei a viver com o pai da minha filha, que pouco tinha para oferecer-me. No princípio íamos nos ajeitando com o que tínhamos, pois vivíamos numa casa muito pequena. Nem sei se podia chamar aquilo de casa, já que posso compará-lo ao tamanho de uma casa de banho aqui na Europa. A minha filha nasceu, as dificuldades tornaram-se maiores. E o pouco que tínhamos o meu marido gastava em motos para revender, com amigas, etc. Um certo dia fui a um quiosque, onde encontrei um senhor sentado numa das mesas. Começou por se meter comigo, simpática como eu era, começámos a falar. Ficámos amigos, ele era viúvo e tinha três filhos, a mais velha tinha por aí os seus 16 anos. Não demorou muito convidou-me para viajar com ele. Cansada da miséria em que vivia, não pensei duas vezes, decidi aceitar. Mas havia uma condição, deixar a minha filha. Eu disse-lhe: se essa for a condição não quero viajar contigo. Ele ponderou, mas acabou por aceitar que a minha filha fosse connosco. Ele tratou de toda a nossa documentação. Antes da nossa partida, pediu-me em casamento perante a minha mãe, fazendo promessas de que nada iria me faltar. Primeiro passámos por Portugal, porque ele tinha que tratar de uns papéis. No dia 25 de abril de 2002, fomos para Alemanha. Na Alemanha, o senhor começou a mostrar o seu verdadeiro caráter. Tudo que eu fazia estava errado, tinha que ser mais rápida nos afazeres de casa. Eu parecia a sua empregada. As minhas roupas eram compradas em lojas de segunda mão. Eu não podia responder, porque nem a sua mulher, que morreu, lhe respondia com medo que lhe batesse. As crianças diziam-me: tia não responde, a mamã nunca respondeu. Ao fim de três meses, descobriram que os nossos documentos eram falsos. A polícia veio e perguntou-me: - Os documentos são falsos? - Não.

e atualmente vive há 15 anos na Alemanha. A sua paixão por Laurinda é de longa data. A sua pele escura realça a cor do grande fio e anéis de ouro, que carrega no pescoço. A difícil vida de asilados deu lugar à felicidade. “Quando atingi a idade de fazer o serviço militar surgiu a oportunidade de retirar-me do país. Vivi dois anos em Portugal, até me aconselharem a pedir asilo em outro país. Fui asilado por nove anos, quando recebi a minha residência alemã comecei a trabalhar. Trabalho a quase há oito anos. A vida de asilado é muito complicada. Principalmente aqui na Alemanha, devido à língua. Para mim, até hoje é difícil. Cada dia que passa aprendo uma coisa em Alemão. O Alemão não é fácil de aprender, para aprender tens de ir à escola. Por isso, fui. Enfrentei muitas dificuldades. Principalmente quando ia aos gabinetes pedir informações, tratar de documentos e procurar emprego. Nunca tive um tradutor. A minha vida estava sem futuro. Depois de seis meses, o meu pedido de asilo foi rejeitado. Tive que recorrer a um advogado que me disse: - Não tens chance. A minha aflição aumentou, porque o governo alemão começou a notar um certo desenvolvimento em Angola. Infelizmente o desenvolvimento era para aqueles que já tinham dinheiro. Porque para nós do “quimbo” (da periferia), não tínhamos hospital, escola, era jovem sem emprego. Então era difícil para mim, não tinha eira nem beira. Não tinha perspetiva de como

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“A polícia alemã interrogoume, pediu-me mais informações e os meus dados verdadeiros”

L Maria Laurinda e António Correia encontraram, finalmente, a estabilidade. Com medo de ser presa, menti. Mas quando me ameaçaram com a minha filha de dois anos, tive que dizer a verdade sobre os documentos. A polícia alemã interrogou-me, pediu-me mais informações e os meus dados verdadeiros. Dei-lhes a minha palavra de que nunca iria abandonar o país, pelo menos até ser deportada. O senhor foi preso e os seus filhos foram para o orfanato porque eu não tinha qualquer parentesco com eles. Fiquei sozinha na casa do senhor. Durante três meses, a polícia ia-me buscar a casa, até a esquadra, para repetir o meu depoimento, enquanto eles tratavam da minha documentação para ser repatriada para Angola. Depois de seis meses, deram-me um visto de dois meses. E assim foram prolongando o visto, a cada dois meses. O meu “noivo” saiu da cadeia, não demorou muito tempo morreu. A Segurança Social aconselhou-me a pedir asilo devido à minha filha. Em janeiro de 2003, pedi a dois amigos que me acompanhassem para pedir o asilo. Levaram-

-me a um asilo horrível, onde tinha de toda a raça, era uma mistura total de africanos e de pessoas de outras terras. E eu a pensar que todo branco era alemão, mas não. Aí aprendi que há muita raça. Fiquei por lá três ou quatro dias, se não me engano. A comida era horrível, eu chorava para voltar em Angola, mas não dava. Tinha que terminar com o processo. Mandaram-me sozinha para Dortmund, eu não sabia a língua alemã, só o Português. Tudo que tinha era a minha filha nos braços e o meu rádio na mão. No asilo, eu via todo mundo a ir embora menos eu. Depois, fui transferida para um pequeno prédio sem muitas condições onde a casa de banho era partilhada, mas era melhor que no centro. Em 2006 fiquei grávida do meu segundo filho, a Fernando, que me permitiu deixar de ser asilada e viver normalmente, porque na altura não estavam a deixar crianças a serem repatriadas para Angola, devido à instabilidade política e ao clima de guerra que lá havia na altura.” António Correia, de 39 anos, saiu de Angola há 17 anos. Viveu por dois anos em Portugal

voltar no meu país de origem. Quase que caí em frustração. Mas tive amigos que me levantaram. Primeiro pedi asilo em Colónia, fiquei por lá quase um mês e fui transferido para uma outra cidade. Não demorou muito para voltar a ser transferido para um outro asilo, onde tínhamos como “vizinhos os bois”. O autocarro passava de uma a duas horas. As condições tinham melhorado, porque já tínhamos uma casa. Éramos três angolanos, tínhamos recebido carta para trabalhar. O salário era de um euro por hora. Do trabalho a casa, eram 5km de bicicleta que nos foi oferecido pelo asilo. Não tínhamos televisão, nem rádio. A comunicação era feita entre nós os três. Embora na casa houvesse, ainda, dois nigerianos, três angolanos, um chinês e um camaronês. Mais tarde, consegui dar a volta a situação. Conheci a dona Laurinda aqui na Alemanha em 2003. Frequentávamos a igreja Maná, que era frequentada por muitos angolanos. Fomo-nos conhecendo. Quando ela fez anos, convidou-me para o aniversário dela. Na altura ela estava numa relação e tinha dois filhos. Desde 2004, que não a via. Voltei a vê-la em 2014, numa festa. Ela já não se recordava de mim. Até um amigo lhe lembrar sobre mim. Vimos que ela tinha muitas fotografias comigo. Aí fomos trocando impressões, o Facebook nos juntou. Eu tinha tido um filho de uma relação que não resultou, por isso estava separado e ela também. Hoje temos dois “cabeças”. Hoje estou aqui, tenho uma família, tenho filhos e um bom emprego. Por isso, sinto-me feliz.” g


Sociedade Caça 06

SETEMBRO 2018

A caça explicada por quem a começou a praticar desde tenra idade

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“Um desporto saudável e que todas as pessoas deveriam experimentar”

FOTOGRAFIA DR

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açar por desporto, para apreciar momentos de tranquilidade e para apreciar o convívio com amigos, mas também para equilibrar os ecossistemas, para proteger as plantações de animais em excesso e para manter os negócios que se criaram à sua volta. Eis os argumentos de quem defende a prática de caça, apresentados num dia que, em Estremoz, rendeu. O número da sorte foi o 28. O resultado dá origem a refeições em família, talvez um arroz de pombo. “Basta ter imaginação e nós podemos desencadear mil e uma receitas com a caça que trazemos para casa.” Os caçadores, em resposta às críticas que quem contesta esta atividade, acrescentam que têm afeto por todos os animais envolvidos.

MARTA PROENÇA ESTA D COMUNICAÇÃO SOCIAL

O despertador tocou, as horas marcavam as cinco da manhã. Há quem diga que é demasiado cedo para se começar o dia, mas na perspetiva dos caçadores isto é apenas uma rotina comum. É hora de colocar todo o equipamento necessário no carro e iniciar a viagem até à Associação Desportiva de Caça e Pesca de Estremoz. O dia está cinzento e com muitas nuvens, mas isso nunca foi fator de impedimento para a prática deste desporto. “Já tivemos dias muito mais agitados e com chuva, isto que aqui está não é nada”, diz Arnaldo Balbino, 55 anos, um verdadeiro estremocense. Exerce a profissão de canalizador, mas aos domingos e às quintas-feiras é um caçador à altura. Chegados à Associação, ainda há tempo para repor algumas energias e tomar alguma cafeína, justamente no bar pertencente à Associação, onde se encontram alguns grupos de caçadores que se preparam para enfrentar uma manhã de caça. Segundo as previsões de Arnaldo, a caça irá correr na perfeição e será um dia de muito rendimento a níveis de espécies. Às 6h30 inicia-se o sorteio de senhas que irão definir onde cada grupo se irá posicionar durante o período da caçada. Toda a reserva tem vários sítios identificados numericamente, normalmente chamados de “portas”, que correspondem aos números das senhas que são sorteadas na manhã antes de se iniciar a caça. Terminado o sorteio, o caminho a fazer é em direção à porta número 28. “O 28 costuma dar sorte, vamos fazer para que isso aconteça hoje pessoal”, encoraja Arnaldo o resto do grupo. O objetivo nesta manhã de domingo é caçar o maior número de pombos possível e todos estavam totalmente empenhados nessa tarefa. Soa o primeiro tiro, como se se tratasse de uma abertura da competição que iria acontecer. Que comecem os jogos.

L Para além do produto da atividade, os caçadores destacam o convívio em plena Natureza.

“É uma arte que eu aprecio, que me cativa. Porque é uma prática que não só envolve só as caçadas em si, como também o próprio convívio entre os caçadores. Na minha opinião, é um desporto saudável e que todas as pessoas deveriam experimentar, porque se adquire uma panóplia de conhecimentos a nível da natureza, dos animais e dos seus habitats.” Enquanto conta que o ‘bichinho’ da caça começou quando tinha por vol-

ta de seis, sete anos, o olhar de Arnaldo concentra-se em possíveis espécies que possam sobrevoar o céu que já aparenta ter uns raios de luz. Para muitos esta arte deve ser iniciada cedo, porque “de pequenino é que se torce o pepino, não é o que dizem?” pergunta José Palmeiro, 52 anos natural de Estremoz, carpinteiro de profissão. Começou a ter interesse por esta prática graças ao seu pai que o levou desde pequeno às caçadas. “Foi quando completei os meus 16 anos, que é a idade em que se pode começar a caçar legalmente, que iniciei a minha jornada no mundo da natureza e das espécies”, completa ainda José. A caça será para consumo próprio. Ambos os caçadores partilham a ideia de que a caça deve ser vista como uma arte que se desfruta não só na sua prática, como também no seu resultado, neste caso, cozinhado. Este desporto já foi fruto de muitas receitas cozinhadas tanto por eles como pelas suas esposas, desde o arroz de pombo até à canja de pombo. “Basta ter imaginação e nós podemos desencadear mil e uma receitas com a caça que trazemos para casa e conseguem ser uma excelente refeição”, garante José. Para além do pombo também estão presentes espécies como a rola-comum, que se caça normalmente no verão, em agosto, o pombo-torcaz, o coelho-bravo, a lebre-comum, a perdiz, o pato e ainda o tordo. Uma das outras “relíquias” que a caça traz às pessoas que a praticam, dizem os próprios caçadores, é a serenidade e tranquilidade do campo. José explica que “é uma boa prática para desanuviar e respirar um pouco de ar puro, pois tudo o que nos rodeia aqui é natural e puro e,

ESTA JORNAL

às vezes, precisamos deste refúgio”. Nos dias de hoje é complicado encontramos um lugar onde a nossa mente possa relaxar e fugir um pouco dos problemas e das responsabilidades da atualidade. O campo parece ser o sítio perfeito para tal acontecer, o ar é puro, respira-se flores, respira-se vida ativa das espécies que aqui habituam, respira-se tudo menos responsabilidades e stress. Apesar de esta descrição revelar um passaporte para uns minutos no paraíso, nem todos partilham a mesma opinião em relação à caça e à ocupação dos caçadores nos seus respetivos habitats. Os movimentos anti caça, hoje em dia, estão a impor-se com mais força a cada dia que passa. Foram feitas manifestações, debates, protestos, petições, tudo isso como objetivo de terminar com esta prática, que dizem ser injusta para todas as espécies que habitam as reservas de caça. “Se analisarmos bem esse assunto e imaginarmos que a caça deixava de existir, íamos começar a assistir a um desequilíbrio do ecossistema e a maiores dificuldades para os agricultores com as suas plantações”, explica Arnaldo, justificando o porquê de a caça não poder terminar da forma que estes movimentos ambicionam. Arnaldo destaca ainda que uma eventual proibição da caça iria ter um impacto negativo. Por exemplo, o “número de animais existentes na Natureza iria aumentar em grande número e, por consequência, os números de predadores também aumentava, por exemplo a águia e a raposa”. E acrescenta uma outra perspetiva: “Na agricultura, os agricultores iriam sentir mais dificuldades em proteger as suas plantações e conservá-las devido aos possíveis ataques de alguns dos animais.” Sendo um defensor da caça, Arnaldo garante que tem afeto por todos os animais envolvidos. Tem um cão de caça de raça Épagneul Breton, mas que isso não interfere de forma alguma nas espécies que caça quando frequenta as caçadas. “Todos os animais merecem o mesmo afeto que os animais domésticos, mas se formos a pensar assim, ninguém comia carne e ninguém matava nenhum animal para a sua alimentação, como por exemplo, os porcos, os bovinos, os frangos, as galinhas, os patos.” Por outro lado, José aborda e analisa o tema de outra forma, trazendo à tona outros argumentos dizendo: “O caçador regula-se por um calendário venatório que é publicado em todas as épocas de caça anualmente. E como as espécies estão em extinção, devia-se diminuir o número de espécies a abater nas caçadas. Porém não concordo que se elimine a prática da caça ou qualquer desporto com animais, por completo.” Para José, a consequência do término da caça desportiva não iria apenas atingir as espécies, mas também iria atingir o nosso país economicamente. “Em Portugal existem muitos locais de comércio que têm como fim vender equipamentos de caça, como cartuchos, roupa apropriada. Se realmente este desporto chegasse ao seu fim, iríamos assistir a um maior desemprego, a um menor lucro por parte dessas vendas como também o aumento de espécies nos campos, o que não é natural, pois o propósito da caça é abater todos os animais que têm uma pequena duração de vida.” Agora é hora de arrumar as espingardas, as geleiras e, o mais importante, guardar a caça que foi capturada nesta manhã. A previsão do Arnaldo estava certa, esta manhã rendeu, o número 28 realmente deu sorte. g


Sociedade Religião

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Seis amigos de Aveiro em peregrinação

“Está quase… JOANA ALMEIDA ESTA D COMUNICAÇÃO SOCIAL

Fátima

é já ali”

Eram seis, quatro mulheres e dois homens, com idades entre os 30 e os 60, amigos e pessoas de muita fé. Saíram de Aveiro no dia 27 de abril e com destino a Fátima. Apesar do mau tempo, do cansaço e das bolhas, a boa disposição esteve sempre presente. Foi uma caminhada de Fé para todos e o cumprir de uma promessa para Maria do Carmo. O momento da chegada é único: “Uma felicidade imensa que faz escorrer lágrimas pelos olhos abaixo.” D

O frio, uma chuva miudinha e um orvalho gelado marcaram o início da longa caminhada de três dias de seis peregrinos, com destino a Fátima. O relógio marcava 23 horas e 56 minutos, quando se iniciou a caminhada do grupo. No ar pairava uma certa calma e sentia-se o aroma do pó talco que repassava entre as sapatilhas a cada passo dado. As primeiras conversas desta grande viagem davam conta das peripécias dos anos anteriores, as palavras de incentivo, as aventuras e as brincadeiras que levantam o ânimo nos momentos mais duros. Lembram o ano de 2015, quando uma das peregrinas mais velhas do grupo, a Mila, estava prestes e desistir e foram os colegas de peregrinação que a puxaram, com guarda chuvas, nos últimos 20 quilómetros da viagem. Sacrifício, que no dicionário é o “termo usado metaforicamente para descrever atos de altruísmo, abnegação e renúncia em favor de outrem”, para estes peregrinos significa alívio, felicidade, leveza e “agradecimento à Nossa Senhora”. Maria do Carmo, sempre que faz o caminho para Fátima, “é para cumprir a promessa, custa muito, mas tem de ser”. Já o elemento mais novo do grupo, Carlos Pinho, participa na peregrinação, mas não o faz para cumprir uma promessa: “E espero não ter acontecimentos na vida que me levem a ter de prometer uma coisa tão difícil e complicada.” O primeiro dia é, para o todos, o mais complicado. São 16 horas a andar e “este ano foi muito difícil devido à chuva intensa e ao vento”. Toda a viagem é marcada pela passagem por locais bem conhecidos dos peregrinos: os cinco semáforos da reta da Tocha ou os 12 ferros da Ponte Edgar Cardoso, na Figueira da Foz. Cada um é uma pequena conquista. O “é já ali” torna esta viagem mais agradável. Paragem obrigatória para descanso, “para massagens, tratar bolhas e aliviar as dores” é o restaurante “O Amigo”, onde o Sr. José, apoio do grupo, os espera. Pára quase a cada quilómetro, para garantir que nada falta aos caminhantes. “Querem água?” - grita, do outro lado da estrada. “Um chocolate, ou uma laranja?” Há de tudo no carro de apoio, seja para matar a sede, a fome, as dores ou o frio. Chegado o fim do primeiro dia de viagem, a noite é passada na pensão da D. Rosa. É lá também que tomam um banho quente e que fazem a última refeição do dia. Junto da lareira há montes de sapatilhas, casacos e as capas da chuva que ficaram encharcados devido à chuva intensa. É o momento de encontro com outros peregrinos, partilha de conhecimentos e histórias. A despedida, antes de dormir, dá conta dos desejos de bom tempo para a manhã seguinte, e que todos acordem em condições de seguir viagem. “Que

corra tudo bem amanhã, com todos nós e que Nossa Senhora interceda por nós ao São Pedro.” A chuva intensa e a trovoada que se fez sentir durante a noite adiou em duas horas a saída dos peregrinos. Eram 7h00 quando, após o pequeno almoço, a chuva amainou e os seis peregrinos saíram rumo a mais 10 horas de viagem. “Este tem sido o ano mais complicado para mim, doem-me muito os joelhos”- afirma Carlos, na esperança de que as dores passem e que a viagem corra sem percalços. Também para Adelaide esta viagem tem sido complicada: “Tenho espigões nos calcanhares e tive de comprar umas palmilhas de silicone.” A fé é o que move cada um destes peregrinos a Fátima. Nesta viagem

são muitos os rituais católicos que se cumprem, desde rezar, a minutos de silêncio. “Pedro! Tens de me ensinar a rezar o terço”, pede uma das caminhantes. Pedro, todos os dias de viagem, reza o terço, “foi o que Nossa Senhora pediu aos Pastorinhos”. Quando as dores apertam, o caminho se mostra mais difícil e o cansaço começa a tomar conta do corpo é hora de mais uma pequena paragem, no muro de uma vivenda, numa paragem de autocarro, o que for preciso para descansar e arranjar forças para continuar. “Ninguém fica para trás, pára um, páram todos.” Alargam-se os atacadores das sapatilhas devido aos pés inchados, aplica-se spray muscular ou furam-se as bolhas que estiverem a causar mau estar, contam-se umas anedotas e

FOTOGRAFIA JOANA ALMEIDA

L A chegada ao santuário é marcada por muitos sorrisos, abraços e lágrimas.

minutos depois já está tudo pronto para retomar viagem. O segundo dia chega ao fim, não há desistentes, e cada vez o destino está mais perto. Pernoitam, desta vez, numa casa particular, a da D. Otília. Tem 72 anos, já foi operada cinco vezes nos últimos três anos,

teve cancro e tirou a vesícula, mas não é isso que a pára. Continuará a dar dormidas aos peregrinos que por lá passam. “Ainda na noite passada dormiram cá 42 pessoas, vê estas toalhas aqui? Ontem foram todas usadas. Já as lavei e passei a ferro e já estão aqui prontinhas para hoje.” Nos períodos de mais afluência, quando tem “a casa cheia”, por alturas de maio ou de outubro, consegue albergar cerca de 80 peregrinos. Recentemente nas traseiras de casa, fez dois balneários com três chuveiros cada um, para que todos pudessem ter um banho quente. As temperaturas baixaram durante a noite e à hora de saída os termómetros marcavam apenas 3 graus. O frio não moveu os peregrinos, que cada vez estavam mais perto do seu destino. A etapa mais difícil deste último dia de viagem é a subida da serra de Santa Catarina. Às 10 horas mais uma paragem habitual. “Aqui comemos sempre um panike e compramos uma raspadinha”, conta Maria da Luz. Estava quase no fim a terceira e última etapa. Este ano, ao contrário do que fizeram no passado, decidiram almoçar antes de chegar ao santuário. Ao almoço choveu torrencialmente e os peregrinos tiveram de estar mais tempo recolhidos no restaurante. Estavam a cerca de dois quilómetros do santuário. “Agora daqui até lá é um instante, vamos de barriga e coração cheios”, diz Adelaide, que faz esta viagem todos os anos, “graças a Deus e à Nossa Senhora”, sem problemas “e sem bolhas, ou como nós costumamos aqui brincar, nem tipo bolhas nem tipo calos”. A viagem deste ano correu com alguns percalços: a chuva, o vento e o frio. Mas a chegada a Fátima faz esquecer todos esses dissabores que fizeram parte da longa e difícil viagem. “Uma felicidade imensa que faz escorrer lágrimas pelos olhos abaixo.” Maria do Carmo, que era a única com promessa este ano, não consegue conter o sorriso nos lábios ao pisar o chão do santuário, onde Nossa Senhora apareceu aos Pastorinhos. Como sempre, a chegada ao santuário é marcada por muitos sorrisos, abraços e lágrimas. Como combinado, foram assistir à missa ao peregrino e posteriormente cada um teve os seus próprios objetivos: oferecer flores, queimar velas, oferecer figuras de cera ou orar. “Queimo uma velinha por cada pessoa da minha família”, conta Maria da Luz enquanto se dirige para a escadaria. É o momento da fotografia de grupo final e das despedidas. Foram uns longos 150 quilómetros que, durante três dias, estes peregrinos percorreram. Foi mais um ano de sentimento de dever cumprido, mais um ano de aventuras, brincadeiras e sorrisos para recordar. As despedidas fazem-se entre lágrimas, “obrigados” e muita amizade. Para o ano há mais, mas para “este já está”!g


Sociedade Desporto 08

SETEMBRO 2018

Entrevista a João Paulo, treinador do Atalaiense

“Sou um treinador que reconhece quando o adversário foi mais forte do que nós” D

J

FOTOGRAFIA DR

oão Paulo, treinador do Atalaiense, tem uma grande ambição de levar a equipa do concelho da Vila Nova da Barquinha à 1º Divisão Distrital de Santarém. Treinador ambicioso, motivador, apaixonado pelo futebol e apreciado pelos jovens jogadores. Estas são as principais características do técnico, que explica como se vive no futebol distrital. Na época passada colocou a equipa em 6º lugar no apuramento de campeão a contar para a 2ª Divisão Distrital de Santarém e renovou o seu lugar como treinador com o clube para a época 2018/19. TIAGO SOARES ESTA D COMUNICAÇÃO SOCIAL

Como é que o futebol entrou na sua vida? Como uma criança normal, depois fui federado aos nove anos e mais tarde joguei na União de Tomar, Torres Novas, Fátima, Sertanense, já corri por muito. Como consegue gerir o seu trabalho profissional com o trabalho de treinador? Desde que entrei no futebol federado consegui felizmente conciliar. Depois do nosso trabalho profissional é bom temos um hobby. Eu gosto daquilo que faço e consigo conciliar as duas coisas. Como é gerir uma equipa como o Atalaiense? Isso é uma das grandes batalhas que um treinador deste escalão tem de lutar. Eu quando aceitei o convite de treinar os sénior tinha alguma noção, mas não tinha ideia da dificuldade para montar uma equipa. Aquilo que nós treinadores planeamos, é pouco praticado no dia a dia. Quando nós chegamos aos treinos e temos dez ou onze jogadores de uma equipa que tem 21... Temos o treino estruturado de uma determinada forma e depois chegamos ao campo ouvimos: “um está de serviço”, “porque a mulher está doente” ou “hoje eu não posso”. Há estas situações e condicionantes que depois, em termos táticos, não permitem uma forma de motivar os dez ou onze jogadores de forma a que trabalhem no campo com qualidade. Qual é o momento mais importante para si como treinador e como jogador de futebol? Como jogador tive algumas situações que

“Quem trabalhou na formação, para além de ganhar, sabe que é também para formar homens.”

ainda recordo: fui duas vezes campeão distrital pelo União de Tomar nos juvenis e nos juniores. Depois tenho uma subida de divisão pelo Sertanense, que fiz parte da história do clube da Sertã. Continuo a dizer que um bom treinador consegue colocar um miúdo que nem dá

dois toques na bola com postura dentro de campo e ser um grande homem. Quando treinei os iniciados da Atalaia, tenho boas recordações desses miúdos. Quando hoje os vejo na rua e dá-me um prazer enorme ver a evolução deles, porque quem trabalhou na formação, para além de ganhar, sabe que é também para formar homens. O seu objetivo é ser treinador profissional? Penso um passo de cada vez e acho que devemos ter a noção no espaço que temos. Neste momento (abril/18) estou bem onde estou, a ser bem tratado, estou num clube que me dá as condições precisas. Contudo gostava de ter outras condições, como espaço de campo, ter outros jogadores, porque não é fácil exigir a um jogador que não recebe nada. Só por um jantar à sexta-feira não posso dizer a ele que venha todos os treinos. Há condicionantes que alteram essa atitude. Se tivermos um plantel em que os jogadores recebem dinheiro, aí já posso exigir e tratar de uma maneira diferente e com certeza que se trabalha de uma maneira diferente. Claro que quero evoluir como

L “Se tivermos um plantel em que os jogadores recebem dinheiro, aí já posso exigir”

ESTA JORNAL

treinador! Neste momento tenho o 1º grau de treinador e possivelmente terei o 2º, e isso quer dizer que quero ir mais além, neste momento estou na segunda da distrital e não quer dizer que amanhã não possa estar noutro nível. Um passo de cada vez. O futebol é importante para si? Muito importante, isto é uma escola. Continuo a dizer que os miúdos que treinei com 12, 13 anos, a maior parte não vão ser jogadores de futebol e duvido que algum seja, no entanto, aprendem a cumprir horários, trabalham com normas que depois um dia mais tarde aplicam na vida profissional. Quer colocar a sua marca no clube? O mais importante não é ganhar troféus, eu não quero essa marca, eu quero é que os jogadores me cumprimentem e que não tenham rancor. É óbvio que não consigo agradar a todos pois são 21, só posso convocar 18 e só treinam três vezes por semana. É claro que há um descontentamento, mas ainda bem que há, porque um jogador que não joga e não é convocado vai tentar esforçar-se para conseguir o lugar. A sua família é o seu grande pilar? Tem de haver um grande sacrifício e paciência, porque estamos a fazer uma coisa que gostamos em quatro dias por semana. E quando as coisas não correm bem no jogo, quando chego a casa liberto-me. Quando chego a casa não falo de futebol, normalmente descanso e depois mais tarde penso no que correu mal. Fico obviamente chateado quando perdemos, mas não tenho mau perder, sou um treinador que reconhece quando o adversário foi mais forte do que nós. Porque que escolheu este desafio de treinar a equipa de séniores? Porque o presidente atual me convidou, sou treinador graças a ele. Começou a surgir o gosto pela mitologia de treino e a partir daí começou a minha paixão. Aceitei treinar os séniores porque já os conhecia como jogadores, mas não tinha a noção da dificuldade do plano de treino que os séniores tinham, porque não consigo ter todos os jogadores no campo. E no balneário? O que os une quando estão desmotivados? O papel do treinador passa por aí, mas eu apanhei este grupo de jogadores que jogaram na época passada. E todas as equipas devem ter jogadores que mantêm o espírito como eu tenho, isso é uma sorte. Isto é um ponto importante para o sucesso. Claro que não vamos ter sempre os mesmos, ano a ano vão se mudando e é nas camadas jovens que o clube tem apostado, temos jogadores de grande qualidade e que são chamados para o plantel principal. Alguns ainda juniores têm treinado connosco e espera-se que eles se integram na equipa principal para a próxima época.g

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FICHA TÉCNICA | DIRETORA: Hália Costa Santos DIRETORA ADJUNTA: Raquel Botelho REDATORES: Elsa Custódio, Joana Almeida, Marta Proença, Tiago Soares, Vitória Simões, Zetília Sebastião PROJETO GRÁFICO: José Gregório Luís PAGINAÇÃO: João Pereira | TIRAGEM: 15000 exemplares IMPRESSOR:Unipress Centro Gráfico, Lda PROPRIETÁRIO: Instituto Politécnico de Tomar MORADA: Estrada da Serra, 2300-313 Tomar EDITOR: Licenciatura em Comunicação Social da Escola Superior de Tecnologia de Abrantes SEDE DA REDAÇÃO: Rua 17 de Agosto de 1808, 220-370 Abrantes


Paulo Sousa

ESPECIAL / Sardoal / Festas do Concelho

Vila de Sardoal vai ser Espaço Gil Vicente

Programa 21 (sexta-feira) 17h - Abertura da MOSTRA DE SABERES E SABORES Abertura das Exposições - Gil Vicente – escultura em cerâmica de Armando Correia (1994/95) Centro Cultural Gil Vicente - Filarmónica União Sardoalense documental Espaço Cá da Terra (Centro Cultural Gil Vicente) 20h30m – Cant’Abrantes Praça Nova 22h30m – MELECH MECHAYA Praça da República 00 horas – Banda Réplika Espaço das Tasquinhas 03 horas – Lizard Crew Espaço das Tasquinhas 22 (sábado)

O Município de Sardoal apresentou em março deste ano o Plano Estratégico de Desenvolvimento Turístico do Concelho. Miguel Borges, presidente da Câmara Municipal de Sardoal, adiantou que “temos um conjunto de recursos que queremos que se transformem num produto turístico forte, que possa ser criador de riqueza, de postos de trabalho e que ajude a fixar população no nosso território”. “Recentemente apresentámos os nossos planos estratégicos pois é importante percebermos aquilo que somos, aquilo que queremos e qual é o caminho que temos que fazer até lá chegar. Com a apresentação desses planos estratégicos, definimos aquilo que é a nossa rota”, afirmou o autarca. O presidente acrescentou que “sendo certo que temos aqui o turismo de natureza, com os percursos pedestres, o que é diferenciador e que acrescenta algo à nossa região, é o turismo no âmbito da fé

e da religiosidade, o turismo religioso. Nesse aspeto, há um conjunto de parcerias que temos com os detentores desse património, caso da Santa Casa da Misericórdia e da Fábrica da Igreja, e dentro destes pequenos projetos que vamos construindo como um puzzle, peça a peça, um dos elementos desse puzzle será o Centro de Interpretação da Semana Santa e do Turismo Religioso, cuja obra já está adjudicada e que brevemente vai entrar em construção na Capela de Nossa Senhora do Carmo, que é a única capela que é pertença do Município”. Este Centro vai servir para que os turistas que visitem Sardoal, em qualquer altura do ano, percebam o que se vive na Semana Santa, o que é a Festa do Bodo e outras festividades. Também a recuperação da Igreja Matriz está a aguardar financiamento para que possa voltar a mostrar-se na sua plenitude pois “é muito importante para os sar-

doalenses e não podemos esquecer o fantástico património que está lá dentro”.

Viver Gil Vicente

Ainda no âmbito do turismo, o presidente deixou a novidade de que se está já a trabalhar num outro projeto que envolve Gil Vicente. “Gil Vicente é outro potencial turístico que temos. Sardoal é a localidade que mais vezes é referida na obra de Gil Vicente, que andou por aqui e conheceu muito bem o Sardoal”. A ideia é “criar o espaço Gil Vicente, que será toda a vila. Iremos criar um roteiro dinâmico e um roteiro estático em que as pessoas podem percorrer a vila e, inclusivamente, encarnar uma personagem de uma obra do autor”. Este é um projeto que será apresentado em breve.

A nova Escola

Fora do âmbito do turismo mas também de grande importância para o concelho, é o arranque

das obras na Escola Básica 1,2,3 e Secundária de Sardoal. Miguel Borges afirmou ter “tudo preparado para começarmos com a obra, no entanto, esse arranque não depende de nós. Fizemos um primeiro concurso público que ficou vazio porque houve um aumento de custos da construção civil e o Sardoal não foi caso único. Assim, tivemos de fazer um segundo concurso público na qual já temos uma empresa vencedora da obra, a empresa Socertima – Sociedade de Construções do Certima, Lda. Mas como se trata de um projeto de mais de 4ME, terá de contar com o visto do Tribunal de Contas, que fez algumas questões sobre a reprogramação financeira e terá de ser a CCDRC a dar essas respostas. Estamos à espera disso mesmo para encaminharmos tudo para o Tribunal de Contas e iniciar a obra”. Patrícia Seixas

Wi-Fi gratuito para promover o concelho Dentro em breve, a vila de Sardoal irá ter disponível um serviço gratuito de wi-fi. “É um projeto que vem na sequência de uma candidatura que que fizemos ao programa Valorizar, acima dos 50 mil euros, comparticipados em 85%, e onde vamos colocar antenas em vários pontos estratégicos da vila para acesso gratuito ao wi-fi”, explicou o presidente da Câmara Municipal. “O objetivo é a comunicação”, diz Miguel Borges, que adianta que “ao aceder ao nosso wi-fi a pessoa tem logo disponível um conjunto de informação do tipo «onde está, o que visitar, onde comer...» e pode entrar em contacto connosco”. O autarca reconhece que “temos

que nos atualizar em relação às novas tecnologias” apesar de “hoje sabermos que estas novas tecnologias, em muitos casos, não substituem outras formas tradicionais de comunicar mas são uma ajuda preciosa e prática”. Largo do Pelourinho, Igreja Matriz e Centro Cultural são zonas que vão ter acesso a wi-fi gratuito mas também a zona da piscina e campo de jogos para que “os sardoalenses que por ali passam algum tempo à espera dos treinos dos filhos ou das aulas de natação, também possam aceder e ficar informados a respeito do que se passa no seu concelho”.

Feriado Municipal - Comemoração dos 487 anos da Elevação do Sardoal à categoria de Vila, por Carta de Mercê, passada por D. João III, em 22 de setembro de 1531 10 horas - Cerimónia do Hastear da Bandeiras nos Paços do Concelho Guarda de Honra prestada pela Filarmónica União Sardoalense. - Entrega das Distinções aos Trabalhadores da Autarquia com 25 ou mais anos de serviço Salão Nobre dos Paços do Concelho 16 horas – Festa é Festa - Getas, Sardoal Centro Cultural Gil Vicente 18 horas – Rancho Folclórico “Os Resineiros” de Alcaravela Praça Nova 21 horas – Sons Lusitanos “Abrantes” Praça Nova 22h30m – ALA DOS NAMORADOS Espetáculo comemorativo dos 25 ANOS de carreira. Praça da República 00 horas – Banda T. Espaço das Tasquinhas 23 (domingo) 10 horas - Festival Hípico (Ver programa próprio) 10h00m - Prova de Escolas 10h30m - Volteio e iniciação aos andamentos a cavalo (destinado a crianças e jovens) Das 11 às 16 horas - Prova pequena, média e grandes 15h30m - Abertura da Mostra de Saberes e Sabores 15h30m - Futebol - Taça da Amizade Grupo Desportivo de Alcaravela / G.D.R “Os Lagartos” de Sardoal Apresentação da equipa do G.D.A. para o Campeonato do INATEL e da equipa de Seniores do G.D.R “Os Lagartos” para o Campeonato Distrital Parque Desportivo Municipal 15h30m - Abertura da Mostra de Saberes e Sabores Praça Nova e Av. Luís de Camões 18 horas - Passeio da Chapa Amarela (Organização “Os Duros”) EN 2 – Sardoal, Vila de Rei, Sardoal 18h30m – Filarmónica União Sardoalense. Praça Nova 22 horas – FADOANDO Teresa Tapadas, António Pinto Basto, Mafalda Arnauth, Rodrigo Costa Félix e Maria Ana Bobone. Praça da República 23h30m – Marco Morgado Espaço das Tasquinhas Todos os dias. Maganimação para os mais novos no espaço da Mostra de Saberes e Sabores

setembro 2018 / JORNAL DE ABRANTES

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ESPECIAL / Sardoal / Festas do Concelho

Rui Daniel: “Vendo muito para os países nórdicos, Alemanha e este ano já muito para França. Há dois anos ia tudo para os Estados Unidos, o ano passado foram muitos italianos. Depende dos turistas que o nosso país chama”.

Conceição Diogo: No Artof, as ajudas prendem-se com “a renda barata e não pagamos água nem luz. Era bom que se criassem mais espaços destes porque o Sardoal tem muitos artesãos”.

A arte nas mãos de Rui e Conceição Artof é o Cluster Criativo de Sardoal. Integra o Espaço Partilhado para as Artes e Ofícios e conta com dois ateliers onde dois artesãos trabalham a sua arte. Miguel Borges, presidente da Câmara Municipal de Sardoal, explica que, nas Festas de Sardoal, “alguns dos expositores são precisamente aqueles que estão já no Artof. O Artof é, no fundo, essa tal incubadora de uma outra incubadora que quer crescer”.

NORMAL, uma palavra que se escreve em muitas línguas

Chama-se NORMAL, com o R invertido, porque “eu queria uma palavra que se escrevesse em muitas línguas e que dissesse que é igual aos outros mas com qualquer coisa diferente”. Foi bancário durante muitos anos, tem outros afazeres noutras áreas mas “trabalho com estes materiais há uns 4 ou 5 anos e nunca o tinha feito a este nível. Surgiu a oportunidade de me candidatar a este espaço porque dá-nos a capacidade de termos um espaço mais profissional”. O artesão que conta com um

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atelier no Espaço Partilhado para as Artes e Ofícios é Rui Daniel e trabalha com sola. “É pele de bovino e a curtimenta é vegetal e assim consigo ter algum suporte ecológico. Isto é um sub-produto da indústria alimentar mas onde não há a utilização de produtos químicos e a matéria-prima é quase toda portuguesa”, explica Rui Daniel. No atelier não se via nenhuma mala concluída porque “elas andam muito depressa”. Mas há capas para cadernos “que são completamente reutilizáveis”, sacos, mochilas, bases para canecas, brindes, uma gama variada de produtos. Para conseguir acudir a todos os pedidos, Rui Daniel conta pontualmente com a colaboração preciosa da esposa. O atelier no Artof “é para mim muito vantajoso porque a renda não é tão pesada como se fosse noutro lado, pois paga-se em função da área utilizada, e a Câmara Municipal fornece a água e a luz”. Por outro lado, “não consigo arranjar outro sítio assim, ou é muito grande, ou é muito pequeno. Claro que, esteticamente, gostaria de ter mais umas coisas como um quadro gigante na parede mas vamos

JORNAL DE ABRANTES / setembro 2018

adequando”. Rui Daniel ocupa o espaço há cerca de 5 meses, num local onde reina a paz. Na mesa de trabalho vê-se ainda um relógio. O artesão está a fazer uma bracelete em sola. Não é a primeira vez que se aventura neste tipo de trabalho, “já fiz alguns pois o que eu procuro são objetos em que a sola seja sempre reutilizável”. “Adequo as coisas aos seus preços de modo a que as pessoas possam sempre levar uma prenda. E dou um bocadinho mais de importância a prendas para homens porque sei que é algo que é sempre muito difícil”. Os produtos da NORMAL estão espalhados um pouco por todo o lado, “principalmente as malas que já são quase por encomenda. É um produto que sai muito bem”. Na NORMAL tudo é feito à mão e os produtos podem ser encontrados em Lisboa, no Porto e em Abrantes. “Também costumo fazer mercados muito específicos como o LX Market e aí sim, já tenho produtos em quase tudo o que é sítio no mundo”. Através das redes sociais também chegam muitas encomendas. No Cá da Terra, “não me posso queixar. Os produtos saem bastante bem”.

Há quem ainda prefira trabalhos de artesanato

Encontramos Conceição Diogo num espaço no centro da vila de Sardoal, acabada de chegar de mais uma feira.”Estou a mudar tudo para o atelier porque este espaço já não tem condições”. Trabalha com trapilho reciclado, para alguns tapetes, e trapilho normal com que tece as passadeiras. A matéria-prima vem de Barcelos, de uma fábrica de confeção de roupa. “Trabalho num tear desde a barriga da minha mãe. A minha mãe era tecedeira mas eu não gostava disto mas, quando a minha mãe faleceu, as pessoas começaram a pedir-me «pela alma da minha mãe» para fazer trabalhos. Ora, tocavam-me ao coração e eu ia fazendo. Agora já ando nisto há uns anos”, começa por nos contar. Dos teares de Conceição saem tapetes, mantas, passadeiras, naperons e mantas em linho que podem ser adquiridas no Espaço Cá da Terra. “A Tagus também leva alguns produtos para as outras lojas, quer de Constância, quer em Lisboa”. Conceição Diogo participa em

algumas feiras e encontra quem procure os seus produtos. No entanto, hoje em dia, “há quem não perceba que isto é artesanato e ache os preços elevados. Depois vão procurar em lojas de preços reduzidos sem perceberem que este artigo dura muitos anos. Mas há pessoas de todas as gerações que apreciam e que ainda preferem um trabalho de artesanato a um produto industrial”. Com trabalhos espalhados um pouco por todo o mundo, os produtos que saem do tear de Conceição estão já na Austrália, onde uma cliente “vem cá duas vezes por ano e leva artigos. Esta cliente descobriu-me numa feira já lá vão 12 anos”. Uma passadeira normal leva “meia hora a fazer se tiver a ajuda do marido” na manutenção do tear. O atelier no Artof “fui eu que pedi à Câmara um espaço por este já não ter condições. Informaram-me na altura que iria abrir um concurso e eu concorri. Agora, é mudar o que falta”. Patrícia Seixas


REGIÃO / Constância

Astrofesta “é uma referência” a nível europeu – Ministro “Esta festa é uma referência não só a nível nacional, mas também a nível Europeu”, foi desta forma que Manuel Heitor, Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, iniciou a sessão oficial de abertura da XXV Astrofesta, no dia 18 de agosto, no Centro de Ciência Viva de Constância (CCVC) - Parque de Astronomia. O governante justificou a projeção europeia da Astrofesta em Constância, por ser uma “festa que se desenvolve, sistematicamente, ao longo de 25 anos (…) mas, sobretudo porque se transformou numa referência daquilo que é o convívio de astrónomos amadores e profissionais”. Na cerimónia de abertura daquele certame, Manuel Heitor disse que o mundo da astronomia mudou muito nos últimos 25 anos, mas vai “sofrer alterações brutais” nos próximos anos. E anunciou que Portugal vai integrar uma rede

/ Manuel Heitor, Sérgio Oliveira e Máximo Ferreira mundial de telescópios interligados de modo digital. O ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior antecipou os desafios do futuro, tendo afirmado que, “hoje, Portugal parti-

cipa num grande projeto à escala mundial para poder ligar todos os telescópios de uma forma digital”, incluindo os instalados no Centro de Ciência Viva de Constância. “Se é verdade que os últimos 25

anos foram de grande transformação em Portugal de introdução da cultura científica nos portugueses, também é verdade que os próximos 25 anos na área da astronomia vão sofrer alterações brutais”, afirmou o governante na abertura oficial do evento, que reuniu até domingo cerca de mil astrónomos portugueses e de outras nacionalidades, profissionais e amadores, investigadores e professores, entre outros. Como vincou o ministro, “a reunião aqui [em Constância] de mil pessoas é certamente o reconhecimento dos últimos 25 anos e uma clara demonstração de capacidade da astronomia para o futuro de Portugal e para aquilo que é a interação [do país] no mundo e numa economia do conhecimento”. Em declarações aos jornalistas, Máximo Ferreira, diretor executivo do CCVC, lembrou que tudo começou com “dois pequenos telescópios metidos numa carrinha”

que conduziu até à Serra D´Ossa, no Redondo, em 1994, tendo levado a astronomia no ano seguinte às praias do Algarve, num espírito de missão e de divulgação que partilhou com o antigo ministro Mariano Gago. “As pessoas não vinham aos telescópios, levávamos nós os telescópios até onde estavam as pessoas”, recordou, lembrando que o programa de “divulgação da astronomia e das ciências em geral” estendeu-se às regiões do interior em 1997 com o programa Ciência no Verão, que se mantém até aos dias de hoje. Na sessão de abertura da Astrofesta, marcou presença o Diretor do Museu Nacional de História Natural e da Ciência, José Pedro Sousa Dias, a presidente da Ciência Viva – ANCCT, Rosália Vargas, Miguel Pinto dos Santos, vice-presidente do IPT, e Sérgio Oliveira, presidente da Câmara de Constância.

zíria, estão a frequentar a formação para receber a certificação do RVCC. Muito brevemente, outro grupo, com cerca de 40 bombeiros, irá também iniciar formação. Na cerimónia, Sérgio Oliveira, presidente da CM, congratulou-se com a atribuição da certificação aos bombeiros e com o facto de ter sido Constância a acolher aquele evento. A cerimónia, que teve lugar no

Salão Nobre, contou com Adelino Gomes, António Manuel Jesus, comandante dos bombeiros de Abrantes, João Furtado, presidente da Associação Humanitária de Abrantes, Sérgio Oliveira, presidente da Câmara Municipal, Sandra Dias, subdiretora regional do IEFP, Samuel Pereira, da direção do IEFP do Médio Tejo e José Ferreira, presidente da Escola de Bombeiros.

Bombeiros da região são os primeiros a receber Certificação de Competências desencarceramento, o socorrismo pré-hospitalar, os incêndios urbanos, industriais e florestais, etc. Na ocasião, o comandante dos bombeiros voluntários de Constância lembrou que a certificação era uma reivindicação antiga e que os 35 bombeiros certificados foram os primeiros do país. “É sempre importante reconhecer a competência destes homens e mulheres que tudo dão e nada recebem em troca. Este é um estímulo e um reconhecimento das capacidades profissionais que têm”, salientou Adelino Gomes, dando conta que “a certificação “foi uma luta que já travávamos há muito tempo para que estes homens e mulheres tivessem o reconhecimento merecido”.

O comandante explicou que a formação, frequentada pelos bombeiros, certifica “o que os bombeiros sabem fazer e sabem fazer profissionalmente. Eles frequentam cursos de muitas horas, cerca de 300 horas e [no passado] eram somente reconhecidos pela Escola de Bombeiros, contudo, em termos profissionais, estes homens não tinham certificação”. O comandante deu um exemplo: “Se estes homens quisessem manter a sua profissão de bombeiros, em qualquer parte do mundo, não o poderiam fazer, pois, não tinham certificação para isso. Portanto, ainda bem que o IEFP ouviu as nossas reivindicações”. Neste momento, cerca de 100 bombeiros, do Médio Tejo e da Le-

Joana Margarida Carvalho

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35 bombeiros, oriundos dos quarteis de Abrantes, Constância, Torres Novas, VN da Barquinha, Mação e Tomar, receberam, no dia 27 de julho, em Constância, os primeiros certificados de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências (RVCC). A formação, que o Centro de Emprego e Formação Profissional do Médio Tejo – Centro Qualifica Abrantes - prestou aos 35 bombeiros, iniciou em outubro de 2017 e decorreu até ao passado mês de junho. Os ensinamentos decorreram nos vários quarteis do Médio Tejo e foram lecionados durante a instrução semanal dos bombeiros. Durante estes meses, os bombeiros receberam formação nas mais diversas áreas, desde o

setembro 2018 / JORNAL DE ABRANTES

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REGIÃO / Constância CESM vai reabrir em setembro sem conclusão da fonte de contaminação

Margem do Zêzere vai ser requalificada A requalificação do ambiente urbano e equipamentos públicos de utilização coletiva na margem do Zêzere, em Constância, vai arrancar. O anteprojeto foi aprovado por maioria, tendo acolhido a abstenção da bancada da CDU na última reunião de Câmara descentralizada, que decorreu no dia 16 de agosto, na Casa do Povo de Montalvo. O projeto de intervenção na margem do Zêzere está previsto dentro dos projetos que serão desenvolvidos no âmbito do Plano de Regeneração Urbana, PARU, que totalizam 500 mil euros. Para a margem do Zêzere está prevista uma intervenção na ordem dos 267 mil euros mais iva. Sérgio Oliveira, presidente da Câmara, referiu que o objetivo da

requalificação é “tronar aquele espaço mais aprazível uma vez que é uma zona nobre da vila”. E lembrou que há cerca de duas décadas que o espaço não é intervencionado. “Queremos reconverter aquele espaço porque já tem duas décadas e precisa de outro tipo de enquadramento, nomeadamente com o levantamento e colocação de novos pavimentos, novas árvores, nova relva, o arranjo dos muretos, etc. Queremos que aquela zona fique mais aprazível do que atualmente, tendo em conta que se encontra bastante degradada e o tempo útil de vida dos materiais e equipamentos, que estão ali, chegou ao fim”, considerou o autarca. Assim, o projeto de requalificação prevê a substituição do pavimento existente, relocalização dos

equipamentos do Parque Infantil com pavimento em betominoso colorido, criando novas valências. Prevê ainda a substituição de mobiliário urbano, a substituição de árvores em mau estado, a recuperação de zonas verdes, a plantação de novos arbustos, a substituição de todos os aparelhos de iluminação por novas armaduras com postes com tecnologia LED e a substituição das escadarias de acesso ao rio Zêzere por novas estruturas em pedra. O processo segue agora para a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional para aprovação e posterior lançamento da empreitada ainda este ano, estando a execução da obra prevista para o próximo ano.

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JORNAL DE ABRANTES / setembro 2018

análise técnica ao documento mas dos dados que existem, achamos que estão reunidas as condições para, em setembro, voltarmos a ter o Centro Escolar de Santa Margarida aberto”, afirmou o autarca. Relativamente a uma conclusão acerca da fonte de contaminação, “não se conseguiu chegar a essa conclusão. Nós fizemos tudo o que estava ao alcance para tentar descobrir se o problema era ali ou no espaço circundante ao Centro Escolar. Nada acusou valores que nos permitam dizer que está ali um foco que está a provocar este tipo de situação”. É, portanto, provável que os maus cheiros possam regressar ao Centro Escolar. A Autarquia apenas aguardava que “o delegado de saúde se pronuncie sobre o conteúdo do relatório” para informar pais, alunos e funcionários da reabertura do estabelecimento de ensino.

Período de carência de rendas para concessionária do parque de campismo gera discussão

Joana Margarida Carvalho

Nova torre será instalada no Parque Ambiental de Santa Margarida O Parque Ambiental de Santa Margarida (PASM), em Constância, vai ser alvo de uma requalificação, que conta com um investimento na ordem dos 240 mil euros. O anteprojeto da requalificação prevista foi ontem aprovado, por unanimidade, na reunião de Câmara, que se realizou no dia 16 de agosto, na Casa do Povo de Montalvo. O projeto de requalificação, que conta com uma candidatura ao Turismo Centro de Portugal, prevê a colocação de uma nova Torre naquele espaço, sendo que a atual está encerrada ao público há cerca de um ano, por “não oferecer condições mínimas de segurança”. “Prevemos colocar no espaço uma nova torre, que não será constituída com material em madeira, mas que será feita em metal para que tenha uma maior durabilidade e para que não exija uma manu-

Estão reunidas as condições para que o Centro Escolar de Santa Margarida, encerrado desde abril de 2018, possa abrir as portas em setembro, no início do próximo ano letivo. A garantia foi deixada por Sérgio Oliveira, presidente da Câmara Municipal de Constância, em reunião do Executivo de dia 19 de julho, que teve lugar na Aldeia de Santa Margarida da Coutada. “Da leitura que fiz”, anunciou o presidente da Câmara Municipal, “após análise dos dois estudos efetuados à qualidade do ar, estão reunidas as condições para o Centro Escolar voltar a abrir em setembro deste ano”. Sérgio Oliveira explicou que o relatório do IPT chegou esta semana à Câmara Municipal, “que foi feito após a implementação das medidas que eram recomendadas no primeiro relatório e remetemos o mesmo ao delegado de saúde”. “Da nossa análise, e não é uma

tenção tão constante como exigia a atual”, explicou à Antena Livre Sérgio Oliveira, presidente da Câmara Municipal. “Por outro lado, vamos intervir nos passadiços que estão danificados e nos quais há madeiras que não têm reparação. Como também, “o espaço da Ecoteca precisa de um conjunto de obras com vista à imperialização do teto para que não volte a chover dentro do edifício”, enumerou o autarca, salientando que “são sobretudo intervenções de conservação e restauro num espaço que atrai muitos visitantes”. Durante a reunião de Câmara, as vereadoras eleitas pela CDU, Júlia Amorim e Sónia Varino reconheceram a necessidade da intervenção geral no PASM e concordam com a substituição da torre de madeira por uma de metal. As obras devem ser iniciadas ainda este ano.

O parque de campismo de Constância foi alvo de um concurso público para arrendamento e concessão de exploração do parque de campismo e Bar do Zêzere que culminou com a celebração do contrato com a empresa GreenRoc.pt no passado dia 3 de julho. Em reunião do Executivo realizada a 19 de julho, foi para deliberação um pedido de carência do pagamento de rendas por um prazo de 9 meses. Sérgio Oliveira, presidente da Câmara Municipal de Constância, explicou que, na sequência do concurso público, “encontra-se adjudicado, com contrato assinado e em funcionamento e, neste sentido, a pessoa que o está a explorar, atendendo aos investimentos que tem de fazer no parque de campismo, solicitou à Câmara Municipal um período de carência de rendas de nove meses”. A maioria socialista do Executivo entendeu que “devemos deixar a pessoa fazer estes investimentos e ganhar corpo para continuar a explorar o parque de campismo”. Investimentos estes que, “no fim do contrato, rever-

tem para o Município”. As vereadoras da CDU, Júlia Amorim e Sónia Varino, mostraram ter muitas dúvidas, apesar de concordarem com a concessão. Júlia Amorim começou por dizer que o pedido vinha mal fundamentado. “Um assunto destes, para podermos fazer a deliberação, vem mal fundamentado. Desde o pedido da senhora até à instrução do processo”. Segundo Júlia Amorim, não é a isenção das rendas “que está em causa” pois, “se falarmos em nove meses, em média 600 euros, eu acho que é um bom negócio para a Câmara. (…) Nós não nos opomos a que haja este período de carência. Contudo, para tomarmos a nossa decisão, temos que saber algumas coisas e, por outro lado, também fazer alguns alertas”. Na votação do ponto, a CDU votou contra pedido de carência do pagamento de rendas por um prazo de 9 meses e apresentou uma declaração de voto onde refere todas as dúvidas e volta a apontar a insuficiência da informação disponibilizada. Patrícia Seixas


REGIÃO / Vila de Rei

Herdade Foz da Represa não vai avançar O promotor adiantou que “neste momento, e durante um período de tempo relativamente longo, de três ou quatro anos, eu não vejo viabilidade nenhuma de estar a fazer um investimento turístico naquele espaço, uma vez que o tal património que era tão indispensável para este projeto, neste momento não existe”. Nellson Soares não confirmou o abandono do projeto Herdade Foz da Represa mas adiantou que o que estão a fazer neste momento “é uma deslocalização. Estamos à procura, dentro da Região Centro de Portugal, de um espaço alternativo para implementar o nosso projeto. Claro que a roupagem terá que ser necessariamente diferente porque se mudar o espaço físico e a situação vier a ser alterada para um outro contexto, isso vai ter influência até nas linhas arquitetónicas, mas em termos de conteúdos, serviços e valências, tudo isso se manterá num outro espaço”. Segundo Nellson Soares, a Câmara Municipal de Vila de Rei já foi informada “e clarificada” da situação “através da nossa advogada”

/ Projeto da HFR Boutique Resort & Spa adiado em Vila de Rei e, “neste momento, Vila de Rei está em stand-by. Não é que não exista intenção de, futuramente, serem criadas condições para se avançar com este investimento mas, para já, ter-se-á que avançar num outro espaço”. Paulo César Luís, vice-presidente da Câmara Municipal de Vila de Rei, contactado pelo Jornal de

Abrantes, disse não ter qualquer informação desta situação por parte dos promotores da HFR Boutique Resort & SPA e que estava a ter conhecimento “através da comunicação social”. O projeto da HFR contava com dez unidades de alojamento (bungalows), estruturas pré- fabricadas “fáceis” de montar (evitando-se as-

sim impactos ambientais desnecessários), edifício central de apoio com SPA e Wine Bar. O projeto previa a criação de dez postos diretos de trabalho e contava com um investimento na ordem de um milhão de euros. Fica agora a aguardar que a natureza se recomponha. Patrícia Seixas PUBLICIDADE

“Na sequência dos incêndios que ocorreram em 2017, quer a área de construção, quer a área envolvente, todos os terrenos onde o projeto iria ser implementado, está tudo completamente ardido”. Foi assim que Nellson Soares, um dos promotores do projeto Herdade Foz da Represa Boutique Resort & SPA nos descreveu o atual cenário. Há um ano, o projeto HFR Boutique Resort & SPA encontrava-se em fase de licenciamento e apto para avançar para construção, depois de anos à espera de autorizações da Agência Portuguesa do Ambiente. Agora, segundo um dos promotores do projeto, “está em stand-by”. “Este era um projeto que estava assente no turismo de natureza e o que se pretendia era explorar o património que ali havia em termos de paisagem mas também da fauna e da flora de todo o local… era um local bastante especial pois existia ali uma mancha verde já bastante madura, que não tinha sido afetada nos incêndios anteriores. Essa mais valia foi o que se perdeu por completo”, explicou Nellson Soares.

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REGIÃO / Vila de Rei Teleassistência domiciliária conta com 35 utilizadores e tende a aumentar

Município reforça pedido para central de biomassa na inauguração da FEQM A XXIX Feira de Enchidos, Queijo e Mel abriu as suas portas a 28 de julho, tendo recebido milhares de pessoas ao longo dos nove dias do certame. Organizado pelo Município de Vila de Rei, o evento foi inaugurado pelo Secretário de Estado das Florestas e Desenvolvimento Rural, Miguel Freitas, e pelo presidente da Câmara Municipal, Ricardo Aires. Mas foi o presidente da Assembleia Municipal, Paulo Brito, que iniciou a cerimónia e deu conta do que Vila de Rei mostra durante o certame. “É uma Feira que tem três grandes componentes. Claramente uma componente económica mas tem também uma componente cultural e uma componente social, de convívio”. Aproveitando a presença do Secretário de Estado das Florestas, Paulo Brito falou dos problemas com que o interior se debate e da

aposta que se pode fazer na floresta, reforçando o pedido de uma central de biomassa no concelho. Ricardo Aires, presidente da Câmara Municipal de Vila de Rei, falou da Feira e dos incentivos que o Município tem disponibilizado para um incremento no setor económico. O presidente da Câmara Municipal reforçou depois o apelo ao desbloqueio da central da biomassa em Vila de Rei, descrevendo a aposta que o Município tem feito na área florestal e também apelou a que seja dada a oportunidade a Vila de Rei para que tenha cadastro florestal. Ricardo Aires lembrou que “o concelho de Vila de Rei é um território com 193 km2, dos quais 71% têm características florestais” e que “a coesão territorial pressupõe a criação de mecanismos de discriminação positiva e igualdade de oportunidades”. Miguel Freitas dirigiu-se ao

presidente da Câmara Municipal e disse reconhecer o trabalho que tem sido feito na floresta, em Vila de Rei. O Secretário de Estado das Florestas deu ainda conta das soluções que o Governo está a pensar para a floresta e avançou com a criação de um projeto piloto no próximo ano que vai envolver pagamentos de serviços públicos prestados pela floresta. Relativamente ao cadastro florestal, o Secretário de Estado das Florestas adiantou que, dentro de 2 ou 3 anos, todo o país terá o cadastro feito, assim a Assembleia da República o aprove. Já no que diz respeito à Central de Biomassa, Miguel Freitas disse-se agradado com o projeto apresentado por Vila de Rei, que ficou sensível ao pedido mas que se aguarda ainda por uma resposta de Bruxelas. Patrícia Seixas

Câmara aprova apoios de Estímulos ao Investimento a novos empreendedores Só na reunião de 20 de julho do Executivo da Câmara Municipal de Vila de Rei, foram aprovados por unanimidade cinco apoios de Estímulos ao Investimento e ainda uma candidatura aos Estímulos ao Investimento no concelho. Ricardo Aires, presidente da Câmara Municipal, congratulou-se com o surgimento de novos empreendedores e com a dinâmica dos apoios criados em 2016. “Cada vez temos mais empreendedores jovens que estão a apostar no seu próprio emprego, no comércio e na agricultura. Ainda bem que os nossos apoios, que foram criados

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em 2016, estão neste momento a resultar”, afirmou o autarca. O presidente espera que esta dinâmica continue “pois estamos cá para ajudar todos os empreendedores”. Ricardo Aires disse ainda que “Vila de Rei é um concelho pequeno mas está a mostrar que, com a dinâmica dos seus empresários e empreendedores, estamos a conseguir sair da tal crise que nos afetou a todos, não há muitos anos”. O Município encontra-se a finalizar a 3ª fase da zona industrial do Souto para criar condições para atrair novos empresários “porque

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há procura e também de fora do nosso concelho”. “É uma obra que está orçamentada em 500 mil euros e estamos a dar um mostra de que vamos ter mais condições para atrair os empresários e estou com grande expetativa de que haja mais empresas no concelho a curto prazo”. Contudo, há algo que está a causar “apreensão” ao presidente da Câmara Municipal de Vila de Rei e prende-se com a questão dos postos de trabalho. “Nós temos pouco desemprego, o que dificulta que os empresários consigam arranjar mão-de-obra”.

mente à noite, quando podem falar um bocadinho com a pessoa que está do outro lado”. Atualmente, são 35 os utilizadores do serviço de Teleassistência mas o número tende a aumentar pois, como explicou o presidente, “agora sãos filhos que estão a viver fora que nos pedem o aparelho, por uma questão de segurança dos pais”. Ricardo Aires contou que “este serviço já serviu para afugentar algumas pessoas que não são bem-vindas” pois também está em contacto direto com as autoridades que, “através do sinal de GPS, sabem automaticamente onde está o aparelho” que foi acionado. PUBLICIDADE

/ A FEQM foi inaugurada pelo Secretário de Estado das Florestas e Desenvolvimento Rural, Miguel Freitas, e pelo presidente da Câmara Municipal, Ricardo Aires

Lançado em 2012 pela Câmara Municipal de Vila de Rei, na altura como projeto-piloto, o serviço de Teleassistência depressa se tornou um sucesso e tem vindo a recolher cada vez mais interessados. Num território desertificado e com aldeias isoladas, a Autarquia lançou o serviço que permite, através de um botão de emergência ligado a uma Central de Assistência, disponível 24 horas e 365 dias por ano, a que a pessoa tenha a garantia de ajuda imediata para o seu problema. Em reunião do Executivo de 20 de julho, foi aprovada a atribuição de mais um serviço e o presidente da Câmara Municipal classifica estes anos de Teleassistência em Vila de Rei com um balanço “extremamente positivo”. “Este aparelho de Teleassistência tem ajudado muito os nossos idosos, principalmente os que estão isolados. É para continuar e temos que melhorar este serviço porque a tecnologia é cada vez melhor e já estamos com uma empresa a fazer esses melhoramentos”, adiantou Ricardo Aires. A Teleassistência não é só dirigida aos idosos que estão isolados “porque há pessoas que estão a querer esse aparelho para se sentirem mais seguras e, muitas vezes, serve para combater a solidão, principal-


CULTURA / Abrantes é “Casa” de Carolina Deslandes no dia 7 de setembro O talento e a criatividade de Carolina Deslandes vão estar em evidência no concerto que a cantora apresentará em Abrantes, no dia 7 de setembro. O jardim do Alto de Santo António será palco do espetáculo onde a artista interpretará temas de “Casa”, o seu mais recente disco de originais, como “A Vida Toda” e “Avião de Papel”, que farão parte do repertório juntamente com canções mais antigas - “Não é verdade”, “Mountains” e “Heaven”. Carolina Deslandes é uma das mais conceituadas e talentosas cantoras da sua geração. Com milhões de visualizações no YouTube, a artista tem trilhado um percurso em ascensão desde a sua estreia, afirmando-se como uma das maiores referências na música nacional contemporânea. O concerto tem início às 21h30 e a entrada é livre.

11.º Encontro de Concertinas de Vila de Rei A décima primeira edição do Encontro de Concertinas de Vila de Rei terá lugar no dia 23 de setembro, com a presença de grupos de música de diversos pontos do país. A iniciativa terá lugar no Parque de Feiras, com um programa que inclui uma arruada pela de Vila, a partir das 14h45, seguindo-se as respetivas atuações com o início previsto para as 15h00. O Encontro de Concertinas é organizado pela Casa do Benfica de Vila de Rei, com o apoio da Câmara Municipal e da Junta de Freguesia de Vila de Rei.

2.º Festival de Marionetas com espetáculos em Abrantes

Orfeão de Abrantes em intercâmbio cultural na Hungria O Orfeão de Abrantes esteve, entre os dias 14 e 19 de julho na Hungria, a convite do Coro Székely Mihály, da cidade de Jászberény, no âmbito do Intercâmbio Cultural iniciado há 24 anos pelos maestros dos respetivos Grupos Corais, Rui Martins Picado e CsNagyné Marta Turi. Durante a estádia, o Orfeão de Abrantes, sobre a atual direção da responsabilidade do maestro Tiago Alexandre Vitoria Rodrigues, participou na missa da Igreja Matriz de Jászberény e realizou em conjunto com o coro anfitrião, no salão de conferências Dèryné, um concerto

que comemorava o 40º aniversário daquele Grupo Coral húngaro. Ainda na região de Jász, mais precisamente em Jásfényszaru, numa cidade a cerca de 60 Km de Jaszbéreny, o Orfeão de Abrantes teve oportunidade de ser recebido na igreja de Todos-os-Santos pela respetiva presidente de Câmara. O momento, num concerto exclusivamente da responsabilidade do coro português, e transmitido em direto pela televisão local, foi marcado por vários os momentos musicais. O Orfeão de Abrantes completará 90 anos de existência em janeiro de 2019.

O Manobras - Festival Internacional de Marionetas e Formas Animadas regressa para a 2.ª edição de 14 de setembro a 31 de outubro e passa por Abrantes com vários espetáculos. No dia 22 de setembro, às 11:00 e às 15:00, o auditório da Escola Dr. Manuel Fernandes recebe “Passo a passo no bosque” onde os espectadores são convidados a entrar num bosque cheio de perigos. Já no dia 28, às 21:30, é a vez do Parque Tejo, no Rossio ao Sul do Tejo, ser palco de “Entre Mundos”, um espaço entre o purgatório e o limbo, onde se inicia uma viagem por um universo imaginário inspirado na Morte. O Manobras termina o mês de setembro com “Muita tralha pouca tralha”, no dia 29. O casal Odete e Alfredo partem em viagem, a partir do Jardim da República, às 11:00, e preparam-se para decidir o que levam na bagagem. É neste momento que surgem algumas complicações… A programação do Festival combina espetáculos nacionais e internacionais de marionetas e formas animadas, teatro, oficinas, percursos pelo território e projetos que propõem a criação de objetos artísticos que dialogam com o património municipal.

AGENDA /

abordagens” – Castelo/Fortaleza, 14h30 30 de setembro - Grupo de Cantares Brisa do Tejo e Grupo de Cantares do Souto - Tramagal, 16h00

Abrantes Até 13 de outubro – Exposição “Birbante”, de Pedro Henriques – Quartel da Arte Contemporânea – Coleção Figueiredo Ribeiro Até 22 de janeiro de 2018 – MIAA – Antevisão X “A representação da figura humana ao longo da história” – Museu D. Lopo de Almeida, Castelo/Fortaleza 4, 6, 11 e 18 de setembro – “Abrantes a Ler” - Biblioteca Municipal António Botto, 10:30 e 14:30 7 de setembro a 26 de outubro – Exposição “Mário de Sá Carneiro: Antologia Poética”, ilustração de Tiago Manuel (Kalandraka Editora) – Biblioteca Municipal António Botto 7 de setembro – Concerto de Carolina Deslandes – Jardim do Alto de Santo António 21:30 8 de setembro – Sabores do Mercado – Receitas de marmitas saudáveis com Regina Lima – Mercado Municipal, 10:30 10 de setembro a 31 de outubro – Mostra Documental “Hóquei Clube de Abrantes” – Arquivo Municipal Eduardo Campos 11 de setembro – “A Menina Dança?”, baile com David Alves – Fontes, Portela, 15:00 15 de setembro - Sabores c/ Conto e Medida – “Cozinha para solteiros” com Marta Fernandes (Verde Pastel) – Mercado Municipal, 10:30 19 de setembro a 31 de dezembro – Exposição “Parque em Macro” (Serralves) – Parque Tejo 22 de setembro – Sons no Mercado com Escolinha do Rancho Folclórico da Casa do Povo do Pego – Mercado Municipal, 09:30 22, 28 e 29 de setembro – 2.º Manobras – Festival Internacional de Marionetas Animadas – vários locais 27 de setembro - Jornadas do Património “Turismo Cultural Sustentável: diferentes abordagens” – Estação Ferroviária de Rossio ao Sul do Tejo, 14h30 29 de setembro – Comemoração do Dia Mundial do Coração – Espaço Jovem (15:30) e Praça Barão da Batalha (21:00) 29 de setembro - Jornadas do Património “Turismo Cultural Sustentável: diferentes

Constância 2 de setembro – “Domingo de Praça” – Praça Alexandre Herculano, 9:00 8 de setembro – Concerto pelos TINTINNABVLVM – Jardim Horto de Camões, 18:00 29 de setembro – Jornadas Europeias do Património com a realização de um Passeio Pedestre Interpretativo – Ponto de encontro: Posto de Turismo, 9:00

Sardoal Até 8 de setembro – Exposição de fotografia “Gente de Cá – Sardoal pela Objetiva de Álvaro Bandeira” – Cá da Terra 7 de setembro – Prova de Licor Quinto Império – Cá da Terra, 19:00 21 de setembro – Dia da Freguesia de Sardoal – Cabeça das Mós 21 a 23 de setembro – Festas do Concelho de Sardoal 29 de setembro – Tardes da Agulha e da Linha – Espaço Cá da Terra, 14:00 às 19:00

Vila de Rei Até 28 de setembro – Exposição de fotografia do “Concurso Padre João Maia” – Biblioteca Municipal José Cardoso Pires Até 30 de setembro – Exposição de pintura “Maluqueiras”, de Luís Mexa – Museu Municipal 23 de setembro – 11.º Encontro de Concertinas com grupos de vários pontos do país – Parque de Feiras, 15:00

Vila Nova da Barquinha Até 16 de setembro – Exposição “Sebastianismo revisitado”, de Sam Abercromby – Galeria do Parque 8 e 9 de setembro - 5.ª Feira do Peixe com gastronomia e animação musical Tancos 9 de setembro a 11 de novembro Exposição “A Primeira Guerra Mundial... A História Por Contar” - Museu Etnográfico da Praia do Ribatejo 23 de setembro - Passeio da Memória Ponto de encontro: Centro Cultural, 9:00

Bemposta será Jovem durante o dia 29 de setembro A freguesia de Bemposta, Abrantes, realiza, no dia 29 de setembro, a 4ª edição do Bempos’tá jovem que vai envolver todas as coletividades da localidade e incentivar à participação social das crianças e jovens. As atividades vão ser várias e diversificadas. O evento conta com uma caminhada e um passeio de BTT, que irá terminar à hora de almoço, sendo que, todos os interessados podem fazer a sua refeição com as várias ofertas gastronómicas que serão servidas pelas associações. No início da tarde, pelas 15h00, retomam as atividades com a realização de um encontro amigável de

futebol de 5, protagonizado pelas “jovens” da região. Seguidamente, e entre outras surpresas, sobe a palco uma peça de teatro que será representada pelas crianças do Centro Escolar de Bemposta e alguns ex-alunos. Pelas 20h00, fazendo jus ao cartaz “ONTEM, HOJE E AMANHÔ, vai acontecer uma atuação musical de uma antiga banda musical de Bemposta “ATLANTIDA”, que atuou durante vários anos, numa recordação reeditada passados 25 anos de inatividade. Segue-se o grupo musical ARKADIA, num megapalco de luz, cor e som, e os jovens djs pela madrugada. Animação não vai faltar!

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ISABEL LUZEIRO

Médica Neurologista/Neurofisiologista Especialista nos Hospitais de Universidade de Coimbra

Consulta de Neurologia, Dor, Patologia do Sono, Electroencefalograma (EEG) e Exames do Sono Centro Médico e Enfermagem de Abrantes Largo S. João n.º 1 - 2200 - 350 ABRANTES Tel.: 241 371 690

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241 371 566

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241 094 143


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Jornal de Abrantes - edição de setembro 2018  

Jornal de Abrantes - edição de setembro 2018  

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