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Ministro da Educação inicia segundo período no Agrupamento de Escolas. Pág 15

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ECONOMIA / JORNAL DE ABRANTES / Abrantes / Constância / Mação / Sardoal / Vila Nova da Barquinha / Vila de Rei / Diretora Joana Margarida Carvalho JANEIRO 2019 / Edição nº 5575 Mensal / ANO 118

Nova empresa Cann10-Portugal investe 10ME em Vila de Rei.

NESTA EDIÇÃO

Pág 12

CMA

/ DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

HOMENAGEM

11 ME para dar nova cara a Alferrarede e Rossio ao Sul Tejo

Professor Vitor Marques “Um homem decisivo em Abrantes”. Pág 3 e 4

Pág 6

MAÇÃO

Loja do Cidadão tem um ano e já garantiu mais de 18.500 atendimentos. Pág 18

uma nova forma de comunicar. de todos, para todos. media on. ligados por natureza 241 360 170 . geral@mediaon.com.pt . www.mediaon.com.pt

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SARDOAL


REGIÃO / EDITORIAL /

FOTO OBSERVADOR /

Joana Margarida Carvalho

PAULO DELGADO

Este é o estado atual da Paragem de autocarro de Amoreira, na freguesia de Rio de Moinhos, sentido Norte-Sul.

DIRETORA

E de repente estamos em 2019! O ano começou com alguns acontecimentos que marcaram o mundo e que têm implicações diretas na vida das sociedades. Novas políticas se levantam e que fazem-nos repensar e valorizar cada vez mais a democracia que está implementada em Portugal. Exemplo disso, foi a tomada de posse de Jair Bolsonaro como presidente do Brasil. Um dia após a sua entrada na condução dos destinos brasileiros recebeu em audiência, em Brasília, o seu homólogo português, Marcelo Rebelo de Sousa. O Presidente da República iniciou o ano com a sua mensagem de Ano Novo que tocou em muitas feridas da nossa sociedade. A sua mensagem, no dia 1 de janeiro, foi um verdadeiro contributo para o arranque deste novo ano que se espera ainda difícil. Foi importante, na medida em que muitas vezes só quando se dizem as coisas, é que acontece algo de seguida, mais que não sejam reflexões e tomadas de posição sobre aquilo que é proferido. Da sua mensagem resultam várias ideias e chamadas de atenção fundamentais. Entre elas, destaco o apelo ao voto. Marcelo Rebelo de Sousa apela à participação democrática e ao assumir à tomada de responsabilidades que qualquer cidadão deve ter no exercício da democracia. Pois os perigos da abstenção são muitos, desde logo pela possibilidade de dar legitimidade a modelos que não são democráticos. Na sua mensagem, destaco ainda a chamada de atenção para a necessidade de dar credibilidade aos políticos e às políticas por eles encetadas. Na verdade, sem confiança sobre quem nos governa, a democracia não funciona devidamente e afasta as pessoas daquilo que são os interesses coletivos. Num discurso otimista e onde exaltou a resistência dos portugueses, o Presidente da República colocou “o dedo na feriada” de forma delicada, mas bastante perspicaz e objetiva. Não vai ser um ano fácil, pois ainda estamos em recuperação e porque na verdade temos de acompanhar um mundo em constante mutação. Para este novo ano, espero que o nosso país continue firme naquilo que são os valores democráticos que apregoa e que, por isso, não dê sinais claros de mais desigualdades entre o seu interior e litoral. Devemos ter noção de que vivemos num país “a duas velocidades” e quem por cá vive e quer manter-se, precisa de novos incentivos e de não ser privado dos bens e serviços essenciais. Nenhuma sociedade pode estar bem e orientar-se no sentido certo quando muitas comunidades estão cansadas, desmotivadas e desligadas daquilo que são os destinos coletivos e essenciais ao bem comum. Assim, são necessários sinais claros que de devemos de continuar a acreditar.

ja / JORNAL DE ABRANTES

VERA DIAS ANTÓNIO

Continuar a acreditar

Para assinalar a quadra natalícia, os funcionários da Câmara Municipal de Mação embelezaram as rotundas da vila com várias mensagens e elementos decorativos. O resultado final merece ser destacado.

PERFIL /

/ Mariana Rijo

Gestora de conteúdos

Idade: 28

Uma música: Nuvem, de Carolina Deslandes

Naturalidade / Residência: Abrantes

Um livro: Os Maias

Um filme: As pontes de Madison County, é um romântico de 1995 dirigido e coproduzido por Clint Eastwood.

Um país para visitar: EUA

Uma viagem que marcou: Paris Um momento importante: A publicação do meu livro “Dias de Mudança” Um recanto diferente na região: Outeiro de S. Pedro

Se fosse presidente Câmara o que faria? Criava mais oportunidades de emprego para os naturais da cidade. O que mais e menos gosta na sua localidade? O que mais gosto: o contacto com a natureza. O que menos gosto: a baixa empregabilidade em áreas especializadas

FICHA TÉCNICA Direção Geral/Departamento Financeiro Luís Nuno Ablú Dias, 241 360 170, luisabludias@mediaon.com.pt. Diretora Joana Margarida Carvalho (CP.9319), joanamargaridacarvalho@mediaon.com.pt, Telem: 962 108 759. Redação Patrícia Seixas (CP.6127), patriciaseixas@mediaon.com.pt Telem: 962 109 924. Colaboradores André Lopes, Carlos Serrano, José Martinho Gaspar, Paulo Delgado, Teresa Aparício, Paula Gil, Manuel Traquina. Cronistas Alves Jana e Nuno Alves. Departamento Comercial. comercial@mediaon.com.pt. Design gráfico e paginação João Pereira. Sede do Impressor Unipress Centro Gráfico, Lda. Travessa Anselmo Braancamp 220, 4410-359 Arcozelo Vila Nova de Gaia. Contactos 241 360 170 | 962 108 759 | 962 109 924. geral@mediaon.com.pt. Sede do editor e sede da redação Av. General Humberto Delgado Edf. Mira Rio, Apartado 65, 2204-909 Abrantes. Editora e proprietária Media On - Comunicação Social, Lda., Capital Social: 50.000 euros, Nº Contribuinte: 505 500 094. Av. General Humberto Delgado Edf. Mira Rio, Apartado 65, 2204-909 Abrantes. Detentores do capital social Nov Comunicação SGPS, S.A. 80% e Empresa Jornalística Região de Leiria, Lda. 20% Gerência Luís Nuno Ablú Dias e Francisco Rebelo dos Santos. Tiragem 15.000 exemplares. Distribuição gratuita Dep. Legal 219397/04 Nº Registo ERC 100783. Estatuto do Jornal de Abrantes disponível em www.jornaldeabrantes.pt. RECEBA COMODAMENTE O JORNAL DE ABRANTES EM SUA CASA POR APENAS 10 EUROS (CUSTOS DE ENVIO) NIB: PT50003600599910009326567. Membro de:

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JORNAL DE ABRANTES / Janeiro 2019


HOMENAGEM / / PROFESSOR VITOR MARQUES

Vitor Marques foi sobretudo pedagogo e professor de artes visuais. Mas foi também um renovador do grafismo na comunicação local Foi a vários títulos um homem decisivo em Abrantes. Deixou uma obra notável. Mas está hoje quase esquecido, apesar de muito haver ainda a aprender com o seu trabalho exemplar.

Qual é, hoje, a melhor escola pública em Portugal? Não sei, mas sei que a Escola Preparatória D. Miguel de Almeida era considerada uma das quatro melhores escolas do país. Quando o professor Vitor Marques era o seu diretor. E numas instalações provisórias e sem grandes condições, o Convento de S. Domingos. O fato não faz o monge, as instalações não fazem a escola. Criada em 1968, Vitor Marques dirigiu-a do início até Setembro de 1974. Seis anos, que bastaram para sair do nada até ao topo das escolas portuguesas. O segredo parece ter sido, afinal, simples: confiar nas pessoas que tinha e dar-lhes possibilidades de ação, aproveitar de cada um – professor, funcionário ou aluno – o melhor que ele tinha para dar. Foi um exemplo claro de uma forma (rara) de estar num cargo de chefia: colocar-se ao serviço daqueles que dirige, levando-os a conseguirem obter resultados que só assim são possíveis. Vem-me à ideia uma frase decisiva de Kenneth Blanchard: “Quando o trabalho do melhor líder fica feito, as pessoas dizem ‘fomos nós que o fizemos’.” E fizeram. Com Vitor Marques era assim. Escultor de formação, tinha com os seus alunos uma pedagogia de jardineiro: regar as plantas para que cresçam. Marcou, por isso, de forma decisiva muitos dos seus alunos em aulas que tinham um estilo que “ainda hoje” seriam inovadoras. Por isso foi chamado a dirigir a recém-criada Secção da Escola Industrial e Comercial de Abrantes, no Tramagal. E depois a dirigir a Escola Preparatória D. Miguel de Almeida. Da qual criou a Secção no Sardoal. E dirigiu também, e ao mesmo tempo, as escolas de Ponte de Sor e Almeirim, embora sem o investimento que tinha em Abrantes. Aquele era outro tempo. Os alunos vinham de uma ruralidade por vezes profunda e sem capital escolar na família. Mas com eles tudo pare-

“O segredo (era) confiar nas pessoas e dar-lhes possibilidades de ação”.

cia possível, por isso as atividades para além das aulas multiplicavam-se com sucesso. Eu próprio vi: o grupo de teatro de fantoches chegou, montou a estrutura, deu o espetáculo, desmontou e foi-se embora… e nem um professor se deu a ver. Foi em Portalegre. Aquela Escola foi um importante centro de estágios pedagógicos, autêntica universidade onde se formaram na prática várias gerações de professores. Nessa função teve um importante papel na renovação do ensino e da formação de professores a nível nacional. A Escola D. Miguel de Almeida era um espaço de criatividade. Em grande medida, ali aprendia-se, professores e alunos, fazendo. Sendo.

/ MICRO BIOGRAFIA Vitor Manuel Maia Godinho Marques nasceu em Ovar (1934). Formou-se em Belas Artes, escultura, primeiro no Porto e depois em Lisboa. Fixa-se como professor em Abrantes, em 1960, na Escola Industrial e Comercial, acumulando docência no Colégio La Salle e depois no Liceu de Abrantes. A sua prática pedagógica e a sua eficácia na gestão de pessoas leva-o à direção de várias novas escolas, de que se destaca a D. Miguel de Almeida, onde fez um trabalho de primeiro plano. Como escultor, deixou em Abrantes o monumento ao Dr. Manuel Fernandes, na rotunda do hotel, e vários trabalhos em medalhística. Nas primeiras eleições autárquicas

(1976), foi eleito pela FEPU, vindo a exercer o cargo de vereador com os pelouros do desporto, instrução e cultura, arte e arqueologia, assistência a jardins, miradouros e parques, e

toponímia. Em 1974, por decreto, todos os reitores e diretores foram destituídos a partir de 30 de Setembro. Ainda se esboçou um movimento que evitasse

E era uma escola aberta, onde a relação com a cidade envolvente era praticada. Por isso, a dinâmica ali gerada extravasava as portas da Escola. É o que acontece, por exemplo, nas Jornadas Culturais (1970 e 71) e nos Jogos Juvenis (1970 e 71), que ajudou a organizar e em que imperou o mesmo modelo de criar condições para que as pessoas fizessem, no caso com base em muito trabalho voluntário. Também participou na renovação do jornal Correio de Abrantes (jan 74). Mas importa recordar que aquele era “outro tempo”, e essa renovação do jornal acabou logo ao primeiro número. Era um “tempo cinzento” em que as cores do arco-íris não tinham lugar. Vitor Marques foi sobretudo pedagogo e professor de artes visuais. Mas foi também um renovador do grafismo na comunicação local, sindicalista ativo e vereador da cultura (1977-80), o primeiro do poder autárquico democrático, tendo aí deixado uma marca exemplar, com o mesmo modelo: criar condições para que as pessoas façam. Era um homem simples, humilde no melhor sentido da palavra. Mas grande na dimensão que punha nas coisas, sobretudo na sua capacidade de implicar as pessoas no que havia a fazer. Um homem que, naquele tempo difícil e cheio de suspeitas, acreditava nas pessoas. José Alves Jana

esse desfecho para Vitor Marques, mas a lei impôs-se e ele voltou à sua E.I.C.A. Pouco depois foi chamado a exercer o cargo de inspetor de educação, onde prosseguiu a sua carreira, deixando o trabalho direto em Abrantes e arredores. A memória coletiva do seu trabalho foi-se perdendo, salvo nas pessoas que com ele privaram. Mas a revista Zahara (nº 21, 2013) reavivou a sua memória e em Dezembro passado o Agrupamento de Escolas que inclui a Escola D. Miguel de Almeida, para assinalar os 50 anos daquela escola, fez-lhe uma singela homenagem e batizou com o seu nome o agora Polivalente Professor Vitor Marques. J.A.J.

Janeiro 2019 / JORNAL DE ABRANTES

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HOMENAGEM / Escola D. Miguel de Almeida celebra 50 anos com homenagem ao seu primeiro diretor No âmbito do cinquentenário, no dia 12 de dezembro, realizou-se na Escola Básica D. Miguel de Almeida, (antigo Ciclo Preparatório), em Abrantes, uma homenagem ao primeiro diretor da escola, Vítor Marques. O evento contou com a presença do diretor do Agrupamento nº1 de Abrantes, Jorge Costa, da presidente da CM de Abrantes, Maria do Céu Albuquerque e ainda com a presença de uma antiga professora da escola, Teresa Aparício, que usou da palavra para homenagear Vítor Marques. O homenageado não conseguiu comparecer por motivos de saúde. No entanto, o público não faltou e encheu o auditório, onde muitos dos atuais e antigos docentes da escola marcaram presença. Jorge Costa recorda que Vítor Marques foi o primeiro diretor da Escola Básica D. Miguel de Almeida, tendo também sido subdiretor da Escola Dr. Solano de Abreu (antiga EICA). Iniciou a escola de Ponte de Sor, fez um pólo da Escola D. Miguel de Almeida em Sardoal e dirigiu simultaneamente a escola

/ Vítor Marques “foi talvez uma das pessoas mais relevantes na área da educação em Abrantes” Jorge Costa

de Almeirim. Além de professor, também foi escultor, vereador, sindicalista, realizou várias ações culturais e defendeu várias causas políticas. Teve um papel muito importante no ensino de Abrantes e na região do Médio Tejo. O diretor enalteceu a capacidade de polivalência do ex-professor, Vítor Marques, referindo que “seria impensável nos dias de

hoje o trabalho que ele desenvolveu naquela época”, enumerando também várias escolas na região do Médio Tejo, onde ele teve um papel muito relevante e pioneiro. “O professor Vítor Marques estava no período certo. O ensino em Portugal é que estava atrasado no tempo,” salientou o diretor, explicando que “tudo o que é feito agora no ensino, já era feito pelo

Câmara Municipal e Tejo Energia voltam a premiar o mérito escolar

/ Alunos premiados e demais entidades O auditório da Escola Profissional de Desenvolvimento Rural (EPDRA), em Mouriscas, recebeu, no dia 14 de dezembro, a entrega dos Prémios de Mérito aos melhores alunos do ensino secundário e profissional do concelho de Abrantes, relativos ao ano letivo 2017/18. Cada aluno recebeu um cheque no valor de 1.250 euros, o que totalizou uma verba de 6.250 euros, comparticipada pela Câmara Municipal de Abrantes (CMA) e pela Tejo Energia. Foram cinco os alunos premiados, sendo eles do ensino regular e profissional: Beatriz Costa e Vasco Rodrigues, ambos da Escola Secundária Dr. Solano de Abreu, Maria Alice Silva, da EPDRA, Mafalda Duque Marques e

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JORNAL DE ABRANTES / Janeiro 2019

Sara Filipa, ambas da Escola Secundária Dr. Manuel Fernandes. O evento contou com a presença da presidente da CMA, Maria do Céu Albuquerque, de Beatriz Milne, representante da Tejo Energia, do diretor do Agrupamento de Escolas nº1 de Abrantes, Jorge Costa, do diretor do Agrupamento de Escolas nº2 de Abrantes, Alcino Hermínio e do diretor da EPDRA, João Quinas, sendo estas as entidades que fizeram a entrega de prémios aos estudantes. As escolas fizeram o processo de seleção, que foi realizado através das melhores médias obtidas no 10º, 11º e 12º anos, estando nestas incluídas as classificações dos exames da 1ª e da 2ª fase do ano letivo transato.

antigo professor há 35 anos”. Jorge Costa, que outrora foi aluno do antigo professor, disse que quando era mais novo, que Vítor Marques era o seu “ídolo” devido à “forma como defendia o que acreditava, devido à forma como respeitava quem tinha ideias diferentes dele”. E no final do discurso, agradeceu dizendo que “devo muito da minha carreira ao professor”. Jorge Costa, explicou o motivo pelo qual foi realizada a homenagem e disse que Vítor Marques “foi talvez uma das pessoas mais

relevantes na área da educação em Abrantes. Era uma pessoa completa. Foi dos melhores professores que tivemos na cidade”, enalteceu o responsável. Quando questionado sobre as celebrações do cinquentenário que a Escola D. Miguel de Almeida assinala, Jorge Costa esclareceu que “não vai haver nenhum programa específico. Vão existir ações pontuais que se vão desenvolver durante o ano”. Nélio Dias Estagiário do Curso de Comunicação Social da ESTA

Rotary Club de Abrantes atribui 52 bolsas de estudo com o apoio de patrocinadores Numa cerimónia pública que juntou dezenas de pessoas, o Rotary Club de Abrantes (RCA) fez a entrega, no dia 22 de dezembro, de 52 bolsas de estudo, sendo 34 renovações e 18 novas candidaturas. Os jovens, que estudam no ensino secundário e no ensino superior, foram selecionados pelo mérito académico, mas também pelas condições dos agregados familiares. A maioria é de Abrantes, mas há também bolseiros de Sardoal, Mação e Constância. Desde 1983 que o RCA atribui esta ajuda financeira a estudantes com mérito. Ao longo de 37 anos, o RCA já atribuiu 588 bolsas. Uma parte delas são da responsabilidade do próprio RCA e da Fundação Rotária Portuguesa, mas o elevado número de bolsas só é possível graças ao envolvimento de empresas e de particulares, como entidades patrocinadoras. Este ano houve 13 patrocinadores, sendo 11 empresas e duas pessoas em nome individual. A Câmara Municipal de Abrantes assume também uma parte significativa das bolsas. Júlio Miguel, presidente do RCA, lembrou que “sem os patrocinadores nada disto seria possível”. E acrescentou: “A sua postura e forma correta de estar, aliadas ao elevado sentido de responsabilidade social

que mostram nas comunidades onde estão inseridos. possibilita que o mérito escolar destes alunos e alunas seja devidamente reconhecido e que o seu percurso escolar seja acompanhado. permitindo num futuro próximo termos homens e mulheres melhores e com maiores saberes.” A partir deste ano, o RCA decidiu atribuir um prémio especial ao bolseiro do ensino superior que mais se tenha distinguido no ano escolar. Cláudia Rosa, natural de Abrantes, está no 6º ano do curso de Medicina da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra e é bolseira do RCA há 6 anos. Com o RCA conheceu “pessoas novas, não só outros bolseiros como também patrocinadores, com formas diferentes de ver o mundo”, com as quais trocou ideias e aprendeu algo fora da sua “área de conhecimento diária”. Acredita que” a relação estabelecida entre os bolseiros e o Rotary é benéfica para ambas as partes, porque nós, enquanto bolseiros, não só recebemos a motivação e o prestígio, mas também damos de nós ao dar-nos a conhecer e por também no futuro podermos ser nós do outro lado a contribuir para a motivação e formação dos jovens das gerações vindouras”.


REGIÃO / Abrantes

Unidade de Cuidados na Comunidade abre na antiga Casa de Saúde Uma UCC “presta cuidados de saúde e apoio psicológico e social de âmbito domiciliário e comunitário”. / Luís Fernandes, proprietário da antiga Casa de Saúde, e Maria do Céu Albuquerque na assinatura do protocolo de arrendamento

11 JANEIRO A 28 FEVEREIRO

VOCE TEM AS IDEIAS, NÓS TEMOS OS PREÇOS.

SLVT, aproveitou o momento para dizer que “a reforma dos cuidados de saúde primários é muito mais do que as USF - Unidades de Saúde Familiares. Não é que a prestação de cuidados pelas USF não seja importante e as USF continuam a ter muito empenho aqui na região, mas é injusto que de facto as outras unidades funcionais não tenham o reconhecimento que lhes é devido. A começar pelas Unidades de Saúde Públicas e, neste caso, as Unidades de Cuidados na Comunidade”. Sobre a instalação da UCC em

Joana Margarida Carvalho PUBLICIDADE

Após a assinatura do protocolo entre o Município de Abrantes e a Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT), no dia 10 de dezembro, Maria do Céu Albuquerque, presidente da CMA, referiu que após obras “pequenas” de adaptação, é expectável que no início deste ano uma Unidade de Cuidados na Comunidade (UCC), seja instalada na antiga Casa de Saúde, no Alto de Santo António. No protocolo, o Município compromete-se a arrendar e a disponibilizar à ARSLVT, a título gratuito, o edifício da antiga Casa de Saúde e a realizar as obras necessárias, que rondam cerca de 42,5 mil euros, para a adaptação do edifício a uma UCC. A cerimónia do dia 10 também serviu para formalizar o arrendamento do Município a Luís Fernandes, proprietário do imóvel e da Liga de Amigos do Hospital de Abrantes, pelo valor de 1.350 euros mensais. O responsável há muito tempo que ansiava que aquele equipamento voltasse a ser utilizado para fins de cuidados de saúde. Luís Pisco, presidente da AR-

Abrantes, a autarca explicou que a Câmara propôs que o trabalho de instalação da nova valência pudesse acontecer e “o que é facto, é que o Ministério das Finanças não deu ainda luz verde ao processo. Assim, nós ficámos com duas formas de trabalhar: ou ficávamos de braços cruzados à espera que acontecesse alguma coisa ou encontrávamos a solução e nós entendemos que devíamos de encontrar a solução”. “Assim, entendemos que iríamos fazer o aluguer do espaço, as obras de adaptação e disponibilizarmos [à ARSLVT]. No fundo, não é diferente do que achamos que tem de acontecer, e que felizmente vai acontecer, que tem a ver com a descentralização de competências na área da saúde. Porque o que vamos fazer é gerir infraestruturas”, fez notar Maria do Céu Albuquerque. Segundo a página oficial da ARSLVT, uma Unidade de Cuidados na Comunidade “presta cuidados de saúde e apoio psicológico e social de âmbito domiciliário e comunitário, essencialmente a pessoas, famílias e grupos mais vulneráveis em situação de maior risco ou dependência física e funcional ou doença que requeira acompanhamento próximo. E atua na educação para a saúde, na integração em redes de apoio à família e na implementação de unidades móveis de intervenção”.

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REGIÃO / Abrantes

Câmara anuncia investimentos para Alferrarede e Rossio ao Sul Tejo que rondam 11 ME A Câmara Municipal de Abrantes (CMA) aprovou no dia 19 de dezembro, por unanimidade, o Programa Estratégico de Reabilitação Urbana (PERU) de Alferrarede e Rossio ao Sul Tejo. Através do PERU, vai ser possível proceder-se à execussão de uma Operação de Reabilitação Urbana, que prevê um conjunto de investimentos camarários, como também, um conjunto de incentivos fiscais, a quem pretende reabilitar imóveis dentro das Áreas de Reabilitação Urbana (ARU) de Alferrarede e Rossio ao Sul do Tejo. O PERU de Alferrarede prevê a instalação da Escola Superior de

Tecnologia de Abrantes, que representa um investimento 3.500.000 euros. A reabilitação do Cineteatro de Alferrarede (2.500.000 euros), a requalificação do Largo do Teatro (350.000 euros), a requalificação da Rua do Comércio (275.000 euros), o reordenamento da Estação

As obras anunciadas serão para realizar até ao fim do mandato.

Ferroviária (1.143.180 euros) e a criação de um espaço verde de lazer na zona das antigas piscinas da localidade (350.000 euros). Já o PERU de Rossio ao Sul do Tejo prevê a construção de uma variante à Avenida Dr. António Augusto da Silva Martins/EN2 que representa um investimento de 500.000 euros. A construção de uma variante à Avenida Avelar Machado/EN118 (510.000 euros), a criação de uma bolsa de estacionamento junto à nova Unidade de Saúde Familiar (100.000 euros), o reordenamento e a qualificação da zona envolvente à Estação Ferroviária (550.000 euros).

Projeto “Esparteiro – Artes de entrelaçar” é um dos vencedores do Programa Tradições Abrantes, com o projeto “Esparteiro – Artes de entrelaçar”, foi um dos municípios vencedores do Programa Tradições, da EDP Produção. Os resultados, dos nove selecionados, foram conhecidos no dia 5 de dezembro, no Complexo Cultural da Levada em Tomar. O Programa Tradições recebeu 67 candidaturas de municípios onde a EDP tem centros produtores de energia. Os nove projetos selecionados vão ser apoiados com 250 mil euros, para desenvolverem iniciativas que protejam e promovam as tradições ancestrais, muitas delas em risco de extinção. Neste sentido, a Câmara Municipal de Abrantes, em parceria com um conjunto de entidades, participou pela terceira vez no programa e desta vez trouxe o prémio para casa. O objetivo é agora fazer o levantamento histórico da produção de seiras e capachos usados nos lagares de azeite que são feitos recorrendo à tradicional produção em esparto. O projeto “Esparteiro – Artes de entrelaçar” vai promover workshops de produção tradicional, mas não só. Segundo Luís Filipe Dias, vereador com o pelouro da cultura, vai ser possível “produzir

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/ O Programa Estratégico de Reabilitação Urbana de Alferrarede e Rossio ao Sul Tejo foi aprovado por unanimidade No conjunto de intervenções previstas para Rossio ao Sul do Tejo, está ainda englobada a beneficiação do Polidesportivo (125.000 euros), a beneficiação da Estação de Canoagem (200.000 euros), a valorização urbanística da zona do Campo de

Futebol (150.000 euros) e a disponibilização de habitação a custos controlados (350.000/ 2 lotes). O Município pretende ainda realizar pequenas operações de requalificação e valorização do espaço público na zona central da localidade.

Campeonato da Europa de Agility disputa-se em Abrantes em 2021 A organização do Open Europeu de Agility foi atribuída a Portugal, evento a realizar de 21 a 26 de julho de 2021, na Cidade Desportiva em Abrantes, com cerca de 40 países concorrentes. “Será um ano em cheio para Portugal porquanto é a primeira vez que o nosso país acolhe estas competições internacionais”, disse à Lusa Ezequiel Sousa, presidente do Clube Cinófilo do Alentejo (CCA), entidade organizadora, tendo referido que “Abrantes foi a cidade escolhida para ser a capital mundial de Agility porque está numa zona central do país e porque a edilidade já trabalha com o CCA na realização de algumas provas e disponibilizou-se para ser parceiro deste grande evento”. Agility é um desporto competitivo que se caracteriza por ser uma prova de destreza canina em que o dono dirige o seu cão por uma série de obstáculos, e em que o objetivo é terminar a prova sem cometer infrações e no menor tempo possível.

Segundo aquele responsável, as provas, que vão decorrer em duas semanas seguidas “vão obrigar a uma grande logística, em que será necessário ter cerca de 150 pessoas a trabalhar, e que vamos ter várias pistas em simultâneo”, a funcionar nas provas de competição. Por outro lado, os milhares de participantes “vão esgotar todo o alojamento disponível em Abrantes e em toda a região envolvente, desde que aceitem cães, como é óbvio”, notou. As provas, a decorrer em julho de 2021, vão contar com perto de dois milhares de participantes oriundos de cerca de 40 países de toda a Europa e de outras partes do mundo. A candidatura foi oficializada pelo Clube Português de Canicultura e atribuiu ao Clube Cinófilo do Alentejo a organização do Campeonato da Europa, que, por sua vez, decidiu realizar os dois eventos em Abrantes.

/ Luís Filipe Dias e João Caseiro Gomes, da CMA, marcaram presença na cerimónia um documentário, vai ser feito um livro que suporta tudo isto, vão ser feitas muitas ações de capacitação não só ao nível da carpintaria, com os utentes do CRIA, mas também à volta da produção agrícola, com a EPDRA”. “Vão ser feitas muitas atividades pedagógicas à volta desta indústria e, obviamente depois, com o apoio da Junta de Freguesia de

JORNAL DE ABRANTES / Janeiro 2019

Mouriscas e do Grupo Etnográfico, vamos fazer muitas representações ao longo dos próximos anos e dar-lhe uma dimensão criativa com o Creative Camp”, acrescentou. Ao longo das três edições, a EDP Produção já investiu cerca de 600 mil euros nos mais diversos projetos que preservam a cultura popular portuguesa.

/ Cidade Desportiva vai acolher o evento

C/Lusa


REGIÃO / Abrantes / RAME TEM NOVO COMANDANTE

“Uma nova oportunidade está a aparecer com o Apoio Militar de Emergência” O Coronel de Infantaria Mário Álvares, 53 anos, tomou posse como Comandante do Regimento de Apoio Militar de Emergência (RAME), em Abrantes, a 20 de dezembro. Reconhece que ainda não teve muitas oportunidades para conhecer a cidade e a região pois “o assumir destas responsabilidades leva-me a desencadear uma série de processos, de reuniões, de apresentações formais também dentro da estrutura do Exército que me prendem muito do tempo que eu gostaria de ter para conhecer melhor a região”. Contudo, “no âmbito dessas apresentações, fiquei logo com uma impressão fantástica pela forma como fui recebido pelos militares e civis que servem aqui no Regimento”. Acrescenta que o que o mais impressionou “foi a humildade no trato das pessoas e a disponibilidade

permanente para me apoiar”. O Comandante Mário Álvares construiu uma carreira dedicada em boa parte à docência e formação (elaborou diversos manuais escolares e artigos na área do armamento e da logística) e, num Regimento que forma tantos jovens, disse “sentir-se em casa nessa área”. “Aquando da minha nomeação, partilhei com o meu Comandante que a minha zona de conforto seria na área da formação e quando me falaram em vir para o RAME, disseram-me que eu iria ter essa possibilidade. E isso foi fantástico”, confessou Mário Álvares. No que diz respeito à visibilidade do trabalho efetuado pelo RAME, o Comandante afirma que “tem havido um esforço de divulgação” pois, como reconhece, “somos discretos no que fazemos, não procuramos tirar proveitos nem

/ Coronel de Infantaria Mário Álvares, 53 anos, natural de Viana do Castelo, reside na Lourinhã e é o novo Comandante do RAME dividendos promocionais daquilo que é a nossa atividade”. No entanto, considera o Comandante, “é uma nova oportunidade a que está a aparecer com o Apoio Militar de Emergência, com a consolidação das suas competências, com capacidades que só nós é que conseguimos dar (…) e que apesar de ser uma estrutura muito reduzida, possui recursos humanos valiosos. Posso dizer que grande parte dos Oficiais que

aqui servem, serviram no Afeganistão, no Iraque, na República Centro-Africana... em teatros de operações de alta exigência e de risco. Se houver da nossa parte a estratégia e a inteligência para utilizar esses recursos humanos, quando dotados com recursos materiais para o desenvolvimento do Apoio Militar de Emergência, não tenho dúvidas de que iremos afirmar ainda mais aquilo que fazemos”.

O RAME tem tido uma política de proximidade com as populações da região onde está inserido e o novo Comandante já manifestou “abertura e disponibilidade” para dar continuidade à cultura de abertura da instituição militar à comunidade local. Patrícia Seixas N.R.: Poderá ler a entrevista na íntegra em www.jornaldeabrantes.pt PUBLICIDADE

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Janeiro 2019 / JORNAL DE ABRANTES

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POLÍTICA /

Quais sãos os principais problemas que a freguesia enfrenta?

“Sem cores, nem partidos... simplesmente unidos” foi o lema que o Movimento Independente da Freguesia de Rio de Moinhos apresentou nas últimas Autárquicas de 2017 e que recolheu a maioria dos votos daquela freguesia. Já passou mais de um ano e quisemos saber como está a decorrer o trabalho na única freguesia do concelho de Abrantes liderada por um Movimento Independente. Rui André, 47 anos, técnico superior de reinserção social, é o presidente da Junta de Freguesia.

Já passou mais de um ano das eleições Autárquicas de 2017. Que balanço faz?

A freguesia de Rio de Moinhos ficou a ganhar mais, estando ligada a um Movimento Independente, do que quando tínhamos o apoio de um partido político nos mandatos anteriores. Neste terceiro mandato que presido, toda a comunidade da freguesia parece estar mais unida para um único objetivo - que é fazer pela freguesia e ajudá-la a desenvolver-se. Com este novo projeto político, mostrámos às pessoas que quem está à frente da Junta de Freguesia, desde a Assembleia, passando pelo executivo, tem um único propósito: não é o partido político que importa, é o desenvolvimento da nossa terra e o bem-estar das pessoas. Penso que com as outras freguesias o mesmo acontece. O problema é que nas outras freguesias há uma conotação com um partido e há sempre pessoas que têm tendência a afastar-se. No nosso caso,

houve uma aproximação de todos porque de facto as pessoas verificaram que afinal o Rui André e a sua equipa não precisavam de um partido político, de uma estrutura por trás, para tentar orientar os destinos da freguesia. O balanço que fazemos com o Movimento de Independente é francamente positivo.

Ao fim de muitos anos, o adro da igreja foi requalificado e inaugurado no passado dia 6 de janeiro.

Uma obra muito importante para a comunidade que visou recuperar um espaço que estava devoluto. Um espaço que estava menos bonito e que nós quisemos dignificá-lo em três vertentes: com o objetivo de valorizar a igreja, daí uma parceria com a Paróquia. Ao nível da orientação das águas pluviais, o que foi um trabalho fundamental. E por último, quisemos dignificar os nossos antepassados que estão enterrados naquele local. O apoio da Câmara foi fundamental e totalizou um investimen-

to na ordem dos 40 mil euros. Já foi aprovada na Assembleia Municipal uma verba que ronda os 40 mil euros para Rio de Moinhos que incidirá na conclusão da estrada do cais.

Que outros projetos surgiram neste primeiro ano de mandato?

Este ano, também ficou marcado pela elaboração da nossa agenda cultural, que em conjunto com as coletividades da freguesia, tem sido possível divulgar os nossos diversos eventos. Depois, prosseguimos com o Encontro dos Riomoinheses de Portugal e no próximo ano estaremos em Sátão. Uma vez mais, fizemos parte da Feira de Doçaria e Artesanato do norte do concelho de Abrantes e estivemos também com a Confraria Ibérica do Tejo, no Cruzeiro Religioso. Este ano, também ficou marcado pela nossa conquista do Orçamento Participativo (OP). Dois projetos foram contemplados e, se tudo correr bem, em 2019 serão concretizados. Na prática, estamos a falar de

É preciso recordar que as cheias do ano passado deixaram consequências. Ficámos com situações por resolver que afetam o dia a dia das pessoas e que se podem tornar perigosas se não forem resolvidas muito rapidamente. Em concreto, estamos a falar de um poste junto à Fonte das Duas Bicas e do muro que caiu. A Câmara Municipal e a Proteção Civil já estiveram no local e verificaram que o poste não representa perigo, mas a derrocada é preciso reparar. Na estrada do Arco, junto à ribeira, uma parte ficou danificada e debaixo da ponte da A23 temos a situação de uma ponte onde é preciso intervir. É necessário deitar aquela ponte abaixo e fazer uma outra com um vão maior para que o escoamento aconteça melhor. São intervenções que já estão identificadas pela Câmara Municipal e a previsão que temos é que no início do ano elas estejam resolvidas. Depois, temos os problemas recorrentes, como algumas estradas por asfaltar. Situações em que o orçamento da Junta de Freguesia não chega e que temos de tentar outro tipo de apoio.

O que se prevê para 2019 na freguesia?

De 8 a 13 de fevereiro assinalam-se os 40 anos da última grande cheia do rio Tejo, em Rio de Moinhos. Foi a maior cheia do séc. XX e, por isso, estamos a planear criar 8 painéis de azulejos com fotografias antigas, daquele ano, 1979, que elucidam o que foi a subida das águas do rio Tejo. Vamos colocar estes painéis nos locais onde a água chegou para ficarem em permanência. Em para-

ISABEL LUZEIRO

Médica Neurologista/Neurofisiologista Especialista nos Hospitais de Universidade de Coimbra

lelo, vamos realizar uma exposição sobre este acontecimento, porque entendemos que é preciso marcar este tempo que faz parte da nossa história. Queremos concluir o asfaltamento da estrada do cais que é fundamental e para dar outras condições àquele acesso. Também queremos avançar com o projeto da sede social. Temos de iniciar o processo de levantamento de carências e problemas do rés do chão e do 1º andar para que em 2020 seja possível concorrer a fundos de modo a recuperar aquele equipamento. Para o adro, estamos a pensar intervir no coreto e realizar mensalmente um mercado de produtos locais para dinamizar o espaço e a nossa economia local. Depois, queremos manter aquelas ações regulares que temos levado a cabo porque é importante fazer coisas novas, mas manter e melhorar o que já existe também o é.

Com o surgimento do Movimento Independente, como ficou a relação com a Câmara Municipal?

Temos tido um bom relacionamento com a Câmara Municipal, uma vez que é de conhecimento que as pessoas que compõem o Movimento têm autonomia e dinâmica. É um relacionamento bom que pode ser melhorado, mas pelo menos denotamos que a Câmara já olha para nós de uma forma diferente, para melhor. O surgimento do nosso Movimento foi diferenciador e isto é a prova que os partidos não podem pensar que “o jogo está ganho”. É sempre preciso trabalhar, e trabalhar de uma forma diferente da forma como se trabalhava há 40 anos. A meu ver, os partidos não tiveram a preocupação de evoluir e o surgimento destes movimentos têm muito a ver com o facto de os partidos se fecharem entre eles e condicionarem a entrada de pessoas que têm ideias diferentes. Uma coisa é certa, este Movimento “agitou” e vai “agitar” ainda mais. Joana Margarida Carvalho

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JORNAL DE ABRANTES / Janeiro 2019

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Os partidos não podem pensar que “o jogo está ganho”

uma Quinta Social que ficará contígua ao Centro de Apoio a Idosos e à Extensão de Saúde, onde pretendemos alindar aquele espaço e não só. No OP conseguimos também um poli desportivo para o Centro Escolar. Era uma carência daquele espaço e, assim, os nossos jovens e crianças já vão conseguir praticar muitas modalidades.


EDUCAÇÃO /

Liceu acolhe noite memorável com Audição do Curso Básico de Música A música entoou no dia 11 de dezembro, na Escola Secundária Dr. Manuel Fernandes, em Abrantes. Num momento singelo, bonito e memorável, cerca de 146 alunos de vários níveis de ensino abrilhantaram o público presente com a Audição do Curso Básico de Música. Na cerimónia, que contou com vários coros, orquestras de guitarras, momentos ao piano e a orquestra sinfónica do Liceu que encerrou a noite, marcou presença João Costa, Secretário de Estado da Educação, que afirmou que “Abrantes respira educação”. A sala encheu. Vários familiares deslocaram-se à escola para assistir a um momento de qualidade musical, dirigido pelo diretor de curso, José Horta e por vários docentes do Curso Básico de Música. Músicas como “What a Wonderful World”, When you Belive” ou “Above the Plain” entre muitas outras, com estilo mais ou menos clássico, fizeram as delícias dos presentes e foram cantadas e tocadas com mestria por parte dos vários alunos do 5º ao 9º ano.

“A arte não precisa de se justificar”

João Costa, Sec. De Estado

No final da audição, e depois de vários aplausos, o Secretário de Estado agradeceu a cerimónia e disse que é por momentos assim que vale a pena estar no Ministério da Educação. Dirigindo-se à comunidade escolar, João Costa disse que a Escola Secundária Dr. Manuel Fernandes tem “professores que não têm medo de ousar numa oferta que muitas outras escolas não têm. Com um diretor de curso que não tem medo

/ João Costa, Secretário de Estado da Educação, afirmou que “Abrantes respira educação”.

de experimentar e de pôr os alunos a fazer coisas que alguns acreditam que não são capazes. Uma Câmara que não fica à espera de perceber o que é da sua competência e avança no interesse dos alunos. E pais e mães que não têm medo de deixar os seus filhos experimentar novas formas de aprender”. “Às vezes nós temos a ideia de que há coisas que são a sério e há coisas que são a brincar. Há coisas que valem a pena, que são centrais, outras que são periféricas e que não interessam tanto. Ora, aquilo que nós testemunhámos hoje aqui, foi um conjunto de muitos alunos com uma coordenação exemplar entre eles, uma atenção aos sons e aos silêncios e uma atenção ao maestro. Vimos um conjunto de alunos que para chegar aqui têm feito um trabalho muito intenso. Eles treinam, trabalham e repetem e isto é fundamental”, fez notar o Secretário de Estado. “A música bonita só sai quando tocamos juntos e quando estamos preocupados uns com os outros, a respeitar o ritmo de cada um, mas sempre a avançar em conjunto”, salientou João Costa, terminando com a ideia que “a arte não precisa de se justificar. Nós só somos completos, se tivermos intervenção artística na nossa vida”. Joana Margarida Carvalho PUBLICIDADE

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DESPORTO /

Daniel alves, do Alverca aos Lobos de Carvalhal / DANIEL ALVES - CARREIRA DESPORTIVA .Sport Clube Sanjoanense: Escolinha/Infantil (1998 a 2005); .União Atlético Povoense: Iniciado/Juvenil (2006 a 2009); .Futebol Clube de Alverca: Júnior/Sénior (2009 a 2012); .Sport Clube Sanjoanense: Sénior (2012 a 2014); .Lobos de Carvalhal: Sénior (2014 a 2019).

/ Juniores do Alverca, época 2010/11. Daniel Alves (5.º em baixo), e Rafa (3.º jogador em pé, a contar da esquerda).

Daniel Alves, 26 anos, joga nos Lobos de Carvalhal. Chegou a disputar o Nacional de Juniores, pelo Alverca, onde foi colega do Rafa, atualmente no Benfica. O futebol mais a sério ficou para trás, por causa dos estudos e do trabalho. Quando entra em campo o primeiro objetivo é divertir-se. Como é que um jogador que passou pelo Alverca, nos campeonato nacional, aparece aos 22 anos nos Lobos de Carvalhal?

Após ter deixado o Alverca ainda joguei 2 anos no Sanjoanense. Quando comecei o mestrado decidi que era altura de trabalhar para ter dinheiro para as minhas coisas e fui estudar à noite. Com a incompatibilidade de horários, o futebol acabou por ficar para trás. Após 15 anos seguidos a jogar, esta foi uma das decisões mais difíceis que tomei. Fiquei sem jogar 6 meses, até que apareceu a oportunidade de jogar nos Lobos de Carvalhal e não hesitei. Como venho praticamente todos os fins-de-semana a Água das Casas, onde tenho as minhas raízes, pareceu-me ideal juntar o útil ao agradável.

Chegaste a imaginar que farias uma carreira como futebolista?

Claro que sim. Quando somos crianças e gostamos de jogar futebol, todos nós imaginamos fazer uma carreira como futebolista e eu

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não era exceção. Na altura em que saí do Povoense para o Alverca foi quando eu realmente pensei que podia chegar um pouco mais longe, tinha acabado de fazer uma boa época e dado o salto para o Alverca que estava na 1ª divisão nacional de juniores, ia jogar com os melhores da minha idade. Na altura achava que tinha qualidade para chegar mais longe, quem sabe à 1ª liga...

Chegaste a jogar com o Rafa, que está atualmente no Benfica e que representa a seleção. Já se via que estava ali alguém com mais potencial do que os restantes?

Potencial? Muito! Era um pequenino com uma qualidade acima da média. Quando éramos juniores e jogávamos contra a equipa sénior, ele desequilibrava muito, ou como se costuma dizer no futebol, partia a loiça toda. Sinceramente, se me dissessem que um dia ele ia jogar no Benfica e ser campeão europeu, eu provavelmente não acreditaria, pois são muitos os fatores que influenciam a chegada à 1ª liga,

JORNAL DE ABRANTES / Janeiro 2019

quanto mais a 1 dos 3 grandes. Fico muito contente por ele e pelo sucesso que está a ter.

O que é que faz claramente a diferença para se ser bem sucedido no futebol?

Quem tem o sonho de chegar mais longe tem de trabalhar muito e querer muito mais que os outros. Claro que também é preciso ter uma pontinha de sorte e estar no sítio certo à hora certa. Quem trabalhar mais, vai acabar por se destacar.

Sair com os amigos, namorar e estudar são atividades difíceis de conciliar com o futebol?

Não acredito muito nessa teoria. Quando somos novos há tempo para tudo, temos é que saber dividir bem o tempo e sermos dedicados.

Como é que apareces a jogar nos Lobos de Carvalhal?

Através do meu amigo Rodrigo Santos. Como eu morava em Lisboa e não tinha disponibilidade para ir a todos os treinos, andei a adiar. Mas as saudades do futebol bateram mais forte e aceitei o convite. Entrei ao mesmo tempo que o meu irmão, o Hélder Alves.

Como é que olhas para o futebol da INATEL?

Antes de jogar a primeira vez no futebol da INATEL, ouvia falar num futebol de “caceteiros” e da velha máxima “até ao pescoço é canela”, mas a verdade é que existem equipas com muita qualidade, mais do que muitas equipas dos distritais. O que acontece é que há muitos bons jogadores que não têm vida, seja do ponto de vista pessoal ou profissional, para se comprometer a treinar 3/4 vezes por semana. Ou então apenas querem representar a equipa da sua terra. Existem muito bons jogadores na INATEL, com qualidade para chegar pelo menos ao Campeonato de Portugal.

Como caracterizas a equipa dos Lobos? Como vos têm corrido as coisas?

Somos uma equipa muito jovem e com qualidade para disputar o jogo pelo jogo com qualquer adversário. Estamos a fazer uma boa 1ª fase com resultados bastante positivos, mas sabemos que o apuramento para a fase seguinte já é muito difícil. Vamos encarar os jogos que faltam da mesma maneira e aproveitar também para começar a preparar a 2ª fase.

Ainda equacionas vir a jogar futebol a um nível mais exigente?

Não, essa ideia já não faz parte dos meus planos para o futuro.

Quero-me concentrar na minha vida pessoal, profissional e ajudar os Lobos a chegar cada vez mais longe.

Sentes que por vezes, na formação, os pais são os maiores adversários?

Claramente, os pais hoje em dia acham que os filhos têm de ser um Cristiano Ronaldo ou um Messi. Como é óbvio os pais devem apoiar os seus filhos a serem cada vez melhores, mas com respeito pelos outros. Já vi jogos de formação em que os pais tratam mal treinadores, árbitros e os miúdos das equipas contrárias, é esse o exemplo que querem dar aos seus filhos? A pressão efetuada sobre as crianças só trará consequências negativas no futuro. O que é preciso perceber é que o futebol de formação tem como objetivo educar e formar as crianças.

Que conselho podes dar a um miúdo que goste de jogar futebol?

Acho que o melhor conselho que posso dar é que cada vez que entre em campo seja para treinar ou para disputar um jogo, entre para se divertir. Isto aliado ao trabalho e à dedicação irá com certeza dar frutos. José Martinho Gaspar


REGIÃO / Vila Nova da Barquinha

Restaurante Loreto, um espaço que respira tranquilidade e bem-estar David Fragueiro, 34 anos, natural de Atalaia, concelho de VN da Barquinha, é o gerente do novo espaço Loreto – restaurante/wine bar - que abriu oficialmente no dia 1 de dezembro ao público. David realizou o curso de Hotelaria em Fátima. Trabalhou durante 10 anos em Lisboa, numa casa de fados e decidiu, com o apoio da sua namorada, Sofia Vieira, e de toda a família, abrir o espaço em VN da Barquinha, que estava fechado há dois anos e meio. “Sempre foi um sonho ter um restaurante aqui e já há muito tempo que tentávamos abrir um espaço. Soubemos do concurso por parte do Município e decidimos concorrer com o conceito de restaurante / wine bar”, começou por contar ao JA o empreendedor. O Loreto está num local privilegiado da vila. Na sua envolvência tem o Parque Ribeirinho, repleto de esculturas e de uma natureza contagiante, mas é sobretudo o rio Tejo que maior relevância assume na paisagem do espaço. Foram estas as duas potencialidades que David encontrou e que o motivou a explorar o espaço durante pelo menos 5 anos, num contrato com o Município, que poderá ser renovado. “Em termos de potencialidades começo pela vista. Depois, a localização do espaço mesmo junto ao rio e, por fim, tem outra potencialidade que é a divisão pelos dois pisos o que nos vai permitir, no verão, funcionar com o conceito de tapas e petiscos no piso inferior e na esplanada”, referiu. Quanto ao conceito, o empreendedor pretende apostar nos pratos mais típicos do concelho, mas não só, também num estilo inovador e gourmet. “Penso que a nossa população está a ficar cada vez mais sensibilizada para este tipo de conceito onde se vê o vinho ao copo, as tapas, o petisco, mas depois também temos os pratos típicos da região, nomeadamente, quando for a época da lampreia, do sável e da fataça. Ainda queremos apostar noutro tipo de gastronomia, com um empratamento mais gourmet”, vincou. “É um facto que o conceito gourmet assusta muito as pessoas. Contudo, é preciso explicar que o que se pretende é ter empratamento mais requintado, harmonioso e apelativo, ou seja, ninguém vai passar fome, nem ninguém vem para pagar muito”, salientou o responsável.

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Loreto - nome de um antigo Convento na margem direita do rio Tejo, próximo do Castelo de Almourol, é a designação do novo espaço. Tem cerca de 45 lugares Representou um investimento de 50 mil euros Conta com 5 profissionais Horários: Aberto todos os dias das 12h00 às 24h00 Quando a esplanada estiver pronta passará a abrir das 10h00 às 24h00

“Sempre achei que era uma pena este espaço estar fechado”.

Chefs de cozinha serão convidados a confecionar no espaço Ideias não faltam. David quer trazer ao Loreto, chefs de cozinha que a partir deste novo ano confecionem e preparem ementas diferenciadoras. “Em janeiro, vamos ter o chef Rafael, que está no hotel Lusitanos, e em fevereiro, vamos ter um chefe francês. Durante estes dias, em que os chefs são convidados a estar, são eles que vão definir e confecionar o menu. Também vamos arrancar com as noites de fados e de jazz”, disse o empreendedor, adiantando que a partir de janeiro vai ter uma diária ao almoço e a partir do próximo verão as noites de sushi vão ser uma constante.

O Loreto é sobretudo dirigido a um público mais maduro e que aprecie estar num espaço aprazível e calmo. A decoração está repleta de elementos associados ao rio. “Tentámos trazer os barcos que andam nos rios Tejo e Zêzere. Depois, na parte do empratamento, estamos apostados na inovação. No entanto, estou recetivo a ideias por parte de quem nos visita, porque pretendo agradar o cliente, sendo o mais exigente possível na confeção”. Apesar de estar aberto somente há umas semanas, o balanço não poderia ser melhor. “Aos almoços tenho servido cerca de 30 refeições diárias. Depois no período noturno, temos noites mais calmas, mas outras bastante completas. Apesar

de ser ainda pouco tempo, a experiência está a ser muito positiva”. David considera que “a Barquinha tem muita procura turística e tem pouca oferta. O Parque Ribeirinho a um domingo atrai milhares de pessoas e de verão está sempre cheio”. “Sempre achei que era uma pena este espaço estar fechado. A bela vista e a proximidade ao parque faz com que tenha tudo para ser um sucesso”, finalizou o responsável. A inauguração do espaço aconteceu no dia 30 de novembro e contou com diversos convidados, entre os quais Fernando Freire, presidente da Câmara Municipal. Joana Margarida Carvalho

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REGIÃO / Vila Nova da Barquinha

Eficiência energética de edifícios dá desconto no IMI Em reunião do Executivo da Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha, realizada a 12 de dezembro, foi aprovado por unanimidade a proposta de redução de IMI a imóveis classificados com a classe A ou A+, ao abrigo do Sistema Nacional de Certificação Energética e da Qualidade do Ar Interior. Trata-se de uma redução de 10% “numa primeira fase” e Fernando Freire, presidente da Câmara Municipal, explicou que “a lei define que podemos reduzir até 25% da taxa de IMI dos prédios”. O autarca deu, como exemplo, a Câmara de Lisboa que “começou com 10 e, neste momento, está com 15%” de redução”. Esta redução vai vigorar durante cinco anos mas, “no próximo ano, podemos dizer que é 15% e temos outros cinco anos e assim sucessivamente”. Segundo Fernando Freire, o objetivo “é alertar para a questão da certificação e da eficiência energética e para a questão do carbono,

/ Fernando Freire fala da eficiência energética como janela de oportunidade para municípes e investidores que é um dos objetivos da União Europeia”. “É também um sinal que queremos dar aos nossos munícipes pois, já que já estão a recuperar, que o façam devidamente.

Façam um requerimento de certificação energética e, junto da Câmara Municipal, terão também um premiozinho”, acrescenta o presidente.

Assembleia Municipal rejeita Transferência de Competências A Assembleia Municipal de Vila Nova da Barquinha, reunida no passado dia 20 de dezembro, tomou uma posição acerca da transferência de competências para as autarquias locais e para entidades intermunicipais. Para já, VN da Barquinha não vai assinar os contratos referentes à transferência de competências para as autarquias locais. Nesta fase, Fernando Freire explicou que não vai aceitar nada, pois ainda não conhece as condições do contrato e que só conhecendo todos os pressupostos é que as competências poderão ser aceites. “Não temos os pressupostos para aceitar as competências. Não quer dizer que não seja possível vir a aceitar, mas tudo terá de ser negociado e conversado”, vincou o autarca. Contudo, deixou a ressalva que “a partir do momento em que a Secretaria de Estado das Autarquias Locais fizer chegar os

“Os deputados da oposição congratularamse com a posição assumida pelo presidente”. cálculos e aritmética para a descentralização na Câmara Municipal” a informação chegará aos vereadores e deputados para que possam tomar uma posição conjunta. Os deputados da oposição congratularam-se com a posição assumida pelo presidente, tendo o ponto, relativo à não transferência de competências, sido aprovado por unanimidade.

Família Farinha Maia doa coleção completa do jornal “O Moitense” Os irmãos Carlos Manuel Farinha Maia, Eugénio Farinha Maia e herdeiros de José Fernando Farinha Maia (já falecido) doaram ao Município de Vila Nova da Barquinha os exemplares do jornal “O Moitense”, desde o nº1 ao nº 106. O jornal funcionou no concelho no período de 1936 a 1945 e vai servir agora como fonte de trabalhos de investigação de factos da época. Fernando Freire, presidente da Câmara Municipal e um entusiasta da história local, confessou-se “empolgado” pela doação da coleção “até mais pelo gesto altruísta das próprias pessoas, pois não acontece muito nos dias de hoje”. O presidente realçou “a estima dos herdeiros em terem guardado a coleção que o pai tinha deixado” e também o facto de terem confiado no Município pois “sabem que fica em boas mãos”. Fernando Freire acrescentou que a coleção completa do jornal “O Moitense” servirá agora para investigação por parte dos historiadores locais “num período conturbado da nossa história pois viveu-se nessa al-

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tura a II Guerra Mundial, o apogeu do salazarismo, algumas guerras republicanas e ainda alguns resquícios das guerras liberais”. Foi um jornal que “teve uma visão regional da questão” e tem “muitas notícias do Entroncamento, que na altura pertencia a Vila Nova da Barquinha, relatos de Tancos, da Atalaia, da Moita, da Praia... ou seja, relatos não da Moita mas da região”. No jornal também se pode perceber “as histórias de coletividades que vinham do antecedente” e muitas crónicas onde, por vezes, se conseguiu fugir à censura. Agora, a coleção completa de “O Moitense” vai ser digitalizada e disponibilizada e “enquanto eu estiver autarca”, afirmou o presidente, o objetivo “é disponibilizarmos o máximo que pudermos em suporte físico”. O espólio poderá integrar a Biblioteca Templária no novo Centro de Interpretação mas “para que este espólio não se perca, porque é único, vai ser digitalizado”. “Para que as memórias não se percam”, concluiu Fernando Freire.

/ “Um espólio único” - Fernando Freire

JORNAL DE ABRANTES / Janeiro 2019

Patrícia Seixas


MARKETING TERRITORIAL EM DEBATE NA ESTA

As potencialidades do interior

JANEIRO DE 2019 EDIÇÃO Nº 46 www.estajornal.ipt.pt Gratuito · Periocidade Trimestral DIRETORA: HÁLIA COSTA SANTOS DIRETORA ADJUNTA: RAQUEL BOTELHO

Na

conferência “A Economia Digital como Eixo do Marketing Territorial”, licenciados em Comunicação Social pela ESTA, responsáveis por empresas ligadas às tecnologias e autarcas do interior que apostam no inovação apresentaram as potencialidades que regiões como o Médio Tejo têm para o desenvolvimento económico, empresarial e social. A existência de instituições de ensino superior, os apoios das autarquias e as infraestruturas tecnológicas foram identificadas como as condições perfeitas para que pequenas e grandes empresas se instalem em regiões do interior. No Médio Tejo são exemplos desta realidade a Softinsa e a Compta, mas também a DialReset e a TomarTV, projetos desenvolvidos por jovens formados na ESTA.

[ VISEU I Barbearia da Ribeira Abílio Aparício corta cabelos há 40 anos.

PÓVOA DE SANTA IRIA | Companheiros da Noite a volta de sábado para distribuir alimentos e cobertores.

SEVER DO VOUGA | Vespa asiática técnicas para destruir os ninhos de uma praga.

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D

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FOTOGRAFIA PAULO SOUSA

PORTO | Bar de transformismo homens de dia, mulheres à noite, no palco.

[ ÁGUA FORMOSA | Aldeia do Xisto a recuperação depois da desertificação.

]

Retalhos de Portugal num mês de Inverno

Do Norte ao Sul, há um país que se revela aos olhos dos jovens repórteres do ESTAJornal. Nas suas terras de origem procuraram estórias para contar, construindo um mosaico do país que mostra diferentes realidades. Nesta edição entramos numa discoteca onde artistas do transformismo são rainhas da noite e acompanhamos uma distribuição de comida onde quem mais precisa recebe toda a atenção. A vida do interior do país conta-se numa aldeia do xisto, mas também numa barbearia à moda antiga e na luta contra a praga da vespa asiática. Nestas páginas também se faz um ponto de situação sobre a poluição no Tejo e conta-se como foram as 24 Todo o Terreno de Fronteira. PUB

[ FRONTEIRA I24TT

uma prova de desporto automóvel que envolve toda a vila.

[ ABRANTES I Rio Tejo

a poluição ainda não está completamente controlada, mas quase.


Ambiente 02

JANEIRO 2019

O Renascer do Tejo

O desastre ambiental permanece na memória. Prejudicou vidas. Não só as dos que dependiam do Rio como uma fonte de rendimento, como a de todos nós. No terreno, as melhorias são notórias, mais ainda não são suficientes. O “Guardião do Tejo” diz que “ainda não está a 100%, mas está 85% mais limpo”. Mesmo assim, num restaurante junto ao Tejo, o peixe do rio que se serve ainda não é daquelas águas.

MARIA BRAGANÇA ESTA D COMUNICAÇÃO SOCIAL

O impacto da poluição do Rio deixou “mazelas”, afirma Arlindo Marques, também conhecido como “Guardião do Tejo”. Com 53 anos, nasceu e cresceu “no meio do rio”. Natural de Ortiga, concelho de Mação, sempre o viu limpo, com “águas cristalinas, nada de especial”. Em finais de 2014, Arlindo Marques verifica a existência de uma “espuma branca” na superfície da água, que intitulou como “espuma da morte”. As águas corriam negras e “com um cheiro característico a químicos”. Começa a expor a situação, através das suas redes sociais, e rapidamente obtém “milhares e milhares” de visualizações. Integrante do Movimento Protejo, como secretário, tem uma “rede montada”, desde pessoas que trabalham nas barragens, pescadores e desportistas, que o contactam para denunciar diversos focos de poluição. “O rio esteve a 0,1mg de oxigénio. Não há vida possível”, denuncia o ativista. Arlindo alega saber quem são os responsáveis: “Não tenho medo nenhum de dizer, nunca tive. Foi a Celtejo!” A Celtejo é uma empresa de celulose, sediada em Vila Velha de Ródão, per-

tencente ao Grupo Altri, que produz pasta de eucalipto branqueado, produzido “de forma económica e ambientalmente sustentável”, segundo o site do Grupo. Num domingo à tarde, Arlindo foi chamado ao local, junto do tubo de descarga da Celtejo. “Parecia o cogumelo da bomba atómica, um cheiro a químico, horrível.” A montante de Vila Velha de Ródão as águas estavam “completamente transparentes”. Arlindo Marques admite que “pode vir algum fósforo de Espanha”, mas garante que “não é aquela coisa horrível”. A fábrica triplicou a produção e “não tinha equipamento suficiente” para combater o problema. “Durante três anos o rio esteve a ser bombardeado com tudo do pior que pode haver”, sublinha. O pouco peixe que havia, “começou a saber mal”. Deixaram de consumi-lo, “muita gente perdeu a sua fonte de rendimento”. Confrontado com a Capa nº 759 da Revista SÁBADO, com a manchete "Como Espanha envenena a água do Tejo", Arlindo Marques garante que as algas, sinal de poluição, “ainda não chegaram a Vila Velha de Ródão, nem ao Fratel, nem a Ortiga”. A Revista SÁBADO pertence ao grupo Cofina, que detém a Altri (Celtejo, Celbi e Caima). “Nós vivemos num país de cor-

L Arlindo Marques rupção ao mais alto nível. O poder económico daquela fábrica passou à frente da preocupação ambiental. É uma ‘máfia’ que anda por trás disto tudo. Dá muito dinheiro”, assegura o ativista. Devido às acusações, a Celtejo instaurou um processo por difamação contra Arlindo Marques, no valor de 250 mil euros, com “juros de mora a pagamento integral”. O "Guardião do Tejo" acredita que o processo tem um único objetivo: destruí-lo “psicologicamente e monetariamente”. Diz que é provável que venha a ser condenado numa primeira instância. O ambientalista espera que se faça justiça, porque o rio “ainda não está bom”. “Ainda não está a 100%, mas

está 85% mais limpo”, garante. João Serrano, presidente da Associação Confraria Ibérica do Tejo (ACIT), descreve o estado do Rio Tejo como “catastrófico”. Em termos de Política Ambiental, considera que o problema do Tejo “não é só um problema de Portugal, nem de Espanha. É um problema da União Europeia”. “As águas já vêm poluídas de Espanha, é um facto. Mas isto já acontece há mais de 40 anos, e nada disto é falado”, avança o presidente da ACIT. O excesso de poluição e a falta de oxigénio leva ao surgimento de algas. “O Rio Tejo está completamente coberto de algas”, aponta. João Serrano acrescenta que “a informação que chega às pessoas em relação aos reais problemas do Rio Tejo não é zero, mas é próxima de zero”. Vila Velha de Ródão, no distrito de Castelo Branco, destaca-se pela sua riqueza em património natural. A poluição visual das fábricas contrasta com a natureza envolvente. A poluição afetou toda a gente, mas mais diretamente o setor marítimo-turístico. No cais está um dos poucos pescadores, resistentes, de Vila Velha de Ródão. António Ribeiro Pinho, conhecido como “Tonho” Pinho, oriundo de uma família de pescadores, diz que vai à pesca todos os dias. “Ainda ontem apanhei um siluro de 15 kilos”, conta o pescador. Com 70 anos de estórias, recorda-se do tempo em que “apanhava o peixe que queria” e que “nessa altura não havia descargas das fábricas”. Soma diversas experiências profissionais, entre elas como trabalhador da fábrica de pasta de papel. “Eu fui o 3º empregado da celulose. Mas nessa altura não havia poluição”, revela. As fábricas empregam grande parte da população. “Só quem não quer fazer nada é que não trabalha nas fábricas”,

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O turismo tem vindo a aumentar, “as coisas estão muito melhores” e “o futuro é promissor”

ESTA JORNAL FOTOGRAFIA ARLINDO MARQUES

adianta António Pinho. Conhecedor do Tejo, o pescador nunca deixou de comer peixe, embora algumas pessoas o tenham feito. Garante que “já se notam” as melhorias desde que as fábricas “deixaram de poluir”. Quem também já assistiu ao rio nos seus piores dias foi Vasco Fernandes. Empresário, natural de Vila Velha de Ródão, tem uma vista privilegiada para o Tejo. “A poluição afeta toda a gente, direta ou indiretamente. No meu caso concreto na área do turismo, afeta muito mais”, confessa. Vasco garante que o turismo tem vindo a aumentar, “as coisas estão muito melhores” e “o futuro é promissor”. No seu Restaurante VilaPortuguesa, situado em Vila Velha de Ródão, o prato típico de peixe do rio é uma oferta que têm, mas “não será por isso que as pessoas vêm a este restaurante”. Têm pratos de peixe do rio, mas não são do Rio Tejo. “Ainda não”, lamenta Vasco Fernandes, porque ainda há o “receio de não ter a qualidade desejada”. Considera “uma situação resolvida há muito pouco tempo”. Garantir a qualidade é imperativo. Segundo informações do Ministério do Ambiente, foi feita uma intervenção de limpeza do fundo do rio, no âmbito da Operação Tejo 2018, que removeu cerca de 2.500 toneladas de lamas, com uma carga poluente superior a 90%. As licenças das indústrias da celulose, que operam em Vila Velha de Ródão, foram revistas, e em todas estas licenças foi determinada uma redução da carga poluente. O trabalho que foi executado foi pioneiro e, por isso, a qualidade da água teve uma evolução exponencial. Mas as autoridades ainda não dão garantias de ausência total de poluição e mantêm a vigilância.g


Ambiente WWW.ESTAJORNAL.IPT.PT

“O Governo só vai fazer alguma coisa quando isto chegar às grandes produções do sul...”

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Um pouco por todo o país a praga da vespa asiática afeta todos os anos inúmeras pessoas. Apicultores que ficam afetados nas suas produções de mel e centenas de outras produções que sofrem as consequências da falta da polinização da abelha que é devorada por esta espécie. E ainda pessoas que necessitam de assistência médica após sofrer uma picada desta vespa.

ANDRÉ VENTURA ESTA D COMUNICAÇÃO SOCIAL

Era sexta-feira à tarde, dia 7 de dezembro, por volta das 15h30, quando mais um alerta é dado na Câmara Municipal de Sever do Vouga para a retirada de um ninho de vespa asiática perto de uma zona de habitação na Freguesia de Rocas do Vouga. Saímos da Câmara Municipal por volta das 17h. A equipa era constituída por quatro elementos: o vereador da Câmara, Raul Duarte, que coordena a operação, dois homens com um curso de escalada a árvores (eram eles que iriam retirar os ninhos) e o presidente de Junta de Freguesia de Rocas do Vouga, Paulo Pardal. Ao chegar ao local, o vereador da Câmara analisa a situação, enquanto o resto da equipa verifica se o equipamento está todo operacional. Vestem rapidamente um fato especial, um fato muito grosso “porque elas são enormes e, mesmo assim, algumas conseguem perfurar”, umas luvas que cobrem praticamente o braço todo, umas botas e, para proteção da cabe-

Extremo das patas amarelas

ça, uma proteção designada de “peneiro”. O ninho é enorme: “Este deve ser um dos maiores que já tirámos.” A assistir estavam algumas pessoas, como António Rebelo, de 70 anos. “São uma praga. O ano passado, perto de minha casa, encontrei um. Graças a Deus que ainda era pequeno e eu consegui resolver o problema”, conta. Os dois elementos especializados, com ajuda de uma arma de pólvora, colocam uma corda e arremeçam-na de forma a ela dar uma volta num galho forte e bem alto, fazendo assim um sistema roldana que permite conseguir subir mais facilmente ao ponto mais alto da árvore, onde se encontrava o ninho. Antes da subida as pessoas que assistem são avisadas do perigo que correm. Finalmente sobem e chegam por fim ao objetivo. Com um saco enorme de plástico amarram o ninho, retiram-no e voltam para baixo. O barulho era impressionante, centenas de vespas prontas para libertar toda a sua fúria. Felizmente estavam bem presas. Por fim, abriram um pequeno furo no saco por onde ejetaram o veneno, colocaram outro saco por cima e assim finalizaram o processo. António Rebelo, reformado mas que tem como hobby a produção de mel, acrescenta: “Segundo relatam, elas vieram num navio, dentro de uma palete de madeira, e foi ali no porto, em Viana de Castelo. Porque elas vieram de norte para sul, mas ao certo ao certo a gente não sabe bem como foi. O que me deixa mais indignado é o facto delas matarem as abelhas todas, e parece que matam por prazer, cortam-lhe o abdómen e deixam-nas assim. Se pelo

Fina linha amarela

menos ainda as comessem, ainda se entendia o porquê, mas assim não há justificação. O Governo só vai fazer alguma coisa quando isto chegar às grandes produções do sul. Enquanto não os afetar economicamente a eles, não querem saber de resolver o problema.” A António Rebelo, só este ano, as vespas asiáticas destruíram mais de cinco colmeias. Também Marcelo Coutinho, de 45 anos, conhece bem o problema. Conta que tem um pequeno pomar recheado da mais variada fruta: mirtilos, maçãs, pêras, etc. “Na época de verão é uma coisa impressionante: o cheiro e o açúcar da fruta atraem-nas e, quanto mais os anos passam, cada vez é pior. São sempre em maior número e o problema é que picam a fruta toda e não aproveito quase nada, principalmente os mirtilos, ficam todos moles e roídos, e com a falta de abelhas a polonização cada vez é menor. Tenho menos fruta e a que tenho é toda devorada por aquela praga.” Tendo em consideração que esta é uma zona com especial produção de mirtilo, os produtores, como este homem de 45 anos, queixam-se cada vez mais e s ol u ç õ e s h á poucas. Em conversa com o

presidente de Junta de Freguesia de Rocas do Vouga, Paulo Pardal, percebe-se que existem três possíveis casos de ninho de vespa: no chão “que são consideradas as mais perigosas”, nas árvores de menor altitude e nas de maior altitude. “Geralmente, em casos considerados normais, os ninhos só são tirados mais ao final do dia, para se conseguir reter o máximo de vespas possíveis e porque é quando elas estão mais calmas.” Para cada caso existe uma diferente solução. O mais diferenciado é quando o ninho está no chão. “Nós

Asa de cor fumada

agora estamos a utilizar o método de aplicar gasolina, com uma máquina de solfatar: rega-se o ninho com gasolina e elas vão morrendo por ser um produto muito tóxico.” O número de ninhos apanhados só este ano, nesta freguesia, “passou os 40, com especial intensidade no verão”. “Tudo isto tem custos: cada fato custa por volta dos 2.000€/2.500€ e os dois rapazes que geralmente são chamados levam, por cada ninho tirado, 150€.” A concorrer este ano ao orçamento participativo esteve um projeto, que ficou em terceiro lugar com um financiamento de 5.750,25€, para a criação de uma máquina para ajudar a combater este inseto. A ideia partiu do próprio presidente de Junta de Freguesia. “Eu tive a ideia, mas precisava ser financiada, foi assim que decidi concorrer ao orçamento participativo. A máquina consiste numa pequena mochila - fácil de transportar - com um recipiente para colocar veneno e com uma bateria para gerar energia para um motor que vai puxar o veneno através de uma vara em alumínio, que é montável e, no final da vara, tem um espeto que penetra no ninho e ejeta o veneno diretamente na colmeia. Deixa-se atuar o veneno durante dois ou três dias e, no final, procede-se à retirada do mesmo.” Este projeto está a ser desenvolvido em parceria com a Escola Profissional de Aveiro (EPA). Está prevista a sua finalização na primavera de 2019. Resta agora esperar que os resultados sejam positivos, e que a maior preocupação de António Rebelo não se concretize: “Deus queira que, quando se tiver de atuar, já não seja tarde demais.”g

Tórax negro

Terminação Escura Dorso da cabeça negro


Sociedade 04

JANEIRO 2019

dos sacos é feita fora do bairro social que é onde os utentes desta cidade residem. Alverca é o próximo destino. Ao parar a carrinha, o grupo sai e abre as portas da bagagem. Um grupo de pessoas, constituído predominantemente por homens, cercam a carrinha para receber o seu saco. Diana Vieira, uma das voluntárias do grupo, pergunta o nome dos utentes para conferir com a lista de que dispõem. Para além de lhes entregarem o saco com comida, os voluntários entregam também um cobertor a quem necessita. O grupo segue para Alhandra para distribuir mais alguns sacos. Não tendo muitos utentes a residir nesta localidade, o grupo rapidamente segue para Vila Franca de Xira, a cidade concelhia. Na viagem, uma das voluntárias chama a atenção para a realidade que nem todos veem: “Há muita miséria escondida.” Esta afirmação viria a revelar o que se iria passar a seguir. Foi ao parar o carro junto de um pequeno edifício da Junta de Freguesia (a que a associação chama de refeitório) que foi possível compreender o verdadeiro significado das palavras da voluntária. Durante o dia não se veem nas ruas da cidade sinais de pobreza, miséria e toxicodependência, mas à noite estas pessoas saem das suas casas ou abrigos para receber dos voluntários os sacos de comida que necessitam para sobreviver. Em Vila Franca, o processo começa com os voluntários a saíram da carrinha para abrir as portas do edifício aos utentes, que nesta noite já esperavam ansiosamente pela chegada do grupo. Ao abrir as portas, o grupo começou a descarregar a carrinha e a transportar toda a comida para o edifício. Este pequeno edifício, apesar de estar desgastado e degradado, tem as condições necessárias para que os voluntários consigam, mais uma vez, prestar o seu serviço. Aqui, o grupo subdividiu-se em três. Enquanto uns serviam as sopas ainda quentes, uns faziam os sacos individuais para estes utentes e outros levavam até às mesas a sopa. Alguns gostam de comer a sua sopa no edifício, aproveitando, desta forma, a companhia dos voluntários e dos outros utentes, enquanto outros preferem levar a sua sopa para casa juntamente com o seu saco. Foi em Vila Franca de Xira que o percurso de sábado terminou. Mas estes voluntários, antes de voltarem às suas casas, Os voluntários só ainda têm algum chegam a casa pelas trabalho para fazer. A associação preza três da manhã. muito pela organização e pela limpeza, por isso os voluntários deverão deixar tudo preparado para o próximo grupo que for fazer a volta. Começando a preparar a volta pelas 15h00, muitos são os sábados em que os voluntários só chegam às suas casas pelas 03h00. Os voluntários, movidos pela compaixão e piedade que sentem, investem um pouco do seu tempo no bom cumprimento desta causa, trazendo, desta forma, um pouco de felicidade e conforto a todos aqueles que por si são ajudados. “Para sermos solidários, precisamos ser bons e puros de coração… Nunca menospreze a dor do outro, cada um sabe o quanto dói e o que sente… Antes de julgar, experimente colocar-se no lugar de quem sofre.” – Rosangela Zerie.g D

Meio dia de trabalho voluntário que faz a diferença na vida de quem precisa

FOTOGRAFIA SARA COSTA

Os “Companheiros da Noite” na “Volta de Sábado”

A “Volta do Sábado” é um percurso de solidariedade para amenizar as dificuldades de alguns habitantes do concelho de Vila Franca de Xira. Todas as semanas, “Os Companheiros da Noite”, uma associação de solidariedade social sem fins lucrativos com sede na Póvoa de Santa Iria, ajudam pessoas sem-abrigo e famílias que vivem em situação de extrema carência. Uma sopa quente, uma sandes e um cobertor fazem a diferença. SARA COSTA ESTA D COMUNICAÇÃO SOCIAL

“A melhor maneira de ajudar é não estragar.” Quem o diz é Alice Fael de Carvalho, presidente da associação "Os Companheiros da Noite". Conhecendo as necessidades e as dificuldades dos utentes (aqueles que a esta associação de solidariedade social sem fins lucrativos ajuda), Alice acredita que a melhor maneira de ajudar é não estragando nem deitando para o lixo algo que pode ser doado a quem mais precisa. A associação aceita donativos por parte de entidades públicas, de entidades privadas e de todos os que queiram ajudar os mais desfavorecidos. Estes donativos podem ser roupas, calçado, cobertores, alimentos, electrodomésticos, entre outros. Para a angariação de fundos e de donativos, a associação organiza várias campanhas solidárias e jantares de convívio. A “Volta do Sábado” foi o nome dado pelos Os Companheiros da Noite ao percurso que os próprios fazem ao sábado para entregar a quem mais precisa: uma refeição completa, quente e aconchegante. A preparação da volta começa pelas

15h00 de sábado, na sede da associação. Ao chegarem ao local, os voluntários começam por preparar aquilo que vai ser a refeição dessa noite de algumas famílias e de pessoas sem-abrigo. Alguns dos voluntários começam por preparar as sandes, na grande mesa de vidro que se encontra no meio da sala principal da sede, enquanto outros começam por descascar e preparar os vegetais e as leguminosas para a sopa que, segundo a presidente, se torna uma fonte rica de nutrientes para os utentes. A cozinha onde é confecionada a sopa está equipada com um fogão grande de quatro bocas e com um lavatório comprido e fundo, permitindo, no final da volta, uma limpeza rigorosa dos utensílios de cozinha utilizados. Após terminar a preparação das sandes, o grupo começa a preparar os sacos familiares, onde são colocados alguns alimentos que variam de acordo com as necessidades de cada agregado. De seguida são organizados os sacos individuais que serão dados a quem vive nas ruas e a outros com a mesma necessidade, mas que, normalmente, encontram lugares para pernoitar. Estes sacos levam um pacote de sumo, um pacote de leite com chocolate, duas peças de fruta, um pacote de bolachas, um enlatado, como

salsicha ou atum, um tupperware com sopa que pode ser de tamanho grande ou pequeno, algumas sandes e bolos. À medida que o tempo passa, a sala parece encolher, pois são já muitos os sacos que preenchem aquele lugar que, por si só, já é pequeno. Depois dos preparativos, os voluntários começam por carregar tudo na carrinha. Às 19h00 tem de estar tudo pronto, pois esta é a hora em que todos os voluntários fazem uma pausa para jantar. “Tudo o que oferecemos aos utentes é aquilo que nós também comemos”, afirma a presidente para explicar que após a preparação dos sacos, os voluntários fazem uma pausa para jantar acabando por comer a mesma sopa que a associação confecionou para os utentes. Logo a seguir ao jantar, toda a loiça é lavada e a equipa de voluntários parte para a volta. Antes da distribuição dos alimentos por todo o concelho, o grupo vai a duas pastelarias, “O Pinheirinho” e a “Abadia”, com quem tem uma parceria, para recolher os bolos e o pão que sobraram do dia. Inicia-se, então, a famosa “Volta do Sábado”. O percurso começa na Póvoa de Santa Iria, onde se entregam alguns sacos de família e individuais. De seguida, o grupo parte para Vialonga onde a entrega

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Tradições

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Barba e Cabelo WWW.ESTAJORNAL.IPT.PT

Uma senhora que acompanhava o marido veio à Barbearia da Ribeira cortar o cabelo. Uma barbearia para homens onde as mulheres não são discriminadas. RUI ABREU ESTA D COMUNICAÇÃO SOCIAL

Situada na zona ribeirinha da cidade de Viseu, encontra-se a conhecida e afamada Barbearia da Ribeira. Fundada há 40 anos por Abílio Luís Aparício, barbeiro há 50 anos. “Aprendi o ofício com 15 anos numa barbearia da cidade e, 10 anos depois, decidi montar o meu próprio negócio”, confessou o proprietário. São 9h30 e a barbearia, que por esta altura se encontra decorada com luzes para assinalar a época natalícia, está já com os cinco barbeiros que ali trabalham diariamente, sendo um deles o próprio dono, com as cadeiras ocupadas e outras três pessoas estão já à espera de serem atendidas. O chão já repleto de cabelos espalhados são o reflexo das pessoas que já por ali passaram desde as 8h00, hora a que a barbearia abre aos seus clientes, mas ao mesmo tempo são também a premonição de mais um dia exaustivo. “Há dias em que o Sr. Abílio tem de começar a atender clientes sozinho porque são 7h30 e já tem algumas quatro

Barbearia da Ribeira fundada há 40 anos por Abílio Aparício, barbeiro desde os 15 anos de idade.

pessoas à espera que abra porque têm de se despachar cedo para irem trabalhar”, desabafou um cliente enquanto aguardava que o chamassem. Questionando os clientes sobre qual o motivo pelo qual a barbearia está sempre cheia e, consequentemente, qual o segredo do seu sucesso, a resposta por ali é unânime e todos dizem que o segredo é o profissionalismo e a boa relação entre barbeiro e cliente. “A qualidade do Para quem observa, é nítido que há uma serviço é o motivo boa relação, não só pelo qual eu no seio da barbearia entre os colegas, mas continuo a vir.” que também na forma como recebem os clientes. A conversa entre o barbeiro e os clientes remete-nos para uma amizade entre dois velhos amigos. Talvez não seja apenas este o segredo do sucesso: a rapidez do serviço é outra das respostas consensuais por entre os clientes. José Leite, professor de Português e História de Portugal, é cliente da barbearia há sensivelmente 20 anos e confirma que “a qualidade do serviço é o motivo pela qual eu cá continuo a vir. A rapidez também é um fator imporFOTOGRAFIA DR tante. Devido à minha profissão, o meu horário não me permite perder muito tempo”. Confessa também que já experimentou outra barbearia mas que não gostou da experiência e que, enquanto puder, vai continuar a ser um cliente assíduo do Sr. Abílio. A localização privilegiada da barbearia - encontra-se perto do centro da cidade e com facilidade de estacionamento - é também uma vantagem que abona a favor da mesma. Pelo menos é o motivo pela qual o Sr. Oliveira a começou a frequentar “escolhi esta barbearia porque é perto de onde vivo e continuei a frequentar porque os barbeiros são todos bons profissionais ”, garante. Também os clientes mais recentes confessam-se satisfeitos com a forma com que são atendidos neste estabelecimento. Um cliente, que preferiu não se identificar e que frequenta a barbearia há três anos, disse que já conhecia o proprietário há muitos anos, no entanto apenas a começou a frequentar quando o seu antigo barbeiro faleceu, mas afiança que “é uma barbearia que trabalha bem.” Há também quem a tenha começado

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L Depois de cerca de 12 horas a atender clientes, ainda é necessário varrer e limpar.

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a frequentar este ano, como é o caso de Jorge Ramos. Era o seu pai que lhe cortava o cabelo desde tenra idade, a si e aos seus cinco irmãos, pois as condições económicas precárias da sua família assim o obrigavam. Esta prática foi-se mantendo como uma tradição ao longo dos anos, até que, devido ao recente falecimento do seu pai, viu-se assim obrigado a começar a vir à barbearia: “ Eu conheço o filho do Sr. Abílio há muitos anos e então decidi vir experimentar e já é a terceira vez que cá venho este ano, estou muito contente, aqui é tudo boa gente.” Mas engane-se quem julga que as barbearias são apenas um espaço para homens. Também uma senhora, que acompanhava o seu marido, veio à Barbearia da Ribeira cortar o cabelo. Uma barbearia para homens onde as mulheres não são discriminadas. Também uma criança, acompanhada pela sua mãe, foi ali cortar o seu cabelo, o que demonstra que numa barbearia há espaço não só para graúdos como também para os mais novos e que ali todos são bem-vindos. Com uma barbearia há 40 anos, Abílio Aparício tem imensas histórias para entreter quem por ali passa. No entanto, há uma que se destaca entre todas as outras. “Já estava eu sozinho na barbearia quando entrou um indivíduo que me parecia embriagado e pediu para que lhe desfizesse a barba. Eu desfiz a barba de uma face da cara, até que se levantou e foi para ao lado da barbearia vomitar. Neste espaço de tempo entrou outro cliente e eu comecei a falar com ele à espera. Como o outro senhor não regressava eu fui à procura dele, mas nunca mais o encontrei, talvez tenha ido para casa ou quem sabe se encostou em algum lado para dormir. A verdade é que nesse dia andou alguém pela rua só com metade da barba desfeita.” Por esta altura, o número de clientes parece ser ainda maior que no resto do ano, e é habitual o trabalho continuar para além das 19h00, hora de encerramento. Este dia não foi exceção, pois a essa hora ainda estavam cinco pessoas sentadas e o mesmo número de clientes à espera da sua vez para serem atendidos. E se, para muitos, depois de cortar o cabelo desfazer a barba é também uma necessidade, o tempo do serviço estende-se ainda mais. E claro, no fim de todos os clientes atendidos, é necessário limpar o balcão de trabalho e varrer o chão dos imensos cabelos que por ali se encontram espalhados, até porque “amanhã é outro dia”.g


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FOTOGRAFIA PAULO SOUSA

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ESTA JORNAL

SÓNIA PEDRO ESTA D COMUNICAÇÃO SOCIAL

Chegamos à aldeia por uma das três entradas possíveis, numa manhã cinzenta, húmida e gélida de dezembro. É quase Natal e, numa das habitações, reúnem-se vários homens em torno da carcaça já dependurada de um porco. As mulheres, essas, talvez se dediquem à árdua tarefa da lavagem das tripas. São tradições seculares. É deste património que são edificadas as aldeias do interior do país: de tradições em vias de extinção. Água Formosa não escapa à regra. Incluída na Rede das Aldeias de Xisto (aldeiasdoxisto.pt), é a aldeia localizada mais a sul, já no concelho de Vila de Rei. Situada a cerca de 10 kms do Centro Geodésico de Portugal, vive encaixada no sopé de acentuadas encostas, precisamente na união da Ribeira da Corga e da Ribeira da Galega.

Localizada bem no coração de Portugal encontrámos Água Formosa. Integrada na Rede das Aldeias de Xisto, debate-se, como tantas outras aldeias do interior, com problemas como a desertificação e o abandono e procura novas fórmulas feitas de esperança para a resolução dos seus problemas.

delação das habitações. O abandono do interior é um facto que as entidades locais, por si só, muito dificilmente conseguem combater. Em declarações ao ESTAjornal, Paulo César, vice-presidente do município de Vila de Rei, explica que “tudo isto é um ciclo vicioso: as pessoas vão embora, abandonam as terras, as terras ficam abandonadas, degradam-se, as casas caem, ficam devolutas e as aldeias abandonadas. E nós temos uma tarefa gigantesca entre mãos.”

para a aldeia. Mas este não é o caso de Francisco. Oriundo da Região de Barcelona, Francisco é caminheiro. Ouviu falar de Água Formosa e da reconstrução da Casa de Pax, pela Associação Fazedores da Mudança, e pôs-se a caminho, para ajudar nas obras. Conta-nos a estória da sua vida e de como procurou ajudar as pessoas das diversas aldeias que conheceu, viveu e trabalhou ao longo dos últimos dez anos, e onde já poucas pessoas vivem. aldeia de uma família de jovens polícias com os seus dois filhos, vem perspetivar uma mudança num trajeto rumo ao abandono. Aposta no turismo Dotada de um aspeto pitoresco singular e com os traços e características originais de aldeia de xisto bem preservados, Água Formosa tem vindo a afirmar-se como um produto turístico. Além da reconstrução das habitações destinadas ao alojamento local, por parte

Movimentos de mudança Desde 2013, a aldeia da Água Formosa tem sido o epicentro das atividades da Associação Fazedores da Mudança, que tem por objetivo impulsionar a transição para um paradigma mais ligado à Terra, mais ligado às pessoas e aos modos de vida simples e mais respeitosos para com a Natureza. Mas também a transição das pessoas da cidade para o campo. A Casa de Pax está ligada a este Projeto e tem por objetivo criar condições para que as pessoas tenham contacto com o silêncio. “Há um novo paradigma a surgir, uma

Aldeias para inglês ver e viver Abandono da aldeia Desde meados do século passado que se assiste ao abandono das aldeias e da agricultura de subsistência em direção ao litoral e ao estrangeiro, por pessoas que, legitimamente, procuram melhores condições de vida. Estes movimentos migratórios das populações em direção a outras regiões, aliados à baixa taxa de natalidade e ao consequente envelhecimento populacional, resultam não só na inversão da pirâmide demográfica como originam um conjunto de problemáticas novas que carecem de resolução: Em 1940, 93 pessoas habitavam em Água Formosa, distribuídos por 23 habitações (segundo dados do INE - Instituto Nacional de Estatística). Neste momento, menos de uma dezena de pessoas vivem na aldeia em permanência. É assim nos dias de hoje, apesar dos esforços evidentes desenvolvidos pelas Autarquias dos municípios do interior do país, quer seja através da atribuição de incentivos à fixação de pessoas e empresas, do apoio ao desenvolvimento de novos projetos empresariais, mas também da atribuição de incentivos para a remo-

Esta é ainda a realidade, apesar de, em 2016, o Governo ter aprovado o Plano Nacional para a Coesão Territorial. O referido Plano, desenvolvido pela Unidade de Missão para a Valorização do Interior e coordenado por Helena Freitas, constitui um Programa Estratégico organizado em 164 medidas, distribuídas em cinco eixos, e subordinado ao objetivo primordial de mudar a imagem do interior, valorizar os recursos endógenos, criar benefícios “Há um novo fiscais para as emparadigma presas, fomentar a reabertura de parte a surgir” dos serviços públicos de proximidade que fecharam portas nos últimos cinco anos e apostar numa nova relação transfronteiriça ( www.portugal.gov.pt/media/22225896/20161020-pnct-1-144.pdf). Mas voltando a Água Formosa, o envelhecimento da população residente é notório. Contudo, a mudança recente para a

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de investidores particulares, a autarquia tem vindo a apostar na criação de um conjunto de produtos turísticos associados às Aldeias de Xisto, essencialmente no âmbito do Turismo de Natureza, como a criação de percursos pedestres e trilhos, a dinamização das diversas praias fluviais existentes, a criação de infraestruturas de apoio e a integração na rede de contactos e parcerias que é a Rede das Aldeias de Xisto. “Água Formosa é um bom exemplo: nós, antes das Aldeias de Xisto, tínhamos uma aldeia envelhecida, em ruínas e hoje temos uma aldeia com muito poucas casas para recuperar, com alguma especulação imobiliária, mas em que novas pessoas têm ido para Água Formosa (…) e a aldeia está a crescer”, enfatizou Paulo César. O som da água corrente das ribeiras, assim como a beleza natural criada pela união do xisto com o verde da floresta – idiossincrasias próprias da aldeia de Água Formosa -, a que se associam outras potencialidades intrínsecas a esta região, têm determinado o fluxo sazonal de turistas, quer nacionais quer estrangeiros

nova forma de organizarmos a sociedade, uma nova forma de nos vermos enquanto seres humanos, e esse paradigma não vem de fora, vem de dentro de nós. É preciso haver mudança dentro de nós”, explicou-nos a responsável da Associação Fazedores da Mudança, Paula Alves. No Verão de 2017, um incêndio florestal voltou a devastar por completo as redondezas da aldeia, consumindo muita da flora e fauna autóctones. Por estranho que nos possa parecer, todas estas dimensões da realidade parecem estar interligadas. Como defende Paulo César, os incêndios “resultam sobretudo de um conjunto de fatores extraordinários como o abandono das terras, como as más políticas de ordenamento (…) Mas principalmente porque não há pessoas a cuidar. E essa fuga de pessoas leva ao abandono das terras, deixam de retirar qualquer rendimento das suas propriedades agrícolas e estas tornam-se fontes de combustível para os incêndios florestais”. Mas em Água Formosa, lentamente, o negro da terra queimada dá lugar ao verde da vida a crescer.g


Desporto WWW.ESTAJORNAL.IPT.PT

Da desqualificação à vitória

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Mais um ano, mais uma edição. Desta vez, a 21ª. Nestas AFN 24 Horas TT Vila de Fronteira, a mítica prova de todo o terreno que leva milhares de pessoas ao coração do Alentejo, foram 84 as equipas inscritas, 17 quilómetros de pista e 24 horas de duração.

Nestas AFN 24 Horas TT Vila de Fronteira foram 84 as equipas inscritas, 17 quilómetros de pista e 24 horas de duração. AC Nissan Promo da Família Andrade venceu a competição.

MARTA VARELA ESTA D COMUNICAÇÃO SOCIAL

Começou dia 28 de novembro e terminou dia 2 de dezembro. A mais recente edição das AFN 24 Horas TT Vila de Fronteira teve lugar no terródromo desta vila alentejana, distrito de Portalegre, no mesmo fim de semana das três Horas TT Buggy. Esta prova do TT acontece no circuito já definido desde o início, em 1998. E, ano após ano, a prova é cada vez mais conhecida. Nela participam pilotos franceses, italianos, alguns espanhóis, ingleses e, claro, portugueses. Na 21º edição participaram 82 carros, cada um com a sua respectiva equipa. Cada equipa é constituída por três ou quatro pilotos, havendo equipas que têm um quinto. A gestão das horas de condução é feita por cada uma das equipas, ou seja, cada equipa organiza-se consoante a estratégia previamente definida. Edição após edição há um nome cada vez mais sonante: Mário Andrade. Este piloto, já veterano na prova, conta que tudo come- “Para ter resultados é çou por brincar com jipes. “Foi uma brin- preciso ter sorte, boa cadeira que surgiu organização, muita naturalmente. Andar consciência.” de jipe, saídas pelos campo e tudo mais. A primeira corrida que fiz foi as 24 Horas Portugal, em 1996, e até hoje, nunca mais parei”. Depois da avaria que ocorreu na edição anterior, nos últimos 30 minutos de prova, avaria que fez com que a equipa não cortasse a meta, sendo assim desqualificada, Mário Andrade não mudou em nada a preparação para a prova. “É sempre a mesma preparação! Para ter resultados também é preciso sorte, boa organização, muita consciência. Também temos que ter - os pilotos - um grande respeito pelo carro e pelo trabalho dos mecânicos.” FOTOGRAFIAS

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ACP MOTORSPORT D

“Andrade Competition”, empresa de Mário Andrade, está presente em todas as edições desde 1998. “O convite para participar na primeira edição surgiu porque já era um grande admirador do José Megre. E, na brincadeira, ele começou-me a dizer que gostava de ter pilotos franceses nesta prova. Como eu participo nas 24Horas Paris comecei a divulgar e a promover a prova. Foi assim que começaram a surgir as formações francesas.” Na box ouvem-se dois dialetos: francês e português. Mário Andrade explica que “a França é o meu segundo país. Vivi lá 42 anos. A minha esposa é francesa e, por isso, tenho o meu coração dividido”. O ambiente é de amizade e família, mas, acima de tudo, “temos que levar as coisas

muito a sério!” O piloto faz uma forte crítica aos seus adversários: “Todos os pilotos que não vêm da resistência, como eu vi aqui esta noite, pensam que isto são corridas de 300 metros e, depois, rebentam os carros todos. Foi o que aconteceu esta noite e é o que vai acontecer sempre. Não vou dizer que são daqueles pilotos que não quero, mas é mais ou menos isso. Tem que haver disciplina!”. O caso descrito aconteceu com a formação de Pedro Dias da Silva, Adam Bomba, Marcin Lukaszewski e Jacek Sobon aos comando de um BMW Proto Propulsion, carro número 60. Quando questionado sobre como é dividir a corrida com o filho, Mário Andrade explica: “A primeira vez que ganhámos foi aqui, em 2004. Já ganhámos seis ou sete corridas juntos. Acho que já tenho muitas histórias para contar aos meus netos. Portanto ele [Alexandre] vai continuar sozinho, eu vou ficar atrás. Por isso, hoje, foi a minha última corrida em TT. É altura de parar! Vou estar sempre presente, evidentemente, tem que haver sempre um chefe de orquestra.” Ao volante do 22, um AC Nissan Proto, estiveram Alexandre Andrade, Cédric Duple, Yann Morize e Alexandre Beau-

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jon. Em 21 edições a dupla de Mário Andrade e o filho, Alexandre, somam, em conjunto e separado, nove vitórias no total. O público Milhares de pessoas deslocaram-se a Fronteira neste fim de semana. Muitas optam por acampar na vila alentejana, uma vez que há zonas de campismo. Há quem vá dois dias antes, ou seja, na quinta-feira, para preparar as coisas todas e montar o acampamento. Uma das zonas mais conhecidas é o “Monte do Cego”, também conhecido como “a curva dos eucaliptos”. Quando se percorre a estrada, que liga Fronteira a Cabeço de Vide, vê-se uma enorme quantidade de carros, carrinhas, caravanas e tudo mais. “Parece uma verdadeira vila”, dizem os fronteirenses. Os restaurantes e a residencial das Termas da Sulfúrea, em Cabeço de Vide, estão cheios durante este fim de semana. Chegam a ser feitas reservas com meses de antecedência. A prova Eram 14 horas do dia 1 de dezembro. A partida estava prestes a ser dada pelo presidente da Câmara Municipal de Fronteira, Rogério Silva. Começava a soar o barulho dos motores. A adrenalina, quer dos condutores quer do público, começava a crescer. A bandeira é movimentada. Estava dada a partida! O barulho dos carros só se irá deixar de ouvir daqui a 24 horas. A pista do terródromo de Fronteira é uma pista de 17 quilómetros. Esta edição foi marcada pelo tempo seco, fazendo assim com que, para alguns automóveis, fosse mais difícil. O carro 22 está sob o olhar de todos. Ao volante, uma das equipas mais acarinhadas, ou talvez mesmo a mais acarinhada de todas. Nas primeiras três horas o pódio pertenceu à formação de Pedro Dias da Silva, Adam Bamba, Marcin Lukaszewski e Jacek Sabon, aos comandos de um BMW Proto Propulsion. Mas, depois, aconteceu algo inédito: o AC Nissan Proto subiu para primeiro lugar e daí nunca mais saiu. Foram 21 horas na liderança! “Foi uma corrida perfeita. Não tivemos problemas mecânicos. Andámos com um ritmo superior aos outros e funcionou. E, no final, estamos aqui em primeiro. Estar mais de 20 horas em primeiro lugar é muito bom porque é mais fácil gerir a prova”, explicou Alexandre Andrade antes da cerimónia do pódio. O AC Nissan Preto cumpriu 119 voltas ao terródromo de Fronteira, completando um total de 1892,1 quilómetros percorridos nestas 24 horas.g


Sociedade 08

JANEIRO 2019

ESTA JORNAL

A versão de “feminino” dos transformistas não precisa necessariamente esconder tudo o que diz respeito ao “masculino”

Eles na pele

FILIPA MORAIS ESTA D COMUNICAÇÃO SOCIAL

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André Miranda (Lilly Prozac) e Marco Gomes (Victoria Kox). Homens na luz do dia, mulheres nas luzes de um palco à noite. Estes são dois testemunhos que nos mostram que ser “transformista” é um trabalho pormenorizado, em que cada detalhe faz a diferença. Trabalham na alta costura durante o dia, durante a noite mostram ao mundo as suas obras. “Todos sofrem de preconceito, seja um preto, um branco, um gay…”, admite André Miranda. E acrescenta: “Ser transformista é ser isto… para isto.” Mas quando a pergunta é direta, “Sofreste ou sofres de preconceito?”, dá uma resposta curta e rápida: “Não!” Para muitos, ser transformista é ser um travesti com fetiches. Mas ser transformista vai muito além da imagem de um homem vestido de mulher. Andreia Moreira, psicóloga num colégio do Porto, conhece de perto as dificuldades sentidas pelos adolescentes na tomada de decisões: “Muitos sentem vergonha, mas crescer é querer ser mais.” O acompanhamento adequado, nestas situações, é aconselhado, tanto para os pais, como para os filhos. Zoom foi o espaço escolhido para fazer esta reportagem. O local está à vista de todos, mas passa despercebido a quem não estiver atento. Descemos uma rampa e a música já se ouve. Três seguranças na porta, com um senhor bem-apresentado e com um sorriso que ocupava o rosto. Dá um cartão com o qual o cliente tem direito a três escolhas de balcão para consumir (o primeiro o mais barato, situado logo na entrada, o segundo na ponta do local e o terceiro, o mais caro, na zona VIP). Existe também um sofá que serve para o momento em que se guardam os casacos ou as malas. Atrás de uma porta gigante surgem luzes com várias cores e o local está cheio de espelhos.

Uma discoteca do Porto é palco de espetáculos de transformismo. Eles transforma-se nelas. Nos bastidores preparam-se com perucas, vestidos, brincos, pulseiras, collants, saltos, maquiagem, pestanas postiças e lentes de contacto das mais variadas cores. Modelam o cintura com o auxílio de durepox, colocam seios de enchimento e escondem a sobrancelha “natural”. Sobem ao palco e são admiradas como em qualquer outro espetáculo.

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“A palavra ‘felicidade’ é a palavra da noite.”

Enquanto todos dançam, as estrelas estão a preparar-se para o show. Vestem-se, finalizam os últimos pormenores da maquilhagem, colam bem as suas perucas, dão gargalhadas e todas se tratam como um grupo de amigos num café. São 1h23 e a discoteca está cheia. Até uma curta viagem à casa de banho se torna uma tarefa épica. Às 3h17 começa a música de Pablo Vittar e Anitta, sua cara, luzes, câmara e ação! Começa assim o que todos mais aguardavam.

FOTOGRAFIA FILIPA MORAIS

As estrelas sobem para o palco e começam a soltar o seu brilho. As pessoas chamam pelo nome delas, tocam-lhes e cantam a letra da música como se estivessem num concerto. A palavra “felicidade” é a palavra da noite. Talvez até seja a palavra de todas as sextas feiras naquele lugar. A forma como as pessoas que frequentam este espaço se movimentam, a forma de como se vestem, a forma de como falam, tudo faz parte de uma noite positiva.

Os artistas são, efetivamente, criaturas transformadas. Vale tudo na magia do transformismo: desde perucas, vestidos, brincos, pulseiras, silicone, saltos, maquiagem, perfumes, collants, adereços flúor, pestanas postiças, lentes de contacto das mais variadas cores (inclusive brancas, vermelhas e roxas), botas, grampos, cola superbonder, coreografias, depilação (ou não), fazer uma cintura com o auxílio de durepox, seios de enchimento, seios harmonizados, esconder a sobrancelha “natural” para redesenhá-la noutro canto... Recursos como estes, e muitos outros, estão associados à montagem de transformistas, travestis, drag queens, sejam as que fazem shows ou as que querem dar close nas ruas, festas e outros eventos. Cada montagem é elaborada de forma diversa, sendo impossível enquadrá-las numa definição fechada. No entanto, é evidente a busca por uma maior ou menor ocultação de características culturalmente considerados masculinas e pelo “feminino idealizado”, através da utilização de artigos, pronomes e nomes femininos. Os drags queens, assim como os transformistas, “montam-se” e “desmontam-se”. Contudo, a sua montagem difere das outras a partir da forma como os signos masculinos e femininos são. Exibem um corpo adornado por um feminino muitas vezes considerado exagerado para os padrões heteronormativos, porém nem sempre fazem questão de esconder traços fenotípicos atribuídos ao homem, como pêlos no peito e nas pernas. Dessa forma, deixam escapar que a sua versão de “feminino” não precisa necessariamente esconder tudo o que diz respeito ao “masculino”. Todavia, no momento em que estão montadas (geralmente em eventos festivos), os seus “nomes de guerra” são femininos, podendo também o ser noutros contextos, mesmo que em menor frequência. Os travestis argumentam que são muito mais corajosos que transformistas ou drags, já que se expõem 24 horas por dia aos preconceitos de uma sociedade. Por outro lado, alguns transformistas também dizem que “a drag está mais para uma brincadeira do que para um trabalho artístico”. Não obstante, também é necessário considerar que, apesar das diferenças (e até rivalidades), transformistas, drag queens e travestis podem unir-se em um “nós” em determinadas situações, entre elas nas reivindicações políticas do movimento LGBT ou mesmo numa identidade de artistas que brilham nos palcos para aqueles que apenas assistem ou gostariam de lá estar. Com o passar do tempo estas pessoas tornam-se mais fortes, mais donas de si e com mais potencial para enfrentar a história que se chama “vida”. “Eles na pele d’elas” são felizes e isso, isso é o que mais importa.g

FICHA TÉCNICA | DIRETORA: Hália Costa Santos DIRETORA ADJUNTA: Raquel Botelho REDATORES: André Ventura, Filipa Morais, Maria Bragança, Marta Varela, Sara Costa, Sónia Pedro, Rui Abreu PROJETO GRÁFICO: José Gregório Luís PAGINAÇÃO: João Pereira | TIRAGEM: 15000 exemplares IMPRESSOR:Unipress Centro Gráfico, Lda PROPRIETÁRIO: Instituto Politécnico de Tomar MORADA: Estrada da Serra, 2300-313 Tomar EDITOR: Licenciatura em Comunicação Social da Escola Superior de Tecnologia de Abrantes SEDE DA REDAÇÃO: Rua 17 de Agosto de 1808, 220-370 Abrantes


REGIÃO / Vila de Rei

Está aí o novo azeite “D`EL REY” Vila de Rei tem um novo azeite, com 90% de azeitona galega, 0,5 % de acidez e, brevemente, disponível ao público com chancela produto “D`EL REY”.

O anúncio oficial surgiu no dia 21 de dezembro, na reunião de Câmara, onde foram aprovados os preços a atribuir às garrafas que vão ficar disponíveis para venda. Numa primeira fase, vai ser possível encontrar o novo produto nos Quintais das Praças do Pinhal, na Loja de Produtos Endógenos de Vila de Rei e na Loja do Intendente, em Lisboa, onde a Associação Pinhal Maior está representada com os produtos da região. Ricardo Aires, presidente da Câmara Municipal, explicou que a iniciativa surgiu devido ao facto dos produtores de azeite, que são utilizadores do Lagar Municipal, terem sempre produto excedente, após cada campanha. Assim, através do azeite excedente que resulta de vários produtores de Vila de Rei, mas não só, o Município consegue ter um azeite próprio. Para além disso, o autarca referiu que o surgimento deste azeite é um incentivo para que “haja uma mudança de paradigma do pinhal no concelho”. Porque “em vez de

termos só pinhal e eucalipto, temos oliveira. Neste caso, oliveiras para a transformação de azeitona em azeite”. “É uma aposta ganha”, afirmou entusiasmado Ricardo Aires, dando conta que hoje foi com grande alegria que o executivo municipal começou a escoar as primeiras garrafas. O autarca recordou que um dos grandes objetivos do Município com a construção do lagar, era estimular os vilarregenses a fazerem a manutenção dos seus olivais, “o que se tem verificado, com a aposta na plantação de oliveiras e de medronheiros”. Por último, o presidente avançou que o próximo passo será cativar os restaurantes e o comércio local a acolher o azeite “D`EL REY” para que o mesmo chegue, mais rapidamente, às mesas dos vilarregenses e dos cidadãos desta região. O custo da garrafa de 250 ml é de 1,75 euros. Já a garrafa de 500 ml tem um custo de 3,10 euros. Joana Margarida Carvalho

Executivo aprova mais de vinte Estímulos ao Investimento

No dia 21 de dezembro, a Câmara Municipal de Vila de Rei, aprovou por unanimidade 23 Estímulos ao Investimento e ainda dois Incentivos à Empregabilidade. Ricardo Aires, presidente da Câmara Municipal, congratulou-se com o surgimento dos dois novos postos de trabalho e com uma dinâmica crescente no comércio local do concelho “que se quer modernizar”. O autarca referiu que os pedidos

de apoio, previstos no Regulamento de Estímulos ao Investimento no Concelho, que pretende estimular o empreendedorismo, criando condições favoráveis e atrativas para a formação de novas empresas e de novos postos de trabalho, significa que “a nossa economia está viva e desperta para o Regulamento”. “O nosso comércio está vivo e recomenda-se”, vincou o presidente, considerando que o Regulamento

Está aí a 15ª edição de “Os Quintais nas Praças do Pinhal” Vila de Rei vai receber, ao longo do dia 13 de janeiro, uma nova edição do mercado “Os Quintais nas Praças do Pinhal”, numa iniciativa organizada pela Pinhal Maior, em colaboração com os municípios de Mação, Oleiros, Proença-a-Nova, Sertã e Vila de Rei. O certame, que comemora a sua 15ª edição no Concelho de Vila de Rei e a 75ª no total, vai ter lugar junto à Igreja Matriz de Vila de Rei entre as 09h00 e as 16h00, permitindo que os pequenos produtores da zona do Pinhal possam

comercializar os seus produtos e excedentes agrícolas. Informa o Município que a animação musical do certame estará a cargo do Grupo de Concertinas da Casa do Benfica de Vila de Rei, que atuará pelas 10h00 e pelo Grupo de Cantares “A Bela Serrana” com uma atuação pelas 14h00. São esperados em Vila de Rei perto de 40 expositores, onde se incluem comerciantes de produtos agrícolas, artesanato e pequenos produtores licenciados de produtos tradicionais.

poderá ainda ter mais adesão no próximo ano. “É um investimento do Município. É dinheiro que sai do orçamento da Câmara Municipal de Vila de Rei, mas serve para darmos um apoio na modernização do nosso comércio e na criação de postos de trabalho”, salientou o autarca, lembrando que o Regulamento contempla a criação de novas plantações no concelho, como de oliveiras e de medronheiros. Janeiro 2019 / JORNAL DE ABRANTES

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REGIÃO / Sardoal

Artelinho

Mulheres de mão cheia Se há alguém arreigado às suas origens, tradições e cultura, somos nós portugueses. Provavelmente esta paixão é mais notória nas pessoas mais antigas, nas pessoas que vivem mais longe da evolução, daqueles em que não foi a falta de cultura vasta que os levou ao esquecimento e ao desperdício do seu intelecto. Pelo contrário, mostram um aproveitamento racional da sua enorme sabedoria, capacidade, união e sentido, sem maldizer ou fazerem um aproveitamento maléfico, deturpado e deteriorado daquilo que os outros fazem. No interior, quase no centro de Portugal, mais propriamente no lugar de Santa Clara da freguesia de Alcaravela e concelho do Sardoal, encontramos uma cooperativa fruto dos bons predicados. A ARTELINHO, Cooperativa Agrícola, C.R.L. foi fundada em 2 de março de 1989, por um grupo de 40 mulheres e inaugurada em 16 de julho de 1992. A união destes elementos, teve como objectivo, no seu essencial, manter a tradição da cultura do linho, quase esquecida na zona, e subsequentes trabalhos e bordados que se podem executar através e com o mesmo. Aliada ao sentido da recuperação deste produto de forma artesanal, estava o desenvolvimento económico, a criação de postos de trabalho que auxiliariam a travar a desertificação, e uma alternativa ao emprego rural existente, o pinhal e a pequena agricultura. Uma das sócias, que desde o inicio até à presente data se tem mantido a trabalhar na cooperativa é Noélia Rafael que na sua forma aberta e risonha, nos foi contando os passos desde a criação até à atualidade da Artelinho. Quando a cooperativa iniciou, o linho era semeado e trabalhado nos terrenos dos cooperadores de uma forma muito própria e ancestral. Até à obtenção da fibra há um longo e árduo caminho a percorrer: a semeadura; a monda; o arrancar; tirar a semente; pô-lo de molho cerca de uma semana, até apresentar as condições para a tecelagem (vistoria que naquela cooperativa era efetuada pela já falecida “tia Maria da Saramaga”); a lavagem em água limpa; em molhado, espalhado para

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secar; batido e depois guardado. Este trabalho, todo ele era feito no verão, pois o linho tem de ser batido para as arestas saírem e ficar a fibra de dentro que vai à roca onde é fiado, passa para o sarilho para fazer a meada, depois para a dobadoura fazer o novelo e posteriormente colocado no tear. Com o aumento do número de sócias, a cooperativa passou também a cultivar e trabalhar o vime. Faziam cestas e outros artefactos desta matéria-prima. Todos os

“De coração aberto lançaramse no fabrico de bolos caseiros, broas, suspiros, tigeladas e bolos de azeite”.

/ Noélia Rafael a trabalhar na ARTELINHO

“A Artelinho ganhou nova alma, e atualmente, não tem “mãos a medir”, apesar de dois fornos que já possui”. produtos que faziam eram vendidos na cooperativa e em mercados. Contudo, com a contaminação que o linho produzia na água corrente, foram obrigadas a abrandar esta actividade, mantendo ainda, uma pequena produção só para manter a tradição. A falta do linho provocou a escassez de fabrico e subsequentemente postos de trabalho, embora ainda continuem a bordar e os teares a trabalhar, “mais por encomenda” explica Noélia. Mesmo assim, não cruzaram as

JORNAL DE ABRANTES / Janeiro 2019

mãos e tentaram colmatar a perda. Como já possuíam um forno onde coziam pão para consumo próprio, resolveram passar a aumentar a produção e a vender pão. O resultado superou expectativas. De coração aberto lançaram-se no fabrico de bolos caseiros, broas, suspiros, tigeladas e bolos de azeite, tudo de acordo com receitas oriundas dos seus antepassados,

feitos de forma artesanal e em fornos a lenha.

Um sucesso. A Artelinho ganhou nova alma e, atualmente, não tem “mãos a medir”, apesar dos dois fornos que já possui. Durante a semana tem duas funcionárias efetivas, Noélia e Lídia e ao sábado são oito.

Para a posterioridade, não descuraram a sua história. Quem quiser ver a arte do linho, da tecelagem, cestaria e belos bordados, basta visitar o museu que criaram para o efeito. E, se porventura, pretender saborear verdadeiras relíquias gastronómicas, o melhor é encomendar, pois por norma, mal desenforna, fica esgotado. Sérgio Figueiredo


REGIÃO / Sardoal

Ministro da Educação dá início ao 2º período no Agrupamento de Escolas

/ “Requalificação de 4 milhões de euros vai mudar a face e a infraestrutura desta escola” - Tiago Brandão Rodrigues

No passado dia 3 de janeiro, em Sardoal, o Ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, efetuou uma visita à sede do Agrupamento de Escolas do concelho. A visita decorreu no âmbito do arranque do 2º período, sendo que o Ministro realizou visitas a várias salas de aulas de todos os ciclos desde o 1º Ciclo até ao Secundário, incluindo também cursos profissionais. Tiago Brandão Rodrigues também se deslocou à zona de obras de requalificação da nova escola, que já tiveram início. Estiveram presentes na visita o presidente da Câmara Municipal

de Sardoal, Miguel Borges, vereadores, a diretora do Agrupamento de Escolas de Sardoal, Ana Paula Sardinha, e Francisco Neves, delegado Regional de Educação de Lisboa e Vale do Tejo . Durante a visita a cada sala de aula, Tiago Brandão Rodrigues manteve conversas muito descontraídas com os alunos que frequentam cada ciclo, fazendo algumas questões referentes ao futuro deles e tendo interagido de uma forma tranquila e divertida com os alunos presentes. Os alunos foram recetivos e participativos ao longo da visita do Ministro da Educação.

Tiago Brandão Rodrigues afirmou mesmo tratar-se de “um bom banho de realidade” e que “é sempre retemperador no início de um novo período letivo”. Depois da visita às salas, o ministro deslocou-se às obras referentes à requalificação do novo Parque Escolar que arrancaram no dia 28 de novembro de 2018. Prioridade na área da educação por parte do Executivo, estas obras têm apoio comunitário a rondar os 85% para o segundo e terceiro ciclo e secundário, sendo que a parcela do primeiro ciclo é da responsabilidade do Município.

grandes excessos e sem grandes exageros” destacando que esteve “mais de nove anos para tentar convencer os decisores políticos da necessidade deste investimento”. O autarca salientou a importância deste tipo de obras referindo que “para que o sucesso exista no ensino e na aprendizagem, é importante que as crianças tenham condições necessárias para uma boa aprendizagem de acordo com as exigências num país europeu do século XXI”. Relativamente à duração das obras, Miguel Borges informou que o limite máximo “é de dois anos”, acrescentando que “é um prazo perfeitamente confortável e é um prazo que não vai prejudicar a própria dinâmica da escola, porque tudo foi pensado também de forma a que as aulas funcionassem com a maior normalidade possível”. Nélio Dias Estagiário do Curso de Comunicação Social da ESTA

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/ Tiago Brandão Rodrigues recebeu um presente do novo amigo

A projeto vai contar com a construção de 22 salas de aula, sala de música, laboratórios, salas de TIC, biblioteca, salas de E.V.T, áreas exteriores cobertas, papelaria, refeitório, recreio coberto e um polidesportivo ao ar livre. Relativamente à requalificação do parque escolar, o Ministro da Educação, referiu que “é um momento de muita felicidade para este Agrupamento de Escolas, porque assistimos a uma requalificação de 4 milhões de euros que vai mudar a face e a infraestrutura desta escola”, acrescentou Tiago Brandão Rodrigues. O governante ainda salientou que esta requalificação “vai permitir [que a escola] possa viver durante umas boas décadas com nova cara e com novas condições” a nível do ensino e aprendizagem. Já o presidente da Câmara Municipal de Sardoal falou de uma requalificação “feita com rigor de uma boa gestão pública, sem

Janeiro 2019 / JORNAL DE ABRANTES

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REGIÃO / Sardoal

Miguel Alves, treinador do GDR “Os Lagartos” destaca que “voltar ao futebol sénior foi a lei natural das coisas” Miguel Alves, presidente da Junta de Freguesia de Sardoal e treinador do atual escalão sénior do clube da região “Os Lagartos” do Sardoal, esteve em conversa com o JA para falar sobre o regresso do escalão mais alto do Clube e que objetivos tem traçados para as próximas épocas.

/ “Um passo de cada vez. Chegámos este ano aqui, contra muitos que pensavam ser impossível.” - Miguel Alves

O que vos levou a voltar ao futebol sénior?

Voltar ao Futebol Sénior foi a lei natural das coisas. Chegámos há duas épocas atrás ao escalão dos Juniores, o mais natural era abrir o escalão dos Seniores para que os jogadores da formação pudessem ter um seguimento no seu clube de sempre. Formámos os jogadores desde os escalões inferiores, era um desperdício deixar estes jogadores sem clube ou escolherem clubes diferentes.

Porque é que ficaram tantos anos sem ter este escalão?

Quando cheguei ao Clube, recordo-me perfeitamente que só existiam duas equipas. Aliás, o meu filho mais velho, com 8 anos, treinava como tantos outros meninos com os infantis quando deveria de estar nos traquinas ou nos benjamins. Os escalões de iniciados na altura não conseguiram fazer equipa e os jogadores que ficaram foram para o futsal. Dessa equipa, são exatamente aqueles que subiram este ano aos Seniores. No ano seguinte a ter começado a acompanhar o Clube com mais regularidade, foi quando me desafiaram a fazer parte da Direção e, logo no ano seguinte, conseguimos ter três equipas em Futebol 7 e uma de Iniciados. Todos os anos abrimos escalões novos até que chegámos aos Juniores. Lá chegados e pelas razões invocadas na questão anterior, resolvemos abrir o escalão de Séniores.

Além do regresso de alguns dos jogadores Seniores, tinham mais objetivos quando voltaram a fazer um escalão sénior?

Como principal objetivo, e foi por eles, pelos jogadores, era não “desperdiçar” quem nos acompa-

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nhava desde tão tenra idade da possibilidade de chegada aos Séniores e não ter equipa. O segundo objetivo, e como base da nossa escolha principal, era fazer regressar os jogadores que jogaram nos Lagartos e muitos deles gostariam de encerrar a sua carreira com as nossas cores, com o Clube do seu coração. O terceiro objetivo é dar projeção de novo ao nosso Clube, pois quer queiramos ou não o plantel com maior visibilidade é sempre o plantel de Séniores, veja-se o número de assistências media por jogo. Queremos crescer em termos estruturais, aumentar o número de sócios, manter as boas práticas já existentes, como é o caso da aposta na formação, e de trazer até nós os treinadores mais bem preparados possível. Este ano, certificados, já somos quatro.

Gostaria que o clube repetisse uma final como aconteceu em 2002 contra o Abrantes Futebol Clube?

Quando falo com pessoas que vivenciaram os tempos áureos dos Lagartos de Sardoal, vê-se nos seus olhos o amor que sentem pelo Clube. O Clube passou por momentos muito críticos, praticamente quem assistia aos jogos dos mais pequenos eram os pais que acompanhavam os filhos e alguns dirigentes. Queria desde já endereçar uma palavra aos “nossos pais” que sem eles não teria sido possível ter chegado até aqui. Os apoios financeiros do Município são muito importantes,

JORNAL DE ABRANTES / Janeiro 2019

aliás são vitais, mas sem o apoio dos pais seria impossível. Queria também lançar um repto aos nossos simpatizantes para se fazerem sócios, uma quota anual baixa mas que nos ajuda.

O que falta ao escalão de seniores para conseguir resultados para um dia chegar à 1ª Divisão distrital?

Um passo de cada vez. Chegámos este ano aqui, contra muitos que pensavam ser impossível. Para se ter uma ideia, eu próprio contactei mais de 60 jogadores, só não liderei a conversa com três em mais de 60 e, para se conseguir ter pouco mais de 20 jogadores, fomos pouco ajudados por quem tinha alguma responsabilidade também nessa captação, mas adiante... nesse aspeto o caminho foi feito por mim e por um jogador que quero desde já referir e enaltecer, que foi o nosso capitão Pedro Martins “Kikas”. Sem a ajuda dele teria sido muito difícil termos conseguido o número necessário para arrancarmos a época, muitas vezes foi ele que desbravou o caminho para eu dar a “palavra final” (risos). Quero destacar também mais dois elementos fundamentais pelo seu percurso como jogadores e enquanto pessoas, o Marco Maria “Marquitos” e o Luís Contente “Zidane”, pessoas fundamentais na estrutura e que dão muitos ensinamentos aos mais jovens do que é ser uma verdadeira equipa. Três líderes natos que ajudam muito

uma estrutura que os aceita como são e que lhes pede a opinião pela sua experiência vastíssima. Quem pensa apenas e só por si, normalmente nada consegue. Agora os que acreditaram em nós e que hoje se mantêm, verificam uma tremenda evolução, e acreditem que esta equipa vai crescer ainda muito mais. Nos últimos dois jogos já conseguimos pontuar, com o antepenúltimo classificado (Caxarias) mas que na semana seguinte empatou em casa do segundo classificado (Pego) e com o U.Tomar B que chegou ao Sardoal em 3º classificado e, fruto do nosso empate, que nos soube a pouco, deixou-se ultrapassar pelo Riachense (mais um 3º classificado como nosso próximo adversário). Em meia dúzia de anos, com uma equipa estabilizada e uma estrutura dirigente forte, não tenho dúvidas que os Lagartos estarão na 1ª Distrital e a repetir feitos, quem sabe na Taça do Ribatejo como aconteceu na Época 1985/1986. Com o cimentar da equipa na segunda divisão e estabilizando o número de assistências, crescendo em associados e apoios públicos e privados é possível lá chegar.

Quando tirou o curso de Treinador - Nível1, tinha em mente treinar o clube da freguesia que dirige?

- Quando tirei o curso de treinador já estava a treinar os escalões de formação do Clube. Em todos os escalões consegui colocar as

minhas equipas no lugar cimeiro e competindo na fase para apuramento de campeão distrital. No meio do meu percurso como treinador, senti que poderia evoluir e fazer evoluir ainda mais as minhas equipas com o curso certificado pela UEFA ministrado pela A.F.S, com Treinadores/ Professores como o Jorge Castelo, Nuno Presume ou o Nuno Pedro na parte do dirigismo desportivo e, com isso, como falei, faria crescer ainda mais as equipas que treinaria. Custou-me imenso dinheiro o curso Nível 1, na data 660 euros mais o tempo despendido, pois fazer 190 kms em dia de aulas, duas a três vezes por semana das 19:30 às 23:30, com uma atividade profissional intensa, ainda dar treinos, jogos aos fins de semana e ainda as aulas práticas ao sábado, foi um esforço muito grande. Sem a ajuda dos meus familiares não seria possível, mas não me arrependo. No ano que tirei o curso não tinha em mente sequer candidatar-me aos destinos da freguesia, muito menos ser presidente da Junta que hoje com muito orgulho dirijo. (risos)

Além de si, de que forma é que as pessoas responsáveis por este projeto ajudaram no regresso do escalão sénior?

Pode-se dizer que o principal impulsionador fui eu. Aliás, numa das crónicas assinadas pelo meu amigo Nuno Pedro, ele diz isso e tem razão. Os meus colegas sabem-no, eu sempre acreditei que mais depressa do que as pessoas pensavam lá chegaríamos, até mesmo com algumas reticências por parte de alguns elementos da Direção, mas as pessoas perceberam que era a lei natural das coisas e que não iríamos abrir mão da génese da constituição destes órgãos sociais que, com alguns ajustes, já estamos juntos há seis anos, foi sempre a aposta na formação. Hoje ainda não se falou nisso mas apostamos fortemente na formação e também no futebol feminino. Disse-o e escrevi que iríamos ter jogadoras formadas nos Lagartos na seleção distrital muito em breve e, quem sabe, até mais acima. Na pré-convocatória para as Inter-Seleções Regionais o clube que tinha mais jogadoras era os Lagartos, com cinco meninas. Não estava enganado. Nélio Dias Estagiário do Curso de Comunicação Social da ESTA


REGIÃO / Constância

Concelho presta homenagem a jovens que arriscaram e venceram “Acontece todos os anos em 7 de dezembro, uma data simbólica para o concelho por ter sido nesse dia, em 1836, que a rainha D. Maria II, satisfazendo um pedido apresentado pela nossa população da época, mudou o nome da vila de Punhete, que tinha há séculos, para Notável Vila da Constância. O povo não gostava do velho nome e a rainha apreciou e reconheceu a constância com que a gente da terra tomou voz e se bateu pela causa liberal. E Constância ficou, lindo nome lhe foi posto, a condizer com a sua imensa beleza”. É com esta descrição que o Município de Constância organiza anualmente, desde 2011, a Gala «Gostar de Constância» cujo objetivo principal, “para além de assinalar a efeméride, é proporcionar, num ambiente festivo, uma jornada de promoção dos nossos valores, sobretudo em termos humanos e institucionais, contribuindo assim para elevar a autoestima coletiva, para gostarmos mais de nós, do que somos, do que fazemos. Para gostarmos (ainda mais) de Constância”. Assim sendo, a 7 de dezembro, o Auditório do Cineteatro Municipal foi o palco para mais uma celebração do concelho. “Nós, ao longo do ano, temos dois momentos essenciais de reflexão coletiva”, disse Sérgio Oliveira, presidente da Câmara Municipal. O primeiro são as festas do concelho “onde pensamos o concelho de forma aberta, não só com a nossa prata da casa mas também com os nossos atores, com os nossos vizinhos, com os nossos amigos que durante esses três dias nos visitam”. “O outro momento”, revela o presidente, “é no «Gostar de Constância». É um dia mais íntimo, é uma cerimónia muito virada para aquilo que é o nosso concelho e o que são as instituições e as pessoas que, diariamente, fazem o nosso concelho e a nossa terra”. O presidente afirmou ainda “que

/ Carlos Silvério à conversa com António Matias Coelho

/ Márcio Medroa arrancou gargalhadas à plateia. O bom humor do homenageado foi uma constante

/ Miguel Coelho foi ordenado padre em 2018 e diz que “nunca é tarde” para agarrar os sonhos

“Gostar de Constância voltou a homenagear os seus, numa Gala que contou ainda com momentos de grande animação musical”.

o nosso maior ativo e o nosso património são as nossas populações (…) pessoas com tenacidade que abraçam as atividades em que se envolvem, pessoas que não desistem, que vão à luta e fazem aquilo que a nossa terra é”. Quanto aos homenageados da noite, foi o presidente quem primeiro os apresentou. E começou pelo representante da freguesia de Constância, Márcio Medroa, que “deu provas de um crescimento e de uma alavancagem no concelho que, com a idade dele, merece ser homenageado e reconhecido”. Márcio Medroa, 37 anos, é empresário na área da restauração e investiu também no alojamento local. Com o jovem empresário, o bom humor foi uma constante durante toda a noite. Considerou a homenagem como “uma agradável surpresa”. Começou com umas tasquinhas na vila, “fiquei com o bichinho e acabei por entrar depois na sociedade dos Pezinhos no Rio”. Mais recentemente, investiu num outro restaurante, o Trinca-Fortes, também em Constância, e abriu “duas casinhas” no Centro Histórico da vila para Alojamento Local. Diz que “não dá para viver deste investimento mas tem tido boa afluência”. “Dá para pagar o empréstimo que fiz e complemen-

tar o serviço. Não está mal”, afirma com um sorriso. Acrescenta que nunca pensou “ter tantas coisas sob a sua responsabilidade” e que o que queria mesmo era “ter qualidade de vida: férias no verão e mais tempo para estar em casa com a família”. No entanto, reconhece que não será nos próximos tempos. Carlos Silvério, outro jovem empresário do concelho, foi o homenageado da freguesia de Santa Margarida da Coutada. “Um lutador incessante que, passo a passo, tem conseguido atingir os seus objetivos”, como referiu o presidente da Câmara. Carlos Silvério falou da homenagem “que recebeu com muito orgulho e satisfação” e disse que “vem de encontro ao trabalho que tenho desenvolvido enquanto sócio gerente da Ponto Aventura”, empresa que representa e que já tem 5 anos de atividade na área do desporto aventura. Por fim, Miguel Coelho, da freguesia de Montalvo, ou melhor o senhor padre Miguel. Foi ordenado sacerdote este ano “e decidimos homenageá-lo porque também fez o seu percurso”, referiu Sérgio Oliveira. Miguel Coelho também falou com o Jornal de Abrantes, descreveu-nos um pouco do seu percurso e disse que o principal objetivo da presença na Gala era “poder dar o meu testemunho. Não para que alguém possa vir para padre mas para que as pessoas percebam que é possível dar a volta por cima. Agarrem os seus sonhos, os seus desejos e que queiram concretizá-los. Nunca é tarde. Eu foi ao 30 anos e foi na hora certa”, reconheceu. Gostar de Constância voltou a homenagear os seus, numa Gala que contou ainda com momentos de animação musical, interpretados por Tina Jofre e também por Sérgio Amarelo. Patrícia Seixas PUBLICIDADE

Janeiro 2019 / JORNAL DE ABRANTES

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REGIÃO / Mação Município sem pressa de aceitar novas competências

Loja do Cidadão tem um ano e já garantiu 18.500 atendimentos A Loja do Cidadão de Mação, instalada no edifício do Palácio da Justiça, foi inaugurada há um ano. Para relembrar a data, o Secretário de Estado Adjunto e da Modernização Administrativa, Luís Goes Pinheiro, visitou o serviço no dia 28 de dezembro e fez um balanço da atividade. “Em dia de 1º aniversário não queria deixar de cá vir e ver a Loja com os meus olhos porque podemos olhar para as folhas de cálculo e para as estatísticas mas isso não substitui o contacto com as pessoas”, afirmou o Secretário de Estado. Quanto à impressão que leva da Loja de Mação, Luís Goes Pinheiro disse já ter recebido “ecos positivos no sentido da boa localização” do serviço e que era uma estrutura com dimensão para os serviços que prestava”. No seu primeiro ano de funcionamento, a Loja do Cidadão já garantiu mais de 18.500 atendimentos nos diversos serviços assegurados pelas entidades presentes e o governante disse “sair daqui com a certeza de que esta foi uma boa aposta e de que vale a pena seguir esta política de instalar Lojas do Cidadão porque é uma forma de prestação de serviços públicos que encontra boa recetividade junto

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das populações e saio com a confiança reforçada”. Um confiança que se estende a nível nacional pois, como avançou Luís Goes Pinheiro, “tem sido marcada pela sequência de abertura de novas Lojas”. Segundo o Secretário de Estado Adjunto e da Modernização Administrativa, “neste momento são 54 as Lojas de Cidadão em funcionamento e dessas, 17 foram instaladas nos últimos três anos” e o alargamento desta rede de atendimento assume-se como um “objetivo constante e inesgotável”. O país conta já com 537 Espaços do Cidadão, “que não têm obrigatoriamente que estar numa Loja do Cidadão”. Relativamente ao número de atendimentos atingido em Mação, o governante disse estar “dentro das expetativas” pois “tem tido uma boa procura. Estamos a falar de mais de 1600 atendimentos por mês e, para primeiro ano de existência, estava dentro daquilo que era esperado”. De acordo com Luís Goes Pinheiro, o “investimento tem sido feito de forma contínua, pretendendo-se garantir a manutenção da proximidade e da qualidade na prestação de serviços públicos e contando sempre com a cooperação dos municípios interessados”. Ainda nas palavras do Secretário de Estado,

JORNAL DE ABRANTES / Janeiro 2019

“as Lojas de Cidadão são braços da Administração Pública que chegam às pessoas, tendo sabido adaptar-se às novas exigências e, ao mesmo tempo, cumprir aqueles que foram os objetivos estabelecidos desde o primeiro dia e os requisitos de qualidade e eficiência. Não tenho dúvidas: o paradigma na prestação de serviços públicos mudou e estes deixaram de estar, essencialmente, centrados em quem os presta para passarem a estar orientados para quem deles beneficia. Assim é no presente e acredito que o futuro continuará a passar por aqui”. Os serviços existentes na Loja do Cidadão de Mação estavam espalhados pela vila, alguns a funcionar no edifício da Camara Municipal. Vasco Estrela, presidente da Câmara Municipal, afirmou que a passagem dos serviços para o novo espaço “foi tranquila” e que “a aposta foi ganha”. No entanto, para o autarca, o que importa realçar “é que os serviços públicos de proximidade estão no concelho”. Vasco Estrela anunciou ainda que “está prevista a abertura de um Espaço do Cidadão em Cardigos, de acordo com o que foi aprovado pelo Governo e, nesse sentido, a Câmara também está a desenvolver esforços para que o centro de Cardigos, dentro de um ano”, seja uma realidade. Para isso, a Câmara de Mação já adquiriu um edifício no centro da vila de Cardigos, “temos neste momento o projeto pronto e estamos a reunir condições financeiras para iniciarmos a obra e instalarmos condignamente” este serviço “que queremos proporcionar à população do norte do concelho”. Patrícia Seixas

Emergência Municipal (PEM) de Mação está, pela segunda vez, em período de discussão pública. Os órgãos competentes do Município já tinha aprovado o PEM há cerca de três meses mas a Autoridade Nacional de Proteção Civil fez algumas recomendações que foram agora incorporadas. Vasco Estrela, presidente da Câmara Municipal, falou das alterações efetuadas ao documento que disse “não terem sido nada de substancial”. Prenderam-se com a alteração de “denominação de alguns serviços e a retirada de serviços que estavam incluídos no nosso Plano e que, no entender da Proteção Civil, não deverão estar em termos de serviço de ajuda imediata porque não dependem do impulso do presidente da Câmara para os chamar. Acolhemos essas sugestões e, neste momento, o Plano está em discussão pública”. PUBLICIDADE

/ Secretário de Estado Adjunto e da Modernização Administrativa, Luís Goes Pinheiro, visitou a Loja do Cidadão de Mação aquando do 1º aniversário de funcionamento do serviço.

Relativamente aos prazos da entrada de pronúncia dos Municípios no que diz respeito à aceitação, ou não, da descentralização de competências em diversas áreas, a Câmara de Mação irá deliberar durante o mês de janeiro. No entanto, se não houver alterações, “a ideia é a Câmara não assumir nenhuma competência até ser obrigada para o efeito”, confirmou o presidente da Câmara Municipal, Vasco Estrela. “Não há aqui nenhuma pressa por parte do Executivo Municipal em ter novas competências. Se e quando formos obrigados, decidiremos”, explicou. Vasco Estrela acrescentou que, “nesse sentido, é importante, fundamental e obrigatório tomar decisões durante o mês de janeiro”. Ainda na reunião do Executivo da Câmara Municipal, realizada esta quarta-feira, 26 de dezembro, ficou a saber-se que o Plano de


SOCIEDADE / / MOURISCAS

Uma Oliveira com história

Com mais de três milénios de vida, a Oliveira do Mouchão, situada no lugar de Cascalhos, em Mouriscas, continua a ser uma árvore portentosa e a produzir azeitona. Chegou a ser oferecida para uma “carrada de lenha” mas, imagine-se, de descartável transformou-se num monumento da freguesia. Comecemos pelo que se supõe ter sido o início desta árvore. Trata-se de um zambujeiro (uma oliveira bravia) e que se supõe possa ser uma espécie autóctone desta região. Há 3350 anos, no Egipto florescia a civilização dos faraós, viveria a famosa Nefertiti. Por cá, segundo o historiador Joaquim Candeias Silva, “os povos ou tribos dessa altura, talvez fossem já indo-europeus, que, a dada altura (Bronze Final-II), começaram a receber contactos com povos do Mar (Fenícios...)”, terá conhecido os gregos e cartagineses, romanos, suevos, visigodos, muçulmanos e depois, então, os cristãos da conquista afonsina.

A árvore mais antiga de Portugal José Luis Lousada, o investigador da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD)

que criou o processo de datação das árvores milenares, revelou ao Jornal de Abrantes que chegou até à oliveira do Mouchão através de André Soares dos Reis, das “Oliveiras Milenares” e que ainda se lembra da primeira imagem quando a viu: “ Que era uma imagem majestosa…”. O investigador que desenvolveu o método de datação de oliveiras entre 2007/2008, com patente registada em 2011, revelou a forma como são avaliados os exemplares. “Mesmo que a árvore já não conserve a totalidade dos anéis de crescimento, como os mais recentes estão localizados no exterior do tronco e os que vão sendo destruídos são os que estão no interior, a árvore ao crescer vai sempre aumentando de raio, diâmetro ou perímetro, o que permitirá, então, através duma função matemática elaborada para o efeito calcular a sua idade”. E no caso concreto da Oliveira do Mouchão, em 2016, estimou-se a idade de 3350 anos, com 2% de margem de erro. Por seu turno o Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) questionado pelo “JA” revelou, por escrito, que o processo de classificação da Oliveira do Mouchão começou em “31 de agosto de 2005, com um

/ ERA UMA VEZ… Se no Egipto florescia a civilização dos faraós por cá, segundo o historiador Joaquim Candeias Silva “os povos ou tribos dessa altura, talvez fossem já indo-europeus, que, a dada altura (Bronze Final-II), começaram a receber contactos com povos do Mar (Fenícios...)”. Este zambujeiro viveu ao longo de décadas, centenas de anos e milénios e se pudesse falar teria muitas histórias para contar. E poderia mesmo contar um pouco da história desde território, muito antes do reino de Portugal. Joaquim Candeias Silva fez ao Jornal de Abrantes uma resenha histórica da vida antes do reino de Portugal: “Com a entrada no séc.VI, vieram povos celtas, portadores da metalurgia do ferro (Idade do Ferro-I), subdivididos em várias tribos. Mesclados com eles, vamos então encontrar neste território os Lusitanos, que no século III-II a.C sofrem a concorrência de Gregos e Cartagineses (estes descendentes do povo fenício); mas serão os Romanos que acabarão por submeter os que cá viviam, entre o séc.I a.C e o I d.C. Os lusitano-romanos viveram pacificamente até +- ao séc.IV, mas a partir do início do V a crise do Império é já profunda e chegam os chamados povos Bárbaros (Alanos, Vândalos...), sendo os Suevos, e depois os Visigodos, aqueles que acabaram por se impor. Com a chegada dos Muçulmanos ou Mouros, em 711, quase toda a Península passa a ser dominada por estes, durando a ocupação até à conquista afonsina (c.1150)”.

pedido da Câmara Municipal de Abrantes dirigido à Ex-Direção-Geral dos Recursos Florestais”. O instituto explicou ainda que depois de saber da existência desta árvore realizou uma vistoria técnica com “medições, recolha dos valores dendométricos, registo fotográfico e pesquisa histórica”. A Oliveira do Mouchão consta neste registo nacional com o aviso datado de 02-01-2007.

A oliveira é cada vez mais procurada pelos de fora Também no lugar de Cascalhos, a cerca de 100 metros da Oliveira, o café Dalila é o ponto de paragem de quem procura encontrar a árvore que ainda não tem qualquer sinalização. Dalila Matos revelou que há muitas pessoas que procuram a Oliveira embora “não se percam muito para beber um café. Muitas vezes, sabe, nem abrem a porta do carro. Perguntam onde fica e depois lá vão”. A comerciante, de 78 anos, confirmou que há mais gente de fora à procura da oliveira “porque para nós não nos diz muito. Sempre ali tivemos a oliveira. Sabe, até já foi uma espécie de casa de banho pública e, tinha eu oito anos, no verão, o Manuel Baptista deixava ali os bois a comer, à sombra”. Entre al-

guns risos, Dalila ainda se recorda do dia em que um inglês passou “na estrada à porta do café” à procura da oliveira antiga. “Eu é que sei a história toda. Ainda tenho um cartão dele ali para dentro. Ele não queria levar esta oliveira como disseram por aí. Queria levar uma para Inglaterra, mas não era esta”. Já sobre as obras em volta da árvore, Dalila Matos acrescentou o momento em que o engenheiro André Luís, da empresa Ourogal de S. Miguel do Rio Torto, “andou a ver de oliveiras”. Aliás, é a Ourogal quem detém direitos sobre a Oliveira do Mouchão num contrato de comodato do espaço com a proprietária da mesma. Dalila explicou ao JA que aquela seria uma oliveira ralia, ou seja, teria sido doada à Igreja como promessa, que era prática na primeira metade do Século XX. Depois terá sido comprada pelos pais da actual proprietária. Ou seja, a oliveira está situada num terreno, mas é propriedade de outra pessoa que não o dono do terreno. Já João Gouveia, das “Colinas do Tejo”, de Mouriscas, revela que ainda não tem marcação de estadias por causa da Oliveira, mas defende que “deveria haver outro tipo de divulgação e valorização dum espécime que em si mesmo é um convite a uma viagem no tempo”. Em 2016 foi criada em Mouriscas o movimento “Rota das Oliveiras Milenares de Mouriscas”, agora integra a ACROM, Associação Cultural das Rotas de Mouriscas e que inventariou um conjunto de outras oliveiras igualmente antigas, mas sem estudos técnicos como a que datou a dos Cascalhos.

Um futuro com mais visibilidade e estudos O futuro pode vir a ser ainda mais risonho para a Oliveira do Mouchão. É uma peça ancora no “projecto de salvaguarda da arte em esparto”, que vai ser financiado em 2019 pela EDP e terá na autarquia e no Grupo Etnográfico “Os Esparteiros” os principais actores. Por outro lado Pedro Matos, presidente da Junta de Freguesia de Mouriscas espera que possa ser implementada toda a sinalética para indicar os caminhos e as direcções da Oliveira. Já Luis Filipe Dias, vereador da Câmara de Abrantes, adiantou ao “JA” que para além do projecto da arte do esparto, a Escola Profissional de Desenvolvimento Rural, a Sifameca e a Oliveira do Mouchão farão parte de um vasto programa de visitas de estudo e que a Ourogal, em processo de internacionalização, virá a dar ainda mais visibilidade à Oliveira do Mouchão, a mais antiga do país, com 3350 anos. Jerónimo Belo Jorge

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SAÚDE / OPINIÃO NACIONAL / Paulina Oliveira TÉCNICA SUPERIOR DE DIAGNÓSTICO E TERAPÊUTICA (ÁREA DE SAÚDE AMBIENTAL) UNIDADE DE SAÚDE PÚBLICA DO ACES MÉDIO TEJO

Vamos dar uma prenda ao nosso planeta

E

stamos em plena época natalícia, onde a magia e a euforia impera e o marketing apela ao consumismo como forma de demonstrarmos afetos. O natal é vivido a nível global e é também a este nível que o impacte ambiental se manifesta. É sabido e percetível que durante as festas de natal e ano novo, o montante de resíduos produzidos aumenta consideravelmente. Muitos destes resíduos não são encaminhados devidamente, indo parar ao ambiente com consequências gravosas para a fauna, flora e para nós seres humanos. Basta lembrarmo-nos do grande problema que é atualmente a disseminação de toneladas de plásticos no meio aquático, por exemplo. Está assim nas nossas mãos adotarmos comportamentos ambientais, ficando aqui algumas dicas: - Faça uma revisão dos objetos que tem guardados em casa, como por exemplo, brinquedos, livros, roupas, DVD´s, CD´s, entre outros. Caso não necessite deles e os mesmos estejam

em bom estado, poderá aproveitar esta época mais solidária e doá-los a instituições ou pessoas carenciadas. Com certeza que serão um belo presente e arranja mais espaço em sua casa; - Se comprar prendas, evite os excessos e o despesismo. Não ceda à ilusão de querer comprar tudo, adquirindo por vezes coisas que não têm grande utilidade ou interesse. Ao invés de oferecer objetos, pode oferecer experiências. Uma escapadinha num hotel, um jantar especial, uma aventura radical, quiçá. Por vezes, a

“Está assim nas nossas mãos adotarmos comportamentos ambientais”.

José Alves Jana FILÓSOFO

pessoa a quem queremos prendar só experimentará se lhe for oferecido; - Evite os excessos de embalagem. Opte por guardar as suas compras em sacos de papel e use sacos reutilizáveis, reduzindo a aquisição de sacos de plástico. Recuse a oferta de um saco para cada objeto, maximizando a utilização de um só saco; - Na decoração natalícia opte por utilizar lâmpadas LED e assim economizar eletricidade; - Se necessitar de comprar pilhas para brinquedos, adquira as pilhas recarregáveis. Podem ser mais caras na compra, mas a sua reutilização compensa a carteira e o ambiente; - Após as festas, reutilize embalagens e recicle os resíduos. Encaminhe o papel e cartão, o plástico, o metal, o vidro e as pilhas para o ecoponto. Guarde os laços, fitas e papel para embrulhar futuros presentes; Com estas dicas, as festas vão ser vividas com mais consciência ecológica e vão com certeza ser um belo presente para o nosso Planeta Terra! Boas festas ambientais!

CHMT inicia Hospitalização Domiciliária O Centro Hospitalar do Médio Tejo (CHMT) iniciou no passado dia 19 de dezembro o programa de Hospitalização Domiciliária, com um doente da cidade de Abrantes e com uma doente de Belver. Estes doentes passarão a receber em suas casas a prestação de cuidados de que necessitam, afirma o CHMT em comunicado. A Hospitalização Domiciliária, assegurada por uma equipa multidisciplinar de profissionais de saúde, liderada por médicos de Medicina Interna, apresenta-se como uma alternativa ao internamento hospitalar convencional, proporcionando assistência contínua e coordenada aos cidadãos que cumpram um conjunto de critérios clínicos, sociais e geográficos que permitem a sua hospitalização no domicílio, pode ler-se no mesmo comunicado. O programa representa “uma nova fase de prestação de cuidados de saúde cada vez mais hu-

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manizados, no sentido em que os doentes poderão ser assistidos nos seus domicílios, procurando e assim que o episódio de internamento domiciliário, que se efetiva dentro da casa do próprio doente, implique o menos possível com a sua dinâmica familiar e com o seu conforto”, afirmou Carlos Andrade

JORNAL DE ABRANTES / Janeiro 2019

Costa, presidente do Conselho de Administração do CHMT. Por último, refere o CHMT que a Hospitalização Domiciliária responde a critérios clínicos muito específicos que visam salvaguardar quer a segurança clínica do doente, quer a segurança assistencial dos profissionais de saúde.

Bandidos!

O

s “coletes amarelos” incendiaram a França e sente-se em boa parte da Europa, o receio de que o fenómeno alastre, tanto mais que já extravasou as fronteiras francesas. Macron cedeu. Deu 100 euros de aumento no salário mínimo, entre outras “conquistas” feitas por aquele movimento. Afinal, era possível esse aumento. Por que razão foi preciso conquistá-lo daquele modo? Também em Portugal há o temor e o desejo de que o movimento dos “coletes amarelos” tenha um papel semelhante ao que teve em França. Não é provável, mas não é impossível. Os portugueses não têm uma história desse tipo de movimentos que se possa sequer assemelhar aos franceses. Mas os portugueses vivem um descontentamento semelhante ao dos franceses. Pagamos a eletricidade “mais cara da Europa” e um gasolina “entre as 10 mais caras do mundo”, ao mesmo tempo que os lucros das empresas do setor se medem aos milhões. Nas empresas de telecomunicações, assistimos a um marketing agressivo e a um serviço que captura os clientes. E lidam connosco como se fossem donos do nosso contrato. As Finanças não nos largam. Cobram-nos com juros um dia de atraso e levam uma eternidade a devolvermos o que nos cobraram a mais… ao passo que “os ricos” pagam o que querem e são-lhes perdoados largos milhões que devem. E ninguém faz nada? Os balcões das grandes empresas deixaram de ser das grandes empresas, são de sabe-se lá quem, e nem sequer têm bancos para as pessoas se sentarem os tempos desmedidos que ali tem de se esperar. Os bancos cobram-nos comissões obscenas enquanto fazem o que querem com o nosso dinheiro. “Investi um dinheirito num banco e hoje tenho lá menos do que investi. Mas fui ver a evolução daquele tipo de ações no mercado mundial e valorizou desde então 17%. Quem ficou com o meu dinheiro?” “Uma pessoa mete um projeto à Câmara e é só entraves sem sentido. Às vezes os papéis andam por lá perdidos… Parece que fazem de propósito

para as coisas não andarem.” “Precisei de ir a Lisboa, mas não havia comboios. Estavam em greve, como de costume.” “Tinha uma operação marcada há meses, mas foi adiada por causa da greve. Quando é que agora vou conseguir nova marcação? E é se não houver greve outra vez.” Há empresas que, dentro da legalidade, pagam o ordenado mínimo. Mas a trabalhadores que desempenham com zelo responsabilidades máximas. E por detrás dos balcões, públicos e privados, encontramos pessoas que não têm poder de decisão, que apenas são terminais de políticas alheias. E quando encontramos pessoas com poder, mostram claramente que fazem o que querem e não têm de dar satisfações a ninguém. Temos alguma dúvida de que anda por aí um grito mudo - Bandidos! que de algum modo produz efeitos? Pode não ser como “coletes amarelos”, mas está a ter efeitos subterrâneos e disponível para fazer-se ouvir por quem os quiser e souber mobilizar. A sorte ou azar é que ninguém parece acreditar já em ninguém.

“Há empresas que, dentro da legalidade, pagam o ordenado mínimo. Mas a trabalhadores que desempenham com zelo responsabilidades máximas”.


CULTURA / AGENDA /

Abrantes

Constância

Até 22 de janeiro - MIAA – Antevisão X “A representação da figura humana ao longo da história” – Museu D. Lopo de Almeida, Castelo/Fortaleza

Até 17 de maio – Exposição “Caima – 130 anos” – Casa-Memória de Camões

Até 31 de janeiro - Exposição “A descoberta de uma nova espécie para a ciência” – Parque Tejo

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A Igreja Paroquial de S. João do Peso em Vila de Rei vai receber, no dia 20 de janeiro, um concerto de percussão pelo “Touchez Percussion Group”. O grupo é composto pelo Vilarregense João Brito, acompanhado por João Calado e Paulo Amendoeira, e apresenta um espetáculo

que “surge como uma junção das artes performativas e da percussão. Ao longo do espetáculo são tocadas peças clássicas, com uma junção da repercussão tradicional e música eletrónica.” O concerto, de entrada livre, terá início pelas 12:00, logo após o término da missa.

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“Quarto Minguante” pelo Teatro Nacional D. Maria II em Sardoal O dia 26 de janeiro marca o regresso do Teatro Nacional D. Maria II ao Centro Cultural Gil Vicente, no Sardoal. “Quarto Minguante”, com texto original de Joana Bértholo, é a peça de teatro apresentada, com sessão às 21:30. Em “Quarto Minguante”, sete personagens, apesar de passarem por situações muito diferentes, estão unidas pelo mesmo impasse: não estão bem, e nem por isso fazem algo por mudar. Temem que o novo seja ainda pior. Uma avó com cancro terminal e dois netos, um casal em ruptura, um homem que está preso, a ler obras de cárcere de autores como Sade ou Voltaire, e um psicólogo que fala consigo próprio através de um alter ego e é uma espécie de “consciência do mundo” são as personagens da peça apresentada em quatro atos, a que corresponde cada ciclo lunar. Com encenação de Álvaro Correia, “Quarto Minguante” conta com as interpretações de Cristina Carvalhal, Gustavo Salvador Rebelo, José Neves, Manuel Coelho, Paula Mora, Rita Rocha e Sílvio Vieira. A apresentação desta peça de teatro insere-se na terceira temporada da Rede Eunice em Sardoal, com espetáculos produzidos e coproduzidos pelo Teatro Nacional D. Maria II. Os bilhetes para a peça “Quarto Minguante” custam quatro euros, podendo ser adquiridos na bilheteira do Centro Cultural Gil Vicente.

Fadista Ana Lúcia apresenta disco de estreia “Fado Traçado” A fadista Ana Lúcia sobe ao palco do auditório da Escola Dr. Manuel Fernandes em Abrantes para apresentar o seu primeiro disco “Fado Traçado”. O espetáculo acontece no dia 26 de janeiro, com início às 21:30. O álbum, composto por 10 temas, assenta não só no Fado Tradicional, mas sobretudo em fados que dizem bastante sobre a maneira de ser e de estar na vida de Ana Lúcia, em especial dois poemas originais, escritos pela fadista. Ana Lúcia é uma jovem Abrantina que sempre esteve ligada à cultura, dado que nasceu e cresceu no seio do Rancho Folclórico e Etnográfico de Casais de Revelhos.

Até 16 de fevereiro - Exposição “Do meu lugar, o que vejo”, de Inês Norton – Quartel da Arte Contemporânea de Abrantes 7 a 31 de janeiro – Exposição “Mala da Prevenção: Se é droga não presta. Se for sobre droga, desconfie” – Biblioteca Municipal António Botto, inauguração às 18:00 12 e 26 de janeiro – A Biblioteca ao sábado: “Vamos ouvir poesia”, destinado a crianças dos 3 aos 10 anos - Biblioteca Municipal António Botto, 10:30 e 11:00

18 de janeiro – Final Municipal do Concurso Nacional de Leitura – Cineteatro Municipal, 18:00 21 de janeiro – Acompanhamento do eclipse total da Lua – Centro Ciência Viva, 3:30

Mação Até 7 de janeiro – Exposição de Árvores de Natal – Átrio da Câmara Municipal

Sardoal Até 16 de março – Exposição documental “A Banda!” – Espaço Cá da Terra 13 de janeiro – Mercado de Janeiro – Ruas da vila

12 de janeiro

26 de janeiro

- Workshop “Papinhas da Xica” com o produtor Delícias da Quintinha – Mercado Municipal, 10:30

- Tardes da Agulha e da Linha – Espaço Cá da Terra, 14:00 às 19:00

- Art´Andante - Academia de Músicos de Abrantes – Sociedade Recreativa do Souto, 21:30 15 de janeiro a 31 de março – Exposição “Hotel de Turismo de Abrantes, 65 anos de hospitalidade” – Arquivo Municipal Eduardo Campos 17 de janeiro – Encontro Infantojuvenil com o escritor Alexandre Parafita Biblioteca Municipal António Botto, 10:30 19 de janeiro – Espetáculo infantil de marionetas de mandrágora “Para que servem as mãos” – Edifício Pirâmide, 11:00 23 de janeiro – Teatro “Quem quer ser Saramago?”, pela Andante Associação Artística   – Auditório da Santa Casa da Misericórdia, 10:30 24 de janeiro – “Entre nós e as palavras” com a escritora Maria Dulce Cardoso, apresentação do livro “Eliete” - Biblioteca Municipal António Botto, 21:30 26 de janeiro - “Sabores com conta e medida” Workshop Veganchee com o produtor Zé Bairrão – Mercado Municipal, 10:30 - Espetáculo “Fado traçado” com Ana Lúcia – Auditório da Escola Dr. Manuel Fernandes, 21:30

- Teatro “Quarto Minguante”, pelo Teatro Nacional D. Maria II – Centro Cultural Gil Vicente, 21:30

Vila de Rei Até 3 de fevereiro – Exposição “Ao serviço da inclusão”, da Fundação Garcia – Museu Municipal Até 8 de janeiro – Venda de Natal da Fundação Garcia – Biblioteca Municipal José Cardoso Pires Até 11 de janeiro – Exposição do XII Concurso de Presépios Tradicionais – Biblioteca Municipal José Cardoso Pires 13 de janeiro – Os Quintais nas Praças do Pinhal – Parque de Feiras 20 de janeiro – Concerto de percussão com Touchez Percussion Trio – Igreja Paroquial de S. João do Peso, 12:00

Vila Nova da Barquinha 12 de janeiro – Lançamento do livro “A vida e a Obra de António José Vieira de Carvalho”, de Paulo Rogério Ayres Lage – Visita guiada à Igreja da Atalaia (14:30), seguida de apresentação do livro – Centro Cultural, 15:30

Fisabrantes

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Concerto de percussão na Igreja de S. João do Peso em Vila de Rei

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CULTURA / NOMES COM HISTÓRIA / Escola Dr. Solano de Abreu

OPINIÃO INTERNACIONAL /

Teresa Aparício

Nuno Alves MESTRE EM RELAÇÕES INTERNACIONAIS nmalves@sapo.pt

Subdesenvolvimento???

Abrantes, funda, em 1884, juntamente com António Apolinário Ferreira, o jornal Correio de Abrantes, onde se manteve até 1886. Afastou-se depois, um pouco descrente com a política partidária local que se reflectia também neste periódico, mas não cruzou os braços e, passado pouco tempo, fundou um outro que pretendia diferente e a que deu o nome de A Nova, a respeito do qual diz: O nosso jornal fará opinião e jamais será eco de opiniões. Colaborou também em outros jornais locais e durante muitos anos fez parte da redacção do Jornal de Abrantes, onde escrevia em nome próprio e com pseudónimos. Além de jornalismo, fez poesia, romances, peças de teatro e foi letrista de revistas, uma das quais, No País da Aletria, com música de Pinto Ribeiro, teve enorme êxito em Abrantes. De escrita fácil e elegante, não teve contudo uma projecção a nível nacional, por ter caído frequentemente em simplismos e concessões desnecessários. Mas a sua acção não se ficou pelas letras. Figura irrequieta, multifacetada e generosa teve uma intervenção cívica notável na cidade, sobretudo nos campos político, cultural e social. No campo político, foi um liberal fervoroso e um anti-clerical convicto, militou no partido progressista e, nas suas listas, chegou a administrador do conselho, vereador e em 1908 foi eleito presidente da câmara, cargo que assumiu até 1910, altura em que foi afastado do cargo, na sequência da implantação da República. Cada vez mais desiludido com a política partidária, virou-se depois para a intervenção social e associativa. É por várias vezes eleito presidente do Mon-

EXPLICAÇÕES DE MATEMÁTICA

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ESTUDO ACOMPANHADO (ATÉ AO 6ª ANO)

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939511168 mcarol1975@hotmail.com

JORNAL DE ABRANTES / Dexembro 2018 Janeiro 2019

tepio e entrevem activamente em muitas outras associações da cidade. Em 1919, foi eleito provedor da Santa Casa da Misericórdia, a que na altura estava ligado o Hospital do Salvador, onde se manteve durante quinze anos, desenvolvendo uma acção notável, muitas vezes em colaboração com o dr. Manuel Fernandes. A sua índole generosa teve neste cargo múltiplas ocasiões para se manifestar e levou-o a desenvolver uma acção importante em prole dos mais desfavorecidos, que então eram muitos na nossa cidade. Em 1921, criou a Sopa dos Pobres, instituição que tinha como objectivo fornecer alimentação a um sector da população onde a fome grassava e a que depois anexou um internato para raparigas sem apoio familiar. Para arranjar dinheiro para estas instituições, mandou construir, em terreno anexo à Misericórdia e com dinheiro do seu bolso, um pavilhão que durante muitos anos serviu de cinema e cujas receitas revertiam a favor daquela instituição. Simultaneamente, no seu palacete de Vale de Rôubão, organizava com frequência festas que ficaram famosas, onde reunia a elite local, mas cujos portões dos jardins também se abriam à população em geral e nelas captava dinheiro dos mais endinheirados que depois aplicava sobretudo no Hospital e Sopa dos Pobres, ajudando assim a minorar o sofrimento de muitos. Bibliografia: - Campos, Eduardo, Solano de Abreu, Vida e Obra, edição da Escola Solano de Abreu, Abrantes 2002. - Jornais da época

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mundo que conhecemos não é mais do que uma mera imagem que resulta dos significados que atribuímos àquilo que nos rodeia. Por exemplo, um dos primeiros mapas do mundo que nos é dado a conhecer na escola representa os diferentes níveis de desenvolvimento económico existentes no mundo. E, regra geral, somos educados para acreditar que o mundo desenvolvido se restringe aos países da OCDE (Europa, América do Norte, Austrália, Nova Zelândia. Coreia do Sul, Japão e, mais recentemente, países como o Chile ou a Turquia) e mais alguns casos excepcionais, como Singapura. Tudo o resto permanece num eterno esforço em vão para chegar ao clube dos mais desenvolvidos. Mas a realidade mostra-nos exactamente o contrário e força cada vez mais a necessidade de se repensar o que é ser desenvolvido. E um campo prodigioso para esse debate é justamente a sustentabilidade ambiental. A luta contra as alterações climáticas e a promoção de práticas mais sustentáteis está longe de se restringir aos países ditos desenvolvidos. Na realidade, vemos países subdesenvolvidos a darem verdadeiras lições de sustentabilidade ambiental

aos países mais avançados. Em Surabaya, na Indonésia, as pessoas podem circular nos transportes públicos pagando com garrafas de plástico que, caso contrário, certamente acabariam perdidas no meio-ambiente; no Paquistão, um país de terras áridas, está em marcha um programa para a plantação de mil milhões de árvores; no Ruanda, a capital Kigali aboliu a circulação de automóveis em toda a cidade um dia por mês e, mesmo antes disso, já tinha abolido o uso de sacos de plástico; na Índia, a cidade de Kolkata produz 750 milhões de litros de esgoto por dia e, contudo, não tem uma única ETAR. Ao invés, a cidade investiu na criação de lagoas artificiais onde as plantas reciclam toda a água e processam metais pesados, nitratos e fosfatos nocivos ao ambiente. A água limpa resultante permite cultivar cerca de 50% das hortícolas vendidas nos mercados da cidade e produzir cerca de 10 mil toneladas de peixe anualmente. Enquanto isso, nos países ricos continuamos a relativizar o desperdício de recursos, acreditando que são infinitos. Afinal, o que é ser desenvolvido? É uma escolha que resulta do compromisso social e político ou um simples rótulo internacional?

NÓS, OS PROVINCIANOS - reflexões, análises, sugestões ao início de cada mês em www.jornaldeabrantes.pt Por FERNANDO DE ALMADA - investigador , professor universitário: Investiga, nomeadamente, “disfuncionalidades” – ou seja, há coisas que, aparentemente, têm tudo para funcionar …e não funcionam!

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sta escola celebrou em Novembro último os seus sessenta e cinco anos de vida. Decorria o ano de 1953 e era então uma escola muito diferente da actual. Denominada Escola Industrial e Comercial de Abrantes (E.I.C.A), começou a funcionar na rua Santos e Silva, vulgo Rua Grande nº 6/12, passando depois para o edifício Carneiro, perto do Jardim do Castelo, até que finalmente, em 1959, foi transferida para o edifício onde presentemente se encontra, construído no local onde existira em tempos uma praça de touros. Após o 25 de Abril e na sequência da extinção dos liceus e escolas técnicas, a E.I.C.A. deu lugar à Escola Secundária nº 1 e assim se manteve até 1993, altura em que o nome foi novamente alterado, passando a partir daí a ter como patrono Solano de Abreu, que em vida residiu no palacete situado a umas centenas de metros de distância, no mesmo lado da avenida das Forças Armadas. Presentemente integra o Agrupamento de Escolas Nº1 de Abrantes, sediado neste mesmo estabelecimento de ensino. O edifício foi, há poucos anos, objecto de uma intervenção importante que o tornou mais confortável e adequado às novas exigências do ensino. E quem foi afinal o patrono desta escola? Francisco Eduardo Solano de Abreu nasceu em Abrantes a 19 de Julho de 1883 e faleceu na sua casa de Vale de Rôubão a 27 de Abril de 1941. Fez os estudos primário e secundário na sua terra natal e seguiu depois para Coimbra onde se licenciou em Direito, ficando conhecido entre os colegas por ser um jovem irrequieto, endinheirado mas também generoso e com muito talento. O bichinho do jornalismo, que o acompanhou durante toda a vida, começava já então a manifestar-se: chegou a director do Coimbra em Fralda e fez parte do corpo redactorial do jornal académico Porta Férrea. Regressado a


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Jornal de Abrantes janeiro 2019  

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