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AO LEITOR

O cinema e a música instrumental Não é preciso dizer que todos gostam de música. E aqui, não estou falando de estilo, de tendência, nem de gosto. Música de um modo geral, aquela que agrada a seus ouvidos. Mas, por gostar de música não quer dizer que você entende de música, certo? Então é preciso que alguém apareça para oferecer projetos que possam educar pessoas a ter ouvidos sofisticados, que saibam sim diferençar entre a música de qualidade e simplesmente aquela que agrada aos ouvidos. Em Mossoró, tem gente que trabalha para difundir música boa para os mossoroenses. Este é o professor da Universidade do Estado do RN, Isac Rufino, que mantém há cinco anos o projeto Harmonia Jovem. É uma forma de propagação do que está sendo estudado no conservatório e no curso de música da universidade. Isso significa que há um constante compartilhamento do que está sendo executado em sala de aula com a sociedade. Desta vez, o que o Harmonia pretende mostrar são músicas que fizeram sucesso na tela

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do cinema. Canções que marcaram gerações e que foram importantes para o sucesso de muitos filmes. O recital é formado por 60 alunos do curso de Música da Uern e também do conservatório. Isac preferiu apresentar trilhas de cinema pelo apelo popular. Muitos conhecem as músicas e seria uma forma de incentivá-los a ingressar no mundo da música instrumental. Outro fator importante é que Isac sabe da beleza e da qualidade destas canções. Vale à pena ler a reportagem de Izaíra Thalita nesta edição. A revista DOMINGO ainda traz os experimentos apresentados por alunos de escolas públicas durante a Mostra Científica que aconteceu nesta semana na cidade. E uma entrevista com o gerente de Trânsito, Walter Pedro, sobre as mudanças no setor de fiscalização desde que um dos agentes sofreu três tiros durante uma abordagem. Um abraço, William Robson Editor-chefe

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ENTREVISTA Com o gerente executivo do Trânsito Walter Pedro

MÚSICA Recital Harmonia prepara apresentação com tema sobre trilhas de cinema

LAZER Professoras aposentadas aprendem que para fazer arte não tem idade

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EDUCAÇÃO Alunos da rede municipal mostram seus experimentos científicos

• Edição C&S Assessoria de Comunicação • Editor-geral William Robson • Reportagem Izaíra Thalita • Diagramação Ramon Ribeiro

COLUNA Um Dia na História lembra a votação da ONU para dividir território palestino

• Projeto Gráfico Augusto Paiva • Impressão Gráfica De Fato • Revisão Stella Samia e Gilcileno Amorim • Fotos Fred Veras, Carlos Costa e Marcos Garcia • Infográficos Neto Silva

CULINÁRIA O domingo fica melhor com nossas dicas de receitas Redação, publicidade e correspondência Av. Rio Branco, 2203 – Mossoró (RN) Fones: (0xx84) 3315-2307/2308 Site: www.defato.com/domingo E-mail: redacao@defato.com

DOMINGO é uma publicação semanal do Jornal de Fato. Não pode ser vendida separadamente.

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CONTO/JOSÉ NICODEMOS

O BILHETE PREMIADO Cabeça baixa, diminuído de um cachorro desses de rua, que era como se sentia ser em face da cidade grande, Gentil caminhava pra casa, mas assim como sem destino. Terminado o expediente da tarde na repartição onde era empregado baixo, ainda deixou-se ficar um bom tempo no portão da rua, a ruminar a vida, nem sequer o dinheiro do ônibus, quanto mais pra levar os pães do jantar. Um vazio sem comparação. Sentou num dos bancos da calçada de uma loja, de costas pra rua, e desejou ser o cachorro que lhe passou em frente, magro que apareciam os carretéis das costelas, e que lhe pousou um olhar demorado, como se lhe entendesse a situação. Ora, o cachorro era melhor do que ele; irracional, não tinha consciência do seu abandono, nem sequer da fome que

lhe fazia o espinhaço em arco, ficou a pensar assim. O dono da casa de moradia, dispensando-lhe os três meses de aluguel atrasado, dera-lhe mais um pra desocupá-la, senão contrataria um advogado pra requerer o despejo. Tinha filhos pequenos, é verdade, não poderia ser posto assim no meio da rua, mas justiça neste país, quem foi que disse que existe, pensou de si para si. Mas,

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O cara, examinando-o dos pés à cabeça, meteu a mão no bolso e lhe deu cinco reais, sem palavra. E Gentil tomou o rumo da parada, passos ligeiros

homem direito, também reconheceu, logo, que o dono da casa estava no seu direito, então, seja o que Deus quiser. O vazio interior se lhe cavando mais e mais no mais fundo da alma, teve um momento em que pensou jogar-se debaixo de um carro, acabaria tudo, mas

seria enorme covardia deixar a mulher e os filhos abandonados à sorte. Se chorasse, talvez aliviasse aquela coisa fechando-lhe o peito, montanha de chumbo, mas não era de chorar. Até isto lhe negara o destino. Nisto, passam dois rapazes que Gentil sabia marginais, ares distraídos como convém às sondagens da profissão, e ainda pensou juntar-se a eles; se não desse sorte, azar. Estava por tudo. Um deles rapazes marginais o cumprimentou, educado, e Gentil não se acanhou de lhe falar o dinheiro do ônibus. O cara, examinando-o dos pés à cabeça, meteu a mão no bolso e lhe deu cinco reais, sem palavra. E Gentil tomou o rumo da parada, passos ligeiros. No caminho, um boteco. E veio-lhe a tentação de umas e outras, não suportava mais aquele estado de espírito, talvez pior que o remorso de um crime bárbaro. Entrou. Deu logo de cara com um bêbado muito conhecido, bebesse até mais não poder, ele pagava. E Gentil acordou, zonzo, zonzo, na manhã do dia seguinte, com o sol na cara, deitado ali na calçada do boteco, a procurar nos bolsos da calça o bilhete da loteria premiado, milhões.

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E N T R E V I S TA / W A LT E R P E D R O

‘Todos estão traumatizados’ Em uma semana, a Gerência de Trânsito esteve no foco das principais notícias da cidade. Primeiro, por causa do incidente envolvendo o agente Ítalo Thiago da Silva Cunha, que na sexta-feira, 20, em uma abordagem de rotina a dois homens em uma moto no bairro Santo Antônio (zona norte), foi alvo de tiros e que por pouco não lhe tiraram a vida. Depois, pelo protesto dos agentes de trânsito, que listaram uma série de reivindicações e paralisaram parcialmente as atividades por cinco dias. A entrevista com o gerente executivo do Trânsito, Walter Pedro, foi dada um dia antes das primeiras negociações que culminaram no retorno das atividades dos agentes. No entanto, as propostas, em sua maioria, ainda serão analisadas e respondidas em um segundo momento, numa reunião geral entre secretários, prefeita e agentes de trânsito. Nesta entrevista, Walter Pedro fala que as reivindicações dos agentes estão sendo desvirtuadas do foco segurança e que no Getran tudo está sendo revisto depois do incidente. Pedro fala ainda de melhorias no trânsito de Mossoró e de novidades, como a instalação de GPS nos ônibus coletivos, para atender uma solicitação da população. Confira: Por Izaíra Thalita

DOMINGO - Nesta semana, houve protesto e reuniões de negociação e alguns pontos da reivindicação estão mais difíceis de negociar. Que pontos são esses? WALTER PEDRO - O que a Gerência não está vendo a possibilidade de negociação é com relação à questão salarial. Acho que tem cinco meses, foi feito um concurso e foi dito no edital quais eram as atribuições deles, o vencimento que eles tinham direito a fazer, na hora do treinamento foram abertas todas as orientações necessárias, os cuidados, os riscos que a profissão iria trazer para eles, e isso foi dito claramente e não só nesse treinamento, mas em diversas reuniões que tivemos com os agentes. Assim, essa reivindicação salarial não cabe. Exceto a questão da insalubridade, devido ao aspecto do local que eles trabalham, que é a rua, diariamente, por isso, isto está sendo visto. Outra questão que está se avaliando é, devido a esse incidente traumático com o agente Ítalo, a questão da segurança, como a gente vai reforçar a segurança, e isso já vem sendo trabalhado desde as conversas com os inspetores e chefes de grupo, e sabíamos que esse era um ponto importante. Agora, a gente precisa avançar para que não ocorram mais fatos dessa natureza.

não vejo necessidade. No caso do agente Ítalo, acho que foi uma ação em que, se o agente estivesse armado, nada ele poderia fazer porque o veículo nem parou, a pessoa atirou nele com os veículos em movimento, tanto a do agente quanto a da pessoa que atirou, então a gente acredita que não é a questão do armamento que vai proteger o agente. Diferente do fato do colete à prova de balas, que entendemos que numa situação em que o colete estiver presente ele traz mais segurança ao agente, e apesar de não ser uma atribuição comum aos agentes de trânsito, nessa situação desse trauma com o agente Ítalo a gente entende que o colete poderia ter evitado, e por isso faremos todo o esforço para fornecer o colete. Apesar da burocracia que será adquirir esses coletes para fornecer a agentes de trânsito.

O SENHOR já tem experiência de outras realidades e diante disso cabe o agente de trânsito andar armado? Se isso for possível, em que situações isso será permitido, e será necessário um treinamento extra para o uso da arma? OLHE, na minha visão de técnico, eu

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NESSE caso, está descartado o uso de armas? A GENTE passou para a esfera jurídica analisar e também para a questão da Guarda Municipal, vendo a possibilidade de transferir os agentes de trânsito para a Guarda Municipal, e vamos aguardar para ver se juridicamente isso pode ser feito. De uma coisa você tem razão. Se for possível o uso de armas, a questão do treinamento é importante. Eles vão voltar ao treinamento, haverá as avaliações psicológicas, haja vista que nem todas as pessoas têm condições psicológicas para usar uma arma. Aí pode gerar a violência. Uma pessoa despreparada pode colocar em risco a população. EM RELAÇÃO à situação do agente Ítalo, a gerência está acompanhando a evolução de seu estado de saúde? Como tem sido a comunicação com a família? Haverá algum tipo de indenização?


NÃO haverá indenização. A gente está acompanhando a evolução do estado de saúde dele diariamente. Eu estava em Natal na sexta-feira, tinha ido para um seminário, mas voltei no sábado, acompanhei, todo o secretariado foi visitá-lo, a prefeita visitou, a Gerência de Saúde está dando todo o suporte necessário e ele estava no Hospital Tarcísio Maia, passou para o Hospital Wilson Rosado, e a gente está diariamente acompanhando, conversando com a família. Seu quadro é estável, grave, mas, segundo os familiares, com tendência à melhora. A gente tem a maior expectativa e aproveitamos para agradecer à equipe médica pela competência que tiveram, porque, apesar de que a gente não entende, pudemos perceber que foi gravíssimo e os médicos conseguiram debelar uma situação quase sem solução. A gente está torcendo aqui. Todos estão traumatizados. Estamos revendo tudo o que foi dito e reforçando para que eles tenham cuidado. A gente já teve o apoio da Polícia Militar, através do capitão Elias, do Pelotão de Trânsito, através do capitão Gomes, que se prontificou a passar de novo, conversar com os agentes para reforçar os cuidados que precisam ter em relação às abordagens e que já foi visto no treinamento, mas que será dito novamente para evitar ao máximo que ocorra uma situação dessa natureza. NO CASO do agente Ítalo, ele seguiu os infratores. Havia essa recomendação por parte da gerência diante de alguma infração cometida? TODA a orientação parte do seguinte pressuposto: o agente precisa cumprir e fazer cumprir as leis de trânsito. A partir daí, ele tem toda uma série de orientações com relação à segurança dele. A verificação e a abordagem ao infrator fazem parte do trabalho, mas é preciso que se tenha o resguardo da sua segurança, as suas garantias. É preciso que o agente primeiro garanta a sua vida para depois corrigir. No caso do agente Ítalo, ele estava no cumprimento do seu dever, e é importante que se diga isso. A ação da pessoa que ia ser abor-

dada é que foi inesperada, até porque a questão é que não foi uma questão de trânsito. Não foi uma discussão de trânsito, porque normalmente quando chega às vias de fato, com uma violência física, ela sai de uma discussão, em que a pessoa não aceita e bate boca. E se o agente Ítalo abordasse, do jeito que a gente conhece ele, uma pessoa extremamente preparada, educada, os colegas mesmos diziam que nas abordagens dificilmente notificava, porque ele aceitava facilmente as explicações das pessoas, então com certeza que se a pessoa tivesse parado e ouvido o agente, este certamente teria apenas orientado. Até porque o agente não verifica se a pessoa está armada ou não; o máximo que ele pode pedir são os documentos para, se for o caso, preencher o auto de infração. ELE não teria nem mesmo condições de saber se a pessoa estava armada porque a pessoa não foi abordada? EXATAMENTE. Ele viu uma situação de infração e foi tentar corrigir e orientar para que não fizesse isso, até porque eram duas pessoas numa moto, e se houvesse um acidente seria um grave acidente. QUAIS serão as próximas ações da gerência em relação aos pedidos dos agentes? TUDO o que for levantado com relação à questão da segurança a gente vai fazer todo o esforço para atender. Agora, esse questionamento sobre as horas de trabalho, isso está na legislação; eles são funcionários públicos municipais e têm de atender. Essa questão de viatura não é um pré-requisito do serviço. Pode ou não ter viaturas, até porque o trabalho do agente de trânsito também se faz a pé - e muito a pé -, sendo até descabido esse questionamento da viatura. Eles agora trabalharam em represálias e não usaram as viaturas e estão nas ruas do mesmo jeito. Então, há aí uma falta de consenso ao que eles realmente querem.

O SENHOR acha que as reivindicações estão sendo desviadas do foco maior, que é a segurança neste momento? TOTALMENTE desviadas. Se tivessem uma preocupação única com a questão da segurança, esses fatos que não fazem parte do dia-a-dia e são questões internas, técnico-administrativas, não estavam sendo jogadas na rua. Se fossem feitas passeatas para pedir mais segurança diante da população, já que todo dia tínhamos problemas em Mossoró, estávamos acompanhando, tudo bem. Mas, os pedidos estão desvirtuados e há interesses pessoais envolvidos, muitos dos agentes, infelizmente, estão sendo vítimas de pessoas que têm um entendimento diferente e estão seguindo as instruções. E isso pode ter um prejuízo muito grande, haja vista que eles estão em estágio probatório. EM RELAÇÃO ao sistema de monitoramento do trânsito na cidade, há projetos de instalação de câmeras ou de sistema eletrônico? COM certeza. A gente está avançando em relação a isso e estamos identificando alguns pontos, mas com a continuidade do acompanhamento da fiscalização dos agentes, onde eles estão tendo maior dificuldade, nos locais de maior notificação, e aí poderemos mapear a cidade e definir se é necessário, se há possibilidade ou não de colocar um equipamento ou não e colocar o agente em outros locais onde também há necessidade. QUANDO vocês pretendem começar essa instalação de equipamentos eletrônicos? A GENTE acredita que a partir de fevereiro ou março já vamos estar implantando equipamentos dessa natureza. É importante dizer que também na parte de transporte estamos em negociação para começar a colocar um sistema de GPS nos ônibus para fiscalizar se eles estão cumprindo os horários e os itinerários junto à população. A INSTALAÇÃO de GPS vai ajudar a identificar essas irregularidades? VAI, sim. Isso é uma coisa muito importante porque a gente recebe diariamente várias reclamações de que os ônibus estão deixando de passar em certos horários que comumente passavam, e com esse sistema de GPS a gente vai poder monitorar também daqui da gerência, se esses ônibus estão cumprindo ou não com essas exigências, podendo até emitir multas para os motoristas no caso de descumprimento no quadro de horário deles.

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EDUCAÇÃO

Ciência além da escola Alunos de 57 escolas de rede municipal expuseram em uma mostra projetos científicos inteligentes e com grande apelo à conscientização sobre Meio Ambiente Olhares curiosos, dedos que apontam para algo diferente, muitas vozes e euforia: através das expressões das crianças da rede municipal de ensino é possível perceber que o aprendizado também se faz com diversão. Esse era o clima entre os estudantes que participaram da VII Mostra de Projetos Científicos e Culturais realizada pela Gerência Executiva da Educação (GEED), ou seja, de que a ciência é divertida e muito interessante. Independente da idade e do nível de escolaridade, os projetos científicos, frutos das atividades nas salas de aula, surpreenderam. A temática ambiental foi a que mais foi tratada nos projetos, desde a conscientização sobre a questão da separação do lixo, passando pela explicação sobre aquecimento global, até soluções criativas da energia limpa com a criação de fogões à base de energia solar. Este conseguiu demonstrar que com o sol de Mossoró e aliando-se a alternativas e materiais que concentram esse calor é possível criar fogões que cozinham sem precisar de fogo ou gás. O projeto desenvolvido por alunos do nono ano e seus professores da escola Senador Dinarte Mariz, intitulado "Alimentação Sustentável", trouxe para a Mostra vários tipos de fogões "naturais" feitos em cama de ar de pneu, de uma estrutura de uma parabólica, de uma caixa de isopor. "No período da mostra, cozinhamos em duas horas feijão, arroz e salsicha nos fogões. A ideia foi desenvolvida com os alunos que participaram desde as aulas até à criação dos fogões", explica a diretora da escola, Odete Freire. Outros projetos também trataram de mostrar os efeitos de uma sociedade que não se preocupa com o meio ambiente. A Escola Municipal do Piquiri, localizada na zona rural, mostrou essa relação com o projeto "Energia, meio ambiente e sociedade", no qual

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a principal mensagem é de que tudo é uma cadeia em que o homem acabará sofrendo as consequências pelo descaso ao meio ambiente. "Vi coisas aqui nessa mostra que só ouvia falar. Pra mim está sendo muito divertido", afirma Ana Paula, aluna da sexta série, ao descrever a sensação depois de um experimento. Já para Pedro Henrique dos Santos, aluno do sétimo ano, a Mostra é o momento aguardado durante o ano: "Gosto muito de ciências e a gente se prepara muito pra vir aqui explicar nosso projeto pras pessoas", ressalta. SEARA DE IDEIAS Em meio aos projetos dos alunos, se destacou a participação de um projeto denominado "Seara da Ciência", realizado pela Universidade Federal do Ceará (UFC), com finalidade de despertar através de experiências práticas, o interesse das crianças e jovens pela ciência. Nos quatro estandes em que ocupou espaço, as crianças puderam pedalar uma bicicleta na companhia de um esqueleto humano de verdade e dessa experiência aprender sobre o corpo humano, sobre energia e movimento. Também puderam ver uma luneta que traz aos olhos curiosos o formato de astros, da lua e até do planeta Júpiter. "A Seara da Ciência é um órgão de divulgação científica onde mostramos às crianças e jovens nossos experimentos. É muito bom perceber a empolga-


ção das crianças vendo esses experimentos", explica Francisco José, professor e monitor de Física e aluno da graduação de Física na UFC. A Seara da Ciência também trouxe os "cientistas malucos", onde eles demonstram através de experiências o porquê de várias descobertas científicas. Para isso, usam o palco e fazem das aulas uma grande brincadeira. Para quem deseja conhecer mais sobre este projeto também pode acessar a home Page: www.seara.ufc.br NÍVEL DOS PROJETOS Acompanhando de perto a Mostra de Projetos, a gerente da Educação, professor Iêda Chaves, atesta que o nível dos projetos desta mostra está bem mais elevado em termos de qualidade. Segundo ela, isso é fruto também de uma parceria entre a Gerência e a Faculdade de Ciências Naturais da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN). A parceria durante cinco meses permitiu a inserção e participação de alunos concluintes dos cursos de Física, Química, Matemática e Biologia nas escolas municipais, aplicando e sugerindo projetos experimentais ao longo do aprendizado.

"Para nós, foi uma experiência muito importante, tanto é que os projetos neste ano estão com um nível diferenciado do evento no ano anterior. Aliados a isso, destaco os interesses dos professores e dos seus alunos", ressalta a gerente executiva. O QUE VEM POR AÍ Além da realização da Mostra de Projetos Científicos, em breve os alunos da rede municipal terão outras oportunidades de testarem seus conhecimentos e aprenderem de maneira divertida. O Município possui um projeto de criação da "Cidade da Ciência" com várias parcerias em terreno doado pela Ufersa. "Será um espaço não apenas apropriado para os alunos e estudantes, mas para toda a população", ressalta Iêda Chaves. Antes desse projeto sair do papel, um outro deverá vir mais rapidamente: a criação do Centro Vocacional Tecnológico composto por biblioteca tecnológica, laboratórios de informática e será aberto ao público. "Esperamos que até o final do semestre do próximo ano, possamos inaugurar o CVT", completa Iêda.

Projeto de Alimento sustentável criou fogões à energia solar e cozinhou com o calor do sol

Experiências trazidas pela Seara da Ciência da UFC despertaram a curiosidade das crianças

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MÚSICA

Coisa de

cinema O recital Harmonia Jovem fará a sua quinta apresentação em grande estilo, lembrando as mais importantes trilhas de filmes, do cinema mundial

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Nenhum filme teria a mesma emoção, nos momentos de "clímax" - aqueles momentos decisivos da trama - se não houvesse uma trilha musical acompanhando as imagens. Na indústria do cinema mundial, a trilha sonora merece um destaque especial e, muitas vezes, demanda a participação de grandes orquestras para que a música tema seja gravada com a altivez que a cena exige por apenas alguns segundos. Apesar destes poucos instantes, as trilhas de filmes ficam eternizadas nos amantes da sétima arte, tanto quanto às próprias produções cinematográficas. E foi pensando na riqueza instrumental de trilhas do cinema mundial que o tema escolhido pela coordenação do Recital Harmonia Jovem será a execução dos temas musicais de maior sucesso. A apresentação será no próximo dia 3 de dezembro, às 20h, no Teatro Municipal Dix-huit Rosado, entrada gratuita. Em 2009 o recital alcança a sua quinta edição, primando pela qualidade do evento, sua ação educativa e acadêmica. O projeto surgiu em 2005 com o objetivo de ser um evento durante o qual os alunos que estudam música pudessem apresentar o resultado da prática musical, como forma de exercício de palco, possibilitando uma educação musical completa a cada participante.

"O recital incentiva o estudo musical na cidade de Mossoró, fazendo fluir a musicalidade através da execução instrumental. Esse evento é importante para divulgar a performance instrumental e contribuir para a formação de platéias", explica Isac Rufino, professor do curso de Música da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) e coordenador do Recital. Atualmente, para a realização do Recital, são necessários 60 componentes. Todos eles são alunos do curso de Licenciatura em Música da Uern, também do Conservatório de Música D'Alva Stella e do Curso de Música da UFRN. Outros foram convidados, entre eles, a Camerata de Cordas do Peti da cidade de Luis Gomes. De um modo geral, há alunos de diversos níveis e idades, alguns já são até profissionais, o que permite uma troca de experiências. "É importante dizer que todos reunidos formarão uma grande Orquestra onde executarão a maior parte do repertório", ressalta Isac. TRILHAS DE CINEMA Segundo o professor Isac Rufino, a escolha do tema deste ano se deu por vários motivos: O primeiro é pelo grande poder de atração das pessoas em torno do cinema e se identificam muito com ele. Ou-

tro fator é realmente a beleza peculiar das músicas no Cinema. "A trilha sonora dos filmes marcantes fica no imaginário de todas as pessoas. Logo, quando a música é executada, traz imediatamente as cenas do filme. Sem falar que, a música por si só já faz-nos criar imagens em nossa memória, mesmo que não esteja ligada a qualquer cena de um filme. Portanto, o tema escolhido está sendo muito estimulante para todos", explica o professor. O aluno do sétimo período do curso de Música, Leandro Fernandes Oliveira, no recital toca violino e acredita que o tema atende ao gosto popular. Do ponto de vista de quem estuda música, também é importante executar estas músicas. "Há trilhas que foram compostas com grande riqueza de elementos e são desafiantes para músicos iniciantes. Também tenho minhas trilhas preferidas", explica Leandro. Nos anos anteriores, o repertório dos recitais foi mais voltado para a música de concerto. "A intenção neste ano é chamar as pessoas para ouvir nossa música, ver nossa execução e nada melhor do que sempre incluir no repertório músicas conhecidas. Acreditamos que a partir daí muitas pessoas em um futuro breve, apreciarão também a música de concerto", ressalta.

Leandro Oliveira vê no Recital uma oportunidade de aprendizado

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ENSAIOS O grupo começou a ensaiar dois meses antes da apresentação, porém o trabalho todo começa seis meses antes. Os ensaios são feitos em grupos separados e no mês que antecede juntamos as partes e os ensaios se intensificam quase diariamente nas duas semanas que antecede o Recital. São muitos detalhes, desde estudo, escolha de repertório, arranjos e execução. Há uma equipe trabalhando na produção do Recital, cuidando desde o cenário até alguns detalhes surpresas que haverá durante o Recital. Sempre há os momentos de destaques e neste ano haverá uma interatividade que ligam os elementos de diversas expressões artísticas, além da música. A produção do evento recorreu também a outros profissionais. Os arranjos e adaptação das peças contaram com a intervenção do professor Isac Rufino e colaborações de Ronyely Sanderson e Gideão Lima. ORQUESTRA HARMONIA A cidade de Mossoró já possui diversos grupos que se dedicam à música ins-

trumental. No entanto, ainda não existe uma Orquestra Sinfônica. A realização do Recital Harmonia Jovem também tem um papel importante pelo viés profissional, pois ajuda a fomentar a formação de orquestras. Durante a fase de preparação do repertório do recital, já é preciso se formar a "Orquestra Harmonia Jovem", fazendo com que os alunos se preparem e possam visualizar a futura participação em uma orquestra. "A orientação envolve a disciplina e o comportamento geral de um membro de Orquestra. É uma ação educativa neste sentido. No futuro próximo, estes alunos poderão estar empregados em uma Orquestra, seja em Mossoró ou qualquer parte do mundo", ressalta. PROGRAMAÇÃO Quem pretende conferir o Recital será recepcionado pela Banda de Música do Município de Russas/CE, com 60 componentes, na parte externa do Teatro Dix-huit Rosado. Detalhes da programação não foram divulgados para não estragar a surpresa. Mas, a coordenação do evento indica que

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entre as vinte e três trilhas de cinema que serão executadas, estão músicas inesquecíveis como a dos filmes O Poderoso Chefão, A Bela e a Fera, Star Wars, Piratas do Caribe, entre outros. "Será coisa de cinema mesmo!", completa o professor. Diante de tanta qualidade e preparação, fica impossível duvidar disso!

Músico e professor Isac Rufino coordena a realização do Recital


COLUNA

UM DIA NA HISTÓRIA Marcílio Lima Falcão - Prof. Depto. História - Campus Central/Uern

29 de novembro de 1947 ONU vota medida que divide a Palestina entre árabes e judeus UM DIA DAQUELES Assim pode ser considerado o 29 de novembro de 1947. Nessa data, a ONU votou a medida que dividiu a Palestina entre árabes e judeus. Essa medida causou grande impacto geopolítico no Oriente Médio, pois a divisão da Palestina abriria longo e sangrento processo de afirmação e construção de dois Estados na região: Israel e o Estado Palestino. O primeiro seria construído em 1948, no entanto, para se afirmar como Estado diante de algumas nações árabes seria complicado, como ainda o é, pois o Irã até hoje não o reconhece como Estado e chega a propor abertamente sua extinção. O outro (o Estado Palestino) passaria por um traumático processo de luta iniciado desde os primeiros atritos entre as comunidades judaicas e árabes logo após a divisão territorial, passando pela Organização para Libertação da Palestina (OLP) até a criação da Comunidade Palestina, no final da década de 1990. Esses atritos movimentaram exércitos e abasteceram as páginas dos jornais em episódios violentos, como a guerra dos seis dias (1967), quando Israel invadiu e conquistou diversos territórios (Sinai, Gaza, Colinas de Golã e a Cisjordânia); e o episódio que ficou conhecido como a Guerra do Yon Kippur (dia do perdão para os judeus), em 1973, quando Egito, Síria e Jordânia fizeram diversos ataques contra o território israelense. Assim, demonstrando força diante de seus inimigos árabes, Israel transforma-se num Estado em constante vigilância. Outros episódios fazem parte dos atritos árabe-israelenses, como as diversas ações empreendidas pela OLP nos anos de 1970, as intinfadas (revolta) nas décadas de 1980 e 1990, que evidenciavam a tão problemática questão política nessa região.

A PALESTINA: ENTRE ÁRABES E JUDEUS A divisão da Palestina, território historicamente marcado pelas rotas de comércio da antiguidade e pela presença de diversos povos de mercadores que por ali passavam, foi marcante para o acirramento das rivalidades entre árabes e judeus, principalmente pelas circunstâncias que levaram a tal. No final do século XIX, o movimento sionista, organizado por Theodor Herzl, pregava o retorno dos judeus à Palestina, o que seria o retorno a Sião. Tal movimento ganhou força e passou a contar com o apoio de diversos patrocinadores (entre eles a Família Rothschild), que não mediram esforços para doar recursos que seriam usados na aquisição de terras. O objetivo era ampliar as áreas de assentamentos judeus na região. Com o advento da Segunda Grande Guerra, marcada pela perseguição e extermínio de judeus, ciganos e homossexuais por parte dos nazistas, a ideia sionista foi cada vez mais ampliada a ponto de proporem a criação de um Estado Judeu. Os debates em torno da questão judaica ganhavam força, muitas vezes como compensação pelo holocausto, e essa proposta chegou através da influência das instituições judaicas na Assembleia da ONU, que reunida em novembro de 1947 aprovou a divisão do território palestino. A Palestina estava dividida. Abriase um período de seis décadas de conflitos armados e políticos motivados pelas discordâncias relacionadas à presença do Estado de Israel, sua política de alinhamento aos norte-americanos e sua política de enfrentamento aos sistemas políticos dos líderes religiosos. Todo o período foi marcado por atentados, como o que ma-

tou o líder israelense Yitzhak Rabin, em 1995, e os milhares de inocentes que até hoje se veem a cada momento envolto de conflitos que estão ligados não só a questões culturais, como a mídia busca reforçar, mas a questões econômicas e políticas que envolvem diversos interesses do grande capital. Passados mais de 60 anos, judeus e árabes continuam seus atritos, continuam fazendo acordos que não conseguem manter. É o Oriente Médio e sua complicada geopolítica. Muros já foram construídos, cercas de isolamento e exércitos em alerta constante. Cenas que marcam uma região rica e culturalmente importante (esse local é o berço das grandes religiões monoteístas), mas que seus países e povos não conseguem conviver com a heterogeneidade cultural tão complexa. De David Ben Gurion a Shimon Perez, o que mudou? Israel ficou mais rico, ampliou seu território, conseguiu criar uma estrutura administrativa e uma economia estável, no entanto vive em constante alerta. Isso nos leva a lembrar que a Assembleia da ONU de 29 de novembro de 1947 não pode ser esquecida: permitiu um retorno tão esperado e mostrou ao mundo nessas últimas décadas como é complicada a geopolítica da "Terra Santa".

Cercas de isolamento e vigilância constante em território israelense

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PINTURA

Iniciantes na

arte

"Para aprender a fazer arte não tem idade". Este é o slogan defendido pela artista plástica Margarida Araújo, que há mais de vinte anos ensina alunos de todas as idades a ingressar nas artes plásticas em Mossoró. Atualmente, esta lição de pintura e de vida está sendo repassada a professoras aposentadas da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN). Através da iniciativa da asso-

Aulas de artes plásticas com grupo de professoras aposentadas mostram que nunca é tarde para aprender e se redescobrir um talento

ciação dos docentes (ADUERN), as aulas de pintura começaram há cinco meses com o propósito de ser uma ocupação e um lazer. O curso de pintura propunha as professoras um desafio: o costume de segurar o giz para as aulas seria substituído pelos pincéis e suaves movimentos da pintura. A maioria do grupo composto de dez alunas nunca havia pintado. Mas, após alguns meses, o resultado chega a sur-

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preender até mesmo familiares e amigos. "O resultado surpreende, se percebermos que elas nunca haviam pintado antes", explica a professora Margarida, ressaltando que as peças são sugestões copiadas de revistas de pintura, pois faz parte dessa aprendizagem. No entanto, "nunca um quadro fica igual ao outro. Elas acabam dando um toque pessoal", ressalta.


BENEFÍCIOS A professora Neuza Medeiros mostrou para os familiares os quadros frutos do curso de pintura e viu reações espantadas: "Eles perguntavam se tinha sido mesmo eu. Ninguém acreditava", ressalta Neuza, que se achava desajeitada no início do curso. "Saía daqui das aulas toda suja de tinta, não sabia nem segurar no pincel. Hoje percebo que estou mais segura", completa a professora.

Margarida Araújo explica que o aprendizado e iniciação nas artes plásticas trazem grandes benefícios como um aumento na percepção, coordenação motora, é uma atividade relaxante e que favorece o convívio social no grupo. "Todas nós encaramos o curso com muita disposição. Se tornou um momento de lazer", explica a professora Francisca Otília. Agora as telas que são resultadas do

curso - muitas foram presenteadas pelas novas artistas a familiares e amigos - devem compor uma exposição na própria sede da entidade durante as festas de final de ano. A ideia é mostrar que o curso não só foi bom enquanto atividade e ocupação, que o dinheiro das aulas foi muito bem aplicado do ponto de vista social, mas, principalmente fez descobrir em cada aluna uma artista em potencial.

Telas irão compor exposição que está sendo preparada neste fim de ano

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ARTIGO/JOSÉ ROMERO ARAÚJO CARDOSO

A ATUALIDADE DO PENSAMENTO DE JOSUÉ DE CASTRO Após trinta e seis anos do crime político que foi a morte de Josué de Castro, em seu fatídico exílio na França, seu pensamento e pregações tornam-se cada dia mais atuais, pois a fome impera de forma avassaladora, cumprindo profeticamente o que sua magistral clarividência havia definido décadas atrás. A fome, conforme Josué de Castro, inevitavelmente invadiria o Primeiro Mundo, tendo em vista a intensa migração verificada nas antigas colônias em direção às metrópoles. A previsão vem se confirmando categoricamente, pois a intensa xenofobia que caracteriza diversos países ricos vem intensificando as contradições sociais. Em 1965, Josué de Castro defendeu que o mundo desenvolvido havia alcançado impressionante progresso técnico e financeiro que se houvesse empenho na formação de responsável governo mundial o problema seria imediatamente banido da face da terra. Defendeu ainda que, em vinte anos, ou teríamos a abundância para todos ou a catástrofe provocada pelo problema da fome mundial. Infelizmente, a perspectiva otimista de minimizar a fome no planeta não foi observada, em razão que a ganância dos países ricos, os quais Josué de Castro diversas vezes, quando presidia a FAO, classificou como hipócritas, definiu rumos incertos para dois terços da população excluída do planeta. As previsões apocalípticas contidas no pensamento de Josué de Castro sobre o recrudescimento da questão alimentar com a fome assolando implacavelmente populações miseráveis e esquecidas infelizmente se concretizam, pois quando da publicação dos principais livros que escreveu, ou seja, Geografia da Fome (1946) e Geopolítica da Fome (1951), havia ênfase a percentual significativo do conjunto populacional habitando o campo na região que definiu como prioritária para a pragmatização de suas ideias. Hoje, a urbanização anômala e acelerada vem modificando radicalmente a estrutura socioeconômica terceiro-mundista, destacando a inexistência de efetivas e comprometidas políticas públicas que possam viabilizar, de fato, a permanência humana nas cidades que crescem assustadoramente. A fome passou a integrar a paisagem urbana de forma indelével, bem como a rural, pois o campo se despovoa e cede lugar à voracidade do agrobusiness. A agricultura familiar defendida por Josué de Castro vem declinando em sua importância. No campo terceiro-mundista, em boa parte, já não mais produzem alimentos, forçando subida estratosférica dos preços, alicerçando cada dia que passa maior atualidade do pensamento do grande cientista brasileiro que foi vítima da ditadura militar.

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Para entendermos os grandes problemas da humanidade, temos que recorrer à reflexão sobre o pensamento sólido e atual de um dos maiores humanistas nascido neste país, pois ao invés de haver ênfase à inclusão, a nova ordem econômica mundial, surgida no período pós-segunda grande guerra, vem se caracterizando pelas nefastas manifestações que denigrem a dignidade de grande parcela do gênero humano. José Romero Araújo Cardoso é professor do Departamento de Geografia da Uern


CULINÁRIA

Surpresa de Abacaxi INGREDIENTES 1 abacaxi descascado e picado 2 xícaras de chá de açúcar 1 lata de leite condensado 350 ml de leite 2 colheres de sopa de amido de milho 4 gemas peneiradas 1 lata de creme de leite sem soro (caixinha) 4 claras em neve batidas com 5 colheres de açúcar 2 colheres de chá de essência de baunilha

Em uma panela em fogo médio coloque o abacaxi picado com 2 xícaras de açúcar e deixe cozinhar até virar quase uma geleia

Retire do fogo e coloque em um refratário e reserve Depois bata no liquidificador o leite condensado, leite, amido de milho, as gemas peneirada e bata bem, depois coloque numa panela e meixa sem parar até cozinhar Retire do fogo e adicione o creme de leite e mexa bem Despeje sobre o abacaxi e reserve Na batedeira bata as claras e as 5 colheres de açúcar com a essência (opcional), bata bem até ficar bem duro em ponto de suspiro Despeje o suspiro por cima do creme e leve ao forno médio para dourar por cerca de 20 minutos Leve à geladeira e sirva Fica uma delicia, é uma receita barata e gostosa

Pão de queijo 3 Ingredientes

Brigadeiro rápido

MODO DE PREPARO

INGREDIENTES 1 caixinha de creme de leite (200 ml) 1 copo (requeijão) de queijo ralado (misturei parmesão e mussarela ralada) 1 copo (requeijão) de polvilho (usei polvilho doce)

MODO DE PREPARO Amasse até soltar das mãos (caso precise um pouquinho a mais de polvilho, coloque aos poucos até que chegue ao ponto de enrolar) Faça bolinhas, coloque em forma untada e asse em forno pré-aquecido bem quente Se achar necessário, acrescente sal Asse até ficarem douradinhos levemente

INGREDIENTES 1 lata de leite condensado 1 colher de sopa de margarina sem sal 7 colheres de sopa de Nescau ou 4 colheres de sopa de chocolate em pó chocolate granulado para fazer bolinhas

MODO DE PREPARO Coloque em uma panela funda o leite condensado, a margarina e o chocolate em pó Cozinhe em fogo médio e mexa sem parar com uma colher de pau Cozinhe até que o brigadeiro comece a desgrudar da panela Deixe esfriar bem, então unte as mãos com margarina, faça as bolinhas e envolva-as em chocolate granulado As forminhas você encontra em qualquer supermercado Jornal de Fato

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