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A O L E I TO R

Proteja sua pele É bem provável que você, aproveitando este feriadão do Natal, esteja agora sentado à beira da praia, lendo esta edição da revista DOMINGO. Esta semana, que marcou oficialmente o início do Verão, também significa que os mossoroenses se mudarão de mala e cuia para a praia e por lá deverão permanecer pelas próximas semanas. É o comportamento do mossoroense. E por isso, hoje, Tibau deve estar lotada de pessoas que querem aproveitar o sol forte. Por essa razão, a revista começa a retratar as reportagens em que o tema praia-verão é sempre enfatizado. A capa de hoje traz uma ilustração de Neto Silva para a matéria sobre protetor solar da jornalista Izaíra Thalita. Os cuidados na exposição ao sol são necessários, não apenas para evitar doenças de pele, mas porque isso se refletirá no futuro. Principalmente no caso das crianças. No caso daquelas pessoas que buscam um bronze, a reportagem traz dicas interessantes sobre o tempo de exposição, os melhores protetores - que evitam agressões do sol à pele e os horários mais apropriados.

Arte Neto Silva

DOMINGO também traz um assunto muito interessante, de um fenômeno que está previsto para acontecer na passagem do Ano-Novo. A Lua, que tende a ficar cheia, poderá ser vista num tom avermelhado em alguns locais do mundo. Os estudiosos, entre eles membros da Associação Norte-rio-grandense de Astronomia, vão parar para acompanhar a mudança de tonalidade do satélite. Esse fenômeno é causado por uma espécie de eclipse. E, por fim, uma entrevista com o presidente da Federação das CDLs, Marcelo Rosado. Ele faz um balanço sobre o desempenho do comércio neste ano, afirmando que houve um crescimento de 10% a 12%, mesmo com o abalo da crise mundial. E está ainda mais otimista para o próximo ano. 2010 promete ser o ano de maior crescimento do país e o comércio deve acompanhar esse progresso. Um abraço, William Robson Editor-chefe

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NO CÉU No Ano-Novo a Lua estará cor de sangue, confirmam astrônomos

ANIMAIS Veterinária explica por que não se deve dar sobra de comida para seu cão

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CONTO José Nicodemos ENTREVISTA Com o presidente da Federação das CDLs no RN, Marcelo Rosado

• Edição C&S Assessoria de Comunicação • Editor-geral William Robson • Editor/Redator Izaíra Thalita • Diagramação Rick Waekmann

VERÃO Sol, mar e pele sensível: uma combinação perigosa

• Projeto Gráfico Augusto Paiva • Impressão Gráfica De Fato • Revisão Stella Samia e Gilcileno Amorim • Fotos Fred Veras, Carlos Costa e Marcos Garcia • Infográficos Neto Silva

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CULINÁRIA Aproveite o fim de semana para preparar deliciosos pratos

Redação, publicidade e correspondência Av. Rio Branco, 2203 – Mossoró (RN) Fones: (0xx84) 3315-2307/2308 Site: www.defato.com/domingo E-mail: redacao@defato.com

DOMINGO é uma publicação semanal do Jornal de Fato. Não pode ser vendida separadamente.

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CONTO/JOSÉ NICODEMOS

LUSTRES PARTIDOS Tomou um gole no uísque, forçando a natureza. Não gostava de bebida nenhuma, bebera uma vez, e que foi a primeira, na festa de casamento de um amigo, martini, pode tomar, rapaz, é bebida de moça, não passou de cinco ou seis doses, acordou de madrugada com uma dor de cabeça feito um martelo nos miolos e uma taquicardia que pensou que ia morrer. Não se diga que não acompanhava os amigos em mesa de bar, achava bonito aquilo, mas que seu organismo não tolerava o álcool, fosse que bebida fosse. Dor de cabeça e taquicardia, não tinha remédio preventivo que desse jeito. Mas naquela noite, queria embriagar-se à mesa de um bar, e sem a companhia de quem quer que fosse. Absolutamente só.

Não se sentia mais ele, o mundo em redor como que deixara de existir, os risos altos nas meses vizinhas eram como se fossem alucinações de fantasmas enlouquecidos. Sorvera as primeiras doses com repugnância orgânica, quase vomita, mas as seguintes já desciam redondo, como avisa a publicidade da Skol. A cabeça já à roda, inventou de fumar, pediu um maço de cigarros, qualquer um. Queria era sair de si. Tossiu muito às primeiras tragadas, ficou mais tonto, e era o que buscava, na agonia que lhe trancava o peito, a respiração alta, sofrida, parecia em crise aguda de asma. Passava-lhe diante dos olhos, e se os fechava, mais nítida ainda, aquela cena em plena festa do seu casamento, naquela noite: Neusinha, ainda vestida de noiva, a flertar, às claras, com o rapaz que lhe fora o primeiro namorado, recém-chegado de São Paulo, em visita aos pais. Estava mais bonito, mais fino. A festa era no clube da mais fina

sociedade local. Martinho, sóbrio, como sempre, não tardou em perceber as intenções dos olhares de Neusinha para o dito rapaz, não era coisa de ciúme que a bebida pudesse fantasiar com visões além da realidade. Não ficaria bem a um rapaz do seu grau de educação e de posição na sociedade, fugir dali sem satisfação nenhuma, pelo menos aos mais íntimos, mas era que não tinha força, a mais mínima, para suportar aquilo. E fugiu, sem ser notado, quase em estado de desespero. Nos seus olhos, lampejos brutais de lustres partidos. Acordou pela madrugada, no seu quarto de solteiro, na casa dos pais, pontadas como de pontas de ferro na cabeça, o coração como saindo-lhe pela boca, vômito em golfadas azedas, as paredes rodando, o mundo acabado. Mais tarde, que foi pelo meio-dia, na beira da cama o caldo da mamãe, você não quis ouvir a seu pai e a mim, meu filho. Neusinha, confessadamente, nunca esqueceu aquele rapaz..

Jornal de Fato

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E N T R E V I S TA / M A R C E L O R O S A D O

‘2010 será ainda melhor para o comércio no RN’ O presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Rio Grande do Norte (FCDLRN), Marcelo Rosado, encerra o ano de 2009 satisfeito com os bons números alcançados pelo comércio no Estado, anunciando que o crescimento neste ano foi maior que em 2008 em média de 10% a 12%, apesar da crise anunciada ainda no ano passado. Marcelo Rosado explica que o comércio sustentou e abriu novos empregos e alguns setores fizeram investimentos fortes no interior como o de supermercados. Para 2010, Marcelo anuncia melhorias nos serviços ofertados às CDLs e aos lojistas associados e aposta num crescimento maior. Confira: DOMINGO - Para o comércio do Rio Grande do Norte, na sua opinião, como você avalia esse ano de 2009? MARCELO ROSADO - Considero um ano positivo, principalmente porque se você consultar os dados dos maiores economistas e formadores de opinião, eles informaram antes que 2009 seria um ano de recessão, desemprego, e nós estávamos preocupados com a falta de recursos para crédito, mas a gente conseguiu reverter todo esse processo. O comércio varejista foi

muito importante nesse trabalho de reversão porque enquanto a Indústria entrou o ano de 2009 demitindo, dando férias coletivas e os bancos recuaram, não queriam emprestar recursos financeiros e tinha dificuldade para se obter recursos para se ter crédito e oferecer parcelamentos. O comércio, por sua vez, começou o ano fazendo promoções em todos os setores, seja de eletrodomésticos, confecções, supermercados, mostrando com isso que tinham pessoas que queriam comprar e que elas buscavam oportunidades. Assim, a gente começou a ter crescimento. QUANTO foi esse crescimento em termos percentuais? ESTAMOS terminando o ano com crescimento médio de 10% a 12%, superior ao do ano passado e em alguns setores houve crescimento de até 20%, como é o caso do setor dos supermercados. No ramo de automóveis, também houve crescimento de vendas. Enquanto as indústrias de automóvel no mundo todo no começo do ano queriam desempregar e fechar, as lojas venderam muito com a redução do IPI sobre os carros novos. Em todos os setores conseguimos ter bom desempenho. Agora, nós estamos com expectativas excelentes para 2010. A gente também tem uma informação importante: fazendo um comparativo da primeira quinzena de dezembro de 2008 com a primeira quinzena de dezembro de 2009, tanto as vendas a prazo houve crescimento esse ano, como também nas vendas à vista, de aproximadamente 8%. Isso mostra que o

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setor está conseguindo se mover e ter força para enfrentar as adversidades. No Rio Grande do Norte, especificamente, também tivemos um bom desempenho no comércio, inclusive cobrindo um déficit de desemprego que o setor da fruticultura de 2008 para 2009 deixou, devido à recessão mundial que atingiu os países que nos compravam frutas, além da queda do dólar e de uma série de mudanças que atingiu nossa fruticultura, esta decidiu demitir mais de 6 mil pessoas e só o setor do comércio conseguiu absorver mais do que isso. VOCÊ falou que o setor dos supermercados foi um dos que mais apresentou crescimento. Em Mossoró isso ficou muito nítido. A Federação confirma que esse crescimento foi maior no interior? CERTAMENTE. Há uns quatro anos a gente vem percebendo a emergência, o crescimento do poder aquisitivo das camadas C e D. Se você for fazer o cálculo do crescimento aquisitivo da camada de A e B já não conseguirá ver tanto impacto porque essas pessoas já estão com seu apartamento, com seu carro novo, com seu aparelho de TV. Mas, as classes C e D não tinham isso. Não tinham sua casa própria, nem seu veículo e aqueles que não tinham emprego conseguiram, os que estavam com emprego puderam receber melhor. As pessoas que estavam no campo conseguiram melhorar a renda com os programas sociais como o Bolsa Família, que fez com que surgisse uma economia nova na região e é justamente no interior do Nordeste que essa melhora ficou mais evidente, ou seja, quanto mais no interior, mais conseguiu se ver essa mudança. Os supermercados conseguiram um desem-


penho melhor que outros setores porque a primeira coisa para essas pessoas que melhoraram sua renda é consumir alimentos, encher a barriga. Pessoas que só comiam feijão e arroz, agora podem gastar comprando um catchup, queijos, iorgute e produtos industrializados que antes elas não consumiam e os supermercados oferecem. AS AÇÕES realizadas pela Federação neste ano também inovaram em muitos aspectos, como o fato de ter se ampliado para as Câmaras de Dirigentes Lojistas a realização do Liquida de maneira integrada. Que outras ações vocês destaca neste ano? A FEDERAÇÃO vem fazendo além do trabalho institucional, que as CDLs oferecem ao comerciante, que é a parte do SPC, liberação de crédito de forma mais segura, a gente conseguiu em 2009 e em 2010 todas as CDLs vão disponibilizar para o comerciante outros serviços. Essa é uma informação importante: Iremos fornecer também garantia de cheques, cadastros positivos onde o cliente poderá ser avaliado de uma forma mais completa que a gente já faz de maneira operacional, mas no ano que vem a gente vai ofertar pro comerciante. Com relação ao cartão de crédito, também será um avanço porque hoje o comerciante tem de alugar três, quatro máquinas para poder receber o cartão de crédito com bandeiras diferentes e cada máquina custa de 200 a 300 reais. No ano que vem, ele só vai precisar de uma máquina só, que receberá todos os cartões e isso vai diminuir o custo pro comerciante. Imagine uma lojinha onde se pagava 600 reais de aluguel, tirando três máquinas, se ganha quase o aluguel da loja. Outra vantagem será a redução da taxa de administração cobrada pelo operador do cartão, em torno de 5% e hoje reduzimos e em 2010 vai baixar para 2,5% em média. Isso vai fazer com que o comerciante seja mais competitivo, que ofereça um produto mais barato na ponta. Outro trabalho importante, porém diferente desses de crescimento de vendas, é o de qualificação de mão-de-obra. Nesses últimos dois anos, a Federação já treinou mais de duas mil pessoas com programas que variam de 60 horas até 350 horas de treinamento. Estamos entrando agora com o FCDL digital, onde a gente oferece 80 tipos de cursos de ensino à distância. A pessoa entra, se cadastra, escolhe seu curso, faz a inscrição e através da CDL recebe uma senha e a pessoa faz seu curso - que varia de 20 até 60 horas - e ainda recebe um certificado pela federação. Há cursos de liderança, de gestão, de comportamento, de informática básica, avançada, entre outros, todos gratuitos.

MUITOS comerciantes locais reclamam do aumento do mínimo e o aumento do custo de sua folha de pagamento de funcionários como algo que vem dificultar o crescimento. Você acha que eles têm motivos para preocupação? A MINHA visão é de que se a medida só aumentasse para um comerciante ou outro seria sim algo para se preocupar, um desafio que ele teria de enfrentar e que os concorrentes não terão. Mas não é o caso do mínimo. O aumento do mínimo vai ter um impacto na folha de todas as lojas e todos vão repassar esse custo maior. As pessoas também vão ganhar mais e vão poder pagar pelos produtos. Então, no primeiro momento, é uma dificuldade, porém, isso é superado rapidamente. As pessoas estarão com poder aquisitivo maior e vão comprar mais. O que acontece é que uma empresa muito pequena, para se trabalhar oficializando esse salário, é o impacto dos encargos sociais. O problema do salário mínimo não é o que se paga ao funcionário, mas quando esse dinheiro não chega na ponta, ou seja, os encargos sociais que muitas vezes são mal geridos. Hoje se tem uma carga tributária elevada e quando se aumentou cem reais do mínimo, vai aumentar mais de cem nos encargos sociais, que é o dinheiro que se paga e não volta ao mercado. A IDEIA de redução do ICMS ou mesmo de acabar com o pagamento antecipado do imposto ainda é uma proposta discutida e incentivada pelos lojistas? EXATO, mas não existe nenhuma intenção do governo de mexer nesta legislação que existe do imposto antecipado, do valor agregado. Não existe nenhuma vontade do Estado de mexer nestas taxas. EM RELAÇÃO ao setor imobiliário também bastante aquecido em 2009, há perspectivas tão positivas ou há uma certa insegurança para 2010? A GENTE tem uma oportunidade e

uma ameaça. Em 2008 se pregou que a atividade imobiliária entraria em crise, mas a gente viu que como o mercado interno ainda estava com muitos compradores, não sofreu com essa crise. Sofreram aqueles empreendimentos imobiliários instalados no RN, mas destinados a ser comercializados fora do país e estes foram adiados, porque eram grandes projetos especialmente no litoral do nosso estado. Já os projetos destinados ao mercado interno, estes não sofreram, e sim continuaram. Temos então uma perspectiva para 2010 bem melhor do que 2009, apesar de terminarmos o ano bem. Se pregava que haveria demissões na construção civil neste ano e na verdade a gente percebe que terminamos o ano precisando de mão-de-obra. As empresas construtoras querem contratar pedreiro, carpinteiro, ferreiro e não estão encontrando. Agora, melhor ainda será 2010 até por causa do programa do governo, minha Casa, minha Vida, que só agora no final do ano até o início de 2010, a Caixa assina os contratos para aproximadamente 20 mil unidades habitacionais entre apartamentos e casas. Outro impacto grande que teremos no Estado é ver que, se fizermos um cálculo onde colocamos o valor médio de 70 a 80 mil reais por cada unidade dessas, nos próximos doze meses teremos pelo menos 20 mil vezes 70 mil reais, ou seja, uma grande quantidade de recursos novos que entrarão no nosso estado. Sem falar nos demais empreendimentos que não estão relacionados a este público do programa, que são unidades habitacionais mais baratas ou mais caras. Mas, há preocupações porque essas moradias que serão iniciadas precisarão de infraestrutura, ou seja, água, energia, porque elas certamente estarão em áreas que antes não tinham esses serviços e é preciso se pensar nisso. De maneira geral, é importante lembrar que o Estado também conseguiu aprovar 23 projetos de energia eólica que vão trazer investimentos de bilhões de dólares que entram no Estado. Então, o comércio enxerga nessa grande quantidade de recursos que entra no RN, que é mão-de-obra da base que passara a receber um salário melhor e aquele que não recebia vai ter seu emprego, seguindo assim, toda uma cadeia produtiva funcionando, onde teremos a indústria para abastecer esse mercado, a mão-de-obra sendo contratada, e aí todo mundo recebe seu dinheiro, compra no mercado, coloca os filhos para estudar numa escola melhor, adquire sua casa, carro e movimenta toda a economia. Nossa perspectiva é muito positiva.

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ASTRONOMIA

Lua azul, cor de sangue

Lua No momento da chegada do ano novo os astrônomos observarão a lua, a segunda vez no mês em que estará cheia (lua azul) e em algumas localidades pelo mundo uma cor diferente será provocada por um eclipse

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Os astrônomos encerram o ano de 2009, considerado o ano internacional da Astronomia, de olho nos céus. E não é por menos: eles observarão um fenômeno denominado "Lua azul". Quem explica sobre isso é o professor Antônio Araújo Sobrinho, presidente da Associação Norte-rio-grandense de Astronomia e ressalta que, apesar do nome, a lua não ficará azul no céu. "Nosso satélite, tal qual os planetas, não têm luz própria, eles refletem a luz solar que recebe do Sol. Assim, a luz que recebemos de cada planeta, de cada satélite, inclusive de nossa companheira - a Lua é indiretamente a luz do Sol. O fenômeno da Lua azul é algo diferente: trata-se da segunda Lua cheia no mês de dezembro", explica. Ainda conforme o professor, isso ocorre porque o período de revolução da Lua em torno da Terra é de 29 dias e meio. Assim sendo é possível que se tivermos uma lua cheia no início de mês (dias 1 e 2) teremos uma nova lua cheia no final do mesmo mês. "É exatamente isso que observaremos agora no dia 31, o último dia do Ano Internacional da Astronomia vai encerrar com a lua cheia", completa. O professor explica também que, de acordo com alguns historiadores, o nome "Lua azul" foi criado no século XVI, por algumas pessoas que ao observarem a lua, viam-na azulada. Outras, no entanto, a percebiam cinza. Muitas discussões ocorreram até concluir-se que era impossível a lua ser azul. Esse fato criou uma espécie de expressão linguística, e "Lua Azul" passou a ser sinônimo de algo impossível ou difícil. "O termo ganhou força principalmente nos EUA e algumas frases como 'só me caso com você se a lua estiver azul' se popularizaram rapidamente. Foi com esse significado de 'nunca' ou 'raro', que o termo foi usado para designar as duas luas cheias que ocorrem no mesmo mês, uma coisa que não acontece sempre", completa. LUA COR DE SANGUE Mas, não será apenas a segunda lua cheia do mês. No mesmo dia 31 de dezembro, outro fenômeno interessante ocorrerá: um eclipse parcial. "Trata-se de um eclipse lunar, que ocorre quando a Terra se situa entre o sol e a lua. A Terra então bloqueia a luz solar que atingiria lua e esse não será um eclipse lunar total, ou seja, apenas parte da lua ficará totalmente imersa na sombra da Terra. Nesse fenômeno a parte da lua imersa na sobra muda drasticamente de cor, exibindo uma cor avermelhada", explica o professor José Ronaldo Pereira, do Departamento de Física da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN). José Ronaldo é mestre e doutor em Física, com área de concentração em Astro-

Professor José Ronaldo, da Uern, explica fenômenos com a lua

física, coordena e orienta os trabalhos de estudantes de graduação, em Astronomia na Universidade. Segundo ele, o eclipse no último dia do ano, 31 de dezembro, terá início às 15h52, terminando às 16h52. Mas ela não será visível no Brasil. "Infelizmente, em Mossoró, no dia 31, a lua nascerá mais ou menos às 17h40. Nesse momento, ela estará apenas na penumbra da sombra da Terra e a cor avermelhada será praticamente imperceptível. Somente as pessoas situadas na África, Ásia e Oceania verão a lua com uma parte totalmente vermelha", ressalta. A explicação para a mudança de cor é que a luz do Sol que atinge o outro lado da Terra (onde é dia) espalha-se pela atmosfera terrestre, que contém água e partículas sólidas provenientes da poluição. "Os componentes da luz do Sol que produzem as cores vermelha e laranja, espalha-se por toda atmosfera e cobrem totalmente o céu, mesmo do lado onde é noite. O céu fica mais ou menos como no alvorecer e no crepúsculo, onde aparece vermelho ou alaranjado. Com a lua cheia, totalmente brilhante, não percebemos bem essa cor do céu, pois o brilho da Lua é mui-

to forte. Mas durante um eclipse, quando há pouca luz incidindo sobre a lua, percebemos a cor avermelhada da atmosfera. É como se observássemos parte da lua usando óculos vermelhos, onde a atmosfera faz o papel das lentes", completa Ronaldo. ECLIPSE De acordo com os professores, em 2010 haverá dois eclipses lunares. O primeiro ocorrerá em 26 de junho de 2010 e também não será visível em Mossoró. Já o segundo ocorrerá em 21 de dezembro e este sim poderá ser visto em Mossoró a partir das 3h32. José Ronaldo explica que os eclipses já foram importantes para os estudos para a pesquisa em Astronomia: "No passado, por exemplo, os eclipses serviram para determinar a forma da Terra, visto que a sombra da Terra projetada na lua mostrava o formato redondo do nosso planeta. Atualmente, os eclipses podem dizer muito sobre a poluição atmosférica e estudos são realizados com esse objetivo, utilizando os chamados valores de Danjon, uma escala de brilhos que depende da transparência da atmosfera", completa José Ronaldo.

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VERÃO

Sol, praia e pele:

combine sem

excessos Corpo bronzeado é típico dos dias de veraneio na praia, mas, a cor deve ser obtida com proteção sobre a pele para evitar danos futuros. O último domingo do ano de 2009 chegou e é bem provável que a família esteja na praia, numa antecipação do que será o veraneio em 2010. O período costuma ser aproveitado debaixo de muito sol por centenas de mossoroenses que se mudam para o litoral em busca de descanso. A chegada do verão também anuncia a vontade que muitos têm de levantar mais cedo, engatar passeios a pé pela praia e expor o corpo ao sol em busca de um belo bronzeado. De maneira geral os cuidados com a proteção ao sol nesse período acabam em segundo plano, quando o certo é adotar

Não se deve expor o rosto diretamente ao sol sem proteção de um bloqueador

medidas que ajudam a conquistar um bronzeado saudável, sem riscos para a pele e com efeito mais duradouros. SOL: ALIADO E VILÃO O sol ao qual todos são expostos desde a infância vai ter consequências no futuro (10, 15, 20 anos depois). Se a exposição aos raios solares for intensa estes serão responsáveis pela pele enrugada, manchada, envelhecida, que surgirão mais adiante, sem falar no câncer de pele cujo número de casos aumenta 8% ao ano. De acordo com informações da Sociedade Brasileira de Dermatologia, o corpo leva 72 horas para sintetizar a melani-

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na. Isso significa que até o terceiro dia de sol, ninguém fica bronzeado, mas sim queimado de sol se exposto com exagero. O bronze rápido indica que a pele que se expôs ao sol foi agredida e para se defender teve que produzir mais melanina. "Os efeitos da radiação solar podem ser agudos e crônicos. Como efeitos agudos, pode-se citar as queimaduras, a indução de dermatoses e a exacerbação de doenças preexistentes na pele. Os efeitos crônicos são o foto-envelhecimento e o câncer de pele", explica a dermatologista Liliane Martins. A especialista explica que as queimaduras solares é um dos fatores de risco


para o desenvolvimento do câncer de pele, uma doença cada dia mais presente, apesar dos constantes alertas dos médicos especialistas. PROTEÇÃO FUNDAMENTAL Isso não quer dizer que não seja possível tomar sol e obter um bronzeado bonito. Isso pode ser feito de maneira gradual e sem receber os raios solares que mais danificam a pele. Uma das dicas mais divulgadas é sobre o horário para realizar o bronzeamen-

to. A exposição ao sol deve ser evitada no horário das 11h às 15h30, período em que os raios UVB, prejudiciais à pele, aumentam os riscos de danos e de câncer de pele, além de problemas de queimadura e desidratação, em casos mais extremos. A especialista reforça que é muito importante adotar cuidados com a pele nesse período, principalmente o uso de protetor solar. Mas que também é comum o uso de produtos que podem não estar realizando o efeito desejado de proteção nesse período, de procedência duvidosa, ou

Fique atento aos cuidados com a pele no verão: - Usar protetor solar que sejam específicos para o tipo de pele, de preferência com o fator de proteção acima de 30 ou aquele que for indicado pelo dermatologista. - O protetor deve ser lembrado se a exposição ao sol for maior que 15 minutos, mesmo nos horários permitidos. Deve ser usado em toda região exposta ao sol e nos lábios, protetor labial. - Evitar exposição solar nos horários entre as 10 e 16h. - As crianças com menos de 6 meses não devem ser expostas ao sol e as maiores devem passar o protetor 15 minutos antes da exposição e repassar a cada 2 horas. - Protetor solar mesmo em dias nublados é indispensável, principalmente nas crianças e adultas de pele mais clara, pois, mesmo que o sol esteja escondido atrás das nuvens, 70% a 80% dos raios solares nocivos ultrapassam essa barreira. - Evitar excesso de roupas e colocar roupas leves, folgadas e confortáveis, de preferência de algodão que facilitam a evaporação do suor. O uso do chapéu para proteger o nariz e os lábios é fundamental, pois são as duas regiões mais sensíveis do rosto.

pior, o uso de bronzeadores feitos a partir de receitas caseiras. Para evitar isso é importante escolher um produto em que se possa verificar a qualidade e conferir se eles possuem a autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). É recomendado ainda o uso de chapéu (aba de 8 cm) e proteção aos olhos, como óculos escuros. Com essas recomendações simples, todos podem tomar sol adequadamente e curtir o verão de uma forma prazerosa, evitando problemas de pele imediatos e futuros.

O produto adequado: Fator de Proteção - A SBD recomenda fator de proteção solar (FPS) 30 para os brasileiros, porém pessoas brancas e de fácil bronzeamento podem usar o FPS 50 e 60; já as de peles escuras devem usar no mínimo FPS 15. Abaixo veja o tipo ideal para cada pele: Pele normal - Os produtos em spray são mais resistentes ao contato com a água e o suor. Pele oleosa - O ideal é que sejam à base de gel, pois não possuem álcool e gordura e são absorvidos rapidamente pela pele. Pele seca - Os FPS em creme já possuem substâncias hidratantes nas suas fórmulas e podem auxiliar na manutenção da pele saudável. Pele sensível - Os de gel-creme possuem óleos leves e não agridem a pele sendo uma alternativa para quem tem uma pele delicada. Pele desidratada - Em loção, combinam óleo e água e podem evitar que o sol maltrate mais a pele.

- Sempre hidratar a pele após o banho do chuveiro. - Ter uma alimentação adequada rica em frutas, verduras e proteínas. Beber muito líquido para repor as perdas pelo suor como, água pura, água de coco, sucos naturais e chás. - A prevenção é muito importante para evitar sérios problemas. Com essas dicas simples todos podem tomar sol adequadamente e curtir o verão de uma forma prazerosa, evitando problemas de pele imediatos e futuros, desidratação.

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ANIMAIS

Não dê restos de comida Nesta época do ano é comum as pessoas abusarem na quantidade de comidas, de calorias e de alimentos gordurosos. Algumas fazem regime o ano todo para nas ceias extrapolarem. E, infelizmente, o mesmo acontece com os animais domésticos. Durante as comemorações, os bichos ficam expostos a todo tipo de comida: se tem churrasco, eles ganham a gordurinha; se tem jantar, eles ganham o final da ceia. Os seus presentes são biscoitinhos e petiscos que podem representar um terço das calorias da dieta diária recomendada. "Todos os nutrientes que cães e gatos precisam já estão em suas rações, mas muitos donos não sabem disso, e acabam se rendendo ao olhar persuasivo do bichinho", comenta a veterinária Zilah Braga. Zilah explica que não é saudável para os gatos e os cachorros saírem de suas rotinas alimentares e a comida "de panela" faz realmente muito mal. "A comida não tem a quantidade de nutrientes necessária para eles. Esse tipo de exagero faz mal aos seres humanos e também aos animais", explica Zilah. A médica explica que certa vez o dono levou um cão após uma festa natalina com sérios problemas. "Geralmente no Natal se come aves e um dono deu restos de peru para o cão. Um osso ficou atravessado na garganta, passou mal, o osso perfurou o esôfago do cão e ele foi submetido a uma cirurgia", lembra ela. O excesso de comidas e a alteração do cardápio do animal causam sérios problemas gástricos e de colesterol, especialmente devido ao condimento usado na preparação dos pratos e que podem causar também reações alérgicas. EFEITOS COLATERAIS Os sintomas são os mesmos que os das pessoas: vômitos, diarréia e aumento do colesterol no sangue. O bichinho, além de ficar desidratado e desnutrido em curto prazo, pode ter problemas no fígado, se mostrar apático.

A recomendação dos veterinários é que as sobras de comida das festas de final de ano não devem ser dadas para os animais domésticos.

Entenda porque não se deve dar restos de comida aos cães e gatos: - Não deve dar comida caseira nem leite ou produtos lácteos a cães e gatos; - A comida dos donos é condimentada e pode muitas vezes dar origem a problemas alérgicos de pele, vômitos intermitentes ou diarréias; - Se habituar o seu animal a comer restos da sua comida ele vai deixar de querer comer a ração que é a alimentação mais adequada para ele. - A ração estimula a dentição, melhora o pelo e as fezes dos animais que ficam mais duras e sem cheiro. A comida humana promove o inverso no cão. - Dando sobras, o dono vai encorajar o seu cão a andar constantemente a pedir por comida. Uma forma de diagnosticar esse tipo de problema de fígado e de colesterol é realizar um exame de sangue, buscando analisar os lipídios e para realizá-lo o animal deve ter encaminhamento de um médico veterinário. A especialista explica e alerta que os problemas mais graves aparecem depois das datas comemorativas. Por este motivo é bom se prevenir evitando dar alimentos de pessoas para os bichinhos de estimação. "O proprietário tem de falar a verdade durante a visita ao veterinário e pela experiência, alguns donos se sentem cul-

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pados e podem esconder. No entanto, o principal histórico no exame são as perguntas, que conduzirão a um tratamento ideal ao animal", ressalta Zilah Braga. PRODUTOS DE PET Se os donos quiserem fazer um agrado, Zilah lembra que já existem muitos alimentos e guloseimas para cães e gatos. "Existe no mercado até o agrado natalino como panetones para cães e gatos, biscoitos e chocolates especiais. Digo especiais porque o chocolate comum que nós comemos é extremamente tóxico para cães e não podem ser dados a eles", completa.


COLUNA

UM DIA NA HISTÓRIA

Lindercy Lins -

Prof. do Departamento de História - UERN - Mossoró lindercy@hotmail.com

27 de dezembro de 1939 Criação do Departamento de Imprensa e Propaganda - DIP O Estado Novo é lembrado pelas realizações governamentais como o salário mínimo, a industrialização e a própria figura de Vargas. O texto de hoje, da última coluna "um dia na história" do ano, não retratará esses feitos, mas quem os executou, ou seja, a política varguista de censura e propaganda implantada pelo Departamento de Imprensa e Propaganda - DIP. GETÚLIO VARGAS: O PODER, O SORRISO E A MORDAÇA. No início do processo revolucionário de 1930, Getúlio Vargas e a imprensa relacionavam-se amistosamente, boa parte dos grandes jornais brasileiros apoiou o golpe ou (revolução?) desencadeado por Vargas e o movimento dos "tenentes" na esperança de moralizar o país. Esse "namoro" foi se desfazendo à medida que o governo não sinalizava a democratização do regime, cujo reflexo foi visto na revolução paulista de 1932. A partir do Estado Novo (1937-1945) houve derradeiro golpe contra a liberdade de expressão, a censura prévia fora estipulada pela constituição de 1937, à imprensa foi atribuída a marca de serviço de utilidade pública, obrigada, por conseguinte, a publicar comunicados do governo devidamente encaminhados pelo DIP. GÊNESE E ATUAÇÃO DO DIP O DIP nasceu da experiência de outros órgãos censores e de propaganda governamentais criados entre 1931 e 1938. O DIP substituiu o Departamento Nacional de Propaganda (DPC), criado em 1938. O DIP, oficializado pelo decreto presidencial de dezembro de 1939, ficou sob responsabilidade de Lourival Fontes. Esse novo departamento, no entanto, detinha funções para além da censura. O órgão, definido para alguns historiadores como "superministério", era responsável por elaborar, centralizar e orientar a propaganda interna e externa, censurar a imprensa e manifestações artístico-desportivas, organizar diversas formas de aparições cívicas e coordenar a atuação dos órgãos estaduais de censura e propaganda - os "Deips". Internamente, o departamento detinha diversos setores responsáveis pela di-

vulgação, radiodifusão, teatro, cinema, turismo, diversão e imprensa. Esse tipo de elaboração foi inspirado claramente nos regimes ditatoriais nazi-fascistas, já que a propaganda, como se sabe, "é a alma do negócio".

mentar a educação popular pelos meios massivos, na época o rádio e o cinema. O Departamento monopolizava a diversão popular, mantinha a Rádio Nacional, que reunia os maiores nomes do cancioneiro popular, realizava concursos de músicas, grande sucesso na época, transmitia o programa "A hora do Brasil", hoje chamado "A voz do Brasil", porta-voz da palavra varguista ao povo. O Cinejornal, exibido antes dos filmes, mostrava-se eficaz na propaganda do Estado Novo. Até o samba foi "revisto" pelo DIP, no lugar da malandragem e boemia, o "bamba" agora era trabalhador fiel e dedicado, só faz samba depois do trabalho.

CENSURA E CONTROLE DA IMPRENSA O controle exercido pelo DIP não se resumia a fechar jornais e prender diretores de redação e jornalistas, a forma de censura era bem mais elaborada. O departamento contava com profissionais altamente qualificados que repassavam notícias aos jornais, caso o veículo não as reproduzisse o jornal perderia a cota de patrocínio das empresas estatais, além da matéria-prima para sua comercialização, o papel, que era importado do Canadá e Finlândia pelo DIP e subvencionado aos jornais, ou seja, o governo exercia controle hegemônico na imprensa, quem fugisse à regra era penalizado, como aconteceu ao jornal "O Estado de São Paulo", fechado e depois mantido sob intervenção do DIP enquanto seu proprietário, Júlio de Mesquita Filho, exilara-se. Outra estratégia utilizada era arregimentação financeira de jornalistas e intelectuais, algo ainda comum a certos setores da imprensa brasileira da atualidade. Segundo Joel Silveira, testemunha ocular do período, um autor ganhara 1.500 cruzeiros na edição de um romance, caso escrevesse 40 páginas de um livro sobre Getúlio Vargas para o DIP, o mesmo receberia O DIP e a escola, cartaz da era Vargas. 5.000 cruzeiros. Outro exemplo, a revista "Cultura Política", criada por Lá se foram 70 anos de DIP. Que lições Lourival Fontes, pagava cinco mil cruzeiros se podem tirar? Talvez a mais importante para cada colaboração, enquanto o suplemen- delas seja o respeito à imprensa e à profisto literário do jornal "Diário de Notícias" são regulamentada de jornalista, condição pagava duzentos cruzeiros. O jornalista regis- fundamental ao bom funcionamento do trado no DIP era isento de pagamento do Estado democrático. Apesar do tempo, a somimposto de renda. Difícil resistir... Muitos bra do DIP paira nas mentes de políticos e intelectuais, a exemplo de Graciliano Ra- autoridades, interessadas, sob argumentos mos e Carlos Drummond de Andrade, não diversos, calar a imprensa ou criar veículos se submeteram às delícias de ser governista. de comunicação mancomunados com grupos que mascaram a veracidade dos acontePROPAGANDA E DIFUSÃO cimentos, sem que haja, ao menos, respeito O Estado entendia ser função do DIP fo- ao leitor. Jornal de Fato

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COLABORADORES

Contadores de

histórias Eles fizeram a coluna 'Um Dia na História' ao longo do ano de 2009 especialmente para DOMINGO. Agora o trabalho poderá ser transformado em livro. Saiba um pouco mais sobre esse grupo de professores que amam contar História.

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Os ataques terroristas no mundo, a história do Petróleo, a morte de personalidades da política, a queda do muro de Berlim, os quarenta anos da conquista da Lua pelo homem: todos esses acontecimentos históricos realizados em momentos diferentes foram lembrados de uma maneira muito especial, durante mais de cinquenta edições da revista domingo ao longo deste ano, devido ao empenho e compromisso de um grupo de professores do Departamento de História da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN). Os professores Fabiano Mendes, Iza Régis, Lindercy Lins, Marcílio Falcão e Francisco Linhares são os autores dos artigos que trataram da história de uma maneira leve, interessante e sempre buscando uma relação do passado com o presente nas edições desta Revista. Eles integram um mesmo grupo de pesquisas em "História do Nordeste, Sociedade e Cultura" e decidiram acatar um desafio de falar de diversos temas da história, relembrando as datas mais importantes acompanhadas de uma análise destes acontecimentos. Para isso surgiu a ideia da coluna "Um Dia na História", que começou a ser veiculada em uma página da Revista DOMINGO no dia 7 de dezembro de 2008, após uma proposta feita pelos professores a editoria do jornal. "A ideia da coluna começou quando éramos procurados sempre que a reportagem precisava da opinião de um professor de História para as matérias sobre datas e isso quase sempre acabava no mesmo grupo de professores. O JORNAL DE FATO tem grande participação na existência desta coluna porque levamos a proposta e a editoria da revista aceitou nos dar este espaço", explica Fabiano Mendes, que coordenou a produção de artigos. De imediato, o grupo de professores dividiu o calendário de artigos permitindo um revezamento da produção a ser publicada e a indicação das datas que tinham de ser lembradas. Pode parecer fácil, mas não foi: eles tiveram desafios como ter de adequar o texto ao espaço delimitado para temas históricos extensos, entregar o material em tempo hábil de fechar a edição todas as semanas e encontrar uma linguagem que não fosse superficial, mas, que não soasse acadêmica, ou seja, que agradasse aos leitores. Nenhum destes, porém tão difícil quanto à escolha dos temas. O desafio maior foi o e de selecionar datas conhecidas e também que muitas vezes não são lembradas nem pela mídia, mas que se faz importante que as pessoas recordem. "Fizemos isso quando lembramos do assassinato do índio Galdino, porque traz uma análise importante e as pessoas precisam lembrar. Também fizemos quando lembramos o massacre de Eldorado dos Carajás, o qual muitos preferem que seja esque-


cido, mas que são fatos que fazem parte da nossa história, além das datas que são consagradas e que todos já sabem. Queríamos trazer questões novas para temas não tão novos e acredito que conseguimos isso", explica a professora Iza Régis. Além de datas históricas nacionais e mundiais, a coluna também deu conta de datas históricas da cidade de Mossoró e com enfoque no Nordeste. Houve também a lembrança de datas que fazem parte da rotina dos historiadores e que são completamente desconhecidas como a primeira publicação sobre a História do Brasil de Frei Vicente Salvador.

bastidores IZAÍRA THALITA

O passado e o presente nas páginas de DOMINGO Nas aulas de história ainda no ensino médio aprendi que não podemos entender o que se passa no presente sem olhar para o nosso passado. Nem todo mundo vê na História essa importância e talvez seja por esse motivo que alguns fatos da política, do comportamento e da sociedade em geral não sejam bem compreendidos. Sabemos que o passado histórico também é facilmente esquecido e é importante que ele seja resgatado por vezes pela mídia, a fim de promover uma reflexão sobre essa sociedade de hoje. É impossível abarcar nas edições de um suplemento semanal todas as datas importantes da história e ainda dar a esse conteúdo um caráter instrutivo, educativo e crítico. Assim, a coluna Um Dia Na História surgiu em meio a uma parceria com

DATAS E FATOS Em muitos momentos, a coluna entrou no clima das reportagens especiais que ganharam destaque de capa da Revista, como os 40 anos da conquista da Lua pelo Homem. Os historiadores fizeram um relato trazendo outros aspectos da história que não consta em muitos livros e acrescentaram mais conhecimento à matéria. LIVRO DE ARTIGOS A proposta da coluna era de um ano, mas a ideia não se acaba por aqui. "Estaremos repensando essa participação que foi ótima para nós, mas, temos um projeto de transformar os artigos publicados em livro. Na nossa área, os livros sobre datas são sempre resumidos e não trazem uma análise dos acontecimentos. Acredito que será uma publicação diferenciada", res-

• Izaíra Thalita

o professor Fabiano Mendes, que arregimentou um grupo de historiadores comprometidos em dialogar com os leitores da REVISTA DOMINGO, tão variado quanto os temas abordados numa única edição. Ao receber a proposta do professor de colaborar semanalmente com a Revista, de imediato consideramos sua viabilidade e importância, mas sabíamos que seria um desafio tratar de temas importantes em espaço tão curto, porém necessário ao perfil de quem busca uma leitura dominical. Agora, a Revista publica a última coluna deste ano, escrita por Lindercy Lins, pensando que será uma breve despedida e que o projeto possa voltar em 2010, ou ainda comemorando a transformação destes artigos em livro. Afinal, queremos continuar levando aos leitores material de qualidade e lembrando do passado de uma maneira agradável e reflexiva.

é editora da Revista Domingo

salta o professor Lindercy Lins. O grupo não descarta um retorno da coluna. "Não nos impede porque serão outras datas, com outros temas certamente mui-

to importantes", completa Fabiano. Com isso, ganham os leitores de DOMINGO, que poderão compreender melhor o presente observando a nossa própria história.

QUEM SÃO ELES? Saiba um pouco mais sobre os professores/autores da Coluna 'Um Dia na História':

Fabiano Mendes Doutorando em história social pela USP; Mestre em história pela UFC; Pesquisa e ensina teorias da história, história do Brasil; história da cultura; história e linguagens - centrando na área de história e literatura.

Lindercy Lins Mestre em história pela UFC; pesquisa e ensina história do Brasil - centrando na área de história política.

Fco. Linhares Mestre em história pela UFC; pesquisa e ensina teorias e metodologias da história; pesquisa sobre violência e controle social.

Iza Regis

Marcílio Falcão

Mestre em história pela UFC; pesquisa e ensina teorias da história; história do Brasil; história geral contemporânea - centrando nas áreas de história e linguagens - cinema e imprensa.

Jornal de Fato

Mestrando em história pela UFC; pesquisa e ensina história da América, história do nordeste - centrando nas áreas de memória, oralidade e cultura popular.

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CRÔNICA/JOSÉ ROMERO

PROFESSORA AMÉRICA A geografia humana da nação nordestina fica bem mais pobre com a partida da professora América Rosado Maia, pois a história de lutas plantada na terra de Santa Luzia transformou-a em importante mito das plagas heróicas onde outrora perlustrou valente tribo monxoró. Viúva do professor Vingt-un Rosado, coincidentemente encantado em 21 de dezembro, há exatos quatro anos, América adotou Mossoró no final da década de quarenta do século passado, quando desposou o caçula do farmacêutico Jerônimo Rosado. Protagonizou momentos sublimes da história mossoroense, sobretudo referente à luta pelo triunfo da educação e cultura. Bibliotecas, instituições de ensino

superior, editora, livros e mais livros, ensino, pesquisa e extensão foram objetivos alcançados pela professora América, ladeando Vingt-un em suas incansáveis batalhas. Cientista social, possuidora de invulgar sensibilidade para as causas humanas, a professora América dedicou extraordinários esforços em prol da edificação de uma sociedade menos inflexível e mais letrada. A ênfase ao processo ensino-aprendizagem na então Escola Superior de Agricultura de Mossoró fez da professora América grande referência na concretização do sonho de Graff, efetivado por Vingt-un e Dix-huit, entre outros participantes da épica batalha pela criação da escola superior em Mossoró destinada ao estudo da agricultura, com destaque significativo a do semiárido. Professora América, notável intelectual, integrante de institutos e academias, escreveu diversos livros, bem como organizou ou co-organizou diversos outros, deixa marca indelével

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impressa em múltiplas áreas do conhecimento. Era interessada, a exemplo de Vingt-un, em inúmeros setores científico-culturais. Os livros das secas, organizados por América, Vingt-un e Isaura Ester, entre outros, tornaram-se referência quando se trata de estudo sobre as condições climáticas do semiárido, com destaque ao problema das estiagens. O "País de Mossoró" despede-se de outro anjo de luz, pois mulher guerreira que simboliza a luta das mulheres pela ênfase à construção humana de grande e indiscutível valor material e espiritual, professora América está entronizada de forma magistral na mitologia que agrega importantes figuras que fizeram e contribuem para a solidificação da história de um povo heróico.

José Romero Araújo Cardoso é geógrafo e professor do Departamento de Geografia da UERN.


CULINÁRIA

Ossobuco cozido na cerveja INGREDIENTES

Lave os ossobucos e amarre um barbante de cozinha em volta de cada um deles. Polvilhe a superfície com a farinha de trigo peneirada com 2 colheres (chá) de sal e reserve.

Coloque o óleo numa panela grande o suficiente para caber os 4 ossobucos e leve ao fogo por 2 minutos. Disponha os ossobucos e frite por 10 minutos, ou até dourar. Distribua a cebola, o tomate, o tomilho, o louro, o sal e a pimentado-reino. Regue com a cerveja, tampe a panela e cozinhe em fogo baixo, sem mexer, por 2 horas, ou até a carne ficar macia. No final do cozi¬mento deixe a panela destampada. Acerte o sal e retire do fogo. Coloque os ossobucos nos pratos e cubra com um pouco do molho da panela. Se preferir, decore com folhas de louro.

Ratatouille

Bolo com doce de leite e chocolate

MODO DE PREPARO

INGREDIENTES 1 pimentão vermelho médio; 1 pimentão verde médio 1 abobrinha italiana média ; 1 cenoura média; 2 tomates médios ; 1 berinjela pequena; 1 cebola média; 1/2 xícara (chá) de azeite de oliva ; 1/2 xícara (chá) de ervas frescas picadas (manjericão e coentro); 100 g de azeitonas verdes; 100 g de azeitonas pretas médias; sal e pimenta-do-reino moída grosseiramente a gosto

MODO DE PREPARO Lave os pimentões, parta-os ao meio, elimine as sementes e os filamentos internos brancos e pique-os em cubos regulares. Corte a abobrinha em cubos médios (semelhante ao tamanho dos pimentões). Raspe a casca da cenoura e corte-a em cubos. Lave os tomates e pique-os em pedaços médios. Pique a berinjela e a cebola em pedaços regulares. Coloque a abobrinha, o pimentão, a cenoura e a berinjela numa panela com 2 litros de água fervente e sal. Deixe no fogo por 4 minutos, ou até ferver novamente. Retire do fogo, escorra a água e passe os legumes por água fria. Reserve. Em outra panela, aqueça o azeite de oliva, junte os vegetais e refogue, salteando de vez em quando, por 5 minutos, ou até ficarem ''al dente''. Adicione as ervas, as azeitonas, o sal e a pimenta-do-reino. Misture com cuidado e retire do fogo. Sirva com massas, feijão-branco ou torradas.

INGREDIENTES 4 ovos 10 colheres (sopa) de açúcar 10 colheres (sopa) de farinha de trigo peneirada 1 colher (sopa) de manteiga 200 g de chocolate meio amargo picado 1/2 xícara (chá) de doce de leite cremoso 1/2 xícara (chá) de nozes picadas 3 colheres (sopa) de calda de chocolate

MODO DE PREPARO Preaqueça o forno à temperatura média (180ºC). Bata os ovos por 4 minutos numa batedeira. Sem parar de bater, junte o açúcar, colher a colher. Misture a farinha de trigo as poucos com delicadeza. Despeje numa assadeira de 20 cm x 30 cm, untada com a manteiga e enfarinhe. Leve ao forno por 15 minutos, ou até a massa ficar firme, mas não deixe dourar. Retire o bolo do forno e deixe amornar. Derreta o chocolate em banho-maria. Retire do fogo e misture o doce de leite e as nozes. Corte o bolo em pedaços (se preferir, use um aro), coloque nos pratos e disponha o doce de leite com o chocolate. Regue com calda de chocolate, decore a gosto e sirva em seguida.

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FONTE: tudogostoso.com.br

4 ossobucos médios com 3-4 cm de espessura (cerca de 1 kg no total) 4 colheres (sopa) de farinha de trigo 4 colheres (sopa) de óleo 1 cebola média em pedaços pequenos 3 tomates médios sem pele e sem sementes em pedaços pequenos 1 ramo de tomilho fresco 4 folhas de louro 1.200 ml de cerveja clara sal e pimenta-do-reino a gosto


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