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Agrupamento Vertical de S. Lourenço – Ermesinde PNEP – 2009/2010 REFLEXÃO PÓS-OBSERVAÇÃO Nome da Formanda: Isabel Maria de Rezende Pinto dos Santos Alves Escola: EB1/JI do Carvalhal

Turma: 3º B

Data da aula observada: 22/03/2010

1. Faça uma apreciação global à sua aula (aspectos positivos/negativos/sentimentos…).

A 9ª sessão tutorial correspondeu totalmente às minhas expectativas iniciais, tendo conseguido desenvolver todas as actividades propostas na planificação. Senti que para além dos conteúdos de compreensão da leitura, voltei a abordar noções de leitura/ decifração e encetei a avaliação da mesma, uma vez que todas estas vertentes se encontram correlacionadas. A aula iniciou-se com a visualização de um “movie maker” realizado por uma turma

do

ano

de

uma

escola

do

norte

do

país

(in

http://www.youtube.com/watch?v=1dbbcMoBZVo), no qual os alunos visualizaram imagens associadas à récita do poema “O Limpa-palavras”. Com esta actividade os alunos puderam apreender melhor o sentido do léxico do texto e visualizar imagens associadas aos versos do poema. Após a visualização do vídeo a professora indagou a turma dos sentimentos despertados pela mesma e se as imagens mentais que cada um criou inicialmente do poema eram aquelas ou outras diferentes das apresentadas. Curiosamente alguns alunos referiram que as imagens mentais, despertadas pela leitura prévia do poema, não correspondiam às imagens visuais apresentadas no vídeo. Alguns exemplos do que acabei de referir são, nomeadamente, “A palavra solidão faz-me companhia”, que representava para uma aluna o ler o poema sozinha mas acompanhada por um livro, ao invés de uma menina sozinha a olhar para o céu como no vídeo. “A palavra coração não pára de bater”, não ficava na palma da mão mas dentro de nós e a “A palavra fogão cozinha o meu jantar”, não teria decerto o fogão a lenha mostrado no vídeo, pois a imagem não era significativa para nenhum dos alunos.

PNEP 2009/2010

Formadora: Neuza Pinto


__ Posteriormente, os alunos puderam ouvir a audição da récita (gravada) do poema

“O

Limpa-palavras”

de

Álvaro

Magalhães

(in

http://conta-

meumconto.blogspot.com), por uma actriz pertencente a um grupo denominado Andante, que é uma associação artística que lê, interpretando, poesia de uma forma muito particular. Os alunos foram acompanhando a leitura através de uma transcrição fotocopiada do mesmo (cfr. fotografias 1 e 2).

Fotografias 1 e 2: Audição da leitura do poema “O Limpa-palavras” de Álvaro Magalhães.

Depois de ouvidas as leituras do poema os alunos puderam expressar as emoções e sentimentos despertados pela obra, bem como explanar as diferenças notadas entre as duas leituras, sendo que uma é acompanhada de imagem e a outra não. Os alunos referiram, em primeira análise, que é mais aprazível, possibilitando uma maior compreensão, ouvir o poema enquanto são projectadas imagens (referentes) do que é dito oralmente. Julgo que para os alunos será mais agradável “ver” e ouvir um poema pois esta actividade permite-lhes mobilizar as imagens mentais do léxico que lhes é familiar, sendo que estas vão ao encontro das imagens projectadas. Por outro lado, o léxico desconhecido é concretizado em novos referentes, sendo por isso melhor compreendido. O audiovisual é sempre uma ferramenta poderosa… Para mim como leitora, adulta, as palavras voam mais longe quando sou eu a criar imagens mentais sobre elas; prefiro projectar-me no texto e criar mundos sonhados, quimeras vividas. PNEP 2009/2010

Formadora: Neuza Pinto


__ Não obstante, não nego o poder maravilhoso de algumas ilustrações, puro deleite para o nosso olhar e da adaptação de alguns livros ao cinema. Posteriormente, e por solicitação da professora, a turma deteve-se com a qualidade da leitura dos dois momentos supracitados. Nesta segunda ocasião os alunos

foram

unânimes

em

afirmar

que

o

poema

in

http://conta-

meumconto.blogspot.com, está melhor lido, tendo em consideração a entoação, o ritmo, a articulação das palavras e o tom de voz da leitora, do que o primeiro recitado por uma turma do 5º ano. Interessante que os alunos sem utilizarem a terminologia adequada, que acabei de referir, detiveram-se sobre todos estes aspectos. Depois os alunos foram divididos em três colunas de carteiras/ grupos, para lerem em voz alta e em conjunto o poema “O Limpa-palavras”. Cada grupo leu uma parte da primeira estrofe do poema: 1º período/ 1º grupo: “acariciar as palavras” - lendo exprimindo ternura; 2º período/ 2º grupo: “raspar-lhes a sujidade” – lendo com força e energia; 3º período/3º grupo: “as palavras chegam doentes, estafadas, dobradas” – lendo exprimindo fraqueza cansaço. Esta leitura ficou muito aquém das minhas expectativas iniciais e demonstrou que a turma não está habituada a ler em conjunto. Cada um dos alunos leu ao seu ritmo, sem expressividade, em tom monocórdico, preocupando-se apenas com a qualidade da decifração do poema e não tanto com o conteúdo/ compreensão do mesmo. A leitura parece ter sido cometida pela via sub-lexical, apesar das actividades de análise prévia do poema. Os alunos também expressaram o seu descontentamento e incidiram sobre as suas dificuldades. Julgo que um dos obstáculos iniciais foi a compreensão das instruções de leitura, uma vez que não é hábito o fazerem desta forma. A professora poderia ter servido de modelo inicial e não apenas quando denotou as dificuldades. De seguida, a turma pôde reflectir em que medida as actividades da aula anterior, nomeadamente a antecipação da mensagem do poema, ajudaram à decifração e compreensão do mesmo. Julgo que as actividades da sessão anterior foram fundamentais para a decifração do conceito “limpar palavras” e do jogo semântico que lhe está associado. PNEP 2009/2010

Formadora: Neuza Pinto


__ Para uma melhor apreensão do sentido do léxico do texto, e deste no contexto do poema, os alunos puderam experimentar algumas das sensações despertadas por algumas palavras evocadas no mesmo, como sejam: o cheiro da rosa; o peso da pedra; o bater do coração; o vento que levanta os papéis pelo ar e a lisura dos seixos do rio (cfr. fotografias 3 e 4).

Fotografia 3: O experimento da sensação de olfacto, perfume despertado pela palavra “rosa”.

Fotografia 4: O experimento da sensação de tacto despertado pelo peso da palavra “pedra”.

No entender de Sim-Sim, I. (2009), “ler é compreender o que está escrito. A leitura é acima de tudo um processo de compreensão que mobiliza simultaneamente um sistema articulado de capacidades e de conhecimentos” (p. 9). Julgo que a actividade supracitada cumpriu esta função na plenitude.

PNEP 2009/2010

Formadora: Neuza Pinto


__ Nesta aula voltámos a reflectir o sentido explícito e implícito das palavras, nomeadamente as palavras que precisam de ser limpas segundo o autor do poema. Cada aluno elaborou individualmente duas listas de palavras distintas, uma de “palavras que precisam de ser limpas” e outra de “palavras limpinhas!” (cfr. fotografia 5).

Fotografia 5: Listas de palavras “que precisam de ser limpas” e de “palavras limpinhas!”; trabalho individual de um aluno.

De seguida estas palavras foram sendo registadas num papel de cenário, à semelhança de uma “chuva de ideias”, visível a toda a turma e foram-se reflectindo as mesmas de acordo com os seus sentidos explícitos e implícitos (cfr. fotografias nº 6, 7 e 8).

Fotografia 6: Listas de palavras “que precisam de ser limpas” – Cartaz da turma.

PNEP 2009/2010

Formadora: Neuza Pinto


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Fotografia 7: Listas de palavras “limpinhas” – Cartaz da turma.

Fotografia 8: Cartaz da turma – Chuva de ideias em volta do poema “O Limpa-palavras” – vista geral.

Nesta descodificação foi-se notando que algumas das palavras referidas são ambíguas de sentido e que permitem um encaixe simultâneo nos dois grupos, ora “precisam de ser limpas” ora “são limpinhas”, depende do uso que lhes damos, como nos conta o autor do poema. Uma dessas palavras, referidas por uma aluna como uma das que precisa de “ser limpa” é “família”. Chocante mas real, uma das palavras mais genuínas e puras que conhecemos e que por vezes tem tão mau uso: “professora a minha família precisa de ser limpa…”.

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Formadora: Neuza Pinto


__ Citando VIANA, F. L. e MARTINS, M. M (2007), “o texto literário constrói-se de implícitos, de ambiguidades, o que promove o jogo lúdico com o leitor, em que é convidado a participar na sua descodificação”. No sentido de compreender e repensar a obra os alunos procederam à resolução de uma ficha de avaliação formativa, na qual tiveram que preencher lacunas das duas primeiras estrofes do poema supracitado, bem como ilustrar quatro versos do mesmo. Relativamente à primeira actividade, preenchimento de lacunas, os alunos não tiveram grandes dificuldades, à excepção do verso: “Há palavras que precisam de ser limpas e acariciadas”, que alguns alunos referiram que precisam de “…ser limpas e esfregadas”. A troca da palavra “acariciadas” por “esfregadas” espelha o sentido de limpeza presente na mente de alguns alunos e não o de cuidado, de bem tratar, de acariciar (cfr. fotografia nº 9).

Fotografia 9: Resolução da ficha de avaliação formativa – preenchimento de lacunas num texto.

Quanto à segunda actividade da ficha, os alunos não tiveram grandes dificuldades em expressar, de forma pictórica/ através de desenhos, o sentido dos versos do poema (cfr. fotografia nº 10).

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Formadora: Neuza Pinto


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Fotografia 10: Resolução da ficha de avaliação formativa – ilustração dos versos do poema.

A aula terminou com uma reflexão dos conteúdos abordados. Os alunos referiram as actividades desenvolvidas nesta aula e em que medida estas contribuíram para uma melhor compreensão do poema.

2. A planificação foi cumprida/houve necessidade de alterar? A planificação foi totalmente cumprida e por isso não houve necessidade de a alterar. As actividades que ficaram por desenvolver na aula transacta foram realizadas nesta sessão.

3. Relação entre o que foi ensinado e o que aprenderam os alunos. Julgo que os alunos conseguiram compreender e apreender os conceitos que foram propostos para esta aula – compreensão da leitura. Prova disso mesmo é o resultado da resolução da ficha de avaliação formativa, bem como do cartaz elaborado pela turma.

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Formadora: Neuza Pinto


__ 4. Que dificuldades encontrou? Como foram resolvidas? Detive-me com alguns constrangimentos relativamente à leitura do poema efectuada em grupo turma. Para a superação destas dificuldades reli partes do poema com o intuito de servir de modelo à leitura dos alunos, expliquei novamente a tarefa e reorganizei os grupos de leitura por colunas.

5. Que pensa fazer relativamente a acções futuras (aspectos a alterar)? Os aspectos de leitura não conseguidos nesta sessão serão revistos. Treinar-seá a leitura em conjunto, em próximas aulas, para que na aula de avaliação da mesma se possam sentir melhorias significativas.

6. Em que medida a planificação ajudou a concretização da aula? A planificação ajudou, em primeira análise a estruturar as actividades a realizar para o ensino/ aprendizagem dos conteúdos objectivados para esta aula e em segunda análise a equacionar possíveis dificuldades sentidas pelos alunos. No decorrer da aula a planificação serviu de orientação para a prossecução das actividades em função do tempo de aula/ feedback dos alunos.

Referências Bibliográficas:

- SIM-SIM, I. (2009). O Ensino da Leitura: A Decifração. Editor: Ministério da Educação: Direcção-Geral de Inovação e de Desenvolvimento Curricular, editado no âmbito do PNEP.

- VIANA, F. L. e MARTINS, M. M (2007). “Percursos de leitura e percursos de vida” In CERRILLO, P.; CANÂRES, C. & ORTIZ, C. (org). Literatura Infantil: Nuevas lecturas y nuevos lectores. Actas del V Seminário Internacional de Lectura y Património (pp. 439-444). Cuenca: Ediciones de la Universidad de Castilla la Mancha.

PNEP 2009/2010

Formadora: Neuza Pinto


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PNEP 2009/2010

Formadora: Neuza Pinto


9ª aula - reflexão pós-observação