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Agrupamento Vertical de S. Lourenço – Ermesinde PNEP – 2009/2010 REFLEXÃO PÓS-OBSERVAÇÃO

Nome da Formanda: Isabel Maria de Rezende Pinto dos Santos Alves Escola: EB1/JI do Carvalhal

Turma: 3º B

Data da aula observada: 22/02/2010

Num tempo em que as Novas Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) fazem parte do quotidiano das crianças, é inevitável que a escola se actualize para que acompanhe esta tendência, que será evidentemente irreversível. Como refere Porcher (1994), as crianças que frequentam as nossas escolas são “crianças dos ecrãs”. São crianças que passaram rapidamente do concreto, dos objectos e brinquedos reais para o mundo do virtual e do simbólico. Estas crianças são, também, capazes de realizar várias tarefas ao mesmo tempo, passando facilmente de uma página WEB para outra, de um programa de televisão para outro, lendo um ecrã que apresenta em simultâneo várias programações, várias janelas, compreendendo simultaneamente os princípios de construção do hipermédia (in “As implicações das TIC no ensino da língua”, brochura no âmbito do PNEP). No mundo digital actual o acesso à informação/ conhecimento é instantâneo, imediato, fica apenas à distância de um “clicar” no rato do PC. Por possibilitar em simultâneo o acesso a texto, imagem e som, a internet é muito mais aprazível e motivadora do que o cinzentismo da escola tradicional, que terá seguramente de se actualizar. As TIC estão progressivamente a entrar nas escolas, nomeadamente por via da aquisição do computador “Magalhães”, da presença de pelo menos um computador por sala (no âmbito do plano tecnológico da educação), de projectores multimédia, bem como, dos quadros interactivos. Compete à escola, na figura dos seus educadores, criar espaços físicos e tempos de trabalho com as TIC, para que estas possam ser reinterpretadas e incluídas no espaço escolar. Esta aula pretendeu ser uma amostra, daquilo que deveria ser parte integrante do dia-a-dia escolar das crianças.

PNEP 2009/2010

Formadora: Neuza Pinto


__ 1. Faça uma apreciação global à sua aula (aspectos positivos/negativos/sentimentos…).

A 7ª sessão tutorial correspondeu apenas em parte, aos objectivos preconizados na planificação da aula, na medida em que os alunos não conseguiram aceder à internet da escola. Gostaria de realçar como aspectos positivos: - A preparação prévia do PowerPoint e do questionário a apresentar aos alunos, documentos esses que foram introduzidos nos computadores “Magalhães” dos líderes de grupo, numa aula anterior a esta, não observada. Estes documentos foram posteriormente acedidos e trabalhados pelos alunos, em grupo, no computador “Magalhães”. - A motivação para o tema da aula: a visita de estudo ao Planetário do Porto, através de um telescópio e de modelos do nosso sistema solar, um representativo dos planetas e outro das constelações de estrelas. Os alunos puderam manipular os mesmos e consultar alguma informação electrónica (áudio), presente num dos modelos (cfr. fotografia 1).

Fotografia 1: Visionamento e manipulação do telescópio e dos diferentes modelos do nosso sistema solar.

O objectivo primordial desta aula não era a preparação da visita de estudo ao planetário, mas sim uma apresentação aos alunos de um panorama geral sobre os conceitos de leitura e escrita relacionados com as TIC, bem como, as suas potencialidades. PNEP 2009/2010

Formadora: Neuza Pinto


__ A visita de estudo serviu como ponto de partida/ tema para a pesquisa através das TIC. Apresentaram-se, designadamente os programas principais do Office, a Internet e as suas ferramentas, links, sites, navegação, etc., estabelecendo relações destas com a leitura e com a escrita. Mais precisamente, pretendeu-se analisar a prática da leitura e da escrita com o hipertexto: a diferença entre texto em papel e texto em forma digital (hipertexto): as revoluções e as mudanças da leitura/ escrita no texto impresso para o hipertexto. - A professora trouxe já um texto (hipertexto) pré-definido, que serviu de guião à busca de informações sobre o Planetário, tendo-o apresentado aos alunos em PowerPoint. Parafraseando Lévy (2003) a tela informática foi uma nova “máquina de ler”, o lugar onde uma reserva de informação possível vem se realizar por selecção, aqui e agora, para um leitor particular. Ora essa selecção foi por mim realizada previamente, para que os alunos não se pudessem “perder” no mundo interminável do hipertexto. Depois desta aula, através das ferramentas que já dominam, numa futura busca, os alunos poderiam então criar o seu próprio hipertexto. - Antes de iniciar a apresentação do PowerPoint, expliquei alguns dos ícones do ambiente de trabalho, bem como, se fazia a ligação à internet através da inserção de uma “pen” móvel na saída “USB” do computador portátil (cfr. fotografia 2). Alguns alunos mencionaram que os pais também utilizavam a internet móvel.

Fotografia 2: Visionamento da ligação à internet através do Sapo Móvel.

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Formadora: Neuza Pinto


__ - De seguida decifrei como se abriam as diferentes “pastas” referentes ao trabalho em causa e como se maximizavam, minimizavam e fechavam os vários ecrãs (cfr. fotografia 3).

Fotografia 3: Projecção das várias pastas e documentos inseridas no computador “Magalhães” dos alunos.

Por vezes operações tão simples como estas, de como gerir os vários ecrãs/ documentos em execução simultânea podem ser de difícil execução para as crianças que estão habituadas a ler textos lineares (que obedecem a parágrafos, períodos e que têm princípio, meio e fim). Citando Fachinetto (2005), “o que podemos constatar é que o hipertexto modifica as práticas de leitura. Subverte as formas de apresentação, usabilidade, contacto físico, linearidade, e consequentemente de leitura. O texto não é mais em papel, mas em “bites”, armazenado num dispositivo de memória somente legível ao computador”. Para que os alunos possam aprender a ler o hipertexto é necessário que sejam estimulados e orientados para tal. - De seguida foi apresentado o PowerPoint propriamente dito e exploradas as várias hiperligações criadas pela professora ao longo da apresentação, tais como: navegação pelo site oficial do planetário (cfr. fotografia 3) e “blog” do mesmo (foi explicado aos alunos o propósito do blog) e pesquisa das actividades a desenvolver durante a visita.

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Formadora: Neuza Pinto


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Fotografia 4: Hiperligação e Navegação pelo site oficial do Planetário.

Os alunos tiveram ainda oportunidade de consultar o itinerário a percorrer desde a escola até ao Planetário do Porto, através de uma pesquisa no “Google maps”. Puderam fazer uma vista virtual à entrada do edifício do planetário numa visão 3D e visualizar a escola e os edifícios circundantes numa visão de satélite (cfr. fotografia 4).

Fotografias 5 e 6: Hiperligação e navegação pelo site “Google maps”. Pesquisa e visualização do itinerário da visita e vista aérea da escola EB1 do Carvalhal.

Para Xavier (2004), com o hipertexto “ler o mundo tornou-se virtualmente possível, haja vista que sua natureza imaterial o faz ubíquo por permitir que seja acessado em qualquer parte do planeta, a qualquer hora do dia e por mais de um de um leitor simultaneamente”.

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Formadora: Neuza Pinto


__ - Depois de visionado e explorado todo o PowerPoint, os alunos responderam em grupo, a um questionário sobre a pesquisa realizada anteriormente e exposta pela professora no PowerPoint. Para a resposta a este questionário os alunos puderam consultar o material de pesquisa fornecido, em registo informático e em papel. A resposta ao questionário foi realizada em suporte informático no computador Magalhães dos alunos, um PC para cada grupo (cfr. fotografias 7 e 8).

Fotografias 7 e 8: Resposta ao questionário sobre a visita de estudo ao Planetário do Porto – trabalho de grupo.

Foi utilizado o trabalho de grupo essencialmente por duas razões distintas: primeiro porque nem todos os alunos da turma possuem o computador “Magalhães” (alguns estão avariados), a segunda razão foi para haver uma partilha de conhecimentos digitais entre pares. Os alunos mais competentes a nível informático puderam ajudar e explicar aos colegas como proceder (cfr. fotografias 9 e 10).

Fotografias 9 e 10: Desenvolvimento do trabalho de grupo no “Magalhães” – vista geral da turma.

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Formadora: Neuza Pinto


__ - A professora foi orientando o trabalho, grupo a grupo e tirando dúvidas relativamente ao mesmo. Ajudei na escrita de textos, visto que alguns alunos desconheciam a funcionalidade de algumas teclas tal como o “Caps Lock” ou mesmo como aceder aos símbolos superiores, nomeadamente os acentos graves. Vários alunos desconheciam a forma de fazer parágrafos ou como formatar o texto devidamente. Este desconhecimento de algumas das aplicações básicas de um processador de texto denotam uma inexperiência/ falta de contacto evidente com as TIC. Esta correcção/ reformulação do texto é uma das mais-valias do texto electrónico uma vez que nenhum estado ou versão é definitivo. “Comparado, com o texto impresso, a forma electrónica parece relativamente dinâmica, já que sempre permite a correcção, a actualização e outras modificações similares” (Landow, 1992, p.. 73). - Após a correcção, e à medida que todos os grupos iam finalizando os seus trabalhos, a professora foi discorrendo dos perigos da utilização da internet e dos vários cuidados a ter na sua utilização. O tema surgiu de forma imprevista, tendo sido os alunos que lançaram o tema à discussão. Por se ter entendido pertinente, no âmbito desta aula, explorou-se e debateu-se esta temática. Foram ainda explicadas as designações “www” (Wide Word Web) e as extensões dos ficheiros de acordo com a proveniência dos países (www.(...)..pt; Portugal; www.(...)..br, Brasil; www.(...)..es, Espanha; www.(...)..com (comercial, de todo o mundo), etc, ou do tipo de proveniência, nomeadamente, www.(...).gov (sites governamentais), www.(...).edu (relacionados com a educação), etc. - No final da aula os alunos fizeram uma reflexão sobre o que aprenderam com a aula dos seus conteúdos e actividades da mesma.

Como aspectos negativos gostaria de realçar: - A escola não possuir as condições necessárias/ ideais para a utilização diária das TIC, nomeadamente: existência de internet rápida e eficaz que permita o acesso simultâneo de todos os alunos; computador, impressora (multifunções), projector multimédia e quadro interactivo em todas as salas de aula (ou a presença destes dispositivos pelo menos uma sala multiusos para cada centro escolar/ EB1). PNEP 2009/2010

Formadora: Neuza Pinto


__ - Esta actividade, que teve como objectivo o desenvolvimento da leitura e escrita no âmbito das TIC, não ser uma prática frequente nas nossas salas de aula. - A minha posição, enquanto estive a projectar o PowerPoint ser de costas voltadas para os alunos. Durante a mesma, tive necessidade de me levantar e voltar-me de frente para os alunos.

2. A planificação foi cumprida/houve necessidade de alterar? A planificação foi totalmente cumprida. 3. Relação entre o que foi ensinado e o que aprenderam os alunos. Julgo que os alunos conseguiram compreender e apreender os conceitos que foram propostos para esta aula. Esta actividade foi apenas o “levantar o véu” para actividades futuras com as novas tecnologias. Estes alunos ainda não são tecnologicamente competentes, muito por falta de prática. Aliás, para espelhar bem esta asserção será só preciso mencionar que nenhum aluno me soube dizer o que são as TIC. 4. Que dificuldades encontrou? Como foram resolvidas? Detive-me com alguns constrangimentos relativamente à gestão do espaço na sala de aula, como já referi anteriormente, bem como com a falta de internet na escola. 5. Que pensa fazer relativamente a acções futuras (aspectos a alterar)? Concordando com Dionísio (2006), “os conceitos de escrita e de leitura precisam de ser revistos, bem como as práticas pedagógicas que lhe estão associadas”. A literacia digital dos alunos precisa de ser estimulada, fomentada, orientada, para que estes possam constituir-se como cidadãos activos e interventivos neste mundo cada vez mais global. É necessário que a manipulação do “Magalhães” não seja esporádica e razão de tanto alarido e agitação, como foi evidente nesta aula.

PNEP 2009/2010

Formadora: Neuza Pinto


__ 6. Em que medida a planificação ajudou a concretização da aula? A planificação ajudou, em primeira análise a estruturar as actividades a realizar para o ensino/ aprendizagem dos conteúdos objectivados para esta aula e em segunda análise a equacionar possíveis dificuldades sentidas pelos alunos. No decorrer da aula a planificação serviu de orientação para a prossecução das actividades em função do tempo de aula/ feedback dos alunos.

Referências Bibliográficas:

- Escola Superior de Educação do Porto. Brochura do PNEP, “As implicações das TIC no ensino da língua”.

- FACHINETTO, E., “O Hipertexto e as práticas de leitura”, in Revista de Divulgação Científica em Língua Portuguesa, Linguística e Literacia – Ano 02 – nº 03 – 2º semestre de 2005.

- LANDOW, Gerge P. Hiertexto: La convergencia de la teoria critica contemporânea y la tecnologia. Tradução de Patrick Ducher. Barcelona: Paidós, 1992. 284p.

- LÉVY, Pierre. O que é virtual? Tradução de Paulo neve. São Paulo: Editora 34, 2003, p. 160.

- XAVIER, Carlos António. Leitura, texto e hipertexto. In: MARCURSCH, Luís Antônio; XAVIER, Antônio Carlos. Hipertexto e Géneros Digitais: novas formas de construção do sentido. Rio de Janeiro: Lucerna, 2004. P. 170-180.

PNEP 2009/2010

Formadora: Neuza Pinto

7ª aula reflexão pós observação  

7ª aula reflexão pós observação