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Agrupamento Vertical de S. Lourenço – Ermesinde PNEP – 2009/2010 REFLEXÃO PÓS-OBSERVAÇÃO Nome da Formanda: Isabel Maria de Rezende Pinto dos Santos Alves Escola: EB1/JI do Carvalhal

Turma: 3º B

Data da aula observada: 10/05/2010

1. Faça uma apreciação global à sua aula (aspectos positivos/negativos/sentimentos…).

A 12.ª sessão de acompanhamento, última aula da Unidade Didáctica e da formação PNEP, foi o culminar de um processo de trabalho, análise e reflexão do Programa Nacional do Ensino do Português, com vista à mudança de práticas educativas no ensino da Língua Materna. Foi ainda o término da Unidade Didáctica e do processo de escrita iniciado nas três últimas aulas, que se finalizou com a revisão textual do texto instrucional – a receita, já encetada nas últimas aulas. A aula iniciou-se com a apresentação de uma receita, pré-elaborada pela professora: “Como escrever um bom texto” que invocava as três fases essenciais no processo de escrita: planificação; textualização e revisão (cfr. fotografia 1).

Fotografia nº 1: A Receita - “Como escrever um bom texto”.

PNEP 2009/2010

Formadora: Neuza Pinto


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A ideia da concepção desta receita surgiu através de um texto da prova de aferição de Língua Portuguesa do 4º ano, do ano de 2008, que fazia alusão ao processo de escrita e de como este deve ocorrer. Cada aluno teve acesso a um exemplar da “receita” supracitada. O objectivo desta, depois de lida e reflectida em grupo turma, é servir de guião de trabalho para o desenvolvimento do processo de escrita. A mesma foi plastificada para que os alunos se possam fazer acompanhar por ela sempre que queiram redigir um texto, para que não se esqueçam, numa primeira fase, de nenhuma das etapas deste processo. De seguida, os alunos continuaram o processo de escrita iniciado na aula anterior: a receita “Como limpar palavras?”. Para tal, reviram a planificação já elaborada e reflectiram que planificar é tomarmos decisões acerca daquilo que iremos escrever. Esta é a primeira fase do processo de escrita. Este constante retorno à fase de planificação deste processo de escrita prejudicou o tempo necessário para a explanação dos restantes conteúdos. O que é certo é que com um compasso temporal de quinze dias entre aulas assistidas, no meu caso em particular sem aulas com aquela turma, pois sou professora de apoio educativo, tornou-se essencial esta revisão constante do que se pretendia com a escrita deste texto. Já reflecti oralmente com a formadora residente da necessidade das aulas da unidade didáctica serem menos espaçadas no tempo, nomeadamente as que se reportam às três fases do processo de escrita. Com o auxílio da ficha de trabalho os alunos puderam continuar o processo de textualização, procedendo à elaboração de um mapa semântico. Para tal definiram: - As palavras a limpar com esta receita; - Os ingredientes a empregar; - Os utensílios a utilizar; - Que verbos a aplicar (por exemplo: misturar; dissolver; bater; cozer; …); - Com que ordem colocarão os ingredientes, o que acrescentarão…), etc. Este mapa semântico foi realizado em grupo/ turma e registado pelos alunos no quadro (cfr. fotografias 2 e 3).

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Formadora: Neuza Pinto


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Fotografia nº 2: Construção do mapa semântico.

Fotografia nº 3: Construção do mapa semântico.

Este mapa semântico não foi muito bem conseguido, na medida em que cada coluna correspondia a um grupo de palavras correlacionadas entre si, mas sem proceder à estruturação dos parágrafos. Teria sido certamente mais benéfico que posteriormente se fizesse outro mapa semântico, baseado neste, no qual, através dos verbos mencionados se explicitassem PNEP 2009/2010

Formadora: Neuza Pinto


__ tarefas/ instruções para a construção da receita. Então cada coluna corresponderia a uma ideia. Os alunos sentiram dificuldade no processo de textualização, muito devido às incorrecções supracitadas, não sabendo que ingredientes, utensílios e verbos utilizar em cada um dos parágrafos. O rascunho do texto, já iniciado na aula anterior, foi elaborado em papel de cenário afixado no quadro (cfr. fotografia nº 4).

Fotografia 4: Processo de escrita – textualização com recurso ao mapa semântico.

O texto foi sendo construído pela turma, com a colaboração de todos os alunos que foram dando sugestões. A professora foi fornecendo sugestões e orientando o processo (cfr. fotografia nº 5). Foi sendo dada muita ênfase ao processo de escrita, ao invés do resultado da mesma ao contrário da prática escolar mais frequente que, no entender de CABRAL (1994) “pode ser resumida nas etapas seguintes: o professor solicita um trabalho, o aluno produz o texto pedido, entrega-o ao professor, este corrige-o, classifica-o e devolve-o ao aluno. Por vezes chama a atenção para um ou outro erro mais grave, geralmente ortográfico ou sintáctico, faz um elogio genérico aos trabalhos melhores, e o aluno guarda o texto, quantas vezes sem ter lido sequer com atenção as anotações ou correcções do professor que, ao fazê-las, teve um trabalho insano totalmente inútil. Tudo termina aí até uma próxima oportunidade, que se desenrolará em moldes semelhantes”. PNEP 2009/2010

Formadora: Neuza Pinto


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Fotografia nº 5: Continuação da textualização sob orientação da professora.

Cada aluno que ia dando sugestões fazia o seu registo no papel de cenário e os restantes alunos o mesmo numa folha (cfr. fotografia nº 6).

Fotografia nº 6: Registo individual do rascunho do texto.

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__ Senti-me muito insegura durante todo este processo de escrita, uma vez que foi a primeira vez, tenho de admitir, que em quatro anos de carreira docente procedi à elaboração de um mapa semântico. A construção de textos com os meus alunos sempre se fez sem grande estruturação ou planificação, usando sempre como recurso a construção de áreas vocabulares alusivas à temática do texto que se pretendia escrever. Como algumas investigações demonstram e citando PEREIRA, L.A. (2003), “muitas das vezes os alunos não procedem a “escritas conscientes”, nem tão pouco a (re) escritas orientadas, por falta, justamente, de (re) conhecimento de estratégias cognitivas, com tudo o que tal implica” (p. 112). Reforçando esta ideia, jamais durante toda a minha escolaridade como aluna, nomeadamente na formação inicial de professores me foram ensinadas as três fases do processo de escrita. Fui aprendendo a escrever, “ao correr da pena”, muito por modelagem dos meus educadores (nomeadamente, pais, professores, escritores, …) ao longo da vida, sem nunca, na realidade, ter consciência da complexidade implicada neste processo. E quem não aprendeu não ensinará certamente… daí a importância desta formação. O rascunho do texto ficou terminado e procedeu-se então ao processo de revisão textual. Para tal os alunos utilizaram uma ficha de verificação que serviu de guia à revisão de todo o processo de textualização (cfr. fotografia nº 7).

Fotografia nº 7: Ficha de verificação/” check list” para guião à revisão textual.

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Formadora: Neuza Pinto


__ Os alunos foram fazendo a revisão respondendo às seguintes questões: - “Escrevi o título?” (O título estava presente mas não seria o mais adequado, não obstante não reflecti este mas aspecto com a turma, só posteriormente me detive sobre ele. Este aspecto daria origem a outra discussão/ reflexão, o título deverá ser escrito antes ou depois do processo de textualização estar concluído?); - “Indiquei inicialmente todos os ingredientes?”; - “Indiquei os utensílios necessários?”; - “Ordenei as instruções para a receita de modo a ser possível executá-la?”; - “Numerei as diferentes etapas da realização da receita?”; - “Mantive o mesmo modo verbal ao longo da descrição das etapas?”; - “Verifiquei ortografia, pontuação e vocabulário?”; - “Coloquei bem o texto na página?”. Segundo PEREIRA, L.A. (2003) “a actuação a montante do acto de escrita revela-se produtiva, mas é também fundamental actuar a jusante, submetendo os alunos a constante “bricolage textual”, através de exercícios em torno dos quatro pontos cardeais da reescrita: suprimir, permutar, substituir e acrescentar”. De acordo com a resposta às perguntas supracitadas os alunos foram procedendo à revisão do texto com vista ao seu aperfeiçoamento e a professora foi fazendo a sua correcção/ revisão riscando incorrecções e/ou acrescentando informação em falta (cfr. fotografias nº 8, nº 9 e nº 10).

Fotografia nº 8: Revisão do processo de escrita.

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Fotografia nº 9: Revisão do processo de escrita.

Fotografia nº 10: Revisão do processo de escrita.

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Fotografia nº 11: Revisão do processo de escrita.

Depois do texto revisto, pretendia-se que os alunos pudessem reescrevê-lo, cuidando da sua apresentação, mas não houve tempo durante a aula assistida de o fazer. Em suma, e parafraseando PEREIRA, L.A. (2003) é fundamental que o professor tenha uma intervenção activa a montante e a jusante da escrita, gerando dispositivos estratégicos para a aquisição por parte dos alunos de todos os dados que lhes permita resolver os problemas de escrita. A aula terminou com o visionamento de um “movie-maker” realizado pela professora com as fotografias e vídeos das aulas desenvolvidas no âmbito do PNEP. Foi muito comovedor e emotivo esse momento, ficou a sensação do dever cumprido, de orgulho na construção, no processo e na finalização. Por outro lado ficou ainda a sensação de poder continuar e fazer sempre mais e melhor a cada ano lectivo…

2. A planificação foi cumprida/houve necessidade de alterar? A planificação foi totalmente cumprida, à excepção da reflexão final dos conteúdos desta aula. Não obstante, o processo de revisão textual foi pouco explorado por ausência de tempo suficiente de aula.

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Formadora: Neuza Pinto


__ 3. Relação entre o que foi ensinado e o que aprenderam os alunos. Julgo que os alunos conseguiram compreender e apreender os conceitos que foram propostos ao longo destas últimas aulas, as três fases do processo de escrita: planificação; textualização e revisão. Doravante a prática e o treino farão a consolidação destes conteúdos.

4. Que dificuldades encontrou? Como foram resolvidas? Detive-me com alguns constrangimentos relativamente à gestão do tempo uma vez que esta era a última aula que teria da formação PNEP e concomitantemente o último dia de aulas com esta turma, o que exigia que o processo de escrita ficasse terminado. Quanto às dificuldades que senti durante a orientação do processo de escrita propriamente dito, julgo que já as explanei anteriormente.

5. Que pensa fazer relativamente a acções futuras (aspectos a alterar)? Em acções futuras já conseguirei explicar e orientar os meus alunos para uma correcta produção textual na qual estes poderão: - Proceder à planificação do texto (na qual será mencionado: o objectivo; o(s) destinatário (os); o suporte em que será redigido; o modo de edição e divulgação, …), - Nortear a textualização a partir de uma “chuva de ideias” consubstanciada pela construção de um mapa semântico que ajudará à organização dos parágrafos; - Finalizar a sua produção escrita com a revisão textual e a reescrita do mesmo, atentando ao seu aperfeiçoamento. Centrar-me-ei ainda mais no processo de escrita do que no produto, ao invés das minhas práticas anteriores (e de muitos colegas de profissão actuais), em que parafraseando PEREIRA, L. A. se desvalorizam os aspectos processuais da produção do texto escrito, preterindo-os a favor do produto.

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__ 6. Em que medida a planificação ajudou a concretização da aula? A planificação ajudou, em primeira análise a estruturar as actividades a realizar para o ensino/ aprendizagem dos conteúdos objectivados para esta aula e em segunda análise a equacionar possíveis dificuldades sentidas pelos alunos. No decorrer da aula a planificação serviu de orientação para a prossecução das actividades em função do tempo de aula/ feedback dos alunos.

Referências Bibliográficas:

- BARBEIRO, L. (2007). Aprendizagem da ortografia. Porto: Edições Asa.

- PEREIRA, L: A. (2003), Para uma Didáctica da escrita no Ensino Básico: teses, pressupostos e condições de possibilidade in Actas do IV Encontro Nacional de Didácticas e Metodologias da Educação – Percursos e Desafios, Universidade de Évora, 109-116.

- PEREIRA, L.A.; Azevedo, F. (2005). Como abordar…a escrita no 1º Ciclo do Ensino Básico. Perafita: Areal Editores.

- VILAS-BOAS, A.J. (2001). Ensinar e Aprender a Escrever - por uma prática diferente. Porto: Edições Asa.

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Formadora: Neuza Pinto

12ª aula - Reflexão pós-observação  

12ª aula - Reflexão pós-observação