Page 1

REQUALIFICAÇÃO DA ANTIGA CASA DA FAMÍLIA CERQUEIRA LIMA NA CIDADE ALTA DE VITÓRIA – ES IZADORA MIRANDA


UNIVERSIDADE VILA VELHA CURSO DE ARQUITETURA E UBANISMO

IZADORA MIRANDA COTA

REQUALIFICAÇÃO DA ANTIGA CASA DA FAMÍLIA CERQUEIRA LIMA NA CIDADE ALTA DE VITÓRIA – ES

VILA VELHA 2019


IZADORA MIRANDA COTA

REQUALIFICAÇÃO DA ANTIGA CASA DA FAMÍLIA CERQUEIRA LIMA NA CIDADE ALTA DE VITÓRIA – ES

Trabalho de conclusão de curso apresentado ao curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Vila Velha, com requisito para obtenção do título de Arquiteto e Urbanista. Orientadora: Prof.ª. Dr. ª Melissa Ramos da Silva Oliveira.

VILA VELHA 2019


Scanned by CamScanner


“�

(...) A cidade mudou, partiu para o futuro... Comeu colinas, comeu templos, comeu mar(...) Vinicius de Moraes


AGRADECIMENTOS

Agradeço primeiramente a Deus por ter me dado saúde e sabedoria para superar todos as dificuldades que enfrentei ao longo do curso e chegar onde estou. Aos meus pais Ailton Viana Cota e Lucilea Miranda Viana que não mediram esforços para que eu pudesse alcançar meu objetivo não somente nesse momento, mas em toda a minha vida. Agradeço pela força, apoio, compreensão e estímulos para seguir sempre em frente e jamais desistir de um sonho. Agradeço aos meus irmãos João Paulo Miranda Cota e Jéssica Miranda Cota que suportaram meu stress nos momentos difíceis e que sempre estiveram ao meu lado para me apoiar e ajudar. E aos meus amigos de graduação que batalharam junto comigo nessa jornada, e por dividir cada conhecimento e noites em claro. Agradeço também ao meu querido namorado Lucian Borges Corteletti, que foi um grande incentivador durante todo meu curso, me ajudando dado dicas e apoio moral na elaboração não só desse trabalho, mas de todos. Obrigado por tudo. A minha querida orientadora Melissa Ramos da Silva Oliveira, por sua paciência e dedicação neste trabalho, e muito obrigado por contribuir para realização deste trabalho. Por fim, agradeço a todos que me apoiaram em mais uma etapa.


FIGURAS FIGURA 01: LOCALIZAÇÃO DA CASA VERDE

38

FIGURA 02: TOPOGRAFIA DA BARRA E DO RIO DO ESPIRITO SANTO,1767.

39

FIGURA 03: MAPA DE FUNDAÇÃO DE VITÓRIA 40 FIGURA 04: CIDADE DE VITORIA 1884

40

FIGURA 05: LINHA DO TEMPO.

41

FIGURA 06: RUA JOSÉ MARCELINO

42

FIGURA 07: RUA DIONISIO ROSENDO

42

FIGURA 08: RUA DIONISIO ROSENDO

42

FIGURA 09: MAPA DE USO E OCUPAÇÃO DO SOLO

45

FIGURA 10: MAPA DE GABARITO

47

FIGURA 11: VISTA DA RUA DIONÍSIO ROSENDO, DE FRENTE PARA A CATEDRAL DE VITÓRIA.

46

FIGURA 12: MAPA DE FLUXO DE VEÍCULOS E PEDESTRES.

49

FIGURA 13: MAPA DE MORFOLOGIA URBANA.

51

FIGURA 14: MAPA DE AMBIENTE HISTÓRICO E CULTURAL

53

FIGURA 15: CATEDRAL METROPOLITANA DE VITÓRIA

52

FIGURA 16: EDIFÍCIO DO IPHAN

52

FIGURA 17: GALERIA HOMERO MASSENA

52

FIGURA 18: CAPELA STA. LUZIA

52

FIGURA 19: LOJA MAÇÔNICA UNIÃO E PROGRESSO

52

FIGURA 20: ANTIGA RESIDÊNCIA DE MUNIZ FREIRE

52

FIGURA 21: OBRAS NAS IMEDIAÇÕES DA RUA PEDRO PALÁCIOS.

58

FIGURA 22: RUA CERQUEIRA LIMA; À ESQUERDA CASA DA FAMÍLIA CERQUEIRA LIMA; AO FUNDO CATEDRAL, NA DÉCADA DE 40

58

FIGURA 23: FACHADA (VOLUME HISTÓRICO) VISTA A PARTIR DA RUA DIONÍSIO ROSENDO NA DÉCADA DE 2000 (DATA PROVÁVEL).

60

FIGURA 24: FACHADA (VOLUME HISTÓRICO; 2017).

60

FIGURA 25: PLANTA BAIXA – TÉRREO

61

FIGURA 26: PLANTA BAIXA – PRIMEIRO PAVIMENTO

62


FIGURA 27: PLANTA BAIXA – SEGUNDO PAVIMENTO

63

FIGURA 28: FACHADA FRONTAL

64

FIGURA 29: IMAGENS INTERNA DO PAVIMENTO TÉRREO - EDIFÍCIO HISTÓRICO

65

FIGURA 30: IMAGENS INTERNA DO PAVIMENTO TÉRREO- ANEXO

65

FIGURA 31: IMAGENS INTERNA DO PRIMEIRO PAVIMENTO.

65

FIGURA 32: IMAGENS INTERNA DO PRIMEIRO PAVIMENTO.

65

FIGURA 33: IMAGENS INTERNA DO PRIMEIRO PAVIMENTO.

65

FIGURA 34: IMAGENS INTERNA DO PRIMEIRO PAVIMENTO.

65

FIGURA 35: IMAGEM EXTERNA DA FACHADA

65

FIGURA 36: IMAGEM EXTERNA DA FACHADA

65

FIGURA 38: MUSEU RODIN

70

IMAGEM 39: PARTE EXTERNA DO MUSEU RODIN BAHIA.

71

IMAGEM 40: PARTE INTERNA DO MUSEU RODIN BAHIA.

71

FIGURA 41: LOCALIZAÇÃO DO MUSEU RODIN EM SALVADOR (BA)

72

FIGURA 42: CASA DAS ROSAS

73

FIGURA 43: CASA DAS ROSAS

73

FIGURA 44: CASA DAS ROSAS

74

FIGURA 45: FACHADA PRAÇA DAS ARTES

75

FIGURA 46: ESPAÇO INTERNO DO TEATRO

76

FIGURA 47: ESPAÇO INTERNO DO TEATRO

76

FIGURA 48: PRAÇA DAS ARTES

77

FIGURA 49: PLANTA DEMOLIÇÃO E CONSTRUÇÃO - TÉRREO

81

FIGURA 50: PLANTA DE DEMOLIÇÃO E CONSTUÇÃO - PRIMEIRO PAVIMENTO

82

FIGURA 51: PLANTA DE DEMOLIÇÃO E CONSTUÇÃO - SEGUNDO PAVIMENTO

83

FIGURA 52: PLANTA DA PROPOSTA DE SETORIZAÇÃO - TÉRREO.

85

FIGURA 53: RECEPÇÃO

86

FIGURA 54: ESPAÇO DE LEITURA DA BIBLIOTECA.

86


FIGURA 55: BALCÃO CAFETERIA.

87

FIGURA 56: CAFETERIA.

87

FIGURA 57: ESPAÇO PARA LEITURA.

88

FIGURA 58: PLANTA DA PROPOSTA DE SETORIZAÇÃO - PRIMEIRO PAVIMENTO.

89

FIGURA 59: ÁREA DE EXPOSIÇÃO.

90

FIGURA 60: ÁREA DE EXPOSIÇÃO

90

FIGURA 61: ÁREA DE EXPOSIÇÃO.

91

FIGURA 62: PLANTA DA PROPOSTA DE SETORIZAÇÃO - SEGUNDO PAVIMENTO.

92

FIGURA 63: VISTA AÉREA CADETRAL DE VITÓRIA E CASA DA FAMÍLIA CERQUEIRA LIMA

94

FIGURA 64: FACHADA FRONTAL

94

FIGURA 65: FACHADA FRONTAL

95

FIGURA 66: DETALHE FACHADA FRONTAL

95

FIGURA 67: ÁREA EXTERNA

96

FIGURA 68: ÁREA EXTERNA

96

FIGURA 69: ÁREA EXTERNA

97

FIGURA 70: ÁREA EXTERNA

97

FIGURA 71: FACHADA LATERAL

98

FIGURA 72: FACHADA LATERAL

98

LISTA DE TABELA TABELA 01 - TABELA DE CONTROLE URBANÍSTICO – ZOL1

43

TABELA 02: PROGRAMA DE NECESSIDADES DA CASA VERDE 84 TABELA 03: PROJETOS FINAIS.

99


LISTA DE ABREVIATURAS

ABNT CREA GP2 IJSN IPAC IPHAN PDU TCC UVV ZOL1

Associação Brasileira de Normas Técnicas Conselho Regional de Engenharia e Agronomia Grau de proteção 2 Instituto Jones Santos Neves Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional Plano Diretor Urbano Trabalho de conclusão de curso Universidade Vila Velha Zona de ocupação limitada 1


SUMÁRIO INTRODUÇÃO 24 JUSTIFICATIVA 24 OBJETIVOS 25 METODOLOGIA

26

ESTRUTURA DO TRABALHO

26

CAPÍTULO 1 - CONCEITOS PARA PROJETAR EM PATRIMÔNIO 30 1.1 - O QUE É PATRIMÔNIO CULTURAL?

31

1.2 - O QUE É REQUALIFICAÇÃO?

32

1.3 - O QUE É PRESERVAÇÃO?

33

CAPÍTULO 2 - A CIDADE ALTA DE VITÓRIA 36 2.1 - A IMPORTÂNCIA HISTÓRICA DA CIDADE ALTA DE VITÓRIA

36

2.1 - ZONEAMENTO

41

2.2 - USO E OCUPAÇÃO DO SOLO

42


2.3 - GABARITO

44

2.4 - FLUXOS - VEÍCULOS E PEDESTRES

46

2.5 - EVOLUÇÃO DA MORFOLOGIA URBANA

48

2.6 - AMBIENTE HISTÓRICO

50

2.7 - CONCLUSÃO DO DIAGNÓSTICO

53

CAPÍTULO 3 - ANTIGA CASA DA FAMILIA CERQUEIRA LIMA 56 3.1 HISTÓRIA DA CASA DA ANTIGA FAMÍLIA CERQUEIRA LIMA (CASA VERDE)

56

3.2 ANÁLISE DO ESTILO ECLÉTICO

57

3.3 LEVANTAMENTO MÉTRICO

58

3.4 ESTADO DE CONSERVAÇÃO

63

3.4.1 LEVANTAMENTO FOTOGRÁFICO

63

3.5 - PATOLOGIAS

64

3.6-TOMBAMENTO E DIRETRIZES DE PRESERVAÇÃO

65

3.7 - CONCLUSÃO DO TOMBAMENTO

65

CAPÍTULO 4 - ESTUDOS DE CASO 68


4.1 MUSEU RODIN BAHIA

68

4.1.1 Localização

70

4.1.2 Implantação

70

4.2 CASA DAS ROSAS – ESPAÇO HAROLDO DE CAMPOS DE POESIA E LITERATURA.

71

4.2.1 Localização

72

4.2.2 Implantação

72

4.3. PRAÇA DAS ARTES

73

4.3.1 Localização

74

4.3.2 Implantação

74

4.4 CONCLUSÃO DOS ESTUDOS DE CASO

75

CAPÍTULO 5 - PROPOSTA ARQUITETÔNICA

78

5.1 CONCEITO DE PROJETO

78

5.2 DEMOLIÇÃO E CONSTRUÇÃO

78

5.3 PROGRAMA DE NECESSIDADES

82

5.4 PROPOSTA DE SETORIZAÇÃO

83


5.5 PROJETO FINAL

91

5.6 PROJETOS FINAIS

97

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS

99

7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

100

8 - APÊNDICES

105


REQUALIFICAÇÃO DA ANTIGA CASA DA FAMÍLIA CERQUEIRA LIMA NA CIDADE ALTA DE VITÓRIA – ES

RESUMO O presente trabalho propõe a elaboração de uma proposta de requalificação da antiga residência da família Cerqueira Lima conhecida hoje como Casa Verde, imóvel identificado como um patrimônio histórico municipal, localizado no Centro Histórico de Vitória. A proposta é adaptar o casarão para um novo uso – uma biblioteca judaica e um café bistrô, sem descaracterizar suas características originais e arquitetônicas predominantes, além de adequá-lo ao contexto urbano atual da cidade. Para isso, foram executadas pesquisas histórica e gráfica, tanto do edifício quanto da cidade alta de Vitória, levantamentos do edifício, com o intuito de conhecer o bem e subsidiar a proposta. O objetivo da intervenção é contribuir para a preservação do imóvel e para a requalificação da área central de Vitória. Palavra-chave: Revitalização. Patrimônio cultural. Casa Verde. Vitória. Cerqueira Lima.

20


ABSTRACT The present work proposes the elaboration of a proposal of requalification of the old residence of the family Cerqueira Lima known today as Green House, property identified as a historical patrimony municipal, located in the Historic Center of Vitória. The proposal is to adapt the mansion to a new use - a Jewish library and a bistro cafe, without discharacterizing its original architectural and predominant characteristics, besides adapting it to the current urban context of the city. For this, historical and graphic researches were carried out, both of the building and the upper city of Vitória, surveys of the building, with the purpose of knowing the good and subsidizing the proposal. The objective of the intervention is to contribute to the preservation of the property and to the requalification of the central area of Vitória. ​​

Keyword: Revitalization: Cultural heritage. Green house. Victory. Cerqueira Lima.

21


INTRODUÇÃO


REQUALIFICAÇÃO DA ANTIGA CASA DA FAMÍLIA CERQUEIRA LIMA NA CIDADE ALTA DE VITÓRIA – ES

INTRODUÇÃO A escolha do tema do presente trabalho de conclusão de curso de Arquitetura e Urbanismo foi influenciada por um projeto voluntário proposto pelo portal online “Projeto de Arquiteto” desenvolvido pelo Arquiteto Leandro Terrão. O objetivo era elaborar um projeto de requalificação para a antiga casa da família Cerqueira Lima conhecida atualmente como Casa Verde. O projeto teve participação de uma equipe de estudantes de Arquitetura sendo eles: Rafael Pires, Rafael Coser, Flavio Faustino e Larissa Gotardo. O propósito era atender às necessidades da associação Alef Beit que adquiriu o imóvel por meio de doação de uma integrante da congregação. Assim, a partir dessa experiência nasceu a proposta desse trabalho - requalificação da antiga casa da família Cerqueira Lima. O edifício é um exemplar da arquitetura eclética produzida no Espírito Santo durante a primeira metade do século passado. O volume original contém dois pavimentos e um anexo lateral, também com dois pavimentos. Essa segunda edificação, sem grande valor histórico, prejudica a leitura do edifício histórico, um bem protegido em grau 2 pela lei de tombamento municipal. A proposta de intervenção no edifício busca contribuir para a revalorização das características arquitetônicas que configuram o estilo eclético, sobretudo seus aspectos externos, de modo a recuperar os vãos, esquadrias, adornos e outros elementos importantes para sua composição que foram descaracterizados ao longo do tempo. À proposta de intervenção de requalificação tem como principal objetivo proporcionar um novo uso de forma a garantir um atrativo ao público local. A partir de estudos e anseios da congregação e do grupo envolvido no projeto concluiu-se que o espaço pode ser destinado à uma biblioteca da cultura judaica. Apesar de na cidade Alta de Vitória já existirem, desde o princípio do ordenamento do

24

território, diversos templos religiosos que atestam a prevalência da fé católica tais como: capelas, igrejas e conventos, há dois anos o centro da cidade também abriga uma sinagoga casa que comumente é atribuída ao culto da religião judaica. No imóvel também será atribuído um espaço para as atividades de um café bistrô, juntamente com um espaço para leitura e exposição de obras de artes, com objetivo de atender as necessidades da região com atrativos para o público de jovens, trabalhadores e moradores locais. A inserção de um uso comercial no imóvel, auxiliará nos custos de manutenção e conservação periódica da edificação. Após servir de moradia ou diferentes serviços ao longo dos anos, atualmente se tornou um espaço ocioso. Devido ao custo elevado para manutenção e conservação de prédios históricos, a grande maioria foi abandonado, com a ausência de manutenção acabam sofrem pela deterioração física, tornando cada vez mais difícil de recuperar. Essa pesquisa propõe a requalificação da Casa Verde com a proposição de uma nova função ao edifício, de modo a inseri-lo na dinâmica urbana da área central. A proposta de intervenção será realizada de forma harmônica entre o meio urbano, a paisagem e a ambiência local, sem perder as características estilísticas originais da edificação.

JUSTIFICATIVA A importância de se preservar o patrimônio histórico tem como propósito resguardar a história de um determinado local ou espaço que fez parte de uma memória na qual está ligada as sucessíveis


mudanças ocorridas no decorrer dos anos. Para Lemos (1981, p. 26): [...] o termo preservar deve ser aplicado com toda a amplitude de seu significado. É dever de patriotismo preservar os recursos materiais e as condições ambientais em sua integridade, sendo exigidos métodos de intervenção capazes de respeitar o elenco de elementos componentes do patrimônio cultural.

Ao longo dos anos, surgiram importantes documentos que trazem diretrizes contribuem para o processo de preservação do patrimônio, tais como as cartas patrimoniais. Segundo a Carta de Burra de 1980, no item 1, preservação significa “a manutenção no estado da substância de um bem e a desaceleração do processo pelo qual ela se degrada”. A Carta de Veneza de 1964 defende que a conservação do patrimônio pode ser feita por meio de uma “função útil à sociedade”, o que demonstra a importância de novos usos as edificações. Nesse sentido, a proposta desse trabalho – a requalificação da Casa Verde, primeiramente visa contribuir com a reintegração desse bem, além de promover uma relação de integração com a cidade alta de Vitória. O projeto busca garantir melhorias que envolva a mobilidade no entorno com o propósito de atribuir uma melhor caminhabilidade do público ao edifício, contribuindo sempre para sua preservação. Ademais, a requalificação pode contribuir ainda para a preservação da memória e da identidade tanto do edifício, quanto da área central de Vitória. A inserção de um novo uso influencia tanto sua conservação, quanto na preservação da sua memória. Como destaca a Carta de Veneza de 1964, artigo 3o, a conservação e restauração tem o propósito de “salvaguardar tanto a obra de arte

quanto o testemunho histórico”. Essa mudança de uso contribui ainda para promover a vitalidade e o dinamismo da região da cidade alta, ao manter sua integridade física e incentivar usos e públicos em horários diferenciados. Para Vargas & Castilho (2009, p.32): A reutilização de edifício e o aproveitamento da infraestrutura já implementada valoriza essas áreas e, consequentemente, as transforma em áreas atraentes para o investimento de usuários, trazendo de volta a dinâmica perdida durando o processo de espraiamento.

Nesse sentido, a reutilização da Casa Verde – proposta nesse trabalho - visa agregar vitalidade por meio de funcionalidades de um café bistrô, juntamente com uma área de leitura. A proposta de novo uso beneficiará todo o município, promovendo qualidade ao meio urbano e aos moradores locais com a hipótese de potencializar também o turismo para região. Essa recuperação do Centro de Vitória busca melhorar o aspecto da imagem cidade para além de perpetuar na memória.

OBJETIVOS

Esse trabalho propõe a elaboração de uma proposta de requalificação da antiga residência da família Cerqueira Lima conhecida hoje como Casa Verde, imóvel identificado pelo patrimônio cultural do município de Vitória, localizada no Centro Histórico, na circunstância de inovar perante a necessidade de adequação ao contexto urbano da cidade e a adoção de uma denominação própria para edificação sem perder sua qualidade inicial. Sendo assim o objetivo

25


REQUALIFICAÇÃO DA ANTIGA CASA DA FAMÍLIA CERQUEIRA LIMA NA CIDADE ALTA DE VITÓRIA – ES principal da proposta é adaptar o casarão para um novo uso, sem descaracterizar suas características históricas e arquitetônicas predominantes. São objetivos específicos:

• Contribuir para a preservação do sítio histórico de Vitória, visando o aprofundamento na área de bens culturais. • Analisar a tipologia, o programa e as técnicas construtivas do casarão; • Analisar as alterações físicas do casarão; • Mapear a situação atual de danos do sítio histórico;

• Pesquisa de fontes primárias no arquivo público do município de Vitória – ES no dia 14 de Novembro de 2018. • Pesquisa gráfica e documental: levantamento de informações e peças gráficas sobre o sítio histórico e a Casa Verde: Imagens e referencial teórico. • Visitas técnicas no local para uma melhor percepção do espaço e levantamento de informações necessárias para elaboração do estudo preliminar, além da realização do levantamento fotográfico e entrevistas com moradores; • Pesquisa de estudos de caso para análise de propostas semelhantes; • Mapeamento: elaboração de mapas do entorno para melhor compreensão da área de estudo;

METODOLOGIA

Os procedimentos para elaboração deste Trabalho se fragmentam em duas partes: a primeira executada no segundo semestre de 2018 que compreende a fundamentação teórica e a segunda parte que será executada no primeiro semestre de 2019 com a elaboração do projeto técnico. Para o cumprimento da proposta desta pesquisa, a metodologia de pesquisa foi estruturada nas seguintes etapas: • Revisão bibliográfica: levantamento de textos (periódicos, livros, teses, dissertações, catálogos e artigos) correlatos ao tema desta pesquisa: patrimônio, memória, preservação do patrimônio cultural, sítio histórico de Vitória, intervenções;

26

• Desenho desenvolvido no software Revit do edifício: Plantas baixas, cortes, elevações, volumetria. • Entrevista aberta e semi-estruturada com antigo proprietário do imóvel, no dia 16 de Novembro de 2018.

ESTRUTURA DO TRABALHO

O trabalho está estruturado em cinco capítulos. O primeiro capítulo apresenta o desenvolvimento do conceito necessário para projetar em patrimônio cultural descriminando o que se permite alterar em bens tombados, conceito de requalificação e preservação.


O capítulo dois, expõe uma análise do diagnóstico da área de estudo juntamente com a localização, zoneamento, uso e ocupação do solo, gabarito, fluxo de pedestre e veículos, evolução da morfologia urbana e as edificações históricas localizadas dentro do polígono de estudo. As características específicas da Casa Verde - história do imóvel, levantamento fotográfico, análises estéticas, técnico-construtivas e patológicas do casarão são efetuadas no capítulo três. O quarto capítulo define o estudo de caso juntamente com a localizado do edifício onde será demarcado pontos positivos e negativos e a implantação. O quinto capítulo apresenta o programa de necessidades e as soluções projetuais adotadas para a intervenção.

27


CAPÍTULO 1 CONCEITOS PARA PROJETAR EM PATRIMÔNIO


REQUALIFICAÇÃO DA ANTIGA CASA DA FAMÍLIA CERQUEIRA LIMA NA CIDADE ALTA DE VITÓRIA – ES

CAPÍTULO 1 - CONCEITOS PARA PROJETAR EM PATRIMÔNIO A preservação do patrimônio cultural abrange diferentes conceitos, o que viabiliza o entendimento referente as questões teóricas relacionadas ao universo da preservação

• PATRIMÔNIO CULTURAL • REQUALIFICAÇÃO • PRESERVAÇÃO 30


1.1 - O QUE É PATRIMÔNIO CULTURAL?

São todos os bens, materiais e imateriais, naturais ou construídos, que uma pessoa ou um povo consegue perpetuar ao longo do tempo e podem promover referências à identidade e a memória dos diferentes grupos sociais. Segundo a Constituição Federal de 1988, no artigo 216, constituem o patrimônio cultural brasileiro:

O patrimônio cultural está ligado as estruturas familiares, econômicas e jurídicas perante uma sociedade. De acordo com Choay (2006, p.11): A expressão designa um bem destinado ao usufruto de uma comunidade que se ampliou a dimensões planetárias, constituído pela acumulação continua de uma diversidade de objetos que se congregam por seu passado comum: obras-primas das belas-artes e das artes aplicadas, trabalhos e produtos de todos os saberes e savoir-faire dos seres humanos.

Art. 216º [...] I -  as formas de expressão; II -  os modos de criar, fazer e viver; III -  as criações científicas, artísticas e tecnológicas; IV  -  as obras, objetos, documentos, edificações e demais espaços destinados às manifestações artístico-culturais; V  -  os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico, paleontológico, ecológico e científico.

A partir da Constituição Federal, compreende-se que o patrimônio cultural pode ser divido em bens materiais ou imateriais. Nesse contexto, temos o patrimônio edificado, que segundo CREA (2008, p. 14) compreendem “edificações isoladas ou conjunto de edificações, que poderão ter tipologias distintas e não necessariamente antigas, mas que possuam peculiaridades culturais”. Podemos citar como exemplo a arquitetura rural, as fábricas, os monumentos, bem como as casas comuns – a arquitetura vernacular – como o objeto de estudo desse trabalho, antiga residência da família Cerqueira Lima conhecida hoje como Casa Verde.

31


REQUALIFICAÇÃO DA ANTIGA CASA DA FAMÍLIA CERQUEIRA LIMA NA CIDADE ALTA DE VITÓRIA – ES

1.2 - O QUE É REQUALIFICAÇÃO?

Como em todas as grandes cidades, os centros históricos estão cada vez mais desabitados decorrente das transformações urbanas, a funcionalidade de um edifício é um importante fator para uma requalificação. O termo requalificar associa-se ao novo uso, significa inovação, ou seja, um espaço requalificado evidencia que o mesmo foi submetido ao um novo uso, introduzindo instrumento que visa melhorar seu desempenho é transformando áreas degradadas a vida útil, atendendo assim as necessidades do período contemporâneo (FERREIRA, LUCAS & GATO, 1999). Requalificar supõe a valorização dos espaços em meios econômicos, culturais e sociais. Medidas de preservação e reutilização do patrimônio cultural constituem uma forma de envolvê-la, possibilitando a conscientização e a revitalização das tradições. A valorização da identidade cultural permite que se intensifique o sentimento de pertencimento à comunidade. Em contrapartida, o abandono e desvalorização do patrimônio cultural expressam nossa dependência cultural (BASTOS, 2004). Segundo a Carta de Lisboa sobre a reabilitação urbana integrada de 1995 (artigo 1, item d), o conceito de requalificação aplica-se sobretudo a locais funcionais da “habitação”; que irão receber uma atividade adaptada a esse local e no contexto atual. Com base nesta abordagem conceitual, afirma-se que neste trabalho, a antiga residência da família Cerqueira Lima será requalificada para uma nova atividade: uma biblioteca da cultura judaica.

32


1.3 - O QUE É PRESERVAÇÃO? Em geral, o conceito de preservação é a manutenção de um bem no estado físico em que se encontra e a desaceleração de sua degradação, visando prolongar e salvaguardar a o patrimônio cultural (CARTA DE BURRA, 1988). Ainda segundo as definições apontadas pela Carta de Burra, na qual resume que a manutenção designa a proteção continua da substância, do conteúdo e do entorno de um bem e não deve ser confundido com o termo reparação, que implica a restauração e a reconstrução Preservar significar cuidar daquilo que já existe pensando sempre em manter a história para as futuras gerações. Para Lemos (2006. p.41), “preservar também é gravar depoimentos, sons, músicas e costumes populares, preservar é manter vivo, mesmo que de formar alterada, uso e costumes populares”. É importante garantir uma compreensão de nossas memórias, preservando o que um dia foi significativo ao contexto do patrimônio cultural é apoiar sua continuidade de forma sustentável melhorando as condições social e material possibilitando sua existência. A Carta de Veneza (1964) esclarece a respeito do conceito de preservação:

Artigo 4º - A conservação dos monumentos exige, antes de tudo, manutenção permanente. Artigo 5º - A conservação dos monumentos é sempre favorecida por sua destinação a uma função útil à sociedade; tal destinação é, portanto, desejável, mas não pode nem deve alterar à disposição ou a decoração dos edifícios. É somente dentro destes limites que se deve conceber e se pode autorizar as modificações exigidas pela evolução dos usos e costumes. Artigo 6º - A conservação de um monumento implica a preservação de um esquema em sua escala. Enquanto

substituir, o esquema tradicional será conservado, e toda construção nova, toda distribuição e toda modificação que poderiam alterar as relações de volume e de cores serão proibidas.

Portanto, este trabalho visa a preservação da Casa Verde – antiga residência da família Cerqueira Lima e que diante do que foi exemplificado anteriormente pode-se dizer que o melhor conceito a ser aplicado sobre o edifício é a requalificação. É fundamental a preservação sobre ele afim de manter a história da cidade. Atualmente, o termo de preservação de patrimônio histórico edificado ainda não é bem visto ou valorizado pelo poder público, preservar também é sinônimo de não progredir para o Estado economicamente. Para Rosin (2012, p.3):

[...] a grande dificuldade para vincular esses patrimônios às possibilidades de exploração pelo turismo ou consumo cultural, tão em moda nos dias de hoje, faz com que, tanto os poderes públicos Municipais quanto os Estaduais, apresentem menos interesse e disposição em preservá-los. Paradoxalmente, quanto mais vínculos culturais, históricos e patrimoniais esses expoentes tiverem, menos interesse a sua preservação existirá, pois, sua existência como elemento a ser preservado irá contra os interesses econômicos. Assim, pode-se dizer que baseado na economia de lucro rápido, priorizamse, como elementos centrais de regeneração do espaço urbano e redefinição da imagem das cidades, a preservação de exemplares mais antigos do patrimônio urbano bem como, de obras arquitetônicas tidas como “construções de grife”.

33


CAPÍTULO 2 A CIDADE ALTA DE VITÓRIA


REQUALIFICAÇÃO DA ANTIGA CASA DA FAMÍLIA CERQUEIRA LIMA NA CIDADE ALTA DE VITÓRIA – ES

FIGURA 01: LOCALIZAÇÃO DA CASA VERDE

CAPÍTULO 2 - A CIDADE ALTA DE VITÓRIA

O presente capítulo tem como finalidade apresentar os diagnósticos da área de estudo realizado através de visita em campo e de consulta ao Plano Diretor Municipal de Vitória. Também será abordado a contextualização histórica da Cidade Alta de Vitória. A área de intervenção escolhida está localizada em uma área estratégica da Cidade Alta de Vitória/ES, mais exatamente na Rua Dionísio Rosendo nº 20, esquina com Rua Cerqueira Lima e lateral da Catedral Metropolitana. Assim como a Casa Verde, o seu entorno também possui um valor histórico considerado de grande importância para o espaço urbano local misturando as antigas construções, é notório a presença de edifício novos verticais sobressaindo na paisagem com relação aos edifícios históricos.

36

2.1 - A IMPORTÂNCIA HISTÓRICA DA CIDADE ALTA DE VITÓRIA

A colonização na região do Espírito Santo se iniciou em 23 de maio de 1535, quando Vasco Fernandes Coutinho, português, desembarcou a beira do Morro do Moreno. Com outros sessenta colonos que o acompanhavam, fundou a primeira vila o que deu início as construções de um pequeno povoado com aproximadamente 20 a 30 residências juntamente com uma pequena igreja. Posteriormente, a vila precisou ser desocupada por conta dos inúmeros ataques sofridos pelos índios. Após ser abandonada, a vila recebeu o nome de Vila Velha. Os moradores da primeira vila partiram em busca para segunda vila denominada Ilha da Vitoria, região formada for colinas e morros margeada pelo canal que na época contribuiu para defesa do território (KILL, 2002).


A exploração do território da capitania começou pelo reconhecimento da baía, que acreditavam ser a foz de um rio. As ilhas menores foram doadas nos primeiros dias. D. Jorge de Menezes recebeu a ilha do Boi e Valentim Nunes a dos Frades. A maior, batizada com o nome de Santo Antônio em virtude da comemoração ocorrida no dia (DERENZI, 1965).

Segundo Oliveira (2008), o centro do município de Vitória foi o local onde iniciou-se o processo de urbanização, sendo hoje, considerado um local de grande relevância história para o município. O relevo da Cidade Alta de Vitória foi determinante para que as construções pudessem acompanhar a morfologia urbana da cidade, onde contribuiu para defesa da colonização, suas construções foram instaladas de forma estratégica por conta da necessidade de defesa do território contra as inúmeras tentativas de invasões dos Ingleses, franceses e holandês (KLUG, 2009).

O traçado da Vila da Vitória apresentava semelhanças adotadas pelos portugueses: as ruas eram tortuosas, os lotes e quadras apresentavam irregularidades devido a topografia, essa forma orgânica dificultava o acesso e a comunicação com o exterior onde contribuiu com a proteção da cidade alta, local que havia uma grande concentração de imponentes construções da época. O desenho da malha viária criou cenários entre os eixos livres de construções onde dava a sensação de surpresa com a belíssima vista para a baia de Vitória (KLUG, 2009). Conforme a (Figura 02), pode-se observar o relevo da época por volta de 1767. De acordo com (KLUG, 2009), Vasco Fernandes Coutinho transferiu a sede da capitania para a Ilha de Santo Antônio onde a defesa era mais fácil, protegida pelas águas da baia de Vitória e do canal de

FIGURA 02: TOPOGRAFIA DA BARRA E DO RIO DO ESPIRITO SANTO,1767.

VITÓRIA

VILA VELHA

Fonte: Arquivo Histórico do Exército com adaptações pela autora, 2018.

Camburi que dificultava o acesso a ilha. Dada a essa necessidade de defesa da região, foi então construído fortes ao longo da Baia. São eles: o forte de Piratininga (localizado na praia de Inhoã da cidade de Vila Velha), o forte São João e Nossa Senhora do Monte do Carmo, que estava à frente das atividades militares da capitania.

A vila da Vitória foi edificada no alto da colina, cercada com vegetação, mangues, mar, morros, etc. (KLUG, 2009). O relevo, o mar e as áreas de mangue tiveram uma grande importância na configuração da paisagem e desenvolvimento da cidade,

37


REQUALIFICAÇÃO DA ANTIGA CASA DA FAMÍLIA CERQUEIRA LIMA NA CIDADE ALTA DE VITÓRIA – ES funcionando como limites para o crescimento de Vitória, onde puderam observar que esses elementos seriam limitadores para o crescimento da vila, daí a necessidade de intervenções para expansão da sua mancha urbana e consequentes alterações na sua paisagem. No decorrer do século XIX, a cidade de Vitória apresentava pouca alteração relacionado ao seu planejamento urbano, descreviam a cidade como um lugar limpo e agradável, além das ruas e calçadas que aparentavam irregularidades influenciada pela topografia local, (MUNIZ, 2000). Os aterros tiveram grande importância para expansão urbana no decorrer dos anos. Nota-se a brusca transformação no espaço

físico da cidade e na configuração de seu contorno, conforme mencionada na (Figura 03). A parte demarcada em azul claro era coberta pelas águas das marés da Baia de Vitória, os aterros surgiram principalmente entre o ano de 1880 e 1952 (KILL, 2002). Com o passar do tempo, os jesuítas tiveram um papel fundamental na cidade para a formação e ordenamento da sociedade. A Cidade Alta se tornou uma referência institucional abrigando as áreas administrativas e o religioso. Segundo (KLUG, 2009), é possível observar a cidade de Vitória mais concentrada horizontalmente. As igrejas se concentravam no ponto alto do terreno. Se destaca pelo volume na paisagem é a Igreja Matriz construída em 1551, como evidencia a (Figura 04).

FIGURA 03: MAPA DE FUNDAÇÃO DE VITÓRIA

FIGURA 04: CIDADE DE VITORIA 1884

Fonte: KILL, 1999, p.14, Adaptação da autora: 2018.

Fonte: Biblioteca Central da Universidade Federal do Espírito Santo – UFES, com adaptações pela autora, 2018

38


FIGURA 05: LINHA DO TEMPO.

1535 1551 1880 1930 1980 2016 2018

INÍCIO DA COLONIZAÇÃO DO ESPIRITO SANTO

INÍCIO DA COLONIZAÇÃO DA CIDADE DE VITÓRIA

INÍCIO DO ATERRO DE VITÓRIA, MUDANÇA NO ESPAÇO FISICO

PERÍODO MARCADO PELA DESAPROPRIAÇÃO DE CASAS PRÓXIMO AO CASARÃO CERQUEIRA LIMA

A CASA ENCONTRAVA-SE EM ESTADO DE ABANDONO ATÉ SER OCUPADA.

PERÍODO QUE A CASA ENCONTRAVA-SE ALUGADA

A CASA VERDE PERTENCE A CONGREGAÇÃO ALEF BEIT E SE ENCONTRA DESOCUPADA PARA DAR INICIO AS OBRAS DE REQUALIFICAÇÃO


REQUALIFICAÇÃO DA ANTIGA CASA DA FAMÍLIA CERQUEIRA LIMA NA CIDADE ALTA DE VITÓRIA – ES

FIGURA 06: RUA JOSÉ MARCELINO

FIGURA 08: RUA DIONISIO ROSENDO Fonte: Google maps.

FIGURA 07: RUA DIONISIO ROSENDO

40

As figuras de 06 a 08 mostram algumas ruas da Cidade Alta de Vitória na atualidade, onde podemos observar alguns remanescentes da época de sua formação.


TABELA 01 - TABELA DE CONTROLE URBANÍSTICO – ZOL1

2.1 - ZONEAMENTO De acordo com o Plano Diretor Urbano do Município de Vitória de 2006 (PDU) - Lei nº 6.705, a Casa Verde está localizada na de ocupação limitada – ZOL1 que se caracteriza por preservar os locais de interesse ambiental e visuais de marcos significativos da paisagem urbana. Engloba também para as edificações que necessitam de um determinado tratamento específico como manutenção, recuperação ou melhoria nas condições de mobilidade urbana, em especial nos pontos problemáticos do sistema viário; ampliando também o espaço de áreas verdes, lazer (PDU, 2006).

41


REQUALIFICAÇÃO DA ANTIGA CASA DA FAMÍLIA CERQUEIRA LIMA NA CIDADE ALTA DE VITÓRIA – ES

2.2 - USO E OCUPAÇÃO DO SOLO

A partir do levantamento de dados feitos na área de estudo, observou-se que próximo a Casa Verde o uso residencial fica concentrado em ruas de menor movimento. O centro da cidade foi uma área de grande influência econômica, abrigando sedes administrativas, comércios, serviços, de atividade pública ou privada, o que contribui para o desenvolvimento da cidade. Neste caso, podemos observar na (Figura 09), que no entorno da Casa Verde prevalece o institucional e o uso misto, com predominância de comércio e/ou serviços no térreo e residência a partir do 1º pavimento.

42


FIGURA 09: MAPA DE USO E OCUPAÇÃO DO SOLO


REQUALIFICAÇÃO DA ANTIGA CASA DA FAMÍLIA CERQUEIRA LIMA NA CIDADE ALTA DE VITÓRIA – ES

2.3 - GABARITO

De maneira geral, a região do centro de Vitória apresenta uma grande variação de gabarito. No local de intervenção desse trabalho, conforme apresentado na tabela de controle urbanístico – ZOL 01, o número de pavimentos permitido é até 04 pavimentos. O que não condiz com o entorno do bem, que ultrapassa 10 pavimentos na Rua Dionísio Rosendo.

Essas edificações mais altas, são provenientes dos aterros, a partir da avenida Gerônimo Monteiro. Essas edificações passaram pelo período em que a cidade de Vitória estava se modernizando e o centro abrigou instituições de uso público, valorizando o setor imobiliários local. A construções mais baixas são decorrentes das ocupações primarias com topografia irregular. Nota-se que a cidade alta é bem adensada com variações de gabarito.

FIGURA 11: VISTA DA RUA DIONÍSIO ROSENDO, DE FRENTE PARA A CATEDRAL DE VITÓRIA.

44


FIGURA 10: MAPA DE GABARITO


REQUALIFICAÇÃO DA ANTIGA CASA DA FAMÍLIA CERQUEIRA LIMA NA CIDADE ALTA DE VITÓRIA – ES

2.4 - FLUXOS - VEÍCULOS E PEDESTRES As vias podem ser entendidas como espaços onde as pessoas circulam habitualmente, potencialmente e ocasionalmente. Podem ser ruas, calçadas, linhas de trânsito, canais até mesmo estradasde-ferro (LYNCH,1997). O sistema viário apresentado no mapa seguinte (Figura, 12), corresponde com a pesquisa feita em campo. Através da análise as vias ficaram demarcadas baixo, médio e alto fluxo de veículos. A avenida Gerônimo Monteiro, segundo o PDU é classificada como via arterial, por apresentar um fluxo intenso de veículos e pedestres. Tal via é responsável por interligar municípios, coletando e distribuindo o fluxo de veículos provenientes dos centros metropolitanos. As vias locais apresentam um fluxo de veículo baixo para moderado, o fluxo de pedestre também é considerado alto já que há presença de comércios nos térreos dos edifícios. Alguns pontos contêm escadaria que faz conexão das áreas baixas levando até as áreas mais elevadas, uma delas é a escadaria Dionísio Rosendo, lateral à Casa Verde que interliga a Rua Dionísio Rosendo com a Rua José Marcelino. Observou-se também que os passeios de uso públicos não são acessíveis. Percebeu-se ainda que em determinado local as ruas são estreitas e não há presença de calçadas, obrigando os perdestes a dividir espaço com os veículos.

46


FIGURA 12: MAPA DE FLUXO DE VEÍCULOS E PEDESTRES.


REQUALIFICAÇÃO DA ANTIGA CASA DA FAMÍLIA CERQUEIRA LIMA NA CIDADE ALTA DE VITÓRIA – ES

2.5 - EVOLUÇÃO DA MORFOLOGIA URBANA O significado de morfologia urbana é o estudo da forma responsável pela transformação das cidades (AMARAL, 2017). A morfologia da cidade consiste no estudo da configuração urbana juntamente com suas transformações, determinando a paisagem urbana pela forma de ocupação e como ela interfere na paisagem urbana. Segundo Lamas (1993), o espaço urbano é constituído por elementos morfológicos como solo, lote, quadras, quarteirão edifícios, logradouros, traçado da rua, praça, árvores, monumentos e mobiliário urbano. Apenas a região próxima à baia de Vitória apresenta uma malha viária ortogonal, oriundo da apropriação do espaço para aterros, diferenciando com as do entorno. As vias que foram ocupados primariamente é possível observar as vias tortuosas e estreitas. Conforme a (Figura 13), pode-se observar que a área de estudo apresenta uma tipologia orgânica, decorrente das primeiras ocupações para defesa do território. Observa-se também, que os lotes ocupados por edificações apresentam irregularidades provenientes de uma ocupação que demanda de toda a área do lote, e devido sua tipologia arquitetônica, não apresentam parâmetros de afastamentos ou coeficientes exigidos pelo PDU. Notou-se que a área de estudo é bastante adensada com algumas exceções dos lotes vazios.

48


FIGURA 13: MAPA DE MORFOLOGIA URBANA.


REQUALIFICAÇÃO DA ANTIGA CASA DA FAMÍLIA CERQUEIRA LIMA NA CIDADE ALTA DE VITÓRIA – ES

2.6 - AMBIENTE HISTÓRICO

1

2

O mapa a seguir (Figura 14), apresenta o levantamento das edificações de interesse histórico e cultural localizadas dentro do recorte. Vale ressaltar, que nem todas as edificações aqui denominadas de históricas são tombadas. Isso evidencia que existem outros imóveis, com valor arquitetônico ou histórico no local, que também podem ser considerados como patrimônio cultural e carecem de preservação e reconhecimento.

FIGURA 15: CATEDRAL METROPOLITANA DE VITÓRIA

3

FIGURA 17: GALERIA HOMERO MASSENA

50

4

FIGURA 18: CAPELA STA. LUZIA

FIGURA 16: EDIFÍCIO DO IPHAN

5

FIGURA 19: LOJA MAÇÔNICA UNIÃO E PROGRESSO

6

FIGURA 20: ANTIGA RESIDÊNCIA DE MUNIZ FREIRE


FIGURA 14: MAPA DE AMBIENTE HISTÓRICO E CULTURAL


2.7 - CONCLUSÃO DO DIAGNÓSTICO

Conclui-se que a localização da área de estudo possui um entorno relevante do ponto de vista histórico e arquitetônico, considerado um ponto positivo para o funcionamento de um espaço cultural, já que a área apresenta comércios e residências. O novo uso contribuirá para melhorar a vitalidade da região, visto que o Centro de Vitória apresenta carência neste sentido. O edifício está instalado em um ponto estratégico na região, sendo que atualmente não se faz jus a localidade, servindo de passagem pela população. Os usuários da área de estudo geralmente habitam, trabalham ou frequentam os comércios, o que garante o fluxo constante de pessoas durante o dia, deixando a região ociosa no período da noite, já que não há uma quantidade significativa de elementos ou equipamento urbanos que favoreçam o movimento neste período. O edifício estudado está localizado próximo a renomados edifícios históricos, um deles é a Catedral Metropolitana de Vitória responsável por atrair um público considerável na região.

53


CAPÍTULO 3 ANTIGA CASA DA FAMILIA CERQUEIRA LIMA


REQUALIFICAÇÃO DA ANTIGA CASA DA FAMÍLIA CERQUEIRA LIMA NA CIDADE ALTA DE VITÓRIA – ES

CAPÍTULO 3 - ANTIGA CASA DA FAMILIA CERQUEIRA LIMA

FIGURA 21: OBRAS NAS IMEDIAÇÕES DA RUA PEDRO PALÁCIOS. AO FUNDO, PENEDO E A ESQUERDA, PARTE DA FACHADA DA RESIDÊNCIA DOS CERQUEIRA LIMA, ANO DE 1941.

Este capitulo abordara a história da Antiga casa da família Cerqueira Lima juntamente com o período em que se encontra a edificação como também conceitos fundamentais em caráter conceitual do projeto.

3.1 HISTÓRIA DA CASA DA ANTIGA FAMÍLIA CERQUEIRA LIMA (CASA VERDE)

Com base nas informações cedidas pelo Arquivo Geral Municipal de Vitória (2018), no período de governo do Prefeito Américo Poli Monjardim, na década de 30, dando início no mandato em 09 de outubro de 1946 com o término em 15 de março de 1947, período onde ocorreu grandes mudanças na região de Vitória, com influência da atividade que, intensificava no período como a cultura do café e as atividades portuárias, juntas desenvolveram uma transformação significativa quanto a economia na cidade, tendo como reflexo a necessidade de desapropriação nas imediações da Casa Verde conforme (Figura 21 e 22). De fato, houve a necessidade de remodelação/descaracterização e reconstrução da estrutura viária, plano desenvolvido que foi executado pela prefeitura de Vitória. O espaço edificado se tornou pequeno no decorrer dos anos e a proporção das vias cada vez mais estreita, havendo a necessidade de reavaliar o planejamento

56

FIGURA 22: RUA CERQUEIRA LIMA; À ESQUERDA CASA DA FAMÍLIA CERQUEIRA LIMA; AO FUNDO CATEDRAL, NA DÉCADA DE 40


urbano da época (LEAL, 1979). Para se obter mais informações a respeito da residência da antiga família Cerqueira Lima - Casa Verde, utilizou-se da história oral como método de coleta de informações. Realizou-se entrevistas com o antigo proprietário da residência e seus vizinhos, de longa data. A partir de questionamento feito ao Sr. José1, foi informado que a residência se encontrava abandonada. O mesmo não soube informar quem eram os antigos proprietários, e que há aproximadamente trinta anos atrás, um cidadão de nome Iradir, adentrou na residência como proprietário e começou a utilizar o imóvel. Anos mais tarde, o Sr. Iradir entrou com processo judicial por usucapião, tendo como testemunha no processo o Sr. José. Seu pedido foi julgado procedente, adquirindo assim, legalmente, a propriedade da residência, e que em meados do ano de 2013, a residência teria sido vendida para a Sra. Tânia, que posteriormente arrendou para a Congregação Judaica. Realizado contato com o Sr. Iradir, o mesmo detalhou que morou durante 30 anos na residência, juntamente com sua esposa, realizando reformas para a melhoria e conservação do imóvel, passando pela pintura interna, construção da laje do pavimento térreo e a reforma do telhado. Informou ainda, que teve necessidade de mudar de residência por causa da sensação de insegurança na localidade, tendo sido alvo de diversos roubos em vias públicas e, até mesmo, invasões à residência, durante os últimos anos em que morou na localidade. Logo após, o imóvel foi vendido para a Sra. Tânia, que alugou a residência para um produtor musical, que a utilizou para realizar festas e eventos sazonais até o ano de 2016. 1 Entrevista realizada com o Sr. José no dia 16/11/2018, proprietário de um estabelecimento comercial, e residente há mais de quarenta anos próximo a localidade da Casa verde. No trabalho utilizamos somente o primeiro nome, pois o entrevistado não autorizou a divulgação do nome completo.

3.2 ANÁLISE DO ESTILO ECLÉTICO A arquitetura eclética no Brasil difundiu-se a partir do final do século XIX, no período em que o Brasil virou república, influenciada sobretudo pela chegada do café. Em decorrência desse novo ciclo econômico, o Brasil passou por uma nova fase onde a população prosperou economicamente, havendo um avanço na qualidade de vida onde desenvolveram novos hábitos e estilos no arquitetônicos foram incorporados. Para Lemos (1989), esse período ficou conhecido pela mistura de estilos arquitetônicos, novos partidos, nova ornamentação ambos aliados na mesma obra, era, principalmente, o neoclássico totalmente despoliciado que chegou ao desregramento. Período que desenvolveu uma nova linguagem arquitetônica partindo da imaginação e da recriação de elementos mantendo sua autenticidade e estilo próprio. É usada também como referência aos estilos da arquitetura Medieval, Clássica, Renascentista, Barroca e Neoclássica. Buscavam negar a ligação com o passado português, o estilo veio com influência dos países desenvolvidos como a França e Itália.

Por todo o século XIX, o ecletismo tem forte presença na Europa, matriz cultural de todas as manifestações artísticas que ocorreram no mundo naquele período, foi uma busca de uma nova linguagem formal que correspondesse às transformações pelas quais passaram as sociedades dos países desenvolvidos e industrializados (MONTEZUMA, 2002, p. 152).

57


REQUALIFICAÇÃO DA ANTIGA CASA DA FAMÍLIA CERQUEIRA LIMA NA CIDADE ALTA DE VITÓRIA – ES As características para composição do ecletismo são marcadas pela assimetria, grandiosidade nos elementos, pilares, uso das cores claras e tons pastéis e as riquezas nos ornamentos das fachadas. As imagens 23 e 24 da Casa Verde – objeto de intervenção desse trabalho, se insere nas características do período eclético. FIGURA 23: FACHADA (VOLUME FIGURA 24: FACHADA (VOLUME HISTÓRICO) VISTA A PARTIR DA RUA HISTÓRICO; 2017) A PARTIR DO IMÓVEL DIONÍSIO ROSENDO NA DÉCADA DE VIZINHO. AO FUNDO A CATEDRAL DE 2000 (DATA PROVÁVEL). VITÓRIA.

Fonte: Arquivo do município - PMV/ SEDEC/GPU/CRU, 2018.

58

Fonte: Arquiteto Leandro Terrão, 2018.

3.3 LEVANTAMENTO MÉTRICO Analisando os arquivos cedidos pela Prefeitura Municipal de Vitoria (PMV), compreende-se a necessidade de melhorias internas e externas. Devido a proposta, houve a necessidade de redimensionar o espaço existente para inserir no local um espaço destinado a biblioteca e cafeteria, conforme (Figura25, 26 e 27). Constatou uma carência de espaços afim de suprir as necessidades exigidas. Contudo, contribuindo para a sustentabilidade evitou-se o máximo de desperdício, recuperando parte da estrutura e esquadrias que por sua vez foram realocadas após novo layout.


FIGURA 25: PLANTA BAIXA – TÉRREO

59


REQUALIFICAÇÃO DA ANTIGA CASA DA FAMÍLIA CERQUEIRA LIMA NA CIDADE ALTA DE VITÓRIA – ES FIGURA 26: PLANTA BAIXA – PRIMEIRO PAVIMENTO

60


FIGURA 27: PLANTA BAIXA – SEGUNDO PAVIMENTO

61


REQUALIFICAÇÃO DA ANTIGA CASA DA FAMÍLIA CERQUEIRA LIMA NA CIDADE ALTA DE VITÓRIA – ES

FIGURA 28: FACHADA FRONTAL

62


3.4 ESTADO DE CONSERVAÇÃO Após levantamento da análise sobre a Casa Verde, percebeu-se um local totalmente danificado pela ação do tempo, consequência da ausência de manutenção. Conforme as figuras 29 a 36, podemos observar que o forro e/ou piso encontra-se comprometido,

revelando a necessidade de escoras, inviabilizando o acesso ao segundo pavimento. Desta forma, o estudo restringiu-se apenas ao primeiro pavimento.

3.4.1 LEVANTAMENTO FOTOGRÁFICO

FIGURA 29: IMAGENS INTERNA DO PAVIMENTO TÉRREO - EDIFÍCIO HISTÓRICO

FIGURA 30: IMAGENS INTERNA DO PAVIMENTO TÉRREO- ANEXO

FIGURA 31: IMAGENS INTERNA DO PRIMEIRO PAVIMENTO.

FIGURA 32: IMAGENS INTERNA DO PRIMEIRO PAVIMENTO.

FIGURA 33: IMAGENS INTERNA DO PRIMEIRO PAVIMENTO.

FIGURA 34: IMAGENS INTERNA DO PRIMEIRO PAVIMENTO.

FIGURA 35: IMAGEM EXTERNA DA FACHADA

FIGURA 36: IMAGEM EXTERNA DA FACHADA

FOTOS: ACERVO PESSOAL

63


REQUALIFICAÇÃO DA ANTIGA CASA DA FAMÍLIA CERQUEIRA LIMA NA CIDADE ALTA DE VITÓRIA – ES

3.5 - PATOLOGIAS

Foi realizado levantamento em campo da situação em que se encontrava a edificação, para posterior analise das possíveis patologias decorrentes dos processos de degradações naturais, e aquelas que envolvem a ação do homem. No local é possível observar que os dados mais recorrentes se deram pela ação do vandalismo, somando com a falta de manutenção e conservação, conforme aponta a (Figura 37). Os danos identificados são: a

64

umidade nas paredes e nos adornos na fachada, a esquadria de madeira danificada, o gradil em processo de deterioração, as fissuras, a pichação, a vegetação na estrutura, e o descascamento da pintura. O estado de conservação do imóvel é precário, mesmo sendo relevante ao patrimônio histórico e arquitetônico do município de Vitória. Como acontece com outros imóveis tombados, o tombamento por si só não garante a conservação do imóvel. Fazse necessário outras ações de salvaguarda para conservação. A atribuição de novos usos – como a proposta desse trabalho – pode ser uma forma de preservação.


3.6-TOMBAMENTO PRESERVAÇÃO

E

DIRETRIZES

DE

O Decreto nº 13.281 estabelece os procedimentos adequados para recuperação, manutenção e valorização de edifícios, obras e monumentos tombados. A Casa Verde está inserida nesse decreto, com grau de proteção 2 (GP2), que regulamenta as seguintes alterações: (PMV - DECRETO nº13.281, pág. 6)

No grau de preservação secundária GP2, são permitidas modificações internas e acréscimos, nas seguintes condições: alterações internas, inclusive subdivisão do pé-direito, desde que os vãos das fachadas sejam mantidos em funcionamento, livres de interferência e garantidos o acesso aos mesmos, desde que atendidas as exigências do Código de Edificações do Município de Vitória, vigente.

O Decreto nº 13.281 também determina as diretrizes para realização de pintura em edifício de interesse de preservação e tombados pelo patrimônio cultural. Para imóveis neoclássicos e eclético sugere-se o seguinte:

claros contrastando com as paredes as esquadrias devem ser em tons claros, médios ou fortes os gradis são em tons escuros (geralmente preto, marrom, verde escuro, azul marinho, cobre, grafite) e as porta de enrolar com tons escuros. (PMV - DECRETO

nº13.281, pág. 8)

Ou seja, conforme fundamentado no decreto, acima citado, é permitido a modificação interna do edifício desde que não interfira na fachada. O edifício tombado pelo Estado será monitorado pelo órgão técnico responsável a fim de observar e fiscalizar as modificações realizadas pelo proprietário. Vale ressaltar que para ocorrer estas modificações no imóvel, o proprietário deve encaminhar o projeto à prefeitura, para obter a aprovação e a autorização do referido projeto, para somente após realizar as modificações.

3.7 - CONCLUSÃO DO TOMBAMENTO

O tombamento é considerado um instrumento reconhecido pelo poder executivo, como também é uma ação administrativa, tem a finalidade de preservar e resguarda os bens culturais afim de manter sua conservação. Em âmbito federal, o tombamento foi instituído pelo Decreto-Lei nº 25, de 30 de novembro de 1937, o primeiro instrumento legal de proteção do Patrimônio Cultural Brasileiro e o primeiro das Américas, e cujos preceitos fundamentais se mantêm atuais e em uso até os nossos dias. (IPHAN, 2019).

As paredes devem ser pintadas em tons claros, médios ou fortes os adornos geralmente usados em tons mais

65


CAPÍTULO 4 ESTUDOS DE CASO


REQUALIFICAÇÃO DA ANTIGA CASA DA FAMÍLIA CERQUEIRA LIMA NA CIDADE ALTA DE VITÓRIA – ES

CAPÍTULO 4 - ESTUDOS DE CASO

FIGURA 38: MUSEU RODIN

Neste capítulo, são apresentados estudos de caso, com a finalidade de compreender a dinâmica do processo de requalificação de um determinado espaço pré-estabelecido dando ênfase na arte, cultura e lazer. O objetivo dos três estudos de caso é compreender as necessidades nas quais servirão como base para o desenvolvimento da proposta de requalificação da Casa Verde. Serão apresentados os estudos realizados nos museus, onde serão pontuadas as propostas arquitetônicas desempenhado por cada edifício, juntamente com a localização e a implantação. Esse estudo visa pontuar as principais necessidades de cada programa com ênfase na requalificação da Casa Verde.

4.1 MUSEU RODIN BAHIA O museu Rodin Bahia (Figura 38), surgiu em 2006. Sua construção foi erguida junto ao edifício Palacete Comendador Catharino, concluído em 1912, também conhecido como “Villa Catharino”. Neste projeto, observa-se que os arquitetos Marcela Ferraz e Francisco Fanucci preservaram as características do edifício histórico, tombado pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC) em 1982. A principal solução para conectar o Museu Rodin com a edificação histórica foi representada por uma passarela em concreto protendido (VICTORIANO, 2018). A ocupação do bairro é vertical adensada, de médio a alto padrão, o fator histórico do edifício o torna um ponto referencial diante

68

Fonte: https:// brasilarquitetura.com/projetos/museu-rodin-bahia, 2018


IMAGEM 39: PARTE EXTERNA DO MUSEU RODIN BAHIA.

do seu entorno, marcado pelo estilo contemporâneo. A intenção projetual do anexo lateral é respeitar as características sem interferir na paisagem urbana da cidade Salvador, não modificando a escala do palacete. Dois edifícios e dois períodos históricos diferentes que se conectam para abrigar áreas de exposição, ações educativas cultura e lazer. O objetivo foi criar uma filial em Salvador e diante disso surgiu uma série de exigências a serem cumpridas, uma delas era encontrar uma sede que tivesse um significado cultural para com contexto urbano e que pudesse acolher parte do acervo do museu de Paris. Restaurado no ano de 2002, para adequar ao palacete do início do século XX, o anexo apresenta a mesma área construída do palacete para respeitar a história de bloco principal, (VICTORIANO,2018). IMAGEM 40: PARTE INTERNA DO MUSEU RODIN BAHIA.

Fonte: http://rpaa.com.br/ins_museurodin.html, 2018.

Fonte: http://rpaa.com.br/ins_museurodin.html, 2018.

69


REQUALIFICAÇÃO DA ANTIGA CASA DA FAMÍLIA CERQUEIRA LIMA NA CIDADE ALTA DE VITÓRIA – ES

FIGURA 41: LOCALIZAÇÃO DO MUSEU RODIN EM SALVADOR (BA)

Fonte: Google Map. Com adaptação da autora, 2018.

4.1.1 Localização O Museu Rodin conta com uma localização privilegiada no município de Salvador – Bahia, próximo a outros centros culturas e imponentes construções, ele se destaca no entorno pela mistura de estilos arquitetônicos. Seu acesso é facilitado por estar próximo a ruas e avenidas importantes da região. Ele está inserido em um terreno de 4.850 mil m² e sua área construída é de apenas 3.055 mil m² (FANUCCI & FERRAZ 2002).

70

4.1.2 Implantação O edifício foi implantado em um terreno plano situado sobre um eixo Norte e Sul. O edifício ocupa um terreno de forma retangular e plano. Sua implantação foi pensada de forma estratégica e que desse acesso a todo tipo de público. O terreno está localizado paralelo as Ruas Teixeira Leal e Graça.


4.2 CASA DAS ROSAS – ESPAÇO HAROLDO DE CAMPOS DE POESIA E LITERATURA. A Casa das Rosas foi projetada e executada pelo escritório de arquitetura Ramos de Azevedo concluindo sua obra em meados de 1935. A residência foi um das últimas edificações da primeira geração de casas paulista, o edifício é datado do período eclético e reúne elementos neoclássicos, Art. Nouveau, Art. Déco e Neocolonial e do estilo Luís 15, conhecido como um estilo francês. Por questões financeiras o proprietário da edificação teve a necessidades de vender o imóvel e o terreno de fundos consequentemente vendida para uma construtora que resolveu construir dois grandes edifícios comerciais, entretendo sua obra foi embargada e a casa tombada pelo Condephaat - Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo em 1995. Com isso, surgiu proposta por parte da construtora que foi liberada de construir apenas uma unidade de seu edifício. (CASA DAS ROSAS,2018).

FIGURA 42: CASA DAS ROSAS

Fonte:http://www.saopaulo.sp.gov.br/conhecasp/museus/casa-das-rosas/, 2018.

Para a reinauguração o espaço notabiliza diretrizes de tornar a Casa das Rosas, ‘’Museus de si mesma’’, conscientizando o público para preservação do patrimônio histórico cultural da cidade, apoiar a criação literária em todas as suas etapas, propiciando, desde ao iniciante até ao escritor já consagrado e constituir um núcleo de preservação, investigação, reflexão e difusão cuja as atividades estão no âmbito da pesquisa literária, que serve de referência do poeta e ensaísta Haroldo de Campos. (CASA DAS ROSAS,2018). FIGURA 43: CASA DAS ROSAS

Fonte: https://spcity.com.br/serie-avenida-paulista-casa-das-rosas-e-o-parque-cultural-paulista/, 2018.

71


REQUALIFICAÇÃO DA ANTIGA CASA DA FAMÍLIA CERQUEIRA LIMA NA CIDADE ALTA DE VITÓRIA – ES

FIGURA 44: CASA DAS ROSAS

Fonte: Google Map. Com adaptação da autora, 2018.

4.2.1 Localização

Localizada na principal avenida de São Paulo ficou conhecida pela riqueza agrária por volta de 1980, se transformou na via de casarões dos mais renomados no período industrial, havia se transformado logo em seguida na avenida do mundo das finanças, com a presença de edifício modernos, bancos. A Paulista foi eleita pela população como símbolo importante de São Paulo atualmente é uma tradução da história econômica. E é nesse cenário que está localizado a Casa das Rosas (Figura 44), na qual se destaca pela sua grandiosa arquitetura eclética e cercada por edifício modernos na principal avenida de São Paulo, seu edifício e de fácil acesso por estar próximo a ruas e avenidas importantes da região.

72

4.2.2 Implantação O edifico está localizado em um tecido urbano plano no sentido Nordeste/ Sudoeste de seu eixo. Destaca-se perante o entorno devido suas características históricas sobressair no contesto atual existente. A implantação do edifício e concebida de forma geométrica na qual ocupa um terreno de 5500 mil m² a residência respeita os afastamentos de todos os lados favorecendo uma visão geral de todas as fachadas. O clima predominante da região é o tropical.


FIGURA 45: FACHADA PRAÇA DAS ARTES

Fonte: http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/projetos/13.151/4820, 2018.

4.3. PRAÇA DAS ARTES O Complexo das Artes foi projetado pelo escritório paulistano Brasil Arquitetura onde deu início a obra no ano de 2006 e inaugurado em 2012. O projeto que restaurou e reformou o conservatório onde não havia atividades a anos, se tornou um complexo arquitetônico de ensino e exposição de artes, sua construção em escala urbana, abraça o entorno e cria uma relação harmoniosa entre a arquitetura, pessoas e a cidade.

O espaço escolhido para a construção da Praça das Artes foi um terreno em forma de ‘T’, que liga a Rua Conselheiro Crispiniano à Av. São João e o Vale do Anhangabaú. O objetivo era criar um espaço que contornasse o antigo prédio tombado do Conservatório Dramático e Musical de São Paulo e se apresentasse de forma mista como edifício e praça. A projeto da praça teve como objetivo a revitalização do espaço cultural do centro histórico incorporado ao complexo (Figura 45). A primeira parte do complexo foi inaugurada em dezembro de 2012 em uma área de 29 mil m² e passou a ser ocupado em 2013. (PRAÇA DAS ARTES, 2018).

73


REQUALIFICAÇÃO DA ANTIGA CASA DA FAMÍLIA CERQUEIRA LIMA NA CIDADE ALTA DE VITÓRIA – ES

FIGURA 46: ESPAÇO INTERNO DO TEATRO Fonte:http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/projetos/13.151/4820, 2018.

4.3.1 Localização A praça das artes está localizada no centro de São Paulo, local onde contém as marcas da memórias de diferentes épocas de evolução (FANUCCI, FERRAZ & CARTUM 2012). A praça das Artes conta com uma localização privilegiada no centro da cidade de São Paulo, próximo a outros centros culturais, em um local onde se destaca a mistura de estilos arquitetônicos. Seu acesso é facilitado por estar próximo a ruas e avenidas importantes da região, e próximo à linha Azul do metrô

74

FIGURA 47: ESPAÇO INTERNO DO TEATRO Fonte:http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/projetos/13.151/4820, 2018.

4.3.2 Implantação O terreno é composto por uma junção de lotes que se interligam no miolo da quadra, voltados para três frentes de ruas, no coração da cidade de São Paulo. (PORTAL, VITRUVIUS, 2013), o edifício está posicionado sobre um terreno plano ocupando uma área total de 28.500m² Como quase toda região da cidade de são Paulo, tal lugar apresenta uma vizinhança predial confusa do ponto de vista volumétrico, sua tipologia e menor comparando com o entorno, entretanto não prejudica quanto a ventilação e insolação.


FIGURA 48: PRAÇA DAS ARTES

Fonte: Google Map. Com adaptação da autora, 2018.

4.4 CONCLUSÃO DOS ESTUDOS DE CASO

integração de cada ambiente com foco em atender a necessidade da população agregando assim, diversidade.

Foi possível analisar mediante ao estudo de caso que os edifícios abordados assim como a Casa Verde, passou por um processo de adaptação junto ao espaço urbano, agregando vitalidade a cidade, atraindo um público diversificado e ocasionando assim, um crescimento do fluxo de frequentadores da região.

De acordo com análise de cada edifício apresentado, o estudo contribuirá para o desenvolvimento do projeto de requalificação com base nas intenções projetuais destes, aplicando de forma adequada e buscando a valorização e reintegração do edifício a sociedade com ambientes destinados a um museu, biblioteca e cafeteria

Entretanto a requalificação desses edifícios partiu devido as novas funções a que lhe foi atribuído devido a atividade desempenhada por cada edifício, o que possibilitou a valorização da cultura local, com objetivo de ajudar na preservação e conservação, visando a

Observou-se que a grande maioria dos edifícios do estudo de caso estar localizado próximo aos centros históricos, comparando com o edifício escolhido.

75


CAPÍTULO 5 PROPOSTA ARQUITÔNICA


REQUALIFICAÇÃO DA ANTIGA CASA DA FAMÍLIA CERQUEIRA LIMA NA CIDADE ALTA DE VITÓRIA – ES

CAPÍTULO 5 - PROPOSTA ARQUITETÔNICA A elaboração do projeto partiu levando em consideração as condições atuais da antiga casa da família Cerqueira Lima – também conhecida como Casa Verde. Com base no estudo feito em campo foi constatado as más condições que o edifício se apresenta com relação ao estado de conservação, pois apresenta muitas patologias, decorrentes de seu estado de abandono e a falta de manutenção. A pesquisa de campo e o diagnóstico do entorno deixaram claro a carência de espaços de entretenimento e cultura na região. Desta forma, foi adotado ao projeto uma proposta de requalificação para transformar o espaço em uma biblioteca da cultura judaica e uma cafeteria, com o intuito de contribuir os anseios da população local e as demais localidades. O projeto foi desenvolvido a partir das necessidades da associação AlefBeit em inserir na Casa Verde um novo uso. Outro propósito foi tornar o lugar ativo em diferentes horários trazendo maior vitalidade e contribuindo para o desenvolvimento da Cidade Alta de Vitória.

5.1 CONCEITO DE PROJETO O conceito proposto para intervenção projetual foi manter a estrutura e os elementos arquitetônicos externos existentes do edifício histórico – sem descaracterizar sua volumetria. Foi proposto uma nova arquitetura ao anexo lateral e seu interior, sem sobressair ao bloco principal tombado. Para se estabelecer um diálogo entro o

78

novo e o antigo, manteve-se o mesmo alinhamento das estruturas, demonstrando respeito ao existente. Utilizou-se , técnicas e elementos contemporâneos para realçar o novo, com intuito de tornar-se um ambiente agradável e aconchegante ao visitante.

5.2 DEMOLIÇÃO E CONSTRUÇÃO Comparando com a planta baixa do levantamento, foi necessário distribuir novos fluxos de forma que a biblioteca tenha uma ampla visão e espaço para circulação do visitante, foi necessário também ampliar o anexo lateral, sabendo que o mesmo não conte valor histórico significativo, para criar uma setorização independente do funcionário ao visitante, conforme (Figura 49 a 51). Em caráter conceitual e por se tratar de imóveis de épocas distintas teve como principal objetivo um afastamento entre eles de 1,50m na tentativa de valorizar a arquitetura de ambos sem prejudicar a leitura do imóvel tombado.


FIGURA 49: PLANTA DEMOLIÇÃO E CONSTRUÇÃO - TÉRREO

79


REQUALIFICAÇÃO DA ANTIGA CASA DA FAMÍLIA CERQUEIRA LIMA NA CIDADE ALTA DE VITÓRIA – ES FIGURA 50: PLANTA DE DEMOLIÇÃO E CONSTUÇÃO - PRIMEIRO PAVIMENTO

80


Figura 51: Planta demolição e Construção – Segundo Pavimento FIGURA 51: PLANTA DE DEMOLIÇÃO E CONSTUÇÃO - SEGUNDO PAVIMENTO

Fonte: Elaborado pela autora, 2019.

81


REQUALIFICAÇÃO DA ANTIGA CASA DA FAMÍLIA CERQUEIRA LIMA NA CIDADE ALTA DE VITÓRIA – ES TABELA 02: PROGRAMA DE NECESSIDADES DA CASA VERDE

SETORIZAÇÃO DE AMBIENTE TÉRREO PAVIMENTO QUANTIDADE ÁREA TOTAL (m²) Recepção 1 13,65 Biblioteca 1 61,44 Café 1 26,44 Banheiro Acessível 1 5,96 Depósito 1 3,65 Administrativo 1 10,48 Copa/DML 1 5,63 Circulação 1 7,38 TOTAL 134,63m² PRIMEIRO PAVIMENTO Área de exposição Circulação Sala de reunião Administrativo Depósito Copa/DML Banheiro Acessível Área de convívio TOTAL

QUANTIDADE 1 2 1 1 1 1 1 1

SEGUNDO PAVIMENTO Sala de vídeo Área de convivência TOTAL

QUANTIDADE 1 3

ÁREA TOTAL:

Fonte: Elaborado pela autora, 2018

82

ÁREA TOTAL (m²) 77,65 18,19 9,04 12,55 5,61 5,73 5,01 109,86 243,64m² ÁREA TOTAL (m²) 24,04 114,02 138,06m² 516,33m²

5.3 PROGRAMA DE NECESSIDADES O programa de necessidades (Tabela 02) da Casa Verde, contempla atividades comerciais e culturais inserido de forma harmônica na localidade. O programa conta com os seguintes ambiente e dimensões:


5.4 PROPOSTA DE SETORIZAÇÃO A proposta foi dividida em setores que interligam entre si. O térreo foi setorizado de forma integrada onde será demandado um espaço à biblioteca e cafeteria. Parte da estrutura do anexo lateral ao bloco

original será mantido, onde será inserido o setor administrativo e de serviço, que dará suporte ao edifício (Figura 52). O procedimento para entrega de alimentos destinado ao café se dará pelo acesso de serviço localizado no anexo lateral em horário pré-estabelecidos para que não haja conflito com entrada e saída de clientes.

FIGURA 52: PLANTA DA PROPOSTA DE SETORIZAÇÃO - TÉRREO.

83


Foram propostos matérias duráveis e com qualidade para todo interior do imóvel pensando na facilidade da limpeza e manutenção. Para a biblioteca optou-se por um ambiente com cores claras visto se tratar de um local para leitura. Os materiais utilizados no projeto foram a madeira o concreto e o metal.

FIGURA 53: RECEPÇÃO

FIGURA 54: ESPAÇO DE LEITURA DA BIBLIOTECA.

A recepção conta com um armário trabalhado com a proposta de cheios e vazios proporcionou ao visitante uma ampla visão para todo o ambiente interno, como também controlar o acesso.


FIGURA 55: BALCÃO CAFETERIA.

FIGURA 56: CAFETERIA.

85


REQUALIFICAÇÃO DA ANTIGA CASA DA FAMÍLIA CERQUEIRA LIMA NA CIDADE ALTA DE VITÓRIA – ES

FIGURA 57: ESPAÇO PARA LEITURA.

86


O pavimento superior está situado a área de exposição de arte voltado a cultura judaica juntamente com o setor administrativo e serviço para dar suporte as atividades desenvolvidas pelo setor (Figura 58). A paginação da área de convívio trouxe a simbologia da

estrela de David, símbolo conhecido como escudo de Davi usado por seguidores do Judaísmos.

FIGURA 58: PLANTA DA PROPOSTA DE SETORIZAÇÃO - PRIMEIRO PAVIMENTO.

87


FIGURA 59: ÁREA DE EXPOSIÇÃO.

FIGURA 60: ÁREA DE EXPOSIÇÃO


FIGURA 61: ÁREA DE EXPOSIÇÃO.

89


REQUALIFICAÇÃO DA ANTIGA CASA DA FAMÍLIA CERQUEIRA LIMA NA CIDADE ALTA DE VITÓRIA – ES O layout da área de exposição foi proposto pensando na funcionalidade e estética, com a vantagem do visitante interagir com os painéis giratórios, deixando também mais fluido e eficiente para a circulação das pessoas. A cobertura existente no edifício histórico terá a presença de uma sala de vídeo que transmitira a história do município de Vitória e arredores de forma lúdica, o

espaço também recebera uma área de vivência com vista para catedral de vitória e baia de vitória (Figura 62).

FIGURA 62: PLANTA DA PROPOSTA DE SETORIZAÇÃO - SEGUNDO PAVIMENTO.

90


5.5 PROJETO FINAL A Intervenção realizada teve como ponto inicia preservar os elementos arquitetônicos e restaura-los, por se tratar de uma edificação de patrimônio cultural de GP2, foram realizadas reformar internas sem prejudicar a característica externa do imóvel. Foi proposto a restauração das esquadrias com uso de matérias de maior durabilidade além do tratamento de pintura para valorização da edificação, a casa verde como é conhecimento atualmente foi mantida com a tonalidade verde pela denominação própria. Optou-se para intervenção do anexo lateral uma arquitetura contemporânea desde que sua aparece não sobressaísse mais que o imóvel de maior valor histórico, portanto seguiram o mesmo alinhamento estrutural.

91


FIGURA 63: VISTA AÉREA CADETRAL DE VITÓRIA E CASA DA FAMÍLIA CERQUEIRA LIMA

FIGURA 64: FACHADA FRONTAL


FIGURA 65: FACHADA FRONTAL

FIGURA 66: DETALHE FACHADA FRONTAL


FIGURA 67: ÁREA EXTERNA

FIGURA 68: ÁREA EXTERNA


FIGURA 69: ÁREA EXTERNA

FIGURA 70: ÁREA EXTERNA


REQUALIFICAÇÃO DA ANTIGA CASA DA FAMÍLIA CERQUEIRA LIMA NA CIDADE ALTA DE VITÓRIA – ES

FIGURA 71: FACHADA LATERAL

96

FIGURA 72: FACHADA LATERAL


5.6 PROJETOS FINAIS As demais pranchas e as conforme apresentadas no caderno, também estão disponíveis no apêndice em uma escala adequada, para melhor leitura e entendimento do projeto. TABELA 03: PROJETOS FINAIS.

PRANCHA 01/13 02/13 03/13 04/13 05/13 06/13 07/13 08/13 09/13 10/13 11/13 12/13 13/13

PROJETO Planta de situação, implantação e cobertura Corte AA Corte BB Planta Layout – Pavimento Térreo Planta Layout – Primeiro Pavimento Planta Layout – Segundo Pavimento Planta de Mobiliário – Pavimento Térreo Planta de Mobiliário – Primeiro Pavimento Planta de Mobiliário – Segundo Pavimento Planta de paginação de piso – Pavimento térreo Planta de paginação de piso – Primeiro Pavimento Planta de paginação de piso – Segundo Pavimento Elevações FONTE: ELABORADO PELA AUTORA, 2019.

97


REQUALIFICAÇÃO DA ANTIGA CASA DA FAMÍLIA CERQUEIRA LIMA NA CIDADE ALTA DE VITÓRIA – ES

CONSIDERAÇÕES FINAIS

98


6. CONSIDERAÇÕES FINAIS O trabalho exposto procurou compreender o processo de degradação dos edifícios localizados na Cidade Alta de Vitória, na maioria dos casos, devido à falta de manutenção e conservação como também um uso inadequado com a tipologia arquitetônica existente. Por se tratar de um entorno do ponto de vista histórico, ocorrem uma serie de depredações aos bens públicos e privados, contribuindo ainda mais para o processo de degradação, seguindo os mesmos conceitos de Viollet-le-Duc e Jane Jacobs, o projeto buscou melhorias que envolvem também a parte exterior do edifício com o propósito de atribuir uma melhor caminhabilidade do público, promovendo sensações de segurança pelo novo uso.

“Restaurar um edifício não é mantê-lo, repará-lo ou refazê-lo, é restabelecê-lo em um estado completo que pode não ter existido nunca em um dado momento (...) ” (LE-DUC, 2006, P.20).

Através de estudos e análises, foi possível identificar a importância de requalificar a casa verde, atendendo os anseios da associação Alef Beit, estabelecendo os objetivos desejados com intuído de aprimorar a cultura, entretenimento e lazer dos visitantes além de tudo contribuindo para uma melhor qualidade de vida do lugar, valorizando um monumento importante e preservando para as futuras gerações da cidade de Vitória –ES.

99


REQUALIFICAÇÃO DA ANTIGA CASA DA FAMÍLIA CERQUEIRA LIMA NA CIDADE ALTA DE VITÓRIA – ES

7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ARQUITETURA ECLÉTICA NO BRASIL. Educar Brasil. Disponível em: <http://www.conteudoseducar.com.br/conteudos/arquivos/3192. pdf>. Acesso em: 16 out. 2018. BASTOS, SÊNIA. Requalificar ou revitalizar? Ações de valorização do patrimônio cultural, educação patrimonial, turismo e hospitalidade. Disponível em: <https://www.ucs.br/site/midia/ arquivos/73-requalificar.pdf>. Acesso em: 24 out. 2018. BONDUKI, Nabil. Intervenções urbanas na recuperação decentes históricos. Disponível em: <http://portal.iphan.gov.br/uploads/ publicacao/colarq3_intervencoes_urbanas_na_recuperacao_de_ centros_historicos_m.pdf>. Acesso em: 16 nov. 2018 BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil promulgada em 5 out. 1988. Disponível em: <www.planalto.gov.br/ ccivil_03/constituicao/ConstituicaoCompilado.htm>. Acesso em: 02 nov. 2018.

Unesp, 2006. DERENZI, Serafim Luiz. Biografia de uma ilha, 1965. Disponível em:<http://www.morrodomoreno.com.br/materias/logradourosantigos-de-vitoria-por-serafim-derenzi.html>. Acesso em: 16 mar. 2018. ELTON, Elmo. Logradouros antigos de Vitória, 1999. Disponível em: <http://www.morrodomoreno.com.br/site_2016/materias/ruacerqueira-lima-ex-ladeira-da-matriz-por-elmo-elton.html>. Acesso em: 19 mar. 2018. FANUCCI, Francisco e FERRAZ, Marcelo. 2002. Museu Rodin Bahia Disponível em: <http://vitruvius.com.br/revistas/read/ projetos/06.070/2721>. Acesso em: 18 nov 2018

FANUCCI, FERRAZ & CARTUM 2012. Praça das Artes. Disponível em:< http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/ projetos/13.151/4820 >. Acesso em: 18. Nov.2018

CARTA DE LISBOA SOBRE A REABILITAÇÃO URBANA INTEGRADA. 1º Encontro Luso-Brasileiro de Reabilitação Urbana Lisboa, 1995. Disponível em: <https://www.culturanorte.pt/fotos/editor2/1995__ carta_de_lisboa_sobre_a_reabilitacao_urbana_integrada1%C2%BA_encontro_luso-brasileiro_de_reabilitacao_urbana.pdf>. Acesso em: 29 set. 2018.

FERREIRA, V., GATO, M. & LUCAS, Joana. Requalificação Urbana ou Reconversão Urbanística? In: FERREIRA, Vítor Matias; INDOVINA, Francesco. A Cidade da Expo’98, Uma Reconversão na Frente Ribeirinha de Lisboa? Lisboa: Bizâncio, 1999.

CASA DAS ROSAS. Institucional. Disponível em: <http://www. casadasrosas.org.br/institucional/>. Acesso em: 18 nov.2018

GALERIA DA ARQUITETURA. Museu Rodin da Bahia. Disponível em: <https://www.galeriadaarquitetura.com.br/projeto/brasilarquitetura_/museu-rodin-bahia/2799>. Acesso em: 16 out. 2018.

CREA-SP. Patrimônio histórico: como e por que preservar. Grupo de Trabalho Patrimônio Histórico e Arquitetônico. Bauru: Canal 6. 3 ed. 2008. Acesso em: 07 de nov. 2018. CHOAY, Françoise. A Alegoria do Patrimônio. 3 ed. São Paulo:

100

IPHAN. Carta de Atenas. Disponível em: <http://portal.iphan.gov. br/uploads/ckfinder/arquivos/carta%20de%20atenas%201931. pdf>. Acesso em: 29 set. 2018.


IPHAN. Decreto-Lei nº 25, de 30 de novembro de 1937.- Disponível em:< http://portal.iphan.gov.br/uploads/legislacao/Decreto_25_ de_30_11_1937.pdf>. Acesso em: 05 de Maio de 2019. ______. Carta de Veneza. Disponível em: <http://portal.iphan. gov.br/uploads/ckfinder/arquivos/carta%20de%20veneza%20 1964.pdf>. Acesso em: 29 set. 2018. ______. Carta de Burra. Disponível em: <http://portal.iphan.gov. br/uploads/ckfinder/arquivos/Carta%20de%20Burra%201980. pdf>. Acesso em: 29 set. 2018. ______. Dicionário do patrimônio cultural preservação. Disponível em: < http://portal.iphan.gov.br/ dicionariopatrimoniocultural/detalhes/46/preservacao >. Acesso em: 01 out. 2018. KILL, Miguel Arcanjo. Terra Capixaba. Geografia & História. Vitória: [s.n.], 1998. KLUG, Letícia Beccalli. Vitória: sítio físico e paisagem. Vitória: EDUFES, 2009. LEAL, João Euripedes Franklin. O passado agoniza no Espirito Santo: Fortificações: um legado esquecido. Revista Fundação Jones dos Santos Neves. Vitória: Instituto Jones dos Santos Neves. Ano II. n. 4. p. 17-18. out./dez. 1979. LEMOS, Carlos A. C. O que é patrimônio Histórico. São Paulo: Editora Brasiliense, 2006. LYNCH, K. (1997). A Imagem da Cidade. Editora Martins – Fontes, Coleção Mundo da Arte, São Paulo – SP, 1997. ______. Alvenaria Burguesa: breve história da arquitetura residencial de tijolo em São Paulo a partir do ciclo econômico

liderado pelo café. – 2. ed. Ver., ampl. - São Paulo: Nobel, 1989 MONTEZUMA, Roberto. Arquitetura Brasil 500 anos. Recife: Universidade Federal de Pernambuco, 2002. MOURA, Dulce; GUERRA, Isabel; SEIXAS, João e FREITAS, Maria João. A Revitalização Urbana: Contributos para a Definição de um Conceito Operativo. Cidades: Comunidades e Territórios, dez. 2006, n° 12/13, pp. 15-34. Disponível em: <https://repositorio. iscte-iul.pt/bitstream/10071/3428/1/Cidades2006-12-13_Moura_ al.pdf>. Acesso em: 25 jun. 2018. MORRO DO MORENO. Patrimônio ambiental: aspectos na Grande Vitória. Disponível em: <http://www.morrodomoreno.com. br/materias/patrimonio-ambiental-aspectos-na-grande-vitoria. html>. Acesso em: 15 nov. 2018 MUNIZ, Maria Izabel Perini. O centro histórico de vitória: imagem urbana em dois momentos. Disponível em: revista capixaba de arquitetura, designer e urbanismo, p.34, abr.2000 OLIVEIRA, José Teixeira. História do Estado do Espirito Santo. Arquivo público do Estado do Espirito Santo: Secretaria de Estado da Cultura. 3 ed. Vitória, 2008. PEIXOTO, Paulo. Plural de cidade: novos léxicos urbanos. Disponível em: <http://cvc.instituto-camoes.pt/conhecer/bibliotecadigital-camoes/pensamento-e-ciencia/2107-2107/file.html>. Acesso em: 16 nov. 2018. PRAÇADASARTE. História. Disponível em: http://theatromunicipal. org.br/espaco/praca-das-artes/. Acesso: 18 nov 2018. PREFEITURA MUNICIPAL DE VITÓRIA. Secretaria Municipal de Desenvolvimento da Cidade. Decreto nº 13.281, de 11abr. 2007. Estabelece normas e procedimentos para recuperação,

101


REQUALIFICAÇÃO DA ANTIGA CASA DA FAMÍLIA CERQUEIRA LIMA NA CIDADE ALTA DE VITÓRIA – ES manutenção e valorização de edifícios, obras e monumentos tombados, sujeitos ao tombamento vizinho ou identificados como de interesse de preservação, na forma do disposto nos artigos 284 e 285, da Lei 6.705/06 – Plano Diretor Urbano do Município de Vitória. Disponível em: <http://sistemas.vitoria.es.gov.br/webleis/ Arquivos/2007/D13281.PDF> Acesso em: 18 mai. 2018. ______. Lei nº 6.705. Plano Diretor Urbano. Disponível em: <http://sistemas.vitoria.es.gov.br/webleis/arquivos/2006/l6705. pdf>. Acesso em: 28 set. 2018. ______. Decreto nº 13.281. Disponível em: <http://sistemas. vitoria.es.gov.br/webleis/arquivos/2007/d13281.pdf>. Acesso em: 23 set. 2018 ______. Vitória em dados - centro. Disponível em: <http://legado. vitoria.es.gov.br/regionais/bairros/regiao1/centro.asp>. Acesso em: 02 out. 2018. ______. Prefeitos de Vitória. Disponível em: <http://www.vitoria. es.gov.br/prefeitura/prefeitos-de-vitoria>. Acesso em: 15 nov. 2018 ROSIN, Jeane Aparecida Rombi De Godoy. Revista científica. Vulnerabilidade da preservação do patrimônio urbano: estudo de caso - tupã, v.5, n.6, p.1-22, dez. 2012. Disponível em: <http:// www.amigosdanatureza.org.br/publicacoes/index.php/anap_ brasil/article/view/405/429>. Acesso em: 10 out. 2018 RUBENS DO AMARAL. Morfologia urbana conceitos e aplicativos. Disponível em: <http://www.segeth.df.gov.br/ wp-conteudo/uploads/2017/11/morfologia_urbana_conceitos_ aplicacoes.pdf>. Acesso em: 17 out. 2018 SANTOS, Lívia Maria Macêdo; AFONSO, Alcília; SILVA, Valério de Araújo; FREIRE, Pamela K. Ribeiro Franco.

102

Requalificação do centro histórico de Teresina: Século XXI, 2014. Disponível em: <https://upcommons.upc.edu/bitstream/ handle/2099/15622/009_BGT_Mac%C3%AAdo_L%C3%ADvia. pdf?sequence=1&isAllowed=y>. Acesso em: 25 jun. 2018 SPCITY. Série avenida paulista: casa das rosas e o parque cultural paulista. Disponível em: <https://spcity.com.br/serieavenida-paulista-casa-das-rosas-eo-parque-cultural-paulista/>. Acesso em: 17 out. 2018 TERRÃO, Leandro. Projeto de Arquiteto. Disponível em: <www. projetodearquiteto.com.br/> Acesso em: 15 mar. 2018. VARGAS, Heliana Comin; CASTILHO, Ana Luisa Howard de. Intervenções em centros urbanos: objetivos, estratégias e resultados. 2. ed., rev. e atual. São Paulo: Manole, 2009. Acesso em:12 out. 2018. LAMAS, J.M. R. G. Morfologia urbana e desenho da cidade. sl: Fundação Calouste Gulbenkian, 1993. VICTORIANO, Gabrielle 2018. Museu Rodin Bahia. Disponível em:<https://www.galeriadaarquitetura.com.br/projeto/brasilarquitetura_/museu-rodin-bahia/2799> Acesso em: 18 nov 2018. VIOLLET-LE-DUC, Eugene Emmanuel. Restauração. Cotia: Ateliê Editoria, 2006.


103


REQUALIFICAÇÃO DA ANTIGA CASA DA FAMÍLIA CERQUEIRA LIMA NA CIDADE ALTA DE VITÓRIA – ES

104


APÊNDICE 8 - APÊNDICES

105


REQUALIFICAÇÃO DA ANTIGA CASA DA FAMÍLIA CERQUEIRA LIMA NA CIDADE ALTA DE VITÓRIA – ES

ESTREVISTA PARA AVALIAR A HISTÓRIA DA CASA VERDE

Nome: Iradir Profissão: Corretor de imóveis. 1-

Quantos anos morou na residência?

Morei por um período de 30 anos. 2-

Houve alguma ampliação ou reforma no imóvel?

Não, foram mantidas as mesmas características apenas foi realizado reformar interna como laje do pavimento térreo, telhado, pintura e troca de piso. 3-

Havia alguma patologia na residência por conta do tempo? Liste os problemas.

A casa apresentava problemas com a infiltração no telhado e nas paredes, visto que as tubulações estão aparentes da nas fachadas laterais e frontal. 4-

Em a sua opinião a casa conta com uma localização estratégia?

A casa tem uma boa localização, mais o centro de vitória a noite é muito vazio, acaba tornando um local perigoso, no período em que morei na residência a mesma foi invadida nos últimos anos. 5-

Qual motivo para venda do imóvel?

Por questões de insegurança do local.


REQUALIFICAÇÃO DA ANTIGA CASA DA FAMÍLIA CERQUEIRA LIMA NA CIDADE ALTA DE VITÓRIA – ES

ESTREVISTA PARA AVALIAR A HISTÓRIA DA CASA VERDE Nome: José Profissão: Corretor de imóveis. 1-

Conheceu algum morador da residência?

Sim, o Sr. Iradir, morou na residência aproximadamente 30 anos. 2-

Como adquiriu o imóvel?

Trabalho em frente à casa aproximadamente 40 anos, então vi que o Sr. Iradir tomou posse do imóvel através da usucapião onde fui testemunha de audiência. 3-

Havia alguma patologia na residência por conta do tempo? Liste os problemas.

Durante os anos que permaneci aqui a casa sempre aparentava sinais de abandono. 4-

Em a sua opinião a casa conta com uma localização estratégia?

A casa tem uma boa localização, por conta da Catedral de Vitória que é um ponto turístico para o município.


1 759,6 20 115

N

N

759,1

464,4

Telha ondulada de fibrocimendo

Inclinação 5%

Inclinação 5%

1 626,7

133,5

EDIFICAÇÃO

295,2

991,3

562,7

865,5

651,1

CALÇADA

101 169,4

615,6

106

767,5

1 759,6

RUA DIONÍSIO ROSENDO

1

PLANTA DE IMPLANTAÇÃO

2

1 : 200

PLANTA DE COBERTURA 1 : 200

N José Rua

1 : 1000

n Rose ísio n o i D

Área total do lote Área construida C.A T.O T.P Gabarito Altura da Edificação

do

IRA QUE CER

3

ZONA DE OCUPAÇÃO LIMITADA 1 - ZOL1

o celin Mar

Rua

SITUAÇÃO

QUADRO DE ÁREAS 315m² 201m² 0,63% 63% 20% 3 12,15m

DISCIPLINA:

Trabalho de Conclusão de Curso em Arquitetura e Urbanismo II

ORIENTADOR:

Melissa Ramos da Silva Oliveira

ALUNO:

ESCALA:

Como indicado

Izadora Miranda Cota

PROJETO:

Requalificação da Antiga casa da familía Cerqueira Lima na cidade Alta de Vitória -ES

CONTEÚDO DA PRANCHA:

Planta de Implantação, Cobertura e Situação

DATA:

17 de Junho de 2019

PRANCHA

01/13


DEPÓSITO 5,80 m²

ADM 12,55 m²

CIRC. 14,67 m²

ÀREA DE EXPO. 77,52 m²

200 1 230

+3,55

CIRCULAÇÃO 7,34 m²

BIBLIOTECA 61,44 m²

BIBLIOTECA 61,44 m²

+0,15

1

355

475

700

+3,55

330

SALA DE VÍDEO 24,04 m²

225

ÁREA DE CONVIVIO 49,87 m²

345

+10,30

+0,15

CORTE AA 1 : 100

DISCIPLINA:

Trabalho de Conclusão de Curso em Arquitetura e Urbanismo II

ORIENTADOR:

Melissa Ramos da Silva Oliveira

ALUNO:

ESCALA:

1 : 100

Izadora Miranda Cota

PROJETO:

Requalificação da Antiga casa da familía Cerqueira Lima na cidade Alta de Vitória -ES

CONTEÚDO DA PRANCHA:

Corte AA

DATA:

17 de Junho de 2019

PRANCHA

02/13


200 235

+10,30

ÁREA DE CONVIVIO 32,36 m²

ÁREA DE CONVIVIO 31,74 m²

355

795

+3,55

ÀREA DE EXPO. 77,52 m²

ÀREA DE EXPO. 77,52 m²

+3,55

CAFÉ 25,84 m²

BIBLIOTECA 61,44 m²

340

ÁREA DE CONVIVIO 110,82 m²

359

1 230

96

+7,00

95 345

SALA DE VÍDEO 24,04 m²

RECEPÇÃO 13,65 m²

+0,15

+0,14

1

+0,00

CORTE BB 1 : 100

DISCIPLINA:

Trabalho de Conclusão de Curso em Arquitetura e Urbanismo II

ORIENTADOR:

Melissa Ramos da Silva Oliveira

ALUNO:

ESCALA:

1 : 100

Izadora Miranda Cota

PROJETO:

Requalificação da Antiga casa da familía Cerqueira Lima na cidade Alta de Vitória -ES

CONTEÚDO DA PRANCHA:

Corte BB

DATA:

17 de Junho de 2019

PRANCHA

03/13


13/16

N

3

DEPÓSITO 3,65 m²

WC 5,96 m²

COPA/DML 5,63 m²

ADM 10,75 m²

BIBLIOTECA 61,44 m²

CIRCULAÇÃO 7,34 m²

4

2

RECEPÇÃO 13,65 m²

13/16

RAMPA EXISTENTE

13/16

CAFÉ 25,84 m²

1

1

PLANTA LAYOUT - PAVIMENTO TÉRREO 1 : 100

13/16

DISCIPLINA:

Trabalho de Conclusão de Curso em Arquitetura e Urbanismo II

ORIENTADOR:

Melissa Ramos da Silva de Oliveira

ALUNO:

ESCALA:

1 : 100

Izadora Miranda Cota

PROJETO:

Requalificação da Antiga casa da familía Cerqueira Lima na cidade Alta de Vitória -ES

CONTEÚDO DA PRANCHA:

Planta Layout - Pavimento Térreo DATA:

17 de Junho de 2019

PRANCHA

04/13


1

13/16

03/13

3

N

ÁREA DE CONVIVIO 110,82 m²

COPA/DML 5,70 m²

WC 5,11 m²

CIRC. 14,67 m²

ÀREA DE EXPO. 77,52 m²

DEPÓSITO 5,80 m²

CIRC. 3,82 m²

1 02/13

1

ADM 12,55 m²

02/13

REUNIÃO 9,04 m²

2

13/16

1

1

PLANTA LAYOUT - PRIMEIRO PAVIMENTO 1 : 100

1

13/16

03/13

DISCIPLINA:

Trabalho de Conclusão de Curso em Arquitetura e Urbanismo II

ORIENTADOR:

Melissa Ramos da Silva Oliveira

ALUNO:

ESCALA:

1 : 100

Izadora Miranda Cota

PROJETO:

Requalificação da Antiga casa da familía Cerqueira Lima na cidade Alta de Vitória -ES

CONTEÚDO DA PRANCHA:

Planta Layout - Primeiro Pavimento

DATA:

17 de Junho de 2019

PRANCHA

05/13


1

13/16

03/13

N

3

ÁREA DE CONVIVIO 32,36 m²

ÁREA DE CONVIVIO 49,87 m²

1

1

02/13

02/13 SALA DE VÍDEO 24,04 m²

13/16

4

2

13/16

ÁREA DE CONVIVIO 31,74 m²

1

1

PLANTA LAYOUT - SEGUNDO PAVIMENTO 1 : 100

13/16

1 03/13 DISCIPLINA:

Trabalho de Conclusão de Curso em Arquitetura e Urbanismo II

ORIENTADOR:

Melissa Ramos da Silva Oliveira

ALUNO:

ESCALA:

1 : 100

Izadora Miranda Cota

PROJETO:

Requalificação da Antiga casa da familía Cerqueira Lima na cidade Alta de Vitória -ES

CONTEÚDO DA PRANCHA:

Planta Layout- Segundo Pavimento

DATA:

17 de Junho de 2019

PRANCHA

06/13


Mesa 100x100 / Tampo MDF laminado preto fosco / Estrutur: Aço carbono pintado em preto fosco

N

Quatzito Moulin Rouge

Poltrona Theo 80x81x78h / Revestimento: Linho Verde militar / Estrutura :Aço carbono pintado em preto fosco. CAFÉ 25,84 m²

Cadeira Barbara New

BIBLIOTECA 61,44 m²

Mesa lateral Saarine TampoØ55x70 em madeira nogueira

Poltrona Theo 80x81x78h / Revestimento: Linho / Estrutura :Aço carbono pintado em preto fosco. Puff OPPO Low Armchair Material: Linho Cinza grafite

RECEPÇÃO 13,65 m²

1

Estante slim com estrutura de aço carbono pintado em preto fosco/ Nichos em madeira

PLANTA BAIXA MOBILIARIO - TÉRREO 1 : 100

DISCIPLINA:

Trabalho de Conclusão de Curso em Arquitetura e Urbanismo II

ORIENTADOR:

Melissa Ramos da Silva Oliveira

ESCALA:

ALUNO:

1 : 100

PROJETO:

PRANCHA

Izadora Miranda Cota Requalificação da Antiga casa da familía Cerqueira Lima na cidade Alta de Vitória -ES

CONTEÚDO DA PRANCHA:

Planta baixa de mobilíario - Térreo

DATA:

17 de Junho de 2019

07/13


Bacia para caixa acoplada P.480.17 - Level - Deca Cuba de piso cilíndrica LC.1271.17 - Deca Torneira reta de piso Tube 1191.C.TUB.PSO - Deca

COPA/DML 5,70 m²

N

WC 5,11 m² ÀREA DE EXPO. 77,52 m² CIRC. 14,67 m²

DEPÓSITO 5,80 m²

CIRC. 3,82 m²

ADM 12,55 m²

REUNIÃO 9,04 m²

Cadeira Dar Wood Cor: Branco Mesa lateral Saarine TampoØ55x70 em madeira nogueira

Poltrona Theo 80x81x78h / Revestimento: Linho / Estrutura :Aço carbono pintado em preto fosco.

2

PLANTA BAIXA MOBILIARIO - PRIMEIRO PAVIMENTO 1 : 100 DISCIPLINA:

Trabalho de Conclusão de Curso em Arquitetura e Urbanismo II

ORIENTADOR:

Melissa Ramos da Silva Oliveira

ESCALA:

ALUNO:

1 : 100

PROJETO:

PRANCHA

Izadora Miranda Cota Requalificação da Antiga casa da familía Cerqueira Lima na cidade Alta de Vitória -ES

CONTEÚDO DA PRANCHA:

Planta baixa de mobilíario - Primeiro pavimento DATA:

17 de Junho de 2019

08/13


N

ÁREA DE CONVIVIO 32,36 m²

ÁREA DE CONVIVIO 49,87 m²

Projeção cobertura

SALA DE VÍDEO 24,04 m²

Poltrona Honkens easy chair Mesa Gap round / Base e tampo em madeira

3

ÁREA DE CONVIVIO 31,74 m²

PLANTA BAIXA MOBILIARIO - SEGUNDO PAVIMENTO 1 : 100

DISCIPLINA:

Trabalho de Conclusão de Curso em Arquitetura e Urbanismo II

ORIENTADOR:

Melissa Ramos da Silva Oliveira

ESCALA:

ALUNO:

1 : 100

PROJETO:

PRANCHA

Izadora Miranda Cota Requalificação da Antiga casa da familía Cerqueira Lima na cidade Alta de Vitória -ES

CONTEÚDO DA PRANCHA:

Planta baixa mobilíario - Segundo pavimento

DATA:

17 de Junho de 2019

09/13


920

123

217

455

409,1 66

20

579,1

251,2

270,2

60

BIBLIOTECA 60,86 m²

1 412,6

313,1

150

CAFÉ 26,44 m²

290

10

WC 6,32 m²

165,7

112,5

290

117

10

CIRC. 7,79 m² 194,4

10

170

219,3

ADM 10,80 m²

102,5

COPA 6,69 m²

152,5

441,3

10

DEPÓSITO 3,83 m²

262,5

42,5

10

SOCO H=10cm

153

797,5

314,3

50

185

20

409,1

488

150

RECEPÇÃO 14,24 m²

1

PAGINAÇÃO DE PISO - TÉRREO 1 : 100 DISCIPLINA:

QUANTITATIVO DE PISO - PRIMEIRO PAV. Rodapé Santa Luzia 457 RP|BR - 20cm 87,57ml

Especificação St Martin - 90x90 Total

Quant. 140,98m² 140,98m²

Trabalho de Conclusão de Curso em Arquitetura e Urbanismo II

ORIENTADOR:

Melissa Ramos da Silva Oliveira

ALUNO:

ESCALA:

1 : 100

Izadora Miranda Cota

PROJETO:

Requalificação da antiga casa da familia Cerqueira Lima na cidade Alta de Vitória ES

CONTEÚDO DA PRANCHA:

Paginação de piso - Pavimento térreo

DATA:

17/06/2019

PRANCHA

10/13


Abaixo

755

ÁREA DE CONVIVIO 108,88 m²

100 15

237,5

15

202,5

10

456,9

579,1

202,5

199,7

15

193

171,4

CIRC. 14,62 m²

ADM 12,55 m²

15

DEPÓSITO 5,72 m²

348,1

ÀREA DE EXPO. 77,60 m²

REUNIÃO 9,04 m²

15

412,6

10

270,2

312,3

ÀREA DE EXPO. 77,60 m²

388,8

Soco H=10CM

184,4

810

WC 5,06 m²

1 412,6

COPA/DML 5,65 m²

153,5

10

162,5

55

185

184,4

10

205,3

10 132,8 10

202,5

15

ÀREA DE EXPO. 77,60 m²

1

504,7

755

PAGINAÇÃO DE PISO - PRIMEIRO PAVIMENTO 1 : 100 DISCIPLINA:

QUANTITATIVO DE PISO - PRIMEIRO PAV.

Rodapé Santa Luzia 457 Especificação RP|BR - 20cm 109,72ml St Martin - 90x90 Total

Quant. 137,87m² 137,87m²

Trabalho de Conclusão de Curso em Arquitetura e Urbanismo II

ORIENTADOR:

ESCALA:

ALUNO:

1 : 100

PROJETO:

PRANCHA

Melissa Ramos da Silva Oliveira Izadora Miranda Cota Requalificação da antiga casa da familia Cerqueira Lima na cidade Alta de Vitória ES

CONTEÚDO DA PRANCHA:

Paginação de piso - Segundo Pavimento

DATA:

17/06/2019

11/13


755 317

30

238

335 229,8

730

ÁREA DE CONVIVIO 49,96 m²

524,6

ÁREA DE CONVIVIO 32,36 m²

ÁREA TÉCNICA

170

649,1

920 585,6

165

611,1 423,1

SALA DE VÍDEO 24,04 m²

165,2

169,4

ÁREA DE CONVIVIO 31,74 m²

1

489,4

650,1

PAGINAÇÃO DE PISO - SEGUNDO PAVIMENTO 1 : 100

Rodapé Santa Luzia 457 RP|BR - 20cm 13,74ml

QUANTITATIVO DE PISO - PAVIMENTO SUPERIOR Especificação Quant. St Martin - 90x90 Broadway Lime - 60x60 Total

22,78m² 115,71m² 138,49m²

DISCIPLINA:

Trabalho de Conclusão de Curso em Arquitetura e Urbanismo II

ORIENTADOR:

Melissa Ramos da Silva Oliveira

ALUNO:

ESCALA:

1 : 100

Izadora Miranda Cota

PROJETO:

Requalificação da antiga casa da familia Cerqueira Lima na cidade Alta de Vitória ES

CONTEÚDO DA PRANCHA:

Paginação de piso - Segundo Pavimento DATA:

17/06/2019

PRANCHA

12/13


Cobertura em concreto aparente

Pergolado em madeira plástica

Pintura na cor: Folha de Chá Verde P303 Cobertura em concreto aparente

Pintura na cor: Folha de Chá Verde P303

Balaustre existente

Alvenaria em pedra restaurada rejuntada com argamassa de cal

1

Fechamento em vidro reflata cinza escuro

FACHADA FRONTAL

+10,30

+7,00

+7,00

+3,55

+3,55

+0,15 +0,0

+0,15 +0,0

Guarda corpo restaurado com pintura eletrostática na cor branca Esquadria em madeira

1 : 100

+10,30

2

FACHADA LATERAL DIR. Cobertura em concreto aparente

1 : 100

Pintura na cor Folha de chá verde P303

Balaustre existente +10,30

Fechamento em vidro reflata cinza escuro Cobertura de concreto aparente Balaustre existente +10,30

+7,00

+7,00

+3,55

+0,15 +0,0

3

FACHADA FUNDOS 1 : 100

4

FACHADA LATERAL ESQ. 1 : 100

DISCIPLINA:

Trabalho de Conclusão de Curso em Arquitetura e Urbanismo II ORIENTADOR:

Melissa Ramos da Silva Oliveira

ESCALA:

1 : 100

ALUNO:

Izadora Miranda Cota

PROJETO:

Requalificação da Antiga casa da familía Cerqueira Lima na cidade Alta de Vitória -ES CONTEÚDO DA PRANCHA:

Elevação: Fachado, Lateral Direira, Lateral Esquerda e Fundos

DATA:

17 de Junho de 2019

PRANCHA

13/13


Profile for izadoramiranda

TCC arqurbuvv REQUALIFICAÇÃO DA ANTIGA CASA DA FAMÍLIA CERQUEIRA LIMA NA CIDADE ALTA DE VITÓRIA – ES  

2019-01 - Izadora Miranda Cota

TCC arqurbuvv REQUALIFICAÇÃO DA ANTIGA CASA DA FAMÍLIA CERQUEIRA LIMA NA CIDADE ALTA DE VITÓRIA – ES  

2019-01 - Izadora Miranda Cota

Advertisement