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INVERNO 2019 ARTE As fantásticas colagens do diretor de arte Romeu Silveira HOMENS QUE INSPIRAM Conheça Yuval Harari autor dos best-sellers Sapiens e Homo Deus LYFESTYLE Viaje pelas lentes de Izan Petterle, um dos mais importantes nomes brasileiros da fotografia documental DESIGN Com o premiado arquiteto Guto Requena e suas obras maravilhosas ATITUDE DOCTHOS A história das ações sociais e ambientais por trás da marca Krindges MODA DRESS CODE


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The Confusions of Young Törless (2018), 21 x 29,7 cm, colagem sobre papel.Parte de uma série de colagens inspiradas em clássicos da literatura, aqui tomando como ponto de partida o livro de Robert Musil. 4


Atitude é transcender Nasce a segunda edição do nosso projeto editorial que contempla levar para nossos fãs, mais do que entretenimento, muita informação de moda e experiência de vida de personagens super descolados que são a cara da Docthos. As pautas apresentam conteúdo informativo real, porque pra nossa equipe não basta apresentar mais uma revista de marca, mas sim um material que enriqueça seu conhecimento com reflexões sobre o ser humano e suas habilidades artísticas e criativas, seus sonhos realizados com o registro do comportamento e lifestyle de povos da América Latina e suas cidades pitorescas. Também abordamos a importância da tecnologia na construção de uma arquitetura interativa e mais humana refletindo o sonho, as vezes lúdico, as vezes funcional, do artista. Já que o ser humano é tão importante para nós por que não falar sobre seu passado, presente e futuro? Ou por que não entender como alguns podem viver felizes no simples? E para finalizar vamos transcender nossos desejos de vestir moda com estilo conhecendo a nossa coleção de inverno 2019, que foi inspirada na existência de uma realidade diferente do mundo natural mas provoca sua consciência a abertura de volta ao mundo exterior.

Be ready for Transcendence!


SUMÁRIO

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MODA

Dress Code Inverno 2019 EXPEDIENTE

EQUIPE DOCTHOS Comunicação e Branding GLOW Assessoria em Marketing e Publicidade Conteúdo e Projeto Gráfico Jussara Romão Agência Direção de Arte e Projeto Gráfico Iza Cabette Design e Arte-Final Pedro Ishikawa Revisão de Texto Paulo França

DOCTHOS.COM.BR comercial@docthos.com.br Rua Arthur Krindges,150 Ampére - PR

Tel. (46) 3547- 8000

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DENIM


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ARTE

ROMEU SILVEIRA

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HOMENS QUE INSPIRAM

YUVAL HARARI

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Jovem Executivo

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Moda e Comportamento

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Trending Topics

#FELIZNOSIMPLES

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TECH NOW

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Mala de Viagem

THINK OUTSIDE THE BOX

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LIFE STYLE

CAÇADOR DE SONHOS

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DESIGN GUTO REQUENA

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ATITUDE DOCTHOS

CONSCIÊNCIA SUSTENTÁVEL


COLABORADORES

Boy/Slices (2018), 21 x 29,7 cm, colagem sobre papel

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Romeu Silveira A

rtista visual e designer gráfico. Já colaborou com marcas como Sandro Paris, Versace, Nike, Printemps, Modem e revistas como Dazed, Elle, Marie Claire Italia e Flair, além de ser criador e editor da Under Pressure, um misto de revista e fanzine em atividade desde 2015.


Victor Daguano

MARCIO SIMNCH M

udou para São Paulo em 1998, após se formar em design gráfico, para trabalhar como fotógrafo da revista Trip. Após sua experiência com retrato e fotojornalismo passou a desenvolver seu trabalho em moda. Marcio colabora com diferentes publicações especializadas em fotografia de moda e arte, assim como uma variedade de campanhas publicitárias. Nesta edição ele fotografou nossa coleção de Inverno 2019 e o editorial Jovem Executivo.

F

ormado em design digital, Victor começou a fotografar como assistente do fotógrafo Gustavo Zylbersztajn. A parceria deu tão certo que hoje eles trabalham juntos em muitas campanhas de moda. No lugar de investir tudo na fotografia, esse paulistano da gema, como ele diz, acabou escolhendo o mundo do fashion film, Coca-Cola, Malwee, C&A, Ellus, Dafiti, Marie Claire, John John e Hope, são alguns dos clientes para quem ele dirigiu seu talento. Em seu primeiro trabalho para a revista Docthos, ele assina as imagens do editorial Denim.

PAULA BRAZÃO P

aula Brazão Antunes, interiorana que vive em São Paulo há mais de uma década, realizando o sonho de viver das palavras. Já trabalhou na revista Lola, da editora Abril. Foi para a TV tentar aparecer na telinha, mas se viu apaixonada pela edição de textos. O fez no programa AutoEsporte, da TV Globo e seguiu para a TV Record, onde editou textos de hard news e entretenimento. Atualmente trabalha na mesma área na TV Gazeta, mas não abre mão de sua paixão por escrever para veículos impressos, como a revista Dochtos. Nesta edição ela foi conhecer as ações sustentáveis que a empresa Krindges pratica no âmbito social e ambiental.

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BLAZER: 609.326.122 CASACO: 658.326.157 CAMISETA: 623.336.517 CALÇA DO COSTUME: 608.326.170


A ATITUDE DOCTHOS NESTA TEMPORADA INVERNO 2019 PREZA CONFORTO, PRATICIDADE E MUITO ESTILO. A ELEGÂNCIA DA ALFAIATARIA SE ENCONTRA COM NOVAS BASES, CORES E TEXTURAS, E A PALAVRA DA VEZ É MOVIMENTO. COSTUMES CLÁSSICOS GANHAM ELASTANO EM SUAS COMPOSIÇÕES E UM CHOQUE DE ATITUDE EM CORES COMO O VIOLETA, FLORESTA E ROYAL. A PRATICIDIDADE DA MALHA INVADE A COLEÇÃO EM BLAZERS E CALÇAS QUE REVISITAM O TAILORING, TRAZENDO PARA O GUARDAROUPA MASCULINO A FACILIDADE AO PASSAR E O CONFORTO DO POWER STRETCH, IDEAIS PARA VIAGENS E DIAS AGITADOS FOTOS MARCIO SIMNCH STYLIST THIAGO FERRAZ

inverno 2019


CAMISA: 605.329.865 GRAVATA: 650.330.934 COLETE: 651.326.154 BLAZER: 609.326.140 CALÇA: 601.320.285

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CAMISA: 605.329.821 BLAZER: 609.326.156 CALÇA: 601.110.014

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CAMISA: 605.329.863 COSTUME: 608.326.150

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CAMISA: 605.329.863 CALÇA DO COSTUME: 608.326.150

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CAMISA: 605.329.801 JAQUETA: 610.326.145 CALÇA DO COSTUME: 608.326.151

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CAMISETA ML: 624.336.571 COSTUME: 608.326.151

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CAMISA: 605.329.800 GRAVATA: 650.119.024 COLETE: 651.326.159 COSTUME: 608.326.150

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CAMISETA: 623.336.565 CASACO: 658.326.134 CALÇA: 601.320.289

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POLO: 640.336.686 CALÇA DO COSTUME: 608.326.170


CAMISA: 605.329.831 CASACO:658.326.132 CALÇA: 601.320.296 CINTO: 650.330.926

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BONÉ: 650.920.996 CAMISA: 605.929.584 COLETE: 651.916.489 CALÇA: 601.920.209

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CAMISA: 604.329.859 CALÇA: 601.320.236

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ASSISTENTES FOTO VITOR JARDIM E WALLACE COSTA MODELO BRUNO ENDLER /JOY MODELS PRODUTOR STYLING WELL SANTOS ASSISTENTE DE STYLING GABRIEL FABOSA BEAUTY JO PORTALUPI ASSISTENTE BEAUTY IAN RIBEIRO PRODUÇÃO ERIC CAGNASSI/GLOW ASSESSORIA DIREÇÃO CRIATIVA EDINHO VAQUES /GLOW ASSESSORIA CAMAREIRA EDINEUSA NAGY

JAQUETA: 610.326.107 CAMISA: 605.329.756 CALÇA: 601.320.251

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CAMISA: 605.329.871 BERMUDA: 602.330.608

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MODA

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PELAS LENTES DO FOTÓGRAFO VICTOR DAGUANO, TODA A ATITUDE DOCTHOS É TRADUZIDA COM NOSSA LINHA DE PRODUTOS CASUAIS E ATEMPORAIS QUE LEVA O NOME DE DENIM. O JEANS TEM UMA LINGUAGEM UNIVERSAL DE CONFORTO, PRATICIDADE, RESISTÊNCIA E ATITUDE. NESTE EDITORIAL, O JEANS BRILHA ABSULUTO TRAZENDO A TRADUÇÃO DO NOSSO LIFESTYLE. FOTOS VICTOR DAGUANO STYLIST THIAGO FERRAZ


BLAZER 609.916.477 CALÇA 601.920.219 CAMISA 605.929.502

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BLAZER 609.916.477 CALÇA 601.920.219 CAMISA 605.929.502


BLAZER 609.916.477 CALÇA 601.920.219 CAMISA 605.929.502

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BONÉ 650.920.996 CAMISA 605.929.584 COLETE 651.916.489 CALÇA 601.920.209 BONÉ 650.920.996 CAMISA 605.929.584 COLETE 651.916.489 CALÇA 601.920.209 BONÉ 650.920.996 CAMISA 605.929.584 COLETE 651.916.489 CALÇA 601.920.209

MODELO FILIPE HILLMANN /WAY MODELS PRODUTOR STYLING WELL SANTOS ASSISTENTE DE STYLING GABRIEL FABOSA BEAUTY JO PORTALUPI ASSISTENTE BEAUTY IAN RIBEIRO PRODUÇÃO ERIC CAGNASSI/GLOW ASSESSORIA DIREÇÃO CRIATIVA EDINHO VAQUES /GLOW ASSESSORIA CAMAREIRA EDINEUSA NAGY

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MODA

CAMISA: 605.329.806 GRAVATA: 650.119.024 TRICÔ: 638.336.554 COSTUME: 608.326.170

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PREPARAMOS PARA VOCÊ 10 LOOKS ATUAIS COMO SUGESTÃO DE USO PARA O SEU DIA A DIA DE TRABALHO. NESSES 10 LOOKS, TRADUZIMOS A ESSÊNCIA DA ALFAIATARIA CONTEMPORÂNEA QUE A DOCTHOS LHE PERMITE EXPLORAR. DE LOOKS FORMAIS A LOOKS MODERNOS, NOSSA PROPOSTA É DEIXÁ-LO SEMPRE ELEGANTE COM DOCTHOS

JOVEM

EXECUTIVO FOTOS MARCIO SIMNCH STYLIST THIAGO FERRAZ

CAMISA: 605.329.879 GRAVATA: 650.119.023 COSTUME: 608.326.170

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CAMISA: 605.329.811 BLAZER: 609.326.130 CALÇA: 601.110.014

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CAMISA: 605.329.878 BLAZER: 609.326.119 CALÇA: 601.320.294


CAMISETA: 623.336.621 BLAZER: 609.326.122 CALÇA: 601.320.244

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CAMISA: 605.329.899 COSTUME: 608.326.151

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CAMISA: 605.329.830 BLAZER: 609.326.163 CALÇA: 601.320.296


CAMISA: 605.329.820 JAQUETA: 610.326.112 CALÇA: 601.110.014 CINTO: 650.330.926

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CAMISETA: 623.336.633 JAQUETA: 610.326.111 CALÇA: 601.320.284

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ASSISTENTES FOTO VITOR JARDIM E WALLACE COSTA MODELO ED SALDANHA /WAY MODELS PRODUTOR STYLING WELL SANTOS ASSISTENTE DE STYLING GABRIEL FABOSA BEAUTY JO PORTALUPI ASSISTENTE BEAUTY IAN RIBEIRO PRODUÇÃO ERIC CAGNASSI/GLOW ASSESSORIA DIREÇÃO CRIATIVA EDINHO VAQUES /GLOW ASSESSORIA CAMAREIRA EDINEUSA NAGY

POLO: 640.336.523 JAQUETA: 610.326.144 CALÇA: 601.320.284

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TRENDING TOPICS

EXCLUSIVO BLOCOS E LISTRAS JACQUARD DOUBLE FACE NATURAL COLOR WASHED MALHA ATHLEISURE FOTOS MARCIO SIMNCH STYLIST THIAGO FERRAZ


BONÉ 650.920.996 CAMISA 605.929.584 COLETE 651.916.489 CALÇA 601.920.209

EXCLUSIVO A exclusividade faz parte da nossa atitude Docthos. Aqui você confere um pouco das criações autorais do nosso time de designers. As criações das estampas são Handmade (feitos a mão)


BLOCOS E LISTRAS Esses padrões estarão presentes no guarda roupa masculino e vale a pena ficar de olho! A nossa aposta para os blocos de cores é no linho, material super versátil. Os listrados aparecem em peças mais clássicas como nossas camisas highlight, na versão fresh em camisas de linho e polos lavadas. As listras ficam com a nossa must have cropped jeans e nos sueters. Confira.

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BONÉ 650.920.996 CAMISA 605.929.584 COLETE 651.916.489 CALÇA 601.920.209


BONÉ 650.920.996 CAMISA 605.929.584 COLETE 651.916.489 CALÇA 601.920.209

JACQUARD O caimento perfeito e osacabamento primorosos da alfaiataria Docthos se uniu ao conforto e toque macio das malhas. Sejam em bases estruturadas, com texturas, ponto roma, jacquards, estampados ou pontos diferenciados, ela acompanha o movimento do seu dia a dia.

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BONÉ 650.920.996 CAMISA 605.929.584 COLETE 651.916.489 CALÇA 601.920.209 BONÉ 650.920.996 CAMISA 605.929.584 COLETE 651.916.489 CALÇA

DOUBLE FACE A praticidade é sinomino nesses produtos. Peças double face, garantem 2 peças em 1. Na Tee você tem a opção de uma estampa marcante de um lado e uma discreta no outro. Já na jaqueta, uma face xadrez e a outra lisa, que te permite compor variados looks. Experimente

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NATURAL COLOR A Sofisticação dos looks monocromáticos, de forma pratica e atemporal. Nessa temporada a Docthos te apresenta o natural, cor versátil para todos os tipos de pele que lhe garante desde looks clássicos aos mais despojados, confira!

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WASHED

Para compor os looks nada melhor que uma ótima Tee shirt. Nessa coleção trazemos novas opções de malhas lavadas, composição 100% algodão que veste confortável com visual moderno e em uma paleta assertiva de cores.

BONÉ 650.920.996 CAMISA 605.929.584 COLETE 651.916.489 CALÇA 601.920.209

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BONÉ 650.920.996 CAMISA 605.929.584 COLETE 651.916.489 CALÇA 601.920.209

MALHA

A praticididade da malha invade a coleção em blazers e calças que revisitam o tailoring, trazendo para o guarda roupa masculino a facilidade ao passar e o conforto do power, ideais para viagens e dias agitados.

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ATHLEISURE A releitura das roupas esportivas que garante conforto e estilo no mesmo look. A palavra deriva da junção de “athletic” (atlético) e “leisure” (lazer). Um look com pegada esportiva para usar no dia-a-dia. Na Docthos você encontra jaquetas, coletes, blusões, moletons, calças e muita atitude pra inserir essa tendência no seu guarda roupa. 52

BONÉ 650.920.996 CAMISA 605.929.584 COLETE 651.916.489 CALÇA 601.920.209


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ASSISTENTES FOTO VITOR JARDIM E WALLACE COSTA MODELO ED SALDANHA /WAY MODELS, RENATO NICOLI /WAY MODELS, FILIPE HILLMANN/WAY MODELS PRODUTOR STYLING WELL SANTOS ASSISTENTE DE STYLING GABRIEL FABOSA BEAUTY JO PORTALUPI ASSISTENTE BEAUTY IAN RIBEIRO PRODUÇÃO ERIC CAGNASSI /GLOW ASSESSORIA DIREÇÃO CRIATIVA EDINHO VAQUES /GLOW ASSESSORIA CAMAREIRA EDINEUSA NAGY


MODA

WORK

MALA DE VIAGEM 54


A MALA DE VIAGEM PERFEITA E FÁCIL DE FAZER SAI DAS ROUPAS QUE VOCÊ USA NO SEU DIA A DIA. SIMPLES ASSIM.NÓS FACILITAMOS AINDA MAIS MOSTRANDO O QUE VALE A PENA LEVAR NA HORA DE VIAJAR A TRABALHO OU A LAZER. FOTOS GUSTAVO MENDES DIREÇÃO E STYLING EDINHO VAQUES

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WORK

Segunda: CALÇA: 601.110.014 CAMISA: 605.329.860 BLAZER: 609.326.117 GRAVATA: 650.119.024 Terça: CAMISA: 605.329.788 COSTUME: 608.326.170 GRAVATA:650.119.024 Quarta: CALÇA: 601.320.289 GRAVATA: 650.119.024 CAMISA:605.329.878

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segunda


terรงa quarta


quinta

Quinta: GRAVATA: 650.119.021 BLAZER: 609.326.122 CALÇA: 601.320.257 CAMISA: 605.329.806 Sexta: CASACO: 658.326.134 CALÇA: 601.110.014 BLAZER: 609.326.123 CAMISA: 605.329.791 Pronto para Ir: GRAVATA: 650.119.024 COSTUME: 608.326.170 COSTUME: 608.326.170 CALÇA: 601.320.257 CAMISA: 605.329.860 CAMISA: 605.329.791 CAMISA: 605.329.806

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sexta


PRONTO PARA IR AQUI O TERNO É SEU BÁSICO DA VEZ. O PALETÓ PODE SER USADO COM O JEANS PARA MOMENTOS INFORMAIS E A CALÇA, MESMO USADA SÓ COM A CAMISA E SEM GRAVATA, ENTRA EM REUNIÕES DE TRABALHO.

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segunda

RELAX


terça Segunda: CAMISA: 605.329.756 MOLETOM: 618.336.508 CALÇA: 601.320.236 Terça: JAQUETA: 610.326.109 BERMUDA: 602.320.893 CAMISA: 605.329.888 MOLETOM: 618.336.619 Quarta: JAQUETA: 610.326.144 CAMISA: 605.329.883 POLO: 640.336.678 CALÇA: 601.320.285 CAMISETA ML: 624.336.566

quarta 61


Quinta: JAQUETA: 610.326.144 CALÇA DO COSTUME: 608.326.170 CAMISA: 604.329.859 MOLETOM: 618.336.509 Sexta: CAMISA: 605.329.822 POLO: 640.336. 587 CALÇA: 601.320.239 MOLETOM: 618.336.514

quinta

FOTÓGRAFO GUSTAVO MENDES ASSISTENTE DE FOTOGRAFIA FABRICIO MARCONI PRODUÇÃO ERIC CAGNASSI (GLOW ASSESSORIA) DIREÇÃO E STYLING EDINHO VAQUES (GLOW ASSESSORIA) CAMAREIRA LINDA

sexta

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PRONTO PARA IR

AQUI SEU CURINGA SÃO AS ESTAMPAS. ELAS OFERECEM LEVEZA E MODERNIDADE A QUALQUER PRODUÇÃO COM AS PEÇAS CLÁSSICAS DO GUARDA-ROUPA MASCULINO.

CALÇA: 601.320.239 CAMISA: 604.329.859 JAQUETA: 610.326.144 CAMISA: 605.329.756 CALÇA: 601.320.285 POLO: 640.336.678 MOLETOM:618.336.619

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ARTE

POR ROMEU SILVEIRA

SÉRIE ABSTRATA (2017-2018),15x21cm, colagem sobre papel 64


DORIAN GRAY (2017),15x21 cm, colagem sobre papel. Parte de uma sĂŠrie de colagens inspiradas em clĂĄssicos da literatura, aqui tomando como ponto de partida o livro de Oscar Wilde

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MODA E COMPORTAMENTO

#FELIZ

NO SIMPLES! O EMPRESÁRIO RICARDO LOMBARDI DEIXOU PARA TRÁS UMA CARREIRA BEM-SUCEDIDA NO JORNALISMO E O CARGO DE DIRETOR DE CONTEÚDO DO YAHOO PARA APOSTAR NA CRIAÇÃO DO SEBO DESCULPE A POEIRA. A SEGUIR, ELE CONTA SOBRE ESSA TRANSIÇÃO DE CARREIRA, QUE TROUXE MAIS FELICIDADE, MAS EXIGIU UM ESTILO DE VIDA DESPOJADO E COM MENOS CONSUMO POR DANIEL TAVARES

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H

á cinco anos, o jornalista paulistano Ricardo Lombardi fez uma viagem para San Isidro, uma cidadezinha ao lado de Buenos Aires, na Argentina, para visitar parentes. Mal sabia ele que ali teria o insight que o faria mudar o curso de sua história profissional. “Me hospedei em um hotel que ficava em cima de um sebo minúsculo, que pertencia a uma senhora idosa. Essa possibilidade de viver de um pequeno negócio, que não exigia uma equipe, me deixou encantado”, conta o paulistano de 48 anos. Assim que voltou ao Brasil, começou a fomentar a ideia de ter ele mesmo uma loja de livros usados. “Mas não poderia fazer isso de maneira repentina, por isso comecei devagar e de maneira despretensiosa”, diz Ricardo, que nessa época ocupava o cargo de diretor de redação da revista VIP, publicação do Grupo Abril voltada para o público masculino.

“Abra o negócio quando você ainda tiver energia e disposição para empreender. Mudar de carreira não é fácil e exige muita dedicação. Eu fiz essa escolha em um momento em que ainda estava disposto a começar algo novo, totalmente do zero.”

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Durante alguns meses, conciliou o trabalho na revista com a livraria virtual. Até que, em 2014, recebeu um convite tentador para ser executivo do Portal Yahoo e ocupar o cargo de diretor de conteúdo. “Mas, na prática, o dia a dia tinha pouco a ver com jornalismo e muito com gestão. Eram milhares de reuniões, viagens profissionais, planilhas. Estava ganhando muito bem, mas sentia que aquele caminho não iria me deixar feliz e realizado”, diz ele, que começou a preparar logo nos primeiros meses desse emprego na empresa de tecnologia a fase 2 do Desculpe a Poeira: a loja física. O lugar que abrigaria o negócio já tinha sido escolhido desde a gestação da ideia: a garagem para carro que pertence ao apartamento do charmoso edifício de três andares onde mora sua mãe, no bairro de Pinheiros, na capital paulista. O espaço de 18m2, bem no meio de uma rua residencial e tranquila, já era usado por Ricardo para guardar boa parte de seu acervo. “Ali era realmente o ponto ideal: pequeno, não precisaria pagar um aluguel alto, na região da cidade que sempre gostei e fui criado, e ainda com a vantagem de ter minha mãe Lucia Lombardi, que é aposentada, por perto.”

“HÁ UMA RACHADURA EM TUDO. É ASSIM QUE A LUZ ENTRA.” LEONARD COHEN

FOTOS: JONAS TUCCI

Seu primeiro passo? Montou nesse mesmo ano (2013) uma loja virtual e colocou à disposição parte do acervo de obras que guardou ao longo de sua vida. “Em vinte cinco anos como jornalista focado principalmente na área cultural, comprei e ganhei muitos livros. Reuni mais de 5 mil títulos, ou seja, já tinha um bom capital para dar start na atividade”, explica ele, que iniciou sua carreira aos 17 anos no Grupo Estado, como arquivista. Ali, ele adquiriu o gosto pela profissão e trocou a faculdade de Direito pela de Jornalismo. Foram 9 anos de trabalho lá, divididos entre o jornal O Estado de São Paulo e o extinto Jornal da Tarde. Mas voltando ao sebo, ele começou a existir primeiro no mundo virtual e já com o divertido nome: Desculpe a Poeira, que Lombardi já usava desde 2006 em seu blog no qual dava dicas culturais. O endereço existiu até 2016 e ficou hospedado uma época no portal IG, e, já mais próximo de seu fim, fazia parte da versão online do jornal O Estado de São Paulo. “Quando criei a loja na internet, achei totalmente pertinente usá-lo com o nicho de mercado em que estava entrando”, comenta.


“SE A ÚNICA PRECE QUE DISSER NA VIDA INTEIRA FOR ‘OBRIGADO’, JÁ É O BASTANTE.” MESTRE ECKHART

Com um investimento de aproximadamente 5 mil reais, ele mesmo foi preparando a área para virar um sebo. Sim, as estantes e prateleiras foram feitas pelo empresário! A única exceção são os carrinhos de livros, que encomendou para uma amiga, a arquiteta Lua Nitsche, do escritório Nitsche Arquitetos. “Com o espaço pronto, pedi demissão em setembro e, a partir daí, fui abrindo a loja esporadicamente até inaugurá-la oficialmente em novembro.” Segundo ele, o grande diferencial do Desculpe a Poeira em relação aos demais sebos da cidade é seu trabalho de curadoria. Lá, só entra o que o dono gosta. Há obras dos mais variados temas e assuntos, mas não são vendidos, por exemplo, livros didáticos nem de autoajuda. Como ele faz essa seleção e conhece o acervo, quando os clientes pedem ajuda e indicações, Lombardi consegue ajudá-los de uma maneira mais personalizada. Quanto à decisão de deixar o salário mensal e os benefícios por um negócio que não sabia se daria certo, o empresário diz que fez uma escolha com bastante consciência e se preparou para abrir mão de muita coisa e adotar um estilo de vida mais simples. O que não quer dizer que seu negócio não tenha se tornado sustentável ao longo desses últimos quatro anos. “Pago minhas contas no final do mês, sim, só não consigo mais esbanjar nem me dar ao luxo de não ver o preço de algo antes de comprar”, explica o ex-jornalista que saiu totalmente da área. E a maior parte da sua renda vem da loja física ou da virtual? “No começo, mais da internet, hoje as fontes se equilibraram”, revela ele, que tem livros no sebo, em Pinheiros, de 5 a 1590 reais. Já em seu endereço na internet tem uma obra de 3900 reais. É O Grande Sertão Veredas, autografado por seu autor, Guimarães Rosa. Como há pouquíssimas obras assinadas por ele, o valor no mercado vai às alturas.

“Dê uma atenção especial às redes sociais. Elas ajudam muito a alavancar as minhas vendas. Mas não vale ser óbvio colocando somente fotos de produtos. No meu caso, escrevo curiosidades sobre as obras e autores, posto frases que acho interessantes, mostro algo especial que achei dentro do livro e assim por diante.” 69


O seu cotidiano também mudou. Atualmente, ele diz que que chega a trabalhar mais horas do que na redação, pois, além de tomar conta da loja praticamente sozinho (só tem uma assistente 5 horas por dia), está sempre indo buscar livros (com uma Kombi antiga) e pesquisando acervos para comprar. ”Às vezes, o trabalho braçal é gigante, pois preciso carregar várias malas pesadas com mercadoria. Mas mesmo assim o prazer é imenso, porque escolhi e adoro o que faço hoje. E como sou dono do meu negócio e do meu tempo, me dou ao direito de não abrir a loja alguns dias para, por exemplo, passar o meu aniversário com a minha filha Petra, que está com cinco anos.” A menina é fruto de seu segundo casamento com a designer de joias Camila Sarpi. De sua primeira união, com a jornalista Lia Bock, nasceu Ernesto, que está com 9 anos. No final de 2017, ele se casou mais uma vez. Sua eleita é a maquiadora Vanessa Rozan, que participa do programa Esquadrão da Moda, no SBT, há dez anos. A expert faz a transformação dos participantes por meio do make-up. O casal assinou toda a papelada formal, mas mora em casas separadas. Vanessa vive com a filha Pina, 6, em um apartamento em Higienópolis, zona oeste da cidade, e Lombardi mora sozinho em um apê na Praça Roosevelt, na região central. “Nós dois já dividimos o teto com outras pessoas e justamente por isso preferimos adotar outra fórmula de casamento. Cada um tem o seu espaço, e ela vem um pouco para a minha casa e eu vou para a dela. E com frequência, reunimos

“QUERER SER DO SEU TEMPO É JÁ ESTAR ULTRAPASSADO.” EUGÈNE IONESCO, NOTAS E CONTRANOTAS

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TOP 3 Ricardo indica cinco bons livros que estão à venda no sebo (ou estavam, já que nesse tipo de negócio não há muitas unidades de um mesmo título): O Filho de Mil Homens, de Valter Hugo Mae Neste romance, o escritor português narra com rara delicadeza a construção de uma família através da história de um pescador, que chega aos 40 anos triste por não ter tido um filho, e do órfão Camilo, que um dia aparece em sua traineira. Zuckerman Acorrentado, de Philip Roth O volume reúne os três romances e a novela que serve de epílogo à trilogia em que o norte-americano dá vida a uma de suas criações mais geniais: o escritor Nathan Zuckerman, considerado o alter ego do escritor. A Condição Humana, de Hanna Arendt Alemã, de origem judaica, a autora conhecida como a Pensadora da Liberdade, falecida em 1975, interpreta a modernidade como a era que colocou em perigo a condição mais básica da vida humana: a pluralidade.

os meus filhos com a dela”, diz. Além desses momentos em família, quando não está trabalhando, Lombardi gosta de ler em casa e em cafés, frequenta livrarias e mantém a forma correndo na rua. E você já se acostumou com as oscilações de vendas no comércio? “No início, nos dias mais vazios, ficava angustiado. Hoje aprendi a lidar com isso. Só não gosto muito quando chove, pois tenho que recolher os livros que estão à venda na calçada e fico bem apertado junto com eles dentro do sebo.” Uma curiosidade sobre essa sua atividade de


“NEM TODOS OS CAMINHOS SÃO PARA TODOS OS CAMINHANTES.”

JOHANN WOLFGANG VON GOETHE (1749-1832)

vender livros usados é que ele vive encontrando bilhetes, tickets antigos, passagens áreas dentro das obras. “Eu guardo tudo. Penso em escrever um livro infantil que tenham esses itens inseridos na narrativa, assim como quero fazer uma exposição com eles.” Sobre os planos futuros para o Desculpe a Poeira, ele diz que não tem um pensamento expansionista de ter filiais e montar redes, mas a ideia, claro, é sempre poder ter mais clientes e vender mais. “Mas isso tudo no ritmo que for possível e dentro das minhas possibilidades, já que não cogito investir, por exemplo, em mais funcionários”, completa.

VAI UMA DICA AÍ? A partir de suas experiências com o Desculpe a Poeira, o empresário dá alguns conselhos para quem pensa em se arriscar em um negócio próprio. “Escolha um nicho de mercado que você tenha alguma proximidade ou relação. Isso não é uma norma, mas facilita muito. Eu tive uma carreira de 25 anos como jornalista e escrevi principalmente sobre a área cultural. Além disso, já tinha uma coleção enorme de livros. Com essa experiência na bagagem e produtos em mãos, tudo fluiu melhor”. “O diferencial é muito importante. No meu sebo, por exemplo, não entra qualquer tipo de livro. Eu faço uma curadoria do que é vendido aqui e escolho as obras que acho mais interessantes. Por isso, consigo dar uma orientação consistente para os clientes quando eles precisam da minha ajuda.” “Se você vende produtos como eu, aconselho que tenha uma embalagem bacana. A maior parte dos sebos entrega os livros para os clientes dentro de qualquer sacolinha de plástico. Como eu valorizo o que vendo, mostro o meu cuidado com as obras. Faço um pacote com papel Kraft, coloco o carimbo personalizado da loja e ainda amarro um barbante bicolor que tem uma pegada retrô. É simples, mas sinto que faz diferença para os consumidores.” 71


TECH NOW

POR MEIO DO DESIGN THINKING, A LIVEWORK BRASIL AJUDA EMPRESAS DE TODOS OS TAMANHOS A CRIAR SERVIÇOS QUE COLOCAM AS PESSOAS EM PRIMEIRO LUGAR POR CAMILLA GINESI

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E

ntre 2016 e 2017, a consultoria de design de serviços Livework Brasil desenvolveu um novo site para a corretora de valores online Rico. O trabalho durou sete meses e foi mais complexo do que seria o de um webdesigner – antes de desenhar a plataforma, por exemplo, a consultoria realizou entrevistas com funcionários, clientes e possíveis clientes da empresa para entender as suas necessidades. Quando contratou a Livework Brasil, a Rico buscava atrair por meio do seu site clientes mais jovens e menos conhecedores do mercado financeiro – sem perder os clientes antigos, em grande parte, investidores em renda variável. O principal desafio da consultoria, portanto, foi atender dois tipos de pessoas diferentes ao mesmo tempo. O resultado, depois de vários testes, foi uma plataforma que adapta o seu conteúdo de acordo com o perfil do usuário – entre outras melhorias. A história do novo site da Rico serve para mostrar que é assimilando as necessidades dos clientes, definindo o problema a ser resolvido, levantando soluções, criando protótipos (primeiros exemplares de produtos ou serviços) e fazendo testes que funciona o design thinking – metodologia e modo de pensar emprestados pela área de design a todos os tipos de negócios. Quem digita “design thinking” na ferramenta de busca Google encontra diferentes definições. Uma delas é do blog da Ideo, aclamada empresa de design com sede em Palo Alto, nos Estados Unidos: “o design thinking estimula as organizações a se concentrarem nas pessoas para as quais estão criando e leva a produtos, serviços e processos internos focados nos seres humanos.” O engenheiro gaúcho Luis Alt, de 36 anos, sócio-fundador da Livework Brasil, explica o termo de forma parecida: “o design thinking é a abordagem que utiliza a empatia, a colaboração e a experimentação para encontrar caminhos para as pessoas e gerar resultados para as organizações.” No caso, empatia significa entender as necessidades dos outros, colaboração quer dizer gerar soluções em grupo e experimentação nada mais é do que fazer testes. A Livework foi a primeira consultoria no mundo a aplicar o design thinking especificamente nos serviços. A empresa foi fundada em Londres, na Inglaterra, em 2001 – e possui um escritório em São Paulo desde 2010. Hoje, ela oferece serviços de inovação e design de serviços,

diagnóstico de experiências de consumidores e criação de culturas de inovação. Entre os seus clientes, estão grandes marcas como o banco Itaú, a fabricante de cosméticos Natura, a companhia aérea Emirates, a produtora de bebidas Ambev e a concessionária de telefonia Vivo. Antes da fundar a Livework Brasil, Alt era dono de outra consultoria de design de serviços, a Push Service Design. “Porém, eu achava que, por ser uma consultoria de renome, a Livework deveria ter uma sede no Brasil. Decidi convencer os sócios europeus a confiarem o trabalho a mim”, diz ele. Deu certo. “O país estava na moda, tinha sido capa de revistas internacionais por conta da sua ascensão econômica. Eles toparam logo de cara”, conta Alt. O investimento inicial foi feito por ele e pelo seu sócio na época, o empreendedor carioca Tenny Pinheiro. Também em 2010, Alt ajudou a criar o primeiro curso de design thinking da América Latina, na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), em São Paulo. Ele, ainda hoje, ministra um programa de educação continuada na instituição. Entre os temas das aulas, estão a empatia, a colaboração e a experimentação – os três pilares do design thinking. “O curso ajuda a disseminar o conhecimento e divulgar o nosso trabalho”, diz Alt. Há três anos, a Livework Brasil passou por uma mudança decisiva no seu quadro societário – saiu Tenny Pinheiro e entrou o engenheiro carioca Rafael Vasconcellos, antigo superintendente de inovação do Itaú. Alt e Vasconcellos se conheceram quando a consultoria executou um projeto para o banco. “Fomos de fornecedor e cliente para sócios”, diz Alt. De lá para cá, a empresa quase triplicou as suas receitas (os sócios não revelam números absolutos) e cresceu de nove para 30 funcionários. De acordo com Alt, somente as companhias mais visionárias (e maiores) procuravam a Livework Brasil nos seus primeiros anos de atuação. “O design thinking ainda era uma aposta”, afirma ele. Com o passar do tempo, a demanda cresceu. “Hoje, temos clientes de todos os tamanhos, de startups a grandes empresas. A metodologia se popularizou, já que todos os negócios podem se beneficiar dela”, afirma ele. Uma startup que, atualmente, é cliente da consultoria é a paulistana Avec – que cria aplicativos personalizados para salões de beleza, além de manter uma plataforma que encontra o

cabeleireiro mais próximo do usuário através da geolocalização. “Estamos ajudando a empresa a criar outros serviços”, conta Alt. Segundo Marcelo Pimenta, professor de Design Thinking da ESPM (assim como Alt), cada vez mais companhias brasileiras estão procurando consultorias de design thinking com o objetivo de se diferenciar das concorrentes. “Até o início dos anos 2000, não havia muita competição no país. Não existiam tantas opções de carros nem de refrigerantes, por exemplo. Quando aumentou a concorrência, as empresas precisaram mostrar que não eram todas iguais e recorrer a novos modos de pensar”, explica ele. Pimenta conta que, entre os seus alunos, há muitos empreendedores, além de professores, médicos, dentistas e outros profissionais. “Os donos de negócios estão percebendo que ter um bom produto ou serviço não é o bastante. Também é necessário manter relacionamentos com as pessoas”, afirma ele. Hoje, a Livework possui seis sedes em seis países diferentes – Noruega, Holanda, Finlândia e Líbano, além dos já mencionados Inglaterra e Brasil. Entre os funcionários da empresa, estão designers, profissionais de tecnologia da informação (TI), administradores e publicitários. “Formamos um time diverso, o que nos ajuda a compreender diferentes necessidades”, diz Alt. No futuro próximo, do ponto de vista global, a consultoria deve aumentar a integração e o compartilhamento de conhecimento entre os escritórios. No Brasil, um dos planos é investir na equipe. “Estamos estudando a possibilidade de transformar em sócios alguns dos funcionários mais antigos”, conta Alt. O design thinking deve continuar crescendo no Brasil e no mundo. Uma prova disso são os lançamentos, nos últimos anos, de cursos sobre o assunto por instituições conceituadas no país – como o Insper e o Istituto Europeo di Design (IED). Outra é que a metodologia já está sendo ensinada por escolas de ensino médio em países como os Estados Unidos. “Nos negócios, o interesse pelas pessoas deve permanecer como tendência”, afirma Alt.

www.liveworkstudio.com.br

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HOMENS QUE INSPIRAM

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“OS SAPIENS SÃO UMA FORMA DE VIDA SUPERIOR OU APENAS OS VALENTÕES LOCAIS?” (NO LIVRO HOMO DEUS)

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Noah Harari O AUTOR DOS BEST-SELLERS SAPIENS E HOMO DEUS CONDUZ UM PROJETO AMBICIOSO – NARRAR O PASSADO, O PRESENTE E O FUTURO DOS HUMANOS POR CAMILLA GINESI

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a animação da Pixar “O Bom Dinossauro”, de 2015, o menino humano Spot não se destaca dos outros animais. Durante o longa, ele demonstra saber amar, brincar, fazer amizade e competir – mas, mamíferos como chimpanzés e elefantes também têm essas habilidades. Além disso, a posição de Spot na cadeia alimentar é intermediária – ao mesmo tempo que ele caça criaturas menores, como insetos, e coleta o que pode, como milho e cogumelos, é caçado por predadores maiores, como dinossauros. Com exceção dos répteis gigantes, que não coexistiram com os humanos no mundo real, O Bom Dinossauro pode ser um bom retrato de como era ser humano há 2 milhões de anos – nada de especial. Mas como, então, a humanidade conseguiu chegar à Lua, dividir o átomo, mapear o código genético e escrever livros de história? O primeiro best-seller do historiador israelense Yuval Noah Harari, Sapiens: Uma Breve História da Humanidade, de 2011, se propõe a contar essa história. De acordo com o autor, é possível que a explicação para o sucesso dos sapiens (a única espécie humana remanescente) seja a sua linguagem singular. Entre 70.000 e 30.000 anos atrás, ainda que outras espécies humanas (e

outros animais) também fossem capazes de se comunicar, foram os sapiens que passaram por uma revolução cognitiva – que possibilitou que eles fizessem mais do que avisar uns aos outros sobre o paradeiro da comida ou do predador. Mas por que essa revolução aconteceu com os sapiens e não com outra espécie humana, como os neandertais? “Foi uma questão de puro acaso”, escreve Harari. Entre as habilidades linguísticas adquiridas pelos sapiens, estão as capacidades de transmitir mais informações sobre o entorno (conseguir especificar onde está o predador e quais são os possíveis caminhos para fugir dele, por exemplo, contribuiu para que os sapiens planejassem e executassem ações mais complexas), fofocar (conjecturar sobre quem é digno de confiança permitiu aos grupos se tornarem maiores) e criar mitos compartilhados (inventar religiões, nações e empresas, por exemplo, possibilitou a cooperação entre diversas pessoas estranhas umas às outras, além da inovação constante do comportamento social).

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Ao longo de Sapiens, que está sendo adaptado para as telonas pelos cineastas ingleses Ridley Scott (indicado ao Oscar por Thelma & Louise, Gladiador e Falcão Negro em Perigo) e Asif Kapadia (ganhador do Oscar pelo documentário Amy), Harari percorre 70.000 anos até os dias atuais. A visão global (temporal e espacial) e interdisciplinar do autor pode ser responsável tanto pela popularidade do livro – que já vendeu mais de 8 milhões de cópias, segundo a revista americana “The Hollywood Reporter” – quanto pelas críticas a ele. Para Ivan Vieira Neto, coordenador do curso de história da PUC Goiás, apesar de a obra ser desaprovada por alguns historiadores por causa do seu recorte contextual extenso (as pesquisas na área costumam se restringir de uma década a um século), ela tem o mérito de difundir o interesse pela História entre os não acadêmicos. “Uma das possíveis justificativas para o livro ter atraído tantos leitores é o zeitgeist, a inquietação provocada pelo presente, já que ele apresenta uma síntese dos sucessos e fracassos da humanidade”, diz. Além disso, segundo Vieira Neto, a interdisciplinaridade (no caso, a mistura da História com as Ciências Exatas e Tecnológicas) adotada por Harari merece destaque – inclusive porque constitui uma abordagem incomum. “Ele coloca a história no centro da revolução técnico-científica, além de fazer com que campos tão diferentes quanto a História e a Física dialoguem”, conta.

“A COISA MAIS IMPORTANTE A SABER ACERCA DOS HUMANOS PRÉ-HISTÓRICOS É QUE ELES ERAM ANIMAIS INSIGNIFICANTES, CUJO IMPACTO SOBRE O AMBIENTE NÃO ERA MAIOR QUE O DE GORILAS, VAGA-LUMES OU ÁGUAS-VIVAS.” (NO LIVRO SAPIENS)

“ NOSSA LINGUAGEM

EVOLUIU COMO UMA FORMA DE FOFOCA.” (NO LIVRO SAPIENS)

Assim como Sapiens, o segundo êxito de vendas de Harari, Homo Deus: Uma Breve História do Amanhã, de 2015, aborda a jornada da humanidade – mas, aponta para o futuro. Nas palavras do professor Ismael Al-Amoudi, da universidade galesa de Cardiff, numa resenha, Homo Deus “olha para o passado como uma tela em que nosso futuro está atualmente sendo desenhado”. Logo nas primeiras páginas do livro, Harari estabelece que, durante milênios, foram três os principais problemas da humanidade: a fome, a doença e a guerra. Ele escreve que, hoje, “essas adversidades não foram completamente superadas, mas foram transformadas de forças da natureza incompreensíveis e incontroláveis em desafios administráveis”.

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No TED2018, Yuval discursa aparecendo como holograma, ao vivo, de Tel Aviv


Segundo o autor, quando ultrapassados, esses obstáculos devem dar lugar a outros – entre eles, a perda da liberdade e da autoridade. Ele afirma que “os humanos continuarão a compor música, ensinar Física e investir dinheiro, mas o sistema entenderá melhor esses humanos do que eles mesmos e tomará a maior parte das decisões importantes por eles”. O sistema, no caso, é a tecnologia – que já é capaz, por exemplo, de escolher uma música para um usuário do serviço de streaming Spotify de acordo com o seu gosto, sem ele precisar pensar. A previsão chega a lembrar um dos futuros imaginados pelo escritor inglês H. G. Wells no livro A Máquina do Tempo, de 1895. Na ficção, que se passa no ano de 801.702, apesar de viver com saúde, prosperidade e harmonia, a humanidade enfrenta um novo

“NO INÍCIO DO SÉCULO 21, É MUITO MAIS PROVÁVEL QUE O HUMANO MÉDIO MORRA DE COMER COMPULSIVAMENTE NO MCDONALD’S DO QUE DE SECA, EBOLA OU ATAQUE DA AL-QAEDA.” (NO LIVRO MISBEHAVING) problema: tornou-se frágil e ignorante devido ao fim da luta pela sobrevivência. Recentemente, numa palestra no evento de cultura e ciência TED2018, Harari abordou um tópico relacionado à perda da soberania por parte dos humanos – a concentração de dados nas mãos dos governos. Segundo ele, isso pode viabilizar que as ditaduras se tornem mais eficazes do que as democracias – e é dever da humanidade se defender dessa ameaça. Nos próximos meses, Harari deve lançar o próximo livro da moda, 21 Lições para o Século 21 – que já está em pré-venda no país pela editora Companhia das Letras. Nem sobre o passado nem sobre o futuro, a obra deve tratar das grandes questões da atualidade. “Haverá uma nova guerra mundial? O que a ascensão do presidente Donald Trump significa? O que podemos fazer sobre a epidemia de notícias falsas?”, pergunta o autor em seu site para promover a novidade.

“OS INIMIGOS DA DEMOCRACIA HACKEIAM OS NOSSOS SENTIMENTOS E OS USAM PARA POLARIZAR E DESTRUIR A DEMOCRACIA POR DENTRO.” (NO TED2018)

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LIFESTYLE

CAÇADOR DE

sonhos

HÁ 20 ANOS, O GAÚCHO IZAN PETTERLE FAZ EXPEDIÇÕES FOTOGRÁFICAS PARA REGISTRAR A CULTURA LATINA E IMPRIME SEU OLHAR PECULIAR A CADA IMAGEM POR PATRICIA OYAMA

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Lagoa Gaíva, aldeia Guató, 1998 15


O

fotógrafo Izan Petterle está mais leve do que nunca. Há cerca de um ano, vendeu sua última câmera profissional e deixou para trás a época em que viajava carregando uma mochila com 25 kg de equipamento. Agora, faz seus registros apenas com dois iPhones, que leva nos bolsos. E não foi só o peso da bagagem que diminuiu. “Até os 55 anos, eu sempre ficava fazendo planos para o futuro”, conta. Um certo dia, entretanto, vendo o amanhecer na Chapada dos Guimarães, no Mato Grosso, ele teve um estalo: “Pensei: cara, já estou no futuro da minha vida. Que plano vou fazer? Tenho que viver o presente!” A revelação veio acompanhada de outro pensamento: ele não precisava provar mais nada para ninguém. “Foi libertador”, resume. Aos 61 anos, Izan é um dos mais importantes nomes brasileiros da fotografia documental. Colaborador da National Geographic desde que a revista passou a ser publicada no país, no ano 2000, o fotógrafo gaúcho acumula prêmios pelas imagens que retratam comunidades e a cultura do Brasil e da América Latina. Autor dos livros Caubóis do Pantanal e Cuba de Che – 50 anos depois de Revolução, Izan mergulha fundo nas projetos. Para o primeiro livro, fez dez viagens ao Pantanal ao longo de cinco anos, a fim de acompanhar a rotina dos cavaleiros do Mato Grosso.

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Vaqueiros no Pantanal de Poconé


Mulher no Parque Nacional Amboró, Bolívia

CINCO LUGARES IMPERDÍVEIS NA AMÉRICA LATINA

Cuba: “Além da viagem geográfica, é uma viagem no tempo. Você viaja 50 anos no passado.” Peru: “Você tem uma diversidade enorme, mar, montanha, selva, glaciares.” Bolívia: “É o Butão da América do Sul, com muitos atrativos, como o salar.” Pantanal matogrossense: “Um lugar único no planeta.” Patagônia: “É um dos lugares mais bonitos do mundo.”

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“Para mim, o grande barato é fotografar histórias escondidas sob a representação formal da imagem que vemos.”

“Além do retrato do person revela-se todo um universo nas marcas do corpo, veias contam décadas de labor á pele torrada pelo o sol incle do sertão, para mim, o gran barato é fotografar história escondidas sob a representa formal da imagem que vem

Em Cuba de Che, ele refez, junto com o jornalista holandês Frans Glissenaar, todo o caminho que o guerrilheiro percorreu na ilha durante a Revolução Cubana. Em julho, Izan voltou de mais uma expedição fotográfica. Foram 28 dias na região de Ancash, no norte do Peru, aos pés da Cordilheira Branca. Na paisagem rodeada de picos nevados, além de cenas do dia a dia, ele registrou as corridas de toro, tradição de cinco séculos nos vilarejos andinos. “Rendeu um material espetacular”, comemora. A viagem ao Peru foi a primeira em que ele levou exclusivamente os celulares para fotografar. Parte do material foi postada de lá mesmo, em seu Instagram (@izanpetterle), algo igualmente novo em seus projetos documentais. “As pessoas reagem na hora e isso cria uma disruptura na narrativa tradicional. Está sendo fantástico, é uma nova era”, avalia. A aventura peruana teve outra particularidade: foi motivada por um sonho. “Sonhei com uma mulher – e eu sabia que ela era uma xamã – que dizia: vem para os Andes, teu futuro fotográfico está aqui. Venha para cá.” Izan acordou impressionado com a vivacidade do episódio onírico. Cinco dias depois, embarcou para Lima. 17


“Um encontro de duas civilizações. O Peru é um território guardião de tradições milenares.”

Essa não foi a primeira vez que esse gaúcho agiu movido a sonho. Apesar de ter a fotografia como hobby desde bem jovem, a produção rural foi seu ganha-pão até o fim dos anos 90 – primeiro, numa fazenda em Alegrete (RS); depois, na Chapada dos Guimarães, para onde se mudou com a mulher, Marta, e o casal de filhos, aos 25 anos. Pois às vésperas de virar um quarentão, resolveu dar uma guinada na vida e reavivou o sonho de ser fotógrafo (aqui, vale um flashback: quando passou no vestibular de Veterinária, aos 17 anos, Izan ganhou do avô o dinheiro para comprar um Fusca zero quilômetro. Gastou quase tudo com equipamento fotográfico profissional e usou o restante para fazer um mochilão em Macchu Picchu). Em 1998, Izan e a família deixaram o Mato Grosso, voltaram para o Sudeste e ele passou a se dividir entre Rio e São Paulo, para alavancar a nova carreira. Ao longo dos anos, o fotógrafo foi aprimorando seu talento de documentarista e desenvolvendo uma linguagem muito própria. As fotos de Izan são intimistas, muitas vezes tiradas dentro da casa das pessoas. Para conseguir esse tipo de imagem, ele toma certos cuidados. “Nunca chego fotografando. Tem que ter aquele famoso dedinho de prosa antes. Você pede licença, explica o que quer fazer. Precisa haver uma cumplicidade”, conta ele. Quase sempre, as investidas são bem-sucedidas. Nas raras recusas, não insiste. “Jamais fotografo alguém que não queira ser fotografado.” Situações simuladas, nem pensar. Exceção feita aos portraits, ele detesta foto posada. Prefere deixar a vida acontecer. Outro ponto importante em seus registros: ele nunca faz julgamentos. “Se você fala: ‘eu não concordo 18


Visões marítimas

com isso e aquilo’, então, você é um péssimo documentarista. Você tem que deixar as pessoas tirarem suas próprias conclusões.” Izan também realiza workshops fotográficos – na verdade, expedições em que faz o papel de tutor para pessoas interessadas em aprender ou aprimorar habilidades com a câmera. Mas é para gente com espírito aventureiro, avisa. “Tem que estar disposto a ficar onde eu fico, comer onde eu como.” Em suas viagens, feitas com recursos próprios, Izan procura hotéis e restaurantes simples. Na temporada peruana, calcula ter gasto cerca de 50 dólares por dia, incluindo hospedagem, alimentação e transporte: “E passando bem, em lugares seguros, com um bom banho quente e bem alimentado”. Nada contra hotéis e restaurantes de luxo, diz ele. “Mas se você está atrás de uma visão autêntica, se está em busca da originalidade de uma cultura, não vai encontrar nesses lugares”, acredita. “Eu fico junto do povão mesmo.” Mesmo quando não está em viajando para tocar algum projeto, Izan continua em trânsito – não fica mais de três semanas no mesmo lugar. Divide-se entre Porto Alegre, cidade da filha e das netinhas, de 1 e 4 anos; Rio de Janeiro, onde moram o filho e Marta, e a Chapada dos Guimarães, que ele considera sua base. Há cerca de três anos, o fotógrafo comprou uma propriedade na beira de um dos paredões da Chapada e construiu uma casa toda de madeira e vidro. “Construiu” não é modo de dizer:

CINCO COMIDAS LATINAS MEMORÁVEIS

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Mojica de pintado (ensopado de peixe), do Mato Grosso Matrinxã (tipo de peixe) assado, do Amazonas Bife ancho com batata assada recheada com queijo, do Rio Grande do Sul Ceviche imperial (ceviche com polvo), do Peru Chupe de langostinos (camarões -rosa), do Peru

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FOTO: LÍVIA TIMM

Refúgio de um guerreiro

Izan foi o projetista, mestre de obras e botou a mão na massa, junto com pedreiros e marceneiros. “Não fiz Arquitetura, mas tenho um conhecimento empírico de construções rurais”. O lar de recém-casado, em Alegrete, e a outra casa em que morou quando a família se mudou para a Chapada, nos anos 80, também foram construídos por ele. Para essa última empreitada, ele não partiu de uma planta convencional, mas de um conceito: quis fazer “um refúgio selvagem para um velho caubói”. O resultado foi uma casa com estrutura de galpão com mezanino. Grandes painéis de vidro exibem a paisagem de tirar o fôlego lá fora e deixam entrar a luz do amanhecer, do entardecer e do luar. Izan acorda antes do sol nascer e acompanha todas as nuances: “A casa fica rosa, laranja...”, descreve. Em breve, o fotógrafo deve cair na estrada para continuar o registro das touradas. Desta vez, pretende ir dirigindo, com Marta. “Quero passar uns dois meses viajando pelo Peru e pela Bolívia. Sou louco por expedições overland. Vamos dormir em barracas, acampar”, diz ele. O velho caubói garante: está na melhor fase de sua vida.

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TRÊS FOTÓGRAFOS DE REFERÊNCIA: - Manuel Álvarez Bravo - Walker Evans - Bill Brandt “São fotógrafos dos anos 20 e 30, que têm em comum uma abordagem surrealista.”


“Sou inspirado pelo realismo fantástico da literatura latino-americana, onde encontro os signos para traduzir meus sentimentos quando faço esse tipo de expedição fotográfica, circulando entre o real e o imaginário.”

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DESIGN

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GUTO

RE QUE NA

USAR A TECNOLOGIA PARA CONSTRUIR UMA ARQUITETURA MAIS INTERATIVA E MAIS HUMANA É A GRANDE OBSESSÃO DESTE PAULISTA

POR MARIANA PAYNO

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E

le se formou em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de São Paulo, participou de grupos de pesquisa e fez mestrado na mesma instituição. Apresentou a série Nos Trinques, do Canal GNT, além de roteirizar outras produções audiovisuais. Projetou o escritório do Google em São Paulo, a famosa balada paulistana Hot Hot e criou e instalações para eventos e exposições em mais de 20 países. Já escreveu para grandes jornais, deu palestras para diversos públicos e angariou um bocado de prêmios. A lista de feitos de Guto Requena é longa, e toda essa versatilidade reflete uma era de mudanças rápidas e radicais que dá o tom de suas obras. Nascido na cidade paulista de Sorocaba em 1979, Guto é de uma geração que viveu ano a ano a transição dos meios analógicos para os digitais — e aos poucos constatou que, hoje, a tecnologia perpassa todas as esferas da vida. O interesse em entender como as transformações dessa nova cultura se manifestam na arquitetura despontou nos anos universitários, deu substância à pesquisa de mestrado e norteia os trabalhos do Estúdio Guto Requena, criado em 2008. Estudos e processos criativos do arquiteto são guiados pelas novas possibilidades de modelagem e fabricação e pela aplicação disso tudo nos espaços públicos. Em projetos que unem o concreto ao virtual, como a fachada do WZ Hotel Jardins (2015) ou o Pavilhão Dançante (2016), ele investe na interação das construções com os estímulos do ambiente: os ruídos, as pessoas e até a poluição do ar. Já para esculturas e objetos, a aposta é em moldes paramétricos, ou seja, formas geradas pelo computador. O resultado, como no Le Terminal 7 de Paris (2018) e na instalação Empatias Mapeadas (2018), são efeitos visuais impressionantes e convites calorosos ao público — bases de sua queridinha arte pública interativa. Não à toa, Guto acompanha de perto o trabalho de outras personalidades fortes da área, como os holandeses Lars Spuybroek e Kas Oosterhuis, o japonês Tokujin Yoshioka, o belga Arne Quinze e seu conterrâneo Rodrigo Almeida. Apesar de diferentes estilos, todos esses nomes compartilham uma visão pouco convencional sobre o design e o fazer arquitetônico. Do mesmo modo, com um olhar refreshed e pouco engessado, Guto acredita em espaços mais flexíveis, nas tecnologias multifuncionais e sustentáveis e em uma abordagem mais sensível do que pretensiosa. É por isso que a cultura viva, as narrativas poéticas dos espaços e a memória são protagonistas de suas obras. O dom de Guto, afinal, é usar as novas tecnologias como suporte criativo para o que se deve preservar do passado. Foi assim que ele compôs, por exemplo, a coleção Era Uma Vez, quatro vasos desenhados a partir da representação gráfica da voz de sua avó contando histórias. Mais do que edifícios cimentados em frieza ou peças inacessíveis na vitrine de uma feira de design, Guto quer projetar relações humanas e usar todos os recursos disponíveis para resgatar um afeto que parecia perdido.

CONHEÇA ALGUNS DOS PROJETOS QUE SAÍRAM DO ESTÚDIO PARA OCUPAR CIDADES COMO SÃO PAULO, RIO DE JANEIRO E PARIS

Criatura de Luz (2015) | A fachada do WZ Hotel Jardins, em São Paulo, serviu de plataforma para Guto colocar em prática a pesquisa Cidade Hackeada, que investiga como transformar positivamente os espaços a partir de estímulos em tempo real. Um retrofit da arquitetura original dos anos 1970 revestiu o prédio com chapas metálicas, cujos padrões gráficos foram gerados por um software a partir dos sons do entorno. À noite, essa “pele metálica” do edifício também responde aos estímulos do ambiente: sensores detectam ruídos e diferentes graus de poluição para criar movimentos luminosos.

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Vem Pra Rua (2018) | A ocupação dos espaços públicos das grandes cidades, movimento que ganhou força na América Latina na última década, foi inspiração para a coleção de talheres Vem Pra Rua, lançada neste ano e apresentada no Salão Internacional do Móvel de Milão, em abril. Impressos em 3D, a colher, o garfo e a faca foram modelados por um software a partir do mapa de três avenidas de São Paulo que são abertas para pedestres aos domingos. Os objetos são portáteis e encaixáveis em bicicletas — afinal, existe maneira melhor de chegar a um piquenique?

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O Pavilhão Dançante (2016) | Colorido por fora e todo espelhado por dentro, o prédio temporário — projetado para abrigar as festas de uma marca de cerveja durante as Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro — capta a música e o movimento das pessoas na pista, reverberando a agitação na fachada. Ali, enquanto a balada acontece, cerca de 500 espelhos giram, abrem e fecham, criando efeitos óticos para chamar atenção de longe. O projeto é um dos resultados dos estudos de Guto sobre arquiteturas híbridas (ou seja, que mesclam o concreto e o virtual) e interativas.

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Le Terminal 7 (2018) | Mais um fruto das pesquisas de Guto com arquitetura interativa e tecnológica, o espaço para eventos em Paris (antes conhecido por Pavillon 7) se assemelha a um terminal de aeroporto, com grandes janelas que dão vista para a cidade. Do lado de dentro, uma estrutura projetada por computador simula uma “árvore invertida”, com as raízes crescendo para o alto, perpassando todo o salão e emitindo luzes de diferentes cores. O resultado são efeitos óticos impressionantes e uma sensação lúdica e onírica.


Empatias Mapeadas (2018) | A reabertura do Sesc da Avenida Paulista, em São Paulo, causou alvoroço entre os moradores da cidade. Foi ali que Guto expôs durante duas semanas, entre abril e maio deste ano, a instalação interativa Empatias Mapeadas: uma escultura composta por chapas de madeira, produção digital e impressão 3D que capta os batimentos cardíacos do público e os transforma em sons e luzes. “Queremos criar uma imersão que convide as pessoas a se desconectarem de seu cotidiano e se conectarem com diferentes pessoas e, por fim, com elas mesmas”, escreve o arquiteto sobre o projeto.

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ARTE

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POR ROMEU SILVEIRA

O HOMEM SEM QUALIDADES (2018), 15x21 cm, colagem sobre papel. Parte de uma série de colagens inspiradas em clássicos da literatura, aqui tomando como ponto de partida o livro de Robert Musil


SÉRIE ABSTRATA (2017-2018), 15x21cm, colagem sobre papel 97


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Docthos 2 / alterado  
Docthos 2 / alterado  
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