Page 1

MATERNIDADE

EM RIO VERDE, GOIÁS

IVY MARTINS MORAIS Julho de 2013


UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO FACULDADE DE ARQUITETURA E URBANISMO

MATERNIDADE EM RIO VERDE, GOIÁS

TRABALHO FINAL DE GRADUAÇÃO IVY MARTINS MORAIS Orientador: João Carlos de Oliveira César São Paulo, Junho de 2013


A meus pais,

Obrigada nĂŁo apenas por permitirem, mas tambĂŠm por incentivarem minhas escolhas.


AGRADECIMENTOS Agradeço ao meu professor-orientador, João Carlos de Oliveria César pela disposição de me atender sempre que precisei. Aos amigos que ajudaram de alguma forma no meu crescimento como arquiteta: Felipe, Eza, Cintia, Renata e Ligia. E aos amigos que não fizeram parte desse núcleo, mas que são importantes mesmo assim. Agradeço aos meus irmãos por estarem sempre presentes, mesmo estando longe. E a meus pais, Marildete e Ney, por saberem o momento de cobrar e o momento de alogiar. Muito obrigada por tudo.


SUMÁRIO APRESENTAÇÃO

13

O CONTEXTO DA MATERNIDADE

15

A ARQUITETURA HOSPITALAR EVOLUÇÃO DA MATERNIDADE HUMANIZAÇÃO DO AMBIENTE DE SAÚDE REFERÊNCIAS DE PROJETO

15 21 23 26

PROJETO

35

A CIDADE: RIO VERDE ÁREA DE INTERVENÇÃO LEGISLAÇÃO PERTINENTE ATRIBUIÇÃO DO ESTABELECIMENTO PROGRAMA DO PROJETO ESTUDO DE FLUXOS O PROJETO PROJETO EM NÚMEROS MEMORIAL DESCRITIVO

35 40 41 43 43 44 45 75 77

CONSIDERAÇÕES FINAIS

83

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

85


APRESENTAÇÃO Nos últimos 20 anos ocorreram diversas mudanças na visão do parto e nascimento, produzindo alterações conceituais e inovações em relação ao ambiente de saúde destinado a esses acontecimentos, deixando registrados impactos transformadores e de valorização das ações de atenção materno-infantil. Alguns exemplos são a valorização do parto normal sobre o parto cirúrgico, a presença de bancos de leite, o foco na amamentação e a presença dos acompanhantes durante todo o processo. Essas mudanças fizeram com que certos procedimentos médicos fossem alterados, criando a necessidade de adaptação e compatibilidade da arquitetura das maternidades, que por sua vez, passam a ter como foco principal o usuário do edifício. Esses usuários – a parturiente, o acompanhante, o visitante e até mesmo o recémnascido – constituem um grupo virtualmente forte, embora vulnerável devido às suas condições de entrada no ambiente. Também deve-se considerar o profissional da saúde como usuário e se preocupar como o ambiente de trabalho pode ser intimidador e estressante, mesmo que a visão dos dois grupos não sejam as mesmas.

O processo de humanização da saúde em andamento nos últimos anos tem como foco a consideração da percepção que os usuários tem do ambiente, devendo este ser entendido como tranquilizador e confortável. Condições especiais de atendimento e tratamento compatíveis com a necessidade de apoio não estressante devem ser propiciados desde o acesso ao edifício e ao espaço destinado à recepção. Para isso, deve-se ter uma preocupação com os aspectos ligados ao conforto ambiental, tais como acústica e iluminação. Desta forma, o desenho da maternidade é iniciado quando se considera as necessidades físico-funcionais da edificação e a atenção aos cuidados da saúde ao mesmo tempo em que se incorpora a necessidade ambiental dos usuários.

13


O CONTEXTO DA MATERNIDADE A ARQUITETURA HOSPITALAR Quando o hospital surgiu, ele era visto como local onde as pessoas com doenças graves iam para morrer. Eram instituições filantrópicas e agências de auxílio aos pobres. Foi com o cristianismo que esses locais passaram a ser tidos como lugares de tratamento de doentes, pobres e peregrinos. Para alguns historiadores, o primeiro hospital cristão foi fundado por São Basílio em Cesarea, Capadócia, na metade do século IV, enquanto outros afirmam que foi o hospital construído em Roma, no mesmo século. A construção do Hotel de Dieu, na

FIGURA 1

França em 541 foi um marco de progresso na assistência hospitalar na Idade Média. Começou como uma instituição que cuidava dos pobres e doentes, oferecendo abrigo e alimento, além da atenção à saúde. Em 1804, na Inglaterra, surge o hospital St. John de St. Bartholomeu. Foi o primeiro a ser construído pela Igreja dentro dos parâmetros de um hospital geral e o segundo destinado ao tratamento de lepra. Ainda existente hoje, e continua sendo um dos maiores hospitais gerais da Inglaterra. Com o rompimento das relações entre a

FIGURA 2

FIGURA 1 - Planta baixa do Hotel Dieu, em Paris, construído FONTE:

em Wellcome

541. Library,

2013. FIGURA Hotel FONTE:

2 Dieu,

-

Vistas

do

em

Paris.

Wellcome

Library,

2013.

15


FIGURA geral

3 do

Bartholomeu FONTE:

-

Planta

Hospital

St.

em

1893.

Wellcome

Library,

2013 FIGURA 4 - Perspectiva do Hospital St. Bartholomeu, 1720. FONTE:

Wellcome

Library,

2013

FIGURA 3

16

FIGURA 4

igreja inglesa e o Vaticano, o rei Henrique VIII aproveitou os antigos conventos, transformando-os em hospitais. O grande hospital inglês Saint Thomas foi um deles. Foi em mosteiros que surgiram as primeiras noções de medicina, o que fazia com que as organizações hospitalares possuíssem fortes fundamentos religiosos. Com isso, no século XII, os concílios de Clermont no ano 1130 e de Latan em 1139, proibiram aos monges a prática da medicina, e o concílio de Viena, em 1312, decidiu que o tratamento dos enfermos deveria ser feito apenas por leigos; aos religiosos caberia somente o combate espiritual. Avanços significativos na construção e organização dos hospitais foram proporcionados pelos maometanos. Por ser uma religião que considera os aspectos da higiene humana, essas preocupações foram transferidas para as edificações dos seus hospitais. As enfermarias eram separadas por sexo, convalescentes e especialidade médica. Possuíam cozinha dietética, biblioteca, asilo de órfãos e, aos doentes que sofriam de insônia oferecia-se música e assistência pessoal para fazê-los dormir. Apesar da decisão de que apenas leigos podiam tratar dos doentes, o IV Concílio de Cartagena determinou que os hospitais fossem edificados sempre ao lado de igrejas, e o Concílio de Aquisgrana traçou as regras para a construção dessas instituições, reforçando a ideia de serem


implantadas ao lado de igrejas ou conventos. A planta física determinava que cada sala deveria ter um altar e a cama dos enfermos deveria permitir a observação dos atos religiosos. A capela era destacada e deveria haver espaço para o sepultamento dos benfeitores da obra. Pode-se, portanto, perceber a influência religiosa no próprio desenho do edifício desse período. Na Renascença, as congregações religiosas foram perdendo o controle dos hospitais, que por sua vez foram adquirindo um caráter mais municipal. Foi no século XVIII que a ideia do hospital terapêutico surgiu. Com esse conceito, as questões de ordem funcional e espacial assumem nova importância, estimulando os primeiros processos projetuais ligados às edificações hospitalares. A partir do século XIX, a arquitetura hospitalar é caracterizada pelo surgimento de layouts racionalistas, transpondo para os espaços os programas funcionais produzidos no final do século anterior. Foi por volta de 1780, com a necessidade de definição de novas formas de desdenho para o Hospital Dieu de Paris, que ocorreram as primeiras pesquisas dos hospitais existentes, realizadas por John Howard, na Inglaterra, e por Tenon, na França. O resultado desses estudos revelou a precariedade das unidades hospitalares e, pela primeira vez, foi possível notar as características espaciais dessas edificações. A partir dos dados coletados, uma comissão

FIGURA 5 - Planta e vista sudoeste

do

Hospital

St.

Thomas, em Lambeth, 1871. FONTE:

Wellcome

Library,

2013. FIGURA 6 - Um dos pátios do Hospital St. Thomas, 1920. FONTE:

Wellcome

Library,

2013.

FIGURA 5

FIGURA 6

17


FIGURA 7 - Enfermarias em arco, conforme idéia de Tollet.. FONTE: 2013.

18

Wellcome

Library,

formada pela Academia de Ciências de Paris traçou diretrizes que nortearam por mais de século um grande número de hospitais pelo mundo. Howard e Tenon colheram dados relativos a suas características funcionais, fornecendo informações detalhadas sobre os hospitais. Pela primeira vez os índices de insucesso ou de cura dos ambientes hospitalares são avaliados em relação às suas questões espaciais. A arquitetura hospitalar passa a ser considerada como elemento fundamental para a criação de um ambiente hospitalar adequado ao processo de cura. Desde então, os grandes hospitais com milhares de leitos, sem divisão dos pacientes, passam a ser condenados,

FIGURA 7

suscitando novas propostas. Surge o hospital especializado e os hospitais em bloco ou cruz são substituídos pelo hospital pavilhonar. Apesar de novas descobertas na área das ciências, os miasmas ainda eram vistos como os principais responsáveis pela contaminação hospitalar. Entre as inovações para combater isso, destaca-se a contribuição do engenheiro Casimir Tollet, que criou uma nova solução para a renovação do ar nas enfermarias: construção de paredes em seção em arco. O Llivro de Tollet (1892), Les édifices hospitaliers depuis leur origine jusqu’a nos jours, assim como o de Henry C. Burdette (1981), Hopitals and asylums of the world, apresenta uma revisão da arquitetura hospitalar, levantando características físicas das unidades hospitalares da época. A plena aceitação e consolidação do modelo pavilhonar ocorreu no século XIX, com a construção do Hospital Lariboisière de Paris, projetado por Gauthier em 1839, com capacidade para 905 leitos dispostos em pavilhões com 32 leitos. A defesa do modelo pavilhonar na Inglaterra é feita, entre outros, por Florence Nightingale, cujas ideias revolucionárias sobre as técnicas de enfermagem durante a segunda metade do século XIX ajudaram a reduzir dramaticamente as taxas de mortalidade nos hospitais. O modelo das enfermarias ficou conhecido como Nightingale. Enquanto o sistema pavilhonar se


FIGURA

8

-

Hospital

Planta

do

Lariboisière.

FONTE: Blog Historix, 2013. FIGURA do

9

pátio

Hospital

-

Perspectiva central

do

Lariboisière.

FONTE: Blog Historix, 2013.

FIGURA 9

FIGURA 8

consolidava na Europa, na América do Norte o modelo começava a ser substituído pelo monobloco vertical, caracterizado por ser um bloco compacto, com vários pisos. Esse modelo incorporava duas novidades da construção de edificações: o concreto armado e os elevadores. Estas novidades permitiam diminuir os longos percursos impostos aos médicos e enfermeiras pelos intermináveis corredores dos hospitais pavilhonares. Também permitia significativas economias no que se refere à construção do edifício e sua posterior operação, já que racionalizava sua infraestrutura, distribuição de alimentos, roupas, etc., e reunia em único local os serviços de

esterilização, lavagem de roupas e nutrição, antes localizados em cada um dos pavilhões. Entre a primeira e a segunda guerra, esses hospitais de monobloco não passavam de enfermarias Nightingale empilhadas e conectadas por um elevador. Podem ser citados como exemplos desse modelo os hospitais Columbia Presbyterian Medical Center, de 1929, em Nova York; o Cornell Medical Center, também em Nova York; e o Hartford Hospital, em Connecticut (Figuras 10, 11). O primeiro hospital da américa foi construído em 1524 no México, por Cortez, e na América do Sul, o único país a preceder o Brasil foi o Peru, construindo um hospital em Lima, em 1538. No Brasil, a assistência hospitalar teve

19


FIGURA 10 - Hospital Columbia Presbyterian Medical Center. FONTE: FIGURA Cornell

11

-

Hospital

Medical

Center.

FONTE: FIGURA

12

-

Portaria

principal da Santa Casa de Miseric贸rdia de S茫o Paulo. FONTE: FIGURA 13 - Perspectiva do complexo da Santa Casa de Miseric贸rdia de S茫o Paulo. FONTE:

FIGURA 10

FIGURA 11

20

FIGURA 12

FIGURA 13


início logo após o descobrimento, com o sistema criado pela rainha D. Leonor de Lencastre, que deu origem a obras de misericórdia, cultivando a instituição das Santas Casas. Brás Cubas fundou em Santos, em 1543, o primeiro hospital do Brasil. Alguns anos depois, Olinda, em Pernambuco, construiu seu primeiro hospital e antes do fim do século XVI, São Paulo criou sua Santa Casa. A Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, de partido pavilhonar, foi projetada em 1884, por Luís Pucci, fortemente influenciado pelos conceitos adotados no Hospital Lariboisière. Ao acaso, no Brasil, pode-se visualizar a passagem do modelo pavilhonar para o monobloco em uma mesma obra: o segundo Hospital de Isolamento, realizado por Luiz de Morais Júnior. No Brasil o monobloco vertical, construído sobre uma placa horizontal que lhe serve de base, tornou-se dominante no traço modernista de arquitetos como Rino Levi e Roberto Cerqueira Cesar. Oscar Waldestaro e Roberto Nadalutti, juntamente com Jarbas Karmam (considerado por muitos o maior especialista brasileiro em arquitetura hospitalar), tiveram uma importante contribuição, incorporando em seus projetos os conhecimentos adquiridos em um curso feito em Washington, em 1952. A qualidade projetual desses arquitetos e de profissionais como João Carlos Bross,

Pompeu de Souza e Irineu Brietman decorreu não só de um amplo domínio arquitetônico, mas também do conhecimento das questões técnico-operacionais das unidades projetadas. Com isso, podemos notar a importância de se entender o que ocorre em cada unidade a ser projetada. No caso desse projeto, procurou-se entender as maternidades e suas funções.

EVOLUÇÃO DA MATERNIDADE Durante a história, não apenas os profissionais da saúde, mas também a arquitetura e as condições físicas dos ambientes tiveram significativa relevância na compreensão histórica do processo e na pesquisa pela melhoria da condição de conforto, segurança e bem-estar da parturiente. O processo histórico da evolução das formas de implantação da atenção obstétrica ao nascimento indica que até meados do século XIX o mais frequente era que as parteiras se deslocassem até as residências das parturientes .Era fato raro que o parto, ou qualquer procedimento relativo a este, ocorresse dentro de um ambiente hospitalar, deixando vazios os leitos que eram destinados às mulheres nos hospitais. Foi no decorrer do século XVIII, na França, que a preocupação com as altas taxas de mortalidade materna fez com que os médicos defendessem sua inserção no processo parturitivo, inicialmente apenas observando e, mais tarde, intervindo em casos de complicações

21


FIGURA 14 - Parto realizado em casa durante a Idade Média. FONTE:

Wellcome

Library,

2013 FIGURA

15

-

Imagem

simbolizando a disputa entre parteiras/mulheres e médicos/ homens durante o século XVIII. FONTE:

Wellcome

Library,

2013.

FIGURA 14

22 FIGURA 15

obstétricas que poderiam vir a causar a morte da mãe. Isso fez com que surgissem conflitos entre a classe médica e as parteiras, e foram estes que acabaram por estabelecer, gradativamente, a transferência do parto para o interior das edificações hospitalares, no entorno delas ou em estruturas físicas independentes. No final do século XVIII começou-se a consolidação de diversas estratégias para os espaços destinados aos procedimentos de atenção materno-infantil. Para cada período vão sendo estabelecidas plantas arquitetônicas específicas que simbolizam variações compatíveis com distintas formas de ocupação e de tipologia construtiva, as quais dependiam da época. Um dos primeiros exemplos registrados de edificação destinada especificamente para atender o parto e nascimento é o Pavilhão de Isolamento da Maternidade de Paris, construído em 1875. Os edifícios específicos para a atenção ao parto e ao nascimento representam em suas características construtivas a evolução da transformação dos procedimentos que ali se praticavam. O espaço destinado à maternidade e sua função começam a se consolidar como desenho e ambientes específicos a partir do século XIX, embora a obstetrícia como ciência tenha sido estabelecida de forma mais completa apenas no período pós Segunda Guerra. Entre 1920 e 1970 na França, e 1940 e


1970 nos Estados Unidos, foram construídos um grande número de unidades obstétricas hospitalares, nos quais haviam diversos ambientes para procedimentos específicos e individualizados, como em uma indústria em que o objeto final é a criação de um bebê perfeito. Nessas unidades as parturientes eram transferidas de sala em sala, de acordo com o momento do trabalho de parto em que se encontravam. Já nas décadas de 50 e 60, a tendência era a utilização de anestesias e o confinamento das parturientes na sala obstétrica/cirúrgica, e o parto se dava por cesárea. Esse ainda é um método bastante utilizado hoje, no entanto vem sendo criticado em deferência ao parto normal. Não era comum que os hospitais permitissem a presença de acompanhantes nos centros obstétricos. Esta concessão hoje é vista como um procedimento que deve atuar de forma plenamente integrada e complementar aos padrões de humanização da saúde. Da sala de parto, o procedimento mais comum era a transferência da mãe para outro ambiente, onde iria se recuperar da anestesia e então era transferida para a enfermaria convencional ou sala pós-parto. Enquanto isso, a criança era levada para o berçário, onde era cuidada pela equipe de enfermagem, sendo levada para a mãe apenas na hora da amamentação. Significativas mudanças na visão do parto e do nascimento nas últimas décadas têm

FIGURA

16

-

Quarto

de

puérpera com berço de correr segundo de

recomendação Ernst

Neufert.

FONTE: Bitencourt, 2008.

FIGURA 16

parto e do nascimento nas últimas décadas têm promovido importantes alterações nos ambientes físicos destinados a atender esse processo. Algumas delas se deram devido as diretrizes da Política Nacional de Humanização (PNH) implantada pelo Ministério da Saúde (MS) em 2000.

HUMANIZAÇÃO DO AMBIENTE A legislação a qual os espaços de saúde estão submetidos está em constante mudança. A maioria é disponibilizada ao público em geral e pode ser encontrada nos sites do MS ou da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA).

23


24

As primeiras ações públicas sobre a assistência ao parto no Brasil se deram ao longo da década de 40 e nos anos 60 e tiveram como principal objetivo a redução das taxas de mortalidade infantil. Somente nos anos 80 que a redução da mortalidade materna entrou em discussão. Foi então criado o Programa de Assistência Integral à Saúde da Mulher (PAISM), que incluía a assistência pré-natal, entre outras providências. Foi neste período que a tríade mãe-bebêacompanhante foi reconhecida e a presença do acompanhante no parto e pós-parto foi recomendada. Contudo, somente em 1993 foi instituído o sistema de alojamento conjunto nas maternidades vinculadas ao SUS, que constitui na presença dos recém-nascidos e acompanhantes nos quartos, obrigando a adaptação das instalações dos mesmos. Também nessa época foram apresentadas normas quanto aos recursos físicos mínimos para esses estabelecimentos, determinando medidas de área por conjunto leito materno/berço e afastamento entre berços. Em 1990 foi idealizada a Iniciativa Hospital Amigo da Criança pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), visando impulsionar o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, acordado entre 189 países membros da Organização das Nações Unidades - ONU (sendo o quarto e quinto objetivos, respectivamente, a redução da mortalidade infantil e melhoria da

saúde da gestante com redução da mortalidade materna em 75% até 2015). Esta iniciativa promove, protege e apoia o aleitamento materno. Seis anos depois, foi também instituído no Brasil o Projeto Maternidade Segura, que tem como objetivo reduzir a mortalidade materna e perinatal por meio de melhoria na assistência ao parto e ao recém-nascido. Contudo, foi somente em 2000 que surgiu a primeira ação pública voltada oficialmente para a humanização dos serviços públicos de saúde. Sendo ela a criação do Programa Nacional de Humanização da Assistência Hospitalar (PNHAH), que mais tarde se tornaria a PNH – Política Nacional de Humanização. Com o surgimento de diversas portarias, ainda em 2000, é instituído o Programa de Humanização do Pré-Natal e Nascimento (PHPN), que pretende aprimorar o PAISM. Este documento definia os elementos chaves da assistência à gestação e ao parto, que tinham como principal objetivo, alavancar os serviços rumo a redução das altas taxas de mortalidade materna e perinatal, que apesar de todos os esforços, ainda continuavam altas. Incluem-se aí a necessidade de ampliar o acesso ao atendimento pré-natal, o estabelecimento de procedimentos e ações e a promoção do vínculo entre a assistência ambulatorial e o momento do parto, tendo como ponto forte o acolhimento humanizado à mulher no ciclo gravídico-puerperal.


No ano seguinte (2001), o MS publica o documento Parto, aborto e puerpério: assistência humanizada à mulher, onde ratifica a importância dos ambientes físicos da maternidade no estado psicológico dos usuários. Em 2002 foi aprovada a Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) nº 50, que define parâmetros a serem adotados em todos os Estabelecimentos Assistenciais de Saúde (EAS). Finalmente, em 2008, considerando a PHPN, a ANVISA emitiu um novo documento específico para os ambientes de serviços de atenção obstétrica e neonatal, a RDC nº 36. Destes documentos podemos tirar que a humanização é associada a diversas dimensões da saúde, principalmente em relação às suas práticas, no que diz respeito ao modo como são atendidos e tratados os pacientes, e também na questão dos ambientes em que essas práticas ocorrem. O MS considera que a humanização dos ambientes de saúde deve ser acompanhada da ambiência de seus territórios. A RDC 36 define ambiência como: “ambiente físico, social, profissional e de relações interpessoais que devem estar relacionados a um projeto de saúde voltado para atenção acolhedora, resoluta e humana” (BRASIL, 2008).

Nas chamadas Cartilhas da PNH, o MS destaca a contribuição de elementos da arquitetura, como morfologia, luz, cheiro, som, sinestesia, arte, cor e o tratamento das áreas externas, na humanização dos ambientes. Contudo, esta cartilha não faz recomendações específicas para cada ambiente do EAS, não considerando as diversas atividades que ocorrem em cada espaço. Por outro lado, a cartilha afirma que o projeto precisa considerar os valores e costumes locais da comunidade e incorporá-los. É também um fator de humanização do ambiente a habitabilidade, ou seja, a possibilidade de apropriação do ambiente pelo usuário. Diversos autores apontam a relação da humanização com o bem-estar físico dos usuários. O momento do parto para a mulher é, sobretudo, um momento de apreensão. Humanizar os espaços de nascer e de recuperação pós-parto é reconhecer a capacidade do meio físico de amenizar o estresse causado pelo nascimento e aumentar o bem-estar da tríade mãe-bebê-acompanhante. O ambiente de saúde deve, sobretudo, não ser causador de estresse e, se possível, possuir elementos que facilitem ou aumentem a sensação de bem-estar. Em seu trabalho, Rocha (2010), indica certas estratégias de projeto que promovem essa sensação.

25


São elas: a)

Suporte social

É uma qualidade do ambiente que permite aos pacientes a convivência com seus amigos e familiares. Pode ser atingida por meio de arranjos espaciais dos ambientes que encorajam a formação de grupos de pessoas de forma confortável, ou pela flexibilidade do mobiliário, que pode se adaptar e assumir formas que permitam a socialização dos usuários. b)

Distrações positivas

Um ambiente deve oferecer estímulos em quantidade moderada. Como exemplo temse o próprio suporte social e a utilização dos elementos naturais (árvores, plantas e água). A falta destes estímulos pode trazer desconforto aos usuários, no entanto, se forem demasiados, eles podem causar estresse. Outros fatores que podem criar distrações positivas são: som, forma, luz, aroma, textura e conexão interior/exterior. c)

26

Controle do ambiente

A possibilidade de controle do ambiente é uma forte necessidade do ser humano e tem grande influência sobre seu estresse ou bem-estar, podendo amenizar ou agravar o estado de saúde dos pacientes. Sendo assim, é necessário que

todos os ambientes possuam formas de controlar as distrações positivas e regular o suporte social.

REFERÊNCIAS DE PROJETO Nas páginas seguintes estão apresentados alguns projetos utilizados como referência para o desenho da maternidade idealizada para esse projeto. Foram selecionados por possuirem características importantes para um ambiente de saúde que tem tambpem como objetivo a convivência de seus usuários.


1. MATERNIDADE ESCOLA VILA NOVA CACHOEIRINHA

FIGURA 17 - Fachada da

LOCAL: Vila Nova Cachoeirinha, São Paulo.

Cachoeirinha, podendo notar

ESCRITÓRIO RESPONSÁVEL: Zanettini Arquitetura Planejamento Consultoria Ltda

Maternidade Escola Vila Nova a aplicação da cor amarela

FONTE: Zanettini - Arquitetura Planejamento

Consultoria

DATAS:

Ltda, 2013.

Data do projeto: 1968

FIGURA

CARACTERÍSTICAS FÍSICAS:

Escola Vila Nova Cachoeirinha.

Área do terreno: 120.000 m²

18

-

Estudo

de

implantação da Maternidade FONTE: ZANETTINI,2002. FIGURA 17

Área construída: 8.500 m²

FIGURA

19

-

Corte

esquemático da Maternidade

Número de leitos: 90

Vila

Nova

Cachoeirinha.

FONTE: ZANETTINI,2002.

Apesar de ter sido projetada no fim da década de 60, esta maternidade foi escolhida como referência por ainda responder às necessidades da população após 40 anos de funcionamento. O modo como a equipe trabalhou a implantação em um terreno com desnível ao mesmo tempo em que criou barreira visual para a área que foi destinada a um cemitério nas proximidades.

FIGURA 18

FIGURA 19

27


FIGURA com

20

brises

-

Fachada

do

Hospital

Cidade

Tiradentes.

2. HOSPITAL MUNICIPAL CIDADE TIRADENTES LOCAL:

Cidade

Tiradentes,

São

Paulo.

FONTE: REVISTA AU, 2007. FIGURA 21 - Permeabilidade dos

brises

da

fachada

permitem passagem de luz. FONTE: REVISTA AU, 2007.

ESCRITÓRIO RESPONSÁVEL: Borelli & Merigo Arquitetura e Walter Makohl Arquitetura DATAS: Data do projeto: 2002 Data de obra: entregue em julho de 2007 CARACTERÍSTICAS FÍSICAS: Área do terreno: 32.000 m² Número de pavimentos: 3 + Térreo Número de subsolos: 1 (a meio nível

FIGURA 20

abaixo do térreo) Número de leitos: 270

28

FIGURA 21


Este projeto foi escolhido pela forma com que o problema das instalações foi resolvido ao se criar um andar técnico intermediário entre o 1º pavimento – centro cirúrgico e o 3º pavimento – enfermaria, facilitando a passagem dos elementos de instalações aos ambientes necessários. Também é interessante a presença de jardins internos que permitem a entrada de luz natural nos ambientes.

FIGURA mostrando

22 pátio

-

Corte interno.

FONTE: REVISTA AU, 2007. FIGURA 23 - Planta do 3º pavimento , com internações FONTE: REVISTA AU, 2007. FIGURA 24 - Planta do 1º FIGURA 22

pavimento - centro cirúrgico. FONTE: REVISTA AU, 2007.

FIGURA 23

FIGURA 24

29


FIGURA 25 - Entrada Hospital Maternidade

São

Luiz.

3. HOSPITAL MATERNIDADE SÃO LUIZ - UNIDADE ANÁLIA FRANCO

FONTE: ARCHDAILY, 2013

LOCAL: Tatuapé, São Paulo.

FIGURA

ESCRITÓRIO RESPONSÁVEL: Zanettini Arquitetura Planejamento Consultoria Ltda

26

Maternidade

São

Hospital Luiz.

FONTE: ARCHDAILY, 2013.

DATAS: Data do projeto: julho a dezembro de 2003 Data de obra: julho de 2003 a 2007 CARACTERÍSTICAS FÍSICAS: Área do terreno: 7.950 m² Área total construída: 43.816,55 m² FIGURA 25

Número de pavimentos: 7 + Térreo + Mezanino Número de subsolos: 3 Número de leitos: 279

30

FIGURA 26


Escolhida pela forma como trabalha o uso da iluminação natural em todo o projeto, fechando o contato com o externo somente em áreas em que não é desejado, como nas áreas cirúrgicas. Outro fator de interesse é a presença de um pátio central para o qual todos os outros ambientes são voltados, promovendo a relação entre usuário e natureza.

FIGURA

27

-

Planta

do

pavimetno térreo do Hospital Maternidade

São

Luiz.

FONTE: ARCHDAILY, 2013. FIGURA

28

-

Corte

indicando o uso das áreas. FONTE: ARCHDAILY, 2013. FIGURA

29

Maternidade

-

Corte São

da Luiz.

FONTE: REVISTA AU, 2008. FIGURA 30 - Pátio central e passarela de circulação. FIGURA 29

FONTE: REVISTA AU, 2008.

FIGURA 27

FIGURA 28 FIGURA 30

31


FIGURA do

31

One

Kids

Fachadas Place.

FONTE: ARCHDAILY, 2013. FIGURA espera

32

-

e

Área

4. ONE KIDS PLACE - CHILDREN’S TREATMENT CENTER LOCAL: Ontario, Canada.

de

recepção.

ESCRITÓRIO RESPONSÁVEL: Mitchell Architects

FONTE: ARCHDAILYY, 2013.

DATAS:

FIGURA

Data do projeto: 2010.

espera

33 e

-

Área

de

recepção.

FONTE: ARCHDAILYY, 2013.

CARACTERÍSTICAS FÍSICAS: Área do terreno: 3.846 m² Área total construída: 12.500 m²

32

FIGURA 32

FIGURA 31

FIGURA 33


O uso da madeira como elemento focal neste projeto é o motivo que foi colocado como referência. Ao se utilizar este material nos ambientes de uso comunitário conseguiram-se espaços tranquilos que trazem maior sensação de conforto aos usuários. O uso da madeira também facilita o controle do microclima interno do edifício, assim como sua utilização para revestimento de superfícies evita o uso de outros materiais que possuem componentes orgânicos voláteis, como o vinil.

FIGURA 34 - Entrada principal. FONTE: ARCHDAILY,2013. FIGURA espera FONTE:

35

-

Área

e Wellcome

de

recepção. Library,

2013.

FIGURA 34

FIGURA 35

33


34


PROJETO

FIGURA 36 - Vista aérea da cidade de Rio Verde, Goiás. FONTE: Panorâmico, 2013.

A CIDADE: RIO VERDE

FIGURA 36

Rio Verde surgiu a partir de desdobramentos da isenção de pagamentos de impostos por 10 anos pela Lei Provincial nº 11, para criadores de gado bovino e equino na região sul de Goiás, quando, em 1840, José Rodrigues de Mendonça e sua família se transferiram para terras às margens do Rio São Tomás, afluente da bacia do Rio dos Bois, todos contribuintes do Rio Paranaíba. Como muitos fazendeiros da época, José Rodrigues doou terras à Igreja Católica para a construção de uma capela em louvor a Nossa

Senhora das Dores, surgindo então, o Arraial de Nossa Senhora das Dores de Rio Verde. Em 1848, o povoado Dores de Rio Verde foi elevado à categoria de Vila e, em 1854 a Vila se tornou Distrito de Rio verde. Finalmente, em 1882, foi à condição de cidade com a denominação de Rio Verde. O grande marco de arrancada para o desenvolvimento ocorreu na década de 1970 com a abertura dos cerrados à agricultura e a chegada das estradas pavimentadas que ligam o município a Goiânia e Itumbiara.

35


FIGURA de

36

Rio

37

-

Localização

Verde,

Goiás.

Durante os dez anos seguintes a população de Rio Verde duplicou, gerando, a partir da década de 80, profundas e rápidas modificações na estrutura urbana da cidade. Nos anos seguintes, verificou-se certa acomodação das taxas de crescimento demográfico, revigoradas nos anos recentes. Atualmente a cidade abriga cerca de 180 mil habitantes. Em 2011, foram iniciadas as obras da Ferrovia Norte-Sul que passa pela cidade no trecho entre Anápolis (GO) – Estrela D’Oeste (SP), com inauguração prevista para 2014. Isto promoveu um surto de crescimento não só de Rio Verde, mas também das outras cidades pertencentes a microrregião. Com isso, a cidade deve passar por novas transformações nos próximos anos.

FIGURA 37

O munícipio de Rio Verde localizase no Planalto Central e pertence à Mesorregião 05 – Sul Goiano, a mais rica de Goiás, e à Microrregião Sudoeste Goiano. A área do Município, com 8.338 km², representa 2,47% de superfície do estado de Goiás, sendo o 4º maior município do estado. A cidade localiza-se a 238 km de Goiânia, a 448 km de Brasília, a 346 km de Uberlândia, a 920 km de Belo horizonte e a 824 km de São Paulo. A população residente no município apresenta as características típicas de regiões metropolitanas em desenvolvimento: população jovem, heterogeneidade socioeconômica e participação significativa de migrantes oriundos de pequenas cidades e/ou áreas rurais que procuram melhoria de vida. O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do município é de 0,807 e o PIB per capita de R$ 26.133,55 por habitante, superiores às médias do estado de Goiás, que são, respectivamente, 0,800 e R$ 14.446,68. Em 2009, o município registrou o maior crescimento na agropecuária do país, saltando do 12º lugar para o topo do ranking nacional. Apesar de ser um município rico, ainda não conseguiu erradicar os bolsões de pobreza existentes nas periferias da cidade. Em Rio Verde interligam-se duas rodovias federais, a BR 060, que interliga Brasília a Jataí e a BR 452, que liga Rio Verde a Itumbiara, e


FIGURA 38 - Rodovias de acesso a cidade de Rio Verde. FONTE: Google Maps, 2013. FIGURA 39 - Vias principais de

acesso

ao

terreno.

FONTE: Google Maps, 2013.

FIGURA 38

uma rodovia estadual, a GO 174 (Figura 25). As principais vias de tráfego na cidade são as avenidas Presidente Vargas, Universitária, Eurico Veloso do Carmo, Wolney Costa Martins, Alameda Barrinha, rua Laudelino Bueno e a própria BR 060 (Figura 26). O clima da região é tropical úmido, caracterizado por duas estações bem definidas: - O período úmido, compreendido entre fins de setembro e meados de abril, com índices pluviométricos mais elevados ocorrendo entre dezembro e março. Neste período a precipitação média situa-se acima de 250 mm;

- O período seco, compreendido entre

FIGURA 39

abril e setembro, em que a precipitação média dos meses menos chuvosos (junho a agosto) fica abaixo de 10 mm. Analisando dados obtidos com o programa Climaticus (Figuras 27 e 28), fornecido pelo Laboratório de Tecnologia da FAUUSP, podemos notar que nas estações outono-inverno são registradas as menores temperaturas mínimas, que podem variar entre 6ºC a 15ºC, enquanto nos meses de primaveraverão, as temperaturas podem passar os 35ºC. A umidade relativa do ar apresenta uma variação sazonal significativa, chegando a valores extremamente baixos no período seco, contribuindo para o estabelecimento de grande amplitude

37


FIGURA 40 - Estatísticas de precipitação,

nebulosidade

e insolação durante o ano para a cidade de Rio Verde. FONTE: Climaticus, 2013. FIGURA

41

-

Tabela

de

dados relatvos à Rio Verde. FONTE: Climaticus, 2013.

FIGURA 40

38

FIGURA 41

térmica diária, quase sempre excedendo a 10ºC. Tipicamente, apenas no período úmido é que os índices tornam-se satisfatórios (acima de 60%). Ao buscar-se dados relativos aos serviços de saúde, nota-se que o município conta com 7 unidades hospitalares, sendo apenas 1 público e 3 filantrópicos (Figura 29). A maior parte dos atendimentos ambulatoriais é feita na rede particular, no entanto, a maior parte dos demais serviços se passa dentro do SUS (Figura 30). O município possui 11 unidades de atenção básica de saúde, pertencentes ao Programa de Saúde da Família, no entanto, esse atendimento na cidade não é eficaz, uma vez que apenas cerca de 10% da população é coberta por esse atendimento (Figura 31). Ainda analisando os dados fornecidos pelo DATASUS, podemos notar que a maior taxa de internação pelo SUS na cidade se refere às internações por gravidez e puerpério, sendo estas 10% maiores que a taxa seguinte, que tem como causa as doenças do aparelho circulatório. Ainda pelo DATASUS, sabemos que em 2008, último ano com dados disponíveis, ocorreram 2.786 partos, ou seja, cerca de 8 partos por dia. Destes, 5,9% foram prematuros e 8,7% foram de recém-nascidos de baixo peso (Figura 32). Rio Verde, sendo a maior cidade do sudoeste, é considerado município polo e sede da Administração Regional de Saúde Sudoeste I,


TABELA 1 - Número de estabelecimentos por tipo de prestador segundo tipo de estabelecimento. FONTE: CNES, situação de base de dados nacional em 10/04/2010. TABELA 2 - Indicadores de atenção básica. FONTE: SIAB, situação de base de dados nacional em 22/02//2010. TABELA 3 - Número de internações, Valor Total, Valor Médio, Média de Permanência, Número de Óbitos e Taxa de Mortalidade por especialidade. FONTE: SIH/SUS, situação de base de dados nacional em 03/05/2010.

TABELA 2 TABELA 1

TABELA 4 TABELA 3

TABELA 4 - Número de estabelecimento por tipo de convênio segundo tipo de atendimento prestado. FONTE: CNES, situação de base de dados nacional em 10/04/2010. TABELA 5 - Informações sobre nascimentos. FONTE: SIH/SUS situação de base de dados nacional em 14/12/2009.

TABELA 5

39


FIGURA 42 municípios

-

Mapa

com

pertencentes

Reginal de Rio Verde.

à

da Secretaria Estadual de Saúde do Estado de Goiás, assumindo a função de referência para média e alta complexidade nos serviços de saúde para os 17 municípios vizinhos, sendo estes: Rio Verde, Santa Helena de Goiás, Maurilândia, Montividiu, Santo Antônio da Barra, Castelândia, Turvelândia, Cachoeira Alta, Itajá, Itarumã, Lagoa Santa, Quirinópolis, Paranaiguara, São Simão, Caçu e Aparecida do Rio Doce. E, uma vez que os municípios menores não possuem serviços de obstetrícia, Rio Verde é também referência para este tipo de atendimento. Neste contexto, e somando o fato da população de Rio Verde consistir de 180 mil habitantes, isso gera uma demanda de atendimento em ginecologia e obstetrícia acima do esperado para o município, assim, definiu-se que o projeto a ser desenvolvido tem como objetivo atender também a demanda demais municípios, de onde, além da obstetrícia básica dos pequenos municípios, serão também atendidos os casos considerados de alto risco, uma vez que hoje são transferidos para Goiânia, capital do Estado, situada há 241 km.

ÁREA DE INTERVENÇÃO

40

No momento de escolha da área de intervenção foi feito um levantamento dos pontos de interesse da área da saúde. Foi possível notar, então, que a assistência à saúde está concentrada no

FIGURA 42

centro da cidade. Encontram-se ali o Hospital Evangélico, distante algumas quadras do CAIS – Centro de Atendimento Integrado de Saúde e da Maternidade Augusta Barros. Nas ruas que circundam o Hospital Evangélico encontramse consultórios para atendimento particular. Ao procurar-se um terreno no qual o projeto de uma maternidade pudesse ser implantado, buscou-se um local desocupado, de grandes dimensões, com desníveis de terreno baixos e ainda próximo aos pontos de saúde já existentes. Por se tratar do centro da cidade, já consolidado, um terreno que atendesse as necessidades impostas pelo projeto não foi encontrado. Dessa forma, passou-se a analisar


em que outro ponto da cidade seria interessante implantar o projeto, tendo em mente um acesso fácil. O terreno encontrado já pertence à prefeitura e possui cerca de 21.000 m². Localizase na junção de duas das vias principais da cidade, a Avenida Presidente Vargas e a Avenida Universitária e acesso direto à BR 060, permitindo acesso fácil dos outros municípios pertencentes à regional (Figura 34). Em relação ao uso de solo previsto pela legislação local, o terreno está inserido em uma ZE1, na qual são permitidas atividades comerciais e de prestação de serviços (Figura 35).

LEGISLAÇÃO PERTINENTE A primeira referência para elaboração de projetos arquitetônicos para EAS em âmbito nacional no Brasil é a RDC 50 – Resolução de Diretoria Colegiada nº 50, elaborada pela ANVISA e em rigor desde 2004. Esta norma deve ser aplicada em todos empreendimentos propostos ou realizados na área pública e privada quando eles se encaixam nos seguintes casos: - construções novas de EAS no país; áreas a serem ampliadas de EAS já existentes; -reformas de EAS já existentes e os anteriormente não destinados a essa função.

FIGURA

43

de

-

Área

intervenção.

FONTE: Google Earth, 2012. FIGURA 44 - Zoneamento referente à área de intervenção. FONTE:

Prefeitura

de

Rio

Verde, 2012.

FIGURA 43

FIGURA 44

41


42

No caso deste trabalho, foram levantados os dados relativos à atenção obstétrica presentes nesta norma. Alguns aspectos a serem considerados nesse caso referem-se ao número de salas destinadas aos partos normais e as de procedimento cirúrgicos. Para o caso específico do Centro Obstétrico, vinculado às atividades relacionadas no item II.4 – O Centro Obstétrico, deve-se considerar as recomendações previstas na RDC 50, capítulo 3 – Dimensionamento, Quantificação e Instalações Prediais do Ambiente, onde são abordados somente os aspectos espaciais desses ambientes, não sendo assim um programa físico-funcional:

atenção foi abordado na Portaria do Ministério da Saúde GM Nº 2616, de 12 de Maio de 1998, que estabelece conceitos para Infecção Hospitalar e para Infecção Comunitária. A primeira seria aquela adquirida após a admissão do paciente, se manifestando durante a internação ou no pós-alta, mas relacionada com procedimentos hospitalares. É o tipo de infecção que pode ser evitada adotando-se técnicas de projeto. Para tratar dessa questão da infecção hospitalar, a RDC 50 apresenta dois componentes técnicos indispensáveis e complementares que favorecem o bom desempenho das condições ambientais de controle de infecções em um EAS:

- Deve ser considerada uma sala de parto normal para cada 20 leitos obstétricos ou fração; - Para cada sala de parto cirúrgico ou normal, deverá ser considerada apenas uma única mesa de parto.

- Componente de procedimentos em relação a pessoas, utensílios, roupas e resíduos – RSS; - Componente arquitetônico, referente a uma série de elementos construtivos como padrões de circulação, sistema de transportes de materiais, equipamentos e resíduos sólidos, sistemas de renovação e controles das correntes de ar, facilidades de limpeza das superfícies e materiais e instalações para controle de infecções.

Em 1998 foram publicadas as Normas para Projetos e Construção de Hospitais e Ambientes de Atenção à Saúde pela Academia de Arquitetura do Instituto Americano de Arquitetos do Departamento de Saúde e Serviçoes Humanos dos Estados Unidos. Nessas normas são apresentados aspectos inovadores para procedimentos usualmente adotados naquele país, como é o caso dos quartos PPPs, onde a paciente passa o pré-parto, o parto e o pós-parto imediato. Outro ponto que deve ser trabalhado com

Os ambientes do EAS possuem um importante papel no controle da infecção hospitalar, embora tenha sido comprovado que esta variável é responsável por apenas 15% dos casos de infecção adquirida dentro dos hospitais. No ano de 2008, a Anvisa decretou uma nova resolução que passaria a substituir a RDC50


no caso dos serviços de assistência obstétrica e neonatal, a RDC 36. Nela são encontradas as indicações das condições de funcionamento desses estabelecimentos, tanto do ponto de vista de recursos materiais e de pessoal quanto da questão de seus aspectos físicos. Em seu Anexo II, ela define os parâmetros para o dimensionamento dos ambientes e são essas definições que serão seguidas neste projeto.

ATRIBUIÇÃO DO ESTABELECIMENTO Ao se projetar um hospital, a RDC recomenda que primeiro se deve definir quais as funções que o EAS irá assumir. Não é possível começar o desenho do projeto sem saber o que ele irá atender e o que é preciso para que isso ocorra. Para esse trabalho, definiu-se que será um projeto de um hospital especializado no atendimento obstétrico e neonatal, de atendimento terciário, atendendo em ambulatório somente consultas prénatal e puerperal. Além de internações comuns, possuirá UTI adulto e neonatal destinadas ao atendimento de casos de alto-risco da região. E como forma de atender às necessidades do próprio hospital, possuirá um banco de leite humano e um laboratório de analises clínicas. O centro obstétrico será composto por

quartos PPPs para partos normais e salas cirúrgicas para situações em que seja necessário intervenção. As internações ocorrerão em quartos individuais no esquema de alojamento conjunto, ou seja, o bebê ficará no quarto com a mãe, assim como haverá a presença do acompanhante. Para que o hospital funcione, há as áreas de apoio, como farmácia, central de armazenamento de materiais e central de material esterilizado, entre outras. Uma vez definido o que será atendido no EAS, passa-se a levantar quais ambientes cada área específica deve possuir, criando assim uma primeira ideia dos ambientes necessários.

PROGRAMA DO PROJETO - Recepção para 40 pessoas; - 10 consultórios/salas de exames; - Laboratório; - Banco de leite; - 40 leitos de internação comum; - 10 leitos de UTI adulta; - 10 leitos de UTI neonatal; - 10 quartos PPPs; - Sala de atividades físicas no centro obstétrico; - 3 salas cirúrgicas; - Farmácia; - Central de armazenamento de material; - Central de material esterilizado; - Lavanderia e rouparia;

43


- Central de alimentação e nutrição; - Refeitório para 40 pessoas; - Descanso de funcionários terceirizados (limpeza e segurança); - Descanso de enfermagem com 25 poltronas; - Descanso médico com 10 camas; - Área de administração; - Estacionamento para funcionários;

ESTUDO DE FLUXOS

44

A preocupação com os fluxos hospitalares faz parte do edifício hospitalar, pelo menos desde o surgimento, no final do século XVIII, do hospital terapêutico. As pesquisas desenvolvidas por Tenon e Howard estabeleceram, pela primeira vez, a relação entre o espaço, os fluxos e as taxas de mortalidade e sucesso dos atendimentos hospitalares. Durante o decorrer do século XX os procedimentos médicos passaram por uma grande transformação decorrente de uma maior compreensão das doenças e de suas formas de transmissão, do surgimento de novos medicamentos e do desenvolvimento da engenharia clínica, que inseriu novos equipamentos, revolucionando diagnósticos e tratamentos. Ao mesmo tempo, novas técnicas de assepsia foram assimiladas pelo hospital como um todo, não somente nos centros cirúrgicos. Este conjunto de novas medidas resultou

em um controle maior do ambiente hospitalar, contendo infecções não mais através de barreiras, mas agora através de procedimentos. Com isso, as barreiras deixaram de ser utilizadas, modificando o desenho dos hospitais. Em algumas áreas do hospital os prépós, os vestiários de barreira e as circulações exclusivas deixaram de existir. No entanto, em áreas consideradas como críticas pela RDC 50, o uso de barreiras físicas ainda existe. Mesmo tratando os elementos contaminados na fonte e adotando procedimentos que reduzem o risco de contaminação ainda é importante o estudo e a adequação dos fluxos hospitalares. Esta é uma das mais importantes ferramentas a serviço do arquiteto na elaboração do projeto hospitalar. Após a definição das atribuições da unidade, inicia-se a etapa de setorização, isto é, o estudo da distribuição espacial das unidades funcionais e dos ambientes que as constituem. Para isso, a caracterização, avaliação e organização dos fluxos desempenha papel fundamental. A distribuição dessas unidades deve ser pensada considerando os fluxos que chegam e saem das mesmas. Outros fatores como as características climáticas, a topografia e as características do terreno também influenciam na posição das unidades, no entanto, nenhuma é tão importante quanto os fluxos. Os fluxos podem ser divididos em


interfuncionais (entre diferentes unidades) e intrafuncionais (ocorrem dentro de uma mesma unidade funcional). Os fluxos interfuncionais são: - Paciente externo – pacientes que não se encontram em regime de internação; sua circulação deve estar restrita às áreas onde recebem atendimento, não cruzando com as circulações de funcionários e pacientes internados. - Paciente interno – pacientes em regime de internação, dentro da própria unidade de internação. - Acompanhantes – familiares dos pacientes externos e internos que os acompanham durante sua permanência na unidade hospitalar. - Funcionários – profissionais de saúde e todos os técnicos e pessoal de apoio necessários para o funcionamento da unidade; pode se misturar com a circulação de pacientes internos, mas não deve se misturar com ados pacientes externos. - Insumos – insumos de diversos tipos, destacando-se alimentos, roupa limpa, material cirúrgico, medicamentos, etc. - Material contaminado e resíduos sólidos – constituídos pela roupa suja, resíduos sólidos (contaminados ou não), pelos resíduos de serviço de saúde (RSS), etc; o tratamento dos elementos contaminados na fonte e a utilização de técnicas adequadas para seu transporte e destinação final eliminam a necessidade de circulações exclusivas para este fluxo, no entanto, algumas medidas e

restrições permanecem importantes. - Visitantes – composto por todos visitantes que vão a unidade hospitalar para visitar os pacientes internos ou em função de alguma atividade administrativa. Os fluxos intrafuncionais podem ser divididos em:

- Fluxos contaminados; - Fluxos sem risco de contaminação.

Após o estudo dos fluxos, a distribuição espacial das unidades funcionais se estabelece a partir de uma série de critérios entre os quais está a compatibilidade e a incompatibilidade das atividades desenvolvidas em cada unidade.

O PROJETO Nas próximas páginas será apresentado o projeto por meio dos desenhos de plantas, cortes e elevações, assim como imagens da maquete virtual, de forma que seja possível melhor vizualização do projeto. Serão apresentados também alguns detalhes do projeto, como a escolha do brise e da cobertura. Após os desenhos, estão o Memorial Descritivo, descrevendo as justificativas para a escolha dos elementos empregados na concepção do projeto.

45


IMPLANTAÇÃO 1 Bloco A - recepção 2 Entrada de ambulâncias 3 Bloco B - cirúrgico 4 Pátio central 5 Bloco C - internações 6 Bloco D - apoios 7 Estacionamento de funcionários Área permeável (gramado)


BLOCO A 1 Parada de automóveis 2 Espera 3 Atendimento 4 Consultórios e salas de exame 5 Administração 6 Catracas de acesso 7 Boxes de coleta do laboratório 8 Laboratório 9 Banco de leite


BLOCO B 10 Quartos PPPs 11 Sala de atividades físicas 12 Estar do centro de parto normal 13 Posto de enfermagem 14 Área suja do centro cirúrgico 15 Área limpa do centro cirúrgico 16 UTI Adulta 17 UTI e CTIs neonatal


BLOCO C 13 Posto de enfermagem 18 Quartos de internação 19 Área de estar


BLOCO D - TÉRREO 5 Administração 20 Catracas de acesso 21 Central de armazenamento de materiais e farmácia 22 Rouparia 23 Área limpa da lavanderia 24 Área suja da lavanderia 25 Central de material esterilizado 26 Guarda de resíduos 27 Guarda de cadáveres BLOCO D - 1º PAVIMENTO 28 Área destinada às instalações BLOCO D - 2º PAVIMENTO 29 Área destinada a estar de funcionários terceirizados (segurança e limpeza) 30 Cozinha 31 Refeitório 32 Quartos de descanso médico e de residentes 33 Vestiário 34 Descanso e estar médico e de enfermagem


COBERTURA


CORTE AA

CORTE BB


CORTE CC

CORTE DD


CORTE EE

CORTE FF


CORTE GG

CORTE HH


VISTA 1

VISTA 2


VISTA 3

VISTA 4


PROJETO EM NÚMEROS 4 CONSULTÓRIOS 4 SALAS DE EXAME ULTRASSOM 1 CONSULTÓRIO DE ENFERMAGEM 8 QUARTOS PPS 3 SALAS CIRÚRGICAS 36 LEITOS DE INTERNAÇÃO GERAL 7 LEITOS DE UTI ADULTA 8 LEITOS UTI NEONATAL 4 LEITOS CTI NEONATAL 47 VAGAS DE ESTACIONAMENTO PARA FUNCIONÁRIOS ÁREA CONSTRUÍDA TOTAL = 12.885 m² TÉRREO = 9.700 m² 1º PAVIMENTO = 1.150 m² 2º PAVIMENTO = 1.150 m² BLOCO A = 1.570 m² BLOCO B = 1.490 m² BLOCO C = 1.080 m² BLOCO D = 3.450 m² CORREDORES = 2.420 m² PÁTIO = 1.990 m² ESTACIONAMENTO = 885 m² com 47 vagas C.A. = 12.885 (área total) - 885 (estacionamento)/21.000 = 0,57 T.O. = 12.300 (projeção do edificio e cobertura no terreno)/21.000 = 0,58 PERMEABILIDADE = 8.700/21.000 = 0,41

81


MEMORIAL DESCRITIVO IMPLANTAÇÃO O projeto começou com a idéia de se criar um abiemnte de nascer e não somente um espaço de atendimento hospitalar. Para isso, buscou-se criar espaços de estar em que a população usuária do edifício pudesse estar de forma tranquila e confortável. Surgiu então a idéia do pátio central com os serviços distribuidos em suas laterais. Este pátio permitiria um maior contato entre as pacientes e a natureza, assim como uma visão do céu, transmitindo ao edifício um ar de espaço aberto e não de um bloco fechado, como é o edifício hospitalar tradicional. Os serviços do hopsital foram distribuídos em quatro blocos que circundam o pátio. o primeiro bloco (BLOCO A) está localizado paralelo à Avenida Presidente Vargas e é onde se localizam a entrada, com a recepção e a espera, assim como os serviços de atendimento a pacientes externos, como é o caso dos consultórios, coleta do laboratório e banco de leite. Isso permitiu o isolamento da circulação deste tipo de pacientes, evitando que seja necessário sua circulação em ambientes internos ao hospital. O bloco seguinte (BLOCO B) se localiza na parte superior do terreno e concentra os serviços do centro obstétrico, tendo uma área destinada ao

estar de pacientes em trabalho de parto e quartos PPPs, que por serem destinados a todas as fases do parto, diminuem a necessidade de circulação desta paciente pelo restante do hospital. Ao lado desta área encontra-se o centro cirúrgico, divido em parte suja e limpa, tendo acesso na parte suja para pacientes que dão entrada no hospital por meio de ambulâncias. Por ser um hospital que visa o parto normal, possui apenas 3 salas cirúrgicas. É também neste bloco que podemos encontrar as UTIs e CTI adulta e neonatal. Isso se deve à necessidade imposta pela RDC desta área estar localizada próxima ao centro cirúrgico para casos de complicações. O BLOCO C é o bloco destinado à internação geral, localizado na parte inferior do terreno. Os quartos se localizam com as janelas voltadas para a Rua Cento e Um, que possui menos tráfego, evitando os problemas de acústica que poderiam existir caso as janelas fossem voltadas para uma das avenidas. Neste bloco estaõ localizados também dois postos de enfermagem, atendendo às necessidades da RDC de se ter um posto de enfermagem a cada 20 leitos. O último bloco (BLOCO D), implantado á esquerda do terreno é destinado aos serviços de apoio. É nele que se encontra a entrada de funcionários e de insumos, como

83


84

materiais de farmácia e alimentos. É o único bloco que possui mais de um pavimento. o pavimento intermediário é todo destinado às instalações necessárias para o abastecimento de todo o complexo. No pavimento térreo colocou-se a área destinada à administração, por ter possibilidade de circulação de pessoas externas. Desse modo se isola a circulação destas pessoas o máximo possível. É neste pavimento também que se encontram os seerviços de lavanderia, rouparia e central de materiais esterilizados, devido ao grande fluxo que estas áreas possuem. A farmácia e a central de armazenamento de materiais ficou localizada com acessos externo e interno, para recebimento de materiais e sua distribuição dentro do complexo, respectivamente. A área destinada à guarda de resíduos e à guarda de corpos também possui acesso direto à área externa, evitando a volta destes ao ambiente interno do hospital. No segundo e último pavimento desde bloco se localizam os serviços destinados aos funcionários: descanso, vestiários e refeitório. A cozinha também está localizada neste pavimento e possui monta-cargas que descem ao pavimetno térreo para transporte de alimentos destinados aos pacientes. Os blocos são ligados por meio de grandes corredores que circundam o pátio interno. Estes corredores também são destinados à áreas de estar, possuindo largura de 6 metros e possuem

acesso ao pátio. o desnível existente no terreno é resolvido pelo uso de rampas com diferentes inclinações nos corredores e no pátio.

BRISE Devido ao fato dos quartos estarem com as janelas voltadas para a rua, surgiu o problema de resguardar o ambiente dos pacientes. Isso foi resolvido pela utilização de brises horizontais de cerâmica que dificultam a visualização dos ambientes internos pelos pedestres. Estes brises estão distantes das fachadas, permitindo que sejam implantadas vegetações nestes espaços. O modelo de brise escolhido é de cladding com estrutura de fiencaixe e fixação de metal.

COBERTURA Ao estudar o clima da região, notamos que possui altas temperaturas. Buscou-se então, uma solução para a redução das mesmas e chegou-se à presença de grandes coberturas independentes do resto da edificação, perimitindo que os ventos circulem entre as lajes de cobertura dos blocos e as telhas, possibilitando um microclima mais ameno no espaço. Essas coberturas


FIGURA

45

-

Brise-soleil.

FONTE: Terreal, 2013. FIGURA

46

fixação

-

Detalhe

do

brise.

FONTE: Terreal, 2013. FIGURA das

47

-

partes

Detalhe

do

brise.

FONTE: Terreal, 2013. FIGURA FIGURA 45

FIGURA 46

fixação

48

-

Detalhes

do

brise.

FONTE: Terreal, 2013.

FIGURA 47

FIGURA 48

85


esses espaços em qualquer momento do dia. Para a cobertura foi escolhida a madeira como material para a estrutura. Isto se deve ao fato da madeira transmitir um ar de leveza ao ambiente, assim como por induzir os usuários a se sentirem mais próximos à natureza. Ao utilizar-se telhas metálicas nestas coberturas, criamos um problema de acústica, que pode ser reduzido ao tratarmos essa coberturas com um tratamento termoacústico composto por fibras de poliéster que é aplicado sobre as telhas. Ele reduz em 50% o nível do som, reduzindo o barulho de chuvas. Ao todo as coberturas possuem cerca de 6.400 m². Por se tratar de uma área tão grande, foi definido um sistema de coleta de águas pluviais por meio de calhas que são guardadas em um reservatório de 500L, calculado pelo método prático inglês: V = 0,05xPxA Sendo, V = volume de água aproveitável (L); Pa = precipitação média anual (mm) A = área de coleta em projeção (m²) Adotando 1500 mm como o valor da precipitação média anual de Rio Verde, temos que V = 480L.

87


CONSIDERAÇÕES FINAIS Esta experiência de projeto foi interessante por diversos fatores, como a busca histórica e contextual da arquitetura da saúde, assim como o entendimento de sua influência no tratamento de pacientes. A escolha desse tema também possibilitou o trabalho de um assunto não abordado no decorrer do curso, mas de grande interesse pessoal e que vem sendo cada vez mais estudado. A maior dificulade encontrada no decorrer do trabalho foi como solucionar a questão fluxosXinstalações. A melhor solução para as instalações seria adotar o partido do monobloco vertical, em que seriam colocadas réguas de gases subindo a edificação e se ramificando. Essa solução, no entanto, complica a questão dos fluxos. Como já foi falado, o problema dos fluxos é de grande importância para o projeto de um hospital. Ao se verticalizar o projeto, cria-se a necessidade da presença de mais de um bloco de elevadores, uma vez que existem fluxos que não devem se cruzar, acarretando no aumento de custo do projeto. Acredito que a solução dada neste projeto soluciona essa questão sem muitos problemas. Ao se instalar no piso intermediário do bloco de serviços a central de instalações, permitiu-se que

as réguas de gases pudessem ser distribuidas tanto para o bloco cirurgico/UTI (BLOCO B) como para o bloco de internações (BLOCO C), assim como fica exatamente acima da CME, que é a área que mais utiliza dessas instalações. Outra dificuldade imposta no início do projeto foi a vontade de se criar um ambiente que não fosse somente um local de atendimento de saúde, mas que também fosse um local feito para curar, ou seja, um ambiente acolhedor em que o paciente se sinta bem e confortável, possibilitando uma melhora rápida, mas sem deixar de atender as normas impostas pelos órgãos vigentes. Com a grande presença de áreas de estar e os materiais que foram definidos, acredito ter chegado em um solução que atende as necessidades da tríade mãe-bebê-acompanhante, dando-lhes um ambiente acolhedor e calmo para um dos mais importantes momentos da vida, o nascer, não se esquecendo também dos funcionários que necessitam de espaços não amedrontadores para que possam exercer suas funções sem estresse. Desta forma, acredito que o objetivo determinado no início do trabalho foi alcançado, já que foi possível chegar a uma solução de projeto que se afasta monobloco vertical, mas se mantem fiel às normas.

89


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BITENCOURT, Fábio. Arquitetura do ambiente de nascer: reflexões e recomendações projetuais de arquitetura e conforto ambiental. Rio de Janeiro: Rio Books, 2008. BRASIL. RDC 50, de 21 de fevereiro de 2002. Normas para o planejamento físico de unidades de saúde. Brasília: Ministério da Saúde/ANVISA, 2002. _______. Ministério da Saúde. Manual de Lavanderia Hospitalar. Brasília: Centro de Documentação do Ministério da Saúde, 1986. _______. Ministério da Saúde. Secretaria de Assistência à Saúde. Série Saúde e Tecnologia - Textos de Apoio à Programação Física dos Estabelecimentos Assistenciais de Saúde Instalações Prediais Ordinárias e Especiais. Brasília, 1995. _______. Ministério da Saúde. Secretaria de Assistência à Saúde. Série Saúde e Tecnologia - Textos de Apoio à Programação Física dos Estabelecimentos Assistenciais de Saúde Manutenção Incorporada à Arquitetura Hospitalar. Brasília, 1995. _______. Portaria nº 1016, de 26 de agosto de 1993. Aprova as normas básicas para implantação

do Sistema de Alojamento Conjunto. Diário Oficial (da União da república Federativa do Brasil), Poder Executivo, Brasília, DF, 1 set. 1993. _______. Resolução RDC nº 36, de 3 de junho de 2008. Dispões sobre Regulamento Técnico para Funcionamento dos Serviços de Atenção Obstétrica e Neonatal. Diário Oficial (da União da república Federativa do Brasil), Poder Executivo, Brasília, DF, 9 jul. 2008. _______. Secretaria de Assistência à Saúde. Normas para projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde. Brasília: Editora do Ministério da Saúde, (Série: Saúde e Tecnologia). _______. Programa Nacional de Humanização da Assistência Hospitalar. Brasília: Ministério da Saúde, 2001. BRITISH COLUMBIA CANADA. Wood in healthcare: a natural choice for entrancing human well-being. Canada: British Columbia Canada, 2012. Disponível em<http://www.naturallywood. com/sites/default/files/Wood-in-Healthcare.pdf>. CARVALHO, Antonio Pedro Alves de. Quem tem medo da arquitetura hospitalar?. Salvador: UFBA, 2006. COELHO, Guilherme. A arquitetura e a assistêmcia

91


ao parto e nascimento: humanizando o espaço. Dissertação e mestrado. Rio de Janeiro, 2003.

Revista AU, Sâo Paulo, nº 129, p. 72-75, junho de 2012.

CRUZ, Helena. Estruturas de madeira lamelada colada em Portugal: instrumentos para garantia de qualidade. Revista Portuguesa de Engenharia de Estruturas, Série II, nº1, julho de 2007.

ROCHA, Júlia Leutchuk da. Humanização de maternidades públicas (dissertação): um Estudo sobre a arquitetura das enfermarias de alojamento conjunto. Florianópolis: Universidade Federal de Santa Catarina, 2010.

FIGUEIROLA, Valentina N. Linear, flexível e humano. Revista AU, São Paulo, nº 157, p. 42-49, abril de 2007. _______. Luz por todos os lados. Revista AU, São Paulo, nº 168, p. 30-37, março de 2008. GÓES, Ronald de. Manual prático de arquitetura hospitalar. São Paulo: Blucher, 2004. GONÇALVES, Décio. Sistema estrutural treliçado modular em madeira. São Paulo, 2007. HENRIQUES, Maria Dulce Franco. Sistemas estruturais em madeira lamelada colada. Instituto Superior de Engenharia de Lisboa. Disponível em: <http://www.deetc.isel.ipl.pt/jetc05/CCTE02/ papers/finais/civil/12.PDF> LEITE, Flávia Borges. Central de material esterilizado: projeto de reestruturação e ampliação do Hospital Regional de Francisco Sá. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/artigos/ artigo_CME_flavia_leite.pdf>

92

NAKAMURA,

Juliana.

Espaços

que

curam.

SIEGBERT, Zanettini. Arquitetura, razão sensibilidade. São Paulo: EDUSP, 2002.

e

TOLEDO, Luiz Carlos. Feitos para curar: arquitetura hospitalar e processo projetual no Brasil. Rio de Janeiro: ABDEH, 2006. ___________________. Humanização do edifício hospitalar, um tema em aberto. Disponível em: <http://mtarquitetura.com.br/conteudo/ publicacoes/HUMANIZACAO_%20EDIFICIO_ HOSPITALAR.pdf> ___________________. O estudo dos fluxos no projeto hospitalar. Disponível em: <http://www.mtarquitetura.com.br/conteudo/ publicacoes/O_ESTUDO_DOS_FLUXOS_NO_ PROJETOHOSPITALAR.pdf> VASCONCELOS, Renata Thaís Bomm. Humanização de ambientes hospitalares: características arquitetônicas responsáveis pela integração interior/exterior. Florianópolis, 2004.


Ivy Morais  

Trabalho Final de Graduação em Arquitetura e Urbanismo pela FAUUSP com o tema sendo uma maternidade no interior de Goiás.

Advertisement