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Ano 1 - Nº 1 - Maio2013

EQUOTERAPIA na busca do equilíbrio - Pág.14

Gripe A:

Saiba mais sobre essa doença e como se proteger. Pág. 17

Pé chato:

Deformidade ou uma etapa do desenvolvimento natural da criança? Pág. 20 EDIÇÃO DE LANÇAMENTO

CORTESIA PREÇO SUGERIDO R$ 10,00

Atividade física: Seus beneficios e cuidados com alimentação. - pág. 20


Hipertensão Arterial Sistêmica Marcos Antonio Brandelero*

A Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) é definida no adulto como uma pressão arterial maior que 140/90 mmHg. Quando uma pessoa tem HAS os vasos sanguíneos se contraem e diminuem de diâmetro, forçando o coração a trabalhar mais para movimentar o sangue através do corpo. A HAS é uma doença silenciosa, pois normalmente não apresenta sintomas. Entretanto, às vezes, a pessoa hipertensa pode sentir dor de cabeça, tontura ou mal estar. Muitas vezes, quando o paciente sente alguma coisa, a pressão já danificou o seu organismo. A pressão alta e uma doença muito comum, que acomete um em cada quatro adultos. Entre os idosos, ela chega a atacar uma em cada duas pessoas. As crianças também podem ter pressão alta. A hipertensão não faz distinção de sexo e nem classe social, acometendo homens e mulheres de todas as raças, ricos e pobres, idosos e crianças, gordos e magros, pessoas calmas e tensas, esportistas e sedentários, fumantes e não fumantes. No Brasil, a estimativa de prevalência da HAS varia de 15 a 30% da população. Assim, estima-se que existam de 25 a 50 milhões de brasileiros hipertensos. Se pegarmos como exemplo a população de Xanxerê, com aproximadamente 40 mil habitantes, estima-se que existam de 6 a 12 mil xanxerenses hipertensos. Temos o dever de reforçar a importância da HAS no cenário da saúde nacional, que a caracteriza como um dos principais desafios da medicina atual. Alta prevalência, elevado risco cardiovascular associado a baixas taxas de controle, são alguns pontos que justificam essa afirmativa. Seu caráter multifatorial e multidisciplinar confere a complexidade à implementação das estratégias terapêuticas. Políticas de saúde, investimentos e, principalmente, ações relacionadas à educação e à prevenção da doença, são fundamentais na condução deste processo. É necessário juntar esforços, médicos e outros profissionais de saúde, órgãos governamentais, iniciativa privada e po-

pulação para que os avanços possam ocorrer. Entre as principais consequências da hipertensão arterial, destacam-se o Acidente Vascular Cerebral (AVC), a Coronariopatia (infarto e angina), doença arterial periférica, doença renal e dos olhos (retinopatia). Os principais erros que podem agravar o quadro de hipertensão estão relacionados ao estilo de vida, principalmente, aos hábitos alimentares como: ingestão excessiva de sal, baixo consumo de vegetais, obesidade e consumo exagerado de álcool, tudo isso aliado ao sedentarismo. Com o controle de todos esses fatores é possível obter a redução da pressão arterial e o controle do risco cardiovascular. Os pacientes hipertensos têm um risco duas vezes maior de infarto do miocárdio, três vezes maior de AVC e doença vascular periférica e aumento de aproximadamente quatro vezes o risco de insuficiência cardíaca. Comprovou-se, também, que indivíduos diabéticos - condição que se associa ao dobro de prevalência de hipertensão- beneficiam-se de um controle mais rígido da pressão arterial, assim como os portadores de doença renal crônica. Embora a hipertensão arterial seja uma das causas mais comuns de consultas médicas, o controle ideal da pressão arterial é obtido, atualmente, em apenas 25% dos pacientes hipertensos. Espera-se que com o controle da pressão arterial possamos reduzir de 30 à 50% as taxas de doenças cardiovasculares. Assim, todas as medidas e ações geradas para melhor identificar os portadores da HAS devem ser intensificadas para que os resultados do tratamento estimulem a adesão à terapia proposta, principalmente, às mudanças do estilo de vida. Essas ações resultarão em menor número de pacientes e, consequentemente, em diminuição dos casos que evoluirão para as complicações da HAS: cardíacas, renais, cerebrais e circulatórias. *Doutor Marcos Antonio Brandelero – Cardiologia e Clínica Médica (49) 3433-4879 – Xanxerê - SC


EDITORIAL A primeira edição da revista Corpo & Saúde é o resultado de muito trabalho e motivo de muita alegria para nós da VSD Consultoria Empresarial Ltda. A ideia de fazer uma revista sobre saúde surgiu de uma necessidade pessoal, após enfrentarmos dificuldade para localizar determinado atendimento médico. Essa dificuldade não aconteceu por falta de profissionais em nossa cidade, mas sim, por deficiência na divulgação do que temos disponível em nosso mercado profissional. Após alguns contatos, uma conversa aqui e ali, ficamos surpresos com a qualidade dos profissionais que temos por aqui, próximos de nós, sem haver a necessidade de deslocamentos para outros centros maiores. Então, imaginando que assim como nós, outras pessoas também podem estar precisando de algum tratamento de saúde, que para nós leigos pode parecer pouco comum ou desconhecido, surgiu a revista Corpo & Saúde, um veículo que tem a singela pretensão de prestar este serviço de divulgação, pois queremos disseminar informações sobre o serviço realizado pelos diversos profissionais da área de saúde, assim como de clinicas médicas, de fisioterapia, de estética e academias. Além disso, pretendemos expor ao conhecimento de todos, maneiras de alcançarmos uma boa saúde e de manter uma boa qualidade de vida. Bem, para iniciarmos este trabalho, nesta primeira edição, fomos buscar informações sobre métodos de reabilitação. A matéria de capa da Corpo & Saúde faz uma explanação sobre a Equoterapia, um trabalho realizado pela Apae de Xaxim e também pela Apadavix de Xanxerê. Vale a pena conhecer um pouco desse método que busca oferecer aos seus praticantes, entre outros benefícios, o desenvolvimento do equilíbrio. Outro assunto abordado nesta edição é o Pé Plano Flexível, conhecido popularmente por “pé chato”. A característica é observada em crianças de zero até seis anos de idade e faz com que pais, preocupados com seus filhos, busquem os consultórios de médicos pediatras e ortopedistas infantis. Mas, será que essa é realmente uma característica preocupante? Esse questionamento é respondido nesta edição pela médica ortopedista e traumatologista infantil, Aira Brandelero. Além destes, outros importantes e interessantes assuntos podem ser encontrados nesta revista. Nós da revista Corpo & Saúde não podemos deixar de

agradecer o apoio e a confiança de todos os profissionais e empresas que colaboraram para esta primeira edição. Agradecemos também aos profissionais que disponibilizaram tempo para repassar informações e outros tantos que investiram neste projeto, dando a nós um voto de confiança. Desejamos que este tenha sido apenas o primeiro passo. O nosso sonho, que hoje inicia de forma modesta, é grande e se depender da nossa vontade, alcançará seus objetivos. Uma boa leitura a todos! Nileiza Durand - Jornalista Ivan Durand Junior – Marketing / Comercial

EXPEDIENTE REVISTA CORPO & SAÚDE

VSD Consultoria Empresarial Ltda ME CNPJ 15.401.901/0001-62 Inscrição Estadual: Isenta Rua Coronel Passos Maia, 1103 cj 303 – Xanxerê-SC Telefone (49) 3433-4596 Editora / Jornalista Responsável Nileiza Durand (49) 8835-1684 - vsdcomunicacao@yahoo.com.br Marketing / Comercial Ivan Durand Junior (49) 8825-0721 – vsdconsultoria@yahoo.com.br Diagramação João Pedro Vasconcelos (49) 8839-7235 - falajotape@gmail.com Projeto Gráfico UAU Propaganda (49) 3433-4977 Tiragem: 1.500 exemplares Distribuição: Xanxerê, Xaxim, Faxinal dos Guedes e Bom Jesus Os artigos e opiniões aqui veiculados são de responsabilidade dos seus autores e não expressam necessariamente a opinião da Revista Corpo & Saúde e de seus diretores. As matérias assinadas são de exclusiva responsabilidade dos seus autores.


O ideal é seguir um plano de alimentação para antes e depois dos treinos físicos porque o corpo não ganha massa muscular sem uma boa nutrição Nileiza Durand

cortisol causam o acúmulo de gordura na região abdominal. Então, para diminuir a barriguinha devemos nos alimentar a cada três horas”. Para conquistar o emagrecimento saudável ou aumento de massa muscular, é importante manter a glicemia estável. “Quando diminuímos a glicemia (diminuição do açúcar do sangue), o organismo vai utilizar os aminoácidos dos músculos para fazer a conversão no fígado em glicose”. Christiane ainda explica aos adeptos do jejum, que o peso da balança diminui rapidamente, pois peso muscular pesa mais do que gordura. “Então você acredita que está diminuindo gordura, mas está diminuindo peso muscular”.

Efeito platô: o maior vilão de todas as dietas Christiane Arcari

Bom treino físico depende de boa alimentação A preocupação com a alimentação antes dos treinos físicos é algo que precisa ser levado em consideração. Alimentação em excesso ou não comer nada antes da atividade física pode prejudicar o desempenho e o aproveitamento do exercício. A nutricionista Christiane Arcari relata que é comum pessoas interessadas em começar uma atividade física também buscarem uma alimentação correta para ter melhor aproveitamento da prática física, mas para os que não se preocupam com isso, é preciso ficar atento. Conforme Christiane, o ideal é seguir um plano de alimentação para que a pessoa, após o treino, não acabe comendo de forma errada, em excesso, comprometendo assim, tudo o que conquistou durante a atividade física. Ou ainda, na pressa de • Maio 2013 • 06

perder alguns quilinhos, não se alimentar corretamente antes ou depois de ir para a academia. Para não errar, Chistiane preparou algumas dicas: “um carro não anda sem combustível e seu corpo não ganha massa muscular sem uma boa nutrição”. A nutricionista alerta que se o objetivo é ganhar músculos, é necessário ingerir grandes quantidades dos alimentos certos. “Inclua alimentos ricos em proteínas, carboidratos e gorduras boas em sua dieta, e coma muito!”. Para os apressadinhos que acreditam que jejum é o caminho mais curto para emagrecer, Christiane alerta, “Sempre que ficamos em jejum prolongado existe uma liberação de hormônios de estresse no organismo, um deles é o cortisol. Já sabemos por comprovações científicas que altas doses de

Chega uma hora em que todos os esforços para emagrecer são em vão. É nesse momento que a luta contra os quilinhos indesejáveis se torna mais acirrada. A guerra contra a gordura teimosa (e tão valente quanto você), não vai ser moleza. O inimigo é tinhoso e poderoso. Você pode acreditar que a tentação é a cervejinha do sábado ou a indisposição de sair de casa e encarar a academia em uma noite fria. Mas, não! O grande vilão na luta para perder peso é o seu próprio corpo. Às vezes, ele faz de tudo para dificultar o sucesso e, quando você estiver próximo de vencer a batalha, o danado pode sacar sua mais potente arma: o efeito platô. Por mais que você siga todas as regras para emagrecer, testadas e aprovadas pela ciência, em um determinado momento seu peso pode se esta-

bilizar. Não adianta diminuir ainda mais a quantidade de comida no prato, pois seu organismo aprendeu a viver bem com as calorias fornecidas no período da dieta e armazenou gordura suficiente para mantê-lo funcionando. Também não vale malhar em dobro. A saída para enfrentar cada episódio é criar uma estratégia diferente a fim de ludibriar o organismo. Nessa luta, vale jogar com algumas armas, combinadas ou não, como dieta, exercício e até medicamentos na tentativa de vencer a resistência do corpo ao emagrecimento. Por isso, é necessário que o processo seja bem orientado por um especialista. Uma das causas do problema é a genética implacável que nos programou para enfrentar a fome. Conforme o endocrinologista e presidente da Associação Brasileira para os Estudos da Obesidade, Márcio Mancini, “ao longo da história, houve mais falta do que abundância de alimentos. Assim, nosso organismo aprendeu a estocar gordura ao perceber que a oferta de calorias é escassa”. Mancini ainda explica que “os estudos mostram que o platô pode acontecer em vários momentos durante o processo de emagrecimento”.

Receitinha pré e pós-treino: Batata doce cozida + whey protein* + canela *é um composto nutricional, com proteína isolada de soja, que ajuda no ganho de massa muscular


FCDX auxilia na reabilitação de deficientes físicos e intelectuais Fisioterapia, hidroterapia e equoterapia são as atividades oferecidas pela instituição, atendendo mensalmente cerca de 100 pacientes Nileiza Durand

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Há 16 anos, a Fraternidade Cristã da Pessoa com Deficiência de Xanxerê (FCDX) oferece aos seus frequentadores um centro de reabilitação e profissionalização. Mantida com recursos vindos de projetos sociais, além do apoio da Prefeitura Municipal, a instituição atende pessoas com deficiência física e intelectual. Na área da saúde são oferecidos: fisioterapia, atualmente com a disponibilidade de dez horas diárias; hidroterapia, que no momento aguarda um profissional de educação física cedido pela Prefeitura para dar início as aulas; além da equoterapia, oferecida em parceria com a Apadavix e apoio da Prefeitura que cede o espaço do Parque da Femi para a realização da atividade.

Oneide Antonio Jaques, que está na presidência da entidade desde 2011, relata que são atendidas mensalmente, nas três modalidades de reabilitação, cerca de 100 pessoas. Para frequentar as atividades, as pessoas interessadas devem preencher um cadastro fornecido pela própria FCDX. “Após o encaminhamento médico do que elas necessitam, nós desenvolvemos as atividades e, preferencialmente, nós atendemos pessoas com deficiência física e intelectual, principalmente na equoterapia”. Jaques argumenta que a prioridade do atendimento é para pacientes com casos mais graves e também para os que não possuem condições financeiras para contratar atendimento particular. “Nós sabemos que no SUS é necessário, muitas vezes, esperar algum tempo para ser atendido porque a fila é grande, então nós priorizamos os casos graves e os

que não estão tendo atendimento em outras clínicas”. Em 2011, a FCDX oferecia 30 horas de fisioterapia e, neste ano, por falta de disponibilidade de profissional da área, são oferecidas dez horas, sendo oito de atendimento aos pacientes e duas horas para o registro dos relatórios. “Por enquanto, reduziu, mas pode ser que ainda neste ano a gente receba outra profissional de fisioterapeuta. A demanda é grande e tem muita gente na fila esperando pelo atendimento”. A instituição conta com o trabalho de um fisioterapeuta e aguarda da Prefeitura a disponibilidade de um profissional de educação física. “O professor de educação física coordenaria a atividade de hidroterapia, entretanto, neste ano a Prefeitura ainda não cedeu, mas está por chegar. Estamos aguardando a chegada desse profissional com a piscina pronta para atender uma demanda que na hidro é grande”.

Time Dragões do Oeste

Jaques salienta que outra atividade de reabilitação que retornou às atividades no mês de abril foi o time de basquete de cadeira de rodas. “O time Dragões do Oeste é da FCDX, outra forma de reabilitação”. O time conta com dez cadeiras especiais e específicas para a

prática do basquete. Elas foram adquiridas através de um projeto realizado com a Eletrosul. São cadeiras mais leves feitas de alumínio e com rodas inclinadas para proteger o cadeirante. O time, que neste ano é coordenado por um voluntário, exatleta e arbitro da Liga Catarinense de Basquete de Cadeiras de Rodas, Cesar Furtado, se prepara para atuar em amistosos e participar de jogos estaduais do Parajasc.

Fisioterapia melhora a qualidade de vida

A fisioterapeuta Sandra Fantin Dacheri explica que como a maioria dos pacientes é neurológico, os atendimentos são individuais com duração de 40 minutos. “Realizamos o alongamento, fortalecimento e demais exercícios”. A instituição dispõe de uma bicicleta específica para pacientes com paralisia de membro inferior. “É usado para fazer a mobilização das articulações com o objetivo de aumentar a força muscular”. Segundo ela, esse é um aparelho que, em Xanxerê, somente é encontrado na FCDX. “É uma bicicleta ligada à energia elétrica que realiza o movimento pelo paciente”. Outro aparelho encontrado na FCDX é a cama ortostática. “O paciente é elevado gradativa-

mente para melhorar a circulação e a força muscular, principalmente das pernas, além de melhorar a condição cardiorrespiratória”. Também é disponibilizado aos pacientes rampas e outros aparelhos que são encontrados em clínicas de fisioterapia. “O objetivo é que eles tenham melhor qualidade de vida e consigam fazer mais coisas em casa”. Entre os casos de recuperação, Sandra relata um de seus pacientes que possui tetraplegia. Após um ano e meio de fisioterapia, o paciente voltou a dirigir um veículo adaptado. “Antes ele não tinha força nas mãos e agora ele voltou a dirigir o carro adaptado”. A fisioterapeuta lembra que os pacientes não frequentam apenas a FCDX, porque a instituição disponibiliza apenas um horário semanal para cada paciente, mas ressalta que a atividade contribui para o tratamento e desenvolvimento de cada um.


A importância do exercício físico para a saúde

Pessoas que praticam alguma atividade apresentam melhor condicionamento físico, além disso, elas controlam melhor o peso e possuem uma qualidade melhor de sono Nileiza Durand

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“Os exercícios físicos deveriam fazer parte da nossa rotina, assim como faz parte da vida de cada um a higiene pessoal diária”. A afirmação é do médico clínico geral, Luiz Afonso dos Santos, que defende a importância do exercício físico para manter a boa saúde. O médico lamenta que, na maioria das vezes, a necessidade da atividade física não é priorizada por conta da correria do dia a dia. “A vida moderna impõe um ritmo acelerado para garantir o conforto e, muitas vezes, o exercício físico fica de lado. Então, nesses casos, as pessoas deixam de fazer os seus exercícios e apresentam problemas decorrentes da falta dessas atividades físicas”. Os benefícios da atividade física são muitos, tanto para as pessoas consideradas saudáveis como para os que

apresentam alguma enfermidade e para quem o médico prescreveu o exercício físico. “As pessoas que praticam alguma atividade apresentam um condicionamento melhor, elas não se cansam com facilidade, controlam melhor o seu peso, a obesidade, e possuem uma qualidade melhor de sono, pois existe uma liberação de substâncias químicas, as endorfinas”. Para os que apresentam alguma enfermidade, o médico Luiz Afonso ressalta que no caso de cada doença haverá um benefício diferente: controle metabólico, controle da diabetes e de melhorias para outras doenças mais específicas. “Controle da obesidade, controle de peso e para algumas doenças específicas, como doenças motoras haverá a recuperação ortopédica”. Na parte psíquica, o doutor Luiz Afonso complementa dizendo que também existem benefícios. “Com a liberação de endorfinas existe a melhora da disposição em pessoas que sofrem com doenças chamadas afetivas, de depressão, além da qualidade do sono”. Questionado sobre qual o exercício que seria o mais indicado, o médico Luiz Afonso orienta que a pessoa deve gostar da atividade que escolher. “Muitas vezes é orientada a atividade física, mas a pessoa não consegue se adaptar, então, a recomendação é usar um pouco de criatividade. Por exemplo, muitas vezes

a pessoa mora em apartamento e somente usa o elevador, para essa situação recomendamos usar a escada como forma de se exercitar. Deixar o carro algumas quadras antes do local onde você precisa ir para praticar alguma forma de exercício, por menor que seja sempre haverá benefícios”. Para pessoas que gostam de dançar, então a orientação é criar um grupo de dança. “A dança é uma atividade física além de ser uma atividade de convívio social”. Sobre a frequência ideal, o médico exemplifica que se a escolha for a caminhada, exercício físico que está ao alcance da maioria, além de ser uma das mais indicadas, no mínimo deve ser realizada três vezes por semana, com duração de 50 minutos até uma hora. “De domingo a domingo seria o ideal, mas no mínimo três vezes por semana”. Dependendo da faixa etária, a pessoa pode sofrer algumas restrições. “Pessoas idosas podem sofrer algumas restrições, porque não pode fazer o mesmo que um jovem. É necessário passar por uma avaliação médica rigorosa”. Gestantes e crianças também devem ser avaliados por seus médicos. No caso da gestante, a preocupação é evitar o nascimento precoce do bebê, e, crianças devem praticar exercícios físicos sob a vigilância de adultos para evitar acidentes e lesões.

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Baixas temperaturas inspiram cuidados

Clinico geral: Para o clínico geral Luiz Afonso dos Santos, a queixa mais frequente fica por conta de pacientes que apresentam doenças respiratórias, desde as infecções mais leves, como resfriados, até as mais graves, as infecções respiratórias e pneumonias, além dos pacientes que sofrem com as doenças alérgicas e doen-

ças de pele, que aparecem com maior frequência durante as temperaturas mais frias. “Pessoas sensíveis ao vento e as baixas temperaturas, doenças reumáticas, são as queixas mais comuns” A orientação é ficar bem agasalhado. Conforme o médio Luiz Afonso, as mães de recém-nascidos precisam ficar atentas. Outra faixa etária que merece cuidados é a dos idosos. O médico recomenda que partes do corpo como o couro cabeludo e as mãos estejam bem protegidas. O clínico ressalta a importância de evitar locais de aglomeração, onde pessoas podem ficar tossindo, visitar regularmente o médico, evitar a automedicação e buscar a vacinação contra a gripe.

Pediatra: Segundo a médica pediatra, Flávia Sedrez, na área da pediatria, nos meses de outono e inverno, também se inicia o período de queixas respiratórias frequentes como: tosse, coriza, febre, dor de garganta, de ouvido, obstrução nasal, entre outros. “Nessa época ocorre com maior facilidade a proliferação das doenças respiratórias como asma, bronquite, amigdalite, sinusite, otite, rinite, faringite, gripe, resfriado comum; em decorrência de mudanças re-

pentinas do clima, tempo seco (baixa umidade do ar), clima frio, permanência em ambientes fechados e pouco arejados”. Como formas de prevenção é importante: lavar as mãos com frequência e manter ambientes limpos e arejados. “A hidratação é importante para manter as mucosas úmidas e auxiliar nas barreiras de proteção contra microorganismos patológicos, além de consumir alimentos saudáveis, manter o aleitamento materno, manter atividade física regular também no inverno, porque aumenta a capacidade respiratória, evitar a automedicação, pois além dos efeitos colaterais, pode mascarar algum sintoma mais sério”. A pediatra Flávia recomenda que no primeiro sinal de febre alta, tosse e/ou outros problemas respiratórios o melhor a fazer é procurar o pediatra.

Nileiza Durand

O outono chegou e as mudanças na temperatura já começam a aparecer. Com a chegada das baixas temperaturas, quais são as principais queixas e os cuidados a serem seguidos? Quatro profissionais de áreas diferentes da saúde respondem o questionamento e repassam orientações:

dores na coluna, aumentam as dores relacionadas com artroses e artrites, que são as doenças inflamatórias e degenerativas das articulações”. A médica Aira Brandelero recomenda que nesta época a pessoa se proteja do frio e pratique exercício físico moderado. Traumatologista e ortopedista: Com o frio, aumentam as queixas de dores musculares, porque as pessoas ficam mais encolhidas. A traumatologista e ortopedista, Aira Brandelero, diz que: “as queixas são sobre

Nutricionista: O organismo exige mais energia quando o termômetro registra baixas temperaturas. Entretanto, a nutricionista Christiane alerta que isso não pode ser usado como desculpa para se abusar dos alimentos. A nutricionista explica que em dias mais frios é comum sentir aumento da fome, esse é um sinal que o corpo precisa de mais energia, captada através dos alimentos.

A principal dica da nutricionista é ficar atento aos alimentos consumidos nesse período do ano. Ela recomenda optar por alimentos como sopas, principalmente as feitas com legumes. “Prefira aquelas feitas com legumes batidos, em vez de creme de leite. Para dar uma engrossada, adicione farelo de trigo, pois, além de dar mais sabor, proporciona uma sensação de saciedade, regula a função intestinal e controla os níveis de colesterol”. Ainda sobre a alimentação, Christiane sugere o consumo de frutas típicas da estação como: morangos, tangerina, laranja e maracujá. “Elas podem ser consumidas constantemente, já que são boas fontes de vitamina C”. Para manter o corpo aquecido a recomendação é consumir chás. “São ótimas alternativas para esquentar o corpo, além de deliciosos e diversificados”.


Equoterapia

Outro benefício notado pela profissional é a melhora da atenção em pacientes que apresentam o Transtorno de Déficit de Atenção. “Crianças com hiperativismo, que são muito agitadas, também é possível perceber melhoras no aprendizado e na atenção”.

Na busca do equilíbrio

Programa Equoterapia na Educação Especial

Em Xanxerê, a atividade é desenvolvida desde 2012 e beneficia 12 pacientes que todas as segundasfeiras, no Parque da Femi, participam de sessões com duração de meia hora. No município de Xaxim, a equoterapia é desenvolvida pela Apae e atende 36 alunos da instituição Nileiza Durand

A Associação Nacional de Equoterapia define a equoterapia como: “um método terapêutico que utiliza o cavalo dentro de uma abordagem interdisciplinar nas áreas de saúde, educação e equitação, buscando o desenvolvimento biopsicossocial de pessoas com deficiência e/ou com necessidades especiais”. Em Xanxerê, um projeto desenvolvido pela Associação de Pais e Amigos de Deficientes Auditivos e Visuais de Xanxerê (Apadavix) iniciou a atividade em 2012. Atualmente, o trabalho conta com a parceria da Fraternidade Cristã da Pessoa com Deficiência de Xanxerê (FCDX) e da Prefeitura Municipal de Xanxerê, que cede os profissionais e local no Parque da Femi para a realização da terapia. Os recursos para manter a atividade vêm de duas origens: da comunidade, através de promoções, e de contribuições de entidades. Neste ano, por exemplo, o Colégio La Salle, através do curso Técnico Agrícola, está fornecendo a alimentação dos cavalos. A fisioterapeuta Sandra Fantin Dacheri, que acompanha a atividade em Xanxerê, explica que o benefício da equoterapia é possível através interação com o cavalo. “O cavalo tem condições de movimentar o corpo como se a pessoa que está montada estivesse caminhando. Como eles (os pacientes) não caminham, toda a movimentação do cavalo mexe com a estrutura do corpo da pessoa, aumentando assim, a força muscular, o equilíbrio, a capacidade de mobilização e o alongamento. São vários benefícios”. Sandra relata que o contato com o cavalo é im• Maio 2013 • 14

portante, principalmente porque é um animal de grande porte, o que aumenta a autoconfiança do paciente. “Influencia na autoconfiança. Os pacientes ficam mais confiantes no que eles fazem e, com isso, aumenta a expectativa de melhora. Eles sentem uma gratificação muito grande, pois a terapia também trabalha a autoestima e o emocional”. A equoterapia é indicada para crianças que possuem paralisia cerebral, paraplégicos, pacientes com traumatismo craniano, adolescentes com baixa visão, cegos e portadores da Síndrome de Down. A terapia proporciona ainda a convivência entre as crianças e com o próprio grupo de profissionais, o que auxilia ainda mais na melhora da autoconfiança e da autoestima. Neste ano, a equoterapia desenvolvida em Xanxerê acontece todas as segundas-feiras e beneficia 12 pacientes, os mesmos que iniciaram a atividade em 2012. “Porque os tratamentos são de no mínimo dois anos. E como é uma vez por semana então é um pouco mais lento”. Após os dois anos de tratamento, é feita uma avaliação para saber se é hora de realizar alterações. “Na equoterapia existe a parte da hipoterapia, que é o tratamento propriamente dito, e depois o paciente pode ir para a parte do pré-esportivo e ainda para o esportivo. Ele vai evoluindo gradativamente”. Conforme a fisioterapeuta, a terapia é desenvolvida durante sessões de meia hora para cada

paciente, pois é preciso ter cuidado com o estado físico do cavalo, evitando o cansaço muscular do animal. Além da profissional de fisioterapia, a atividade é acompanhada por uma psicóloga e um equitador. “Se tivéssemos o acompanhamento de um professor de educação física e um fonoaudiólogo também seria importante, mas ainda não conseguimos por deficiência de profissionais”.

Equoterapia na prática

A fisioterapeuta Sandra explica que todos os pacientes necessitam de auxílio durante a equoterapia, seja a de um guia lateral ou do profissional montado junto no cavalo. “Alguns pacientes necessitam que os profissionais montem junto no cavalo para a realização das atividades. Nesses casos, o profissional vai trabalhando com o paciente o alongamento e a parte pedagógica. Os outros pacientes que conseguem se firmar em cima do cavalo o profissional acompanha ao lado, o que é chamado de guia lateral. Para todos os pacientes sempre fica alguém junto para auxiliar”. Sandra diz que os resultados dependem do grau de deficiência de cada criança. “Algumas crianças já demonstraram grande evolução. Um exemplo é o de uma criança que antes somente conseguia caminhar com o auxílio de outra pessoa e agora ela já consegue sozinha, porque o equilíbrio melhorou muito”.

Em Xaxim, a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), Escola Especial Marlene Stieven, iniciou o programa Equoterapia na Educação Especial desde março de 2009, atendendo os frequentadores da Apae que apresentam quadros de deficiência intelectual e patologias associadas, atraso no desenvolvimento neuropsicomotor, paralisia cerebral e Síndrome de Down. Atualmente, a atividade atende 36 alunos e conta com uma equipe multiprofissional composta por: uma fisioterapeuta, uma terapeuta ocupacional, uma pedagoga e um professor de educação física que atua como equitador. Em uma área própria da Apae de Xaxim, a equipe dispõe de dois barracões para a prática da terapia: um para o picadeiro, que possui área de base de areia; e o outro barracão que serve para a acomodação das baias e de todo o material necessário para a atividade, além de oferecer espaço apropriado para a realização de atividades pedagógicas e de lazer enquanto o praticante aguarda o seu atendimento de equoterapia. A atividade é realizada com duas éguas que recebem atendimento veterinário apropriado.

A diretriz utilizada em Xaxim

A fisioterapeuta da Apae de Xaxim, Bruna Fernanda Soccol, ressalta que a equoterapia envolve várias situações, até mesmo o passo do cavalo interfere nos resultados da atividade. “Também o tipo de solo onde a atividade é realizada, a sela que será utilizada, ou mesmo se vamos utilizar somente a manta, com estribo ou sem o estribo. Então, essa é a diferença de se ter a capacitação para trabalhar com a atividade”. Para a fisioterapeuta Bruna, todos esses fatores fazem a diferença para que se alcancem os objetivos almejados. A Apae de Xaxim oferece a atividade todos os dias da semana, em horários alternados. Por exemplo, na segunda-feira, período da manhã, é realizada a

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hipoterapia, que é indicada para praticantes que possuem necessidades, principalmente, motoras e que não conseguem manter-se sobre o cavalo com autonomia. A terapeuta ocupacional, Mariana Alves da Costa, ainda explica que para benefício da parte motora não é apenas oferecida a opção de montaria clássica, existem outras forma. “O praticante pode sentar de forma lateral, pode ficar deitado sobre o cavalo de barriga para baixo ou de barriga para cima, tudo isso com o objetivo de fortalecer determinada musculatura, além disso, podem ser inseridas atividades durante a prática da atividade. O praticante pode até mesmo ficar em pé no cavalo, ou de quatro apoios, com o cavalo parado ou andando”. A equoterapia realizada em Xanxim conta ainda com solos diferentes para a prática da atividade com: grama, areia e terra firme. “O solo macio vai melhorar, vai relaxar o tônus de um praticante com espasticidade- que apresenta aumento da resistência do músculo. O solo rígido como a terra, aumenta o tônus do praticante com hipotonia-

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flacidez muscular. Terrenos planos ou com inclinações, tudo é necessário para a prática da atividade e tem interferência na postura da criança”. Outro fator destacado tanto pela fisioterapeuta quanto pela terapeuta ocupacional é a importância dos diferentes passos e trote do cavalo: antepistar (comprimento de passo curto); sobrepistar (passo com amplitude média), e transpistar (comprimento de passo longo). “Um passo é diferente do outro. Por exemplo, o passo sobrepistado para uma criança que possui hipotonia é um passo mais curtinho, ele dá mais alteração no tônus, a criança precisa ficar mais rígida sobre o cavalo e isso causa a melhora do tônus para ela. Uma criança que tenha espasticidade é preciso um passo transpistado, que é um passo alongado e que faz com que a criança relaxe a musculatura, tudo isso é preparado antes, quando é feito a avaliação de cada praticante”.

A prática da montaria dupla

A fisioterapeuta Bruna alerta que a montaria dupla, quando o praticante e o terapeuta ficam em cima do cavalo, é desaconselhada pela Associação Brasileira de Equoterapia- Ande-Brasil. Segundo ela, essa prática não fornece estímulo ao praticante. “Utilizando a montaria dupla, quem vai receber todo o estímulo é quem está montado atrás. Vários centros utilizam a montaria dupla, mas não é aconselhável, inclusive porque prejudica o animal devido à sobrecarga e também porque não oferece o estímulo que o praticante deveria receber”. Em Xaxim, para evitar a montaria dupla, os profissionais oferecem ao praticante que não possui equilíbrio para ficar sozinho sobre o cavalo, o suporte lateral com dois guias e o máximo de contato manual. Quando é necessário, são feitas adaptações na maneira de realizar a terapia.

Gripe A: uma ameaça que está no ar A chegada das baixas temperaturas faz com que os cuidados para prevenir contra a gripe A sejam retomados. Após o surto ocorrido em 2009, nos últimos anos, a vacinação contra o vírus tem sido uma segurança para a população. O pediatra e responsável técnico pela sala de vacinas da Clinicor, Paulo Sérgio Peres, alerta que a gripe A ainda apresenta os mesmos riscos de quando ela surgiu, entretanto, neste ano, o diferencial é que a vacina está sendo produzida através de uma nova cepa, ou seja, além do H1N1a vacina também contém o H3N2 e o vírus B. É uma vacina triviral. O médico Paulo Sérgio lembra que ainda se conhece muito pouco sobre a gripe A e que durante os surtos foram tratados muitos pacientes graves, inclusive com muitas hospitalizações em UTIs (Unidade de Tratamento Intensivo), com a necessidade de ventilação mecânica, além de muitos óbitos. “Se descobriu que o vírus é muito agressivo, com mortalidade alta e a melhor maneira de não ser contaminado ainda é a prevenção. Nos casos que não é possível o diagnóstico precoce, é importante oferecer o tratamento adequado e agressivo desde o início”. Segundo o médico, é muito difícil diferenciar os sintomas de uma gripe comum da gripe A, pois as duas são causadas pelo vírus Influenza, já o resfriado é causado pelo Rinovirus. Os sintomas da gripe são: febre alta, dores no corpo e alteração no quadro respiratório, com muita tosse e sinais como se estivesse com pneumonia. No resfriado o paciente apresenta: coriza, febre baixa ou, muitas vezes, não apresenta febre, e um pouco de dor de garganta. “O quadro de resfriado é mais leve e cura-se em dois ou três dias”. Quando diagnosticada a gripe A, o tratamento é feito através de medicamentos antivirais, como foi o caso de outros anos que o mais utilizado foi o Tamiflu. “Esse medicamento diminui a replicação

viral. Ele não vai atuar no vírus que está presente, ele faz com que esse vírus estacione. O tratamento seria o acompanhamento médico, com raio X, hemograma e monitoramento da respiração do paciente”. Nos casos mais graves, é indicado o uso de oxigênio e, em última hipótese, a ventilação mecânica feita em UTIs. Sobre a vacinação, o médico Paulo Sérgio explica que não é um procedimento de prevenção totalmente garantido, pois confere uma imunidade de 89 a 90%, mas ainda é a melhor alternativa. “Quando se fala em vacina existe um efeito chamado ‘rebanho’, porque quando se vacina uma grande parte da população se protege essa população e isso é importante se ter na comunidade, pois quanto mais pessoas forem vacinadas melhor”. Outras recomendações do médico para evitar a contaminação da gripe A são sobre os cuidados de lavagem das mãos, a utilização de lenços descartáveis, quando se está resfriado, proteger a face quando for espirrar e evitar locais de aglomeração se houver alguma incidência de surto, além de manter os cuidados essenciais de higiene. O médico tranquiliza dizendo que a vacina pode apresentar reações, mas que são consideradas leves. São elas: vermelhidão na pele, dor local, aparecimento de ínguas próximas ao ponto de vacinação e febre moderada (até 38°) nas primeiras 48 horas.

Dr. Paulo Sérgio Peres - Pediatra

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A reabilitação através do método Bobath Método Bobath é um tipo de fisioterapia especializada em que o profissional estuda os marcos normais do desenvolvimento para identificar onde estão as diferenças do paciente, definindo assim o tratamento. Nileiza Durand

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Indicado para crianças com paralisia cerebral e outros problemas neurológicos, o método Bobath é um tipo de fisioterapia especializada. “É uma maneira de abordar as patologias. A diferença do método Bobath para a fisioterapia clássica é que o Bobath usa o desenvolvimento neuropsicomotor. Nesses casos, são estudados os marcos normais do desenvolvimento para então diagnosticar onde estão as diferenças do paciente para tratar”, explica a fisioterapeuta especializada no método Bobath, Jenyffer Baggio. Para facilitar o entendimento sobre o que é a técnica, a fisioterapeuta Jenyffer complementa dizendo que “o Bobath usa o normal, compara com o que o paciente não tem e foca no objetivo a ser alcançado. Procura trabalhar a característica que a criança apresenta e que está impedindo o seu desenvolvimento normal, por exemplo, temos um bebê de um ano que não anda. O questionamento é porque ele não anda? Enquanto que na fisioterapia clássica não haveria esse questionamento, seria apenas aplicado o método classificado como ‘estica e puxa’”. Além disso, o método Bobath pode associar outras técnicas quando é preciso. “Por exemplo, quando é necessário, o Bobath pode usar a aplicação de botox, fonoaudiólogo, usando tudo o que puder para trazer o paciente para o mais normal possível”. O método Bobath é orientado especialmente para o paciente que apresenta Paralisia Cerebral, mas também pode ser utilizado em portadores da Síndrome de Down, para tetraplégicos, diplégicos, paraplégicos, em casos de

Histórico do método Bobath Conforme a Associação Brasileira de Fisioterapia em Neurologia para o Desenvolvimento e Divulgação dos Conceitos Neurofuncionais (Abradimene), o conceito Bobath foi constituído pelo trabalho do neuropediatra Karel Bobath e de sua esposa, a fisioterapeuta Berta Bobath, após 25 anos de pesquisa. O princípio do conceito Bobath é a inibição dos padrões reflexos anormais e a facilitação dos movimentos normais. O Bobath é importante para o desenvolvimento motor da criança, podendo ser aplicado precocemente em bebês, antes que se estabeleçam as desordens de postura e de movimentos, que, em muitos casos, podem ser evitadas. A senhora Bobath descobriu a técnica há 30 anos. Como só obteve resultados por breves períodos, ela continuou suas pesquisas e observou que podia conseguir um aumento do tônus muscular (estado de tensão em que se encontra o músculo quando em posição de repouso) combinando a técnica de inibição com a técnica de facilitação. Assim, o trabalho muscular passou a permitir ao paciente, uma melhor sustentação da cabeça, da rotação da cabeça e do tronco e consequentemente, uma melhor reação de equilíbrio. A partir daí, o paciente conseguiria então, desenvolver uma maior capacidade sensorial e motora dos seus movimentos.

hemiparesia e pós AVC (Acidente Vascular Cerebral). Os resultados da aplicação do método podem ser notados de forma rápida, aparecendo na mesma sessão ou em quatro ou cinco sessões. “Depende do caso, da gravidade, da idade, mas normalmente em quatro ou cinco sessões. Tudo vai depender também da avaliação, se o profissional encontrou o problema torna possível trabalhar a dificuldade e obter o resultado”. Uma das características do método Bobath, destacada pela fisioterapeuta, é que “o profissional sempre deve reavaliar o caso e buscar uma nova conduta”. Conforme a fisioterapeuta, um paciente é diferente do outro. “E no Bobath o que mais se aprende é a raciocinar”. O modo de aplicação do método dependerá da idade do paciente, podendo inclui movimentos ativos e passivos. “Quando o paciente é maior, o fisioterapeuta pode pedir a colaboração dele, levando para um lado que ele fará o que o fisioterapeuta quer. Isso é fazer ativo”. Para a prática do método, implementos podem ser usados como o rolo e a bola. “Depende do objetivo e também do tamanho do paciente. Normalmente, quando o paciente é bebê é usado pouco implemento, porque ele pode ser melhor manipulado no colo e também no solo. Quanto maior o paciente haverá maior necessidade do uso de implementos para a realização dos exercícios”. A frequência das sessões dependerá da gravidade do caso, sendo realizado normalmente de duas a três sessões semanais.

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Pé chato O Pé Plano Flexível faz parte do processo de desenvolvimento da criança e costuma desaparecer de forma natural até os seis anos de idade Nileiza Durand

A procura por consultórios de médicos pediatras e ortopedistas infantis é comum quando os pais percebem que seus filhos apresentam a característica de Pé Plano Flexível, comumente conhecido como pé chato. De acordo com a médica ortopedista e traumatologista infantil, Aira Brandelero, o pé plano flexível é definido como “a ausência ou diminuição do arco plantar medial do pé, ou seja, a falta da ‘curvinha’ da parte interna do pé”. A característica é observada em crianças de zero até seis anos de idade, período da vida em que quase sempre se apresenta o pé plano. O caso é comum porque a criança apresenta acúmulo de gordura no corpo, inclusive, na parte interna do pé. “O arco do pé é um dos locais de acúmulo de gordura, além disso, a criança também possui frouxidão ligamentar que com o tempo vai desaparecendo”. A médica explica que a conduta é aguardar a criança completar os seis anos, idade que a característica do pé plano flexível vai desaparecer. “É comum os pais levarem seus filhos aos consultórios médicos se queixando que a criança possui o pé torto ou dizendo que ela

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não possui a curvinha do pé. Eles se preocupam com isso, principalmente, com o fato da criança vir a ter problemas no futuro de coluna e de joelho”. A doutora Aira ressalta que a conduta do médico no caso de pacientes que apresentam pé plano flexível é expectante, pois a característica faz parte do desenvolvimento e costuma desaparecer de forma natural até os seis anos de idade. A criança que possui a característica não costuma sentir dor. “Esse pé não precisa de tratamento. Antigamente, se usava bota ortopédica e palmilha, mas há algum tempo se chegou a conclusão que não faz diferença usar esses procedimentos, porque a criança vai desenvolver o arco a medida que for crescendo e desenvolvendo o pé”. Entretanto, ela alerta: “após os seis anos a correção espontânea do pé plano é muito rara. Nessa idade acontece a definição do pé que a criança terá na vida adulta”. A doutora Aira explica ainda que algumas crianças que possuem pé plano apresentam a característica por herança genética, esses pacientes, após os seis anos de idade, vão

permanecer com o pé plano. “Desses pés planos, somente 1,6% vão para cirurgia, que são aqueles casos muito exagerados e que podem causar artrose do pé, lá pela adolescência”. O pé plano exagerado pode evoluir para artrose na articulação e o tratamento cirúrgico é indicado somente em casos mais graves. Para os casos considerados normais da idade, a indicação médica é que a criança use o calçado firme no pé, de couro, que segurem bem o retropé, a parte de trás do pé.

Quando a característica não desaparece após a idade considerada limite e causa dor no dorso do pé da criança durante a prática de exercício físico extenuante, o indicado é prescrever uma palmilha com arco longitudinal, mas apenas para pacientes que não são considerados casos cirúrgicos. Em crianças acima do peso, o pé plano fica mais evidente, mas a idade de correção também é a mesma.


Rede Feminina oferece Banco de Perucas para atender pacientes A instituição prepara o espaço do antigo bazar permanente, na sede da Rede, para instalar um Banco de Perucas. Neste local, as pacientes receberão o apoio das voluntárias que poderão adaptar as perucas Nileiza Durand

Em 2013, a Rede Feminina de Combate ao Câncer de Xanxerê volta a ser presidida pela médica ginecologista, Rita Pezzali. Como primeira ação da nova diretoria, foi realizada uma pesquisa de satisfação entre as frequentadoras da Rede para detectar as sugestões de melhoria. Várias mudanças tiveram início a partir dos resultados dessa pesquisa, que constatou que a maioria deseja passar mais tempo na entidade participando das terapias ocupacionais oferecidas. Segundo a médica Rita, as pacientes pediram para frequentar a entidade todas as tardes. A rede oferece atividades nas terças, quartas e quintasfeiras, e antes da pesquisa era dada a opção da paciente escolher uma tarde por semana para participar das atividades. Outras mudanças realizadas pela Rede foram a disponibilização de aulas de Pilates e a distribuição de atividades em oficinas. “Contratamos mais uma professora de artesanato e as voluntárias ficam com a responsabilidade de coordenar enquanto as professoras planejam as atividades”. Porém, a inovação mais importante será a implantação do Banco de Perucas que, a partir deste ano, será instalado onde, por muito tempo, funcionou o bazar permanente. A produção de artesanato da Rede prossegue, pois será feito bazar uma vez por ano, mas o local do bazar permanente deve ser melhor aproveitado. “Depois de uma reforma na área física será feita a inauguração oficial do Banco de Perucas. No local ficará à disposição das pacientes perucas, lenços e chapéus”. As perucas são fundamentais para quem está fazendo tratamento quimeoterápico, pois muitas pacientes podem perder o cabelo durante esse período. A intenção é que as próprias voluntárias • Maio 2013 • 22

possam fazer a adaptação das perucas, mas, se houver a necessidade, será agendado horário para que uma das cabeleireiras voluntárias vá até o local e faça o atendimento das pacientes. Segundo a doutora Rita, a ideia do Banco de Perucas é atender pacientes de toda a região oeste e deve iniciar as atividades com a disponibilidade de, no mínimo, 200 perucas que poderão ser vendidas ou emprestadas. Para que o local fique agradável, a presidente conta que uma arquiteta voluntária está desenvolvendo um projeto. Faz parte dos planos escolher uma bonita plotagem para a vitrine da sala. A nova diretoria também desenvolve um trabalho de divulgação do que é feito pela Rede através da rede social Facebook e pelo site da instituição. O trabalho é feito por uma técnica de informática voluntária que reformulou tanto o Facebook quanto o site da Rede. A presidente relata que na primeira reunião da nova diretoria foram colocadas no papel as diretrizes da instituição. “Ainda ficou definido que teremos o Outubro Rosa e que a rede participará da vitrine da biblioteca pública, além do lançamento do terceiro volume do livro ‘Vida e Saúde’”. Ainda para prosseguir com as visitas domiciliares e hospitalares feitas pelas voluntárias de Rede, a intenção da nova diretoria e conseguir um carro com a identificação da instituição. Diretrizes da Rede Feminina de Combate ao Câncer de Xanxerê Missão: Proporcionar às pacientes oncológicas, através do compartilhamento de experiências, o resgate da dignidade, melhorando sua autoestima. Valores: Solidariedade, Integridade, Comprometimento e Humanização. Visão: Ser referência em proporcionar, às mulheres portadoras de Câncer, apoio integral durante e após o tratamento

Dra. Rita Pezzali


Revista Corpo & Saúde - Maio 2013 - 1ª Ed  

Equoterapia - Gripe A - Hipertensão Arterial - Fisioterapia com método Bobath - Pé Chato - Cuidados com a alimentação - Importâncio do Exerc...

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