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CAPA quarta-feira, 14 de agosto de 2013 11:41:40


editorial

E

Uma

cidade em

m 1852, numa província marcada pelo isolamento econômico, um jovem e visionário presidente ousou sonhar com mudanças que acabariam trazendo o desenvolvimento e novas maneiras de se relacionar com uma Teresina em crescimento. Planejou e construiu uma cidade que se tornou o primeiro centro urbano para fins especificamente comerciais numa província eminentemente ruralista. Fez o contrário de todos os ex-presidentes da província do Piauí. Em apenas algumas décadas uma cidade inteira surgiu do nada. Dessa forma, passamos do século XIX para o século XX com uma nova visão de mundo e uma nova roupagem. A ação de Saraiva falou mais alto que todas as palavras e discursos pronunciados antes dele pisar em solo piauiense. Estamos novamente entrando no futuro, século XXI, passando por um processo de mudanças num mundo em ebulição. A arqueologia urbana de Teresina não é mais a mesma do século passado. Rápidas e incríveis transformações estão se processando a olhos vistos. Para isso precisamos rapidamente recuperar nossa capacidade de nos relacionar com essa nova cidade que está nascendo. Buscar novas formas de planejar e interagir com uma Teresina plena de desenvolvimento. Lidar – e achar soluções – frente, inclusive, a incapacidade do governo em gerenciar este novo espaço urbano. Lembrando sempre que ações valem mais que mil palavras. Marta Tajra editora e publisher

(re)construção

Marco Zero da cidade de Teresina em dois momentos, à esquerda, durante a reforma da praça Marechal Deodoro em 1939 e, à direita, nos dias atuais


sumário

BIOANÁLISE: EXEMPLO DE RESPONSABILIDADE SOCIAL

«A TERESINA QUE SE QUER TEM QUE SER PLANEJADA»

O PÃO DE QUEIJO QUE É PATRIMÔNIO DA CULINÁRIA PIAUIENSE 8 ENTREVISTA COM O PRESIDENTE DO SINDUSCON, ANDRÉ BAIA 12 IPTU, PARA ONDE VAI O DINHEIRO, SECRETÁRIO? 20 MERCADO DE TERESINA ATRAI GRANDES INVESTIDORES 25 FÓRUM DE IDEIAS 31 PROJETO INCENTIVA EXPORTAÇÃO DE PEQUENAS EMPRESAS 32 EMPRESAS DA CONSTRUÇÃO CIVIL APOSTAM NA QUALIFICAÇÃO 34 45 ANOS DA CONSTRUTORA MOTA MACHADO

Marta Tajra DRT 130/PI Editora e Publisher

36 DUBAI, UMA JÓIA NO DESERTO

Marta Tajra David Tajra

42 OBRAS PÚBLICAS AQUECEM SETOR DE IMÓVEIS

Direção executiva

50 SITES ESPECIALIZADOS FACILITAM A NEGOCIAÇÃO DE IMÓVEIS

Tupy Projeto gráfico e diagramação

54 RECEITA DE SUCESSO DA MARTINS IMÓVEIS

WJ gráfica Impressão

59 NEGÓCIOS DE ARTE

R2 Comunicação Jornalismo

62 SOLUÇÕES EM COMUNICAÇÃO

Aureliano Müller R2 Comunicação fotografia

64 O ÊXITO DAS FEIRAS DE NEGÓCIOS DE TERESINA 68 OPINIÃO - VALE A PENA COMPRAR UM IMÓVEL NA PLANTA?

4 MIL EXEMPLARES Tiragem 86 - 9994 6216 comercial zahleassessoria@hotmail.com contato Editora-Zahle www.editorazahle.com.br A Revista Imóveis&Negócios é um periódico semestral da Editora Zahle CNPJ 02.189.730/000108. Os artigos assinados e os conceitos emitidos em entrevistas e artigos desta edição são de inteira responsabilidade de seus autores, assim como qualquer conteúdo publicitário e comercial. Não é proibida a reprodução desta obra, desde que cite a fonte.


entrevista André Baia

“Estamos muito animados com o futuro” por Carol Durães

Em entrevista à Revista “Imóveis e Negócios”, o presidente do Sindicato da Indústria Civil (SINDUSCON), Andre Baia, fala das projeções de 2013 e da perspectiva de crescimento de mais de 4% do setor da construção civil. Os bons índices são impulsionados pelo avanço do programa Minha Casa, Minha Vida, que deverá fechar o ano com 14 mil unidades contratadas no Estado do Piauí. Um recorde de investimentos na ordem de R$ 850 milhões. A construção civil do Piauí está em um momento bom, mas que requer alguns cuidados. Entre 2010 e 2012, o Piauí apresentou um crescimento tímido em relação aos índices nacionais, entre 1,5% e 2,5%. Como o SINDUSCON tem atuado para melhorar estes índices em 2013? Qual a expectativa de crescimento para esse ano? Olhemos inicialmente para nossa conjuntura. Temos demanda reprimida por habitação em todo Estado. Na área de infraestrutura há muito por fazer no Piauí. Além disso, temos verbas em Brasília e nos bancos para estas áreas. Por que então crescemos entre 2010 e 2012 abaixo do previsto? Entendemos que a primeira razão é devido à burocracia terrível hoje no Piauí. Segundo: o número reduzido de projetos elaborados e aprovados pelo Estado, prefeitura e iniciativa privada. Sem projeto não há obra. Terceiro: a dificuldade de mobilização entre a esfera pública e privada para remar juntos por objetivos comuns. Para minimizar isto temos, desde o primeiro dia de mandato, mapeado os gargalos burocráticos e, sistematicamente, atacado e cobrado melhora nas diversas esferas. Tem sido uma luta renhida, um leão por dia. Além disto, abrimos um diálogo amplo e constante com as diversas autoridades públicas. Esquecemos preferências políticas e olhamos para as necessidades. Os primeiros resultados começam a aparecer. Estamos muito animados com o futuro. É manter a pressão. Nossa meta é crescer mais 4% em 2013. Alguns fatores, como a burocracia excessiva para a liberação de documentos para aprovação de empreendimentos privados e do Programa Minha Casa, Minha Vida estão prejudicando o crescimento econômico de imóveis&negócios 8

Teresina. Como o SINDUSCON tem atuado junto aos órgãos públicos para resolver esse impasse? André Baia - Temos trabalhado a instituição que de alguma forma afeta a celeridade das aprovações. No Governo do Estado, solicitamos ao Governador Wilson Martins a ampliação no quadro de pessoal para análise de projetos no Corpo de Bombeiros. O tempo para análise de projetos e recebimento de obras nesta corporação tem sido elástico demais, dificultando não só a construção civil, mas todas as esferas produtivas. Fomos de pronto atendidos, visto que dobrou o número de analistas. Na Prefeitura já tivemos, em 2013, várias reuniões com Prefeito Firmino e seu secretariado. Avançamos no Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis (ITBI), que em breve será emitido via agentes financeiros; Inscrição Municipal e Imposto Predial Territorial Urbano (IPTU). Há muito a avançar em nossa relação com a Prefeitura, mas estamos animados. A relação entre as construtoras e os agentes financeiros também tem sido trabalhada com muita raça. Debates com a Superintendência da CAIXA são perenes, uma vez que as demandas do Governo Federal para esta instituição têm sido incríveis, os desafios têm se tornado enormes, mas temos crescido ano a ano. Fato relevante, também, é que o Banco do Brasil entrou com força no crédito imobiliário. Em face da grandeza e do histórico deste banco, acreditamos que poderá somar muito com a CAIXA, melhorando a ambiência de negócios para o setor. Por fim, temos sistematicamente dialogado com os cartórios. Mudanças positivas começam a surgir. Em breve,creio, teremos novidades positivas nesta área.


entrevista André Baia

A localização do aeroporto de Teresina e a ausência de um plano de rotas têm impedido a verticalização da zona Norte. Quais medidas poderiam ser tomadas a médio e a longo prazo? Na zona Norte, praticamente não podemos verticalizar construções em função dos pousos das aeronaves. A curto prazo, Teresina precisa urgentemente de um plano específico de voos do seu aeródromo. Contratamos consultoria para estudar a questão e levaremos estes estudos para as autoridades. Tendo rotas mais definidas de como as aeronaves se aproximam da pista, poderemos verticalizar mais áreas em nossa capital. A médio prazo, em função da total saturação da estrutura física do nosso aeroporto, defendemos a ampliação do atual. E, a longo prazo, defendemos a construção de um novo, em outro local e com dimensões bem maiores, com a grandeza que Teresina merece. Como a construção de um novo aeroporto em Teresina impulsionaria o setor da construção civil? De várias formas. Primeiro, teríamos liberdade para verticalizar na zona Norte e Leste. Segundo, onde o novo aeroporto for construído seguramente irá nascer um novo polo de desenvolvimento. Além disso, com a melhora da infraestrutura aérea da cidade, o progresso virá atrelado, e onde existe desenvolvimento há construção civil. O que não podemos aceitar é da forma como nos encontramos. Estamos longe de imaginar os prejuízos que temos e teremos se isto não for urgentemente resolvido. Um dos grandes problemas da constrição civil é a falta de mão de obra qualificada. O SINDUSCON tem investido

bastante em capacitação. Quais os resultados desse investimento? O diretor Francisco Reinaldo sugeriu mudanças na dinâmica de treinamento. A ideia central é qualificar os operários que estão empregados nas empresas em vez dos desempregados. Esta simples mudança é fundamental, pois melhora a seleção das pessoas, fato crucial para desenvolvimento de recursos humanos das empresas. As primeiras turmas foram formadas com grande sucesso. É pulverizar a ideia na base. Paralelo a isto, é estimular nossos colaboradores a se qualificar. A vida deles só tem a melhorar se isto ocorrer. O programa Minha Casa, Minha Vida é a forma mais rápida de investir na economia. Quanto esse programa vai movimentar este ano no Piauí? Quantas unidades habitacionais devem ser contratadas até o final do ano? Nossa meta é contratar 14 mil unidades em todas as faixas do programa, em 2013. Seria um recorde e investimentos da ordem de R$ 850 milhões. Uma meta difícil, mas não impossível. Qual a importância da parceria entre os setores públicos e privados para o crescimento do setor da construção civil? Todos os países desenvolvidos que conheço têm no entrosamento entre o público e o privado a base de seu desenvolvimento. O conceito é que o Estado induza e regule e o privado, invista. Somos capitalistas, não socialistas. O motor do crescimento tem de vir pelo privado. Quem deve gerar empregos e impostos para a nação, prioritariamente, devem ser as empresas. O Estado regulando, claro, para evitar distorções e exploração dos mais pobres. Com mais emprego, renda e impostos, a Construção Civil segue avante. imóveis&negócios 9


empresa Bioanálise

Bioanálise

exemplo de responsabilidade social por Diêgo Rodrigues

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undado em 1996 pelos farmacêuticos Sylvio Romano e David Valentim, o Laboratório Bioanálise é referência em todo o Piauí e em alguns municípios do Maranhão na área de análises clínicas. A empresa conta com 230 colaboradores que trabalham em 16 unidades próprias e mais nove terceirizadas, como hospitais, clínicas e, ainda, como apoio á outros laboratórios. O trabalho realizado pela empresa piauiense conquistou o Certificado de Acreditação da Sociedade Brasileira de Análises Clínicas, que é a entidade máxima na área de análises clínicas no Brasil. Mas outra área de atuação do Laboratório é digna de nota: a responsabilidade socioambiental.

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empresa Bioanálise Quais os principais princípios empresariais do Laboratório Bioanálise? Trabalhamos em nossas unidades próprias e terceirizadas primando pela qualidade do atendimento e dos exames que realizamos, uma vez que lidamos com a vida das pessoas. Além disso, temos uma preocupação especial com a sustentabilidade, por isso apoiamos atividades ambientais e de apoio à criança e ao esporte. Quais os trabalhos desenvolvidos na empresa são voltados ao meio ambiente? São várias as ações. Utilizamos tecnologias para as análises que consomem menos água e menos tubos plásticos de coleta, através da escolha de equipamentos analíticos integrados. Incineramos o lixo que a empresa produz reduzindo de 100 quilos de resíduo contaminado para apenas dois quilos de resíduo limpo, após a incineração. Também utilizamos sistemas de redução do consumo de energia elétrica. Nossos laudos são publicados via internet, pelo site ou facebook do laboratório, o que reduz o consumo de papel para impressão, mas, se o paciente desejar imprimí-los, ainda assim, utilizamos papel reciclado. Qual seria, então, a principal ação para a preservação do planeta? Todas são importantes, mas o que tem chamado mais atenção é a neutralização de CO . Desde 2009, iniciamos essa ação no Bioanálise. Calculamos a quantidade de gás carbônico lançado pela empresa durante o ano e, para neutralizar os efeitos no meio ambiente, plantamos novas árvores, que vão reabsorver o gás carbônico gerado pela nossa operação. Fazemos isso há quatro anos e já plantamos cerca de 1500 árvores. Do ponto de vista financeiro, quanto retorno a empresa obtém por praticar ações de responsabilidade social? Nesse sentido, o retorno financeiro não é a preocupação. Essas ações são parte de nossa contribuição socioambiental para o meio em que vivemos, ou seja, nossa cidade e nosso Estado. Nós ainda estamos aprendendo a trabalhar com essa preocupação, mas entendemos que estamos fazendo a nossa parte para a preservação do meio ambiente. Esperamos que pessoas preocupadas com essas questões e que necessitem fazer exames, possam escolher o Bioanálise. Outra área de atuação do Bioanálise é o incentivo à criança e ao esporte. Por que essas áreas recebem o apoio da empresa? Estamos preocupados com sustentabilidade, no intuito de formar uma sociedade melhor no futuro. Apoiar instituições que trabalhem com crianças e com o esporte faz parte de nossos objetivos nessa área. Quais instituições, atletas e grupos recebem o apoio do Bioanálise? Fazemos parcerias com atletas e grupos de esporte amador nas modalidades de corrida, futebol e vôlei de praia. Algumas instituições também, como a Associação dos Diabéticos do Piauí (ADIP) e o Centro Integrado de Reabilitação-CEIR, sobretudo o núcleo de Reabilitação Desportiva. O dojo da judoca piauiense Sarah Menezes, que trabalha com crianças, também recebe apoio do Bioanálise.

Quais são os maiores benefícios de ações voltadas para a criança e o esporte? Conquistamos o Certificado de Empresa Amiga da Criança, da Fundação ABRINQ, e apoiamos ações que levem a redução do trabalho infantil e o combate às drogas. Por isso, nessa área social, estamos apoiando instituições que se dediquem as crianças e ao esporte. E por falar em certificado, qual é a importância do Certificado de Acreditação para uma empresa de análises clínicas? Hoje, no Brasil, existem aproximadamente 15 mil laboratórios e apenas cerca de 400 contam com essa certificação. É, portanto, um reconhecimento incontestável que o Bioanálise segue os mais elevados padrões de qualidade do setor, a nível nacional. O certificado atesta que o laboratório cumpre requisitos estabelecidos nas normas técnicas do setor de análises clínicas e realiza suas atividades com segurança para o paciente. A Acreditação comprova a qualidade dos serviços prestados pelo Bioanálise, sendo uma garantia para médicos e pacientes na hora da escolha da instituição onde realizar seus exames. E, para o futuro, quais são as perspectivas e ideias? Temos muitos projetos, sempre pensando em nossos pacientes e as equipes de saúde que trabalham conosco. A tecnologia na saúde não para de se desenvolver e estamos totalmente voltados a sempre estar atualizados em relação à modernidade. Não podemos parar e temos uma projeção de crescimento muito boa e muitas ideias de expansão para os anos à frente.

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IPTU para onde vai o dinheiro, secretário? por Carol Durães

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ducação, infraestrutura, saúde, compra de medicamentos que não são custeados pelos governos Estadual e Federal, repasse para entidades assistenciais. Essas são algumas das áreas beneficiadas com os recursos provenientes do Imposto Predial Territorial Urbano (IPTU). Em 2013, a previsão é que a Prefeitura de Teresina arrecade cerca de R$ 38 milhões com este imposto. R$ 6 milhões a mais que no ano passado. O dinheiro arrecadado é revertido diretamente para o município, o que possibilita o financiamento de projetos importantes. De acordo com o secretário de Finanças do município de Teresina, Admilson Brasil, o montante arrecadado será aplicado, prioritariamente, na área da educação. “Serão realizadas reformas, ampliações e construções de novas escolas”, destaca o secretário. Além disso, o dinheiro recolhido será revestido em obras estruturais para o setor de saúde, como a reforma de hospitais e postos de saúde. “Também serão investidos, de acordo o Orçamento Popular 2013, na construção de novas ruas nos bairros” completa Admilson. O IPTU incide sobre todos os imóveis urbanos com edificações ou não. O tributo recai tanto para pessoas jurídicas quanto para pessoas físicas.Este ano, 97% dos boletos do IPTU de Teresina foram pagos em cota única e dentro do prazo estabelecido. Para Admilson Brasil, esse índice positivo deve-se, sobretudo, à credibilidade da Prefeitura de Teresina. “Isso mostra que as pessoas confiam no prefeito Firmino Filho e na eficiência da Secretaria Municipal de Finanças”, finaliza o secretário. imóveis&negócios 12


entrevista Cláudia Brandão

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Teresina que se quer tem que ser planejada” por Carol Durães e Diego Rodrigues

Comandando pela segunda vez a pasta de Comunicação da Prefeitura de Teresina, a jornalista Cláudia Brandão assumiu em 2013 o desafio de comunicar as estratégias de gestão do prefeito Firmino Filho diante de uma população mais dinâmica e comunicativa, que cobra cada vez mais transparência. Em entrevista à Revista Imóveis&Negócios, Cláudia fala sobre os projetos de Teresina para os próximos 17 anos, inclusos na programação da Agenda 2030, e também das ações já executadas, como os investimentos em mobilidade urbana e o salto na área da saúde, conseguidos através de um programa de prevenção. Cláudia Brandão é formada pela Universidade Federal do Piauí, com especialização em Jornalismo pela mesma universidade. Na TV Clube destacou-se como apresentadora e diretora de jornalismo. Atuou, ainda, na assessoria de imprensa do Tribunal de Contas do Estado do Piauí. A população de Teresina, recentemente, foi às ruas em sincronia com as manifestações populares que ocorreram em todo o Brasil. Que ações a Prefeitura de Teresina irá executar diante dessas reivindicações? Essa é uma pauta de reivindicação nacional, mas, evidentemente, temos que estar sintonizados com o que a rua está dizendo. Foi uma promessa de campanha do prefeito Firmino Filho de que não haveria reajuste nas tarifas de ônibus até que fosse feita a licitação dos transportes públicos coletivos e que a Prefeitura de Teresina tivesse total domínio e conhecimento de como funciona esse sistema, a exemplos dos custos efetivos e os quilômetros rodados. Essa promessa foi cumprida. No início do ano, quando houve a greve dos motoristas e a pressão para que houvesse aumento na tarifa, o prefeito manteve a palavra dada e não autorizou o reajuste. Já teve o início do processo licitatório das linhas de ônibus, que será discutido com todo o segmento da sociedade civil organizada e, até o final do ano, estaremos com os oito terminais de ônibus já licitados, assim como as novas linhas de ônibus, tudo da forma mais transparente possível. Essa é a melhor resposta que a Prefeitura de Teresina pode oferecer na área de transportes público. imóveis&negócios 14


foto AURELIANO MÜLLER

entrevista Cláudia Brandão

Teresina tem atualmente uma frota de mais de 350 mil veículos motorizados. A falta de estacionamentos e os grandes engarrafamentos nas principais vias de acesso são um dos grandes desafios para a cidade. Como a Prefeitura tem investido em mobilidade urbana? Essa é uma grande preocupação da Prefeitura de Teresina. A cidade cresceu muito e o trânsito mais ainda. A cidade, de repente, tornou-se pequena para tantos veículos. Existem muitas ações sendo executada neste sentido pela prefeitura. Parte delas em parceria com o Governo do Estado. É prioridade do prefeito Firmino Filho o transporte público. Alguns investimentos serão feitos para oferecer vazão ao fluxo de Teresina, mas a concentração maior dos recursos vai estar em oferecer um serviço público de melhor qualidade para desestimular o uso do transporte particular, que além de ser um complicador do trânsito, ainda é ecologicamente incorreto, pois aumenta a poluição e a emissão de gases. Recentemente, o prefeito Firmino Filho reuniu o secretariado para cobrar agilidade nas obras. Que obras estão em andamento atualmente em Teresina? Vai acontecer a entrega da integração do sistema de transporte coletivo com oito corredores de integração, facilitando o deslocamento de pessoas dos diferentes bairros de Teresina. A ideia também é desestimular a ida de carros para o Centro, fazendo com que a população opte pelo transporte público. Para melhorar o fluxo, estão previstas algumas obras de intervenção urbana, como a duplicação da Avenida do bairro Poti Velho, a

partir da Ponte Mariano Castelo Branco até a Santa Maria da Codipi; a construção da via Sul, que vai margear o Rio Poti; a ampliação da ponte Wall Ferrraz, que acontecerá em parceria com o Governo do Estado; além de uma terceira ponte que deverá ser construída sobre o Rio Poti, ligando o Dirceu Arcoverde à Avenida Gil Martins, além de outras rodovias em construção. Dados recentes do Ministério da Saúde apontam que a cobertura da Estratégia Saúde da Família – ESF em Teresina é a melhor do país. 93,23% da população do município usufrui do atendimento em atenção básica. Que ações levaram a este bom resultado? Acreditamos que prevenção é sempre o melhor caminho quando se trata de saúde, porque ela evita o sofrimento dos pacientes nos hospitais e, assim, a superlotação. Além disso, é muito mais econômico prevenir. A preocupação da Prefeitura agora é cobrar um melhor tratamento das visitas dos médicos, para que elas sejam eficazes. Queremos que os médicos cumpram o horário previsto, que as consultas sejam marcadas dentro de um prazo razoável e que os pacientes tenham acesso aos exames. A cada etapa que se vence na saúde, novos desafios aparecem. É um trabalho contínuo que nunca para. Teresina, por ser uma cidade reconhecida por uma boa prestação na área saúde, trata não apenas os seus habitantes, mas atrai pacientes vindos de outras cidades e até mesmo outros estados. Esse é um gargalo que a gente enfrenta e que onera os nossos custos. Recentemente, houve um acordo entre a Prefeitura de Teresina e imóveis&negócios 15


entrevista Cláudia Brandão os médicos, melhorando os vencimentos da carreira médica, para que seja possível cobrar e exigir mais desses profissionais, nas diversas unidades de saúde e dos hospitais municipais. Houve também um salto qualitativo no atendimento do Hospital de Urgência de Teresina – HUT. Antes, havia fila de espera no setor de ortopedia. Hoje, com muito esforço, conseguimos acabar com essa fila de pacientes esperando por uma cirurgia ortopédica. Fizemos um convênio com hospitais estaduais que estão servindo de retaguarda e esse problema já não existe mais. Estamos, agora, ampliando o HUT com um maior número de leitos, UTI's e salas cirúrgicas, já com perspectiva de funcionamento do terceiro andar, com novas enfermarias. Na elaboração da Agenda 2030, a Prefeitura espera contar com a participação da sociedade. A ideia da administração municipal é começar a discutir os problemas do futuro e ações que deverão ser adotadas para que a cidade esteja um lugar cada vez melhor de se morar. Como a gestão atual pretende transformar todas as demandas expostas pela sociedade em ações concretas? A Prefeitura de Teresina é ciente de que não se constrói uma cidade apenas com ações mediadas à medida que os problemas vão surgindo. Isso transformaria a cidade em uma colcha de retalhos. Para que Teresina se transforme em uma cidade em que se quer morar, é preciso que isso seja feito dentro de um planejamento ordenado a médio e longo prazo. É para isso que está sendo construída a Agenda 2030, onde vamos reunir as entidades representativas da cidade para discutir e pensar o modelo de cidade que se quer, como a gente pretende planejar a cidade e quais são os caminhos que a cidade deve seguir para os próximos 17 anos, que é quando chegaremos ao ano de 2030. Isso se faz necessário para que a gente não chegue lá com alguns gargalos, portanto, vamos discutir meio ambiente, saneamento, mobilidade urbana, preservação de patrimônio histórico e todas as ações importantes que impactam diretamente no desenvolvimento da cidade. Você esteve à frente da pasta de comunicação da Prefeitura Municipal de Teresina no segundo mandato de Firmino Filho, entre 2001 e 2004. O que diferencia Teresina em 2013? Mudou muito. Mudou a dinâmica da comunicação e da própria sociedade. Atualmente, existe um fluxo maior nas redes sociais e nos portais de notícia. É um trabalho que a gente passou a desenvolver de forma mais intensa, o que não havia há 11 anos. Hoje estamos presentes nas mídias sociais, justamente, para ter imóveis&negócios 16

uma comunicação mais intensa, sobretudo, com a população mais jovem, que interage, principalmente, através da internet. Procuramos ter o portal da Prefeitura mais rápido, dinâmico e fácil de interagir. Estamos presentes com um canal direto ouvindo reclamações e sugestões da população. Procuramos sempre oferecer respostas a essas pessoas. A grande diferença é a velocidade da informação e interatividade. Nós estamos buscando atender a esses dois grandes desafios com uma equipe treinada exclusivamente para este fim. Isso tudo, é claro, sem esquecer os demais veículos que continuam fortes, como a televisão, o rádio e o jornal. O sucesso de uma gestão depende bastante do diálogo com a população. Como a Comunicação tem mediado esse diálogo para que a gestão de Teresina seja cada vez mais transparente? Nós temos um programa de rádio comunicando as ações da Prefeitura para que haja transparência no que é feito. O programa é veiculado nas principais rádios da cidade. Também temos uma linha voltada para a comunicação educativa, no sentido de conservação e preservação da capital. Afinal de contas, a cidade não pode ser feita apenas pela Administração municipal, mas também por cada um dos seus cidadãos. Cada um com suas responsabilidades. Portanto, estamos investindo em campanhas educativas, tanto na área de trânsito, quanto de limpeza pública. Enfim, onde o cidadão pode colaborar estamos chamando para a corresponsabilidade. Poder Público e comunidade, juntos, em parceria por uma cidade melhor.


fotos AURELIANO MÜLLER

análise de mercado

Mercado

de Teresina atrai

grandes

investidores por Marta Tajra e Diêgo Rodrigues

imóveis&negócios 20


análise de mercado

O

s grandes empreendimentos construídos ou ampliados em Teresina nos últimos anos estão atraindo novas lojas de destaque nacional, através do sistema de franchising, ou franquia, em bom português. De acordo com a Associação Brasileira de Franchising (ABF), o Brasil é o terceiro país que mais cresce no mercado de franquias no mundo. O faturamento do setor no país em 2012 ultrapassou os R$ 100 bilhões com 2.426 redes de franquia e quase 105 mil unidades franqueadas. A crescente procura por esse sistema comercial dá-se pela consolidação das franquias no mercado, ou seja, o investidor já começa o negócio com “o nome feito na praça”. Motivados pelo crescimento e rentabilidade das franquias no Brasil, alguns investidores piauienses buscam fechar parcerias no intuito de expedir produtos e serviços já consolidados Brasil afora. No Piauí, essa busca deve-se, prioritariamente, pelos investimentos das construtoras no estado, sobretudo no setor da implantação de grandes centros comercias. O Teresina Shopping, por exemplo, está desenvolvendo sua estrutura e já concluiu a primeira parte das obras, deixando, assim, de ser um estabelecimento regional para se tornar um Mega Mall, o terceiro

maior do Nordeste. Outros shoppings também estão com suas obras em andamento para se instalarem brevemente em Teresina, como os shoppings Rio Poty e Jardins Teresina. Isso porque o mercado imobiliário da cidade obteve um crescimento grandioso nos últimos anos. Além das construtoras locais, construtoras de fora abriram suas filiais na capital impulsionando a economia local. As ultimas que chegaram ao mercado foram as cearenses Mota Machado e Manhattan. Esta ultima, com o Manhattan River Center, prédio comercial na Zona Leste (localizado na antiga sede do River Atlético Clube) com duas torres comerciais, equipadas com salas de convenções, open mall com 12 lojas, café com vista panorâmica, área de lazer, salas comerciais a partir de 32 metros quadrados (são 392 salas) e 748 vagas. Além desse empreendimento, a construtora prepara-se para lançar até o final deste ano, mais um, desta vez, um residencial. Contatada com a Revista Imóveis&Negócios, a construtora não forneceu maiores detalhes. Estreante no mercado imobiliário piauiense, a Mota Machado tem história e tradição de 45 anos nas cidades de Fortaleza (sede) e São Luis do Maranhão. Seus empreendimentos contarão com 5

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análise de mercado

tipos de plantas padrão e 1 cobertura que variam entre 141 e 148 m² (para os apartamentos planta padrão) e 305 m² (para a cobertura). O Reserva do Horto compreende o Condominium Park e o Mirante Theresina, todos localizados no Horto Florestal, próximo ao IBAMA (ver anúncio editorial nas páginas 34 e 35). Atualmente, mais duas construtoras estão se preparando para aterrissar em Teresina. São as cearenses Diagonal (da família de João Fiúza) e Monteplan (que já tem uma parceria com a imobiliária Garantia). Destaque para a carioca Decta, que retomou com força total seus últimos lançamentos que estavam parados, com a promessa de empreender mais e arrojados empreendimentos para o Estado. Menos mal para o mercado. A empresa deu mais um passo para firmar seu retorno ao mercado imobiliário de Teresina: Está lançando um empreendimento que havia sido posto na "geladeira" na época que as obras foram paralisadas. Trata-se do Edifício Belle Ville, que será erguido no cruzamento das ruas Tulipas e Orquídeas, no Jockey. O lançamento contemplará uma torre única de 20 andares com 3 apartamentos por andar. Cada apartamento contará com 03 suítes e DCE. O projeto inicial (que era na cor verde) sofreu alterações estéticas e ficou semelhante ao já construído Bellagio, também da Decta. Segundo informações da empresa no facebook, o projeto ainda pode sofrer modificações estéticas! A Construtora Elo, com tradição de mais de 25 anos em imóveis&negócios 22


análise de mercado Teresina, inicia agora as obras do seu ultimo empreendimento de 24 pisos, o residencial Maria Helena Nunes, localizado no bairro Jockey Club, esquina das ruas Hugo Napoleão e Anfrísio Lobão, ao tempo em que continua tocando as obras de sete empreendimentos residenciais, todos na Zona Leste. Animados com o futuro De acordo com o presidente do Sindicato da Indústria Civil do Piauí (SINDUSCON), André Baia, o setor imobiliário do Estado deve ter um crescimento de mais de 4% este ano, principalmente pelos investimentos do Governo Federal em moradia, através do Programa Minha Casa, Minha Vida. “Devemos fechar o ano de 2013 com 14 mil unidades contratadas no Piauí. Um recorde de investimentos na ordem de R$ 850 milhões. Os primeiros resultados começam a aparecer e estamos muito animados com o futuro do Estado”, frisa. A capital piauiense cresce, também, no ramo hoteleiro. Hotéis de luxo instalam-se em Teresina, oferecendo aos turistas mais opções de comodidade e tornando a cidade uma alternativa viável para o turismo de negócios. O Gran Hotel Arrey, por exemplo, inaugurado em 2012, conta com 200 apartamentos, sendo 11 Suítes Executivas com elevado padrão de qualidade e praticidade em suas acomodações, além de um centro de eventos modular com capacidade para receber até 1.500 pessoas. Novos franqueadores Esses investimentos atraem grandes marcas brasileiras e até internacionais. Dentro de alguns meses, o Habib's, que é uma das maiores redes de fast-food brasileira, vai inaugurar seu primeiro espaço em Teresina, em outubro próximo. A rede tem um estilo próprio que não permite divulgar sua franquia na mídia antes de completar um ano do lançamento. O franqueador local é o empresário Francisco Joacir Sampaio, da Rede de Farmácias Luzitânia, que foi vendida para o grupo Jorge Batista. O Habib's ficará numa das esquinas das avenidas Dom Severino com Kennedy. Nesta edição, a Revista Imóveis & Negócios conversou com os administradores de novas empresas que chegaram ao Piauí nos últimos meses.

A Schutz, que está presente no mercado desde 2007, pertence ao grupo brasileiro Arezzo&Co, que é líder no setor de calçados, bolsas e acessórios femininos no Brasil, e comercializa atualmente mais de 6 milhões de pares de calçados por ano. A empresa investe significativamente em pesquisas de tendências, desenvolvimento de material e tecnologia para a criação do seu portfólio. Sua missão é oferecer às mulheres um conceito de produtos conectados ao design, qualidade, moda e liberdade de expressão. As idealizadoras do projeto em Teresina são as empresárias Ludmila Araújo e Luana Alencar. Lonne Ribeiro, consultora gerencial da empresa em Teresina, afirma que a marca possui mais de 50 lojas pelo Brasil e outros países, mas sua instalação no Piauí demandou muita persuasão e imóveis&negócios 23


análise de mercado análise do mercado local. “Foram quase dois anos de negociação para trazer a Schutz a Teresina. Fizemos pesquisa do mercado piauiense e analisamos a perspectiva de rentabilidade. Tudo isso para convencer os franqueadores a aceitar o projeto”, diz. A ampliação do Teresina Shopping foi de importância central nas negociações com os donos da marca, que, agora, estão surpresos com o volume de vendas. “Quando os franqueadores tomaram conhecimento da ampliação do shopping ficaram mais abertos para negociar e, hoje, estão muitos surpresos com nosso volume de vendas. Eles estão realmente encantados com os consumidores piauienses”, conta Lonne. Para manter o padrão Schutz, Lonne afirma que as responsáveis pela franquia e todos os colaboradores da empresa em Teresina passaram por um rígido treinamento. “Um dos focos da Schutz é qualidade dos serviços prestados. Por isso toda a equipe de Teresina passou por treinamentos, justamente para manter o alto padrão de qualidade da marca", frisa. O fato é que o mercado piauiense está cada vez mais atraente para os investidores locais e estrangeiros. O setor imobiliário cresce vertiginosamente, sobretudo o da capital, e traz consigo o desenvolvimento de outros setores, como o varejista e o alimentício. Dessa forma, o Piauí começa a figurar entre os grandes centros comerciais do Nordeste.

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fórum de ideias

TURISMO PIAUIENSE O QUE FALTA PARA ELE DECOLAR?

FÁBIO HENRIQUE FERREIRA NERY Secretário Municipal de Desenvolvimento Econômico e Turismo de Teresina Vice-presidente da Associação Comercial Piauiense

RAIMUNDO GILSON DE VASCONCELOS Coordenador Estadual de Turismo do SEBRAE/PI

SILVIO MOURA FÉ Advogado e ex-presidente da Empresa de Turismo do Piauí (PIEMTUR)

ELDON TAJRA EVANGELISTA DE SOUSA Agente de Viagens – Primeira Classe Turismo Presidente da Associação Brasileira das Agências de Viagens do Piauí

DANILO DAMÁSIO DA SILVA Sócio-proprietário do Metropolitan Hotel

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fórum de ideias

P

ara o secretário Municipal de Desenvolvimento e Turismo de Teresina, Fábio Nery, alguns aspectos são importantes abordar, porque não há uma causa única para que a atividade turística deslanche no estado. “O primeiro ponto é a preparação do produto, ou seja, precisamos desfrutar de uma estrutura receptiva capaz de atender os anseios de quem viaja, e isso envolve não apenas o poder público, responsável pela infraestrutura, mas também a iniciativa privada e a população. Esse produto, uma vez bem estruturado, precisa ser divulgado e comercializado nos mercados emissores; precisa ter preço e rotas de acesso, para que vá competir com outros mercados receptivos com diferenciais capazes de conquistar o poder de decisão dos potenciais turistas”, avalia. Nery explica, ainda, que a iniciativa privada também precisa oferecer um bom produto, manter um severo controle da qualidade de seus empreendimentos, uma política de preços dentro dos seus padrões. Já a sociedade também precisa fazer a sua parte, preservando os seus atrativos e monumentos, mantendo as suas manifestações populares, cuidando da cidade. “Quando esses aspectos se somarem, para atuarem em conjunto, então estaremos preparados para decolar”, diz. Para alavancar o turismo piauiense, sobretudo o da capital, a Prefeitura de Teresina está implantando o Plano de Desenvolvimento Integrado do Turismo Sustentável de Teresina (PDTIS), que prevê ações para a correção da oferta turística, no intuito de traçar melhor os direcionamentos do Poder Público Municipal. “Um dos maiores projetos do PDTIS, que deverá ser deslanchado ainda em 2013, refere-se à sinalização turística, em parceria com o STRANS. Temos ainda a reforma no Mercado Velho e a ampliação de artérias importantes, como as Avenidas Raul Lopes e Marechal Castelo Branco. Estamos, também, realizando cursos de capacitação e qualificação de mão de obra ligada ao setor turístico, workshops para elevar a captação de fluxo, pesquisas e muitas parcerias com diversos órgãos, tanto na esfera do município quanto do Estado”, frisa. O secretário se mostra otimista quanto às perspectivas para o turismo piauiense, mas algumas ações devem ser efetivadas para a consolidação do polo turístico do estado. “Em relação ao Piauí, merecem atenção alguns polos que são imprescindíveis para elevar o nosso poder de competitividade: o delta do rio Parnaíba, o Parque Nacional Serra da Capivara, o Parque Nacional de Sete Cidades e os grandes eventos internos que hoje estão consolidados, como o Festival de Inverno de Pedro II, a Semana Santa de Oeiras, o Cachaça Fest, de Castelo do Piauí, e o grandioso potencial de Teresina para o turismo de negócios, compras e eventos. Esses atrativos devem ser bem cuidados, com boa estrutura receptiva, bons acessos e boa divulgação”, conclui.

FÁBIO HENRIQUE FERREIRA NERY Secretário Municipal de Desenvolvimento Econômico e Turismo de Teresina Vice-presidente da Associação Comercial Piauiense imóveis&negócios 26


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H

á mais de dez anos trabalhando na área turística do Serviço de Apoio às Micros e Pequenas Empresas do Piauí (SEBRAE/PI), o economista Gilson Vasconcelos acredita que ainda são necessárias mais ações para fomento do setor no Estado. “Em nível interno a infraestrutura turística ainda é precária relacionada à rede hoteleira, aeroportos, acessos aos polos turísticos e centros de eventos. Nossos investidores ainda têm uma visão voltada exclusivamente para o turismo emissivo, desprezando as grandes potencialidades do turismo interno. Faltam, ainda, profissionais especializados e mais opções de passeios e entretenimento.”, explica o coordenador Estadual de Turismo do SEBRAE/PI. Para Gilson, nem sempre os municípios e o Estado podem atender às exigências do fluxo de turistas. “No interior do Piauí, por exemplo, há insuficiência na disponibilidade de leitos, pouca variedade nos cardápios, ausência de profissionais qualificados e de empresas receptivas, acessos difíceis e raras opções de passeios e entretenimento”, analisa. Gilson entende, ainda, que para o turismo piauiense decolar de vez é preciso desenvolver organização da oferta, especialmente a modernização das estruturas executivas do setor público. “Penso que, para reverter as dificuldades, é preciso iniciar pela organização da oferta turística do Estado, especialmente a modernização das estruturas executivas do setor público, fortalecendo as secretarias de Turismo dos Estados e dos municípios. Por outro lado, fazer um Estudo da Demanda é primordial, através de estudos de prospecção do mercado nacional e internacional para que, com um Planejamento Estratégico do Turismo, possamos definir estratégicas, programas, projetos e atividades necessárias para o Piauí decolar no campo do turismo”, afirma. Para o especialista em turismo do SEBRAE/PI, o Piauí tem um grande potencial turístico, mas carece de mais estudos para o desenvolvimento do setor no Estado. “Considero as perspectivas do turismo do Piauí excelentes, considerando nosso grande potencial. Somos um Estado diferente, com muita diversidade de oferta turística. Temos três Parques nacionais de Preservação Ambiental, praias lindas e o Delta do Parnaíba. Todos esses fatores são vantagens comparativas em relação ao restante do Nordeste. No entanto, o Piauí carece de um Planejamento Estratégico do Turismo, para que possamos definir estratégicas, programas, projetos e atividades necessárias para o Piauí decolar no campo do turismo”, conclui.

RAIMUNDO GILSON DE VASCONCELOS Coordenador Estadual de Turismo do SEBRAE/PI imóveis&negócios 27


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S

ilvio Moura Fé esteve à frente da extinta Empresa de Turismo do Piauí (PIEMTUR) entre novembro de 2001 e dezembro de 2002, no governo de Hugo Napoleão. Para ele, o turismo piauiense continua não sendo levado tão a sério pelo Poder Público do Estado e dos municípios. “Falta aos gestores públicos um olhar mais atento para o turismo piauiense. A atividade turística não é só lazer. Muito pelo contrário. O turismo, se explorado de forma correta, movimenta e desenvolve a economia de qualquer região”, explica Silvio. De acordo com o ex-gestor, o acesso aos principais polos turísticos do estado também é carente de investimentos, principalmente no que diz respeito a voos diretos para as cidades que são polos do turismo piauiense. “O Piauí precisa atrair mais turistas nacionais e internacionais. Para isso, os investimentos na estrutura aérea do estado passam a ser de extrema importância. Teresina, por exemplo, ainda não recebe voo internacional, e cidades como São Raimundo Nonato e Parnaíba sequer possuem voos comerciais, sem falar que em São Raimundo Nonato existe, ainda, a falta de homologação para funcionamento do aeroporto. Nosso estado tem muitas belezas que não são exploradas como deveriam e isso é uma grande lacuna que os gestores precisam solucionar”, frisa Silvio. Há mais de uma década atuando na defesa de empresas de turismo, hotéis e para a Associação Brasileira das Agências de Viagens do Piauí (ABAV-PI), o advogado explica que falta mais comprometimento do Poder Público para fomentar a atividade turística do Piauí. “O turismo piauiense acontece, mas não na velocidade em que vem acontecendo em determinados polos dentro do Brasil. Tudo parte de gestão. O gestor público é o cérebro de todo o planejamento de governo. Os auxiliares, por sua vez, trabalham da forma que o cérebro pensa. Por isso é necessário um olhar mais carinhoso e atento às potencialidades e especificidades para tornar, de fato, o Piauí um estado agradável de visitar", conclui Silvio.

SILVIO MOURA FÉ Advogado e ex-presidente da Empresa de Turismo do Piauí (PIEMTUR) imóveis&negócios 28


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A

tuando há mais de 18 anos no mercado de turismo no Piauí, o economista Eldon Tajra acredita que o setor é extremamente cobiçado, mas ainda possui muitas belezas piauienses não exploradas. Para ele, a união dos investimentos público e privado é necessária para o desenvolvimento do turismo piauiense. “O que o Piauí precisa não é nada mirabolante ou diferente do que qualquer planejamento básico indica. O estado e todos os seus municípios precisam mesmo é da ação, da união do poder público com a iniciativa privada”, explica. De tal modo, Eldon entende que faltam fatores como vontade e decisão política; maiores investimento na infraestrutura; inclusão de feiras regionais, nacionais e internacionais, mídias especializadas e de ampla divulgação nacional ao circuito turístico piauiense. “Em qualquer lugar do mundo o turismo é considerado uma forte fonte de riquezas, onde se aproveita as belezas naturais, os legados históricos, a culinária, a situação geográfica, dentre tantas outras oportunidades naturais e adquiridas de cada região. Dessa forma, riquezas não nos faltam e, se faltassem, criaríamos motivos e oportunidades para isso. Assim muitos fizeram, fazem e farão. E porque não nós? Ainda é tempo.”, complementa. O economista almeja, ainda, uma mudança na estruturação das empresas especializadas em turismo no Brasil, além da redução dos custos para os turistas que visitam o país. “Quase todas as empresas aqui sediadas fazem turismo emissivo, aquele que leva o povo piauiense para outras localidades, quer seja no Brasil quer seja no exterior. Aliás, é importante enfatizar, que muitas vezes é mais barato sair do Brasil que fazer um turismo interno. É lamentável, principalmente pelas nossas potencialidades. Mas, infelizmente, os altos custos brasileiros têm inviabilizado nossas ações locais. E toda essa realidade brasileira também é a realidade do nosso Piauí”, afirma. Para Eldon, o turismo receptivo - aquele que recebe turistas de outras cidades, estados brasileiros e de outros países - não é suficiente para manter um fluxo comercial que possibilite ao menos um equilíbrio financeiro para que as empresas façam a opção por este segmento. Para isso, o planejamento deve ser feito de forma permanente. Na visão do economista, o turismo piauiense decola de vez se todos os municípios piauienses trabalharem em conjunto, principalmente para promover a satisfação de seus habitantes. “É sempre válido que o cidadão tenha orgulho de morar numa localidade onde haja segurança, qualidade de vida, preocupação com o meio ambiente, crescimento, educação, saúde, dentre outras coisas. E, no Piauí, não são apenas a Capital, as praias, o Delta, os sítios arqueológicos, os museus, os festivais regionais, a forte culinária, as baladas noturnas, o kitesurf e o rally que merecem mais atenção. Tudo o que elevar o piauiense, como seus orgulho e autoestima, merecem e devem ser prioridade nas ações de seus governantes e dos seus conterrâneos”, conclui.

ELDON TAJRA EVANGELISTA DE SOUSA Agente de Viagens – Primeira Classe Turismo/Presidente da Associação Brasileira das Agências de Viagens do Piauí imóveis&negócios 29


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empresário Danilo Damásio, de 40 anos, atua há mais de dez anos no ramo hoteleiro do Piauí. Para ele, o turismo no Estado, sobretudo o da capital, é inexistente, principalmente pela falta de estrutura para receber pessoas de fora. “O turismo no Piauí é uma ficção, para não dizer que é uma mentira. Não há, em nenhuma cidade do Estado ou em Teresina, estrutura suficiente para receber adequadamente os turistas”, opina o empresário. No que diz respeito a hotéis, Danilo afirma que a própria capital do Estado não teria condições de receber um evento de médio porte. “Teresina possui, hoje, apenas 800 quartos de uma categoria aceitável para receber turistas. Dessa forma, a cidade não tem capacidade para sediar um evento com apenas 2 mil pessoas de fora. E, além de não ter leitos disponíveis, não existe nenhum auditório na cidade que comporte esse número de pessoas, e nem falamos de outras coisas básicas como alimentação e transporte”, avalia. O empresário observa, ainda, que a estrutura aérea do Estado não acompanha os avanços na economia piauiense. “O aeroporto Petrônio Portela ainda tem a mesma cara de 40 anos atrás. As pessoas estão viajando mais de avião, porém nada foi feito pelo Governo para desenvolver a estrutura aérea piauiense. Para se ter uma ideia, é mais barato fazer um voo São Paulo-Paris do que São Paulo-Teresina, e isso acontece porque nossa oferta de voos ainda é muito pequena”, enfatiza. Danilo afirma, também, que o turismo deve ser pensado pelo Poder Público de forma mais específica, principalmente para atrair investimentos da iniciativa privada. “Em Teresina, por exemplo, deveríamos desenvolver um turismo de negócio, voltado para eventos e congressos. Mas, no momento, nem um Centro de Convenções nós temos. Quem catalisa os investimentos de uma cidade não é a iniciativa privada. Quase sempre o capital privado vai a reboque dos investimentos estatais e, infelizmente, na área de turismo, eles ainda são quase que inexistentes”, frisa Danilo. Para o turismo do Estado decolar de vez, Damásio acredita que é necessária a potencialização do comércio e da indústria. “O que mais se aproxima de turismo no Piauí foi a iniciativa privada quem fez, sem nenhuma participação do Estado, como o que fizeram na praia de Barra Grande, por exemplo. Faltam dos gestores públicos maior atenção a essa área e direcionar pessoas para a pasta de Turismo das secretarias que realmente entendam do assunto e se esforcem para desenvolvê-lo, mas infelizmente, não é isso que acontece”, diz Danilo.

DANILO DAMÁSIO DA SILVA Sócio-proprietário do Metropolitan Hotel imóveis&negócios 30


C

om o objetivo de aumentar o volume de exportações das pequenas empresas brasileiras para os Estados Unidos, o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, Sebrae, executará o Projeto de Inteligência Comercial Internacional, em parceria com a SBDC Global, entidade dos Estados Unidos que desenvolve papel semelhante ao Sebrae. A SBDC Global já realiza ações no México. Colômbia, El Salvador e Panamá estão em processo de credenciamento no projeto. Nove Estados brasileiros, incluindo o Piauí, serão beneficiados com as atividades de fomento à internacionalização dos produtos. No total, serão atendidas cerca de 150 empresas. Entre os segmentos que serão trabalhados no Piauí estão o mel, a cajuína, a cachaça, tecnologia da informação, confecção, tecelagem e jóias. Os municípios piauienses que participarão do projeto são Teresina, Piripiri, Parnaíba, Pedro II, Luís Correia, Picos, São Raimundo Nonato e Amarante. De acordo com o gerente da Unidade de Atendimento Individual e Mercado do Sebrae no Piauí, Francisco Holanda, nesse primeiro momento será realizado um cadastro, e em seguida um diagnóstico das empresas. Após essa etapa acontece a seleção e capacitação por meio de cursos e consultorias sobre internacionalização. “É uma oportunidade para que os empresários de pequenos negócios tenham acesso ao mercado internacional”, destaca Holanda. Maiores informações na Unidade de Atendimento Individual e Mercado do Sebrae no Piauí, localizada no térreo do prédio da instituição em Teresina, na Av. Campos Sales, nº 1046 – Centro, ou pelo telefone (86) 3216-1333.

Projeto incentiva exportação de pequenas empresas Sebrae e entidade norte-americana SBDC são parceiros nessa iniciativa


Empresas da

construção civil

apostam na qualificação

por Thais Araújo

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crescimento do setor da Construção Civil nos últimos anos trouxe à tona um grave problema: a falta de mão de obra qualificada para atuar nas frentes de trabalho que, a cada dia, surgem em todo o Brasil. Em Teresina, a situação não foi diferente. Mas um projeto de qualificação de operários dentro dos canteiros de obra vem mudando o rumo desta história. A Construtora Boa Vista foi a primeira do Piauí a apostar na ideia de valorizar as “pratas da casa” e, hoje, já conseguiu sanar o déficit de trabalhadores em algumas áreas de atuação. O projeto de qualificação é desenvolvido em Teresina desde o início deste ano. A ação é fruto da parceria entre o Sistema Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e o Sindicato da Indústria da Construção Civil de Teresina (Sinduscon). A principal dificuldade era encontrar mão de obra qualificada nas áreas de pedreiro, carpinteiro e pintor. Com quatro turmas formadas através do projeto, a Construtora Boa Vista, a primeira do Piauí a aderir à ideia, já sanou o déficit de carpinteiros na empresa. “A ideia inicial era suprir a falta de mão de obra imediata. Entretanto, percebemos que, a partir dos cursos, as frentes de trabalho passaram a atuar com mais qualidade e rapidez”, afirma o diretor da empresa, o engenheiro Francisco Reinaldo Sampaio. Ele explica que buscou o Senai por saber que a instituição já mantinha uma escola para capacitar profissionais da construção

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civil, porém o processo de aprendizagem não acontecia nos canteiros de obras, como ocorre no caso da Boa Vista. “Queríamos que o treinamento fosse direcionado para os nossos próprios serventes e acontecesse dentro dos canteiros”, relembra Reinaldo, enfatizando que a elaboração do convênio foi feita com a participação de entidades como a Superintendência Regional do Trabalho no Piauí (SRT-PI) e o Sindicato dos Trabalhadores da Indústria da Construção no Piauí (Sitricon-PI). As aulas são voltadas para os serventes que têm, pelo menos, até a 4ª série de Ensino Fundamental como grau de instrução. Na parceria, as empresas são responsáveis pela adequação ou montagem de uma área de vivência para que as aulas aconteçam dentro dos canteiros de obras, bem como a disponibilização de todo o material de construção necessário para as aulas, que aliam a prática à teoria. O Senai, por sua vez, oferece os instrutores para ministrar as aulas e as apostilas. Os cursos de qualificação são reconhecidos pelo Ministério da Educação e Emprego (MEC) e têm duração média de seis meses. Para o segundo semestre deste ano, já estão agendadas quatro novas turmas para qualificação de pedreiros, totalizando quase 200 operários da empresa beneficiados com a qualificação. “Nossa vontade é que os cursos não parem, especialmente por serem ministrados por uma instituição como o Senai, que dispõe de um histórico relevante de trabalho na formação de pessoas”, finaliza Reinaldo Sampaio.


Construtora

Mota Machado comemora 45 anos com homenagem especial aos seus clientes

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restes a completar um ano de atuação em Teresina, a capital nordestina da qualidade de vida. A Construtora Mota Machado inicia as comemorações dos seus 45 anos de atuação no mercado de construção civil. A empresa com mais de 3 milhões de metros quadrados construídos e entregues em mais de 200 empreendimentos, está presente também no Ceará e no Maranhão. Pautada pela credibilidade, qualidade e respeito ao cliente. Atua no segmento de construção residencial para alto e médio padrão, comercial, além de resorts com produtos voltados para a segunda moradia. Para a comemoração a construtora lança uma campanha institucional que é uma verdadeira declaração para os seus clientes. As peças publicitárias, além de reforçarem os principais diferenciais, como credibilidade, garantia de entrega e localização privilegiada, trabalha o grande foco da empresa: sempre oferecer ao cliente não só um imóvel, mas o jeito de viver Mota Machado. Primando pela qualidade, conforto e confiança. O teresinense já aprova a qualidade de vida proporcionada pela empresa, fato confirmado com a excelente comercialização dos dois empreendimentos lançados pela Mota Machado na capital piauense: o Reserva do Horto – Condominium Park e o Mirante Theresina. Empreendimentos nobres, localizados, no Horto, bairro conhecido por suas importantes áreas verde e tranquilidade. A identificação das melhores áreas para construir merece destaque na história da Mota Machado. Reconhecida em Fortaleza e São Luís por atuar nos principais vetores residenciais onde constrói. Foca os lançamentos nas localizações mais nobres e valorizadas das cidades. Os empreendimentos só são

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apresentados ao mercado após estarem juridicamente perfeitos e a credibilidade da Mota Machado é evidenciada na excelente relação com clientes e corretores de imóveis, e ainda, na garantia de entrega. Mais um diferencial da empresa é a elaboração de projetos arquitetônicos que primam pela inovação e criatividade. A construtora prioriza a integração com a natureza, a racionalização dos espaços e a ênfase na qualidade de vida em projetos com uma arquitetura arrojada, personalizada e flexível, para que se adaptem facilmente aos mais diversos estilos de vida dos moradores. A Mota Machado se orgulha de sua trajetória e de estar presente na vida de cada um de seus clientes. A campanha resume a filosofia da empresa ao declarar: “Dizem que 45 anos é uma vida. Para nós são várias”. Ao longo de quase cinco décadas, a construtora esteve presente na vida de mais de quatro mil clientes e promete ainda mais. Em 2013, a construtora programa uma série de eventos para a comemoração, entre eles: cinco lançamentos em Fortaleza (CE), um em Teresina (PI) e outro em São Luiz (MA). A maioria dos projetos é residencial de médio/alto padrão, oferecendo ainda empreendimentos comercias e de segunda residência.

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especial

Dubai uma joia no deserto

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texto e fotos: Antonio Quaresma


especial

Uma miragem chamada Dubai, ou melhor, um oásis em pleno deserto da Arábia, ao sul do Golfo Pérsico. Dubai é hoje um dos maiores centros do investimento imobiliário privado com mega projetos, apesar de uma grande recessão entre 2008/2009 como resultado do clima de abrandamento econômico mundial.

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especial

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especial

E

m dezembro de 1971, Dubai, juntamente com Abu Dhabi e outros cinco emirados formaram os Emirados Árabes Unidos. Hoje Dubai é a cidade mais populosa dos Emirados, com 2.106 milhões de habitantes com alguns dos mais altos arranha-céus e inovadores projetos do mundo. O metrô, de superfície, praticamente concluído, é o mais moderno, confortável e barato em comparação com os mais recentes de outras megalópoles. Além de uma arquitetura orgânica e extremamente funcional, todas as estações possuem arcondicionado, com portas na extremidade da plataforma para tornar isso possível. Uma viagem em um dos dois carros das extremidades, que possuem visão panorâmica, permite uma excelente visão geral da cidade. Realizei meu sonho de conhecer Dubai em março passado, quando fui como jornalista internacional e convidado Vip do Art Dubai 2013. Meu contato era a jornalista inglesa Victoria Lelandais, Coordenadora de Relações Vip. O evento, que está na sua sétima edição, a cada ano tem aumentado seu reconhecimento internacional, com maior numero de galerias importantes do mundo inteiro. O evento é patrocinado pelo Sheikh Mohammed bin Rashid Al Maktoum, Vice-Presidente e Primeiro Ministro dos Emirados Árabes Unidos e Governante de Dubai e seu filho Príncipe Majid Bin, jovem e talentoso fotógrafo, que tive o prazer de conhecer pessoalmente na abertura para convidados Vip (jornalistas, colecionadores e patrocinadores) do evento, na noite de 20 de março. Também são patrocinadores The Abraaj Group e a Fundação Cartier, além de varias outras grande empresas locais e internacionais. O Art Dubai vem se consolidando como o mais importante evento das artes plásticas no cenário do Oriente Médio, contemplando vários aspectos, incluindo Arte Educação no Global Art Forum 7, que estimula o diálogo e o debate entre participantes, artistas, colecionadores, estudantes e professores, com a inauguração do Campus Art Dubai, espaço de exposição e de seminários críticos sobre pintura, escultura, fotografia e arte digital. Participei do Global Art Forum 7 em duas tardes, 21 e 22 de março e visitei todas as galerias participantes do evento. Pretendo voltar a Dubai não somente pelo Art Dubai mas para conhecer um pouco mais de uma cidade encantadora, futurista, ponto de encontro das culturas Oriental e Ocidental.

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especial

SETOR IMOBILIÁRIO MOVIMENTOU

US$ 14 BILHÕESEM DUBAI INVESTIMENTOS FORAM FEITOS NO PRIMEIRO SEMESTRE DESTE ANO, SEGUNDO O DEPARTAMENTO DE TERRAS DO EMIRADO. DESTE VALOR, US$ 8,70 BILHÕES VIERAM DE ESTRANGEIROS. Da Redação (30/07/2013 - 13:27hs) São Paulo – O mercado imobiliário de Dubai recebeu investimentos de US$ 14,42 bilhões no primeiro semestre deste ano, segundo informações do Departamento de Terras do emirado, divulgadas nesta terça-feira (30) pela Emirates News Agency (Wam). Deste total, informou o departamento, US$ 8,70 bilhões vieram de investidores estrangeiros (não árabes). No Oriente Médio, os empresários dos Emirados Árabes Unidos foram os que mais aportaram capital no mercado imobiliário de Dubai, em um total de 2.765 investidores e transações de US$ 3,26 bilhões. Entre os países do Golfo, o segundo maior valor de investimentos veio da Arábia Saudita, com US$ 544 milhões, seguido pelo Kuwait (US$ 98 milhões). Fora dos países árabes, a Índia foi quem mais direcionou capital para o mercado imobiliário de Dubai, com transações de US$ 2,17 bilhões. Grã-Bretanha (US$ 1 bilhão) e Paquistão (US$ 816,5 milhões) também estão entre os principais investidores do setor no emirado. “O mercado imobiliário de Dubai é lucrativo por sua estabilidade, diversidade e promessa de alto retorno sobre o investimento. Estes fatores continuam a oferecer confiança aos investidores locais, regionais e internacionais, cujas transações, por sua vez, contribuem para manter o momento de crescimento do mercado”, afirmou Sultan Butti Bin Mejren, diretor-geral do Departamento de Terras de Dubai, em nota. “Um aumento no volume de investidores de várias áreas reflete o sucesso das diversas políticas e iniciativas introduzidas pelo governo de Dubai durante o ano, que têm tido um impacto imensurável na atração de investimentos de todo o globo, que procuram por um lugar seguro e que ofereça retorno”, acrescentou Mejren. O executivo destacou que as estratégias lançadas pelo Departamento de Terras, visando a recuperação do setor, tem por objetivo atrair mais investimentos ao mercado, oferecendo apoio ao desenvolvimento de grandes projetos e divulgando oportunidades de investimentos lucrativos. Ele concluiu afirmando que as estatísticas revelam que “apesar das dúvidas de que o próximo semestre será promissor, o Departamento de Terras espera ver um volume de investimentos sem precedentes”. (Fonte: ANBA/ Agência de Notícias Brasil-Árabe)

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Obras públicas aquecem setor de imóveis por Carol Durães

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m Teresina, a construção do Rodoanel, viadutos e até mesmo a ampliação do sistema de saneamento básico impulsionam a economia e o setor imobiliário, que cresce 4% por ano na capital piauiense. Locais que antes não possuíam infraestrutura recebem investimentos e, consequentemente, a possibilidade de atrair novos empreendimentos. A construção do Rodoanel, na zona Sul de Teresina, que vai interligar as BRs 316 e 343, tem atraído investimentos para a região, sobretudo empresas ligadas ao setor de transporte. O Rodoanel terá 28 km de extensão e deve encurtar em 15 km a distância entre as duas BRs. Os valores também disparam. De acordo com o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil de Teresina (SINDUSCON), André Baia, os preços dos terrenos aumentaram significativamente. “Os terrenos chegam a valorizar mais que os imóveis, devido à lei da oferta e da procura”, explica. Outra obra que também alavancou o setor da construção civil piauiense foi a duplicação da Avenida Presidente Kennedy. Em 2007, foram investidos recursos na ordem de R$ 5,4 milhões de reais para a execução da obra, resultado de uma parceria entre a Prefeitura Municipal de Teresina e o Governo do Estado. Desde então, a avenida tem atraído prédios comerciais e residenciais. O boom imobiliário ainda é maior quando os investimentos acontecem em parceria com o setor privado, a exemplo dois shoppings centers localizados na Avenida Raul Lopes. A região ficou ainda mais valorizada após a revitalização do Parque imóveis&negócios 42


Obras do Rodoanel

Potycabana. “Atualmente, essa é uma das avenidas mais valorizadas de Teresina. Quando a iniciativa privada constrói e o governo garante infraestrutura, é muito bom para o desenvolvimento da cidade”, destaca André Baia. Sinduscon defende revitalização do centro de Teresina O centro de Teresina é uma das áreas que mais precisa da intervenção do Poder Público para atrair investimentos. A área, predominantemente comercial, enfrenta problemas com mobilidade, degradação física e evasão no turno da noite. Para o presidente do Sinduscon, André Baia, a falta de atrativos culturais e a evasão de áreas residenciais têm desvalorizado a zona central de Teresina. André Baia defende que é preciso mapear as áreas do centro da cidade, gerar política de incentivos fiscais para atrair investimentos, transferir as escolas para outras zonas, estimular a moradia e explorar os pontos turísticos da região. “Esse vai e vem da população para o centro de Teresina prejudica a mobilidade urbana. Além disso, o centro de Teresina fica deserto no turno da noite. É preciso repensar o centro de Teresina”, finaliza o presidente do Sinduscon. Governo aposta em mobilidade urbana para gerar investimentos O Estado do Piauí investe anualmente, com verbas próprias, cerca de R$1,5 bilhão em obras e programas. Parte desse investimento é voltada para obras de mobilidade urbana, uma

Obras do Rodoanel

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grande aposta do Governo do Estado. Atualmente, somente na capital, Teresina, 15 obras estão em andamento. Obras como a duplicação da ponte Juscelino Kubitschek, das BRs 343 e 316 e novos viadutos tornarão a cidade mais versátil. Para o secretário estadual de Planejamento, César Fortes, as obras de mobilidade urbana são vetores de desenvolvimento, atraindo vários tipos de negócios e investidores de novos mercados. “As obras de mobilidade urbana melhoram a circulação das pessoas e isso beneficia todos os tipos de empreendimentos, sobretudo, a construção civil, pois poderão ser construídos novos hospitais, prédios, comércios, escolas, entre outros”, destaca César Fortes. O resultado desse investimento reflete nos números de empregos gerados pela construção civil. De acordo com último relatório emitido pelo Ministério do Trabalho, referente ao mês de maio de 2013, a construção civil foi responsável pela criação de, aproximadamente, 30% dos novos empregos formais gerados no Estado, superando setores como comércio e serviços. “O crescimento econômico está diretamente relacionado à quantidade de investimentos. Quanto mais se investe, mais se cresce”, frisa César Fortes.

Duplicação da avenida Presidente Kennedy

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especializados Sites facilitam a vida de quem quer comprar, alugar ou vender um imóvel por Eduardo Marchão

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omprar, alugar ou mesmo vender um imóvel agora ficou bem mais fácil. A internet, que já é consolidada como um meio universal de troca de informações, tem sido uma forte aliada de imobiliárias que querem divulgar os seus serviços para clientes cada vez mais exigentes. A solução é simples. A pessoa interessada em comprar ou alugar um imóvel pode ter acesso a informações como valores, dimensões, número de cômodos, quantidade de quartos, localização, além de varias fotos (e até mesmo vídeos) do apartamento, casa ou escritório desejado. Tudo isso reunido em sites especializados de forma rápida e prática. Esse segmento de mercado, mesmo ainda muito incipiente no Piauí, já conta com sites de referência e bastante procurados por pessoas interessadas em imóveis. Pensando nisso, os empresários Moisés Filho e Renato Alencar, criaram, há três meses, o site Imóveis 86, com o objetivo de reunir todas as imobiliárias em um só lugar. “Hoje em dia, as pessoas estão interessadas em praticidade, elas não têm mais tanto tempo disponível para se deslocarem às lojas físicas das imobiliárias. Partindo dessa observação, decidimos oferecer a esses clientes uma

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ferramenta online capaz de filtrar informações de interesse específico sobre imóveis e direcioná-las às imobiliárias”, frisa Moisés. O empresário ressalta, porém, que o diferencial do Imóveis 86 é oferecer, também, anúncios de imóveis, mas de forma organizada e padronizada, onde os clientes podem acessar os mais variados produtos oferecidos por imobiliárias e construtoras. “Não somos concorrentes das imobiliárias. Nossa plataforma tem o objetivo de atrair a parceria de empresas para a divulgação de suas marcas na internet”, explica Moisés, destacando que idealizou o site por conta das dificuldades que enfrentou para encontrar imóveis nos sites das próprias construtoras. ”Muitas empresas ainda não possuem site e outras, que oferecem serviços online, mantêm sites desatualizados. Por isso, decidimos lançar o Imóveis 86. Uma das nossas principais preocupações é proporcionar a harmonia visual ao cliente quando ele acessa a plataforma”, observa Moisés Filho, ressaltando que, em apenas três meses no ar, o site já recebe cerca de mil visitas diárias. Projeto alia tradição e modernidade Outra plataforma online que oferece serviços imobiliários é o Imóveis no Piauí. O site foi criado há pouco mais de seis meses e que já recebe, em média, mil visitas por dia. O Imóveis no Piauí, no entanto, além de oferecer serviços através da internet, conta também, com uma loja física, onde os clientes mais tradicionais podem fechar negócio presencialmente. “Nosso diferencial é que funcionamos como uma imobiliária

virtual. Temos o site, temos uma equipe de corretores que fazem a visita aos clientes interessados e nós mesmos fechamos o negócio, através da sede física”, conta o proprietário do site, o analista de sistemas Anderson Soares. Ele conta que depois de colocar o site no ar, a empresa passou a ser bastante procurada por clientes e, em virtude disso, decidiu abrir uma loja física para realizar atendimentos e fechar negócios. Segundo o empresário Anderson Soares, a loja física possibilita uma série de vantagens para os clientes interessados, porque as pessoas podem contar com os serviços das principais imobiliárias e fechar negócio diretamente na sede da empresa. “Por conta das dificuldades que os clientes enfrentam na busca por imóveis, decidimos atuar como uma imobiliária virtual, mas que também tem uma sede física, com registro no Conselho Regional de Corretores de Imóveis (CRECI)”, finaliza Anderson Soares.


Receita

sucesso

de

divisão dos lucros, transparência e qualificação

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les tinham profissões diferentes. Daniel Martins é historiador por formação e traçou carreira como professor. O irmão, Delano Martins, é jornalista e trabalhou nos principais meios de comunicação do Piauí. Mas, uma herança familiar fez os irmãos mudarem de trajetória e caminharem juntos no ano de 2011. Inspirados no avô, Edilberto Martins, o primeiro corretor de imóveis inscrito no CRECI-PI, os irmãos decidiram ingressar no mesmo ramo. O primeiro passo foi buscar qualificação através de um curso de corretores de imóveis. Logo começaram a prospectar bons clientes que permitiram, no mesmo ano, a abertura da Martins Imóveis, a empresa do setor que mais cresceu em 2012. Em dois anos, a imobiliária coordenou a venda de cinco empreendimentos e mais que dobrou o número de corretores. Atualmente, a empresa de venda e aluguel de imóvel conta com 13 profissionais. O crescimento da Martins imóveis&negócios 54


Imóveis não se justifica apenas pela boa maré do setor imobiliário no Piauí. O novo modelo de gestão adotado pelos empresários, pautado pelo tripé composto pela descentralização dos empreendimentos, a qualificação dos profissionais e a transparência dos negócios, trouxe para a imobiliária mais que uma boa projeção: a consolidação no mercado mesmo com pouco tempo de atuação. “Nós buscamos, a cada dia, novos contatos, parcerias, aprimorar nossas técnicas e conhecimento”, destaca Daniel Martins. Na direção da imobiliária, os irmãos se dividem de acordo com a afinidade profissional de cada um. Daniel, que além de historiador também é bacharel em Direito, especializou-se em Direito Imobiliário e assumiu a função de Diretor Financeiro. Delano, por sua vez, assumiu o cargo de Diretor Comercial, responsável também pelo Marketing e Publicidade da imobiliária. Uma parceria que deu certo e reflete no entrosamento da equipe. “Nós temos um modelo de gestão aberto, onde os corretores têm contato direto conosco”, diz Delano. Imobiliária aposta na qualificação dos corretores O mercado imobiliário é dinâmico e os clientes são cada vez mais exigentes. É sabendo deste desafio que a Martins Imóveis aposta na qualificação dos corretores de imóveis, a começar pelos próprios diretores, que a cada dia buscam inovar através de cursos e atividades de atualização. Daniel, que tem pós-graduação em Direito Imobiliário, tem vários cursos de empreendedorismo. Delano concluiu recentemente o curso de registro de incorporação, com foco nos aspectos jurídicos e registrais essenciais para a incorporação de imóveis. De acordo com o gerente da imobiliária, Osvaldo Oliveira, o grande diferencial da Martins Imóveis é apostar na capacitação dos corretores. “O momento da venda deve ser bem transparente, para que o comprador tenha confiança. Por isso, a cada dia, aprimoramos nossas técnicas de vendas, ao mesmo tempo em que seguimos a instrução de que a melhor venda é aquela que satisfaz o cliente e não aquela que nos dá um maior lucro”, pontua o gerente. Além de investir na qualificação dos corretores, a imobiliária aposta no bem estar como ferramenta de motivação. Para todos os empreendimentos são estabelecidas metas com premiações. “Quem mais se destacar ganha premiações em viagem. Nós fazemos isso porque queremos que o nosso corretor viaje, veja novos lugares, tenha contato com novas culturas e volte revigorado, com disposição para o trabalho”, destaca Delano. Gestão busca descentralização de vendas O novo modelo de gestão liderado pela Martins Imóveis no

Daniel Martins

Delano Martins

mercado de Teresina é focado na descentralização das vendas. A proposta é romper com os contratos de exclusividade fazendo com que mais imobiliárias e corretores avulsos tenham acesso à venda. “Desta forma, o construtor ganha porque o produto dele foi vendido rapidamente; a imobiliária ganha credibilidade junto à construtora; e o comprador ganha porque vai sair satisfeito. O resultado disso é uma pulverização dos lucros. Quando divide-se o lucro, a tendência é um maior sucesso”, pontua Daniel Martins. Outra máxima estabelecida pela Martins Imóveis é a transparência nas negociações. "Buscamos um negócio justo. Não omitimos, não enganamos. Perdemos a venda, mas não deixamos de ser transparentes. Essa é a base para se estabelecer confiança”, frisa Daniel. É buscando estabelecer essa confiança que o corretor Valdir Nascimento se empenha a cada dia. “O corretor tem que ter conhecimento do que ele está oferecendo e deve passar confiança. Por isso, buscamos dominar os conhecimentos sobre o setor imobiliário ao mesmo tempo em que estabelecemos uma negociação transparente”, finaliza o corretor. imóveis&negócios 55


O

pão de queijo que é patrimônio da culinária piauiense

N

Euller com o avô, Cornélio

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o que diz respeito à gastronomia, muitas cidades são famosas por iguarias específicas e encontradas apenas em determinadas regiões. Teresina, por exemplo, é conhecida por sua culinária rica e diversificada. Mas, e quando uma comida pode ser achada em apenas um lugar? É assim com o pão de queijo do Seu Cornélio. A princípio, um lanche simples ou mais uma opção para a cidade. Hoje, um patrimônio da gastronomia local, que já conquistou o estômago e o coração dos piauienses. Tudo começou com uma simples lanchonete, que vendia salgados variados, localizada na esquina da Praça Pedro II com a Avenida Antonino Freire. Em pouco tempo, no entanto, o pão de queijo preencheu todas as prateleiras do local. A receita do famoso pão é uma mistura das massas brasileira e árabe. Além disso, existe um segredo na preparação guardado a sete chaves. “A receita do pão de queijo do Seu Cornélio é única. Está na nossa família há mais de 40 anos e não foi registrada em nenhum papel, está bem guardada apenas na mente de quem a aprendeu. E, além do meu avô, que hoje não faz mais o pão, apenas três pessoas conhecem todo o processo”, garante o empresário Euller Evangelista, neto do Seu Cornélio, hoje com 92 anos. A família detém, ainda, outras receitas secretas, como a do cappuccino tradicional e do bolo de queijo, que também são bastante procurados pelos clientes. O sabor incomparável do pão, muitos conhecem. Mas o que poucos sabem é que o pão de queijo do Seu Cornélio não foi


Euller na nova lanchonete na Zona Leste e, abaixo, com o avô

inventado por ele. “A fama ficou toda para o Seu Cornélio porque era ele quem atendia os clientes e o nome pegou. A fórmula do pão foi criada pela minha avó, dona Adélia Salomão, que faleceu em 1993”, afirma Euller, que desde os 12 anos de idade trabalha com seu avós na produção do alimento. Negócio é ampliado: tradição invade a zona Leste Após se formar em Direito, Odontologia e pilotagem de avião, em 2012, Euller abriu uma filial da lanchonete no bairro Jóquei Clube, zona Leste de Teresina. Para dar inicio à nova empreitada, foi necessário um investimento de risco, mas sempre com a confiança de que daria certo. “Para abrir a filial do Jóquei tive de vender alguns bens e arriscar, de fato, nesse sonho. Muitos familiares naquele momento não acreditaram, mas, hoje, o negócio é um sucesso e está valendo muito a pena o investimento”, destaca. A matriz do Centro ainda funciona normalmente, mas o espaço foi ficando pequeno para a grande demanda de clientes. “No Centro temos uma dificuldade, principalmente no que diz respeito a estacionamento. A nova filial do Jóquei é mais espaçosa, moderna e prima pelo conforto e segurança do imóveis&negócios 57


cliente”, conta. Euller explica, ainda, que a preocupação com a qualidade e a higiene no momento da preparação do pão é essencial para manter uma tradição de mais de 40 anos. “Investimos em uma cozinha industrial e o nosso controle de qualidade é feito por um químico profissional. Toda essa preocupação é necessária porque um nome não se constrói de uma hora para outra”, observa Evangelista. O empresário se diz muito confiante para investimentos futuros, principalmente para expandir o negócio para outras cidades do Estado e também de fora. “O nosso plano é tornar conhecido nosso produto em todo o Brasil, através de filiais ou franquias em outras cidades. Nosso pão já atrai a atenção de alguns investidores. Estamos apenas estudando a melhor forma de expandir o negócio e manter a qualidade de nossos serviços”, conclui.


NEGÓCIOS DE

ARTE

artista plástica Naza revela estratégias para o sucesso O cliente não é um simples consumidor de acessórios. Ele é a própria personificação do trabalho do artista, uma “obra de arte ambulante”. É com esta concepção de “arte para usar” que a prestigiada artista plástica piauiense, Maria Nazareth Maia Rufino Macfarren, a “Naza”, trabalha atualmente. Destaque no mercado internacional de empreendedorismo fashion, Naza produz e vende roupas e acessórios da moda com estampas exclusivas inspiradas nos seus quadros.

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D

essa forma, peças como vestidos, blusas, sapatos, sandálias, biquínis, pulseiras, bolsas, chapéus, chaveiros, xícaras, pulseiras, puffs, sofás e muitos outros acessórios ganham o status de obras de arte. “Eu comecei a desenvolver o projeto “Arte para usar” há seis anos na Florida (EUA), quando pesquisei sobre novas tecnologias que possibilitassem inserir a arte em roupas. No entanto, naquela época, tudo ainda estava em desenvolvimento e foi muito trabalhoso e caro investir nesse segmento. Eu só vi o verdadeiro potencial desse mercado quando passei a andar com as primeiras peças de roupa nas ruas da cidade e as pessoas me paravam frequentemente, curiosas, querendo saber onde eu as tinha comprado”, explica Naza. De lá pra cá, essa tendência de mercado cresceu e os custos para a produção de peças e acessórios ficaram mais baratos. Atualmente, Naza possui um atelier próprio em Teresina para a venda desses materiais, comercializa os produtos para o mundo, através de sites especializados na internet, e já até recebeu propostas para abrir lojas em Porto de Galinhas (PE) e Fortaleza (CE). O profissionalismo e talento de Naza são reconhecidos, inclusive, por Barack Obama, Bill Clinton, Ivana Trump, Brigitte Bardot, Dilma Rouseff, Fernando Henrique Cardoso, Instituto Ayrton Senna, Academia West Point, Banco do Brasil, e muitos outros líderes, instituições e celebridades internacionais que possuem obras de Naza em suas coleções particulares. A artista plástica, porém, releva que o reconhecimento internacional de sua obra se deve ao fato de sempre ter levado a sério o trabalho com a arte e tratá-la como um negócio. “O artista é um empresário. Por mais que lidemos com a subjetividade e sejamos pessoas mais emocionais, tudo o que fazemos pode ser comparado ao trabalho de qualquer outro empresário. Temos que criar e vender. Além disso, o artista deve ser um bom marqueteiro para captar e encontrar um cliente potencial. A forma de pagamento tem de ser clara e objetiva”, revela Naza, afirmando, porém, que é muito difícil um artista viver apenas da sua arte. “Não se compra arte em toda esquina. Não se vende arte de porta em porta. Até hoje, eu não me lembro de alguém que bateu na minha porta para escolher um quadro qualquer. A escolha de um quadro é algo totalmente emocional. É a arte que encontra a pessoa e não a pessoa que encontra a arte”, afirma. “Lidar profissionalmente com a arte, porém, é estressante, desgastante e doloroso. É uma responsabilidade muito grande, o artista deve se entregar e investir na sua carreira”, pondera Naza. Pioneirismo em vendas pela internet E se engana quem pensa que a história de empreendedorismo dessa artista plástica é recente. Ao longo imóveis&negócios 60

dos seus quarenta anos de carreira profissional, Naza se destaca na busca incessante por inovação e reinvenção das formas tradicionais de venda dos seus quadros pelos quatro cantos do mundo. Em meados da década de 1990, quando a maioria da população ainda engatinhava com o uso da internet, Naza já conhecia praticamente todos os recursos disponíveis em grandes sites para divulgar as suas obras de arte. Foi uma das primeiras artistas a criar websites especializados em arte na internet ao comprar os domínios “naza.org”, “naza.com” e “naza.net” para a venda de suas obras. Naquela época, por volta de 1995, a artista recebeu em seu antigo atelier, em Boca Raton, Washigton D.C. (EUA), um jovem que lhe ofereceu um site em troca de um dos seus quadros. Com o site no ar, a pintora passou a frequentar assiduamente chats e fóruns online onde aumentava seu


potencial de networking e negociação. “Eu acessava as salas de bate-papo e saia colando em várias delas a frase 'você está convidado a visitar a minha exposição de arte' acompanhada do link do site”, destaca. “Logo depois”, afirma Naza, “eu descobri uma ferramenta online onde era possível acessar uma lista com centenas de emails e passei a enviar mensagens pessoais para cada um deles, pedindo para conhecerem meu site e, claro, minha obra”. A pintora é considerada a primeira artista no mundo a ser contrata, através da internet, para fazer um quadro por encomenda. Naza recebeu o pedido de um cliente virtual Tim Hulings - para pintar um quadro comemorativo aos 90 anos de sua mãe, em West Virgínia (EUA). “Decidi assumir o risco, pois eu conhecia Tim Hulings apenas pela internet. Peguei o avião e fui à West Virgínia, onde aluguei um carro e dirigi pelas montanhas e pelo vale de Shenandoah até o final da estrada onde ficava a fazenda da família dele. No início, fiquei com muito medo da viagem, pois não conhecia nada naquela região, mas depois fiquei bastante feliz em encontrar um amigo de bate-papo virtual pela primeira vez”, realça a artista. Atualmente, Naza não desgruda das redes sociais e revela que o Facebook é uma ferramenta de marketing incrível. Sempre antenada com as novidades do mundo virtual, ela afirma que a maior parte de suas vendas são, prioritariamente, pela internet. “Não dá para descrever o bem que as redes sociais podem fazer para a divulgação e venda do trabalho de um artista, sobretudo, porque essas ferramentas, geralmente, são predominantemente visuais. Com os inúmeros compartilhamentos e visualizações dessas imagens, fica muito mais fácil a captação de possíveis compradores”, finaliza Naza.

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opinião Valmir M. Falcão Sobrinho economista e advogado

Vale a pena comprar um imóvel na planta?

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ão é mais novidade que o mercado imobiliário em Teresina está aquecido. As imobiliárias da nossa capital oferecem variadas opções de imóveis já acabados ou na planta. Pois bem, na hora do investimento, surge a dúvida sobre a melhor forma de aplicar o dinheiro. Entre as inúmeras possibilidades, o mercado de imóveis é uma boa alternativa para quem busca obter uma renda estável. E, com o aquecimento da economia, investir em apartamentos, salas comerciais e lotes aparece como opção de retorno financeiro. Diante dessas possibilidades, como saber qual delas é a melhor? Quem optar por um apartamento ou sala comercial pode estar certo de que são ativos reais seguros, capazes de garantir bons lucros. A aquisição de imóveis na planta pode ser uma boa opção rentável, uma vez que o imóvel pronto para moradia pode trazer para o investidor o lucro desejado, preferencialmente jovens investidores, que optam por locar o imóvel assim que ele é entregue e, com o aluguel, pagam uma parte das prestações do financiamento. Não existe uma fórmula mágica para se comprar um imóvel, cada investidor tem de avaliar as opções e escolher a melhor para eles. A opinião dos especialistas recomenda a compra de imóveis antes de eles começarem a ser construído, mas, ainda assim, podem existir alguns riscos. Por isso vamos falar sobre as vantagens e desvantagens de comprar imóvel na planta. imóveis&negócios 68

As vantagens de comprar imóvel na planta começam pela disponibilidade financeira do interessado, as condições de pagamento dessa opção em geral são sempre mais atraentes, podendo o comprador dar 30% do valor, ou até um percentual menor, até a entrega das chaves e financiar o resto em parcelas a perder de vista com juros baixíssimos. As desvantagens de comprar apartamento na planta são um possível atraso na entrega do imóvel, uma construtora com falsa idoneidade, tendo o comprador o risco de ela declarar falência durante as obras e os riscos do mercado, da mesma forma que o imóvel pode valorizar muito durante as obras e você sair no lucro, ele pode desvalorizar e ter prejuízo. Existem algumas dicas que você pode seguir para minimizar os riscos na hora da compra. Antes de começar a procurar o imóvel tenha em mente exatamente o que você está procurando, estabeleça limites quanto a prazos e valores, não esquecendo que o compromisso é longo. Procurar informações sobre as outras obras da construtora é a melhor opção para se assegurar da confiabilidade dela. Faça vistas periódicas a construção, e vá pessoalmente, ninguém melhor que o próprio investidor para garantir que tudo está saindo conforme prometido em contrato, bem como visitar o stand de vendas, saber se o empreendimento está bem localizado a atende as necessidades de transporte e segurança, que hoje é fundamental na hora do investimento imobiliário.

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Imóveis & Negocios  

O Primeiro Parque de Negócios e Lazer do Estado

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