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A Netflix como reflexo de identidade: um estudo sobre consumo de entretenimento na plataforma ​streaming Amanda Caldeira Mongelo​1 Iury de Souza Ramos​2 Leonardo Sarmento de Castro​3 Luana de Lima Ferreira​4

Resumo: ​Na presente pesquisa buscou-se demonstrar a personalidade das pessoas com base no consumo de entretenimento, mais especificamente no uso da plataforma de ​streaming Netflix​. Para isso, retratamos os usuários e seus respectivos ​feeds iniciais. Dessa forma, evidenciamos como a personalidade da pessoa é refletida no seu consumo de acordo com o que ela assiste. Essa pesquisa contribuiu para expor de maneira simplificada que, apesar de serem feitas baseadas no consumo, nem sempre as indicações da ​Netflix refletem a personalidade dos usuários. Descobrimos por meio das análises de dados que, apesar de toda a tecnologia aplicada ao recurso, alguns erros ocorrem por necessidade de divulgação do serviço, visando, promover suas criações autorais. A pesquisa apresentou facilidade na coleta de informações e de forma dinâmica alcançou o objetivo proposto inicialmente. Afim de complementar nossas referências e buscando atender as nossas dúvidas quando ao sistema, baseamos parte da pesquisa teórica em artigos e materiais acadêmicos sobre o tema. O resultado é um material rico em informações que conseguiu abordar a temática da pesquisa com bastante propriedade. Palavras-Chaves:​ Big Data; Consumo; Entretenimento; Netflix; Pesquisa.

1 Estudante de graduação no curso de Comunicação Social com habilitação em Publicidade e Propaganda, pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos, UNISINOS – RS, Brasil. Estagiária de publicidade e propaganda (Flypesca, São Leopoldo). Cursando Design Gráfico (extracurricular) na escola de atividades ELEVEN C. Ilustradora nas horas vagas. E-mail: ​amanda.mongelo@gmail.com​. 2 Estudante de graduação no curso de Comunicação Social com habilitação em Publicidade e Propaganda, pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos, UNISINOS – RS, Brasil. Atua na área de Comunicação com foco em Redação Publicitária e conteúdo. Escreve os contos “Viagens na Maionese”. E-mail:​ ​iury.s.ramos@hotmail.co​m​. 3 Estudante de graduação no curso de Comunicação Social com habilitação em Publicidade e Propaganda, pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos, UNISINOS – RS, Brasil. Estagiário na Fundação Padre Urbano Thiesen, exercendo a função de social media. E-mail: castro.s.leonardo@gmail.com​. 4 ​Bolsista de Iniciação Científica FAPERGS - CNPq​. Estudante do curso de Comunicação Social com habilitação em Relações Públicas, pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos, UNISINOS – RS, Brasil. Integrante do Grupo de Pesquisa Processos Comunicacionais: epistemologia, midiatização, mediações e recepção – PROCESSOCOM do PPGCC/Unisinos. E-mail: ​ferreiralilu@gmail.com​.


1 ​Introdução

Ao pensarmos num tema relevante perante a sociedade atual, tivemos a ideia de retratar o consumo por trás da ​Netflix​5​, um dos serviços online mais utilizados atualmente. O serviço de ​streaming de filmes e séries possui um algoritmo de ​Big Data6​ que sugere conteúdos baseado nos hábitos de consumo de cada usuário (conteúdos assistidos, avaliações feitas e lista de interesses). Ou seja, cada usuário possui uma interface personalizada. A ​Netflix surgiu como um serviço de aluguel de DVD’s por e-mail, em 1997. Alguns anos depois, Randolph e Hastings, os criadores, transformaram a plataforma num website e começaram a desenvolver um serviço ​easy to use,​ acessível e personalizado, para assim criar uma experiência diferenciada para cada um dos usuários. Os três primeiros recursos criados foram o ​The FlixFinder (pesquisa por ator, título ou diretor), o ​Cinematch (sistema de avaliação e recomendação) e o ​Queue​ (fila ou lista para assistir). Uma das maiores preocupações dos criadores é otimizar sempre o sistema de algoritmo. Por isso, em 2006 surgiu a ideia de um concurso de participação livre, que premiaria o grupo que melhor desenvolvesse uma estratégia para aprimorar no mínimo até 10% a entrega de conteúdo para os usuários. A partir dessa competição, denominada ​Netflix Prize,​ surgiu um algoritmo de ​Big Data Analytics7​​ , que analisava os hábitos e padrões de consumo do usuário e, a partir disso, melhorava o sistema de recomendação. Atualmente ele auxilia até mesmo na produção de conteúdo original, evidenciando que o sucesso de séries como ​House Of Cards​ e ​Stranger Things​ não ocorre por acaso. Big Data,​ ou Mega Dados, é um sistema de coleta de informações que armazena conjuntos de informações sobre cada usuário. É com a análise desses dados que a ​Netflix trabalha atualmente para reconhecer as preferências dos usuários, juntamente com um sistema RNA (redes neurais artificiais) - que funciona como uma rede de neurônios que enviam sinais e informações para outras redes, possibilitando também um entendimento sobre as preferências de cada usuário - e o sistema de avaliação ​Cinematch​, um dos primeiros utilizados pela plataforma. Com um sistema de recomendação avançado, é possível supor que a Netflix economiza milhões em publicidade, pois, como Harris (2013) diz: “A Netflix não precisa gastar milhões de dólares anunciando o novo programa esperando que você fosse assistir – ela saberia que você iria vê-la nas recomendações, saberia que você assistiria e saberia que

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você iria gostar”12. Isso não significa que a plataforma não faz nenhum investimento em publicidade e marketing, afinal, ainda podemos encontrar trailers, promos, e previews das produções originais Netflix no Youtube. O que ocorre é um redirecionamento dos recursos, pois, em vez de um 1grande investimento em campanhas publicitárias, a Netflix investe no aperfeiçoamento de seus algoritmos e equipe de análise de dados. Assim, a empresa pode até investir numa divulgação guiada. Isso porque conhecendo melhor os hábitos e gostos de seus clientes, abre-se a possibilidade de um marketing mais efetivo, se comunicando diretamente com um nicho específico, seguindo os preceitos do Marketing 3.0 (KOTLER, 2010), no qual os próprios consumidores se tornam engajados na divulgação das obras que consomem. ​2 ​Objetivos ​ 2.1 Objetivo Geral Demonstrar a personalidade das pessoas com base no consumo de entretenimento, analisando especificamente o uso da plataforma de ​streaming Netflix.​ 2.2 Objetivos Específicos

● Expor de maneira simplificada que, apesar de serem feitas baseadas no consumo, nem sempre as indicações da Netflix refletem a personalidade dos usuários; ● Compreender a funcionalidade do Big Data dentro da plataforma; ● Apresentar resultados que justifiquem a pesquisa como contribuição aos usuários da Netflix.

3 Metodologia de pesquisa

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​Netflix é um provedor global de filmes e séries de televisão via streaming, atualmente com mais de 100 milhões de

assinantes. Fundada em 1997 nos Estados Unidos, a empresa surgiu como um serviço de entrega de DVDs pelo correio. 6 ​

Em tecnologia da informação, o termo Big Data refere-se a um grande conjunto de dados armazenados. Diz-se que o Big

Data se baseia em 5 V's: velocidade, volume, variedade, veracidade e valor.' 7​

Big Data Analytics nada mais é do que o processo de juntar e cruzar os dados (​Big Data) p​ ara gerar insights, ou seja, chegar

a conclusões que de alguma forma sejam úteis.

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3.1 Pesquisa Teórica

Pesquisar requer comprometimento com seu objeto de análise, e nesse sentido, os autores são enfáticos quando dizem que não se pode apenas copiar e colar informações dentro dos teus registros, eles destacam a importância de que se tenha o embasamento teórico muito bem estruturado. Existe também a necessidade de interpretação e conhecimento empírico sobre a realidade, as conjunturas culturais e o contexto da pesquisa:

“O outro aspecto substancial da compreensão do contexto é que ele remete ao conjunto de elementos que condicionam o significado de um enunciado. É a situação (ões), as circunstâncias e a posição (ões) dos elementos de uma problemática que vão condicionar e configurar um determinado significado para sua compreensão. O valor de significado de um discurso científico: tese, dissertação, relatório, livro, artigo, ensaio, hipótese e conjuntos conceituais estão condicionados pelo contexto (s).” (MALDONADO, Alberto Efendy, p.2).

Para desenvolver uma pesquisa é substancial compreender o contexto do objeto de estudo. E dentro dessa compreensão estão alguns valores de significação de um discurso científico. Existe dentro da contextualização da pesquisa um conjunto de elementos que servem para nortear o pesquisador, a fim de, facilitar seu planejamento de estudo. Esse processo vai facilitar a construção do seu conhecimento dentro da sua trajetória empírica ou teórica, proporcionando uma compreensão mais aprofundada e dinâmica do seu objeto de estudo. É nesta parte, contextualização do problema/objeto, que o pesquisador deve ordenar os elementos de pesquisa, para que de forma condicionada esses elementos possam determinar um significado para a compreensão do objeto, usando a argumentação mais pertinente para o desdobramento do problema dentro do seu contexto. Dentro desta lógica de processos e procedimentos necessários para a coleta de amostra que podem nutrir a pesquisa, optamos por analisar artigos, ANAIS, textos e materiais acadêmicos que pudessem abordar o tema de forma mais embasada possível. Nesta parte da pesquisa descobrimos informações relevantes sobre ​Big Data ​e outras formas de tecnologia aplicadas ao serviço oferecido pelo provedor. Big Data,​ ou Mega Dados, é um termo utilizado na tecnologia da informação que se refere a um grande conjunto de dados armazenados pelo provedor de plataforma, e é

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amplamente utilizado hoje em dia para nomear conjuntos de dados complexos. Quando um usuário acessa a plataforma, ele gera informações, dados, sobre seus hábitos de consumo.

​Ela [a Netflix] sabe, por exemplo, quais são os seriados televisivos favoritos de

seus clientes; em que dia da semana eles preferem assistir filmes de drama ou de comédia; em qual horário; os atores e diretores presentes nos títulos mais assistidos; entre outros. Dessa maneira, quando a Netflix decidiu investir no mercado de produções audiovisuais, eles sabiam que um drama de teor político, estrelado pelo ator Kevin Spacey e produzido pelo diretor David Fincher seria atraente para a maior parte da sua base de assinantes e teria grandes chances de emplacar. (LIMA; CALAZANS, 2013)

3.2 Pesquisa empírica

Para o desenvolvimento desta pesquisa, cada um dos integrantes do grupo selecionou por conveniência dentro de seus grupos de relacionamento, duas pessoas para realizar o levantamento de dados. Com isso, para análise inicial foram feitas ​print screens das telas iniciais da ​Netflix de cada um dos entrevistados, visando a percepção do conteúdo assistido, preferências pessoais e a sugestão feita pelo programa. Após, foi capturada uma foto da pessoa entrevistada com sua tela inicial da Netflix e outra somente da pessoa. Ao fim da entrevista, a seguinte pergunta foi feita para cada um dos participantes: “Você acha que sua tela inicial da Netflix lhe representa?”. A partir das respostas obtidas e imagens, pode ser feito o levantamento completo de dados. As orientações dadas em aula para a metodologia de pesquisa sugerem o seguinte:

“ ​O método utilizado deverá ser a etnografia e as técnicas de pesquisa obrigatórias são a ​fotoetnografia e a ​observação (participante ou não participante). Aqui devem ser definidos detalhes da aplicação das técnicas e da amostra, ou seja, quem serão as pessoas que irão participar da pesquisa (em termos de perfil e características); como será a coleta de dados da pesquisa, ou seja, roteiro de observações e/ou perguntas e local ou locais das observações; assim como os aspectos que serão observados.” (​ Professora MS Anya Sartori P. Revillion)

O resultado obtido com nossas percepções encontram-se no parágrafo a seguir.

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4 Resultado da pesquisa

4.1 Resultados individuais

● Amanda Caldeira Mongelo Entrevistado 1 Bruno Caldeira Mongeló, 21 anos, estudante no curso pré-vestibular Fleming Medicina em Porto Alegre. A análise de personalidade e dos dados da Netflix do Bruno demonstra que esse não se sente totalmente representado pelas principais sugestões do Netflix do que assistir. Suas principais escolhas são os filmes de ficção, que trazem momentos para relaxar e esvaziar a mente durante as semanas de vestibular. Às vezes, opta pelas séries policiais que trabalham com um olhar psicológico dos criminosos, acha fascinante o desenvolvimento de histórias de crimes e suas resoluções. Ao fazer uma análise do que estava sendo recomendado pelo Netflix na seção “Principais escolhas para Bruno” e quais eram suas preferências, foi possível observar que havia uma discrepância entre as duas. As recomendações não estavam de acordo com aquilo que assiste. O único que estava de acordo com seus interesses nas indicações era The Sinner, uma série que inclusive estava em sua lista pessoal para assistir. Há um certo desentendimento das indicações de filmes de heróis, como ​Punisher​, e de antiguidade, como “​Godless”​ e “​Os dez mandamentos​”, que não são do interesse do usuário. Após certa reflexão, foi possível concluir que as sugestões da Netflix para Bruno, no dia em que foram coletados os dados, estavam baseadas em filmes e programas que haviam sido assistidos há algum tempo atrás, sem levar em consideração séries e filmes mais recentes.

Entrevistado 2 Andréa Bandeira Caldeira, 48 anos, psicóloga. A Andréa assiste de tudo um pouco na Netflix, e é possível perceber isso por meio da sua página inicial. Sendo assim, é mais fácil que as sugestões da Netflix agradem. Suas únicas restrições na hora de assistir são com filmes e séries de ficção científica ou fantasia. Ao analisar as sugestões da Netflix, Andréa se sentiu satisfeita e quase totalmente representada. Acredita que consumiria a maioria das indicações. O sistema só errou ao sugerir duas séries de ficção e fantasia, mas acredita que seja porque seu usuário é um pouco compartilhado.

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Pode-se concluir que o sistema de recomendações da Netflix, nesse caso, levou em consideração tudo que foi assistido pela usuária para a criação de novas sugestões.

● Iury de Souza Ramos Entrevistado 1 Igor de Souza Ramos, 10 anos, estudante pela ​Escola Municipal de Ensino Fundamental Barão do Rio Branco A análise dos dados apresentados pelo ​print screen ​da tela inicial da ​Netflix ​oferecida ao entrevistado mostrou em maior parte desenhos animados. Isso ocorre porque ele possui um “Perfil Kids”, que oferece um conteúdo voltado para crianças. Embora seja um perfil voltado para criança, o que chamou a atenção foi a sugestão do filme ​Karatê Kid II​, um filme conhecido por sua violência explícita, afinal, aborda uma arte marcial como tema. Um ponto interessante observado é que o usuário demonstra consumir, em maior parte, conteúdos que de alguma forma retratam o heroísmo. Dos treze conteúdos mostrados, no mínimo cinco retratam o heroísmo de alguma forma. O restante do conteúdo é mais eclético, ficando dividido entre desenhos fantasiosos e séries que, de uma forma lúdica, retratam o cotidiano. Ao ser questionado sobre a representatividade dos conteúdos mostrados, o entrevistado afirmou que sim, se sente representado pela sua tela inicial.

Entrevistado 2 Iasmim Luana Jung, 22 anos, estudante de Nutrição pela Universidade de Caxias do Sul (UCS) A análise dos dados apresentados pelo ​print screen ​da tela inicial da ​Netflix ​oferecida à entrevistada mostrou um contraste muito interessante. Basicamente as sugestões de conteúdo se dividem entre desenhos animados e séries dramáticas. Isso leva a concluir que a usuária tem uma tendência a “assistir mais do mesmo”, afinal, o eixo de sugestões tem pouca variação (desenhos animados e séries dramáticas). Ao ser questionada sobre a representatividade dos conteúdos mostrados, a entrevistada afirmou que sim, se sente representada pela sua tela inicial.

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● Leonardo Sarmento de Castro Entrevistado 1 Mariana Artioli, 23 anos, estudante de Jornalismo pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS) A análise dos dados apresentados pelo ​print screen ​da tela inicial da ​Netflix ​oferecida à entrevistada mostrou gêneros bastante similares. Sitcoms, filmes de comédia “leves” e outros produtos com temáticas LGBTs apareceram na tela. Além disso, somente três produções originais Netflix surgiram para Mariana. Ao ser questionada sobre a representatividade dos conteúdos mostrados, ela disse que em torno de 95%, se sente representada. Por conhecer o sistema analítico do serviço, afirmou que não se importa muito com as sugestões criadas a partir do ​Big Data,​ entra na plataforma e logo procura por um título específico, ou pesquisa pelos gêneros.

Entrevistado 2 Veridiana Daiane Sarmento de Castro, 44 anos, dona de casa. A análise dos dados apresentados pelo ​print screen ​da tela inicial da ​Netflix ​oferecida à entrevistada mostrou gêneros distintos e a predominância de filmes. Romances, dramas, terror e suspense, tomaram conta da tela da Veridiana. Somente duas produções da própria Netflix apareceram em sua tela. Quando questionada sobre a representatividade do que lhe foi apresentado na tela, ela afirma que se sente representada. A entrevistada contou que muitos dos títulos ali presente representam seus sentimentos e ligações com sua própria vida. Disse que é isso o que procura quando vai assistir algo, conteúdos que tenham relação com sua realidade.

● Luana de Lima Ferreira Entrevistado 1 Vivian de Brida Maurelli, 20 anos, estudante de Relações Públicas pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS). A análise dos dados apresentados pelo ​print screen ​da tela inicial da ​Netflix ​oferecida à entrevistada mostrou, de forma curiosa, o conhecido desenho animado de estilo mangá Naruto.​ Famoso no universo ​geek, a animação é muito cultuada e possui um legião de fãs no mundo todo. Além desse, foi possível observar a venerada série ​Friends na lista das séries a

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continuar assistindo. Dessa forma, podemos dizer que o perfil digital dentro da plataforma da usuária em pauta, é conservador e apegado a séries antigas, demonstrando uma certa melancolia em suas preferências. Contudo, ao contrastar a sua personalidade registrada em foto, fica claro sua autonomia e estilos descolados, que em nada, representam conformidade com os dados encontrados. Em resposta à pergunta que permeia a pesquisa, Vivian respondeu, apreciar os roteiros antigos e a forma como as mídias eram geradas há alguns anos atrás. Contudo, disse que no seu dia a dia ela busca se manter (fisicamente) conectada às tendências atuais. Nesse caso, a imagem criada do usuário não representa sua estética física e nem personalidade. Porém, exemplificam de forma fiel seu senso de humor e intelectualidade.

Entrevistado 2 Naiara de Lima Ferreira, 23 anos, estudante de Pedagogia EAD pela Universidade Luterana do Brasil (ULBRA). Os resultados obtidos através de cruzamento de dados da entrevistada em questão, demonstraram uma personalidade forte quanto a escolha de séries assistidas. Dentre as identificadas, destacam-se Vikings,​ ​O justiceiro,​ e ​12 Macacos, ​séries de muita ação e conteúdo de ficção científica. Curiosa e muito ligada nas tendências científicas, a entrevistada e seu namorado apreciam muito os roteiros que apresentam diversidade de abordagens, bem como, conteúdo inteligente e provocativo. Extrovertida, ela demonstrou ser fã dos materiais autorais do provedor e ainda disse sempre aceitar as sugestões por ele oferecidas, como recomendações de séries, relacionadas a seu perfil de usuário. Ao analisar sua foto, concluiu-se que o dispositivo conseguiu captar de forma íntegra suas principais características, desde a forma de vestir (cores fortes e atitude na escolha das roupas) até no seu comportamento questionador como um todo. Basicamente, o perfil que demonstra interesse por conteúdos fortes como os encontrados.

5 Conclusões

Por meio dessa pesquisa, foi constatado que, na maioria dos casos, as sugestões da Netflix r​ epresentam as personalidades de seus usuários. Porém, há erros quando a plataforma apresenta seus conteúdos autorais. As sugestões de títulos da produtora ​Original Netflix,​

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foram notadas em todas as telas dos entrevistados, mesmo se o usuário não se interessasse pelo gênero ou pelos próprios conteúdos gerados por tal produção. Isso demonstrou um interesse da plataforma de ​streaming em querer promover seus principais conteúdos, e uma falha na experiência personalizada que a empresa tenta criar utilizando seu sistema de análises. Em geral, percebeu-se que o Big Data trabalha de forma simples, e não se aprofunda tanto quanto poderia. Porém, durante essa pesquisa, o sistema se mostrou efetivo nas telas de grande parte das pessoas utilizadas para esse estudo. Os conteúdos selecionados para o entrevistados tinham conexão com suas personalidades e ou gostos, provando que há uma representatividade dos usuários na tela da Netflix.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS MALDONADO, Alberto Efendy. ​Pesquisa em comunicação:​ trilhas históricas, contextualização, pesquisa empírica e pesquisa teórica. In: ___ ​[et al.]​. Metodologias de pesquisa em comunicação:​ ​olhares, trilhas e processos. 2. ed. Porto Alegre: Sulina, 2011. p. 277-303. MIRANDA, Wagner Rodrigues. ​NETFLIX: Big data e os algoritmos de recomendação. INTERCOM-Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação, 26 de Junho 2017. Disponível em: http://portalintercom.org.br/anais/sudeste2017/resumos/R58-0517-1.pdf​ Acesso em: 29 nov. 2017. LIMA, C.; CALAZANS, J. Pegadas Digitais: ​“Big Data” E Informação Estratégica Sobre O Consumidor.​ SIMSOCIAL, Salvador. 2013. Anais Eletrônicos. Disponível em: http://gitsufba.net/anais/wp-content/uploads/2013/09/13n2-pegadas_49483.pdf. Acesso em: 29 nov. 2017. KOTLER, Philip. ​Marketing 3.0: as forças que estão definindo o novo marketing centrado no ser humano.​ Rio de Janeiro: Elsevier, 2010​. NASCIMENTO​, ​Rodrigo. Título do Artigo: ​“Afinal, o que é Big Data?” - ​2017. Link: http://marketingpordados.com/analise-de-dados/o-que-e-big-data/​ Acesso em: 30 nov. 2017.

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Artigo: A Netflix como reflexo de identidade  

Artigo acadêmico criado para a disciplina de Comunicação e Consumo. Na presente pesquisa buscou-se demonstrar a personalidade das pessoas...

Artigo: A Netflix como reflexo de identidade  

Artigo acadêmico criado para a disciplina de Comunicação e Consumo. Na presente pesquisa buscou-se demonstrar a personalidade das pessoas...

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