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Jornal da SBCT Ano 7| Edição Março / 2017

Informativo da Sociedade Brasileira de Cirurgia Torácica


Editorial Meus amigos, Por muitos motivos dedicamos esta edição ao Tórax 2017. Sem dúvida o evento mais importante da nossa especialidade, que esta sendo carinhosamente preparado pela comissão organizadora local liderada por Fernando David (Presidente do Congresso) e Anderson Nassar (Presidente da Comissão Científica), juntamente com Ricardo Terra, Secretário Científico e toda Diretoria da SBCT. Trabalho árduo de muitas idas e vindas, para que todos aproveitem ao máximo a programação, incluindo os cursos pré-congressos. Neste congresso também comemoraremos os vinte anos da nossa sociedade, mais uma razão para que todos compareçam. Sem falar que teremos a presença de 14 convidados internacionais, que representam o que tem de melhor na Cirurgia Torácica mundial. Certamente uma oportunidade “azigo” que deve suprir todas nossas expectativas. Ainda nesta edição, conheçam previamente todos os convidados e não deixem de ler as matérias do Thomas D’Amico e Luiz Herrera escritas exclusivamente para esta edição. Então vamos ao Rio!

Expediente

Sérgio Tadeu L. F. Pereira Vice-Presidente da SBCT

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Diretoria da SBCT Presidente: Darcy Ribeiro Pinto Filho Vice-presidente: Sergio Tadeu L. F. Pereira Secretário Geral: Alexandre José Gonçalves Avino Tesoureiro: Miguel Lia Tedde Secretário Científico : Ricardo Migarini Terra Secretário de Assuntos Internacionais: Fernando Vannucci


Mensagem do Presidente Prezados colegas,

N

o próximo mês de maio, entre os dias 03 e 05, estaremos reunidos no XX Congresso da Sociedade Brasileira de Cirurgia Torácica, o TÓRAX 2017. Neste evento também comemoraremos o 20º aniversário de fundação da SBCT, uma entidade que orgulha a todos seus associados, pelas mãos dos quais se tornou a efetiva retaguarda científica e de defesa profissional da cirurgia torácica brasileira. Do inesquecível encontro de 1997, no Memorial da América Latina – SP, quando pouco mais de 200 colegas assinaram a ata de fundação da SBCT, até os dias atuais, o caminho da SBCT sempre foi o do crescimento das suas proposições associativas. Ao optar por caminhar com suas próprias pernas, nossa sociedade contou nestes vinte anos com o trabalho inestimável de muitos colegas, que liderados pelos ex-Presidentes Vicente Forte, Figueiredo Pinto, José Camargo, Fábio Jatene, Roberto Saad, nos permitiu atingir o patamar de protagonista de nossa especialidade no continente latino americano. Através de uma política associativa disponível e inclusiva, onde cada colega associado é capaz de reconhecer sua importância na construção de cada proposta, de cada desafio, e nos avanços efetivos do nosso crescimento científico, mais de 600 cirurgiões torácicos brasileiros optaram por estarem vinculados ao quadro de sócios da SBCT, representando a subtotalidade dos colegas brasileiros especialistas em cirurgia torácica. Neste evento encerraremos um ciclo de quatro anos frente à Diretoria executiva. Um ciclo de muito trabalho e de muita satisfação pelas conquistas alcançadas e também pela certeza de que muito mais poderia ser feito, o que ficará para os que estarão “recebendo o bastão” nesta corrida de revezamento que é liderar nossa estimada SBCT.

Darcy Ribeiro Pinto Filho Presidente da SBCT

Nunca será suficiente o agradecimento a cada colega que esteve junto à Diretoria nestes quatro anos: Sérgio Tadeu, Miguel Tedde, José Camargo, Paula Ugalde, Fernando Vanucci, Ricardo Terra, Alexandre Avino. Abnegados, incansáveis, extremamente competentes nas suas funções, disponíveis, criativos e bem humorados, deixarão indelével a marca do afeto e da amizade que caracteriza o trabalho daqueles que decidem fazer, tão somente, fazer. E fizeram. Neste maio próximo, durante o Tórax 2017, esperamos ansiosamente cada um dos associados para comemorarmos os nossos primeiros 20 anos, fortalecer nosso conhecimento científico e celebrar nossos laços de convivência e amizade. Um forte abraço e até lá!

Av. Paulista, 2073, Horsa I, cj. 518 | São Paulo - SP CEP: 01311-300 Fone/fax: (11) 3253-0202 secretaria@sbct.org.br www.sbct.org.br

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Endereço

Textos e Edição

Responsável pela revista: Sérgio Tadeu L. F. Pereira Cinthya Brandão - Jornalista DRT/BA 2397 www.cinthyabrandao.com.br Criação - D27 Design e Comunicação www.d27.com.br

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Cada um por si e haja Deus para todos Um estudo antropológico realizado em Tbilisi na Geórgia está viralizando na internet porque revela o comportamento discriminatório das pessoas comuns, em situações do cotidiano. Uma atriz de seis anos é exposta ao público em ambientes idênticos, mas com indumentárias diferentes, e as reações são radicalmente opostas. Ninguém deixou de socorrer a menina lindamente vestida, com uma carinha triste e ar de abandono numa praça da cidade. Todos quiseram saber se ela estava perdida e se precisava de ajuda. Horas depois, a mesma criança, agora maltrapilha, colocada no mesmo lugar, não mereceu nem o olhar de algum passante, porque a pobreza pode ser flagrada com um rabo de olho, e como encará-la poderia ser equivocadamente interpretado como vontade de socorrer, melhor tratá-la como invisível. A experiência foi repetida num restaurante da cidade: a versão produzida foi festejada, enquanto que a pobrezinha, agora num ambiente confinado, provocou duas reações imediatas: por onde ela passava as bolsas que descansavam distraídas nas cadeiras, foram prontamente recolhidas, e ela foi enxotada. Afinal, pobre com fome embrulha o estômago dos saciados. Um estudo semelhante foi feito há alguns anos em Nova Iorque. Um homem jovem, vestindo um smoking, caído na frente de um teatro na Broadway, foi imediatamente socorrido e levado de ambulância em tempo recorde. Na noite seguinte, o mesmo ator, agora como mendigo, caiu no mesmo local e mereceu como única atenção o desvio dos transeuntes que, na medida do possível, procuravam não pisoteá-lo. Ninguém se dignou a gastar uma chamada de celular para solicitar assistência. 04

Difícil identificar o que está por trás desse comportamento que mistura egoísmo com discriminação pela pobreza, em doses tão degradantes. A impressão que se tem é que a maioria das pessoas vê os miseráveis como merecedores da sua condição e que, portanto, melhor deixá-los como estão. Outros, provavelmente um pouco constrangidos pela indiferença, se justificam contando histórias que ouviram por aí de assaltantes que simulam essas situações para surpreender os incautos bem intencionados. Uma amiga minha saía do aeroporto e, tendo visto um homem jovem estatelado num canteiro entre as pistas, parou o carro logo adiante, onde havia uma guarita, e alertou os policiais do seu achado. Ouviu como resposta: “Esse está sempre lá!”. Ela argumentou: “Mas ele me pareceu que respirava mal. O Sr. não poderia dar uma olhada?” E teve a seguinte resposta: “A gente cuida do nosso trabalho e a Sra. podia cuidar da sua vida!” A palavra de ordem da modernidade parece ser cada vez mais, esta: não interessa se você vive em Tbilisi, Nova Iorque ou Porto Alegre, cuide da sua vida e esqueça o RESTO. Ah, e reze para ser encontrado por uma exceção se, um dia, VOCÊ precisar de ajuda.

JJ Camargo Membro da SBCT - RS


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Passando de VATS para Lobectomia por Cirurgia Robótica: Vale à pena o desafio?

Traduzido por Anderson Nassar

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ão há dúvidas de que para a maioria das neoplasias de pulmão em estádio precoce, uma abordagem minimamente invasiva oferece melhores resultados em relação à Toracotomia. Os pacientes permanecem menos tempo internados e em sua recuperação usa-se menos analgésicos, transfusões de sangue e a taxa de complicações é bem menor. A técnica de Videocirurgia Torácica – VATS mostrou-se segura, eficaz e oncologicamente equivalente à técnica aberta convencional (toracotomia). Entretanto, a adoção da técnica (VATS) não foi tão grande quanto o esperado. Nos Estados Unidos, menos de 40% das Neoplasias de Pulmão em estádio I são operadas através da videocirurgia, sendo a maioria dos casos ainda operados por Toracotomia. A probabilidade de utilização da técnica (VATS) diminui em escala diretamente proporcional ao aumento da complexidade dos casos, ao tamanho do tumor e ao avanço do estadiamento. A abordagem por VATS se torna mais difícil nos casos de tumores centrais, em caso de presença de linfonodos N1 comprometidos e em outras particularidades anatômicas. Ainda que muitos cirurgiões dominem a técnica o bastante para abordar casos complexos, isso nem sempre é possível especialmente para cirurgiões que, habituados à técnica aberta, ainda tenham experiência limitada em VATS. Desde 2002, a abordagem Robótica para Lobectomias tem sido utilizada de maneira crescente com várias casuísticas relatadas atestando ser está uma técnica segura, eficiente e cujos resultados finais são semelhantes aos da VATS. A despeito da taxa de adesão à técnica nos Estados Unidos ser lenta com apenas 3,6% das ressecções sendo feitas por Robótica até 2010, dados mais recentes sugerem um aumento significativo da utilização da técnica Robótica que, em

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2016, representou 15% de todas as Lobectomias realizadas. Curiosamente esse aumento da taxa de adesão à cirurgia torácica Robótica foi acompanhado de um decréscimo na utilização da técnica aberta (toracotomia), enquanto a taxa de cirurgias realizadas por VATS se manteve estável, sugerindo uma migração direta de cirurgiões adeptos da técnica aberta diretamente para a técnica Robótica, inferindo uma maior facilidade encontrada pelos cirurgiões em adaptar-se à plataforma Robótica. A grande questão permanece sendo: qual é o benefício em se adotar a técnica Robótica quando o cirurgião já é treinado o suficiente para realizar uma Lobectomia por técnica VATS? Não existem grandes séries comparativas ou estudos randomizados pareando as duas técnicas minimamente invasivas, mas algumas séries reproduzem resultados muito semelhantes em termos de permanência hospitalar, perda sanguínea, taxa de conversão, amostragem de linfonodos mediastinais complicações. Para além do exposto, a curva de aprendizado para o cirurgião e equipe, e os custos associados à técnica Robótica são também argumentos válidos. Estas eram preocupações que eu particularmente tinha e, a despeito disto, continuei meu treinamento e aprendizado na Técnica Robótica. Certamente, sair de minha “Zona de Conforto” da Lobectomia por VATS não é fácil. A Técnica Robótica é naturalmente desafiadora, há muito em jogo em caso de complicações técnicas. O temor de uma lesão em artéria pulmonar, lacerações de parênquima pulmonar, a justa compreensão da anatomia e estar longe do paciente são fatores que podem ser


bastante desconfortáveis. Em que pesem todos estes fatores, achei a curva de aprendizado mais fácil do que imaginava. Já tínhamos experiência em Técnica Robótica aplicada na doença mediastinal, o que fez mais fácil a transição para as ressecções maiores. Não tivemos conversões e completamos todos os primeiros 50 casos com resultados semelhantes aos da VATS. O tempo de sala, inicialmente longo, diminuiu progressivamente até alcançar mesmos números da VATS após a curva de aprendizado que é, em minha opinião, e na de outros colegas entre 15-20 casos. Não há dúvidas de que esta é uma nova maneira de se operar uma lobectomia, mas a plataforma de simulação disponível para a Técnica Robótica oferece um modo singular de desacelerar a curva de aprendizado e de familiarização com o sistema. Mais importante, o benefício da Cirurgia Robótica reside na realização de procedimentos mais complexos. A visualização incomparável, a utilização da insuflação com CO2 para melhor exposição e a instrumentação bi manual são fatores que fazem toda a diferença quando nos deparamos com planos de dissecção difíceis e linfonodos de difícil dissecção. O fato de a Cirurgia Robótica promover uma dissecção mais segura e acurada de linfonodos hilares torna a ressecção mais fácil por permitir a exposição de estruturas do hilo, facilitando assim a passagem de grampeadores. O custo é sempre um fator importante uma vez que a Técnica Robótica e seus equipamentos podem aumentar o custo final por paciente. Entretanto, o equipamento já está instalado em diversos hospitais e o custo/paciente pode ser reduzido através do uso parcimonioso destes instrumentos e consumíveis. O advento de novos sistemas robóticos e o aumento da adesão por

cirurgiões pode ajudar a reduzir o custo final. Além disso, o custo da cirurgia oncológica é relativamente modesto quando comparado ao das técnicas modernas de radioterapia, tecnologia de terapias-alvo, e outras novas tecnologias. A plataforma robótica tem vantagens tecnológicas de possibilitar técnicas de localização, grampeamento, integração de imagem com aparelhos de tomografia, simulações, imagens fluorescentes, e possivelmente no futuro, marcadores tumorais que possam ser visualizados no campo operatório. Abraçar o aprendizado de uma nova técnica pode ser realmente desafiador, mas em nosso campo de trabalho evoluímos sempre para tornar nossa cirurgia mais segura e melhor para nossos pacientes. A tecnologia atual parece promissora no sentido de nos auxiliar a expandir nossas habilidades e a realizar ressecções mais completas. Ainda que um benefício da Cirurgia Robótica sobre a VATS para doença inicial nunca venha a ser demonstrado um estudo randomizado, a habilidade em lidar com casos mais complexos, reduzir a taxa de conversões e oferecer um sistema ergonomicamente muito superior para o cirurgião, poderão eventualmente demonstrar o real benéfico da Lobectomia por Cirurgia Robótica.

Luís J Herrera M.D. Section Head, Thoracic Surgery UF Heath Cancer Center/ Orlando Health 07


TÓRAX 2017

XX Congresso da Sociedade Brasileira de Cirurgia Torácica Rio de Janeiro/RJ – 03 a 05 de maio 2017

O

pioneirismo de muitos cirurgiões torácicos na cidade do Rio de Janeiro que em tempos remotos chefiaram serviços com centros de treinamento, formaram muitos cirurgiões e colaboraram para o desenvolvimento da especialidade de cirurgia torácica no Brasil, fato que também justificou e motivou a aspiração do Rio em sediar o Congresso da Sociedade Brasileira de Cirurgia Torácica (SBCT).

Em 01 de outubro de 2015, fizemos a primeira reunião com o Presidente Darcy Ribeiro Filho e sua Diretoria, onde estabelecemos as diretrizes, pautadas no Estatuto e no que há de moderno em realizar um congresso. Discutimos sobre a logística, a grade científica com a participação de sociedades parceiras que estariam inseridas no evento em sessões conjuntas, como a ESTS, AIAICT e ALAT, com seus membros representantes.

No ano de 1991, o Congresso Brasileiro de Cirurgia Torácica foi realizado no Rio de Janeiro, quando da época do Departamento de Cirurgia Torácica da SBPT, dito por muitos, foi um sucesso. Após a fundação da SBCT, em 1997, o Estado do Rio de Janeiro, com número expressivo de membros titulares da Sociedade Brasileira de Cirurgia Torácica, veio ao longo dos anos, em vários congressos, se candidatando para sediar novamente este evento nacional, agora como sociedade médica reconhecida.

É importante salientar que a partir desta data se estabeleceu uma relação plena de confiança entre a Diretoria, através de seu Presidente, e a Comissão Organizadora, denominada de Núcleo Duro, o que se configurou em um pilar para construir o TÓRAX 2017.

Em Vitória, por ocasião do XVIII Congresso da Sociedade, o Rio de Janeiro se candidatou para sediar o XX Congresso da Sociedade Brasileira de Cirurgia Torácica, TÓRAX 2017, e com o apoio da maioria dos seus membros, foi eleita. Uma coincidência feliz, a de poder sediar o evento no vigésimo aniversário de fundação da SBCT e realizar o XX congresso. A perseverança em conseguir este desígnio, pelo tempo em que esteve aguardando, fez aumentar a responsabilidade do grupo do Rio de Janeiro, com o dever em realizar um congresso com nível de excelência, e proporcionar aos membros da sociedade um evento científico de qualidade. 08

A Comissão Organizadora foi composta por oito membros, profissionais altamente qualificados como médicos e como pessoas, desprendidos e comprometidos em fazer um bom trabalho para servir e atender aos interesses de seus pares, e lograr êxito na realização do TÓRAX 2017. Enfrentamos o desafio de organizar o congresso em um momento onde se iniciava um período de grave crise política e econômica em nosso país. Tínhamos a clara noção de que precisaríamos redobrar o nosso trabalho para atingir os objetivos estabelecidos. Esta comissão foi incansável na dedicação e determinação para realizar suas tarefas, fez quatro reuniões com o Presidente e sua Diretoria, que apoiaram continuamente os trabalhos, e reuniões semanais regulares, desde a largada em outubro de 2015, na busca do melhor.


Não há como realizar um evento desta natureza sem financiamento. Conseguimos juntos com os parceiros patrocinadores e com a ajuda de todos bons resultados. Atingimos a meta em poder realizar um evento de qualidade com um resultado financeiro superavitário para a SBCT, que com isso pode cumprir sua missão: a de proporcionar aos seus membros educação continuada e orientação na luta pela defesa profissional. TÓRAX 2017, estamos há poucos dias de sua realização, o congresso contará com cinco Cursos Pré-Congresso, Cirurgia da Parede Torácica e Cirurgia Minimamente Invasiva, estes com cirurgias transmitidas ao vivo, Oncologia Torácica, Trauma Torácico e o Curso de Endoscopia Respiratória Intervencionista e Cirurgia da Traqueia, este, com atividades teóricas e práticas. Quatorze convidados internacionais, com expertise em várias áreas da Cirurgia Torácica, participarão do nosso evento nos cursos e na grade científica principal, em um sistema modular com mesas redondas onde os convidados serão os palestrantes, e também os debatedores dos temas livres ligados ao módulo. Não poderia faltar o café com o professor, com temas importantes sendo discutidos, onde de forma descontraída é possível aprender e trocar informações.

A localização do congresso é privilegiada – o Centro de Convenções Windsor Barra, agregado a um complexo hoteleiro, irá oferecer opções variadas para hospedagem, e a oportunidade de aproveitar do congresso e de momentos de lazer, com conforto e praticidade. A Barra da Tijuca, principalmente com o legado dos Jogos Olímpicos, se tornou uma região com autonomia, com várias opções para hospedagem, lazer e vários centros gastronômicos de boa qualidade. A mobilidade urbana foi modernizada e a chegada do metrô ao bairro oferece a oportunidade de levar com rapidez e conforto o congressista e seus familiares para regiões próximas aos diversos pontos turísticos, como o Corcovado, Pão de Açúcar, Porto Maravilha com o Museu do Amanhã e do MAR, AquaRio, um aquário novo que merece ser visitado, e tantos outros locais aprazíveis. Esperamos todos vocês para o TÓRAX 2017, e que possam usufruir de um bom evento científico e desfrutar do que há de melhor na Cidade Maravilhosa.

Fernando David Presidente do Tórax 2017

Anderson Nassar Presidente da Comissão Científica

Comissão Organizadora do TÓRAX 2017 09


Convidados

Conheça os convidados do mais importante evento da Cirurgia Torácica do país - o Tórax 2017. A vigésima edição do Congresso da Sociedade Brasileira de Cirurgia Torácica será marcada pelos 20 anos da SBCT.

Alessandro Brunelli

José Manuel Mier

Antonio C. Marttos, Jr., M.D.

Luis J. Herrera, M.D.

Cesar Augusto Angulo Camacho

Marcelo C. DaSilva

Department of Thoracic Surgery, St. James‘s University Hospital - United Kingdom

University of Miami Miller School of Medicine United States

CAJA NACIONAL DE SALUD COCHABAMBA Bolivia

Diego Gonzalez Rivas

UF Health Cancer Center – Orlando Health United States

Thoracic Surgery. Harvard Medical School. Brigham and Women‘s Hospital United States

Marcelo Cypel

Coruña University Hospital, UCTMI and Shanghai Pulmonary Hospital - Spain

Associate Professor of Surgery, Division of Thoracic Surgery, Toronto General Hospital, University Health Network, Surgical Canada

Dominique Gossot, M.D.

Michele Salati

Frank C. Detterbeck, M.D

Rogerio Lilienbaum

Jorge Pascual

Thomas Anthony D Amico, M.D.

Institut Mutualiste Montsouris, Department of Thoracic Surgery - France

Yale University, Department of Thoracic Surgery United States

Pulmonary Medicine – Jacksonville, Florida Medical Director of Mayo Clinic Florida United States

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ALAT Mexico

AOU Ospedali Riuniti Ancona Italy

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Marcos Históricos na Ressecção Pulmonar para Câncer Traduzido por Carlos Alberto Em abril de 2017 a Associação Americana de Cirurgia Torácica (American Association for Thoracic Surgery – AATS) comemorará seu centenário. Portanto, acredito que seja oportuno considerar a contribuição dos membros e líderes da AATS. A Associação Americana de Cirurgia Torácica foi fundada em 1917. Em 1932, Dr. Cameron Haight, seu 36º presidente, realizou em uma adolescente a segunda pneumonectomia para bronquiectasia, da qual se tem registro, utilizando múltiplos estágios e técnica do torniquete. Em 5 de abril de 1933, Dr. Evarts A. Graham, o 10º presidente da AATS, realizou com sucesso a primeira pneumonectomia de um estágio para câncer de pulmão - um feito que ele acreditava ter sido a sua maior contribuição cirúrgica. O 12

procedimento levou apenas 1 hora e 45 minutos. O exame histopatológico demonstrou que o tumor era um Carcinoma Espinocelular Estágio II: T2N1. Após longa hospitalização, o paciente teve alta e, respondendo razoavelmente bem, voltou para sua residência e retomou seu tratamento como médico durante 24 anos após a pneumonectomia. Dr. Graham e Dr. Alton Ochsner, o 27º presidente da AATS, identificaram independentemente a etiologia da “Epidemia de Câncer Pulmonar” iniciada na década de 1930 como uso de tabaco. Dr. Edward Archibald, o 8º Presidente da AATS, realizou uma pneumonectomia em um estágio com dissecação individual das estruturas do hilo pulmonar em 7 de julho de 1933.


Ficou claro que nem todos os pacientes com câncer de pulmão precisavam ser submetidos a uma pneumonectomia. A lobectomia foi inicialmente realizada usando o conceito de torniquete, onde as estruturas hilares foram ligadas em massa. A primeira bilobectomia aconteceu em um paciente com adenocarcinoma em 1932 pelo Dr. Edward Churchill, o 28º presidente da AATS, um impressionante cirurgião-cientista. Ele defendia a necessidade de assegurar uma adequada nutrição, dissecação hilar e ligadura individual de vasos. Dr. Churchill apresentou os resultados de suas primeiras 78 lobectomias na reunião anual da AATS em 1936, relatando uma mortalidade operatória de menos de 5%, comparando-se favoravelmente em relação a mais baixa taxa de mortalidade operatória de 18% registrada previamente pelo Dr. John Alexander, o 17º presidente do AATS. Talvez o maior incentivo para a lobectomia tenha sido a pesquisa sobre a técnica de ligadura individual dos elementos do hilo pelo Dr. Brian B. Blades, o 37º presidente da AATS, e Dr. Edward Kent, o 49º presidente da AATS, em uma publicação seminal no Journal of Thoracic Surgery em 1940 e apresentada na 23ª reunião da AATS, em Cleveland. Com o maior refinamento técnico, o conceito de preservação parenquimatosa levou ao desenvolvimento de ressecção segmentar para ambas as condições pulmonares, benignas e malignas. Dr. Oscar Theron (Jim) Clagett, o 42º presidente da AATS, foi coautor de uma das mais influentes publicações, em uma sé-

rie de 109 segmentectomias com apenas um óbito. Tanto as lobectomias e as ressecções traqueais foram simultaneamente estudadas em cães e, posteriormente, estendidas a seres humanos pelo Dr. Donald L. Paulson, o 61º presidente da AATS, e pelo Dr. Robert Shaw em 1955. Shaw e Paulson também apresentaram uma série de 18 pacientes com tumores do sulco superior tratados com radioterapia pré-operatória seguida de ressecção em bloco, sendo o primeiro a demonstrar o valor da terapia de indução em pacientes com câncer de pulmão. Durante a década de 1960 e 1970, F. Griffith Pearson, o 79º presidente da AATS, realizou estudos experimentais do suprimento sanguíneo da traqueia, desenvolvendo princípios importantes para ressecção e reconstrução traqueal, incluindo sua técnica para ressecção da cartilagem cricoide com preservação do nervo laríngeo recorrente para estenose subglótica. Uma cirurgia que veio a ser conhecida como cirurgia de Pearson. Dr. Pearson e Dr. Hermes Grillo são considerados os pais da cirurgia traqueal, tendo determinado os limites máximos da ressecção e reconstrução, substituição protética e o uso inicial de próteses.

Thomas A. D’Amico M.D. Thoracic Surgery Duke University / North Caroline

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Sede da SBCT passa por reforma estrutural Após uma avaliação estrutural, aprovação do projeto e dos orçamentos, a reforma foi iniciada final de março e tem a previsão de dois meses para finalizar as obras. O processo de reestruturação da sede visa ampliar alguns

espaços para tornar mais dinâmica a rotina de trabalho, bem como, deixar a sede da SBCT mais funcional, confortável e adequada para as reuniões de diretoria e parceiros.

SBCT realiza Assembléia Geral Ordinária durante o Tórax 2017

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onforme estabelecido pelo seu Estatuto, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Torácica convoca todos os associados adimplentes para a Assembléia Geral Ordinária, que acontecerá durante o TÓRAX - XX Congresso da Sociedade Brasileira de Cirurgia Torácica, dia 05 de maio, no Rio de Janeiro, Hotel Windsor Barra. A 1ª convocação será às 8h, com a presença de metade mais um dos associados ou em segunda convocação às 8h30 com qualquer número de presentes. Dentre os assuntos em pauta estão a apresentação dos relatórios da Diretoria, relativos ao biênio 2015-2017, incluindo prestação de contas e parecer do Conselho Fiscal; escolha do local do TÓRAX 2021 – XXII Congresso da Sociedade Brasileira

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de Cirurgia Torácica; assuntos de interesse geral da Sociedade Brasileira de Cirurgia Torácica; e apuração dos votos para eleição e proclamação da Diretoria da SBCT para o Biênio 20172019. Em conformidade ao Art. 16 do Estatuto da SBCT, as chapas candidatas à eleição para a Diretoria da Sociedade Brasileira de Cirurgia Torácica devem conter o nome e cargo de todos os postulantes, inclusive para Conselho Deliberativo e Conselho Fiscal, e devem estar inscritas com estes dados com a antecedência de pelo menos 30 dias da data da eleição. O envio das composições das chapas candidatas deverá ser feito por e-mail, à secretaria da SBCT.


World Lung Cancer Conference 2017

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Conferência Mundial de Câncer de Pulmão (World Lung Cancer Conference 2017) acontecerá entre 15 e 18 de outubro de 2017, em Yokohama, no Japão. O evento é organizado pela International Association for Lung Cancer Studies (IASLC). Os trabalhos científicos participantes vão concorrer ao Young Investigators' travel grants. Os interessados em filiar-se à IASLC pagarão uma taxa anual de US$ 50.00, e passarão a fazer parte desta grande família que estuda o câncer de pulmão de forma multidisciplinar, com direito ao Journal of Thoracic Oncology online, webnars, atualizações e grande rede de relacionamentos com os melhores cientistas mundiais da área de Câncer de pulmão. Maiores informações podem ser obtidas diretamente com a Dra. Nise Yamaguchi, Membro do Comitê Organizador da Conferência Mundial de Câncer de Pulmão, através do e-mail: niseyamaguchi@gmail.com

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A NOVA PLATAFORMA DE ENERGIA

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Apresentamos a plataforma de energia Valleylab™ FT10 Nossa última inovação baseada em uma história de confiança e precisão. Saiba mais acessando: medtronicsolutions.medtronic.com/FT10

Performance eletrocirúrgica ainda mais precisa

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Reg. nº10349000535 - © 2017 Medtronic. Todos os direitos reservados. Medtronic, o logo da Medtronic e Outros são, em conjunto, marcas registradas da Medtronic. ™* Marcas de terceiros são marcas registradas de seus respectivos proprietários. Todas as outras marcas são marcas registradas de uma empresa da Medtronic. M. Luz 03/2017.

Tempos de selagem 50% mais rápidos

Baixas temperaturas de mandíbulas

Jornal da SBCT | Ano 6 | Edição Março/2017  

confira as edições anteriores https://www.sbct.org.br/publicacoes/jornal-da-sbct/

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