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BOOKLET


ÍNDICE MESSIANISMO MEDIÁTICO SOCIEDADE EM REDE DO FIM DO JORNALISMO À SUA RECONSTRUÇÃO DESIGNING UNIVERSAL KNOWLEDGE O ECRÃ INFORMACIONAL DA REVOLUÇÃO DOS TRANSPORTES [...] RES PUBLICA ORGANIZANDO O CAOS A PUBLICIDADE TEM ARTES E MANHAS [...] JORNALISMO E SOCIEDADE DE INFORMAÇÃO PARA TERMINAR : INFORMAR-SE CANSA REFERÊNCIAS

KOYAANISQATSI

1982

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A TIRANIA DA COMUNICAÇÃO

IGNÁCIO RAMONET

JULIEN ASSANGE

MESSIANISMO MEDIÁTICO

WIKILEAKS


7 - 21

Já pouco fiável, o sistema de informação encontra-se actualmente sujeito a uma revolução radical com o advento do digital e do multimédia, de que alguns comparam a importância à invenção da imprensa por Gutenberg, em 1440. A articulação do telefone, do televisor e do computador dá origem a uma nova máquina de comunicar, interactiva, baseada nas proezas do tratamento digital. Alguns sonham com um mercado perfeito da informação e da comunicação, totalmente integrado graças às redes electrónicas e de satélites, sem fronteiras, funcionando em tempo real e em permanência; fantasiam-no construído sobre o modelo do mercado de capitais e fluxus financeiros ininterruptos... O modelo principal do futuro da comunicação é o êxito - real - da Internet, essa rede mundial de computadores que, ligados entre si por modems doravante sistematicamente integrados, podem dialogar e trocar informação. Nascida nos Estados Unidos em 1969, por iniciativa do Pentágono, e muito rapidamente adoptada pelos meios da contra-cultura americana, bem como pela comunidade científica e universitária internacional, a Internet constitui um modelo de convivialidade telemática cada vez mais ameaçado pelos apetites económicos dos grandes grupos industriais e mediatícos que espreitam os cerca de 140 milhões de utilizadores ligados, habitantes deslumbrados de um ciberespaço imaterial. A própria imprensa escrita não pode escapar ao abrigo do turbilhão de ambições desencadeado pela nova nova utopia tecnológica. Muitos jornais importantes pertencem já a mega-grupos de comunicação, e raros títulos ainda independentes na Europa, cada vez mais dependentes de receitas da publicidade, estão actualmente expostos à cobiça dos novos senhores do mundo. No grande esquema industrial concebido pelos patrões das empresas de tempos livres, cada um constata que a informação é antes de mais considerada como uma mercadoria, e que esta característica prevalece, de longe, sobre a missão fundamental dos media: esclarecer e enriquecer o debate democrático. Dois exemplos recentes ilustram bem esta tendência, e mostram a que ponto hiper-mediação não significa sempre boa informação: trata-se do caso Diana e do caso Clinton-Lewinsky. A morte devido a um acidente de automóvel, em Paris, no dia 13 de Agosto de 1997, de Lady Diana e do seu amante Dodi Al-Fayed, deu lugar à mais fenomenal difusão informativa da história recente dos media. A imprensa escrita - diária e periódica - , rádios e televisores consagraram a este acontecimento mais espaço do que qualquer outro respeitante a uma pessoa, em toda a história dos meios de comunicação de massas. O segundo exemplo recente do excesso de informação ocorreu em Janeiro de 1998, quando as relações do presidente dos Estados Unidos com uma antiga estagiária da Casa Branca, Mónica Lewinsky, se transformaram subitamente num assunto mediático à escala planetária, desencadeando uma crise de loucura incontrolável na comunicação. Os media encontram-se sujeitos a uma concorrência cada vez mais feroz; as pressões comerciais intensificam-se. Hoje, muitos quadros dirigentes dos media vêm do universo empresarial, e não do mundo do jornalismo. São menos sensíveis à veracidade da informação. Aos olhos deles, o news business, o mercado da informação, é, acima de tudo, um meio de obter lucro. “A pressão da concorrência é de tal modo forte - afirma o jornalista americano Walter Cronkite, conhecido exapresentador do telejornal da cadeia CBS - que se tornou indispensável não nos deixarmos ultrapassar seja em que informação for. [...] ” O telejornal, com o seu fascínio pelo “espectáculo do acontecimento”, desconceptualizou a informação e voltou a mergulha-la, pouco a pouco, no pântano do patético. Ele estabeleceu, insidiosamente, uma espécie de nova equação da informação que poderia ser formulada desta maneira. “se a emoção que experimentais ao ver o telejornal é autêntica, então a informação é verdadeira.” Isto deu crédito à ideia de que a informação - qualquer que ela seja - é sempre simplificável, redutível, convertível em espectáculo de massas, e decomponível num certo número de segmentos- emoções. Baseando-se na ideia, muito em voga, de que existiria uma “inteligência emocional”.

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A SOCIEDADE EM REDE

MANUEL CASTELLS

SOCIEDADE EM REDE A rede é um conjunto de nós interligados. Um nó é o ponto no qual uma curva se intercepta. O nó a que nos referimos depende do tipo de redes em causa. Estas são: mercados da bolsa de valores e as suas centrais de serviços auxiliares avançados,na rede de fluxos financeiros globais; são conselhos nacionais de ministros e comissários europeus da rede política que governa a Unia Europeia; são campos de coca e papoila, laboratórios clandestinos, pistas de aterragem secretas, gangs de rua e instituições financeiras para lavagem de dinheiro em rede de tráfico de droga que penetra as economias, sociedades e Estados do mundo inteiro; são ainda sistemas de televisão, estúdios de entretenimento, meios de computação gráfica, equipas de informação e equipamentos moveis gerando, transmitindo e recebendo sinais na rede global dos novos media, raízes da cultura e da opinião publica na Era da Informação. A topologia definida por redes determina que a distância (ou Intensidade e frequência da interacção) entre dois pontos (ou posições sociais) é menor (ou mais frequente ou mais intensa) se ambos os pontos forem nós de uma rede do que se não lhe pertencerem. Por outro lado, dentro de determinada rede, os fluxos não têm distância ou tem a mesma distância entre os nós. Portanto, a distância (física, social, económica, política, cultural) é a mesma, para um determinado ponto ou posição, varia entre zero (para qualquer nó na mesma rede) e infinito (para qualquer ponto externo à rede). A inclusão/exclusão em redes e a arquitectura das relações entre elas, possibilitadas por tecnologias de informação que operam à velocidade, da luz, configuram os processos e funções dominantes nas nossas sociedades. As redes são estruturas abertas, capazes de se expandir de forma ilimitada, integrando novos nós desde que consigam comunicar dentro da rede, nomeadamente, desde que partilhem os mesmos códigos de comunicação (por exemplo, valores ou objectivos de desempenho) Uma estrutura social, com base em redes, é um sistema altamente dinâmico, aberto, susceptível de inovação e isento de ameaças ao seu equilíbrio. As redes são instrumentos apropriados para a economia capitalista baseada na inovação, globalização e concentração descentralizada; para o trabalho, trabalhadores e empresas baseadas na flexibilidade e adaptabilidade; para uma cultura de desconstrução e reconstrução contínuas; para uma política destinada ao processamento instantâneo de novos valores e estados de espírito públicos; e para uma organização social que vise a superação do espaço e a aniquilação do tempo. Contudo, a morfologia da rede é também uma fonte extraordinária de reorganização das relações de poder. As conexões que ligam as redes (por exemplo, fluxos financeiros que assumindo o controlo de impérios dos media influenciam os processos políticos) são os instrumentos privilegiados de poder. Assim, os conectores são es detentores do poder. Uma vez que as redes são múltiplas, os códigos interoperacionais e os conectores entre as redes tornam-se origens fundamentais da formação, orientação e desorientação das sociedades. A convergência da evolução social e das tecnologias de informação criou uma nova base material para o desempenho de actividades em toda a estrutura social que define os processos predominantes, dando forma a própria estrutura social. Assim, as observações e análises apresentadas neste volume parecem indicar que a nova economia está organizada em torno dessas redes globais de capital, gestão e informação cujo acesso ao know-how tecnológico está na origem da sua produtividade e competitividade. Firmas de negócios e, cada vez mais, organizações e instituições, organizam-se em redes de geometria variável cuja interacção supera as tradicionais diferenças entre empresas e pequenos negócios, atravessando sectores e espalhando-se por diferentes agrupamentos geográficos de unidades económicas. Assim, o processo de trabalho é eada vez mais individualizado, o trabalho está desagregado no desempenho e reintegrado no resultado, através da multiplicidade de tarefas interligadas em diferentes locais, introduzindo uma nova divisão de trabalho mais próxima dos atributos/capacidades de cada trabalhador do que da organização da tarefa.


608 - 615 Numa perspectiva histórica mais ampla, a sociedade em rede representa uma transformação qualitativa da experiência humana. Se nos referirmos a antiga tradição sociológica segundo a qual, a acção social, ao nível mais elementar, pode ser entendida como a mudança do padrão de relações entre natureza e cultura, estamos realmente numa nova Era. O primeiro modelo de relação entre aqueles dois pólos fundamentais da existência humana é caracterizado, há milénios, pelo domínio da natureza sobre a cultura. Os códigos de organização social expressavam quase directamente a luta pela sobrevivência diante dos rigores incontroláveis da natureza, tal como a Antropologia ,nos ensina, remontando dos códigos da vida social até as raízes nosso ser biológico. O segundo modelo de relação, estabelecido nas origens da era moderna e associado a revolução industrial e ao triunfo da razão, presenciou o domínio da natureza pela cultura, formando a sociedade a partir do processo de trabalho através do qual a humanidade se libertou tanto das forças naturais quanto se submeteu aos abismos próprios da opressão e da exploração. Estamos a entrar num novo estágio, no qual a cultura se refere à cultura, tendo suplantado a natureza, ao ponto da natureza ser artificialmente revivida ("preservada") como uma forma cultural: este é de facto o sentido do movimento ambiental, para reconstruir a natureza como uma forma cultural ideal. Como resultado da convergência da evolução histórica e da mudança tecnológica, entrámos num modelo genuinamente cultural de interacção e organização social. Isto porque a informação representa o “ingrediente-chave” da nossa organização social e porque os fluxos de mensagens e imagens entre redes constituem o encadeamento básico da nossa estrutura social. Isto não quer dizer que a história terminou numa feliz reconciliação da humanidade consigo mesma. De facto é o oposto: a história está apenas a começar, se por história entendermos o momento em que, após milénios de uma batalha pré-histórica com a natureza, primeiro para sobreviver, depois para a conquistar, a nossa espécie tenha alcançado o nível de conhecimento e de organização que nos permitirá viver num mundo predominantemente social. Isto é o começo de uma nova existência e sem dúvida, o início de uma nova Era, a Era da Informação, marcada pela autonomia da cultura face às bases materiais da nossa existência. Este não é, necessariamente, um momento animador, porque enfim sós no nosso mundo humano, teremos de nos olhar ao espelho da realidade histórica. E podemos não gostar daquilo que vemos.

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OS MEDIA NA SOCIEDADE

TOMATO

GUSTAVO CARDOSO

PROCESS

DO FIM DO JORNALISMO À SUA RECONSTRUÇÃO


261 - 273

A pergunta "será que a Internet vai levar ao desaparecimento dos jornais, rádios e televisão?" esteve presente nas confabulações de muitos profissionais do jornalismo no início da segunda metade dos anos noventa. Por muito estranho que nos possa parecer esta foi uma interrogação partilhada por muitos quando, em 1998-1999, a generalização da Internet a vastas parcelas da população começou a ocorrer. Quando se caracteriza essa interrogação de "estranha" é porque a evolução da Internet veio a demonstrar quanto essa perspectiva do futuro estava errada. Mas, porque é que chegámos a colocar tal hipótese? Tecnologicamente, a Internet possibilita a todos consumir informação e entretenimento e ao mesmo tempo produzi-los. Se existia a possibilidade de ir directamente às fontes, para que seria necessário mediadores como os jornais, rádio, televisão e os seus profissionais? A introdução da Internet, por muito revolucionária que seja, e é, desenrolouse num contexto onde a experimentação prévia com outras tecnologias de informação já havia ocorrido, embora sem o sucesso desejado, dada a inadaptação das mesmas às necessidades das práticas profissionais jornalísticas e de diferenciação e/ou complementaridade face aos suportes já existentes e à falta de massa crítica em termos de número de utilizadores junto do público. A Internet apresentou-se como uma tecnologia mais moldável às necessidades jornalísticas, capaz de agregar uma massa de público potencial. Mesmo que exista uma rígida estrutura de produção informativa e que nela existam forças homogeneizantes, há que ter presente a existência de uma força contrária que é a autonomia dos papéis informativos dos jornalistas, uma autonomia que,em sistemas democráticos, é também alimentada pelas audiências. A característica principal da inclinação revolucionária é que a Internet, e aquilo que ela representa (a comunicação digital, interactividade na comunicação horizontal e vertical, acessibilidade global, etc.), marca um momento de mudança na história do jornalismo. Por sua vez, da parte da inclinação evolucionária, a Internet é vista como introduzindo mudanças no jornalismo, enquanto instituição económica e social, como prática profissional, e também para o papel do jornalista, mas na essência o jornalismo continuará a ser desenvolvido de um modo relativamente convencional. No que respeita à publicação, a inclinação revolucionária considera a plataforma tecnológica tão avançada e com tantas possibilidades de comunicação com a audiência que, na prática, o pensamento centra-se na ideia de que o jornalismo deve partir do princípio que, ao criar uma peça, o seu encaminhamento primário será a publicação online e partir daí para a publicação nos restantes suportes tecnológicos. Como se diferencia então o jornalismo online de outros tipos de jornalismo, como o radiofónico, de imprensa ou televisivo? Em primeiro lugar pela tecnologia associada - a Internet. No quadro da multimedialidade, o jornalista toma decisões sobre o formato mais indicado para um dado assunto - se é a escrita e som, se deve ter imagem e se essa deve ser animada ou não - fazendo uso da interactividade tem de gerir as possibilidades e espaços para o público escrever, interagir e, utilizando a hipertextualidade, tem de equacionar as formas de ligar o seu artigo com outros, sob a forma de arquivos ou outros contributos através de links.

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DESIGNING UNIVERSAL KNOWLEDGE

GERLINDE SCHULLER AUGUST

WHO IS COLLECTING THE WORLD’S KNOWLEDGE? HOW ARE KNOWLEDGE ARCHIVES STRUCTURED AND DESIGNED? WHO DETERMINES THE ACCESS TO KNOWLEDGE? WHAT KNOWLEDGE ENTAILS POWER?

MATTHEW PILLSBURY


Knowledge Is power. If one possesses a collection of the 'universal knowledge' of the world, one has ultimate power. Establishing comprehensive, global collections of knowledge already fascinated mankind thousands of years ago. Today, modern communication and information technologies offer quick and prompt collecting, high memory capacities and wide-ranging access. In addition, globalization and the Internet advance a mentality which moves away from the local and regional towards the international and universal. Collections of knowledge, such as archives, encyclopaedias, databases, libraries, also follow this trend. They are engaged in a race against time in both the technological and creative area. Their clearly formulated aim is to establish for us a complete and up-to-date collection of 'universal knowledge'. In my view, the most important goal in the foreseeable future is to design our knowledge storages in a comprehensible way, manage them democratically and make them accessible to everyone. Information congestion and information refusal are greater threats than information Therefore appreciate complexity and keep the information flowing.

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O ECRÃ GLOBAL

GILLES LIPOVETSKY

NUNO CERA

A ROOM WITH A VIEW

O ECRÃ INFORMACIONAL


253 - 256

Agora, o acesso aos conteúdos inforrnacionais no ecrã mobiliza um utilizador activo que navega nos sites, que conserva isto e elimina aquilo, que vai em busca de informações, que comenta os dados institucionais, que compara os preços, que se torna fotógrafo e repórter amador. Instituindo uma «comunicação essencialmente unilateral» ao serviço da mercadoria, o espectáculo é «o sol que nunca se põe no império da passividade moderna», escrevia Debord 214. Com a proliferação da oferta mediática e o crescimento da comunicação informatizada, tudo isto mudou: um número cada vez maior de indivíduos tem acesso aos meios de forma hiperindividualista, segundo os seus gostos, os seus humores e os seus tempos próprios: «Prime time is my time». Claro que a lógica do espectáculo prossegue e até se amplifica, mas já não tem o significado que Debord lhe dava. A época dos mass media fundados na comunicação piramidal com sentido único, que alimentou a teoria do espectáculo, dá lugar cada vez mais a um sujeito interactivo, a uma comunicação individualizada, autoproduzida e fora do espaço comercial. O ecrã global impõe-se como um instrumento adaptado às necessidades particulares de cada um: depois do modo de comunicação do um para todos, vem o do todos para todos; depois dos meios de massa, o advento da self-media. Individualização não é reclusão. A Rede é o que permite a ligação a outros ecrãs e em relação imediata com todos os indivíduos que têm acesso a esse meio. A hora é a da comunicação, cação aberta e flexível, a da troca interpessoal através de fóruns e chats, a da criação de informações em blogs individuais. E mesmo a da partilha de conhecimentos ou a da contribuição colectiva de informação, praticada, por exemplo, na Wikipédia. O modelo vertical da comunicação mediática evolui para um modelo horizontal não centralizado, no qual um grande número de informações se produz e se difunde fora do controle dos profissionais do ecrã, do mercado e da política. Os avanços tecnológicos e as aspirações individualistas à expressão fizeram surgir um novo tipo de comunicação descentralizada, centrada na interoperatividade e na utilização em rede. Já não se trata do desapossamento de si pela ecrã-espectáculo, mas de uma vontade de reapropriação, pelos sujeitos, dos ecrãs e dos instrumentos de comunicação. Muitos observadores apontam, não sem razão, que a abundância de informação não é sinónimo de saber, este exige urna cultura prévia, uma formação intelectual, conceitos organizados que permitam fazer a triagem, colocar correctamente as questões, interpretar os conteúdos disponíveis à saciedade. Privado de formação inicial e de quadros intelectuais, a relação com a abundância informativa apenas cria confusão, o zapping do turismo intelectual. Não serão reais as ameaças ao espírito crítico quando os utilizadores, graças às novas tecnologias da informação (tecnologia push), poderão já não receber senão os conteúdos personalizados que respondem às suas necessidades específicas? E devemos realmente ficar contentes por ver, com a Web 2.0, desenvolver-se, de forma crescente, os «meios sem jornalistas» e, de modo mais amplo, sem intermediários nem mecanismos de controlo e de filtragem? Que espaço público de discussão e de deliberação está em marcha quando uma forte tendência dos cibernautas os leva a preferir trocar informações com os que pensam como eles em vez de participar em debates polémicos 217. São aspectos que mostram, de forma evidente, que o progresso no uso da razão individual não se fará automaticamente pelos «milagres» da Rede. Por mais formidável que seja a sua contribuição, a comunicação electrónica não será suficiente, por si só, para emancipar o espírito humano. O ecrã hipermodemo só realizará todas as suas potencialidades se for acompanhado pela insubstituível acção dos mestres e bússolas de sentido que são a cultura do livro e das humanidades clássicas. A telepresença dos ecrãs exige o enquadramento e a presença muito real de pais e professores. É necessário promover não só o ecrã informativo e socializante, mas também o ecrã assistido.

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Guy Deboni, La Société àt Spectacic, Paris, Champ libre, 1971, p. 13. Azi Lev-On e Bernard Mania, «Internet: La main invisible dc Ia _ délibération», Esprit, Maio de 2006.


CIBERMUNDO UMA POLÍTICA DO PIOR

PAUL VIRILIO

DA REVOLUÇÃO DOS TRANSPORTES À REVOLUÇÃO DAS TRANSMISSÕES

SE NOS ANOS QUE VÊM, NÃO VIRMOS AUMENTAR O NÚMERO DE CRÍTICOS DE ARTE, NÃO HAVERÁ LIBERDADE FACE AOS MULTIMEDIA E ÀS TECNOLOGIAS NOVAS. HAVERÁ UMA TIRANIA DA TECNOCIÊNCIA.

HOME OF THE BRAIN

MONIKA FLEISCHMANN


11 - 38 Sem a liberdade de censurar não há elogio lisonjeiro, dizia Beaumarchais. Mas sem a liberdade de criticar a técnica, também não há qualquer «progresso técnico», mas somente um condicionamento.., e quando este condicionamento se torna cibernética como é hoje o caso com as novas tecnologias, a ameaça é considerável. Já não estamos no século XIX mas no final do século XX, e o debate sobre as novas tecnologias parece entrar, hoje, num impasse sobre o que vivemos durante o século XX a propósito do progresso. No século XIX, poderia existir uma ingenuidade em relação ao progresso técnico e mesmo ao progresso social. Poder-se-ia desculpar um pensamento que não encarasse a dimensão totalitária das novas tecnologias: o caminho-de-ferro, a rádio, a utilização negativa e a poluição, tanto psicológica corno geológica e atmosférica, das novas tecnologias. Creio que hoje, no limiar do século XXI, é necessário retirar a lição da negatividade de um progresso que é um progresso, mas que não é um progresso todo-poderoso, um progresso idealizado por um pensamento que eu diria sem recuo em relação à face escondida do positivismo. As novas tecnologias são tecnologias da cibernética. As novas tecnologias da informação são tecnologias do estabelecimento de redes das relações e da informação e, enquanto tais, veiculam muito evidentemente a perspectiva de uma humanidade unida, mas também de uma humanidade reduzida a urna uniformidade. Creio que a questão do acidente, a questão da poluição, a questão dos estragos do progresso, constantemente repetida durante o século XX, estão de novo na ordem do dia. Elogiar os méritos das novas tecnologias, é certamente útil à publicidade dos novos produtos, penso que não seja útil à política das novas tecnologias. É necessário, doravante, referenciar o que é negativo naquilo que parece positivo. Nós sabemo-lo, não progredimos através de uma tecnologia senão re-conhecendo o seu acidente específico, a sua negatividade específica... Ora, hoje, as novas tecnologias veiculam um certo tipo de acidente, e um acidente que já não é local e precisamente situado, como o naufrágio do Titanic ou o descarrilamento de um comboio, mas um acidente geral, um acidente que interessa imediatamente à totalidade do mundo. Quando se diz que a rede Internet tem uma vocação mundial, é bem evidente. Mas o acidente de Internet, ou o acidente de outras tecnologias da mesma natureza, é também a emergência de uma acidente total, para não dizer integral. Ora não há referência para esta situação. Nós ainda nunca conhecemos, excluindo, talvez, o crash bolsista, o que poderia ser um acidente integral, um acidente que envolvesse o mundo inteiro num mesmo instante. A aplicação do tempo real pelas novas tecnologias é, quer se queira quer não, a aplicação de um tempo sem relação com o tempo histórico, isto é, um tempo mundial. O tempo real é o tempo mundial. Ora toda a história é feita num tempo local, o tempo local da França, o da América, o da Itália, o de Paris, ou o de qualquer outro lado. E as capacidades de interacção e de interactividade instantâneas desembocam na possibilidade de aplicação de um tempo único, de uni tempo que por isso mesmo não se re-fere senão a um tempo universal da astronomia. É um acontecimento ímpar. É um acontecimento positivo, ao mesmo tempo que é um acontecimento carregado de potencialidades negativas, e eu digo-o porque sou uni filho do século XX e não do século XXI. Eu não brinco às cassandras, sou simplesmente um verdadeiro amante das novas tecnologias... Lembro-vos, aliás, que há dez anos o ministério do Equipamento, da Habitação, do Ordenamento do Território e dos Transportes me atribuíam, por unanimidade do seu júri, o Grande Prémio Nacional da Crítica! Os multimedia colocam-nos diante de uma questão: poderemos encontrar uma democracia no tempo real, do live, da imediatidade e da ubiquidade? Há a ilusão de uma velocidade salvadora, a ilusão de que a aproximação exagerada das populações não vai levar a conflitos, mas ao amor, que deve amarse o seu longínquo como a si mesmo. Eu creio que é uma verdadeira ilusão. A velocidade muda a visão do mundo. No séc XIX, com a fotografia e o cinema, a visão do mundo torna-se “objectiva” ( a palavra “objectivo” aparece não só no aparelho fotográfico, mas também no pensamento filosófico e político). Pode dizerse que hoje ela torna-se “tele-objectiva”. Isto é, que a televisão e os multimedia esmagam os planos aproximados do tempo e do espaço como uma fotografia na teleobjectiva esmaga o horizonte. 12

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A PELE DA CULTURA

DERRICK DE KERCKHOVE

RES PUBLICA

NADA MUDOU. SE OS TEMPOS DO COMUNISMO ERAM PÉSSIMOS OS DO CAPITALISMO TAMBÉM SÃO. SE ANTES HAVIA UMA CENSURA POLÍTICA, AGORA EXISTE UMA CENSURA ECONÓMICA. NADA MUDOU. BÉLA TARR

OSMAN KHAN

WE INTERRUPT YOUR REGULARLY SCHEDULED PROGRAM


242 - 244

Res publica, a coisa pública, era a ideia que os romanos tinham de corno organizar uma sociedade de iguais. Foi o primeiro conceito na democracia ocidental de «domínio público». Nessa altura ninguém cunhou a expressão decorrente, res privata «a coisa privada», mas o que é certo é que o exercício do direito à privacidade depende do reconhecimento de um domínio público. É só dentro dos limites do que é público que se pode reivindicar a privacidade. A distinção é muito clara. E a democracia baseia-se nessa distinção. A electricidade acelerou o domínio do público, através da TV, e do domínio privado, através dos computadores e das redes. A convergência da TV e. dos computadores, com a proliferação das redes celulares e de cabo, está a esbater a distinção entre o domínio público e privado. O espaço da Internet não é neutral, não tem fronteiras, não é estável nem unificado. É orgânico. Comporta-se como um sistema auto-regulado em perpétuo movimento. E tornará totalmente obsoletas as nossas ideias políticas. consciência global A televisão domina a ideia que fazemos das relações espaciais. Cada cadeia de televisão partilha, mais ou menos com as outras a mesma representação da realidade, particularmente quando estão a cobrir as mesmas notícias, desportos ou qualquer acontecimento em directo. É isto que faz do mundo uma aldeia onde toda a gente conhece toda a gente ou, pelo menos, onde toda a gente concorda, com maior ou menor relutância, que toda a gente partilha o mesmo espaço. Hoje é essa ideia de espaço que está a ser desafiada por uma nova foram de experiência consciente, que a humanidade até hoje ainda não conhecia, e para a qual ainda não existe designação no vocabulário psicológico. A consciência é o termo central da globalização. Enquanto os críticos sociais corno Hans Magnus Enzensberger, Jurgen Habermamu Jean Baudrillard reconheceram correctamente que a consciência é um novo produto industrial, a sua abordagem política estreitou o âmbito do seu estudo e afastou-os dos desenvolvimentos mais completos que estão agora a dar-se. Pela primeira vez na história do mundo, estamos a acelerar em direcção a um novo nível de consciência privado e público ao mesmo tempo. Há pelo menos três características da tendência actual da globalização que nos merecem considerações psicológicas (e não exclusivamente políticas): transparência, instantaneidade e ambientes inteligentes.

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PROPAGANDA

BERNARD BERNAYS

ORGANIZANDO O CAOS A manipulação conscienciosa e inteligente dos hábitos organizados e das opiniões é um elemento importante da sociedade democrática. Aqueles que manipulam este oculto mecanismo da sociedade constituem um governo invisível que é o verdadeiro poder regulador no nosso país. Somos governados, as nossas mentes moldadas, os nossos gostos formados, as nossas ideias sugeridas, em grande medida por homens dos quais nunca ouvimos falar. Este é o resultado lógico do modo como a nossa democracia está organizada. Um vasto número de seres humanos têm de cooperar desta maneira se querem viver em conjunto como uma sociedade que funcione tranquilamente. Os nossos governantes invisíveis são, em muitos casos, desconhecedores da identidade dos seus companheiros no gabinete secreto. Governam pelas suas qualidades de liderança natural, pela sua capacidade de proporcionar as ideias que são necessárias e pela sua posição chave na estrutura social. Qualquer que seja a atitude que alguém tome em relação à sua condição, subsiste o facto de que em quase todos os actos da nossa vida quotidiana, quer seja na esfera da política quer dos negócios, na nossa conduta social ou no nosso julgamento ético, somos dominados pelo número reduzido de pessoas — uma irrisória fracção dos nossos cento e vinte milhões — que compreendem os processos mentais e os padrões sociais das massas. São eles que puxam os fios que controlam a mentalidade pública, que ataviam as velhas forças sociais e idealizam novas maneiras de ligar e guiar o mundo. Geralmente, não se percebe o quanto estes governantes invisíveis são necessários ao funcionamento ordeiro da nossa vida em grupo. Em teoria, cada cidadão pode votar por quem lhe apraz. A nossa Constituição não prevê partidos políticos como parte do mecanismo de governação, e os seus criadores parecem não ter visualizado para si mesmos a existência de políticas nacionais ou algo que se assemelhe à moderna máquina política. Mas os eleitores americanos rapidamente perceberam que sem organização e direcção os seus votos individuais, depositados, talvez, em dúzias de centenas de candidatos, não produziriam senão confusão. Um governo invisível, na forma de rudimentares partidos políticos, surgiu quase de um dia para o outro. Desde então acordámos, em nome da simplicidade e da praticabilidade, que essas máquinas partidárias estreitam o campo de escolha para dois candidatos, ou no máximo três ou quatro. Em teoria, cada cidadão constrói a sua ideia quanto às questões públicas e matérias do foro privado. Na prática, se todos os homens tivessem de estudar por si mesmos os abstrusos dados económicos, políticos e éticos envolvidos em todas as questões, seria-lhes simplesmente impossível chegar a uma conclusão. Acordámos voluntariamente em deixar que um governo invisível passasse por um crivo os dados e desse relevo ao resultado dessa acção para que o nosso campo de escolha seja restringido a dimensões práticas. Dos nossos líderes e dos meios de comunicação que usam para atingir o público, nós aceitamos a evidência e a demarcação de resultados esclarecer para a questão pública; de um professor ético, seja um pastor de igreja, um ensaísta preferido, ou simplesmente uma opinião prevalecente, aceitamos um código de conduta social padronizado com o qual concordamos a maior parte das vezes. Em teoria, qualquer pessoa compra o melhor e O mais barato que lhe é oferecido pelo mercado. Na prática, se cada um fosse à procura de preços, e conhecer quimicamente antes de comprar, as dúzias de sabonetes ou os ingredientes ou os tipos de pão que se encontram à venda, a vida económica estaria desesperadamente encravada. Para evitar esta confusão, a sociedade consente ter a sua escolha restringida a ideias e objectos que captem a sua atenção através de todos os géneros de propaganda. Existe consequentemente um vasto e contínuo esforço em andar a capturar as nossas mentes no interesse de unia determinada política, bem ou ideia.

ALEX KURINA

COMERCIAL BREAKERS

Pode ser preferível ter, em vez de propaganda e argumentação, comissões de homens sábios que escolhessem os nossos dirigentes, ditassem a nossa conduta, privada e pública, e decidissem sobre os melhores tipos de roupa que usaremos e o melhor género de comida que comeremos. Mas, temos de escolher o método oposto, o da competição aberta. Devemos encontrar uma via pela qual a prática da livre competição funcione de uma forma razoavelmente tranquila. Para a atingir a sociedade tem consentido em permitir que a livre competição seja organizada pela liderança e pela propaganda.


19 - 24 Alguns dos fenómenos deste processo são criticados a manipulação de notícias, a inflação da personalidade, e o generalizado exagero da propaganda pelos quais os políticos, os produtos e as ideias sociais são levadas até à consciência das massas. Os instrumentos pelos quais a opinião pública é organizada e orientada podem ser mal usados. Orientação e organização estas necessárias a unia vida ordenada. À medida que a civilização se tem tornado cada vez mais complexa, e como a necessidade de um governo invisível tem aumentado, inventaram-se e desenvolveram-se meios técnicos pela qual a opinião pública pode ser regimentada. Com a imprensa escrita e o jornal, o caminho de ferro, o telefone, o telégrafo, a rádio e os aviões, as ideias podem difundir-se rapidamente ou mesmo instantaneamente por toda a América. H. G. Wells apercebeu-se das vastas potencialidades desta invenções quando escreveu no New York Times: «Os modernos meios de comunicação — o poder proporcionado pela imprensa, pelo telefone, pelo telefone sem fios e o mais que se há de ver, de colocar rapidamente directivas estratégicas ou concepções num grande número de centros que cooperam entre si, de obter rápidas respostas e uma efectiva discussão — abriram um novo mundo de processos políticos. Às ideias e opiniões podem agora ser dadas urna eficácia muito maior do que a eficácia de uma qualquer personalidade e mais robusta do que qualquer interesse sectorial. A concepção comum pode ser documentada e sustentada face à perversão e à traição. Pode ser ininterrupta e largamente elaborada e desenvolvida sem más interpretações pessoais, locais ou sectoriais.» O que o Sr. Wells diz dos processos políticos é igual-mente verdadeiro para os processos comerciais e sociais e todas as manifestações de actividade de massas. Os agrupamentos e filiações da sociedade já não são sujeitas actualmente a limitações «locais e sectoriais» ando a Constituição foi adoptada a comunidade e aldeia era a organização que produzia grande parte dos bens que necessitava e gerava as suas ideias e opiniões de grupo por contacto pessoal e por discussão entre os cidadãos. Mas hoje, quando as ideias podem ser transmitidas instantaneamente a uma distância qualquer, esta integração tem sido acrescida de por muitos outros tipos de agrupamentos, assim pessoas que têm as mesmas ideias e interesses podem ser associadas e regimentadas para uma acção comum mesmo que vivam a milhares de milhas de distância umas das outras.

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DIÁRIO DE NOTÍCIAS, 18 FEVEREIRO 2012

OSCAR MASCARENHAS

A PUBLICIDADE TEM ARTES E MANHAS [...] Dois episódios recentes, alertados por leitores felizmente atentos, vieram trazer a debate o sortilégio desta tensão latente: jornalismo e publicidade são parceiros inseparáveis para assegurar o serviço da comunicação com o público e, no entanto, têm de odiar-se cordialmente. Jornalismo e publicidade habitam a mesma casa mas existem por razões quase sempre diametralmente opostas: a finalidade do jornalismo, ao oferecer ao público as informações necessárias e suficientes para que este possa fazer juízos de valor ponderados, é alargar o campo da liberdade dos seus destinatários, aumentar-lhes a capacidade de escolha; a publicidade e a propaganda visam, pelo contrário, condicionar e restringir a liberdade de escolha, canalizando os destinatários para os seus próprios objetivos. O jornalista dirá que há cinco medicamentos aptos a curar dores de cabeça e o publicitário garantirá que a marca tal é aquela que vai dar o alívio ansiado. É a credibilidade do jornalismo que leva a publicidade e a propaganda a irem na sua boleia, procurando por vezes confundir-se com ele. Se o jornalismo deixar que tal aconteça, é a sua credibilidade que é posta em jogo, perde o jornalismo e, consequentemente, perde a publicidade - é esta a equação paradoxal. Uma leitora, Maria João Pires, dirigiu-me uma queixa contra uma notícia de página inteira publicada a 23 de janeiro sob uma rubrica intitulada “Artes/ Tendências”, considerando-a, sem hesitar, tratar-se de “publicidade encapotada”. Basta olhar para a página para se tender a concordar com a leitora: trata-se de um texto sobre lentes oftalmológicas que são feitas por empresa - Nikon - que ganhou celebridade por fabricar lentes para fotografia. Até aí, nada a obstar - é informação. Mas mais de metade da página é preenchida com duas fotografias tão publicitárias que até trazem inscritas frases do fabricante - em inglês, com microscópica tradução também nas fotos. O texto continha algumas declarações colhidas pela repórter do DN junto de um dos diretores internacionais do fabricante, o que, por esse lado, lhe dava contornos jornalísticos. No entanto, certas inconsistências como afirmar no texto que “já é possível encontrar ou solicitar as [lentes] Nikon” e garantir, em legenda destacada, que “as lentes Nikon (...) já estão entre as mais populares em Portugal” fazem pensar numa atípica variante do “jornalismo pisca-pisca”: ora é jornalismo, ora é publicidade. Pedidas as explicações aos editores e à redatora fiquei a saber ter havido uma acumulação de coincidências infelizes. “Não tendo estado no jornal nesse dia”, explicou o editor Nuno Galopim, “e, portanto, não podendo ter editado a página, não posso responder muito mais senão que, de facto, o texto carecia de edição, que as legendas são de redação menos feliz e que as imagens deveriam ter sido ou tratadas ou recusadas, devendo eventualmente terem sido pedidas outras em seu lugar (mas era domingo, pelo que esta última alternativa talvez fosse escolha impossível).” A redatora do texto, Catarina Vasques Rito, esclareceu que “o artigo foi escrito com o intuito de dar a conhecer uma outra faceta de uma marca, quase centenária, que o consumidor conhece maioritariamente pelos seus produtos vocacionados/dirigidos a profissionais da fotografia (como mencionado). Através de contactos realizados pela área que trabalho (moda/lifestyle) consegui falar com o diretor internacional da marca na Europa, a quem fiz algumas perguntas sobre a marca, esta aposta no fabrico de lentes oftalmológicas e o facto de serem pouco conhecidas em Portugal face a outras (...) “. Quanto às fotos, que afirma ser “comum nesta área serem as marcas a facultar as imagens”, informa que pediu “a quem de direito que fossem limpas, quer no nome da marca quer nas frases, o que acabou por não acontecer por completo”. O mal está feito. Não foi publicidade encapotada mas comportou-se como tal. As imagens, mesmo que exista esse hábito de serem as marcas a fornecê-las, exigiam, por dever de transparência e honestidade para com o leitor, a aposição da indicação de “Fotos cedidas pela marca tal” e não um equívoco “Direitos reservados” que ninguém ao certo sabe o que seja. E o texto deve redobrar o seu rigor e distância, deixando bem claro, sempre que for o caso, que a fonte foi um press release da marca. Quem não faz publicidade encapotada não veste a notícia com tal capote.

TOMATO

PROCESS


PARA SE VESTIR COM ROUPAS DE NOTÍCIA. O segundo episódio surgiu porque um leitor muito atento, Cláudio Tereso, procurou confirmar informações no que pensou ser uma notícia. Tratava-se de um texto sobre os méritos da acupunctura no alívio de enxaquecas, publicado na primeira página do caderno “Classificados”. Como o texto referia conclusões de uma revista científica, o leitor deu-se ao trabalho de verificar e apurou que a publicação concluía exatamente o oposto do que era referido no texto do DN: a acupunctura tradicional chinesa não tem efeitos muito diferentes da sham acupuncture (acupunctura fingida) no alívio de enxaquecas. Procurando saber como é que tal informação fora publicada no DN, fui informado pela Direção que a inserção do texto foi da responsabilidade da Direção Comercial. Esta confirmou que o artigo era “da responsabilidade do Centro de Terapias Chinesas, enviado pela agência de comunicação Inforpress”. O leitor, aliás, já suspeitava que fosse um artigo publicitário, mas protestava pelo facto de não aparecer qualquer referência expressa a publicidade. “Defendeu-se” a Direção Comercial: “Efetivamente, o 2.º caderno do DN é na sua totalidade um caderno comercial, logo toda a informação aí contida é de âmbito comercial pelo que, automaticamente, se encontra ao abrigo da publicidade.” A verdade é que a explicação não convenceu o leitor - nem a mim. Na mesma página em que aparece esse artigo há três pequenas referências “Publicidade” a outros tantos anúncios. Se o artigo principal não a tem é porque não é “Publicidade” - ou alguém quer deixar o leitor no equívoco. E tem sido essa a prática em todas as primeiras páginas do caderno “Classificados”. Isso é inaceitável. A Direção do jornal, como primeira responsável por tudo quanto nele se publica, seja informação, seja publicidade, informou-me que vai por termo a esta “ratoeira” ao leitor.

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FANTASMAS AO ESPELHO

JOAQUIM TRIGO DE NEGREIROS

JORNALISMO E SOCIEDADE DE INFORMAÇÃO O papel social desempenhado pelos jornalistas, bem como os modelos de representação através dos quais os profissionais da informação o definem, só podem ser compreendidos tendo em conta a sociedade em que tal papel se exerce e onde tais representações emergem dotadas de sentido. Assim, e não sendo nossa intenção alongarmo-nos em considerações sobre a natureza das sociedades contemporâneas, impõe-se a necessidade de apontar determinados traços do funcionamento social cuja referência se nos afigura inevitável para uma apreensão mais nítida da importância do jornalismo e para uma análise mais consistente da "ideia" de jornalismo alimentada pelos próprios jornalistas. Os traços que pretendemos sublinhar são sobretudo aqueles que se prendem com a chamada sociedade de informação, cujas alegadas virtual idades e perigos já se tornaram ternas recorrentes no discurso dominante sobre o mundo em que vivemos. Independentemente dos juízos de valor sobre os benefícios ou os malefícios de uma sociedade onde a informação adquiriu um valor sem precedentes, o que aqui importa brevemente referir são as razões que explicam o fenómeno, bem como algumas das suas consequências, nomeada-mente aquelas que mais directa e profundamente afectam o campo jornalístico e a respectiva representação. Na sua acepção mais vulgar, a ideia de "sociedade de informação" remete para um universo social caracterizado por uma circulação de informação sem precedentes, simultaneamente potenciada por um extraordinário desenvolvimento de novos aparatos tecnológicos e potenciadora de uma rearticulação do espaço social em função da importância crescente da informação. O volume de informação disponível e a velocidade de geração, difusão e circulação de materiais informativos são, efectivamente, elementos socialmente estruturantes, mas constatá-lo não basta para apreender a verdadeira dimensão da informação nas sociedades contemporâneas: é preciso ultrapassar o âmbito de uma análise meramente quantitativa, procedendo a uma reflexão sobre a "qualidade" da informação difundida pelos media contemporâneos. A especificidade qualitativa da informação predominante nas sociedades contemporâneas torna-se mais clara quando a contra-pomos às duas grandes instâncias historicamente conotadas com a produção de conhecimento social: a tradição e a ciência. O contra-ponto deve, no entanto ser antecedido por uma questão prévia: será correcto atribuir à informação mediatizada o estatuto de fonte de saberes comparável às instâncias clássicas de produção de conhecimento social? O decisivo efeito dos media na determinação "qualitativa" dos horizontes de referência das sociedades contemporâneas fornece-nos a resposta. Sim, a informação mediatizada corresponde a uma forma particular de conhecimento social partilhado, funcionando efectivamente como fonte de explicações e convicções que enquadram a relação com a realidade e orientam a acção social. O que distingue o conhecimento social veiculado sob a forma de informação mediatizada das instâncias historicamente responsáveis pela criação e difusão de saberes socialmente determinantes é o carácter particular das explicações e das convicções difundidas por via mediática. À semelhança da tradição e da ciência, a informação mediática produz um sistema próprio de conhecimento estruturado a partir de um núcleo de crenças, de convicções credenciadas sobre a realidade. Contudo, o sistema de conhecimentos produzido e difundido por via mediática proporciona dispositivos de pertença simbólica distintos daqueles que radicam na tradição ou no conhecimento científico. Entre as várias aproximações que nos permitem detectar as diferenças, reteremos aquela que põe em evidência a especificidade da relação entre representação e realidade no caso da informação mediatizada. Ao contrário das crenças próprias da tradição, que, porque transcendem o real, dispensam a confirmação da realidade, as convicções difundidas por via mediática apresentam-se-nos como produto de uma consulta prévia à realidade, legitimada por um conjunto de mitos e estereótipos entre os quais se destaca o princípio matricial da objectividade. O sistema de conhecimento proporcionado pela informação medi ática parece assim aproximar-se do conhecimento científico, na medida em que este último também se encontra sujeito a uma verificação junto da realidade.

BATTLE IN SEATTLE

2007


30 - 33 Mas a ideia segundo a qual o conhecimento científico e a informação mediática partilhariam uma natureza comum, definida por oposição à transcendência própria do conhecimento tradicional e caracterizada por uma dependência face à realidade "deste mundo", não se revela adequada para determinar o lugar do conhecimento difundido pelos media nas sociedades contemporâneas. É cada vez mais nítida a forma como o sistema mediático dispensa quaisquer supostas cauções exteriores, substituindo o vai-vem entre representação e realidade representada estruturante de outras modalidades de conhecimento por um jogo de espelhos entre representações que: fecha o sistema sobre o seu próprio circuito de produção de informação e lhe confere o estatuto de representante e referente de si mesmo. Uma vez estabelecido, ainda que não assumido, este modo de funcionamento gerador de uma autosuficiência cognitiva - registe-se que o movimento de consulta e verificação em direcção à realidade não desapareceu da retórica autolegitimadora dos media - o conhecimento mediático está em condições de desempenhar com eficácia acrescida a função que lhe cabe nas sociedades contemporâneas. Varridos por um fluxo de representações em constante mutação, privados da estabilidade de um "sentido comum" ancorado na tradição ou na ciência, confrontados com a fluidez de certezas em permanente processo de revisão e reciclagem, os indivíduos não encontram nas instituições tradicionalmente ligadas à produção e difusão de conhecimento os dispositivos de regulação susceptíveis de enquadrar tais representações em processo de contínua renovação. A capacidade dos media - nomeadamente dos media noticiosos - para redifinir continuamente horizontes de referência a partir do tratamento supostamente factual do acontecer social oferece a alternativa mais adequada à natureza das sociedades contemporâneas. Assim, para além de constituir um instrumento privilegiado de acesso a um universo informativo que ultrapassa largamente as fronteiras da experiência directa de cada indivíduo - também de resto, enquadrada por quadros de referência elaborados e difundidos através dos media - o conhecimento mediático assume para si o papel de definidor por excelência da realidade, [re]criando e difundido continuamente representações susceptíveis de gerar sentidos "consumíveis" por sociedades cujo teor de anemia pós em causa a eficácia de outras instâncias vocacionadas para esse tipo de função.

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A TIRANIA DA COMUNICAÇÃO

IGNACIO RAMONET

PARA TERMINAR : INFORMAR-SE CANSA A imprensa escrita está em crise. Ela conhece, em França, nos Estados Unidos e noutros lugares, uma baixa considerável na sua difusão e sofre gravemente de uma perda de identidade. Quais as razões e como é que se chegou a isto? Independentemente da influência segura do contexto económico, é necessário procurar as causas profundas desta crise na mudança que sofreram, nos últimos anos, alguns conceito básicos do jornalismo. Em primeiro lugar, o próprio lugar, o próprio conceito de informação. Ainda recentemente, informar era, de algum modo, não só fornecer uma descrição exacta - e confirmada - de um facto, de um acontecimento, mas também um conjunto de parâmetros contextuais, que permitissem ao leitor compreender o seu significado profundo. Era dar resposta a questões fundamentais: quem fez o quê? Quando? Onde? Como? Porquê? Com que meios? Em que circunstâncias? E quais são as consequências? Sob a influência da televisão, que ocupa hoje um lugar dominante, na hierarquia dos media, e propaganda o seu modelo, isso mudou. O telejornal, devido, especialmente, à sua ideologia do directo e do tempo real, isso foi impondo, progressivamente, uma concepção radicalmente diferente da informação. Actualmente, informar “é mostrar a história em movimento” ou, por outras palavras, permitir que se assista (se possível, em directo) aos acontecimentos. Trata-se, em matéria de informação, de uma revolução copérnica de que ainda não calculamos todas as consequências. Isto porque tal supões que a imagem do acontecimento (ou a sua descrição) basta para lhe dar todo o seu significado. No limite, o próprio jornalista está a mais neste frente-a-frente do telespectadorhistória. O objectivo prioritário, para o telespectador, a sua satisfação, já não é compreender o alcance de um acontecimento, mas simplesmente olhar enquanto se produz sob o seu olhar. Uma tal coincidência é tida com o motivo de regozijo. Assim, foi-se estabelecendo, a pouco e pouco, a ilusão de que ver é compreender. E que qualquer acontecimento, por mais abstracto que seja, tem imperativamente que apresentar uma faceta visível, que possa ser mostrada, teledifundida. Por outro lado, uma tal concepção da informação leva a um fascínio preocupante pelas imagens, “filmadas em directo”, de acontecimentos palpitantes, de cenas violentas e de fait divers sangrentos. Esta procura encorajar a apresentação de documentos falsos, de reconstituições, de manipulações e de “montagens”. Resultado: informação e entretenimento tendem cada vez mais a confundir-se; os jornais de referência cada vez mais se alinham pelo tablóide. Houve um outro conceito que mudou: o da actualidade. O que significa hoje a actualidade? Que acontecimento é preciso privilegiar na abundância de factos que acontecem em todo o mundo? Escolher em função de que critérios? Aí também a influência da televisão se mostra dominante. Ela é, com o impacte das suas imagens, que impõe a sua escolha e obriga praticamente a imprensa escrita a segui-la. A televisão constrói a actualidade, provoca o choque emocional e condena as notícias órfãs de imagens à indiferença e ao silêncio. Aos poucos vai-se criando nos espíritos a ideia de que a importância dos acontecimentos é proporcional à sua riqueza em imagens. Ou, por outras palavras, que um acontecimento que pode mostrar-se (em directo e em tempo real) é mais forte, mais importante do que aquele que permanece invisível e cuja a importância é abstracta. Na nova ordem dos media, as palavras ou os textos não têm o valor das imagens. O tempo da informação também mudou. A Internet encurta o período da informação. A medição mais favorável dos media é agora a instantaneidade (o tempo real), o directo), (live), que apenas a televisão e a rádio podem pôr em prática. Tal põe fora de moda a imprensa diária, forçosamente atrasada em relação ao acontecimento e, ao mesmo tempo demasiado próxima para conseguir retirar, com distanciamento necessário, todos os ensinamentos do que acaba de acontecer. A imprensa escrita diária é, assim, forçada a restringir-se cada vez mais às locais, às rubricas sobre gente (people) e “negócios” (affaires)”. Um quarto conceito mudou: aquele, fundamental, da veracidade da informação, Hoje, um facto é verdadeiro não porque obedece a critérios objectivos, rigorosos e comprovados na fonte, mas simplesmente porque outros media repetem as mesmas afirmações e “confirmam”... A repetição substitui-se à verificação. A informação é substituída pela confirmação.

DAIDO MORIYAMA


134 - 139 Nesta desordem mediática, é inútil querer analisar a imprensa escrita separadamente dos outros meios de informação. Tanto que, ao contrário de todas as outras indústrias em que a concorrência obriga cada qual a apresentar produtos diferentes, na indústria mediática ela empurra os jornalistas para darem mostras de mimetismos, para dedicarem todo o seu talento a repetir a mesma história, a tratar o mesmo assunto que mobiliza, na mesma ocasião, todos os media. “Agora basta qualquer informação ser lançada para que ela seja retomada por todos”, afirma Benoît Delépine, dos Guidnols New Company. “Eu acreditava que vivia numa sociedade informada, mas a informação é conduzida por tácticas de sedução que nos desviam necessariamente da verdade” (Le Monde, 22 de Fevereiro de 1998) Os jornalistas repetem-se, imitam-se, copiam-se, correspondem-se e enredamse a ponto de constituírem apenas um sistema de informação, no meio do qual é cada vez mais difícil distinguir as particularidades de determinado medium tomado isoladamente. E o aparecimento súbito da Internet veio ainda reforçar esta imbricação. Informação e comunicação tendem a confundir-se. Um número demasiado grande de jornalistas continua a acreditar que a sua profissão é a única a produzir informação, quando todas as instituições e organizações das sociedades se puseram freneticamente a fazer o mesmo. Não existe praticamente nenhum organismo (administrativo, militar, económico, cultural, social, etc.) que não se tenha dotado de um serviço de comunicação e que não emita, sobre si próprio e sobre as suas actividades, um discurso excessivo e laudatório. Neste aspecto, todos os sistemas, nas democracias electrónicas, se tornaram ardilosos e inteligentes, inteiramente capazes de manipularem de uma forma astuciosa os media, os jornalistas, e de se resistirem sabiamente à curiosidade destes. Além disso, a concorrência desenfreada entre grupos mediáticos leva os media a abandonarem, mais ou menos cinicamente, o seu objectivo cívico. O que conta é a rentabilidade económica, o lucro. A todas estas perturbações soma-se um equívoco fundamental. Muitas pessoas acreditam que podem mesmo informar-se, confortavelmente no sofá da sala a olhar para uma sucessão de acontecimentos, apoiados em imagens quase sempre impressivas, violentas e espectaculares. É uma perfeita ilusão. Por três razões: primeiro porque o telejornal, estruturado como uma ficção, não é feito para informar, mas para entreter. Depois, porque, a rápida sucessão de notícias breves e fragmentadas (cerca de vinte em cada telejornal) produz um duplo efeito negativo de sobre-informação e de desinformação (há notícias em excesso, mas demasiado pouco tempo dedicado a cada uma delas). E, finalmente, porque querer informar-se sem esforço é uma ilusão que remete mais para o mito publicitário do que para a mobilização cívica. Informar-se, cansa, e é à custa disso que os cidadãos adquirem o direito de participar de uma forma inteligente na vida democrática. Não obstante, numerosos títulos da imprensa escrita continuam, por mimetismo televisivo, a adoptar características próprias dos media electrónicos: maqueta da primeira página concebida como um ecrã, extensão dos artigos reduzida, personalização excessiva de alguns jornalistas, prioridade ao regional sobre o internacional, excesso de títulos agressivos, prática sistemática do esquecimento, da amnésia a respeito das informações que perderam actualidade, etc. Informar-se continua a ser uma actividade produtiva, impossível de realizar sem esforço, e que exige uma verdadeira mobilização intelectual. Uma actividade bastante nobre, em democracia, para que os cidadãos queiram dedicar-lhe uma parte do seu tempo, do seu dinheiro e da sua atenção. A informação não é uma vertente do entretenimento moderno, não constitui um dos planetas da galáxia do divertimento; é uma disciplina cívica cujo objectivo é formar os cidadãos. Nessa condição, e apenas nessa condição, a imprensa escrita pode abandonar as margens confortáveis do simplismo dominante e reencontrar os seus leitores, que desejam compreender para melhor poderem agir nas nossas democracias entorpecidas. “São necessários largos anos - escreve Vaclav Havel - antes que os valores baseados na verdade e na autenticidade morais se imponham e se sobreponham ao cinismo; mas, por fim, acabam sempre por sair vitoriosos.” Deve ser essa também a aposta paciente do jornalismo.

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REFERÊNCIAS

DOSSIER DE PESQUISA

RICARDO DIAS

SE QUISERES CONTRUIR UM NAVIO, NÃO REÚNAS PESSOAS PARA IREM BUSCAR MADEIRA NEM LHES ATRIBUAS TAREFAS NEM TRABALHO; EM VEZ DISSO, ENSINA-OS A ANSIAREM PELA IMENSIDÃO INTERMINÁVEL DO MAR. ANTOINE DE SAINT-EXUPÉRY

RYOJI IKEDA

DATA ANATOMY


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CINEMATOGRAFIA/VIDEOGRAFIA GODFREY REGGIO GODFREY REGGIO BRIAN DE PALMA MIKE FIGGIS GODFREY REGGIO STUART TOWNSEND ANTÓNIO BARRETO RICHARD BROUILLETTE MAMORU HOSODA ROBERT BARRY PTOLEMY ROGER MICHELL — CHARLES AND RAY EAMES BILL VIOLA JONATHAN BARNBROOK OMER FAST ALEX KURINA MARCO BRAMBILLA

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KOYAANISQATSI 1982 POWAQQATSI 1988 SNAKE EYES 1998 TIMECODE 2000 NAQOYQATSI 2002 BATTLE IN SEATTLE 2007 PORTUGAL, UM RETRATO SOCIAL 2007 L’ENCERCLEMENT 2008 SUMMER WARS 2009 TRANSCENDENT MAN 2009 MORNING GLORY 2010 INFORMATION MACHINE 1958 INFORMATION 1973 RADIO SCOTLAND 1995 CNN CONCATENATED 2002 COMERCIAL BREAKERS 2009 FLASHBACK 2010

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COLABORADORES CRISTINA MAGALHテウS E IRENE RODRIGUES


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