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MULTIMODALIDADE EM FOCO: ANÁLISE DE CARTAZES DE FILMES EM SALA DE AULA COMO ESTÍMULO AO LETRAMENTO VISUAL CRÍTICO

Mestrando: José Israel Pereira Leandro Orientador: Prof. Dr. Carlos Magno Gomes


SUMÁRIO 1.

INTRODUÇÃO ...................................................................................................................3

2.

QUADRO RESUMO DAS ETAPAS E ATIVIDADES ........................................................9

3.

DESCRIÇÃO DO RESUMO DAS ETAPAS E ATIVIDADES ............................................9

1º ENCONTRO............................................................................................................. 9 1ª Aula: Questionário de sondagem para aferição do conhecimento dos alunos a respeito do Gênero textual cartaz de filme ..............................................................................................9 2ª Aula: Discussão sobre os dados do questionário, debate ................................................12 3ª Aula: Exposição do vídeo interativo “ESTUDO DE CARTAZES DE FILMES COM BASE NA GDV - GRAMÁTICA DO DESIGN VISUAL” ...............................................12 4ª e 5ª Aulas: Dinâmica de grupo sobre o vídeo. Dinâmica do FF/VV/ FV/ VF .................14

2º ENCONTRO........................................................................................................... 16 1ª e 2 Aulas: Aplicação do slide do Power point “Letramento visual” ................................16 3ª e 4ª Aulas: Mais alguns conceitos da GDV através de imagens ......................................17 5ª Aula: Leitura de cartazes: Resultados da proposta ..........................................................21 4.

CONCLUSÃO ...................................................................................................................24

5.

REFERÊNCIAS .................................................................................................................25


3

1. INTRODUÇÃO

Olá professora, olá professor Este caderno pedagógico é uma proposta para o trabalho com o gênero textual cartazes de filmes a partir das atividades desenvolvidas durante o projeto: PRÁTICA DE LEITURA DE CARTAZES DE FILMES. O objetivo dele é proporcionar a você educador um recurso pedagógico que lhes permita trabalhar com o texto visual numa perspectiva multimodal e interdisciplinar. Mesmo que as pessoas façam uso constante de diferentes linguagens, trabalhar com textos multimodais é um desafio para todo educador. Ciente dessa dificuldade, Kress e van Leeuwen (1996) desenvolveram uma gramática para a análise das imagens. A Gramática do Design Visual, ou simplesmente GDV. Segundo Dionisio: Gunter Kress, Theo van Leeuwen e Robert Hodge são os autores dos dois livros considerados marcos iniciais para os estudos multimodais. Em 1996 foi publicado Reading Image: The Grammar to Visual Design de Kress e van Leeuwen e, em 1998, Social Semiotics, de Hodge e Kress. O pioneirismo destes autores se deve ao fato de proporem o desenvolvimento das principais noções da Linguística SistêmicoFuncional (modo, transitividade1, dado/novo etc), originalmente voltadas para o sistema linguístico, para outros modos de comunicação (DIONISIO, 2014, p. 50).

A ausência de conceitos para o estudo da imagem começa a ser superada com os postulados da Gramática do Design Visual – GDV – de Kress e van Leeuwen (1996) buscou-se nela uma teria que pudesse atribuir julgamentos de análises às imagens assim como existem com os textos verbais. Para estes autores, (1996) com a publicação do livro Reading images: the gramar of visual design (A leitura de imagens: A gramática do Design Visual), o texto visual oferece categorias de análises que permite o aprofundamento da leitura de textos multimodais, compostos por imagens e outros elementos multissemióticos. Desse modo, os postulados dessa gramática estão em consonância com o estudo do gênero cartaz de filme porque é ela, a GDV, quem vai orientar o professor no estudo e compreensão das análises do corpus deste caderno.


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Segundo Machado apud Almeida (2008, p.9) “[...] o que a Gramática Visual de Kress e van Leeuwen advoga é a conscientização das imagens não como veículos neutros desprovidos de seu contexto social, político e cultural, mas enquanto códigos dotados de significado potencial, imbuídos de estruturas sintáticas próprias. ” O estudo de novos gêneros textuais, inclusive daqueles que pouco são empregados nas salas de aula, representam um pouco daquilo que a sociedade tem criado em termos de linguagem. Por causa disso, os textos produzidos na atualidade se inserem num contexto onde a multimodalidade é uma de suas caraterísticas mais evidentes. Isto é, hoje é muito comum a utilização de textos híbridos para a propagação de mensagens, estes, por sua vez, constituídos por múltiplas linguagens. Conforme Rojo (2012, p. 14) “Vivemos, já a pelo menos desde o início do século XX (senão desde sempre) em sociedade de híbridos impuros, fronteiriços”. Isso se define no fato de que os textos de hoje é uma simbiose de composições, formado por várias linguagens. Eles representam uma multiplicidade de formas porque são construídos numa multiplicidade de culturas. Desse modo, a concepção de multimodalidade é que mais representa os textos criados a partir de várias linguagens. Para Amarilha (2010, p. 6) os textos multimodais podem ser constituídos por linguagem verbal, não verbal, gestual, tátil, sonora, etc. Isso é muito comum nos textos veiculados pelas novas tecnologias. Elas criam hipertextos, mídias interativas e digitais, permitem a colaboração dos leitores de modo ativo, ou seja, o leitor do texto multimodal pode escolher, grosso modo, que caminho seguir no seu processo de leitura, sem necessariamente ter que obedecer um padrão prédefinido. As habilidades de ler e de escrever que hoje são tão requeridas nas escolas não dão conta da compreensão dos novos gêneros textuais emergentes porque eles não se resumem apenas a palavra verbal. Logo, se no passado se discutia a eficiência da alfabetização, hoje, se questiona até que ponto o ato de letrar o aluno para produzir o texto verbal é mesmo a melhor escolha. Sendo assim, convém salientar que: “E como ficam nisso os letramentos? Tornam-se multiletramentos: são necessárias novas ferramentas – além da escrita manual (papel, lápis, caneta, giz, lousa) e impressa (tipográfica, impressa – de áudio, vídeo, tratamento da imagem, edição e diagramação. ” (ROJO; MOURA, 2012, p 21). Mesmo sabendo-se que qualquer ato de interação pode ser multimodal, o significado do termo nunca foi tão coerente como agora. Pois, mediante a utilização dos


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recursos tecnológicos atuais, percebe-se que os textos são cada vez mais heterogêneos, eles combinam imagens, sons, gráficos e muito outros elementos para construir a mensagem que desejam propagar. Em suma: Multimodalidade é todo o arranjo que compõe um texto, em qualquer gênero, oral ou escrito: diagramação, cores, ilustrações, tipo de papel, gestos, entonação de voz, expressões faciais. Com base nesse conceito, podemos afirmar que o conceito de linguagem, consequentemente, não pode se restringir aos elementos da linguagem verbal, pois, cada vez mais, outros signos que servem de meio de comunicação de ideias ou de sentimentos estão presentes nas novas linguagens – publicidade, internete, sinais, emotions. (MACEDO, 2013, p. 98).

Partindo-se do pressuposto de que o aluno utiliza uma infinidade de gêneros textuais de diferentes composições, é interessante ressaltar que o ato de letrar para um único modelo de texto não corresponde àquilo que os sujeitos, de fato, vivenciam. Logo, aquilo que Rojo e Moura propõem está de acordo com Dionisio quando ela diz:

A noção de letramento como habilidade de ler e escrever não abrange todos os diferentes tipos de representação do conhecimento em nossa sociedade. Na atualidade, uma pessoa letrada deve ser alguém capaz de atribuir sentidos a mensagens oriundas de múltiplas formas de linguagem, bem como ser capaz de produzir mensagens, incorporando múltiplas fontes de linguagens (2011, p. 137-138).

Quando se fala em gêneros textuais, é interessante ressaltar que foi a partir dos estudos linguísticos de Bakhtin sobre a linguagem que os gêneros textuais ganham importância no cenário escolar. Assim, segundo este autor (2003, p. 268), os gêneros “refletem de modo mais imediato, preciso e flexível todas as mudanças que transcorrem na vida social”. É comum que a aula de língua portuguesa renegue outros aspectos do texto para priorizar simplesmente os exercícios de metalinguagem. A aprendizagem do idioma que se refere aos aspectos formais da gramática normativa é importante porque muito conhecimento é veiculado e produzido por meio dessa variedade, entretanto: “O foco no texto verbal e na gramática se opõe às cores, imagens, ao som e ao movimento que predominam nas telas dos dispositivos eletrônicos tão frequentes na rotina dos adolescentes” (LAGE, 2013, p. 2).


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Como criação de uma sociedade, o texto, seja ele qual for, possui um propósito para o qual foi construído. Logo, pode-se dizer que texto e discurso se fundem quando este se materializa naquele, para que isso aconteça, vários fatores entram no jogo da significação, deles, o contexto de circulação, onde os textos de fato se materializam muito representa. Como exemplo disso, imagine-se uma pessoa que vai passando por uma rua e ouve alguém gritar a palavra: MADEIIIRA!!!, supostamente ela não saberá ao certo o que está acontecendo; já este mesmo texto pronunciado num local onde alguém está derrubando árvores significa advertência, solicitação de que o interlocutor se proteja contra possíveis acidentes. Esse exemplo evidencia o porquê da importância dos gêneros textuais para a aula de língua portuguesa, pois ao passo que a escola, erroneamente, insiste em ensinar ao aluno a decodificação de letras, palavras ou termos isoladamente, como se a língua fosse estanque, morta, com frases inventadas ou com o texto como pretexto, o estudo do idioma com os gêneros textuais compreende o texto em sua funcionalidade, para que ele foi produzido, para quem, onde será veiculado, com quais finalidades, etc. assim, segundo Marcuschi (2008, p. 155) os gêneros textuais representam os textos materializados em situações comunicativas recorrentes e que fazem parte de nossa vida diária. Por fazer parte dos eventos reais de comunicação e, tendo em vista a multiplicidade desses eventos, é natural que os sujeitos produzam textos diversos para finalidades diversas. Isso só aumenta a variedade de textos e de elementos que os compõem. Contudo, por mais que o texto não possua tantos recursos composicionais, mesmo assim, é bem provável que ele possua algum elemento que exija do leitor um conhecimento a mais que o linguístico. Logo, pode-se afirmar, que todo texto, em maior ou menor medida, é multimodal. Para Descardeci (2002, p. 20) até mesmo o texto verbal, pode ser multimodal, desde que eles possuem formatos de letras diferentes, diagramação, cores, etc. A produção e a leitura do texto verbal requerem dos sujeitos algumas competências e habilidades que, em muitos casos, não são as mesmas que o aluno utiliza para ler ou produzir um texto numa tela de computador conectado à internet. Compreender como os sujeitos utilizam as novas metodologias como aliadas à comunicação é, num primeiro momento, uma ação necessária ao professor para que ele não fique aquém daquilo que o aluno vivencia; num segundo, representa a oportunidade de o professor compreender que:


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Pedagogia dos Multiletramentos é justamente pensar que, para essa juventude, inclusive para o trabalho, para a cidadania em geral, não é mais o impresso padrão que vai funcionar unicamente. Essas mídias, portanto, têm que ser incorporadas efetivamente, todas elas, tvs, rádios, essas mídias de massas, mas sobretudo as digitais incorporadas na prática escolar diária. (ROJO, 2013 apud LAGE, 2013, p. 3).

Dentro dessa perspectiva multimodal, se insere o texto visual e a leitura de imagens. Isso justifica o objeto de estudo desse caderno, o gênero textual Cartaz de Filme. Nas sociedades atuais, a utilização de imagens para a construção de mensagens é um recurso bastante utilizado. Contudo, por mais que a imagem possua, em muitos casos, uma função mais importante que o texto verbal, ela tem sido renunciada a aquele, pois é comum percebê-la como um simples acessório para a construção de sentidos. Ademais, as novas tecnologias proporcionam tanto a veiculação quanto a criação de novas linguagens, sendo assim, é fácil para os sujeitos o contato com os gêneros multimodais, inclusive o gênero cartaz de filme. Neste caso: “Na contemporaneidade, as aplicações das Tecnologias de Informação e Comunicação – doravante TICs – mudaram as formas de pensar e atuar da humanidade, transcendendo barreiras físicas e temporais nas relações sociais de modo inimaginável. ” (BRITO; SAMPAIO, 2013, p. 2). A maioria dos alunos lidam diariamente com o celular e muitos deles com o computador, essa é uma realidade cada vez mais evidente e interessante. Contudo, nem sempre o discente tem o cuidado de analisar criticamente para que serve toda a informação que ele consome porque ele faz isso de modo espontâneo, como se isso não tivesse nenhuma implicação para ele nem para os outros. Essa atitude do aluno desconsidera o fato de que todo texto, por mais insignificante que pareça é um ato de linguagem. O gênero cartaz de filme, como qualquer outro gênero textual, também possui marcas discursivas muito evidentes que se destinam a determinado público leitor. Para que o objetivo de promover o filme seja alcançado, os cartazes de filmes necessitam de um forte apelo visual que incide na união dos elementos verbais com os elementos nãoverbais, de um ambiente de circulação no qual as pessoas possam ter contato com ele, dentre outros aspectos. Pensando-se por esse viés, fica evidente o quanto as novas tecnologias são importantes para a criação e difusão desse gênero textual. Claro que a


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relação homem x imagem surgiu mesmo antes da palavra e muito mais ainda das tecnologias. Mas com a utilização delas, a imagem tem sido cada dia mais importante para a linguagem. Contudo, apesar de sua grande utilidade e uso, faltava um arcabouço teórico que percebesse a imagem como recurso da linguagem assim como existe com o texto verbal. O gênero textual cartaz de filme que será estudado logo mais sobre a ótica da GDV representa um desses gêneros multimodais, como tal, ele possui imagens e palavras que formam um todo harmonioso e que procuram promover o filme para o qual foi criado. Isso envolve uma série de fatores muito relevantes, a visão de sociedade que se tem é um deles, pois linguagem e sociedade se complementam mutuamente. Sendo assim:

Para levar a efeito a análise multimodal, é necessário que tratemos dos modos semióticos, que descrevem como as semioses podem representar a verdade do mundo real; como as imagens constroem a realidade; como elas recortam o mundo e como intencionalmente podem omitir detalhes. (VIEIRA; SILVESTRE, 2015, p. 45).

Feitas estas considerações teóricas passaremos a proposta propriamente dita, mas sem antes deixamos algumas observações: 

A série/ano para a aplicação desse caderno foi o 8ª/9º do ensino

fundamental de uma escola do munício de Frei Paulo/Se. A escolha por esta série ocorreu por que ela é a única turma do ensino fundamental que eu ministro aula de língua portuguesa nesta escola. Quero dizer com isso que não existe, a menos a meu ver, uma relação de obrigatoriedade entre esta proposta e a série na qual ela será aplicada, pois, a depender das alterações necessárias, o professor pode utilizá-la para desenvolver quaisquer atividades que combine linguagem verbal com linguagem não-verbal; 

Os alunos mostraram uma boa receptividade durante as aulas, claro que

houve alguns problemas, mas no geral a proposta agradou-os, porque as metodologias utilizadas procuraram dar mais liberdade a classe, desde que as aulas não perdessem o foco para as quais elas foram criadas; 

É aconselhável não sobrecarregar a turma com a metalinguagem da GDV,

os exemplos de análise de imagens que aqui estão representados servem como aporte teórico para você – professor, professora – as utilizações deles em sala devem atender aos objetivos das aulas, ao nível da turma e a outras variáveis;


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2. QUADRO RESUMO DAS ETAPAS E ATIVIDADES

PROCEDIMENTOS E ATIVIDADES 1º ENCONTRO 1ª aula: Questionário de sondagem para aferição do conhecimento dos alunos a respeito do Gênero textual cartaz de filme. 2ª aula: Discussão sobre os dados do questionário, debate. 3ª aulas: Exposição do vídeo interativo “ESTUDO DE CARTAZES DE FILMES COM BASE NA GDV - GRAMÁTICA DO DESIGN VISUAL” 4ª e 5ª aulas: Dinâmica de grupo sobre o vídeo. Dinâmica do FF/VV/ FV/ VF. 2º ENCONTRO 1ª e 2ª aulas: Aplicação do Slide do Power point “Letramento Visual” 3ª e 4ª aulas: Mais alguns conceitos da GDV através de imagens. 5ª aula: Leitura de cartazes: Resultados da proposta

3. DESCRIÇÃO DO RESUMO DAS ETAPAS E ATIVIDADES

1º ENCONTRO_________________________________________________________ 1ª Aula: Questionário de sondagem para aferição do conhecimento dos alunos a respeito do Gênero textual cartaz de filme


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Professor, esta primeira aula consiste na aplicação de um questionário de sondagem. Essa tarefa é importante porque através dela você poderá colher dados sobre o gênero textual que você pretende trabalhar. O questionário utilizado neste trabalho foi direcionado para o gênero textual cartaz de filme, contudo, ele pode ser adaptado para o gênero que você desejar trabalhar com as devidas alterações.

QUESTIONÁRIO PARA SONDAGEM

Importante. Em algumas questões você pode assinalar mais de uma alternativa

1.

Vocês costumam assistir a filmes?

I.

2.

( ) Sim

II.

( ) Não

Costuma ver filmes em qual veículo comunicativo?

I.( II.(

3.

) Televisão

III.( ) Cinema;

) Computador;

IV.(

V.(

) Celular;

) Tablete:

Já foi alguma vez ao cinema?

I.( ) Sim

4.

II.( ) Não

Você já fez algum trabalho escolar baseado em um filme?

I.(

) Sim

5.

II.(

) Não

Onde você fica sabendo sobre os filmes que você vai assistir? I.

(

) Na TV;

II.

(

)Na internet;

III.

(

) Vendo o cartaz do filme;

IV.

(

) Através de comentários

das pessoas; V.

(

) Lendo a capa do DVD do

filme

6. Você já realizou algum trabalho escolar baseado em cartazes de filmes?


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I(

)Sim

II (

) Não

7. Você já viu algum cartaz de filme em sua vida, isto é, o próprio cartaz em si? I.

(

) Sim

II.

(

) Não

8. O que é importante num cartaz de um filme? I.

(

) As imagens

II.

(

) O texto

III.

(

) Ambos

9. Você concorda que uma imagem descreve uma ação, isto é, pode-se dizer que uma imagem, por mais que não contenha palavras, narra algo? I.

(

) Sim

II. (

) Não


2ª Aula: Discussão sobre os dados do questionário, debate Após a aplicação do questionário, é interessante a socialização dele, pois, algumas informações que através do questionário não são possíveis de serem colhidas, podem ser reveladas durante a explanação oral sobre o mesmo. Todas as questões propostas no questionário têm sua importância, algumas são direcionadas mais especificamente para o gênero em estudo, outras foram propositadamente criadas no intuído de saber por qual (is) motivo (s) alguns alunos não têm contato com o gênero Cartaz de Filme. Professor, você pode aproveitar este momento de socialização das respostas dos questionários para debater a importância do seu trabalho, a contribuição que as novas tecnologias têm proporcionado às pessoas, e, principalmente, a relevância do gênero textual Cartaz de Filme. Este também é o momento para se discutir, dentre outras coisas, a relevância que os gêneros multimodais possuem na vida das pessoas e os motivos pelos quais eles devem fazer parte do espaço escolar. Ou seja, o que é um cartaz de filme, porque ele é um gênero multimodal, onde eles são veiculados, com qual finalidade, que tipo de linguagem ele possui, qual a importância dos textos, das imagens, e outros pontos relevantes.

3ª Aula: Exposição do vídeo interativo “ESTUDO DE CARTAZES DE FILMES COM BASE NA GDV - GRAMÁTICA DO DESIGN VISUAL” Após o debate sobre as questões anteriores, é chegado o momento de introduzir a teoria da GDV para a análise dos cartazes de filmes. O vídeo seguinte, faz, resumidamente, uma explanação sobre o tema, ou seja, sobre as teorias da Gramática do Design Visual. Para a consolidação dessa aula, alguns detalhes fazem todo o sentido. 1.

Você deve se certificar de que sua escola possui recursos que possibilitem a execução dessa aula como: computador, projetor, internet, até alguns suportes menos previsíveis merecem ser analisados: extensão de internet, T elétrico, cabo conectores, para conectar o projetor ao computador, etc.

2.

Na condição de a escola possuir os suportes descritos acima, leve os alunos ao local apropriado e digite o nome do vídeo corretamente no site de vídeos do You Tube “ESTUDO DE CARTAZES DE FILMES COM BASE NA GDV -


GRAMÁTICA DO DESIGN VISUAL”, ou ainda, para ser mais preciso, clique aqui neste link < https://www.youtube.com/watch?v=sY7rLWsFl_Q > que você será direcionado para o vídeo e execute o vídeo. Contudo, isso depende da internet que a escola possui, uma internet muito lenta faz o vídeo travar, isso deixa os alunos impacientes e a aula se encaminha para o tumulto. 3.

Na hipótese de a escola não possuir internet, o que é muito comum, faça o download do mesmo antecipadamente e deixe-o armazenado em algum dispositivo ou no próprio PC.

4.

Tudo pronto, é hora de executar o vídeo, neste momento mais alguns cuidados; 

Passe o vídeo todo, e posteriormente, repasse-o, fazendo a leitura dos textos mais longos, ou seja, vá pausando o vídeo nos momentos específicos, pois há textos que não podem ser lidos de primeira.

Controle o vídeo com os comandos da parte de baixo dele, vejamos as funções.

Pausar/rodar

Próximo vídeo

Volume

Legenda

Configurações Tela inteira

Figura 1 – Video animado sobre leitura de cartazes de filmes

Criado pelo autor1 1

Disponível em < https://www.youtube.com/watch?v=sY7rLWsFl_Q > acessado em 11/12/2017


Após a aplicação do vídeo, é normal que os alunos despertem algum interesse sobre o assunto, se necessário, passe o vídeo mais de uma vez. Aproveite para reforçar os pontos (conceitos) que os alunos não compreenderam, é natural que a classe queira saber o que é: a.

Contato de demanda;

b.

Contato de oferta;

c.

Ângulo vertical alto, médio, baixo,

d.

Enquadramento, etc. Esclarecer estes conceitos agora facilita o entendimento da GDV. A utilização de um recurso tecnológico, como no caso de um vídeo, causa uma sensação de veracidade maior, além de atrair mais a atenção da turma.

4ª e 5ª Aulas: Dinâmica de grupo sobre o vídeo. Dinâmica do FF/VV/ FV/ VF Esta dinâmica funciona com qualquer conteúdo e, por sinal, é uma dinâmica bem animada. O professor vai dividir as turmas em grupo (3, 4, 5, 6... alunos por grupo). Cada grupo será denominado com uma letra do alfabeto (Grupo A, Grupo B, Grupo C...). Cada grupo receberá quatro pedaços de papel (pode ser uma folha de papel ofício dividida em quatro partes que dá para uma equipe. Nos papeis o professore escreve os pares de letras. VV – Pares de questões verdadeiras; FF – Para pares de questões falsas; FV – Para pares de questões com a primeira falsa e a segunda verdadeira; VF – Para pares de questões com a primeira verdadeira e a segunda falsa.

Vejamos os exemplos

FF

VV

FV

VF

Após isso, o professor explica aos alunos a regra do jogo. Quais sejam. I – Os grupos deverão levantar apenas uma plaqueta (pedaço de papel) por grupo;


II – Os grupos devem levantar as plaquetas simultaneamente, pois assim um grupo não vê a plaqueta do outro; III – Os grupos decidem entre seus membros, silenciosamente, qual plaqueta levantar, para que os demais não ouçam e, assim, sejam induzidos; IV – O professor dará um tempo para que os grupos discutam e decidam, após este tempo o professor dá o comando e cada grupo levantará sua plaqueta. Na lousa, o professor acompanha as escolhas e anota em um quadro como um X no espaço correspondente ao grupo que acertou a questão.

Quadro 1 – Quadro para registro da pontuação do grupo GRUPOS

QUADRO DE ACOMPANHAMENTO DAS RESPOSTAS

A

X

B C

X

D

X

V

X

X

CRITÉRIOS Criado pelo autor

Alguns critérios que deixam a dinâmica ainda mais animada podem ser criados como, avançar algumas casas (seta para a direita) quando o grupo acertar naquela casa, voltar algumas casas (seta para a esquerda) quando o grupo errar naquela casa, ficar uma rodada fora do jogo, quando o grupo errar na casa do polígono. Normalmente, o senso de competitividade faz dessa dinâmica uma atividade muito participativa. Pois os alunos querem vencer, sentem mais prazer quando superam os desafios. Contudo, não seria interessante criar uma competição que valha nota para uma atividade desta natureza.


2º ENCONTRO_________________________________________________________ 1ª e 2 Aulas: Aplicação do slide do Power point “Letramento visual” Nesta etapa, ainda é interessante reforçar um pouco mais a teoria da Gramática do Design Visual, esta é uma aula que exige a utilização de recursos educativos para a projeção de um slide em Power Point. O referido slide, faz uma análise do gênero cartaz de filmes com base na teoria acima citada. O material da aula pode ser tanto acessado como baixado no link < http://pt.slideshare.net/Reinildes/multiletramentos-letramentovisual-kress?qid=c06f277b-d675-4b0e-ab7c-bc8dd1949fa0&v=&b=&from_search=7 >. Figura 2 – Slide “letramento visual

Disponível em2 Caso o professor necessite baixá-lo, é obrigatório que ele entre no site por meio de uma conta criada no próprio ambiente virtual, ou ainda através de uma conta do facebook, por exemplo. Para o desenvolvimento da aula, a intervenção do professor é imprescindível, pois, alguns termos em inglês podem comprometer a aprendizagem dos alunos. Abaixo esta a tela de abertura do slide, nele temos uma síntese interessante de como a GDV pode ser empregada para o estudo de cartazes de filmes.

Disponível em < http://pt.slideshare.net/Reinildes/multiletramentos-letramento-visualkress?qid=c06f277b-d675-4b0e- ab7c-bc8dd1949fa0&v=&b=&from_search=7 > acessado em 11/01/217 2


Caso o professor ainda necessite de mais conceitos sobre a GDV, o que de fato é importante para si, ele pode ainda acessar um e-book com uma explanação bem interessante

neste

outro

endereço

eletrônico:

<

http://www.pgletras.com.br/ebooks/ebook-sintaxe-em-foco.pdf > nele você vai encontrar um texto bem interessante sobre o tema.

Para melhor compreensão por parte do professor, seguem abaixo os principais conceitos descritos pela GDV para facilitar ao professor nos procedimentos de suas aulas. . 1.

Na Metafunção representacional - temos participante que são

representados na imagem, eles podem ser humanos, objetos, animais ou quaisquer outros elementos visuais. Essa metafunção se subdivide em narrativa e conceitual. 

Representação narrativa: a imagem sugere ações executadas pelos

atores. A isso denomina-se processos de ação que podem ser: transacional, não transacional e bidirecional. Também temos os processos de reação transacional e não transacional; a ainda os processos verbal e mental. 

Transacional – No processo de ação transacional, há mais de um

participante, o que realiza a ação é o ator. Para quem a ação se projeta chama-se de meta. O vetor (linha imaginária) é o elemento que aponta para quem a ação se direciona. 

Não transacional – já no processo de ação não transacional: tem-se apenas

um participante e sua ação não se direciona a nada nem ninguém na imagem. Neste caso, não existe o meta. 

Bidirecional – os participantes realizam ações simultâneas, pode-se dizer

que o vetor se direciona nos dois sentidos, e ator e meta se intercalam a todo tempo, pois quando a ação sai de um aquele é o ator, por conseguinte, o outro é o meta, quando ocorre o oposto, os papeis se invertem, o ator é o meta e este passa a ser aquele.

3ª e 4ª Aulas: Mais alguns conceitos da GDV através de imagens Professor, estas aulas abordam mais alguns conceitos da GDV, assim como as aulas anteriores, mais uma vez será realizada uma atividade oral para a compreensão dos referidos conceitos. Antes de mostrarmos como a aula se deu na prática para que você


possa ter noção do que aconteceu. Mostraremos mais um pouco da GDV, principalmente daqueles conceitos que foram trabalhados durante as aulas.

Figura 3 - Mulher massageando outra

Fonte: Gramática Sistêmico-Funcional e Gramática do Design Visual3

A imagem acima pode servir para o professor trabalhar com a turma sobre o processo de ação transacional. Já a imagem seguinte serve para a explicação do processo de ação bidirecional.

Figura 4 – luta de boxe entre dois oponentes

Fonte: Gramática Sistêmico-Funcional e Gramática do Design Visual 4 3

Disponível em < http://www.maxwell.vrac.puc-rio.br/10597/10597_5.PDF > acessado em 22/10/2016

4

Disponível em < http://www.maxwell.vrac.puc-rio.br/10597/10597_5.PDF > acessado em 22/10/2016


Figura 5 – Homem com placa de sinalização

Fonte: Gramática Sistêmico-Funcional e Gramática do Design Visual 5 A figura acima pode ser utilizada para o professor trabalhar conceitos como contato de demanda, plano médio, distância social, etc. O interessante para esta atividade é que o professor pode mostrar aos alunos que uma mesma imagem pode oderecer mais de uma interpretação. Além disso, quando um conceito é utilizado, o professor pode e deve utilizar outros para complementar a explicação. Figura 6 – Mulher de vestido vermelho na beira da piscina

Fonte: Gramática Sistêmico-Funcional e Gramática do Design Visual 6

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Disponível em < http://www.maxwell.vrac.puc-rio.br/10597/10597_5.PDF > acessado em 22/10/2016

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Disponível em < http://www.maxwell.vrac.puc-rio.br/10597/10597_5.PDF > acessado em 22/10/2016


Uma observação conceitos –deNessa participante representado a de participante 2.Provavelmente Metafunçãoosinterativa Metafunção tem-se um Participante interativo não(PR) seja einteressante para os alunos. Neste caso, aconselhamos a você, professor, Representado um participante Interativo (PI). Os Participantes Representados são substitua estes porjáleitor da imagem, no caso, nós são que os a vemos; e elementos osque que aparecem natermos imagem; os Participantes Interativos que visualizam as da imagem, aquilo que a imagem possui. imagens.

3.

Nesta relação entre ambos, quatro aspectos são estabelecidos: contato,

distância social, modalidade e atitude. 

Contato – o PR pode tanto olhar para o PI quanto não. Quando o PR olha

diretamente para o PI tem-se um contato de demanda, quando o PR não faz isso, o que se tem é um contato de oferta. Veja que a definição de contato para a GDV muito se assemelha com o que vemos na imagem das figuras 5 e 6. Na primeira, o homem olha para o espectador e estabelece com este um contato de demanda; na segunda figura, a mulher parece olhar para cima, ela se oferece para o leitor, num contato de oferta. Mas saber disso não diz muito, é necessário que o professor signifique melhor o que o conceito representa para o aluno procurando exemplificá-lo. Sugiro então que você professor ou professora discutam a importância das propagandas que trabalham com a função apelativa da linguagem, principalmente com aquelas que utilizam pessoas que fazem algum gesto para o interlocutor. Normalmente nesse tipo de texto é comum alguma frase ou algum elemento visual que implique postura de mudanças por porta do leitor. Estes conceitos, tem a ver com o plano no qual as imagens são representadas, abaixo temos um resumo para melhor compreensão. 

Distância social – quem olha para uma imagem imagina-se na situação de

quem a criou. Tomemos como exemplo uma fotografia, desconsiderando-se os ajustes da câmera, dá para saber se o fotógrafo estava próximo ou distante do objeto fotografado. Essa peculiaridade das imagens é que se denomina distância social. A distância social pode ser subdividida em três planos: aberto, médio e fechado:


Plano aberto (long shot) a imagem costuma apresentar o PR de corpo

inteiro. Dá uma sensação de que o mais importante é o aspecto social da imagem e não o PR que nela aparece. 

Plano médio (médium shot) – o participante aparece até o joelho ou até a

cintura. Isso atribui mais intimidade entre o PR e o PI como plano aberto que no plano anterior. 

Plano fechado (close shot) são as imagens em que o rosto é focalizado,

destacado, quanto mais o rosto ocupa a imagem, maior a intimidade entre PR e PI. 

Atitude ou Perspectiva – o modo como a imagem é produzida deixa os

participantes PR e PI em três situações distintas, isso tem a ver com o ângulo de visualização da imagem. 

No ângulo frontal – O PR se apresenta para o PI olhando-o de frente, é

uma relação na qual ambos estão no mesmo nível e mantendo entre si a interação. No ângulo oblíquo o PR está de perfil e demostra uma ideia de distanciamento. O vetor que ele projeta por meio do olhar não é para o PI. Desse modo, há um certo descaso com o PI. Numa situação comum do dia a dia, quando uma pessoa A fala com outra pessoa B, mas B olha de lado, não encara A, é claro que B não está dando ouvido ao que A está falando. Melhor para A é se retirar, pois, a conversa não está agradando a B. 

No ângulo vertical possui três níveis, alto, baixo e de nível ocular.

Antes de mostrar qual o conceito de cada um desses ângulos, é bom que se imagine o poder que eles atribuem para o PR ou para o PI, isto é, a depender do ângulo, esse poder ser alterna tanto para um quanto para outro. Apenas no ângulo ocular, ambos estão numa posição de igualdade, como se estivessem olhando frente a frente, um no olho do outro. A citação seguinte evidencia melhor as relações que esses ângulos apresentam. .

5ª Aula: Leitura de cartazes: Resultados da proposta Após todas as discussões a respeito do trabalho com os cartazes de filmes, suponho ser chegado o momento em que você, professor ou professora, já podem acordar com a turma a leitura deste gênero textual.


Figura 7 – Cartaz do Filme “Lucas, um Figura 8 – Cartaz do filme “Antz” intruso no formigueiro

Fonte:

Fonte:

http://www.adorocinema.com/filmes/filme

http://classroom.orange.com/pt/antz.htm

-40139/

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Para esta aula, aconselho os colegas docentes a apresentarem aos alunos os cartazes acima dos filmes “Lucas, um intruso no formigueiro” e do filme “Antz”. Qual o tipo de linguagem um cartaz de filme possui? O que o título dos cartazes tem a ver com as imagens representadas neles? Os títulos foram bem utilizados? Por quê? As imagens foram bem empregadas? Por que? Onde este cartaz irá circular? A que público ele se destina? Qual dos dois personagens principais dos cartazes (O garoto no primeiro e a formiga no segungo) aparecem mais destacados? Em qual dos cartazes a imagem aparece dando destaque mais a cena que aos personagens? Por que podemos afimar que as imagens produzem algum tipo de ação? Professor você pode pesquisar na internt a sinopse dos filmes representados por estes cartazes e pedir aos alunos que comparem a sinopse com o próprio cartaz, ou seja, qual a relação entre o texto verbal, ou seja, qual a relação entre o texto visual e o texto verbal?


Deixe os alunos a vontade para discutirem outros aspectos da GDV com base nas imagens, nada impede que os alunos façam isso, também não é aconselhável atribuir notas a este tipo de atividade. Figura 9 – Cartaz do Filme “Universidade monstro”

Fonte: https://www.google.com.br/search?q=cartaz+do+filme+universidade+monstr

Para esta ativide, solicita aos alunos que façam uma descrição daquilo que eles consideram como mostros, ou seja, o que é um monstro na concepção dos alunos. Espera-se que os alunos descrevam seres mitológicos do universos deles: caipora, lobisomem, mula-sem-cabeça, etc. Após isso, solicite-os que tipo de cartaz seria criado para representar um filme com algum desses monstros. Provavelemtne, os alunos vão criar cartazes com imagens macabras, cores escuras, lugares sombrios. Feitas estas tarefas, você (professor) pode mostrar o cartaz do filme (figura 8) e comparar com eles os cartazes que eles criaram com o cartaz do filme desta. Este é um momento para se discutir o conceito de monstros e, principalmente, a adaptação da indústria televisiva para criar filmes infantis com este tema, ou seja, os monstros de hoje, são monstros do bem, monstros criados pela imaginação, para a meninada, não são mais


os monstros de outros tempos, pois, para a indústria televisiva, este monstro não agrada aos pequenos. Para concluir esta tarefa, é interessante ainda destacar alguns aspectos que a GDV abordam e como eles estão presentes no cartaz, ou seja, quem seria o personagem principal desse filme mostrado por este cartaz? Tomando como exemplo o princípio da saliência, é o montrinho do centro, o verdinho. Porque os montros olham diretamente para os espectadores? Pelo principio da GDV, por que eles estão nun contato de demanda, como se quisessem convidar o leitor a dialogar com eles? Como é possível traçar um plano no qual os animais (monstrinhos) estão dispostos no cartaz, ou seja, traçando-se uma linha imaginaria no sentido, frente x fundo, é possível perceber que uns monstrinhos estão à frente de outros. Este é um momento que pode servir de exemplo para uma discussão a respeito de valores, comportamentos, ou seja, o professor pode pedir à classe que citem situações nas quais as pessoas ficam na frente umas de outras, qual a finalidade disso, espera-se que os alunos citem situações como filas, situações nas quais as pessoas querem se destacar das demais, se exibir, enfim. Todos estes exemplos e outros tantos comprovam a importância da GDV para a leitura das imagens, contudo, o professor não deve compreender que ela funciona como um manual, com regras inflexíveis, vai haver situações em que a teoria da GDV vai confudir os estudiosos do assunto.

4. CONCLUSÃO

O professor de lingua portuguesa sabe das dificuldades que ele enfrenta para ministrar suas aulas e, principalmente, fazer com que os alunos aprendam os conteúdos que ele ministra. A sensação que muitos deles têm, neste grupo eu me incluo, é de que falta uma sintonia entre os conteúdos ministrados na escola e as experiencias que vivemos com a linguagem diariamente. O aluno não compreende muito bem esse problema, poucos são aqueles que ousam se perguntar qual a relevância do conteúdo x e do conteúdo y, essa postura por parte do aluno é compreensível, ele não estudou ainda as teorias que fundamentam as práticas de linguagem de sala de aula. Agora quanto o professor não se


pergunta se o que ele faz tem relevância, aí sim a situação é complicada porque ele se torna um reprodutor daquilo que o programa da disciplina sugere, sem criticidade alguma. Não quero dizer que o programa da disciplina, seja lá de que área for, não tenha importância, mas sim que é o professor quem atribui sentido ao que ele faz em sala. Essa não é uma trefa simples, mas é possível e necessária. Para uma sociedade que apresenta os piores índices educacionais no toca à leitura e a escrita, e a educação como um todo, não se deve culpar apenas o aluno pelo fracasso escolar. Procurar culpados para os problemas não resolve, buscar soluções, sim. Retomando a afirmativa de que o professor é o responsável direto pela sua aula e que a ele cabe escolher que metodologia e quais conteúdos utilizar, acredito que é possível que o educador introduza em suas aulas uma difersidade maior de gêneros textuais e que, além da gramática, outros aspectos da linguagem sejam estudados. Como exemplo de gênero multimodal com forte poder persuasivo, o gênero textual Cartaz de filme foi escolhido porque representa um gênero emergente para estudo da multimodalidade. Com ele, o professor pode estudar os aspetos verbais e formais do idioma como também os aspectos visuais. Dentro dessa perspectiva, o estudo da imagem e das novas tecnologias como recursos educacionais também são debatidos. Então, tudo que se discutiu e que se propôs neste texto para vocês, professor e professora, representam apenas uma, dentre tantas possibilidades que o professor tem para introduzir em suas aulas o estudo de outros gêneros além daqueles que a escola já consagrou como os mais interessantes para o estudo do idioma.

5. REFERÊNCIAS

ALMEIDA, Daniele Barbosa Lins de (org.). Perspectivas em análise visual: do fotojornalismo ao blog. João Pessoa: Editora da UFPB, 2008 AMARILHA, Marly . A formação do leitor no século XXI, Anais da 62ª Reunião Anual da

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Natal,

RN

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Disponível

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BRITO, Francisca Francione & SAMPAIO, Maria Lúcia Pessoa. GÊNERO DIGITAL: A MULTIMODALIDADE RESSIGNIFICANDO O LER/ESCREVER. Disponível em < https://online.unisc.br/seer/index.php/signo/article/view/3456/2570 > acessado em 02/02/2016. DESCARDECI, M. A. A. D. S. Ler o mundo: um olhar através da semiótica social. ETD – Educação Temática Digital v.3, n.2., p.19-26, 2002. DIONISIO, Ângela Paiva in. KARWOSKI, Acir Mário; GAYDECZKA & BRITO, Marim Siebeneicher (org) Gêneros textuais: reflexões e ensino. São Paulo: Parébola, 2011. KRESS, G.; VAN LEEUWEN, T. Reading images: the grammar of visual design. London and New York: Routledge, 2. ed., 2006 [1996]. LAGE, Clarice Gualberto. MULTILETRAMENTOS A PARTIR DA GRAMÁTICA DO DESIGN VISUAL: POSSIBILIDADES E REFLEXÕES. Disponível em < http://www.ileel.ufu.br/anaisdosilel/wp-content/uploads/2014/04/silel2013_705.pdf

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