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JUL / AGO / SET 2017

Plug Telecom

Conectando ideias, pessoas e recursos! • Ronaldo Couto Código de cores em fibras ópticas. • Mauricio Pinheiro Testes de desempenho em redes de dados.

Distribuição gratuita e selecionada. Venda proibida.


Não te atenderíamos bem se você não nos ligasse. Não entregaríamos rápido se você não comprasse. Parabéns aos clientes da isp shop, estes prêmios são nossos.

A ISP Shop foi premiada em duas das três categorias do prêmio Melhores do ano Abrint 2017, nas categorias “Melhor atendimento comercial” e “Menor prazo de entrega”. Obrigado a todos os votantes e clientes.


FICHA TÉCNICA Colaboradores: Alan Silva, Ana Paula Meira, Andre Luis Martins Ribeiro, Andre Madero, Asshaias Felippe, Áurea Lopes, Claudio Oliveira Lopes, Eloi Piana, Jordana Magalhães Ribeiro, Luiz Oliveira, Mauricio Pinheiro dos Santos, Monica Geska Fernandes, Paulo Vitor, Plug, Reinaldo Vignoli, Rogério Couto, Ronaldo Couto, Thiago Buenaño, Vitor Horita. *Os artigos assinados são de exclusiva responsabilidade dos autores e não refletem a opinião da revista.

Foto de Capa Plug Diagramação Lucas Sillas Diretor de Atendimento Ayron Oliveira Revisão Vinícius Aragão e Mônica Geska Fernandes Fotos Shutterstock.com, Freepik.com, Matheus Trindade, Eloi Piana, Reinaldo Vignoli, Mauricio Pinheiro, commons.wikimedia.org, thesikhdiaspora.com, fansshare.com, Primori, Plug e ISP Shop. Tirinha André Farias: www.vidadesuporte.com.br

Impressão e Acabamento Gráfica Paraná Publicidade marketing@ispmais.com.br ispmais.com.br : ispmais.com.br/comercial ANO III. EDIÇÃO 09: JULHO / AGOSTO / SETEMBRO 2017


SUMÁRIO 05 06

EDITORIAL ARTIGOS • Eficiência Operacional • Programa de Regularização de Débitos (PRD) • A América Latina está Pronta para Redes Cognitivas? • Testes de Desempenho em Redes de Dados • Terceirização de Serviços pelas Empresas de Telecomunicações

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PROVEDOR EM DESTAQUE • Plug Telecom: Conectando ideias, pessoas e recursos!

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ARTIGOS • Internet das Coisas versus ISP’s - Oportunidades ou Desafios? • Desregulamentação e Prestadoras de Pequeno Porte (PPP) • O Future do Cloud Computing • A Movimentação do Mercado dos Provedores de Internet • Aumente as Vendas do Provedor de Internet Através das Mídias Sociais • Protegendo seus Ativos de Rede • Narinder Singh Kapany, Quem é Esse Cara? • 10 Dicas para uma Boa Gestão de ISP • Em Tempos de Evolução da Banda Larga, Fiscalização e Regularização Devem Caminhar em Conjunto

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COLUNAS • Código de Cores em Fibras Ópticas • Compra e Venda de Empresas de Internet e Telecomunicações: Os Métodos de Avaliação de Empresas • Enfoque Prático Sobre NBR 15.214:2005

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HUMOR VC NA REVISTA CALENDÁRIO


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EDITORIAL

Caro leitor,

A Anatel atualizou alguns dados, e o que podemos ver com eles é o avanço dos Provedores Regionais no Brasil. Entre os mais de 4.070.000 assinantes e serviços de internet, 15% são atendidos pelos Provedores Regionais. Só neste ano de 2017, no que diz respeito ao acesso via fibra, os Provedores Regionais cresceram 400% em comparação as Operadoras que cresceram apenas 70%. No ano de 2014 tínhamos 13% em participação de fibras, hoje temos 26%. Nesta edição temos como provedor destaque a Plug Telecom, empresa com operação em 6 cidades no interior do estado de Minas Gerais e que aposta forte na qualidade dos serviços prestados e na excelência do atendimento ao assinante, possuindo 86% de aprovação do índice de satisfação de seus clientes no que diz respeito ao atendimento, e 78% da satisfação referente a qualidade dos serviços prestados. Na parte técnica, temos matérias sobre testes de desempenho em redes de dados e o código das cores em fibras ópticas. Na esfera jurídica foram abordados os temas sobre terceirização de serviços pelas empresas de telecomunicações, compra e venda de empresas de internet e telecomunicações, e a explanação da Medida Provisória nº 780/2017. Na área de gestão temos artigos que abordam o tema eficiência operacional e dicas de gestão, completamos com artigos sobre redes cognitivas, desafios e oportunidades dos ISP´s com a internet das coisas, movimentação do mercado dos provedores de internet, desregulamentação e prestadoras de pequeno porte, o futuro do Cloud Computing, Marketing, proteção de ativos de rede e o enfoque prático sobre a NBR 15.214:2005.

Boa leitura!

Tiko Kamide Diretor Geral


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EFICIÊNCIA OPERACIONAL Nosso mercado tem sido influenciado por um turbilhão de mudanças que é capaz de manter um proprietário de provedor as 24 horas do dia em atuação tendo que tomar decisões rápidas sobre as demandas que chegam de todos os lados. Quando olhamos as razões de busca pela EFICIÊNCIA OPERACIONAL, encontramos um conjunto de situações e detalhes que pode ser bastante complexo se a atividade não estiver muito bem planejada, dimensionada, orientada estrategicamente e com gestão dos indicadores administrados. A equação de uma análise simples sobre a busca desta realidade nos Provedores Regionais é obtida pela avaliação do comportamento da base de clientes e pela evolução do processo produtivo de vendas. Claro que o melhor dos cenários seria termos as duas ações de melhoria quando podemos aplicar um bom programa de fidelização que nos aproxime e nos fortaleça no relacionamento com o cliente. E, por outro lado, termos um plano de vendas que amplie as possibilidades de aquisição com ações comerciais que agreguem valor diferenciado e visível ao cliente. No meio de tudo isso, temos um fator bastan-

te importante que modifica qualquer cenário de eficiência: custos operacionais. Talvez, sem perceber, esse seja o grande vilão de nossas operações, ainda que os esforços sejam reter e/ou vender. O custo operacional é a composição de como as despesas fixas e variáveis são controladas. Necessita de uma política constante na redução de custos, nas melhorias das negociações com fornecedores e um excelente aproveitamento da produtividade dos profissionais em todos os departamentos. Em alguns casos, um ajuste bem refinado no custo operacional já resulta em eficiência por ações que vão neste sentido. Diariamente, os provedores regionais têm sido bombardeados por uma quantidade de abordagens no seu dia-a-dia dizendo que ele tem que fazer isso ou aquilo. Essa carga diversificada de informação atrapalha num detalhe importante para a manutenção e a existência de qualquer empresa: foco no cliente. Não podemos conquistar nenhuma evolução comercial, quiçá eficiência, sem clientes na base. Cuidar do cliente não está somente em pensarmos nele no momento da aquisição com ofertas competitivas ou seduzindo-os por preço, mas precisamos pensar


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nele antes – DURANTE – depois. Sim, a diferença do “durante” estar em letras maiúsculas diz respeito a sua importância para a conquista de resultados eficazes e aumento do lucro. Não é surpresa ter o “depois” nesse processo de cuidado com o cliente, pois esta diz respeito a possibilidade de voltarmos aos nossos ex-clientes e demonstrarmos nossas ações de melhorias que foram implementadas, a fim de que ele possa nos dar crédito e retornar para a nossa base. Mas atenção! Tenha segurança que este cliente ao retornar possa ser atendido em todos os sentidos com qualidade. É muito importante para nossa avaliação da EFICIÊNCIA OPERACIONAL que tenhamos todos os profissionais com informações atualizadas e precisas sobre o mercado de internet da região, do Brasil e do mundo. A informação só tem poder quando, efetivamente, ela é aplicável à uma negociação incapaz de ser colocada em “check” por uma objeção que venha de um cliente ou de um concorrente. Portanto, meus amigos, termos o provedor regional de internet com EFICIÊNCIA OPERACIONAL é uma integração dos elementos que transpõe a aná-

lise de rentabilizar o cliente da base ou ampliar com novas vendas. É necessária uma boa gestão de recursos, gestão de pessoas, gestão da informação e, sobretudo, gestão dos nossos clientes. Foco no cliente e rumo à eficiência operacional!

Rogério Couto possui sólida experiência com mais de 20 anos em áreas comerciais e estratégicas de empresas de médio e grande porte, nacionais e multinacionais no mercado de telecomunicações, segurança eletrônica e Indústrias eletrônicas. Atuou no mercado de varejo de serviços com foco na gestão de pessoas, abastecimentos e gestão de performances de canais diretos e indiretos de vendas. Foi executivo da VIVO na gerência de vendas de Canais Indiretos, da ADT Security do grupo Tyco Internacional, da ABSYS Tecnologia e Oneti Tecnologia. Formado em Direito e MBA de Gestão Empresarial pela UNITAU e Filosofia pelo IAE. É fundador da RL2m - Consultoria e Treinamento, Consultor e Instrutor para Desenvolvimento Comercial e Qualidade do Atendimento. Instrutor na Primori e na Voz e Dados Cursos.


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PROGRAMA DE REGULARIZAÇÃO DE DÉBITOS (PRD) No dia 22/05/2017 foi publicada a Medida Provisória nº 780/2017, que foi denominada de Programa de Regularização de Débitos (PRD). A Medida Provisória nº 780/2017 em regra pode ser utilizada por qualquer empresa que pretende parcelar débitos não tributários (multas). Porém, não restam dúvidas de que a Medida Provisória nº 780/2017 foi destinada principalmente para aliviar os débitos não tributários (multas) das Concessionárias dos Serviços Públicos de Telecomunicações junto a Agência Nacional de Telecomunicações – Anatel.

Mas, em regra, a Medida Provisória nº 780/2017 é destinada a todas as empresas que possuem débitos não tributários junto as autarquias, fundações públicas federais, Procuradoria-Geral Federal e Advocacia-Geral da União (AGU). A Medida Provisória nº 780/2017 permite principalmente que os débitos decorrentes de multas aplicadas pela Agência Nacional de Telecomunicações – ANATEL sejam parcelados de acordo com condições e vantagens nela estabelecidas. Vale observar que poderão ser parcelados os


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débitos não tributários já constituídos ou não, débitos não tributários inscritos ou não em dívida ativa, e débitos não tributários vencidos até 31/03/2017. Depois de publicada a regulamentação da Medida Provisória nº 780/2017 por cada “órgão” as empresas interessadas terão um prazo de até cento e vinte dias contados da data de publicação para fazer a adesão. A adesão ao plano de regularização de débitos implica: a) em confissão dos débitos e aceitação plena e irretratável das condições estabelecidas pela Medida Provisória nº 780/2017; b) no dever de pagamento das parcelas; e c) vedação da inclusão do débito em qualquer outra forma de parcelamento posterior; Vejamos as opções dos parcelamentos trazidos pela Medida Provisória nº 780/2017: I) - pagamento da primeira prestação de, no mínimo, cinquenta por cento do valor da dívida consolidada, sem reduções, e pagamento do restante em uma segunda prestação, com redução de noventa por cento dos juros e da multa de mora; II) - pagamento da primeira prestação de, no mínimo, vinte por cento do valor da dívida consolidada, sem reduções, e parcelamento do restante em até cinquenta e nove prestações mensais, com redução de sessenta por cento dos juros e da multa de mora; III) - pagamento da primeira prestação de, no mínimo, vinte por cento do valor da dívida consolidada, sem reduções, e parcelamento do restante em até cento e dezenove prestações mensais, com redução de trinta por cento dos juros e da multa de mora; e IV) - pagamento da primeira prestação de, no mínimo, vinte por cento do valor da dívida consolidada, sem reduções, e parcelamento do restante, sem descontos, em até duzentas e trinta e nove prestações mensais. Independentemente do “plano” escolhido os parcelamentos terão início apenas em janeiro de 2018. E conforme decotado acima, dependendo do número de prestações (parcelamentos) as empresas poderão obter vantagens de até 90% (noventa por cento) de redução dos juros e da multa de mora. Sendo que o valor mínimo de cada prestação será de R$200,00 (duzentos reais) para pessoas físicas, e R$1.000,00 (mil reais) para pessoas jurídicas. Para parcelar os débitos que já estão em debate administrativo e/ou judicial o Interessado no

parcelamento com escopo na Medida Provisória nº 780/2017 deverá desistir das impugnações administrativas e/ou das ações judiciais. Isto, além de renunciar qualquer alegação de direito por ventura questionada no âmbito administrativo ou judicial. Caso tenha que desistir de ações judiciais já em tramite para optar pelo parcelamento que trata a Medida Provisória nº 780/2017, o Interessado deverá arcar com os honorários advocatícios no bojo da referida ação judicial. Pois bem. A referida Medida Provisória nº 780/2017 trouxe a possibilidade de parcelamento de débitos não tributários (multas) dentro de um prazo mais longínquo (até 20 anos). E mais, a Medida Provisória nº 780/2017 trouxe ainda a possibilidade de obter a redução de juros e multa de mora dependendo do “plano de parcelamento” escolhido. A Procuradoria Regional Federal mesmo anos antes da edição da referida Medida Provisória nº 780/2017 já realizava o parcelamento de débitos não tributários já inscritos em dívida ativa (já passíveis de execução fiscal), sobretudo, diante daqueles constituídos pela Agência Nacional de Telecomunicações – ANATEL. Mas, o parcelamento realizado pela Procuradoria Regional Federal não possibilita a redução dos juros e multa de mora, e implica automaticamente no pagamento de honorários advocatícios. Portanto, como não há mínimo ou máximo de débito para fazer a opção pelo programa de regularização de débitos tratado pela Medida Provisória nº 780/2017, as pequenas prestadoras dos serviços de telecomunicações que possuem débitos não tributários junto a Agência Nacional de Telecomunicações devem ficar atentas aos prazos de adesão caso queiram optar pelo parcelamento e descontos previstos na Medida Provisória nº 780/2017.

Dr. Alan Silva Faria é Advogado, Sócio da Silva Vitor, Faria & Ribeiro Advogados Associados, bacharel em Direito pela FESBH, com MBA em Direito Empresarial pela FGV - Fundação Getúlio Vargas. Consultor Jurídico. Atuação em direito das tecnologias, com ênfase em telecomunicações e internet. Atuação em direito regulatório.


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AMÉRICA LATINA ESTÁ PRONTA PARA AS REDES COGNITIVAS? O ano de 2017 certamente foi um ano de muitas mudanças para a América Latina. A maioria dos provedores de serviços de telecomunicações se esforçam para buscar diferenciais em uma região que está em constante processo de globalização. Algumas operadoras encontram sua diferenciação na agilidade da prestação dos serviços; outras reduzem o custo total de propriedade (TCO - Total Cost of Ownership). É importante ressaltar que as despesas operacionais (OPEX ou Operating Expense) tornaram-se um dos principais fatores que influenciam a criação do diferencial entre os serviços das operadoras. As redes cognitivas abrem um horizonte de possibilidades para as operadoras que buscam diferenciar seus ser-

viços no mercado, agilizando os mesmos e incorporando novos modelos econômicos para competir na região. O que são? O futuro das redes de transporte de informações será baseado em redes cognitivas, as quais compreendem 5 pilares principais: ferramentas analíticas avançadas, aprendizagem de máquina, redes autônomas, redes preditivas e redes prescritivas. Esses tipos de redes usarão as ferramentas analíticas e a aprendizagem de máquina para conhecer a situação real da rede. Elas automatizarão as tarefas rotineiras, que normalmente requerem intervenção humana, proporcionando autonomia para sua operação e manuten-


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ção. Elas prevêem os problemas que podem ocorrer e prescrevem possíveis soluções para otimizar as rotas de transporte ou reduzir os riscos. Uma rede cognitiva engloba esses cinco pilares num sistema coerente, o qual permite que a rede aprenda ao longo do tempo no que diz respeito dos seus componentes, e como reagir de forma proativa diante de possíveis variações. Onde estamos? O primeiro passo para as redes cognitivas é garantir que as redes de transporte sejam flexíveis e dinâmicas. Até o momento, muitas das redes de transporte óptico na América Latina são estáticas e rígidas. Talvez o passo mais importante para atingir esse dinamismo é a adoção de modelos de capacidade definida por software (Software Defined Capacity - SDC). A capacidade definida por software é o recurso que permite aos usuários utilizar a capacidade da rede como um recurso flexível e moldável. Esta tecnologia permite que a largura de banda possa ser adquirida

sob demanda, podendo transferi-la para onde é necessária, para reduzir o processo de planejamento de uma rede de meses para minutos. No entanto, como indústria, ainda temos um longo caminho até alcançarmos as redes cognitivas, mas certamente com o advento da SDN/NFV e a adoção de modelos de capacidade definida por software, estamos no início de uma transformação significativa rumo a uma nova era nas telecomunicações. A América Latina está pronta e no caminho de dar os primeiros passos para atingir as redes cognitivas no futuro. Andres Madero é o Diretor de Desenvolvimento de Arquitetura para Fornecedor de Serviços e de Desenvolvimento de Negócios da América Latina na Infinera. Ele detém o título de Bacharel em Engenharia pela Universidad del Norte, da Colômbia, e é mestre em Administração pela Universidade de Phoenix, dos Estados Unidos.


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TESTES DE DESEMPENHO EM REDES DE DADOS

1. Introdução A granulosidade da banda larga permitiu aos Provedores oferecerem serviços aos seus clientes conforme a demanda de cada um, possibilitando que upgrades ou downgrades sejam realizados com facilidade e rapidez. A evolução de serviços baseados no protocolo Ethernet também possibilitou o surgimento de soluções integradas e padronizadas que permitiram maior acessibilidade à informação e geraram novas oportunidades de negócios, reduzindo custos e trazendo vantagens competitivas para empresas, provedores de serviços e operadoras de telecomunicações. Neste contexto, os ISP’s necessitam realizar testes para certificar que os circuitos e os dispositivos de interconexão de rede estão de acordo com o modelo e as normas e padrões internacionais.

2. Testando a Rede A eficácia de uma rede de dados pode ser medida por sua capacidade de atender aos aplicativos dos seus usuários. Ocorre, porém, que mesmo depois dos serviços certificados e aceitos, os usuários podem reclamar de baixo desempenho de alguns aplicativos como páginas de internet, videoconferência, redes sociais ou outros aplicativos baseados na nuvem. É bom ter em mente que o usuário que contrata o serviço poderá requerer no ato da entrega e nos casos de manutenção, a indicação da qualidade do serviço que está recebendo, se a conexão está de acordo com o contratado, se o tempo de atendimento correspondeu, entre outras premissas. Há diferentes formas de verificar se um serviço de dados está funcionando corretamente, dentro


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das especificações técnicas contratadas. A primeira verificação é puramente visual e inclui observar os sinais dos equipamentos (acendimento de led’s ou emissão de sinais audíveis, por exemplo). A segunda maneira é conectar um computador na rede e fazer um teste de PING (Packet Internet Network Grouper) para um switch ou roteador ou navegar numa página da Internet. O PING é um comando popular que possibilita verificar a conectividade entre os equipamentos da rede medindo quantos milissegundos um pacote de dados leva para ir até o destino e retornar. Quanto menor o tempo de retorno, melhor a resposta da conexão de rede (Figura 1).

Figura 1 – Exemplo de tela de PING Os testes podem mostrar se a conexão de dados está funcionando fim-a-fim, mas não oferecem uma boa indicação do desempenho real do circuito. Os principais testes que avaliam o desempenho de um circuito de dados se referem à geração de tráfego em diferentes camadas do modelo OSI (Open Systems Interconnection), análise do dispositivo de rede em modo loopback, entre outros. Dentre esses testes se destacam o BERT e o RFC 2544. 3. Teste de BERT Erros na transmissão de dados ocorrem por diversas razões, seja por falha de sincronismo entre o transmissor e o receptor, defeitos de componentes, ruído elétrico etc. O teste de BERT, abreviação para Teste da Taxa de Erro de Bit (Bit Error Rate Test), permite avaliar o desempenho da rede de comunicação e, em particular, analisar as margens de segurança disponíveis nos sistemas, explorando potenciais falhas que possam conduzir a uma degradação do desempenho. Trata-se da medida da qualidade de um enlace digital de telecomunicações e pode ser expressa como a relação entre o número de bits recebidos com erro e o número total de bits transmitidos (Bit Error Rate –

BER).

BERT é o método utilizado para se medir o BER, sendo geralmente realizado através de instrumentos de teste (test-sets), tais como analisadores de dados e analisadores de protocolos. Basicamente, o instrumento envia quadros através da conexão de rede numa taxa conhecida e o bit de erro que porventura ocorrer será contabilizado. Isto permite verificar a conexão física e diagnosticar problemas de níveis de sinal. O método de medição é baseado em padrões de testes fixos de ‘0’s e ‘1’s e em algoritmo que gera um padrão de testes numa sequência binária pseudoaleatória (Pseudo Random Binary Sequence – PRBS) de ‘0’s e ‘1’s. Uma vez definido o padrão de teste no equipamento transmissor, deve-se definir o mesmo padrão no equipamento receptor. Assim, ambos os equipamentos comparam a sequência de bits recebida com o padrão selecionado. Se a comparação resultar em igualdade, não há incremento do contador de bits com erros. Entretanto, se resultar em diferença, isto representa em “erro de bit”, sendo então incrementado o contador de bits errados. Ao executar um teste de BERT, o equipamento espera receber o mesmo padrão que está transmitindo. Se o tráfego não está sendo transmitido corretamente ou simplesmente não é recebido, pode-se executar ainda um teste de loopback (teste de auto retorno) no circuito ou na rede e enviar um fluxo previsível para garantir o recebimento dos mesmos dados que foram transmitidos. Ao final do teste é possível visualizar e analisar o número de bits transmitidos em relação ao número total de bits recebidos com erro (Figura 2).

Figura 2 - Teste de BERT 4. RFC 2544 RFC é o acrônimo de Request For Comments (pedido de comentários). É um documento técnico


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desenvolvido e mantido pelo IETF (Internet Enginnering Task Force), instituição que desenvolve os padrões que serão utilizados na Internet. O RFC 2544 reúne uma série de testes que podem ser usados para descrever as características de desempenho de uma rede de comunicação e dos seus dispositivos. Quando se trata de redes de computadores, as conexões Ethernet devem ser testadas para garantir o seu correto funcionamento e desempenho. Isto é feito testando a largura de banda, o atraso e a perda de quadros da conexão. Além de definir esses parâmetros, o RFC 2544 descreve também formatos específicos para a apresentação dos resultados obtidos com os testes. Esses testes incluem o throughput, latência e perda de Frame. Throughput é a quantidade máxima de dados, que pode ser transportada da fonte ao destino. No Ethernet, o Throughput máximo absoluto será igual à taxa de dados. Latência é o tempo total necessário para um quadro viajar da origem até o destino. Este tempo total é a soma de dos atrasos de processamento nos elementos de rede e dos atrasos de propagação ao longo do meio de transmissão. Perda de frames é o número de quadros que foram transmitidos com sucesso a partir da fonte, mas não foram recebidos no destino. Os testes realizados usando o RFC 2544 podem ser feitos manualmente, mas consumem tempo e são suscetíveis a erros de método de ensaio. A maneira mais eficiente é usar um instrumento de teste automatizado que permita ao usuário digitar as informações sobre o cenário de teste e em seguida, iniciá-lo. O equipamento de teste, então, executará os requisitos para teste RFC 2544 e registrará e exibirá os resultados. Entretanto, convém ressaltar que nem todos os testes são aplicáveis a todos os tipos de dispositivos de rede, ocorrendo casos específicos da não aplicação de um ou outro teste.

expressa a quantidade máxima de dados que pode ser transportada da origem até o seu respectivo destino. O teste de vazão se refere geralmente à taxa de transmissão máxima de quadros que pode variar desde poucos megabits por segundo a Gbps ou mais (Figura 3).

Figura 3 - Vazão É uma métrica importante quando se avalia qualidade de serviço de uma rede e é necessária para a operação correta de qualquer aplicação. 4.1.2. Latência A latência é o tempo total gasto por um quadro desde a origem até o destino. Esse tempo absoluto é a soma dos atrasos do processamento nos elementos da rede e o atraso de propagação ao longo do meio de transmissão (Figura 4). Para medir a latência, um quadro de teste contendo uma cadeia de caracteres denotando a hora ou data que o quadro foi criado (timestamp) é transmitido pela rede. Essa marca de tempo é então analisada, quando o quadro é recebido. Para que isso ocorra, o quadro de teste precisa voltar ao testador original por um laço de retorno permitindo a medida do atraso de ida e volta.

4.1. Testes de RFC 2544 Como mencionado, o conjunto de testes de RFC 2544 visando medir as caraterísticas de desempenho de circuitos de dados inclui: Vazão, Latência, Perda de Pacotes, Análise Fim-a-Fim. Figura 4 - Latência 4.1.1. Vazão Em geral, o conceito de desempenho da rede é associado à sua velocidade. A vazão (ou throughput)

4.1.3. Perda de Quadros A Perda de Quadros (ou frame loss) analisa


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o número de quadros que foram transmitidos e que não chegaram ao destino. É normalmente chamada de taxa de perda de quadros, sendo expressa como uma porcentagem do número total de quadros transmitidos. Os quadros podem ser perdidos ou descartados por várias razões, incluindo erros de recepção, sobrecarga e atraso excessivo na rede. 4.1.4. Análise Fim-a-Fim A análise fim-a-fim (ou back-to-back) caracteriza a habilidade do circuito de dados suportar taxas de quadros acima do máximo especificado. Por exemplo, um provedor de serviços pode fornecer um circuito de 30 Mbps que tenha a habilidade de suportar taxa de 60 Mbps por curtos períodos de tempo. A análise de quadros entre equipamentos envolve enviar ao equipamento em teste uma rajada de tráfego de curta duração (burst) com espaços pequenos entre quadros e contar o número de quadros conduzidos por este. Se o número de quadros encaminhados for igual ao número de quadros transmitidos, o tamanho do burst será aumentado e o teste será executado novamente. Caso o número de quadros encaminhados for menor do que o número de quadros transmitidos, o comprimento do burst será reduzido e o teste será executado novamente. O valor fim-a-fim será o número de quadros do burst mais longo que o equipamento em teste consegue tratar sem perder nenhum quadro. 4.1.5. Jitter O teste de Jitter não é parte integrante do RFC 2544, mas é igualmente testado por diversos equipamentos comerciais uma vez que ele é um dos principais responsáveis pela degradação de desempenho em sistemas de transmissão de alta velocidade. O Jitter caracteriza-se como a variação de tempo entre cada chegada de quadros desde o endereço de origem. Quando o jitter é excessivo, dados podem ser perdidos durante o processo de transmissão, acarretando no aumento da taxa de bits errados. O Jitter causa não somente uma entrega de quadros com periodicidade variável, como também a entrega de pacotes fora de ordem (Figura 5). Ele insere variação no processamento da informação na recepção e deve ter controles específicos de compensação e métodos que dependem da própria aplicação.

Figura 5 - Exemplo de jitter A perda de quadros, o Jitter e a latência não são especialmente críticos para uma boa parte dos aplicativos de rede. Entretanto, nas aplicações em tempo real, tal como a voz sobre o IP (VOIP) ou o streaming de vídeo, não há tempo suficiente para retransmitir ou remontar frames perdidos ou atrasados, o que é crítico e implica de forma direta na qualidade de serviço entregue. Desta forma, garantir níveis aceitáveis de perda de quadros, jitter e de latência é importante. 4.1.6. Problemas de Conectividade As soluções de problemas de conectividade podem exigir a monitoração do tráfego em tempo real na conexão do cliente. Mudanças, adições e alterações, assim como tarefas complexas de resolução de problemas se tornam mais rápidas e eficazes com a utilização de ferramentas de testes e análise de rede. Uma forma é usar instrumentos de teste conectados “in line”, ou seja, em série com o circuito que se deseja testar e gerando tráfego em ambas as extremidades do circuito. Isto, entretanto, exige o desligamento da conexão o que nem sempre é possível. Outra forma é usar uma derivação que possa ser conectada sempre que o circuito de dados necessite ser monitorado. Uma terceira maneira é deixar o equipamento de rede sinalizar o que está acontecendo. Os equipamentos com capacidade SNMP (Simple Network Management Protocol), protocolo da camada 7 do modelo OSI, que foi criado para transportar informações de gerenciamento entre os dispositivos e os sistemas de gestão da rede, podem informar o desempenho da rede monitorando interfaces, processadores, roteadores, switches, dispositivos sem fio e servidores. Neste caso, não há a necessidade de interromper a conexão e os testes podem ser feitos de qualquer lugar na rede (Figura 6). Quando configurado no modo de funcionamento em loopback, o equi-


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pamento de teste reenvia para o equipamento de origem todos os quadros que forem recebidos e destinados a ele.

Figura 6 - Esquema de teste em rede Ethernet Os testes de RFC 2544 também podem ser usados para caracterizar um circuito de dados em utilização, mas os dispositivos em cada extremidade devem ser conectados de maneira que permitam que o tráfego de dados do usuário flua sem problemas. Além disso, os testes não devem colocar uma carga imprópria na conexão. Por exemplo, tentar carregar a conexão com o nível máximo do tráfego conduzirá provavelmente a um mau desempenho para os dados do usuário. Para impedir isto, os níveis do tráfego de testes precisam ser mantidos em patamares compatíveis com a configuração do circuito. Outra maneira é estabelecer baixa prioridade nos frames do teste de modo que a rede os rejeite primeiro. Este modo de teste permite medir todos os parâmetros relacionados no RFC 2544, exceto vazão e possivelmente a perda de quadros que, por sua natureza, exigem o carregamento (ou sobrecarga) da conexão. 5. Referências RFC 2544. Internet Engineering Task Force. Disponível em https://www.ietf.org/rfc/rfc2544.txt RFC 2544 Testing of Ethernet Services in Telecom Networks. White Paper. Disponível em http://literature.cdn.keysight. com/litweb/pdf/5989-1927EN.pdf Coobs, Clyde; Coobs, Catherine A. Communications Network Test & Measurement Handbook. New York: McGraw-Hill,1998. José Maurício dos Santos Pinheiro é Gerente de Engenharia e Operações na BRIP Multimídia, Profissional da área de tecnologia, professor universitário e palestrante. Possui mais de 20 anos de experiência profissional e carreira estruturada em gestão, operação e manutenção de redes de telecomunicações, teleprocessamento e automação, com ênfase em projetos de infraestrutura. É autor dos livros e artigos técnicos publicados em congressos e revistas especializadas.


Projeto de compartilhamento de infraestrutura Projetos para ocupação de faixa de domínio e travessias em rodovias federais Projeto de rede pon, quantificação de elemetos,distribuição de rede e adequação em campo

Cidades Digitais

Responsável técnico ELOI ARI PIANA JUNIOR engenheiro eletricista CREA 107.5641D-PR

www.instelpaengenharia.com.br eloi@instelpaegenharia.com.br

Av. Parigot de Souza, 715 Toledo - PR

(45) 3053-1066 (45) 99122-9651


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TERCEIRIZAÇÃO DE SERVIÇOS PELAS EMPRESAS DE TELECOMUNICAÇÕES No dia 31 de março de 2017 foi publicada a Lei nº. 13.429, que além de alterar dispositivos da Lei nº. 6.019/74 que versa sobre o trabalho temporário nas empresas urbanas, dispõe sobre as relações de trabalho na empresa de prestação de serviços a terceiros. De acordo com o que foi divulgado amplamente por todos os meios de comunicação, a Lei nº. 13.429 teria autorizado a terceirização da atividade-fim pela empresa tomadora do serviço (contratante), o que gerou grande expectativa para todos os setores da economia, incluindo as empresas de telecomunicações que terceirizam por exemplo, os serviços de call center, cobrança, instalação e manutenção de infraestrutura de rede e equipamentos junto ao cliente final (e outros). Cumpre destacar que o artigo 94, inciso II da Lei Geral de Telecomunicações - LGT (Lei nº. 9.472/97) autoriza a terceirização pelas empresas de telecomunicações de sua atividade-fim (inerentes) e atividade-meio (acessórias ou complementares). Senão vejamos: “Art. 94. No cumprimento de seus deveres, a concessionária poderá, observadas as condições e limites estabelecidos pela Agência: (...) II - contratar com terceiros o desenvolvimento de atividades inerentes, acessórias ou complementares ao serviço, bem como a implementação de projetos associados. Até a publicação no dia 31/03/2017, da Lei nº. 13.429, inexistia no país regulamentação expressa versando sobre a prestação de serviços terceirizados. A margem de norma sobre o tema, o Tribunal Superior do Trabalho – TST editou a Súmula nº. 331 do TST. A mencionada Súmula estabelece que a contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, formando o vínculo diretamente como o tomador dos

serviços (contratante), salvo nos casos de trabalho temporário (Lei nº. 6.019/74), serviços de vigilância (Lei nº. 7.102/83), serviços de conservação e limpeza, bem como a de serviços especializados ligados à atividade-meio do tomador, desde que inexistente a pessoalidade e subordinação direta do empregado junto a tomadora do serviço. Assim sendo, a Súmula nº. 331 do TST deixou margem ao interprete para definir as hipóteses de terceirização consideradas lícitas, ou seja, aquelas relacionadas a atividade-meio (secundária) do tomador do serviço, ou ilícitas, quando relacionadas a atividade-fim (principal) do tomador do serviço. Não obstante a previsão na LGT autorizando a terceirização da atividade-fim pelas empresas de telecomunicações, o TST em jurisprudência majoritária tem negado vigência ao disposto no artigo 94, inciso II da LGT, e com base na Súmula 331 do TST, tem considerado ilícita a terceirização das atividades de instalação e manutenção da infraestrutura necessária para viabilizar a prestação dos serviços de telecomunicações pelas empresas do setor, e via de consequência tem reconhecido o vínculo trabalhista do empregado diretamente junto a tomadora do serviço. Veja abaixo a título de exemplificação jurisprudência do TST: “(...) B) RECURSOS DE REVISTA INTERPOSTOS PELAS RECLAMADAS - ANÁLISE CONJUNTA. VÍNCULO EMPREGATÍCIO. ILICITUDE DA TERCEIRIZAÇÃO. EMPRESA DE TELECOMUNICAÇÕES. INSTALAÇÃO E MANUTENÇÃO DE LINHAS TELEFÔNICAS. ATIVIDADE FIM. A jurisprudência desta Corte Superior adota entendimento de que as atividades de instalação e manutenção de linhas telefônicas e operação de redes de acessos, cabos ópticos, serviço de comunicação de dados e serviço ADSL são consideradas atividades fim das empresas concessionárias dos serviços de telecomunicações, desautorizando a


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prática da terceirização. Ressalva de entendimento desta Relatora. Recurso de revista não conhecido”. (TST. ARR 227-03.2014.5.17.0001, Relatora Ministra: Dora Maria da Costa, Data de Julgamento: 15/06/2016, 8ª Turma, Data de Publicação: DEJT 17/06/2016) Pois bem! A Lei nº. 13.429 ao dispor sobre as relações de trabalho na empresa de prestação de serviços a terceiros prevê o seguinte: “Art. 4º-A. Empresa prestadora de serviços a terceiros é a pessoa jurídica de direito privado destinada a prestar à contratante serviços determinados e específicos. § 1o A empresa prestadora de serviços contrata, remunera e dirige o trabalho realizado por seus trabalhadores, ou subcontrata outras empresas para realização desses serviços. § 2o Não se configura vínculo empregatício entre os trabalhadores, ou sócios das empresas prestadoras de serviços, qualquer que seja o seu ramo, e a empresa contratante.” Outrossim, a Lei nº. 13.429 não definiu em que consiste “serviços determinados e específicos”, deixando margem novamente para os Tribunais interpretarem, se os serviços determinados e específicos abrangeriam ou não a atividade-fim da empresa tomadora dos serviço. Entre os argumentos para fundamentar que a Lei nº. 13.429/2017 não permitiu a terceirização da atividade-fim da tomadora do serviço, está o fato de que a contratação de empresa interposta (terceirização) em regra é ilegal e deve ser prevista de forma expressa na Lei nº. 13.429/2017 ao prever que a terceirização incide sobre serviços determinados e específicos se espelhou na modalidade de contrato de trabalho por prazo determinado previsto no artigo 443, §1º da CLT. Em outros termos, a intenção da Lei nº. 13.429/2017 foi a de autorizar a terceirização de atividade-fim apenas para hipótese de trabalho temporário, tanto é que o próprio artigo 9º, §3º foi expresso ao dispor que “o contrato de trabalho temporário pode versar sobre o desenvolvimento de atividades-meio e atividades-fim a serem executadas na empresa tomadora de serviços.”, não tendo nenhum dispositivo expresso neste sentido com relação aos serviços

terceirizados. E mais, a Lei nº. 13.429 estabelece no artigo 4º, §§ 1o e 2o que os requisitos da relação trabalhista do empregado se dá junto a empresa prestadora dos serviços terceirizados, não configurando vinculo entre o empregado e o tomador do serviço. Outrossim, caso os Tribunais de fato interpretem que a Lei nº. 13.429 não autorizou a terceirização da atividade-fim, será reconhecido o vínculo trabalhista do empregado terceirizado diretamente com a tomadora do serviço (contratante). Pelo exposto, recomenda-se cautela as empresas de telecomunicações com relação a terceirização de parte de suas atividades, seja pela necessidade de interpretação pelos Tribunais da abrangência da definição de “serviços determinados e específicos” previsto na Lei nº. 13.429, seja pela jurisprudência majoritária do TST considerar com base na Súmula 331, ilícita a terceirização de atividades de instalação e manutenção de infraestrutura por considera-las atividade-fim das empresas de telecomunicações. De toda sorte, caso as empresas de telecomunicações optem por terceirizar as atividades de instalação e manutenção de infraestrutura, deverão elaborar contrato escrito prevendo serviço especifico, determinar o objeto da terceirização, o prazo para a execução do serviço, respectivo valor e local da prestação dos serviços, e adotar outras certas precauções. Tudo isso visando afastar o reconhecimento da terceirização ilícita, e sobretudo a configuração da subordinação e pessoalidade do empregado junto a tomadora do serviços.

Drª. Jordana Magalhães Ribeiro é Advogada, Consultora Jurídica e sócia da Silva Vítor, Faria & Ribeiro Advogados Associados. jordana@silvavitor.com.br


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PLUG TELECOM: CONECTANDO IDEIAS, PESSOAS E RECURSOS!

O maluco da internet antes da internet... A paixão pela tecnologia nasceu já em 1993, quando Breno começou a trabalhar numa BBS onde as conexões eram realizadas por modens analógicos na velocidade de 14,4kbps e o conteúdo disponível não passava da troca de mensagens em texto (chat) e fóruns de notícias restritas entre os assinantes da pequena rede. Com a chegada da internet comercial, a procura pela empresa se tornou enorme, pois era a única forma de um cidadão se conectar à grande rede era através da BBS. O desafio já nessa época era o de conectar mais pessoas, mas o limitador era a quantidade de linhas telefônicas disponíveis, bastante caras naquela época. A figura da BBS foi substituída pelo provedor de acesso, as redes foram crescendo, mais conteúdo sendo disponibilizado, grandes empresas

foram criadas e os acessos discados pagos foram rapidamente substituídos por acessos gratuitos, o que causou o fechamento de muitas empresas que faziam o acesso discado ou permitiu que um novo nicho de mercado surgisse, o da internet à rádio. Com conhecimento adquirido na antiga BBS e identificando a necessidade do novo mercado, Breno, montou na garagem da casa da avó uma pequena loja, onde vendia e consertava computadores, alugou cinco linhas analógicas, comprou os modens e assinou um contrato de link com a Telemar de 64Kbps para seus clientes “navegarem” na internet. Quando todas as linhas estavam ocupadas, ele “tomava” a linha da casa da avó e do vizinho ao lado para suprir a falta e permitir mais conexões dos clientes. “Meu avô ficava furioso ao pegar o telefone e escutar o famoso chiado da conexão de internet na sua linha telefô-


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nica, me chamava de maluco e me botava pra correr. Foi minha primeira experiência empresarial, que não deu muito certo e quebrei rapidamente”, disse Breno. Com alguma experiência, assumiu o desafio de vendedor do atacado na Regional da Telemar-MG (Oi), onde comercializava links de acesso à internet aos provedores que estavam iniciando suas operações de rádio e os que ainda continuaram por algum tempo disponibilizando o acesso discado. Os circuitos IP eram pequenos e bastante caros, um link de 128Kbps chegava a custar R$ 8.000,00 por mês. Links de 1 Mbps, somente os provedores com mais de 1.000 assinantes poderiam pagar naquela época. Breno conta que atendeu e vendeu circuitos IP para mais de 100 provedores no estado de Minas Gerais. Com a falta de mão de obra especializada na região, também ficava à cargo do Breno, as instalações e configurações dos circuitos IP, Frame Relay ou X.25 entregues pela Telemar, situação em que permitiu ajudar muitos provedores a estruturarem suas operações. “Tenho orgulho de falar, ajudei no nascimento de vários provedores de internet em Minas, alguns deles, projetei, montei e estão operando e crescendo até os dias de hoje”, diz Breno Vale. Cidades descobertas Com bastante conhecimento adquirido ao longo do tempo, Breno, decidiu participar de uma sociedade de uma empresa provedora de internet que já funcionava mas precisava de alguns ajustes. Ali então começava uma nova história de empreendedorismo, num mercado promissor, com grandes oportunidades e muitos


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PROVEDOR EM DESTAQUE desafios. ‘A “PLUG Telecom”, como é conhecida na região, é uma empresa com operação em 6 cidades no interior do estado e aposta forte na qualidade do serviço e na excelência no atendimento ao assinante. O corpo executivo da empresa, conta com Breno Vale na diretoria executiva, Marcelo Moreira na diretoria financeira e marketing e Rodrigo de Sá na diretoria administrativa e comercial. O planejamento estratégico da PLUG está baseado num estudo proprietário realizado por uma agência de publicidade e propaganda carioca chamada ArtPlan. Este estudo batizado de “Cidades Descobertas” apresenta um perfil de municípios brasileiros que possuem até 100 mil habitantes e os hábitos de consumo dos moradores de mais de 12 municípios. Este estudo tem o objetivo de mostrar as empresas, oportunidades para investir nesses centros, onde residem 45% da população brasileira, acumulando mais de 30% do PIB nacional. A partir dos dados apurados pelo estudo – realizado por meio de uma pesquisa qualitativa, os pesquisadores chegaram a cinco principais descobertas. A primeira revelação mostra que a maioria dos moradores de cidades pequenas não quer mudar de lugar. Eles avaliam que as cidades onde residem têm alto grau de qualidade de vida e valorizam o fato de estar perto da família. O segundo ponto apurado pela pesquisa indica que eles consideram ainda não viver numa “cidade ideal”: embora estejam satisfeitos por estar longe do caos dos grandes centros, a falta de opções de compra, cultura e lazer é uma característica presente em quase todos os locais visitados e algo que seus habitantes almejam. O levantamento avalia que somente 3% das cidades possuem


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shopping centers e apenas 7% delas têm salas de cinema. Já a terceira descoberta aborda o poder da propaganda ‘boca a boca’, quando as pessoas conhecidas se tornam grandes influenciadoras para o consumo. A relação de confiança pode tornar um encontro entre amigos numa reunião de ‘negócio’ e se meu amigo confia, eu confio. O quarto ponto refere-se à vontade dos jovens de estudar sem sair da própria cidade, já que a porcentagem destes municípios que possuem ensino superior é de apenas 36%. A última descoberta mostra que a relação dessas pessoas com a web é cada vez mais plena e frequente. Cerca de 84% dos moradores das cidades com menos de 100 mil habitantes têm acesso à internet, mais do que aqueles que possuem telefone nesses mesmos locais: 78%. “O estudo da ArtPlan foi um mantra para desenhar toda a estratégia de negócios e marketing da

PLUG. É o retrato do nosso público do interior, da “doninha” que conhece a “tiazinha” a quem oferece um “cafezim” mas não deixa de perguntar qual internet ela usa, ou do mestre doutor da FGV que só está morando na cidade porque tem acesso à internet de qualidade”, explica Marcelo Moreira. Atenta às demandas do mercado, o portfólio da PLUG possui serviços personalizados de acesso à internet para empresas e também para o varejo. A flexibilização dos planos permitiu atender a demanda reprimida e teve forte adesão de empresas, que precisavam de soluções com tecnologia de ponta, confiabilidade e disponibilidade. Outros serviços como IPTV e Voz sobre IP estão no radar da PLUG para ampliar a gama de serviços aos assinantes. Parcerias certas, objetivos alcançados A PLUG conta com a assinatura da agência Coletânea de Ideias no planejamento de comunicação e marketing da empresa. Para medir o resultado


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das ações e o índice de satisfação dos assinantes, são realizadas pesquisas quantitativas e qualitativas em todas as cidades com uma amostragem bastante significativa da base. No último questionário a nota da empresa para qualidade do serviço chegou a 78% e para o atendimento bateu 86% no índice de satisfação. As lojas de atendimento, presente em todas as cidades em que a PLUG está, tem o mesmo layout e padronização, porém com um diferencial, evidenciar o que a cidade considera que produz de melhor, sempre atrelada à imagem da PLUG. Se na cidade de Cláudio tem fundição, em Itaguara tem rapadura, em Carmópolis de Minas tem o tomate, mas todas têm... a internet da PLUG!

Segundo Rodrigo de Sá, a empresa investiu pesado no sistema de telefonia IP, com setorização das ligações e URA de 1 nível. “O atendimento fica na empresa até as 22 horas e depois as ligações são transferidas para um call center externo, mas o assinante continua sendo atendido com o mesmo “sotaque”, mesma paciência e atenção como se estivesse na PLUG. Todos os atendimentos são registrados e as ligações gravadas para que o setor de qualidade possa avaliar o atendimento dos nossos colaboradores e também do serviço externo, prestado pela Action Call.” Ainda sobre a qualidade do atendimento, Breno que também acumula a função da diretoria técni-


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ca, conta que todos os serviços prestados pela equipe de técnicos e instaladores são monitorados e acompanhados 100% do tempo através de um software, onde as ordens de serviço despachadas pela central são enviadas para o celular do colaborador, devidamente roteirizadas e classificadas, reduzindo o tempo e aumentando a produtividade da equipe de rua. Breno conta que todos os tipos de ordens de serviço possuem um SLA, com tempo máximo para resolução definitiva e os índices são acompanhados pela supervisão diariamente, acumulando pontos positivos para cumprimento dentro das metas ou negativos por encerramentos com atraso. Mesmo com um corpo técnico reduzido, as ordens de serviço de suporte ao assinante por exemplo conseguem ser resolvidas em até 8 horas úteis da data/hora da abertura. A PLUG utiliza o software iclass da Activia Sistemas para o controle de ordens de serviço e gestão de equipe. E para manter a qualidade no serviço, Marcelo conta que a PLUG investe mais de 40% do faturamento bruto em melhorias na infraestrutura de rede. “A PLUG é uma empresa de tecnologia, com de uso intensivo de capital, se temos 1 milhão investimos, se temos 2 milhões investimos, se temos 5 milhões de orçamento, continuaremos investindo na infraestrutura. Sabemos que o diferencial “qualidade do serviço” está diretamente ligado ao investimento que fazemos. Os resultados das pesquisas nos mostram que estamos no caminho certo”. A PLUG já conectou 5 das

6 cidades que atende com fibra óptica, todo o backbone é próprio e informam que está no planejamento estratégico crescer a malha para outras 10 cidades, conectar a outros provedores e aumentar a proteção da rede. “Ainda estamos engatinhando, passamos dos 500km de rede óptica agora, mas a ousadia do primeiro projeto e a confiança de fornecedores como a ISP Shop, nos deu coragem para assumir desafios bem maiores na expansão da malha para outras regiões do estado”, complementa Rodrigo. Cada processo da empresa está sendo pensado, discutido e documentado para evitar atropelos ou desencontros de cada novo membro que chega à equipe. “Os relatórios de BI (business intelligence) nos ajudam diariamente a tomar decisões cirúrgicas na operação, evitando surpresas ou resultados negativos ao final do mês” relata Marcelo. Toda a gestão da empresa é suportada pelo ERP Integrator da Elitesoft. A PLUG acredita no crescimento do mercado nas cidades do interior e concentra todo seu planejamento para que os objetivos de curto e médio prazo sejam alcançados, é a verdadeira inclusão digital feita por provedores regionais, com recursos próprios e muita dedicação. Breno Vale atualmente é vice-presidente da ABRINT (Associação Brasileira dos Provedores de Internet e Telecomunicações), entidade que representa os provedores de internet regionais junto à sociedade, governo e órgão reguladores de assuntos pertinentes ao setor.


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INTERNET DAS COISAS VERSUS ISP’S OPORTUNIDADES OU DESAFIOS? Internet das coisas é um futuro já presente em nossas vidas. Se trata de termos várias “coisas” conectadas à internet. Estudos de mercado apresentam a expectativa de um crescimento exponencial da quantidade de dispositivos ou “coisas” conectadas à internet até 2020.

Os termos “smart-alguma coisa” já começam a aparecer no mercado. O mais comum deles é o de “smart-city” que vem surgindo como conceito de “cidade-inteligente”. Esta é uma das aplicações de Internet das Coisas (Internet of Things – IoT) que vêm ocupando uma boa fatia de mercado onde com serviços como sistemas de vídeo-monitoramento, monitoramento e controle de iluminação pública, níveis de rios e lagos para prevenção de enchentes, florestas próximas a áreas urbanas para a prevenção de incêndios, entre outros. Na aplicação de “smart-city”, um dos requisitos será uma infraestrutura de rede que cubra os pontos a serem monitorados ou controlados. “Empresa”? Sim, esta é uma aplicação de IoT que permite um modelo de negócio diferente. Então começaram por aí as oportunidades. A primeira delas seria a prestação deste serviço de monitoria para uma prefeitura ou entidade empresarial qualquer uma vez que a infraestrutura de rede de um ISP (Internet Service Provider) pode cobrir tal área. Onde diversas tecnologias podem ser simultaneamente usadas para atender esta necessidade. Em outra aplicação a “smart-agriculture”, a maior dificuldade é o acesso à internet propriamente dito pois, em alguns casos, somente o satélite atende e outra é a tecnologia adequada à esta situação de cobertura e tráfego. A primeira oportunidade e o grande desafio surgem aqui. O retorno a longo prazo para atendimentos neste caso pode ser promissor devido ao grande valor agregado deste produto “acesso à internet”. Trata-se, realmente, de um negócio diferenciado. Tanto que algumas tecnologias vêm surgindo com força no mercado para cobrir esta lacuna de atendimento. Como exemplo estão as tecnologias ZigBee, 6LoWPAN, LoRa, SigFox entre outras.


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Estes são dois entre diversos exemplos de aplicações que estão ou podem surgir no mercado. A questão é: o que o ISP tem a ver com isso?? Será esta evolução um desafio aos ISP’s quanto à geração de tráfego, requisitos específicos de aplicações ou clientes, armazenamento de dados, autenticações, filtros, firewalls, etc. Ou serão, todos estes pontos, oportunidades de mercado? Outro aspecto desta evolução da internet para as coisas é questão da gestão da informação: privacidade, segurança e administração. Como gerir autenticações, validações, privacidade e segurança de dispositivos (sensores, atuadores e gateways) na rede de um ISP? Aplicações como “smart-city” ou “smart-agriculture” podem não ter a necessidade de uma ou alguma das características acima, mas aplicações como a “smart-home” pode expor publicamente informações privadas e pessoais (monitoramento, trancas de portas, portões automáticos, iluminação, irrigação, o dispensador da comida do cachorro, o aquecedor da banheira e muitas outras aplicações). Existe aqui outra oportunidade que oferece um forte desafio aos ISP’s, o chamado firewall de ISP para IoT. O dispositivo de acesso do cliente é inteligente e, trabalhando em conjunto com datacenter, pode atuar como um filtro inteligente semelhante a um firewall automatizado que entende a “smart-home” do cliente e pode funcionar como um antivírus, anti-malwares e filtros protegendo dispositivos IoT

que não podem defender-se sozinhos. Considerando o alto valor das proteções antivírus e anti-malwares do mercado, o firewall de ISP pode ir mais longe. Além de detectar quais dispositivos que se conectam à rede do cliente são IoT (em oposição à laptops, desktops, smartphones, smart-TV’s) e aprender quais serviços estão autorizados a conversar com eles, o firewall de ISP, com o front-end adequado ao consumidor, pode oferecer um inventário de dispositivos ativos ou não na rede, autorização de adesão de novos dispositivos na rede, a classificação dos serviços e atribuições de perfis para estes dispositivos, além do tradicional controle destes. A necessidade de adequação e atualização de um ISP para suportar o novo domínio de tecnologias das IoT’s virá de encontro com o modelo de negócios adotado pelo ISP perante a este novo mercado que crescerá de forma exponencial a partir de agora. É normal que as redes dos ISP’s tenham dificuldade de acompanhar a evolução dos dispositivos (protocolos, hardwares e chipsets) e seus diferentes requisitos de QoS (Qualidade de Serviço), latência, volume de tráfego, segurança, privacidade e outros pois a evolução da arquitetura de redes para suportar esta evolução não é tão simples e dependerá tanto de uma visão técnica de rede quanto a soluções e implementações, como também dependem da visão de objetivos e de negócio do ISP. Certamente, aquele que inovará nestes aspectos e terá a maior fatia de mercado em um futuro próximo. Luiz Oliveira é Especialista em Sistemas com formação em Engenharia de Telecomunicações pelo INATEL, e atualmente pesquisador pela mesma instituição. Com mais de 17 anos de mercado atuou como engenheiro de sistemas e de treinamento de redes de acesso xDSL, xPON, redes de transporte backhaul e backbone IP e MPLS em multinacionais como Ericsson, Alcatel, ZTE e Huawei. Atua como consultor Técnico pela empresa Ei Consulting. https://www.linkedin.com/in/luizoliveir .


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DESREGULAMENTAÇÃO E PRESTADORAS DE PEQUENO PORTE (PPP) COMO DEFINIR DE UMA MANEIRA MAIS EFICIENTE O PORTE DAS EMPRESAS E REDUZIR AS TRAVAS PARA O CRESCIMENTO DO PROVEDOR REGIONAL. No dia 15 de fevereiro de 2017, ocorreu em Brasília na sede da Anatel, o III Workshop de Competição da Anatel com o subtítulo Novo Modelo da Gestão das Relações de Atacado das Telecomunicações no Brasil. Este encontro debateu as três principais consultas públicas vigentes a época que são: Consulta Pública 35 – Plano Geral de Metas de Competição (PGMC); Consulta Pública 36 – Regulamento Geral de Interconexão (RGI); e a Consulta Pública 37 – Regulamento de Homologação de Ofertas de Referência de Produtos de Atacado (RHORPA). A Solintel foi convidada para participar da Mesa 2, com o moderador Sr. Nilo Pasquali, representando a Anatel – Agência Nacional de Telecomunicações, e ainda representantes da Algar Telecom, Abrint - Associação Brasileira de Provedores de Internet e Telecomunicações, e por fim o Sr. Vitor Horita, Gerente Técnico da Solintel, que por sua vez escreve comigo este artigo. Esta mesa teve como objetivo debater a desregulamentação e as prestadoras de pequeno porte. Conceito de PPP A visão da Solintel se resume em alguns dos principais pontos que vamos descrever a seguir. Porém, antes de qualquer análise temos que levantar informações, que por sua vez, é o que subsidia qualquer tomada de decisão. O Brasil possui atualmente 5.570 (cinco mil quinhentos e setenta) municípios e destes, 4.136 (quatro mil cento e trinta e seis) municípios possuem até 24 (vinte e quatro) mil habitantes, ou seja, 74% do total, dados estes do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Seguindo na mesma linha, a média de moradores por residência é próxima de 3 (três) habitantes, segundo dados do CETIC – Centro Regional para o Desenvolvimento da

Sociedade da Informação. Sendo assim, estamos falando de aproximadamente 8 (oito) mil residências neste pior cenário. E ainda, se o Brasil possui uma média de 51% de taxa de inclusão digital, também segundo o CETIC, estamos falando então, que neste cenário há 4 (quatro) mil acessos possíveis. Pois bem, se considerarmos o cenário acima, uma prestadora regional com ticket médio de R$ 60,00 (sessenta reais), chegamos a um faturamento mensal médio de R$ 240.000,00 (duzentos e quarenta mil reais), o que representa um faturamento neste caso de R$ 2.880.000,00 (dois milhões oitocentos e oitenta mil reais) para 12 (doze) meses. Faixa esta que ainda é permitida no Simples Nacional e não carrega o ICMS cheio, das empresas não optantes deste regime, que sem a menor sombra de dúvidas é o maior entrave para o desenvolvimento e a inclusão digital no Brasil. Levando em consideração o que foi exposto acima, entendemos que conforme sugerido na Consulta Pública 35, deve haver 4 (quatro) faixas de divisão para a regulamentação das empresas. Você vai observar que algumas questões são sugeridas no final deste artigo. Primeira faixa: Micro - de 0 (zero) a 999 (novecentos e noventa e nove) acessos - A grande maioria das empresas startups neste mercado começam com o proprietário que via de regra é o técnico, com a esposa e filhos ajudando no restante. A empresa funciona com a tecnologia de espalhamento espectral em faixas secundárias e livres, constrói a torre no quintal da casa da mãe ou da sogra, e que normalmente trabalham em até 4 pessoas, e todos fazem tudo no dia a dia. Desde a cobrança, instalação, manutenção, montagem da torre, pagam as contas e assim sucessivamente com todas as rotinas diárias de uma empresa


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de micro porte. Fatura até R$ 60.000,00 (sessenta mil reais) por mês, ou seja, R$ 720.000,00 (setecentos e vinte mil reais) por ano. A grande maioria das empresas deste porte operam de maneira totalmente informal, sem as devidas autorizações, alvarás, entre outros. Portanto, sugerimos que neste caso exclua o pagamento da outorga, TFI – Taxa de Fiscalização de Instalação, TFF – Taxa de Fiscalização de Funcionamento, e todas as demais taxas obrigatórias. No entanto, pensando agora que os consumidores devem ser tratados iguais independente do porte da empresa que o atende, garantindo a fruição e qualidade dos serviços, necessariamente deve-se manter a obrigatoriedade de um projeto técnico e de um responsável técnico junto ao CREA – Conselho Regional de Engenharia e Agronomia da respectiva Unidade de Federação, haja vista que esta atividade é tecnicamente resguardada pela Resolução 218 do Confea – Conselho Federal de Engenharia e Agronomia, especificamente no artigo 9°. O processo de obtenção da outorga deve manter-se da forma atual, com as devidas exonerações sugeridas acima, para a inclusão das prestadoras piratas no ambiente formal. A prestação de contas no SICI – Sistema de Coleta de Informação deve-se manter para todas as categorias, para obviamente subsidiar a tomada de decisões, tanto do MCTIC – Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, quanto da Anatel. Segunda faixa: Pequeno – de 1 (um) mil a 3.999 (três mil novecentos e noventa e nove) acessos – Neste intervalo a empresa começa a pensar em se organizar e se estruturar. Não está mais no fundo do quintal, quer se preparar para crescer, com revisão de processos de gestão, cria áreas na empresa e começa a separar o joio do trigo. Começa a construir seu backbone com fibra óptica, organizar sua rede e melhorar a qualidade e a escalabilidade para o consumidor final. Neste caso, chega a um faturamento médio anual entre R$ 720.000,00 (setecentos e vinte mil reais), até R$ 2.880.000,00 (dois milhões oitocentos e oitenta mil reais). Faixas estas que permitem o enquadramento no Simples Nacional. Nesta faixa, já não há a necessidade de desonerar as taxas sugeridas para o micro. A empresa já não tem mais cara de familiar – apesar de continuar sendo – e que com este perfil, já precisa ter a visão de que algumas regulamentações servem para melhorar

os processos e a gestão do negócio como um todo. Por isso a importância de protocolo de cancelamentos, um bom contrato com o assinante, entrega de documentos de cobrança, desconto progressivo em caso de interrupção, entre outras medidas. Agora, a gravação da chamada por 90 (noventa) dias já seria suficiente, por exemplo. Terceira faixa: Médio – de 3.999 (três mil novecentos e noventa e nove) a 29.999 (vinte e nove mil novecentos e noventa e nove) acessos – Neste momento a empresa já está preparada para boa parte da regulamentação, como por exemplo, atendimento 0800 das 8hs às 20hs nos dias úteis, protocolo para todo e qualquer atendimento, sinistro de interrupções, gravação de atendimento por 6 (seis) meses, opção de cancelamento automático, entre outros. Observe que sempre tem alguém comprando internet e/ ou migrando de prestadora, portanto, depende da sua empresa se vai conquistar ou não o assinante. Por isso a importância de entender a regulamentação como oportunidade de melhoria na gestão como um todo e não diferente disso. O faturamento já está entre R$ 2.880.000,00 (dois milhões oitocentos e oitenta mil reais), até R$ 21.600.000,00 (vinte e um milhões e seiscentos mil reais) por ano. Nesta faixa o provedor já tem seu backhaul e backbone de fibra óptica, a rede de distribuição quase em toda sua extensão com atendimento ftth – fiber to the home – com internet escalável e de qualidade. Aqui se encontra o provedor que já pensa em estender seus serviços com STFC – Serviço Telefônico Fixo


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Comutado – e também o SEAC – Serviço de Acesso Condicionado – com o intuito de aumentar seu ticket médio e explorar melhor sua carteira de assinantes. Quarta faixa: PMS – Poder de Mercado Significativo – acima de 30.000 (trinta mil) acessos – Trazer o PMS de 50 (cinquenta) mil para 30 (trinta) mil é a melhor maneira de estimular a competição. A carga regulatória nesta faixa também traz uma série de oportunidades na gestão do negócio. Cartilha de qualidade do SCM – Serviço de Comunicação Multimídia – bem como resultados das medições, indicadores de rede (velocidade instantânea, média e latência), indicadores de reação dos assinantes, indicadores de atendimento, entre outros. Estamos falando de uma empresa com faturamento igual ou maior de R$ 21.600.000,00 (vinte e um milhões e seiscentos mil reais) por ano. Infraestrutura Sabe-se que a infraestrutura óptica em regiões precárias praticamente não existe no Brasil. O primeiro motivo é o longo pay back e rentabilidade nestas regiões. Entretanto, existem alguns caminhos a serem trilhado. Segundo o site teleco, em 2015 o FUST – Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações – era de nada mais nada menos do que R$ 1,785 bilhões de reais. Dinheiro este que foi utilizado até na Marinha do Brasil, e não se sabe ao certo o destino desta verba. Mas se fizermos um cálculo de R$ 10.000,00 (dez mil reais) para construir 1 (um) quilômetro de fibra óptica, este dinheiro cons-

truiria 178.500 (cento e setenta e oito mil e quinhentos) quilômetros de backbone. Ou seja, quatro voltas e meia no Planeta Terra. Assustou? Nós também. Há a necessidade de se criar um novo fundo, porém, somente as empresas que prestam conta no SICI de forma correta poderiam usufruir do novo fundo. Ou também, quanto menor a empresa, maior o percentual de recursos financeiro. Ou vincular alguma ação social com escolas e hospitais para a utilização do dinheiro, entre outras alternativas. Enfim, o Brasil tem dimensões continentais e o regular e fiscalizar este mercado é uma tarefa e tanto dos responsáveis. Entretanto, o caminho único é o da profissionalização, com a melhoria do processo de solicitação de documentação on line, as denúncias feitas são pouco assertivas por conta do baixo contingente de fiscalização, as empresas que não declaram o SICI não sofrem grandes sanções, o SICI é pouco explorado pela ANATEL e MCTIC para a tomada de decisão. E ainda, aumentar a quantidade e a qualidade das informações requeridas no SICI, como por exemplo informar, repito informar o ASN – Número de Sistema Autônomo – pois a conexão em um PTT – Ponto de Troca de Tráfego – que melhora a experiência do assinante por conta dos CDNs – Rede de Distribuição de Conteúdo – e ainda leva uma grande economia para a operação do provedor, além da segurança com o seu IP – Protocolo de Internet – identificado pois dá segurança quanto a crimes cibernéticos. Em resumo, se você estiver a frente e melhor preparado, não há que se preocupar, pois quem não deve não teme.

Um texto escrito em parceria por: Asshaias Felippe é Engenheiro eletricista, formado pela Universidade Norte do Paraná, pós-graduado em Telecomunicações pela Universidade Estadual de Londrina e MBA em Gestão Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas. Diretor executivo da Solintel e Moga Telecom, sócio fundador do projeto TelCont e com atuação no mercado de telecomunicações e gestão empresarial há 10 anos. Vitor Horita é Engenheiro Telecom/Computação/Segurança do Trabalho, formado pela Universidade Norte do Paraná, pós-graduado em Telecomunicações pela Universidade Estadual de Londrina e Segurança do Trabalho também pela Universidade Estadual de Londrina. Gerente Técnico da Solintel, com atuação no mercado de telecomunicações e gestão empresarial há 5 anos, e desenvolvimento de software e novas tecnologias há 15 anos.


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O FUTURO DO CLOUD COMPUTING No cenário de mercado atual, a cada dia acreditamos que somente fornecer conectividade e banda tornará a sobrevivência e perenidade do negócio ISP mais difícil. A Conectividade, em breve, terá a tendência de ser como uma commodity e cada fornecedor não terá muito diferencial em termos de preço e qualidade. Haverá abundância de recursos relativos a banda de internet nos anos vindouros e fatalmente muita concorrência. No mundo novo, que não está tão distante, sugerimos que abordemos os chamados negócios de valor agregado e o incorporemos ao nosso portfólio estes produtos. Temos a recomendação que pedimos atenção, segue abaixo: • Computação em nuvem – Cloud computing A computação em nuvem é um modelo que permite o acesso on-demand a um pool compartilhado de recursos computacionais configuráveis (por exemplo, redes, servidores, armazenamento, aplicativos e serviços) que podem ser rapidamente provisionados e liberados com um mínimo esforço de gerenciamento ou Interação do provedor de serviços. Este modelo de nuvem é composto de cinco características essenciais, três modelos de serviço e quatro modelos de implantação (National Institute of Standards and Technology).

Características essenciais: • Autoatendimento sob demanda: Um consumidor pode unilateralmente fornecer capacidades de computação, como tempo do servidor e armazenamento de rede, conforme necessidade automaticamente, sem requerer interação humana com cada provedor de serviços. • Amplo acesso à rede: As capacidades estão disponíveis na rede e são acessadas por meio de mecanismos padrão que promovem o uso por plataformas dos clientes (por exemplo, telefones celulares, tablets, laptops e estações de trabalho). • Agrupamento de recursos: Os recursos de computação do provedor são agrupados para atender múltiplos consumidores, com diferentes recursos físicos e virtuais dinamicamente atribuídos e reatribuídos de acordo com a demanda do cliente. Há uma sensação de independência de localização no sentido de que o cliente geralmente não tem controle ou conhecimento sobre a localização exata dos recursos fornecidos, mas pode especificar a localização em um nível mais alto de tipo de contratação (por exemplo, país, estado ou datacenter). Exemplos de recursos incluem armazenamento, processamento, memória e largura de banda da rede. • Rapidez de elasticidade: As capacidades po-


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dem ser elasticamente provisionadas e liberadas, e em alguns casos, automaticamente se adequando a demanda. Para o consumidor, as capacidades disponíveis para fornecimento muitas vezes parecem ser ilimitadas e podem ser apropriadas em qualquer quantidade a qualquer momento. • Serviço medido: Os sistemas em nuvem controlam e otimizam automaticamente o uso de recursos que desta forma podem ser monitorados e controlados, proporcionando transparência tanto para o provedor como para o consumidor do serviço utilizado.

• Infraestrutura como Serviço (IaaS): A capacidade oferecida ao consumidor é fornecer processamento, armazenamento, redes e outros recursos de computação fundamentais, onde o consumidor é capaz de implantar e executar software arbitrário, que pode incluir sistemas operacionais e aplicativos. O consumidor não gerencia ou controla a infraestrutura de nuvem subjacente, mas tem controle sobre sistemas operacionais, armazenamento e aplicativos implantados; E possivelmente controle limitado de componentes de rede selecionados (por exemplo, firewalls de host).

Modelos de Serviço: • Software como um Serviço (SaaS): A capacidade fornecida ao consumidor é para o uso de aplicativos do provedor em execução em uma infraestrutura de nuvem. As aplicações são acessíveis a partir de vários dispositivos cliente através de uma interface, como um navegador da Web (por exemplo, um e-mail baseado na Web) ou uma interface de programa. O consumidor não gerencia nem controla a infraestrutura de nuvem, incluindo rede, servidores, sistemas operacionais, armazenamento ou mesmo recursos de aplicativos individuais, com a possível exceção de configuração de aplicativos específicas do usuário. • Plataforma como um Serviço (PaaS): A capacidade oferecida ao consumidor é implementar na infraestrutura da nuvem aplicativos criados pelo consumidor ou adquiridos por ele.

Modelos de implantação: • Nuvem privada: A infraestrutura da nuvem é provisionada para uso exclusivo por uma única organização que compreende vários consumidores (por exemplo, unidades de negócios). Pode ser de propriedade, gerenciado e operado pela organização, um terceiro, ou alguma combinação deles, e pode existir dentro ou fora das instalações. • Nuvem da comunidade: A infraestrutura da nuvem é provisionada para uso exclusivo por uma comunidade específica de consumidores de organizações que têm preocupações compartilhadas (por exemplo, missão, requisitos de segurança, política e considerações de conformidade). Ela pode ser de propriedade, gerenciada e operada por uma ou mais organizações da comunidade, por um terceiro, ou por alguma combinação deles, e pode existir dentro ou


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fora das instalações. • Nuvem pública: A infraestrutura da nuvem é provisionada para uso aberto pelo público em geral. Pode ser de propriedade, gerenciado e operado por uma empresa, acadêmica ou organização governamental, ou alguma combinação deles. • Nuvem híbrida: A infraestrutura de nuvem é uma composição de duas ou mais infraestruturas de nuvem distintas (privadas, comunitárias ou públicas) que permanecem como entidades exclusivas, mas que são unidas pela tecnologia padronizada ou proprietária que permite a portabilidade de dados e aplicativos.

formance e segurança. • Cloud Broker/Corretor da nuvem – Entidade que gerencia o uso, performance e entrega dos serviços de nuvem e negocia relacionamento entre o provedor e os consumidores. • Cloud carrier/Portador da nuvem – Um intermediário que fornece conectividade e transporte dos serviços do provedor para o consumidor de nuvem. Principais atividades do provedor de Cloud • Implantação do serviço/Service Deployment – ocorre de maneira automática pelo cliente ou por pessoal interno. • Orquestração dos serviços/Service Orchestration – refere-se à composição dos componentes do sistema para suportar as atividades dos provedores em arranjo, coordenação e gerenciamento de recursos computacionais, a fim de fornecer serviços em nuvem aos Consumidores.

Arquitetura e principais atores:

• Cloud Consumer/Consumidor de nuvem – A pessoa ou organização que mantem o relacionamento de negócios com o provedor e usa seus serviços. • Cloud provider/Provedor de serviços de nuvem – A pessoa, organização ou entidade responsável por fornecer e manter os serviços de computação em nuvem. • Cloud Auditor/Auditor da nuvem – Conduz avaliação independente dos serviços de nuvem, per-

• Gerenciamento dos serviços de nuvem/ Cloud services Management – Gerenciamento dos serviços de cloud • Segurança/Security - gerenciamento da segurança dos dados e suas aplicações • Privacidade/Privacy – Como temos usuários diferentes se utilizando de uma única estrutura, temos que garantir privacidade individualmente para cada cliente.


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Alguns exemplos de serviços em nuvem disponíveis para um consumidor em nuvem estão listados abaixo: Serviços SaaS Os serviços de SaaS se resumem em aplicativos para e-mail, processamento de texto, planilhas, apresentações, etc. Faturamento: serviços de aplicação para gerenciar o faturamento de clientes com base no uso e assinaturas de produtos e serviços. Customer Relationship Management (CRM): Aplicações de CRM que vão desde aplicações de call center até automação de força de vendas. Colaboração: ferramentas que permitem aos usuários colaborar em grupos de trabalho em empresas. Gerenciamento de Conteúdo: Serviços para gerenciar a produção e acesso a conteúdo para aplicativos baseados na web. Gerenciamento de documentos: aplicativos para gerenciamento de documentos, aplicação de fluxos de trabalho de produção de documentos e fornecimento de espaços de trabalho para grupos ou empresas para encontrar e acessar documentos. Financeira: Aplicações para gerenciar processos financeiros que vão desde o processamento de despesas e faturamento até a administração fiscal. Recursos Humanos: Software para gestão de recursos humanos dentro das empresas. Vendas: Aplicativos especificamente projetados para funções de vendas, como preços, acompanhamento de comissões, etc. Redes Sociais: software social que estabelece e mantém uma conexão entre os usuários que estão ligados em um ou mais tipos específicos de interdependência. Enterprise Resource Planning (ERP): sistema integrado baseado em computador usado para gerenciar recursos internos e externos, incluindo ativos tangíveis, recursos financeiros, materiais e recursos humanos. Serviços PaaS Business Intelligence: Plataformas para criação de aplicativos, como painéis, sistemas de relatórios e análise de dados. Banco de dados: serviços que oferecem soluções de banco de dados relacional escaláveis. Desenvolvimento e Testes: Plataformas para o desenvolvimento e testes de ciclos de desenvolvimento de

aplicações, que se expandem e contraem conforme necessário. Integração: Plataformas de desenvolvimento para a construção de aplicações de integração na nuvem e dentro da empresa. Implementação de Aplicações: Plataformas adequadas para o desenvolvimento de aplicações de uso geral. Esses serviços fornecem bancos de dados, ambientes de execução de aplicativos de web, etc. Serviços de IaaS Backup e recuperação: serviços para backup e recuperação de sistemas de arquivos e armazenamento de dados brutos em servidores e sistemas desktop. Computação: recursos do servidor para executar sistemas baseados em nuvem que podem ser dinamicamente provisionados e configurados conforme necessário. Redes de Entrega de Conteúdo (CDNs): as CDNs armazenam conteúdo e arquivos para melhorar o desempenho e o custo de fornecimento de conteúdo para sistemas baseados na Web. Gerenciamento de Serviços: Serviços que gerenciam plataformas de infraestrutura em nuvem. Essas ferramentas geralmente fornecem recursos que os provedores de nuvem não oferecem ou não se especializam no gerenciamento de determinadas tecnologias de aplicativos. Armazenamento: Capacidade de armazenamento amplamente escalável que pode ser usada para aplicações, backups, arquivamento e armazenamento de arquivos. Referência Bibliográfica: Lui, F., Tong, J., Mao, J., Bohn, R., Messina, J., Badget, L., & Leaf, D. (2011). NIST Cloud Computing Reference Architecture: Recommendations of the National Institute of Standards and Technology. NIST Special Publication 500-292. Claudio Oliveira Lopes é Engenheiro em telecomunicações com mais de 22 anos de experiencia em sistemas de telefonia celular, atuando tanto em projeto, implantação e Operação e manutenção de redes de acesso, transporte e core de rede. Passou por diversas empresas como TELEPAR CELULAR, CTBC CELULAR, ENGESET, SCALAR e OI.”


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A MOVIMENTAÇÃO DO MERCADO DOS PROVEDORES DE INTERNET A alguns anos atrás o grande receio dos provedores de internet era o movimento que as concessionárias de telecomunicações faziam acerca das tecnologias oferecidas e dos planos agressivos, em velocidade e preço, ofertados aos clientes. Estas empresas atualmente são grandes e lentas, perto da expectativa do mercado. As ofertas de planos e suas tecnologias estão muito próximos ou até mesmo abaixo do que está sendo disponibilizado por uma grande gama de Provedores de Internet Brasil afora. Atualmente, em grande parte dos municípios brasileiros, os Provedores de Internet estão oferecendo tecnologias mais modernas do que as concessionárias, além do que, os planos ofertados pelos Provedores de Internet não estão vinculados a um pacote de serviço, normalmente denominados de COMBO pela concessionária de telecomunicações. A competitividade mudou! Levando em conta o artigo que escrevi na edição nº 06 desta revista, “Qual o tamanho do meu provedor? Como me comportar em cada uma das fases? ”,

o que vejo acompanhando o mercado é que a concorrência maior atualmente está entre os próprios Provedores de Internet. O que chamo lá no artigo, de Provedores Regionais, eles estão crescendo a cada dia, e crescendo muito, a ponto de tirar mercado dos que estão em tamanhos inferiores, considerados naquele artigo, como Grandes, Médios e Pequenos Provedores de Internet. Estes, que denomino de Provedores Regionais, entram em novas cidades com projetos arrojados, equipe qualificada, CDN’s, estrutura em fibra óptica, altas velocidades, marketing agressivo, posicionamento diferenciado e ainda mais, com recursos financeiros capazes de subsidiar clientes de forma muito arrojada. Nas palestras e cursos que realizo, tenho denominado este efeito de retirada de clientes pelos Provedores Regionais dos Grandes, Médios e Pequenos Provedores de efeito ROLO COMPRESSOR. As empresas menores que estão sofrendo tal ação, tem me relatado justamente esta sensação. Aos Grandes e Médios Provedores só restam duas opções, ou fazem


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a ação do ROLO COMPRESSOR, ou sofrem a ação do ROLO COMPRESSOR. Fazendo a ação do ROLO COMPRESSOR se tornaram Grandes Provedores, e consequentemente Provedores Regionais, tendo a mesma postura de quem já está em tal posição. Sofrendo a ação do tal ROLO COMPRESSOR, perderão clientes e faturamento, e voltarão a ser Provedores Pequenos. Isso é um fato. Mas como sobrevier a tal ROLO COMPRESSOR? Acredito que somente somando forças é possível permanecer no mercado e ficar competitivo. Já observo alguns movimentos do segmento, e abaixo relato 5 modelos que já presenciei de alguma forma pelo país. Modelo 1 – Sozinho Alguns empresários não acreditam neste movimento, e por estarem afundados em questões técnicas, não percebem o movimento do mercado. Optam por ignorar as propostas de parceria que lhe são apresentadas e seguem sozinhos. Vejo como sendo uma alternativa arriscada, pois uma perda de faturamento substancial sabemos que o negócio fica inviabilizado. Mas se sua opção for essa, opte por ser realmente o melhor da sua região. Tenha certeza que o serviço que sua empresa está prestando está de excelente qualidade, que o atendimento de sua equipe está a contento dos seus clientes. Desta forma, sua empresa sofrerá pouco no momento do tal ROLO COMPRESSOR. Você tem a opção de ser o maior ou melhor da sua região. Mas seja um deles, não se tem outra alternativa. Os dois simultaneamente dificilmente você conseguirá. Modelo 2 - Grupos Empresas estão se agrupando e aproximando uma das outras em busca de objetivos comuns, tais como: compras coletivas, obtenção de CDN’s, redução de preço de banda, enfim, diversos outros aspectos. Estas empresas são normalmente próximas umas das outras, mas dificilmente atuam em uma mesma região. Vejo que é uma estratégia interessante, pois de alguma forma ganha-se em escala. Sabemos que o mundo atual, volume e um fator considerável. Este modelo é interessante, e vejo como chave para o sucesso do modelo que as empresas sejam de um mesmo porte. Se forem empresas de portes diferentes, normalmente ocorrerá o “ciúme” empresa-

rial, um achando que o outro está tendo vantagem dentro do modelo. Se isso acontecer, decreta-se a falência do modelo. Modelo 3 – Holding Provedores se reúnem e montam uma empresa denominada de Holding. Todos possuem cotas desta empresa, e ela será responsável por possuir uma marca que todos participantes do projeto participaram. Esta empresa também será responsável pelas decisões de posicionamento e estratégia do grupo. Compras, CDN’s, compartilhamento de posteamento e rede podem ser tratados aqui. Porém, esta empresa não será operadora. A operação, instalação e manutenção dos clientes continua sendo realizado pelo provedor local. Modelo 4 - Parceria Esta parceria normalmente acontece entre um Provedor Regional e provedores de menor porte. Neste modelo, o Provedor Regional entra na parceria com o fornecimento de banda e estrutura de rede, ficando a sua responsabilidade até a caixa do assinante. Cabe ao Provedor de menor porte, os custos e a realização da instalação, manutenção e suporte aos clientes. As prestações dos serviços podem ficar contratualmente com cada uma das empresas. Modelo 5 – Sociedade Após passar por um processo de avaliação independente de cada uma das empresas, chega-se a um valor para cada uma delas. Este valor será dentro de um proporcional do somatório de todas elas, e após isso, passarão a ser uma única empresa. Obviamente, cada um dos modelos relatados acima possui seus prós e contras. Aspectos jurídicos também devem ser observados em cada um dos modelos. O que não podemos é ficar parados no tempo. Todo cuidado e pouco com o ROLO COMPRESSOR. André Ribeiro é Engenheiro de Telecomunicações e atua como Consultor a 8 anos no mercado de Provedores de Internet. Sua atuação é focada na Gestão, Estratégia e Modelamento de Negócios de provimento de internet e redes de telecom.


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AUMENTE AS VENDAS DO PROVEDOR DE INTERNET ATRAVÉS DAS MÍDIAS SOCIAIS

Há alguns anos, o principal desafio para empresários da área de Telecom foi encontrar distribuidores e fabricantes no Brasil que atendessem o mercado com oferta de tecnologia de alta capacidade, seja em redes Wireless ou em redes com Fibra Óptica. Na medida em que o mercado foi conseguindo acesso a equipamentos e ferramentas, houve a necessidade de contratar mão de obra capacitada. Dessa forma, cursos e treinamentos começaram a surgir para qualificar a mão de obra que atendessem as demandas de crescimento do mercado. Os servidores de internet se posicionaram muito bem oferecendo serviços de acesso à internet em regiões onde não recebiam cobertura do serviço.

Com o passar dos anos, o crescimento de rede das operadoras e a entrada de novos provedores que apostaram no investimento em infra-instrutoras robustas, tornou o mercado bastante competitivo. Os provedores competem com as grandes operadoras em tecnologia e atendimento, assim como em outros aspectos. Mas quando se trata de Marketing ainda continuam fazendo estratégias de entrega de panfletos (não que isso seja errado), para atrair novas oportunidades. Então, retornamos ao mesmo ponto quanto não existe acesso a informações que os provedores pudessem seguir para o próximo nível. Esse e o melhor momento para dar início às estratégias, e assim atrair novas oportunidades no


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mercado através das mídias digitais. Resumidos em dois aspectos. Sendo o primeiro, em que as grandes operadoras ainda não começaram a investir em campanhas para atrair novas oportunidades no mundo online, e ainda continuam utilizando canais tradicionais de comunicação. Em um segundo ponto, grandes partes dos provedores de internet ainda não iniciaram no mundo das mídias, mal tem um site responsivo, ou se já iniciaram com estes canais, não sabem como alavancar as vendas através das mídias digitais. E se na região onde você atua não está competindo com grandes operadoras, provavelmente o seu desafio são os provedores que já atuam ou estão começando a atuar agora. Você acredita que apenas contratando vendedores externos e entregando panfletos, você vai está fazendo a diferença para vender o serviço da sua empresam, provavelmente NÃO. Identificamos isso através dos novos hábitos do consumidor, além de qualidade e atendimento, é preciso ter um diferencial, isso sim é uma ótima oferta e uma estratégia de campanha de vendas. Caso hoje, você estiver seguindo apenas os métodos tradicionais de Marketing para atrair oportunidades de vendas, é muito provável que você se encontra no ciclo da falência. Os empresários que começarem hoje a utilizar as mídias digitais para aumento de posicionamento online, assim como atrair novas oportunidades e melhorar o relacionamento com seus clientes, darão um grande salto em suas operações e atividades nos próximos dois anos. Três passos para o diferencial Você precisa seguir apenas três passos para começar hoje a fazer a diferença e aumentar as ven-

das do seu provedor através de mídias digitais. Mensagem correta: A comunicação é muito importante para atrair as pessoas que vão adquirir o seu Produto e serviço, se você ainda continua, publicando no Facebook anúncios do tipo; Presenciando de internet? Com preço de todos os serviços estampados no banner post. Você pode está abandonando muitas oportunidades na mesa. Oferta bem feita: É necessário fazer uma estratégia sincronizada em processos que levem o cliente por todas as etapas de um funil de vendas, atrair, relacionar e conectar, é um funil de vendas básico, onde dentro de cada etapa dessas existem diversas formas de interação com a audiência. Alcançar o Público com um problema: Fazer um estudo básico para saber as necessidades de compra do seu público alvo. Entender o que as pessoas com quem você está querendo ofertar o serviço de acesso a internet é um passo muito simples que você pode começar agora mesmo. Convido agora você a vir comigo e com a revista ISPMAIS ao próximo nível onde você poderá acompanhar a continuidade desse conteúdo na próxima edição.

Um grande abraço e nos vemos online! Thiago Buenaño, Empreendedor na área de Telecomunicações, Técnico em Telecomunicações pela Fucapi, Sócio Diretor na empresa Projeta Telecom, Gerente de Projetos na empresa Nova Soluções em Tecnologia. Possui conhecimentos nas áreas técnicas e Marketing para Provedores Regionais.


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PROTEGENDO SEUS ATIVOS DE REDE

Todo negócio deve nos trazer retorno, do contrário para quê investir dinheiro e tempo? Às vezes considera-se a possibilidade de iniciar um negócio com o mínimo possível e depois “a gente ajusta”. O problema é que muitas vezes este “depois” chega e não se dá a devida atenção ao que devia ter sido iniciado de uma forma mais correta. A infraestrutura física de muitas empresas ainda é negligenciada no seu começo, na concepção, no projeto, seja por desejar investir menos no começo, por desconhecimento do assunto, por não envolver profissionais ou empresas capacitadas para dar a melhor tratativa à infraestrutura do seu negócio. Quando se fala em infraestrutura temos diversos itens a serem destacados e, desta vez, vou falar sobre como se proteger melhor os investimentos feitos em ativos de rede da sua empresa. E é mais simples e barato do que você pode imaginar. Muitos já conhecem e outros nunca ouviram falar em Interconexão e Conexão Cruzada. Ambas são formas de conectividade de cabos em hardwares de conexão, sendo eles sistemas metálicos ou ópticos. Assim como citado anteriormente, muita das vezes procede-se de certa maneira por desconhecimento do assunto, e quando isto acontece, perde-se a oportunidade de se adquirir vantagens de um sistema, o qual poderá trazer benefícios como uma vida útil pro-

longada, redução de paradas, melhor performance, maior flexibilidade, redução o tempo de manutenção e a própria redução desta última. No final das contas, prejuízos evitados. Todos sabemos das necessidades de manobras de patch-cords e cordões ópticos em racks das Salas de Telecomunicações ou quaisquer salas técnicas onde há racks com equipamentos ativos e passivos. Estas manobras podem ser feitas com maior ou menor cuidado dependendo do conhecimento e da mão do técnico envolvido. A cada vez que se conecta ou se desconecta um patch-cord metálico há um desgaste microscópico em seus contatos, não é à toa que os datasheets das melhores marcas de conectores trazem a informação do número conexões máximas esperadas em seus contatos. Sendo assim, evitar conexões e re-conexões é desejável, porém são, muitas vezes, inevitáveis. Para melhor entendimento do que está se querendo apresentar observem as explicações e os desenhos abaixo, os quais representam os dois tipos de conexões que podemos ter entre ativos e passivos dentro de rack. A começar pelo formato mais interessante: Conexão Cruzada. CONEXÃO CRUZADA Para melhor conservação das portas dos ativos de rede em função de manobras, e também, para


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garantir uma política de gerenciamento da infraestrutura física mais organizada e preparada para expansões e reorganizações é interessante avaliar a opção da Conexão Cruzada. Este tipo de conectividade, que é amplamente utilizada em Data Centers, possibilita, com o seu arranjo, manobras entre hardwares de conexão através de patch-cords evitando conexões repetitivas nas portas dos switches, por exemplo, os quais possuem maior valor agregado, ou seja, custam mais ao bolso do proprietário da rede. Este tipo de conexão é feita da seguinte maneira: deve-se espelhar cada porta do ativo de rede em um passivo, em geral, num patch-panel. Para se fazer esta distribuição basta utilizar patch-cords terminados em uma única extremidade, que devem ser adquiridos de fábrica, conectar a ponta com o RJ45 no switch e a ponta não terminada finalizada atrás do patch-panel. Desta maneira, um switch de 24 portas Ethernet deverá ter 24 patch-cords espelhando suas portas num patch-panel. O segundo passo será conectar este patch-panel (que é o espelho do switch) ao patch-panel do cabeamento horizontal, criando assim, a dita Conexão Cruzada. Neste caso, não há mais intervenções diretas nas portas dos ativos. Veja o desenho a seguir.

em instalações menores, ou que a verba do projeto é relativamente restrita, ou ainda, quando não há espaço suficiente para mais elementos no rack (o que já caracteriza, talvez, um erro inicial de projeto). Portanto, trata-se de uma implementação mais simples. Esta conexão é feita sem o espelhamento comentado na Conexão Cruzada, significa que o conector da porta do switch se conectará diretamente à porta do patch-panel, sem outro hardware passivo entre eles, o que caracteriza uma Interconexão. Observe o desenho abaixo:

Estas são práticas bastante difundidas no mercado, cada uma com o seu “peso” e que devem ser consideradas em cada projeto dependendo das variáveis de demandas, criticidade, valor de investimento dentre outros. Mas, fica a dica, melhor trocar um patch-panel com uma ou mais portas danificadas do que ter o mesmo problema em um switch!

INTERCONEXÃO Neste caso, não há maiores preocupações no cuidado com os ativos de rede, como descrito anteriormente. Geralmente, encontra-se esta configuração

Reinaldo Vignoli é Engenheiro Eletricista, formado pela PUC/MG, possui MBA em Gerenciamento de Projetos, especialista em Projetos de Infraestrutura Física de Redes e Professor Universitário. Vignoli também atua como consultor e projetista, ministra treinamentos técnicos de cabeamento estruturado e redes ópticas e é colaborador da norma de cabeamento ABNT NBR 14565:2013, além de produtor de conteúdo sobre cabeamento em mídias sociais. Site: www.rvconsultoria.com.br


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NARINDER SINGH KAPANY, QUEM É ESSE CARA? Desenvolvida a mais de 30 anos, a fibra óptica transporta luz como água em canos e vem revolucionando as telecomunicações. O homem que está por trás deste invento é o Dr. Narinder Singh Kapany, físico norte-americano, nascido na Índia, conhecido como o pai da fibra óptica. Até o ano de 1870, os membros da Academia de Ciências Britânica acreditavam que a luz caminhava sempre em linha reta, quando o físico John Tyndall (1820 – 1893) provou o contrário aos seus colegas, na ocasião Tyndall em um experimento colocou uma lanterna dentro de um recipiente opaco, cheio de água, este recipiente possuía um orifício em um dos lados onde a água escorria, conseguindo mostrar que a luz acompanhava a trajetória curva da água, como se tivesse sido dobrada.

John Tyndall - Físico britânico

Mas somente no ano de 1952 o físico indiano Narinder Singh Kapany tratou de dar uma utilidade relevante para a descoberta de John Tyndall, o interesse dele sobre o tema foi despertado em uma palestra ainda no colegial, quando aprendeu a verdade convencional que a luz só se propaga em linha reta, na ocasião o professor comparou o fato à quando uma pessoa que vira a esquina, sendo impossível enxerga-la. O jovem não se conformou com o fato, o que o levou a se perguntar por que a luz não poderia viajar por uma trajetória curva, o estimulando a pensar sobre o assunto e a provar que o seu professor estava errado. Após sua graduação na Universidade de Angra, na Índia, Narinder começou sua pesquisa sobre fibra óptica no Imperial College, em Londres, no ano de 1952, onde completou seus estudos sobre óptica avançada, no ano de 1954 ele conseguiu demostrar pela primeira vez que a luz poderia ser transmitida por meio da fibra óptica, recebendo no ano de 1955 com méritos louváveis o título de PhD em Ótica. Durante seus estudos ele aprofundou sua pesquisa no tema reflexão total da luz, que é um fenômeno ótico que ocorre em dois meios transparentes, como água e ar. Quando um raio de luz vindo de um meio com alto índice de refração (água), incide em um meio com baixo índice de refração (ar), e o ângulo de incidência da luz é maior que o ângulo limite do material, o raio refletirá com o mesmo ângulo, do contrário, passará para o outro meio. Narinder que também era projetista de lentes passou a estudar o fato em prismas e depois em cilindros transparentes, e tudo isso para encontrar uma forma de aprisionar a luz. Em seus experimentos, começou utilizando dois cilindros, um dentro do outro, trocando posteriormente o cilindro interno por uma película de vidro, percebendo que se essa película tivesse um índice de refração muito inferior ao cilindro, atuaria como um espelho, concentrando toda a luz.


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isolante térmico na época, sendo necessário apenas algumas adaptações no processo de fabricação para conseguir os índices de refração desejados, assim em 1955, Narinder patenteou a invenção, dando-lhe o nome de fibra óptica. Suas pesquisas e invenções abrangem comunicação por fibra óptica, lasers, instrumentação biomédica e energia solar. Ele possui mais de uma centena de patentes, foi membro do Conselho Nacional de Inventores, recebeu muitos prêmios, incluindo o “The Excellence Award 2000”, é membro de inúmeras sociedades cientificas, entre elas a Academia Real Britânica de Engenharia, a Optical Society of America e a Associação Americana para o Avanço da Ciência. Na vida acadêmica Narinder foi professor e consultor na Universidade de Califórnia, possui mais de 100 artigos científicos publicados e 4 livros sobre opto-eletrônica. Você acha Narinder Singh Kapany - Inventor da Fibra Óptica que acabou por aí? Ele também A conclusão do experimento foi que quanto é um artista, criou 40 esculturas que foram exibimaior for a diferença entre os índices de refração me- das no palácio das Belas Artes em São Francisco em nor será o ângulo limite. Tendo um ângulo limite bai- 1972, desde então a coleção já foi vista em Chicago, xíssimo, toda luz que entrasse no cilindro seria refleti- Monterey, Palo Alto e Stanford. A invenção da fibra óptica mudou o cenário da para praticamente todos os ângulos de incidência, sendo assim, Narinder planejou uma estratégia para da metodologia de transferência de dados no mundo. capturar a luz, uma vez a luz dentro do cilindro ela Quem diria que um fio de vidro, tão fino quanto um só poderia sair pela outra extremidade e mesmo com fio de cabelo pudesse carregar na velocidade da luz tubos curvos, a luz viria a fluir como água, gerando milhares de informações digitais a longas distâncias. milhares de reflexões sucessivas, sempre no mesmo Mônica Fernandes é Assistente de Markeângulo. ting na ISP Shop, Engenheira de Produção Para aumentar o número de tubos utilizados, formada pela Universidade Estadual de Maringá. bastava apenas estreitar os canos de luz cerca de um Certificada em Lean Six Sigma. palmo de diâmetro, a dimensões de um fio de cabelo. Encontrar um material com as características do vidro e a maleabilidade de fios de cobre não foi um problema, pois as fibras de vidro já eram utilizadas como


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10 DICAS PARA UMA BOA GESTÃO DE ISP Em muitos casos, os provedores de acesso à internet se originaram de pequenos negócios na área de tecnologia da informação. Grande parte dos donos das empresas, e principais executivos, tem formação técnica e operacional em TI. No entanto, esse DNA de tecnologia não basta para manter um negócio em pé. Também é preciso realizar uma boa administração. Confira, a seguir, algumas dicas específicas da gestão de um ISP.

3 – Planejamento tributário – Mais do que uma empresa comum, que tem seus tributos e taxas gerais, um ISP tem tributos específicos: custos de regulação, taxa de licenciamento das estações etc. É vital que o gestor se informe sobre todos os tributos devidos e faça a conta na ponta do lápis. Especialistas alertam para um problema comum entre os ISPs: como a maioria está no Simples, não fazem essa conta e acabam vendendo mais barato do que devem.

1 – Planejamento para a implantação – Detectar a demanda não basta. Para implantar um negócio sustentável, é fundamental fazer um estudo de mercado, uma avaliação de custos, um plano de negócio pensando no futuro.

4 – Consultoria especializada – Nem todo mundo conhece tudo. Será que o seu projeto está prevendo uma rede sem capacidade de atender a demanda? Economizar comprando equipamentos de baixa densidade, que suporta poucos clientes, não trará problemas de conexão que vão gerar mais custo lá na frente? Às vezes investir em uma consultoria especializada pode ser vantajoso. Cabe ao bom gestor avaliar essa necessidade e o custo-benefício.

2 – Estratégia de mercado – Portas abertas, equipe de vendas na rua. Mas cuidado para não ficar focado no próprio umbigo. É importante acompanhar o mercado da região, os riscos que se apresentam ao negócio, o potencial de crescimento, a necessidade de aportes a curto, médio e longo prazo. A concorrência não precisa ser necessariamente “inimiga”, mas pode apresentar oportunidades de parceria – para compartilhamento de infraestrutura, por exemplo.

5 – Inovação – O mercado é vivo, exige a maior atenção às mudanças. Hoje, dizem os especialistas do setor, as empresas estão vendendo internet do mesmo jeito que vendiam na época do acesso discado… por plano, velocidade, preço. Para ter um diferencial, é


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preciso ter criatividade, descobrir exatamente o que o usuário quer, para ofertar soluções diferenciadas. 6 – Planejamento na oferta de novos produtos – Atrair a atenção do cliente oferecendo produtos com custo fora do mercado ou abaixo do preço é fácil. Mas preço nem sempre é a solução. A guerra de preços, dizem os especialistas, prejudica a todos. Ninguém ganha dinheiro, as empresas perdem vigor e,com isso, a qualidade cai. Daí para perder clientes, é um clique. 7 – Publicidade e comunicação – Em geral, o relacionamento com o mercado é muito difícil porque exige esforço e o resultado demora a aparecer. Os prospects e os clientes têm que saber sempre o que a empresa faz, mesmo que não se trate de oferta de um novo produto ou de uma promoção. Se o provedor moderniza a estrutura, ou expande a cobertura, é importante comunicar para mostrar que empresa está se fortalecendo, por exemplo. São sinais indiretos de qualidade que garantem fidelidade e podem definir uma compra. 8 – Suporte – Atenção ao call center. Avaliar corretamente a quantidade de posições e, se possível, investir em tecnologia para melhorar o atendimento. Com um sistema de atendimento eletrônico, por exemplo, é possível captar as demandas depois do horário de atendimento para retorno no dia seguinte. Outro sistema interessante é o de autoatendimento, que permite deixar um script com orientações técnicas que

podem resolver a maioria dos problemas dos usuários. Há ainda sistemas para avisos de manutenção na rede, comunicados, incluindo solução que envia mensagem para o celular do cliente. 9 – Formação e treinamento – A falta mão de obra qualificada na área de TI não é surpresa, no Brasil – principalmente em cidades pequenas. A solução é aproveitar todas as oportunidades para aprofundar o conhecimento da equipe. Congressos e cursos online acontecem em todo o território nacional, muitos com participação gratuita. As empresas fornecedoras de equipamentos também costumam promover treinamentos abertos. 10 – Networking – Estar em sintonia com a cadeia econômica do setor é uma forma de se atualizar e de se informar sobre as tendências. Em eventos e feiras é possível ampliar os relacionamentos. Mas as redes sociais também ajudam muito. É importante fazer parte de grupos do Facebook, por exemplo, e se possível ter uma pessoa da empresa que cuide dessa presença no mundo digital. Para ver e ser visto. Consultoria: Marcelo Couto Matéria: Aurea Lopes Site: www.pontoisp.com.br


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EM TEMPOS DE EVOLUÇÃO DA BANDA LARGA, FISCALIZAÇÃO E REGULARIZAÇÃO DEVEM CAMINHAR EM CONJUNTO

Vivenciamos no último mês (Junho/2017) um impasse entre os Provedores Regionais de Internet e a Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia – COELBA. A empresa do grupo Neoenergia realizou uma operação em todo o Estado da Bahia com intuito de minimizar a prática de ocupação irregular dos postes. Nesse sentido alerta sobre os riscos dessa prática a toda população, pois reflete diretamente na questão de segurança pública e recolhimento de tributos. Por outro lado, temos a situação dos Provedores Regionais, que na maior parte deles, em algumas oportunidades já tentaram e ainda apresentam iniciativas de regularização de suas redes, contudo, enfrentam diversos empecilhos por parte dos agentes envolvidos. Destacamos neste sentido situações de encontro à regularização desde o início do processo, na apresentação dos projetos junto à concessionária até

a aprovação e assinatura dos contratos. Seja por dificuldade de rota viável, por esgotamento de posição em postes já ocupados de forma irregular, por novas normas técnicas que muitas vezes dificultam e atrasam a apresentação do projeto em andamento, e até mesmo pelo preço praticado do aluguel do poste, em alguns casos acaba por inviabilizar a operação quando se torna demasiadamente excessivo em relação ao contrato praticado com as Grandes Operadoras. Por óbvio, encontramos no mercado protagonistas que não se alertaram até então para a normatização, mas frente a este cenário certamente muitos passarão a enxergar a operação com um novo olhar, proporcionando um resultado positivo senão a “nova era da regularização”. Em matéria exibida pela Rede Globo da região, entidades representativas e empresários do setor se deslocaram a região de fiscalização e juntos iniciaram tratativas com a Concessionária para propiciar este cenário de regularização, o qual ainda pen-


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dente de formalização, mas garantem a paralisação do corte dos cabos com o intuito de evitar a paralisação das operações. A maior preocupação, por nosso entendimento, é com o consumidor que é o maior prejudicado neste contexto. A Internet atualmente caminha para status de serviço essencial, ou seja, aquele de caráter contínuo e urgente, que não pode ser interrompido em sua totalidade. A própria Carta Magna traz essa questão de essencialidade, dispondo que “são necessidades inadiáveis, da comunidade aquelas que, não atendidas, coloquem em perigo iminente a sobrevivência, a saúde ou a segurança da população”(Art. 11, parágrafo único da CF). Ainda, corroborando esse entendimento a Lei de Greve nº. 7.783/89 na inteligência do Art. 11º dispõe que: nos serviços ou atividades essenciais, os sindicatos, os empregadores e os trabalhadores ficam obrigados, de comum acordo, a garantir, durante a greve, a prestação dos serviços indispensáveis ao atendimento

das necessidades inadiáveis da comunidade. Ainda, seu Art. 10º aponta telecomunicações como um dos serviços considerados essenciais. Por fim, a mensagem que deixamos dessa divergência, mas nem por isso desfavorável a evolução e desenvolvimento do setor, é clara no sentido de que os empresários se despertem para a regularização de suas atividades, os entes públicos trabalhem em conjunto oportunizando um cenário positivo de adequação, a fim de que se possa proteger a parte mais vulnerável e importante que é o consumidor dos serviços de banda larga fixa. Ana Paula Meira da SCM Engenharia é Engenheira de Computação formada pelo Instituto de Educação Superior (IESB) em Brasília e devidamente registrada no CREA, possuindo MBA em Telecomunicações e demais graduações. Possui experiência como Engenheira da Embratel, Brasil Telecom, American Link Full Time e ATELECOM.


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COLUNISTA COLUNA

DEPENDE...

RONALDO COUTO

ENGENHEIRO ELETRICISTA, COM ÊNFASE EM TELECOMUNICAÇÕES. ESPECIALISTA EM REDES DE FIBRA ÓPTICA. FUNDADOR DA PRIMORI TECNOLOGIA.

CÓDIGO DE CORES EM FIBRAS ÓPTICAS Embora seja um assunto simples para os técnicos de fibras ópticas experientes, quem está começando a fazer suas primeiras fusões normalmente tem dificuldades para numerar as fibras de um cabo óptico. Mesmo para os mais experientes, não é uma tarefa fácil responder de bate-pronto: Qual é a cor da fibra 53 do cabo de 72 fibras? Qual o número da fibra azul do tubo 5 do cabo de 36 fibras? É importante saber como as fibras são enumeradas, principalmente na sangria de um cabo de backbone onde várias fibras já estão “acesas” e quebrar uma delas por engano pode resultar na queda do serviço de muitos clientes. Para não se enganar, vamos primeiramente conhecer a sequência de cores das fibras ópticas apresentadas na tabela 1, abaixo:

por vários países e fabricantes de todo o mundo. Resumindo e esclarecendo, fabricantes de cabos nacionais seguirão o padrão ABNT. Os cabos de fabricantes estrangeiros, mas que estão homologados pela Anatel, também seguiram o padrão ABNT. Já os cabos importados sem homologação da Anatel seguirão o padrão EIA. Tão importante conhecer a numeração das fibras, é conhecer como numerar corretamente os tubos loose dos cabos, que está apresentada na tabela 2.

Tabela 2: código de cores de tubos loose padrão ABNT e EIA.

Tabela 1: código de cores de fibras padrão ABNT e EIA.

Note que esta tabela traz duas sequências de cores. A primeira sequência de cores foi definida pela ABNT e é a sequência utilizada no Brasil por todos os fabricantes nacionais na construção de seus cabos. Já a segunda sequência, conhecido como “padrão internacional”, foi definida por um instituto de normatização americano chamado EIA e é adotado

Note que o padrão EIA segue colorindo todos os tubos do cabo na mesma sequência adotada para as fibras. Já o padrão ABNT coloriu apenas os tubos 1 (verde) e 2 (amarelo) deixando os demais tubos do cabo todos com a cor branca ou natural. Num cabo por exemplo de 72 fibras temos 6 tubos loose e consequentemente haverá uma dificuldade maior em identificar e numerar todos os tubos se o cabo estiver no padrão ABNT; uma vez que somente os tubos 1 e 2 estarão coloridos e os outros 4 tubos com a cor branca. Para não nos enganarmos, basta seguir o seguinte critério de contagem:


COLUNISTA - Tubo verde, também conhecido como “piloto”, será sempre o tubo 1. - Tubo amarelo, também conhecido como “direcional”, será sempre o tubo 2 e também determinará se seguiremos a contar os demais tubos no sentido horário ou anti-horário.

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Finalmente, dos diagramas acima podemos criar as seguintes tabelas:

A figura abaixo ilustra o que foi comentado acima: Tabela 4: Código de cores de fibras e tubos padrão ABNT para cabos de 18 a 36 fibras.

Figura 1: Representação de “piloto” e “direcional”.

Também é importante conhecer como as fibras são agrupadas nos cabos, uma vez que podem ser agrupadas de 2 em 2 fibras, 6 em 6 fibras ou 12 em 12 fibras, conforme a capacidade de fibras do cabo e ilustrado abaixo: Tabela 4: Código de cores de fibras e tubos padrão ABNT para cabos de 48 a 144 fibras.

Lembram das perguntas iniciais? Agora não tem erro: Qual é a cor da fibra 53 do cabo de 72 fibras? É a fibra vermelha do tubo 5! Qual o número da fibra azul do tubo 5 do cabo de 36 fibras? É a fibra 29! Sem depende!

Tabela 3: Agrupamento de fibras.


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COLUNISTA COLUNA

COM LICENÇA

PAULO VITOR ADVOGADO E CONSULTOR JURÍDICO SÓCIO DA SILVA VITOR, FARIA & RIBEIRO ADVOGADOS ASSOCIADOS

COMPRA E VENDA DE EMPRESAS DE INTERNET E TELECOMUNICAÇÕES: OS MÉTODOS DE AVALIAÇÃO DE EMPRESAS Está cada dia mais frequente no mercado a compra e venda de empresas de internet e telecomunicações. Com a crescente expansão do mercado atendido pelas empresas de internet e telecomunicações, muitas vezes tais empresas se deparam com empresas concorrentes. E dentre as maneiras de se enfrentar adequadamente esta concorrência, muitas empresas têm atualmente ventilado a possibilidade de se adquirir a empresa concorrente, ou no mínimo adquirir a carteira de clientes e o fundo de comércio (infraestrutura, estoque e ativo tangível/intangível) da empresa concorrente. A compra de uma empresa concorrente é, sem sombra de dúvidas, uma maneira de alavancar rapidamente o crescimento da empresa, bem como aumentar rapidamente a área territorial e a base de clientes atendida. Ademais, o segmento de internet e telecomunicações é notadamente um mercado emergente, o que atrai cada vez mais investidores e aumenta as possibilidades de aquisição de empresas já constituídas e operacionais. E ao enfrentar esta possibilidade real de crescimento ou investimento, surge obviamente tanto por parte da empresa vendedora, quanto por parte da empresa compradora e investidores, uma dúvida recorrente: Qual é o valor justo e verdadeiro da empresa que está sendo adquirida? É importante primeiramente esclarecer que a palavra “valor” pode receber diversos significados e interpretações, de acordo com o contexto em que ela aparece ou com termo que ela carrega. Como por exemplo, dentre o contexto que pode ser aplicado à palavra “valor”, tem-se o valor real, ou valor de avaliação, ou valor de liquidação, ou valor contábil, dentre outros.

E cada parte integrante da compra e venda em negociação, obviamente, deseja sempre aplicar o contexto de “valor” que melhor lhe aprouver. A parte vendedora sempre tem o intuito de elevar o valor de avaliação da empresa, para auferir maiores ganhos, enquanto que a parte compradora sempre tem o intuito de reduzir o valor de avaliação da empresa, a fim de adquiri-la a um custo mais acessível. Desta forma, existem diversas maneiras de se definir o “valor de avaliação” de uma empresa. Vejamos alguns métodos passíveis de utilização, a saber: (i) Método baseado no Balanço Patrimonial: este método procura determinar o valor de uma empresa pelo valor contábil de seus ativos em contraposição com os passivos apurados, representado pela seguinte equação:

Ativos Contábeis – Valor da = Passivos Exigíveis Contábeis empresa = Patrimônio Líquido Os aspectos contrários à utilização deste método são, a título de exemplificação, os seguintes: a) as demonstrações contábeis são baseadas em custos históricos, não atribuindo aos ativos valores de liquidação ou valores correntes (atuais); b) algumas operações não são registradas nas demonstrações contábeis tradicionais ou tem o seu registro “nebuloso”, não refletindo a importância do fato. Essas operações, a exemplo de arrendamento mercantil, ativos intangíveis (carteira de clientes, marca), garantias oferecidas, dentre outras, são muito relevantes para apuração do valor econômico de uma empresa.


COLUNISTA

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Assim, apesar das limitações deste método, a situação contábil de uma empresa e, por conseguinte, seu valor patrimonial, é uma informação útil e pode ser utilizada como ponto de partida para a análise econômica e financeira da empresa que está sendo avaliada. (ii) Método baseado no Valor de Mercado (também chamado de Valor Contábil ajustado): este método consiste na mensuração do montante de ativos e passivos exigíveis da empresa com base nos valores de realização. Exemplificando, neste método, o valor do estoque é aquele correspondente ao custo de reposição do mesmo estoque, segundo as mesmas características e especificações. Este método pode ser representado pela seguinte equação:

Valor dos Ativos Ajustados Valor da – empresa = Valor dos Passivos Ajustados (iii) Método do Valor Substancial: este método consiste na apuração do investimento que seria feito para construir uma empresa em condições idênticas à da empresa que está sendo avaliada. Este método pode ser utilizado para determinar qual a melhor opção: a criação de uma nova empresa ou aquisição de uma empresa já constituída e operacional. (iv) Método baseado na Demonstração de Resultados: este método é baseado na demonstração de resultados (DRE) da empresa avaliada. O aspecto polêmico da aplicação deste método se resume no seguinte questionamento: qual o período de tempo deve ser utilizado como multiplicador do resultado auferido pela empresa avaliada? (v) Método baseado no “Goodwill”: o “Goodwill”, em sua natureza, é o valor decorrente da expectativa de lucros atribuível aos ativos não identificados ou não contabilizados pela empresa avaliada. Em outras palavras, o “Goodwill” está relacionado aos bens intangíveis e à contribuição deles na geração de resultado em favor da empresa avaliada. Pode se dizer que este método soluciona, pelo menos em parte, a “injustiça” cometida pelo método de avaliação baseado no Balanço Patrimonial, eis que no método baseado

no “Goodwill” os bens intangíveis integram o valor de avaliação. (vi) Método baseado no Fluxo de Caixa: para alguns doutrinadores, este método pode ser considerado o método de avaliação que atende com maior rigor aos enunciados da teoria de finanças, pois revela a efetiva capacidade de geração de riqueza da empresa avaliada. Este método possui as seguintes variações: a) Método de avaliação com base no Fluxo de Caixa Descontado; b) Método de avaliação com base no Fluxo de Caixa Livre Operacional. Obviamente, os métodos acima relacionados são apenas alguns exemplos de métodos de avaliação de uma empresa, de modo que existem outros métodos passíveis de utilização. Ademais, deve-se ressaltar que os métodos de avaliação, como aqueles discriminados ao longo do presente artigo, não têm a pretensão de substituir um ao outro, mas sim de serem complementares entre si. O analista deve sempre que possível utilizá-los em conjunto, de modo a cumprir o objetivo real da avaliação, a saber: qual é o valor justo e verdadeiro da empresa avaliada. Uma vez alcançado um consenso quanto ao valor de avaliação de uma empresa, o próximo passo é a formalização do negócio, através da celebração do competente instrumento contratual. Os cuidados na elaboração deste tipo de contrato, tanto por parte da empresa vendedora, quanto por parte da empresa compradora, serão tratados no artigo a ser disponibilizado na próxima edição. Aguardem!


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COLUNISTA COLUNA

FAZENDO PLANOS

ELOI PIANA ENGENHEIRO ELETRICISTA FORMADO PELA UNIOESTE DIRETOR DA EMPRESA INSTELPA ENGENHARIA ELÉTRICA PROFISSIONAL CERTIFICADO EM PROJETO E EXECUÇÃO DE REDES ÓPTICAS

ENFOQUE PRÁTICO SOBRE NBR 15.214:2005 REDE DE DISTRIBUIÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA–COMPARTILHAMENTO DE INFRAESTRUTURA COM REDES DE TELECOMUNICAÇÕES A Norma Técnica NBR 15.214:2005 foi elaborada pelo Comitê Brasileiro de Eletricidade através da Comissão de Estudo de Estruturas para Rede de Distribuição Aérea, com o objetivo de estabelecer requisitos técnicos para o compartilhamento de infraestruturas de redes de distribuição de energia elétrica com as redes de telecomunicações, em consonância com a Resolução n°581/2002 e Resolução Conjunta n°01/1999 ANEEL, ANATEL e ANP. O texto abaixo sugere técnicas de projeto e execução abordadas na Norma Técnica separados em tópicos para os empresários, gestores de rede e equipes de execução, com vistas à melhora na implementação do processo, desde o planejamento até a construção da rede de cada empresa. CABOS E CORDOALHAS Os ocupantes deverão montar suas redes dentro da faixa de ocupação, situada logo abaixo do espaço destinado à instalação do braço de iluminação pública, entre as alturas de 5,2 e 5,7 metros. A Figura 1 (A.2 da NBR 15.214) mostra com detalhes as alturas de fixação de cabos nos postes. Deverão ser observados os afastamentos mínimos do cabo de telecomunicações, tanto da rede elétrica quanto do solo: estão listadas na Norma Técnica as distâncias para cada tipo de situação. A rede de telecomunicações deverá ser instalada no mesmo lado da rede de baixa tensão da concessionária, nos postes com transformador geralmente a rede passa pela parte de trás do poste, e a execução pelo lado da frente dificulta muito uma eventual manutenção e substituição deste componente estrutural. Sempre que necessário deverá ser projetado infraestrutura para mudança de direção dos cabos utilizando cordoalha tracionada entre os postes, o

cabo será espinado em cordoalha conforme mostrado na Figura 2. Também é importante o estudo prévio dos postes que serão utilizados para ancoragem, para esses casos o ideal é consultar a Norma Técnica da sua concessionária de energia elétrica e descobrir quais são as restrições e indicações para projeto e execução de redes. IDENTIFICAÇÃO – PLAQUETAS O cabo de telecomunicações deve ter identificação legível, por meio de plaqueta contendo o tipo de cabo, nome do ocupante e telefone para contato, conforme mostrado na Figura 3 (A.4 da NBR 15.214), a distância de fixação da plaqueta no cabo poderá variar entre 0,2 e 0,4 metros. A identificação deve ser instalada em todos os postes, em caixas subterrâneas e também no cabo próximo ao conjunto de emenda óptica – CEO. CAIXAS TIPO CTO - ATENDIMENTOS As CTO’s deverão ser instaladas a 0,6 metros abaixo da primeira ocupação (5,2 metros), sendo vedado a instalação de mais de uma CTO por poste, por operadora. Em algumas Concessionárias de Energia é proibido a instalação de CTO em postes com equipamentos. As localizações das caixas de atendimento são muito importantes no planejamento da rede, essa definição pode ser realizada levando em conta primeiramente os requisitos técnicos mínimos para instalação, como se o poste comporta CTO, e se os limites máximos para lançamento dos fios de atendimento serão respeitados. A partir dessas informações dimensiona-se o sistema “pingando” as CTO’s nos locais de interesse, que também podem ser levantados quando se tem informações de densidade habitacional e outros fatores econômicos e sociais dos locais


COLUNISTA de implantação. As derivações para assinantes com fio externo (fio drop), na sua soma não deve exceder a quantidade de 10 por vão, por ocupante. Os fios devem ser tensionados e agrupados de modo a garantir uma mesma catenária, mantendo a uniformidade ao longo do vão. A NBR não trata sobre o limite máximo para o fio drop, porém, a maioria das Concessionárias de Energia adota 100 metros a partir da Caixa de Atendimento até o último poste da rede de distribuição. RESERVA TÉCNICA E CONJUNTO DE EMENDA ÓPTICA – CEO Segundo a NBR 15.214, a caixa de emenda e a reserva técnica do cabo óptico de telecomunicação devem ficar, preferencialmente, no vão da rede, a uma distância mínima de 2.000mm do poste. A figura 4 (A.7 da NBR) ilustra a instalação de conjunto de emenda e reserva técnica entre vãos. Algumas Concessionárias adotam a instalação utilizando cruzeta, consulte seu projetista sobre o padrão adotado para este tipo de instalação.

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dade de observância dos critérios técnicos estabelecidos pela NR-10, também há uma série de figuras constantes no ANEXO A, contemplando procedimentos de instalação de componentes de rede. Não é definido na Norma o número máximo de ocupantes, ficando a cargo de cada concessionária decidir qual será a capacidade excedente em seus componentes estruturais, bem como outros critérios de ordem técnica aqui não abordados. O conhecimento dos padrões técnicos é de suma importância para o gestor de rede, que deve possuir as ferramentas necessárias em mente para vistorias, novas implantações e até nas readequações. Os procedimentos de vistoria das concessionárias abordam basicamente os critérios listados acima, faça um checklist junto à sua equipe de execução, aplique todos os conceitos e evite dores de cabeça no futuro!   ANEXO – FIGURAS

INFRAESTRUTURAS SUBTERRÂNEAS A Norma Técnica também estabelece condições para compartilhamento de dutos, os interessados deverão verificar a viabilidade junto a concessionária local. Alguns aspectos da Norma são: Os cabos da ocupante deverão estar protegidos por subdutos identificados, e instalados nos dutos determinados pela Detentora. As fontes, caixas para conexões, emendas e derivações devem ser instalados em caixas próprias construídas e de propriedade do Ocupante. Não é permitida a utilização de cabos de telecomunicações no mesmo duto da rede subterrânea. REDES DE ALTA TENSÃO A NBR 15.214 aborda aspectos relativos às implantações em redes de até 34,5kV, ficando as redes de transmissão de energia (torres com OPGW, redes de transmissão acima de 34,5kV) não abrangidas por esta Norma Técnica. GENERALIDADES DA NBR 15.214 A Norma trata de assuntos variados relacionados a critérios de segurança e sobre a obrigatorie-

Figura 1 – Afastamentos mínimos – Ocupação de poste com rede secundária


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COLUNISTA

Figura 2: Mudança de direção do cabo óptico em esquina;

Figura 3: Plaqueta de identificação do cabo do ocupante;

Figura 4 – Instalação de reserva técnica de cabo de fibra óptica no meio do vão; A coluna “Fazendo Planos” é dedicada a repassar informações sobre o dia a dia das atividades relacionadas ao projeto e construção de redes de telecomunicações. Buscamos aqui, encurtar a distância entre o empreendedor de telecomunicações e a concessionária de energia, levando informações sempre em primeira mão. Caso você queira fazer alguma crítica, dar uma sugestão ou simplesmente deixar um comentário, entre em contato pelo e-mail: eloi@instelpaengenharia.com.br


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VIDA DE SUPORTE

Por André Farias: www.vidadesuporte.com.br NÓS SABEMOS QUE DURANTE O CAMINHO MUITAS COISAS ACONTECEM. E, PRINCIPALMENTE, QUE MUITAS COISAS NÃO DEVERIAM ACONTECER. VOCÊ SE IDENTIFICA COM ESTA VIDA DE SUPORTE?


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NA REVISTA

Este espaço é dedicado a todos os Provedores de Internet do Brasil! Envie uma foto para marketing@ispmais.com.br, ela pode estar aqui na próxima edição! Estande da ISP Shop na Abrint 2017 Recebendo a visita de vários profissionais de provedores de todo o Brasil.

Paulo Zattera e Valter Busatto, da Milenium Internet Foram de SC para SP para participar desta feira.

Fernando, Daniel e William da Nova Opição Distribuidora Vistando o estande da ISP Shop na feira da Abrint, acompanhado por Ayron e Rafaela.


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Glauber e Wande, na Hypernet Em São Paulo para o evento Abrint 2017, que aconteceu em Maio e Junho.

Angelo e Graziele Marques, da Conectiva Informática Acompanhados por Rafaela Meireles.

Equipe da Dbug, na Abrint 2017 Acompanhados pelo Gerente Comercial da ISP Shop, Ayron Oliveira.

Ezequiel, Paulo, Raquel e Alexandre, da Starnet Telecomunicações Juntos com Rafaela Meireles.

Marcelo Couto, da Nowtech Junto com a equipe da ISP Shop, divulgando a 8ª edição desta revista, onde foi destaque.


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Edi da Funcional Informática, Fabiano da BJ Net e Equipe da Linko Acompanhados por Rafaela Meireles e Lucas Wolski, participando da maior feira de provedores regionais da América Latina.

Gustavo Andrade, da FSI Telecom Visitando a ISP Shop na Abrint 2017, acompanhado por Rafaela Meireles e Vinícius Aragão.

Deividi Ramos, Jean Kunsler, Douglas Pedro e Ivan Buhler, da INB Net Acompanhados pelo Consultor de Vendas da ISP Shop Vinícius Aragão.

Rodson Thompson e Cleiton, da NET LITE Realizando uma parceria entre provedores das cidades de Morada Nova de Minas e Três Marias em Minas Gerais.

Rodrigo, Lucas, Greicieli, Alexandre e Bruno, equipe de estoque e produção da ISP Shop.


• Evento: NETCOM 2017 • Dia: 15, 16 e 17 • Organizador: Aranda Eventos • Local: São Paulo/São Paulo

SETEMBRO • Evento: 6º Encontros de Gestores de Telecom • Dia: 14 e 15 • Organizador: Solintel • Local: Guarulhos/São Paulo

OUTUBRO • Evento: Futurecom 2017 • Dia: 2, 3, 4 e 5 • Organizador: BTS Informa • Local: Santo Amaro/São Paulo

NOVEMBRO • Evento: MUM Brazil 2017 • Dia: 9 e 10 • Organizador: Mikrotik • Local: Maceió/Alagoas

CALENDÁRIO2017

AGOSTO


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9° Edição - Plug Telecom: Conectando ideias, pessoas e recursos!  

A 9ª edição da Revista ISPMAIS conta a história de Breno Vale e da Plug Telecom, provedor de internet mineiro.

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