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FICHA TÉCNICA Colaboradores: Alan Silva Faria, Anna Gardeman, André Ribeiro, Andres Madero, Asshaias Felippe, Basílio Perez, Cristiane Sanches, Eloi Piana, Kyatera, Lacier Dias, Lucas Sillas, Lucas Almeida, Luana Mafia, Marcelo Siena, José Mauricio dos Santos Pinheiro, Paulo Vitor, REDETELESUL, Reinaldo Vignoli, Rogério Couto, Ronaldo Couto e Thiago Buenaño. *Os artigos assinados são de exclusiva responsabilidade dos autores e não refletem a opinião da revista.

Foto de Capa Talles Abreu Edição da Capa Mateus Vitor Diagramação Mateus Vitor Diretor de Atendimento Ayron Oliveira Revisão André Kamide e Mônica Geska Fernandes Fotos Shutterstock.com, Freepik.com, Reinaldo Vignoli, Rogério Couto, José Maurício dos Santos Pinheiro, Luciana Corrêa, Cristiane Sanches, Andres Madero, Asshaias Felippe, RedeTelesul, Talles Abreu, Ronaldo Couto e ISP Shop. Tirinha André Farias: www.vidadesuporte.com.br

Impressão e Acabamento Gráfica Paraná Publicidade marketing@ispmais.com.br ispmais.com.br : ispmais.com.br/comercial ANO IV. EDIÇÃO 11: JANEIRO / FEVEREIRO / MARÇO 2018


SUMÁRIO 05 06

EDITORIAL ARTIGOS

• Que ano foi esse? Preparados para 2018? • Garantindo um bom canal de comunicação óptica • Métodos de cobrança e o fim dos títulos não registrados • Gestão financeira • Os 3 eixos para otimização do custo por Giga ($/Giga) em redes ópticas • REDETELESUL organiza a edição 2018 do iBusiness

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PROVEDOR EM DESTAQUE • Kyatera, chegando aonde ninguém chega, conquistando onde ninguém mais alcança

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ARTIGOS • Reforma Trabalhista: o que muda para meu provedor • O “compartilhamento do compartilhamento”

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ESPAÇO ABRINT • Infraestrutura x Competição: o risco das TAC’s

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ARTIGOS • A importância de se investir em marketing para o seu provedor decolar em 2018 • Porque contratar o seu serviço e não o do seu concorrente • Gestor camaleão • 9 passos para habilitar o IPV6 em uma rede ISP

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CÂMARA ABRINT MULHER • Entenda o seu cliente, valorize as mulheres da sua empresa e venda mais

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COLUNAS • Você quer um GBIC? Tem certeza? • Implantação da infraestrutura própria para passagem da rede de telecomunicações • O “Investidor Anjo”. Uma nova forma de captar investimentos

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FIBRA ÓPTICA - ONTEM E HOJE DESAFIO HUMOR VC NA REVISTA CALENDÁRIO


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EDITORIAL Adeus ano velho, feliz ano novo… já dizia a tradicional cantiga de final de ano. Gosto que o tempo tenha sido dividido em anos, assim a cada 365 dias temos a oportunidade de repensar a nossa vida, e escrever um novo começo. Alguns começaram agora, outros já estão migrando para fibra óptica, outros ainda adquiriram outros provedores, ou venderam… Fico feliz ao pensar nos que conseguiram alcançar estas conquistas, ou que alcançaram pelo menos parte do que desejaram. Em nosso balanço, vocês são peças fundamentais para o crescimento da banda larga no Brasil em todos os sentidos. E é neste clima de sucesso alcançado, que apresento as matérias desta edição, todas muito significativas para nosso setor. Como é legal conhecer a história dos provedores… Como “Provedor Destaque” conheceremos a empresa do famoso Marcelo Corradini, o provedor Kyatera. Na área de gestão, não percam o artigo do consultor Rogério Couto que versa sobre indicadores. Descubra também se você é um Gestor Camaleão. Entenda a nova CLT e como ela influencia o provedor. Na área financeira, temos artigos interessantes como: métodos de cobrança (o fim do boleto sem registro), como captar recursos (o investidor anjo), meu provedor não dá lucro (socorro!). Para os mais técnicos, conheça os diferentes GBICs com o Eng. Ronaldo Couto, dentre outros que discorrem sobre a qualidade do canal óptico, um passo-a-passo para implantar o IPv6 em sua rede, a solução da Overtek para rompimento do cabo flat. E meu destaque desta edição é o interessante artigo “Compartilhamento do compartilhamento” escrito pelo Dr. Allan Faria. Que 2018 seja um ano cheio de desafios e oportunidades. E que vocês tenham sabedoria para enxergar as oportunidades, enfrentar e vencer os desafios.

A todos, uma boa leitura!

Tiko Kamide Diretor Geral


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QUE ANO FOI ESSE? PREPARADOS PARA2018? Em 1998, na ocasião, meu primeiro emprego em um Provedor de Internet, o proprietário tinha uma expressão que nunca mais deixei de refletir: “Quem não come poeira, faz poeira”! Naquela época, vender planos de acesso à internet era um desafio um tanto quanto grande por conta de alguns fatores: precisava prospectar o cliente que tinha um computador que custava aproximadamente U$ 1.000,00 (Mil dólares), era necessário ter uma linha telefônica (neste item, não sabia se comprava um carro ou uma linha de operadora, até então estatal) e daí sim, vendíamos o plano de internet para o nosso cliente que se concentrava nas conexões após a meia-noite para não pagar pulsos de cobrança da telefonia. Em resumo, era algo para rico. Quase três décadas se passaram e o cenário de vender internet, especialmente para o brasileiro, mudou bastante. Estamos entre os países de maior inclusão digital do mundo, mas temos muito ainda a percorrer. Segundo a revista britânica “The economist”, ainda temos 70,5 milhões de brasileiros “offline”, seja por meio de banda larga fixa ou móvel. É neste mercado de oportunidade que os ISPs estão fincando suas bandeiras! Há um crescente movimento em todas as regiões de nossa Federação, criando redes cada vez mais amplas e com tecnologias de grandes centros para incluir o brasileiro aos melhores conteúdos disponíveis na rede mundial de computadores. Porém, não estamos falando de uma única oportunidade, estamos falando de um negócio, ou seja, uma empresa que tem que se preparar para todos os desafios de um país, que possui concorrências desiguais entre o setor, grande carga tributária e desafios logísticos, fazendo com que os empresários comecem a se movimentar para uma gestão que con-

trole sua eficiência operacional, e ter uma operação com condições de ampliar o crescimento da rede e, principalmente, ter lucro. O cenário econômico brasileiro começou a apresentar sinais de melhora em vários setores, mas o fato é que a crise ainda traz resquícios de muito desemprego e a perda da estabilidade financeira familiar e, por consequência, uma retração no mercado que afetou a dinâmica do consumo do brasileiro. Entretanto, um item que não saiu da lista de compra das famílias foi o acesso à internet, pelo contrário, as pessoas começaram a descobrir inúmeros benefícios que a internet traz, inclusive por ser o melhor entretenimento em época da crise, além de trazer conhecimento, formação e a emoção por aproximar as pessoas que mesmo longe podem ficar próximas. Segundo a Anatel, o número de crescimento de novos assinantes de internet no Brasil atingiu o índice de 5,92% quando comparados os números de ano X ano, porém, quando vemos as análises de adições líquidas, há uma movimentação no consumo de banda. Vem caindo os planos de até 2Mbps, e ampliando em quase três vezes mais as adições com planos acima de 2Mbps. Isso significa, a grosso modo, que o brasileiro está se acostumando a explorar mais conteúdos e migrar seus planos para terem maior conforto e experiência da navegação. E no ano de 2017, de Norte a Sul, de Leste a Oeste, ditou o ritmo dessa demanda fazendo com que os ISPs tivessem que colocar os carros nas ruas, mas nem sempre ruas, tiveram que ir para as estradas, para as montanhas, alguns por via aérea, outros por via enterrada... enfim, o movimento fez com que os ISPs fizessem poeira no setor das telecomunicações no fornecimento de banda larga onde hoje, já representa uma parcela significativa da inclusão digital.


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Chamo à atenção que estamos às vésperas de utilizarmos todos os elementos que tivermos disponíveis para fazermos um elemento essencial da gestão estratégica: avaliação de resultados. Alguns pontos podemos levar em consideração: a) Faturamento: Global e Segmentado; b) Produção de Infraestrutura e os custos de cada projeto; c) Produção comercial de novos clientes; d) Produção comercial de fidelização de clientes; e) Produção comercial de retenção de clientes; f) Avaliação de indicadores das baixas de clientes; g) Avaliação da volumetria de CallCenter / SAC; h) Avaliação da volumetria de suporte de Campo; i) Custos Fixos; j) Custos Variáveis; k) Investimentos em redes ativas; l) Produtividade técnica; m) Redução de Custos desnecessários; n) Estoque; o) Perda. Enfim, realizar um levantamento dos possíveis indicadores para obter uma avaliação com critérios detalhados , sejam eles positivos ou negativos, pontuar suas realidades, e por fim, se planejar para o ano de 2018, criando um planejamento mais próximo da sua realidade e da sua oportunidade, estando sempre atento ao seu fluxo de caixa, para sustentar tudo que foi planejado para o dia-a-dia do ano 2018 do seu provedor. Agora, meus amigos, é hora de olhar para todos esses pontos levantados da avaliação e identificar que tudo isso não foi feito sozinho e de uma hora para a outra. Foram sacrifícios de muitas pessoas que se esforçaram para chegar até aqui. É verdade que nem todos profissionais deram o seu melhor e isso, também, será parte da reflexão, eles deverão perma-

necer em nossas operações. Nossos colaboradores precisam a parte espelhada de um esforço que temos que fazer para manter nossos clientes na base, mantendo e sustentando a rotina de uma melhoria contínua de nossos processos, na gestão dos custos, na instrução permanente, enfim... precisamos deles, mas não podemos tê-los fazendo mais ou menos. O ano de 2018 promete muito! Há uma movimentação de migração de clientes conectados a operadoras de grande porte para os ISPs que se dispuserem a fazer um diferencial que é atender bem o cliente. Essa será a chave para nosso sucesso! Atender com qualidade, é vender com qualidade, entregar o serviço com qualidade, ter diferenciais de serviços agregados e entregar atrelado ao serviço uma proposta de valor. Não será quanto custa, mas será quanto vale! Portanto, meus amigos, o que eu desejo é que todos tenhamos um ano de 2018 de muito, muito, muito trabalho e que possa ser um ano com mais assertividade, gestão, controle, disciplina e planejamento. Espero que todos possam desenvolver o crescimento com cuidado especial aos clientes, aos colaboradores, aos fornecedores e, principalmente, às nossas famílias que são base e/ou tolerância para levarmos esse desafio de sermos um ISP. Meu sonho para 2018? Que estejam todos dispostos e preparados para fazerem poeira. Rogério Couto possui experiência de mais de 20 anos em áreas comerciais e estratégicas de empresas de médio e grande porte no mercado de telecomunicações, segurança eletrônica e Indústrias eletrônicas. Foi executivo da VIVO na gerência de vendas de Canais Indiretos, da ADT Security do grupo Tyco Internacional, da ABSYS Tecnologia e Oneti Tecnologia. Formado em Direito e MBA de Gestão Empresarial pela UNITAU e Filosofia pelo IAE. É fundador da RL2m - Consultoria e Treinamento, Consultor e Instrutor para Desenvolvimento Comercial e Qualidade do Atendimento. Instrutor na Primori e na Voz e Dados Cursos.

PARABÉNS,MEUS CAROS, PELO ANO DE 2017!


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GARANTINDO UM BOM CANAL DE COMUNICAÇÃO ÓPTICA Para que sejam transmitidos todos os tipos de informações as quais se desejam, um bom canal óptico é imprescindível. Para que isso seja possível, é necessário estar atento à vários fatores inerentes ao mundo das fibras ópticas. Precisamos entender que não basta escolher um cabo óptico qualquer sem se analisar previamente o caminho físico que ele irá percorrer, assim como, em que circunstâncias ele será instalado. Exemplificando: um cabo que interligará o ponto “A” ao ponto “B” tem a maior parte de seu percurso instalado em postes. Desta forma, é preciso averiguar se o cabo será espinado ou autossustentado, ou se será as duas situações simultâneas. Neste caminho, haverá momentos em que o cabo deverá ser instalado subterrâneo e, neste caso, deve-se avaliar se o local sob a terra estará passível a alagamentos parciais temporários ou frequentes, ou ainda, alagamentos integrais. Tais situações e dentre outras condições possíveis precisam ser mapeadas na hora do projeto. Também durante o projeto, deve-se observar outros detalhes tão importantes quanto a rota que o cabo percorrerá. Podemos citar o tipo de fonte de luz, a qual será responsável por enviar os sinais ópticos através do núcleo da fibra. A fonte deverá ser compatível com o cabo escolhido e com a distância que este sinal deverá viajar, ou seja, a potência luminosa deverá ser adequada para sair de “A” e chegar a “B” de forma íntegra ou minimamente regenerável, seja “B” o destino final ou um ponto de regeneração deste pulso luminoso no meio do caminho. A fonte luminosa é extremamente importante para garantir um sinal de qualidade no canal, mas não será o suficiente se o cabo não for instalado adequadamente. Isso significa que, além do cabo (ou cabos) correto, usar um cabo em longos vãos sem ser um cabo autossustentado, por exemplo, ou não ficar atento aos raios mínimos de curvatura de cada tipo de cabo, o resultado final pode ser desastroso não

apenas tecnicamente, mas vai pesar no bolso. E os conectores ópticos e seus polimentos? Em quantas instalações não vemos tal descasamento? Como garantir uma boa conexão óptica de um conector APC (com 8° de ângulo no polimento) com um PC ou SPC? O nível de perda nas conexões onde há conectores com polimentos diferentes entre si é considerável, e existem instaladores que ainda pecam nesse ponto, por incrível que pareça. Observe como o conector APC (FIG. 1) possui um ângulo na face do ferrolho,enquanto o SPC (FIG. 2) é praticamente plano (embora não o seja).

FIG. 1

FIG. 2

Da mesma maneira, a taxa de transmissão oferecida e o uso compartilhado do canal devem ser devidamente analisados para que não haja lentidão na comunicação, consequentemente, mal atendimento aos clientes. Em canais ópticos, além das questões físicas e mecânicas apontadas, existem alguns parâmetros que devem ser analisados para considerá-los aptos sob o ponto de vista de desempenho conforme previsto em normas como: ABNT, ISO/IEC, ANSI/TIA. Para se verificar os parâmetros comprimento, atenuação e perda por retorno devem ser utilizados alguns equipamentos bastante específicos, para tal, são eles: OTDR (Optical Time Domain Reflectometer), Medidor de Potência Óptica (Power Meter) e o OCWR (Optical Continuous Wave Reflectometer). O OTDR é um equipamento que gera pulsos luminosos de curta duração enviando-os pelo núcleo da fibra e medindo os sinais ópticos que retornam a


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ele em função do tempo. Os pulsos, ao se propagarem pelo núcleo, encontram obstáculos pelo caminho como emendas, acoplamentos, curvas excessivas, falhas na fibra, e parte desta luz retorna ao equipamento. Esta fração que retorna é analisada fundamentada pela teoria de reflectometria no domínio do tempo. O Power Meter verifica a perda óptica em decibéis num canal, e esta perda deverá estar de acordo com os limites previstos e tabelados pelas Normas. Os testes são realizados de acordo com o tipo de fibra (mono ou multimodo), janelas de comprimento de ondas (850, 1300/1310 e 1550 nm), usando os cordões de testes adequados e acopladores ópticos compatíveis com as terminações ópticas em uso no enlace sob teste. Já o OCWR é um equipamento para teste de perda de retorno óptico, o qual possui uma fonte de luz que emite um feixe de onda contínua de teste, cuja luz, ao ser refletida de volta à fonte, é direcionada ao Power Meter através de um acoplador bi-direcional. Este teste é importante e permite uma análise da taxa de erros de bits (BER, Bit Error Rate) do sistema, e ainda dá condições de analisar a relação sinal-ruído (SNR, Signal to Noise Ratio).Os parâmetros básicos a serem avaliados são: atenuação, perda por retorno, comprimento e o balanço de perda de potência óptica. A Atenuação é a perda de potência do sinal ao longo da sua propagação no núcleo de uma fibra óptica, é dada em dB/km. A Perda por Retorno é a quantidade de potência óptica que retorna à fonte em relação à po tência total incidida na transmissão. Este retorno de potência está relacionado com a má qualidade dos conectores, polimento ruim da face dos ferrolhos dos conectores, impurezas no núcleo da fibra, emendas

mecânicas ou por fusão e até mesmo da própria teoria de propagação de sinais ópticos. A luz que retorna à fonte representa uma perda e, em função da potência luminosa, podem degradar ou provocar problemas permanentes ao equipamento. O Comprimento é um parâmetro muito importante e deve ser considerado para os cálculos de perdas de potência óptica. O Balanço de Perda de Potência Óptica ou Cálculo de Atenuação de Potência Óptica apresenta a previsão de perda por inserção do enlace como um todo. O projetista antecipa ao instalador a expectativa de perda máxima para aquele determinado ramo do circuito. Não podemos deixar de comentar sobre a Largura de Banda Modal, dada em MHz.km ou MHz/ km, também conhecida por Dispersão Modal, utilizada nos cálculos que envolvem apenas as fibras multimodo. Para maiores detalhes a respeito destes parâmetros, acessem o artigo: Fibra Ópticas - Um mundo fascinante (continuação III), no ISP BLOG, onde apresento maiores detalhes e exemplos de cálculos. Tudo o que foi citado nos parágrafos anteriores tem relação direta com o tópico “Qualidade de Serviço” que você vai prestar. Não temos como separar ou isolar cada situação citada, todas devem ser devidamente definidas em consonância para o melhor resultado final, sem os quais a comunicação óptica poderá estar comprometida, e uma vez com problemas, a detecção dos mesmos é demorada e cara. Portanto, por que não fazer bem feito no começo? Reinaldo Vignoli é Engenheiro Eletricista, formado pela PUC/MG, possui MBA em Gerenciamento de Projetos, especialista em Projetos de Infraestrutura Física de Redes e Professor Universitário. Atuando como consultor e projetista, ministra treinamentos técnicos e é colaborador da norma de cabeamento ABNT NBR 14565:2013, além de produtor de conteúdo sobre cabeamento em mídias sociais. Site: www.rvconsultoria.com.br


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MÉTODOS DE COBRANÇA E O FIM DOS TÍTULOS NÃO REGISTRADOS Desde o anúncio pela FEBRABAN do fim ou da inviabilidade da cobrança não registrada, os provedores regionais têm se reorganizado com o objetivo de absorver esta nova realidade que impacta diretamente nos métodos de suas cobranças escriturais. Da mesma maneira que a cobrança bancária através de boletos é resultado da criatividade ímpar do brasileiro, muitas alternativas têm sido experimentadas por distintos locais do país, desta forma proponho este artigo como uma coletânea de alternativas e suas características principais. Cobrança Registrada: para todo título emitido haverá algum custo e um tempo de processamento. • Necessário registrar previamente o título junto à instituição financeira. • Os custos de cobrança são fixos e negociados previamente. • Algumas instituições tarifam a partir da emissão (entrada) do título. • Existem custos na baixa (sem recebimento ou recebimento em carteira) ou na liquidação do título. • Normalmente também existem custos em eventuais alterações do título, tais como valor e vencimento. Guia de Arrecadação (Telecomunicações): complexo porém similar à cobrança não registrada. • Necessidade de cadastro prévio junto a FEBRABAN. • Os convênios junto às instituições financeiras são de difícil negociação. • Os custos de cobrança são fixos e negociados previamente por instituição financeira. • Existem custos na baixa do título. • Os títulos vencidos são recebidos pela rede

bancária pelos valores originais, devendo juros e multa serem incluídos no próximo vencimento. Gateway de Pagamento: boa relação custo-benefício, porém existem riscos na intermediação. • Necessário registrar previamente o título junto à empresa de cobrança. • Necessária integração específica com sistemas de gestão (ERP). • Os custos são fixos e negociados previamente. • Normalmente os custos ocorrem na liquidação do título. • A empresa contratante não se relaciona mais diretamente com a instituição financeira que emite os títulos. • Existem opções de terceirização mais completas (impressão, postagem, inadimplência, etc). Cartão de Crédito (recorrência): boa opção complementar, em função do alto custo e baixa aderência por parte do assinante. • Necessário contratar meio de pagamento (Gateway e Adquirente). • Necessária integração específica com Sistemas de Gestão (ERP). • O custo da operação é variável e calculado com base no valor do título. • Existem prazos de até 30 dias para recebimento dos valores. • As transações são seguras e com garantia de recebimento (inadimplência). Débito em Conta Corrente: boa opção complementar, em função da complexidade e baixa aderência por parte dos assinantes.


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• Necessário estabelecer convênios com várias instituições financeiras. • Necessário o envio de remessas dos arquivos de cobrança mensalmente para cada instituição financeira. • Os custos são fixos, previamente negociados com cada instituição e normalmente atrelados ao êxito da operação (débito efetuado). • Necessidade de adesão formal por parte do assinante. • As transações são seguras e com relativa garantia de recebimento. Central de Arrecadação (Conveniados): média complexidade com redução de custos e ganhos no relacionamento. • Possibilidade de emissão de títulos em carteira. • O estabelecimento conveniado opera diretamente no sistema de gestão da empresa. • O custo é negociado com cada estabelecimento conveniado, e muitas vezes podem ser reduzi-

dos à permuta de fornecimento do acesso a Internet. • Necessidade de fechamento de caixa periódico para segurança às operações. As alternativas expostas refletem o universo de métodos de cobrança praticados atualmente pelos provedores, e não expressam necessariamente um caminho absoluto ou conceitualmente correto, ou seja, não existem opções erradas, o que devemos observar é qual a alternativa mais viável para a sua realidade, seja ela individualmente ou até mesmo em eventuais combinações de alternativas. O importante é refletirmos a respeito para encontrarmos a melhor relação entre custos e recebimentos. Claudio Marcelo Siena é Administrador de Empresas, Pós-Graduado em Planejamento e Controle Financeiro. Fundador e Presidente da REDETELESUL de 2007 a 2014. Consolidou-se como empresário do setor de telecomunicações e internet dirigindo empresas como a iSUPER Telecomunicações e RouterBox Company.

Teremos grandes novidades em 2018! Aguarde...


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GESTÃO FINANCEIRA Como anda a gestão financeira da sua empresa? Você têm acompanhado os seus índices? Sempre digo aos meus alunos e clientes, o dinheiro não é meu, é seu, e faça com ele o que você bem entender. Mas saiba o que você está fazendo, para onde ele está indo? Sempre brinco com o pessoal, você pode até colocar fogo nele, mas escreva que você colocou fogo no dinheiro para podermos te internar. Na Figura 1, fica mais fácil entender e classificar o financeiro de nossas empresas, que uma vez que conseguimos classificar conforme os quadrantes apresentados, vamos ter a estrutura financeira de nossas empresas na mão. Divido tudo em 6 blocos, sendo eles: faturamento, impostos, custos, despesas, investimentos e lucro. Então vamos para o detalhamento de cada um deles para que você possa utilizá-los na sua empresa:

Todo faturamento da empresa é convertido em receita, em dinheiro no caixa? Infelizmente não. Receita é o valor real de dinheiro que realmente entrou na empresa naquele período. O faltante entre o faturamento e a receita, chamamos de inadimplência. Inadimplência são os clientes que não realizaram o pagamento durante aquele período. Mas e os períodos que ficaram para trás? Pois bem, para isso, separo faturamento, receita e inadimplência dentro do meu caixa de meses anteriores. Dependendo da sua criticidade de gestão da sua empresa nestes períodos anteriores você poderá fazer a gestão deles da sua forma, desde que lhe forneçam informações importantes para a sua gestão.

Impostos

Vejo os impostos como um dinheiro que não é nosso, e sim do governo, nossa obrigação é arrecadar e repassar. Dependendo em qual faixa tributária sua empresa está enquadrada, a porcentagem varia. Chamo a atenção de todos para que tenham um bom planejamento tributário para suas empresas, pois nosso setor possui algumas características peculiares e enquadramentos diferenciados. Custos

Figura 1

Faturamento

O faturamento de uma empresa em um dado período é a previsão de receita que a sua empresa terá naquele período. É o quantitativo de boletos emitidos, é o quantitativo de notas fiscais emitidas pela sua empresa, é a previsão máxima de entrada de dinheiro na sua empresa referente aquele período.

Os custos são todos os gastos de nossa empresa relativos aos bens ou serviços utilizados na produção de outros bens ou serviços. Para facilitar esta definição, criei uma pergunta para você utilizar no seu dia a dia. Para que eu entregue o meu produto ou serviço ao meu cliente eu preciso disso? Se a resposta for SIM, é um custo, se a resposta for não é uma despesa (especificado mais à frente). Os nossos custos podem pertencer a dois grandes blocos, quanto ao volume e quanto aos ser-


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viços. Quanto ao volume podem ser diretos ou indiretos, e quanto aos serviços podem ser fixos ou variáveis. Dentro da sua estrutura, você irá classificá-los conforme você achar melhor este enquadramento. Para o segmento “provedores de internet”, classifico os custos conforme descrito abaixo: • Custo Operacional: link e PTT. • Custo Frota: veículos, combustíveis e manutenção. • Custo Pessoal: salários, benefícios e Impostos; • Custo Cliente: instalação e manutenção. • Custo Rede: manutenção. Despesas As despesas da nossa empresa são todos os gastos relativos aos bens ou serviços, não utilizados na produção de outros bens ou serviços. Voltando ao parágrafo anterior, segue a mesma pergunta novamente: para que eu entregue o meu produto ou serviço ao meu cliente eu preciso disso? Se a resposta for NÃO, é uma despesa. A classificação das despesas de nossas empresas é aquilo que não entra na linha de prestação dos serviços ou produto. Porém, também são importantes para o operacional, para o dia a dia, crescimento e sustentabilidade do nosso negócio. É somente uma forma de classificação para podermos entender melhor para onde está indo o nosso dinheiro. As despesas normalmente pertencem a três grandes blocos, administrativo, financeiro e comercial. Para o segmento “provedores de internet”, classifico as despesas conforme descrito abaixo: • Despesas financeiras. • Despesas gerais. • Despesas com serviços. • Despesas com manutenção. • Despesas com terceiros.

Investimentos

Os investimentos são os recursos que colocamos na empresa para que estes nos gerem mais faturamentos. Normalmente os investimentos se confundem com os custos e as despesas. Para facilitar esta separação vou criar uma regra de enquadramento e

separação: • Investimento de atualização: considera-se aqui quando já existe uma solução rodando, em produção, e esta requer uma atualização. Exemplo: atualização de um servidor, a troca de um veículo por outro (para as mesmas funções), entre outros. • Investimento em novos projetos: considere aqui os novos projetos da empresa. Exemplo: uma rede de FTTH, um novo sistema de documentação de rede, treinamentos da equipe para estas novas funções, uma consultoria especializada, entre outros. Chamo a atenção deste item pois ele implica diretamente nos seus custos e despesas futuras. Quanto mais qualificado, profissionalizado e estruturado você realizar estes investimentos, menores serão os seus custos e despesas futuras. Dentro de toda estrutura, se existe um lugar onde não cortar, é justamente aqui, pois a qualificação deste momento retornará em grande escala no futuro da sua empresa. A chave do sucesso e tratar estes investimentos em novos projetos com o maior nível de profissionalismo e qualidade possível. Lucro É o que sobra. É o propósito da sua empresa. Toda e qualquer empresa existe para realizar lucro para seus investidores e acionistas. O lucro deve ser dividido entre os investidores anualmente. Muitos provedores comentam comigo, “minha empresa não tem lucro”, e sempre contraponho, “sua empresa tem lucro sim, é que todo o seu lucro você o direciona para investimentos”. Então meu caro, organize a sua empresa, saiba para onde está indo o seu dinheiro, pois quem não mede, não gerencia. Se você não tem tudo isso estruturado no seu negócio, pode estar acontecendo coisas com seu dinheiro que você nem imagina!

André Ribeiro é Engenheiro de Telecomunicações e atua como Consultor a 8 anos no mercado de Provedores de Internet. Sua atuação é focada na Gestão, Estratégia e Modelamento de Negócios de provimento de internet e redes de telecom.


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OS 3 EIXOS PARA OTIMIZAÇÃO DO CUSTO POR GIGA($/GIGA) EM REDES ÓPTICAS. A evolução das redes ópticas na América Latina levou as operadoras a encontrar novas técnicas para melhor utilizar o espectro ótico em suas implantações de fibra óptica. A densidade espectral aumenta o ROI (Retorno do Investimento) para a implantação da fibra, o que torna viável a incursão profunda da fibra para todos os pontos da rede. Este conceito acelera a maneira como as operadoras latino-americanas adotam projetos mais eficazes e rápidos que permitem a implantação de fibra óptica em residências ou empresas FTTH/FTTB (Fibra Residencial/Empresarial). Mas como aumentar a eficiência espectral? Como melhorar o custo por Giga? Tradicionalmente, há dois conceitos principais que determinam a eficiência espectral, que determina diretamente o custo por giga em redes ópticas: • Modulação: A modulação das portadoras ópticas essencialmente determina quantos bits por caractere podem ser utilizados para transmitir informações. Quanto maior o número de bits, mais largura de banda poderá transmitir, doravante aumentando a eficiência espectral. No entanto, quanto mais densa a modulação, mais suscetível estará ao ruído do canal. Por esta razão, quanto mais densa for a modulação, menor será a distância do link que pode ser alcançado. • Taxa de transmissão: a Baud Rate ou Taxa de Transmissão, também conhecida como a “taxa do relógio”, determina a largura do pulso resultando em um maior espaço para transmitir mais informações por transmissão. Quanto maior a taxa de transmissão, maior largura de banda poderá transmitir, aumentan-

do a eficiência espectral. Um recente anúncio científico na ECOC (Conferência Europeia sobre Comunicação Óptica) indica que a tecnologia de transmissão óptica alcançou uma ordem de 100Gbaud e modulações de até 1024QAM. No entanto, com o surgimento da integração fotônica, podemos introduzir um novo eixo na eficiência espectral, Quantidade de Canais. A integração fotônica nos permite usar “Supercanais”, o que permite a integração de várias portadoras agindo como uma única unidade de capacidade. Os supercanais ópticos permitem maior eficiência espectral ao compactar as portadoras em uma faixa espectral mais curta. Por estarem mais compactas, podemos adicionar mais portadoras no mesmo espaço espectral do que em transmissões individuais.


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As operadoras de serviço agora contam com 3 eixos principais, que podem ser utilizados para determinar qual é o ponto mais favorável da eficiência espectral para sua rede. Diferentes segmentos de rede podem ter um ponto em eixos diferentes. Por exemplo, um link submarino dará preferência em ter uma modulação menos densa (QPSK) para um alcance mais amplo e, por conseguinte, aumentar o seu número de canais para obter a vantagem do espectro óptico. Talvez em um link corporativo seja preferível ter uma modulação mais densa (16QAM) para aumentar a largura de banda, mas com menos portadoras por supercanal para aumentar o número de sites a serem conectados.

O que podemos concluir é que esses três eixos, taxa de transmissão, modulação e número de canais, determinam, em última análise, o custo por giga de links ópticos. As operadoras de serviço irão determinar a melhor combinação de acordo com suas necessidades de implantação. Andres Madero é o Diretor de Desenvolvimento de Arquitetura para Fornecedor de Serviços e de Desenvolvimento de Negócios da América Latina na Infinera. Ele detém o título de Bacharel em Engenharia pela Universidad del Norte, da Colômbia, e é mestre em Administração pela Universidade de Phoenix, dos Estados Unidos.


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CONHEÇA A MINI CAIXA DE EMENDA OT-8909-CE Olá! Estou aqui para falar de mais um produto da marca Overtek, uma solução inteligente para você, provedor de internet. Você sofre com rompimentos de cabos em sua cidade? Então te apresento a Mini Caixa de Emenda OT-8909-CE. A Mini Caixa de Emenda é produzida em plástico reforçado, contando com proteção contra intempéries. O produto oferece uma compreensão mecânica, vedação por meio de borrachas e suporte para fixação das cordoalhas dos cabos. O seu design também foi pensado no benefício do seu uso. Ela é compacta, conta com espaço para acomodação interna, tornando-a perfeita para realizar uma emenda rápida em qualquer situação. Sua utilização se torna restrita para cabos drop flat. Dentro da caixa, você encontrará uma pequena cavidade, que servirá para acomodar um adaptador óptico, caso queira realizar uma conectorização, ao invés de uma simples fusão. Dentro da caixa, você encontrará uma pequena coluna quadrada, que servirá para acomodar a cordoalha de aço do cabo. Isso fará com que haja uma dupla fixação no final da emenda.

Após realizada a conectorização ou fusão, resta apenas fecharmos a caixa para terminarmos a nossa emenda óptica. Para o fechamento da caixa, é acompanhada uma borracha autoadesiva. Essa borracha possui uma fixação muito forte e é usada para vedar as entradas dos cabos nas extremidades da caixa. Depois de colocar a borracha nas pontas, finalizamos parafusando os 4 cantos da caixa.

OS BENEFÍCIOS

Você deve estar se perguntando o benefício de realizar uma emenda com a OT-8909, certo? Bem, pense da seguinte forma: você é um provedor e recebe a notificação de que um cabo rompeu a 200 metros da caixa de emenda. A dor de cabeça aparece no momento que você começa a imaginar os custos de ter que puxar os cabos da sua reserva para suprir a distância perdida. Com a caixa, é possível realizar a fusão ou conectorização exatamente no local onde o cabo foi rompido, usando o mínimo da reserva e consequentemente gastando menos com produtos e serviços. Eu digo, se você é um provedor que busca por inovações em redes ópticas, a Mini Caixa de Emenda para Cabo FTTH OT-8909-CE, servirá perfeitamente para melhorar a solução da sua rede. Lucas Almeida é estudante de Análise de Sistemas e atua como Consultor Técnico da ISP Shop há três anos. Como Consultor, ele busca estudar as necessidades de todos os provedores da atualidade e oferecer a melhor solução de custo-benefício para os clientes da empresa.


Projeto de compartilhamento de infraestrutura

Projetos para ocupação de faixa de domínio e travessias em rodovias federais, estaduais e concessionadas

Projeto de rede pon, quantificação de eleme ntos,distribuição de rede e adequação em campo

Cidades Digitais

Responsável técnico ELOI ARI PIANA JUNIOR engenheiro eletricista CREA 107.5641D-PR

www.instelpaengenharia.com.br eloi@instelpaegenharia.com.br

Av. Parigot de Souza, 715 Toledo - PR

(45) 3053-1066 (45) 99122-9651


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MATÉRIA PATROCINADA

REDETELESUL ORGANIZA A EDIÇÃO 2018 DO IBUSINESS A Associação Nacional das Empresas de Soluções de Internet e Telecomunicações (REDETELESUL), com sede em Maringá-PR, está organizando o iBusiness 2018, o maior encontro de Tecnologia, Informação e Comunicação (TIC) do Paraná. O evento será nos dias 22 e 23 de março, no Hotel Golden Park Internacional Foz. O objetivo da REDETELESUL é preparar os provedores de internet regionais para os desafios crescentes. Os ISPs estão organizados e consolidados e atendem mais de 3 milhões de lares no Brasil, detêm cerca de 12% do mercado e são líderes em 1.200 municípios. Hoje, são cerca de 3.200 ISPs legalizados junto à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). O presidente da REDETELSUL, Rosauro Baretta, explica que a associação está trabalhando para realizar um evento que esteja a altura com a importância do setor. “Levamos internet de qualidade, inclusive com uso de fibra óptica, para grande parte dos municípios brasileiros, realizando um serviço de utilidade pública e o iBusiness é uma forma de mostrarmos a força do setor para nossas autoridades”, comenta. O dirigente garante que o evento contará com a presença de secretários do Governo do Paraná, deputados, representantes do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), Anatel, Lacinic,


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e de instituições que representam provedores de internet no país como a Abrint (Associação Brasileira dos Provedores de Internet e Telecomunicações), Abranet (Associação Brasileira de Internet); InternetSul, entre outros. “Com a presença de autoridades públicas e lideranças do setor, poderemos discutir assuntos relevantes que podem se transformar em políticas públicas de Estado, com o atendimento de necessidades das empresas, como uma carga tributária menos pesada e criação de linhas de financiamento mais atraentes”, frisa o presidente da Redetelesul. Baretta acrescenta que vários parceiros comerciais também deverão enviar técnicos de alto nível para apresentar novos produtos e serviços visando mostrar ao público o que há de mais moderno em tecnologia. O evento é composto por palestras técnicas, debates e rodadas de negócios. “Este é o momento de ficarmos próximos de fabricantes e fornecedores para alinharmos as soluções para o mercado”, comenta o dirigente.

Parceiros comerciais

O iBusiness já é um evento consolidado e tradicional e consta na agenda de provedores e da indústria que atende o setor. Entre as razões do sucesso, estão a participação maciça dos ISPs, o desenvolvimento do setor e a necessidade de atualização das empresas.


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PROVEDOR EM DESTAQUE

KYATERA , CHEGANDO AONDE NINGUÉM CHEGA, CONQUISTANDO ONDE NINGUÉM ALCANÇA


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COM 12 ANOS DE HISTÓRIA, A KYATERA (DO TUPI-GUARANI ‘KYA’ “REDE DE PESCA OU INFORMAÇÃO” E DO GREGO ‘TERA’-“GIGANTESCO”) CONTA COM A TRANSPARÊNCIA NO RELACIONAMENTO COM O CLIENTE E A QUALIDADE DO SERVIÇO PRESTADO COMO CHAVE DO SUCESSO DA EMPRESA.

Início da jornada

A história da Kyatera teve início muito antes de sua fundação. Em 1997, época que Marcelo Corradini, formado em Química, era dono de uma fábrica de produtos químicos, e ouvia-se muito sobre a ascensão da internet e e-mail no Brasil. Em momento de descontração com seu representante comercial da cidade de Nova Odessa, região de Campinas, para o qual foi solicitado que enviasse os pedidos por e-mail, Corradini tomou a consciência que não existia provedor de internet na região, despertando a visão de oportunidade no empreendedor. Em parceria com um sócio, ambos com nenhum conhecimento técnico na área de telecomunicações, procuraram por orientações na feira FENASOFT, onde conheceram empresas como a UOL, oferecendo a sua bandeira. Corradini tornou-se franqueado pela MATRIX, que além de oferecer a bandeira, montava a infraestrutura e oferecia treinamento, desta forma o provedor foi montado na Cidade de Nova Odessa. Na época, a internet era discada, e havia um único tronco com apenas oito linhas telefônicas analógicas. O provedor chegou a ter 100 clientes que navegavam em um link de 64 Kbps. Em 1999, deu início a empresa IG com a internet grátis, resultando na venda do provedor. Já com experiência, em 2004, Corradini se arriscou novamente no mercado de telecomunicações.

Kyatera Informática

Junto de seu atual sócio, Mario Meletti Filho, formado engenheiro elétrico, iniciaram um embrião de provedor wireless com rádios 2,4GHz na cidade de Campinas. Nasceu, então, a Kyatera Informática. Digna de seu slogan “Chegando aonde ninguém chega. Conquistando onde ninguém alcança”, a empresa atende a zona rural das cidades de Campinas e Jaguariúna,

regiões estas esquecidas e abandonadas pelo poder público, tanto quanto pelo setor de telecomunicações. Desta forma, a Kyatera se destacou levando internet para essa população. De clientes à amigos, a empresa contribuiu para o desenvolvimento da comunidade, disponibilizando internet de graça para postos de saúde, escolas e creches. Com muita perseverança, a Kyatera cresceu com entusiasmo de um sonho sendo realizado e muito trabalho e envolvimento dos sócios. A trajetória foi e tem sido difícil, visto que a empresa conta apenas com os próprios recursos financeiros, sem qualquer perspectiva de financiamentos. Com o desenvolvimento das tecnologias, os rádios de 2,4GHz foram trocados por rádios 5,8GHz e no ano de 2013, a Kyatera iniciou suas atividades com a fibra óptica no bairro de Betel em Paulínia e, desde então, com recursos próprios, vem ampliando sua malha da rede óptica. Com o conhecimento, a infraestrutura da fibra óptica e a demanda dos condomínios, a Kyatera fecha parceria com a TIP Telecom e lança o serviço de interfonia, que posteriormente se transforma no serviço de telefonia VoIP, otimizando o uso da rede e agregando valor aos serviços da empresa. Com ideias arrojadas e com vistas ao futuro, os sócios da Kyatera lançam no ano de 2009 uma ideia audaciosa e inovadora na região. Instalaram pontos de conexão em alguns locais estratégicos. O sistema funcionava através da compra de um cartão pré-pago com senha e login (tipo raspadinha), permitindo que o usuário navegasse por até duas horas, seguidas ou fracionadas. Na época, foi um sucesso, lembra Marcelo Corradini, principalmente entre os estudantes da Unicamp. O projeto teve que ser desativado por conta das ofertas de 3G e 4G. Apesar das constantes dificuldades esbarradas nas concorrências das multinacionais, a paixão pela internet e a vontade de desenvolver a empresa nunca permitiram que os sócios se abatessem. Em meados de 2013, a Kyatera fecha uma par-


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PROVEDOR EM DESTAQUE

ceria com o Circo Tihany e troca o acesso à internet por ingressos. Esses ingressos foram distribuídos gratuitamente entre os colaboradores da Kyatera e seus familiares, amigos, fornecedores e escolas públicas da região atendidas pela Kyatera, um verdadeiro sucesso. A parceria foi tão benéfica que o Circo Tihany continuou suas temporadas em diferentes regiões do Brasil, buscando parcerias com provedores regionais. A cada temporada do circo, a Kyatera era responsável por entrar em contato com o provedor regional. Essa parceria ajudou o desenvolvimento de muitos pequenos provedores e o mercado local de todo o país. Em 2014 a Kyatera, em parceria com a empresa de Software de Gerenciamento para provedores de Internet, a RadiusNet, desenvolveram uma nova ideia para o uso da internet. Foi elaborado o projeto da “Internet Patrocinada”, onde o comércio local pagaria pela propaganda de seus produtos e serviços e o cliente da Kyatera navegaria sem custo, trocando a mensalidade pelas propagandas injetadas em seu browser. O projeto foi ganhador do prêmio TeleSintese de Inovação em 2016. O projeto foi descontinuado pela falta de fundos de investimentos. Em 2017, a Kyatera reestrutura sua marca e lança o serviço de TV por assinatura por IP, com parceria de outra grande empresa regional de telecomunicações, a Desktop, garantindo um nível de competitividade com as grandes operadoras. Ainda assim, a concorrência chega a ser desleal. Das desvantagens competitivas entre provedores regionais e multinacionais do ramo de telecomunicações, um exemplo é o valor do aluguel dos postes de energia. Enquanto a

Kyatera paga R$ 12,80 por poste/mês para manter a infraestrutura da fibra óptica, as grandes operadoras pagam R$ 0,68 pelos mesmos. Procurando por igualdade e oportunidades, a Kyatera associou-se à ABRINT – Associação Brasileira de Provedores de Internet, fator decisivo para o sucesso da empresa. Aliados a outros provedores regionais, a Kyatera pôde contar com a ajuda de associados, e consultoria sobre informações técnicas, jurídicas, fiscais, regulatórias e de governança. O diferencial entre um provedor regional e as grandes operadoras é, sem dúvida, o atendimento ao cliente. A Kyatera conta com um excelente atendimento comercial de vendas, organização nos agendamentos de atividades, suporte aos técnicos de campo e acompanhamento da satisfação dos clientes e avaliação dos técnicos através da pesquisa de pós-venda. Dessa forma, a Kyatera destaca-se por falar a mesma língua do seu cliente. Outro diferencial é o suporte técnico 24 horas e o curto tempo de resposta para a solução de problemas técnicos. A Kyatera possui em sua essência o cooperativismo, praticado cada vez mais após a associação à ABRINT, pois JUNTOS SOMOS FORTES. As portas da empresa estão sempre abertas para outros provedores regionais que queiram obter parcerias, experiências ou entender modelos de negócios ou processos. Vários provedores, de todas as regiões do Brasil recorreram à Kyatera para dividir suas experiências, criando uma sinergia e criando laços de amizades e parcerias. “Não desistiremos de nossos ideais”, esse é o


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pensamento que impulsiona sócios e colaboradores da Kyatera.

ISSO Internet

Paralelamente, procurando por novas oportunidades, Marcelo Corradini e sócios inauguram a ISSO Internet na cidade de Caieiras em 2015. Preparado para não cometer os mesmos erros cometidos na Kyatera, a ISSO Internet foi projetada para ser um provedor com sua rede 100% em Fibra óptica e tentando conseguir o financiamento do FINEP para implantar fibra óptica em 100% da cidade de Caieiras. No início de 2016, com a mesma filosofia de contribuir para o desenvolvimento da comunidade, a ISSO oferece internet de graça ao hospital público da cidade e lança hot spot com acesso grátis para a população em dois pontos da cidade de Caieiras, na praça central e na rodoviária, com mais de 10.000 cadastros e 100.000 acessos. Outra iniciativa apoiada pela empresa é o projeto TW conteúdo que incentiva jovens repórteres a fazerem reportagens nos bairros da cidade.

Marcelo Corradini

Sócio-diretor da Kyatera e ISSO, Corradini está engajado com o aprimoramento e a liberdade da internet no Brasil e América Latina: • Conselheiro da Abrint por seis anos consecu-

tivos. • Diretor da Abrint por três anos. • Eleito para o comitê Eleitoral da Lacnic. • Palestrante sobre VoIP no projeto ABRINT na Estrada. Participante em diversos congressos no Brasil e pelo mundo, destacando: • Lacnic – 23 – Lima – Peru. • Lacnic – 24 – Bogotá – Colômbia. • Lacnic – 25 – Havana – Cuba. • Lacnic – 26 – São José – Costa Rica. • Lacnic - 27 – Foz do Iguaçu – Brasil. Dentre as atividades exercidas, estão a busca por parcerias e produtos inovadores, realizando visitas em empresas e centros de pesquisa como: •Centro de pesquisa Russo em Moscou; •Indústria de equipamentos de fibra óptica QTECH em Moscou; •Modelo de empresa de TV e Internet na cidade de Voronej, na Rússia. •Feira de tecnologia – CeBIT em Hannover – Alemanha. •Universidade de Copenhagen, na Dinamarca. •Centro de pesquisas da Ericsson em Estocolmo, na Suécia. •A empresa de Cabeamento da prefeitura de Estocolmo – STOKAB.


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REFORMA TRABALHISTA: O QUE MUDA PARA MEU PROVEDOR? O ano era 1943, a Revolução Industrial no Brasil estava em ascensão, o capital estava concentrado na mão de poucos industriais e os trabalhadores vinham das zonas rurais, com pouco esclarecimento e difícil acesso a informações, haviam poucas leis trabalhistas. Foi neste cenário que surgiu a primeira Consolidação das Leis do Trabalho do Brasil. No dia 01 de maio de 1943, o então presidente Getúlio Vargas, observando todo esse cenário e levado por suas motivações populistas promulgou a CLT - Consolidação das Leis do Trabalho, uma reunião de Leis que garantiriam os direitos dos trabalhadores e marcaria para sempre seu governo. Naquele momento a CLT veio ao encontro das necessidades dos trabalhadores, regulando o binômio capital x trabalho, de forma a garantir os direitos daqueles tidos como hipossuficientes, fazendo com que a CLT trouxesse inúmeros direitos aos empregados e pouquíssimos aos empregadores. Com o passar do tempo as relações de trabalho se modificaram, o capital (dinheiro) que estava concentrado nas mãos de poucos se disseminou, vários pequenos empreendedores iniciaram seus negócios e os trabalhadores passaram a ter cada vez mais orientação e rápido acesso às informações. Ante a modernização das relações de trabalho a CLT ficou estagnada, diversos artigos se tornaram obsoletos e dados alarmantes retratavam a situação da relação trabalhador x empregador. Em 2016, houve 3,9 milhões novas ações trabalhistas ajuizadas no Brasil x 110 mil ajuizadas nos EUA no mesmo período. Essa discrepância certamente se deve a crença de que na Justiça do Trabalho o empregado sempre tem razão, e que ainda que o empregador pague corretamente todos os direitos trabalhistas, o mesmo poderá ser acionado judicialmente e pagar novamente, isso tudo porque, anteriormente, na reforma tratada aqui, as leis garantiam inúmeros direitos aos trabalhadores, não prevendo qualquer penalidade para os mesmos, mesmo quando pleiteavam na justiça direitos aos quais não faziam jus. Outro dado relevante é o número de sindicatos existentes no Brasil, 17 mil sindicatos, que arrecadam R$ 3,5 milhões ao ano, sem nada retornar aos filiados, enquanto que nos países mais desenvolvidos

a média é de 200 sindicatos. Em resumo, o aumento das pequenas empresas, o avanço tecnológico, o acesso à educação e à velocidade da informação motivaram a criação de uma reforma trabalhista pensando em equilibrar as relações de trabalho, mantendo direitos aos empregados, mas também prevendo direitos aos empregadores. Ante esta realidade, no dia 13 de julho de 2017, foi aprovada pelo Senado e sancionada pelo Presidente da República a Lei 13.467/2017, chamada de Reforma Trabalhista, que trouxe importantes modificações nas leis trabalhistas que começaram a valer no dia 11 de novembro de 2017. As modificações carregam maior liberalidade na negociação, e contarão com os órgãos fiscalizadores, como o Ministério Público do Trabalho, para acompanhar esse momento de transição, assegurando os direitos dos trabalhadores e evitando excessos e abusos por parte dos empregadores. No dia 14 de novembro, o Governo Federal editou a Medida Provisória n. º 808, para ajustar pontos da reforma trabalhista como resultado de um acordo firmado pelo presidente Michel Temer com os senadores para que aprovassem o texto da reforma que já havia sido aprovado na Câmara dos Deputados. A título de conhecimento, é necessário esclarecer que as Medidas Provisórias são medidas excepcionais, com força de Lei, autorizadas pela Constituição Federal, das quais o Presidente da República pode fazer uso para driblar o Poder Legislativo diante de temas de urgência e extrema relevância ao estado, mas necessitam da aprovação do Congresso no prazo de 120 dias, para se tornarem definitivamente Lei sendo que se rejeitadas perdem a eficácia, ou seja, ainda podem existir diversas alterações na reforma em questão, o que causa certa insegurança jurídica.

O que muda para as pequenas empresas?

A reforma não faz distinção de acordo com o porte das empresas. Contudo, o que resulta de benefício para quem é dono de um pequeno negócio é algo que, de certa forma, é proveitoso para todos, a flexibilização de forma, podendo empregado e empregador ajustarem o contrato de trabalho de acordo com sua


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realidade. Ouvimos críticas a respeito dessa flexibilização, de como ela implica na supressão de alguns direitos dos trabalhadores. Mas isso é um mal-entendido, o que muda é a forma de como esses benefícios agora são assegurados, permitindo uma variação que antes não existia. Entendemos que essa flexibilização é especialmente benéfica para pequenas empresas. Para o modelo de negócio que está em desenvolvimento a inflexibilidade era um tremendo desafio, o modelo de contrato era muito rígido e universal, agora é mais flexível e individual. A seguir falaremos das principais mudanças que poderão afetar sua empresa.

CONTRIBUIÇÃO SINDICAL

Lei anterior: Era obrigatória e equivalente a um dia de salário por ano. Reforma: Estabelece que as contribuições sindicais dos empregados passam a ser voluntárias mediante autorização expressa do empregado. E ainda, que a contribuição sindical da empresa também será opcional.

HORÁRIO DE ALMOÇO

das empresas tomadoras, já havia sido sancionada pelo Presidente. Reforma: O empregador não poderá dispensar trabalhadores terceirizados e recontratá-los em período inferior a 18 (dezoito) meses. O prestador de serviços terá direito as mesmas condições de trabalho dos empregados da empresa tomadora como alimentação, uso do ambulatório médico e etc.

TELETRABALHO

Lei anterior: não havia regulamentação específica. Reforma: O trabalho em regime home office deverá constar no contrato individual de trabalho, o qual conterá informações sobre quem será responsável pela aquisição, manutenção e fornecimento dos equipamentos tecnológicos e da infraestrutura necessária à prestação do trabalho remoto, sendo que, a transição do regime home office para o presencial poderá ser realizada por determinação do empregador, respeitado prazo mínimo de 15 dias, ou ainda por acordo entre as partes.

CONTRATO DE TRABALHO NÃO CONTÍNUO

Lei anterior: Para jornada de oito horas diárias o intervalo intrajornada poderia ser realizado no mínimo em 1 (uma) hora e no máximo por 2 (duas) horas. Reforma: Poderá haver redução para 30 minutos de intervalo através de negociação. Esta alteração “obriga” o empregador de forma implícita a disponibilizar meios e condições adequadas para realização das refeições no local de trabalho. O prazo de 30 minutos é insuficiente para o trabalhador que realiza as refeições em casa ou enfrenta os restaurantes em “horário de pico”. Importante lembrar que muitas pessoas utilizam o horário de almoço para cumprir compromissos com a família, obrigações bancárias, esportes, dentre outros.

Lei anterior: não havia previsão legal. Reforma: é permitida a prestação do trabalho de forma não contínua, com alternância dos períodos de trabalho e inatividade, os quais poderão variar entre horas, dias e meses, independentemente da categoria dos empregados, salvo a categoria de aeronautas. O contrato deve ser celebrado por escrito, com a ressalva de que o período de inatividade não configura tempo à disposição do empregador. Com três dias corridos de antecedência, o empregador convocará o trabalhador e informará a jornada. Se o empregado aceitar, terá um dia útil para responder e se não comparecer terá de pagar multa de 50% da remuneração que seria devida em um prazo de 30 dias, permitida a compensação em igual prazo. Com a Medida Provisória, fica estabelecido o direito de aviso prévio para a modalidade de contratação no trabalho intermitente.

TERCEIRIZAÇÃO

Lei anterior: A lei nº 13.429/2017 já permitia a contratação de prestadores de serviços especializados em todas as atividades, incluindo a atividade-fim

BANCO DE HORAS

Lei anterior: O sistema de banco de horas somente podia ser implementado se houvesse negociação coletiva com o Sindicato representativo.


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Reforma: O sistema poderá ser negociado diretamente com o empregado, por meio de acordo individual, obrigatoriamente escrito, com duração máxima de 6 (seis) meses. Se houver negociação coletiva, ou seja, envolvendo Sindicato representativo, mata-se o prazo de 12 (doze) meses para compensação.

SALÁRIO E REMUNERAÇÃO

Lei anterior: integravam o salário a importância fixa estipulada, bem como comissões, porcentagens, gratificações, prêmios, diárias para viagens (quando excediam 50% do salário estipulado) e abonos pagos pelo empregador, sendo que os encargos trabalhistas e previdenciários incidem sobre a soma de todos os valores recebidos pelo empregado. Reforma: integram o salário a importância fixa estipulada, gratificações legais e contratuais e comissões pagas pelo empregador. As importâncias ainda que habituais, pagas a título de ajuda de custo, auxílio-alimentação (salvo pagamento em dinheiro), diárias para viagem, prêmios e abonos não integram a remuneração do empregado e não constituem base de incidência de quaisquer encargos trabalhista e previdenciário.

FÉRIAS

pregado, indenização de 40% sobre o saldo do FGTS depositado em conta corrente vinculada. O aviso prévio nas dispensas sem justa causa é de, no mínimo 30 (trinta) dias, podendo ser convertido em pagamento. Reforma: Possibilidade de rescisão contratual por mutuo consentimento sendo que nesse caso a indenização de 40% sobre o FGTS seria reduzida para 20%, o aviso prévio seria reduzido para metade, sendo no mínimo de 15 (quinze) dias e o empregado poderá sacar 80% do FGTS, não tendo acesso ao seguro-desemprego.

HOMOLOGAÇÃO DA RESCISÃO CONTRATUAL

Lei anterior: Empregados com mais de 1 (um) ano de serviço para o mesmo empregador deveria ter sua rescisão contratual homologada junto ao Sindicato de sua categoria ou perante o Ministério do Trabalho e Emprego. Reforma: A homologação da rescisão contratual perante o Sindicato profissional ou autoridade competente não será mais necessária, sendo suficiente apenas que o empregador comunique a dispensa aos órgãos competentes e realize o pagamento das verbas rescisórias em até 10 (dez) dias contados a partir do término do contrato.

DANOS MORAIS

Lei anterior: Fruição em período único de 30 (trinta) dias corridos. Somente em casos excepcionais o descanso poderia ser fracionado em dois períodos, um dos quais não poderia ser inferior a 10 (dez) dias, salvo para menores de dezoito anos e maiores de cinquenta anos. Reforma: O fracionamento do período de descanso é permitido desde que o empregado manifeste concordância expressa. As férias poderão ser usufruídas em até 3 (três) períodos, um deles com no mínimo 14 (quatorze) dias e os demais não inferiores a (cinco) dias corridos cada. Menores de dezoito anos e maiores de cinquenta também poderão fracionar suas férias.

Lei anterior: o tema era regulado pelo Código Civil, sendo certo que os critérios para arbitramento/ fixação dependiam da discricionariedade do juiz. Reforma: Passa a ser regido pela CLT, a qual definirá o grau de ofensa da conduta e preestabelece valores de indenização conforme o salário recebido pelo empregado no curso do contrato do trabalho. Com a Medida Provisória, os valores para indenização serão calculados com base no limite dos benefícios da Previdência Social, deixam de ser calculados pelo último salário contratual do ofendido. Ofensas à etnia, idade, nacionalidade, orientação sexual e gênero passam fazer parte da lista de danos que podem originar pedidos de indenizações extrapatrimoniais.

RESCISÃO CONTRATUAL

Lei anterior: O empregado que pede demissão ou que é demitido por justa causa não tem direito de sacar o saldo do FGTS. Ao dispensar o empregado sem justa causa, será devido pelo empregador ao em-

GRUPO ECONÔMICO

Lei anterior: Empresas de mesmo grupo econômico geram responsabilidade solidária aos contratos de trabalho. Reforma: Mera identidade de sócios entre em-


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presas não é suficiente para caracterizar a formação de grupo econômico.

SÓCIO QUE DEIXA A SOCIEDADE

Lei anterior: não havia previsão legal a esse respeito. Reforma: O sócio que se retirar da sociedade somente responderá por obrigações trabalhistas caso a ação trabalhista seja proposta em até 2 (dois) anos da data de averbação de sua saída. Caso a alteração societária configure algum tipo de fraude, o sócio retirante responderá solidariamente pelos débitos trabalhistas.

GESTANTES

Lei anterior: Mulheres grávidas ou lactantes eram proibidas de trabalhar em lugares com condições insalubres. Não havia limite de tempo para avisar a empresa sobre a gravidez. Reforma: É permitido o trabalho de mulheres grávidas em ambientes considerados insalubres, desde que a empresa apresente atestado médico que garanta que não há risco ao bebê nem à mãe. Mulheres demitidas têm até 30 dias para informar a empresa sobre a gravidez. Com a Medida Provisória, as gestantes serão afastadas do trabalho em locais com qualquer grau de insalubridade, excluído o pagamento de adicional de insalubridade. No caso de locais considerados de grau médio ou mínimo, ela poderá retornar somente se apresentar, voluntariamente, atestado de médico de confiança autorizando-a. Em grau máximo, fica impedida de exercer atividades nesses locais.

JORNADA DE 12 POR 36 HORAS

Lei anterior: A jornada era limitada a 8 horas diárias, 44 horas semanais e 220 horas mensais, podendo haver até 2 horas extras por dia. Reforma: Jornada diária poderá ser de 12 horas com 36 horas de descanso, respeitando o limite de 44 horas semanais (ou 48 horas, com as horas extras) e 220 horas mensais. Com a MP, o empregador e funcionários poderão estabelecer a jornada de 12 horas de trabalho com 36 horas de descanso apenas por meio de convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho. O acordo individual por escrito fica restrito aos profis-

sionais e empresas do setor de saúde. DE QUE FORMA OS EMPREENDEDORES PODERÃO SE FAVORECER COM AS MUDANÇAS? Na medida em que o empreendedor pode ajustar o contrato de trabalho à sua realidade de negócio, o empreendedorismo se beneficia. A maior vantagem da reforma é permitir algumas adequações de contrato, mas sem significar perda de direitos. É certo que a Reforma Trabalhista era necessária a adequação das leis à realidade das relações trabalhistas no Brasil, buscando trazer mais equilíbrio entre empregado e empregador, até mesmo porque nos dias atuais, muitas vezes, o empregador, proprietário de uma pequena empresa, desenvolve as mesmas atividades de seus funcionários recebendo remuneração inferior à do empregado. Desta forma, a Reforma vem trazer direitos aos empregadores preservando os diretos básicos dos empregados, permitindo que a formalização de trabalhos prestados informalmente, e proporcionando maior segurança jurídica. Não se pode negar que todas as alterações previstas na reforma trabalhista poderão sofrer modificações, especialmente na justiça, mas de toda forma trazem um novo fôlego aos pequenos empresários permitindo que os mesmos mensurem os riscos provenientes das relações de emprego, inerentes ao empreendedorismo. Por fim, vale lembrar que um colaborador satisfeito e saudável aumenta os resultados e cresce junto à empresa de forma sustentável.

Luana Mafia, é graduada há 9 anos em Direito, pós-graduada em Direito do Trabalho, e atua há 6 anos na esfera consultiva e preventiva, voltada para o mercado de telecomunicações. Anna Gardemann, é graduada há 10 anos em Direito, Pós Graduada em Filosofia Jurídica e Política e em Direito Processual Civil, aluna especial no Mestrado em Direito Negocial da Universidade Estadual de Londrina. Ambas compõem o corpo de advogados do escritório de advocacia Mafia & Gardemann Advogados Associados.


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O “COMPARTILHAMENTO DO COMPARTILHAMENTO” Diante da escassez de pontos de ocupação em postes para todos os players atuantes no mercado de telecomunicações torna-se necessária a criação de alternativas legais, eficazes e satisfativas. O termo “compartilhamento do compartilhamento” nada mais é do que o compartilhamento da capacidade excedente em relação ao ponto de fixação nos postes de energia elétrica. Ou seja, se uma empresa “A” possui um contrato de compartilhamento de infraestrutura com uma Distribuidora de Energia Elétrica “B”, isto, para utilizar um ponto de ocupação por poste, a empresa “A” pode utilizar cada ponto de fixação para passar “Cabos”. A palavra “cabos” no plural faz toda a diferença para que seja possível a realização do “compartilhamento do compartilhamento”. A referida palavra demonstra que por ponto de ocupação pode ocorrer o lançamento de mais de um cabo. Logo, o lançamento de cabos adicionais por ponto de ocupação tanto pode ser de propriedade da própria Empresa “A” (quem firmou contrato com a Distribuidora de Energia Elétrica “B”), ou mesmo o cabo adicional poderá ser de propriedade de outra empresa terceira (interessada em lançar um novo cabo perante o ponto de fixação cedido pela empresa “A”). A Resolução Conjunta 004/2014 exige que cada empresa que firmou contrato de compartilhamento de infraestrutura utilize apenas 01 ponto de fixação. Mas, a própria resolução admite que, em um mesmo ponto de ocupação, a empresa possa fazer o lançamento de mais de 01 cabo. O artigo 4º, inciso II, da referida Resolução inclusive fala em conjunto de cabos. O que demonstra ser possível o lançamento de mais de 01 cabo em apenas 01 ponto de ocupação. Não estamos falando em contrato de Swap ou compartilhamento de fibra, pelo contrário, esta-

mos falando da possibilidade de uma empresa compartilhar com outra o espaço excedente no ponto de fixação para que seja feito o lançamento de um novo cabo. Sempre respeitando as normas técnicas e contratuais aplicáveis. Os Provedores de acesso à internet sempre tiveram restrição no que toca à utilização de infraestrutura de terceiros para a operação dos seus serviços, isto é, diante do receio de ficar a mercê da detentora da infraestrutura. Por isso, vários Provedores buscam o lançamento de rede própria. O “compartilhamento do compartilhamento” afasta o temor de “sequestro de clientes” nos casos de utilização da rede de terceiros, já que o provedor interessado irá lançar o seu próprio cabo no ponto de fixação destinado a outra prestadora (muitas vezes concorrente). Ao definir o diâmetro total do conjunto de cabos a serem espinados em cada ponto de ocupação, as normas técnicas e as Resoluções aplicáveis permitem a realização do “compartilhamento do compartilhamento”. Portanto, havendo capacidade excedente no diâmetro utilizado (65 mm) por ponto de fixação poderá ocorrer o lançamento de Cabos de empresas distintas. A relação jurídica sempre será firmada entre as duas empresas Prestadoras dos Serviços de Telecomunicações, apenas com a supervisão da Distribuidora de Energia Elétrica, que certamente exigirá um projeto técnico para cálculo do esforço e a homologação do contrato de “compartilhamento do compartilhamento”. Ademais, a Distribuidora de Energia Elétrica não poderá cobrar da empresa terceira quando verificado o “compartilhamento do compartilhamento”. Isto porque, as normas aplicáveis determinam a cobrança


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por ponto de fixação e não por número de cabos. Algumas Distribuidoras de Energia Elétrica já sinalizaram acerca da validade do “compartilhamento do compartilhamento” sem qualquer cobrança. E temos ciência de Prestadoras que já formalizaram este tipo de contrato. O conceito de “compartilhamento do compartilhamento” inclusive é fomentado pela nova Resolução da Anatel que versa sobre o compartilhamento de infraestruturas ao taxativamente ditar que a “ocupação de infraestrutura de suporte devem ser planejadas e executadas com vistas a permitir seu compartilhamento pelo maior número possível de prestadoras ”. Vale ressaltar que é obrigatório o compartilhamento da capacidade de infraestrutura excedente, mesmo do espaço destinado para a utilização de cabos no ponto de fixação nos postes (65 mm). Algumas Prestadoras podem até questionar o fato do “compartilhamento do compartilhamento” fomentar a atividade do concorrente mediante a regularização da infraestrutura lançada. Mas, caso não feita tal formalização, inclusive, com a cobrança pela utilização do espaço excedente no ponto de fixação, não há dúvidas de que o concorrente irá lançar o cabo a revelia como visto em várias localidades onde inexistem pontos de ocupação livres nos postes.

A meu ver, é preferível cobrar do concorrente para subsidiar os custos pagos para a Distribuidora de Energia Elétrica ao invés de concorrer com uma empresa que realiza os lançamentos à revelia da Distribuidora e não paga nada pelo lançamento da fibra. E mais, o “compartilhamento do compartilhamento” será uma forma das Prestadoras entrantes atuarem de forma legal e sem risco de desmobilização de suas redes, sendo lado outro também preservado no mercado a vantagem competitiva das empresas precursoras que iniciaram primeiramente o lançamento de infraestrutura e ocuparam os pontos de fixação nos postes. E por fim, o “compartilhamento do compartilhamento” certamente incentivará o crescimento das redes das Prestadoras, que poderão realizar acordos mútuos para a troca de compartilhamentos dos espaços excedentes nos pontos de fixação em diferentes localidades. DR. ALAN SILVA FARIA Advogado, Sócio da Silva Vitor, Faria & Ribeiro Advogados Associados, bacharel em Direito pela FESBH, com MBA em Direito Empresarial pela FGV - Fundação Getúlio Vargas. Consultor Jurídico. Atuação em direito das tecnologias, com ênfase em telecomunicações e internet. Atuação em direito regulatório.


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ESPAÇO ABRINT

BASÍLIO PEREZ

PRESIDENTE DA DIRETORIA-EXECUTIVA DA ABRINT

INFRAESTRUTURA X COMPETIÇÃO: O RISCO DAS TAC’S

Imagine que você, provedor, está atuando na sua cidade, construiu sua rede de FTTH com todas as dificuldades de financiamento que existem para as pequenas empresas e está trabalhando duro para rentabilizar a nova rede. Pois saiba que as grandes operadoras poderão receber dinheiro público para investir em redes FTTH no município que você está atuando. Simplificadamente é esse o cenário que está em jogo quando se fala nos Termos de Ajustamento de Conduta (TAC) que estão sendo negociados entre a Anatel e as grandes operadoras. O TAC é um instrumento que permite à Anatel trocar as multas acumuladas e não pagas das grandes operadoras por investimentos em redes de banda larga. Antes de mais nada, é preciso dizer que o TAC é um instrumento legítimo que pode ser usado pelo Estado para levar banda larga onde hoje a oferta está aquém das necessidades ou onde simplesmente o serviço não existe.

Por que o instrumento é legítimo? As grandes operadoras têm uma quantidade gigantesca de multas não pagas (só o TAC da Vivo/Telefônica é da ordem de R$ 4 bilhões). Ao invés de arrecadar esses recursos, com o TAC, a Anatel obriga as empresas a repararem a conduta que originou as multas e exige delas “compromissos adicionais”. Os compromissos adicionais basicamente são investimentos em redes (de vários tipos) nas áreas de Valor Presente Líquido (VPL) negativo – ou seja, áreas onde o investimento não se rentabiliza. O TAC em si não é um instrumento ruim. Ele permite levar a Internet à áreas isoladas do Norte do país, por exemplo, que dificilmente serão cobertas sem ajuda do governo. Além disso, poder ser usado para que as grandes operadoras construam backhaul (rede de transporte) em fibra óptica nos municípios que hoje são atendidos por rádio, o que, aliado a uma política eficiente de compartilhamento, pode ser um


ESPAÇO ABRINT

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grande indutor de investimento em redes de acesso de alta capacidade.

Risco para a competição

A Anatel aprovou um TAC com a Vivo/Telefônica que também foi aprovado pelo Tribunal de Contas da União (TCU), mediante o cumprimento de algumas determinações (itens que a Anatel é obrigada a seguir), a observação pela Anatel de algumas recomendações (que a Anatel tem o direito de não seguir) e a explicação de alguns pontos que para o TCU estariam nebulosos. Entre esses pontos que a Anatel precisará explicar para o TCU estão as duas principais preocupações da ABRINT em relação a esse assunto: escolha dos municípios e escolha da tecnologia. O TAC da Vivo/Telefônica contempla o investimento em redes de vários tipos em um conjunto de aproximadamente 100 municípios. Sabemos que dentre esses municípios, há cidades com potencial econômico para serem atendidas sem o uso de recursos públicos. O próprio grupo Embratel/Claro/Net se posicionou na imprensa afirmando que há 16 cidades onde existem redes da Net, ou seja, teriam potencial econômico para ser explorada pela Vivo/Telefônica sem ajuda do governo. Certamente há nesse grupo, cidades em que há um provedor regional atuando. O TAC então vai direcionar recursos públicos para a empresa (Vivo/ Telefônica, no caso) construir uma rede FTTH, desbalanceando a competição e causando um dano enorme ao provedor regional que gera emprego e renda pelo interior do País. A própria escolha da tecnologia, ponto que o TCU também pede explicações da Anatel, também

preocupa a ABRINT. Como sabemos o FTTH é o que existe de mais moderno quando se fala em rede de telecomunicações. Se o objetivo do TAC é cobrir as áreas carentes de banda larga, será que essa é a tecnologia mais indicada?

Transparência

Outra questão preocupante é a falta de transparência com que a Anatel trata o assunto. Apesar dos nossos pedidos ainda não tivemos acesso à lista das cidades, o que impede de conhecer o critério que levou a Anatel a aprovar a realização do TAC nesses 100 municípios. Mais recentemente, fizemos um pedido para participar do processo como terceiro interessado, mas ainda não tivemos resposta da Anatel. A ABRINT tem trabalhado ativamente, inclusive junto ao TCU e ao Congresso Nacional, para evitar que a celebração dos TACs com as grandes operadoras possa causar um prejuízo na competição no mercado de banda larga. Também confiamos no discernimento da Anatel, a quem cabe zelar pelo equilíbrio do mercado para direcionar esses investimentos para áreas com completa carência de infraestrutura.


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A IMPORTÂNCIA DE INVESTIR EM MARKETING PARA O SEU PROVEDOR DECOLAR EM 2018 Se existe um setor que está sendo pouco explorado na área de Provedores é o Marketing, pouco se houve falar em eventos de Telecom, cursos da área, há poucas pessoas falando sobre isso. Mas será que isso não é importante realmente? Nesta edição eu vou abrir um pouco mais a sua mente para esse assunto, boa leitura! Sabemos sobre essa nova Era da comunicação e as mudanças que estão ocorrendo com o avanço da internet banda larga nas grandes cidades, entendemos também que existe uma parcela muito grande do mercado a ser atendida. O fato é que boa parte dessas pessoas que ainda não tem acesso à internet, não sabem os benefícios que estão disponíveis e agora o desafio pode estar nas mãos dos empreendedores na área de Provedores. Vejo muitos empresários dizendo

que os investimentos que estão sendo feitos levam transformação de vida e que entregam a “estrada da comunicação”, será que é só isso mesmo que o seu Provedor pode contribuir? Hoje os Provedores tem nas mãos uma oportunidade muito grande de realmente fazer a diferença, sendo mais participativos na educação do mercado, entendendo as necessidades e hábitos do consumidor, entregando produtos e serviços que as pessoas precisam. Uma geração que nasceu após os anos 2000 e que cresceram com dispositivos eletrônicos nas mãos, como tablets, smartphones, notebooks entre outros, vão completar 18 anos de idade, elas estão mais adaptadas ao mundo digital e mais propicias a compra e venda online e cada vez mais dependentes também do acesso à internet.


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Agora eu pergunto a você, o que realmente a sua empresa sabe a respeito dos seus clientes? Nome completo, endereço, telefone quem sabe um email, acha mesmo que só isso vai entregar uma análise sobre as necessidades dos seus clientes e a sua empresa vai poder se tornar um Provedor multi serviços. Qual a função do Marketing para estratégia do seu Provedor? Hoje, estratégia de Marketing funciona em passos antes da etapa da compra que irá agregar valor ao seu produto ou serviço, entre eles posso listar: Aprendizado e descoberta – é nessa etapa que iremos definir o público-alvo que você quer atingir, para atrair as pessoas certas para comprar o seu produto ou serviço, mostrando a essas pessoas que existem novas oportunidades através do acesso à internet. Reconhecimento do problema – Você irá mostrar ao seu público que existe um problema em ele não ter acesso à internet na residência, mostrando também os benefícios e novas oportunidades para que ele possa adquirir. Decisão de compra – Nessa etapa que você pode fazer comparação e mostrar os benefícios do seu produto para as pessoas que demostraram interesse. Venda – A etapa da venda agora ficou mais “simples”, os vendedores ficam responsáveis pela decisão de compra onde se aplica gatilhos mentais para influenciar as pessoas a comprar o serviço, exemplo, “os descontos vão até hoje”, ou “é a primeira vez que estamos abrindo essas oportunidades”. E não fazer o papel de todas as etapas do funil de vendas, o time de vendas é uma área muito estratégica, pois dependendo da opinião das oportunidades, podemos melhorar a entrega e a comunicação da empresa. Eu resumi agora o que é um funil de vendas, passamos por isso diariamente a vários anos e acabamos nem percebendo, às vezes pulamos para a etapa de compra porque não tem outra opção. E você aí que faz vários investimentos e na hora de divulgar o seu produto ainda continua entregando panfletos e batendo de porta a porta apenas para empurrar o produto para o cliente, não que isso

não traga retorno, mas como mensurar os resultados de uma campanha em um outdoor? Os Provedores vão precisar fazer melhor e de forma inovadora por muitas vezes nesse próximo ano para convencer e atrair os melhores clientes. Então, viu aí o quanto ainda tem para evoluir? Entre os mercados de alto consumo com toda certeza Telecomunicações é o que menos tem um relacionamento com os seus clientes, a métrica disso é o quanto temos de chamados nos sites de reclamações. Isso que me deixa muito feliz em participar e contribuir para o crescimento da sua empresa, saber que ainda tem muito para o nosso mercado evoluir. Um detalhe que eu preciso lhe alertar, sabe qual o perigo evidente?

O seu concorrente começar primeiro que você!

Agora, precisa terminar a leitura da revista e sentar para analisar o que está fazendo e medir os resultados, se continua investindo em infraestrutura, novas tecnologias e os seus clientes ainda continuam insatisfeitos, há um problema também no relacionamento com a sua base e precisamos solucionar. Tem muita coisa pela frente e eu espero você na próxima edição em 2018, com novas estratégias e dicas que irá potencializar o seu foguete! Boas festas, um grande abraço e nos vemos online!

Thiago Buenaño, Consultor nas áreas de projetos de redes ópticas e estratégias de marketing para Provedores, Co-founder das startups AnjosISP Incubadora para Provedores e Empreenda na vida Escola de Empreendedorismo Digital.


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POR QUE CONTRATAR O SEU SERVIÇO E NÃO DO SEU CONCORRENTE? Já parou para pensar sobre isso? É uma questão bem complicada, não é? Pior ainda é quando esta pergunta vem de um possível cliente sondando motivos para decidir qual serviço de internet contratar. Se você não souber dar a ele uma boa resposta, é provável que já o tenha perdido. Mas esta é uma questão que vai muito além deste pequeno exemplo, trata-se de encontrar o seu diferencial, e isso pode mudar totalmente o futuro da sua empresa. A realidade nos apresenta um cenário complicado, os provedores de internet vendem um serviço que já se tornou commodity, a concorrência está maior a cada dia e os clientes cada vez mais exigentes. Com diversas empresas oferecendo a mesma coisa, a tendência é que o cliente escolha o mais barato e você agora se vê obrigado a abaixar os seus preços e ver sua margem de lucro dando adeus. E agora, quem poderá me defender? EUUUUU! O DIFERENCIAL COMPETITIVO! O conceito é simples, mas a maioria dos empreendedores não enxergam seu valor (curiosamente os empreendedores que enxergam este valor são donos das empresas mais bem sucedidas). Se o cliente tem várias opções de serviços a escolher, você precisa

se diferenciar dos demais, é preciso se destacar para convencê-lo de que é a melhor opção. Então qual poderia ser o meu diferencial competitivo? A qualidade do serviço? Não. Qualidade não é diferencial, é obrigação. Se você não tem um serviço de qualidade, nem deveria estar no mercado. Coisas como qualidade no serviço e bom atendimento são básicas e não são o bastante para te diferenciar dos concorrentes. Então o que seria um bom diferencial? Preço baixo? Não, muito pelo contrário. Um diferencial competitivo irá te permitir vender mais caro e ainda assim conquistar seus clientes sem tanto esforço dos vendedores. Quando você se posiciona como o mais barato, automaticamente cria nas pessoas a percepção de que seu serviço tem menos qualidade, além disso, qualquer concorrente que chegar com um preço menor que o seu, te quebra. Você entra numa guerra de descontos com concorrentes desleais, terá de baixar seu preço cada vez mais, e logo terá de diminuir a qualidade do seu serviço para não ter prejuízo. É uma terrível bola de neve... Então qual é a solução? O seu marketing pre-


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cisa definir um posicionamento para a empresa, e tornar sua marca um objeto de desejo! Sim, as pessoas precisam ter orgulho de falar que usam a sua internet, ou ter vergonha por não usar. Acha isso absurdo? A Apple não achou, e hoje existem pessoas que tem um celular, e pessoas que tem um iPhone. O produto deles se tornou quase uma categoria à parte, se diferenciando de todos os smartphones de outras marcas. Você pode pensar que fazer isto é algo grande demais para sua empresa, mas não é. A Apple investiu milhões de dólares porque precisava posicionar-se como objeto de desejo no mundo todo! Você só precisa criar esta mentalidade nos consumidores da sua cidade, ou até mesmo nos bairros que atende. Posicionamento é um dos pontos mais importantes (talvez o mais importante) da sua empresa, mostre às pessoas porque você faz o que faz, e como você quer fazer a diferença com isso. Pesquise um pouco e vai perceber que todas as grandes marcas estão buscando isto, é um nova realidade e as novas gerações não aceitam nada menos do que isso. Propaganda com cara de propaganda não funciona mais. Por fim, se você percebe a importância de se diferenciar e quer começar a reposicionar a sua em-

presa agora, eu tenho ótimas notícias! Ser um provedor de internet te dá oportunidades GIGANTES para fazer seus clientes se apaixonarem pelo seu serviço. Todo mundo gosta e precisa de internet, fazer as pessoas se apaixonarem por tudo o que você proporciona é uma tarefa totalmente alcançável e que rende grandes frutos. O sucesso ou fracasso de uma empresa pode ocorrer por diversas variáveis, mas a maior das variáveis com certeza é a mentalidade do empreendedor. Como anda a sua? Está mesmo acompanhando as mudanças do mercado? Você realmente percebeu o quanto o mundo mudou? Pense nisso.

Lucas Sillas é consultor de marketing e desenvolvimento de negócios. Formou-se em Publicidade e Propaganda pela Universidade Paranaense, e tem se especializado em trabalhos com Branding, Posicionamento de Marca e Marketing de Diferenciação.


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GESTOR CAMALEÃO O QUE O CAMALEÃO TRAZ DE APRENDIZADO PARA OS EXECUTIVOS DE PROVEDORES REGIONAIS.

O camaleão é um réptil da família de lagartos que existe há 100 (cem) milhões de anos. O significado se resume em “leão da terra”, e ele é conhecido pela habilidade de trocar de cor, sua língua rápida e alongada, pelos seus olhos que se movem independente um do outro, pela sua visão 360 (trezentos e sessenta) graus e por fim pela sua cauda preênsil, ou seja, capaz de se agarrar em alguma coisa. Pois bem, quando analisamos as competências de um camaleão, observamos que ele se diferencia dos demais répteis, e que possui singularidade em suas aptidões. E é assim que devemos nos comportar como executivos de um ou mais negócios, ter flexibilidade, mudar rapidamente, conhecer profundamente o negócio e o mercado (stakeholders), possuir uma liderança situacional, e fundamentalmente uma alta capacidade de nos comunicar com os vários entes inerentes ao nosso negócio. A partir de agora vamos nos aprofundar em

cada uma destas questões abordadas acima, para entender como um indivíduo em posição de liderança deve se portar, quais os resultados que se espera dele e as habilidades necessárias a ser desenvolvidas para que a sua gestão seja com base no exemplo. Quando olhamos a capacidade do camaleão de mudar de cor, isso se dá por dois motivos principais. Primeiro usa para se camuflar, tanto para se defender como presa, como para atacar e garantir sua sobrevivência. O segundo motivo é para atrair as fêmeas. Pois bem, exatamente isso que devemos fazer em nossa liderança, ter a capacidade de tratar com diversos atores no nosso negócio, como por exemplo, colaboradores, fornecedores, clientes, parceiros, entre outros. Observe cada vez mais a sua postura, pois 80 (oitenta) por cento da nossa comunicação é não-verbal. Ou seja, a forma como nos comportamos para nos comunicar tem maior peso do que o que de fato falamos verbalmente.


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Além do que, não podemos em hipótese alguma ter o mesmo padrão de conduta e de fala com todos os atores. Temos que ter a capacidade de ser camaleão e mudar a forma de nos comunicar com quem estamos falando, qual o assunto vamos tratar, e qual o resultado quero atingir. Afinal de contas o entendimento do que se fala, não depende do que você falou, e sim o que o outro indivíduo entendeu. Por isso para alguns perfis de pessoas é importante a pergunta: “o que você entendeu com base no que eu falei?”. Saber ouvir é também uma grande virtude. Importante observar como a dissociação é importante para nos preparar para tratar de diversos assuntos durante um dia de trabalho, com diversas pessoas diferentes, e relevância distinta para cada resultado que se espera em cada tratativa. Não deve deixar com que um determinado assunto influencie no seu comportamento em outro. Outra habilidade importante de um grande líder é a capacidade de enxergar 360 (trezentos e sessenta) graus e com os olhos independentes. Literalmente um olho no gato outro no tigre. Esta estratégia é fundamental para que tenhamos o maior número de informações, que geram conhecimento, do ambiente em que se está inserido, para subsidiar nossas decisões. Esta visão é como uma bússola que norteia as

ações e permite que cada empresa seja uma peça em um grande mosaico integrado. Esta análise do ambiente, fundamental para que a empresa perpetue, nada mais é do que concorrentes, clientes, fornecedores, tendências, políticas, governos, entre outros, que encaixam no grande mosaico integrado. Existem pelo menos 9 (nove) áreas fundamentais que os gestores devem estar com o radar ligado 24 (vinte e quatro) horas por dia e 7 (sete) dias por semana. Pessoas, finanças, política, jurídica, ambiental e social, técnica, comunicação, saúde e segurança. No entanto ordene-as das mais relevantes para as menos relevantes. O mercado é um ambiente selvagem guiado não apenas pela racionalidade, mas também pela política e pelos instintos selvagens dos seres humanos. Por isso alguns passos em falso podem representar a morte da sua empresa. É preciso então, conhecimento e planejamento para caminhar neste ambiente turbulento ao mesmo tempo que se mantém uma posição ética. Por fim, vamos tratar de um assunto já bastante disseminado, mas que deve ser lembrado com frequência. O famoso ditado “o óbvio tem que ser dito”. Liderança Situacional. Existem pelo menos 4 (quatro) níveis de comportamentos situacionais que um líder

(Alto)

COMPORTAMENTO DE APOIO

Comportamento de alto grau de apoio e baixo grau de direção

Comportamento de alto grau de direção e alto grau de apoio

E3 E2 E4

E1 Comportamento de baixo grau de apoio e baixo grau de direção

(Baixo)

Alto P4

Comportamento de alto grau de direção e baixo grau de apoio

COMPORTAMENTO DIRETIVO

Moderado P3 P2

(Alto)

Baixo P1


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deve ter, e ainda, ter a plena consciência e expectativa do que cada colaborador dentro de sua empresa pode te entregar de resultado. Isso se deve por dois fatores principais. Grau de necessidade de apoio e grau de necessidade de direção aos seus liderados. Desta maneira vamos dividir o desenvolvimento do profissional da sua empresa em quatro níveis. Onde o nível 1 (um) representa iniciante, em que o profissional é novo na tarefa e não está preparado e nem quer tomar decisões. Não tem competência para realizar a tarefa. E o nível 4 (quatro) representa preparado. Tem vasto conhecimento sobre as tarefas e estão altamente motivados para fazer o que lhe é solicitado. O profissional iniciante dentro da organização, precisa de um alto grau de direção e um baixo grau de apoio. Já o profissional de nível 2 precisa de alto grau de apoio e alto grau de direção. Pois ele já desenvolveu alguma experiência na execução da tarefa, mas ainda tem dificuldades. Por isso precisa ser treinado. Geralmente estão motivados, mas necessitam de apoio. O profissional de nível 3 precisa de um alto grau de apoio e baixo grau de direção. Ele já possui elevados conhecimentos e experiência sobre a tarefa, mas sente-se desmotivado para efetuar o que o líder lhe solicita. E por fim, o profissional preparado que necessita de baixo grau de direção e baixo grau de apoio. E então, o líder passa ter o dever de lhe delegar tarefas com plena confiança que a tarefa será muito bem executada e dentro do prazo. No entanto, como grande parte dos nossos colaboradores são da

geração Y, ou a geração da internet, que compreende os indivíduos nascidos entre 1980 e início de 1990. Estes profissionais têm muita pressa e são movidos principalmente por desafios. Então, se ele chegou no nível 4 (quatro) nas tarefas são de sua responsabilidade, entregue desafios a este profissional, porque senão a tendência é perdê-lo para o mercado. Pois bem, hoje tratamos de assuntos relevantes para a sua liderança, mas também que são chaves para você formar novos líderes. Afinal de contas são com pessoas bem preparadas e motivadas que nossa empresa caminha em direção a sua visão de futuro com sustentabilidade. Influencie as pessoas dando o exemplo. Mas afinal, você é um gestor camaleão? Se ainda não é, se prepare para ser, pois a transformação e mudanças no nosso mercado não podem ser mais rápidas do que você. Pense nisso!

Asshaias Felippe, engenheiro eletricista, formado pela Universidade Norte do Paraná, pós-graduado em Telecomunicações pela Universidade Estadual de Londrina e MBA em Gestão Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas. É diretor executivo da Solintel e Moga Telecom, sócio fundador do projeto TelCont e atua no mercado de telecomunicações e gestão empresarial há 10 anos.


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9 PASSOS PARA HABILITAR O IPV6 EM UMA REDE ISP Existem muitas míticas em relação às formas de implantar o IPv6, independente do formato que escolha, existem alguns passos que são fundamentais para alcançar o sucesso da implantação do IPv6 em um ISP. 1. Bloco de IPv6 Verifique se sua empresa já tem o bloco de IPv6 /32 delegado para seu AS. Isto é mais que suficiente para empresas que nos próximos 5 anos estarão operando abaixo de 50.000 clientes. Caso sua operação tenha mais de 50.000 clientes ou tem a previsão de alcançar este número nos próximos 2 anos, é recomendável a solicitação de mais um /32. Pode parecer muito, mais o IPv6 trabalha com redes, não com IPs como estamos acostumados. 2. Fornecedor do provedor Verifique com seus provedores de Link IP, PTT, conteúdo confinado e CDNs se eles já suportam IPv6. Se sim, solicite aos fornecedores o trânsito IPv6 em sua sessão BGP. Caso os seus provedores atuais não tenham suporte para IPv6, para iniciar seus testes, homologação da rede e treinamento da equipe, você pode usar serviços de túneis que, embora gratuitos, são de boa qualidade para testes, como, por exemplo, o serviço da Hurricane Electric (http://tunnelbroker. net - Recomendado para Sistemas Autônomos, é possível estabelecer sessões BGP e anunciar seu próprio bloco). 3. Projeto de implantação As análises iniciais, como vimos até aqui, não

custam nada e são simples de fazer. Contudo, ter um projeto formal com o apoio da diretoria é fundamental, pois pode até parecer que a implantação do IPv6 afeta somente a equipe de rede, mais isso é uma ilusão: afeta 100% da empresa e o impacto nos usuários é elevadíssimo. Um exemplo forte destas mudança ocorre de imediato no processo de compra. O departamento de compras é um dos primeiros impactados, pois, a mudança na política de compras e contratações de serviços, equipamentos e softwares, precisa ser imediata. Para isso precisamos conversar e explicar para os envolvidos a importância do IPv6 e como deve ser o novo procedimento de análise dos itens para compra, em caso de dificuldades, ofereça ajuda, afinal eles não são técnicos. Normalmente, os principais entusiastas para implantação do IPv6 são da área técnica, mas se você quer realmente ter sucesso, é imprescindível esclarecer a importância do IPv6 para todos os setores, seus benefícios e impactos antes, durante e depois da implantação, e principalmente obter apoio da diretoria em um projeto formal com início, meio e fim. 4. Políticas de segurança Iniciando os primeiros passos em IPv6, não podemos esquecer de revisar as políticas de segurança. Elas devem ser equivalentes ao que você possui no IPv4, respeitando algumas pequenas diferenças, como não filtrar o ICMPv6, entre outros detalhes que são específicos do IPv6. Reveja também os filtros de prefixo IPv6 em suas sessões BGP. Novamente, essas políticas são equivalentes ao que você já conhece


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para o IPv4. 5. Habilitação dos equipamentos da rede Talvez a parte mais árdua seja esta: verificar todos os equipamentos da rede, pois você precisa saber quais equipamentos possuem o suporte correto ao IPv6, quais precisam ser atualizados ou até mesmo substituídos. É importante ter um inventário detalhado dos equipamentos e suas respectivas licenças e versões de firmware, principalmente das CPEs dos clientes. O que temos visto é que normalmente os equipamentos de backbone já possuem o suporte ao IPv6 ou uma simples atualização já ativa o protocolo. O maior desafio está nas CPEs, pois, além da quantidade ser muito maior, normalmente existe uma grande diversidade de firmwares, modelos e fabricantes envolvidos. Nesta etapa, se seus fornecedores tiverem novos firmware com suporte a IPv6, basta atualizar e tudo está resolvido. Contudo caso eles não forneçam o suporte adequado, você deve pressioná-los para fazê-lo. Caso isso não seja possível, será necessário considerar troca de firmware por versões open source, como OpenWRT, ou até pensar na substituição do equipamento. 6. Monitoramento da rede Monitorar a rede é fundamental em qualquer situação e com IPv6 não seria diferente. Configure o suporte IPv6 em todos os seus sistemas de monitoramento. O IPv6 tem a mesma importância que o IPv4, de modo que qualquer sistema que permita visualizar a qualidade da rede, a quantidade de banda, a estabilidade, a visibilidade dos seus prefixos, etc, deve suportar IPv4 e IPv6 com as mesmas funcionalidades. 7. Plano de endereçamento Crie seu plano de endereçamento detalhado. Este é um ponto delicado para uma implantação de IPv6 correta, muito diferente do que foi o IPv4. Com certeza, você precisará de uma ferramenta para auxiliar (segue uma sugestão open source, o IPAM – Gerenciamento de endereços IP, que resolve bem o problema). Dê atenção a este passo, pois é impossível gerenciar milhões de IPs com o arquivo de texto ou planilha tradicional, como você já fez antes com o IPv4. 8. Implantação de teste Implante o IPv6 inicialmente no prédio da sua empresa, pois seus técnicos precisam aprender a

lidar com este novo ambiente com a mesma desenvoltura que hoje lidam com o IPv4, a pilha dupla pode ser suficiente em uma primeira fase. Caso você tenha MPLS na rede, existem técnicas que diminuem muito o impacto da implantação do IPv6. É recomendável implantar sempre o MPLS, os benefícios são inúmeros. Caso não exista esta possibilidade, a pilha dupla é a melhor opção. 9. Capacitação da equipe técnica Nada pode ser mais hostil para o sucesso do projeto do que uma equipe despreparada ou buscando informações muitas vezes desencontradas na imensidão da internet. Preparar a equipe com capacitações e treinamentos de implantação do IPv6 em ISPs é muito importante, pois o IPv6 não é mais difícil que o IPv4, contudo IPv4 e IPv6 são diferentes, e a maior dificuldade está na quebra de paradigma das equipes. Na maioria dos projetos é necessário “desvendar” os detalhes do IPv4 para entender corretamente o IPv6. Investir tempo e dinheiro em aquisição de conhecimento com profissionais mais experientes pode parecer desnecessário a princípio, no entanto, o tempo economizado será ainda maior, pois o projeto terá muito mais assertividade e a sua equipe estará preparada para gestão da rede após a implantação. À medida que a transição para o IPv6 se torna cada vez mais urgente, o custo com perdas de negócios, problemas com IPv4, desgaste da imagem da empresa, traumas da equipe, entre outros, será maior que os investimentos em capacitação e conhecimentos para a sua equipe, pode ter certeza! Pronto, sua rede e sua equipe estão prontos para o futuro! Agora, você precisa começar a pensar como aproveitar o IPv6 com novos serviços e aplicativos. IoT é uma vertente que você encontrará algumas demandas e pode ser um bom início.

Lacier Dias é Professor da Escola VLSM, diretor técnico e acadêmico da Solintel e consultor de rede para provedores de acesso, redes corporativas e operadoras. Com 12 anos de experiência em telecom, é especializado em: VxLAN, eVPN, BGP, OSPF, MPLS, VRF, VSI, ASN, VRRP, LLB, Pseudo Wire, IPv6 e Alta disponibilidade para backbones.


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CÂMARA MULHER

CRISTIANE SANCHES DIRETORA JURÍDICA DA ABRINT

ENTENDA O SEU CLIENTE, VALORIZE AS MULHERES DA SUA EMPRESA E VENDA MAIS Somos todos provedores regionais. Pequenos ou grandes, conhecemos nosso diferencial competitivo de atendimento personalizado ao cliente. E esse trabalho é árduo, mas compensa sempre. Agora, vamos dar mais um passo nesse diferencial e trazer o que há de mais recente em estudos e pesquisas sobre essa relação com o cliente. Não há nada de trivial nisso, acreditem. Em primeiro lugar, que tal uma diferença “quase” semântica: ao invés de se analisar a “experiência do cliente”, agora se analisa a “experiência com o cliente”. Um trabalho realizado pela Capgemini em parceria com o MIT , recém publicado, apresenta diferenças significativas na gestão da experiência com o cliente, a partir de um conceito chamado de “Intercâmbio Colaborativo”. Resumidamente, ele mostra que a gestão da experiência com o cliente não está nem nas mãos das empresas, nem nas mãos do cliente final, mas sim é fruto de uma troca constante entre os dois. Esse “intercâmbio colaborativo” teria duas dimensões: a participação ativa do cliente na cadeia de valor de uma empresa e a extração de mais informações em cada ponto de contato para personalização de produtos e serviços. Para ilustrar, podemos citar alguns exemplos de sucesso sobre engajamento de cliente na cadeia de valor da empresa: Na rede Starbucks, o cliente vira o desenvolvedor do produto ao sugerir ideias de receitas (MyStarbucksIdea.com); no LinkedIn, o cliente personaliza o conteúdo, ganhando diferenciação na rede; na UPS, o cliente escolhe a maneira de receber sua mercadoria (MyChoice); e na cadeia de serviços do iStockphoto inspectores, o cliente atua como fiscal de imagens inapropriadas. Paradoxalmente, em todos

esses cases de mercado, a empresa conseguiu tornar seus clientes mais felizes, dando-lhes a opção de fazer parte do trabalho dela. Alguns provedores norte-americanos já ampliaram sua carteira de serviços para oferecer aos clientes um software que gerencia o wifi da residência do cliente, não apenas para realizar o monitoramento do tráfego e do conteúdo, podendo customizar


CÂMARA MULHER o plano de banda larga do cliente, como também para garantir suporte pró-ativo quando um equipamento inteligente da casa do usuário fica com sinal baixo e prejudica, ao final, a experiência do cliente na rede. Entendam: os clientes querem se engajar, querem falar sobre suas experiências e apreciam quando são consultados. E quando uma pesquisa é bem feita, ela agrada a todos, gerando prazer para quem dela participa. Vejam a última pesquisa feita pela Mozilla, desenvolvedora do Firefox: buscando descobrir opiniões e comportamentos, a empresa iniciou uma pesquisa global com o tema “O quanto você está conectado?”. Algumas conclusões são bastante interessantes: Você sabia que os brasileiros e os indianos são os povos que mais gostam (e adquirem) aparelhos inteligentes conectados à internet? O dobro que o resto do mundo, na verdade. Não é à toa que o Bra-

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sil é visto como um case potencial para o mercado de IoT (Internet of Things) no mundo. Igualmente interessante é ver que, dentre diversas situações de fragilidade e receios cotidianos da vida moderna, 45% dos entrevistados declarou que a perda da privacidade é a sua maior preocupação atual. Quando questionadas sobre “O que lhe deixa mais animado enquanto caminhamos para um futuro digitalmente conectado?”, a maioria das respostas foi “nenhuma das opções anteriores”. Fazendo uma análise das diversas opções de respostas apresentadas, essa resposta particular, majoritária, sinaliza que a motivação não é clara, nem mesmo para o próprio internauta. O cliente de 2017 quer se conectar, sem saber bem o porquê e com receio de perder a privacidade nesse caminho. E nosso papel aqui é fundamental: somos todos provedores regionais. O chamado “intercâmbio colaborativo” acima e as conclusões da pesquisa do Mozilla tem um as-


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CÂMARA MULHER ABRINT

pecto comum, que precisa ser compreendido para que você consiga integrar seu cliente na cadeia de valor dos seus serviços: o aspecto comportamental. Não há dúvidas de que esse intercâmbio apenas é possível a partir da inovação na forma como você trata as informações do seu mercado: associando a coleta de dados com a oferta de experiência personalizada ao cliente, de modo que ele se disponibilize a fornecer seus dados pessoais e se engajar. Isso é comportamento. Desenvolver uma compreensão abrangente dos comportamentos, valores e sentimentos humanos permanecerá, na economia digital, tão importante como sempre foi. E como fazer isso? Comece seu trabalho olhando para dentro de sua empresa, conhecendo seus colaboradores, seus gostos pessoais, suas famílias e suas aspirações. Aprimore a experiência oferecida aos seus próprios colaboradores, para então transformar a jornada com o seu cliente. Não se esqueça que tudo isso também envolve uma mudança na infraestrutura da empresa, através do investimento em sistemas mais ágeis e simples de usar, em mobilidade e, ao mesmo tempo, segurança da informação. A melhoria na rotina des-

ses colaboradores, impactará na produtividade deles e, consequentemente, na disponibilidade de se notar percepções e reações de clientes diante do produto ou serviço oferecido pelas empresas. A combinação de decisões estratégicas em torno do nível de participação do cliente em sua cadeia de valor e do fluxo de dados decorrente disso resulta em uma troca colaborativa bem-sucedida. Tomemos alguns dados específicos como pano de fundo de análise: se você conhece seu cliente, então deve saber que mais de 85% das compras on-line são feitas por mulheres e que as mulheres fazem uso de redes sociais seis vezes mais que homens. E que as mulheres são responsáveis por mais de 60% na escolha dos planos de internet banda larga fixa. Seu público feminino caminha, predominantemente, nas duas frentes: o uso da rede e a compra de produtos e serviços. Agora, façamos uma avaliação comportamental, buscando a motivação dessas mulheres nesse cenário: uma vez que as mulheres se conectam, elas se engajam; uma vez que elas se engajam, elas se abraçam; uma vez que elas se abraçam, eles dirigem o comportamento de outras mulheres.


CÂMARA MULHER ABRINT

Complementando isso, a empresa ComScore fez uma pesquisa sobre o comportamento feminino na web e alguns resultados são curiosos: esqueça os estereótipos de gênero. Mães e avós são as mais novas consumidoras ativas juntamente com homens mais jovens. O comportamento online feminino em alguns momentos pode ser parecido com o dos homens, porém as motivações são diferentes. Um exemplo é o uso diferenciado que elas fazem do twitter para conversação, ao mesmo tempo em que lideram o engajamento em promoções. Diante desse exemplo de cenário, o que sua

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empresa pode fazer a respeito? Olhe para sua estrutura interna e veja qual é o papel das mulheres na sua organização. Existe, nessas mulheres, disponibilidade para entender a motivação dos seus clientes do sexo feminino e engajamento para inseri-las, de alguma maneira, na cadeia de valor da empresa, corroborando assim o chamado “intercâmbio colaborativo”? Caso não exista, crie essa oportunidade internamente e busque esse ganha-ganha com o seu cliente. O futuro da experiência com o cliente está aí, inove e faça acontecer.


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COLUNISTA RONALDO COUTO

COLUNA

ENGENHEIRO ELETRICISTA, COM ÊNFASE EM TELECOMUNICAÇÕES. ESPECIALISTA EM REDES DE FIBRA ÓPTICA. FUNDADOR DA PRIMORI TECNOLOGIA.

DEPENDE...

VOCÊ QUER UM GBIC? TEM CERTEZA? Quem nunca procurou por um GBIC de 20 km para um projeto de um enlace ponto-a-ponto? É comum ouvir de um técnico referir-se a um transceptor óptico como sendo um GBIC; no entanto, o termo GBIC é apenas um dos diversos modelos de transceptores que estão disponíveis no mercado. Os transceptores ópticos são dispositivos opto-eletrônicos que possuem a capacidade de converter sinais elétricos em pulsos luminosos e vice-versa. Para tanto, possuem internamente um emissor de luz e um detector óptico, conforme diagrama abaixo. Historicamente, os projetistas de sistemas de telecomunicações tinham de escolher entre desenvolver equipamentos com portas fixas de cobre ou

portas fixas ópticas para as aplicações e interfaces de entrada/saída. Com o crescimento do mercado de TI, a dúvida era decidir quantas portas de cobre e quantas óptica (multimodo ou monomodo) os equipamentos para redes LAN e WAN deveriam possuir para atender as necessidades do mercado. Para responder à esta dúvida, a indústria criou o “pluggable form factor”, desenvolvendo primeiramente o GBIC e posteriormente migrando para o SFP, XFP, SFP+, etc. GBIC SFP XFP SFP+

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Gigabit Interface Converter Small Form-Factor Pluggable 10 Gigabit Small Form Factor Pluggable Small Form-Factor Pluggable Plus

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Sinais luminosos recebidos são convertidos em sinais digitais.

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Sinais Digitais de entrada serão convertidos em pulsos de luz.

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COLUNISTA

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Conforme observa-se pelas figuras ao lado, estas siglas também definem as características dimensionais de cada transceptor óptico. Desta forma, os roteadores e switches definirão se o transceptor a ser adquirido é um GBIC, um SFP ou um XFP para conectar as suas portas. No entanto, não é apenas o dimensional que deve ser conhecido no momento de definir o transceptor necessário para o projeto de um enlace óptico. Na tabela abaixo estão as características mais importantes na escolha correta de um transceptor:

Os transceptores ópticos podem ser classificados quanto: Form Factor

Portas Fibra

Tipo Fibra

SFP Fibra Única

Monomodo

SFP+

Comprimento de onda

Distância/ Range dinâmico

850 nm

500 m 20 km

1310 nm 1490 nm

XFP XFP etc

Multimodo

1550 nm

160 km 15 dB

Conector

Fast Ethernet

LC/PC

Gigabit Ethernet SDH EPON/ GPON

etc

etc

Temperatura

0 a 70oC

SC/PC -40 a 85oC MPO

30 dB etc

Da próxima vez que pensar em um transceptor óptico, pense bem... Você quer mesmo um GBIC? Bons projetos!!

40 km 100 km

Protocolo

etc

etc


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COLUNISTA COLUNA

FAZENDO PLANOS

ELOI PIANA ENGENHEIRO ELETRICISTA FORMADO PELA UNIOESTE DIRETOR DA EMPRESA INSTELPA ENGENHARIA ELÉTRICA PROFISSIONAL CERTIFICADO EM PROJETO E EXECUÇÃO DE REDES ÓPTICAS

IMPLANTAÇÃO DE INFRAESTRUTURA PRÓPRIA PARA PASSAGEM DE REDE DE TELECOMUNICAÇÕES O aumento crescente da necessidade de conexão em locais remotos, como também a inviabilidade técnica de compartilhamento nos postes da concessionária, muitas vezes, faz com que o projetista tenha que buscar soluções menos convencionais para viabilizar a implantação de redes de telecomunicações. Separamos aqui as atividades em redes aéreas e subterrâneas, o leitor poderá notar que existem várias maneiras de se fazer a mesma coisa, ficando a resolução de problemas a cargo de cada projetista, em cada caso. Implantação de redes subterrâneas com ou sem saída em posteamento aéreo A implantação de redes subterrâneas poderá ser realizada sempre que houver algum tipo de problema com o posteamento, quando a altura mínima exigida por órgãos de rodovia para cruzamentos transversais não for atingida, ou até quando não houver mais capacidade nos postes. A rede subterrânea apresenta uma série de vantagens e poderá ser utilizada como coringa onde outras alternativas não são possíveis. Listamos abaixo algumas situações e aplicações de tecnologias voltadas para este tipo de solução: • Método Não Destrutivo (ou perfuratriz direcional): A implantação através do MND proporciona uma série de vantagens em relação aos outros métodos de construção de rede, sendo muito indicado nos locais de intervenção cuja a escolha de outros métodos é inviável, como cruzamentos de rodovia, locais urbanos, locais de alto fluxo de pessoas ou

automóveis, cuja possibilidade de reconstrução é inviável, ficando como desvantagem principal o alto custo frente às outras soluções. O MND caracteriza-se pela instalação de rede com dutos sem intervenção na camada de piso ou passeio nas ruas e calçadas, utilizando maquinário do tipo perfuratriz direcional, monitorada por dispositivos eletrônicos de direção e profundidade de vala. • Método destrutivo: O método destrutivo é mais recomendado para aplicação em locais cuja necessidade de reconstrução é baixa/nula, como redes rurais e enlaces de longa distância, exceto cruzamentos de rodovia. Existem algumas soluções que poderão ser aplicadas, ficando a escolha atrelada principalmente ao tipo, extensão e relevo dos locais de construção. • Valetamento ou Microvaletamento: Para pequenas distâncias a melhor alternativa poderá ser o valetamento normal com caixa de passagem, que poderá ser realizado com o aluguel de máquinas do tipo Bobcat. Para valetamentos em áreas urbanas, cuja necessidade de reconstrução representa custo significativo, recomendamos a aplicação de valetamento utilizando microvaletadeira. Esse tipo de implantação vem crescendo com a oferta de novos tipos de máquinas capazes de realizar perfurações de 40 cm abaixo do solo, ficando ainda a opção de utilização de cabo com microduto ou cabo diretamente enterrado no solo. A reconstrução é realizada utilizando cimento específico, é rápida e não causa maiores problemas, sendo muito importante a verificação e realização de análise prévia em todos os locais de implantação, com objetivo de atestar viabilidade.


COLUNISTA

Implantação de redes utilizando posteamento próprio Nos locais onde existe necessidade de implantação de posteamento aéreo podemos levantar algumas condições e realizar uma análise contemplando as vantagens e desvantagens de cada tipo de implantação. A utilização de infraestrutura própria será necessária sempre que houver inviabilidade técnica na utilização do posteamento da Concessionária, ou quando não há posteamento nos locais de interesse, ou quando limites de alturas, distâncias de rede e outros quesitos técnicos não são atingidos com a infra disponível. Novamente apresentamos algumas situações com as devidas adequações técnicas possíveis para cada caso: • Inviabilidade técnica de utilização do posteamento da Concessionária de Energia: Quem trabalha em municípios cuja capacidade nos postes está excedida sabe do que estamos falando, nesses casos é bom utilizar a criatividade e preparar o bolso para as intervenções. As condições para implantação poderão variar de acordo com a Concessionária, porém, na maioria dos casos é necessária apresentação de projetos de substituição ou intercalação de posteamento, que poderá ser exigida em locais onde as características do posteamento não comportam a inserção de novo ocupante, seja por postes com capacidade nominal excedida, locais de vãos longos com necessidade de intercalação ou reforço de rede, conforme disposto em cada norma técnica das concessionárias brasileiras. Normalmente é o cliente que paga todos os processos de incorporação de rede, é necessária apresentação de projeto técnico contemplando todos os itens pertinentes à implantação, e contratação do serviço, que poderá ser executado pelo pessoal da

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concessionária ou empreiteira cadastrada. • Implantação de rede no lado oposto da via em que se encontra a rede elétrica: O projeto deverá ser elaborado após análise minuciosa dos locais, levando em conta tanto aspectos técnicos como de fluxo de pessoas/veículos além das condições estabelecidas pelo poder público local. Essa solução é utilizada quando não há viabilidade em apenas uma parte do posteamento da concessionária, podendo ser uma ótima solução quando existe a necessidade de passagem por determinado local. Normalmente é mais barato do que as soluções listadas até agora, com rápida implantação ficando apenas como desvantagem a necessidade de obtenção de alvará para execução da obra, além do impacto visual gerado pela implantação. Para todas as alternativas citadas acima, é necessária a obtenção de alvará do Poder Público Municipal, cujo processo poderá tramitar junto aos órgãos responsáveis da prefeitura do seu município. Normalmente é necessário a apresentação de projeto técnico contendo informações sobre a obra a realizar, com as devidas autorizações de passagem quando se tratar de terreno particular, e/ou laudo de viabilidade emitido por profissional habilitado. É necessário atentar para todo tipo de infraestrutura existente nos locais, como dutos de água, esgoto e redes subterrâneas, até mesmo para implantações de postes. Consulte as normas técnicas disponíveis no seu município e na sua concessionária, e também agende horário para reunir informações com os departamentos competentes para saber quais são as necessidades específicas de cada localidade.


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COLUNISTA COLUNA

COM LICENÇA

PAULO VITOR ADVOGADO E CONSULTOR JURÍDICO SÓCIO DA SILVA VITOR, FARIA & RIBEIRO ADVOGADOS ASSOCIADOS

O“INVESTIDOR ANJO”.UMA NOVA FORMA DE CAPTAR INVESTIMENTOS Em artigo publicado anteriormente, abordamos as alterações realizadas por força da Lei Complementar nº 155/2016, que alterou a Lei Complementar nº 123/2006, e por conseguinte, promoveu diversas modificações no Simples Nacional. Mas voltando à análise das inovações trazidas pela Lei Complementar nº 155/2016, cumpre neste passo abordar a figura do “Investidor Anjo”, que constitui uma nova modalidade de captação de investimentos criada pela referida Legislação Complementar, voltada especialmente para as microempresas e empresas de pequeno porte. Como é de conhecimento comum, uma das principais dificuldades de uma microempresa ou empresa de pequeno porte é a captação de investimentos, especialmente a captação de sócios investidores,

sobretudo em se tratando de microempresa ou empresa de pequeno porte optante pelo Simples Nacional. Ilustrando as dificuldades relacionadas à captação de investimentos, ressalta-se que uma microempresa ou empresa de pequeno porte, caso optante pelo Simples Nacional, fica por si só impedida de se utilizar do formato societário mais adequado à captação de investimentos (sócios investidores), qual seja, o formato de “sociedade por ações”. Isto porque, uma empresa constituída sob o formato de “sociedade por ações” é vedada a optar pelo Simples Nacional, conforme estabelece o Artigo 3º, §4º, inciso X, da Lei Complementar nº 123/2006. Outro exemplo das dificuldades relacionadas à captação de investimentos, inerente a uma micro-


COLUNISTA empresa ou empresa de pequeno porte optante pelo Simples Nacional, diz respeito à soma do faturamento que ocorre entre empresas que possuem sócios ou administradores em comum, para efeitos de observância do teto máximo do Simples Nacional, conforme regras esculpidas pelo Artigo 3º, §4º, incisos III, IV e V, da Lei Complementar nº 123/2006. Pode-se dizer que este é o principal entrave de investimento em uma microempresa ou empresa de pequeno porte optante pelo Simples Nacional, haja vista que se o sócio investidor possuir outras empresas em seu nome (seja como sócio, seja como administrador), ocorrerá a soma do faturamento de todas as empresas, para efeitos de enquadramento no Simples Nacional. O que acarretará no desenquadramento das empresas optantes pelo Simples Nacional, caso o faturamento das empresas com sócio ou administrador em comum, uma vez somados, ultrapasse o limite do Simples Nacional (atualmente R$ 3.600.000,00 / a partir de 2018: R$ 4.800.000,00). De toda sorte, a criação da figura do “Investidor Anjo” vem exatamente incentivar e facilitar esta captação de investimentos pelas microempresas e empresas de pequeno porte. O “Investidor Anjo”, disciplinado pelos Artigos 61-A e seguintes da Lei Complementar nº 123/2006, entrou em vigor a partir de 01 de janeiro de 2017. Os principais benefícios na utilização da figura do “Investidor Anjo”, são os seguintes: (i) O Investidor Anjo não será considerado sócio, nem terá qualquer direito à gerência ou voto na administração da empresa; (ii) O Investidor Anjo não responderá por qualquer dívida da empresa, inclusive em caso de recuperação judicial. (iii) Os aportes a título de Investidor Anjo podem ser realizados por pessoa física ou pessoa jurídica, ou até mesmo por fundos de investimentos; (iv) A emissão e titularidade dos aportes feitos por Investidor Anjo não impedem a fruição da empresa no Simples Nacional. (v) Os aportes feitos por Investidor Anjo não integram o capital social da empresa, nem tampouco são considerados como receitas da empresa (de modo que não impactam no enquadramento da empresa no Simples Nacional).

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Para a utilização efetiva desta modalidade de captação de investimentos, algumas regras devem ser observadas, a saber: (i) Deve ser elaborado um contrato de participação, com vigência não superior a 07 (sete) anos. (ii) No contrato de participação devem ser inseridas as finalidades de fomento à inovação e investimentos produtivos. (iii) O Investidor Anjo deverá ser remunerado pelos seus aportes, nos termos do contrato de participação, pelo prazo máximo de 05 (cinco) anos. (iv) O Investidor Anjo fará jus à remuneração de acordo com os resultados distribuídos, conforme contrato de participação, não podendo ser superior a 50% (cinquenta por cento) dos lucros da sociedade; (v) O Investidor Anjo somente poderá exercer o direito de resgate depois de decorridos, no mínimo, 02 (dois) anos do aporte de capital, ou prazo superior estabelecido no contrato de participação. (vi) O pagamento dos haveres do Investidor Anjo, caso este exerça o direito de resgate, será feito de acordo com base na situação patrimonial da sociedade à época do resgate, conforme balanço extraordinário que deverá ser levantado para este fim. De toda sorte, o valor dos haveres não poderá ultrapassar o valor investido, devidamente corrigido. (vii) É possível a transferência do aporte feito pelo Investidor Anjo à terceiro estranho à sociedade, desde que haja consentimento expresso dos sócios. Podendo o contrato de participação deliberar diversamente. (viii) Em caso de venda da empresa, o Investidor Anjo terá direito à preferência na aquisição, bem como direito à venda conjunta do aporte, nas mesmas condições que forem ofertadas aos sócios. Portanto, diante do exposto neste artigo, entendemos que a figura do “Investidor Anjo” constitui uma excelente alternativa de captação de investimentos, sobretudo em se tratando de microempresas ou empresas de pequeno porte. Para maior segurança jurídica, recomenda-se a elaboração de um contrato de participação, com a observância de todas as regras acima explicitadas.


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FIBRA ÓPTICA - ONTEM E HOJE

JOSÉ MAURÍCIO DOS SANTOS PINHEIRO GERENTE DE ENGENHARIA E OPERAÇÕES NA BRIP MULTIMÍDIA PROFISSIONAL NA ÁREA DE TECNOLOGIA PROFESSOR E PALESTRANTE

A FIBRA ÓPTICA: ONTEM E HOJE PARTE 1 Nesta 11ª Edição da Revista ISP Mais iniciaremos uma série de artigos contando um pouco da evolução da fibra óptica, desde as primeiras tentativas do ser humano em utilizar as propriedades da luz para transmitir informações até a realidade das fibras ópticas que atualmente transportam dezenas de milhares de bits por segundo. Neste primeiro artigo, apresentamos um breve histórico do desenvolvimento das fibras ópticas. As comunicações ópticas não constituem um privilégio do homem moderno. Desde cedo o ser humano vem utilizando as fontes de luz existentes na natureza com a finalidade de estabelecer comunicação à distância. A ideia de se utilizar a luz com o propósito de comunicação, remonta a antiguidade e muitas civilizações que usavam espelhos, tochas ou sinais de fumaça para transmitir instruções na guerra, mandar instruções dos governantes para locais distantes, entre outros. Figura 1 - Semaphore de Chappe

O Sol, por exemplo, serviu como base para os primeiros sistemas ópticos conhecidos. Por meio de espelhos ou outros objetos interpostos à luz solar, conseguia-se refletir a luz e transportar informações de um lugar a outro. Como exemplo desses desenvolvimentos podemos citar no século XVIII, o sistema de comunicações ópticas que foi idealizado pelo engenheiro francês Claude Chappe, em 1792, conhecido como Semaphore (Fig. 1). Considerado como o primeiro telégrafo óptico, o Semaphore era baseado em um dispositivo de braços mecânicos, o qual, instalado no alto de uma torre e operado manualmente, permitia a transmissão de sinais em distâncias consideráveis. Por meio de uma rede formada por esses dispositivos, normalmente construída em colinas e espaçados convenientemente, as mensagens eram transmitidas a grandes distâncias em um tempo relativamente pequeno. Embora a ideia tenha sido de grande impacto na época, o sistema de Chappe acabou tornando-se obsoleto com a invenção do telégrafo elétrico no século XIX, por Samuel Morse, em 1835, e acabou caindo em desuso. Em 1870, o pesquisador inglês John Tyndall realizou experiências onde demonstrava ser possível conduzir luz através de um fluxo de água, baseado no princípio da reflexão total. Tyndall demonstrou que um feixe de luz podia ser guiado, por reflexão interna, num jato de água vindo de um orifício de um balde para outro recipiente. Seu experimento (Fig. 2), apesar de não ter uma aplicação prática aparente na época, acabou despertando o interesse de outros pesquisadores que deram continuidade às suas pesquisas.


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Figura 2 - Experimento de Tyndall

Em 1880, Alexander Graham Bell apresentou e patenteou um sistema óptico para uso em telefonia que batizou com o nome de “Photophone” (Fig. 3). Esse aparelho empregava a luz do sol que, refletida a partir de um espelho que vibrava ativado pela voz, chegava até um dispositivo baseado numa vareta de selênio, cuja resistência elétrica mudava conforme a intensidade de luz que atingia sua superfície. A vareta era então conectada em uma cápsula receptora alimentada por uma bateria e esse conjunto reproduzia o som do lado do receptor. Figura 3 - Photofone de Bell

A tecnologia disponível na época limitava o alcance desse sistema em cerca de 200 metros e, além disso, não funcionava sem a luz solar direta. Devido a essas limitações, Bell acabou desenvolvendo o telefone que se mostrou mais prático e que acabou sendo utilizado em todo o mundo. Como podemos notar, todas as iniciativas de transmissão da energia luminosa pelo ar encontravam obstáculos e o desenvolvimento dos sistemas ópticos esbarrava frequentemente na falta de disponibilidade de um meio adequado para a transmissão da luz. A atmosfera sujeita a interferências diversas como chuva, neblina, neve, poeira, etc., mostrava-se bastante limitada. Também havia o inconveniente de que o transmissor e o receptor deveriam estar visíveis entre si, o que causava grandes dificuldades para a comunicação. Todos esses fatores acabaram estimulando a busca de novas alternativas de meio de transmissão. Muitos pesquisadores tentaram solucionar esses problemas buscando transmitir a luz através de trajetórias curvilíneas. Entretanto, como ocorreu com as comunicações por rádio e cabos metálicos, eles tiveram que aguardar o surgimento das condições tecnológicas necessárias para desenvolver um meio óptico adequado para a transmissão de luz em grandes distâncias. Em 1952, o físico Narinder Singh Kapany (Fig. 4), com base nos estudos efetuados por Tyndall de que a luz poderia descrever uma trajetória curva dentro de um material (no experimento de Tyndall esse material era água), pôde concluir experiências com fibras de vidro com revestimento e introduziu o termo “fibra óptica”. Figura 4 - Narinder Singh Kapany


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FIBRA ÓPTICA - ONTEM E HOJE

Posteriormente, com a invenção do laser em 1958 e sua primeira realização prática em 1960, os esforços de pesquisa e desenvolvimento em comunicações ópticas tiveram um novo impulso. Foi na segunda metade da década de 1960 que a fibra óptica tornou-se viável como opção para substituir os cabos de pares metálicos em algumas aplicações de comunicação. Entretanto, as pesquisas com as fibras ópticas não obtiveram resultados importantes até a década de 1970, época em que se começou a buscar sua aplicação em sistemas de telecomunicações. Durante o decorrer dessa década, ocorreram grandes avanços na tecnologia optoeletrônica, com o desenvolvimento de dispositivos emissores de luz em estado sólido, como o diodo emissor de luz (LED) e o diodo laser (LD). A partir de 1976, foram instalados na Inglaterra os primeiros sistemas de transmissão com fibras ópticas, entrando em operação, neste ano, o primeiro sistema óptico comercial de que se tem conhecimento. Este sistema utilizava um enlace de fibra óptica de 1,4 km para distribuição de CATV (televisão via cabo). Com o grande desenvolvimento das comunicações e da informática durante a década de 1980, as aplicações da fibra óptica não se limitaram ao campo das telecomunicações, chegando a outros setores da economia mundial como a indústria automobilística, a medicina, astronomia, aplicações militares, automação industrial e residencial, entre outros. Até o próximo artigo!


DESAFIO 20

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hORIZONTAIS 1-Disposição de uma rede de cabos para suporte de telecomunicações. 2-Arquitetura de rede de banda larga através de fibra óptica. 3-Nome comercial do padrão Ethernet. 4-Função desempenhada pelos ISP’s. 5-Parte física de um computador. 6-Termo em inglês para Provedor de Acesso a Internet 7-Conceito que abrange as comunicações a distância. 8-Tipo de conexão que derrete as fibras. 9-Ferramenta usada para corte da fibra óptica 10-Cabos usados para conectar da caixa de emenda até o assinante. 11-Canal onde o meio de rede está conectado aos computadores(física ou lógica). 12-Ponto onde a fibra é conectada e distribuída. 13-Rede principal pela qual os dados de todos os clientes da internet passam. 14-Sigla em inglês para Terminal de Linha Óptica. VERTICAIS

15-Sigla em inglês para Rede Óptica Passiva. 16-Tipo de Rede que usa fibra óptica. 17-Conjunto de regras sobre o modo como se dará a comunicação entre as partes envolvidas na rede. 18-Sigla em inglês para Unidade de Rede Óptica. 19-Arquitetura de rede de transmissão da fibra óptica onde a rede adentra a residência do assinante. 20-Caixa com a finalidade de acomodar e proteger as emendas ópticas. 21-Sistema global de redes de computadores interligadas.


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VIDA DE SUPORTE

Por André Farias: www.vidadesuporte.com.br NÓS SABEMOS QUE DURANTE O CAMINHO MUITAS COISAS ACONTECEM. E, PRINCIPALMENTE, QUE MUITAS COISAS NÃO DEVERIAM ACONTECER. VOCÊ SE IDENTIFICA COM ESTA VIDA DE SUPORTE?


VC

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NA REVISTA

Este espaço é dedicado a todos os Provedores de Internet do Brasil! Envie uma foto para marketing@ispmais.com.br, ela pode estar aqui na próxima edição! Equipe da ToledoNet, Provedora Pioneira na cidade de Toledo - PR. Um abraço da nossa equipe!

A equipe de mulheres da ISP Shop dando um show de beleza no Outubro Rosa. É isso aí meninas,“Eu me Amo, eu me Cuido.”


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Antonia, Bertone, Gerisvaldo e Thiago da INFOTEL Um Feliz Ano Novo para vocês!

Equipe completa da CPNET Milha Telecom A equipe da Revista ISP Mais agradece a todos vocês!

Equipe do departamento técnico da ISP Shop Um grande abraço para vocês!


• Evento: IBusiness 2018 • Dias: 15 e 16 • Organizador: Redetelesul • Local: Foz do Iguaçu-PR

ABRIL • Evento: 7º Congresso RTI - Provedores de Internet 2018 • Dias: 11 e 12 • Organizador: Aranda Eventos • Local: Fortaleza-CE

MAIO

• Evento: Future ISP 2018 • Dias: 09, 10 e 11 • Local: Olinda-CE

JUNHO

• Evento: 10º ISP • Dias: 05, 06 e 07 • Organizador: ABRINT • Local: São Paulo-SP

CALENDÁRIO 2018

MARÇO


11ª Edição - KYATERA: chegando onde ninguém chega, conquistando onde ninguém mais alcança.  
11ª Edição - KYATERA: chegando onde ninguém chega, conquistando onde ninguém mais alcança.  

A 11ª Edição da revista ISPMAIS, tem como destaque a Kyatera e seu exemplo de transparência e qualidade.

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