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10 VIP | JORNAL DA COMUNIDADE | BRASÍLIA, 5 A 11 DE ABRIL DE 2014

Perfil Empresarial

Excelência como estilo de vida MAURA CHARLOTTE VILELA mvilela@jornaldacomunidade.com.br

Master trainer internacional em coaching e presidente-fundador da Federação Brasileira de Coaching Integral Sistêmico®, Paulo Vieira carrega em sua experiência o pioneirismo e a inovação. Em contato com a técnica pela primeira vez no final dos anos 90, deu uma guinada em sua vida indo da “dependência da boa vontade dos parentes à prosperidade”, como conta. Fascinado pelo tema e por suas possibilidades, mergulhou nos estudos e deu início ao que se tornou o coaching integral sistêmico (CIS), metodologia que promete resultados satisfatórios em um curto período de aplicação. O aprimoramento em relação ao coaching tradicional seria a atenção dada, também, à inteligência emocional. Com graduação em Business Administration pela Florida Christian University e PhD-c na mesma universidade, ele também tem MBA em marketing e pós-graduação em gestão de pessoas. Com mais de nove mil horas de sessões de coaching, mais de dez mil pessoas treinadas e palestras proferidas na Europa, América do Norte e América do Sul, ele é o único profissional de coaching do Brasil a dar aula de formação profissional em coaching em universidade americana. No meio empresarial é reconhecido como autoridade em temas como coaching, liderança, negociação, relações humanas e gestão eficaz de pessoas. “O impacto das ferramentas de transformação e reconstrução de crenças que desenvolvemos aqui no Brasil já são aceitas e valorizadas lá fora”, explica ele, também autor de livros técnicos disponíveis no mercado. O termo coaching está na ordem do dia. Do que se trata, exatamente? É um processo mundialmente conhecido que tem como fundamentos a identificação do estado atual da pessoa, trazendo-a à luz e analisando-a. Às vezes, o ser humano não tem clareza, lucidez sobre si mesmo, sobre como está sua vida financeira, seu casamento, seu patrimônio, seus gastos. Isso é muito comum. Não se trata nem mesmo de não ter controle sobre si. É mais grave ainda, a pessoa não ter consciência mesmo. Então o coaching vai atuar nisso, trazendo à tona a realidade da pessoa para que ela saiba onde está e, a partir daí, se mobilizar intelectualmente para poder mudar. O outro fundamento do

coaching é identificar o estado desejado, estabelecer metas e saber aonde se quer chegar. Nisso é criada uma trajetória em cima desses dois pontos. Como começou a atuar como coaching? Até os meus 17 anos vivi no Rio de Janeiro uma vida farta e confortável, mas meu pai quebrou e voltamos para o Nordeste, onde estavam nossas origens. A partir de então passei por muita privação, humilhação e necessidade. Aos 30 anos tinha uma empresa quebrada, uma saúde a desejar e um casamento desfeito. Nenhuma área da minha vida estava funcional. Tive a oportunidade de fazer um treinamento a essa altura. Foi um divisor de águas. Em um ano eu tinha uma noiva, apartamento, carro importado, estava de pé! Era muito para quem um ano antes não tinha como se sustentar e vivia recorrendo à ajuda dos parentes. Começou aí. Tornei-me um consultor comercial de muito sucesso e prosperei. Mas foi só quando um cliente me pediu para fazer um coaching com ele que mergulhei no assunto. Me capacitei no coaching tradicional para atender a esse cliente, que ficou muito satisfeito com os resultados que alcançamos e segui adiante nos estudos. O método vigente era muito anglo-saxão, cartesiano, racional. Na verdade, frio para a personalidade do latino-americano. Observei que havia uma lacuna, que era preciso considerar essa personalidade afável, emotiva do brasileiro para que ele, realmente, pudesse ser beneficiado pelo coaching. Foi quando comecei a englobar o aprendizado da inteligência emocional e os resultados passaram a ser tremendos. Tornei-me, então, um estudioso até desenvolver um novo método. Um método que não fosse eficiente apenas para uma gama de executivos, mas que pudesse ajudar no aprimoramento de toda a pluralidade humana. No nosso centro trabalhamos com neurocientistas, psicólogos, psiquiatras, todos produzindo conteúdo, constantemente, apresentando dissertações, defendendo teses, aprofundando cada vez mais o método. Quando custa uma sessão com Paulo Vieira? Custa R$ 4,5 mil a sessão de uma hora e meia, embora só feche o mínimo de dez sessões. E qualquer pessoa pode marcar uma sessão comigo, mas pode ser que tenha que esperar um pouco (de dois a quatro meses). As pessoas não pagam o que pagam pela minha simpatia,

Benny Rodriguez, Anthony Portigliatti, John Withmore e Paulo Vieira CMYK

Fotos: Divulgação

Reconhecido internacionalmente e uma das autoridades do coaching no Brasil, Paulo Vieira aprimorou a técnica ao desenvolver o método coaching integral sistêmico. Nele, a conquista de metas passa pela harmonização dos sentimentos e relacionamentos

Paulo Vieira O MAIOR DOS DEFEITOS: falta de amor pelo próximo e por si mesmo A MAIOR DAS QUALIDADES: amar ao próximo com a si mesmo CARTÃO-POSTAL: de maneira simbólica seria a foto da minha família sobre minha mesa. Mas o meu lar, minha mulher, meus filhos, são o meu paraíso. Conheço o mundo inteiro, mas não há um lugar que eu goste mais de estar do que em minha casa HOBBIE: rali nas dunas LEMA: servir Paulo Vieira, sua esposa Camila Saraiva e seus filhos Júlia e Mateus

pagam pelo resultado. Eu vivo o coaching há 15 anos e meu envolvimento vai muito além do financeiro. É estilo de vida mesmo. É impossível ensinar alguém a fazer algo quando não se pratica. E eu pratico, ininterruptamente, desde que comecei nesse ramo. Quanto ao profissional que capacitamos, o recémformado já começa cobrando R$ 300 por sessão. Temos foco no processo científico. A Flórida Christian University foi a primeira universidade a oferecer bacharelado, mestrado e doutorado em coaching e é parceira da Febracis, que por sua vez tem núcleos em Fortaleza, Brasília, Porto Velho e São Paulo. Houve uma proliferação da oferta do serviço de coaching no mercado. Como avaliar a credibilidade do profissional e empresas que prestam esse serviço? Em 1999, trazia-se gente de fora para aplicar o coaching a grupos muito pequenos e específicos. Há dez anos pulverizou-se um pouco mais, mas ainda estava muito focado no business, com os treinadores dentro das empresas, praticamente. De sete, cinco anos para cá, houve essa proliferação do negócio, empresas focadas em trabalhar o coaching como indústria. Ao procurar um coaching, meu conselho é para que se pesquise sobre as horas de sessões que o profissional tem, quantos e quais são os seus clientes e quanto cobra. Uma pessoa que não aplica o

coaching não tem autonomia para ensiná-lo. Segunda coisa: é preciso pesquisar sobre a estrutura, não apenas a física, mas a de treinamento do coaching, de pesquisa dessa instituição, por exemplo. Nossos coaches (Febracis) só são habilitados a transferir seus conhecimentos depois de 2.500 horas de voo, ou seja, de prática como coach individual. Menos que isso não dá, é uma temeridade! Acho que é isso que nos confere coerência e credibilidade sobre a maioria. Qual o projeto que mais o motiva hoje? Amo o meu trabalho, e estou muito entusiasmado com o desafio do coaching voluntário que estamos prestando à Secretaria de Segurança Pública, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros e a um presídio do Ceará. O Projeto do Coaching Pela Vida no presídio, então, é muito gratificante. Selecionamos 36 detentos para aplicar as ferramentas de coaching e de inteligência emocional para que a partir daí os ensinamentos possam ser multiplicados através deles. O que é o coaching integral sistêmico? Ao coaching que já falamos a respeito, acrescentamos o integral, que trabalha o hemisfério emocional, com as programações de vida, integrando razão e emoção, a abordagem cognitiva do coaching tradicional com as emoções, sentimentos, criando, assim, ferra-

A primeira loja conceito e centro de treinamento de coaching do mundo

mentas de alta produtividade. Entre elas temos as ferramentas de crença, de identidade, capazes de provocar grandes mudanças no indivíduo, casadas com as da razão, com metas e consciência dos problemas que impedem a pessoa de chegar lá, de viver aquilo o que quer, que deseja. Com a reprogramação das crenças gerais, inclusive de identidade, consegue-se quebrar os motivos que impedem o indivíduo de performar bem dentro daquilo que ele se propõe executar. São emoções, sentimentos, pessimismos, medos, intransigências, inseguranças, falta de empatia, de ousadia, de segurança que impossibilitam a pessoa de desenvolver suas competências. A reprogramação de crenças vem trabalhando as sinapses neurais, gerando liderança, transparência, relações harmônicas... Hoje sabemos da existência da plasticidade neural, que consiste na capacidade cerebral de aprender e reaprender a qualquer momento da vida, através de estímulos e de experiências, e é isso o que proporcionamos. Tivemos o caso de uma alta executiva que já havia passado por três coaches. Fomos a última tentativa de seu contratante resgatar sua executiva. Seu problema não era intelectual ou de competência, mas de relacionamento, tamanho era o seu nível de estresse transformado em agressividade. Isso se refletiu não apenas no seu trabalho, mas na sua vida pessoal e familiar. Ela achava que tinha

que ser forte, dura, então intervimos com neurociência para resgatar sua identidade e suas relações com o trabalho e família. O que nos leva ao sistêmico, que trabalha todas as áreas da vida da pessoa. A quem se destina o treinamento de coaching? A qualquer pessoa que tenha metas e objetivos realmente ousados ou que precise resolver um desafio. Por exemplo: eu quero falar em público. Eu quero aumentar o meu salário e ser promovido. Desejo melhorar minha maneira de me relacionar com minha família etc. Sobre o mercado de Brasília, onde a Febracis também atua, o senhor mapeou segmentos mais necessitados de coaching? A área institucional de empresas públicas podem e precisam disso. O coaching gera alta performance e é a última fronteira da liderança. Brasília é o celeiro das instituições públicas do Brasil e estou certo que com o treinamento correto teríamos uma mudança nacional, aumentando consideravelmente o nível de serviço prestado e consequentemente, o contentamento do cidadão. Há quanto tempo a Febracis está em Brasília? Chegamos a Brasília há dois anos com uma formatação específica, oferecendo ciclos de coaching que vão de dez a 12 sessões.

Os eventos e cursos da Febracis reúnem entre 700 a 900 pessoas


Matéria com Paulo Vieira - VIP