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pessoas:

a base de uma

grande escola À CONVERSA COM...

Net.sa - José de Almeida Martins, DIrector Geral

DE FORA CÁ DENTRO

Matos Fernandes - Presidente da APDL

DEPOIS DO ISEP Carlos Palhares


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ÍNDICE

03 EDITORIAL » Editorial

04 a rETER » João Rocha reeleito presidente do ISEP » Novas ofertas formativas » LSA compete na ROBOCUP 2010 » Explorar o mar com criatividade e conhecimento

06 Eventos » International CDIO Conference » Cister promoveu encontro da CONET » QTDEI - “Arquitecta Empresarial” » Cloudviews 2010 . Cloud Ecosystem » 3as Jornadas Electrótécnicas - Máquinas e Instalações Eléctricas » ISEP fora de portas

10 À CONVERSA COM...

06 Eventos

» Net.sa - José de Almeida Martins, Director Geral

14 dE FORA CÁ DENTRO » Matos Fernandes, Presidente da APDL

16 DESTAQUE » Eixos Estratégicos: Pessoas

21 INVESTIGAÇÃO À lUPA » Projecto RECOMP : CISTER

24 a nossa tecnologia

10 à conversa com...

» Projecto Physics LabFARM

26 dEPOIS DO isep » Carlos Palhares

28 breves » Tecnologia nas portas da Europa » Cister avança pedido de patente nos Estados Unidos » Engenharia Civil continua a elevar padrões » GECAD inicia projecto WORLD SEARCH » Criar soluções tecnologias para PME » Por um futuro sustentável

21 iNVESTIGAÇÃO À LUPA

» Departamento de Engenharia Mecânica elege director » Conhecimento inclusivo » Mestre DEI recebe menção honrosa TLEIA » Congresso de Geotecnia com participação activa do ISEP » CIDEM mostra avancos da mecânica exprimental » AP3E distingue Mestre do DEG

31 PROVAS DE DOUTORAMENTO » Ana Isabel Pereira de Moura » Pedro Miguel Areal

16 DESTAQUE


EDITORIAL

EDITORIAL As organizações são feitas por pessoas e para as pessoas. E o ISEP não é excepção. Nesta décima primeira edição do ISEP.BI realçamos a importância da massa humana que constitui a nossa comunidade. Desde os alunos, passando pelos docentes e os demais colaboradores, fazemos um levantamento de todas as acções que têm sido desenvolvidas em prol dos nossos recursos humanos e da percepção da comunidade acerca desta realidade. Empreendedorismo poderia muito bem ser a segunda palavra-chave desta edição do ISEP.BI. Quer pelos entrevistados que escolhemos para estas páginas, pelas suas palavras, quer pelos projectos que aqui desvendamos. Todos os recantos deste boletim têm impressa a convicção de que o espírito empreendedor é o futuro. É precisamente esse espírito que o ISEP quer imprimir aos seus alunos. Mostrar-lhes que devem sempre ser proactivos e ter a noção de que o sucesso do seu trabalho depende das suas atitudes e dos seus projectos. Numa altura em que um novo ciclo se inicia, é fundamental dar aos alunos as directivas correctas para que percorram o caminho do sucesso desde o início. Os nossos convidados são muito diversificados. O Presidente da APDL fala-nos da necessidade de proactividade para vingar nos dias de hoje e na versatilidade que um engenheiro deve ter para alcançar a plenitude nas suas tarefas e na sua própria realização pessoal e profissional. Aos jovens engenheiros dirige alguns conselhos para o alcance destes propósitos e deixa transparecer o apreço pelo ISEP e o desejo do desenvolvimento de futuros projectos em conjunto. Nesta edição, realçamos também o que é feito “dentro de portas”. Abordamos o Physics Labfarm, um projecto que permite aos alunos um maior acompanhamento sobre o que é feito nos laboratórios do ISEP promovendo uma aprendizagem contínua e que se pretende mais eficaz. Com este projecto, que entrará em funcionamento neste ano lectivo, os alunos poderão realizar uma panóplia de experiências de Física, numa espécie de laboratório remoto. Da informática, vamos conhecer o RECOMP, um projecto Europeu em que o CISTER está envolvido e que promete operar uma verdadeira revolução na área dos sistemas computacionais. Para último, deixamos mais um exemplo de empreendedorismo. Nomeado como role model no projecto Porto de Futuro, Carlos Palhares, ex-aluno do ISEP, aceitou o convite do ISEP.BI para contar um pouco da vida e do percurso que lhe valeram a distinção. Após estas coordenadas, que representam apenas um pequeno resumo daquilo que poderá encontrar nas próximas páginas, não será difícil guiar-se pelo nosso mundo. Uma vez mais queremos dar a conhecer um ISEP com projectos e ideias de futuro e cujo objectivo principal é formar alunos e cidadãos conscientes.

ISEP.BI 11 _ Ficha técnica Propriedade ISEP - Instituto Superior de Engenharia do Porto DIRECÇÃO João Manuel Simões Rocha EDIÇÃO ISEP|DCI - Divisão de Cooperação e Imagem REDACÇÃO Alexandra Trincão, Flávio Ramos & Mediana DESIGN ISEP - DCC - GD .2010 IMPRESSÃO Gráfica, Lda TIRAGEM 1.500 exemplares DEPÓSITO LEGAL 258405/10 CONTACTOS ISEP|DCI - Divisão de Cooperação e Imagem » Rua Dr. António Bernardino de Almeida, nº 431 | 4200-072 Porto - Tel.: 228 340 500 » Fax.: 228 321 159 » e-mail gci@isep.ipp.pt

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A RETER

JOÃO ROCHA REELEITO PRESIDENTE DO ISEP O presidente do ISEP, João Rocha, foi reeleito para um segundo man-

dência espera contribuir para uma organização moderna e inteligente,

dato à frente da instituição. Para o segundo mandato, João Rocha faz-

assente no seu potencial humano, atenta às expectativas da sociedade

-se acompanhar por Joana Sampaio e José Barros Oliveira, mantendo,

e dos seus parceiros e aos desafios de um mundo crescentemente in-

assim, a sua equipa de vice-presidentes.

ternacionalizado e competitivo. Para tal, os eixos estratégicos dinâmicos para o mandato de 2010-2014 são: Formação; Pessoas; Investiga-

As eleições decorreram a 15 de Abril de 2010. João Rocha submeteu-se a escrutínio como único candidato, tendo recolhido uma exemplar

ção; Internacionalização; Comunicação e Promoção; Requalificação do Campus; Gestão Operacional; Gestão Estratégica.

demonstração de confiança, expressa nas seguintes votações: 81% entre funcionários docentes e investigadores; 72% entre funcionários não

A cerimónia pública de tomada de posse teve lugar no dia 11 de Maio

docentes; e 61% entre estudantes, num acto eleitoral cuja participação

de 2010, beneficiando das novas tecnologias de informação e comuni-

rondou os 68% entre colaboradores ISEP, facto especialmente significa-

cação para difusão em directo pela internet. Este evento contou com

tivo por se tratar de candidatura única.

a presença da presidente do Politécnico do Porto, Rosário Gambôa, e primou pela sua simplicidade e brevidade.

João Rocha cumpriu o seu primeiro mandato à frente do ISEP entre 2007 e 2010. De acordo com o presidente reconduzido pelo ISEP, a decisão em

De acordo com os estatutos do ISEP, João Rocha vai liderar o Instituto

se recandidatar surgiu da vontade de superar novos desafios e consolidar

nos próximos quatro anos (2010-2014). O presidente do ISEP é o res-

a aposta na abertura da instituição, tornando-a mais competitiva.

ponsável máximo da instituição, responsável pela condução política e representação externa, sendo eleito por sufrágio universal entre o con-

Para o novo mandato a garantia de manter um forte espírito de con-

junto de docentes e investigadores, funcionários não docentes e não

tinuidade. De acordo com o programa de candidatura, a nova Presi-

investigadores e estudantes.

novas ofertas formativas

licenciatura em

engenharia de sistemas A globalização, a volatilidade dos mercados financeiros e a mudança acentuada no paradigma industrial impõem às empresas nacionais desafios cuja resposta passa pela aposta no desenvolvimento de produtos

Mestrado em

de base tecnológica mais complexos e com maior valor acrescentado.

Energias Sustentáveis

Para sobreviver e prosperar num mercado agressivo e dinâmico, é fun-

O sector energético mundial está em rápido crescimento, seguindo a

multidisciplinares, optimizar estruturas e processos e ter capacidade

linha de acção das políticas energéticas e ambientais cujo principal de-

de inovação. O licenciado em Engenharia de Sistemas irá assumir este

nominador é a produção de energia sustentável, competitiva e segura.

papel importante e fará a diferença.

O crescimento económico do sector energético em Portugal, nome-

A licenciatura em Engenharia de Sistemas visa formar profissionais que

adamente aquele que se enquadra em políticas de sustentabilidade

aliam conhecimentos gerais de ramos importantes da Engenharia clássica com uma sólida formação de base em ferramentas da matemática, competências específicas de gestão empresarial e organizacional, bem como com a configuração, adaptação e utilização de ferramentas informáticas. Para garantir que os conhecimentos, capacidades e competências dos licenciados correspondam às reais necessidades das empresas, esta licenciatura tem como parceira a maior associação empresarial do norte de Portugal, a AEP – Associação Empresarial de Portugal, e está organizada com base nos princípios do CDIO, um consórcio promovido pelo MIT e algumas das melhores universidades mundiais, do qual o ISEP é membro oficial juntamente com mais de 50 outras instituições de ensino superior.

ambiental, está actualmente a gerar um mercado de trabalho vasto e diversificado para técnicos com formação superior nas áreas da engenharia e afins. Isso verifica-se ao nível dos grandes investimentos de produção de energia baseados em fontes renováveis (eólica, marés, hídrica, geotérmica), assim como ao nível da produção de média e pequena escala, industrial ou doméstica (microgeração, co-geração) e racionalização de consumos (climatização de edifícios, à recuperação de energia térmica, serviços de certificação energética, etc.). Além disso, a gestão ambiental é um aspecto fundamental no planeamento e exploração das empresas modernas, e que requer profissionais competentes e especializados.

damental melhorar a produtividade, eficiência e competitividade. Para tal, será necessário possuir recursos humanos capazes de gerir equipas

Com a criação do mestrado em Energias Sustentáveis, o ISEP responde

O licenciado em Engenharia de Sistemas pelo ISEP será essencialmente

à crescente procura de técnicos especializados nesta área. De modo a

um profissional de Engenharia capaz de gerir equipas multidisciplina-

fornecer a melhor solução de mercado, o mestrado tem uma estrutura

res. Algumas das muitas áreas de trabalho contemplarão a indústria e

curricular transversal, que conjuga áreas-chave de conhecimento com

os serviços nos domínios da saúde, energia, sustentabilidade, inovação

pontos fortes do Instituto. O ISEP passa, assim, a formar profissionais

e administração, onde as capacidades e competências adquiridas no

aptos a inovar soluções nos domínios da produção, distribuição e ges-

curso farão a diferença. O projecto/estágio empresarial no último se-

tão de energias sustentáveis.

mestre curricular facilitará a integração no mercado de trabalho.


A RETER

LSA compete na

robocup 2010 O Laboratório de Sistemas Autónomos (LSA) participou entre 19 e 25

desafios que estão interligados com o desenvolvimento de projectos

de Junho no Campeonato do Mundo de Futebol Robótico (RoboCup

educativos e académicos. O grande objectivo da RoboCup é o desen-

2010). A presença em Singapura serviu para testar e comparar tecno-

volvimento de uma equipa robótica capaz de competir com a selecção

logias ISEP num evento que reúne milhares de participantes de todo

campeã do mundo em 2050.

o mundo. Repetindo experiências anteriores, o ISEP apurou-se nesta edição para A RoboCup (inicialmente denominada Robot World Cup Initiative) é

a categoria rainha da RoboCup: a Middle Size League – futebol para

um dos principais eventos mundiais na área da robótica e sistemas au-

robôs médios. A equipa do LSA competiu com equipas oriundas da

tónomos. Conciliando diversas vertentes académicas e científicas com

Alemanha, China, Japão, Holanda, Irão, Taiwan e Portugal, tendo-se

uma dinâmica competitiva, serve de fórum de exposição por excelên-

classificado no oitavo lugar.

cia para a promoção da I&D em robótica e inteligência artificial. No sentido de captar novos públicos, dinamiza várias competições de futebol

Primeiro destaque da participação vai para a presença portuguesa en-

robótico que servem de plataforma para o estudo e aplicação de uma

tre referências da tecnologia mundial – um excelente cartão-de-visita

vasta gama de tecnologias inovadoras.

da competitividade tecnológica nacional. Este torneio permitiu, uma vez mais, à equipa do LSA, experimentar e partilhar os seus mais recen-

Os torneios de futebol robótico são desafios para equipas de robôs rá-

tes desenvolvimentos técnico-científicos, tendo avaliado e validado

pidos, cooperantes e inteligentes, onde a vertente futebolística serve

abordagens recentemente aplicadas aos sistemas multi-robóticos.

de problema padrão para o desenvolvimento de várias aplicações. Para que uma equipa realize um jogo há todo um conjunto de tecnologias

Os desenvolvimentos resultantes desta participação têm grande apli-

que devem ser incorporadas. Estas incluem princípios de concepção/

cação a outros domínios da robótica e sistemas autónomos, como a

desenvolvimento de agentes activos; a cooperação multi-agente;

monitorização ambiental, a inspecção de infra-estruturas, a busca e

as estratégias de aquisição e resposta (raciocínio) em tempo real; e a

salvamento, a segurança e os transportes inteligentes – áreas de exce-

fusão sensorial. As equipas são assim confrontadas com uma série de

lência da actuação do LSA.

explorar o mar com criatividade e conhecimento No discurso comemorativo do 36º aniversário do 25 de Abril, o Presi-

Através do protocolo com o Instituto de Inovação Tecnológica dos

dente da República elegeu o mar e as indústrias criativas como eixos

Açores (INOVA), o ISEP tem apoiado a prospecção e desenvolvimen-

estratégicos para o futuro da competitividade portuguesa. Após relem-

to de pólos ligados à energia geotérmica no arquipélago dos Açores

brar o actual enquadramento estratégico nacional, em que “um jovem

(especialmente em S. Miguel e na Terceira). Este projecto identifica

de 24 anos, que termina este ano o Ensino Superior, sempre viveu num

potencialidades da água termal açoriana para a indústria da saúde e

Portugal membro das Comunidades Europeias vê a Europa como o seu

bem-estar, tendo os seus impactos sido apresentados recentemente

espaço”, Cavaco Silva enfatizou a urgência de aproveitar o potencial

na World Geothermal Congress, que decorreu em Bali, Indonésia. A

dos jovens valores para afirmar Portugal no mundo através do ensino,

comunicação “Portugal Country Geothermal Update 2010”, do coor-

inovação e competitividade. Entre as ideias em destaque, o discurso

denador do projecto e docente do Departamento de Engenharia Geo-

apontou que “o mar é um activo económico maior do nosso futuro”,

técnica (DEG) José Martins Carvalho, avança exemplos das sondagens

e realçou ainda o potencial português nas “novas indústrias criativas” -

geotérmicas na plataforma costeira dos Açores.

incluindo informática, comunicação e digital - para agir como “núcleo dinamizador do engenho criativo”.

Também através do DEG, o ISEP está a trabalhar em investigação fun-

No ISEP trabalha-se diariamente na formação de mais de 6.000 futuros

parte do trabalho de doutoramento de Ana Pires, está a ser desenvol-

profissionais de Engenharia; aposta-se no conhecimento promotor de

vido pelo Laboratório de Cartografia e Geologia Aplicada (LABCARGA).

desenvolvimento humano sustentável; desenvolvem-se e transferem-

Consiste na análise de impactos das alterações climáticas na erosão da

-se soluções de mercado assentes em investigação aplicada. Ultima-

fachada Atlântica, propondo metodologias de conservação costeira. Este

mente, o Instituto Superior de Engenharia do Porto tem também

projecto foi apresentado no Congresso Nacional de Geotecnia, sendo

promovido projectos que percepcionam uma das maiores zonas eco-

alvo de publicação na prestigiada revista norte-americana Environmental

nómicas exclusivas da Europa como um mar de oportunidades ao ser-

& Engineering Geoscience. O GISCOAST é desenvolvido pelo LABCARGA em colaboração com o Centro GeoBioTec, da Universidade de Aveiro.

damental para a protecção da orla marítima. O projecto GISCOAST, que

viço do engenho humano.

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06

EVENTOS

INTERNATIONAL CDIO CONFERENCE O ISEP participou ente 15 e 18 de Junho na Conferência Internacio-

Pelo ISEP foram apresentados os seguintes artigos: “Spinning New En-

nal CDIO, que se realizou na École Polytechnique de Montréal, no

gineering Students’ Minds”, de Betina Campos Neves e Pedro Barbosa

Canadá. Esta sexta edição das conferências teve como tema “Mak-

Guedes; “CDIO as a Foundation for Program Accreditation/Certification

ing Change Last: Sustaining and Globalizing Engineering Educational Reform”, incidindo o programa em boas práticas de reforma curricular dos programas de Engenharia. Contando com a presença de 55 instituições de Ensino Superior de seis continentes, a delegação portuguesa foi composta pelo ISEP, que representou igualmente o Instituto Superior de Engenharia de Coimbra, e pelo Instituto Superior de Engenharia de Lisboa. Os trabalhos iniciaram-se no dia 15 com diversos workshops, sendo os

in Portugal”, de João Rocha, António Cardoso Costa e Ângelo Silva Martins; “Three Years of CDIO/ACM based Informatics Engineering Under-

graduate Program at ISEP”, de António Cardoso Costa e Ângelo Silva Martins; “Mass Customization in Engineering Programs: A Framework for Program Management”, de Ângelo Silva Martins e António Cardoso Costa; e “A Weeklong Event of Millennium Development Goals”, de Delminda Lopes, Eduarda Pinto Ferreira, João Rocha e Alfredo Soares Ferreira. Eduarda Pinto Ferreira organizou ainda uma mesa redonda subordinada ao tema Active Learning in Large Introductory Classes in Mathematics.

dias 16 e 17 dedicados à apresentação de artigos e posters seleccionados por revisão de pares. De destacar as palestras de oradores convi-

Para Novembro de 2010, está já agendada uma reunião do sub-grupo

dados como Éric Mazur (Harvard University) e Maura Borrego (Virginia

europeu CDIO a decorrer no ISEP, que incluirá pelo menos um dia de-

Polytechnic Institute), Jean-Paul Lemarquis (Bombardier Aerospace) e Dave Wisler (General Electric e consultor do consórcio CDIO), que abordaram nomeadamente o papel actual da Engenharia, além de uma sessão sobre certificação de programas CDIO.

dicado a palestras por oradores convidados. Perspectivam-se as presenças de Éric Mazur (Harvard University) para abordar o tema Memorization or Understanding: Are We Teaching the Right Thing? e de Rob Niewoehner (USNA), que introduzirá o tema “Engineering Reasoning”.

cister promoveu encontro da conet O Centro de Investigação em Sistemas Confiáveis e de Tempo-Real

virtuais e do ciberespaço, geralmente denominados “objectos coope-

(CISTER) promoveu entre 14 e 16 de Junho a assembleia-geral da Rede

rantes” ou “sistemas ciber-físicos”. Esta integração não é uma novidade

Europeia de Excelência em Objectos Cooperantes (CONET), que reuniu

em si, mas a I&D nesta área espera agora proceder a uma revolução tec-

no ISEP cerca de 40 peritos internacionais.

nológica que permita criar uma ampla rede de sistemas cooperantes – inteligentes, incorporados e interligados – com diferentes níveis de ac-

Patrocinada pelo 7º Programa Quadro da Comissão Europeia, esta

tuação. Tais sistemas apresentam, ainda, importantes desafios técnicos,

rede inclui 16 parceiros, 11 dos quais pertencentes ao meio académi-

que vão desde a programação, comunicação, a preocupações físicas e

co e cinco ao meio industrial, destacando-se, designadamente, nomes

computacionais, que podem potenciar ganhos significativos em áreas

como, para além do ISEP, Delft University of Technology (Holanda),

como a gestão de infra-estruturas essenciais (energia eléctrica, recursos

Technische Universität Berlin (Alemanha), Eidgenössische Technische

hídricos, distribuição de gás, redes de transporte), de processos de fa-

Hochschule Zürich (Suíça), University College London (Reino Unido),

brico ou monitorização ambiental, entre muitas outras.

Schneider Electric (Alemanha), Boeing Research & Technology Europe (Espanha) ou a Telecom Italia (Itália).

Dentro da CONET, o CISTER é responsável pelo pacote de trabalhos referente à Difusão da Excelência, liderando ainda dois dos sete projectos

A CONET une esforços de investigação no sentido de avançar tecnolo-

de investigação (clusters), podendo a evolução dos trabalhos ser acom-

gias de ponta que unam objectos do mundo físico real com realidades

panhada em www.cister.isep.ipp.pt/projects/conet.


EVENTOS

QTDEI

Arquitectura Empresarial O Departamento de Engenharia Informática (DEI) voltou a dinamizar, no dia 9 de Junho, uma sessão da série “Quartas à Tarde no DEI”. Intitulado Arquitectura Empresarial: Visão Holística da Organização, o encontro organizado por Carla Pereira e Nuno Silva trouxe ao ISEP convidados do Instituto Superior Técnico (IST-UTL) e das empresas LinkMS, MacWin e PHC. As empresas são entidades complexas de difícil compreensão e modelação. Muitos projectos de engenharia de software empresarial falham ou não atingem resultados satisfatórios devido à desconsideração de dimensões cruciais ao funcionamento das empresas. Frequentemente, são menosprezados factores que fogem do âmbito das tecnologias de informação. Arquitectura empresarial é um meio para descrever estruturas de negócios e processos que ligam essas estruturas e que facilitam as iniciativas/projectos de engenharia de software. De uma outra forma, o Governo norte-americano sugere que a arquitectura empresarial é a

Portanto, arquitectura empresarial diz respeito ao negócio e à forma

base estratégica de activos de informação, que define o negócio, as

como este é suportado, nomeadamente por tecnologias de informação.

informações necessárias para operar o negócio, as tecnologias necessárias para apoiar as operações comerciais e os processos de transição

Este evento das “Quartas à Tarde no DEI” serviu para apresentar o con-

necessários para implementar novas tecnologias em resposta às neces-

ceito de arquitectura empresarial e algumas ferramentas sectoriais, no-

sidades de negócios em constante alteração.

meadamente o ERP (Enterprise Resource Planning).

CLOUDVIEWS 2010

CLOUD ECOSYSTEM

Entre 20 e 21 de Maio, o Centro de Congressos do ISEP acolheu a se-

As sessões ao longo dos dois dias visaram, sobretudo, divulgar novas

gunda edição da conferência internacional sobre cloud computing –

formas de concretização do principal objectivo do Cloud Computing:

CLOUDVIEWS 2010. Subordinada ao tema “Cloud Ecosystem”, a organização partiu da questão “to cloud or not to cloud”, avançada na edição de 2009, para recordar que o sucesso deste paradigma computacional dependerá sempre da capacidade para desenvolver um ecossistema com todos os seus componentes.

a transformação de plataformas de TI em plataformas multi-utilizador,

Nos negócios, tal como na vida, é a participação activa no ecossistema

De acordo com Paulo Calçada, responsável pela EuroCloud Portugal, o

envolvente que permite potenciar a comunicação. Por seu turno, é este

“cloud computing é já uma realidade no mercado nacional, onde em-

sucesso comunicativo que alavanca a mobilidade e transferência de

presas portuguesas fornecedoras de produtos e serviços nas áreas das

conhecimento e a previsibilidade e segurança da informação, fazendo

TIC, se têm afirmado com produtos muito maduros e muito agressivos

com que, a uma maior confiança no ecossistema, possam equivaler

do ponto de vista das funcionalidades e modelos”.

mais acessíveis, elásticas, seguras e fiáveis. É o sucesso deste desígnio que permitirá aos técnicos de TI canalizar recursos da complexidade tecnológica para os focar nos reais objectivos estratégicos empresariais.

melhores relacionamentos, projectos e resultados. Winsig, Primavera, Galileu, EMC, SalesForce, Microsoft, IBM e PHC SofA CLOUDVIEWS 2010 providenciou um fórum para discussão das varia-

tware foram algumas das empresas presentes no evento, cujas apre-

das formas que fazem já deste ecossistema uma realidade quotidiana.

sentações podem ser visualizadas no sítio http://2010.cloudviews.org.

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EVENTOS

3as JORNADAS ELECTROTÉCNICAS MÁQUINAS E INSTALAÇÕES ELÉCTRICAS O ISEP é uma marca da Engenharia com tradição e prestígio na formação

Portuguesa, TÜV Rheinland Portugal, GOOSUN Tecnologia Solar de

de engenheiros electrotécnicos. Com diplomados inseridos em empresas

Silício, Schneider Electric e ThyssenKrupp Acessibilidades, sendo que

de produção, transporte e distribuição da energia eléctrica, fabricantes de

algumas também participaram na exposição de equipamentos. Ma-

máquinas e material eléctrico e pequenas e médias empresas industriais

ciel Barbosa (Ordem Engenheiros), António Augusto Sequeira Correia

e de serviços, o Departamento de Engenharia Electrotécnica (DEE) sem-

(Associação Nacional dos Engenheiros Técnicos), Paulo Calau (Agência

pre apostou numa forte ligação às indústrias e ao meio empresarial.

para a Energia), Borges Gouveia (Universidade de Aveiro e Energaia), Nuno Francisco Costa (Efacec) e Jorge Miranda (Autoridade Nacional

No sentido de promover mais um fórum de contacto, motivado pelo

de Comunicações) foram alguns dos oradores convidados.

sucesso obtido nos eventos anteriores, o DEE organizou nos dias 29 e 30 de Abril a terceira edição das Jornadas Electrotécnicas. O evento,

Em virtude do interesse desta temática, o DEE disponibiliza a informação

que decorreu no Centro de Congresso do ISEP, teve como tema “Má-

apresentada no evento em www.dee.isep.ipp.pt/~see/jornadas2010 e

quinas e Instalações Eléctricas”.

lança o convite para a já aguardada quarta edição das Jornadas.

Dedicadas a profissionais do sector electrotécnico, diplomados e estudantes em Engenharia Electrotécnica, as jornadas promoveram o debate sobre o actual panorama de desafios e oportunidades que surgem da associação entre as recentes evoluções técnico-científicas e a sustentabilidade. Como em qualquer outra área da Engenharia, também aqui se assiste a uma rápida e enorme evolução. Deste modo, os dois dias do evento serviram para ajudar a compreender os últimos avanços em termos de energias renováveis ou racionalização energética e para relembrar as mais-valias das parcerias académico-empresariais no desenvolvimento de soluções inovadoras. Além de questões associadas a políticas energéticas, as jornadas abordaram ainda vertentes como veículos eléctricos, sistemas electromecânicos, domótica e luminotecnia. Destaque para a presença de empresas como a Schmitt-Elevadores, ABB, Efacec, Televes Electrónica


EVENTOS

isep fora de portas MARSHOPPING

O Instituto Superior de Engenharia do Porto esteve em Leça da Palmeira, durante uma semana, para a mostrar a sua oferta formativa a futuros candidatos ao Ensino Superior e interessados pelo mundo da tecnologia portuguesa. Continuando a tradição da campanha ISEP FORA DE PORTAS, a edição deste ano foi a maior jamais realizada. Organizada entre 14 e 19 de Maio, a exposição continuou a tradição de promover a oferta formativa através de um contacto privilegiado com novos públicos do Grande Porto. Este ano, a iniciativa envolveu os departamentos de Engenharia Civil, Engenharia Electrotécnica, Geotécnica, Informática, Mecânica, Química, Física e o Laboratório de Sistemas Autónomos, primando não só pela dimensão logística, como pelo reforço das experiências interactivas com os visitantes. Foram mais de 50 os equipamentos e actividades científicas oferecidas ao público que visitou o MarShopping. Entre as experiências tecnológicas disponibilizadas contavam-se a construção de pontes seguindo modelos de Leonardo da Vinci, o teste de permeabilidade de solos, a edição de conteúdos multimédia, a operação de um sismógrafo, construção de moléculas, observação de processos de reciclagem e de um modelo de casa inteligente, a produção de energia alternativa, a visualização em 3D, jogos de computador desenvolvidos por alunos do Instituto e a navegação remota de robôs. Não só a exposição reunia diferentes áreas de actuação da Engenharia como transmitia as imagens de inovação, tecnologia e sustentabilidade associadas ao ISEP. Durante uma semana foi possível descobrir o mundo da Engenharia e compreender a actividade científica das várias licenciaturas leccionadas no ISEP.

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À CONVERSA COM...

JOSÉ DE ALMEIDA MARTINS

Empreendedor nato. Poderíamos caracterizar assim o Director-Geral da NET - Novas Empresas e Tecnologias, José de Almeida Martins. Mas deixaríamos de realçar o seu carácter visionário, persistente e crente no sentimento de empreendedorismo. No ISEP, a NET já deixou sementes: da parceria entre as duas entidades, entre as ideias inovadoras do mundo académico e a experiência e traquejo do mundo empresarial, têm vindo a nascer projectos interessantes. O trabalho de José de Almeida Martins é, diariamente, procurar novos talentos e fazer nascer e vencer ideias inovadoras e promotores dispostos a investir no seu próprio negócio. Ao ISEP.BI, o empreendedor que acredita que “para boas ideias há sempre capital”, explicou o que faz com que um projecto seja vencedor e deixou claro que há, no ISEP, “um manancial de ideias inovadoras com queda para o sucesso”. Para a região Norte, adiantou que a Net está envolvida num grande projecto que pretende promover e estimular a criação de empresas de base tecnológica nesta região.

“UM EMPREENDEDOR NÃO SE FAZ, NASCE”


À CONVERSA COM...

ISEP.BI Pode-nos descrever brevemente qual a actividade da NET?

incubação de valor acrescentado. Para nós, a incubação não é apenas

José de Almeida Martins (J.A.M.) A NET, como Business and Innova-

colocar a empresa num só o espaço sob a nossa alçada, consiste tam-

tion Center (BIC) que é, tem como funções o apoio à criação de negócios inovadores, com grande potencial de crescimento, através do lançamento de micro, pequenas e médias empresas e ainda a modernização de PME’s, numa determinada região. Para implementar essas actividades, a NET torna-se, também, um agente de apoio ao desenvolvimento regional através da dinamização do empreendedorismo e da inovação. Este é, fundamentalmente, o resumo da actividade considerada aos BICs e a NET, como BIC mais antigo de Portugal, e um dos mais antigos da Europa, cumpre, desde 1987, estes requisitos.

bém no acompanhamento contínuo para verificarmos como está o plano de negócios e se a actividade da empresa está a fazer justiça a esse mesmo plano. ISEP.BI Passando para o espírito empreendedor de que hoje falamos tanto. Com a actual conjuntura é cada vez mais necessário que surjam novas ideias, novos caminhos... Como avalia o espírito empreendedor dos jovens dos dias de hoje? J.A.M. Seguramente que o espírito empreendedor é algo pessoal e que não depende, inteiramente, da época em que vivemos... Quem é

ISEP.BI O que levou ao surgimento da ideia de criar a NET?

empreendedor é sempre empreendedor. Defendo que haverá sempre

J.A.M. Em 1983 foi lançado um projecto-piloto, na Bélgica, com o

a questão da diferença entre o empreendedor que nasce e o que “se

objectivo de transformar uma região que estava muito pouco desen-

faz”. Obviamente, há competências que podem ser desenvolvidas, que

volvida e sem actividade económica, através da actividade de apoio

podem ensinadas ou até adquiridas... Mas o importante é que o empre-

à criação de projectos inovadores. No ano seguinte, em 1984, come-

endedor o seja mais por motivação do que por motivo. Hoje há mais

çaram a ser visíveis os primeiros resultados e um grupo de entidades

instrumentos de apoio à criação do próprio negócio que noutros anos

portuguesas, da região Norte, deslocou-se àquele país para constatar,

não havia. Hoje há mais negócios que têm menos necessidade de forte

in loco, o sucesso desta nova actividade. Foi, assim, criada uma associação de Business and Inovation Centers em Portugal, em 1986 e, em 1987, arrancou a NET, exactamente com o propósito de ser uma entidade de apoio ao desenvolvimento regional através do lançamento de negócios inovadores.

investimento do que no passado. Hoje há mais empresas ligadas à área dos serviços em que a componente de investimento não será assim tão

ISEP.BI Quais os critérios que a NET usa para apadrinhar o nascimento de uma nova PME? J.A.M. Desde logo, o promotor e a ideia. Em concordância com este primeiro critério, começamos por validar a capacidade empreendedora e as competências do promotor, para que possamos perceber se estamos perante alguém que está motivado para avançar com o projecto e se reúne as competências e qualidades necessárias para ser um empreendedor de sucesso. Não é fácil ser empreendedor. Existem riscos, é necessário estar preparado para abdicar... A ideia tem como condição crucial possuir características inovadoras que podem estar presentes no produto, no serviço, na forma de o promover, ou na tecnologia. Tem de se distinguir e diferenciar do que já existe no mercado. Validado este binómio - ideia e promotor - estamos perante um projecto que nos

forte e mais facilmente os próprios jovens terão sucesso com as suas

interessa e com o qual, à partida, iremos avançar, pelo menos junto dos

empresas... são novas condições que deveriam fazer crescer o espíri-

promotores, para procedermos à avaliação da sua viabilidade.

to empreendedor. Fundamentalmente, acredito que existe o espírito de empreendedorismo, embora alerte que em Portugal há algumas

ISEP.BI Quais são os passos a seguir para a criação de uma PME?

questões, até de foro cultural, que inibem bastante o empreendedoris-

J.A.M. Validado o binómio ideia - promotor, propomos um contrato

mo como, por exemplo, o estigma do insucesso. Quando um negócio

para que se avance para o amadurecimento da ideia. Com o apoio

corre mal, a pessoa fica marcada, o que faz com que se retraia num

da NET e através da criação de um plano de negócios, estrutura-se

investimento futuro.

o futuro, para o promotor analisar, de forma correcta, o negócio e as suas vertentes. Acaba por ser a primeira iniciativa do promotor. Na

ISEP.BI Fazendo a ponte entre a Net e o ISEP, há algum ex-aluno do

NET, orientamos, discutimos e validamos sempre em conjunto com os

ISEP que tenha procurado a Net para ajudar a construir uma empresa?

promotores para que estes fiquem a conhecer bem como é o seu ne-

J.A.M. Existem já situações de empresas criadas por ex-alunos do ISEP,

gócio e estejam treinados para quando surgirem situações diferentes

e, curiosamente, fruto de acções que tivemos no Instituto, entre as

daquelas que tinham previsto e, rapidamente, tenham capacidade de

quais conferências e consultórios de ideias. Após as iniciativas, os alu-

reorientar o projecto para os objectivos que tinham determinado. É,

nos procuravam-nos para saber como a NET os poderia ajudar, quais

também, a melhor forma que têm de conhecer a sua empresa, para

eram os passos que teriam de seguir e como poderiam trabalhar em

poderem defender o seu projecto junto de outras entidades, tais como

conjunto connosco, o que acabou mesmo por dar origem a empresas.

financiadores ou novos sócios. ISEP.BI Participou numa conferência no ISEP sobre a criação de emISEP.BI Depois da validação, a ideia parte para o mercado?

presas inovadoras e debate tecnológico. Que receptividade encon-

J.A.M. Provada a viabilidade da empresa, com o plano de negócios

trou por parte dos alunos a este tema?

elaborado, passamos à fase seguinte, que é a criação da empresa que

J.A.M. Foi uma conferência muito interessante, muito participativa,

pode arrancar dentro das nossas instalações, em incubação. Mesmo

quer em termos de número, como na interacção com a plateia. Já te-

que não parta de dentro das nossas instalações, tem apoio da NET nos

mos, inclusive, reuniões marcadas com alunos que assistiram a esta

três primeiros anos, em termos de consultoria, ao qual chamamos de

conferência e que têm uma ideia a colocar em prática.

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À CONVERSA COM...

ISEP.BI É uma iniciativa para repetir?

tornar obsoleto, principalmente nos tempos em que vivemos. Com

J.A.M. Um dos nossos objectivos é, precisamente, intensificar estas

o avanço tecnológico que existe actualmente, as empresas têm que

acções e sistematizá-las, tanto as conferências como consultórios de

inovar e manter a dianteira tecnológica relativamente à concorrência.

ideias, seminários de geração e maturação de ideias, ou seja, uma série

Os dirigentes têm que ser fortes e características como perseverança,

de iniciativas de promoção do empreendedorismo inovador e debate

criatividade e inovação são fundamentais.

tecnológico. Acreditamos, acima de tudo, que estas ideias se inserem muito bem no ISEP, como entidade do IPP ligada às tecnologias, muito

ISEP.BI Estarão comprometidos em tempos de crise os financiamen-

pelo seu grande potencial para a criação de empresas inovadoras e de

tos para a criação de novos projectos? Como contorna a diminuição

base tecnológica.

das verbas? J.A.M. Tenho por hábito dizer que para bons projectos não falta di-

ISEP.BI Quais os conselhos que deixa a todos aqueles que tenham

nheiro. Aliás, é precisamente na altura de crise que surgem as grandes

uma ideia de negócio ainda não concretizada?

ideias e as grandes empresas. A primeira questão importante é que

J.A.M. O que os futuros empreendedores devem começar por fazer é

ninguém investe num projecto em que o promotor não invista! Os em-

divulgar, junto de quem os pode ajudar, neste caso a NET, a sua ideia

preendedores têm de estar disponíveis para apostar no seu trabalho.

de negócio, porque se continuarem com ela dentro da sua cabeça, não

Se estivermos perante um bom projecto e um bom empreendedor,

funciona. Podem pedir ajuda a um consultório de ideias, marcar uma

há sempre facilidade de conseguir o financiamento. Há, inclusive, pro-

reunião com a NET, contactar-nos para, em conjunto, começarmos a

gramas de apoio à criação de empresas que constituem formas impor-

trabalhar a ideia. Depois, se é um projecto que entendemos que tem

tantes de alavancar a criação de novos negócios. Em alturas de crise, é

pernas para andar, avança o plano de negócios. E depois, vamos ver

também quando o crédito é mais difícil e poderá ser complicado, ou

se realmente vale a pena. Durante os primeiros três anos, as empresas

pelo menos mais moroso, obter o financiamento. Por estas razões que

podem contar com o acompanhamento dos profissionais da NET, dado

acabei de apresentar, deixamos sempre o financiamento para a última

que se trata do período mais crítico de arranque. Digamos que as em-

parte do plano de negócios: primeiro pensamos como vamos fazer a

presas, por norma, ao quarto ano já estão em velocidade de cruzeiro.

empresa, depois pensamos como vamos pagar.

Mas depois do quarto ano continuamos a apoiá-las, se assim tiverem necessidade, pois o nosso sucesso é o sucesso das empresas. E dentro

ISEP.BI São inúmeros os organismos nacionais e internacionais com

destes moldes, a experiência tem sido excelente.

quem a NET colabora. Quais as mais-valias de pertencer a todas estas entidades?

“PARA BOAS IDEIAS HÁ SEMPRE CAPITAL” ISEP.BI Quais são os principais ingredientes para criar um projecto vencedor? J.A.M. Para além do binómio entre o projecto e o promotor, que é quase um pressuposto, outro dos aspectos fundamentais é a existência de um plano de negócios bem feito e um empreendedor que apresente inovação. É extremamente importante que o projecto seja permanentemente inovador, e não apenas no início, se não corre o risco de se

J.A.M. As mais-valias são muitas e têm trazido grandes resultados. Desde logo, a NET está ligada a várias entidades e Business and Inovation Centers. Em Portugal há vários BICs que se concentram numa associação à qual a Net está também ligada. Já em termos europeus, há 16 unidades como a NET espalhadas pela UE e na qual a NET tem também um peso bastante forte, quer pelo seu passado, quer pelas acções que tem implementado e que levou ao seu reconhecimento. Já fomos, também, reconhecidos pela Associação dos BICs como um caso de boas práticas para os novos BICs que estavam a abrir nos países aderentes à União Europeia, os países de leste, e a NET, foi, ainda, em 2008, reconhecida como a entidade entre os BICs que mais acções promoveu de apoio ao empreendedorismo... Temos também uma série


À CONVERSA COM...

de protocolos com várias entidades, nomeadamente com o Instituto Politécnico do Porto e com outras entidades de promoção e apoio a negócios inovadores. ISEP.BI Durante os sete anos de vida da Promonet – Associação Promotora de Novas Ideias e Tecnologias, quais são as principais preocupações da associação? Ponderam o alargamento do número de associados? J.A.M. A Promonet é uma associação na qual a NET é o seu maior associado. Tem outros associados de referência, nomeadamente o IPP, e o propósito era exactamente construir estas instalações, este “hardware”, para que o software possa funcionar e implementar as estruturas de apoio necessárias à concretização do nosso trabalho. A incubadora que agora temos é de terceira geração; tem várias características importantes e que são valorizadas pelas empresas. Tivemos o cuidado de envolver na sua construção algumas das empresas que foram criadas pela Net exactamente devido ao seu know how que impulsionou a construção de um edifício com boas condições para as empresas trabalharem. Como associação que é, a Promonet está sempre aberta e interessada em ter novos associados. Temos como projecto futuro valorizar ainda mais a associação para, quem sabe, podermos avançar com outros desafios. A Associação pode, desde que seja a vontade dos seus associados, avançar com outros projectos, ligados à promoção de novas tecnologias.

“Um empreendedor não se faz, nasce” ISEP.BI Porquê reunir estas entidades todas como associados da Promonet? J.A.M. Os associados não entraram todos de uma vez. Começamos com oito e, actualmente, temos 25 accionistas. Este é exactamente o modelo proposto pela União Europeia que recomenda que integrem o elenco de accionistas vários agentes económicos regionais, locais e nacionais. Daí a NET ter começado com um número mais pequeno, tendo depois sido alargado, precisamente para ter como accionistas os vários agentes propostos, desde as associações, empresas, bancos, empresas de capital de risco e universidades. É, no fundo, um conjunto diversificado que serve, através da sua experiência, para potenciar a concretização dos objectivos da Promonet, criando sinergias e potenciando uma massa crítica mais alargada. ISEP.BI A NET tem uma actividade intensa, desde o Clube de Empresas e Empreendedores, a Promonet, promovem conferência e workshops... Quais são os próximos projectos? J.A.M. Neste momento, para além da nossa actividade normal, temos um projecto que apresentamos na conferência realizada no ISEP, e que constitui um grande desafio na criação de empresas inovadoras de base tecnológica. Neste projecto, que está pensado para o Norte de Portugal, o desafio para os próximos dois anos é o de promover e estimular a criação de empresas de base tecnológica. Paralelamente, pretendemos organizar uma série de acções de sensibilização e de captação, através de conferências, consultórios de ideias, concursos de ideias para criação de empresas, encontros informais de fim de tarde... sempre com o espírito de promover a inovação e o apoio a empresas ainda numa fase de arranque. Por fim, estamos também a preparar uma grande conferência ligada à temática do empreendedorismo, em princípio ainda para este ano. Consideramos que todas estas acções são importantes neste momento de crise económica e, quem sabe, podemos ajudar a apontar a saída para esta situação.

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DE FORA CÁ DENTRO

ISEP/APDL parceria que se constrói à volta de projectos Há muito a unir duas instituições de referência como o Instituto Superior de Engenharia do Porto (ISEP) e a Associação dos Portos de Douro e Leixões (APDL), mesmo que não haja papéis a oficializar. Partilham, acima de tudo, a visão estratégica de que o caminho do futuro só pode ser traçado com sucesso com concertação de sinergias entre as empresas e as instituições de Ensino Superior, o que na prática se verifica com a “troca” de saberes e experiências entre ambas. A ligação que se tem vindo a criar, revela, na conversa com o Presidente da APDL, João Pedro de Matos Fernandes, engenheiro civil, que o repto é continuar a lançar mais desafios. Afinal, são muitos os técnicos formados pelo ISEP que trabalham na APDL e vários os profissionais da APLD que leccionam no ISEP. A procura de soluções e de respostas, a necessidade de lançar metas e de se reinventarem métodos, fez nascer, naturalmente, a relação entre ISEP e APDL. Nesta edição, o ISEP.BI procura dar a conhecer a APDL, pela voz de Matos Fernandes, num trabalho que mostra um profissional que acredita que “o empreendedorismo e a busca incessante de novos conhecimentos é a chave para o sucesso”.

Se há mensagem que fica patente na conversa que o ISEP.BI teve com

total às parcerias até porque a qualidade do ensino que o ISEP pro-

o Presidente da Associação dos Portos do Douro e Leixões, João Pedro

porciona cria nas pessoas vontade de trabalhar - e bem! - por aquilo

de Matos Fernandes, é que as empresas e associações “são criadas para

a que assistimos, dentro das nossas instalações, todos os dias”, refere

gerir e para gerar dividendos”, mas sempre com um sentimento de

Matos Fernandes quando questionado sobre a importância desta liga-

consciência social e ambiental muito presente. E aqui, segundo adian-

ção. Acrescenta que são “recrutados muitos alunos de Engenharia Civil

tou, “as instituições de Ensino Superior, e o ISEP em particular, como

e Mecânica e por isso não é incomum encontrarmos na APDL trabalho,

escola de Engenharia, têm um papel preponderante”.

projectos e pessoas com o cunho do ISEP”.

Apesar de não existir uma ligação formal, oficializada, da APDL com

Enquanto responsável pelos destinos da APDL, este engenheiro de

o ISEP, os cargos de gestão de topo ocupados por ex-alunos revelam

formação, acredita no networking como aspecto fundamental para o

que o entendimento entre as duas instituições vai muito além do

desenvolvimento de uma instituição e, nesse sentido, os seus repre-

papel passado.

sentantes têm estado atentos aos “projectos do ISEP construídos em torno do cluster do mar que podem ser muito úteis para o trabalho que

Na prática, a colaboração e coordenação de sinergias entre as duas

desenvolvemos todos os dias”. Matos Fernandes defende que “uma

instituições flui no dia-a-dia. A marca do ISEP faz-se sentir de forma pre-

parceria deve ser sempre constituída à volta de projectos”.

mente na APDL, não só nos projectos conjuntos que se desenvolvem, mas, acima de tudo, pelos profissionais que aí trabalham. Em simultâ-

Defensor acérrimo do mar como motor de desenvolvimento económi-

neo, engenheiros da APDL leccionam no ISEP. “Temos uma abertura

co, Matos Fernandes, acredita que “o mar tem menos importância sem


DE FORA CÁ DENTRO

o transporte marítimo e, neste âmbito, é fundamental que os portos desempenhem um papel nuclear para uma abordagem económica ao mar”. E, nessa área, considera que “o ISEP tem estado à altura ao desenvolver alguns projectos de investigação neste domínio que têm em Leixões um campo de experimentação”. Aliás, reforçando as mais-valias da ligação empresas - academia, designadamente, APDL e ISEP, o Presidente da APDL defende que é crucial, cada vez mais, “acertar a linguagem entre as empresas e as instituições de Ensino Superior”, para se conseguir maior eficácia. “As parcerias entre o mundo empresarial e o ensino devem centrar-se, fundamentalmente, na produção e descoberta de novas tecnologias”, adianta, afirmando, convictamente, que “não há empresa, a não ser que trabalhe em monopólio, que não esteja preocupada com as questões da inovação”.

Sobre a Administração dos Portos do Douro e Leixões O Porto de Leixões é um dos maiores portos portugueses e tem, na Associação dos Portos do Douro e Leixões, a entidade que coordena e gere o trabalho desenvolvido diariamente. A equipa, liderada por Matos Fernandes, tem ciente os valores da responsabilidade social, da inovação tecnológica e está consciente que, trabalhar em rede, é uma mais-valia para qualquer entidade empresarial. Tal como está considerada nos seus estatutos, a “A Administração dos Portos do Douro e Leixões (APDL) (…) tem por objecto a administração dos portos do Douro e Leixões, visando a sua exploração económica,

“a qualidade do ensino que o ISEP proporciona cria nas pessoas vontade de trabalhar - e bem!”

conservação e desenvolvimento…”. Mas o Presidente prefere afirmar que “a APDL tem duas grandes finalidades: gerir e promover uma infra-estrutura portuária que é Leixões e a gestão do domínio público marítimo perto da área onde o porto existe”. Tal como explica, a APDL, enquanto empresa gestora da actividade portuária, “tem três grandes tarefas que se complementam mutuamente”: a primeira tem uma fina-

Para Matos Fernandes, se as empresas devem estar conscientes da

lidade pública”, pela qual a APDL se esforça, diariamente, por cumprir

importância das instituições de Ensino Superior, também os futuros

“um conjunto de prerrogativas públicas em termos de segurança, de

profissionais, em formação, devem ter “uma absoluta consciência da-

ambiente e de gestão tal como compete a uma infra-estrutura por-

quilo que é relevante na sua actividade e daquilo que é estratégico”. O

tuária”; depois “a prestação de serviços” para o exterior e que consiste

mundo dos negócios, diz, “faz-se e constrói-se, não perguntando em

numa das fontes de receita da Associação; finalmente, a APDL é tam-

primeiro lugar onde é que eu vou buscar dinheiro para fazer isto ou

bém “senhorio de toda a infra-estrutura que é o Porto de Leixões”.

quanto é que aquilo custa”. À questão qual é a primeira pergunta que o engenheiro deve fazer, responde: “A minha ideia e a minha actividade

Matos Fernandes está convicto de que a APDL trabalha, sobretudo,

são inovadoras para gerar riqueza e até que ponto é que estão alinha-

“em prol de uma região”. E, dado os resultados obtidos, esta é uma

das com a minha estratégia e com a estratégia da minha organização?”.

“opção bem sucedida”. Trata-se, segundo o nosso entrevistado, de uma

“É fundamental ter um espectro de conhecimentos muito alargado e

empresa altamente lucrativa que “distribui dividendos ao seu maior ac-

não subestimarem algumas questões que possam parecer básicas”.

cionista, que é o Estado e, por consequência, todos nós.” Mas o mais in-

Aliás, remata, “a própria APDL tem um rumo que vamos construindo e

teressante no seu discurso, como presidente de uma instituição como

moldando em relação às circunstâncias”.

esta, é a preocupação patente na “relação com o exterior”. “Temos um perfil bem definido, em contínua construção, e que passa muito pela

No ISEP.BI lançou o desafio: “projectos que o ISEP queira desenvolver

preocupação com o meio envolvente, por aquilo que somos enquanto

no domínio da investigação aplicada que passem pelo transporte ma-

infra-estrutura, pelo local onde estamos e pelas parcerias que estabe-

rítimo e que estejam ligados à engenharia portuária, nós estaremos

lecemos”, reitera.

sempre disponíveis para poder partilhar e contribuir para que a parceria se construa e consolide e para que possamos partilhar esse mesmo saber e ajudar a que ele tenha uma aplicação justa”.

Primeiro porto com Relatório de Sustentabilidade A segurança e o meio ambiente têm um grande enfoque na APDL. Aliás, tal como o ISEP foi pioneiro ao nível das Instituições de Ensino, também Leixões “foi o primeiro Porto da Europa a fazer um Relatório de Sustentabilidade, em 2006”. Para além das questões do ambiente, também as que se relacionam com a segurança “são uma obrigação”, até pelo conteúdo das cargas e a proximidade da refinaria. “Assumimos o seguinte: a localização é um valor da APDL e temos de agir no sentido de tratar bem aqueles que vivem connosco”, refere Matos Fernandes. A responsabilidade social é um bem fundamental para as empresas e entidades que pretendem ter sucesso. “Quero acreditar que as empresas são cada vez mais responsáveis socialmente até porque no nosso caso, a nossa responsabilidade social, mais do que uma obrigação, é a construção da perenidade do nosso próprio negócio, não é apenas uma actividade altruísta. É garantia que daqui a dez ou vinte anos o Porto de Leixões está aqui ainda mais competitivo do que aquilo que é hoje”, conclui.

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DESTAQUE

AS pessoas: a base de uma grande escola Inerentes às conquistas de uma instituição estão as pessoas. Mais de 150 anos de história, a marcar consecutivamente pontos no panorama do ensino da Engenharia em Portugal, exigem ao Instituto Superior de Engenharia do Porto uma constante aposta nos seus recursos humanos, motivando e estimulando todos aqueles que directamente ou indirectamente fazem do ISEP uma casa e que assegurem a contínua competitividade da instituição. É esta abordagem que o ISEP.BI dá a conhecer nesta edição. Com a certeza de que a qualidade de vida no trabalho não é expressão vã, e à qual se imputam, largamente, os sucessos, fomos ouvir quem está nos bastidores e perceber o que está a ser feito no terreno. Provavelmente, no final do artigo, se entenderá o porquê de recorrentemente ser uma primeira escolha de quem opta pela engenharia, da ligação a entidades de renome públicas e privadas, da interacção activa com a sociedade civil, de ser uma forma de orgulhosa identificação...

O universo ISEP vai muito mais além dos muros e das paredes dos edifícios que o compõem. A motivação, a realização e a superação, de todos aqueles que vivem a instituição são aspectos considerados com muita atenção. Afinal, ao longo da sua tradição, o ISEP sempre considerou cada pessoa, independentemente da função que desempenhe na Instituição, como uma parte importante da engrenagem. Face aos novos desafios que decorrem dos modelos actuais de desenvolvimento, espera-se que as pessoas sejam capazes de um maior desdobramento, empreendedorismo, adaptação e aprendizagem ao longo da vida. Materializar, através de palavras, este conceito tão premente no ISEP, é um desafio considerável, e mesmo sob pena de não ser conquistado na plenitude, valerá, certamente, pela tentativa. Introduzir novas tecnologias, diferentes metodologias de trabalho, promover a eficiência e eficácia, estimular o estudo autónomo, a progressão na carreira e disponibilizar melhores equipamentos, são algumas das orientações que estão a ser concretizadas. Sempre com o fim último de proporcionar o melhor ambiente de trabalho para todo o universo ISEP. Iniciativas como a Festa de Natal que


DESTAQUE

se realiza todos os anos, ou os convívios no Dia da Criança são apenas alguns dos exemplos que espelham o empenho, por parte da comunidade ISEP, em construir um espírito de equipa sólido e saudável. E este empenho é reconhecido pelos colaboradores. Berta Baptista, docente e responsável pela Divisão Académica, não tem dúvidas: “Acho extremamente importantes os momentos de convívio da Comunidade Isepiana”. Para além das obras de reestruturação e a manutenção frequente das infra-estruturas, pensadas com o objectivo de criar as melhores condições de trabalho possíveis para a sua comunidade, a visão actual assenta, entre outras medidas, num Plano de Acção para a Sustentabilidade (PASUS), apresentado em Janeiro de 2010. Mais do que um conjunto de parâmetros que visa assegurar a responsabilidade ambiental do ISEP, este plano pretende, sobretudo, promover uma nova filosofia de vida em toda a comunidade ISEP. O PASUS incita à adopção de comportamentos ambientalmente sustentáveis, através, por exemplo, do correcto ordenamento e aproveitamento dos espaços, da implementação de medidas de eficiência e racionalização energética e da utilização dos transportes públicos. Barros de Oliveira, vice-presidente do ISEP, reconhece ser “um desafio, pois implica uma mudança de mentalidades”, mas acredita no sucesso do plano. Esta confiança reside na grande receptividade que alunos e colaboradores

demonstram

quando novos desafios lhes são lançados. A qualidade das condições materiais e técnicas de trabalho é outro aspecto destacado por Barros de Oliveira na análise da motivação e produtividade dos colaboradores. Sobre este aspecto, o vice-presidente do ISEP refere que “o plano de reestruturação e remodelação física e arquitectónica em curso está praticamente concluído. Entre as inaugurações mais recentes, destaque para o Laboratório Automóvel, uma aspiração antiga que veio melhorar as condições de trabalho nas áreas de docência, investigação e prestação de serviços em Engenharia Mecânica. Outra realização recente é o Laboratório de Sistemas Autónomos (LSA), que dispõe de uma área total de 1000 m2 dedicados à investigação e ao ensino, onde é possível fazer testes com protótipos de grande dimensão”. E foi neste laboratório que o ISEP.BI encontrou Guilherme Silva, diplomado em Engenharia Electrotécnica e investigador no LSA desde 2006. O jovem investigador, que pertence à equipa de futebol robótico que recentemente participou no campeonato do mundo em Singapura, encontra-se a desenvolver um projecto de helicóptero com quatro hélices. Sente-se feliz no ISEP, diz. Considera que dispõe de boas condições de trabalho e destaca a camaradagem no laboratório. Por outro lado, a projecção que o grupo de investigação tem recebido fora de portas deixa-o orgulhoso e ainda mais motivado. Reconhece que iniciativas como o “ISEP Fora de Portas” ou a “Robótica na Praia” mostram que o Instituto é apreciado e valorizado.

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DESTAQUE

Formação contínua para todos: sensibilizar e apoiar

gem de Engenharia, e já vai na sua 10ª edição, tendo abrangido, até ao momento, cerca de 120 docentes. Para além disso, promove ainda acções de formação contínua em temas como a avaliação, a inteligência emocional, a adaptação dos alunos ao Ensino Superior, sendo ainda complementada com apoio psico-pedagógico individual ou colectivo

É indiscutível a importância de manter um corpo de profissionais com

e consultas de psicologia clínica.

conhecimentos e competências actualizados, aptos a enfrentar qualquer novo desafio. Contando com 573 trabalhadores, 439 ligados à do-

Já o ISEP FORGLOBE é um plano abrangente de formação de cursos

cência e investigação e 134 funcionários de suporte técnico e adminis-

de curta duração. Criado em 2009 e assente em formações com uma

trativo, o ISEP é uma Instituição que se preocupa em apoiar a contínua

sólida base científica, este projecto destaca-se pela enorme diversida-

valorização dos seus profissionais.

de de oferta formativa, pela total liberdade na escolha do horário de formação e pela qualidade do quadro de formadores. Esta plataforma

O valor que é dado aos colaboradores do ISEP reflecte-se no grande

de formação estende-se por áreas técnico-científicas, de valorização

investimento feito em formação profissional. Relativamente ao tema,

pessoal ou profissional, conhecimento geral e lúdicas, pretendendo

Maria João Magalhães, responsável pela avaliação do desempenho e

contribuir para a aprendizagem ao longo da vida. Por outro lado, ao

pela formação profissional dos funcionários não docentes, está satis-

estar aberta a públicos externos acaba por representar um fórum de contacto e troca de experiências entre colaboradores provenientes do ISEP, de empresas e de outras instituições públicas.

As vantagens do Simplex residem na maior eficiência e qualidade dos serviços

feita com a adesão da maior parte dos colaboradores

Não é só a nível da formação profissional que o ISEP imprime o seu

no último ano (foram realizadas 568 acções de

carimbo de qualidade. Iniciado há poucos anos, o Projecto Simplex

formação) e garante que “a formação profissio-

veio permitir uma maior optimização de tarefas diárias, com reflexos na

nal é considerada um dos vectores essenciais

organização dos serviços e na personalização do atendimento, estando

na qualificação das pessoas”. Uma das grandes

em constante actualização.

vantagens“é que 80% da formação é realizada em horário laboral e dentro de portas”, conclui.

Na Divisão Académica as melhorias são notáveis. Para Berta Baptista,

Tanto para a formanda Sílvia Azevedo, secretá-

responsável pelo serviço, “nos últimos dois anos foi feito um esforço

ria da Presidência, como para Telmo Ferreira,

enorme para automatizar todos os processos”. A partir do portal da Ins-

da Divisão de Recursos Humanos, as mais-va-

tituição, qualquer aluno pode solicitar todo o tipo de certificados ou

lias no desempenho das funções são notórias,

mesmo matricular-se pela primeira vez, sem haver necessidade de se

para além do facto da troca de experiências ser

deslocar fisicamente à Divisão Académica. Na mesma linha, a respon-

bastante positiva.

sável avança que, para além do atendimento presencial e por telefone, foi também criado o atendimento electrónico. A receptividade é ex-

A formação pedagógica do corpo docente tem também tem sido uma preocupação do

tremamente positiva, a constatar pelos inúmeros e-mails recebidos a agradecer a celeridade.

ISEP desde 2001. Neste sentido, o Núcleo de Apoio Científico-Pedagógico (NACIPe) e o ISEPFORGLOBE de-

Outro dos aspectos que Berta Baptista salienta é o facto das novas

sempenham um papel decisivo. O NACIPe, coordenado

tecnologias implementadas ao abrigo do Simplex serem concebidas

pela Assessoria de Formação, é responsável por acções

internamente. Além das vantagens orçamentais, há uma maior perso-

de formação pedagógica inicial no Ensino e Aprendiza-

nalização dos produtos e um aproveitamento dos recursos humanos,


DESTAQUE

que ajuda a consolidar as relações pessoais e profissionais numa or-

ao defendido pelo consórcio internacional CDIO

ganização de grande dimensão. A este nível, Berta Batista refere que,

na qualidade global do Instituto.

(Conceiving-Designing-Implementing-Operating), do qual o ISEP é membro, juntamente com algumas das principais escolas de Engenharia a nível mundial (MIT, Chalmers, DTU, etc). A troca de experiências e de modelos de ensino-aprendizagem favorecem a contínua evolução das instituições de Ensino Superior.

Na perspectiva dos docentes, esta simplificação de procedimentos li-

Para este ano lectivo está prevista a imple-

bertou o professor de certas tarefas burocráticas que faziam parte do

mentação de um projecto de aprendizagem

quotidiano. Segundo Rui Gomes dos Santos, que viu o ISEP duplicar o

através da instrução por pares (peer instruction) em algumas unidades curriculares do curso de Engenharia Informática. A ideia é inspirada no trabalho do professor Eric Mazur, da Universidade de Harvard, e consiste em dividir uma turma em pequenos grupos, nos quais os alunos debatem as soluções para os desafios lançados pelo docente. Espera-se assim uma maior participação no processo de ensino, promovendo a motivação e o sucesso da aprendizagem.

apesar de o ISEP ser uma Instituição com mais de 550 trabalhadores, existe um óptimo ambiente de trabalho. Destaca o bom relacionamento com colegas de serviços como a Divisão de Sistemas Informáticos, a Divisão de Recursos Humanos ou a Divisão Económico-Financeira, o que permite uma boa interacção entre as diferentes áreas, com reflexos

número de alunos nos últimos 10 anos, “o Moodle democratizou o ensino ao permitir o fácil acesso às matérias leccionadas, além de ser um meio mais ecológico do que as fotocópias”. O director do Departamento de Engenharia Civil ressalva a importância das novas tecnologias para conseguir estabelecer um contacto mais próximo com os estudantes-trabalhadores, sobretudo os que frequentam o regime pós-laboral.

Promoção do sucesso académico só é possível através de políticas assentes no bem-estar dos alunos

A presidente do Conselho Pedagógico refere ainda a importância das actividades complementares e extra-curriculares para a construção de novas mentalidades e desenvolvimento de competências transversais. Um exemplo reside no envolvimento do ISEP com a campanha dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM) das Nações Unidas.

Com uma excelente imagem no mercado de trabalho, o ISEP empenha-se no sucesso académico dos seus alunos. Neste sentido, o Conselho Pedagógico, liderado desde o início do ano por Eduarda Pinto Ferreira, procura coordenar as diferentes medidas implementadas por cada departamento. A título exemplificativo, a presidente do Conselho Pedagógico refere que ”houve disciplinas que, neste ano lectivo, aumentaram para 100% o peso da avaliação durante o semestre, tendo sempre o cuidado de não afectar a qualidade do ensino”. Para validação deste método, os alunos no final da disciplina fizeram um exame global, tendo-se notado um maior empenho no estudo da disciplina e, consequentemente, uma melhoria notória nos resultados finais. Por outro lado, “já várias disciplinas adoptaram a política de troca de elementos da equipa de uns trabalhos para outros. O objectivo é tentar criar um ambiente de trabalho mais semelhante ao mundo real onde, na maior

Além do sucesso académico, o ISEP promove o bem-estar dos alunos.

parte dos casos, não são os trabalhadores que escolhem a sua equipa”.

De facto, desde a implementação do Gabinete de Orientação (ISEP|GO), em 2001, os alunos têm ao seu dispor uma equipa de Psicólogas que

A promoção do sucesso académico

se dedica à promoção da qualidade de vida dos estudantes, não só

é uma dinâmica importante que

através da consulta psicológica e aconselhamento, mas também pela

passa por várias medidas, como a

realização de actividades promotoras do desenvolvimento de compe-

motivação dos estudantes ou a me-

tências transversais, integração académica e gestão da carreira. Neste

lhoria dos modelos de avaliação.

âmbito, vai realizar-se a segunda edição do Seminário INTEGRA, que obteve um elevado índice de participação no ano passado. Como

A filosofia de ensino no ISEP sem-

destacam as técnicas, o principal objectivo do seminário “mais do que

pre premiou uma orientação prática,

o acolhimento aos novos alunos, é prevenir o insucesso e abandono

sem prescindir de uma sólida formação

escolar precoce.” Com horário de atendimento alargado dois dias por

científica. Esta fórmula ajuda a construir,

semana até às 20:00h, o ISEP|GO ajusta-se à disponibilidade dos estu-

não só o conhecimento de facto, mas tam-

dantes tendo como lema “ser uma porta sempre aberta”. Esta flexibili-

bém a desenvolver uma mentalidade empre-

zação de horários está presente em praticamente todos os serviços de

endedora, aberta à tentativa e erro. Este mo-

apoio aos alunos para que nenhum aluno, inclusive os estudantes em

delo de ensino-aprendizagem vai de encontro

período pós-laboral, sejam discriminados.

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DESTAQUE

Criação de novos espaços Com um ambiente e infra-estruturas de qualidade, a imagem interna e externa do ISEP consolida-se, à medida das melhorias que vão sendo introduzidas. No final de 2007, abriu uma

deste artigo. O Instituto procura assegurar as melhores condições possíveis para que as pessoas que continuamente constroem a marca ISEP se sintam uma verdadeira comunidade. Esta prioridade na construção de uma equipa forte e coesa não só melhora a satisfação de todos os que vivem o campus, como garante um melhor serviço a todos os que procuram o Instituto Superior de Engenharia do Porto.

nova sala de estudo no edifício da biblioteca, com um horário alargado, das 8h00 às 22h00. Segundo Patrícia Costa, responsável pela Divisão de Documentação e Cultura, esta nova valência “permitiu disponibilizar mais espaços aos

Forte espírito internacional

estudantes, que passaram a dispor de melhores condições quer para estudo autónomo, quer para trabalhos de grupo”. Todo o campus está também servido com internet sem fios. Quanto à biblioteca, considera que têm sido introduzidas melhorias significativas, como “a rede sem fios, o sistema electrónico de requisição de livros e o livre acesso às estantes”. “Mente sã em corpo são” é um lema acarinhado pela Instituição. O ginásio Fitness WorX abriu há cerca de dois anos dentro do Campus do ISEP, com condições especiais para toda a comunidade académica. De acordo com Emanuel Fonseca Simão, aluno finalista de Engenharia Electrotécnica e de Computadores, frequentador assíduo do ginásio, “venho cá porque alivia o espírito, especialmente em época de exames, para além de ser um local de convívio.”

Com um sólido espírito internacional, o ISEP apoia a mobilidade internacional de estudantes, investigadores, pessoal docente e não-docente. Além de ajudar a abrir horizontes, estas estadias no estrangeiro ajudam a desenvolver competências linguísticas, o sentido de interculturalidade e, sobretudo, a aprender novas formas de trabalhar. O Gabinete de Relações Externas, alimenta um conjunto diversificado de parcerias com universidades e empresas europeias, mas estende ainda os seus protocolos de cooperação além Europa, garantindo todo o suporte e orientação O restaurante do ISEP é um dos vários espaços de refeição no campus.

aos participantes.

Com capacidade para 200 pessoas sentadas, tem sido solicitado para grandes eventos. O responsável, José Faria, sente-se satisfeito por per-

Contudo, não só os actuais estudantes que têm acesso a

tencer à família ISEP e garante que a forte adesão do espaço se deve

este serviço. Para os seus graduados, o ISEP tem outras al-

“ao atendimento e ao buffet self-service, no qual cada pessoa come o

ternativas, como o programa Leonardo da Vinci.

que quiser, as vezes que quiser, variando o preço entre os 5 e 6 euros”. Os clientes são os próprios a concordar. Para Maria José Paiva, a mais

Para Ângela Cunha, diplomada em Engenharia Quími-

antiga funcionária do ISEP, com perto de 40 anos na casa, “o serviço é

ca, que partiu para a Holanda ao abrigo do programa

muito bom”.

Leonardo da Vinci, “esta é uma experiência de trabalho valorizada por ser internacional, pela participação em

Quanto ao parque de estacionamento, com lugares para centenas de

projectos que não teríamos oportunidade de aceder em

carros e uma recente reorganização do espaço, com prioridades para

Portugal, que exige o dobro a nível pessoal e emocional

pessoas com mobilidade reduzida, não poderia deixar a comunidade

mas que nos orienta e prepara para o futuro”.

mais satisfeita. Não obstante, o Plano de Sustentabilidade do ISEP, apresentado em Janeiro de 2010 apela ao recurso, por parte de toda

O fenómeno da mobilidade internacional também é vivido den-

a comunidade, de meios de transporte alternativos. Podemos realçar,

tro de portas. São cerca de trinta as nacionalidades que, ano após

por exemplo, a boa localização geográfica do ISEP, com Metro à porta,

ano, convivem no ISEP.

ou então a possibilidade de ser acessível de bicicleta. Além disso, a mobilidade internacional no ISEP, ainda que em meA preocupação do ISEP em providenciar o melhor ambiente de traba-

nor grau, é também visível noutros grupos, quer sejam investiga-

lho e a contínua qualificação dos seus quadros fica patente ao longo

dores, docentes e não docentes.


RECOMP

INVESTIGAÇÃO À LUPA

Investigadores do CISTER dão cartas em projecto de I&D Europeu O RECOMP é, actualmente, um dos maiores projectos de I&D europeus, e o ISEP.BI foi tentar compreender, junto dos investigadores do CISTER, em que consiste este projecto e em que medida estão os nossos investigadores a contribuir para desenvolvimentos tão cruciais na área das ciências computacionais. O projecto, que teve início este ano, tem por principais objectivos a investigação em mecanismos e processos de redução de custos e aumento da fiabilidade dos sistemas computacionais embebidos, área em que se especializou o CISTER.

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INVESTIGAÇÃO À LUPA

complexo que é regulado por normas específicas e internacionais. Dada a complexidade e rigor do processo, o desenvolvimento de novos sistemas pode levar vários anos, e tem custos extremamente elevados.

O investigador líder

E perante estas premissas, no âmbito do projecto, os investigadores do ISEP vão criar novos métodos para o desenvolvimento de aplicações e

Stefan M. Petters é vice-director da unidade de investigação

ferramentas para facilitar a certificação e re-certificação de módulos e

CISTER e líder da área de investigação em Sistemas de Tempo-

componentes de hardware e software. Numa segunda fase, vão ainda

-Real Adaptativos. Obteve o seu Mestrado em Engenharia em

ser criadas novas plataformas de hardware e sistemas operativos para

1995 e o Doutoramento em 2002, ambos pela Universidade

as gerações futuras de sistemas de computadores certificáveis. Os ob-

Técnica de Munique, Alemanha, tendo obtido ainda um pós-

jectivos principais serão aumentar a confiança destes sistemas e redu-

-doutoramento no departamento de ciência dos computado-

zir os custos de produção e certificação.

res da Universidade de York, Inglaterra. De 2004 a 2009 esteve ligado à unidade ERTOS da NICTA, Austrália como investiga-

Os investigadores explicam-nos que, no RECOMP, “o CISTER participa

dor sénior. Em 2009 juntou-se ao CISTER. No projecto RECOMP,

em duas componentes. A primeira, transversal a todo o projecto, é a de

para além da gestão e liderança da participação do CISTER, li-

definição de requisitos temporais de sistemas certificáveis e posterior

dera os trabalhos de investigação em técnicas de monitoriza-

avaliação dos resultados”. A segunda assenta na investigação, focando

ção de consumo de energia baseadas em contadores de har-

duas áreas: “Na área dos componentes e modelos, o CISTER investigará

dware existentes nos processadores actuais e em isolamento

modelos para a análise de escalonabilidade modular, assim como para

temporal de sistemas operativos.

a definição de propriedades temporais e escalonamento de recursos dos componentes de software”. Na área das plataformas, o CISTER vai-se dedicar à investigação do problema da contenção dos vários

Com uma visibilidade internacional bem cimentada nos últimos anos,

processadores no acesso ao barramento de comunicação e à memó-

a participação do Centro de Investigação em Sistemas Confiáveis e de

ria partilhada, “e na integração de modelos de consumo de energia e

Tempo-Real (CISTER), sedeado no ISEP, num projecto de investigação

isolamento de memória no sistema operativo”.

com o calibre do RECOMP, era um percurso anunciado. O CISTER é líder mundial na investigação de sistemas embebidos (sistemas computacionais ocultos em diversos aparelhos) e de tempo real,

Minimizar as falhas

tendo sido classificado como Excelente no último processo de avaliação internacional levado a cabo pela FCT. Não admira, portanto, que o

“Em várias áreas em que uma falha dos sistemas de computadores

parceiro português do projecto RECOMP seja, naturalmente, o grupo

embebidos pode ter consequências graves, particularmente em vidas

internacional formado no ISEP. Para além do prestígio já alcançado

humanas, existe a necessidade de certificar que o processo de desen-

pelo CISTER, e tal como explicou ao BI a equipa, “o projecto tem várias

volvimento do sistema foi rigoroso de forma a reduzir a probabilidade

áreas de investigação, e as competências do CISTER são complementa-

de falha para um valor muito pequeno”, comentam.

res às dos restantes parceiros”. Para explicar da melhor forma o conceito que está na retaguarda desMas em que consiste, afinal, o RECOMP? O projecto RECOMP insere-se na

ta investigação, escolhem uma área que, para o cidadão comum é,

área dos sistemas de computadores utilizados em aplicações definidas

possivelmente, a mais importante no que respeita à fiabilidade: a área

como críticas, ou seja, que podem implicar a segurança de pessoas ou

automóvel. Os investigadores explicam-nos que “os automóveis têm

graves prejuízos financeiros, como por exemplo os sistemas de controlo

sistemas electrónicos controlados por computadores embebidos, pelo

de aviões, como o fly-by-wire, de satélites, de automóveis, como o ABS,

que a falha de um desses sistemas pode causar um acidente”. Perante

ou aplicações industriais robotizadas. Neste tipo de aplicações, devido

a importância da fiabilidade dos sistemas, “os processos de desenvol-

às possíveis consequências das falhas, o desenvolvimento dos sistemas

vimento precisam cada vez mais de ser rigorosos, e os sistemas têm

computacionais tem que obedecer a um processo rigoroso e bastante

que ter a mesma redundância que é comum nas áreas industriais, dos


INVESTIGAÇÃO À LUPA

comboios, ou espacial”. A separação de funções é, igualmente, crucial, de forma a que, por exemplo, “o controlo do ABS não seja influenciado pelo sistema de telemóvel mãos livres”.

A fonte de investigação Um projecto que assenta como uma luva

O CISTER - Centro de Investigação em Sistemas Confiáveis e

Agora que os objectivos e a utilidade de projecto estão bem definidos,

sua actividade na análise, projecto e implementação de sis-

impõe-se uma questão: como pretendem aumentar a fiabilidade e re-

temas de computadores embebidos e de tempo-real. Esta

duzir os custos de produção e certificação destes sistemas de compu-

Unidade tem por base o grupo de I&D IPP-HURRAY (HUgging

tadores? Os investigadores explicam que “tal como nos computadores

Real-time and Reliable Architectures for computing sYstems),

de secretária, cada vez mais os sistemas de computadores embebidos

criado em 1997 no ISEP. É, actualmente, uma das unidades

utilizam vários processadores, ou vários núcleos de processamento

portuguesas com maior visibilidade internacional, sendo um

dentro do mesmo processador. A ideia passa por utilizar esses vários

dos líderes mundiais em várias das suas linhas de investigação.

processadores para suportar tanto a redundância como a execução de

A Unidade CISTER é, desde 2004, classificada como Excelente

funções diferentes no mesmo sistema. Desta forma, reduz-se o número

nos processos de avaliação por painel internacional da respon-

de sistemas diferentes que é preciso desenvolver e certificar, diminuin-

sabilidade da FCT, sendo na área de Engenharia Electrotécnica

do o tempo e o custo de desenvolvimento”.

e Informática uma das duas actualmente com essa classifica-

de Tempo-Real é uma unidade do ISEP que trabalha nas áreas científicas da Engenharia Informática e Electrotécnica. Foca a

ção e a única com essa classificação desde 2004. Os investigadores explicam que “o objectivo é garantir que cada componente do sistema veja uma fracção da plataforma como sendo sua, sem a existência de interferência entre os diversos componentes”. E

A importância do investimento Europeu neste projecto fica bem clara

aqui reside uma das partes mais complicadas do trabalho dado que

quando olhamos para os números oficiais. Tal como nos avançam os

“implica garantir a não-interferência no acesso à memória, ao barra-

investigadores do CISTER, 98% dos processadores existentes no mun-

mento de comunicações ou de tempo de processador”, tarefa esta que

do encontram-se nos sistemas embebidos. Dados de 2006 referem que

é bastante mais complexa “quando se considera a interacção com o

quatro biliões de processadores foram vendidos para sistemas embe-

mundo exterior. É necessário garantir que as funções são executadas

bidos, um mercado de 60 biliões de euros, e um crescimento anual de

de forma correcta, na altura correcta”.

14%. “A previsão é de mais de 16 biliões de sistemas embebidos em 2010 e 40 biliões em 2020”.

Um trabalho internacional e multidisciplinar

Eles estão em todo o lado!

O projecto RECOMP envolve 41 empresas e centros de investigação Eu-

Por último, a curiosidade inerente ao ser humano impõe a seguinte

ropeus e é financiado pela ARTEMIS, uma iniciativa que junta a União

questão: onde mais existem os sistemas embebidos? E a resposta é

Europeia, os Estados-Membros, a indústria e os centros de I&D Europeus.

pronta: “em todo o lado! A maioria das pessoas não nota, mas os computadores embebidos são omnipresentes no seu dia-a-dia”. Desde

Conforme referem, “o orçamento para o projecto provém da Comis-

telemóveis, iPods, cartões de crédito inteligentes, “boxes” digitais da

são Europeia, dos Estados-Membros, e das empresas participantes”. No

Televisão, consolas de jogos, máquinas de lavar e microondas com pro-

caso português, os custos das unidades de investigação como o CISTER

gramas ditos inteligentes, todos estes electrodomésticos utilizam os

são financiados a 100%, tal como num projecto da FCT. Destaca-se que

sistemas embebidos. “Qualquer pessoa que olhe à sua volta, se pensar

o orçamento da participação do CISTER é de aproximadamente meio

que em cada equipamento electrónico que vê existe um computador

milhão de euros.

embebido percebe rapidamente a sua omnipresença”, concluem.

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A NOSSA TECNOLOGIA

Physics LabFARM Na vanguarda da adaptação aos novos modelos de ensino que o processo de Bolonha impõe, nasce no ISEP um projecto inovador em Portugal: o Physics LabFARM (Laboratórios de Física de Acesso Remoto). Genericamente, este recurso educacional, concebido como suporte às unidades curriculares de Física, vai permitir a realização de experiências laboratoriais a partir de qualquer lugar e a qualquer hora, desde que o aluno tenha acesso à Internet. Financiado a cem por cento pelo ISEP em cerca de 150 mil euros, o projecto é liderado pelos docentes Gustavo Alves e Arcelina Marques, e está pronto para arrancar já a partir do próximo ano lectivo. Depois da sua implementação, a vontade é disponibilizar a solução a outras instituições de ensino.

acaba por sacrificar a componente laboratorial no plano de estudos. Relativamente aos condicionalismos internos, perante um aumento gradual do número de alunos no ISEP nos últimos anos, a sobrelotação dos laboratórios de Física é uma realidade. Para o professor Gustavo Alves (docente do Departamento de Engenharia Electrotécnica) outro aspecto a salientar é que o ISEP se distingue pelo elevado número de alunos a frequentar o horário pós-laboral. Por isso, “temos que lhes dar condições para que, nos seus tempos livres, possam ter acesso a um recurso educativo tão importante como o laboratório.” Identificadas as “variáveis do problema”, o Presidente do ISEP solicitou a ambos os docentes, defensores acérrimos da aprendizagem experimental, a apresentação formal de uma proposta de experimentação remota. Foi assim apresentado o projecto Physics LabFARM, desenvolvido pelo Centro de Inovação em Engenharia e Tecnologia Industrial Tal como se de uma equação matemática se tratasse, pode dizer-se

(CIETI) do ISEP há alguns meses atrás, embora a ideia já tivesse nascido

que o Physics LabFARM foi a solução encontrada para um problema,

há mais tempo.

no qual as variáveis em jogo há muito estavam identificadas. Analogias à parte, é preciso enquadrar a criação dos laboratórios remotos do ISEP,

Em concreto, o Physics LabFARM vai permitir a alunos do ISEP, nas

não só no contexto interno da própria Instituição, mas também a partir

unidades curriculares de Física, uma maior autonomia e flexibilidade

de uma perspectiva mais abrangente.

de horários na realização de algumas experiências laboratoriais. Eliminando-se parcialmente a obrigatoriedade da presença no laboratório,

Como constata a professora Arcelina Marques (docente do Departa-

ultrapassa-se o défice de recursos humanos e tecnológicos, incontor-

mento de Física do ISEP), “no geral, os alunos não desenvolvem com-

nável quando estão em causa centenas de alunos.

petências suficientes durante o Ensino Secundário e quando chegam ao Ensino Superior revelam grande falta de conhecimentos, o que

De forma a evitar qualquer tipo de confusão, o professor Gustavo Alves

conduz, inevitavelmente, ao seu desinteresse e elevada taxa de insu-

adverte que não se deve confundir a experimentação remota com a

cesso”. Para além deste facto, os mentores do projecto concordam que

simulação. Segundo o docente, “até há algum tempo atrás, pensava-se

o processo de Bolonha, ao diminuir o número de horas presenciais,

que a simulação era um recurso educativo completo, o que, no meu


A NOSSA TECNOLOGIA

exigente, uma vez que irá testar as capacidades de análise do aluno, através de um circuito previamente montado. A última fase do projecto, desenvolvida de raiz pelo ISEP, será também a mais complexa, uma vez que está em causa a verificação experimental de conceitos de Física, como a cinemática, a dinâmica, o trabalho e a energia, a mecânica de corpos rígidos e as oscilações. A implementação desta fase final do Physics LabFARM deverá estar concluída em Janeiro de 2012. Num serviço que engloba os dois pilares da Instituição – docentes e alunos, torna-se fundamental, nesta primeira fase, dotar os docentes das ferramentas e conhecimentos necessários para levar o projecto a bom porto. Neste sentido, no passado mês de Junho, realizou-se a primeira apresentação da solução, direccionado aos docentes do Departamento de Física (DEFI), directamente envolvidos na implementação do projecto. Em Setembro, esclarece o professor Gustavo Alves, “foi feito um workshop mais formal, sobre a utilização prática dos recursos. Estiveram presentes investigadores de outras instituições, como o colega Ingvar Gustavsson do Blekinge Institute of Technology, e também alguns elementos da Universidade Federal de Santa Catarina, no Brasil”. Relativamente ao acesso ao laboratório remoto, será feito através da plataforma Moodle. Quanto aos métodos de acesso, esses vão variar conforme as diferentes fases do projecto. Durante a primeira e segunda fase, o acesso é feito através de uma fila de pedidos, em que o sistema regista os dados e automaticamente passa para o pedido seguinte. A terceira fase, sendo mais complexa, vai permitir aos alunos, um de cada vez, reservar um determinado período de tempo, para realizar todas as suas experiências. Embora a primeira fase ainda não tenha arrancado oficialmente, já existe um aluno do ISEP a trabalhar para a solução da segunda fase do projecto, sob orientação do professor Manuel Gericota, para além de estar em curso um concurso para contratação de dois ponto de vista, está errado. Perante aquilo que estão a utilizar, os alu-

bolseiros que irão desenvolver as metodologias da terceira fase.

nos têm uma determinada expectativa, e querem, de facto, ver quais as consequências das suas “ordens”. Quando o aluno está a utilizar um

Com um financiamento total de 150 mil euros suportado pelo ISEP, a

laboratório remoto está a utilizar equipamento real, não virtual. Através

intenção dos investigadores a longo prazo passa mesmo por disponibi-

de uma interface gráfica, podem-se manipular efectivamente os circui-

lizar a solução a outras instituições de ensino, mais precisamente esco-

tos eléctricos”. Embora haja o risco de inadvertidamente o aluno dani-

las secundárias. Neste sentido, o professor Gustavo Alves confirma que

ficar o equipamento no decorrer da experiência, o professor Gustavo

já houve essa aproximação, nomeadamente através da apresentação

Alves não se revela apreensivo, pois como adianta “serão equacionadas

do projecto em algumas escolas, concluindo que o saldo não poderia

protecções, de forma a prevenir esses riscos”.

ter sido mais positivo. Para além deste cenário, há ainda a possibilidade de interesse na solução por parte de outras escolas do Instituto Poli-

O “aprender fazendo”, destaca a professora Arcelina Marques “é cru-

técnico do Porto.

cial para o processo educativo”. A experiência remota é, portanto, uma opção complementar viável aos conhecimentos teóricos previamente

No futuro, talvez seja possível criar uma rede de laboratórios remotos

adquiridos. Aliás, a docente concebe o futuro da educação concen-

com diferentes ofertas de experiências de Física, para serem partilha-

trado numa perspectiva cada vez mais prática, mas com forte compo-

das pelos alunos das instituições intervenientes.

nente científica. Desenvolvido em três fases distintas englobando diferentes públicos-alvo, o projecto-piloto arranca já este ano lectivo 2010/2011. Nesta primeira fase, o ISEP integra um consórcio europeu para o desenvolvimento da solução, sendo a única Instituição portuguesa presente. Liderado pelo Blekinge Institute of Tecnology, na Suécia, o consórcio engloba ainda a Universidade de Deusto (Espanha), a Universidade Politécnica de Madrid e a Universidade Técnica de Viena. Inicialmente, a experiência piloto vai incidir sobre a área da electricidade. Como explica o docente Gustavo Alves “pretende-se avaliar a capacidade do aluno em montar um circuito eléctrico, de efectuar medições sobre esse circuito e de interpretar os dados obtidos”. Para Fevereiro de 2011, aguarda-se a conclusão da segunda fase do projecto, esta mais

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DEPOIS DO ISEP

“O ISEP foi para mim também uma escola cívica” carloS Palhares

Formou-se no ISEP em Engenharia de Instrumentação e Qualidade Industrial, vestiu a camisola da Associação de Estudantes e foi um dos primeiros alunos, inseridos no programa Erasmus, a partir para França. Para Carlos Palhares, essa etapa da sua vida foi determinante para o seu crescimento enquanto pessoa e profissional. Empreendedor nato, trabalhou já para várias multinacionais e actualmente dirige a sua própria empresa, a Mecwide, dedicada aos serviços de manutenção e reparação industrial. “A sorte vai ao encontro de quem a procura” é talvez a expressão que melhor define o percurso de Carlos Palhares, que actualmente integra o projecto “Role Models – Porto de Futuro”, cujo principal objectivo é a apresentação de novos modelos de sucesso às gerações mais jovens, para além dos futebolísticos e televisivos, tão em voga na nossa sociedade.

Do ISEP, Carlos Palhares guarda as melhores recordações: a vivência

arranque de uma nova unidade industrial na Póvoa de Lanhoso, até que

interna e um corpo docente com vasta experiência na indústria. Nessa

parte para Paris durante o período de um ano.

altura, estávamos no início dos anos 90 e, como recorda, “assistia-se a um fervilhar do movimento associativo, pois vivíamos a época da luta

Analisar todo o seu percurso profissional até ao patamar em que se en-

contra as propinas”. Sempre muito ligado à Associação de Estudantes,

contra agora, pode ser uma tarefa algo morosa, pois desde cedo, mesmo

acabou por descurar um pouco a parte académica, mas não se arre-

ainda enquanto estudante, começou a trabalhar, declarando-se inimigo

pende. “Perdi um ano lectivo, tendo perfeita consciência disso, mas

da inércia. Aliás, como constata com alguma tristeza, “actualmente os

ganhei em muitos outros aspectos, como o desenvolvimento da capa-

jovens não arriscam, falta-lhes coragem. Têm que lutar, ir à procura, não

cidade de gestão e resolução de conflitos. O ISEP foi para mim também

podem ficar de braços cruzados à espera que o emprego venha ter com

uma escola cívica”.

eles.” A atitude, o rigor, o empenho, a força de acreditar e a vontade de trabalhar, são características que valoriza, para além do sentido prático,

Pretendendo “desligar-se” da realidade que o cercava até então e dedi-

que afirma ser uma qualidade bem visível dos alunos do ISEP.

car-se a tempo inteiro aos estudos, inscreve-se no programa Erasmus, na altura a dar os primeiros passos. Em Lille, França, teve a oportunidade de

No entanto, para este self-made man que subiu a pulso na vida, nem

entrar em contacto com uma nova cultura e absorver todos os conhe-

tudo no seu percurso profissional são vitórias. Como reconhece, “o pe-

cimentos que foi adquirindo nos meses de investigação em laboratório.

ríodo mais conturbado da minha actividade profissional foi em 2002, quando, enquanto director de fábrica da Yasaki em Portugal, tive que

De regresso a Portugal, concluiu o curso e rapidamente voltou a tra-

despedir cerca de mil trabalhadores”.

balhar na mesma empresa que o tinha visto partir: a Cablinal Portuguesa (dedicada à produção de equipamentos para a indústria auto-

Como não era esse o seu plano de negócios, decidiu partir para uma

móvel), desta vez para uma posição de destaque no Departamento

nova aventura. Integra então o grupo Simoldes para liderar um novo

de Industrialização. Os convites para novas empresas foram surgindo

projecto: a abertura de uma fábrica na Roménia, experiência que ga-

sucessivamente e, com naturalidade, sai da Cablinal para a Liar Corpo-

rante ter sido gratificante. Já como membro do Comité Executivo e

ration. Nesta empresa, esteve primeiro ligado à unidade de Valongo, a

Director da Unidade de Negócios, o “bichinho” do empreendedorismo

desenvolver um projecto para a Renault, tendo depois participado no

continuava a crescer. Por isso, em Abril de 2004 comete uma “loucura


DEPOIS DO ISEP

saudável” ao abandonar uma posição perfeitamente estável, para criar

estranhar que reconheça que o mundo empresarial se move “à velo-

o seu primeiro projecto pessoal.

cidade de um cruzeiro”. Com uma actividade relativamente recente, a Mecwide já fez intervenções em França e, neste momento, encontra-

Reconstruir uma empresa à beira da falência foi um desafio que Car-

-se a operar na Holanda, em Angola, na Suíça, e estão ainda em curso

los Palhares abraçou com optimismo. Adquiriu cinquenta por cento

conversações para a entrada na Nigéria. Para um futuro próximo, quer

da Suleve, empresa subcontratada da Yasaki e, de uma situação ne-

que a empresa se consolide e cresça, não pondo de parte novas inter-

gativa, passou para um volume de negócios de 15 milhões de euros,

nacionalizações.

em 2008, e com três unidades industriais a operar (em Portugal, Marrocos e Roménia). No entanto, já em 2006, tinha vendido o seu capital

Com uma carreira profissional notável, o êxito deste engenheiro forma-

à Delfingen, mas o grupo, reconhecendo o mérito de Carlos Palhares e

do no ISEP não passou despercebido aos responsáveis pelo projecto

confiando na sua capacidade de liderança, quis que continuasse como

“Porto de Futuro”, iniciativa da Câmara Municipal do Porto. O objectivo

Director-Geral em Portugal, para além do assento no Conselho de Ad-

do projecto é mudar a mentalidade das crianças e jovens relativamente

ministração, que ainda hoje mantém.

aos modelos de sucesso na sociedade actual, onde se destacam figuras mediáticas. Nesse sentido, foram escolhidas onze personalidades

O seu mais recente projecto pessoal, que começou a nascer quando

nortenhas que se destacam pelo seu negócio, a sua atitude e o seu

ainda estava na Delfinguen, é a Mecwide, empresa de serviços de ma-

empenho. Através de um vídeo que retrata o percurso da sua vida

nutenção e reparação industrial. Com um percurso profissional indis-

académica e profissional, para além de palestras em várias escolas se-

cutível na Indústria Automóvel, esta mudança de sector, confessa o

cundárias do Município, Carlos Palhares procura passar a mensagem

engenheiro, “é uma homenagem ao meu pai, porque ele foi soldador e

de que “uma mentalidade aberta e atitude positiva são meio caminho

formador na área durante 40 anos”. Em Fevereiro de 2009, assite-se ao

para o sucesso”.

arranque efectivo da empresa e, se no primeiro ano atingiu os 600 mil euros de volume de facturação, “contrariando a crise, até ao momento já somo 1,4 milhões de facturação e prevejo ultrapassar os dois milhões de euros no final do ano”, admite.

“uma mentalidade aberta e atitude positiva são meio caminho para o sucesso” Com cerca de 34 colaboradores, grande parte deles especialistas nas áreas de soldadura e tubagem, uma das apostas da Mecwide é a “formação como modelo de negócio”. Carlos Palhares constatou que existe um défice de quadros intermédios nesta área e queria colmatar esta deficiência do mercado, através de uma qualificação profissional competente. Hoje em dia, é esse mesmo um dos core business da empresa pois, tal como evidencia, “para mim o meu produto é o meu negócio”. Segundo este engenheiro de 38 anos, a formação contínua ao longo da vida é um factor preponderante. Tal assumpção levou-o a frequentar o MBA Executivo na Escola de Gestão do Porto, que está prestes a terminar. A polivalência que o curso de engenharia lhe ofereceu, abriu-lhe novos horizontes de aprendizagem, para além de acreditar que “os engenheiros são gestores por natureza”, se bem que também considere que todas as pessoas são potenciais gestores. Ainda assim, não toma nada como adquirido e afirma que “todos devemos actualizar os nossos conhecimentos, à medida das funções que vamos desempenhando.” Não põe ainda de parte a hipótese de regressar ao ISEP se achar que isso que lhe trará mais-valias. No entanto, adverte que “as instituições do Ensino Superior, actualmente com menos verbas do Estado, devem ter uma preocupação acrescida com os actuais e antigos alunos, porque podem ser eles, novamente, os “próximos clientes”. Um dos caminhos pode ser a criação e manutenção de uma “rede alumni”. Além disso, outro aspecto determinante para o sucesso de qualquer pessoa, garante, “é a mundivivência.” A questão geográfica, considera, “ainda é um bloqueio para muitos portugueses e, sinceramente, não o entendo. Procuro sempre transmitir aos meus filhos que hoje o nosso concorrente está do outro lado do planeta”. Não será por isso de

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BREVES

TECNOLOGIA NAS PORTAS DA EUROPA Carla Pinto, docente do Departamento de Matemática, co-organizou um simpósio sobre Modelos Matemáticos na Engenharia, a ter lugar durante a NSC 10 – III Conferência sobre Ciência Não linear e Complexidade (3rd Conference on

Nonlinear Science and Complexity), que decorre entre 28-31 de Julho, em Ancara, Turquia. O simpósio, co-organizado pela também investigadora do Laboratório em Engenharia Matemática (LEMA), foca-se nos vários modelos matemáticos (sistemas dinâmicos, modelos estatísticos, equações diferenciais e modelos teóricos do jogo) usados para explicar problemas do mundo real nas Ciências Naturais e na Engenharia. Em Setembro, Carla Pinto esteve na ilha de Rodes, Grécia, para presidir ao simpósio sobre Sistemas Dinâmicos em Robótica, evento inserido no ICNAAM 2010 – VIII Conferência

Actualmente, os sistemas informáticos in-

No ISEP existem actualmente seis docentes

corporados representam 99% do universo

doutorados com agregação: José Tenreiro

computacional, sendo um domínio ainda em

Machado e Zita Vale, do Departamento de

crescimento. A evolução da computação in-

Engenharia Electrotécnica; Carlos Ramos, do

corporada (embedded computers) facilita o

Departamento de Engenharia Informática;

trabalho em rede e interactivo com o meio

Cristina Delerue Matos, do Departamento de

físico envolvente (etiquetas RFID, redes de

Engenharia Química; Rui Silva, do Departa-

sensores sem fios, comunicações nos veícu-

mento de Física e Rui Camposinhos.

los são alguns exemplos). Assim, é cada vez maior o interesse em que as aplicações con-

O docente do DEC está no ISEP desde 2000,

sigam, não só ler a sua própria monitorização

sendo o director do mestrado em Tecnologia

ambiental, mas também incorporar as restan-

e Gestão de Construções e o coordenador

tes leituras dentro do sistema. Esta inovação,

científico do Grupo de Investigação e Consul-

agora patenteada pelo CISTER, permite a co-

toria em Engenharia Civil (GICEC).

municação integrada de todos os computadores num sistema, reduzindo os custos associados à comunicação de aplicações em larga escala. As potenciais aplicações desta nova tecnologia incluem áreas como o controle de materiais inteligentes (como asas de aeronaves); sistemas de segurança em veículos; controle avançado de motores de combustão e instrumentação de sensores corporais em micro ou nano-escala.

Internacional de Análise Numérica e Matemática Aplicada (8th International Conference of Numerical Analysis and Applied Mathematics).

GECAD INICIA PROJECTO WORLD SEARCH

Este encontro científico concentrou-se no apro-

O GECAD arrancou em Junho os trabalhos do

veitamento da teoria de sistemas dinâmicos

projecto World Search. Liderado pela Micro-

para avançar soluções de locomoção robótica.

soft Portugal, este projecto foi recentemente aprovado pelo Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN).

CISTER AVANÇA PEDIDO DE PATENTE NOS ESTADOS UNIDOS

O World Search visa a investigação e desen-

ENGENHARIA CIVIL CONTINUA A ELEVAR PADRÕES

volvimento de tecnologias avançadas para

Rui Camposinhos realizou com sucesso provas

ta em termos mundiais), incluindo economias

de agregação na Faculdade de Engenharia da

emergentes como o Brasil e Angola. A tecnolo-

Universidade do Porto, em 31 de Maio e 1 de Ju-

gia que se pretende desenvolver terá em aten-

nho. O professor coordenador do Departamento

ção pormenores como a relevância semântica,

de Engenharia Civil (DEC) defendeu o projecto

aspectos culturais ou socioeconómicos.

pesquisa de informação geral e empresarial. A inovação deste motor de busca consiste na sua adaptação ao mercado da Língua Portuguesa, falada por mais de 210 milhões de pessoas (sex-

“Revestimentos em Pedra Natural com Fixação Mecânica - Dimensionamento e Projecto”.

Com um registo recorde de patentes provisó-

Além do ISEP, o projecto integra como parceiros a Universidade de Aveiro, a Universidade

rias ou em preparação, o Centro de Investiga-

Dividido em dois actos, as provas de agrega-

de Lisboa e as empresas MSFT Software para

ção em Sistemas Confiáveis e de Tempo-Real

ção apreciaram o currículo do professor do

Microcomputadores, IZone – Knowledge

(CISTER), em colaboração com a Oficina de

ISEP, o relatório referente ao programa, con-

Systems, Ponto C – Desenvolvimento de Sis-

Transferência de Tecnologia e Conhecimento

teúdos e métodos de ensino do mestrado em

temas de Informação, Maisis – Sistemas de

do Politécnico do Porto (OTIC.IPP), apresentou

Engenharia de Fachadas e a apresentação e

Informação e a PT Comunicações.

o seu primeiro pedido de patente nos EUA.

discussão da lição referente ao projecto.

“Methods and Systems for Incrementally Obtai-

Com a aprovação por unanimidade, Rui Cam-

serem desenvolvidas no ISEP através do Gru-

ning an Interpolation of Sensor Readings”, ba-

posinhos obteve o título de agregado. Esta

po de Investigação em Engenharia do Conhe-

seia-se na experiência do CISTER em protocolos

notícia significa que Rui Camposinhos se

cimento e Apoio à Decisão (GECAD) – unida-

de controlo remoto sem fios de acesso priori-

torna no primeiro docente com agregação

de que, com os seus 80 investigadores e 51

tário médio e a sua exploração no âmbito das

na área de Engenharia Civil em todo o Ensino

doutorados, representa o maior grupo de I&D

iniciativas estratégicas em sistemas ciber-físicos.

Politécnico nacional.

do Ensino Superior Politécnico português.

Nuno Silva é o coordenador das actividades a


BREVES

O orçamento global do projecto é de aproxima-

alternativas, esta iniciativa propõe um con-

em Engenharia Mecânica – CIDEM); inter-

damente 1.2 M€, cabendo cerca de 94 mil euros

junto de desafios nas áreas da energia solar,

nacionalização (nomeadamente através de

ao ISEP. O World Search arrancou em Junho, pas-

aproveitamento térmico ou produção de bio-

programas de mobilidade académica); con-

sado estando sua conclusão prevista para 2012.

combustíveis. Na edição de 2010 participa-

tínua requalificação dos recursos humanos e

ram 186 escolas do Ensino Básico, Secundário

promoção de um bom ambiente de trabalho.

CRIAR SOLUÇÕES TECNOLÓGICAS PARA AS PME Amândio Gomes, estudante do Departamento de Engenharia Informática (DEI), foi um dos oradores convidados do workshop IPv6 – Internet de Nova Geração Desafios e Oportunidades, que se realizou no Hotel Porto Palácio, a 26 de Maio. Organizado pela Fundação para a Computação Científica Nacional (FCCN), este evento visou divulgar a tecnologia IPv6, tendo o jovem valor do ISEP apresentado a comunicação “Mais-valia do IPv6 para uma PME tecnológica”.

e Profissional, tendo-se destacado na modalidade Girassol o projecto desenvolvido pela Escola Salesiana do Porto com o ISEP.

em Engenharia Mecânica e em Engenharia Mecânica Automóvel, os mestrados Cons-

Esta notícia reflecte várias imagens de marca

truções Mecânicas e Gestão de Processos e

do Instituto, destacando-se o compromisso

Operações e a pós-graduação em Sistemas

com tecnologias e mentalidades promoto-

Integrados de Gestão da Qualidade, Ambien-

ras da sustentabilidade, a aposta na criativi-

te e Segurança. Em 2010/2011 lançará o novo

dade e na inovação, a abertura à sociedade

mestrado em Energias Sustentáveis.

e aproximação às comunidades escolares do Grande Porto e o constante desempenho em equipas vencedoras. Actualmente, o DEQ lecciona uma licencia-

CONHECIMENTO INCLUSIVO

tura e um mestrado em Engenharia Química,

O elearning.info – portal da Comissão Euro-

com especializações em Optimização Energé-

peia para promoção das tecnologias da infor-

tica na Indústria Química e em Tecnologias de

mação e comunicação na aprendizagem ao

Protecção Ambiental.

longo da vida – publicou recentemente um artigo de Gustavo Alves, docente do Departamento de Engenharia Electrotécnica.

Enquanto parceira do projecto europeu 6DEPLOY, a FCCN pretende apoiar a implemen-

Intitulado “De Ilícitas a Educativas: uma Via

tação de IPv6 em diversas áreas de negócio,

para Converter Máquinas de Jogo Ilegais”, o

servindo este workshop para informar as

artigo descreve o trabalho realizado desen-

comunidades académica e empresarial das

volvido ao abrigo da Rede Piá, da responsa-

vantagens associadas a esta nova realidade

bilidade dos brasileiros Juarez Bento da Silva

da Internet.

(Universidade do Sul de Santa Catarina), e João Bosco Alves (Universidade Federal de

Amândio Gomes encontra-se a desenvolver um projecto na empresa Neoscopio, sob

O DEM lecciona actualmente as licenciaturas

Santa Catarina), tendo a participação do ISEP

DEP. DE ENGENHARIA MECÂNICA ELEGE DIRECTOR

resultado do anterior envolvimento no pro-

Paulo Ávila foi reconduzido à frente do De-

educativas de base computorizada para uso

partamento de Engenharia Mecânica (DEM)

em escolas brasileiras do Ensino Básico, insti-

(no dia 10 de Maio), após ter recolhido 77%

tuições governamentais e não-governamen-

dos votos na eleição realizada no final de

tais que lidam com comunidades pobres e

Abril. Licenciado em Engenharia Mecânica

socialmente excluídas. O objectivo é desen-

pela Universidade de Coimbra e mestre em

volver tecnologias sustentadoras da inclusão

Produção Integrada por Computador pela

social, passando por uma medida que em si-

Joana Oliveira, Catarina Costa e Mateus San-

Universidade do Minho, Paulo Ávila concluiu

multâneo reduz factores de pobreza (menos

tos, alunos da Escola Salesiana do Porto, ven-

o doutoramento em 2004 com a defesa da

dinheiro gasto em jogo) e promove a edu-

ceram o 1º prémio na modalidade Girassol no

tese em Engenharia de Produção e Sistemas,

cação (aumentando o acesso e a motivação

concurso Rali Solar. O projecto vencedor con-

“Modelo Rigoroso de Selecção de Sistemas de

para aprender).

siste na produção de biodiesel a partir de cáp-

Recursos para o Projecto de Empresas Ágeis /

sulas de café à base de alumínio. Este trabalho

Virtuais para Produtos Complexos”.

orientação de Jorge Pinto Leite (DEI), destacando-se na sua apresentação a orientação do ISEP para as novas tecnologias e a atenção e capacidade de as adaptar às necessidades do maior tecido produtivo português: as micro, pequenas e médias empresas.

POR UM FUTURO SUSTENTÁVEL

de conversão de embalagens Nespresso em

jecto Alfa RexNet. O projecto desenvolvido consiste na conversão de máquinas de jogo em ferramentas

Até agora, o projecto já instalou 200 máquinas de jogo convertidas em 40 escolas, bene-

fonte de energia alternativa foi desenvolvido

Docente no ISEP desde 1994, Paulo Ávila inte-

ficiando directamente mais de 12 mil crian-

no Laboratório de Tecnologia Química do

grou o Conselho Pedagógico em 1997 e a As-

ças. A evolução do projecto permitiu também

ISEP, no âmbito da parceria de cooperação

sembleia de Representantes em 2001, sendo

desenvolver aplicações pedagógicas informa-

entre o Departamento de Engenharia Quími-

director do DEM desde 2009.

tizadas especialmente adaptadas a crianças

ca (DEQ) e o colégio portuense.

do Ensino Básico, e jovens com necessidades Para o novo mandato, as prioridades as-

educativas especiais.

O concurso Rali Solar pretende desenvolver

sentam na formação, prestação de serviços

uma cultura científica e empreendedora en-

e consultadoria, I&D (onde DEM alberga o

A edição nº 19 da eLearning Papers é dedica-

tre os jovens. Apostando na área das energias

Centro de Investigação e Desenvolvimento

da ao Ano Europeu do Combate à Pobreza e

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BREVES

à Exclusão Social, tendo o artigo de Gustavo

Aproveitando a larga experiência do ISEP, a

Ferramentas para a Furação de Laminados”

Alves sido consultado mais de 30 mil vezes

organização convidou João Falcão, docente

são duas comunicações que apresentam um

em meados de Junho.

do Departamento de Engenharia Geotécni-

modelo de simulação da furação de com-

ca (DEG), para integrar a Comissão Científica

pósitos baseado no software ABAQUS; e um

Em Setembro, o ISEP recebeu a visita do

do congresso. A participação do ISEP contou

estudo comparativo da extensão do dano em

professor Juarez Silva, ao abrigo do proto-

ainda com a apresentação das seguintes co-

função da geometria da ferramenta.

colo de cooperação académica estabelecido

municações: “Avaliação Geomecânica de Ma-

com a UNISUL.

ciços Rochosos Fracturados e as Tecnologias

Ainda em relação ao CIDEM, Luís Durão foi re-

de Perfuração: Consequências Técnico-eco-

eleito no início de Abril para continuar a dirigir

nómicas”; “Áreas Potenciais de Exploração de

o grupo. Recolhendo 93% dos votos, a equipa

Geomateriais para Enrocamento em Estrutu-

de Luís Durão apontou, entre as prioridades

ras Marítimas”; “Uma Previsão da Capacidade

para o triénio 2010-2012, a manutenção da

de Carga de três Estacas de Tipologias Dife-

classificação “Muito Bom” na próxima avalia-

rentes em Solo Residual de Granito”; “Estudo

ção da FCT e o incremento da colaboração

Microscópico da Mineralogia de uma Amos-

com empresas da região.

MESTRE DEI RECEBE MENÇÃO HONROSA Ludimila Gabriel foi distinguida com uma menção honrosa no Prémio Nacional de Trabalhos em Inteligência Artificial (TLEIA) 2009. O concurso da Associação Portuguesa para a Inteligência Artificial (APPIA) reconheceu o potencial da diplomada em Engenharia Informática pelo ISEP na iniciativa que pretende divulgar valores emergentes. A APPIA é a associação que representa e promove a Inteligência Artificial em Portugal, integrando mais de 300 membros entre instituições de Ensino Superior, empresas, estudantes e investigadores de renome internacional. Com o propóstio de comemorar o seu 25º

tra das Camadas de Prazeres”; “Contribuição para o Estudo da Combinação de Cal com Cimento no Tratamento de Solos”; e “Determinação dos Erros de Medição Associados a Ensaios in situ. Os Casos dos Ensaios DMT, PMT e CPTU”.

nharia Geotécnica e Geoambiente pelo ISEP, foram galardoados com uma menção honro-

cional, ao nível da licenciatura e mestrado

sa no Prémio AP3E de Engenharia dos Explosi-

em Engenharia Geotécnica e Geoambiente,

vos. Os trabalhos apresentados resultam dos

o DEG alberga ainda os centros de prestação

projectos de mestrado “Interacção e Avaliação

de serviços Laboratório de Cartografia e Geo-

entre o Maciço Rochoso e as Tecnologias de

logia Aplicada (LABCARGA) e Laboratório de

Perfuração: Consequências Técnico-económi-

Geotecnia e Materiais de Construção (LGMC).

cas” e “Avaliação Geotécnica e Geomecânica de Maciços Rochosos Fracturados para Controlo da Qualidade do Desmonte”, co-orienta-

Prémio TLEIA, principal distinção nacional da

dos por Carlos Galiza e Hélder Chaminé.

área e atribuiu uma menção honrosa à diplomada do ISEP. Ludimila Luiza de Lima Gabriel,

Ambos os projectos partem de um ponto

mestre em Engenharia Informática pelo De-

comum – as metodologias de trabalho no

partamento de Engenharia Informática do

maciço rochoso em duas pedreiras do Norte

ISEP, apresentou a concurso o projecto “Au-

Esta experiência espelha ainda as vantagens da cooperação entre empresas e o ISEP, através do patrocínio de estágios que permitam desenvolver soluções tecnológicas inovadoras e formar quadros superiores mais competitivos.

CONGRESSO DE GEOTECNIA COM PARTICIPAÇÃO DO ISEP

Luís Fonseca e Luís Ramos, mestres em Enge-

Com uma oferta formativa impar a nível na-

aniversário, a APPIA reeditou, em 2009, o

tomatic E-mail Organization”. Resultante da dissertação de mestrado orientada por Paulo Novais, este trabalho foi reconhecido como um dos melhores projectos de Inteligência Artificial desenvolvidos por jovens estudantes da Comunidade Científica Nacional.

AP3E DISTINGUE MESTRES DO DEG

de Portugal – para desenvolver resultados distintos, mas complementares. A dissertação de Luís Fonseca incide nos rendimentos e tecnologias de perfuração, enquanto Luís Ramos

CIDEM MOSTRA AVANÇOS DA MECÂNICA EXPERIMENTAL

aborda os desvios de perfuração. Os mestrados decorreram em ambiente empresarial, no Grupo MonteAdriano, complementados com investigação no Depar-

Luís Miguel Durão e Daniel Gonçalves, in-

tamento de Engenharia Geotécnica (DEG),

vestigadores do Centro de Investigação e

através dos centros de prestação de serviços

Desenvolvimento em Engenharia Mecânica

Laboratório de Cartografia e Geologia Aplica-

(CIDEM), apresentaram duas comunicações

da (LABCARGA) e Laboratório de Geotecnia e

no 8º Congresso Nacional de Mecânica Expe-

Materiais de Construção (LGMC).

rimental. Realizado em Guimarães, em Abril, este congresso é o principal fórum português

Esta distinção é mais um exemplo da qualida-

para divulgação e discussão das mais recen-

de e pertinência do trabalho desenvolvido a

tes tendências e avanços na área da Mecânica

nível da formação pós-graduada e investiga-

Experimental.

ção no ISEP.

de Geotecnia, que se realizou em Abril, passa-

Os trabalhos do ISEP incidem ambos nos re-

A avaliação dos trabalhos foi realizada por um

do em Guimarães. Promovido pela Sociedade

sultados do projecto “Furação de Estruturas

júri externo à AP3E, composto por elementos

Portuguesa de Geotecnia, este evento é o

em Compósitos de Matriz Polimérica”, finan-

das universidades de Évora, Nova de Lisboa e

principal encontro da área em Portugal e teve

ciado pela Fundação para a Ciência e a Tecno-

Coimbra e da Ordem dos Engenheiros, tendo

como tema a “Geotecnia e o Desenvolvimen-

logia (FCT). “Modelação da Furação de Lami-

a cerimónia de entrega de prémios decorrido

to Sustentável”.

nados por Elementos Finitos” e “Avaliação de

em Lisboa, no mês de Abril.

O ISEP participou no 12º Congresso Nacional


PROVAS DE DOUTORAMENTO

Pseudovarieties: idempotentgenerated semigroups and representations of DA

Estudo da mistura turbulenta de jactos coaxiais confinados Neste trabalho de doutoramento estuda-se a mistura turbulenta de

Com o avanço dos computadores electrónicos na década de 1950, o es-

jactos coaxiais, recorrendo a medições experimentais e comparando-

tudo dos autómatos finitos, um modelo matemático de uma máquina

-as com soluções numéricas das equações de Navier-Stokes pelo mé-

com um número de estados finitos, teve particular atenção. Os objec-

todo da simulação das grandes escalas (LES, Large-Eddy Simulation).

tivos eram os mais diversos, desde entender o potencial e as limitações das máquinas, a obter esquemas eficientes para organizar computações.

A equação de transporte do escalar passivo foi resolvida recorrendo a esquemas com limitador de fluxo para os termos convectivos e

Motivado em modelar a actividade do cérebro humano, Kleene cha-

ao modelo dinâmico para a contribuição das escalas não resolvidas.

mou regulares às linguagens que são reconhecidas por autómatos fini-

Foram feitos testes dos parâmetros numéricos e de modelação sen-

tos. O estudo destas linguagens é fundamental: permite compreender

do os seus efeitos nos perfis calculados confrontados com as medi-

o encadeamento dos cálculos num programa, expressar o comporta-

ções. A principal contribuição do trabalho é o foco nas estatísticas

mento de um processo, descrever certas operações de um editor de

de turbulência do escalar passivo, tanto nas medições experimen-

texto ou, mais geralmente, descrever um algoritmo iterativo. O facto

tais como nas simulações LES. A razão de velocidades r, entre as

de estas linguagens serem precisamente aquelas que são reconheci-

velocidades médias dos jactos exterior e interior, teve influência na

das por semigrupos finitos clarifica e torna profunda a ligação entre

incerteza. As menores incertezas nas estatísticas de turbulência do

autómatos finitos, linguagens regulares e semigrupos finitos. A teoria

escalar foram obtidas para as razões de velocidades elevadas, nas

de semigrupos finitos progride, então, tendo em vista as aplicações em

quais houve boa concordância com LES da flutuação do escalar. O

Ciências da Computação. Estabeleceu-se uma correspondência entre

fluxo turbulento de escalar, raramente analisado em LES de escoa-

certas famílias de linguagens regulares e certas classes de semigrupos

mentos complexos, mostrou ordem de grandeza semelhante mas

finitos, denominadas de pseudovariedades, cujo interesse tem cresci-

perfis de formas distintas.

do continuamente. A geometria cilíndrica foi simulada utilizando um código validado Em “Diamonds are forever: the variety DA”, Tesson e Thérien realçam a im-

anteriormente. Usaram-se malhas não ortogonais, tendo sido imple-

portância da pseudovariedade DA, evidenciando que as linguagens regu-

mentadas correcções para a não ortogonalidade e feita a sua valida-

lares que lhe correspondem têm certas caracterizações combinatórias, ló-

ção no escoamento no interior de um tubo. Os esquemas numéricos

gicas e na teoria de autómatos que permitem resolver de um modo mais

e modelo dinâmico para o escalar passivo foram validados num es-

eficiente certos problemas na teoria da computação e da complexidade.

coamento em canal plano.

Os trabalhos de doutoramento consistiram em dois tipos de proble-

As estatísticas do escalar passivo foram insensíveis a mudanças nos

mas interligados. Num deles, estudaram-se alguns operadores sobre

termos difusivos das equações e é proposta uma ligação com a hi-

pseudovariedades de semigrupos definidos em termos dos subsemi-

pótese de independência da difusividade: o comportamento do es-

grupos gerados por idempotentes. O outro consistiu no estudo da

calar passivo é independente dos termos difusivos e, no LES de um

pseudovariedade DA tendo como resultados várias representações dos

escalar passivo, a média do campo escalar pode obter-se usando

semigrupos pró-DA livres (semigrupos que contêm informação valiosa

uma equação hiperbólica.

acerca das propriedades algébricas e combinatórias dos semigrupos de DA). Como aplicação de uma dessas representações, obteve-se uma solução eficiente (com complexidade polinomial) do problema da ω-palavra sobre DA. Os chamados problemas da palavra têm desempenhado um papel muito importante em vários ramos da Matemática.

Nome Pedro Miguel Areal

Nome Ana Moura

Orientador Professor Doutor Laginha Palma (FEUP)

Área Científica Matemática (Semigrupos, Autónomos e Linguagens)

Local Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto

Orientador Professor Doutor Jorge Almeida (FCUP)

Data da Prova Fevereiro 2009

Local Universidade de Aveiro Data da Prova Maio 2010

Área Científica Engenharia Mecânica: Simulação numérica computacional em mecânica dos fluidos

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ISEP.BI 11  

Boletim Informativo do Instituto Superior de Engenharia do Porto.

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