Issuu on Google+


Revista criada a partir dos trabalhos de Estudo do Meio, feitos em Paraty pelas alunas da turma 94 em 2012:

Anna Saccomandi nยบ4 Beatriz Cardillo Cury nยบ5 Isabella Lavieri Zamperlini nยบ16 Maria Luiza G. B. V. L. Bueno nยบ28


Ao leitor A história de Paraty, Rio de Janeiro, é longa e antiga. Conhecer suas raízes históricas profundas é fundamental para compreendê-la completamente, nos dias de hoje. A cidade foi palco e centro de transição de diversas atividades econômicas, principalmente café, ouro, cana-de-açúcar, pedras preciosas e cachaça. Já no aspecto natural, a região apresenta uma fauna e flora diversificadas e bem preservadas. Ações governamentais e o respeito por parte dos cidadãos contribuem para a segurança e proteção do meio ambiente. Ao recordar a história de Paraty, é impossível não mencionar a polêmica que envolve a questão da energia nuclear, pois, próximo à cidade, localiza-se as duas únicas usinas nucleares brasileiras, na cidade vizinha, Angra dos Reis. Suas vantagens e desvantagens dividem a opinião da população. Enquanto os favoráveis a ela defendem que este tipo de fonte de energia representaria uma nova forma de se produzir energia elétrica de um modo limpo e sustentável, os que são contra alegam que o risco de um acidente nuclear ocorrer é grande, além de apelarem para o medo, de uma possível guerra nuclear. Opiniões à parte, esse é um assunto que ainda provoca discussões e debates ao redor do mundo todo e que, pelo visto, não é algo que será concluído fácil ou rapidamente. No geral, a edição desta revista tem como objetivo sintetizar todos os conceitos e conteúdos trabalhados durante este ano, principalmente o último bimestre como a viagem à cidade histórica de Paraty, complementando nosso estudo de forma prática, concluindo um ciclo de estudo, o Ensino Fundamental e iniciando, assim, uma nova etapa em nossas vidas: o Ensino Médio.


Vivendo em um fiorde tropical À beira mar, com uma leve brisa refrescante, Armelindo Souza nos conta um pouco sobre sua vida humilde e trabalhadora no único “fiorde tropical” brasileiro, onde trabalha como artesão local, construindo barcos em miniatura e pescador local. A entrevista, realizada de forma bastante informal, em uma das mais belas paisagens do mundo, releva sua rotina diária, condições de saúde local e a falta de escolhas em sua vida.

Colégio São Luís: Como é a vida da população local? Armelindo Souza: A vida dos moradores locais é simples, porém difícil. Todos trabalhamos muito para conseguir sustentar nossas famílias, mas somos felizes, vivemos bem. CSL: Quais são as principais profissões existentes no Saco do Mamanguá? A.S.: Na verdade, não temos muita escolha. A maioria das pessoas aqui são pescadores ou artesãos, é o único modo que encontramos para sobreviver. CSL: É possível sustentar sua família apenas com a pesca? Ou existe algum outro tipo de profissão que o senhor exerce para ajudar a complementar sua renda? A.S.: Com o excesso de pesca na região, falta de respeito com os ecossistemas e fiscalização, há uma decadência cada vez maior na quantidade de peixes capturados. Para suprir essa necessidade, muitos pescadores têm procurado investir em outras atividades, como o turismo, presente na área, por conta da beleza natural da região, que atrai diversos turistas.


CSL: Como são as condições de saúde na região? A.S.: Nós utilizamos fossas sépticas e, depois de um tempo, todo o esgoto é transportado, por meio de navios, para a cidade. CSL: Como é sua rotina e de seus familiares? A.S.: Eu acordo cedo para o trabalho e passo grande parte do meu dia no mar, pescando. Já os meus filhos vão para a escola de barco. CSL: O que o senhor espera para o futuro de seus filhos? A.S.: Com as condições de educação que tento lhes proporcionar, espero que mudem seus destinos e tentem crescer profissionalmente, que abram seus horizontes para fora de nossa realidade simples e humilde.


História de Paraty araty, considerada atualmente, Patrimônio Histórico da Humanidade, preserva ainda hoje seus inúmeros traços arquitetônicos e naturais. A maçonaria, sempre presente no cotidiano da população durante a época colonial, pode ser facilmente identificada através de detalhes sutis na arquitetura das construções, já que esta foi e ainda é uma característica marcante da cidade histórica. Seus importantes ciclos econômicos também foram essenciais para o desenvolvimento da região e melhoria da qualidade de vida da população, sendo a cachaça, o ouro, o café e a cana-de-açucar, os principais. A originalidade e autenticidade de Paraty encontram-se no modo como ela equilibra, de modo saudável e inteligente, o passado, com suas tradições, e a modernização, caracterizada, por exemplo, pela implementação de usinas nucleares em Angra dos Reis, região próxima à cidade. Assim, se realmente houver o efetivo investimento governamental em saneamento básico e higiene, Paraty é um forte candidato a tornar-se Patrimônio Histórico da Humanidade.


A perspectiva da fotografia Bela cidade colonial, considerada Patrimônio Histórico Nacional, Paraty preserva até hoje os seus inúmeros encantos naturais e arquitetônicos. Passear pelas exóticas praias de Paraty é entrar em outra época, onde o mar cristalino e a areia macia formam paisagens exuberantes preservadas ainda hoje, devido ao respeito da população local pela região. A foto escolhida, uma praia no caminho para o Saco do Mamanguá, representa bem esta característica peculiar de Paraty, essa sua originalidade e beleza natural. Ela capta a essência do que a cidade representa, sua população, em sua maioria, simples e humilde, suas praias atrativas e a principal atividade econômica da região litorânea, a pesca. Procuramos emoldurar a fotografia com parte da vegetação, de forma que ela se encaixasse harmoniosamente com o resto da paisagem. O foco principal foi dado aos barcos e aos seus proprietários, os pescadores que ali estavam, representando, portanto, a principal fonte de seu sustento, a pesca. Como pano de fundo, temos um tipo de relevo que inicia formação do conhecido “fiorde tropical” brasileiro. Concluindo, é pelo conjunto de todas essas características e aspectos únicos que Paraty é considerada um patrimônio histórico natural.


Vídeo Filosófico

Com o objetivo de aprofundar nosso conhecimento em relação ao filósofo Pitágoras, produzimos um vídeo, no qual apresentamos o modo como ele pensava, explicando, de uma forma dinâmica, sua filosofia e como ela se relaciona com a cidade histórica de Paraty e a questão da maçonaria presente na região. O curta encontra-se em forma de telejornal, com filmagens realizadas no próprio local e também na cidade de São Paulo, ao retornarmos. Ele disponibiliza-se no link abaixo, para ser assistido por leitores interessados:

http://migre.me/c1ntY


Cartão Postal

Já em Paraty, com a finalidade de promover uma maior integração entre nós e nossos correspondentes em São Paulo e também procurar fazer com que esta tradição, já um pouco esquecida pelas pessoas atualmente, retornasse à pratica, nós escrevemos e enviamos cartões postais, contando um pouco de nossa estadia na cidade. Para torná-lo ainda mais especial e interessante, optamos pela língua inglesa, já que é de conhecimento universal. Um deles encontra-se a seguir:


Paraty Impressionista A partir das fotos selecionadas de Paraty, pela professora de Artes, com uma variedade de paisagens de cada região, tivemos que escolher uma para cada dupla e recriá-la com as características do movimento impressionista; onde a imagem não deveria mostrar contornos nítidos, deveria haver pequenas pinceladas, as sombras deveriam ser luminosas e coloridas, causando uma impressão visual, entre outras características. No projeto foi permitido o uso de cores primárias, apenas, nos fazendo misturá-las para obtermos novas cores.


Anna Saccomandi e Isabela Damascena

Isabella Zamperlini e Julia Quintas


Vivendo na Ilha das Cobras

Em uma das esquinas de um dos bairros mais simples da cidade histórica de Paraty, encontramos Lioneia Vieira Pascal, 43, e sua filha. Ela nos conta um pouco de sua vida; uma mulher humilde, de religião católica, desempregada no momento, pelo fato de ter sua escolaridade até o fundamental II. Por conta de sua pressa e falta de tempo, fizemos uma entrevista bastante informal, em uma simples praça onde estávamos com nosso grupo.

Colégio São Luís: No caso dos moradores da cidade ou região, como sobrevivem economicamente? Sua profissão está relacionada direta ou indiretamente ao turismo? Lioneia Pascal: Meu namorado me sustenta, eu não trabalho no momento. CSL: Quais as principais dificuldades vividas pela população local? L.P: Saneamento básico... E á noite tem bastante falta de segurança na cidade. CSL: Já pensaram em deixar a cidade para “tentar a sorte” em outro local? Por quê? L.P: Nunca pensamos em deixar Paraty, gostamos muito daqui.


CSL: O meio ambiente local é preservado? Você observa alguma ação do governo para garantir essa preservação? Exemplifique. L.P: Na minha opinião é bem preservado, tem uma grande diversidade de animais e plantas... Mas nunca reparei em ações do governo. CSL: O que você pensa sobre viver tão perto de uma Usina Nuclear? Cite vantagens e desvantagens. L.P: Viver perto de uma Usina Nuclear não afeta nada no meu dia a dia, pois sempre vivi aqui e nunca reparei.

O grupo e Lionéia


Simetria em Paraty Em Paraty, é inegável a presença dos símbolos maçônicos e religiosos, como já foi citado anteriormente, e, consequentemente, a presença de simetria. Ela pode ser observada desde na natureza, em plantas, flores e folhas, até na arquitetura das casas e construções, incluindo nesta, casas de maçons. Assim, sintetizando todos estes conceitos de simetria e, portanto, com a razão áurea e o pentagrama inclusos, produzimos um trabalho que demonstrasse a presença e a influência destes na identidade da cidade. A seguir, encontra-se o produto final de nosso trabalho, onde criamos, a partir do símbolo do hotel no qual nos hospedamos, Villa Harmonia, um móbile que representasse nossa visão sobre o assunto, sem nos esquecer da parte estética.


Conhecemos o suficiente?

Atualmente, a energia nuclear tem gerado muita polêmica e sido foco de debates importantes no mundo todo. Esse tipo de energia, entretanto, inegavelmente tem poder suficiente para crescer cada vez mais e participar ativamente da economia e integração global, sem contribuir para o efeito estufa, representando, portanto, uma forma de energia limpa e sustentável. Diferentemente do que a maioria das pessoas acredita, a energia nuclear possui baixos custos de produção. Como as usinas podem ser instaladas em regiões próximas a centros consumidores, a distribuição de energia pode ser realizada de forma mais rápida, prática e barata. Tais benefícios oferecem tantas vantagens que até mesmo ambientalistas renomados, que no ano passado condenavam a utilização de energia nuclear, aos poucos vêm mudando sua opinião sobre o tema. Como por exemplo, um dos fundadores do Greenpeace, James Lovelock, o qual afirma: “Não existe um motivo realmente forte para não utilizá-la, já que, o principal deles, que as usinas são fontes de risco de acidentes, não pode ser realmente comprovado, pois ao longo dos anos, a segurança, o controle e a fiscalização sobre os meios de produção tem se desenvolvido bastante e diminuído muito o número de mortes, sendo estas escassas e isoladas”.


Mesmo que ainda não tenha sido encontrada uma solução definitiva para o rejeito nuclear de alta radioatividade, pesquisas avançadas estão sendo realizadas neste ramo e prevê-se que até 2017 países desenvolvidos já possuirão depósitos permanentes para 95% desse tipo de lixo atômico. Desse modo, é impossível não concordar que a utilização de energia nuclear, nos dias de hoje, é extremamente essencial, prática e efetiva, além de não causar um grande impacto na atmosfera, como os combustíveis fósseis. A única dificuldade encontrada para a expansão desse tipo de energia é a forte oposição da população que, por falta de conhecimento sobre o assunto, a condena. Assim, a solução para isso seria uma divulgação dos benefícios e vantagens provenientes da utilização de energia nuclear, juntamente com a justificativa de suas desvantagens infundadas, promovendo um aumento do nível de informação dos cidadãos.


Revista Paraty