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os primeiros 25 anos 1986 ~2011

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os primeiros 25 anos 1986 ~2011

LEICAR Associação dos Produtores de Leite e Carne

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Texto ARMINDO FERREIRA Design Isac Araújo Fotografia Rui Sousa Arquivo LEICAR Agradecimentos A Armindo Ferreira, Presidente da Junta de Freguesia de S. Pedro de Rates, pela criatividade e concepção postas no lançamento deste projecto A Joaquim Cruz, Director Técnico da LEICAR, pelo trabalho de pesquisa e ordenação que alicerçou o presente livro À Câmara Municipal da Póvoa de Varzim pela colaboração prestada Impressão: Maiadouro Junho de 2011

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ÍNDICE

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PREFÁCIO Por Emídio Gomes

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NOTA PRÉVIA

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ANOS 80 – UMA NOVA GERAÇÃO DE AGRICULTORES

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NASCE A LEICAR… …que cresce e se afirma com o esforço de muitos… …que pacifica as relações com a Cooperativa… …que luta nas ruas… …que enfrenta a AGROS… …que ia sendo vítima da Parmalat… …que cria estrutura própria para a comercialização de leite… …e para a comercialização de carne… …que constrói edifícios – sede… …que presta serviços… …que forma, informa e promove… …e tem agora um novo mundo à espera.

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DEPOIMENTOS João Machado António Serrano José Macedo Vieira Luís Capoulas Santos Carlos Duarte Joaquim Maia Igreja P.e Manuel de Sá Ribeiro Armindo Ferreira Manuel Valentim Pereira Vilar

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7 Uma família de lavradores, nos finais do sec. XIX (in "Álbum de Vistas de S. Pedro de Rates", de António Ferreira Serra)


» novos saberes à rápida evolução técnica das explorações leiteiras, a importância da formação profissional dos agricultores, a organização dos mercados de compra e venda, « …

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PREFÁCIO

UMA HISTÓRIA EXEMPLAR! ✎ Emídio Gomes Pró-Reitor da Universidade do Porto

Os último vinte e cinco anos constituem uma parte importante da história exemplar da agricultura do Entre-Douro e Minho, em especial da desenvolvida nos domínios territoriais onde sempre teve maior significado económico: as antigamente designadas “Terras da Maia”, que nos seus primórdios, por alturas dos séculos XIII e XIV, começavam logo após os limites físicos da Cidade do Porto, nos terrenos onde hoje está instalado o Hospital Geral de Santo António. A estas terras férteis sempre foram associados os valores do trabalho e das práticas mais inovadoras da actividade agrícola de cada época. A produção de leite não foge a esta regra. Atentos aos sinais da importância cada vez maior da produção de leite na Europa, os agricultores da região empreenderam a partir da década de setenta um processo de modernização da exploração agrícola absolutamente exemplar. A capacidade de adaptação às exigências dos mercados, a concentração da produção num número mais limitado de explorações mais modernas e de maior dimensão, a evolução dos biótipos animais, etc., tudo isto foi conseguido com serenidade, muito trabalho e saber acumulado de muitos anos e gerações familiares. É óbvio que toda esta evolução foi acompanhada, e suportada, em alterações profundas dos modelos e formas de organização da produção. Em especial após a adesão de Portugal à União Europeia, as organizações de produtores foram fundamentais à reestruturação e manutenção da competitividade das explo-

rações leiteiras. É por isso da mais elementar justiça realçar o papel destas estruturas. A LEICAR, surgida em 1986, completando assim vinte e cinco anos de existência, é um exemplo notável das novas formas organizativas de apoio ao agricultor. A ligação dos novos saberes à rápida evolução técnica das explorações leiteiras, a importância da formação profissional dos agricultores, a organização dos mercados de compra e venda, tudo foi desenvolvido tendo como objectivo a luta pela defesa dos agricultores em mercados definitivamente abertos, constituindo marcas indeléveis do percurso e da história destes vinte e cinco anos da LEICAR. Quando percorremos muitas das ocorrências deste tempo recente, e dos muitos incidentes nele contidos, há sempre algo que sobressai como o fio condutor de todo o processo: a preocupação com os agricultores, com as suas explorações enquanto empresas, com os próprios enquanto pessoas e o valor sagrado deste principio, visando sempre o seu bem estar e prosperidade. Como bem dizia o Padre Agostinho Antunes de Azevedo nos seus escritos “A maior aspiração de um lavrador amigo da sua terra e brioso da sua casa é trespassá-la intacta como um vínculo tradicional ao seu sucessor, e acrescentá-la sendo possível demais algumas leiras adjacentes. Para isso procura por todos os meios garantir a continuidade da administração directa, da paixão à terra, que herdara dos seus antecessores(…)”. Esta é, por tudo isso, uma história exemplar!

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O vale de Rates, com o centro hist贸rico em primeiro plano


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NOTA PRÉVIA

Solicitado pela direcção da LEICAR a escrever a história dos seus primeiros 25 anos, reflecti maduramente sobre se devia aceitar essa incumbência – que era, além de uma honra, um sério risco.

elas que se percebe o fio condutor da história; é delas que emana a motivação que, ao longo desta difícil maratona, galvanizou responsáveis e agregou o tecido associativo, tantas vezes exposto a vacilações e dúvidas.

Se quanto à honra da missão a razão é óbvia, já no tocante ao risco se impõe um esclarecimento: é que este derivava não tanto da natureza da incumbência (porque aí o meu reconhecido feitio crítico se encarregaria de controlar, e moderar, o carácter naturalmente encomiástico da encomenda), nem sequer da minha proximidade à história que era desafiado a contar (que eu também consigo, sem esforço, distanciar-me e fazer a necessária autocrítica), muito menos do suposto interesse pessoal (no fundo, era Rates – a minha dama – que, em muitas circunstâncias, se confundia com a própria instituição; e, em se tratando de Rates, a objectividade e a independência crítica estariam porventura em causa).

Dito isto, que para mim era condição prévia, importa deixar, desde já, uma outra nota, igualmente relevante: a LEICAR é o que é, a LEICAR é como é, a LEICAR será, a muito curto prazo, o que desde já nos é dado adivinhar porque foi sonhada, construída, consolidada, reformulada, reinterpretada, reprojectada, reconstruída (sempre nesta dinâmica coabitação entre sonho e realidade) por José Campos de Oliveira. Pode lapidarmente dizer-se: a LEICAR é José Campos de Oliveira. (A inversa não é plenamente verdadeira, porque Oliveira é mais que a LEICAR, é outras várias coisas com que a LEICAR nem sonha…). Se, em geral, as organizações são o rosto de quem as pôs de pé, raramente essa identificação poderia ter sido mais íntima, mais forte e mais nítida do que esta que liga LEICAR e José Oliveira. Mais que o tempo, é aqui decisiva a intensidade da relação, patente na determinação que preside à liderança de Oliveira, inquebrável mesmo quando foi (e algumas vezes foi) um homem acossado e só. Outro qualquer responsável, menos teimoso, teria soçobrado; Oliveira fez da resistência uma questão de sobrevivência (do projecto e dele próprio enquanto responsável associativo). E, podemos hoje afirmá-lo sem grave risco de erro, está a um (curto) passo de ver realizada a última fase do seu sonho inicial: a unidade industrial, que revolucionará a relação entre produção e indústria do leite, garantindo a sobrevivência digna dos produtores e a manutenção desta importante marca económica da agricultura de Entre Douro e Minho.

O risco não era, repito, nenhuma destas circunstâncias em particular; era a mistura, potencialmente explosiva, de todas elas. Mas se aí estava o risco, era também aí que estavam o mérito e o interesse. Porque se é importante – toda a crítica historiográfica o proclama – o distanciamento relativamente aos factos (distanciamento no tempo e na envolvência pessoal), não tenho receio de afirmar que, garantido o necessário recato do autor, a história tem tudo a ganhar se for contada por quem nela participou ou com ela teve uma relação próxima. E, no caso pessoal do autor, a participação, além de só no início ter sido directa, foi sempre próxima – e, adianto, pontualmente crítica. Quero, pois, dizer, desde já, a quem tiver a paciência de ler estas páginas que elas são, inquestionavelmente, um relato (escasso) e uma interpretação (essa, sim, abundante) do que foi a vida da LEICAR neste inicial quarto de século. Porque mais que os factos (a sua sucessão diacrónica sem uma razão forte a ligá-los) importam as razões que os determinaram: é por

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A Oliveira sucederá, largos anos, Oliveira. Mas é conveniente que o futuro não dependa, tanto como agora, de um só homem.

Armindo Ferreira 2011 Julho 17


»E, podemos hoje afirmá-lo sem grave risco de erro, está a um (curto) passo de ver realizada a última fase do seu sonho inicial: a unidade industrial, « … 13


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O centro histórico de Rates, que um conjunto feliz de circunstâncias nos entregou sem mancha assinalåvel


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17 Mesmo Ă margem da Rua Direita, uma sementeira de milho para silagem


ANOS 80 – UMA NOVA GERAÇÃO DE AGRICULTORES

Como o tempo corre! Tudo está tão presente – parece que foi ontem – mas já lá vão 25 anos, vividos num intenso turbilhão de sonhos, projectos, realizações (e também frustrações e adiamentos) que, uns e outros, estiveram na origem da maior revolução até hoje operada na bacia leiteira de Entre Douro e Minho (a maior do país).

Estávamos no início dos anos 80. Uma nova geração de agricultores, liberta do fantasma da guerra colonial (que ao longo de anos reclamara os melhores braços) e tecnicamente mais bem preparada que a geração dos seus pais, via na Europa (a que Portugal se esforçara por aderir, numa inflexão geopolítica que menorizou cinco séculos de presença em África) a oportunidade para empreender a modernização estrutural que se impunha no mundo agrícola. Os fundos da ajuda comunitária, que se anunciavam abundantes, estimulavam essa mudança, para uns condição de sobrevivência, para outros esperança de sucesso económico. A dimensão média das parcelas, aliás dispersas, era muito reduzida, apesar de anos de incentivo ao emparcelamento, dificultado por fortes atavismos culturais. Globalmente, a dimensão da exploração agrícola era baixa. Uma velha cultura de auto-suficiência, aliada à inexistência ou à fragilidade de organizações comerciais de mercado, reflectia-se no mosaico de culturas que rotativamente ocupavam os campos: de tudo se produzia, para auto-consumo e (necessariamente também, mas nalguns casos muito pouco) para venda. Vejam que, nas terras fundas dos vales de Rates e de Balasar, as videiras tinham presença dominante, bordejando os campos, elas que (coitadas) mais não produziam que um verdasco muito ácido, que os Poveiros, sobretudo os pescadores, muito apreciavam – aliás, o vinho foi, nesta região, um dos principais suportes económicos dos agricultores. Digamos que, neste quadro, a agricultura

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não era propriamente a tão lamentada “arte de empobrecer alegremente”: garantia à generalidade um “remedeio” difícil mas digno e a alguns (raros, os comercialmente mais perspicazes) prosperidade e desafogo. Havia já uma razoável mecanização do trabalho agrícola, por vezes assente em pequenas sociedades (partilha de algumas máquinas mais caras e de uso sazonal). O gado vacum, que até à década de sessenta fora sobretudo animal de força e de carga, era agora sobretudo produtor de leite (as tradicionais vacas galegas, ou minhotas, deram lugar às turinas); mas era ainda escasso: um mediano agricultor rondava as vinte vacas leiteiras e os vitelos correspondentes – raros eram os que excediam esse número. Os primeiros, e os que tinham um efectivo pecuário inferior, conduziam a sua manada, solta pelos caminhos, à ordenha colectiva mais próxima – que, não raro, funcionava como ponto de contágio e de difusão de doenças; só os possuidores de maior efectivo tinham ordenha própria, o que os colocava a salvo daquele risco. Esta era a situação da agricultura que se fazia em Rates e na região quando, em 1985 e por força dos apoios de pré-adesão de Portugal à C.E.E., tiveram lugar, entre Douro e Minho, por iniciativa da Direcção Regional de Agricultura, cursos para empresários agrícolas, cuja frequência era condição para acesso às ajudas de instalação e que eram, também por isso, muito procurados por jovens que acreditavam ser capazes de


» ao longo de 1985, germinou e amadureceu a ideia de criar uma Associação que, reunindo e representando os produtores de leite e de carne, « …

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S贸cios e convidados, na posse dos primeiros 贸rg茫os sociais (no sal茫o paroquial de Rates)


dar o passo que se impunha para tornar competitiva a agricultura da região. Estes cursos davam natural destaque ao associativismo como via para a superação das contingências do minifúndio; e, cumulativamente, reforçavam a convicção de que as organizações agrícolas então existentes (as cooperativas, muitas delas meras sucessoras dos grémios da lavoura) não prestavam aos seus associados o apoio de que estes careciam e que no contexto da época se impunha. Tornava-se claro também a todos estes jovens que a especialização produtiva era condição indispensável à competitividade. E, nesta perspectiva, impunha-se claramente uma opção: a produção de leite e de carne era a mais adequada às condições edafoclimáticas da região. Foi assim – neste contexto, com estes pressupostos, com estes objectivos – que, ao longo de 1985, germinou e amadureceu a ideia de criar uma Associação que, reunindo e representando os produtores de leite e de carne, lhes facultasse esclarecimento (sobre as linhas de desenvolvimento da agricultura nacional e o seu enquadramento com a Política Agrícola Comum, bem como sobre a forma como aceder aos benefícios financeiros nacionais e comunitários), prestasse serviços de contabilidade agrícola, incentivasse e melhorasse a produção de leite e de carne, colaborasse com as entidades oficiais na definição das políticas sectoriais e dos respectivos preços, promovesse o redimensionamento e a rentabilização das explorações agrícolas, aproximasse o produtor do consumidor (encurtando, sempre que possível, as redes de distribuição), cuidasse da promoção sócio-profissional dos associados e desenvolvesse acções de protecção aos agricultores em geral. Assim se pensou – e assim se fez. A LEICAR – Associação dos Produtores de Leite e Carne veria a sua constituição firmada em Notário (2º Cartório da Secretaria Notarial da Póvoa de Varzim) por escritura pública celebrada em 14 de Agosto de 1986, subscrita por 24 agricultores, todos residentes no concelho da Póvoa de Varzim (11 de Rates, 9 de Balasar, 3 de Terroso, 1 de Laundos). O tempo entretanto decorrido (estes galopantes 25 anos) e os muitos passos já caminhados confirmam que os propósitos fundadores estão a ser cumpridos ou perspectivam realização a breve prazo. O que, traduzindo acima de tudo uma grande determinação na busca de soluções e a certeza de que novos desafios estão ao seu alcance, significa, obviamente e antes de mais, que a LEICAR é um caso de sucesso. Como veremos.

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Um documento hist贸rico


NASCE A LEICAR…

O leitor já percebeu, mas convém que sejamos claros: não foi por acaso que esta Associação aqui nasceu, e com estes exactos objectivos. Como não foi por acaso que igualmente aqui surgiu, três anos depois, a Casa-Escola Agrícola Campo Verde, inspirada numa pedagogia (originária de França e presente em dezenas de países de vários continentes) que tem na alternância (entre a casa e a escola, ou seja, numa grande ligação às famílias) o segredo de uma formação muito eficaz.

É que aqui, e à volta daqui, estão os melhores solos de Entre Douro e Minho, fundos e frescos – e, por isso, excepcionalmente favorecidos, até pela pluviosidade (a mais alta do país), para a produção de forragens, base da almejada auto-suficiência alimentar de um efectivo pecuário que não parava de crescer e que praticamente já trocara o pasto ao ar livre pela pachorrenta ruminação em estábulo.

À falta de outro espaço (e, no fundo, porque era mesmo aqui que convinha que a nova Associação se instalasse), o grupo fundador abordou o Pároco (Padre Manuel de Sá Ribeiro), a quem expôs o projecto e deu conta da disponibilidade da Associação de Amizade de S. Pedro de Rates para prescindir de um espaço que ocupava e de um outro que então ficara vago e lhe estava prometido,

Era um tempo novo este que então se vivia nos campos. Tempo de entusiasmo, mas também de indefinição e de dúvida. Tempo, acima de tudo, para se ser prudente e seguro – até porque não faltava, em funções de aconselhamento supostamente seguro, quem acenasse com a miragem fácil do “fundo perdido”, prometedor de abastança imediata.

E assim se criaram condições para que a nascitura Associação (já então denominada LEICAR – ASSOCIAÇÃO DOS PRODUTORES DE LEITE E CARNE DA PÓVOA DE VARZIM) pudesse declarar (art. 3º dos Estatutos) que “tem a sua sede provisória no Lugar do Mosteiro, da Freguesia de Rates, do concelho da Póvoa de Varzim”.

Impunha-se, pois, procurar resposta para muitas dúvidas, que eram comuns a todos os jovens agricultores. José Oliveira tomou a liderança do processo de constituição de uma Associação, partilhando reflexão com um núcleo de amigos (agricultores ou interessados na problemática agrícola): os irmãos Malta (António e Miguel), o Dr. Santos Costa, o Eng. Manuel Carrelo (então funcionário do Ministério da Agricultura, em serviço na Zona Agrária da Póvoa de Varzim, hoje residente no Canadá) e o autor destas linhas (então Presidente da Direcção da Associação de Amizade de S. Pedro de Rates, que tinha sede no rés-do-chão de um edifício paroquial, mesmo ao lado da igreja românica de Rates).

Para a história ficam os nomes dos 24 fundadores oficiais (aqueles que assinaram a escritura notarial de constituição da LEICAR, em 14 de Agosto de 1986): José Campos de Oliveira, José Ervalho Fernandes da Silva, Alberto Ferreira da Costa, Justino dos Santos Matias da Silva, José Ribeiro da Fonte, José de Azevedo Ferreira Serra, Emídio de Matos Ferreira, Paulino dos Santos Matias da Silva, Francisco dos Santos Torres, João dos Santos Azevedo, António da Silva Santos, Miguel Pereira Malta, Manuel Domingues da Silva Furtado, Miguel dos Santos Pereira da Costa, António Pereira Malta, Joaquim dos Santos Pereira da Costa, Manuel António Ferreira Rodrigues, José Mário Ferreira Rodrigues, Francisco José Amorim Pontes,

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Carlos Salgueiro Sá da Silva, Alberto Martins Furtado, José Petejo Fernandes, José Ribeiro da Costa Ferreira e Mário Pereira Cancela. A LEICAR iniciou actividade, no referido e acanhado espaço da paróquia de Rates, em finais de 1986, com uma técnica (Eng.ª Rosa Maria Martins Campos), que se manteria em funções até Setembro de 1989 (substituída pelo Eng.º Joaquim Miranda Cruz, actual director técnico). Àquela técnica juntar-se-ão, em 1 de Março e em 9 de Maio de 1987, Manuel Fernando Ferreira Moreira e Deolinda Amélia da Silva Costa, que se mantêm entre os actuais funcionários da Associação.

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25 A mesa de honra, na posse dos primeiros 贸rg茫os sociais


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Ao lado da igreja românica, a casa paroquial em cujo rés-do-chão a LEICAR teve a primeira sede


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… que cresce e se afirma com o esforço de muitos…

Os 24 fundadores eram, em boa verdade, uma ampla e informal Comissão Instaladora, liderada por José Campos de Oliveira. Foi em 28 de Agosto de 1986 que teve lugar, no Salão Paroquial de Rates, a primeira eleição dos órgãos sociais da LEICAR, em lista única cuja composição requereu a participação de catorze daqueles 24. Presidiu a esta assembleia eleitoral (a primeira das dez que tiveram lugar nestes 25 anos), o associado Mário Pereira Cancela, que de imediato conferiu posse aos eleitos

Este mandato, que deveria durar até Dezembro de 1988, foi interrompido, dando lugar a novo acto eleitoral, em 3 de Maio de 1987, com a recondução de quase todos os membros dos órgãos sociais, acrescentados de membros suplentes. A posse, que lhes foi conferida pelo Dr. Joaquim dos Santos Pereira da Costa, (“na qualidade de sócio fundador” da LEICAR, diz o respectivo Auto), ocorreu, como era habitual, no Salão Paroquial de Rates, perante um auditório muito vasto, que reunia representantes do poder local e de organizações e empresas ligadas à actividade agrícola. A lista eleita, que na prática constituiu os primeiros órgãos sociais da LEICAR, teve a seguinte composição: a) Mesa da Assembleia Geral: António Pereira Malta, Paulino Amorim dos Santos, Miguel Santos Pereira da Costa e José Azevedo Ferreira Serra; b) DirecçãoEfectivos: José Campos de Oliveira, José Ervalho Fernandes da Silva, José Ribeiro da Fonte, Miguel Pereira Malta, Justino dos Santos Matias da Silva, José Mário Ferreira Rodrigues, Francisco José Amorim Pontes; Suplentes: Emídio Matos Ferreira, Mário Pereira Cancela, Alberto Ferreira da Costa e António da Silva Santos; c) Conselho Fiscal-Efectivos: Manuel Domingues da Silva Furtado, João Francisco Lopes Martins, Carlos Salgueiro Sá da Silva; Suplentes: Adelino da Costa Campos, Firmino Francisco Ferreira Santos e Bernardino Campos de Sá. Nos 8 mandatos seguintes (com tomadas de posse em 10.08.1989, 24.04.1992, 18.03.1995, 08.01.1998, 25.08.2000, 13.04.2003, 25.09.2005, e 28.09.2008), verificam-se algumas longas permanências em funções: José Campos de Oliveira

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cumpre o décimo mandato como Presidente da Direcção; Manuel Valentim Pereira Vilar o 5º como Presidente da Assembleia Geral (após três mandatos como Presidente do Conselho Fiscal); António Pereira Malta presidiu à Assembleia Geral nos 2º a 5º mandatos; Celestino Miranda da Fonte é VicePresidente da Direcção nos últimos seis mandatos (fora, antes, vogal); Alberto Ferreira da Costa é Relator do Conselho Fiscal nos últimos sete mandatos (após ter sido vogal e VicePresidente da Direcção nos 2º e 3º mandatos); Emídio Matos Ferreira foi suplente da Direcção nos seis mandatos iniciais; José Azevedo Ferreira Serra integrou a Mesa da Assembleia Geral nos quatro primeiros mandatos e a Direcção no seguinte; Mário Pereira Cancela foi Presidente da Assembleia Geral no 1º mandato e Tesoureiro nos 2º a 6º mandatos (seguindo-lhe, nos mandatos 8º, 9º e 10º, Carlos Salgueiro Sá da Silva, que fora vogal do Conselho Fiscal nos 1º e 2º mandatos, Secretário da Assembleia Geral no 4º, vogal da Direcção no 5º e VicePresidente da Direcção nos 6º e 7º); Miguel dos Santos Pereira da Costa foi Secretário da Mesa da Assembleia Geral no 1º mandato e Secretário da Direcção nos mandatos 4º a 7º; José Ferreira Campos é Secretário da Direcção desde o 8º mandato, após ter sido Presidente das Secções de Contabilidade e Gestão nos dois mandatos anteriores; Celestino Ribeiro da Costa Ferreira é Secretário da Assembleia Geral nos três últimos mandatos, após ter sido Vogal da Direcção (4º mandato) e Vice-Presidente da mesma (4º mandato). Vários outros associados surgem ligados a funções de responsabilidade, à frente das três secções que a LEICAR criou e que


Casa da Paróquia de Rates, junto à igreja românica que foi a primitiva sede da LEICAR

» o considerável alargamento da área social da LEICAR, que começou por ser “da Póvoa de Varzim”, entretanto foi alargada aos concelhos limítrofes (Vila do Conde, Esposende, Barcelos e Famalicão) e posteriormente se estendeu a todo Entre Douro e Minho, « … 29


desde 24.04.1992 têm responsáveis eleitos: Contabilidade e Gestão, Formação Profissional, Serviços e Factores de Produção. É o caso de Adriano dos Santos Matias da Silva (cinco mandatos em Contabilidade e Gestão), João Francisco Lopes Martins (seis mandatos em Serviços e Factores de Produção), Celestino Porfírio Gomes Matias da Silva (cinco mandatos em Formação Profissional), José Ribeiro da Fonte (um mandato em Serviços e Factores de Produção, três mandatos em Formação Profissional, além de Vice-Presidente da Direcção no mandato inicial). Quer nos órgãos sociais, quer nas secções, a renovação dos titulares dos cargos coabita com a alongada permanência de alguns. Por um lado, o considerável alargamento da área social da LEICAR, que começou por ser “da Póvoa de Varzim”, entretanto foi alargada aos concelhos limítrofes (Vila do Conde, Esposende, Barcelos e Famalicão) e posteriormente se estendeu a todo Entre Douro e Minho, com o correspondente aumento do número de associados; por outro lado, a necessidade de permanência do núcleo fundador (particularmente do seu Presidente), como garante de manutenção do rumo estratégico, até à consolidação e sustentação empresarial do projecto – LEICAR, que entretanto passou a comportar, além da inicial e nuclear Associação, uma Cooperativa (LEICARCOOP, Cooperativa dos Produtores de Leite, C. R. L.) e uma Sociedade Comercial (LEICAR, Comércio de Bovinos, S. A.). O acerto desta orientação tem sido confirmado pelos associados, que em sucessivos actos eleitorais têm reconduzido José Campos de Oliveira e aqueles que, nos diversos órgãos, o vêm acompanhando. De referir que, nos dez actos eleitorais até hoje realizados, apenas por uma vez (em 13.04.2003) se apresentou uma lista concorrente, que não reuniu mais que 18,8 % dos votos.

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31 AssistĂŞncia ao acto de tomada de posse dos primeiros ĂłrgĂŁos sociais


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António Pereira Malta Paulino Amorim dos Santos José Azevedo Ferreira Serra Manuel Domingues Silva Furtado João Francisco Lopes Martins Carlos Salgueiro Sá da Silva Adelino da Costa Campos Firmino Francisco Ferreira dos Santos Bernardino Campos de Sá José Campos de Oliveira José Ervalho Fernandes da Silva José Ribeiro da Fonte Justino dos Santos Matias da Silva Emídio Matos Ferreira Mário Pereira Cancela Alberto Ferreira da Costa António da Silva Santos

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LISTAS 1986~2011 ÓRGÃOS SOCIAIS

1.OS ÓRGÃOS SOCIAIS: (eleitos em 28.8.1986, empossados na mesma data, em Assembleia Geral presidida por Mário Pereira Cancela, secretariado por Francisco dos Santos Torres e João dos Santos Azevedo) Mesa da Assembleia Geral: Presidente – António Pereira Malta Vice-Presidente – Manuel António Ferreira Rodrigues Secretário – Miguel dos Santos Pereira Costa Secretário – José de Azevedo Ferreira Serra Direcção: Presidente – José Campos de Oliveira Vice-Presidentes – José Ervalho Fernandes da Silva – José Ribeiro da Fonte Secretário – Miguel Pereira Malta Tesoureiro – Justino dos Santos Matias da Silva Vogal – José Mário Ferreira Rodrigues Vogal – Francisco José Amorim Pontes Conselho Fiscal: Presidente – Manuel Domingues da Silva Furtado Relator – António da Silva Santos Vogal – Carlos Salgueiro Sá da Silva

2.OS ÓRGÃOS SOCIAIS (empossados em 13.06.1987) Mesa da Assembleia Geral: Presidente – António Pereira Malta Vice-Presidente – Paulino Amorim dos Santos Secretário – Miguel dos Santos Pereira Costa Secretário – José de Azevedo Ferreira Serra Direcção: Presidente – José Campos de Oliveira 1º Vice-Presidente – José Ervalho Fernandes da Silva 2º Vice-Presidente – José Ribeiro da Fonte Secretário – Miguel Pereira Malta Tesoureiro – Justino dos Santos Matias da Silva 1º Vogal – José Mário Ferreira Rodrigues 2º Vogal – Francisco José Amorim Pontes Suplente 1 – Emídio Matos Ferreira Suplente 2 – Mário Pereira Cancela Suplente 3 – Alberto Ferreira da Costa Suplente 4 – António da Silva Santos Conselho Fiscal: Presidente – Manuel Domingues da Silva Furtado Relator – João Francisco Lopes Martins Vogal – Carlos Salgueiro Sá da Silva Suplente 1 – Adelino da Costa Campos Suplente 2 – Firmino Francisco Ferreira dos Santos Suplente 3 – Bernardino Campos de Sá

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3.OS ÓRGÃOS SOCIAIS (empossados em 10.08.1989) Mesa da Assembleia Geral: Presidente – António Pereira Malta Vice-Presidente – Francisco José Amorim Pontes Secretário – José Azevedo Ferreira Serra Secretário – Carlos Salgueiro Sá da Silva Direcção: Presidente – José Campos de Oliveira 1º Vice-Presidente – Alberto Ferreira da Costa 2º Vice-Presidente – José Mário Ferreira Rodrigues Secretário – Miguel Pereira Malta Tesoureiro – Mário Pereira Cancela 1º Vogal – João Francisco Lopes Martins 2º Vogal – José dos Santos Martins Suplente 1 – Paulino Amorim dos Santos Suplente 2 – Firmino Francisco Ferreira dos Santos Suplente 3 – Emídio de Matos Ferreira Suplente 4 – Adriano dos Santos Matias da Silva Conselho Fiscal: Presidente – Manuel Valentim Pereira Vilar Relator – Justino dos Santos Matias da Silva Vogal – José Ervalho Fernandes da Silva Suplente 1 – Manuel José Martins Amorim Suplente 2 – José Petejo Fernandes Suplente 3 – João Azevedo Pereira Costa

4.OS ÓRGÃOS SOCIAIS (empossados em 24.04.1992) Mesa da Assembleia Geral: Presidente – António Pereira Malta Vice-Presidente – José Azevedo Ferreira Serra Secretário – Carlos Salgueiro Sá da Silva Secretário – Ilídio Santos Loureiro Direcção: Presidente – José Campos de Oliveira 1º Vice-Presidente – João Francisco Lopes Martins 2º Vice-Presidente – Paulino Amorim dos Santos Secretário – Miguel Santos Pereira Costa Tesoureiro – Mário Pereira Cancela 1º Vogal – Celestino Ribeiro da Costa Ferreira 2º Vogal – Celestino Miranda da Fonte Suplente 1 – Firmino Francisco Ferreira dos Santos Suplente 2 – Emídio de Matos Ferreira Suplente 3 – António Carlos Faria Gomes da Rocha Suplente 4 – Manuel José Martins Amorim Conselho Fiscal: Presidente – Manuel Valentim Pereira Vilar Relator – Alberto Ferreira da Costa

Vogal – António de Sá Morado Torres Suplente 1 – Domingos Silva Figueiredo Suplente 2 – Manuel Alves Moreira Suplente 3 – Júlio Ferreira da Silva Secção de Contabilidade e Gestão: Presidente – Adriano dos Santos Matias da Silva 1º Secretário – Miguel Pereira Malta 2º Secretário – Firmino Francisco Ferreira dos Santos Secção de Formação Profissional: Presidente – Manuel Valentim Pereira Vilar 1º Secretário – José dos Santos Martins 2º Secretário – Emídio de Matos Ferreira Secção de Serviços e Factores de Produção: Presidente – Miguel Pereira Malta 1º Secretário – José dos Santos Martins 2º Secretário – Emídio de Matos Ferreira

5.OS ÓRGÃOS SOCIAIS: (empossados em 18.03.1995) Mesa da Assembleia Geral: Presidente – António Pereira Malta Vice-Presidente – Miguel Azevedo Ramos Secretário – José Azevedo Ferreira Serra Secretário – Ilídio dos Santos Loureiro Direcção: Presidente – José Campos de Oliveira 1º Vice-Presidente – Celestino Ribeiro da Costa Ferreira 2º Vice-Presidente – Celestino Miranda da Fonte Secretário – Miguel Santos Pereira Costa Tesoureiro – Mário Pereira Cancela 1º Vogal – Firmino Francisco Ferreira dos Santos 2º Vogal – Carlos Salgueiro Sá da Silva Suplente 1 – Emídio de Matos Ferreira Suplente 2 – Joaquim Campos de Sá Suplente 3 – Miguel Carlos Guimarães Silva Lemos Suplente 4 – Manuel José Martins Amorim Conselho Fiscal: Presidente – Manuel Valentim Pereira Vilar Relator – Alberto Ferreira da Costa Vogal – Júlio Ferreira da Silva Suplente 1 – Domingos Silva Figueiredo Suplente 2 – José da Costa Martins Suplente 3 – Manuel Alves Oliveira Secção de Contabilidade e Gestão: Presidente – Manuel Valentim Pereira Vilar 1º Secretário – Firmino Francisco Ferreira dos Santos 2º Secretário – Adriano dos Santos Matias da Silva Secção de Formação Profissional: Presidente – Paulino Amorim dos Santos 1º Secretário – Miguel dos Santos Pereira da Costa 2º Secretário – Celestino Porfírio Gomes Matias da Silva Secção de Serviços e Factores de Produção: Presidente – João Francisco Lopes Martins 1º Secretário – Mário Pereira Cancela 2º Secretário – Adélio de Oliveira Mariz

6.OS ÓRGÃOS SOCIAIS: (empossados em 8.01.1998) Mesa da Assembleia Geral: Presidente – Manuel Valentim Pereira Vilar Vice-Presidente – José Maria Campos Eiró


Secretário – Duarte António Faria Amorim Santos Secretário – Celestino Ribeiro da Costa Ferreira Direcção: Presidente – José Campos de Oliveira 1º Vice-Presidente – Celestino Miranda da Fonte 2º Vice-Presidente – Carlos Salgueiro Sá da Silva Secretário – Miguel Santos Pereira da Costa Tesoureiro – Mário Pereira Cancela 1º Vogal – Joaquim Campos de Sá 2º Vogal – José Azevedo Ferreira Serra Suplente 1 – Emídio de Matos Ferreira Suplente 2 – Ângelo Fernando Torres Martins Aroso Suplente 3 – António Joaquim Carneiro Santos Ferreira Suplente 4 – Marcelino Rodrigues Balazeiro Conselho Fiscal: Presidente – Manuel Azevedo Ramos Relator – Alberto Ferreira da Costa Vogal – Júlio Ferreira da Silva Suplente 1 – Domingos Silva Figueiredo Suplente 2 – José da Costa Martins Suplente 3 – Lourenço Martins Faria Secção de Contabilidade e Gestão: Presidente – José Ferreira Campos 1º Secretário – Clementino Camaz Moreira 2º Secretário – Adriano dos Santos Matias da Silva Secção de Formação Profissional: Presidente – António Queirós dos Santos 1º Secretário – Joaquim Carlos Azevedo Gens 2º Secretário – Celestino Porfírio Gomes Matias da Silva Secção de Serviços e Factores de Produção: Presidente – José Joaquim Amorim Azevedo 1º Secretário – João Francisco Lopes Martins 2º Secretário – Adélio de Oliveira Mariz

7.OS ÓRGÃOS SOCIAIS: (empossados em 25.08.2000) Mesa da Assembleia Geral: Presidente – Manuel Valentim Pereira Vilar Vice-Presidente – José Maria Campos Eiró Secretário – Manuel da Silva Neves Secretário – Celestino Ribeiro da Costa Ferreira Direcção: Presidente – José Campos de Oliveira 1º Vice-Presidente – Celestino Miranda da Fonte 2º Vice-Presidente – Carlos Salgueiro Sá da Silva Secretário – Miguel Santos Pereira Costa Tesoureiro – Mário Pereira Cancela 1º Vogal – Joaquim Campos de Sá 2º Vogal – António Joaquim Carneiro Santos Pereira Suplente 1 – Emídio de Matos Ferreira Suplente 2 – Ângelo Fernando Torres Martins Aroso Suplente 3 – Marcelino Rodrigues Balazeiro Suplente 4 – José Carlos Pereira Torres Conselho Fiscal: Presidente – Manuel Azevedo Ramos Relator – Alberto Ferreira da Costa Vogal – Júlio Ferreira da Silva Suplente 1 – Domingos Silva Figueiredo Suplente 2 – José da Costa Martins Suplente 3 – Lourenço Martins Faria Secção de Contabilidade e Gestão: Presidente – José Ferreira Campos 1º Secretário – Paulino da Silva Amorim 2º Secretário – Adriano dos Santos Matias da Silva

Secção de Formação Profissional: Presidente – António Queirós dos Santos 1º Secretário – Joaquim Carlos Azevedo Gens 2º Secretário – Celestino Porfírio Gomes Matias da Silva Secção de Serviços e Factores de Produção: Presidente – João Francisco Lopes Martins 1º Secretário – José Ribeiro da Fonte 2º Secretário – Jorge Manuel dos Santos Matias

8.OS ÓRGÃOS SOCIAIS: (empossados em 13.04.2003) Mesa da Assembleia Geral: Presidente – Manuel Valentim Pereira Vilar Vice-Presidente – José Manuel Eiró Pereira Secretário – Manuel da Silva Neves Secretário – Celestino Ribeiro da Costa Ferreira Direcção: Presidente – José Campos de Oliveira 1º Vice-Presidente – Celestino Miranda da Fonte 2º Vice-Presidente – Marcelino Rodrigues Balazeiro Secretário – José Ferreira Campos Tesoureiro – Carlos Salgueiro Sá da Silva 1º Vogal – Duarte Nuno Alves Santos 2º Vogal – António Fonseca Moreira Dias Suplente 1 – José Alves Sousa Costa Suplente 2 – Ângelo Fernando Torres Martins Aroso Suplente 3 – José Carlos Pereira Torres Conselho Fiscal: Presidente – Manuel Azevedo Ramos Relator – Alberto Ferreira da Costa Vogal – Júlio Ferreira da Silva Suplente 1 – Domingos Silva Figueiredo Suplente 2 – José da Costa Martins Suplente 3 – Lourenço Martins Faria Secção de Contabilidade e Gestão: Presidente – Paulino Silva Amorim 1º Secretário – Adriano dos Santos Matias da Silva 2º Secretário – José António Gomes de Azevedo Secção de Formação Profissional: Presidente – José Ribeiro da Fonte 1º Secretário – Joaquim Carlos Azevedo Gens 2º Secretário – Celestino Macedo Matias da Silva Secção de Serviços e Factores de Produção: Presidente – João Francisco Lopes Martins 1º Secretário – Jorge Manuel dos Santos Matias 2º Secretário – António Carlos Pereira Novais

9.OS ÓRGÃOS SOCIAIS (empossados em 25.09.2005) Mesa da Assembleia Geral: Presidente – Manuel Valentim Pereira Vilar Vice-Presidente – José Manuel Eiró Pereira Secretário – Manuel Silva Neves Secretário – Celestino Ribeiro da Costa Ferreira Direcção: Presidente – José Campos de Oliveira 1º Vice-Presidente – Celestino Miranda da Fonte 2º Vice-Presidente – Marcelino Rodrigues Balazeiro Secretário – José Ferreira Campos Tesoureiro – Carlos Salgueiro Sá da Silva 1º Vogal – Duarte Nuno Alves Santos

2º Vogal – José Alves Sousa Costa Suplente 1 – António Dias Lourenço Suplente 2 – Ângelo Fernando Torres Martins Afonso Suplente 3 – José Carlos Pereira Torres Conselho Fiscal: Presidente – Manuel Azevedo Ramos Relator – Alberto Ferreira da Costa Vogal – Júlio Ferreira da Silva Suplente 1 – Domingos Silva Figueiredo Suplente 2 – José da Costa Martins Suplente 3 – Lourenço Martins Faria Secção de Contabilidade e Gestão: Presidente – Paulino Silva Amorim 1º Secretário – Adriano Santos Matias da Silva 2º Secretário – José António Gomes de Azevedo Secção de Formação Profissional: Presidente – José Ribeiro da Fonte 1º Secretário – Joaquim Carlos Azevedo Gens 2º Secretário – Celestino Porfírio Gomes Matias Silva Secção de Prestação de Serviços e Factores de Produção: Presidente – José Francisco Lopes Martins 1º Secretário – Jorge Manuel Santos Matias 2º Secretário – António Carlos Pereira Novais

10.OS ÓRGÃOS SOCIAIS: (empossados em 28.09.2008) Mesa da Assembleia Geral: Presidente – Manuel Valentim Pereira Vilar Vice-Presidente – José Manuel Eiró Pereira Secretário – Manuel Silva Neves Secretário – Celestino Ribeiro da Costa Ferreira Direcção: Presidente – José Campos de Oliveira 1º Vice-Presidente – Celestino Miranda da Fonte 2º Vice-Presidente – Marcelino Rodrigues Balazeiro Secretário – José Ferreira Campos Tesoureiro – Carlos Salgueiro Sá da Silva 1º Vogal – Duarte Nuno Alves Santos 2º Vogal – José Alves Sousa Costa Suplente 1 – Jorge Manuel Santos Matias Suplente 2 – António Dias Lourenço Suplente 3 – António Carlos Pereira Novais Suplente 4 – Celestino Pereira Campos de Sá Conselho Fiscal: Presidente – Manuel Azevedo Ramos Relator – Alberto Ferreira da Costa Vogal – Júlio Ferreira da Silva Suplente 1 – Domingos Silva Figueiredo Suplente 2 – José da Costa Martins Suplente 3 – José Faria de Oliveira Secção de Contabilidade e Gestão: Presidente – Paulino Silva Amorim 1º Secretário – Adriano Santos Matias da Silva 2º Secretário – José António Gomes de Azevedo Secção de Formação Profissional: Presidente – José Ribeiro da Fonte 1º Secretário – Manuel Joaquim Faria Azevedo 2º Secretário – Celestino Porfírio Gomes Matias Silva Secção de Prestação de Serviços e Factores de Produção: Presidente – João Francisco Lopes Martins 1º Secretário – Francisco Carreira da Silva 2º Secretário – José Manuel Sá Santos

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… que pacifica as relações com a Cooperativa…

A LEICAR é uma organização sócio-profissional. E nasceu, como dissemos, da discordância de muitos jovens agricultores relativamente à gestão das cooperativas, se bem que todos considerassem compatíveis e complementares as funções destes dois tipos de organização: uma não substituía outra, muito menos haveria antagonismo entre elas.

Persistia, no entanto, a determinação de alterar o rumo da Cooperativa Agrícola Leiteira da Póvoa de Varzim, tornando-a mais próxima e mais colaboradora dos agricultores. E havia, indissociável deste objectivo, o propósito de utilizar a Cooperativa para “chegar” à Agros, o verdadeiro centro do poder no tocante à definição de uma política de valorização do leite. Falhado o diálogo, restava a José Oliveira e seus companheiros na LEICAR o confronto eleitoral – que deveria ter lugar em Agosto de 1988, mas que, devido a irregularidades no processo, foi suspenso (objecto de providência cautelar e sequente acção judicial, decidida, anos depois, a favor de Oliveira). Neste longo impasse (que só seria ultrapassado com a eleição de Amadeu Matias, em 1995), a direcção da Cooperativa manteve-se em gestão corrente. Durante estes penosos sete anos, as relações entre a LEICAR e a Cooperativa mantiveram-se tensas, até porque os dirigentes da LEICAR, também associados da Cooperativa, não deixavam de interpelar os responsáveis desta, nas assembleias gerais. Talvez por isso, a LEICAR viu-se forçada a fazer concorrência comercial à Cooperativa, abrindo um armazém em Fontainhas, onde praticava (em preços e condições de pagamento) o que propunha para a Cooperativa. A aproximação entre as duas organizações foi-se construíndo. Até que, em Assembleia Geral Extraordinária realizada em 15 de Fevereiro de 1996 – convocada sobretudo para “Apreciação,

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discussão e votação de uma proposta da Direcção da Associação no sentido de transferir e receber alguns serviços da Cooperativa Agrícola Leiteira da Póvoa de Varzim” – foi aprovada por maioria (com 64 votos a favor, 5 abstenções e 1 voto contra) a proposta da Direcção, cujo presidente (diz a acta) “salientou a abertura ao diálogo da actual Direcção da Cooperativa, coisa que antes nunca tinha acontecido”. E Oliveira antevia que este acordo “irá reflectir a melhoria de serviços, tanto da LEICAR, como da Cooperativa, já que ambas estão vocacionadas para áreas diferentes”, pelo que, “conforme o acordado, a Formação Profissional dos sócios da Cooperativa será ”encaminhada” “para a LEICAR”, que do mesmo modo “encaminhará” os seus associados, na compra de produtos, para a Cooperativa”. Consumava-se assim a pacificação entre as duas organizações, facilitada pela boa relação pessoal entre os respectivos presidentes, que aliás perfilhavam perspectivas comuns sobre as funções da Cooperativa. Saliente-se, nesta caminhada de aproximação, o convívio que, por iniciativa da LEICAR, reuniu em Rates em Julho de 1995, com o Ministro da Agricultura, Eng. Duarte Silva, os responsáveis das organizações agrícolas do concelho (LEICAR, Cooperativa, Caixa Agrícola, Horpozim). Este encontro, testemunhado por mais de mil agricultores, evidenciou quanto o sector, que acabara de viver anos de luta e de contestação nas ruas, desejava um pacificação mais ampla, extensiva ao sector industrial – afinal, como dissemos, o verdadeiro centro de um poder que persistia em discriminar a produção.


O presidente da LEICAR, atentamente escutado por representantes da Caixa Agrícola, Câmara Municipal, Cooperativa Agrícola, Horpozim, Direcção Regional de Agricultura e Ministro da Agricultura (Julho de 1995)

» As relações entre a LEICAR e a Cooperativa mantiveram-se tensas, até porque os dirigentes da LEICAR, também associados da Cooperativa, não deixavam de interpelar os responsáveis desta, nas assembleias gerais.« … 37


»E, falhado o diálogo, e com vastas regiões do país praticamente paralisadas, é pela força policial que, cumprindo ordens de Marques Mendes, após reunião extraordinária do Conselho de Ministros, os manifestantes são dispersos e obrigados a levantar as barricadas. « …

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… que luta nas ruas…

Ia quente, social e politicamente muito quente, o Verão de 91. No que à agricultura dizia respeito, aos seus problemas estruturais juntaram-se os resultantes da abertura dos mercados, que confrontaram os produtores agrícolas com os efeitos de uma súbita concorrência (desleal – diziam) por parte dos seus parceiros europeus, beneficiados por factores de produção mais favoráveis (desde taxas de juro e prazos de crédito, a preços mais baixos do gasóleo, agroquímicos, pesticidas, etc).

Portugal presidia à União Europeia e, através do Ministro da Agricultura, Arlindo Cunha, Cavaco Silva procurava o acordo dos parceiros europeus para a reforma da Política Agrícola Comum (PAC), vista, no quadro político da época, como a certificação internacional dos méritos do “bom aluno” (que era o governo português, assim fortalecido também internamente para o embate eleitoral que teria lugar em Outubro desse ano, e no qual Cavaco procurava conservar a maioria absoluta que o apoiava desde Julho de 1987). As negociações para a reforma da PAC eram, para estes produtores de leite desesperados, uma oportunidade irrepetível: ou conseguiam que o Ministério fizesse uma opção estratégica pelo apoio ao redimensionamento das explorações e sua modernização tecnológica, na linha do objecto estatutário da LEICAR, ou, caso o Ministério persistisse no apoio à muito pequena e muito dispersa exploração e à instalação de ordenhas colectivas, tinham por certo o agravamento das dificuldades de sustentação financeira do sector. Porque eram estas duas perspectivas que estavam em causa: a do movimento associativo (ou sócio-profissional) apontava para a criação da dimensão empresarial como condição para a competitividade; e a do movimento cooperativo (representado pela Agros) defendia a manutenção de um sistema produtivo assente na velha rede de pequenos produtores, cuja inviabilidade as novas circunstâncias tornaram patente, desde logo pelos custos de recolha que a dispersão das ordenhas implicava e que tinha pesado efeito na baixa retribuição do leite aos médios e

grandes produtores, em geral sediados nos municípios vizinhos da Agros. A reforma da PAC, no tocante ao sector do leite, acolheu a perspectiva cooperativa. Pelo que, claramente vencidas nas negociações, às associações sócio-profissionais não restou outra saída senão a da reivindicação na via pública. Daí que, na sequência de reuniões em Estarreja, convocadas pela Associação dos Produtores de Leite com Ordenha Particular da Beira Litoral, os responsáveis desta Associação (António Ângelo, da Direcção, e Eduardo Marques, da Assembleia Geral), da LEICAR (José Oliveira) e da Associação dos Agricultores do Oeste (Júlio Sebastião) tenham convocado os seus associados para uma manifestação nacional no Bombarral, em 15 de Julho, onde a multidão presente (mais de 2.000, segundo os promotores) decide avançar para formas radicais de luta (cortes de estrada e de linhas de caminho de ferro) como tentativa desesperada de chamar a atenção do poder político. Acto contínuo, os manifestantes seguem para o cruzamento da Dagorda (ali próximo), cortam as estradas ÓbidosPeniche (E. N. 114) e Caldas-Bombarral (E. N. 8) e levantam os carris da linha do Oeste, junto à estação da Dagorda. Com esta afirmação pública de força, pedem audiência ao Ministro da Agricultura (que diz não negociar “sob coacção”) e divulgam um caderno reivindicativo de 13 pontos (exigência da baixa dos factores de produção – adubos, pesticidas, gasóleo, electricidade… – redução das taxas do juro, etc). Dali o movimento dispersa-se pelo país: em Mogadouro, é bloqueado o acesso ao

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silo da EPAC (razão: o baixo preço dos cereais na produção), seguindo-se, pela mesma razão, cortes nas estradas entre Mogadouro e Vimioso, Freixo-de-Espada à Cinta e Bragança, que seriam levantados no dia seguinte com a aceitação, pela cooperativa local, dos preços reclamados pelos produtores. Na Dagorda ninguém desmobiliza. E, ao terceiro dia, os protestos alargam-se à Tocha, onde são cortadas as ligações a Cantanhede e a Montemor-o-Novo, à estrada Aveiro-Figueira da Foz e vias secundárias. Próximo de Estarreja é cortada a E. N. 109. Arlindo Cunha, que não recebia os manifestantes, tenta dividi-los recebendo uma delegação da CAP, cujo secretário-geral, José Manuel Casqueiro, afirma, à saída, que os produtores de leite “têm razão para protestar”, mas estão “mal informados”, ao que Júlio Sebastião, de pronto, responde: “Não precisamos de intermediários”.

O recado, com ampla cobertura mediática, e a pressão política crescente (o PCP e o PS chamavam Arlindo Cunha ao Parlamento) levaram o ministro a ceder, recebendo os líderes da manifestação. De nada valeram as 6 largas horas de reunião. “Estamos dispostos a tudo” – garantia, à saída, Júlio Sebastião. E estavam: logo na manhã desse dia, produtores de leite mais próximos da LEICAR cortaram a E. N. 206, em Fontainhas (e, mesmo ao lado, a via férrea Póvoa-Famalicão), a E. N. 306 à saída de Barcelos, a E. N. 13 (Porto-Póvoa) e a variante da Póvoa (I. C. 1), quase impossibilitando a circulação do Porto para norte. Em volta de Estarreja há mais estradas nacionais cortadas. Ali e na Tocha há feridos. O bloqueio chega a mais estradas secundárias em Aveiro, Figueira da Foz, Cadaval e Alenquer. E no Alentejo os cerealicultores associam-se à revolta cortando as ligações Beja-Évora e concentrando-se em Ferreira do Alentejo e Figueira dos Caveleiros.

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A situação, que em muitos locais ameaçava confrontações físicas entre manifestantes e populares, era insustentável. E, falhado o diálogo, e com vastas regiões do país praticamente paralisadas, é pela força policial que, cumprindo ordens de Marques Mendes, após reunião extraordinária do Conselho de Ministros, os manifestantes são dispersos e obrigados a levantar as barricadas. “A Revista” do Expresso (27 de Julho de 1991), falando dos “Campos da Ira”, diz que “a revolta do Bombarral foi a maior movimentação camponesa após o 25 de Abril: bloqueou estradas em metade do país, obrigou à convocação de um conselho de ministros extraordinário, surpreendeu os partidos políticos e ultrapassou no terreno as confederações agrícolas tradicionais (…) Esta autentica Maria da Fonte dos anos 90 tem novos protagonistas. Lideram-na médios e grandes empresários agrícolas, em geral insuspeitos de simpatias pela esquerda, homens que apostaram no modelo de concorrência aberta subjacente à integração europeia, que investiram milhares de contos e se vêem a braços com a inviabilização dos seus projectos

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(…) No fundo toda esta gente se queixa de ter sido enganada (…)”

E se a luta destes 6 dias pareceu perdida, infrutífera é que não foi: revelou novas lideranças, fortaleceu as organizações agrícolas envolvidas, deu ânimo (e experiência) para novas lutas. José Oliveira, cujas costas vergastadas pela polícia o Expresso mostrava em 3 de Agosto, exige intervenção do procurador-geral da República na investigação e responsabilização dos excessos policiais; e anuncia que, na semana seguinte, associações de agricultores de todo o país deverão formalizar a constituição de uma organização de grau superior para defesa da classe, que funcione como interlocutora directa do Ministério. Não há acordo entre as associações – e a LEICAR decide, após duas reuniões com a CAP, aceitar o convite desta para a integrar, assumindo na sua direcção executiva o lugar de VicePresidente. A LEICAR continuaria a utilizar a rua como meio de expressão e de reivindicação; mas passou a ter, a partir do gabinete, um poder negocial nunca antes experimentado.


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»… reclamava por melhores preços à produção (pagavam-se 50 a 55$00/litro, contra os 60$00 na C.E.E., quando entre nós os factores de produção são mais caros), contestava a retirada do subsídio sazonal à produção (5$50/litro) em vigor desde há cinco anos« … 46


… que enfrenta a AGROS…

A primeira metade da década de noventa confrontou o mundo agrícola português com a dura realidade de uma competição para a qual não estava preparado: a integração de Portugal na então C. E. E., apesar das ajudas de pré-adesão, do Plano Especial para o Desenvolvimento da Agricultura Portuguesa (PEDAP) e de outros instrumentos que o QCA disponibilizava, evidenciou as fragilidades estruturais da nossa agricultura no quadro de uma “política agrícola comum” cujo desenho técnico-financeiro era inspirado por modelos e interesses pouco compatíveis com a nossa realidade.

A abertura dos mercados, que uma agricultura sem escala e sem organização comercial não pôde enfrentar (e daí a falta de escoamento de produtos tão fundamentais como a batata, o vinho, a fruta e os hortícolas, substituídos nas prateleiras por concorrentes estrangeiros mais baratos), foi também sentida no sector leiteiro, apesar da sua robusta organização em cooperativas e respectivas uniões. No caso aqui em apreço, era contra a Agros (que nas regiões de Entre Douro e Minho e Trás-osMontes agregava 46 cooperativas e 30.000 produtores, situação que a fazia “rainha do leite” e, com esse estatuto, líder da Confagri – Confederação Nacional das Cooperativas Agrícolas) – era contra a Agros, dizíamos, que se dirigiam, em Fevereiro de 1993, os protestos da LEICAR. Que reclamava por melhores preços à produção (pagavam-se 50 a 55$00/litro, contra os 60$00 na C.E.E., quando entre nós os factores de produção são mais caros), contestava a retirada do subsídio sazonal à produção (5$50/litro) em vigor desde há cinco anos, reclamava que fosse pago directamente aos produtores (e não às suas organizações cooperativas) o subsídio então negociado em Bruxelas como compensação pela abertura das fronteiras. Acusando a Agros de má gestão (estrutura humana excessivamente pesada, escasso investimento na promoção de valor – os derivados do leite não eram encarados como a verdadeira

mais-valia de toda a fileira –, o excessivo custo da recolha, etc), os contestantes diziam temer pelo futuro da união das cooperativas, cujo presidente os acusou de falta de solidariedade com os produtores mais pequenos. Foi essa, aliás, a mensagem que certa imprensa, dita “de referência”, passou: o “Expresso” de 13 de Fevereiro de 1993, em largo artigo sobre “A Revolta dos LEITEIROS” (assim mesmo), proclama que “Os médios e grandes produtores abandonam os mais fracos à sua sorte e encabeçam um movimento de protesto”. Estes (ditos) “médios e grandes produtores” representariam, segundo o jornal, 8% dos produtores de leite afectos à Agros, mas garantiam mais de metade de toda a produção recolhida pela empresa. As suas revindicações eram uma denúncia cruel (egoísta, segundo a Agros) da dual realidade existente no sector, onde esta minoria de produtores com estábulos próprios e modernizados era tratada em pé de igualdade com quem levava meia dúzia de vacas às ordenhas colectivas. Seguro dos seus argumentos (e bom provocador, como sempre), o presidente da Agros desafiou (segundo o referido Expresso): “Se eles (a LEICAR e os seus associados) acham que conseguem administrar melhor e pagar mais pelo leite, ou que este sector é um grande negócio, que avancem, o mercado é livre…” (Calculou mal o desfio, como veremos).

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… que ia sendo vítima da Parmalat…

De facto, não só a Agros rejeitou, na íntegra, o “caderno reivindicativo” que a LEICAR lhe entregara, no final da manifestação que em 11 de Fevereiro de 1993 reuniu em Vila do Conde centenas de agricultores (com os respectivos tractores), como também a LEICAR não abrandou a contestação à gestão da União das Cooperativas.

Às críticas já referidas, acrescentava agora a acusação de a Agros pagar o leite aos produtores como sendo (todo) de classe B, tratando-o e comercializando-o como de classe A (apropriando-se assim ilegitimamente de uma diferença considerável, que deveria ser dos produtores). A Agros ameaçou a LEICAR com queixa-crime, por difamação; esta reiterou as críticas, acrescentando a intenção de reunir as organizações de produtores e convocar nova manifestação. Neste crescente braço de ferro entre as duas organizações, a LEICAR era agora confrontada com nova ameaça de descida do preço do leite, por proposta da ANIL (Associação Nacional dos Produtores de Lacticínios) e da FENALAC (Federação Nacional das Uniões de Cooperativas de Leite e Lacticínios).

rativo (sobre os quais a Agros podia fazer valer ligações e influências que os demovessem), já o mesmo se não passava com a Parmalat. De facto, à multinacional italiana interessava sobremaneira a região de Entre Douro e Minho e, particularmente, o tal núcleo de médios e grandes produtores que se agrupavam na LEICAR e que eram responsáveis por 60% do leite recolhido pela Agros. Do ponto de vista da estratégia da LEICAR, esta ligação era perfeita: garantia, desde logo, aos seus produtores uma retribuição cujos valores correspondiam aproximadamente aos reivindicados; credibilizava o estatuto da LEICAR e afirmava a sua capacidade negocial; quebrava o monopólio do sector cooperativo, desafiando a sua capacidade competitiva; particularmente, era uma vitória de José Oliveira sobre o presidente da Agros.

Não tardou, por isso, que, perante a intransigência da Agros e de todo o sector industrial cooperativo, a LEICAR, num derradeiro esforço de diálogo, solicitasse à Agros uma reunião entre as duas estruturas, com prazo de resposta. E, aclarando o jogo, a LEICAR adiantava, na referida missiva, que, se a diligência falhasse, procuraria novos compradores para o leite dos seus associados – posição que a Agros interpretou como uma chantagem gratuita (e, por isso, despicienda e ridícula).

O leite da região – e o mercado leiteiro, dum modo geral – ferviam, numa guerra de nervos que prenunciava grandes alterações, pondo fim às sólidas ligações que sempre dirigiram (e monopolizaram) o sector. A imprensa dava ampla cobertura a estes movimentos: “Parmalat “ataca” Agros” (Expresso, 20.Agosto.94), “Agros: o perigo do abismo (Público, 24. Agosto.94), “Agros prestes a perder monopólio da zona norte” (Jornal de Notícias, 1.Setembro.94).

Estava, como dissemos, a subvalorizar o adversário, que tinha, de facto, “potenciais compradores” – como, em fórmula vaga da diplomacia comercial, José Oliveira ia declarando. E se, entre estes interessados, se contavam alguns do sector coope-

A ligação LEICAR/Parmalat foi oficializada por protocolo celebrado em Rates, em 31 de Agosto de 1994, na presença de grande número dos produtores associados da LEICAR, cada um dos quais celebraria contrato com a Parmalat. Para “ajudar

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LEICAR e Parmalat anunciam e formalizam o acordo que introduziu alguma concorrência no mercado do leite

» A ligação à Parmalat – que nos anos de 1994, 1995 e 1996 foi responsável por considerável crescimento do número de associados da LEICAR – não correu conforme previsto, « … 55


à festa” da afirmação da marca italiana, esta passou a ser patrocinadora do futebol profissional do Benfica, então campeão nacional, e do Rates (que passou a ser visto, nos campeonatos da Associação de Futebol do Porto, como “o Benfica dos Regionais” ganhando com isso acrescida animosidade dos adversários, que imaginavam rica uma equipa a quem o “patrocinador” nunca entregou um centavo por conta do apoio prometido).

progressivamente afrontando a produção, cujos preços tabelou com os da Agros e, entretanto, colocou em nível inferior. De nada valeu o protesto da LEICAR, porque o novo administrador da marca italiana, fazendo tábua-rasa do protocolo (escudado na circunstância de ter celebrado contratos individualizados com os produtores), ignorava pura e simplesmente o compromisso de consulta à LEICAR para a definição dos preços.

A ligação à Parmalat – que nos anos de 1994, 1995 e 1996 foi responsável por considerável crescimento do número de associados da LEICAR – não correu conforme previsto, sobretudo a partir da substituição de Alberto Alfieri por Claudio Cattaneo. Este último, obcecado com a vertente comercial do negócio, ia

Tudo indicava estarmos perante uma traição da Parmalat à LEICAR, tal era o alinhamento dos italianos com a Agros: além de castigados com preços inferiores, os produtores associados da LEICAR (e fornecedores da Parmalat) viam barrada a tentativa (que alguns, entretanto, empreenderam) de

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regresso à Agros – Agros a quem a Parmalat assim oferecia, em bandeja branca, a cabeça da LEICAR e todo o seu projecto de defesa da produção. Era a ameaça, aparentemente invencível, do garrote: virava-se contra a LEICAR, por conluio luso-italiano, o espectro do fim. Viviam-se estão tempos muito duros. À barreira externa juntava-se a contestação interna: os produtores sentiam-se traídos pela direcção da LEICAR, a quem acusavam de os ter metido num buraco sem saída. Foi necessário muito esclarecimento, muita pedagogia, muito sangue frio – um verdadeiro teste de stress à viabilidade deste projecto autónomo, que só teria futuro, como se viu, se a LEICAR detivesse plenamente o seu comando.

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… que cria estrutura própria para a comercialização do leite…

A guerra aberta entre Agros e LEICAR (agora com clara vantagem para a primeira) era, à escala regional, réplica dos conflitos que, em surdina, travavam os sectores cooperativo (reunido na CONFAGRI) e sócio-profissional (agregado na CAP).

Não por acaso, esta confederação (em que a LEICAR está integrada, como Vice-Presidente) promoveu, na Póvoa de Varzim, em 11 de Setembro de 1994, um seminário subordinado ao tema “Produtores de Leite e o Futuro”, com centenas de participantes cujos ânimos se exaltaram com as posições que a FENALAC (estrutura de topo do cooperativismo leiteiro) e a ANIL (Associação dos Industriais de Lacticínios) ali expuseram, posições que os produtores consideravam responsáveis pelos cinco anos negros antecedentes e a que esperavam pôr termo com o acordo recentemente celebrado com a Parmalat. “O sector leiteiro tem futuro” – foi a mensagem do presidente da CAP, Rosado Fernandes, que se declarava “farto de guerra”. O conflito teve a evolução que já vimos, com a Parmalat a mudar de campo, juntando-se aos “generais” da indústria (que antes combatera, ao lado da LEICAR). Foi, aliás, na sequência do acordo LEICAR/Parmalat que a indústria, percebendo afinal as fragilidades do seu gigantismo, decidiu criar o grupo “Lactogal”, onde a Agros, não obstante ser o maior parceiro, aceitou uma subalternidade que era expressão da sua fragilidade estratégica em aspectos vitais do negócio do leite. Esta concentração, que acentuou o cenário de falta de concorrência e portanto fragilizou a posição dos produtores entretanto abandonados pela Parmalat, evidenciou a urgência de uma solução sustentada e autónoma, que garantisse à produção um valor de escala compatível com a sua importância na fileira do leite.

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Surgia, assim, por deliberação de assembleia geral em 4 de Maio de 1999, a LEICARCOOP – Cooperativa dos Produtores de Entre Douro e Minho, C.R.L., “que tem por objecto principal a recolha, concentração, tratamento, fabrico de derivados de leite e sua comercialização, melhoramento genético dos efectivos, importação e exportação, apoio técnico e formação profissional dos seus associados” (conforme Acta avulsa n.º 1). Seguindo uma evolução semelhante às restantes organizações do grupo LEICAR, também a cooperativa deixou de circunscrever-se, entretanto, a “Entre Douro e Minho”, passando a afirmar-se simplesmente “Cooperativa dos Produtores de Leite, C.R.L.” (definição que lhe permite operar em todo o território nacional). A LEICARCOOP adquiriu assim (por mandato dos associados) legitimidade para intermediar o negócio do leite, oferecendo aos produtores um poder negocial que estes individualmente não tinham. (Veja-se a situação dos anteriores contratos com a Parmalat). 1999 foi, pois, para muitos produtores um ano ambíguo: de libertação do contrato com a Parmalat, substituída (por diligência da LEICAR) pelos espanhóis da CAPSA (Corporacion Alimentaria Peña Santa); de pesadelo, porque a mesma Parmalat decidiu processar judicialmente os produtores que com ela romperam – e a quem o Tribunal da Relação, anos depois, viria a dar razão, reconhecendo que haviam sido largamente prejudicados com a baixa injustificada dos preços.


» A LEICARCOOP adquiriu assim (por mandato dos associados) legitimidade para intermediar o negócio do leite, oferecendo aos produtores um poder negocial que estes individualmente não tinham. « …

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Um s贸cio (e dirigente) da LEICAR, na sua ordenha


O mercado espanhol (à Peña Santa sucederam, ou juntaram-se, a Pascual, a Puleva e outros compradores) tem sido o grande destino do leite dos produtores associados na LEICARCOOP – no Entre Douro e Minho (60% da produção) e no Alentejo (os restantes 40%). A operacionalização da recolha de leite implicou a construção de um Centro de Recolha, inicialmente com carácter provisório, entretanto em instalações definitivas no que será (em 2012, crê-se) uma unidade industrial de embalagem e transformação. Ou seja: a crise de 1999 alertou para a insuficiência do projecto da LEICAR, cujas fragilidades teriam de ser adequadamente colmatadas. A substituição da Parmalat (uma emergência que, naquelas circunstâncias concretas, poderia ter ditado a morte da LEICAR) foi, ao invés, uma bem aproveitada oportunidade de afinação e consequente afirmação de estratégia. A constituição da LEICARCOOP e a elaboração do projecto da futura unidade industrial (que, por razões técnico-administrativas, não poderia ser então assumida como tal, sendo por isso apresentada como Centro de Recolha) foram, na ocasião e nos anos imediatos, as causas mobilizadoras de uma luta que reforçou a união do tecido associativo. A LEICAR voltava a sair vencedora desta luta – de sobrevivência (num primeiro momento), de afirmação (entretanto). Grande derrotada foi a Parmalat, substituída (e bem) por compradores espanhóis, e praticamente afastada, por erros próprios, dum mercado onde deveria continuar. Mas a plena realização do projecto LEICARCOOP aguarda, como dissemos, o passo final, previsto para 2012. Então, sim, esta corajosa aposta será um bem sucedido exemplo, a pedir réplica noutros sectores da actividade agrícola.

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63 Um estรกbulo


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… » desde Fevereiro de 2002, é responsável pela maior e melhor feira de gado que se realiza em Portugal, inaugurada pelo primeiro-ministro Eng.º António Guterres. « … 68


…e para a comercialização de carne…

É do leite que temos falado. E é dele que insistentemente falaremos, porque é ele, nesta região, a mais forte ligação à terra e à economia que nela tem origem. Por isso, aqui, quando falamos em gado bovino, é sobretudo de vacas que falamos – porque os animais do sexo masculino, cujo único interesse comercial reside na produção de carne, são obviamente menos interessantes que as vacas, que além da carne dão leite.

O produtor (pecuário ou leiteiro) está no centro de um processo que não controla, nem a montante nem a jusante. De facto, quer a aquisição de animais (vitelas ou vacas aleitantes), quer a sua venda após o ciclo produtivo (para abate) estavam nas mãos de circuitos comerciais a que o agricultor era absolutamente marginal, e que, além de penalizarem economicamente a produção, eram geradores de desconfiança junto do consumidor. Neste clima, onde a suspeição indiciava ausência de ética, todos perdiam. Por isso, a LEICAR decidiu constituir a LEICAR – Comércio de Bovinos, S. A., formalizada por escritura pública celebrada em 28 de Junho de 1995, no 1º Cartório da Secretaria Notarial de Vila do Conde. Foram accionistas fundadores: Manuel Lopes Moninhas, de Vila do Conde; Miguel Carlos Guimarães da Silva Lemos, de Chorente; Adélio de Oliveira Mariz, de Rates; Manuel Martins Mariz, de Macieira de Rates; Fernando Manuel Dias da Silva, de Perafita; Manuel Dias da Silva Aroso, de Perafita; José Casanova Ferreira, de Barqueiros; Joaquim Nogueira Teixeira, de Friande; Abílio Padrão Varzim Miranda, de Cristelo; Manuel Ferreira Campos, de Macieira de Rates; Adérito Marques Mariz, de Rates; Domingos Oliveira Azevedo, de Vermoim; António Lopes de Oliveira, de Maciera de Rates; José da Silva Azevedo Serra, de Rates; Firmino Francisco Ferreira dos Santos, de Balasar; Joaquim Campos de Sá, de Balasar; Manuel Alves Oliveira, de Arcos; Carlos Salgueiro Sá da Silva, de Laundos; Celestino Ribeiro da Costa Ferreira, de

Rates; Maria Teresa de Sá Gonçalves Martins, de Amorim; Mário Pereira Cancela, de Balasar; Celestino Miranda da Fonte, de Rates; Álvaro Padrão Varzim Miranda, de Cristelo; Francisco Dias de Araújo, de Nine; Arlindo Ferreira de Carvalho, de Macieira de Rates; Manuel Novais dos Reis, de Balasar; José Pereira de Carvalho, de Cambeses; Manuel José Martins Amorim, de Amorim; Ilídio dos Santos Loureiro, de Terroso; José de Azevedo Ferreira Serra, de Rates; Adriano dos Santos Matias da Silva, de Rates; Júlio Ferreira da Silva, de Balasar; Joaquim Gonçalves Mariz, de Rates; Joaquim Martins Mariz, de Macieira de Rates; Leimart – Sociedade Agrícola de Grupo, Lda., de Macieira de Rates; Sociedade Agropecuária Vilamorim, Lda., de Amorim; Sociedade Agrícola Irmãos Padrão da Costa, de Rates; Sociedade Irmãos Alves Pereira, Limitada, de Balasar; José Campos de Oliveira, de Rates; LEICAR – Associação dos Produtores de Leite e Carne, com sede em Rates. A LEICAR–Comércio de Bovinos, S. A., é um Agrupamento de Produtores (na acepção do Regulamento (CEE) n.º 1360/78 e decreto-lei n.º 49/95, de 15 de Março) e tem por objecto “a compra, venda, importação e exportação de gado bovino, abate, transformação e comercialização de carne e derivados” (art. 4º dos Estatutos constantes do documento complementar elaborado nos termos do n.º 2 do art. 78 do Código do Notariado e que é parte integrante da escritura de constituição). Foi fundada com um capital social de 25.000 euros (5.000

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O Mercado de Gado da LEICAR, fora dos dias de feira


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contos), dividido em 5.000 acções nominativas do valor nominal de 5 euros (mil escudos) cada uma. A LEICAR, que subscreveu 2.410 acções, reservou posição maioritária no capital social e, consequentemente, na administração, cujo primeiro mandato (nos termos do art. 12º dos Estatutos, com a duração de 3 anos, “admitindo-se a reeleição”) teve como presidentes dos órgãos sociais os seguintes accionistas: a) da Mesa da Assembleia Geral: Manuel Valentim Pereira Vilar (Sociedade Agropecuária Vilamorim, Lda.); b) do Conselho Fiscal: Miguel Carlos Guimarães da Silva Lemos; c) da Direcção: José Campos de Oliveira (LEICAR). A LEICAR – Comércio de Bovinos teve forte presença no mercado de importação de vacas e novilhas, para os seus sócios, nos anos de 2003 e 2004. E, desde Fevereiro de 2002, é responsável pela maior e melhor feira de gado que se realiza em Portugal, inaugurada pelo primeiro-ministro Eng.º António Guterres. Esta feira semanal (inicialmente à terça-feira, agora também à segunda) e a Agroleite (mostra anual de produtos para a agropecuária, que inclui concursos pecuários) são contributos da LEICAR para a dinamização económica do mercado da carne. É que, embora a produção de leite seja a actividade central na vida das explorações agrícolas da região, tudo está ligado; e a LEICAR (que é, conforme o seu nome, a síntese desta dualidade), reconciliou o consumidor com a carne de bovinos.

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73 Colaboradores da LEICAR


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75 O Mercado de Gado da LEICAR Ê assim, todas as segundas e terças-feiras


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Gado a ser descarregado, após rigorosa verificação das condições higio-sanitárias


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… » foi necessário um longo trabalho político-administrativo que conduziu à suspensão do Plano Director Municipal da Póvoa de Varzim na área em causa, cuja classificação em termos de ordenamento do território (“área de equipamentos”) não permitia a instalação de uma estrutura industrial.« … 78


…que constrói edifícios – sede…

Instalada, por favor, no acanhado rés-do-chão de um edifício paroquial (para a história: Largo do P.e Arnaldo Moreira, n.º 29, 4570-412 RATES), a LEICAR cedo sentiu a necessidade de se instalar em espaço próprio, com dimensão e funcionalidade adequadas à ambição de um projecto que entretanto amadurecera e se consolidara,

não já como um projecto local (a LEICAR nasceu como “Associação dos Produtores de Leite e Carne da Póvoa de Varzim”), nem já como uma realidade de âmbito regional (foi, num segundo momento, “Associação dos Produtores de Leite e Carne de Entre Douro e Minho”), mas sim como entidade com representação nacional (simplesmente, “Associação dos Produtores de Leite e Carne”).

SEDE DA LEICAR E DA LEICAR – COMÉRCIO DE BOVINOS, S.A.

Esta rápida progressão (que à inicial Associação, de 1986, juntou a LEICAR – Comércio de Bovinos, em 1995, e a LEICARCOOP em 1999) foi tendo reflexo nos projectos de criação de instalações próprias: primeiro, a sede da LEICAR – Associação (com serviços técnico-administrativos, áreas sociais, auditório, etc) e, como seu prolongamento físico natural, a da LEICAR – Comércio de Bovinos (feira de gado e os serviços correlativos); posteriormente, e em espaço próximo, a LEICARCOOP (inicialmente, e para já, a funcionar como Centro de Recolha de Leite; entretanto, num horizonte que se espera atingível em 2012, convertido numa indústria de lacticínios).

Construída em terreno para o efeito doado pela Freguesia de Rates (deliberações unânimes da Junta e da Assembleia de Freguesia), a sede da LEICAR e da LEICAR – Comércio de Bovinos, S. A. foi inaugurada em 22 de Fevereiro de 2002 pelo primeiro-ministro Eng. António Guterres. Era Ministro da Agricultura o Dr. Capoulas Santos, que teve decisiva participação no processo de aprovação do projecto, ao qual se opunham uns quantos tentáculos do movimento cooperativo colocados em lugares-chave da estrutura do Ministério – razão por que o projecto, apresentado pela primeira vez em 1994, viria a ser recusado, sendo de novo candidatado (e então aprovado) em 1999.

A quem busca exemplos de projectos sustentáveis (os tais em que as várias componentes se acompanham e interagem, nunca descurando equilíbrios internos), este caso da LEICAR, em que as vertentes associativa e empresarial se interligam com base num sólido projecto estratégico de valorização da agropecuária leiteira, é bem a demonstração de que é possível não viver à custa do futuro; bem pelo contrário, o caminho entretanto percorrido deixa antever um futuro consideravel-

O edifício (talvez fosse mais apropriado usar o plural, já que, apesar de aparentemente um só, são na realidade dois, fisicamente contíguos, com funções diversas e complementares) – o edifício, dizíamos, foi projectado pelo arq. Manuel Silva e teve um custo final de dois milhões de euros, comparticipado em 32,14 %.

mente melhor: a próxima geração de produtores de leite e de carne deve essa esperança àqueles que sonharam e puseram de pé este projecto.

Se a sede da LEICAR – Associação não é mais que um espaço

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arquitectonicamente bem concebido para as múltiplas funcionalidades do seu objecto estatutário, já a da LEICAR – Comércio de Bovinos merece referência pela modernidade, pela inovação e pela dimensão da sua feira de gado. Com uma área coberta de 2.000 m2 e capacidade para 600 animais, este espaço de comercialização de bovinos dispõe de meios humanos e técnicos que garantem a mais rigorosa sanidade aos animais admitidos a leilão. No exterior, uma estação de lavagem e desinfecção de veículos e uma estação de tratamento de águas residuais (ETAR), para o tratamento de dejectos, completam as garantias de sanidade da envolvente da feira. Paralelamente ao mercado convencional, a feira dispõe de equipamento electrónico que permite o leilão virtual de novilhas de alta genética, para reprodução. Se o mercado de gado, desde logo o maior do norte, se realizava inicialmente às terças-feiras, a sua crescente dimensão (que depressa o converteu no maior do país) obrigou à abertura também à segunda-feira. Aqui se vendem animais de todo o país, na sua maioria com destino a Espanha. O número de animais transaccionados, que é excelente barómetro do poder de compra dos consumidores – o que significa que é a transação para o mercado espanhol que tem estabilizado, nos últimos anos, as vendas em feira, com todas as vantagens para os nossos produtores – o número de animais transaccionados, dizíamos, excede os 30.000/ano, o que equivale a mais de 600 animais vendidos por semana. É muito dinheiro que entra na economia regional e nacional – e é, complementarmente, a garantia de venda de carne de qualidade.

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81 Sede da LEICAR e da LEICAR - Comércio de Bovinos (Mercado de Gado), ainda o edifício da LEICARCOOP era um sonho


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SEDE DA LEICARCOOP Sita na proximidade dos outros edifícios do grupo LEICAR, a sede da LEICARCOOP é, para já (e desde Junho de 2008), apenas uma vasta cápsula à espera de recheio, prometido para 2012. Ali funciona o Centro de Recolha de Leite, a que entretanto se juntarão os equipamentos já encomendados, que converterão aquela nave numa unidade industrial de tratamento, transformação e embalamento de leite e seus derivados. Este último passo, ansiosamente esperado pelos associados da LEICAR, coroará esta caminhada de 25 anos; e, pelas mais-valias que os derivados do leite gerarão, garantirá não só a sustentabilidade financeira do projecto da LEICAR, como também a justa retribuição do trabalho dos produtores de leite. O grande desafio que, a este nível, se coloca é exactamente o de, através de uma gestão ágil e linear, não queimar em custos administrativos desnecessários os recursos que fazem falta à produção e à estrutura técnica industrial, de modo a que isto se reflicta em capacidade competitiva ao longo de todo o circuito. Esta é a marca que distinguirá a LEICAR da tradicional concorrência cooperativa; este será o momento que poderá levar à necessária (e, porventura, dolorosa) transformação no sector industrial leiteiro. Para dar este passo, foi necessário um longo trabalho político-administrativo que conduziu à suspensão do Plano Director Municipal da Póvoa de Varzim na área em causa, cuja classificação em termos de ordenamento do território (“área de equipamentos”) não permitia a instalação de uma estrutura industrial. Este processo (que se arrastou, a nosso ver, excessivamente – e aqui reside, em boa parte, a razão da demora na instalação da unidade industrial da LEICAR) foi administrativamente concluído com a publicação, em Diário da República (n.º 7, 1ª série, de 11 de Janeiro de 2011) da Portaria n.º 31. Uma vez mais, e porque os tempos que correm ordenam o reforço da prudência que sempre orientou o seu processo de crescimento, a LEICAR decidiu fasear este investimento, cujo custo global ascende a 18 milhões de euros. Assim, num primeiro momento (2012), serão investidos 13 milhões, que garantirão as condições de arranque do projecto, cuja expansão e conclusão se espera possam ser auto-sustentadas. Quando concluído, este projecto da LEICARCOOP terá gerado 36 postos de trabalho directos (e, indirectamente, o dobro). 87


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JosĂŠ Oliveira, Ă s portas do sonho que agora o comanda


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…que presta serviços…

A prestação de serviços, chamando a si funções que antes eram exclusivo das extensões regionais do Ministério da Agricultura, foi desde o início uma função central da LEICAR, aliás assumida nos seus Estatutos, cujo artigo 5º, relativo aos “Fins” da associação, indica explicitamente:

“Fomentar o desenvolvimento agrícola na sua área de acção através de serviços prestados aos associados, nomeadamente no que se refere ao uso de equipamentos colectivos, contabilidade agrícola e outros” – alínea c); “Colaborar com as entidades competentes na definição das políticas sectoriais relativas aos produtos dos seus associados, bem como na política de preços” – alínea e); “Cuidar da formação sócio-profissional dos seus associados” – alínea i), além de outros propósitos (“Promover o relacionamento dos seus associados…”, “esclarecer e apoiar…”, “desenvolver acções (…) que protejam os agricultores…”, etc.) que apontam no sentido de uma grande disponibilidade para a colaboração técnica com os produtores de leite e os agricultores em geral. O primeiro serviço criado, em 1987, foi o de Contabilidade de Gestão, que viria a ser oficialmente reconhecido em 13 de Maio de 1988. Seguiu-se, desde 1 de Outubro de 1990, a Formação Profissional, assumidamente uma área central de intervenção, em que oferta e procura se foram ajustando a níveis que hoje fazem da LEICAR uma entidade formadora cuja incidência vai muito além do meio e/ou temática estritamente agrícola. Serviços e Factores de Produção constituem outro instrumento de apoio aos produtores de leite, disponível desde Março de 1991. Também deste ano é o posto de venda de produtos para a actividade agrícola, em moldes mais favoráveis que os praticados pela Cooperativa, serviço que, como dissemos, viria a ser (em Assembleia Geral de 15 de Fevereiro de 1996) objecto de acordo com a Cooperativa, ficando esta com o exclusivo da venda de alguns produtos e a LEICAR com a formação profissional e a contabilidade de gestão, ou seja, assumindo

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cada instituição as funções para que melhor se sentia vocacionada. Aliás, estes serviços (Contabilidade e Gestão/Formação Profissional/Serviços e Factores de Produção) têm, desde 1992, responsáveis eleitos (que integram as listas de candidaturas aos órgãos sociais da LEICAR) e constituem secções autónomas. Vários outros serviços disponibiliza a LEICAR: Inseminação artificial (é subcentro público, desde 3 de Fevereiro de 1995, com dois inseminadores), Apoio Técnico aos associados (com as especialidades de Agronomia, Zootecnia, Veterinária e Contabilidade), um posto do SNIRA – Sistema Nacional de Identificação e Registo Animal, desde 1 de Janeiro de 2001, um posto do Regime de Pagamento Único–RPU (candidaturas para gasóleo agrícola, electricidade “verde”, parcelário, etc), Prestação de Serviços de Protecção Integrada para Milho e Cereais de Outono/Inverno (a LEICAR é entidade reconhecida pela Direcção-Geral de Protecção de Culturas, desde 30 de Dezembro de 2005), Prestação de Serviços de Aconselhamento Agrícola (reconhecimento em 2 de Março de 2010). A diversidade e a qualidade destes serviços foram determinantes para o crescimento do tecido associativo da LEICAR, a par, naturalmente, das expectativas de ganhos económicos que anteviam na estratégia da associação. O número de associados cresceu exponencialmente entre 1993 e 1997 (mais 207 em 1994, 195 em 1995, 119 em 1996) – e isto na sequência, e como consequência, do acordo LEICAR/Parmalat, regressando


Um inseminador no seu ofício

… » A distribuição geográfica do tecido associativo da LEICAR é, pois, um mapa da actividade agrícola (e, em particular, da pecuária leiteira) a norte do Douro, que seria interessante confrontar com os mapas de há 10 e 25 anos « … 91


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PAREDES DE COURA

NÚMERO DE ASSOCIADOS POR CONCELHO (1220)

PONTE DE LIMA

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LISTAS 1986~2011 ÓRGÃOS SOCIAIS

VIANA DO CASTELO

VILA VERDE

6

6 5 58

ESPOSENDE

411

BRAGA

BARCELOS

GUIMARÃES

8 V. N. FAMALICÃO

88 286

PÓVOA DE LANHOSO

PÓVOA DE VARZIM 3

193

VILA DO CONDE

29

30

FELGUEIRAS

SANTO TIRSO

TROFA

PAÇOS DE FERREIRA

MAIA

9

ERMESINDE 3 2

MATOSINHOS

VALONGO PAREDES

1 2 V. N. DE GAIA

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LOUSADA

7

PENAFIEL

18 3

25

5

GONDOMAR

4

AMARANTE


EVOLUÇÃO DOS ASSOCIADOS 1986~2011

1250 1200 1150 1100 1050 1000 950 900 850 800 750 700 650 600 550 500 450 400 350 300 250 200 150 100 50 0

SÓCIOS

CRESCIMENTO

1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010

depois à média de crescimento dos primeiros anos (a rondar os 50 novos associados/ano) e fixando-se (após 2005) em números de crescimento meramente residuais. É de prever uma nova expansão do corpo associativo quando a unidade industrial entrar em actividade. A LEICAR contabilizava, em 31 de Dezembro de 2010, 1220 associados, residentes nos concelhos de Barcelos (411), Póvoa de Varzim (286), Vila do Conde (193), Famalicão (88), Esposende (58), Trofa (30), Santo Tirso (21), Matosinhos (28), Maia (18), Ponte de Lima (16), Paços de Ferreira (9), Guimarães (8), Penafiel (7), Vila Verde (6), Póvoa de Lanhoso (6), Lousada (5), Braga (5), Valongo (5), Amarante (4), Viana dos Castelo (3), Felgueiras (3), Gaia (2), Paredes (1), Paredes de Coura (1) e Gondomar (1). Esta distribuição geográfica é natural e lógica. Barcelos, Póvoa, Vila do Conde, Famalicão e Esposende constituem, de facto, o coração da bacia leiteira de Entre Douro e Minho e o maior centro de pro-

dução de leite do país – e neste polígono Rates dispõe de uma localização geográfica privilegiada, a par de ser, individualmente considerada, a maior produtora de leite da região. O escasso número de associados nas regiões do Alto Minho, Tâmega e Sousa, e nos grandes centros urbanos, explica-se pela pequenez das explorações agrícolas aí existentes (convém lembrar que a LEICAR não admite associados com menos de cinco hectares de superfície agrícola útil) ou pelo carácter residual que a agricultura tem nessas regiões, onde predominam actividades industriais e serviços. A distribuição geográfica do tecido associativo da LEICAR é, pois, um mapa da actividade agrícola (e, em particular, da pecuária leiteira) a norte do Douro, que seria interessante confrontar com os mapas de há 10 e 25 anos; daí resultaria, seguramente, informação muito interessante sobre a evolução da agricultura regional neste quarto de século.

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Marta Varzim, António Mariz, Deolinda Costa e Conceição Ferreira (administração e contabilidade)


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O armazém de factores de produção (em Fontainhas) e o auditório de leilão electrónico


Joaquim Cruz, director técnico da LEICAR

… » parecerá um mero elogio circunstancial, só espantará quem não presenciou auditórios cheios, não viu exposições temáticas invadidas por profissionais interessados, « …

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…que forma, informa e promove…

A modernização da agricultura é, obviamente, um processo lento, que resulta da convergência de três factores: o humano (conhecimento), o tecnológico (equipamento) e o fundiário (empresa devidamente dimensionada). Só a conjugação destas três vertentes permite (e só ela justifica) que se fale em inovação, competitividade, sustentabilidade – futuro, em síntese.

A LEICAR é, hoje, e como dissemos, uma respeitada entidade formadora, procurada por centenas de agricultores. Mas a sua dinâmica de formação, cumprindo o preceito estatutário que manda “cuidar da promoção sócio-profissional dos seus associados” (art. 5º, alínea 1), é, na LEICAR, uma política transversal, presente em todos os campos de acção: na realização de seminários, colóquios e conferências; na edição da revista (edição anual, iniciada em Julho de 2002) “LEICAR NOTÍCIAS”, de conteúdo fortemente técnico e formativo; na organização da AGROLEITE e participação noutros certames que dão visibilidade à evolução técnica de equipamentos de apoio à actividade agrícola. Joaquim Cruz, director técnico da LEICAR, é o coordenador deste projecto, cujas componentes se vão adaptando dinamicamente aos tempos e aos contextos. Para a história ficam alguns momentos marcantes, que confirmaram e projectaram a imagem da LEICAR: os seminários “A Reforma da PAC e as suas incidências no Entre Douro e Minho” (16 e 17 de Julho de 1992, Braga), “Recolha, transformação e comercialização de produtos agrícolas face ao mercado único” (2 e 3 de Dezembro de 1993, igualmente em Braga) e “O sector leiteiro no Entre Douro e Minho” (7 de Dezembro de 2002, no auditório da LEICAR). A problemática da produção de leite tem sido recorrente na componente formativa do programa da Agroleite – que em colóquios técnicos aborda, proactivamente,

questões pertinentes da fileira. Em 2010, por exemplo, o tema do seminário foi “O sector leiteiro no horizonte 2015”, ou seja, após o fim do actual sistema de quotas de produção. No editorial da LEICAR NOTÍCIAS deste mesmo ano, José Oliveira manifesta-se a favor de uma reforma da PAC que se oponha à liberalização da produção e dos mercados agrícolas, que conduziria (conduzirá, se o rumo não for alterado) à desertificação do meio rural e à insuficiência alimentar de muitos estados membros da U. E. Todas estas iniciativas se pautam por grande atenção à realidade e à tendência evolutiva dos mercados, funcionando junto dos produtores como canais privilegiados de comunicação e de informação. Pode dizer-se que o associado da LEICAR é um produtor agrícola atento e prevenido – e esta afirmação, que a um leitor distante parecerá um mero elogio circunstancial, só espantará quem não presenciou auditórios cheios, não viu exposições temáticas invadidas por profissionais interessados, não conhece as solicitações que diariamente caem nos gabinetes técnicos ou os temas que são propostos para tratamento informativo na “LEICAR Notícias”. O que significa que o tal tripé para a modernização da agricultura, a que nos referimos no início deste apontamento, está vivo e disponível. Haja quem saiba manipulá-lo bem!

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Antigo posto de venda de factores de produção (conhecido por ArmazÊm das Fontainhas)


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… » Quem não percebeu isto não percebeu nada – este é o receio que persiste, num tempo que, tão lesto a complicar, não consegue (ou não quer) ver o óbvio, para o qual aliás rareiam os manuais de instruções.« … 106


…e tem agora um novo mundo à espera.

Quem acompanhou a história deste inicial quarto de século da LEICAR está, obviamente, habilitado a escrever o próximo capítulo, aliás já aqui claramente antevisto: a operacionalização da unidade industrial.

E pode, sem esforço, admitir que então surgirá um tempo novo para a agropecuária leiteira na região (e, porventura, por efeito de um bom contágio, no país): a mais justa remuneração do produto incentivará mais e melhor produção, porá termo à galopante extinção de explorações leiteiras (em 10 anos, de 1995 a 2005, Portugal perdeu mais de 40.000 unidades, boa parte das quais no Entre Douro e Minho) e garantirá condições para um ajustamento estrutural menos doloroso e penalizador que no passado. Claro que um tal cenário pode esbarrar num obstáculo dificilmente transponível: a prevista extinção das quotas leiteiras. Daí que, em sede de revisão da PAC, esta ameaça tenha de ser afastada, pois a liberalização dos mercados conduziria, como dissemos, ao fim da produção leiteira e de outras formas de agricultura em muitos estados membros da U. E. A evolução dos mercados agrícolas, face à actual e crescente carência de bens alimentares, impõe uma nova perspectiva para a agricultura no espaço europeu: de estímulo à produção e de defesa da identidade e da especificidade de cada estado membro. Só assim estes territórios fixarão as pessoas, conservarão a paisagem, manterão a biodiversidade. Ou seja: o esforço pioneiro (e, para já, solitário) de uma associação de produtores, tendo em si o germe da solução de um complexo problema nacional, pode ser fortemente condicionado (não diremos inviabilizado, mas seguramente dificultado) por razões macroeconómicas que a actual cegueira ideológica (neo-

liberal) persiste em impor às pequenas economias. Terá o mundo (e, em particular, Portugal) aprendido que a actual crise (pela primeira vez de dimensão global) só é ultrapassável com a mudança de paradigma, e que nesta mudança a agricultura (toda uma nova relação entre o homem e o campo e, por extensão, entre o homem e a natureza) tem de ocupar um lugar central? Quem não percebeu isto não percebeu nada – este é o receio que persiste, num tempo que, tão lesto a complicar, não consegue (ou não quer) ver o óbvio, para o qual aliás rareiam os manuais de instruções. A LEICAR não se resignou a contemplar o problema que, ameaçando a produção, punha em causa toda a fileira do leite; pelo contrário, foi à luta, actuou sobre as causas, construiu uma solução que tudo indica seja estrutural e, portanto, sólida (sustentável – como agora, e neste caso apropriadamente, se diz). A LEICAR não se limitou à reivindicação e à contestação, nos gabinetes e nas ruas – fez isso, e da maneira mais gritante, quando lhe não deixaram alternativa; mas procurou, e foi construindo, soluções, que ofereceram, em cada tempo e em cada contexto, as alternativas possíveis. Com isso credibilizou-se, conquistando paulatinamente a influência que agora lhe permite ajudar a construir, junto dos centros de decisão, as soluções que outros, com ruidosa inutilidade, procuram nas ruas ou junto das portas erradas.

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Uma assembleia geral da LEICAR


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E agora, LEICAR? A institucionalização – tentação de quem, tendo atingido a maturidade e o almejado patamar de segurança, se instala no mercado e, paulatinamente, se deixa contagiar pelos vícios da vizinhança, que já nem parece concorrência – a institucionalização, dizíamos, seria, a prazo, o fim do sonho, porque negaria a origem, a matriz de rebeldia e de superação que tem de ser a marca (essa, sim, institucional) de uma organização que nasceu contra a corrente e que só assim deve caminhar. Quem, em 25 anos, foi capaz de saltar do inicial “vão de escada” (Mendonça dixit) para a condigna sede actual; quem, em 25 anos, conquistou, por coerência, o direito a dizer nos gabinetes o que antes só podia proclamar nas ruas; quem, em 25 anos, conseguiu ser visitado (e solicitado) pelos poderes que antes mandavam bater e prender; quem, em 25 anos, conseguiu edificar o projecto alternativo que reclamava – tem, agora, todo um novo mundo (cá dentro e lá fora) à disposição. Este é agora o desafio – esta tem de ser a próxima realidade.

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111 Actual direcção da LEICAR


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REFERÊNCIA NO ASSOCIATIVISMO AGRÍCOLA ✎ João Machado Presidente da CAP

A LEICAR comemora o seu 25º aniversário em defesa dos produtores de Leite e Carne, num momento em que a Confederação regista 35 anos de actividade ao serviço dos agricultores portugueses. A CAP – Confederação dos Agricultores de Portugal, orgulha-se de contar, desde Novembro de 1993, com a dedicação e o empenho da LEICAR no seio de um movimento associativo que, de forma repetida, se tem revelado como absolutamente fundamental para a actividade agrícola no nosso país. O sector do leite tem sido testemunha de primeira linha das dificuldades que, de um modo genérico, os agricultores têm vindo a viver nas últimas décadas. Mas, para além das ineficácias e inconsistências estratégicas perante as quais o poder político repetidamente coloca o sector agrícola, o subsector do leite de uma forma geral e a região do Entre Douro e Minho, em particular, lutam contra as vicissitudes dos mercados e contra a dificuldade de vender os produtos a preços justos e rentáveis. Assim, a LEICAR constitui uma referência fundamental na defesa dos produtores de leite e de carne e um elemento fulcral na procura de alternativas de mercado que permitam a estes produtores subsistir e procurar constantemente, por vezes contra tudo e contra todos, um caminho de prosperidade do qual nenhum agricultor pode ou deve abdicar. A criação do Mercado do Gado, o qual se constituiu como o mais importante da região Norte, representa um exemplo da persistência e do empenho que terão de prevalecer em todos nós, de forma a ultrapassarmos as dificuldades e os entraves que constantemente nos são colocados. Por outro lado, para além da persistência na procura de melhores condições e da luta contra as adversidades, a solidariedade constitui um valor que a LEICAR tem sabido cultivar ao longo da sua existência. Com efeito, nos momentos de maior dificuldade, a CAP habitou-se a encontrar nesta associação, assim

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como na região Entre Douro e Minho em geral, um importante pólo de luta e de resistência contra as forças que no passado, mais recente ou mais longínquo, injustamente insistiram em confrontar o sector e a produção nacional, com isso prejudicando o país. Desta forma, além da persistência, da resistência e da solidariedade, é da maior justiça atribuir à LEICAR, no momento em que comemora os seus 25 anos, um outro título – o do patriotismo. Num contexto em que Portugal se confronta com enormes desafios e que o sector agrícola é considerado pelos economistas como fundamental para a recuperação económica do país, a actual importância do associativismo em nada é inferior à relevância que o movimento associativo tinha há 25 anos, quando a LEICAR foi constituída. Para a CAP, organização de cúpula ao nível do associativismo no sector agrícola, a comemoração do 25º aniversário da LEICAR constitui um momento particularmente importante para a história do associativismo português. Desta forma, a Confederação conta com a participação e o empenho que esta Associação tem vindo a demonstrar ao longo dos anos, no âmbito dos desafios que actualmente se colocam ao sector. Neste momento de comemoração, a CAP não pode deixar de fazer referência ao notável trabalho que a Direcção da LEICAR têm vindo a desenvolver na região. Por outro lado, a participação do seu Presidente, José Campos de Oliveira, na Direcção da CAP ao longo dos anos, na qualidade de Vice-Presidente, agora reeleito para um novo mandato, até 2014, constitui uma mais valia inestimável para a Confederação e para os agricultores em geral. Desejo, assim, manifestar o meu apreço à LEICAR e aos seus dirigentes, neste momento de celebração, e desejar felicidades no trabalho que a Associação irá com certeza continuar a desenvolver em prol dos agricultores e produtores de leite e carne do Entre Douro e Minho.


… » para além da persistência na procura de melhores condições e da luta contra as adversidades, a solidariedade constitui um valor que a LEICAR tem sabido cultivar« …

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… » Este esforço do sector do leite é materializável no facto de ser o mais importante sector pecuário nacional, com um contributo para a produção da Agricultura nacional de 11%. « … 116


UM BOM EXEMPLO ✎ António Serrano Ministro da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas

É com agrado que me associo à celebração dos 25 anos da LEICAR – Associação de Produtores de Leite e Carne, uma vez que a vossa organização constitui um bom exemplo para todo o sector agrícola do dinamismo e profissionalismo que está associado à produção leiteira. Desde a plena adesão do sector agrícola às exigências da Política Agrícola Comum, a qual sofreu profundas modificações, nomeadamente os mecanismos da Organização Comum de Mercado para o sector do leite, verifico que o sector nacional respondeu com uma forte modernização e especialização das estruturas produtivas e industriais. Para a obtenção deste resultado é incontornável o papel que as organizações de produtores, como a LEICAR, desempenharam na organização da produção, particularmente na construção de uma fileira agro-industrial nacional, algo que deve servir de exemplo para outros sectores actividade. Este esforço do sector do leite é materializável no facto de ser o mais importante sector pecuário nacional, com um contributo para a produção da Agricultura nacional de 11%. Em termos regionais é de destacar a região do Entre Douro e Minho, que representa 33% da produção de leite e 27% do total de explorações leiteiras. Com efeito, os produtores da região são, em muito, responsáveis pelo sucesso do sector do leite no nosso país, e realço a importância do grupo de agricultores do concelho da Póvoa de Varzim que, em 1986, tiveram a arrojo de se associar para constituírem a LEICAR. Foi através deste tipo de iniciativas de criação de escala que foi possível ultrapassar constrangimentos, particularmente de natureza fundiária, o que conduziu, nesta região, ao surgimento de um número assinalável de explorações especializadas em bovinicultura de leite nos escalões superiores de produção. Tal deve ser um estímulo para que todos os intervenientes no sector continuem a trabalhar no sentido do reforço dos factores de competitividade. Reconheço a conjuntura difícil dos mercados dos produtos de grande consumo, com particular impacto no sector da produção animal, a qual tem trazido dificuldades para as explorações

de bovinicultura leiteira resultando de uma conjugação de factores a nível comercial e político de que destaco os seguintes: •

O aumento dos custos das matérias primas para a alimentação animal e da energia, a par com o aumento da volatilidade dos preços; O Alargamento de práticas comerciais no retalho agressivas, em particular no sector do leite, para garantir baixas margens nos produtos de grande consumo; A Evolução da Política Agrícola Comum numa direcção de liberalização, com a abolição das quotas leiteiras, e da revisão do apoio ao rendimento dos produtores.

Para estes novos desafios o trabalho conjunto é essencial, não só ao nível da produção mas ao longo de toda a fileira e também com uma cooperação activa com a administração pública. Existe uma agenda que tem que ser partilhada por todos os agentes envolvidos para responder aos desafios em presença, dos quais destaco: • •

Defesa intransigente dos interesses nacionais no quadro da Reforma da PAC do pós – 2013 ; Apoio à modernização contínua do sector com a melhoria dos recursos forrageiros, da qualidade do leite e no cumprimento das questões ambientais; Progredir nas iniciativas de se caminhar numa distribuição equilibrada do valor ao longo da fileira.

Sendo certo que o quadro em que se desenvolve a actividade produtiva no sector pecuário é caracterizado por significativa instabilidade e incerteza, decorrente das condições de mercado e das alterações das políticas, o papel de associações será mais uma vez determinante, sendo desejável que mantenham uma acção pautada pela pro-actividade, com vista à construção de soluções efectivas no seio das fileiras agro-alimentares. Reafirmo o meu desejo de o maior sucesso para a vossa organização, neste momento de comemoração dos 25 anos, com o maior êxito para os seus trabalhadores e associados, reconhecendo o vosso esforço na construção de um sector agrícola com futuro.

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… » De uma simples Associação surgiu, mercê de um inteligente aproveitamento da conjuntura, um grupo empresarial, que é responsável por considerável número de postos de trabalho e por importantes reflexos na economia de muitas empresas agrícolas da região. « … 118


INTELIGÊNCIA E DETERMINAÇÃO ✎ José Macedo Vieira Presidente da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim

Conheço a LEICAR há 17 anos, tantos quantos os que tenho como Presidente da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim. Lembro-me no entanto de, já antes da minha chegada à Câmara (em 1994), ouvir falar desta Associação, que aliás estivera na origem e na liderança de um forte movimento contestatário às políticas agrícolas que então se desenhavam (no âmbito da PAC) particularmente gravosas para o sector do leite. Foi já comigo na Câmara que a LEICAR, até então (e também posteriormente) muito activa na rua, foi abandonando essa feição contestatária (de cuja necessidade, de resto, nunca duvidei, salvaguardando embora alguns excessos, sempre incontroláveis nessas circunstâncias) e passou a ter uma actuação mais pragmática e mais contida. Não tive nessa inflexão qualquer responsabilidade ou mérito – que isso fique claro; aliás nunca interferi na vida interna de nenhuma organização a que não estivesse ligado. O que quero dizer é que essa evolução (talvez natural consequência do intenso e difícil período fundador) coincidiu com o tempo em que, por força das minhas funções na Câmara, passei a acompanhar de perto a vida da LEICAR e a sua progressiva afirmação como uma organização de matriz mais institucional. Assisti e acompanhei, interessado, o processo que conduziria à sua parceria com a Parmalat, então um importante contributo para o combate à concentração industrial e, portanto, para a existência de um mínimo de concorrência, com reflexo na retribuição à produção. Assisti à evolução do projecto que conduziria a LEICAR das suas iniciais e minúsculas instalações à sua moderna sede, muito merecidamente inaugurada pelo primeiro-ministro de então (António Guterres), bem como à criação, nas imediações, do embrião da futura unidade de transformação e embalamento de produtos lácteos, esse sim um contributo (que esperto ver, pujante, no próximo ano) com efeitos de grande dimensão na relação entre a produção e a indústria.

E fui obviamente informado de uma alteração circunstancial muito importante, pelos efeitos que teve nas partes contratantes: a adesão da LEICAR à CAP (Confederação dos Agricultores de Portugal) – com ganhos de representatividade para esta (no sector do leite) e de capacidade negocial para a LEICAR, que assim ganhou proximidade a importantes centros de decisão e viu facilitada a concessão do apoio governamental aos projectos estruturantes por que lutava (sede, mercado do gado, centro de recolha do leite…). O que posso e devo testemunhar é, portanto, a minha admiração pela inteligência e pela determinação com que a LEICAR se posicionou no complexo mundo agrícola dos nossos dias: definiu objectivos, adoptou estratégias e metodologias (que permanentemente adapta e actualiza), prossegue determinada o seu caminho. De uma simples Associação surgiu, mercê de um inteligente aproveitamento da conjuntura, um grupo empresarial, que é responsável por considerável número de postos de trabalho e por importantes reflexos na economia de muitas empresas agrícolas da região. E este percurso, que é um evidente caso de sucesso no meio associativo e cooperativo português, há-de ter ainda maior expressão e mais positivo efeito quando (dentro de um ano, espera-se) o novo projecto industrial estiver implementado. Brindo, pois, ao passado (estes brilhantes 25 anos, que agora condignamente se assinalam), na convicção de que foram sementeira de um futuro ainda melhor para a nossa agricultura e, em particular, para a produção de leite e carne. A Póvoa de Varzim, em cujo interior a agro-pecuária tem condições excepcionais de desenvolvimento, deve à LEICAR e às demais organizações ligadas ao sector a permanência e a afirmação de produtos de excelência num segmento de mercado que é vital para a auto-suficiência alimentar (e, portanto, para a soberania) do País.

Parabéns, pois, por estes 25 anos – e, sobretudo, pelo futuro!

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25 ANOS DE AFIRMAÇÃO NO MUNDO ASSOCIATIVO ✎ Luís Capoulas Santos Deputado europeu Na passagem do 25º aniversário da LEICAR, saúdo todos os seus dirigentes e associados e evoco de uma forma especial os que tiveram a visão e o arrojo de a fundar. A LEICAR nasceu ao mesmo tempo que Portugal iniciava a sua integração na então CEE, aquele que terá sido certamente o maior desafio que a agricultura portuguesa teve de enfrentar em toda a sua história. A CEE era então um “clube restrito de ricos” constituído por apenas 10 Estados-membros, onde todos, com excepção da Grécia, que havia aderido apenas 5 anos antes, representavam agriculturas altamente desenvolvidas e competitivas, que há muito beneficiavam de fortíssimos apoios de uma PAC desenhada à sua medida e que dispunham de sofisticada organização dos produtores nos diversos sectores. A constituição da LEICAR no contexto em que ocorreu foi um acto visionário e de coragem de um punhado de produtores de leite que teve a percepção do momento que então se vivia e que, a partir de um nível concelhio, alastrou a toda uma Região onde o sector do leite assume uma enorme importância do ponto de vista económico e social. Acompanhei o percurso e as realizações da LEICAR e, enquanto membro do governo, sempre lhe concedi o estatuto de parceiro credível e responsável e sempre acreditei na sua capacidade de realização, sem prejuízo desta ou daquela eventual divergência política pontual que é inerente à democracia. Guardo boas recordações desse relacionamento e partilho o orgulho das suas realizações, em particular a que me parece de mais envergadura – o Mercado de Gado e Parque de Leilões, que tive oportunidade de apoiar e em cuja inauguração tive o prazer de participar. Os momentos que agora vivemos na Europa, no país, e no sector do Leite, não são mais fáceis do que aqueles que vivíamos há um quarto de século atrás. E dá que pensar o que seriam sem o contributo para a sua organização e modernização dados por organizações como a LEICAR. A crise económica e financeira e a volatilidade dos preços que tem vindo a , em especial nos custos da energia e das matérias-primas, em particular os

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cereais que, a par do poder crescente das grandes superfícies comerciais tem vindo a esmagar a já escassa margem de lucro dos produtores, com consequências gravíssimas para a rentabilidade e continuidade da sua actividade e para o abastecimento do país de um produto base da alimentação. A Comissão Europeia tem reagido tarde e de forma deficiente, em particular face à realidade portuguesa, apesar dos alertas e das pressões que eu próprio e outros deputados temos vindo a fazer do Parlamento Europeu, em especial no que refere à obstinação da manutenção do objectivo da eliminação das quotas leiteiras em 2015, decidida em 2003. A Comissão Europeia, que tem o monopólio da iniciativa legislativa, irá apresentar no próximo Outono as suas propostas para o futuro da PAC no horizonte de 2014 a 2020. Será a primeira vez em que a decisão final não caberá exclusivamente ao Conselho dos Ministros da Agricultura mas que será partilhada, em partes iguais com o Parlamento Europeu, por força da entrada em vigor do Tratado de Lisboa, concluído sob Presidência Portuguesa do Conselho da União Europeia. Como Deputado Europeu que irá ter, provavelmente, a responsabilidade desse Relatório, coloco-me desde já à disposição da LEICAR para a troca de informações que for considerada necessária. É fundamental estabelecer uma estratégia de negociação, em cumplicidade com o governo português e outros agentes políticos com os quais possam ser estabelecidas alianças políticas, que conduza aos melhores resultados para Portugal e para os agricultores portugueses, no contexto de uma negociação que será longa e muito difícil. Desejo à LEICAR o prosseguimento do trajecto de sucesso que percorreu ao longo destes 25 anos de vida e formulo votos para que seja cada vez mais útil aos produtores de um sector vital para o país e que constitui o melhor exemplo de modernização e de ajustamento estrutural de toda a agricultura portuguesa. Servi-los e contribuir para a sua viabilidade e competitividade é o melhor serviço que pode ser prestado a Portugal no momento em que a superação da crise passa também por um forte contributo da agricultura.


… » foi um acto visionário e de coragem de um punhado de produtores de leite que teve a percepção do momento que então se vivia e que, a partir de um nível concelhio, alastrou a toda uma Região onde o sector do leite assume uma enorme importância do ponto de vista económico e social. « … 121


NOS 25 ANOS DA LEICAR ✎ Carlos Duarte Gestor do Programa Operacional Regional Norte – OM.2

Ao comemorar 25 anos de existência a LEICAR, os seus associados e os respectivos órgãos sociais merecem um justificado elogio pela coragem evidenciada na defesa dos legítimos interesses dos produtores de leite e carne da região e pela capacidade de concretização de acções, materiais e imateriais, de apoio à actividade económica do sector. Começando como Associação local de âmbito concelhio rapidamente atingiu uma dimensão regional e assumiu um importante papel no movimento associativo e um interlocutor empenhado e exigente junto dos organismos oficiais, nomeadamente do Ministério da Agricultura. As fileiras do leite e da carne, estratégicas na minha perspectiva, não tem sido suficientemente valorizadas e apoiadas na agenda política e mediática pelo que é cada vez mais decisivo para a sua sustentabilidade e viabilidade futura a existência de organizações de produtores fortes, credíveis e competentes. Os complexos desafios que os produtores de leite e carne enfrentam perante a situação actual dos mercados e a não existência de um poder regulador minimamente eficaz por parte do Estado, constitui outra importante função e responsabilidade das associações e cooperativas do sector, no sentido de procurarem assegurar uma permanente defesa e protecção dos

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produtores e promoverem uma continua modernização do sector com transferências de conhecimento e incentivando práticas e processos de produção inovadores e sustentáveis. A atitude assumida pela LEICAR ao longo destes 25 anos de não se conformar perante as situações, não se resignando face às dificuldades e procurando encontrar e fomentar as melhores soluções para os problemas do sector traduz um indicador do mérito do trabalho desenvolvido pelos seus dirigentes mas também constitui uma acrescida responsabilidade para o futuro. Com a comprovada colaboração recebida durante todos estes anos em diversas situações e em todas as funções que exerci, espero e desejo que a LEICAR continue a sua missão com uma renovada energia e ambição em prol da Agricultura regional e nacional, em cooperação com as restantes organizações de produtores e com disponibilidade para continuar a assumir acções de colaboração com a Administração central e regional de molde a melhor assegurar o apoio aos produtores de leite e carne da região. Os agricultores precisam e merecem. Todos seremos poucos para promover uma agricultura competitiva, inovadora e sustentável e assegurando rendimentos atractivos aos produtores.


… » As fileiras do leite e da carne, estratégicas na minha perspectiva, não tem sido suficientemente valorizadas e apoiadas na agenda política e mediática « …

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AS SUAS BODAS DE PRATA! ✎ Joaquim Maia Igreja Presidente do Conselho de Administração da Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Póvoa de Varzim, Vila do Conde e Esposende, C.R.L.

Do programa, consta a publicação de um livro, tendo a sua Direcção solicitado que, conhecendo bem a LEICAR e as suas origens, escrevesse uma mensagem. Assim, entendo que se por um lado com esta sua iniciativa, pretendem congratular-se com a vitalidade da Organização, contando também um pouco da sua história, por outro, tenho a certeza que pretendem homenagear as pessoas que conscientes das dificuldades com que, quantas vezes mal compreendidos e até com grandes prejuízos das vidas pessoais, (mas sempre com a suprema ideia de trabalhar para o bem comum) decidiram um dia, constituir a sua própria associação. Foram, naturalmente pessoas que dotadas de uma vontade férrea de vencer, meteram ombros a essa tão arrojada iniciativa, percorrendo ao longo dos anos um caminho, por vezes, cheio de obstáculos. Que me desculpem os demais, mas entendo justo entre todos, aqui destacar o Sr. José Oliveira, jovem idealista que um dia conseguiu motivar um pequeno grupo de agricultores, alguns dos quais bem mais idosos que ele próprio, a consigo meterem ombros a uma “obra” de tão grande envergadura. Penso que a iniciativa, vontade e persistência de todos, deverá sempre ser recordada pelos mais jovens, como exemplos de determinação e perseverança, a seguir. No âmbito dos seus objectivos, a LEICAR através da formação profissional e apoio técnico, tem desempenhado um papel de vital importância na valorização cultural dos seus associados, a qual, sem margem para qualquer dúvida, se vem reflectindo na dinâmica das suas explorações agrícolas.

ralmente como previam os seus fundadores, acabou por ser extremamente importante para ambas as classes. Entendo também como imprescindível, a formação profissional e o já referido apoio técnico, factores importantes para que os associados estejam melhor preparados a poderem competir com os seus parceiros da União Europeia. Por esse facto, a Caixa de Crédito Agrícola de Póvoa de Varzim, Vila do Conde e Esposende, a cujo Conselho de Administração tenho a honra de Presidir, nunca lhe regateou apoios nem a celebração de protocolos e parcerias, estando sempre presente nos momentos mais importantes da sua actividade. Posso assim, agora afirmar ser com redobrado prazer que assisto à comemoração das suas BODAS DE PRATA e ao lançamento de um livro comemorativo, que naturalmente pretende perpetuar o passado da instituição, alavancando no futuro, a sua actividade. Na vida de uma pessoa, em termos médios, 25 anos representam sensivelmente, um terço da sua existência. Numa instituição, esse tempo representa apenas que percorreu os primeiros e difíceis anos da sua existência, (tal como nas pessoas, quando ainda não se consegue caminhar de forma segura, sem o apoio dos adultos). Auguro portanto para a LEICAR, a fácil e rápida concretização dos seus objectivos estatutários, louvando pela iniciativa os actuais dirigentes e trabalhadores, bem como louvo todos aqueles que tem dado à associação, o melhor do seu saber.

Sempre entendi que a concorrência em qualquer sector, é salutar, não só para os produtores como para os consumidores.

Faço votos para que a Associação dos Produtores de Leite e Carne, fiel ao seu passado, tenha um longo e próspero futuro, conseguindo rapidamente como já referido, concretizar os seus objectivos.

Por tal facto, o espaço que esta associação veio preencher, natu-

Bem hajam

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… » Foram, naturalmente pessoas que dotadas de uma vontade férrea de vencer, meteram ombros a essa tão arrojada iniciativa, percorrendo ao longo dos anos um caminho, por vezes, cheio de obstáculos. « … 125


… » foi uma parte do rés-do-chão da “Casa da Catequese” que abrigou a LEICAR. E, quando necessário, também a Paróquia lhe abriu o Salão Paroquial, em Assembleias e várias acções « …

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O MEU TESTEMUNHO ✎ P.e Manuel de Sá Ribeiro Pároco de S. Pedro de Rates

Quando Deus quer, o homem projecta e a união de esforços se concretiza, a obra nasce e cresce. O rio mais caudaloso começou numa gota de água que brotou na nascente; a árvore mais esguia e frondosa brotou de uma pequena semente; o maior arranha-céus teve minucioso projecto e a “primeira pedra” lançada com muita esperança!… Assim aconteceu com esta prestigiosa Empresa, a LEICAR, que já celebra 25 anos de fundação. Como em tudo, houve um início periclitante, cheio de incertezas, mas de muito querer, trabalho e confiança no novo projecto incipiente. Vontade havia, garra também e da sua necessidade nem falemos!… Faltava-lhe uma sede. Possuidora de vários espaços materiais, a Paróquia de S. Pedro de Rates, sempre pronta a colaborar com os vários organismos culturais, desportivos, recreativos… foi chamada a dar o seu apoio ao novo organismo, protector dos jovens agricultores. Já o havia feito para a implantação da Escola “Ciclo Preparatório” , em complemento à casa da D. Laura, actual sede da Junta de Freguesia. Igualmente colaborou no acolher a sede provisória da “Associação de Amizade de S. Pedro de Rates” . Durante vários anos (até a LEICAR se estabelecer nas novas e

actuais instalações), foi uma parte do rés-do-chão da “Casa da Catequese” que abrigou a LEICAR. E, quando necessário, também a Paróquia lhe abriu o Salão Paroquial, em Assembleias e várias acções formativas… Não foi só para ficar em Rates (de outro modo poderia ter que sediar-se noutra freguesia), mas também pelo prestígio e facilidade para os jovens empresários agrícolas ratenses. Foi “juntar o útil ao agradável”. No fundo todos beneficiamos. O “nosso lema” tem sido “servir”. Acreditamos que, em estreita colaboração e no respeito mútuo pelas competências, direitos e deveres de cada um, quando unimos esforços, muito se pode fazer, com profissionalismo e dignidade. A LEICAR cresceu, cresceu… e já são bem visíveis os frutos presentes e aguardamos os mais que se lhe esperam… Rates mantém-se na vanguarda da agricultura e o seu nome, através da LEICAR, é conhecido por aí fora! Bem hajam os que A têm servido com competência, dedicação e estima. Entre todos (e são muitos), não quero esquecer o que desde sempre tem sido o seu Presidente, o rosto visível e a “alma” desta Empresa, o Sr. José Campos de Oliveira. Parabéns por estes 25 anos de vida. Que se multipliquem por muitos mais e sempre “plus ultra” .

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… » Aí sim, esta matéria-prima de excelência, até hoje nas mãos de um restrito núcleo empresarial monopolista, fará reverter para os seus produtores o justo quinhão do seu contributo, garantindo-lhes a sobrevivência e a competitividade. « … 128


UM BRINDE AO FUTURO ✎

Armindo Ferreira Presidente da Junta de Freguesia S. Pedro de Rates

Devo confessar, antes de mais, que um depoimento sobre os 25 anos da LEICAR é, boa verdade, um depoimento sobre boa parte de mim próprio. Por quatro razões decisivas (ou incontornáveis, como agora se diz): porque o nascimento da LEICAR é quase simultâneo da minha chegada à Junta de Freguesia de Rates; porque tive o privilégio de ser congeminador deste projecto, através de reuniões com o José Oliveira e o Dr. Santos Costa; porque era, aquando da fundação da LEICAR, Presidente da Direcção da Associação de Amizade de S. Pedro de rates e, nessa qualidade, pude, sabe Deus com que sacrifício, prescindir de algum espaço que a Associação ocupava e de outro que lhe estava prometido, criando assim condições para que a LEICAR ficasse sediada em Rates; e porque, acompanhando de perto a vida desta Associação e as suas urgências de crescimento, pude apoiá-la, propondo à autarquia (que unanimemente aprovou) a doação do terreno necessário à construção da sua sede e do mercado de gado. Pelo resto, que foi o acompanhamento interessado de tudo quanto à LEICAR dizia respeito e que se traduziu no seu crescimento e afirmação, respondeu (e tudo justificou) a amizade do José Oliveira, que por norma me honrou com a partilha dos seus projectos e das dificuldades que os impediam ou adiavam. De modo que, nesta hora feliz, a primeira sensação que me invade, a par da constatação (essa, sim, dolorosa) de que já passaram 25 anos, é de intenso regozijo: afinal, pude colaborar no sucesso de um projecto em que, na ocasião, poucos acredita-

vam. Devo à LEICAR esta imensa e intensa satisfação, que muito agradeço. Atendo-me à perspectiva institucional, que é aquela em que é solicitado o meu depoimento, quero afirmar a minha convicção de que, não obstante o relevante contributo da LEICAR para a afirmação do leite e da carne como produtos agrícolas de excelência, a melhor e mais decisiva intervenção desta Associação é a que se anuncia para breve, com a instalação de uma unidade industrial que acrescentará mais-valias consideráveis ao leite e seus derivados. Aí sim, esta matéria-prima de excelência, até hoje nas mãos de um restrito núcleo empresarial monopolista, fará reverter para os seus produtores o justo quinhão do seu contributo, garantindo-lhes a sobrevivência e a competitividade. Ou seja: tanto quanto homenagear o passado (o contributo da LEICAR para a modernização da agricultura, que em Rates é actividade com relevância económica, social e ambiental), impõe-se destacar a decisiva importância do futuro previsível, que será (ele próprio) a melhor confirmação de que estes 25 anos valeram bem a luta, a persistência e a determinação de quantos sonharam a LEICAR e a puseram de pé. E se a todos é devido um reconhecimento individualizado, peço licença para centrar essa gratidão na pessoa de quem, desde o início, tem liderado este projecto vencedor: o José Oliveira, sem cuja orientação a LEICAR não existiria, ou não seria o que é.

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DEPOIMENTO PARA O VIGÉSIMO QUINTO ANIVERSÁRIO DA LEICAR ✎ Manuel Valentim Pereira Vilar Presidente da Assembleia Geral da LEICAR

Para quem, há mais de cinquenta anos tem dado sempre o seu esforço em prol do associativismo entre os agricultores, na defesa dos seus interesses e da sua liberdade associativa, foi com interesse que acompanhei há vinte e cinco anos a criação desta associação. Despertava-me interesse, particularmente a juventude dos elementos que apareciam como o núcleo principal que sobressaía da massa do movimento e se apresentavam com uma forte capacidade de mobilização. Foi a convite de um desses elementos que fui solicitado para aderir. O meu cartão de associado, tem o n.º 83 e a data de 16 de Março de 1988. A minha participação nos Corpos directivos, começou por um infeliz acontecimento, o falecimento do Sr. Murado Torres, um entusiasta da primeira hora cujo empenho com que se batia despertava a minha admiração. Quero por isso deixar-lhe neste depoimento a minha sincera Homenagem. Recordo as primeiras reuniões em que participei como associado, com a sala paroquial de Rates, cheia de agricultores entusiasmados na discussão dos problemas e dos temas que lhe eram apresentados. Senti como poucas vezes, durante essas discussões, que o futuro se prepara no presente, porque é o presente o momento que nos pertence e o futuro de todos, dependa da participação de cada um no presente. Dessas discussões foi nascendo o cimento aglutinador da vontade colectiva que galvanizou um número cada vez maior, até atingir o presente que é hoje, na preparação de novo futura para amanhã. Desde o seu nascimento, a LEICAR tem percorrido um caminho difícil, o que aumenta o seu mérito como associação, e, da liderança que tem sabido eleger para a conduzir, tornando-se cada vez mais reconhecida e respeitada pelo universo associativo agrícola português. A preocupação que desde a primeira hora tem animado a LEICAR de promover a formação dos seus associados, expressa nos inúmeros cursos profissionais que ao longo do tempo tem mantido, abrindo aos mais novos horizontes, tem sido, e bem, um dos pilares em que assenta toda a estrutura associativa.

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Foi notória a capacidade de adaptação às exigências que o tempo e os interesses dos associados iam colocando. Quer na criação de associadas para responder às conjunturas que iam surgindo, desde os contratos de venda de leite ou na comercialização de animais. Assim apareceu naturalmente, o Mercado de Gado, a LEICARCOOP, o Comercio de bovinos e a contabilidade. Naturalmente que estas realizações, lideradas por uma corpo directivo dinâmico, responsável e com uma capacidade de realização notável, assenta num ambiente de liberdade associativa em que a massa se revê. Quando, com o advento da democracia, as cooperativas agrícolas, foram pelo poder político, indicadas como herdeiras das organizações corporativas receberam uma herança que lhe entregou um património material importante mas também um lastro mental que os seus responsáveis não souberam gerir, desenvolvendo em muitos agricultores a convicção de que mudaram os nomes mas as mentalidades dos responsáveis (em muitos casos os mesmos) não se abriram aos valores da democracia. Quero particularmente ressaltar que os fundadores da LEICAR, sentiram em muitos agricultores um constrangimento generalizado a esta situação e pretenderam, com a seu movimento, levar os responsáveis pelas cooperativas, a reconsiderar as suas posições para com os agricultores seus associados e oferecendo a colaboração indispensável de quem tinha a confiança dos agricultores. Se alguns ainda aceitaram dialogar, outros, designadamente as uniões, recusaram e desencadearam uma campanha de ataque a tudo que não fossem cooperativas, em que alguns governos colaboraram recusando reconhecer outras organizações de agricultores. As movimentações de 1991 não foram mais do que o grito dos agricultores de que se respeitasse a democracia e as suas regras. Aí estivemos, e estaremos sempre que estejam em causa os nossos interesses mas sobretudo os nossos direitos.


… » Senti como poucas vezes, durante essas discussões, que o futuro se prepara no presente, porque é o presente o momento que nos pertence e o futuro de todos, dependa da participação de cada um no presente. «…

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133 A igreja rom창nica de Rates (sec. XI-XII)


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A Praça de Rates, centro cívico de uma povoação que foi sede de concelho até 1836


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139 O vale de Rates, em 1980


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141 O mesmo espaรงo, na actualidade


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O actual quadro de colaboradores da LEICAR


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Tomada de Posse 2.os Corpos Sociais Eleitos 13-06-1987

Filiação na CAP 03-11-1993

1º Encontro Nacional de Produtores Leite Aveiro

Manifestação Agricultores Vila do Conde 11-02-1993

Início da Formação Profissional 01-10-1990

1986

1987

1988

1989

1990

Execução Candidaturas subsídios (RPU) 01-01-1997

1991

Reconhecimento Agrupamento Produtores Serviços de Gestão 13-04-1988

Escritura Constituição e Tomada de Posse 28-08-1986

1ª Importação de Novilhas Holanda 7-12-1994

1992

1993

1994

1995

1996

1997

1998

Serviço Inseminação Artificial 03-02-1995

Constituição da LEICAR - Comércio de Bovinos S.A. 31-08-1995

Abertura do Posto Venda Factores Produção 01-3-1991

1º Grande Manifestação Nacional Agricultores 15/20-07-1991

Protocolo com Parmalat 31-08-1994

Seminário Braga “Recolha, Transformação e Comercialização Produtos Agrícolas face ao Mercado Único” 2/3-12-1993

Seminário Braga “Reforma PAC e Incidências no EDM” 16/17-07-92

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PROAGRI 01-05-1997


1.ª Feira Agrícola AGROLEITE 05-08-2004

Constituição da LEICAR - contabilidade Unipessoal L.da 02-08-2010

Reconhecimento Serviços Protecção Integrada Milho 30-12-2005 Posto SNIRA 01-001-2001

1999

2000

2001

2002

Reconhecimento Serviços de Aconselhamento Agrícola 02-03-2010

2003

2004

2005

2006

2007

2008

2009

2010

2011

Projecto Investigação Europeu PATHOMILK 01-09-2007

Inauguração da SEDE e Mercado de Gado 20-02-2002

Constituição da LEICARCOOP 14-05-1999 N.º 1 Revista LEICAR - Notícias 01-06-2002

Manifestação Agricultores Rates 27-08-2009

Manifestação Agricultores Rates 05-1999

III Seminário “O Sector Leiteiro no EDM” 07-12-2002

Cerimónia Comemorativa 25 ANOS 17-06-2011

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E agora, LEICAR? A institucionalização – tentação de quem, tendo atingido a maturidade e o almejado patamar de segurança, se instala no mercado e, paulatinamente, se deixa contagiar pelos vícios da vizinhança, que já nem parece concorrência – a institucionalização, dizíamos, seria, a prazo, o fim do sonho, porque negaria a origem, a matriz de rebeldia e de superação que tem de ser a marca (essa, sim, institucional) de uma organização que nasceu contra a corrente e que só assim deve caminhar. Quem, em 25 anos, foi capaz de saltar do inicial “vão de escada” (Mendonça dixit) para a condigna sede actual; quem, em 25 anos, conquistou, por coerência, o direito a dizer nos gabinetes o que antes só podia proclamar nas ruas; quem, em 25 anos, conseguiu ser visitado (e solicitado) pelos poderes que antes mandavam bater e prender; quem, em 25 anos, conseguiu edificar o projecto alternativo que reclamava – tem, agora, todo um novo mundo (cá dentro e lá fora) à disposição. Este é agora o desafio – esta tem de ser a próxima realidade.

w w w. l e i c a r. p t

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Leicar - os primeiros 25 anos  

Livro comemorativo dos 25 anos da Leicar

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