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ISABEL FERNANDES PROJETO 8 PUC-RIO 2016.1

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1 INTRODUÇÃO 2 PRÓLOGO 3 O VAPORWAVE 4 SIMILARES 5 C O R R E L AT O S 6 MOOD 7 COLAGENS 8 MOULAGE 9 P R O P O S TA 10 CARTELA DE CORES 11 PRIMEIROS DESENHOS 12 E S TA M PA S 3

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13 T R A T. D E S U P E R F Í C I E 14 NAMING 15 A COLEÇÃO 16 DESENHOS TÉCNICOS 17 M AT E R I A I S 18 PEÇAS 19 CONCLUSÃO 20 AGRADECIMENTOS 21 BIBLIOGRAFIA

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1 INTRODUÇÃO Na pós-modernidade, o indivíduo assume identidades diferentes, contraditórias e não unificadas. Somos descontínuos, caracterizados por um processo infinito de rupturas e fragmentações internas, como uma colcha de retalhos. O movimento musical Vaporwave trabalha com esse fenômeno, pois juntas diversas referências de épocas e lugares diferentes criando algo novo e único. Escolhi esse movimento para inspirar a minha coleção. Criei peças a partir de um estudo sobre o tema. Minha coleção é composta de sete looks que vão da praia para onde a pessoa que o veste quiser. Durante o meu processo fiz colagens, trabalhos de moulage, moodboards e desenhos, chegando assim, no meu resultado final. Misturei um pouco de cada etapa e cheguei na minha coleção, Cloro.

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2 PRÓLOGO

Vivemos em um mundo estabelecido por partes, no qual as coisas se fragmentam para se juntar e se transformar em coisas novas. Um universo em que o que nós vemos nos engana, pois não é o mesmo que já foi e sim algo que se deslocou do seu local de origem para ser redefinido. As coisas são jogadas no ventilador, se estilhaçam e se juntam de maneira inusitada. Nós que vivemos esse momento de fragmentação observamos a transformação. No mundo em que vivemos mais nada é original, mas da cópia podem surgir novas interpretações e criações inusitadas. Essa mistura de referências, torna algo antigo em novo. Ela vira uma ferramenta de criação, fazendo que surjam coisas novas a partir de outras. Isso se torna possível por causa da globalização, que faz com que diversas culturas e ideias sejam vistas e expostas, nascendo novas identidades. Segundo Stuart Hall, a globalização contesta e desloca as identidades centradas, produzindo uma variedade de possibilidades e novas posições de identificação, tornando-as mais plurais e diversas. O sujeito se tornou fragmentado no mundo moderno, sendo composto de várias identidades, algumas vezes até contraditórias. Temos infinitas possibilidades a nossa frente, precisamos ficar atentos e observar o mundo para fazer o trabalho de maneira confortável. Essa foi a frase que deu inicio ao meu processo., uma oportunidade de expressão e conexão.

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3 O VAPORWAVE

Vaporwave é um estilo musical que nasceu na internet em sites como o tumblr e o reddit em 2010. Foi o primeiro gênero musical completamente globalizado. Começou com uma estética que misturava a subcultura dos anos 80 e 90, usando glitch art, pixel art, design gráfico dos anos 90, bustos romanos, uma fascinação por paisagens tropicais, cores ácidas, furtacor,cultura japonesa e músicas de elevador que tinham como referências dos anos 80 o funk, new wave e jazz. Dois álbuns de gêneros diferentes se uniram e formaram o que chamamos agora de vapor wave. Um compositor de eletrônica experimental conhecido pelo seu pseudônimo Chuck Person, lançou uma mixtape engraçada como uma série de batidas repetidas na música inteira, foi algo que ele fez só para se divertir e acabou se tornando um pequeno hit na internet. Do outro lado do mundo digital um álbum de eletrônico criado por James Ferraro usava temas da cultura globalizada da internet como influência para criar uma batida digitalizada calma e pra cima num mundo de rápida mudança. Esses dois estilos diferentes foram mesclados e assim nasceu o Vaporwave. A música mais famosa foi Computing of Lisa Frank 420// Contemporary que faz parte do álbum Floral Shoppe. Uma estranha síntese da alma dos anos 80, repaginada como uma batida bizarra que faz o ouvinte se sentir facilmente desconfortável. Dessa forma foi criado o pequeno nicho de mercado para pessoas que gostavam de músicas bizarras.

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Em 2014 o Vaporwave ainda era praticamente desconhecido pelo grande público e ainda é hoje em dia. O movimento é em sua essência uma piada sobre a própria música. O gênero glorifica o ato de roubar a arte de outras pessoas e divulgar como algo diferente com nomes em japonês. A música é feita em sua maioria por jovens em suas casa no mundo todo. O movimento já foi descrito como o Punk Digital com ideais que contrariam o conceito de propriedade fazendo com que o Vaporwave seja uma arte anônima feita para anônimos. Em um mundo onde nada é privado, é refrescante achar algo que parece ter sido achado em um brechó. A palavra Vaporwave é uma anomalia, ela é uma combinação entra a palavra Vaporware, um termo do mercado para descrever um produto que é anunciado para o público e nunca é lançado. É um termo marxista para descrever uma repetição perpetual de ideais que não são concretos ou significativos na sua filosofia descritos como ondas de vapor. Ele é uma critica ao capitalismo moderno. O efeito geral foi descrito por Wes Ables, fundador de uma gravadora associada ao Vaporwave, a Illuminated Paths, como “uma caverna da memória”. Para conseguir o mesmo efeito, a parte visual do Vaporwave mistura e reinventa imagens de produtos de consumo e símbolos do capitalismo. Logomarcas, “arte digital” primitiva, séries, filmes e videogames são transformados em uma mistureba lisérgica consumida pelo Vaporwave. Considerando que o Vaporwave subverte a cultura de consumo, é comum que seja visto como uma crítica a sua fonte de inspiração. O crítico musical Adam Harper descreveu na Dummy em 2012 o trabalho dos artistas vaporwave como uma reação ao capitalismo tardio. “Esses músicos podem ser vistos como anti-capitalistas sarcásticos, revelando as mentiras e os erros da tecno-cultura moderna e de suas representações ou como

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defensores do sistema tremendo em deleite com cada onda de som orgásmico,” pontuou. O Vaporwave acabou gerando a desconstrução e a ressignificação de conceitos marcantes da geração extrapolando os limites da internet. Virou um elemento de subcultura, que começa a desenhar um novo estilo de vida urbano para além de modismos e tendências de momento. Aos poucos, esta estética da fragmentação saturada ao extremo de sua contradição se vê refletida na moda, na videoarte, nos videoclipes e na construção de uma característica própria de nosso tempo. Abaixo seguem imagens que representam a estética do movimento, são artes feitas por pessoas que se relacionam com o movimento.

Pixel Art

Jennifer Mehigan. Derretido

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Capa do ĂĄlbum Floral Shoppe Glitch Art

Mistura de Ă­cones

Yoko Honda, Arte inspirada nos anos 80

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4 SIMILARES

O Vaporwave pode ser visto na moda de diversas formas, em estampas, texturas e cores. Separei alguns similares que achei interessante de marcas que exploraram o tema.

Frankie Morello Spring 2015

T-shirt de Dom Sebastian

Conjunto da Dolls Kill - UNIF

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Blumarine Spring 2016 JOUETIE Spring 2013

Jeremy Scott Fall 2012

Emma Mulholland, coleção Risque Business

Fyodor Golan Spring 2015

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5 C O R R E L AT O S

O movimento tambĂŠm aparece em objetos e acessĂłrios. Para aprofundar a pesquisa procurei outros objetos inspirados no meu tema.

Gameboy transparente em tons pasteis

Dolls Kill - UNIF

Skinny Dip London

Teen Vogue Nov 2015

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Identidade Visual da MTV, 2015

Ilustração de Jiro Bevis para o álbum de Lou Breed

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Capinha da Waterfly


6 MOOD

Para o moodboard, quis trazer a sensação de movimento do Vaporwave, da batida. Escolhi imagens do mar por ter associação aos temas tropicais usados no movimento e pela leveza. Trabalhei com algumas texturas, o brilho, o tule e uma fita em formato de ondas para dar essa ideia do 3D e de camadas. Cortei a mulher central em dois mostrando a fragmentação da atualidade. Escolhi colocar o ventilador do canto, assoprando o mood todo para dar a ideia de mistura.

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7 COLAGENS

Fiz algumas colagens para dar início ao meu processo de criação. Criei elas de forma livre e abstrata, passando depois para o corpo que desenhamos na aula de modelo vivo, transformando essas colagens em uma roupa real. Depois das primeiras colagens, resolvi fazer mais algumas com imagens do Vaporwave e também as passar para o corpo.

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8 MOULAGE

Na aula de moulage fizemos alguns experimentos. Comeรงamos a criar algumas peรงas e observar como o tecido funcionava em cima do corpo. Desenhamos por cima de alguns para observar as linhas formadas pelo pano.

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9 P R O P O S TA

Relacionando o Vaporwave com o meu processo, escolhi trabalhar com o segmento moda praia. O movimento usa muitos ícones e paisagens tropicais, sendo possível fazer essa ligação. Podemos ver muitos elementos do fundo do mar, texturas de água, cores que lembram esse universo. Isso também se relaciona ao meu moodboard inicial. Para as peças quis captar o lado mais glamuroso desse segmento, com referências de Hollywood nos anos 50, quando as mulheres se preocupavam muito mais em se mostrar bonitas do que em aproveitar o lugar ou se divertir no mar. Como o biquíni foi inventado em 1947, essa época foi o primeiro momento que as mulheres começaram a exibir seus corpos em público, dando valor a eles.

California, anos 50

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O Vaporwave tem uma grande ligação com os anos 80, busca muitas referências estéticas dessa época. Essa década é muito marcada pelo inicio do empoderamento feminino. As mulheres começam a entrar no mercado de trabalho de forma maciça, buscando cargos altos e acabam adotando o visual masculino, os ternos. Ombros marcados por ombreiras e cintura alta marcavam a silhueta. Assim, nasceu o power dressing. Em contrapartida a esse look os vestidos passaram a valorizar mais o corpo feminino, com cintura marcada, fendas, tops sem alças ou saias balonês, usando referências dos anos 50 para mostrar a força do corpo feminino. Com o culto ao corpo que era muito forte nos anos 80, era imporArmani, 1982 tante mostrar essas curvas. Fiz peças que valorizem esse corpo. Peças versáteis, pois como vivemos em uma cidade de praia, acabamos muitas vezes saindo para praia e indo para um barzinho ou outro lugar. Gosto também da ideia de ser uma roupa para se usar em poolpartys, onde a atmosfera é arrumada mas se une com o despojado. O Vaporwave também traz a tona um conceito muito relevante da nossa atualidade: o conceito de fragmentação. Na sociedade em que vivemos tudo se parte e gera algo novo, é assim que os artistas do movimento trabalham. Gostaria de trazer essa ideia para o meu projeto, pois acho algo muito atual. Thierry Mugler, 1981

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A partir da aula de moulage comecei a explorar um pouco mais das formas que criei pensando no meu projeto. Assim, desenhei algumas peรงas para experimentar como isso funcionaria de acordo com o segmento que quero trabalhar. Sendo elas apenas um primeiro estudo.

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10 CARTELA DE CORES

Para a cartela selecionei cores que se relacionam com o vaporwave e com o mood inspiracional. Escolhi cores divertidas e texturas.

Branco Vapor Azul Onda Rosa Chiclete

Rosa Ácido Prata Futurista

Holográfico Psicodélico Furtacor Sereia

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11 PRIMEIROS DESENHOS

Comecei a fazer meus desenhos olhando para o meu moodboard de referência visual, com minha pesquisa e com minhas colagens e moulages em mente. Fui pegando cada inspiração e trabalhando a ideia em grupos. Me inspirei nos simbolos, cores e texturas.

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12 E S TA M P A S

A primeira estampa que elaborei para a coleção foi inspirada em um textura muito usada no Vaporwave. A sensação de derretido, que lembra a textura de fundo de piscina foi a principal referência. Para obter o resultado que eu queria usei a técnica chamada de paper marbling, na qual joga-se tintas na água e depois encosta uma folha de papel gerando uma impressão.

Testes

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Resultado

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Para a segunda estampa selecionei simbolos fortes que são muito usados no Vaporwave como estatuas gregas, elementos pixelados e elementos que se relacionam com o mundo digital. Fiz uma composição com eles e no final criei um efeito de glitch, também muito usado no movimento. Para dar ainda um maios efeito a essa estampa, resolvi trabalhar com patches em cima dela, fazendo uma intervenção na peça. Eles foram feitos no laboratório da PUC.

Patches utilizados para fazer a intervenção.

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13 T R ATA M E N T O D E SUPERFÍCIE Além das estampas também usei a técnica foil nas minhas peças. Fiz um stencil para ter o formado que queria.

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14 NAMING

Para criar o nome da minha coleção, fiz um pequeno brainstorm com palavras que tem relação com meu projeto. A partir disso escolhi uma e fiz um estudo para escolher o logo.

- Pool - Pool me in - Mar - Cloro - Cl - Sintentic - Holographic Ocean - Cl sunset - Holographic Sunset

Cloro cL Cloro Cl CLORO Cl Cloro Cl Cloro Cl Cloro Cl CLORO Cl CLORO CL CLORO CL Bebas neue

DinPro

Avenir Next

code bold code light

basic title font

arual

NEXA BOLD

NEXA LIGHT

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15 A COLEÇÃO

A coleção Cloro foi inspirada no movimento musical Vaporwave, que usa referências dos anos 80 e 90 com batidas repetitivas e uma estética ácida. Criei uma coleção de moda praia para meninas descoladas que vivem no Rio e usam essas roupas de forma versátil, para ir para a praia e para uma festa. Fiz minhas peças me inspirando no movimento, no meu moodboard, nas aulas de moulage e nas colagens que fiz. Misturei um pouco as formas das colagens com os modelos que criei na aula de moulage. Escolhi um caminho um pouco mais comercial com algumas peças mais conceituais, equilibrando a coleção.

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18 PEÇAS

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Fotos/Victoria Jordani Modelo/Yasmin Leão Beauty/Isabel Penna Coleção/Isabel Fernandes Locação/Bianca Anet


19 CONCLUSÃO

Fazer essa coleção foi um grande aprendizado. Foi a segunda vez que tive a oportunidade de fazer um projeto de moda e dessa vez fiquei ainda mais imersa no processo, aprendendo como realmente fazer as peças. Ter a oportunidade de criar minha própria coleção foi incrível e um processo de auto conhecimento. Entendi melhor o jeito que eu trabalho e como faço as coisas e o que posso fazer para melhorar isso. O processo criativo foi bem interessante, pois aprendi a olhar as coisas de maneira diferente para poder criar em cima delas. A observação e a perspectiva foram muito importantes para o meu projeto, pois fizeram que eu criasse soluções criativas baseadas na minha inspiração. Foi muito gratificante confeccionar todas as peças e ver a reação das pessoas em relação a elas. O retorno positivo me deixou ainda mais animada com todo o processo. O resultado me deixou muito satisfeita. A coleção ficou do jeito que eu queria e as peças também me agradaram. O projeto foi muito bom para mim pessoalmente e apesar da correria e ansiedade fiquei muito feliz com todo o processo.

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20 AGRADECIMENTOS

Gostaria de agradecer a algumas pessoas que foram essenciais para o meu processo: Meus pais: Alvaro, Eliana Minhas amigas: Isabel Penna Paloma Vaconcellos Beliza Sanches Sophia Levy Yasmin Leão Isabelle Fogas Victoria Jordani Anna Luna Palatnic Cecilia Abeid Tiago Lombardi Bianca Anet As professoras: Adriana Leite Monica Proença Luiza Macier Walviquer Lena Glew Isabel Moreira As Laboratoristas: Aciene Hana

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21 BIBLIOGRAFIA

SARLO, Beatriz Cenas da Vida Pós Moderna: intelectuais, arte e videocultura na Argentina. Rio de Janeiro: UFRJ Editora, 1997 AGAMBEM, Giorgio O que é contemporâneo? E outros ensaios. Chapecó 2012. Editora da Unachapecó HALL, Stuart. A identidade Cultural na Pós-modernidade. 10 ed. Rio de Janeiro: DP&A, 2004 Vaporwave: A Brief History https://www.youtube.com/watch?v=PdpP0mXOlWM Vaporwave https://en.wikipedia.org/wiki/Vaporwave Vaporwave emula iconografia capitalista e imaginário da internet http://www.thenewframepost.com.br/especiais/ vaporwave-emula-iconografia-capitalista-e-imaginario-virtual/ Na praia, como nos anos 50 http://www.retrorock.com.br/2010/02/na-praia-comonos-anos-50.html Anos 80 – O Exagero está no ar http://idadecontemporaneamulher.blogspot.com. br/2007/05/anos-80-o-exagero-est-no-ar_27.html

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Cloro  
Cloro  

Projeto Final - Isabel Fernandes

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