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QUESTÃO JUDICIAL NA UNIÃO AFRICANA Comitê dá continuidade aos debates sobre justiça SARAH ANDRADE

A terceira sessão do comitê da AU (União Africana), ocorrida na noite de quinta-feira, 1/5, ocorreu tranquilamente. Influenciados pela intervenção de uma cidadã da África do Sul, a qual compartilhou sua experiência com ambos os tipos de justiça – formal e informal -, os delegados reconheceram a justiça informal como um ponto positivo para o continente africano em geral. Prosseguiu-se a discussão a respeito da possibilidade de trazer

advogados estrangeiros aos países necessitados, visando a educar a população em relação aos seus direitos judiciais. O tema desagradou o delegado do Senegal, o qual clamou que “trazer advogados estrangeiros para ensinar a população não mudaria a situação do continente”. Também foram abordados temas ligados à religião, resultando no questionamento de alguns delegados quanto à viabilidade de união desta com a Lei. A representante do Moçambique se expressou de forma direta, acreditan-

do na laicidade do Estado. “Deve-se separar religião e lei”, afirmou. Tal afirmação causou conflito com o delegado da Botsuana, o qual afirmou que muitos países não podem separá-los por conta de sua cultura. Na quarta sessão, no entanto, o tópico mais debatido foi a questão dos refugiados e como administrá-los judicialmente. A discussão foi liderada por países como Burquina Fasso, Quênia e Angola, por meio de um debate amigável. Em entrevista à Agência de Comunicação, o delegado do

Burquina Fasso, Marvin de Oliveira, 17 anos, declarou o posicionamento de seu país acerca do tema: “Ambos os tipos de justiça podem ser utilizados, porém, acredito que é o refugiado que deve procurar a justiça que ele preferir”,

afirmou. Espera-se uma rápida resolução deste assunto durante os próximos encontros ao longo do dia, nos quais os delegados darão continuidade aos tópicos previstos na programação do comitê.

Delegados da AU

CORTE SEM CONSENSO Após um dia de sessões o tribunal permanece dividido sobre o caso. ISADORA CARVALHO

Na noite de 1° de maio, houve coletiva de imprensa na Corte Internacional de Justiça (CIJ) a respeito do caso da pesca baleeira. O objetivo era esclarecer o que foi resolvido nas sessões que ocorreram ao longo do dia. Os juízes entrevistados afirmaram que não se chegou a nenhum consenso, e, segundo o juiz Vinícius Gonzalez há ainda uma divergência de opinião na Corte. “O Japão afirma ser questões científicas e a Austrália diz ser isso apenas uma máscara para esconder as verdadeiras intenções. O tribunal está dividido.”, disse. A Corte não soube dizer se a pesca de

Juízes discutem pesca baleeira

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baleias do Programa Japonês para Pesquisa Científica na Antártica (JARPA) se enquadra nas cotas estabelecidas pela cláusula de exceção para pesquisa científica, mas afirmou não ser a baleia um recurso marítimo disponível para livre uso das nações. Sobre os impactos econômicos positivos gerados pelo programa japonês, o juiz Pedro Hidekatsu disse “as universidades precisam do material gerado pelas pesquisas das baleias” Ao longo da semana haverão novas sessões na tentativa de chegar a algum consenso sobre a pesca baleeira do Japão na Antártica.


APOIO DE PESO A opinião da instituição que abriu espaço para a Simulação ISADORA CARVALHO

Há quatro anos o Mackenzie é sede da SiNUS. Por isso, a Agência de Comunicação (AC) procurou saber a opinião do colégio sobre o evento. A Assessora Internacional da escola, Erika Rodrigues, foi entrevista pela equipe do Globo em Pauta. A Assessora considera a SiNUS uma simulação extremamente importante e válida, pois

instituição com o evento é apenas em relação aos alunos da escola, que ganham a oportunidade de simular e aprender. Ela cita os chefes de delegação como exemplo, os quais desenvolvem um papel muito importante, pois devem lidar racional e emocionalmente com dificuldades e empecilhos que surgem nos comitês. A estrutura do colégio possibilita o desenvolvimento de um

Erika Rodrigues, funcionária do Mackenzie

ajuda e norteia os adolescentes, além de ensinar senso crítico e o trabalho em conjunto. “Acho que a SiNUS é um evento extraordinário dessa área de estudos secundaristas. O Mackenzie acredita no projeto e apoia ele”, afirma. Erika diz ainda que o benefício adquirido da

evento desse porte: apresenta salas, quadras e computadores que auxiliam a experiência dos estudantes. A SiNUS e o Mackenzie trabalham juntos para realizar uma simulação de excelência e que traga muito conhecimento para todos os alunos participantes.

DIVERGÊNCIA DE IDEOLOGIAS Representantes chegam à soluções alcançadas por meio da educação GIULIA MARCELINO, JORDANA PAINS E LUÍZA RAAD

No final da tarde desta quinta-feira, a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) finalizou a questão sobre o acesso à saúde das mulheres. Porém, países muçulmanos criticaram fortemente o que foi proposto por motivos ideológicos. Já no âmbito educacional, o comitê tratou da importância da educação de base como matriz para fundamentar a igualdade de gêneros. “Investir em educação é investir em progresso”, afirma a delegada do Reino Unido, Sofia Marcelino. O delegado do Gana, Tiago Dias, enfatizou que a educação escolar influencia diretamente na familiar e também na própria sociedade. Ele apresentou dados que mostraram que entre 2000 e 2010, em seu país, o nível de escolaridade das mulheres aumentou, enquanto a taxa de natalidade diminuiu. Delegados ainda propuseram a propaganda governamental de cunho instrutivo. Diferentemente dos demais países muçulmanos que enxergam dificuldade em ex-

EXPEDIENTE Chefe de redação Iasminny Thábata Editora chefe Kelsiane Nunes Editores Sthefanny Loredo Ana Carolina Azevedo Bruna Reis

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Marcos Gandelsman do CMUE atribui solução à UNESCO

ecutar tais medidas devido à cultura islâmica, Palestina e Cazaquistão aceitaram a influência ocidental direta na construção de jovens voltados para novos conceitos.

TRABALHO CONJUNTO

Nesta sexta-feira, o Conselho dos Ministros da União Europeia (CMUE) enviou uma carta à UNESCO pedindo a decisão dos delegados

Ivana Silva Pedro de Souza Bruna Furlani Repórteres Lorena Cavalcanti Paula Costa Mariana Cortês Letícia Gabriela Mariana Bitencourt Keicy Lopes Tatiana Soares

acerca da religiosidade e da ética nas escolas. Com o objetivo de ser um meio de criar tolerância e respeito mútuo. Vários pontos foram discutidos pelos representantes, após o esclarecimento da proposta. A questão da impossibilidade de se oferecer um ensino que englobe todas as religiões foi colocada pelas delegadas da Rússia, Giovanna Matos, e da China, Ingrid Guimarães . Já as representantes dos Estados Unidos e do Reino Unido apoiaram que a educação tratasse das principais crenças seguidas no mundo contemporâneo. Uma resolução foi feita pelos delegados e enviada aos ministros. O documento determina a implantação de ética e religião no ensino de base e médio para todos os países na União Europeia. Com o uso de aulas facultativas que deverão respeitar as identidades religiosas e debates com palestrantes para melhor compreensão dos princípios morais ligados às crenças na atualidade.

Ana Luíza Sampaio Thiago Coelho Isadora Carvalho Isabella Bittencourt Luíza Raad Sarah Andrade Luiza Mello Deborah Andrade Henrique Bacellar João Miguel Bastos Maria Melissa


Globo quarta34