Issuu on Google+

Ensaio Filosófico do filme A Origem Serão os sonhos distinguíveis da realidade? Este ensaio filosófico tem como objetivo tentar expor o problema “Serão os sonhos distinguíveis da realidade?”. Será apresentada a teoria que tenta responder ao problema. Segundo o filme A Origem visionado em aula, as personagens Cobb (Leonardo Dicaprio) e Mal (Marion Cotillard) criam o seu próprio mundo num sonho, desfrutando plenamente da vida de casal durante anos. Com o passar do tempo, Cobb sente falta da vida real, principalmente dos seus filhos, e tenta convencer Mal a voltar à realidade. Mas esta acredita que aquilo que está a viver (sonho) é a realidade. Para voltarem ao mundo real, decidem morrer no sonho. Mas Mal não se sente feliz, pensando que ainda está presa num sonho, tenta-se suicidar várias vezes, o que acaba por acontecer a certo momento do filme, devido ao seu estado depressivo. Serão os sonhos distinguíveis da realidade? Os sonhos são sucessivas imagens ou recordações do nosso subconsciente que podem contar uma história ou não. Normalmente os sonhos são associados a desejos e ambições das pessoas, que muitas vezes são coisas irreais. Associar o sonho à realidade, dá-se ao fato de por vezes as sensações e o conteúdo do sonho serem tão reais e tão fortes, que parece que estamos a presenciar a ação do sonho. Os sonhos estão relacionados com a vida de cada um de nós, daí o fato de sonharmos com pessoas conhecidas, sítios onde já estivemos, coisas que já vimos, etc. Por outro lado estão também relacionados com um lado fictício e imaginativo da nossa mente, muitas vezes proporcionado por filmes, mitos, histórias, etc. A teoria que responde a este problema é a de Descartes, filósofo francês considerado o fundador da filosofia moderna. Descartes defende o Racionalismo, a posição em que a principal fonte de conhecimento é a razão. Considera todo o conhecimento duvidoso, assente em bases frágeis e afirma que as crenças não estão pela devida ordem. Descartes tem como objetivo criar um conhecimento de raiz. Para tal, submete as crenças a um exame critico, ou seja, tenta encontrar razões para duvidar da sua verdade. Apresenta 3 níveis de aplicação da dúvida: 1º- o Argumento dos Sentidos; 2º- o Argumento dos Sonhos e 3º- Argumento do Deus Enganador (segundo argumento). No que conta ao Argumento dos Sentidos, é um fato que por vezes os sentidos enganam, mas como Descartes põe tudo em dúvida, supõe que os sentidos enganam sempre, para não se deixar enganar minimamente. Isto não significa que seja verdade. Trata-se de uma dúvida hiperbólica, pois generaliza os casos enganosos. Descartes ao dizer que os sentidos enganam sempre, está a pôr em dúvida as propriedades dos objetos físicos, pois se não temos contato com o mundo exterior não temos a certeza de como é constituído. Assim, Descartes não consegue colocar em dúvida a existência do objeto. Quanto ao Argumento dos Sonhos, é um fato que algumas vezes não conseguimos distinguir o sonho da realidade devido às semelhanças. Como 1


Descartes põe tudo em dúvida, supõe que nunca conseguimos distinguir o sonho da realidade. Porquê? Porque não existe um critério seguro para distinguir o sonho da realidade. Este é um argumento que põe em causa a existência dos objetos físicos, pois se nunca conseguimos distinguir a realidade do sonho, então não temos a certeza se os objetos físicos existem. O Argumento dos Sonhos põe em causa a existência dos objetos físicos, mas não permite pôr em causa as verdades matemáticas, porque quer no sonho, quer na realidade, são verdades necessárias. No argumento do deus enganador, Descartes submete à dúvida as crenças a priori. É um fato que Deus permite que nos enganemos algumas vezes. Mas como Descartes coloca tudo em dúvida, afirma que Deus permite que nos enganemos sempre. Isto significa que há a hipótese de um Deus Enganador nos ter criado de maneira a confundirmos o verdadeiro com o falso e a errarmos sistematicamente. O mesmo acontece no filme. Mal está tão iludida e convencida de que o que vive é a realidade, quando na verdade é apenas um sonho. O suicídio deveu-se ao seu estado mental perturbado pela confusão entre realidade e sonho, que chegou a um ponto em que já não eram distinguíveis devido às semelhanças e sensações fortes persentes em cada um dos “mundos”- 2º nível de Aplicação da Dúvida. Depois da morte de Mal, a única maneira de Cobb manter o contato com a sua mulher é através do sonho, onde criam novamente uma espécie de “mundo” ou ambiente pessoal. Cobb não tolera o fato de ter perdido a mulher, por isso cada vez que a encontra num sonho, associa-o à realidade – 1º nível de Aplicação da Dúvida. Também está presente o Argumento do Deus Enganador (3º nível), em que Cobb (Deus Enganador) implanta ideias verdadeiras ou falsas na mente das pessoas quando entra nos seus sonhos, sem elas se aperceberem. Trata-se de um entendimento do avesso, consiste na troca do verdadeiro pelo falso. Serão os sonhos distinguíveis da realidade? Existem certos sonhos em que temos automaticamente consciência de que não estamos mesmo a viver a situação, não são reais, situações logicamente impossíveis. Temos consciência disso já despertos e algumas vezes mesmo durante o sonho. De certa forma Mal, tal como Descartes, duvida de tudo. Provavelmente sofria de alguma perturbação mental que a iludia em certas situações irreais, ou seja, não era capaz de se aperceber de situações facilmente distinguíveis entre sonho e realidade. Realizado por: Eduardo Caria, nº16 Leonor Carvalho, nº17

2


Ensaio filosófico sobre o filme A Origem