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Sobre mim, a imparcialidade e mudanças de pensamento Quando ingressei no curso de jornalismo da ESPM, com a certeza mais que absoluta de que essa era a profissão para mim, a primeira tarefa pedida à turma foi uma redação. Nela, deveriam ser apresentados fatores considerados fundamentais pra o bom exercício da atividade jornalística. Após ler o que meus colegas haviam escrito, observei que a opinião a respeito da existência da imparcialidade era unânime: esse valor era tido como imprescindível no jornalismo. Segui a mesma linha de pensamento que eles, pois sempre me obriguei ter um pensamento flexível ao lidar com quaisquer assuntos. Desta maneira, minha crença era de que a imparcialidade era um valor estritamente necessário, o que implicaria na anulação do posicionamento pessoal do jornalista no processo a fim de evitar fenômenos tais como a manipulação e a desinformação. Depois de quase dois anos de curso, algumas aulas de Teorias do Jornalismo e um pouco de vivências pessoais, posso afirmar que minha convicção pende para o lado contrário da minha opinião antiga. Acredito, portanto, que o processo jornalístico em sua totalidade, que começa desde a realização da pauta, passando pela apuração e sendo concluído na publicação, implica no direcionamento da informação. O produto final é fruto de escolhas (tanto do veículo quando do próprio jornalista) que, por sua vez, anulam o valor da imparcialidade. E não são apenas as idéias veiculadas que expressam opiniões e partidos: as fontes escolhidas, as palavras usadas e o conteúdo dos recursos visuais interferem na compreensão do leitor. O colunista do jornal O Globo, Ricardo Noblat disse em seu blog: “ninguém é imparcial, porque você é obrigado a fazer escolhas a todo instante, e ao fazer, toma partido”. O que acontece, porém, é que de um ponto de vista não jornalístico, ou seja, observando o lado do leitor, essa dificuldade (para não dizer impossibilidade) em obter a imparcialidade pode parecer um ultraje. É nessa dinâmica entre os jornalistas e receptores de informação que fica imperiosa a necessidade do critério pessoal e da sagacidade em se expandir o repertório,


consumindo idéias de fontes e veículos variados. Em tal processo que fica mais viável a visão de pontos de vista mais diversificados, mesmo que eles não sejam frutos da utópica imparcialidade.


Sobre mim, a imparcialidade, e mudanças de pensamento