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© Vistadivina, 2008

BA S F

VIS TA D I V I N A E D I TO R A cip-brasil. catalogação-na-fonte

Vinicius Saraceni | d i r e t o r

Rolf-Dieter Acker | p r e s i d e n t e

geral

sindicato nacional dos editores de livros, rj

Felipe Seibel | d i r e t o r

de conteúdo

Guilherme Donnabella | g e s t o r A891

Robson Viturino |

Atlas ambiental : Bebedouro, SP, Brasil / [Vinicius

d e va r ej o

Eduardo de Lima Leduc | d i r e t o r

financeiro

Ana Sílvia Fernandes | c o o r d e n a d o r a

José Munhoz Felippe | d i r e t o r

a d m i n i s t r at i v a

Saraceni, diretor geral]. - São Paulo : Vistadivina,

Bruna de Andrade | a s s i s t e n t e

2008. il. (algumas color.), mapas

Juciléia Portugal | s u p o r t e

Inclui bibliografia

Atl as a m biental : Bebedo uro , sp , brasil

Maurício P. Russomanno | d i r e t o r

a d m i n i s t r at i v a

Odilon Ern | d i r e t o r

Heitor Paulo Trevisan | g e r e n t e Wilson Bernardes | g e r e n t e

Vinicius Saraceni | d i r e t o r

geral

Cristian Lange | g e r e n t e

de conteúdo

Meire Cavalcante | c o o r d e n a d o r a

Bebedouro (SP). I. Saraceni, Vinicius, 1977-. II. Título:

Débora Didonê | e d i t o r a

Bebedouro, SP, Brasil.

Fernanda Tripolli, Cristiane Marangon e Verônica Mambrini | p e s q u i s a Natália Tudrey | e d i t o r a

CDD: 918.1562 CDU: 913(815.62)

08.10.08

13.10.08

editorial

Alessandro Costa | c o n s u lt o r e texto

de arte

de distribuição

Marina Galvão | g e r e n t e

gráfico

Juliana Teixeira Lima, Isaac Barella | f i n a l i z a ç ã o

-

coopercitrus

de stewardship

d e c o m u n i c a ç ã o s o c i a l pa r a a m é r i c a d o s u l

de comunicação social

Ivânia Palmeira | c o o r d e n a d o r a

de arte

d e c o m u n i c a ç ã o d e m a r k e t i n g pa r a a m é r i c a l at i n a

d e c o n ta s e s p e c i a i s

Vinicius Ferreira Carvalho | c o o r d e n a d o r Gislaine Rossetti | d i r e t o r a

de arte

Alessandro Meiguins, Natália Tudrey | p r o j e t o 009161

d e d e pa r ta m e n t o : n e g ó c i o s e s p e c i a l i d a d e s

Roberto Melo de Araújo | g e r e n t e

4. Bebedouro (SP) - Mapas. 5. Educação ambiental -

Alessandro Meiguins | d i r e t o r

d e d e pa r ta m e n t o : e s p e c i a l i d a d e s d e m e r c a d o d e d e pa r ta m e n t o : g e s tã o d e c l i e n t e s

d e g e s tã o d e p r o g r a m a s d e m a r k e t i n g e c l i e n t e s

Guido Visintin Júnior | g e r e n t e

História. 3. Bebedouro (SP) - Condições ambientais.

08-4414.

de marketing agro brasil

regional de saúde, segurança e meio ambiente

operacional

978-85-61951-00-9

Felipe Seibel | d i r e t o r

d a d i v i s ã o d e n e g ó c i o s a g r o p r o t e ç ã o d e c u lt i v o s

de vendas agro brasil

Antônio César Azenha | g e r e n t e

1. Bebedouro (SP) - Geografia. 2. Bebedouro (SP) -

d e p r o t e ç ã o d e c u lt i v o s pa r a a m é r i c a l at i n a e c a r e

c h e m i c a l s pa r a a m é r i c a d o s u l

editor de conteúdo

Washington Oliveira | g e s t o r

isbn

pa r a a a m é r i c a d o s u l

Walter Dissinger | v i c e - p r e s i d e n t e

Joelma Amaral | c o n s u lt o r a

de comunicação social

de comunicação social

Profa. Dra. Sueli Angelo Furlan (depto. de geografia, fflch-usp) | c o o r d e n a d o r a F UN DAÇ ÃO E SPAÇ O E C O

de conteúdo em geografia

Prof. Dr. Marcello Martinelli (depto. de geografia, fflch-usp) | consultor Júlia Pinheiro | at i v i d a d e s

vistadivina rua irmã pia, 422

- 12º andar

geral

05335 - 050 são paulo sp

Paulo Kaiser | r e v i s ã o

tel e fax: (55 11) 3768 9999

Luiz Fernando Bissoli | g e o p r o c e s s a m e n t o

www.vistadivina.com

Juliana Higa Bellini | p e s q u i s a

Patrocínio e realização

Sonia Karin Chapman | d i r e t o r a

presidente

Georgia Coelho Palermo Cunha | d i r e t o r a

pedagógicas

Gilberto Pamplona da Costa | r e v i s o r

em cartografia

Jaqueline Masetto | a n a l i s ta

Roberta Tubini | c o o r d e n a d o r a

de texto e i m a g e n s p o r s at é l i t e

d e i m a g e n s p o r s at é l i t e

vice-presidente

de marketing d e r e f l o r e s ta m e n t o

Samuel Gerson Protetti | c o o r d e n a d o r Emerson G. Coutinho | e n g e n h e i r o

d e e d u c a ç ã o a m b i e n ta l

f l o r e s ta l

apoio


Compromisso com o futuro E

m 1984, a BASF – The Chemical Company, líder do segmento químico mundial, iniciou a recuperação da mata ciliar da margem direita do rio Paraíba do Sul, em Guaratinguetá (SP). No município, localiza-se o principal complexo químico da BASF na América do Sul. Em mais de 20 anos, já foram recuperados 4 km de mata, totalizando 128 hectares e mais de 200 mil mudas plantadas. Desde 2004, a ação ganhou o nome de Mata Viva e passou a receber visitas de estudantes, pessoas da comunidade e de especialistas em meio ambiente. No local, é possível notar a biodiversidade de flora e fauna, componentes da mata Atlântica, que se reestruturou com a recuperação da área. No ano seguinte, o Mata Viva deu início ao Programa Semente do Amanhã, que capacita professores da rede municipal de ensino. Incluído no currículo de 1ª a 4ª série, ele atende 6 mil estudantes e trabalha a educação ambiental na sala de aula e em visitas monitoradas à estação localizada na área recuperada. Essa experiência é a base da expansão nacional do Programa Mata Viva de Adequação e Educação Ambiental, que desde o início de 2007 é realizado pela Unidade de Proteção de Cultivos da BASF, em parceria com cooperativas agrícolas, apoio financeiro do DEG Deutsche Investition - und Entwicklungusgesellschaft

mbH (banco de investimentos alemão) e implementação sob a responsabilidade da Fundação Espaço ECO, com o objetivo de contribuir para o desenvolvimento da agricultura sustentável no país. A recomposição de áreas degradadas acontece por meio da capacitação de técnicos, com base na legislação vigente, em estudos científicos, na apresentação de metodologias para corrigir irregularidades e na implantação efetiva dos projetos de restauração florestal. O Atlas Ambiental: Bebedouro, SP, Brasil é fruto da sólida parceria entre a BASF, a Cooperativa dos Cafeicultores e Citricultores de São Paulo (Coopercitrus), a Cooperativa de Crédito Rural Coopercitrus (Credicitrus) e o Fundo de Investimento Social das duas últimas (Fisc). Trata-se da mais nova ferramenta de educação ambiental do Mata Viva. O programa também contribuirá para que estudantes e educadores tenham um olhar diferenciado para a cidade, seus contornos e sua realidade geográfica e histórica. Assim, estimulará o entendimento das diversas conexões do mundo globalizado e seus desafios. É a contribuição para a construção de um mundo melhor, começando por Bebedouro. A BASF acredita que o conhecimento é uma riqueza que se multiplica quando compartilhada. equipe basf ( direção )


Quer viajar?Então embarque! E

ntender de onde vêm e para onde vão as nuvens que despejam chuva fresquinha sobre nós. Explorar as formas e as cores das pedrinhas no chão. Observar os bichos minúsculos da terra. Aprender por que temos que lavar as mãos antes de comer. Perceber que, para viver em sociedade, todos temos direitos e deveres. O mundo é rico e surpreendente. Com o Atlas Ambiental: Bebedouro, sp, Brasil, você fará uma linda viagem por ele, como se estivesse em uma nave interespacial. Vamos nessa? Então lá vai: o roteiro da aventura inclui conhecer os planetas, as estrelas e os satélites; avistar do espaço os continentes e ir se aproximando do Brasil, do estado de São Paulo, do seu município, dos bairros e... pronto! Você vai ver as praças, o lago e muitos outros pontos conhecidos da turma. Chegamos a Bebedouro. Mas não se engane! Não vamos ficar apenas estacionados na cidade. A nossa nave Atlas vai o tempo todo te levar a lugares e a assuntos diferentes, que vão e voltam da esfera global para a local. Por exemplo: as toneladas de laranjas produzidas em Bebedouro têm muito a ver

com o seu cotidiano, pois o suco da fruta faz parte do cardápio. Isso é a escala local. Porém a laranja também é exportada para diversos lugares do mundo, como a China­ — o que movimenta a economia da cidade e interfere diretamente na sua vida. Essa é a escala global. Nesse vaivém, é possível perceber o quanto fazemos parte de tudo o que nos cerca e até do que não podemos ver. Por exemplo: você imagina o que acontece nas profundezas da Terra? Entende por que as estações do ano existem? Sabe de onde vem a água que sai da sua torneira? É um mundo de coisas a descobrir... Com o Atlas, você vai ver por que o prato preferido dos bebedourenses é arroz, feijão, bife e banana frita, descobrir de onde veio o nome da sua cidade, conhecer os animais do Brasil, explorar a nossa pré-história e se encantar com muito, muito mais! Ufa! Agora que você já sabe que ao folhear este livro vai aprender diversas coisas (e de forma divertida), já pode se preparar para uma viagem eletrizante. O Atlas é o seu passaporte. Prepare-se, bom estudo e boa viagem, passageiro! equipe de bordo ( os editores )

O planeta é seu. Entenda-o. E cuide bem dele!


A linguagem espacial na escola A

leitura das paisagens é um processo em que alunos e professores procuram interpretar diferentes imagens do seu cotidiano. É a possibilidade de observar, registrar, analisar e procurar explicações para as diferentes expressões da paisagem quando tratadas à luz dos problemas socioambientais da atualidade. Problematizar as relações da vida social que criaram o ambiente construído, relações biogeofísicas que explicam a dinâmica climática ou como podemos pensar a gestão dos recursos naturais é a proposta do Atlas Ambiental: Bebedouro, SP, Brasil. Quantas reflexões os alunos podem construir com base no estudo de mapas, imagens e ilustrações! Ao propor uma análise contínua das relações sociais e do funcionamento da natureza em diversas situações, pretendemos que o estudante perceba as implicações geográficas e históricas dessa construção. Para isso, associamos o conteúdo do Atlas a tratamentos didáticos, discutindo as relações entre o presente e o passado; o específico e o geral; o local, o regional, o nacional e o global; e o que resulta de ações individuais e coletivas etc. Existem muitas formas de exercitar e construir essa leitura da paisagem utilizando a cartografia. Co-

lorir mapas, copiá-los, escrever neles os nomes de rios e cidades ou memorizar as informações que trazem representadas têm sido as formas mais usuais de trabalhar com a linguagem cartográfica na escola. Esse tipo de tratamento não garante que os alunos construam os conhecimentos necessários para ler mapas ou para fazer uma leitura do próprio espaço geográfico. A leitura da paisagem e o raciocínio espacial requerem competência do aluno para compreender a representação gráfica. As representações fazem parte do sistema de sinais criados pelo homem para se comunicar com os outros. Pertence, de certo modo, ao campo da escrita. Para ler mapas, é preciso também compreender as diferentes linguagens da informação e como os homens criaram formas de expressar seus conceitos e suas hipóteses por meio dos mapas. É preciso aprender com essa linguagem de forma progressiva na escola. Assim, fotos comuns, fotos aéreas, filmes e vídeos, entre outros, também podem ser utilizados como fonte de informação e de leitura do espaço e para o desenvolvimento da linguagem de representação. Este material ajuda a construir o caminho para formar leitores do espaço geográfico e da sua diversidade de imagens. Boa leitura! profa . dra . sueli angelo furlan coordenadora de conteúdo em geografia


seu atlas índice temático

20

14

16

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98

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38

cli

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idade

paç

24

36

Bairros

Como sair e chegar

Urbanidade

Onde estou

28

34

Local

Galáxia

32

Planeta Terra

atlas ambiental: bebedouro

54

Sismologia

Conceitos

c

epç

52

Relevo

44

Centro de Bebedouro

s

rc

Saberes locais

22

ão

Como o Atlas foi feito

pe

12

46

42

Zoom

A história dos mapas

10

Passado e presente

Nosso país

O uso do mapa na escola

Sumário

40

Estado e município

Terra e Brasil

geom

18

30

Estado e país

48

Oceanos

Crianças no mundo

96

Hinos e bandeiras

50

Aquecimento global

56 Solo


60

58

Escassez de água

Recursos hídricos

78

74

Emprego e trabalho

82

Direitos humanos

100

Concurso/ Bibliografia

Geografia médica

94

80

76

102 Índices e créditos

Brasil

Em casa

Economia

62 divis

e

s su te

des

pré

es

no

do

fim

pod

ec

ão

s

nergi

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ento

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Vegetação local

Biodiversidade

66 Readequação ambiental

abil

64

84

72

nt

ór

en v ol v

d ida e

ia

ono m

im

ambi ente

meio

Lixo

Vegetação do Brasil

70

Amazônia sustentável

68

Impactos ambientais

86 Brasil

104

92

Glossário

Alternativas renováveis

90

88

Noturna

Brasil e local

atlas ambiental: bebedouro

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seu atlas como foi feito

Tire o Atlas a limpo! Aqui há fotos tiradas do espaço, ilustrações, mapas e muito, muito conteúdo. Aproveite!

O

mundo é grande, e você faz parte dele. É a galáxia, mas pode ser a rua de casa... É isso o que o Atlas Ambiental: Bebedouro, SP, Brasil quer mostrar para você. A cada página, textos e imagens vão surpreender com conteúdos riquíssimos para a sua vida e para o seu futuro. Afinal, este é o papel da escola: formar cidadãos. Sentir-se parte do planeta, da cidade e ser responsável pelo crescimento e o bem-estar coletivos é o primeiro passo para viver bem. E isso só acontece quando nos dedicamos a estudar, a pesquisar, a investigar e a descobrir como tudo funciona – na natureza e na sociedade. Foi pensando nisso que, durante um ano e meio, uma equipe de designers, educadores, fotógrafos, geógrafos, ilustradores e jornalistas assumiu a missão de pensar nos conteúdos e nas linguagens usados no seu Atlas. Cada um teve um papel: o fotógrafo, por exemplo, capturou com olhar perspicaz paisagens, arquiteturas e retratos de moradores da sua cidade. Os designers, por sua vez, criaram ilustrações incríveis, que, somadas aos textos dos jornalistas, se tornaram infográficos – uma forma legal de explicar temas aparentemente complicados, como o funcionamento da economia. Esses são exemplos dos recursos que você vai encontrar por aqui. A seguir, conheça cada um deles. Use seu Atlas em sala de aula, converse sobre o conteúdo com os colegas, leia-o em casa e faça o mesmo com a sua família. Partilhe o que você aprendeu. Aprenda com os outros. Isso é bom demais!

Página a página Confira todos os recursos do Atlas A sua cidade foi presenteada: recebeu um Atlas Ambiental todinho feito com imagens por satélite, infográficos exclusivos, pesquisas detalhadas e conteúdo inédito. E quem ganha com isso é você. Confira como aproveitar ao máximo este material ao descobrir as linguagens utilizadas em cada página. 1

infográfico 6

É trabalho em dupla: ilustração e texto juntos! Geralmente, aborda assuntos complicados, em que é preciso mostrar proporções, locais ou detalhes de um processo, como o funcionamento de uma hidrelétrica 2

8

ilustração

Fruto de muita pesquisa, a ilustração informa, dá leveza ao texto e embeleza a página. Pode ser feita com várias técnicas, como nanquim (nos quadrinhos da pág. 78), computação (a maioria dos infográficos) e aquarela (na pág. 40) 3

2 3

fotografia

Você sabia que é possível ler imagens? Feitas sob o olhar de outra pessoa – o fotógrafo –, as fotos retratam cenas, personagens e paisagens da sua cidade e do mundo. Observe e descubra o que elas revelam!

6

3 4

gráfico

Pode ser de coluna, em forma de pizza ou de linha. O primeiro mostra alterações de dados ou faz comparações. O de pizza indica proporções. E o de linhas retrata uma evolução ou uma tendência em iguais períodos de tempo

1

4

5 1 9

c o l a b o r a ç ã o Sueli Angelo Furlan, professora do Departamento de Geografia da FFLCH da Universidade de São Paulo

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atlas ambiental: bebedouro

1

5

tabela

Organiza em um quadro de colunas e linhas os resultados de levantamentos e pesquisas. A tabela ajuda a comparar quantidades e contextos, entre lugares diferentes ou até do mesmo lugar, mas em épocas distintas


9

1

6

1

6 9

7 2

9

6

texto

Feito com base em pesquisas e entrevistas, apresenta informações importantes de cada tema do Atlas. Para garantir uma boa leitura, foi revisado tanto no conteúdo como na forma, de acordo com as regras da Língua Portuguesa

7

colaboração

O conteúdo de cada prancha foi baseado em entrevistas com profissionais de reconhecidas instituições. Participaram dezenas de especialistas em várias áreas do conhecimento

8

imagens por satélite

São feitas por sensores instalados dentro de satélites, que ficam em órbita ao redor da Terra. Eles são controlados por centros de monitoramento, situados em vários países, e enviam as imagens a computadores em terra

9

mapa

É o recurso de linguagem geográfica mais importante do Atlas. É através do mapa que se localizam lugares e suas características e se informam visualmente dados importantes, como a distribuição de água no planeta e os recursos hídricos da sua cidade atlas ambiental: bebedouro

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seu atlas aprenda com ele

Mapa: faça o seu! O primeiro passo é compreender e desenhar o espaço em que vivemos, como a sala de aula

Q

uando faziam mapas do Brasil, os artistas medievais desenhavam índios, árvores e até grandes naus aportando no litoral. Era como se pudessem ver o país do alto. Mas não existia avião naquela época! Por isso, as iluminuras eram feitas com base em informações pouco precisas: os cartógrafos ouviam os relatos dos navegadores para, então, representar continentes e oceanos. Como era difícil imaginar uma embarcação vista de cima, naus, caravelas e outros elementos apareciam como se estivessem sendo vistos de frente e de lado. Isso não está errado. Mas com as imagens aéreas é possível fazer guias de ruas detalhados de cidades inteiras, com tudo visto do alto. Hoje, esses conhecimentos adquiridos pela humanidade em milhares de anos são ensinados na escola. Aprendemos a observar o espaço em que vivemos, como a sala de aula, para então representá-lo. Estudamos a proporcionalidade, que é a grandeza dos objetos, construímos símbolos e organizamos legendas, descobrimos o que é orientação, como usar as coordenadas geográficas e também como se calculam as escalas e como se projeta um mapa. O mapa é a nossa realidade vista de cima, mas bem reduzida. Quando você observa um formigueiro, por exemplo, tem dele uma visão “aérea”. É o mesmo que ver a sua cidade a bordo de um avião e, depois, desenhá-la. É como se a nossa cidade fosse o formigueiro, e nós, as formiguinhas. Dessa forma, representamos a cidade, o estado, o país e o mundo.

c o l a b o r a ç ã o Marcello Martinelli, professor da pós-graduação do Departamento de Geografia da FFLCH da Universidade de São Paulo; e Julia Pinheiro Andrade, professora e geógrafa pela Universidade de São Paulo

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atlas ambiental: bebedouro

Bem do alto Com a ajuda de um avião, conseguimos desenhar e planejar guias de ruas As fotos aéreas que mostram de perto a quadra da sua casa são tiradas de dentro de um avião ou de um helicóptero. Com as imagens, estudiosos elaboram a planta da cidade, um tipo de mapa que destaca ruas e avenidas. Dependendo da altura e da rota do vôo, o fotógrafo destaca aspectos diferentes da paisagem. Confira.

N

rosa-dos-ventos

1

Observando o Sol nascer (a leste) e se pôr (a oeste), determinou-se a direção Leste-Oeste. A NorteSul é perpendicular. Cada sentido é um ponto cardeal. Juntos, formam a rosa-dos-ventos

2

1

1

na vertical

Fazer um desenho do bairro visto de cima é muito diferente. Afinal, estamos acostumados a enxergar tudo sempre de frente. Com a ajuda de uma foto na vertical, é possível visualizar a proporção de quadras, ruas e avenidas

2

2

em três dimensões

A foto oblíqua, em perspectiva, distorce a proporção dos elementos (o que está ao fundo é visto bem pequeno), mas ajuda a localizar pontos de referência, como igrejas e prédios, que podem ser destacados na planta


Como se lê

Do imenso ao pequenino

Um mapa é cheio de signos, que podem representar elementos isolados ou conjuntos deles

Veja três escalas diferentes do mesmo lugar Com a escala, podemos mostrar um lugar aproximando ou distanciando nosso ponto de vista. Quanto maior é a escala, mais próximo e detalhado é o que vemos.

Com o mapa, é possível representar as características do espaço geográfico, como clima, relevo e população. Existem dois tipos: o analítico, que mostra lugares caracterizados por atributos, e o de síntese, que agrupa lugares com conjuntos de atributos.

analítico

síntese

O mapa ao lado destaca as altitudes – das mais baixas às mais elevadas – do relevo no território brasileiro. Este é o único atributo presente

O mapa de domínios morfoclimáticos é resultado da avaliação conjunta de vários analíticos: geologia, relevo, solos, clima, hidrografia e cobertura vegetal

O mundo no papel O planisfério é a representação dos continentes e oceanos em uma superfície plana esfera

A Terra é um geóide, ou seja, tem formato irregular: arredondada como uma bola e um pouco achatada nos pólos

projeção cilíndrica

É como se o globo fosse envolvido por cartolina, em que seriam traçados os continentes

escala

1:5000

imagem de

2004

escala

1:25000

imagem de

2004

escala

1:100000

imagem de

2008

planisfério

Feito com base em cálculos, mostra os continentes e oceanos do planeta em superfície plana atlas ambiental: bebedouro

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cartografia história

O mundo no papel Da argila à imagem de satélite, os mapas ajudam o ser humano a conhecer o seu planeta

I

magine os primeiros seres humanos do planeta. Nômades, viajavam de um lugar a outro em busca de alimento. Mas será que sabiam para onde ir? Talvez sim. Estudiosos acreditam que a necessidade desses povos de demarcar rotas para retornar ao lugar de origem pode ser o começo da história dos mapas. Na Oceania, os nativos faziam mapas até com galhos de bambu! Hoje, chegamos ao avanço tecnológico de produzi-los com base em fotos aéreas e imagens de satélites. Como, ao longo da história, os autores de mapas não podiam ver o mundo do espaço, como nós, foi necessário ter muita criatividade e contar com ferramentas da época, como bússola e régua de cálculo (usadas ainda hoje), para desenhar vilas, cidades, países e o mundo inteiro. c o l a b o r a ç ã o Jorge Pimentel Cintra, professor da Escola Politécnica, e Marcello Martinelli, professor de pós-graduação do Departamento de Geografia da FFLCH, ambos da Universidade de São Paulo; e Julia Pinheiro Andrade, professora e geógrafa

Evolução mapeada ga sur

Feito de argila, há 2,5 mil anos, representa uma parte da Babilônia: o corte vertical é o rio Eufrates, a cidade está ao centro e, abaixo dela, três faixas representam divisas

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atlas ambiental: bebedouro

Muitas visões de mundo

Abaixo, exemplos de mapas feitos por cartógrafos que tinham como referência o relato de navegadores TÁBULA ITINERÁRIA PEUTINGERIANA

FRA MAURO

De autor anônimo, pode datar entre os séculos 1 e 4. São 11 folhas de pergaminho, muito reproduzidas ao longo do tempo. Nelas, Roma é a área central, de onde partem 12 estradas

Ele produziu, em 1459, um dos primeiros mapas grandes. Antes só apareciam em livros. Assim, aos poucos, a cartografia deixou de servir como mero complemento ilustrativo de livros

MAPA T-O

PTOLOMEU

No século 7, santo Isidoro usou o padrão circular dos mapas cristãos da época e relacionou três continentes aos filhos de Noé: Ásia (o primogênito), África (o segundo) e Europa (o terceiro).

Geógrafo grego do século 2, teve mapas de projeção cônica reproduzidos no século 15. No dos 12 ventos do mundo, os meridianos não se encontram no Pólo Norte e o oceano Índico aparece como um lago

Ao longo do tempo, o mapa ganhou detalhes e cores e teve, em essência, função política

CARTAS PORTULANAS

Ou cartas náuticas, surgiram entre os séculos 13 e 14. Feitas de pergaminho para orientar as navegações no mar Mediterrâneo e ao longo da costa ocidental da Europa

TERRA BRASILIS

Feito pelos cartógrafos Lopo Homem, Pedro Reinel e Jorge Reinel, em 1519, faz parte do Atlas Müller. É considerada a primeira carta econômica do Brasil, com imagens de indígenas extraindo o pau-brasil. A nomenclatura detalhada indica pontos da costa brasileira, do Maranhão à embocadura do rio da Prata. Hábito da época, os mapas contêm inscrições em latim. As bandeiras sinalizam o avanço português

capitanias hereditárias

O cartógrafo George Matthäus Seutter mapeou a divisão políticoadministrativa do país em 1740. Foi um dos desenhos solicitados pelos governadores das capitanias no século 18


PLANISFÉRIO DE PIRi REIS

Feito com informações de navegadores europeus, em 1513, destaca o Ocidente e inclui as cidades de Cabo Frio e Rio de Janeiro. Traz figuras místicas, como um unicórnio e criaturas sem cabeça

GERARDUS MERCATOR

Em 1538, o cartógrafo fez uma das primeiras cartas em que as Américas do Norte e do Sul receberam esses nomes e desenvolveu técnicas para produzir globos terrestres

BEBEDOURO

De 1938, mostra os limites da cidade, o trilho de trem, vilas e povoados. Foi feito pelo Instituto Geográfico e Geológico de São Paulo, criado no mesmo ano para mapear o estado

PLANISFÉRIO DE CANTINO

De 1502, é o primeiro mapa português do Brasil. Foi conseguido por Alberto Cantino, um espião italiano que investigava os avanços marítimos de Portugal

ABRAHAM ORTELIUS

Belga, viajou pela Europa e criou o Atlas Moderno, no qual está o Mapa da América, do século 16. Nele, o novo continente é visto com orla luxuosa e nosso país é chamado de Bresilia

atlas ambiental: bebedouro

17


zoom do espaço a bebedouro

Quer ir do espaço a Bebedouro? Então vamos! imagem de

ártico

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Eis nosso planeta, a Terra, onde está...

18

atlas ambiental: bebedouro

...a América do Sul, onde fica...

ano Índico

OCEANIA

2004


imagem de

2004

TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO

...o Brasil, ao qual pertence...

atlas ambiental: bebedouro

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zoom do espaรงo a bebedouro

20

atlas ambiental: bebedouro

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...o estado de Sรฃo Paulo, onde estรก localizado...

2004


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...o municĂ­pio de Bebedouro, que tem...

2004

atlas ambiental: bebedouro

21


zoom do espaรงo a bebedouro

...um centro. Bem-vindo!

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atlas ambiental: bebedouro


imagem de

2002

atlas ambiental: bebedouro

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bebedouro bairro a bairro

Onde você está? A cidade foi dividida em quadrantes. Veja bairros e distritos de sua cidade! Chácaras Parati (5 A-3) Condomínio João Ismael (67 E-3) Conj. Resid. Vila das Laranjeiras (64 E-3) Desmemb. Arlindo Benetti (31C-4) Distrito Industrial (15 B-2) Distrito Industrial (21 C-6) Distrito Industrial (26 C-6) Distrito Industrial (32 C-6) Distrito Industrial (54 D-7) Expansão Comercial (C-2) Jd. Aeroporto (19 C-3) Jd. Alvorada (50 D-2) Jd. Califórnia (37 D-2) Jd. Canadá (24 C-2) Jd. Casagrande (51 D-3) Jd. Ciranda (42 D-4) Jd. Claudia I (17 C-3) Jd. Claudia II (12 B-3) Jd. de Lúcia (28 C-5) Jd. do Bosque (16 C-3) Jd. do Sonho (43 D-4) Jd. Esplanada (40 D-3) Jd. Estoril (83 F-4) Jd. Júlia (25 C-3) Jd. Julieta (44 D-4) Jd. Laranjeira (35 D-5) Jd. Lima (33 D-3) Jd. Luciana (41 D-4) Jd. Marajá (39 D-3) Jd. Menino Deus I (11 B-3) Jd. Menino Deus II (9 B-3) Jd. Menino Deus III (14 B-3) Jd. Nossa Sra. Aparecida (65 E-4) Jd. Olga (34 D-4) Jd. Paraíso (60 D-4) Jd. Paulista (52 D-4) Jd. Piratininga (79 F-4) Jd. Primavera (45 D-4) Jd. Progresso (38 D-3) Jd. Recanto (72 E-5) Jd. São Carlos (89 F-6) Jd. São Fernando (3 A-2) Jd. São João (47 D-4) Jd. São Paulo (76 E-4) Jd. São Sebastião (81 F-4)

Jd. Talarico (29 C-4) Jd. Três Marias (80 F-4) Jd. Tropical (88 F-5) Jd. União (90 G-5) Lot. Res. Dr. Pedro Paschoal (2 A-4) Lot. Resid. Cidade Coração (68 E-4) Lot. Resid. San Conrado (73 E-3) Lot. Resid. São Domingos (49 D-4) Lot. Resid. Suhail Ismael (70 E-4) Lot. Estância Vila Verde (7 B-1) Parque Eldorado (27 C-2) Prolongamento Chácaras Parati (1 A-4) Res. Hércules Pereira Hortal (61 D-5) Resid. Antônia Santaella (63 D-7) Resid. Bebedouro (20 C-5) Resid. Candinho (57 D-5) Resid. Centenário (62 D-6) Resid. Franciscano (86 F-5) Resid. Furquim (82 F-5) Resid. Parati I (8 B-3) Resid. Parati II (10 B-4) Resid. Parati III (13 B-4) Resid. Pedro Maia (66 E-6) Resid. Rassin Dibe (4 A-3) Resid. Santo Antônio (85 F-5) Resid. São Francisnco (84 F-5) Resid. São Paulo (53 D-5) Resid. Souza Lima (18 C-6) Resid. Vale do Sol (6 B-3) Vila Alto Sumaré (36 D-7) Vila Bom Retiro (87 F-5) Vila Cruzeiro (58 D-3) Vila Ipiranga (74 E-4) Vila Irmã Antonieta Farani (30 C-6) Vila Major Cícero de Carvalho (77 E-5) Vila Maria (48 D-4) Vila Monte Castelo (71 E-4) Vila Morumbi (56 D-4) Vila Nova (59 D-3) Vila Novo Lar (78 F-4) Vila Paula (75 E-4) Vila Sanderson (55 D-3) Vila Santa Cruz (69 E-5) Vila Santa Terezinha (23 C-3) Vila São Bernardo (46 D-4)

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onde estou bebedouro

Explore o seu lugar A Geografia oferece muitas informações para você se movimentar por sua cidade. Descubra-as!

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ocê sabe em que região de Bebedouro mora? É na Zona Norte, Sul, Leste ou Oeste? Como se locomove: de ônibus, de carro, de bicicleta ou a pé? Que trajeto faz todos os dias? Qual o seu ponto de origem e de destino? Se souber responder a essas perguntas, você tem uma boa noção do que é mobilidade. Esse conceito engloba a locomoção das pessoas e das mercadorias, os caminhos que percorrem e a direção dos lugares de onde vêm e para onde vão (veja, ao lado, a rota de dois moradores de Bebedouro). Para entender como chegar e sair dos lugares, nada melhor que um mapa. Com ele, o Brasil pode ganhar medidas milhares de vezes menores do que as verdadeiras e, dessa forma, ser representado em uma folha de papel. Nesse tipo de linguagem geográfica, podemos ver, por exemplo, a divisão política do mundo, dos países, dos estados e dos municípios. E ainda há outras divisões. Bebedouro fica na mesorregião de Ribeirão Preto e na microrregião de Jaboticabal. Até mesmo as bacias hidrográficas (veja na página ao lado) têm sua organização própria – e um mapa, claro! c o l a b o r a ç ã o Maria Elena Simielli, geógrafa da Universidade de São Paulo; e Ana Maria Mastrangelo, geógrafa da Universidade Camilo Castelo Branco

Pontos marcantes Você pode desenhar um mapa “Depois do prédio amarelo, viro à direita. Passando pela igreja, viro à esquerda e pronto: estou na rua da escola.” Pensar nos pontos de referência do roteiro (o prédio e a igreja) serve para montar um croqui, que pode ser feito com base em um mapa de ruas e avenidas. Nele, destacamos os lugares que nos situam na cidade, no país ou em qualquer parte do mundo. No croqui acima, feito por crianças de Bebedouro, se destacam quadras do distrito de Turvínea.

Do mar a Bebedouro A cobertura vegetal encontrada desde o mar de Santos até Bebedouro revela paisagens distintas

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atlas ambiental: bebedouro

Para lá e para cá Conheça o caminho de dois moradores da cidade de caminhão

de bicicleta

Às 5 horas, o padeiro Oswaldo Hernandes sai do Novo Lar, ao Sul, para entregar pães e bolos nos bairros ao Norte

Do shopping, o verdureiro Nelson Aparecido contorna toda a região central para entregar alface, rúcula e brócolis


Água pra todo lado! As bacias que mandam água para Bebedouro alimentam mais municípios

O chão de Bebedouro Plantações, pessoas, rios: tudo ocupa o solo da cidade plantação

centro

Não tem limite político. Sua área pode estar em Bebedouro e em outro município

Conta com 100% de saneamento básico. Mas, na média, só 30% do município tem rede de esgoto

córrego consulta

fazendas

Um dos principais da cidade, vem da bacia do rio Pardo e abastece boa parte da cidade

Foram grandes produtoras de café e laranja. Hoje, a maioria produz cana-de-açúcar

Os córregos da cidade vêm das bacias do Pardo Grande e do Turvo Grande. Cada uma é gerenciada por um comitê de bacias hidrográficas, formado por um grupo de municípios, incluindo Bebedouro, e outros atores sociais (como empresas e associações de bairro).

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onde estou são paulo e brasil

Meu Brasil brasileiro

História de tantos atores Muitos passaram. Outros ainda chegam a São Paulo Nenhum de nós estava aqui em 1532, quando Martim Afonso de Sousa tomou posse da capitania de São Vicente. Nem quando os bandeirantes cruzaram essas terras em busca de índios. Muito menos acompanhou as cavalgadas dos tropeiros rumo à região das minas e, mais tarde, a explosão do café. A paisagem que vemos hoje, no entanto, é resultado de toda a história vivida pelo estado

Terra de Pernambuco, Acre, Goiás, São Paulo, Paraná....

C

ercado à direita pelo oceano Atlântico e, à esquerda, pelos países vizinhos de origem espanhola, está o Brasil, localizado na América do Sul. Os números aqui são sempre grandes. Território de 8.514.876,599 km². População de 187 milhões de habitantes de várias origens, etnias e religiões. São 26 estados, mais o Distrito Federal, e 5.564 municípios. Todos distribuídos em cinco regiões administrativas: Centro-Oeste, Nordeste, Norte, Sudeste e Sul. Por aqui, temos os climas equatorial, tropical e subtropical. A moeda é o real. A língua oficial, o português. Mas é fácil encontrarmos imigrantes falando italiano, alemão, japonês e chinês, além das línguas indígenas. O estado de São Paulo também tem números con­­ sistentes: são 40 milhões de habitantes, espalhados em 248.209,426 km². Sua economia é a mais rica das unidades federativas, responsável por 33,9% do Produto Interno Bruto nacional (em 2007). São Paulo atrai empresas e trabalhadores de dentro (e de fora!) do país. A capital, de mesmo nome, é a quinta maior cidade do mundo e a maior da América do Sul.

bebedouro

A cidade onde você está acolhe diversas culturas agrícolas e importantes indústrias

morro do diabo

A ação do homem destruiu parte desta reserva – últimos fragmentos de mata Atlântica semidecidual

paranapiacaba

Foi o centro de comando da companhia de trens São Paulo Railway, que cortava todo o estado

c o l a b o r a ç ã o Francisco Kronka, engenheiro agrônomo do Instituto Florestal de São Paulo; Lucila Reis Brioschi, cientista social da Universidade de São Paulo; e Mauro Victor, engenheiro florestal e ambientalista

Antes e depois do café De leste a oeste, os terrenos paulistas mudaram nos últimos séculos 81,8%*

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Mata Atlântica preservada em sua totalidade

Fazendas de café cobrem a região e as florestas

Cidades crescem aceleradas sobre o verde natural

* Cobertura florestal remanescente de mata Atlântica

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atlas ambiental: bebedouro

44,8%*

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Atenção: restam poucos pontos de mata original


O país em expansão

d i v i s ã o pol í tic a d o b r a s il

O mundo consome produtos brasileiros Em mais de 500 anos, o Brasil cresceu e transformou as terras primitivas. Hoje, é um país exportador: do açaí da Amazônia à laranja de Bebedouro, passando por produtos industrializados. Das 500 maiores empresas do mundo, 450 têm operações por aqui. Veja os limites das áreas de vegetação e de ocupação humana.

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A vegetação

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uso da terra

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O Brasil em 1500 Ao lado, o verde representa a mata Atlântica e a floresta Amazônica.Em cinza, as outras vegetações nativas

atlas ambiental: bebedouro

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onde estou planeta terra

Nós somos o mundo I Você em Bebedouro, o chinês, lá no Oriente: cada um tem um papel importante no planeta

Laranja viajante

magine o globo como um imenso brinquedo de encaixe. Nele, municípios formam um estado; estados, por sua vez, formam um país; países, unidos, formam um continente; e os continentes, o mundo! Como todas as peças são importantes, e estão interligadas, Bebedouro também tem seu papel. Apesar de cada lugar ter características como idiomas, ritmos e costumes próprios, é a ação de todos que define como funciona a sociedade global. Por isso, países se reúnem para tratar de temas de interesse comum, como direitos humanos, meio ambiente e comércio.

O c e a n o

G l a c i a l

Quer um exemplo de como a sua realidade se conecta com o mundo? Simples: as laranjas colhidas em Bebedouro viajam por dias até chegar a lugares distantes. Seu suco é bebido mesmo por chineses. Somos 6,6 bilhões de habitantes no planeta. Para alimentar todo mundo, são necessárias imensas áreas plantadas (confira ao lado). Podemos trocar alimentos, experiências, tecnologias... É isso o que torna cada pecinha tão importante! c o l a b o r a ç ã o Agostinho Mário Boggio, engenheiro agrônomo da Coopercitrus; e Amália Inês, professora de Geografia Urbana da Universidade de São Paulo

A n t á r t i c o

De Bebedouro, saiba para onde a fruta vai

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colheita

armazenagem

transformação

Feita manualmente por homens e mulheres, que usam sacolas e escadas para colher as laranjas do alto das plantas

As frutas são transportadas por caminhão até a indústria, onde ficam aguardando o processamento

Após uma semana, as frutas são moídas, e seu suco, guardado em tanques refrigerados de aço inox, a -10 ºC


Paisagens fantásticas Os desenhos e as cores das grandes lavouras do mundo holanda: tulipa

Típica de lugares frios, a flor de origem turca se tornou uma atividade econômica na Holanda imagem de 2008 Escala 1: 230m

china: arroz

O grão é a base da alimentação de quase metade da população mundial imagem de 2008 Escala 1: 360m

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estados unidos: milho

arábia saudita: alfafa

É a principal cultura do país. O grão é usado também na produção de etanol

Cultivada para alimentar o gado leiteiro, a plantação consome muita água

imagem de 2007 Escala 1: 3640m

malaui: chá

A África produz 25% do chá consumido no mundo. O maior produtor é o Quênia

brasil: soja

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O país é o maior explorador mundial e usa o grão em alimento, óleo e biodiesel imagem de

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austrália: algodão

O país é um dos maiores produtores mundiais da fibra do algodão imagem de 2000 Escala 1: 3760m

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viagem

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O suco é levado em caminhõestanque – ou em tambores – até os terminais do porto de Santos, de onde é transferido para um navio

No destino final, o suco é levado por caminhões-tanque para ser engarrafado e distribuído ao comércio, como supermercados

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34 atlas ambiental: bebedouro

calor no sul

A luz e o calor chegam mais à parte inferior do globo. Já na região central, o Sol bate de forma mais constante ao longo do ano, por isso o clima sempre quente

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Nesta posição, a incidência de luz e de calor do Sol é bem maior no Hemisfério Norte. A inclinação do globo deixa o Sul mais distante, com dias mais frios e curtos

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Confira o diâmetro (em quilômetros), a massa (em relação à da Terra) e o tempo de rotação e de translação de cada planeta do Sistema Solar

pequenos e grandes

8. NETUNO Diâmetro: 49,5 mil Massa: 17,15 Rotação: 0,67 dia Translação: 164,8 anos

7. URANO Diâmetro: 51,1 mil Massa: 14,37 Rotação: 0,72 dia Translação: 84 anos

6. SATURNO Diâmetro: 121 mil Massa: 95,2 Rotação: 0,44 dia Translação: 29,4 anos

5. JÚPITER Diâmetro: 143 mil Massa: 317,8 Rotação: 0,41 dia Translação: 11,86 anos

4. MARTE Diâmetro: 6,8 mil Massa: 0,11 Rotação: 1,02 dia Translação: 1,8 ano

3. TERRA Diâmetro: 12,7 mil Massa: 1 Rotação: 1 dia Translação: 365,25 dias

2. VÊNUS Diâmetro: 12,1 mil Massa: 0,82 Rotação: 243 dias Translação: 224,7 dias

1. MERCÚRIO Diâmetro: 4,8 mil Massa: 0,055 Rotação: 58,6 dias Translação: 88 dias

Veja a relação de tamanho entre os planetas e sua distância do Sol

Gigantes do espaço

calor no norte

Se ele fosse vertical, durante a translação (volta da Terra em torno do Sol) as estações do ano não existiriam

Eixo da Terra: inclinado

c o l a b o r a ç ã o Roberto D. Dias da Costa, astrônomo da Universidade de São Paulo

palavra planeta vem do grego planétés, que significa “errante, que caminha”. Mas você sabe o que é um planeta? Essa definição já mudou muitas vezes. Em 1801, Ceres, um grande corpo celeste que fica entre Marte e Júpiter, foi definido como tal porque orbitava o Sol. Daí, com a descoberta de outros corpos parecidos, a Terra ganhou diversos vizinhos e, em 1851, o Sistema Solar contava com 23 planetas! Na época, os astrônomos decidiram mudar tudo: só seriam planetas os corpos grandes. Os demais seriam chamados de asteróides. Com isso, a vizinhança da Terra diminuiu e o Sistema Solar passou a ter apenas oito planetas: Mercúrio, Vênus, Marte, a própria Terra, Júpiter, Saturno, Urano e Netuno. Em 1930, Plutão foi encontrado e o número subiu para nove. Recentemente, com a descoberta dos corpos transnetunianos (veja ao lado), o conceito de planeta mudou novamente. Desde 2006, planetas são aqueles que orbitam o Sol, têm massa suficiente para que, pela própria gravidade, assumam a forma esférica e são o corpo gravitacionalmente dominante em sua órbita. Quem não se encaixa nisso é chamado de planeta anão. Apesar de não ser o maior deles, Plutão saiu do ranking de vizinho da Terra e, no fim das contas, foi promovido a representante dos anões.

A

Somos moradores da cidade, do planeta, do sistema solar e da galáxia!

Nós no espaço

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6. SATURNO 9,5 UA / 1,43 bilhão*

5. JÚPITER 5,2 UA / 778,4 milhões*

4. MARTE 1,5 UA / 227,9 milhões*

3. terra 1 UA/ 149,6 milhões*

2. vênus 0,72 UA / 108,2 milhões*

1. MERCÚRIO 0,39 UA / 57,9 milhões*

A distância do Sol é definida em Unidades Astronômicas (UA), uma medida-padrão baseada na distância da Terra em relação à grande estrela

perto e longe

onde estou galáxia


atlas ambiental: bebedouro

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Você está aqui!

Esta imagem lindona abaixo é uma visão artística do que é a nossa galáxia. Nela, estima-se que exista algo entre 200 bilhões e 400 bilhões de estrelas! Sua massa? Calcula-se que seja de 1,75 trilhão de massas solares. É gigantesco! Seu nome – Via Láctea – vem do esbranquiçado das estrelas, que lembra a cor do leite. Na ilustração abaixo, veja qual a relação de tamanho existente entre o Sistema Solar, o cinturão de Kuiper, onde está Plutão, a nuvem de Oort, uma espécie de bolha de cometas, e a Galáxia

Do esbranquiçado das estrelas vem o nome da nossa galáxia

Branca como leite

Próximos do Sol (no destaque), Mercúrio, Vênus, Terra e Marte são chamados de planetas rochosos. Os demais, distantes da grande estrela, são chamados de gasosos

sistema solar

A Nuvem de Oort fica pequenininha quando comparada à nossa Galáxia. E onde você está nesta imensidão toda? Fácil: faça o caminho inverso e vai chegar ao centro de Bebedouro!

via láctea

É como uma bolha gigante, formada por cometas que têm diâmetros entre 30 mil e 100 mil vezes a distância da Terra ao Sol. Eles orbitam em torno da estrela, mas bem longe (para lá de Plutão)

nuvem de oort

Nele estão os corpos transnetunianos, como Plutão, formados por gases congelados e material rochoso. Eles têm órbitas inclinadas, alongadas e sujeitas à influência gravitacional de Netuno

cinturão de kuiper

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8. netuno 30,1 UA / 4,5 bilhões*

7. urano 19,2 UA / 2,87 bilhões*


mobilidade como sair e chegar

Pé na estrada O Brasil passou a investir mais na malha rodoviária a partir dos anos 1950

O entra-e-sai em Bebedouro Três estradas ligam o município à capital e ao interior

SP-322

Ao sul, a rodovia Comendador Pedro Monteleone (SP-351) leva a Catanduva. A Armando Salles Oliveira (SP-322), a oeste, vai a Monte Azul Paulista e, a leste, a Ribeirão Preto. Ao norte, a Brigadeiro Faria Lima (SP-326) chega a Colina e, ao sul, a Jaboticabal e São Paulo.

Q

uem viveu a época das viagens de trem sente saudades dos velhos tempos. Bebedouro e muitas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais nasceram à beira das linhas férreas, construídas para transportar café. Mas, com a chegada dos automóveis por aqui, a malha ferroviária perdeu espaço. Entre 1928 e 1955, seu crescimento foi de apenas 20%, enquanto as rodovias pipocavam pelo país, expandindo 400%. Algumas estações de trem viraram museus. Atualmente, esse meio de transporte leva só 20% das cargas do país, ante 70% de caminhões. Transporte de passageiros é raro – essencialmente para fins turísticos. As passagens de avião, por sua vez, são caras e poucos locais dispõem de aeroportos. O transporte aquático serve apenas as regiões litorâneas ou as banhadas por rios navegáveis, além de ser lento. Por isso, é melhor para cargas ou para turismo. Todo esse cenário faz com que as opções do brasileiro para grandes deslocamentos sejam restritas. Como conseqüência, o aumento do número de carros, além de poluir a atmosfera, tem provocado o caos em grandes cidades. São Paulo, por exemplo, precisou até projetar estradas no entorno para desafogar o trânsito. c o l a b o r a ç ã o Carlos Eduardo Rolfsen Salles, físico do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais

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atlas ambiental: bebedouro

pelo céu

Quem prefere voar para ir ou voltar da cidade, usa o Aeroporto Estadual Dr. Leite Lopes, em Ribeirão Preto, que movimenta 385 mil passageiros por ano

pelos trilhos

Décadas atrás, moradores, visitantes e mercadorias chegavam e saíam da cidade pelos trilhos da Companhia Paulista de Estradas de Ferro


Estrada circular Rodoanel

O Rodoanel terá 175 km de extensão

A frota da capital paulista é de 6,2 milhões de veículos. Além disso, muitos estão apenas de passagem para o interior ou para o litoral, congestionando o trânsito. Com o Rodoanel, que irá contornar a metrópole, ligando estradas, espera-se amenizar o problema

bandeirantes (sp-348)

Você sabia? Até para sair da Terra é preciso planejar a direção e o caminho O foguete sempre decola tortinho no céu. É que a aeronave se inclina para leste para aproveitar o impulso do movimento de rotação do planeta (que vai no mesmo sentido). Por isso, as melhores bases de lançamento ficam próximas da linha do Equador, onde a velocidade de rotação é maior, favorecendo o vôo das pesadas naves.

A rodovia é por onde chega quem vem de Bebedouro. Leva ao Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas, e ao Porto de Santos

base de cabo canaveral (flórida, eua)

A 28º ao norte da linha do Equador, o foguete manobra mais e percorre um caminho maior para alcançar a órbita, aumentando o consumo de combustível

cabo canaveral

marginais

Construídas ao longo dos rios Tietê e Pinheiros, são os principais corredores de acesso às rodoviais de saída e de chegada da capital

equador

alcântara

base de alcântara (maranhão, brasil)

A 2º ao sul da linha do Equador, o foguete aproveita mais a força de rotação da Terra, fazendo menos esforço e gastanto menos combustível atlas ambiental: bebedouro

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cidade urbanidade

V

Vivendo junto Um aglomerado de gente que compra, vende e presta serviços. Essa é a essência da cidade

iver em sociedade faz parte da natureza humana. Desde os primórdios, unimos forças para conseguir alimento e abrigo. Aos poucos, aprendemos a construir moradias e fazer desse espaço comum um lugar de encontros, negociações e troca de mercadorias. Assim surgiram as cidades, que consolidam também costumes e hábitos, influenciados por pessoas de diversas origens. No Brasil, muitas delas começaram em torno de uma atividade econômica. No caso de Bebedouro, o café. O grão trouxe a ferrovia

e foi importante para urbanizar a região. Na Europa, ao contrário, as cidades foram construídas antes das linhas de trem. Já a capital paulista – hoje, uma metrópole com 19,8 milhões de habitantes – também começou pequenina: foi um aldeamento indígena, recebeu os tropeiros e serviu de habitação da aristocracia cafeeira. Depois, tornou-se uma concentração de indústrias e, por fim, pólo financeiro. c o l a b o r a ç ã o José Guilherme Cantor Magnani, professor de Antropologia Urbana; Geraldo Serra, professor de Arquitetura e Urbanismo; e Paulo César Garcez Marins, historiador do Museu Paulista, todos da Universidade de São Paulo

Abram alas!

Com a Maria Fumaça, a vila começou a virar cidade. Graças ao café de exportação, o trilho de trem atravessou as fazendas e iniciou-se, assim, a urbanização de Bebedouro

Bebedouro é nossa!

A cidade é feita de gente: quem gosta do lugar onde vive cuida Pelo verde

Os moradores João Antônio dos Reis Gandra, conhecido como Janjão (à esquerda), e Jorge Karan criaram a

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Patrulha Ecológica: desde 2004, já ensinaram mais de 100 crianças e jovens a plantar árvores nas ruas e no Parque Ecológico, com

a ajuda de um engenheiro agrônomo e um florestal. O canteiro da Av. Prefeito Pedro Pascoal, por exemplo, recebeu 200 mudas de ipês.

cuidado com o passado

Colecionador de antigüidades, Gilberto Oliveira conserta e exibe em sua loja rádios, vitrolas e telefones. Já organizou exposições dos objetos e de fotos históricas em escolas e no shopping.

Sem desperdício

Para reduzir o acúmulo de lixo no aterro sanitário, Angela Brunelli organizou uma cooperativa de catadores de materiais recicláveis (como papel e metal) em um galpão que estava abandonado.


Bebedouro como ela é

A estrutura do centro é formada pelo comércio, a prestação de serviços, a igreja e o poder público

A capital e suas centralidades Em São Paulo, os centros se expandiram

Cara de campo A maioria das cidades brasileiras é bem diferente de São Paulo e de Bebedouro

Centro A praça

Marco do início da urbanização, concentra comércio, serviço, a Igreja Matriz e espaço para eventos, encontros e lazer

Desde 1890, marcado pela arquitetura européia, foi lugar de consumo e de negócios das elites do início do século. Hoje, acolhe lojas populares, comerciantes informais (como os camelôs) e escritórios

poder Público

Na região central está a maioria dos serviços públicos, como a diretoria de ensino e a prefeitura (ao lado), que concentra diversos órgãos administrativos

Avenida Paulista

Inaugurada em 1891, sediou casarões de imigrantes enriquecidos. A partir da década de 1970, vieram os prédios modernos, abrigando comércio, cultura, bancos, empresas e federações patronais que ficavam no centro

Comércio e serviço

Bancos, restaurantes, lojas, farmácias e teatro são algumas opções de compra e serviço disponíveis no centro

Avenidas Faria Lima e berrini (na foto)

Na década de 1980, a Faria Lima acolheu edifícios de alto padrão e, em seguida, o centro empresarial evoluiu para a av. Luiz Carlos Berrini e a marginal do Pinheiros, onde há prédios pósmodernos e empresas multinacionais

Shoppings

Concorrem com ruas comerciais desde a década de 1980. A difusão destes grandes centros de compras ocorre nos bairros da cidade. O Aricanduva, na Zona Leste, é um dos maiores do país: tem mais de 500 lojas

É comum pensarmos que a cidade se divide em duas zonas: a rural, voltada para o campo e a agricultura, e a urbana, onde se concentram casas, ruas pavimentadas, prédios públicos e comércio. Mas, no Brasil, qualquer lugar estabelecido como sede de município ou distrito é tido como urbano, mesmo que tenha 18 habitantes. É o caso de União da Serra, no Rio Grande do Sul, segundo o Censo Demográfico do ano 2000. Por isso, o Brasil tem 81,2% do território urbanizado, mesmo a paisagem sendo típica do campo. A princípio, o que mais caracterizaria a zona urbana seria a alta densidade demográfica (grande número de habitantes por quilômetro quadrado). Isso ocorre em regiões metropolitanas, por exemplo. As áreas rural e urbana de uma mesma cidade estão em constante interação: a primeira, cada vez mais ocupada pela agropecuária, produz alimentos; enquanto a segunda fabrica máquinas e equipamentos para que os alimentos sejam produzidos. É uma troca.

atlas ambiental: bebedouro

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cultura nosso país

Brasil miscigenado “V De ponta a ponta, o país revela hábitos e costumes originados pela mistura de povos

ribeirinho amazônico

Mestiço de índios e brancos, vive à beira das várzeas e pratica pesca e extrativismo vegetal

ejam essa maravilha de cenário.” Assim começa a música Aquarela Brasileira, do compositor Silas de Oliveira. Sua letra homenageia o que o país tem de melhor: o povo e as riquezas naturais. A diversidade de sotaques, cenários, ritmos, danças, religiões, artesanatos, hábitos e costumes faz deste país único muitos brasis. Essa riqueza cultural, constituída em milhares de anos, teve influência dos indígenas, dos europeus, dos escravizados negros vindos da África e dos muitos estrangeiros que chegaram após as guerras mundiais da primeira metade do século 20. A interação entre diferentes povos foi o que tornou o Brasil tão especial: cada região tem suas surpresas. Em Parintins (AM), as coreografias da folclórica dança do boi-bumbá tomam conta das ruas. Em Campina Grande (PB), o forró anima as

Festas de São João. O famoso arroz com pequi das cidades do Centro-Oeste dão água na boca – isso sem falar do lombo com couve, tutu e torresmo de Minas Gerais! Rapazes com bombacha e moças com saia rodada se embalam ao som dos acordeons nos centros de tradição gaúcha. Na capital paulista, a urbanidade acolhe as cantinas italianas e a comida japonesa no bairro da Liberdade. E por aí vai! Tudo isso divide espaço, ainda, com as chamadas culturas tradicionais, que levam esse nome por passarem seus saberes e modo de vida por transmissão oral, de geração a geração. Conheça quais são as principais e onde se localizam. Em homenagem a Silas de Oliveira, abaixo algumas delas foram retratadas em aquarelas. c o l a b o r a ç ã o Rinaldo Sérgio Arruda, cientista social da Pontífica Universidade Católica de São Paulo

Em comunidade

Costumes locais mantêm acesa a tradição de comunidades espalhadas pelo Brasil Confira onde se localizam os grupos tradicionais do país e veja, nas ilustrações, alguns deles em suas principais atividades! c u lt u r a s t r a d icion a i s d o b r a s il

seringueiro

Vive da extração da borracha e faz parte da cultura dos caboclos e ribeirinhos amazônicos

jangadeiro F o n t e Ministério do Meio Ambiente, 2001

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atlas ambiental: bebedouro

Utiliza para a pesca marítima uma jangada feita de piúba, madeira típica do Nordeste


imi g r a nte s no b r a s il

Vaivém

A cultura nacional se formou com fluxos migratórios de outros países e de dentro do próprio país

Da Europa, vieram portugueses, espanhóis e alemães. Anos depois, chegaram japoneses. Na década de 1950, as regiões Centro-Oeste, Sul e Sudeste receberam muitos migrantes internos, principalmente nordestinos, atraídos pela industrialização de cidades como São Paulo e Rio de Janeiro. A ida de sulistas para o Norte em busca de terras para trabalho nos últimos anos originou o termo Amazônia Gaúcha. mi g r a ç ã o s éc u lo 2 0

Alemães Italianos Espanhóis Japoneses Eslavos

Principais fluxos migratórios no período de 1950 a 1970

Principais fluxos migratórios no período de 1970 a 1990

Principais fluxos migratórios na década de 1990

Porcentagem de estrangeiros na população total em 2000 menos de 0,1% 0,1 a 0,2 % 0,3 a 0,5 % 0,7 a 0,9 % F o n t e Gisele Girardi, 2005

F o n t e Maria Elena Simielli, 2008

caiçara

Da mistura de indígenas, portugueses e africanos, ele vive da pesca e da agricultura

sertanejo

quilombola

Vive no sertão, cria pequenos rebanhos de gado e de bode e cultiva grãos e raízes

Descende de escravizados, mora em fazendas ou terras de negros e vive da agricultura e da pesca atlas ambiental: bebedouro

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cultura saberes locais

Marca registrada Causos, arquitetura, sotaque e hábitos: tudo isso compõe identidades da sua cidade

V

ocê sabia que São João da Boa Vista de Bebedouro foi o primeiro nome da sua cidade? Com a passagem de tropeiros paulistas, mineiros, baianos e goianos, que comercializavam animais por todo o país no século 18, Bebedouro começou como um povoado, depois virou uma vila, recebeu imigrantes italianos e, em 3 de maio de 1884, foi emancipada e se tornou município. Essa gente, vinda de lugares tão diferentes, trouxe hábitos e costumes, modos de construir, de falar e de interagir que formaram a identidade do lugar. Compreender e observar tudo isso é como voltar no tempo. Na planta dos primeiros bairros, Bebedouro parece um tabuleiro de xadrez – formação

típica de cidades que nasceram na época das fazendas de café. Há também as marcas invisíveis, como os causos, os saberes e a culinária. E há as visíveis, como o Tamarindeiro centenário. O patrimônio não é só a árvore, mas histórias associadas a ela. Em fins de 1940, chega a produção de laranja. Nas décadas seguintes, a indústria de suco começa a perfumar a cidade. Na estação de trem, cujos encontros e desencontros estão na memória dos mais velhos, os trilhos foram desativados. Mas cada recanto e cada movimento da cidade reaviva uma lembrança e, junto dela, a compreensão do que é viver e estar em Bebedouro. c o l a b o r a ç ã o Amália Inês Geraiges Lemos, professora de Geografia Urbana da Universidade de São Paulo

Álbum de fotos

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Praça central

O princípio

Tamarindeiro

Atualmente, o chafariz e a Igreja de São João Batista (padroeiro da cidade) são elementos marcantes da praça central

A água do córrego Bebedouro deu nome à cidade, pois matava a sede dos tropeiros e de seus animais no século 19

Ninguém sabe quem o plantou, mas sua copa acolhe há centenas de anos encontros amorosos. Houve até protesto quando tentaram derrubá-lo

atlas ambiental: bebedouro


Rainha embaladora

Em 1960, fazendas de laranja promoviam concurso para funcionárias

Lago

Nos fins de tarde, o calçadão do lago e as praças arborizadas dos arredores são um convite para passeios À moda tropeira

Prato preferido dos bebedourenses, lembra as refeições dos tropeiros, que carregavam carne seca, lingüiça defumada e feijão

Filha de uma costureira e um pedreiro, Maria Dirce Fernandes resolveu trabalhar como embaladora de laranjas em uma fazenda aos 17 anos. Ela se deslocava em caminhões que levavam os funcionários até o local da colheita, de onde via caixas de frutas serem carregadas até os vagões de trem. Vaidosa, gostava de desfilar em frente ao espelho. Em 1960, venceu o primeiro concurso de Rainha da Festa da Laranja. No ano seguinte, mudou-se para a capital paulista, onde casou e teve três filhas e duas netas. Aos 66 anos, em 2008, ela doou a faixa e a coroa de rainha ao arquivo histórico da cidade. Maria tem saudades da mocidade em Bebedouro, quando ia às missas da Igreja Matriz e às matinês do cinema Rio Branco.

Grupo Escolar Abílio Manoel

Inaugurado em 1913, separava meninos e meninas. Ainda está em funcionamento e, agora, é patrimônio arquitetônico

Estação Ferroviária

Nasceu com as fazendas de café. Atualmente, está desativada e virou o Museu Estação Cultura

festa da laranja

Em 1960, foi lançada a Festa da Laranja, promovida pelos grandes fazendeiros da época

Teatro municipal

Quando ainda contava com afrescos, há mais de 40 anos, o teatro era o cinema Rio Branco

atlas ambiental: bebedouro

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clim a s d o b r a s il

linha do equador

equatorial úmido

clima conceitos

subtropical úmido

Sinais da atmosfera Calor, vento e chuva ajudam a prever o tempo e a entender o clima de um lugar

P

arece incrível, mas os telejornais alcançam picos de audiência todo santo dia quando exibem a previsão do tempo! Ela é importante para a agricultura, a navegação e as atividades do nosso dia-a-dia. Hoje, por exemplo, procuramos saber do tempo até para decidir que roupa vestir. Isso é possível graças aos meteorologistas, que medem a temperatura e a intensidade do vento e da chuva, traçando o cenário de cada dia. O tempo – que podemos prever – faz parte de contextos climáticos, diferentes em cada região do planeta. A linha imaginária do Equador (veja ao lado) divide a Terra nos hemisférios Norte e Sul, enquanto as linhas de latitude, paralelas, definem se o clima é equatorial, tropical, temperado ou polar. A intensidade da radiação solar sobre cada faixa latitudinal, de acordo com as estações do ano, determina se faz calor ou frio. Por ser muito extenso, o Brasil tem cinco tipos de clima, com características quente, seca e úmida (confira no mapa).

Um estado, muitas sensações

litorâneo úmido tropical semi-árido seco

Os termômetros paulistas não estão loucos

tropical úmido

Num dia, céu nublado e quente em Bebedouro. Na capital, faz sol, mas a sensação é de frio. No litoral? Previsão de chuva e máxima de 25 °C. Essas variações do clima tropical podem ser explicadas por fatores geográficos. Conheça-os e saiba como afetam as cidades paulistas.

Bebedouro 23,9 °C / 1333.8 mm

F o n t e Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas a Agricultura, da Universidade Estadual de Campinas massa tropical continental

Botucatu bebedouro

Cidades do interior recebem massas de ar do continente. Daí o efeito da continentalidade. Conseqüência: ar seco, menos umidade no ar e clima quente durante boa parte do ano

botucatu

20,7 °C / 1358.6 m

Os ventos frios vindos do Sudeste e do Sul batem nos paredões de rocha e se dirigem para as partes mais baixas da cidade. Lá, eles ficam concentrados, provocando umidade e frio

c o l a b o r a ç ã o Emerson Galvani e Tarik Rezende Azevedo, geógrafos da Universidade de São Paulo; e Dinival Martins, engenheiro florestal da Universidade Estadual Paulista, em Botucatu

clima ou tempo?

A diferença é simples: o tempo nos diz qual a condição atmosférica terrestre de um momento específico (se está chovendo, nublado, úmido, quente ou ventando). O clima é o predomínio e a constância dessas características do tempo em um mesmo lugar.

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atlas ambiental: bebedouro

Agentes do calor Saiba o que e quem aquece São Paulo

queima de combustível

A temperatura da capital paulista subiu 2,1 ºC em 100 anos, enquanto no resto do mundo o número foi de 0,7 ºC.

Os gases liberados por carros, ônibus e caminhões são lançados no ar em forma de calor

alimentos indústria

Libera gases quentes, mas já há empresas que usam a energia térmica no processo produtivo

Dão energia ao corpo humano, mas seus restos e embalagens, amontoados em lixões, viram fonte de calor


campos do jordão

são paulo

A uma altitude de 1.628 m, a cidade tem o ar mais rarefeito, ou seja, a atmosfera retém menos calor e a sensação de frio aumenta. Resultado: verões amenos e invernos frios

Na capital, queima de combustível e excesso de concreto e de asfalto formam ilhas de calor. Por isso, há aumento de temperatura na área central da cidade. E as chuvas podem ser de intensidade elevada

camada escu ra

A inversão térm ica se dá quando uma camada de quente se sobr ar epõe a uma de ar frio, impedi subida. Ela vira ndo sua uma espécie de tampa, que im a poluição de se pede dissipar. No in verno, seu efei visível no hori to é zonte das gran des cidades.

Campos do Jordão

14,8 °C / 1705.8 mm massa polar atlântica

São Paulo

massa tropical atlântica

22, 6 °C / 2154.2 mm

Ubatuba

mm

20,7 °C / 1376.2 mm

ubatuba

As massas úmidas vindas do oceano Atlântico provocam o efeito da maritimidade. Quando elas se chocam na serra do Mar, a umidade fica retida. Por isso, no local chove muito

pessoas

O corpo humano produz calor. Mas só conseguimos perceber a intensidade em aglomerações, como dentro de um ônibus cheio

Saiba por que acontecem as estações do ano na página 34 e conheça os tipos de relevo na página 52.

ATIVIDADE zer Quer aprender a fa ? tro um pluviôme Pergunte ao (à) ! professor(a) como

atlas ambiental: bebedouro

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clima

passado e presente

Esquenta, esfria... Nenhuma novidade: a mudança do clima da Terra acontece desde o seu surgimento

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N

os últimos anos, as mudanças climáticas no planeta têm trazido preocupações e dúvidas para cientistas e também para nós, que acompanhamos os noticiários. Já se sabe que a temperatura média da Terra aumentou por causa da ação humana (veja mais na página 50). No entanto, a história do globo terrestre revela que o clima sempre sofreu grandes variações, com aquecimentos e resfriamentos alternados. Como esses processos levam bilhões de anos para acontecer, podemos estar em transição. Por isso, não é possível afirmar se as atuais oscilações da temperatura ocorreriam – ou não – mesmo sem a ação humana.

Fato é que os gases na atmosfera são os principais responsáveis por essas alterações climáticas. Quando algum fator causa o seu aumento, seja a erupção de um vulcão de 4,5 milhões de anos, seja o excesso de veículos que existe atualmente, a primeira reação é da temperatura, que se eleva. No longo prazo, esses gases impedem a entrada de raios solares na atmosfera, causando o resfriamento. Por isso, é preciso encontrar formas menos poluentes para viver e se desenvolver. c o l a b o r a ç ã o Marcelo Eduardo Freres Stipp, geógrafo da Universidade Estadual do Norte do Paraná

No começo, tudo era fogo

de 4,5 a 3,8 bilhões de anos atrás

de 3,8 bilhões a 540 milhões de anos atrás

de 540 a 360 milhões de anos atrás

Veja as variações da temperatura terrestre ao longo da história

A fusão de metais e minerais no interior da Terra liberou na atmosfera gases (oxigênio, hidrogênio, gás carbônico e ozônio), provocando a atividade de vulcões e chuvas intensas, que formaram oceano e lagos. Não havia vida

O excesso de gases na atmosfera impediu a entrada de raios solares. A temperatura despencou e iniciou-se a primeira era glacial. Havia vida apenas nos oceanos: os organismos unicelulares

Com a dissipação dos gases, a radiação solar pôde dar início ao degelo. O efeito estufa ajudou a reter calor, propiciando a vida de plantas e dos primeiros vertebrados marinhos e anfíbios

atlas ambiental: bebedouro


A v a r i a ç ã o d e tempe r a t u r a n a te r r a

Frio e calor hoje de 360 a 248 milhões de anos atrás

de 248 a 65 milhões de anos atrás

de 65 a 1,8 milhão de anos atrás

O movimento das placas tectônicas no interior da Terra ativou vulcões e provocou fissuras, liberando gases. A fumaça das florestas em chamas também ajudou a impedir a passagem do sol: mais um período de gelo

Com um novo degelo, a temperatura subiu para até 15 ºC. Surgiram os dinossauros, cujas fezes fertilizaram o solo! Não se sabe se sua extinção foi devido à queda de meteoros ou à ação de um megavulcão na Índia, que liberou gases e aqueceu o clima

A última fase glacial da Terra foi rápida. Nela, os hominídeos se deslocaram da Ásia para a América pelo estreito de Bering: onde hoje existe água, eles encontraram uma “passarela” de gelo

F o n t e National Aeronautics and Space Administration (NASA), 2006

Vivemos um período interglacial Estamos no Quaternário, que se iniciou há 1,6 milhão de anos e teve pequenas eras do gelo. Hoje, a temperatura na Terra se tornou mais amena. Por isso, alguns estudiosos chamam o atual período climático de “longo verão”. Mas há muitos cientistas preocupados com que o excesso de gases – como o gás carbônico, liberado na queima dos combustíveis fósseis – impeça novamente a passagem de raios solares na Terra, causando o início de uma nova era do gelo.

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clima influência dos oceanos

Água quente? Calor! O A grande capacidade de acumular calor dos oceanos influencia a temperatura da Terra

que os oceanos têm a ver com o clima? Tudo! Afinal cerca de 77% do planeta é coberto por água, que armazena 4 mil vezes mais calor do que 1 kg de ar (veja ao lado). Quando em contato com o ar seco, sua água evapora. Com isso, o mar esfria e o ar esquenta. Por esse motivo, os oceanos influenciam tanto o clima. Nos últimos anos, estudiosos notaram o aquecimento evidente dos oceanos, o que significa mais calor no planeta. Para medir a temperatura das águas de forma precisa, pesquisadores utilizam satélites que monitoram a altura dela em alto-mar. A idéia é simples: quando a altura aumenta, significa aquecimento, pois a água quente se expande. O satélite, que orbita a 1,3 km, envia ondas de rádio (radar) que batem na água e voltam para ele. O tempo que isso leva determina a altura da

água. A margem de erro é de apenas 2 cm! Por cobrir 7 km por segundo, o satélite dá a volta na Terra em duas horas. Ao longo dos anos, isso permite monitorar as variações do clima no planeta e, dessa forma, criar séries históricas sobre o assunto. Comparando a diferença de altura entre dois pontos, é possível também determinar a velocidade das correntes marítimas, responsáveis por carregar salinidade, temperatura, nutrientes e microorganismos importantes para a vida marinha. Hoje em dia, infelizmente, as correntes também transportam poluição. Afinal, muito lixo é despejado em rios, que desembocam no mar. c o l a b o r a ç ã o Paulo Simionatto Polito, professor do Departamento de Oceanografia Física da Universidade de São Paulo

As correntes determinam muito o clima dos lugares Nos Estados Unidos, as águas quentes da corrente do Golfo não chegam a Nova Iorque, pois são desviadas rumo à Europa por causa da rotação da Terra. Em seu lugar, entram águas mais frias, vindas do norte, esfriando Nova Iorque. Já Lisboa, que recebe essas águas (já não tão quentes), apresenta temperaturas mais amenas.

Nova Iorque

mais ameno

Em contato com a corrente do Golfo, a água fria do norte perde temperatura

linha do equador

que calor!

48

atlas ambiental: bebedouro

Nada de agasalho: nesta região, as águas da corrente do Golfo esquentam o tempo

friiiiio

As águas geladas do norte deixam o tempo frio. Por isso, é preciso se agasalhar

Lisboa


Superficiais e profundas Conheça as correntes que se movem pelos oceanos Para estimar a temperatura de alguns pontos da Terra nos últimos mil anos, pesquisadores analisam substâncias químicas encontradas em corais, cavernas e gelo e também o número de anéis de crescimento do tronco de árvores centenárias. A partir do século 19, o uso de termômetros permitiu maior precisão nos cálculos. 0,5

correntes superficiais

Temperaturas médias globais medidas indiretamente por meio de anéis de árvores, corais, testemunhos glaciológicos e geológicos no hemisfério norte

0,0

aquecimento -0,5 mudança de temp. média global (c)

-1,0 Anos 1000

1200

1400

1600

1800

2000

A Revolução Industrial, nos séculos 18 e 19, fez a temperatura do planeta aumentar rápidas!

Movidas pela força do vento, demoram em média um ano para dar a volta completa. A do Golfo e a Circumpolar Antártica transportam cerca de 100 milhões de m3 de água por segundo correntes termohalinas

Um quilo de água armazena 4 mil vezes mais calor do que 1 kg de ar. Isso faz dos oceanos grandes reguladores da temperatura na Terra leve

compacto

Em uma caixad´água vazia, existe cerca de 1 kg de ar

Uma caixa de leite equivale a 1 litro de água do mar

1 litro

1000 litros

profundas...

Ao atingir áreas frias, a água evapora rapidamente e perde calor para a atmosfera. Com isso, fica densa e submerge cerca de 4,5 mil km, fazendo o caminho contrário. O ciclo leva cerca de 100 anos atlas ambiental: bebedouro

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50

N

Trans po reduz rte limpo: a a po luição no ar

atlas ambiental: bebedouro

Cuida do preser com o ver de: ve e p lante árvore s

Reduç ã faça s o do consu m eus b rinque o: dos

As árvores derrubadas deixam de capturar carbono, ou seja, de limpar o ar. O excesso de veículos movidos a gasolina e diesel libera toneladas de gases nocivos. A fabricação de derivados de petróleo, como os plásticos, também. Resolver o problema é tarefa de muita gente: governos, empresas, agricultores... E também é nossa. Podemos optar por transporte coletivo (ou pela bicicleta!), reduzir a compra (às vezes desnecessária) de produtos industrializados, reciclar o que for possível, reaproveitar caixas e latas antes de jogar fora e plantar árvores. Nada muito difícil!

Pequenas atitudes que reduzem as emissões de gases poluentes

papel: gem de Recicla proveita e a tudo s

c o l a b o r a ç ã o Tercio Ambrizzi, professor titular do Departamento de Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo

Como fazer a sua parte

os: plástic Menos la e saco mude d

o Espaço Sideral, o silêncio é absoluto. Afinal, lá não existe ar e o som não se propaga pelo vácuo. Mas, conforme se chega perto da Terra, o espaço passa a ser preenchido por moléculas organizadas na forma de gás. Ao redor do globo, existe um manto de ar composto de 78% de nitrogênio, 20% de oxigênio, pouco menos de 1% de vapor de água e 0,03% de dióxido de carbono. O restante é uma mistura de outros gases. Rarefeita e difusa no espaço, a atmosfera vai ficando densa conforme se aproxima da superfície terrestre. Próximo ao solo, nas regiões em que as correntes de ar se movem rapidamente, podemos até ouvi-la assobiar: é o vento. A atmosfera é fundamental para a existência da vida no planeta. Além de propiciar o oxigênio que respiramos, ela nos protege dos raios ultravioleta – parte da radiação solar nociva aos seres humanos –, que são filtrados pela camada composta pelo gás ozônio. Sem a

atmosfera, a temperatura do planeta estaria abaixo de zero: os raios de sol (e seu calor, claro) seriam refletidos de volta ao espaço, deixando muito pouco calor por aqui. Na medida certa, a atmosfera retém a quantidade de calor necessária para a vida no planeta: é o efeito estufa. A ação humana, porém, tem aumentado as emissões de calor. Além do efeito estufa, que já faz a sua parte, retendo calor naturalmente, as emissões de gases poluentes – vindos de automóveis, por exemplo – estão aumentando a temperatura além da conta. Essas mudanças afetam a composição da atmosfera e geram desequilíbrios climáticos, como chuvas e furacões intensos e freqüentes. Por isso, se a natureza do planeta funciona em harmonia, é preciso conviver obedecendo a esses preceitos.

O efeito estufa permite a vida no planeta, mas a ação humana tem provocado o excesso de calor

Efeito estufa: vilão, não!

clima aquecimento global


Aumento de eventos climáticos extremos, como chover num só dia o previsto para o mês inteiro

Menos calor, mais vegetação e superfícies permeáveis equilibrariam o meio ambiente

O CH4 vem da queima de biomassa e da flatulência dos rebanhos, uma das maiores fontes de gases no Brasil. Apesar da menor emissão, é dos mais poluentes

Apesar de menos intensos, também retêm calor. Podem ser emitidos por causas naturais (como vulcões e desertos) e humanas (como a queima de carvão e de gás natural)

poeira, vapor e poluentes

O CO2, liberado na queima de combustíveis, é absorvido pelos oceanos e pelas plantas. O seu excesso, somado à queimadas indiscriminadas, faz dele o poluente campeão

metano

dióxido de carbono

A “camada de ozônio” é a parte da estratosfera em que a concentração do gás é maior. É importante porque filtra os raios ultravioleta, prejudiciais para o ser humano

ozônio do bem

Ao longo de bilhões de anos, a Terra passou por ciclos naturais de aquecimento e de resfriamento. Além disso, parte das mudanças no clima é natural e não depende da ação humana, como as variações na atividade solar e os eventos vulcânicos. O aquecimento global de que todo mundo fala, porém, está diretamente relacionado à emissão de gases poluentes – nada natural. Apesar de a emissão estar concentrada em algumas regiões, as conseqüências são globais, pois as correntes de vento dissipam os gases pelo planeta.

Veja de onde vêm e como agem os gases do efeito estufa

Muitas fontes, um efeito

se nada for feito

sem poluição

mais baixas do planeta. Já na Zona Equatorial, a evaporação pode aumentar, intensificando fenômenos naturais, como furacões e tempestades tropicais. Mas ainda dá tempo de reverter esse quadro! Trata-se de um compromisso de toda a sociedade. Veja a seguir como tudo seria em três situações diferentes.

Originados na queima de biomassa e de combustíveis fósseis. Quando lançados no ar, absorvem radiação, prejudicando diretamente a camada de ozônio

O calor não seria retido e a temperatura ficaria em torno de - 18 ºC. A vida seria impossível

sem efeito estufa

O aquecimento global provoca, entre outros efeitos, o derretimento das calotas polares. No Pólo Norte, se o gelo derreter, o nível do mar não muda tanto quanto no Sul, pois o gelo flutua nas águas. Mas no Sul, a coisa complica, já que o gelo está no continente. Se derreter, o nível do mar aumentará, inundando as regiões

É preciso reduzir as emissões de poluentes

Hora de mudar

óxidos de nitrogênio

atlas ambiental: bebedouro

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relevo são paulo e brasil

Sobe e desce é possível classificar o relevo do nível desde o mar até o pico de uma montanha

A modelagem de São Paulo O estado tem cinco grandes estruturas geomorfológicas A caminhada é longa, mas quem consegue chegar à Pedra da Mina, na serra da Mantiqueira, se sente nas alturas. Afinal, esse é o pico mais alto do estado,com 2.798 m de altitude. Mas nem tudo em São Paulo está nas alturas. Há terrenos baixos no litoral e no oeste paulista. Em Bebedouro, as colinas do planalto Ocidental são as formas mais comuns. Confira na imagem abaixo.

A

superfície da Terra é irregular: cheia de altos, de baixos e de planos também! As variedades são muitas: há morros baixinhos e pontudos; outros altos e planos; e há aqueles de tamanha altura que existe até uma prática para chegar ao seu topo: o alpinismo. O relevo é essa variação de formas e de tamanhos, sustentado por diversas estruturas geológicas, conhecidas como rochas. Apesar dessas diferenças aparentes, é possível encontrar características semelhantes em qualquer tipo de relevo: no fundo, rocha; no meio, solo; e, em cima, forma. O sobe-e-desce é resultado de fenômenos como erosões e acúmulo de sedimentos – os chamados agentes modeladores –, que atuaram (e continuam atuando)

há bilhões de anos! Os de origem endógena (interna) provocam dobramentos e aparentes falhas no relevo. Já os de origem exógena (externa) resultam da ação do clima, da água e também do ser humano, como construções de estradas e túneis. É possível classificar o relevo em categorias. No Brasil, as principais são planalto, depressão e planície. O primeiro é encontrado em cima de rochas ígneas e metamórficas (veja quadro ao lado). A depressão é um terreno rebaixado por erosão entre os planaltos vizinhos. E a planície, plana e baixa, resultado do acúmulo de sedimentos em rios e mares. colaboração

Jurandyr Luciano Sanches Ross, geógrafo da Universidade de São Paulo

depressão periférica

Porção baixa, com altitudes entre 600 e 750 m, que ocupa parte do oeste paulista, pelos vales do Médio Tietê, Paranapanema e Mogi-Guaçu. O relevo possui forma ondulada de origem antiga, por isso menos resistente à erosão

planalto ocidental

Levemente ondulado, aqui predominam as estruturas de colinas amplas e baixas com topos lisos. Na área central, os rios estão sempre em paralelo uns aos outros e com traçados ligeiramente inclinados em direção ao rio Paraná

planalto atlântico

Depois da serra do Mar, é encontrado um trecho de rochas cristalinas antigas que forma um conjunto de colinas. Essa estrutura vai do sul do estado (em Guapiara) até o nordeste (em Campos do Jordão, na serra da Mantiqueira)

cuesta basáltica

É constituída por rochas de arenito e basalto, que formam uma faixa bastante desigual. Enquanto de um lado há um declive – uma superfície cuja altura diminui gradualmente ao longo do terreno –, do outro há uma inclinação, difícil até para subir

planície costeira

LEGENDA

F o n t e Instituto de Geografia da Universidade de São Paulo

52

atlas ambiental: bebedouro

Inclui as baixadas do litoral, as serras do Mar, de Paranapiacaba e de Itatins - além dos morros da costa e o do Vale do Ribeira. Na cidade de Santos, vimos ainda algumas montanhas marcadas por falhas, denominadas maciços


Planaltos residuais NorteAmazônicos

Pl an in

ro

s

co

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Depressão sertaneja e do São Francisco s

ro

ei

os c os t uleir

Planalto e serras do AtlânticoLesteSudeste

da ra borda ná a

Depressão p leste da b

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cie

ma

rin

uvia ho-fl

Duro de rachar

As rochas dão sustentação ao relevo. Conheça suas três principais famílias ígneas

Originada do material magmático (ou seja, de rochas fundidas). É a mais antiga e também chamada de cristalina

granito

l

as

ad e M as la irim go

Planalto Depressão periférica Sul- Sul-RioRio-Grandense Grandense

ei

Planalto da Borborema

Planalto e serras GoiásMinas

Planalto e chapadas da bacia do Paraná

ul

Planalto e chapadas da bacia do Parnaíba

Pl an ície do Rio oA Arag uaia lto Toc ant ins e Paran ã

D re sid Pa epr ua rag es u s is do ai e ão d Al Gu o A to a l Pa po to ra ré gu ai

Pl an Dep al re ss do to e ão s Al e do to rr M Pa as ira ra re nd gu sid a ai ua is

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Planície e pantanal do Rio Paraguai

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Planalto e chapadas da bacia do Parecis

ré po ua oG

Planalto da Bacia Amazônica Ocidental Planaltos residuais Norte-Amazônicos Planaltos residuais Sul-Amazônicos Planalto e chapadas da bacia do Parnaíba Planalto e chapadas da bacia do Parecis Planalto e serras residuais do Alto Paraguai Planalto e chapadas da bacia do Paraná Planalto e serras do Atlântico-Leste-Sudeste Planalto Sul-Rio-Grandense Planalto da Borborema Planícies do Rio Amazonas Planície marinho-fluvial Tabuleiros costeiros Planície marinha das lagoas dos Patos e Mirim Planície e pantanal do Rio Paraguai Planície do Rio Araguaia Planície e pantanal do Rio Guaporé Depressão da Amazônia Ocidental Depressão Marginal Norte-Amazônica Depressão Marginal Sul-Amazônica Depressão do Araguaia Depressão periférica do Tocantins Depressão do Alto Tocantins e Paranã Depressão Cuiabana Depressão do Alto Paraguai e Guaporé Depressão do Miranda Depressão periférica da borda leste da bacia do Paraná Depressãoperiférica Sul-Rio-Grandense Depressão sertaneja e do São Francisco

do Ri

-fl

ssão periférica do Tocantins Depre

pan tan al

ho

Ta b

Depressão do Araguaia

De pr es sã od a

ie

ar

azonas tal tal en Am d ica Ociden i o c i mazôn R A O d o s a i c e a ia ci da B ôn ní nalto a az l a P Pl Am ônica Amaz l u S al rgin Ma o Planaltos ssã residuais pre e D Sul-Amazônicos Pla níc ie e

LEGENDA

m

Ta b

íc

a ônic maz A e t r Depressão Marginal No

Pl

unidades de relevo do brasil

sedimentar

Formada por componentes de outras rochas, que foram empurradas para diversos lugares pela ação do clima

arenito

metamórfica

Sofreu várias alterações, muitas vezes causadas por aumento de pressão e calor, até obter a estrutura atual

quartzo

F o n t e Laboratório de Geomorfologia da Universidade de São Paulo

atlas ambiental: bebedouro

53


sismologia ocorrências no mundo

Que tremedeira! Colisões de placas rochosas no interior da terra causam terremotos e vulcões

D

e repente, a água do copo começa a vibrar, o chão sacode, as janelas estalam e BUM... as paredes despencam! É um grande terremoto. Esse fenômeno ocorre com freqüência no Japão, na Índia e até no nosso vizinho Chile. Ocorre que os continentes navegam sobre placas tectônicas. Elas são imensos blocos de rocha irregular que se movem de forma lenta e em várias direções. Os choques constantes entre elas acumulam energia que, liberada de repente, faz tudo tremer e até muda o relevo. Um exemplo é a cordilheira dos Andes, na América do Sul, resultado da “trombada”

A movimentação das placas tectônicas deu origem aos continentes, cujas formas foram definidas após a separação de um supercontinente chamado Pangéia. Além do relevo resultante disso, que pode ser visto em terra firme, no fundo do mar também existem contornos interessantes: no oceano Atlântico, por exemplo, há uma cordilheira submarina que separa a América do Sul da África. há 1 bilhão de anos

há 2 bilhões de anos

Especula-se que nessa época tenha existido uma ilha lendária, chamada Atlântida. Lá, teria vivido uma civilização destruída por um terremoto

Nesse período, conhecido como Pleistoceno, surgiram espécies existentes até hoje, como os ancestrais dos cavalos e camelos, nas terras da atual América do Sul

Movimento constante A Terra está sempre se modificando Quando há um terremoto ou um vulcão em erupção, percebemos a movimentação nas camadas profundas do planeta. Esses fenômenos, comuns nos Arcos da Polinésia (ao lado), são como uma válvula de escape para a energia acumulada ao longo de milhões de anos! 54

atlas ambiental: bebedouro

arcos da poliné sia

entre a placa pacífica e a sul-americana há 200 milhões de anos. Por lá também existem vulcões ativos, que deram origem à formação montanhosa atual. O raio da Terra tem cerca de 6,4 mil km, mas o mais fundo que o homem já chegou foi a 13 km. Sabemos sobre o interior do planeta por meio do estudo das ondas emitidas durante os eventos sísmicos. Esses eventos revelam que os locais próximos às beiradas das placas são os mais suscetíveis. No Brasil, a terra também treme, mas pouco, pois o país está numa área intraplacas, ou seja, longe das bordas. As ocorrências

há 550 milhões de anos

A Pangéia tem esse nome porque pan significa “junto”, e geia, “terra”, ou seja, nessa etapa da história das placas, tudo estava grudadinho e cercado pelo oceano Pantalassa

há 230 milhões de anos

América e África ainda estavam juntas. Nessa época, viviam imensos répteis – os dinossauros – na superfície do que hoje são Ásia, Europa e África

terremoto

vulcões

A movimentação das placas tectônicas gera energia, que vai se acumulando com o tempo. A liberação repentina dessa força acarreta abalos na crosta

A pressão interna faz com que rochas fundidas, chamadas de magma, rompam a crosta terrestre e cheguem à superfície, numa mistura bem quente de gases, lava e cinzas


boletim s í s mico b r a s ilei r o ( 1 7 6 7 a 2 0 0 7 , magnitudes > 3 , 0 )

por aqui são fracas e, muitas vezes, imperceptíveis. Na escala chamada Richter, que mede a magnitude dos eventos, os abalos brasileiros chegam no máximo a 5 — o que resulta em queda de objetos, rachaduras e deslizamento de telhas. Bem diferente do terremoto de magnitude de 9,5, ocorrido no Chile, em 1960, que fez milhares de vítimas, causou muitos estragos e é considerado o maior sismo do mundo. c o l a b o r a ç ã o Jesus Berrocal, geofísico, e Marcelo Sousa de Assumpção, físico, ambos da Universidade de São Paulo

Quando Bebedouro tremeu Mais de 2 mil abalos foram registrados Entre 2004 e 2005, o chão da cidade balançou milhares de vezes. Terremoto? Não. Na verdade, a escavação de seis poços artesianos no distrito dos Andes, na zona rural do município, causou a penetração de água nas fraturas das rochas que compõem as placas tectônicas. Isso facilitou o deslizamento dessas rochas, causando os abalos. Pela intensidade pequena, o sismo não foi considerado terremoto. A cada ano, são registrados no Brasil dez tremores de terra com magnitude 3 e, a cada dez anos, os de nível 5 (veja no mapa). O risco de terremoto é baixíssimo.

F o n t e Instituto Astronômico e Geofísico da Universidade de São Paulo

há 105 milhões de anos

As terras estavam perto do que são hoje. Foi nesse período, pós-extinção dos dinossauros, que começaram a se desenvolver os mamíferos marinhos

daqui a 50 milhões de anos

hoje

A cada ano, América e África se distanciam 3 cm. Com o tempo, é possível até mesmo que os continentes africano e europeu se unam

Alguns pesquisadores descrevem os continentes de hoje como uma colcha de retalhos, resultado de várias quebras de partes que, se juntas, formariam um quebra-cabeça

3 2 1

tsunamis

A energia dos abalos sob o oceano forma ondas gigantes (tsunamis), que têm velocidade de até 800 km/h

1

núcleo

É composto de uma liga de ferro e níquel e corresponde a 1/3 da massa da Terra. E é separado em dois: o sólido (na parte interna), com raio de cerca de 1250 km, e o líquido, que envolve o primeiro

2

manto

Formado por minerais ricos em ferro e magnésio, com temperaturas entre 100 e 3500 °C. Divide-se em manto superior (400 km), zona de transição (de 400 a 1000 km) e manto inferior (1000 a 2900 km)

3

crosta

Camada superficial, formada por rochas de granito e basalto. Em regiões continentais, a crosta tem espessura de 35 km, enquanto nas bacias oceânicas o tamanho é de 6,3 km atlas ambiental: bebedouro

55


solo camadas

Suporte da vida Nossa existência depende do solo. Por ser um recurso não renovável, é preciso cuidado no uso!

A

lém de servir de base para andar e correr, o solo é um elemento da paisagem muito importante para a humanidade. É dele que conseguimos alimentos para o nosso corpo, terreno para construirmos nossas casas e lugar para acumular água para a geração de energia, entre tantos outros benefícios. Até a umidade do ambiente é influenciada pelo solo, uma vez que, ao absorver os pingos da chuva e depois devolver a água ao ar pelo processo de evaporação, a temperatura fica mais (ou menos) estável durante o dia. O solo não é qualquer amontoado de terra. Cada camada, formada por partículas bem juntinhas, possui uma ordem própria e funções específicas. A matéria orgânica – composto escuro de nitrogênio, potássio, cálcio e fósforo – está ligada à fertilidade, por exemplo. Quando o solo perde essa qualidade, fica pobre, ou seja, sem capacidade de produzir frutas, legumes, verduras... O solo é um bem precioso: apesar da imensa extensão no Planeta, cada centímetro dele leva cerca de 10 mil anos para se formar! Por isso, ele não é um recurso natural renovável e precisa de cuidados. Devido ao mau uso, países como Índia, México e Canadá sofrem com a falta de terras agricultáveis.

1.

De cima para baixo Ações na superfície refletem no solo A erosão é um fenômeno natural, mas certas atividades podem intensificar esse processo. Todas as vezes que mexemos na terra, retiramos do lugar componentes essenciais, como as minhocas, que, ao circular, favorecem a passagem de ar e de água para outras camadas. O asfaltamento também impede a entrada de água e de nutrientes. Entenda como isso ocorre bem debaixo dos nossos pés.

plantio incorreto

É a atividade agrícola irregular perto de rios, lagos e nascentes (as chamadas áreas de preservação permanente). Isso pode provocar assoreamento do rio ou a contaminação da água por agroquímicos

c o l a b o r a ç ã o Antonio Teixeira Guerra, geógrafo da Universidade Federal do Rio de Janeiro; Sidneide Manfredini, agrônoma e professora da Universidade de São Paulo; e Marcos Roberto Pinheiro, geógrafo do laboratório de solos, também da USP

Muito fértil O latossolo é um tipo de solo muito encontrado no país. Por ser rico em matéria orgânica, é ideal para a agricultura. Na região de Bebedouro, o mais comum é o roxo (cor originada pela grande quantidade de ferro)

56

atlas ambiental: bebedouro

filtragem

erosão solar

ravina

Parte da água é filtrada pelo solo até chegar ao lençol freático

Os raios solares degradam o solo sem cobertura vegetal

A trilha dos animais forma valas que juntam sedimentos e água


2.

3.

pastagem

O peso do gado compacta o solo e o torna menos poroso, com menor capacidade para absorver líquidos e nutrientes. A área degradada fica menos fértil e precisa ser tratada para se tornar agricultável

periferia

Algumas regiões sofrem maior processo de erosão, pela ação do clima, do tipo do relevo ou de más práticas humanas, como deixar o solo sem cobertura. Por isso, parte dele é perdida ou rebaixada

4.

área urbana

A ocupação de áreas inapropriadas, como encostas de morros e nascentes d’água, provoca o acúmulo de terra (assoreamento), o que atrapalha o fluxo natural dos rios. O resultado: enchente nas cidades

voçoroca

água suja

novo relevo

impermeabilização

A água acumulada abaixo da superfície faz a terra ceder internamente

O que chega no fundo é um líquido poluente escuro (chorume)

Em vez de plantas, lixo e entulho cobrem os solos urbanos

Asfalto e concreto impedem a evaporação e a infiltração de água no solo

Leia mais sobre lixo na página 62

atlas ambiental: bebedouro

57


água recursos hídricos

Precioso líquido A água é essencial para o desenvolvimento social e econômico do planeta

Em Bebedouro

esgoto

A água vem dos córregos Retiro e Consulta e de reservas subterrâneas Represas nos córregos Retiro e Consulta, quatro poços artesianos e um profundo abastecem a cidade. Cerca de 50% da água é desperdiçada por causa da falta de manutenção da rede e de ligações ilegais. Já o tratamento de esgoto é insuficiente.

A estação do ribeirão do Mandembo (abaixo) fica a 4 km do Centro e trata apenas 30% do esgoto doméstico

F o n t e Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Bebedouro

N

ão é à toa que vivemos no chamado Planeta Água! Porém, apesar de na Terra haver oceanos, poços, lagos e rios, nem toda água desses locais é considerada um recurso hídrico. Ela só recebe essa denominação se puder ser aproveitada como um bem econômico. Ou seja, quando serve para o consumo humano, industrial ou agrícola. Geralmente, encontramos o chamado recurso hídrico em rios, lagoas, lençóis freáticos rasos e represas. Cada cidade, estado e país precisa planejar muito bem o uso da água. Mesmo sendo um recurso renovável, a poluição e o desperdício podem reduzilo drasticamente. Menos de 1% da água do planeta é potável – sendo que de 12 a 16% desse total está no Brasil. A distribuição disso se dá principalmente por meio de 261 bacias hidrográficas internacionais, chamadas assim porque estão em territórios de vários países. Desde os anos 1990, várias nações se uniram para gerenciar suas bacias, evitando a distribuição desigual e a agressão ao meio ambiente. A bacia do Prata, controlada por cinco países (leia na página ao lado), é ameaçada pelo excesso de hidrelétricas e de hidrovias. Além dos governos, os agricultores precisam criar técnicas de uso racional, pois seu setor responde por 88% do consumo mundial. A indústria vem em seguida, com 7%. No consumo residencial, são utilizados 5%.

S u h a i l I s mael, engenheiro civil e diretor do Serviço A u t ô n o m o d e Á g u a e E sgoto de Bebedouro; e José Galizia Tundisi, p r e s i d e n t e d o I n s t i t u t o Inter nacional de Ecologia. colaboração

58

atlas ambiental: bebedouro

córrego

O córrego Bebedouro, que passa pela região central da cidade, sofre com o despejo de esgoto sem tratamento

gerência

Nesta estação ficam os responsáveis pelo tratamento da água. Seus reservatórios (acima) servem principalmente o Centro

poço profundo

sem mata

A água do reservatório ao lado é retirada de um poço do aqüífero Guarani, reserva subterrânea que alimenta quatro países

95% da mata ciliar do córrego Consulta (à direita) se foi. Por isso, a área sofre assoreamento, o acúmulo de areia no leito


climo g r a m a s brasília - df

manaus - am

Rios celestes Correntes úmidas de ar viajam pelo céu até virar chuva no Sul do país As correntes de ar que carregam umidade da Amazônia são responsáveis por boa parte das chuvas no Sul do país. Para ter uma idéia do que isso representa, a quantidade de vapor d’água transportada nas nuvens é equivalente à vazão do rio Amazonas, que é de 200 mil metros cúbicos por segundo. Se a floresta diminuir, sua transpiração pode ser menor e alterar a intensidade dos ventos, causando seca no país.

400

40º

400

40º

350

35º

350

35º

300

30º

300

30º

250

25º

250

25º

200

20º

200

20º

150

15º

150

15º

100

10º

400

40º

100

10º

50

350

35º

50

300

30º

0

250

25º

200

20º

150

15º

100

10º

50

0

J FMAM J J A S O ND meses do ano

cabaceiras - pb

0

J FMAM J J A S O ND meses do ano

J FMAM J J A S O ND meses do ano

A bacia do Prata se destaca na América do Sul por abastecer cinco países A bacia do Prata se estende por 3 milhões de km2 em áreas de Argentina, Bolívia, Brasil, Paraguai e Uruguai. No Brasil, fornece água para as regiões Sul e Sudeste. Além de ser a sede da segunda maior usina hidrelétrica do mundo, Itaipu, é bastante usada para a navegação. Além disso, irriga plantações, abastece indústrias e mata a sede cerca de 150 milhões de pessoas. DF

ventos

A força da transpiração da floresta suga o ar do oceano e intensifica os ventos alísios, que carregam a umidade do mar para o continente vapores

A evaporação da floresta produz mais vapor de água do que o mar, de onde chegam nuvens carregadas correntes

Os ventos atravessam a Amazônia e rebatem na cordilheira dos Andes, desviando-se em direção ao sul do país chuvas

No verão, os ventos levam chuva para as regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul, que podem sofrer com a seca se a floresta diminuir

Leia sobre escassez de água na página 60. atlas ambiental: bebedouro

59


água escassez

A água cobre 77% da superfície da Terra, mas pouco está disponível para consumo

A

penas 2,5% da água do planeta é doce. Boa parte disso está em forma de geleiras e calotas polares e apenas 0,3% vem de rios e lagos. Ou seja, essa pequena parte é o que resta para atender a nossas necessidades fundamentais: alimento e saneamento. É essa água que usamos para abastecer as indústrias, a agricultura e nossas casas. E, pior, mesmo que os rios se renovem – quando a água evapora e volta à superfície em forma de chuva, neblina e neve –, muitos não podem ser aproveitados porque estão contaminados. No Brasil, estima-se que 70% da poluição das águas seja de origem doméstica e 30% industrial. O desperdício é outro agravante: por aqui, chega a 40%. Na rede de distribuição mundial, esse número é de cerca de 35%. O motivo? Infra-estruturas antigas, como encanamentos velhos e quebrados, ligações ilegais, com falhas e vazamentos, e falta de bom senso no uso do recurso. Além disso, a agricultura é o setor que mais consome o líquido para a irrigação do solo com técnicas ineficientes. Mas há exceções. No Oriente Médio, por exemplo, onde a água é salgada, foi criado um sistema de dessalinização e, na agricultura, foram desenvolvidas técnicas econômicas de irrigação, sem diminuir a qualidade das colheitas. Se o mundo todo agisse assim, reduziríamos 40% do consumo do setor, que responde por 88% do consumo mundial.

c o l a b o r a ç ã o José Galizia Tundisi, presidente do Instituto Internacional de Ecologia e Cleide Rodrigues, geógrafa da Universidade de São Paulo

60

atlas ambiental: bebedouro

F o n t e International Water Management Institute

Muito pouco no copo

a e s c a s s ez d e á g u a no m u n d o

Tipos de escassez Rios por perto não significam falta de problemas Os países pobres do mundo sofrem com a escassez econômica de água, pois não têm recursos para administrar suas bacias hidrográficas. Já em lugares semi-áridos, como o sertão do Brasil, o problema é físico: a pouca água que existe é salobra.

escassez física

escassez econômica

Cidade de Belo Jardim, no sertão brasileiro

Quênia

36 litros*

20 litros*

jordânia / oriente médio

Região Metropolitana de São Paulo

94 litros*

700 litros*, mas chega ao índice do Quênia em regiões mais pobres

* Litros de água por pessoa/dia

Bem hidratados Nos países desenvolvidos, o consumo de famílias de classe média é de 560 litros por pessoa/ dia, o que daria para encher 149 galões*. *cada galão contém 3,755 litros

Como as famílias ricas usam a água

50% 22,5% 15% 10% 2,5% Lavagem e irrigação de quintal, piscina e lavagem de carro (74 galões)

Banheiro (33,5 galões)

Banho e uso pessoal (22,5 galões)

Lavanderia e lavagem de louça na cozinha (15 galões)

Cozinhar e beber (4 galões)


No fundo do poço

O movimento das águas

Países africanos e asiáticos: sede à vista

A cobertura vegetal é fundamental para a absorção da água pelo solo

O aumento da população, a falta de saneamento básico e a contaminação aumentam ainda mais a escassez de água. A gestão integrada das bacias hidrográficas, que é uma forma de parceria entre cidades ou países, e a educação sanitária e ambiental são o caminho para solucionar esses problemas. país

água per capita em 1990

projeção para 2025

diferença no período

(m

(m

(em %)

3

por pessoa/ano*)

3

por pessoa/ano*)

África Cabo Verde Comores Djibuti Egito Etiópia Quênia Lesoto Líbia Marrocos Nigéria Somália África do Sul Tanzânia

500

220

56

2040

790

61

750 1070

270

64

620

42

2360

980

58

590

190

68

2220

930

58

160

60

63

1200

680

43

2660

1000

62

1510

610

60

1420

790

44

2780

900

68

área com vegetação devagarinho

A copa das árvores amortece o impacto da chuva, que também escorre devagar pelo tronco

ATIVIDADE Peça para o(a) ostrar professor(a) m m co um jogo igantes perguntas inst o sobre o manej de água.

área urbanizada gotículas

com tudo

sem saída

Ao bater nas folhas das árvores, as gotas se subdividem, caindo suavemente no solo

Sem a copa das árvores, a chuva bate com força no solo, causa erosão na terra e escorre pelo asfalto

O asfalto impede a água de ser absorvida. Por isso, o líquido escoa com força, enchendo rapidamente os rios e provocando inundações

Américas Barbados Haiti

170

170

0

1690

960

43

Peru

1790

980

45

2080

960

54

260

80

69

<10

<10

-

1600

960

40

1330

470

65

50

20

60

160

50

69

220

190

14

80

80

0

Ásia e Médio Leste Irã Jordânia Kuait Líbano Omã Catar Arábia Saudita Cingapura europa Malta

* Cada m3 equivale a 1000 litros. Um volume abaixo de 1000 m3 por pessoa por ano é sinal de alerta. Abaixo de 500 m3, escassez. F o n t e : Água no século XXI - Enfrentando a escassez, de José Galizia Tundisi

proteção

alimento

fluxo natural

lençol fraco

“deserto” urbano

A grama diminui ainda mais o impacto da água, protegendo o solo da erosão

Parte da água é retida para alimentar as plantas. A não absorvida escoa para os rios

A vegetação favorece a penetração da água no solo, que alimenta o lençol freático

A penetração de água no solo é mínima, o que diminui o abastecimento do lençol freático

A falta da cobertura vegetal resseca o solo e provoca mudanças no tempo, causando chuvas concentradas

atlas ambiental: bebedouro

61


lixo para onde vai

Restos gigantescos O lixo produzido por nós interfere na vida dos outros (e vice-versa). É preciso reduzi-lo!

G

eralmente, esquecemos do nosso lixo assim que ele é retirado na porta de casa. A sujeirada parece ir embora para sempre. Será? Não. Na verdade, ele continua interferindo em nossa vida – e na vida da comunidade – durante muito tempo. Imagine uma montanha formada por garrafas, latas, brinquedos e roupas jogados fora. Agora aumente essa montanha com restos de comida e outros resíduos biodegradáveis. Com a nossa participação, todos os dias essa montanha cresce um pouco. O lixo orgânico, formado principalmente por sobras de alimentos, representa 60% de tudo o que descartamos em casa, na escola ou nas ruas. Esse tipo de lixo libera gases poluentes e uma substância gosmenta chamada chorume, formada pela mistura de várias coisas, como tinta de embalagens e restos de frutas e vegetais. Se não houver tratamento do resíduo orgânico, o chorume atravessa o solo e chega ao lençol freático, contaminando a água e matando os peixes. E Bebedouro? Você arrisca um palpite de quanto lixo a cidade produz? São 30,2 toneladas por dia. No aterro da cidade, quase não há mais espaço. Infelizmente, há pessoas que jogam lixo em terrenos baldios, no córrego Parati e no lago municipal, aumentando o risco de enchentes. Para ter qualidade de vida, precisamos reduzir a produção de lixo, reaproveitar o que for possível e planejar bem o destino do que sobrar.

c o l a b o r a ç ã o Aruntho Savastano Neto, engenheiro civil da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental; Paulo Jorge Moraes Figueiredo, engenheiro mecânico da Universidade Metodista de Piracicaba

62

atlas ambiental: bebedouro

Aterro: meio do caminho Existem dois tipos de aterro: o controlado e o sanitário. O primeiro, geralmente, é originado de antigos lixões e, apesar de atender às normas de segurança, ainda pode contaminar o terreno. Já no sanitário, destino mais comum dos resíduos domiciliares (incluindo lixo orgânico), o solo é impermeabilizado para receber o lixo, que é coberto por terra, reduzindo a poluição.

em bebedouro

O destino do lixo da cidade é um aterro controlado. Em dez anos, a nota dada ao local pelo órgão de inspeção estadual saltou de 4,5 para 9,3

3. posto O agricultor recebe um comprovante de entrega das embalagens. O posto checa se elas foram lavadas e as separa por tipo (plástico, papelão ou metal)

Aterro de Bebedouro

2. no campo

O que não se pode fazer Muitos municípios do país ainda possuem lixões Nestes terrenos, o lixo é jogado a céu aberto sem tratamento. É uma das piores formas de se desfazer dos resíduos. Causa doenças, mau cheiro e contamina o solo e o lençol freático.

Ao terminar a aplicação, o produtor fura os frascos para inutilizá-los e os leva ao local indicado na nota fiscal (posto ou central de recebimento)

1. lavagem Após aplicar o produto, a embalagem é lavada no próprio local e a água da lavagem é devolvida ao tanque de pulverização


reciclagem no brasil

Um exemplo para o mundo Brasil recicla 90% das embalagens de defensivos O país se tornou referência no destino de embalagens de defensivos agrícolas. Reciclamos mais que todos os outros países juntos. Bebedouro tem uma importante central de recebimento desse tipo de embalagem, que, se não destinada a locais ambientalmente corretos, pode ser perigosa. Veja no infográfico (abaixo) como são a coleta, o transporte e a reciclagem do material. Confira também, no segundo infográfico (abaixo, à direita), como funciona uma usina de tratamento de lixo, que engloba aterro, rede de esgoto, compostagem, incineração e reciclagem.

4. na central

5. queima controlada

Embalagens lavadas e papelão são prensados em fardos. Então, os fabricantes levam a carga às empresas parceiras para reciclagem

Quando a embalagem não é lavável (plástica flexível) ou não foi lavada corretamente, ela é encaminhada para a incineração

Rei da sucata

56,8% 27,9% 13.5% 1,8%

NORTE

14% dos municípios brasileiros têm coleta seletiva Somos campeão mundial na reciclagem de alumínio e papelão (veja ao lado). Apesar disso, só 14% dos municípios fazem coleta seletiva. É que separar o lixo custa cinco vezes mais do que recolher resíduos misturados.

NORDESTE

48,1% 36,1% 14,7% 1,1%

CENTRO-OESTE

39,2% 32,9% 21,7% 6,2%

Alumínio

Vidro

0,5 • 87%

> 7,5

>

• 44%

legenda

>

embalagem de defensivos > 0,03

• 90%

Plástico

Papel

Resíduos orgânicos

> 3,5

> 19,5

> 50

• 17,5%

46,5% 37,1% 9,7% 0,9% 5,8%

SUDESTE

• 43,9 % • 1,5%

40,2% 25,6% 24,1% 4% 6,1%

produção (em milhões de toneladas) | • reciclagem

Fonte Compromisso Empresarial para Reciclagem; Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística; e Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias

SUL

Sistema integrado Conheça o manejo ideal do lixo em uma usina biogás

compostagem

incinerador

esgoto

O gás metano liberado na decomposição orgânica é coletado e vira energia elétrica para a própria usina

Montes de resíduos orgânicos são tratados por cerca de 100 dias. O material peneirado serve de adubo

O lixo químico ou infeccioso (de hospitais) é queimado a 800 °C para reduzir os danos ambientais

Detritos gerados no funcionamento da usina são tratados antes de serem lançados no rio

chorume

Líquido retirado do aterro, armazenado em tanques e tratado. Sua evaporação também gera energia

atlas ambiental: bebedouro

63


vegetação

bebedouro

Hora da parceria A Como o estado de São Paulo, Bebedouro investe em agricultura sustentável

tualmente, a cobertura vegetal da região de Bebedouro é predominantemente de cana-de-açúcar. No início do século passado, o café era a paisagem mais recorrente – depois, foi a vez dos pomares de laranjas e demais cítricos. Antes da agricultura, no entanto, a cobertura vegetal da região era essencialmente de cerrado. As principais características desse bioma são os campos gramíneos, com árvores de até 6 m de altura de folhas grossas e caules tortos. À primeira vista, o cerrado parece pobre e em nada lembra a exuberância da mata Atlântica, por exemplo. Mas não é bem assim. O cerrado tem uma biodiversidade incrível e também lindas paisagens,

como campos gramíneos e matas ciliares. Hoje, a cobertura nativa é rara e, onde não há cultivo, o que se vê é um tipo de vegetação chamada de capoeira, composta de arbustos e grama, resultante da exploração ou da alteração da mata primitiva. Apesar de toda essa modificação, a grande capacidade fértil do solo permitiu o desenvolvimento de diversas culturas agrícolas e da pecuária na região, além de abrigar importantes cidades. O caminho, agora, para o manejo sustentável do solo é a readequação ambiental, já realizada em propriedades do município. Confira abaixo alguns exemplos. colaboradores Cristina Criscuolo, geógrafa da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária;

Francisco José Kronka, engenheiro agrônomo do Instituto Florestal de São Paulo; Maria Aparecida Papali, historiadora da Universidade do Vale do Paraíba; Mauro Victor, engenheiro agrônomo da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência; e Emerson Coutinho, engenheiro florestal e consultor da Fundação Espaço Eco

sítio boa vista

sítio boa vista

64

atlas ambiental: bebedouro

Veja quem está fazendo a agricultura sustentável

sítio paineiras

fazenda santa júlia


Da mata à cana Conheça as mudanças na paisagem de Bebedouro O desenvolvimento do estado de São Paulo contribuiu para as mudanças na paisagem original de Bebedouro. Por causa de uma ocupação sem critérios, o estado, que tinha 83% de seu território coberto por mata Atlântica, hoje conta com 11% de áreas preservadas. Para reverter o quadro, e permitir que a agricultura e o meio ambiente convivam em harmonia, é preciso que haja o desenvolvimento sustentável. Esse deve ser um compromisso de todos

entre 1700 e 1800

1900

anos 1950

1990

hoje

Para levar produtos do litoral à região das minas (Minas Gerais e Goiás), os tropeiros abrem trilhas em meio à mata Atlântica e à vegetação nativa do interior do estado. No caminho, fundam vilas às margens de rios e córregos, modificando pouco a cobertura vegetal

A vegetação natural começa a dar lugar a cafezais, povoados e municípios (como Bebedouro), que prosperam à beira de ferrovias. O plantio incorreto (saiba mais na página 56) diminui a produtividade do solo e faz os cafeicultores buscarem novas fronteiras

A decadência do café dá lugar à produção de frutas, o que atrai agroindústrias para a região. A laranja passa a ser a principal atividade econômica de Bebedouro, que ganha ares de urbanização e soma 40 mil habitantes

Os canaviais passam a ser vizinhos dos pomares de laranjas e ocupam também áreas de pastos. O desenvolvimento de colheitadeiras de cana colaborou para a mudança do perfil da mão-de-obra da região

Hoje, a agricultura tem de obedecer a uma legislação ambiental rigorosa. Roberto Malouf Zero, proprietário da Fazenda Santa Júlia, participa de um programa de readequação de matas ciliares

fazenda santa júlia

Você pode colaborar É possível comunicar as autoridades sobre irregularidades Desde 2008, Bebedouro conta com a Agência Unificada Ambiental – vinculada ao governo estadual – para fiscalizar e punir ações ilegais. Para tirar dúvidas sobre as regras para o licenciamento ambiental ou mesmo sobre obras que afetem o meio ambiente, basta entrar em contato com a sede do órgão, que fica em Barretos. Em um desenvolvimento sustentável, é preciso preservar o meio ambiente e, ao mesmo tempo, viabilizar as atividades econômicas. sítio paineiras

e Conheça mais sobr a gin pá na do rra ce o 66 e a readequação 72. ambiental na página

atlas ambiental: bebedouro

65


vegetação brasil

Riqueza verde

Domínios vegetacionais Conheça os tipos e as características da vegetação brasileira

Além da Amazônia, a maior floresta tropical do mundo, o Brasil abriga muitas vegetações

E

ntre 1840 e 1906, uma equipe de botânicos estrangeiros, liderada pelo alemão K.F. von Martius, teve um imenso trabalho: organizar em um livro – o Flora Brasiliensis – todas as espécieis de plantas do Brasil. Na época, foram catalogados 22.767 tipos, dos quais 5.939 eram novos para a ciência. Hoje, com a tecnologia, pesquisadores identificaram uma variedade ainda maior. Temos cerca de 56 mil espécieis vegetais catalogadas. Ou, se preferir, 19% da flora mundial! Quando algumas delas estão reunidas em uma região, de acordo com o clima ou o solo, damos o nome de vegetação. Sua importância é imensa: serve, por exemplo, para revestir e proteger o solo, para a nossa alimentação e para a fabricação de medicamentos. Dois grandes tipos de vegetação cobrem América do Sul o Brasil: o florestal e o campestre. O primeiro A vegetação dos nossos vizinhos corresponde a 60% do país e se divide em floaltiplanos restas ombrófilas (que podem ser densas ou Nas áreas planas da cordilheira abertas, têm folhas permanentes e umidade o dos Andes (entre Venezuela e ano inteiro – é o caso da Amazônia e da floresta Argentina), a vegetação é rasteira e coberta parcialmente por neve pluvial Atlântica) e florestas estacionais (com perda de folhas e umidade em apenas alguns savana períodos do ano – caso da floresta semidecídua A região do Los Llanos, na da mata Atlântica). As formações campestres Venezuela, é caracterizada por (com gramíneas e poucas árvores) estão espasuperfície de relva (rasteira), lhadas pelo centro, Nordeste e Sul e servem, muito semelhante à do cerrado. muitas vezes, para pastagem natural de gado. patagônia

Frans Germain Pareyn, engenheiro florestal da Associação Plantas do Nordeste; Sueli Angelo Furlan, do departamento de Geografia da Universidade de São Paulo; e Sueli Matiko Sano, bióloga da Empresa Brasileira de Pesquisa Agopecuária

colaboradores

66

atlas ambiental: bebedouro

Ao sul do continente (no Chile e na Argentina), o clima é semidesértico e há planícies com vegetação rasteira, as tundras

áreas antropizadas

Nome dado às áreas sem vegetação nativa por conta da ação do homem, como a agricultura e a criação de cidades


matas atlânticas

mata das araucárias

cerrado

Têm mais de 8 mil

Ou Mata dos

com gramíneas,

espécies de plantas­

Pinhais. Em clima

arbustos e árvores

— desde as altas,

subtropical, tem

de pequeno porte,

como o jequitibá, até

plantas coníferas

retorcidas e com

as menores, como

(com sementes

flores vistosas,

a jabuticabeira, que

cônicas), como o

como as do pequi

vive na sombra

pinheiro-brasileiro

caatinga

campos

mata dos cocais

Composta de

Os Pampas

Esta vegetação

espécies xerófilas,

Gaúchos são áreas

é formada por

resistentes à seca,

abertas cobertas por

famílias de

como os cactos.

vegetação rasteira

palmeiras (babaçu,

Poucas folhas,

de pradarias –

buriti e carnaúba),

raízes profundas

gramíneas e

usadas na extração

e espinhos

poucas árvores

de óleos, fibras e ceras

complexos do pantanal

vegetação litorânea

Plantas do cerrado e

Nas áreas lodosas

da Amazônia, como

de mangue, plantas

a vitória-régia,

com raízes expostas.

coexistem nesse

Já as rasteiras

cenário alagado.

são comuns nas

Em épocas secas,

restingas e nos

surgem gramíneas

jundus das praias

Tipo de savana,

campinarana (campinas do rio negro)

A região possui solos pobres e ruins para a agricultura, com árvores baixas e troncos finos, gramíneas e arbustos

cuidar é preciso

Este é o começo de uma ilustração sobre a floresta Amazônica. Nas páginas a seguir, veja o que anda mal por lá e o que fazer para cuidar melhor dela

florestas amazônicas

Abrigam tanto áreas densas, com plantas de grande porte, folhas largas e frutos, como campos de arbustos baixos

atlas ambiental: bebedouro

67


amazônia impactos ambientais

Em perigo Uso irregular, espécies em extinção, poluição e desmatamento: a realidade da Amazônia

68

atlas ambiental: bebedouro

E

sta cena é uma ilustração. Como a floresta Amazônica é grande, as ações ilegais retratadas não podem ser vistas assim, juntas. Porém ocorrem diariamente. Desde o início deste século até meados de 2008, foram derrubados 26.000 km2 dela - o equivalente ao estado de Alagoas. Do cerrado, que

abriga um terço da nossa biodiversidade, restam 37% e, da mata Atlântica, apenas 7%. Ao alterar o ecossistema, também sofremos as conseqüências: o desequilíbrio interfere na temperatura do planeta, na variedade de espécieis vegetais, na oferta de gêneros alimentícios e na paisagem.

grileiros

garimpo

mineradoras

fronteira agrícola

fábricas

Vendem terras alheias (com escrituras de propriedade falsas) para extração de recursos naturais

Minerais raros, como ouro e diamante, são valiosos. As extrações são intensas e muitas, clandestinas

De acordo com o tipo de minério e a tecnologia usada, elas mudam a paisagem com escavações e poluem as águas

Desmatamento ilegal para agricultura, que desrespeita o espaço de proteção definido pelo governo

Próximas às florestas, despejam agentes químicos nos rios e lançam no ar gases nocivos à natureza


Na Amazônia (a exemplo de muitos lugares do país), as cidades também avançaram sobre a vegetação de forma desordenada, expulsando os animais do habitat original e poluindo o ar — com a emissão de gases tóxicos por indústrias e automóveis. O lixo jogado nos rios modifica o ciclo da água e a vida dos

animais aquáticos. Por isso, é hora de pensar em como crescer sem agredir o planeta. Para isso, depois de ler abaixo o que se faz de errado, vire a página! c o l a b o r a ç ã o Augusto Miranda, advogado da Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo; Luiz Enrique Sánchez, engenheiro de minas e geógrafo da Universidade de São Paulo; e Mauro Victor, engenheiro agrônomo da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC)

desmatamento

tráfico de animais

estradas não-oficiais

extração ilegal

queimada

pastagem

Corte, capina ou queimada ilegal da cobertura vegetal para utilização do solo (na agricultura ou na pastagem)

São anestesiados e vendidos em feiras livres ou exportados para colecionadores e laboratórios

Caminhos de terra feitos por empresas particulares cortam habitats de animais e alteram o ecossistema

Em vez de serem cultivados, produtos como madeira e frutos são retirados sem a autorização do estado

O fogo abre terreno para pasto e plantio, mas atinge outras áreas. E a fumaça tóxica se espalha pelo ar

Com manejo incorreto, o pisoteio dos animais afeta o solo, atrapalha o escoamento da água e provoca erosão

atlas ambiental: bebedouro

69


amazônia sustentabilidade

Futuro planejado Como equilibrar crescimento econômico, justiça social e preservação da natureza

70

atlas ambiental: bebedouro

V

ivemos num planeta de 6,6 bilhões de habitantes. Todas essas pessoas precisam, no mínimo, comer diariamente, se vestir e morar. É muita gente. São muitos recursos naturais extraídos. Afinal, a matéria-prima para produzir alimentos, roupas e casas vem toda da natureza. Já parou para pensar nisso? Sem planejamento, a produção e o consumo de-

senfreados podem gerar danos irreversíveis ao meio ambiente (veja na página anterior). Por isso, é preciso aprender o que é desenvolvimento sustentável. O conceito é novo e se apresenta como um desafio para a sociedade contemporânea. Desenvolverse, agora, deixou de ser crescer a qualquer preço e passou a ser o ponto de equilíbrio entre economia,

curso do rio

recuperação

rotatividade agrícola

turismo sustentável

Empresas que levantam hidrelétricas devem drenar os rios para evitar inundações e manter o curso da água

Ecossistemas degradados não voltam à condição original, mas podem ser reconstituídos, em parte, pela readequação ambiental

Entre as safras, aumenta-se o tempo de descanso do solo ou planta-se uma cultura diferente da habitual

Há hotéis que oferecem aos hóspedes atividades de interação com o local, usando conceitos de sustentabilidade


só o começo. Além da fiscalização, é preciso conscientizar a população. Para reverter o cenário de degradação do meio ambiente, conheça a seguir medidas que desenham uma nova – e melhor – realidade para todos.

justiça social e meio ambiente. Em 1972, a questão foi debatida na primeira Conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o meio ambiente, em Estocolmo, na Suécia. Vinte anos depois, na Eco 92, no Rio de Janeiro, 118 governantes assinaram a Agenda 21, um documento socioambiental que trata de questões como saúde, lixo e saneamento e estabe-

lece metas e ações para os países signatários. O Brasil já avançou, criando legislações ambientais como o Código Florestal e a Política Nacional do Meio Ambiente. Além disso, foi criado o conceito de Área de Proteção Ambiental (APA), onde são permitidas atividades, como a mineração, desde que os responsáveis recuperem as áreas degradadas após o uso. Mas leis são

replantio

áreas protegidas

terras indígenas

mata ciliar

indústrias legais

populações tradicionais

Recupera áreas degradadas, respeitando as características da vegetação de cada região e garantindo a biodiversidade

Espaços que protegem a fauna e a flora, delimitam o uso (sustentável) da área e restrigem sua visitação

Os índios têm posse e usufruto exclusivo das riquezas do solo, rios e lagos dos locais onde vivem

Nas margens de rios, córregos e lagos, filtra resíduos químicos, evita a erosão e abriga fauna e flora locais

Precisam obter licença do poder público, que estuda possíveis impactos ambientais (antes) e fiscaliza (depois)

As leis garantem o direito de terra e o desenvolvimento sustentável desses grupos, que ocupam 25% do Brasil

c o l a b o r a ç ã o Augusto Miranda, advogado da Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo; Luiz Enrique Sánchez, engenheiro de minas e geógrafo da Universidade de São Paulo

atlas ambiental: bebedouro

71


vegetação readequação ambiental

A mata revive É possível melhorar a produtividade agrícola e

assoreamento

manejo incorreto

sensoreamento remoto

Sem mata ciliar, a chuva carrega a terra (e seus nutrientes). Os sedimentos se depositam no leito do rio, que fica barrento e perde profundidade

Aplicar fertilizantes e defensivos agrícolas perto de nascentes e rios contamina a água. A estocagem incorreta também atinge o lençol freático

Para ver, do alto, o grau de degradação da área a ser recuperada, são usadas imagens de satélite ou fotos aéreas recentes

recuperar áreas de mata degradada

P

or séculos, a produção agrícola no Brasil foi feita sem grandes preocupações ambientais, o que resultou num cenário triste: mata dizimada, rios poluídos, animais sem abrigo. Na época de seca, a água fica escassa. Na de chuva, estradas viram atoleiros e a água leva embora os nutrientes da terra. Isso vem mudando. Muitos produtores, conscientes de seu papel, começam a realizar a chamada readequação ambiental, em que a região é reconstituída com base nas suas características originais. Cada situação pede um projeto específico, mas, em geral, uma mata muito degradada recebe, por hectare, cerca de 1,7 mil mudas, de 80 a 100 espécies. Em Bebedouro, por meio da Fundação Espaço Eco, o Programa Mata Viva realiza esse tipo de trabalho. Os projetos respeitam o Código Florestal do país, que prevê a chamada Área de Proteção Permanente (APP). Rios e nascentes devem ter mata ciliar proporcional ao tamanho dos cursos d’água. Um rio de 10 m de largura, por exemplo, leva cerca de 30 m de mata em cada margem. Biomas frágeis ou estratégicos, como os mangues, também são protegidos. Já em áreas de reserva legal, o proprietário deve preservar uma porcentagem da mata nativa das terras (no estado de São Paulo, 20%). Com o cuidado ambiental, todos ganham: a vegetação, que oferece água e ar limpos e clima equilibrado; os animais, que têm alimento e abrigo; os produtores rurais, que ganham em produtividade sustentável; a sociedade, que usufrui de ambientes e de alimentos saudáveis; e as futuras gerações, que viverão num lugar melhor. colaboração

72

Emerson Coutinho, engenheiro florestal da Fundação Espaço Eco

atlas ambiental: bebedouro

preparo da terra

O solo é revolvido para facilitar o crescimento das plantas. Se estiver muito degradado, antes das mudas, são plantadas leguminosas, que fixam o nitrogênio embalagens

O Brasil recicla 90% das embalagens de defensivos agrícolas: elas são lavadas, estocadas longe de rios e, então, recicladas

Na pág. 62, conheça o descarte correto de embalagens de defensivos


viveiro

fileiras de mudas

equipamentos

produtos na lavoura

Depois de identificadas as espécies da vegetação original da região, as mudas são produzidas em um viveiro para, depois, serem plantadas na área a ser recuperada

O plantio reserva espaço entre as linhas e entre as mudas, alternando espécies pioneiras (que crescem mais rápido) e não-pioneiras (que precisam de sombra)

É fundamental a manutenção adequada dos aparelhos de aplicação de defensivos e fertilizantes a fim de que se evitem desperdício e vazamento de produtos

Os proprietários devem garantir que os funcionários sigam as instruções dos fabricantes de produtos químicos, que até oferecem cursos e treinamentos

sucessão ecológica

mata recuperada

É quando uma espécie colabora com o crescimento da outra, em etapas complementares, garantindo o desenvolvimento pleno da floresta

Traz de volta a fauna: aves, insetos e outros pequenos animais chegam primeiro, trazendo sementes. Com o tempo, começam a surgir novas espécies vegetais e animais maiores

mata ciliar

Retém os nutrientes da terra, evitando que escoem com o fluxo d’água, previne a erosão e ajuda a manter a qualidade e a temperatura da água

atlas ambiental: bebedouro

73


sociedade emprego e trabalho

Motor social Pessoas dividem tarefas para produzir e consumir bens em prol do bem-estar coletivo

A

natureza fornece a matéria-prima. Mas o que faz o barro virar tijolo ou a areia virar vidro é o trabalho. Com ele, transformamos recursos naturais em objetos. Folheie o seu Atlas: você verá que as diferentes paisagens onde há a presença humana – hidrelétricas, plantações, cidades, aterros – derivam dele. É o trabalho também que determina ritmos de vida: um bóia-fria pode morar em vários lugares, de acordo com as colheitas. Um empresário pode viver em uma cidade e trabalhar todos os dias em outra. O emprego só existe quando alguém é formalmente contratado e tem os direitos trabalhistas atendidos,

como cumprir uma jornada de trabalho, ser remunerado no período de férias e receber 13º salário. Por falta de crescimento econômico, de melhores oportunidades e de mão-de-obra mais qualificada, há atividades informais, que desrespeitam as leis. Situações que ferem os direitos humanos devem ser combatidas: entre as piores estão o trabalho escravo (homens e mulheres confinados) e o infantil (em que crianças ajudam a sustentar a casa). c o l a b o r a ç ã o Álvaro Comin e Alexandre Abdal, sociólogos do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento; e Maria Aparecida de Moraes Silva, socióloga e professora da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho e da Universidade Federal de São Carlos

160.982

1991

De lá para cá

62.529

Diferentes pólos de trabalho mudam a organização da Grande São Paulo A capital paulista cresceu tanto que sua malha urbana se juntou à de 39 cidades e formou uma metrópole. Hoje, suas indústrias migram para cidades situadas em um raio de 150 km. Essa metrópole se liga a outras cidades – destacadas em vermelho – por meio de rodovias e, assim, passa a configurar a chamada macrometrópole. Nela, circulam trabalhadores de todos os setores.

9.437

1991

8.241

73.817

81.039

59.641

2006

34.181 1.202 1.863

6.355 6.347

Agropecuária

4.688

Indústria

Comércio

Serviço

Campinas 1 milhão de habitantes

2.322

1.766

2006

337 Agropecuária

Indústria

Comércio

Serviço

Bebedouro

5

80 mil habitantes

F o n t e Fundação SEADE (total de vínculos empregatícios de 1991 e 2006) 1

bebedouro

3

A população cresceu muito rapidamente com a indústria de suco. Hoje, o trabalho está mais concentrado na agropecuária

são paulo

A maior cidade da metrópole concentra boa parte da mão-de-obra no serviço. O emprego na agropecuária ficou escasso

1

4 1991

2006

49.852

45.733 35.283

2

sorocaba

Indústrias tradicionais, como a alimentícia e a têxtil, se mudaram para cidades com mais espaço e menos custo, como Sorocaba

4

29.165

região metropolitana

A metrópole passou a sediar indústrias de ponta, como a farmacêutica e a petroquímica, com mão-de-obra qualificada

24.605 12.524

160

301

Agropecuária

Indústria

Comércio

sorocaba 585 mil habitantes

74

atlas ambiental: bebedouro

Serviço

2


Labuta na lavoura As plantações paulistas atraem milhares de trabalhadores e exigem esforço nas colheitas Dos 8 milhões de hectares de área plantada do estado de São Paulo, boa parte é ocupada por lavouras temporárias, como a de cana-de-açúcar. Ao longo dos anos, sua colheita atraiu trabalhadores de várias regiões do país – geralmente, homens de 18 a 30 anos de idade. Nos anos 1970, motivados pelas usinas, migrantes de Minas Gerais, Bahia e Paraná se instalaram na região de Ribeirão Preto. Nas décadas

seguintes, predominou a migração de nordestinos, que se mudaram para cidades menores, com aluguel mais barato. Hoje, o emprego de cortador de cana está mais escasso por causa da mecanização. Uma colheitadeira substitui o trabalho de 120 pessoas. Até 2017, estima-se que 100% da colheita seja mecanizada. Essa tendência, em que a tecnologia opera no lugar do ser humano no processo produtivo, firma-se desde

3.360.404

1991

1991

2006 2.148.116

31.382 1.073.119

61.573

33.123

993.317 12.345

523.789 1.444

6.710 11.428 Indústria

cuidados e equipamentos adequados, pois é preciso subir em escadas, carregar sacolas nos ombros e se enfiar pelos galhos das árvores. Por isso, deve-se cumprir as normas que regulamentam o trabalho rural, como o uso de boné árabe, óculos, lenço no pescoço e luvas. Em Bebedouro, há trabalhadores locais e de cidades próximas, como Rincão. A maioria é de mulheres, pois são mais cuidadosas.

46.917 47.482

1.459.414

Agropecuária

2006

a Revolução Industrial, ocorrida na Inglaterra no século 18. E é natural, já que as usinas precisam colher toneladas de cana de forma rápida e segura. Assim, diminui a oferta de trabalho braçal e surge a de mão-de-obra qualificada para operar as máquinas. Por isso, é preciso investir nos estudos – um direito de todo cidadão, de qualquer idade. Nas lavouras de laranja, o trabalho é essencialmente manual e a colheita exige

Comércio

Serviço

5

701

Agropecuária

Indústria

Comércio

região Metropolitana de são Paulo

são josé do Campos

19,8 milhões de habitantes

612 mil habitantes

6

6

82.108

1991

2006

12.326

1.779.759

1.114 645

7

869.090 557.996

676.352

Indústria

Comércio

Agropecuária

20.812

Serviço

são Paulo

27.197

7.857

7 Indústria

Comércio

santos 426 mil habitantes

402.511 4.230 3.634 Agropecuária

2006

2.505.804

3

são josé dos campos

A indústria ganhou impulso com a aeronáutica e a rodovia Presidente Dutra. Hoje, a cidade é centro de compras e serviços

100.993

1991

campinas

Campinas lembra São Paulo pelo volume de empregos que se concentram no setor de serviço, principalmente nos segmentos de consumo e alimentação

Serviço

Serviço

santos

Quase todo produto de exportação pode ser escoado pelo porto. Por isso, há muito emprego em Santos no setor de serviço

10,8 milhões de habitantes F o n t e Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados

atlas ambiental: bebedouro

75


economia para iniciantes

Saber valioso Para suprir suas necessidades e se desenvolver, a humanidade inventou o dinheiro

S

e você tem um algum dinheiro e tem que decidir se guarda, compra figurinhas ou come um lanche, já está lidando com economia. É com ele que atendemos às nossas necessidades, seja comprando alimentos no mercado, seja pagando por um serviço. Mas o dinheiro nem sempre existiu. Antes, as pessoas faziam o chamado escambo, ou seja, trocavam objetos e favores. Uma pessoa podia, por exemplo, dar parte do leite de sua vaca por ovos da galinha do vizinho. Isso, em comunidades pequenas, funcionava. Mas imagine como o mundo se desenvolveria sem o dinheiro! Quantas galinhas seriam necessárias para comprar um carregamento de laranja? Ou quantos litros de leite pagariam o quadro de um artista? E o que esse artista faria com o leite? A solução foi convencionar um intermediário para as trocas: o dinheiro. Para que notas e moedas sejam aceitas em qualquer parte do território de um país, sua emisão é feita pelos governos federais. Além das transações internas, existem também as internacionais. Assim como você compra figurinhas do jornaleiro, a China compra suco de laranja do Brasil e o Brasil, por sua vez, compra produtos chineses, como brinquedos. Dê uma espiada em volta: a chance de encontrar algo produzido lá fora é enorme. Para facilitar esse tipo de comércio, muitos países se unem em blocos econômicos por motivos políticos, culturais, econômicos ou geográficos. O Brasil, por exemplo, faz parte de um deles, o Mercosul, que inclui Argentina, Paraguai e Uruguai. A união reduz tarifas e torna o comércio mais dinâmico.

c o l a b o r a ç ã o Roberto Luis Troster, doutor em economia pela Universidade de São Paulo

76

atlas ambiental: bebedouro

pequeno produtor Para poder plantar, colher e vender, ele precisa de dinheiro. No banco, faz um financiamento, tomando emprestada a quantia necessária e depois a devolvendo, pagando um pouco a mais

Financiamento

financiamento

custos

lucro

É o empréstimo tomado para a aplicação em um negócio (como a produção de laranja) ou a compra de um bem (como um imóvel)

Com o dinheiro do banco, o produtor pode comprar tudo o que se refere ao processo: das sementes às colheitadeiras

É o que fica com o produtor depois que ele vende sua safra a feirantes ou a centrais de distribuição e desconta os custos

Pequeno produtor

Adubo

Defensivo

Sementes

Energia

Arado

Água

Produção

Custos

Força invisível A economia move o mundo No Brasil, depois que o dinheiro é emitido pelo Banco Central, ele passa a circular por outros bancos, pelo comércio e pelas mãos das pessoas. Confira, tendo como exemplo a produção da laranja, o papel dos elementos fincanceiros.

banco

juros

Opera transações como empréstimos ou depósitos (para quem recebe salário ou faz poupança)

São o preço do dinheiro emprestado. Ao pagar o banco, a pessoa devolve toda a quantia e uma porcentagem dela a mais

BANCO Financiamento

grande produtor Com produção maior, precisa de muito dinheiro e investe em mais etapas, como exportação. De suco de laranja, o Brasil supre 50% da demanda e responde por 75% das transações internacionais

Grande produtor financiamento

Com colheitas muito maiores, o grande produtor precisa tomar emprestado quantias mais elevadas

Adubo

Defensivo

Sementes

Energia

Maquinário

Água

Transporte

Custos produção

A quantidade de laranjas é vultuosa, pois precisa atender ao mercado local, à demanda interna do país e aos outros países

distribuição

Para alcançar mercados que não são apenas locais, é preciso investir também no transporte dos produtos


O preço das coisas revenda

preço final

Até chegar ao consumidor, a laranja passa por intermediários, como centros de distribuição e mercados

Valor definido de acordo com o custo dos juros e da produção, a margem de lucro e a procura pelo produto

As taxas de juros influenciam no valor dos produtos. Se é caro pegar dinheiro emprestado para produzir, o custo – e o preço – sobe. Com juros baixos, os preços caem, as pessoas gastam mais e a economia fica aquecida.

Venda

Produção + Preço Financiamento + Lucro

A tendência é que ele aumente, mas pode estabilizar e até cair

deflação

inflação

Se há excesso de produtos no mercado o preço despenca, já que tem mais oferta do que procura

É quando a mesma quantidade de dinheiro compra menos coisas do que antes

Em fatias Venda

omc

câmbio

A Organização Mundial do Comércio estabelece regras e media conflitos relativos ao comércio entre países

Venda, troca ou compra de valores de moedas diversas. Em meados de 2008, um real (R$ 1) comprava 2 dólares e 3 euros

OMC Feira

Uma empresas, muitos donos empresa

Quando é de capital aberto, tem muitos donos. Sua propriedade é dividida em várias partes, chamadas ações ações

Brasil

China

Mercado

Produção

Quem as tem participa dos lucros e dos prejuízos da empresa e pode vendêlas a qualquer momento bolsa de valores

Exportação exportação

pib do brasil

pib da china

Quem vende para outros países tem custos adicionais, como tarifas e adequação dos produtos a padrões internacionais

Produto Interno Bruto é a soma de toda a riqueza gerada pelo país em um ano. Em 2007, o do Brasil foi de 1,31 trilhão de dólares

Em 2007, a riqueza produzida foi de 3,43 trilhões de dólares. Entram na conta do PIB bens, produtos e serviços

Reúne quem quer comprar e vender ações. Sem essa instituição, seria mais arriscado e mais demorado fechar negócios

atlas ambiental: bebedouro

77


direitos humanos

desde o nascer

Para viver bem

“O

Uma vida digna depende de vários fatores. E todos são contemplados pelas leis do brasil

Vida plena: direito a saúde, educação, lazer, trabalho...

homem é do tamanho do seu sonho”, disse o poeta português Fernando Pessoa. Sonhar, planejar a própria vida e fazer escolhas com liberdade são alguns dos direitos garantidos aos seres humanos. Todos precisam de condições dignas de vida, o que inclui saúde, educação, trabalho e lazer. Para avaliar como os governos dos países cuidam de seus cidadãos, a Organização das Nações Unidas (ONU) – instituição internacional que promove o progresso social – criou o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). O indicador mede a relação entre três critérios: educação, longevidade e renda per capita. Em 2008, o Brasil foi considerado lugar de alto desenvolvimento, com índice de 0,8 (o máximo é 1,0).

Só que existem imprecisões no índice, já que ele não capta, por exemplo, a desigualdade na distribuição da riqueza de um país e as condições em que se encontra o meio ambiente (afinal, esse é um dos pilares da sustentabilidade e fator indispensável para a qualidade de vida). Inspirado na iniciativa, o Brasil criou o IDH-M, um índice municipal que usa os mesmos critérios do mundial, mas que se aproxima mais da realidade porque avalia uma amostragem menor (o que reduz a margem de erro). Em Bebedouro, ele é de 0,819. Morando por aí, o que isso significa na sua vida? colaboração

Flávio Vasconcellos Comim, professor da Universidade Federal do Rio

Grande do Sul

Para ter os direitos respeitados, é preciso conhecê-los. Mas o que é indispensável na vida de uma pessoa? Na historinha, João e Maria vivem, desde bebês, com dignidade. Veja só que história legal.

78

desde cedo

brincar, ler, correr!

claro como água

sentir é viver

asas nos pés e na alma

trabalho digno!

O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) garante à gestante o direito ao pré-natal. Ao nascer, o filho deve ser aleitado e vacinado e ter acompanhamento médico

De acordo com a Constituição do Brasil e o ECA , toda criança tem direito a estudar, a se divertir e a viver em um ambiente seguro e acolhedor, em casa ou na rua

Sem água potável e rede de esgoto (saneamento básico), podemos ficar doentes. O serviço é uma obrigação do governo e deve ser oferecido a todos os cidadãos

Temos direito de amar, expressar nossa sexualidade e decidir como será a nossa família. Além disso, homens e mulheres devem ter o mesmo tratamento

Ninguém pode proibir o acesso a locais públicos, como rios, ruas e praias. Preconceito e repressão também são crimes, pois temos direito à liberdade de expressão

No Brasil, a vida profissional pode começar aos 16 anos. Já o direito à opinião política é garantido em qualquer lugar: em casa, no trabalho, na escola...

atlas ambiental: bebedouro


Inclusão: escola de todos

Metas do milênio

A lei garante escola regular a crianças com e sem deficiência

Caminhos diferentes para direitos iguais

É direito de toda e qualquer criança em idade escolar (dos 6 aos 14 anos) estar na sala de aula regular. Inclusive quem tem deficiência! Classes e escolas especiais não são lugares apropriados, pois excluem as crianças do mundo e do convívio com os colegas. Por outro lado, quem não tem deficiência perde a oportunidade de viver muitas coisas, como o respeito ao ritmo do outro e a importância de aprender junto.

Para isso, não basta a matrícula: é preciso que a escola tenha adaptações para a acessibilidade (como rampas, sinalização e barras de apoio no banheiro), sala de atendimento educacional especializado (para ensinar braile ao cegos ou Língua Brasileira de Sinais aos surdos, por exemplo) e cursos para os professores. Escola é lugar de todos: não importam a deficiência, a cor, a religião, o pensamento, a sexualidade...

A ONU criou em 2005 um conjunto de medidas assinado por 191 países que deve ser atingido em 2015. As diretrizes exigem o envolvimento de governos, empresas e organizações sociais e foram traçadas por especialistas de vários países. Veja quais são. 1. Acabar com a fome e a miséria 2. Educação básica de qualidade para todos 3. Igualdade entre sexos e valorização da mulher 4. Reduzir a mortalidade infantil

5. Melhorar a saúde das gestantes 6. Combater a aids, a malária e outras doenças 7. Qualidade de vida e respeito ao meio ambiente 8. Todo mundo trabalhando pelo desenvolvimento

F o n t e Organização das Nações Unidas (ONU)

em movimento

para todo gosto

experiência

com a turma

curtir a vida

É dever do governo o transporte público eficiente e que atenda às necessidades da população. De carro, a pé, de ônibus, de metrô ou de bicicleta? A opção é sua!

Forró ou rock? Teatro ou cinema? Nenhuma escolha é melhor que outra. Da música de raiz à eletrônica, o que vale é o acesso à cultura e o respeito às diferenças

O Estatuto do Idoso (e a boa educação) garante o respeito por quem já viveu mais. Dê atenção aos mais velhos: eles têm histórias a contar e muito o que ensinar!

O idoso tem direito a conviver com outras pessoas e a trabalhar em uma vaga que valorize sua experiência e suas habilidades. Nada de preconceito!

As necessidades dessa fase têm de ser supridas, como óculos e aparelhos de locomoção. E não é só isso! O idoso tem direito a cultura, educação e lazer atlas ambiental: bebedouro

79


sustentabilidade em casa

Em nosso quintal Todos têm sua parcela de responsabilidade com a natureza. E isso começa em casa

J

á parou para pensar em tudo o que você precisa para viver bem? Água, comida, roupas, energia elétrica... Agora, multiplique isso por 6,6 bilhões de pessoas – o número de habitantes da Terra. Sem mudanças significativas no nosso jeito de viver e de consumir, o planeta não dará mais conta. Por isso, é preciso usar os recursos disponíveis de forma sustentável. Isso permite que crescimento econômico, desenvolvimento humano e equilíbrio ambiental caminhem juntos. Mas a tarefa, além de ser de empresários e de governantes, é nossa também. Atitudes simples podem transformar o planeta em um local com mais qualidade de vida – agora e no futuro. A idéia central do conceito de sustentabilidade é abrir mão dos excessos no consumo. Reduzir a quantidade de lixo que produzimos por dia é um bom começo, assim como escolher produtos com menos embalagens e preparar a quantidade justa de comida que vamos comer, evitando desperdícios. Pequenos ajustes na casa, com baixo custo, também reduzem o consumo de água e de energia. Outra característica de projetos sustentáveis é associar soluções e tecnologias. Não é preciso mudar tudo radicalmente, de uma vez: basta lembrar que as ações se somam. Também está ao nosso alcance cobrar e fiscalizar as empresas que produzem o que consumimos e exigir que o governo dê suporte à sustentabilidade. Temos o direito de viver em um mundo com qualidade de vida para nós e para as futuras gerações. c o l a b o r a ç ã o Luciano Rodrigues Legaspe, geógrafo e consultor sobre reciclagem do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento

80

atlas ambiental: bebedouro

ar fresco

Como o ar quente tende a subir, uma abertura no teto o deixa sair, permitindo a circulação de ar no ambiente

biodigestor

Local onde ocorre a compostagem de fezes e urina, produzindo gás metano (biogás). Isso diminui os resíduos

vazão menor

Para economizar, instale no chuveiro um redutor de vazão e, na torneira, um compressor redutor

descarga

Há modelos que usam de 3 a 6 litros de água a cada acionada. Devem substituir a de válvula

água de reúso

Vinda do chuveiro e das pias da cozinha e do banheiro, pode ser usada novamente na descarga

parede dupla

fogão e chuveiro

Um vão de 5 cm entre paredes melhora o isolamento térmico, reduzindo a necessidade de ar-condicionado

Usando o gás que vem canalizado do biodigestor, é possível cozinhar e aquecer a água do banho


painéis solares

Há os fotovoltaicos e os de baixo custo. Os primeiros geram energia elétrica, mas são caros. Os segundos apenas aquecem a água compostagem

telhas de cerâmica

Ao pé das árvores, a compostagem, que gera adubo, pode ser feita com palha, folhas e restos de comida

Melhoram o isolamento térmico, principalmente se acompanhadas de uma camada de lã de vidro

horta e pomar

Além de capturar carbono da atmosfera, eles aumentam a área permeável do solo, absorvendo a chuva

luz natural

O uso de clarabóias e de janelas amplas poupa energia elétrica composteira

Transforma, em menos de dois meses, restos orgânicos em composto, que serve de adubo para o solo

Saiba como a de sustentabilidade po nas ia ôn az Am a r lva sa páginas 70 e 71.

vento cruzado

Vãos em paredes opostas geram correntes de ar que ventilam o ambiente

água da chuva

fogão solar

tudo se aproveita

Recolhida por calhas, filtrada e tratada. Não deve ser usada em regiões com risco de contaminação química no ar

Posicionado na angulação certa em dias de sol, cozinha ou esquenta alimentos e chega até 180 ºc

Material orgânico vira composto; objetos ganham novas funções e, em última instância, são reciclados atlas ambiental: bebedouro

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saúde geografia médica

O corpo agradece

Doença: de onde vem

Para prevenir as doenças, é preciso

As doenças podem ser causadas por agentes biológicos (como vermes, bactérias, protozoários e vírus) e químicos (substâncias usadas de forma incorreta, como produtos de limpeza, medicamentos e inseticidas).

cuidar da higiene e do meio ambiente

V

ocê lava as mãos antes de comer? Se a resposta foi “não”, cuidado! Muitas doenças são causadas pelo simples contato da mão suja com a boca. Brincar no chão é delicioso, mas na areia do parque, por exemplo, podem ter passado animais ou alguém pode ter jogado lixo. Na rua, carros deixam cair substâncias químicas, como óleo e combustível. Por isso, a higiene pessoal é fundamental. Quem vive em bairros sem coleta de lixo e tratamento de esgoto também tem chances de adoecer. As crianças são as principais vítimas, pois o corpo tem menos defesa imunológica. Outro fator é o clima. No Brasil, a maioria dos estados fica na Zona Tropical. A incidência de chuvas e a umidade contribuem para a reprodução de mosquitos (vetores) que transmitem doenças como dengue e febre amarela. Em grandes cidades, os gases poluentes de veículos e indústrias também são responsáveis por problemas respiratórios e de pele. Anthony Érico G. Guimarães, parasitólogo da Fundação Oswaldo Cruz; Antônio Carlos Rossin, engenheiro em saúde pública, e Eliseu Waldman, epidemiologista, ambos da Universidade de São Paulo

Há agentes na água, no ar e no solo

agente biológico

colaboração

Dengue no Brasil Jornada pelo Atlântico O mosquisto Aedes aegypti recebeu este nome por causa de sua origem, o Egito. A jornada do inseto até o Brasil começou nos navios negreiros no século 16. Hoje, é caso de saúde pública.

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atlas ambiental: bebedouro

agente químico

na água

no solo

no ar

É onde alguns agentes se reproduzem. Beber ou ter contato com ela causa doenças

Estão em terrenos onde há fezes de animais ou de pessoas doentes (esgoto a céu aberto)

Desmatamento e aumento da temperatura podem elevar o número de vetores nas cidades

na água

no solo

no ar

Despejo de esgoto e substâncias tóxicas em rios e mares causa doenças de pele e intoxicação

Quando recebe lixo hospitalar e resíduos industriais sem tratamento, torna-se um perigo

O lançamento de poluentes na atmosfera é responsável por casos de infecções pulmonares

na áfrica

infecção

em massa

Mosquitos puseram seus ovos em moringas. Mesmo depois de vazias, eles sobreviveram à viagem, pois resistem em locais secos por cerca de um ano. Já no Brasil, os ovos eclodiram quando as moringas foram reabastecidas

Quando a fêmea pica alguém que tem o vírus da dengue, ela o transmite a pessoas sadias. Então, as plaquetas do sangue são destruídas, podendo causar hemorragia, que, quando não controlada, leva à morte

Clima, falta de saneamento básico e desinformação são responsáveis pelos casos de dengue em algumas regiões, como o litoral do Brasil. A alta incidência elevou a doença à categoria de endemia em municípios do Sudeste

fêmea

macho

em casa

As condições climáticas do Brasil e da África são parecidas e o Aedes logo se adaptou: os machos se alimentavam dos sulcos de vegetais, enquanto as fêmeas, além disso, das proteínas do sangue humano


As endemias brasileiras

doença de chagas

Causada pelo contato direto com as fezes de um percevejo chamado barbeiro, onde se encontra o protozoário Trypanosoma cruzi

Entenda as doenças insistentes Em 1994, o Brasil erradicou o vírus da poliomielite, que causa a paralisia infantil. No entanto, há doenças persistentes, chamadas de endemias, que oferecem risco constante às populações. Fatores ambientais, como o clima tropical, e socioeconômicos são as principais causas. Veja no mapa onde ocorre cada uma dessas moléstias.

esquistossomose

A doença vem de um parasita chamado Schistossoma, que se hospeda em caramujos que vivem em água doce, como dos rios

Chega de dengue! A prevenção deve ocorrer o ano todo Em 2007, Bebedouro teve mais de mil casos de dengue. As casas são os principais criadouros. Feche bem as caixas-d’água e elimine garrafas, pneus e recipientes sem uso

febre maculosa

De origem bacteriana, é transmitida por carrapatos do gênero Amblyomma, como o de cavalo, e o estrela, de capivara. Não há vacina prevenção

O mosquito coloca ovos em qualquer lugar úmido, e não apenas em água parada e limpa. Portanto, colocar areia nos pratos das plantas não adianta. Eles devem estar sempre secos prevenção

leishmaniose cutânea

Transmitida por insetos do gênero Lutzomyia (ou mosquito de palha). É causada pelo protozoário Leishmania e produz feridas no corpo tratamento

malária

A região da Amazônia Legal concentra 99,7% dos casos, pois o mosquito vetor que vive na selva, o Anopheles, vai para a cidade quando há desmatamento febre amarela

Na área urbana, é transmitida pelo Aedes aegypti (mesmo da dengue) e, na silvestre, pelo mosquito Haemagogus janthinomys. A vacina dura dez anos

2

Água sanitária, borra de café ou “receitinhas caseiras” não eliminam o Aedes aegypti. O ideal é usar veneno contra larvas, aplicado por agentes sanitários da prefeitura. Abra a porta para eles!

F o n t e Ministério da Saúde, 2008

O vírus pode levar até oito dias para se manifestar. Os sintomas são parecidos com os da gripe. Nesse caso, não tome nenhum remédio: procure o posto de saúde e faça o exame de sangue. Para o tratamento, repouso e ingestão de líquido atlas ambiental: bebedouro

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84

A

atlas ambiental: bebedouro

Tem apenas 50 cm. Antes encontrada no cerrado e na caatinga, agora é vista apenas em zoológicos

(Cyanopsitta spixii)

ararinha-azul

Com uivos estridentes, o macaco marca território (nas florestas úmidas e áreas secas ao Sul e Sudeste)

(Alouatta fusca)

barbado

Só restaram 50 espécimes, na caatinga, em Raso de Catarina (BA). Alimenta-se de cocos de licurizeiro

(Anodorhynchus leari)

arara-azul-de-lear

F o n t e Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

Símbolo da extinção na mata Atlântica, vive entre a Bahia e Minas Gerais e dorme em troncos de árvores

(Leontopithecus chrysomela)

mico-leão-dacara-dourada

Vive de frutas nas florestas densas do Norte, mas o desmatamento o deixou sem casa e comida

(Ateles paniscus)

macaco-aranha

c o l a b o r a ç ã o Sueli Angelo Furlan, do departamento e Geografia da Universidade de São Paulo

Assim como nós, os animais também têm direito a morar e se alimentar

Brasileiros ameaçados

visita ao zoológico, muitas vezes, é o primeiro (e o único) contato que temos com alguns animais, principalmente os silvestres. Afinal, não encontramos rinocerontes perambulando pelas ruas ou zebras correndo pelas praças! Mas esse local de lazer e de aprendizado, infelizmente, está se tornando a única “casa” possível para muitos animais ameaçados de extinção. A arara-azul e a onça-pintada são exemplos. Antes, elas eram facilmente vistas nos céus e nas florestas do Brasil, respectivamente. Hoje, precisam de proteção, pois o número de exemplares caiu drasticamente. Existem no Brasil mais de 1,8 milhão de espécies. Aqui estão 10% de todos os mamíferos do mundo, 13% dos anfíbios, 18% das espécies de borboleta e 21% dos peixes de água salgada. Mas a quantidade de animais de cada espécie cai todos os anos. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) criou até uma “lista vermelha”.

São 618 espécies classificadas em três categorias: criticamente em perigo, em perigo e vulnerável. Entre os extintos (ou encontrados apenas em cativeiros), estão um tipo de formiga, um de perereca, dois de minhoca e dois de ave. A causa disso são as queimadas e os desmatamentos ilegais, que modificam o habitat dos animais, e o tráfico. No Brasil, esse comércio criminoso movimenta mais de 1 bilhão de dólares por ano e captura cerca de 38 milhões de animais. Eles são vendidos em feiras e exportados para colecionadores e empresas farmacêuticas de outros países. No caminho, muitos morrem. Proteger esse patrimônio é fundamental para que a gente não veja, em breve, esses animais apenas por meio de ilustrações. Confira a seguir algumas espécies ameaçadas atualmente.

Para não perder o título de país com a maior biodiversidade do planeta, é preciso preservar

Em defesa da vida animal

onde estou | galáxia biodiversidade brasil


atlas ambiental: bebedouro

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Ocupa o topo da cadeia alimentar, equilibrando o ecossistema. Suas garras e sua força não a protegem dos caçadores

(Panthera onça)

onça-pintada

Também conhecida como gatodo-mato, é comum nas florestas tropicais e está ameaçada devido à caça

(Leopardus pardalis)

jaguatirica

O maior dos jacarés, com 5 m de comprimento, vive na bacia Amazônica. Seu couro é alvo de caçadores

(Melanosuchus niger)

jacaré-açu

É um mamífero terrestre e aquático que chega a ter 30 kg e 2 m de altura. Excelente nadador

(Pteronura brasiliensis)

ariranha

De pêlo avermelhado, tem cerca de 1,20 m de comprimento. Tornou-se raro devido à degradação do cerrado

(Chrysocyon brachyurus)

Lobo-guará

Em campos e florestas não densas vive este mamífero sem dente, lento e inofensivo (o que facilita sua captura)

(Mymercophaga tridactyla)

tamanduá-bandeira

Maior macaco das américas, pesa cerca de 15 kg e só é encontrado nas serras do Mar e da Mantiqueira (SP)

(Brachyteles aracnóides)

muriqui

Vítima da ocupação do litoral e da devastação dos mangues. Agora, a ave é vista na região amazônica e em trechos de maguezal, como na Baixada Santista

(Eudocimus ruber)

guará

A carne branca é o motivo da caça da ave, que habita a mata Atlântica e é conhecida pelo som que emite

(Tinamus solitarius)

macuco

Alvo de caça, vive em áreas restritas (no rio Doce, em Minas Gerais, e matas costeiras de Alagoas ao Rio de Janeiro)

(Lachesis muta rhombeata)

surucucu-pico-de-jaca

Seus chifres são usados como “troféu de caça”. Habita campos e lugares inundados do Centro-Oeste ao Sul

(Blastocerus dichotomus)

cervo-do-pantanal


pré-história brasil

Nosso passado Antes dos europeus, as terras do Brasil foram ocupadas por grandes civilizações indígenas

V

ocê já ouviu dizer que nossos ancestrais viviam em tribos indígenas espalhadas por florestas? Não foi bem assim. Resquícios milenares revelam que eram povos que se organizavam em classes, dividiam tarefas e planejavam a ocupação do território. Entre 2 mil e mil anos atrás, na Amazônia central, várias etnias constituíram verdadeiros pólos de agricultura e de cerâmica. A domesticação de plantas, como a mandioca, provavelmente iniciou-se nessa região há 9 mil anos. A partir daí, o acúmulo de restos orgânicos formou a fértil terra preta, comum na Amazônia. Entre os anos 400 e 1.300, na ilha de Marajó, no Pará, havia cerca de 40 mil habitantes, que viviam em casas construídas sobre palafitas de terra. Eram ótimos ceramistas – cultura viva até hoje na região. Essas sociedades litorâneas foram empurradas para o interior e, depois, dizimadas pelos europeus, principalmente por causa da escravidão e transmissão de doenças. Já no Alto Xingu, no Mato Grosso, há sinais da existência de uma rede de estradas entre aldeias, cercadas de verde.

Recantos históricos De Norte a Sul, restos de seres humanos, de animais e de objetos explicam cenários e costumes antigos Entre os estudos destacados no mapa abaixo, sabe-se que há 11 mil anos a paisagem de cerrado abrigava animais de grande porte. Nessa época, um bicho-preguiça chegava a pesar mais de 5 toneladas e a ter mais de 6 m de comprimento! Esses animais devem ter convivido com humanos primitivos, como Luzia, cujo crânio foi encontrado em Minas Gerais.

Há sinais de carvão fossilizado de 40 mil anos (indício mais antigo do ser humano nas Américas) chapada diamantina (ba)

Em uma gruta foi achado o esqueleto completo de um bicho-preguiça gigante de 11 mil anos

Na cidade de Iranduba, há sítios com vestígios de habitações construídas há cerca de mil anos alto xingu (mt)

No lugar onde fica a aldeia Kuikuru de Ipatse, longas estradas foram construídas há 1,1 mil anos

Flávio Calippo, oceanógrafo, e Levy Figuti, arqueólogo, ambos do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo

estrutura física

Com estrutura física melhor do que a de Luzia, o Homo erectus tinha mais preparo para caçar e se deslocar, pois, com o sedentarismo, sua alimentação era regular.

atlas ambiental: bebedouro

são raimundo nonato (pi)

Há resquícios de 30 aterros que serviam como palafitas e de cerâmicas com mais de mil anos

amazônia central (am)

colaboração

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ilha de marajó (pa)

lagoa santa (mg)

Onde foram achados o crânio de Luzia (de 11,5 mil anos) e mais 500 esqueletos humanos florianópolis (sc)

O sambaqui Garopaba do Sul é o maior do mundo: 30 m de altura, 200 m de diâmetro e 3,7 mil anos


Cultura dos sambaquis

7

Ela se manteve por 6 mil anos e foi, provavelmente, extinta pelo sedentarismo dos tupis-guaranis

1

Os sambaquis, existentes entre 10 mil e mil anos atrás, não eram amontoados de conchas, mas, sim, monumentos cuidadosamente edificados para moradia. Geralmente situados no litoral, seu nome vem do tupi-guarani: tampa (marisco) e ki (amontoado). com tamanhos variados, podiam ter inúmeras funções, como a de cemitério. Mais de mil foram encontrados no Brasil, sendo que cerca de 200 estão no estado de São Paulo. Os mais conservados estão ao sul, devido ao difícil acesso.

vale do ribeira

Tem cerca de 30 sambaquis fluviais de 8 mil anos, com restos de animais terrestres e marinhos

2

3

submersos

4 2

5

6

3

5

4

1

7

cubatão

santos

Da colonização aos anos 1970, a cal dos sambaquis foi usada para construção e exportação

Havia mais indícios de peixes do que de conchas: dentes de tubarões serviam como utensílios e adornos

cananéia

Como o nível do mar variou (entre 18 e 5,1 mil anos atrás), são 160 sambaquis em áreas altas e baixas

Pelo aumento do nível do mar, alguns sambaquis ficaram embaixo d’água. Sete foram encontrados

corpos

Nos enterros, objetos pessoais e rituais de fogueira formavam montes sobre as sepulturas

conchas

sobrevivência

Significavam a certeza de alimentação e serviam como matéria-prima para construções

Os sambaquieiros viviam essencialmente da pesca, mas caçavam animais terrestres de médio porte

6

ubatuba

Também por causa da depredação do período colonial, sobraram na cidade dois sambaquis, o do Tenório e do Mar Virado

ilhabela

Há os chamados acampamentos conchíferos, tipo de sambaqui com menor acúmulo de conchas

função

Os mais altos poderiam servir como mirantes ou para demarcar território. Os menores, para habitação

tamanho

Gerações levavam 400 anos para erguer um sambaqui. Outras poderiam levar dez para triplicá-los de tamanho

atlas ambiental: bebedouro

87


energia enquanto você dorme

O planeta à noite Veja nesta montagem quais nações mais usam energia elétrica no mundo

E

sta imagem não existe. Na realidade, é uma montagem feita com fotos de satélite, colocadas lado a lado. Nela, é possível ver como a energia elétrica – algo tão importante na nossa vida – é usada no mundo. Observe a iluminação dos países da África. Depois, veja o que acontece em países como Estados Unidos e Japão. A relação entre riqueza e uso da eletricidade é evidente. As luzes também indicam o alto consumo de petróleo: muitas ruas e estradas são sinônimo de muitos veículos. Há lugares, porém, em que é até melhor não haver luz, como na Amazônia, onde a floresta precisa ser conservada.

c o l a b o r a ç ã o Juan José Verdésio, especialista em energias renováveis da Universidade de Brasília.

4 2 1 3

marginal do rio tietê

1 2

marginal do rio pinheiros

3

centro de são paulo

SP-330 (anhangüera) 4 baixada santista

No detalhe, a Baixada Santista e a capital paulista. Pelas luzes, é possível localizar a SP-330, rodovia que liga São Paulo a Bebedouro, e outros pontos

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atlas ambiental: bebedouro

5

5


1 índia 2 itália 3 recife (brasil) 4 nova iorque (eua) 5 luanda (angola) 6 tóquio (japão)

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energia matriz brasileira

A força das águas A energia elétrica do Brasil vem da água dos rios, onde existem mais de 150 usinas hidrelétricas

1. barragem Um muro bem largo

Q

uando você corre atrás de uma bola, anda de bicicleta ou veste uma roupa, precisa de energia muscular para se mexer. Todos os dias, somos movidos por energia — para respirar, pensar, estudar. Por isso, precisamos de alimento. Uma cidade, um estado, um país e o mundo funcionam de um jeito parecido: precisam de energia para que as máquinas das fábricas trabalhem, as ruas sejam iluminadas e os televisores das casas sejam ligados. No Brasil, as usinas hidrelétricas atendem a 92% dos domicílios. A maioria delas se concentra nas regiões Sudeste e Sul e está interligada nacionalmente por linhas de transmissão com quilômetros de cabos de metal que transportam a energia por longas distâncias. Bebedouro, por exemplo, é alimentada pelas

e resistente faz com que a água do rio fique retida, formando um reservatório, como um lago

usinas de Porto Colômbia e Marimbondo, situadas no rio Grande, divisa com Minas Gerais. A energia que vem das águas é renovável. Se o nível do rio cai, as chuvas podem voltar a enchê-lo. E o Brasil é um dos países com mais bacias hidrográficas do mundo. Enquanto suas usinas produzem 77% da energia elétrica, a média de outros países chega a apenas 16%. Em menor escala, aqui também há outras fontes de energia, como a termoelétrica (da queima de combustíveis fósseis, como derivados do petróleo, carvão mineral e gás natural), a nuclear, a eólica (da força do vento) e a solar fotovoltáica. c o l a b o r a ç ã o Célio Bermann, professor da pós-graduação em Energia da Universidade de São Paulo; e Rafael Lourenço dos Santos, especialista em regulação da Agência Nacional de Energia Elétrica

A energia de Bebedouro Da usina de Marimbondo até a sua casa Instalada dentro de um rio, a hidrelétrica usa a força da água, chamada de hidráulica, para gerar a eletricidade. Veja, na ilustração, como a energia é produzida na usina de Marimbondo, que abastece Bebedouro, e as transformações que ela sofre durante sua transmissão e o seu percurso até chegar ao município.

2. controle Na época de chuvas, o volume de água pode aumentar e, para evitar risco de rompimento, a usina abre as comportas para controlar a vazão cano 3. pelo A água represada em grande

quantidade atravessa as tubulações da barragem com força, fazendo as hélices das turbinas girarem

4.

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atlas ambiental: bebedouro

produção

Ao girar, as hélices das turbinas criam uma força mecânica tão grande que, ao entrar em contato com ímãs do gerador, viram energia elétrica

5. fuga Completada a missão, a água é liberada pelo canal de fuga, situado do outro lado da usina, e volta ao seu curso

6. longo caminho A energia em alta voltagem segue por linhas de transmissão, formadas por torres, fios e cabos de metal, até chegar à subestação da cidade


Economize!

Rede elétrica

Usinas de todo o país se ligam a inúmeras cidades

Atitudes simples, como desligar tudo o que não está em uso, evitam o desperdício

As regiões com melhor aproveitamento de quedas-d’água para a produção de energia ficam longe dos municípios. Por isso, o país conta com 75 mil quilômetros de linhas de transmissão para distribuir a eletricidade.

lava-roupas

geladeira

Deixe-a em local fresco, evite abrir a porta à toa e não seque roupas na parte de trás

Acumule roupas para ligar a máquina só quando o tambor estiver cheio

lâmpadas

aparelho de som e tv

Evite acendê-las durante o dia e substitua as incandescentes por fluorescentes, que gastam menos

Não os deixe ligados sem ninguém por perto e evite dormir sem desligá-los chuveiro

Tome banhos rápidos, entre oito e dez minutos, no máximo

ar-condicionado

norte

Na região, de difícil acesso, a energia vem de termoelétricas que são movidas a óleo diesel

Mantenha portas e janelas fechadas durante o uso e evite mantê-lo ligado em cômodos vazios

ferro elétrico

A roupa deve ser passada de uma vez só, começando por tecidos de baixa temperatura

28,9%

7.

controle

Na subestação, a tensão da energia é rebaixada para que ela seja distribuída pelos fios dos postes da cidade

8.

fim da linha

Nos postes de rua, o transformador reduz ainda mais a voltagem da energia, que chega ao comércio, às indústrias, à escola e, claro, à sua casa

17,9%

Quem gasta mais O país cresce, mas o consumo deve ser racional

Indústria pesada

Indústria leve

22,2% 14,3% Residencial

Comércio e serviços

8,7% Setor público

8% Outros

F o n t e BERMANN, C. com base no Balanço Energético Nacional do Ministério de Minas e Energia, 2005/2006 e Agência Nacional de Energia Elétrica atlas ambiental: bebedouro

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energia alternativas renováveis

Fonte limpa

fontes renováveis de energia legenda

Sabia que marés, oceanos e até porcos produzem mo energia? Pergunte co ! (a) r so es of pr ao (à)

O

Juan José Verdésio, especialista em energias renováveis da Universidade de Brasília

colaboração

solar

Seu maior potencial está no Nordeste, no Centro-Oeste e no Sudeste. Nas regiões Sul e Norte, o maior período de nebulosidade limita a disponibilidade dessa fonte orgânica

Hoje, 53% das usinas do setor energético produzem sua própria energia com a queima do bagaço da cana-de-açúcar. Já 85% do biodiesel daqui é produzido à base de soja hidrelétricas

ventania

Para preservar os cursos d’água e suas espécies vegetais e animais, os reservatórios das usinas tendem a ser menores. Há mais de 50 pequenas centrais hidrelétricas no país

70% da população do país está no litoral, região favorável ao uso da energia eólica. Seu maior potencial está no Sul e no Nordeste, onde há cerca de dez usinas

F o n t e Ministério de Minas e Energia (dados de 2005 e 2008)

92

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As principais fontes renováveis de energia Aos poucos, o país aumenta a produção de energias limpas. Para que o resultado seja positivo, é preciso usá-las de forma equilibrada e planejada. A energia derivada da força dos ventos (eólica), por exemplo, é instável, pois nem todo dia eles sopram com intensidade. Por isso, o ideal é explorar outros recursos em paralelo. Hoje, a produção de energia renovável nacional se concentra em quatro frentes. Veja quais são:

Existem fontes energéticas que são inesgotáveis, como a água, o vento e o sol s tipos de energia são muitos e suas fontes também. Quando a obtemos por meio de recursos que levaram milhares de anos para se formar no subsolo do planeta e que são finitos (como petróleo, gás e carvão), a chamamos de não-renovável. Já a energia vinda de fontes como água, sol e vento é chamada de renovável, pois esses são recursos que nunca acabam. O ser humano depende de energia para viver e se desenvolver: afinal, é a energia que faz funcionar lâmpadas, chuveiros, veículos, usinas, fábricas... Tudo isso pode ser alimentado por fontes renováveis e não-renováveis. Ocorre que as primeiras, além de acabarem um dia, precisam de combustão: são queimadas e liberam gases poluentes na atmosfera, aquecendo-a. No Brasil, ainda cerca de 37% da oferta energética vem do petróleo e de seus derivados. CATAVENTO Já os recursos renováveis são mais ecoGIGANTE A altura de uma lógicos. Até os combustíveis dos carros, turbina eólica que antes vinham só do petróleo, agora são de Osório (RS) equivale à gerados de vegetais como soja, mamona, de 57 pessoas caroço de algodão, dendê, palma e cana-deaçúcar – os chamados biocombustíveis. Eles também são queimados, mas os vegetais dos quais derivam compensam a liberação de gás carbônico porque, antes da colheita, funcionam como toda e qualquer planta: capturam o poluente, “limpando” a atmosfe98 m ra por meio da fotossíntese. Conheça outras fontes renováveis no mapa ao lado.

Os recursos da Terra

Na pág. 90, entenda como funciona uma hidrelétrica


MAIOR USINA

O parque eólico de Osório, no Rio Grande do Sul, conta com 75 torres de 98 m de altura. Cada hélice tem 35 m de comprimento. Maior usina da América Latina, é capaz de atender a uma cidade com 700 mil habitantes. Em Osório, há 40 mil atlas ambiental: bebedouro

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divisão dos poderes brasil

O poder da gente No Brasil, todo cidadão tem direito ao voto livre e secreto, que garante a escolha dos governantes

V

ocê é um cidadão. Seus familiares e amigos, as pessoas na rua e qualquer brasileiro também. O significado dessa palavra já variou bastante ao longo da história da humanidade. Entre 500 e 400 a.C., na Grécia antiga, o título era dado apenas aos homens livres, apesar de o local ser considerado o berço da democracia – do grego demos (povo) e kratía (poder). Por lá, mulheres, estrangeiros e escravos não votavam e não podiam participar do Conselho dos Quinhentos – que organizava assembléias para decidir desde questões do dia-a-dia da cidade até julgamentos e condenações. Aqui, no Brasil, os tipos de governo mudaram bastante e, com eles, os direitos civis. Passamos pelo Império, em que todos eram súditos da família real e só votavam os homens livres que tinham poder aquisitivo que aten-

Legislativo, Executivo e Judiciário Veja qual o papel de quem atua nos três poderes que regem o país

Legislativo

federal

Em cada esfera política, elabora leis, fiscaliza e controla os atos do Poder Executivo

congresso nacional No Brasil, existem duas instâncias legislativas independentes: Câmara dos Deputados e Senado

O Executivo colabora com o Legislativo, sancionando ou vetando seus projetos de lei

Executivo

federal

O Executivo define os membros do Judiciário, como ministros do Supremo e dos demais tribunais

Julga de acordo com as regras da Constituição e as leis criadas pelo Poder Legislativo

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atlas ambiental: bebedouro

federal

Presidente da República Chefe de Estado e do Governo, além do comando das Forças Armadas Mandato: 4 anos

c o l a b o r a ç ã o Menelick de Carvalho Netto, professor de Direito Constitucional da Universidade de Brasília

estadual Assembléia legislativa

câmara dos deputados Eleitos pelo povo (por estado), criam leis sobre assuntos de interesse nacional Mandato: 4 anos empresas públicas (como a Eletrobrás)

Presta serviços públicos por meio de órgãos diretos (ministérios e secretarias) e indiretos (empresas públicas)

Judiciário

Senado Federal São três senadores por estado. Analisam e julgam os projetos de lei elaborados pela Câmara. Mandato: 8 anos

dia às exigências da Coroa. Em 1889, com a proclamação da República, instituiram-se o presidencialismo e o voto livre (e secreto) para maiores de 21 anos. Em 1932, o código eleitoral permitiu a participação de mulheres. Passamos por duas ditaduras: uma entre 1937 e 1945, na qual o poder ficou nas mãos de Getúlio Vargas, e outra, de 1964 a 1985, instituída pelos militares. Nos dois períodos, o voto popular sofreu restrições e só foi garantido em 1988, com a atual Constituição Federal. Com ela, os analfabetos também passaram a votar. Conhecer a história do país nos incentiva a exercer a cidadania e ajuda a valorizar a conquista das pessoas que lutaram por ela.

ministérios Cada um coordena uma área específica, como Saúde e Educação

estadual

empresas públicas (como bancos estatais)

governador Por estado. Mandato: 4 anos

secretarias (como a de Educação)

deputados estaduais Criam leis sobre assuntos de interesse estadual Mandato: 4 anos

municipal

supremo tribunal federal Decide sobre causas em que há violação da Constituição, como trabalho escravo

Superior Tribunal de Justiça Dá a palavra final em causas decididas pelos demais tribunais (federais ou estaduais)

Tribunal Regional Federal Julga processos que envolvam a União ou órgãos e empresas públicas

Tribunal Superior do Trabalho

Tribunal Superior Eleitoral Organiza e administra as eleições e garante a execução das leis eleitorais

Tribunal Superior Militar Específico para julgar militares

Decide ações sobre causas trabalhistas

municipal

estadual


85)

diretas já (19

A nova Constituição

histórico O movimento políticos pelos direitos

Veja quais são e para que serve cada um

“Todos são iguais perante a lei” O trecho acima faz parte do Artigo 5° da Constituição Federal, em vigor desde 1988. A elaboração desta Carta Magna – como também é chamada – foi cercada de expectativa. Afinal, marcava a redemocratização do país após 21 anos de regime militar. Ao todo, o Brasil teve outras sete Cartas elaboradas por uma Assembléia Constituinte. Apesar de algumas terem sido feitas com a participação da sociedade civil, a última garantiu, definitivamente, o direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade – além de eleições diretas para os cargos do Executivo e do Legislativo, incluindo a Presidência da República. Deu, ainda, ao Poder Judiciário a tarefa de interferir sempre que houver lesão ou ameaça aos direitos do cidadão.

câmara municipal

prefeito Por município. Mandato: 4 anos

Secretarias ou departamentos

certidão de nascimento Sem ela, a pessoa não pode acessar serviços públicos (como hospitais e escolas). O documento é gratuito e feito nos cartórios

}

vereadores Criam leis sobre assuntos de interesse municipal Mandato: 4 anos

(em Bebedouro, usa-se o segundo termo)

Ministério Público

Defensor e porta-voz da sociedade Recebe as queixas da população, fiscaliza o cumprimento das leis e defende os cidadãos, atuando em causas particulares ou coletivas, ligadas a temas como meio ambiente, direitos do consumidor, crianças e adolescentes, minorias étnicas e sociais e pessoas com deficiência, entre outras.

Tribunal de Contas

Controle da administração pública

Tribunal de Justiça Órgão judiciário estadual

Tribunal Regional do Trabalho Analisa e julga causas trabalhistas no estado

Tribunal Regional Eleitoral Fiscaliza as eleições no estado

O tamanho do documento

Controla os gastos públicos nos âmbitos municipal, estadual e federal. Órgão independente, fiscaliza de onde vêm as verbas usadas na administração pública e como elas são gastas. Caso haja qualquer irregularidade, seus fiscais podem fazer uma denúncia ao Ministério Público.

registro geral (rg) Traz nome, data de nascimento, foto e impressão do polegar. Feito na Polícia Civil, o porte é obrigatório após os 18 anos

cadastro da pessoa física (cpf) Permite a abertura de conta em banco e empréstimos. Por ele, o governo checa se o trabalhador pagou o Imposto de Renda

título de eleitor Dá o direito ao voto (opcional aos 16 anos e obrigatório após os 18 anos). Identifica o eleitor e evita votos duplicados carteira de habilitação (cnh) Com ela, maiores de 18 anos podem dirigir. Os Departamentos Estaduais de Trânsito a emitem após testes teórico e prático passaporte Necessário para sair do Brasil, é emitido pela Polícia Federal. Exigido em portos, aeroportos e fronteiras internacionais carteira de trabalho Obrigatória a quem trabalha, só é permitida para maiores de 16 anos e registra dados como cargo, salário e período de férias

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cultura hinos e bandeiras

Identidade

Os símbolos unem as pessoas e as fazem partilhar do sentimento de pertencer a um lugar

T

odo país tem um hino e uma bandeira. Para o povo, não são apenas letra e música ou um tecido estampado. E sim parte de sua identidade. Esses símbolos trazem o sentimento de pertencimento e existem em diversas esferas, como times de futebol, escolas, clubes, estados, cidades e até pessoas! Em Portugal, por exemplo, até o século 19 os hinos eram feitos não para o país, mas para seus reis. Quando um monarca morria, o sucessor ganhava um novo em folha. Geralmente, hinos nacionais ou regionais são compostos por renomados maestros e têm letras e melodias que enaltecem o lugar e seus fundadores. O do Brasil surgiu para fortalecer sua identidade quando deixou de ser colônia, mas levou 100 anos para ser oficializado. Acredita-se que a melodia foi composta em 1822 ­ — ano da proclamação da independência ­­— por Francisco Manuel da Silva, copista da orquestra da corte (ele copiava as partituras a mão). A letra só foi escrita em 1909, pelo crítico-literário Joaquim Osório Duque Estrada. Na década de 1990, musicólogos observaram que um dos trechos da melodia do hino lembrava um tema do padre José Maurício Nunes Garcia, compositor erudito de quem Francisco havia sido aluno. Ninguém sabe dizer se isso foi um plágio ou uma homenagem de Francisco ao mestre. Em Bebedouro, o hino só foi feito 82 anos após sua fundação. A letra é do poeta e escritor Oswaldo Schiavon, que chegou à cidade em 1929 para trabalhar na Companhia Paulista de Estradas de Ferro. A música foi composta pelo maestro e professor Paulo Rezende Torres de Albuquerque. c o l a b o r a ç ã o Marcos Holler, pesquisador de História da Música da Universidade do Estado de Santa Catarina

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Hino nacional do Brasil (Letra: Joaquim Osório Duque Estrada Música: Francisco Manuel da Silva) I

II

Ouviram do Ipiranga as margens plácidas De um povo heróico o brado retumbante, E o sol da liberdade, em raios fúlgidos, Brilhou no céu da pátria nesse instante.

Deitado eternamente em berço esplêndido, Ao som do mar e à luz do céu profundo, Fulguras, ó, Brasil, florão da América, Iluminado ao sol do novo mundo!

Se o penhor dessa igualdade Conseguimos conquistar com braço forte, Em teu seio, ó liberdade, Desafia o nosso peito a própria morte!

Do que a terra mais garrida Teus risonhos, lindos campos têm mais flores; "Nossos bosques têm mais vida", "Nossa vida" no teu seio "mais amores".

Ó, pátria amada, Idolatrada, Salve! Salve!

Ó, pátria amada, Idolatrada, Salve! Salve!

Brasil, um sonho intenso, um raio vívido De amor e de esperança à terra desce, Se em teu formoso céu, risonho e límpido, A imagem do cruzeiro resplandece.

Brasil, de amor eterno seja símbolo O lábaro que ostentas estrelado, E diga o verde-louro dessa flâmula - Paz no futuro e glória no passado.

Gigante pela própria natureza, És belo, és forte, impávido colosso, E o teu futuro espelha essa grandeza.

Mas, se ergues da justiça a clava forte, Verás que um filho teu não foge à luta, Nem teme, quem te adora, a própria morte.

Terra adorada, Entre outras mil, És tu, Brasil, Ó pátria amada! Dos filhos deste solo és mãe gentil, Pátria amada, Brasil!

Terra adorada Entre outras mil, És tu, Brasil, Ó, pátria amada! Dos filhos deste solo és mãe gentil, Pátria amada, Brasil!

bandeira de são paulo 1 FAIXAS Símbolo dos dias e das noites em que os bandeirantes lutaram pelo estado

2 RETÂNGULO

Representa o sangue dos bandeirantes derramado durante as conquistas

3 BRASIL AZUL

A cor do mapa significa o vigor e a força dos bandeirantes para o país

4 CORES

Tributo aos povos (brancos, índios e negros) que deram origem ao brasileiro


Hino dos Bandeirantes (Hino do Estado de São Paulo) (Letra: Guilherme de Almeida Música: Sérgio de Vasconcellos Corrêa) Paulista, pára um só instante Dos teus quatro séculos ante A tua terra sem fronteiras, O teu São Paulo das "bandeiras"! Deixa atrás o presente: Olha o passado à frente!

bandeira do brasil 1 CORES O verde remete às florestas; o amarelo, aos minérios; e o azul, ao céu

bandeira de bebedouro 1 BRASÃO Símbolo do governo municipal (o círculo branco representa a cidade)

2 ESTRELAS

2 FAIXAS

Os 27 estados no céu do Rio de Janeiro. São Paulo fica abaixo do Cruzeiro do Sul

3 LEMA

É atribuído ao filósofo francês Augusto Comte, que tinha seguidores no Brasil

4 FORMATO

É uma adaptação da bandeira imperial, na qual o escudo português ficava no losango

Representam a expansão do poder municipal pelo território

3 VERDE

As quatro áreas se referem às propriedades rurais do município

4 FORMATO

Vem com Martim Afonso a São Vicente! Galga a Serra do Mar! Além, lá no alto, Bartira sonha sossegadamente Na sua rede virgem do Planalto. Espreita-a entre a folhagem de esmeralda; Beija-lhe a Cruz de Estrelas da grinalda! Agora, escuta! Aí vem, moendo o cascalho, Botas-de-nove-léguas, João Ramalho. Serra-acima, dos baixos da restinga, Vem subindo a roupeta De Nóbrega e de Anchieta. Contempla os Campos de Piratininga! Este é o Colégio. Adiante está o sertão. Vai! Segue a entrada! Enfrenta! Avança! Investe!

Norte - Sul - Este - Oeste, Em "bandeira" ou "monção", Doma os índios bravios. Rompe a selva, abre minas, vara rios; No leito da jazida Acorda a pedraria adormecida; Retorce os braços rijos E tira o ouro dos seus esconderijos! Bateia, escorre a ganga, Lavra, planta, povoa. Depois volta à garoa! E adivinha através dessa cortina, Na tardinha enfeitada de miçanga, A sagrada Colina Ao Grito do Ipiranga! Entreabre agora os véus! Do cafezal, Senhor dos Horizontes, Verás fluir por plainos, vales, montes, Usinas, gares, silos, cais, arranha-céus!

As faixas entrecruzadas e o círculo central são tradicionais de Portugal

Hino a Bebedouro (Letra: Oswaldo Schiavon Música: Paulo Rezende Torres de Albuquerque) Salve o pouso singelo dos tropeiros, Que se fez em cidade deslumbrante Caridosa, gentil e hospitaleira. Os teus filhos valentes pioneiros, Procurando a grandeza bandeirante, Enobrecem a Pátria Brasileira.

Bebedouro, Bebedouro, Foco de Luz, Hino de Fé, Sonho de Amor. Grande e incansável oficina de trabalho Que produz nosso tesouro. Em teu céu a nossa luz, Em tua alma nossa fé, Em teu seio nosso amor Em teu céu a nossa luz

Que o teu futuro seja tão grandioso Quão belo e nobre, foi o teu passado E os dias sublimes que se vão. Que teu nome prossiga vitorioso E por Deus seja sempre abençoado, BEBEDOURO CIDADE CORAÇÃO

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cultura crianças no mundo

Planeta das crianças L Brincar é uma delícia e ajuda a criança a crescer saudável. Com os amigos, e na rua, é melhor ainda!

ugar de criança é também na rua, sim. Ocorre que alguns pais, por medo da violência, preferem deixar os filhos apenas dentro de casa. Claro que o ambiente familiar é importante, mas a rua é onde vivemos novas experiências e conhecemos pessoas. E, o mais legal, ela pertence a todos os moradores do bairro e da cidade! Em Bebedouro, a brincadeira de rua ainda tem vez. A intimidade com o espaço leva a criançada a tirar os sapatos para sentir o asfalto, a areia e as pedrinhas durante o corre-corre. Acima de tudo, estar nas ruas do bairro é uma maneira de exercitar a imaginação e a cidadania – ensina a ocupar o espaço público e a entender como ele é usado. E você, anda brincando onde? Aliás, do que você gosta de brincar?

Brincadeiras e costumes A molecada pelos continentes

Bebedouro / SP - Brasil

As crianças da Escola Municipal de Ensino Básico Lelis do Amaral Campos, no bairro da Boa Vista, adoram ir à rua para correr e brincar de “bomba latinha”. Funciona assim: uma delas atira uma garrafa cheia de água para longe. Quem fica encarregado de buscá-la precisa, na volta, descobrir onde os amigos se esconderam

Peru - América do Sul

Vestida com casacos de lã de lhama, um animal parente do camelo, a criançada se diverte carregando filhotes no colo para mostrar aos turistas

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Para os pequenos que moram na zona rural, a “rua” fica logo ali: é o campo, a grama, o horizonte. Não importa onde – em Bebedouro ou na Etiópia –, o fundamental é interagir. É assim que aprendemos a lidar com o inesperado, pois nem tudo acontece do jeito que imaginamos. E isso é bom, pois nos ajuda a crescer. Mas o adultos também precisam fazer da rua um espaço acolhedor, conversando com os vizinhos, por exemplo. Por isso, chame sua família para dar uma voltinha, bater um papo e brincar! Se você e todas as crianças crescerem livres, certamente vão sentir que seu bairro, sua cidade e o mundo também são parte da sua casa. c o l a b o r a ç ã o José Guilherme Cantor Magnani, professor de Antropologia Urbana da Universidade de São Paulo, e Caio Vilela, fotógrafo e autor do livro Um Mundo de Crianças


Irã - Ásia

por Apaixonados nianos futebol, os ira calça jogam bola de causa comprida por âmica. da religião isl isso, r po m bé m Ta o as meninas nã assistir vão ao estádio os aos jog

Etiópia - África

Nas tribos das montanhas, as crianças usam roupas e chapéus tradicionais. Longe das cidades, andam muito até a escola e adoram brincar e correr descalças

Laos - Ásia

Nas ruas, as crianças sorriem e dizem “sabaidi”, que significa “oi’ em lao, o idioma do país. Nas festas budistas, jogam água umas nas outras para desejar felicidade Canadá América do Norte

Em Nunavut, os pequenos esquimós, como são chamados por lá, só vêem o Sol duas horas por dia no inverno. No verão, os dias ficam claros até de madrugada, quando andam de bicicleta atlas ambiental: bebedouro

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saiba mais concurso e referências bibliográficas

O artista é você! Veja como participar de um concurso para mostrar a todos a cidade que você deseja!

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E

m que cidade você gostaria de viver? Esse é o tema de um concurso muito especial, promovido exclusivamente aos estudantes que têm acesso ao Atlas Ambiental. A proposta é simples: ilustrar a sua idéia de cidade. Como você imagina Bebedouro no futuro? Com um material tão rico em mãos, você e seus colegas poderão observar melhor o lugar onde vivem, analisar o que tem de bom nele, o que ainda precisa melhorar e qual o papel de todos vocês

na construção de uma cidade melhor. Fale com o(a) professor(a) de Arte e já prepare o material para criar a sua ilustração. Vale lápis de cor, nanquim, carvão, tinta, colagem, tecido... Aqui, no seu Atlas, você tem vários exemplos de técnicas artísticas que podem inspirar o seu trabalho, como quadrinhos, aquarela, ilustração e foto. Seja você o artista a desenhar uma cidade melhor. Pergunte ao(à) professor(a) como participar e boa sorte!


Referências bibliográficas AB´SABER, Aziz. Os domínios da natureza no Brasil: Potencialidades paisagísticas. 4º edição. São Paulo: Ateliê Editorial, 2007 ARRUDA, Rinaldo S.V.; DIEGUES, Antonio Carlos. Saberes tradicionais e biodiversidade do Brasil. 1ª edição. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2001 BERMANN, Célio. Energia no Brasil: para quê? Para quem? Crise e alternativa para um país sustentável. 2ª edição. São Paulo: Editora Livraria da Física, 2003 BRAGA, Benedito; REBOUÇAS, Aldo da Cunha; TUNDISI, José Galizia (org). Águas doces no Brasil: capital ecológico, uso e conservação. 3ª edição. São Paulo: Escrituras Editora, 2006 BRASIL. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Atlas geográfico escolar. 4ª edição. Rio de Janeiro: IBGE, 2007 ________. Fauna ameaçada de extinção. 1ª edição. Rio de Janeiro: IBGE, 2001 BUSCH, Ana; VILELA, Caio. Um mundo de crianças. 1ª edição. São Paulo: Panda Books, 2007 CALDEIRA, Jorge. Viagem pela História do Brasil. 1ª edição. São Paulo: Companhia das Letras, 1997 CASSEB, Maria José Bueno. Bebedouro: cidade do coração. 1ª edição. São Paulo: Noovha América, 2004 DEAN, Warren. A ferro e fogo: a história e a devastação da Mata Atlântica brasileira. 1ª edição. São Paulo: Companhia das Letras, 2006

DONATO, Hernâni. História de usos e costumes do Brasil. 1ª edição. São Paulo: Editora Melhoramentos, 2005

ROSS, Jurandyr. L. Sanchez. Ecogeografia do Brasil. 1ª edição. São Paulo: Oficina de Textos, 2006

FUNARI, Pedro Paulo; NOELLI, Francisco Silva. Pré-história

––––. Geomorfologia: ambiente e planejamento. 8ª edição. São Paulo: Contexto, 2007 (coleção Repensando a Geografia)

do Brasil. 3ª edição. São Paulo: Contexto, 2006 FURLAN, Sueli Ângelo. Tudo que você queria saber sobre plantas. 1ª edição. São Paulo: Oficina de Textos, 2007 GIRARDI, Gisele; ROSA, Jussara Vaz. Novo atlas geográfico do estudante. 1ª edição. São Paulo: FTD, 2005 HEITOR, Frúgoli Júnior. Centralidade em São Paulo: Trajetórias, conflitos e negociações na metrópole. 1ª edição. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2006 INSTITUTO SOCIOAMBIENTAL. Almanaque Brasil socioambiental 2008. São Paulo: ISA, 2007 IZIDORO, Manoel Filho. Gente que faz história. 1ª edição. Ribeirão Preto: Legis Summa, 1996 KENT, Jennifer; MYERS, Norman. The new atlas of planet managment. 3ª edição. Berkeley e Los Angeles: Universidade da Califórnia Ed., 2005 MENDROT, Camile. Maravilhas do Brasil: paisagens. Trad. Douglas Victor Smith. 1ª edição. São Paulo: Escrituras Editora, 2007 NEVES, Eduardo Góes. Arqueologia da Amazônia. 1ª edição. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2006 NEVES, Walter Alves; PILÓ, Luís Beethoven. O povo de Luzia: em busca dos primeiros americanos. 1ª edição. São Paulo: Globo, 2008

SANTOS, Milton. A natureza do espaço: técnica e tempo, razão e emoção. 4ª edição. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2008 SÃO PAULO. Secretaria do Meio Ambiente. Instituto Florestal. Inventário florestal da vegetação natural do Estado de São Paulo. 1ª edição. São Paulo: Imprensa Oficial, 2005 SIMIELLI, Maria Elena Ramos. Atlas geográfico escolar. 34ª edição. São Paulo: Editora Ática, 2007 _______ Primeiros mapas: como entender e construir. 6ª edição. São Paulo: Editora Ática, 2006 TUNDISI, José Galizia. Água no século XXI: enfrentando a escassez. 2ª edição. São Carlos: RiMa Editora, 2005 _______; TUNDISI, Takako Matsumura. Limnologia. 1ª edição. São Paulo: Oficina de Textos, 2008 VEIGA, José Eli da. Cidades imaginárias: o Brasil é menos urbano do que se calcula. 2ª edição. Campinas: Autores Associados, 2003 VENTURI, Luis Antonio Bittar (org). Praticando a geografia: técnicas de campo e laboratório em geografia e análise ambiental. 1ª edição. São Paulo: Oficina de Texto, 2005 atlas ambiental: bebedouro

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saiba mais

índices

Índice geral

Índice de mapas

Seu Atlas | Índice temático.........................................p. 10

Lixo | Para onde vai......................................................p. 62

Bacia do Prata ...............................................................p. 59

Seu Atlas | Como foi feito............................................p. 12

Vegetação | Bebedouro................................................p. 64

Boletim sísmico brasileiro................................. p. 55

Seu Atlas | Aprenda com ele.......................................p. 14

Vegetação | Brasil..........................................................p. 66

Caminho dos moradores................................... p. 28

Cartografia | História...................................................p. 16

Amazônia | Impactos ambientais.............................p. 68

Climas do Brasil................................................ p. 44

Zoom | Do espaço a Bebedouro.................................p. 18

Amazônia | Sustentabilidade.....................................p. 70

Cobertura florestal em São Paulo ....................... p. 30

Bebedouro | Bairro a bairro.......................................p. 24

Vegetação | Readequação Ambiental........................p. 72

Correntes dos oceanos...................................... p. 49

Onde estou | Bebedouro.............................................p. 28

Sociedade | Emprego e trabalho................................p. 74

Culturas tradicionais do Brasil........................... p. 40

Onde estou | São Paulo e Brasil..................................p. 30

Economia | Para iniciantes.........................................p. 76

Divisão geomorfológica de São Paulo ................. p. 52

Onde estou | Planeta Terra.........................................p. 32

Direitos humanos | Desde o nascer..........................p. 78

Divisão política do Brasil................................... p. 31

Onde estou | Galáxia....................................................p. 34

Sustentabilidade | Em casa.........................................p. 80

Domínios vegetacionais do Brasil...................... p. 66

Mobilidade | Como sair e chegar..............................p. 36

Saúde | Geografia médica...........................................p. 82

Endemias brasileiras......................................... p. 83

Cidade | Urbanidade....................................................p. 38

Biodiversidade | Brasil................................................p. 84

Escassez de água no mundo............................... p. 60

Cultura | Nosso país.....................................................p. 40

Pré-história | Brasil.....................................................p. 86

Fontes renováveis de energia............................. p. 92

Cultura | Saberes locais...............................................p. 42

Energia | Enquanto você dorme................................p. 88

Imigrantes no Brasil ......................................... p. 41

Clima | Conceitos.........................................................p. 44

Energia | Matriz brasileira..........................................p. 90

Migração século 20............................................ p. 41

Clima | Passado e presente.........................................p. 46

Energia | Alternativas renováveis.............................p. 92

Planisfério ....................................................... p. 32

Clima | Influência dos oceanos.................................p. 48

Divisão d0s poderes | Brasil ......................................p. 94

Pré-história do Brasil ....................................... p. 86

Clima | Aquecimento Global......................................p. 50

Cultura | Hinos e bandeiras.......................................p. 96

Rede elétrica do Brasil....................................... p. 91

Relevo | São Paulo e Brasil..........................................p. 52

Cultura| Crianças no mundo......................................p. 98

Reciclagem no Brasil......................................... p. 63

Sismologia | Ocorrências no mundo........................p. 54

Saiba mais | Concurso...............................................p. 100

Rodovias de Bebedouro..................................... p. 36

Solo | Camadas..............................................................p. 56

Saiba mais | Referências bibliográficas.................p. 101

Rodovias e vias de São Paulo .............................. p. 37

Água | Recursos hídricos............................................p. 58

Saiba mais | Índices e créditos................................p. 102

Tratamento de água e esgoto de Bebedouro......... p. 58

Água | Escassez..............................................................p. 60

Saiba mais | Glossário...............................................p. 104

Unidades de relevo do Brasil ............................. p. 53 Variação de temperatura na Terra ...................... p. 47

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Créditos

Págs. 12 e 13 Foto do livro: Eduardo Delfin

Págs. 22, 23 Fotos: Geodados Tecnologia

Pág. 14 Fotos: Geodados Tecnologia Ilustração do avião: Sattu

Págs. 24, 25, 26, 27 Mosaico Bebedouro: 2008, Vistadivina / Geodados Tecnologia

Pág. 15 Mapas: Eli Sumida Ilustração da projeção cilíndrica: Alexandre Jubran Primeira e segunda imagem de satélite: 2008, Vistadivina/ Digital Globe Terceira imagem de satélite: 2008, Vistadivina/ USGS, Landsat 7 ETM

Pág. 28 Imagem de satélite (acima): 2008, Vistadivina / Google Earth, Quickbird Croqui (abaixo): EMEB Professora Izabel Motta S. Cardoso Mapa de Bebedouro (à direita): Eli Sumida Fotos do mapa: Kiko Ferrite Perfil da cobertura vegetal (ao pé da página): Sattu

Pág. 16 Tábula Itinerária Peutingeriana: Biblioteca Nacional de España Reprodução fotográfica da imagem de Fra Mauro (feita com imagem do Acervo da Fundação Biblioteca Nacional – Brasil): Angelo Antonio Duarte Mapa T-O, Ptolomeu e Terra Brasilis: Acervo da Fundação Biblioteca Nacional - Brasil Ga Sur: Georama Cartas portulanas: University of Alabama Capitanias Hereditárias: Instituto Cultural Banco Santos Pág. 17 Gerardus Mercator, Planisfério de Cantino e Planisfério de Piri Reis: Acervo da Fundação Biblioteca Nacional - Brasil Bebedouro: Instituto Geográfico e Cartográfico - São Paulo Abraham Ortelius: Van Der Krogt Págs. 18, 19, 20 Imagens de satélite: 2008, Vistadivina / NASA`S Earth Observatory Pág. 21 Imagem de satélite: 2008, Vistadivina/ USGS, Landsat 7 ETM

Pág. 29 Imagem de satélite (à esquerda): 2008, Vistadivina/ USGS, Landsat 7 ETMImagem de satélite (à direita): 2008, Vistadivina / NASA`S Earth Observatory Perfil da cobertura vegetal (ao pé da página): Sattu Mapa das bacias: Vistadivina Pág. 30 Mapas de São Paulo (à direita e abaixo): Eli Sumida Foto de Bebedouro: Kiko Ferrite Foto do Morro do Diabo: Viento del Cambio Foto de Paranapiacaba: Fabio Raphael Pág. 31 Mapas do Brasil: Eli Sumida Perfil da vegetação e do uso da terra: Sattu Pág. 32 Planisfério: Eli Sumida Ilustração Laranja viajante: Tato Araujo Pág. 33 Imagens de satélite da Holanda, da China

e do Brasil: 2008, Vistadivina / Google Earth, Quickbird Imagens de satélite da Arábia Saudita, de Malawi, da Austrália e dos EUA: 2008, Vistadivina/ USGS, Landsat 7 ETM

Pág. 43 Fotos de Bebedouro: Kiko Ferriti Festa da Laranja e Rainha embaladora: Arquivo pessoal Planta do Teatro: Meire Cavalcante

Págs. 34 e 35 Ilustração Galáxia: Sattu

Pág. 44 e 45 Ilustrações: Alexandre Jubran Foto da inversão térmica: Gabriel de Andrade Fernandes

Pág. 36 Imagem de satélite (acima, à direita): 2008, Vistadivina / NASA`S Earth Observatory Fotos: Kiko Ferrite Mapa de Bebedouro: Eli Sumida Pág. 37 Imagem de satélite (acima, à esquerda): 2008, Vistadivina / NASA`S Earth Observatory Foto Rodoanel: Dolf Mapa Rodoanel: Eli Sumida Ilustração do foguete: Alexandre Jubran Pág. 38 Ilustração do trem: Tato Araujo Fotos: Kiko Ferrite Pág. 39 Fotos de Bebedouro: Kiko Ferrite Foto da Avenida Luiz Carlos Berrini: Anderson Mancini Centro de São Paulo (1900): Bianca Bueno Avenida Paulista: Marlon Hammes Shopping Aricanduva: Arquivo Shopping Aricanduva Págs. 40 e 41 Mapas: Eli Sumida Ilustrações: Meire de Oliveira Pág. 42 Fotos de Bebedouro: Kiko Ferrite Imagens da revista: Arquivo pessoal

Págs. 46 e 47 Ilustração da Terra: Sattu Ilustração do mapa: Eli Sumida Pág. 48 e 49 Mapas: Eli Sumida Ilustração: Sattu Pág. 50 e 51 Ilustração: Sattu Menino na bicicleta e garotos sentados: Kiko Ferrite Cestos:Mão de crianças na mudas de planta:Reciclagem: Angela Sevin Pág. 52 Imagens de satélite: 2008, Vistadivina / NASA`S Earth Observatory Pág. 53 Mapa das unidades de relevo: Eli Sumida Pág. 54 e 55 Ilustração: Tato Araujo e Sattu Foto: Folhapress Mapa: Eli Sumida

Mapa da Bacia do Prata: Eli Sumida Pág. 60 e 61 Mapa da escassez: Eli Sumida Ilustrações: Sattu Págs. 62 e 63 Foto do aterro: Kiko Ferrite Ilustrações das maquetes: Alexandre Jubran Págs. 64 e 65 Imagem de satélite: 2008, Vistadivina/ Digital Globe Ilustração: Tato Araujo Foto: João Athaíde Pág. 66 Altiplano: Kanji Roushi Savana: Juan Jaén Patagônia: Tibby Jones Mapa do Brasil: Eli Sumida Pág. 67 Ilustração: Alexandre Jubran Matas Atlânticas: Glauco Umbelino Mata das araucárias: Felipe Miguel Cerrado: Jairo BD Campinarana: Daniele Gidsicki Caatinga: Maria Hsu Campos: Edu Fon Mata dos cocais: Lailson Bandeira Complexos do Pantanal: Raphael Milani Vegetação litorânea: Luísa Alvim Florestas Amazônicas: Veronique Debord Pags. 68, 69, 70, 71, 72 e 73 Ilustrações: Alexandre Jubran

Págs. 56 e 57 Ilustração: Alexandre Jubran

Págs. 72, 73, 74 e 75 Ilustrações: Céllus

Pág. 58 Mapa de Bebedouro: Eli Sumida Fotos: Kiko Ferrite

Págs. 74, 75, 76 e 77 Ilustração: Céllus

Pág. 59 Ilustração dos rios celestes: Sattu

Págs. 80, 81, 82, 83, 84, 85, 86 e 87 Ilustrações: Sattu Pág. 88 e 89 Imagem de satélite (nas duas páginas): 2008, Vistadivina / NOAA's National Geophysical Data Center Imagem de satélite (menor): 2008, Vistadivina / Image Science and Analysis Laboratory, NASA-Johnson Space Center, "The Gateway to Astronaut Photography of Earth" Págs. 90 e 91 Ilustrações: Sattu Mapa da rede elétrica: Eli Sumida Pág. 92 Mapa da energia: Eli Sumida Pág. 93 Foto: Folhapress Págs. 94 e 95 Organograma: Céllus Foto: Folhapress Imagens dos documentos: Eduardo Delfin Págs. 96 e 97 Ilustrações: Alexandre Jubran Pág. 98 Foto das crianças de Bebedouro: Kiko Ferrite Foto das peruanas: Caio Vilela Pág. 99 Fotos: Caio Vilela Pág. 100 Foto: Pedro de Moraes

Págs. 78 e 79 Ilustração: Caeto

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Este livro foi composto nas fontes Filosophia e DIN, em papel CouchĂŠ Brilho 115 g/m3, impresso em off-set na grĂĄfica RR Donnelley, em outubro de 2008


C onhecer o local onde moramos , em qualquer que seja a escala , é fundamental para que cuidemos de nosso espaço . A final , só zelamos por aquilo ao qual nos sentimos pertencentes . O objetivo do A tlas A mbiental : B ebedouro , SP, B rasil é estimular a noção de pertencimento de forma a contribuir para que as novas gerações desempenhem um papel ativo neste mundo que as cerca

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