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4 Cidades

SEXTA 26, OUTUBRO, 2012

MarcosTavares Linha direta com a coluna: marcostavares@jornaldaparaiba.com.br

ENTRE O TERROR E A IDEOLOGIA Mandela era um perigoso terrorista para os Sul-Africanos do apartheid. Tiradentes foi enforcado por espalhar a conjura contra a coroa, e nossa presidente Dilma esteve na lista dos mais procurados pelas autoridades revolucionários que comandavam a ditadura. O terror virou assunto de pauta depois de onze de setembro e hoje a palavra assume as conotações mais terríveis, esquecendo nós que a roda da história gira e que o terrorista de hoje pode ser o mandatário do amanhã e o terror que ele espalha considerado um meio legítimo de galgar o poder. O terrorismo teve suas raízes nos anarquistas do século XIX que, barbados, de má catadura e com bombas na mão, estereotiparam a Þgura até que ela foi substituída por um homem encapuzado depois do atentado contra atletas israelenses nas olimpíadas. Para os EUA vencer o terror tornou-se a bandeira máxima da República, um terror que eles exerceram contra o domínio inglês quando pleiteavam sua liberdade. Logo, pode-se condenar os meios, mas o mérito Þca por conta dos caprichos indeÞníveis da história. O terror islâmico é tão religioso como ideológico, pois a luta pela fé está intimamente ligada às questões de independência e autonomia como a dos palestinos. Logo não é Deus, mas os homens que estão em jogo, pois o Islã será para sempre enquanto o terror pode ter vida curta. O necessário é que não se confunda o terror sem pátria pela luta de quem busca a liberdade e o Þm da opressão, porque rotular de terrorista todos que empunham armas é arriscar cair num confronto com o futuro.

O terror islâmico é tão religioso como ideológico, pois a luta pela fé está ligada à independência

Forçando a barra Militantes do ex-coletivo ricardista agora ligados ao prefeito Agra forçam a barra como podem para empinar o nome do prefeito da capital como candidato a governador. Sabedores da pouca densidade política de Agra investem fundo numa opção de Cássio liderando a chapa e Agra como seu vice e até chegam a anunciar gestões nesse sentido. No que tange ao senador Cássio Cunha Lima, sua ligação com Ricardo Coutinho continua em céu de brigadeiro.

Fome Oportuna, muito oportuna a intervenção do deputado Trócolli Júnior pedindo a reativação do programa Pão e Leite que atende os famintos da Paraíba. Os beneÞciados pela distribuição não podem nem devem ser penalizados por processos burocráticos ou desvios acontecidos anteriormente. A fome não pode esperar que a lenta máquina administrativa funcione.

TROCANDO FǜǣǠǧǜ GǜǪǫǜǠǩǘ

A demora é contarem os votos do segundo turno e vai começar o troca-troca de partidos. Todos os políticos vão à busca de legendas mais robustas e, principalmente, que estejam no poder.

Corporativos O Estado encontra diÞculdades para contratar médicos que insistem no sistema de cooperativas, onde tem mais poder de fogo. Esse espírito corporativista vai deixar pacientes sem atendimento e gerar novo caos na saúde.

Forró pesado Nada menos que R$ 31 mil foram queimados por alguns municípios nas festas juninas, isso em plena seca calamitosa. O recordista é o pequeno município de Várzea onde não se tem pão, mas tem circo garantido.

Cotas As cotas raciais e sociais

começaram mal. Já atrasaram a data do PSS que estava marcada há meses. Um problema para os vestibulandos.

Concursos Contrariando a Lei de Responsabilidade Fiscal e resolução editada pelo TCE, prefeitos derrotados abrem concursos nos seus municípios. Esses atos, por força legal, serão completamente nulos.

Bolha Não existe bolha prevista na construção civil. O que pode haver é uma regulamentação do mercado. Como a oferta sobe a cada dia, a procura - e os preços devem cair. Mas o ramo continua forte.

TRT prorroga contrato de cooperativa médica Governo do Estado tem até o dia 19 de dezembro para contratar médicos para hospitais FǜǣǠǧǜ GǜǪǫǜǠǩǘ

Luzia Santos

Uma nova decisão do Tribunal Regional do Trabalho na Paraíba (TRT/PB), assinada pelo juiz Arnóbio Teixeira de Lima, ampliou até 19 de dezembro deste ano o prazo para o governo do Estado manter contratos com cooperativas de especialidades médicas. A decisão divulgada na tarde de ontem permitiu o retorno dos médicos cooperados aos hospitais da rede pública do Estado. Horas antes da publicação da determinação judicial, o Ministério Público Federal (MPF) chegou a encaminhar ao Ministério da Saúde o pedido de intervenção da Força Nacional do Sistema Único de Saúde na Paraíba. Segundo o MPF, a recomendação para a intervenção

INTERRUPÇÃO. Atendimento ficou comprometido no Arlinda Marques

da Força Nacional na Paraíba foi feita em razão do caos na rede hospitalar pública estadual decorrente da suspensão do trabalho prestado pelas cooperativas médicas, como determinou sentença judicial do Tribunal Superior do Trabalho (TST), proibindo esta moda-

lidade de contratação, e não substituição dos profissionais por concursados. Antes da prorrogação do prazo, a informação era de que todos os contratos com cooperativas deveriam ser encerrados até o dia 23 deste mês (última terça-feira). Em caso de

descumprimento, as cooperativas assim como o Estado poderiam ser multados em R$ 10 mil por cada cooperado encontrado atuando no setor público. Mas com a dilatação do prazo, a Secretaria de Estado da Saúde (SES) ganhou mais 55 dias para substituir os cooperados por médicos concursados. Devido à nova conjuntura, a recomendação do MPF perdeu o efeito. Contudo, o procurador da República, Duciran Farena, garante que o pedido serve para alertar o Ministério da Saúde sobre a gravidade da situação da saúde na Paraíba. O procurador, que também é autor da recomendação, reitera que as providências para sanar o problema deveriam ter sido tomadas há muito tempo pelo Estado, que não pode contar com prorrogações judiciais.

Estado deve firmar novos contratos O secretário de Estado da Saúde, Waldson de Souza, garantiu que está providenciando soluções para o impasse. “Já estamos tomando providências de lançamento de edital para contrato de prestação de serviço em excepcional interesse público”, afirmou o secretário de Estado da Saúde, Waldson de Souza.

Ele ressaltou ainda que “agora, temos que considerar a prorrogação deste prazo para obter negociação com mais médicos, mas o primeiro passo é para regularizar o atendimento à população e garantir o cumprimento da escala de plantão”, declarou Waldson. Segundo o Ministério Pú-

Interdição no A' rlinda' Pela manhã, o bloco cirúrgico e a Unidade de Terapia Intensiva do Complexo Infantil Arlinda Marques, em João Pessoa, foram interditados pelo Conselho Regional de Medicina (CRM/PB) por falta de médicos cirurgiões, pediatras e anestesiologistas. O presidente do CRM, João Medeiros, afirmou que "a interdição foi uma medida necessária, mesmo que constrangedora". No Hospital Edson Ramalho as cirurgias foram reduzidas. No Hospital Clementino

Fraga, os médicos fizeram contratos individuais e os serviços não teriam sido prejudicados. Na última quarta-feira, com a UTI do Arlinda Marques fechada, o hospital teve que negar a internação de um bebê de apenas 45 dias, que morreu horas depois no Trauminha. A família alega que a criança morreu por falta de atendimento. No final da tarde, o secretário de Estado da Saúde (SES) afirmou que o atendimento nos hospitais estava normalizado.

Mão de obra difícil Sobre a pouca procura de médicos para as 259 vagas de contratação imediata, o secretário de Estado da Saúde, Waldson de Souza, foi enfático. “Estamos tratando de uma mão de obra muito difícil, que são especialidades médicas com poucos profissionais, como os cirurgiões pediátricos”, declarou. Das 259 vagas ofertadas em processo seletivo simplificado, apenas 30 médicos se inscreveram. O secretário refutou que a pouca participação de can-

didatos em seleções públicas do Estado seja por causa dos baixos salários. “Não há dúvida de que se trata mais de uma escassez de profissionais do que a baixa oferta salarial. Não é possível atender à reivindicação do piso nacional dos médicos, que corresponde a pouco mais de R$ 9 mil. A remuneração médica passa por uma condição do Estado em ter que definir valores dentro da responsabilidade fiscal”, garantiu.(Colaborou Jaine Alves)

blico do Trabalho da Paraíba (MPT-PB), a Ação Civil Pública (ACP), movida pelo órgão, já foi transitada em julgado no Tribunal Superior do Trabalho e não cabe mais recurso ao governo da Paraíba, portanto, apesar da prorrogação, a contratação entre Estado e cooperativas médicas deve acabar em dezembro. “La-

mentamos a negligência do governo de não ter realizado, desde 2006, concurso público com salários atrativos para os médicos e ressaltamos que quaisquer danos que a sociedade venha a sofrer por conta disso, é por irresponsabilidade do governo”, destacou o procurador chefe do MPT-PB, Eduardo Varandas.

DÉFICIT DE PROFISSIONAIS

Falta mastologista nos hospitais da PB Givaldo Cavalcanti

Ao final de um mês com reflexões acerca da necessidade de prevenir o câncer de mama, que ficou conhecido como Outubro Rosa, um dado deixa em alerta o Estado da Paraíba: o baixo número de médicos mastologistas, especialistas na prevenção e combate à doença. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o ideal é que a cada 100 mil habitantes existam 20 mastologistas. Contudo, em todo o Estado, segundo levantamento do Instituto Nacional do Câncer (Inca) só existem 30 profissionais dessa área. Esse cenário fica ainda mais preocupante já que há uma concentração desses especialistas em João Pessoa. Foi o que confirmou o último levantamento do Conselho Federal de Medicina realizado em 2011, que constatou que 15 profissio-

nais atendem na capital, enquanto que a outra metade está distribuída no restante do Estado. Essa realidade deixou a mastologista Marina Cartaxo Patriota, do Hospital Napoleão Laureano, preocupada, uma vez que além de poucos profissionais, o paciente ainda tem demorado para buscar atendimento médico. “O paciente demora muito a chegar ao mastologista e todo esse tempo que ele perde é importante para o tratamento", disse a especialista. Em Campina Grande, apenas quatro mastologistas atendem pelo SUS. Segundo Fátima Patrício, coordenadora da Saúde da Mulher no município, o serviço atende cerca de 10 mulheres por dia. A média de retirada de nódulos chega a 40 por mês, o atendimento é feito no Hospital Universitário Alcides Carneiro (HUAC).

Frases... BARULHENTO - O rock é o barulho mais parecido com a música que existe.

INFERNAL - Não é à toa que se chama boate de inferninho. DEMORA - Sexo antes do casamento atrasa a cerimônia.

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