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nota de abertura Foi particularmente fértil a Actividade Editorial do ISPV neste final do ano de 2001. De entre as obras editadas, sublinham-se aqui algumas notas fundamentais sobre O REGRESSO À CONDIÇÃO Viseu ut pictura poesis (Horácio), na linguagem de Leonardo, pintura é poesia muda, encanto para os olhos; poesia é pintura feita de palavras canto para os ouvidos. Na sua dupla vertente: poesia e pintura. Antes de mais, o prazer de fazer “Regressar à Condição” o que é nosso pelo nascimento, o que é nosso pela cultura, o que é nosso pelo amor a esta região. Fazer regressar a Viseu nomes que cruzaram e recruzaram as ruas, as vielas e as praças da cidade e que com ela mantêm uma relação íntima e fraterna; gente do mundo da formação, que trilha um caminho para a modernidade do milénio; autores prestigiados e prestigiantes. Depois, construir com este Regresso à Condição uma geografia do pensamento, de emoções e de linguagens que os disseminam, simultaneamente, produção e reprodução de uma identidade cultural, de visões e de perspectivas únicas da vida, num tempo de sociedades industriais e de serviços, de amplas regiões densamente urbanizadas, de instituições caracterizadas por burocratizações permanentes e intensas, penetrantes, corrosivas dos quadros mentais dos indivíduos e dos ambientes sociais em que eles se movimentam; de uma identidade cultural capaz de se subtrair às rotinas e ao cerco das pressões desse movimento tectónico de hábitos e de sonhos, desse turbilhão de mudança que dá pelo nome de globalização, potencialmente gerador de uniformizações; de um acto de libertação da ilusão do fundo da desesperança; de re-invenção da beleza na busca da memória e da sua preservação, sempre mantendo vivo o espírito da subversão através de gramáticas individuais, de palavras, de nomes, de rostos. Através de linguagens, divinas e misteriosas como organismos vivos, doces e amargas como os dias, que não se entrincheiram por detrás de muralhas impenetráveis, para se protegerem do novo, autoimolando-se, antes se abrindo ao pulsar da vida de cada momento sem nela se dissolverem, re-elaborandoa, re-criando-a. Com as sonoridades e as tonalidades ○ ○ ○ ○ matriciais do seu universo de referências, preservando, assim, a sua diferença. O que equivale a dizer, a sua liberdade. Uma linha editorial que o ISPV vai aprofundar no futuro. (ver pp.12 e 13)

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Polistécnica

A memória das instituições constroi-se em cada fracção do tempo. De forma imperceptível. Mas imperecível. Nos volumes e nas silhuetas de arquitecturas nascidas de energias germinadas no pensamento. Nas palavras e nas ideias de quem nelas trabalha e nas daqueles que as privilegiam com a sua presença solidária.

O Prof. Doutor José Hermano Saraiva proferiu na Escola Superior de Educação, em 29 de Março de 2000, uma conferência - O Balanço do Milénio. Foi uma lição oportuna, com retratos vivos de mil anos da história da Europa, das suas grandezas e misérias. Foi pequeno o espaço para conter toda a comunidade académica. Polistécnica oferece-lhe aqui alguns passos significativos deste evento.

O professor Doutor José Hermano Saraiva esteve no ISPV. Mais concretamente, na Escola Superior de Educação, em 29 de Março de 2000, a convite de FORUM MEDIA, órgão do Curso de Comunicação Social. Começou por referir o Professor ser muito difícil falar do milénio que ele próprio tinha muita dificuldade em compreender. Um milénio cheio de contradições, de movimentos, de avanços e de recuos.

Referiu, seguidamente, não querer esconder o seu prazer por falar aqui, num Instituto Politécnico, porque os institutos politécnicos lhe dizem muito. Nas suas palavras: Fui eu quem criou em Portugal os institutos politécnicos. Em 1969. Foi extremamente difícil convencer o Doutor Marcelo Caetano a aceitar a palavra “politécnico”. Para ele, politécnico pertencia exclusivamente à Universidade. Enfim, foi uma luta em que, se a palavra ganhou, isso se não deve a mim. Deve-se a um grande aliado que eu tive, e que ainda é vivo. Foi o engenheiro Leite Pinto... Politécnico quer dizer todas as técnicas, e é um nome que fica bem a este ensino.

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E mais adiante: A criação da instituição de ensino politécnico como grau novo, como grau diferente no ensino, primeiro, é um protesto contra o snobismo. Quando me falavam em ensino superior, eu perguntava sempre: Mas superior a quê? Mas superior a quê? Depois, o politécnico é uma tentativa de articulação entre a planificação do ensino em Portugal e as necessidades do desenvolvimento português. Como sabem, não há relação nenhuma entre as projecções que nós podemos fazer das necessidades do nosso desenvolvimento e o número de alunos que estamos a admitir nas respectivas especialidades. Nós podemos precisar amanhã de ter dez mil médicos. As vagas e o numerus clausus das universidades não têm isso na mínima consideração. Em compensação, podemos não precisar de mais que cem psicólogos e temos sete ou oito Faculdades de Psicologia a funcionar. Nesta altura temos a frequentar a Universidade mais de um terço de milhão de jovens, mais de 350.000 estudantes. Cada um faça os vaticínios que quiser para o futuro. O que ninguém pode prever é que, nos próximos anos, o mercado de trabalho português tenha postos de trabalho exigentes de licenciatura em números de 350 mil. Infelizmente, nem a quinta parte será verdade. Foi exactamente para colmatar este problema que nasceu o politécnico. Daí que, quando venho aos politécnicos, eu sinto-me, enfim, de certo modo realizado. É como quem deitou uma semente que não morreu de todo.

O professor falou depois do milénio. De um nome e de factos significativos por cada século. Falou das invenções; do pêndulo e da numeração árabe; de Jerusalém e das Cruzadas da Cristandade contra o Islão; do movimento de criação das Universidades; de Dante Alighieri e da cultura; do fim da Idade Média com a queda de Constantinopla; da invenção da imprensa; das descobertas portuguesas; de Giordano Bruno e da Santa Inquisição que lhe tirou a vida; da ideia de unificação do mundo e da oposição a essa globalização; do século das luzes, de renovação mental; da tirania e da ambição de Napoleão, mas também do triunfo da ordem jurídica burguesa na Europa; de Eça de Queirós e do seu profundo entendimento das podridões ○ ○ do mundo burguês; das guerras mundiais do século XX e da Guerra Fria; do governo do mundo actual pelo dinheiro. Um poder que, segundo o professor, se preocupa apenas com a sua própria multiplicação e não faz reinar no mundo os valores eternos da humanidade e da justiça.

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tp.vpi.www


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IN MEMORIAM... de Gente do Instituto Superior Politécnico de Viseu

Lúcia Maria Pereira de Almeida Ramos (1951 - 1999)

Coisas da vida! Desencontros e encontros. Inesperados ou destinados? Nascemos na mesma terra, no mesmo dia, mas em dias e anos diferentes: três anos nos separam. Conhecemo-nos cedo e há muito tempo. A nossa infância foi comum. Crescemos juntas, brincámos juntas, frequentámos a mesma escola primária. Mas neste cruza e descruza em que se entretece a vida, perdemonos. Na adolescência e na juventude frequentámos os mesmos lugares: o grupo coral, o grupo de teatro. Estávamos juntas mas já não estávamos juntas. Tu foste para o Porto, eu para Coimbra. Mundividências e experiências diferentes... Entretanto, neste vai e vem, eu deixei de aparecer. Só muito esporadicamente revisitava a terra e as gentes. Tu, pelo contrário, ficaste e fixaste-te na terra. Lembro-me de como nos reencontrámos, por acaso, muitos anos mais tarde. Em Viseu, nas instalações da ESEV, funcionando, então, na ex INEI. Tu eras lá professora. Eu residia já em Viseu e era professora na Escola Secundária Emídio Navarro. Entrei à

fazer elogios, como é costume... Mas na simplicidade das palavras do poeta, encontrámos a expressão de algumas...

A morte chega cedo, Pois breve é toda a vida O instante é o arremedo De uma coisa perdida.

O amor foi começado, O ideal não acabou, E quem tenha alcançado

procura de alguém e lá estavas tu sentada naquela sala. Nem sequer te reconheci. Mas tu reconheceste-me e vieste a correr

Não sabe o que alcançou.

atrás de mim, já eu me vinha embora. De novo nos perdemos. Alguns anos depois, em finais de 89,

E a tudo isto a morte

entro eu como professora requisitada para a ESEV. Reencontrámo-nos, então, para não mais nos perdermos. Pelo menos, fisicamente. Até que a vida se encarregou de nos separar. Definitivamente.

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Poderíamos dizer muita coisa, contar muitas histórias,

Enquanto profissionais na mesma escola nem sempre estivemos de acordo, raramente tínhamos opiniões idênticas e quase nunca defendíamos a mesma posição. Um dia fui visitar-te à clínica onde foste operada, em Aveiro.

Risca por não estar certo No caderno da sorte Que Deus deixou aberto. ... A morte é a curva da estrada, Morrer é só não ser visto. (...)

Tinhas acabado de sair. Foi o nosso último encontro; afinal, um desencontro. Mais um dos desencontros da vida.

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Fernando Pessoa

Mas na nossa lembrança e na nossa memória ainda hoje nos encontramos. Para além de todas as partidas que a vida nos E as outras?... Foram ditas em vida!

prega. Maria de Jesus Fonseca

Das colegas da área de Psicologia


IN MEMORIAM... de Gente do Instituto Superior Politécnico de Viseu

Alma nobre, gentil, de grande dedicação às funções que desempenhava. António Soares de Sousa Uma ética profissional profunda. A crença, e a prática, na formação ao longo da vida. Vasco Oliveira e Cunha

Teresa Morais (1954 - 1997)

Tantas e tantas paródias podia aqui descrever-vos, meu Deus! Mais que muitas! Mas, uma, repetida vezes sem conta sempre que dela falamos, aqui vou referir. Fumadora inveterada, regra geral matava o vício no seu local de trabalho. Mas, às vezes, movida por estranhas forças, ia ter comigo e oferecia-me um cigarrito. SG Ultra Light, o da embalagem alaranjada. Apesar de habitualmente não fumar, de quando em vez até gosto de armar ao pingarelho. Naquele dia, ela, encostada à janela, o seu local predilecto, eu, sentada na secretária, em amena cavaqueira, lá estávamos as duas na fumaça. Eis senão quando, entra-nos porta dentro o Presidente do Instituto e apanha-nos com a boca na botija. Melhor dizendo, com a boca no filtro. Entre cigarros apagados à pressa e escondidos à socapa, foi uma risota. Sempre assim foi o nosso relacionamento. Na base da amizade e, sobretudo, respeito mútuo. Até ao dia em que, por vicissitudes profissionais, nos deixou fisicamente. Mais tarde, de forma assarapantada, fomos informados do seu internamento e consequente cirurgia. Num quarto do velhinho Hospital de São Teotónio, tivemos oportunidade de atordoar algumas saudades. Mal desconfiávamos nós que já era o início do fim... Voltei a vê-la apenas mais duas vezes. A primeira, quando, um dia que não posso precisar, ao Instituto se dirigiu para participar numa acção de formação. A última, no dia 2 de Março de 1997, na capela de São Sebastião. De castanho vestida e já em rigor mortis. De permeio, ficaram alguns galhofeiros telefonemas, uma mão cheia de fraternos bilhetinhos e um sem número de indesculpáveis promessas de almoço. Dela guardo um cartão de boas-festas, datado de Dezembro de 1996, onde me dizia: ainda preciso muito que reze por mim. Como se diz na minha terra, hambanine (adeus) Teresa. Nunca te tratei por tu, mas faço-o agora. hambanine e kanimambo (obrigada) por seres minha amiga! Falo no presente, porque acredito que ainda o és. Mais, sinto-o!... São

Tive o gosto de trabalhar com a Teresa Morais. Funcionária dedicada, inteligente e amiga, possuía, igualmente, espírito crítico e de iniciativa, que tanto ajuda quem pretende realizar algo de novo e não se quer deixar vencer pela rotina. A Teresa deu o seu contributo para esta nossa obra que é o Instituto, e tem a sua parte, que lhe pertencerá para sempre. Mário Guerra

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Era uma mulher de carácter indomável, de lealdade assumida à distância e duma competência profissional reconhecida por quem teve a felicidade de com ela trabalhar. João Pedro Antas de Barros


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possam tornar-se cada vez mais intensos e palpáveis. Cada vez mais ramificados.

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Vasco Oliveira e Cunha

O ISPV e a Formação Cultural Humanista De forma não inocente passa-se hoje, frequentemente, uma ideia redutora do Ensino Superior Politécnico: máquina produtora de fazer, sem curar da formação científica e cultural, a formação humanista e humana integral, a grande ausente. No plano da construção curricular, diz-se, a ideia conduz, inevitavelmente, a faixas estreitas de aprofundamento do saber específico sem a dimensão do humano. Lembro-me, e os da minha geração também, da atmosfera fria dos meados do século XX, os cientistas físicos e os intelectuais literários vivendo de costas voltadas. Os primeiros, recusando o epíteto de científico ao domínio da pesquisa humanista; os segundos, não descobrindo no laboratório qualquer vestígio do homem. Em síntese, posicionamentos quase impeditivos do diálogo. Houve honrosas excepções, certamente. Por exemplo, e apenas como ilustração, a leitura de Platão, de Homero e de Virgílio em cursos de Física Atómica. Algures no mundo. No nosso tempo, e em contra-ciclo com o despertar e a multiplicação mais visível dos patrimónios nacionais das realizações humanas, e muito sorrateiramente, criam-se condições para a morte gradual da cultura. Ou, pelo menos, para a esconder dos olhos e dos ouvidos do mundo, não vá ela beliscar a sacrossanta ditadura das tecnologias de todas as colorações. O mercado é um dos culpados. O outro, somos nós próprios. Há sinais de esperança, contudo. Visíveis em muitos lugares do mundo, alguns mesmo impensáveis, ○ embora ○ ○ ○ nem sempre com o desapego e a distanciação totais das questões de natureza material. Leiam-se, na nota de rodapé, alguns títulos que são best-sellers na América e na Europa 1 . Sinais de esperança, certamente, no Ensino Superior em Portugal. No conjunto do ISPV. Só podemos desejar que eles

O ISPV elegeu a formação cultural e humanista como uma das suas grandes linhas de intervenção, adicionando-a à formação científica das suas Unidades Orgânicas. Enriquecendo-a. Porque o que está em causa são a pessoa humana e os grandes problemas com que ela tem de lidar – éticos, morais..., sem desequilibrar as emoções. Nos últimos seis anos desenvolveram-se correntes fortes na comunicação científica e cultural, ambas se interligando: a) Na cooperação com outros povos, sobretudo europeus; b) Numa actividade editorial diversificada, assente em princípios de defesa da nossa língua, na convicção profunda de que, como afirmou Ken Hah, docente do Massachusetts Institute of Technology (M.I.T.), perder uma língua é como deixar cair uma bomba sobre o Louvre. De defesa, ainda, da criação literária e artística de poetas, de prosadores, de ensaístas, de artistas plásticos da região de Viseu. É conhecido de todos o quadro actual neste último sector: edição regular de duas publicações periódicas – Millenium e Polistécnica; criação de LIVROS DO ISPV, com dois princípios primeiros – defesa e cultivo da língua portuguesa e privilégio concedido a autores de Viseu. Por nascimento, ou por opção. Séries diversas, cada uma delas dedicada à produção literária – poética, narrativa, ensaio, crítica, etc. Um património que vai enriquecer-se com o lançamento próximo de uma revista de investigação científica; com alterações a introduzir em Millenium, ao entrar no seu sétimo ano de vida; com a manutenção de Polistécnica, no formato actual; com a criação de uma revista específica de Relações Internacionais, Filoxenia, parcialmente subsidiada pelo Programa Sócrates; com o aprofundamento da edição de LIVROS DO ISPV, concretamente, a publicação de quatro títulos/ano.

1

Morris, T., If Aristotle Ran General Motors: The New Soul of Business Marinoff, L., Plato, not Prozac! Applying Philosophy to Everyday Problems de Bouton, A., How Proust Can Change Your Life


O ECO DO LIVRO (em sete espiras)

é uma das mais recentes edições do ISPV. Trabalho inteiramente realizado pelos alunos da disciplina de História do Livro, do Curso de Animação Sociocultural da ESEV, sob a orientação de Maria Teresa de Barros, dele se transcrevem aqui a primeira e a última páginas, não sem antes se salientar que texto e ilustrações merecem uma leitura, que é breve, e uma reflexão, obrigatoriamente longa, sobre o LIVRO no nosso tempo. “Na aurora dos tempos havia no Reino de Homo uma cidade fortificada onde moravam os sapiens sapiens e que tinha o nome de Alfa, ou Beta, ou Alfabeta. Havia um enorme fosso à volta da muralha, com várias pontes levadiças conhecidas por caracteres, que não serviam para entrar nem para sair, mas apenas para fazer sonhar a evasão. De cada vez que um velho sapiens sapiente morria de sapiência, a população construía com a sua filosofia um novo passadiço sobre o fosso, até que foram vinte e três as pontes gráficas, uma por cada sapiens visionário morto. Então aconteceu que um sapiens sapiens mais curioso, que nunca fizera meditação, decidiu desafiar as leis milenares, e exigiu que os vinte e três passadiços volantes fossem rebaixados, pois queria saber o que havia para além do belo Reino de Homo, habitado por seres idênticos e vigorosos, de ombros largos e microcéfalos.” “Assim se foram espalhando navegantes pelos mares da Internet, esquecidos da vida simples de todos nós, dos campos e das montanhas, anulando o tempo e o espaço em redes e ancoradouros situados em todas as ilhas do conhecimento e onde não é possível viajar sem números, letras ou imagens. Quanto à felicidade, diz-se que Bill Gates, filho de Gate, “o Portão”, a enclausurou numa moradia à beira de um lago com vinte e sete dependências, uma biblioteca repleta de obras antigas e um desenho de Leonardo da Vinci, rindo-se perdidamente da loucura dos sapiens mais furiosos e onde se refugia para devorar todos os livros que falam de tempos em que o Homo sapiens lia e era feliz.”

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TERÁ PEDRO ALVARES CABRAL NASCIDO EM VISEU?

TEXTOS DO CAPRICÓRNIO

Volume primeiro da série B (Figuras da disseminação) de LIVROS DO ISPV, TERÁ PEDRO ÁLVARES CABRAL NASCIDO EM VISEU? é um trabalho de investigação de Fernando de Gouveia e Sousa (1910-1974), fruto de uma heurística laboriosa e documentada, firmado na vontade de carrilar indícios documentais e na coragem de, sempre no campo probabilístico, sustentar uma tese original e nem por isso facilmente confutável, que compete, em rigor, com quaisquer outras, como escreve no Prefácio Martim de Gouveia e Sousa. Investigação séria e cuidada em torno da matriz primeira de um homem cuja idossincrasia foi caldeada na circunstância beirã, homem de muitos primores acerca de pontos de honra, como escreve João de Barros, e que Jaime Cortesão situava acima da moral comum da sua época. Uma obra de leitura obrigatória para investigadores e estudiosos das coisas de Portugal. Um contributo para o aclaramento da circunstância e do contexto em que nasceu e viveu o descobridor do Brasil.

TEXTOS DO CAPRICÓRNIO é um novo volume de poesia de LIVROS DO ISPV. O número 2 da série B. Poesia de PAULO NETO, viseense por opção, poesia contida, que se abre em imagem e a si regressa na certeza da ambivalência poética criada; poesia que corre rumurosa e silenciosa, caldeada por dentro na torrente sanguínea rente ao pulsar das vísceras, correndo sempre, com desígnio e sem carícia, não obstante a família poética que consigo entronca, em direcção ao estuário dos três caprichos, locus sanctus que abraça as ondas do mar do corpo; voz poética de um corpo indigente e nostálgico de continuar-se que abraça a furiosa ânsia de se ver no outro, na perspectiva de Martim de Gouveia e Sousa, o prefaciador. Trezentos e sessenta e cinco tercetos heterorrimáticos, ficção de um ano, labor de quarenta e oito dias, como diz Paulo Neto, que passam a constituir a primeira obra editada do poeta e que enriquecem o património cultural e, naturalmente, social do ISPV.

Nota pessoal do Coordenador de POLISTÉCNICA: Tive o privilégio de manter com Fernando de Gouveia e Sousa uma boa e longa amizade. Professor, como eu, na Escola Secundária Emídio Navarro, em Viseu, nos anos setenta, sempre nele admirei o saber, a educação, o carácter sólido, o modo inteligente de ver o mundo. Redobrado prazer este de editar um dos seus muitos trabalhos de pesquisa! Fernando Augusto de Gouveia e Sousa (Bigas, 1910 - Viseu, 1974). Professor e genealogista. Funcionário da Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, tradutor empresarial e docente de Inglês, Alemão e Português. Investigador sagaz, deixou obra apreciada no domínio histórico-genealógico: D. Ricardo Russell - um inglês, Bispo de Viseu (1951); Famílias da Beira (1951-1952); A propósito do livro recentemente publicado sobre Soares de Albergaria - rectificações e aditamentos; uma resposta (1952); Teria Pedro Álvares Cabral nascido em Viseu? (1968); Os ascendentes de Pedro Álvares Cabral nas suas relações com a cidade de Viseu. ○ ○ ○ ○ ○ Terá ○ ○ o ○navegador nascido nesta cidade? (1969); Gente Nobre de Besteiros nos séculos XVI, XVII Contribuição para o estudo das famílias da Beira (1971); Esquema genealógico de António Corrêa de Oliveira (1971) e Os Almeidas do Almotacé-Mor, Almeidas do Couto de Viseu ou Almeidas "Valores do Mundo" (1973). Colaboração em Jornal de Viseu, Beira Alta e Boletim da Academia Portuguesa de Ex-Libris.

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Polistécnica oferece-lhe hoje alguns poucos exemplos da criatividade do autor: 1 honro-te com o sacrifício do meu corpo não me castigues exalta-me não há culpas e se houvesse recorda que nem os próprios deuses castigaram os culpados 13 três árvores bastam para a fogueira queimo a insídia nesse altar e nas brasas purifico minhas mãos 88 veia de loucura venerada na pulsão nela correm sangues de vénus 180 temia dantes aos deuses o além e a morte hoje temo-te a ti aqui tão viva... Paulo Neto nasceu em Aveiro, em 1955. Vive em Viseu, e é professor da ESEN e no ISCE; colaborador periódico em jornais, com artigos de opinião, em revistas pedagógicas e em revistas literárias, com ensaios, contos e poesia; membro do conselho redactorial da revista de arte e crítica literária AVE AZUL. A sua formação académica foi feita na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, na Universidade de Poitiers, e na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.


Millenium nº 23 Publicado em Agosto último, este número é inteiramente dedicado ao FESTIVAL DE CONTADORES FRANCÓFONOS (21-23 Março), integrado no Ano Europeu das Línguas 2001, da responsabilidade da Área Científica de Francês da Escola Superior de Educação de Viseu. Intitulado “Ouvrez les oreilles pour écouter: une histoire arrive”, os objectivos do festival foram, como refere Ana Maria Oliveira na Introdução, os seguintes: ilustrar a riqueza linguística e cultural francófona; sublinhar a importância do pluriculturalismo dentro do espaço francófono; explorar o laço entre as tradições e a pedagogia do conto; explicitar outras abordagens comunicativas motivadoras no ensino/ aprendizagem do Francês como Língua Estrangeira (FLE). Neste número, os leitores de Millenium têm a oportunidade de partilhar experiências pedagógicas e histórias do mundo francófono vividas em Março na Escola Superior de Educação de Viseu e de conhecer três magníficos contadores. De Philippe Campiche, professor, entre 1982 e 1995, na École Active de Chêne—Bourg (Suiça), disse Véronique Delplancq, a docente da área que apresentou os contadores, que ele descobriu o conto em 1986, e viu nele “uma mão estendida para os outros homens para a partilha fugaz de simples momentos de graça, porque, talvez, as palavras do conto possam curar os males do mundo”. Contador de histórias “apaixonado e apaixonante”, originário da Gasconha, Henri Cazaux transmite a sua “paixão pelas palavras, tornando compreensível a experiência humana e sustentando a reflexão.” Do terceiro contador, Marc Laberge, membro da União dos Escritores do Québec, autor, conferencista, fotógrafo, etnógrafo e, a partir de 1991, contador de histórias, criador do Festival Intercultural do Conto de Montréal, Canadá, diz-nos Véroniqeu Delplancq: “As suas histórias, criação do imaginário do Québec, conduzem-nos à floresta, à taïga, à tundra. Ao frio intenso dos glaciares.” Um número que privilegiou a língua francesa como veículo de cultura e que fica a dever-se à colaboração esclarecida das duas docentes de língua, literatura e cultura.

Millenium nº 24 Ainda, e uma vez mais, o Ano Mundial da Matemática. MILLENIUM dedicou-lhe em 2000 a secção Educação, Ciência e Tecnologia nos seus números 17(Janeiro), 19 (Junho) e 20 (Outubro). No conjunto, trinta e dois artigos de investigação de proveniência diversificada – Instituto Superior Politécnico de Viseu, Universidades, especialistas estrangeiros – sete dos quais tendo como matriz o 3º MATVISEU, uma realização da responsabilidade do Departamento de Matemática da Escola Superior de Tecnologia (EST) do Instituto Superior Politécnico de Viseu. No ano 2000, a Escola Superior de Tecnologia e o seu Departamento de Matemática estiveram envolvidos, também, em outros programas específicos, desenhados para as Comemorações do Ano Mundial: Tardes de Matemática, Ciclos de Conferências, Forum Matemática e 4º MATVISEU. A organização compilou o conjunto de textos publicados agora no número 24 de MILLENIUM. No seu suporte de papel e em versão electrónica, enriquecendo , deste modo, a presença activa da revista no evento mais significativo da Educação e da Formação na viragem do milénio.

Millenium nº 25 Janeiro de 2002 - Educação Visual e Tecnológica - Perspectivas de 39-45, anos de ○ ○ violência e de morte

11 ○ ○ ○ ○ ○ ○


CONDIÇÕES Este livro nasce de um projecto, inicialmente difuso,

reverteria a favor de instituições de solidariedade social

de suscitar o diálogo entre Pinturas e Poemas de autores que,

de Viseu de apoio às crianças em risco. As obras, doadas,

de alguma forma tenham tido com Viseu uma relação de

integrariam a colecção do I.S.P.V.. Com alguma surpresa

pertença.

obteve-se resposta massivamente positiva.

www.ipv.pt/galeria/regresso

Agregada ao Departamento Cultural, uma comissão de técnicos dos Serviços Centrais do ISPV, viria a integrar

A variação de notoriedades e de reconhecimento

docentes das áreas da Literatura e das Artes Visuais, deveria

público dos autores, a natural variação de registos e de

consensualizar um conceito editorial e algum critério de

maturidades, desarma hipóteses de síntese, conceito,

selecção. Percebeu-se cedo que o processo de diálogo

aliás, de alguma forma oposto ao da colectânea ou da

programado, 1 texto / 1 obra plástica, seria muito difícil de

antologia. Pensou-se porém que a palavra Viseu,

operacionalizar. Entendeu-se que o factor relação - com -

sublinhada naquela frase de Luís Miguel Nava, que

Viseu poderia porém ser mecanismo e, principalmente, pretexto

acaba por ser a epígrafe deste “Regresso”, seria uma

para uma primeira tentativa de identificação de criadores e

honesta bandeira e até um tema gráfico deste trabalho.

património que não pode, até pela modéstia da sua escala e

A colaboração, na exposição, do Museu Grão

do propósito aglutinador, ter pretensões de inventar uma

Vasco, na Casa (Municipal) Almeida Moreira, veio

qualquer região cultural demarcada, uma cultura viseense!

viabilizar condições e critério expositivo que são um

Era consabido, porém, que se ignora a relação de alguns

precioso acréscimo a esta aposta. Num curioso jogo de

grandes artistas com a cidade - ou com o distrito que se optou

reversos, a exposição, inaugurada logo após o

por ser o limite geográfico da inventariação inicial. Por outro

lançamento do livro, resultará no seu catálogo. Porque

lado, muitos laboriosos talentos escapam aos circuitos, aos

o desiquilíbrio a que obras de dimensões tão diversas

mercados, precisamente porque se ocultam, na sua opção de

se sujeitam num formato gráfico único, se resolverá na

viverem em cidades “menores”. Optou-se por fazer um primeiro

memória que nos fique dessa coisa, tão ao contrário da

exercício de Catalogação, na senda de outros trabalhos

leitura, que é a experiência generosa da instalação de

editoriais do Departamento Cultural do Instituto. Como limite,

formas e palavras num espaço etéreo.

estabeleceu-se ainda o da criação artística recente que, pela

Sempre se considerou programático do projecto,

natureza do seu trabalho ou pelas perspectivas que ele abre,

que há muitos regressos e muitas condições; que o

influenciaram uma possível modernidade; evidenciou-se a

exercício da memória é uma arma preciosa de cultura e

inevitabilidade de incluir alguns autores que já não voltam a

que o respeito pela arte, pelo seu trabalho, é o primeiro

Viseu, até pela relação profunda (e nada casual!) que

identificador de uma pedagogia civilizadora.

estabelecem com outros, ainda vivos. Na consciência de que toda a escolha implica alguma

A Comissão Organizadora

violência e algum erro, fez-se um primeiro elenco e enviou-se aos poetas e pintores uma solicitação a que o integrassem. Pedia-se-lhe que nos enviassem uma obra, de preferência inédita, que tivesse Viseu como horizonte e que se destinaria a uma exposição na qual se articulariam obras de pintura ou desenho com os manuscritos dos textos. Os mesmos trabalhos seriam o sujeito de um livro, cuja receita, a vender-se,

Vasco Oliveira e Cunha Ricardo ○ ○Pais ○ Luís Calheiros Luís Miguel Cardoso Martim Gouveia e Sousa Paulo Medeiros Joaquim Amaral Conceição Pereira

13 ○ ○ ○ ○ ○


FILOXENIA

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Polistécnica

A cooperação internacional no ISPV

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Por: Rita Castro Lopes, Sandra Familiar

11ª Conferência Anual da EURASHE Depois de Bolonha Praga: Recentes Desenvolvimentos no Ensino Superior Europeu A construção de uma estrutura de integração como a da União Europeia pressupôe a definição de ambições e, por consequência, meios de atingir as metas fundamentais na unificação do espaço europeu. Esta formulação de conceitos básicos para o culminar de uma organização de espirito integrativo passa pela prática de relações como a Cooperação. A cooperação estendeu-se a vários sectores da vida europeia, congregando uma amplitude de inter-relações que tornam o espaço europeu uma área única de integração. Entre os vários ramos a que se estende a cooperação, salientemos a educação e, em particular, o ensino, não esquecendo que foram estas as únicas áreas de actividade que conseguiram levar mais longe as fronteiras da União Europeia Na verdade, a Europa da Educação é constituída por 30 países e não por 15. Neste longo processo de construção europeia tem vindo a tornar-se evidente a importância básica e vital da educação e formação como meio de atingir os objectivos europeus que passam pela construção de um continente moderno, adaptado ao mundo actual, cada vez mais competitivo. É exactamente no momento em que a educação está a ser alvo de um processo de profunda reestruturação, que se realizou no Instituto Superior Politécnico de Viseu, a XI Conferência Anual da EURASHE ( European Association of Institutions in Higher Education). As questões debatidas foram, no fundo, as grandes questões com as quais se deparam neste momento todos os países envolvidos na criação de um Espaço Europeu de Educação. Na verdade, com a assinatura da Declaração de Bolonha, os 29 países signatários (incluindo Portugal) assumiram um compromisso claro de reformularem os seus sistemas de ensino superior de um modo convergente, no sentido de reunir esforços para a constituição de um Espaço Europeu de Ensino Superior. A Declaração de Bolonha constitui assim um documento chave que marca um ponto de viragem nos ○ ○ ○ ○ sistemas de ensino de todos os países signatários, não devendo ser encarada apenas como uma declaração política, mas sim como um programa de acção com linhas gerais claramente definidas. Encontramos no texto da Declaração um objectivo claro ( a criação de um Espaço Europeu de Ensino Superior, coerente), um prazo realista (o Espaço Europeu de Educação deve estar completo até 2010) e uma

lista de objectivos específicos. Destes objectivos salientam-se a definição de um quadro comum de referência de graus académicos facilmente comparáveis, a criação de cursos organizados em dois níveis diferentes (formação inicial e formação pós-graduada), a generalização do Sistema Europeu de Créditos – ECTS- e a eliminação de todos os obstáculos à mobilidade de estudantes, professores e investigadores. Além disso, a Declaração de Bolonha prevê também um estrutura e um processo de implementação organizados, baseados principalmente na cooperação inter-governamental, conduzida em estreita colaboração com as instituições de ensino superior. Focando o Processo de Bolonha e a questão da Aprendizagem Ao Longo da Vida (ALV), foram abordados todos os avanços realizados até agora nesta matéria, ao mesmo tempo que se discutiu a necessidade de novas abordagens e a tomada de medidas urgentes em áreas que, até ao momento, não foram encaradas com a devida determinação. I - De Bolonha a Praga: As grandes transformações. Guy Haug

Privilegiando a perspectiva dos Institutos Politécnicos, o Dr. Guy Haug, senior advisor da Associação Europeia de Universidades, analisou durante a sua comunicação as mudanças ocorridas no sector politécnico entre a assinatura da Declaração de Bolonha e a recente reunião dos ministros da educação que teve lugar em Praga em Maio de 2001. A Declaração de Bolonha relançou o debate sobre o papel dos dois sectores (universitário e politécnico) em países que optaram por uma estrutura de ensino superior binária1 . O facto de se ter discutido longamente a relevância dos cursos face ao mercado de trabalho permitiu que se encarasse a diversidade no ensino superior como uma condição fundamental para responder às novas exigências, deixando, sem dúvida, uma grande margem de manobra para a consolidação e desenvolvimento do sector politécnico. Na verdade, nos últimos anos temos assistido à expansão do sector em muitas zonas da Europa, o que é efectivamente uma consequência directa da Declaração de


Bolonha. As alterações no sistema de graus académicos reflectem também a tendência para a criação de cursos paralelos de curta duração, com a preocupação clara de os tornar mais relevantes para o mercado de trabalho, o que tem vindo a aproximar o sector universitário e politécnico. Uma outra questão fundamental abordada pelo Dr. Guy Haug foi a da dimensão externa do Processo de Bolonha , factor este que se vai tornar cada vez mais importante. Nota-se na Declaração de Bolonha um claro esforço de tornar a educação europeia cada vez mais competitiva e atractiva para o resto do mundo, tendo ficado demonstrado que, nos últimos tempos, o sector politécnico tem assumido uma posição particularmente importante nesta matéria. Mas, se é inegável que a dimensão externa do processo é de facto um vector fundamental, não podemos ignorar as mudanças ocorridas internamente ao nível dos Estados directamente envolvidos neste processo. Uma das consequências tem sido o revitalizar do debate interno sobre assuntos académicos. Relativamente a esta questão fica o alerta do Dr. Guy Haug para todas as instituições de ensino politécnico: não haverá vantagem nenhuma para o sector tentar estabelecer-se como um sector de ensino académico, entendido no seu significado tradicional. Devemos ter sempre em mente que o futuro da formação e da educação se encontra em áreas em que é vantajoso que o ensino se mantenha diversificado. Também do ponto de vista das políticas internas é notório que o sector politécnico se está a expandir e consolidar, tal como foi referido anteriormente. No entanto, não é claro que esta expansão e consolidação se esteja a processar de forma coerente – não é claro que as mudanças legislativas introduzidas pelos governos nacionais dos diferentes países estejam a ter em conta a coerência que é necessário construir ao nível europeu. Como afirmou Guy Haug, “ A coerência é um vector fundamental da criação do Espaço Europeu de Educação” Como vimos, a Declaração de Bolonha, produziu uma série de alterações fundamentais e abriu as portas à criação de um novo sistema educativo, mais europeu e mais coerente. Mas foi com a reunião de Praga que todo este processo adquiriu realmente visibilidade. No entanto, o Dr. Guy Haug teceu algumas críticas relativas ao comunicado resultante da reunião, criticas essas que incidiram fundamentalmente sobre o facto de não existir nenhuma referência ao sector politécnico e às suas necessidades específicas. Sendo assim, o Dr. Guy Haug fez uma série de sugestões com o objectivo de melhorar a participação dos politécnicos neste processo. Em primeiro lugar, é necessário ter em conta que a próxima reunião agendada pelos Ministros da Educação (Berlim 2003) vai ter lugar na Alemanha, um dos países que, apesar de ter um sistema de ensino binário, não está representado na Eurashe. Devemos, assim, lembrar-nos que todo o trabalho de preparação da reunião vai ter lugar num local que não é favorável a esta organização. Em segundo lugar, a Eurashe deveria propor que um dos seminários sugeridos pelos ministros no Comunicado de Praga, tendo em vista promover o desenvolvimento de todo este processo, se debruçasse sobre as necessidades específicas do sector politécnico o

que daria à instituição e ao sector a possibilidade de dar um contributo muito positivo. Em terceiro lugar, e em benefício da coerência, é fundamental que os governos prestem mais atenção ao que se está a passar no resto da Europa, sendo essencial que se difunda informação sobre esta matéria, o que seria de importância crucial para todos os envolvidos e, em particular, para os países em vias de adesão. Por último, a Eurashe deve envolver-se de forma inequívoca na clarificação de algumas noções base: -

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Ensino Superior: definição. Nomenclatura dos graus académicos: este vai ser talvez o trabalho mais importante no que toca à criação do Espaço Europeu de Educação. Vai ser necessário definir um quadro comum de referência e é fundamental ter o input do sector politécnico nesta matéria. Créditos: é fundamental que se defina com clareza o que se deve entender por créditos, e se existem diferenças entre os créditos obtidos numa universidade ou num instituto politécnico, abordando também a questão da transferência de créditos entre sectores de ensino e instituições. Suplemento de Diploma: estão já a desenvolverse vários modelos nacionais de Suplementos de Diploma. Estará o sector politécnico seguro de que estes modelos( e até o modelo europeu) correspondem às suas necessidades? Acreditação: talvez seja esta a área chave da criação do Espaço Europeu de Educação. Neste sentido, deveria ser feita uma análise profunda dos vários sistemas de acreditação e clarificar qual a posição do sector politécnico relativamente a esta matéria.

II - A Acreditação: a questão chave na construção do Espaço Europeu de Educação. Tilman Küchler

A acreditação, o reconhecimento e a garantia de qualidade, enquanto questões às quais é preciso dar uma resposta urgente para que o Espaço Europeu de Educação se possa tornar uma realidade, mereceram uma atenção especial durante a Conferência da Eurashe. Na discussão do tema participaram três convidados, a saber: da Alemanha, o Dr. Tilman Küchler – Zentrum für Hochschulentwicklung; da Áustria, o Dr. Kurt Sohm – International Affairs director – Fachhochschulrat – Ministry ○ ○ ○ of Education, e do Chipre, o Dr. Andreas G. Orphanides – Dean of Academic Affairs – Cyprus College. Na apresentação das suas posições relativamente à Acreditação constatamos um uníssono no que concerne às opiniões que sustentam a sua definição e essência. Deste modo, a consonância das definições garantenos que a acreditação é um fundamento básico da qualidade de

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Kurt Sohm

uma instituição de ensino superior, na medida em que lhe concede um maior grau de qualidade na investigação e no ensino. A acreditação é também um meio de legitimação da instituição, ou unidade de programa, baseada no complemento da autonomia das instituições. Para além disso, promove a competição e um elemento de diferenciação entre as instituições de ensino superior, em contraste com um sistema baseado na ideia da uniformidade . A acreditação é orientada para a avaliação da qualidade no momento antes a após a sua implementação, ao contrário de um sistema que admite a qualidade a priori sem estimular a competitividade das instituições. Assim sendo, o Dr. Tilman Küchler sustenta que para que a acreditação se torne uma realidade é necessário reforçar a autonomia das instituições e a sua capacidade para definir objectivos estratégicos. No entanto, é preciso esclarecer que a acreditação não pretende substituir o reconhecimento estatal, devendo, sim, ser considerada como um pré-requisito para o reconhecimento oficial do estado. Andreas Orphanides

mencionados, na medida em que pratica dois sistemas de acreditação diferentes: um relativo ao ensino universitário e outro direccionado para o sector politécnico. O Dr. Kurt Sohm dirigiu todas as suas atenções para a acreditação das instituições de ensino superior politécnico, assumindo a importância deste processo na consolidação da relação entre o ensino superior e o mercado de trabalho. Pedro Lourtie

Convém salientar que a acreditação significa uma maior responsabilidade institucional, que, através do instrumento avaliação, promove um aumento da qualidade de ensino. É um processo de aprendizagem e desenvolvimento que pretende concluir se uma instituição cumpre com a sua missão educativa, ao mesmo tempo que garante a transparência do sistema e o acesso a um ensino de qualidade garantida. Todas as comunicações foram no sentido de reforçar a necessidade da europeização de um sistema de acreditação como garantia efectiva de transparência e qualidade, contribuindo para o crescimento humano e social de uma Europa do Conhecimento. Um Espaço Único Europeu de Ensino Superior pressupõe exactamente esta harmonia para o reforço da competitividade, empregabilidade, mobilidade e consciencialização da sociedade europeia. Entenda-se por sistema binário, aquele em que coexistem dois sectores paralelos claramente definidos: o ensino superior universitário e o ensino superior politécnico. 2 Acção do âmbito do Programa Comunitário Sócrates, dedicada à Educação de adultos e outros percursos educativos. 1

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Através da análise dos diferentes sistemas estatais de acreditação facilmente observamos que não há sistemas perfeitos e que é no debate de ideias e de conceitos que se desenham estruturas cada vez mais equilibradas. Na verdade, ainda que esta questão tenha evoluído bastante nos últimos anos, o que é certo é que ainda existe uma descoordenação a nível Europeu: mais uma vez as mudanças internas não têm tido em conta a necessária coerência europeia. A título de exemplo destaquemos as três realidade nacionais que nos foram apresentadas. No caso alemão, verifica-se uma filosofia tradicionalista, que se traduz no controlo estatal de todo o ○ ○ ○ sistema de ensino, sendo o governo o único responsável pela acreditação das instituições e dos seus programas, qualquer que seja o sector a que pertençam. No caso de Chipre, cujo sistema de ensino é dominado pelo sector privado, apenas as instituições pertencentes a este sector estão sujeitas à acreditação, não se aplicando este processo às instituições públicas. O exemplo austríaco difere dos já

INSTITUTO SUPERIOR POLITÉCNICO DE VISEU

POR UMA COOPERAÇÃO INTERN ACION AL INTERNA CIONAL AE UTURAD ESTR UTURADA ESTRUTURAD ESTR UTURANTE ESTRUTURANTE


EM PREPARAÇÃO

O Sistema Europeu de Transferência de Créditos (ECTS) O Instituto Superior Politécnico de Viseu (ISPV) apresentou, a 1 de Novembro de 2001, uma candidatura ao Programa Comunitário Sócrates para obtenção de financiamento com vista à implementação do Sistema Europeu de Transferência de Créditos (ECTS – European Credits Transfer System), cujos trabalhos de preparação serão iniciados no ano lectivo de 2002/2003. A construção de um Espaço Europeu de Ensino Superior, processo previsto pela Declaração de Bolonha (assinada por 29 países europeus, incluindo Portugal), a concluir até 2010, implica um esforço constante por parte dos países signatários para a convergência entre os seus diferentes sistemas de ensino. O ECTS surge como um dos mais importantes instrumentos para atingir esta meta, já que o seu principal objectivo é a promoção da transparência e a aproximação entre os diversos sistemas de ensino, através da utilização de uma linguagem comum, que inclui créditos e avaliação. A informação sobre os planos de estudo e os resultados dos estudantes, o acordo mútuo entre as instituições parceiras e o estudante, assim como a utilização dos créditos ECTS (valores que indicam o volume de trabalho efectivo do estudante), constituem os três pilares fundamentais do Sistema Europeu de Créditos, que permite eliminar alguns dos obstáculos fundamentais à mobilidade de estudantes. Foram já nomeados, por todas as Escolas Integradas do ISPV, os coordenadores académicos que farão parte do grupo de trabalho responsável pela aplicação do ECTS, a saber : Professora Doutora Véronique Delplancq (Escola Superior de Educação de Viseu), Drª Carla Silva (Escola Superior de Tecnologia de Viseu), Engª Paula Correia (Escola Superior Agrária de Viseu), Doutor Álvaro Bonito (Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Lamego) e Dr. Daniel Silva (Escola Superior de Enfermagem de Viseu). A coordenadora institucional, nomeada pelo Exmº Sr. Presidente do ISPV, será a Doutora Maria de Jesus Martins, docente da Escola Superior de Educação, que terá como principal função zelar pelo empenho da instituição neste processo, trabalhando em estreita cooperação com os coordenadores académicos, sendo, além disso, responsável pelas disposições contratuais com a Comissão Europeia e a Agência Nacional Erasmus. O grupo de trabalho referido terá a seu cargo a elaboração dos três documentos chave ligados à implementação do ECTS : o Dossier de Informação, o Formulário de Candidatura / Contrato de Estudos e o Boletim de Avaliação. ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○

ESAV NORMAS DE AVALIAÇÃO PARA OS ESTUDANTES INTERNACIONAIS

O Conselho Pedagógico da Escola Superior Agrária de Viseu (ESAV) encontra-se de momento a elaborar o Regulamento Interno desta Unidade Orgânica, documento este que incluirá as normas de avaliação gerais. Estas últimas irão conter um capítulo especificamente dedicado às normas a aplicar aos estudantes que participem em actividades de mobilidade internacional promovidas pela instituição. Desta forma, poderão ser ultrapassados alguns dos obstáculos que geralmente se colocam na organiza��ão deste tipo de actividades, nomeadamente no que se refere ao regime de equivalências e certificação a adoptar. Com esta medida pretende-se facilitar a mobilidade estudantil internacional desenvolvida ao abrigo de programa comunitário Sócrates/Erasmus (e outros) e, desta forma, incrementar as actividades de cooperação internacional da ESAV. As normas em causa serão posteriormente levadas a discussão/aprovação em Conselho Científico da ESAV, prevendo-se que no ano lectivo 2002/2003 as mesmas possam já entrar em vigor.

ABERTURA DE NOVOS CURSOS DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL “Agricultura Biológia” e “Ciências Vitivinícolas” A Escola Superior Agrária de Viseu (ESAV) encontra-se actualmente a preparar dois novos cursos de formação profissional (nível 4) nos domínios da 1) Agricultura Biológica e 2) Ciências Vitivinícolas, que entrarão em funcionamento em 2002/2003. Os cursos mencionados terão a duração de dois anos e destinam-se a estudantes que tenham já terminado o nível três de ensino ou o 12º ano. Não conferindo grau superior, tratam-se de cursos póssecundários que têm como objectivo formar técnicos profissionais especializados nas áreas indicadas. Em ambos os casos prevê-se que a ESAV possa vir a beneficiar de um apoio do PRODEP (candidaturas a apresentar em Maio próximo), sendo que no caso do curso em Agricultura Biológica se encontra em discussão uma candidatura simultânea ao programa comunitário Leonardo Da Vinci. De facto, este curso tem sido preparado em estreita ligação com uma rede europeia de instituições de ensino superior, coordenada pela Universidade de Stº Estêvão (Budapeste, Hungria), que se encontra a desenvolver um curso conjunto de formação profissional na área em causa, a apresentar a candidatura ao abrigo do programa Leonardo Da Vinci em Janeiro próximo. A verificar-se a integração deste curso da ESAV no projecto Leonardo Da Vinci referido, o último módulo da formação previsto passará a estar aberto a estudantes estrangeiros provenientes das instituições que fazem parte dessa rede, sendo que os estudantes portugueses matriculados neste curso poderão, ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ igualmente, candidatar-se a uma bolsa para realizar módulos de especialização distintos disponíveis nas instituições parceiras. Em coerência com a orientação da política de formação estabelecida pela ESAV, esta iniciativa procura proporcionar alternativas de formação em áreas relevantes para o desenvolvimento da região e não só, assim como contribuir para o reforço do processo de internacionalização desta instituição.

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UM BOTÂNICO DO ISPV NA UNIVERSIDADE DE AGRICULTURA DE PRAGA

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Paulo Barracosa é um docente da ESAV que desenvolve projectos de investigação nas áreas das Genética Molecular e Melhoramento, nomeadamente através da utilização de marcadores bioquímicos e moleculares para a caracterização de biodiversidade com consequentes implicações no melhoramento futuro das espécies. Actualmente, encontra-se em doutoramento com um projecto de “Estudos de Biodiversidade em Alfarrobeira”, estando simultaneamente a desenvolver estudos de ensaios para homologação de herbicidas e de avaliação do impacto da fertilização na composição florística dos lameiros da região do Dão-Lafões. No âmbito da cooperação internacional da sua Escola, esteve em Maio de 2001 como bolseiro Erasmus na Universidade de Agricultura de Praga (República Checa). Falámos com ele recentemente sobre esta sua experiência na capital Checa, uma cidade inultrapassável de um país quase mítico. Tratando-se da primeira missão de ensino com esta instituição, e pelo sentido de perfeccionismo que normalmente impõe no que realiza, o empenho foi redobrado de modo a representar a Escola e o Instituto de uma forma condigna e consequentemente “alimentando” grandes expectativas. No âmbito do Departamento de Genética e Melhoramento deparou com uma situação pouco comum na qual as áreas animal e vegetal se encontram fundidas, acarretando uma situação de algum conflito latente, em que a área animal prevalece sobre a vegetal, o que prejudicou claramente esta missão, uma vez que o anfitrião era o Prof. I. Majzlik, responsável pelo Departamento de Genética e Melhoramento Animal. Contudo, esta situação não objectou a que se desenvolvessem os normais contactos com os investigadores da área, nomeadamente com P. Vejl e S. Skupinová, tendo ficado acordado o estreitar desta relação de modo a poderem ser explorar alguns pontos de interesse comum, nomeadamente ao nível das técnicas moleculares, nomeadamente PCR-RAPD e AFLPs, aplicadas a plantas e nemátodos (Meloidogyne sp.). Esta situação criada levou-o a tecer algumas reflexões face às estratégias de cooperação futura, que devem ter como base a criação de projectos conjuntos de investigação, que conduzam a um conhecimento profundo do parceiro em causa e que se reflectirá numa situação mais profícua e objectiva, desenvolvendo-se a partir daí todas as colaborações relacionadas com as missões de ○ ○ ○ ensino. Como forma de obter um conhecimento mais lato da Universidade e porque desenvolve estudos com a alfarrobeira, uma espécie sub-tropical, estabeleceu relações com o Instituto de Agricultura Tropical e Subtropical, integrado na Universidade, nomeadamente com o Director Prof. Havrland, e o sub-Director Prof. Krepl,

que, aliás, já tinha residido 3 anos em Portugal. Este contacto revelou-se extremamente profícuo, demonstrando este instituto uma dinâmica exemplar com contactos muito estreitos com as maiores organizações mundiais nas áreas do desenvolvimento agrícola, nomeadamente a FAO, onde desempenham funções de responsabilidade. Ficou acordada a tentativa de criação de parcerias com a ESAV no delineamento de projectos a apresentar ao nível destas organizações, uma vez que este instituto possuí projectos com países Africanos de Língua Portuguesa, e nessa medida existiria uma mais valia com a colaboração da ESAV neste tipo de projectos. Neste contacto foram ainda abordados os actuais interesses da ESAV no domínio da colaboração internacional, nomeadamente com Timor Leste, e ao nível de algumas espécies tropicais e subtropicais como o café e a alfarrobeira, nas quais a ESAV desenvolve alguns trabalhos técnico-científicos. As suas reflexões centraram-se seguidamente em questões estratégicas de cooperação que considera mais adequadas para o futuro, concretamente na necessidade de serem criadas oportunidades para os nossos docentes desenvolverem projectos de investigação no estrangeiro, privilegiando protocolos e parcerias com instituições de ensino e investigação de reconhecido mérito científico, de modo a prepará-los para a competitividade que se aproxima com a criação do Espaço Europeu de Ensino Superior. Estes protocolos deverão incidir em áreas vitais para a nossa agricultura, nomeadamente a vitivinicultura, a silvicultura e a agricultura biológica, salientando os esforços que a ESAV tem desenvolvido nomeadamente nesta última, estando integrada num grupo Europeu para a criação de uma licenciatura na área da agricultura biológica. Numa perspectiva global, esta viagem de ensino revelou-se interessante pelos contactos estabelecidos especialmente ao nível dos departamentos de Genética e Melhoramento e de Agricultura Tropical, que seguramente no futuro irão ser aprofundados devido a alguns pontos de interesse convergente não só ao nível das técnicas como também ao nível das espécies em causa. Do seu ponto de vista a integração futura na EU proporcionará seguramente um decisivo salto qualitativo desta instituição, nomeadamente em áreas mais tecnológicas, pelo que seguramente teremos a ganhar se formos capazes de conservar e intensificar uma relação de “fidelidade” com esta instituição. Uma outra questão levantada por Paulo Barracosa prende-se com o facto da integração de alunos de outras


instituições estrangeiras forçar os nossos alunos e os docentes a acelerarem o processo de aprendizagem da língua inglesa, devendo as aulas terem meios audio-visuais em língua inglesa, apesar de deverem ser leccionadas em Português. Para isso, os alunos envolvidos no processo de intercâmbio deverão ter obrigatoriamente um estágio da língua do país de acolhimento, porque a aprendizagem da língua é sem dúvida uma das vertentes. Deste modo, conseguir-se-á, ao mesmo tempo que acolhemos alunos estrangeiros, preparamos os nossos alunos para o espaço Europeu, de ensino ou laboral. As impressões finais do docente da ESA foram para uma profunda admiração pelas capacidades do povo Checo, traduzidas numa disciplina metódica aliada a uma criatividade e sentido estético que resultam numa cidade digna de ser visitada onde a preservação do seu património e a integração das várias arquitecturas ao longo dos tempos se fez de uma forma sublime.

ESCOLA SUPERIOR DE ENFERMAGEM ADERE AO PROGRAMA COMUNITÁRIO SÓCRATES/ERASMUS A Escola Superior de Enfermagem de Viseu deu início, no presente ano lectivo, às suas primeiras actividades de cooperação internacional ao abrigo do programa comunitário Sócrates/Erasmus, nomeadamente no que se refere a mobilidade de estudantes e docentes. Na condição de Escola recentemente integrada no Instituto Superior Politécnico de Viseu (ISPV), esta Unidade Orgânica passou a integrar os planos de internacionalização da sua instituição mãe, estando, nesta primeira fase, a preparar fluxos de mobilidade com o “Stord College of Education” (Noruega), que se traduzem nas participações de 3 estudantes (um enviado e dois recebidos) e dois docentes (um enviado e outro recebido). Os estudantes envolvidos irão orientar os seus períodos de estudo para uma formação essencialmente prática (estágios em unidades de saúde das duas cidades envolvidas), ao passo que os docentes irão desenvolver missões de ensino de curta duração em áreas de formação específicas. A cooperação com o “Stord College of Education” resultou de uma visita preparatória à Escola Superior de Enfermagem, realizada por uma docente daquela instituição, em Maio de 2001, aquando da realização, nas instalações do ISPV, de uma workshop sobre “Cuidados de Saúde Numa Sociedade Multicultural”, da responsabilidade da COHEHRE (Consórcio de Institutos Superiores de Saúde e Reabilitação na Europa). Nesta primeira fase, foi igualmente assinado um protocolo de cooperação com a Universidade de Burgos, no entanto ainda não está ainda prevista a concretização de qualquer actividade a curto prazo. A Escola Superior de Enfermagem de Viseu está, assim, a dar os seus primeiros passos no que diz respeito a participação em programas comunitários, sendo que se pretende, à semelhança do que vem acontecendo com as restantes unidades orgânicas do ISPV, caminhar no sentido da diversificação geográfica e programática das actividades de cooperação internacional.

19 Instituto Superior Politécnico de Viseu

O TEU FUTURO PASSA POR AQUI

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ESTUDANTE TIMORENSE NA ESCOLA SUPERIOR AGRÁRIA DE VISEU

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Ingressou na Escola Superior Agrária de Viseu, no presente ano lectivo, o estudante Timorense LINO FERNANDES, que chegou ao nosso país há aproximadamente três anos para prosseguir estudos. Nessa altura começou a frequentar uma escola de formação profissional em Lisboa, tendo concluído essa etapa em Julho de 2001, após o que optou por candidatar-se ao curso que agora frequenta – Engenharia Agrícola, variante de Hortofruticultura. Seria apenas mais um estudante estrangeiro na nossa instituição, não fosse o facto de Lino Fernandes ter vivido acontecimentos impensáveis para a maior parte dos nossos estudantes, que acabaram por transformar a sua vida numa estória digna de ser passada a livro. A sua infância não foi povoada por desenhos animados nem foi aquecida pelo conforto de um lar permanente e aconchegante. Pelo contrário, começaram cedo as suas desventuras, com meses apenas, num país marcado pela tensão política. Capturado inúmeras vezes pela polícia indonésia, separado da família outras tantas, perdido nas montanhas...foi assim o percurso de Lino, acidentado e sofredor, sem idade para isso. Em 1990, frequentava o 10º ano numa instituição escolar situada na zona Leste de Timor (Lospalos). A constante vigilância e pressão dos Serviços Secretos Indonésios tornaram insustentável a sua continuação nessa região, motivo pelo qual decidiu abandonar a família, refugiando-se na zona Oeste de Timor. Aí teve oportunidade de continuar os seus estudos, ao mesmo tempo que colaborava com a rede clandestina de apoio à libertação de Timor. Em vão tentou contactar a família em 1994, já que os Serviços Secretos ○ ○ ○ mencionados não aliviaram a perseguição de que estava a ser alvo. Desse modo, a hierarquia da Guerrilha considerou que a única solução seria uma fuga para o exterior, o que veio efectivamente a suceder. Lino Fernandes emigrou clandestinamente para Jacarta (Indonésia), com o objectivo de pedir asilo político. Com um grupo de amigos, refugiou-se na embaixada de França

deste país, após o que, com a ajuda do embaixador e da Cruz Vermelha Internacional, conseguiu vir para Portugal. Quem não se lembra destas imagens, tão repetidamente divulgadas? Mas a nova etapa da vida deste estudante parece estar a deixar para trás (se é que isto é possível) a agitação de outros tempos. Lino Fernandes encontra-se satisfeito com a sua experiência no Politécnico de Viseu, sobretudo no que diz respeito ao seu relacionamento com os professores. Sente um especial fascínio pela História de Portugal, país onde tem feito muitos amigos. Considera que no clima e nos hábitos alimentares têm residido as suas maiores dificuldades de adaptação. Quando sente saudades de casa, procura o convívio dos seus amigos e lê com frequência. Adora viajar e conhecer novas pessoas. Lino Fernandes, um estudante que não deixa de suscitar empatia por onde passa, pela sua sensibilidade e imagem de força, escolheu as palavras “criatividade” e “simpatia” para caracterizar a sua experiência em Viseu. Preocupado com o futuro do seu país, pretende regressar a Timor, assim que terminar a sua formação no Instituto Superior Politécnico de Viseu, para poder dar o seu contributo para o desenvolvimento do país. Até lá, cá estaremos para lhe dar o nosso apoio.


ESTUDANTES ERASMUS NO INSTITUTO SUPERIOR POLITÉCNICO DE VISEU

No presente ano lectivo, o Instituto Superior Politécnico de Viseu (ISPV) receberá, no total, vinte e um estudantes estrangeiros que, ao abrigo do programa comunitário Erasmus, desenvolverão, entre nós, períodos de estudo de 3 a 9 meses. Estes estudantes, provenientes de diversas instituições de países como Espanha, Grécia, Hungria, Lituânia e Noruega, frequentam e frequentarão diversos cursos das Unidades Orgânicas do ISPV. De momento, encontram-se já na instituição (dos vinte e um mencionados) dez estudantes, a quem pedimos para preencher um formulário com algumas questões relativas às suas experiência Erasmus em Viseu. Com a sinceridade e contundência a que nos vêm habituando, os estudantes passaram para o papel o que mais e menos lhes tem agradado desde a sua chegada. Foram e são muitas as suas expectativas. Para utilizar uma das expressões aplicadas por uma das estudantes, e que nos pareceu bastante expressiva, a principal motivação por detrás da decisão para participar em Erasmus era uma enorme vontade de “desligar do conhecido”. De facto, a maioria dos estudantes, quando resolveu candidatar-se a Erasmus, pretendia ter acesso a experiências inéditas, que passariam pela vivência de uma outra cultura, pelo contacto com novas gentes e com outra língua. Alguns referiram ainda o facto de esta experiência poder vir a contribuir para o desenvolvimento de capacidades pessoais, tais como o poder de adaptação e o espírito de abertura. “Porquê Portugal? Porquê Viseu? Porquê o Instituto Politécnico de Viseu?”, perguntámos. Alguns dos estudantes haviam já estado no nosso país e sentiram vontade de voltar.

Noutros casos, foram antigos alunos Erasmus da mesma instituição de origem que recomendaram este destino. Noutros, ainda, foi a curiosidade relativamente a um país com uma história rica, com a qual tinham tido contacto apenas através de manuais escolares. Finalmente, houve quem escolhesse Viseu por mero acaso, uma decisão no escuro da qual não se arrependeram. Alguns destes estudantes tinham ideias préconcebidas acerca do país. Na maior parte dos casos, tinham de Portugal uma imagem desfocada, associada a um país bastante menos desenvolvido do que aquele que vieram a conhecer. Noutros, a surpresa foi menos boa. De facto, alguns deles pensaram vir a encontrar um país menos conservador. Em termos sociais, as experiências parecem estar a proporcionar-lhes os melhores momentos. De facto, os portugueses são encarados por estes estudantes como pessoas amigáveis, sempre dispostas a ajudar mas...um pouco desconfiadas nos primeiros contactos. É uma cultura de contrastes, pensam, com demasiadas influências anglosaxónicas...frutos da globalização. No entanto, Portugal é visto como um país cheio de potencialidades, muitas das quais ainda por explorar. Do ponto visto académico, o relacionamento com os professores tem sido o aspecto mais positivo. O atraso no início do ano lectivo de uma das unidades orgânicas não foi bem aceite, no entanto o bom acolhimento foi a tónica geral. Alguns estudantes fizeram referência à barreira linguística que, de alguma forma, tem dificultado a optimização das experiências académicas. O relacionamento com os colegas tem sido bom e foi muito notado o espírito de união e identificação institucional dos estudantes do ISPV. A estadia no ISPV tem também servido para apurar determinadas competências transversais, tais como o espírito de abertura, o gosto pela novidade e a capacidade de relacionamento interpessoal. Alguns estudantes preferiram adiar a sua opinião a este respeito, preferindo aguardar pela passagem do tempo para análises desta natureza. De uma forma genérica, estes estudantes apontaram como os mais positivos aspectos das suas experiências o “céu imenso”, o sol, a beleza da língua, as paisagens...as pessoas e o seu calor... Menos fáceis de tolerar parecem ser as “distâncias entre os lugares”, os ○ ○ ○ horários e a regras de funcionamento das residências de estudantes. Finalizamos com palavras soltas, as primeiras a surgir, sem lógica nem ordem, aos nossos Erasmus quando lhes pedimos para pensarem em tudo o que estão a viver: aprendizagem, amizade, criatividade, ansiedade, poesia, diversão, solidariedade, novidade, surrealismo...

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DIA DO INSTITUTO SUPERIOR POLIT

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Foi o mais concorrido DIA da instituição. A Aula Magna foi pequena para convidados, professores, entidades, estudantes e funcionários. Um sinal da vitalidade do ISPV. Na sua intervenção, João Pedro Barros referiu algumas dificuldades actuais na vida do país e das instituições, nomeadamente as criadas pela direcção financeira do Estado, afirmando que as alterações substanciais no âmbito das sociedades modernas conduzem, frequentemente, nas palavras de Gilles Lipovetsky, a uma rápida erosão das identidades sociais, políticas e económicas, com a concomitante desestabilização das personalidades, do reforço do individualismo, dos interesses estritamente interesseiros numa autêntica escatologia axiológica, e que no campo da ciência, como refere Karl Popper, pode conduzir à renúncia da procura da verdade, fim último da actividade científica, ou seja, “a concordância do conhecimento com o seu objecto”. Para o Presidente do ISPV, os tempos conturbados de hoje repercutemse na própria vida interna desta instituição, a qual tem vindo a trilhar, com a sua liderança, os caminhos da credibilização científica e académica, conseguindo criar um espaço próprio à custa de um trabalho notável de todo um grupo composto por professores, funcionários, e também alunos. Mas os tempos de dificuldades, por outro lado, como salientou, fortalecem a coesão interna, aguçam o engenho, criando uma força suficientemente capaz de provar que o acessório que se afirma na praça pública tem pouca consistência científica e apenas dá razão ao nosso poeta Aleixo, ao referir, a propósito de embustes, que eles são “vaidade, pura vaidade, pintura, tudo pintura, com que a mentira procura mudar a cor à verdade”. Passou, depois, João Pedro Barros aos números que tornaram possível, desde o seu início, em 1983, a realidade actual do ISPV, não deixando, contudo, ○ ○ ○ de referir que se privilegiou sempre a instalação conveniente de alunos e de professores, sacrificando a Presidência do Instituto, deixando-a sem visibilidade, instalada num cantinho da Escola Superior de Educação. Em números redondos, dez milhões de contos para a construção das diferentes fases da Escola Superior de

Tecnologia e dos seus anexos – pavilhões e campos desportivos; para a edificação dos Serviços Centrais, inaugurados recentemente; para a adaptação da ex-Escola do Magistério Primário às exigências de formação da Escola Superior de Educação; para a beneficiação e conservação das instalações da Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Lamego; para a instalação da Escola Superior Agrária, na Quinta da Alagoa; para a imprescindível e prévia aquisição de terrenos onde instalar o complexo académico. Dezenas de hectares que constituem um património sem preço e que irão ser enriquecidos com novas edificações, nomeadamente a implantação definitiva da ESEV no Campus. Dez milhões, a que se seguirão muitos mais, melhorando as instalações da ESAV e da Escola Superior de Enfermagem, do Pólo de Lamego da ESE, a caminho da sua transformação em Unidade Orgânica autónoma, num trabalho conjunto com a edilidade. E, naturalmente, alargando a realidade do ISPV às áreas da Saúde e das Artes. Afirmou João Pedro Barros: Insistiremos neste propósito mil vezes! Sem esquecer o lançamento próximo da terceira Residência de Estudantes. Para além de outras realizações. Sempre em prol da qualidade, que terá que continuar a ser a nossa divisa. Como afirmou o Professor Veiga Simão, quando se nega a qualidade fomenta-se a mediocridade. O Presidente do ISPV sublinhou bem a ideia de que a obra desenvolvida não teria sido possível se ao trabalho interno não se tivesse juntado o apoio do exterior, de gente da região, tendo o ISPV tomado a decisão de atribuir o maior galardão do Instituto, a medalha de ouro, por mérito, às seguintes individualidades e instituições: Dr. Fernando Carvalho Ruas, Presidente da Câmara Municipal de Viseu; Dr. Almeida Henriques, Presidente da Associação Empresarial de Viseu, Sr Armando da Silva Pereira, empresário, a quem se fica a dever a cedência dos terrenos


onde está instalado o Campus, de acordo com o protocolo estabelecido com a Câmara Municipal de Viseu; Presidente da Associação de Comerciantes de Viseu, Sr. José Alberto Oliveira; Confraria de Santo António, que possibilitou, decisiva e decididamente, a instalação da nossa Escola Superior Agrária. Manifestando a todos uma profunda gratidão, João Pedro Barros salientou que esboçara apenas um quadro sintético da criação e da evolução do Politécnico, uma obra desenvolvida com o amor de uns, paixão de tantos, descrença de outros. E concluiu: A verdade é que a obra aí está, não lhe faltando hoje paternidades. Sinal dos tempos! Por nós, estamos convencidos, como afirmou Fernando Pessoa, que realmente: “DEUS QUIS, NÓS SONHÁMOS E A OBRA AÍ ESTÁ A CONFIRMÁ-LO”. Usaram seguidamente da palavra João Domingos, Presidente da Associação Académica do ISPV, e o senhor Professor Doutor Almeida Costa, Presidente do Conselho Nacional de Avaliação do Ensino Politécnico. O dirigente associativo referiuse ao ISPV como sendo uma manifesta exaltação da obra feita a nível nacional, com a determinação dos dirigentes, mas sempre uma obra nunca acabada que urge continuar. Afirmando que o sucesso dos alunos é o espelho da qualidade dos professores, João Domingos gostaria de ver os professores a serem avaliados, dado vivermos num mundo em permanente mudança. Concluiu, apelando à união, para a dignificação de uma instituição que nasceu e cresceu digna. Almeida Costa exprimiu a sua satisfação pessoal por se encontrar na sua cidade, pela realidade que é hoje o Ensino Politécnico no país, e por ter a oportunidade de ouvir uma lição de Veiga Simão. Em termos institucionais, salientou a magnífica colaboração do ISPV no Conselho Nacional de Educação, expressando que a avaliação terá de ser uma obra permanente, a instituição devendo nela estar totalmente envolvida. E terá de ter consequências. Para o Ensino Politécnico já só falta este passo, concluiu. Na sua intervenção, o professor Veiga Simão começou por fazer uma breve reflexão sobre a mais valia da Europa, a qual se situa nessa aliança criativa da Ciência e da Tecnologia com a Cultura, pelo que na Sociedade do Conhecimento a economia cultural vai desempenhando um papel cada vez mais determinante, constituindo as empresas culturais uma mais valia para os portugueses, designadamente os das regiões do interior.

Falou, depois, o Professor da competitividade entre as nações, em particular no âmbito do binómio Educação/ Formação, com referências específicas às instituições e ao Ensino Politécnico, salientando que é imperioso para o nosso país que se seleccionem critérios de inovação quantitativos, qualificativos e qualitativos, e se institucionalizem exercícios de “benchmarking”, de análise comparativa, com o fim último de medir, ao longo da próxima década, a recuperação dos nossos atrasos sociais, tecnológicos e orgânicos, que, aliás, posicionam negativamente a União Europeia relativamente aos Estados Unidos e que, no caso português, assumem valores preocupantes. Na verdade, referiu Veiga Simão, Portugal encontra-se na Terceira Divisão da competitividade, entre as 50 nações mais desenvolvidas do mundo. No 34º lugar. O que exige desafios. Neste quadro, pergunta o Professor: Onde vamos situar as instituições de Ensino superior, e porquê? Porque são as entidades privilegiadas do saber português, elas próprias devem assumir um papel de primeira grandeza neste desafio, e não podem consumir as suas capacidades e as suas potencialidades em discussões intra-muros, ou apenas com um único interlocutor do poder político. Ao contrário, devem colocar-se na frente das reformas, obrigando o poder político a tomar decisões que são inadiáveis, pois têm efeitos decisivos na construção do nosso futuro e na sobrevivência da personalidade nacional na Europa e no Mundo. O caminho da inovação foi, a seguir, analisado por Veiga Simão. O governo português, disse, ao lançar recentemente um programa integrado de inovação, programa transversal que emerge no meio de políticas contraditórias interpretadas por diversos Ministérios, diagnóstico que o próprio governo confirma em documentos oficiais, se não tiver coragem de operacionalizar esse programa, tomando decisões globais que privilegiem a criação de riqueza, nunca impulsionará o nosso país para a ultrapassagem dos atrasos que são referenciados naquilo que julgo que todos conhecem - as Cartas de Progresso de Inovação aprovadas nas Cimeiras europeias dos anos 2000/ 2001. Uma carta que, se a lermos, em todos os indicadores nacionais de inovação, em recursos humanos, em criação, em transmissão e aplicação do conhecimento e em financiamento e mercado para a mudança mostra serem inferiores aos da média europeia em pelo menos 20%. Ora, é manifesto que a concepção e a operacionalidade do 3º Quadro Comunitário de Apoio, tal como estão consignadas as verbas, não servem o propósito de ○ ○ ○ grandes reformas necessárias e das mudanças urgentes, e por isso precisam de ser corrigidas. O governo não pode perder a oportunidade, pois seria inconcebível assistir a exercícios de retórica sem resultados. Concordamos que não é fácil a tarefa porque quem tem de decidir tem de vencer naturais e alguma vezes consolidadas resistências, mas desde logo entre as conclusões fundamentais a retirar destas breves considerações,

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continua na pág.40

TÉCNICO DE VISEU

16 DE NOVEMBRO DE 2001


Vasco Oliveira e Cunha

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NO TEMPO EM QUE NÃO HAVIA

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Nos anos 50 e 60 não havia Erasmus. Nem Leonardo. Não havia Sócrates. Para o estudante universitário, o estrangeiro era a aventura por conta própria. Em campos de trabalho, com todo o rigor da organização, da programação, dos custos e dos ganhos. Experimentei Londres em 58, num mercado abastecedor de frutas e de legumes no East End, bem próximo de Liverpool Street. Não gostei! Privilegiei, depois, o assumir de todos os riscos, eu mesmo definindo em cada momento o que queria ou não queria, criando a possibilidade de me deixar guiar pela minha própria anarquia. Em 59, foi Köln, Colónia, deixando para trás as lágrimas de minha mãe e as suas palavras, meio conselho, meio aviso: A guerra ainda só acabou ontem! Para além de uma mala, o dinheiro para um mês de sobrevivência e o bilhete de ida e volta – Mangualde – Colónia – Mangualde. Uma aventura e tanto!, como bem cedo vim a descobrir, cumprindo as palavras de meu avô paterno, pessoa entendida nas coisas do mundo. Pela experiência ganha em viagens sem conto. Na minha cabeça fervilhava o preconceito contra a Alemanha e contra os alemães, atropelavam-se números e factos, mais de 50 milhões de mortos no conflito; Ialta1 e Postdam2 e a fixação de fronteiras e de zonas de ocupação; a expulsão dos alemães da Polónia, da Hungria e da Checoslováquia; a criação de condições para o equilíbrio do terror; o julgamento dos vivos e dos mortos em Nürnberg, em Nuremberga, em 46, mas não os crimes de Hiroshima e de Nagasaki; os 17 biliões de dólares do Plano Marshall3 para a reconstrução da Europa e o escoamento da superprodução americana. A NATO e a OECE, a Organização para a Cooperação e a Economia, viriam depois. O habitual. Tudo para deter o “perigo vermelho” do Leste. Passara a haver duas Europas: a boa e a má. Ainda consegui encontrar nela espaço para armazenar quatro grandes motivações: arranjar trabalho, encontrar-me com a Catedral; subir o Reno até Sankt Goarshausen para ver a Lorelei de Brentano4 e de Heine5 e ouvir o seu canto de enfeitiçamento; experimentar um longo banho de imersão na linguagem do dia-adia, alternativa para a prática universitária sem vida, corrente na época – a tradução formal de contos de Torga, de Archer, e de outros, para alemão, e do Der 35.Mai, de Erich Kästner6 , para português. Nas minhas peregrinações de verão seguir-se-iam Manchester e Liverpool, em 60, Düsseldorf e Dortmund, em 61, o ○ ano ○ ○do○Muro, da Muralha de Protecção, como seria designado na R.D.A., Heidelberg e Frankfurt-am-Main, em 62. Depois, tornei-me professor. Até hoje. Ininterruptamente. O Reno e as suas cidades sempre constituíram para mim uma atracção irresistível. Sabia de cor os seus nomes. Do Lago Constança até à foz, em Roterdão. Das que se erguem nas margens,

ERASMUS

ou muito perto delas: Schaffhausen, Basel, Strasbourg, Karlsruhe, Mannheim, Bonn, Koblenz, Duisburg. Entre tantas outras. Mas Colónia era a minha eleita. Pela sua história. Pela destruição massiva de 427 . Originariamente, a Cidade dos Úbios, tribo germânica, a Oppidum Ubiorum, como os romanos lhe chamaram, o seu nome alterou-se ao ritmo da história: Ara Ubiorum dos conquistadores do sul, rectângulo muralhado que o imperador Cláudio rebaptizou de Colonia Claudia Ara Agrippinensium, em honra de sua mulher; Köln, finalmente, monossílabo com origem na energia do acento de intensidade germânico. Colónia, capturada pelos francos no século IV; sede arcebispal por vontade de Carlos Magno; morada última de Alberto Magno8 , professor de S. Tomás de Aquino, e de Duns Escoto, o franciscano de Oxford, a crença no livre arbítrio; Colónia, das torres gémeas da catedral gótica e do Kaisersglocke, o sino do imperador, fundido a partir de um velho canhão francês capturado na guerra franco-prussiana9 . Colónia, cidade universitária desde 1388, os escolares alemães abandonando a universidade de Paris por não quererem obedecer ao papa de Avinhão; Colónia, a maior cidade germânica da Idade Média, labiríntica, sinuosa, eixo fundamental da Liga Hanseática10 , com ela declinando no século XVI; Colónia, onde em 1536 ficou esboçada a reforma da Igreja Católica que vivia a operar-se no Concílio de Trento, vinte e sete anos após; Colónia, das festas incomparáveis de Segunda-Feira Gorda, das manufacturas, da metalurgia e dos automóveis, da química, dos têxteis e dos fármacos, dos chocolates e dos perfumes; Colónia, das bombas incendiárias e das explosivas, das minas aéreas dos mil bombardeiros da R.A.F.11 ; de bairros inteiros reduzidos a escombros de pesadelo, cavernas profundas, intermináveis; de montanhas de entulho soterrando homens, mulheres, crianças. Pessoas como nós. Gente que o nazismo pervertera e gente que a ele se opusera; Colónia, a cidade belíssima ainda privada da sua pureza primitiva. Naquela tarde de meados de Julho de 59, quando deixei a Hauptbahnhof, a Estação Central de Caminhos de Ferro, a ponte Hohenzollern, junto da Catedral, erguia-se como a mais bela silhueta da cidade. Nos primeiros tempos deambulei por ruas tenebrosas, cinzentas e tristes da periferia e do casco medieval, pela Ringstraβe12 , paradas de ruínas esqueléticas, fantasmagóricas, de casas escalavradas, bolorentas, relíquias de um tempo de decadência e de trevas, de hinos à noite, a minha iniciação aos horrores da guerra; por Avenidas dos Despejos, Alamedas dos Vasadouros, Largos dos Canos de Esgoto, pelos Champs-Ruinés, por lixo escombros porcaria Broadway, na linguagem de Borchert13 ; aventurei-me pelos subúrbios de Deutz e de Mülheim, na margem direita do rio, a reconstrução acelerada dos complexos industriais e dos bairros operários erguendose no meio da planura semeada de crateras dos bombardeamentos


em Boppard14 e subi o Reno ao encontro dos vinhedos em socalcos e das ruínas de castelos medievais – Liebenstein, Gutenfels, Pfalzgrafenstein, Ehrenfels, o rochedo da Lorelei; provei vinho em Oberwesel; iniciei-me nas escolas de pintura que proliferaram e deram fama à cidade desde quatrocentos; extasiei-me no Museu com a Anunciação, muito próxima da miniatura, os fundos de ouro lavrado e a ingénua ingenuidade da interpretação original das Escrituras Santas; com o misticismo da Chegada da Santa Úrsula, a cidade como pano de fundo da pintura; com a Adoração dos Magos, de Lochner15 , do século XV, a predilecção pelas armaduras e pelo azul profundo; com tantos outros mestres cujos nomes a minha memória já perdeu; encontrei-me com o gótico da catedral que fumegou mas não caiu; com a fachada soberba e as torres altivas, cento e setenta metros a caminho do céu, dominando a cidade inteira, quase toda a Renâmia, pensava eu, só a linguagem da poesia podendo ser fiel a tamanha criação – discurso memorável16 , expressão espontânea de sentimentos vigorosos17 , da imaginação18 , arte suprema e completa, pintura em movimento, música que pensa19 ; com o ouro do Relicário dos Três Magos, oferecido à cidade por Barbarrossa, em 116420 , e que atraía cada vez mais rebanhos de peregrinos; com o românico da Igreja dos Santos Apóstolos, preservada dos bombardeamentos, e da Igreja de S. Martinho; com os vitrais de S. Cuniberto (séc. XIII), com a Rathaus, a Câmara Municipal, e a sua recuperação, da mesma idade; com o gótico da Klein Sankt Martin, no Quatermarkt, junto ao rio, da Antoniter Kirche (séc. XIV) e da Alt Sankt Alban, católica, e a reconstrução recente do templo dos séculos XIII e XIV. Conheci gentes; fiz amigos; trabalhei num Biergarten, numa cervejaria, da Kolpingstrabe21 , graças à ajuda de Ernst Gruber, um pedagogo da Suábia22 que se havia instalado na cidade em 1952, alargando e aprofundando o meu alemão funcional por entre imperiais sem conto e sem medida, salsichas e salsichões, ovos de salmoura, hamburgers com mostarda, Kölscher Kaviar23 , Deutsche Mark e Pfennige24 das contas e dos trocos, o blá blá da euforia e das frustrações do 1.F.C. Köln nos jogos da Liga e as incontornáveis comparações com a mestria e o feito mítico de Fritz Walter, aquele do golo da vitória de Berna sobre a Hungria, em 195425 . Acabei por ficar até meados de Outubro. Era o tempo da luta pela prescrição dos crimes de guerra, da busca de um compromisso com o mundo, gente sem personalidade definida procurando instalar-se, afugentar o lamaçal das memórias, esquecer colaboracionismos, envolvimentos, aquietar consciências, viver a tranquilidade de uma vida sem sobressaltos, a subtracção a classificações, a convenções e a imposições morais, éticas e sociais, produto da desintegração total de valores que sempre conduz ao triunfo do objectivismo amoral e desumano que Broch já denunciara na sociedade alemã durante a I Guerra Mundial e no período que a precedeu26 . Silenciava-se todo o conhecimento dos doutrinadores e intérpretes da violência, transferindo para a esfera das abstracções

metafísicas ou meta-políticas as explicações do nacional-socialismo: - o pensamento militar alemão da imbricação estreita do comando militar e da direcção política, e da inexistência de limites à utilização da violência na guerra27 ; - a receita extremista dos discursos do Kaiser, do imperador, aos capacetes cinzento-esverdeados no cair do pano sobre o séc. XIX – quando chegardes à frente de batalha, já sabeis: perdão não vai haver, não serão feitos prisioneiros...28 ; - a apologia e a demagogia de Feder29 , da construção de um Estado sem impostos, mas capaz de criar o bem estar do povo, o renascimento nacional assentando na expulsão de todos os judeus e de todos os estrangeiros da vida pública; - a primazia do poder da nação sobre os ideais abstractos da verdade e da justiça, na concepção de Spengler30 ; - as ideias de defesa da selecção rácica de Darré31 e da declaração de guerra de Rosenberg32 contra as confissões religiosas cristãs. Calavam-se as afirmações expansionistas do Império, os ideais de conquista de um lugar ao sol, de um Lebensraum, de um espaço vital, para oferecer às necessidades de uma população em crescimento e abrir novos horizontes aos interesses económicos como garantia de uma participação activa na partilha do comércio mundial, a doutrina mítica e orgânica do Estado dominando o pensamento desde Fichte e Hegel, como se o Estado dispusesse de vontade própria, sobrepondo-se aos cidadãos e desligando-se das normas da moral e da ética nas relações com os outros Estados. Combatiam-se todas as heresias. As de Darwin e as de Voltaire. As de Marx e as de Engels. A própria social-democracia era olhada de soslaio. Só o dinheiro não era herético! Como se tudo tivesse sido apenas um pequeno incidente nas suas vidas; como se não se houvessem atafulhado os comboios de judeus e de opositores ao regime33 , transportando-os para onde o trabalho libertava (Arbeit Macht Frei), para Sachsenhausen, nos arredores de Berlim, para Auschwitz, Oranienburg, Treblinka, Dachau, Theresienstadt, Sobibor, e tantos outros nomes de morte e de vergonha, e de onde só se podia sair pelas chaminés dos fornos crematórios; como se judeus e opositores do nazismo não houvessem sido enterrados vivos em valas comuns; como se a história só tivesse começado depois da catástrofe; como se não tivesse havido estandartes empunhados por jovens vestidos de castanho, cânticos em uníssono celebrando a morte, as Bombas sobre Inglaterra e Lili Marleen, de Schulz34 , o estrondo de salvas de canhões; como se pudessem ignorar-se os exércitos de estropiados, florestas a perder de vista; como se die Unbekannte, a desconhecida, uma velha mulher que ninguém parecia conhecer, saia ampla e longa, azul, com florinhas vermelhas estampadas, cabelo louro desgrenhado, não cruzasse repetidamente ○ ○ ○ as ruas, as praças e as pontes da cidade, ouvidos tapados para amortecerem o sibilar e o estrondear das bombas, fazendo emudecer vozes, suspender respirações, remoer consciências; como se em Mülheim, ali ao lado, um ex-soldado da Wehrmacht, do exército alemão, que serviu na Roménia, não saísse de casa a rastejar, como fazia nas trincheiras em volta de Ploiesti35 , pronto a disparar sobre o inimigo;

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como se milhões de fantasmas não vagueassem permanentemente pelos cantos e recantos da Alemanha, gente que a guerra matou mas se esqueceu de enterrar; como se... Para o pedagogo meu amigo, depois de 45 instalarase na Alemanha uma atmosfera mental asséptica, inodora, insípida, desenxabida, e uma ordem que KA36 garantia eternamente, sem aventuras. A escola, ensinando a submissão à divindade, a beleza da existência burguesa, a não contestação das condições de trabalho na fábrica; a juventude, refugiando-se na família, fechandose à vida política. Era a opção quase generalizada pelo individualismo intenso, o recuo no horizonte humano. O eixo do mundo enferrujou, escrevera Yvan Goll, i.e., Isaac Lang, e os homens estão na miséria / prisioneiros nas profundezas de um submundo / em cidades de argamassa37 . E Brinkmann perguntava e decidia: Quem é que disse que a isto se chama vida? Eu retirome para outros tons de azul38 . O mesmo que Borchert: Mortos, estão todos mortos. Os velhos e os jovens39 . Uma voz interior, profunda, iluminou-me a alma quando, no comboio para Paris, me mandaram abrir a bagagem. Recordei o pensamento e o sorriso de Heine no episódio fronteiriço de uma das suas inúmeras viagens de França para a sua Düsseldorf natal enquanto lhe remexiam a sua: O contrabando, as ideias da Revolução, levo-os na cabeça! Como o poeta, também eu transportava contrabandos esculpidos na minha mente. Mais fundamentais e perigosos ainda. Ao contrário dos alemães, eu estava vivo. Não tinha, como eles, as goelas roucas e ardentes dos gritos da opressão e da morte e a minha gramática era espontânea. Como dizia Borchert: chamava árvore a uma árvore e mulher a uma mulher. Sabia dizer sim e não. Alto e bom som, três vezes e sem conjuntiva!40

1 A Conferência de Ialta, cidade da Ucrânia junto ao Mar Negro, teve lugar entre 4 e 11 de Fevereiro de 1945. Nela se fixou a fronteira entre a URSS e a Polónia e se estabeleceu a divisão da Alemanha e da Áustria em quatro zonas de ocupação cada uma. Em Berlim, que fora a capital do Reich, foram igualmente estabelecidas quatro zonas de ocupação aliada. 2 A Conferência de Potsdam, de Agosto de 1945, estabeleceu a linha Oder-Neisse como fronteira entre a Alemanha e a Polónia, legalizou a expulsão dos alemães da Hungria, da Polónia e da Checoslováquia e alargou a zona de influência da URSS aos países bálticos. 3 George Marshall, Secretário de Estado norte-americano, anunciou ao mundo, em 5 de Junho de 1947, uma ajuda de dezassete biliões de dólares para a reconstrução da Europa. 4 Clemens Brentano (1778-1842). No poema Lorelei, integrado em Violette, conto do romance Godwi (1801-1802), Brentano criou a lenda tecida em volta do rochedo da Lore Lay, junto de Bacharach, na margem direita do Reno. 5 Heine (Düsseldorf, 1797 – Paris, 1856). Poeta ○ ○ ○ ○ ○ ○ Heinrich ○ ○ Romântico, admirador profundo dos ideais de liberdade da Revolução Francesa. 6 Der 35.Mai oder Konrad reitet in die Südsee. 7 A cidade foi bombardeada e quase inteiramente destruída na noite de 30/31 de Maio. Até Março de 1945, Colónia continuou a ser bombardeada. No final do conflito, mais de 90% do centro da cidade tinha sido destruído. A população passara de 800000 para apenas 40000 habitantes.

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8 Alberto Magno, teólogo e filósofo, foi professor de S. Tomás de Aquino em Paris. Aquino viria a seguir o mestre quando este viajou para a Alemanha para leccionar na Universidade de Colónia. 9 1870-1871. A vitória de Bismarck sobre a França de Napoleão III, com a anexação da Alsácia e de uma parte da Lorena, foi decisiva para a unificação alemã conduzida pelo chanceler. 10 Inicialmente uma associação de mercadores, a Liga transformou-se numa confederação de cidades comerciais liderada pelas das costas do Báltico. As cidades mais interiores, como Colónia, conseguiram fazer valer os seus direitos de navegação, de insenção de direitos aduaneiros. 11 A Royal Air Force britânica. 12 Uma rua de circunvalação do núcleo mais antigo da cidade. 13 Wolfgang Borchert, Em frente da Porta, do Lado de Fora, Lisboa, Portugália Editora, s/ data, p. 43. Falando, embora, de Hamburgo, a situação podia generalizar-se a toda a Alemanha. Na tradução portuguesa aqui indicada, o título do original alemão, publicado em 1949, em Hamburgo, pela Rowohlt Verlag Gmbh, é referido como Drauβen vor der Tür. Na verdade, o título é Drauβen vor dem Tor. 14 Pequena cidade medieval, na margem esquerda do Reno. 15 Stephan Lochner, mestre da escola de Colónia (Meersburg, 14051415 – Colónia, 1541) 16 W. H. Auden 17 P. B. Shelley 18 W. Wordsworth 19 Deschamps 20 Frederico Barbarrossa, imperador, o poder assumido como a continuação da autoridade, nunca interrompida, dos Césares de Roma. 21 A rua Kölping, o nome do fundador da primeira associação de apoio a operários qualificados, explorados e, frequentemente, famintos e em greve. 22 Mais precisamente, de Schwäbisch Gmünd, uma pequena cidade para leste de Stuttgart. 23 Designação pomposa para o acompanhamento das canecas de Kölsch, uma cerveja leve com origem no século XV, meio frango com uma fatia grossa de pão centeio, queijo e mostarda ou, em alternativa, rodelas de cebola crua. 24 O Deutsche Mark ou, abreviadamente, D-Mark, substituiu o antigo Reichsmark, a partir de 1948. 25 Um golo que deu à Alemanha o título mundial de futebol. 26 Herman Broch (1886-1951). Die Schlafwandler, trilogia dos romances Pasenow oder die Romantik; Esch oder die Anarchie; Huguenau, oder die Sachlichkeit, publicados entre 1930 e 1932. 27 Karl von Clausewitz (1780-1831), teórico militar prussiano. 28 In Günter Grass, O Meu Século, Lisboa, Editorial Notícias, 2001, p.9. 29 Gottfried Feder (1883-1941). As suas fórmulas adequam-se à penetração do nazismo entre as massas da pequena burguesia arruinada pela guerra de 1914-1918 e pela inflação que se lhe seguiu. 30 Oswald Spengler (1880-1936). Exaltador do destino heróico da Alemanha, e grande defensor do estilo prussiano e do pangermanismo. 31 Richard Walter Darré (1895-1953). Jornalista, aderiu em 1929 ao partido nazi, tornando-se especialista em questões agrárias. Na sua teoria do Sangue e do Solo (Blut und Boden), identifica-se o sangue nórdico e o solo alemão. 32 Alfred Rosenberg (1893-1946). O seu racismo preludiava também as peregrinações contra os judeus, na eterna luta entre a raça nórdica e a raça semítica. 33 No Prefácio de Drau β en vor dem Tor, escreveu Heinrich Böll, o romancista de Colónia, Prémio Nobel da Literatura em 1972: É necessário dizer aos jovens de 20 anos que eles não podem embrenharse na indiferença. Dizei-lhes que nos vagões vermelhos de sangue dos caminhos de ferro nazis se lia: seis cavalos ou quarenta homens, pp 10-11. 34 Norbert Schulz, compositor alemão. 35 Ploiesti – centro petrolífero romeno situado para Norte de Bucareste. 36 K A – diminutivo para Konrad Adenauer, o chanceler da Alemanha entre 1949 e 1963. Tive a oportunidade de ver o dirigente alemão nos finais de Agosto de 1959, em Bonn, quando o general Eisenhower, então Presidente dos EUA, se deslocou à Alemanha. 37 O Novo Orfeu. In Rosa do Mundo – 2001 Poemas para o Futuro. Lisboa: Assírio & Alvim, 2001, pp. 1313-1315. 38 Rolf Dieter Brinkmann (1940-1975). Poema. In Rosa do Mundo – 2001 Poemas para o Futuro. Lisboa: Assírio & Alvim, 2001, p. 1787. 39 Dizia o jovem faminto no carro eléctrico: A minha mãe diz-me todas as manhãs para vestir o sobretudo, que estamos em Novembro. Mas ela já morreu há três anos! Op. cit. p.20. 40 Op. cit. p.144.


VIDA ESTUDANTIL

VIDA ESTUDANTIL VIDA ESTU

Associação Académica do Instituto Superior Politécnico de Viseu UM OLHAR PELA SUA VIDA CULTURAL POLISTÉCNICA percorreu, com João Domingos, o presidente da A.A. do ISPV, o estado actual da vida cultural da academia. Numa conversa que teve lugar no início do ano lectivo, e da qual se oferecem aqui as ideias e os dados principais. Não só das realidades, como também dos sonhos. João Domingos começou por falar da actividade musical, designando o seu conjunto por ORFÉON ACADÉMICO, um núcleo forte que tem Carlos Laranjeira como coordenador-geral, e cujo património, actualizado a Outubro de 2001, é constituído por duas Tunas (a masculina e a feminina, que se dissecam noutras páginas da revista), e por um conjunto de projectos de que se destacam: um grupo coral misto; um grupo de fado, a apoiar pela instituição; uma orquestra ligeira, esta de muito difícil concretização, dado o investimento elevadíssimo inicial que exige, na ordem dos 40000 contos, e que os cortes orçamentais governativos “liquidaram” para já. Para todos os tunos há, contudo, algumas boas novidades: a A.A., com o apoio do ISPV, vai contratar um professor de música para a sua formação. A outro nível, para os tunos passará a haver a possibilidade de fazerem quatro exames em época especial, equiparando-os a trabalhadoresestudantes. Falou, depois, o presidente da A.A. da actividade desportiva institucional: • da equipa de basquetebol, a competir no Campeonato Nacional federado – 2ª B, Zona Centro, um grupo

que integra mais 10 concorrentes: Conimbricense, Oliveirinha, Académico de Viseu, Núcleo Sportinguista da Guarda, Desportivo do Fundão, Lousanense, Marinhense, NB Anadia, Pombal e Biblioteca. Um conjunto que envolve cerca de 25 estudantes da instituição, orientados por Paulo Medeiros e Jorge Pacheco, e cujos jogos “em casa” serão realizados no Palácio dos Desportos; • da equipa de andebol, já formada, mas que terá dificuldades de participação no Campeonato Nacional federado, a concretizarem-se os anunciados cortes orçamentais. Como certa, a continuação da sua participação na FADU (Federação Académica do Desporto Universitário). O seu técnico, Heitor Castelo Branco. • da equipa de Karaté, federada na Associação de Karaté de Viseu – DOJO – AAISPV. Como sucede com os tunos, também os estudantes que integram as equipas de basquetebol e de andebol têm o estatuto de trabalhadores-estudantes. De igual modo, e como acontece com os conjuntos do ORFEON, desenvolve-se com eles um complemento de formação académica. Ainda como projecto, e no fecho deste diálogo com POLISTÉCNICA, João Domingos falou da constituição de um Grupo de Dinamização Cultural, com objectivos no campo do debate de ideias, em tertúlias, e de realização de recitais e de sessões musicais, e outras. Primeira tarefa a concretizar, uma exposição de pintura na sede da A.A., na Rua D. José da Cruz Moreira Pinto, Lote 13 – 1º, Loja E. Naturalmente, em Viseu.

NOS CAMINHOS DA COOPERAÇÃO - A LITUÂNIA Um convite honroso, vindo do leste da Europa, da Lituânia, ex-U.R.S.S., república de 10 milhões de pessoas bordejando o Báltico. Mais precisamente, da Associação Académica da Universidade Técnica de Vilnius, na capital do país, conhecida pelos seus cursos de Engenharia e de Gestão. Pelo curso de Pilotagem de Aviões. Um convite dirigido à Associação Académica do ISPV para participação na SEMANA INTERNACIONAL. Em Setembro último, para troca de ideias sobre associativismo, e para confraternização.

Presentes, associações de estudantes representativas da Estónia, Finlândia, Suécia, Polónia, Áustria, Rússia, e, naturalmente, do país organizador e de Portugal. Para além dos estudantes, a presença de outras associações ○ ○ ○ ○ nacionais – a nível político e de outros sectores diversificados da vida do país e, também, da representação governamental. Uma experiência rica vivida por Pedro Miguel Frias dos Santos, da Associação de Estudantes da ESE, e por João Domingos, Presidente da Associação Académica do ISPV, no

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contexto de uma instituição com cerca de 13000 estudantes residentes, incluindo estrangeiros; na cidade que tem a Universidade mais antiga do leste europeu, e que, no tempo da integração da Lituânia na URSS, se destacava como centro de investigação de excelência, e hoje, com dificuldades de apoios aos estudantes, elege o investimento forte no desenvolvimento de projectos como meio eficaz de auto-financiamento; num país que se esforça por ultrapassar dificuldades económicas profundas; um país onde o salário mínimo é de apenas 500 Litas (o equivalente a cerca de 27500$00), o salário médio equivalendo-se ao salário mínimo de Portugal. Uma vivência de cerca de duas semanas, apoiada parcialmente pelo ISPV, pela ESEV e pela sua Associação de Estudantes, num país de árvores (30% do país é coberto de floresta), o Pedro e o João instalados num bloco de quartos antigos, uma realidade que o primeiro já encontrara em França, em Poitiers, enquanto bolseiro Erasmus, e nada comparável ao alojamento disponibilizado pelo Instituto Politécnico aos seus estudantes; o contacto com uma alimentação que sobrevaloriza o pão (nas suas imensas variedades), as saladas, o especialíssimo e tradicionalíssimo tzepeline, espécie de rolo de puré de batata com recheio de almondega, 50% porco, 50% vaca. Tudo, boa comida, se se exceptuarem as sopas picantíssimas, temperadas pelos paladares de cada uma das comitivas nacionais, o Pedro e o João cozinhando lulas grelhadas, acompanhadas de batata cozida, um prato que, pelos vistos, constituiu um grande êxito. E que dizer das bebidas? A ênfase (por vezes demasiada) no álcool, 40% como teor médio. Para gente de barba rija, como dizem os portugueses. Sempre o velhíssimo gene que atesta e re-atesta a masculinidade e a virilidade das gentes do Sul! Para o Pedro, foi ainda possível uma viagem a Kaunas, segunda maior cidade da Lituânia, altamente ○ ○ ○ industrializada nos tempos da anexação soviética, mas a viver presentemente uma crise profunda de emprego e em clima de insegurança, sobretudo à noite, de certo modo uma excepção no país. De salientar, ainda, e em termos de conhecimento

do país, uma excursão à Península de Neringa, no Báltico, incluída na Semana Internacional. O que fica de mais substancial nestas visitas, desta cooperação? As diversidades culturais e os modos de interpretação diferenciada de vida; a germinação de amizades que ficam para a vida inteira; o desenvolvimento do conceito de solidariedade entre povos distintos mas que, no essencial, se respeitam. Mas acima de tudo fica um crescimento social que cada um que o experiencia nunca mais esquece.

Castelo de Trakai (antiga capital)

Dois Politécnicos na Lituânia


A TUNA masculinaDO ISPV POLISTÉCNICA conversou com dirigentes três dirigentes da tuna da TUNA DO ISPV. Com César Serpa, Tuno Mestre, estudante do curso de Engenharia Electrotécnica, açoreano, de S. Jorge, concretamente, da Vila da Calheta; com Luís Monteiro, ex-Tuno Mestre, actual Tesoureiro, estudante de Gestão de Empresas, natural de Castro Daire; com Bruno Sequeira, igualmente estudante de Gestão de Empresas, e Relações Públicas do organismo académico, natural de Viseu. No último dia de Outubro, já noite dentro. Um diálogo ameno, muito agradável, que foi, no fundamental, o actualizar de um percurso nem sempre fácil, nem sempre isento de sobressaltos e de preocupações, agora já solidificado, e também o acentuar do nascimento e desenvolvimento de amizades para a vida. Como Relações Públicas que é, Bruno Sequeira traçou a história do agrupamento: - dos princípios primeiros, em 1998, inseguros, precários, carregando o peso de projectos anteriores abortados; - do trabalho conjunto de Jorge Garrido com o Conselho de Viriato, a que se adicionou a ajuda de Miguel Laranjeira, um estudante com experiência adquirida noutras tunas académicas (fora Magister na Tuna da Faculdade de Engenharia do Porto), considerado como pai da tuna; - do baptismo provisório com o nome de Tuna Campus, e do seu primeiro ensaio, vinte estudantes da Escola Superior de Tecnologia que responderam à primeira chamada, mas que nada sabiam de música, porém, com a enormíssima vantagem de quinze deles serem caloiros, garantindo, desde logo, alimento para alguns anos, e que viriam a ser designados por fundadores, isto é, o núcleo duro, logo em Abril de 1998; - da escassez de instrumentos e da degradação acentuada de três cavaquinhos, de uma viola e de um bombo existentes. Tudo por amor à camisola e com o apoio da ESTV para a aquisição de um contrabaixo; - da primeira actuação em público, com três canções, cerca de mês e meio após o primeiro ensaio – um sucesso, considerando a juventude do grupo; - da evolução rápida que esta apresentação motivou, mais músicas no repertório e, consequentemente, mais actuações, destacando-se a da Semana Académica do Pólo de Seia, da ESE da Guarda; - do apoio decisivo do ISPV, nomeadamente da ajuda financeira para a aquisição de instrumentos; - da conquista de membros provenientes das outras Escolas Superiores do ISPV, só a Escola Superior de Enfermagem não se encontrando ainda representada (a sua integração no ISPV é ainda muito recente – data de 28 de Março do ano corrente); - da sua afirmação como tuna institucional, tal como sucede com a Tuna Feminina, as únicas no conjunto das seis tunas académicas da cidade, uma conquista a que se chegou depois de uma batalha sempre complexa, fundamentalmente a partir do momento em que o ISPV reforçou o seu apoio, libertando a Tuna de pressões exteriores que pretendiam concorrer para a sua extinção pura e simples. O apoio institucional, a par do progressivo aumento da qualidade e de uma reviravolta em termos de inovação, foram os elementos decisivos. Como decisiva foi a atitude tomada pelos caloiros da Tuna no ano transacto, face a alguns excessos de protagonismo surgidos no

seu seio: Com caloiros da Tuna isto não acaba! Uma declaração de imortalidade. Os três dirigentes associativos falaram depois dos êxitos alcançados ao longo da história da Tuna, com especial incidência no segundo semestre de 2000, e já em 2001, salientando que eles se devem fundamentalmente à aprendizagem feita no contacto com outras Tunas, em especial a de Viana do Castelo, e aos incentivos que receberam de grupos de outras instituições. Referiram, igualmente, a vitalidade actual da Tuna, com a entrada, este ano, de muitos caloiros, garantia, como salientaram, de que estamos aqui para durar, e de que se encontrarão daqui a vinte anos para jantar com os novos do Politécnico. O progresso capaz de catapultar a Tuna do ISPV para voos mais largos, para a obtenção de um lugar cimeiro no conjunto das Tunas Académicas portuguesas, só se atingirá com o reforço dos apoios disponíveis e com outros que, deseja-se, possam surgir. Para já, a Tuna espera poder contar com um ensaiador, pago pelo ISPV. Ele permitirá ramificar as suas intervenções. Com um grupo coral, para começar, e com um grupo de fado, a mais longo prazo. Já no final da conversa, os tunos sintetizaram o que, para eles, é fundamental na vida de um organismo académico: a solidariedade institucional, promovendo a imagem do ISPV e sua unidade; a formação moral, cultural e humana; a cimentação de amizades, o espírito de coesão; a perspectivação da Tuna como veículo de integração. Para além de oferecer sempre a possibilidade de um ponto de referência das vidas de quem os integra, de poderem olhar para trás. No caso concreto dos tunos, olhar para aquilo que carinhosamente chamam “o nosso filho”.

P.S. A conversa com o César, o Luís e o Bruno “obrigou-me” a rever uma carta de 26 de Junho passado, na sequência das Conferências Internacionais de Maio e Junho no ISPV, vinda de Haugesund (Noruega), de uma amiga e colega da Universidade de Stord/Haugesund que adorou a TUNA. Dizia Marieta Milieteig, “Many thanks for a fantastic week at the Polytechnic Institute of Viseu, not forgetting the charming tunes of your TUNA”.

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A TUNA femininaDO ISPV Conversa viva esta. Com três dirigentes da Tuna Feminina do ISPV. Com a Magister, Lurdes Laranjeiro, de Engenharia de Madeiras (todas elas, aliás, do mesmo curso) e da fabril S. João da Madeira; com a Ana Mendes, a Tesoureira, natural de Cinfães do Douro, e Patrícia Santos, a Secretária, originária de Luanda (e do Sátão). Impossibilitadas de estar presentes, as duas Vogais e a Relações Públicas. Como aconteceu no diálogo com os dirigentes da Tuna masculina, num fim de tarde de um Novembro quente. A primeira pedra foi lançada por Filomena Lopes em 29 de Novembro de 1998. Vai fazer três anos proximamente. Mais de uma centena de inscrições, naquele bulício e entusiasmo que qualquer criação, qualquer ovo, qualquer princípio de vida suscita, encolhido para vinte e tal tunitas em gestação aquando do primeiro ensaio, e, posteriormente, estabilizando-se entre quinze e vinte. Da Tecnologia, da Agrária, da Educação. Instrumentos, só os que uma ou outra possuíam. Coisas muito pessoais. Depois veio o acordeão, oferecido pelo presidente do ISPV, vieram dinheiros da Associação de Estudantes, e veio o apoio da Câmara Municipal após a participação na Marchas Populares da cidade em 2000. Actuações (muitas) no país, destacando-se o prémio de melhor tuna feminina no Encontro de Bragança. Isto, após a primeira actuação fora de Viseu cidade. Concretamente, em Mangualde. Muitos quilómetros percorridos, na linguagem de estudantes jovens, que são. Claro que a Tuna, como salientaram, passa por dificuldades actualmente: apenas seis tunitas e um grupo de caloiras entusiastas. Mas, como sublinharam, é nestas situações que se sente mais força para continuar, porque, e reproduzem-se aqui as suas palavras, nós fazemos o futuro. Vamos estacionar um

pouco, para regressarmos com mais força. O ISPV vai continuar a apoiar a única tuna feminina da cidade, contribuindo para aprofundar a qualidade do grupo através da vinda de um professor de música. O Departamento Cultural vai trabalhar no sentido de, também às tunitas, ser atribuída a qualidade de estudantes-trabalhadoras.

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ASSOCIAÇÃO ACADÉMICA Instituto Superior Politécnico de Viseu

www.ipv.pt/aab Larry Bird, orquestrador de vitórias e estrela polar da NBA dos anos oitenta, costumava dizer: O mais importante é medir num instante a distância da minha mão ao cesto. Depois, é só lançar. Nos Boston Celtics nós sabemos fazer isso! O Boston Garden quase vinha abaixo. Os outros estádios dos States, de Leste a Oeste, também. Vem esta recordação bostoniana a

Equipa da AAISPV participante no nacional da 2ª Divisão B centro

propósito da carreira da AAISPV, da sua equipa

de basquetebol, na Zona Centro da 2ª Divisão B. Cesto após cesto, a equipa do ISPV encontra-se no topo. Quatro vitórias em cinco jogos, e promessas de mais. Claro que o mais importante é a formação da juventude. Mas é sempre bom adicionar-lhe os êxitos. O científico, o cultural e o desportivo.

Para os menos atentos, POLISTÉCNICA deixa aqui os nomes dos basquetebolistas, técnicos e dirigentes da equipa. Atletas - João Mota,Dimas Rodrigues,Paulo Quina,Pedro Fraga,João Meireles,João Tiago,Luís Rodrigues,Fábio Arraias,José Ourique,Paulo Ferreira,Miguel Esteves,Sérgio Santos,André Janica Equipa Técnica: Paulo Medeiros, Jorge Pacheco - Direcção: João Domingos,Luís Condeço,Nuno Raínho,Bruno Sequeira, Hugo Nascimento

Uma nota digna de nota, para finalizar. Nos jogos realizados pela AAISPV no Palácio dos Desportos de Viseu, um grupelho de estudantes da instituição não se cansou de apoiar a equipa de “fora”. Motivações? Não se conhecem! A juventude é generosa e, em termos desportivos, está incondicionalmente ao lado dos seus representantes. Coisa estranha esta!

www.ipv.pt/aab CICLOTURISMO A salutar prática desportiva é, cada vez mais, complemento indispensável do nosso quotidiano. Imbuidos desse espírito, um grupo de funcionários e docentes do ISPV pretende implantar o cicloturismo na instituição, abrangendo docentes não docentes e alunos. Este desporto, para além de contribuir para a manutenção da boa forma física, reforça elos de companheirismo, promovendo a sã convivência. Se estiver interessado em aderir, contacte Rui Pereira, Secção de Contabilidade dos Serviços Centrais do ISPV, através do telefone 232480743, ou ext. 2043.

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A presente secção pretende ser uma recolha meramente indicativa de legislação com interesse para o pessoal docente e não docente e para os alunos do Ensino Superior Politécnico.

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Departamento Jurídico do ISPV: Raquel Cortez Vaz

DATA

DIPLOMA

DESCRIÇÃO

31 de Maio

Decreto -Lei nº 174/ 2001

Alarga o crédito anual concedido para autoformação aos funcionários e agentes da Administração Pública, estabelecido pelo Decreto - Lei nº 50/98 de 11 de Março.

8 de Junho

Portaria nº 595/2001

Aprova o plano de estudos do curso de complemento de formação científica e pedagógica para educadores de infância da Escola Superior de Educação de Viseu

11 de Junho

Portaria nº 600/2001

Actualiza para 2001, o preço de venda da refeição tipo a fornecer aos funcionários e agentes nos refeitórios da administração central e local, bem como dos Institutos Públicos que revistam a natureza de serviços personalizados ou de fundos públicos.

6 de Julho

Despacho (extracto) Nº 14232/2001 (2ª série)

Designação dos representantes da comunidade para integrarem o Conselho Consultivo da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Viseu.

12 de Julho

Regulamento interno Nº 8/2001

Regulamento Interno do Conselho Geral do Instituto Politécnico de Viseu.

9 de Agosto

Portaria nº 953/2001

Revoga o nº 1 do art. 5º do Regulamento dos Regimes de Reingresso, Mudança de Curso e Transferência, aprovado pela Portaria nº 612/93 de 29 de Julho, alterada pela Portaria nº 317/96 de 29 de Julho.

20 de Agosto

Lei nº 90/2001

Define medidas de apoio social às mães e pais estudantes.

12 de Setembro

Despacho nº 19091/ 2001 (2ª série) Ministério da Educação

Subdelegação de competências nos actuais presidentes dos Institutos Politécnicos.

28 de Setembro

Deliberação nº 1556/ 2001 Comissão nacional de Acesso ao Ensino Superior

Fixa como elenco de provas de ingresso para a candidatura à matrícula e inscrição no ensino superior no ano lectivo de 2002 - 2003, o constante no anexo I à deliberação nº 403/2001.

23 de Outubro

Portaria nº 1219/2001

24 de Outubro

Portaria nº 1221/2001

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29 de Outubro

Portaria nº 1248/2001

29 de Outubro

Portaria 1249/2001

Altera a Portaria nº 1075/2001 de 4 de Setembro (fixa as vagas para a candidatura à matrícula e inscrição no ano lectivo de 2001/2002 nos cursos de formação em enfermagem, ministrados em estabelecimentos de ensino superior público. Fixa as classes das autorizações contidas nos certificados de classificação de empreiteiros de obras públicas (EOP) e industrial de construção civil (ICC) e os correspondentes valores. Aprova o plano de estudos do Curso de Licenciatura em Educação de Infância da Escola Superior de Educação de Viseu. Aprova o Plano de Estudos do Curso de Qualificação para o Exercício de Outras Funções Educativas na Área de Administração Escolar e Administração Educacional da Escola Superior de Educação de Viseu.


Por entre conferências e congressos, publicações e mercado, música, perspectivas estudantis de defesa da instituição e o avivar de memórias de liberdade, o pulsar do trabalho de todos os dias da vida de uma pólis técnica.

ISPV - Abertura oficial da Delegação da Caixa Geral de Depósitos do Campus Politécnico.

ISPV - Inauguração da Livraria PRETEXTO, loja nº 3, Campus Politécnico.

ISPV - Acção de Formação - O Plano Oficial de Contabilidade Pública para o Sector da Educação.

ESEV - IX Encontro Nacional de Educação em Ciência na Escolaridade Básica .

AA ISPV - 24 Hours Indoor Karting - The Day After - Viseu - Equipa da AAISPV.

ISPV - Inauguração da Avenida Coronel José Maria Vale de Andrade.

ESenfV - Encontro - Saúde em Movimento.

ISPV - Por exemplo, Viseu

ESEV - 3º Simpósio Internacional de Informática Educativa.

AA ISPV - Tomada de Posse da AAISPV.

ISPV - Tomada de posse do Administrador do ISPV.

AE ESAV - Tomada de Posse AEESAV.

ESEV - Seminário - Desenvolvimento Motor

AE ESEV - Tomada de Posse da AEESEV.

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ESAV - Infantário “O Cantinho” visita a ESAV por altura das vindimas.

APEFESEV - 6º Encontro de Professores e Educadores Formados pela Escola Superior de Educação de Viseu.

ESEV - Inauguração da Livraria 117 - Loja 2 Escola Superior de Educação.


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SERVIÇOS DE CAPELANIA DO ISPV Está a ser lançado um inquérito aos alunos sobre as propostas da Capelania para este ano lectivo, para que os interessados possam dizer em que actividades oferecidas pelos Serviços de Capelania querem livremente participar. No dia 10 de Outubro já se realizou uma Festa de Boasvindas, na Aula Magna dos Serviços Centrais do ISPV. O Presidente do Instituto sublinhou que, na formação dos alunos, se deve ter na devida conta a dimensão espiritual, para a qual os Serviços de Capelania estão direccionados, uma dimensão que não se reduz – acentuou – ao sector da fé e da vivência religiosa, mas que tem que ver com o próprio sentido da vida, nomeadamente com a preocupação pelos outros e com espírito de serviço que deve animar todo o profissional que o Instituto tem a missão de preparar. Algumas das actividades programadas para este ano lectivo (a seu tempo outras serão anunciadas): Visitas a carenciados Eucaristia Chat room Horário de atendimento O Capelão pode ser procurado no seu gabinete, situado no piso 0 dos Serviços Centrais do ISPV, ao lado do balcão da Caixa Geral de Depósitos, às quintas-feiras, das 9.00 às 12.00 e das 18.30 às 19.45. O gabinete do Capelão tem uma extensão do telefone dos Serviços Centrais do ISPV: 2069; para telefonar do exterior, ligar directamente o número: 232480769. Também pode ser contactado pelos telefones: 96 689 11 98, ou 232 42 33 25 (Paróquia de S. José) e por E-mail: gmorujao@yahoo.com Mantém-se o horário de confissões no tempo lectivo: na Igreja de S. José, aos Sábados, das 10.30 às 12; na Capela de Santa Eulália, às quintas, das 14.00 às 15.00. Programas especiais para férias: 1) Está a ser preparada uma acção de voluntariado em Moçambique na aldeia “SOSchildren”, em S. Roque (Catembe), perto de Maputo, em Agosto, com apoio do IPJ. 2) participação na Jornada Mundial da Juventude, em Toronto, em colaboração com o Dep. da Juventude do Secret. Nacional da Educação Cristã, 23 a 28 de Julho. Já estão disponíveis algumas primeiras informações.

Novos Serviços do ISPV

Médico

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Caixa Geral de Depósitos

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Livraria Pretexto CAMPUS POLITÉCNICO

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NOTAS SOLTAS NOTAS SOLTAS NOTAS SOLTAS NOTAS SOLTAS

ADAMASTOR CONTRA POLUIÇÃO Cláudio Santos é o coordenador de ADAMASTOR, um grupo de 10 estudantes da licenciatura de Engenharia Mecânica da ESTV profundamente interessados no desenvolvimento de tecnologias limpas para motores automóveis, já com alguma experiência neste tipo de provas organizadas pela Shell, e designadas por Shell Eco-Challenge, com patrocínios diversíssimos: Autosur, Butagás, Hertz, Bosch, Michelin, etc...(ver polistécnica 2 p.37). A primeira participação foi na Bretanha, França, no circuito Paul Ricard com um carro que percorreu 368 Km com apenas um litro de combustível; a segunda, em França, também, no circuito de Nogaro, com um veículo novo, desenvolvido ao longo de dois anos, a estrutura, primeiro, o motor e a transmissão, a seguir, mas sem concluir a prova; a última, em 2001, mais concretamente, entre 7 e 10 de Junho, em Nogaro, a cerca de meia centena de quilómetros de Pau, conseguindo cobrir, também com um litro de gasolina, 643 Km, e terminando, assim, no primeiro terço, em 49º lugar, da classificação geral, num conjunto de mais de 150 equipas, e, no contexto de formações portuguesas, em 4º lugar. De salientar que das 13 equipas do nosso país só duas eram exclusivamente compostas por estudantes das EST’s e do Instituto Superior Técnico. Uma realidade não negligenciável numa competição à escala mundial, aberta a estudantes do Ensino Superior, do Ensino Secundário e a independentes. Na conversa que mantivémos com Cláudio Santos, ficámos a par da importância que é dada em França ao desenvolvimento deste tipo de veículos, e do interesse das empresas do sector neste género de competições. Porque elas valorizam e incrementam a disciplina individual e a de grupo; porque se trabalha segundo um projecto para se poderem alcançar resultados. Em suma, num quadro de organização que é disciplinador. Tanto objectiva, como subjectivamente. A deslocação a França de sete estudantes no corrente ano só foi possível com os apoios do ISPV, da EST, da CMV e de outras instituições – MAGRIC e IPJ, Hotel Monte Rio e Azafil.


NOTAS SOLTAS NOTAS SOLTAS NOTAS SOLTAS NOTAS SOLTAS

3º Simpósio Internacional de Informática Educativa Realizou-se nos passados dias 26, 27 e 28 de Setembro, nos Serviços Centrais do Instituto Politécnico de Viseu, o 3º Simpósio Internacional de Informática Educativa. Este evento, que teve a sua primeira edição em 1996 na Universidade Nova de Lisboa, ainda como Simpósio Nacional, tem vindo a ganhar um estatuto importante na comunidade científica, e passou, a partir de 1999, na Universidade de Aveiro, e, depois, em 2000 na Universidad de Castilla La Mancha em Espanha, a assumir uma expressão internacional. A edição deste ano tinha como objectivos principais reunir, divulgar e reflectir sobre trabalhos de investigação nas áreas temáticas do simpósio, promover a troca de experiências entre investigadores nacionais e estrangeiros, debater e reflectir sobre os desafios da Sociedade do Conhecimento e facilitar o estabelecimento de cooperação que permita a realização de projectos internacionais. As áreas em discussão organizaram-se em torno dos seguintes temas: Concepção, Desenvolvimento e Avaliação de Software Educativo; Experiências de Ensino/Aprendizagem utilizando Tecnologias de Informação e Comunicação; Aplicações Educacionais para a Web; Ensino à Distância; Formação de Professores em Tecnologias de Informação e Comunicação; Aplicações Educativas para Pessoas com Necessidades Especiais. A comissão organizadora da edição deste ano, embora congregasse elementos de várias instituições nacionais e internacionais, teve o seu maior suporte na área das Tecnologias da Informação e Comunicação da Escola Superior de Educação de Viseu. Para a realização do Simpósio foi crucial o apoio dado pelo Instituto Politécnico de Viseu e pela Escola Superior de Educação, bem como pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (Apoio do Programa Operacional Ciência, Tecnologia, Inovação do Quadro Comunitário de Apoio III ), Instituto de Inovação Educacional, Fundação Gulbenkian, Rede Iberoamericana de Informática Educativa e Câmaras Municipais de Mangualde e de Viseu e Caixa Geral de Depósitos. A comissão organizadora recebeu 62 propostas de comunicações, tendo sido aceites 45 pela comissão científica. Participaram neste Simpósio cerca de 130 pessoas vindas de Portugal, Espanha e vários países da América Latina. Para além da apresentação das 45 comunicações em várias sessões temáticas paralelas, também se realizaram duas sessões de posters e demonstrações. Realizou-se um painel sobre eLearning, onde se apresentaram e discutiram várias perspectivas sobre cenários de desenvolvimento do eLearning, sob a coordenação do Prof. Dr. Paulo Dias. Foram proferidas duas conferências plenárias. O Prof. Dr. Enrique Hinostroza trouxe uma descrição e reflexão sobre o programa ‘enlaces’ do ministério da Educação chileno, mundialmente reconhecido como um programa exemplar na missão de incorporar as Tecnologias de Informação e Comunicação na rede escolar. A Prof. Drª Felisa Verdejo apresentou um projecto de ensino a distância sobre a aprendizagem de tópicos experimentais, desenvolvido na Universidade Nacional de Educación a Distancia. As actas foram editadas em formato electrónico e podem ser pedidos exemplares na área das Tecnologias da Informação e Comunicação da Escola Superior de Educação de Viseu.

Os objectivos da realização deste simpósio foram alcançados, quer pelo número e qualidade das comunicações apresentadas, quer pelo interesse e participação activa demonstrado por todos os participantes do Simpósio. A estrutura do Simpósio permitiu o contacto entre os participantes, fomentando futuras cooperações e desenvolvimento de parcerias. O número de participantes foi considerado pelos especialistas portugueses e estrangeiros muito bom, tendo em conta o tipo de público alvo a que estes simpósios se destinam. A próxima edição do evento, em 2002, será organizada pela Universidade de Vigo.

PROGRAMA DE DOCTORADO “MÉTODOS DE INVESTIGACIÓN EN BIBLIOTECONOMÍA” Na sociedade presente, dia para dia tem aumentado a consciência da importância de valorizar o património bibliográfico e documental de muitas entidades centrais e locais, quer públicas, quer de carácter privado. É neste sentido que se procuraram parcerias e se realizou um protocolo de cooperação com a Universidade de Salamanca para se iniciar em Viseu o 1º Programa de Doutoramento em Biblioteconomia em Portugal. No dia 16 de Novembro de 2001 deu-se início ao “Programa de Doctorado “Métodos de Investigación en Biblioteconomía”, com uma Sessão Solene de Abertura onde estiveram presentes entidades da Universidade de Salamanca do Instituto Superior Politécnico de Viseu. Dando início à Sessão, a Prof. Dr.ª Maria José Sá-Correia, Coordenadora Geral das Pós-graduações do ISPV e, por sua vez, Coordenadora do Programa pela ESEV, realçou a importância desta parceria e da introdução do 1º programa de doutoramento em Portugal nesta área da Biblioteconomia. Agradeceu a presença de todos e passou a palavra ao Coordenador do Programa pela Universidade de Salamanca, Prof. Dr. Gregório del Ser Quijano. O Prof. del Ser agradeceu a todos os presentes pela colaboração e interesse demonstrado. O Programa procurará promover tanto a investigação como a actividade interventiva na área da Biblioteconomia, como também manter uma ligação estreita à vida profissional dos formandos. Deste modo, as opções de quem o frequentar permitir-lhe-ão aumentar as capacidades e habilitações profissionais. Passando a palavra ao Prof. Dr. Alberto Manuel Vara Branco, Presidente do Conselho Directivo da ESEV agradeceu ao Prof. Gregório del Ser Quijano a disponibilidade e empenho nesta “união” entre duas Instituições de prestígio, recordando anteriores ligações entre os 2 países vizinhos. Encerrando a Sessão o Prof. Dr. João Pedro Barros desejou os maiores êxitos académicos aos formandos e muito agradeceu a todos os ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ envolvidos neste projecto. Deste modo, iniciou-se a actividade académica onde os formandos conversaram com o Prof. del Ser. O leque de alunos é variado, oriundos de vários pontos do país, nomeadamente Lisboa, Braga, Coimbra, Figueira da Foz, etc..., totalizando o número de 20. A todos as maiores felicitações e êxitos académicos.

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18/JUNHO/2001 – MARIACRISTINAAZEVEDO GOMES

27/SETEMBRO/2001 – ANTONINO MANUEL DE ALMEIDAPEREIRA

DOUTORAMENTO EM ENGENHARIA INFORMÁTICA

DOUTORAMENTO EM CIÊNCIAS DO DESPORTO

INSTITUIÇÃO – Universidade de Coimbra

INSTITUIÇÃO – Universidade do Porto

DISSERTAÇÃO – Avaliação e Ciclo de Vida das Aplicações Educativas: Uma Proposta com Base na Análise do Desempenho do Aluno

DISSERTAÇÃO – A Excelência Profissional em Educação Física e Desporto em Portugal. Perfil a partir de sete histórias de vida

JÚRI: Prof. Doutor António Dias Figueiredo (Universidade de Coimbra) Prof. Doutor Duarte Costa Pereira (Universidade do Porto) Prof. Doutor Armando Oliveira (Universidade de Aveiro) Prof. Doutora Teresa Mendes (Universidade de Coimbra) Prof. Doutor Manuel Ortega Cantero (Universidad de Castilla La Mancha) Prof. Doutor António José Mendes (Universidade de Coimbra)

JÚRI: Prof. Doutor Jorge Olímpio Bento (Universidade do Porto) Prof. Doutor Manuel Ferreira Patrício (Universidade de Évora) Prof. Doutor Adalberto Artur Vieira Dias de Carvalho (Universidade do Porto) Prof. Doutor Rui Manuel Proença Campos Garcia (Universidade do Porto) Prof. Doutora Maria Paula Brandão Botelho Gomes (Universidade do Porto) Prof. Doutor Amândio Braga dos Santos Graça (Universidade do Porto)

13/SETEMBRO/2001 – ANTÓNIO DE CARITA RODRIGUES LOPES CALADINHO

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DOUTORAMENTO EM CIÊNCIAS DA EDUCAÇÃO

15/OUTUBRO/2001 – MARIA TERESA GUARDADO MATEUS OLIVEIRA

INSTITUIÇÃO – Universidade de Mons-Hainaut (Bélgica)

DOUTORAMENTO EM CIÊNCIAS DO DESPORTO

DISSERTAÇÃO – La formation des enseignants: un problème de notre temps – une contribution à la clarification des compétences professionnelles des enseignants

INSTITUIÇÃO – Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física (Universidade do Porto)

JÚRI: Prof. Doutor Pol Dupont (Universidade de Mons-Hainaut) Prof. Doutor Jean Pierre Pourtois (Universidade de MonsHainaut) Prof. Doutora Huguette Desmet (Universidade de MonsHainaut) Prof. Doutora Pierre Couvreur (Universidade de MonsHainaut) Prof. Doutor Ghislain Magerotte (Universidade de MonsHainaut) Prof. Doutor António Simões (Universidade de Coimbra)

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DISSERTAÇÃO – A Indisciplina em Aulas de Educação Física. Estudo das Crenças e Procedimentos dos Professores Relativamente aos Comportamentos de Indisciplina dos Alunos nas Aulas de Educação Física dos 2º e 3º Ciclos do Ensino Básico JÚRI: Prof. Doutor Carlos Alberto Serrão dos Santos Januário (Universidade Técnica de Lisboa) Prof. Doutor João Nogueira Pimentel (Escola Superior de Educação do ISPV) Prof. Doutor Jorge Olímpio Bento (Universidade do Porto) Prof. Doutor Maria Paula Brandão Botelho Gomes (Universidade do Porto) Prof. Doutora Alda Maria Bessa Corte-Real Oliveira Ferreira Gomes (Universidade do Porto) Prof. Doutor Amândio Braga dos Santos Graça (Universidade do Porto) Prof. Doutora Zélia Maria Matos de Almeida Roque Pinto (Universidade do Porto)

Escola Superior de Educação

Polistécnica Polistécnica

Polistécnica

OS MAIS RECENTES DOUTORAMENTOS


ISPV

NOVEMBRO

16 16 16 17

· Dia do ISPV – Abertura Solene do Ano Académico · Millenium, n.º 24 · Doutoramento em Biblioteconomia. Abertura na ESEV · Formação, Criação Artística e Desenvolvimento Cultural: Um dia de reflexão e debate. Comunicações de: Maria José Fazenda, Ricardo Pais e Manuel Maria Carrilho. No âmbito da parceria ISPV – TEATRO VIRIATO

DEZEMBRO

06

· Apresentação pública da obra Regresso à Condição – Ut pictura poesis - 20 poemas e 20 pinturas de autores de Viseu. Edição ISPV · Regresso à Condição – Exposição no Museu Almeida Moreira · POLISTÉCNICA, n.º 3 · Energia Vital, Evolução Sustentada e Fotossíntese – Conferência pelo Professor Doutor Vitor M. C. Moreira – Auditório da ESTV

06/12/01 a 06/01/02 07 12

· Apresentação pública (em data a definir)de: · Terá Pedro Álvares Cabral nascido em Viseu?, de Fernando de Gouveia e Sousa. Livros do ISPV, Série B – Figuras de disseminação, n.º 1 · textos do capricórnio, de paulo neto. Livros do ISPV, Série A – Poesia, n.º 2 JANEIRO

02 09

FEVEREIRO

· Millenium, n.º 25 · Radioactividade Natural – Conferência pelo Professor Doutor Luís Neves – Auditório da ESTV · Cadastro e Inventário dos Bens do Estado · Powerpoint Duas acções integradas em FORMAÇÃO 2002 para pessoal não docente do ISPV. Na Instituição, com dias a definir · Internet, redes de informação e correio electrónico · Técnicas de Arquivo Acções integradas em FORMAÇÃO 2002 para pessoal não docente do ISPV. Na Instituição, com dias a definir

TEATRO VIRIATO NOVEMBRO

16-17 23-24

· ANTÓNIO MIGUEL · 2 PACK – HUSH, HUSH, HUSH

DEZEMBRO

8 13-14-15 17-18 (16:00)

· BA-TA-CLAN (Jacques Offenbach) · CRIAÇÃO 2001 (Companhia Paulo Ribeiro) · O GATO MALHADO E A ANDORINHA SINHÁ (El Retablo – Espanha) ○ ○ ○ ○ · POR EXEMPLO, VISEU (Conferência – Instituto Superior Politécnico)

17 (11:00)

Em Polistécnca 2 foi anunciada a realização de três exposições no ISPV (Out., Nov., Dez.). Em Setembro, foi-nos comunicada a extinção em 31-12-2001, da Comissão Nacional para a Comemoração dos Descobrimentos Portugueses, a entidade nossa parceira nesta organização. Pelo facto, as exposições em causa não puderam ser apresentadas. Também, por razões alheias ao ISPV, a edição facsimilada de Ave Azul não pôde ainda ser concretizada. Oportunamente, voltaremos a estas duas realizações culturais.

39 ○ ○ ○ ○


Polistécnica Polistécnica

Polistécnica

40 continuação da pág. 23

○ ○ ○ ○ ○

dada a sua importância para as instituições de ensino superior, chamemos a atenção para o seguinte. Em primeiro lugar, é necessário apostar em todos os níveis. E não só apostar, mas praticar um profissionalismo exigente e exemplar, sustentáculo de um programa mobilizador de inovação e competitividade assente, como disse, na valorização dos recursos humanos e na criação, transmissão e aplicação de conhecimentos. A educação e a formação ao longo da vida, que foram sempre presentes nas grandes transformações históricas da sociedade , emergem assim como que uma espécie de novidade do início do milénio. Mas a educação e a formação ao longo da vida só é verdadeiramente novidade se for associada a metas, a indicadores universalmente aceites baseados na qualidade e na excelência e, obrigatoriamente, quantificados. Exige-se um combate estruturado, flexibilizado, ao analfabetismo informático, de modo a dotar , pelo menos, 75% dos portugueses com instrumentos e domínio das linguagens modernas da comunicação. Não podemos passivamente assistir à morte laboral e cultural de mais de 3 milhões de portugueses. É um crime que cometemos se não soubermos responder a esse desafio. Diversas conclusões derivam desta visão estratégica , mas há uma que é evidente: qualquer programa de inovação da qualidade e competitividade no nosso país pode ter resultados eficazes e visíveis perante o baixíssimo grau de qualificação média da população activa, mas terá de integrar no seu todo o tratamento do binómio Educação/Formação, com uma simbiose que devia ser objecto de uma Carta Magna da Educação e Formação para os portugueses a aprovar no Parlamento, uma lei que respire futuro, que não se reduza a um conjunto de princípios e normas regulamentares. A implementação agressiva dessa Carta dependeria, na parte que cabe ao Estado, de consagrar um único departamento governamental a superintender na educação e na formação, o qual contratualizaria um programa com a sociedade civil, construída por projectos coordenados e quantificados. A transição para a economia de conhecimento exige, assim, um aumento de investimentos na qualificação das pessoas, na qualidade das instituições e nas suas actividades, e cada vez mais na investigação, desenvolvimento e demonstração orientado para as tecnologias da informação, tendo sempre presente que é necessário definir o equilíbrio entre as despesas do sector público e do sector privado. No seu discurso, Veiga Simão analisou muitos outros aspectos, entre eles: as despesas com a investigação e o desenvolvimento do sector empresarial; os problemas da ○ ○ ○ convergência real e da inovação; a extravagante irracionalidade, como a qualificou, existente na criação de cursos no ensino superior; o desequilíbrio exagerado e descontrolado do binómio Qualidade/Quantidade; o conhecimento das consequências de uma avaliação credível, que obrigue a um processo de reestruturação atempado do sistema de ensino; e, por fim, a questão estruturante do poder académico e do relacionamento

de amor e ódio com o poder político. Referiu, por fim, os pilares fundamentais das instituições de ensino superior - liberdade com responsabilidade; modelos de gestão eficazes e flexíveis; internacionalização institucional e das suas actividades; empregabilidade para um mercado fluído; competitividade e inovação; criatividade nas sinergias entre Ciência, Tecnologia, Cultura e Metodologias de Aprendizagem; controlo rigoroso da qualidade de acreditação e da certificação. E a concluir: Há que colocar as Universidades e Institutos Politécnicos do lado do mundo onde há utopia e onde há esperança!

Dada a relevância do discurso, POLISTÉCNICA voltará a ele no seu número 4.

Câmara Municipal de Viseu

Confraria de Stº António

AIRV - Associação Empresarial da Região de Viseu

Empº Armando da Silva Pereira

Associação de Comércio e Serviços de Viseu


Para milhões de portugueses, os funcionários administrativos e os técnicos do serviço público são simples peças de engrenagens ineficientes, enferrujadas. Caríssimas, diz-se, apesar de apenas debicarem no orçamento. Estereótipos, caracterizações superficiais redutoras da realidade e da vida, não devem merecer o nosso crédito. Polistécnica prefere perspectivá-los como pessoas que são. Como cidadãos de corpo e de espírito inteiros. Com uma identidade própria que só poderá conhecer-se no diálogo e na amizade. “Quem somos...” pretende ser apenas isso. Tarefa muito difícil, porém.

MOTORISTAS DO

ISPV João Alves

Dinis Fonseca

António José Almeida

Luís Costa

António Costa

José Nogueira

João Carlos Silva

SECÇÕES DE CONTABILIDADE E EXPEDIENT E E ARQUIVO

Cont. ISPV - Luisa Martins

Cont. ISPV - Odete Mota

Cont. ISPV - Olga Melo

Cont. ISPV - Rita Domingues

Cont. ISPV - Rui Pereira

41 ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○

Cont. EST - Helena Carmo

Cont. EST- Olga Guimarães

Cont. EST - Conceição Antunes

Cont. EST - Célia Vale

Cont. EST - Cláudia Oliveira


Polistécnica Polistécnica

Polistécnica

Cont. ESE - Lurdes Neves

Cont. ESE - Teresa Lopes

Cont. ESE- Lídia Pereira

Exp. ESE - Sandra Rebelo

Cont. SAS - Gilda Vasconcelos

Exp. ESenf. - Alaíde Couto

Cont. ESenf - Irene Neves

Cont. ESE - Célia Simões

Exp. ESE - Daniela Ferreira

Cont. SAS - Luís Pinto

Cont. ESenf - Laurinda Almeida

Cont. ESE - Lídia Loureiro

Cont. ESE - Nazaré Aideira

ESTGL - Ana Parente

ESTGL - Nuno Borges

Cont. SAS - Isabel Monteiro

Cont. ESA - Élia Leite

Exp. SAS - Paula Pereira

Exp. ESA - Cidália Lourenço

42 ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○

Exp. ISPV - Céu Neves

Exp. ISPV - Conceição Santos

Exp. ISPV - Madalena Marques

Exp./SAcad. ISPV - Cristina Correia


Do lado de dentro ficam dois terços da vida. Que é preciso agarrar e fruir. Por vezes, sem fronteiras. Criando libertações.

A CONTRASTAR Não era a Família Real que partia, mas era a Sua Real Família. Tinha apenas quatro anos. Partia para onde o Natal é festejado, não à frente da lareira, mas, de preferência, com uns quantos ventiladores por companhia. Lá, na Cidade Maravilhosa, aprendeu a crescer, a estar bem com a vida. A sorrir... Como continua a fazer. Não falava francês nem tocava piano, mas falava português e tocava acordeão. Lá, completou o curso ginasial, regressando nesse mesmo ano a Portugal, mais propriamente a Vila Chã de Sá, aqui bem perto. Nos arredores de Viseu. Estavamos em 1967. Não fosse a grande capacidade de adaptação, e não esquecendo que estava em plena adolescência, parecer-lhe-ia sempre a chover. No entanto, o contraste encontrado (falamos da cidade do Rio de Janeiro e de Vila Chã de Sá) deu-lhe a possibilidade de viver uma autêntica aventura – desde cozinhar à lareira em panelas de ferro (luvas só existiam no seu imaginário), degustar verdadeiras delícias ao ar livre, “ajudar” a trabalhar a terra. Enfim, um rol de peripécias e sabores que guarda na memória. Mas parece retratar-se sempre numa das personagens de O Meu Pé de Laranja Lima, tal é a saudade daquela Mangueira (Pé de Manga), da Goiabeira, daquele Algodoeiro que tinha no quintal. Em plena cidade do Rio de Janeiro. Prosseguiu estudos no Grande Colégio Português, em semi-internato. Mais um contraste com a liberdade vivida no Brasil. Em 1971, ingressou na Escola do Magistério Primário de Viseu, actual ESE. Concluído o curso, partiu para a docência com uma bagagem repleta de sonhos, de métodos para melhor ensinar e aprender. Pedagogia, Psicologia Aplicada, etc, etc, etc... Que alma peregrina seria capaz de tais aplicações perante uma turma de 41 alunos de uma 1ª classe?! Sim, 41! Perceberam muito bem. Em 1975, quiseram as suas cordas, as vocais, claro, que não voltasse a leccionar, ingressando, após provas públicas, na que, ao tempo, se designava de Caixa de Previdência e Abono de Família de Viseu. Agora, cá está entre vós, possivelmente a torrar a paciência, com o seu sorriso para os sisudos inveterados. Adora animais, particularmente cães; adora andar a pé e, em férias, adora ler. Falando em leitura, aconselha aos que já não sonham, que leiam O Alquimista. Parece embalar-nos para o mundo dos sonhos. E sonhar é preciso...

Cor favorita - A da Primavera. Maria da Conceição Cardoso Programa de TV preferido - Há algum para preferir?! Jogo - Palavra puxa Palavra. Clube - SCP Revista - Revista à Portuguesa. Cheiros preferidos - A maresia. Recordação de infância - O 1º presente que o Pai Natal me colocou no sapatinho. Pior sentimento do mundo - A sobranceria. Melhor sentimento do mundo - A simplicidade. Música - A do sorriso (Não será o sorriso a música do espírito?) O que pensa quando acorda? Era só mais um bocadinho... Montanha russa: assustadora ou excitante? Nem uma coisa nem outra. Simplesmente, para mim não existe Caneta ou lápis? Desde que escreva. Quantos toques antes de atender o telefone? Depende da distância entre o telefone e eu. Comida favorita - Arroz de polvo com gambas. Chocolate ou baunilha? indiscutivelmente, chocolate. Gosta de conduzir? Para “saborear” a paisagem, prefiro ser conduzida. Tempestades: excitantes ou assustadoras? Depende do local de observação. Livro à mesa da cabeceira - Normalmente de Hans Konsalik. Filme - Há muitos anos, “Música no Coração”; recentemente, “À espera de um milagre”. Destro, canhoto ou ambidestro? Destra Certamente sou injusta com a esquerda . Convenhamos que uma sente a falta da outra. Número favorito - O da sorte. Carro de sonho - Desde que me leve onde preciso... O que guarda debaixo da cama? Possivelmente o bicho papão... fantasias de crianças. De um amigo... espera? Que o seja com A grande. Se fosse um objecto, seria...? Nunca supérfluo, sempre utilitário. ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ ○ O que gosta de pendurar? Uma fotografia de família. Colecções - Só de amigos. Gostava de ir - ...às 17.30 para casa. Se pudesse ter escolhido, em que época teria vivido? A minha será sempre a melhor; ou não será?! Mar ou montanha? Mar, sem dúvida. Um dia perfeito - Sempre que esteja bem comigo. Um traço - O do rosto dos que me são queridos. Uma palavra - Grata.

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Polistécnica nº3 | novembro 2001