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Como Saber se Você é de Fato um Cristão Autêntico Jonathan Edwards

Este artigo originalmente chamava-se Distinção entre a Graça Verdadeira e as Experiências dos Demônios, escrito por Jonathan Edwards, em 1752. Esta versão em linguagem moderna é de 1994, e tem copyright de William Carson. Concede-se permissão para reproduzi-lo, com as seguintes condições: não alterar o texto, incluir esta nota final em toda e qualquer reprodução, e que o texto não seja nunca usado para obter lucro. http://www.puritansermons.com/ Editor: Manoel Canuto Tradutor e Revisor: Helio Kirchheim Designer: Heraldo Almeida


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Sumário Capa Créditos Mídias Sobre J. Edwards Crês Tu Que Deus é Um Só? Crer em Deus Não é Prova de Salvação Conhecer Deus Não é Prova de Salvação Experiência com Deus Não é Prova de Salvação Entendimento Natural e Amor-próprio Os Sinais Autênticos do Espírito de Deus A Luz Divina Capacita o Homem a Ver a Beleza em Cristo A Beleza de Cristo Mata o Orgulho e Humilha a Alma


1 Crês Tu Que Deus É Um Só? “Crês, tu, que Deus é um só? Fazes bem. Até os demônios creem e tremem” (Tg 2.19). Como é que você sabe se você pertence a Deus? Vemos, nas palavras acima, um argumento que algumas pessoas usam para comprovar que são aceitas por Ele. Algumas pessoas pensam que estão bem com Deus se não forem tão ruins como as outras pessoas más. Outras recorrem a seu histórico familiar ou ao fato de que são membros de igreja para mostrar que são aprovadas diante de Deus. Há um método evangelístico muito usado que faz algumas perguntas às pessoas. Uma dessas perguntas é: “Imagine que você morra hoje. Por que razão Deus admitiria você no céu?” Uma resposta muito comum é: “Porque eu creio em Deus”. Parece que o apóstolo Tiago conhecia pessoas que diziam essa mesma coisa: “Sei que conto com o favor de Deus porque conheço essas doutrinas da religião”. É evidente que Tiago reconhece que esse conhecimento é coisa boa. Não somente é algo bom, mas é também necessário. Ninguém pode tornar-se cristão se não crê em Deus; mais especificamente, no Único e Verdadeiro Deus. Isso era especialmente verdade para aqueles que tinham o grande privilégio de conhecer o apóstolo, o qual podia


falar-lhes em primeira mão das experiências que tivera com Jesus, o Filho de Deus. Quão grande pecado seria se alguém que conhecesse Tiago se recusasse a crer em Deus! Isso sem dúvida tornaria mais grave a condenação dessas pessoas. Qualquer cristão, sem dúvida, reconhece que esse crer no Único Deus é apenas o começo das boas coisas, porque “é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que se torna galardoador dos que o buscam” (Hb 11.6). Contudo, Tiago deixa evidente que, embora essa fé seja algo bom, definitivamente não é prova de que a pessoa está salva. O que ele quer dizer é isto: “Você diz que é um cristão e que goza do favor de Deus. Você pensa que Deus vai admiti-lo no céu, e que a prova disso é que você crê em Deus. Mas isso não prova nada, porque os demônios também creem, e eles com toda certeza vão ser punidos no inferno”. Os demônios creem em Deus — você pode estar certo disso! Eles não só creem que Ele existe, mas também creem que Deus é um Deus santo, um Deus que odeia o pecado, um Deus verdadeiro, que prometeu julgamentos, e que há de executar sua vingança contra os demônios. É por essa razão que os demônios “tremem” com horror — eles conhecem a Deus melhor do que a maioria dos seres humanos, e estão apavorados.


2 Crer em Deus Não é Prova de Salvação Nada do que há na mente do homem — e que os demônios podem experimentar também — é sinal certo da graça de Deus em nosso coração. Talvez seja mais fácil se mudarmos a forma de argumentar. Imagine que os demônios possam de alguma forma ter dentro deles alguma porção da graça salvadora de Deus — o que seria prova de que eles iriam para o céu. Isso seria uma prova de que Tiago estaria errado. Mas isso é um absurdo! A Bíblia deixa bem claro que os demônios não têm esperança de salvação, e a crença deles em Deus não afasta deles a condenação que virá no futuro. É por isso que crer em Deus não é prova de salvação para os demônios, e podemos dizer, com toda certeza, que também não é prova de salvação para os seres humanos. O assunto se esclarece com mais facilidade quando pensamos em como são os demônios. Eles são pecaminosos: qualquer coisa que façam ou experimentem não pode ser santo. O diabo é completamente mau. “Vós sois do diabo, que é vosso pai, e quereis satisfazer-lhe os desejos. Ele foi homicida desde o princípio e jamais se firmou na verdade, porque nele não há verdade. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é


mentiroso e pai da mentira” (Jo 8.44). “Aquele que pratica o pecado procede do diabo, porque o diabo vive pecando desde o princípio” (1 Jo 3.8). É por isso que os demônios são chamados de espíritos maus, espíritos impuros, poderes das trevas, e assim por diante. “... porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes” (Ef 6.12). Dessa forma, fica evidente que não há nada na mente dos demônios que possa ser santo, ou que conduza à verdadeira santidade. Os demônios conhecem de fato muitas coisas sobre Deus e a religião, mas eles não têm um conhecimento santo. O que eles conhecem com a mente pode até afetar o coração deles — de fato, vemos que os demônios têm sentimentos bastante fortes em relação a Deus; tão fortes, na verdade, que eles “tremem”. Mas esses não são sentimentos santos, porque não têm nada a ver com a obra do Espírito Santo. Se isso é verdadeiro com respeito à experiência dos demônios, também é fato com respeito à experiência dos homens. Preste bem atenção nisto: não importa quão genuínos, sinceros e poderosos são esses pensamentos e sentimentos. Os demônios, que são criaturas espirituais, conhecem a Deus de uma forma que os homens da terra não podem conhecer. O conhecimento que eles têm da existência de Deus é mais concreto do que o conhecimento que qualquer homem poderia ter. Pelo fato de os demônios estarem tão estreitamente envolvidos na luta contra as forças do bem,


eles também são muito sinceros no conhecimento que possuem. Em certa ocasião, Jesus expulsou alguns demônios. “Que temos nós contigo, ó Filho de Deus!” gritaram eles. “Vieste aqui atormentar-nos antes de tempo?” (Mt 8.29). O que poderia ser mais claro que isso? Contudo, embora seus pensamentos e sentimentos sejam genuínos e poderosos, eles não são santos. Também podemos ver que, embora sejam santas as coisas em que eles pensam, isso não faz com que sejam santos os seus pensamentos e sentimentos a respeito dessas coisas. Os demônios sabem que Deus existe! Mateus 8.29 nos diz que eles sabem mais a respeito de Jesus do que muitas pessoas sabem! Eles estão completamente certos de que Jesus vai julgá-los um dia, porque Ele é santo. Mas é evidente que sentimentos e pensamentos genuínos, sinceros e poderosos a respeito de coisas espirituais e santas não são prova da graça de Deus no coração. Os demônios têm essas coisas e contudo estão destinados à condenação eterna no inferno. Se os homens não têm nada mais do que os demônios têm, eles haverão de sofrer da mesma forma. Baseados nessas verdades, podemos chegar a várias conclusões. Primeira, que não importa quanto as pessoas possam conhecer a respeito de Deus e da Bíblia, isso não é sinal seguro de salvação. O diabo, antes da sua queda, era uma das brilhantes estrelas da manhã, uma chama de fogo, alguém excelente em força e sabedoria (Is 14.12; Ez 28.12-19). Aparentemente, como um dos anjos principais, Satanás conhecia muito sobre Deus. Agora que está caído, seu pecado não destruiu as lembranças de antes


da queda.


3 Conhecer Deus Não é Prova de Salvação O pecado destrói a natureza espiritual, mas não as habilidades naturais, como a memória. Que os anjos caídos têm muitas habilidades naturais podemos ver de vários versículos bíblicos, por exemplo, Efésios 6.12: “... porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes”. Da mesma forma, a Bíblia diz que Satanás é “mais sagaz” do que as outras criaturas (Gn 3.1; também 2 Co 11.3; At 13.10). Por isso podemos ver que o diabo teve sempre grande habilidade mental e é capaz de conhecer muito sobre Deus, sobre o mundo visível e o invisível, e sobre muitas outras coisas. Como o trabalho dele no início era ser o principal anjo diante de Deus, é natural que sempre foi da maior importância que ele compreendesse essas coisas, e que todas as suas atividades tenham relação com essas áreas de pensamentos, sentimentos e conhecimento. Pelo fato de que a ocupação original dele era ser um dos anjos que assistiria diante da própria face de Deus, e pelo fato de que o pecado não lhe destruiu a memória, é evidente que Satanás conhece mais a respeito de Deus do que qualquer outro ser criado. Depois da queda, podemos


reparar nas suas atividades como tentador, etc., (Mt 4.3) que ele empregou seu tempo incrementando seu conhecimento e suas habilidades. Através da sua astúcia quando tenta as pessoas, podemos ver que o seu conhecimento é grande. A eficiência de suas mentiras revela quão astuto ele é. É evidente que ele não manejaria tão bem o engano sem um verdadeiro e real conhecimento dos fatos. Esse conhecimento de Deus e suas obras vêm desde o início. Satanás estava ali desde a criação, como nos informa Jó 38.4-7: “Onde estavas tu, quando eu lançava os fundamentos da terra? Dize-mo, se tens entendimento. ...quando as estrelas da alva, juntas, alegremente cantavam, e rejubilavam todos os filhos de Deus?” Dessa forma, ele com certeza sabe muito sobre a forma como Deus criou o mundo, e como Ele governa todos os eventos do universo. Além disso, Satanás viu como Deus operou seu plano de redenção no mundo; e não como um inocente observador, mas como um inimigo ativo da graça de Deus. Ele viu a obra de Deus na vida de Adão e Eva, em Noé, Abraão, e Davi. Ele com certeza se interessou especialmente pela vida de Jesus Cristo, o Salvador dos homens, a Palavra de Deus encarnada. Quão próximo ele esteve, observando Cristo? Quão cuidadosamente ele observou os seus milagres e ouviu as suas palavras? Foi por isso que Satanás se opôs pessoalmente ao trabalho de Cristo, e foi para o seu tormento e angústia que ele viu o trabalho de Cristo ser coroado de êxito. Satanás, então, conhece muito a respeito de Deus e do


trabalho de Deus. Ele conhece o céu pessoalmente. Ele conhece também o inferno, com conhecimento pessoal como seu primeiro habitante, e tem experimentado o seu tormento durante todos esses milhares de anos. Ele deve ter um grande conhecimento da Bíblia: pelo menos, podemos ver que ele conhecia o suficiente para tentar nosso Salvador. Além disso, ele tem tido anos de estudo do coração dos homens, seu campo de batalha contra nosso Redentor. Quanto esforço, quanto empenho e quanto cuidado o diabo empregou através dos séculos à medida que foi enganando os homens. Somente um ser com o conhecimento dele e a noção que ele tem da ação de Deus e do coração humano poderia imitar de tal forma a verdadeira religião e transformar-se num anjo de luz (2 Co 11.14). É por essa razão que podemos ver que não há conhecimento de Deus e da religião — em qualquer quantidade que seja — que possa provar que uma pessoa tenha sido salva de seu pecado.


4 Experiência com Deus Não É Prova de Salvação Um homem pode conversar sobre a Bíblia, sobre Deus e sobre a Trindade. Ele pode ser hábil o suficiente para pregar um sermão sobre Jesus Cristo e tudo o que Ele fez. Pense só, alguém pode ser hábil o suficiente para conversar sobre o caminho da salvação e sobre a obra do Espírito Santo no coração dos pecadores, talvez até seja capaz de mostrar aos outros como tornar-se cristão. Tudo isso pode edificar a igreja e iluminar o mundo, mas isso não é uma prova segura da graça salvadora de Deus no coração de um homem. Também é possível constatar que o simples fato de as pessoas concordarem com a Bíblia não é um sinal seguro de salvação. Tiago 2.19 mostra que os demônios de fato, verdadeiramente, creem na verdade. Exatamente como eles creem que Deus é Um, eles concordam com toda a verdade da Bíblia. O diabo não é um herético: todos os seus artigos de fé estão firmemente estabelecidos sobre a verdade. É preciso compreender que, quando a Bíblia fala sobre crer que Jesus é o Filho de Deus, como uma prova da graça de Deus no coração, a Bíblia não quer dizer um mero consentimento com a verdade, mas refere-se a outro tipo de crença. “Todo aquele que crê que Jesus é o Cristo é


nascido de Deus” (1 Jo 5.1). Esse outro tipo de fé é chamado “a fé que é dos eleitos de Deus e o pleno conhecimento da verdade segundo a piedade” (Tt 1.1). Há um poder espiritual relacionado à verdade, que explicaremos mais adiante. Algumas pessoas têm experiências religiosas muito fortes, e as consideram como prova da obra de Deus no seu coração. Muitas vezes, essas experiências dão às pessoas um senso da importância do mundo espiritual, e da realidade das coisas de Deus. Contudo, essas experiências, também, não são provas infalíveis de salvação. Tanto os demônios como os homens condenados ao inferno têm muitas experiências espirituais que têm grande efeito em suas atitudes íntimas do coração. Eles vivem no mundo espiritual e veem pessoalmente como é esse mundo. Os sofrimentos deles lhes mostram o valor da salvação e o valor da alma humana, da forma mais poderosa que se pode imaginar. A parábola em Lucas capítulo 16 ensina isso claramente, como o homem em tormento pede que Lázaro seja enviado para avisar seus irmãos para que evitem esse lugar de tormento. Não há dúvida de que as pessoas no inferno agora têm uma clara ideia da imensidão da eternidade, e da brevidade da vida. Elas estão completamente convencidas de que todas as coisas desta vida são sem importância se comparadas com as experiências do mundo eterno. As pessoas que estão no inferno agora têm um grande senso da preciosidade do tempo, e das maravilhosas oportunidades que as pessoas têm de ouvir o Evangelho. Elas estão completamente cônscias da estupidez do seu pecado, da


negligência das oportunidades, de desconsiderar as advertências de Deus. Quando os pecadores experimentam pessoalmente o resultado final do seu pecado, há “choro e ranger de dentes” (Mt 13.42). Dessa forma, as mais poderosas experiências religiosas não são um sinal infalível da graça de Deus no coração. Tanto demônios como pessoas condenadas ao inferno têm um forte senso da majestade e do poder de Deus. O poder de Deus é expresso mais claramente quando Ele executa sua vingança contra seus inimigos. “Que diremos, pois, se Deus, querendo mostrar a sua ira e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita longanimidade os vasos de ira, preparados para a perdição ” (Rm 9.22). É com tremor que os diabos aguardam a sua punição final, debaixo do mais forte senso da majestade de Deus. Eles o sentem agora, é claro, mas no futuro isso será demonstrado no mais algo grau, quando “do céu se manifestar o Senhor Jesus com os anjos do seu poder, em chama de fogo” (2 Ts 1.7,8). Nesse dia, eles tentarão fugir, esconder-se da presença de Deus. “Eis que vem com as nuvens, e todo olho o verá, até quantos o traspassaram. E todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele” (Ap 1.7). Dessa forma, todos o verão na glória do seu Pai. Mas, obviamente, nem todos os que o virem serão salvos. É bem possível que algumas pessoas se oponham a tudo isso, dizendo que os incrédulos deste mundo são completamente diferentes dos demônios. Estão debaixo de circunstâncias diferentes e são seres de diferentes espécies. Talvez alguém discorde dizendo: “Essas coisas que são


visíveis e presentes aos demônios são invisíveis e futuras aos homens. Além disso, as pessoas têm a desvantagem de ter corpos, os quais restringem a alma, e impedem que as pessoas vejam pessoalmente essas coisas espirituais. Por isso, mesmo que os demônios tenham grande conhecimento e experiências pessoais com as coisas de Deus, e não têm a graça, esse tipo de comparação não se aplica a mim.” Ou, em outras palavras, se as pessoas apresentam essas coisas nesta vida, isso pode muito bem ser um sinal seguro da graça de Deus no coração delas. Em resposta, digo que também concordo que nenhum homem nesta vida teve jamais o grau de intensidade nas experiências que os demônios têm. Nenhuma pessoa jamais tremeu com a mesma intensidade de medo que os demônios tremem. Nenhum homem, nesta vida, pode chegar a ter o mesmo tipo de conhecimento que o Diabo tem. É pacífico que os demônios e os homens condenados ao inferno entendem a vastidão da eternidade e a importância do outro mundo mais que qualquer pessoa viva, e dessa forma valorizam a salvação mais que tudo. Mas podemos observar que os homens neste mundo podem ter experiências do mesmo tipo das experiências dos demônios e os condenados. Elas têm a mesma disposição mental, as mesmas opiniões e emoções, e a mesma espécie de impressões mentais e no coração. Observe que, para o apóstolo Tiago, isso é um argumento convincente. Ele afirma que, se as pessoas pensam que acreditar em Deus é prova da graça de Deus, isso não é prova, porque os demônios também creem a mesma coisa. Tiago não está se


referindo ao mero ato de crer, mas também às emoções e ações que acompanham essa fé. Tremer é um exemplo de emoção que vem do coração. Isso revela que, se as pessoas têm a mesma disposição mental, e reagem de coração da mesma forma, isso tudo não é um sinal seguro da graça de Deus. A Bíblia não define o quanto as pessoas deste mundo podem ver a glória de Deus, e contudo não ter a graça de Deus em seus corações. Não nos é dito exatamente a intensidade com que Deus Se revela a certas pessoas, e quanto elas corresponderão em seu coração. É muito tentador dizer que, se uma pessoa tem certa quantidade de experiência religiosa, ou certa quantidade de verdade, ela com certeza é uma pessoa salva. Talvez seja possível até mesmo que alguma pessoa não salva tenha experiências maiores do que alguns dos que têm graça em seu coração! Por isso, é errado considerar experiência ou conhecimento em termos de quantidade. Os homens que têm uma obra genuína do Espírito Santo no coração têm experiências e conhecimento de uma espécie diferente. A esta altura, talvez alguém responda a esses pensamentos dizendo: “Concordo com você. Vejo que crer em Deus, ver sua majestade e santidade, e saber que Jesus morreu pelos pecadores não é prova da graça em meu coração. Concordo que os demônios podem conhecer essas coisas também. Mas eu tenho algumas coisas que eles não têm. Tenho alegria, paz, e amor. Os demônios não podem ter isso, de forma que isso é prova de que eu sou salvo”. Certo, é verdade que você tem alguma coisa a mais que o demônio não pode ter, mas isso


não é nada melhor do que o demônio poderia ter. A experiência que a pessoa tem de amor, alegria, etc., pode ocorrer não porque ela tem dentro de si algo que o demônio não tem, mas apenas por causa de circunstâncias diferentes. As causas, ou origens desses sentimentos são os mesmos. É por isso que essas experiências não são melhores do que as dos demônios.


5 Entendimento Natural e Amorpróprio Deixem-me explicar melhor: Todas as coisas que discutimos anteriormente sobre demônios e pessoas condenadas provêm de duas causas principais: entendimento natural e amor-próprio. Quando pensam a respeito de si mesmos, essas duas coisas são as que determinam os seus sentimentos e reações. O entendimento natural lhes mostra que Deus é santo, enquanto eles são perversos. Deus é infinito, mas eles são limitados. Deus é poderoso, e eles são fracos. O amor-próprio lhes dá o senso da importância da religião, do mundo eterno, e um desejo pela salvação. Quando essas duas causas operam juntas, tanto os demônios quanto os condenados tornam-se cônscios da apavorante majestade de Deus, que eles sabem que será Aquele que vai julgá-los. Eles sabem que o julgamento de Deus será perfeito e que a sua punição será para sempre. Por isso, essas duas causas juntamente com o que eles sentem haverão de gerar a sua angústia naquele dia de juízo, quando eles verão a glória de Cristo e dos seus santos. A razão porque muitas pessoas sentem alegria, paz e amor, hoje, embora os demônios não sintam isso, pode ser mais devido a suas circunstâncias, do que à diferença em seus


corações. As causas em seus corações são as mesmas. Por exemplo, o Espírito Santo está agora operando no mundo guardando toda a humanidade de tornar-se tão perversa quanto poderia ser (2 Ts 2.17). Isso é diferente dos demônios, que são tão perversos quanto podem ser, o tempo todo. Além do mais, Deus em sua misericórdia concede dons às pessoas, como chuva para as colheitas (Mt 5.45), calor do sol, etc. Não apenas isso, mas frequentemente as pessoas recebem muitas coisas nesta vida que lhes trazem alegria, como relacionamentos pessoais, prazeres, música, saúde, e assim por diante. Mais importante que isso tudo, há muitas pessoas que têm ouvido novas de esperança: Deus enviou um Salvador — Jesus Cristo — que morreu para salvar os pecadores. Nessas circunstâncias, o entendimento natural das pessoas pode fazer com que elas sintam coisas que os demônios não podem sentir nunca. O amor-próprio é uma força poderosa no coração dos homens, forte o suficiente sem a graça para levar as pessoas a amar aqueles que as amam. “Se amais os que vos amam, qual é a vossa recompensa: Porque até os pecadores amam aos que os amam” (Lc 6.32). É algo natural uma pessoa sentir-se segura do amor de Deus por si, ao ver Deus ser misericordioso, e saber que ela não é tão má quanto poderia ser. Se o seu amor por Deus provém apenas dos seus sentimentos de que Deus o ama, ou porque você ouviu que Cristo morreu por você, ou algo parecido, a fonte do seu amor a Deus é unicamente o seu amor-próprio. Isso impera no coração dos demônios também. Pense na


situação dos demônios. Eles sabem que não têm limites na sua perversidade. Eles sabem que Deus é seu inimigo e conhecem tudo que os espera no futuro. Embora estejam completamente sem nenhuma esperança, continuam ativos e lutando. Pense: o que seria se eles tivessem um pouquinho dessa esperança que as pessoas têm? O que seria se os demônios, com o conhecimento que têm de Deus, tivessem sua perversidade restringida? Pense se um demônio, depois de todo o seu medo sobre o julgamento de Deus, fosse de repente autorizado a pensar que Deus poderia ser seu Amigo? Que Deus poderia perdoá-lo e deixá-lo, com pecado e tudo, entrar no céu? Oh, a alegria, a admiração, a gratidão que veríamos! Não se tornaria esse demônio alguém de grande amor a Deus, como qualquer pessoa que ama as pessoas de quem recebe ajuda? O que mais poderia causar sentimentos tão poderosos e sinceros? Será de admirar que tantas pessoas sejam enganadas a respeito desse assunto? Especialmente porque são os demônios que promovem essa ilusão. Eles têm promovido isso por muitos séculos e, infelizmente, são muito bons nisso.


6 Os Sinais Autênticos do Espírito de Deus Chegamos, agora, à pergunta: Se todas essas variadas experiências e sentimentos procedem unicamente dos demônios, qual é o tipo de experiência então que é verdadeiramente espiritual e santa? O que é que eu tenho de encontrar dentro de meu coração como sinal seguro da graça de Deus nele? O que é que indica que esses sinais são do Espírito Santo? Aqui está a resposta: esses sentimentos e experiências que são bons sinais da graça de Deus no coração diferem da experiência dos demônios tanto na sua origem como nos seus resultados. A sua origem é o senso da esmagadora beleza santa e amabilidade das coisas de Deus. Quando uma pessoa compreende em sua mente, ou melhor ainda, quando ela sente o próprio coração cativo pela atração Divina, isso é um inconfundível sinal da obra de Deus. Os demônios e os condenados do inferno não conhecem e nunca hão de experimentar nada disso. Antes de cair, os demônios tinham esse senso de Deus. Mas quando caíram, perderam isso, a única coisa que eles nunca deviam ter perdido do conhecimento que eles tinham de Deus. Já vimos como os demônios têm uma ideia bem clara sobre quão poderoso Deus é, sua justiça, santidade, e assim por diante.


Eles conhecem muitos fatos a respeito de Deus. Mas agora eles não têm a mínima noção de como é Deus. Eles não podem saber como Deus é — não mais do que um cego pode saber a respeito de cores! Os demônios podem ter um forte senso da terrível majestade de Deus, mas eles não veem a sua amabilidade. Eles têm observado a sua obra em favor da raça humana através desses milhares de anos, com a maior atenção; mas não tiveram nunca a mais vaga noção da sua beleza. Não importa o quanto conheçam sobre Deus (e já vimos que eles de fato conhecem muito), o conhecimento que eles têm nunca os trará ao elevado e espiritual conhecimento de como Deus é. Pelo contrário, quanto mais eles sabem sobre Deus, mais eles O odeiam. A beleza de Deus consiste primariamente na sua santidade, ou na sua excelência moral, e isso é o que eles mais odeiam. É porque Deus é santo que os demônios O odeiam.


7 A Luz Divina Capacita o Homem a Ver a Beleza em Cristo Talvez alguém pense que, se Deus fosse menos santo, os demônios O odiariam menos. Não há dúvida que os demônios odiariam qualquer Ser santo, não importando a que Ele se assemelhasse anteriormente. Mas com certeza eles odeiam esse Ser mais do que tudo, por ser infinitamente santo, infinitamente sábio, e infinitamente poderoso! Os condenados, inclusive os que ainda vivem hoje, no dia do juízo, verão tudo o que se pode ver de Jesus Cristo, menos a sua beleza e amabilidade. Não há nada a respeito de Cristo que possamos imaginar que não será apresentado diante deles na mais forte luz daquele dia esplendoroso. Os perversos verão Jesus “vir nas nuvens, com grande poder e glória” (Mc 13.26). Verão a sua glória exterior, a qual é muito, muito maior do que podemos imaginar agora. Os perversos serão completamente convencidos de tudo que Cristo é. Serão convencidos de sua onisciência, quando seus pecados forem expostos e julgados. Conhecerão pessoalmente a justiça de Cristo, quando a sua sentença for anunciada. Sua autoridade será completamente evidente quando todo joelho se dobrar, e toda língua confessar Jesus como Senhor (Fp 2.10,11). A divina majestade lhes será evidente de tal forma, que os perversos irão por si mesmos ao inferno, e entrarão no seu


estado final de sofrimento e morte (Ap 20.14,15). Quando isso acontecer, todo o seu conhecimento de Deus, por mais verdadeiro e poderoso que possa ser, de nada valerá porque não verão a beleza de Cristo. Por isso, é essa visão da amabilidade de Cristo que faz a diferença entre a graça salvadora do Espírito Santo e as experiências dos demônios. É essa visão, esse senso que torna diferente a experiência cristã autêntica de tudo o mais. A fé do povo eleito de Deus se baseia nisso. Quando uma pessoa vê a excelência do evangelho, ela sente a beleza e a amabilidade do plano divino de salvação. Sua mente é convencida de que isso é de Deus, e ela crê nisso de todo o coração. Como o apóstolo Paulo diz em 2 Coríntios 4.3,4: “Mas, se o nosso evangelho ainda está encoberto, é para os que se perdem que está encoberto, nos quais o deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus”. Como já dissemos antes, os descrentes podem ver que há um evangelho, e entender os fatos acerca dele, mas não veem a sua luz. A luz do evangelho é a glória de Cristo, sua santidade e beleza. Logo após isso, lemos em 2 Coríntios 4.6: “Porque Deus, que disse: Das trevas resplandecerá a luz, ele mesmo resplandeceu em nosso coração, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Cristo”. De forma clara, é essa divina luz, iluminando nosso coração, que nos capacita a ver a beleza do evangelho e a exercer fé salvadora em Cristo. Essa luz sobrenatural nos mostra a suprema beleza e amabilidade de Jesus, e nos


convence da sua suficiência como nosso Salvador. Somente um glorioso e majestoso Salvador como esse pode ser nosso Mediador, colocando-se entre nós, pecadores culpados, merecedores do inferno, e um Deus infinitamente santo. Essa luz sobrenatural nos dá um senso de Cristo que nos convence de uma forma que nada mais poderia fazer. Quando um pecador perverso é levado a ver a divina amabilidade de Cristo, ele não mais especula por que será que Deus está interessado nele, para salvá-lo. Antes disso, ele poderia não entender como o sangue de Cristo poderia pagar a penalidade dos pecados. Mas agora ele pode ver a preciosidade do sangue de Cristo, e como ele é digno de ser aceito como libertação para o pior dos pecados. Agora a alma pode reconhecer que é aceita por Deus, não por aquilo que ela é, mas por causa do valor que Deus dá ao sangue, à obediência, e à intercessão de Cristo. Ver esse valor e dignidade dá à pobre alma culpada o descanso que não se pode encontrar em nenhum sermão ou livro. Quando uma pessoa chega a ver o fundamento adequado da fé e da confiança com seus próprios olhos, isso é fé salvadora. “De fato, a vontade de meu Pai é que todo homem que vir o Filho e nele crer tenha a vida eterna” (Jo 6.40). “Manifestei o teu nome aos homens que me deste do mundo. Eram teus, tu mos confiaste, e eles têm guardado a tua palavra. Agora, eles reconhecem que todas as coisas que me tens dado provêm de ti; porque eu lhes tenho transmitido as palavras que me deste, e eles as receberam, e verdadeiramente conheceram que saí de ti, e creram que tu me enviaste” (Jo 17.6-8).


É essa visão da beleza divina de Cristo que cativa a vontade e atrai o coração dos homens. Uma visão da manifesta grandeza de Deus e sua glória pode aterrorizar os homens, e ser mais do que eles podem suportar. Isso se verá no dia do juízo, quando os perversos serão trazidos diante de Deus. Eles serão aterrorizados, sim, mas a hostilidade do coração permanecerá com força total e a oposição da vontade continuará. Mas por outro lado, um simples raio da glória moral e espiritual de Deus e da suprema amabilidade de Cristo brilhando no coração vence toda a hostilidade. A alma se inclina para amar a Deus como se fosse movida por um poder onipotente, de tal forma que agora não apenas o entendimento, mas o ser inteiro recebe e abraça o amado Salvador. Esse senso da beleza de Cristo é o início da verdadeira fé salvadora na vida de um autêntico convertido. Isso é muito diferente de qualquer vago sentimento de que Cristo o ama ou morreu por ele. Esse tipo de sentimento vago pode provocar um tipo de amor e alegria, porque a pessoa sente uma gratidão por escapar da punição do seu pecado. Na verdade, esses sentimentos são baseados em amor-próprio, e não num amor por Cristo de forma alguma. É triste que tantas pessoas sejam ludibriadas por essa falsa fé. Por outro lado, um vislumbre da glória de Deus na face de Jesus Cristo provoca no coração um supremo e genuíno amor por Deus. Isso acontece porque a divina luz mostra a suprema amabilidade da natureza de Deus. Um amor baseado nisso está muito, muito acima de qualquer coisa vinda do amor-


próprio, que tanto demônios como homens podem possuir. O verdadeiro amor de Deus que vem dessa visão da sua beleza provoca uma santa e espiritual alegria na alma; uma alegria em Deus, e exultação nEle. Não há regozijo em nós mesmos, mas sim em Deus somente. A visão da beleza das coisas divinas vai provocar verdadeiro desejo pelas coisas de Deus. Esses desejos são diferentes dos anseios dos demônios, que ocorrem porque os demônios conhecem o destino que os aguarda, e eles desejam que de alguma forma fosse diferente. Os desejos que vêm dessa visão da beleza de Cristo são desejos livres naturais, como o desejo que o bebê tem por leite. Por serem tão diferentes das suas imitações, esses desejos ajudam a fazer distinção entre experiências genuínas da graça de Deus e as falsas experiências. As experiências espirituais falsas têm a tendência de provocar orgulho, que é o pecado peculiar do diabo. “...não seja neófito, para não suceder que se ensoberbeça e incorra na condenação do diabo” (1 Tm 3.6).


8 A Beleza de Cristo Mata o Orgulho e Humilha a Alma O orgulho é o resultado inevitável das falsas experiências espirituais, mesmo quando frequentemente são cobertas com uma máscara de grande humildade. A falsa experiência está enamorada de si mesma e cresce para si. Ela vive para mostrar-se de um jeito ou de outro. Uma pessoa pode ter grande amor a Deus, e ter orgulho desse grande amor. Pode ser muito humilde, e de fato muito orgulhosa de sua humildade. Mas as emoções e experiências que vêm da graça de Deus são o exato oposto. A verdadeira obra de Deus no coração produz humildade. Não gera nenhum tipo de ostentação nem autoexaltação. Esse senso da apavorante, santa e gloriosa beleza de Cristo mata o orgulho e humilha a alma. A luz da amabilidade de Deus, e ela somente, mostra à alma a sua própria fealdade. Quando uma pessoa de fato entende isso, ela inevitavelmente começa um processo de tornar Deus cada vez maior, e a ele mesmo cada vez menor. Outro resultado da operação da graça de Deus no coração é que a pessoa vai odiar todo e qualquer mal e será suscetível a Deus com um coração santo e uma vida santa. As falsas experiências podem até produzir certo zelo, e até um elevado grau daquilo que comumente se chama religião.


Contudo não é um zelo por boas obras. Sua religião não é um serviço a Deus, mas antes um serviço a si mesmo. É dessa forma que o apóstolo Tiago o coloca em nosso texto: “Crês, tu, que Deus é um só? Fazes bem. Até os demônios creem e tremem. Queres, pois, ficar certo, ó homem insensato, de que a fé sem as obras é inoperante?” (Tg 2.19,20). Em outras palavras, obras — ou boas obras — são evidência de uma experiência genuína da graça de Deus no coração. “Ora, sabemos que o temos conhecido por isto: se guardamos os seus mandamentos. Aquele que diz: Eu o conheço e não guarda os seus mandamentos é mentiroso, e nele não está a verdade” (1 Jo 2.3,4). Quando o coração foi cativado pela beleza de Cristo, de que outra forma ele pode reagir? Quão excelente é essa bondade interior e essa religião verdadeira que vêm da visão da beleza de Cristo! Eis aqui as mais maravilhosas experiências dos santos e dos anjos do céu. Aqui temos a suprema experiência do próprio Senhor Jesus Cristo. Embora sejamos meras criaturas, essa é uma espécie de participação da beleza do próprio Deus. “...pelas quais nos têm sido doadas as suas preciosas e mui grandes promessas, para que por elas vos torneis coparticipantes da natureza divina” (2 Pe 1.4). “Deus... nos disciplina para aproveitamento, a fim de sermos participantes da sua santidade” (Hb 12.10). Em razão do poder dessa divina operação, há uma mútua habitação de Deus em seu povo e de seu povo nEle. “Deus é amor, e aquele que permanece no amor permanece em Deus, e Deus, nele” (1 Jo 4.16).


Esse relacionamento especial há de tornar a pessoa envolvida tão feliz e tão abençoada quanto é possível alguém ser nesta vida. Essa é uma dádiva especial de Deus, que Ele dá apenas a seus favoritos. Ouro, prata, diamantes e reinos terrenos são dados por Deus às pessoas que a Bíblia chama de cães e porcos. Mas essa grande dádiva de vislumbrar a beleza de Cristo, é a bênção especial de Deus aos seus amados filhos. Nem carne nem sangue podem conceder essa dádiva; somente Deus pode dá-la. Foi por essa dádiva especial que Cristo morreu, para obtê-la para seus eleitos. Ela é o mais alto indício do seu amor eterno, o melhor fruto do seu penoso trabalho, e a mais preciosa aquisição do seu sangue. É através dessa dádiva, mais do que através de qualquer outra coisa, que os santos resplandecem como luzeiros neste mundo. Essa dádiva, mais do que qualquer outra coisa, é o conforto deles. É impossível que a alma que possui essa dádiva possa perecer, jamais! Essa é a dádiva da vida eterna. É o início da vida eterna: os que a possuem não podem morrer nunca. É o raiar da luz da glória. Ela vem do céu, tem qualidades celestiais, e conduzirá seu possuidor ao céu. Aqueles que possuem essa dádiva talvez vagueiem pelo deserto, talvez sejam agitados pelas ondas do mar, mas por fim hão de chegar ao céu. Ali a centelha celestial será aumentada e aperfeiçoada. No céu, a alma dos santos será transformada numa chama brilhante e pura, e eles reluzirão como o sol no reino do seu Pai. Amém.


Sobre Jonathan Edwards

John Piper fala sobre Jonathan Edwards


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