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A BASE BÍBLICA DO BATISMO DE CRIANÇAS

Elmir Júnior


Autor Rev. Elmir Júnior

Brasil – 2015


A BASE BÍBLICA DO BATISMO DE CRIANÇAS

Devemos iniciar o presente estudo enfocando o fato de que os filhos de cristãos sinceros e piedosos são herdeiros das promessas de Deus, como a Bíblia ensina em Atos 2:39: “Porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos, e a todos os que estão longe: a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar. ” É dizer: o Soberano Deus, por sua infinita misericórdia, estende a promessa de salvação, consolo e presença do Espírito Santo aos filhos dos eleitos, pois seu propósito sempre foi a formação de gerações e mais gerações transmitindo suas eternas Verdades. É a “geração eleita”, a “nação santa” dEle, como vemos em I Pedro 2:9. No Antigo Testamento, havia a circuncisão, ritual que tinha implicações espirituais, como vemos em Deuteronômio 30:6, Romanos 2:26-29. No entanto, pode ocorrer que filhos de crentes, batizados, que fazem parte da Aliança, não integrem a nação santa, eleita, da mesma forma que não eram judeus os que o eram apenas externamente (Romanos 2:28). Os judeus muitas vezes fizeram coisas mais abomináveis do que os povos pagãos, apesar de muitos deles parecerem fazer parte da Aliança que Deus fez com os patriarcas de Israel. Há uma pressuposição errônea de que os filhos de crentes, ao serem batizados recebem de forma miraculosa a graça de Deus, que é infundida neles, e que por isso perseverarão até o fim. O batismo substituiu o ritual da circuncisão, como forma de entrada na Aliança. O Mediador da Aliança ou Pacto que Deus tem com aqueles que Ele elegeu antes da fundação do mundo continua sendo o mesmo – JESUS CRISTO. (Gálatas 3:16, I Timóteo 2:5,6 e I Pedro 1:9-12). Os batistas e os movimentos pentecostais, havendo ou perdido ou nunca recebido a compreensão da doutrina da Aliança de Deus com seu povo, atacam o batismo infantil com argumentos absurdos, como demonstraremos nas linhas que seguem. O livro de Atos retrata a atividade missionária da igreja primitiva, contudo, não há no Novo Testamento, um enfoque sobre o modo como se procedia, em relação ao batismo infantil, numa igreja já estabelecida. Não há descrição do funcionamento daquelas “igrejascasa” internamente. Porém, há citações dos chamados “pais primitivos” da igreja que mostram que havia o batismo de crianças na igreja do primeiro século. Eles usavam, costumeiramente, a palavra regeneração no lugar de batismo. Santo Irineu, que viveu no século II, depois de Cristo, e também Tertuliano, fazem uso de expressões, em seus escritos, que são importantes fontes históricas sobre a pratica do batismo de crianças na primitiva igreja. É comum ouvirmos das pessoas que atacam o batismo de crianças ou pedobatismo, como um de seus argumentos, o fato de Jesus não ter sido batizado quando criança, mas sim haver sido apresentado no templo. Tais pessoas esquecem-se de que como judeu, Jesus foi circuncidado ao oitavo dia e, nem se poderia cogitar do batismo dele, porque a Igreja sob


o aspecto da nova dispensação ainda não havia sido fundada, pois o Cabeça dela, seu fundador é o próprio Jesus. Assim como o hebreu era circuncidado ao oitavo dia de nascido e recebia a informação do significado da circuncisão quando atingia seus doze ou treze anos, ficando ciente de que fazia parte de uma Aliança com Deus, como herança que recebera por ser filho de um eleito de Jeová, assim também, o recém-nascido deve receber as águas do batismo e, depois de um certo tempo, fazer sua profissão de fé. A idade de 12 anos é a ideal. O próprio Deus batizou milhares de crianças recém-nascidas, como vemos em I Coríntios 10:2. No meio daqueles dois milhões e oitocentos mil hebreus, aproximadamente, que saíram do Egito com Moisés havia, certamente, uns duzentos e cinquenta mil recémnascidos. Não batizar as crianças significa dizer que elas não fazem parte do Pacto que Deus tem com seus eleitos. Existe, como já mencionamos, uma geração eleita, a nação santa de Deus. As crianças não fazem parte da Aliança de Deus com seu povo eleito? Na chamada “Grande Comissão”, que encontramos no Evangelho de S. Mateus 28:19, quando o Senhor Jesus diz: “Portanto ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo”, obviamente, Ele estava comissionando seus discípulos a tratarem com os adultos. Entretanto, os filhos daqueles que se convertiam eram batizados, por tornarem-se participantes da Aliança, com seus pais. Há, também, aqueles que fazem uso do texto que se encontra em Mateus 19:14 para atacar o batismo de crianças, os quais, ainda não se deram conta do ridículo que cometem, pois, a Igreja não havia sido estabelecida ainda. Logo, como seriam batizadas? Além disso, dizer que crianças não precisam ser batizadas porque não têm pecado é absurdo, pois lemos em Romanos 3:23 que “todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus.” Surge, então, para os que atacam o pedobatismo com base na referida passagem, uma acentuada celeuma sobre qual seria afinal a data a partir da qual uma pessoa passa a ter consciência do pecado... Não se pode deixar de registrar também, em relação ao texto que se encontra no versículo 14, do capítulo 19, do Evangelho de S. Mateus, que aquelas crianças às quais Jesus se referiu certamente eram judias e, já haviam sido circuncidadas ao oitavo dia, seguindo, como o próprio Jesus, todo um ritual estabelecido pela Lei de Moisés – a circuncisão -, que foi substituído pelo batismo. A forma correta de batismo é por aspersão, pois, textos bíblicos como Atos 9:18 e Atos 16:33, mostram claramente ser impossível a prática do batismo por imersão, como querem os batistas. Ademais, onde a igreja nasceu não havia rios. E, a palavra grega “baptizó” significa imergir, lavar, purificar, sendo que no Novo Testamento, em nenhum texto relativo a batismo em que ela é empregada, tem o sentido de imergir, mas sim de lavar, purificar. Também a efusão é forma correta de ministrar-se o sacramento do batismo, que consiste em derramar-se água sobre a cabeça do batizando, estando ele com parte do corpo dentro da água.


A Confissão de Fé de Westminster, elaborada no século dezessete, na Inglaterra, por teólogos eruditos, e que é considerada uma das mais completas Confissões já elaboradas no seio do cristianismo, em seu capítulo XXVIII, nº IV, ministra o seguinte: “Não só os que de fato professam a sua fé em Cristo e obediência a ele, mas também, os filhos de pais crentes (ainda que só um deles o seja) devem ser batizados. ” Nas linhas acima, acreditamos haver apresentado, ainda que de forma resumida, alguns dos principais argumentos que mostram ser o batismo infantil inteiramente bíblico, razão por que foi e continua sendo realizado por praticamente todo o mundo cristão, desde que a Igreja foi estabelecida por nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

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Elmir Júnior - A base bíblica do batismo de crianças  

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