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a fechar... IPP recebe certificação pioneira no ensino superior

Ano 12 . Número 91.

O Instituto Politécnico de Portalegre é a primeira instituição portuguesa de ensino superior certificada segundo a norma NP 4469-1:2008. “O certificado que evidencia o compromisso em boas práticas de responsabilidade social”, emitido pela APCER, data de 22 de Novembro e a entrega aconteceu na sessão comemorativa do Dia do IPP. “Queremos que a responsabilidade social seja um vector estratégico da instituição, que a diferencie e que marque este compromisso na relação de proximidade que a instituição tem na sua matriz”, assumiu o presidente do IPP, ao receber o certificado de conformidade, entregue pelo Eng.º Hélder Estradas, da APCER.

Edição especial Dia do IPP | 2o11

a Por t l

Boletim do Instituto Politécnico de Portalegre

A Responsabilidade Social no IPP, um processo integrado e integrador

O IPP integra de forma natural preocupações sociais e ambientais na sua estratégia de desenvolvimento. O seu programa de desenvolvimento incorpora eixos estratégicos claros de responsabilidade social que visam a melhoria do seu trabalho fundamental, o bem-estar dos seus alunos, funcionários docentes e não docentes e uma permanente interacção com parceiros locais, regionais, nacionais e internacionais. Se é natural que objectivos de Responsabilidade Social façam parte da vida de uma instituição de ensino superior que se preocupa com a formação integral dos seus alunos, no que ao Instituto Politécnico de Portalegre diz respeito, outra razão interfere de uma forma permanente, a relação com o meio e a comunidade envolvente. Integrado numa região de baixa densidade populacional, com uma forte influência na vida económica da região, o IPP está muito perto das instituições da região e com elas estabelece um conjunto alargado de parcerias, que se materializam em projectos, serviços, fóruns, seminários, transferências de conhecimento, actividades culturais e científicas, etc. Este envolvimento e grau de proximidade faz do IPP um parceiro privilegiado com as instituições do poder local, da área social e empresarial, bem como um agente crucial do desenvolvimento da região. É nesta vocação regional que encontramos outra das razões fundamentais para exercer de forma clara o sentido e os valores da Responsabilidade Social. A vontade de aprofundar a integração da Responsabilidade Social no desenvolvimento das diferentes actividades realizadas, a vontade de aprofundar o Sistema de Gestão de Qualidade, integrando-lhe programas de responsabilidade social, dando-lhe um cunho mais humanista, levou-nos a equacionar a certificação do IPP na área da Responsabilidade Social. Já algumas empresas apostavam na certificação nesta área, por que não experimentar numa instituição de ensino superior com as características da nossa?

comunidade académica do IPP. Criou-se um grupo de trabalho transversal a todas as unidades orgânicas do IPP, lançou-se com esse grupo um processo de formação sobre a Norma de Responsabilidade Social (NP 4469-1:2008), desenvolveu-se mais comunicação com os nossos parceiros internos e externos (as partes interessadas, os nossos stakeholders), sistematizou-se programas de trabalho, criou-se um código de ética, aumentou a consciência interna para as questões da Responsabilidade Social. Foi um caminho que se fez caminhando com algumas dificuldades é certo, mas com a naturalidade de quem já tem práticas sociais que fazem parte da sua matriz de desenvolvimento. Esta característica diferenciadora do IPP tornou-se agora mais marcante com a certificação. Este trabalho que se iniciou em 2009, teve em 2010 e 2011 os anos de maior actividade. Passadas que foram uma auditoria interna e uma auditoria externa realizada em duas fases, o IPP viu o seu Sistema de Responsabilidade Social, segundo a Norma 4469-1:2008, certificado pela APCER, uma Agência para a Certificação independente e de referência no sector. Vamos continuar. O caminho é integrar de forma plena o Sistema de Gestão da Responsabilidade Social no Sistema de Gestão da Qualidade, aprofundar o Sistema Integrado de Gestão, articulando-o com as exigências do Sistema Interno de Garantia da Qualidade proposto pela Agência de Acreditação e Avaliação do Ensino Superior (A3ES), na certeza que este rumo melhora e organiza o nosso trabalho nuclear e o nosso trabalho de suporte. Nestes tempos de grande dificuldade para as populações, para as famílias e para as instituições, um trabalho do IPP assente em preocupações e programas Âmbito da certificação do SGRS – Processos relacionados com a formação, a investigação e o desenvolvimento científico e tecnológico, em todas as unidades sociais, atento às emergências orgânicas do IPP, designadamente: oferta formativa e actividade curricular de todos os cursos conferentes de grau; serviços prestados à comunidade (laboratórios da ESAE e da ESTG); apoio à investigação e desenvolvimento; serviços de alojamento e refeições disponibilizados pelos Serviços de Acção Social. sociais, realizado em estreita ligação com a comunidade Tínhamos também a consciência que aprofundar o trabalho nesta área envolvente, pode fazer a diferença e pode ser um factor diferenciador da Responsabilidade Social passava pelo processo de certificação, quer fundamental para a afirmação do IPP. Albano Silva, vice-presidente do Instituto Politécnico de Portalegre pelo grau de exigência destes processos, quer pelo maior envolvimento da Ficha Técnica Edição Gabinete de Relações Públicas e Cooperação do Instituto Politécnico de Portalegre Director Joaquim Mourato Redacção Maria do Carmo Maridalho Secretariado Susana Dias Paginação Margarida Dias 7301- 901 Portalegre Tel. 245 301 500 Fax 245 330 353 Site www.ipportalegre.pt E-mail grpc@ipportalegre.pt

Contactos Praça do Município Apartado 84

1.ª Instituição portuguesa de ensino superior certificada de acordo com o referencial normativo NP 4469 -1:2008

Instituto Politécnico de Portalegre recebe o certificado de conformidade do seu Sistema de Gestão da Responsabilidade Social

Entregues os primeiros títulos honoríficos de Professor Honoris Causa e de Benemérito do IPP

Prof. Luís Soares, Prof. Pedro Lynce de Faria e Comendador Rui Nabeiro distinguidos


A sessão comemorativa do Dia do IPP teve lugar, a 25 de Novembro, no auditório Dr. Francisco Tomatas, na Escola Superior de Tecnologia e Gestão. Foi uma jornada de comemoração, mas principalmente um tempo para partilhar reflexões, que agora merecem uma nova leitura ou descoberta. Nas próximas páginas transcrevem-se intervenções deste Dia do IPP.

conhecer

Discurso do Presidente do IPP Prof. Joaquim Mourato

Prémios e distinções Começo por justificar, a seu pedido, a ausência do Senhor Secretário de Estado do Ensino Superior que, apesar de já ter confirmado a sua presença, foi subitamente chamado à Assembleia da República para participar na discussão da especialidade do Orçamento, exactamente a decorrer esta manhã. Quero também agradecer a presença do Senhor Presidente do Conselho Geral, que com o seu saber e experiência tanto nos tem ajudado a melhor cumprirmos a nossa missão. Obrigado Professor Luís Soares. Aproveito para felicitar todos os membros do Conselho Geral. Senhor Presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos, obrigado por aceitar o nosso convite e nos dar o privilégio de partilhar connosco os seus conhecimentos e anseios. Temos uma enorme expectativa nas suas palavras. Permita-me que agradeça a presença dos Presidentes dos Institutos Politécnicos. Fico muito satisfeito por poder testemunhar a unidade do Sistema Politécnico no dia do IPP. Caro representante dos Estudantes, agradeço-lhe também a sua presença e aproveito para felicitar todos os estudantes das Escolas do IPP. As comemorações devem servir para olharmos para trás, realçando o caminho percorrido, para ganharmos forças para enfrentarmos o presente e prepararmos o futuro. É isso que vou fazer de forma sumária. O IPP foi criado em 1980, à semelhança de outros Institutos, com o objectivo de se “dotar o País com os profissionais de perfil adequado de que este carece para o seu desenvolvimento, orientado de forma a dar predominância aos problemas concretos e de aplicação prática, e promover a investigação aplicada e o desenvolvimento experimental, tendo em conta as necessidades no domínio tecnológico e no sector dos serviços, particularmente as de carácter regional”. Foi este o objectivo da criação dos Institutos Superiores Politécnicos. O IPP inicia a sua actividade em 1985 com a Escola Superior de Educação, para, em 1989, começar a funcionar a Escola Superior de Tecnologia e Gestão, em 1995 a Escola Superior Agrária de Elvas e, em 2001, integrar a Escola Superior de Enfermagem (actual Escola Superior de Saúde).

Em 2008 entra em vigor um novo Regime Jurídico que trouxe novas orientações para o sistema de ensino superior e para as suas instituições. Foi perante este novo quadro que as instituições se reorganizaram, com novos estatutos, novos órgãos, novas unidades orgânicas. Em 2009 o IPP aprovou um Programa de Desenvolvimento para 2009-2012 onde fez constar a estratégia a seguir. Apostámos na qualificação do corpo docente e proporcionámos um programa de apoio a 68 docentes (cerca de 30% do corpo docente do Instituto). Em dois anos duplicámos o número de doutorados e até 2014 esperamos ultrapassar a barreira dos 50% do corpo docente com doutoramento. Apostámos na investigação e criámos o Centro Interdisciplinar de Investigação e Inovação – C3i – que está a fazer o seu caminho. Foi integrado no Repositório Comum do Repositório Científico de Acesso Aberto de Portugal, lançou os primeiros dois volumes da colecção C3i, obteve a certificação para prestação de serviços de I&DT a PME nas áreas de Ciências e Tecnologias do Ambiente, Qualidade e Segurança Alimentar, organizou diversos eventos científicos e tem em execução mais de duas dezenas de projectos. Realço o

projecto mais recente, “Desenvolvimento de Combustíveis de 2.ª geração”, com uma parceria alargada, de onde destaco a GALP, a Universidade de Évora e o Instituto Superior de Agronomia, e que envolve cerca de dois milhões de euros. Também realço o projecto Bioenergia, com um investimento de aproximadamente 4 milhões de euros que, como esperamos, deverá arrancar em 2012 e que dotará o Instituto e a região de excelentes condições para a inovação e para o empreendedorismo. Apostámos na internacionalização, criámos a estrutura adequada e estamos a alargar e a consolidar a rede que nos permite reforçar a mobilidade de estudantes e docentes e as parcerias científicas. Temos colaborações diversas com a Universidad da Extremadura, desde as parcerias em projectos de investigação, a mobilidade de docentes, até à dupla titulação de graus conjuntos. Esperamos aumentar em breve estas relações de cooperação. Esperamos que no próximo semestre já tenhamos a mobilidade de estudantes com o Instituto Politécnico de Macau. Também celebrámos um acordo de colaboração com a Universidade Estadual de Campinas, do Brasil. Estamos a negociar outros acordos para tornar presente o Instituto Politécnico de Portalegre nos quatro cantos do mundo. Aprofundámos a ligação à sociedade e para tal reforçamos alguns projectos e criámos outros. Cito apenas como exemplo o Gabinete de Emprego e Empreendedorismo (com a ENOVE+, Feira do Emprego e do Empreendedorismo, ponto de encontro entre os estudantes e as empresas, evento que aconteceu este ano em Elvas e no próximo ano se realizará em Sousel; o apoio ao Poliempreende, grande iniciativa do Sistema Politécnico Português); o CLIC, Centro de Línguas e Culturas do IPP, (que neste momento responde às necessidades da academia e também da sociedade em geral, proporcionando cursos à medida de cada empresa); o Europe Direct (centro de informação da União Europeia). Poderia continuar com inúmeros protocolos celebrados com organizações que correspondem a outras tantas acções de parceria. Apostámos, por último, na sustentabilidade do Instituto assente na qualidade (para além da ISO 9001:2008, centrámo-nos neste ano

Como é habitual, no Dia do IPP foram entregues os prémios aos melhores alunos do primeiro ano e aos melhores diplomados, graças à colaboração de instituições parceiras. Também na ocasião se procedeu à entrega das bolsas por mérito, referentes ao ano lectivo de 2009/2010, e homenagearam-se os funcionários aposentados este ano. Prémios para os melhores alunos (valor de cada prémio: 500 euros) Prémios “Caixa Geral de Depósitos”

Melhores alunos do 1º ano: ESE: Gaspar Garção – Jornalismo e Comunicação (16,30 valores) ESTG: Inês Freitas – Design e Animação Multimédia (15,55 valores) ESAE: Anette Reintjes – Enfermagem Veterinária (15,70 valores) ESS: Joaquim Rodrigues – Enfermagem (16,55 valores)

Prémio “Câmara Municipal de Portalegre”

Melhores diplomados: ESE: Susana Serra – Jornalismo e Comunicação (14,96 valores)

Prémio “Delta Cafés”

ESTG: João Alves – Informação e Documentação (15,49 valores)

Prémio “Cidade de Elvas”

ESAE: Alexandra Lopes – Equinicultura (16,18 valores)

Prémio “Ravagnani Dental Portugal”

ESS: Renato Tavares – Enfermagem (17,20 valores)

Prémio “Dr. Francisco Tomatas”

ESTG: Maria da Conceição Mé – ramo de Contabilidade da licenciatura em Gestão (15,06 valores)

Prémio “Ensino Magazine”

ESE: Marco Carrapiço – Formação de Adultos e Desenvolvimento Local (17,13 valores)

Bolsas de estudo por mérito (valor de cada bolsa: 2425 euros) ESE: Cristina Luís – Educação Básica (16,50 valores) ESE: Marco Carrapiço – Formação de Adultos e Desenvolvimento Local (16,11 valores) ESTG: António Alves – Gestão (pós-laboral) (17,30 valores) ESTG: Pedro Roque – Engenharia Informática (17,27 valores) ESAE: Alexandra Lopes – Equinicultura (16,89 valores) ESS: Patrícia Durão – Enfermagem (17,13 valores)

Trabalhadores aposentados em 2011 Maria Ana Capelinha Drogas Remígio Lopes – 22 anos ao serviço da actual Escola Superior de Saúde; Maria Catarina Martins Madeira Cortes – 22 anos ao serviço da actual Escola Superior de Saúde; Maria de Lurdes Ceia Dias Mourinho – 19 anos ao serviço da actual Escola Superior de Saúde; Arminda de Lurdes B. Miranda Marchão – 10 anos ao serviço dos Serviços de Acção Social.


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conhecer Prémio de Boas Práticas de Responsabilidade Social no IPP

Em 2011, o Instituto Politécnico de Portalegre deu passos decisivos para certificar o Sistema de Gestão da Responsabilidade Social e pretendeu reconhecer o trabalho levado a cabo pelos seus colaboradores nesta área, através da atribuição do Prémio de Boas Práticas de Responsabilidade Social.

Na sessão solene do Dia do IPP, foram anunciados os resultados do concurso. O júri, constituído pelos membros do Conselho de Gestão e pelos responsáveis pelas unidades orgânicas, decidiu, por unanimidade, atribuir um prémio, a um dos 36 programas desenvolvidos no âmbito do Sistema de Gestão da Responsabilidade Social. O programa premiado foi o projecto “Alimentação Saudável nas Escolas do Concelho de Portalegre”. A escolha teve por base o propósito e a abrangência do programa, que envolve um conjunto significativo de partes interessadas: comunidade, entidades, escolas, crianças e famílias. O prémio entregue à responsável pelo projecto, Dra. Maria Margarida Malcata, consistiu no valor pecuniário de 1500 euros, patrocinado pela Caixa Geral de Depósitos; na possibilidade de gozo de dois dias suplementares de férias e na oportunidade de o projecto representar o IPP, na próxima edição do Prémio de Boas Práticas no Sector Público.

CCDP IPP organiza peddy-paper

No Dia do IPP, à tarde, realizou-se o peddy-paper fotográfico, pelas ruas de Portalegre; uma iniciativa organizada pelo Centro de Cultura e Desporto do Pessoal do IPP, que reuniu oito equipas constituídas por docentes, não docentes e alunos. Os prémios consistiram num vale de refeição (com valor variável segundo a classificação), para usufruir em restaurantes locais. As equipas vencedoras e os respectivos prémios foram os seguintes:

A sessão comemorativa do Dia do IPP terminou com um momento musical, a cargo do Grupo Académico Serenatas de Portalegre.

1º Lugar: “Gab. 3.17+ Rui” (Paulo Canário, Ana José, Rui Pulido Valente e Carolina Santos) – prémio até 100 euros; 2º Lugar:” H.C.J.” (Carlos Paulino, Hugo Raimundo e Jorge Fernandes) – prémio até 80 euros; 3º Lugar: “Cheios de Saúde” (Margarida Malcata, Miguel Arriaga, Manuel Espírito Santo e João Claudino) – prémio até 60 euros.

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no Sistema de Responsabilidade Social com o êxito que hoje mesmo vamos testemunhar), no Centro de Cultura e Desporto do IPP, na Saúde do Estudante (projecto que visa acompanhar a saúde dos estudantes e que se iniciou este ano lectivo), e em breve avançará um projecto desportivo para os estudantes e restante comunidade académica. Este tem sido o nosso percurso recente que nos deve fazer sentir satisfeitos e dar-nos alento para olharmos em frente. Quero, por isso, agradecer a toda a comunidade académica do Instituto e a todos os parceiros o trabalho realizado. Esta obra foi e é de todos. Constatamos que o passado do IPP, tal como das restantes instituições politécnicas, foi de constante mutação. Estranho, por isso, quando hoje se fala em reestruturação do ensino superior. O que temos feito senão reestruturações? O que tem sido a implementação do RJIES nos últimos 3 anos senão uma reestruturação profunda das instituições de ensino superior? As Instituições de Ensino Superior já provaram que não estão acomodadas e que estão sempre disponíveis para se adaptarem a novas situações. O contexto actual é difícil. Precisamos, por isso, de procurar novas orientações estratégicas. Todos conhecemos a situação do país. Estamos solidários com o esforço necessário à resolução dos problemas. Temos, no entanto, dificuldade em entender algumas restrições orçamentais. Está a ser pedido para 2012 um corte de 8,5% ao orçamento de 2011. Temos acréscimo de custos de funcionamento, designadamente com a energia eléctrica e com o IVA. Mas podemos olhar para 2011 em que já tivemos um corte de cerca de 7%. Em 2009 as Instituições passaram a pagar 15% das remunerações para a CGA. Mesmo ignorando outros cortes e perdas, como o financiamento da biblioteca on line (b-on), os Cursos de Especialização Tecnológica, o Programa de Apoio à Formação Avançada (PROTEC) e a inflação, podemos afirmar que os Politécnicos, em 2012, viverão com menos cerca de um terço do plafond de OE e com mais 11% de alunos, do que há cinco anos atrás. O aumento da eficiência por parte dos Politécnicos é uma evidência. Apesar de tudo as Instituições de Ensino Superior têm respeitado a regra do equilíbrio orçamental. Não são, por isso, geradoras de qualquer deficit.

Por outro lado, entendo que a autonomia na governação das instituições deve ser mantida. É fundamental manter a confiança nas instituições que respeitam o equilíbrio

orçamental e que, por isso, não contribuíram para o desequilíbrio das contas públicas. Portugal tem um custo por estudante abaixo da média dos países europeus. Portugal financia o ensino superior apenas em cerca de 60%, o que nos coloca nos últimos lugares de entre os países da OCDE. É importante reconhecer a eficiência do sistema de ensino superior e garantir-lhe condições mínimas para continuar a qualificar os portugueses. O contexto actual é diferente também no número de candidatos ao ensino superior. O forte desequilíbrio entre a oferta de vagas e o número de candidatos, este ano, produziu um forte impacto no IPP e nas restantes IES do interior. O IPP sofreu uma redução de 25% nas colocações dos estudantes no concurso nacional de acesso. Apenas um em cada quatro dos estudantes são da região de Portalegre. Os públicos dos concursos e regimes especiais acabaram por ter um peso de cerca de 40% do total dos alunos matriculados. Para o ano lectivo 2011/2012 inscreveram-se, pela primeira vez, 701 estudantes. Temos cursos sustentados pelos concursos especiais com uma forte componente local. Todas estas alterações implicam que o IPP desencadeie nova reflexão estratégica. Por isso, hoje mesmo, a partir do Conselho Geral do Instituto, vamos apelar à participação de toda a comunidade académica. Há que ter a capacidade de ir além da instituição e colocar em primeiro lugar as necessidades da região. Devemos olhar para a floresta e não fixarmo-nos na árvore. Nada deve ficar de fora da revisão estratégica que vamos iniciar.

Há que continuar as apostas iniciadas em 2009, mas também devem ser encarados novos desafios. Queremos reforçar a identidade e a autonomia institucional. Isto passa por intensificarmos as parcerias estratégicas, para ganharmos dimensão crítica, para complementaridade e para racionalização de recursos. Estamos já a dar passos neste sentido. A Associação dos Politécnicos do Centro – a Politécnica –, recentemente refundada e reorientada pelos Politécnicos de Viseu, Guarda, Castelo Branco, Coimbra, Leiria, Tomar, Santarém e Portalegre, é um caminho para a reestruturação da rede. O Parque de Ciência e Tecnologia do Alentejo e a Rede de Ciência e Tecnologia do Alentejo, onde se inserem os Institutos Politécnicos de Beja, Santarém e Portalegre e a Universidade de Évora é outro caminho para se intensificar as relações entre instituições. O curso de mestrado conjunto entre o Instituto Politécnico de Portalegre e o Instituto Politécnico de Tomar, que se iniciou este ano lectivo, é mais uma prova do trabalho em rede. Este é um caminho necessário. Temos que fazer a nossa parte. Estou certo que o Sistema de Ensino Superior será tanto mais forte quanto mais forte for cada instituição. Este é o desafio que temos pela frente. Contudo esta é uma condição necessária mas não suficiente. O desequilíbrio entre o interior e o litoral é muito significativo, ou de outro modo, é colossal. Os Institutos Politécnicos do interior representam muito pouco no orçamento do ensino superior. O IPP representa apenas 0,9% do orçamento do ensino superior, é a única instituição de ensino superior no distrito de Portalegre, numa área que ultrapassa os 6200 km2 (o 6º distrito com maior dimensão) e com apenas 119 000 habitantes (o distrito menos populoso do continente). Também é a região com a população menos qualificada. Apenas 6,1% da população tem um curso médio ou superior, abaixo da média nacional com 8,4%. Isto mostra o muito trabalho de qualificação que há a fazer nesta região. Um estudo recente da Comissão Europeia, de Setembro de 2011, mostra como as instituições de ensino superior contribuem para o desenvolvimento regional, como reforçam a coesão económica, social e territorial de forma sustentável.


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O senhor Presidente da República, no seu discurso do passado dia 10 de Junho, também se referiu à importância das instituições de ensino superior, principalmente no interior, até pela função de combate à desertificação e às assimetrias regionais. O próprio programa do Governo atribui idêntica importância às instituições de ensino superior. Então há que passar dos estudos e dos discursos aos actos. Há que corrigir os desequilíbrios, as assimetrias. A tutela, enquanto regulador do sistema de ensino superior, pode contribuir para esta causa, desde logo corrigindo a distribuição das vagas. Basta equilibrar as vagas com o número de candidatos. As vagas para o regime pós-laboral, ao irem para além do limite fixado das vagas de cada instituição, contribuem fortemente para aquele desequilíbrio. Isto também pode aliviar algumas instituições,

que reclamam, e justamente, por mais financiamento em função do número de alunos. Por outro lado, além da racionalização económica, a medida proporciona uma deslocação de alunos para instituições com capacidade instalada subaproveitada. O IPP está preparado para ter mais 1000 alunos sem necessitar de mais financiamento. Esta medida tem um alcance global e profundo, indo muito além das questões do ensino superior, é a própria vida no interior do país que está em jogo! Este apelo, como já disse, não dispensa o empenho de toda a comunidade académica do IPP. Por isso peço ao Conselho Geral, a todos os órgãos das Escolas e à comunidade académica em geral a máxima colaboração na reflexão e nas decisões sobre o futuro do Instituto. Conto também com o envolvimento dos estudantes. As reuniões periódicas com as Associações de Estudantes vão continuar. É

absolutamente necessária também a vossa contribuição. Quero agora felicitar os estudantes premiados pelo trabalho extraordinário realizado. Agradeço aos funcionários aposentados em 2011 a colaboração prestada ao longo de tantos anos de trabalho. São parte importante no sucesso do nosso IPP. Continuamos a contar convosco. Aos homenageados com a atribuição dos títulos honoríficos do Instituto quero dizer obrigado. Sob diversas formas são exemplos para cada um de nós. O IPP não seria o mesmo sem os vossos contributos. Obrigado por se cruzarem com o IPP e por fazerem parte desta família. Não posso terminar sem agradecer aos meus colaboradores mais próximos – Vice-Presidente, Administradores e Directores das Escolas – que muito me ajudam diariamente e me estimulam a prosseguir. Obrigado.

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Ao longo da sua intervenção, o presidente do CCISP mencionou recorrentemente o “último grande estudo feito ao ensino superior, em Portugal”, pela OCDE (Relatório dos Observadores “Revisões das Políticas Nacionais para a Educação – Ensino Terciário em Portugal”, de Dezembro de 2006). Pela sua relevância, citamos as constatações e as recomendações do estudo da OCDE, destacadas pelo Prof. Sobrinho Teixeira, bem como outros dados que apresentou; as suas observações finais e a última reflexão que o Presidente do CCISP (também presidente do Instituto Politécnico de Bragança) quis partilhar em Portalegre.

HÁ ENSINO SUPERIOR A MAIS?

4.20 (…) Os seus licenciados estão particularmente preparados para sectores que contribuam para o crescimento da produtividade nacional através da aplicação de capacidades e adopção de tecnologias. (…) 2.45 (…) Os mecanismos de distribuição de recursos humanos, os níveis de autonomia institucional, os processos de acreditação de programas e as políticas de gestão de recursos humanos, todos necessitam de ser alvo de uma reforma de modo a criar uma política de base na qual as instituições politécnicas profissionalmente orientadas possam desenvolver um futuro sustentado que seja distinto das universidades tradicionais. Igualmente importante é o corolário da criação desta nova política de base: as universidades não deverão ser compensadas por introduzir áreas de programas que estejam fora da sua principal área de actividade, numa tentativa de recrutar estudantes num mercado cada vez mais competitivo. Resumindo, a Equipa de Revisão propõe que a estrutura binária seja mantida e reforçada. (…) 2.54 (…) A Equipa de Revisão tem sérias reservas relativamente ao facto de esta situação ter ou não razões suficientes para embarcar numa reconfiguração nacional do panorama institucional, envolvendo um número significativo de fusões, consolidações ou fecho de instituições, e se se trata ou não de uma prioridade para o ensino superior em Portugal, principalmente tendo em conta todas as outras reformas e desafios já identificados. (…)

DESAFIOS Fonte: Expresso

Discurso do Presidente do Conselho Geral do IPP Prof. Luís Soares

Saudando o Instituto neste dia de aniversário, saúdo os presentes e relembro os que partiram, neste continuum que é a vida das instituições, como das pessoas. Nos tempos difíceis que vivemos, em que a sobrevivência das Instituições pode estar em risco, é tempo de reforçar a coesão, o sentido de pertença, o orgulho de ser e de pertencer. Neste interior progressivamente abandonado pelos que nele nasceram, e no lá longe que pode ser o litoral aqui tão perto, na voragem do tempo que nos deixa sem tempo, na crua batalha pela sobrevivência que nos embota os sentidos – e tantas vezes os valores – é tempo de,

num renascido orgulho na origem, lutar pela criação de condições de retorno que só o desenvolvimento sustentado pode criar. Migrantes no e do país, somos, antes de tudo, migrantes de nós próprios, tendo a saudade por desculpa. Estamos sempre de partida e o retorno é apenas um regresso, nunca o renascimento. É tempo de regressarmos a nós próprios, esbatidas as nossas fronteiras. É tempo de reconstruirmos as memórias, perdidas nas fronteiras da diáspora, no branquear cúmplice do que somos e do que fomos. É tempo de recusar a inevitabilidade de uma progressiva desertificação, de quebrar o círculo vicioso da redução da população – redução (economicista) dos serviços – redução da população. É tempo de pensar um modelo de desenvolvimento do interior do país (que os sucessivos governos têm ignorado – não dá votos nas eleições!), é tempo das instituições e das forças vivas tomarem em mãos essa tarefa, com empenho, persistência e sem desfalecimentos. É tempo de abandonar o paroquianismo local, as vaidadezinhas políticas e sociais que da mediocridade são fruto e na mediocridade florescem. É fácil cortar. Não exige estratégia, nem pensamento, nem reflexão, nem ponderação, nem esforço. O corte cego é o refúgio dos incompetentes. O difícil é criar. É fácil a acomodação lamurienta, a subserviência aos ditames do poder. Difícil é resistir criativamente, é criar alternativas e lutar por elas. Mas resistir obriga à coesão, à criação de um propósito comum, ao abandono das pequenas vaidades, num retorno à dádiva e à partilha, sem egoísmos, da nossa força interior. É tempo de as Instituições de ensino superior do interior do país, fiéis à sua missão, conscientes dos seus recursos e das suas potencialidades,

(…) 1.26 Estas considerações sugerem uma conclusão fundamental: um dos maiores problemas do sistema de ensino terciário de Portugal está relacionado com o fraco desempenho ao nível escolar. Aumentar as taxas de sucesso do ensino terciário para a população deverá incluir o aumento da percentagem de grupos que abandonam a escola que está potencialmente disponível para os estudos de nível terciário. (…) 4.10 O decréscimo da participação de idades entre os 18 e os 24 anos não se deve apenas à demografia, mas também à incapacidade de os alunos terminarem o ensino secundário. Se as taxas de sucesso do ensino secundário fossem mais elevadas, provavelmente existiriam suficientes alunos extra para compensar a queda geral dos números neste grupo etário. (…) Portugal tem uma cultura de estudantes reprovados que é necessário eliminar.

HÁ ENSINO POLITÉCNICO A MAIS? 2.44 Neste contexto, é de extrema importância que seja aumentada significativamente a diversidade de programas de estudo. A Equipa de Revisão é da convicta opinião que Portugal não necessita de aumentar o número de licenciados provenientes de programas universitários de longo ciclo, predominantemente orientados para a investigação. (…) 4.19 (…) os politécnicos dão um importante contributo à sustentabilidade de um sistema de ensino superior (…) capacitam uma expansão eficiente com equidade. (…) Geralmente ajudam os seus alunos a progredir e a ter sucesso com padrões aceitáveis de aprendizagem. (…)

– Promoção de Associações ou Consórcios entre IP’s para, sem perda de autonomia, obter ganhos de dimensão; – Funcionamento em rede no todo ou em parte: e-Politécnico, Centros de Investigação Aplicada, Prestação de Serviços à Comunidade, Atribuição de Graus Conjuntos e Internacionalização; – Sistema Politécnico como sector exportador de serviços e incluído na diplomacia económica nacional. Ensino Superior no Espaço Europeu País

Portugal Alemanha Bélgica Dinamarca Finlândia Holanda Irlanda Noruega Suíça

% de Ensino Universitário

% de Ensino Politécnico

63% 61% 54% 60% 52% 36% 59% 53% 69%

37% 39% 46% 40% 48% 64% 41% 47% 31%

Ser do interior é a angústia de um projecto nunca ganho! É o sentimento de que tudo o que existe está em perigo! É o ter de lutar o dobro para conseguir metade! Ser do interior é, sobretudo, uma luta permanente contra o destino! Mas é também o retorno imenso de fazer da vida um acto de amor. Uma dedicação pela afirmação de uma região. Uma crença de que aqueles que nada fazem, não são mais felizes dos que muito contribuem. Vamos continuar a desafiar o nosso destino!


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Alocução do Presidente do CCISP (excerto) Prof. João Sobrinho Teixeira O Presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP) partilhou no Dia do IPP uma reflexão sobre “o que é hoje o ensino superior, num momento em que o próprio país também reflecte e passa dificuldades”. Centrando-se no papel do ensino superior politécnico, na sua alocução abordou desde o contexto nacional ao europeu. Em particular, o Prof. Sobrinho Teixeira deixou uma “reflexão mais cuidada sobre a armadilha em que podemos estar a cair quando todos os representantes dos organismos profissionais dizem que Portugal tem ensino superior a mais”. É este excerto da sua intervenção que de seguida se transcreve. Durante boa parte do século passado a educação superior, que abrangia um reduzido número de instituições, teve como principal objectivo ser um suporte mínimo de massa crítica para o Estado, sendo, ao mesmo tempo, a forma de manter uma elite com acesso fácil aos bens e ao poder. Com pouquíssimas excepções, a Universidade era essencialmente frequentada pelos filhos dos novos morgadios ligados à terra ou à indústria, ou por uma classe média emergente e sedenta de afirmação. O resultado desta opção foi a analfabetização social da nossa população, mergulhada num país rural e hermético, sem capacidade, oportunidade ou vontade para se abstrair dessa realidade. Era alfabeta em relação ao seu mundo, mas não tinha capacidade para dele emergir ou interagir fora dele. Estaríamos numa situação semelhante ao que ainda hoje acontece com algumas tribos da Amazónia, que estruturalmente adiabáticas relativamente à civilização, podemos considerar alfabetas em função da dimensão conceptualmente reduzida do mundo que as rodeia. Ou, porventura, na realidade vivenciada na primeira pessoa na aldeia em que cresci, da existência de uma série de jovens que comigo partilhavam a adolescência, cujo horizonte geográfico e real de conhecimento, se confinava a 3 km para Sul, a aldeia mais próxima, e a 15 km para Norte, a sede do Concelho. Em consequência, Portugal tinha pouca gente qualificada, mas, paradoxalmente, a visão que permanecia era a do designado “país dos doutores”. Doutores em sentido lato entenda-se! A reduzida massa crítica existente permitia que as funções exercidas não fossem as determinadas pela qualificação conseguida, mas que o grau obtido representasse, sobretudo, uma “carta de alforria” para se ter emprego garantido, bom estatuto social e um salário compensador, porventura pouco condicente com o trabalho realizado. Reparai que a resposta normal à pergunta sobre qual a actividade exercida por alguém diplomado que casualmente connosco cruzasse, era, invariavelmente: “é doutor”. Esta sublimação da ilusão da “carta de alforria” leva à assimilação natural e intrínseca de expressões como: o melhor património que se pode deixar aos filhos é um curso, ou, o que interessa é o “canudo”. O conhecimento e a vocação subjacentes ao processo de qualificação não eram importantes, porque não eram necessários para a visão que a população tinha do exercício da profissão associado ao conceito de “doutor”. Porventura mais perverso, induzia-se nos estudantes a ideia de que a aquisição de competências não era o mais determinante para a sua formação, mas sim a miragem da soma amontoada de disciplinas ultrapassadas. Este conjunto de valores, embora compreensíveis na relação afectiva e protectora que os pais têm relativamente aos seus descendentes, só são perenes no tempo, se forem poucos os que os podem usufruir, desculpai-me a franqueza, se forem apenas os filhos dos privilegiados que os possam deter, à custa de uma injustiça social e de um atraso estrutural do país.

Felizmente que, tensões sociais de esperança e de anseio cada vez mais generalizadas, implicaram a decuplicação do ensino superior português, que aumentou em poucas décadas de quarenta para quase quatrocentos mil. Este crescimento, genericamente considerado justo e positivo, provoca no entanto choque e angústia nos jovens, nas famílias e na sociedade: para alguns a entrada no ensino superior ainda é efectuada na miragem da “carta de alforria”, mas a saída realiza-se para um país e uma realidade que obviamente já não pode suportar este privilégio. Este parto paradigmático, naturalmente doloroso, faz evoluir os conceitos e sobretudo as mentalidades, introduzindo uma atitude diferente na nova abordagem que a juventude faz ao ensino superior: acreditando sobretudo em si, no valor do conhecimento e da aquisição de competências, numa atitude pró-activa e agressiva relativamente ao mercado de trabalho, percebendo que a resposta óbvia à pergunta sobre o que faz determinada pessoa, será a actividade que realiza, surgindo a sua formação como um acessório do trabalho efectuado. Paradoxalmente, destrói-se, assim, o “país dos doutores” diplomando muitos e não, atrofiadamente, mantendo poucos. As funções exigidas ao Estado foram evoluindo ao longo do tempo: exercício da autoridade, aplicação da justiça, garantia da segurança, repartição da riqueza,… Hoje, a principal função de um Estado, deverá ser garantir a todos aquilo que no passado só foi possível garantir a alguns; assegurar a democratização do acesso ao ensino superior e deste modo garantir a nossa qualificação e competitividade e, objectivamente, o nosso futuro colectivo; garantir o exercício à cidadania na percepção dos direitos, dos deveres, da capacidade para agir, interagir e compreender. A garantia de um alfabetismo em relação a mundo culto e dinâmico e não apenas, como o índio da Amazónia, confinado ao mundo que o rodeia. O esforço que o país tem realizado em termos de qualificação é louvável e deve-nos colectivamente orgulhar, no objectivo e com a responsabilidade de proporcionarmos à nossa população oportunidades de formação iguais às dos restantes europeus, evitando assim uma nova onda de emigrantes desqualificados. Este esforço é agora um trabalho da sociedade em geral e das instituições em particular. Não se limitando a uma disponibilização passiva de vagas, mas sendo pró-activas nas motivações, dinamizadoras perante a inércia, abrangentes em relação às regiões, eliminando os últimos resquícios dos malefícios da “carta de alforria”. Por isso temos de continuar o trabalho desenvolvido pelo nosso Ensino Superior: a sua capacidade de captação, o objectivo da dispersão em nome da coesão, a mudança de paradigma nacional, dos rapazes da minha aldeia, para um país qualificado, socialmente justo e estruturalmente coeso.

darem à sociedade um exemplo de coesão, estabelecendo entre si, na sua acção formativa, investigação e desenvolvimento, parcerias de geometria variável, que crie sinergias, potencie capacidades e dê origem a áreas de excelência. Nesse processo, que é não só urgente como inevitável, terão de se envolver as autarquias locais e o tecido social e empresarial local, pois sem esses parceiros não é possível a criação de “clusters” sustentáveis que alavanquem o desenvolvimento do interior do país. Ao Governo, a qualquer governo, pede-se que – na cegueira macro que usualmente os afecta, no desconhecimento arrogante do país real, rico na sua diversidade – se não puder apoiar, pelo menos, não inviabilize a força criativa. As instituições de ensino superior deram, ao longo dos anos, exemplos significativos da capacidade de gestão autónoma e responsável. Relembro que por iniciativa das instituições estas foram o único sector público que propôs e acordou com o governo indicadores claros – baseados numa análise da situação nacional, mas tomando por referência valores internacionais – relativamente ao n.º de unidades de pessoal docente e não docente e ao financiamento. Infelizmente parece que, nos últimos anos, tal prática foi abandonada pelo Governo. – Será porque a existência de indicadores objectivos prejudicava a força dos “lobbies” a que eram sensíveis? – Será porque a aplicação dos mesmos critérios aos diversos serviços públicos – prática desejável e necessária – conduziria a demonstrar onde estavam as tão faladas (mas nunca objectivadas) gorduras do estado, e tal não era politicamente conveniente? – Será porque tal prática mostrava à sociedade o absurdo de critérios tais como “saiem 5 e admitem 1”? Permitam-me um à parte anedótico: Suponham que tal regra era aplicada a dois clubes de futebol – um clube com 27 jogadores e outro com 13 contratados. O primeiro, se saíssem 5 e entrasse 1 ficaria com 23 jogadores e poderia continuar a exercer plenamente a sua actividade. O outro ficaria com 9. Continuaria a poder competir? Ou passariam esses jogadores a jogar hóquei em patins? A gestão eficaz das instituições de ensino superior – que constitui um exemplo que não devia ser ignorado, antes deveria ser reflectido e multiplicado e é fruto da sua autonomia com responsabilidade – não se compadece com medidas arbitrárias, uniformizadoras, burocratizadas. Quando se compreenderá que a centralização e a burocratização têm custos excessivos, multiplicam os actos desnecessários, sem reflexos na transparência e na prestação de contas, antes pelo contrário, com

perdas significativas de eficácia e eficiência, com impacto negativo marcante na produtividade dos serviços públicos? Será que a burocracia asfixiante não tem custos? A quem interessa, por exemplo, forçar as instituições de ensino superior a fazerem aquisições através da central de compras? Para além da destruição inevitável da economia local, nomeadamente no interior do país, tal acção implica, como já foi sobejamente demonstrado, um aumento de encargos para as instituições, impedidas de adquirir os mesmos bens e serviços por preços mais baixos. A quem interessa essa medida? Ao bem público, ou a uma entidade macrocéfala, centrada em Lisboa, determinada em proteger arrogantemente a sua auto-sustentação e os seus custos para os contribuintes? Ao tecido económico do país, disperso nas regiões, ou aos lobbies dos grandes grupos económicos, os únicos com capacidade financeira para se integrarem nos beneficiados pela Central de Compras? Considerando os montantes em jogo, e o reduzido n.º de decisores, será que o sistema aumenta a transferência e reduz o risco de corrupção, ou será exactamente o contrário? Entender-se-ia que a Central de Compras promovesse concursos nacionais para o fornecimento de bens e serviços e que, em resultado dos concursos, fosse estabelecido um referencial de preços que nenhuma instituição pública poderia ultrapassar para os bens e serviços tabelados, mas nada devia impedir as instituições de adquirirem os bens e serviços por preços mais baixos. A não ser assim, onde está a salvaguarda do interesse público na prática adoptada? Não será o interesse público que a todos nos compete e nos obriga a salvaguardar? São difíceis os tempos, mas é nos tempos difíceis que a criatividade responsável deve ser acarinhada, assegurando-se obviamente a prestação de contas, leal e transparente (sem ocultação de processos ou de dívidas). Mas se os tempos difíceis nos responsabilizam a todos, responsabilizam ainda mais os Governos, obrigando-os a uma reflexão séria sobre as consequências das medidas que adoptam para as instituições e para os cidadãos. Termino, porém, com a esperança de que as instituições e o Governo assumam, em conjunto e individualmente, as suas responsabilidades e que, sem esquecer as dificuldades do momento e as restrições que impõem, orientem as soluções para um aumento da eficiência e a criação de riqueza, sem a qual o país se afundará numa espiral de empobrecimento sem retorno.

“Sem nós, Portalegre não teria a mesma alma”

Numa curta intervenção, o representante das quatro Associações de Estudantes do IPP destacou a relação da comunidade escolar com a sua envolvente. “Começo por dizer que o Instituto Politécnico de Portalegre é uma peça fundamental nesta cidade. Isto é visto por todos. Só não vê quem não quer ver. Sem nós, Portalegre não teria a mesma alma”, constatou. Presidente da AE ESTG, o aluno João Marques deixou ainda um apelo: “um dos pontos que eu queria focar aqui era que o estudante começasse a ser visto em Portalegre com outros olhos: não como aquele que faz barulho à noite; não como aquele que só quer boémia. Não somos nada disso. Simplesmente somos animados, somos alegres e queremos dar alma a esta cidade”.


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Prof. Luís Soares, Prof. Pedro Lynce e Comendador Rui Nabeiro recebem título honorífico

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Professor Honoris Causa título honorífico concedido a professores ou investigadores, que não façam parte do quadro do Instituto, mas que prestaram ou prestam serviços relevantes no desenvolvimento do ensino, da investigação e na produção científica e humanitária.

Depois de, em 2009, ter sido atribuído o título honorífico de Professor Emérito (aos ex-presidentes do Instituto Politécnico), este ano foram concedidos, pela primeira vez, os títulos honoríficos de Professor Honoris Causa e de Benemérito do IPP. O Prof. Luís Soares recebeu do anterior presidente do Instituto o diploma de Professor Honoris Causa . Manifestando o seu agradecimento ao Instituto “pela honra” que lhe foi concedida, destacou “o privilégio de ter presentes dois grandes amigos: o Prof. Nuno Oliveira e o Prof. Mourato – o ex. e o actual presidente do Instituto. (…) É sempre bom, é sempre mais importante do que tudo termos à nossa volta os nossos amigos”, reconheceu. Membro cooptado do Conselho Técnico-Científico da Escola Superior Agrária de Elvas e ligado à Escola desde a sua génese, o Prof. Pedro Lynce não esqueceu este “vínculo”, quando agradeceu o título honorífico de Professor Honoris Causa que lhe foi concedido. “Um título destes de certeza que tem muita gente por trás; tem muito trabalho por trás: alunos, funcionários, professores e se agora quiser especificar, provavelmente no Politécnico de Portalegre e eventualmente na Escola Superior Agrária de Elvas. E era isto que eu vos queria dizer: eu, quanto muito serei um fiel depositário, afinal, de tudo aquilo que vocês me ajudaram a fazer e este era o meu agradecimento sincero”. Ao terminar a sua intervenção, o ex-ministro da Ciência e do Ensino Superior e actual deputado da Assembleia da República assumiu uma responsabilidade: “lutar por um problema difícil: que é a desertificação do nosso interior (…) não podemos esquecer que na primeira oportunidade temos de voltar a apostar naquilo que é mais importante, nomeadamente num futuro de um país: é a formação; é a educação”. O Comendador Rui Nabeiro começou por fazer referência ao “ano maravilhoso” de 2011, por ter cumprido o seu 80º aniversário e a sua empresa, 50 anos. Apesar de constatar o seu sucesso pessoal, o patrão da Delta e patrono do Poliempreende não esqueceu o período difícil que a sociedade atravessa e chamou para si a responsabilidade de inspirar quem o rodeia. “Há medida que estas circunstâncias ocorrem é sempre um trabalho mais que fica, neste caso (…) é um trabalho que fica para mim com mais obrigação. Receber uma recompensa, receber um estímulo, um reconhecimento (não sei porquê!) é de facto uma obrigação que fica mais agarrada a mim próprio. Por isso, tenho bons amigos, mas porque realmente me querem a trabalhar mais; (…) eu tenho obrigação de continuar e só peço a Deus que me dê qualidade de vida, porque os homens precisam de acreditar e eu preciso de ser um testemunho para todos vós, se me permitem essa expressão (…)”, assumiu. O diploma de Benemérito do IPP foi entregue ao Comendador Rui Nabeiro pelo Dr. António Cachola (seu colaborador no Grupo Delta e membro cooptado do Conselho Geral do Instituto Politécnico).

O Professor Doutor Luís de Jesus Santos Soares é Professor Catedrático da Universidade do Minho, aposentado, licenciado e doutorado em Engenharia Química. Para além da Universidade do Minho foi também docente das Universidades do Porto e de Luanda. Actualmente é Provedor do Estudante do Instituto Politécnico do Porto e Director-Geral da Fundação do mesmo Instituto. Foi Presidente do Instituto Politécnico do Porto e Presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos. O Professor Doutor Luís Soares é o primeiro Presidente do Conselho Geral do Instituto Politécnico de Portalegre, desde 2008, e é Presidente do Conselho Técnico-Científico da Escola Superior de Tecnologia e Gestão do Instituto Politécnico de Portalegre desde 2007. Mas a colaboração do Professor Doutor Luís Soares com o Instituto Politécnico de Portalegre acontece muito antes de ocupar os cargos referidos. Esteve ao lado do IPP em decisões fundamentais relacionadas com a alteração de Escolas, oferta formativa e financiamento. Pela figura incontornável do Ensino Superior Politécnico Português que é, pelos serviços relevantes prestados no desenvolvimento do ensino, da investigação e na produção científica e humanitária, quer em Portugal quer em diversos países de língua portuguesa, pela atenção e dedicação que tem dispensado ao Instituto Politécnico de Portalegre, o senhor Professor Doutor Luís Soares é agraciado com o título de Professor Honoris Causa do Instituto Politécnico de Portalegre.

O Professor Doutor Pedro Augusto Lynce de Faria, Professor Catedrático do Departamento de Produção Agrícola e Animal do Instituto Superior de Agronomia da Universidade Técnica de Lisboa, agora aposentado, doutorado e licenciado na área das Ciências Agronómicas, desenvolveu a sua actividade docente no ISA desde 1970. Está associado à criação da Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Portalegre e participa no seu Conselho Científico desde 1995. Também integrou o Conselho Geral do Instituto Politécnico de Portalegre, interrompendo, devido à indisponibilidade provocada pelo cargo de deputado na Assembleia da República para o qual foi eleito. Foi membro do Conselho Nacional de Educação (1992 e 2001-2002). Foi Director-Geral do Ensino Superior (1989-1992), foi Secretário de Estado do Ensino Superior (1992-1995) e mais tarde Ministro da Ciência e do Ensino Superior (2002-2003). O Professor Doutor Pedro Lynce dedicou grande parte da sua vida ao ensino superior português, às suas instituições e às suas comunidades. De norte a sul de Portugal tem deixado a sua marca. É um amigo atento da Escola Superior Agrária de Elvas e do Instituto Politécnico de Portalegre. Pelos serviços relevantes prestados no desenvolvimento do ensino, da investigação e na produção científica e humanitária, pelo trabalho e dedicação que tem dispensado à Escola Superior Agrária de Elvas e ao Instituto Politécnico de Portalegre, o senhor Professor Doutor Pedro Augusto Lynce de Faria é agraciado com o título de Professor Honoris Causa do Instituto Politécnico de Portalegre.

Benemérito do IPP título honorífico concedido a qualquer cidadão ou Instituição que contribua de forma significativa para o crescimento e desenvolvimento do Instituto Politécnico de Portalegre, seja por doações financeiras ou intelectuais.

Compete ao presidente do IPP aprovar a concessão de títulos e distinções honoríficas, após parecer favorável do Conselho Académico. Antes de as três personalidades receberem o diploma que comprova a distinção, foi lida a memória justificativa que sustentou a escolha.

O Comendador Manuel Rui Azinhais Nabeiro, natural de Campo Maior, é, desde 1961, presidente do Grupo Nabeiro, Delta Cafés. Em 1950, com apenas 19 anos de idade assume a Direcção da Torrefacção Camelo, Lda., em substituição do seu pai, e desde então o seu espírito de empreendedor não parou mais. Tem desenvolvido múltiplos projectos do foro empresarial. A sua participação cívica também tem sido intensa. Foi Vice-Presidente e Presidente da Câmara Municipal de Campo Maior. A sua capacidade empreendedora, com um olhar permanente para o seu próximo, dá-lhe a singularidade que lhe é reconhecida por todos nós. Uma vida a construir e a repartir, fiel às suas gentes e sempre próximo das instituições da sua região. Já foi agraciado com inúmeras distinções: o Grau de Comendador; a Gran Cruz da Ordem do Infante ou a Comenda da Ordem de Isabel a Católica são apenas alguns exemplos. O Comendador Rui Nabeiro tem mantido sempre uma estrita e intensa colaboração com o Instituto Politécnico de Portalegre. O seu grupo económico é um dos maiores empregadores de diplomados do Instituto, o que significa confiança na qualidade da formação do IPP. Está representado em diversos órgãos das Escolas e do Instituto. Atribui prémios aos melhores diplomados do Instituto. É parceiro em vários projectos de investigação e em ofertas formativas diversas. O Comendador Manuel Rui Azinhais Nabeiro é um amigo atento e actuante do IPP e que, em seu nome e do grupo empresarial a que preside, tem contribuído de forma significativa para o crescimento e desenvolvimento do Instituto, sendo por isso agraciado com o título de Benemérito do Instituto Politécnico de Portalegre.


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Prof. Luís Soares, Prof. Pedro Lynce e Comendador Rui Nabeiro recebem título honorífico

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Professor Honoris Causa título honorífico concedido a professores ou investigadores, que não façam parte do quadro do Instituto, mas que prestaram ou prestam serviços relevantes no desenvolvimento do ensino, da investigação e na produção científica e humanitária.

Depois de, em 2009, ter sido atribuído o título honorífico de Professor Emérito (aos ex-presidentes do Instituto Politécnico), este ano foram concedidos, pela primeira vez, os títulos honoríficos de Professor Honoris Causa e de Benemérito do IPP. O Prof. Luís Soares recebeu do anterior presidente do Instituto o diploma de Professor Honoris Causa . Manifestando o seu agradecimento ao Instituto “pela honra” que lhe foi concedida, destacou “o privilégio de ter presentes dois grandes amigos: o Prof. Nuno Oliveira e o Prof. Mourato – o ex. e o actual presidente do Instituto. (…) É sempre bom, é sempre mais importante do que tudo termos à nossa volta os nossos amigos”, reconheceu. Membro cooptado do Conselho Técnico-Científico da Escola Superior Agrária de Elvas e ligado à Escola desde a sua génese, o Prof. Pedro Lynce não esqueceu este “vínculo”, quando agradeceu o título honorífico de Professor Honoris Causa que lhe foi concedido. “Um título destes de certeza que tem muita gente por trás; tem muito trabalho por trás: alunos, funcionários, professores e se agora quiser especificar, provavelmente no Politécnico de Portalegre e eventualmente na Escola Superior Agrária de Elvas. E era isto que eu vos queria dizer: eu, quanto muito serei um fiel depositário, afinal, de tudo aquilo que vocês me ajudaram a fazer e este era o meu agradecimento sincero”. Ao terminar a sua intervenção, o ex-ministro da Ciência e do Ensino Superior e actual deputado da Assembleia da República assumiu uma responsabilidade: “lutar por um problema difícil: que é a desertificação do nosso interior (…) não podemos esquecer que na primeira oportunidade temos de voltar a apostar naquilo que é mais importante, nomeadamente num futuro de um país: é a formação; é a educação”. O Comendador Rui Nabeiro começou por fazer referência ao “ano maravilhoso” de 2011, por ter cumprido o seu 80º aniversário e a sua empresa, 50 anos. Apesar de constatar o seu sucesso pessoal, o patrão da Delta e patrono do Poliempreende não esqueceu o período difícil que a sociedade atravessa e chamou para si a responsabilidade de inspirar quem o rodeia. “Há medida que estas circunstâncias ocorrem é sempre um trabalho mais que fica, neste caso (…) é um trabalho que fica para mim com mais obrigação. Receber uma recompensa, receber um estímulo, um reconhecimento (não sei porquê!) é de facto uma obrigação que fica mais agarrada a mim próprio. Por isso, tenho bons amigos, mas porque realmente me querem a trabalhar mais; (…) eu tenho obrigação de continuar e só peço a Deus que me dê qualidade de vida, porque os homens precisam de acreditar e eu preciso de ser um testemunho para todos vós, se me permitem essa expressão (…)”, assumiu. O diploma de Benemérito do IPP foi entregue ao Comendador Rui Nabeiro pelo Dr. António Cachola (seu colaborador no Grupo Delta e membro cooptado do Conselho Geral do Instituto Politécnico).

O Professor Doutor Luís de Jesus Santos Soares é Professor Catedrático da Universidade do Minho, aposentado, licenciado e doutorado em Engenharia Química. Para além da Universidade do Minho foi também docente das Universidades do Porto e de Luanda. Actualmente é Provedor do Estudante do Instituto Politécnico do Porto e Director-Geral da Fundação do mesmo Instituto. Foi Presidente do Instituto Politécnico do Porto e Presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos. O Professor Doutor Luís Soares é o primeiro Presidente do Conselho Geral do Instituto Politécnico de Portalegre, desde 2008, e é Presidente do Conselho Técnico-Científico da Escola Superior de Tecnologia e Gestão do Instituto Politécnico de Portalegre desde 2007. Mas a colaboração do Professor Doutor Luís Soares com o Instituto Politécnico de Portalegre acontece muito antes de ocupar os cargos referidos. Esteve ao lado do IPP em decisões fundamentais relacionadas com a alteração de Escolas, oferta formativa e financiamento. Pela figura incontornável do Ensino Superior Politécnico Português que é, pelos serviços relevantes prestados no desenvolvimento do ensino, da investigação e na produção científica e humanitária, quer em Portugal quer em diversos países de língua portuguesa, pela atenção e dedicação que tem dispensado ao Instituto Politécnico de Portalegre, o senhor Professor Doutor Luís Soares é agraciado com o título de Professor Honoris Causa do Instituto Politécnico de Portalegre.

O Professor Doutor Pedro Augusto Lynce de Faria, Professor Catedrático do Departamento de Produção Agrícola e Animal do Instituto Superior de Agronomia da Universidade Técnica de Lisboa, agora aposentado, doutorado e licenciado na área das Ciências Agronómicas, desenvolveu a sua actividade docente no ISA desde 1970. Está associado à criação da Escola Superior Agrária do Instituto Politécnico de Portalegre e participa no seu Conselho Científico desde 1995. Também integrou o Conselho Geral do Instituto Politécnico de Portalegre, interrompendo, devido à indisponibilidade provocada pelo cargo de deputado na Assembleia da República para o qual foi eleito. Foi membro do Conselho Nacional de Educação (1992 e 2001-2002). Foi Director-Geral do Ensino Superior (1989-1992), foi Secretário de Estado do Ensino Superior (1992-1995) e mais tarde Ministro da Ciência e do Ensino Superior (2002-2003). O Professor Doutor Pedro Lynce dedicou grande parte da sua vida ao ensino superior português, às suas instituições e às suas comunidades. De norte a sul de Portugal tem deixado a sua marca. É um amigo atento da Escola Superior Agrária de Elvas e do Instituto Politécnico de Portalegre. Pelos serviços relevantes prestados no desenvolvimento do ensino, da investigação e na produção científica e humanitária, pelo trabalho e dedicação que tem dispensado à Escola Superior Agrária de Elvas e ao Instituto Politécnico de Portalegre, o senhor Professor Doutor Pedro Augusto Lynce de Faria é agraciado com o título de Professor Honoris Causa do Instituto Politécnico de Portalegre.

Benemérito do IPP título honorífico concedido a qualquer cidadão ou Instituição que contribua de forma significativa para o crescimento e desenvolvimento do Instituto Politécnico de Portalegre, seja por doações financeiras ou intelectuais.

Compete ao presidente do IPP aprovar a concessão de títulos e distinções honoríficas, após parecer favorável do Conselho Académico. Antes de as três personalidades receberem o diploma que comprova a distinção, foi lida a memória justificativa que sustentou a escolha.

O Comendador Manuel Rui Azinhais Nabeiro, natural de Campo Maior, é, desde 1961, presidente do Grupo Nabeiro, Delta Cafés. Em 1950, com apenas 19 anos de idade assume a Direcção da Torrefacção Camelo, Lda., em substituição do seu pai, e desde então o seu espírito de empreendedor não parou mais. Tem desenvolvido múltiplos projectos do foro empresarial. A sua participação cívica também tem sido intensa. Foi Vice-Presidente e Presidente da Câmara Municipal de Campo Maior. A sua capacidade empreendedora, com um olhar permanente para o seu próximo, dá-lhe a singularidade que lhe é reconhecida por todos nós. Uma vida a construir e a repartir, fiel às suas gentes e sempre próximo das instituições da sua região. Já foi agraciado com inúmeras distinções: o Grau de Comendador; a Gran Cruz da Ordem do Infante ou a Comenda da Ordem de Isabel a Católica são apenas alguns exemplos. O Comendador Rui Nabeiro tem mantido sempre uma estrita e intensa colaboração com o Instituto Politécnico de Portalegre. O seu grupo económico é um dos maiores empregadores de diplomados do Instituto, o que significa confiança na qualidade da formação do IPP. Está representado em diversos órgãos das Escolas e do Instituto. Atribui prémios aos melhores diplomados do Instituto. É parceiro em vários projectos de investigação e em ofertas formativas diversas. O Comendador Manuel Rui Azinhais Nabeiro é um amigo atento e actuante do IPP e que, em seu nome e do grupo empresarial a que preside, tem contribuído de forma significativa para o crescimento e desenvolvimento do Instituto, sendo por isso agraciado com o título de Benemérito do Instituto Politécnico de Portalegre.


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Alocução do Presidente do CCISP (excerto) Prof. João Sobrinho Teixeira O Presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP) partilhou no Dia do IPP uma reflexão sobre “o que é hoje o ensino superior, num momento em que o próprio país também reflecte e passa dificuldades”. Centrando-se no papel do ensino superior politécnico, na sua alocução abordou desde o contexto nacional ao europeu. Em particular, o Prof. Sobrinho Teixeira deixou uma “reflexão mais cuidada sobre a armadilha em que podemos estar a cair quando todos os representantes dos organismos profissionais dizem que Portugal tem ensino superior a mais”. É este excerto da sua intervenção que de seguida se transcreve. Durante boa parte do século passado a educação superior, que abrangia um reduzido número de instituições, teve como principal objectivo ser um suporte mínimo de massa crítica para o Estado, sendo, ao mesmo tempo, a forma de manter uma elite com acesso fácil aos bens e ao poder. Com pouquíssimas excepções, a Universidade era essencialmente frequentada pelos filhos dos novos morgadios ligados à terra ou à indústria, ou por uma classe média emergente e sedenta de afirmação. O resultado desta opção foi a analfabetização social da nossa população, mergulhada num país rural e hermético, sem capacidade, oportunidade ou vontade para se abstrair dessa realidade. Era alfabeta em relação ao seu mundo, mas não tinha capacidade para dele emergir ou interagir fora dele. Estaríamos numa situação semelhante ao que ainda hoje acontece com algumas tribos da Amazónia, que estruturalmente adiabáticas relativamente à civilização, podemos considerar alfabetas em função da dimensão conceptualmente reduzida do mundo que as rodeia. Ou, porventura, na realidade vivenciada na primeira pessoa na aldeia em que cresci, da existência de uma série de jovens que comigo partilhavam a adolescência, cujo horizonte geográfico e real de conhecimento, se confinava a 3 km para Sul, a aldeia mais próxima, e a 15 km para Norte, a sede do Concelho. Em consequência, Portugal tinha pouca gente qualificada, mas, paradoxalmente, a visão que permanecia era a do designado “país dos doutores”. Doutores em sentido lato entenda-se! A reduzida massa crítica existente permitia que as funções exercidas não fossem as determinadas pela qualificação conseguida, mas que o grau obtido representasse, sobretudo, uma “carta de alforria” para se ter emprego garantido, bom estatuto social e um salário compensador, porventura pouco condicente com o trabalho realizado. Reparai que a resposta normal à pergunta sobre qual a actividade exercida por alguém diplomado que casualmente connosco cruzasse, era, invariavelmente: “é doutor”. Esta sublimação da ilusão da “carta de alforria” leva à assimilação natural e intrínseca de expressões como: o melhor património que se pode deixar aos filhos é um curso, ou, o que interessa é o “canudo”. O conhecimento e a vocação subjacentes ao processo de qualificação não eram importantes, porque não eram necessários para a visão que a população tinha do exercício da profissão associado ao conceito de “doutor”. Porventura mais perverso, induzia-se nos estudantes a ideia de que a aquisição de competências não era o mais determinante para a sua formação, mas sim a miragem da soma amontoada de disciplinas ultrapassadas. Este conjunto de valores, embora compreensíveis na relação afectiva e protectora que os pais têm relativamente aos seus descendentes, só são perenes no tempo, se forem poucos os que os podem usufruir, desculpai-me a franqueza, se forem apenas os filhos dos privilegiados que os possam deter, à custa de uma injustiça social e de um atraso estrutural do país.

Felizmente que, tensões sociais de esperança e de anseio cada vez mais generalizadas, implicaram a decuplicação do ensino superior português, que aumentou em poucas décadas de quarenta para quase quatrocentos mil. Este crescimento, genericamente considerado justo e positivo, provoca no entanto choque e angústia nos jovens, nas famílias e na sociedade: para alguns a entrada no ensino superior ainda é efectuada na miragem da “carta de alforria”, mas a saída realiza-se para um país e uma realidade que obviamente já não pode suportar este privilégio. Este parto paradigmático, naturalmente doloroso, faz evoluir os conceitos e sobretudo as mentalidades, introduzindo uma atitude diferente na nova abordagem que a juventude faz ao ensino superior: acreditando sobretudo em si, no valor do conhecimento e da aquisição de competências, numa atitude pró-activa e agressiva relativamente ao mercado de trabalho, percebendo que a resposta óbvia à pergunta sobre o que faz determinada pessoa, será a actividade que realiza, surgindo a sua formação como um acessório do trabalho efectuado. Paradoxalmente, destrói-se, assim, o “país dos doutores” diplomando muitos e não, atrofiadamente, mantendo poucos. As funções exigidas ao Estado foram evoluindo ao longo do tempo: exercício da autoridade, aplicação da justiça, garantia da segurança, repartição da riqueza,… Hoje, a principal função de um Estado, deverá ser garantir a todos aquilo que no passado só foi possível garantir a alguns; assegurar a democratização do acesso ao ensino superior e deste modo garantir a nossa qualificação e competitividade e, objectivamente, o nosso futuro colectivo; garantir o exercício à cidadania na percepção dos direitos, dos deveres, da capacidade para agir, interagir e compreender. A garantia de um alfabetismo em relação a mundo culto e dinâmico e não apenas, como o índio da Amazónia, confinado ao mundo que o rodeia. O esforço que o país tem realizado em termos de qualificação é louvável e deve-nos colectivamente orgulhar, no objectivo e com a responsabilidade de proporcionarmos à nossa população oportunidades de formação iguais às dos restantes europeus, evitando assim uma nova onda de emigrantes desqualificados. Este esforço é agora um trabalho da sociedade em geral e das instituições em particular. Não se limitando a uma disponibilização passiva de vagas, mas sendo pró-activas nas motivações, dinamizadoras perante a inércia, abrangentes em relação às regiões, eliminando os últimos resquícios dos malefícios da “carta de alforria”. Por isso temos de continuar o trabalho desenvolvido pelo nosso Ensino Superior: a sua capacidade de captação, o objectivo da dispersão em nome da coesão, a mudança de paradigma nacional, dos rapazes da minha aldeia, para um país qualificado, socialmente justo e estruturalmente coeso.

darem à sociedade um exemplo de coesão, estabelecendo entre si, na sua acção formativa, investigação e desenvolvimento, parcerias de geometria variável, que crie sinergias, potencie capacidades e dê origem a áreas de excelência. Nesse processo, que é não só urgente como inevitável, terão de se envolver as autarquias locais e o tecido social e empresarial local, pois sem esses parceiros não é possível a criação de “clusters” sustentáveis que alavanquem o desenvolvimento do interior do país. Ao Governo, a qualquer governo, pede-se que – na cegueira macro que usualmente os afecta, no desconhecimento arrogante do país real, rico na sua diversidade – se não puder apoiar, pelo menos, não inviabilize a força criativa. As instituições de ensino superior deram, ao longo dos anos, exemplos significativos da capacidade de gestão autónoma e responsável. Relembro que por iniciativa das instituições estas foram o único sector público que propôs e acordou com o governo indicadores claros – baseados numa análise da situação nacional, mas tomando por referência valores internacionais – relativamente ao n.º de unidades de pessoal docente e não docente e ao financiamento. Infelizmente parece que, nos últimos anos, tal prática foi abandonada pelo Governo. – Será porque a existência de indicadores objectivos prejudicava a força dos “lobbies” a que eram sensíveis? – Será porque a aplicação dos mesmos critérios aos diversos serviços públicos – prática desejável e necessária – conduziria a demonstrar onde estavam as tão faladas (mas nunca objectivadas) gorduras do estado, e tal não era politicamente conveniente? – Será porque tal prática mostrava à sociedade o absurdo de critérios tais como “saiem 5 e admitem 1”? Permitam-me um à parte anedótico: Suponham que tal regra era aplicada a dois clubes de futebol – um clube com 27 jogadores e outro com 13 contratados. O primeiro, se saíssem 5 e entrasse 1 ficaria com 23 jogadores e poderia continuar a exercer plenamente a sua actividade. O outro ficaria com 9. Continuaria a poder competir? Ou passariam esses jogadores a jogar hóquei em patins? A gestão eficaz das instituições de ensino superior – que constitui um exemplo que não devia ser ignorado, antes deveria ser reflectido e multiplicado e é fruto da sua autonomia com responsabilidade – não se compadece com medidas arbitrárias, uniformizadoras, burocratizadas. Quando se compreenderá que a centralização e a burocratização têm custos excessivos, multiplicam os actos desnecessários, sem reflexos na transparência e na prestação de contas, antes pelo contrário, com

perdas significativas de eficácia e eficiência, com impacto negativo marcante na produtividade dos serviços públicos? Será que a burocracia asfixiante não tem custos? A quem interessa, por exemplo, forçar as instituições de ensino superior a fazerem aquisições através da central de compras? Para além da destruição inevitável da economia local, nomeadamente no interior do país, tal acção implica, como já foi sobejamente demonstrado, um aumento de encargos para as instituições, impedidas de adquirir os mesmos bens e serviços por preços mais baixos. A quem interessa essa medida? Ao bem público, ou a uma entidade macrocéfala, centrada em Lisboa, determinada em proteger arrogantemente a sua auto-sustentação e os seus custos para os contribuintes? Ao tecido económico do país, disperso nas regiões, ou aos lobbies dos grandes grupos económicos, os únicos com capacidade financeira para se integrarem nos beneficiados pela Central de Compras? Considerando os montantes em jogo, e o reduzido n.º de decisores, será que o sistema aumenta a transferência e reduz o risco de corrupção, ou será exactamente o contrário? Entender-se-ia que a Central de Compras promovesse concursos nacionais para o fornecimento de bens e serviços e que, em resultado dos concursos, fosse estabelecido um referencial de preços que nenhuma instituição pública poderia ultrapassar para os bens e serviços tabelados, mas nada devia impedir as instituições de adquirirem os bens e serviços por preços mais baixos. A não ser assim, onde está a salvaguarda do interesse público na prática adoptada? Não será o interesse público que a todos nos compete e nos obriga a salvaguardar? São difíceis os tempos, mas é nos tempos difíceis que a criatividade responsável deve ser acarinhada, assegurando-se obviamente a prestação de contas, leal e transparente (sem ocultação de processos ou de dívidas). Mas se os tempos difíceis nos responsabilizam a todos, responsabilizam ainda mais os Governos, obrigando-os a uma reflexão séria sobre as consequências das medidas que adoptam para as instituições e para os cidadãos. Termino, porém, com a esperança de que as instituições e o Governo assumam, em conjunto e individualmente, as suas responsabilidades e que, sem esquecer as dificuldades do momento e as restrições que impõem, orientem as soluções para um aumento da eficiência e a criação de riqueza, sem a qual o país se afundará numa espiral de empobrecimento sem retorno.

“Sem nós, Portalegre não teria a mesma alma”

Numa curta intervenção, o representante das quatro Associações de Estudantes do IPP destacou a relação da comunidade escolar com a sua envolvente. “Começo por dizer que o Instituto Politécnico de Portalegre é uma peça fundamental nesta cidade. Isto é visto por todos. Só não vê quem não quer ver. Sem nós, Portalegre não teria a mesma alma”, constatou. Presidente da AE ESTG, o aluno João Marques deixou ainda um apelo: “um dos pontos que eu queria focar aqui era que o estudante começasse a ser visto em Portalegre com outros olhos: não como aquele que faz barulho à noite; não como aquele que só quer boémia. Não somos nada disso. Simplesmente somos animados, somos alegres e queremos dar alma a esta cidade”.


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O senhor Presidente da República, no seu discurso do passado dia 10 de Junho, também se referiu à importância das instituições de ensino superior, principalmente no interior, até pela função de combate à desertificação e às assimetrias regionais. O próprio programa do Governo atribui idêntica importância às instituições de ensino superior. Então há que passar dos estudos e dos discursos aos actos. Há que corrigir os desequilíbrios, as assimetrias. A tutela, enquanto regulador do sistema de ensino superior, pode contribuir para esta causa, desde logo corrigindo a distribuição das vagas. Basta equilibrar as vagas com o número de candidatos. As vagas para o regime pós-laboral, ao irem para além do limite fixado das vagas de cada instituição, contribuem fortemente para aquele desequilíbrio. Isto também pode aliviar algumas instituições,

que reclamam, e justamente, por mais financiamento em função do número de alunos. Por outro lado, além da racionalização económica, a medida proporciona uma deslocação de alunos para instituições com capacidade instalada subaproveitada. O IPP está preparado para ter mais 1000 alunos sem necessitar de mais financiamento. Esta medida tem um alcance global e profundo, indo muito além das questões do ensino superior, é a própria vida no interior do país que está em jogo! Este apelo, como já disse, não dispensa o empenho de toda a comunidade académica do IPP. Por isso peço ao Conselho Geral, a todos os órgãos das Escolas e à comunidade académica em geral a máxima colaboração na reflexão e nas decisões sobre o futuro do Instituto. Conto também com o envolvimento dos estudantes. As reuniões periódicas com as Associações de Estudantes vão continuar. É

absolutamente necessária também a vossa contribuição. Quero agora felicitar os estudantes premiados pelo trabalho extraordinário realizado. Agradeço aos funcionários aposentados em 2011 a colaboração prestada ao longo de tantos anos de trabalho. São parte importante no sucesso do nosso IPP. Continuamos a contar convosco. Aos homenageados com a atribuição dos títulos honoríficos do Instituto quero dizer obrigado. Sob diversas formas são exemplos para cada um de nós. O IPP não seria o mesmo sem os vossos contributos. Obrigado por se cruzarem com o IPP e por fazerem parte desta família. Não posso terminar sem agradecer aos meus colaboradores mais próximos – Vice-Presidente, Administradores e Directores das Escolas – que muito me ajudam diariamente e me estimulam a prosseguir. Obrigado.

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Ao longo da sua intervenção, o presidente do CCISP mencionou recorrentemente o “último grande estudo feito ao ensino superior, em Portugal”, pela OCDE (Relatório dos Observadores “Revisões das Políticas Nacionais para a Educação – Ensino Terciário em Portugal”, de Dezembro de 2006). Pela sua relevância, citamos as constatações e as recomendações do estudo da OCDE, destacadas pelo Prof. Sobrinho Teixeira, bem como outros dados que apresentou; as suas observações finais e a última reflexão que o Presidente do CCISP (também presidente do Instituto Politécnico de Bragança) quis partilhar em Portalegre.

HÁ ENSINO SUPERIOR A MAIS?

4.20 (…) Os seus licenciados estão particularmente preparados para sectores que contribuam para o crescimento da produtividade nacional através da aplicação de capacidades e adopção de tecnologias. (…) 2.45 (…) Os mecanismos de distribuição de recursos humanos, os níveis de autonomia institucional, os processos de acreditação de programas e as políticas de gestão de recursos humanos, todos necessitam de ser alvo de uma reforma de modo a criar uma política de base na qual as instituições politécnicas profissionalmente orientadas possam desenvolver um futuro sustentado que seja distinto das universidades tradicionais. Igualmente importante é o corolário da criação desta nova política de base: as universidades não deverão ser compensadas por introduzir áreas de programas que estejam fora da sua principal área de actividade, numa tentativa de recrutar estudantes num mercado cada vez mais competitivo. Resumindo, a Equipa de Revisão propõe que a estrutura binária seja mantida e reforçada. (…) 2.54 (…) A Equipa de Revisão tem sérias reservas relativamente ao facto de esta situação ter ou não razões suficientes para embarcar numa reconfiguração nacional do panorama institucional, envolvendo um número significativo de fusões, consolidações ou fecho de instituições, e se se trata ou não de uma prioridade para o ensino superior em Portugal, principalmente tendo em conta todas as outras reformas e desafios já identificados. (…)

DESAFIOS Fonte: Expresso

Discurso do Presidente do Conselho Geral do IPP Prof. Luís Soares

Saudando o Instituto neste dia de aniversário, saúdo os presentes e relembro os que partiram, neste continuum que é a vida das instituições, como das pessoas. Nos tempos difíceis que vivemos, em que a sobrevivência das Instituições pode estar em risco, é tempo de reforçar a coesão, o sentido de pertença, o orgulho de ser e de pertencer. Neste interior progressivamente abandonado pelos que nele nasceram, e no lá longe que pode ser o litoral aqui tão perto, na voragem do tempo que nos deixa sem tempo, na crua batalha pela sobrevivência que nos embota os sentidos – e tantas vezes os valores – é tempo de,

num renascido orgulho na origem, lutar pela criação de condições de retorno que só o desenvolvimento sustentado pode criar. Migrantes no e do país, somos, antes de tudo, migrantes de nós próprios, tendo a saudade por desculpa. Estamos sempre de partida e o retorno é apenas um regresso, nunca o renascimento. É tempo de regressarmos a nós próprios, esbatidas as nossas fronteiras. É tempo de reconstruirmos as memórias, perdidas nas fronteiras da diáspora, no branquear cúmplice do que somos e do que fomos. É tempo de recusar a inevitabilidade de uma progressiva desertificação, de quebrar o círculo vicioso da redução da população – redução (economicista) dos serviços – redução da população. É tempo de pensar um modelo de desenvolvimento do interior do país (que os sucessivos governos têm ignorado – não dá votos nas eleições!), é tempo das instituições e das forças vivas tomarem em mãos essa tarefa, com empenho, persistência e sem desfalecimentos. É tempo de abandonar o paroquianismo local, as vaidadezinhas políticas e sociais que da mediocridade são fruto e na mediocridade florescem. É fácil cortar. Não exige estratégia, nem pensamento, nem reflexão, nem ponderação, nem esforço. O corte cego é o refúgio dos incompetentes. O difícil é criar. É fácil a acomodação lamurienta, a subserviência aos ditames do poder. Difícil é resistir criativamente, é criar alternativas e lutar por elas. Mas resistir obriga à coesão, à criação de um propósito comum, ao abandono das pequenas vaidades, num retorno à dádiva e à partilha, sem egoísmos, da nossa força interior. É tempo de as Instituições de ensino superior do interior do país, fiéis à sua missão, conscientes dos seus recursos e das suas potencialidades,

(…) 1.26 Estas considerações sugerem uma conclusão fundamental: um dos maiores problemas do sistema de ensino terciário de Portugal está relacionado com o fraco desempenho ao nível escolar. Aumentar as taxas de sucesso do ensino terciário para a população deverá incluir o aumento da percentagem de grupos que abandonam a escola que está potencialmente disponível para os estudos de nível terciário. (…) 4.10 O decréscimo da participação de idades entre os 18 e os 24 anos não se deve apenas à demografia, mas também à incapacidade de os alunos terminarem o ensino secundário. Se as taxas de sucesso do ensino secundário fossem mais elevadas, provavelmente existiriam suficientes alunos extra para compensar a queda geral dos números neste grupo etário. (…) Portugal tem uma cultura de estudantes reprovados que é necessário eliminar.

HÁ ENSINO POLITÉCNICO A MAIS? 2.44 Neste contexto, é de extrema importância que seja aumentada significativamente a diversidade de programas de estudo. A Equipa de Revisão é da convicta opinião que Portugal não necessita de aumentar o número de licenciados provenientes de programas universitários de longo ciclo, predominantemente orientados para a investigação. (…) 4.19 (…) os politécnicos dão um importante contributo à sustentabilidade de um sistema de ensino superior (…) capacitam uma expansão eficiente com equidade. (…) Geralmente ajudam os seus alunos a progredir e a ter sucesso com padrões aceitáveis de aprendizagem. (…)

– Promoção de Associações ou Consórcios entre IP’s para, sem perda de autonomia, obter ganhos de dimensão; – Funcionamento em rede no todo ou em parte: e-Politécnico, Centros de Investigação Aplicada, Prestação de Serviços à Comunidade, Atribuição de Graus Conjuntos e Internacionalização; – Sistema Politécnico como sector exportador de serviços e incluído na diplomacia económica nacional. Ensino Superior no Espaço Europeu País

Portugal Alemanha Bélgica Dinamarca Finlândia Holanda Irlanda Noruega Suíça

% de Ensino Universitário

% de Ensino Politécnico

63% 61% 54% 60% 52% 36% 59% 53% 69%

37% 39% 46% 40% 48% 64% 41% 47% 31%

Ser do interior é a angústia de um projecto nunca ganho! É o sentimento de que tudo o que existe está em perigo! É o ter de lutar o dobro para conseguir metade! Ser do interior é, sobretudo, uma luta permanente contra o destino! Mas é também o retorno imenso de fazer da vida um acto de amor. Uma dedicação pela afirmação de uma região. Uma crença de que aqueles que nada fazem, não são mais felizes dos que muito contribuem. Vamos continuar a desafiar o nosso destino!


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conhecer Prémio de Boas Práticas de Responsabilidade Social no IPP

Em 2011, o Instituto Politécnico de Portalegre deu passos decisivos para certificar o Sistema de Gestão da Responsabilidade Social e pretendeu reconhecer o trabalho levado a cabo pelos seus colaboradores nesta área, através da atribuição do Prémio de Boas Práticas de Responsabilidade Social.

Na sessão solene do Dia do IPP, foram anunciados os resultados do concurso. O júri, constituído pelos membros do Conselho de Gestão e pelos responsáveis pelas unidades orgânicas, decidiu, por unanimidade, atribuir um prémio, a um dos 36 programas desenvolvidos no âmbito do Sistema de Gestão da Responsabilidade Social. O programa premiado foi o projecto “Alimentação Saudável nas Escolas do Concelho de Portalegre”. A escolha teve por base o propósito e a abrangência do programa, que envolve um conjunto significativo de partes interessadas: comunidade, entidades, escolas, crianças e famílias. O prémio entregue à responsável pelo projecto, Dra. Maria Margarida Malcata, consistiu no valor pecuniário de 1500 euros, patrocinado pela Caixa Geral de Depósitos; na possibilidade de gozo de dois dias suplementares de férias e na oportunidade de o projecto representar o IPP, na próxima edição do Prémio de Boas Práticas no Sector Público.

CCDP IPP organiza peddy-paper

No Dia do IPP, à tarde, realizou-se o peddy-paper fotográfico, pelas ruas de Portalegre; uma iniciativa organizada pelo Centro de Cultura e Desporto do Pessoal do IPP, que reuniu oito equipas constituídas por docentes, não docentes e alunos. Os prémios consistiram num vale de refeição (com valor variável segundo a classificação), para usufruir em restaurantes locais. As equipas vencedoras e os respectivos prémios foram os seguintes:

A sessão comemorativa do Dia do IPP terminou com um momento musical, a cargo do Grupo Académico Serenatas de Portalegre.

1º Lugar: “Gab. 3.17+ Rui” (Paulo Canário, Ana José, Rui Pulido Valente e Carolina Santos) – prémio até 100 euros; 2º Lugar:” H.C.J.” (Carlos Paulino, Hugo Raimundo e Jorge Fernandes) – prémio até 80 euros; 3º Lugar: “Cheios de Saúde” (Margarida Malcata, Miguel Arriaga, Manuel Espírito Santo e João Claudino) – prémio até 60 euros.

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no Sistema de Responsabilidade Social com o êxito que hoje mesmo vamos testemunhar), no Centro de Cultura e Desporto do IPP, na Saúde do Estudante (projecto que visa acompanhar a saúde dos estudantes e que se iniciou este ano lectivo), e em breve avançará um projecto desportivo para os estudantes e restante comunidade académica. Este tem sido o nosso percurso recente que nos deve fazer sentir satisfeitos e dar-nos alento para olharmos em frente. Quero, por isso, agradecer a toda a comunidade académica do Instituto e a todos os parceiros o trabalho realizado. Esta obra foi e é de todos. Constatamos que o passado do IPP, tal como das restantes instituições politécnicas, foi de constante mutação. Estranho, por isso, quando hoje se fala em reestruturação do ensino superior. O que temos feito senão reestruturações? O que tem sido a implementação do RJIES nos últimos 3 anos senão uma reestruturação profunda das instituições de ensino superior? As Instituições de Ensino Superior já provaram que não estão acomodadas e que estão sempre disponíveis para se adaptarem a novas situações. O contexto actual é difícil. Precisamos, por isso, de procurar novas orientações estratégicas. Todos conhecemos a situação do país. Estamos solidários com o esforço necessário à resolução dos problemas. Temos, no entanto, dificuldade em entender algumas restrições orçamentais. Está a ser pedido para 2012 um corte de 8,5% ao orçamento de 2011. Temos acréscimo de custos de funcionamento, designadamente com a energia eléctrica e com o IVA. Mas podemos olhar para 2011 em que já tivemos um corte de cerca de 7%. Em 2009 as Instituições passaram a pagar 15% das remunerações para a CGA. Mesmo ignorando outros cortes e perdas, como o financiamento da biblioteca on line (b-on), os Cursos de Especialização Tecnológica, o Programa de Apoio à Formação Avançada (PROTEC) e a inflação, podemos afirmar que os Politécnicos, em 2012, viverão com menos cerca de um terço do plafond de OE e com mais 11% de alunos, do que há cinco anos atrás. O aumento da eficiência por parte dos Politécnicos é uma evidência. Apesar de tudo as Instituições de Ensino Superior têm respeitado a regra do equilíbrio orçamental. Não são, por isso, geradoras de qualquer deficit.

Por outro lado, entendo que a autonomia na governação das instituições deve ser mantida. É fundamental manter a confiança nas instituições que respeitam o equilíbrio

orçamental e que, por isso, não contribuíram para o desequilíbrio das contas públicas. Portugal tem um custo por estudante abaixo da média dos países europeus. Portugal financia o ensino superior apenas em cerca de 60%, o que nos coloca nos últimos lugares de entre os países da OCDE. É importante reconhecer a eficiência do sistema de ensino superior e garantir-lhe condições mínimas para continuar a qualificar os portugueses. O contexto actual é diferente também no número de candidatos ao ensino superior. O forte desequilíbrio entre a oferta de vagas e o número de candidatos, este ano, produziu um forte impacto no IPP e nas restantes IES do interior. O IPP sofreu uma redução de 25% nas colocações dos estudantes no concurso nacional de acesso. Apenas um em cada quatro dos estudantes são da região de Portalegre. Os públicos dos concursos e regimes especiais acabaram por ter um peso de cerca de 40% do total dos alunos matriculados. Para o ano lectivo 2011/2012 inscreveram-se, pela primeira vez, 701 estudantes. Temos cursos sustentados pelos concursos especiais com uma forte componente local. Todas estas alterações implicam que o IPP desencadeie nova reflexão estratégica. Por isso, hoje mesmo, a partir do Conselho Geral do Instituto, vamos apelar à participação de toda a comunidade académica. Há que ter a capacidade de ir além da instituição e colocar em primeiro lugar as necessidades da região. Devemos olhar para a floresta e não fixarmo-nos na árvore. Nada deve ficar de fora da revisão estratégica que vamos iniciar.

Há que continuar as apostas iniciadas em 2009, mas também devem ser encarados novos desafios. Queremos reforçar a identidade e a autonomia institucional. Isto passa por intensificarmos as parcerias estratégicas, para ganharmos dimensão crítica, para complementaridade e para racionalização de recursos. Estamos já a dar passos neste sentido. A Associação dos Politécnicos do Centro – a Politécnica –, recentemente refundada e reorientada pelos Politécnicos de Viseu, Guarda, Castelo Branco, Coimbra, Leiria, Tomar, Santarém e Portalegre, é um caminho para a reestruturação da rede. O Parque de Ciência e Tecnologia do Alentejo e a Rede de Ciência e Tecnologia do Alentejo, onde se inserem os Institutos Politécnicos de Beja, Santarém e Portalegre e a Universidade de Évora é outro caminho para se intensificar as relações entre instituições. O curso de mestrado conjunto entre o Instituto Politécnico de Portalegre e o Instituto Politécnico de Tomar, que se iniciou este ano lectivo, é mais uma prova do trabalho em rede. Este é um caminho necessário. Temos que fazer a nossa parte. Estou certo que o Sistema de Ensino Superior será tanto mais forte quanto mais forte for cada instituição. Este é o desafio que temos pela frente. Contudo esta é uma condição necessária mas não suficiente. O desequilíbrio entre o interior e o litoral é muito significativo, ou de outro modo, é colossal. Os Institutos Politécnicos do interior representam muito pouco no orçamento do ensino superior. O IPP representa apenas 0,9% do orçamento do ensino superior, é a única instituição de ensino superior no distrito de Portalegre, numa área que ultrapassa os 6200 km2 (o 6º distrito com maior dimensão) e com apenas 119 000 habitantes (o distrito menos populoso do continente). Também é a região com a população menos qualificada. Apenas 6,1% da população tem um curso médio ou superior, abaixo da média nacional com 8,4%. Isto mostra o muito trabalho de qualificação que há a fazer nesta região. Um estudo recente da Comissão Europeia, de Setembro de 2011, mostra como as instituições de ensino superior contribuem para o desenvolvimento regional, como reforçam a coesão económica, social e territorial de forma sustentável.


A sessão comemorativa do Dia do IPP teve lugar, a 25 de Novembro, no auditório Dr. Francisco Tomatas, na Escola Superior de Tecnologia e Gestão. Foi uma jornada de comemoração, mas principalmente um tempo para partilhar reflexões, que agora merecem uma nova leitura ou descoberta. Nas próximas páginas transcrevem-se intervenções deste Dia do IPP.

conhecer

Discurso do Presidente do IPP Prof. Joaquim Mourato

Prémios e distinções Começo por justificar, a seu pedido, a ausência do Senhor Secretário de Estado do Ensino Superior que, apesar de já ter confirmado a sua presença, foi subitamente chamado à Assembleia da República para participar na discussão da especialidade do Orçamento, exactamente a decorrer esta manhã. Quero também agradecer a presença do Senhor Presidente do Conselho Geral, que com o seu saber e experiência tanto nos tem ajudado a melhor cumprirmos a nossa missão. Obrigado Professor Luís Soares. Aproveito para felicitar todos os membros do Conselho Geral. Senhor Presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos, obrigado por aceitar o nosso convite e nos dar o privilégio de partilhar connosco os seus conhecimentos e anseios. Temos uma enorme expectativa nas suas palavras. Permita-me que agradeça a presença dos Presidentes dos Institutos Politécnicos. Fico muito satisfeito por poder testemunhar a unidade do Sistema Politécnico no dia do IPP. Caro representante dos Estudantes, agradeço-lhe também a sua presença e aproveito para felicitar todos os estudantes das Escolas do IPP. As comemorações devem servir para olharmos para trás, realçando o caminho percorrido, para ganharmos forças para enfrentarmos o presente e prepararmos o futuro. É isso que vou fazer de forma sumária. O IPP foi criado em 1980, à semelhança de outros Institutos, com o objectivo de se “dotar o País com os profissionais de perfil adequado de que este carece para o seu desenvolvimento, orientado de forma a dar predominância aos problemas concretos e de aplicação prática, e promover a investigação aplicada e o desenvolvimento experimental, tendo em conta as necessidades no domínio tecnológico e no sector dos serviços, particularmente as de carácter regional”. Foi este o objectivo da criação dos Institutos Superiores Politécnicos. O IPP inicia a sua actividade em 1985 com a Escola Superior de Educação, para, em 1989, começar a funcionar a Escola Superior de Tecnologia e Gestão, em 1995 a Escola Superior Agrária de Elvas e, em 2001, integrar a Escola Superior de Enfermagem (actual Escola Superior de Saúde).

Em 2008 entra em vigor um novo Regime Jurídico que trouxe novas orientações para o sistema de ensino superior e para as suas instituições. Foi perante este novo quadro que as instituições se reorganizaram, com novos estatutos, novos órgãos, novas unidades orgânicas. Em 2009 o IPP aprovou um Programa de Desenvolvimento para 2009-2012 onde fez constar a estratégia a seguir. Apostámos na qualificação do corpo docente e proporcionámos um programa de apoio a 68 docentes (cerca de 30% do corpo docente do Instituto). Em dois anos duplicámos o número de doutorados e até 2014 esperamos ultrapassar a barreira dos 50% do corpo docente com doutoramento. Apostámos na investigação e criámos o Centro Interdisciplinar de Investigação e Inovação – C3i – que está a fazer o seu caminho. Foi integrado no Repositório Comum do Repositório Científico de Acesso Aberto de Portugal, lançou os primeiros dois volumes da colecção C3i, obteve a certificação para prestação de serviços de I&DT a PME nas áreas de Ciências e Tecnologias do Ambiente, Qualidade e Segurança Alimentar, organizou diversos eventos científicos e tem em execução mais de duas dezenas de projectos. Realço o

projecto mais recente, “Desenvolvimento de Combustíveis de 2.ª geração”, com uma parceria alargada, de onde destaco a GALP, a Universidade de Évora e o Instituto Superior de Agronomia, e que envolve cerca de dois milhões de euros. Também realço o projecto Bioenergia, com um investimento de aproximadamente 4 milhões de euros que, como esperamos, deverá arrancar em 2012 e que dotará o Instituto e a região de excelentes condições para a inovação e para o empreendedorismo. Apostámos na internacionalização, criámos a estrutura adequada e estamos a alargar e a consolidar a rede que nos permite reforçar a mobilidade de estudantes e docentes e as parcerias científicas. Temos colaborações diversas com a Universidad da Extremadura, desde as parcerias em projectos de investigação, a mobilidade de docentes, até à dupla titulação de graus conjuntos. Esperamos aumentar em breve estas relações de cooperação. Esperamos que no próximo semestre já tenhamos a mobilidade de estudantes com o Instituto Politécnico de Macau. Também celebrámos um acordo de colaboração com a Universidade Estadual de Campinas, do Brasil. Estamos a negociar outros acordos para tornar presente o Instituto Politécnico de Portalegre nos quatro cantos do mundo. Aprofundámos a ligação à sociedade e para tal reforçamos alguns projectos e criámos outros. Cito apenas como exemplo o Gabinete de Emprego e Empreendedorismo (com a ENOVE+, Feira do Emprego e do Empreendedorismo, ponto de encontro entre os estudantes e as empresas, evento que aconteceu este ano em Elvas e no próximo ano se realizará em Sousel; o apoio ao Poliempreende, grande iniciativa do Sistema Politécnico Português); o CLIC, Centro de Línguas e Culturas do IPP, (que neste momento responde às necessidades da academia e também da sociedade em geral, proporcionando cursos à medida de cada empresa); o Europe Direct (centro de informação da União Europeia). Poderia continuar com inúmeros protocolos celebrados com organizações que correspondem a outras tantas acções de parceria. Apostámos, por último, na sustentabilidade do Instituto assente na qualidade (para além da ISO 9001:2008, centrámo-nos neste ano

Como é habitual, no Dia do IPP foram entregues os prémios aos melhores alunos do primeiro ano e aos melhores diplomados, graças à colaboração de instituições parceiras. Também na ocasião se procedeu à entrega das bolsas por mérito, referentes ao ano lectivo de 2009/2010, e homenagearam-se os funcionários aposentados este ano. Prémios para os melhores alunos (valor de cada prémio: 500 euros) Prémios “Caixa Geral de Depósitos”

Melhores alunos do 1º ano: ESE: Gaspar Garção – Jornalismo e Comunicação (16,30 valores) ESTG: Inês Freitas – Design e Animação Multimédia (15,55 valores) ESAE: Anette Reintjes – Enfermagem Veterinária (15,70 valores) ESS: Joaquim Rodrigues – Enfermagem (16,55 valores)

Prémio “Câmara Municipal de Portalegre”

Melhores diplomados: ESE: Susana Serra – Jornalismo e Comunicação (14,96 valores)

Prémio “Delta Cafés”

ESTG: João Alves – Informação e Documentação (15,49 valores)

Prémio “Cidade de Elvas”

ESAE: Alexandra Lopes – Equinicultura (16,18 valores)

Prémio “Ravagnani Dental Portugal”

ESS: Renato Tavares – Enfermagem (17,20 valores)

Prémio “Dr. Francisco Tomatas”

ESTG: Maria da Conceição Mé – ramo de Contabilidade da licenciatura em Gestão (15,06 valores)

Prémio “Ensino Magazine”

ESE: Marco Carrapiço – Formação de Adultos e Desenvolvimento Local (17,13 valores)

Bolsas de estudo por mérito (valor de cada bolsa: 2425 euros) ESE: Cristina Luís – Educação Básica (16,50 valores) ESE: Marco Carrapiço – Formação de Adultos e Desenvolvimento Local (16,11 valores) ESTG: António Alves – Gestão (pós-laboral) (17,30 valores) ESTG: Pedro Roque – Engenharia Informática (17,27 valores) ESAE: Alexandra Lopes – Equinicultura (16,89 valores) ESS: Patrícia Durão – Enfermagem (17,13 valores)

Trabalhadores aposentados em 2011 Maria Ana Capelinha Drogas Remígio Lopes – 22 anos ao serviço da actual Escola Superior de Saúde; Maria Catarina Martins Madeira Cortes – 22 anos ao serviço da actual Escola Superior de Saúde; Maria de Lurdes Ceia Dias Mourinho – 19 anos ao serviço da actual Escola Superior de Saúde; Arminda de Lurdes B. Miranda Marchão – 10 anos ao serviço dos Serviços de Acção Social.


a fechar... IPP recebe certificação pioneira no ensino superior

Ano 12 . Número 91.

O Instituto Politécnico de Portalegre é a primeira instituição portuguesa de ensino superior certificada segundo a norma NP 4469-1:2008. “O certificado que evidencia o compromisso em boas práticas de responsabilidade social”, emitido pela APCER, data de 22 de Novembro e a entrega aconteceu na sessão comemorativa do Dia do IPP. “Queremos que a responsabilidade social seja um vector estratégico da instituição, que a diferencie e que marque este compromisso na relação de proximidade que a instituição tem na sua matriz”, assumiu o presidente do IPP, ao receber o certificado de conformidade, entregue pelo Eng.º Hélder Estradas, da APCER.

Edição especial Dia do IPP | 2o11

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Boletim do Instituto Politécnico de Portalegre

A Responsabilidade Social no IPP, um processo integrado e integrador

O IPP integra de forma natural preocupações sociais e ambientais na sua estratégia de desenvolvimento. O seu programa de desenvolvimento incorpora eixos estratégicos claros de responsabilidade social que visam a melhoria do seu trabalho fundamental, o bem-estar dos seus alunos, funcionários docentes e não docentes e uma permanente interacção com parceiros locais, regionais, nacionais e internacionais. Se é natural que objectivos de Responsabilidade Social façam parte da vida de uma instituição de ensino superior que se preocupa com a formação integral dos seus alunos, no que ao Instituto Politécnico de Portalegre diz respeito, outra razão interfere de uma forma permanente, a relação com o meio e a comunidade envolvente. Integrado numa região de baixa densidade populacional, com uma forte influência na vida económica da região, o IPP está muito perto das instituições da região e com elas estabelece um conjunto alargado de parcerias, que se materializam em projectos, serviços, fóruns, seminários, transferências de conhecimento, actividades culturais e científicas, etc. Este envolvimento e grau de proximidade faz do IPP um parceiro privilegiado com as instituições do poder local, da área social e empresarial, bem como um agente crucial do desenvolvimento da região. É nesta vocação regional que encontramos outra das razões fundamentais para exercer de forma clara o sentido e os valores da Responsabilidade Social. A vontade de aprofundar a integração da Responsabilidade Social no desenvolvimento das diferentes actividades realizadas, a vontade de aprofundar o Sistema de Gestão de Qualidade, integrando-lhe programas de responsabilidade social, dando-lhe um cunho mais humanista, levou-nos a equacionar a certificação do IPP na área da Responsabilidade Social. Já algumas empresas apostavam na certificação nesta área, por que não experimentar numa instituição de ensino superior com as características da nossa?

comunidade académica do IPP. Criou-se um grupo de trabalho transversal a todas as unidades orgânicas do IPP, lançou-se com esse grupo um processo de formação sobre a Norma de Responsabilidade Social (NP 4469-1:2008), desenvolveu-se mais comunicação com os nossos parceiros internos e externos (as partes interessadas, os nossos stakeholders), sistematizou-se programas de trabalho, criou-se um código de ética, aumentou a consciência interna para as questões da Responsabilidade Social. Foi um caminho que se fez caminhando com algumas dificuldades é certo, mas com a naturalidade de quem já tem práticas sociais que fazem parte da sua matriz de desenvolvimento. Esta característica diferenciadora do IPP tornou-se agora mais marcante com a certificação. Este trabalho que se iniciou em 2009, teve em 2010 e 2011 os anos de maior actividade. Passadas que foram uma auditoria interna e uma auditoria externa realizada em duas fases, o IPP viu o seu Sistema de Responsabilidade Social, segundo a Norma 4469-1:2008, certificado pela APCER, uma Agência para a Certificação independente e de referência no sector. Vamos continuar. O caminho é integrar de forma plena o Sistema de Gestão da Responsabilidade Social no Sistema de Gestão da Qualidade, aprofundar o Sistema Integrado de Gestão, articulando-o com as exigências do Sistema Interno de Garantia da Qualidade proposto pela Agência de Acreditação e Avaliação do Ensino Superior (A3ES), na certeza que este rumo melhora e organiza o nosso trabalho nuclear e o nosso trabalho de suporte. Nestes tempos de grande dificuldade para as populações, para as famílias e para as instituições, um trabalho do IPP assente em preocupações e programas Âmbito da certificação do SGRS – Processos relacionados com a formação, a investigação e o desenvolvimento científico e tecnológico, em todas as unidades sociais, atento às emergências orgânicas do IPP, designadamente: oferta formativa e actividade curricular de todos os cursos conferentes de grau; serviços prestados à comunidade (laboratórios da ESAE e da ESTG); apoio à investigação e desenvolvimento; serviços de alojamento e refeições disponibilizados pelos Serviços de Acção Social. sociais, realizado em estreita ligação com a comunidade Tínhamos também a consciência que aprofundar o trabalho nesta área envolvente, pode fazer a diferença e pode ser um factor diferenciador da Responsabilidade Social passava pelo processo de certificação, quer fundamental para a afirmação do IPP. Albano Silva, vice-presidente do Instituto Politécnico de Portalegre pelo grau de exigência destes processos, quer pelo maior envolvimento da Ficha Técnica Edição Gabinete de Relações Públicas e Cooperação do Instituto Politécnico de Portalegre Director Joaquim Mourato Redacção Maria do Carmo Maridalho Secretariado Susana Dias Paginação Margarida Dias 7301- 901 Portalegre Tel. 245 301 500 Fax 245 330 353 Site www.ipportalegre.pt E-mail grpc@ipportalegre.pt

Contactos Praça do Município Apartado 84

1.ª Instituição portuguesa de ensino superior certificada de acordo com o referencial normativo NP 4469 -1:2008

Instituto Politécnico de Portalegre recebe o certificado de conformidade do seu Sistema de Gestão da Responsabilidade Social

Entregues os primeiros títulos honoríficos de Professor Honoris Causa e de Benemérito do IPP

Prof. Luís Soares, Prof. Pedro Lynce de Faria e Comendador Rui Nabeiro distinguidos

Portal 91 – Boletim informativo do Instituto Politécnico de Portalegre  
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