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facilita a valorização cultural. Cada um quer compartilhar suas raízes, há um respeito mútuo. Hoje, no dia do cruce, os nossos alunos falam tanto em espanhol quanto em guarani. Eles sabem que não serão diminuídos por falar a língua materna. Outra coisa bastante importante é o empenho dos educadores. Não é fácil você mudar completamente a metodologia, identificar e atuar sobre as questões linguísticas. Eu como professora de língua portuguesa falo isso. Nós sempre corrigíamos quando os alunos falavam um português misturado com um espanhol, corrigia na hora do hino, corrigia na hora da escrita; quando eles falam as vogais meio fechadas, fazíamos questão de corrigir, não de valorizar. Agora essa postura é completamente contrária. Então, muita coisa mudou. O olhar da escola diante do aluno. O acolhimento quando eles chegam. A criança que não fala a língua não conseguia nem pedir para ir ao banheiro. Ela chorava, reclamava, hoje não. Os professores estão mais satisfeitos. Temos muitos professores que estão mais a vontade de lecionar. Muitos deles tinham como língua materna o espanhol. É um projeto, como gosto de dizer, que trouxe vida para o fazer pedagógico, trouxe vida para o dia-a-dia da escola. Trouxe uma nova perspectiva de interculturalidade.

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Seminário de Gestão em Educação Linguística de Fronteira do MERCOSUL

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