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ainda não se divide assim. Nós já tínhamos toda uma idéia de como trabalharíamos com esses alunos, embora agora tenha dado uma parada. Como houve uma mudança muito rigorosa na metodologia, no processo político pedagógico da escola, precisamos dar continuidade a essa lógica de ensino. A comunidade acolheu o projeto, identificou-se com ele. Agora não há como retroceder. Temos que dar sequência.

Em Ponta Porã, como você mesmo abordou, a fronteira é seca, ou seja, sem qualquer demarcação aduaneira. Você acha que essa relação interfere no processo de ensino, sobretudo no trânsito entre escolas?

Eliane: Na nossa fronteira eu saio da escola, passo na padaria no Paraguai para comprar pão e água. Só ontem, aqui em Foz do Iguaçu, fiquei uma hora e meia na fila da aduana argentina. Creio que isso dificulta, afasta uma coisa que está tão próxima. Os povos não tem essa separação. Não tem nada que identifique que você é brasileiro ou paraguaio. Pela primeira vez aqui eu vi o que é fronteira. Porque em Ponta Porã não existe isso. Uma fronteira permeável como a nossa acaba por facilitar o trânsito do ensino. O nosso povo é muito próximo. Tem famílias inteiras que moram no Paraguai enquanto os filhos estudam no Brasil. O contrário também acontece muito. Lá não existe o rigor dessa diferença, essa separação. Ali é tudo muito junto, muito misturado. Isso

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Seminário de Gestão em Educação Linguística de Fronteira do MERCOSUL

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