A voz da graduação sexta edição

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A VOZ DA GRADUAÇÃO 6ª Edição


A VOZ DA GRADUAÇÃO - Ano 3 – 6ª Edição

SUMÁRIO

Pg. 04 – Editorial – Meu último editorial Pg. 05 – Semana de Integração Palestras e mesas redondas abordaram temas desafiadores relacionados à Administração. Os convidados surpreenderam os alunos ao tratar de Ciência, Tecnologia, Espiritualidade, Filosofia e Arte no contexto da Administração.

Pg. 06 – Galeria de Fotos I

Pg. 07 - X Semana Acadêmica Os destaques foram os cases de sucesso de empresas famosas. Outra novidade foi a I Semana Científica, em que alunos do Programa de Iniciação Científica apresentaram seus trabalhos em forma de painéis. Pg. 08 – Galeria de Fotos II

Pg. 09 – Formatura: a realização de um sonho Aluno do 8º período prestes a se formar traz reflexões sobre a formatura como a concretização de um sonho.

Pg. 10 – Trabalho de Conclusão de Curso sem pesadelo Como o planejamento e a dedicação podem ajudar os alunos a concluir o TCC na reta final de cursos do ensino superior.

Pg. 11 – O bem e o mal: uma questão de escolha? Uma reflexão sobre os conceitos de bem e de mal, e o impacto que as escolhas individuais trazem para o próprio indivíduo e a coletividade.

Pg. 12 – Resiliência de campeão Com base em um exemplo conhecido no meio automobilístico, o conceito se mostra como um ponto forte em meio a críticas e ambiente competitivo.


A VOZ DA GRADUAÇÃO - Ano 3 – 6ª Edição SUMÁRIO Pg. 13 – Perdas Uma reflexão sobre como as circunstâncias adversas podem fortalecer a alma e o comportamento humano. Pg. 14 – O público e o privado De que maneira essa distinção pode ser relevante para o ambiente corporativo Pg. 15 – A voz do mestre: Como ouvimos em filosofia clínica Pg. 22- Espaço Literário Pg. 23 – Contributions Um espaço dedicado aos textos de alunos que cursaram a disciplina “inglês” como extensão. Pg. 24 – Aniversariantes


Editorial

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Meu último editorial Por: Carolina Vilela

Apresento com muito prazer e emoção a 6ª edição do Jornal A Voz da Graduação, a qual se encontra dividida em seções. A primeira relata os eventos mais importantes, acontecidos durante o segundo semestre de 2014, na graduação do IPOG. Na seção “Reflexões”, vemos os textos elaborados durante o curso de extensão em Língua Portuguesa. Foi aberto um espaço aos nossos docentes, e, nesta edição, ele vem brilhantemente preenchido pelo texto do professor Wil Goya na seção “A voz do mestre”. No “Momento literário”, estão as poesias escritas pelas graduandas e formandas em Administração, Lia Andrade e Carla Hangeman. Nesta edição, foram introduzidos, também, textos produzidos por alunos do Curso de Extensão em Língua Inglesa, nível básico, ministrado pela professora Alessandra, os quais estão na seção “Contribuitions”. Encerramos o jornal com os “Aniversariantes do semestre”. É com muito orgulho que eu escrevo o meu sexto e último editorial... Aqui tive a oportunidade de descrever acontecimentos, de agradecer, de protestar e, hoje, estou tendo que me despedir. Despedir de um projeto que abracei desde o início com carinho e responsabilidade, junto a vários outros colegas.

Quando entrei no IPOG para cursar a minha segunda graduação, não imaginei que teria a oportunidade de escrever para um jornal durante esses quatro anos. Por outro lado, também não tinha noção de como ele iria influenciar em minha formação. No entanto, ele foi responsável por inspirar e conduzir até o meu trabalho de conclusão de curso - TCC. Para muitos, pode não valer a pena abrir mão da sexta-feira livre... Mas eu, com muito orgulho, não me arrependo de nenhuma sexta-feira que passei reaprendendo a escrever, aprendendo a escutar a opinião do outro e aprendendo a me fazer ser entendida.

nas mãos de pessoas tão comprometidas como as que conseguiram mantê-lo em circulação até a sua sexta edição, e que ele continue contribuindo para a formação dos Sei que para mim e para os alunos da graduação do IPOG. colegas que também participaram desse lindo projeto, ainda teremos muitas histórias Expediente pra contar. E cada um sabe o quanto esse curso foi impor- A Voz da Graduação é um tante para sua formação como informativo produzido pelos alunos do Curso de Extensão administrador. IPOG “Língua Portuguesa : do coloquial ao empresarial.“ Posso colocar em meu currículo que ajudei a fundar Professora Responsável: Dra. Eunice Toledo um jornal e que, enquanto Diretoria de Graduação: Dr. Ademir Schmidt tive oportunidade, o mantive Coordenação Pedagógica: Dra. Silvana Arrais em circulação. Nos próximos Jornalista Responsável: Maraísa Lima anos, não sei qual o futuro do Diagramação: Cleber Muniz nosso jornal, palco de muitas Fotos: Divulgação discussões, risadas e aprendizados, mas confesso ter a esperança de que ele continue


Semana de Integração

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Palestras e mesas redondas abordam temas desafiadores relacionados à Administração Os convidados surpreenderam os alunos ao tratar de Ciência, Tecnologia, Espiritualidade, Filosofia e Arte no aspecto da Administração Levernier Lamounier e Carolina Vilela A semana de integração do segundo semestre de 2014 teve como proposta a transdisciplinaridade. Para tanto, trouxe um tema diferente para cada dia da semana. Ciência e Tecnologia foram tratados no primeiro dia

do evento. No segundo dia, a discussão foi sobre Espiritualidade nas organizações. Os temas Filosofia e Arte foram debatidos no terceiro dia. No último, os três temas foram discutidos pelo corpo discente, sob a condução dos docentes presentes. Cada dia foi aberto com uma palestra. Na sequência, foram realizadas mesas redondas que procuravam responder algumas perguntas, previamente elaboradas com base no tema do dia. No dia 18, o Psicólogo Clínico e Analista Comportamental, Ricardo Borges, iniciou a exposição sobre Ciência e Tecnologia, palestrando sobre Acessibilidade com Integração. De uma forma descontraída, e utilizando apenas o microfone, o psicólogo conseguiu prender a atenção de todo o auditório e mostrar a importância da acessibilidade. A segunda atividade do dia foi a mesa redonda que refletiu sobre a pergunta: “Qual o impacto

(curto a longo prazo, positivo e/ou negativo) dos saberes e técnicas administrativas, hoje, praticadas pelos empresários na construção dos valores humanos individuais e coletivos?”. A mesa foi formada pelos professores Leonardo Morais, Camilo Cotrim, Vanessa Pazzini e Carlos de Macedo. O primeiro dia da semana contou com uma efusiva participação dos alunos e uma mesa redonda com ricas discussões, deixando os participantes bastante animados para as reflexões dos dias seguintes. Com o tema “Espiritualidade”, o dia 19 iniciou com a palestra da Psicóloga do Núcleo de Atendimento Psicopedagógico (NAP), Aline Roberta, que entendeu a Espiritualidade como um fator de autoconhecimento, mostrando a importância de seu desenvolvimento. A psicóloga iniciou sua fala estimulando os participantes a realizarem algumas reflexões, como, por exemplo, “Você se conhece?”; “Você sabe o que deseja mudar em sua vida?”; “Você sabe como fazer a mudança?”. No fechamento, chamou a atenção para as etapas necessárias para se modificar o comportamento. A discussão do tema do dia contou com uma mesa redonda composta pelos professores Eliseu Machado, Marcos Pintaud, Marcos Medeiros e o egresso do curso de administração, Carlos Eduardo. Chamando a atenção para um tema pouco discutido em sala de aula, os debatedores conseguiram apresentar uma contribuição bastante rica, sem discutir religiosidade, mas levando a preocupação para a espiritualida-

de nas organizações. No dia 20, a Profª. Ms Carmen Silvia conduziu um Workshop que teve como tema “ A inteligência emocional como ferramenta de transformação”, estabelecendo um interessante relacionamento entre Filosofia e Arte. Com sua forma tranquila de falar, a professora conseguiu aguçar o interesse dos alunos pelo tema, apresentando as bases da inteligência emocional, que são a auto percepção, o autocontrole, a auto motivação, a empatia e o relacionamento interpessoal. Para a mesa redonda do terceiro dia foram chamados os professores Leandro Somma, Carlos Macedo, a filósofa Patrícia Costa e o artista plástico Alberto Tolentino, os quais conseguiram, de uma forma surpreendente e inspiradora, relacionar a filosofia e a arte com os processos de gestão. No última dia da semana de integração os alunos foram convidados a ser os responsáveis pelos debates. Cada período formou um grupo para discutir entre si os temas tratados durante a semana e depois apresentar as conclusões de forma bastante aberta e enriquecedora, demonstrando novos pontos de vista durante as discussões. Pensar Ciência e Tecnologia, Espiritualidade, Filosofia e Arte é uma tarefa desafiadora para qualquer estudioso. Relacionar esses assuntos com a Administração, certamente, foi uma experiência ímpar para todos os participantes, palestrantes e debatedores.


Semana de Integração

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GALERIA DE FOTOS Para dar boas-vindas ao segundo semestre, os alunos do curso de Administração participaram da Semana de Integração. O evento aconteceu entre os dias 18 e 20 de agosto e teve como objetivo promover a integração dos discentes e docentes, além de discutir temas interdisciplinares.

01 - ALUNOS DO 2º PERÍODO

02 - ALUNOS DO 4º PERÍODO

03 - ALUNOS DO 6º PERÍODO

04- ALUNOS DO 8º PERÍODO

05 -

DIRETOR DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA, PROFESSOR LEONARDO MORAES, E DIRETOR ADMINISTRATIVO E FINANCEIRO, PROFESSOR CAMILO COTRIM

07 - ARTISTA PLÁSTICO, ALBERTO TOLENTINO E A FILÓSOFA PATRICIA COSTA

06 - PROFESSOR ELISEU MACHADO E MARCOS PINTAUD

08 - PROFESSORA CARMEM SILVIA CARVALHO

09 - PROFESSORES CARLOS DE MACÊDO E LEANDRO SOMMA

10 - PROFESSORES VANESSA E CARLOS DE MACÊDO

09 - PSCICÓLOGO RICARDO BORGES

10 - PSICÓLOGA DO NÚCLEO DE ATENDIMENTO PSICOPEDAGÓGICO, ALINE TEIXEIRA


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Semana Acadêmica

Cases de sucesso de empresas são destaque da X Semana Acadêmica Outra novidade foi a I Semana Científica, em que alunos do Programa de Iniciação Científica apresentaram seus trabalhos em forma de painéis. Por: Carolina Vilela

A X Semana Acadêmica do IPOG aconteceu entre os dias 03 e 06 de novembro. Nesta edição, a semana teve como proposta a apresentação de cases de sucesso. A organização da Semana ficou por conta dos alunos do 6° período sob a coordenação do professor Marcos Medeiros. Os alunos inovaram, trazendo coffee bre-

professora Silvana Arrais, coordenadora do Curso de Administração. Durante a X Semana Acadêmica também aconteceu a I Semana Científica do IPOG, em que os alunos participantes do Programa de Iniciação Científica tiveram a oportunidade de apresentar os trabalhos já encerrados ou em desenvolvimento, no formato de posters. No primeiro dia, foram levados ao conhecimento dos participantes dois cases de sucesso: do Grupo Boticário, por alunos do oitavo período; e da empresa Tend Tudo, por uma das equipes do segundo período. O segundo dia da seaks patrocinados durante os mana foi aberto por alunos do dias de realização do evento. 8° período, que estudaram soA semana foi aberta pelo bre uma das mais importantes professor Ademir Schmidt, organizações imobiliárias de diretor da Graduação, e pela Goiânia, a Adão Imóveis. O se-

gundo case do dia foi sobre a empresa Pepsi, pesquisada por alunos do 4° período. A MakTractor foi apresentada no terceiro dia por alunos do 2° período. Ainda no terceiro dia, tivemos a grata satisfação de conhecer a Buldogs, por meio da pesquisa de alunas do 8º período. A organização DevelopStore foi apresentada por uma equipe do 2º período, contando com a demonstração dos equipamentos utilizados pela empresa. O último dia foi marcado por mais três cases de sucesso: o primeiro grupo, composto por alunos do quarto período, apresentou a empresa Fritz, enquanto a Agrosol foi apresentada por alunos do 2º período e a BMW por alunos do 4º período, contando com sorteio de brindes e exposição de um belíssimo carro da marca.


Semana Acadêmica

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GALERIA DE FOTOS O tema “Liderança nas Organizações” foi o escolhido para a 10ª Semana Acadêmica do curso de Administração do Instituto de Pós-Graduação e Graduação (IPOG). Nos dias 03 a 06 de novembro, todos os acadêmicos participaram do evento na Unidade 1 do Instituto, no Setor Bueno, em Goiânia.

01 - CASE ADÃO IMÓVEIS

02 - CASE DEVELOPSTORE

03 - CASE AGROSOL

04- CASE BMW

05 - CASE BULDOGS

06 - CASE FRITZ

07 - CASE MAKTRACTOR

08 - CASE O BOTICÁRIO

09 - CASE PEPSI

10 - CASE TEND TUDO


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Aconteceu no IPOG

Formatura: a concretização de um sonho Um retrospecto de como o curso de Administração do IPOG pode transformar vidas

Certo dia, quase no final do curso, ouvi um querido professor dizer que a graduação é um rito de passagem. Comentário interessante, pensei, ainda que não tivesse tempo para maiores reflexões. Continuo sem muito tempo, é verdade, mais bem capacitado, espero, para uma pequena meditação. Pequena meditação porque acredito que não me distanciei o suficiente para uma avaliação mais profunda e mais objetiva. Ainda não “caiu a ficha”, como disse uma colega de sala. Em retrospecto, lembro-me dos primeiros dias indo ao IPOG. Eu não andava, eu flutuava. Afinal de contas, fazer faculdade era a realização de um sonho antigo, silenciosamente alimentado durante 15 longos anos, desde que concluí o ensino médio. As expectativas em relação ao curso eram altíssimas, apesar das dificuldades cognitivas e financeiras, entre outras, que

com certeza enfrentaria. Por tudo que pesquisei, acreditava estudar em uma das melhores instituições de ensino superior..., o que se mostrou verdade ao longo da graduação. No decorrer do curso, foi fantástico entrar em contato com tantas pessoas inteligentes e interessantes. Aprendi muito com professores, companheiros de graduação e todos aqueles que ficam nos bastidores tornando as aulas possíveis e agradáveis. Compreendi, também por observação, como uma organização eficiente e eficaz pode e deve funcionar. Tornei-me mais sociável, cooperativo e diplomático – aspectos tão importantes quanto o saber técnico que adquiri. Se já não estamos bem posicionados no mercado de trabalho até a formatura, a grande pergunta é: com o “canudo” na mão, que trajetória profissional seguir? A dúvida é natural. Apesar das opções

não serem poucas, o mercado é bastante competitivo. Mas sempre há espaço para quem tem perseverança e foco. A atividade social que nós, administradores, desenvolvemos é fundamental. Somos nós, em essência, os responsáveis por tornar o conhecimento produtivo e as pessoas (dentro e fora das organizações) satisfeitas, por terem suas necessidades atendidas. Creio que muitas destas colocações, em maior ou menor grau, coincidem com as experiências de outros que comigo estão se formando.

Junior Arruda dos Santos é aluno do 8º período da graduação em Administração do IPOG. Em março, será sua formatura.


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Aconteceu no IPOG

Trabalho de Conclusão de Curso sem pesadelo Como o planejamento e a dedicação podem ajudar os alunos a concluir o TCC na reta final de cursos do ensino superior Por: Darione de Matos

Alunos de graduação, pós-graduação, MBA, cursos técnicos, entre outros, no último ano do curso, devem desenvolver o Trabalho de Conclusão de Curso, “TCC”, que é um trabalho acadêmico de caráter obrigatório e instrumento de avaliação final de um curso superior. Em geral, é um critério para o aluno obter o diploma do curso. O TCC é elaborado em forma de dissertação, visando a iniciação e o envolvimento do aluno de graduação com a pesquisa científica. Pode ser realizado individualmente, em dupla ou mesmo em grupo, de acordo com a instituição e com o curso, e sempre seguindo as instruções de um professor orientador. Advêm de muitos estudos, via pesquisas, leituras e experiências de campo. Na sua construção, o aluno deve expor suas próprias conclusões. Importante salientar que o plágio (cópia) é considerado fraude, portanto, crime intelectual. A elaboração de um artigo científico precisa conter partes pré textuais, como título, resumo, palavras chaves, “abstract” e “keywords”, e partes textuais, como introdução, metodologia, fundamentação teó-

rica, considerações finais e, por fim, a sessão de referências bibliográficas. A citação das fontes bibliográficas, consultadas para a fundamentação teórica do texto, assim como a formatação do TCC seguem, principalmente, as normas para trabalhos acadêmicos da

ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas. O trabalho redigido deve ser entregue em tempo hábil, sob pena de reprovação. Cópias do mesmo são repassadas para apreciação de professores que comporão uma Banca Examinadora. Em data e horário pré determinados, com o suporte de slides, o aluno deve realizar a apresentação oral referente ao trabalho criado. A apresentação será assistida pela Banca, que poderá fazer arguições, elogios e críticas, a título de contribuição. Em seguida, os professores da Ban-

ca avaliam o desempenho do aluno em todo o processo de atuação, lança a nota e comunica sua aprovação, que será com louvor (sem necessidade de correções) ou com ressalvas (necessário fazer correções). O discente conclui suas obrigações quando da entrega de “DVD”, gravado com arquivos em “PDF”, referentes ao trabalho, como um todo, e à página com o resumo e o abstract, além dos slides da apresentação, que pode ser assistida, também, por colegas e convidados. Facilmente, se percebe que muitos alunos têm o Trabalho de Conclusão de Curso como “o grande monstro” do ensino superior. No entanto, com planejamento, adotando métodos de estudos e com dedicação é perfeitamente possível realizar o TCC sem pesadelos. O início dessa jornada se dá quando ministrada a matéria Metodologia e Técnicas de Pesquisa. Importante lembrar que Metodologia é uma palavra derivada de “método”, do Latim “methodus”, cujo significado é “ o caminho ou a via para a realização de algo”.


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Reflexões

O bem e o mal: uma questão de escolha? Uma reflexão sobre o conceito de bem e mal, e o impacto que as escolhas individuais trazem para o próprio indivíduo e a coletividade Por: Bárbara Ferro Rodarte / Levernier Lamounier Santana

O poder de escolha é inerente à condição humana e se manifesta em diferentes situações, com diferentes caminhos a serem tomados. Quando o assunto é o bem e o mal, não existem valores absolutos que norteiam a humanidade. Esses valores são mutáveis e variam em diferentes crenças, influenciadas por fatores externos como: cultura, religião, filosofia; ou fatores internos, que são as crenças criadas pelo próprio indivíduo. Ao fazermos isso, adquirimos uma identidade que nos torna diferentes dos demais seres humanos. Se imaginarmos que o bem é representado por pensamentos positivos - amor, compaixão, respeito etc. - e o mal é representado por pensamentos negativos - ódio, inveja, cobiça etc. – podemos afirmar que, ao alimentar um ou outro, estamos fortalecendo os pensamentos e sentimentos que norteiam nossas vidas e nossas escolhas. Por isso, existe o discernimento

que é a faculdade que cada um dade, nem sempre concordatem para distinguir as diferen- mos com as escolhas feitas ças essenciais. por quem nos cerca e que, Independente do caminho também, nos impacta. Quando escolhido, do sentimento que isto ocorre, devemos praticar foi alimentado, haverá conse- a alteridade, que é um exercício quências que impactarão a co- de tolerância para conviletividade. Ao emanar, a quem vermos com as diferenças. nos cerca, os sentimentos ali- Nesses momentos, pré-julgamentados, a mente torna-se mentos tornam-se perigosos. algo extremamente poderoso Nem sempre conhecemos as que potencializa os efeitos das pessoas tão profundamente e nossas escolhas. É um clichê, suas razões, a ponto de afirmas podemos afirmar que marmos que uma atitude é certa ou errada. Até amor gera “A compreensão de que porque, em muitas amor e ódio gera somos todos basicamente histórias, não existe os mesmos seres humanos, certo ou errado. ódio. que buscam a felicidade e O que existe são Q u e m tentam evitar o sofrimento, caminhos e consequbusca o ajuda bastante no desenvol- ências oriundas das mal obvimento de um sentido de escolhas realizadas. jetivando irmandade — uma sensação Se o conceito indivibenefício cálida de amor e compaixão dual de certo e errado próprio, pelos outros.” Dalai Lama. é relativo, podemos p o d e afirmar que o que alcançar pequenos momentos de glória, move os seres humanos e guia mas, certamente, haverá um suas escolhas são a busca da preço a ser pago trazendo con- felicidade e a fuga do sofrisequências negativas e indese- mento. Alguns conseguem, outros não... jadas. Como vivemos em comuni-


Reflexões

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Resiliência de campeão Com base em um exemplo conhecido no meio automobilístico, o conceito se mostra como um ponto forte em meio a críticas e ambiente competitivo Por: Wagner de Sá A resiliência é uma combinação de fatores que propiciam ao ser humano condições para enfrentar e superar problemas e adversidades. É um conceito psicológico emprestado da física, definido como a capacidade de o indivíduo lidar com problemas, superar obstáculos ou resistir à pressão de situações adversas sem desistir de seus objetivos. É a capacidade de resistir ao fracasso e buscar o sucesso. Com base nessa explicação, podemos homenagear um exemplo de resiliência excepcional, Rubens Barrichello. No dia 30 de novembro de 2014, com 23 anos de intervalo, ele voltou a conquistar um título e com um desempenho impecável na prova de Stock Car em Curitiba. O representante brasileiro com mais participações na Fórmula 1 reconquistou o lugar mais alto em um campeonato oficial de automobilismo. Rubinho surgiu como uma grande promessa nas disputas automobilísticas e quando chegou à Fórmula 1 escreveu seu nome como o piloto que mais participou de grandes prêmios pelo mundial. Porém, ele conheceria as frustrações em sua trajetória ao ser alçado à condição de ídolo nacional com a morte de Ayrton Senna, em 1994. A pressão fez com

que as atuações fossem muito criticadas e algumas decisões equivocadas o levaram a um patamar de questionamentos quanto à sua real condição de piloto de ponta. Teve a oportunidade de renascer para a Fórmula 1 com a transferência para a Ferrari, em 2000, só não contava com a presença de Michael Schumacher no volante do outro carro da equipe italiana. Apresentou alguns momentos de brilho, mas nunca conseguiu superar a velocidade do

alemão e acabou aceitando absurdas ordens para deixar a vitória nas mãos do primeiro piloto da equipe. Ganhou algumas corridas, conquistou respeito pela qualidade de preparação do carro, mas o título não vinha e sua condição de piloto secundário já se consolidava quando veio uma chance de recomeçar na Brawn. Acreditando na possibilidade de conquista por uma equipe que não privilegiava um piloto em detrimento ao outro,

partiu para a disputa. Contudo, queria o destino que Jenson Button, seu companheiro de equipe, se adaptasse melhor ao carro e se tornasse campeão com o mesmo carro que ele dirigiu em 2009. Após participar de 323 grandes prêmios de Fórmula 1, Rubinho se aventurou na Indy sem grande desempenho e voltou ao Brasil para participar do mais importante campeonato em sua terra natal, a Stock Car. A categoria criada em 1979, com pilotos adaptados, seria o cenário perfeito para encerrar a carreira. Porém, a resiliência se mostrou em seu puro estado e a chama da vitória retornou. Com um desempenho extremamente superior ao esperado por qualquer um, Rubinho chega à última prova do campeonato em condições de se tornar campeão e realizar o sonho de todos os brasileiros, vê-lo no lugar mais alto do pódio. Rubens Barrichello que tem no nome o R de resiliência e no sobrenome o B de brasileiro, com sua vitória em solo nacional conseguiu demonstrar o conceito de resiliência para um povo que anseia por momentos de superação e demonstração de amor ao que faz. Parabéns ao campeão da superação, agora a história está escrita de maneira mais justa com seu título.


Reflexões

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Perdas Uma reflexão sobre como as circunstâncias adversas podem fortalecer a alma e o comportamento humano Por: Levernier Lamounier Às vezes a vida nos impõe perdas que deixam profundas cicatrizes em nossas almas. Estas experiências, em sua maioria dolorosas, ajudam a moldar a nossa Estrutura de Pensamento (EP), causando reflexos que podem ser positivos ou negativos em nosso comportamento. Positivos, porque aprendemos a trilhar caminhos alternativos em busca do que desejamos, evitando situações semelhantes e resguardando-nos de novos sofrimentos ou prejuízos em vão. Negativos, porque corremos o risco de criarmos bloqueios e perdemos a oportunidade de vivenciar novas experiências que, não necessariamente, teriam o mesmo desfecho, levando-nos à busca alienante de prazeres momentâneos nas bebidas, drogas, sexo sem compromisso... Geralmente, quando perdemos algo valioso, além da pessoa ou do objeto, vão-se, também, os sonhos que nos são tão caros quanto o bem perdido. Mas, como em todo ditado popular há um fundo de verdade, em momentos difíceis apego-me a um, em especial: “Quando uma porta se fecha, Deus abre uma janela”.

Para Dalai Lama, “A morte não é a maior perda da vida... A maior perda da vida é o que morre dentro de nós enquanto vivemos”. Às vezes passamos a vida empenhados em grandes conquistas e perdemos os pequenos prazeres que, dia a dia, a vida nos proporciona como: o sorriso de uma criança ou o abraço sincero de um amigo. Esta nova realidade imposta, por uma circunstância adversa, nos traz a oportunidade de mostrarmos nosso valor, por meio da capacidade de entendimento e de transformação de momentos difíceis em crescimento humano. De modo que, depois de passada a turbulência, ao olharmos para traz, vemos que a cicatriz continua lá... não como símbolo de sofrimento, mas como troféu de superação. “A cada dia que vivo mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade. A dor é inevitável. O sofrimento é opcional.” - Carlos Drummond de Andrade.


Reflexões

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O público e o privado De que maneira essa distinção pode ser relevante para o ambiente corporativo

Por: Junior Arruda O filósofo americano, Richard Rorty, propõe que tracemos uma linha divisória entre vida pública e privada. Na esfera pública, encontra-se nossa relação com todas as instituições - família, escola, empresa, governo, igreja, entre outras. Quando nos voltamos para os nossos próprios desejos, necessidades e sonhos, entramos no espaço privado. Esta distinção permite preservar o que há de melhor dos dois mundos, sem o embate resultante dos valores que, não raro, diferem de um mundo para o outro. O próprio Rorty dá um exemplo bem interessante. Quando jovem, ele se apaixonou perdidamente pelas orquídeas. No entanto, passou a temer que esse seu interesse fosse julgado socialmente inútil pelos adultos que ele admirava - entre eles, seu pai e Trotsky, que tanto lutaram por reformas sociais. Como unir, numa única visão, nossas orquídeas

e a justiça social? Impossível, pensa Rorty. Daí, sua proposta para que separemos o público e o privado, sem nenhuma preocupação com o que seja mais importante. Ambos são necessários e louváveis. Qual a relevância corporativa desta informação? Bem, vamos a uma ilustração. Peter Drucker aconselha todos os trabalhadores a cultivarem interesses pessoais fora das organizações, pois não seremos economicamente ativos em todo o nosso ciclo de vida. Lembrando-nos desta advertência, totalmente em harmonia com a ideia do Rorty, combateremos os sentimentos negativos que geralmente vêm sobre aqueles que, voluntária ou involuntariamente, são obrigados a se aposentar. O trabalho é eminentemente uma necessidade pública; cuidar das nossas orquídeas – no período de nossa aposentadoria, por exemplo, mas não só - é uma necessidade privada.


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A voz do mestre

COMO OUVIMOS EM FILOSOFIA CLÍNICA

Will Goya - Filósofo clínico

1 Conferência apresentada no seminário acadêmico “La Escuela de Ortega Y Gasset y la Accíon Filosófica de Lúcio Packter”, na Universidade de Sevilha, em 25 de novembro de 2014.


A voz do mestre

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Resumo: A nascente filosofia clínica faz uma junção original na história do pensamento entre a especulação filosófica e a prática psicoterápica. A simultaneidade dos dois lados dessa filosofia só é intrinsecamente possível graças a uma escuta ética do cuidado afetivo na relação de alteridade entre o filósofo e o seu partilhante da terapia. Palavras-chave: filosofia clínica, ética do cuidado, alteridade, escuta filosófica. Antes de tratar a questão proposta, sobre como ouvimos em filosofia clínica, deixo claro que as considerações que aqui faço nasceram e ainda se desenvolvem a partir da minha prática terapêutica de filósofo clínico, permanentemente confrontada com uma trajetória de aprendizado teórico que também é pessoal. Não tenho, de modo algum, a pretensão de resumir aqui a cultura enciclopédica da filosofia clínica, tampouco de descrever os modos práticos de se exercitar a escuta e a metodologia da terapia filosófica feita em consultório. Oportunidade realizada em outro trabalho (GOYA, 2010). Não sendo esse o propósito de agora, se o fizesse, ainda que didaticamente, eu haveria de fazê-lo tomando por base as minhas experiências e opiniões, com meus erros e acertos. Erros talvez necessários como os fundamentos da verdade de quem me tornei. Devo apenas garantir a certeza fundante do pensamento de Lúcio Packter que subjaz à minha fala e convicções, de que não há filosofia clínica sem clínica e, quem sabe, contribuir para

novas reflexões e futuros diálogos. Nesse sentido, esforcei-me por assegurar respeito e fidelidade aos princípios do filósofo que sistematizou essa nova escola filosófica e terapêutica por meio da apresentação de alguns elementos conceituais importantes, tais como eu soube interpretá-los. Um certo romantismo poético, esperançoso e acolhedor das dores humanas é perceptível em minha abordagem e fiz questão de mantê-la presente na estrutura do meu discurso. Isto me pareceu também um critério de fidelidade. Não obstante, espero trazer alguma luz, talvez um quadro conceitual básico, alegorias ou um conjunto de ideias que fundamentem a arquitetura do discurso do querido professor Packter a respeito da sua filosofia, que ele próprio declara estar ininterruptamente em construção. Feita a ressalva, dou início a uma pergunta: Como ouvimos ou vemos qualquer coisa? Uma resposta médica nos explicaria como as células transmitem impulsos pelo sistema nervoso até o nosso cérebro, que interpreta os estímulos exteriores. Porém, jamais devemos nos

esquecer da advertência do grande poeta Fernando Pessoa: “Não basta abrir a janela para ver os campos e o rio. Não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores...” . É preciso um esforço incomum para resistir à sedução do óbvio conveniente e ao cansaço sofrido de todas as verdades engessadas que pesam sobre nós. Se o simples ouvir é função dos ouvidos e o simples olhar é uma fisiologia dos olhos, faz sentido a recomendação aparentemente tola e redundante dos antigos sábios, que nos alertavam sobre a necessidade vital de adquirirmos outros tipos de “ouvidos para ouvir” e de “olhos para ver” . Os gregos inventaram a theoría, termo que significava a ação de pensar e entender um fenômeno a partir da observação. Nasceu a filosofia, o amor à verdade. Desde então, saber ver ou ouvir, enquanto arte, é metáfora do conhecimento. Após muitos séculos do pensamento filosófico, a Filosofia Clínica, de Lúcio Packter, também deixa o seu legado, e tem algo a dizer sobre a escuta . Porque a filosofia é um profundo e desafiante amor à verdade, conhecer o outro

2 PESSOA, F. Obra Poética. Volume único. Rio de Janeiro: Nova Aguiar, 3ª ed., 2005, p. 231.


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A voz do mestre através da escuta é, em sua de diferentes e intraconju- de uma conversação, podem essência, um ato profunda- gadas formas de linguagens expor relações de concordânmente filosófico de amor às semióticas com que o parti- cia intrínseca, de subordinaverdades subjetivas de cada lhante se utiliza para se co- ção, de ordem ou desordem, um. municar. Na intencionalidade de modo a revelar ao filósofo Sem uso do termo “pacien- do discurso entre dois, tudo clínico, posto em prática o seu te”, abstendo-se o filósofo que se manifesta diante do método, a estrutura de penclínico do julgamento médi- filósofo parece ser “fala”. samento do partilhante. Coco e psicológico nos princí- Gestos, palavras, dores de nhecimento necessário para pios da psicopatologia, nem cabeça, insônia, roupas, chei- futuras devoluções e aconsetampouco orientado pelo ro, coceiras, respiração e lhamentos. A trama conceiinteresse econômico, cha- infinitamente outros. Tudo tual da sua malha intelectiva, mando o outro de “cliente”, pode estar implicado e partí- entrelaçada pelas circunstâno terapeuta, por grande res- cipe na vivência do discurso, cias históricas da sua vida e peito e generosidade, dá a na qualidade de pronuncia- parcialmente descortinadas ele o nome de “partilhante”, mento de sentenças, exigin- pela investigação filosófica, dá por este haver aceito a par- do do filósofo o deciframen- ao filósofo clínico um conhecito dos jogos de linguagem mento empírico e epistêmico tilha íntima de uma cado sentido subjetivo de minhada existencial de “Porque a filosofia é um prorealidade com que o oudiálogos com o filósofo, fundo e desafiante amor à vertro construiu a sua visão um amigo para apoio e dade, conhecer o outro através de mundo. Se o terapeuta reflexões. Sem medidas for bem sucedido em seu comparativas de julga- da escuta é, em sua essência, trabalho intelectual, será mento, o partilhante em um ato profundamente filosóficomum ouvir do seu parnada é considerado nos co de amor às verdades subjetitilhante qualquer expresparâmetros normal/ vas de cada um. “ são semelhante a esta: anormal, saúde/doença “você me compreendeu ou por quaisquer moutilizados pelo outro. Mesbem, tal como eu gostaria de delos diagnósticos prévios de investigação estatística. mo o silêncio pode ser inter- ser compreendido”. CompreRigorosamente, filosofica- pretado a partir da sintaxe ender não significa concordar. mente, é alcançada a com- de articulações exercidas Estabelecem-se o diálogo e preensão inteira do dito po- pelo partilhante em sua gra- as transformações. Quase mática subjetiva. Isto é, sua sempre, a sensação ética de pular “cada pessoa é única”. O falar e o ouvir dessa re- lógica individual própria, en- confiança naquele a quem se lação, ancoradas no leque quanto sujeito reconhecido desnuda a própria intimidade conhecimentos filosófi- na sua plena singularidade, de é gratificante o suficiente cos do terapeuta, exigem do na qual os lapsos de racio- para o partilhante continuar filósofo antes, e sobretudo, cínio ou de memória, as re- a terapia, demonstrada a ceruma grande sensibilidade cusas, mentiras ou contra- teza de que o filósofo clínico humana, forte mas versátil, dições, os delírios, tiques e sabe ouvi-lo. disciplinada porém afetuosa, os matizes de humor, como capaz de perceber miríades quaisquer outros elementos MATEUS, 13: 9-17. “Com vontade sincera, resumo tudo numa única pergunta: de toda a sua alma, quer verdadeiramente servir ao próximo, ouvindo-lhe as mais fundas necessidades da vida? Como lhe haveria eu de explicar essa verdade que ouvi-la não basta, se estiver distraído? É que não nos entendemos diretamente com a individualidade das pessoas, mas com os laços que nos unem. Se o espírito é distante e a consciência dorme, não há o que dizer. Se as almas vivessem sozinhas, não haveria palavras. Como se sabe, a palavra disfarça o pensamento tanto quanto o revela pela maneira como o esconde. Se alguém se recusa a falar sobre determinado tema, mudando de assunto, isso diz muito... Em qualquer um, toda mentira, alucinação ou simples devaneio tem seu próprio estilo. A palavra é um gesto de intenções, um desejo de comunicação, um jogo de interesses. Sabe o bom terapeuta, o bom amigo, o filósofo, que a operação de falar implica a de escutar, e que ninguém pode esquecer-se disso. Os ouvidos ouvem, a alma escuta. Se houver algo a ser dito entre dois, que seja um encontro”. GOYA (2010), p. 205-6.


A voz do mestre

18 Imprescindível jamais es- com exaustão a mágica de tiquecer que o que é dito pelo rar forças íntimas para ajudar, partilhante está sempre quando a própria vida está miimplicado com a qualidade nada de esperanças. Situações receptiva da escuta do te- frequentes no dia a dia de um rapeuta, com os seus limi- filósofo clínico. Sem licenças, tes cognitivos, preferências faz-se necessário proteger o de interpretação e valores partilhante das carências do morais próprios. Razão pela filósofo, já que ninguém está qual, sabe o bom filósofo clí- isento de sofrimentos e fraginico que os vínculos de apro- lidades. Se errar é inevitável, o ximação exigem muito mais filósofo clínico, favorecido pela do que um respeito cordial. memória dos seus erros e pela Com as experiências da prá- genuína boa vontade em servir, tica clínica, a continuidade acumula sobre si a competêndos estudos filosóficos, o cia da humildade (que é paraautoconhecimento adqui- doxalmente descobrir-se não rido também na condição humilde), essa riqueza vital de partilhante em terapias de nunca se julgar melhor do de supervisão entre colegas, exige-se do “A atitude filosófico-clínica do filósofo clínico uma disposição firme de cuidar do outro não é indepencaráter e uma dedi- dente do saber cuidar do outro, cação penhorada de pois a essência mesma do coalma. De modo que nhecimento ético é a própria vio processo ativo da vência ética. “ consciência de escutar o outro começa e se aperfeiçoa no filósofo clínico que aqueles que são julgados. muito antes do seu primeiro Afinal, o outro é tão mais perencontro com o partilhante feito quanto menos imperfeito no consultório. Como ha- for o meu julgamento sobre veria de ser diferente para ele. Sabe o filósofo clínico, luaquele que escolheu essa cidamente, que o ato de escuprofissão existencial? En- tar implica em interpretar, em frenta os riscos de confusão uma relação de alteridade na no julgamento diante dos pe- qual tanto o terapeuta quanto rigos da vaidade, se apoiada seu partilhante estão em teranas semelhanças com o ou- pia juntos. tro. Afronta aversões contra Dizer que não há filosofia clío partilhante, em razão de nica sem clínica é, portanto, o filósofo trair a si mesmo, essencial para a compreensão transgredindo os próprios filosófica dessa escuta sui gevalores pessoais atenden- neris. “Filosofia clínica” é um do aqueles que seu coração conceito inteiro, cujo termo pedia afastamento. Fabrica “clínica” não pode ser usado

de modo geral como adjetivo, isto é, com um sentido simplesmente agregado à filosofia acadêmica, sem em nada mudar a natureza ou a história desta. Simples termo de acomodação, com valor instrumental. Clínica não pode ser aqui entendida apenas como uma metodologia psicoterápica aplicada, uma técnica de ajuda pessoal com base em sistemas filosóficos pressupostos, tais como a fenomenologia – ainda que isso também seja verdade. A atitude filosófico-clínica do cuidar do outro não é independente do saber cuidar do outro, pois a essência mesma do conhecimento ético é a própria vivência ética. O pensamento de Lúcio Packter, um filósofo da alteridade, é gravemente marcado pelo fato de ele receber seu impulso e direção mais dos problemas existenciais do sofrimento humano, colhidos em sua prática de atendimentos em hospitais e consultórios, do que das filosofias e dos pensadores. Na história do pensamento, segundo minha perspectiva, a filosofia clínica se afirma enquanto uma filosofia da ética, na qual a vida se confunde com a filosofia, e esta é constituída por um ato que parte do núcleo mais íntimo do filósofo clínico em direção àquele que o procura em busca de orientação existencial. Daí que filosofar clinicamente é amar


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A voz do mestre o ser do outro, não como singular. Todavia, Lúcio Pack- no em que se caminha. Nessa “ser-objeto” do saber, mas ter nos apresentou a tese e compreensão autenticamente enquanto “ser-ato” do co- o método de que é possível filosófica, o arcabouço lógico nhecimento, ser de alterida- uma filosofia transcenden- é o antepasso filosófico para de viva e latente. Sem a alte- tal da subjetividade capaz intuição do ser. Esse conheciridade dialética da práxis na de conhecer a psique, tocar mento do outro só se dá pelo clínica (na qual a teoria refaz e ser tocado por ela através salto intuitivo no trampolim a prática e esta reformula da experiência do singular. da razão. Ancorada no terreo pensamento) toda ciência De fato, o partilhante não é a no da ética, a filosofia clínica que elabore juízo ou teoria sua “estrutura de pensamen- esclarece que prejulgar um diagnóstica da psique huma- to”, o outro jamais poderá indivíduo singular com modena, apresentando verdades ser reproduzido e coisificado los epistemológicos gerais ou estabelecidas sem verifica- como objeto da teoria. Esta universais sem antes ouvi-lo ção singular, prejulgando a arquitetura analítica e for- com profundidade suficiente subjetividade concreta do mal da subjetividade huma- é um crime ético sobre o copartilhante, é conhecimento na, é simples molde abstrato ração da subjetividade. É, pois, estéril e vazio de significa- da organização racional, por antifilosófico. dos reais. O conhecimento é ser a clínica uma filosofia O chamamento filosófico relativo e toda objetividade é em estado re- à prática clínica, às vivências estabelecida por convenções afetivas da ética como formas histórica e politicamente dede apreensão da realidade se“O chamaterminadas. Nem por isso as riam mal compreendidas se mento filosófico à ciências da psique podem consideradas como experiprática clínica, às vivênser descartadas, são paências puramente psicológicias afetivas da ética como râmetros importantes cas. A filosofia clínica, por formas de apreensão da reade aproximação do real. sua profundidade e radicalidade seriam mal compreenGeneralizar os fenômelismo, requer do filósofo didas se consideradas como nos observados em foruma compreensão objetiva experiências puramente ma de lei científica, recodos conceitos vitais de reapsicológicas.” nhecendo neles padrões lidade que surgem e habitam lógicos ou estatísticos de em sua própria alma na relarepetição e previsibilidade ção de alteridade com o outro. consegue reunir em uma O filósofo, operando com a raclasse ou em um conceito f l e x i v o zão elevada à crítica dos seus um conjunto de indivíduos ou da vivência direta. A lógica, próprios limites cognitivos, grupos com características no processo do saber filo- constata e impõe a validade de comuns. Todavia, os mesmos sófico da alteridade, serve outra forma de compreensão princípios lógicos da pesqui- exclusivamente apenas, e da existência que não a raciosa científica alertam para importante, como um faci- nal, para que não trate a subo fato de que quanto maior litador cognitivo da intuição. jetividade da vida como puro for a extensão do campo A estrutura de pensamento objeto lógico de seus cálcude análise, menor será a é só um mapa de coordena- los, o que seria contraditório profundidade sobre os ele- das de localização existen- à verdadeira atitude filosófica mentos particulares. Desde cial da presença do outro da clínica. A humanidade já soAristóteles , a tradição con- em relação a mim. Não se freu holocaustos demais por serva o entendimento de que acha o tesouro confundin- haver se deixado guiar pelo não há ciência ou filosofia do do-se o mapa com o terre- reducionismo positivista e tec-

5 Livro IV da “Metafísica”.


A voz do mestre

20 nicista do mundo moderno. Brincando com os trocadilhos filosóficos, é lógico ser afetivo na compreensão das dores de quem nos pede ajuda e orientação de vida. Muito pessoalmente, concordo com o filósofo e teólogo brasileiro Leonardo Boff que a filosofia não nasceu do espanto, como pensaram os gregos – ao menos não foi este seu único berço, acredito –, mas do sofrimento da vida que, cheia de constrangimentos, desafios e fracassos, exige que raciocinemos para superar nossos limites. É desse esforço incomum que nasce a maturidade intelectual e espiritual do homem, sem vitimismos, com autonomia, assumindo a sua dor com uma coragem lúcida para a autocriação. Penso ser, ao menos para mim, uma consequência inevitável dos meus anos de experiência clínica: adotar a força da compaixão, de sentir e acompanhar os sofrimentos acumulados no partilhante, de modo não a se confundir com essa dor, mas sim de maneira a se comprometer sensível e eticamente com ele, com a mesma dedicação com que o filósofo também gostaria que lhe dedicassem, caso estivesse em sofrimento semelhante. A objetividade filosófica na aproximação íntima do outro efetiva a ética, atenua a solidão da dor não compreendida e desamparada, e anula os riscos da indiferença com a pseudoneutralidade. Lúcio, ora se apoiando nos recursos metodológicos da

hermenêutica e da fenomenologia existencial, ensina-nos que para desenvolvermos ouvidos filosóficos no momento da psicoterapia clínica, devemos por certo conhecer teorias e técnicas, porém antes cabe à ética do cuidado ser o guia afetuoso de aproximação do mundo subjetivo de cada um. Como o filósofo deveria adentrar nesse universo íntimo senão como um hóspede respeitoso, apenas convidado ao diálogo? Antes de uma escuta filosófica, afetuosa e investigadora, nada pode ser dito a priori sobre a subjetividade empírica de uma pessoa. Naturalmente, o filósofo carrega consigo uma herança de pré-juízos, opiniões e impressões pessoais à respeito de quem se lhe apresenta no consultório . Razão pela qual é preciso então suspender inicialmente o juízo acerca das ontologias metafísicas, das epistemologias filosóficas, psicológicas ou psiquiátricas, inclusive os próprios valores e convicções pessoais do terapeuta – o máximo possível – para que, diante do outro, face a face na presença viva do partilhante, seja possível ter domínio metodológico de validação do conhecimento a respeito dele. Nada fácil, e em casos extremos de conflito radical, de crises no âmago das próprias convicções, o filósofo clínico pode ser forçado, por influência dos conteúdos trazidos pelo partilhante, a uma revisão tão profunda de conceitos da realidade que seja forçado à deposição do seu próprio “eu”, do modo como até então se

reconhecia diante do mundo, e se ver obrigado a reorganizar sua própria estrutura de pensamento em novos patamares existenciais. Uma vez cumpridos os procedimentos clínicos filosóficos de forma adequada, possibilitando ao filósofo ouvir, acolher e orientar existencialmente o seu partilhante, deve ele então recomeçar toda a sua tarefa desde o princípio, uma vez em contato com um novo partilhante. Essa é a subjetividade da escuta clínico filosófica: tudo está submetido ao jeito de cada um. Como adverti no início das minhas considerações, é-me impossível dissertar com a clareza necessária todos os elementos básicos à compreensão do tema anunciado, sobre “como ouvimos em filosofia clínica”. Minha explanação percorreu genericamente tão só a menor parte do pensamento de Lúcio Packter, aqui apenas abordado sob o viés da intencionalidade da consciência do “eu” na escuta filosófica do “outro”. Todavia, sem perder jamais a noção e o contato vivo com a singularidade do partilhante em sua missão terapêutica, o filósofo clínico dedica-se ao cuidado ético e à investigação das estruturas sistêmicas do pensamento coletivo, conhecidas como “padrões autogênicos estruturais”. Ao fazer isso, torna-se possível ao filósofo dois grandes eixos metodológicos


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A voz do mestre diferentes, simultaneamente imbricados e complementares na prática clínica. De um lado, via intencionalidade, ser possível mergulhar na compreensão do partilhante, da sua visão de mundo singular, circunstanciada no enredo da sua vida. Metaforicamente, seria como quem aprende a conhecer o outro vendo o seu mundo com os olhos dele, de dentro para fora. Na outra abordagem, o reconhecimento do partilhante e o cuidado que se lhe deve, são resultados, efeitos dos vínculos de alimentação, de construção da sua própria identidade segundo as

vizinhanças existenciais. Vínculos intencionais de conversação estabelecidas entre ele e os padrões da estrutura de pensamento coletivo na qual ele está localizado e em movimentação. Ainda valendo-me de metáforas, de um lado o filósofo clínico perguntar-se-ia, na ótica de Maomé, “como ele iria à montanha se se dispusesse à caminhada?”. Então o filósofo ouviria a sua visão de mundo. De outro, o filósofo clínico, dialogando com Maomé, já compreendendo a sua estrutura de pensamento, com ele se perguntaria: “o que a montanha teria a dizer para ele caso ela pudesse andar e vir até o seu

coração?”. Então o filósofo ouviria, pela tradução intuitiva de Maomé, o que a realidade e as estruturas do mundo teriam a lhe dizer. Sem que o próprio Lúcio conseguisse explorar todas as consequências da sua filosofia clínica, tarefa dos que virão, o seu pensamento trouxe para o nosso tempo o mesmo que a navegação marítima foi ao homem renascentista: uma experiência vital, necessária e corajosa, assumida no coração dos marinheiros, para expandir o mundo. Eu, de minha parte, sou apenas um marinheiro.

REFERÊNCIAS: ___. Evangelho segundo Mateus. In Bíblia de Estudo Genebra, Editora Cultura Cristã e Sociedade Bíblica do Brasil, São Paulo e Barueri, 1999. ARISTÓTELES. Metafísica. Tradução Valentín García Yebra. Madrid: Gredos, 1998. BOFF, L. O Cuidado Necessário: na vida, na saúde, na educação, na ecologia, na ética e na espiritualidade. Petrópolis, RJ: Vozes, 2012. ___.<https://www.youtube.com/watch?v=9hR0-0VGrIU>. Acesso em 10/10/2014. CARVALHO, J. M. de. Diálogos em Filosofia Clínica. São Paulo: FiloCzar, 2013. ___. Estudos de Filosofia Clínica. Curitiba: Ibpex, 2008. ___. Filosofia clínica, estudos de fundamentação. v. 1. São João del-Rei: Ed. da UFSJ, 2005. ___. Filosofia clínica e humanismo. Aparecida, SP: Ideias & Letras, 2012. GADAMER, H.-G. Verdade e Método. Traços fundamentais de uma hermenêutica filosófica. Tradução de Flávio Paulo Meurer. Petrópolis, RJ: Vozes, 1997. GOYA, W. A Escuta e o Silêncio: lições do diálogo na filosofia clínica = Listening and silence: lessons from dialog in clinical philosophy. Tradução de Clare Charity. 2ª. ed. – Goiânia: Ed. da PUC Goiás, 2010. PACKTER, L. Ana e o Dr. Finkelstein. Rio de Janeiro: Wak Editora, 2006. ___. Armadilhas Conceituais. Florianópolis: Garapuvu, 2003. ___. Buscas: caminhos existenciais. Florianópolis: Garapuvu, 2004. ___. Cadernos: especialização em filosofia clínica (de A até R). Porto Alegre: Instituto Packter, [(s.d.)]. [Notebooks, (undated)]. ___. Filosofia clínica: propedêutica. 3. ed. Florianópolis: Garapuvu, 2001. ___. Passeando pela vida: lições de filosofia. Florianópolis: Garapuvu, 1999. ___. Sinais. São Paulo: All Print Editora, 2005. PESSOA, F. Obra poética. 3. ed. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2005.

Will Goya Filósofo clínico


Momento literário

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Ao céu faço um pedido... Por: Carla Hagemann Ao céu faço um pedido... Que seja do Amor Maior essa centelha de luz que trazemos no peito, Que não existam redomas de pratas nem cristais que a possam ofuscar. E, se adormecer em cinzas, o sopro de alguma saudade bendita a faça revigorar. Peço ainda ao céu que não canse de a terra encantar, Que as telas não brilhem mais que seu luar. Que as estrelas e as nuvens sejam sempre um bom lugar para ser, também estar. Que o sol continue a aquecer a

alma daqueles que, essa chama, teimam em apagar. Para os anjos, com carinho, peço as brisas do inefável balançar de suas asas. Que soprem sobre todos nós, centelhas divinas A luz da graça, a fraternidade da vida, a beleza da gratidão! Divina e eterna poesia de Deus que nos ensina a brilhar... de pessoas tão comprometidas como as que conseguiram mantê-lo em circulação até a sua sexta edição, e que ele continue contribuindo para a formação dos alunos da graduação do IPOG.

Um sonho realizado Por: Lia Andrade Há sempre um certo esforço por trás de uma conquista. A palavra fim nem sempre é bem vista, Já passei por muitos “fins” em minha vida. Aprendi que nem todos me fizeram chorar, por muitos “fins” eu sorri e sou agradecida! Louvo pelos quatro anos em que permaneci Em sala de aula, o cantinho da sabedoria, onde muito aprendi! Hoje, chegou mais um fim, mas por este não há como somente sorrir ou somente chorar, fiz os dois ao mesmo tempo, pra variar!

Me graduei! Um sonho realizado! Levarei comigo a lembrança dos amigos de sala de aula e todos os momentos em que estivemos lado a lado. Que bênção! Dos queridos professores, carregarei comigo todo o conhecimento compartilhado. Este é mais um final feliz! O que eu quis! Porém, eu sei que também representa um novo começo, uma nova etapa... Espero para o amanhã que esta conquista me proporcione também outra nova jornada.


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Contributions

Learning English can change your life By: Laura Rosa It is known that English is the dominant business language, so it is necessary for people if they want to work in a big company. Learning English can change your life. It demands time and effort, but the result is gratifying and can create opportunities for both your personal and professional life. The top books and films are published in English, most of the content produced on the internet is also in English as well as the world business communication. So, how about changing your life now?

A little about me By: Junior Arruda

My name is Junior Arruda and I’m forty years old. I’m Brazilian. I’m a receptionist at a hospital. I’m single and I live in a small flat in the centre of the city. I’ve got two brothers and two sisters. My sister, Maricélia, doesn’t live in Goiânia. I live in Aparecida. It’s near Goiânia. It’s a big city and the people are friendly. I like going to restaurant in my city. I love past and fish, but I don’t eat a lot of red meat.

Parabenizo o IPOG pela iniciativa de conceder ao corpo discente a disciplina de inglês. Durante o tempo que cursei, percebi a importância da língua inglesa para minha formação profissional. Finalizo o curso de graduação neste período (2014/2) e agradeço à minha ‘top teacher’ Alessandra por tudo que aprendi, o que, com certeza, será fundamental para o meu futuro bilíngue.


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Julho ROBSON MONTEIRO GONCALVES 05/07 ALEX DIONIZIO CHAGAS 14/07 CAMILA CARVALHO RAMOS SILVA 14/07 ROSYEID NUNES GODOI 17/07 ERIKA FERREIRA LOPES 28/07 ARTHUR DIAS DUARTE 29/07 CÁRBIO WAQUED 05/07 LÚCIA ABRANTES 05/07 RICARDO KRATZ 10/07 LEANDRO SOMMA 30/07 Agosto LUDMILA KARLA RIBEIRO 05/08 RAPHAEL ARRUDA TEIXEIRA GOMIDES 17/08 VALDAIR JOSÉ DOS SANTOS 17/08 ERIVALDO ALVES DE SOUZA 27/08 MARCELO LADVOCAT 06/08 ELISEU VIEIRA MACHADO 08/08 MARCOS ANTONIO CARVALHO 20/08 Setembro GLEIDSON SANTOS DA COSTA 04/09 GABRIELA MORAIS PORTILHO 06/09 RAFAEL DE LIMA CASTRO 06/09 ROSANGELA GOMES PEREIRA 13/09 ISABEL CRISTINA SANTOS 18/09 ALEXANDRE INÁCIO MAGALHÃES 19/09 JOÃO PEDRO VIEIRA ZAIDEN 24/09 LUDMILLA MOTTA MENDONÇA 25/09 RODRIGO AZEVEDO ALVES 26/09

Aniversariantes


Aniversariantes

25 WALTER DE PAULA 25/09 ANDRÉ COSTA 26/09 MARLOS JOSÉ 26/09 Outubro WAGNER ELEUTERIO MARTINS 04/10 FERNANDO CRISPIM 06/10 MARIA APARECIDA DE ANDRADE SILVA 06/10 GABRIEL RODRIGO SEGATI DE ANDRADE 09/10 CAROLINA ALVES PEREIRA 15/10 FABIO PEREIRA MAIA 20/10 SARAH GOMES FILIPPSEN 22/10 CAMILA FARIA ASSIS 27/10 MARCELO CURADO DIAS 28/10 MARCELO CURADO DIAS 28/10 LUCIANA DRUMOND PIRES 29/10 JENNIFER BARDUSCO 30/10 CRISTIANE VIEIRA DIAS 31/10

CAMILA NEVES RODRIGUES SILVANA BRITO ARRAIS

01/10 16/10

Novembro RODRIGO DE MORAIS RUIVO TULIO NETO SOARES DE OLIVEIRA CAROLINA BRASILIENSE VILELA FERNANDO RAMOS PARREIRA MARCOS CASCAO GODINHO HUGO FERNANDES DA SILVA MONIQUE ALESSANDRA DE OLIVEIRA

04/11 07/11 15/11 17/11 20/11 21/11 28/11

CYNDIA LAURA BRESSAN 01/11 CÁSSIA GUIMARÃES 07/11 CARLOS MACEDO 16/11 WANESSA PAZINI 25/11 Dezembro TONY ROBERTO SILVA ANNA CAROLINA DE OLIVEIRA RESENDE RAYANY CRISTINA GOMES DA SILVA ANDRE LUIZ MATEUS BRUNA MARCELA GUIMARAES CARDOSO

04/12 05/12 06/12 13/12 24/12