Page 1

  A Mente   e suas Funções       

Introdução a Epistemologia e Psicologia Budista           

Material de estudo    


Sumário             Tradução do Livro a Mente e Suas Funções      Estudo Comparativo dos livros sobre a Mente      Caderno de Meditação e Estudo       

5

133

159

     

3


A Mente  e suas Funções      Geshe Rabten    Traduzido e editado   por Stephen Batchelor     

                                      Editions Rabten Choeling   


Índice     Prefácio      Prefácio do Autor    Prefácio do Tradutor  Introdução         

     

     

     

     

     

     

   8      9      10      11 

Parte Um   

Um Modelo Epistemológico da Mente      Capítulo Um   Capítulo Dois  Capítulo Três  Capítulo Quatro  Capítulo Cinco     

Sujeitos     Percepção e Concepção  Mente Válida    Mente Não Válida    Objetos     

       

       

       

17 25  37  50  61 

Parte Dois   

Um Modelo de Mente Psicológica    Capítulo Seis   Capítulo Sete 

Mentes Primárias e Fatores Mentais    Fatores mentais onipresentes,   determinadores de objeto e  variáveis   Os Fatores Mentais Virtuosos      Os Fatores mentais Não Virtuosos   

Capítulo Oito  Capítulo Nove       Glossário dos Termos    Glossário das Definições    Bibliografia         

   

   

   

   

   

68 75  85  95 

111 121  131 

6


Prefácio     Preenchido  de  contentamento  por  ter  encontrado  a  reencarnação  do  nosso  venerável  mestre  Geshe  Rabten  Rinpoche,  é  particularmente  oportuno,  eu  sinto,  apresentar ao leitor deste livro iluminado originado de seus ensinamentos.  Ele contem os pontos essenciais da psicologia Budista; explanado de modo claro e  compreensivo,  característico  do  Geshe.  Com  esta  precisa  e  habilidosa  análise  da  mente  e  de  suas  funções,  Geshe  nos  prove  com  uma  pura  sabedoria  ancestral  com  a  qual  todos  podem  se  beneficiar.  Este  livro  é  como  um  espelho  precioso  no  qual,  claramente,  reflete  nossa composição mental com todas as suas qualidades e faltas. Qualquer pessoa aberta a  estes  ensinamentos  pode  se  beneficiar  imensamente  deles,  aprender  os  segredos  escondidos nas suas mentes, e produzir uma transformação interna válida.   Somente deste modo uma transformação pode o verdadeiro propósito da vida de  alguém,  assim como para todos os outros, ser atingido.      Com as bênçãos do Geshe Rinpoche.        Gonsar Tulku  Diretor Espiritual do Rabten Choeling  Suíça, Dezembro 1991 

      CH‐1801 Le Mont‐Peçerin/Suíça. 


Prefácio do Autor      Homenagem ao Glorioso Conquistador Shakyamuni,  o insuperável professor, um Buda completo e perfeito.  Com  sua grande compaixão, por favor ajude,  tome conta de a  mim e  de  todos  seres sencientes.      Através da análise devemos constatar que, por muitas razões sólidas, a raiz de todo  o prazer e dor dentro do samsara e  do Nirvana é a mente. A própria mente tem muitos  aspectos  positivos  e  negativos.  Na  dependência  da  mudança  e  do  movimento  destes  aspectos, prazeres superficiais e duradouros e a dor são produzidos como ondulações de  água,  uma  sucedendo  a  outra.  Primeiramente,  precisamos  compreender  exatamente  que  tipo  de  natureza  a  mente  tem.  Então,  devemos,  precisamente,  aprender  como  diferentes  elementos  mentais,  positivos  e  negativos,  surgem  dela  e  como  eles  condicionam  a  qualidade das nossas ações de mente, de fala e de corpo.  Se fizermos um estudo, é certo  que  devemos  atingir  uma  inequívoca  capacidade  de  estabelecer  felicidade  e  dispersar  o  sofrimento.  Portanto,  existem  razões  definitivas  para  ler  este  livro,  no  qual,  uma  apresentação clara e precisa da mente é empreendida.          Geshe Rabten  Tharpa Choeling 1978   

9


Prefácio do Tradutor      O  propósito  deste  texto  A  mente  e  suas  Funções  é  apresentar  um  quadro  geral  da  concepção  da  mente  no  Budismo  Mahayana.  O  trabalho  está  divido  em  duas  partes.  A  Parte Um apresenta, fundamentalmente, um modelo epistemológico da mente baseado na  literatura Pramana.1. Na Parte Dois, é dada ênfase ao modelo psicológico da mente como  apresentado na literatura Abhidharma 2.   Mais especificamente, o material original da primeira parte do livro é um conjunto  de três fitas que Geshe Rabten gravou pessoalmente em 1976 em Rikon, Suíça. Além deste  material,  foi  adicionado  os  ensinamentos  orais  do  Ven.  Geshe  sobre    a  obra  de  Purchog  Yondzin  Jhampla  Rinpoche  (Yul.can.dang.blo.rigs.kyi.rnam.par.bshad.pa)  e  da  obra  de  Akya  Yondzin  (Blo.rigs.kyi.sdom.tshig.blang.dor.gsal.bai.me.long)  no  período  de  1976  a  1977,  também  em  Rikon.  Os  conteúdos  da  Parte  Dois  são  baseados,  principalmente,  na  apresentação das mentes primárias e fatores mentais encontrados na obra de Ven. Losang  Gyatso (Rigs.lam.che.ba.blo.rigs.kyi.rnam.gzhag.mye.mkho.kun.btus). Em adição, anotações dos  ensinamentos  orais  do  Geshe  Rabten  em  Zollikon,  Zurique,  em  julho  de  1976,  foram  incorporados dentro do texto.  A tradução e a edição do material original foram conduzidas sob direção do Geshe  Rabten com a ajuda das discussões e dos debates entre os estudantes, monges e leigos, que  vivem  em  torno  do  Geshe  em  Rikon  e  que,  no  presente  momento  este  lugar  se  chama  Tharpa  Choeling  .  Especial  reconhecimento  a  Alan  Wallace  pela  suas  sugestões  úteis  na  apresentação do manuscrito.    Stephen Batchelor  Tharpa Choeling 1978 

     

1

O corpo da literatura referida aqui é os Sete Tratados da Mente Válida de Dharmakirt (Tshad.ma.sde.bdun) e especificamente seu Comentário para uma Mente Válida 2 Existem dois conjuntos da Literatura Abhidharma, o conjunto menor baseado no Treasury of Abhidharma de Vasabhandu e o conjunto maior baseado no Compendium of Abhidharma de Asanga. Aqui estamos seguindo a apresentação da mente como encontrado no Compendium of Abhidharma.

10


Introdução       O papel chave da Mente no Budismo    Para  ilustrar  a  posição  central  da  mente  no  Budismo,  uma  das  mais  conhecidas  escrituras Budistas , o Dhammapada,  abre com o seguinte verso.      “Mente é o precursor de (todas más) condições.  Mente é o comandante; e elas são mentes produzidas. Se, com uma  Mente impura, alguém fala ou age, então dor segue alguém exatamente   como uma roda, (segue) o casco do boi.  Mente é o precursor de (todas as boas) condições.  Mente é comandante; e elas são mentes produzidas. Se, com uma  mente pura, alguém fala ou age, então felicidade segue alguém  exatamente como a sombra que jamais se retira.” 3

  Nestas  linhas,  está  claro  que  a  existência  e  a  experiência  no  Budismo  não  são  consideradas  nem  como  eventos  intencionalmente  criados  por  um  deus  nem  como  acontecimentos ocasionais em um universo caótico, mas são resultados de ações mentais,  de  fala  e  físicas  de  seres  individuais  dentro  da  existência.  A  mente  não  é  um  fenômeno  estático,  mas  um  contínuo  dinâmico  dentro  de  cada  indivíduo  que  forma  atividades  dentro  dele  mesmo  e  desencadeia,  mais  adiante,  atividade  através  da  fala  e  do  corpo.  Quando a mente é influenciada por fatores nocivos, ela age de tal maneira que tendências  prejudiciais  e  impressões  são  deixadas  no  seu  contínuo,  as  quais,  mais  tarde,  inevitavelmente,  amadurecerão  como  sofrimento  e  infelicidade.  .  Se  ela  age  de  forma  benéfica  e  positiva,  então  as  tendências  deixadas  são  igualmente  positivas  e,  subseqüentemente,  provocam  formas  prazerosas  de  existência.  Além  do  mais,  criando 

3

Dhammanpada, I, 1-2. Os mesmos versos são encontrados também no Cânone tibetano e são mencionados na introdução para Losang Gyatso (Rigs.lam.che.ba.blo.rigs.kyi.rnam.gzhag.mye.mkho.kun.btus)

11


uma experiência  particular  dentro  de  cada  vida,  a  mente  é  responsável,  também,  por  determinar a forma e o estado da sua própria existência.  Cada  estado  de  nascimento,  humano,  animal,  divino  ou  de  outra  maneira,  é  provocado  pelas  tendências  predominantes  e  impressões  que  se  manifestam  na  hora  da  morte  na  existência  prévia  de  alguém.  Conseqüentemente,  não  existe  uma  forma  de  existência que  não é, no final das contas, originada na mente e nas suas atividades.  A  mente  não  tem  início,  e  a  sua  continuidade    não  tem  fim.  fim.  O  contínuo  da  consciência manifesta em nós, agora, tem uma história que se estende ao passado, o qual  não  possui  um  ponto  único  a  ser  identificado  como  seu  primeiro  momento.  Do  mesmo  modo,  ela  continuará,  indefinidamente  no  futuro,  até  que,  através  da prática  e  esforço,  é  transformada  na  mente  de  um  Buda.  Desde  um  tempo  sem  início,  até  o  presente,  nossa  mente  e  suas  atividades  têm  ,  continuamente,  produzido  estados  de  existência  de  descontentamento,  mantendo‐nos  presos  no  ciclo  de  nascimento  e  de  morte.  Mas  agora  que encontramos um nascimento humano completamente dotado, temos a oportunidade  de mudar a direção da nossa existência de sofrimento e de escravidão para uma existência  de  felicidade  e  de  liberação.  Este  processo  de  transformação  é  fundamentalmente  de  transformação da consciência, envolvendo a erradicação das qualidades mentais negativas  e o cultivo das qualidades positivas e benéficas. Este mesmo processo, pelo qual a mente  desenvolve  as  qualidades  de  cognição  válida,  tanto  quanto  as  virtudes  morais,  é  o  caminho por meio do qual todas as várias metas espirituais são alcançadas. Tais metas são  os  estados  mais  elevados  de  existência  dentro  do  samsara,  a  completa  liberação  do  samsara, i.e. Nirvana, e finalmente a Budeidade, o estado no qual o benefício último, para  nós mesmos e  para os outros, é alcançado.   

A Base  Filosófica    Dentro  do  Budismo  existem  quatro  principais  tendências  de  pensamento  filosóficos representadas pelas escolas Hinayana dos Vibasikas e dos Sautrantikas,  e  pelas  escolas  Mahayana  dos  Cittamatrins  e  dos    Madhyamikas.  Esta  obra,  em  particular  o  conteúdo  dos  primeiros  cinco  capítulos,  é  baseada  na  filosofia  Sautrantika. Embora as tradições do Budismo no Tibete sejam consideradas como  uma  prática  Mahayana,    esta  filosofia,  clara  e  relativamente  simples,  da  escola  Hinayana  Sautrantikas,  é  usada  no  contexto  dentro  do  qual  as  estruturas  fundamentais da lógica e da epistemologia são inicialmente formuladas. É dito que  as  quatro  escolas  da  filosofia  Budista  não  são  sistemas  independentes  com  pouca  ou  nenhuma  relação  uma  com  a  outra;  mas  são  para  ser  entendidas  como  um  desenvolvimento  progressivo  de  insights,  o  qual  é  como  passos  numa  escada  na  direção  daquela  que  é  o  ápice  do  pensamento  Budista,  a  visão  Madhyamika‐ Prasangika.  Por  essa  razão,  ter  um  quadro  claro  da  posição  Sautrantika  funciona  como  uma  boa  base  na  qual  move‐se  para  a  mais  complexa,  intricada  e  desenvolvida  das  escolas  Mahayanas.  Em  particular,  a  tradição  Sautrantika  seguida  aqui  é  aquela  elucidada  por  Dharmakirt  no  seu  sete  tratados  da  Mente  12


Válida, e  mais  especificamente  no  seu  Comentário  para  a  Mente  Válida  (Pramanavarartikka).   A  Sautrantika  é  definida  como  uma  proposição  Hinayana  da  doutrina  filosófica  que  afirma  a  verdadeira  existência  de  ambos,  objetos  externos  e  a  apercepção.  Em  comparação  com  a  Cittamatrins,  que  afirma  que  a  mente  e  seus  objetos são da mesma substância, elas são Realistas, já que afirmam que fenômenos  externos  existem  verdadeiramente  e  são  as  causas,  na  dependência  das  quais  a  consciência  é  produzida.    Mas,  diferentemente,  a  escola  Vaibasika  atribui  uma  realidade  substancial  para  todos  os  fenômenos,  seu  realismo    é  temperado  pela  divisão  dos  fenômenos  em  entidades  concretas  e  abstratas.  Fenômenos  Concretos*  são  aqueles  que,  pela  virtude  das  suas  próprias  características,  existem  independentemente  de  qualquer  imputação  de  palavras  e  concepções.  Eles  são  impermanentes,  entidades  momentâneas  que  mantém  sua  própria  continuidade  causal,  surgida  de  causas  e  condições  e  produzindo  seus  próprios  efeitos.  Todas  entidades  material  e  mental,  tanto  quanto  certos  fenômenos  condicionados,  tais  como a pessoa, tempo, vida, etc., que não integram  nenhuma destas categorias são  considerados  fenômenos  concretos.  Fenômenos  Abstratos*    por  outro  lado,  são  não  momentâneos,  entidades  permanentes  que  são  imputadas  por  palavras  e  concepções.  Eles  são    elementos  não  concretos  que  designamos  para  o  mundo  concreto. Um exemplo seria  o espaço incondicionado, i.e., a mera falta de contato  obstrutivo.  Esta  existência  –  permite  o  deslocamento  e  o  movimento  de  formas  –  mas  não  exclusivamente  pela  suas  próprias  características.  Sua  existência  é  estabelecida através de uma concepção, um julgamento subjetivo sobre o mundo,  não  através  de  uma  apresentação  dele  próprio  para  a  cognição  imediata  da  percepção.  É desta distinção que a escola Sautrantika estabelece sua posição em relação  às  verdades  última  e  convencional.  Fenômenos  concretos  são  considerados  como  verdades  últimas  enquanto  que  fenômenos  abstratos  são  considerados  como  verdades convencionais. Um fenômeno concreto é uma verdade última porque ele  é verdadeiro para uma percepção válida – em última análise o constituinte válido  da  mente.  Um  fenômeno  abstrato  é  uma  verdade  convencional  porque  ele  é  verdadeiro  por  concepção  –  o  constituinte  da  mente  convencional  ou  deludido.  Deste  modo,  a  função  da  cognição  em  definir  as  categorias  da  existência  tanto  quanto a existência dela própria é de importância primaria no sistema Sautrantika.   É  dito  que  um  objeto  existe  se  ele  é  certificado  por  uma  mente  válida,  é  dito  ser  concreto  e  último  se  ele  aparece  para  uma  percepção  válida;  e  é  considerado  abstrato  e  convencional  se  ele  é  estabelecido  através  de  uma  concepção.  Para  ganhar  alguma  compreensão  deste  ponto  de  vista  filosófico  é,  por  essa  razão, 

13


essencial desenvolver  uma  compreensão  clara    das  suas  asserções  a  respeito  da  mente.4 Portanto, na seqüência do texto, a natureza da mente, suas categorias e suas  funções serão explanadas, provendo uma base necessária para avançar no estudo  com  relação  ao  seu    desenvolvimento  e  transformação  através  da  prática  do  Darma.  Visto  que  a  mente  é  o  fenômeno  com  o  qual  estamos  fundamentalmente  envolvidos na prática do Budismo, é importante obter uma compreensão clara da  sua  estrutura  e  composição.  Auspiciosamente,  este  livro  nos  ajudará  em  adquirir  tal compreensão. 

4

Para uma discussão mais detalhada dos princípios da escola Sautrantikas veja Practice and Theory of Tibetan Buddhism, p. 92 seq.

14


Parte Um 

  Um Modelo Epistemológico da Mente   

15


Conteúdos do Capítulo Um        I    II    III           

MENTE

13

PESSOAS

15

     

     

     

     

17 17  18  19 

SONS ARTICULADOS  A. Termos      B. Frases      C. Letras     

16


Capítulo Um   

Sujeitos       Sujeito e objeto são entidades mutuamente dependentes; não podemos considerar  um  sem  referir‐se  ao  outro.  Devido  a  esta  natureza  dependente,  um  sujeito*  (lit.:  objeto‐ possuidor)  é  definido  como  uma  entidade  efetiva  dotada  com  seu  próprio  objeto  de  qualquer  tipo.  Mas,  embora  sujeito  e  objeto  serem  mutuamente  dependentes,  isto  não  significa que eles sejam, mutuamente, entidades exclusivas. Todos os sujeitos, em virtude  deles serem fenômenos existentes, são necessariamente objetos de outro sujeito. Além do  que, o Budismo atribui características subjetivas para uma entidade material tanto quanto  para uma entidade não material. Um sujeito material é um som articulado. Desta maneira  um som, seja ele um termo ou uma frase,  é subjetivo no sentido dele denotar um objeto  particular, designar sujeitos não materiais, tais como cognições e pessoas, são subjetivos na  sua apreensão de um objeto através das faculdades mentais.    Devemos agora proceder uma explicação mais detalhada sobre qual o  significado  de  mente,  pessoa  e  um  som  articulado.  Neste  capítulo  devemos  considerar  as  características gerais de todos os três e no resto do trabalho daremos especial atenção para  o fenômeno da mente.      I  MENTE    Todos  os  estados  da  mente,  seja  ele  intelectual,  tal  como  discriminação  e  reconhecimento,  ou  emocional,  tal  como  um  desejo  e  aversão,  são  necessariamente  sujeitos;  eles  não  podem  existir  sem  apreender  um  objeto  particular.  A  definição  das  características  da  mente*  são  claridade  e  cognição.  Aqui  claridade  refere‐se  a  não  materialidade, como espaço  natural da consciência, i.e. completamente destituída de cor,  forma ou dimensão material. Mas apesar da ausência destas características físicas, ela não  é  meramente  uma  entidade  abstrata  como  o  espaço,  por  exemplo.  Diferentemente  do  espaço  ela  carrega  a  característica  definida  de  cognição.  Cognição  é  a  faculdade  de  apreensão da consciência que funciona ao ver formas e ouvir sons, tanto quanto em todos 

17


os tipos  de  reflexão,  inferência  e  compreensão. Apesar  da  sua  natureza  sutil,  cognição  é,  todavia, um fenômeno substancial momentâneo que mantem seu próprio contínuo causal.   É  muito  difícil  reconhecer  esta  natureza  da  mente  e,  conseqüentemente,  muitas  teorias  conflitantes  têm  surgido  sobre  o  que  a  mente  é.  É  muito  comum  identificar,  nos  dias  de  hoje,  o  cérebro  com  a  mente  .  Parece  natural  fazer  esta  suposição  visto  que  facilmente  observamos  sensações  e  atividades  na  região  do  cérebro  quando  estamos  absortos  em  pensamentos  e  cogitações.  Do  mesmo  modo  os  órgãos  do  sentido  da  visão,  audição,  olfato  e  paladar  estão  localizados  na  cabeça  e  parecem  funcionar  intimamente  com o cérebro, relatando imediatamente suas impressões sensoriais para ele. Além disso,  existe  muita  pesquisa  sendo  feita  no  presente  momento  para  correlacionar  estados  de  consciência  com  várias  funções  neurológicas  .  De  fato,  é  uma  verdade  que  uma  grande  parte das atividades relatadas para a consciência ocorrem no cérebro, mas isto não prova  que o cérebro é equivalente à consciência. Dentro do corpo existe uma vasta rede de canais  de  energia  que  convergem  em  certos  pontos  e  um  dos  pontos  mais  importantes  destas  junções  está  situado  no  cérebro.  Através  destes  canais  fluem  muitas  energias  rápidas  e   sutis  nas  quais  a  mente  cavalga  e  é  suportada.  Visto  que  a  mente  tem  uma  íntima  dependência  com  estas  energias,  toda  vez  que  acontece  alguma  atividade  mental    um  movimento fisiológico correspondente ocorre dentro do canal de energia e dos seus pontos  de junção. É por esta razão, que reações no cérebro são detectadas em relação às atividades  mentais.    Por  essa  razão,  embora  este  indicativo  que  a  mente  é  capaz  de  causar  um  movimento  de  energia  que  freqüentemente  leva  a  lugares  no  cérebro,  esta  não  é  uma  indicação real que o cérebro  é a mente.  Do  mesmo  modo,  podemos  considerar  que  as  forças  vitais  contidas  dentro  dos  elementos do corpo são a mente. Apesar destas forças serem a base para todas as funções  internas  do  organismo  físico  e  serem  capazes  de  causar‐nos  prazer  e  dor,  eles  não  são,  todavia,  a  mente.  Através  dos  seus  movimentos  e  interações  elas  produzem  várias  sensações  no  corpo  que  imediatamente  fazem  surgir  atividade  mental,  mas  elas  não  devem ser confundidas com as próprias atividades mentais.  Similarmente, algumas pessoas sentem que os órgãos sensoriais são a mente. Este  ponto  de  vista  surge  porque  se  assume  que    os  olhos  vêem  formas,  os  ouvidos  escutam  sons e assim por diante; mas de fato estes órgãos sensoriais são somente a base na qual a  mente depende a fim de perceber os objetos externos. É necessário, por essa razão, fazer  uma cuidadosa distinção entre o que a mente depende para sua atividade, i.e o cérebro, as  energias, os órgãos sensoriais, e o não material  estado de lucidez da própria cognição.  De qualquer modo, muitas pessoas no mundo  hoje identificam a mente com algo  físico dentro do corpo e por meio disso consideram seu tempo de vida igual ao do corpo.  Apesar da falta de uma base de raciocínio convincente à estas suposições, todavia, elas são  facilmente  difundidas  para  outros  e  por  meio  disso  a  convicção  em  vidas  passadas  e  futuras  é  prontamente  rejeitada.  Esta  é  a  concepção  errônea  mais  inauspiciosa    devido  a  sua atitude hedonista e materialista que são freqüentemente adotadas, pois os problemas  de  alguém  se  tornam    limitados  à  curta  duração  desta  única  vida.  Não  são  feitas  preparações  para  assegurar  felicidade  em  alguma  existência  futura  e,  conseqüentemente,  por  causa  destas  atitudes  errôneas  para  com  a  vida,  experienciará  muitas  dificuldades  e 

18


pesar na  hora  morte  tanto  quanto  nas  vidas  futuras.  A  Raiz  de  todas  estas  concepções  errôneas e problemas pode, por essa razão, ser delineada pela falsa apreensão da natureza  da  mente.  Mas,  se  de  outro  modo,  identificarmos  corretamente  esta  natureza,  então  será  vantajoso  para  este  momento  e  para  o  futuro.  Por  ele  ser  na  dependência  do  reconhecimento  verdadeiro  da    natureza  da  consciência,  esse  raciocínio  comprovando  a  existência de vidas passadas e futuras pode ser estabelecido. Daqui mais adiante a análise  lógica provará para nós que houve uma sucessão sem início de nascimentos prévios e que  este processo continuará, ininterruptamente, até que um esforço seja feito para afetar seu  curso. Conseqüentemente, com tal compreensão, a maneira pela qual nós, presentemente,  concebemos  a  nossa  auto‐existência  e  o  nosso  estado  de  existência  será  drasticamente  alterado e uma nova e mais expansiva visão da vida se tornará acessível para nós.   Além  disso,  por  ser  meramente  um  estado  de  claridade  e  cognição,  o  mental  contínuo  é  constantemente  alternado  entre  estados  de  prazer,  dor  e  indiferença.  Esta  é  a  completa  evidência  da nossa  própria  experiência,  visto  que  passamos   o  curso  inteiro  de  nossas  vidas  tentando  manter  um  sentimento  de  felicidade  e  tentando  eliminar  sentimentos de infelicidade. Quando estamos felizes, basta ouvir algumas poucas palavras  infelizes  para  mudar  nosso  estado de  mente  para  um  de  sofrimento  e,  do  mesmo modo,  estes  sentimentos  de  sofrimento  podem  também  ser  aliviados  por  coisas  como  encontrar  um  amigo  ou  por  recordar  um  momento  prazeroso  passado.  Porém,  enquanto  continuarmos acumulando tendências nocivas na mente por pensar e agir de maneira auto  destrutiva e prejudicial para outros, nesta e nas vidas futuras a mente permanecerá numa  condição  predominantemente  pesarosa.  Reciprocamente,  se  a  mente  é  bem  familiarizada  com  o  Darma  e  seguimos  um  modo  de  vida  saudável,  então  sentimentos  de  contentamento  e  bem  estar  predominarão  e  enfim  deveremos    ser  levados  a  um  desenvolvimento espiritual maior.  Por essa razão, a mente tem um grande potencial, visto que na dependência do seu  desenvolvimento  e  de  certas  condições  nosso  estado  de  existência  é,  por  meio  disto,   determinado.      II   PESSOAS    Aqui,  o  termo  pessoa,  não  se  refere  meramente  a  uma  existência  humana  mas  a  muitas  formas  de  existência  individual:  humano,  animal,  seres  divinos.  Em  um  sentido  geral, é assumido que reconhecemos uma pessoa ou uma existência individual, visto que,  em  nossas  vidas,  constantemente  nos  referimos  a  nós  próprios  e  outras  formas  de  existência  de  vida  animada  como  tendo  uma  certa  auto‐identidade.  Especialmente  com  referência  a  nós  próprios,  temos  sempre  consciência  de  um  senso  dominante  de  “eu”  e  “meu”,  e  não  necessitamos  de  um  insight  especial    afim  de  que  sejamos  hábeis  para  discernir  sua  existência.  Mas,  devemos  considerar  seriamente  a  matéria  e  começar  a  analisar a natureza deste fenômeno, devemos encontrar, particularmente, dificuldade para  definir exatamente o que queremos dizer por “eu”, a pessoa. 

19


Por exemplo,  quando  vem  um  grupo  com  uma  vaca,  um  cavalo  e  um  homem  subtraímos  a  vaca  e  o  cavalo,  o  homem  será  claramente  identificado  como  o  objeto  remanescente. Mas, diferentemente deste exemplo, não devemos encontrar um resíduo da  subtração do corpo e da mente de um grupo de corpos, mentes e pessoas. Uma possível  reação  para  esta  redução  pode  ser    para  contestar  que  a  pessoa  não  existe  sob  qualquer  condição,  mas  isto  é  claramente  insustentável.  Apesar  da  pessoa  não  poder  existir  como  uma  entidade  isolada  como  tal,  ela,  todavia,  existe,  de  outro  modo  não  existiria  alguém  lendo  estas  palavras,  ou  alguém  para  falar,    para  trabalhar,  para  sentir  ou  para  viver.  Então,  alguém  pode  perguntar:  a  pessoa  é  considerada  existente?  A  pessoa*    ou  a  personalidade  é  simplesmente  o  “eu”  imputado  sobre  qualquer  dos  cinco  agregados  psicológicos.5  Ela  é  um  fenômeno  transitório  que  não  é  incluído  em  nenhuma  das  categorias  de  mente  nem  matéria  (sentido  físico  ou  conteúdo?).  Sua  existência,  por  essa  razão, é estabelecida através do relacionamento  interdependente entre a mente imputada  e  os  agregados  psicofísicos  nos  quais  ela  é  imputada.  Pensando  sobre  esta  definição  deveríamos ser capazes de atingir  algum insight  sobre o modo no qual a pessoa existe.  De qualquer modo, na seqüência para discernir sua natureza última é necessário referir‐se   aos  ensinamentos  relativos  a  falta  de  existência  inerente  da  pessoa  apresentada  pela  filosofia  Madhyamika  da  vacuidade.  De  acordo  com  esta  filosofia  as  visões  que  identificam  a  pessoa  como  uma  entidade  independente  diferente  da  mente  e  do  corpo,  tanto  quanto  aquelas  que  consideram‐na  como  ambos  o  corpo,  a  mente  ou  como  uma  coleção  das  duas  são  sistematicamente  refutadas  pelo  método  da  análise  lógica.  Mas  considerações como esta, além do mais, requerem muita explanação e investigação, e por  isso estão fora do propósito deste trabalho.6   Visto  que  vivemos  em  um  mundo  habitado  por  criaturas  corporificadas  desenvolvemos a tendência de identificar a pessoa com um corpo, mas existem indivíduos  que  não  possuem  uma  forma  física.  No  Budismo  classificamos  a  existência  senciente  em  três distintos reinos: aqueles do desejo, forma e sem forma. No reino dos desejos estão os  seres  humanos,  animais,  fantasmas,  habitantes  dos  infernos  e  certas  divindades  abide.  (Nathan revisou até aqui.) O reino da forma é a morada de divindades que são absorvidas  nos  primeiros  quatro  níveis  da  concentração  meditativa  e  o  reino  da  não  forma    é  onde  outras  divindades  permanecem  em  um  estado  inalterável  de    absorção  sutil.    Todos  os  seres  residentes  nos  dois  primeiros  destes  reinos,  aqueles  do  desejo  e  da  forma,  são  dotados de corpo físico, mas os seres do reino da não forma faltam um aspecto corpóreo.   Suas existências como uma pessoa, por essa razão, é estabelecido somente na dependência  dos  seus  agregados  mentais  das  sensações,  discriminação,  elementos  formativos  e  consciência  primária.  Por  essa  razão  é  que  definimos  a  pessoa  como  um  “eu”  imputado  por um dos agregados psicofísicos.   A pessoa é dita para ser um sujeito porque todos os seres individuais, sem exceção,  constantemente  apreendem  um  objeto.    Até  o  menor  dos  insetos  é  consciente  de  alguma  coisa; ele apreende o alimento que come e quando se deparar com um problema desvia‐se  5

A saber: forma física, sensações, discriminação, elementos formativos e consciência primária. Para maiores explicações veja Tenzin Gyatso, S.S. o XIV Dalai Lama, The Key to the Middle Way; também Geshe Rabten, Echoes of Voidness.

6

20


dele. Do  mesmo  modo,  alguém  absorvido  em  um  profundo  estado  de  meditação  estará  sempre se referindo a algum objeto, seja qual for o tipo de objeto.  III   SONS ARTICULADOS    Dentre todos os variados sons e barulhos que ouvimos, alguns, tais como sentenças  coerentes,  são  ditas  para  ser  articuladas*  ,  enquanto  outras,  tais  como  o  som  da  chuva  caindo, são ditas ser  inarticulados. O autor, além do mais, por ser meramente um barulho,  tem  a  função  de  denotar  objetos  particulares  com  os  quais  não  tem  uma  relação  natural.  Por  esta  razão  eles  são  chamados  de  sujeitos.  Sons  articulados  é,  deste  modo,  definido  como  audível  que  denota  que  ele  articula  por  meio  de  um  sinal.  Por  exemplo,  quando  articulamos o barulho de um “gorjear” então pelos meios de nosso acordo que este som se  refere a um objeto com o qual a flat base., em torno do abdômen e a capacidade para ser  impermeável,  o  som  denota  um  objeto  particular.  (o  sentido  desta  frase  está  confuso).   Mas, apesar de classificarmos sons articulados como objeto, isto não significa que eles têm  o mesmo relacionamento com um objeto como fazem pessoas e mentes. Eles são sujeitos  no sentido das suas denotações com um objeto, designa‐se mentes como sujeito devido a  sua apreensão de um objeto por meio dos sentidos sensoriais e faculdades mentais.  Além disso existem três tipos de sons articulados: termos, frases e letras.    A. Termos    Termos* são unidades simples de fala que usamos para denotar os objetos no qual  pensamos e falamos. Definido como audíveis que revelam o mero fato de um objeto, eles  são  como  os  tijolos    da  construção  de  uma  língua,  com  os  quais  formamos  frases  e  sentenças  para  descrever  como  experienciamos  mutuamente  a    nós  próprios  e  o  mundo.  Por  exemplo,  o  termo  “casa”  revela  o  fato  de  uma  casa    sem  qualificá‐la  pelo  lugar  ou  relacioná‐la    a  algo  mais.    Do  mesmo  modo  o  nome  “João”  simplesmente  denota  a  presença de uma pessoa particular chamada João e nada mais.  Existem dois tipos de termos: termo‐padrão e termo‐comum.  Um termo‐padrão* é o  principal  termo  pelo  qual  um  objeto  particular  ou  evento  é  compreendido.  É  definido  como  um  termo  que  é  ambos,  o  termo  principal  de  um  objeto  bem  como  o  termo  dado  para ele  originalmente por meio da vontade. O termo principal de um objeto é aquele pelo  qual  este  objeto,  de  forma  particular,    é  denotado.  Por  exemplo,  visto  que  o  termo  “gorjear”  refere‐se  exclusivamente  a  alguma  coisa    com  uma  flat  base.,  em  torno  do  abdômen  e  a  capacidade  para  ser  impermeável,  é  chamado  de  um  termo  principal  para  este objeto.  (o sentido desta frase está confuso) para ser  “dado por meio da vontade”, a  definição aponta que termos são designados para objetos devido a um desejo que alguém  teve  em  algum  momento,  e  não  por  alguma  outra  razão  profunda  ou  misteriosa.  “Dado  originalmente” significa que um termo‐padrão para alguma coisa é inicialmente cunhado  e aceito com uma linguagem particular.   O  termo‐comum*  para  um  objeto  é  definido  como  um  termo  que  é  ambos:  algo  vulgar e mais tarde o termo para um objeto. É chamado de termo vulgar por não denotar,  precisa e exclusivamente o objeto a que ele se refere, e “mais tarde como termo”  visto que 

21


ele é cunhado, em um momento subseqüente a aceitação do termo‐padrão. Tais termos são  designados  para  seus  objetos  por  ambos  ,  por  razões  de  similaridade  ou  relacionamento  com  outro  objeto.    Termos‐comuns  designados  por  causa  de  uma  similaridade  são,  por  exemplo,  o  apelido  dado  para  pessoas  ou  animais  por  que  eles  possuem  uma  certa  característica    na  qual  lembram‐nos  de  algo  também.    Por  exemplo,  alguns  gatos  são  chamados de “tigre”  por causa da sua coloração e leões são, freqüentemente, chamados  de “rei dos animais”  por causa dos seus semblantes nobres e majestosos.   Como  o  termo‐comum  é  dado  pelo  seu  relacionamento,  ele  será  necessariamente  descrito resumidamente que pelo significado do termo “relacionado”. Nos Collected Topic  A  é  determinado  por  ter  um  relacionamento  com  B  se  através  da  eliminação  de  B,  A  deveria,  necessariamente,  cessar  sua  existência.  Visto  que  todas  as  formas  destes  relacionamentos  serão  igualmente  naturais  ,  i.e.  A  sendo  a  mesma  natureza  de  B,  ou  causal, i.e. A sendo causado por B, dois tipos de relacionamento entre objetos são aceitos.  Estas são chamadas e um relacionamento natural* e um relacionamento causal*. Quando um  termo  é  imputado  para  um  objeto  porque  estes  objetos  suportam  também  estes  dois  relacionamentos com outro objeto, este termo é, então chamado “um termo comum, dado  por causa de um relacionamento”.  Um exemplo de um termo‐comum por causa de um relacionamento natural, seria  antão, quando dizemos: “o rolo de tecido está queimando”, embora de fato somente uma  pequena parte do rolo esteja no fogo. Aqui estamos imputando o termo “rolo de tecido”  para  uma  parte  somente  do  rolo  porque  esta  pequena  parte    relaciona‐se    naturalmente  com  o  rolo  inteiro.  Termos‐comuns  são  designados  por  causa  de  uma  relação  causal  em  duas maneiras: através da designação do termo da causa  para seus resultados e através da  designação do termo do resultado para sua causa.  Um exemplo de designação do termo  da causa para seu resultado seria quando chamamos a luz do sol brilhando na terra de “o  sol”.  Freqüentemente,  vemos  um  lugar  repentinamente  iluminado  pela  luz  do  sol  e  exclamamos,  “olhe,  o  sol  está  lá  adiante!”,  enquanto  neste  fato  ele  é  a  luz  solar,  um  resultado  do  sol,  que  estamos  nos  referindo.  Atribuindo  o  termo  do  resultado  para  sua  causa,  por outro lado, seria como a chamada inferência‐de‐outros como “uma inferência”.  Uma  inferência‐de‐outros  é  de  fato  uma  evidência  verbal  que  quando  declarada  causa  uma inferência que ocorre na mente de outra pessoa. Visto que ela é uma fala e uma não  cognição, ela não é uma inferência real mas é meramente chamada assim por causa do seu  resultado7. Um exemplo simples seria nossa denominação do equipamento elétrico como  “luz”  sempre  quando  ela  está  desligada.  O  equipamento  é  chamado  uma  “luz”  somente  porque ele é um instrumento que causa o efeito da luz.    B. Frases   

7

Quando inferência é classificada de acordo com a sua etimologia, dois tipos são enumeradas inferência pessoal (rang.don.rjes.dpag) e inferência-para-outros (gzhan.don.rjes.dpag). Uma inferência pessoal é uma cognição inferente que ocorre na base de uma razão perfeita, uma inferência-por-outros é uma evidência verbal (sgrub.ngag) que quando oralmente declarada causa uma inferência pessoal para ser gerada na mente de outras pessoas.

22


Uma frase*  é  definida  como  um  audível  expressivo  que  conecta  uma  qualidade  para  sua  base.  Por  essa  razão  frases  são  compostas  de  palavras  que  promovem  informações sobre um objeto particular por meio da descrição. Um termo denota o mero  fato do objeto enquanto uma frase especifica a qualidade e atributos com o qual este objeto  é  dotado.  Por  isso  quando  dizemos  “o  jarro  é  vermelho”,  ou,  “som  é  impermanente”,  estamos  usando  frases  visto  que  estas  manifestam  conectar  as  qualidades  da  coloração  e  impermanência par suas respectivas bases, o jarro e o som.    C. Letras    A  definição  de  uma  letra*  é  um  som  claro  que  age  como  a  base  para  uma  composição  de  termos  e  frases.  Todas  as  consoantes  e  vogais  são  letras  e  elas  estão  na  dependência  desses  sons  que  os  termos  e  frases  compõem  para  articular  a  fala  que  é  formada.  Todas  as  bases  sonoras  expressam  vários  alfabetos  no  mundo  que  seriam  exemplos de letras.  Além disso, o termo em Sanskrito para “letra” é aksara o qual significa literalmente  “aquilo  que  é  imutável”.  Este  termo  era  originalmente    cunhado  pelos  seguidores  das  tradições Védicas antigas que  sustentavam que visto que os sons dos hinos védicos eram  eternos  e  imutáveis,  por  essa  razão  as  letras  que  formam  estes  sons  devem  também  ostentar  esta  natureza  imutável.  Mas,  no  budismo  todos  sons,  visto  que  eles  são  criados  por  fenômenos  físicos,  são  considerados    mutáveis  e  impermanentes.    Por  essa  razão  os  budistas  interpretam  o  significado  literal  de  aksara  de  diferente  modo.  Letras,  então,  são  chamadas  por  ser  imutáveis  no  sentido  que  elas  serão  ouvidas  da  mesma  maneira  por  quem for que elas sejam proferidas. Então,  o modo no qual elas são ouvidas, não as letras  por elas próprias, é que são consideradas como sendo imutáveis.  Todos os termos, frases e letras são sons articulados e por essa razão sujeitos. Seus  caracteres  subjetivos  é  que  denotam  alguma  coisa.    Deste  modo,  qualquer  que  seja  denotado  ou  expressado  por  algum  destes  sons  articulados  é  considerado  como  o  objeto  daquele som. Além do mais, visto que termos  e frases, além de expressar explicitamente  alguma  coisa,  são  também  capazes  para  implicitamente  sugerir  alguma  coisa  de  acordo  com  a  disposição  individual  e  perspectivas  de  deferentes  ouvintes,  eles  possuem  objetos  diretos e indiretos.8 Parece claro designar palavras e frases como sujeitos, mas deveríamos  nos espantar como letras são incluídas nesta categoria. Apesar delas não denotarem coisas  da  mesma  maneira  como  palavras  e  frases,  todavia,  visto  que  elas  são  elementos  pelos  quais a fala é formada, elas são chamadas para compartilhar seu sujeito natural. 

8

Para uma descrição do objetos diretos e indiretos veja páginas 60 e 61.

23


Conteúdos do Capítulo Dois        I  PERCEPÇÃO                A. Percepção sensorial e Percepção mental      B. Percepção verdadeira e falsa            1. Percepção sensorial verdadeira         2. Cognição perceptiva e não‐perceptiva        (Aperceptiva e não aperceptiva)        3. Percepção mental verdadeira          4. Cognição perceptiva verdadeira        5. Percepção contemplativa verdadeira        II  CONCEPÇÃO              A. Imagens Mentais             B. Concepção baseada em uma imagem   nominal e experimental          C. Concepções de termos‐conectados   e fatos‐conectados            D. Concepções verdadeiras e falsas        E. Imaginação recordada e futuro‐orientada       

21 21  23  23  24  25  25  26 

27 28  29  30  31  31 

 

24


Capítulo Dois   

Percepção e Concepção        Agora  que  discutimos  as  características  fundamentais  de  todos  os  estados  de mente, i.e. claridade e cognição, devemos agora proceder a classificação destes  estados  em  vários  tipos  diferentes.  A  primeira  distinção  a  ser  feita  será  a  básica  entre  percepção  e  concepção.  Então,  continuaremos  nos  capítulos  três  e  quatro,  para  explanar  quais  destas  percepções  e  concepções  são  corretas  e  quais  são  incorretas.  O  que  é  entendido  por  “percepção”  aqui  é  um  estado  não‐conceitual  de  mente,  que  pode  ser  um  sentido  cognitivo  visual,  auditivo,  olfativo,  gustativo  ou  tátil tanto quanto certas cognições mentais imediatas. “Concepção”, por outro lado,  refere‐se a um estado da mente conceitual, i.e. uma cognição mental que não nota  seus  objetos  imediatamente  ou  apenas  como  uma  percepção  mas  conhece‐os  através de uma imagem mental.    I. PERCEPÇÃO    A. Percepção Sensorial e Percepção Mental    Na classificação das diferentes percepções que temos, a primeira distinção a  ser feita será entre percepção sensorial e percepção mental. “Percepção sensorial”   refere‐se a todas cognições não‐conceituais que são dependentes do originado em  um órgão dos sentidos físicos, uma forma externa e um estado prévio de cognição.  Por  essa  razão,  uma  percepção  visual,  por  exemplo,  surge  na  dependência  do  órgão  olho,  uma  forma  visual  e  qualquer  estado  de  cognição  que  ocorra  imediatamente  anterior  a  ela.  Estas  três  condições  de  uma  percepção  sensorial 

25


visual são  respectivamente  chamadas  de  “a  condição  dominante”9  o  “condição  objeto”  e  a  “condição  imediata”.  O  órgão  olho  é  chamado  de  condição  dominante*  para uma percepção visual visto que além de uma causa principal e direta para ela,  ele  é  também  a  condição  que  é  o  responsável  principal  por  ela.  Isto  é  porque  o  órgão olho é a base exclusiva na qual a percepção visual ocorre e é por meio desta  base que reconhecemos a existência de uma percepção visual. Uma cor poderia ser  um  exemplo  de  uma    condição  objeto*  para  uma  percepção  visual  na  qual  ela  é  a  causa principal e direta para sua sustentação no aspecto de uma cor. O terceiro, a  condição  imediata*  para  uma  percepção  visual  é  a  causa  principal  e  direta  por  ser  uma  mera  experiência  clara  e  cognisante.    i.e.  o  momento  imediatamente  precedente  da  cognição.  Da  mesma  maneira,  todos  as  percepções  sensoriais  surgem  na  dependência  das  suas  respectivas  condições  dominantes,  objeto  e  imediata.      Percepção Sensorial  Condição dominante  visual  órgão‐olho  auditiva  órgão‐ouvido  olfativa  órgão‐nariz  gustativa  órgão‐língua  tátil  órgão‐corpo 

Condição objeto  forma‐visual  som  odor  gosto  sensação‐tátil 

Condição imediata  o momento  imediatamente  precedente à  cognição.   

  Percepções  mentais  são  similares  em  relação  à  percepção  sensorial,  exceto  que  elas  não  dependem  de  um  órgão  físico  sensorial  com  suas  condições  dominantes.  Suas condições dominantes são o órgão mental. Este não é um órgão  físico,  mas  qualquer  estado  cognitivo  que  imediatamente  precede  a  percepção  mental.  Este  estado  imediatamente  anterior  à  cognição,  sensorial  ou  mental,  é  a  condição  dominante  para  uma  percepção  mental,  visto  que  é,  principalmente,  através  da  sua  força  que  a  percepção  mental  formou‐se.  Para  uma  percepção  mental,  então,  a  condição  dominante  e  a  condição  imediata  são  as  mesmas.  Para  sua  condição  objeto,  percepção  mental  pode  surgir  na  dependência  de  formas  físicas  tanto  quanto  objetos  sutis  tais  como  as  mentes  de  outras  pessoas  embora  este último exemplo seria percebido somente em estado de elevada consciência.  9

A condição dominante é de dois tipos: a condição dominante comum (thum-mong.ba.i.bdag.rkyen) e a condição dominante exclusiva (thun.mong. ma.yin.pa.i.bdag.rken). A condição dominante comum em uma percepção visual, por exemplo, seria o órgão visual i.e. o momento imediatamente precedente da consciência mental. É chamado de “comum” visto que ele é uma condição dominante para todos os cinco sensos de percepção. A condição dominante exclusiva nesta percepção seria o órgão olho. Esta é chamada “exclusiva” visto que somente ela é uma condição para a percepção visual. Neste texto, quando nos referimos a condição dominante estamos sempre nos referindo a condição dominante exclusiva.

26


B. Percepção verdadeira e falsa    Dentre  todas  estas  várias  percepções  algumas  são  consideradas  como  “verdadeiras”  e  outras    referidas  são  consideradas  como  “falsa”.  Uma  percepção  verdadeira*  é  definida  como  uma  cognição  não‐enganosa    que  é  livre  de  conceitualidade.    Qualquer  objeto  que  aparece  para  uma  percepção  verdadeira  necessariamente existe de uma maneira na qual ele aparece. Uma percepção falsa,  embora seja uma cognição livre de conceitualidade, é enganosa com relação ao que  aparece para ela. Seus objetos não existem do modo no qual eles aparecem.  A  maioria  das  percepções  que  ocorre  no  dia  a  dia  em  nossas  vidas  é  verdadeira  e  apreende  seus  objetos  do  modo  no  qual  eles  existem,  mas  às  vezes,  devido a certas coisas como um defeito no órgão do sentido, um objeto aparece de  maneira no qual ele não existe. Por exemplo, quando temos uma icterícia  o órgão  olho  é  afetado  pelo  aumento  de  bile  no  organismo,  e  conseqüentemente  vemos  todas as coisas manchadas de amarelo. Na realidade estas coisas podem não ser de  cor amarela, mas agora parecem ser, tal percepção visual é considerada como falsa.  Similarmente a percepção mental da cor azul em um sonho é errônea porque não  existe externamente a cor azul que corresponda a uma observada no sonho. Estes  são  exemplos  de  percepções  falsas.    De  qualquer  modo,  deixe‐nos  primeiro  considerar  os  vários  tipos  de  percepção  verdadeira.  Elas  são  divididas  em  quatro  categorias: percepção sensorial verdadeira, percepção mental verdadeira, cognição  aperceptiva verdadeira e percepção contemplativa verdadeira.  Percepção falsa será discutida separadamente no Capítulo Quatro, seção V.  A, abaixo do tópico “Percepções Errôneas”.    1. Percepção sensorial verdadeira    Percepção sensorial  verdadeira * é definida como uma cognição não‐enganosa,  livre  de  conceitualidade,  que  surge  na  dependência  de  um  órgão  sensorial  físico  com  sua  condição  dominante.  Uma    cognição  não‐enganosa  é  não  errônea  com  relação  ao  que  aparece  para  ela.  Todas  as  percepções  verdadeiras  possuem  as  características  desta  definição  enquanto  todas  as  falsas  percepções  e  cognições  conceituais  são  enganosas  com  relação  ao  que  aparece  para  elas.  “Sendo  livre  de  conceitualidade” significa ser uma percepção clara e imediata. Isto significa que o  objeto aparece para a mente sem a mistura de alguma subjetividade por imagens  mentais  projetadas    e  é  claramente  observada  de  uma  forma  objetivamente  existente.    Visto  que  existem  cinco  órgãos  sensoriais,  cinco  tipos  de  percepções  sensoriais  correspondentes  podem  surgir  na  dependência  deles,  nomeadamente  visual, olfativa, auditiva, gustativa e tátil como  percepções sensoriais verdadeiras.  27


Antes da discussão das três categorias restantes, será necessário introduzir a  classificação da mente  em cognições perceptiva e não perceptiva. (aperceptiva)    2. Cognição perceptiva e não perceptiva (revisar = aperceptiva)    Todas  as  experiências  cognitivas  existem  por  elas  mesmas.  Elas  possuem  uma  qualidade  de    autoconsciência  inerente.  Esta  qualidade  de  consciência  é  chamada  de  cognição  perceptiva*.    Cognição  perceptiva  são  exclusivamente  percepções. Elas são, somente, estados da mente com seus objetos e, além do mais,  elas  são,  substancialmente  identificadas  com  estes  estados  mentais.  Eles  jamais  observam algum fenômeno externo. Cognição não perceptiva, por outro lado, são  todas as cognições que apreendem, seja conceitualmente ou não conceitualmente,  objetos  externos,    tanto  quanto  cognições  que  não  são  substancialmente  identificados  com  elas  próprias.    Esta  categoria  inclui  todos  as  percepções  sensoriais  e  estados  conceituais  de  mente  tanto  quanto  percepções  mentais  que  percebem objetos externos. Cognição não perceptiva tem a definição característica  de suportar o aspecto de um objeto perceptível, enquanto que cognição perceptiva  tem a definição característica de suportar o aspecto de uma percepção. Para ilustrar  estas características daremos um exemplo da percepção visual de um remendo de  cor  azul.  O  objeto  desta  percepção  é  algo  apreendido  como  oposto  para  uma  percepção e por essa razão a percepção observada é chamada por possuir o aspecto  de um objeto percebido.  Cognição ou apreensão é freqüentemente comparada com  um pedaço de cristal claro. Pela mesma razão que a cor de um objeto é refletida no  pedaço de cristal que é colocado diante dele, do mesmo modo a mente reflete ou  sustenta  o  aspecto  de  qualquer  objeto  apreendido  por  ela.    Desta  maneira  a  percepção visual de um remendo de cor azul é atribuído  por suportar o aspecto de  um objeto perceptível, um remendo de cor azul, é por essa razão uma cognição não  perceptível.. Mas, ocorrendo simultaneamente com esta apreensão de um remendo  de cor azul externo, uma cognição perceptiva experiencia a percepção visual como  ela própria e é assim chamado suportar o aspecto de uma apreensão  Esta cognição  perceptiva  não  surge    em  uma  dependência  causal  da  apreensão  que  ela  experiencia, mas é substancialmente identificada com ela.  Em outras palavras ela é  naturalmente  como  oposto  causal  relacionado  com  ela.  Por  essa  razão,  toda  a  cognição não perceptiva, sem exceção, são experienciadas da mesma maneira por  uma  percepção  em  duplicata  (counterpart    contraparte),  i.e.  uma  qualidade  inerente de consciência presente em todos os estados de cognição.          28


3. Percepção mental verdadeira     É  necessário  fazer   uma  distinção  do  acima  mencionado  com  o  objetivo  de  compreender  o  que  queremos  dizer  por  uma  percepção  mental  verdadeira  como  oposto  a  uma  cognição  perceptiva  verdadeira.  Uma  percepção  mental  verdadeira*  é  definida  como  uma  não  enganosa,  cognição  não  aperceptiva,  livre  de  conceitualidade,  que  surge  na  dependência  do  órgão  mental  com  sua  condição  dominante.  Como  exemplo  de  uma  percepção  mental  verdadeira  seria  a  consciência  elevada  do  estado  mental  de  uma  outra  pessoa.  Tal  percepção,  entretanto, é somente possível para alguém que atingiu uma tranqüilidade mental  e  então  procede  para  desenvolver  o  principio  fundamental  desta  habilidade.  Nas  mentes  de  pessoas  ordinárias    como  nós  próprios  as  percepções  mentais  verdadeiras  são  somente  aquelas  que  ocorrem  por  um  momento  extremamente  curto em um momento imediatamente após uma percepção sensorial verdadeira e  imediatamente  anterior  a  uma  concepção.  Para  nós,  percepção  e  concepção  sensorial  são  as  funções  cognitivas  predominantes.  Todavia,  quando  uma  percepção  sensorial  estimula  uma  atividade  mental,  inicialmente,  uma  percepção  mental brevemente vislumbra o objeto antes que qualquer reação conceitual tome  lugar.  Esta  percepção  mental  verdadeira  é  de  curta  duração    e  ela  não  faz  um  registro  forte  na  memória  e  é,  por  essa  razão,  chamada  de  uma  percepção  desatenta.  Além  do  mais,  a  divisão  sêxtupla  de  percepção  mental  pode  ser  feita  de  acordo  com  os  seis  diferentes  tipos  de  objetos  apreendidos,  nomeadamente:  percepção  mental  verdadeira  da  forma  visual,    sonora,  olfativa,  tátil  e  simplesmente objetos mentais. Além disso, ela deveria ser suportada na mente que  quando falando de  percepção mental verdadeira estamos nos referindo somente a  uma percepção mental verdadeira  não perceptiva. (revisar esta frase)      4. Cognição perceptiva verdadeira    Cognição aperceptiva verdadeira* é definida como uma cognição não enganosa,  livre  de  conceitualidade,  que  suporta  o  aspecto  de  uma  apreensão.  Na  verdade  toda    cognição  aperceptiva  são  não  enganosa  e  não  conceitual  e,  conseqüentemente,  estas  características    são  aplicáveis  a  qualquer  estado  aperceptivo da mente.   Existem  muitas  discussões  entre  os  vários  sistemas  filosóficos  Budistas  se  cognição  perceptiva  realmente  existe.  Sua  existência  é  defendida  pelos  Sautrantikas,  os  Cittamatrins  e    a  Yogacarya‐Svatantrika  Madhyamikas,  mas  é  negada  pelos  Vaibasikas,  Sautrantika‐Svatantrika  Madhyamikas  e  os  Prasangika‐ 29


Madhyamikas. Especialmente  no  sistema  Prasangika  mais  ênfase  é  dada  na  sua  refutação  onde  procurando  desprover  de  validade  certos  princípios  defendidos  pelos Cittamatrins10. Todavia, visto que o trabalho é escrito de acordo com a escola  Sautrantika, aqui ela é assumida como  existente.    5. Percepção contemplativa verdadeira    Em  quarto  lugar,  a  percepção  contemplativa  verdadeira*  é  definida  como  uma  cognição  não  aperceptiva  na  mente  de  um  Arya  que  é  não  enganosa  e  livre  de  conceitualidade,  e  na  qual  surge  na  dependência  de  uma  concentração  unifocada  de  uma  mente  tranqüila  e  um  insight  penetrativo  como  sua  condição  dominante.  Tal  percepção  é  exclusivamente  verdadeira,  não  enganosa  e  não  conceitual  e  somente  ocorre  no  mental  contínuo  de  um  Arya,  i.e  alguém  que  tenha  imediatamente  compreendido  a  vacuidade.  Além  do  mais,  para  atingir  a  sua  condição  dominante,  a  concentração  unifocada  de  tranqüilidade  mental  e  insigth  penetrativo  ,  é  necessário,  primeiro,  conduzir  a  mente  para  um  estado  de  concentração tranqüila tanto quanto cultivar um estado de inteligência penetrativo  que  compreende  o  significado  de  tais  coisas  como  a  vacuidade  da  pessoa.  Mas  é  somente  quando  estes  dois  estados  de  consciência  são  unificados  em  um  fluxo  concentrado  que  são  capazes  de  fazer  surgir  uma  percepção  contemplativa  verdadeira.    Exemplos  de  tais  percepções  contemplativas  seriam  aquelas  que  percebem a impermanência grosseira e sutil, aquelas que percebem a vacuidade da  pessoa e aquelas que percebem a vacuidade dos fenômenos.    Isto  conclui  a  apresentação  geral  de  percepção  na  qual  temos  procurado  descrever  as  características  básicas  dos  estados  perceptivos  da  mente  que  diferencia  então  dos  processos discursivos  de  concepção.  Nos  próximos  capítulos  continuaremos a discussão dos vários tipos de percepção que foram introduzidas  aqui  do  ponto  de  vista  da  validade  das  cognições.  i.e.  as  características  que  determinam, então, como válidas, subseqüente, cognições desatentas ou errôneas.                10

Veja Shantideva, A Guide to the Bodhisattva´s Way of Life, IX: 19-24, e Candrakirti, A Guide to the Middle Way, VI: 45-97.

30


II CONCEPÇÃO    É  por  meio  de  pensamentos  e  concepções  que,  conscientemente,  respondemos  aos  objetos  que  são  percebidos  pelos  sentidos.  Constantemente,  temos  esta  tendência  de  pensar  sobre  o  mundo  de  cores  e  formas,  sons  e  odores,  sensações gustativas e corporais que constituem nossa experiência do dia a dia.  É  através dos processos conceituais que o homem tem construído sistemas filosóficos  e  psicológicos.  Em  um  esforço  para  explicar  o  mundo  para  si  próprio.  É  o  desenvolvimento  destes  mesmos  processos  que  tem  conduzido  o  surgimento  da  ciência e da era tecnológica na qual estamos vivendo agora. Do mesmo modo ela é  uma  concepção,  de  um  tipo  de  falácia,  que  é  responsável  por  todos  os  pensamentos, distúrbios metais e emoções que seguem a motivar atividade física,  verbal e mental que conduzem a uma condição cíclica de existência (samsara) em  que sofrimento e descontentamento são inevitavelmente experienciados.  Percepção  é,  essencialmente,  uma  forma  de  cognição  receptiva  e  não  refletiva  enquanto  concepção  é  responsiva    e  refletiva.  Como  vimos  nas  seções  anteriores,  percepção  conta  com  três  causas  primárias  para  o  seu  surgimento:  a  dominante,  objeto  e  condições  imediatas.  Concepção,  no  entanto,  necessita  somente  de  duas  delas,  as  condições  dominante  e  imediata.  Sua  origem,  por  essa  razão,  não  é  primariamente  dependente  da  condição  de  um  objeto,  mas  somente  de um estado de cognição previamente ocorrido, no qual para ele, visto que ela é  uma  cognição  mental,  são  ambas  as  condições  dominante  e  imediata.  Diferentemente  de  percepção,  ela  não  apreende  um  objeto  pela  força  da  sua  aparência, preferivelmente, ela apreende o objeto primariamente devido à força de  uma  disposição  subjetiva.  Por  exemplo,  uma  cor,  o  órgão  olho  e  um  estado  de  cognição  são as condições que automaticamente produzem uma percepção visual  da  cor.  Mas,  diferentemente  desta,  a  concepção,  “esta  é  uma  cor”,  é  um  reflexo  intencional  de  um  objeto  já  apresentado  para  mente  pelo  sentido  de  percepção  visual. Este é um exemplo de um tipo comum de concepção formulada sem o fluxo  interno  de  pensamento  que  constantemente  acompanha  nossas  experiências  sensoriais  do  mundo.  Também,  além  deste  tipo,  todas  as  respostas  emocionais  internas  de  nossas  experiências,  se  benéfica  ou  prejudicial,  também  são  consideradas  como  formas  conceituais  de  cognição.  Tais  respostas  subjetivas  ocorrem devido a nossas predisposições que são estabelecidas através dos hábitos  adquiridos.  Algumas  pessoas,  por  exemplo,  tem  uma  tendência  forte  para  responder com raiva  ao passo que outras faltam esta tendência e, ao contrário, são  capazes  de  pacientemente  aceitam  seja  qual  for  a    situação  confrontada  por  ela.  Tais  reações  como  estas  são  ambas  devido  ao  modo  no  qual  a  mente  tem  sido  condicionada e treinada no passado. Por essa razão, visto que estas predisposições  não são propriedades intrínsecas da mente, é possível superar algumas tendências  31


prejudiciais e  distúrbios  através  do  conhecimento  e  familiarização  com  seus  correspondentes antídotos benéficos.    A. Imagens Mentais    O  elemento  mais  característico  dentro  de  uma  cognição  conceitual  é  a  sua  apreensão  de  um  objeto  por  meio  da  “mistura”  dele  com  uma  imagem  mental.  Para  qualquer  concepção  o  objeto  concebido  aparece  indistintamente  misturado  junto  com    uma  imagem  subjetivamente  projetada  do  objeto.  A  cognição  conceitual,  porém,  é  incapaz  de  distinguir  entre  o  objeto  com  sua  objetividade  existente e a sua própria imagem subjetiva projetada que aparece misturada junto  com o objeto. Por essa razão, ela é chamada de um estado enganoso de cognição.  Mas  para  chamar  uma  concepção  de  “enganosa”  não  é  necessariamente  uma  negação  da  validade  de  alguma  cognição.  O  engano  aqui    se  relaciona  somente  com  o  modo  como    aparece,  mas  não  o  modo  da  existência  do  objeto.  Naturalmente, certas concepções são enganosas com o modo de existência dos seus  objetos  tanto  quanto  o  seu  modo  de  aparecimento.  Deste  modo,  elas  caem  numa  categoria  de  cognição  errônea.  Mas  muitas  concepções  fazem  apreender  corretamente seu modo de existência do objeto apesar do objeto aparecer de uma  maneira falaciosa.  Este  processo  pode  ser  ilustrado  de  forma  mais  simples  por  meio  da  seguinte analogia: supomos que um homem tem visão curta. Sem seus óculos tudo  a distância aparece obscuro e de forma borrada para ele, mas  assim que ele coloca  seus óculos, as imagens previamente indistintas voltam claramente para o foco. Do  mesmo modo, similar para a maneira na qual este homem percebe formas visuais  por  meio  do  fator  intermediário  dos  seus  óculos,  uma  cognição  conceitual  apreende seu objeto por meio de um fator intermediário de uma imagem mental.  Uma  similaridade  adicional  é  que  pelo  homem  usar  óculos,  ele  é  incapaz  de  distinguir entre os objetos que ele vê e as lentes nos seus óculos, uma concepção de  que algo é incapaz para distinguir entre as características do seu objeto e a características  subjetivamente  impostas  da  imagem  mental.  Contudo,  ele  não  sugere  que  uma  imagem  mental é não apreensível. Apesar dela não ser apreendida por uma mente conceitual que  mistura‐se  com  o  objeto,  todavia  ela  pode  ser  apreendida  por  outra  mente  conceitual.  Especialmente durante a lembrança, podemos, separadamente, conhecer a imagem mental  do objeto por meio de outras concepções. Mas, esta concepção da imagem mental é sempre  uma  concepção  a  não  ser  que  a  lembrança  na  qual  usamos  a  imagem  refira‐se  ao  seu  objeto.  Cada  estado  conceitual  da  mente,  desde  um  simples  pensamento  ou  memória  de  um  objeto  ou  de  um  apego  instintivo  pela  noção  de  um  “eu”  auto‐existente,  seria  compreendido por apreender seu objeto desta forma.   

32


B. Concepção Baseada em uma Imagem Experimental e Nominal    Uma concepção* é definida como uma cognição concebida que apreende seu objeto  através de uma média de imagens experimental e nominal que são ajustadas para serem  misturadas. Geralmente falando, definimos uma imagem mental*  de um objeto como uma  entidade  mentalmente  projetada  que  ,  embora  não  sendo  o  objeto,  aparece  como  se  ele  fosse.  Aqui, apesar de fazer uma distinção entre imagem experimental e imagem nominal,  ambas, todavia, possuem estas características definidas. Deste modo, imagens nominais e  experimentais  são,  ambas,  consideradas  tipos  de  imagem  mental.  Suas  diferenças  encontram‐se  no  modo  no  qual  o  objeto    em  questão  foi  ou  está  sendo  apreendido.  Se  tivermos ou estamos tendo uma cognição direta de um objeto, então é possível para nós  concebê‐lo  através da média de uma imagem experimental, mas sem tal experiência, seria  possível, somente, concebê‐la por meio de uma imagem nominal. A concepção de alguma  coisa somente através  de uma imagem nominal não depende de uma experiência direta  de  um  objeto,  mas,  meramente  de  uma  descrição  verbal  dela.  Somente  quando  estamos  familiarizados com o objeto através de uma apreensão direta tanto quanto uma descrição  verbal é possível concebê‐lo de ambas as maneiras. Em tal caso as imagens experimental e  nominal do objeto aparecem juntas. Por isso quando a definição: estado “ajustado por ser  misturado”,  é    para  indicar  que  a  concepção  de  um  objeto  pode  ocorrer  através  de  uma  imagem experimental ou uma imagem nominal sozinha, ou por meio das duas juntas..  Isso  nos  leva  a  fazer  uma  divisão  tripla  dentro  de  cognição  conceitual,  uma  chamada concepção do objeto somente através de uma imagem experimental, a segunda   somente através de uma imagem nominal e a terceira por meio de ambas. Um exemplo do  primeiro tipo, a concepção de um objeto somente por meio de uma imagem experimental,  seria de uma jovem criança concebendo um objeto que ela vê diretamente e apreende, mas  para  o  qual  ela  não  conhece  o  nome  pelo  qual  descrevê‐lo  ou  identificá‐lo.  Após  esta  experiência a criança é capaz de conceber o que ela vê, mas esta concepção ocorre para ela  meramente  através  da  aparência  de  uma  imagem  experimental  sem  qualquer  imagem  baseada  em  uma  descrição  verbal.  Um  exemplo  de  uma  concepção  de  algo  somente  por  meio  de  uma  imagem  nominal  seria  a  concepção    da  cidade  de  Roma  na  mente  de  uma  pessoa  que  jamais  esteve  lá  e  ouviu  apenas  uma  descrição  da  cidade.  Mais  uma  vez  a  pessoa  será  capaz  de  formar  uma  concepção  na  sua  mente  de  Roma.  Mas  neste  caso  ela  ocorrerá para ela meramente através de uma aparência nominal da imagem sem nenhuma  imagem baseada na sua própria experiência. Na terceira situação, uma concepção de um  objeto  por  meio  de  ambas,  imagens  experimental  e  nominal  seria  a  concepção  de  um  objeto na mente de uma pessoa, tal como a sua casa ou o seu carro, no qual ele tem ambas  diretamente  apreendidas  e  na  qual  ele  reconhece  pelo  nome  e  descrição.  Neste  caso  a  concepção  do  objeto  pela  pessoa  ocorre  por  meio  de  ambas,  uma  imagem  experimental  tanto quanto uma imagem nominal aparecendo para sua mente.  Em todos os três exemplos seria apontado que apesar das imagens experimental e  nominal  aparecerem  para  a  mente,  elas  não  são  apreendidas  pela  mente  que  tem  nelas  como  seus  objetos  apreendidos.  Em  qualquer    cognição  conceitual  as  imagens 

33


experimental e nominal simplesmente agem como a média – como as lentes de um óculos  em nosso exemplo – por meio no qual os objetos primários – o que foi visto pela criança –  Roma,  ou  o  carro  e  a  casa  do  homem  são  apreendidos.  Em  todos  os  três  exemplos  as  imagens  experimental  e  nominal  são  similares  no  que  são  projeções  subjetivas  que  duplicam a imagem do objeto por meio de uma aparência na qual a concepção é capaz de  ocorrer. A diferença entre uma imagem experimental e uma imagem nominal é realizada  de acordo com a base na qual a duplicação foi feita. Se a imagem é formada da experiência  direta  de  uma  pessoa,  então  ela  é  chamada  de  uma  imagem  experimental.  Mas  se  uma  imagem é formada de uma rotulagem e descrição do objeto. Visto que muitas imagens são  duplicatas  de  ambas  experiências  diretas  tanto  quanto  rotulações  e  descrições  (sem  a  dependência  exclusiva  de  uma  ou  outra  destas  bases)  também  falamos  de  concepções  ocorrendo  por  meio  de  imagens  experimental,  nominal,  ou  ambas  juntas.  Todas  as  concepções  ,  por  essa  razão,  ocorrem  em  uma  destas  três  maneiras,  e  através  da  amplificação de cada exemplo dado acima devemos ser capaz para ver como isto é então.    C. Concepções Termo‐conectadas e Fato‐conetadas    Outra  distinção  que  pode  ser  feita  dentre  cognições  conceituais  é  a  divisão  de  acordo  com  a  sua  função  cognitiva,  divisão  esta  em  concepções  termo‐conectada  e  fato‐ conectada  .  A  maioria  das  concepções  funcionam  em  uma  destas  duas  maneiras:  elas  simplesmente  são  um  nome  a  um  objeto  ou  elas  atribuem  certas  qualidades  para  um  objeto. Uma concepção termo‐conectada*  é definida como uma concepção que apreende seu  objeto conectando um termo a ela.  Como  exemplo  deste  caso  seriam  as  seguintes  citações,  “isto  é  chamado  de  um  jarro”  ou  “aquilo  é  chamado  de  uma  mesa”.  Nestes  casos  a  apreensão  conceitual  é  conduzida através da designação simples de um termo “jarro” e “mesa” para objetos que  possuem as características necessárias para uma identificação de tais objetos.  A  definição  de  uma  concepção  fato‐conectada*  é  uma  concepção  que  apreende  seu  objeto  através  da  conexão  de  uma  qualidade  para  sua  base.    Como  exemplo  temos  a  seguinte  afirmação,  “sons  são  impermanentes”.  Aqui  o  objeto  não  é  meramente  identificado  com  um  termo,  mas  é  referido  por  uma  frase  a  qual  atribui  para  ela  a  característica  de  impermanência.  Contudo,  todas  as  concepções  termo‐conectados  são  necessariamente  concepções    fato‐conectados.  O  pensamento  “isto  é  chamado  de  jarro”,  por exemplo, além de uma simples designação do objeto com o rótulo “jarro” é também  conectada com a qualidade da função “jarro” para a sua base, o objeto com  round belly  (em  torno  da  barriga)  e  a  capacidade  para  ser  à  prova  de  água.  Concepções  fato‐ conectadas,  porém,  não  são  necessariamente  termo‐conectadas.  O  pensamento  “som  é  impermanente”, somente imputa uma qualidade específica, impermanência, para o objeto  som, mas não rotula som com um termo pelo qual ele é, exclusivamente, entendido.  Todas as concepções, contudo, não necessariamente  caem nestas duas categorias.  Por  exemplo,  a  simples  concepção  de  um  “jarro”,  embora  ela  apreenda  seu  objeto  ´por  meio  de  uma  mistura  dele  com  a  sua  própria  imagem  subjetivamente    projetada,  não  é 

34


considerado   termo‐conectada  nem  fato‐conectada,  mas  meramente  uma  apreensão  conceitual da presença fundamental de uma jarra.    D. Concepções verdadeira e falsa    Além  disso,  concepções  podem  ser  classificadas  em  verdadeiras  ou  falsas.  Uma  concepção  verdadeira  é  aquela  na  qual  o  objeto  apreendido  é  existente,  enquanto  uma  concepção  falsa  é  aquela  na  qual  o  objeto  apreendido  é  não  existente.  Por  esta  razão,  a  concepção que som é impermanente, por exemplo, está de acordo com a realidade e deste  modo é verdadeira, mas a concepção que som é permanente é falsa, visto que ela não está  de acordo com a realidade. No caso de percepção, a distinção entre verdadeira e falsa foi  determinada  na  condição  do  objeto  aparecer  de  um  modo  enganoso  ou  não.  Mas  para  concepções,  visto  que  objetos  sempre  aparecem  de  uma  maneira  enganosa,  i.e  inseparavelmente misturada com uma imagem mental, elas , somente, são verdadeiras ou  falsas na base em que são apreendidas, não na base do que aparece a elas.    E. Lembrança e Imaginação Futuro‐Orientada    Finalmente, outro dois tipos de concepções devem ser mencionadas aqui por causa  das suas freqüentes ocorrências, nomeadamente lembrança e imaginação futuro‐orientada.  Percepções são relacionadas com objetos presentemente existentes que somos capazes de  experienciar  imediatamente.  A  mente  conceitual,  de  qualquer  modo,  além  de  ser  considerada  uma  experiência  presente,  é  também  capaz  de  relembrar  experiências  passadas e planejar eventos que ocorrerão no futuro.  Uma grande parte do nosso tempo, a  cada  dia,  é  gasto  nestas  duas  atividades  conceituais.  Constantemente  estamos  nos  referindo ao passado para coletar eventos acontecidos tanto quanto planejando o curso do  nosso futuro, seja ele amanhã, ou o próximo ano ou mesmo a próxima vida. De um ponto  de vista positivo podemos usar a nossa memória para ajudar‐nos a adquirir  compreensão  das características de insatisfatoriedade e transitoriedade de nossas vidas pela recordação  e investigação da natureza das nossas experiências anteriores. Do mesmo modo, podemos  construtivamente  planejar  o  futuro  contemplando  os  vários  estágios  do  caminho  para  iluminação  e  pela  geração  do  desejo  de  atingir  estes  estágios  e  progressos  ao  longo  do  caminho. Ao contrário,  tendemos a indulgir na memória prazeres sensuais e planejamos  progredir  somente  por  limitadas  gratificações  em  um  futuro  imediato.  Por  meio  disso,  desperdiçamos o grande potencial da vida humana e perpetuamos o ciclo da existência de  descontentamento. 

35


Conteúdos do Capítulo Três        I  ETMOLOGIA E DEFINIÇÃO            A. Frescor                B. Infalibilidade (Compreensão)          C. Cognição                II  PERCEPÇÃO VÁLIDA            III  CONCEPÇÃO VÁLIDA (INFERENCIA)      A. Um Raciocínio Perfeito           B. Cognições Estabelecidas          C.Três Tipos de Inferências Válidas        1. Inferência Direta             2. Inferência Convencional                  3. Inferência de Crença  D. A Necessidade da Inferência             IV MENTES VÁLIDAS AUTO‐DETERMINADORAS E   NÃO AUTO‐DETERMINADORAS        A. Mentes Válidas Auto‐Determinadoras      B. Mentes Válidas Não Auto‐Determinadoras        V DIVISÃO ETMOLÓGICA DE VÁLIDA        

33 34  34  35  35  36  37  37  38  39  39  39  40 

40 41  42  43 

36


Capítulo Três     

Mente Válida        Vimos  nos  capítulos  anteriores  que  uma  cognição  pode  ser  tanto  uma  percepção  quanto uma concepção. No entanto, dentre todas as várias percepções e concepções temos  algumas chamadas de válidas, i.e. perfeitas e algumas de não válidas, i.e. estados mentais  imperfeitos.  Neste  e  no  próximo  capítulo  discutiremos  os  fatores  que  constituem  uma  mente válida. Além disso, veremos em quais cognições faltam estes fatores e por isso  são  consideradas não válidas. Mais especificamente,  diferentes  mentes, válidas e não válidas,  serão descritas abaixo em sete tópicos referindo‐se àqueles que são conhecidos por  “sete  tipos  de  mente”.  Dois  destes  tipos  serão  abordados  neste  capítulo.  Os  cinco  tipos  remanescentes,  cognição  subseqüente,  crença  correta,  percepção  desatenta,    indecisão  e  cognição errônea, são mentes não válidas e serão abordadas no próximo capítulo.    1. ETMOLOGIA E DEFINIÇÃO     Em  Sânscrito  o  termo  para  mente  válida  é  pramana.  Pra  significa  inicial,  recente  (fresca),  principal  ou  melhor  e  mana  significa  consciência  ou  cognição.  Todas  as  escolas  filosóficas Budistas, exceto a Prasangika‐Madhyamikas, entendem pra pelo significado que  mente  válida  é  uma  cognição  inicial,  fresca,  i.e.  somente    no  primeiro  momento  de  uma  cognição,  portanto,  sem  um  fluxo  particular  de  compreensão.  A  escola  Prasangika‐ Madhyamikas, entretanto, explica o prefixo pra  como o objeto principal conhecido e por  isso  interpreta  pramana    como  uma  cognição  que  compreende  seu  objeto  principal.  Para  eles  mentes  válidas  não  são  somente  os  primeiros  momentos  de  cognição  que  compreendem  o  objeto.  Neste  trabalho,  no  entanto,  visto  que  utilizamos  o  sistema  Sautrantika, a interpretação desta escola é aceita.  Toda  mente  válida  possui  três  definições  características:  frescor,  infalibilidade  e  cognição.     

37


A. Frescor   A Característica de frescor indica que um estado válido de mente somente ocorre  como  um  ato  cognitivo  inicial    sem  qualquer  série  de  cognições  co‐relacionadas.  Por  exemplo,  podemos  compreender  o  som  como  impermanente  na  dependência  de  uma  verificação  lógica.  O  momento  inicial  de  compreensão,  onde,  imediatamente,  pegamos  o  significado  deste ponto pela primeira vez, é conhecido por ser um estado mental válido.  Mas,  quando,  subseqüentemente,  nos  referimos  novamente  a  este  ponto,  posto  que  retemos  a  nossa  compreensão,  ela  será  sempre  induzida  pela  força  da  compreensão  original    (e  carece  do  seu  momento  inicial).  Deste  modo,  todas  as  mentes  válidas,  seja  percepção  ou  concepção,  suportam  esta  qualidade  de  frescor  e  originalidade  através  da  força  na  qual  qualquer  cognição  subseqüente  é  induzida.  Por  afirmar  frescor  como  uma  definição característica de uma mente válida, elimina a possibilidade de qualquer cognição  subseqüente  ser  considerada  como  válida  como  é  defendida  pela  tradição  Prasangika‐ Madhyamikas.    B Infalibilidade (Compreensão)    A  segunda  definição  característica  de  uma  mente  válida  é  da  infalibilidade.  Isto  significa  que  uma  mente  válida  é  uma  mente  que  compreende  seu  objeto.  Mas  o  que  significa por uma mente que compreende seu objeto? Significa que ela é capaz de indicar  uma  determinação  correta  do  objeto  e  eliminar  concepções  errôneas  em  relação  a  ele.  Compreensão*  ,  como  ela  é  entendida  aqui,  pode  pertencer  para  ambas  as  cognições,  percepção e  concepção. Um exemplo de uma percepção que compreende seu objeto seria  uma percepção visual de uma rosa que  cria  uma impressão suficiente na mente para ser  capaz de induzir a uma correta determinação conceitual que o objeto visto era uma rosa.  Além  disso,  visto  que  a  base  desta  percepção    existe  não  possibilita  conceber  a  rosa  por  qualquer  outra  coisa  que  não  seja  uma  rosa,  por  isso  é  capaz  de  eliminar  erro  sobre  o  objeto. Do mesmo modo, em termos de concepção, a correta cognição inferente que som é  impermanente  é  capaz  de  provocar  a  completa  certeza  do  fato  e  não  deixa  nenhuma  dúvida  ou  erro    a  respeito  dele.  Por  essa  razão,  ele  é  também  considerado  como  sendo  uma  compreensão  do  seu  objeto.  Por  isso,  esses  dois  critérios    estabelecem  se  uma  cognição  compreende  seu  objeto  ou  não,  por  meio  disso  pode  ser  considerada  por  ser  infalível.  Anteriormente,  falamos  de  percepção  e  concepção  verdadeiras  .  Porém,  por  ser  uma cognição verdadeira não significa que seja identificada como sendo infalível. O  que  caracteriza uma cognição como verdadeira ou falsa não é pela sua capacidade de induzir  convicção e certeza sobre o objeto ou não, mas se a apreensão do seu objeto está de acordo  com uma realidade ou não.  No caso da nossa crença correta na impermanência do som,  por  exemplo,  a  apreensão  está    de acordo  com  a  realidade  e  deste  modo  a  crença é  uma  concepção  correta.  Mas  não  é  considerado  por  compreendido  que  som  é  impermanente,  porque sendo meramente uma crença falta a ela uma base de raciocínio e é, deste modo,  incapaz de fazer surgir alguma certeza real e convicção sobre o fato. Portanto, uma crença 

38


correta é  verdadeira,  mas  não  é  uma  cognição  infalível.  Deste  modo  ela  não  pode  ser  considerada  como  uma  mente  válida,  ainda  que  ela  possua  as  outras  duas  definições  características de frescor e cognição.  Similarmente, uma percepção desatenta de um som,  por  exemplo,  é  considerado,  também,  como  uma  percepção  verdadeira.  No  entanto,  ela  não  é  uma  cognição  infalível  porque  a  impressão  que  ela  deixou  na  mente  não  é  forte  o  suficiente para induzir a uma certeza sobre como o som era ou se alguém realmente ouviu  o som ou não.    B. Cognição    A  terceira  definição  característica  de  uma  mente  válida  é  que  a  cognição  na  qual  está  incluída  tem  como  objetivo  eliminar  a  noção  que  uma  forma  de  mente  válida  não  consciente possa existir. Especificamente, nos referimos à crença Vaibasikas que os órgãos  físicos dos sentidos, visto que eles agem como a base para uma mente válida, são também  válidos  (pramana).    Na  realidade  eles  são  meramente  objetos  materiais  incapazes  de  alguma atividade consciente.    II PERCEPÇÃO VÁLIDA    Já discutimos o tópico percepção de modo geral tanto quanto os meios para serem  consideradas  percepções  verdadeiras  ou  falsas.Agora,  faremos  outra  distinção  dentre  as  consideradas percepções verdadeiras naquelas  as quais são estados mentais válidos e não  válidos.   Uma  percepção  válida  é,  necessariamente,  uma  percepção  verdadeira.  Mas  uma  percepção verdadeira não é, necessariamente uma percepção válida. Uma percepção válida*  é definida como uma cognição recente e infalível  que é livre de conceitualidade. Por essa  razão, a todas as percepções verdadeiras  faltam ambas  as características definidoras, a de  frescor e a de infalibilidade, por isso,  são considerados estados mentais não válidos. Toda  as cognições perceptivas subseqüentes , portanto, são inválidas, visto que a elas faltam a  qualidade de frescor e infalibilidade, e todas as percepções desatentas  são inválidas visto  que  a  elas  faltam  a  qualidade  de  infalibilidade.  Para    estados  válidos  de  percepção  podemos  distinguir  quatro  tipos  distintos  de  acordo  com  a  divisão  quádrupla      de  percepção  verdadeira  em  percepção  sensorial  verdadeira,  percepção  mental  verdadeira,  percepção aperceptiva e percepção contemplativa.   Uma  percepção  sensorial  válida*  é  definida  como  uma  cognição  recente  e  infalível,  livre de conceitualidade, que surge na dependência de um órgão físico com a sua condição  dominante. De acordo com o órgão sensorial, ocorre numa divisão quíntupla que pode ser  feita  em  percepções  sensoriais  válidas  visual,  auditiva,  gustativa,  tátil,  olfativa.  Um  exemplo seria a compreensão visual inicial de uma flor. Somente a ação inicial de cognição  é  considerada  como  válida,  visto  que    todas  as  cognições  subseqüentes    pertencem  ao 

39


mesmo contínuo    da  percepção  visual  tanto  quanto  qualquer  compreensão  conceitual  resultante são induzidas pela força desta percepção inicial.11   Uma percepção mental válida* é definida como uma cognição não aperceptiva fresca  e  infalível,  livre  de  coneitualidade  que  surge  na  dependência  do  órgão  mental  com  sua  condição dominante. Como com a percepção sensorial válida a definição característica de  percepção    mental  válida  são  similares  com  aquelas  correspondentes  percepções  verdadeiras  com  a  adição  das  qualidades  de  frescor  e  infalibilidade.  Do  mesmo  modo  existe a divisão sêxtupla em percepção mental válida de formas visuais, sonoras, olfativas,  gustativas,  táteis  e  objetos  mentais  puramente.  Exemplos  destas  mentes,  todavia,  são  encontradas,  somente,  nas  mentes  dos  Aryas.  Para  seres  ordinários  percepções  mentais  verdadeiras serão sempre  desatentas. Um exemplo seria o momento inicial de consciência  elevada de um Arya sobre a mente de outra pessoa.  Uma  cognição  aperceptiva  válida*  é  definida  como  uma  percepção  fresca  e  infalível  possuindo  o  aspecto  de  uma  apreensão  e  sendo  livre  de  conceitualidade.  Podemos  distinguir duas formas: experiência aperceptiva válida de cognição sensorial e experiência  aperceptiva  válida  de  cognição  mental.  Como  anteriormente,  um  exemplo  seria  a  experiência aperceptiva inicial de algum estágio de cognição, a qual é capaz de induzir a  uma certeza subseqüente e convicção sobre o seu objeto.    Finalmente,  uma  percepção  contemplativa*  é  definida  como  uma  cognição  não  aperceptiva , fresca e infalível na mente de um Arya que é livre de conceitualidade e surge  na  dependência  da  concentração  unificada  da  tranqüilidade  mental  e  do  insight  penetrativo  com  sua  condição  dominante.  As  várias  divisões  são  feitas,  como  com  a  percepção contemplativa verdadeira,  de acordo com os diferentes objetos percebidos. Um  exemplo seria uma compreensão inicial da vacuidade da pessoa em um Arya.  No  caso    de  percepções  sensorial,  mental  e  aperceptiva  existem  estados  mentais  subseqüentes  e  desatentos,  em  adição  aos  estados  mentais  válidos  que  temos  descritos  aqui.  Mas  para  percepções  contemplativas,  embora  existam  estados  subseqüentes,  é  impossível  um  estado  desatento  porque  todas  as  percepções  contemplativas  necessariamente  compreendem  qualquer  coisa  que  apareça  para  ela.  A  natureza  das  percepções subseqüentes e desatentas não será detalhada aqui mas no capítulo seguinte.    II. CONCEPÇÃO VÁLIDA (INFERENCIA)    Em contraste com uma compreensão perceptiva válida de um objeto que ocorre em  uma experiência imediata, uma compreensão conceitual  válida realiza diretamente  a base   lógica e raciocínio corretos para sua ocorrência. Dentre todas as concepções, somente um  estado  inicial  de  compreensão  inferencial  gerada  com  uma  base  de  raciocínio  perfeito  é   considerada  uma concepção válida. Este estado mental conhecido como inferência válida*   é  definido  como  uma  concepção  cognitiva  recente  e  infalível  que  surge  na  dependência  11

Este se refere ao fato que qualquer percepção inicial de uma rosa particular pode fazer surgir a sua própria série de percepções subseqüentes e concepções de algo particular. Temos de uma rosa esta vida como base para todas as percepções e concepções de rosas.

40


direta do  raciocínio  perfeito  como  sua  base.  Em  Sânscrito  o  termo  para  inferência  é  anumãna. Anu significa subseqüente e mãna significa cognição. Então uma inferência é uma  compreensão  de  algo  que  ocorre  após  um  soma  de  certezas  de  um  interrogatório  lógico.  Nesta tradição, porém, o termo “inferência” refere‐se, somente, a uma inferência válida e  não apenas alguma cognição que ocorre após pensamento e investigação.    A. Um  Raciocínio Perfeito    Inferência é, especialmente, importante na compreensão de coisas as quais não são  evidentes à percepção. Muitos tópicos, tais como impermanência, a vacuidade da pessoa e  a  vacuidade  dos  fenômenos  são  no  momento  obscuros  da  nossa  experiência  imediata  e  podem  somente  ser  compreendidos  através  de  uma  mente  conceitual.  A  fim  de  fazer  algum  progresso  ao  longo  do  caminho  para  iluminação  ela  é  essencial  na  compreensão  destas  coisas.  Mas,  antes  de  se  atingir  um  insight  percptivo  sobre  estes  tópicos,  é  necessário verificá‐los, corretamente, por meio de inferência. Contudo, uma compreensão  inferente destes tópicos  não surgirá nas nossas mentes devido, simplesmente, à preces ou   por suportar certas privações físicas. Ele tem que ser cultivado através de um processo de  raciocínio exato.Afim de que uma compreensão inferencial que som é impermanente, por  exemplo, um raciocínio perfeito seja encontrado, exposto para e estabelecido com a mente.  No caso de um raciocínio perfeito para prover som  como impermanente seria a qualidade  de  ter  sido  criado  (na  dependência  de  causas  e  condições).  Mas,  não  é  suficiente,  simplesmente,  afirmar  este  raciocínio  para  que  uma  compreensão  ocorra.  O  raciocínio  deve primeiro estabelecer , ambos, aplicável para o sujeito e congruente com o predicado.  Neste caso o sujeito é som, o predicado ou fator a ser estabelecido é impermanência, e o  raciocínio  é  a  qualidade  de  ser  criado.  Primeiramente,  a  qualidade  de  ser  criado  está  mostrando a  aplicabilidade  para  o sujeito,  som,  visto  que  ele  é  uma  propriedade  natural  do  som.  Como  segunda  razão,  a  qualidade  de  ser  criado  é  congruente  com  o  predicado,  impermanência.  Por  essa  razão,  a  qualidade  de  ser  criado  é  um  raciocínio  perfeito  para  estabelecer  que  som  é  impermanente.  A  compreensão  inferente  que  som  pode  surgir  somente  quando  estas  condições  de  aplicabilidade  para  o  sujeito  e  congruência  com  o  predicado são estabelecidos com a mente de uma pessoa desejosa de tal conhecimento.12   B. Cognições Estabelecidas    Devemos saber como o processo cognitivo faz o estabelecimento da aplicabilidade  para o sujeito e a congruência com o predicado assumirem uma posição. Antes da geração  de  uma  compreensão  inferencial  válida,  duas  outras  compreensões    ‐  conhecidas  como  cognições  estabelecidas*  ‐  devem,  primeiro,  ser  realizadas.  Estas  agem  como  condições  12

Aqui, com o objetivo de simplificar, temos mencionado somente o raciocínio estabelecido de aplicabilidade para o sujeito (phyogs.chos) e congruência com o predicado (rjes.khyab) como necessário para qualificá-la como um raciocínio perfeito (rtags.yang.dag). Na realidade é necessário também estabelecer o terceiro fator, nomeadamente o raciocínio incongruente com os elementos contrários ao predicado (idog.khyab). Estes três fatores são chamados “os três modos” (tshul.gsum) e eles são as características definidoras de um raciocínio perfeito*.

41


contributivas que  transformam  uma  mera  crença  correta  que  som  é  impermanente  em  uma  compreensão  verdadeira.  Uma  destas  cognições  estabelecidas  tem  a  tarefa  de  determinar  a  aplicabilidade  do  raciocínio  para  o  sujeito  e  outra  a  tarefa  de  determinar  a  congruência  do  raciocínio  com  o  predicado.  Então,  em  termos  do  nosso  exemplo,  duas  cognições, uma estabelecendo que a qualidade de ser criado é aplicável para som e outra  estabelecendo  que  qualquer  coisa  que  é  criada  é  necessariamente  impermanente,  devem  ser geradas antes de uma inferirmos a validade que som é impermanente possa ocorrer. A  primeira destas, uma cognição compreensiva estabelecendo que som é criado (no contexto  de provar que som é impermanente pelo raciocínio de que ele é criado) é definida como  segue: ela é uma cognição na mente de um recipiente apropriado para comprovar que (a)  uma apreensão infalível que som é criado e (b) a causa para a inferência que compreende  som como impermanente pelo raciocínio de ser criado. É por meio desta compreensão que  a aplicabilidade do raciocínio para esta comprovação compreende que qualquer objeto que  é  criado  é,  necessariamente,  impermanente.  É  definido  como  uma  cognição  na  mente  de  um recipiente adequado para a comprovação, que é (a) uma compreensão infalível o fato  que  qualquer  objeto  criado  é,  necessariamente,  impermanente  e  (b)  uma  causa  para  a  inferência que compreende som como impermanente pelo raciocínio da sua criação. Esta  compreensão é, necessariamente, a fim de que estabeleça a congruência do raciocínio com  o predicado. Além disso, ambas as cognições estabelecidas podem ser compreensões tanto  perceptivas quanto conceituais, i.e. uma percepção válida, uma inferência válida ou uma  cognição  subseqüente  induzida  por  qualquer  uma  delas.  Deste  modo  uma  cognição  estabelecida pode ser uma compreensão criada na experiência imediata ou baseada, ainda,  em outro raciocínio. Por essa razão, em certos casos, uma compreensão inferencial de uma  coisa pode agir como uma cognição estabelecida que produz uma compreensão inferencial  de alguma outra coisa. Na definição também mencionamos que uma cognição estabelecida  é  uma  cognição  na  mente  de  um  recipiente  adequado.  Um  recipiente  adequado  para  a  comprovação é uma pessoa de quem a mente comprova tem, ainda, que ser estabelecida.  Alguém  que  já  compreende  som  por  ser  impermanente  seria,  por  essa  razão,  .um  recipiente adequado para sua comprovação.    C. Três Tipos de Inferências Válidas    A  compreensão  conceitual  inicial  que  surge  na  dependência  de  um  raciocínio  no  qual é estabelecido como aplicável para o sujeito e congruente como o predicado são para  serem  compreendidas  como  inferências  válidas.  Além  do  mais,  uma  inferência  válida  é  gerada  na  dependência  de  um  dos  três  tipos  de  raciocínio:  um  raciocínio  direto,  um  raciocínio convencional ou um raciocínio de crença. Um raciocínio direto estabelece o fato   sobre  o  objeto  através  da  força  direta  de  uma  marca  lógica  que  sustenta  o  objeto.  Um  raciocínio convencional, além de ser um raciocínio direto, estabelece o fato sobre o sujeito  que  é  verdadeiro  meramente  pela  força  de  uma  convenção  popular.  Um  raciocínio  de  crença  não  é  um  raciocínio  direto  mas  um  que  estabelece  a  validade  de  uma  citação  escritural  baseada  numa  crença  de  infalibilidade  da  pessoa  que  a  proferiu.  Deste  modo,  uma  compreensão  inferencial  que  ocorre  na  dependência  destes  três  tipos  de  raciocínios 

42


são, respectivamente, chamadas “uma inferência direta”, “uma inferência convencional”, e  “uma inferência de crença”.    1. Inferência Direta    Um  exemplo  de  inferência  direta  seria  a  compreensão  inferencial  que  som  é  impermanente,  baseado  no  raciocínio  de  ser  criado.  A  qualidade  de  ser  criado  é  um  raciocínio  que  comprova  que  som  é  impermanente.  Deste  modo,  a  compreensão  inferencial decorrente que som é impermanente é chamada de “uma inferência direta”. A  maior parte das inferências que compreende fenômenos ocultos, tais como a existência das  vidas passadas e futuras, liberação, onisciência, vacuidade, e assim por diante são também  inferências diretas.    2. Inferência Convencional    Como  exemplo  de  uma  inferência  convencional  seria  a  compreensão  inferencial  que  o  termo  “o  carregador  de  coelho”  é  adaptado  para  denotar  a  lua,  baseado  no  raciocínio que ele é um objeto de concepção. O “carregador de coelho” é um termo comum  usado na Índia e no Tibete para referir‐se a lua, visto que destes paises a face de um coelho  é  comumente  formada  pelas  marcas  na  lua.  Por  essa  razão,  esta  é  uma  inferência  convencional,  porque  o  que  está  sendo  estabelecido  é  verdadeiro  somente  para  certas  pessoas que estão de acordo com esta convenção particular.    3. Inferência por  Crenças     Finalmente,  um  exemplo  de  uma  inferência  por  crença  seria  um  compreensão  inferente que a declaração de Nagarjuna, “A riqueza surge da generosidade e felicidade da  disciplina moral”13 é infalível por que ela é uma declaração certificada pelos três tipos de  investigações. O ponto a ser compreendido, neste estabelecimento, é a infalibilidade, i.e ,  realmente  verdadeira,  baseada  no  raciocínio  que  ela  é  uma  citação  de  uma  escritura  certificada, ou validada pelas três formas de investigação. Estes meios que estabeleceram é  apoiado por ser não contraditória, com percepções válidas e inferências diretas ou crenças  inferentes.  Deste  modo,  se  uma  citação,  a  qual  estabelece  alguma  coisa  que  é  oculta  de  nossas  faculdades  sensoriais  e  do  raciocínio  direto,    pode  resistir  a  um  exame  crítico  baseado  nestas  faculdades  e  não  serem  apoiados  em  contradições,  então,  é  certificada  pelos  três  tipos  de  investigação.  Qualquer  inferência  que  compreenda  o  significado,  de  modo que, uma citação, por ser verdadeira, por causa de tal raciocínio é que chamamos de  uma crença inferente.           13

Veja Nagarjuna, The Precious Garland v. 438

43


D. A Necessidade da Inferência    Inferência Válida é extremamente importante, pois ela nos habilita a compreender  aquelas  coisas  que  são  ocultas  da  nossa  consciência  perceptiva.  Ambas,  em  termos  mundiais,  a  investigação  científica,  tanto  quanto  um  seguidor  do  caminho  do  Darma,  a  compreensão inicial de qualquer coisa deve ser primeira atingida através de uma pesquisa  analítica  baseada  em  um  raciocínio  perfeito.  Tais  compreensões  inferentes,  de  qualquer  modo,  são  chamadas  de  “uma  inferência  direta”  ou  “uma  inferência  de  crença”  são  ,  todavia,  estados  de  mentes  válidas  capazes  de  clarificar  nossa  concepção  da  realidade  e  conduzir‐nos para estados ainda maiores de compreensão.  Se  pensarmos  sobre  isto,  devemos  descobrir  que  o  que  não  compreendemos  é  muito  maior  do  que  aquilo  que  fazemos.    Todavia,  muitas  pessoas  assumem  que  o  que  elas compreendem é idêntico ao que existe e o que elas não compreendem é identificado  com  o  que  não  existe.  Conseqüentemente,  eles  afirmam  muitas  coisas  existentes  por  não  existentes,  enquanto,  de  fato,  sua  existência  é  simplesmente  oculta  de  uma  cognição  imediata.  A  base  desta  atitude  confusa  para  com  o  que  não  é  perceptivamente  evidente,  alguns  pensamentos  e  ações  tornam‐se  desfavoravelmente  afetados  e  o  modo  de  vida  nocivo,  que  trazem  somente  sofrimento  e  descontentamento  para  você  próprio  e  para  os  outros, é perseguido. Ela é, por essa razão, essencial para alcançar uma compreensão clara  de todos os aspectos da realidade  que estão, no presente momento, ocultos e obscurecidos  para nós, afim de que  sejamos capazes  de conduzir nossa vida de uma maneira benéfica e  significativa..  Além  do  mais,  a  forma  de    atingir  tal  compreensão  é  através  de  uma  investigação conceitual, baseada nas próprias experiências imediatas e nas dos outros , que  conduza  para  uma  compreensão  inferencial    válida.  Visto  que  tal    insight  não  está  disponível  no momento presente para as faculdades sensoriais, deste modo, é necessário  reconhecer a importância da inferência.     IV.MENTES  VÁLIDAS  AUTODETERMINADORAS  E  NÃO  AUTODETERMINADORAS    Tendo discutido a constituição de um estado mental válido, devemos  fazer agora  mais uma distinção dentro de mentes válidas, naquelas que são autodeterminadoras. Uma  mente  válida  autodeterminadora*  significa  que,  além  de  possuir  as  características  de  uma  mente válida, ela é capaz, pela sua própria força, de conduzir para uma certeza que  não  ocorreria  se  o  componente  essencial  para  a  sua  compreensão    fosse  removido  do  seu  campo objetivo de referência. Em outras palavras, ela é uma mente válida que claramente  compreende  qual  é  o  componente  essencial  do  seu  campo  objetivo  de  referência.  Por  exemplo,  quando  vemos  uma  figura  muito  familiar,  tal  como  nosso  pai  ou  mãe,  reconhecemos,  imediatamente,  o  componente  essencial  do  que  estamos  vendo,  nomeadamente  nosso  pai  ou  mãe.  Por  meio  disso,  somos  capazes  de  induzir,  através  da  força da nossa percepção visual, a certeza que se fosse removido o componente essencial  do campo objetivo de referência , tal percepção visual, possivelmente não ocorreria.  Este  estado mental válido é , desta maneira, chamado de “autodeterminador” visto que através 

44


da sua  própria  força  podemos  determinar  se  ele  ocorreria  ou  não  caso  o  componente  essencial  fosse  removido  do  campo  objetivo  de  referência.  Uma  mente  válida  não  autodeterminadora  ,  é aquela  que  não  tem  a habilidade    para  conduzir  para  esta  certeza  pela  sua  própria  força.  Como  substituto,  ele  tem  que  realizar    força  ainda  maior  na  compreensão  a  fim  de  saber  qual  é  o  componente  essencial  do  campo  objetivo  de  referência.  Podemos  estar  dirigindo  nosso  carro  e  ouvir  um  ruído  vindo  do  motor.  Compreendemos que é um ruído mas não sabemos que ele é um ruído de uma vareta do  pistão  frouxa.  Neste  caso  a  percepção  auditiva  é  uma  cognição  válida  de  um  ruído.  Mas  visto  que  ela  é  incapaz  de  conduzir  para  uma  certeza  que  ela  não  ocorreria  se  o  componente  essencial  –  o  ruído  da  vareta  frouxa  do  pistão  ‐    fosse  removido  do  campo  objetivo de referência, ele é uma mente válida não auto determinadora. A fim de ganhar  tal  certeza  seria  necessário    realizar  mais  investigação  e  compreensão,  pelo  próprio  motorista  ou  por  um  mecânico,  a  fim  de  descobrir  qual  é  o  componente  essencial  do  campo  objetivo  de  referência.  Por  essa  razão,  uma  mente  válida  não  auto  determinadora*,  é  definida como uma mente válida que necessita depender da força de uma outra cognição a  fim de conduzir para a certeza que ele não ocorreria se o componente essencial do qual ela  compreende fosse removido do seu campo objetivo de referência.    A. Mente Válida Auto Determinadora    Existem  cinco  tipos  de  mentes  válidas  autodeterminadoras,  todas  conforme  as  características definidoras explicadas abaixo:    i percepção sensorial válida de uma função evidente. Um exemplo de tal percepção  seria  a  apreensão  sensorial  que  fogo  tem  a  função  de  queimar  madeira.  Quando  observamos  o  fogo  consumindo  a  madeira,  a  sua  função  evidente  está  claramente  compreendida e deste modo o componente essencial com o campo objetivo de referência é  identificável.    ii  Percepção  sensorial  de  um  objeto  familiar.  Através  da  força  da  familiaridade  com um objeto, certeza de como o que ele é corre rápido e facilmente. Um exemplo seria a  percepção sensorial de uma criança da forma do seu pai.    iii., iv, v Estas são a cognição perceptiva válida, percepção contemplativa válida,  e  respectivamente  uma  inferência  válida.  A  natureza  destas  estão  explanadas  abaixo.  Além do mais, devemos compreender, agora, que elas são exclusivamente estados mentais  autodeterminadores.  Por  isso  uma  mente  válida  autodeterminadora  é  uma  na  qual  o  objeto compreendido é o mesmo do componente essencial do qual é compreendido. Visto  que  ele  compreende  este  componente  essencial,  compreende    qual  objeto  é  responsável  pela sua ocorrência e por meio disso é capaz de provocar a certeza que sem a presença do  objeto não teria ocorrido.     

45


C. Mentes Válidas  Não Autodeterminadoras    Quando  classificamos  de  acordo  com  a  etimologia  temos  seis  tipos  de  mentes  válidas não autodeterminadoras. Uma classificação etimológica é aquela na qual são feitas  primeiramente do ponto de vista do termo, deste modo possibilitando certas coisas serem  classificadas não realmente como a coisa em questão mas meramente  por ter semelhança  com ela.    i  Uma  mente  válida  para  qual  o  que  aparece  é  autodeterminador    mas    a  real  natureza  do  objeto  é  não  autodeterminadora.  Um  exemplo  disto  seria  uma  percepção  verdadeira  que  apreende  uma  mancha  longínqua    de  aparência  vermelha,  pela  distância  está incerto se é ou não a aparência de um fogo, quando de fato  é. Neste caso existe uma  cognição  válida  autodeterminadora  do  que  aparece,  nomeadamente  com  relação  a  real  natureza do objeto, sua aparência vermelha de fogo. Deste modo, falta compreender qual é  o componente essencial do seu objeto. Por essa razão, ela é incapaz de conduzir, pela sua  própria  força,  para  a  certeza  sobre  se  o  objeto  observado  era  fogo  ou  não  ela  não  teria  surgido.(revisar)  Para  esta  certeza  ser  gerada  é  necessário  contar  com  outra  pessoa  ou  além disso alguém que compreenda o componente essencial do objeto como um de  cor de  fogo.  ii    Uma  mente  válida  para  qual  a  característica  universal  do  objeto  é  autodeterminador    mas    a  característica  particular  é  não  autodeterminadora.    Um  exemplo seria a percepção sensorial verdadeira que apreende a árvore enquanto é incerto  se  ele  é  ou  não  uma  árvore  de  sândalo,  quando  de  fato  ela  é.  Aqui  a  característica  universal, como sendo uma árvore, é compreendida, mas sua característica particular, de  ser uma árvore de sândalo, não é. Deste modo, no caso do componente essencial do objeto,  uma árvore de sândalo, não é compreendido. Por essa razão, esta cognição é considerada  como  uma  mente  válida  não  autodeterminadora.  Com  este  e  o  próximo  exemplo  seria  claro  que  o  componente  essencial  do  que  é  compreendido  e  o  objeto  compreendido  são  diferentes para uma mente não autodeterminadora enquanto que para uma mente válida  autodeterminadora elas são as mesmas.     iii  Uma cognição que torna‐se uma mente válida não autodeterminadora apesar  do objeto ter aparecido. Um exemplo deste seria a percepção sensorial verdadeira de uma  mancha  de  aparência  azul  que  conduz  para  uma  dúvida  se  foi  vista  tal  mancha  de  aparência azul ou não. Neste caso, alguém, realmente  percebeu  a mancha de aparência  azul  mas  a  força  da  percepção  falhou  para  conduzir  a  alguma  certeza    deste  fato.  Mas  apesar  da  necessidade  de  contar  com  outras  cognições    ou  outras  pessoas  para  chegar  a  esta certeza, visto que a percepção original não foi válida mas desatenta, este exemplo não  pode ser considerado como uma mente válida não auto‐determinadora genuína, ainda que  seja chamada de tal.    iv  Percepção  verdadeira  inicial.  Um  exemplo  seria  a  percepção  sensorial  da  cor  vermelha de  uma rosa na mente de alguém que jamais tenha visto uma rosa antes. Este é 

46


uma percepção verdadeira inicial visto que é a primeira vez que ela ocorreu para a pessoa.  Ela  é  uma  mente  válida  não  autodeterminadora  visto  que  o  componente  essencial  do  objeto, a rosa de cor vermelha, não é compreendida. A pessoa compreende, somente, que o  objeto é a aparência de uma flor. Esta percepção é, dessa forma, incapaz, pela sua própria  força, de conduzir a certeza que ela não teria surgido, tinha o componente essencial, a cor  de  uma  rosa,  pelo  qual  foi  compreendido,  não  estando  presente  no  objeto,  a  cor  de  uma  flor.   v  Percepção  verdadeira  indireta.  Um  exemplo  deste  seria  uma  percepção  sensorial  de  um  som  na  mente  de  uma  pessoa  que  é  fortemente  atraída  por  uma  forma  visual maravilhosa. Aqui, visto que a mente está completamente envolvida na apreensão  da  forma  visual,  apesar  dos  sons  das  pessoas  falando  pudessem  ser  ouvidos,  não  presta  atenção  neles.  Mas,  este  estado  de  percepção  é  de  fato  uma  percepção  desatenta,  uma  mente não válida, e por esta razão, não pode, realmente, ser considerada como uma mente  válida  não  auto  determinada.  É  incluída  aqui  somente  por  causa  de  certas  similaridades  que ela possui com as mentes válidas não autodeterminadora que podem conduzi‐las a ser  consideradas como tal.     vi Percepção verdadeira que é uma fonte de engano.Um exemplo disto seria uma  apreensão  sensorial  verdadeira  do  aspecto  de  uma  miragem  que  diretamente  provoca  o  erro  que  a  miragem  é  água.  Este  é  um  exemplo  de  uma  mente  válida  não  auto  determinada.  No  caso,  o  objeto  compreendido  é  um  vislumbre  de  uma  aparição  mas  o  componente essencial do objeto é uma miragem e esta não é compreendida. Deste modo,  em  vez  de  trazer  a  certeza  que  a  natureza  da  aparição  vislumbrada  é  uma  miragem,  ela  conduz  a  uma  concepção  errônea  que    a  aparição  vislumbrada  é  água.  Além  do  mais,  compreender que a aparição vislumbrada é na realidade uma miragem e não água , outras  pessoas ou mais cognições tem que ser realizadas. Por isso esta percepção visual válida é  considerada como uma mente válida não autodeterminadora.     V. A DIVISÃO ETMOLÓGICA DE VÁLIDA.    Além do mais, para denotar todos os estados válidos de cognição, o termo “válido”  (pramana) é usado também para expressar pessoas válidas e formas de fala válidas. Uma  pessoa válida é aquela que não se engana, aquelas que estão se esforçando pela liberação  do samsara. Um exemplo de tal pessoa seria Buda Shakyamuni. Um Buda é considerado  como  não  enganoso  e  infalível,  ele  delineia,  precisamente,  para  os  seus  discípulos  individuais  os  meios  pelos  quais  liberação  e  iluminação  podem  ser  vencidos.  O  fato  da  infalibilidade de um Buda é extensivamente e diretamente provado no segundo capítulo  do Comentário de uma Mente Válida de Dharmakirti. Na seção que trata com o modo no  qual  um  Buda  surge,  sua  infalibilidade  é,  principalmente,  explanada  através  de  uma  apresentação Mahayana. Enquanto que a seção que trata do seu surgimento no mundo e a  difusão  dos  ensinamentos  é,  primeiramente,  explanada  através  da  apresentação  para  os  seres  intermediários  e  de  menor  capacidade  espiritual.  Por  estes  raciocínios  o  segundo 

47


capítulo do Comentário para uma Mente Válida é considerado como a substância de um  trabalho completo, visto que ele trata este ponto mais essencial.  Do  mesmo  modo  fala  válida  é  aquela  na  qual  o  sentido  comunicado  é  não  enganoso e de benefício para outros que estão se esforçando para encontrar a liberação do  samsara.  Quando  Buda  ensinou  seus  discursos  sobre  as  quatro  nobres  verdades,  por  exemplo,  este  se  constituiu  de  fala  válida,  porque  ele  instruiu  pessoas  no  qual  tem  sido  rejeitado, nomeadamente as verdades sobre o sofrimento e sua origem, e o que tem de ser  aceito, nomeadamente as verdades da cessação do sofrimento e a verdade do caminho que  conduz a tal cessação.  Deste  modo,  o  termo  “mente  válida”  (pramana)  é  aplicável  aos  três  tipos  de  estados válidos de cognições, tais como aquelas discutidas acima; pessoa válida, tal como  um  Buda;  uma  fala  válida,  o  discurso  de  uma  pessoa  válida.  Por  essa  razão,  ele  não  denota, exclusivamente, estados mentais. 

48


Conteúdos do Capítulo Quatro        I  COGNIÇÃO SUBSEQÜENTE        46      A. Percepção Subseqüente         47    B. Concepção Subseqüente        47    II  CRENÇA CORRETA          48    A. Crença Correta Irracional          49  B. Crença Correta Baseada em um Raciocínio Contraditório  49  C.Crença Correta Baseada em um Raciocínio Inconcluso  49  D.Crença Correta Baseada em um Raciocínio Inaplicável  49  E.Crença Correta Baseada  em um  Raciocínio Perfeito   mas não Estabelecido          49    III  PERCEPÇÃO DESATENTA         50    IV  INDECISÃO (DÚVIDA)           51    A. Indecisão que Tende para uma Conclusão Correta   51  B. Indecisão que Tende Para uma Conclusão Incorreta  51  C.Indecisão Equilibrada            52    IV COGNIÇÕES ERRÔNEAS          52    A. Percepções Errôneas            53  1. Percepções Sensoriais Errôneas         53  2. Percepções Mentais Errôneas         54  B. Concepções Errôneas          54   

49


Capítulo Quatro     

Mentes Não‐Válidas      Neste  Capítulo  consideraremos  ao  vários  estados  mentais  que  não  são  considerados como válidos. Uma mente não‐válida*  é definida como uma cognição que não  é  recente  nem  infalível.  Existem  cinco  tipos  distintos  nos  quais  todas  as  instâncias  serão  classificadas,  nomeadamente:  cognição  subseqüente,  crença  correta,  percepção  desatenta,  indecisão e cognições errôneas.    I. COGNIÇÃO SUBSEQÜENTE    A definição característica de uma cognição subseqüente*  é a de uma cognição  de um  objeto que já foi compreendido. Isto significa que ela é uma cognição que compreende seu  objeto  somente  através  da  força  de  uma  compreensão  anterior  válida  do  mesmo  objeto.  Por  essa  razão,  uma  cognição  subseqüente  é  sempre  induzida  por  uma  mente  válida,  considerando  que  uma  mente  válida  compreende  o  objeto  através  da  sua  própria  força  independente de ser induzido por uma cognição anterior. Por este raciocínio uma mente  válida é sempre recente, ação inicial da mente com uma série de cognições, considerando  os momentos de compreensão que seguem elas são chamadas de cognições subseqüentes.  Este  processo  é  algo  similar  para  um  carro  que  está  socorrendo  outro  carro  quebrado  rebocando‐o  ao longo da rodovia. Ambos os carros estão circulando pela mesma rodovia,  na mesma direção e com suas próprias rodas, mas somente o carro da frente tem potência  e  capacidade  de  ser  dirigido.  Do  mesmo  modo,  uma  mente  válida  e  uma  cognição  subseqüente com o mesmo fluxo mental têm o  mesmo objeto e o compreendem da mesma  forma,  mas  somente  a  cognição  válida  compreende  o  objeto  pela  sua  própria  força.  A  cognição subseqüente é meramente induzida ou trazida pela sua força.  Existem dois tipos de cognições subseqüentes: percepção subseqüente e concepção  subseqüente.         

50


A. Percepção Subseqüente    Todas  as  percepções  subseqüentes  são  percepções  verdadeiras  que  são  induzidas  por  uma  percepção  válida.  Existem  quatro  tipos  correspondendo  a  quatro  espécies  de  percepção  válida  que  foram  discutidas  nos  capítulos  anteriores,  nomeadamente:  percepções  sensoriais  subseqüentes,  percepções  mentais  subseqüentes,  apercepções    subseqüentes  e  percepções  contemplativas  subseqüentes.  Percepções  sensoriais  subseqüentes,  por  exemplo,  seria  a  segunda  e  seguinte  ação  da  percepção  que  sucede  a  percepção  inicial  válida.  O  mesmo  pode  ser  entendido  para  uma  percepção  mental,  apercepção  e  percepções  contemplativas.  Embora  as  segundas  e  seguintes  ações  de  percepções  induzidas  por  uma  percepção  válida    sejam  geralmente  verdadeiras  elas  são  percepções subseqüentes, existe, de qualquer modo, uma exceção para esta regra. A mente  onisciente  de  um  Buda  é  sempre  um  estado  válido  de  percepção  visto  que  é  dito  que  qualquer o que existe acarreta uma compreensão recente e imediata na mente onisciente.  Deste  modo,  todas  as  instâncias  de  uma  percepção  Búdica,  sejam  elas  iniciais  ou  ações  seguintes  de  percepção,  são  sempre  percepções  válidas  e  jamais  subseqüentes.  A  razão  para isto é porque apesar de um segundo momento na percepção onisciente possa seguir a  uma  inicial  ela  jamais  é  induzida  pela  sua  força.  Sem  depender  de  uma  cognição  precedente  inicial  cada  momento  de  uma  mente  onisciente  é  capaz  de  compreender  seu  objeto através da sua própria força. Se não fosse este o caso, então, uma mente onisciente  seria  ainda  dotada  de  deficiências  e  não  teria  atingido  um  estado  último  de  habilidade  cognitiva. Mas visto que uma mente onisciente é livre de todas as imperfeições e realizou  sua condição máxima de habilidade cognitiva, cada momento único em seu contínuo tem  as características de uma percepção válida.    B. Concepção Subseqüente     Uma  concepção  subseqüente  de  um  objeto  pode  ser  induzida  de  duas  diferentes  maneiras:  por  uma  percepção  válida  e  por  uma  inferência  válida.  Uma  concepção  subseqüente induzida por uma percepção válida é uma determinação ou firme lembrança  de um objeto inicialmente percebido por um dos quatros tipos de percepções válidas. Por  exemplo,  podemos  olhar  para  uma  pintura  um  dia  e  o  dia  seguinte  ser  capaz  de  claramente recordar o objeto e corretamente descrever seus detalhes. Então aqui podemos  ver  como  uma  concepção  subseqüente  de  uma  pintura  é  conduzida  por  uma  percepção  visual válida dela.  Uma  concepção  subseqüente  induzida  por  uma  inferência  válida  é  uma  compreensão  conceitual  de  alguma  coisa  que    foi  compreendida  inicialmente  por  uma  inferência  válida.  Podemos  inferir  na  dependência  direta  de  um  raciocínio  perfeito    que  som  é  impermanente.  Embora  a  compreensão  inicial  seja  uma  mente  válida,  todos  os  momentos  seguintes  de  cognições  que  concebem  som  por  impermanente  seriam  concepções subseqüentes induzidas através da força de uma inferência inicial.  Deve ser observado, também que existem diferentes visões em relação a cognições  válidas  e  subseqüentes  defendidas  entre  as  várias  escolas  filosóficas  do  Budismo.  Por 

51


exemplo, a  Madhyamika‐Prasangikas  afirma  que  todas  as  cognições  subseqüentes  são  válidas (veja pg. 46).    II. CRENÇA CORRETA    Uma  crença  correta*  é  definida  como  uma  cognição  concebida  em  conformidade  com a realidade que concebe seu objeto de uma maneira falível. Ela é uma cognição falível  uma vez que é incapaz de induzir acertadamente ou eliminar qualquer concepção errônea  sobre seu objeto. Mas ela é uma cognição conceitual verdadeira uma vez que seu principal  objeto é existente. Por isso, é uma concepção falível que apreende um objeto verdadeiro e,  todavia, não é nem uma cognição válida ou subseqüente de um lado, nem uma cognição  errônea de outro. Apesar de uma crença correta não ser uma compreensão genuína do seu  objeto,  contudo  é  dito  “compreender”  seu  objeto  meramente  por  meio  de  uma  imagem  mental nominal ou experimental. Imagine que alguém diz para você que as vidas passadas  e futuras existem. Por causa da sua fé na pessoa, você pode, conseqüentemente, acreditar  nisto.  Este  seria  então  um  exemplo  de  uma  crença  correta  que  compreende  o  objeto  meramente  por  meios  de  uma  imagem  nominal.  O  estabelecimento  proferido  é  verdadeiro,  mas  para  a  compreensão  da  entidade  oculta  referida  falta  algum  raciocínio  perfeito ou uma experiência direta como sua base. Por essa razão, esta compreensão ficou  restrita ao estado de uma crença correta. Esta crença foi baseada em uma imagem nominal,  porque a concepção do objeto foi baseada somente em um rótulo e descrição.  Similarmente, crença correta pode surgir independentemente  de rótulo e descrição  por outros, mas na base de uma experiência própria. Em tais casos, ela seria uma crença  correta  de  alguma  coisa  por  meio  de  uma  imagem  experimental.  Deste  modo,  crença  correta não é uma compreensão genuína como é uma cognição válida, mas visto que ela  apreende um objeto existente, ela é dita “compreendê‐lo”. É importante estar ciente desta  distinção.  Crença  correta  é  importante  porque  ela  nos  dá  uma  base  firme  na  qual  estabelecemos um raciocínio perfeito para o que acreditamos e para, então, produzir uma  compreensão inferencial dela. Ela é a causa substancial para inferências enquanto que as  cognições  que  estabelecem  aplicabilidade  do  raciocínio  para  o  sujeito  e  sua  congruência  com o predicado são meramente condições contributivas. A presente crença correta é, para  muitos de nós, a natureza de nossa fé na existência de vidas passadas e futuras, liberação,  onisciência  e  vacuidade.  Então,  apesar  delas  serem  cognições  “falíveis”,  elas  são,  ainda,  um estado mental benéfico que deve ser desenvolvido.   Existem cinco tipos de crenças corretas de acordo com as cinco maneiras possíveis  nas  quais  elas  podem  ser  formuladas.  A  primeira  das  cinco  não  é  baseada  em  qualquer  raciocínio,  enquanto  que  as  quatro  demais  são  baseadas  nos  vários  tipos  de  raciocínios  incorretos tanto quanto em raciocínios corretos que não são totalmente identificados.         

52


A. Crença Correta Irracional    Esta  é  qualquer  crença  que  é  baseada  meramente  na  proposição  injustificável  de  outra  pessoa.  Se  alguém  diz  para  você,  “som  é  impermanente”,  e  você  aceita  o  que  foi  estabelecido, então isto é uma crença correta irracional.    B. Crença Correta Baseada em um Raciocínio Contraditório    Este seria como acreditar  que som é impermanente porque ele é um fenômeno não  efetivo. Este raciocínio é completamente contraditório porque, por um lado, som não é um  fenômeno  não  efetivo  e,  por  outro  lado,  não  efetividade    e  impermanência,  são  propriedades  mutuamente  exclusivas.  Um  fenômeno  não  efetivo  é  aquele  incapaz  de  produzir qualquer resultado e é, deste modo, o mesmo que um fenômeno permanente. Por  essa razão, não é uma maneira que pode ser usada como uma indicação para provar que  alguma coisa é impermanente. Neste exemplo, nem a aplicabilidade do raciocínio para o  sujeito nem a sua congruência com o predicado podem ser estabelecidos.    C. Crença Correta Baseada em um Raciocínio Inconcluso    Um  exemplo  deste  seria  acreditar  que  som  é  impermanente  porque  ele  é  um  fenômeno  existente.  Apesar  deste  raciocínio  ser  aplicável  para  o  sujeito,  ele  é,  ainda,  inconcluso.   Por ser impermanente,  um fenômeno existente não é um critério suficiente.  Deste modo, a congruência com o predicado não pode ser estabelecida    D. Crença Correta Baseada em um Raciocínio Inaplicável    Este  seria  como  acreditar  que  som  é  impermanente  por  que  é  um  objeto  da  percepção visual. Aqui a congruência com o predicado é estabelecida: qualquer objeto de  percepção  visual  é,  necessariamente,  impermanente.  Mas  o  raciocínio  é  inaplicável,  por  que ele não é aplicável para o sujeito, visto que som não pode ser um objeto de percepção  visual.    E. Crença Correta Baseada em um Raciocínio Perfeito mas não Estabelecido    Um  exemplo  deste  seria  a  crença  que  som  é  impermanente  porque  ele  é  algo  criado, que ocorre na mente de alguém que ainda não estabeleceu a aplicabilidade para o  sujeito  –  que  som  é  criado  –  ou  a  congruência  com  o  predicado  –  que  se  é  criado  é  necessariamente impermanente. Neste caso o raciocínio, por si próprio, é correto e válido.  Mas  visto  que  a  pessoa  não  entendeu    ainda  isto,  sua  compreensão  de  som  por  ser  impermanente é somente uma crença correta e não uma compreensão inferencial válida.       

53


III. PERCEPÇÃO DESATENTA    Uma  percepção  desatenta*  é  uma  percepção  verdadeira  que  não  compreende  seu  objeto por não ter prestado suficiente atenção nele. É definido como uma percepção pela  qual o fenômeno concreto, que é seu objeto principal, claramente aparece mas é incapaz de  induzir  a  uma  certeza  dele.  Por  exemplo,  podemos  nos  encontrar  completamente  envolvido  em  um  objeto  visual  maravilhoso  e  apesar  de  alguém  falar  conosco,  não  podemos  ouvir  o  que  ela  está  dizendo.  Neste  momento,  a  mente  está  devotando  grande  parte da sua atenção para a forma visual e por isso falhou em ouvir o que está sendo dito.  A  percepção  auditiva,  neste  momento,  é  deste  modo  desatenta.  O  objeto  –  o  som  de  alguém  falando  –  aparece  claramente,  sem  a  mistura  de  uma  imagem  mental,  mas  a  incerteza  de  ter  ouvido  a  fala  ou  seu  conteúdo  pode,  mais  tarde,  ser  induzida  pela  percepção. Por essa razão, a sua falha na compreensão do objeto não foi por causa de uma  compreensão  errônea,  mas  porque  não  prestou  atenção  suficiente  nele.  Qualquer  percepção  verdadeira  que  mais  tarde  cause  somente    incerteza  e  dúvida  sobre  o  que  foi  inicialmente percebido é, por essa razão, uma percepção desatenta.  Além do mais, toda a percepção mental de objetos sensoriais na mente de um ser  ordinário  são  percepções  desatentas.  Estas  ocorrem  imediatamente  após  a  percepção  sensorial e imediatamente anterior  à resposta conceitual a um objeto sensorial particular.  Apesar  delas  serem  percepções  verdadeiras,  suas  durações  são  tão  curtas  –  mais  rápido  que um estalar de dedos14 ‐ incapazes de induzir alguma recordação ou certeza do objeto e  são, deste modo, classificados como percepções desatentas.  Do mesmo modo, a cognição  aperceptiva que experiencia tais percepções mentais são também desatentas.  Também,  para  um  ser  ordinário  todos  estes  momentos  menores  medidos  em  estalos  de  dedos  que  fazem  o  fluxo  de  cognição  são  considerados  como  percepções  desatentas.  Cognição  válida  e  os  outros  cinco  tipos  de  mentes  são  ações  cognitivas  completas  requerendo  para  sua  duração  um  número  variável  de  minúsculos  momentos  dependendo  da  agudez  das  faculdades  perceptivas  individuais.  Pessoas  com  sentidos  atentos  e  mentes  inteligentes  podem  compreender  seus  objetos  mais  rápido  que  outros.  Para  estas  pessoas  o  número  destes  minúsculos  momentos  de  cognições  necessário  para  formar  uma  ação  cognitiva  é,  conseqüentemente,  menores  que  para  pessoas  com  faculdades  menos  aguda.  Cada  momento  minúsculo  destes,  é  incapaz  de  compreender  completamente  o  objeto  em  uma  ação  cognitiva  e,  deste  modo,  apesar  de  claramente  observar  o  objeto,  é  incapaz  de  induzir  alguma  certeza  dele.  Por  essa  razão,  eles  são  classificados    como  percepções  desatentas.  Todavia  para  Aryas,  cada  um  dos  menores  momentos  de  percepção    é  uma  ação  de  compreensão  completa,  por  causa  das  suas  capacidades mentais elevadas.   Além do mais, algumas cognições aperceptivas podem tornar‐se desatentas devido  a concepções errôneas sobre a natureza de um estado mental particular. Por exemplo, os  adeptos da escola não Budista Sãmkhya acreditam que sentimentos prazerosos possuem a  natureza  do  tema,  ou  seja,  percepção  desatenta.  Deste  modo,  devido  à  força  desta  concepção errônea, apesar da natureza mental dos sentimentos prazerosos aparecer para a  14

Um termo comum indiano para medir um momento muito curto.

54


cognição aperceptiva que o experiência, pode não induzir a uma certeza ou compreensão  sobre esta percepção desatenta. Similarmente, os seguidores da escola Cãrvãka sustentam  que  não  existem  tais  coisas  como  uma  inferência  válida.  Para  eles  somente  percepções  válidas podem existir. De qualquer modo, a validade de uma inferência dentro da mente  de um seguidor Cãrvãka é experienciada pelas apercepções acompanhantes. Mas devido  ao poder das concepções errôneas das pessoas em relação à natureza da inferência ela não  pode ser considerada correta como tal. Apesar da inferência válida ser considerada como  não  existente  pelos  defensores  deste  sistema,  todavia  ela  é  consuderada  existente  nas   mentes quando a compreensão de algo tenha acontecido de forma recente  na dependência  direta de um raciocínio perfeito.  Além  do  mais,  dentro  dos  quatro  tipos  de  percepção  verdadeira,  percepções  sensoriais  verdadeiras,  percepção  mental  e  apercepção  verdadeiras  podem,  às  vezes,  ser  consideradas  desatentas.  Mas  visto  que  percepções  contemplativas  verdadeiras  sempre  acertam qualquer objeto que aparecem para elas, elas jamais podem ser desatentas.    IV. INDECISÃO    Indecisão* é definida como um fator mental que por usa própria força vacila entre  duas alternativas em relação ao seu objeto. Apesar das mentes primárias e outros fatores  mentais  associados  com  indecisão  também  vacilarem  através  da  sua  força  controladora,  elas não são consideradas estados de indecisão. Somente o  fator mental de indecisão, tem  na  sua  própria  natureza  a  função  de  vacilar,  é  o  que  estamos  discutindo  aqui.  Por  essa  razão, para eliminar a possibilidade de uma mente primária associada com indecisão ser  incluída como tal, a definição estabelece que indecisão é um fator mental. Além do mais,  para  eliminar  a  inclusão  de  outros  fatores  mentais  associados  de  ser  incluído  como  indecisão, a definição estabelece que ela vacila por sua própria força entre duas alternativas.  Existem  três  maneiras  nas  quais  indecisão  pode  vacilar  ou  tender:  para  uma  conclusão  correta, uma conclusão incorreta ou de uma forma equilibrada.    A. Indecisão que Tende para uma Conclusão Correta    Este  estado  mental,  apesar  de  ser  dividido  e  indeciso,  tende  para  uma  conclusão  correta  como  oposição  a  uma  conclusão  incorreta.  Quando  apoiadas  por  promover  pensamentos  realísticos  e  contemplação,  será,  eventualmente  possível,  descartar  suas  características  oscilativas  e  atingir  uma  crença  correta.  Um  exemplo  seria  o  pensamento:  “talvez som seja impermanente, é mais provável que sim”.     B. Indecisão que Tende Para uma Conclusão Incorreta    Esta  forma  de  indecisão  tende  a  uma  direção  oposta  ao  tópico  discutido  anteriormente,  i.e.  distanciado‐se  de  uma  crença  correta,  acaba  conduzindo  a  uma  concepção  errônea.  Um  exemplo  seria  o  pensamento:  “talvez  som  seja  impermamente,  mas provavelmente ele seja permanente”. 

55


C. Indecisão Equilibrada    Aqui  a  mente  vacila,  mas  não  tem  preferência  por  ambas  as  alternativas.  Deste  modo  ela  é,  genuinamente,  indecisa.  Um  exemplo  seria  o  pensamento:  “Talvez  som  seja  impermanente, mas ele pode, igualmente, ser permanente”.   Geralmente  consideramos  indecisão  como  um  impedimento  para  firmar  uma  certeza  ou  uma  compreensão  de  um  objeto  oculto.  De  qualquer  modo,  em  muitos  casos,  indecisão  age  alternadamente  entre  visão  errônea,  concepção  não  realística,  crenças  realísticas e inferências. Podemos sustentar, firmemente, que vidas passadas e futuras não  existem,  e  deste  modo  desenvolver  uma  concepção  errônea  sobre  este  ponto.  Se,  em  vez  disso,  refletirmos  e  considerarmos  certos  argumentos,  nossa  concepção  unilateral  pode  iniciar uma oscilação e fazer surgir o pensamento: “elas provavelmente não existam, mas  talvez  elas  existam”.  Daquela  decisão  que  tendia  para  uma  conclusão  incorreta  pode,  desse  modo,  iniciar  a  transformação  para  um  estado  genuíno  de  indecisão  e,  subseqüentemente,  começar  a  tender  para  uma  conclusão  correta  que,  provavelmente,  tornar‐se‐á existente. Com mais reflexão e investigação a oscilação pode cessar e um firme  estado  de  uma  crença  correta  ser  desenvolvido.  A  base  desta  crença  correta  será,  então  uma  boa  posição  para  compreender  sua  existência  na  dependência  de  um  raciocínio  perfeito,  deste  modo  atingir  uma  inferência  válida  capaz  de  induzir  a  mais  concepções  subseqüentes.    Apesar  da  nossa  indecisão  inicial  que  ainda  tendia  para  uma  conclusão  incorreta fosse danosa, tão logo começou  a tender para verdade, ela tornou‐se benéfica e  positiva e foi capaz de conduzir para uma seqüência de cognições realísticas. Para ilustrar  mais  este  aspecto  positivo  da  indecisão,  Ãryadeva,  em  seu  trabalho  “The  four  Hundred”,  estabelece; “Quando alguém de pouco mérito é, meramente, indeciso se (fenômenos são) vazios (de  existência inerente) ou não, esta dúvida minará a existência condicionada”.    Isto  significa  que  se  alguém  estivesse,  meramente,  em  um  estado  de  indecisão  tendendo  para  uma  conclusão  correta  que  fenômenos  são  vazios  de  existência  inerente,  então, esta dúvida terá força para reduzir a ignorância, aflições e ações contaminadas que  são as causas para o samsara. Além do mais, deveríamos entender que indecisão , tal como  esta, é benéfica enquanto que indecisão que tende para aquelas crenças que fortalecem as  concepções  errôneas    que  nos  prendem  no  samsara  são  maléficas.  Certos  estados  de  indecisão,  tal  como  o  pensamento, “que  a  mancha  preta  distante  é  um  homem  ou  não?”  não são benéficas sem maléficas, mas fenômenos não especificados.    V. COGNIÇÕES ERRÔNEAS    Uma  cognição  que  aprende  seu  objeto  de  uma  maneira  errônea  é  a  definição  de  uma cognição errônea*. Este tipo de cognição é enganosa sobre seu objeto principal e a sua  percepção ou concepção é realizada de uma maneira na qual ela não existe. Existem, deste  modo, duas divisões: percepções e concepções errôneas.     

56


A. Percepções Errôneas    Percepção errônea  é a mesma percepção falsa. Ela é definida como uma cognição  não conceitual que aprende seu objeto de uma maneira errônea. Qualquer percepção que  observe um objeto não existente, tal como um azul em uma montanha nevada ou em uma  concha amarela, é um erro ou uma percepção falsa. Existem dois tipos: percepção errônea  mental ou sensorial.    1. Percepção sensorial errônea    De acordo com o lugar que o engano encontra sua fonte podemos distinguir quatro  tipos de percepções sensoriais errôneas.    i. Percepção Sensorial para qual a fonte de engano existe com o objeto. Isto seria  como  quando  rapidamente  giramos  uma  vara  de  incenso  em  um  quarto  escuro  e  vimos  um  círculo  formado  de  fogo.  Na  realidade    não  existe  tal  círculo  de  fogo,  mas  a  sua  percepção surge porque o objeto foi movido de uma maneira particular.    ii. Percepção sensorial para qual a fonte de engano existe na base da percepção, o  órgão  sensorial.  Quando  temos  icterícia,  o  órgão  olho  é  afetado  pelo  aumento  de  bile  e  conseqüentemente  vemos  tudo  com  uma  forma  amarelada.  Similarmente,  se  o  olho  é  acometido  por  cataratas,  podemos  enxergar,  freqüentemente,  fios  de  cabelo  caindo  em  frente dos nossos olhos. Tais distorções sensoriais como estas são causadas por um defeito  com a condição dominante da percepção sensorial particular.    iii. Percepção  sensorial  para  a  qual  a  fonte  de  engano  existe  na  situação.  Tais  percepções  como  estas  ocorrem  quando  nos  encontramos  em  uma  situação  particular  tal  como um veículo em movimento. Quando estamos viajando em um trem, freqüentemente,  parece que a paisagem está passando por nós ou que nosso trem está se movendo quando  de fato o trem da plataforma adjacente é que está dando a partida da estação. Nestes casos  o engano não é causado nem pelo objeto nem pelo órgão sensorial mas pela justaposição  de certas condições em uma situação particular.    iv. Percepção  sensorial  para  a  qual  a  fonte  do  engano  existe  como  condição  imediata.  Estas  ocorrem  quando  a  mente  é  perturbada  por  certos  pensamentos  ou  emoções. Quando alguém é muito raivoso tudo que ele vê, muitas vezes, aparece colorido  de  vermelho.  Isto  que    surge  com  a  raiva  perturba  a  nossa  mente  de  tal  maneira  que  as  energias do corpo são afetadas também e elas começam a surgir. Em seguida isto estimula  a  circulação  do  sangue  que  então  causa  aumento  de  pressão  no  pescoço  e  ombros  tanto  quanto encurta a respiração e assim por diante. Finalmente, quando a raiva é muito forte o  sangue se propaga violentamente nas veias e nos olhos e isto afeta a visão de tal maneira  que tudo aparece tingido de vermelho. Ao contrário, quando a mente está sob influência 

57


de apego e desejo, objetos aparecem especialmente atrativos e prazerosos quando de fato  eles não são.    Além  do  mais,  estudando  estes  exemplos,  toda  vez  que  uma  percepção  sensorial  errônea  ocorrer  em  nossa  mente  deveríamos  reconhecer  como  o  objeto  está  sendo  percebido,  o  que  está  causando  o  engano  e  como  este  engano  pode  ser  eliminado.  É  de  grande  benefício  constatar,  nestes  momentos,  que  o  que  está  aparecendo  para  nós  não  é  real e não é para acreditarmos.    2. Percepção mental errônea    Um  exemplo  deste  é  uma  percepção  de  um  amigo  em  um  sonho.  Todas  as  cognições  que  ocorrem  em  um  sonho  são  mentais  e  não  conceituais.  Além  do  mais,    são  errôneos  porque  apreendem  seus  objetos  como  realmente  existente.  Quando  vemos  um  amigo  em  um  sonho  o  que  de  fato  existe  é  apenas  uma  aparência  ocorrendo  através  da  força  de  uma  excitação  mental  impressa,  mas  não  reconhecemos  isto  e  em  vez  disso  apreendemos o objeto como real, uma pessoa viva. Também, embora apareça como se uma  faculdade  sensorial  estivessem  funcionando  em  um  sonho,  de  fato  elas  não  estão.  Este  processo inteiro é puramente uma percepção mental.    B. Concepção Errônea    Qualquer  cognição  conceitual  que  aprende  seu  objeto  de  uma  maneira  errônea  é  uma concepção errônea. Isto é o mesmo que uma concepção falsa ou uma concepção que  não está de acordo com a realidade. Exemplos seriam a concepção que som é permanente,  a  concepção  de  um  chifre  na  cabeça  de  uma  lebre  e  a  concepção  de  uma  pessoa  auto‐  existente com o conjunto corpo‐mente.   

58


Percepção Concepção  Cognição   sensorial  Cognição  mental  Cognição  aperceptiva  Cognição  não  aperceptiva  Cognição  válida  Cognição não  válida  Compreensão 

Percepção Válida 

Inferência Válida 

Cognição Subseqüente 

x   x 

x   

x x  x 

x

x

x

x

x

x

x

x

x

x

x

x

x

x

Crença Correta 

Percepção Desatenta 

Indecisão

Cognições Errôneas 

x

x   x 

x   

x x  x 

x

x

x

x

x

x

x

x

x

x

x

 

x

x

Cognição x  x  x  x x  x  verdadeira  Cognição          x  falsa  Neste diagrama, cada marcação (x) indica que a existência de uma ou mais instâncias de um dos sete  tipos de mente (percepção válida, etc.) pertencente para as categorias gerais de percepção, concepção e assim  por diante. 

59

x


Conteúdos do Capítulo Cinco        I   

II    III 

A CLASSIFICAÇÃO QUADRUPLA DE OBJETOS 

58

A. O Objeto Aparecido  B. O Objeto Principal  C. O Objeto Concebido  D. O Objeto Referente 

     

     

OBJETOS DIRETOS E INDIRETOS 

     

     

58 58  59  59 

60

OBJETOS EVIDENTES, LEVEMENTE OCULTOS  E EXTREMAMENTE OCULTOS     

61

 

60


Capítulo Cinco   

Objetos     Nos quatro capítulos anteriores  examinamos a natureza do sujeito e em particular  a  mente.  Agora,  devemos,  resumidamente,  discutir  os  vários  tipos  de  objetos  que  os  diferentes tipos de mente apreendem.  Aqui, o termo objeto* denota somente objetos da mente. Apesar de falarmos de um  chifre  na  cabeça  de  uma  lebre  ou  um  som  permanente  como  sendo  objetos  de  pensamentos particulares que os concebem, ou de duas luas como sendo objetos de uma  percepção  visual  errônea,  estas  coisas  não  são  objetos  no  estrito  senso  da  palavra.  Do  mesmo  modo,  quando  falamos  da  ignorância  que  apreende  uma  pessoa  como  auto‐  existente,  apesar  da  auto‐existência  da  pessoa  ser  o  objeto  que  a  mente  ignora,  não  é  realmente  um  objeto,  visto  que  ele  é  totalmente  não  existente.  Além  do  mais,  o  que  queremos  dizer  por  um  objeto  é  alguma  coisa  de  natureza  na  qual  torna‐se  mais  claro   quanto  mais  ele  for  analisado,  alguma  coisa  que  possa  ser  corretamente  conhecida  e  compreendida  pela  mente.  Devemos  notar  que  os  termos  “objeto”,  “existente”,  “entidade  conhecível*” e “fenômeno” são sinônimos.   Existem três diferentes modos nos quais objetos são classificados: em classificação  quádruplo  de    objeto  aparecido,  objeto  principal,  objeto  concebido  e  objeto 

referente15; a  classificação  dupla  de  objetos  diretos  e  indiretos;  e  a  classificação  tripla em evidente, oculto e extremamente oculto. Devemos, agora, examinar cada  uma destas categorias.  Além do mais, é importante compreender que as distinções acima não são feitas  do  lado  dos  objetos  por  eles  próprios,  mas  das  suas  posições  em  determinada  situação  cognitiva. Isto quer dizer que apesar de alguma coisa possa ser  o objeto aparecido de uma  cognição  particular,  ele  poder  ser  o  objeto  oculto  de  outra,  o  objeto  principal  ainda  de  outra  e  assim  por  diante.  Do  mesmo  modo,  sendo  o  objeto  aparecido  de  uma  cognição  particular não necessariamente exclui a possibilidade de também ser de algum dos outros  tipos  de  objetos  para  a  mesma  cognição.  Mantendo  isto  na  mente,  o  relacionamento  15

O objeto Observado (bzung.yul) também é mencionado nos textos Tibetanos. Aqui ele não será detalhado separadamente visto que ele é identificado com objeto aparecido (snang.yul) . Não deveria ser assumido que objeto observado é necessariamente apreendido como a silaba bzung no termo bzung.ul pode sugerir. No caso de concepções, como objeto aparecido, ele somente aparece para a mente mas não é apreendido.

61


particular que  estes  objetos  possuem  com  cada  outro  seria  clarificada  pelas  seguintes  considerações das suas distinções individuais.    I. A CLASSIFICAÇÃO QUADRUPLA DE OBJETOS    A. O Objeto Aparecido    Geralmente falando, como o nome sugere, o objeto aparecido para uma cognição é  o objeto que aparece para uma concepção ou percepção particular. Mas, isto não é sempre  assim, porque apesar de que certos objetos possam aparecer para uma cognição particular,  não  terá  que  ser,  necessariamente,  o  seu  objeto  aparecido.  Isto  é    particularmente  verdadeiro  no  caso  de  concepções.  Por  exemplo,  alguém  pode  estar  procurando  por  um  jarro  e  pensando  nele  ao  mesmo  tempo.  Mas,  apesar  do  jarro  estar  aparecendo  para  a  cognição conceitual de alguém não é considerado como sendo seu objeto aparecido. Para  concepções  somente  a  imagem  mental  do  objeto  é  considerado  como  sendo  o  objeto  aparecido  e  nada  mais.  Deste  modo,  em  nosso  exemplo  a  imagem  mental  do  jarro  é  o  objeto  aparecido  considerando  que  o  jarro  é  somente  objeto  principal  e  oculto.  Por  essa  razão  devemos  entender  que  dentre  os  objetos  aparecidos  para  uma  concepção  somente  imagens  mentais  permanentes  são  consideradas  como  sendo  o  objeto  aparecido.  Mas  no  caso de estados mentais não conceituais, tal como uma distinção de não ser produzido. Por  ela  ser  a  natureza  da  percepção,  sensorial  ou  mental,  para  apreender  seus  objetos  diretamente, sem a projeção de qualquer imagem mental. Por essa razão, qualquer objeto  que aparece para a percepção é chamado de seu objeto aparecido. Quando olhamos pela  janela e vemos casas, árvores, montanhas e assim por diante, cada aspecto do nosso campo  visual, se apreendido ou não, é um objeto aparecido para a percepção visual. Do mesmo  modo todos os sons que ouvimos são objetos aparecidos para a percepção auditiva e assim  por diante.    B. O Objeto Principal    Além  de  ser  dotadas  com  um  objeto  aparecido,  todas  as  cognições  são  também  caracterizadas por ter um objeto principal. Este é o principal objeto da cognição, o objeto  com  o  qual  a  mente  é  primeiramente  interessada  e  envolvida.  Então,  quando  olhamos  a  vista  por  nossa  janela,  apesar  da  ampla  variedade  de  impressões  que  são  recebidas,  a  mente tem a tendência de se interessar por um aspecto particular do campo inteiro. Este  aspecto  particular  seriam  ambos,  o  objeto  aparecido  e  o  objeto  principal  da  percepção  visual,  enquanto  que  as  impressões  para  quais    a  não  é  dada  atenção,  seria  o  seu  objeto  aparecido  mas  não  seu  objeto  principal.16  No  caso  de  concepção  o  objeto  sobre  o  qual  alguém está pensando seria o objeto principal e a imagem mental do mesmo objeto seria o  objeto aparecido. Mas para qualquer mente conceitual, o objeto aparecido jamais poderia  ser  o  objeto  principal  visto  que  ele  jamais  poderia  ser  apreendido    como  uma  entidade  16

No caso de uma percepção desatenta, o objeto aparecido e o objeto principal seriam o mesmo visto que não atenção é dada para qualquer aspecto do campo objetivo.

62


identificável pela mente. Por meio disso segue que os objetos aparecido e principal de uma  mente  conceitual  são  fenômenos  mutuamente  exclusivos.  Resumidamente,  qualquer  objeto apreendido por uma mente particular é chamado por ser seu objeto principal. Desse  modo os termos “objeto principal” e “objeto apreendido” são sinônimos.    C. Objeto Concebido    Explicando de forma simples, o objeto concebido é o mesmo que o objeto principal  de  uma  concepção.  Somente  uma  mente  conceitual  é  dotada  com  um  objeto  concebido,  porque  somente  com  uma  estrutura  conceitual  a  mente  á  capaz  de  conceber  seu  objeto.  Concepção,  então,  é  a  maneira  exclusiva  na  qual  concepções17  apreendem  seus  objetos.  Mas como a mente concebe seu objeto? Conceber significa apreender o objeto por meio do  aparecimento de uma imagem mental. Isto poderia ser feito, claramente, pensando que a  imagem  mental  do  objeto  não  é  o  objeto  concebido  mas  meramente  um  auxiliar  no  processo  da  sua  concepção.18  Então,  quando  alguém  está  pensando  sobre  um  jarro,  por  exemplo,  o  jarro  é  tanto  o  objeto  principal  quanto  o  objeto  concebido  de  uma  concepção  particular.  A  imagem  mental  de  um  jarro  é  meramente  o  objeto  aparecido  da  concepção  que age como um auxiliar no processo que verdadeiramente concebe o jarro com a mente.  No  caso  de  uma  percepção  visual  de  um  jarro,  de  qualquer  modo,  o  objeto  principal é apreendido mas não concebido. A razão para isto é que percepção, sendo não  conceitual, apreende seu objeto  sem misturá‐lo com qualquer imagem mental.    D. Objeto Referente    O objeto referente para qualquer cognição é o objeto base na qual a mente refere‐se  ou  foca‐se  enquanto  apreende  certos  aspectos  do  objeto.  Supõe‐se,  por  exemplo,  que  um  jarro de cerâmica seria o objeto principal. Neste caso um jarro seria o objeto referente ao  passo que   o jarro de cerâmica seria o objeto principal. Do mesmo modo, podemos estar  concebendo erroneamente  som como permanente. Neste caso som seria o objeto referente  e  som  permanente  o  objeto  principal.  Neste  último    exemplo,  a  mente  está  meramente  focada  no  som  enquanto  apreende  erroneamente    como  sendo  permanente.  Deste  modo  som não é o objeto principal visto que som não está sendo apreendido. Deveríamos notar  que apesar de estarmos falando de som permanente como sendo o objeto principal desta  concepção,  ele  está  sendo  considerado  somente  como  um  objeto  principal  em  termos  da  mente que  o aprende. Mas som permanente por si não pode ser o objeto principal, visto  que, sendo não existente, ele não pode ser considerado como um objeto.  Quando  aplicado  na  prática  é  importante  para  nós  realizar  a  distinção  entre  o  objeto  referente  e  o  objeto  principal  da  ignorância  que  apreende  a  auto‐existência  da  pessoa. Enquanto focamos na pessoa, esta concepção errônea fundamental concebe‐a por  17

Nota de tradução para o Português: Conceiving e conception são duas palavras que siginifiam concepção em português. 18 A imagem mental age como um auxiliar no processo de concepção (zhen.sa) visto que ela é um fator indispensável para qualquer concepção, mas ela jamais é o objeto concebido (zhen.yul) desta mesma concepção porque ela jamais é apreendida por ela.

63


ser algo  permanente,  autonomamente  e  sem  partes.  Todavia,  seu  objeto  referente,  a  pessoa,  existente  como  uma  entidade  impermanente,  mas  seu  objeto  principal,  como  permanente,  pessoa  autônoma  e    sem  partes  não  existe  sob  qualquer  condição.  Então,  quando investigamos a falta de existência inerente da pessoa é um erro  sério considerar  estes  dois  objetos  como  idênticos.  Ao  fazer  isso,  eliminará  qualquer  possibilidade  de  compreensão deste ponto crucial.    II. OBJETOS DIRETOS E INDIRETOS    Na  discussão  de  objetos  diretos  e  indiretos  estamos  primeiramente  fazendo  uma  distinção  em  relação  ao  que  significa  ser  um  objeto  de  compreensão  principal.  Uma  compreensão de um objeto pode ser tanto de forma direta quanto indireta. Por essa razão  o objeto compreendido e chamado de compreensão direta e indireta.  Qualquer objeto que aparece para uma cognição que o compreende é considerado  como  o  objeto  de  cognição  direta.  Em  outras  palavras,  ele  é  o  objeto  compreendido  diretamente pela mente. As características que distinguem um objeto direto de um objeto  indireto é que, além do objeto direto ser um objeto principal, seu aspecto principal aparece  para  a  mente  que  o  apreende.  Um  objeto  indireto  de  uma  compreensão,  por  outro  lado,  também    é  um  objeto  principal  de  compreensão  mas  ele  é  um  objeto  de  quem  o  aspecto  realmente não aparece para a mente. Tomando por exemplo uma percepção visual válida  de  um  jarro.  Aqui  o  vaso,  é  considerado  um  objeto  direto  porque  ele  realmente  aparece  para  a  percepção.  De  qualquer  modo,  a  existência  do  jarro,  apesar  de  poder  ser  compreendida  pela  percepção  visual,  ela  não  é  um  objeto  direto  visto  que  não  aparece  realmente  para a percepção. Apesar da existência do jarro ser um fenômeno permanente e  não temporal, ela é compreendida indiretamente pela percepção sensorial visual  porque,  ainda que  não apareça para ela, a percepção visual é capaz de induzir  subseqüentemente  a uma certeza conceitual  sobre a existência do jarro.  A  existência  do  jarro  é  deste  modo  considerada  como  um  objeto    indireto  desta  percepção.  Neste  ponto  devemos  clarificar  a  distinção  entre  um  objeto  sendo  compreendido  diretamente  como  oposto  por  ser  imediatamente  compreendido.  A  característica  diferenciadora  aqui  é  que  compreensão  direta  pode  ser  tanto  conceitual  quanto  não  conceitual,  enquanto  compreensão  imediata  é  exclusivamente  não  conceitual.  A  impermanência do som o qual aparece para uma cognição conceitual pode ser diretamente  compreendida por esta cognição. Mas, visto que sua aparição seria, então misturada com  uma  imagem  mental,  ela  não  pode  se  chamada  de  imediatamente  compreendido  pela  cognição.  Compreensão  imediata,  então,  é  uma  percepção  verdadeira  que  compreende  o  objeto sem a mistura do seu próprio conteúdo subjetivo.         

64


III. OBJETOS EVIDENTES,  LEVEMENTE  OCULTOS  E  EXTREMAMENTE  OCULTOS    Esta  divisão  dos  objetos  de  cognição  é  feita  de  acordo  com  o  grau  no  qual  um  objeto  está  acessível  para  nossa  compreensão.  Deste  modo  um  objeto  evidente  é  aquele  que  pode  ser  percebido  imediatamente  pelos  sentidos;  um  objeto  levemente  oculto,  é  aquele  que  pode  ser  inferido  através  de  pensamento;  um  objeto  extremamente  oculto,  é  aquele que tem que aceito por meio de crença e fé.  O  mundo  externo  de  casas,  árvores,  montanhas,  rios  e  assim  por  diante,  outras  pessoas  e  nossos  próprios  sentimentos  são  todos  objetos  que  são  experienciados  diretamente  pelos  nossos  sentidos.  A  fim  de  conhecê‐los  não  necessitamos  realizar  da  intermediação de um pensamento conceitual baseado no raciocínio. Por essa razão eles são  conhecidos por objetos “manifestos” ou “evidentes” para nossa cognição.   Apesar  da  nossa  experiência  imediata  como  ser  senciente  estar  limitada  por  estes  objetos dos sentidos, por meio de raciocínio direto podemos, contudo, ser capaz de inferir  a existência de outros objetos que estão, no momento, fora do alcance da nossa percepção.  Por  exemplo,  através  da  compreensão  que  um  jarro  é  um  fenômeno  criado  e  que  sendo  criado,  necessariamente  é  impermanente,  somos  capazes  de  inferir  corretamente  que  um  jarro é um fenômeno impermanente. Apesar da impermanência do vaso não ser evidente  para  os  nossos  sentidos,  na  dependência  de  um  raciocínio  perfeito  uma  inferência  direta  pode  ser  gerada,  por  meio  disso  incluí‐la  dentro  do  domínio  da  nossa  compreensão.  A  impermanência de um jarro não é realmente tão difícil de inferir, mas, a falta de existência  inerente da pessoa, a existência de vidas passadas e futuras, e as quatro nobres verdades,  podem também ser compreendidas por meio da lógica. Por isso, um objeto é chamado de  “objeto  levemente  oculto”*  onde,  apesar  de  oculto  da  percepção,  ele  pode,  ainda,  ser  inferido por meio de raciocínios diretos.   Para  objetos  levemente  ocultos  e  objetos  evidentes,  certos  fenômenos  ainda  permanecem não compreendidos, com ou sem a realização de raciocínio. Tais fenômenos  estão fora do alcance da nossa compreensão e sua existência pode somente ser aceita pela  convicção  na  validade  das  mais  vastas  e  profundas  compreensões  de  um  Buda.  Um  exemplo  de  tal  objeto  seria  um  carma  específico  que  causa  um  evento  particular  nesta  vida.  Tal  coisa  está  fora  do  alcance  da  nossa  cognição.  Não  podemos  inferir  diretamente  nem indiretamente sua existência. Similarmente,  as condições particulares na qual ele foi  criado  e  o  modo  particular  no  qual  ele  surgiu  para  consecução  são  também  incompreensíveis para nós. Outro exemplo que é freqüentemente usado é da causa e razão  particular  para  as  várias  diferentes  cores  da  cauda  de  um  pavão.  Visto  que  tais  tópicos  como  estes  são  impossíveis  para  a  nossa  compreensão  sem  realizar  a  consciência  de  um  Buda, elas são, deste modo, chamadas de “objetos de cognição extremamente ocultos”.  

65


Parte Dois 

  Um Modelo Psicológico da Mente   

66


Conteúdos do Capítulo Seis        I    II    III 

MENTES PRIMÁRIAS 

65

FATORES MENTAIS  

66

AS CINCO SIMILIRADIDADES ENTRE MENTE   PRIMÁRIA E SEUS FATORES MENTAIS       

67

67


Capítulo Seis   

Mentes Primárias e Fatores Mentais        Na  segunda  parte  do  livro  abordaremos  a  mente  do  ponto  de  vista  da  mente  primária  e  fatores  mentais.  Na  secção  anterior  foi  dada  atenção  em  termos  de  como  ela  apreende seus objetos perceptivamente, conceitualmente, validamente, não validamente e  assim por diante. Apresentamos um modelo básico epistemológico da consciência. Agora,  devemos  seguir  uma  abordagem  mais  psicológica,  examinaremos  a  mente  do  ponto  de  vista dos aspectos benéficos e maléficos que condicionam nossa personalidade e dirigem o  curso  do  nosso  desenvolvimento  interno.  Isto  não  significa  que  as  considerações  epistemológicas da seção anterior são livres de qualquer implicação moral ou psicológica.  Similarmente, a abordagem psicológica  seguinte não deveria ser abstraída do seu contexto  epistemológico. A estrutura do caminho Budista para a iluminação envolve igualmente a  transformação  da  mente  de  uma  não  válida  para  um  estado  válido  tanto  quanto  de  um  estado  maléfico  para  um  benéfico.  Na  verdade    é  somente  através  da  erradicação  sistemática  dos  fatores  maléficos  que  a  percepção  válida  de  um  Arya  ou  Buda  pode  ser  realizada. Similarmente é somente as inferências válidas e a percepção da impermanência  e da vacuidade que são capazes de superar as mais profundas características maléficas da  mente. Quando usamos para descrever o caminho do desenvolvimento espiritual, os dois  esquemas simplesmente revelam duas facetas do mesmo processo.  São  os  fatores  mentais  que  são  primeiramente  responsáveis  por  conduzir‐nos  para  toda  forma  de  experiência.  Quando  a  mente  está  sob  influência  de  fatores  mentais  maléficos,  tal  como  apego  e  raiva,  alguém  é  conduzido  a  cometer  ações  que  causam  experiências de frustração e sofrimento. Mas sempre que a mente é dominada por fatores  benéficos, tais como compaixão ou paciência, então qualquer atividade física ou vocal que  se segue resultará somente em felicidade e bem estar. São os aspectos maléficos da mente  que  são  a  raiz  de  nossa  escravidão  dentro  do  samsara,  enquanto  que  são  os  aspectos  benéficos que permitem‐nos descobrir a liberação desta condição insatisfatória.  Visto  que  a  principal  força  motivadora  por  trás  de  nossas  vidas  é  o  desejo  de  encontrar  felicidade  e  de  afastar  o  sofrimento,  deste  modo,  é  essencial  reconhecer  o  processo psicológico que está em trabalho dentro de nós. Somente por meio de um exame 

68


cuidadoso é  que  seremos  capazes  de  perceber  exatamente  quais  as  causas  para  nossa  felicidade  e  dor  e  subseqüentemente  ser  capaz  de  engajar  no  cultivo  de  certos  fatores  mentais enquanto descartamos os outros. Mas enquanto a mente continuar a ser dominada  por aflições maléficas, então o que basicamente desejamos e o que realmente fazemos para  encontrá‐la  será  completamente  oposto.  Enquanto  desejamos  felicidade  estaremos  somente criando causas para mais sofrimento. Deste modo para investigar a natureza, as  funções e os efeitos dos vários pensamentos e emoções que ocorrem dentro da nós e para  agir realisticamente com nossas descobertas é essencial estudar e praticar o Darma.  Persistir  na  tentativa  de  manipular  o  mundo  material  externo  a  fim  de  atingir  felicidade  e  evitar  sofrimento  é  como  estar  preocupado  em  combater  um  inimigo  fora,  inconsciente  que  ele  está  duelando  dentro  de  nós.  Sem  procedermos  diretamente  com  nossa  própria  composição  psicológica,  uma  felicidade  não  real  será  sempre  encontrada  dentro  das  situações  externas:  devemos  sempre  encontrar  nós  mesmos  fazendo  face  aos  mesmos problemas tal como a pessoa que não percebe que o inimigo duela dentro da sua  própria  casa.  Deste  modo  a  importância  de  estarmos  atento  ao  modo  no  qual  os  fatores  mentais afetam nossas vidas não podem ser salientados o suficiente.        I.  MENTES PRIMÁRIAS    Primeiramente,  devemos  compreender  que  uma  mente  primária  e  seus  fator  mental  acompanhante  sempre  operam  em  conjunção  um  com  um  outro.  Um  objeto  é  jamais  cognizado  por  uma  mente  primária  destituída  de  qualquer  fator  mental  nem  por  um fator mental desacompanhado da mente primária. O termo “mente primária” denota a  totalidade  de  um  estado  mental  ou  sensorial  composto  por  uma  variedade  de  fatores  mentais.  Uma  mente  primária  é  como  uma  mão  enquanto    que  os  fatores  mentais  são  como  os  dedos  individuais,  a  palma  a  assim  por  diante.  A  característica  de  uma  mente  primária  é  então  determinada  pelos  fatores  mentais  constituintes.  Se  um  fator  maléfico  está presente, a mente toda torna‐se maléfica enquanto se um fator benéfico está presente,  a  mente  toda  toma  o  aspecto  benéfico.  Isto  é  similar  ao  adicionar  açúcar  ou  sal  em  um  copo de água. Com a adição de ambas as substâncias a totalidade do copo de água torna‐ se aromatizada com seu sabor. É da mesma maneira que o fator mental individual exerce  sua influência sobre o estado primário da mente, colorindo sua disposição e ativando seu  potencial para manifestar em uma atividade externa.  Uma mente primária* é definida como uma cognição primária estabelecida por meio  da apreensão da presença fundamental do objeto. Não é  função de uma mente primária  estar preocupada especificamente com qualquer aspecto do campo objetivo, ela é a mera  consciência  das  condições  apresentadas  para  ela.  Como  devemos  ver  são  os  fatores  mentais  individuais  que  são  responsáveis  por  uma  seleção  e  processamento  destas  condições. Nesta consideração  o relacionamento de uma mente primária com seus fatores  mentais é algo similar a um supervisor e seu grupo de trabalhadores. Cada trabalhador é  unicamente ocupado com seu ou sua própria tarefa específica enquanto que o supervisor 

69


está igualmente  consciente  do    que  cada  trabalhador  está  fazendo,  sem  estar  envolvido  diretamente em qualquer das suas atividades individuais.  Existem  dois  tipos  de  mentes  primárias:  mentes  primárias  sensoriais  e  mentes  primárias mentais. Mentes primárias sensoriais são divididas em cinco categorias: visual,  auditiva, olfativa, gustativa e tátil. Cada uma dessas cinco estão definidas de acordo com a  condição dominante, i.e. o órgão sensorial particular na dependência do qual elas ocorrem.  Eles  são,  exclusivamente,  estados  de  consciência,  cada  um  sendo  composto  com  seu  próprio conjunto de fatores mentais. Uma mente primária mental é uma cognição primária  que  surge  na  dependência  do  órgão  mental  com  sua  condição  dominante.  Esta  é  a  mais  complexa  e  importante  das  mentes  primárias  visto  que  ela  está  acompanhada  e  diretamente afetada pelos fatores mentais maléficos e benéficos.  Mentes primárias sensoriais são exclusivamente percepções enquanto que mentes  primárias  mentais  podem  ser  ambas,  perceptual  e  conceitual.  Ambas  as  categorias,  do  mesmo modo, distinguíveis em cognições verdadeira, falsa, válida e não válida. Além do  mais,  se  uma  mente  primária  é  uma  percepção  ou  uma  mente  válida,  então  seus  fatores  mentais  acompanhantes  serão,  também,  percepções  ou  mentes  validas.  É  impossível  ter  uma mente primária e seus fatores mentais pertencentes  serem substancialmente distintos  e categorias cognitivas  mutuamente  exclusivas. Deste modo não podemos chamar uma  percepção  válida,  por  exemplo,  de  mente  primária  ou  um  fator  mental,  porque  ela  é  um  estado total de consciência compreendida de ambas, mente primária tanto quanto fatores  mentais.  Dentre  os  sete  tipos  de  mente  somente  indecisão  pode  ser  classificado  em  uma  dessas duas categorias visto que ela é exclusivamente um fator mental.      II. FATORES MENTAIS    Um  fator  mental*  é  definido  como  uma  cognição  que  apreende  uma  qualidade  particular  do  objeto  e  que  surge  a  serviço  de  uma  mente  primária  com  a  qual  ela  tem  certas similaridades. Cada fator mental tem uma função específica na condução com uma  qualidade   particular  do  campo  objetivo.  Por  exemplo,  a  função  específica  da  sensação  é  experienciar  o  objeto,  do  discernimento  reconhecê‐lo,  e  da  concentração  firmemente  suportá‐lo em uma visão e, assim por diante.  Geralmente falando, existem inumeráveis fatores mentais. Porém, no Compendium  of Abhidharma, Asanga enumera cinqüenta e um com o objetivo de claramente apresentar  aqueles que são os mais importantes19. Estes cinqüenta e um fatores estão classificados em  19

Em contraste com esta classificação, Vasubhandu, em seu Commentary to the Treasury of Abhidharma, lista quarenta e seis fatores na seguinte forma. (1) O grupo sempre presente de dez fatores: sensação, intenção, discernimento, aspiração, contato, inteligência (blo.gros), lembrança, atenção, apreciação e concentração. (2) O grupo de benéfico de dez fatores: fé, consciência, flexibilidade, equanimidade, autorespeito, consideração por outros, imparcialidade, não ódio, não violência, entusiasmo. (3) As seis grandes aflições: descrença, preguiça, confusão (rmongs.pa), estupidez, excitamento, inconsciência. (4) O grupo de dois fatores maléficos: desconsideração por outros, cinismo. (5) O grupo de dez menos aflitivas: ira, vingança, desonestidade, malevolência, inveja, dissimulação, avareza, pretensão, auto-satisfação, crueldade. (6) O grupo indeterminado de oito fatores: exame geral, análise precisa, pesar, sono, raiva, apego (chags.pa), auto importância, indecisão.

70


seis diferentes  grupos:  os  fatores  onipresentes,  os  fatores  determinadores  de  objetos,  os  fatores variáveis, os fatores benéficos, as aflições raízes e as aflições secundárias. Os fatores  mentais  onipresentes:  sensação,  discriminação,  intenção,  contato  e  atenção  são  os  cinco  elementos essenciais para qualquer estado de consciência, por mais grosseira ou sutil que  ela possa ser. Elas formam uma composição inerente de cognições sem a qual não poderia  funcionar. Os fatores mentais determinadores de objeto: aspiração, apreciação, lembrança,  concentração  e  inteligência,  são  assim  chamados  visto  que  elas  determinam  ou  estabelecem aspectos individuais dentro do campo objetivo. Apesar de serem moralmente  neutras,  quando  elas  vêm  sob  influência  de  fatores  mentais  benéficos    e  maléficos,  elas  executam o papel principal em moldar as características da personalidade e qualidade das  experiências individuais. Os fatores mentais variáveis: sono, arrependimento, exame geral  e análise precisa são assim chamados porque suas características variam de acordo com a  influência, se benéfica ou maléfica. Apesar de somente estas quatro serem especificamente  mencionadas  nesta  categoria,  na  realidade  os  fatores  onipresentes  e  determinadores  compartilham esta qualidade de variabilidade moral.  Existem onze fatores mentais benéficos, que incluem fé, auto‐respeito, consideração  pelo  outros,  consciência,  entusiasmo,  e  assim  por  diante.  Através  do  seu  cultivo,  os  correlatos  maléficos  contrários,  descrença,  desavergonhamento  (shamelessness),  desconsideração pelos outros, etc, são naturalmente dominados e descobrimos mais e mais  paz e bem estar. Eles são os elementos responsáveis por todas as formas de crescimento e  desenvolvimento espiritual.  As aflições raízes: apego, raiva, orgulho, ignorância, visões aflitivas e indecisão são  os fatores mentais que nos amarram ao ciclo de descontentamento da existência, por meio  disso agem como a causa primária para todo nosso sofrimento e frustração. Eles colocam a  mente  em  um  estado  de  desordem  e  inquietação  que  resultam  em  atividades  físicas  e  mentais as quais são nocivos para nós e para os outros. Elas são os verdadeiros inimigos  que  têm  quer  ser  dominados  através  da  prática  do  Darma.  As  aflições  secundárias  são  fatores mentais maléficos que naturalmente surgem da proximidade com as aflições raízes.  Elas incluem agressividade (spite), inveja (envy), pretensão (pretension), preguiça e assim  por diante, todas as quais são conseqüência especifica de uma ou mais das aflições raízes.  Nos capítulos seguintes continuaremos a elucidar cada um destes cinqüenta e um fatores  mentais com mais detalhes      III. AS  CINCO  SIMILARIDADES  ENTRE  UMA  MENTE  PRIMÁRIA  E  SEUS  FATORES MENTAIS     Em  adição  aos  relacionamentos  descritos  acima,  todas  as  mentes  e  seus  fatores  mentais são similares de cinco maneiras. Elas têm uma base, duração, aspecto, referência e  substância  similares.  Para  explanar  estas  similaridades,  vamos  dar  um  exemplo  de  uma  consciência primária visual da cor azul e seu fator mental acompanhante de sensação. Eles  têm  uma  base  similar,  visto  que  eles  surgem  na  dependência  do  mesmo  órgão,  o  órgão  olho.  Eles  têm  uma  duração  similar  visto  que  ambos  têm  uma  existência  simultânea, 

71


surgem e cessam simultaneamente. Deste modo, não é possível um relacionamento causal  entre  uma  mente  primária  e  seus  fatores  mentais  acompanhantes  visto  que  um  jamais  antecede  o  outro.  Seus  aspectos  são  similares  visto  que  eles  suportam  o  aspecto  da  cor  azul.  Isto  quer  dizer  que  subjetivamente  ambos  refletem  uma  imagem  similar  do  campo  objetivo20. Suas referências são similares visto que ambas se referem ao mesmo objeto. Não  possível para uma mente primária e seus fatores mentais acompanhantes terem diferentes  objetos  referentes.  Finalmente,  elas  têm  uma  substância  similar  visto  que  suas  características  cognitivas  básicas  são  sempre  a  mesma.  Jamais  acontece  de  uma  mente  primária  ser  uma  percepção  enquanto  que  um  dos  seus  fatores  mentais  ser  uma  concepção,  ou  que  um  fator  mental  ser  uma  cognição  errônea  enquanto  que  sua  mente  primária associada ser uma cognição não errônea. Sua natureza cognitiva, ou substância é  sempre  idêntica.  As  cinco  similaridades  são  aplicáveis  para  toda  mente  primária  e  seus  fatores mentais acompanhantes.   

20

Veja página 38.

72


Conteúdos do Capítulo Sete        I                II 

III              

OS FATORES MENTAIS ONIPRESENTES 

71

A. Sensação     B. Discriminação  C. Intenção    D. Contato    E. Atenção   

       

71 72  73  73  74 

       

       

       

       

OS FATORES MENTAIS DETERMINADORES   DE OBJETOS              A. Aspiração             B. Apreciação            C. Lembrança            D. Concentração            E. Inteligência                OS FATORES MENTAIS VARIÁVEIS      A. Sono              B. Arrependimento           C. Exame Geral            D. Análise Precisa           

74 75  75  75  76  77  77  77  78  78  78 

73


Capítulo Sete     

Os Fatores mentais,  Onipresentes,  Determinadores de objetos  e Variáveis      Os  Fatores  mentais  Onipresentes,  Determinadores  de  Objeto  e  Variáveis  serão  tratados  juntos  visto  que  eles  todos  compartilham  a  característica  de  serem  funções  da  mente  que  não  serem  maléficas  nem  benéficas21.  Os  fatores  mentais  onipresentes  e  determinadores  de  objetos  são  as  atividades  psicológicas  o  mecanismo  básico  da  mente.  Dependendo  de  como  este  mecanismo  é  usado  e  dirigido  na  mente,  podem  ser  desenvolvidos altos estados de paz, compreensão e amor pelos outros ou pode degenerar  em confusão, neurose e insanidade. Os fatores mentais variáveis  incluem quatro funções  mentais que podem ser positivas ou negativas.  A  direção  do  nosso  próprio  desenvolvimento  interior  é  de  nossa  própria  responsabilidade.  Outros  podem  mostrar  o  caminho,  mas  precisamos  incorporar  seus  ensinamentos  em  nossa  vida.  No  presente  momento,  os  elementos  básicos  das  nossas  mentes  estão  constantemente  propensos  a  excitação  incontrolável  de  pensamentos  perturbados  e  emoções  conflitantes.  Estas  ocorrências  nos  expõem  a  toda  espécie  de  tensões  internas,  preocupações,  medos  e  frustrações  que  nos  conduzem  a  ações  de  uma  maneira incompatível com o bem estar nosso e dos outros. Para dominar estes problemas é  necessário,  fundamentalmente,  reorientar  nossa  perspectiva  e  desenvolver  o  domínio  e  controle sobre estes processos psicológicos imbuindo‐os com claridade, alegria e bondade.          21

Tradicionalmente os quatro fatores mentais variáveis são tratados depois das vinte aflições secundárias.

74


I OS FATORES MENTAIS ONIPRESENTES    Visto  que  sensação,  discriminação,  intenção,  contato  e  atenção  acompanham  toda  mente primária, não importa quão breve ou sutil possa ser, eles são chamados de fatores  mentais onipresentes.    A. Sensação    Sensação* é definido como uma cognição distinta que é uma experiência de prazer,  dor  ou  indiferença,  i.e.  uma  estado que  é  prazeroso  ou  doloroso.  Os  objetos  de  sensação  não  são  prazerosos  ou  doloridos,  mas  as  próprias  experiências  ou  as  sensações.  Deste  modo eles são da natureza da consciência e surgem na dependência do que aparece para a  mente  em  contato  com  seus  vários  objetos.  Sensação  é,  por  essa  razão,  uma  qualidade  inerente da experiência presente em cada estado mental.  A função geral da sensação é preencher a experiência com os efeitos amadurecidos  de  nossas  ações  prévias.  Sua  função  específica  é  a  de  conduzir  para  reações  de  apego,  aversão,  confusão  e  espanto.  Assim  que  uma  sensação  prazerosa  ocorre,  seres  sencientes  têm a tendência de tornar‐se desejosos de manter e repetir tais experiências. Deste  modo  apego  e  ânsia  surgem.  Mas  quando  sensações  dolorosas  surgem  ocorre  a  tendência  completamente  oposta;  um  desejo  forte  de  ficar  livre  deles  surge  e  aversão  ou  raiva  é  induzida. Quando indiferença  é experienciada a mente tende a tornar‐se inerte e obscura,  deste modo conduzirá para um estado de confusão e espanto. Estas reações habituais de  nossas sensações constituem um dos elementos básicos no processo da existência sansárica  e  enquanto  elas  surgirem  descontroladas,  continuaremos  a  ser  impulsionadas  para  os  estados insatisfatórios da existência. Para neutralizar estas tendências inatas, Buda ensinou  uma  forma  de  meditação  chamada  “colocação  fechada  da  atenção  nas  sensações”22.  Através  desta  prática  desenvolve‐se  uma  consciência  firme  e  lúcida  de  qualquer  sensção  que surge na mente e então aprendemos respostas inteligentes para experiência no lugar  de reações cegas para elas.  Existem três diferentes maneiras de classificar sensações: em sensações prazerosas,  dolorosas  e  indiferentes;  sensações  mentais  ou  sensoriais;  e  sensações  contaminadas  e  descontaminadas. Já tratamos da primeira classificação, tanto quanto a segunda, sensações  sensoriais  são  aquelas  que  acompanham  as  consciências  sensoriais  enquanto  que  sensações  mentais  são  aquelas  que  acompanham  uma  consciência  mental.  Sensações  contaminadas  são  experiências  insatisfatórias  de  prazer,  dor  e  indiferença  que  acompanham  os  estados  de  consciência  afetados  pelas  aflições.  Sensações  descontaminadas são aquelas que acompanham os estados mentais nas mentes dos Aryas  que não são mais afetadas pelas aflições.          22

Veja Geshe Rabten, Close Placement of Mindfulness in the Mahayana.

75


B. Discernimento   Discernimento*  é  definido  como  um  fator  mental  distinto  tendo  como  função  identificar o objeto como algo oposto a outro por meio da diferenciação.  Esta é uma qualidade inerente da mente cuja  tarefa é distinguir um objeto de outro   por  identificá‐los  com  termos  e  frases,  como  no  caso  da  maioria  das  concepções,  ou  por  fazer meramente uma distinção entre objetos, como no caso das percepções. Deste modo  ela  está  presente  em  todas  as  formas  de  cognição,  executando  um  papel  essencial  no  pensamento abstrato e na imaginação bem como nas percepções visuais e auditivas.  De  acordo  com  suas  bases  existem  seis  formas  de  discernimento  ,  variando  do  discernimento  associado  com  um  contato  visual  até  o  discernimento  associado  com  um  contato mental. Todos os seis tipos de discernimento são classificados de acordo com seus  referentes:    1. Discernimento com um sinal    Esta espécie de discernimento tem três tipos: aquele que é experienciado em relação  ao  termo  para  seu  objeto  correspondente;  aquele  que  discerne  um  fenômeno  impermanente como concreto; e aquele no qual tem uma distinção referente clara.    2. Discernimento sem um sinal    Também  tem  três  divisões,  todas  opostas  às  três  mencionadas  acima.  A  primeira  é  um  discernimento  de  uma  jovem  criança  que,  não  tendo  ainda  aprendido  a  linguagem,  não  identifica  objetos  com  sinais,  i.e.  nomes  e  termos.  A  segunda  é  o  discernimento  de  uma  percepção  meditativa  da  verdade  última  na  qual  não  existe  sinal  de  qualquer  fenômeno condicionado. A terceira divisão é o discernimento de uma absorção sem forma  no pico do sansara no qual não existe sinal de uma distinção referente clara.    3. Discernimento  do limitado    É  um  discernimento  presente  nos  seres  duradouros  (abindig)  no  reino  dos  desejos  que  não  atingiram  o  estágio  preparatório  para  uma  absorção  mental.  É  dito  ser  alguma  coisa  limitada  visto  que  ele  discerne  o  mundo  no  qual  a  vida  é  muito  curta,  aflições  são  mais numerosas, e mesmo o meio ambiente são de uma qualidade mais baixa que os mais  altos estados de existência.    4. Discernimento do vasto    Este é um discernimento existente dentro do reino da forma. Ele é vasto no sentido  que  ele  diferencia  um  mundo  no  qual  aflições  são  menos  e  as  qualidades  maléficas  não  maiores que o reino do desejo.   

76


5. Discernimento do infinito    Este discernimento existe no reino sem forma onde alguém é absorvido na infinidade  do  espaço  e  na  infinidade  da  consciência.  É  então  chamado  visto  que  ele  diferencia  o  espaço e a consciência de ser infinito.    6. Discernimento de forma alguma    Este  discernimento  é  que  o  reino  sem  forma  no  qual  a  mente  é  absorvida  na  inexistência.  Ele  é  assim  chamado  visto  que  ele  considera  que  existe  forma  alguma  apresentando ele próprio para a mente. (revisar esta frase).    Além do mais, podemos falar de discernimentos enganosos e não enganosos.    C. Intenção    Intenção* é definida como um fator mental distinto que move a mente primária com a  qual ela suporta as cinco familiaridades, tanto quanto os outros fatores mentais contínuos  da mente primária para o objeto.  Ele  é  ambos  a  consciência  e  a  motivação  automática,  elemento  da  consciência  que  causa  a  mente  envolver‐se  com  ela  própria  com  e  apreendendo  seus  objetos.  Como  um  magneto por natureza move algum ferro que vem em contato com ele, do mesmo modo  pela  mera  existência  da  intenção,  a  mente  é  movida  para  vários  objetos  benéficos  e  prejudiciais. Além do mais, intenção é o princípio da atividade. Ela é carma. Se uma ação é  de  mente,  corpo  ou  fala,  o  elemento  formativo  que  é  primariamente  responsável  e  que  acumula tendências e impressões na mente é a intenção. Deste modo, ela age como uma  base para a existência condicionada.  Existem  muitas  formas  de  classificar  intenção,  da  mesma  forma  que  classificamos  ações  de  acordo.  Deste  modo,  nos  distinguimos  entre  intenções  maléficas,  benéficas  e  atividades  inespecíficas  e  do  mesmo  modo  entre  aquelas  que  são  ações  meritórias,  não  meritórias  e  invariáveis.  Estas  ao  contrário,  podem  ser  formas  de  ações  propulsoras,  completadoras ou previsivelmente seguras, tanto quanto ações puras ou contaminadas.    D. Contato    Contato*  é  um  fator  mental  distinto  que,  por  conexão  com  o  objeto,  o  órgão  e  a  consciência primária, ativa o órgão. É dito ativar o órgão devido a sua cooperação, o órgão  é transformado em uma entidade com a habilidade de agir como a base para sensações de  prazer, dor ou indiferença.  Ele é a base destas sensações porque quando uma consciência primária apreende um  objeto, é o contato que causa o objeto ser experienciado como algo atrativo ou repulsivo e  que faz surgir sensações de prazer e dor. Apesar de agir com base para sensações ele não 

77


age como base para as sensações que ocorrem simultaneamente com ele. Ele somente age  como base para sensações que surgem subseqüentemente a ele.  Existem seis formas de contato variando dentre aqueles associados com a consciência  visual até aqueles associados com a consciência mental.    E. Atenção    Atenção* é um fator mental distinto que tem a função de (a) dirigir a mente primária e  os fatores mentais com o qual ela está associada para o objeto e (b) apreendê‐lo. Ela foca e  suporta  a  mente  no  seu  objeto  sem  permitir  movê‐lo  a  outro  lugar.  Desta  maneira  ela  forma a base para um maior desenvolvimento das funções de lembrança e atentividade.  Não deveria, porém, ser confundida com intenção. Intenção move a mente para um  campo geral de referência, chamada de  paisagem, enquanto que atenção move‐se para um  foco detalhe específico, tal como uma montanha, as árvores e assim por diante.  Existem  dois  tipos  de  atenção:  atenção  realística,  o  exemplo  é  quando  a  mente  está  atenta do objeto existente, e atenção errônea, o exemplo é quando a mente está atenta de  um objeto não existente.    Se  qualquer  um  destes  cinco  fatores  mentais  fossem  isentos  de  qualquer  percepção  ou  concepção,  a  cognição  seria  incapaz  de  funcionar  ou  mesmo  existir.  Se  não  existisse  sensação,  a  experiência  de  prazer,  dor  ou  indiferença  não  ocorreria.  Se  não  existisse  discernimento, o reconhecimento ou identificação do objeto não ocorreria. Se não existisse  intenção, não ocorreria envolvimento com o objeto. Se não existisse contato, não existiria  base  para  a  ocorrência  de  sensações.  E  se  não  existisse  atenção,  a  mente  não  seria  direcionada para qualquer objeto. Todavia, eles não estão sempre presentes em um estado  manifesto.  Ocasionalmente,  tal  como  no  memento  da  morte  da  consciência  sutil,  no  momento  imediatamente  anterior  ao  nascimento  e  quando  a  mente  é  absorvida  em  uma  cessação,  alguns  destes  fatores  mentais  onipresentes  estão  meramente  presentes  em  um  estado adormecido ou latente.    II OS FATORES MENTAIS DETERMINADORES DE OBJETOS    Aspiração,  apreciação,  lembrança,  concentração  e  inteligência  são  chamados  de  fatores  mentais    que  “determinam”  seus  objetos,  porque  eles  realizam  uma  função  de  determinar seus objetos particulares por meio da distinção de uma característica do campo  objetivo.  Por  exemplo,  aspiração  determina  o  que  é  desejável  dentro  de  um  campo   objetivo;  apreciação,  aquele  no  qual  tem  sido  compreendido  como  sendo  um  objeto  de  valor; e lembrança que é aquilo que tem que ser nascido da mente. Quando a mente está  ativamente  engajada  em  uma  tarefa,  seja  ele  benéfico  ou  maléfico,  todos  estes  fatores  mentais  estão  constantemente  ocupados,  dando  direção,  coerência  e  significado  para  a  seqüência de pensamentos e comportamento.     

78


A. Aspiração   Aspiração* é um fator mental distinto que, tendo focado um objeto pretendido, leva a  um forte interesse nele. Ele tem a função de agir como a base para o entusiasmo.  Em geral, qualquer desejo ou anseio de obter um objeto particular é uma aspiração.  Dependendo da natureza do objeto ou meta, a aspiração torna‐se benéfica e construtiva ou  maléfica  e  destrutiva.  Assim,  é  importante  aprender  quais  objetos  são  meritórios  de  aspiração e quais não são.  Existe uma divisão tripla de aspiração: aspiração para encontrar uma vez mais aquilo  que  tinha  passado;  aspiração  para  não  separar‐se  daquilo  está  sendo  experienciado  no  momento; e aspiração para atingir uma certa meta no futuro. Ela pode ser dividida, ainda  mais  em  quatro  tipos:  um  interesse  forte  por  um  objeto  do  desejo  sensual;  um  interesse  forte em um objeto material; um interesse forte em uma opinião ou visão particular; e um  forte interesse na liberação.    B. Apreciação    Apreciação* é um fator mental distinto que (a) estabiliza a apreciada apreensão de um  objeto previamente estabelecido e (b) a mente não segue distraída por nada mais. Assim,  ela tem a função de apreciação do objeto e firma a lembrança dele.  Apreciação  de  um  objeto  somente  segue  após  as  qualidades  do  objeto  terem  sido  determinadas  como  sendo  vantajosas  ou  valiosas.  Uma    vez  apreciado  desta  maneira  a  mente será muito mais inclinada para perseguir uma forma certa de comportamento a fim  de  obter  o  objeto  ou  atingir  uma  meta  corporificada  no  ou relacionada  com  o  objeto.  Na  prática do Darma, apreciação é um elemento essencial para  um estado significativo de fé e  confiança.  Uma  das  mais  fortes  apreciações  é  sobre  a  natureza  e  características  do  Buda,  Darma e Sanga, por exemplo, uma das mais fortes será a fé em sua infalibilidade, e uma  das motivações mais forte para atingir uma meta espiritual. De fato o próprio Buda disse  no Sutra Pedido por Sagaramati, ele disse que apreciação é a raiz de tudo que é benéfico.  Existem  ilimitadas  formas  de  apreciação,  visto  que  infinitos  objetos  são  apreciados  por ilimitados seres sencientes. Mas,  em resumo, podemos citar dois tipos de apreciação:  aquelas que são errôneas e aquelas que são realísticas.    C. Lembrança    Lembrança*  é  um  fator  mental  distinto  que  repetidamente  traz  para  a  mente  um  fenômeno previamente conhecido sem esquecê‐lo. Ele tem a função de não permitir que a  mente seja distraída do seu objeto. Ela age como a base para concentração.  Lembrança  opera  dentro  de  uma  extensa  variedade  de  atividades.  Durante  a  meditação  unifocada  ela  é  o  fator  responsável  por  constantemente  trazer  o  objeto  para  a  mente e segurá‐lo lá. Na prática da disciplina moral ela é comparada com o vigia na porta  de  saída  da  mente  que  tem  a  tarefa  de  ser  constantemente    atenta  aos  vários  fatores  mentais – em particular as aflições – que surgem.  É através da lembrança de um voto e 

79


compromisso que fatores mentais maléficos são incapazes de atingir um ponto de apoio na  mente  causando  então  distúrbio  e  caos.    Durante  o  estudo,  lembrança  capacita  alguém a  relembrar  o  que  tem  aprendido  previamente  e  deste  modo  permite  uma  grande  quantidade  de  conhecimento ser  construído.  No  dia  a  dia  ela  dá seqüência  às  atividades  diárias, capacitando alguém a lembrar o que tem que ser feito em momentos  particulares  e assim por diante. Em resumo, lembrança é comparada a uma casa de tesouro que pode  acumular muitas qualidades benéficas sem permitir que elas pereçam.   Existe,  basicamente,  uma  classificação  dupla  de  lembrança,  aquelas  lembranças  e  memórias que provocam distúrbios na mente e aquelas que não. Lembranças mentalmente  tranqüilas  podem  ser  divididas  naquelas  que  são  ainda  impedidas  por  afundamento  e  excitação mental, e aquelas que não são impedidas. O primeiro tipo inclui todas as formas  de lembranças que tem surgido do aprendizado e contemplação na mente de alguém  que  ainda  não  atingiu  o  nono  nível  da  quietude  mental.  O  segundo  tipo  inclui  todas  as  lembranças  associadas  com  o  quinto  nível  da  quietude    mental  tanto  quanto  aquelas  associadas com ambos a quietude mental e insight penetrativo.23   D. Concentração    Concentração* é um fator mental distinto que é capaz de permanecer unifocadamente,  mantendo  o  mesmo  aspecto,  por  uma  duração  sustenta  de  tempo  em  uma  única  referencia. Ela tem a função de (a) agir como a base para o aumento de inteligência e de (b)  manter todos os fenômenos mundanos e supramundanos sob controle.  Concentração existe em algum grau nas mentes de todos nós.  No presente momento  esta faculdade pode não estar desenvolvida e somente ser capaz de lembrar um objeto por  um tempo de limitada duração. Mas, com o esforço continuo e prática sua habilidade para  permanecer  unifocadamente  em  um  único  objeto  pode  ser  desenvolvida  até  que,  em  estado  mental  de  total  quietude,  alguém  pode  ficar  por  dias  concentrado  em  um  objeto  particular.  Além  disso,  seres  que  tem  nascido  em  um  dos  reinos  sem  forma  podem  permanecer éons absorvidos em concentração em objetos extremamente sutis tais como a  infinidade  do  espaço  e  a  infinidade  da  consciência.  Concentração  é  também  um  importante  fator  na  elevação  da  inteligência.  Quando  estamos  tirando  uma  fotografia,  a  firmeza  que  seguramos  a  câmera,  fará  com  que  a  fotografia  fique  nítida.  Similarmente,  quanto mais  firme e mais  intensa for a nossa concentração, mais nítida e acurada tornar‐ se‐á nossa inteligência.  Apesar de existir ilimitados níveis de concentração, podemos classificá‐las de acordo  com  suas  naturezas  em  dez  tipos:  as  concentrações  associadas  com  a  mente  dentro  do  reino  dos  desejos;  as  quatro  concentrações  associadas  com  os  quatro  níveis  de  absorção  pertencentes  ao  reino  da  forma;  as  quatro  concentrações  associadas  com  as  os  quatro  níveis de absorção pertencentes ao reino da não forma; e a concentração supramundana.          23

Veja Geshe Rabten, The Life and Teachings of Geshe Rabten, p. 165 seq.

80


E. Inteligência   Inteligência* é um fator mental distinto que tem a função específica de discriminação  fina. Ela examina as características ou o valor de um objeto relembrado. Além do mais, ela  tem as funções de (a) cortar pensamentos indecisos e dúvida com uma unilateral certeza  (b)  manter  a  raiz  de  todas  as  qualidades  benéficas  forseeable  e  unforseeable  e  (c)  sendo  similar a um olho que enxerga ou uma lâmpada que ilumina um fenômeno escondido.  O  exame,  qualidade  analítica  da  inteligência,  não  deveria  ser  confundido  com  uma  incerteza  oscilante    entre  duas  alternativas.  Devido  ao  desconhecimento,  indecisão  meramente  flutua  entre  duas  alternativas  a  respeito  de  um  objeto,  no  qual  incerteza  é  encontrado. Inteligência, por outro lado, analisa duas alternativas através da diferenciação  das  características  específicas  de  um  objeto,  de  quem  a  presença  fundamental  tem  sido  determinada.  Inteligência  pode  ser  aplicada  tanto  em  atividades  benéficas  quanto  maléficas.  Ela  tem  capacitado  pessoas  a  construírem  armas  de  destruição  altamente  complexas  e  por  outro lado e códigos de conduta ética por outro. Mas,  o papel muito mais importante que  ela joga, é o discernimento da natureza da verdade última – a falta de existência inerente.  Tanto  a  inferência  quanto  a  percepção  imediata  da  falta  de  existência  inerente.  Uma  inteligência  afiada  é  um  fator  vital  para  atingir  uma  compreensão.  Todavia,  sem  ser  montada (without being mounted), a concentração da quietude mental, falta a ela sozinha  alguma força que cause progresso ao longo do caminho para a liberação. Similarmente, a  quietude mental e os vários outros níveis de concentração também faltam, por ela mesma  sozinha,    alguma  força  libertadora.  Deste  modo,  é  essencial  a  combinação  da  firme  concentração da quietude mental com a inteligência discriminadora do insght penetrativo.  Existem quatro tipos de inteligência: aquela que é não nascida; aquela que ocorre do  aprendizado; aquela que ocorre da reflexão; e aquela que ocorre da meditação. Inteligência  não nascida é a acuidade natural da mente que herdamos das ações em existências prévias.  Deste modo ela varia grandemente de indivíduo para indivíduo. As outras três formas de  inteligência  são  conseqüência  do  treinamento  intelectual  e  disciplina  espiritual  que  seguimos nesta vida. Além disso, podemos distinguir entre inteligência que analisa o que  realmente  existe,  i.e.  a  falta  de  existência  inerente,  e  a  inteligência  que  analisa  o  que  convencionalmente existe.    III OS FATORES MENTAIS VARIÁVEIS    Sono,  pesar,  exame  geral  e  análise  precisa  são  chamados  de  fatores  mentais   “variáveis”  visto  que  na  dependência  da  motivação  ou  de  uma  situação  particular,  eles  tornam‐se maléficos, benéficos ou inespecíficos.     A. Sono    Sono*  é  um  fator  mental  que  faz  a  mente  obscura  (encontrar  sinônimo),  recolher  a  consciência sensorial para o seu interior, e torna a mente incapaz de apreender o corpo. Ele 

81


tem a função de (a) de permitir que a apreensão de objetos da consciência mental degenere  e  (b)  cause  a  perda  da  consciência  das  atividades  físicas,  pode  ser  um  momento  de  desnorteamento ou de  uma inconsciência mental imperturbável.  Quando o corpo está exaurido e com necessidade de restaurar‐se, a sonolência puxa  a  mente  primária  para  a  escuridão  do  sono  i.e  um  estado  no  qual  sonhos  não  ocorrem.  Como  a  força  do  sono  torna‐se  mais  claro  e  sonhos  são,  então,  experienciados  devido  a  excitação  de  marcas  e  tendência  implantadas  na  mente  durante  o  estado  em  que  nos  encontramos acordados. Ele é um fator mental variável porque ele pode ser influenciado  pelo  nosso  comportamento.  Se  ocuparmos  o  dia  envolvido  em  tarefas  benéficas,  em  particular,  gerando  fortes  pensamentos  positivos  antes  de  irmos  dormir,  isto  provocará  um  sono  benéfico  e  tranqüilo.  Se,  por  outro  lado,  nossas  mentes  estiverem  preenchidas  com  ódio  e  ânsia  quando  formos  dormir,  a  qualidade  do  sono  será  do  mesmo  modo  maléfico e perturbado. Além do mais, existem certas técnicas pelas quais a consciência do  sono  e  o  sonho  são  utilizadas  para  a  prática  do  Darma.  Visto  que  são  estados  mentais  muito  mais  sutis  que  a  consciência  acordada,  eles  podem  tornarem‐se  bases  muito  poderosas para o desenvolvimento de insigths.  Mas,  antes  de  podermos  usá‐las  desta  maneira,  devemos  primeiro  aprender  como  tornarmos consciente dentro dos estados de sono e sonho.24   B. Pesar    Pesar* é um fator mental que, tendo considerado algo mal que foi feito no passado,  torna a mente descontente e perturbada (displeased and distraught). Ele tem a função de  impedir  que  mente  de  repousar  na  tranqüilidade  e  de  agir  como  uma  base  para  trazer  infelicidade sobre a mente.  Se  sentimos  que  fizermos  atividades  ou  ações  maléficas,  então  o  pesar  torna‐se  maléfico. É necessário desenvolver esta forma de pesar a fim de ajude a purificar marcas  mentais negativas que acumulamos pelas ações negativas. De qualquer modo, se sentimos  pesar por ter dado um presente generoso ou oferenda, então o pesar tornar‐se negativo e  prejudicial.  Se  lamentamos  ao  estacionar  o  carro  em  um  lugar  errado,  isto  é  um  estado  mental nem maléfico nem benéfico, e sim inespecífico.    C. Exame Geral    Exame  geral*  é  um  fator  mental  distinto  que  na  dependência  da  intenção  e  da  inteligência pesquisa uma idéia inacabada sobre algum nome suportado por um objeto.    D. Análise Precisa    Análise  precisa*  é  um  fator  mental  distinto  que  na  dependência  da  intenção  ou  inteligência analisa o objeto em detalhe. 

24

Veja Geshe Rabtem, Introdução aos Diferentes Níveis de consciência e suas Aplicações na Meditação.

82


Tanto exame  geral  quanto  análise  precisa  são  qualidades  imputadas  a  intenção  e  inteligência,  suas  diferenças  é  determinada  pelo  grau  de  precisão  com  a  qual  elas  investigam o objeto. Se elas são cultivadas de uma maneira benéfica, elas originam o que  desejamos para esta vida e para as futuras. Mas se elas são desenvolvidas de uma forma  maléfica, elas tornam‐se somente uma causa para o que não desejamos, no presente e no  futuro. 

83


Conteúdos do Capítulo Oito        I                               

OS FATORES MENTAIS BENÉFICOS   

81

I. FÉ                II. AUTO‐RESPEITO        III. CONSIDERAÇÃO PELOS OUTROS   IV. DESAPEGO          V. NÃO ÓDIO          VI. NÃO CONFUSÃO        VII. ENTUSIASMOS        VIII. FLEXIBILIDADE        IX. CONSCIÊNCIA         X. EQUINIMIDADE        XI NÃO VIOLÊNCIA       

                   

81 82  82  83  83  83  84  85  86  86  87 

84


Capítulo Oito     

Os Fatores Mentais Benéficos      Neste  capítulo  consideraremos  as  onze  qualidades  da  mente  que  causam  aspectos  benéficos  nos  fatores  mentais  onipresentes,  determinador  de  objeto  e  variáveis  e,  como  resultado,    produzem  paz  e  bem  estar  para  nós  e  para  os  outros.  Através  do  constante  esforço  em  cultivá‐los  se  tornarão  firmemente  enraizados  na  mente  e,  deste  modo  neutralizaremos,  naturalmente,  os  fatores  mentais  negativos,  e  conduzirá  a  liberação  da  visão da realidade.    I FÉ     Fé* é um fator mental distinto, quando nos referimos a tópicos como lei de causa e  efeito,  as  Três  Jóias  e  assim  por  diante,  produzem  um  estado  mental  alegre  e  livre  dos  distúrbios  das  aflições  raízes  e  derivadas.  Ela  tem  a  função  de  (a)  agir  como  base  para  a  geração de uma aspiração para qualidades benéficas que ainda não tenham sido geradas e  (b)  aumentar  algumas  dessas  aspirações  já  geradas.  Em  resumo,  ela  age  como  a  porta  através do qual todas as qualidades positivas se manifestam.  Fé ou convicção é extremamente importante como fundação da prática do Darma.  O Buda, certa vez, disse que assim como uma semente queimada é incapaz de germinar,  do  mesmo  modo  uma  mente  destituída  de  fé  é  incapaz  de  cultivar  qualquer  coisa  benéfica.25 Se tivermos uma convicção firme em algo, tal como a certeza que o sofrimento  inevitavelmente  surge  de  ações  maléficas,  então,  automaticamente,  nos  motivaremos  a  ajustar  nosso  comportamento  e  nos  abster  de  tais  atividades.  Similarmente,  se  temos  convicção  na  confiabilidade  de  uma  pessoa  em  particular,  então  não  hesitaremos  em  acreditar  no  que  ela  diz  e  seguiremos  seus  conselhos  que  ela  possa  nos  dar.  Fé  não  significa  somente  uma  atitude  de  reverência  diante  de  certos  seres  sagrados.  Ela  deveria  ser  compreendida  como  um  fator  mental  capaz  de  alargar  e  expandir  a  compreensão  de  alguém. 

25

Esta citação é baseada no Dasadharmakasutra

85


Existem três tipos de fé: fé convicta, fé admiradora e fé veemente. Fé convicta é um  estado de completa convicção e certeza em tais coisas como as Três Jóias, a infalibilidade  da  lei  de  causa  e  efeito e  assim  por  diante.    Ela  é  inabalável  e  não  pode  ser  atraída  para  outras  proposições.  Fé  admiradora  é  um  estado  no  qual  o  objeto  de  fé  é  retido  por  ser  particularmente excelente e estimado. É uma mente dotada com alegria e contentamento.  Fé  veemente  é  um  estado  mental  no  qual  alguém  tem  o  objeto,  considerado  de  fé,  atingível. É caracterizada por um interesse forte e veemente em atingi‐lo.     II AUTO‐RESPEITO    Auto‐respeito*  é  um  fator  mental  distinto  que  evita  o  nocivo  por  razões  de  consciência pessoal. Ele tem a função de restringir a conduta prejudicial do corpo, da fala e  da mente, e é uma base para todas as disciplinas morais.  Um exemplo de auto‐respeito seria que podemos ser a causa de prejudicar outros  seres,  mas  em  consideração  que  não  gostaríamos    de  causar  tais  danos  acontecesse  para  nós, então nos privamos destas ações. Similarmente, podemos estar no limite de cometer  uma  ação,  mas  então  lembramos  que  ela  não  é  uma  ação  conveniente  para  alguém  que  supostamente  está  praticando  o  Darma.  Por  essa  razão  nos  restringimos  de  fazê‐la.   Enquanto  estamos  andando  a  cavalo  é  muito  importante  manter  a  rédea  firme  a  fim  de  prevenir  que  ele  não  saia  do  controle.  Do  mesmo  modo,  sem  um  senso  de  auto‐respeito  nossa  conduta  estaremos  sujeito  a  tornar  caótica  e  sem  limites,  conduzindo‐nos,  então,  para o conflito e sofrimento.  Existem duas formas de auto‐respeito: evitar prejudicar pelo motivo de si próprio e  evitar prejudicar pelo motivo de uma tradição espiritual.    II CONSIDERAÇÃO PELOS OUTROS    Consideração pelos outros* é um fator mental distinto que evita prejudicar por causa  dos  outros.  Ele  tem  a  função  de  (a)  restringir  uma  conduta  prejudicial  de  corpo,  fala  e  mente, (b) agir como base para a manutenção de uma disciplina moral pura, (c) evitar que  a falta de fé ocorra em outros, (d) por meio disto agir como causa para a alegria surgir nas  suas mentes.  Este fator mental é muito similar em natureza com o auto‐respeito, exceto que ele  restringe  alguém  de  prejudicar  por  meio  da  consideração  que  alguém  teve    em  cometer  uma ação particular, pois ela causaria desapontamento e sofrimento para outros. Em geral,  auto‐respeito  e  consideração  pelos  outros  são  fatores  determinantes  neste  mundo  pelo  qual pessoas são consideradas nobres ou não. Eles são como um vaso que contém todas as  virtudes divinas e humanas tanto quanto uma cerca forte que guarda‐nos. Nagarjuna certa  vez  disse  que  existem  duas  coisas  que  protegem  pessoas  neste  mundo:  auto‐respeito  e  consideração pelos outros.  Existem dois aspectos na consideração pelos outros: evitar os danos que causamos  para outros seres e evitar danos que causamos para a tradição espiritual dos outros.   

86


IV DESAPEGO    Desapego* é um fator mental distinto que, quando se refere a um objeto dentro  da existência condicionada, age como remédio para o apego em relação a ele. Sendo  removido do objeto, ele torna‐se desapegado e alguém não se agarra nele. Ele tem a  função de prevenir apego e aplicar o remédio para ele.  Apego é a tendência  da mente que deseja possuir um objeto particular, seja ele  animado  ou  inanimado.  Tanto  quanto  nos  submetemos  a  sua  demanda,  somente  obteremos desapontamento e sofrimento, jamais a satisfação que procuramos. Deste  modo  desapego  nos  afasta  do  envolvimento  compulsivo  com  o  objeto  através  da  compreensão da sua verdadeira natureza. Por meio disto elimina o agarramento e o  impulso  de  possuir.  Sob  influência  do  apego,  nos  encontramos  compulsivamente  perseguindo  prazeres  transitórios  que  faltam  algum  valor  real.  Com  desapego,  entretanto,  somos  capazes  de  ver  mais  clara  e  objetivamente  e  deste  modo  focar  nossa atenção e energia na realização das metas que verdadeiramente valem a pena.    IV. NÃO‐ÓDIO    Não  ódio*  é  um  fator  mental  distinto  que  quando  referido  por  um  dos  três  objetos  específicos,  suporta  as  características  de  bondade  amorosa  a  qual  domina  diretamente o ódio. Ele tem a função de agir como base para evitar o ódio e pelo aumento  do amor e paciente aceitação.  Os  “três  objetos  específicos”  mencionado  acima  refere‐se  (a)  alguém  que  está  aflitamente para ferir‐nos (c) a ferir  a si próprio, e (c) a causa ou instrumento de ferir, tais  como espinhos, venenos, armas, etc. Após o reconhecimento de um destes três coisas como  causa  do  nosso  sofrimento,  tenderemos  a  não  gostar  e  nos  tornaremos  raivosos  através  deles..  Esta  raiva  causará,  imediatamente,  agitação  e  tensão  na  mente    que  conduzirá  somente a comportamentos irracionais e incontrolados. Não‐ódio é a resposta oposta: sem  uma  reação    cega  para  a  situação,  ela  mantém  uma  mente  clara  caracterizada  por  amor,  bondade e aceitação paciente. É um fator mental positivo que sendo cultivado erradicará  os fatores negativos de raiva e ódio. Apego e ódio são como água em ebulição na mente.  Desapego  e  não‐ódio  são  similares  a  água  fresca  que,  quando  despejada  na  água  em  ebulição, tem a função de acalmar e refrescar asa aflições de apego e raiva.    V. NÃO‐CONFUSÃO    Não‐confusão*  é  um  fator  mental  distinto  que  surge  de  uma  disposição  inata,  aprendizado,  reflexão  e  meditação.  Ela  age  como  um  remédio  para  ignorância  e  acompanhada de uma inteligência firme que analisa completamente a verdadeira natureza  do  objeto.  Ele  tem  a  função  de  (a)  evitar  confusão,  (b)  aumentar  os  quatro  tipos  de  inteligência,  e  (c)  agir  como  um  fator  capacitante  na    efetivação  de  qualidades  benéficas  pertencentes a purificação. 

87


Não confusão é uma claridade e perspicácia  da mente que dispersa confusão  sobre um objeto particular. Confusão é como a escuridão em um quarto, e não‐confusão é  como  a  luz  que  clareia  este  quarto  ao  ser  acionada.  Ela  própria  não  é  uma  forma  de  inteligência, mas uma qualidade de lucidez da mente acompanhada da inteligência firme  que  suporta  um  relacionamento  de  similaridade  com  entusiasmo  ou  concentração.  A  maioria  de  nós  nascem  com  um  certo  grau  de  não‐confusão  herdada  de  atividades  benéficas prévias. Todavia, para ela nos ajudar a atingir a liberação, ela é uma qualidade  que precisa  ser elevada e desenvolvida primeiramente através do aprendizado e estudo e  subseqüentemente através da reflexão e meditação.    Eles deveriam ser apontados  além dos termos “desapego”, “não‐ódio” e “não‐ confusão”, pois não denotam um estado mental que simplesmente faltam apego, ódio ou  confusão. Os prefixos negativos não indicam uma simples negação destes fatores mentais,  preferivelmente  eles  estão  denotando  estados  mentais  opostos  como  remédio  para  eles.26   Deste modo, não‐violência, desapego e não‐confusão são fenômenos afirmativos que tem o  efeito curativo benéfico na mente.  Todos  os  ensinamentos  e  conselhos  que  Buda  deu  tinham  unicamente  o  objetivo de neutralizar as aflições negativas da mente dos seus discípulos. Por esta razão,  visto  que  apego,  ódio  e  confusão  são  as  principais  fontes  de  todas  as  aflições,  seus  remédios  diretos  de  desapego,  não‐ódio  e  não‐confusão  tornam‐se  a  raiz  de  tudo  que  é  benéfico.  Para  o  mesmo  grau  no  qual  eles  são  cultivados  e  elevados  ,  uma  fragilidade  correspondente é impostas às aflições. Deste modo, o desenvolvimento delas é o coração  da  pratica  Budista.  Para  aqueles  que  genuinamente  empenham‐se  pela  liberação  este  é  o  caminho por meio do qual transformaremos completamente nosso inimigo interior.    VI. ENTUSIASMO    Entusiasmo*  é um fator mental distinto que age como remédio para preguiça, e  engaja‐se  alegremente  em  atividades  benéficas.  Ele  tem  a  função  de  realizar  qualidades  benéficas que ainda não foram realizadas e trazer aquelas que tem sido realizadas para a  compleição.  Todos  os  aspectos  benéficos  do  caminho  são  desenvolvidos  por  meio  do  entusiasmo.  É  através  da  ativação  da  sua  força  que  liberação  e  o  estado  Búdico  são  realizados. Entusiasmo é uma qualidade dinâmica da mente necessária para efetivamente  concretizar qualquer crescimento espiritual e compreensão. Quando um declive de grama  seca pega fogo, a labareda será espalhada somente se existir vento suficiente. Do mesmo  modo, o fogo da discriminação  inteligente  somente será capaz de queimar as aflições se  ela  for  suficientemente  movida  pelo  vento  do  entusiasmo.  Por  outro  lado,  não  importa  quanta  compreensão  inteligente  alguém  atingiu,  ela  não  será  destruída  se  ela  não  for  aplicada alegre e entusiasticamente na prática de meditação.  26

As partículas Tibetanas ma e med podem denotar um dos três significados: (a) uma simples negação, não isto, não aquilo, (b) algum outro estado, não isso mas aquilo, (c) ou a oposição ou antítese do que é afirmado, como temos aqui com desapego, etc.

88


Visto que  existem  três  tipos  de  preguiça,  podemos  também  distinguir  três   formas de entusiasmo que agem como remédio para elas. O primeiro tipo de preguiça é a  inatividade  ou  indolência.  Esta  é  uma  qualidade  que  entorpece  a  mente  de  qualquer  interesse  no  Darma  e  deseja  simplesmente  afundar  em  um  estado  de  sonolência  indiferente.  O  segundo  tipo  de  preguiça  é  uma  espécie  de    auto‐piedade.  Isto  se  torna  manifesto  através  de  tais  afirmações:  “Eu  sou  tão  inferior  que  jamais  poderia  atingir  qualquer  insigth  ou    liberação”.  Ela  é  uma  indulgência  desnecessária  baseada  na  depreciação do seu próprio potencial interior. O terceiro tipo de preguiça, atração para o  mal, é freqüentemente confundido com entusiasmo, visto que ele também é caracterizado  pela  perseverança,  mas  perseverança  através  do  qual  é  maléfico.  Todo  o  esforço  que  fazemos para atingir metas mundanas, até mesmo quando são realizadas alegremente, são  de  fato  uma  forma  de  preguiça.  Deste  modo,  é  o  despertar  do  entusiasmo,  um  estado  mental  diligente    que  neutraliza  a  inatividade  ou  indolência.  O  entusiasmo,  uma  perseverança  benéfica  baseada  na  auto‐confiança    que  transforma  auto‐piedade.  E  o  entusiasmo, que encontra alegria no que é benéfico, é que elimina a atração pelo mal.  Existem também uma classificação quíntupla de entusiasmo:    (a)  entusiasmo  tipo  armadura,  uma  grande  alegria  é  induzida  através  da  intenção  benéfica,   (b) entusiasmo aplicado, é a alegria encontrada na prática do Darma,   (c) entusiasmo indestrutível, é um estado mental que não pode ser desencorajado uma vez  que a virtude tenha sido gerada,   (d) entusiasmo irreversível, é um estado de alegria em alguém que permanece encorajado,  apesar que ele tenha se considerado inferior em relação aos outros, e   (e)  entusiasmo  descontente,  é  do  ponto  de  vista  de  não  deixar  alguém  não  se  deteriorar  mas  desenvolver  para  a  compleição,  um  estado  de  alegria  no  qual  alguém  não  está  contente com apenas um pouco de virtude.    VIII. FLEXIBILIDADE    Flexibilidade* é um fator mental distinto que tem o efeito de capacitar a mente a  aplicar  objeto  benéfico  de  qualquer  maneira  que  ela  deseja  tanto  quanto  interromper  qualquer  rigidez  física    ou  mental.  Ele  tem  a  função  de  purificação  da  rigidez  mental  e  física  e  agir  como  uma  base  para  todas  as  meditações  diretamente  associadas  com  a  quiessência mental e insight penetrativo.  Rigidez física e mental é um estado inepto de mente e corpo no qual alguém é  incapaz  de  fazer  o  que  deseja.  É  semente  que  faz  surgir  todas  as  formas  de  aflitivas.  Flexibilidade transforma qualquer peso ou rigidez  e torna a mente muito flexível e sagaz.  Alguém é, deste modo, capacitado para usar a mente de qualquer maneira que deseja, seja  para  resolver  um  problema  intelectual  ou  para  concentrar  em  um  objeto  de  meditação.  Através  da  prática  esta  qualidade  pode    também  ser    desenvolvido  no  corpo,  dando  a  alguém  um  sentido  de  claridade  física  e  bem  estar  como  se  alguém  flutuasse  no  ar.  A  flexibilidade de corpo, ainda que, seja uma forma específica de sensação tátil e deste modo 

89


não ser  considerado  como  um  fator  mental  benéfico  de  flexibilidade.  Do  mesmo  modo,  deveria ser notado que flexibilidade somente se refere a qualidade flexível da mente que  refere‐se a objetos benéficos.    IX. CONSCIÊNCIA    Consciência*  é  um  fator  mental  distinto  que  aprecia  a  acumulação  do  que  é  benéfico e protege a mente contra aquilo que faz as aflições surgirem. Ela é uma qualidade  que  designa  um  estado  mental  no  qual  desapego,  não‐ódio,  não‐confusão  e  entusiasmo  estão  presentes.  Ela  realiza  a  função  de  conduzir  a  mente  para  a  satisfação  continuadamente manter tudo que é bom dentro e além deste mundo.  Aflições  podem  surgir  tanto  de  fatores  internos  quanto  externos.  Consciência  nos protege da reação a uma maneira negativa vinda de condições externas e além do mais  evita a mente de ser dominada pelo apego, ódio e assim por diante. Na proteção da mente,  consciência é similar de alguma maneira com o auto‐respeito e consideração pelos outros,  exceto  que  ela  não  é  baseada  em  um  raciocínio  particular,  sem  dúvida  ela  é  a  qualidade  mental  fundamental  mais  protetora.  De  qualquer  modo,  muito  tentamos  desenvolver  qualidades  benéficas  e  positivas,  mas  não  teremos  sucesso  se  faltar  a  qualidade  de  consciência.  Viver  uma  existência  inconsciente  é  comparável  a  sermos  espiritualmente  mortos,  visto  que  qualquer  oportunidade  para  cultivar  virtude  é  automaticamente  desperdiçada.  Vivendo  com  consciência,  entretanto,  é  equivalente  a  termos  encontrado  a  imortalidade.27 Existem  quatro  tipos  de  consciência:  consciência  em  acumulação  de  mérito,  consciência  na  realização  da  liberação,  consciência  no  desenvolvimento  da  renúncia  e  consciência em cultivar virtudes não contaminadas.      X. EQUANIMIDADE    Equanimidade*  é  um  fator  mental  distinto  que,  sem  ter  que  exercer  um  grande  esforço para evitar excitação e afundamento, não deixa a mente ser afetado por eles. É uma  qualidade sustentada por um estado mental no qual desapego, não‐ódio, não confusão e  entusiasmo  estão  presentes.  Ele  tem  a  função  de  fixar  e  deixar  a  mente  apoiada  sobre  objetos virtuosos.  Além  do  mais,  visto  que  o  conhecimento  da  realidade  última  ocorre  somente  quando  a  mente  está  em  um  estado  de  equilíbrio,  equanimidade  é  chamada  para  agir  como base para tal conhecimento. Além disso, ela age como  base para evitar excitamento  e afundamento bem como outras aflições raízes e secundárias. Em geral equanimidade é  um  fator  mental  que  mantém  a  mente  equilibrada  e  calma  sem  deixá‐la  tornar‐se  descuidadosamente distraída ou não clara e obtusa.Apesar dela poder ser frágil em uma  mente  não  treinada,  através  da  prática  de  meditação  ela  pode  ser  transformada  em  uma  força muito poderosa.  27

Esta idéia é encontrada no Dhammapada (v.21) e no Suhrllekha de Nagarjuna (v.13).

90


Usualmente falamos  em  três  tipos  de  equanimidade:  equanimidade  que  é  um  sentimento,  por  exemplo:  indiferença,  equanimidade  ilimitada  –  o  desejo  que  todos  os  seres permaneçam no estado sem propensões livre do apego e do ódio, e a equanimidade  que  é  um  elemento  formativo.  Esta  última  divisão  possui  uma  subdivisão  em  três  categorias,  a  equanimidade  de  uma  mente  equilibrada,  uma  mente  em  repouso  e  uma  mente espontânea. A equanimidade de uma mente equilibrada é uma que com aplicação é  capaz  de  manter‐se  equilibrada  mas  por  outro  lado  é  ainda  sujeita  a  interrupções  por   leves excitações e afundamentos. A equanimidade de uma mente em repouso é capaz de  concentrar‐se  no  seu  objeto  sem  ter  que  fazer  grandes  esforços  para  aplicar  os  remédios  para  excitação  e  afundamento.  Por  último,  a  equanimidade  de  uma  mente  espontânea  ocorre  quando  a  mente  é  finalmente  equilibrada  na  concentração.  É  um  estado  sem  qualquer esforço, excitação e afundamento, definitivamente não ocorrerão.     XI NÃO‐VIOLÊNCIA    Não‐violência*  é  um  fator  mental  distinto  que,  falta  qualquer  intenção  de  causar dano, considere “ se somente os seres sencientes fossem separados do sofrimento”.  Ele tem a função de ser incapaz de suportar o sofrimento dos outros.  Em  outras  palavras,  não‐violência  é  equivalente  a  compaixão,  o  desejo  puro  que    possam  ser  livres  do  sofrimento.  Além  disso,  ele  age  como  uma  fundação  de  uma  forte  urgência  em  não  desconsiderar  os  outros  matando  e  ferindo‐os,  e  pelo  desejo  de  beneficiar e trazer felicidade para o inapto (weak).   Existem  três  tipos  de  não‐violência:  compaixão  para  com  todos  os  seres  sencientes,  fenômenos  e  não  referentes.  Compaixão  refere‐se  aos  seres  sencientes  é  a  compaixão que surge  de ver criaturas desamparadas saltando para o samsara  através da  força  da  sua  ignorância    de  apego  a  auto‐existência  da  pessoa.  Compaixão  referente  aos  fenômenos  é  a  compaixão  que  ocorre    quando  alguém  vê    a  natureza  transitória  e  impermanente  dos  seres  sencientes.  Finalmente,  compaixão  não  referente  é  a  compaixão  que  vêm  quando  alguém  vê    que,  apesar  dos  seres  sencientes  aparecerem  como  inerentemente existente, eles são de fato inerentemente não existentes.28   No  entanto,  visto  que  estes  onze  fatores  mentais  benéficos  não  surgem  simultaneamente  em  algum  dos  estados  primários  da  mente,  devemos  maravilhar‐se  no  momento no qual combinações deles ocorrem. Podemos classificar seis distintas ocasiões  para essas ocorrências:    i) Todas as vezes que tivermos crença, fé ocorre.  ii) Todas as vezes que transformarmos o mal, auto‐respeito e consideração  pelos outros ocorrem.  iii) Todas as vezes que nos engajarmos na virtude, desapego, não‐violência,  não confusão e entusiasmo ocorrem. 

28

Veja Chandrakirti, The Guide to the Middle Way.

91


iv) v) vi)

Todas as vezes que livramos alguém do apego pelas coisas mundanas,  flexibilidade ocorre.  Todas  as  vezes  que  livramos  alguém  do  apego  pelas  coisas  não  mundanas, consciência e equanimidade ocorrem.  Todas as vezes que beneficiamos os outros, não violência ocorre. 

92


Conteúdos do Capítulo Nove        I                     

AS AFLIÇÕES RAIZES 

A. Apego               B. Raiva              C. Auto‐importância          D. Ignorância            E. Visões Aflitivas              1. A visão da composição transitória      2. Visões Extremas            3. Visões de superioridade         4. Visões que consideram disciplinas   morais e espirituais insatisfatórias   como supremas        5 Visões errôneas          F. Indecisão Aflitiva         

    II AS AFLIÇÕES DERIVADAS        A. Aflições derivadas da Raiva       1. Fúria          2. Vingança          3 Maldade          4. Inveja          5. Crueldade       B. Aflições derivadas do apego        1. Avareza        2. Auto‐satisfação        3. Excitação           

                   

                   

                   

91 91  92  93  95  95  95  96  96 

96 97  97  98  99  99  99  99  99  100  100  100  100  101  

93


C. Aflições derivadas da confusão    1. Dissimulação        2. Obtusidade        3.Descrença          4. Preguiça          5. Esquecimento        6. Desatenção     

           

           

101 101  101  102  102  102  103 

   

103 103  104 

E. Aflições derivadas dos três venenos mentais     1. Desavergonhado           2. Desconsideração pelos outros        3. Inconsciência            4. Distração           

104 104  104  104  105 

D. Aflições derivadas do apego e confusão    1. Pretensão            2. Desonestidade       

94


Capítulo Nove     

Os Fatores Mentais Maléficos      Agora  vamos  considerar  as  aflições*.  Estes  são  os  fatores  mentais  que  são  responsáveis por todas as formas de sofrimento e descontentamento que experienciamos,  são  consideramos  como  maléficos.  Eles  são  caracterizados  por  serem  fatores  mentais  conceituais  que,  quando  surgem  na  mente,  causam  distúrbios  e  inquietação.  No  caso  de  apego grosseiro, ódio e assim por diante, são de natureza completamente evidentes. Mas  você  deve  querer  saber  como  determinadas  aflições  tais  como  preguiça  e  obtusidade  podem  causar  distúrbios  na  mente.  Apesar  delas  não  parecerem  suportar  estas  características surgidas em uma mente não treinada, todavia seus distúrbios e qualidades  destrutivas  tornam‐se  evidentes  quando  elas  ocorrem  em  altos  níveis  de  concentração  meditativa.    As  aflições  são  caracterizadas  em  dois  grupos:  as  seis  aflições  raízes  e  as  vinte  aflições  derivadas.  As  aflições  raízes  agem  como  a  base  para  todas  as  distorções  intelectuais  e  conflitos  emocionais  e  subseqüentemente  fazem  surgir  ações  contaminadas  que  impulsionam‐nos  para  estados  do  samsara.  Enquanto  estivermos  sob  seu  domínio  nossa  existência  tornar‐se  uma  escravidão  na  qual  falta  liberdade  para  determinar  nosso  destino. As aflições derivadas são assim chamadas porque, por um lado, elas são aspectos  ou  extensão  das  aflições  raízes,  e  por  outro,  porque  elas  ocorrem  na  direta  dependência  delas.    1. AS AFLIÇÕES RAIZES    A. Apego    Apego*  é  um  fator  mental  distinto  que,  quando  se  refere  a  um  fenômeno  contaminado super exagera sua atratividade e então procede ao desejo e um interesse forte  por  ele.  Como  uma  condição  contributiva  ,  ele  age  como  uma  base  para  a  produção  continuada de descontentamento.    Apego desenvolve‐se de nossa concepção errônea sobre um objeto ser mais atrativo  e agradável que ele realmente é. Projetamos uma falsa imagem, agarrando‐a, ansiamos 

95


em possuir  o  objeto  aparentemente  belo  que  temos  embelezado  com  nossa  própria  imaginação. Este apego é uma concepção errônea que pode surgir através de qualquer  objeto  que  vemos  atratividade:  nosso  próprio  corpo,  saúde,  posição  social,  tanto  quanto corpos e posse por outros.    Freqüentemente  confundimos  apego  com  amor  ou  compaixão.  Na  realidade,  eles  são  completamente  diferentes.  Apego  é  sempre  caracterizado  pela  tendência  de  exagerar  enquanto  que  o  verdadeiro  amor  e  compaixão  são  baseados  em  uma  consciência não distorcida do que é real. No seu objetivo também são muito diferentes.  Embora  apego  possa  superficialmente  levar  o  aspecto  de  aparentemente  ajudar  os  outros,  ele  é  essencialmente  egoísta  –  somente  empenha‐se  em  saciar  os  próprios  desejos.  Amor  e  compaixão,  não  obstante,  são  da  natureza  somente  de  preocupar‐se  com o bem estar dos outros, imaculado por qualquer preocupação com nós próprios. O  resultado  também  é  diferente:    apego  sempre  resulta  em  sofrimento  enquanto  que  amor  e  compaixão  somente  aumentam  o  bem  estar.  Podemos  observar  isto  quando  nosso aparente amor por alguém é meramente apego egoísta, apesar de ser prazeroso  no  início,  no  final  ele  freqüentemente    mudará  para  o  ódio  e  o  desgosto.  Amor  e  compaixão não a qualidade de mudar desta maneira. Pelo contrário, os sentimentos de  proximidade e afeto que são criados pelo amor e compaixão somente aumentam com o  seu desenvolvimento. Também compaixão e amor crescem fortemente mesmo se não  existir reciprocidade pelo outro lado. Eles são abnegadamente dedicados ao bem estar  dos outros. Devemos também anotar que o desejo genuíno por iluminação ou liberação  não é uma forma de apego, mas uma aspiração benéfica e realística.    Apego  pode  ser  classificado  de  acordo  com  os  três  reinos:  apego  pertencente  aos  reinos  dos  desejos,  forma  e  não  forma;  ou  de  acordo  com  o  tempo:  apego  por  experiências passadas e que novamente queremos provar, apego por querer segurar o  que está presente, e apego ou desejo por alguma coisa que ocorrerá no futuro.      B. Raiva    Raiva* é um fator mental distinto que, em referência a um dos três objetos, agita a  mente  por  ser  incapaz  de  suportar  ou  por  pretender  causar  ferimento  no  objeto.  Ela  tem a função de perturbar e irritar a mente. Ela age como uma base para atormentar a  si próprio e aos outros e é uma condição contributiva para o aumento do sofrimento e  suas causas.  Quando  nos  tornamos  raivosos,  usualmente  é  em  relação  a  um  dos  três  objetos:  seres  ou  objetos  por  quem  estamos  sendo  feridos,  o  sofrimento  que  ocorre  por  estarmos  sendo  feridos,  ou  as  razões  pelas  quais  estamos  sendo  feridos.  Enquanto  apego  super  exagera  a  atratividade  de  um  objeto,  raiva  é  a  concepção  errônea  que  super exagera os aspectos desagradáveis do seu objeto.   Ele  causa‐nos  ver  certas  pessoas  ou  coisas  como  muito  desagradáveis  e  desprazerosas. Deste modo o maneira na qual relatamos a situação é freqüentemente  colorida pela fabricação de imagens mentais que distorcem completamente a realidade 

96


da situação.  Quando  estamos  sob  influência  do  apego,  pessoas  e  objetos  aparecem  artificialmente atraentes e maravilhosas e quando estamos sob influência da raiva eles  aparecem  desprazerosos  e  repulsivos.    Estas  duas  características  básicas  somente  fazem  surgir  frustração  e  desespero.  Eles  são  a  origem  de  todos  os  conflitos:  aa  luta  entre  estes  dois  desconfortos,  a  rixa  entre  um  homem  e  sua  esposa,  na  escalada  de  guerras  internacionais.  Quando  estamos  perturbados  por  forte  apego  ou  raiva,  tendemos  sempre  a  pensar  que  as  qualidades  boas  ou  más  são  propriedades  intrínsecas  do  objeto.  Por  isso  nos  engajamos  na  tentativa  de  dominar  e  ferir  fisicamente e destruí‐lo. Na realidade, estamos meramente sendo confusos e iludidos  por  nossas  próprias    imaginações  e  entretanto  estamos  nos  esforçando  muito  para  garantir  felicidade  nesta  base,  desta  forma  jamais  teremos  sucesso.  É  essencial,  no  entanto, reconhecer que a fonte de todo prazer e dor encontra‐se dentro da operação  interna da nossa mente.  Na  divisão  de  raiva,  podemos  falar  da  menor,  da  intermediária  e  dos  maiores  graus de raiva tanto quanto raiva causada por ferir seres feito por si próprio, feito para  amigos seus ou por aqueles que são inimigos. Além do mais, considerando a segunda  classificação  em  termos  de  tempo,  ela  pode  ser  causada  por  um  dolo  infligido  no  passado, um dolo infligido no presente, ou um dolo propenso a ser feito no futuro para  alguém, para um dos seus amigos e assim por diante, podemos distinguir nove tipos  de raiva.    C. Auto‐importância    Auto‐importância*  é  um  fator  mental  distinto  que,  baseado  na  visão  da  coleção  transitória, “eu” e “meu”, apreendida como inerentes, fortemente apegada a uma imagem  inflada e superior de si próprio. Ela tem a função de evitar a realização de qualquer alta  virtude  e  de  causar  desrespeito  e  menosprezo  pelos  outros.  Por  meio  disto  ela  conduz  alguém ao doloroso e indesejável.  A  base  para  a  auto‐importância  é  a  visão  da  coleção  transitória,  por  exemplo  a  concepção errônea que os elementos corpo e mente são o “eu” ou essencialmente “meu”.  Esta concepção exagerada conseqüentemente fará surgir a auto‐importância e sentimentos  de orgulho tais como: “Olhem‐me, quão sábio eu sou!” Devido a este tipo de pensamento  uma  imagem  altamente  inflada  de  si  próprio  desenvolve‐se  e  como  resultado  torna‐se  muito  presunçoso  diante  dos  outros.  Através  deste  fator  mental  produze‐se  um  senso  inflado de personalidade superior, ela não é uma superioridade real mas meramente  uma  produção conceitual falsa.  Uma  vez  surgida,  ela  automaticamente  nos  causará  inveja  dos  superiores,  competitivo  com  os  iguais  e  arrogantes  com  os  inferiores.  Por  meio  disso  ele  cria  uma  atmosfera  tensa  a  e  hostil.  Na  perseguição  mundana,  ela  pode  parecer  uma  qualidade  conveniente  mas  na  prática  do  Darma  ela  é  somente  um  obstáculo  para  o  nosso  desenvolvimento. No Tibet tem um provérbio que diz: “O brilho do conhecimento jamais  permanece  no  balão  do  orgulho”.  Isto  quer  dizer  que  tanto  quanto  eu  mantenha  uma  imagem inflada , será impossível aprender ou compreender algo dos outros. Entretanto, se 

97


cultivarmos humildade  e  esvaziarmos  a  imagem  que  fazemos  de  nós  próprios,  será  possível  desenvolver  todas  as  formas  de  virtudes  e  insghts.  De  acordo  com  suas  causas,  auto‐importância pode ser divida em sete tipos:    1 – 3  Auto‐Importância Menor, Maior e Extrema.    Estas  três  formas  de  auto‐importância  são  chamadas  de  “materialmente‐ orientadas”  visto  que  elas  surgem  em  relação  a  tais  coisas  como  status  social  e  riqueza.  Auto‐importância  menor  vem  através  da  comparação  de  si  próprio  com  aqueles  que  parecem  ter  menos  que  você.  Este  é  o  pensamento  que  considera:  “Eu  sou  maior  que  aqueles que tem uma posição social inferior e que são mais pobres em conhecimento que  eu.” Auto‐importância maior surge em relação àqueles que são iguais a nós. Ele considera:  “ embora ele possa ser igual a mim em sua posição social, etc, todavia, através das minhas  qualidades de generosidade, moralidade e assim por diante, eu sou superior a ele.” Auto‐ importância  extrema  toma  como  seus  objetos  aqueles  que  superior  a  você  e  considera,  “  mesmo  comparado  com  aqueles  que  tem  posição  social,  riqueza,  conhecimento,  etc  superior ao meu, apesar disto eu sou superior.”    4. Auto‐importância egoística.    Esta atitude convencida é um estado mental inflado que resulta da imaginação que  os seus próprios agregados de corpo e mente são alguma coisa perfeita. Ele, então, concebe  fortemente  que  uma  pessoa  que  é  não  auto‐existente  passando  a    ser  uma  pessoa  auto‐ existente, e o que não pertence a tal da pessoa auto‐existente pertence a tal da pessoa auto‐ existente.    5. Auto‐importância inflada    É uma qualidade humana negativa, por exemplo, todas as atividades que surgem  do  apego,  ódio  e  confusão,  são  contrapostas  pela  absorção  mental  e  meditação.  Auto‐ importância inflada é atitude grosseira inflada de alguém que, sem ter realizado qualquer  destas qualidades superiores, está convencido que tem.    6. Auto‐importância auto‐retraída    Este  é  um  estado  mental  inflado  que  considera,  “visto  que  tenho  somente  uma  fração  de  status  social,  conhecimento  etc.  destes  superiores  a  mim,  eu  estou   completamente humilhado e insignificante.”    7. Auto‐importância Distorcida    Um  exemplo  de  auto‐importância  distorcida  seria    atitude  inflada  de  uma  pessoa  moralmente degenerada que se considera moralmente correta e virtuosa. Então ela 

98


é distorcida  visto  que  ela  nos  faz  acreditar  que  estamos  dotados  com  qualidades  benéficas que de fato estão faltando.      D. Ignorância     Ignorância*  é  um  estado  aflitivo  de  desconhecimento  que  produz  sobre  a  mente  confusão sobre a natureza de coisas tais como a lei de causa e efeito, as três jóias e assim  por diante. Ela tem como função agir como base e uma raiz para todas as aflições e ações  corrompidas e estados de nascimento que elas produzem.   Então  a  ignorância  que  estamos  falando  aqui  é  a  confusão,  é  qualidade  de  consciência que obscurece‐nos do conhecimento claro das coisas. Ela age como base para,  mas  é  distinta  da  ignorância  que  concebe  falsamente  a  auto‐existência  da  pessoa.  Esta  qualidade  mais  específica  de  ignorância  será  quando  abordaremos  a  visão  da  coleção  transitória.  Geralmente  falando,  existem  dois  tipos  de  ignorância:  confusão  do  o  significado da sua própria realidade, como exemplo a ignorância sobre a natureza do eu, e  a confusão sobre tais coisas como a lei de causa e efeito.    E. Visões Aflitivas    Uma visão aflitiva* é um estado de inteligência aflitiva que considera os agregados  como  senso  inerentemente  “eu”  ou  “meu”  ou  em  direta  dependência  de  tal  visão,  uma  inteligência  aflitiva  que  desenvolve  mais  concepções  errôneas.  Visões  Aflitivas  têm  a  função  de  agir  como  a  base  para  todos  os  transtornos  engendrados  através  das  aflições  tanto  quanto  todas  as  outras  perspectivas  falsas  e  negativas.  Existem  muitos  tipos  de  visões aflitivas mas aqui abordar aquelas cinco principais e mais importantes:    1. A visão da composição transitória    A  visão  da  composição  transitória  é  uma  visão  aflitiva  que,  quando  se  refere  aos  agregados de corpo e mente, concebe‐os por ser ambos inerentemente “eu” ou “meu”29 Ela  age como base para tudo que é maléfico.  Esta  visão  errônea  é  assim  chamada  porque  ela  tem  como  seu  objeto  a  coleção  transitória  de  corpo,  sensação,  discriminação,  elementos  formativos  e  consciência  primária.  Na  confusão  da  ignorância,  ela  então  concebe  erroneamente  uma  pessoa  auto‐ existente  para  existir  independentemente  destes  elementos.  Alternativamente,  ela  considera‐os  como  uma  substância  de  uma  pessoa  auto‐existente  ou  os  objetos  pertencentes    para  tal  pessoa  auto‐existente.  Ela  é  considerada  como  uma  forma  de  inteligência,  mas  por  causa  que  ela  é  uma  discriminação  distorcida,  ela  tem  como  uma  característica    fundamental  perturbadora  e  maléfica.  Devido  a  esta  concepção  falsa  que  29

Esta é uma visai da coleção transitória aceita por todas as escolas Budistas exceto pelos Prasangikas. Para eles esta visão é definida como uma inteligência perturbada que, referindo ao “eu” e ao “meu”, concebe-os como inerentemente existente.

99


todos os seres ordinários são dotados com o senso de um “eu” independentemente auto‐ suficiente.  Deste modo está presente em todas as formas da existência condicionada. Em  animais  ele  é  meramente  um  senso  instintivo  de  identidade  enquanto  no  homem  ele  é  freqüentemente cultivado e justificado intelectualmente.  Para obter a liberação do samsara, este é o fator mental chave para ser reconhecido  e  transformado.  Mas  tal  processo  não  é  fácil.  Ele  requer  muita  análise  da  natureza  do  caminho  no  qual  distorcidamente  concebemos  a  nós  próprios  como  existente.  Primeiro,  temos que reconhecer claramente que este falso “eu” que temos tão fortemente assumido  existir.  Somente  então  podemos  construtivamente  proceder  para  penetrar  na  sua  não  realidade e reduzir a obsessão instintiva de apego a ele como algo real.  Existem dois tipos desta visão: a apreensão de um “eu” inerente e a apreensão de  algo como senso inerentemente “meu”.    2. Visões Extremas    Uma  visão  extrema  é  um  estado  aflitivo  de  inteligência  que,  quando  refere‐se  ao  “eu”  e  ao  “meu”  concebido  pela  visão  da  composição  transitória,  considera‐os  como  um  aspecto  eternalista  ou  niilista.  Ele  tem  a  função  de  impedir  que  alguém  encontre  o  caminho do meio o qual está livre dos extremos e de criar causas para alguém retornar a  tarefa de estabelecer as causas para status elevado no samsara e a liberação.   Existem dois extremos nos quais estamos sujeitos a falhar uma vez que tenhamos  assentado  o  senso  do  eu  trazido  pela  visão  da  composição  transitória:  os  extremos  do  eternalismo  e  do  niilismo.  O  extremo  do  eternalismo  é  aquele  que  considera  nossa  identidade  pessoal  por  ser  algo  imutável,  a  qual  sobreviverá  à  morte  e  continuará  indefinidamente.  O  extremo  do  niilismo  é  a  visão  que  considera  que  apesar  de  uma  identidade pessoal estar presente agora, na morte, tanto quanto o elemento da consciência,  cessarão completamente. No Budismo estes extremos são evitados através da negação da  existência  independente  de  uma  pessoa  por  um  lado,  mas  por  outro  lado  também   afirmando a continuidade momentânea da consciência.    3. Visões de Superioridade    Uma  visão  de  superioridade  é  um  estado  aflitivo  de  inteligência  que  considera  outras  visões  negativas  ou  os  agregados  de  corpo  e  mente  como  sendo  supremos,  exaltados,  principais  ou  sagrados.  Ela  tem  a  função  de  causar  apego  a  visões  falsas  para  aumentá‐las.  Tal visão seria o pensamento: “não existe nada superior à crença na auto‐existência  da pessoa que é eterna e imutável”. Este tipo de pensamento somente exagera e fortalece  nossas opiniões falsas.    4. Visões que consideram Disciplinas morais e espirituais insatisfatórias como  suprema.   

100


A visão  que  considera  disciplinas  morais  e  espirituais  insatisfatórias  como  supremas  é  um  estado  aflitivo  de  inteligência  que  acredita  que  a  purificação  das  corrupções mentais possa ser possível por meio de práticas ascéticas e de códigos de  éticas  inferiores  que  foram  inspirados  em  visões  errôneas.  Ela  age  como  base  para  não se obter os frutos para a liberação da existência cíclica tanto quanto por obter os  resultados não desejados por nós. Visto que elas nos causam exaustão enquanto não  atingimos  metas  reais.  Estas  visões  encontradas  em  nós  próprios  manifestadas  na  submissão  a  tremendas  dores  físicas  na  espera  que  por  tais  práticas  tendências  maléficas  serão  purificadas.  Em  algumas  religiões  tradicionais  acredita‐se  que  privando  uma  pessoa  da  sua  alimentação  ou  queimando  o  seu  próprio  corpo,  por  exemplo, esta pessoa seria ajudada a atingir a liberação do sofrimento. De fato, como  Buda descobriu por si próprio, estes métodos são insuficientes para afetar a raiz de  nossos problemas e descontentamentos. Visto que a fonte de toda a escravidão está  dentro da mente, o caminho da liberação é essencialmente um de desenvolvimento  mental e purificação.    5. Visões errôneas    Uma visão errônea é um estado de inteligência aflitivo que nega a existência de  algo  que  realmente  existe.  Ela  age  como  uma  base  para  obstrução  e  qualquer  conduta  maléfica.  Um exemplo de uma visão errônea seria a negação de qualquer causa relacional  entre  ações  e  seus  resultados,  uma  recusa  em  acreditar  que  felicidade  é  o  resultado  da  virtude e sofrimento é o resultado da maldade. Do mesmo modo, negar que um estado de  liberação do sofrimento existe seria também constituída de uma visão errônea.  Além do mais, temos as visões errôneas que negam a existência de algo existente,  podemos falar também das visões errôneas que negam a existência de algo não existente.    F. Indecisão Aflitiva    Indecisão  aflitiva*    é  um  estado  mental  oscilante  e  indeciso  tendendo  para  uma  conclusão  incorreta30  sobre  pontos  importantes  como  a  lei  de  causa  e  efeito,  as  quatro  nobres verdades e  as três jóias.  A  fim  de  que  um  estado  de  indecisão  ou  dúvida  possa  ser  considerado  uma  aflição raiz, ele deve ser um que obstrua o desenvolvimento do que é benéfico e induz a  um quadro de perturbação mental. Ter dúvidas não é necessariamente negativo. Algumas  das incertezas sobre a validade de certos pontos de vista errôneos podem conduzir alguém  para  um  ponto  de  vista  mais  realístico.  Também,  indecisões  aflitivas  ocorrem  somente  quando  o  objeto  da  dúvida  é  algo  que  a  aceitação  é  crucial  e  valorosa  para  o  desenvolvimento  do  caminho  espiritual,  tal  como  as  três  jóias.  Ela  não  inclui  indecisões  sobre tópicos mundanos e triviais. Indecisão impede‐nos de atingir qualquer certeza sobre  um ponto particular e então cria uma mente frágil e vacilante que não é uma base perfeita  30

Veja página 80

101


para a  prática  do  Darma.  Para  transformá‐la  temos  que  testar  o  objeto  da  nossa  dúvida  com  uma  discriminação  inteligente  baseada  num  raciocínio  perfeito.  Através  da  nossa  aplicação neste caminho, devemos ser capaz de atingir um estado unifocado de convicção  livre de qualquer hesitação ou oscilação.31 Finalmente  o  modo  como  e  a  disposição  destas  aflições  raízes  surgirem  está  claramente exposto por Ven. Tsong Khapa no Grande Tratado nos Estágios do Caminho.    “Assumindo que consideramos a ignorância e a visão da composição transitória  como fenômenos distintos, (então ele é como segue)”.  Supomos  que  em  um  quarto  com  luz  obscurecida  existe  um  pedaço  de  corda  esticado,  visto  que  ele  é  incapaz  de  ser  claramente  distinguido  como  uma  corda,  alguém o apreende  como uma cobra.  Similarmente, na escuridão da ignorância que nos obstrui de ver claramente a  verdadeira  natureza  dos  nossos  agregados,  a  visão  da  composição  transitória,  confunde  os  agregados  com  uma  pessoa  auto‐existente.  Então,  desses  (dois  fatores  mentais)  todas  as  outras  aflições  são  produzidas.  Mas  deveríamos  considerar  (  ignorância  e  a  visão  da  composição  transitória)  como  únicas,  então  a  visão  da  coleção transitória seria a raiz de todas as aflições.  Além  do  mais,  uma  vez  que  a  visão  da  composição  transitória  estiver  estabelecida (o senso de)  uma pessoa auto‐existente, então passaríamos a discernir  nós  próprios  e  outros  seres  (inerentemente)  distintos.  Tendo  realizado  esta  discriminação, desenvolvemos apego pelos objetos que estão do nosso lado, ferindo  os  objetos  que  estão  do  outro  lado,  e  nos  orgulhamos  com  relação  a  nossa  própria  identidade.  Subseqüentemente,  nos  concebemos    como  sendo  eternos  ou  sujeitos  a  total  aniquilação.  Então  começamos  a  considerar    tais  visões  sobre  a  identidade  pessoal tanto quanto as formas insatisfatórias de comportamento relatadas naquelas  visões como supremas.  Similarmente, tornamos propensos a nutrir visões errôneas que pensamos: “tais  coisas como o Professor que ensinou sobre a falta de existência inerente do eu tanto  quanto ele ensinou sobre ações e seus resultados, as quatro nobre verdades e as Três  Jóias  são  não  existente.  Alternativamente  podemos  desenvolver  indecisão,  pensando, “fazer tais coisas existentes ou não, elas são (verdade) ou não?”32     II AS AFLIÇÕES DERIVADAS    Visto que estes vinte fatores são derivados das aflições raízes, em particular dos três  venenos mentais do apego, do ódio e da ignorância, aqui agrupamos eles de acordo com  as  suas  origens.  Apesar  de  quando  confrontado  com  uma  situação  imediata  estamos  freqüentemente  inconsciente  do  crescimento  e  do  nascimento  destes  vários  fatores 

31 32

Veja página 81. Tsongkhapa, A Grande Exposição nos estágios do caminho, p 152 seq.

102


mentais, apesar  disso,  eles  são  funções  psicológicas    distintas,  comportando‐se  com  suas  próprias maneiras particulares.    A. Aflições derivadas da Raiva      1. Fúria    Fúria* é um fator mental que devido ao aumento da raiva, é um estado mental totalmente  maligno  desejando  causar  dano  imediato.  Ele  tem  a  função  de  conectar  diretamente  a  pessoa que pretende causar dano com o real sentido de fazê‐lo então.  Como com a raiva, podemos distinguir três ou nove formas de fúria.    2. Vingança    Vingança é um como um nó ou vinculo da mente que, sem esquecer, firmemente sustenta  o fato que no passado alguém foi ferido por uma pessoa particular. Ele pretende encontrar  a oportunidade pelo meio da qual devolverá o ferimento. É uma base para impaciência e  deste modo realiza a função de repetidamente trazer a raiva e a dor de algo que é incapaz  de suportar.  Vingança é uma espécie de ferimento profundo que mantem um rancor  dentro do fluxo  da mente sem necessariamente deixá‐lo tornar‐se manifesto externamente. De fato, alguém  pode  ser  muito  prazeroso  e  agradável  conosco  enquanto  esconde  um  forte  rancor  contra  nós.  A divisão da vingança é a mesma da fúria.    3. Rancor    Rancor*  é  um  fator  mental  quem  quando  precedido  por  fúria  ou  vingança  e  como  resultado  de  querer  prejudicar,  motiva  alguém  a  uma  fala  totalmente  áspera  em  repetir  palavras desagraveis ditas por outros. Ela age como base acumulação de ações maléficas  através da fala e causa a destruição da felicidade dos outros.  Existem três formas de rancor: a intenção de dizer palavras ásperas e raivosas para alguém  na mesma posição, na posição inferior ou superior.    4. Cobiça    Cobiça* é um fator mental distinto que, do apego em relação a ganhos materiais, é incapaz  de suportar as coisas boas que os outros têm. Ela provoca distúrbios mentais profundos. É  uma base de surgimento de imediata infelicidade na mente e tem a função de causar que  as suas próprias coisas sejam exauridas.  Cobiça  freqüentemente contem  um  elemento  de  medo.  Ele  vê,  por  exemplo,  que  alguém  pode estar ganhando uma posição que é muito procurada por você. Desejo pela posição e 

103


medo que possa não ganhá‐la, começa a sentir uma aversão e ódio pela pessoa que parece  ser a causa do problema.  Existem  dois  tipos  de  cobiça:  aquela  que  surge  em  relação  a  posses  materiais,  e  aquelas  que surgem através de tais coisas como falar sobre perdas e ganhos.     5. Crueldade33    Crueldade* é um fator mental que, com intenção maléfica privada de qualquer compaixão  ou bondade, deseja depreciar e desconsiderar outros. Ela tem a função de (a) prejudicar as  boas  qualidades  próprias  e  dos  outros,  (b)  agir  como  base  para  perturbação  e  (c)  ferir  psicologicamente a vida dos outros.  Crueldade  geralmente  surge  para  com  aqueles  que  consideramos  inferiores  a  nós.  Isto  pode tomar a forma de danos físicos a outros ou simplesmente, ressentimento, ignorando  uma questão colocada por alguém.   Existem  três  formas  de  crueldade:  sendo  pessoalmente  maldoso  com  os  outros  com  o  desejo  de  desacreditá‐lo,  senso  maldoso  por  causar  aos  outros  fazer  do  mesmo  modo;  e  sendo maldoso através do regozijo quando vemos ou ouvimos os outros sendo maldosos.    B. Aflições derivadas do Apego    1) Avareza    Avareza*  é  um  fator  mental  que,  do  apego  em  relação  a  posição  ou  ganhos  materiais,  firmemente  suporta  a  sua  própria  posse  sem  o  desejo  de  dá‐las.  Ela  tem  a  função  de  estimar as posses sem deixá‐las diminuir.  Este fator mental causa‐nos dor quando surge a possibilidade de sermos separados do que  possuímos  e  consideramos  como  queridos  para  conosco.  Além  de  ocorrer  com  relação  a  objetos  materiais,  ela  pode  também  se  desenvolver  com  relação  a  nossa  compreensão  interna  do  Darma.  Ela  é,  deste  modo,  o  maior  obstáculo  para  dar  nossas  posses  e  compartilhar nossa compreensão com os outros. No futuro ela causará pobreza material e  espiritual.  Existem dois tipos de avareza: a intenção de jamais dar algo e a intenção de não dar algo  para determinada pessoa.    2. Auto‐satisfação    Auto‐satisfação*  é  um  fator  mental  que,  sendo  atento  as  marcas  da  prosperidade  que  alguém possui, conduz a mente sob sua influência e produz um sentido falso de confiança.  Ela tem a função de provocar  e sendo de acordo com todas as outras aflições tanto quanto  interferir  com a realização de qualquer das altas qualidades. 

33

Crueldade (rmam.par.tshe.ba) é o oposto ao fator mental benéfico da não violência (rnam.par.mi.tshe.ba) A estreiteza da terminologia original está perdida na tradução.

104


Auto‐satisfação produz  um  sentido  falso  de  arrogância  através  da  consideração  de  superioridade    de  nossa  raça,  aparência  física,  aprendizado,  juventude  ou  autoridade  sobre os outros. Por outro lado, não é necessariamente maléfica estar consciente das boas  qualidades  que  possamos  ter.  O  que  devemos  evitar  é  super  valorizá‐las  e  convencidamente  ostentá‐las  então.  Este  fator  mental  é  muito  sujeito  a  provocar  a  auto‐ importância.     3. Excitação    Excitação*  é  um  fator  mental  que,  através  da  força  do  apego,  não  permite  a  mente  repousar sozinha em um objeto benéfico mas dispersa‐a aqui e ali em muitos objetos. Ela  tem  a  principal  função  de  obstruir  a  quietude  mental.  Também  ela  causa  na  mente  o  engajamento em fantasias incontroladas e frivolidades.  Este  fator  mental  está  freqüentemente  conosco,  mas  sua  presença  somente  torna‐se  verdadeiramente  sentido  quando  começamos  a  concentrar  a  mente  na  meditação.  Nem  todas as formas de distração são causadas por excitação, somente aquelas  que são trazidas  pelos nossos apegos e desejos por objetos agradáveis contaminados.  Existem dois tipos de excitação: uma grosseira e outra sutil.    C. Aflições derivadas da Confusão    1. Dissimulação    Dissimulação * é um fator mental que deseja esconder as qualidades maléficas de outra  pessoa,  com  uma  intenção  benévola  livre  de  aspiração  maléfica,  confusão,  aversão  ou  medo,  fala  de  tais  qualidades  negativas.  Ela  tem  a  função  de  causar  pesar  e  a  função  indireta de não permitir que o corpo e a mente permaneçam tranqüilos.  Isto ocorre quando alguém genuinamente tenta ajudar‐nos apontando uma certa fraqueza  que  possuímos.  Em  vez  de  darmos  atenção  a  suas  palavras,  ignoramos  e  imediatamente  tentamos esquecer o que ele disse.  Na  dissimulação necessariamente não reagimos com  violência  ou  negatividade  para  com  a  outra  pessoa,  simplesmente  suprimimos  qualquer  manifestação  ou  conhecimento  da  falha  que  ele  descreveu.  Superficialmente    parece  que  agimos como uma defesa, mas quanto mais nos referenciamos a ela, mais ela causa aflição  e desconforto na mente.   Das  muitas  qualidades  maléficas  que  existem,  um  correspondente  estado  de  dissimulação  também  existem.  Mas  em  resumo,  dissimulação  pode  ser  compreendido  em  termos  de  encobrir  algo  ou  todas  qualidades  maléficas  tanto  quanto  encobri‐las  temporariamente ou permanentemente.     2. Obtusidade    Obtusidade*  é  um  fator  mental  que,  tendo  causado  na  mente  lapso  e  escuridão  e  deste  modo tornando‐se insensível, não compreende o objeto claramente, tal como ele é. Ela tem 

105


a função de fazer o corpo e a mente pesados e inflexíveis, e de aumentar a sonolência e o  afundamento.   Obtusidade não deve ser confundida com afundamento. O afundamento  ocorre somente   nos  estados  mentais  mais  avançados  de  meditação  na  quietude  e  necessariamente  não  é  uma aflição. Quando o corpo e a mente são luminosos e joviais, afundamento se manifesta  como  um  declínio  da  energia  mental.  Algo  similar  ao  ar  escapando  através  de  um  minúsculo furo em um balão.  Existem dois tipos de obtusidade: uma grosseira e uma sutil.    3. Descrença    Descrença* é um fator mental que, visto que ele causa a ausência de acreditar ou respeito  por quem é merecedor de confiança – tal como a lei de ações e seus efeitos – é a oposição  completa  a  fé.  Ele  tem  a  função  de  agir  como  uma  base  para  a  preguiça  e  de  causar  o  decréscimo da força da fé. Além do mais, ela faz alguém desacreditar, desrespeitar e não  ter  desejo  pelo  que  é  positivo,  deste  modo  serve  de  raiz  para  qualquer  desenvolvimento  benéfico.  Existem duas formas de descrença: aquela que simplesmente não vê a necessidade para ou  os  frutos  da  virtude,  e  aquela  na  qual  considera  a  virtude  e  não  virtude  como  não  existentes.      4. Preguiça    Preguiça*  é  um  fator  mental  que,  tendo  firmemente  agarrado  um  objeto  que  oferece  felicidade temporária, não quer fazer nada benéfico ou, apesar de querer, é medroso. Ele  tem  a  função  de  causar  a  diminuição  da  força  do  entusiasmo.  Ele  age  como  base  para  a  degeneração  das  tendências  benéficas  já  acumuladas  tanto  quanto  por  evitar  a  produção  de novas virtudes.  Este  fator  mental  negativo  é  o  que  é  dominado  pelo  entusiasmo.  Suas  três  principais  divisões já foram explanadas na seção referente ao entusiasmo (pg 84/85). Entretanto, em  adição  a  estas  divisões  podemos  acrescentar  três  mais:  preguiça  que  vem  no  inicio  em  relação  a  prática  do  Darma  como  desnecessária;  preguiça  de    procrastinar  é  aquela  que  apesar  de  ser  capaz  de  praticar  o  Darma,  considera  não  existir  tempo  agora;  e  preguiça  destrutiva  é  aquela  que  apesar  de  ver  a  necessidade  de  praticar  agora,  é  atraído  para  atividades maléficas.    5. Esquecimento    Esquecimento*  é  um  fator  mental  que,  tendo  causado  a  perda  da  apreensão  de  um  referente  benéfico,  induz  lembrança  de  uma  distração  através  de  um  distúrbio  referente.  Ele  tem  a  função  de  destruir  o  vaso  no  qual  contem  todas  as  qualidades  benéficas  e  de 

106


causar o  declino  da  força  da  lembrança.  Deste  modo  ele  conduz  alguém  a  apreender  objetos que perturbam a mente.   Aqui esquecimento refere‐se ao fator mental que, além de perder de vista o que é benéfico,  atrai alguém para apreender o que é maléfico. Ele não corresponde ao que é usualmente  compreendido por “esquecer alguma coisa”, por exemplo, simplesmente sendo incapaz de  reter  a  lembrança  de  um  objeto  na  mente.  Na realidade  é  uma  forma  de    lembrança  que  perturba  a  mente  por  envolvê‐la  com  objetos  contaminados.  Esta  forma  negativa  de  esquecimento  é  um  grande  obstáculo  para  a  execução  de  qualquer  tarefa,  seja  ela  mundana ou espiritual.  Existem  dois  aspectos  do  esquecimento:  aquele  no  qual  vem  através  da  força  da  obscuridade  sobre  um  referente  benéfico;  e  aquele  no  qual  vem  através  da  força  de  ser  atento em relação a um distúrbio referente.      6. Desatenção    Desatenção*  é um fator mental que, sendo um estado aflitivo de inteligência no qual nada  tenha  feito  ou  somente  uma  análise  superficial,  não  está  completamente  consciente  da  conduta do seu próprio corpo, fala e mente e deste modo  causa a alguém entrar em um  estado  de  indiferença  descuidada.  Ela  tem  a  função  de  causar  o  declínio  da  força  da  inteligência  e provocar o aumento das ações negativas de corpo fala e mente. Ela também  impede a aplicação das quatro forças oponentes.  Geralmente falando, a desatenção refere‐se a qualquer estado de inteligência aflitiva. Além  do  mais,  qualquer  estado  mental  que  surja  enquanto  alguém  não  está  completamente  consciente da conduta do seu corpo, fala e mente é chamado de uma forma “aflitiva” de  inteligência, porque ele tem a função de ser um grande causador de   quedas moral.   Existem três tipos de desatenção: desatenção que acompanha visões malvadas, desatenção  que  evita  o  desenvolvimento  de  uma  inteligência    analítica  válida;  e  desatenção  que  interrompe a quietude mental. Estes três tipos são, respectivamente, mais e mais sutis.      D. Aflições derivadas de Apego e Confusão    1. Pretensão    Pretensão* é um fator mental que, quando alguém está publicamente apegado em relação  a um ganho material, fabrica uma qualidade particular excelente sobre si próprio e então  deseja  fazê‐la  evidente  para  os  outros.  Ela  age  como  base  para  estabelecer  um  estilo  de  vida errôneo e como uma causa para monges seres derrotados pela falta da mentira.  Existem  dois  tipos  de  pretensão:  aquela  que  surge  do  apego  e  aquela  que  surge  da  confusão.  2. Desonestidade   

107


Desonestidade* é um fator mental que, quando alguém está completamente apegado em  relação ao um ganho material, deseja confundir os outros mantendo suas próprias falhas  desconhecidas  deles.  Ela  tem  a  função  de  não  dar  uma  resposta  clara  para  questões  e  causar uma interferência para obter vantagens para si próprio.  Ambos,  pretensão  e  desonestidade  são  similares  no  que  eles  desejam  transmitir  uma  imagem falsa de si próprio para os outros. Superficialmente eles parecem enganar e iludir  os outros, mas na realidade eles somente enganam e iludem a si próprio.  Existem  dois  tipos  de  desonestidade:  aquela  que  surge  do  apego  e  aquela  que  surge  da  confusão.      E. Aflições que derivam dos três venenos mentais    1. Cinismo    Cinismo*    é  um  fator  mental  distinto  que  não  evita  o  maléfico  por  razões  de  consciência  pessoal  ou  por  causa  do  Darma.  Ele  age  como  suporte  e  condição  para  todas  as  aflições  raízes e derivadas e como base para danificar a proteção dos seus votos. Ele é o oposto ao  fator mental benéfico de auto‐respeito.  Existem dois tipos: cinismo que ocorre devido a falta de consciência pessoal; e cinismo que  ocorre devido a falta de respeito pelo Darma.    2. Desconsideração com os outros    Desconsideração  com  os  outros*  é  um  fator  mental  que,  sem  levar  os  outros  ou  suas  tradições  espirituais  em  conta,  deseja  se  comportar  de  uma  maneira  que  não  evita  comportamentos negativos. Ele age como uma base para causar aos outros a perda de fé  em nós e tornar‐se agitado. Ele tem a função de danificar uma conduta imaculada.  Existem três tipos de desconsideração pelos outros: aquelas que surgem  do ódio, apego e  confusão respectivamente.   A uma pessoa que falte auto‐respeito e consideração pelos outros conseqüentemente não  tem um senso de restrição em sua conduta e está dirigindo incontrolavelmente pela força  das suas outras aflições. Suas atividades tornam‐se como a de um carro sem freios.    3. Inconsciência    Inconsciência*  é  um  fator  mental  que,  quando  alguém  está  afetado  por  preguiça,  deseja  agir livremente de uma maneira irrestrita sem cultivar virtude ou proteger a mente contra  fenômenos  contaminados.  Ele  tem  a  qualidade  de  designar  qualquer  dos  três  venenos  mentais quando eles estão acompanhados por preguiça. Ele tem a função de aumentar não 

108


virtude e  obstruir  virtude  tanto  quanto  causar  a  destruição  qualquer  qualidade  positiva  individual. Em resumo, ela corrompe toda as cinco forças.34 De acordo com sua função existem dois tipos de inconsciência: aquela na qual faz a mente  inconsciente e aquela na qual faz corpo e mente inconsciente.    4. Distração    Distração*  é  um  fator  mental  que,  incapaz  de  dirigir  a  mente  através  do  objeto  benéfico,  dispersa‐a  para  uma  variedade  de  outros  objetos.  Ele  causa  a  deterioração  da  força  da  concentração  e  age  como  a  base  para  a  perda  da  atenção  nos  objetos    referidos  na  meditação  analítica  e  de  concentração.  Ela  tem  uma  qualidade  de  suportar  um  estado  mental no qual a mente tem sido deixada fora do objeto de concentração por raiva, apego  ou confusão.  De  acordo  com  as  condições  temporais,  seis  tipos  de  distrações  são  classificados.  Os  primeiros  quatros  são  chamados  de  estados  mentais  “naturalmente  agitados”  e  os  dois  últimos são chamados de formas de distração “errôneas”.    a) Distração inerente. Esta é a qualidade na qual pertencem todas as cinco consciências  sensoriais  de  uma  pessoa  ordinária.  Quando  uma  consciência  sensorial  tornar‐se  manifesta durante a meditação, a mente não é capaz de permanecer muito tempo  em equilíbrio mas é imediatamente transferida para um objeto externo.  b) Distração  externa.  Todo  estado  mental  benéfico  dentro  do  reino  dos  desejos,  tais  como  aprendizagem,  reflexão  e  assim  por  diante,  tem  esta  qualidade.  Ela  surge  quando a mente é incapaz de permanecer  direcionada para um referente benéfico  por  um  período  de  tempo  sustentado.  Dentro  do  reino  dos  desejos  estados  benéficos mentais são constantemente sujeitos a serem dispersos de um objeto para  outro.  c) Distração Interna. A excitação e o afundamento que ocorrem durante a concentração  equilibrada  tanto  quanto  a  anseio  pela  prova  (sabor)  da  absorção  que  ocorre  enquanto  a  concentração  ainda  está  se  desenvolvida,  são  exemplos  de  distrações  internas.  Elas são assim chamadas porque são aflições distintas as quais distraem a  mente dos estados mentais de quietude e insight penetrativo.  d) Distração  para  um  sinal.  Um  exemplo  deste  seria  a  atividade  mental  benéfica  que  pensa que seria insustentável se outras pessoas acreditassem que alguém fosse um  grande  meditador.  Isto  é  chamado  assim  porque  dispersa  a  mente  para  fora  por  causa das crenças de outras pessoas nas sua próprias qualidades benéficas.   e) Distração rígida. A visão da composição transitória e auto‐importância são rígidas,  formas  inflexíveis  de  distração  visto  que  elas  são  acompanhadas  por  tais  coisas  como medo no qual não suportam a glória daqueles envolvidos em virtude.  34

As cinco forças (dbang.po.lnga) são qualidades cultivadas especificamente nos estágios do pico e calor do caminho de preparação (sbyor.lam.drod.dang.rtse.mo). Eles são as forças da: fé, lembrança, entusiasmo, concentração e inteligência. Quando cultivadas nos estágios da paciência e Darma supremo do caminho de preparação (sbyor.lam.bdzod.dang.chos.mchog) eles são conhecidos como as cinco forças.

109


f) Distração atenta. Tais pensamentos que consideram estar deixando um estado mais  alto de absorção para um mais baixo, ou abandonando o Mahayana pelo Hinayana  são  chamado  de  distração  atenta  no  que  elas  primeiro  rejeitam  algo  superior  e  então tornam‐se envolvidos em algo inferior.    Deveríamos  notar  que  nem  todos  estes  seis  tipos  são  necessariamente  formas  de  distração maléficas. Distração inerente é um fenômeno inespecífico, distração externa é  benéfica, e também alguns dos outros tipos podem ocasionalmente serem benéficos. 

110


Glossário       Fenômeno abstrato  Fé admiradora  Indecisão aflitiva  Inteligência Aflitiva 

  Abstract phenomenon  Admiring faith  Afflicted indecision  Afflicted inteiligence 

Visão Aflitiva  Aflição  Agregado  Alerta, Atento (estado de)  Raiva  Objeto aparecido  Aplicabilidade para o  sujeito  Cognição Não perceptiva  Entusiasmo aplicado  Apreciação  Objeto apreendido  Objeto apreensível  Apreensão  Entusiasmo como  armadura  Som articulado  Determinação  Aspecto  Aspiração  Apego  Atenção  Distração atenta  Atração para a maldade,  preguiça de   Consciência auditiva  Avareza    Indecisão equilibrada  Fé confiante  Confusão  Órgão corporal    Relacionamento causal  Claridade 

Afflicted view  Affliction  Aggregate  Alertness  Anger  Appearing object  Applicabiiity to the subject 

  spyi.mtshan.  dang.ba’idad.pa   the.tshom.nyon.mongs.can.  she.rab.nyon.mongs. can.  .  lta.ba.nyon.mongs.can.  nyon.mongs  .  phung.po.  shes.bzhin  khong.khro  snang.yul.  Phyogs.chos 

Apperceptive cognition  Applied enthusiasm  Appreciation  Apprehended object  Apprehensible object  Apprehension  Armour‐Iike enthusiasm 

rang.rig. sbyor.ba’i.brtson.’grus.  mos.pa.  ‘dzin.stang.gi.yul.  gzung.ba  dzinpa.  go.cha’i.brtson.’grus. 

Articulate sound  Ascertainment  Aspect  Aspiration  Attachment  Attention  Attentive distraction  Attraction to evil, laziness of 

Brjod.byed.kyi.sgra ngesba.  rnampa.  ‘dun.pa.  ‘dod.chags.  Yid.la.byed.pa.  yid.la.byed.pa’i.gyeng.ba.  bya.ba.ngan.pa.la.zhen.pai.le.lo 

Audial consciousness  Avarice    Balanced indecision  Believing faith  Bewilderrnent  Body‐organ    Causal relationship  Clarity 

rna.ba’i.shes.pa ser.sna.    cha.mnyam.pa’i. the. tshom.   yid.ched.kyi.dad.pa  . gti.mug  . lus.kyi.dbang.po    . de.’byung.’brel  gsal.ba 

111


Cognição Cognição que torna a  mente auto‐determinadora  Termo comum  Compaixão  Compaixão referente ao  fenômeno        Compaixão referente ao  não referencial  Compaixão referente aos  seres sencientes  Ação completadora  Compreensão  Objeto ocultado  Dissimulação  Concentração  Conceber  Objeto concebido  Cognição concebida  Concepção  Fenômeno concreto  Existência condicionada  Congruência com o  predicado  Consideração pelos outros  Conscienciosidade  Consciência  Contato  Fenômeno contaminado  Condição Contributória  Inferência convencional  Raciocínio convencional  Verdade convencional  Crença correta  Crença correta baseada em  um raciocínio  contraditório  Crença correta baseada em  um raciocínio inconclusivo  Crença correta baseada em  um raciocínio irrelevante   

Cognition Cognition that becomes a self‐ ascertainable mind  Common‐term  Compassion  Compassion referning to  phenomena        Compassion referring to the non‐ referential  Compassion referring to sentient  beings  Completing action  Comprehension  Concealed object  Concealment  Concentration  Conceive  Conceived object  Conceiving cognition  Conception  Concrete phenomenon  Conditioned existence  Congnuence with the predicate 

rig.pa. snang.ba.nyid.kyang.gzhan  las.nges.kyi.tshadma.  btags.ming.  snying.rje.  chos.la.dmigs.pa’i.snying.rje. 

Consideration for others  Conscientiousness  Consciousness  Contact  Contaminated phenom.enon  Contnibutory condition  Conventional inference  Conventional reason  Conventional truth  Correct belief  Correct belief based on a  contradictory reason 

khnel.yod.pa   bag.yod..  shes.pa.  reg.pa.  zag.bcas.kyi.chos n.  hlen.cig.byed.nkye.  grags.pa’i.rjes.dpag.  grags.pa’i rtags.  kun .ndzob.bden.pa rgyu.rntshan  yid.dpyod.  rgyu.mtshan.’gal.ba’i. yid.dpyod.. 

Correct belief based on an  inconclusive reason  Correct belief based on an  irrelevant reason  Cornect belief based on a penfect  but unestablished reason 

rgyu.mtshan.ma.nges. grub.pa’i  yid.dpyod.  rgyu.mtshan.yod.kyang.gtan.la.ma.bab. pa’i.yid.dpyod.  rgyu.mtshan.yod.kyang.gtan.la.ma.bab. pa’i.yid.dpyod. ‘ 

    dmigs.pa med.pa.la.dmigs.pa i  snying.rje.  sems.can.la.dmigs.pa’i.snying.nje  rdzogs.byed.kyi.las  rtogs.pa.  lkog.’gyur.  chab.pa.  ting.nge.’dzin.  zhen.pa.  zhen.yul.  zhen.rig.  rtog.pa. / rtog.bcas.kyi.blo.   rang.mtshan.  srid.pa   rjes.khyab. 

112


Crueldade   Consciência enganosa  Características definidoras  Desapego  Compreensão direta  Inferência direta  Raciocínio direto  Discernimento  Discernimento do limitado  Discernimento do vasto  Discernimento com um  sinal  Discernimento sem um  sinal  Entusiasmo descontente  Desonestidade  Auto‐importância  corrompida  Distração  Distração para um sinal  Condição dominante  Consciência do sonho  Afundamento    Órgão ouvido  Entidade efetiva  Auto‐importância egoística  Vacuidade  Entusiasmo  Cobiça  Equanimidade  Equanimidade de uma  mente equilibrada  Equanimidade de uma  mente tranquila  Equanimidade de uma  mente espontânea  Equilibrio  Componente essencial do  que é compreendido  Cognição  estabelecida  Classificação Etmológica  Objeto evidente  Excitação  Existente 

Cruelty   Deceived consciousness  Defining chanacteristic  Detachment  Direct comprehension  Direct infenence  Direct reason  Discernment  Discernment of the limited  Discernment of the vast  Discernment with a sign 

rnam.par.’tshe.ba.   khrul.shes...  mtshan.nyid.  ma.chags.pa.  dngos.su.rtogs.pa.  dngos.stobs.kyi.rjes.dpag.  dngos.stobs.kyi.rtags   ‘du.shes.  chung.ngu’i.’du.shes.  che.ba’i’du.shes.  mtshan.ma’i. ‘du.shes 

Discernment without a sign 

mtshan.ma.med.pa’i.’du.shes.

Discontented enthusiasm  Dishonesty  Distorted self‐importance 

chog.mishes.pa’i.brtson.’grus. gyo.  Iog.pa’i.nga.rgyal. 

Distraction Distraction to a sign  Dominant condition  Dream consciousness  Dullness    Ear‐organ  Effective entity  Egoistic self‐importance  Emptiness  Enthusiasm  Envy  Equinamity  Equinamity of a balanced mind  Equinamity of a mind at rest 

rnam.gyeng. mtshan.ma’i.gyeng.ba.  bdag.rkyen.  rmi.lam.kyi.shes.pa.  rmugs.pa.    rna.ba’i.dbang.po.  dngos.po.  nga’o.snyam.ba’i.nga.rgyal.  stong.pa.nyid.  brtson.’grus.  phrag.dog.  btang.snyoms.  sems.mnyam.pa.nyid.kyi. btang.  snyoms  sems.rnaLdu.’dug.pa’i. btang.snyom 

Equinamity of a spontaneous mind 

lhun.gyis.grub.pa’i.btang.snyoms.

Equipoise Essential component of what is  comprehended  Establishing cognition  Etymological classification  Evident object  Excitement  Existent 

mnyam.bzhag.   gzhal.byai.bdag.nyid.  rtags.dzin.sems.  sgras.brjod.rigs.kyi.sgo.nas. kyi.dbye.ba  mngon.’gyur.  rgod.pa.  yod.pa. 

113


Experiência Imagem experimental  Distração externa  Eternalismo extremo  Nihilismo extremo  Objeto extremamente  oculto  Auto‐importância extrema  Visão Extrema  Órgão olho    Concepção fato conetctada  Fé  Descrença  Falível  Cognição falsa  Concepção falsa  Percepção falsa  Sensação  Esquecimento  Forma  Elemento formativo  Quatro nobres verdades  Auto‐importância inflada  Presença fundamental  Imaginação futuro  orientada    Exame geral  Auto‐importância  Consciência Gustativa    Ódio   Consciência elevada    Cognição não percetiva  válida  Percepção contemplativa  válida  Mente válida para a qual a  característica universal do  objeto é auto‐ determinador mas para o  qual a característica  particular é  auto‐ indeterminada 

Experience Experiential image  External distraction  Extreme of eternalism  Extreme of nihilism  Extremely concealed object 

myong.ba. don.spyi.  phyi.rol.tu.gyeng.ba.  rtag.mtha’.  chad.mtha’.  shin.tu.lkog.’gyur. 

Extreme self‐importance  Extreme view  Eye‐organ    Fact‐connectrng conception  Faith  Faithlessness  Fallible  False cognition  False conception  False perception  Feeling  Forget  Form  Formative element  Four Noble Truths  Full‐biown self‐importance  Fundamental presence  Future‐oriented imagination 

nga.las.kyang.nga.rgyal. mtha.lta  mig.gi.dbang.po    don.sbyar.ba’i.rtog.pa.  dad.pa.  ma.dad.pa.  slu.ba.  bio .don.mi.mthun.  rtog.pa.don.mi.mthun.  rtog.med.log.shes.  tshor.ba.  brjed.ngas.  gzugs.  du.byed.  ‘phags.pai.bden.pa.bzhi  mngon.pa’inga.rgyai.  ngo bo.  mngon.’dod kyi. rtog.pa 

General examination  Greater seif‐importance  Gustatory consciousness    Hatred  Heightened awareness    Ideal apperceptive cognition 

rtog.pa.  che.ba’i.nga.rggyal  lce’i.shes.pa.    zhe.sdang  .mngon.shes.    rang.rig.mngon.sum.du.gyur.ba’i.  tshad.ma   rnal.byor.mngon.sum.du.gyur  ba’i.tshad.ma  spyi.la.rang.las.nges.shing.khyed.  par.gzhan.las.nges.kyi. tshad.ma  tshad.ma      . 

Ideal contemplative perception  Ideal mind for which the universal  character of the object is self‐ ascertainable but for which the  particular character is self‐ unascertainable 

114


Inferência válida (Crença  Correta)  Percepção mental válida 

Ideal inference 

rjes.dpag.tshad.ma.y

Ideal mental perception 

Mente válida  Mente válida na qual o que  aparece é auto‐ determinado mas na quaç  a real natureza do objeto e  não auto‐determinado.  Percepção válida  Pessoa válida  Percepção sensorial válida 

Ideal mind  Ideal mmd to which what appears  is self‐ascertainable but to which  the real nature of the object is self‐ unascertainable 

yid.kyi.mngon.sum.du.gyur.ba’i.tshad. ma. tshad.ma.  snag.ba.rang.las.nges.zhiing  bden.pa.gzhan.Ias.nges.kyi.  tshad.ma   . 

Percepção sensorial de  uma função evidente  Percepção válida de um  objeto familiar  Fala válida  Preguiça  Ignorância  Conduta imaculada  Compreensão imediata  Condição imediata  Impermanência  Percepção desatenta  Desatenção  Inteligência inata  Desconsideração pelos  outros  Indecisão  Indecisão que tende para  uma conclusão correta  Indecisão que tende a uma  conclusão correta  Indiferença  Compreensão Indireta  Objeto indireto  Infalível  Consciência Infalível  Inferência  Inferência por crença  Inferência por outros  Distração Inerente  Percepção verdadeira  inicial 

Ideal sensory perception of an  evident function  Ideal sensory perception of a  familiar object  Ideal speech  ldleness, Iaziness of  Ignorance  lmmaculate conduct  lmmediate comprehension  Immediate condition  Impermanence  lnattentive perception  Inattentiveness  lnborn intelligence  inconsideration for others 

Ideal perception  Ideal person  Ideal sense perception 

Indecision Indecision that tends towards a  correct conciusion  lndecision that tends towards an  incorrect conclusion  Indifference  Indirect comprehension  lndirect object  Infallible  Infailible consciousness  Inference  Inference of belief  Inference for others  Inherent distraction  Initial true perception 

mngon.sum.tshad.ma tshad.ma’i.gang.zag   dbang.po’i.mngonsum.du .gyur.  pa.tshad.ma.  don.byed.snang. can.gyi.dbang  mngongyi.tshad.ma  don.goms.pa.cangyi.dbang.  mngon.gyi. tshad.ma,  tshad.ma’í.ngag.  snyom.las.kyileIo.  marig.pa..  tshangs.par.spyod.pa   mngonsum.du rtogspa..  de.ma.thag.rkyen   mi.rtag.pa.  snang.la.ma.ngespa.  shes.bzhin.ma.yin.pa.  skyes.thobgyishes.rab.  khre..med. pa.  the.tshom khreLmedpa.  don.gyur.the.tshom.  don.mi.gyur.the.tshon  btang.snyorns  Shugs.la.rtogs.pa  . shugs.yul  mi.slu.ba  . mi.slu.bai.shes.pa.  rjes.dpag  .yid.ched.rjes.dpag  gzhan.don.rjes.dpag  ngo.bo .nyid.kyi.gyeng  mngon.sum.dang.po .pa. 

115


Inteligência Intenção  Distração ineterna  Entusiasmo  irreversível    Entidade conhecível    Preguiça  Aprender  Auto‐importância menor  Carta  Liberação  Fé veemente  Bondade amorosa    Malícia  Tópico, tema  Meditação  Cognição mental  Fator mental  Imagem mental  Perturbação mental  inconsciente  Órgão mental  Percepção mental  Quietude mental  Ação meritória  Mente  Cognição errônea  Concepção errônea  Percepção mental errônea  Percepção errônea  Percepção sensorial  errônea  Visão errônea  Disciplina moral    Relacionamento natural  Imagem nominal  Cognição não aperceptiva  (não auto‐conhecedora)  Não confusão  Mente não conceitual  Cognição não enganosa  Não existente  Não aversão 

Intelligence Intention  Internal distraction  Irreversable enthusiasm    Knowable entity    Laziness  Learning  Lesser self‐importance  Letter  Liberation  Longing faith  Loving kindness    Malice  Matter  Meditation  Mental cognition  Mental factor  Mental image  Mentally undisturbing unknowing 

shes.rab.. .sems.pa  nang.gi.gyeng.ba  mi.ldog.pa’i.brtson.’grus.    shes.bya.    le.lo.  thos.pa.  dman.pa’i.nga.rgyal.  yi.ge.  thar.pa.  ‘dod.pa’i.dadpa.  byams.pa.    mnar.sems.  bem.po  sgom.  yid.shes.  sems.’byung.  don.spyi.  nyonmongs.can.mayin.pa’i. mishes.pa 

Mental‐organ Mental perception  Mental quiescence  Meritorious action  Mind  Mistaken cognition  Mistaken conception  Mistaken mental perception  Mistaken perception  Mistaken sensory perception  Mistaken view  Moral discipline    Natural relationship  Nominal image  Non‐apperceptive cognition 

yid.kyidbang.po. rtog.med.kyi.yid.shes.  zhignas.  bsod.nams.kyilas.  blo.  log.shes.  rtog.pa.log.shes  rtog.med.log shes.su gyur.pa’i.yid.shes  rtog.med.log shes  rtog.med.log  .shes.su.gyur.pa’i.dbang.shes.  Log.lta  tshul.khrims.    bdag.gcig.brel  sgra.spyi   gzhan.rig. 

Non‐bewilderment Non‐conceptual mind  Non‐deceived cognition  Non‐existent  Non‐hatred 

gti.mug.med.pa. rtog.med.kyi.blo.  ma.’khrul.ba’i.rig.pa.  med.pa.  zhe.sdang.med.pa.. 

116


Mente não válida  Ações não meritórias  Não violência  Órgão nasal    Objeto  Fator mental determinador  de objeto  Condição objeto  Consciência olfativa  Fator mental onipresente  Ominiciente     Dor  Aceitação paciente  Percepção  Insight penetrativo  Raciocínio perfeito  Pessoa  Inferência Pessoal  Fenômeno  Frase  Órgão físico  Prazer  Análise precisa  Pretensão  Consciência primária  Mente primária  Objeto principal  Ação Propulsora  Aflições derivadas    Reino dos desejos  Reino da forma  Reino da não forma  Crença correta irracional  Raciocínio por crença  Lembrança  Objeto referente  Pesar  Reflexão  Relacionamento  Quatro forças oponentes  Distração rígida  Rigidez  Aflição raiz 

Non‐ideal mmd  Non‐meritorious action  Non‐violence  Nose‐organ    Object  Object ascertaining mental factor 

tshad.min.kyi bsod.nams.ma.yin.pa’i.las.  rnam.par.mi.’tshe.ba.  sna.ba’i.dbang.po.    yul   

Object condition  Olfactory consciousness  Omnipresent mental factor  Omniscience    Pain  Patient acceptance  Perception  Penetrative insight  Perfect reason  Person  Personal inference  Phenomenon  Phrase  Physical‐organ  Pleasure  Precise analysis  Pretension  Primary consciousness  Primary mind  Principal object  Propulsive action  Proximate affliction    Realm of desire  Realm of form  Realm of no‐form  Reasonless correct belief  Reason of belief  Recollection  Referent object  Regret  Reflection  Relationship  Remedial forces, four  Rigid distraction  Rigidity  Root affliction 

dmigs.rkyen sna.ba’i.shes.pa.  kun.’gro.ba’í.sems.’byung.  rnammkhyen.    sdug.bsngal.  bzod.pa.  rtog.med.kyi.blo.  lhag.mthong.  rtags.yang.dag.  gang.zag.  rang.don.rjes.dpag.  chos.  tshig.  dbang.po .gzugs.can.pa..  bde.ba  dpyod.pa.  sgyu.   rnam.shes.  gtso sems.  ‘jug.yul.  ‘phen.byed.kyi.las.  nye. ba’i .nyon .rnongs.    ‘dod.kharns.  gzugs.khams.  gzugs.mcd.kharms.  rgyu.rntshan.med.pa’i.yid.dpyod.  yid.ched.kyi.rtags.  dran.pa.  dmigs.yul.  ‘gyod.pa.  bsampa.  ‘brel.pa.  gnyen.po.stobs.bzhi.  gnas.ngan.len.gyi.gyeng.pa.  gnas.ngan.len.  rtsa.ba’i.nyon.mongs. 

117


Mente válida auto  determinadora  Auto‐importância retraída  Auto‐importância  Falta de existência inerente  Falta de existência inerente  da pessoa  Auto piedade, preguiça de  Auto respeito  Auto satisfação  Mente válida não  autodeterminadora  Cognição sensorial  Peecepção sensorial  Órgão sensorial  Percepção sensorial para a  qual a fonte de engano  existe dentro do objeto/ a  base da percepção/a  situação/ a condição  imediata.  Sete tipos de mente  Desavergonhado  Similaridades, cinco  Aspecto similar  Base similar   Duração similar  Referente similar  Substância similar  Afundamento  Sono  Odor  Som  Maldade  Termo padrão  Interesse forte  Sujeito  Cognição subseqüente  Percepção subseqüente  Substância  Causa substancial  Recipiente apropriado  Flexibilidade    Consciência tátil 

Self‐ascertainable ideal mmd 

rang.las.nges.kyi.tshad.ma. 

Self‐effacing self‐importance  Self‐importance  Selflessness  Selflessness of the person 

cung.zad.snyam.pa’i.nga.rgyal. nga.rgyal.  bdag.med.  gang.zag.gi.bdag.med. 

Self‐pity, laziness of  Self‐respect  Self‐satisfaction  Self‐unascertainable ideal mind 

sgyi.lugs.pa’i.le.lo. ngo.mtshar.shes.pa.  rgyags.pa.  gzhan.las.ngas.kyi. tshad.ma.. 

Sense cognition  Sense perception  Sense‐organ  Sense perception for which the  source of deception exists within  thc object / the basis of perception /  the situation / the immediate  condition 

dbang.shes dbang.shes.  dbang.po.gzugs.can.pa.  Khrul.rgyu.yul./rten./gnas./de.ma.thag.r kyen.la.yod.bai dbang.shes 

Seven types of mind  Shamelessness  Similarities, five  Similar aspect  Similar basis  Similar duration  Similar referent  Similar substance  Sinking  Sleep  Smell  Sound  Spite  Standard‐term  Strong interest  Subject  Subsequent cognition  Subsequent perception  Substance  Substantial cause  Suitable recipient  Suppleness    Tactile consciousness 

blo.rigs.bdun. ngo .mtshar.med.pa.  mtshungs.ldan.rnam.pa.lnga.  rnam.pa.mtshungs.pa.  rten.mtshungs.pa.  dus.mtshungs.pa.  dmigs.pa.mtshungs.pa.  rdzas.mtshungs.pa.  bying.ba.  gnyid.  dri.  sgra  tshig.pa  dngos.ming  don.du.gnyer.ba  yul.can  bcad.shes  rtog.med.bcad.shes  rdzas  nyer.len  phyi.rgol.yang.dag  shin.tu.sbyangs.pa    lus.kyi.shes.pa 

118


Sensação tátel  Gosto  Termo  Concepção termo conetada  Órgão lingua  Cognição não paerceptiva  verdadeira  Cognição verdadeira  Concepção verdadeira  Percepção contemplativa  verdadeira  Percepção mental  verdadeira  Percepção verdadeira  Percepção verdadeira que  é uma fonte de engano  Percepção sensorial  verdadeira    Verdade última  Entusiasmo inquebrável  Inconsciência   Fenômeno não  contaminado  Percepção verdadeira não  dirigida  Ação flutuante  Concentração unificada da  quietude mental e do  insight penetrativo  Fenômeno inespecifico  Fator mental maléfico    Fator mental variável  Vingança  Prova verbal  Visão que considera  disciplinas morais  insatisfatórias como  suprema  Visão de superioridade  Visão da composição  transitória  Consciencia visual  Forma Visual   

Tactile sensation  Taste  Term  Term‐connecting conception  Tongue‐organ  True apperceptive cognition  

reg.bya ro.  ming.  ming.sbyar.ba i.rtog.pa.  lcei.dbang.po  rang.rig.msgon.sum. 

True cognition  True conception  True contemplative perception 

blo.don.mthun rtog.pa.don.mthun.  rnal.’byor.mngon.sum. 

True mental perception 

yid.kyi.mngon.sum.

True perception  True perception that is a source of  deception  True sense perception 

mngon.sum. mngon.sum.khrul.rgyu.can. 

Ultimate truth  Unbreachable enthusiasm  Unconscientiousness  Uncontaminated phenomenon 

dondam.bdenpa.  mi.’gongpa’i.brtson’grus.  bagmed.  zag.med .kyi chos. 

Undirected true perception 

mngon.sumyid.ma.btad.

Unfluctuating action  Unified concentration of mental  quiescence and penetrative insight. 

mi.gyo.ba’i.Ias. zhiIhag.zung.’breLgyi.ting. nge’dzin 

Unspecified phenomenon  Unwholesome mental factor    Variable mental factor  Vengeance  Verbal proof  View that regards unsatisfactory  morai and spirituai discipline  as  supreme  

lung.ma.stan.pa’i. chos.  mi.dge.ba’i.sems.’byung.    gzhan.’gyur.ba’i  ‘khon.dzin  sgrub.ngag.  tshuLkhrims.dang.brtuLzhugs.  mchog.’dzin. 

View of superiority  View of the transitory composite 

lta.ba.mchog.’dzin. ‘jig.tshogs.la.lta.ba. 

Visual consciousness  Visual form   

mig.gi.shes.pa. gzugs.kyi.skyes.mched.   

dbang.po’i.mngon.sum.

119


Fator mental maléfico  Fúria  

Wholesome mental factor  Wrath 

dge.ba’i.sems.’byung. khro.ba. 

120


Glossário de Definições      Abstract phenomenon/Fenômeno abstrato   sgra.rtog.gis.btags.pa.tsam.yin.gyi.rang.mtshan.du.ma.grub.pa’i.chos.    Afflicted indecision, Indecisão aflitiva  las.’bras.dang.bden.pa.dang.dkon.mchog.rnams.yang.dag.pa.la.yid.  gnyis.za.ba’i. the. tshom.don.mi.’gyur.gyi.sems.byung.    Afflicted view, Visão Aflitiva  thun.mong.ma.yin.pa.nye.bar.len.pa’i.phung.po.ladmigs.te.bdag.dang.  bdag.gi’i.rnam.par.lta.ba’ishes.rab.nyonm.mongs.can.nam.’dis.bdag.  rkyen.byas.pa.las.rnam.pa.gzhan.du.phyin.ci.log.tu.zhugs.pa’i.shes.rab.  nyon.mongs.can.gang.rung.    Affliction, Aflição  chos.gang.zhig./rang.scrns.Ia.skyed.pa.na.sems.rgyud.ma.zhi.zhing. ma.  ‘dul.bar.skye.pa’í.byas.las.can.kyi.sems.byung.    Anger, Raiva  rang.gi.ngo.bo’i.cha.nas.chos.gsurn .po.gang.rung.la.dmigs.nas. rgyud.  ‘khrug.ste.gnod.pa’i.bya.bar.sems.pa’i.byed.las.can.gyi .sems.byung.    Apperceptive cognition, Cognição não percepetiva  ‘dzin.rnam.    Appreciation, Apreciação   thun.mong.ma.yin.pa.nges.zin.gyi.yul.la.de.kho.na.ltar.’dzin.pa.brtan.  par.byed.cing.gzhan.gyis.mi.’phrog.par.byed.pa’i.byed.las.can.gyi.sems.byung.    Articulate sound, Som Articulado  brda’i.dbang.gis.rang.gi.brjod.bya.go.bar.byed.ba’i.gnyan.bya.    Aspiration, Aspiração  thun.mong.ma.yin.pa.bsam.pa’m.dngos.po.la.dmigs.nas.don.du.gnyer.  ba’i.byed.las.can.gyi.sems.byung.    Attachment, Apego  rang.gi.ngo.bo’m.cha.nas.zag.bcas.kyi.chos.la.dmigs.te.yid.’ong.du.sgro.  btags.nas.don.du.gnyer.ba’am.smon.pa’i.byed.las.can.gyi.sems.byung.    Attention, Atenção  thun.mong.ma.yin.pa.rang.dang.mtshungs.ldan.’khor.bcas.dmigs.par.  yid.gtod.par.byed.pa.dang.’dzin.par.byed.pa’i.byed.las.can.gyi.sems.byung.    Avarice, Avareza 

121


rnyed.bkur.la.chags.nas.yo.byad.gtong.mi.’dod.bar.dam.por.’dzin.pa’i. Ias.can.gyi.sems.byung.    Causal relationship, Relacionamento Causal  chos.de.dang.rdzas.tha.dad.pa’i.sgo.nas.chos.de’i.’bra.bu’i.rigs.su.gnas.pa.    Common‐terrn, Termo comum  don.de.la.rjes.grub.tu.brda’sbyar.ba.yang.yin./don.de’miing.phal.pa.  yang.yin.pa’i.gzhi.mthun.par.dmigs.pa.    Comprehension, Compreensão  sgro.gtogs.bcod.pa’i.rig.pa. (mind that removes exaggeration)(mente que remove o exagero)    Concealed object, Objeto Oculto  rang.’dzin.rtog.pas.lkog.tu.’gyur.ba’i.tshu1.gyi.rtogs.par.bya.ba.    Concealment, Oculto  gzhan.gyis.phan.par.’dod.pa’i.bsam.pas.’gro.ba.bzhi.gang.rung.gi.sgo.nas.  ma.yin.par.nyes.pa.glengs.pa.na.kha.na.ma.tho.ba.’khyud.par.’dod.pa’i.  sems.byung.    Concentration, Concentração  thun.mong.ma.yin.pa.dmigs.pa.gcig.la.rnam.pa.gcig.tu.rgyun.ldan.du.  rtse.gcig.par.gnas.pa’i.byed.las.can.gyi.sems.byung.    Conception, Concepção  sgra.don.’dres.rung.du.’dzin.pa’i.zhen.rig.    Concrete phenomenon, Fenômeno concreto  sgra.rtog.gis.btags.tsam.ma.yin.par.rang.gi.mtshan.nyid.kyis.grub.  pa’i.chos.    Consideration for others, Consideração pelos outros  thun.mong.ma.yin.pa.gzhan.nam.chos.rgyu.mtshan.du.byas.nas.kha.na.  ma.tho.ba.la.’dzem.par.byed.pa’i.rab.tu .phye.ba’i.rig.pa.    Conscientiousness, Consciência  thun.mong.ma.yin.pa.dge.ba’i.tshogs.Ia.gces.spras.su.byed.cing.nyon.  mongs.pa’i.gnas.las.sems.srung.bar.byed.pa’i.byed.las.can.gyi.sems.byung.    Consciousness, Consciência   gsal.zhing.rig.pa.    Contact, Contato  thun.mong.ma.yin.pa.yul.dbang.rnam.shes.gsum’dus.pa.las.dbang.po.  ‘gyur.bar.skyed.pa’i.byed.las.can.gyi.sems.byung.    Contributory condition, Condições Contributórias.  

122


dngos.po.rang.gi.rdzas.rgyun.ma.yin.par.rdzas.su gtso.bor.skyed.byed. (that which principally  produces an effective entity without being i.ts substantial continuum.  (Aquela na qual produz uma  entidade efetiva sem ser o seu continuo substancial)    Conventional truth, Verdade Convencional  don.dam.par.don.byed.mi.nus.pa’i. chos. (phenornenon unable to perform an ultimate effect),  (fenômeno que é incapz de realizar um efeito ultimo)    Correct belief, Crença Correta  rang.yul.la .zhen.pai.slu.bai.zhen.rig.don.mthun.    Cruelty,  Crueldade  gzhan.lasnying.brtse.ba.dang.bral ba’i.gnod.sems.kyis.mtho.’tshams.  par’dod.pai.las.can.gyi.sems.byung.    Detachment, Desapego  rang.gi.ngo.bo’icha.nas.srid.pa’iyo.byad.la.dmigs.nas.de.la.chags.pa’i.  dngoskyi.gnyen.po.byed.cing.de.la.yid.’byung.nas.ma.chags.shing.  mi.len.pa’irab.tu.phye.ba’i.sems.byung.    Discernment, Discernimento   thun.mong.ma.yin.pa.rang.yul.spu.ris.’byed.pa’i.sgo.nas.’di.dang.’di.  min.gyi.mtshan.ma.’dzin.pa’i.byed.las.can.gyi.sems.byung.    Dishonesty, Desonestidade  rnyed.bkur.Ia.Ihag.par.chags.pa’i.dbang.gis.gzhan.mgo.rmongs.par.  byed.’dod.cing.rang.gtnyes.pa.gzhan.gyis.mi.shes.pa’i.rnam.pa.ji’dra.  ba.de.Ita.bur.ston.par’dod.pa’i.las.can.gyLsemsbyung.    Distraction, Distração  dug.gsum.gangrung.gi.cha.las.byung.bas.semsdge.ba’i.dmigs.pala.  gtad.parmi.nus.pa’i.yul.snatshogs.su.sems.’phro.bar.byed.pa’i.las.can.  gyi.sems.byung.    Dominant condition,  Condição domimante  (for the true perception of blue ),( para as três  percepções do azul)  sngon.’dzin.mngon.sum.rang.dbang.du.gtso.bor.dngos.su.skyed.byed.    Dullness, Estupidez   sems.kyi.mun.pa.babs.pas.blong.blong.por.gyur.nas.dmigs.pa.ji.Ita.ba.  bzhin.mi.rtogs.par.byed.pa’i.las.can.gyi.sems.byung.    Effective entity, Entidade Efetiva  don.byed.nus.pa. (that which is able to perform a function), (aquela que é capaz de realizar uma  função)    Enthusiasm, Entusiasmo   rang.gi.ngo.bo.cha.nas.le.lo.i.gnyen.por.byed.cing.dge.bai.bya.ba.la 

123


mngon.par.spro .ba’i .byed.las. can.gyi.sems.byung.    Envy, Inveja  rnyed.pa.dang.bkur.stisogsla.chags nas .gzhan.gyLphun. tshogslami.  bzod.par.semskhong.nas’khrugspas.rab. tu.phyeba’i.sems.byung.    Equanimity,  Equanimidade  dug.gsum.med.par.brtson.’grus.dang.bcas.pa.la.btags.pa’i.btags.chos.  gang.zhigíbying.rgod.’gog.pa’i.rtsol.ba.chen.pos.bsgrim.mi.dgos.par.  sems.byingrgod.kyis.mi.nyams.par.byed.ba’i.rab.tuphye.ba’i.sems.byung.    Establishing cognition, Cognição estabelecida, (for proving sound to be impermanent) (para  provar que som é impermanente)  rang.nyid.sgra.byas.pa.dangíbyas.nami.rtag.pas.khyab.pa.gang.rung.  mi.slu.ba.yang.yin./ranggis.rgyu.rkyen.byas.pala.brten.nas.byung.pa’i.  byas.pa’i.rtags.kyis.sgra.mi.rtag.rtogs.rjes.dpag.girgyu.yang.yin.pa’i.  gzhi.mthunpar.gyur.pa’i.byas.pa’i.rtags.kyis.sgra.mi.rtag.par.sgrub.pa’i.  phyi. rgol.yang.dag.girgyud.kyi.rig.pa.    Evident object, Objeto evidente  mngon.sum.tshad.mas. dngos.su.rtogs.par.bya.ba. (that which is directly comprehended by an ideal  perception), (aqule o qual é compreendido diretamente por uma percepção válida)    Excitement, Excitação  chags.pa’i.dbang.gis.sems.dge.ba’i.dmigs.pa.gcig.tu.so.ma.zug.par.dmigs.  pa.gzhan.nas.gzhan.du.sems.’phro.bar.byed.pa’i.Ias.can.gyi.sems.byung.    Existent, Existente  tshad.mas.grub.pa. (that which is established by an ideal mind), (aquele que é estabelecido por uma  mente válida)    Fact‐connecting conception, Concepção fato conectada  khyad.gzhi.khyad.chos.sbyar.nas.’dzin.pa’i.Zhen.rig.    Faith, Fé  thun.mong.ma.yin.pa.sems.nyon.mongs.pa.dang.nye.ba’nyon.mongs.  pai.rnyog.pa.dang.bral.ba’i.yi.rang.bar.byed.pa’i.byed.las.can.gyi.sems  byung.    Faithlessness, Descrença  las’bras.sogs.1egs.pa’i.gzhlla.yid.ma.ches.shing.ma.gus.pas.dad.pai  ‘gal.zlar.gyur.ba’i.sems.byung.    Feeling, Sensação  thun.mong.ma.yin.pa.bde.sdug.bar.ma.ci.rigs.kyi.sgo.nas.myong.bai  byed.las.can.gyi.sems.byung    Forgetfulness, Esquecimento 

124


dge.ba’i.dmigs.rnam.’dzin.pa.shor.nas.nyon.mongs.pa’i.dmigs.rnam. dran.zhing.gyeng.ba.’drenpa’i.las.cangytsems.byung.    General examination, Exame geral  sems.pa’am.shes.rabIa.brten.nas.ming.dang.bcas.pa’i.don.gang.yang.  rung.bar.rags.pa’i.rnam.pa.tsam.’tshol.ba’i.rab.tu.phye.pa’isems.byung.    Ideal apperceptive cognitionválida, Cognição não perceptiva  kha.nang.kho.nar.phyogs.zhing.’dzinpa.yan.gar.bar.gyur.pa’i.rtog.pa.  dang.bral.zhing.gsar.du.mi.slu.ba’i.rig.pa.    Ideal contemplative perception, Percepção Contemplativa Válida  rang.gi.bdag.rkyen.du.gyur.pa’i.zhi.lhag.zung.’brel.gyLting.nge.’dzin.la.  brten.nas.phra.ba’i.mi.rtag.padangígang.zag.gi.bdag.med.phra.rags.gang.  rung.mngon.sum.du.rtogs.pa’i.’phags.rgyud.kyi.gzhan.rig.gi.mkhyen.pa.    Ideal inference, Inferência válida (Crença correta)  rang.gi.rtenrtags.yang.dag.la.brten.nas.dngos.su.skyed.pa’i.gsardu.mi.  slu.pa’i.zhen.rig.    Ideal mental perception, Percepção mental válida  ranggi.thun.mong.ma.yin.pa’i.bdagrkyen.du.gyur.pa’i.yid.dbangla.  brten.nas.byung.ba’i.rtogpadang.bralzhing.gsar.du.mi.slu.ba’irig.pa.    Ideal mind, Mente Válida  gsar.du.mi.slu.ba’i.rig.pa.    Ideal perception, Percepção válida  rtog.pa.dang.bral.zhing.gsar.du.mi.slu.ba’irig.pa    Ideal sense perception, Percepção sensorial válida  rang.gi.thun.mong.ma.yin.pa’i.bdag.rkyen.dugyur.pa’i.dbang.po.gzugs.  can.pa.la.brten.nas.byung.ba’i.rtog.pa.dang.bral.zhíng.gsar.du.mi.slu.  ba’i.rig.pa.    Ignorance, Ignorância  bden.hzhi.dang.ias.’bras.dang.dkon..mchog.la.sogs.pa’irang.bzhin.la.  blo.mi.gsal.bas.mi.shespa’i.nyon.mongs.can.    Immediate condition, Condição imediata, (of: the true perception of blue) (a percepção verdadeira  do azul)  sngon.’dzin.mngon.sum.myong.ba.gsal.rig. tsam.du.gtso.bor.dngos.su.  skyed.byed.    Impermanence, Impermanência  skad.cig.ma. (momentariness)    lnattentive perception, Percepção desatenta 

125


rang.gi.jug.yul.du.gyur.ba’i.rang.mtshan.gsal.bar.snang.ba.yang.yin./ rang.gi.jug.yul.du.gyur.pa’irang.mtshan.la.nges.pa.’dren.mi.nus.pa.  yang. yin.pa’i.gzhi.mthun.par.gyur.ba’m.rig.pa.    Inattentiveness, Desatenção  dpyad.pa.ye.ma.byed.pa am.dpyad.pa.rtsing.ba i.dbang.gis.shes.rab.  nyon.mongs.can.du.song.ste.sgo.gsum.gyi.spyod.pa.gang. la.mi.shes.  bzhin.du.gya.tshom.du. jug.par.byed.pa i.las.can.gyi.sems.byung.    Inconsideration for others, Desconsideração pelos outros  gzhan.dang.gzhan.gyi.chos.la.mi.brtse.bar.nyes.spyod.la.’dzem.pa.med.  par.spyod.’dod.pa’i.las.can.gyi.sems.byung.    Indecision, Indecisão  rang.stobs.kyis.mtha’gnyissu.dogs.pa’i.sems.byung.    Inference (see ideal inference), Inferência (veja inferência válida)    Inteiligence, Inteligência  thun.mong.ma.yin.pa.dran.pa.bzung.ba’i.yul.la.khyad.par.ram.skyon.  yon.brtag.ste.rab.tu.rnam.par.’byed.pa’i.byed.las.can.gyi.sems.byung    Intention, Intenção  thun.mong.ma.yinpa.rang.dang.rntshungs.ldan’khor.bcas.yul.la.gyo.  bar.byed.cing.mngon.par.’du.byed.pa’i.byed.las.can.gyi.sems.byung.    Knowable entity, Entidade conhecível  blo.yul.du.bya.rungba.    Laziness, Preguiça  ‘phral.bde’i.mtshan.ma.dam.du.bzung.nas.dge.ba’i.bya.ba.la.mi .‘dod.  pa’am’dod.kyang.zhum.pa’i.las.can.gyi.sems.byung.    Letter, Carta  ming.tshig.gnyis.kyi.rtsorn.gzhir.gyur.pa’iskad.kyi.gdang.    Matter, Matéria  rdul.dugrub.pa. (that which is established by atoms), ( aquilo que é estabelecido por átomos)    Mental factor, Fator Mental  rang.yul.gyi.khyad.par.ci.rigs.’dzin.cing.rang.dang.mtshungs.ldan.gyi  gtso.sems.gang.rung.gi.’khor.du.byung.ba’i.rig.pa.    Mental Image (of a jug), Imagem Mental  bum.’dzin.rtog.pa.la.bum.pa.ma.yin.bzhin.du.bum.pa.lta.bur.snang.ba’i.  sgro btags.kyi.cha.    Mind, Mente 

126


rig.pa.   Mistaken cognition, Cognição errônea  rang.yul.Ia.phyin.ci.log.tu.zhugs.pa’i.rig.pa.    Natural relationship (with an effective entity), Relacionamento Natural (com uma entidade  efetiva)  dngos.po.dang.bdag.nyid.gcig.pa’i.sgonas.tha.dad./dngos.po.med.na.  khyod.med.dgos.pa’i.chos.    Non‐bewilderment, Não confusão  skyes.thobdangthos.pa.dang.bsam.padang.sgom.pa.gang.rung.gi.rgyu.  las.byung.zhing.rang.gi.ngo.bo.’icha.nas.gti.mug.gi.gnyen.po.byed.cing.  yang.dag.pa’idon.la.so.sor.dpyod.pa’i.shes.rab.brtan.pa.dangbcas.pa.    Non‐hatred, Não‐ódio   rang.gi.ngobo’i.cha.nas.chosgsurn.gang.rung.la.drnigs.naszhesdang.  dngos.su‘joms.pa’ibyams.pa’i.mtshan.nyid.can gyi.sems.byung.    Non‐ideal mind, Mente não válida  gsar.du.mi.slu.ba.ma.yin.pa’irig.pa.    Non‐violence, Não violência  rang.gi.ngobo’i.cha.nas.kun.nas.mnar.semsm.edpa’i.cha.shas.gang.  zhig./ sems.can.sdug.bsngal.canIa.de.dang. bral.na.snyamdu.mi.bzod.  pa mbyed.las.can.gyi.sems.byung.    Object, Objeto  blo.yis.rig.par.bya.ba.    Object condition (for the visual perception of blue), Condição Objeto (para uma percepção visual  do azul)  sngon.’dzin.mngon.sum.sngon.po’i.rnam.ldan.du.gtso.bor.dngos.su.  skyed.byed.    Perception, Percepção  rang.gi.snang.yul.Ia.gsal.snang.can.gyi.rig.pa. (a cognition to which the appearing object appears  clearly), (Uma cognição para a qual o objeto aparece claramente)    Perfect Reason, Raciocínio Perfeito  tshul.gsum.yin.pa.    Person, Pessoa  gdags.gzhi.phung.po.lnga.po.gang.rung.Ia.brten.nas.btags.pa’i.nga.    Phenomenon, Fenômeno  rang.gingo.bo.’dzin.pa. (that which maintains its own entity), (Aquele no qual mentem sua propria  entidade) 

127


Phrase, Frase  khyad.gzhi.khyad.chos.sbyor.nas.ston.pa’i.gnyan.bya.    Precise analysis, Análise precisa  sems.pa’am .shes.rab.la.brten.nas.yul.zhib. tu phye.nas.dpyod.pas.rab.tu. phye.ba’i.serns.byung.    Pretension, Pretenção  rnyed.bkur.la.lhag.par. chags.nas.gzhan.bslu .bar.bsarm.pas.yon.tan.gyi.  khyad.par.bcos.nas.ston.’dod.pa’i.las. can.gyi.sems.byung.    Primary mind, Mente Primária  rang.yul.gyingo.bo.’dzin.pa’i.sgo.nas.gzhag.pa’igtsobo’i.rnarn.rig.    Recollection, Lembrança  sngar.’dris.pa’ichos.la.mi.brjed.par.yang.yang.mngon.du.byed.pa’i.  byed.las.can. gyi.sems.byung.    Regret, Pesar   sngar.byas.kyi.dngos.po.ngan.par.mthong.nas.yid.la.gcags.te.mi.dga’.  ba’am.yid. gdungba’i.las.can.gyi.sems.byung.    Self‐ascertainable ideal mmd, Mente Valida auto determinadora  tshad.ma.gang.zhig./rang.gi.gzhal.bya’i.bdag.nyid.yulsteng.du.gnas.pa.  Med.na./ rang.nyid.mi.’byung.bala.rang.stobs.kyis.nges.pa.’dren.nus.pa.    Self‐importance, Auto‐importância  thun.mong.ma.yinpa.ngar.dang.nga.yi.bar’dzin.pa’i’jig.lta.gnyis.po.  gang.rung.gis.rten.byed.pa.las.sems.khengspa’am.mtho .ba’i.rnam.par.  zhen.pa’i.byed.las.can.gyisems.byung.    Self‐respect, Auto respeito  thun.mong.ma.yin.pa.rang.ngam.rang.gi.chos.rgyu.mtshan.du.byas.nas.  kha.na.ma.tho.ba.Ia.’dzem.bar.byed.pa’i.byed.las.can.gyi.sems.byung.    Self‐satisfaction, Auto‐satisfação  rang.gi.phun.tshogs.kyi.mtshan.ma.yid:la.byed.de.nyon.mongs.pa’i.spobs.  pa.bskyed.cing.sems.rang.gidbang.du.byed.pa’i.las.can.gyi.sems.byung.    Self‐unascertainable ideal mmd, Mente válida não auto‐determinadora  tshadmagang.zhigíranggi.gzhaLbya’i.bdag.nyid.yul.stengdu.gnaspa.  med.naírang.nyid.mi.’byung.ba.Iagzhanstobs.kyis.nges.pa.’dren.dgos.pa.    Shamelessness, Desavergonhamento  Bdag.gam.chos.rgyu.mtshan.du.byas.nas.kha.na.ma.tho.ba.la.mi’dzem.  pas.rab.tu. phyeba’i.sems.byung.    Sleep, Sono 

128


Sems.nyog.nyog.por.byed.de.dbang.shesyulla.]ug.pakun.sdud.par. byed.cing.sems.gang.gis.kyang.lus’dzin.par.mi.nus.par.byed.pa’ilas.  can.gyi.sems.byung.    Spite, Maldade  khro.ba’am.khon’dzin.sngon.du.song.bas.gzhan.gyis.nyes.pa.glengs.pa.na.  zhc.’gras.pa.rgyun.du.byas.nas.tshig.rtsub.kun.nas.slong.ba’i.sems.byung.    Standard‐term, Termo Padrão  don.de.la.’dod.rgyal.thog.mar.brda.sbyar.ba.yang.yin./don.de’i.ming.  gi.gtso.bo.yang.yin.pa’i.gzhi.mthun.par.dmigs.pa.    Subject, sujeito  rang.yul.ci.rigs.dang.ldan.pa’i.dngos.po.    Substantial cause, Causa substancial   dngos.bo.rang.gi.rdzas.rgyun.tu.gtso.bor.skyed.byed  (that which principally produces effective phenomena within its substantial continuum), (aquele  que principalmente produz um fenômeno efetivo dentro do seu contínuo substancial)    Subsequent cognition, Cognição Subsequente  rtogs.zin.rtogs.pa’i.rig.pa.    Suppleness, Flexibilidade   sems.dge.ba’i.dmigs.pa.la.ji.ltar.’dod.pa.bzhin.du.bkol.du.rung.ba’i.lag.  rjes.jog.par.byed.cing.lus.dang.sems.kyi.gnas.ngan.len.rgyun.gcod.par.   byed.pas.rab. tu.phye.ba’i.sems.byung.    Term, Termo  don.gyi.ngo.bo.tsam.bstan.pa’i.gnyan.bya.    Term‐connecting conception, Concepção termo conetado  don.ming.sbyar.nas.’dzin.pa’i.zhen.rig.    True apperceptive cognition, Cognição não perceptiva verdadeira  rtog.pa.dang.bral.zhing.ma.’khrul.pa’i.’dzin.rnam.    True contemplative perception, Percepção contemplativa verdadeira  rang.gi.thun.mong.mayin.pa’i.bdag.rkyen.du.gyur.pa’i.zhi.lhag.zung.  ‘brel.gyi.ting.nge.’dzin.la.brten.nas.skyes.pa.gang.zhig./rtog.padang.  bral.zhing.ma. ‘khrul.ba’i.’phags.rgyud.kyi.gzhan.rig.gi.mkhyen.pa.    True mental perception, Percepção mental verdadeira  rang.gi.thun.mong.ma.yin.pa’i.bdag.rkyen.du.gyur.pa’i.yid.dbang.Ia.  brten.nas.skyes.pa.gang.zhig./rtogpa.dang.bral.zhing.ma.’khruLpa’i.  gzhan.rig.gi.shes.pa.    True perception, Percepção Verdadeira 

129


rtog.pa.dang.bral.zhing.ma’khrul.ba’irig.pa.   True sense percepction,  Percepção sensorial verdadeira  rang.gi.thun.mong.ma.yin.pa’i.bdag.rkyen.du.gyur.pa’i.dbang.po.gzugs.  can.pa.la.brten.nas.skyes.pa.gang.zhig./rtog.pa.dang.bral.zhing.rna.  ‘khrul.pa’i.rig.pa.    Ultimate truth, Verdade última  don.dam.par. don.byed.nus.pa’ichos. (a phenomenon able to perform. an ultimate effect), (um  fenômeno capaz de realizar um efeito último)    Unconscientiousness, Inconsciência  le.lo.dang.bcas.pas.dge.ba.mi.zhing.zag.bcas.kyi.chos.la.sems.mi.bsrung.  bar.bag.yangs.suci.bder.spyod.’dod.pa’i.las.can.gyi.sems.byung.    Vengeance, Vingança  sngar.’di.dang.’di.zhes.bya.bas.gnod.do.ma.brjed.par.dam.du.’dzin.pa’i.  sems.kyi.mdud.pa.ste.gnod.Ian.gyi.skabs.serns.pa’i.khong.khro’i.char.  gtogs.gang.yinpa.    View of the transitory composite, Visão da composição transitória  rang.gi.dmigs.yul.du.gyur.pa’i.nye.bar.len.pa’i.phung.po.la.dmigs.nas.  bdag. dang.bdag.gi.ba’i.rnam.par.zhenpa’i.shes.rab.nyon.mongs.can    Wrath, Fúria  khong.khro’phel.ba.las’phral.du.gnod.par.brtsam’dod.kyis.kun.tu.  mnar.sems. pas.rab.tu.phye.ba’i.rig.pa    .

130


Bibliografia      (A referência daqueles marcados com “P” são da edição Peking da Tibetan Tripitaka publicada  pele Fundação de pesquisa Suzuki, Tokyo Kyoto, 1956)      Akya Yongdzin Blo.rigs. kyí.sdom.tshig.blang.dor.gsal.ba’i.me.long. Blockprint (publication date  unknown) Translated Geshe Ngawang Dhargyey et al.. as A Compendium of Ways of Knowing.  Dharamsala: Library of Tibetan Works and Archives, 1976.    Anacker, Stefan Seven Works of Vasubandhu, Lhe Buddhist Psychoiogícai Doctor. 1984.    Ãryadeva The Four Hundred. Catuhsatakasastrakarika Bstan.bcos. bzhi.brgya.pa.zhes.bya.  ba’i.tshig.ie’ur.byas.pa. P. 5264, vol. 95.    Asanga  Compendium of Abhidharma. Abhidharmasamuccaya. Mngon.pa. kun.btus. P. 5550, Vol. 112.    Atreya, Jagat Prakash Mind and its Functions in Indian Thought. 1985. Buddha Dhammapada. Tr.  Narada Mahathera. Caicutta: Mahabodhi Society, 1970.    Chandrakirti A Guíde to the Míddle Way. Madhyamakãvatãra. Dbu.ma. la.’jug.pa. P. 5262 and P.  5261, vol. 98.    Dharmakirti Commentary to Ideal Mind. Prarnãnavãrttíkakãrika. Tshad.  ma.rnant’grei.gyi.tshig.ie’ur.byas.pa. P. 5709, vol. 130.    Govinda, Anagarika The Psychologicai Attitude of Early Buddhíst Philosophy. 1961.     Guenther, Herbert V. & Kawamura, L.S. Mind in Buddhist Psychology. Berkeley: Dharma Publ.,  1975.    Gyatso, Losang Rigs.iam.che.ba.blo.rigs.kyi.rnam.gzhag.nye.mkho.kun. btus. Dharamsaia: 1975.    Gyatso, Tenzin, H.H. the XIV Dalai Lama The Buddhism of Tibet and Lhe Key to the Míddie Way.  Tr. Jeffrey Hopkins. London: George, Alien and Unwin, 1975.    Kalupahana, David J.. The Principies of Buddhíst Psychoiogy. 1987. Komito, David Ross  Nãgãrjuna’s “Seventy Stanzas” A Buddhist Psychology of Emptiness. Ithaca: Snow Lion, 1987.    Lati Rinpoche & Napper, E. (Transl) Mind in Tibetan Buddhism. Ithaca: Snow Lion, 1986.    Nãgarjuna The Friendly Letter, Suhriekka. Bshes.pa’i.spring.yig. P. 5682, vol. 129.   — The Precious Garland. Rãjaparikathãratnãvaii. Rgyai.po.la. gtam.bya.ba.rin.po.che’i.phreng.ba. P. 5658,  vol. 129.    Purchog Yongdzin Jhampa Collected Topics. Tshad.ma’i.gzhung.don. ‘byed.pa’i.bsdus.grva’i.rnam  .par.bshad.pa.rigs.lam.’phrui.gyi.ide.míg. Tashi Jong: Offset print (date unknown). 

131


Purchog Yongdzin Jampa Yul.can.dang.bio.rigs. kyi.rnam.par.bshad.pa. Blockprint (date unknown).    Rabten, Geshe Close Placement of Mindfulness in the Mahãyãna. Ir. Stephen Batchelor. Tharpa  Choeling: 1978.  —  Echoes of Voidness. Ir. and ed. Stephen Batchelor. London: Wisdom Publications, 1983.  —  The Lífe and Teachings of Geshe Rabten. Ir. and ed. B. Alan Wal!ace. London: George,  Ailen and Unwin, 1980.  —  Introduction to the Different Levels of Consciousness and their Application in Meditation.  Tr. Gonsar Iuiku, ed. Stephen Schettini. Tharpa Choeling: 1977.  —  Mind and Mental Factors. A List of Deftnitions. Mont Pèlerin: Tharpa Choeling,1981.    Shãntideva A Guide to the Bodhisattva’s Way of Life ‘Bodhicharyãvatãra Ir. Stephen Batchelor.  Dhararnsala: Library of Tibetan Works and Archives, 1979.    Sopa, Geshe and Hopkins, Jeffrey Practice and Theory of Tibetan Buddhism. London: Rider, 1976.    Tsong Khapa The Great Exposition o Stages of the Path. Lam.rim. chen.no. Dharamsala: Sherig  Pharkang, Blockprint (date unknown).    Vasabhandu Commentary to the Treasury of Abhidharma. Abhidharma kosabhãsya  Chos.mngon.pa’i.mdzo. d.kyí.bshad.Pa P. 5591, vol. 115.  —  Treasury of Abhidharma. AbhidharmakosakZtrika.  Chos.mngon.pa’i.mdzod.kyi.Lshig.ie’ur.byas.Pa.  P. 5590, vol. 115.     Yeshe, Lama Thubten Mind and Mental Factors. Jãgerndorf: Aryatara, 1986.   

132


Estudo Comparativo dos Livros   

133


Resumo comparativo  Entender a Mente – Geshe Kelsang Guyatso   A Mente e suas Funções – Geshe Rabten   A Mente no Budismo Tibetano – Lati Rinpoche – somente para Tópico 1 e consultas para outros tópicos.    Tópico 1: A Origem, importância e características destes ensinamentos:    a. Na índia – Dignaga (480‐540 dC) e Dharmakirt (600‐660 dC);  b. A base filosófica;  c. No Tibete.‐ formação do currículo nas universidades;.  d. A importância e natureza da mente no Budismo;  e. A função destes ensinamentos no processo de aprendizagem;    Tópico 2    Entender a Mente  A Mente e suas Funções      Possuidoras de Objeto  Sujeito  Sons expressivos (fonemas, nomes, frases)  • Sons Articulados (termos, frases e letras)  Mentes;  • Mente;  Pessoas  • Pessoas.    Tópico 3    Entender a Mente  Mente e Suas funções      Mentes Conceituais  Concepção (Cap. 2 Item II)  Mentes não conceituais  Percepção (Cap 2 item I)    Tópico 4    Entender a Mente  Mente e Suas funções      Percepção Sensorial  Percepção (Cap 2 item I))  Percepção Mental  Percepção (Idem)    Tópico 5 – Divisão em sete tipos de mentes    Entender a Mente  Mente e suas Funções      Percebedores diretos  Percepção válida (Cap. 3 item II)  Conhecedores Inferidos  Concepção válida (Inferência) (Cap. 3 item III)  Reconhecedores  Cognição Subseqüente  Crenças Corretas  Crença Correta  Percebedores não‐determinadores  Percepção desatenta  Dúvidas  Indecisão  Percepções Errôneas  Cognições Errôneas 

134


Tópico 1 ‐ : A Origem, importância e características destes ensinamentos:    Origem na Índia – Dignaga (480‐540 dC) e Dharmakirt (600‐660 dC)    Os Livros de Lati Rinpoche e Geshe Rabten citam como fonte original o Comentário de Dharmakirt ao Compêndio de  uma Cognição Válida de Dignaga.  O livro Entender a Mente não explicita esta fonte mas cita muitas vezes estes eruditos.    Dignaga e Dharmakirt foram os criadores da escola Epistemológica na Univ. de Nalanda.  Nalanda: ( século II até final do sec. XIII)  Também a origem de Asanga (linhagem do método) e Nagajurna (linhagem da sabedoria)    Nagarjuna, o famoso filósofo Mahayana (segundo século d.C)., começou seus estudos em Nalanda e, mais tarde, tornou‐ se  seu  abade  principal.  Alguns  outros  mestres  proeminentes  conectados  com  Nalanda  foram  Aryadeva  (começo  do  quarto século), Asanga (quinto século) e seu irmão Vasubandhu”. Após Vasubandhu, os abades supremos de Nalanda  foram  cronologicamente  Dignaga,  Dharmapala,  Silabhadra,  Dharmakirti,  Santarakshita  e  Padmasambhava.  Outros  nomes ligados a Nalanda: Saraha e Naropa.  Nalanda  tinha três bibliotecas, uma delas em um prédio de 9 andares.  Chegou a ter 1500 professores e 10 mil monges.    História de Dignaga da pág. 107 Entender a Mente.    Mente válida: Pramãna  Estes ensinamentos são conhecidos como Pramãna em sânscrito  (ou prâmana em português) que siginifica Mente  válida: Pra: incial, fresca, principal ou melhor e mana siginifica cognição ou consciência. (MF)    Em tibetano: Blo‐rig ou Lo‐rig: Blo significa conhecimento e Rig pa conhecedor (MBT);    A base filosófica destes ensinamentos    Estes ensinamentos têm como origem filosofica a escola Hinayana Sautrantika;  As quatro escolas (Hinayana: Vibasikas e Sautrantikas e Mahayana: Citramatrins e Madhyamikas) são considerados  ensinamentos progressivos; (MF)  O ponto essencial de todas essas visões é que a libertação do sofrimento não pode ser encontrado fora da mente, então se  quisermos nos livrar de problemas e atingir paz e felicidade duradoura, temos que aumentar nosso conhecimento e  compreensão da mente. (EM)      No Tibete.‐ formação do currículo nas universidades:    No Tibete é estudado nos currículos das Universidades Budistas, nas Universidades Gelupas é o segundo tópico em  importância, depois da Perfeição da Sabedoria;    Tsongkapa escreveu um texto chamado A Porta de Entrada para os Sete Tratados.      A importância e natureza da mente no Budismo;    O papel chave da Mente no Budismo    Para  ilustrar  a  posição  central  da  mente  no  Budismo,  uma  das  mais  conhecidas  escrituras  Budistas  ,  o  Dhammapada,  abre com o seguinte verso. 

135


“Mente é o precursor de (todas más) condições.  Mente é o comandante; e elas são mentes produzidas. Se, com uma  Mente impura, alguém fala ou age, então dor segue alguém exatamente   como uma roda, (segue) o casco do boi.  Mente é o precursor de (todas as boas) condições.  Mente é comandante; e elas são mentes produzidas. Se, com uma  mente pura, alguém fala ou age, então felicidade segue alguém  exatamente como a sombra que jamais se retira.” 35   Nas escrituras do sutra mahamudra está dito:    Se realizares tua própria mente, tornar‐te‐ás um Buda;  Não deves procurar a budeidade em nenhum outro lugar    Buda Ensinou que a mente tem o poder de criar todos os objetos agradáveis e desagradáveis.     Não há outro criador além da mente. Somos escravos da nossa mente, o autêntico criador.      A função destes ensinamentos no processo de aprendizagem;    O Darma é puro, o objetivo do praticante é fundir sua mente com o Darma;  Este processo de fusão se dá através da familiarização (Meditação);  Este ensinamento apresenta as funções da mente e um método de treinamento do estudante no processo de  discriminação (agregado)  Mostra as etapas que permitem obter realizações do Darma. 

136


Livros

Tema e conceito 

Entender a  Mente 

Possuidores de Objeto:   é uma coisa funcional que expressa ou  conhece um objeto. 

A Mente e  suas Funções 

Sujeito(literalmente: objeto‐possuidor)  é definido como uma entidade efetiva  dotada com seu próprio objeto de  qualquer tipo. 

Entender a  Mente 

Sons Expressivos é  um objeto de  audição que torna compreensível o  objeto exprimido, é necessariamente a  fala de uma pessoa, produzida pelo  poder de sua motivação.  . 

Características, Geração e aplicação ao Darma    Todos os fenômenos são objetos (a serem  conhecidos, apreendidos), os três (SE, Pessoas e  Mente) são também possuidores de objeto.  Os Objetos e os PO são mutuamente dependentes;  Tudo o que existe é um objeto da mente, não existe  mente sem objeto.  Não é possível a existência dos  três tipos de PO sem  o objeto particular.    Sujeito e Objeto são entidades mutuamente  dependentes, não podemos considerar um sem  referir‐se ao outro;  Todos os sujeitos, em virtudes deles serem  fenômenos existentes, são necessariamente objetos  de outro sujeito.  Geração:  Todo o som expressivo são produzidos pela  motivação de um falante, portanto, se originam na  mente.  Nomes são produzidos na dependência na  dependência de fonemas, e frases, na dependência  de nomes.  Sons expressivos são muito úteis porque constituem  os principais meios de comunicação. (Aprendemos o  Darma)  Nossa compreensão do Darma fundamenta‐se em  ouvirmos os ensinamentos e discutirmos seu  significado;  Além disto, já que a palavra escrita se baseia na  linguagem falada, tudo aquilo que lemos depende  de sons expressivos.  Toda a realização no sutra e no tantra advém do  estudo e prática dos sons expressivos supremo, o  Darma. 

Classificação Sons Expressivos: expressam objetos  específicos;   Pessoas: conhecem (aprendem) objetos  com suas mentes;  Mentes: sua função principal é conhecer  (aprender) objetos. 

Mente, Pessoas e Sons Articulados 

Fonema é uma vocalização que serve  para a composição de nomes e frases;  Nome é um objeto de audição que,  principalmente, expressa a designação de  um fenômeno.  Existem dois tipos:   originais (ex. Edison) e subseqüentes (seu  nome secundário Ex. Pelé) divide‐se em  dois tipos: baseado na similaridade e  baseado na relação;  O nome do objeto não é uma  característica natural do objeto mas algo  imputado a ele de acordo com as  convenções;  Todos os objetos são meramente  imputados na dependência dos seus  nomes, portanto não existem  inerentemente.   Ex. uma pessoa chamada Pedro; 

1


A Mente e  suas Funções 

Entender a  Mente 

Se estudarmos esse assunto de forma  aprofundada, desenvolveremos um  conhecimento válido sobre as duas  verdades, a convencional e a última.  Frase é um objeto de audição que revela  um sentido ao ligar um nome a um  predicado. Ex. O cão é preto.  Sons Articulados: São sentenças  Divisão:  Sons são sujeitos no sentido de denotarem objetos,  Termos: são unidades simples de fala  coerentes e articuladas, definidas como  mentes são sujeitos no sentido de apreenderem  audível e denotam que articulam por  que usamos para denotar objetos nos  objetos.  quais falamos e pensamos; São como  meio de um sinal.    tijolos na construção da língua;  Existem dois tipos: termo‐padrão (é  principal e dado originalmente) e  termo comum (cunhado em um  momento subseqüente) divide‐se em  similaridade (apelido) e  relacionamento, Termo comum por  relacionamento é divido em  relacionamento natural e  relacionamento causal;  Relacionamento causal se divide em:  designados da causa para o resultado  (sol) e do resultado para a causa  (inferência‐por‐outros) ec. Equip.  elétrico por luz;  Frases: é definida como um audível  expressivo que conecta uma  qualidade para sua base;  Letras: é um som claro que age como  base para uma composição de termos  e frases.  Pessoas são  p.o.  porque conhecem  Divisão Dupla:  Relação dos agregados com os 51 fatores mentais  objetos com suas mentes.  (mentes secundárias ‐  aquilo que vem da mente).  Budas e Não‐Budas e    Pg.21 e anexo I.  Seres comuns e seres superiores.  Pessoa é um eu imputado na  A função de uma pessoa é realizar ações e experienciar    Divisão Quintupla: Budas, Bodhisatvas,  dependência de qualquer dos cinco  seus resultados; 

1


agregados.   Pessoa, ser, self e eu são sinônimos.   

A Mente e  suas funções 

A pessoa ou personalidade é  simplesmente o “eu” imputado sobre  qualquer dos cinco agregados  psicológicos.  È um fenômeno transitório que não é  incluído nas categorias mentais. 

Entender a  Mente 

Mente   Mentes são p.o. porque sua função  principal é conhecer objetos.    Mente é aquilo que é clareza e que  conhece.  Clareza se refere à natureza da mente e  a palavra conhece a sua função.  Pensamento, percepção, mente e  conhecedor são sinônimos.   

A Mente e  suas Funções 

Mente é claridade e cognição.  Claridade refere‐se a sua não  materialidade. 

Esta função depende dos agregados sensação  (experienciar) e discriminação (realizar ações);  O eu é imputado na hora que a consciência ingressa no  útero materno.  Precisamos compreender a natureza convencional  (ações e resultados) e última de pessoa., assim  evitaremos ações que trazem sofrimento e  realizaremos ações que trazem felicidade.   A pessoa é dita ser um sujeito porque todos os seres  individuais aprendem objetos;  Não se refere somente a um ser humano mas a animal,  seres divinos, etc.  Uma certa auto‐identidade, um senso dominante de  “eu”;  A necessidade de analisar e compreender a natureza  deste fenômeno “eu”.    Do ponto de vista de como é gerada tem duas  divisões: Percepção sensorial (cinco divisões) e  percepção mental.  Existem três níveis de percepção mental: densa  (mentes despertas comuns), sutil (se manifestam no  sono, na morte, estágio de conclusão e equilíbrio  meditativo, se manifestam quando os ventos interiores  se juntam no canal central) e muito sutil (tem sede no  coração, é conhecida como mente raiz, a única que  migra). pg. 26.  A mente tem dois tipos de causas: substancial  (continuo anterior) e contribuinte (percepção mental e  sensorial). 

Por confundir a mente com o corpo, o cérebro, a força  vital, com os órgãos sensoriais, ou como algo físico  dentro do corpo, consideram seu tempo de vida igual 

Conquistadores Solitários e Ouvintes e  seres migrantes. 

Classificação na pg 27  Divisão dupla: Mentes conceituais e não  conceituais;  Divisão dupla: percepção sensorial e  percepção mental;  Divisão sétupla:  1)Percepedores diretos, 2) Conhecedores  inferidos, 3)Reconhecedores, 4)Crenças  Corretas, 5)Percebedores não  determinadores, 6)dúvidas e 7)percepções  errôneas.  Divisão dupla: Conhecedores válidos e  Não válidos;  Divisão dupla em: Mentes primárias e  Fatores mentais (51) a segunda parte do  livro.     Divisão dupla: Percepção e Concepção  Divisão sétupla:  1)Percepção válida, 2) Concepção válida 

1


Cognição é a faculdade de apreensão  da consciência que funciona ao ver  formas, ouvir sons, tanto quanto em  todos os tipos de reflexão, inferência e  compreensão.  Cognição é um fenômeno momentâneo  que mantem seu próprio continuo  causal.                   

ao corpo ou mesmo dificulta a compreender a  (inferência);  3)Cognição subseqüentes,  continuidade da mente e a existência de vidas  4)Crença Correta, 5)Percepção desatenta,  6)indecisão e 7)Cognições errôneas.  passadas e futuras.  Divisão dupla em: Mentes primárias e  Esta é a concepção mais inauspiciosa existente pois  conduz as pessoas a uma vida hedonista e  Fatores mentais (51) a segunda parte do  materialista.  livro.    Os problemas se tornam limitados a esta vida e  preparações para vidas futuras não são realizadas.  A raiz de todas estas concepções errôneas e  problemas  pode ser delineada pela falsa apreensão da natureza  da mente.  Continuaremos neste circulo de nascimento até que  um esforço seja feito para alterar seu curso;  Conseqüentemente, com tal compreensão, a maneira  pela qual nós, presentemente, concebemos a nossa  auto‐existência e o nosso estado de existência será  drasticamente alterado e uma nova e mais expansiva  visão da vida se tornará acessível para nós. 

1


Anexo 1 – Correlação entre os cinco agregados e os 51 fatores mentias     

Os 51 Fatores Mentais: Cognição válida e os sete tipos de mente Lorig - Pramana

Os 5 fatores acompanhantes: 1) 2) 3) 4) 5)

Sensação, Discriminação; Intenção; Contato; Atenção.

Os 5 fatores mentais determinadores de objeto;

Os cinco agregados:

1) Nome e Forma; 2) Consciência; 3) Sensação; 4) Discriminação;

6) Aspiração; 7) Firme apreensão; 8) Contínua lembrança; 9) Concentração; 10) Sabedoria. Os 11 fatores mentais virtuosos: 11) Fé; 12) Senso de vergonha; 13)Consideração; 14)Antiapego; 15)Antiódio; 16) Antiignorância; 17) Esforço; 18) Maleabilidade mental; 19) Conscienciosidade; 20) Equanimidade; 21) Antinocividade. As seis delusões raízes:

5) Ações (fatores de composição).

22) Apego desejoso; 23) Raiva; 23) Orgulho deludido; 25) Ignorância; 24) Dúvida deludida; 25) Visão deludida; As 20 Delusões secundárias: Agressividade; Ressentimento; Rispidez, Inveja, Avareza, Dissimulação, Hipocrisia, Recusa, Vaidade, Nocividade, Falta de vergonha, Desconsideração, Obtusidade, Distração, Excitação mental, Antifé, Preguiça, Anticonciosidade, Esquecimento deludido, Antivigilância. Os quatro fatores mentais mutáveis: Sono, Arrependimento, Investigação e Análise.

141


Tópicos 3 e 4‐  Capítulos Mentes Conceituais e não conceituais, Percepções sensoriais e mentais (EM) e  Cap. Dois Percepção e Concepção (MF))  Entender a Mente – Geshe Kelsang Gyatso  Mente e suas Funções ‐  Geshe Rabten  Mentes Conceituais e Mentes Não‐conceituais:  Percepção e Concepção:  Percepção é um estado não conceitual de mente, que pode ser um dos cinco  Do ponto de vista de como a mente se conecta aos seus Objetos , elas podem  ser divididas em dois tipos: Conceituais e não‐conceituais.  sentidos, ou um certas cognições mentais imediatas.  Mentes não‐conceituais conectam seus objetos diretamente.  Concepção: refere‐se a um estado mental conceitual, uma cognição mental  Mentes conceituais conectam seus objetos por meio de uma imagem genérica.  que não nota seus objetos imediatamente ou apenas como uma percepção,  mas conhece então através de uma imagem mental.  Uma das funções da MC é de lembrar coisas e são fundamentais para  Percepção é, essencialmente, uma forma de cognição receptiva e não  desenvolver Percebedores diretos Yóguicos.  refletiva, enquanto que concepção é responsiva e refletiva.  Concepção  Mentes Conceituais:  É por meio de pensamento e concepções que, conscientemente,  Pensamento que aprende o objeto por , meio de uma imagem genérica.  respondemos aos objetos percebidos pelos sentidos.  Imagem Genérica é o objeto aparecedor de uma mente conceitual.  É através de processos conceituais que o homem tem construído sistemas  Existem cinco tipos de objetos: Objeto aparecedor, observado, conectado,  filosóficos e psicológicos, invenções tecnológicas e a própria ciência.  apreendido e concebido. Pg.32  Do mesmo modo concepção é responsável por falácias que nos conduzem a  A natureza da mente conceitual é clareza que carece totalmente de forma e  tem o poder de perceber objetos – ou seja – MC não difere das outras mentes,  condição da existência cíclica.  Todas as respostas emocionais internas de nossas experiências e fluxos de  o que diferencia das demais é a sua função.  Função: imputar nomes, fixar o objeto de meditação.  pensamentos são concepções.  Concepção necessita somente da condição dominante e imediata.  Todos os fenômenos são imputados pela mente conceitual.    A primeira vez que realizarmos a vacuidade será através de uma MC, se  Imagem Mental:   meditarmos continuamente realizaremos a vacuidade de forma direta, neste  O elemento mais característico de uma cognição conceitual é a sua  momento nossa realização conceitual se transformará em um percebedor  apreensão de um objeto através de uma mistura dele com uma imagem  direto yóguico.    mental.  Classificações e a forma como são geradas:  A cognição conceitual é incapaz de distinguir entre o objeto com sua  1) MC que percebem a imagem genérica pela força de ouvir, ler, 2) pela  objetividade existente e a sua própria imagem mental subjetivamente  força de contemplar 3) e pela força das marcas anteriores.  projetada. O exemplo de alguém que precisa de um óculos para enxergar e    não consegue distinguir a lente do objeto visto.   Divisão dupla de Corretas e não  corretas (não existem).  Por essa razão ela é chamada de enganosa  no modo como aparece.  Divisões:    Aplicação à prática do Darma:  Concepção baseada em uma imagem experimental e nominal:  Todos os objetos de meditação como Lamrim etc.  IE: depende de uma experiência direta e IN é somente na mente como    imaginar a cidade Roma sem nunca ter ido lá.  Concepções Termo‐conectadas e Fato‐conectadas: TC é uma concepção  Obs.: Geshe Rabten inclui dentro de Concepção e Percepção as divisões que  Geshe Kelsang Gyatso faz (Mentes conceituais e não conceituais e Percepção  que apreende um objeto conectando um termo a ela. Ex. uma mesa. FC  Mental e Percepção Sensorial)  apreende um objeto através de uma qualidade.  Concepção Verdadeira e Falsa: Por exemplo som é permanente (falso)  Lati Rinpoche diferencia em consciência mental e consciência sensorial, 

142


Consciência conceitual e não conceitual.     

Mentes não conceituais:  É um conhecedor para o qual o objeto aparece claramente, sem  se misturar  com uma imagem genérica. Embora nas Mentes não conceituais o objeto 

Lembrança e imaginação futuro‐orientada: Percepções são relacionadas  com objetos presentemente existentes, enquanto concepções além de serem  presentes podem também estarem no passado e no futuro (relembrar  experiências e planejar o futuro). No Darma continua lembrança e  aspiração.    Objetos – Capítulo Cinco    Conceito: é algo da natureza na qual torna‐se mais e mais claro enquanto  for analisado pela mente, algo que possa ser corretamente conhecido e  compreendido pela mente.  Objeto, existente, entidade conhecível, e fenômenos são sinônimos.    Divisões de objeto:  Quatrupla:  a) Objeto aparecido: é o objeto que aparece para uma cognição, para  concepções a imagem mental é considerada o objeto apareceido.  b)  Objeto Principal: objeto em que a mente demonstra  primeiramente seu interesse, um aspecto particular em um campo  inteiro, qualquer objeto apreendido é também principal. Objeto  aparecido e principal de uma mente conceitual são fenômenos  exclusivos.   c) Objeto concebido: Somente uma mente conceitual é dotada de um  objeto concebido.  d) Objeto referente: é o objeto base na qual a mente refere‐se ou faca‐ se enquanto apreende certos aspectos.  Objetos diretos e indiretos:   Objeto direto é o que aparece para uma cognição que o compreende, seu  aspecto principal aparece para a mente que o apreende.  Objeto Indireto:  é também um objeto principal mas que o seu aspecto não  aparece  Objetos Evidentes: pode ser percebido imediatamente pelos sentidos;  Objeto levemente oculto: pode ser inferido por raciocínio lógico.  Objetos extremamente ocultados: somente por crença e fé. Ex. um carma  específico.  Percepção: Percepção sensorial e Percepção mental:  PS refere‐se a toda cognição não‐conceitual que são dependentes do 

143


apareça claramente em algumas mentes conceituais com concentrações claras  e fortes seus objetos também aparecem claramente.    Classificação: Percepções Sensoriais e Percepções Mentais não conceituais:   Percepções Sensoriais: Todas as percepções sensoriais são mentes não  conceituais.  PM não conceituais: Percebedores diretos não conceituais (clarividência);  percebedores yóguicos e Percebedores mentais não‐conceituais que não são  nenhum deles. (ex. sonho); (Observe a potencialidade de análise do sonho  já  que aparece  claramente sem se misturar com uma imagem genérica)  Correta: objeto apreendido existe; Errônea: Objeto apreendido não existe (ex  do pano que parece uma cobra).  Geração:  As cinco PS são  geradas a partir do contínuo anterior e do encontro das suas  FS com o objeto sensorial correspondente.  PM não conceituais são geradas a partir do seu próprio contínuo e de sua  condição dominante, a faculdade mental.  Aplicação ao Darma:  Atualmente não podemos utilizar as PM não conceitual em nossas vidas  diárias, somente as PS.  

Do ponto de vista da condição dominante  particular, as mentes podem ser  divididas em dois tipos: Percepção sensorial e Percepção mental.  Percepções Mentais  Percepção mental é uma percepção que se desenvolve na dependência de sua  condição dominante particular , uma faculdade mental. 

originado em um órgão sensorial (condição dominante), uma forma  externa (condição‐objeto) e um estado cognitivo prévio (condição  imediata).  PM são similares às percepções sensoriais, a condição dominante passa a  ser o órgão mental.    Percepções verdadeiras e falsas:  PF: quando existe um defeito no órgão sensorial;  PV são divididas em :   (1) Percepção sensorial verdadeira: Uma cognição não‐enganosa, livre de  conceitualidade que surge para um órgão sensorial físico como sua  condição dominante. “Livre de conceitualidade” siginifica que é clara e  imediata.  (2)  Cognição  Perceptiva  e  Não  perceptiva:  Todas  as  experiências  cognitivas  existem  por  elas  mesmas.  Elas  possuem  uma  qualidade  de   autoconsciência  inerente.  Esta  qualidade  de  consciência  é  chamada  de  cognição  perceptiva*.    Cognição  perceptiva  são  exclusivamente  percepções.  Elas são, somente, estados da mente com seus objetos e, além do mais, elas  são, substancialmente identificadas com estes estados mentais. Eles jamais  observam  algum  fenômeno  externo.  Cognição  não  perceptiva,  por  outro  lado,  são  todas  as  cognições  que  apreendem,  seja  conceitualmente  ou  não  conceitualmente,  objetos  externos,    tanto  quanto  cognições  que  não  são  substancialmente  identificados  com  elas  próprias.    Esta  categoria  inclui  todos as percepções sensoriais e estados conceituais de mente tanto quanto  percepções  mentais  que  percebem  objetos  externos.  Cognição  não  perceptiva tem a definição característica de suportar o aspecto de um objeto  perceptível,  enquanto  que  cognição  perceptiva  tem  a  definição  característica de suportar o aspecto de uma percepção.   Lati Rinpoche: Os postuladores da sua existência afirmam que seu  funcionamento torna possível a memória. Ele não tem uma função ativa  introspectiva ou de auto‐conhecimento como seu nome sugere, desta  maneira é conduzido por um fator mental chamado introspeção, o qual  pode acompanhar uma consciência principal.    (2) Percepção mental verdadeira: Uma percepção mental verdadeira* é  definida como uma não enganosa, cognição não aperceptiva, livre de  conceitualidade, que surge na dependência do órgão mental com sua 

144


Faculdade mental é por definição uma mentalidade que atua, principalmente,  para produzir de modo direto o aspecto particular de uma percepção mental.  Sinônimo de Mente Conceitual.  Classificação dupla: Conceitual e não conceitual  (contradição com a  nomenclatura utilizada por Geshe Rabten)  Percepção mental e mente conceitual são sinônimos.  De acordo com os Sautrantikas, todos os percebedores diretos mentais, os  auto conhecedores e os percebedores diretos Yóguicos são percepções  mentais não conceituais.  Classificação tripla: Virtuosa, não virtuosa e neutra.   Percepção mental conceitual não virtuosa são as causas das delusões:  Toda a não virtude nasce das delusões, e as delusões nascem de quatro  causas:   raiz (auto‐agarramento), semente (potencial cármico) , objeto (contaminado),  atenção imprópria (pág.46). Ler  Nagarjuna disse que nossas mentes podem ser como inscrição em água, pedra  e areia.  As PMC virtuosas abrangem todas as etapas do caminho.  Todas as mentes virtuosas nascem de quatro causas: as marcas, o objeto (Três  Jias, Mestre e amigos espirituais), a atenção apropriada e as bênçãos  inspiradoras dos Budas.  Geração: uma percepção mental é gerada na dependência de duas condições:  a dominante (faculdade mental) e a imediata (uma percepção).  Aplicação a prática do Darma: são necessárias para meditar, contemplar. No  início nossa meditação é conceitual depois torna‐se não conceitual.  Percepções Sensoriais  É uma percepção que se desenvolve na dependência de uma condição  particular, uma faculdade sensorial que possui forma.  São sempre  neutras;  As principais Funções: Ver formas visuais, ouvir sons, etc.;  As Percepções sensoriais ajudam na prática do Darma, podemos ler  ensinamentos, ouvir, etc.  Se uma percepção sensorial se manifestar quando estivermos meditando  unifocadamente sobre um objeto, nossa concentração será imediatamente  desviada para outro objeto.  É como um espinho pontiagudo fosse espetado em nosso corpo.  Por essa razão, muitos meditadores que enfatizam a aquisição do tranqüilo‐ permanecer desenvolvem renúncia pelas percepções sensoriais. 

condição dominante. Ex.  a consciência elevada do estado mental de uma  outra pessoa. é somente possível para alguém que atingiu uma  tranqüilidade mental e então procede para desenvolver o principio  fundamental desta habilidade.     (3)  Cognição  Perceptiva:  é  definida  como  uma  cognição  não  enganosa,  livre  de  conceitualidade,  que  suporta  o  aspecto  de  uma  apreensão.  Na  verdade  toda    cognição  aperceptiva  são  não  enganosa  e  não  conceitual  e,  conseqüentemente,  estas  características    são  aplicáveis  a  qualquer  estado  aperceptivo da mente.      (4) Percepção contemplativa verdadeira. É definida como uma cognição  não aperceptiva na mente de um Arya que é não enganosa e livre de  conceitualidade, e na qual surge na dependência de uma concentração  unifocada de uma mente tranqüila e um insight penetrativo como sua  condição dominante. 

145


Pág. 42 As percepções sensoriais de outros reinos.  Classificação em 5 tipos – 5 sentidos.   As faculdades sensoriais são “um poder energia interior” que reside no exato  centro de cada órgão sensorial. O Caminho para Iluminação fala em Cinco  ramos do vento, sustenta cada função pág. 197  Cap. Morte e Renascimento.  Lati Rinpoche chama de  matéria clara.  Geração (ambas): Condição dominante (comum,‐ ex. a luz ‐  e particular – são  características individuais ou problemas) e imediata (contínuo anterior ou  faculdade mental).  Aplicação a prática do Darma: Ouvir, ler o Darma.          Entender a Mente ‐   Conhecedores Válidos e não válidos   Definição: é um conhecedor  não‐enganoso ou completamente confiável em  relação ao objeto conectado.    O termo pode ser aplicado de três maneiras:  1) Professores válidos, é definido por Darmakirt no segundo capítulo do  Comentário à Cognição válida como aquele que possui conhecimento  inequívoco e completo de:  a) todos os objetos a serem abandonados;  b) dos métodos para abandoná‐los;  c) dos objetos a serem praticados;   d) dos métodos para praticá‐los;   a) Disposição para revelar tudo isso aos outros, motivado por compaixão.  2) Ensinamentos válidos: é por definição, uma instrução que explica sem erro  os quatro itens acima.  3) Conhecedores válidos: a prática do Darma consiste essencialmente em  obter conhecedores válidos de todos os objetos de meditação das etapas do  caminho e, dessa maneira, erradicar as percepções errôneas.  Precisamos de CV que realizam os objetos a serem abandonados e dos que  realizam os objetos a serem praticados.    Crenças corretas, percebedores não determinadores, dúvida e percepções  errôneas são conhecedores enganosos. 

A Mente e suas Funções  Mente Válida: Capítulo 3  Etmologia e Definição   Em Sânscrito o termo para mente válida é prãmãna.  Pra significa inicial, fresca, principal ou melhor;  Mana significa consciência ou cognição.    Toda mente válida possui três características: Inicial, infalível e  cognoscente..    Inicial: ato cognitivo inicial sem qualquer série de cognições co‐ relacionadas, isto elimina as cognições subseqüentes.  Infalibilidade: uma mente válida compreende seu objeto verdadeiramente,  é capaz de determinar corretamente o objeto e eliminar concepções errôneas  em relação a ele.  Cognição: toda mente válida é uma cognição, isto é para eliminar a idéia  errônea de que uma mente válida não consciente possa existir.    Divisão etmológica de válida: (Capítulo 3 ítem V)    O termo válido (prãmãna) é usado também para expressar pessoas válidas e fala  válida.  Pessoa válida: Um Buda (cap 2 do Comentário de uma Mente Válida de 

146


Crenças corretas não penetram seu objeto com profundidade suficiente para  eliminar todos os enganos ao seu respeito, deixando‐nos vulneráveis a  dúvidas e percepções errôneas.  No momento, a maior parte da nossa compreensão do Darma é constituída de  crenças corretas.  Devemos distinguir Crenças corretas de Conhecedores válidos, caso contrário  podemos desenvolver presunção.    Função dos conhecedores válidos: A função principal é agir como oponentes  às percepções errôneas.     Classificação dos Conhecedores válidos:  1) Conhecedores válidos diretos: realizam objetos manifestos (independe  de razões lógicas); ex. percebedores diretos sensoriais, mentais e  yóguicos  2) Conhecedores válidos inferidos: realizam objetos ocultos (depende de  razões lógicas corretas), existem três, por meio de um fato, crença e  costume.     

Darmakirt); Fala válida: é aquela no qual o sentido comunicado é não enganoso e de  benefício para os outros que estão se esforçando para atingir a liberação;    Divisão não contemplada no livro Entender a Mente  Mentes Válidas auto‐determinadoras e Não auto‐determinadoras (Capítulo  3 ítem IV)    MV auto‐determinadoras significa que além de serem válidas, ela é capaz,  de conduzir para uma certeza pela sua própria força. Ela não existiria, caso o  componente essencial fosse retirado do seu campo de referência. Ex. uma  figura muito familiar com os nossos pais.  Divisão em cinco tipos:  i percepção sensorial válida de uma função evidente. Um exemplo de tal  percepção seria a apreensão sensorial que fogo tem a função de queimar  madeira.  ii Percepção sensorial de um objeto familiar. Através da força da  familiaridade com um objeto, certeza de como o que ele é corre rápido e  facilmente.  iii., iv, v Estas são a cognição perceptiva válida, percepção contemplativa  válida, e respectivamente uma inferência válida. Além do mais, devemos  compreender, agora, que elas são exclusivamente estados mentais  autodeterminadores. Por isso uma mente válida autodeterminadora é uma  na qual o objeto compreendido é o mesmo do componente essencial do qual  é compreendido.    MV Não auto‐determinadora é aquela que não tem a capacidade para  conduzir a uma certeza pela sua própria força., ela depende de  da força de  uma outra cognição a fim de conduzir para a certeza. Ex. ao ouvir um reino  no motor do caso, você precisa de uma nova cognição para saber a  verdadeira causa deste ruído.  Divisão em seis tipos:  i Uma mente válida para qual o que aparece é autodeterminador  mas  a real  natureza do objeto é não autodeterminadora. Um exemplo disto seria uma  percepção verdadeira que apreende uma mancha longínqua  de aparência  vermelha, pela distância está incerto se é ou não a aparência de um fogo,  quando de fato  é.  ii  Uma mente válida para qual a característica universal do objeto é 

147


Conhecedores não válidos: é um conhecedor enganoso em relação ao seu  objeto.  Existem dois tipos:  Não conceituais: percepções sensoriais errôneas, percebedores sensoriais não  determinadores  Conceituais: Percepções mentais errôneas (delusões); Crenças corretas e  dúvidas.   

autodeterminador  mas  a característica particular é não  autodeterminadora.  Um exemplo seria a percepção sensorial verdadeira  que apreende a árvore enquanto é incerto se ele é ou não uma árvore de  sândalo, quando de fato ela é.  iii  Uma cognição que torna‐se uma mente válida não autodeterminadora  apesar do objeto ter aparecido. Um exemplo deste seria a percepção  sensorial verdadeira de uma mancha de aparência azul que conduz para  uma dúvida se foi vista tal mancha de aparência azul ou não.  iv Percepção verdadeira inicial. Um exemplo seria a percepção sensorial da  cor vermelha de  uma rosa na mente de alguém que jamais tenha visto uma  rosa antes.  v Percepção verdadeira indireta. Um exemplo deste seria uma percepção  sensorial de um som na mente de uma pessoa que é fortemente atraída por  uma forma visual maravilhosa.  vi Percepção verdadeira que é uma fonte de engano.Um exemplo disto seria  uma apreensão sensorial verdadeira do aspecto de uma miragem que  diretamente provoca o erro que a miragem é água.        Cognições Errôneas (Capítulo Quatro, item V)  Definição: Uma cognição que aprende seu objeto de uma maneira errônea.  Divisão: Percepções e Concepções errôneas  Percepções Errôneas: Uma cognição não conceitual que aprende seu objeto  de uma maneira errônea. Divisão: Percepção sensorial e mental Errônea.   Percepções sensoriais errôneas:  Divisão de PSE: de acordo com o local onde o engano encontra sua fonte.  a) PS para qual a fonte de engano existe com o objeto (ex. girar um  incenso em brasa);  b) PS para qual a fonte de engano é o órgão sensorial (ex. icterícia);  c) PS para qual a fonte de engano não existe (carro em movimento);  d) PS para qual a fonte do engano existe como condição imediata  (mente tomada de raiva).  Percepção mental errônea: pensar que realmente  que as pessoas em nosso  sonho estavam lá realmente. A presença é apenas o resultado de uma  excitação mental.  Concepção Errônea: é uma concepção falsa que não está de acordo com a  realidade. 

148


Entender a Mente ‐ Divisão Sétupla  Esta divisão  sétupla abrange todas as mentes;  A finalidade de estudá‐las é aprendermos a distinguir entre mentes  válidas e não válidas, e conhecer as etapas que devem ser seguidas para  atingirmos realizações de Darma.  Percebedores Diretos:  É um conhecedor que apreende um objeto manifesto. São mentes não  conceituais que percebem seus objetos diretamente sem se apoiarem em  razões.  Classificação:   Percebedores Diretos Sensoriais: é um percebedor direto gerado na  dependência de sua condição dominante particular, uma faculdade  sensorial que possui forma.  Divisão dos PDS:   1) em cinco sentidos;  2) em três: PDS que são conhecedores válidos, mas não  reconhecedores (ex. qualquer percepção sensorial); PDS que são  ambos conhecedores válidos e reconhecedores, (ex. o segundo  momento de uma percepção sensorial) PDS que são  percebedores não determinadores, (ex. o olhar na multidão)   Geração: Todos os fenômenos estão incluídos nas doze fontes (seis  objetos fontes e as seis faculdades fonte) e nos dezoito elementos (doze  fontes mais os seus efeitos, as seis consciências).  O desenvolvimento de um  PDS  pressupõe o encontro de uma faculdade  sensorial não defectiva com um objeto sensorial não enganoso.  Aplicação ao Darma: ao ouvir sons e ver formas como atraentes,  repulsivos ou neutro devemos evitar apego, aversão, raiva, etc.  “contenção das portas sensoriais”.    Percebedores Diretos Mentais –   Divisão em três:   PDM induzidos por PDS: Após ver uma cor pensamos isto é azul;  PDM induzidos por meditação: Experiências profundas de meditação;  PDM que não induzidos pelos PDS nem por meditação: uma simples  lembrança.  Geração dos PDM: por olhar, ver, etc, por meditação lembrar de um  objeto sem recorrer análise.  Aplicação ao Darma: Para obter realizações do Darma precisamos 

A Mente e suas Funções   

Percepção Válida:   È uma cognição fresca e infalível que é livre de conceitualidade.  Divisão:  Percepção sensorial válida: é definida como uma cognição fresca e infalível,  livre de conceitualidade, que surge na dependência de um órgão sensorial  físico (cinco sentidos);  Percepção mental válida:  é definida como uma cognição não peceptiva (não  apreende um objeto externo), fresca e infalível, livre de conceitualidade que  surge na dependência do órgão mental como condição dominante.  Cognição perceptiva válida: é definida como uma percepção fresca,  infalível, possuindo o aspecto de uma apreensão e sendo livre de  conceitualidade, pode ser percepção sensorial ou mental.  Percepção contemplativa: é definida como uma cognição não perceptiva,  fresca e infalível na mente de um Arya, que é livre de conceitualidade e  surge na dependência da concentração unifocada da tranqüilidade mental e  do insight penetrativo como condição dominante. 

149


desenvolver PDM induzidos por meditação.    PDM  Ióguicos – União do tranqüilo permanecer e visão superior;  Divisão Dupla: No continuo dos Hinayanistas, dos Mahayanistas;  Divisão Quadrúpla: Nos caminhos da preparação; visão; meditação; não‐ mais‐aprender.  Divisão dupla: PDI que realizam a natureza convencional e PDI que  realizam a natureza última.  Geração:  Ouvir, contemplar e meditar. Pg 58.  Aplicação ao Darma: é essencial pois precisamos deles para realizar a  vacuidade, (ajudar os outros)    PD auto‐conhecedor: .De acordo com a escola sautrantika e chittamatra  existe um quarto tipo de PD. Segundo tais escolas todas as mentes têm  duas partes: uma que conhece a si própria e uma que conhece os outros.  A primeira são auto‐conhecedores e não dependem de objetos e a  segunda são conhecedores de outros e dependem de um objeto.  Conhecedores Inferidos  È uma cognição inteiramente confiável, cujo objeto é realizado na  dependência direta de uma razão conclusiva.    Três tipos de objetos: os manifestos (sons e formas), os ligeiramente  ocultos (impermanência e vacuidade, incialmente só podem ser  conhecidos através de razões conclusivas) e os profundamente ocultos (o  funcionamento exato da lei do carma que só pode ser visto por um Buda).  São muito importantes na nossa prática do Darma, pois muitos tópicos  são ocultos. Com a prática constante de meditação poderemos ver estes  objetos diretamente através de PDI e então se tornará manifesto.  Conhecedores inferidos são muito comum no dia a dia.  Sempre que compreendemos algo através razões conclusivas, estamos  empregando uma forma especial de raciocínio chamada Silogismo (dic.:  Lógica: Argumento que consiste em três preposições: premissa maior,  premissa menor e conclusão. Admitida a coerência das premissas, a  conclusão (probandum – prova) se infere da maior por intermédio da  menor)  Silogismo tem três partes: sujeito, predicação e razão.  Ex. “Existe fogo na casa porque há fumaça” Sujeito é “casa”, predicado é  “existe fogo” e a razão é “porque há fumaça” 

Concepção válida – Inferência    Inferência válida é uma concepção congnitiva  fresca e infalível que surge  ma dependência direta de raciocínio perfeito como sua base.  O termo sânscrito para inferência é anumâna: Anu significa subseqüente e  mâna significa cognição.     a)Um raciocínio perfeito: inferência é especialmente importante na  compreensão de coisas as quais não são evidentes à percepção. Ex.  impermanência, vacuidade, etc.  A compreensão destes tópicos precisa ser desenvolvida através de um  processo de raciocínio exato.  Ex. Som é impermanente, o raciocínio deve ser aplicado ao sujeito e  congruente com o predicado. Sujeito é o som, o predicado ou fator a ser  comprovado é impermanente e o raciocínio é que por ser criado ele é  impermanente.  b) Cognições estabelecidas: É como processo cognitivo faz o  estabelecimento da aplicabilidade para o sujeito e a congruência com o  predicado assumirem uma posição.   Para estabelecer uma cognição como uma inferência válida duas outras  cognições são necessárias. A primeira é estabelecer o raciocínio que por ser 

150


A combinação entre o sujeito e o predicado é chamado de probandum, ou  conclusão. Nesse caso: “Existe fogo na casa”.    Razão conclusiva é um argumento capaz de demonstrar um probandum  (prova) de maneira incontroversa –  possui três propriedades:  propriedade do sujeito (a razão tem que ser aplicável ao sujeito),  Implicação direta: (razão tem que estar implicada ou subentendida) e  Implicação inversa: (se o predica não se aplicar , a razão também não se  aplicará, se não houver fogo não haverá fumaça)    Dois tipos de relações e dois tipos de razões: natural (cachorro e animal)  e causal (há fogo na casa porque há fumaça).  Há uma relação natural entre reconhecedores e conhecedores válidos.  Aplicação  do silogismo à prática do Darma: Ex. para realizar as  dezesseis características das quatro nobres verdades, devemos primeiro  gerar conhecedores inferidos. Ex. “Nosso corpo é um verdadeiro  sofrimento” vamos meditar no silogismo: “Meu corpo é um verdadeiro  sofrimento porque é um agregado contaminado”.    Classificação dos CI:   CI pelo poder de um fato: realiza objetos ligeiramente ocultos (o corpo é  impermanente porque se desintegra);   CI por meio de crença: realiza objetos profundamente ocultos (lei do  carma) precisamos confiar nas escrituras;   CI por meio do costume (convenção, a roda branca no céu é a Lua)  Geração dos CI:  Divisão Dupla: CI que surge de ouvir e CI que surge da contemplação.  Em ambos os casos (pela audição e contemplação), para se caracterizar  como um CI é necessários realizar as três propriedades de uma razão  conclusiva. Pg. 68.  Aplicação ao Darma:  Objetos de meditação são ligeira ou profundamente ocultos, por isso são  necessários CI.  CI são sementes de PD yóguicos. (metáfora com uma plantação);    Reconhecedores  Reconhecedor é um conhecedor que compreende o que já havia sido  compreendido pela força de um conhecedor válido anterior. 

impermanente ele é criado., é por meio desta compreensão que a  aplicabilidade do raciocínio para esta comprovação compreende qualquer  objeto criado como impermanente. A segunda é que estabelece como  impermanente pelo raciocínio de ser criado.  c) Três tipos de inferência:  1) Inferência direta: a impermanência do nosso corpo devido a morte, ou a  impermanência do som devidamente comprovado pelo uso de raciocínio.  2) Inferência convencional: o que é convenção social, o nome lua, etc.    3)Inferência por crença: É algo que apesar de ocultado das nossas  percepções e do raciocínio direto, pode suportar um exame critico e não  serem apoiadas em contradição.  Ex. a lei específica do carma que a riqueza é  gerada da generosidade.    A necessidade da inferência:    È extremamente importante, pois ela nos habilita a compreender aquelas  coisas que são ocultadas da nossa consciência perceptiva. Aqui a  investigação científica tem em comum com o Darma o fato que a  compreensão inicial devem ser primeiro atingida  através de uma pesquisa  analítica baseada em um raciocínio perfeito. 

Cognição subseqüente:    É uma compreensão (apreensão) de um objeto já compreendido. Isto 

151


A função dos reconhecedores é manter o continuum de uma  compreensão obtida inicialmente por um conhecedor válido.  Classificação:  Não conceituais: Reconhecedores que são percebedores diretos  sensoriais, percebedores mentais não conceituais, e Yóguicos.  Conceituais: Dois tipos, induzidos por percebedores diretos (relembrar  algo percebido por clarividência) e por conhecedores inferidos.  Geração de reconhecedores:   È preciso sustentar continuamente, sem esquecimentos, todo  conhecimento perfeito dos temas do Darma que tenhamos obtido por  meio de estudo sincero; para isso, devemos gerar e manter  reconhecedores, o que requer a manutenção da contínua lembrança.  Manter a contínua lembrança é o melhor método para aperfeiçoarmos  nosso conhecimento e experiência de Darma, e é a raiz de todas as  práticas de meditação.  Aplicação à prática do Darma:  Se contemplarmos sinceramente as razões conclusivas fornecidas em  comentários autênticos vamos gerar um conhecedor inferido, ao meditar  neste conhecedor inferido, cuja natureza é um reconhecedor vamos  atingir a realização última deste objeto.  No caso de objetos virtuosos, a prática de reconhecedores é da maior  importância, porque é por seu intermédio que mantemos e aumentamos  todas as nossas experiências espirituais.  Crenças corretas  É um conhecedor não válido que realiza um objeto concebido.  Classificação:  CC que não dependem de razões – uma CC na impermanência que se  desenvolve só de ouvir as instruções sobre este tema.  CC que dependem de razões – uma CC que se desenvolve a partir da  contemplação de premissas corretas ou incorretas ilustra o segundo tipo.    Se contemplarmos que “meu corpo é impermanente porque vai  finalmente morrer”, poderemos desenvolver um entendimento  rudimentar de que nosso corpo é impermanente. Este conhecimento é  uma crença correta desenvolvida a partir da contemplação de uma  premissa correta. Tal crença correta poderá se transformar mais tarde em  um conhecedor inferido que realiza perfeitamente a impermanência do  corpo. 

significa que ela é uma cognição que compreende seu objeto somente através  da força de uma compreensão válida prévia do mesmo objeto.  Por essa razão, uma cognição subseqüente é sempre induzida por uma  mente válida. Exemplo do carro senso socorrido, guinchado.  Classificação:  Percepção Subseqüente:  são percepções verdadeiras que são induzidas por  uma percepção válida. Quatro tipos: Percepções sensoriais subseqüentes,  percepções mentais subseqüentes, apercepções subseqüentes, e percepções  contemplativas subseqüentes. Todas elas são a segunda e seguinte ação da  percepção que sucede a percepção válida inicial.  A mente onisciente de um Buda é sempre uma percepção válida e jamais  subseqüente.  Concepção Subseqüente:  Uma concepção subseqüente de um objeto pode  ser induzida de duas diferentes maneiras: por uma percepção válida ou por  uma inferência válida. Uma Concepção Subseqüente induzida por uma  percepção válida é uma determinação ou firme lembrança de um objeto  inicialmente por um dos quatro tipos de percepção válida. Uma CS induzida  por uma inferência válida é uma compreensão conceitual de alguma coisa  que foi compreendida inicialmente  por uma inferência válida. 

Crença  correta:  Uma crença correta é definida como uma cognição concebida em  conformidade com a realidade que concebe seu objeto de uma maneira  falível.  Ela é uma concepção falível uma vez que é incapaz de induzir  acertadamente ou eliminar qualquer concepção errônea sobre seu objeto.  Mas ela é uma concepção conceitual verdadeira uma vez que seu objeto  principal é existente, todavia não é nem uma cognição válida ou  subseqüente de um lado, nem uma cognição errônea de outro.  Apesar de uma CC não ser uma compreensão genuína do seu objeto ela,  contudo “compreende” seu objeto meramente por meio de uma imagem  mental nominal ou experimental.   Imagem nominal é quando acreditamos em algo que está sendo dito por  alguém. Experimental é quando é concebida por uma experiência própria.   

152


Geração de Crenças corretas:  De modo geral a mente que se limita a acreditar em algo que existe é uma  crença correta.. É fácil gerar  CC, uma vez que elas podem ser  desenvolvidas por meio de ouvir e contemplar.  Há outros tipos de CC que podem ser geradas depois de ermos recebido  uma iniciação tântrica. Nos ensinamentos de tantra, Buda explica uma  prática especial de imaginação correta, na qual nos vemos como uma  deidade e percebemos todas as coisas como completamente puras, são  chamadas crenças corretas especiais.  Aplicação das CC à prática do Darma:  Todos os objetos de conhecimento são objetos de CC.  Ouvindo e contemplando os ensinamentos, primeiro obteremos um  entendimento aproximado do seu significado, esta compreensão terá a  natureza de uma CC. 

Percebedores não Determinadores  Percebedor não determinador é um conhecedor para o qual um  fenômeno, seu objeto conectado, parece claramente, mas não é  identificado.  Ex. um olhar na multidão, um bebê recém nascido.  Eles apreendem seu objeto conectado, mas não com a força necessária  para realizá‐lo.    Classificação:  PDS não determinador: Ex. uma percepção auditiva que ocorre no  mesmo momento em que estamos olhando para uma forma atraente.  PDM não determinador: Ao ouvir ensinamentos, nossa atenção é  desviada para um PDS não determinador, tal PDS induzirá à geração de  um PDM não determinadores.    Obs. Não existem PD yóguicos não determinadores..    Geração:  Um Percebedor não determinador se desenvolve quando as condições  para que um fenômeno apareça estão reunidas, mas as condições para  que sua natureza seja realizada não. 

Crença correta é importante porque ela nos dá uma base firme na qual  estabelecemos um raciocínio perfeito para o que acreditamos e para, então,  produzir uma compreensão inferencial dela.    Cinco tipos de Crença correta:  Crença correta irracional: Afirmação de algo injustificável. Ex. Som é  permanente;  CC baseada em um raciocínio contraditório: A afirmação que som é  impermanente porque ele é um fenômeno não efetivo.  CC baseada em um raciocínio inconcluso: Acreditar que som é  impermanente por ele é um fenômeno existente.  CC baseada em um raciocínio irrelevante: Acreditar que com é  impermanente porque é percebido pelo sentido visual. Aqui a congruência  com o predicado é estabelecida (qualquer objeto da percepção visual é  impermanente) mas não é aplicável ao sujeito.  CC baseada em um raciocínio perfeito mas não estabelecido: som é  impermanente porque é criado. Pg. 48.  Percepção desatenta  Uma percepção desatenta é uma percepção verdadeira que não compreende   seu objeto por não ter prestado suficiente atenção nele  É definido como uma percepção pela qual o fenômeno que é seu objeto  principal aparece  mas o qual é incapaz de induzir a uma certeza dele.    Percepções contemplativas sempre acertam qualquer objeto que aparecem  para elas, elas jamais podem ser desatentas. 

153


Cinco tipos principais:  1) devido as condições externas a mente é incapaz de determinar a  natureza do objeto. Ex. pouca luz.  2) O segundo está relacionado a natureza ou ao poder da mente,  como no processo de morte ou sono, utilização de álcool e outras  drogas.  3) Quando tomamos a decisão de ignorar certos estímulos ou  quando aprendemos a agir dessa maneira. Ex. ruído do trânsito.  4) O estímulo também é ignorado mas agora por causa da distração  de delusões. Ex. raiva.  5) Quando não entendemos a natureza do objeto: Ex. em um pais ou  lugar ao visitar uma feira não reconhecemos muitas frutas.    Aplicação ao Darma:  Devemos praticar para desenvolver percebedores não determinadores em  relação aos objetos que causam atração ou repulsão.  Ao praticar percebedores não determinadores em relação as delusões  estamos procurando conter as portas das faculdades sensoriais, isto é  muito importante para a obtenção do tranqüilo permanecer, de modo que  possamos prestar plena atenção no objeto interior sobre o qual estamos  meditando.    Dúvidas  Dúvida é um fator mental que oscila a respeito de seu objeto.    Quando uma mente primária está associada com dúvida, a própria mente  primária e todos os seus fatores, tais como sensação, discriminação e  intenção , também assumem a qualidade bifocal da dúvida.  Firme fé e confiança são pré‐requisitos essenciais para uma  prática  espiritual bem sucedida.   Classificação:  1) Dúvidas deludidas: Causam perturbações em nossa mente.  2) Dúvidas não deludidas: Surgem durante o estudo do Darma ao  não entendermos ainda o objeto de estudo.  3) Dúvidas que tendem a verdade;  4) Dúvidas que tendem a se afastar da verdade;  5) Dúvidas equilibradas;  6) Dúvidas virtuosas: ao estudarmos temas profundos como 

Indecisão   Indecisão pe definida como um fator mental que por sua própria força vacila  entre duas alternativas em relação ao seu objeto.    A) Indecisão que tende para uma conclusão correta: quando apoiados  em pensamentos realísticos e contemplação, será, eventualmente  possível, descartar sua característica oscilativa e poderá conduzir  para uma crença correta; com mais investigação e análise poderá,  ainda, conduzir para uma inferência válida capaz de induzir a mais  concepções subseqüentes;  B) Indecisão que tende para uma conclusão incorreta;  C) Indecisão equilibrada; 

154


vacuidade; 7) Dúvidas não virtuosas; analisar a lei carma procurando mostrar a  sua não existência;  8) Dúvidas neutras. (motivação neutra) o que comemos no café?    Geração de dúvidas:  As dúvidas, em geral, surgem devido à ignorância ou as suas marcas.  Percebedores não determinadores, crenças corretas e percepções errôneas  podem levar a duvidas.  As causas mais comuns de dúvidas deludidas são as visões errôneas ou  as marcas dessas visões.  Outras causas de dúvidas são as investigações e análise incorretas,  pessoas que tem formação científica podem achar difícil acreditar em  objetos ocultos, uma vez que não podem ser comprovados por  investigação científica.  Dúvidas virtuosas são, em geral, causadas por razões opostas.    Aplicação ao Darma:   Enquanto tivermos dúvidas deludidas e hesitações, nossa prática não  será muito efetiva.  Para superar dúvidas sobre nossa prática espiritual, devemos  compreendê‐la perfeitamente através do estudo, discussão e confiança em  um Guia espiritual qualificado.  Percepções Errôneas  Percepção errônea é um conhecedor que está equivocado a respeito de  seu objeto conectado.    Uma percepção equivocada engana‐se  a respeito do objeto aparecedor  enquanto que uma percepção errônea engana‐se a respeito do seu objeto  conectado ou de seu objeto concebido. (para diferenciar percepção de  concepção).    Toda percepção errônea é forçosamente uma percepção equivocada, , mas  nem toda percepção equivocada é necessariamente uma percepção  errônea.    Para ser uma percepção errônea é preciso que a mente esteja equivocada  sobre seu objeto conectado ou sobre seu objeto concebido. 

Cognições Errôneas    É uma cognição que aprende seu objeto de uma maneira errônea.    A) Percepções Errôneas, é definida como uma cognição não conceitual  que apreende seu objeto de uma maneira errônea, são dividas em  percepção sensória e mental errônea.  1) Percepção sensorial errônea: De acordo com o lugar que o engano se  encontra, ela é dividida em:  1.1) Percepção sensorial para qual a fonte de engano existe com o objeto;  1.2) Percepção sensorial para qual a fonte existe na base da percepção, o  órgão sensorial;  1.3) Percepção sensorial par a qual a fonte de engano existe na situação;  1.4) Percepção sensorial para a qual a fonte de engano existe como  condição imediata. 

155


Divisão: 1) Percepções errôneas não conceituais:    1.1 ) Percepções sensoriais errôneas: Uma Percepção sensorial  errônea pode estar equivocada de sete formas: acerca do seu feitio  (vê uma cobra de brinquedo como verdadeira) com a cor,  atividade (carro ao lado parece se movimentar), número, tempo,  medida.  1.2 Percepções mentais não conceituais errônea : apreende aspectos  do sonho como real, uma montanha, dinheiro, etc.    2) Percepções errôneas conceituais:  2.1) Percepções errôneas intelectualmente formadas: visões filosóficas  errôneas ou premissas errôneas; Ex. da coleção transitória pagina 229  e 230.  2.2) Percepções errôneas inatas: marcas mentais trazidas de vidas  passadas. Ex. auto agarramento inato e demais delusões.    Geração:   Causas últimas (ignorância) e temporárias (vide divisão abaixo)    Causas temporárias para percepção sensorial errôneas:    a) uma qualidade enganosa do objeto (são muito parecidos)  b) Uma situação enganosa ( certas situações como no escuro)  c) Uma faculdade sensorial defectiva;  d) Um defeito na percepção antecedente; (quando estamos muito  perturbados)     Causas temporárias para percepção mental errôneas    a) Induzidas por percepções sensoriais errôneas (tomar um pano  por uma cobra)  b) Concentração interior dos ventos durante o sono ou a morte:  (durante o sono damos as coisas como reais e durante a morte as  percepções sensoriais vão se diluindo e a mente vai se  sutilizando. E por isso nossa contínua lembrança vai se  deteriorando e não somos capazes de usar a mente 

2) Percepção mental errônea: exemplo da percepção de um amigo em  um sonho.  B) Concepções errôneas: uma concepção falsa ou que não está de  acordo com a realidade.     

156


adequadamente. O poder da continua lembrança dos Bodhisatvas  não diminui quando sonham, possibilitando praticar durante o  sonho.)   c) Das delusões inatas e das intelectualmente formadas.Marcas  mentais, ensinamentos enganosos e nossas próprio raciocínio)  d) Raciocínios ilógicos.    Aplicação das Percepções errôneas à prática do Darma    A prática do Darma tem duas finalidades principais: eliminar percepções  errôneas e cultivar percepções corretas. A causa de todo sofrimento é a  percepção errônea.    Ler pagina 100      

157

Introdução a Mente  

Este texto aborda a visão psicológica budista através da descrição dos 52 fatores mentais

Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you