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A Vitória Sobre os Amalequitas Êxodo 17:8-16 Pr. Jorge Luiz Patrocinio, Ph. D. Introdução Em Dezembro de 1995 eu estava deixando o Seminário em Belo Horizonte e retornando para o meu Presbitério. Foi um momento difícil porque nos últimos três anos eu havia iniciado uma Igreja na casa de um presbítero que posteriormente viria me adotar como seu filho na fé. A Igreja que eu e aquele presbítero tínhamos começado com 18 pessoas na sala de sua residência, era na verdade um grupo que tinha sido excluído de outra igreja e que agora estava sem rumo. Eles recorreram ao Presbitério deles que demorou muito para julgar o pedido, mas que por vim acabaram reconhecendo a ilegitimidade da exclusão. Mas no final daquele ano eu precisava retornar para o meu Presbitério e naquele momento a igreja já contava com 140 pessoas e um local próprio de culto. Por três anos aquele povo aprendeu a me chamar e reconhecer como pastor. E agora eu precisava deixá-los para retornar para minha região. Todos diziam: “Fica conosco, pastor.” Mas eu não podia. Eu precisava ser fiel àqueles que me enviaram. Lembro-me ainda hoje da última mensagem que preguei a Igreja: “Eis que ponho diante de ti uma porta aberta...” Eu disse a eles: Esta Igreja foi aberta por Deus, mas há uma única advertência que vocês precisam observar. Eu disse: “Vocês não devem ser preocupar com as resistências de fora da igreja, mas com as lutas internas. Mantenham-se unidos e Deus lhes dará forças para vencer as dificuldades.”

Texto A Igreja cristã luta contra essas duas frentes: os confrontos vindo de fora e os problemas que nascem internamente. O povo peregrino de Israel precisava aprender essa lição: Eles precisavam aprender que sua sobrevivência estava ameaçada não com os problemas que vinham de fora- falta de água, comida e inimigos- mas com a contenda que se levantava entre eles a cada obstáculo da viagem.


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Aquela declaração: “Quem me dera estivéssemos no Egito agora comendo das panelas de carne” se tornou uma ladainha decorada e ensaiada por todos que era repetida a cada obstáculo como um disco de vinil arranhado onde a agulha não consegue se mover para a próxima estrofe de uma música. O texto que lemos relata a primeira das muitas guerras que o povo de Deus enfrentaria ao longo de sua trajetória. Logo depois de terem bebido água da rocha de Refidim, o povo de Israel enfrentaria um momento crucial. Moisés encerrou aquele episódio da água (Versículo 7) lembrando ao povo: “...está o Senhor no meio de nós ou não?” Mas antes que pudessem sair da região se depararam com um exército que vinha contra eles. Literalmente do nada, e sem nenhum motivo aparente, Amaleque se levantou contra o povo de Israel, testando assim o que Moisés acabara de declarar de que o Senhor estava no meio do povo. É óbvio que há uma justificativa plausível pelo ataque. Os Amalequitas ficam sabendo que em Refidim há água e eles estão dispostos a tomar aquele lugar de volta. Não sabiam eles que a água não era inerente a Refidim, mas vinha do Senhor que estava no meio do Seu povo. O fato é que eles se arregimentaram contra Israel e pela primeira vez o “exército” de Israel vai ser testado. Coloco a palavra exército entre aspas porque é quase que hilário reconhecermos aquele povo que havia saído às pressas a alguns meses do Egito não tendo tempo nem mesmo de levedar o pão, como um exército. Mas Deus o chama de exército do Senhor porque o Anjo do Senhor está à frente daquele povo. Mais uma vez um milagre acontecerá. Josué e seus poucos homens não teriam a mínima chance contra os Amalequitas se não fosse à intervenção direta de Deus. Aplicação


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Meus irmãos, o apóstolo Paulo diz que “... a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes.” (Efésios 6:12) Logo, estamos numa luta. Não estamos em recreio, ou férias, ou num parque de diversão: A Igreja caminha em fé num mundo tenebroso, enquanto enfrenta as resistências contra o povo de Deus. E o apostolo Paulo, tal qual Moisés, sensível a esta luta nos adverte: “...tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, depois de terdes vencido tudo, permanecer inabaláveis.” Efésios 6:13 Você tem tomado a armadura de Deus? (Efésios 6:13-18) ... cingindo-se com a verdade ... vestindo-se da couraça da justiça ... calçando os pés com o Evangelho da paz ... embraçando o escudo da fé ... tomando o capacete da salvação ... e a espada do Espírito que é a Palavra de Deus. A estratégia de Amaleque é a mesma ainda hoje contra a Igreja. Ele se aproveitou do momento de fragilidade do povo. Em Deuteronômio 25:17-19 Moisés clarifica isso: “Lembra-te do que te fez Amaleque no caminho, quando saías do Egito; como te veio ao encontro no caminho e te atacou na retaguarda todos os desfalecidos que iam após ti, quando estavas abatido e afadigado; e não temeu a Deus.” É preciso ouvir o apóstolo João (1 Jo. 4:4) “... maior é o que está em vós do que o que está no mundo.” Nesta noite eu gostaria de meditar com os irmãos sobre: A Vitória sobre os Amalequitas e pontuar algumas atitudes do povo de Deus que nós também devemos ter nas nossas lutas da vida:

1) Planejamento Estratégico Vr. 9 “Com isso, ordenou Moisés a Josué: Escolhe-nos homens, e sai, e peleja contra Amaleque; amanhã, estarei eu no cimo do outeiro, e o bordão de Deus estará na minha mão.”


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Imediatamente Moisés percebe o perigo diante dele e cria uma estratégia de guerra. Ele faz um reconhecimento da situação e vê que seu exército não possui o armamento bélico, a quantidade e a força adequadas para a vitória. E Moisés, então, dirigido por Deus, faz um planejamento mensurável. Todo planejamento na obra de Deus precisa ser feito segundo o coração de Deus. É preciso entender que nós como Igreja não caminhamos na força do braço, não conquistamos por nossas forças. Fazemos isso em nome do Senhor nosso Deus. Mas ainda assim, é preciso fazer um planejamento estratégico: O que é planejamento estratégico na obra de Deus? Essa é uma pergunta difícil de responder para a atualidade. Um bom planejamento para o homem do século XXI precisa envolver uma análise em vários ângulos para se definir os rumos de uma empresa através do monitoramente de ações concretas. Esses “ângulos” de análise englobam receitas e despesas e capacidade de crescimento. É verdade que um pouco disso pode ser aplicado na Igreja como uma organização, mas planejar de forma estratégica para o povo de Deus engloba tanto alguns ingredientes materiais (Josué e seus homens) como uma visão de fé (Moisés e a vara). A Bíblia diz que não andamos por aquilo que vemos, mas pelo que cremos. Em toda a história do povo de Deus, o Senhor levantou homens, mais diretamente um homem e deu a visão a ele. E esse homem passou a visão à sua liderança. Se quisermos vencer os confrontos dos Amalequitas precisamos planejar de forma estratégica na visão de Deus e nesta visão há muita fé envolvida.

2) Base de sustentação Vr. 10 “Fez Josué como Moisés lhe dissera e pelejou contra Amaleque; Moisés, porém, Arão e Hur subiram ao cimo do outeiro.”


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Qual é a sua base de sustentação eclesiástica, familiar, pessoal para você vencer as suas lutas? Este episódio nos ensina três verdades para nós hoje: Primeiro, existe uma luta espiritual por detrás de toda ação da Igreja. Não temos como negar isso na análise do texto. A presença de Moisés com as mãos levantadas no alto daquele monte e a ligação da derrota e da vitória com esta ação nos deixa claro que a questão ali era espiritual. Moisés não usou nenhuma força física. Paulo diz que “a nossa luta não é contra o sangue e contra a carne, mas contra as forças espirituais...” Quando abrimos as Escrituras em Daniel 9 encontramos aquele homem de joelhos em oração e jejum por três semanas. E o anjo veio a ele e disse (Cap. 10.12): “... desde o primeiro dia em que aplicaste o coração para compreender e humilhar-te perante o teu Deus, foram ouvidas as tuas palavras; e por causa das tuas palavras é que eu vim.” E aí o anjo começa descrever uma luta espiritual em torno da oração do profeta Daniel. Segundo, essa luta não é vencida no individualismo. Todos ali Josué e os homens, Moisés, Arão e Hur – se uniram para um objetivo. Jesus disse em Mateus 12 que um reino dividido não subsiste. E o exemplo que Jesus usou foi interessante. Ele disse que nem o inferno dividido não pode prevalecer. É por isso que ele não prevalece, pois é um reino fundamentado em divisões e discórdias. Muitos lares não conseguem prevalecer contra as suas lutas porque seus membros estão divididos. Um claro exemplo é a pessoa que está em dívidas altas. Em terceiro lugar, cada pessoa individualmente possui um potencial para ser usado. Inicialmente a tarefa de Arão e Hur era irrisória e sem nenhum destaque. Aliás, eles nem precisavam de preparo, sabedoria, ou


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habilidade para fazer o que fizeram. Mas a atitude deles de segurar as mãos de Moisés foi crucial para a vitória. Você precisa entender que a sua contribuição “não deve” ser substituída. Veja: estou dizendo que a sua contribuição não deve ser substituída. Não estou dizendo que a sua contribuição “não pode” ser substituídas. Porque se nós não fizermos, Deus levantará outro para fazer porque a Obra de Deus segue adiante; mas Ele conta comigo e com você.

3) Direcionamento e comando Vrs. 9-10 “Disse Moisés a Josué... fez Josué como Moisés lhe dissera...” O povo teve muita dificuldade em obedecer a Moisés porque tinha dificuldade de confiar em Deus. Afinal, andar no deserto não é algo fácil e às vezes a pessoa prefere conviver com a escravidão. Em alguns momentos Moisés chega para Deus e diz “este povo falta pouco me apedrejar.” Em outros momentos (Como no episódio do bezerro de ouro em Êxodo 32) Deus diz a Moisés “...deixa-me para que se acenda contra eles o meu furor, e eu os consuma; e de ti farei uma grande nação” E Moisés pleiteia com Deus: “Não faça isso, Senhor porque os egípcios vão dizer que o Senhor os tirou do Egito para matá-los no deserto” (Ex. 32:11-12) Mas neste acontecimento da guerra contra os Amalequitas Josué e seu exército não duvidam, nem resmungam e não tentam tomar decisões diferentes. Mesmo, provavelmente, reconhecendo-se estar em números inferiores aos Amalequitas, Josué confia no seu líder, segue seu comando e desce para a peleja em obediência e fé. Irmãos, 50% de uma guerra se ganha com um comando claro do que cada um deve fazer. E este direcionamento de Moisés envolvia: 1. Oração - Vr. 9 “... amanhã estarei no cume do outeiro, e a vara de Deus estará na minha mão.”


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Moisés sobe para orar levando consigo a marca de seu chamado. Aquela vara que tinha sido um simples cajado em suas mãos tornara-se a vara de Deus após o chamado do Senhor. 2. Perseverança – Vr. 12 “... assim lhe ficaram as mãos firmes até ao por-do-sol e Josué desbaratou Amaleque...” O Senhor deu vitória a Josué e seu exército, mas a luta levou o dia todo. 3. Intencionalidade -Vr. 15 “Moisés edificou um altar e lhe chamou: O Senhor é a nossa Bandeira.” No final da batalha ficou claro o intento do coração de Moisés: Ele via a vitória não como uma exaltação para o povo, mas como um momento de glorificação de Deus. 1 Coríntios 10:31 no diz: “... fazei tudo para a glória de Deus.”

Conclusão Na primeira guerra e talvez o maior teste para o povo de Israel, ele venceu porque (1) Moisés tinha um planejamento; (2) Havia uma base de sustentação e (3) O povo seguiu o comando.


Estudo 7 a vitória sobre os amalequitas